sexta-feira, 8 de abril de 2011

HOMEM INVADE ESCOLA E MATA 12 CRIANÇAS


Um homem, identificado como Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, e atirou em crianças e funcionários, matando pelo menos 12 crianças e ferindo outras 13, na manhã de ontem, quinta-feira (7/4). Quatro estão em estado grave. A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias no país.

Os números foram informados pelo secretário de saúde do estado, Sérgio Cortes. Entre os mortos contam-se nove alunas e um aluno da escola, com idade entre 12 e 14 anos e o próprio atirador. Depois de ser atingido nas pernas por policiais militares que participavam de uma blitz nas proximidades da escola, o homem se matou com um tiro. Ele não tinha antecedentes criminais.

Segundo informações das autoridades, o homem era ex-aluno da escola, pois tinha no bolso uma carteira da escola com sua identificação. Em uma carta deixada por ele, dizia ser portador do vírus HIV. Com frases sem sentido, ele fez também referências ao islamismo e ao terrorismo internacional. Junto ao seu corpo foram encontradas duas armas descarregadas.

O tiroteio causou pânico entre professores e alunos da escola. A professora Vanessa Duarte, orientadora do programa de jovens e adultos no turno da noite, disse que levou um susto com a notícia. "O sistema de segurança da escola é super-rigoroso, tem segurança, câmera nos corredores, sistema interno de TV. Todos precisam passar por três portões fechados. Estou até assustada, não sei como esse homem conseguiu entrar e depois sair."

Em entrevista coletiva, o governador do Rio, Sérgio Cabral, informou que o atirador entrou no colégio alegando que iria buscar seu histórico escolar. Em seguida, ele saiu e atirou contra as crianças. Um policial militar que dava apoio a uma fiscalização do departamento de trânsito próxima à escola, ouviu os disparos e conseguiu imobilizar o atirador com um tiro na perna. Em seguida, o homem atirou contra a própria cabeça.

Cabral destacou a ação do policial: "Quero agradecer ao herói, o terceiro sargento Alves do 14º BPM que estava participando de uma operação do Detro aqui perto. Dois meninos feridos abordaram as viaturas. Quando ele chegou à escola, o atirador já tinha acabado o massacre no primeiro andar, e estava no terceiro andar, quando se matou. Ele estava preparado para mais disparos, segundo a polícia militar".

Além de prestar solidariedade e apoio às famílias das vítimas, o governador prometeu abrir investigações para descobrir como o atirador "adquiriu experiência com armas e a origem de todo este episódio lamentável".

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse que a tragédia poderia ter sido maior se não fosse a ação dos policiais. Segundo ele, a Secretaria de Educação do município já fez contatos com as famílias das vítimas. Ele disse, também, que a escola não será fechada:"A escola não vai ser fechada. Ela tem a história de formação de muitos cariocas. Eles contam com a nossa solidariedade".

A presidente Dilma Rousseff disse estar chocada e consternada com a tragédia e acompanha o episódio com grande "preocupação", de acordo com informações do porta-voz da Presidência da República, Rodrigo Baena. Dilma conversou nesta manhã com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e com o prefeito, Eduardo Paes, para saber detalhes sobre o episódio e determinou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que tome as providências necessárias em relação ao episódio.

Três ministros já se mobilizaram para acompanhar os aocntecimentos. Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Educação, Fernando Haddad, vão coordenar pessoalmente as ações e as providências tomadas em relação ao crime. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, que cumpre agenda em Belo Horizonte, segue, na tarde desta quinta-feira (7/4), para o Rio de Janeiro.

Ao ser informado sobre a tragédia na escola municipal, Cardozo telefonou para o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital, Eduardo Paes. Na conversa, o ministro se colocou à disposição do governo estadual e da prefeitura. Em João Pessoa (PB), onde participa de uma solenidade, Cardozo pediu um minuto de silêncio em solidariedade às vítimas da tragédia no Rio.

Em nota, Fernando Haddad lamentou o ocorrido e disse que esse é um dia de luto para a educação brasileira. "Hoje é um dia de luto para a educação brasileira; uma tragédia sem precedentes", afirmou ao chegar a Porto Alegre, nesta manhã. O ministro informou que toda a rede federal carioca está à disposição da prefeitura do Rio e das famílias das vítimas. Haddad suspendeu as atividades que estavam marcadas para tarde desta quinta-feira em Porto Alegree decidiu voltar para Brasília — de onde coordenará as ações.

O presidente do Senado, José Sarney classificou o ato de terrorismo. "De certo modo, isso é um ato de terrorismo quando a gente procura atingir pessoas civis. Não é da nossa tradição atos dessa natureza. Precisamos parar de uma vez com isso para que isso não floresça", afirmou. Ressaltando que uma atitude dessa "choca profundamente" e gera uma insegurança nas crianças e nos pais, o presidente do Senado cobrou das autoridades maior presença da Polícia na segurança das escolas.

A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, que está em Washington, cancelou seus compromissos no exterior assim que soube do episódio e deve retornar hoje ao Brasil. Ela estava na capital norte-americana para uma palestra e para negociações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) visando à obtenção de recursos para melhoria das escolas públicas do município do Rio de Janeiro.

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) enviou nota à imprensa para manifestar solidariedade aos alunos, familiares, professores e funcionários da escola. "Nesse momento de dor, por ato de um insano, o IAB coloca-se à disposição das autoridades para, através do seu corpo de associados, colaborar no que for preciso."

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, manifestou "inteira solidariedade" às famílias e disse esperar que as autoridades "consigam elucidar as causas que levaram o criminoso a este ato monstruoso, sem paralelo em nossa história".

O presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), César Mattar Jr., também divulgou nota pública sobre o assassinato dos alunos. “Conamp torna pública a sua solidariedade e presta seus pêsames aos familiares e amigos das vítimas e espera que o caso, sem precedentes no País, seja elucidado pelas autoridades competentes”, disse ele.

Veja a nota divulgada pela Conamp:

"A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), diante da tragédia ocorrida na manhã de hoje no Rio de Janeiro, vem a público manifestar profundo pesar face ao assassinato dos alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo.

A Conamp torna pública a sua solidariedade e presta seus pêsames aos familiares e amigos das vítimas e espera que o caso, sem precedentes no País, seja elucidado pelas autoridades competentes, e que todas as providências cabíveis sejam tomadas para que novos episódios não ocorram.

A tragédia expõe a fragilidade do sistema de segurança pública em todo o País e aterroriza a população, que se sente ameaçada e desamparada pelo Estado.

César Mattar Jr.

Presidente da Conamp"


*As informações são da Agência Brasil e da Assessoria de Imprensa do governo do Estado do Rio de Janeiro.


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EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO

O país prostrou-se diante da notícia vinda do Rio de Janeiro: o jovem Wellington Menezes de Oliveira, ex-aluno da escola municipal Tasso da Silveira, no pacato bairro de classe média de Realengo (zona oeste do Rio), invadiu o estabelecimento e disparou seguidas vezes contra alunos. Foram dez meninas mortas e dois meninos. O criminoso também morreu.

Essa classe peculiar de massacre é inédita no Brasil, ao menos na quantidade de mortes dentro de uma escola e sem relação aparente com tráfico de drogas ou crimes passionais. Segue um padrão sinistro, originário dos Estados Unidos, onde se conta uma dezena de episódios similares nas duas últimas décadas -entre os mais célebres figuram o de Columbine, Colorado (1999), e o de Virginia Tech (2007).

O fenômeno não é exclusivamente americano, contudo. Alemanha, Canadá, China, Escócia e Finlândia, entre outros, já presenciaram tragédias como essas -para falar apenas de massacres ocorridos em locais de ensino.

As notícias correm o mundo. Em todos os países se acham jovens perturbados, que num dado momento -sempre imprevisível, por mais que se esmiúcem os eventos- abrem a bala o caminho para uma triste fama.

A busca por algum sentido no massacre de Realengo se repetirá, de novo sem muita chance de sucesso. Por solidariedade, sensação de impotência ou mero oportunismo, políticos e especialistas estarão entregues ao exercício de propor soluções atabalhoadas, como o endurecimento das leis ou a instalação de um regime policial nas escolas públicas.

Mesmo que se posicionassem policiais em cada colégio, não haveria garantia de que tais episódios seriam evitados. Escolas são locais públicos; no Brasil, onde os estabelecimentos da rede oficial são notoriamente problemáticos, seria até desejável que mais pais de alunos e ex-alunos -a comunidade, enfim- os frequentassem.
Transformar escolas em fortalezas não impede nem a violência urbana, cotidiana e convencional. O que dizer, então, de explosões irracionais como a do colégio Tasso da Silveira? A hora é de luto e compaixão, mais que rompantes.

Ao poder público compete empreender investigação minuciosa da matança, para iluminar o que for possível sobre Realengo. Por exemplo: como foram obtidas as armas usadas pelo atirador?

Não será surpresa constatar que, apesar de tantas campanhas de desarmamento, a facilidade de acesso às ferramentas da morte continua uma das falhas mais gritantes do trabalho policial no país.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DISCURSO DE AÉCIO NEVES NO SENADO: OPOSIÇÃO É PARA SE OPOR


Dois meses depois de sua posse, Aécio Neves (PSDB-MG) escalou a tribuna do Senado para pronunciar seu discurso inaugural.

Inaugurou mais do que o mandato de senador. Abriu a picada rumo a 2014. Cortou, por assim dizer, a fita de sua candidatura presidencial.

Aécio começou a falar por volta das 15h30. Discursou por 24 minutos. Mas só desceu da tribuna quase cinco horas depois, às 20h22.

No comando da sessão, José Sarney tentou dar início à “ordem do dia” nas pegadas do discurso de Aécio. Não conseguiu.

Senadores de diferentes partidos, os petistas à frente, rogaram pelo desrespeito ao regimento. Faziam questão de apartear o orador. Sarney aquiesceu.

Aécio monopolizou as atenções. Além de senadores, acorreram ao plenário algo como três dezenas de deputados e vários prefeitos mineiros.

Lá estava também um político sem mandato: o grão-tucano José Serra, inimigo cordial de Aécio na política interna do tucanato.

Presidenciável derrotado em 2002 e 2010, Serra testemunhou o soerguimento de uma barreira à sua pretensão de realizar nova tentativa em 2014.

Aécio obteve mais do que planejara. Até os governistas o festejaram como líder da oposição. Ficou entendido que a fila do PSDB andou.

O discurso de Aécio foi dividido em três partes. Numa, o passado. Noutra, o presente. No pedaço derradeiro, o futuro.

Dono de personalidade acomodatícia, Aécio reafirmou sua principal característica: “Homem do diálogo”.

Vai ao “enfrentamento” com disposição para encontrar “oportunidades de convergência”. No dizer o orador, “brigam as ideias e não os homens”.

Para vergastar o PT, Aécio criou uma fórmula. Enquadrou momentos históricos numa equação dicotônica: “Nós estávamos lá, nossos adversários não”.

Recordou que o PT deu às costas a Tancredo Neves, à governabilidade de Itamar Franco, ao Plano Real, à Lei de Responsabilidade Fiscal, as privatizações, o Proer...

“Sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT”, espinafrou.

Em contraposição ao bordão de Lula ‘Nunca Antes na Hitória Dessa País’ da Silva, Aécio disse: “O país não nasceu ontem”.

“O Brasil de hoje”, disse ele, “é resultado de uma vigorosa construção coletiva”. Algo que, segundo ele, a historiografia registrará:

“A independência dos historiadores considerará os governos Itamar, Fernando Henrique e Lula um só período da história do Brasil, de estabilidade com crescimento, sem rupturas”.

Depois de enaltecer os “méritos” de Itamar e FHC, reconheceu os “avanços” obtidos sob Lula. Citou dois:

1. “A manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores é, a meu ver, o primeiro e o mais importante mérito”.

2. “E é necessário reconhecer que o adensamento e ampliação das políticas sociais, foram fundamentais para que o Brasil avançasse mais”.

Ocupo-se, então, de Dilma Rousseff, o presente. Ligou-a a Lula: É “o início do 9º ano de um mesmo governo. Quase uma década”.

Nesse trecho, porém, realçou o que, a seu juízo, compõe a herança negativa da gestão anterior.

“O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política –apoiada por farta e difusa propaganda oficial— não se confirma na realidade”, disse.

Empilhou os desajustes: “desarranjo fiscal”, “grave risco de desindustrialização”, “farra da gastança descontrolada”...

...”Crônica e grave doença da inflação”, as deficiências de infraestrutura e a “carga tributária atingiu 35% do PIB”.

No trecho final do discurso, Aécio listou “idéias” que, segundo disse, submeterá ao exame do Senado.

Citou, por exemplo: “redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins das empresas de saneamento”...

“...Transferência gradual dos recursos e da gestão das rodovias federais para a competência dos Estados”.

...Distribuição de “70% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e do Fundo Penitenciário” para os Estados...

...”Revisão da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa”, desoneração de mocroempresas, exportadores e da folha salarial...

Nos apartes, senadores do PT contraditaram Aécio. Os mais eloqüentes foram Gleise Hoffmann (PR), Humberto Costa e Lindberg Farias (RJ). Porém...

Porém, mesmo os petistas enalteceram o estilo de Aécio, lhano e propositivo. Estabeleceu-se uma atmosfera de quase ovação.

Último senador a ocupar o microfone de apartes, Jayme Campos (DEM-MT) disse que verá “Aécio subir a rampa do Palácio do Planalto”.

Aécio riu. José Serra decerto torceria o nariz. Mas já não estava em plenário. Batera em retirada bem antes. Como que antevendo a longevidade da sessão, absteve-se.

(Josias de Souza)

O DISCURSO NA ÍNTEGRA

“Senhor Presidente, senhoras e senhores senadores,

Ocupo hoje a tribuna do Senado Federal para examinar de forma mais profunda a conjuntura e os grandes desafios do país, nesse meu reencontro com o Parlamento Nacional. Chego a essa Casa, por delegação dos mineiros. Retomo aqui o trabalho que, por 16 anos desenvolvi no Legislativo, onde tive a honra de receber importantes missões, entre elas a de presidir a Câmara dos Deputados.

Trago desse período lembranças de vigorosas iniciativas pela valorização do Parlamento. Destaco, entre elas, a limitação das medidas provisórias e a aprovação do “Pacote Ético”, que acabou com a imunidade parlamentar para crimes comuns, criou o Conselho de Ética e institucionalizou o princípio da legislação participativa. É com a mesma convicção democrática, com o mesmo respeito ao Congresso e com a mesma disposição para o trabalho e o diálogo que chego a essa Casa.

Os que ainda não me conhecem bem e esperam encontrar em mim ataques pessoais no exercício da oposição vão se decepcionar. Não confundo agressividade com firmeza. Não confundo adversário com inimigo. Os que ainda não me conhecem bem e acham que vão encontrar em mim tolerância diante dos erros praticados pelo governo, também vão se decepcionar. Não confundo o direito à defesa e ao contraditório, com complacência ou compadrio.

Estarei onde sempre estive, como homem do diálogo que não foge às suas responsabilidades e convicções; não teme o enfrentamento do debate nem as oportunidades de convergência em torno dos interesses do Brasil. Farei a política que sempre fiz, aquela que entende que, neste campo, brigam as idéias e não os homens. Saúdo inicialmente essa Casa através dos grandes brasileiros que por aqui passaram e também através de todos os parlamentares que, hoje, aqui honram a delegação que receberam, respeitando a sagrada autonomia do Parlamento. Parlamentares que reconhecem ter apenas um senhor: o povo brasileiro. E apenas uma senhora: a sua própria consciência.

Senhores senadores e senhoras senadoras, a memória e o conhecimento da própria história são patrimônios preciosos de uma nação. Mais do que isso, formam a matéria-prima essencial e insubstituível à construção do futuro. A consciência do que fomos e do que somos é que nos permite, todos os dias, moldar os contornos do que seremos, ou do que poderíamos vir a ser.

O Brasil de hoje é resultado de uma vigorosa construção coletiva que, desde os primeiros sopros da nacionalidade, vem ganhando dimensão, substância e densidade. Ao contrário do que alguns nos querem fazer crer, o país não nasceu ontem. Ele é fruto dos erros e acertos de várias gerações de brasileiros, de diferentes governos e líderes, e também de diversas circunstâncias históricas e econômicas. Juntos, nós, brasileiros, percorremos os caminhos que nos trouxeram até aqui. Mas é importante e justo que nos lembremos, sempre, que não chegamos até aqui percorrendo os mesmos caminhos.

Não podemos nos esquecer das grandes diferenças que marcam a visão de país das forças políticas presentes na vida nacional nas ultimas décadas. Porque, por mais que queiram, os partidos não se definem pelo discurso que fazem, nem pelas causas que dizem defender. Um partido se define pelas ações que pratica. Pela forma como responde aos desafios da realidade.

Em 1985, quando o Brasil se via diante da oportunidade histórica de sepultar o autoritarismo e reingressar no mundo democrático, nós estávamos ao lado do povo brasileiro e do presidente Tancredo Neves. Os nossos adversários não. Permanecemos ao lado do Presidente José Sarney, naqueles primeiros e difíceis anos de consolidação da nova ordem democrática. Os nossos adversários não.

Mais à frente, em um momento especialmente delicado da nossa história, quando foi preciso convergir para apoiar a governabilidade e o presidente Itamar Franco, nós estávamos lá. Os nossos adversários não. Recusaram, mais uma vez, a convocação da história. Para enfrentar a grave desorganização da vida econômica do país e a hiperinflação que penalizava de forma especial os mais pobres, o governo Itamar criou o Plano Real. Neste momento, o Brasil precisou de nós e nós estávamos lá. Os nossos adversários não.

Sob a liderança do presidente Fernando Henrique aprovamos a Lei de Responsabilidade Fiscal para proteger o País dos desmandos dos maus administradores. Nossos adversários votaram contra. E chegaram ao extremo de ir à Justiça contra essa saneadora medida, importante marco da moralidade administrativa do Brasil. Para suportar as crises econômicas internacionais e salvaguardar o sistema financeiro nacional, estruturamos o Proer, sob as incompreensões e o ataque cerrado dos nossos adversários. Os mesmos que o utilizaram para ultrapassar o inferno da crise de 2009 e que o apresentam, agora, como exemplo de boa governança para o mundo.

Estruturamos os primeiros programas federais de transferência de renda da nossa história. A partir de sucessos locais, como o do prefeito Grama, em Campinas, e do governador Marconi Perillo, em Goiás, criamos o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás. Que, depois, serviram de base para, ampliados e concentrados, se transformarem no emblemático Bolsa Família. Quando os fundamos nossos adversários também não estavam lá. E, ironicamente, nos criticaram por estarmos criando políticas assistencialistas de perpetuação da dependência e não de superação da pobreza.

As mudanças estruturais do governo Fernando Henrique, entre elas as privatizações, definiram a nova face contemporânea do País. A democratização do acesso à telefonia celular talvez seja o melhor exemplo do acerto das medidas corajosamente tomadas. Porque disso é feito um bom governo: de decisões e não apenas de circunstâncias.

Senhoras e Senhores, faço essas rápidas considerações apenas para confirmar o que continuamos a ver hoje: sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT. Por isso, não é estranho a nós que setores do partido tentem, agora, convencer a todos de que os seus interesses são, na verdade, os interesses da nação. Nem sempre são. Não é interesse do país, por exemplo, a subordinação das agências reguladoras ao governo central, gestadas que foram para terem independência técnica e, pelo país, atuarem livres de pressões políticas. Não é interesse do país que o Poder Federal patrocine o grave aparelhamento e o inchaço do Estado brasileiro, como nunca antes se viu na nossa história. Da mesma forma, não posso crer que seja interesse do país que o governismo avance sobre empresas privadas, com o objetivo de atrelá-las às suas conveniências. Como se faz, agora, sem nenhum constrangimento, com a maior empresa privada do Brasil, a Vale, criando perigoso precedente.

Senhoras e senhores, não sou, como todos sabem, daqueles cegos pela paixão política, que não se permite enxergar méritos no adversário. Reconheço avanços no governo Lula. A manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores é, a meu ver, o primeiro e o mais importante mérito da administração petista. E é necessário reconhecer que o adensamento e ampliação das políticas sociais, foram fundamentais para que o Brasil avançasse mais.

Acredito que, mais adiante, por mais que isso desagrade a alguns, a independência dos historiadores considerará os governos Itamar, Fernando Henrique e Lula um só período da história do Brasil, de estabilidade com crescimento, sem rupturas. Meus amigos, não ocupo essa tribuna para fazer uma análise dos primeiros meses do governo da Presidente Dilma Rousseff.

O processo de governança instalado à frente do país - com suas falhas, equívocos, mas também virtudes –, não conta apenas alguns dias. Pontua-se, de forma concreta, o início do 9º ano de um mesmo governo. Quase uma década. Ainda que seja nítido e louvável o esforço da nova presidente em impor personalidade própria ao seu governo, tem prevalecido a lógica dominante em todo esse período e suas heranças.

Não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos. O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política — apoiada por farta e difusa propaganda oficial — não se confirma na realidade. E nós vivemos no Brasil real. Por isso, senhoras e senhores, cessadas as paixões da disputa eleitoral, o Brasil precisa, neste momento, de um choque de realidade.

Um choque de realidade que nos permita compreender corretamente a situação do país hoje, e, essencial, que nos permita também compreendê-la dentro do mundo que nos cerca. Escondido sob o biombo eleitoral montado, o desarranjo fiscal, tantas vezes por nós denunciado, exige agora um ajuste de grande monta que penalizará investimentos anunciados com pompa e circunstância.

E não é bom para um partido inaugurar uma nova fase de governo sob a égide do não cumprimento de compromissos assumidos com a população. É consenso que o país convive com o grave risco de desindustrialização de importantes setores da nossa economia. A participação de produtos manufaturados na nossa pauta exportadora, que era de 61%, em 2000, recuou para 40%, em 2010. Vemos, infelizmente, renascer, da farra da gastança descontrolada dos últimos anos, e em especial do ano eleitoral, a crônica e grave doença da inflação. E não há razão para otimismo quando comparamos a nossa situação com a de outros países.

Estudo feito a partir do relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial mostra que, comparado a outros 20 países com os quais concorre, o Brasil ficou apenas na 17ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura. Empatamos com a Colômbia. No item qualidade da infraestrutura portuária o Brasil teve o pior desempenho. Fomos os lanternas do grupo. A qualidade das estradas brasileiras, por onde trafega mais da metade das cargas no país, supera apenas a da Rússia. Ficamos na penúltima colocação. E, enquanto isso, em 2010, a nossa carga tributária atingiu 35% do PIB.

Impressiona também saber que, apesar de todos os avanços que, reconheço, existiram nos últimos anos, a carga tributária das famílias com renda mensal de até dois salários mínimos passou, segundo o IPEA, de 48,8%, em 2004, para 53,9% da renda em 2008. E, lamentavelmente, repete-se agora o que se viu nos últimos anos: não há espaço e dedicação real à discussão do essencial. As reformas constitucionais continuam à espera de decisão política para que sejam debatidas e aprovadas. Senhoras e senhores, a população brasileira nos delegou a honrosa tarefa de exercer oposição ao atual governo. Repito o que disse recentemente o governador Alckmin: “Ser oposição é tão patriótico quanto ser governo”.

Aproveito este momento para fazer a minha homenagem aos companheiros do PSDB, do DEM e do PPS, pela coragem e coerência com que têm honrado no Parlamento a delegação recebida das urnas. Hoje, cerca de metade da população vive em estados governados pela oposição. No plano nacional tivemos a confiança de cerca de 44 milhões de brasileiros que caminharam ao nosso lado e optaram pela experiência e competência de José Serra para liderar o país.

Esses números, por si só, demonstram a dimensão política e a responsabilidade das oposições no país. Acredito, no entanto, que o tamanho da oposição será equivalente à nossa capacidade de interpretarmos e defendermos os valores e expectativas da nossa gente. Como oposição, é nosso dever atuar com firmeza e lealdade em três diferentes e complementares frentes. Uma, que define a nossa postura perante o governo. Outra, que nos remete ao nosso compromisso inalienável com o resgate da Federação. E a terceira frente, a que nos permitirá uma aproximação ainda maior com os brasileiros.

Em relação ao governo, temos como obrigações básicas: fiscalizar com rigor; apontar o descumprimento de compromissos assumidos com a população; denunciar desvios, erros e omissões; e cobrar ações que sejam realmente importantes para o país. O segundo eixo de atuação que defendo é o compromisso de resgatarmos o princípio da Federação no Brasil. Aqui, peço licença para fazer uma manifestação de apreço aos prefeitos municipais de todas regiões, que vêm travando, há anos, inglória luta para sensibilizar o governo federal, o Parlamento e a opinião pública acerca da difícil realidade das administrações locais.

Hoje, suportamos uma das mais graves concentrações de impostos, recursos e poder de decisão na esfera da União de toda a nossa história. Esta é uma realidade que avança dia após dia e compromete o equilíbrio federativo. Meus amigos, como terceiro eixo de ação, acredito que a nossa aproximação ainda maior com os vários setores da vida nacional vai ocorrer a partir da coragem que tivermos para assumirmos e partilharmos as indagações e indignações do nosso tempo. Assumirmos e partilharmos os sonhos e utopias da nossa geração.

Nesse sentido, peço licença para trazer aos senhores trechos daquele que considero o mais importante documento político produzido nos últimos tempos no País. Trata-se do Manifesto em Defesa da Democracia, que tem entre seus signatários, brasileiros da dimensão de Hélio Bicudo e Dom Paulo Evaristo Arns. Manifesto que não pertence a um partido, mas ao Brasil e aos brasileiros.

Diz o manifesto em alguns trechos: “É um insulto à Republica que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo (como denuncia todos os dias o senador Itamar Franco)… O poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder não lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis… É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político… Esse documento, ao meu ver, reflete a alma e o coração de tantos de nós e, ao fazer isso, nos traz a dimensão maior da política.”

Senhoras e senhores, precisamos romper a inércia.

A ausência de iniciativas concretas do governo em torno das grandes reformas não pode ser justificativa para deixarmos de fazer o que pode ser feito hoje. E o que é nosso dever fazer hoje. Ouso apresentar algumas primeiras idÉias para serem examinadas por esta Casa. Começo por aquela que, defendida inicialmente pelo nosso candidato José Serra, foi acolhida e transformada em compromisso pela presidente Dilma Roussef, na campanha presidencial, e que, por isso, pode significar uma inédita convergência em torno de um dos nossos mais legítimos interesses nacionais. Refiro-me à redução de tributos cobrados em setores estratégicos da nossa economia, no caso a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins das empresas de saneamento. Podemos somar forças e apoiar iniciativas como a do ilustre Senador Dornelles, que defende proposta semelhante para capitalizar as empresas de água e esgoto e fomentar novos investimentos em saneamento em todas as regiões.

É também compromisso assumido pela Presidente - e bandeira defendida pela oposição- a extensão da mesma iniciativa à área de energia. Podemos construir um consenso mínimo entre as várias propostas que tramitam na Câmara e no Senado, que buscam reduzir os mais de uma dezena de tributos federais cobrados na conta de luz dos brasileiros.

Se o governo federal seguisse o exemplo do governo de Minas e de outros estados que concedem isenção total de ICMS às famílias de baixo consumo, as contas de luz dessas famílias poderiam chegar a ser 20% mais baratas! Por outro lado, não há, senhoras e senhores, justificativa para que permaneçamos passíveis diante das reconhecidas dificuldades de execução orçamentária em áreas fundamentais ao país.

Segundo o Contas Abertas, por razões as mais diversas, nos últimos oito anos o Ministério dos Transportes, não executou parte expressiva do orçamento que dispunha para investir. Para enfrentar esse e outros problemas trago uma proposta que, sei, parecerá, para muitos, ousada: estarei propondo a transferência gradual dos recursos e da gestão das rodovias federais para a competência dos estados.

Isso poderia ser iniciado imediatamente com a transferência de parclea mais expressiva da CIDE para os estados e municípios. Meus amigos, do ponto de vista dos interesses da Federação, proponho ainda que 70% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e do Fundo Penitenciário, tantas vezes contingenciados, sejam distribuídos mensalmente, de forma republicana, proporcionalmente à população de cada estado. Sabemos, todos, que a Federação brasileira vive um processo de esfacelamento. O mal é conhecido.

Do ponto de vista tributário, vivemos grave injustiça federativa. Nesse sentido, proponho adotarmos mecanismos que protejam a participação na receita dos estados, especialmente das regiões mais pobres, e das prefeituras, sobretudo as do interior e de pequeno porte. Estou encaminhando iniciativa capaz de recompor gradualmente o tamanho da fatia que o FPE e o FPM tinham no bolo tributário federal, impedindo que as isenções tributárias dadas pelo governo Federal continuem a alcançar a parcela dos estados e municípios, que já foi, de 27% em 2002 e, hoje, é de apenas 19,4%. No campo da geração de empregos, defendo a revisão da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, criando o Simples Trabalhista, universalizando o direito de opção pelo Simples Nacional e estendendo os benefícios do Empreendedor Individual para as micro e pequenas empresas.

No meu entendimento, decisões como essas atendem muito mais às justas demandas do setor do que a criação de mais cargos públicos e de novas estruturas burocráticas. Precisamos, insisto, buscar a equação que nos permita progressivamente desonerar as microempresas, mas também as exportações, os investimentos, a produção e a folha salarial.

Senhoras e senhores, reafirmo meu compromisso com outros grandes desafios do país. Não faltará a mim e, estou certo, a outros membros da oposição, disposição para discutir com o governo, medidas efetivas e corajosas que nos permitam superar os sempre prioritários desafios da qualidade da educação e da saúde publica no Brasil.

Assim, como estaremos presentes na defesa de medidas que permitam que a questão ambiental possa alcançar um novo patamar e permear todas as áreas de ação do poder publico. Senhoras e Senhores, acredito que devemos organizar o exercício da oposição em torno de três valores.

São eles: coragem, responsabilidade e ética. Coragem, para resistir à tentação da demagogia e do oportunismo. Responsabilidade, não podemos cobrar do governo responsabilidade se não a tivermos para oferecer ao país. E Ética, não só a ética que move as denúncias.Não só a ética que cobra a transparência e a verdade. Mas uma ética mais ampla, íntima, capaz de orientar nossas posições, ações e compromissos, todos os dias.

Acredito, senhoras e senhores senadores, que estamos vencendo um ciclo. Hoje, o Brasil não acredita mais no discurso que tenta apontar uma falsa contradição entre responsabilidade administrativa e conquistas sociais. Em 2002, quando criamos a expressão “choque de gestão” — e fomos criticados por nossos adversários — tínhamos como objetivo afirmar que não pode haver avanço social permanente, sem responsabilidade administrativa.

Os emblemáticos avanços de Minas Gerais comprovam a tese. Hoje, para o bem do Brasil, podemos visitar, país afora, uma densa agenda de gestão pública, empreendida por uma nova geração de líderes e gestores brasileiros, de diferentes partidos, que nos apontam caminhos para a transformação que nos exige a população. Há muito a ser feito.

Nos apresentamos hoje, sem batalhas próprias, prontos para iniciar um denso debate sobre os grandes desafios que nos esperam. É nosso dever contribuir para que a travessia iniciada - e empreendida por muitas mãos - avance na direção do pleno desenvolvimento.

Esta é a grande tarefa inconclusa. E se há um erro que juntos não podemos cometer é nos perdermos na grandiloquência do discurso oficial, como se tivéssemos alcançado o nosso ponto de chegada. Não alcançamos. Estamos longe dele, apenas no inicio da jornada. Há grandes desafios a serem enfrentados e vencidos, que não pertencem apenas ao governo. Ou às oposições. Mas ao país inteiro.

E,aqui, não posso deixar de lembrar Minas, a história de Minas e as lições que nos legaram os homens e mulheres de Minas. Elas nos dizem que cada geração tem o seu compromisso com a história. Elas nos dizem que a pátria é honrosa tarefa diária, coletiva e compartilhada. Não a realizaremos sob o signo do confronto irracional, nem tampouco da complacência.

A oposição que defendo não é a de uma coligação de partidos contra o Estado ou o país, mas a da lucidez da razão republicana contra os erros e omissões do poder público. Convoca-nos, neste momento, a responsabilidade para fazer o que precisa ser feito. Ou o faremos ou continuaremos colecionando sonhos irrealizados. Não temos, senhoras e senhores, esse direito. Precisamos estar, todos, à altura dos sonhos de cada um dos brasileiros.

Nós, da oposição, estaremos.

(Aécio Neves)

UM CRIATIVO COMERCIAL!

CONJUNTURA NACIONAL

Udenista? Fogo nele

Comício em Entre Folhas, à época, distrito de Caratinga/MG. A política fervia. Os grupos iam aos palanques, armados até aos dentes. Zé Augusto, candidato, para onde vai, leva a tiracolo seu famoso violino, a pequena metralhadora, cuja capa lembra o instrumento de Paganini. Fazia parte da comitiva do candidato um famoso padre da região, o monsenhor Aristides Marques da Rocha, que militava no PSD e exercia grande influência sobre as massas. Só andava armado. Revólver em um bolso e as balas embrulhadas num lenço, bem amarradas, no outro. O monsenhor Rocha tinha a batina cheia de pequenos rasgos, feitos por devotos que arrancavam pedaços para fazer bentinhos. Um adversário de Zé Augusto, ao ver o monsenhor armado, toma coragem e tenta desconcertado:

- Uai, monsenhor, o senhor não vive dizendo que homem só morre quando Deus chama?

- É isto mesmo, meu filho, mas hoje eu estou armado porque posso encontrar algum udenista que Deus está chamando com urgência e, aí, eu presto um serviço ao Criador, matando o filho da puta.

O comício de Zé Augusto transcorreu em calma.

Historinha de Zé Abelha.

Abril vermelho ou no vermelho
O MST volta à cena com seu tradicional "abril vermelho". Exige que o governo Dilma assente 100 mil famílias este ano. Mas o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra sofre o efeito "rotinite". Todos os anos, em abril, promove invasões de fazenda com muito espalhafato. E fica por isso mesmo. Recebe uma bolada do governo, por meio de outras entidades - eis que o MST não tem personalidade jurídica - e recolhe suas bandeiras, quando se sente amaciado. Ademais, os programas sociais do governo, desde Lula, contribuíram para harmonizar as populações mais carentes. Por isso, o MST atravessa uma temporada "no vermelho", ou seja, com pouca gente em suas fileiras.

Precaução

Na Bahia, o Exército bloqueou marcha do MST na região da Chesf. Reunia 400 pessoas que poderiam invadir a usina hidrelétrica.

Dilma discreta

A presidente Dilma foi ao teatro para ver uma peça - na verdade, um monólogo - sobre a loucura. Entrou discreta, foi muito aplaudida ao ser vista, e saiu também discretamente. Sem alardes e alaridos. A presidente tem sabido preservar a liturgia do poder. Diferente de Lula, que se cercava de gente barulhenta e apreciava as luzes midiáticas.

Bolsonaro, boquirroto

O deputado Bolsonaro faz um estilo. Bota a boca no trombone e cai no repertório da discriminação. Ao dizer que não educa filhos para que estes tenham relações amorosas com negros, o parlamentar comete, evidentemente, discriminação. Sua verve contra as minorias sexuais - gays, lésbicas, etc. - tem o nítido propósito de carrear votos e simpatia junto a setores conservadores e retrógrados da sociedade. Mas se ele quer falar, deixem o sujeito morrer pela boca. O que ele deseja, mesmo, é aparecer. E com as críticas e indignação que provoca, mais midiático se torna. A linha que separa a opinião pessoal da expressão parlamentar é muito tênue.

Palavra de fazendeiro

O ministro Mário Henrique Simonsen foi a Campo Grande discutir os problemas econômicos e financeiros de Mato Grosso do Sul. O fazendeiro Fernando Junqueira Franco pediu a palavra:

- Senhor ministro, depois que juro virou correção monetária, fazendeiro passou a ser empresário rural e roçar pasto chama-se investimento, nosso negócio acabou tornando-se uma merda.

Mais uma historinha da coleção do Nery.

Mensalão sobre a mesa

O mensalão volta a ser menu da semana. Desta feita, foi a revista Época que trouxe todo o roteiro do caso, mostrando, inclusive, conexão com a presidência da República, na época de Lula. Seu segurança, Freud Godoy, teria recebido R$ 98,5 mil por serviços prestados a Lula na campanha presidencial de 2002. O pacote mensaleiro tem como relator o ministro Joaquim Barbosa. Que já ouviu uma batelada de pessoas. Se os novos fatos forem agregados ao processo, os implicados terão mais uma oportunidade para ser ouvidos. Nesse caso, o mensalão furaria o tempo em direção ao infinito. Por isso, o ministro Barbosa abriu um novo inquérito. Para preservar o cronograma do antigo. O STF deverá dar a palavra final até agosto, quando prescreve o crime de formação de quadrilha contra os 38 acusados no processo. Será o fim da tormenta ou o recomeço do calvário para algumas pessoas.

Beija-mão

Agnelo Alves, conta Sebastião Nery, era prefeito de Natal. Criou uma guarda para a Prefeitura: recrutas da PM, vindos do interior. Ensinaram aos rapazes que para gente mais importante a saudação era apresentação de armas e para gente menos importante só continência. Apareceu um homem alto, cabelos avermelhados, calças curtas, medalhas no peito, alamares, para visitar o prefeito. Os guardas ficaram embasbacados. Fazer o quê? Apresentar armas? Continência? O chefe do grupo resolveu o problema: beijou a mão do estranho homem. Era o comandante internacional dos Escoteiros.

Primeiros candidatos

PT tem os seguintes nomes para a prefeitura de SP em 2012: Aloizio Mercadante, Marta Suplicy, Fernando Haddad, Alexandre Padilha. PSB dispõe de Gabriel Chalita, mas este sinaliza querer entrar no PMDB. Paulo Skaf diz que só se interessa por política empresarial, eis que é candidato à reeleição na FIESP. Mas tem um olho gordo na prefeitura. No PSDB, podem ser candidatos o próprio José Serra, Aloysio Nunes Ferreira e José Aníbal, entre outros.

Inflação

As autoridades monetárias se defrontam com o desafio: domar a inflação e atingir a meta de 6,5% de crescimento. A inflação tende a subir e o crescimento a cair. Mantega e Tombini estão sob pressão.

Incentivo à informalidade

Decisão do STF de isentar União, Estados e prefeituras da responsabilidade pela inadimplência de empresas prestadoras de serviços tem deixado o empresariado de cabelo em pé. Tal situação tem incentivado a participação de empresas inidôneas em licitações, principalmente as de segurança privada. O critério exclusivo do menor preço permite que elas abocanhem os contratos públicos, sem ofertarem serviço de qualidade, deixando seus custos na "conta do Abreu". Já as que cumprem seus compromissos estão perdendo terreno e torcendo para uma mudança na lei das licitações.

Índio quer apito

Indio da Costa, que foi candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, em 2010, não aguentou o tranco dos Maia, do Rio de Janeiro, e anuncia sua saída em direção ao PSD do prefeito Kassab. Quer apitar por conta própria, sem ficar sob a regência de Cesar Maia. Indio é um bom perfil e poderá ser o candidato do PSD à prefeitura do Rio de Janeiro em 2012. Tem boas chances, eis que expressa uma identidade comprometida com os valores da modernidade política.

Nem sei por onde começar

Foi no século passado. O desembargador Deoclides Mourão, tio do poeta Gerardo Mello Mourão, fez acordo com Urbano Santos para governador. Eleito, Urbano não cumpriu nada. Deoclides Mourão mandou-lhe uma carta:

- Senhor governador, diz o povo que o homem se pega pela palavra, o boi pelo chifre e a vaca pelo rabo. Supondo não ter V.Exa. nenhum desses acessórios, não sei por onde começar.

O empresário Lula

Luiz Inácio Lula da Silva criou uma empresa que tem suas iniciais: LILS. Pois bem, ela tem como foco palestras e eventos. Lula, empresário, correrá por aqui e por acolá para fazer suas conhecidas perorações. Lula dirá o que todos já conhecem. E cobra caro: R$ 200 mil por palestra. Ele tem todo o direito de usar sua verve para sobreviver. Ele fez uma palestra, ontem, nos EUA e vai ao México fazer outra. Agora, há um aspecto que precisa ser entendido: avisou o ex-presidente que começará, em breve, um tour em portas de fábricas no ABC paulista para fazer comícios. O que Lula dirá nesses palanques abertos às 5h da manhã? Defenderá o governo Dilma? Cobrará medidas? Se ficar na defesa, sua audiência poderá cair no sono. Pois, comício em porta de fábrica tem, sempre, um caráter reivindicatório. Este consultor está curioso para saber como o empresário Luiz Inácio administrará as atitudes do sindicalista Lula.

Meirelles, salvação?

Henrique Meirelles tem o cargo de autoridade olímpica, mas as funções ainda não passaram pelo crivo congressual. O cronograma de obras para a Copa de 2014 está atrasado. Orlando Silva garante que está em dia. Mas não está. Meirelles é considerado, a essa altura, a tábua de salvação. Vai ter de botar o cronograma em dia.

Ícone socialista

Depois de algumas prospecções, esta coluna recebeu a sugestão de selecionar os mais extravagantes perfis da cena institucional. E o primeiro a inaugurar a série é o presidente da FIESP, Paulo Skaf. Pois bem, a coluna escolhe como ícone anti-socialista do Brasil ele mesmo, o Socialista do PSB, Paulo Skaf.

O DEM quer lugar de Afif

Guilherme Afif pode estar com os dias contados na Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo. O DEM reivindica seu lugar. Mas o governador Geraldo Alckmin parece relutar. Ficaria mal o vice perder o cargo. Já o deputado Rodrigo Garcia deve ser o dirigente do DEM em São Paulo.

Vale, objeto de desejo

A Vale ganhará um novo presidente: Murilo Ferreira, que já exerceu cargos importantes na mineradora, incluindo a direção da subsidiária da empresa no Canadá. Até aí, tudo bem. A questão é saber as razões da demissão de Roger Agnelli. Que vinha enchendo a empresa de recursos. Pois foi isso mesmo que atiçou a ambição. Lembre-se que Lula sempre jogou lenha sobre a fogueira de Agnelli, cobrando dele participação da empresa na produção siderúrgica do país. Mas a mineradora, ao que parece, fechou os ouvidos a Lula, optando por permanecer apenas na área da matéria-prima. Quem comanda a Vale é um grupo formado por Previ (a maior acionista, com 49% do capital), Bradesco (21,21%), a trading japonesa Mitsui (18,24%) e BNDESpar (11,51%). Portanto, 60,5% das ações estão na esfera de influência do governo.

Obama quer voltar

Barack Obama cumpre o ritual com mais antecedência. Falta um bom tempo para o pleito de final de 2012, mas Obama já lançou sua candidatura à reeleição. Usou a internet. Sabe que a mídia eletrônica dá o tom midiático no momento. Quer construir uma gigantesca teia de apoios. E, claro, arrecadar meio bilhão de dólares. O presidente americano aproveita o momento em que seu nome voltou a ser prestigiado. Venceria, hoje, qualquer dos opositores republicanos.

Surrealismo

Surrealismo puro. É o que se pode dizer da cena em que mulher, dentro de um cemitério, em Ferraz Vasconcelos, na grande São Paulo, flagra policiais atirando - e matando - em uma pessoa. A testemunha liga para a Polícia que grava o telefonema. Está, agora, sob proteção da Corregedoria da PM. Esse é o Brasil.

Todo cuidado é pouco

Receio ferir o brio de uns e a sensibilidade de outros. Vejam minhas razões. A onda que cerca o território do "politicamente correto" está inundando as consciências. O problema é que a onda começa a provocar pânico. Muitos deixam de cantar "o teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor", temendo represálias. Lamartine Babo está fulo da vida. Imaginem, então, "nega do cabelo duro, que não gosta de pentear". Luiz Caldas poderá ser encanado. E a "cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é". João Roberto Kelly deve ser silenciado porque sugeriu: "parece que é transviado". E o cravo que brigou com a rosa não pode mais ser cantada. Pois o cravo - o homem - e a rosa - a mulher, com essa briga, estimulam violência nas crianças. Não se pode, ademais, atirar o pau no gato, pois a música e a letra sugerem à meninada impulsos bestiais. Dizer que isso e aquilo "é coisa de veado" nem imaginar. Chamar alguém de crioulo também está proibido. Afrodescendente, e olhe lá. Aleijadinho? Aquele famoso escultor mineiro, célebre pelo barroco mineiro? Não pode ser chamado assim. Mas um artista com necessidades especiais. E você, leitor de mais 60 anos, abra um sorriso: não entrou na velhice. Vive "a melhor idade".

88ª colocação

Daniel A. Pinheiro Astone me manda esse lembrete: "Sobre a nota do alerta do Blatter a respeito do atraso nas obras, cabe a observação feita no Twitter do senador Cristovam Buarque. Nós fazemos alarde por estarmos em segundo lugar na comparação com a África do Sul para a construção da infraestrutura da Copa, mas silenciamos quando se trata de estar na 88ª pior colocação do mundo quando o assunto é educação..."

Hotel zero Km?

O deputado do Rio Grande do Norte desceu no aeroporto Santos Dumont,no Rio, pegou um táxi:

- Hotel Zero Quilômetro.

- Zero Quilômetro? Não tem esse hotel, não.

- Tem, sim. Em frente ao Hotel Ambassador.

- Ah, Hotel OK. Senador Dantas, não é?

- Não, senhor, Deputado Antônio Bilu, de Natal.

Conselho às autoridades da área energética

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Hoje, volta sua atenção às autoridades da esfera energética:

1. A tragédia japonesa sugere um profundo redimensionamento da questão energética do país, a partir do reestudo das usinas nucleares, em particular a Angra 3.

2. As licenças ambientais precisam incorporar novas ideias, conceitos e escopos de segurança, tendo como parâmetro os vazamentos que ainda ocorrem nas usinas nucleares japonesas.

3. O Brasil possui a maior bacia hidrográfica e um dos maiores potenciais hidrelétricos do mundo. Seria oportuno rever a questão energética brasileira, contemplando-se os recursos naturais do país.


(Por Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 5 de abril de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL


Estaria o BC certo? (I)

Muito se comenta sobre a possibilidade de um aumento da inflação sem que haja, do lado do governo, reação efetiva para conter este processo. Um governo nunca deve ceder aos interesses do tal do "mercado" quando estes não atendem aos interesses públicos. Veja-se, a título de ilustração, a negligência generalizada dos BCs ao redor do mundo relativamente à especulação com títulos oriundos do setor imobiliário durante mais de 15 anos até a eclosão da crise de 2008. Com boa fé, alguém poderia perguntar, no caso atual do Brasil, se o BC não estaria certo em não aumentar os juros apenas para atender ao tal do mercado? Afinal, os juros básicos no Brasil são muito elevados. Para que mais?

Estaria o BC certo? (II)

Para responder a nota acima, é preciso analisar todo o contexto, o qual pode ser resumido em algumas perguntas capitais: (i) temos um regime fiscal sustentável a longo prazo?; (ii) as medidas "macroprudenciais" em relação ao crédito (contenção) e ao ingresso de capitais externos (taxação e controles) estão funcionando para conter o avanço dos preços?; (iii) há de fato uma inflação de demanda que facilita o "espalhamento" dos preços pela economia como um todo?; (iv) o BC é considerado confiável pelos agentes? Nas questões anteriores, não há nenhuma premissa de hierarquia. Vamos às nossas sucintas respostas: (i) não há um regime fiscal sustentável no Brasil a longo prazo por duas razões básicas: a primeira é que a expansão das despesas do setor público tem sido elevada e rápida e o ritmo dos investimentos (poupança) é capenga; (ii) ainda é cedo para se afirmar se a contenção do crédito vai ser suficiente para afetar a demanda, mas a queda do dólar evidencia que, apesar das medidas implementadas para conter a entrada de moeda estrangeira, somente mais medidas de controle de capitais evitará a expansão do crédito doméstico; (iii) a demanda persiste forte o que facilita a expansão da inflação por toda a economia. Se o real cair (dólar para cima), este processo será ainda mais acentuado; (iv) não se trata de afirmar "que falta credibilidade ao BC". A questão vai além: foi o próprio governo que estimulou os agentes a pensarem que a política monetária passou a ser decidida na Fazenda e não mais no BC. A imagem de Alexandre Tombini foi "construída" como sendo mais "palatável" à área econômica do governo. Logo, o mercado resolve "testar" a independência operacional do BC.

Concluindo (III)

Se o governo quiser recuperar credibilidade, terá de ser mais enérgico: seja para aumentar os juros básicos e não deixar dúvidas de que não permitirá o aumento da inflação e/ou terá de apertar bem mais o crédito, inclusive com medidas de controle da entrada de dólares. Há quem já tenha perdido os cabelos ao analisar esta questão... Apenas para lembrar... A aplicação da austeridade fiscal continua em xeque: nos três primeiros meses do ano, os gastos do governo Federal com custeio e juros foi R$ 13 bi maiores do que o mesmo período do ano passado enquanto os investimentos foram menores em R$ 300 mi, segundo o portal Contas Abertas; as pressões políticas, do Congresso, dos prefeitos e até dos governadores para afrouxar a "conciliação" está num nível tal que já levou até a própria presidente Dilma a prometer rever a anulação dos restos a pagar de 2007, 2008 e 2009. O consolo é que a arrecadação de impostos está em alta.

Uma reforma sem consenso

O Congresso continua prometendo que agora fará a sempre encantada reforma tributária, embora até agora não tenha dado nenhum passo em direção nenhuma. Dilma Rousseff, bem consciente das dificuldades de mexer em tal ninho de abelhas, fala em reforma fatiada - ou pontual. Coisas como redução da contribuição social das empresas, providência para acabar com a guerra fiscal entre os Estados nos portos... A Fiesp acaba de apresentar um sugestão de correções na cobrança do ICMS que pode facilitar muito a vida das empresas. É um conjunto de idéias positivas. Mas segundo lembra o professor da EAESP da FGV em São Paulo e advogado especialista em tributos, Fernando Zilveti, antes será necessário aparar arestas políticas e os interesses legítimos que tarefa de tal magnitude envolvem. Um exemplo das dificuldades está na recente decisão de 18 Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste de passarem a dividir a cobrança do ICMS nas compras feitas pela internet. A cobrança atualmente é feita toda ela pelos governos estaduais onde se localizam as empresas vendedoras. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerias não assinaram o convênio. E podem recorrer à Justiça.

No ritmo de Maria Fumaça

A licitação do trem bala descarrilou mais uma vez. Como está não está "atraente" para os interessados, mesmo com as concessões via BNDES, entrada de estatais e dos onipresentes fundos de pensão. O governo parou para pensar em novas atrações para os possíveis concorrentes, novas concessões. Devia se mirar no caso Bertin. O grupo foi "incentivado" a entrar no setor hidrelétrico. Não teve até agora de Brasília socorro para substituir o "socorrido".

Mensalão: a fantasia e o real

A divulgação pela revista "Época" do inquérito da PF sobre o mensalão Federal (ou do PT), confirmando a existência do grande negócio político-eleitoral do primeiro mandato do presidente Lula, derruba algumas fantasias em circulação - a de que o tal não existiu, a de que foram apenas recursos "não contabilizados" de campanha - e a tentativa de reabilitação de alguns dos réus do processo. A defesa dos acusados ficou mais difícil e mais e mais valerão as manobras protelatórias. Em um caso elas podem ser bem sucedidas: em agosto, a acusação de formação de quadrilha prescreve, se o STF não apressar o julgamento das ações. Será um duro golpe para a imagem do Supremo se de fato ocorrer a prescrição. Pode-se até entender que os mensaleiros fiquem livre das acusações, porque os ministros os consideraram inocentes, etc. Mas se eles ficarem livres porque a Justiça foi lenta é inimaginável, inadmissível. Em tempo: a atuação no processo do mensalão será o grande teste de "qualidade" dos dois mais recentes ministros da Corte Suprema: José Antonio Tofolli e Luiz Fux.

Relações estremecidas

Não convidem para a mesma mesa de conciliação alguns setores do Judiciário e o Legislativo. Há queixas quase insanáveis. O Judiciário considera insuportável a demora do Congresso de definir os aumentos salariais do setor. Os juízes Federais prometem até uma greve no fim do mês. Deputados e senadores consideram insuportável a "interferência" da Justiça, principalmente a eleitoral, em assuntos que eles consideram de sua exclusiva competência. Há até movimentos, muito bem apadrinhados, para conter a ação do Judiciário. A questão da fidelidade partidária ainda não foi ruminada totalmente.

Relações delicadas

É maior do que se admite a insatisfação do PMDB com o tratamento recebido pelo partido da presidente Dilma. Diz-se: é tudo para o PT. O vice-presidente Michel Temer recebe atenção, pompa e circunstância, mas sua influência, a não ser em questões jurídicas, é relativa. As "adoradas" e esperadas nomeações só saem a fórceps. Vê-se em manobras como o nascimento do PSD uma tentativa de enfraquecer o partido de Sarney e cia. na aliança governista. Até a turma peemedebista do Senado, sempre mais atendida, está infeliz. Contabiliza-se até a falta de atenção aos ministros da legenda. Segundo levantamento de "O Globo", dos seis ministros que ainda não foram recebidos uma única vez pela presidente, quatro são do PMDB. Entre eles o ministro de uma pasta estratégica - Wagner Rossi, da Agricultura.

Relações delicadíssimas

Os tucanos armaram seu primeiro divã sábado em Minas Gerais para buscar seus novos rumos, numa reunião que contou com seus oito vistosos governadores. E decidiu não decidir nada: estuda a formação de um conselho superior, provavelmente a ser comandado pelo ex-presidente FHC, para encontrar um rumo para a legenda. No vai da valsa que o PSDB costuma dançar é de se perguntar se terão algum sentido até as eleições de 2012 - ou até de 2014. Enquanto a "comunidade" não se decide, as figuras mais emplumadas vão se definindo. Aécio Neves surpreendeu com um contundente discurso de crítica do governo Dilma, depois de ter passado toda a campanha eleitoral e os primeiros 100 dias da presidente bem ao seu estilo "mineiro". E José Serra, como não quer nada, vai criando possíveis rotas de fuga. O PSD de seu fiel parceiro Gilberto Kassab vai nascendo para a irritação tucana, menos a dele. Seu vice na disputa com Dilma já foi para a nova legenda. Até Dilma, segundo indiscretas revelações de uma conversa reservada dela com o presidente de Portugal Cavaco Silva, sente falta de uma oposição, para deixá-la menos vulnerável ao apetite de insaciáveis parceiros. Só a oposição, parece, não sentir falta de uma oposição no país.

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A coluna Política & Economia NA REAL é assinada por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LEI HERMÉTICA

QUERO DAR-TE COMO PRESENTE UM DOS TESOUROS MAIS PRECIOSOS QUE JAMAIS TENHAS RECEBIDO…

MAS, PARA ISSO, PRECISO QUE ABRAS TEU CORAÇÃO!!

SE O FIZEREs, VERÁS COMO TUA VIDA INUNDAR-SE-Á DE DITA E PROSPERIDADE.

QUERO TE CONTAR QUE HÁ MILHARES DE ANOS ATRÁS, EXISTIU UM GRANDE HOMEM CUJA IMENSA SABEDORIA TRANSCENDEU FRONTEIRAS E COM ELA VENCEU AO MESMO TEMPO.

ESSE HOMEM CHAMAVA-SE HERMES TRIMEGISTOS

E especialmente no Egito e na Grécia, foi considerado um autêntico Deus, por entregar à humanidade um maravilhoso ensinamento pelo qual só podiam acessar os “Adeptos Qualificados”.

Nenhum conhecimento oculto tem sido tão zelosamente guardado como os fragmentos de seus ensinamentos.

SEU PRIMEIRO PRINCÍPIO NOS DIZ:

“O TUDO é Mente; o universo é mental”.

“O universo é uma criação mental mantida pela mente do TUDO.”

Esta Lei tem sido conhecida e usada pelos homens mais ilustres através da história.

“Não saberia dizer o que é esse poder, tudo o que sei é que existe” Graham Bell

“Tu crias teu próprio universo durante a caminhada” Winston Churchill

“Tudo o que somos é o resultado de nossos pensamentos” Buda

Esta Lei tem sido conhecida e usada pelos homens mais ilustres através da história.

“A imaginação é tudo, é uma visão antecipada das atrações da vida que virão” Einstein

“Dá teu primeiro passo com fé, não é preciso que vejas a escada inteira, dá somente teu primeiro passo com fé”. Martin Luther King

Esta Lei tem sido conhecida e usada pelos homens mais ilustres através da história.

“O exterior é o reflexo do interior ” Emmanuel Kant

“Podemos considerar os pensamentos como a manifestação prânica mais elevada.”

“Prana é o mais elevado, que dá forma e matéria ao universo; é, pois, energía absoluta é em geral toda a força em estado primitivo.”

Arnold Krumm-Heller V. M. Huiracocha

Esta Lei tem sido conhecida e usada pelos homens mais ilustres através da história.

“Nã há nada como a Imaginação para criar o futuro. O que hoje é utopia, será carne e sangue amanhã” Víctor Hugo

“Todo problema é uma forma mental que a mente mantém.”

“Os problemas deixam de existir quando os esquecemos”

“Todo problema foi criado pela mente e existe enquanto a mente o mantenha.”

V. M. Samael Aun Weor

Esta Lei tem sido conhecida e usada pelos homens mais ilustres através da história.

“Se tu estás VERDADEIRAMENTE comprometido com tua meta… O Universo inteiro conspira a teu favor para que apareçam os instrumentos e pessoas, que te permitirão lográ-lo.” Goethe

“Por tuas palavras serás condenado, e por tuas palavras serás justificado.” Jesús de Nazaré

“As coisas em última instância, estão constituídas por conceitos” Platão

Todos nós podemos trabalhar com um Poder Infinito. Todos nos guiamos exatamente pelas mesmas leis. As leis naturais do Universo são leis exatas.

E EXISTE UMA FÓRMULA EXATA PARA LOGRAR SORTE E PROSPERIDADE EM TUA VIDA.

Onde quer que nos encontramos, todos estamos trabalhando com as mesmas leis. E a primeira lei Hermética nos ensina uma chave Maravilhosa!

QUE É E COMO FUNCIONA?

- Tudo o que vem para nossa vida, TU E SOMENTE TU, o estás atraindo.

- Atraís para tua vida aquilo que pensas ou imaginas.

- Seja o que for que penses ou que tenhas em tua mente e faças uma imagem … O ESTÁS ATRAINDO PARA TI! DE FORMA INCONSCIENTE E CONSCIENTE ESTÁS ATRAINDO.

A atração inconsciente acontece quando dejamos que nossos pensamentos funcionem mecanicamente. A atração consciente ocorre quando manipulamos voluntariamente nossos pensamentos. Tudo o que pensas, seja bom ou máu, o estás atraindo na tua vida. Cada pensamento feliz, alegre, atrairás para a tua vida o positivo no que estás pensando: Se pensas em bem-estar, terás bem-estar. Cada pensamento de preocupação atrairás mais isso na tua vida: Se pensas em dúvidas…. mais dúvidas terás.

EXISTE UMA FÓRMULA MUITO SIMPLES

Pensamentos + Sentimentos = Atração

Pólo (+) + Pólo (–) = Criação (+/-)

AS EMOÇÕES TE GUIARÃO

A chave para controlar teus pensamentos está em simplesmente observar as emoções que desencadeiam teus pensamentos. As emoções podem ser divididas em duas grandes categorias:

Emoções Positivas Todas aquelas que te façam sentir bem

Emoções Negativas Todas aquelas que te façam sentir mal

GERA EMOÇÕES POSITIVAS ¡TODOS OS DIAS! SINTA-SE FELIZ ¡TODOS OS DIAS!

AGORA TE PERGUNTO… QUE É O QUE TENS ATRAÍDO PARA TUA VIDA? Uma vez que TU aceites que TU és o fabricante de TUA própria realidade, verás que tens a energía para mudar essa realidade por qualquer coisa que TU desejes.

O QUE DESEJAS ATRAIR? PROSPERIDADE? SAÚDE? BEM-ESTAR? FELICIDADE? ALGO MATERIAL?

COMEÇA AGORA A MUDAR TEU MUNDO, USA AS LEIS DO UNIVERSO PARA ATRIR SORTE E PROSPERIDADE PARA TUA VIDA.

1.-DEFINE COM EXATIDÃO O QUE QUERES ATRAIR.

2.- FAZ UMA IMAGEM MENTAL DAQUILO QUE DESEJAS ATRAIR, ISTO É, VISUALISA O QUE QUERES.

3.-ESCOLHE UMA HORA DO DIA PARA PASSAR DE 5 A 15 MINUTOS SEGUIDOS, SEM FAZER NADA MAIS DO QUE VISUALISAR NITIDAMENTE TEU OBJETIVO. PÕE EMOÇÕES NA TUA MISTURA E AGRADECE O PODER DA GRATIDÃO

Crie o hábito de agradecer. Escreve uma lista de todas aquelas coisas pelas quais podes agradecer. Agradece todos os dias. Verás que em apenas alguns dias tua lista começa a crescer. Perceberás uma mudança de atitude em ti.

E NESSA MUDANÇA DE ATITUDE, VERÁS COMO A SORTE E A PROSPERIDADE ENCONTRARÃO SEU CAMINHO PARA TI. LEMBRA DE TE DESFAZER DOS VELHOS HÁBITOS.

Põe atenção nos teus objetivos, concentre-se na direção para onde queres ir e não permitas que aquelas coisas que detestas, façam ninho na tua mente e em teu coração. Porque quanto mais penses nelas, mais se manifestarão na tua vida. Esqueça das fofocas, a crítica mordaz, as injúrias, as mentiras e as calúnias. Porque quem as profere, já estará vivendo um calvário. E agora estará te convidando para ingressar à seu próprio inferno.

Pratica o PERDÃO, porque ao fazê-lo, evitas que tua mente e teu coração se contaminem de ódio e rancor.

PERDOANDO TE PERDOAS… E ASSIM TE LIBERTAS DOS EFEITOS IMUNDOS DO EGO. UMA ÚLTIMA E IMPORTANTE RECOMENDAÇÃO

“Aqueles que ensinam à humanidade a fazer uso de determinadas forças sem incentivar à elevar-se a um nível moral mais alto, obram sem consciência. Assemelham-se a pais irreflexivos que permitem às crianças inconscientes brincar com fogo. Este não os ilumina, só os queima reduzindo-os a cinzas.”

“A energia mental é dádiva de Deus e só deve ser utilizada para bons propósitos e com boas intenções. É justo que o pobre melhore sua situação econômica, mas não é justo utilizar a força mental para prejudicar a outras pessoas.”

Arnold Krumm-Heller Huiracocha

AGORA COMPREENDEREMOS MELHOR PORQUE O HOMEM MAIS EXALTADO, JESÚS DE NAZARÉ, DISSE:

“PELOS SEUS FRUTOS VOCÊS COLHERÃO”

QUE ESTE PRESENTE FIQUE TAMBÉM EM TUAS MÃOS. RECEBA-O!… ESTOU TE OBSEQUIANDO COM TODO MEU CORAÇÃO.

PAZ IRREVERENCIAL!!! PAZ DENTRO DE NOSSOS CORAÇÕES



(Fonte: casinhaazul.com.br)

domingo, 3 de abril de 2011

FADO TROPICAL NA VOZ DE FAFÁ DE BELÉM

Esta é uma das minhas músicas prediletas. Fazia parte da peça Calabar, nos idos de 1973, e foi censurada naquele período em que a liberdade chorou e o direito vivia escondido sob as grades do terror. Lançando mão de uma paráfrase crítica, Chico Buarque construiu um discurso enviesado para driblar a ditadura: calcado no ufanismo reinante, cantou o sonho da pátria livre e poderosa.






Composição : Chico Buarque/ Ruy Guerra

Oh, musa do meu fado,
Oh, minha mãe gentil,
Te deixo consternado
No primeiro abril,

Mas não sê tão ingrata!
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

Com avencas na caatinga,
Alecrins no canavial,
Licores na moringa:
Um vinho tropical.
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!

"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa".

Guitarras e sanfonas,
Jasmins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!

sábado, 2 de abril de 2011

DIDEUS SALES, POETA PLANETÁRIO, FELIZ ANIVERSÁRIO!!!


No pórtico de entrada, um pelotão de Carnaúbas - palmeiras do semi-árido - anuncia o ingresso no território mágico da latência imorredoura. Na vereda que percorro esparrama-se o perfume original do mufumbo. Chego à sertaneja casa que amo. Mesclada de alvenaria e pau-a-pique, cercada por aquele tradicional entrelaçamento de madeiras locais. Quando, mesmo distante, para ela volvo o pensamento, sinto-me transportado para um espaço de deleite e aconchegante convívio. Na entrada toco a sagrada romã, símbolo do amor e da fecundidade. Miro o ornamental flamboyant e sua magnética ressurreição. Colho uma polpuda siriguela e sorvo o seu doce mel. Em seguida corro a vista na vigorosa canafístula e sento à sombra do juazeiro, estandarte da caatinga.

Pronto! Agora posso prosear sobre o que destaco, pelo reluzir natural, na coluna deste mês. Só aqui, em meio às oiticicas da infância, ao estrume azul do velho curral, às ribanceiras do rio em que nasci, recolho a espontânea força para falar de um ser tão efusivamente terrestre como Antonio Dideus Pereira Sales. Provedor da Revista Gente de Ação, alma reluzente, celebra o nascimento nesse início de abril. Ariano, figurado carneiro, é o primeiro do elemento fogo. Tempera-se na coragem, curte o bom combate, esmera-se na força da iniciativa, completa-se na busca da auto-afirmação. Do campo singular em que vagueia este signo a espontaneidade nas reações brota como uma flor natural.

Por isso é poeta!

E este poeta é co-responsável pelo meu ingresso no reino da alegria. No ano 2000, quando restaurava um habitat no torrão em que nasci, ele me fez uma doação valiosa e vital: um carro cheio de mudas – mamão, pitanga, coco, acerola, limão, alfavaca, laranja etc. - a fim de que eu circundasse com plantas minha gleba predileta.

Nascido nos sertões de Crateús, Dideus Sales veio a este ambiente chamado terra para cumprir a sina invulgar de divulgar a boa nova da poesia e esbanjar generosidade. Desde cedo virou apóstolo do sonho, missionário do verso, lavrador de amizades, cidadão do mundo. Nos anos 1980 destacou-se ao desenhar, na atmosfera do interland cearense, um arco-íris de estrofes formosas e delicadas. Usava as nuvens sonoras do rádio para derramar os fios celestes da genuína, silenciosa, cativante e muitas vezes anônima poesia popular. Depois, ganhou asas e voou o Brasil inteiro. Conhece versejadores da foz do enigmático Amazonas ao Porto Alegre do Rio Grande do Sul. É, por natureza, andarilho. Caminha por sobre o trilho da rima com brilho.

Cantando, se encantou com as graças de Isabel, uma bela morena do litoral. A Bel e um sedutor vento arrastaram o trovador para as ondas do mar de Aracati, onde se instalou e procriou o Mateus e a Vitória. Daquela terra suntuosa e exuberante comanda a linotipia da Gente de Ação, esta revista que divulga quem faz alguma coisa pela arrumação do mundo e que exibe um balaio dos melhores fiadores de palavras do Ceará.

Eis, minha gente, um típico e robusto animal do sertão, com uma das mais altas taxas de colesterol telúrico que conheço. Um canário da terra, um autêntico “cabeça vermelha”.

Sua primeira oferenda neste 2011 é um livro denso e delicado, elevado e elegante, singelo e solene, suave e sonoro, altivo e altruísta, primoroso e profundo: JITIRANA DE LUZ. A obra é um encontro com o nosso manancial telúrico, uma visita às Serras da grandeza, um diálogo com as damas da Natureza, um carinho na musculatura do Sertão, uma sinfonia de exaltação à Justiça, um passeio pelos córregos do rejuvenescimento.

Na vida, como na literatura, nos defrontamos com dois modos de ser: o da prosa e o da poesia. Ao gosto da flora que amamos, Dideus optou por viver em permanente estado de poesia. É ele a JITIRANA DE LUZ!

(Júnior Bonfim)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A MAJESTOSA IPU

O tempo passa, é Certo,

Porém a lembrança fica

Dos velhos passeios no Ipu

Regados a banho de bica.

Comendo paçoca na lata

No meio daquela mata,

De natureza tão rica.

*

Meus pés trilharam com gosto,

As pedras daquele chão,

Nos inesquecíveis banhos

Aonde escorria o Gangão.

Onde fluíam os amores,

Ímpetos, desejos, ardores,

Nas primícias da paixão.

*

Ipu das santas festas,

Das novenas, procissão,

Do santo mártir Guerreiro,

Que do Ipu é guardião.

Em todo mês de janeiro

Dou vivas ao padroeiro,

Que é São Sebastião.

*

Ipu hoje está diferente,

Sem perder a majestade.

A natureza foi pródiga

Ao criar esta cidade,

Onde o verde faz festa

E sempre se manifesta

Em várias tonalidades.

*

Se a bica não cai como antes,

Porém o lajedo encanta.

A água bate na pedra,

Forte ou fraca, mas canta!

E para minha alegria

Ressoa feito sinfonia

A música que acalanta.

*



Texto de Dalinha Catunda

DIA DA MENTIRA

"A mentira apenas é um vício quando faz mal; é uma grande virtude quando faz bem."

Voltaire

MINISTRO CELSO DE MELLO DEVOLVE RECURSO SOBRE FICHA LIMPA AO TSE

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, devolveu ao Tribunal Superior Eleitoral o Recurso Extraordinário em que Roberto Barros Júnior, candidato a deputado estadual no Acre, pretendia rever o indeferimento do registro de sua candidatura. A decisão, monocrática, segue orientação do STF firmada no julgamento do último 23 de fevereiro, em repercussão geral.

Barrado pela Justiça Eleitoral do Acre, Barros Júnior teve o indeferimento de registro mantido pelo TSE. Ele foi condenado, por órgão judicial colegiado, por crime contra o patrimônio privado. Para a rejeição foi empregado o argumento, agora derrubado, de que a Lei da Ficha Limpa seria aplicável às eleições de 2010.

Ao determinar o retorno do processo ao TSE, o ministro Celso de Mello lembrou que o artigo 16 da Constituição Federal prevê o princípio da anterioridade eleitoral, "verdadeira garantia fundamental protegida por cláusula pétrea e oponível ao próprio poder reformador do Congresso Nacional".

Também devolveu ao TSE três recursos sobre o mesmo tema a ministra do STF Ellen Gracie. Os processo dizem respeito às candidaturas de José Luiz Nogueira de Souza, candidato a deputado estadual no Amapá, Francisco Flamarion Portela, candidato a deputado estadual em Roraima, e Uebe Rezeck, candidato a deputado estadual em São Paulo, todos considerados inelegíveis pela aplicação da Lei Complementar 135/2010.

"Nos casos de matérias submetidas ao Plenário para a análise da existência de repercussão geral, é possível, nos termos do artigo 328 do Regimento Interno da corte, a devolução dos recursos extraordinários e dos agravos de instrumento aos tribunais ou Turmas Recursais de origem para os fins previstos no artigo 543-B do CPC", afirmou a ministra.

A repercussão geral é um instrumento que permite ao STF selecionar e julgar os recursos extraordinários e agravos de instrumento que tratem de temas com relevância social, econômica, política ou jurídica que ultrapassem os interesses subjetivos da causa.

Com informações da Assessoria de Comunicação do STF.

quarta-feira, 30 de março de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Mata-o-bicho


Começo com o monsenhor Aristides Rocha, mineirinho astuto, que fazia política no velho PSD e odiava udenistas. Ainda jovem, monsenhor foi celebrar missa em uma paróquia onde o sacristão apreciava uma boa aguardente. Um dia, o sacristão, seguindo o ritual, sobe o degrau do altar com a pequena bandeja e as garrafinhas de vinho e água, e não vê uma pequena barata circulando entre as peças do altar. Monsenhor interrompe o seu latim e, de olho na bandeja, diz baixinho ao sacristão:

- Mata-o-bicho...

O sacristão não entende a ordem. Atônito, fica olhando para o jovem padre, que repete a ordem, agora com mais energia:

- Mata-o-bicho, sô!

Ordem dada, ordem executada. O sacristão não se faz de rogado. Diante dos fieis que lotam a capela, ele pega a garrafinha e, num gole só, sorve todo o vinho da santa missa. No interior de Minas, Matar-o-bicho é dar uma boa bebericada.

Do livro de Zé Abelha, A Mineirice.


Puxão de orelhas


Joseph Blatter, o poderoso presidente da FIFA, faz o alerta: o Brasil está com seu cronograma de obras da Copa de 2014 bastante atrasado. O puxão de orelhas foi mais forte : mais atrasado do que a África do Sul, quando este país organizava sua Copa. O rebote veio logo da parte do ministro do Esporte, Orlando Silva, para quem as obras seguem ritmo normal. Mas Blatter tem razão: estamos mesmo atrasados. Não adianta querer convidar o presidente da FIFA para vir aqui e ver obras em estágio inicial. Relações Públicas não adiantam nesse momento. Urge mais ação e menos discurso.


Lula, doutor em Coimbra


Lula recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Direito de Coimbra, uma das mais antigas do mundo. A homenagem é prestada a figuras de relevância mundial, mesmo que não sejam especialistas na matéria em foco das instituições. Por conseguinte ganha a homenagem pelo trabalho, liderança e carisma. Em matéria de Direito, Luiz Inácio continua sendo mero observador.

"A inveja é como o vento: açoita mais o que está no alto". Virgílio


Dilma, boa surpresa


A cada dia, a presidente Dilma gera uma nova e boa surpresa. O último voto do Brasil sobre o Irã causou boa impressão nos grandes interlocutores internacionais, a partir dos Estados Unidos. O Brasil votou a favor da ida de um emissário da ONU para investigar a situação dos direitos humanos no país. Se for impedido de entrar no Irã, o relator da ONU fará sua investigação, com base em informações de dissidentes, exilados, ONGs e parentes de vítimas. A posição brasileira é considerada a decisão de política externa da presidente Dilma Rousseff que mais marcou diferença em relação à do ex-presidente Lula, que hipotecava apoio incondicional ao Irã.

"Há pessoas como o diabo: se nos fazem algum favor, depois nos exigem tudo, até a alma". Dante Veoléci


Minha pova


A historinha parece absurda. Mas é verdadeira, tanto que os personagens têm nome. Expedito Ferreira, prefeito de Aracati, cidade litorânea do Ceará, em comício animado, gritou no palanque:

- "Meu povo e minha pova. Vou ser reeleito prefeito de Aracati com minha fé e as fezes de vocês".


Vale? Vale muito


Por valer muito, a Vale é o objeto de cobiça do governo. Em 10 anos, o valor de mercado da Vale saltou de US$ 9,2 bilhões para US$ 176,3 bilhões. Roger Agnelli deu à mineradora bons resultados que a posicionam como a segunda maior do mundo. Agnelli, porém, sempre agiu de modo independente, guiando-se pelos parâmetros do mercado. Lula, em seu segundo mandato, sempre que tinha oportunidade, dava espinafradas no dirigente da Vale. Agora é o ministro Mantega, que deseja colocar no lugar dele um preposto. A intenção é acertar com a Previ a condução do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, à presidência do Conselho de Administração.

"Ressentimento é como infecção : não se guarda, porque acaba contaminando o organismo todo". Jayme Torres


Dois conselheiros


O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil vai substituir dois de seus quatro conselheiros na Vale: Jorge Luiz Pacheco e Sandro Kohler Marcondes. No lugar, entrariam Barbosa e o atual presidente do conselho deliberativo da Previ, Robson Rocha. Principais acionistas da mineradora, a Previ e a Bradespar (empresa de participações do Bradesco) têm um acordo tácito : a primeira indica o presidente do conselho e a segunda, o presidente executivo.


Alta no Japão


Dois terços dos japoneses concordam com a decisão do Governo japonês de aumentar impostos para financiar a reconstrução do país. O Japão tem um PIB de US$ 5 trilhões. O imposto sobre consumo é de 5%. Pode chegar aos 7%.


Contabilidade própria ou terceirizada


No passado, as organizações tinham seu próprio departamento de contabilidade, mas com a tendência de especialização, passaram a buscar na terceirização maior eficiência, competitividade e eficácia da atividade. "Hoje, o profissional contábil é peça chave na gestão das empresas e cada vez mais solicitado para fundamentar decisões estratégicas", afirma José Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP). O custo para manter um departamento próprio gira em torno de 40% a 50% a mais ante a opção de se contratar uma empresa especializada. O Brasil conta com 496 mil contabilistas e 76 mil empresas contábeis. Destes, 137 mil profissionais e 19 mil empresas operam somente no Estado de São Paulo.


Cargas perigosas


Começam a chegar cargas perigosas no Porto de Santos. O Sindicato Nacional dos Fiscais Federais alega que não há equipamento para medir a quantidade de radiação nos produtos e navios que chegam ao país, vindos da Ásia. O preço do equipamento é de R$ 2.000,00. Esse é um pequeno retrato do Brasil.

"Tudo é nada no mundo, o nada é tudo, porque tudo do nada foi tirado! Porque em nada tudo é transformado, e ao nada volverá um dia tudo". Joaquim Nabuco


Reformas? Vão pras calendas


Todos concordam. As propaladas reformas política e tributária podem e devem ser votadas já, já. Basta vontade política. A Comissão de Reforma Política tem prazo para terminar seus trabalhos. Que se vote, então. Já a reforma tributária depende, sobretudo, do pensamento do Executivo. Se não forem votadas este ano, irão pras calendas. 2012 é ano eleitoral. Difícil de passar matéria polêmica pelas casas congressuais.


Forçar a barra

Semana passada, o colunista Nelson Motta escreveu artigo sugerindo "certo clima" entre a presidente Dilma e o ex-presidente Fernando Henrique. "Clima" que teria sido propiciado durante o jantar ao presidente Obama. Nunca este consultor havia lido texto tão cheio de insinuações forçadas entre figuras exponenciais da esfera política. O texto só pode ter sido produzido para gerar impacto. Pura especulação.


Ficha Limpa vai por arquivo?


A interpretação que o ministro Luiz Fux deu ao Ficha Limpa pode ter sido a mais técnica, sob o prisma de obediência aos parâmetros constitucionais. O fato, porém, é que inevitáveis questionamentos surgirão. Candidatos que se sentirem barrados em 2012 certamente vão apelar. As ações em série entupirão os canais do Judiciário. Resultado: pode ser que o projeto Ficha Limpa acabe criando bolor no baú da eterna protelação.

"O mal alheio não deve curar o mal de ninguém. Todo o bem que vem por mal, o mal o leva por bem..." Antônio Correia de Oliveira


Tamanho das bancadas


No Brasil, o PT deve fechar, após decisão do STF sobre o Ficha Limpa, com 16,3% dos deputados Federais, seguido pelo PMDB, com 15%, o PSDB com 10%, o DEM com 8,5%, o PR e o PP com 8% cada. Cesar Maia faz o cálculo: a diferença entre a maior bancada e a quinta e sexta bancadas é de 8 pontos. E diz: "em sistema binário, como o norte-americano, seria considerada uma vantagem pequena. Por exemplo: o maior partido com 54% e o segundo com 46%".


Cumprimentos


A presidente Dilma faz questão de cumprimentar opositores, sem o ranço de "mantenha distância" dos tempos de Lula. Mandou um telegrama, semana passada, para José Serra cumprimentando-o pelo aniversário.

"É muito bom ser importante; mas, é muito mais importante ser bom". Anônimo


PSD ou qualquer outro


A pergunta é: pode vingar o PSD do prefeito Kassab? Poderá, sim. Não apenas o PSD mas qualquer outro partido que nasça com o endosso de nomes expressivos. Por exemplo, a ex-senadora Marina Silva, insatisfeita com o andar da carruagem do PV, também pensa em fundar uma agremiação. Ora, há campo para isso. É pura bobagem de alguns querer ver doutrina ou ideologia nas siglas que poderão emergir no atual ciclo político. A questão é: qual o partido que exibe bandeira ideológica hoje? Todos parecem farinha do mesmo saco. Enquanto não houver uma reforma partidária, a moldura será fatiada por entes sem escopo doutrinário.


Três grandes em queda


Angela Merkel, a premier alemã, sofreu grande derrota. Seu partido foi derrotado nas eleições estaduais em Baden-Wurtemberg, o mais populoso da Alemanha. Os verdes, aliados aos sociais democratas, levaram a melhor. Sarkozy, presidente francês, enfrenta revolta de seu partido e pesquisas indicam que não conseguiria nem chegar ao segundo turno nas eleições do próximo ano. E, na Itália, Berlusconi frequenta os corredores dos tribunais. Vive um inferno astral. Mudanças à vista na Europa.


Punição a rodo


O PPS, dirigido pelo deputado Roberto Freire, passou a faca em um punhado de militantes, prefeitos, vices e vereadores. Está expulsando 37 filiados no Paraná por desobediência à posição do partido no pleito de 2010. A decisão do PPS é admirável. O partido já é bem enxuto. Diminui, a cada pleito, sua bancada. E se dá ao luxo de cortar infiéis? Mas o que significa infidelidade em um universo político que está locupletado por eles? Há quem diga, por exemplo, que o PPS gira hoje em torno do PSDB. E isso não seria considerado também uma forma de infidelidade ao programa original da sigla?


Adeus, Alencar


Foram 13 anos de incessantes lutas contra um câncer na região abdominal. Foram 17 cirurgias. Foi um pedaço de vida dedicado ao empreendimento negocial e à vida pública. Despedimo-nos de nosso ex-vice presidente da República, José Alencar, acreditando na força do homem para curar os males da Humanidade. Dia chegará em que a doença que o tragou será vencida. Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva, pai de três filhos - Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia - e avô de cinco netos. Este consultor se junta aos fiéis que admiram a coragem e a determinação deste grande vulto. Uma oração pelo grande Zé.

"Antes de cobiçar alguma coisa, é bom indagar se quem possui é feliz". La Rochefoucauld


Emprego pro prural


Arandu, em São Paulo, começou sua história como pequeno povoado, no bairro do Barreiro, no município de Avaré. Em 1898, um pedaço de uma fazenda leiteira da região foi doado para a construção de uma capela. Elevado a distrito de Avaré/SP, em 1944, recebeu na ocasião a atual denominação. Em 1964, conquistou a emancipação política. No primeiro comício, os candidatos a prefeito exibiam seus verbos. Dentre eles, o matuto José Ferezin. Subiu ao palanque e mandou brasa:

"Povo de Arandu, vô botá agua encanada, asfaltá as rua, iluminá as praça, dá mantimento nas escola...".

Ao lado, um assessor cochichou:

"Zé, emprega o plural".

O palanqueiro emendou:

"Vô dá emprego pro prural, pro pai do prural e pra mãe do prural, pois no meu governo não terá desemprego".

Historinha enviada por Marcio Assis


Conselho ao ministro da Justiça


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos congressistas. Hoje, volta sua atenção ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo :

1. Os buracos no aparelho policial da esfera Federal são imensos. A cada dia, surgem denúncias de corrupção envolvendo autoridades e policiais. A Polícia Rodoviária Federal é apenas um pequeno retrato do acervo corrosivo, que envolve tráfico de drogas, prostituição, rapinagem, compadrismo e outras mazelas.

2. Urge fazer um mutirão de fiscalização em todos os postos de vanguarda e retaguarda, que operam dentro das estruturas sob a égide do Ministério da Justiça.

3. A assepsia que o sr. ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, está mandando fazer em diversos compartimentos da Pasta poderá se transformar em meta constante e permanente. Os desleixos e ilicitudes nas malhas do Ministério da Justiça são históricos e estão a exigir controles apurados.


(Por Gaudêncio Torquato)

JOSÉ ALENCAR - LEGADO DE FÉ E CORAGEM!


Morreu ontem, terça-feira (29/3), às 14h45, o ex-vice-presidente da República José Alencar, por falência múltipla de órgãos, aos 79 anos, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O político mineiro lutava contra um câncer na região do abdômen há 13 anos. A informação é do site G1.

José Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e deixa três filhos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia. Na última das várias internações, Alencar estava desde segunda (28/3) na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com quadro de suboclusão intestinal.

Antes, ficou internado 33 dias até deixar o Hospital Sírio-Libanês no dia 25 de janeiro. Por isso, não participou da solenidade de posse da presidente Dilma Rousseff. Momentos antes da cerimônia, no entanto, cogitou deixar o hospital para ir até a capital federal a fim de descer a rampa do Palácio do Planalto com Luiz Inácio Lula da Silva. Desistiu após insistência da mulher, Mariza. No mesmo dia, ele recebeu a visita de Lula, que deixou Brasília logo após a posse de Dilma.

O ex-vice-presidente travou uma longa batalha contra o câncer. Nos últimos 13 anos, enfrentou uma série de operações e tratamentos médicos. Foram mais de 15 cirurgias. Em abril de 2010, desistiu da candidatura ao Senado para se dedicar ao tratamento.

Desde 1997, foram mais de dez cirurgias para retirada de tumores no rim, estômago e região do abdômen, próstata, além de uma cirurgia no coração, em 2005. A maior delas, feita em janeiro de 2009, durou quase 18 horas. Nove tumores foram retirados. Exames feitos alguns meses depois, no entanto, mostraram a recorrência da doença.

Também em 2009, iniciou em Houston, nos Estados Unidos, um tratamento experimental com um novo medicamento no hospital MD Anderson, referência no tratamento contra a doença. O tratamento não surtiu o efeito esperado e o então vice-presidente voltou a fazer quimioterapia em São Paulo.

Empresário lutador

José Alencar Gomes da Silva nasceu no dia 17 de outubro de 1931, em Itamuri, zona da mata mineira. Começou a carreira aos 14 anos, como balconista em uma loja de armarinhos. Aos 18 abriu o seu próprio negócio, a lojinha “A Queimadeira”, onde vendia tecidos, calçados, chapéus e guarda-chuvas.

Antes de fundar a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a Coteminas, conhecida como um dos maiores grupos industriais têxteis do país, foi atacadista de cereais, dono de fábrica de macarrão.

Como empresário, entrou no mundo da política. Passou pela presidência do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e pela vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria.

Decidiu entrar para a política já com mais de 60 anos de idade. Reportagem da Revista Época lembra que ele disputou o governo de Minas pelo PMDB em 1994, mas acabou em terceiro, com 10,7% dos votos, atrás do ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, e do tucano Eduardo Azeredo, o vencedor do segundo turno. Em 1998, foi eleito para o Senado com 2,9 milhões de votos.

Com o objetivo de criar uma chapa que simbolizasse a união entre os trabalhadores e o empresariado, um grupo de petistas mais próximos de Lula começou a articulação para ter Alencar como candidato a vice na garupa de Lula. A operação envolveu uma intensa negociação com o antigo PL, hoje PR, que exigia dinheiro do PT para financiar campanhas para deputado. Do ponto de vista eleitoral, foi bem sucedida. Com a implosão do PL após o mensalão, Alencar refugiou-se no inexpressivo PRB, sigla ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, responsável pela re-condução de Alencar como vice na vitoriosa chapa da reeleição de Lula, em 2006.

Na vice-presidência, Alencar se notabilizou por fazer uma campanha sistemática pela queda da taxa de juros. Durante muito tempo, ele foi a única voz importante do governo que reclamava publicamente da política econômica conservadora liderada por Antônio Palocci, o então ministro da Fazenda. Em novembro de 2004, com o desgaste do ministro José Viegas junto aos militares, Alencar assumiu o Ministério da Defesa. Enquanto esteve no cargo, era visto como um dos governistas associados à articulação de parlamentares e lobistas que tentava criar um programa de reestruturação e salvamento da Varig, que, anos depois, acabou vendida para a Gol.

Paternidade decretada

Em julho de 2010, um processo de paternidade envolvendo Alencar ganhou repercussão nacional e deflagrou um grande debate na internet. Numa ação de investigação de paternidade, um juiz de Minas deu ganho de causa a uma professora de 55 anos que diz ser filha de Alencar. O processo de Rosemary de Moreira Gomes da Silva começou em 2001. Como Alencar nunca aceitou fazer teste de DNA, o juiz interpretou o fato como "culpa presumida". A defesa de Alencar obteve o efeito suspensivo da sentença. O caso ainda será julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas.

Homenagens póstumas

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, divulgou nota, em nome da corte, lamentando o falecimento. "O Supremo Tribunal Federal enluta-se nesta data e presta suas respeitosas reverências à memória de José Alencar, manifestando ainda os mais profundos sentimentos de pesar aos familiares de Sua Excelência", afirmou.

O mesmo fez o Superior Tribunal de Justiça. Segundo a nota da corte, José Alencar foi "exemplo de coragem e de dedicação à causa pública", que "nos legou o heroísmo de sua luta pela vida, e por isso permanecerá nos anais da história como um dos nossos maiores".

Em nota de pesar, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen, disse que Alencar “trouxe para a vida pública a garra e o talento de um notável empreendedor, um dos maiores que o país já conheceu”. Segundo ele, o ex-vice-presidente foi “um bravo que deixa saudade e uma exemplar mensagem de luta e patriotismo a todos nós”.

O presidente do Superior Tribunal Militar, ministro Álvaro Luiz Pinto, destacou que "a pessoas com a qualidade de José Alencar, não é dado apagar-se da memória. Sua história de vida e o exemplo de coragem e otimismo, revelado nos últimos 13 anos, nos inspira a seguir lutando pelos ideais que imaginamos ser importantes para a construção de um Brasil mais digno".

Também em nota, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante Júnior, prestou homenagens. Segundo ele, “é fácil falar do Dr. José Alencar político, generoso, amigo, patriota e democrata. Difícil é seguir o seu exemplo, de coragem, de persistência, de atitude, de esforço e de dedicação, valores pelos quais deu a própria vida”.

O presidente da OAB lembrou que foi Alencar quem sancionou, como presidente da República em exercício, a lei que resguarda a inviolabilidade de escritórios de advocacia. A Lei 11.767/2008 teve vetados apenas dois artigos, que descreviam os instrumentos de trabalho dos advogados que deveriam ser protegidos, e a restrição de possíveis investigações apenas sobre os instrumentode de trabalho do advogado suspeito, e não dos pertencentes aos demais colegas de trabalho.

Em nome da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, o presidente da entidade, César Mattar Jr., disse que "José Alencar deixa um legado de trabalho, compromisso, coragem e luta, que ficará para sempre na lembrança de todos os brasileiros. A Conamp torna pública a sua solidariedade e presta seus pêsames aos familiares e amigos deste homem que, no exercício de sua vida pública e política, deixa um belíssimo exemplo de dedicação ao país".


(Fonte: CONJUR)