O frio aperto de mão
O deputado baiano mandou cartão de Natal para uma mulher que morrera há muito tempo. A família, irritada, retribuiu: "Prezado amigo, embora jamais o tenha conhecido durante os meus 78 anos de vida terrena, daqui de além-túmulo, onde me encontro, agradeço o seu gentil cartão de boas festas, esperando encontrá-lo muito em breve nestes páramos celestiais para um frio aperto de mão. Purgatório, Natal de 2005." O deputado recebeu a resposta. E espera, angustiado e insone, pelo aperto de mão.
A cara de Dilma
Lula disse: o Ministério tem de ter a cara da presidente. Lógico. Será ela a dar o tom da orquestra. Mas, convenhamos, é operação complexa montar um Ministério sem os traços do grande fiador e patrocinador da eleita, Luiz Inácio. Por isso mesmo, a fisionomia está assim esboçada: coração do governo - núcleo duro/economia: lulismo/petismo. Nomes: Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Miriam Belchior (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e Alexandre Tombini (BC). Luciano Coutinho (BNDES); o núcleo político do governo contará com a participação direta do vice-presidente eleito, Michel Temer. Nos braços do Estado deverão estar : Defesa (Nelson Jobim), Relações Exteriores (Antonio Patriota ou uma diplomata). Corpo do governo: repartição entre partidos aliados.
A identidade governamental
Todo governo precisa de uma identidade. Sob pena de espalhar fumaça na opinião pública e acabar sendo tragado pela corrosão da imagem. Pelo que se infere, Dilma pretende ter uma política de relações exteriores não muito comprometida com ditaduras ou sistemas fechados. Gostaria de ampliar as portas para os parceiros históricos da Europa e o próprio Estados Unidos. Na área econômica, gostaria de dar mais apoio aos sistemas produtivos, por meio, principalmente, da alavanca dos juros menores. Na frente política, vai se esforçar para administrar as voracidades dos parceiros partidários de forma a plasmar uma identidade mais técnica e menos conduzida pelo viés político.
"Quando eu disse ao coração da laranja que dentro dela dormia um laranjal, ele me olhou estupidamente incrédulo." (Hermógenes, filósofo grego, século V antes de Cristo)
PT e PMDB
Os dois maiores partidos vão acabar acertando os ponteiros. O PT deverá ficar com a presidência da Câmara dos Deputados logo no primeiro biênio. Trata-se da maior bancada. No passado, o PMDB, mesmo tendo a maior bancada, cedeu a vez ao PT. Mas, naquela época, o PMDB não alcançara a posição que ocupa na vice-presidência da República. Mas, para que o pacote seja fechado, o PMDB exige a assinatura de um documento onde o PT se comprometa a apoiá-lo no 2º biênio. O provável futuro presidente da Casa, Cândido Vaccarezza, pondera com seu bom senso: primeiro, precisamos ter um nome consensual; depois, devemos fechar posições com nossos parceiros e, cumprido esse ritual, assinaremos o documento com o PMDB. Vaccarezza é quem hoje agrega mais apoios no PT.
E os Ministérios, hein?
É compreensível que os partidos aliados entrem em disputa - intensa - pelos Ministérios. A lógica que se impõe neste jogo de pressão e contrapressão leva em conta os saldos eleitorais alcançados pelas siglas em outubro passado. PT e PMDB disputam as melhores fatias. O PMDB costuma dizer que deseja apenas conservar os espaços já ocupados no ciclo Lula. Mas emerge a interpretação do PT. Seguinte : nem todos os espaços ocupados pelo PMDB podem ser rigorosamente creditados na conta do partido, porque alguns ministros foram escolhidos diretamente por Lula. Sem consulta prévia ao partido. Depois, o PMDB teria avalizado. Entre esses, contam-se Temporão, na Saúde; Jobim, na Defesa e até Hélio Costa, que ficou um bom período no Ministério das Comunicações. Em resumo, o PT acha que a cota do PMDB não é 6, mas 3. É evidente que os peemedebistas veem a questão com outros olhos.
Conchavo
Premido pelos casuísmos, Tancredo Neves foi obrigado a fundir o seu PP com o MDB de Itamar. Alguns pepistas pularam do barco e protestaram alegando conchavo. Tancredo foi curto e seco: "Conchavo é a identificação de ideias divergentes formando ideias convergentes." Tinha razão. Há curvas que desembocam em retas.
Placa
Placa em uma barbearia de beira de estrada na BR 116: "Curtume de cabelo e façume de bauba".
Refundação tucana
O PSDB vive uma crise. Por mais que seus caciques queiram escondê-la. Muitos falam em refundação do partido. Outros sinalizam para uma aproximação do partido com a sociedade. A verdade é: os tucanos sempre posaram no alto das copas das árvores; não podem ser considerados um partido de massas, mas um partido de grupos; não interpretam as demandas mais sensíveis das massas urbanas e rurais; trata-se de uma tribo dividida entre muitos caciques. E há pouco índio para tanto mando. São Paulo, até hoje, dá o tom do tucanato.
Aécio entre a dívida e a dúvida
Aécio Neves tem uma dívida de reconhecimento a algumas pessoas, que considera amigas e prioritárias no PSDB. A primeira figura é a de Fernando Henrique. Preza ainda Tasso Jereissati. Mas conserva alguma aversão - não manifesta claramente - ao tucanato paulista, que considera fechado e pouco sensível à correnteza nacional. O recém eleito senador por Minas Gerais, não tivesse um apreciável acervo de amizade, estaria, hoje, confortável para criar uma nova sigla ou mesmo ser o artífice de uma grande fusão interpartidária. Comungam de sua mesa Eduardo Campos, Ciro e Cid Gomes, do PSB.
Custo das eleições
As eleições custaram R$ 3 bilhões. Que divididos por 16.683 candidatos, dá um gasto médio de R$ 20,41 por eleitor. Há 10 anos esse número estava em torno de R$ 12,00. No 1º turno, o voto mais barato foi da Bahia: R$ 13,53; o mais alto foi o de Tocantins: R$ 54,09.
Battisti
Lula deverá decidir sobre Cesare Battisti. Não gostaria de deixar o pepino para Dilma. Infere-se que deverá conceder asilo político na contramão da decisão do STF, que decidiu pela extradição do italiano. Como o presidente da República pode não acatar decisão da Corte, tudo indica que ele ficará por estas plagas.
O rombo da Previdência
Um dado que deve ser guardado na cachola. O rombo da Previdência é de R$ 42,678 bilhões. A maior parte do rombo provem da Previdência rural, coisa de R$ 37,780 bilhões.
Pasta para as microempresas
A nova presidente vai abrir uma pasta para administrar as questões relativas às micro e pequenas empresas. Pela primeira vez no país, esse setor será contemplado com um órgão em nível ministerial. Aplausos ! E que não fique apenas no terreno das intenções. Dois nomes estão no jogo das indicações : Alessandro Teixeira, um dos coordenadores do programa de Dilma e o senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE). Se for o senador, abre-se uma vaga para José Eduardo Dutra voltar ao Senado.
"Os velhos amigos são os melhores. O rei Jonas costumava pedir os seus velhos sapatos, porque eram mais folgados para os seus pés." (John Selden, jurista inglês)
Guerra no Rio
A primeira batalha contra a bandidagem - não a guerra - foi ganha pelas Forças Policiais no Rio de Janeiro. Fator do sucesso : a integração de todas as Forças - PM, Bope, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica, etc. Com apoio da sociedade civil organizada. Comando Vermelho teria sido a facção mais combalida na Operação. Resta escalar outros morros, outros territórios da bandidagem. Prejuízo material - por enquanto - do tráfico : R$ 50 milhões.
Cabralina
Sérgio Cabral se acha o dono do pedaço. Emplaca o médico Sérgio Côrtes no Ministério da Saúde e não tem nenhum pudor em descartar qualquer indicação vinda do presidente do PMDB. Essa é a interpretação que se pode dar à frase que teria pronunciado a respeito da possibilidade de Moreira Franco, muito ligado a Michel Temer, ser cogitado para o Ministério de Dilma : "eu nem penso nessa possibilidade. Isso não é possível". Só faltava, agora, o menor mandar mais que o maior. Sérgio Cabral é também conhecido por passar boa parte do ano em périplos no exterior.
"Político mineiro é como cola adesiva. Adere, depois começa a melar e finalmente descola; aí, desprega." (Ouvida na esquina do Café Pérola, em BH, pinçada por Zé Abelha)
Brasil em números
Eis o tamanho do Brasil : 190.732.694 habitantes; 97.342.162 mulheres (51,03%); 93.390.532 homens (48,96%); população urbana, 84,35%; população rural, 15,65%.
Infraero mais solta
Dilma despolitizará a Infraero. Deverá abrir a concessão de 7 aeroportos ao setor privado. E mais : vai tomar medidas para apressar as licitações.
Natureza animal
Instintos bestiais rondam o gênero humano. Um cara da elite da Polícia, um PM do Gate, Rodrigo Medina, foi indiciado pelo sequestro e assassinato da jornalista Luciana Montanhana. O cara pertencia a um grupo que tinha, entre os encargos, desvendar os crimes de sequestro. Pois ele caiu na rede criminal que combatia. Barbárie!
"Entendida como deve ser a profissão de jornalismo confina com o exercício do sacerdote." (Getúlio Vargas)
Amnésia eleitoral
Boa parte do eleitorado não sabe em quem votou para deputados - estadual, Federal - e até governadores. Significação: descrença na política, profusão de candidaturas, geleia partidária, pasteurização programática.
"Como se há de contar a uma mulher que se sonha com ela, senão em verso ?" (Eça de Queirós)
Serra à procura
José Serra procura um emprego. Na Secretaria de Alckmin ? Um risco. Na presidência do PSDB? Ameaça ao projeto Aécio. No Instituto Teotônio Vilela? Poderia, mas é pouco. Consultoria por conta própria? Mercado ressabiado. Palestras, exposições? Talvez. Convites não muito generosos.
Brigas de galo
Jânio Quadros assumiu a Presidência da República, proibiu brigas de galo. A ordem era irrecorrível: "Se cantar, terreiro. Se brigar, panela." José Resende de Andrade, delegado em Belo Horizonte, era janista, zeloso e fiel executor da lei. Mandou prender todos os galos de briga da região metropolitana. José Resende levou a galada para os fundos da delegacia, na praça da Liberdade. De madrugada, começou a alvorada cantante. Magalhães Pinto, governador do Estado, dormindo próximo, no Palácio da Liberdade, foi despertado pela orquestra de José Resende, mandou dar um jeito imediato na zoeira. José Resende recebeu a ordem, não discutiu. Matou todos. Um galicídio. Até hoje os amigos o chamam de Zé Cocó, o mata-galo. E ele, muito mineiramente, sorri modesto: "O dever não distingue o canto do infrator." (Historinha narrada pela verve de Sebastião Nery)
Conselho à presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à ANAC. Hoje, volta sua atenção à presidente Dilma:
Por maior que seja a necessidade de agradecer ao patrocinador, Lula, vale lembrar que, doravante, o sucesso ou a derrota será atribuída ao seu desempenho. Por isso, a formação do Ministério deve levar em consideração não o passado, mas o futuro. Sob esse argumento, vale lembrar:
1. O Ministério como um todo precisa encarnar o espírito de um novo governo. A sombra de Lula poderá ensejar um continuísmo sem novidades.
2. Para atingir essa meta, algumas pastas devem atender aos novos desafios e metas da administração.
3. A identidade técnica deve ser tão importante como a identidade política, buscando-se preservar os fatores da eficiência, da eficácia e da integração de linguagens entre setores e espaços.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A ARTE IMITA A VIDA!
Quem pensa que as estrelas das novelas e revistas são seres “alienígenas” ao cotidiano de um simples cidadão vai ficar surpreso!
O badalado ator Selton Mello, uma das principais figuras do cinema brasileiro, entrou na Justiça para pleitear uma indenização contra uma companhia área, que segundo o astro, teria falhado na prestação de serviço.
Consta no processo que o ator sofreu com atrasos e perda de bagagem. O resultado, embora parcial, é uma indenização de R$ 10.000, 00 (dez mil reais).
Lição para todos: quem quer que seja será sempre consumidor, quem quer que seja tem que lutar pelos seus direitos. A atitude vale mais que qualquer recompensa!
(Do site PRO TESTE)
O badalado ator Selton Mello, uma das principais figuras do cinema brasileiro, entrou na Justiça para pleitear uma indenização contra uma companhia área, que segundo o astro, teria falhado na prestação de serviço.
Consta no processo que o ator sofreu com atrasos e perda de bagagem. O resultado, embora parcial, é uma indenização de R$ 10.000, 00 (dez mil reais).
Lição para todos: quem quer que seja será sempre consumidor, quem quer que seja tem que lutar pelos seus direitos. A atitude vale mais que qualquer recompensa!
(Do site PRO TESTE)
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
O RIO CONTRA O CRIME

Rio - Nos últimos dias, a região metropolitana do Rio de Janeiro e municípios adjacentes foi tomada por uma onda de episódios violentos, que trouxeram terror à população.
Os ataques, definidos, a partir da conceituação do sistema ONU, como “terroristas”, estão sendo associados às iniciativas de repressão ao tráfico de drogas e ao uso ostensivo de armamentos pesados nas favelas ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
A estratégia dos traficantes seria ambiciosa: propagar um clima de insegurança generalizada, desgastar a imagem pública do comando da polícia e desestabilizá-lo até sua queda ou até a retração das políticas de ocupação.
A suposição é o que chama a atenção. Qual o nível de apoio popular às UPPs e qual a tolerância para seus “efeitos colaterais”, como a onda de terror implantada?
Os últimos dias têm revelado uma intolerância do carioca com a violência. Os pedidos desesperados de paz e a colaboração com a polícia, medida através das ligações remetidas ao Disque Denúncia, confirmam essa tendência.
Ainda no que tange ao apoio às ocupações policiais permanentes, é importante ter a lucidez de que as UPPs gozarão de prestígio à medida em que se espraiem por outras regiões além da Zona Sul.
Se desde os anos 1990 percebia-se a relação da violência com a divisão entre morro e asfalto, a concentração das UPPs em uma dada região poderá reforçar a cisão entre Zona Norte (conflagrada) e Zona Sul (pacificada).
À medida que áreas não-nobres, ou menos valorizadas imobiliariamente, sejam pacificadas, a tendência é que o apoio às ocupações cresça e que as UPPs se consolidem como política de Estado e não só de governo.
(Por Fabiano Dias Monteiro, pesquisador do Viva Rio)
domingo, 28 de novembro de 2010
MUITOS ANOS DE VIDA, WILSON E GUSTAVO!


Hoje é dia de abraçar meus diletos e estimados parceiros de faina advocatícia Wilson e Gustavo Vicentino. Pai e filho nasceram e celebram a vida no mesmo vigésimo oitavo dia de novembro.
Wilson é um pai extremado, protetivo e generoso, que venera cada um dos filhos (Gustavo, Wilson Júnior, Cindy, Caio, Mateus e Vítor) com admirável singularidade.
Gustavo é o primogênito. Bonachão, corpulento, tem um largo coração. É figura do bem.
Wilson Vicentino é um dos mais destacados operadores do direito no Ceará. Agrega às atividades típicas do causídico (advocacia e consultoria) o diferencial da estratégia. É um estrategista legal. Entra nas causas que abraça com a desenvoltura e a paixão de um mergulhador de águas profundas. Vai ao fundo do oceano jurisdicional. Perscruta cada detalhe.
Muito tenho aprendido com o pai e, por extensão, com o filho.
Que Deus os bafeje com muitos anos de vida! Parabéns!
(Júnior Bonfim)
sábado, 27 de novembro de 2010
SOBRE EXPEDITO MACHADO
Expedito Machado da Ponte, um crateunse que brilhou no cenario politico Nacional.
Conheci de perto este ferrenho pessedista.
Em 1958 vivi a sua campanha para deputado federal juntamente com Jose Parsifal Barroso para governador do Ceará, ambos eleitos.
Na campanha de 1962 conheci, em um monumental comicio no centro de Crateus, juntamente com Expedito Machado o famoso Tenorio Cavalcante, RJ, o homem da capa preta e sua metralhadora "lurdinha".
Caro JB, eu com onze anos de idade ja era udenista.
(Luiz Bonfim)
Conheci de perto este ferrenho pessedista.
Em 1958 vivi a sua campanha para deputado federal juntamente com Jose Parsifal Barroso para governador do Ceará, ambos eleitos.
Na campanha de 1962 conheci, em um monumental comicio no centro de Crateus, juntamente com Expedito Machado o famoso Tenorio Cavalcante, RJ, o homem da capa preta e sua metralhadora "lurdinha".
Caro JB, eu com onze anos de idade ja era udenista.
(Luiz Bonfim)
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
MORREU EXPEDITO MACHADO


Saí há pouco da Funerária Ternura, na avenida Padre Valdevino, em Fortaleza, onde está sendo velado o corpo de Expedito Machado da Ponte. Vários amigos da família lá estavam prestando a sua solidariedade. Transmiti minhas condolências ao seu filho Sérgio Machado.
O ex-deputado federal e ex-ministro da Viação e Obras Públicas do Governo João Goulart, Expedito Machado da Ponte, faleceu nesta quinta-feira (26), aos 92 anos, no Hospital Monte Klinikun, em Fortaleza, vítima de câncer.
Eleito deputado federal, Expedito organizou e liderou o Centro Democrático, conhecido como “Centrão”, constituído por 178 parlamentares favoráveis a uma Constituição liberal. O ex-ministro deixou a carreira política em 1991, ao fim da legislatura na Câmara dos Deputados, se dedicando a atividades empresariais.
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Expedito Machado de Ponte nasceu no dia 15 de junho de 1919, em Cratéus (CE), filho de Francisco de Assis Machado e de Maria Melo Machado.
Entre 1938 e 1940, cursou a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, formando-se, posteriormente, em agronomia. Militante do Partido Social Democrático desde 1946, membro do diretório regional do Ceará, elegeu-se deputado estadual em outubro de 1954, e deputado federal em outubro de 1958. .
Reeleito em 1962, foi nomeado para o Ministério da Viação e Obras Públicas em junho de 1963. Licenciou-se então da Câmara dos Deputados para integrar o segundo gabinete ministerial presidencialista do governo João Goulart. Após o golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente, foi afastado da pasta, retornando à Câmara. Em 13 de junho teve seu mandato parlamentar cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos com base no Ato Institucional nº 1, editado em 9 de abril de 1964. Exilou-se em Paris, onde permaneceu por 11 meses.
Voltou à política graças à anistia decretada em 28 de agosto de 1979, e com a extinção do bipartidarismo, em novembro, foi um dos fundadores do Partido Popular (PP), no Ceará, um ano depois. Em fevereiro de 1982, quando o PP incorporou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, filiou-se a esta agremiação. No pleito de novembro de 1986 disputou uma vaga de deputado federal constituinte pela legenda do PMDB. Eleito, tomou posse em 1º de fevereiro do ano seguinte, organizando e liderando o Centro Democrático — chamado Centrão —, constituído por 178 parlamentares conservadores, favoráveis a uma Constituição mais liberal e menos estatizante. Com a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, deu continuidade ao seu mandato ordinário na Câmara dos Deputados, onde permaneceu até o final da legislatura, em janeiro de 1991, sem ter concorrido à reeleição.
Abandonando a carreira política, dedicou-se a atividades empresariais.
Casado com Daisi de Oliveira Machado, teve cinco filhos.
Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Lei da Gravidade
A Lei da Gravidade, de vez em quando, dá dor de cabeça aos mineiros. E a lei da gravidez, essa, nem se fala. Na Câmara Municipal de Caeté, terra da família Pinheiro, de onde saíram dois governadores, discutia-se o abastecimento de água para a cidade. O engenheiro enviado pelo governador Israel Pinheiro deu as explicações técnicas aos vereadores, buscando justificar a dificuldade da captação: a água lá em baixo e a cidade, lá em cima. Seria necessário um bombeamento que custaria milhões e, sinceramente, achava o problema de difícil solução a curto prazo, conforme desejavam:
- Mas, doutor - pergunta o líder do prefeito - qual é o problema mesmo?
- O problema mesmo - responde o engenheiro - está ligado à Lei da Gravidade.
- Isso não é problema - diz o líder - nós vamos ao doutor Israel e ele, com uma penada só, revoga essa danada de lei que, no mínimo, deve ter sido votada pela oposição, visando perseguir o PSD.
O líder da oposição, em aparte, contesta o líder do prefeito e informa à edilidade, em tom de deboche, que "o governador Israel nada pode fazer, visto ser a Lei da Gravidade de âmbito Federal". E está encerrada a sessão. (A historinha é de José Flávio Abelha, em seu livro A Mineirice).
CUT ou Força Sindical?
Uma grande peleja se aguarda. Será entre a CUT e a Força Sindical. A luta será pelos domínios do MTE. Esta seara tem sido administrada pelos pedetistas, comandados por Carlos Lupi e por Paulinho Pereira da Silva, presidente da Força. Paulinho acaba de ser reeleito deputado, lidera o partido e, evidentemente, quer continuar o mando naquele Ministério. Carlos Lupi, portanto, dependerá não apenas da força que tem no PDT, mas do apoio de Paulinho. Ocorre que a CUT quer emplacar no MTE o nome de Arthur Henrique, presidente da CUT. O ciclo Dilma será bastante movimentado no capítulo das relações trabalhistas. As Centrais Sindicais querem balizar os acontecimentos nessa área.
Projeto delgado
O deputado Paulo Delgado, uma das cabeças pensantes do PT, conseguiu chegar a um projeto sobre a terceirização de serviços, considerado o melhor entre os que tramitam na Câmara dos Deputados. Delgado discutirá este projeto, amanhã à tarde, com um grupo de sindicalistas e empresários. Serão analisados aspectos positivos e negativos. O deputado mineiro deverá fazer o aconselhamento e as indicações para que seu projeto entre na pauta de urgência da Câmara. Infelizmente, Paulo Delgado não conseguiu se reeleger. Mas será certamente um ativo participante dos eventos em torno da terceirização de serviços.
Meirelles
O presidente do BC, Henrique Meirelles, anda dizendo que só aceitará permanecer à frente da instituição, caso mantenha sua relativa independência. Conversa morna para acalentar bovinos. Meirelles até que gostaria de continuar. Mas, depois de 8 anos, entra na faixa da mesmice. Ganhou independência, não reduziu os juros como o setor produtivo sempre defendeu, foi firme em sua determinação de seguir à risca a rigidez da política cambial e de juros. Diz-se que Dilma não preza a inflexibilidade de Meirelles. Mas o Diretor de Normas do BC, Alexandre Tombini, com o maior cacife foi o convidado.
E na infraestrutura? É possível?
Mas Henrique Meirelles conseguiu produzir um figurino de respeito. Que não pode ser jogado simplesmente fora. Dilma, a presidente, poderá aproveitá-lo em uma Pasta da Infraestrutura. Nos últimos tempos, ele tem se aproximado do PMDB, procurando o presidente Michel Temer para sondagens. Mas o partido sempre o considerou uma carta do baralho de Lula. De qualquer maneira, se vier a ser escolhido, o PMDB deverá dar o endosso.
Mangabeira
Já o ex-ministro Mangabeira Unger não arreda pé dos espaços ocupados pelo presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer. O professor é um homem muito preparado. Culto e inteligente. Mas seu sonho de vir a ocupar o Ministério das Relações Exteriores é irrealizável. Não apenas porque este Ministério faz parte da cota pessoal da presidência, mas porque Mangabeira carrega muita polêmica em seu perfil. Coisa que não combina com as Relações Exteriores. Pode ganhar algum cargo de assessoramento. Algo que não esteja muito à vista.
Belchior
Cumprindo a meta de adensar o Ministério com a participação de mulheres, a presidente Dilma convidou Miriam Belchior para o Planejamento. Hoje, ela coordena o PAC.
Rossi
Wagner Rossi é um dos quadros qualificados do PMDB. Exerceu com discrição e competência as altas funções de ministro da Agricultura, após o afastamento de Reinhold Stephanes, reeleito deputado pelo PMDB do Paraná. Rossi é o nome que o PMDB defende para continuar à frente do Ministério da Agricultura. A conferir!
Kassab e o futuro
Hábil articulador, Gilberto Kassab quer fazer um bloco reunindo PDT, PC do B e PSB, ao lado do PMDB, onde deverá ingressar nos próximos meses. A ideia é formar uma frente para abrir horizontes políticos, a partir de 2011. Para tanto, o prefeito de São Paulo inicia conversações para todos os lados.
A ala quercista
Agora, um pequeno grupo ligado a Quércia quer avaliar a entrada de Kassab no PMDB. Como se sabe, este partido foi praticamente destroçado em São Paulo no ciclo quercista. Elegeu, no último pleito, apenas um deputado Federal. O comandante Orestes Quércia está convalescendo. E ainda mantém o domínio do partido. Kassab representa sangue novo. Traria, de pronto, cerca de 10 deputados Federais para engrossar a sigla. Mas o prefeito Marcelo Barbieri, de Araraquara, ligado a Quércia, parece querer conservar a sigla magra, mas com um dono só. Cada qual com sua pequenez.
Comando do Senado
José Sarney está quase inclinado a aceitar a convocação para voltar ao comando do Senado em 2011. Falta o 'SIM' de dona Marly.
Pacote regulamentador
Espera-se até final de dezembro o pacote de regulamentação das telecomunicações. Que viria com as definições sobre a produção de conteúdos pelas teles. O temor é que o pacote chegue a abrigar controles de conteúdos nas mídias tradicionais.
Acordão PT/PMDB
Este consultor conhece os principais interlocutores do PT e do PMDB em matéria de presidência da Câmara. São três pessoas: os líderes Henrique Alves - PMDB, Cândido Vaccarezza - PT e o presidente da Câmara e vice-presidente eleito da República, Michel Temer. Pois bem, Henrique e Vaccarezza começaram a conversar. Vão analisar pontos positivos e negativos de cada ciclo e de cada candidatura (a deles mesmo) e acertar um rumo. A seguir, farão chegar ao presidente Temer a decisão. E se a coisa der empate - ou uma situação de inflexibilidade das partes - Temer entrará no circuito, agora como juiz.
Valle de Los Caídos
Quem vai à Espanha, é levado a conhecer o Valle de Los Caídos, o memorial franquista monumental e complexo, erguido entre 1940 e 1958, a cerca de 40 km de Madrid, em memória dos mortos na Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939. Sua construção demorou 18 anos para ser concluída, formando um complexo composto de basílica, abadia e hospedaria. O Valle de los Caídos foi erigido para ser o panteão dos soldados franquistas "caídos" (ou seja, mortos em combate) durante a Guerra Civil Espanhola.
Vale brasileiro
No Brasil, o Valle de Los Caídos é a expressão usada para designar o cemitério dos derrotados na última campanha. Pois bem, os "mortos" acorrem vivamente na direção dos vitoriosos. Para clamar por uma fatia, um pedaço, uma nesga de poder. Querem um cargo público, se possível em uma estatal de proa. Os lobbies estão apertando os donos dos maiores latifúndios. O cemitério dos caídos é abrigo de representantes de todos os partidos. Os governadores eleitos estão sendo igualmente assediados.
Cardozo
José Eduardo Cardozo, preparado, sensível, pessoa educada, está a um passo da cadeira de ministro da Justiça.
Abílio? Não quer
Se Abílio Diniz quisesse, há muito seria ministro. Agora, seu nome volta à tona, desta feita para substituir o jornalista Miguel Jorge no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Diniz não quer. Tem muita coisa a fazer no seu império. Dá orientação estratégica, dirige reuniões, participa de eventos e faz, religiosamente, seus exercícios físicos. Deixar tudo isso para ser um burocrata não estaria na sua índole. Se topar, é porque a missão cívica venceu a parada.
Gabrielli
Sergio Gabrielli ficará mais um tempinho comandando a Petrobras. Depois, voltará à Bahia para integrar o governo de Jaques Wagner. Que lhe dará uma pasta de muita visibilidade e dinheiro. Gabrielli estará se preparando para ser o candidato de Wagner ao governo em 2014.
Dilma no parlatório
Dilma fará seu discurso de posse do Parlatório, em frente à Praça dos Três Poderes. E Lula, esta é a novidade, deverá falar. Geralmente, presidentes que se despedem, não falam. Mas Lula é... Lula.
McCartney pleonástico
Paul McCartney é um pleonasmo. Seu show, na segunda-feira, com o Morumbi todo ocupado, foi antológico, apoteótico, maravilhoso, fantástico. O maior e melhor que já vi em minha vida. Quase 3 horas de show ininterrupto, 40 músicas, belíssimas, e o cara nem um copo d'água tomou. Um monumento ao preparo físico. Um exemplo de músico completo.
Lula dá o tom
Guido Mantega no Ministério da Fazenda? Indicação de Lula para permanecer. Gabrielli continuando na Petrobras? Dizem que é sugestão de Lula. Aproveitar bem o Palocci? Mais uma vez, a voz de Lula. E no BNDES? Se Luciano Coutinho continuar, a sombra de Lula será também vista.
Alckmin e o serrismo
Tenho ouvido nos bastidores: Geraldo Alckmin vai formar um secretariado que seja espelho de seu DNA político. Quer dizer, não dará muito prestígio aos serristas. Alckmin sempre foi olhado de soslaio pelo grupo serrista. As alas só se dão bem nas aparências. O governador, por sua vez, sente-se agradecido a Serra por tê-lo trazido de volta ao batente da visibilidade. Pode retribuir, de leve, mas sem grandes afagos.
Conselho à ANAC
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos comandos estaduais. Hoje, volta sua atenção à ANAC:
O fim de ano se aproxima. As nuvens pesadas ameaçam paralisar não apenas as pistas dos aeroportos, mas os próprios saguões. Que estarão superlotados. Chega a informação de que a Agência Nacional de Aviação Civil proibirá as companhias aéreas de praticar o overbooking - venda de mais passagens que os assentos disponíveis nos aviões. Pois bem, para que esta informação não caia no vazio, urge:
1. Baixar imediatamente Portaria nesse sentido e fazer ampla divulgação na mídia.
2. Disponibilizar nos aeroportos guichês para acompanhamento, monitoramento e controle da situação aérea neste final de ano.
3. Implantar sistemas capazes de administrar tempestivamente quaisquer eventos que impliquem caos aéreo com a punição imediata dos responsáveis.
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(Gaudêncio Torquato)
A Lei da Gravidade, de vez em quando, dá dor de cabeça aos mineiros. E a lei da gravidez, essa, nem se fala. Na Câmara Municipal de Caeté, terra da família Pinheiro, de onde saíram dois governadores, discutia-se o abastecimento de água para a cidade. O engenheiro enviado pelo governador Israel Pinheiro deu as explicações técnicas aos vereadores, buscando justificar a dificuldade da captação: a água lá em baixo e a cidade, lá em cima. Seria necessário um bombeamento que custaria milhões e, sinceramente, achava o problema de difícil solução a curto prazo, conforme desejavam:
- Mas, doutor - pergunta o líder do prefeito - qual é o problema mesmo?
- O problema mesmo - responde o engenheiro - está ligado à Lei da Gravidade.
- Isso não é problema - diz o líder - nós vamos ao doutor Israel e ele, com uma penada só, revoga essa danada de lei que, no mínimo, deve ter sido votada pela oposição, visando perseguir o PSD.
O líder da oposição, em aparte, contesta o líder do prefeito e informa à edilidade, em tom de deboche, que "o governador Israel nada pode fazer, visto ser a Lei da Gravidade de âmbito Federal". E está encerrada a sessão. (A historinha é de José Flávio Abelha, em seu livro A Mineirice).
CUT ou Força Sindical?
Uma grande peleja se aguarda. Será entre a CUT e a Força Sindical. A luta será pelos domínios do MTE. Esta seara tem sido administrada pelos pedetistas, comandados por Carlos Lupi e por Paulinho Pereira da Silva, presidente da Força. Paulinho acaba de ser reeleito deputado, lidera o partido e, evidentemente, quer continuar o mando naquele Ministério. Carlos Lupi, portanto, dependerá não apenas da força que tem no PDT, mas do apoio de Paulinho. Ocorre que a CUT quer emplacar no MTE o nome de Arthur Henrique, presidente da CUT. O ciclo Dilma será bastante movimentado no capítulo das relações trabalhistas. As Centrais Sindicais querem balizar os acontecimentos nessa área.
Projeto delgado
O deputado Paulo Delgado, uma das cabeças pensantes do PT, conseguiu chegar a um projeto sobre a terceirização de serviços, considerado o melhor entre os que tramitam na Câmara dos Deputados. Delgado discutirá este projeto, amanhã à tarde, com um grupo de sindicalistas e empresários. Serão analisados aspectos positivos e negativos. O deputado mineiro deverá fazer o aconselhamento e as indicações para que seu projeto entre na pauta de urgência da Câmara. Infelizmente, Paulo Delgado não conseguiu se reeleger. Mas será certamente um ativo participante dos eventos em torno da terceirização de serviços.
Meirelles
O presidente do BC, Henrique Meirelles, anda dizendo que só aceitará permanecer à frente da instituição, caso mantenha sua relativa independência. Conversa morna para acalentar bovinos. Meirelles até que gostaria de continuar. Mas, depois de 8 anos, entra na faixa da mesmice. Ganhou independência, não reduziu os juros como o setor produtivo sempre defendeu, foi firme em sua determinação de seguir à risca a rigidez da política cambial e de juros. Diz-se que Dilma não preza a inflexibilidade de Meirelles. Mas o Diretor de Normas do BC, Alexandre Tombini, com o maior cacife foi o convidado.
E na infraestrutura? É possível?
Mas Henrique Meirelles conseguiu produzir um figurino de respeito. Que não pode ser jogado simplesmente fora. Dilma, a presidente, poderá aproveitá-lo em uma Pasta da Infraestrutura. Nos últimos tempos, ele tem se aproximado do PMDB, procurando o presidente Michel Temer para sondagens. Mas o partido sempre o considerou uma carta do baralho de Lula. De qualquer maneira, se vier a ser escolhido, o PMDB deverá dar o endosso.
Mangabeira
Já o ex-ministro Mangabeira Unger não arreda pé dos espaços ocupados pelo presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer. O professor é um homem muito preparado. Culto e inteligente. Mas seu sonho de vir a ocupar o Ministério das Relações Exteriores é irrealizável. Não apenas porque este Ministério faz parte da cota pessoal da presidência, mas porque Mangabeira carrega muita polêmica em seu perfil. Coisa que não combina com as Relações Exteriores. Pode ganhar algum cargo de assessoramento. Algo que não esteja muito à vista.
Belchior
Cumprindo a meta de adensar o Ministério com a participação de mulheres, a presidente Dilma convidou Miriam Belchior para o Planejamento. Hoje, ela coordena o PAC.
Rossi
Wagner Rossi é um dos quadros qualificados do PMDB. Exerceu com discrição e competência as altas funções de ministro da Agricultura, após o afastamento de Reinhold Stephanes, reeleito deputado pelo PMDB do Paraná. Rossi é o nome que o PMDB defende para continuar à frente do Ministério da Agricultura. A conferir!
Kassab e o futuro
Hábil articulador, Gilberto Kassab quer fazer um bloco reunindo PDT, PC do B e PSB, ao lado do PMDB, onde deverá ingressar nos próximos meses. A ideia é formar uma frente para abrir horizontes políticos, a partir de 2011. Para tanto, o prefeito de São Paulo inicia conversações para todos os lados.
A ala quercista
Agora, um pequeno grupo ligado a Quércia quer avaliar a entrada de Kassab no PMDB. Como se sabe, este partido foi praticamente destroçado em São Paulo no ciclo quercista. Elegeu, no último pleito, apenas um deputado Federal. O comandante Orestes Quércia está convalescendo. E ainda mantém o domínio do partido. Kassab representa sangue novo. Traria, de pronto, cerca de 10 deputados Federais para engrossar a sigla. Mas o prefeito Marcelo Barbieri, de Araraquara, ligado a Quércia, parece querer conservar a sigla magra, mas com um dono só. Cada qual com sua pequenez.
Comando do Senado
José Sarney está quase inclinado a aceitar a convocação para voltar ao comando do Senado em 2011. Falta o 'SIM' de dona Marly.
Pacote regulamentador
Espera-se até final de dezembro o pacote de regulamentação das telecomunicações. Que viria com as definições sobre a produção de conteúdos pelas teles. O temor é que o pacote chegue a abrigar controles de conteúdos nas mídias tradicionais.
Acordão PT/PMDB
Este consultor conhece os principais interlocutores do PT e do PMDB em matéria de presidência da Câmara. São três pessoas: os líderes Henrique Alves - PMDB, Cândido Vaccarezza - PT e o presidente da Câmara e vice-presidente eleito da República, Michel Temer. Pois bem, Henrique e Vaccarezza começaram a conversar. Vão analisar pontos positivos e negativos de cada ciclo e de cada candidatura (a deles mesmo) e acertar um rumo. A seguir, farão chegar ao presidente Temer a decisão. E se a coisa der empate - ou uma situação de inflexibilidade das partes - Temer entrará no circuito, agora como juiz.
Valle de Los Caídos
Quem vai à Espanha, é levado a conhecer o Valle de Los Caídos, o memorial franquista monumental e complexo, erguido entre 1940 e 1958, a cerca de 40 km de Madrid, em memória dos mortos na Guerra Civil Espanhola, de 1936 a 1939. Sua construção demorou 18 anos para ser concluída, formando um complexo composto de basílica, abadia e hospedaria. O Valle de los Caídos foi erigido para ser o panteão dos soldados franquistas "caídos" (ou seja, mortos em combate) durante a Guerra Civil Espanhola.
Vale brasileiro
No Brasil, o Valle de Los Caídos é a expressão usada para designar o cemitério dos derrotados na última campanha. Pois bem, os "mortos" acorrem vivamente na direção dos vitoriosos. Para clamar por uma fatia, um pedaço, uma nesga de poder. Querem um cargo público, se possível em uma estatal de proa. Os lobbies estão apertando os donos dos maiores latifúndios. O cemitério dos caídos é abrigo de representantes de todos os partidos. Os governadores eleitos estão sendo igualmente assediados.
Cardozo
José Eduardo Cardozo, preparado, sensível, pessoa educada, está a um passo da cadeira de ministro da Justiça.
Abílio? Não quer
Se Abílio Diniz quisesse, há muito seria ministro. Agora, seu nome volta à tona, desta feita para substituir o jornalista Miguel Jorge no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Diniz não quer. Tem muita coisa a fazer no seu império. Dá orientação estratégica, dirige reuniões, participa de eventos e faz, religiosamente, seus exercícios físicos. Deixar tudo isso para ser um burocrata não estaria na sua índole. Se topar, é porque a missão cívica venceu a parada.
Gabrielli
Sergio Gabrielli ficará mais um tempinho comandando a Petrobras. Depois, voltará à Bahia para integrar o governo de Jaques Wagner. Que lhe dará uma pasta de muita visibilidade e dinheiro. Gabrielli estará se preparando para ser o candidato de Wagner ao governo em 2014.
Dilma no parlatório
Dilma fará seu discurso de posse do Parlatório, em frente à Praça dos Três Poderes. E Lula, esta é a novidade, deverá falar. Geralmente, presidentes que se despedem, não falam. Mas Lula é... Lula.
McCartney pleonástico
Paul McCartney é um pleonasmo. Seu show, na segunda-feira, com o Morumbi todo ocupado, foi antológico, apoteótico, maravilhoso, fantástico. O maior e melhor que já vi em minha vida. Quase 3 horas de show ininterrupto, 40 músicas, belíssimas, e o cara nem um copo d'água tomou. Um monumento ao preparo físico. Um exemplo de músico completo.
Lula dá o tom
Guido Mantega no Ministério da Fazenda? Indicação de Lula para permanecer. Gabrielli continuando na Petrobras? Dizem que é sugestão de Lula. Aproveitar bem o Palocci? Mais uma vez, a voz de Lula. E no BNDES? Se Luciano Coutinho continuar, a sombra de Lula será também vista.
Alckmin e o serrismo
Tenho ouvido nos bastidores: Geraldo Alckmin vai formar um secretariado que seja espelho de seu DNA político. Quer dizer, não dará muito prestígio aos serristas. Alckmin sempre foi olhado de soslaio pelo grupo serrista. As alas só se dão bem nas aparências. O governador, por sua vez, sente-se agradecido a Serra por tê-lo trazido de volta ao batente da visibilidade. Pode retribuir, de leve, mas sem grandes afagos.
Conselho à ANAC
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos comandos estaduais. Hoje, volta sua atenção à ANAC:
O fim de ano se aproxima. As nuvens pesadas ameaçam paralisar não apenas as pistas dos aeroportos, mas os próprios saguões. Que estarão superlotados. Chega a informação de que a Agência Nacional de Aviação Civil proibirá as companhias aéreas de praticar o overbooking - venda de mais passagens que os assentos disponíveis nos aviões. Pois bem, para que esta informação não caia no vazio, urge:
1. Baixar imediatamente Portaria nesse sentido e fazer ampla divulgação na mídia.
2. Disponibilizar nos aeroportos guichês para acompanhamento, monitoramento e controle da situação aérea neste final de ano.
3. Implantar sistemas capazes de administrar tempestivamente quaisquer eventos que impliquem caos aéreo com a punição imediata dos responsáveis.
____________
(Gaudêncio Torquato)
HUMILDADE E ELEVAÇÃO
A vaidade enlouquece.
A revolta dificulta.
A dor regenera.
A facilidade perturba.
O trabalho educa.
A humildade eleva sempre
Emmanuel (espírito) / psicografia de Chico Xavier. Do livro: A semente da mostarda.
A revolta dificulta.
A dor regenera.
A facilidade perturba.
O trabalho educa.
A humildade eleva sempre
Emmanuel (espírito) / psicografia de Chico Xavier. Do livro: A semente da mostarda.
FUTEBOL DE BOTÃO

O breve e ocasional rubor vespertino
era em prol de um único objetivo,
abrilhantar o admirável momento
do nosso célebre campeonato de botão.
Demarcadas a giz, as linhas divisórias
do gramado imaginário eram um mundo
que nos prendia àquele diminuto chão:
íntimo torpor, rara alegria, pura satisfação.
Não havia só um devaneio qualquer
na agradável fantasia de jogar botão,
que ficou estampado na luz fluída
de um entardecer em alumbramento.
A fantasia alçava voo num lance de gol.
A imaginação resvalava no cimento liso
com os botões a correr, a driblar e chutar
uma minúscula bola rumo a um travessão.
Enquanto o lúdico em luta se transfigura
e um torpe malogro vai entediando a vida,
acolho novas idéias de meus velhos botões
para os dias de agora que se vão, pesarosos.
(Raimundo Candido)
NO BALANÇO DA REDE
Você esqueceu minha rede
Veio outro e se deitou.
Deixou de me chamegar,
Veio outro e chamegou.
*
A rede estava armada,
Mas você se desarmou.
Agora está lamentando
Pois outro me embalou.
*
No vai e vem da rede
Faz zuada o armador.
Embalando a magia,
Nos acordes do amor.
*
Deixei de ninar saudades
Voltei a embalar paixão.
Na rede da felicidade.
Balança meu coração.
*
Dalinha Catunda
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
O QUADRO DA SALA
Vinte anos afastado de sua criação,
Como um barco à deriva pela vida,
E as cores pedindo ajuda as suas mãos
Para darem formas as novas margaridas.
Então, pela cidade de Paraty, sentiu-se atraído
Como se aquele lugar fosse sua aquarela
Ao chegar, por um pássaro vermelho foi recebido
Quando abriu para o mundo sua janela.
Mas gente sempre foi sua verdadeira paixão
E os quadros foram chegando com rostos e cores,
Pintados sobre a lona de um caminhão,
Que de suas viagens traz remendos e amores.
Histórias foram completando seu ateliê e galeria,
Enquanto suas telas traçavam as rotas do mundo,
Mas no Rio de Janeiro existia uma sala ainda vazia
Em que um casal aguardava um quadro profundo.
Este em busca de uma arte que tocasse o seu ser
Até que um intenso azul iluminou suas retinas.
Nascendo nele, o ávido desejo de conhecer
O criador da pureza das duas belas meninas.
Os pincéis com suavidade traçaram linhas convergentes
E as vidas dos três se cruzaram na “Veneza Brasileira”,
Pois a arte que por sublimidade é atraente
Constrói entre as pessoas uma relação verdadeira.
Depois de apreciarem tanta beleza,
Em uma tarde, em tão agradável companhia,
O Casal sentiu no âmago a certeza
De que sua sala clamava por aquela alegria.
Então, foram surpreendidos pela nobreza do pintor
Que lhe propôs criar um quadro com seu gosto
E nas noites seguintes, a moça sonhou com a cor
Que daria vida a tela e cada rosto.
Já no aniversário dela, como se por magia,
Duas jovens de sombrinhas em tons vibrantes
Preencheram de encanto a sua sala vazia,
Tornando inesquecível cada instante.
(Silvia Régia Lopes Melo)
Elias de França disse...
Que belo poema, poetisa!
Como que pintando uma historia de vida, os versos vão pincelando as imagens de distâncias findas em doces reencontros, longas idas em coloridos chegares, saudades perdidas reachadas em novas invenções... pintada assim, então, a vida parece tela em aquarela!
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Olá Júnior,
Poema lindo, muito bem comentado por Elias de França, que quase me deixou inibida a comentar.
Silvia realmente pinta com palavras uma linda aquarela onde a vida explode em tons variados.
Parabéns a Silvia pela arte.
Parabéns ao Elias pelo valoroso comentário.
E, parabéns a você, Júnior, pela magnífica postagem.
Um abraço,
Dalinha
A MAÇONARIA
Unindo homens de bem na escala universal,
A Maçonaria defende a paz e a liberdade,
Combatendo os vícios, os erros e o mal,
Ela une todos os povos na defesa da igualdade.
A Maçonaria na luta pela ordem e pela liberdade,
Se projetou com dignidade na historia universal,
Prestando relevantes serviços à toda a humanidade,
Sempre voltada ao bem e no combate aos vícios e ao mal.
Com atuação decisiva na antiguidade,
E com liderança e coragem na revolução francesa,
A Maçonaria se constituiu um marco de dignidade,
Sempre nos sagrados direitos humanos na defesa.
Em nossa querida pátria amada, Brasil
A Maçonaria sempre na história se destacou
E em um valoroso baluarte se constituiu
E a luta pela independência com nobreza liderou,
Também na sangrenta abolição da escravatura,
Quando uma elite egoísta dominava os irmãos,
Foi a Maçonaria que assumiu a envergadura
E o sucesso da abolição garantiu em suas mãos.
Sempre pregando o bem, o amor e a decência
Defendendo os sagrados direitos da vida e da liberdade,
A Maçonaria sabe assumir seu papel com veemência,
Sem medo dos poderosos e na defesa da igualdade.
Ser maçon é viver com dignidade,
É ajudar os irmãos e serviços prestar,
É defender sempre a justiça e a igualdade,
Sem a nenhum outro principio se curvar
(José Aristides Braga)
A Maçonaria defende a paz e a liberdade,
Combatendo os vícios, os erros e o mal,
Ela une todos os povos na defesa da igualdade.
A Maçonaria na luta pela ordem e pela liberdade,
Se projetou com dignidade na historia universal,
Prestando relevantes serviços à toda a humanidade,
Sempre voltada ao bem e no combate aos vícios e ao mal.
Com atuação decisiva na antiguidade,
E com liderança e coragem na revolução francesa,
A Maçonaria se constituiu um marco de dignidade,
Sempre nos sagrados direitos humanos na defesa.
Em nossa querida pátria amada, Brasil
A Maçonaria sempre na história se destacou
E em um valoroso baluarte se constituiu
E a luta pela independência com nobreza liderou,
Também na sangrenta abolição da escravatura,
Quando uma elite egoísta dominava os irmãos,
Foi a Maçonaria que assumiu a envergadura
E o sucesso da abolição garantiu em suas mãos.
Sempre pregando o bem, o amor e a decência
Defendendo os sagrados direitos da vida e da liberdade,
A Maçonaria sabe assumir seu papel com veemência,
Sem medo dos poderosos e na defesa da igualdade.
Ser maçon é viver com dignidade,
É ajudar os irmãos e serviços prestar,
É defender sempre a justiça e a igualdade,
Sem a nenhum outro principio se curvar
(José Aristides Braga)
terça-feira, 23 de novembro de 2010
OBSERVATÓRIO
Na década de 70 do século passado, Dionísio Soares Godinho e Raimundo Nonato Bonfim disputavam a Presidência da Câmara Municipal de Crateús. O primeiro, candidato situacionista; o segundo, dissidente. As apostas indicavam que Dionísio deveria ganhar a batalha por uma diferença apertada: um voto apenas. Mas, vitória é vitória, qualquer que seja a vantagem. Por isso, impõe uma comemoração. E a festa foi preparada. Na hora da eleição, o Plenário da Câmara estava lotado. Autoridades e populares se acotovelavam para acompanhar o resultado. Àquela época, a votação ocorria assim: para cada chapa registrada, era confeccionada uma cédula eleitoral diferente. O vereador votante apenas depositava na urna a cédula de sua preferência. Nonato era o secretário da Casa. Dionísio, ao se dirigir à mesa de votação, inopinadamente tomou à mão a chapa adversária e indagou de Nonato: - Esta é a minha mesmo a minha chapa? Nonato assentiu. Na proclamação do resultado, a surpresa: Nonato sagrou-se vitorioso com um voto de diferença. O candidato Dionísio, sem o saber, deu o voto que elegeu seu concorrente. E a Dionisíaca festa foi desfeita.
CÂMARA I
As eleições para a Mesa Diretora do Parlamento Mirim de Crateús sempre se constituíram em uma caixa de surpresas. Há um açodamento da temperatura, uma agitada tensão pré-eleitoral. Amanhã haverá a escolha da Mesa que vai presidir os trabalhos legislativos pelos próximos dois anos. Ao fecharmos esta edição, estava confirmada a candidatura de Conegundes Soares. Do outro lado, falava-se no nome de Márcio Cavalcante. Projeções indicam a possibilidade de um empate: cinco a cinco. Nesse caso, o critério legal de desempate é a idade: ganha o mais velho. Conegundes conta com os benefícios da idade. Tem mais janeiros que qualquer outro membro da Casa. Márcio, por sua vez, está Presidente pela segunda vez. Há resistência dos seus pares em entregar-lhe a Presidência para um terceiro mandato. Porém, além de ser o atual maquinista da locomotiva legislativa, é o candidato do Prefeito, que joga tudo nessa disputa.
CÂMARA II
Sobre essa intervenção do Executivo na esfera interna corporis do Legislativo é que precisamos meditar. Por que o Prefeito tem que se imiscuir na eleição do Presidente da Câmara se, segundo a Constituição, os poderes são independentes? É um vírus da velha política que sempre ataca o Prefeito de plantão. Ocorreu com os outros. Ocorre com o atual. Lamentavelmente. Ora, se o Chefe do Poder Executivo trabalhar corretamente, nada deverá temer se a Câmara Municipal estiver sob o comando de um aliado ou antagonista. A relação é institucional. Aliás, um Prefeito imbuído de bons propósitos saudaria com entusiasmo a ascensão de um Presidente que não fosse chapa branca. Quando um alcaide luta adredemente para eleger um Presidente de Câmara que lhe seja servil é porque teme alguma coisa. Na raiz de todo temor está a insegurança derivada de algum erro no percurso, falha na condução ou ausência de cumprimento do princípio da transparência. Nada teme aquele que anda no caminho reto.
CIDADE
Em verdade, a cidade carece de uma grande política. Feita com P maiúsculo. Nos moldes que os gregos nos legaram: Política enquanto berço do radical “Pólis”: amor à cidade, serviço à comunidade! Ainda estamos presos à carcomida visão patrimonialista, como se a Prefeitura fosse patrimônio do grupo dirigente. A representação popular não é negócio. É sacerdócio. É serviço ao ditame coletivo; jamais satisfação do interesse do umbigo. Por isso, ao invés de tomar assento na mesa da serenidade para estudarmos os grandes e graves problemas da cidade, ainda patinamos no salão das vaidades. E esquecemos, inclusive, de nos prepararmos para datas essenciais. Exemplo? O centenário da cidade (vide Crônica ao lado).
SESC LER
Mês passado o SESC LER realizou importante evento festejando escritores locais. O nome deste escriba esteve entre os homenageados. Agradeço, de coração, a lembrança. Em relação a homenagens, sempre me recordo do brocado de que é melhor merecê-las que efetivamente recebê-las.
SOLIDARIEDADE
Sexta-feira passada, em cortejo comovente, foi levado ao cemitério São João Batista, em Crateús, o cidadão Francisco Carlos Mourão. Em agosto, havíamos lapidado uma Crônica sobre sua profícua trajetória existencial. Fui ao seu enterro simplesmente para externar aos conterrâneos que estávamos enterrando um dos homens mais dignos que a nossa cidade conheceu. Sua postura reta, altiva e vertical, sempre me impressionou. Aprendi que o homem maduro é aquele que enfrenta com a mesma serenidade tanto um terremoto de tristeza como uma explosão de alegria. Posso afirmar que, sem embargo, Carlos Mourão pisou os prados da maturidade. Nossas condolências à família, que amanhã celebra a Missa de Sétimo Dia.
PARA REFLETIR
“Que a nossa mensagem seja a nossa própria vida.” (...) “Você deve ser o exemplo da mudança que deseja ver no mundo.” (Gandhi)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
CENTENÁRIO DA CIDADE

No inicio do mês, em contato com o doutor José Maria Bonfim de Morais, médico cardiologista que também se dedica às coisas do espírito, proseamos sobre temas de relevo e suscitadores de enlevo.
Famoso em Fortaleza, José Maria também granjeou conceito internacional. Além da intensa atividade profissional, é militante filantrópico e integrante, dentre outras, da Associação Cearense de Escritores (ACE) e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES).
Conhecedor da sua habilidade na edificação das palavras e das suas incursões pelas mágicas grutas da poesia, lancei-lhe convite para tomar assento na Academia de Letras de Crateús. Imaginei que, mercê do destaque que conquistou e das inúmeras atribuições, declinaria habilidosamente da incitação. Sua resposta me surpreendeu: - Sentir-me-ia muito mais honrado em participar da Academia de Letras da minha terra do que da Academia Brasileira de Letras.
No desenrolar do diálogo discorreu sobre projetos e idéias que trabalha para o ano que vem, quando haveremos de celebrar o centenário da cidade de Crateús. Lembrou que 1911 foi um ano virtuoso para a terra do Senhor do Bonfim. Um dia após a inauguração da cidade, nasceu José Maria Moreira do Bonfim, monsenhor Bonfim, “tio Zezé” para os íntimos. No mesmo ano nasceu também Francisco Ferreira de Moraes, o monsenhor Moraes, posteriormente celebrado como o maior construtor da cidade de Ipú. Em 1911 nasceram vários outros conterrâneos que se destacaram na construção de uma vida virtuosa e inscreveram seus nomes na lápide da História.
Criada pelo Decreto 1046, de 14 de agosto de 1911, a cidade de Crateús foi oficialmente inaugurada em 15 de novembro do mesmo ano. Portanto, em 15 de novembro do ano que vem será a ocasião de celebrarmos o centenário da cidade.
Estive, outro dia, em Juazeiro do Norte, a cidade fundada pelo Padre Cícero Romão Batista, que também completará um século no ano que vem. Apesar das visíveis dificuldades que o atual gestor daquela comuna enfrenta, a cidade está mobilizada para os festejos. Um enorme calendário assinala a contagem regressiva para a comemoração centenária. Uma intensa programação está desenhada para o ano que vem.
Crateús precisa seguir a mesma trilha. Afinal, há cinqüenta anos ocorreu intensa comemoração. O Padre Bonfim registrou o Programa do Cinqüentenário.
Às cinco horas da manhã do dia 15 de novembro de 1961 a cidade acordou com uma salva de tiros, seguida de uma passeata popular com música, fogos de artifício e repicar de sinos.
Às sete horas a multidão participou de uma Missa Campal em Ação de Graças, presidida pelo bispo Dom João José da Mota e Albuquerque.
Às oito horas houve o hasteamento da Bandeira Nacional no Paço da Prefeitura Municipal seguido de desfile do 4º Batalhão de Engenharia e Construção e dos Colégios da Cidade.
Às quatorze horas a comunidade assistiu uma Sessão Magna da Câmara Municipal, realizada no Crateús Clube (atual sede da Justiça Federal). Na ocasião, o doutor Afrânio Gonzaga Sales proferiu uma conferência sobre o problema da lavoura e da pecuária na região.
Às dezessete horas foi inaugurado o marco do cinqüentenário da cidade e lançada a pedra fundamental da avenida no entorno da Catedral.
Às dezessete horas e trinta minutos alunas do Instituto Santa Inês fizeram uma exibição de ginástica e educação física.
À noite, foram oferecidos bailes à sociedade local nos Clubes Caça e Pesca e Sete de setembro (um Clube popular situado no final da Rua Marechal Hermes, à beira do Rio Poty).
Na época também foi lançado o Hino do Cinqüentenário.
Como se vê, o centenário é um desafio que urge ser encarado. Imediatamente. Afinal, em priscas eras nossos ancestrais promoveram um show comemorativo.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)
PARABÉNS
Estimado companheiro e irmão Junior Bonfim, nossos parabens pela beleza do seu blog, parabens, muito inteligente e bem feito, parabens.
Que o Grande Arquiteto lhe conceda muitos e muitos anos de vida com saude, sucesso e alegria.
Grande abraço,
Aristides Braga
Que o Grande Arquiteto lhe conceda muitos e muitos anos de vida com saude, sucesso e alegria.
Grande abraço,
Aristides Braga
SOLIDARIEDADE
Caro Junior,
associo-me à dor da família e dos amigos de Francisco Carlos Mourão.
Homem sério e decente, perde a maçonaria e o comércio crateuenses um dos seus esteios.
Que o Grande Arquiteto do Universo dê a família e aos amigos, a consolação e a certeza que partiu para o Oriente Eterno um homem de bem.
Fraternal abraço do Sergio Moraes.
associo-me à dor da família e dos amigos de Francisco Carlos Mourão.
Homem sério e decente, perde a maçonaria e o comércio crateuenses um dos seus esteios.
Que o Grande Arquiteto do Universo dê a família e aos amigos, a consolação e a certeza que partiu para o Oriente Eterno um homem de bem.
Fraternal abraço do Sergio Moraes.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
PARABÉNS, PRESIDENTE ANIZIO ARAÚJO!
Quem aniversaria hoje é o estimado José Anizio Araújo.
É um cidadão que, no convívio acadêmico e maçônico (onde nos conhecemos), aprendi a respeitar e admirar.
Anízio Araújo é um desses raros seres que habitam o reino da inteligência, jardineiro que rega com zelo e amor o arvoredo familiar, disciplinado obreiro do edifício esotérico, ourives que adora lapidar a esmeralda do coração humano, soletrador de fonemas de agregação, poeta da extensa solidariedade.
Cabeça pintada pela serena tinta da maturidade, Anízio me cativou desde o primeiro contato, quando debulhamos várias espigas do milho da poesia, do esoterismo e da fraternidade.
Pouco tempo depois, por sua iniciativa e apadrinhamento, meu nome era submetido à consideração dos acadêmicos da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), oportunizando-me tomar assento naquele conceituado Sodalício de Letras.
Acompanhei com entusiasmo sua assunção à Presidência da AMLEF e posterior reeleição com o vibrante apoio da unanimidade dos confrades que compõem a Academia. Realiza, à frente da AMLEF, uma profícua e modelar faina de agregação e progresso. Tornou-a um dos mais respeitados grêmios literários Alencarinos.
Ademais, aprecio a forma como venera a instituição familiar. Casado com a senhora Marta Maria, a dona Martinha, é o afetuoso pai de Roberto (cuja amizade também privo), Anízio e Luciana. À esposa e aos filhos oferta diariamente a fruta da compreensão, o pão da ternura, o leite da decência, o mel do exemplo.
Banha-se com desenvoltura nas caudalosas águas da filantropia. É maçom apaixonado, militante Rotariano, filatelista dedicado.
Escreve regularmente, com o diletantismo de quem brinca ou a solenidade de quem reza. Já brindou os amigos e admiradores com vários livros, seja de doutrina esotérica ou pura poesia.
É óbvio que tem plena consciência de que percorre degraus de uma escada que nunca tem fim.
Engenheiro por formação, perscrutou o trivium e o quadrivium, as sete artes liberais essenciais à formação do homem livre.
Servidor público federal aposentado, suou muito até conseguir o que o famoso orador romano Cícero chamava de “otium cum dignitate” (ócio com dignidade), ou seja, a ocupação do tempo com o exercício de atividades nobres.
Feliz aniversário, mestre Anízio!
(Por Júnior Bonfim)
domingo, 21 de novembro de 2010
O BLOCÃO DOS MASCARADOS
O carnaval será só em março, mas o blocão dos mascarados, com o vice-presidente eleito, Michel Temer, de mestre-sala, já ensaia seus passos em direção à apoteose do Planalto. Tem tanto deputado e senador brigando para subir nos carros alegóricos do Congresso e do ministério que a porta-bandeira Dilma Rousseff começa a temer por sua segurança. Para ajudá-la a enfrentar os mascarados, Dilma quer a seu lado umas 30 rainhas de bateria e baianas – o pré-requisito é ser mulher. Esse samba-enredo tem tudo para atravessar antes do desfile.
Existe um fosso entre nossos políticos e a população. Um estudo da Escola de Direito de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas) mostrou que, num ranking de dez instituições, as duas menos confiáveis são os partidos políticos e o Congresso Nacional. As mais bem cotadas são as Forças Armadas, o governo federal, a imprensa escrita e a Igreja Católica. Só 8% confiam hoje nos partidos políticos. Isso em ano eleitoral. Pelo despudor com que os partidos estão rasgando a fantasia nesta transição presidencial, desconfio que a próxima pesquisa os derrube para o Grupo B das escolas de samba.
O blocão, para quem não sabe, é a união do PMDB, PP, PR, PTB e PSC, como uma cartada para intimidar a presidente eleita, do PT, a pensar duas vezes antes de escolher seus destaques e abre-alas. Ninguém se conforma em ficar só de passista vendo a banda petista passar. Mesmo que o palco principal seja a Câmara, onde essas cinco legendas de centro-direita teriam 202 parlamentares, está na cara que o blocão almeja mais e mais alto. Na cara de Temer, é impossível vislumbrar qualquer expressão facial. Um bom teste é olhar dez fotos suas em situações completamente diversas. As imagens são sempre iguais, sem trair alegria, emoção ou contrariedade – apenas o mesmo ar compungido. Se fosse mulher, os fofoqueiros atribuiriam a injeções de Botox, que congela as expressões. O povo brasileiro não confia em político fantasiado de esfinge.
Com 70 anos, mas sem rugas de septuagenário, pai de cinco filhos, Temer passou incólume por acusações de envolvimento em escândalos e conseguiu ser vice de Dilma apesar da resistência do presidente Lula, que preferia Henrique Meirelles. Hoje, Temer é o “muy amigo” que morde e assopra. Em 2006, apoiou Alckmin. Apontado como o líder do blocão, é o mesmo que promete acertar o passo e garantir a harmonia.
Nada disso desafinaria nossa vida se o blocão quisesse defender a população de mais impostos e golpes semelhantes. Uma tensão saudável no poder pode conduzir a negociações para o bem comum. Mas o samba da política é pesado, sem sintonia ou rimas. O que se quer é brilho e paetê. No caso, cargos e grana. Antes do champanhe do Réveillon, deputados querem aprovar o aumento de seus salários de R$ 16.500 mensais para R$ 26.700. Um salto de 61,83%. É ou não um atentado ao pudor? São ruins da cabeça e doentes do pé.
Dilma passou a usar óculos escuros e lê Team of rivals (Time de rivais), biografia de Abraham Lincoln que conta como o presidente dos Estados Unidos formou um gabinete com adversários. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, do PT paulista, chamou o blocão de “tiro no pé”. Lula virou poeta: “Política é como o leito de um rio. Se deixar a água correr tranquilamente, tudo vai se colocando de acordo com o que é mais importante. Se as pessoas tentam, de forma conturbada, mexer na política, pode não ser muito bom”. O PMDB quer impor rodízio com o PT na presidência da Câmara até 2015. Mas, para Lula, rodízio é de churrasco.
O que o PMDB de José Sarney mais deseja agora é indicar o ministro que ocupará a vaga do STF, para desmontar a Lei da Ficha Limpa e salvar o mandato de Jader Barbalho – mantido inelegível pelo Supremo por ter renunciado em 2001 para escapar da cassação, acusado de desvios e corrupção. Eleito no Pará para o Senado, Jader chamou a decisão do Supremo de “patética”, uma “aberração”.
Durma-se com um baticumbum desses. O fogo é no seu barracão, Dilma. O preço da fantasia está ficando alto demais.
(Ruth de Aquino, na Revista Época)
Existe um fosso entre nossos políticos e a população. Um estudo da Escola de Direito de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas) mostrou que, num ranking de dez instituições, as duas menos confiáveis são os partidos políticos e o Congresso Nacional. As mais bem cotadas são as Forças Armadas, o governo federal, a imprensa escrita e a Igreja Católica. Só 8% confiam hoje nos partidos políticos. Isso em ano eleitoral. Pelo despudor com que os partidos estão rasgando a fantasia nesta transição presidencial, desconfio que a próxima pesquisa os derrube para o Grupo B das escolas de samba.
O blocão, para quem não sabe, é a união do PMDB, PP, PR, PTB e PSC, como uma cartada para intimidar a presidente eleita, do PT, a pensar duas vezes antes de escolher seus destaques e abre-alas. Ninguém se conforma em ficar só de passista vendo a banda petista passar. Mesmo que o palco principal seja a Câmara, onde essas cinco legendas de centro-direita teriam 202 parlamentares, está na cara que o blocão almeja mais e mais alto. Na cara de Temer, é impossível vislumbrar qualquer expressão facial. Um bom teste é olhar dez fotos suas em situações completamente diversas. As imagens são sempre iguais, sem trair alegria, emoção ou contrariedade – apenas o mesmo ar compungido. Se fosse mulher, os fofoqueiros atribuiriam a injeções de Botox, que congela as expressões. O povo brasileiro não confia em político fantasiado de esfinge.
Com 70 anos, mas sem rugas de septuagenário, pai de cinco filhos, Temer passou incólume por acusações de envolvimento em escândalos e conseguiu ser vice de Dilma apesar da resistência do presidente Lula, que preferia Henrique Meirelles. Hoje, Temer é o “muy amigo” que morde e assopra. Em 2006, apoiou Alckmin. Apontado como o líder do blocão, é o mesmo que promete acertar o passo e garantir a harmonia.
Nada disso desafinaria nossa vida se o blocão quisesse defender a população de mais impostos e golpes semelhantes. Uma tensão saudável no poder pode conduzir a negociações para o bem comum. Mas o samba da política é pesado, sem sintonia ou rimas. O que se quer é brilho e paetê. No caso, cargos e grana. Antes do champanhe do Réveillon, deputados querem aprovar o aumento de seus salários de R$ 16.500 mensais para R$ 26.700. Um salto de 61,83%. É ou não um atentado ao pudor? São ruins da cabeça e doentes do pé.
Dilma passou a usar óculos escuros e lê Team of rivals (Time de rivais), biografia de Abraham Lincoln que conta como o presidente dos Estados Unidos formou um gabinete com adversários. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, do PT paulista, chamou o blocão de “tiro no pé”. Lula virou poeta: “Política é como o leito de um rio. Se deixar a água correr tranquilamente, tudo vai se colocando de acordo com o que é mais importante. Se as pessoas tentam, de forma conturbada, mexer na política, pode não ser muito bom”. O PMDB quer impor rodízio com o PT na presidência da Câmara até 2015. Mas, para Lula, rodízio é de churrasco.
O que o PMDB de José Sarney mais deseja agora é indicar o ministro que ocupará a vaga do STF, para desmontar a Lei da Ficha Limpa e salvar o mandato de Jader Barbalho – mantido inelegível pelo Supremo por ter renunciado em 2001 para escapar da cassação, acusado de desvios e corrupção. Eleito no Pará para o Senado, Jader chamou a decisão do Supremo de “patética”, uma “aberração”.
Durma-se com um baticumbum desses. O fogo é no seu barracão, Dilma. O preço da fantasia está ficando alto demais.
(Ruth de Aquino, na Revista Época)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
FRANCISCO CARLOS MOURÃO PARTIU PARA O ORIENTE ETERNO
Sacudiu-me o coração a notícia, recebida hoje pela manhã, do desenlace de Francisco Carlos Mourão, ocorrido na noite de ontem.
Era respeitado e querido por onde circulava.
À família, nossa ativa solidariedade.
Escrevi, a propósito do Dia do Maçom, uma crônica em sua homenagem, dês que era um exemplo de pedreiro-livre.
Reproduzo-a aqui como preito de reconhecimento a alguém que sempre fez uso do prumo nas suas construções esotéricas:
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
20 de agosto é o Dia do Maçom. Maçom, Maçonaria... Assunto que ainda suscita interrogações, mercê da aura folclórica, do véu de mistério e da cerca de curiosidade que sempre revestiu a Instituição e seus integrantes.
Dada sua característica discreta – que muita gente confunde com secreta – a Maçonaria, principalmente depois do lançamento de Best Sellers sobre o tema (como os livros de Dan Brown), tem despertado enorme interesse na juventude investigativa, nos amantes da sabedoria humana e nos estudiosos de todos os matizes.
Afinal, o que é ser Maçom no mundo contemporâneo? Qual o segredo que alimenta os Maçons e que tem perpassado os séculos aguçando a massa encefálica da humanidade?
Em verdade, o segredo da Maçonaria é simples. É o mesmo que impulsionou os maiores luminares da História. Não se encontra em um manual, mas no universo espiritual. É um tufão que sacode o âmago do ser e o retira da escuridão da consciência para colocá-lo sob a luz da profundidade.
Ser Maçom é consagrar-se à firmeza de caráter. Sem frouxidão, ser manso e humilde de coração. É libertar-se das baixas contingências gregárias. Subjugar a influência das ilusões. É combater o despotismo, os preconceitos e os erros. É promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade. É hastear a bandeira da Fraternidade, da Igualdade e da Liberdade.
Ao redor desses ideais e postulados progressistas, homens livres e de bons costumes - sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social – têm se reunido para erigir templos à virtude e contribuir para o engrandecimento do edifício social da civilização humana. Esse é, em apertada síntese, o papel do Maçom na quadra atual.
Em Crateús, há dois prédios maçônicos. Um deles está localizado na rua que leva o nome do grande jurista que Viçosa do Ceará ofereceu ao mundo, Clóvis Beviláqua, o festejado autor do Código Civil de 1916. Ao lado desse templo, reside um dos seus fundadores, o mais antigo maçom em atividade na urbe e a principal coluna daquela oficina: Francisco Carlos Mourão.
Embora nascido, como o poeta do século XX, Gerardo Mello Mourão, na heróica Ipueiras, Francisco Carlos Mourão se fez crateuense. Passou por todas as provas da vida: do ar, do fogo, da água e da terra. Sagrou-se vitorioso. Virou um patriarca dos pedreiros livres da encosta do Poty. Instrutor dos que lapidam a esmeralda humana, desbastando a pedra bruta e a transformando em pedra cúbica, como um profeta que guia os seguidores na excelsa missão de espalhar a luz e reunir o que está esparso.
O rebento que o casal Aristides de Pinho e Raimunda Soares Mourão entregou ao universo no dia 13 de maio de 1933 é um modelo de pai, uma referência de dignidade, um farol de luta. Sabendo que a família é um dos principais alicerces da harmonia interior, casou-se com Jacira Mourão Lima, com quem procriou Rosângela, Janete e Gilson.
Ouvi falar dele a primeira vez ainda menino. Após ingerir um delicioso refrigerante, perquiri a origem. Disseram que era o Guaraná Cassino, orgulho dos crateuenses nos idos de 60 e 70, fruto da aura empreendedora de Chico Carlos Mourão. Tempos depois, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando apadrinhou meu irmão caçula.
Sua postura reta, altiva e vertical, sempre me impressionou. Aprendi que o homem maduro é aquele que enfrenta com a mesma serenidade tanto um terremoto de tristeza como uma explosão de alegria. Posso afirmar que, sem embargo, Carlos Mourão pisou os prados da maturidade. Descobriu o verdadeiro Segredo Maçônico. Naquele sentido que esposou um dos mais emblemáticos maçons de Portugal, o iluminado poeta Fernando Pessoa:
“O verdadeiro Segredo Maçônico...
É um segredo de vida
e não de ritual
e do que se lhe relaciona.
Os Graus Maçônicos comunicam àqueles que os recebem,
sabendo como recebê-los,
um certo espírito,
uma certa aceleração da vida
do entendimento
e da intuição,
que atua como uma espécie
de chave mágica dos próprios símbolos,
e dos símbolos
e rituais não maçônicos,
e da própria vida.
É um espírito,
um sopro posto na Alma,
e, por conseguinte,
pela sua natureza,
...incomunicável”.
(Por Júnior Bonfim).
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Newtão
Encontrei-me, sábado último, com o ex-governador mineiro e deputado Newton Cardoso em uma roda de conversa na Casa do Presidente da Câmara. Ouvi histórias muito engraçadas e causos da política mineira. Newtão mostrou que é bom de prosa. Pois bem, que ele me perdoe, mas abro a coluna de hoje, tomando emprestadas do amigo Sebastião Nery alguns episódios que têm como alvo o próprio grande empresário e político. Newton Cardoso foi prefeito de Contagem, deputado Federal, governador, vice-governador de Minas Gerais e, agora, é novamente deputado. Os adversários lhe atribuem velhas gafes que a UDN atribuía a Benedito Valadares:
1. Dona Dezinha: "Se eu soubesse que meu filho Newton ia ser importante e virar governador de Minas, eu tinha botado ele para estudar de pequeno."
2. Preocupado com as notícias de que o leite estava contaminado, Newton pegou um pastel e começou a mexer dentro da xícara. "Por que você está fazendo isso?" "Para pasteurizar o leite."
3. Newton no palanque: "Minas sempre se preocupou mais com a criação de bovinos e equinos. Agora, eu vou cuidar também da criação de porquinos."
4. Newton, numa entrevista: "Precisamos acabar com a fila do IMPS." O assessor lhe fala: "Não é IMPS, é INPS." "Nada disso. Desde lá de Brumado que eu aprendi que antes de P e B se usa M."
5. Comício em Betim: "O problema de Minas é falta de fé. Vamos juntar minha fé, sua fé, nossas fezes, para salvar Minas."
Fusão ou confusão?
Neste momento, alguns partidos acendem o pavio das fusões. Primeiro, o DEM, que poderia entrar em fusão com o PMDB. Essa era a intenção inicial do prefeito Gilberto Kassab. Imaginava ele que o DEM, a partir da derrota de José Serra, teria de se fortalecer caso se fundisse com outra legenda. Como o PSDB tem muitos caciques, Kassab imaginou o PMDB como a sigla ideal. Lá, ele tem muitos amigos, a partir do presidente Michel Temer, recém eleito vice-presidente da República. Poderia ser um bom casamento. Mas a coisa desandou e causou confusão.
DEM, ícone conservador
A cúpula do partido está cindida. Os Bornhausen, pai e filho, até poderiam topar a parada. Marco Maciel, que acaba de perder a eleição para o Senado, em Pernambuco, também toparia. ACM Neto aceitaria caso viesse a liderar a sigla na Bahia, mas Geddel, um peemedebista histórico, jamais aceitaria essa condição. Mas quem brecou a parada foram os Maia, César Maia, que perdeu a eleição para o governo do Rio de Janeiro, e o filho, Rodrigo, presidente da sigla e reeleito para a Câmara dos Deputados. Rodrigo surpreendeu com esta: o DEM vai assumir a liderança do conservadorismo nacional. Será, assim, de cara aberta a entidade que assumirá o espaço da direita.
Entre centro e direita
Entre o centro e a direita, o prefeito Gilberto Kassab não tem dúvidas. Prefere o espaço centro-democrático do PMDB. Não se sente confortável em um partido que quer assumir posições retrógradas e conservadoras. Acontece que essa operação não será coisa fácil. Algumas figuras do PMDB de São Paulo, receosas de perderem posição na sigla, temem que Kassab, mais cedo ou mais tarde, lidere o partido. O prefeito só entrará no PMDB com o endosso do presidente Temer, com quem conversa sempre. São Paulo, por outro lado, é o principal colégio eleitoral do país. Nesse Estado, o partido definhou nos últimos anos. Precisa de oxigênio, um novo pólo de poder, pessoas com capacidade de aglutinação. Gilberto Kassab é o perfil adequado que chega no momento certo. Lá para fevereiro ou março, essa operação deverá se concretizar.
Comandos das casas
A interrogação continua : quem comandará a Câmara e o Senado? Se José Sarney quiser continuar à frente da Câmara Alta, tem todas as condições. O maior empecilho se chama dona Marly, sua mulher, que quer ver o marido livre de maiores pressões. Sarney seria imbatível. Se não topar, para cuidar melhor da saúde, poderá canalizar sua votação para Edison Lobão. Mas este gostaria de voltar ao Ministério das Minas e Energia. Dizem que a propensão da presidente Dilma é a de mudar todos os comandos, deixando apenas um ou outro, como Mantega, na Fazenda.
Alternativas
Se Edison Lobão voltar ao Ministério, o nome de Garibaldi Alves emerge. O senador, com quem me encontrei ontem à noite, repete o mantra: "tenho um compromisso com Henrique". Henrique Alves, seu primo, quer comandar a Câmara no primeiro biênio. Ocorre que o PT também luta pela direção. Os nomes de Cândido Vaccarezza, Arlindo Chinaglia, João Paulo Cunha e o atual vice da Câmara, Marco Maia, estão na mesa. Vaccarezza teria maior cacife por conta do trabalho realizado como líder do Governo naquela Casa. Ele quer comandar a Câmara, a partir de 2011, sabedor que, em 2013, quando se inicia o segundo biênio, os rumos seriam outros. No PT, a disputa entre elas é mais árdua que no PMDB. Henrique até poderia esperar, Vacarezza, não. O processo de canibalização entre petistas é comparável aos tempos do canibalismo indígena.
Nesse caso...
Se Vaccarezza ganhar a parada, Henrique Alves deverá se preparar para o segundo biênio, que, sob o ponto de vista de peso e importância, é melhor, eis que mais próximo ao calendário eleitoral de 2014. Nesse caso, Garibaldi Alves, o filho, teria chances. Mas os votos dependem, ainda, dos rumos a serem tomados por Sarney e Renan Calheiros. Este senador, que já presidiu a Casa, tem vontade de voltar à cadeira presidencial. Esbarra, porém, no imbróglio que o fez renunciar à presidência. Calheiros, vale a pena lembrar, continua a ter grande força junto ao corpo de senadores do PMDB. Ao lado dele, circula com desenvoltura o recém reeleito e poderoso senador Romero Jucá.
A vez de Henrique
O PMDB é matreiro. Pode formar um blocão com PR, PP, PTB e PSC, que reunirá sob o mesmo abrigo 202 deputados. A se confirmar esse conjunto, vejo Henrique Alves solidamente sentado na cadeira de presidente da Câmara. O PT teria ido com muita sede ao pote. Anunciou a formação de bloco, animando, então, o PMDB a entrar na arena.
Adeus, Bono
Sexta passada, no final da tarde, deixou-nos desolados o amigo Julio Bono. Morto em circunstâncias trágicas e surpreendentes, em Porto de Galinhas/PE. Ali se encontrava para descansar da intensa labuta da campanha eleitoral. Braço direito de Michel Temer, Bono, o amigo faz-tudo, morreu afogado. Levado por uma forte corrente, logo no início da praia, caiu num buraco. Deve ter desfalecido por conta de forte batida em uma pedra ou ter sido vítima de mal súbito. Só pode ser isso. Bono era coronel, bombeiro da PM e tinha, até, curso de mergulho. Seus inúmeros amigos, do PMDB e de outros partidos, acorreram à Brasília para prestar sua última homenagem a quem espalhou o bem para todos os lados.
PMDB unido
Este consultor teve oportunidade de ouvir e conversar com deputados peemedebistas de todo o país, que foram à Brasília prestar uma última homenagem a Julio Bono. O PMDB nunca esteve tão unido como hoje. A unidade construída por Michel Temer é maior do que a conseguida, um dia, por Ulysses Guimarães. Essa era a tônica de todas as conversas. E mais: Michel foi claro na indicação de que fará votar, na próxima Convenção do partido, o fechamento de posições assumidas nacionalmente pela sigla. Decisão tomada pelo PMDB deverá ser obedecida. E disse mais: quem não se dispuser a cumprir a verticalidade decisória, deve tomar outros caminhos.
Autoridade Olímpica
O boa praça Orlando Silva poderá ganhar a nomeação de "Autoridade Olímpica" e, nessa condição, coordenar os programas e atividades relacionadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016. O ideal seria acumular as funções com o cargo de ministro dos Esportes. Mas há um grupo forte que deseja repartir os comandos.
Painel na OAB
Em Brasília, participarei como expositor de painel sobre Sistema de Governo, promovido pelo Conselho Federal da OAB. O primeiro painel será presidido pelo ministro Enrique Ricardo Lewandowski, tendo como expositores, ao meu lado, o jurista e ex-presidente do STF, Carlos Mário da Silva Velloso e o senador Demóstenes Torres. Discorreremos sobre Reeleição e Prazo de Mandato do Presidente da República. Noutra mesa, estarão o presidente da Câmara, Michel Temer, o jurista Luis Roberto Barroso e a cientista política Argelina Figueiredo, que debaterão o tema SemiPresidencialismo como Mecanismo de Atenuação da Hegemonia Presidencial no Brasil.
Sistemas eleitoral e partidário
O segundo painel será sobre o Sistema Eleitoral, presidido pelo ministro Carlos Ayres Britto, e com exposição sobre Sistema Distrital Misto por Luiz Viana Queiroz, Jairo Nicolau e Pedro Simon; e exposição sobre Sistema de Lista Fechada, Restrições às Coligações por Pedro Abramovay, Marcus André Melo e Miro Teixeira. O terceiro painel será sobre Sistema Partidário, envolvendo as temáticas Cláusula de Barreira, Fidelidade Partidária, com exposições de Claudio Pereira de Souza Neto, André Marenco e Aldo Rebelo; e Financiamento Público de Campanha, com exposições de José Paulo Sepúlveda Pertence, Lucio Rennó e José Eduardo Cardozo.
Estilo Dilma
Ninguém espere por leniência ou tibieza por parte da nova presidente. Dilma usará a autoridade no limite da liturgia do cargo. Diz-se que não quer formar um Ministério com pessoas derrotadas no pleito. Poder Executivo não é um "vale dos caídos". Portanto, ministros derrotados devem rever planos de volta ao governo. Será uma controladora rigorosa de programas e ações. Sim, sim, não, não.
Rescaldos na Justiça
Os rescaldos das lutas eleitorais tendem a chegar à Justiça. Partidos começam a arrumar dossiês para encaminhamento ao TSE. Vão apontar processos de cooptação ilegal de votos. Entre os casos mais escabrosos, aponta-se a eleição de Roraima, onde o tucano José Anchieta está sendo torpedeado por seus adversários.
Temer e a Defesa
Michel Temer poderá acumular a vice presidência da República com a Pasta da Defesa. O atual vice José Alencar também fez essa acumulação no passado.
Mulheres no Governo
Não é de admirar se Dilma Rousseff adensar a participação de mulheres no governo, seja em Ministérios seja em cargos importantes do segundo escalão. Ela quer dar um significado todo especial à condição feminina. A jovem deputada Manuela D'Ávila, do PC do B do Rio Grande do Sul, tem chances de fazer parte da foto oficial do primeiro Ministério.
Cardozo
Comenta-se que o deputado José Eduardo Cardozo, secretário geral do PT e um dos comandantes da campanha, seria nomeado para o STF. Este consultor sempre trabalhou com a ideia de que ele seria o figurino exemplar para o Ministério da Justiça. O cargo lhe cai muito bem, professor de Direito Constitucional que é.
Zum-zum-zum
Há um zum-zum-zum em meios empresariais de que, diante de um tsunami internacional, a partir de ondas em formação nas praias norte-americanas e chinesas (desvalorização das moedas), as condições brasileiras serão bem diferentes das exibidas no ciclo Lula. Temores que aparecem como nuvens cinzentas.
Touraine e o risco
O sociólogo Alain Touraine, muito amigo do ex-presidente FHC, identifica riscos de radicalização por parte do governo Dilma. Teme ele por uma guinada populista, com ameaças à liberdade de imprensa e de organização. Por mais que este consultor respeite o grande pensador, ousa discordar. Não há clima no país para um retrocesso. As condições macroeconômicas - e a interdependência entre as fronteiras do mundo globalizado -, as condições políticas (o presidencialismo de coalizão) e as condições sociais (os novos pólos do poder social, por meio das entidades intermediárias) inviabilizam uma volta ao passado. E nem o PT toparia chancelar suas alas mais radicais.
Conselho aos comandos estaduais
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos governantes. Hoje, volta novamente sua atenção aos governantes, particularmente aos comandantes das máquinas estaduais:
1. Escolham os melhores quadros do Estado - em todas as áreas - para integrar a estrutura governamental.
2. Evitem lotear a máquina com atores sem preparo e brilho. As administrações estaduais carecem de inovação, qualidade e constante esforço de aperfeiçoamento.
3. É claro que os partidos que chegaram ao poder carecem de prestigio e força nas novas administrações. Mas não podem e não devem comprometer áreas e espaços nobres da gestão, sob pena de formar inviáveis as metas governamentais.
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(Por Gaudêncio Torquato)
Encontrei-me, sábado último, com o ex-governador mineiro e deputado Newton Cardoso em uma roda de conversa na Casa do Presidente da Câmara. Ouvi histórias muito engraçadas e causos da política mineira. Newtão mostrou que é bom de prosa. Pois bem, que ele me perdoe, mas abro a coluna de hoje, tomando emprestadas do amigo Sebastião Nery alguns episódios que têm como alvo o próprio grande empresário e político. Newton Cardoso foi prefeito de Contagem, deputado Federal, governador, vice-governador de Minas Gerais e, agora, é novamente deputado. Os adversários lhe atribuem velhas gafes que a UDN atribuía a Benedito Valadares:
1. Dona Dezinha: "Se eu soubesse que meu filho Newton ia ser importante e virar governador de Minas, eu tinha botado ele para estudar de pequeno."
2. Preocupado com as notícias de que o leite estava contaminado, Newton pegou um pastel e começou a mexer dentro da xícara. "Por que você está fazendo isso?" "Para pasteurizar o leite."
3. Newton no palanque: "Minas sempre se preocupou mais com a criação de bovinos e equinos. Agora, eu vou cuidar também da criação de porquinos."
4. Newton, numa entrevista: "Precisamos acabar com a fila do IMPS." O assessor lhe fala: "Não é IMPS, é INPS." "Nada disso. Desde lá de Brumado que eu aprendi que antes de P e B se usa M."
5. Comício em Betim: "O problema de Minas é falta de fé. Vamos juntar minha fé, sua fé, nossas fezes, para salvar Minas."
Fusão ou confusão?
Neste momento, alguns partidos acendem o pavio das fusões. Primeiro, o DEM, que poderia entrar em fusão com o PMDB. Essa era a intenção inicial do prefeito Gilberto Kassab. Imaginava ele que o DEM, a partir da derrota de José Serra, teria de se fortalecer caso se fundisse com outra legenda. Como o PSDB tem muitos caciques, Kassab imaginou o PMDB como a sigla ideal. Lá, ele tem muitos amigos, a partir do presidente Michel Temer, recém eleito vice-presidente da República. Poderia ser um bom casamento. Mas a coisa desandou e causou confusão.
DEM, ícone conservador
A cúpula do partido está cindida. Os Bornhausen, pai e filho, até poderiam topar a parada. Marco Maciel, que acaba de perder a eleição para o Senado, em Pernambuco, também toparia. ACM Neto aceitaria caso viesse a liderar a sigla na Bahia, mas Geddel, um peemedebista histórico, jamais aceitaria essa condição. Mas quem brecou a parada foram os Maia, César Maia, que perdeu a eleição para o governo do Rio de Janeiro, e o filho, Rodrigo, presidente da sigla e reeleito para a Câmara dos Deputados. Rodrigo surpreendeu com esta: o DEM vai assumir a liderança do conservadorismo nacional. Será, assim, de cara aberta a entidade que assumirá o espaço da direita.
Entre centro e direita
Entre o centro e a direita, o prefeito Gilberto Kassab não tem dúvidas. Prefere o espaço centro-democrático do PMDB. Não se sente confortável em um partido que quer assumir posições retrógradas e conservadoras. Acontece que essa operação não será coisa fácil. Algumas figuras do PMDB de São Paulo, receosas de perderem posição na sigla, temem que Kassab, mais cedo ou mais tarde, lidere o partido. O prefeito só entrará no PMDB com o endosso do presidente Temer, com quem conversa sempre. São Paulo, por outro lado, é o principal colégio eleitoral do país. Nesse Estado, o partido definhou nos últimos anos. Precisa de oxigênio, um novo pólo de poder, pessoas com capacidade de aglutinação. Gilberto Kassab é o perfil adequado que chega no momento certo. Lá para fevereiro ou março, essa operação deverá se concretizar.
Comandos das casas
A interrogação continua : quem comandará a Câmara e o Senado? Se José Sarney quiser continuar à frente da Câmara Alta, tem todas as condições. O maior empecilho se chama dona Marly, sua mulher, que quer ver o marido livre de maiores pressões. Sarney seria imbatível. Se não topar, para cuidar melhor da saúde, poderá canalizar sua votação para Edison Lobão. Mas este gostaria de voltar ao Ministério das Minas e Energia. Dizem que a propensão da presidente Dilma é a de mudar todos os comandos, deixando apenas um ou outro, como Mantega, na Fazenda.
Alternativas
Se Edison Lobão voltar ao Ministério, o nome de Garibaldi Alves emerge. O senador, com quem me encontrei ontem à noite, repete o mantra: "tenho um compromisso com Henrique". Henrique Alves, seu primo, quer comandar a Câmara no primeiro biênio. Ocorre que o PT também luta pela direção. Os nomes de Cândido Vaccarezza, Arlindo Chinaglia, João Paulo Cunha e o atual vice da Câmara, Marco Maia, estão na mesa. Vaccarezza teria maior cacife por conta do trabalho realizado como líder do Governo naquela Casa. Ele quer comandar a Câmara, a partir de 2011, sabedor que, em 2013, quando se inicia o segundo biênio, os rumos seriam outros. No PT, a disputa entre elas é mais árdua que no PMDB. Henrique até poderia esperar, Vacarezza, não. O processo de canibalização entre petistas é comparável aos tempos do canibalismo indígena.
Nesse caso...
Se Vaccarezza ganhar a parada, Henrique Alves deverá se preparar para o segundo biênio, que, sob o ponto de vista de peso e importância, é melhor, eis que mais próximo ao calendário eleitoral de 2014. Nesse caso, Garibaldi Alves, o filho, teria chances. Mas os votos dependem, ainda, dos rumos a serem tomados por Sarney e Renan Calheiros. Este senador, que já presidiu a Casa, tem vontade de voltar à cadeira presidencial. Esbarra, porém, no imbróglio que o fez renunciar à presidência. Calheiros, vale a pena lembrar, continua a ter grande força junto ao corpo de senadores do PMDB. Ao lado dele, circula com desenvoltura o recém reeleito e poderoso senador Romero Jucá.
A vez de Henrique
O PMDB é matreiro. Pode formar um blocão com PR, PP, PTB e PSC, que reunirá sob o mesmo abrigo 202 deputados. A se confirmar esse conjunto, vejo Henrique Alves solidamente sentado na cadeira de presidente da Câmara. O PT teria ido com muita sede ao pote. Anunciou a formação de bloco, animando, então, o PMDB a entrar na arena.
Adeus, Bono
Sexta passada, no final da tarde, deixou-nos desolados o amigo Julio Bono. Morto em circunstâncias trágicas e surpreendentes, em Porto de Galinhas/PE. Ali se encontrava para descansar da intensa labuta da campanha eleitoral. Braço direito de Michel Temer, Bono, o amigo faz-tudo, morreu afogado. Levado por uma forte corrente, logo no início da praia, caiu num buraco. Deve ter desfalecido por conta de forte batida em uma pedra ou ter sido vítima de mal súbito. Só pode ser isso. Bono era coronel, bombeiro da PM e tinha, até, curso de mergulho. Seus inúmeros amigos, do PMDB e de outros partidos, acorreram à Brasília para prestar sua última homenagem a quem espalhou o bem para todos os lados.
PMDB unido
Este consultor teve oportunidade de ouvir e conversar com deputados peemedebistas de todo o país, que foram à Brasília prestar uma última homenagem a Julio Bono. O PMDB nunca esteve tão unido como hoje. A unidade construída por Michel Temer é maior do que a conseguida, um dia, por Ulysses Guimarães. Essa era a tônica de todas as conversas. E mais: Michel foi claro na indicação de que fará votar, na próxima Convenção do partido, o fechamento de posições assumidas nacionalmente pela sigla. Decisão tomada pelo PMDB deverá ser obedecida. E disse mais: quem não se dispuser a cumprir a verticalidade decisória, deve tomar outros caminhos.
Autoridade Olímpica
O boa praça Orlando Silva poderá ganhar a nomeação de "Autoridade Olímpica" e, nessa condição, coordenar os programas e atividades relacionadas à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016. O ideal seria acumular as funções com o cargo de ministro dos Esportes. Mas há um grupo forte que deseja repartir os comandos.
Painel na OAB
Em Brasília, participarei como expositor de painel sobre Sistema de Governo, promovido pelo Conselho Federal da OAB. O primeiro painel será presidido pelo ministro Enrique Ricardo Lewandowski, tendo como expositores, ao meu lado, o jurista e ex-presidente do STF, Carlos Mário da Silva Velloso e o senador Demóstenes Torres. Discorreremos sobre Reeleição e Prazo de Mandato do Presidente da República. Noutra mesa, estarão o presidente da Câmara, Michel Temer, o jurista Luis Roberto Barroso e a cientista política Argelina Figueiredo, que debaterão o tema SemiPresidencialismo como Mecanismo de Atenuação da Hegemonia Presidencial no Brasil.
Sistemas eleitoral e partidário
O segundo painel será sobre o Sistema Eleitoral, presidido pelo ministro Carlos Ayres Britto, e com exposição sobre Sistema Distrital Misto por Luiz Viana Queiroz, Jairo Nicolau e Pedro Simon; e exposição sobre Sistema de Lista Fechada, Restrições às Coligações por Pedro Abramovay, Marcus André Melo e Miro Teixeira. O terceiro painel será sobre Sistema Partidário, envolvendo as temáticas Cláusula de Barreira, Fidelidade Partidária, com exposições de Claudio Pereira de Souza Neto, André Marenco e Aldo Rebelo; e Financiamento Público de Campanha, com exposições de José Paulo Sepúlveda Pertence, Lucio Rennó e José Eduardo Cardozo.
Estilo Dilma
Ninguém espere por leniência ou tibieza por parte da nova presidente. Dilma usará a autoridade no limite da liturgia do cargo. Diz-se que não quer formar um Ministério com pessoas derrotadas no pleito. Poder Executivo não é um "vale dos caídos". Portanto, ministros derrotados devem rever planos de volta ao governo. Será uma controladora rigorosa de programas e ações. Sim, sim, não, não.
Rescaldos na Justiça
Os rescaldos das lutas eleitorais tendem a chegar à Justiça. Partidos começam a arrumar dossiês para encaminhamento ao TSE. Vão apontar processos de cooptação ilegal de votos. Entre os casos mais escabrosos, aponta-se a eleição de Roraima, onde o tucano José Anchieta está sendo torpedeado por seus adversários.
Temer e a Defesa
Michel Temer poderá acumular a vice presidência da República com a Pasta da Defesa. O atual vice José Alencar também fez essa acumulação no passado.
Mulheres no Governo
Não é de admirar se Dilma Rousseff adensar a participação de mulheres no governo, seja em Ministérios seja em cargos importantes do segundo escalão. Ela quer dar um significado todo especial à condição feminina. A jovem deputada Manuela D'Ávila, do PC do B do Rio Grande do Sul, tem chances de fazer parte da foto oficial do primeiro Ministério.
Cardozo
Comenta-se que o deputado José Eduardo Cardozo, secretário geral do PT e um dos comandantes da campanha, seria nomeado para o STF. Este consultor sempre trabalhou com a ideia de que ele seria o figurino exemplar para o Ministério da Justiça. O cargo lhe cai muito bem, professor de Direito Constitucional que é.
Zum-zum-zum
Há um zum-zum-zum em meios empresariais de que, diante de um tsunami internacional, a partir de ondas em formação nas praias norte-americanas e chinesas (desvalorização das moedas), as condições brasileiras serão bem diferentes das exibidas no ciclo Lula. Temores que aparecem como nuvens cinzentas.
Touraine e o risco
O sociólogo Alain Touraine, muito amigo do ex-presidente FHC, identifica riscos de radicalização por parte do governo Dilma. Teme ele por uma guinada populista, com ameaças à liberdade de imprensa e de organização. Por mais que este consultor respeite o grande pensador, ousa discordar. Não há clima no país para um retrocesso. As condições macroeconômicas - e a interdependência entre as fronteiras do mundo globalizado -, as condições políticas (o presidencialismo de coalizão) e as condições sociais (os novos pólos do poder social, por meio das entidades intermediárias) inviabilizam uma volta ao passado. E nem o PT toparia chancelar suas alas mais radicais.
Conselho aos comandos estaduais
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos governantes. Hoje, volta novamente sua atenção aos governantes, particularmente aos comandantes das máquinas estaduais:
1. Escolham os melhores quadros do Estado - em todas as áreas - para integrar a estrutura governamental.
2. Evitem lotear a máquina com atores sem preparo e brilho. As administrações estaduais carecem de inovação, qualidade e constante esforço de aperfeiçoamento.
3. É claro que os partidos que chegaram ao poder carecem de prestigio e força nas novas administrações. Mas não podem e não devem comprometer áreas e espaços nobres da gestão, sob pena de formar inviáveis as metas governamentais.
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(Por Gaudêncio Torquato)
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
RACHEL DE QUEIROZ - CEM ANOS

"[...] tento, com a maior insistência, embora com tão
precário resultado (como se tornou evidente), incorporar
a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à
língua com que ganho a vida nas folhas impressas. Não
que o faça por novidade, apenas por necessidade.
Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia
brigando por isso e fez escola." (Rahel de Queiroz)
Rachel de Queiroz, nasceu em Fortaleza - CE, no dia 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descendendo, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna — "dona Miliquinha" — era prima José de Alencar, autor de "O Guarani"), e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas em Quixadá, onde residiam e seu pai era Juiz de Direito nessa época.
Em 1913, voltam a Fortaleza, face à nomeação de seu pai para o cargo de promotor. Após um ano no cargo, ele pede demissão e vai lecionar Geografia no Liceu. Dedica-se pessoalmente à educação de Rachel, ensinando-a a ler, cavalgar e a nadar. As cinco anos a escritora leu "Ubirajara", de José de Alencar, "obviamente sem entender nada", como gosta de frisar.
Fugindo dos horrores da seca de 1915, em julho de 1917 transfere-se com sua família para o Rio de Janeiro, fato esse que seria mais tarde aproveitado pela escritora como tema de seu livro de estréia, "O Quinze".
Logo depois da chegada, em novembro, mudam-se para Belém do Pará, onde residem por dois anos. Retornam ao Ceará, inicialmente para Guaramiranga e depois Quixadá, onde Rachel é matriculada no curso normal, como interna do Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora em 1925, aos 15 anos de idade. Sua formação escolar pára aí.
Rachel retorna à fazenda dos pais, em Quixadá. Dedica-se inteiramente à leitura, orientada por sua mãe, sempre atualizada com lançamento nacionais e estrangeiros, em especial os franceses. O constante ler estimula os primeiros escritos. Envergonhada, não mostrava seus textos a ninguém.
Em 1926, nasce sua irmã caçula, Maria Luiza. Os outros irmãos eram Roberto, Flávio e Luciano, já falecidos).
Com o pseudônimo de "Rita de Queluz" ela envia ao jornal "O Ceará", em 1927, uma carta ironizando o concurso "Rainha dos Estudantes", promovido por aquela publicação. O diretor do jornal, Júlio Ibiapina, amigo de seu pai, diante do sucesso da carta a convida para colaborar com o veículo. Três anos depois, ironicamente, quando exercia as funções de professora substituta de História no colégio onde havia se formado, Rachel foi eleita a "Rainha dos Estudantes". Com a presença do Governador do Estado, a festa da coroação tinha andamento quando chega a notícia do assassinato de João Pessoa. Joga a coroa no chão e deixa às pressas o local, com uma única explicação "Sou repórter".
Seu pai adquiri o Sítio do Pici, perto de Fortaleza, para onde a família se transfere. Sua colaboração em "O Ceará" torna-se regular. Publica o folhetim "História de um nome" — sobre as várias encarnações de uma tal Rachel — e organiza a página de literatura do jornal.
Submetida a rígido tratamento de saúde, em 1930, face a uma congestão pulmonar e suspeita de tuberculose, a autora se vê obrigada a fazer repouso e resolve escrever "um livro sobre a seca". "O Quinze" — romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca — é mostrado aos pais, que decidem "emprestar" o dinheiro para sua edição, que é publicada em agosto com uma tiragem de mil exemplares. Diante da reação reticente dos críticos cearenses, remete o livro para o Rio de Janeiro e São Paulo, sendo elogiado por Augusto Frederico Schmidt e Mário de Andrade. O livro logo transformaria Rachel numa personalidade literária. Com o dinheiro da venda dos exemplares, a escritora "paga" o empréstimo dos pais.
Em março de 1931, recebe no Rio de Janeiro o prêmio de romance da Fundação Graça Aranha, mantida pelo escritor, em companhia de Murilo Mendes (poesia) e Cícero Dias (pintura). Conhece integrantes do Partido Comunista; de volta a Fortaleza ajuda a fundar o PC cearense.
Casa-se com o poeta bissexto José Auto da Cruz Oliveira, em 1932. É fichada como "agitadora comunista" pela polícia política de Pernambuco. Seu segundo romance, "João Miguel", estava pronto para ser levado ao editor quando a autora é informada de que deveria submetê-lo a um comitê antes de publicá-lo. Semanas depois, em uma reunião no cais do porto do Rio de Janeiro, é informada de que seu livro não fora aprovado pelo PC, porque nele um operário mata outro. Fingindo concordar, Rachel pega os originais de volta e, depois de dizer que não via no partido autoridade para censurar sua obra, foge do local "em desabalada carreira", rompendo com o Partido Comunista.
Publica o livro pela editora Schmidt, do Rio, e muda-se para São Paulo, onde se aproxima do grupo trotskista.
Nasce, em Fortaleza, no ano de 1933, sua filha Clotilde.
Muda-se para Maceió, em 1935, onde faz amizade com Jorge de Lima, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Aproxima-se, também, do jornalista Arnon de Mello (pai do futuro presidente da República, Fernando Collor, que a agraciou com a Ordem Nacional do Mérito). Sua filha morre aos 18 meses, vítima de septicemia.
O lançamento do romance "Caminho de Pedras", pela José Olympio - Rio, se dá em 1937, que seria sua editora até 1992. Com a decretação do Estado Novo, seus livros são queimados em Salvador - BA, juntamente com os de Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, sob a acusação de subversivos. Permanece detida, por três meses, na sala de cinema do quartel do Corpo de Bombeiros de Fortaleza.
Em 1939, separa-se de seu marido e muda-se para o Rio, onde publica seu quarto romance, "As Três Marias".
Por intermédio de seu primo, o médico e escritor Pedro Nava, em 1940 conhece o também médico Oyama de Macedo, com quem passa a viver. O casamento duraria até à morte do marido, em 1982. A notícia de que uma picareta de quebrar gelo, por ordem de Stalin, havia esmigalhado o crânio de Trótski faz com que ela se afaste da esquerda.
Deixa de colaborar, em 1944, com os jornais "Correio da Manhã", "O Jornal" e "Diário da Tarde", passando a ser cronista exclusiva da revista "O Cruzeiro", onde permanece até 1975.
Estabelece residência na Ilha do Governador, em 1945.
Seu pai vem a falecer em 1948, ano em que publica "A Donzela e a Moura Torta". No ano de 1950, escreve em quarenta edições da revista "O Cruzeiro" o folhetim "O Galo de Ouro".
Sua primeira peça para o teatro, "Lampião", é montada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro Leopoldo Fróes, em São Paulo, no ano de 1953. É agraciada, pela montagem paulista, com o Prêmio Saci, conferido pelo jornal "O Estado de São Paulo".
Recebe, da Academia Brasileira de Letras, em 1957, o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.
Em 1958, publica a peça "A beata Maria do Egito", montada no Teatro Serrador, no Rio, tendo no papel-título a atriz Glauce Rocha.
O presidente da República, Jânio Quadros, a convida para ocupar o cargo de ministra da Educação, que é recusado. Na época, justificando sua decisão, teria dito: "Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista."
O livro "As Três Marias", com ilustrações de Aldemir Martins, em tradução inglesa, é lançado pela University of Texas Press, em 1964.
O golpe militar de 1964 teve em Rachel uma colaboradora, que "conspirou" a favor da deposição do presidente João Goulart.
O presidente general Humberto de Alencar Castelo Branco, seu conterrâneo e aparentado, no ano de 1966 a nomeia para ser delegada do Brasil na 21ª. Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, junto à Comissão dos Direitos do Homem.
Passa a integrar o Conselho Federal de Cultura, em 1967, e lá ficaria até 1985. Depois de visitar a escritora na Fazenda Não me Deixes, em Quixadá, o presidente Castelo Branco morre em desastre aéreo.
Estréia na literatura infanto-juvenil, em 1969, com "O Menino Mágico", em 1969.
No ano de 1975, publica o romance "Dôra, Doralina".
Em 1977, por 23 votos a 15, e um em branco, Rachel de Queiroz vence o jurista Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda e torna-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. A eleição acontece no dia 04 de agosto e a posse, em 04 de novembro. Ocupa a cadeira número 5, fundada por Raimundo Correia, tendo como patrono Bernardo Guimarães e ocupada sucessivamente pelo médico Oswaldo Cruz, o poeta Aluísio de Castro e o jurista, crítico e jornalista Cândido Mota Filho.
Seu livro, "O Quinze", é publicado no Japão pela editora Shinsekaisha e na Alemanha pela Suhrkamp, em 1978.
Em 1980, a editora francesa Stock lança "Dôra, Doralina". Estréia da Rede Globo de Televisão a novela "As Três Marias", baseada no romance homônimo da escritora.
Com direção de Perry Salles, estréia no cinema a adaptação de "Dôra, Doralina", em 1981.
Em 1985, é inaugurada em Ramat-Gau, Tel Aviv (Israel), a creche "Casa de Rachel de Queiroz". "O Galo de Ouro" é publicado em livro.
Retorna à literatura infantil, em 1986, com "Cafute & Perna-de-Pau".
A José Olympio Editora lança, em 1989, sua "Obra Reunida", em cinco volumes, com todos os livros que Rachel publicara até então destinados ao público adulto.
Segundo notícia que circulou em 1991, a Editora Siciliano, de São Paulo, pagou US$150.000,00 pelos direitos de publicação da obra completa de Rachel.
Já na nova editora, lança em 1992 o romance "Memorial de Maria Moura".
Em 1993, recebe dos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões e da União Brasileira de Escritores, o Juca Pato. A Siciliano inicia o relançamento de sua obra completa.
1994 marca a estréia, na Rede Globo de Televisão, da minissérie "Memorial de Maria Moura", adaptada da obra da escritora. Tendo no papel principal a atriz Glória Pires, notícias dão conta que Rachel recebeu a quantia de US$50.000,00 de direitos autorais.
Inicia seu livro de memórias, em 1995, escrito em colaboração com a irmã Maria Luiza, que é publicado posteriormente com o título "Tantos anos".
Pelo conjunto de sua obra, em 1996, recebe o Prêmio Moinho Santista.
Em 2000, é publicado "Não me Deixes — Suas histórias e sua cozinha", em colaboração com sua irmã, Maria Luiza.
Em novembro deste ano, quando a escritora completou 90 anos de idade, foi inaugurada, na Academia Brasileira de Letras, a exposição "Viva Rachel". São 17 painéis e um ensaio fotográfico de Eduardo Simões resumindo o que os organizadores da mostra chamam de “geografia interior de Rachel, suas lembranças e a paisagem que inspirou a sua obra”.
Rachel de Queiroz chega aos 90 anos afirmando que não gosta de escrever e o faz para se sustentar. Ela lembra que começou a escrever para jornais aos 19 anos e nunca mais parou, embora considere pequeno o número de livros que publicou. “Para mim, foram só cinco, (além de O Quinze, As Três Marias, Dôra, Doralina, O Galo de Ouro e Memorial de Maria Moura), pois os outros eram compilações de crônicas que fiz para a imprensa, sem muito prazer de escrever, mas porque precisava sustentar-me”, recorda ela. “Na verdade, eu não gosto de escrever e se eu morrer agora, não vão encontrar nada inédito na minha casa”.
Recebe, em 06-12-2000, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Em 2003, é inaugurado em Quixadá (CE), o Centro Cultural Rachel de Queiroz.
Faleceu, dormindo em sua rede, no dia 04-11-2003, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou, aguardando publicação, o livro "Visões: Maurício Albano e Rachel de Queiroz", uma fusão de imagens do Ceará fotografadas por Maurício com textos de Rachel de Queiroz.
Obras:
Individuais:
- Romances:
- O quinze (1930)
- João Miguel (1932)
- Caminho de pedras (1937)
- As três Marias (1939)
- Dôra, Doralina (1975)
- O galo de ouro (1985) - folhetim na revista " O Cruzeiro", (1950)
- Obra reunida (1989)
- Memorial de Maria Moura (1992)
- Literatura Infanto-Juvenil:
- O menino mágico (1969)
- Cafute & Pena-de-Prata (1986)
- Andira (1992)
- Cenas brasileiras - Para gostar de ler 17.
- Teatro:
- Lampião (1953)
- A beata Maria do Egito (1958)
- Teatro (1995)
- O padrezinho santo (inédita)
- A sereia voadora (inédita)
- Crônica:
- A donzela e a moura torta (1948);
- 100 Crônicas escolhidas (1958)
- O brasileiro perplexo (1964)
- O caçador de tatu (1967)
- As menininhas e outras crônicas (1976)
- O jogador de sinuca e mais historinhas (1980)
- Mapinguari (1964)
- As terras ásperas (1993)
- O homem e o tempo (74 crônicas escolhidas}
- A longa vida que já vivemos
- Um alpendre, uma rede, um açude: 100 crônicas escolhidas
- Cenas brasileiras
- Xerimbabo (ilustrações de Graça Lima)
- Falso mar, falso mundo - 89 crônicas escolhidas (2002)
- Antologias:
- Três romances (1948)
- Quatro romances (1960) (O Quinze, João Miguel, Caminho de Pedras,
As três Marias)
- Seleta (1973) - organização de Paulo Rónai
- Livros em parceria:
- Brandão entre o mar e o amor (romance - 1942) - com José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Aníbal Machado e Jorge Amado.
- O mistério dos MMM (romance policial - 1962) - Com Viriato Corrêa, Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio Cardoso, Herberto Sales, Jorge Amado, José Condé, Guimarães Rosa, Antônio Callado e Orígines Lessa.
- Luís e Maria (cartilha de alfabetização de adultos - 1971) - Com Marion Vilas Boas Sá Rego.
- Meu livro de Brasil (Educação Moral e Cívica - 1º. Grau, Volumes 3, 4 e 5 - 1971) - Com Nilda Bethlem.
- O nosso Ceará (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), relato, 1994.
- Tantos anos (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), auto-biografia, 1998.
- O Não Me Deixes – Suas Histórias e Sua Cozinha (com sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek), 2000.
Obras traduzidas pela escritora:
- Romances:
AUSTEN, Jane. Mansfield Parlz (1942).
BALZAC, Honoré de. A mulher de trinta anos (1948).
BAUM, Vicki. Helena Wilfuer (1944).
BELLAMANN, Henry. A intrusa (1945).
BOTTONE, Phyllis. Tempestade d'alma (1943).
BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes (1947).
BRUYÈRE, André. Os Robinsons da montanha (1948).
BUCK, Pearl. A promessa (1946).
BUTLER, Samuel. Destino da carne (1942).
CHRISTIE, Agatha. A mulher diabólica (1971).
CRONIN, A. J. A família Brodie (1940).
CRONIN, A. J. Anos de ternura (1947).
CRONIN, A. J. Aventuras da maleta negra (1948).
DONAL, Mario. O quarto misterioso e Congresso de bonecas (1947).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Humilhados e ofendidos (1944).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Recordações da casa dos mortos (1945).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os demônios (1951).
DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os irmãos Karamazov (1952) 3 v.
DU MAURIER, Daphne. O roteiro das gaivotas (1943).
FREMANTLE, Anne. Idade da fé (1970).
GALSWORTHY, John. A crônica dos Forsyte (1946) 3 v.
GASKELL, Elisabeth. Cranford (1946).
GAUTHIER, Théophile. O romance da múmia (1972).
HEIDENSTAM, Verner von. Os carolinos: crônica de Carlos XII (1963).
HILTON, James. Fúria no céu (1944).
LA CONTRIE, M. D'Agon de. Aventuras de Carlota (1947).
LOISEL, Y. A casa dos cravos brancos (1947).
LONDON, Jack. O lobo do mar (1972).
MAURIAC, François. O deserto do amor (1966).
PROUTY, Oliver. Stella Dallas (1945).
REMARQUE, Erich Maria. Náufragos (1942).
ROSAIRE, Forrest. Os dois amores de Grey Manning (1948).
ROSMER, Jean. A afilhada do imperador (1950).
SAILLY, Suzanne. A deusa da tribo (1950).
VERDAT, Germaine. A conquista da torre misteriosa (1948).
VERNE, Júlio. Miguel Strogoff (1972).
WHARTON, Edith. Eu soube amar (1940).
WILLEMS, Raphaelle. A predileta (1950).
- Biografias e memórias:
BUCK, Pearl. A exilada: retrato de uma mãe americana (1943).
CHAPLIN, Charles. Minha vida (caps. 1 a 7 (1965).
DUMAS, Alexandre. Memórias de Alexandre Dumas, pai (1947).
TERESA DE JESUS, Santa. Vida de Santa Teresa de Jesus (1946).
STONE, Irwin. Mulher imortal (biografia de Jessie Benton Fremont (1947).
TOLSTÓI, Leon. Memórias (1944).
- Teatro:
CRONIN, A. J. Os deuses riem (1952).
Os dados acima foram obtidos em livros de e sobre a autora, sites da Internet, jornais e revistas de circulação nacional.
(Site: releituras.com)
terça-feira, 16 de novembro de 2010
VERDADES OCULTAS
Foi apenas o fechar das urnas, e as verdades começaram a aparecer. A CPMF reaparece com a presidente eleita e alguns governadores falando dela com uma sinceridade que lhes faltou na campanha.
O governador do Rio entrou no STF dizendo que o sistema de partilha do petróleo prejudica o estado. O sistema é ideia de Dilma Rousseff, a quem Sérgio Cabral deu seu entusiasmado apoio.
Tenham compostura senhores e senhoras da política: nós não somos bobos. Quantas vezes vocês acham que podem nos enganar mudando de tom, discurso e propósitos entre o pré e o pós-urnas?
O banco PanAmericano estava quebrado antes das eleições, mas as informações sobre isso apareceram apenas alguns dias depois. O que torna o caso inegavelmente uma questão de interesse e dinheiro públicos é a compra extemporânea de 49% do banco pela Caixa Econômica Federal e a cegueira coletiva que atingiu comprador e fiscalizadores.
PT e PMDB, os dois maiores partidos da coalizão, começaram a se engalfinhar em público pelos cargos, como se fosse uma disputa do butim de uma batalha que eles venceram. Fica-se sabendo que o consumidor — e não as empresas como Itaipu e Furnas — é que pagará pelo custo do apagão que em 2009 deixou 18 estados sem luz.
Nove empresas receberam multas de R$ 61,9 milhões e recorreram. Ainda nenhum tostão saiu do caixa delas. Mas o distinto público que ficou sem luz pagará R$ 850 milhões a mais em suas contas em 2011.
O TCU informa que 32 obras de investimento do governo, 18 delas do PAC, deveriam ser paralisadas porque têm graves irregularidades e sobrepreço. Entre elas, algumas que foram exibidas na propaganda eleitoral da presidente eleita, como a Refinaria Abreu e Lima.
O financiamento do trem-bala não terá apenas dinheiro subsidiado, terá subsídio direto de R$ 5 bi nos primeiros anos. A lista das más notícias neste breve período pós-eleitoral é grande e está em várias áreas; em comum o fato de terem sido dadas em momento muito conveniente para o governo.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, não pode alegar que desconhecia que o sistema de partilha, as mudanças na Lei do Petróleo e as condições da capitalização da Petrobras prejudicam frontalmente o estado que governa. Ele até chorou por isso, em público, meses antes das eleições. Depois, tratou a questão como resolvida.
O prejuízo teria sido evitado por um suposto e mal explicado acordo entre ele e seus aliados do governo Federal. A nova regulação do petróleo, que foi toda formatada no gabinete da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff — hoje presidente eleita —, prejudica o Rio. O estado que produz 80% do petróleo que se extrai no Brasil e que será também grande no pré-sal perde porque no sistema de concessão o estado recebe royalties e participação especial.
No novo sistema não há participação especial e ainda há o risco de se perder grande parte dos royalties. Perde também porque a União fez a transferência para a Petrobras, na chamada cessão onerosa, de bilhões de barris de petróleo do pré-sal que também não pagarão participação especial ao Rio.
Disso tudo o governador Sérgio Cabral sabia antes e durante o processo eleitoral. Por que nunca disse isso ao eleitor? Por que deixa para entrar no Supremo Tribunal Federal depois das eleições? Um governador tem que ter como primeira lealdade a defesa dos interesses do estado que administra e não a coalizão política da qual participa.
O advogado-geral da União, Luís Adams, disse que vai contestar a Ação Direta de Inconstitucionalidade do Rio. "Não vejo futuro nessa Adin", disse Adams. Pois é. O que ela tem é passado: o tempo em que o governo do Rio esperou para entrar com a ação.
A declaração da presidente Dilma em sua primeira entrevista de que não poderia ignorar a pressão dos governadores pela CPMF — assim, docemente constrangida a defender o imposto — foi espantosa.
Primeiro, porque ela nunca deu ciência aos eleitores de que estava sendo pressionada; segundo, porque os governadores disputando eleição ou reeleição também não disseram que estavam pressionando quem quer que seja pelo imposto. Terceiro, porque a arrecadação aumentou depois do fim do imposto pelo peso da elevação de outros tributos.
O P da CPMF quer dizer provisório. Foi criada em momento específico e com objetivo limitado. Era para atravessar o período da transição entre a hiperinflação e a estabilidade, quando havia risco de uma queda da arrecadação. Ela cria muitas distorções. Parece prejudicar apenas quem faz transações bancárias mas afeta, em cascata, todos os preços da economia. Por ser cumulativa, vai produzindo um peso enorme sobre as empresas, que o transferem ao consumidor. Aí o imposto fica regressivo, injustamente distribuído.
Os governadores e os presidentes, eleita e em exercício, podem estar sinceramente convencidos de que sem a CPMF não é possível financiar a saúde — ainda que, como se sabe, ela pouco financiou a saúde — mas só poderiam tratar disso agora se tivessem defendido o imposto durante o processo eleitoral.
O Brasil tem um longo histórico de verdades ocultas durante o período em que encantadores candidatos tentam atrair o voto do cidadão pintando o mundo de cor-de-rosa e prometendo só alegrias. Por isso a CPMF é inaceitável. Só pode propor o imposto agora quem teve a coragem de defendê-lo quando estava no palanque.
Miriam Leitão
O governador do Rio entrou no STF dizendo que o sistema de partilha do petróleo prejudica o estado. O sistema é ideia de Dilma Rousseff, a quem Sérgio Cabral deu seu entusiasmado apoio.
Tenham compostura senhores e senhoras da política: nós não somos bobos. Quantas vezes vocês acham que podem nos enganar mudando de tom, discurso e propósitos entre o pré e o pós-urnas?
O banco PanAmericano estava quebrado antes das eleições, mas as informações sobre isso apareceram apenas alguns dias depois. O que torna o caso inegavelmente uma questão de interesse e dinheiro públicos é a compra extemporânea de 49% do banco pela Caixa Econômica Federal e a cegueira coletiva que atingiu comprador e fiscalizadores.
PT e PMDB, os dois maiores partidos da coalizão, começaram a se engalfinhar em público pelos cargos, como se fosse uma disputa do butim de uma batalha que eles venceram. Fica-se sabendo que o consumidor — e não as empresas como Itaipu e Furnas — é que pagará pelo custo do apagão que em 2009 deixou 18 estados sem luz.
Nove empresas receberam multas de R$ 61,9 milhões e recorreram. Ainda nenhum tostão saiu do caixa delas. Mas o distinto público que ficou sem luz pagará R$ 850 milhões a mais em suas contas em 2011.
O TCU informa que 32 obras de investimento do governo, 18 delas do PAC, deveriam ser paralisadas porque têm graves irregularidades e sobrepreço. Entre elas, algumas que foram exibidas na propaganda eleitoral da presidente eleita, como a Refinaria Abreu e Lima.
O financiamento do trem-bala não terá apenas dinheiro subsidiado, terá subsídio direto de R$ 5 bi nos primeiros anos. A lista das más notícias neste breve período pós-eleitoral é grande e está em várias áreas; em comum o fato de terem sido dadas em momento muito conveniente para o governo.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, não pode alegar que desconhecia que o sistema de partilha, as mudanças na Lei do Petróleo e as condições da capitalização da Petrobras prejudicam frontalmente o estado que governa. Ele até chorou por isso, em público, meses antes das eleições. Depois, tratou a questão como resolvida.
O prejuízo teria sido evitado por um suposto e mal explicado acordo entre ele e seus aliados do governo Federal. A nova regulação do petróleo, que foi toda formatada no gabinete da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff — hoje presidente eleita —, prejudica o Rio. O estado que produz 80% do petróleo que se extrai no Brasil e que será também grande no pré-sal perde porque no sistema de concessão o estado recebe royalties e participação especial.
No novo sistema não há participação especial e ainda há o risco de se perder grande parte dos royalties. Perde também porque a União fez a transferência para a Petrobras, na chamada cessão onerosa, de bilhões de barris de petróleo do pré-sal que também não pagarão participação especial ao Rio.
Disso tudo o governador Sérgio Cabral sabia antes e durante o processo eleitoral. Por que nunca disse isso ao eleitor? Por que deixa para entrar no Supremo Tribunal Federal depois das eleições? Um governador tem que ter como primeira lealdade a defesa dos interesses do estado que administra e não a coalizão política da qual participa.
O advogado-geral da União, Luís Adams, disse que vai contestar a Ação Direta de Inconstitucionalidade do Rio. "Não vejo futuro nessa Adin", disse Adams. Pois é. O que ela tem é passado: o tempo em que o governo do Rio esperou para entrar com a ação.
A declaração da presidente Dilma em sua primeira entrevista de que não poderia ignorar a pressão dos governadores pela CPMF — assim, docemente constrangida a defender o imposto — foi espantosa.
Primeiro, porque ela nunca deu ciência aos eleitores de que estava sendo pressionada; segundo, porque os governadores disputando eleição ou reeleição também não disseram que estavam pressionando quem quer que seja pelo imposto. Terceiro, porque a arrecadação aumentou depois do fim do imposto pelo peso da elevação de outros tributos.
O P da CPMF quer dizer provisório. Foi criada em momento específico e com objetivo limitado. Era para atravessar o período da transição entre a hiperinflação e a estabilidade, quando havia risco de uma queda da arrecadação. Ela cria muitas distorções. Parece prejudicar apenas quem faz transações bancárias mas afeta, em cascata, todos os preços da economia. Por ser cumulativa, vai produzindo um peso enorme sobre as empresas, que o transferem ao consumidor. Aí o imposto fica regressivo, injustamente distribuído.
Os governadores e os presidentes, eleita e em exercício, podem estar sinceramente convencidos de que sem a CPMF não é possível financiar a saúde — ainda que, como se sabe, ela pouco financiou a saúde — mas só poderiam tratar disso agora se tivessem defendido o imposto durante o processo eleitoral.
O Brasil tem um longo histórico de verdades ocultas durante o período em que encantadores candidatos tentam atrair o voto do cidadão pintando o mundo de cor-de-rosa e prometendo só alegrias. Por isso a CPMF é inaceitável. Só pode propor o imposto agora quem teve a coragem de defendê-lo quando estava no palanque.
Miriam Leitão
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