domingo, 29 de maio de 2011

FURANDO AS TEIAS MAFIOSAS

O chiste tem algum fundamento. Cabral inaugurou por estas bandas o toma lá dá cá. Vejam. Dois dias depois do Descobrimento do Brasil, em 24 de abril de 1500, o capitão-mor recebeu os tupinambás em sua caravela. Para causar forte impressão, pôs a vestimenta mais exuberante. Desconfiados, os índios provaram a água e o vinho que lhes foram oferecidos e cuspiram. Não aprovaram o velho líquido barrento, tirado do alforje, nem a bebida com gosto de vinagre. Só tinham olhos para o brilho das roupas e o imenso chapéu de abas para o céu, que dava ao descobridor a feição de deus das matas e das águas. O cacique e seus índios desceram da nau, sem arcos e flechas, mansos e felizes por ganharem os primeiros mimos na simbólica troca que plantou a árvore do fisiologismo em terras tupiniquins. Foi assim que os indígenas, cheios de bugigangas, e o cacique, com um pitoresco chapéu, abriram as páginas de nossa História de cinco séculos, em que tramoias mesclam coisas do Estado com negócios privados. Há poucas dúvidas de que a herança ibérica, carregando a tiracolo o patrimonialismo, tenha salpicado os ciclos históricos com as sementes da corrupção, particularmente na seara das teias criminosas que encobrem maquinações de servidores públicos, mandatários, grupos e indivíduos, todos girando na órbita do Estado.


Dito isto, vamos à assertiva que ganha força neste momento em que mais um episódio assoma no painel da perplexidade nacional: não há governo que não abrigue seu escândalo particular. Nos episódios mais recentes - consultoria do ministro Antônio Palocci com suspeita de favorecimento a terceiros e denúncias de peculato envolvendo servidores da empresa de saneamento de Campinas - o imbróglio gira em torno da linha que estabelece os limites entre legalidade e ilegalidade, a começar pela possibilidade de um detentor de mandato popular realizar serviços de consultoria. Pois bem, legalmente isso é possível. Na atual legislatura, alguns deputados se apresentam como consultores. Mas o servidor público, vale frisar, incluindo o mandatário, deve regrar-se por princípios de probidade e moralidade. É proibido usar o cargo ou a posição para obter vantagens indevidas (sejam econômicas ou até de natureza valorativa/sentimental). O detentor de mandato agrega, na escala do poder, condição mais elevada que a média dos cidadãos, ou seja, tem mais influência nas frentes onde presta, eventualmente, seus serviços. Donde se aduz que a consultoria desenvolvida por um parlamentar obtém, ao menos teoricamente, maior eficácia que a de outras pessoas sem poder de representação.


Agora, não há impedimento a que o mandatário se dedique às demandas de suas bases eleitorais e atenda aos pedidos de grupos que representa. A proibição é de que esse apoio redunde em tráfico de influência, significando o uso do poder para favorecer junto ao Estado os negócios de patrocinadores. Neste ponto, emerge a questão do lobby. Apreciável parcela da representação exerce o lobby, seja pela defesa de interesses de grupos, seja no apoio à causas coletivas patrocinadas por setores da sociedade. Veja-se o Código Florestal, cuja aprovação só foi possível pela força da bancada ruralista. Da mesma forma, a legalização da relação estável de pessoas do mesmo sexo passou pelo corredor de grupos organizados, que acabaram fazendo pressão sobre a Suprema Corte. Há algo de errado nisso? Não. Para deixar as coisas mais transparentes, o sistema de pressão e contrapressão deveria ser escudado por uma norma. A inexistência de legislação sobre lobby abre cortinas de fumaça. Sua prática condiz com o modelo contemporâneo de democracia, cuja configuração contempla núcleos e facções da sociedade.


Trata-se de uma cultura consolidada nos EUA, país cuja fundação se inspirou nos princípios pluralistas dos pais fundadores James Madison, John Jay e Alexander Hamilton. A tradição liberal e de organicidade - bem captada por Alexis de Tocqueville - sublinha a conquista permanente de reivindicações pela sociedade civil. A imbricação entre política e interesses grupais e coletivos tem-se acentuado na moldura das nações. Nos EUA, metade dos deputados e senadores que deixam as Casas parlamentares se torna lobista. De crachá no peito, eles agem dentro da lei, representando tanto os mais claros quanto os mais difusos interesses da sociedade. Os gastos por empresas e grupos de pressão para defender suas causas atingem, hoje, cerca de US$ 3 bilhões por ano. E as agências de lobby em Washington chegam a 35 mil. Já nos países europeus há distinção entre lobbies profissionais - e interesses financeiros - e lobbies da cidadania, sob patrocínio de ONGs e associações. Os avanços nessa área ocorrem ainda na esteira de conceitos como "relações institucionais" e "negócios públicos". A exigência é de que trabalhem com transparência e ética.


Por aqui, como se sabe, o lobby é mascarado. Existe na prática, mas dorme nas gavetas do Congresso, sob o desprezo de alguns que o consideram incompatível com nossa realidade. Visão capenga. Basta contemplar a proliferação de entidades que fazem intermediação social. Portanto, já temos uma base formada. E, por falta da lei, vive-se o paradoxo, caracterizado pela ausência de contrapesos no sistema de pressão. Alguns setores contam com lobbies poderosos em detrimento de outros que ficam à margem do processo. Como pano de fundo, temos uma democracia representativa vivendo uma crise crônica. Partidos mais parecem massas amorfas. As bancadas corporativas, essas, sim, ganham projeção. As doutrinas são nuvens difusas dentro de discursos homogêneos. As bases cedem lugar aos setores organizados. O palco institucional, nessa configuração, sugere o ingresso de novos atores. Sob um lobby legalizado, transparente, ético, imbróglios como o do ministro Palocci deixariam de causar tanto estardalhaço. E a planilha de episódios farsescos não seria tão densa.

(Gaudêncio Torquato)

sábado, 28 de maio de 2011

ACORDO UNE PSDB


Por Gabriela Guerreiro e Vera Magalhães, na Folha Online:

Depois de um impasse que se estendeu por mais de três horas neste sábado, o ex-governador José Serra aceitou presidir o Conselho Político do PSDB - órgão que será criado para acomodá-lo em um cargo de comando da sigla. Serra demorou a aceitar a oferta, mas acabou convencido depois que o grupo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) insistiu na manutenção do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) na presidência do ITV (Instituto Teotônio Vilela).

Serra insistia em presidir o ITV, depois de ter recusado a indicação para o cargo no início do ano. O grupo de Aécio convidou Tasso para a função e se não se mostrou disposto a abrir mão da indicação - o que irritou o ex-governador.

Na tentativa de demonstrar unidade do partido, Serra acabou aceitando a oferta de presidir o Conselho Político. A convenção nacional do PSDB, marcada para ter início hoje às 9 horas, só recebeu a cúpula tucana três horas e meia depois em meio às negociações. Nesse período, Serra, Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Geraldo Alckmin (SP) e o deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) se reuniram a portas fechadas em busca do acordo.

Publicamente, Serra e Aécio negaram as divergências internas. “Temos que afastar a arma do adversário que é a mentira a nosso respeito, que é a intriga. A intriga nos enfraquece e fortalece os adversários”, afirmou. Ao final do seu discurso na convenção nacional do PSDB, Serra disse que “antes de ser um oficial na política”, é um “soldado”. “Contem com esse soldado em qualquer momento”, afirmou.

Aécio, por sua vez, disse que houve apostas na “divisão” do PSDB, mas o partido sai fortalecido do episódio. “Instigaram rupturas, que o PSDB colocaria projetos pessoais à frente do partido. Os brasileiros vão acordar amanhã sabendo que, mais do que nunca, o PSDB está unido e pronto.”


UNIDADE


Serra, Aécio, FHC e Sérgio Guerra chegaram juntos à convenção como tentativa de demonstrar unidade na sigla. Eles entraram de braços dados no auditório principal. Serra se postou ao lado de Aécio durante os discursos e foi citado pelo senador como um homem de grande “estatura moral”.

“Que privilegiado é um partido que tem em seus quadros a estatura moral de José Serra”, disse Aécio.

Serra não mencionou o senador, mas fez ataques ao governo Dilma Rousseff. “Cada vez mais a ocupante da Presidência da República governa cada vez menos, e o que não foi eleito [ex-presidente Lula] governa cada vez mais.” Além de Serra, farão parte do conselho Alckmin, Aécio, FHC, o governador de Goiás, Marconi Perillo e Guerra.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 27 de maio de 2011

PARA REFLETIR

O que se pensa sempre responde pelo clima emocional onde se vive. Mede-se, pois, a psicosfera de alguém pela incidência freqüente do seu pensamento, no que elege.

A inteireza moral é uma defesa para qualquer tipo de agressão, difícil de atingida; a conduta digna irradia forças contrárias às investidas perniciosas; o hábito da prece e da mentalização edificante aureola o ser de força repelente que dilui as energias de baixo teor vibratório; a prática do bem fortalece os centros vitais do perispírito que rechaça, mediante a exteriorização de suas moléculas, qualquer petardo portador de carga danosa; o conhecimento das leis da Vida reveste o homem de paz, levando-o a pensar nas questões superiores sem campo de sintonia para com as ondas carregadas de paixão e vulgaridade.


Manoel Philomeno de Miranda (espírito), psicografia de Divaldo Franco.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

UM RETRATO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

Caro Júnior Bonfim,

Envio-lhe o belíssimo pronunciamento da Professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, em uma Audiência Pública na Assembléia Legislativa daquele Estado.

Nunca vi tanta objetividade em um discurso. Conciso e preciso.

Ela se manifestou com coragem, na verdadeira acepção da palavra.

O vocábulo coragem provém de duas palavras do latim: cor, cordis (= coração) + agere (= agir). (Pronuncia-se ágere)

Em suma, coragem significa agir com o coração.

E quem se manifesta com coragem recebe todo o elastério do Universo. Foi isso o que ocorreu com ela.

Saúde e Paz,

Boaventura Bonfim.







Parabéns ao meu amigo (Caquim) Boaventura Bonfim, pela indicação da postagem.

Parabéns a Júnior Bonfim pela postagem.

Se houvesse mais pessoas com a consciência de Amanda Gurgel e com a disposição de expor seus pensamentos nosso Brasil certamente tomaria outro rumo.

Dalinha Catunda

quarta-feira, 25 de maio de 2011

FALE, PALOCCI!

Incluo-me entre os que, não tendo votado na presidente Dilma, torcem por ela por torcer pelo Brasil. Não quero, portanto, deixar de expressar minha inquietação quanto ao rumo que está tomando o caso Palocci e a falta de esclarecimento sobre o enriquecimento de seu patrimônio nos últimos anos.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, segundo a Folha (24/5), disse não ver razão para que se duvide do ministro Antonio Palocci. Na véspera, afirmara que a Polícia Federal não iria investigar os fatos. Isto porque, hierarquicamente, a PF está subordinada ao Ministério da Justiça.

É extremamente preocupante ouvir de um constitucionalista, como é o ministro da Justiça, assim como outros políticos o fizeram, que nada há a ser explicado.

Não se está afirmando que Palocci teria praticado crime e deva ser punido, não se está a dizer que nódoas do passado devem estimular presunção de malversação criminosa de dinheiro. O que parece inquestionável é que um homem público deva prestar contas à opinião pública, para que não pairem dúvidas quanto à sua honorabilidade, quanto à origem legítima de seus haveres, para que a empresa Projeto, de propriedade do ministro, não possa vir a ser comparada à EPC, de PC Farias, que se apresentava como uma empresa de consultoria destinada a alimentar o esquema de corrupção do governo Collor.

Se a Projeto prestou serviços, claro está que deve ter declarado seus rendimentos à Receita Federal. Não há como alegar confidencialidade quando o interesse público prevalece. Se a atividade exercida por Palocci por meio de empresa de consultoria se revestiu de caráter ético ou não, se houve prática de lobby vedado, se houve quebra de princípio de natureza deontológica ou se a ilicitude alcançou tipicidade penal, são questões que precisam ser esclarecidas de forma cabal.

Nem se está a exigir que se esmiúce o que há de estritamente confidencial nos serviços que teriam sido prestados pela Projeto, mas que se esclareça para quais empresas prestou serviços e quais os proventos auferidos. Não se está pedindo a revelação de fatos que integram o universo da intimidade.

Palocci ocupa o mais importante cargo no governo Dilma. Segundo divulgado, o montante de R$ 20 milhões teria sido recebido quando era deputado, metade quando coordenava a campanha e a outra após a eleição presidencial, fatos que merecem investigação.

A presidente tem dado mostras de ser discreta e firme. Deve, pois, determinar que a nação seja esclarecida. É seu dever; perante a República não há segredos. Temos direito de saber, desconfiar, indagar.

Não se trata de lembrar o aforismo do benefício da dúvida favorecendo o réu. Palocci não é réu, pelo menos por ora. A dúvida é extremamente prejudicial ao próprio ministro porque suscita suspeitas, precipita ilações. Estamos, por enquanto e pelo menos, num processo político em que se espera do político transparência nos seus atos.

Tomara que tudo se esclareça o quanto antes. O tempo passa, as marolas vão crescendo e isso positivamente não é bom para ninguém.

No âmbito do Legislativo, do Ministério Público e da PF, não há porque eximir-se o Estado de descobrir o que está por trás do pano.

Não se concebe que o ministro da Justiça exclua a PF do papel de investigar. Se é indiscutível que, no plano funcional, está hierarquicamente subordinada à Justiça, deve ser preservada sua função constitucional de apuração de delitos.

Se o ministro Palocci é honesto, e torcemos para que seja, tem que parecer ser honesto. Que mostre à nação que merece confiança. Que mostre as cartas, abra o jogo... Fale, Palocci. Torcemos para que o jogo seja limpo, porque todos nos beneficiaremos com isto.


JOSÉ CARLOS DIAS, advogado criminal, foi ministro da Justiça no governo FHC e secretário da Justiça no governo de André Franco Montoro, em São Paulo.

MINHA CANÇÃO DO EXÍLIO


Minha terra é Ipueiras,

Onde corre o Jatobá.

Fica ao pé da Ibiapaba,

Ao norte do Ceará.

*

Nossa gente tem histórias,

Gostosas de se escutar.

Não permita Deus que acabem,

Com as tradições do lugar.

*

Lendas de bala e botijas,

Ouvi dos antigos o contar.

História de Iara, mãe-d’água,

Feliz ainda hei de escutar.

*

Minha terra tem palmeiras,

Das lendas de Alencar.

É a nossa carnaubeira,

carnaíba, carandá.

No farfalhar do seu leque,

Ouvi o vento cantar.

*

Tomara Deus que eu não fique,

Ausente sempre de lá.

Ao sopro de um Aracati,

Desejo me refrescar.

E ouvir cantar a graúna,

Ao invés de um sabiá.


(Dalinha Catunda)

CONJUNTURA NACIONAL

Um sonho com Deus


Era o ano de 2006. A campanha ao governo de Alagoas estava "fervendo". Um candidato muito conhecido no Estado pelas presepadas, cujo nome, por motivos óbvios aqui se omite, liderava as pesquisas. Era considerado imbatível. Último debate eleitoral na TV Gazeta. O apresentador passa a palavra ao mais que provável vencedor :

- Candidato, após esta intensa campanha eleitoral, o senhor tem 30 segundos para as considerações finais. Fique a vontade para falar.

O candidato jorrou:

- Povo de Alagoas, ontem eu tive um sonho. Neste sonho, Deus meu dizia : "doutor (fulano de tal), construa hospitais para o sofrido povo deste Estado.

A seguir, o apresentador passou a palavra ao outro candidato. Que usou a verve:

- Povo de Alagoas, quem sou eu para disputar uma eleição com um homem que Deus o trata por doutor? O candidato (fulano de tal) disse há pouco que falou com Deus e Deus disse : doutor fulano de tal. Ora, se Deus chama o meu adversário de doutor, reconheço que não posso fazer melhor do que ele. Vocês não acham que o adversário (fulano de tal) já se considera nomeado por Deus?

E foi assim que o candidato (fulano de tal), líder absoluto nas pesquisas, conheceu a derrota. Perdeu para a própria arrogância.

Historinha enviada por Manoel Pedrosa.


No fio da navalha


A política é um caminho com muitos desvios. Frequentemente, as curvas se interpõem diante das retas. E conduzem o caminhante ao despenhadeiro. Vejam só. O ministro mais poderoso do governo, Antonio Palocci, vinha navegando em voo de cruzeiro e em céu de brigadeiro. De repente, uma tempestade tira o avião da rota. A nave, desnorteada, descamba à procura de um espaço onde aterrissar. Seu pouso, seja qual for o lugar, não será tranquilo. O piloto tem condições de se salvar? Sim, porém restritas. Dependem de sua habilidade em administrar a tempestade. Ou, em outros termos, o ministro está andando sobre o fio da navalha. Chegará ao cabo sem receber cortes?


Segundo round


Este é o segundo round que deixa o ministro Palocci quase nocauteado. O primeiro ocorreu por ocasião da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo. Palocci entrou em profundo inferno astral - que demorou longos meses - mas se recuperou. Graças ao talento, à capacidade de articulação e ao bom trânsito em todas as áreas. Trata-se de um médico que domina bem as entranhas da economia. É respeitado nas frentes empresariais. Por isso mesmo, foi bem acolhido como consultor. Saiu-se bem. A rigor, não há proibição que faça consultoria. Menos, claro, para contratantes que tenham negócios com o Estado. Poderia o consultor esbarrar no perigoso terreno do conflito de interesses. E, agora, o que resta a Palocci fazer? Dizer a quem prestou consultoria. Ele alega que não fez nada de errado. Portanto, não deve temer a análise do caso pela Controladoria-Geral da União e pela Comissão que trata da ética dos servidores do Estado.


Verdade e versão


Brecht já dizia que há 5 maneiras de contar a verdade. Mas uma versão sempre mais verdadeira. Este consultor já teve oportunidade de tratar de muitas crises. E sempre lembrou aos atores políticos e empresariais que devem procurar a versão mais convincente. A que tem dados consistentes. Vejam bem: DNA de Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do FMI, foi encontrado na gola da roupa da camareira do hotel, que o acusa de crimes sexuais. E ele se diz inocente. Há casos em que as versões não resistem à uma irrefutável prova. Será interessante verificar a desculpa do francês para o DNA flagrado.


Governo menos poderoso


O affaire Palocci tem o condão de esgarçar a força do governo. Que precisa mais jogo de cintura para relacionar-se com o Congresso. E capacidade para evitar que o caso contamine a imagem geral do governo. Imagem, é oportuno reconhecer, com boa aceitação pública, graças ao estilo técnico e discreto da presidente Dilma. Esse capital começa a ser corroído. Mesmo com o escudo de proteção feito pela base parlamentar do governo. Que, é claro, deve cobrar os pleitos feitos junto a Palocci. Por conseguinte, o sistema de compensações será acionado.


Artilharia pesada


Nos últimos dias, a mídia tem calibrado a artilharia pesada sobre membros do governo e do Parlamento. Os últimos cartuchos procuram atingir o ex-presidente Luiz Inácio (caso de amigos do presidente em Campinas) e o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Acusado pelo MP por dispensa de licitação para construção de casas populares quando era prefeito de BH.

Cachorro? Não


"Não me chame de cachorro, não mereço tão alto qualificativo, pois não sou tão fiel nem tão leal, sou só humano". (Colaboração de Álvaro Lopes)


Terceirizadas estranguladas


O governo vai apertando o laço que sufoca as empresas terceirizadas. O índice dos reajustes de seus contratos, que já foram celebrados por preços muitas vezes abaixo do exequível, está sendo efetuado com base no IPC da FIPE. Este índice mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo com base nos gastos de quem ganha de um a vinte salários mínimos, e que tem girado em torno de 6%. Como os dissídios chegaram até 15%, a lucratividade, que já era ruim, torna-se pior. Muito cuidado com o andor. Se estas empresas quebrarem, a conta acabará sobrando para o próprio Estado, não só a parcela trabalhista mas a do dano social causado pelo fechamento das prestadoras de serviços. Às autoridades, fica o alerta para rever a equação.


Poupadores


Uma das maiores causas na mesa de julgamento do STF diz respeito aos direitos dos poupadores na questão sobre correções dos planos econômicos entre 1986 e 1991. A causa ultrapassa a conta dos R$ 280 bilhões. Trata-se de quantia que sangraria o país e com consequências drásticas sobre os programas em ação. Por isso, este consultor tende a acreditar que o viés político estará em jogo. O presidente Cezar Peluso promete votar o imbróglio. A conferir.


Luta pela PEC 457


Esta Coluna registra, mais uma vez, a frente de lutas pela aprovação da PEC 457/05, que propõe alterar o art. 40 da CF relativo ao limite de idade para o servidor público se aposentar. Vamos ao fato nuclear : hoje, o servidor se aposenta aos 70 anos, idade em que a pessoa chega ao clímax de seu ciclo de vida. A aposentadoria compulsória do servidor público aos 70 anos significa também um monumental prejuízo aos cofres do Tesouro nacional. Basta ver apenas o cenário intermediário desenhado pela FIESP. A economia seria de R$ 1,4 milhão se o período de trabalho fosse estendido para 75 anos por trabalhador por ano. Em um período de 5 anos, esta economia chegaria aos R$ 2,4 bilhões, somente para o governo Federal. O presidente da FIESP, Paulo Skaf, lidera a luta pela aprovação da PEC 457.


Aécio no comando


Aécio Neves joga pesado para controlar o PSDB. Dia 28, será o Dia D, xx Convenção Tucana. Neves quer impor seu grupo no comando. Acha que a era Serra acabou. E que chegou sua vez. Conta com leve simpatia de Geraldo Alckmin.


Lobby


O projeto legalizando as atividades de lobby deverá voltar à mesa do debate logo, logo. Trata-se de matéria amplamente consolidada em Nações democráticas. Nos Estados Unidos, a prática se incorporou às rotinas congressuais. Aí, ex-parlamentares transformam-se em lobistas.


Três projetos


Ademais, o Congresso deverá apressar a votação de três projetos sobre conduta de servidores públicos: tornar crime o enriquecimento ilícito de agentes públicos; definir situações em que há conflito de interesses públicos e privados e ampliar a punição a servidores envolvidos em irregularidades. Esses projetos foram apresentados em 2005, 2006 e 2009. Depois de passarem pela Câmara, deverão esticar a fila no Senado.


Quiçá e cuíca


Benedito Valadares, governador, foi a Uberaba para abrir a Expozebu. E passou a ler o discurso preparado pela assessoria. A certa altura, mandou ver: "cuíca daqui saia o melhor gado do Brasil". Ali estava escrito: "quiçá daqui saia o melhor gado". A imprensa caiu de gozação. Passou-se o tempo. Tempos depois, em um baile na Pampulha, o maestro, lembrando-se do famoso discurso na terra do zebu, começou a apresentar ao governador os instrumentos da orquestra. Até chegar na fatídica cuíca. E assim falou: "e esta, senhor governador, é a célebre cuíca". Ao que Benedito, querendo dar o troco, redarguiu com inteira convicção:

- Não caio mais nessa não. Isto é quiçá!

Historinha enviada por J. Geraldo


Paulo Egydio conta


O livro "Paulo Egydio conta" é um precioso documento sobre parcela importante da história contemporânea do país. Trata-se de um rico depoimento que o ex-governador paulista (1975 - 1979) dá a pesquisadores da FGV. Ele narra episódios e bastidores da política, descreve as tensões e turbulências do início de seu mandato, quando ocorreu o assassinato do jornalista Vladimir Herzog e, meses depois, o do operário Manuel Fiel Filho. Narra sua versão sobre a polêmica invasão da PUC e interpreta diversos momentos daqueles tempos de chumbo.


Episódios de ontem


Um dos episódios mais curiosos, narrados por Paulo Egydio, foi a saída do general Ednardo D'Ávila do comando do II Exército e sua substituição pelo general Dilermando Monteiro. Na transmissão do comando, Ednardo, em protesto, não usou o procedimento de transmitir o comando ao general Ariel Pacca da Fonseca, que ficou alguns dias até a chegada do general Dilermando. Com o qual, "acabaram os boatos e não se ouvia mais falar do DOI-CODI". O ex-governador conta que foi ele a dar posse a Lula como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. E conta : "admirei a figura do Lula, que se apresentava como sindicalista totalmente contrário ao peleguismo getuliano. ... Fui fazer uma homenagem e acabei convidado a dar posse a ele. Um gesto de deferência". Ganhei o livro do sobrinho de Paulo Egydio, André Pousada.


Eita, Brasil


Um sujeito comprou uma geladeira nova e para se livrar da velha, colocou-a em frente a casa com o aviso : "De graça. Se quiser, pode levar". A geladeira ficou três dias sem receber um olhar dos passantes. Ele chegou à conclusão: ninguém acredita na oferta. Parecia bom demais pra ser verdade. Mudou o aviso: "geladeira à venda por R$ 50,00". No dia seguinte, a geladeira foi roubada!

Historinha enviada por Álvaro Lopes


Conselho ao ministro Palocci


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos olimpianos. Hoje, sua atenção se volta ao ministro Antonio Palocci:

1. Apesar da cláusula de sigilo posta nos contratos para os clientes de sua consultoria, sua palavra é, neste momento, absolutamente imprescindível. A nota de esclarecimentos que veio a público é insuficiente para atenuar a onda crítica da mídia e das oposições.

2. Quem não deve não teme. Se vossa excelência agiu de acordo com a lei, não há razão para evitar explicações.

3. A negativa de dar entrevistas sobre o caso apenas vai adensar a pauta crítica.



(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 24 de maio de 2011

JUIZ NEGA JUSTIÇA GRATUITA A FILHO DE MARCENEIRO. EM GRAU DE RECURSO, DESEMBARGADOR - TAMBÉM FILHO DE MARCENEIRO - REVERTE A DECISÃO EM VOTO BRILHANTE


É simplesmente emocionante a decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça e São Paulo. Um garoto pobre, que perdeu o pai em um acidente de trânsito pediu ajuda da Justiça Gratuita, mas um juiz negou. A negativa por si só já comove, principalmente pela falta de humanidade. Só que, a decisão de um desembargador é ainda muito mais emocionante

Decisão do desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.

Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular".

A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário.

Transcrevo a íntegra do voto:

"É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.


Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.


Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.


O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.

Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.


Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.


Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...

Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.

Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.


É como marceneiro que voto.


JOSÉ LUIZ PALMA BISSON - Relator Sorteado"


(Enviado por Boaventura Bonfim)

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Palocci, lucros e perdas


O caso da multiplicação patrimonial do ministro Palocci dificilmente atingirá o governo da presidente Dilma, a não ser que as investigações - se estas vierem a ocorrer - encontrem um "cruzamento" dos recursos contabilizados pela empresa do chefe da Casa Civil com a campanha da então candidata de Lula. É improvável - se não impossível - também que a oposição, frágil, desunida, desnorteada, consiga arrastar Palocci e governo para um confronto no Congresso. Com um pouco do uso da caneta e o amparo de Lula, Dilma não terá dificuldades para acalmar os aliados mais assanhados e desejosos de cometer pequenas traições. Não está nem mesmo em jogo, a não ser por uma incerta "nova bomba", a permanência de Palocci, ao lado da presidente no Palácio do Planalto. Todavia, não significa que, na contabilidade política, o episódio tenha sido neutro. No balanço de lucros e perdas, os prejuízos políticos foram elevados. Alguns, irrecuperáveis.


O esgarçamento político


Palocci ficou com o flanco exposto, perdeu a condição de coordenador "crível" das relações políticas do governo com o Congresso, com os partidos e com alguns setores da sociedade, à parte os empresários, que sempre souberam com quem estão tratando e não se importam com alguns "detalhes" no modus operandi de seus interlocutores. Na sociedade, voltaram os questionamentos éticos. Guardadas as devidas proporções, o episódio Palocci se assemelha ao mensalão do Lula, quando o ex-presidente passou por seu piores momentos políticos, chegando mesmo na ocasião a pensar em desistir da reeleição para evitar o pior. Salvou-se pela condescendência da oposição, pela boa conjuntura econômica e pelo seu extraordinário instinto político. Não fosse isso, Lula teria ficado refém dos partidos e do Congresso. De certo modo, ficou, tendo de ceder muito aos aliados, entregando-se ao PMDB o que recusara no início do mandato.


Dilma não é Lula


Dilma, pessoalmente, não tem os mesmos trunfos, e terá então de se desdobrar para não cair nas malhas dos ávidos aliados. A votação do Código Florestal, prevista para hoje, e o que anteceder e suceder à votação, dará os primeiros sinais do tamanho do estrago político causado pelos negócios de Palocci. O anteparo pode ser Lula, calado de público, porém ativo nos bastidores para blindar Palocci e o governo. Aí surge o fantasma da dependência da criatura face ao criador, tão comentado durante a campanha eleitoral e nunca totalmente exorcizado.


Regras três


O PMDB está encantado com a possibilidade de o vice-presidente da República, Michel Temer, vir a substituir o combalido Palocci como articulador político do governo no Congresso, com os partidos e até com a sociedade. Palocci, frágil, ficaria apenas com as tarefas internas, burocráticas do governo. Na realidade, esta missão para o vice é mais um desejo dos peemedebistas do que uma possibilidade de fato. Ela causa urticárias em todo o corpo do PT e em diversos outros aliados. O lobo tem pele de cordeiro e uma bocarra imensa.


Eles vão bem, brigados


Está tudo certo para a convenção do PSDB no fim de semana: ou seja, nada está acertado. O senador Aécio Neves, com o sorriso de quem é sempre muito cordato, fechou as portas nacionais para o grupo de José Serra, ao menos para disputar um cargo de maior relevância no partido. A presidência, que Serra um dia cogitou para ele próprio ou para alguém de seu grupo, vai continuar com Sérgio Guerra, de quem o ex-governador paulista tem queixas desde a campanha presidencial do ano passado. Aécio não abre mão de manter o mineiro Rodrigo de Castro, de seu grupo, na estratégica secretaria-geral, lugar em que Serra pensou instalar seu vice no Palácio dos Bandeirantes, Alberto Goldman. O mineiro, por interpostos terceiros, patrocina o ex-senador na direção do Instituto Teotônio Vilela, vaga que, por gratidão, Geraldo Alckmin sugeriu que fosse entregue a Serra.


Alckmin e Serra


O próprio Alckmin, embora tenha lançado Serra para o ITV, não dá murros na mesa para emplacar seu sucessor, faz apenas um gesto de boa vontade. O governador paulista tem seu próprio jogo, que não bate necessariamente nem com o de Serra nem com o de Aécio. O senador das Alterosas bate suas asas também em direção a outras siglas, com o PSB e o PDT. Ninguém tem dúvidas sobre as digitais de Serra no PSD de Gilberto Kassab. E Alckmin firma fidelidades abrindo o governo paulista para outras legendas, até o PP de Paulo Maluf.


E FHC?


Fernando Henrique Cardoso, cuja liderança no partido é incontestável e que poderia celebrar uma pax tucana mesmo que um pouco precária, prefere agir institucionalmente, sem meter a mão na cumbuca do varejo partidário. Não será ainda desta vez que o PSDB conseguirá um mínimo de unidade para liderar a oposição no Congresso e para se preparar para as eleições municipais de 2012. No tucanato, vão todos muito bem, brigados.


No dos outros é refresco


O governo Federal quer concentrar a primeira etapa de sua reforma tributária no ICMS, um imposto que não é dele, mas dos governadores. Para reduzir o tributo e torná-lo mais racional, aceita até criar um fundo de compensação para os Estados que vierem a perder receitas. Os governadores aceitam, mas se a compensação for real, como, por exemplo, com a redução dos encargos da dívida estadual rolada por Brasília. Somente nos três primeiros meses do ano eles pagaram mais 30% de juros sobre ela em relação ao ano anterior. Não aceitam promessas, escaldados nas dificuldades para o ressarcimento da isenção do ICMS da Lei Kandir. Resumo da ópera: enterrem a reforma antes mesmo de ser proposta.


Dinheiro é que é bom...


Clésio Andrade, senador governista mas também ligado a Aécio Neves, apresentou proposta de reforma constitucional aumentando de 22,5% para 26% o repasse do governo Federal para o Fundo de Participação dos Municípios. É este o tom da reforma tributária que governadores e prefeitos querem. E o único que o governo Federal não quer. Eles só chegarão a um acordo se ninguém perder nada e, se possível, todos ganharem um pouquinho que seja. Assim, só o contribuinte é quem perde...


Nos olhos dos outros


A Fiesp apresentou há dias sua receita de reforma tributária, com foco na desoneração das atividades industriais. Muito justo, uma vez que a carga de impostos é mesmo pesada e não incentiva a produção. Porém, transfere o ônus para os bancos, comércio, serviços, etc. Assim, não cola.


Nem o PT deixa


Nas propostas de mudanças que o governo apresentou para convencer a sociedade de que vai fazer para valer um ajuste permanente nas contas públicas está a sugestão de limitar os aumentos dos gastos com pessoal anualmente à variação de inflação mais 2,5%. Uma sugestão idêntica foi apresentada no Senado, quando da discussão da derrotada prorrogação da CPMF, limitada à alíquota de 1,5%, que não chegou nem a ser analisada dada a reação dos aliados, PMDB à frente. Agora, outra PEC idêntica recebeu parecer contrário do deputado petista do RS, Pepe Vargas. O PT, que de tolo não tem nada, não vai querer brigar com uma das suas melhores e mais atuantes clientelas eleitorais.

Coisas do Brasil - 1


Somente para lembrar: os medicamentos de consumo humano no país têm uma incidência tributária superior, em média, à dos insumos agrícolas, rações e medicamentos e uso animal.


Coisas do Brasil - 2


A "churrascaria" BNDES vai de vento em popa: o banco estatal já se tornou o maior acionista individual da JBS Friboi.


Desaceleração da atividade é evidente


Há quem acredite que a economia brasileira ainda não entrou em processo de desaceleração o que justificaria mais freios via taxa de juros. Os dados do comércio em particular, do crédito e do consumo, em geral, dão evidências de que a desaceleração está em curso e é significativa. Apenas não chegou à indústria em alguns casos e a setores que comercializam commodities.


O problema é outro


A questão da desaceleração da atividade é que esta vem sem que o setor público tenha reduzido a sua demanda. Leia-se: as medidas de contenção dos gastos públicos não saíram do papel. Portanto, em alguns meses, ficará claro que a economia perderá sua dinâmica de crescimento na medida em que a produtividade caíra. Lembrando que: produtividade é igual a potencial de crescimento futuro.


Assédio no FMI


As ansiedades em relação à substituição de Dominique Strauss-Kahn, no FMI, são gigantescas e passam pelo jogo interno da política francesa. Não à toa, Christine Lagarde está sendo indicada e é a candidata mais forte: é parte da aliança governista conservadora liderada por Nicolas Sarkozy. Todavia, há uma importante questão: Lagarde é dura crítica da especulação financeira mundial. Talvez a vida dos especuladores fique mais arriscada, pois sob a batuta do "socialista" Strauss-Kahn a coisa continuava frouxa.


Efeitos sobre a Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda, Itália, etc. e tal


A pequena, endividada e belíssima Grécia não está com muita sorte ultimamente. Entre as especulações em relação à reestruturação de sua dívida, o diretor-gerente do FMI foi pego no exercício de seus arroubos libidinosos. Todavia, caso Christine Lagarde seja guindada ao posto máximo do FMI, a Grécia poderá analisar concretamente as condições de reestruturação de sua dívida. Lagarde é mais favorável a "uma saída de mercado" para a situação dos países endividados da Europa. Isso deve ser lido como algo favorável à reestruturação. Assim, quem poderia perder seriam os especuladores que teriam de engolir prejuízos pelas irresponsabilidades que cometeram somadas as dos governos destes países.


Espanha, um alerta?


É equivocada demais, simplista em excesso, a interpretação de que a esquerda perdeu as eleições regionais de domingo, na Espanha. Perdeu "o governo de plantão", por acaso comandado pelo Partido Socialista. Se fosse o inverso teria perdido a direita. O eleitor espanhol deste domingo se chama "crise econômica", desemprego de mais de 20%.


Nova bolha


Experientes analistas de mercado estão comparando indicadores das crises anteriores com dados sobre as variações de preços no mercado de commodities. Não são poucas as semelhanças com as bolhas do mercado de ações "tecnológicas" (1999) e imobiliária (toda a década dos anos 2000). A fluidez dos recursos, somada à frouxidão monetária nos países centrais, está produzindo uma bolha cujo diâmetro é desconhecido. Não resta dúvida de que se trata de uma "bolha". Resta saber se explode logo.



A coluna Política & Economia NA REAL é assinada por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PARA REFLETIR

"As horas batem indiferentemente para todos e soam diferentemente para cada um."

C. Diane

JUSTIFICATIVA

Quero me justificar pela ausência de postagens no final de semana pretérito. Era o meu aniversário: 45 anos!

Alguns amigos e familiares me confortaram com o afago da presença amiga. Gracias! Primeiro a Deus e, depois, à vida!

Júnior Bonfim


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Quer queira ou nao, aniversario é sempre uma data que nos impõe reflexão, um voltar-se a si mesmo, um ensimesmar-se, enfim, dá-se uma paradinha. Especialmente, quando se atinge a chamada idade da razão ( Ah seu Sartre!).

Deus, na sua imponderável sabedoria, tem a magia de nos dar e cobrar, fazer-nos ver e ao mesmo tempo nos missionar, dar-nos altura e ao tempo justo, fazer-nos generosos, e assim vai; essa permanente e incessante aventura chamada vida, sempre desejada, por mais que esteja errada, nimguem quer a morte, só saúde e sorte, já dizia o inesquecível Gonzaguinha.

JB, essa idade é especialmente mágica, foste-te dado, pelo divino, a capacidade de perscrutar almas, e de até fazer artesanato dela, visto nascer-te poeta e de lapidá-la, visto orador que és, e amante da vida, visto também, amigo que és.

Que o barro novo do chamado Curral Velho sempre te edifique, que a semente teimosa e sertaneja do Mondubim te seja sempre fértil e que o calor e a luz dos inhamuns te aqueçam e te iluminem sempre.

Seu menor criado.

Carpe Diem forever! (Aproveite o dia sempre!)

PN.

Rio de Janeiro perto da Lapa e próximo ao coração do Noel.
Enviado via iPad

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida

quarta-feira, 18 de maio de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Mudou de nome?

Mariana, em Minas Gerais, já foi chamada de Roma brasileira. Terra de fé e de velhas igrejas. E cheia de placas com nomes engraçados nas ruas:

- Cônego Amando

- Armando Pinto

Cônego Amando era conhecido pela verve. Um dia, viajando pelo interior do município, uma de suas acompanhantes caiu do cavalo. Rapidamente ficou em pé. Meio sem graça, perguntou ao Cônego:

- O senhor viu a minha agilidade?

- Minha filha, respondeu, eu até que vi. O que eu não sabia é que tinha mudado de nome.

(Historinha de Zé Abelha em A Mineirice)

Palocci sob bombardeio

O ministro Antonio Palocci é o mais poderoso do governo Dilma. Assume o papel de um primeiro ministro: coordena tarefas, recebe demandas, acerta nomeações, leva nomes para presidente Dilma, enfim, é a barreira mais forte sob a qual se resguarda a presidente. E ainda se dispõe a auxiliá-la na árdua tarefa de fazer articulação com o Congresso, tarefa que dispõe de um ministro próprio, Luiz Sérgio, da Articulação Institucional. Essa introdução tem o objetivo de arrumar o argumento: quando o principal ministro é atingido por matéria jornalística de impacto, os estilhaços acabam caindo sobre a imagem do governo. E é o que está acontecendo. Palocci foi objeto de matéria de primeira página na Folha de S.Paulo, sob a abordagem de que aumentou seu patrimônio 20 vezes nos últimos 4 anos.

Fogo amigo?

O ministro Palocci, ao que se sabe, pode ter sido objeto de fogo amigo. Petistas se dividem em alas, grupos, facções, cada uma desejando ser mais poderosa que a outra. Aliados de outros partidos também querem ver o ministro fragilizado. Palocci é foco de tiroteio. Precisa explicar como conseguiu aumentar seu patrimônio. Consultoria dada por sua empresa, é o que alega para a CGU, a Controladoria Geral da União. Não é proibido um deputado ter uma consultoria. Contanto, que não preste serviços ao Estado para evitar tráfico de influência. A mídia quer saber a quem o ex-deputado prestou serviços. O ministro argumenta que tudo está documentado. O imbróglio implicará diminuição de força do chefe da Casa Civil? É improvável.

Efeitos

Sob bombardeio, Palocci vai carecer de apoio político para evitar idas ao Congresso Nacional e depoimentos que poderiam constrangê-lo e ao governo do qual faz parte. É o que as oposições pretendem. Como é sabido, elas estão sem poder, sem discurso e com as bases desmotivadas. Agora, pressentem a oportunidade de ressurgirem sob a bandeira de uma matéria com sabor de escândalo. Mas as bases governistas certamente não aprovarão a convocação do ministro. Elas, contudo, gostariam de compensação. Palocci precisa apressar e fechar o processo de nomeações de aliados, particularmente os políticos que não obtiveram sucesso no último pleito. Todo esse rolo chegará à mesa presidencial. Uma dúvida persiste: que "amigos" poderiam ter mais interesse em colocar Palocci na fogueira? Quem teria vazado as informações que chegaram aos meios de comunicação?

Genéricos variados

Eis mais uma faceta brasileira: os preços dos medicamentos genéricos podem variar até 986,96%. Resultado de uma pesquisa feita pelo PROCON em São Paulo.

Shadow cabinet? Besteira

Geraldo Alckmin nunca agiu de maneira açodada. Trata-se de governante de estilo moderado e que não aprecia causas e coisas polêmicas. Agora, porém, saindo um pouco de seu estilo conciliador, propõe a implantação de um shadow cabinet, ferramenta de inspiração britânica, e que se propõe, como um gabinete paralelo, a monitorar, avaliar, julgar, comparar e denunciar as ações do governo Dilma. Ou seja, Geraldo quer entrar na briga. Serra já entrou e usa as armas das redes sociais - textos com abordagem crítica - e Aécio ainda não encontrou o tom para fazer oposição. Ocorre que essa proposta de Alckmin parece velha. Porque já foi tentada outras vezes. E nunca deu certo. Por falta de fôlego de seus autores, motivação ou mesmo recursos para tocar um empreendimento, que demanda quadros especializados e estudos constantes. Por já ter visto esse acervo ineficaz, este consultor chega à conclusão: é besteira.

Cid provoca

O espevitado governador do Ceará, Cid Gomes, continua na sua jornada para demonstrar a "inépcia, incompetência e desonestidade" do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Cid participou nesse fim de semana de um rally na BR-222, que reuniu 100 veículos, em um protesto contra os buracos nas rodovias Federais. Ora, Cid faz parte da base governista. O mais estranho é que a presidente Dilma tenha chamado seu ministro para explicar as razões da querela. O ministro explicou e tudo ficou como "dantes no quartel D'Abrantes". Este consultor, avaliando o perfil gerencial, técnico e cheio de autoridade da presidente Dilma, imaginava que os querelantes logo iam se acertar. Errou em cheio. Racha entre aliados do governo, atenção, é sinal amarelo.

Brasil, 77 milhões

O Brasil tem 77 milhões de brasileiros adultos que não têm conta bancária. Fica atrás da China, Índia, Indonésia e Paquistão.

Quem subiu primeiro?

Pedro Aleixo, um dos mais matreiros políticos mineiros, era advogado brilhante. Criminalista de primeira. Em um processo de crime de sedução, a testemunha-chave sustentava a tese de que quase presenciara o defloramento contra a vontade da vítima, o qual teria ocorrido em um sótão. Aleixo liquidou o depoimento com uma pergunta à testemunha: Quem subiu primeiro a escada?

Tesoureira no júri

A tesoureira da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) nos Estados Unidos, Regina da Silva, vai à júri popular. Ela foi acusada, segundo o jornal O Globo, de falsidade ideológica, fraude e furto por causa de uma operação irregular de empréstimo no valor de US$ 22 milhões (cerca de 36 milhões de reais) feita em novembro em nome da igreja fundada pelo bispo Edir Macedo. Juiz Richard Carruthers decidiu que Regina deverá responder por 36 crimes.

Oferta milionária

Semana passada, a mídia noticiou mais uma oferta milionária, dessas que se multiplicam na esfera do showbiz e do jornalismo que provoca sensação: R$ 1,4 milhão mensais. Isso mesmo, por mês. Essa teria sido a oferta da TV Record a José Luiz Datena, contratado da Band e responsável pelas maiores audiências do canal. Como se recorda, Datena, ao sair da Record, em 2003, foi acionado pela emissora por quebra de contrato. De lá para cá, tem disparado críticas aos bispos do canal. A mesma TV Record bateu, pela primeira vez, a TV Globo durante o período matutino. Foi ontem. Fechou, na média, com 6,9 pontos contra 6,3 da Globo e 5,9 no SBT. Dados foram apurados da medição prévia minuto a minuto e foram calculados pela reportagem do UOL.

Obama, Bin Laden e economia

Obama ganhou novamente o respeito e a admiração dos americanos. A morte de Bin Laden contribuiu para resgatar os índices de aprovação popular. Mas não será esse fato que dará a ele vitória na campanha à reeleição. Mais uma vez, quem deitará o voto nas urnas será o PNBF, Produto Nacional Bruto da Felicidade, que começa com P de poupança, ou seja, dinheiro no bolso. A economia, estúpido.

Pleonasmo

Político tão esperto quanto simplório, Benedito Valadares era governador de Minas Gerais quando encontrou na ante-sala de Getúlio Vargas o ministro da Educação, Gustavo Capanema, que estranhou seus óculos escuros.

- É uma conjuntivite nos olhos - explicou Valadares.

- Benedito, isso é um pleonasmo! - reagiu o ministro, professoral.

Valadares ignorou a observação e entrou para falar com Vargas. O presidente também estranhou os óculos escuros. Ele reagiu:

- Presidente, o médico lá em Minas disse que era uma conjuntivite nos olhos, mas o Capanema, que quer ser mais sabido que os médicos, me disse que é um pleonasmo!

Em minha modesta interpretação penso que Benedito Valadares estava certo, existe outro lugar para dar conjuntivite, a não ser nos olhos?

Revendo jurisprudência

O TST decidiu rever 26 pontos de sua jurisprudência. Os ministros, tocados pelo espírito do tempo, pretendem estabelecer uma sintonia fina entre a obsoleta legislação trabalhista e a realidade do trabalho. Súmulas e enunciados do TST precisam ser atualizados, entre os quais questões atinentes à terceirização de serviços. Na esfera do trabalho, por exemplo, não há mais como distinguir o que é atividade meio e atividade fim. O que são atividades meio e fim em uma indústria automobilística, por exemplo? Nesse sentido, modernizar a súmula 331 se faz absolutamente necessária. O TST está de parabéns por querer trilhar os caminhos da realidade, evitando sair pelas curvas do passado.

Serra candidato?

A visão deste consultor é de que José Serra começa a balançar quando seu nome é posto no circuito municipal de 2012. Antes, não admitia discutir a proposta. Hoje, demonstra interesse em ouvir as análises. Serra acabará aceitando a pressão tucana, a partir do governador Geraldo Alckmin.

Vossa excelência é passional

Em Governador Valadares/MG, a sessão da Câmara corria normal, até o momento em que o líder da oposição se dirige a um opositor meio radical, que o aparteava:

- Vossa Excelência é passional.

O adversário, pego de surpresa, perguntou ao colega ao lado o significado de passional.

- Passional quer dizer bicha, diz o interlocutor em tom de gozação.

O quebra-quebra tomou conta do ambiente. Cadeiras foram jogadas no orador. Sessão suspensa. Quase saiu tiro. A turma do deixa-disso jogou panos quentes. Por via das dúvidas, a palavra passional foi riscada do vocabulário da Câmara.

O direito de casar

Adriana Galvão, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/SP e advogada do escritório Approbato Machado, admite que recente decisão do STF acerca da união estável entre homossexuais foi um avanço, pois demonstrou que a legislação deve ser inclusiva. "A garantia dos direitos, independente da orientação sexual, deve ser assegurada". O casamento civil entre homossexuais depende da aprovação de PEC, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ). São necessárias 171 assinaturas para dar início à tramitação.

Primeira pesquisa em SP

Saiu a primeira pesquisa para a prefeitura de São Paulo. Feita pelo Ipespe/Diário, a pesquisa chama a atenção por alguns cenários apresentados. Marta Suplicy, no cenário número 1, sai na frente com 50% de intenção de voto. Mas Serra não aparece nesse cenário. O segundo cenário é com Aloizio Mercadante, que tem 37%. Também sem Serra. Chama a atenção os cenários 4 e 5. Nesses, Serra aparece na liderança, com 40%. O segundo lugar pertence a Aloizio Mercadante, com 35% no cenário 3 e 34% no cenário 4. O terceiro lugar é de Paulo Skaf, que aparece com 8%, superando Gabriel Chalita, com 6%.

PPS vai de Soninha?

A ex-vereadora Soninha poderá ser a candidata do PPS à prefeitura paulistana. E entraria no campo tucano no segundo tempo do jogo.

PC DO B com Netinho

Já Netinho de Paula, que tem 13% no cenário 1, disputando com Marta Suplicy, deverá reivindicar a candidatura pelo PC do B.

Zé Aníbal

O secretário da Energia, José Aníbal, que obtém 7% no cenário com Marta, 8% disputando com Mercadante e 15% no embate com Netinho de Paula, lutará para ser o candidato tucano caso Serra não tope entrar no jogo.

O deputado Marcelinho

Marcelinho Carioca vai assumir, amanhã, a vaga de deputado Federal no lugar do deputado Abelardo Camarinha, do PSB, que pediu licença da Câmara por seis meses. Marcelinho, do PSB paulista, diz à Coluna que está entusiasmado com a possibilidade de servir ao povo no parlamento Federal. E avisa que deverá ser candidato a vereador no pleito de 2012, porque será deputado Federal por um período curto.

Lunga aposentado

Esta Coluna tem o dever de comunicar que aposenta o personagem "Seu Lunga". Já faz um tempinho que a figura não aparece nesse espaço. Joaquim Santos Rodrigues vinha tentando há tempos por fim à fama de "homem mais zangado do mundo". Venceu a primeira batalha. A Justiça cearense proibiu um cordelista, Abraão Bezerra Batista, de usar o nome de Lunga em suas histórias. E a Coluna, mesmo lamentando, apoia a decisão do velho e engraçado amigo.

Conselho aos olimpianos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos parlamentares. Hoje, sua atenção se volta aos olimpianos:

1. Olimpianos, segundo Edgar Morin, sociólogo francês, são todos aqueles que habitam o Olimpo da Cultura de Massas. Ou seja, governantes, políticos, artistas de todos os naipes, reis, rainhas, príncipes, músicos/cantores/compositores, presidentes de grandes grupos, jogadores de futebol, técnicos de futebol, etc. Pois bem, tenham cuidado, Olimpianos, com as escadas da fama.

2. Vocês estão subindo nas escadas em direção ao Olimpo todos os dias e em momentos muito flagrados pela mídia : restaurantes, espaços públicos, corredores dos Palácios e dos Parlamentos, palcos, palanques, teatros, etc. E, em uma hora qualquer, em um espaço que vocês imaginavam ser recôndito e sagrado, são flagrados com a mão na botija. No dia seguinte, suas fotos estarão estampadas nos espaços midiáticos.

3. Portanto, senhoras e senhores olimpianos, cuidem-se: não corram nus atrás de camareiras e arrumadeiras de hotel; não façam propostas mirabolantes; não enfiem a mão na boca da botija. Vocês poderão ser picados por cobra venenosa. Lembrem-se do que ocorreu com Bill Clinton, na Casa Branca (com Mônica Lewinsky), Berlusconi, em sua mansão, (com Karima El Mahroug, a dançarina marroquina) e Dominique Strauss-Kahn (com a arrumadeira do Sofitel, em Nova Iorque).

____________


(Gaudêncio Torquato)

PROGRESSO

O espírito dionisíaco passou,
ébrio,
esfumaçado na poeira dos
minutos.
Mesmo o Apolíneo, gerador das
artes,
a buscar em si o equilíbrio e a
harmonia,
transpôs um umbral que elucida
a morte
e que explica a vida a renascer,
sempre.

As velhas Leis matemáticas que
divulgam
os segredos perdidos nas
memórias arcanas,
estipulam os preceitos, a
verdade face a face
desta evolução que é serena,
humilde e eterna.

Por um dever cumprido, de
patamar em patamar,
pela educação consciente em
firmeza e evolução,
Para onde converge a
humanidade? Espiritualidade!
Numa ciência lógica e precisa
em suas regras naturais:
A primeira e maior: caridade,
benevolência, compaixão
no ato da existência da vida que
não cessa, é fonte eterna.
A segunda, mas essencial e
meritória nesta longa
caminhada:
o renunciar das ilusões, pela
ânsia de plenitude e paz no Ser
Maior.

(Raimundo Cândido)

terça-feira, 17 de maio de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Brasília, temor e insatisfação

O estilo público da presidente Dilma tem sido muito elogiado, já quase em prosa e verso. O estilo privado, de "gestão de pessoas" e de abordagem política, nem tanto. Comenta-se na capital, em tom de queixa e revolta, a aspereza no trato com auxiliares, um certo fastio com a operação da política dos políticos e a demora no atendimento dos pleitos partidários. Diz-se que há uma certa soberba e arrogância pairando no Planalto, disfarçada nos eventos públicos. Foi por conta desse caldo de cultura que o governo esteve a minutos de sofrer sua primeira fervorosa derrota no Congresso, mais especificamente na Câmara, na votação do novo Código Florestal. Do PMDB ao PT, passando pelos aliados menos votados, havia uma disposição na noite de quarta-feira, quase madrugada de quinta-feira, de se votar contra as posições defendidas pelo governo. Bons contabilistas das coisas do Legislativo asseguram que a proposição mais ao agrado dos ruralistas do que dos ambientalistas teria cerca de 400 votos num total de 513. Velhas raposas dizem que, se o governo não ficar mais "simpático" a mesa pode começar a mudar. (Entenda-se por simpatia: nomear mais rapidamente os segundo e terceiros escalões, soltar mais verbas das emendas dos parlamentares e para os prefeitos e afagar deputados e senadores com gestos de carinho, recebendo mais, conversando mais com eles). O temor das broncas, para completar, geram, naturalmente, o temor de avançar decisões, de tomar a iniciativa sem consultar os oráculos nas mínimas coisas.

Só blábláblá, não

De uma experiente alma política, da base aliada: "O governo pensa que é espertinho demais e que leva a gente aqui somente no lero-lero. Ele está arriscado a sentir logo que aliado insatisfeito é muito pior do que esta oposição mambembe que está aí".

Estratégia de risco

Os operadores políticos do governo acreditam ter descoberto a forma para pressionar os ruralistas a apressar a votação do Código Florestal, aceitando as mudanças que os ambientalistas ainda querem fazer no relatório do deputado Aldo Rebelo, tido como excessivamente antiambiental - é que em 11 de junho termina a moratória para desmatadores concedida pelo presidente Lula. Daí em diante, quem está fora da lei fica sujeita a multas diárias, cuja repetição pode tornar os ônus para os proprietários. É fato. Mas é preciso saber se o governo terá força (ou determinação, ou coragem) para valer para punir quase 4 milhões de propriedades nessas condições, boa parte das quais trabalhadas por pequenos e microprodutores. É ameaça para não cumprir porque poderia criar um problema social e político de alta combustão. O governo está condenado a buscar um acordo rapidamente por um texto de algum consenso no Código Florestal ou então a prorrogar por mais um tempo a anistia a quem desmatou fora das regras.

Em ritmo de valsa

As divergências entre os partidos políticos na luta pela distribuição dos cargos Federais em Brasília e nos Estados, somada à disposição da própria presidente Dilma de tratar a questão com parcimônia e em câmera lenta, além de gerar insatisfações entre os parceiros, até no obediente PT, está provocando paralisações e até uma certa anomia em vários ministérios e órgãos oficiais. Há ministros que não conseguiram nomear até agora seus preferidos para áreas vitais de suas pastas, órgãos com interinos, órgãos comandados por pessoas que não sabem se vão continuar. Há casos de escolhidos para postos chaves que começaram a trabalhar sem a nomeação oficial, com mesa e cadeira na Esplanada dos Ministérios, e, depois de um bom período de atividade tiveram que sair porque o governo precisava do posto para outra composição política. Ainda há gente nesta situação desde janeiro. E Brasília assiste ainda, como na semana passada, a duas ou três posses importantes, com o governo às vésperas de entrar em seu sexto mês. A situação só é mais tranquila nas áreas em que houve uma continuidade e naquelas nas quais o novo ministro optou por manter a equipe passada. E não se trata apenas de ministérios de peso secundário. De fato, o fenômeno se dá em áreas ditas prioritárias. Na Saúde, por exemplo, somente nos últimos dez dias definiu-se os titulares da Anvisa e da Funasa. O que gera uma certa lentidão, quando não paralisa nas decisões desses organismos. Quem se sabe interino ou não tem certeza de que vai ficar por mais tempo, decide o menos possível, apenas toca o barco.

Tudo bem aqui fora

Em compensação, ao contrário do mundo político, que começou o governo com entusiasmo elevado e agora já está de crista baixa, no mundo real da economia e da sociedade, depois dos meses iniciais de desconfiança, o governo começa a ultrapassar o ceticismo vigente. Aumenta o número de agentes econômicos e formadores de preço que passaram a acreditar que a estratégia traçada para a política econômica, de combate gradual à inflação para não comprometer excessivamente o crescimento econômico, tem possibilidades de ser bem sucedida. Os dois próximos meses podem ser decisivos nesta retomada da confiança, a partir dos números da inflação, do desempenho real das contas públicas, da capacidade que o governo demonstrar de que vai continuar toureando as pressões políticas, e do desempenho da economia externa; esta última variável a grande incógnita do momento.

Hora imprópria

Por falar em economia mundial, tudo que não se queria agora é uma complicação no FMI, como a gerada por essa história do seu diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn. Os mercados ontem já refletiram negativamente a confusão, num momento em que a Europa volta a pisar em ovos e esperava do Fundo um anteparo para valer. Pode ficar tudo paralisado e incerto, ainda mais que já se abriu uma disputa perigosa pela vaga de Kahn.

"Conosco ninguém podemos"

No idos aos anos 1960, o escritor Sérgio Porto, na pele do seu alter ego Stanislaw Ponte Preta, o criador do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o país), dando vazas a sua veia musical, compôs uma música que intitulou "O samba do crioulo doido". (Nome hoje politicamente incorreto. Deveria se chamar: "Samba do afro descendente com deficiência mental"). Stanislaw contava a história de uma sambista que, depois de anos chamado a compor sambas de enredo para sua escola de samba, com temas e personagens da história do Brasil, posto diante do desafio de falar da "atual conjuntura" delirou de vez, e entre outras sandices cantou o casamento de Tiradentes com a Princesa Leopoldina, lembrou a "proclamação de escravidão" e por aí afora. Um sucesso de bom humor, sem consequências. Pois foi este espírito do sambista inventado pelo criador do Febeapá (nada mais significativo aliás) que baixou nos autores de um livro, aprovado oficialmente, sobre Língua Portuguesa, que está sendo distribuído nas escolas públicas nacionais. O livro, em resumo, considera que falar (e escrever) sofra dos padrões da norma culta (não a norma complicada, a mais simples, mas gramaticalmente perfeita) não é errado, pode ser apenas inadequado. Assim, valem, por exemplo:

"Nós pega o peixe" - "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado"

E outras sandices. Ou seriam asnices? A obra faz parte do Programa Nacional do Livro Didático. Com tais conceitos, dá aval ao lema de um bloco carnavalesco no interior de Minas: "Conosco ninguém podemos". E torna norma culta um velho linguajar de alguns futebolistas menos letrados: "A gente faremos tudo para vencer nossos adversário". O Ministério da Educação andou um tanto fora do ar após seguidas trapalhadas no Enem. Mas voltou com tudo, no melhor estilo do Lalau Ponte Preta do Febeapá. Ao contrário do que diz certo jargão, nem toda ignorância é santa, nem inocente, pois manter as pessoas ignorantes e mal informadas é mantê-las atreladas à pobreza e fáceis presas do clientelismo político.

Crer para ver

Tucanos têm espalhado que chegaram a um acordo entre suas diversas correntes não só em São Paulo, entre os grupos de Alckmin e Serra. Como também nacionalmente, entre Aécio e Serra. São Tomé está a postos para conferir.

Ver para crer

A cúpula do PMDB, de público, garante que o partido está satisfeito com o desenrolar do governo. Parece que faltou combinar com as bases.

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(Por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

PARA REFLETIR

Eu amo a minha liberdade, amo a honestidade das pessoas, não a considero uma virtude, mas sim, um compromisso.

Gosto de ter amigos, ainda que poucos, porém pessoas raras, incomuns, loucas de preferência.

Acredito no amor universal e nas pessoas que o exercitam, as demais ignoro e lamento!

[Clarice Lispector] Água Viva

REUNIÃO DA ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS

Caros Colegas da ALC,

No proximo dia 20 de maio, sexta feira, às 19:00h, na nossa Sede, realizaremos mais uma reunião de trabalho para tratar dos ultimos acertos acerca do nosso projeto de publicação sobre o Centenário de Crateus.

Na ocasião tambem trataremos da preparação de nossa Assembléia Geral para eleição da nova diretoria da Arcádia e tambem da eleição de novos membros para ocupar as cadeiras vagas da ALC.

Apresento-lhes a sugestão de que a Assembleia de eleição seja no dia 04 de junho, o primeiro sabado do mês, lembrando que a posse dos novos diretores será em 13 de junho.

É importante que os nomes a serem sugeridos a virem compor a ALC e submetidos para eleiçao na assembleia sejam levados ao conhecimento dos colegas ja no dia 20 proximo, para que constem do edital de convocação da assembléia.

Lembramos que os candidatos devem ser origentados a cumprirem os pre-requisitos para ingresso na arcádia e entregá-los na nossa Sede até o dia 28 de maio, o curriculo pessoal, memorial de seu patrono escolhido e copia de sua obra, publicada ou não. Todos os documentos exigido devem ser apresentados em tres vias, ou tres exemplares, no caso de publicação.

Saudações literárias!

Elias de França
presidente

COMENTÁRIO

Caro Junior,

justa e merecida a homenagem prestada ao querido amigo e irmão Eliel.

Abraços.

Sergio Moraes

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 DE MAIO LEMBRA "MARIA"

MAIO É O MÊS DE MARIA!

A oração preferida e mais proferida pelos católicos: AVE MARIA!

Em Português

Ave, Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora da nossa morte.
Amém.

Em Latim

Ave Maria, gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus fructus ventris tui Jesus
Sancta Maria, Mater Dei,
Ora pro nobis pecatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen.

Em Inglês

Hail Mary,
Full of Grace,
The Lord is with thee.
Blessed art thou among women,
and blessed is the fruit
of thy womb, Jesus.
Holy Mary,
Mother of God,
pray for us sinners now,
and at the hour of death.
Amen.

Interpretação da Ave Maria en latim, feita por Celtic Woman!

UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO

BLOG DO JÚNIOR BONFIM: UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO: "MAIO É O MÊS DE MARIA! A oração preferida e mais proferida pelos católicos: AVE MARIA! Em Português Ave, Maria, cheia de graça, o Sen..."

quarta-feira, 11 de maio de 2011

OBSERVATÓRIO

Vamos iniciar nossa coluna hoje passeando pela fonte dos bons ensinamentos: os filósofos. Platão concluiu que os males do homem só chegariam ao fim quando fôssemos governados por filósofos. O filósofo é o amigo do saber. Saber – que tem a mesma raiz latina de sabor – tem menos a ver com cultura dos livros e mais com a cultura das luzes. Sabedoria é saber sentir e saborear a vida verdadeira. É deixar-se banhar pela luminosidade do bem. É ter sensibilidade para experimentar um tempero diferente. É ousar. Aristóteles, discorrendo sobre a virtude, afirmou que virtuoso era quem mantinha eqüidistância entre dois vícios, um por excesso e outro por falta. Em A Tranqüilidade da Alma, Sêneca mostra a importância do equilíbrio do humor na vida das pessoas. Indagado por um amigo (Aneu Sereno) a respeito de uma questão existencial, uma espécie de inconstância da alma que o incomodava, responde: “o objeto de tuas aspirações é, aliás, uma grande e nobre coisa, e bem próxima de ser divina, pois que é a ausência da inquietação”. Em seguida, Sêneca diz o que entende por tranqüilidade: “Vamos, pois, procurar como é possível à alma caminhar numa conduta sempre igual e firme, sorrindo para si mesma e comprazendo-se com seu próprio espetáculo e prolongando indefinidamente esta agradável sensação, sem se afastar jamais de sua calma, sem se exaltar, nem se deprimir. Isto será tranqüilidade”.


O FOCO

Nas últimas edições temos rabiscado cenários para a eleição municipal vindoura, inclusive mencionando possíveis postulantes. De pronto, alguns reagem aos nomes como se qualquer cidadão que, em tese, preenche as condições de elegibilidade não pudesse lançar o seu nome. Porém, hoje quero redirecionar a discussão. O que é essencial, estratégico e relevante se colocar a respeito do assunto? Normalmente a campanha é um momento culminante da realização de um debate que deveria ser permanente: a cidade e o campo, a vida e sonhos das pessoas. Para onde caminhamos? O que queremos? Pensar sobre a nossa existência, o conserto dos problemas e os contornos do futuro – eis o que importa. No entanto, ao invés desse debate maiúsculo, via de regra nos perdemos em questões menores. No lugar de projetos, discutimos pessoas, fulanizando uma conferência que deveria ser impessoal. É aí que se insere a lição dos filósofos: precisamos dos eflúvios da sabedoria, do equilíbrio sensato e da tranqüilidade da alma para conduzir esse processo pelos trilhos da sensatez. Libertar-se das altas temperaturas verbais, do discurso contaminado pela grosseira rivalidade, da cegueira tóxica que nos impede de enxergar méritos nos contendores.


OS POLOS

Invariavelmente, temos assentado as disputas no binômio presente versus passado. A próxima refrega eleitoral precisa ser feita com esteio em outra polarização: o presente e o futuro. Avaliar o presente projetando um futuro melhor. Traduzindo: a oposição precisa analisar a atual gestão sem os arroubos da inconseqüência, sem disseminar o ódio contra o atual gestor. Carlos Felipe teve algum merecimento – reconheçamos. É trabalhador – aplaudamos. A controvérsia não repousa sobre a pessoa dele, mas sobre o projeto de governo que implantou. O que se contesta, então? Dentre outras coisas, um modelo administrativo que priorizou a partidarização ao invés da profissionalização da Administração Pública. Profissionalizar significa priorizar a competência técnica e não a afinidade eleitoral/partidária. (É inadmissível, nos dias atuais, que uma Prefeitura do porte da nossa funcione sem um quadro de advogados-procuradores concursados. O Procurador Geral pode até ser nomeado sem concurso, porém o corpo técnico não). Outro ponto: Como se admitir que um governo que se reivindica de esquerda tenha uma relação de intolerância, desrespeito e, à vezes, até de truculência com os servidores, em especial os professores?... Enfim, se nos detivéssemos a elencar a pauta de debate, com certeza o espaço seria pequeno. O importante é que se olhe a Educação, a Saúde, a Cultura, a Instituição, a Infra-estrutura etc. sobre os olhos da realidade atual e com vistas aos avanços que almejamos. Só depois de pontuarmos corretamente essa primeira etapa do processo, é que se pode passar para a segunda: a definição de nomes.


NOMES

Nomes é que não faltam. E quando os mencionamos queremos apenas mostrar que esse interesse das pessoas em oferecer sua contribuição é salutar para o município. O nome de Paulo Nazareno repercutiu rapidamente. O ex-vereador Antonio Luiz Mourão externou que toparia ser o vice de Nazareno. Sustenta que comporiam uma dupla imbatível. Márcio Cavalcante ligou protestando o fato de seu nome não ter sido divulgado. Diz que é candidato a Prefeito. Argumenta que está bem posicionado nas pesquisas e que realizou um grande trabalho à frente do legislativo municipal. Até amigos do ex-Deputado Federal Antonio Cambraia exibem a avaliação de que Crateús está necessitando de um gestor equilibrado e experiente, com boas relações internas e externas. Cambraia, escolhido o melhor Prefeito do Brasil quando governou Fortaleza, poderia ser convidado a dar sua contribuição a Crateús. Enfim, essa fartura de postulantes é positiva.


À MODA TWITTER


O doutor José Arteiro apresentou, sexta-feira (06.05), o livro Jitiranas de Luz, do poeta Dideus Sales. Notada a ausência do alto escalão da Prefeitura. Vanderlei inaugurou moderno salão de eventos, altos do Restaurante... Os ‘camilianos’ (representantes da Instituição São Camilo) assumiram o Hospital São Lucas. Que essa intervenção cirúrgica na saúde local seja bem sucedida... Zé Vanlor e Vânia, por ocasião da festa de bodas de ouro, conseguiram congregar uma legião de amigos e, principalmente, a confraria familiar, liderada por Estênio e Valmir Campelo... Este último, o decano da mais alta Corte de Contas do País, agradeceu efusivamente a Crônica de sua vida aqui publicada...



PARA REFLETIR


“O importante é viver bem, não viver por muito tempo; e muitas vezes vive bem quem não vive muito. Ninguém se preocupa em ter uma vida virtuosa, mas apenas com quanto tempo poderá viver. Todos podem viver bem, ninguém tem o poder de viver muito. Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida”. (Sêneca)


(Júnior Bonfim, na edição de ontem do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)

ELIEL MACHADO DA PONTE


Diviso aleatoriamente as pessoas que escolho para abrilhantar esta Coluna. Algumas, em função de posições que ocupam no gramado social, são amplamente conhecidas; outras, por razões que não me compete perquirir, optaram por buscar assento na arquibancada do anonimato. Quiçá porque assimilaram, como Gandhi, a liturgia da natureza: trabalham continuamente, mas em silêncio.

É o caso de Eliel Machado da Ponte, um cidadão que conheci na década de 1970, quando pilotava um ônibus da Viação Machado. Vindo das Três Lagoas do Coreaú, Eliel se fez um ser humano fácil em meio às dificuldades da vida. Filho de agricultores pobres, sua primeira escola foi a roça – onde aprendeu que é necessário paciência e perseverança para colher a fartura natural. Jamais esqueceu o frugal alimento que lhe era oferecido na mesa do sofrimento: o feijão, a farinha e a rapadura – símbolo da dureza que se transforma em doçura.

Com apenas 11 janeiros teve cortado o cordão do afeto maternal: Florência Carneiro Portela, sua genitora, desencarna por ocasião de um parto. Logo que completa 18 anos, o filho de Francisco Machado da Ponte segue a marcha independente da vida.
Trabalhando com os primos Raimundo Machado e Milton Machado, empresários do ramo de transportes, faz progressos: começa na função de cobrador e ajudante de bagagens, depois vira motorista.

Laborando no percurso Crateús a Independência, conhece a mulher que iria tornar cativo o seu coração: Elzafá Pedrosa Machado. Convolaram núpcias em 1975 e, com a chegada de herdeiros, se dedicaram inteiramente à formação dos mesmos: Magidiel e Ismael Pedrosa Machado, pois o caçula, Gebnnel, prematuramente (com apenas dez dias de vida) foi levado para outra dimensão.

Em que pese as enormes barreiras postas na estrada da sua vida, Eliel sempre alimentou firmemente o sonho de formar os filhos. E na direção desse sonho pilotou como um sábio. Ou como um mestre, na melhor esteira do ensinamento Budista: "O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente."

Em 1996, transporta o filho mais velho, Magidiel, para a Capital Alencarina, a fim de que pudesse dar concreção ao mais profundo desejo de sua alma. No ano seguinte repete o gesto com o outro filho, Ismael. Nesse mesmo ano, enfrenta uma grave intempérie: perde o emprego! Mas não perde a fé, essa inexplicável força que remove montanhas e gera luz onde reina a escuridão. A mão Divina o abençoou e um novo emprego surgiu, na Empresa Gontijo. Faltando apenas dois anos para a graduação dos seus pupilos, passa a trabalhar na Empresa Barroso, onde laborou até obter a aposentadoria.

Homem de sólidas crenças, Eliel conseguiu voar ao topo do monte do discernimento: aprendeu que a vida é passageira e que, nessa viagem fugaz, nossa melhor ação é lançar sementes do bem à beira do caminho e cavar masmorras às paixões ilusórias. Virou obreiro da messe Espírita e, como Allan Kardec, “reconhece o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações”.

Antenado com os campos infinitos da percepção dos valores essenciais, tem seguido a bússola do desprendimento da matéria e conseqüente dedicação às causas do espírito, concentrando energia na valorização interior e no serviço ao próximo.

A partir desse desabrochar íntimo da sensibilidade, recolheu da realização do sonho de ver os filhos bacharéis em direito, em julho de 2002 (Magidiel e Ismael pontificam entre os mais promissores causídicos das plagas do Poty) o sinal da oportunidade de se dedicar com mais afinco ao ideal de servir ao semelhante. Passa a trabalhar voluntariamente na Creche José Maria Camerino, dedicando tempo e trabalho, atenção e afeto para a comunidade do bairro Fátima II.

Em 2006, elege a meta de construir um Centro Espírita no bairro Cidade 2.000 como o seu grande propósito. Em 15 de dezembro do mesmo ano, inaugura um grande templo Espírita, dotado de moderna infra-estrutura e à altura do vigoroso trabalho social que realiza junto àquela comunidade.

Eliel renasce em cada desafio e se mantém colhendo frutos de prosperidade, pois descobriu a norma fundamental: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. (Allan Kardec)


(Júnior Bonfim, na edição de ontem do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE!

UTOPIA

Hoje lembrei-me dessa música, que presenciei sendo gestada no início dos anos 1980. Compartilho:



UTOPIA

Composição: Zé Vicente

Quando o dia da paz renascer
Quando o Sol da esperança brilhar
Eu vou cantar

Quando o povo nas ruas sorrir
E a roseira de novo florir
Eu vou cantar

Quando as cercas cairem no chão
Quando as mesas se encherem de pão
Eu vou cantar

Quando os muros que cercam os jardins, destruídos
Então os jasmins vão perfurmar

Vai ser tão bonito se ouvir a canção
Cantada de novo
no olhar da gente a certeza de irmãos
reinado do povo (2x)

Quando as armas da destruição
destruídas em cada nação
eu vou sonhar

E o decreto que encerra a opressão
assinado só no coração
vai triunfar

Quando a voz da verdade se ouvir
e a mentira não mais existir
será enfim
tempo novo de eterna justiça
sem amis odio sem sangue ou cobiça
vai ser assim

Vai ser tão bonito se ouvir a canção
Cantada de novo
no olhar da gente a certeza de irmãos
reinado do povo (2x)

domingo, 8 de maio de 2011

O DIA DAS MÃES

O dia das Mães inevitavelmente nos remete a dois caminhos: o primeiro nos impele a pensar a magnitude da maternidade; o segundo nos leva ao útero que nos gerou, à lembrança da nossa genitora.

Conquanto respeite quem pensa diferente, acho constrangedor para alguém do sexo masculino falar sobre algo que o destino reservou única e exclusivamente para uma fêmea. A maternidade repousa no território sagrado do inefável, habita as grutas imperscrutáveis do mistério, dormita no altar solene das grandezas inatingíveis.

Na academia da maternidade, as mulheres fazem todos os exercícios físicos e psíquicos, ideológicos e fisiológicos imagináveis: colocam ali o peso do corpo, a leveza da alma, o sopro da inteligência e a aura do espírito. Quando uma mulher se torna mãe, sua personalidade se transforma indelevelmente. Jamais será a mesma. Por isso dedicamos incomparável predileção pela que nos gerou.

Só quem se abre à comunhão com os laços umbilicais; só quem conviveu com a figura invariavelmente afetuosa de uma mãe - ou, noutro extremo, foi privado ou perdeu a ternura da presença materna sabe quão importante é o papel da fonte pela qual vimos ao mundo.

Recordo Rosária, minha suave mãe, ornamento floral em minha vida, peça de arquitetura fisiológica donde brotaram roseiras preciosas. Praticou o amor em sua plenitude evangélica: deu a vida pelos outros, personificados nos entes mais próximos, sobremaneira pelos filhos e pelo marido. Meu pai revelava a predileção especial que tinha por um ou outro filho. Dos lábios da minha mãe jamais auscultamos qualquer sílaba discriminatória.

Concordo com Rubem Alves quando elege a árvore como linda metáfora para a mãe: “As árvores estão sempre à espera. Acolhem aqueles que as buscam na sua sombra. São silenciosas. Sabem ouvir. Não têm pressa. Sob as árvores os pensamentos se aquietam. Elas nos falam da estupidez humana, na sua correria sempre em busca dos olhares dos outros. Coitados dos adultos: sempre prisioneiros dos olhos dos outros e dos pensamentos que imaginam morar neles. Árvores não têm olhos. Por isso elas não fazem comparações. Não dizem que esse é mais bonito que aquele”.

Mães de todas as raças: continuem como colossais árvores de luz, deitando raízes profundas, produzindo frutos de sabedoria e germinando rebentos de uma cultura de paz! Feliz Dia das Mães!

(Júnior Bonfim)

FELIZ DIA DAS MÃES!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

POETA DIDEUS SALES LANÇA LIVRO HOJE EM CRATEÚS

Às 20 horas de hoje, no Restaurante O Wanderley, o poeta Dideus Sales lança seu "Jitiranas de Luz". É a sua 13ª obra literária, na linha poética. Lançado em abril, em Aracati, onde ele reside, a obra será lançada em vários outros locais do País, até julho. Fortaleza, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Mossoró já estão marcados para os próximos dois meses. Será apresentado pelo promotor de Justiça, José Arteiro Soares Goiano.

(Caderno REGIONAL do Diário do Nordeste)

JITIRANA DE LUZ

No pórtico de entrada, um pelotão de Carnaúbas - palmeiras do semi-árido - anuncia o ingresso no território mágico da latência imorredoura. Na vereda que percorro esparrama-se o perfume original do mufumbo. Chego à sertaneja casa que amo. Mesclada de alvenaria e pau-a-pique, cercada por aquele tradicional entrelaçamento de madeiras locais. Quando, mesmo distante, para ela volvo o pensamento, sinto-me transportado para um espaço de deleite e aconchegante convívio. Na entrada toco a sagrada romã, símbolo do amor e da fecundidade. Miro o ornamental flamboyant e sua magnética ressurreição. Colho uma polpuda siriguela e sorvo o seu doce mel. Em seguida corro a vista na vigorosa canafístula e sento à sombra do juazeiro, estandarte da caatinga.

Pronto! Agora posso prosear sobre o autor deste livro. Só aqui, em meio às oiticicas da infância, ao estrume azul do velho curral, às ribanceiras do rio em que nasci, recolho a espontânea força para falar de um ser tão efusivamente terrestre como Antonio Dideus Pereira Sales.

Este poeta é co-responsável pelo meu ingresso no reino da alegria. No ano 2000, quando restaurava um habitat no torrão em que nasci, ele me fez uma doação valiosa e vital: um carro cheio de mudas – mamão, pitanga, coco, acerola, limão, alfavaca, laranja etc. - a fim de que eu circundasse com plantas minha gleba predileta.

Nascido nos sertões de Crateús, Dideus Sales veio a este ambiente chamado terra para cumprir a sina invulgar de divulgar a boa nova da poesia e esbanjar generosidade.

Desde cedo virou apóstolo do sonho, missionário do verso, lavrador de amizades, cidadão do mundo. Nos anos 1980 destacou-se ao desenhar, na atmosfera do interland cearense, um arco-íris de estrofes formosas e delicadas. Usava as nuvens sonoras do rádio para derramar os fios celestes da genuína, silenciosa, cativante e muitas vezes anônima poesia popular.

Depois, ganhou asas e voou o Brasil inteiro. Conhece versejadores da foz do enigmático Amazonas ao Porto Alegre do Rio Grande do Sul. É, por natureza, andarilho. Caminha por sobre o trilho da rima com brilho.

Cantando, se encantou com as graças de Isabel, uma bela morena do litoral. A Bel e um sedutor vento arrastaram o trovador para as ondas do mar de Aracati, onde se instalou e procriou o Mateus e a Vitória. Daquela terra suntuosa e exuberante comanda a linotipia da Gente de Ação, uma revista que divulga quem faz alguma coisa pela arrumação do mundo e que exibe um balaio dos melhores fiadores de palavras do Ceará.

Eis, minha gente, um típico e robusto animal do sertão, com uma das mais altas taxas de colesterol telúrico que conheço. Um canário da terra, um autêntico “cabeça vermelha”.

Na vida, como na literatura, nos defrontamos com dois modos de ser: o da prosa e o da poesia. Ao gosto da flora que amamos, Dideus optou por viver em permanente estado de poesia. É ele a JITIRANA DE LUZ!

(Júnior Bonfim)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

STF - OAB PEDE QUE LEI DA FICHA LIMPA SEJA DECLARADA CONSTITUCIONAL


Em ação ajuizada no STF ontem, 3, a OAB pede que a lei da ficha limpa (LC 135/10) seja declarada constitucional. "A sociedade e a comunidade jurídica discutem a validade e sua constitucionalidade, criando-se, pois, justo receio de nova situação de insegurança jurídica a ser projetada nas eleições municipais de 2012", afirma o presidente da OAB na ação, Ophir Cavalcante.

O pedido da entidade é feito em uma ADC 30, distribuída para o ministro Luiz Fux. Ele é relator de outros dois processos sobre a matéria, a ADIn 4578 e a ADC 29.

Na ação, a OAB afirma que a lei da ficha limpa, quando estabelece novas hipóteses de inelegibilidade, não fere os princípios da razoabilidade ou da proporcionalidade. Alega ainda que a aplicação da norma a atos e fatos passados não ofende a coisa julgada, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Ainda de acordo com a entidade, não é aplicável à norma o argumento de que ela estaria retroagindo para prejudicar políticos já condenados.

"Não haveria sentido a Lei Complementar estabelecer novas hipóteses de inelegibilidade e não transcender seus efeitos a atos/fatos passados à sua publicação (em junho de 2010), visto que é a própria Carta Federal que determina seja observada a vida pregressa do candidato", ressalta o presidente da OAB.

Ele também frisa que inelegibilidade não é pena e não impõe punição a quem quer que seja. Segundo o presidente da OAB, as regras e sanções previstas na lei da ficha limpa são de natureza eleitoral. "O regramento, neste caso, é obviamente diferente, pois visa a proteger um outro valor constitucional: a moralidade administrativa", diz.

Na ação, a OAB lembra que, em março, o Supremo decidiu que a lei da ficha limpa não poderia ser aplicada ao pleito do ano passado porque foi promulgada menos de um ano antes das eleições. A entidade afirma ainda que, no julgamento, foram apresentados questionamentos sobre a constitucionalidade de outros pontos da norma.

"Calha pontuar que durante o julgamento foram invocados diversos argumentos que abalam a confiança da sociedade brasileira acerca da aplicabilidade do regramento legal nas próximas eleições municipais [2012], o que justifica a utilização da presente (ação declaratória de constitucionalidade)." A OAB complementa que há, inclusive, divergência nos diversos TRE's sobre a norma.