terça-feira, 19 de julho de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Confirmação de tendência

Na coluna do dia 9/5 escrevemos que os mercados sinalizavam uma mudança substantiva de tendência. Depois de quase um ano de recuperação do colapso financeiro ocorrido nos países centrais do capitalismo. a partir de agosto de 2008, os mercados refletiram em larga medida o sucesso imediato da adoção de políticas dos governos para evitar que a atividade econômica atingisse patamares de uma crise como a de 1929. Ao final do primeiro trimestre deste ano, quase todos os segmentos do mercado local e mundial apresentaram um desempenho que espelhou este processo inicial de recuperação. Restavam os aspectos estruturais das economias para serem "recuperados" por meio de políticas governamentais. Não foi isto que ocorreu na maioria dos países, incluso o Brasil, que permaneceu letárgico diante de seus problemas.

Sistemas emperrados

A crise europeia, deflagrada pelo colapso da Grécia, é a representação de que a absorção dos "créditos podres" do sistema privado (e estatal) não está cabendo na dimensão da dívida externa e interna dos países. Os investidores que se beneficiaram do socorro do Estado são aqueles que, sem as perdas gigantescas das quais foram protegidos, agora constatam que as dívidas de países como Portugal, Espanha, Irlanda e, até mesmo, Itália e França, podem não ser solventes na sua plenitude. O mesmo raciocínio vale para a os EUA, muito embora a sua posição estratégica lhe permita melhores condições.

O dilema europeu

Há um problema estrutural muito maior que uma conjuntura negativa. A crise é estrutural e requererá um encaminhamento político sobre o qual não temos convicção que os sistemas políticos estão preparados para solver. Portanto, trata-se de uma crise de enormes proporções. A Europa está diante de uma "escolha de Sofia". Ou aprofunda a União Europeia, sonhada destes os anos 50 do século passado, ou dissolverá o seu sistema monetário "jogando ao mar" os países menores do Velho Continente. Angela Merkel e sua visão de um germanismo econômico simboliza a restrição à estratégia pró-aprofundamento. De outro lado, a França e a Inglaterra simbolizam a hesitação na defesa da União. A questão não está apenas mal parada. Ela está ainda sob o impacto da análise de ganhos e perdas.

Os EUA tem a sua própria miopia

O caso norte-americano é ainda mais simbólico do momento decisivo pelo qual passamos. Obama é uma figura política pálida, sem sustentação política no Congresso e incapaz de promover mudanças estruturais no seu próprio sistema econômico. Suas políticas maneiam entre aspectos exclusivamente ideológicos (universalização da saúde e previdência, intervenção do Estado sobre o sistema produtivo, etc.) e aspectos concretos (limites orçamentários e de dívida, apatia dos investimentos privados, desemprego elevado, etc.). Há ainda a constatação que somente as urnas abençoarão a renovação (ou não) da liderança americana e, assim, capacitá-la a mudar o curso do declínio do Império.

China não é fiadora, é outro risco

Até pouco tempo atrás, as colunas dos principais jornais econômicos do mundo atribuíam à China a extraordinária capacidade de mover para cima e para baixo a economia mundial num momento de fraqueza de demanda. Ao aprofundar-se a crise neste momento, fica evidente o que já se sabia: num sistema aberto como o do comércio mundial, não há vencedores quando todos perdem. A desaceleração chinesa já é fruto da fragilidade das economias capitalistas centrais. E tem mais : a China detém 1/3 dos títulos do Tesouro norte-americano e boa parte (algo como ¼) dos títulos dos países europeus. O questionamento da solvência plena das dívidas antes consideradas "certas" impõe dúvidas sobre a China, que resvalarão no seu próprio desempenho econômico. A China não é, portanto, apenas esperança de demanda, é também um sinal de alerta para o mundo, particularmente o ocidental.

Brasil, com os dedos cruzados I

No resumo analítico que fizemos acima, cujo objetivo é apenas qualificar nossas visões, vê-se que estamos diante de um processo estruturalmente complexo e que, inevitavelmente, trará consequências para o Brasil. Muito embora sejamos uma economia relativamente fechada, os vasos comunicantes do preço das commodities e das transações entre os mercados financeiros e de capital são suficientes para nos contaminar. Neste sentido, é preciso reconhecer de saída que em 2008 as condições da economia brasileira eram melhores que as atuais para enfrentar uma conjuntura desfavorável. Atualmente, a crise estrutural é mais grave. O Brasil ainda tem números fiscais razoáveis frente a seus pares europeus e os EUA, mas estes são piores que há dois anos. A nossa maior virtude se concentra no excelente nível das reservas, mas estas estão aplicadas em quase 100% em títulos europeus e norte-americanos. Vê-se que a situação não é simples.

Brasil, com os dedos cruzados II

O maior problema brasileiro é o câmbio. Desde o governo de FHC, passando pelo de Lula e chegando a Dilma, a política cambial carece de cuidados. Não apenas em função da inflação, mas, sobretudo, em função da prometida política de desenvolvimento econômico. A taxa de câmbio é a variável mais sensível para viabilizar (ou não) o desenvolvimento industrial. O que se viu até agora nos últimos dez anos, pelo menos, foi uma total falta de visão estratégica em relação ao tema. Não se discute esta variável para não comprometer o "mercadismo" financeiro e, de outro lado, as forças produtivas internas não se apresentam como viabilizadoras políticas de uma discussão em torno de seus interesses. Afora o fato de que a alta das commodities obscureceu os efeitos estruturais do comércio exterior sobre o processo de desenvolvimento tecnológico e econômico. A conta sempre chega neste campo, estejamos certos disso.

Inflação, boas novas (e ruins)

A inflação projetada cai. Uma boa notícia quando há dois meses especulava-se que os preços podiam tomar um rumo perigoso. Todavia, dois aspectos têm que ser qualificados para que não sejamos tomados de ânimos que não se sustentam logicamente: a inflação caiu porque a atividade econômica está menor (com o BC puxando os juros) e em razão do câmbio comportado e para baixo (o que força os preços domésticos também para baixo). E tem mais : uma taxa de inflação entre 6% e 7% não é baixa. Ao contrário, agrega mais riscos ao cenário atual.

Copom, cheio de opções

Escapemos das análises do mercado sobre o tema e vejamos a questão de um ângulo mais estrutural. O BC tem todas as opções a sua disposição em relação à taxa de juros, mas as dúvidas são grandes. Vejamos: (i) a desaceleração da atividade econômica é evidente - e ficará mais evidente à frente - (ii) - os preços podem cair mais, dependendo do comportamento do câmbio (iii) e, o risco externo está aumentando. Seria prudente o BC esperar para agir, pois o cenário é muito incerto e a taxa de juros, convenhamos, um presente dos céus para quem tem recursos aplicados no Brasil... De todo modo, amanhã o Copom deve aplicar mais 0,25% na Selic, para desgosto de certas áreas oficiais. O dito mercado ainda aposta em outro 0,25 até o fim do ano, mas então tudo é incerto.

Por tudo isso...

Estamos reforçando a nossa visão negativa (desde 9/5/11) em relação ao desempenho econômico mundial e brasileiro, cujos efeitos sobre os mercados são igualmente negativos, muito embora muito difíceis de serem dimensionados.

Feliz 2013

Não há muitas dúvidas, a não ser que o BC dê um grito de autonomia, que no momento não está a seu alcance: a meta oficiosa é só levar a inflação para o centro da meta (4,5%) em 2013. 2012 tem eleição municipal, com as consequências já conhecidas, ainda mais que petistas e aliados querem ampliar suas forças com vistas a 2014, e há bombas contratadas como o aumento de cerca de 14%, cerca de 8 pontos reais acima da inflação, para o salário mínimo. E em 2011, além de ainda influenciado pelos ares de otimismo que Lula espalhou antes de sair do governo e está alimentando depois dele, de que o Brasil já entrara na rota do paraíso, há a necessidade de a presidente Dilma de firmar-se sobre suas próprias pernas. Antes disso, ela não pode bater forte na política nem na economia.

Política e economia

A dúvida de alguns especialistas é simples : a presidente não pode "bater" duro este ano nos fantasmas econômicos - casos do câmbio em que ela precisa se equilibrar entre proteger a indústria brasileira e a ajuda que o dólar desvalorizado dá ao combate à inflação e do próprio juro - por razões de ordem política. Não estaria ela, no entanto, apenas comprando um problema para o ano eleitoral? Não seria melhor ser dura agora para respirar em 2012?

Lá como cá

Se alguém julga que serve de consolo: parte da queda de braço entre Obama e os adversários republicanos tem, de fato, a ver com princípios ideológicos, com opções de ordem econômica. Parte, porém, como lembrou o economista (democrata) Paulo Krugman, tem a ver com as disputas eleitorais de 2012. Já não se fazem países do lado de cima do equador como antigamente!

Transportes congestionados

Destaca-se a oficial e oficiosamente diferença entre as ações da presidente Dilma no caso Palocci, no qual ela demorou 23 dias para livrar-se do bem sucedido consultor de empresas, e o episódio dos ministérios dos Transportes, no qual no mesmo dia da notícia da "farra dos aditivos" ela já mandou para casa três suspeitos e aceitou as "férias" de um terceiro - em dois dias mandou de volta para o senado o próprio ministro Alfredo Nascimento. As razões levantadas pelas vozes que fazem questão de apontar tais diferenças são três:

1. Dilma percebeu que as vacilações na ocorrência Palocci pegou mal para certos setores da sociedade, especialmente a classe média conservadora.
2. Aproveitou para livrar-se de um grupo que nunca foi o dela.
3. Aaproveitou também a situação para firmar sua própria liderança, à revelia do próprio padrinho e de aliados.


Não seria bem assim

Os adversários das interpretações acima e aqui não se trata da oposição, pois esta... contestam com outros argumentos:

1. Palocci era do PT, a turma em desgraça nos Transportes era (e é) de outra freguesia. Se fosse um petista no lugar de Nascimento e troupe Costa Neto, haveria a mesma eficiência?

2. A escolha de Paulo Sérgio Passos para o lugar de Nascimento, também como (ainda que formalmente) como homem do PR, mostra os limites do tal grito de independência política.

3. A demora de fazer uma profilaxia total no ministério dos Transportes, com Luis Antonio Pagot e todo o DNIT, incluindo um petista gaúcho citado por Pagot como um homem muito poderoso no departamento, sinaliza dificuldades e necessidade de muitas negociações.


Efeito colateral

Quando Dilma age, como está agindo no ministério dos Transportes, para efeito externo (opinião pública) e como efeito demonstração (público interno), afastando ou demitindo à primeira denúncia, ela, ao mesmo tempo, está criando um ambiente de insegurança em muita áreas sob seu comando e incentivando o velho e corrosivo fogo amigo. "Publicou, caiu. Então, vamos soltar as labaredas" pode ser o novo lema das "pacificadas e unidas" forças governistas.

Otelo

Como escreviam os colunistas de outros tempos, "causou espécie" nas áreas a quem se julga de direito, os elogios que a presidente Dilma fez ao ex-presidente FHC e ao governo dele, em carta pela celebração dos 80 anos do tucano. Não foi por outra razão que a presidente, que andava avara em referências ao patrono, numa semana fez três citações ao ex-presidente Lula. E ainda falou em "herança bendita" em pleno desenvolvimento da crise do ministério dos Transportes, mandada e comandada por gente e acordos recebidos do passado. Não foi à toa ainda que o ex-presidente petista insurgiu-se novamente - seu tema recorrente - contra a imprensa em evento oficioso (tal o patrocínio estatal) da UNE em Goiás, entre outras coisas, por tentar "intrigar" criador de criatura. Quem tem paredes com bons ouvidos em São Paulo e em Brasília sabe o que se passa no mundo real. E sabe, de lado a lado, de onde sopram as "intrigas".

Apelidos delicados

No meio das ferrovias, havia um Juquinha incômodo, mandado definitivamente pelo desvio em que o PR foi metido (temporariamente ou para sempre?) No caminho dos armazéns nos quais o governo fez estoques alimentícios, há um Juca (com acento no "a" muito familiar) da cota do maior, e no momento mais estridentemente silencioso, partido da base aliada.

O perigoso terreno da galhofa

Ridículo é pouco para classificar certos gestos e atos públicos destinados transmitir para o distinto público sinais de que nas hostes políticas oficiais os aliados vivem na maior harmonia. Como, por exemplo, o bolo de noiva (Dilma e Temer nos papéis principais) cortado entre o PMDB e o PT; e os coquetéis e jantares agora oferecidos pela presidente, antes avessa a esse tipo de coisa, aos políticos aliados, nos quais, ao modo dos call centers, ela diz aos neoamigos, "vocês são muito importantes para mim". O risco é descambar para a galhofa.

Sherlock Holmes

A serviço do país não seria o caso de contratar o personagem de Conan Doyle e outras criaturas como Hercule Poirot, de Agatha Christie, numa convenção dos grandes detetives ficcionais da história, para descobrir os ritmos da oposição brasileira? Antes que ela própria vire apenas uma ficção?

Jornalismo em choque e em xeque

Ruppert Murdoch, para o jornalismo de respeito, é e sempre foi uma excrescência. Mas que há uma certa dose de hipocrisia, acolá e aqui, em relação às revelações sobre os métodos do Publisher (se assim se pode chamá-lo). Basta ver o teor (se alguns conteúdos assim merecem a classificação) de certas publicações de sucesso e o lixo eletrônico que toma as tardes nacionais e estrangeiras. Além de cair em cima de Murdoch seria com que cada um, publicações, publicadores e público fizéssemos uma passagem pelo confessionário. A propósito, valeria, para jornalistas (e advogados) a leitura de "O jornalista e o assassino", da jornalista norte-americana Janet Malcolm, edição da Cia. das Letras.


(Por Francisco Petros e José Márcio Mendonça)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CURIOSIDADE!!!

Para a sabedoria infinita o numero de frequência máxima é 3= 1+1+1 - SERÁ SOMENTE COINCIDÊNCIA

Este ano vamos experimentar quatro datas incomuns: 1/1/11, 1/11/11, 11/1/11, 11/11/11 e tem mais!!!

Pegue os últimos 2 dígitos do ano em que nasceu mais a idade que você vai ter este ano e será igual a 111 para todos!

ALGUEM EXPLICA O QUE É ISSO????

USE A BOCA PARA PROFERIR PALAVRAS DOCES E GENTIS

Compreenda que o melhor papel a desempenhar é a sua própria missão de vida! E você deve ter uma missão importante e só sua, tá? É por isso que quanto antes você assumir sua consciência de que tem toda responsabilidade pelos pensamentos, pelas palavras e ações, mais rápido vai encontrar a paz que tanto procura!

Pare imediatamente de falar que a vida é complicada e coisas desse tipo. Veja com mais clareza a simplicidade das coisas. Veja como é melhor e mais fácil levar a vida quando se dispõe a fazer só duas coisinhas: assumir de vez a sua vida e procurar servir ao outro!

Você é sim dono do seu destino, viu? E sempre será! Você veio para este mundo sozinho e sozinho dele partirá deixando as suas próprias marcas!

Pois quando você compreender melhor o seu papel nesta vida, mais cedo descobrirá que tem uma missão a ser cumprida! Talvez a missão de amar sem reservas. Ou talvez a missão de modificar o mundo à sua volta!

Saiba também que a palavra é forte porque ela representa o seu pensamento e este representa a sua alma em ação! E se você tiver sempre palavras duras, com certeza vai colher respostas duras! Mas se você plantar palavras otimistas vai ter flores e frutos em sua vida! Palavras otimistas querem que a vida fique mais bela, sabia?

Nunca deixe que uma palavra ríspida que ouviu, fique guardada em sua memória, tá? É melhor calar do que machucar. É melhor morder a própria língua do que soltar veneno por ela. Que de sua boca saiam só o elogio e palavras doces e gentis.

Ao falar palavas duras, você vai colher respostas duras"


Mensagem de Luis Carlos Mazzini

PARA REFLETIR

"Não se pode ser justo, quando não se é humano."

Vauvenargues

domingo, 17 de julho de 2011

IMAGINE - O HINO À PAZ DE JOHN LENNON

Domingo é dia de lazer, repouso, diletantismo e sonho.

Permitam-me compartilhar o mais belo, suave e vigoroso hino da lavra de John Lennon, lançado há quatro décadas.

Em votação da revista Rolling Stone, a música foi eleita a terceira melhor de todos os tempos.

John Lennon descreve a canção como sendo anti-religiosa, anti-nacionalista, anti-convencional e anti-capitalista. Na canção ele pede para imaginar um mundo sem religião ("no religion"), sem países ("no country"), sem possessões ("no possessions"). A letra foi inspirada em um desejo de Lennon de ver um mundo em paz.

De acordo com os jornais The Sunday Times e The Guardian, Yoko Ono teria influenciado o refrão da canção, pois ele aparece em vários poemas escritos por ela na década de 60 e em seu livro intitulado Grapefruit: "imagine a raindrop...".

Depois da morte de John Lennon, foi construído em sua homenagem um mosaico contendo a palavra Imagine no Central Park de Nova Iorque, em uma parte que fica em frente ao prédio que Lennon morava e foi brutalmente assassinado, o edifício Dakota.



sexta-feira, 15 de julho de 2011

A PALAVRA DO DIA: "O FILHO DO HOMEM É SENHOR DO SÁBADO!"

Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer.

Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: 'Olha, os teus discípulos estão fazendo, o que não é permitido fazer em dia de sábado!'

Jesus respondeu-lhes: 'Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome?

Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes?

Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma?

Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo.

Se tivésseis compreendido o que significa: 'Quero a misericórdia e não o sacrifício', não teríeis condenado os inocentes.

De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado.'


Este é um dos trechos, ao meu sentir, mais profundos do Evangelho.

Narra a cena em que Jesus e seus discípulos passavam no meio de uma plantação, em um dia de sábado, os discípulos começaram a apanhar espigas para comer, porque estavam com fome. Os doutores da lei de então levantaram o brado de protesto, porque consideravam trabalho o fato de colher espigas, e no sábado era proibido trabalhar. Jesus dá dois exemplos, mostrando que a vida humana está acima da Lei.

Fica evidente, aqui, a preocupação de Jesus com o essencial: a vida humana, colocando-a acima de qualquer lei, civil ou religiosa, pois a lei do sábado era ao mesmo tempo civil e religiosa.

Salta aos olhos que, para o Jovem de Nazaré, o mais importante é perscrutar o espírito da Lei, que é promover a liberdade humana. Quando a Lei é usada para impor grilhões e condenar inocentes, ela está descurando do seu verdadeiro sentido.

(Evangelho de Mateus, 12,1-8)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

SERRA DO LUAR




Composição: Walter Franco

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descançar

Viver é afinar o instrumento (de dentro)
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

quarta-feira, 13 de julho de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Plena absolvição

O rapaz, advogado novo em Princesa Isabel, Paraíba, ia defender um criminoso de morte a faca. Procurou o coronel Zé Pereira, dono da cidade:
- Coronel, preciso conseguir pena mínima para meu cliente. Se não conseguir, não tenho carreira aqui.
O coronel prometeu. Terminou o julgamento, pena mínima. O advogado foi agradecer a vitória ao coronel, que valorizou a ajuda:
- Doutor, o senhor não calcula a força que eu fiz para conseguir a pena mínima. Todo mundo queria absolver o homem.

Mais uma vez, historinha da coleção do amigo Sebastião Nery.

E Gurgel, hein?

Pois bem, a presidente Dilma decidiu reconduzir Roberto Gurgel ao cargo de procurador-geral da República. Até aí tudo bem. Gurgel acaba de fazer a denúncia formal contra os mensaleiros. Confirma o laudatório do procurador anterior. Pergunta: o que os senadores petistas farão? Aprovarão ou não a recondução de Gurgel? Já as oposições alegam: ele foi muito governista. Não quis ir a fundo no caso Palocci. Pergunta: como as oposições avaliarão a recondução? Parecer deste consultor: há muita firulação. Gurgel deve passar na prova que o Senado fará a ele em agosto. A conferir!

Crises intermitentes

Sai o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e a mídia abre as trombetas: segunda crise ameaça governo Dilma. Ora, mais crises virão. Todas muito previsíveis. O presidencialismo de coalizão obedece a um fluxo de idas e vindas, marés vazantes e marés enchentes. As bases do governo sempre vão fazer pressão ou contrapressão. Trata-se de um jogo. Os partidos querem inserir seus quadros na administração. Os perfis nem sempre agem de acordo com a agenda ética. Por outro lado, o DNA da corrupção se espraia pelas três instâncias federativas. Ante a repercussão negativa, a dona da caneta não tem alternativa que a de despachar os indiciados.

O sal da terra

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que há de se salgar ? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens". (Cristo, em O Sermão da Montanha)

O novo ministro

Paulo Sérgio Passos é um nome da presidente Dilma. Que quer limpar influência e mando do deputado Valdemar Costa Neto. O PR teve de endossá-lo. Trata-se de um técnico que fez amizade com a presidente. Que o trata por Paulinho. Ele é marido da cantora Rosa Passos.

Reforma ministerial

O Ministério que inaugura um governo é a primeira moldura. Que, ao longo do tempo, vai sofrendo desgastes. Há quadros mal colocados na parede; alguns são muito esmaecidos, outros se quebram ao sabor do vento. As peças vão sendo remodeladas ao longo do tempo. Dilma pensava em fazer a primeira alteração ao final do ano. E ainda conserva esta ideia. A saída de dois ministros antecipa a revisão de quadros. Ante a versão de que coloca no escanteio alguns ministros, a presidente poderá, até, adiar a reforma que imagina e começar a prestigiar perfis considerados marginalizados. É evidente que alguns nomes ainda não mostraram eficiência.

Superfaturamento?

Costume por estas bandas. Fecha-se o contrato por X. Depois de algum tempo, aparecem os aditivos. E o preço sobe a montanha.

A ousadia

"Desde o condutor dos transportes e o tocador de tambor até o general, a ousadia é a mais nobre das virtudes, o aço verdadeiro que dá à arma o seu gume e o seu brilho". (Clausewitz, em Da Guerra)

Oposições mais fortes

O poder é um jogo de soma zero. A perda de um jogador é o ganho de outro. Cada vez que um episódio negativo bate no corpo do governo, este perde pontos e as oposições se fortalecem. É o que temos percebido. O governo Dilma, em seis meses, perdeu uns pontinhos. Foi bem até o terceiro/quarto mês. E a indicação apontava para taxas crescentes, sob o conceito de que Dilma é uma presidente técnica, equilibrada e educada com seus acenos bem vistos para Fernando Henrique, a quem escreveu uma carta carregada de encômios. Nos últimos dois meses, o governo entrou numa curva. Que começou com o carro desembestado do ex-ministro Palocci. Por enquanto, a locomotiva governamental ainda desce a ladeira.

Embates conceituais

Fernando Henrique produziu aquele texto onde procurou descrever o papel das oposições. Sua tese é a de que as oposições cairão do cavalo ao procurarem a montaria do povão. Foi dizer isso e o pau caiu sobre ele. FHC sugeriu que as oposições fixassem o foco nas classes médias. Escrevi um artigo no Estadão reforçando este ponto de vista, mostrando o poder de irradiação de influência das classes médias. Que funcionam como a pedra jogada no meio do lago. Fazem marolas que chegam às margens. Agora, é Zé Dirceu quem faz um texto em resposta à FHC. Li o documento. Trata-se de um arrazoado sobre os programas sociais do PT e uma forçada de barra conceitual na tentativa de enquadrá-los no escopo do socialismo. Pura bobagem. Dirceu faz parte de um time que joga com bolas furadas. Apega-se ao velho vocabulário para discorrer sobre o escudo protecionista que os governos - qualquer um - têm obrigação de formar em defesa das classes mais carentes.

A emoção

"A emoção é necessária, porque sem ela não se pode viver. O importante é sonhar e ser sincero com seu sonho". (Jorge Luis Borges)


Crise externa

A Europa enfrenta novamente a ameaça de crise. Itália, Espanha e Portugal temem que suas economias sejam as primeiras a se romper, caso a gigantesca sombra que paira sobre a Grécia chegue até seus territórios. Os EUA também estão ameaçados. O desemprego não cede. O Brasil, por seu lado, parece esbanjar oportunidades. Há muitos buracos que precisam ser tapados e a gastança chega aos píncaros. Não por acaso, Mantega e sua equipe econômica roem as unhas para evitar ondas mais altas na praia da inflação. Juros altos seguram a barra. Mas a produção brasileira sofre duramente com o dólar pedindo esmola e o real esbanjando pujança.

O centro


"O centro vale mais que os extremos". (Cardeal Mazarino, em Breviário dos Políticos)

PR sairá da base?

PR ameaça sair da base do governo. Essas ameaças partem de fontes não identificadas, que se valem do genérico: parlamentar que não deseja se identificar, um líder partidário, fontes do Congresso, etc. Bobagem. PR é governista de corpo e alma. Seus participantes jamais trocariam o bem-bom do governismo pela fonte seca do oposicionismo. Seria mais fácil o sol não aparecer, amanhã, que o PR abandonar o curral governista. Por isso, as sinalizações de fontes não identificadas servem apenas como expressão de barganha.

Ensaios para 2012

Lula quer puxar Fernando Haddad, ministro da Educação, para o palco paulistano. Haddad já bebeu muita água no copo governamental e, ao que tudo indica, quer colocar seus lábios em novas taças. É o candidato de Lula a prefeito de São Paulo. Luiz Inácio crê em caras novas. Atenção: ele tem faro. Mas o ex-presidente confessou a um amigo, semana passada: será difícil tirar Marta Suplicy do jogo. Trata-se do perfil com maior recall e índice de votos do PT na capital. E a senadora está muito motivada. Marta mostra-se enjoada com o palavrório do Senado. Gosta mesmo do Executivo. Há uma vírgula em sua pontuação: a rejeição é alta. Se detém, hoje, uns 30% de intenção de voto, registra o mesmo índice na área da rejeição. Pode diminuir? Sim. Tudo vai depender do clima ambiental: economia, satisfação geral, violência social, imagens dos governos estadual e municipal, polarização entre PSDB e PT, e adversários.

Surpresa

"Nem sempre vale a pena ser o primeiro a atacar; mas se o inimigo atacar primeiro você pode inverter a situação. Na estratégia, ganha mais quem surpreende o inimigo". (Miyamoto Musashi, em Um Livro de Cinco Anéis)

Safra governamental

Quem está bem nos governos estaduais? As leituras que faço dão conta de que os governadores, quase todos sem exceção, estão às voltas com a carência de recursos. Estendem o pires na mão no Planalto Central. Afluem aos Ministérios. Que não têm ordem - nem orçamento - para liberar recursos. Não sei quem tem avaliação acima de 7. Regular.

Pastore e os ex-detentos

José Pastore é um dos mais preparados scholars do país. Tem as mais completas planilhas sobre o mundo do trabalho. Professor renomado da nossa USP, consultor de diversas entidades, a partir da CNI, Pastore lança, em breve, um novo livro: "Trabalho para Ex-Infratores", 158 páginas, Editora Saraiva. Trata-se de uma obra que relata os resultados de uma pesquisa sobre a reinserção de ex-detentos no mundo do trabalho. Ao examinar os determinantes do crime e da reincidência, o autor procura desvendar o que de melhor pode ser feito em prol da recuperação dos que cumpriram suas penas ou estão em vias de cumpri-la. E apresenta sugestões aos que desejam operar programas de reintegração de ex-detentos, além de recomendações práticas para sua execução.

Suplentes sob sombras

A senadora Marisa Serrano, do PSDB, deixa o cargo no Senado para ser conselheira do TCE/MS. Seu suplente é o empresário Antônio Russo Netto. Russo é dono do frigorífico Independência, que entrou em recuperação judicial em 2009, deixando uma enorme lista de credores às portas do Judiciário, até hoje. Com a morte do senador Itamar Franco, o suplente Zezé Perrella ganha um mandato de senador por 7,5 anos. Perrella é presidente do Cruzeiro. Pesa sobre ele denúncia de enriquecimento ilícito.

Criando necessidades

"Um príncipe sábio deve encontrar um modo pelo qual seus cidadãos, sempre e em qualquer tempo, tenham necessidade do Estado e dele; assim, eles sempre lhe serão fiéis". (Maquiavel)

O grito do Capibaribe

O psiquiatra e escritor Luiz Carlos Albuquerque acaba de lançar em Pernambuco o segundo livro voltado para o público jovem. O primeiro, "A Guerra dos Bichos", está na sétima edição e mais de quarenta mil exemplares, fazendo parte de programas MEC e Secretaria de Educação de São Paulo. No recém-lançado "Batra, o Sapo", o autor conta as peripécias de um espécime que nasce no interior de Pernambuco junto aos olhos d'água que dão início ao rio Capibaribe e sente que acompanhar o rio até o mar será o seu destino, a jornada de sua vida. O longo percurso é feito de lenda, ação, humor, perigos e aprendizagem. O sapo é também um animal político.

Bom senso

A presidente Dilma chamou Luciano Coutinho e ordenou : tire o BNDES desse jogo do Pão de Açúcar com Carrefour. O banco passou mal no teste da opinião pública. A presidente usou o bom senso.

Turismo

O turismo brasileiro atravessa um ciclo de decepções. E demissões. Mais um nome sai da frente turística: a secretária de Turismo e Fomento de Ilhabela, Djane Vitoriano de Jesus, após um ano e três meses de mandato, deixou o cargo na manhã de ontem. Junta-se ao conjunto de outros secretários que abandonaram cargos nos últimos meses, em Búzios, São Francisco do Sul e Angra dos Reis.

Desindustrialização

A FIESP defende posições avançadas (e corajosas) do governo no território tributário. Mas o governo não está disposto a atender a algumas sugestões da entidade. A Federação defende desoneração total dos encargos trabalhistas da indústria de transformação, transferindo essa carga tributária sobre a folha de pagamento para outros setores da economia. O presidente da FIESP, Paulo Skaf, põe as coisas no devido lugar: "O Brasil enfrenta um processo de desindustrialização precoce. Para revertê-lo, a nova política industrial é fundamental, mas não suficiente. É preciso modificar a política macroeconômica".

Reputação

"Aquele que troca reputação pelos negócios perde os negócios e a reputação". (Quevedo y Villegas)

Conselho ao novo ministro dos Transportes

1. Faça uma radiografia das obras Federais em todos os pontos do território. Veja orçamentos iniciais e finais.
2. Procure saber como, onde e por que as obras estão atrasadas, são ou foram superfaturadas e os responsáveis pelos projetos - planejamento e execução.
3. Convoque a mídia e mostre resultados da planilha de obras a cargo do Ministério dos Transportes. Indicando o nome dos prestadores de serviços.
____________


(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 12 de julho de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Uma transamazônica de problemas


Embora parcela dos analistas e, obviamente, os empedernidos governistas tenham entendido que Dilma agiu com eficiência nas suspeitas envolvendo o ministério dos Transportes, a interpretação é bondosa em demasia. É fato que não seguiu o padrão "episódio Palocci", mas as vacilações foram - e ainda são as mesmas - uma demonstração de que o governo, sem tutelas, sem temores e sem titubeios ainda não foi ainda inaugurado pra valer. O simples fato de a presidente ter "prestigiado" inicialmente o ministro Alfredo Nascimento, entregando a ele a investigação das supostas irregularidades, para depois forçá-lo a se demitir e, em seguida, convidar outro condestável do partido (PR) para o cargo e considerar ainda o ministério dos Transportes um feudo dos comandados de Valdemar da Costa Neto já diz sobre o grau de amarras que cercam S. Exa..


Asfalto movediço


Tem mais a demonstrar os grilhões do governo:

1. Luiz Antonio Pagot foi dado como demitido, amuou e então foi aceito como estando de férias.

2. O movimento para barrar uma possível CPI do DNIT que uma oposição combalida ameaça, sem nenhuma chance, convocar.

3. A preocupação com a reação do PR.



O que ele fez, fazia e agora vai fazer


Na estrutura dos ministérios, o secretário executivo é apontado como vice-ministro, o homem que toca o expediente, substitui o titular e coisas assim. No ministério dos Transportes, Paulo Sergio Passos exerce esta função desde a era de Lula. Já foi até ministro interino, quando o agora ex-Alfredo Nascimento saiu para concorrer ao Senado e depois ao governo do Amazonas. Guardou o lugar do titular. No caso levantado pela "Veja" o que viu Passos? Ou não viu? Ou fingiu-se de técnico apenas? Ou contou tudo para alguém e viu o circo explodir? Quais dessas credenciais fizeram de Passos o novo ministro, como o Palácio do Planalto anunciou ontem à noite.


Curvas traiçoeiras


Pelas primeiras indicações, a crise foi jogada temporariamente para debaixo do tapete. É uma tentativa de acomodação política. Pelo ambiente do mundo de fora, Dilma precisa dar um murro geral na mesa. O Congresso e os partidos estão abarrotados de escaninhos e curvas traiçoeiras. Esta semana vota-se a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Com armadilhas para pegar onça pintada.


E ele, o que é?


Pouca gente, pelo menos quem não é do "ramo", conseguiu entender ainda o papel do secretário geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, no governo Dilma. Ele está em todas (ou quase todas) as exposições para a mídia, ao contrário do discreto e eficiente mineiro Luiz Dulci no posto palaciano com Lula. Foi de Carvalho a solução (temporária) das férias de Pagot, depois de o Planalto ter saído com a notícia da demissão imediata do homem do DNIT. Disseram a jornalistas que Dilma teria ficado irritada com o auxiliar direto por isso. Mas ficou irritada apenas neste caso?


O silêncio dos inocentes - O retorno


Ativos no episódio Palocci, um muito diretamente, o outro mais nos bastidores, o presidente de honra do PT e ex-presidente da República, Lula da Silva, e o presidente licenciado do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, guardaram obsequiosa e silenciosa distância do asfalto selvagem do ministério dos Transportes. Afinal, o negócio Palocci, embora atingisse indiretamente o governo, era mais uma questão pessoal. Já rodovias, ferrovias e tais... Em tempo: o PMDB, na fase de formação do governo Dilma, teve entre seus ministérios mais cobiçados o dos Transportes.


A foice está solta


Na esfera oficial o jogo já está feito para 2014: como na loteria zoológica inventada pelo Barão de Drummond, "na cabeça vai dar", fora imprevistos pouco prováveis, Dilma ou Lula. Não necessariamente nessa ordem de preferência. As caneladas ficam por conta do segundo lugar, já em plena disputa, despontado na frente o atual donatário, o PMDB e, em segundo, o PSB. Por essas e outras é que, tirando o lado da tragédia familiar e pessoal pela qual ele passou recentemente, ninguém nesse mundo está se comovendo com as agruras do governador Sérgio Cabral, do Rio, amigo e cópia carbono mal tirada do ex-presidente Lula. Solidariedade política ele não está tendo nem de seu partido. Vale o oposto também.


Uma falsa calmaria


Quem olha o PMDB só pela superfície, vê hoje quase "um manso lago azul sem ondas nem espuma". Nada mais falso - o que talvez explique o retraimento de alguns de seus caciques, temporariamente aposentados da mídia. Ou a nova postura de Sarney a cobrar explicações de quem aparece no governo encalacrado, como fez na semana passada com Alfredo Nascimento, o oposto do que havia feito com Palocci semanas atrás. A razão é que ganham corpo e consistência duas dissidências dentro das bancadas do partido na Câmara e no Senado, não apenas contra os pajés que tudo podem e tudo levam, mas em defesa de uma nova imagem para a legenda. No Senado, oito senadores "independentes" já vão longe nas discussões de que posições devem tomar, sem radical oposicionismo ao governo. Na Câmara o movimento é mais incipiente, mas já ocorreram reuniões de debates com a presença de cerca de 20 deputados.


É a política


O julgamento do "mensalão", que começou a entrar nos "finalmentes", tem aspectos político-institucionais infinitamente mais relevantes que todos os aspectos técnico-jurídicos que engloba: o seu resultado vai definir o país democrático, republicano que queremos ter. O Supremo, com muitos de seus titulares agraciados mais ao gosto político-partidário-emocional do que jurídico, terá de mostrar, coletiva e individualmente, qual sua real dimensão como Corte Suprema.


A calmaria é real


A oposição está parecendo a seleção do Mano Menezes: não é uma equipe, não tem conjunto, não tem plano de jogo e é incapaz de transformar em fatos e ações (gols) de interesse nacional as oportunidades que os adversários (os governistas) lhes entregam gratuitamente. Dão sempre um drible a mais ou tentam as surradas soluções que não levam a nada.


Propaganda enganosa


Chega ao limite do deboche, para dizer o "menos pior", a propaganda que algumas ditas (mas não provadas) instituições de ensino fizeram publicar nos últimos dias celebrando o desempenho de seus alunos no último exame da OAB. É caso, isto sim, para luto fechado da sociedade e da comunidade jurídica nacional e para uma ação sumária, cirúrgica das autoridades. Mas o MEC, entenda-se, é uma entidade política...


É a economia


O governo Dilma está na berlinda, desde o seu começo - já lá se vão mais de seis meses- por razões de política e adjacências. É o acerto partidário nunca concluso, é a cobrança no Congresso, é o caso Palocci, é o caso Mercadante-aloprados, é o caso do ministério dos Transportes, são as idiossincrasias dos aliados, os amuos dos que se acham donatários de ministérios e cargos, e outras historinhas menos votadas. Mas no horizonte real, para cidadãos e agentes econômicos empresariais e particulares, é um crescente incômodo econômico, com ameaça de inflação, juros em alta, crédito limitado, câmbio escorregadio e crescimento da concorrência externa que vão trazendo uma inquietação crescente fora do mundo da política. Por razões que vão do otimismo exacerbado de alguns auxiliares de Dilma às atitudes boquirrotas de outros, passando por desentendimentos conceituais entre os setores oficiais, deixam a impressão da falta de uma política econômica orgânica e de longo prazo e de pesadas doses de improvisação e remendos. Não pode um ministro dizer que está assustado com o câmbio, por exemplo!


A fila anda


Os mercados comemoraram na semana passada a "salvação" da Grécia depois da liberação de novos recursos da União Européia em função da aprovação de mais um pacote de austeridade. Não se passaram dois ou três pregões para que os especuladores de mercado mirassem no pequeno Portugal e na Itália. Discute-se em relação a ambos os países a possibilidade de seus créditos serem insuportáveis no que tange à solvência. As agências de ratings, apesar de muito questionadas durante a crise norte-americana de 2008, voltaram a prestar seus serviços e a opinar sobre a dívida alheia em plena erupção do magma especulativo. Soa no mínimo estranho...


Sem solução no curto prazo


Uma coisa é certa: a Europa ainda vai viver durante um bom tempo sob forte escrutínio do tal do mercado. A Grécia irá, de alguma forma, reescalonar (ou reestruturar) a sua dívida. Poucos cálculos aritméticos são necessários para se verificar que o país não terá condições de honrar seus compromissos, apesar de já ter jogado quase 25% de sua população economicamente ativa no desemprego. Portugal e Espanha dependerão da "boa vontade" do mercado, coisa que não existe na prática. Irlanda está quebrada também. Até mesmo a França tem lá suas imbricações entre o sistema financeiro e seu setor produtivo, uma fonte constante de problemas para a higidez do sistema financeiro. Muitas análises ainda trazem estimativas/avaliações sobre as possibilidades de Grécia, Portugal, Espanha e cia. voltarem a ter paz para obter crédito. Tais avaliações não passam de uma cortina de fumaça sobre a realidade. Tudo com anuência da Alemanha, a sócia rica da UE e eterna fonte de problemas para a efetivação de uma política econômica consolidada no Velho Continente. Os alemães, quando o assunto é economia, se comportam como uma raça superior. Infelizmente. A tensão vai continuar.


Obama pede, os republicanos respondem


Enquanto Obama pavimenta seu caminho para disputar a reeleição, também pede que os republicanos que aceitem aumentos de impostos para minimizar os efeitos do gigantesco déficit fiscal utilizado para salvar o país do colapso de seu sistema financeiro. A resposta republicana vem em doses pouco homeopáticas: aponta o corte para os programas de universalização da saúde e da previdência. Algo duro para os democratas. A possibilidade mais efetiva é que tudo fique "no meio do caminho", nem muito ao déficit e nem muito aos impostos. O que significa que a dívida pública do país vai continuar gravitando acima de seu PIB, algo como US$ 14 trilhões. Neste ambiente, a coisa mais provável de ocorrer é o pessimismo continuar em alta no país.


(Por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

domingo, 10 de julho de 2011

PARABÉNS, FILHA!



Parabéns prá você, minha doce Marguê! Neste dia em que aniversarias, peço que Deus continue a te cobrir com suas bençãos, aspergindo sobre o teu ser o óleo da bem-aventurança.

Marguerrite Freire Bonfim, a Marguê, tem um coração mineral, uma alma generosa. Sua radiosa mente é um pomar de sonhos! Sonhos doirados! Imagino que nasceu de uma costela telúrica minha, se é que a tenho. Ou do ventre abençoado de sua mãe, uma fibrosa mulher. Quem sabe da combinação harmoniosa das duas!...

Desde as espumas flutuantes da sua infância que identificamos sua inclinação oceânica, o marítimo amor que carrega. Congênito é o gosto pelo cultivo das plantas permanentes que alimentam sua flora humanística. É um manancial de doçura.

Incorrigivelmente solidária, é capaz de gestos de profunda doação em favor de quem necessite. É, porém, uma flor possessiva em relação aos que ama. Deixou a árvore da pureza assentar suas raízes colossais no recanto mais profundo de si mesma.

Nos campos da infância, era sinônimo de bem-me-quer, malmequer. Batia e afagava com igual intensidade. Hoje, esparrama-se em delicadezas. É um vulcão de bondade.

Destemida amante da família, quando se depara com um parente adora perscrutar sobre qual galho do pau d’arco genealógico pertence.

Como um isolado penhasco de saudade, gosta de se recolher à camarinha doméstica. Aí se sente mais livre. Talvez seu faro de pássaro tema a gaiola da vida externa...

Nos últimos tempos, tem escalado com fervor os monólitos da superação. Já remove, sozinha, os arenitos do caminho e mira o sol de frente. Alimenta o desejo de firmar-se em uma carreira que possa servir os semelhantes.

Minha bela Margarida, desejo que o Homem de Nazaré – fermento na massa, sal da terra, luz do mundo - te ajude a palmilhar essa vereda fulgurante, ladrilhada com pedrinhas de brilhantes. Pois eu te amo. Parabéns, filha!


Júnior Bonfim

sábado, 9 de julho de 2011

A PAZ - ROUPA NOVA e PADRE FABIO DE MELO




Composição: Michael Jackson
Versão: Nando



É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor.
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!

Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz ja nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança

Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.
A lição pro futuro vem da alma e do coração,
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor.

Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança.

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Inteira feliz ...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

UM OITAVADO ABRAÇO DE ANIVERSÁRIO!




Nascer no dia 8, poeta, é uma benção!

Oito é o número da luz, festa sagrada, lírio de Jesus, aliança colada!

Só que você é meio descolado, cheio daquela fé dos ateus, chegado a uma festa profana e, talvez até por isso, seja esse ser obscuro condenado à luminosidade!


(Júnior Bonfim)



******************************************

Muito obrigado, poeta, pelas palavras e pela tradução desse meu humilde ser!

Viver no meio de uma geração tão iluminada, ainda que quase toda (todos) com alguns trejeitos de obscuridade, profanismo e rebeldia, é para mim um grande privilégio, alem da benção.

Grande Abraço!

Elias de França

quinta-feira, 7 de julho de 2011

NO DIA DE HOJE, EM 1456, JOANA D'ARC - A SANTA E HEROÍNA FRANCESA - ERA ABSOLVIDA!


Joana d'Arc, santa e heroína francesa, conhecida como a "Virgem de Orléans".

Filha de lavradores, ainda menina começou a ouvir vozes que atribuía ser de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida. Quando tinha 16 anos, as vozes aconselharam-na a ajudar o delfim Carlos VII a salvar a França do domínio inglês durante a Guerra dos Cem Anos.

Robert de Baudricourt, capitão das forças de Vaucouleurs, conseguiu um escolta para levar Joana até Carlos VII. Ao encontrar o delfim, no castelo de Chinon, falou sobre sua missão divina. O rei, então, mandou que teólogos a examinassem e, em seguida, deu-lhe o comando de uma pequena tropa.

Em maio de 1429, ela derrotou os ingleses e retomou a cidade de Orléans. Em julho, o delfim foi coroado na cidade de Reims. Joana ficou ao seu lado durante a coroação.

Em setembro de 1429, Joana tentou retomar Paris, porém não obteve êxito. Na primavera de 1430, ela entrou em Compiègne, mas foi capturada pelos Burgundians e entregue aos ingleses.

Carlos VII não fez nada para assegurar sua liberdade. Para escapar da responsabilidade e não fazer de Joana um mártir, os ingleses mandaram-na para a corte eclesiástica em Rouen. Ela foi acusada de heresia e bruxaria pelo bispo Pierre Cauchon e por outros clérigos franceses, que apoiavam os ingleses. Provavelmente, seu pior crime foi declarar que se comunicava diretamente com Deus; aos olhos da corte, essa recusa em aceitar a hierarquia da igreja era uma heresia.

Ela foi condenada a prisão perpétua, após assinar uma abjuração. Porém sua condenação durou pouco tempo, ela voltou atrás na abjuração e foi posta novamente em julgamento, sendo condenada à fogueira por heresia e queimada em praça pública em 1431.

Apenas em 1456, Carlos VII reconheceu os serviços de Joana à nação e tornou o tribunal que a condenou inválido. Joana foi beatificada em 1909 e canonizada em 1920. Sua vida inspirou inúmeras lendas e ela foi retratada em várias pinturas, estátuas.


*******************************************


UM POEMA EM LOUVOR A JOANA D'ARC

Balada das damas do tempo ido

Dizei-me onde, em qual país,
Anda Flora, a bela romana
Arquipíades, ou Taís,
Que foi sua prima-germana?
Eco a falar, voz que se emana,
Qual rumor, de rios e planos:
Que beleza foi mais que humana?
E onde estão as neves dos anos?

Da sábia Heloísa quem diz,
Por quem, castrado, fez-se monge
Pedro Abelardo em Saint-Denis?
Por seu amor sofreu tão longe.
E a rainha, também sem pena,
Que mandou forrar Buridano
Com um saco e jogá-lo ao Sena?
E onde estão as neves dos anos?

A Rainha Branca qual lis
A cantar com voz de sereia,
Berta-Pé Grane, Alis, Beatriz
Haremburgues, que o Maine alteia,
E a brava Lorena, a Joana,
Quem em Rouen, queimaram os anglos:
Onde estão, Virgem Soberana?
E onde estão as neves dos anos?

Príncipe, quereis na semana
Ter resposta? Nem este ano,
Pois o refrão não vos engana:
E onde estão as neves dos anos?


Tradução De Sebastião Uchoa Leite


Dites-moi où, n'en quel pays,
Est Flora la belle Romaine,
Archipiades, ne Thaïs,
Qui fut sa cousine germaine,
Echo, parlant quant bruit on mène
Dessus rivière ou sur étang,
Qui beauté eut trop plus qu'humaine ?
Mais où sont les neiges d'antan ?

Où est la très sage Héloïs,
Pour qui fut châtré et puis moine
Pierre Esbaillart à Saint-Denis ?
Pour son amour eut cette essoine.
Semblablement, où est la roine
Qui commanda que Buridan
Fût jeté en un sac en Seine ?
Mais où sont les neiges d'antan ?

La roine Blanche comme un lis
Qui chantait à voix de sirène,
Berthe au grand pied, Bietrix, Aliz,
Haramburgis qui tint le Maine,
Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen ;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine ?
Mais où sont les neiges d'antan ?

Prince, n'enquerrez de semaine
Où elles sont, ni de cet an,
Que ce refrain ne vous remaine :
Mais où sont les neiges d'antan ?

François Villon

quarta-feira, 6 de julho de 2011

FELIZ ANIVERSÁRIO, CRATEÚS!


Ambulante garoto, sem sotaque cigano

Mergulhei na capoeira de concreto

E descobri o iodado sal do mundo:

A chama suave e ardente da conjunção afetiva,

O copo boêmio que leva o líquido estonteante,

O movimentado vazio dos vagabundos,

A algazarra da aurora urbana,

Essa gota de malícia chamada sensualidade,

O som arrebatador dos violões apaixonados,

A grave disposição do Externato,

O peso e o pesadelo da palmatória da D. Delite,

A educação feita na construção sintética de amor e rigor,

A disputada corrida para o pão com refresco,

Os rebeldes motivos da rua em crescimento.

Estava na tribo dos Karatiús.


*************************************************

Crateús,

Com sua verde cabeleira de árvores,

Com sua alucinação festiva,

Com a doçura de suas veias fluviais,

Com seu suave desenho maternal,

Com suas invisíveis pratas de mistério,

Lançou sobre mim

Uma inextinguível luz.


Quando desfolho combates

Em tua História, Crateús,

Quando saboreio

A abertura de teus pobres,

Quando me inebrio de teu

Aroma noturno,

Quando toco

Teu tórax revolucionário,

Sinto que de ti recebi

Uma fragrância de simplicidade

Reconheço o poder

Das descobertas

E concluo

Que és uma cidade

Que Eu Amo!


(Júnior Bonfim)

CONJUNTURA NACIONAL

Em diagonal


Severino Cabral foi prefeito de Campina Grande (PB), vice-governador, chefe político de muitos votos. E conhecido pelas tiradas engraçadas. Uma tarde, no Rio, andava pela avenida Rio Branco. Resolvendo passar para o outro lado, meteu-se na frente dos carros, fora do sinal. O guarda gritou:

- Cidadão, não pode ir por aí. É proibido atravessar em diagonal.

Severino Cabral voltou:

- Você não conhece roupa não, ignorante? Isto não é "diagonal". É "tropical maracanã".

Atravessou em diagonal e tropical.


Adeus, Itamar


Itamar Franco deixa a cena político-institucional com a sinalização de que o país perde uma pessoa íntegra, de vida simples, despojada da pompa do poder. Teve uma vida pautada pelos primados da ética. Não se tem notícia de escândalo nas passagens variadas de sua vida pública. Teve, sim, um episódio folclórico, aquele em que esteve ao lado de uma moça à procura de fama em um palanque carnavalesco, no Rio. A personagem deixou partes íntimas aos olhares curiosos da galera. Evento humorístico da vida social. O grande mérito de Itamar foi, seguramente, o patrocínio do Plano Real. Ele apôs a assinatura no instrumento que dominou a inflação. É dele o mérito como presidente. Claro, com a ajuda de Fernando Henrique, ministro da Fazenda, e sua equipe. Parte deixando, ainda, a imagem de um senador combativo nesses quase 6 meses de mandato. A Coluna rende a Itamar a melhor de suas homenagens.


Adeus, Chamie


Mario Chamie também nos deixou. Considerado por muitos como um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Tive a felicidade de compartilhar de sua companhia e amizade, graças à ligação afetiva e estreita com o primão Zé Nêumanne. Aos sábados, Nêumanne sempre reúne um grupo de amigos em torno de uma feijoada, uma bacalhoada, com liberdade para bons tragos. Mário sempre estava presente nesses encontros. Conversa afiada, humor finíssimo, painel de cultura geral, encanto das mulheres, desfile de perfis que mereciam dele a expressão exata. Ao final, eu deixava o poeta em seu apartamento nos Jardins. Padecia de um câncer no pulmão. Morreu de parada cardíaca. Na manhã deste último domingo, Chamie nos deu adeus.

P. S. No momento em que digitava Zé Nêumanne, na terceira linha acima, este me chama ao celular. Tomo um susto. Zé me responde: "coisas do Mário".


Axioma positivo I


"Ajuste seu fim aos seus meios. Uma visão clara e um raciocínio frio devem prevalecer por ocasião da escolha do objetivo da guerra. É loucura querer 'abocanhar mais do que se pode mastigar' e é uma prova de sabedoria analisar os fatos friamente, embora sem perder o otimismo: a fé pode realizar o aparentemente impossível quando a ação for iniciada." (Tratado de Comunicação Organizacional e Política, de Gaudêncio Torquato)


Perrella chega


Sem um voto, Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, será senador por 7,5 anos. Suplente de Itamar, Perrella enfrenta processos na Justiça por enriquecimento ilícito. Vejam como a política é feita de retas e curvas. Itamar frequentava a linha reta. Seu suplente entra na arena política pela linha curva.


O cancro dos transportes


Há muito se comenta sobre a existência de um cancro corroendo o sistema de transportes. Não é de hoje que se ouve falar de superfaturamento de obras, licitações conduzidas, cobrança de comissões etc. A última revista Veja trouxe detalhes. E o que aconteceu? Quatro figuras importantes do Ministério dos Transportes foram demitidas. Manchete dos jornais: cúpula dos transportes é demitida. Como cúpula? O ministro dos Transportes continua no mesmo lugar. Alfredo Nascimento diz que vai apurar eventuais denúncias de corrupção. Pediu a ajuda da AGU. Impressão é a de que ministro não segurará o lugar. Cargo é da cota do PR.


Quem sai com Marina?


Marina Silva, ícone do ambientalismo no Brasil, está saindo do PV. Sairia com ela um alentado grupo de representantes. Ante a ameaça de serem cassados por abandonarem a sigla, deputados Federais e estaduais decidiram esperar mais um pouco. Alfredo Sirkis (RJ) continuará, por enquanto, na legenda. E Fernando Gabeira, que pleiteia ser candidato a prefeito do Rio, também deverá permanecer. Vão tomar atitude mais drástica quando tiverem certeza de que a migração para outra sigla ou a tentativa de criação de nova sigla não forem motivo para punição.


Axioma positivo II


"Conserve seu objeto sempre em mente quando tiver que adaptar seu plano 'à situação'. Recorde que existe mais de um caminho para atingir seu objetivo, mas lembre-se de que qualquer objetivo a ser conquistado deve estar relacionado à sua meta maior." (Tratado de Comunicação Organizacional e Política, de Gaudêncio Torquato)


SP e a guerra fiscal


A prefeitura de São Paulo, ufa, até que enfim decidiu entrar na guerra fiscal, que a faz perder uma apreciável soma de recursos. Como? Reduzindo a alíquota de 5% para 2% do ISS para um conjunto de serviços e atividades, entre as quais as de empresas do setor financeiro - corretoras, operadoras de cartão de crédito e débito, cartórios e até da Bolsa de Mercadorias. Muitas empresas de serviços que mudaram de endereço para cidades da Região Metropolitana poderão voltar a São Paulo. Ademais, aprovou-se a Nota Fiscal Paulistana.


Cara da podridão


Chegou ao conhecimento desta Coluna uma relação de nomes que uma Igreja famosa indicou/está indicando para diversas instâncias do Judiciário. Alguns já escolhidos e nomeados. Uma vergonha. Quando essa lista vier à tona, o Brasil verá uma parte de sua podridão. Religião entrando no Estado laico é um estupro constitucional. Vou acompanhar esta crônica dos intestinos do poder.


Máximas do Barão de Itararé


- O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

- Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

- Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

- Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.

- A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.


Carrefour/Pão de Açúcar


A fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, desejada por ambos, e questionada pelo Grupo Casino, vai dar muita dor de cabeça. Os advogados dos dois lados terão muito trabalho pela frente. O Grupo Casino mostra-se traído. E denuncia a trama de Abílio Diniz, que quer fazer a fusão para se livrar de uma cláusula contratual com o Casino, pela qual o Grupo assumiria o controle do Pão de Açúcar a partir de 2012. Diniz teria em mente expandir o cacife do Pão de Açúcar para romper a situação acordada com o Grupo francês. Quando percebeu a onda crítica, a presidente Dilma pediu ao BNDES mais cautela na análise da fusão e da possibilidade de entrar com R$ 4,5 bilhões e, assim, tornar-se parceiro do Novo Pão de Açúcar. O Banco acaba de colocar na mesa de avaliação mais um dado: só entrará no negócio se o acordo de acionistas não colocar em risco a manutenção do controle nacional da companhia. Ou seja, Diniz sob cabresto curto.


Cade? Só em 2013


A fusão, se ocorrer, baterá às portas do Cade. Mas o órgão só terá condições de avaliar a questão em 2013. Passaria boa parte de 2012 fazendo uma completa varredura em todos os espaços. Para garantir estabilidade do varejão nacional.


Bicadas tucanas


Os tucanos continuam se bicando. Feridas da campanha eleitoral de 2010 cicatrizadas. Homenagens a FHC pelos 80 anos. Criação do Conselho Político, presidido por Serra. Que preparou um documento com dura avaliação do governo Dilma. Queria soltá-lo. Não conseguiu aprovação do Conselho. Serra acabou dando as linhas do documento em seu twitter e site. Reações negativas. Sérgio Guerra viu-se obrigado a soltar uma nota dizendo que Serra não pretendeu impor o documento ao partido, mas apenas provocar o debate. Ou seja, as bicadas continuam.


DSK voltará?


Dominique Strauss-Kahn sai do inferno e pode sonhar com o paraíso. Acusado do estupro de uma camareira em um hotel de Nova Iorque, o ex-diretor gerente do FMI era, até então, o candidato mais forte das oposições para as eleições presidenciais na França. Até 13 de julho, o partido socialista deverá anunciar os nomes que se submeterão às primárias em 9 de outubro. Ocorre que a próxima audiência na Promotoria de NI está marcada para 18 de julho, cinco dias depois. Outros candidatos das primárias, entre eles François Hollande e Ségolène Royal, que perdeu para o presidente Nicolas Sarkozy em 2007, disseram-se dispostos a adiar a disputa para Strauss-Kahn participar.


Atenção, São Paulo


Tenho ouvido as ponderações do ministro dos Esportes, Orlando Silva, com muita preocupação. Orlando é uma pessoa ponderada. Sabe ouvir e tem bons argumentos na ponta da língua. Portanto, não é de exagerar. Volta a cobrar agilidade de São Paulo para não perder a chance de receber os jogos da Copa de 2014. "O prazo está no limite", alerta o ministro. E lembra que são necessários pelo menos 30 meses para que um estádio padrão FIFA fique pronto. Estamos a 35 meses do início da competição.


Axioma positivo III


"Escolha a linha (ou curso de ação) de menor expectativa. Procure colocar-se no lugar do inimigo e verificar qual a linha de ação menos provável a ser prevista ou prevenida. E explore a direção de menor resistência desde que possa conduzir a qualquer objetivo que contribua para a consecução de seu objetivo básico". (Tratado de Comunicação Organizacional e Política, de Gaudêncio Torquato)


Quatro elefantes brancos


Outro alarme: 5 dos estádios que serão usados na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, correm o risco de se transformar em "elefantes brancos". Motivo: serão construídos em cidades com baixa quantidade de público para partidas locais. Os estádios são os de Brasília, Cuiabá, Manaus, Natal e Recife. O custo de manutenção do estádio em Natal seria, no mínimo, de R$ 500 mil reais mensais. Com elevados custos de manutenção, provavelmente ficarão vazios depois da Copa. As cidades em que estão sendo construídos não contam com clubes de futebol muito populares ou não têm quantidades de torcedores que justifiquem seu tamanho.


Os cães da FIESP


A FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - está patrocinando, por meio das organizações que cuidam de seus Serviços - SESI e SENAI - um dos mais interessantes programas sociais do país: desenvolvimento de know-how para treinamento e monitoramento de cães-guia para pessoas com deficiência de visão. Esta semana, a FIESP apresentou o programa, que começará com 7 cães, até se alcançar a meta de 100 por ano. A iniciativa, inédita no país, visa ajudar a população deficiente no campo visual. O Brasil tem 5,4 milhões de pessoas com perda de visão e apenas possui cerca de 70 animais treinados como guias de cego. Calcula-se que 12 mil pessoas estejam nas filas de espera por um cão-guia. O treinamento e o acompanhamento do animal custam, em média, R$ 25 mil. O presidente da Federação, Paulo Skaf, está pessoalmente empenhado no sucesso do empreendimento.


Conselho aos dirigentes do BNDES


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades olímpicas. Hoje, sua atenção se volta aos dirigentes do BNDES:

1. Examinem, atentamente, os prós e os contras da fusão Pão de Açúcar e Carrefour, tomando a devida cautela para evitar decisões precipitadas e que venham onerar o bolso do consumidor.

2. Dizer que o BNDESPar não é dinheiro público é tentar reagir às críticas com sofisma. O dono da flauta é quem dá o tom. E o dono da flauta é o BNDES, um órgão do Estado. Que administra cofres públicos.

3. Urge avaliar de maneira rigorosa as razões do veto do Grupo Casino à fusão. Será que cláusulas do acordo de acionistas serão rompidas? Como fica a imagem do Brasil nos mercados e nas cortes internacionais? Feitas as contas, o que será melhor para o país?


(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 5 de julho de 2011

COMENTÁRIO

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ANTONIO IRISMAR FROTA":

Vc é bem informado sobre a historia de Crateus...Parabéns!

Procure saber quem foi o mandante do arrombamento do Sacrário do Altar Mor da Matriz do Senhor do Bonfim. Norberto Ferreira Filho talvez lhe dê esta informação.

Para que o Vigario Pe. Bonfim não fosse punido, quem fez a defesa foi um casal de missionários evangélicos, da América do Norte: Mr.Jonh e sua esposa que moravam em Crateus.

Muito interessante!

OBSERVATÓRIO

O Brasil perdeu, no sábado passado, um dos seus mais expressivos homens públicos: Itamar Franco. Pouco louvado pela imprensa, que só deu ênfase aos aspectos controvertidos da sua personalidade, Itamar foi um nacionalista incorrigível, um cultor da probidade, um destemido democrata. Nascido em um navio, Ita (pedra) mar era uma pedra na defesa dos princípios; um mar de generosidade e imprevisibilidade política. Inseriu-se nos rol dos que incorporaram um itinerário épico ao livro da memória.


A VIDA


Itamar Augusto Cautiero Franco, o filho de Augusto César Stiebler Franco e Itália Cautiero Franco, nascido em 28 de junho de 1930, era formado em Engenharia Civil e iniciou sua vida pública, participando da política estudantil. Pelo MDB conquistou seu primeiro mandato eletivo - Prefeito de Juiz de Fora, em 1967. No pleito de 1972, foi reeleito, mas deixou o cargo um ano depois para concorrer, com sucesso, a uma vaga no Senado - sendo reeleito em 1982, já no sucessor do MDB, o PMDB. Participou ativamente da Assembléia Nacional Constituinte e das campanhas para a volta das eleições diretas. Em 1989, foi eleito vice na chapa de Fernando Collor de Mello, que saiu vencedora.


PRESIDENTE ITAMAR


Itamar, vice de Collor, assumiu a Presidência do País após um vigoroso levante popular que apeou do poder o megalomaníaco jovem alagoano. No comando da República, Itamar governou com decência e desassombro. Deu provas de grandeza do inicio ao fim do mandato. Quis convocar eleições logo que assumiu. O conglomerado de partidos que o sustentava ponderou em sentido contrario. Deu liberdade a FHC, seu Ministro da Fazenda, para implementar o mais substantivo e extraordinário plano econômico da historia nacional, o Plano Real. Elegeu o sucessor e deixou o governo sob os auspícios de uma enorme popularidade sem se render a qualquer negociata.


ITAMAR X ACM


O Presidente Itamar jamais se dobrou a qualquer tipo de chantagem. Antonio Carlos Magalhães era, à época, o mais poderoso senador brasileiro. Diante de ACM, metade do mundo político temia; outra metade tremia. Quando ACM agia, constrangia. Ameaçava com dossiês. Incomodado com a nomeação do baiano Jutahy Magalhães Júnior para o Ministério de Itamar, resolve enfrentar o Presidente Itamar. Alardeia que tinha em mãos um fulminante dossiê contra o Governo e pede uma audiência com Itamar. Este aquiesce. Quando ACM adentra o gabinete presidencial por uma porta, Itamar abre outra, autoriza a entrada da imprensa e pede que senador baiano apresente ao País as denúncias que guardava. Não passavam de recortes velhos de jornal. A moral de ACM saiu baixa; a de Itamar, alta.


O AMOR AO TORRAO NATAL


Itamar sempre proclamou o seu amor por Juiz de Fora. Em visita a terra natal, parafraseando Fernando Pessoa, disse - “O rio mais belo não é aquele que não passa na minha aldeia. O mais bonito é o que passa na minha aldeia e mais belo é o rio Paraibuna. Devo a minha vida ao Paraibuna e Juiz de Fora. E é por isso que fico feliz quando estou na cidade e poder dizer a Juiz de Fora o quanto eu a quero e o quanto a amo”.


ANIVERSARIO


Faço esses registros esparsos sobre Itamar, recém-falecido, quando estamos a celebrar mais um aniversario de Crateús. Que presente melhor poderíamos oferecer a esta terra do que uma reflexão sobre a atualidade de uma higienização de sua vida publica? Sem falso moralismo, sem exibir o farisaico dedo acusatório, mas mirando o futuro. O relógio anuncia: eis a hora desta terra promover um reencontro consigo mesma. Alem deste horizonte autofágico, existe um espaço na região mais sagrada das nossas consciências convidando para fitarmos a aurora de uma convivência mais sadia e responsável. Vamos ficar eternamente reféns das futricas medíocres? Não, filhos da mocidade e reitores da maturidade, não nos quedemos a essa avalanche de equívocos. Não nos afoguemos nesse rio contaminado de pusilanimidade.


ANIVERSARIO II


Esta pequena palma de terra que um dia se inseriu no mapa como a tribo dos Karatius, que conquistou contornos imperiais de Vila e, como uma Princesa delicada, construiu um reino sui generis – merece mais do que um bolo de aniversario. Urge que cada um dos seus patrícios, mais do que uma viagem sentimental pelos campos do seu passado, ofereça seu imprescindível contributo no presente, por mais modesto que seja, para a construção efetiva de um afetivo futuro melhor. Essa edificação passa pela escolha criteriosa de nossos representantes, mas também pela atitude cautelosa e silenciosa de nos renovarmos interiormente. Ouso afirmar que o mais belo e precioso presente que poderemos oferecer consiste em procurarmos realizar, dentro dos nossos corações, a mudança que sonhamos para a terra que amamos.


PARA REFLETIR


Abramos as pálpebras embaçadas, sacudamos a poeira das decepções, revigoremos o espírito, desbravemos novos caminhos, recuperemos a utopia, lancemos um outro olhar sobre o fazer político e marchemos na rota de uma cidade que cultue a justiça e a fraternidade. Crateús merece!



(Júnior Bonfim na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)

ANTONIO IRISMAR FROTA

Por detrás daquele olhar ligeiramente grave, daquela imponente compleição, daquele imenso bloco monolítico de aparente sisudez, se esconde um manancial de ternura – que, no decorrer da convivência, se revela uma cascata de afabilidade, uma colossal cachoeira de bom humor. Assim é o octogenário garoto Antonio Irismar Frota, um crateuense do bem. Encontro-me com ele em um junino domingo, na sua arejada residência em Fortaleza. Ao lado de dona Mirian, esposa inseparável e imantada amiga, defronte a uma gruta em louvor a Nossa Senhora e com um terço na mão, ele começa o diálogo abrindo literalmente o coração. Mostra que carrega um dispositivo eletrônico micro processado de alta tecnologia, o popular marca passo. Quando foi colocá-lo, o médico estranhou o fato de possuir na região torácica uma cicatriz incomum. É a primeira grande marca que carrega da infância. Menino traquino nos campos do Riacho Seco - localidade em que veio ao mundo, na área limítrofe de Crateús com Novo Oriente – sofreu uma enorme queda de uma árvore e quebrou uma vértebra. Com medo da censura paterna, amargou solitariamente aquela dor.

No ano de 1930, em que nasceu, era desejo comum e motivo de orgulho de toda família encaminhar um dos seus brotos para o altar sacerdotal. Foi assim que o irrequieto menino do seu Anízio foi destacado para iniciar os estudos teológicos no Seminário da Betânia, em Sobral, e depois concluí-los no Pontificio Collegio Pio Brasiliano (Pontifício Colégio Pio Brasileiro), em Roma, na Itália. Apesar da litúrgica e formal atmosfera, nunca perdeu o dínamo sertanejo: estudou muito e andou a Europa inteira. Em 1957, foi ordenado. Celebrou a primeira missa nas Catacumbas de São Calixto, na Via Apia, região central de Roma, ponto de intensa visitação turística.

Com as vestes talares no corpo e o talo realizador na alma, Padre Irismar Frota retorna à terra natal. Assume a vaga deixada pelo Padre Fernando Frota. Como que determinado a seguir o conselho de Rui Barbosa - “a suprema santificação da linguagem humana, abaixo da prece, está no ensino da mocidade” – começou um lavor fecundo no seio da juventude crateuense. Atrás da Igreja, abriu uma casa, denominada Betânia, para onde moças e rapazes acorriam ao fim da liturgia eucarística. Era um saudável centro de cultura, lazer e entretenimento, com música, jogos de salão, biblioteca etc.

Visando a acender nos jovens a lâmpada da consciência política e social, animou a JEC (Juventude Estudantil Católica), a Cáritas Diocesana e o Movimento de Bairro. Convocava os fiéis para construir o Reino de Deus nesta terra, através do amor solidário ao próximo. Liderava o rebanho católico em mutirões para construção de casas. Pregava e provava que era possível “construir uma casa por dia”. Após a missa dominical, reunia os homens sob o regime de mutirão e, com um taco na mão, estimulava a todos a cumprir a meta. Quando alguém titubeava, ele mostrava o taco e dizia com desfastio: ‘se fraquejar, eu taco o pau’.

Essa sensibilidade social o fez protagonizar uma cena interessante. No auge da ditadura, os admiradores de Luis Carlos Prestes costumavam homenageá-lo no dia 03 de janeiro, data de aniversário do lendário Capitão. Certa feita os muros da cidade amanheceram pintados com loas ao Cavaleiro da Esperança. Meu parente Padre Bonfim, anticomunista ferrenho, usou o púlpito para proferir um veemente sermão clamando providências das autoridades. Pouco tempo depois, foram para detrás das grades Ferreirinha, João Aragão e João da Bela. Segundo o vulgo comentava, Ferreirinha era o cabeça; João Aragão, o pintor e João da Bela segurara o balde de tinta. Padre Irismar resolveu ir visitar os presos. Ferreirinha já estava sendo liberado. O Padre lhe oferece carona. Ao ver a cena, o povo exclamou: “Quer dizer que um padre prende e o outro solta?!”...

Dentre outros motivos, foram as intrigas que plantaram entre os dois sacerdotes e, sobremaneira, desentendimentos na equipe paroquial, que motivaram sua saída de Crateús. Antes, foi ao Chile fazer um curso. E os mexericos continuaram. Em 1973 resolve se licenciar e passar uma temporada em Manaus. De lá, troca correspondência com a amiga Mirian Monteiro. Um dia, vem a Fortaleza e desabafa. Temia a solidão... Ela se lembrou da frase de João VI para D. Pedro e concluiu: “antes que alguma aventureira lance mão desta jóia, eu o farei”. E no ano chuvoso de 1974 subiram ao altar para selar, sob as bênçãos de D. Fragoso, o sacramento do matrimônio. Têm dois filhos: Suzana Lourdes e Norberto Anízio – assim batizados em homenagem aos avós, maternos e paternos. Ela, fisioterapeuta em Sobral; ele, médico neurologista na capital. Ambos são também professores universitários. E, segundo os pais, pessoas maravilhosas.

Indago-lhe qual a reflexão que faz dessas oito décadas de existência. Primeiro brinca: “Estou pronto para ir quando o Senhor me chamar. Mas... não quero ir tão cedo.” Depois pontua: “Deus foi positivo comigo. Deu-me uma vida abençoada. Sou feliz pela esposa e filhos que tenho”. Descobriu o sentido da nossa passagem neste vale terreno - que não precisa ser um vale de lágrimas, mas de alegria – em especial quando se vive em sintonia com o Altíssimo, fazendo o bem ao próximo, encarando o dia a dia com leveza e, sobretudo, bom humor. Charles Chaplin, engenheiro do riso e um dos maiores gênios da alegria humana, proclamou: “o bom humor está um degrau acima da inteligência!” Antonio Irismar Frota vê o mundo desse degrau superior!


(Júnior Bonfim, na Revista Gente de Ação e no Jornal Gazeta do Centro Oeste)

domingo, 3 de julho de 2011

ITAMAR FRANCO MORRE AOS 81 ANOS


Morreu às 10h15 de ontem, sábado, em São Paulo, o ex-presidente da República Itamar Franco. Aos 81 anos, o político cumpria mandato até janeiro de 2019 no Senado Federal. Antes prefeito de Juiz de Fora (MG) e senador em três oportunidades, Itamar Franco chegou à Presidência após a renúncia de Fernando Collor de Mello, em 1992. Após deixar o Planalto, foi governador de Minas Gerais.

Itamar foi diagnosticado com leucemia em maio e, durante o tratamento, contraiu uma pneumonia, que se agravou. De acordo com o hospital Albert Einstein, ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) na Unidade de Terapia Intensiva da instituição.

Filho de Augusto César Stiebler Franco e Itália Cautiero Franco, Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu a bordo de um navio em 28 de junho de 1930. O pai de Itamar havia morrido meses antes de seu nascimento e sua mãe registrou o filho em Salvador (BA), onde morava um tio. A família era de Juiz de Fora e ele se mudou para Minas Gerais com poucos meses. No município, cresceu e se formou em Engenharia Civil em 1954. Foi durante o curso que iniciou sua vida pública, participando da política estudantil.

Ainda na década de 50, se filiou ao PTB e tentou se eleger vereador e, depois, vice-prefeito em Juiz de Fora. Com o golpe militar em 1964 e a instalação de um regime de bipartidarismo, Itamar migrou para o MDB, sigla pela qual conquistou seu primeiro mandato eletivo, na prefeitura de Juiz de Fora, em 1967. No pleito de 1972, foi reeleito, mas deixou o cargo um ano depois para concorrer, com sucesso, a uma vaga no Senado - sendo reeleito em 1982, já no sucessor do MDB, o PMDB. Em 1986, sem apoio para ser candidato ao governo mineiro em seu partido, se filiou ao PL, mas foi derrotado por Newton Cardoso, candidato de sua ex-agremiação.

Com a derrota, Itamar voltou ao Senado para cumprir o restante de seu mandato, que ia até 1990. No período, participou da Assembleia Nacional Constituinte e das campanhas para a volta das eleições diretas. Em 1989, trocou novamente de sigla e foi para o desconhecido Partido da Reconstrução Nacional (PRN), para ser candidato à vice na chapa de Fernando Collor de Mello, que saiu vencedora.

De vice a chefe da nação

Na vice-presidência, Itamar criticou atos de Collor, como os processos de privatizações, mas se manteve discreto. Com o surgimento das denúncias de corrupção contra o governo e o início da campanha pelo impeachment do presidente, a figura pacata de Itamar ganhou espaço.

Em setembro de 1992, quando a Câmara decidiu autorizar a abertura do processo contra Collor, Itamar assumiu a vaga interinamente. Três meses depois, o presidente renunciou ao cargo e o mineiro foi conduzido à Presidência, sem uma posse formal.

Na Presidência da República

Itamar Franco assumiu o País com uma inflação de 1.100%, que chegaria a 6.000% no ano seguinte. Em meio à crise, o presidente trocou o comando do Ministério da Fazenda diversas vezes, até que Fernando Henrique Cardoso, então ministro das Relações Exteriores, assumiu a pasta com um projeto para a implantação do Plano Real.

Com o plano, era criada uma unidade real de valor (URV) para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente na época, o Cruzeiro Real. Cada URV correspondia a US$ 1. O modelo conseguiu atrair capitais estrangeiros e foi exitoso no combate à inflação em um curto período. Apesar de ousada, a medida estabilizou a economia brasileira.

Com o sucesso do real, Itamar elegeu Fernando Henrique Cardoso seu sucessor em 1995 e deixou o Palácio do Planalto com altos índices de aprovação. No período até a eleição seguinte, Itamar foi embaixador em Portugal e na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos.

No início de 2011, Itamar Franco foi entrevistado em uma série do canal Globonews com ex-presidentes da República. Na ocasião, ele afirmou que seus feitos durante o governo não eram lembrados pelos críticos na atualidade. "Esqueceu-se e, aliás, se esquece, de que eu entreguei o País democraticamente. Ninguém fala, ninguém fala. Só falam de mim 'é o cabelo (caracterizado por um topete), é o não sei o que, é o Carnaval', essas bobagens. Mas esqueceram que eu fiz uma reunião logo de início, no Alvorada, com todos os presidentes dos partidos e fiz a seguinte proposta, a todos: 'olha, eu assumi o governo pela Constituição e pela vontade de Deus, mas estou disposto, se os senhores entenderem, eu estou pronto a convocar as eleições'".

No Carnaval de 1994, Itamar foi fotografado ao lado da modelo Lílian Ramos em um camarote na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, após ela desfilar por uma agremiação. A polêmica ficou por conta de a modelo estar só de camiseta e sem calcinha, detalhe evidenciado pelo ângulo das imagens.

O governo em Minas Gerais

Após sair do governo, Itamar se tornou um crítico da política de Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista à Globonews, ele destacou como uma das principais críticas a reeleição, estabelecida no Brasil após a Constituição ser alterada no governo FHC. "Jamais ele disse que seria candidato à reeleição. Eu considero até hoje um grande mal, quebrou a ordem constitucional brasileira. Na reeleição, você não distingue se é presidente, se é candidato", afirmou. Além disso, ele afirmou que, logo após deixar Brasília, ficou incomodado com o fato de o real ser associado apenas a FHC, e não ao seu mandato. "Se ele quiser ficar com o Plano Real para ele, ele fica", afirmou.

Ao retornar ao Brasil e ao PMDB, o político tentou se lançar candidato à Presidência para as eleições de 1998, mas encontrou resistência no partido, que apoiaria a reeleição do tucano FHC. Decidiu, então, tentar o governo de Minas Gerais, e foi bem sucedido.

O início do governo foi turbulento. No primeiro dia, Itamar decretou a moratória para renegociar a dívida do Estado, gerando uma crise com a presidência do Banco Central. A suspensão do pagamento da dívida durou pouco mais de um ano e gerou retaliação por parte do governo federal, que suspendeu repasses como o do Fundo de Participação dos Municípios.

Outros episódios que marcaram o governo Itamar em Minas foram a retomada, por meio judicial, do controle acionário da estatal elétrica Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), parcialmente vendida no governo anterior, de Eduardo Azeredo (PSDB), e a reação de Itamar após a intenção do governo federal de privatizar a estatal Furnas, projeto que não foi levado adiante. Após a eleição de 2002, na qual apoiou Aécio Neves (PSDB) para ser seu sucessor, Itamar foi nomeado embaixador brasileiro na Itália.

A volta ao Senado

De volta ao Brasil após deixar a embaixada na Europa, Itamar tentou se candidatar a presidente pelo PMDB em 2006, mas desistiu para retornar ao Senado Federal. Acabou perdendo a indicação do partido para Hélio Costa. Em 2007, ele assumiu a presidência do Conselho do Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais.

Em 2009, sinalizando intenção de disputar a sucessão presidencial no ano seguinte, Itamar Franco se filiou ao PPS e declarou seu apoio a Aécio. No discurso de filiação, ele ainda criticou o presidente Lula e o PT. Mais tarde, Aécio e Itamar anunciaram suas candidaturas ao Senado e foram eleitos, derrotando o petista Fernando Pimentel.

Ao voltar a Brasília, Itamar passou a integrar a comissão da reforma política da Casa e defendeu o fim do voto obrigatório e a reeleição. Ele também defendeu um veto à possibilidade de retorno de um político que cumpriu dois mandatos no Planalto. "Quem já foi presidente duas vezes não poderia concorrer mais. Vamos dar oportunidade a outras pessoas. O cidadão fica oito anos no poder e quer voltar?", disse.

A descoberta da leucemia

Em 25 de maio de 2011, Itamar Franco anunciou que um exame de rotina o diagnosticou com leucemia em estágio inicial. Ele se licenciou do Senado e se internou no Centro de Hematologia e Oncologia do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

No final de junho, Itamar foi internado na UTI devido a uma pneumonia. Na sexta-feira, o hospital havia informado que o político apresentou uma remissão completa no quadro de leucemia, o que não equivale à cura da doença, mas, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), representa um estado de aparente normalidade que se obtém após a quimioterapia.

Apesar da melhora, o parlamentar apresentava um "quadro grave" de pneumonia aguda e recebia tratamento com corticoesteróides em altas doses. Ele também respirava com a ajuda de aparelhos.

(Fonte: Terra)

DEVO A ITAMAR A AUDÁCIA DE TER ME NOMEADO - DIZ FHC

Acabo de saber da morte de Itamar. Recordo vivamente a última vez que o vi, no almoço oferecido ao presidente Barack Obama, em março.

Encontrei-o jovial, brincalhão, parecendo feliz. Recordei-me imediatamente do Itamar meu colega no Senado. Nossas relações na época eram superficiais, mas cordiais e sempre alegres.

Quando fui líder do PMDB, no fim dos anos 80, ele era um liderado rebelde, sem perder as boas maneiras.

Uma vez ficamos até altas horas da noite para aprovar um aumento do ICMS, a que Itamar se opunha. Ele obstruía com afinco invejável e tiradas e apartes oportunos, não necessariamente ligados ao tema em debate.

No meio tempo, eu e ele brincávamos um com o outro, enquanto na tribuna os argumentos eram severos.

Assim foi Itamar a vida inteira: persistente em seus objetivos, sempre civilizado, discreto, vivaz e, se necessário, contundente.

Quando à luz dos acontecimentos políticos parecia claro que Itamar se transformaria em presidente da República, tive a surpresa de ser chamado por ele, por intermédio do senador Jutahy Magalhães, para uma conversa.

Mineiramente, ele me perguntou: "O que você acha que vai acontecer?". Repliquei o óbvio: "Você será presidente da República".

Daquele dia em diante, passamos a conversar com frequência e a debater, junto com outros amigos, quase tudo, desde a formação do novo governo até as ações preliminares a serem tomadas.

HABILIDADE POLÍTICA

Um dia, ele me perguntou se eu aceitaria ser ministro do Exterior. Disse-lhe que sim, mas que isso não era condição para meu apoio e que poderia continuar a ajudá-lo no Senado.

De quando em vez, eu perguntava quem seria o ministro da Educação, até que me indagou de chofre: "Você quer ser ministro da Educação?". Respondi que não, queria apenas saber o nome de quem seria para evitar que a área fosse objeto de clientelismo. Ele sorriu, não me disse quem seria, mas assegurou que não havia perigo. De fato, nomeou um nome técnico que teve ação positiva.

Conto isso para ressaltar que Itamar sabia navegar nos mares encapelados da política, sabia dissimular para evitar o pior e tinha compromissos com o interesse público.

Neste momento de alguma lassidão nos costumes, vale recordar que na ocasião em que, sem motivos substanciais, uma CPI colocou em dúvida o comportamento de um de seus ministros mais chegados, ele não teve dúvidas em aceitar o afastamento provisório do amigo, até que ficou comprovado que não havia razões para demiti-lo.

Noutra oportunidade, diante da pressão de denúncias capitaneada por um poderoso senador, Itamar resolveu recebê-lo e convocou a imprensa para que escutasse o que lhe diriam e para que visse abertamente como ele reagiria.

Em matéria de deslizes que ferissem os interesses do povo, Itamar não hesitava. O homem discreto e cordial se transformava no presidente austero, incorruptível.

NO GOVERNO

Devo a ele a audácia de nomear um sociólogo sem grande experiência administrativa para o Ministério da Fazenda. Mais: apoiou tudo que eu e minha equipe propusemos para fazer o que no início foi o Plano FHC e se transformou no Plano Real.

Sem o apoio irrestrito do presidente, nada do que foi feito poderia ter sido aprovado. E isso em matéria que nem sempre era da preferência de Itamar.

Preocupado que foi a vida inteira com atender aos mais pobres, temia que a contenção fiscal necessária para assegurar a estabilidade da economia pudesse prejudicar os trabalhadores.

Não obstante, aceitou com responsabilidade histórica o que teria de ser feito, embora às vezes com a alma travada.

As repercussões positivas do Plano Real para o povo e para a economia permitiram que Itamar assistisse sua consagração no fim do mandato. Mais do que merecida, a consagração de um homem que tinha forte sentido ético na política e que, com sua simplicidade e despojamento, serve cada vez mais de exemplo ao Brasil atual.

Pessoalmente, devo a Itamar não só o ter-me apoiado como ministro, mas o haver aprovado com entusiasmo minha candidatura ao Planalto. A despeito das reviravoltas da política que nem sempre permitiram que estivéssemos no mesmo lado quando exerci a Presidência, sempre guardei respeito por tudo que Itamar significou para o Brasil.
Só lamento não ter tido mais oportunidades de desfrutar, com a tranquilidade que só os anos trazem, uma convivência mais frequente.


(FERNANDO HENRIQUE CARDOSO foi presidente da República (1995 a 2002) e ministro da Fazenda no governo Itamar.)