Raimundo Soares Rezende e Gentil Cardoso Linhares, enquanto dividiram espaço na terra do Senhor do Bonfim, sempre ocuparam trincheiras opostas no front político. Eram ferrenhos adversários à moda antiga. Aos seus descendentes coube, agora, uma ação conciliadora, de reparação das arestas. A estrada que liga Crateús a Tamboril será batizada com o nome de Gentil Cardoso, em projeto de lei subscrito pelo deputado Hermínio Rezende, filho de Raimundo. Fernando Linhares, neto de Gentil, me disse que se algum registro eu fosse fazer, ressaltasse o gesto de humildade do deputado Hermínio. Os dois lados exibem, portanto, uma postura sinalizadora de civilidade. A política é feita de sinais. Este foi um gesto emblemático, de grandeza política.
GRANDEZA
Pensar grande. Cultivar sentimentos elevados. Ter a saudável ambição pelas boas causas. Sonhar o sonho dos justos. Dedicar-se ao enobrecimento da reflexão coletiva. Eis o que mais necessitamos no exercício das tarefas que dizem respeito aos negócios públicos. Nos próximos dias a população será convidada a participar do processo revisional da Lei Fundamental do Município (vide Crônica ao lado). É um momento em que as diversas correntes de opinião, em debate altruísta, externarão seus pontos de vista sobre o regime legal da municipalidade.
SINDICATO
O Sindicato dos Servidores Municipais realizará eleição no próximo dia 10 de abril. Em função do ambiente de descontentamento com o rumo situacionista, reforçado pelo apoio do Sindicato dos Professores, o quadro se descortina favorável à chapa oposicionista. É sintomático que o PCdoB perda a direção da entidade sindical exatamente no período em que ascendeu ao comando prefeitural.
CENA
Semana passada a cidade foi surpreendida por uma cena dantesca: os modernos carros compactadores que recolhiam o lixo das ruas da cidade foram substituídos por velhos caminhões de carroceria tradicional. A empresa que ganhou a licitação da limpeza pública foi dispensada sem motivação convincente. Alega o representante da empresa que a Prefeitura ficou lhe devendo uma vultosa quantia. Apesar disso, quitou todos os seus compromissos locais, sobretudo com trabalhadores. No entanto, ressalta que foi injustiçado e que vai buscar seus direitos na Justiça.
CENTENÁRIO
Uma comissão da Academia de Letras de Crateús (ALC) esteve reunida no último dia 23 de março com representantes da Administração Municipal. Os acadêmicos Elias de França, Lourival Veras e Raimundo Cândido sentaram à mesa com os Secretários de Educação, Mauro Soares, e de Cultura, Aldo Costa. A Academia planeja brindar a cidade com uma histórica publicação literária a respeito do centenário. Da parte da Administração, foi ratificado o interesse em contar com a ALC nas atividades alusivas ao Centenário, especialmente no que se refere a publicações e que se empenhará em buscar as condições e recursos para viabilizar as ações propostas.
PUBLICAÇÕES
Por falar em publicação, dois acadêmicos estão expedindo convites para o lançamento de livros. Elias de França, atual Presidente do Sodalício de Letras de Crateús, lança “HISTÓRIAS DE ROÇA – Ciranda, Cirandinha, Venham Monstros Cirandar”. Lourival Veras, Tesoureiro da entidade, instiga todo mundo a sentir que AÇUCENA NÃO É FLOR QUE SE CHEIRE, o seu último livro. Conheço ambos os autores e testemunho que merecem nosso prestígio. São militantes literários, atletas do verso, amantes das artes. Elias, artista premiado, nasceu no Arvoredo e carrega a sina de mostrar ao mundo o bosque das mágicas palavras. Multifacetário, é poeta, compositor, dramaturgo e artista plástico. Lourival, igualmente, passeia pela teia da dramaturgia, pelo universo do conto e pelos mistérios da poesia. Amor, compromisso e talento são ingredientes que utiliza para compor e oferecer grandeza à construção e à promoção das artes do povo. Tomou lugar nos principais eventos artísticos e culturais da cidade nas três últimas décadas. As obras serão lançadas no próximo dia 09 de abril, às 19:30 horas, no Teatro Rosa Moraes.
ALC
Independente de quaisquer outros resultados, a Academia de Letras de Crateús (ALC), nestes poucos meses de existência, já justificou sua criação. Uma visita ao blog http://academiadeletrasdecrateus.blogspot.com/, o chão sagrado da Academia na internet, dá uma amostra do talento de alguns dos seus integrantes. Como um templo ecumênico, nele há espaço para todos que adoram cultuar a beleza da virtude, a simplicidade da inteligência, a singeleza do verbo, o fascínio da cultura, a liberdade da palavra, a profundidade do amor. Destaque-se a fertilidade inventiva de Raimundo Cândido e Ísis Celiane.
PARA REFLETIR
“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”. (Einstein)
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
terça-feira, 29 de março de 2011
O VERBO É PARTICIPAR

Adoramos verdades absolutas. Exaltamos os dogmas, as definições que nos são impostas e que nos cabe aceitar sem discussão. É como se, apegados a um dogma, estivéssemos tranqüilos, à sombra de uma árvore colossal. Uma dessas ‘verdades absolutas’ é a de que o povo tem sempre razão. Somatório das individualidades, esse coletivo às vezes também se equivoca. Olvida de por a mão na algibeira da razão, age pelo combustível do impulso ou embalado pelas notas sedutoras da emoção.
Rubem Alves lembra que
“Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia - são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava (Hitler) o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer “povo“...” (...) De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: ‘Caminhando e cantando e seguindo a canção...’ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade. É uma esperança.”
É óbvio que, quando rompe a cercadura da manipulação, o povo tende a seguir a trilha da retidão. Nos dias atuais um fenômeno tem ajudado muito na disponibilização de dados para que a massa popular possa usar o prumo do discernimento: a internet. O acesso às informações, o avanço das redes sociais, o crescente robustecimento de sítios livres no território inesgotável da web – se constitui na mais auspiciosa oportunidade de ascensão à luz da razão e de fortalecimento à inteligência popular.
Os munícipes de Crateús, nos próximos dias, serão convidados a elaborar uma nova Carta de Princípios da Municipalidade. A Lei Fundamental do Município, a que organiza o conjunto das relações locais, a Lei Orgânica Municipal será revista, rediscutida, reformulada, atualizada. Qual a garantia que podemos ter de que essa Lei será melhor que a atual? A participação popular.
Participar é o verbo da vez. José Saramago dizia que a única alternativa a tudo aquilo que tem a ver com a vida social é a participação. E mais: ‘A sentença mortal das democracias é a renúncia dos cidadãos à participação. Os principais responsáveis somos nós mesmos, quando delegamos o poder a outra pessoa, que, a partir desse momento, passa a usá-lo e controlá-lo’.
Em dia de eleição é comum ouvirmos a seguinte expressão: - Já votei, perdi meu valor. Ainda é muito forte no nosso imaginário a idéia de que só temos valor antes de depositar o voto na urna. Ora, aí é que começamos a nossa caminhada valorativa. Porque atuamos, votamos, elegemos, exercitamos a cidadania.
Por isso, impõe-se que a sociedade, através dos seus segmentos organizados, assuma papel de protagonista nesse processo revisional da Lei Maior do Município. A inserção de normas que assegurem a democratização dos poderes municipais, tanto Legislativo quanto Executivo, é essencial para o progresso local.
Confeccionar um arcabouço normativo, desenhar normas que regulem as relações sociais, pode ser uma atividade lúdica, instante de arrebatamento coletivo, momento de revigoramento das asas dos sonhos e de fazer voar a imaginação. Imagine-se, por exemplo, que além de assegurar a manutenção da iniciativa popular de leis, o povo possa também fazer uso do poder de vetar leis e ações que julgue nocivas ao interesse coletivo? Imagine-se, também, a criação de mecanismos de censura a candidatos que, no palanque, exibem uma carta de compromissos e, no poder, fazem uso de outra?
Tudo isso pode se concretizar, se soubermos o verbo correto utilizar. O verbo é participar!
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 28 de março de 2011
A LIBERDADE

A liberdade é o fenômeno mais divino; por isso, nunca sacrifique sua liberdade por coisa alguma, nem mesmo pelo amor, porque nada supera a liberdade.
Tudo pode ser sacrificado pela liberdade, até a vida, mas a liberdade não pode ser sacrificada por coisa alguma. Até Deus pode ser sacrificado pela liberdade, mas ela não pode ser sacrificada por Deus.
Buda não acredita em Deus, mas acredita na liberdade. Mahavira nunca acreditou em Deus, mas acreditava na liberdade. Eles podiam descartar a hipótese de Deus, mas não a hipótese da liberdade — na verdade, a liberdade é o verdadeiro Deus.
Viver em liberdade é viver a vida espiritual. Mas os supostos santos vivem em escravidão. Não são pessoas livres, são os maiores escravos da terra, escravos de velhas ideias e ideologias.
Quando sua consciência está completamente livre, ela não se deixa mais aprisionar. O esplendor até então aprisionado é liberto. Pela primeira vez você sabe quem é, conhece sua glória, sua beleza.
E essa é a experiência pela qual Jesus viveu e morreu, a experiência que Buda ensinou a vida toda, e pela qual Sócrates se sacrificou.
Osho, em "Meditações Para o Dia"
SOBRE MARIAS
Olá Júnior,
Sua postagem é mais uma prova que a mulher desde sempre vem sendo assassinada vergonhosamente.
MORTE MULHER
*
Quantas Marias se foram
Quantas Marias se vão
Levadas pela violência
Desde os tempos de então.
O crime contra mulheres
Infestam essa nação.
*
É preciso ficar atenta,
A cada situação.
Tomar com toda certeza,
A devida precaução.
Pra não acabar inerte
No fundo de um caixão.
*
Um abraço,
Dalinha
Sua postagem é mais uma prova que a mulher desde sempre vem sendo assassinada vergonhosamente.
MORTE MULHER
*
Quantas Marias se foram
Quantas Marias se vão
Levadas pela violência
Desde os tempos de então.
O crime contra mulheres
Infestam essa nação.
*
É preciso ficar atenta,
A cada situação.
Tomar com toda certeza,
A devida precaução.
Pra não acabar inerte
No fundo de um caixão.
*
Um abraço,
Dalinha
sábado, 26 de março de 2011
HOMENAGEM A MARIA
Caro Júnior,
O texto abaixo trata-se de uma homenagem póstuma prestada por minha esposa Socorro Aguiar a sua tia Maria Aguiar, conhecida por "Lilia", assassinada pelo marido - doente mental - há cerca de trinta anos. Ficaria grato se pudesse postá-la em seu blog.
Atenciosamente,
Paulo das Flores
O texto abaixo trata-se de uma homenagem póstuma prestada por minha esposa Socorro Aguiar a sua tia Maria Aguiar, conhecida por "Lilia", assassinada pelo marido - doente mental - há cerca de trinta anos. Ficaria grato se pudesse postá-la em seu blog.
Atenciosamente,
Paulo das Flores
MARIA
Menina mulher, que se foi levando de nós a alegria. Alegria de Maria que a todos contagiava.
Maria, minha menina. E o que dizer dos teus olhos embriagados de ternura?
Nunca mais os verei! Nunca mais verei Maria a entrar na minha casa, cantando, mexendo, fazendo despertar em mim a criança adormecida. Nunca mais ouvirei a sua voz...era como um hino aos meus ouvidos, quando dizia pela manhã: acorda Maricota, já é meio dia!
Não sei como não morri de saudade. Saudade daquelas tardes que não voltam mais! E como malinávamos - como dizia Maria. Lilia, minha Maria!
Às vezes me pergunto, bem baixinho, para não despertar também a minha dor: Onde encontrarei um peito tão acolhedor?
Quem, com tanto amor me buscará pelas ruas, a procura de um simples abraço? Assim fazia Maria, minha Lilia, com poesia na voz, a me dizer: até amanhã, menina feia.
Um amanhã que nunca chegou. Havia tanta saudade naquele abraço, alguma coisa denunciava ser o último.
Por quê Maria? Por quê não me buscou pelas ruas para me dizer: Adeus?
Teria eu te prendido em meus braços. E Deus, com dó de mim, não permitiria que os anjos te levassem.
Teria, Maria, virado sinônimo de tristeza por ter nos deixado?
Não! Não a minha Maria.
Maria era festa.E sabia ser, com seu “charles", como costumava brincar com seus vestidos velhos.
Minha amiga, minha menina, tia talvez ....Por que não dizer professora de dança?
Pois bem, só sei que Maria era um raio de luz, a palavra mais nobre que o amor sabe ser.
Maria, bondade em forma de mulher. Sempre cuidando dos necessitados, buscando justiça para os desamparados.A quantos minha Maria com seu empenho ajudou a aposentar. Maria era amor. Vivia para se doar.
E em uma manhã fria, sem graça, sem aplausos, morreu. Maria. Minha menina, criança na sua maneira de pensar. E disse Maria tantas vezes, com um clamor tão ardente, que ficou em meus ouvidos como um sino a ressoar: quando eu morrer, perdoai, perdoai, perdoai!
Adeus minha flor. Vai enfeitar outro jardim. Ofuscar a imensidão do mar com a tua luz.
Eu e todos que te amam te aplaudiremos daqui. Para mim, Maria, tu és uma santa. Eu sei que Deus, pela sua grandeza, não vai enciumar o altar mais lindo, dedicado a ti em meu coração!
Socorro Aguiar
Maria, minha menina. E o que dizer dos teus olhos embriagados de ternura?
Nunca mais os verei! Nunca mais verei Maria a entrar na minha casa, cantando, mexendo, fazendo despertar em mim a criança adormecida. Nunca mais ouvirei a sua voz...era como um hino aos meus ouvidos, quando dizia pela manhã: acorda Maricota, já é meio dia!
Não sei como não morri de saudade. Saudade daquelas tardes que não voltam mais! E como malinávamos - como dizia Maria. Lilia, minha Maria!
Às vezes me pergunto, bem baixinho, para não despertar também a minha dor: Onde encontrarei um peito tão acolhedor?
Quem, com tanto amor me buscará pelas ruas, a procura de um simples abraço? Assim fazia Maria, minha Lilia, com poesia na voz, a me dizer: até amanhã, menina feia.
Um amanhã que nunca chegou. Havia tanta saudade naquele abraço, alguma coisa denunciava ser o último.
Por quê Maria? Por quê não me buscou pelas ruas para me dizer: Adeus?
Teria eu te prendido em meus braços. E Deus, com dó de mim, não permitiria que os anjos te levassem.
Teria, Maria, virado sinônimo de tristeza por ter nos deixado?
Não! Não a minha Maria.
Maria era festa.E sabia ser, com seu “charles", como costumava brincar com seus vestidos velhos.
Minha amiga, minha menina, tia talvez ....Por que não dizer professora de dança?
Pois bem, só sei que Maria era um raio de luz, a palavra mais nobre que o amor sabe ser.
Maria, bondade em forma de mulher. Sempre cuidando dos necessitados, buscando justiça para os desamparados.A quantos minha Maria com seu empenho ajudou a aposentar. Maria era amor. Vivia para se doar.
E em uma manhã fria, sem graça, sem aplausos, morreu. Maria. Minha menina, criança na sua maneira de pensar. E disse Maria tantas vezes, com um clamor tão ardente, que ficou em meus ouvidos como um sino a ressoar: quando eu morrer, perdoai, perdoai, perdoai!
Adeus minha flor. Vai enfeitar outro jardim. Ofuscar a imensidão do mar com a tua luz.
Eu e todos que te amam te aplaudiremos daqui. Para mim, Maria, tu és uma santa. Eu sei que Deus, pela sua grandeza, não vai enciumar o altar mais lindo, dedicado a ti em meu coração!
Socorro Aguiar
sexta-feira, 25 de março de 2011
AIR SUPPLY EM FORTALEZA
SIMPLESMENTE OUTONO

Um resto de sol se esconde
Dizendo que a tarde findou.
Uma brisa ronda meu corpo
Num sopro que me inspirou.
Morre o dia e vem à noite
Neste outono que chegou.
*
A zanga do sol se abranda
E a vida muda de cor.
Sou árvore perdendo folhas
Porém sinto novo sabor.
Para cada folha caída,
Nova folha irei repor.
*
Outono hora de mudança,
Tempo de transformação.
Momento de se aprender
A cantar nova canção.
Onde os acordes emanem
Do fundo do coração.
*
Texto de Dalinha Catunda
quinta-feira, 24 de março de 2011
LEI DA FICHA LIMPA SÓ PODE SER APLICADA EM 2012
Em uma sessão bem mais breve e sem a exaltação demonstrada pelos ministros nas sessões anteriores, o Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira (23/3), por seis votos a cinco, que a Lei Complementar 135/10, conhecida como Lei da Ficha Limpa, não poderia ter sido aplicada em 2010 como decidiu o Tribunal Superior Eleitoral no ano passado.
A discussão se restringiu à proibição constitucional de uma lei que altere o processo eleitoral ser aplicada antes de um ano de entrar em vigor. A maioria dos ministros decidiu que ao estabelecer novos critérios de inelegibilidades a lei interferiu claramente no processo eleitoral e, assim, feriu o artigo 16 da Constituição Federal. De acordo com a norma, “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”.
Os ministros não chegaram a discutir se candidatos condenados por órgãos colegiados da Justiça antes da lei entrar em vigor podem ser atingidos por ela. Essa discussão ainda renderá bons debates, mas só às portas das eleições de 2012, quando a lei, então, estará em pleno vigor.
Como foi reconhecida a repercussão geral do recurso julgado nesta quarta, os efeitos da decisão serão estendidos para todos os candidatos que tiveram o registro indeferido pela Justiça com base nas regras da Lei da Ficha Limpa. Só no STF, há 30 recursos contra decisões do TSE que barraram candidatos chamados “ficha-suja”. Para se beneficiar da decisão, basta que os candidatos peçam a extensão dos efeitos da decisão. O plenário autorizou os ministros a decidir monocraticamente os pedidos.
O caso em julgamento foi o do candidato Leonídio Bouças (PMDB), que, no ano passado, disputou uma vaga de deputado estadual para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Bouças foi barrado por ter sido condenado por improbidade administrativa, sob acusação de usar a máquina pública em favor de sua candidatura ao Legislativo mineiro nas eleições de 2002, quando era secretário municipal de Uberlândia. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu seus direitos políticos por seis anos e oito meses. Com a decisão, ele será empossado porque obteve votos suficientes.
Na sessão, chegaram a se ensaiar alguns debates, mas nada parecido com os julgamentos do ano passado. A certa altura, o ministro Ayres Britto disse que Bouças havia sido condenado em todas as instâncias anteriores ao Supremo. Ao que Gilmar Mendes respondeu: “É isso que chamo de teoria futebolística. Somam-se três ou quatro decisões e aí a Corte Suprema não atua”. Mas as discussões não seguiram em frente.
O voto decisivo para definir a questão foi o do ministro Luiz Fux, 20 dias depois de sua posse no Supremo. “Não resta a menor dúvida que a criação de novas inelegibilidades em ano da eleição inaugura regra nova no processo eleitoral”, afirmou o ministro.
Fux começou o voto afirmando que a Lei da Ficha Limpa “é um dos mais belos espetáculos democráticos” que já assistiu. “Dos políticos espera-se moralidade no pensar e no atuar. Isso gerou um grito popular pela Lei da Ficha Limpa”. Como os advogados bem sabem, quando suas sustentações orais são muito elogiadas pelo juiz, geralmente é porque ele votará contra seu processo. Foi exatamente o que aconteceu.
O ministro ressaltou que o intuito de estabelecer a moralidade que vem com a lei é de todo louvável. “Mas estamos diante de uma questão técnica e jurídica, que é saber se a criação de critérios de inelegibilidade em ano de eleições viola o artigo 16 da Constituição Federal”. Para Fux, não há dúvidas que a nova lei alterou o processo eleitoral, quando a Constituição proíbe isso.
Luiz Fux afirmou que o princípio da anterioridade eleitoral representa a garantia do devido processo legal e a igualdade de chances. E, citando o voto do ministro Gilmar Mendes, o que fez em diversas passagens, disse que a carência de um ano para a aplicação de lei que altera o processo eleitoral é uma garantia constitucional das minorias, que não podem ser surpreendidas com mudanças feitas pela maioria. “Tem como escopo evitar surpresas no ano da eleição”, disse.
Para o ministro Luiz Fux, o processo eleitoral a que se refere a Constituição é a dinâmica das eleições, desde a escolha dos candidatos: “Processo eleitoral é tudo quanto se passa em ano de eleição”. Fux ainda disse que a iniciativa popular é sempre salutar, mas tem de ter consonância com a Constituição. “Surpresa e segurança jurídica não combinam”, afirmou. E, neste caso, de acordo com o ministro, deve prevalecer sempre a segurança jurídica para que as pessoas possam “fixar suas metas e objetivos e de formular um plano individual de vida”.
De acordo com o ministro, os candidatos foram surpreendidos por regras que não poderiam ter sido aplicadas no mesmo ano da eleição porque implica em desigualdade nas regras do jogo. “A Lei da Ficha Limpa é a lei do futuro”, disse. E completou: “É aspiração legítima da nação brasileira, mas não pode ser um desejo saciado no presente” porque isso fere a Constituição Federal.
Tribunal contramajoritário
Antes do ministro Luiz Fux, Gilmar Mendes, relator do recurso em discussão, também votou contra a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa. O ministro disse que a missão do STF é aplicar a Constituição Federal, ainda que seja contra a opinião da maioria.
Gilmar Mendes fez um estudo da jurisprudência do Supremo. O ministro lembrou que quando o STF decidiu pela aplicação imediata da Lei Complementar 64/90, que instituiu um sistema de inelegibilidades novo, o quadro institucional do país era diferente. A recém-promulgada Constituição de 1988 requeria um sistema de inelegibilidades que não existia, por isso não se enquadrou no princípio do artigo 16 da Constituição.
No caso da Lei da Ficha Limpa, de acordo com Gilmar Mendes, ela alterou regras que já existiam. Logo, deveria se submeter ao prazo de carência de um ano. Como foi publicada em 7 de junho de 2010, só poderia valer de fato a partir de 7 de junho de 2011. Na prática, só se aplicaria aos candidatos a partir das eleições municipais de 2012.
“A tentativa de aplicar o precedente ao tema atual levaria a conclusão diametralmente oposta”, afirmou Gilmar Mendes. O ministro fez uma analogia com o princípio da anterioridade tributária. O contribuinte não pode ser cobrado no futuro por um imposto que não existia no passado. Da mesma forma, o candidato não pode ser penalizado por regras que não existiam quando decidiu se candidatar.
O ministro voltou a classificar a lei como casuística e disse que “não se pode distinguir casuísmos bons e casuísmos ruins”. E completou, citando Machado de Assis: “A melhor forma de apreciar o chicote é ter o cabo nas mãos. Mas o chicote muda de mãos”. Para o ministro, o "processo eleitoral não começa com as convenções. E até as pedras sabem disso". A fase pré-eleitoral começa em outubro do ano anterior, com a obrigação da filiação partidária.
E, apesar de estar bem mais calmo do que nos julgamentos anteriores, não deixou de alfinetar os defensores da lei: “Para temas complexos há sempre uma solução simples. E, em geral, errada”. Para Gilmar, “a Lei da Ficha Limpa tem uma conotação que talvez tenha escapado a muitos ditadores”.
Posições firmes
O ponto nevrálgico da discussão foi, mais uma vez, sobre se a lei se submeteria ou não ao chamado princípio da anterioridade previsto no artigo 16 da Constituição Federal. Os rachas anteriores entre os ministros se deram exatamente pelas diferenças entre o conceito do que é processo eleitoral.
Os ministros mantiveram suas posições. Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso, como Luiz Fux, reforçaram que a lei deveria respeitar o princípio da anterioridade eleitoral. Outros cinco ministros — Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Ayres Britto e Ellen Gracie — entendem que sua aplicação é imediata porque novas hipóteses de inelegibilidade não alteram o processo eleitoral. Logo, não teriam de cumprir o prazo de carência de um ano previsto na Constituição Federal.
Para os ministros que defenderam a aplicação imediata da lei, só tem poder de interferir no processo eleitoral uma regra que desequilibra ou deforma a disputa. Como a Lei da Ficha Limpa é linear, ou seja, se aplica para todos indistintamente, não se pode afirmar que ela interfere no processo eleitoral. Logo, sua aplicação é imediata. O argumento foi reforçado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que é presidente do TSE.
Os que sustentaram – e venceram o julgamento – a que a lei tinha que obedecer ao prazo fixado no artigo 16 da Constituição Federal, fizeram com o argumento de que não há interferência maior no processo eleitoral do que estabelecer novas regras que criem restrições para que um cidadão se candidate.
“Ninguém em sã consciência pode afirmar que a Lei Complementar 135 não altera o processo eleitoral”, afirmou o ministro Marco Aurélio em julgamentos anteriores. Nesta quarta, disse que “a primeira condição da segurança jurídica é, sem dúvida nenhuma, a irretroatividade das leis”. O ministro também disse que o tribunal não tem culpa pelo fato de o Congresso Nacional ter aprovado a lei em ano eleitoral.
Os ministros discordaram até de quando se inicia o processo eleitoral. Para a maior parte do time pró-aplicação imediata da lei, o processo se inicia com as convenções partidárias, que pela Lei Eleitoral devem ser realizadas entre 10 e 30 de junho, e com os registros de candidatura, que devem ser feitos até as 19h do dia 5 de julho.
Para a outra metade do Supremo, o processo eleitoral começa um ano antes das eleições, com o fim do prazo para as filiações partidárias. Se para concorrer o candidato tem de estar filiado ao partido um ano antes das eleições, é nesta data que começa o processo rumo ao próximo pleito.
Decisão final
A decisão encerra o impasse a que os ministros chegaram nos dois julgamentos do ano passado. Em 27 de outubro do ano passado, o STF tinha decidido que a Lei da Ficha Limpa tinha aplicação imediata e gerava efeitos sobre os pedidos de registro de candidaturas de políticos que renunciaram ao mandato para escapar da cassação, mesmo antes de as novas regras de inelegibilidade entrarem em vigor.
Os ministros julgavam recurso de Jader Barbalho (PMDB-PA), que disputou uma vaga no Senado pelo Pará, contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral que rejeitou o registro de sua candidatura. Barbalho foi barrado por ter renunciado ao mandato de deputado, em 2001, para escapar da cassação por acusação de improbidade.
Para chegar à decisão, contudo, foi usado um critério de desempate incomum em favor da aplicação da lei porque o tribunal precisava dar uma resposta à situação de indefinição às vésperas das eleições. Um mês antes, ao julgar recurso do ex-candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), o empate em cinco votos a favor da aplicação imediata da lei e cinco contra deixou a questão aberta, depois de 11 horas de discussões.
A decisão do Supremo tomada nesta quarta-feira, com o voto de Luiz Fux, mudará o quadro dos eleitos em 2010. Além de mudar os eleitos para a Câmara, devido ao recálculo do quociente eleitoral, os efeitos da decisão serão marcantes no Senado Federal. Jader Barbalho, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP) tiveram votos suficientes para se eleger, mas foram barrados devido à nova lei. Com a decisão, deverão tomar posse. O caso de Jader pode gerar mais discussões pelo fato de já ter sido julgado pelo Supremo, mas sua defesa irá requerer a aplicação da decisão para o seu caso.
(Por Rodrigo Haidar)
A discussão se restringiu à proibição constitucional de uma lei que altere o processo eleitoral ser aplicada antes de um ano de entrar em vigor. A maioria dos ministros decidiu que ao estabelecer novos critérios de inelegibilidades a lei interferiu claramente no processo eleitoral e, assim, feriu o artigo 16 da Constituição Federal. De acordo com a norma, “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”.
Os ministros não chegaram a discutir se candidatos condenados por órgãos colegiados da Justiça antes da lei entrar em vigor podem ser atingidos por ela. Essa discussão ainda renderá bons debates, mas só às portas das eleições de 2012, quando a lei, então, estará em pleno vigor.
Como foi reconhecida a repercussão geral do recurso julgado nesta quarta, os efeitos da decisão serão estendidos para todos os candidatos que tiveram o registro indeferido pela Justiça com base nas regras da Lei da Ficha Limpa. Só no STF, há 30 recursos contra decisões do TSE que barraram candidatos chamados “ficha-suja”. Para se beneficiar da decisão, basta que os candidatos peçam a extensão dos efeitos da decisão. O plenário autorizou os ministros a decidir monocraticamente os pedidos.
O caso em julgamento foi o do candidato Leonídio Bouças (PMDB), que, no ano passado, disputou uma vaga de deputado estadual para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Bouças foi barrado por ter sido condenado por improbidade administrativa, sob acusação de usar a máquina pública em favor de sua candidatura ao Legislativo mineiro nas eleições de 2002, quando era secretário municipal de Uberlândia. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu seus direitos políticos por seis anos e oito meses. Com a decisão, ele será empossado porque obteve votos suficientes.
Na sessão, chegaram a se ensaiar alguns debates, mas nada parecido com os julgamentos do ano passado. A certa altura, o ministro Ayres Britto disse que Bouças havia sido condenado em todas as instâncias anteriores ao Supremo. Ao que Gilmar Mendes respondeu: “É isso que chamo de teoria futebolística. Somam-se três ou quatro decisões e aí a Corte Suprema não atua”. Mas as discussões não seguiram em frente.
O voto decisivo para definir a questão foi o do ministro Luiz Fux, 20 dias depois de sua posse no Supremo. “Não resta a menor dúvida que a criação de novas inelegibilidades em ano da eleição inaugura regra nova no processo eleitoral”, afirmou o ministro.
Fux começou o voto afirmando que a Lei da Ficha Limpa “é um dos mais belos espetáculos democráticos” que já assistiu. “Dos políticos espera-se moralidade no pensar e no atuar. Isso gerou um grito popular pela Lei da Ficha Limpa”. Como os advogados bem sabem, quando suas sustentações orais são muito elogiadas pelo juiz, geralmente é porque ele votará contra seu processo. Foi exatamente o que aconteceu.
O ministro ressaltou que o intuito de estabelecer a moralidade que vem com a lei é de todo louvável. “Mas estamos diante de uma questão técnica e jurídica, que é saber se a criação de critérios de inelegibilidade em ano de eleições viola o artigo 16 da Constituição Federal”. Para Fux, não há dúvidas que a nova lei alterou o processo eleitoral, quando a Constituição proíbe isso.
Luiz Fux afirmou que o princípio da anterioridade eleitoral representa a garantia do devido processo legal e a igualdade de chances. E, citando o voto do ministro Gilmar Mendes, o que fez em diversas passagens, disse que a carência de um ano para a aplicação de lei que altera o processo eleitoral é uma garantia constitucional das minorias, que não podem ser surpreendidas com mudanças feitas pela maioria. “Tem como escopo evitar surpresas no ano da eleição”, disse.
Para o ministro Luiz Fux, o processo eleitoral a que se refere a Constituição é a dinâmica das eleições, desde a escolha dos candidatos: “Processo eleitoral é tudo quanto se passa em ano de eleição”. Fux ainda disse que a iniciativa popular é sempre salutar, mas tem de ter consonância com a Constituição. “Surpresa e segurança jurídica não combinam”, afirmou. E, neste caso, de acordo com o ministro, deve prevalecer sempre a segurança jurídica para que as pessoas possam “fixar suas metas e objetivos e de formular um plano individual de vida”.
De acordo com o ministro, os candidatos foram surpreendidos por regras que não poderiam ter sido aplicadas no mesmo ano da eleição porque implica em desigualdade nas regras do jogo. “A Lei da Ficha Limpa é a lei do futuro”, disse. E completou: “É aspiração legítima da nação brasileira, mas não pode ser um desejo saciado no presente” porque isso fere a Constituição Federal.
Tribunal contramajoritário
Antes do ministro Luiz Fux, Gilmar Mendes, relator do recurso em discussão, também votou contra a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa. O ministro disse que a missão do STF é aplicar a Constituição Federal, ainda que seja contra a opinião da maioria.
Gilmar Mendes fez um estudo da jurisprudência do Supremo. O ministro lembrou que quando o STF decidiu pela aplicação imediata da Lei Complementar 64/90, que instituiu um sistema de inelegibilidades novo, o quadro institucional do país era diferente. A recém-promulgada Constituição de 1988 requeria um sistema de inelegibilidades que não existia, por isso não se enquadrou no princípio do artigo 16 da Constituição.
No caso da Lei da Ficha Limpa, de acordo com Gilmar Mendes, ela alterou regras que já existiam. Logo, deveria se submeter ao prazo de carência de um ano. Como foi publicada em 7 de junho de 2010, só poderia valer de fato a partir de 7 de junho de 2011. Na prática, só se aplicaria aos candidatos a partir das eleições municipais de 2012.
“A tentativa de aplicar o precedente ao tema atual levaria a conclusão diametralmente oposta”, afirmou Gilmar Mendes. O ministro fez uma analogia com o princípio da anterioridade tributária. O contribuinte não pode ser cobrado no futuro por um imposto que não existia no passado. Da mesma forma, o candidato não pode ser penalizado por regras que não existiam quando decidiu se candidatar.
O ministro voltou a classificar a lei como casuística e disse que “não se pode distinguir casuísmos bons e casuísmos ruins”. E completou, citando Machado de Assis: “A melhor forma de apreciar o chicote é ter o cabo nas mãos. Mas o chicote muda de mãos”. Para o ministro, o "processo eleitoral não começa com as convenções. E até as pedras sabem disso". A fase pré-eleitoral começa em outubro do ano anterior, com a obrigação da filiação partidária.
E, apesar de estar bem mais calmo do que nos julgamentos anteriores, não deixou de alfinetar os defensores da lei: “Para temas complexos há sempre uma solução simples. E, em geral, errada”. Para Gilmar, “a Lei da Ficha Limpa tem uma conotação que talvez tenha escapado a muitos ditadores”.
Posições firmes
O ponto nevrálgico da discussão foi, mais uma vez, sobre se a lei se submeteria ou não ao chamado princípio da anterioridade previsto no artigo 16 da Constituição Federal. Os rachas anteriores entre os ministros se deram exatamente pelas diferenças entre o conceito do que é processo eleitoral.
Os ministros mantiveram suas posições. Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso, como Luiz Fux, reforçaram que a lei deveria respeitar o princípio da anterioridade eleitoral. Outros cinco ministros — Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Ayres Britto e Ellen Gracie — entendem que sua aplicação é imediata porque novas hipóteses de inelegibilidade não alteram o processo eleitoral. Logo, não teriam de cumprir o prazo de carência de um ano previsto na Constituição Federal.
Para os ministros que defenderam a aplicação imediata da lei, só tem poder de interferir no processo eleitoral uma regra que desequilibra ou deforma a disputa. Como a Lei da Ficha Limpa é linear, ou seja, se aplica para todos indistintamente, não se pode afirmar que ela interfere no processo eleitoral. Logo, sua aplicação é imediata. O argumento foi reforçado pelo ministro Ricardo Lewandowski, que é presidente do TSE.
Os que sustentaram – e venceram o julgamento – a que a lei tinha que obedecer ao prazo fixado no artigo 16 da Constituição Federal, fizeram com o argumento de que não há interferência maior no processo eleitoral do que estabelecer novas regras que criem restrições para que um cidadão se candidate.
“Ninguém em sã consciência pode afirmar que a Lei Complementar 135 não altera o processo eleitoral”, afirmou o ministro Marco Aurélio em julgamentos anteriores. Nesta quarta, disse que “a primeira condição da segurança jurídica é, sem dúvida nenhuma, a irretroatividade das leis”. O ministro também disse que o tribunal não tem culpa pelo fato de o Congresso Nacional ter aprovado a lei em ano eleitoral.
Os ministros discordaram até de quando se inicia o processo eleitoral. Para a maior parte do time pró-aplicação imediata da lei, o processo se inicia com as convenções partidárias, que pela Lei Eleitoral devem ser realizadas entre 10 e 30 de junho, e com os registros de candidatura, que devem ser feitos até as 19h do dia 5 de julho.
Para a outra metade do Supremo, o processo eleitoral começa um ano antes das eleições, com o fim do prazo para as filiações partidárias. Se para concorrer o candidato tem de estar filiado ao partido um ano antes das eleições, é nesta data que começa o processo rumo ao próximo pleito.
Decisão final
A decisão encerra o impasse a que os ministros chegaram nos dois julgamentos do ano passado. Em 27 de outubro do ano passado, o STF tinha decidido que a Lei da Ficha Limpa tinha aplicação imediata e gerava efeitos sobre os pedidos de registro de candidaturas de políticos que renunciaram ao mandato para escapar da cassação, mesmo antes de as novas regras de inelegibilidade entrarem em vigor.
Os ministros julgavam recurso de Jader Barbalho (PMDB-PA), que disputou uma vaga no Senado pelo Pará, contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral que rejeitou o registro de sua candidatura. Barbalho foi barrado por ter renunciado ao mandato de deputado, em 2001, para escapar da cassação por acusação de improbidade.
Para chegar à decisão, contudo, foi usado um critério de desempate incomum em favor da aplicação da lei porque o tribunal precisava dar uma resposta à situação de indefinição às vésperas das eleições. Um mês antes, ao julgar recurso do ex-candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC), o empate em cinco votos a favor da aplicação imediata da lei e cinco contra deixou a questão aberta, depois de 11 horas de discussões.
A decisão do Supremo tomada nesta quarta-feira, com o voto de Luiz Fux, mudará o quadro dos eleitos em 2010. Além de mudar os eleitos para a Câmara, devido ao recálculo do quociente eleitoral, os efeitos da decisão serão marcantes no Senado Federal. Jader Barbalho, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e João Capiberibe (PSB-AP) tiveram votos suficientes para se eleger, mas foram barrados devido à nova lei. Com a decisão, deverão tomar posse. O caso de Jader pode gerar mais discussões pelo fato de já ter sido julgado pelo Supremo, mas sua defesa irá requerer a aplicação da decisão para o seu caso.
(Por Rodrigo Haidar)
quarta-feira, 23 de março de 2011
CONVITE
Prezado (a),
A Associação Caatinga tem a honra e satisfação de convidá-lo (a) para o evento de lançamento do projeto “No Clima da Caatinga”, patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.
O evento será realizado no dia 30 de março, às 18h30min, no auditório da FIEC, conforme convite abaixo.
Sua presença é muito importante para nós!
Cordialmente,
Associação Caatinga
Rua Cláudio Manuel Dias Leite, 50 - Cocó
Fortaleza, Ceará - CEP: 60810-130
Fone/Fax: (85) 3241-0759
A Associação Caatinga tem a honra e satisfação de convidá-lo (a) para o evento de lançamento do projeto “No Clima da Caatinga”, patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.
O evento será realizado no dia 30 de março, às 18h30min, no auditório da FIEC, conforme convite abaixo.
Sua presença é muito importante para nós!
Cordialmente,
Associação Caatinga
Rua Cláudio Manuel Dias Leite, 50 - Cocó
Fortaleza, Ceará - CEP: 60810-130
Fone/Fax: (85) 3241-0759
CONJUNTURA NACIONAL
Infame, mas engraçada.....!
Dirran (com "biquinho" para parecer um francês correto), galego meio sarará, entroncado e de pernas curtas, jogava no Clube Atlético Potengi, no Rio Grande do Norte.
Um dia, disputava no Machadão uma partida contra o Potyguar de Currais Novos, pela 2ª divisão do Campeonato potiguar. O jogador atleticano era o destaque. Fazia dribles desconcertantes e lançamentos perfeitos. Fechou as glórias com um golaço. O narrador da Rádio Poti gritava: "Dirran é um craque", "Dirran, revelação do futebol norte-rio-grandense".
Dirran prá cá, Dirran pra lá.
No final do jogo, o Clube Atlético Potengi perdeu por 3 x 1. Mas o destaque foi Dirran. Vendo todo aquele sucesso, um jovem repórter da Rádio Poti correu para fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado. Disparou uma bateria de perguntas:
"Você tem parentes na França? Qual a cidade onde nasceu, Monsieur? Como veio parar no Brasil? Pode comparar o futebol, europeu com o futebol brasileiro? Qual a origem de seu nome?
Espantado, o jogador respondeu ao incrédulo repórter:
"Pera aí, meu sinhô, num é nada disso; meu apelido é Cú de Rã, mas como num pode falar na rádio. Então, eles abreveia".
Historinha enviada pelo amigo Álvaro Lopes.
Obama carismático
A visita de Obama ao Brasil foi, nada mais nada menos, um show de Relações Públicas. Um grande abraço no povo brasileiro. O cara conquista mesmo as plateias. Esbanja simpatia com seu sorriso franco. Com sua linguagem aberta. Com seus gestos pensados e milimetricamente planejados para dar ênfase à expressão semântica. Sabe usar os gestos para reforçar a mensagem. A visita, portanto, sob esse prisma foi bem sucedida. Sob o âmbito das coisas concretas, chegou a perto de zero. O Brasil tem duas reivindicações imediatas: assento no Conselho de Segurança da ONU e dispensa de visto para brasileiros em viagem aos EUA. Necas. Apenas rápida menção de acolhimento - futuro - aos temas.
Protecionismo, coisa complicada
A questão do protecionismo constava da pauta de prioridades dos empresários e do governo. Nada foi decidido. A política de subsídios norte-americana estiola a meta de exportação de produtos brasileiros para os EUA. O protecionismo agrícola, como se sabe, depende de decisão do Congresso americano. O país anula todos os esforços brasileiros para incrementar suas exportações. Resta esperar por acenos de boa vontade. Obama, mesmo que queira, enfrentará forte oposição no Congresso de seu país para harmonizar interesses no campo dos negócios.
Segurança rígida
A segurança do presidente norte-americano foi um exagero. Mesmo sendo país amigo, o Brasil foi tratado como zona de conflito em potencial. Até ministros de Estado foram severamente revistados. Interessante é que aquele espaço da Esplanada dos Ministérios é seu lugar de trabalho. Foram revistados em seu ambiente profissional. Uma aberração. Alguns chegaram a manifestar grande irritação. Lula um dia disse: se ministro meu tirar sapato em aeroporto dos EUA deixará de ser ministro. Eu demitirei. Referia-se ele a Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores de Fernando Henrique, obrigado a tirar os sapatos quando passou pelo sistema rígido de controle nos EUA. Na época, o episódio foi muito criticado. Humilhação.
Capoeira
A capoeira pode até ser um ícone cultural. Mas, aqui pra nós, não é admissível que seja o prato cultural mais oferecido aos nossos visitantes ilustres. Capoeira para Obama, Capoeira para Michelle Obama e as filhas, capoeira por todos os lados é dose.... E as outras manifestações culturais? De capoeira a capoeira, o Brasil acaba tomando uma pernada... cultural.
Profissional e amador
"Paciência e persistência são características que diferenciam o profissional do amador. O amanhecer só vem depois da noite ter passado".
Cortes
Há um novo corte do Orçamento sobre a mesa. Serão cortadas emendas de deputados e senadores, relativas aos chamados restos a pagar de 2007, 2008 e 2009. Totalizam cerca de R$ 18 bilhões, se incluídos os valores de 2010. Haverá indignação de todos, oposicionistas e governistas.
Temer na Academia
Amanhã, às 19h, o vice-presidente da República, o professor de Direito Constitucional Michel Temer, será empossado na Academia Paulista de Letras Jurídicas, na cadeira nº 6, cujo patrono é o desembargador Marcelo Fortes Barbosa e seu antecessor, o acadêmico e ex-senador Romeu Tuma. Michel será saudado pelo jurista Ives Gandra Martins, em cerimônia a ser presidida por Ruy Martins Altenfelder Silva, presidente da Academia e presidente do Conselho de Administração do CIEE.
PSD DE Kassab
Nesta segunda-feira, o prefeito Gilberto Kassab deu uma entrevista coletiva para apresentar o novo partido: PSD. Lembro que esta sigla já fez história. Foi o abrigo de grandes políticos, a partir de Juscelino e de Tancredo, e outros eminentes políticos das Minas Gerais. Vingou de 1946 a 1964. A sigla representou, por muito tempo, as elites rurais, os latifundiários, fazendo contraponto à UDN, que simbolizava as elites urbanas. Mas surgiu um outro PSD, entre 1995 e 2003. Comandado em São Paulo por Nabi Abi Chedid, que exerceu mais de 10 mandatos como deputado Estadual. O partido veio a se fundir com o PTB nacional, este já na esfera do ex-deputado Roberto Jefferson. Desta feita, Kassab quer posicioná-la um pouco à esquerda do centro. Espera ele contar com o apoio de uns 20 parlamentares, número suficiente para uma boa largada. Deverá coletar em torno de 500 mil assinaturas até 1º de outubro a fim de que possa entrar no pleito de 2012.
Alckmin fecha buracos
O governador Geraldo Alckmin fecha todos buracos do PSDB em São Paulo. Onde tem serristas, procura substituir por alckmistas. Diretório municipal de SP deverá ser comandado por Julio Semeghini.
Tancredo: "Leu os livros errados"
Brasília, Congresso Nacional, 11 de abril de 1964. Castello Branco não teve o voto de Tancredo Neves, seu amigo pessoal de longa data, companheiro na Escola Superior de Guerra, em 1956. Tancredo bateu o pé. Comunicou ao PSD que votaria em branco, apesar dos méritos e credenciais do general Castello Branco. Questão de princípio: era contra o golpe. Não queria nem um minuto de regime militar, não abria mão da democracia. Conta-se que, esgotados todos os argumentos dos pessedistas para convencê-lo, o amigo e ex-chefe JK, então senador por Goiás, fez um apelo: "Mas, Tancredo, o Castello é um sorbonniano, estudou na França. É militar diferente, um intelectual como você. Já leu centenas de livros!". Tancredo: "É verdade, Juscelino. Só que ele leu os livros errados". Dois meses depois o governo cassou o mandato e os direitos políticos de JK, que partiu para o exílio e o sofrimento sem fim. Historinha contada por Ronaldo Costa Couto.
Ciro barbado
Ciro circula com barba densa e branca. Alguns dizem que é para fazer charme. Outros argumentam que deseja ser comparado a filósofos gregos. E ainda um grupo acha que é puro desleixo.
Lula calado
De todas as explicações para a recusa de Lula em comparecer ao almoço oferecido por Dilma a Obama, no Itamaraty, a que parece mais lógica para este consultor é a que leva em consideração o domínio do inglês. Fernando Henrique conversando em inglês com o presidente americano e Lula apenas, de ouvido, cofiando a barba. Ali não dava para colocar intérprete.
Corrupção no Judiciário
A Escola de Direito da FGV divulgou o índice de Confiança da Justiça. Dos entrevistados (1.570 pessoas em 7 Estados brasileiros), 64% declararam que a Justiça é pouco ou nada honesta e 59% alegam que o Judiciário recebe influência do poder político ou dos outros poderes. Já o barômetro da Corrupção Global registra que, para a maioria dos brasileiros em uma escala de 1 (nem um pouco corrupto) a 5 (extremamente corrupto), o Poder Judiciário ganha a nota média 3,8, a mesma atribuída à polícia. As duas pesquisas demonstram que parte considerável da população brasileira não acredita na lisura do Poder Judiciário. Muito triste.
JK: "Eu não nasci para ter ódios nem rancores, nasci para construir".
Peluso quer acelerar
O presidente do STF, Cezar Peluso, quer dar celeridade à Justiça, desta feita, por meio de proposta de EC prevendo que processos sejam finalizados e executados após decisão judicial em segunda instância. Parte do princípio de que 91,69% dos processos que chegam ao Supremo são recursais.
Muralha contra a China
São Paulo começou a construir, semana passada, uma muralha contra a China. Reuniram-se representantes da ABIQUIM (na sede da entidade), da Abinee, da ABIT, do Sindipeças, da Bracelpa, da Abag, da ABIFA, e da própria Abimaq, com o objetivo de elaborar propostas a serem levadas ao governo Federal para reverter a situação de crescimento das importações, sobretudo da China, que maltratam as empresas nacionais. As entidades acreditam que com esse trabalho conjunto podem obter melhores resultados no sistema de defesa comercial.
Afif no pleito municipal
Guilherme Afif, o vice-governador de São Paulo, é o candidato in pectore de Gilberto Kassab para a prefeitura de São Paulo em 2012.
Universidade corporativa
Com o objetivo de contribuir para ampliar o mercado de educação continuada, o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon-SP) se uniu à Trevisan Escola de Negócios para a gestão compartilhada dos cursos da Unisescon Universidade Corporativa, voltados a profissionais e empresários de segmentos como contabilidade, administração e economia. As aulas serão ministradas no novo prédio, inaugurado ontem, com área superior a 8 mil m2, localizado no bairro da Luz, em São Paulo. "Em breve serão também disponibilizados cursos preparatórios ao Exame de Suficiência para contadores, instituído recentemente em lei", garante José Chapina Alcazar, presidente do Sescon-SP.
Lula embaixador
Breve, Lula será nomeado embaixador extraordinário para Assuntos da África. A conferir!
Tá faltando munição
A boataria fervia na época da Ditadura. Cícero, o boateiro mor era conhecido no Maxim's, o famoso bar do Pina, em Recife. O exército decidiu eliminar o boato. Escolheu um coronel desses muito bravos. Final da tarde, o coronel chega ao bar. E, diante do boateiro, grita: "O senhor está preso. Coloquem este indivíduo no camburão. O senhor vai ser julgado por júri militar". Levaram o dito cujo, simularam um júri e a condenação: morte por fuzilamento. Jogaram o boateiro num paredão e na sua frente 5 fuzileiros apontando armas (com balas de festim). O coronel ordenou: "Apontarrr.... fogo!". O boateiro abre os olhos depois do tiroteio e ouve o coronel: "Isso é pro senhor aprender a não falar mal das Forças Armadas. Fora daqui". No outro dia, o boateiro chega ao botequim para a boataria do dia, regada à uma cachacinha. Clientes e amigos que tinham presenciado a prisão do nosso amigo se aproximam para saber das novidades. "E aí, Cícero, Como foi lá no quartel? Conta pra gente as novidades". Cheio de si, o fofoqueiro cochicha baixinho: "Olha, pessoal. Não contem pra ninguém. Mas o nosso Exército está totalmente sem munição".
Conselho aos congressistas
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao novo comando do DEM. Hoje, volta sua atenção aos congressistas:
1. O carnaval passou, Obama chegou, abraçou e foi embora e o país volta à normalidade. Para isso, seria aconselhável que vossas Excelências se debrucem sobre uma pauta de prioridades. Há muitos projetos de alto interesse da Nação aguardando debate e decisão.
2. As reformas política e tributária carecem de saídas e alternativas. Chegamos ao fundo do poço no quesito inação. Temos de reagir.
3. Há temáticas que abrigam as relações do trabalho, a sustentabilidade, o desenvolvimento regional, que carecem um olhar atento e imediato dos senhores congressistas.
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(Gaudêncio Torquato)
Dirran (com "biquinho" para parecer um francês correto), galego meio sarará, entroncado e de pernas curtas, jogava no Clube Atlético Potengi, no Rio Grande do Norte.
Um dia, disputava no Machadão uma partida contra o Potyguar de Currais Novos, pela 2ª divisão do Campeonato potiguar. O jogador atleticano era o destaque. Fazia dribles desconcertantes e lançamentos perfeitos. Fechou as glórias com um golaço. O narrador da Rádio Poti gritava: "Dirran é um craque", "Dirran, revelação do futebol norte-rio-grandense".
Dirran prá cá, Dirran pra lá.
No final do jogo, o Clube Atlético Potengi perdeu por 3 x 1. Mas o destaque foi Dirran. Vendo todo aquele sucesso, um jovem repórter da Rádio Poti correu para fazer uma entrevista com o craque na beira do gramado. Disparou uma bateria de perguntas:
"Você tem parentes na França? Qual a cidade onde nasceu, Monsieur? Como veio parar no Brasil? Pode comparar o futebol, europeu com o futebol brasileiro? Qual a origem de seu nome?
Espantado, o jogador respondeu ao incrédulo repórter:
"Pera aí, meu sinhô, num é nada disso; meu apelido é Cú de Rã, mas como num pode falar na rádio. Então, eles abreveia".
Historinha enviada pelo amigo Álvaro Lopes.
Obama carismático
A visita de Obama ao Brasil foi, nada mais nada menos, um show de Relações Públicas. Um grande abraço no povo brasileiro. O cara conquista mesmo as plateias. Esbanja simpatia com seu sorriso franco. Com sua linguagem aberta. Com seus gestos pensados e milimetricamente planejados para dar ênfase à expressão semântica. Sabe usar os gestos para reforçar a mensagem. A visita, portanto, sob esse prisma foi bem sucedida. Sob o âmbito das coisas concretas, chegou a perto de zero. O Brasil tem duas reivindicações imediatas: assento no Conselho de Segurança da ONU e dispensa de visto para brasileiros em viagem aos EUA. Necas. Apenas rápida menção de acolhimento - futuro - aos temas.
Protecionismo, coisa complicada
A questão do protecionismo constava da pauta de prioridades dos empresários e do governo. Nada foi decidido. A política de subsídios norte-americana estiola a meta de exportação de produtos brasileiros para os EUA. O protecionismo agrícola, como se sabe, depende de decisão do Congresso americano. O país anula todos os esforços brasileiros para incrementar suas exportações. Resta esperar por acenos de boa vontade. Obama, mesmo que queira, enfrentará forte oposição no Congresso de seu país para harmonizar interesses no campo dos negócios.
Segurança rígida
A segurança do presidente norte-americano foi um exagero. Mesmo sendo país amigo, o Brasil foi tratado como zona de conflito em potencial. Até ministros de Estado foram severamente revistados. Interessante é que aquele espaço da Esplanada dos Ministérios é seu lugar de trabalho. Foram revistados em seu ambiente profissional. Uma aberração. Alguns chegaram a manifestar grande irritação. Lula um dia disse: se ministro meu tirar sapato em aeroporto dos EUA deixará de ser ministro. Eu demitirei. Referia-se ele a Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores de Fernando Henrique, obrigado a tirar os sapatos quando passou pelo sistema rígido de controle nos EUA. Na época, o episódio foi muito criticado. Humilhação.
Capoeira
A capoeira pode até ser um ícone cultural. Mas, aqui pra nós, não é admissível que seja o prato cultural mais oferecido aos nossos visitantes ilustres. Capoeira para Obama, Capoeira para Michelle Obama e as filhas, capoeira por todos os lados é dose.... E as outras manifestações culturais? De capoeira a capoeira, o Brasil acaba tomando uma pernada... cultural.
Profissional e amador
"Paciência e persistência são características que diferenciam o profissional do amador. O amanhecer só vem depois da noite ter passado".
Cortes
Há um novo corte do Orçamento sobre a mesa. Serão cortadas emendas de deputados e senadores, relativas aos chamados restos a pagar de 2007, 2008 e 2009. Totalizam cerca de R$ 18 bilhões, se incluídos os valores de 2010. Haverá indignação de todos, oposicionistas e governistas.
Temer na Academia
Amanhã, às 19h, o vice-presidente da República, o professor de Direito Constitucional Michel Temer, será empossado na Academia Paulista de Letras Jurídicas, na cadeira nº 6, cujo patrono é o desembargador Marcelo Fortes Barbosa e seu antecessor, o acadêmico e ex-senador Romeu Tuma. Michel será saudado pelo jurista Ives Gandra Martins, em cerimônia a ser presidida por Ruy Martins Altenfelder Silva, presidente da Academia e presidente do Conselho de Administração do CIEE.
PSD DE Kassab
Nesta segunda-feira, o prefeito Gilberto Kassab deu uma entrevista coletiva para apresentar o novo partido: PSD. Lembro que esta sigla já fez história. Foi o abrigo de grandes políticos, a partir de Juscelino e de Tancredo, e outros eminentes políticos das Minas Gerais. Vingou de 1946 a 1964. A sigla representou, por muito tempo, as elites rurais, os latifundiários, fazendo contraponto à UDN, que simbolizava as elites urbanas. Mas surgiu um outro PSD, entre 1995 e 2003. Comandado em São Paulo por Nabi Abi Chedid, que exerceu mais de 10 mandatos como deputado Estadual. O partido veio a se fundir com o PTB nacional, este já na esfera do ex-deputado Roberto Jefferson. Desta feita, Kassab quer posicioná-la um pouco à esquerda do centro. Espera ele contar com o apoio de uns 20 parlamentares, número suficiente para uma boa largada. Deverá coletar em torno de 500 mil assinaturas até 1º de outubro a fim de que possa entrar no pleito de 2012.
Alckmin fecha buracos
O governador Geraldo Alckmin fecha todos buracos do PSDB em São Paulo. Onde tem serristas, procura substituir por alckmistas. Diretório municipal de SP deverá ser comandado por Julio Semeghini.
Tancredo: "Leu os livros errados"
Brasília, Congresso Nacional, 11 de abril de 1964. Castello Branco não teve o voto de Tancredo Neves, seu amigo pessoal de longa data, companheiro na Escola Superior de Guerra, em 1956. Tancredo bateu o pé. Comunicou ao PSD que votaria em branco, apesar dos méritos e credenciais do general Castello Branco. Questão de princípio: era contra o golpe. Não queria nem um minuto de regime militar, não abria mão da democracia. Conta-se que, esgotados todos os argumentos dos pessedistas para convencê-lo, o amigo e ex-chefe JK, então senador por Goiás, fez um apelo: "Mas, Tancredo, o Castello é um sorbonniano, estudou na França. É militar diferente, um intelectual como você. Já leu centenas de livros!". Tancredo: "É verdade, Juscelino. Só que ele leu os livros errados". Dois meses depois o governo cassou o mandato e os direitos políticos de JK, que partiu para o exílio e o sofrimento sem fim. Historinha contada por Ronaldo Costa Couto.
Ciro barbado
Ciro circula com barba densa e branca. Alguns dizem que é para fazer charme. Outros argumentam que deseja ser comparado a filósofos gregos. E ainda um grupo acha que é puro desleixo.
Lula calado
De todas as explicações para a recusa de Lula em comparecer ao almoço oferecido por Dilma a Obama, no Itamaraty, a que parece mais lógica para este consultor é a que leva em consideração o domínio do inglês. Fernando Henrique conversando em inglês com o presidente americano e Lula apenas, de ouvido, cofiando a barba. Ali não dava para colocar intérprete.
Corrupção no Judiciário
A Escola de Direito da FGV divulgou o índice de Confiança da Justiça. Dos entrevistados (1.570 pessoas em 7 Estados brasileiros), 64% declararam que a Justiça é pouco ou nada honesta e 59% alegam que o Judiciário recebe influência do poder político ou dos outros poderes. Já o barômetro da Corrupção Global registra que, para a maioria dos brasileiros em uma escala de 1 (nem um pouco corrupto) a 5 (extremamente corrupto), o Poder Judiciário ganha a nota média 3,8, a mesma atribuída à polícia. As duas pesquisas demonstram que parte considerável da população brasileira não acredita na lisura do Poder Judiciário. Muito triste.
JK: "Eu não nasci para ter ódios nem rancores, nasci para construir".
Peluso quer acelerar
O presidente do STF, Cezar Peluso, quer dar celeridade à Justiça, desta feita, por meio de proposta de EC prevendo que processos sejam finalizados e executados após decisão judicial em segunda instância. Parte do princípio de que 91,69% dos processos que chegam ao Supremo são recursais.
Muralha contra a China
São Paulo começou a construir, semana passada, uma muralha contra a China. Reuniram-se representantes da ABIQUIM (na sede da entidade), da Abinee, da ABIT, do Sindipeças, da Bracelpa, da Abag, da ABIFA, e da própria Abimaq, com o objetivo de elaborar propostas a serem levadas ao governo Federal para reverter a situação de crescimento das importações, sobretudo da China, que maltratam as empresas nacionais. As entidades acreditam que com esse trabalho conjunto podem obter melhores resultados no sistema de defesa comercial.
Afif no pleito municipal
Guilherme Afif, o vice-governador de São Paulo, é o candidato in pectore de Gilberto Kassab para a prefeitura de São Paulo em 2012.
Universidade corporativa
Com o objetivo de contribuir para ampliar o mercado de educação continuada, o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon-SP) se uniu à Trevisan Escola de Negócios para a gestão compartilhada dos cursos da Unisescon Universidade Corporativa, voltados a profissionais e empresários de segmentos como contabilidade, administração e economia. As aulas serão ministradas no novo prédio, inaugurado ontem, com área superior a 8 mil m2, localizado no bairro da Luz, em São Paulo. "Em breve serão também disponibilizados cursos preparatórios ao Exame de Suficiência para contadores, instituído recentemente em lei", garante José Chapina Alcazar, presidente do Sescon-SP.
Lula embaixador
Breve, Lula será nomeado embaixador extraordinário para Assuntos da África. A conferir!
Tá faltando munição
A boataria fervia na época da Ditadura. Cícero, o boateiro mor era conhecido no Maxim's, o famoso bar do Pina, em Recife. O exército decidiu eliminar o boato. Escolheu um coronel desses muito bravos. Final da tarde, o coronel chega ao bar. E, diante do boateiro, grita: "O senhor está preso. Coloquem este indivíduo no camburão. O senhor vai ser julgado por júri militar". Levaram o dito cujo, simularam um júri e a condenação: morte por fuzilamento. Jogaram o boateiro num paredão e na sua frente 5 fuzileiros apontando armas (com balas de festim). O coronel ordenou: "Apontarrr.... fogo!". O boateiro abre os olhos depois do tiroteio e ouve o coronel: "Isso é pro senhor aprender a não falar mal das Forças Armadas. Fora daqui". No outro dia, o boateiro chega ao botequim para a boataria do dia, regada à uma cachacinha. Clientes e amigos que tinham presenciado a prisão do nosso amigo se aproximam para saber das novidades. "E aí, Cícero, Como foi lá no quartel? Conta pra gente as novidades". Cheio de si, o fofoqueiro cochicha baixinho: "Olha, pessoal. Não contem pra ninguém. Mas o nosso Exército está totalmente sem munição".
Conselho aos congressistas
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao novo comando do DEM. Hoje, volta sua atenção aos congressistas:
1. O carnaval passou, Obama chegou, abraçou e foi embora e o país volta à normalidade. Para isso, seria aconselhável que vossas Excelências se debrucem sobre uma pauta de prioridades. Há muitos projetos de alto interesse da Nação aguardando debate e decisão.
2. As reformas política e tributária carecem de saídas e alternativas. Chegamos ao fundo do poço no quesito inação. Temos de reagir.
3. Há temáticas que abrigam as relações do trabalho, a sustentabilidade, o desenvolvimento regional, que carecem um olhar atento e imediato dos senhores congressistas.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 22 de março de 2011
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Economia: está difícil convencer
Em entrevista exclusiva à repórter Claudia Safatle, do jornal "Valor Econômico" de quinta-feira, tema depois repetido no mesmo dia em MG, Dilma Rousseff fez questão de enfatizar, mais de uma vez, que não tergiversará com a inflação. O objetivo era quebrar a desconfiança entre os "formadores de preços na economia", de que a política antiinflacionária com um crescimento razoável é exequível. Quem não é da economia oficial duvida que seja possível segurar o aumento geral de preços perto dos 4,5% do centro da meta este ano e ao mesmo tempo fazer o PIB subir próximo de 5%. Os dois objetivos seriam incompatíveis, no momento, segundo os analistas. A maioria diz que ou se derruba a economia, ou a inflação vai ficar inquietantemente alta. E pelo que desenha a pesquisa Focus do BC, divulgada ontem, Dilma não foi bem sucedida inicialmente em seu propósito. Os analistas financeiros reduziram a projeção de crescimento do PIB em 2011, de 4,10% para 4,03%, e elevaram a projeção da inflação (IPCA) de 5,82% para 5,88%. O pior dos mundos possíveis: preços mais altos e crescimento menor. E é na economia que Dilma joga as fichas de seu governo, bem avaliado pelos brasileiros até agora. Terá de matar alguns tigres para inverter os sentimentos econômicos da maioria. Não será fácil ganhar simpatias somente na conversa.
Purgatório
Além das nuvens econômicas de pouco peso ainda, o céu de brigadeiro da presidente começa a ser levemente tisnado no Congresso. É maior do que transparece a insatisfação dos parlamentares com o corte de R$ 18 bi de emendas. O próprio ministro das Relações Institucionais, Luis Sérgio, em entrevista ao "Valor Econômico", está alertando para um problema que ele classifica de muito sério - Sérgio é a favor do pagamento das emendas. E tem mais: o projeto do presidente do Congresso, José Sarney, mudando as regras das MPs, proposta que não agrada nem ao governo nem à Câmara.
Céu
No momento, para enfrentar essas turbulências, Dilma tem um trunfo de valor: a aceitação de seu governo nos seus primeiros três meses. Segundo o Datafolha, igual à de Lula e melhor do que as de Collor, Itamar e FHC no mesmo período. Poucos parlamentares e partidos abrirão divergências públicas com o governo nessas circunstâncias. Dilma terá paz até para continuar tratando as nomeações do segundo escalão à conta-gotas.
Pergunta incômoda
Em breve teremos mais medidas governamentais de restrições à oferta de crédito com o objetivo de reduzir a demanda e conter a inflação. Há uma pergunta que merece reflexão e sobre a qual não se sabe a resposta: há uma "bolha" se formando no mercado imobiliário brasileiro? Depois de tanta valorização dos imóveis e da corrida dos bancos para financiar projetos, melhor investigação o assunto merece. Sobretudo quando vemos o exemplo dos EUA, onde o setor imobiliário passou anos como a vedete do impulso econômico e depois foi o carrasco da quebra do sistema financeiro. O BC em suas pesquisas econômicas analisa o setor? O que pensa a respeito?
Japão: possível impacto
Economistas do mundo inteiro parecem ter chegado ao consenso de que o impacto direto dos desastres ambientais do Japão gravitam entre 0,2% e 0,3% do PIB. Se se considerar o impacto indireto resultante da deterioração das expectativas, o PIB poderia cair até 1%. Esta última expectativa, contudo, é uma espécie de "bola de cristal científica". De toda a forma, o Japão deixa de ser relevante para a recuperação mundial este ano, do ponto de vista positivo. Contará do lado negativo. O maior perdedor deste processo são os EUA no campo internacional.
Petróleo, Líbia e mercados
Está se consolidando no mercado internacional a idéia de que os preços do barril do petróleo vão ficar ao redor de US$ 100. Atrás desta cotação virá uma tsunami de reavaliações de expectativas acerca da recuperação da maior economia mundial, os EUA, bem como as principais economias. Isto vai coincidir com a temporada de publicações dos resultados corporativos nos principais mercados mundiais. A volatilidade é para cima. Quase sem nenhuma dúvida.
Panamericano
O tempo passa e as informações sobre a operação de aquisição do Banco Panamericano pelo BTG permanecem obscuras. Ninguém parece lembrar mais do assunto. Terá sido esta a estratégia dos envolvidos na operação? Até mesmo vale a pena perguntar : quem são os envolvidos?
Brasil - EUA: o real e o simbólico
Do ponto de vista político e diplomático, a visita do presidente Barack Obama ao Brasil foi um sucesso para os dois países e para os dois presidentes. Obama deu seus recados ao mundo, foi simpático, conquistou. Dilma e a sua diplomacia passaram no primeiro teste de valor, com louvor, mesmo não se tendo arrancado do presidente dos EUA uma declaração enfática a respeito da vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança na ONU. O "apreço" foi pouco. Mas o Brasil pode comemorar o reconhecimento de sua importância política e econômica no mundo. Do ponto de vista comercial, para o Brasil, se resultados houver serão "apreciados" apenas no longo prazo. Além de protocolares referências à cooperação, nada de concreto nas relações comerciais, na abertura maior do mercado americano para os brasileiros. Mesmo com a cobrança efetiva de Dilma, no discurso no Palácio do Planalto e, depois, na conversa reservada entre os dois, segundo relato de autoridades brasileiras.
Pelo contrário
Muito diretamente, o secretário de Comércio de Obama, Gary Locke, em entrevista exclusiva ao jornal "O Estado de S. Paulo", em resposta às queixas brasileiras, disse que "há poucas barreiras para exportar para os EUA" e aconselhou o Brasil a "focar no comércio com o mundo, e não país a país". Sob esse aspecto a viagem foi útil também para Obama. Ele apareceu para seu público interno, em entrevista antes da viagem e no encontro com empresários como defensor das empresas norte-americanas e seus negócios no Exterior e dos 250 mil empregos que as exportações para o Brasil geram por lá. Obama veio ser simpático e vender. E cumpriu seu papel. Neste campo, o Brasil vai ter de ir à luta, não deve esperar "apreço" pelas pretensões de tornar o comércio entre os dois países mais igual. Em tempo: a viagem de Obama foi recebida sem nenhum entusiasmo pela imprensa americana.
Dilma e Patriota mostram novo estilo
Antonio Patriota conseguiu grandes vitórias na visita de Obama, mesmo que sob o silêncio diplomático. O velho estilo pragmático e estratégico do Itamaraty está de volta. Muito em razão do novo chanceler, mas também devido à discrição e sobriedade de Dilma, algo distante do estilo "star" de Lula.
Lula ausente
Lula não faltou somente ao almoço com Obama. Faltou também com a gentileza necessária à diplomacia. A estocada de Obama veio com elegância: citou o antigo presidente sem dizer seu nome no discurso do Teatro Municipal do RJ. Lula parece não dividir palco com ninguém. Quer ser astro solitário.
Lula e política doméstica
O primeiro papel que Lula se atribui na política foi preparar o PT para as eleições municipais. A intenção é levar o partido ao país inteiro, lançar o máximo possível de candidatos. Sem, contudo, desprezar as alianças com os aliados, tida como bem sucedida por ele, nas eleições de outubro passado. Nem todo o PT concorda com isso - que o diga o de MG - mas a influência de Lula e seu prestígio externo devem quebrar qualquer resistência. Especificamente para SP, Lula estaria procurando uma novidade, capaz de abalar a força dos tucanos na capital. A ser posta em prática esta opção, os eternos candidatos Marta Suplicy e Aloizio Mercadante estariam fora do jogo.
O PMDB está em outra
O PMDB não comunga da tese de Lula de preservar no máximo nas eleições municipais o esquema das coligações nacionais e estaduais de 2010. O objetivo do partido é lançar o máximo de candidatos competitivos às prefeituras em 2012. Entende-se: é da força de uma miríade de prefeitos e vereadores em todo o Brasil que o partido pretende manter seus espaços em 2014. O PMDB precisa disso para enfrentar os aliados PT e PSB na repetição da coligação Federal de 2010. Afinal, o PT agora é mais forte na Câmara e o PSB tem mais governadores, além da chance de crescer mais com a incorporação da costela que Kassab está tirando da oposição.
A nova social democracia de Kassab
Lançado o partido, o prefeito Gilberto Kassab começa a enfrentar de fato os primeiros obstáculos para botar de pé um partido com força suficiente como ele pretende para disputar as eleições municipais de 2012 sem dar vexame. Terá de enfrentar contestações nos tribunais, garantir bom tempo na televisão, e naturalmente, reunir quase 500 mil assinaturas de eleitores em pelo menos nove Estados (entre eles, o Distrito Federal). Isso tudo ate o início de outubro. Só assim quebrará a desconfiança de muitos políticos que até gostariam de trocar de partido, mas não querem correr riscos de impedimento eleitoral. Kassab não deve contar com grandes incentivos, mesmo do governo que quer esvaziar mais ainda da oposição. A participação do PT baiano na festa de domingo em Salvador não vai se repetir. Há desconfianças de todos os lados em relação aos propósitos futuros do prefeito, do PSDB e do DEM ao PT, do PMDB até ao possível futuro aliado, o PSB.
Inferno
Kassab saiu a campo num momento particularmente indigesto, quando a rejeição a seu governo no município de SP sobe 12 pontos em apenas quatro meses - de 31% para 43% (Datafolha). E a administração paulistana é o maior dote que Kassab pode levar para a nova legenda.
A oposição no purgatório
DEM, PSDB e mesmo o PPS conseguiram em princípio estancar a sangria que o partido de Kassab poderia abrir em suas bases. Mas eles não estão tranquilos, um segundo round pode ocorrer se Kassab avançar. E o governo de Brasília emite bons sinais para um grupo nem tão pequeno de insatisfeitos e de alguns com comichões governistas. O contra-ataque pode ser a tentativa de fundir as três siglas em torno de um partido único. Desde o meio da semana passada se fala nessa possibilidade. Antes, porém, DEM e PSDB precisarão fazer fogo morto de suas fogueiras de vaidade internas. Tudo para vencer o boicote natural dos governistas do PT e do PMDB.
Ele ainda tem muito que aprender
Deu na coluna da Mônica Bergamo na Folha. Dispensa comentários: "O deputado Tiririca (PR/SP) tem sido um dos mais econômicos. Gastou só R$ 42,03 em março, com 'serviços postais'. Em janeiro pediu reembolso de R$ 519 por duas passagens aéreas - sendo que uma custou R$ 80. O deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), que introduziu Tiririca na política, gastou R$ 17,6 mil em janeiro, com escritório, seguranças e telefonia".
E eles não aprenderam
A um mês da licitação do discutível trem bala, o governo aumenta as pressões para que as empresas privadas engrossem os consórcios concorrentes ou formem novos. As estatais e os fundos de pensão já foram enquadrados. É um movimento parecido com o realizado no leilão da Usina de Belo Monte. Que já está dando confusão. O Grupo Bertin, incentivado a entrar no negócio, nem mesmo com a ajuda do BNDES, conseguiu bancar a sua parte e já saiu do consórcio. Agora corre-se para arranjar um novo sócio, com pressões a grandes grupos, entre eles a Vale.
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A coluna Política & Economia NA REAL é assinada por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.
segunda-feira, 21 de março de 2011
DISCURSO DE OBAMA NO RIO
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse em seu aguardado discurso ao povo brasileiro neste domingo (20) que o Brasil é um exemplo para o mundo em termos de democracia e desenvolvimento e que o recuo da pobreza deveria inspirar outros países.
Ele começou o aguardado discurso ao povo brasileiro falando em português.
- Boa tarde a todo o povo brasileiro. Oi, Rio de Janeiro, cidade maravilhosa!
Obama agradeceu aos presentes por estarem no Theatro Municipal, no Rio, em uma tarde de clássico na cidade - Vasco e Botafogo jogam pelo campeonato carioca.
Depois, lembrou Jorge Ben Jor para elogiar o país.
- Vocês, como cantou Jorge Ben Jor, são um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.
No final de sua fala, citou Paulo Coelho.
- Com a força do nosso amor, com a força do nosso desejo, nós podemos mudar o nosso destino.
Veja a íntegra do discurso:
"Alô, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa. Boa tarde todo o povo brasileiro.
Desde o momento em que chegamos, o povo desta cidade tem mostrado a minha família o calor e receptividade de seu espírito. Obrigado. Quero agradecer a todos por estarem aqui, pois sei que há um jogo do Vasco ou do Botafogo. Eu sei que os brasileiros não abrem mão do futebol.
Uma das primeiras impressões que tive do Brasil veio de um filme que vi com minha mãe, "Orfeu Negro". Minha mãe jamais imaginaria que minha primeira viagem ao Brasil seria como presidente dos EUA. Vocês são mesmo um "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza".
Ontem tive um encontro com sua presidente Dilma Rousseff e hoje quero falar com vocês sobre as jornadas dos EUA e do Brasil, que são duas terras com abundantes riquezas naturais. Ambos os países já foram colônias e receberam imigrantes de todo mundo. Os EUA foram a 1ª nação a reconhecer a independência do Brasil. O primeiro líder brasileiro a visitar os EUA foi Dom Pedro II.
No Brasil, vocês lutaram contra a ditadura, lutando para serem ouvidos. Mas esses dias passaram. Hoje, o Brasil é um país onde os cidadãos podem escolher seus líderes e onde um garoto pobre de Pernambuco pode chegar ao posto mais elevado do país. Foi essa mudança que vimos na Cidade de Deus. Quero dar os parabéns ao prefeito e ao governador pelo seu excelente trabalho. Mas não se deve olhar para a favela com pena, mas como uma fonte de artista, presidentes, pessoas com soluções.
Vocês sabem que esta cidade não foi minha primeira escolha para os Jogos Olímpicos. Porém, se os jogos não pudessem ser realizados em Chicago, o Rio seria minha escolha. O Brasil sempre foi o "país do futuro", mas agora esse futuro está aqui.
Estou aqui para dizer que nós, nos EUA, não apenas observamos seus sucessos, mas torcemos por ele. Juntos, duas das maiores economias do mundo podem trazer crescimentos. Precisamos de um compromisso com a inovação e com a tecnologia.
Por isso, também, queremos ajudá-los a preparar o país para os jogos. Por isso somos países comprometidos com o meio ambiente. Por isso a metade dos carros daqui podem circular com biocombustível. E por isso estamos buscando o mesmo nos EUA, para tornar o mundo mais limpo para nossos filhos.
Sendo o Brasil e os EUA dois países que foram tão enriquecidos pela herança africana, temos que nos comprometer com a ajuda à África. Também estamos ajudando os japoneses hoje. Vocês, aqui no Brasil, receberam a maior imigração japonesa no mundo.
Os EUA e o Brasil são parceiros não apenas por laços de comércio e cultura, mas porque ambos acreditam no poder da democracia, porque nada pode ser tão poderoso para levar milhões de pessoas, que subiram da pobreza, para a classe média, o fizeram pela liberdade.
Vocês são a prova de que a democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia dá a maior esperança de que todos serão tratados com respeito. Nós sabemos, nos EUA, como é importante trabalhar juntos, mesmo quando não nos entendemos. Acreditamos que a democracia pode ser lenta e que ela vai sendo aperfeiçoada com o tempo. Mas também sabemos que todo ser humano quer ser livre, quer ser ouvido, quer viver sem medo ou discriminação. Todos querem moldar seu próprio destino. São direitos universais e devemos apoiá-los em toda parte.
Onde quer que a luz da liberdade seja acesa, o mundo se torna um lugar melhor. Esse é o exemplo do Brasil. Brasil, um país que prova que uma ditadura pode se tornar uma próspera democracia e que mostra que um grito por mudanças vindo das ruas pode mudar o mundo.
No passado, foi aqui fora, na Cinelândia, que políticos e artistas protestaram contra a ditadura. Uma das pessoas que protestaram foi presa e sabe o que é viver sem seus direitos mais básicos. Porém, ela também sabe o que é perseverar. Hoje ela é a sua presidente, Dilma Rousseff.
Sabemos que as pessoas antes de nós também enfrentaram desafios e isso une as nossas nações. Portanto, acreditamos que, com a força de vontade, podemos mudar nossos destinos. Obrigado. E que Deus abençoe nossas nações."
Fonte: Jornal do Brasil
Ele começou o aguardado discurso ao povo brasileiro falando em português.
- Boa tarde a todo o povo brasileiro. Oi, Rio de Janeiro, cidade maravilhosa!
Obama agradeceu aos presentes por estarem no Theatro Municipal, no Rio, em uma tarde de clássico na cidade - Vasco e Botafogo jogam pelo campeonato carioca.
Depois, lembrou Jorge Ben Jor para elogiar o país.
- Vocês, como cantou Jorge Ben Jor, são um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.
No final de sua fala, citou Paulo Coelho.
- Com a força do nosso amor, com a força do nosso desejo, nós podemos mudar o nosso destino.
Veja a íntegra do discurso:
"Alô, Rio de Janeiro. Alô, Cidade Maravilhosa. Boa tarde todo o povo brasileiro.
Desde o momento em que chegamos, o povo desta cidade tem mostrado a minha família o calor e receptividade de seu espírito. Obrigado. Quero agradecer a todos por estarem aqui, pois sei que há um jogo do Vasco ou do Botafogo. Eu sei que os brasileiros não abrem mão do futebol.
Uma das primeiras impressões que tive do Brasil veio de um filme que vi com minha mãe, "Orfeu Negro". Minha mãe jamais imaginaria que minha primeira viagem ao Brasil seria como presidente dos EUA. Vocês são mesmo um "país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza".
Ontem tive um encontro com sua presidente Dilma Rousseff e hoje quero falar com vocês sobre as jornadas dos EUA e do Brasil, que são duas terras com abundantes riquezas naturais. Ambos os países já foram colônias e receberam imigrantes de todo mundo. Os EUA foram a 1ª nação a reconhecer a independência do Brasil. O primeiro líder brasileiro a visitar os EUA foi Dom Pedro II.
No Brasil, vocês lutaram contra a ditadura, lutando para serem ouvidos. Mas esses dias passaram. Hoje, o Brasil é um país onde os cidadãos podem escolher seus líderes e onde um garoto pobre de Pernambuco pode chegar ao posto mais elevado do país. Foi essa mudança que vimos na Cidade de Deus. Quero dar os parabéns ao prefeito e ao governador pelo seu excelente trabalho. Mas não se deve olhar para a favela com pena, mas como uma fonte de artista, presidentes, pessoas com soluções.
Vocês sabem que esta cidade não foi minha primeira escolha para os Jogos Olímpicos. Porém, se os jogos não pudessem ser realizados em Chicago, o Rio seria minha escolha. O Brasil sempre foi o "país do futuro", mas agora esse futuro está aqui.
Estou aqui para dizer que nós, nos EUA, não apenas observamos seus sucessos, mas torcemos por ele. Juntos, duas das maiores economias do mundo podem trazer crescimentos. Precisamos de um compromisso com a inovação e com a tecnologia.
Por isso, também, queremos ajudá-los a preparar o país para os jogos. Por isso somos países comprometidos com o meio ambiente. Por isso a metade dos carros daqui podem circular com biocombustível. E por isso estamos buscando o mesmo nos EUA, para tornar o mundo mais limpo para nossos filhos.
Sendo o Brasil e os EUA dois países que foram tão enriquecidos pela herança africana, temos que nos comprometer com a ajuda à África. Também estamos ajudando os japoneses hoje. Vocês, aqui no Brasil, receberam a maior imigração japonesa no mundo.
Os EUA e o Brasil são parceiros não apenas por laços de comércio e cultura, mas porque ambos acreditam no poder da democracia, porque nada pode ser tão poderoso para levar milhões de pessoas, que subiram da pobreza, para a classe média, o fizeram pela liberdade.
Vocês são a prova de que a democracia é a maior parceira do progresso humano. A democracia dá a maior esperança de que todos serão tratados com respeito. Nós sabemos, nos EUA, como é importante trabalhar juntos, mesmo quando não nos entendemos. Acreditamos que a democracia pode ser lenta e que ela vai sendo aperfeiçoada com o tempo. Mas também sabemos que todo ser humano quer ser livre, quer ser ouvido, quer viver sem medo ou discriminação. Todos querem moldar seu próprio destino. São direitos universais e devemos apoiá-los em toda parte.
Onde quer que a luz da liberdade seja acesa, o mundo se torna um lugar melhor. Esse é o exemplo do Brasil. Brasil, um país que prova que uma ditadura pode se tornar uma próspera democracia e que mostra que um grito por mudanças vindo das ruas pode mudar o mundo.
No passado, foi aqui fora, na Cinelândia, que políticos e artistas protestaram contra a ditadura. Uma das pessoas que protestaram foi presa e sabe o que é viver sem seus direitos mais básicos. Porém, ela também sabe o que é perseverar. Hoje ela é a sua presidente, Dilma Rousseff.
Sabemos que as pessoas antes de nós também enfrentaram desafios e isso une as nossas nações. Portanto, acreditamos que, com a força de vontade, podemos mudar nossos destinos. Obrigado. E que Deus abençoe nossas nações."
Fonte: Jornal do Brasil
domingo, 20 de março de 2011
A PALAVRA DO JOVEM GALILEU HOJE SOBRE A "REGRA DE OURO" É AUTOEXPLICATIVA!

Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. "Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste, pois a medida que usardes para os outros, servirá também para vós". (Lucas 6,36-38)
*********************************************
A "regra de ouro" é simples: tratar os outros como gostaríamos de ser tratados; fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que nos fizessem.
Nas principais religiões do planeta essa regra se faz presente. Vejamos.
No Zoroastrismo: "Aquela natureza só é boa quando não faz ao outro aquilo que não é bom para ela própria" (Dadistan-i-Dinik 94:5).
No Judaísmo: "O que é odioso para ti, não o faças ao próximo".
No Confucionismo: "Não façais aos outros aquilo que não quereis que vos façam" (Confúcio).
No Budismo: "Não atormentes o próximo com o que te aflige" (Udana-Varga 5:18).
No Hinduísmo: "Esta é a suma do dever: não faças aos outros aquilo que se a ti for feito, te causará dor" (Mahabharata 5:15:17)
No Cristianismo: Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso. "Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste, pois a medida que usardes para os outros, servirá também para vós" (Lucas 6,36-38).
Leonardo Boff, em seu livro "Espiritualidade – Um caminho de transformação", narrou um diálogo que manteve com Tenzin Gyatso, o 14º e atual Dalai Lama, líder do Budismo Tibetano, que bem exemplifica uma das principais funções das religiões, a despeito das divergências que as pessoas criam para defender sua religião como a única, ou melhor. Eis o diálogo:
“Já que nos referimos várias vezes ao Dalai-Lama, permito-me confidenciar um pedaço da conversa que tive com ele, há alguns anos, e que nos ajudará a entender a questão que irei abordar.
No intervalo de uma mesa redonda sobre religião e paz entre os povos da qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- Santidade, qual é a melhor religião?
Esperava que ele dissesse: “É o Budismo tibetano”, ou “São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo”. O Dalai-Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos – o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia contida na pergunta – e afirmou:
- A melhor religião é aquela que te faz melhor.
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
- O que me faz melhor?
E ele respondeu:
- Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião.
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.”
sábado, 19 de março de 2011
SOU CEARENSE. SOU JOSÉ. HOJE É O DIA DE SÃO JOSÉ - O PADROEIRO DO CEARÁ
MEU BOM JOSÉ
Composição: Padre Zezinho
Olha o que foi meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galiléia
Casar com Deborah ou com Sarah
Meu bom José você podia
E nada disso acontecia
Mas você foi amar Maria
Você podia simplesmente
Ser carpinteiro e trabalhar
Sem nunca ter que se exilar
De se esconder com Maria
Meu bom José você podia
Ter muitos filhos com Maria
E teu ofício ensinar
Como teu pai sempre fazia
Porque será, meu bom José
Que esse teu pobre filho um dia
Andou com estranhas idéias
Que fizeram chorar Maria
Me lembro às vezes de você
meu bom José, meu pobre amigo
Que desta vida só queria
Ser feliz com sua Maria
sexta-feira, 18 de março de 2011
VAGA DE SUPLENTE É DA COLIGAÇÃO, NÃO DO PARTIDO - DIZ O MINSTRO RICARDO LEWANDOWSKI
As vagas de suplente na Câmara dos Deputados devem ser preenchidas respeitando a ordem estabelecida de acordo com a coligação, não com o partido dos eleitos. O entendimento é do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que negou liminar, nesta quinta-feira (17/3), pedida por Wagner da Silva Guimarães (PMDB-GO).
A decisão do ministro é diferente das outras cinco liminares já apreciadas pelo Supremo relativas à discussão. Até agora, todas as decisões foram no sentido de que o mandato pertence ao partido. Portanto, o preenchimento das vagas pelos suplentes deve respeitar a ordem de eleição das legendas, não da coligação.
Os fundamentos da decisão liminar de Lewandowski são outros. Para o ministro, "no sistema proporcional adotado pelo legislador brasileiro, a formação da lista de eleitos e suplentes é feita a partir dos candidatos mais votados e apresentados por determinada coligação, que possui direitos assegurados por lei".
Portanto, para Ricardo Lewandowski, o suplente mais votado de acordo com a coligação é quem deve assumir o posto na vacância do titular. O ministro ressaltou que na decisão tomada pelo plenário do STF, em sentido contrário ao seu entendimento, "concedeu-se uma liminar em juízo precário e efêmero, por maioria apertada de cinco votos a três, ausentes três ministros desta Suprema Corte que não se manifestaram sobre o tema".
Na liminar, Lewandowski registra que a lista dos eleitos da coligação de partidos é formada pelos candidatos mais votados, "sendo que a ordem de suplência segue, evidentemente, a mesma lógica, qual seja, do mais votado não eleito (1º suplente) até o menos votado não eleito (último suplente) da coligação".
O ministro ressalta que não desconhece que as coligações partidárias são criadas, especificamente, para atuar em determinado período, do registro de candidatura até a diplomação dos candidatos eleitos e respectivos suplentes: "Todavia, os seus efeitos projetam-se para o futuro, em decorrência lógica do ato de diplomação dos candidatos eleitos e seus respectivos suplentes".
Ainda de acordo com Lewandowski, a perda de mandato por infidelidade partidária é matéria totalmente diversa da convocação de suplentes no caso vacância regular do mandato eletivo. Por isso, não se deve fazer correlação entre as duas discussões. O ministro também registrou que "qualquer alteração no sistema proporcional eleitoral brasileiro, a meu ver, implica reforma política cuja competência estabelecida na Constituição e na legislação eleitoral é exclusiva do Congresso Nacional".
A decisão do ministro é diferente das outras cinco liminares já apreciadas pelo Supremo relativas à discussão. Até agora, todas as decisões foram no sentido de que o mandato pertence ao partido. Portanto, o preenchimento das vagas pelos suplentes deve respeitar a ordem de eleição das legendas, não da coligação.
Os fundamentos da decisão liminar de Lewandowski são outros. Para o ministro, "no sistema proporcional adotado pelo legislador brasileiro, a formação da lista de eleitos e suplentes é feita a partir dos candidatos mais votados e apresentados por determinada coligação, que possui direitos assegurados por lei".
Portanto, para Ricardo Lewandowski, o suplente mais votado de acordo com a coligação é quem deve assumir o posto na vacância do titular. O ministro ressaltou que na decisão tomada pelo plenário do STF, em sentido contrário ao seu entendimento, "concedeu-se uma liminar em juízo precário e efêmero, por maioria apertada de cinco votos a três, ausentes três ministros desta Suprema Corte que não se manifestaram sobre o tema".
Na liminar, Lewandowski registra que a lista dos eleitos da coligação de partidos é formada pelos candidatos mais votados, "sendo que a ordem de suplência segue, evidentemente, a mesma lógica, qual seja, do mais votado não eleito (1º suplente) até o menos votado não eleito (último suplente) da coligação".
O ministro ressalta que não desconhece que as coligações partidárias são criadas, especificamente, para atuar em determinado período, do registro de candidatura até a diplomação dos candidatos eleitos e respectivos suplentes: "Todavia, os seus efeitos projetam-se para o futuro, em decorrência lógica do ato de diplomação dos candidatos eleitos e seus respectivos suplentes".
Ainda de acordo com Lewandowski, a perda de mandato por infidelidade partidária é matéria totalmente diversa da convocação de suplentes no caso vacância regular do mandato eletivo. Por isso, não se deve fazer correlação entre as duas discussões. O ministro também registrou que "qualquer alteração no sistema proporcional eleitoral brasileiro, a meu ver, implica reforma política cuja competência estabelecida na Constituição e na legislação eleitoral é exclusiva do Congresso Nacional".
REUNIÃO DA ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS
Caros colegas da ALC,
Amanha, às 16h, em nossa Sede, está marcada nossa proxima reunião de trabalho sobre o centenario de Crateús.
Na ocasião, as comissões apresentarão os esboços e elaborações de propostas temáticas da publicação. outros assuntos tambem serao discutidos, como a reunião que a Administraçao convocou para tratar do Centenário.
A presença de todos é muito importante.
Encontraremo-nos la.
Saudações literárias
Elias de França
Presidente
Amanha, às 16h, em nossa Sede, está marcada nossa proxima reunião de trabalho sobre o centenario de Crateús.
Na ocasião, as comissões apresentarão os esboços e elaborações de propostas temáticas da publicação. outros assuntos tambem serao discutidos, como a reunião que a Administraçao convocou para tratar do Centenário.
A presença de todos é muito importante.
Encontraremo-nos la.
Saudações literárias
Elias de França
Presidente
COMENTÁRIO
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CONJUNTURA NACIONAL":
DR. JUNIOR BOMFIM gostaria que voce postasse essa matéria, até porque voce é um cara com muito senso democrático.
Pois bem, acho que a chapa para Crateus para o pleito de 2012 é essa e tambem acho que é imbatível, os nomes são:
- MOACIR SOARES para PREFEITO e tendo como VICE MARCELO CHAVES ou o valente MAÇAROCA.
Moacir Soares confidenciou pra mim que gostaria de compor com um desses dois nomes. MPACIR SOARES tem o maior apreço por ambos e disse que vai trabalhar para ter um desse dois como seu vice. Eu aposto como o FILIPE não tem coragem de enfrentar Moacir Soares, porque Moacir é 100 vezes mais preparado que ele e tendo o velho MAÇAROCA na Vice ou Macelo Chaves a chapa é imbativel.
Eu voto e torço, porque Crateus nao suporta mais tanto atraso e tanta imcompetencia.
Moacir Soares e Marcelo Chaves é o novo, são novas liderancas que despontam e jaja vai cair no agrado de nossa sociedade. MOACIR SOARES Conte comigo, estamos torcendo
Dr, JUNIOR EU TE CONFESO, NAO POR SER AMIGO DE MOACIR SOARES, MAIS, ELE É UM NOME QUE SEMPRE É LEMBRADO NAS RODAS POLITICAS DE CRATEUS. E COMO VOCE O CONHECE BEM, SABE QUE ELE HOJE É O MAIS PREPARADO PARA TIRAR NOSSA CIDADE DO BURACO, DIGO, DESSE FOSSO QUE ELA ESTA SUBMERSA. AH SEI TAMBEM QUE VOCE É MUITO AMIGO DELE, POR ACREDITO QUE VOCE TAMBEM O APOIARA ESSE PLEITO E QUEM SABE SEJA VOCE TAMBEM UM DOS NOMES A VOMPOR COM DELE. VAMOS DIVULGAR O NOME DE MOCAIR PARA PREFEITO, CRATEUS PRECISA E NOSSO POVO MERECE QUE NOSSA CIDADE VOLTE A SER UMA CIDADE DESENVOLVIDA.
OBRIGADO POR POSTAR MINHA MATERIA
DR. JUNIOR BOMFIM gostaria que voce postasse essa matéria, até porque voce é um cara com muito senso democrático.
Pois bem, acho que a chapa para Crateus para o pleito de 2012 é essa e tambem acho que é imbatível, os nomes são:
- MOACIR SOARES para PREFEITO e tendo como VICE MARCELO CHAVES ou o valente MAÇAROCA.
Moacir Soares confidenciou pra mim que gostaria de compor com um desses dois nomes. MPACIR SOARES tem o maior apreço por ambos e disse que vai trabalhar para ter um desse dois como seu vice. Eu aposto como o FILIPE não tem coragem de enfrentar Moacir Soares, porque Moacir é 100 vezes mais preparado que ele e tendo o velho MAÇAROCA na Vice ou Macelo Chaves a chapa é imbativel.
Eu voto e torço, porque Crateus nao suporta mais tanto atraso e tanta imcompetencia.
Moacir Soares e Marcelo Chaves é o novo, são novas liderancas que despontam e jaja vai cair no agrado de nossa sociedade. MOACIR SOARES Conte comigo, estamos torcendo
Dr, JUNIOR EU TE CONFESO, NAO POR SER AMIGO DE MOACIR SOARES, MAIS, ELE É UM NOME QUE SEMPRE É LEMBRADO NAS RODAS POLITICAS DE CRATEUS. E COMO VOCE O CONHECE BEM, SABE QUE ELE HOJE É O MAIS PREPARADO PARA TIRAR NOSSA CIDADE DO BURACO, DIGO, DESSE FOSSO QUE ELA ESTA SUBMERSA. AH SEI TAMBEM QUE VOCE É MUITO AMIGO DELE, POR ACREDITO QUE VOCE TAMBEM O APOIARA ESSE PLEITO E QUEM SABE SEJA VOCE TAMBEM UM DOS NOMES A VOMPOR COM DELE. VAMOS DIVULGAR O NOME DE MOCAIR PARA PREFEITO, CRATEUS PRECISA E NOSSO POVO MERECE QUE NOSSA CIDADE VOLTE A SER UMA CIDADE DESENVOLVIDA.
OBRIGADO POR POSTAR MINHA MATERIA
quarta-feira, 16 de março de 2011
CONJUNTURA NACIONAL
D'água! D'água!
Historinha dos tempos de chumbo!
Newton Coumbre, pernambucano atrevido, passava em frente ao quartel de Obuzes de Olinda, logo depois do golpe de 64, levando uma bomba d'água enrolada em jornal. Dois sentinelas, fuzis em punho, avançaram sobre ele, aos tapas e pontapés:
- O que é isso?
- D'água! D'água!
Mandaram jogar o embrulho no chão e levaram-no até o coronel:
- O que é que tem no embrulho?
- Uma bomba d'água.
- Por que não disse logo e ficou dizendo "d'água"?
- Coronel, eu dizendo só "d'água" eles me bateram tanto, se dissesse "bomba" teriam me fuzilado.
Com a verve de Sebastião Nery.
Obama no Rio
Pois é, o presidente Barack Obama falará aos brasileiros na Cinelândia, no Rio, que já foi palco de grandes manifestações libertárias. O local foi escolhido pela segurança do mais poderoso governante do mundo. Mas só terão acesso à praça pessoas com documento e sem bolsa. Ou seja, sem nada que possa causar desconfiança. O discurso de Obama será traduzido. Portanto, haverá uma boa pausa entre as frases. O que dará chance para Obama pensar e exprimir com mais calma perorações de efeito. Se não abrigar novidade, o discurso valerá apenas pelo efeito visual, estético. A semântica será usada nos ambientes mais estreitos de Brasília.
Kassab e o PDB
O prefeito Gilberto Kassab vai criar o Partido da Democracia Brasileira e dar a ele uma vida útil. A fusão com o PSB ou com o PMDB ficará para mais tarde. E, se o partido colher uma boa safra no pleito de 2012, terá condições de abrir horizontes e iniciar uma trajetória político/eleitoral. Tudo vai depender dos resultados da safra eleitoral. O PSB foi bastante questionado por membros importantes do partido, que discordaram da estratégia de fusão, defendida pelo presidente Eduardo Campos. E Kassab, por sua vez, tem dito a este consultor que quer experimentar vida nova em nova sigla. O PMDB continua a nutrir esperanças de ter o prefeito em sua casa, mas está pisando na realidade. Sabe que a migração é coisa cada vez mais difícil.
Axioma positivo I
"Ajuste seu fim aos seus meios. Uma visão clara e um raciocínio frio devem prevalecer por ocasião da escolha do objetivo da guerra. É loucura querer "abocanhar mais do que se pode mastigar" e é uma prova de sabedoria analisar os fatos friamente, embora sem perder o otimismo: a fé pode realizar o aparentemente impossível quando a ação for iniciada".
PMDB paciente
O PMDB começa a jogar no tabuleiro com as pedras que o governo Dilma lhe joga. Administra a pressão de suas bases por cargos e espaços com paciência. Já não se angustia. Demonstra jogo de cintura. Se o governo não aceita, por exemplo, nomear alguns políticos do partido para cargos técnicos, o que fazer? O PMDB não imporá. Estão à espera de perfis como o de Geddel Vieira Lima e José Maranhão. Geddel tem mais chances que Maranhão de figurar na Diretoria da Caixa Econômica, apesar da pressão contrária do governador Jaques Wagner. O partido decidiu aguentar o fogo brando que a presidente passou para a alçada do ministro Palocci.
DEM procura rumos
O DEM arruma a casa, agora sob o comando do senador José Agripino Maia. Conseguiu sustar a intenção de quadros que já começavam a arrumar as malas, como Marco Maciel, Raimundo Colombo, Kátia Abreu, etc. Mas o partido, convenhamos, está debilitado. Sem força para fazer oposição. Bancada enxuta, discurso frouxo, desmotivação das bases, estiolado, fragmentado. Zé Agripino tem fala franca, densa e direta. Mas falta-lhe a base para os avanços do partido. Deverá fazer campanha de mobilização pelo país e atrair novos quadros. Tarefa complexa, eis que o DEM vive processo de descrédito. Exauriu-se no tempo.
Arrumando as bases
Cândido Vaccarezza, líder do Governo na Câmara, encontrou as bases governistas muito angustiadas. Com bons modos, fala mansa e ouvidos atentos, está acalmando os ânimos e conseguindo expressivas vitórias para o governo Dilma.
Conselhão
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social tem por missão debater políticas públicas e oferecer rotas e caminhos para o país. Nesse sentido, é uma ferramenta de produção de políticas e estratégias. O Ministério de Assuntos Estratégicos é um ente que trabalha na mesma direção. Sua missão é a de pensar o Brasil. Definir rumos. Escolher alternativas. Pela lógica, as redundâncias acabam contribuindo para expansão do Custo Brasil. Por que não deixar esse Conselhão sob a égide do Ministério? Por que duas estruturas assemelhadas? O PT, pelo visto, não quer essa fusão porque implicaria mais força ao PMDB. Que bobagem. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Se a formulação de políticas está na alçada do Ministério, nada mais lógico que reúna os sistemas com a mesma identidade.
Bomba contra a Fiat!
A Venice Veículos e Peças Ltda., concessionária Fiat mais antiga do Brasil, que teve seu contrato rompido, contratou o escritório do presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, para processar criminalmente o presidente da Fiat, sr. Cledorvino Belini, por crime contra a honra. O inquérito policial já instaurado pela Venice também investiga concorrência desleal e cartel.
Distritão e o voto em lista
Distritão ou voto em lista? Essas duas alternativas podem ser aproveitadas pela Comissão que estuda a Reforma Política. Hoje, há fortes defensores das duas alas. Na esteira do Distritão, serão eleitos os mais votados dentro das cotas que caberão aos partidos nos Estados. Na fila do voto em lista, serão eleitos os mais votados na lista (de cima para baixo) que o partido estabelecerá. O Distritão teria o apoio de forte corrente dentro do PMDB e o voto em lista contaria com a simpatia do PT.
Apanha-se por gosto
Uma professora do Pará requereu licença-gravidez para o parto do quinto filho. O governador Magalhães Barata mandou investigar, soube que ela tinha votado com a oposição. Pegou o processo, deu o despacho: "Indeferido. Nego a licença. Gravidez não é doença. Apanha-se por gosto."
Grana para as campanhas
Financiamento público de campanha, esse parece ser o consenso isolado dentro da Reforma Política.
Guerra na arena judiciária
Os nervos estão à flor da pele na esfera dos operadores do Direito. A OAB nacional faz mobilização, dia 21 de março, em defesa do CNJ, por entender que ele sofre esvaziamento por parte do STF. A campanha da OAB causa má impressão no Supremo. Alguns ministros manifestam intensa indignação contra a campanha. O presidente da Ordem, Ophir Cavalcanti, argumenta que o objetivo do movimento é o de contribuir com a transparência do Judiciário. O presidente da AMB, desembargador Nelson Calandra, contesta as críticas da OAB ao CNJ e recebe apoio de associações de magistrados dos Estados. Wadih Damous, presidente da OAB/RJ, defende a campanha da OAB, sob o argumento de que o país precisa ter um Judiciário mais próximo da sociedade. Os ânimos estão acirrados. Mas é preocupante ver operadores do Direito digladiando-se na arena.
Axioma positivo II
"Conserve seu objeto sempre em mente quando tiver que adaptar seu plano "à situação". Recorde que existe mais de um caminho para atingir seu objetivo, mas lembre-se de que qualquer objetivo a ser conquistado deve estar relacionado com seu objetivo".
Contaminação
Autoridade de Segurança Nuclear da França (ASN) informa que as explosões ocorridas na central japonesa de Fukushima Daiichi atingiram o nível seis de gravidade em uma escala internacional que vai até sete. O Japão, até o momento, classificou os acidentes em nível quatro. A tragédia japonesa, que poderá ainda mais se agravar com a contaminação nuclear, servirá de parâmetro para avaliação da energia nuclear. No Brasil, a meta é a de implantação da Usina Angra 3. Que deverá passar por nova lupa.
Crise mundial?
Há alguns formuladores que projetam a tragédia japonesa no cenário mundial, considerando que a máquina produtiva da terceira potência gerará impasses e dificuldades em cadeia, podendo chegar ao Brasil. A Sony já suspendeu a operação de 10 fábricas. A Toyota, maior montadora do mundo, também mandou parar atividades nas 12 unidades que tem no país. Como se sabe, autopeças, automóveis e material eletrônico predominam na pauta de vendas do Japão para o Brasil.
Axioma positivo III
Escolha a linha (ou curso de ação) de menor expectativa. Procure colocar-se no lugar do inimigo e verificar qual a linha de ação menos provável a ser prevista ou prevenida.
O futuro da previdência
O Ministério da Previdência faz seminário, hoje e amanhã, em Brasília para debater e avaliar o futuro da previdência. Conferencistas de calibres importantes serão convidados a discorrer sobre o tema. Este consultor coordenará o último painel, na quinta-feira, às 14h30, que será dedicado ao panorama da Previdência internacional.
Os amigos, os amigos
Antonio Balbino, governador da Bahia, ex-ministro, perguntou a Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco na ditadura Vargas, que receita ele dava para uma boa administração. No começo do governo preocupe-se com você mesmo: com as características de seu programa e as possibilidades de executá-lo. No meio do governo, preocupe-se com os inimigos: com o que eles dizem, para corrigir os erros. No fim do governo, preocupe-se com seus amigos: com o que eles quiserem, para que não levem você a sair do governo deixando uma má impressão.
Rossano ou Falco?
Não é verdade que o governo deu espaço aberto para Rossano Maranhão decidir quando poderá assumir a Secretaria de Aviação Civil. Se ele demorar mais, o segundo nome é o de Luiz Eduardo Falco, que já foi da TAM e hoje preside a Oi. Marcio Fortes, ex-ministro das Cidades, poderá ir para o Eximbank, banco de apoio às exportações.
Sem falta de Lula
O governo Dilma vai completar 100 dias. Pois bem, até o momento a ausência de Dilma, se foi percebida, não é objeto de lamentações. Lula cumpre sua agenda de conferencista, embolsando um bom dinheiro, mais que Fernando Henrique cobra por palestra e, claro, bem menos que Bill Clinton. Lula aproveita bem o estoque de carisma.
Onde estão os quadros?
Este consultor tem conversado bastante com importantes figuras da República. Gente respeitada e respeitável. E tem ouvido deles queixas do tipo: há falta de bons quadros técnicos nos partidos. Há políticos que precisam de escada para voltar a subir. Desses, o país está locupletado. Mas os quadros técnicos são raros. Procuram-se com lupa apurada.
Partido novo? Essa é velha
Um grupo de 181 pessoas, muitos executivos de empresas do Rio de Janeiro, quer criar o Partido Novo, que reuniria empresários. Dizem que Eike Batista estaria por trás do empreendimento. Não é crível. Eike gosta de coisas mais palatáveis. Partido de empresários, no Brasil, é uma velha piada.
Os bois e o eixo da roda
Uns bois puxavam um carro. Como o eixo da roda rangia, eles, voltando-se, assim falaram para ele: "Ó meu camarada, nós é que carregamos toda a carga, e tu é que chias?". Assim também certos indivíduos: enquanto os outros trabalham, eles se fingem de fatigados. (Fábulas de Esopo).
Conselho ao novo comando do DEM
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos organizadores da Copa. Hoje, volta sua atenção ao novo comando do DEM:
1. O DEM precisa renascer das cinzas. Para tanto, precisa voltar às ruas das pequenas e médias cidades do interiorzão do país e sair de lá para os grandes centros com uma baciada apreciável de votos.
2. Para ganhar a confiança do eleitorado das pequenas e médias cidades, o partido haverá de calçar as sandálias da humildade, arrumar um discurso crível e atrair novos grupamentos.
3. O DEM se diz fiel escudeiro do discurso liberal no país. Em que consiste esse discurso? Qual a proposta que tem para dimensionar o tamanho do Estado? O que deve ficar nas mãos do Estado e o que deve ser privatizado?
(Por Gaudêncio Torquato)
Historinha dos tempos de chumbo!
Newton Coumbre, pernambucano atrevido, passava em frente ao quartel de Obuzes de Olinda, logo depois do golpe de 64, levando uma bomba d'água enrolada em jornal. Dois sentinelas, fuzis em punho, avançaram sobre ele, aos tapas e pontapés:
- O que é isso?
- D'água! D'água!
Mandaram jogar o embrulho no chão e levaram-no até o coronel:
- O que é que tem no embrulho?
- Uma bomba d'água.
- Por que não disse logo e ficou dizendo "d'água"?
- Coronel, eu dizendo só "d'água" eles me bateram tanto, se dissesse "bomba" teriam me fuzilado.
Com a verve de Sebastião Nery.
Obama no Rio
Pois é, o presidente Barack Obama falará aos brasileiros na Cinelândia, no Rio, que já foi palco de grandes manifestações libertárias. O local foi escolhido pela segurança do mais poderoso governante do mundo. Mas só terão acesso à praça pessoas com documento e sem bolsa. Ou seja, sem nada que possa causar desconfiança. O discurso de Obama será traduzido. Portanto, haverá uma boa pausa entre as frases. O que dará chance para Obama pensar e exprimir com mais calma perorações de efeito. Se não abrigar novidade, o discurso valerá apenas pelo efeito visual, estético. A semântica será usada nos ambientes mais estreitos de Brasília.
Kassab e o PDB
O prefeito Gilberto Kassab vai criar o Partido da Democracia Brasileira e dar a ele uma vida útil. A fusão com o PSB ou com o PMDB ficará para mais tarde. E, se o partido colher uma boa safra no pleito de 2012, terá condições de abrir horizontes e iniciar uma trajetória político/eleitoral. Tudo vai depender dos resultados da safra eleitoral. O PSB foi bastante questionado por membros importantes do partido, que discordaram da estratégia de fusão, defendida pelo presidente Eduardo Campos. E Kassab, por sua vez, tem dito a este consultor que quer experimentar vida nova em nova sigla. O PMDB continua a nutrir esperanças de ter o prefeito em sua casa, mas está pisando na realidade. Sabe que a migração é coisa cada vez mais difícil.
Axioma positivo I
"Ajuste seu fim aos seus meios. Uma visão clara e um raciocínio frio devem prevalecer por ocasião da escolha do objetivo da guerra. É loucura querer "abocanhar mais do que se pode mastigar" e é uma prova de sabedoria analisar os fatos friamente, embora sem perder o otimismo: a fé pode realizar o aparentemente impossível quando a ação for iniciada".
PMDB paciente
O PMDB começa a jogar no tabuleiro com as pedras que o governo Dilma lhe joga. Administra a pressão de suas bases por cargos e espaços com paciência. Já não se angustia. Demonstra jogo de cintura. Se o governo não aceita, por exemplo, nomear alguns políticos do partido para cargos técnicos, o que fazer? O PMDB não imporá. Estão à espera de perfis como o de Geddel Vieira Lima e José Maranhão. Geddel tem mais chances que Maranhão de figurar na Diretoria da Caixa Econômica, apesar da pressão contrária do governador Jaques Wagner. O partido decidiu aguentar o fogo brando que a presidente passou para a alçada do ministro Palocci.
DEM procura rumos
O DEM arruma a casa, agora sob o comando do senador José Agripino Maia. Conseguiu sustar a intenção de quadros que já começavam a arrumar as malas, como Marco Maciel, Raimundo Colombo, Kátia Abreu, etc. Mas o partido, convenhamos, está debilitado. Sem força para fazer oposição. Bancada enxuta, discurso frouxo, desmotivação das bases, estiolado, fragmentado. Zé Agripino tem fala franca, densa e direta. Mas falta-lhe a base para os avanços do partido. Deverá fazer campanha de mobilização pelo país e atrair novos quadros. Tarefa complexa, eis que o DEM vive processo de descrédito. Exauriu-se no tempo.
Arrumando as bases
Cândido Vaccarezza, líder do Governo na Câmara, encontrou as bases governistas muito angustiadas. Com bons modos, fala mansa e ouvidos atentos, está acalmando os ânimos e conseguindo expressivas vitórias para o governo Dilma.
Conselhão
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social tem por missão debater políticas públicas e oferecer rotas e caminhos para o país. Nesse sentido, é uma ferramenta de produção de políticas e estratégias. O Ministério de Assuntos Estratégicos é um ente que trabalha na mesma direção. Sua missão é a de pensar o Brasil. Definir rumos. Escolher alternativas. Pela lógica, as redundâncias acabam contribuindo para expansão do Custo Brasil. Por que não deixar esse Conselhão sob a égide do Ministério? Por que duas estruturas assemelhadas? O PT, pelo visto, não quer essa fusão porque implicaria mais força ao PMDB. Que bobagem. A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Se a formulação de políticas está na alçada do Ministério, nada mais lógico que reúna os sistemas com a mesma identidade.
Bomba contra a Fiat!
A Venice Veículos e Peças Ltda., concessionária Fiat mais antiga do Brasil, que teve seu contrato rompido, contratou o escritório do presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, para processar criminalmente o presidente da Fiat, sr. Cledorvino Belini, por crime contra a honra. O inquérito policial já instaurado pela Venice também investiga concorrência desleal e cartel.
Distritão e o voto em lista
Distritão ou voto em lista? Essas duas alternativas podem ser aproveitadas pela Comissão que estuda a Reforma Política. Hoje, há fortes defensores das duas alas. Na esteira do Distritão, serão eleitos os mais votados dentro das cotas que caberão aos partidos nos Estados. Na fila do voto em lista, serão eleitos os mais votados na lista (de cima para baixo) que o partido estabelecerá. O Distritão teria o apoio de forte corrente dentro do PMDB e o voto em lista contaria com a simpatia do PT.
Apanha-se por gosto
Uma professora do Pará requereu licença-gravidez para o parto do quinto filho. O governador Magalhães Barata mandou investigar, soube que ela tinha votado com a oposição. Pegou o processo, deu o despacho: "Indeferido. Nego a licença. Gravidez não é doença. Apanha-se por gosto."
Grana para as campanhas
Financiamento público de campanha, esse parece ser o consenso isolado dentro da Reforma Política.
Guerra na arena judiciária
Os nervos estão à flor da pele na esfera dos operadores do Direito. A OAB nacional faz mobilização, dia 21 de março, em defesa do CNJ, por entender que ele sofre esvaziamento por parte do STF. A campanha da OAB causa má impressão no Supremo. Alguns ministros manifestam intensa indignação contra a campanha. O presidente da Ordem, Ophir Cavalcanti, argumenta que o objetivo do movimento é o de contribuir com a transparência do Judiciário. O presidente da AMB, desembargador Nelson Calandra, contesta as críticas da OAB ao CNJ e recebe apoio de associações de magistrados dos Estados. Wadih Damous, presidente da OAB/RJ, defende a campanha da OAB, sob o argumento de que o país precisa ter um Judiciário mais próximo da sociedade. Os ânimos estão acirrados. Mas é preocupante ver operadores do Direito digladiando-se na arena.
Axioma positivo II
"Conserve seu objeto sempre em mente quando tiver que adaptar seu plano "à situação". Recorde que existe mais de um caminho para atingir seu objetivo, mas lembre-se de que qualquer objetivo a ser conquistado deve estar relacionado com seu objetivo".
Contaminação
Autoridade de Segurança Nuclear da França (ASN) informa que as explosões ocorridas na central japonesa de Fukushima Daiichi atingiram o nível seis de gravidade em uma escala internacional que vai até sete. O Japão, até o momento, classificou os acidentes em nível quatro. A tragédia japonesa, que poderá ainda mais se agravar com a contaminação nuclear, servirá de parâmetro para avaliação da energia nuclear. No Brasil, a meta é a de implantação da Usina Angra 3. Que deverá passar por nova lupa.
Crise mundial?
Há alguns formuladores que projetam a tragédia japonesa no cenário mundial, considerando que a máquina produtiva da terceira potência gerará impasses e dificuldades em cadeia, podendo chegar ao Brasil. A Sony já suspendeu a operação de 10 fábricas. A Toyota, maior montadora do mundo, também mandou parar atividades nas 12 unidades que tem no país. Como se sabe, autopeças, automóveis e material eletrônico predominam na pauta de vendas do Japão para o Brasil.
Axioma positivo III
Escolha a linha (ou curso de ação) de menor expectativa. Procure colocar-se no lugar do inimigo e verificar qual a linha de ação menos provável a ser prevista ou prevenida.
O futuro da previdência
O Ministério da Previdência faz seminário, hoje e amanhã, em Brasília para debater e avaliar o futuro da previdência. Conferencistas de calibres importantes serão convidados a discorrer sobre o tema. Este consultor coordenará o último painel, na quinta-feira, às 14h30, que será dedicado ao panorama da Previdência internacional.
Os amigos, os amigos
Antonio Balbino, governador da Bahia, ex-ministro, perguntou a Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco na ditadura Vargas, que receita ele dava para uma boa administração. No começo do governo preocupe-se com você mesmo: com as características de seu programa e as possibilidades de executá-lo. No meio do governo, preocupe-se com os inimigos: com o que eles dizem, para corrigir os erros. No fim do governo, preocupe-se com seus amigos: com o que eles quiserem, para que não levem você a sair do governo deixando uma má impressão.
Rossano ou Falco?
Não é verdade que o governo deu espaço aberto para Rossano Maranhão decidir quando poderá assumir a Secretaria de Aviação Civil. Se ele demorar mais, o segundo nome é o de Luiz Eduardo Falco, que já foi da TAM e hoje preside a Oi. Marcio Fortes, ex-ministro das Cidades, poderá ir para o Eximbank, banco de apoio às exportações.
Sem falta de Lula
O governo Dilma vai completar 100 dias. Pois bem, até o momento a ausência de Dilma, se foi percebida, não é objeto de lamentações. Lula cumpre sua agenda de conferencista, embolsando um bom dinheiro, mais que Fernando Henrique cobra por palestra e, claro, bem menos que Bill Clinton. Lula aproveita bem o estoque de carisma.
Onde estão os quadros?
Este consultor tem conversado bastante com importantes figuras da República. Gente respeitada e respeitável. E tem ouvido deles queixas do tipo: há falta de bons quadros técnicos nos partidos. Há políticos que precisam de escada para voltar a subir. Desses, o país está locupletado. Mas os quadros técnicos são raros. Procuram-se com lupa apurada.
Partido novo? Essa é velha
Um grupo de 181 pessoas, muitos executivos de empresas do Rio de Janeiro, quer criar o Partido Novo, que reuniria empresários. Dizem que Eike Batista estaria por trás do empreendimento. Não é crível. Eike gosta de coisas mais palatáveis. Partido de empresários, no Brasil, é uma velha piada.
Os bois e o eixo da roda
Uns bois puxavam um carro. Como o eixo da roda rangia, eles, voltando-se, assim falaram para ele: "Ó meu camarada, nós é que carregamos toda a carga, e tu é que chias?". Assim também certos indivíduos: enquanto os outros trabalham, eles se fingem de fatigados. (Fábulas de Esopo).
Conselho ao novo comando do DEM
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos organizadores da Copa. Hoje, volta sua atenção ao novo comando do DEM:
1. O DEM precisa renascer das cinzas. Para tanto, precisa voltar às ruas das pequenas e médias cidades do interiorzão do país e sair de lá para os grandes centros com uma baciada apreciável de votos.
2. Para ganhar a confiança do eleitorado das pequenas e médias cidades, o partido haverá de calçar as sandálias da humildade, arrumar um discurso crível e atrair novos grupamentos.
3. O DEM se diz fiel escudeiro do discurso liberal no país. Em que consiste esse discurso? Qual a proposta que tem para dimensionar o tamanho do Estado? O que deve ficar nas mãos do Estado e o que deve ser privatizado?
(Por Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 15 de março de 2011
OBSERVATÓRIO
Em 1972, o próspero comerciante e agropecuarista Francisco Gomes de Freitas era candidato favorito a Prefeito de Crateús. Dois anos antes havia concorrido para o mesmo cargo com José de Oliveira Camerino, que se sagrara vencedor. Quando Chico Gomes imaginava que a vitória, finalmente, iria lhe sorrir, eis que surge uma surpresa: um candidato novo aparece poucos dias antes da eleição e obtém do povo a autorização para sentar na cadeira prefeitural. Os opositores de Chico Gomes foram buscar o seu rival no Maranhão, na cidade do Brejo. Embrejado de votos, com quase 15% de sufrágios de maioria, Antonio Soares Lins saltou de um birô de gerente do Banco do Brasil no território maranhense para assumir o birô dos negócios públicos de sua terra natal.
NOME
Quem acompanha as eleições municipais em Crateús sabe que não são raras as vezes em que brotam, na arena da disputa, nomes inesperados, que se tornam competitivos e invariavelmente caem nas graças populares. Em 1988, Nenzé Bezerra e Marcelo Machado eram os únicos nomes que disputavam a indicação pelo PMDB. Na ultima hora, foram buscar José Almir na arquibancada do estádio municipal Jumelão para o centro do campo eleitoral, onde se sagrou vitorioso. Na edição passada desta Coluna registrei: Um nome inesperado, nunca dantes colocado sob cogitação, começa a ser gestado para liderar a cabeça de chapa às eleições do ano que vem. Trata-se de uma figura moralmente inatacável, integrante de um arvoredo familiar cujas raízes são visceralmente impregnadas de seiva política, detentora de uma luminosa folha de serviços prestados à causa pública e que pode construir um arco de apoio jamais visto na história de Crateús.
NOME II
Imediatamente após a circulação do jornal começaram as especulações. Alguns imaginavam tratar-se de Manoel Veras, Presidente do TCM. Quando acentuei que era um nome inesperado, nunca dantes colocado sob cogitação – é claro que afastava Veras, pois este tanto é um nome esperado como sempre tem sido cogitado. Manoel Veras brilha como Presidente do TCM e quer concluir com êxito o mandato. O nome pode ser de uma mulher, pois as mulheres hoje vivem uma fase de notoriedade social e ascensão política. No entanto, o mais importante é saber que há uma articulação na oposição visando a constituição de um palanque só. Candidatos existem.
NOME III
Um nome sempre recorrente é o de Paulo Nazareno, que é conhecido pela impetuosidade e pelo estilo trator. Para inserir Carlos Felipe na política de Crateús em 2004, Paulo atropelou seus companheiros de partido e moveu céus e terra. Antes de encerrar a campanha, a criatura voltou-se contra o criador e os dois romperam muito antes das urnas se abrirem. Em 2008, com o apoio dos ex-adversários de 2004, Felipe chegou ao comando da municipalidade. No íntimo, parece que Nazareno sonha com a desforra. E, por óbvio, Felipe sonha não ter Paulo como concorrente. Nesses sonhos imagina o ex-prefeito alcançado pela Lei da Ficha Limpa, ou seja, inelegível. No entanto, apesar de responder vários processos, a maioria agitada por vendeta política, Paulo se mantém elegível.
LEI ORGÂNICA
A Lei Maior do Município de Crateús contêm vários artigos que estão obsoletos, desatualizados. Na qualidade de operador do direito, ofereci meus préstimos ao Presidente da Câmara, Conegundes Soares, para coordenar a deflagração de um processo de revisão da nossa Carta de Princípios. Este trabalho será realizado, da nossa parte, sem qualquer ônus para a edilidade. Trata-se de uma dívida sentimental: há 21 anos, ocupamos a relatoria da nossa Lei Orgânica. Apraz-nos participar da sua atualização, tornando-a moderna, fortalecedora da participação popular e antenada com os desejos atuais da nossa gente.
SÃO CAMILO
Foi anunciada com muito estardalhaço a entrega do Hospital São Lucas para a Rede São Camilo. Por onde atua, o grupo São Camilo é elogiado. Sucede que costuma ser extremamente exigente com os parceiros. Exalta a qualidade técnica, abomina a politicagem. Busca total distanciamento das querelas locais. Rejeita, por exemplo, a absorção de concursados, o que termina se transformando em abacaxi para os municípios. A Prefeitura de Crateús topará comprar essa briga?
FERREIRINHA
O bloco Mandacaru homenageou o historiador Norberto Ferreira Filho, o Ferreirinha, ‘arquivo vivo da nossa história’. Ficamos felizes ao presenciar a realização de um merecido reconhecimento para alguém ainda presente entre nós. O desfile mobilizou pessoas que nunca tinham colocado os pés no corredor da folia momina. Inclusive este escriba fez parte da legião de neófitos que saudou o velho capitão. A trajetória de vida do Ferreirinha - as crônicas que escreveu, as histórias que registrou, as lutas que protagonizou – justifica todas as loas.
PARA REFLETIR
“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala.” (José Saramago)
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
NOME
Quem acompanha as eleições municipais em Crateús sabe que não são raras as vezes em que brotam, na arena da disputa, nomes inesperados, que se tornam competitivos e invariavelmente caem nas graças populares. Em 1988, Nenzé Bezerra e Marcelo Machado eram os únicos nomes que disputavam a indicação pelo PMDB. Na ultima hora, foram buscar José Almir na arquibancada do estádio municipal Jumelão para o centro do campo eleitoral, onde se sagrou vitorioso. Na edição passada desta Coluna registrei: Um nome inesperado, nunca dantes colocado sob cogitação, começa a ser gestado para liderar a cabeça de chapa às eleições do ano que vem. Trata-se de uma figura moralmente inatacável, integrante de um arvoredo familiar cujas raízes são visceralmente impregnadas de seiva política, detentora de uma luminosa folha de serviços prestados à causa pública e que pode construir um arco de apoio jamais visto na história de Crateús.
NOME II
Imediatamente após a circulação do jornal começaram as especulações. Alguns imaginavam tratar-se de Manoel Veras, Presidente do TCM. Quando acentuei que era um nome inesperado, nunca dantes colocado sob cogitação – é claro que afastava Veras, pois este tanto é um nome esperado como sempre tem sido cogitado. Manoel Veras brilha como Presidente do TCM e quer concluir com êxito o mandato. O nome pode ser de uma mulher, pois as mulheres hoje vivem uma fase de notoriedade social e ascensão política. No entanto, o mais importante é saber que há uma articulação na oposição visando a constituição de um palanque só. Candidatos existem.
NOME III
Um nome sempre recorrente é o de Paulo Nazareno, que é conhecido pela impetuosidade e pelo estilo trator. Para inserir Carlos Felipe na política de Crateús em 2004, Paulo atropelou seus companheiros de partido e moveu céus e terra. Antes de encerrar a campanha, a criatura voltou-se contra o criador e os dois romperam muito antes das urnas se abrirem. Em 2008, com o apoio dos ex-adversários de 2004, Felipe chegou ao comando da municipalidade. No íntimo, parece que Nazareno sonha com a desforra. E, por óbvio, Felipe sonha não ter Paulo como concorrente. Nesses sonhos imagina o ex-prefeito alcançado pela Lei da Ficha Limpa, ou seja, inelegível. No entanto, apesar de responder vários processos, a maioria agitada por vendeta política, Paulo se mantém elegível.
LEI ORGÂNICA
A Lei Maior do Município de Crateús contêm vários artigos que estão obsoletos, desatualizados. Na qualidade de operador do direito, ofereci meus préstimos ao Presidente da Câmara, Conegundes Soares, para coordenar a deflagração de um processo de revisão da nossa Carta de Princípios. Este trabalho será realizado, da nossa parte, sem qualquer ônus para a edilidade. Trata-se de uma dívida sentimental: há 21 anos, ocupamos a relatoria da nossa Lei Orgânica. Apraz-nos participar da sua atualização, tornando-a moderna, fortalecedora da participação popular e antenada com os desejos atuais da nossa gente.
SÃO CAMILO
Foi anunciada com muito estardalhaço a entrega do Hospital São Lucas para a Rede São Camilo. Por onde atua, o grupo São Camilo é elogiado. Sucede que costuma ser extremamente exigente com os parceiros. Exalta a qualidade técnica, abomina a politicagem. Busca total distanciamento das querelas locais. Rejeita, por exemplo, a absorção de concursados, o que termina se transformando em abacaxi para os municípios. A Prefeitura de Crateús topará comprar essa briga?
FERREIRINHA
O bloco Mandacaru homenageou o historiador Norberto Ferreira Filho, o Ferreirinha, ‘arquivo vivo da nossa história’. Ficamos felizes ao presenciar a realização de um merecido reconhecimento para alguém ainda presente entre nós. O desfile mobilizou pessoas que nunca tinham colocado os pés no corredor da folia momina. Inclusive este escriba fez parte da legião de neófitos que saudou o velho capitão. A trajetória de vida do Ferreirinha - as crônicas que escreveu, as histórias que registrou, as lutas que protagonizou – justifica todas as loas.
PARA REFLETIR
“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala.” (José Saramago)
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
OLHAI AS ÁRVORES DA CIDADE…
Existem notícias que nos deixam incomodados e às vezes penetram, como afiadas peixeiras, a melancia da nossa alma.
Há alguns dias a Professora Lindalva F. Carvalho e Machado lançou um libelo contra o assassinato de um majestoso flamboyant, com registro de 25 anos de idade, que enfeitava a Praça da Rodoviária de Crateús.
Ali está sendo construída uma pista de skate, esporte em ascensão no meio adolescente e juvenil. Sem objeções à realização da obra. Com todas as perorações a favor da preservação da árvore.
O brado da professora fez eco no mais recôndito de muita gente. Até porque essa prática ganha dínamos de reincidência freqüente e todos se quedam silentes. Há algum tempo golpearam árvore na Rua Frei Vidal, depois na Rua Firmino Rosa, em seguida na Rua Desembargador Olavo Frota, agora defronte à Rodoviária.
Essa escalada predatória precisa ser estancada. É óbvio que há um longo e paciente magistério de humanização, de combate ao embrutecimento, que necessita ser posto em prática. Sobremodo, é imperioso que o iniciemos.
Fomos orientados a olhar o mundo apenas como espaço onde homens e mulheres devem reinar. Crescemos rotulando de avançada a pessoa que cultua a democracia – o poder nas mãos do povo. Porém, há um estágio superior que precisa ser almejado: a biocracia – o poder nas mãos de todos os seres vivos. Ou seja, este planeta que habitamos não é propriedade exclusiva dos animais humanos, ditos racionais. É o lar sagrado de todos os outros seres vivos, da totalidade das espécies (inclusive animais ‘irracionais’, planetas e plantas). São Francisco, o mais ecológico dos homens canonizados, tinha essa compreensão de fraternidade cósmica muito clara. Poeta, glorificava o Deus da Natureza louvando “o irmão Sol, pela luz do dia; a irmã Lua e as irmãs Estrelas, claras irmãs silenciosas e luminosas, suspensas no ar; a irmã Nuvem, pela fina chuva que consola; o irmão Vento, que rebrama e rola; pela preciosa, bondosa água, irmã útil e bela, que brota humilde; pela maravilha que rebrilha no Lume, o irmão ardente, tão forte, que amanhece a noite escura, e tão amável, que alumia a gente (...)Louvado seja pelos seus amores, pela irmã madre Terra e seus primores, Árvores, frutos, ervas, pão e flores”.
Sei que são muitos os que consideram fora de propósito gastar tempo e tinta, papel e palavra com a defesa de um tema oriundo da e dessa Natureza. Entendo e respeito quem julga ser coisa sem importância cortar árvores. Eu também já pensei assim. Sucede que o mundo, assim como nós, evolui e deve evoluir.
As árvores, filhas primorosas da mãe Terra, exalam vida. Quem planta, cuida ou zela por uma árvore sabe que há um elo sentimental que une esses dois viventes seres. Pouca gente raciocinou que aquelas frondosas e centenárias árvores da Rua Desembargador Olavo Frota estavam umbilicalmente ligadas à história daquela via urbana e dos seus habitantes. Constituíam patrimônio público. Se fôssemos aspergidos com o óleo da sensibilidade e entendêssemos que as árvores, tal e qual cada um de nós, têm palpitação vital – certamente as olharíamos de outra maneira.
Felizmente, há registros de que é crescente o número de cidades que têm adotado métodos e medidas para preservação, manejo e expansão das árvores, de acordo com as demandas técnicas e as manifestações de interesse das comunidades locais, implementando o seu Plano Diretor de Arborização Urbana.
Eis uma ação digna de justo registro, destacada loa. Em Porto Alegre, por exemplo, foi feito um inventário das árvores da cidade. Lá existe mais de um milhão e trezentas mil árvores em vias públicas, cuja distribuição beneficia um número de pessoas ainda maior que o atingido pelos parques e praças.
Alguém já imaginou se soubéssemos quantos exemplares arbóreos habitam a nossa Urbe? Se existisse um inventário, uma ficha histórica de cada um, distinguindo as espécies nativas das exóticas, compondo um quadro real da diversidade desses organismos vivos?
A sabedoria dos nossos ancestrais, oralmente transmitida, reza que não há mal que não traga um bem. A maldade demolidora do formoso flamboyant que enfeitava a Praça da Rodoviária suscitou o correto clamor da Professora Lindalva. Que ele sacuda as estruturas da nossa insensibilidade. Que sirva de sirene nos ouvidos das autoridades. Que repique solene, como um permanente sino de catedral, na consciência de cada um: “Olhai as árvores da cidade...”
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 14 de março de 2011
ESTROFES NO DIA DA POESIA
Olá Júnior,
Hoje dia da poesia parabéns aos que gostam de juntar palavras, construir orações, enfim de fazer poesia.
Parabéns a você, Júnior, que carrega a poesia na alma e de quando em quando nos presenteia com uma postagem poética de sua autoria.
Obrigada por abrigar em seu espaço os apologistas da poesia que sempre contam com você.
Uma estrofe:
*
Amante da poesia
Se tu és eu sou também.
Fazendo versos viajo,
E consigo ir bem além.
Minha maior alegria
É fazer a poesia
Do jeito que me convém.
*
Meu abraço para você e para os que habitam o reino da poesia.
Carinhosamente,
Dalinha
**********************************
VATE
Aos poetas da ALC
O poeta é um abismo insondável
num voo insano e estéril ao nada
e a tudo, condensando quimeras.
O amplo olhar de lince perscruta
um enigma disperso e improferível,
iludido por um fulgor inalcançável.
Emaranhando razão num ilógico
apetecer, que nem é mais seu, e sim
das coisas vãs que se humanizam.
Seu clamor é um pronunciar ambíguo
de louvor, entoando um cântico à vida
mas lambendo os frios pés da morte.
E quando geme num insolente gozo,
é pois a primorosa evidência do verso
que fervilha em sanguínea esperança.
--
Raimundo Candido T Filho
www.raimundinho.hpg.com.br
Hoje dia da poesia parabéns aos que gostam de juntar palavras, construir orações, enfim de fazer poesia.
Parabéns a você, Júnior, que carrega a poesia na alma e de quando em quando nos presenteia com uma postagem poética de sua autoria.
Obrigada por abrigar em seu espaço os apologistas da poesia que sempre contam com você.
Uma estrofe:
*
Amante da poesia
Se tu és eu sou também.
Fazendo versos viajo,
E consigo ir bem além.
Minha maior alegria
É fazer a poesia
Do jeito que me convém.
*
Meu abraço para você e para os que habitam o reino da poesia.
Carinhosamente,
Dalinha
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VATE
Aos poetas da ALC
O poeta é um abismo insondável
num voo insano e estéril ao nada
e a tudo, condensando quimeras.
O amplo olhar de lince perscruta
um enigma disperso e improferível,
iludido por um fulgor inalcançável.
Emaranhando razão num ilógico
apetecer, que nem é mais seu, e sim
das coisas vãs que se humanizam.
Seu clamor é um pronunciar ambíguo
de louvor, entoando um cântico à vida
mas lambendo os frios pés da morte.
E quando geme num insolente gozo,
é pois a primorosa evidência do verso
que fervilha em sanguínea esperança.
--
Raimundo Candido T Filho
www.raimundinho.hpg.com.br
HOJE É O DIA NACIONAL DA POESIA!
FICHA LIMPA
Condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver R$ 12 mil recebidos do governo federal quando era secretário de Educação do município de Crateús, José Cavalcante Arnaud recorreu da decisão e provou que as acusações eram infundadas. Acaba de ser inocentado pela corte de contas, que comprovou a sua lisura no manuseio do dinheiro púbico. Um ficha limpa finalmente.
(Fonte: Coluna "DE BRASÍLIA" - Rangel Cavalcante - Diário do Nordeste 13.03.2011)
(Fonte: Coluna "DE BRASÍLIA" - Rangel Cavalcante - Diário do Nordeste 13.03.2011)
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