domingo, 7 de agosto de 2011

A PRAÇA DA ESTAÇÃO E SEUS COGNOMES OU CACIQUISMO NA “ PÓLIS DOS CONFINS”



Vira e mexe Ruas e Praças de nossas Cidades são rebatizadas conforme interesse e vontade de nossos Caciques. Um Quinhão ou Meia Dúzia de Votos são suficientes para que se mande às cucuias memórias, saberes e histórias de um Povo.

Manoel Bandeira, o velho Bardo de humor galhofeiro, no Poema “Evocação do Recife”, expressa muito nitidamente e com pesar essa prática espúria:

“Rua da União...

Como eram lindos os nomes das Ruas da minha infância

Rua do Sol

(Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano de Tal)

Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...”

Não me parece excessivo condenar práticas desta natureza como atos de má-fé, de insanidade ou oportunismo eleitoureiro. Mas creio que nisso não há nenhuma novidade. “Não há virtude que acompanhe a falsidade e a verdade jamais será objeto de terror”.¹ Quanto à estética, povo e poetas, uma vez que comem do mesmo pirão, descem igualmente em silêncio pelo mesmíssimo ralo... era uma vez...

A exemplo da Taba do Poeta citado, aqui na Amada, muitas são as Ruas e Logradouros também poeticamente batizadas e batizados pelo gosto e sabedoria da baixa-casta. Os que aqui lembro sobrevivem ao tempo e vontade da Pajelança: Rua do Rabo da Gata (não há moto-taxista que não conheça); Rua da Cruz; Praça do Barrocão (como é mesmo o pseudo nome verdadeiro?); Bairro das Priquitinhas (eternamente inesquecível); Bairro da Ilha; Ilha das Cobras; Rua do Beijú; Beco da Galinha Morta; Rua do Meio (eita!); Beco da Cachaça (eita também!)... e, enfim, nossa adorável Praça da Estação... Ali, onde um dia, de madrugada, tropas da Coluna Prestes trocaram tiros com as forças legalistas.

Praça da Estação, sim senhor, que, ao gosto dos Caciques da vez, muda de nome como cobra muda de roupa...

Um dia fixaram uma placa no prédio da Cia. Ferroviária onde se lia PRAÇA PRESIDENTE CASTELO BRANCO. Nunquinha, em meu atribulado meio século de peregrinação, ouvi algum cristão se referir à dileta Praça pelo nome do Excelentíssimo Ditador...

Reforma feita (quem lá criva um prego se acha no direito de rebatizá-la), Novo Nome: ANTONIO ACELINO; homenagem ao papai de antiga Mandachuva da Centenária Gleba. Graças, porém, ( e a Deus) a umas luminárias de vidro em forma esférica sustentadas por esguios postes de metal (que fez parte desta nova ornamentação), foi graciosamente batizada pela festiva Indiada por PRAÇA DOS PIRULITOS. Caiu no gosto da Taba, não porém, no paladar dos “Home Sérios”, que não tiravam proveito algum desta doce e simpática alcunha. Às vezes, contrariando o dito, e felizmente, não é tão fácil tirar o doce de uma criancinha. Os Pirulitos se foram... o gosto persiste no paladar...

Recentemente, após novíssima reforma, a mais novíssima de todas, onde Árvores, Gramas e um belíssimo Caramanchão viraram pó (estavam no meio do caminho do projeto), a velha Praça (da Estação, Castelo Branco, Antonio Acelino ou Pirulitos?) é uma vez mais levada à pia batismal.

Este Novo Batismo traz, porém, inusitada e esdrúxula singularidade – o de ser Plural. A Praça, que até então, sabíamos uminha só, agora são Três. Logo, Três são suas Graças². Se admirem não, amigos e amigas, que aqui Nos Confins tudo é “pussive”!...

A primeira Praça começa onde o Obelisco projetado pelo arquiteto comunista Oscar Niemeyer homenageia a passagem da Coluna Prestes pela Amada Taba. É a Praça Dom Antonio Batista Fragoso – Profeta que daqui de nosso Sertão levantou seu cajado contra toda sorte de injustiças que assola a humanidade. Humilde filho de Deus digno da lembrança e carinho de quem o conheceu. Principalmente daqueles que tiveram, assim como eu, o privilégio de com ele caminhar pelos “Porões da Humanidade”. Mas não creio que seja justo homenageá-lo com alguns metros de uma árida Praça que em nada lembra a doçura e generosidade de Seu Iluminado Ser...

Dois passos adiante, rumo ao Teatro Rosa Moraes, uma estátua em bronze sobre base de granito anuncia novo logradouro – a PRAÇA NEWTON GENTIL CARDOSO LINHARES. Deste homenageado sabe-se que foi um dos mais rico e avarento ser humano a pisar sobre nosso árduo e generoso solo. As anedotas sobre suas façanhas na “Arte de Economizar” são abundantes e emblemáticas. Seus netos e familiares souberam multiplicar suas inumeráveis cabeças de gado, suas léguas imensuráveis de terras e seus dobrões de ouro, se é que meia palavra basta...

Caminhemos dois passinhos adiante e, para não dizer que nada é como antes, a PRAÇA ANTONIO ACELINO continua existindo. Da calçada ao lado a filha do homenageado, uma ex-prefeita da Centenária Taba, contempla, todos os dias, o entardecer no Sertão... ao gosto e ritmo de sua cadeira de balanço... e do som pesado do trem de ferro...


1. MONTAIGNE (Do Exercício)

2. É MUITO CACIQUE PRA POUCO ÍNDIO


(Edilson Macedo)

sábado, 6 de agosto de 2011

ROSA DE HIROSHIMA

Aquele gesto, aquela ação destrutiva, realizada há exatos sessenta e seis anos, deixou uma marca indelével nas almas sensíveis do planeta.

No dia 6 de agosto de 1945, a cidade japonesa de Hiroshima foi literalmente destruída. A primeira bomba atômica foi detonada pelo homem como arma de guerra. O piloto foi um jovem coronel, de nome Paul Tibbets Jr., então com 30 anos, que escolheu pessoalmente um quadrimotor B-29, batizando-o com o nome “Enola Gay”, em homenagem à sua mãe.

Em 1973, no auge da ditadura, Vinicius de Moraes exibiu um poema – que virou música por João Apolinário e Gerson Conrradi. A música foi a décima terceira mais executada nas rádios brasileiras no ano de 1973. Em 2009, a revista Rolling Stone brasileira listou Rosa de Hiroshima como a número 69 entre As 100 Maiores Músicas Brasileiras.


Letra: Vinicius de Moraes
Música: João Apolinário / Gerson Conrradi


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas

Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

HABEAS PINHO


Em 1955 em Campina Grande, na Paraíba, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada do mês de junho, quando chegou a polícia e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em Juízo, para que fosse liberado o violão.

Aquele pedido ficou conhecido como "Habeas Pinho" e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praias no Nordeste.

Mais tarde, Ronaldo Cunha Lima foi eleito Deputado Estadual, Prefeito de Campina Grande, Senador da República, Governador do Estado e Deputado Federal.


Eis a famosa petição:


HABEAS PINHO


O instrumento do "crime"que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno acoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.



O juiz Roberto Pessoa de Sousa, por sua vez, despachou utilizando a mesma linguagem do poeta Ronaldo Cunha Lima:

Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no Cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo que há de belo no universo.

Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte á rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de luz, plena madrugada,
Venha tocar á porta do Juiz.




(Fonte: Jornal de Poesia)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

LOUIS ARMSTRONG

Em 04 de agosto de 1901 o mundo viu nascer Louis Daniel Armstrong (Nova Orleans, 4 de agosto de 1901 — Nova Iorque, 6 de julho de 1971). Considerado "a personificação do jazz", Louis Armstrong fez fama tanto como cantor quanto como solista, com seu trompete. (fonte: Wikipédia)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

A leveza da coluna é administrada pelos "causos" da política. Hoje, dou férias às historinhas, muito solicitadas pelos leitores. Mas o jargão jurídico tem também a sua graça. Portanto, a coluna de hoje quer homenagear o prestigiado canal eletrônico de comunicação, Migalhas.

No, we can't

Os Estados Unidos passam por um dos momentos mais críticos de sua história. O acordo para elevação do teto da dívida, alcançado a fórceps, foi uma vitória dos republicanos sobre os democratas. Os cortes drásticos a serem efetuados no orçamento certamente terão efeitos danosos sobre a eleição de 2012. Obama continua como favorito, pois não há um perfil republicano com densidade para enfrentá-lo. Mas a ideia de que a maior democracia do planeta ameaçava passar um calote nos credores externos e até na massa aposentada do país entra na moldura da vergonha. O acordo tem duração curta. Em novembro, uma comissão mista reavaliará a questão. Obama ganhou o pleito brandindo o slogan: Yes, We can. Hoje, o eco ganha as ruas : No, we can't.

Jargão jurídico I

"A fêmea ruminante deslocou-se para terreno sáfaro e alagadiço". Versão popular: A vaca foi pro brejo.

"Derramar água pelo chão através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente". Versão popular: Chutar o balde.

Apelo pelo twitter

Obama apelou de maneira insistente pelo twitter para que os eleitores passassem a fazer pressão sobre os congressistas. Não deu certo. O apelo foi um exagero. Os americanos tendem a considerar que todos os atores estão colocando seus interesses centrais - e eleitorais - acima dos interesses da coletividade. E rebaixam a posição de todos eles. Obama, republicanos e democratas tiveram suas notas de aceitação pública diminuídas.

As razões de Jobim

Há uma recorrente pergunta na esfera política : qual é a de Nelson Jobim? Ou, em outros termos, o que pretende o ministro da Defesa quando lembra que votou em Serra e dá declarações consideradas agressivas pelo PT e adjacências. Tentemos respostas. Primeiro, o ministro é um perfil que exibe auto-suficiência. Mostra-se muito disposto a abrir a boca para expressar sua forte personalidade. Segundo, diz-se que ele está insatisfeito por não ter fechado a questão da compra dos aviões de caça para a Aeronáutica. Operação que teria sido colocada em banho-maria pela presidente Dilma. Jobim estaria, assim, cavando sua saída. Sua insatisfação seria ainda porque foi afastado do centro de decisões. Terceiro, comenta-se que consideraria sua missão cumprida. Teria passado muito tempo na administração e gostaria de dar por encerrada sua passagem pelo Executivo. A visão deste consultor: há um pouco de cada tempero nesse cardápio.

Jargão jurídico II

"Prosopopéia flácida para acalentar bovinos". Versão popular: Conversa mole pra boi dormir.

"Sequer considerando a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais". Versão popular: Nem que a vaca tussa.

Rejeições

Pesquisa eleitoral deve merecer uma leitura vertical. Mais profunda. A análise do fenômeno da rejeição é mais importante que a posição alcançada por candidatos ou pré-candidatos no quesito intenção de voto. Dito isto, vamos aos casos de Marta Suplicy e José Serra, em São Paulo. São os perfis que, hoje, obtêm maior índice de intenção de voto e também o maior índice de rejeição. Marta chega aos 25% e Serra aos 22%. Índices que podem aumentar ou diminuir, dependendo do momento e das circunstâncias eleitorais. A rejeição tende a aumentar quando o eleitor acha que está diante de ofertas antigas, manjadas, uma velha canção aos seus ouvidos.

Perfis novos

Em contraponto, os perfis novos, caso obtenham bom tempo na mídia, tendem a crescer na intenção de voto. A velha política dá náuseas. O novo, por sua vez, atrai. Chama a atenção. Motiva.

Jargão jurídico III

"Romper a face". Versão popular: Quebrar a cara.

"Creditar um primata". Versão popular: Pagar um mico.

"Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira". Versão popular: Nem a pau.

D'urso no PTB

Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB/SP, ingressa no PTB, sábado, dia 6, em evento na Assembleia Legislativa. D'Urso é preparado, tem discurso claro e objetivo. Sabe dosar razão e emoção. Não por acaso, elegeu-se três vezes presidente da maior seccional da Ordem dos Advogados do Brasil. Poderá dar uma boa contribuição ao debate eleitoral. É bastante conhecido em setores do meio da pirâmide - a partir da esfera jurídica - e, se obtiver um tempo razoável de mídia, deverá alcançar boa performance.

Absolvição?

José Dirceu confia em sua absolvição amparado em um argumento central: falta de provas. Se a decisão for estritamente técnico-jurídica. Mas, como se sabe, há sempre um caldo político nas grandes decisões.

Comando do exército

Causou surpresa a notícia de que o comandante do Exército e mais sete oficiais da Arma estariam sendo investigados por conta de indícios de desvios que teriam sido apontados pelo Tribunal de Contas da União. Trata-se de questões abrangendo obras rodoviárias contratadas pelo DNIT na BR-101. Uma explicação: casos envolvendo ministros e dirigentes com o mesmo status só podem ser analisados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal. O comandante Enzo Martins Peri tem foro privilegiado.

Jargão jurídico IV

"Deglutir batráquio". Versão popular: Engolir sapo.

"Colocar o prolongamento caudal em meio aos membros inferiores". Versão popular: Meter o rabo entre as pernas.

Política industrial, o início

O pacote da Política Industrial foi embrulhado não sem grandes divergências entre Guido Mantega e Fernando Pimentel. Prevê um corte de R$ 25 bilhões em impostos em 2 anos. A alíquota de 20% descontados para o INSS pode chegar a 0% em alguns setores. E a contrapartida será cobrada por uma contribuição sobre o faturamento. Uma alíquota de 1,5% de acordo com o setor. Extensão de 12 meses da redução do IPI na área de bens de capital, material de construção, caminhões e veículos leves. Redução gradual do prazo para devolução do PIS/COFINS sobre bens de capital. Extensão do programa de Sustentação do Investimento do BNDES. Ampliação do capital de giro para micro, pequenas e médias empresas. Linha de crédito do BNDES de R$ 2 bilhões para ampliação da carteira de inovação. Modernização do marco legal do Inmetro. Paulo Skaf, presidente da FIESP, expressa visão do empresariado: trata-se de um início. Ou seja, os setores produtivos querem bem mais.

E o pacote de serviços?

O pacote da Política Industrial expressa a visão caolha do Governo. Onde estão os serviços? E mais: onde está contemplada a área da terceirização que trabalha com mão de obra intensiva? O presidente do Sindeprestem - Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizados e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo, Vander Morales, está indignado. Precisamos de um projeto de país, reclama ele. Por que amparar alguns setores e deixar outros ao léu? Por que o privilégio a setores industriais (que podem até merecer apoio), deixando outros sem nenhum amparo? Esse é o perfil do Brasil capenga.

O irmão de Jucá

Wagner Rossi vai falar na Câmara sobre denúncias feitas por Oscar Jucá, irmão do senador Romero Jucá, na esfera da CONAB. O líder do governo no Senado pediu desculpas ao vice-presidente Michel Temer pelas "denúncias" feitas pelo irmão. Para ele, infundadas. Falou também com as ministras Ideli e Gleisi. Por último, falou com a presidente Dilma. O irmão de Jucá é uma pessoa de histórico problemático.

Jargão jurídico V

"Creio que V.Sa. apresenta comportamento galhofeiro perante a situação aqui exposta". Versão popular: Você tá de sacanagem.

"Aplicar a contravenção do Senhor João, este deficiente físico desprovido de um dos membros superiores". Versão popular: Dar uma de João sem braço.

Pauta densa

O Congresso Nacional terá pauta densa no segundo semestre. A agenda econômica terá peso. Estão previstas, entre outras, as seguintes matérias: MP com a nova política industrial; a lei geral da Copa do Mundo; a lei geral das micro e pequenas empresas; o marco civil da Internet; o marco legal da mineração; créditos para creches dentro do Plano Brasil sem Miséria; reajuste do Bolsa Família.

No lugar da Gracie

A ministra Ellen Gracie, 63 anos, se aposenta do STF. (Poderia ficar na Corte até os 70 anos). Disputam seu lugar: a ministra Maria Elizabeth Rocha (STM), juíza Sylvia Steiner (Tribunal Penal Internacional), Flávia Piovesan (procuradora do Estado de SP), ministra Maria Cristina Peduzzi (TST), desembargadora Neuza Maria Alves da Silva (Tribunal Regional Federal de Brasília), ministra Maria Thereza de Assis Moura (STJ), ministra Fátima Nancy Andrighi (STJ) e ministro Teori Zavascki (STJ).

Jargão jurídico VI

"Derrubar com intenções mortais". Versão popular: Cair matando.

"Eximir de qualquer tipo de sorte". Versão popular: Azarar.

Prévias em São Paulo

O PT não quer prévias para os candidatos ao pleito de 2012 em São Paulo. Mas o PSDB as defende. O Partido dos Trabalhadores teme que a divisão se instale com as prévias. A ala vitoriosa não contaria com o engajamento dos derrotados. Lula não quer prévias por saber que seu candidato, Fernando Haddad, as perderia. No PSDB, os nomes de José Aníbal, Bruno Covas e Andrea Matarazzo são os mais prováveis. Lembre-se, apenas, que Alckmin era afilhado político de Mário Covas.

CUT fora do eixo?

As Centrais Sindicais têm se mobilizado em torno de grandes temas. Mas a CUT teima em permanecer fora das mobilizações comandadas pela Força Sindical. Manifesto divulgado pelas Centrais com as bandeiras de luta não foi assinado pela CUT. Que apóia o governo, de um lado e o critica, de outro.

A crise na Europa

Antonio Minhoto, leitor da coluna, faz uma rápida leitura da crise na Europa, após uma passagem pelo continente:

"Senti visões distintas. Uma amiga que vive na Holanda, disse que os chamados países do norte (Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega, Dinamarca, Inglaterra) não estão de fato preocupados com a crise e que todos eles têm economias muito fortes. Em Portugal, o clima é de total desolação. O português já é naturalmente um povo ressabiado e tendente ao pessimismo. Eles estão esperando mais e mais piora. Na Itália, o sentimento é confuso. Vi gente com saudade da Lira. E vi gente esperando o pior. Pessoalmente, acho bastante improvável que havendo um alastramento da crise (englobando Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda logo de cara), os países mais ricos fiquem de fora.

Como o Brasil vai enfrentar?

Um conhecido, em Paris, disse que foi imprudente que países com moedas fracas como Lira, Escudo e Peseta, adotassem o Euro sem mais nem menos. Faz sentido. Ao lado disso temos os EUA em situação delicada. Mesmo com o acordo firmado, a dívida pública ali é imensa e a economia está longe do vigor de anos anteriores. Para mim, a situação dos EUA é tão ruim quanto dos europeus emergentes e um eventual default norte-americano seria um desastre imenso em proporções globais. A China, para entornar o caldo, não quer valorizar o yuan (vem dando uma de surda há algum tempo já) e enfrenta problemas muito próprios internamente. Apenas para ilustrar, os problemas da China com o meio-ambiente são tão grandes quanto a sua economia. Coloco a questão : como o Brasil vai encarar tudo isso? Temos bala na agulha para surfar outra crise sem sentir tanto o impacto externo, como aconteceu em 2008?"

Conselho aos órgãos de controle

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades monetárias. Hoje, sua atenção se volta aos órgãos de controle. As denúncias de corrupção se sucedem, envolvendo perfis políticos, funcionários públicos e grupos privados. Seria útil que, neste ciclo de "faxina", todos os órgãos de controle ajustassem os focos de suas lupas para mapear as estruturas administrativas sujeitas aos desvios e ilícitos, levando em consideração:

1. Tempestividade na ação investigativa, sem delongas e protelações, por meio de sistemas e métodos capazes de dar provimento aos casos apurados.

2. Planilhas e critérios rígidos de controles, tendo em vista a sofisticação de meios e recursos aplicados para escapar das lupas.

3. Adoção de princípios democráticos, propiciando aos indiciados todas as condições para sua defesa junto às instâncias do Judiciário.

____________

(Gaudêncio Torquato)


***************************************************

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "CONJUNTURA NACIONAL":

Hi. A very nice niche blog, and a good design there sparks Simplicity yet complex algorithm of the internet. Thank You.


Oi. Um blog de ​​nicho muito agradável, e um bom projeto não há faíscas Simplicidade embora no ritmo complexo da internet. Obrigado.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

JOSÉ PEREIRA DE SOUSA


O que é esse caldeirão permanentemente fervilhante que chamamos mente humana? Como conceituar essa perseguida lâmpada que se convencionou avocar como razão? O que vem a ser esse paradoxal fenômeno que denominamos loucura?

Machado de Assis, no remoto ano de 1882, escreveu um livro - ou conto ou fábula ou novela, porém obra-prima – em que desenha, com o pincel da sua genial ironia, uma caricatura dos valores de sua época.

Subjacente à história de Simão Bacamarte, um médico formado em Portugal que se instala em uma pequena cidade do Rio de Janeiro (Itajaí), ele promove uma viagem fascinante pelos espaços mais íntimos do ser humano. Desliza pelos bueiros mais profundos do raciocínio, senta o cajado da reflexão no terreiro do pensamento e produz um binóculo especial para mirar a nossa argila mental. Discorda da visão majoritária da época, que considera as posturas divergentes da média predominante como desvirtuamento dos sentidos ou descontrole da imaginação. Conclui que, não raro, rotulamos superficialmente de loucura aquilo que, em verdade, é a mais profunda expressão de lucidez.

Crateús sempre foi uma cidade prodigalizada com a presença, em suas largas e generosas ruas, de pessoas alheias ao figurino convencional de modelo comportamental. José Pereira de Sousa, o Pereirinha, é uma delas. Bonachão, corpulento, solitário e solidário, imune ao ódio, ansioso por um sorriso, avesso a maldades, discípulo da bondade.

Conheci-o, na década de 1970, no comércio do meu pai. Eu era um menino e ele, vendedor da Casa Beija-Flor. Depois nos reencontramos, ao final da década de 1980, quando ele retornou do Rio de Janeiro, onde passou uma temporada trabalhando no famoso hotel Glória. Voltara fascinado com a liderança carismática de Leonel Brizola, cuja mão havia apertado em uma praça carioca.


O final dos anos oitenta e início dos anos noventa sacudiram Crateús. Uma brisa de esperança bafejava a cidade, que exalava um charme mudancista. Um grupo de jovens políticos ascendia ao poder municipal. Pereira estava próximo dessa turma. Logo, abriu-se uma dissidência e, nas eleições de 1990, do grupo emergiram dois candidatos a deputado estadual: Manoel Veras e Sérgio Morais. Amigo dos dois, Pereira vivia a desconfortável situação de ter que se equilibrar entre ambos sem que isso causasse constrangimentos. Idealizou uma solução para o caso: no bolso direito andava com o retrato (“santinho”) de um e no esquerdo o do outro. Quando se aproximava de aliados de um ou do outro, sacava a foto que faria a festa dos militantes. É óbvio que todos sabiam da estratégia... Um belo dia, Pereira adentra na barbearia do senhor João Freire e lá encontra Sérgio Moraes. Este lhe indaga: - Pereirinha, você está comigo mesmo? Assustado, Pereira responde: - Claro, meu chefe, estou com você. Tanto é que carrego sempre o seu santinho no meu bolso. E, nervoso, erra o bolso e exibe a foto de Manoel Veras...

Tempos depois, selecionado em concurso público, foi efetivado nos quadros da municipalidade. Lotado no Gabinete do Prefeito durante a gestão de Paulo Nazareno, andou o município inteiro e protagonizou vários episódios que enfeitam o folclore político local. Nazareno fez fama como Prefeito de atitudes inesperadas, amigo das minorias discriminadas. Quando da inauguração do CAPS (Centro de Apoio Psicossocial), Paulo fazia um discurso emocionado narrando que aquele espaço seria um lar para pessoas muito inteligentes, dotadas de grande sensibilidade e que, no entanto, a sociedade marginalizava, classificando-as como “loucos”... Pereirinha interrompe: - como eu, doutor Paulo?!!! A gargalhada foi geral.

Pereirinha é um ser prestativo, com enorme disposição para servir. Mora sozinho em uma casa no bairro São José, o santo do seu nome. Tem uma legião de amigos. Esconde a idade. Parece usar isso como escudo para proteger a tenra infância que vive bailando diariamente em sua alma. É, de fato, um menino. Menino que leciona aos adultos que é possível se viver de bem com os outros, de modo desprendido, aberto às novidades, sem cultivar rancores de qualquer espécie, liberto dos preconceitos tolos da política, expondo na janela da convivência as samambaias da leveza e da alegria. Alguns podem até considerar louco quem assim se comporta. Olvidamos de reconhecer, na masmorra da ganância e na escuridão do nosso egoísmo, que essas pessoas são, como ensinou Machado de Assis, verdadeiros vaga-lumes da lucidez.


(Por Júnior Bonfim, na Revista GENTE DE AÇÃO)


PARA REFLETIR

domingo, 31 de julho de 2011

POSSE DE NOVOS ACADÊMICOS NA ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS - ALC



DISCURSO DE SAUDAÇÃO AOS NOVOS ACADÊMICOS DA ALC


Autoridades que compõem a mesa,
Senhoras e Senhores,

Meu cordial Boa Noite!


Contam que, seis séculos antes de Cristo, lá pelas montanhas do Oriente, onde tudo nasceu, viveu um ser fulgurante chamado Lao-Tsé. Lao significa "criança, jovem, adolescente". Tsé é o fluxo de muitos nomes chineses, que quer dizer "idoso, maduro, sábio”. Lao-Tsé, o "jovem sábio", o 'adolescente maduro", foi contemporâneo de Kung Fu Tsé, o Confúcio, de quem foi discípulo. Era guardião dos arquivos do Tribunal Imperial Chinês e atraiu muitos seguidores com sua sabedoria, embora sempre haja se recusado a fixar suas idéias por escrito, por temer que as palavras pudessem cair na vala comum do formalismo dogmático.

Octogenário e desiludido com as pessoas da sua terra - que estavam pouco dispostas a seguirem o caminho da bondade natural - rumou para o Tibet, na fronteira ocidental de China, quando foi reconhecido por um guarda. Este lhe lembrou que possivelmente todos os seus ensinamentos logo migrariam para o esquecimento se alguma coisa não ficasse gravada, e só permitiu que ele deixasse a China após escrever seus ensinamentos básicos, a fim de que pelo menos parte de seu conhecimento pudesse ser preservada para a posteridade. Atendendo ao pedido do guarda, de uma só vez Lao Tsé redigiu (reza a lenda que escreveu numa grande pedra) a coletânea dos 81 versos que se tornariam a síntese de sua sabedoria, que entrou para a história sob o nome de Tao Te Ching (o livro que revela Deus) e é, ao lado da obra de Krishina e de Jesus, uma das três mais importantes mensagens da humanidade. Diz ele no segundo poema:

“O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo”.


Segundo Huberto Rohden, Lao-Tsé nos ensinou a grande lei da bipolaridade do Universo e de todas as coisas. Nada é somente o Uno, e nada é somente o Verso - tudo é Universo, unidade na diversidade, equilíbrio dinâmico, harmonia cósmica.

Modestamente opino, senhor Presidente, que o sucesso da nossa Academia, grêmio literário em plena maturidade juvenil, repousa no fato de ser uma peça de renda única tecida com os fios coloridos do algodão da diversidade. Seu piso é um tablado constituído de mosaicos distintos. A poesia popular, filete natural, fonte cristalina, representada dentre outros por Lucas Evangelista e Dideus Sales, caminha de mãos dadas com a mais apurada erudição de um Padre Geraldinho, por exemplo. Embora com pouco mais dois anos de idade, seus passos firmes já se fazem sentir em todos os quadrantes da nossa urbe. Já temos um sítio na internet (www.academiadeletrasdecrateus.blogspot.com) que, aliás, é extremamente prestigiado. A nossa roça de escrituras já exibe mais de dez obras publicadas no espaço de apenas dois anos, algo nunca ocorrido em nossa cidade. Alguns dos nossos integrantes foram premiados em certames estaduais e até nacionais. A participação nos mais diversos eventos culturais da cidade é outro diferencial.

Pois bem, é nessa esteira que hoje, noite estrelada e memorável, abrimos os portões invisíveis das nossas almas, cedendo aos movimentos de lustre dos nossos corações, para fazer luz aos neófitos que serão iniciados em nossa oficina de prosa e verso.

E, como bons cavalheiros, nos perfilemos para receber primeiro as damas.

Tiro o chapéu inicialmente para Ana Cristina do Vale Gomes. Ela já devia estar aqui desde a fundação. Não faltou quem estranhasse. Sua ausência foi sentida. Houve até o petardo da censura: - a Ana não faz parte da Academia? Esclareço: ela foi uma das primeiras convidadas. Razões de foro íntimo a impediram de se banhar nas nossas primeiras águas batismais. Hoje ela o faz. Escritora com doze livros publicados, sacerdotisa da pedagogia, insufladora da flora educacional, empresária do setor livreiro, chega em nosso círculo com suas dinâmicas de grupo, com seu repertório de idéias criativas, juntando os pedaços das palavras para bradar, da cadeira do vulcânico poeta Paulo Leminski, que sua profissão de febre é a literatura.


Como poderei verbalizar para os presentes a doce leveza, o suave encantamento da dona Cheyla Mota? Recordo-me dela, garota delicada, morando no entorno da nossa Catedral e embriagando de sorriso e paciência as tardes da praça da matriz. Dos bancos das nossas escolas tradicionais – Lourenço Filho, Pio XII, Escola de Comércio – foi tomar assento nas faculdades da Capital e lá se fez Pedagoga, Psicopedagoga e, com louvor, escritora. É articulista da nossa Gazeta do Centro Oeste. Autora do romance A Saga de Will. Sobre Cheyla, bem conceituou a doutora em filosofia Silvia Leão: “Quem diria...Tímida, reservada, em esforço constante de não aparição! Esforço inútil, pois a beleza dela resplandece naturalmente, Da aparência à essência, a beleza dela resplandece”. Alma generosa, foi arrastada por essa misteriosa força de afinidade arrebatadora chamada amor e, ao lado do consorte Isaac Furtado, experimenta o mel da cana-de-açúcar que se ergue no solo fértil do progresso literário.

A terceira dama que engalana a nossa festa é Karla Gomes. Todos a conhecem por seus dotes cênicos, pela elegância dos seus gestos, flor entre cristais, caminhando como quem desfila. Todos batem palmas para sua desenvoltura como atriz, diretora e produtora. Todos admiram sua dedicação militante à cultura da nossa terra, como co-fundadora da Companhia de Teatro Os Cara da Arte e presidente da Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho. Hoje trazemos à ribalta sua Certidão Poética e divulgamos seu parentesco lírico. Faço minha a trova do confrade Raimundo Cândido:

Por onde te escondias, poetisa?
O tempo passava e a gente te via
por ai, toda arte e prosa, toda rosa,
mas nada do que agora mostras: poesia!!!


Aplaudamos a pedagoga e poetisa Antonia Karla Bezerra Gomes.

Saudemos agora os cavalheiros. Começo por um que foi meu contemporâneo de adolescência: José Rodrigues Neto. Era um cabra meio envolto em si mesmo, tipo cientista, absorto no próprio mundo, como se vivesse a calcular e esquadrinhar a raiz de tudo. Depois descobrimos a razão da sua introspecção. Graduou-se em Ciências. Virou matemático. Psicopedagogo. Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA. Brinca com os sólidos geométricos. Transforma em poesia os teoremas mais complexos. É um laboratório fantástico de cordéis e livros didáticos sobre matemática para jovens e adultos. Cria coleções de cartões postais para massificar o aprendizado dos Números. Afinal, como Pitágoras, descobriu que tudo são números. E que “A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus”. Foi Pitágoras o primeiro filósofo a criar uma definição que quantificava o objetivo final do Direito: a Justiça. É sua a definição de que um ato justo seria a chamada "justiça aritmética", na qual cada indivíduo deveria receber uma punição ou ganho quantitativamente igual ao ato cometido. Por isso me pediram, meu caro Neto, para ler em voz alta o seu veredicto: Foi o senhor José Rodrigues Neto condenado a assumir um lugar entre nós e sua pena será a prestação de serviços à nossa unidade benfazeja, através do esquadro do pentagrama, das veredas da álgebra, das trilhas geométricas, calculando as operações corretas para chegarmos à felicidade. Cumpra-se!

"Nunca estamos vivendo à altura das nossas possibilidades." Esta frase parece se constituir o resumo biográfico de João Silas Falcão Soares, o Silas Falcão. Confesso a vocês a minha estupefação quando, há algum tempo, encontrei em Fortaleza o escritor Silas Falcão. Jamais imaginei que por detrás daquele sujeito aparentemente arredio se escondia um verdadeiro monstro da criatividade lingüística, capaz de se envolver nos mais empolgantes vôos gregários e participar de antologias com nomes sugestivos como Abraço Literário e Papo Literário. Cursou Administração de Empresa, mas se especializou em administrar empreendimentos literários. Pertence à Associação Cearense de Escritores, onde ocupa o cargo de Diretor de Eventos. Criou a marca Você Moda Cultural, camisaria especializada na divulgação de imagens motivacionais e textos da literatura Cearense. Ano passado foi homenageado com o Diploma Mérito Cultural pela ALMECE - Academia de Letras do Município do Estado do Ceará. O autor de “Por que Somos?” e “A Prisão de Deus” é um ser encarcerado. Ele próprio revela sua rotina depois que conheceu o livro: “nunca mais me retirei da bondade da leitura, que me jogou dentro da literatura onde encontrei Pasárgada, a civilização imaginada, criada pelas palavras”. Silas, nosso Falcão peregrino, a mais veloz ave do mundo e do reino animal, abre tuas asas e exibe tua condição de cativo à formosa deusa Liberdade. Tua tarefa será a condução deste Sodalício à relembrança permanente de que ninguém é pobre quando ama e que devemos sonhar com flores brotando em pleno asfalto. Salve, Silas!


Em louvor ao centenário da nossa cidade, anuncio que é de uma estirpe centenária o outro varão que vem fortalecer nossas colunas: José Maria Bonfim de Morais. Filho do Felipe CEM, o sobrinho da Rosa que deu nome a este Teatro se especializou nas matérias que versam sobre o lado esquerdo do peito e fez fama em Fortaleza. Granjeou também conceito internacional. Além da intensa atividade profissional, é militante filantrópico e integrante, dentre outras, da Associação Cearense de Escritores (ACE) e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES). É articulista festejado do Diário do Nordeste. (Gerardo Mello Mourão contava que seu amigo Austregésilo de Athayde, chegado de Paris, onde pronunciara um discurso histórico na Assembléia Geral da ONU, foi ao Recife, para contar a história à sua mãe. Certo de que o episódio a encheria de orgulho, ao saber do filho aplaudido por todas as nações da terra, na tribuna mais alta do planeta, o que ouviu foi quase um muxoxo de desdém: "É — respondeu-lhe a velha mãe nordestina — mas você nunca discursou no Teatro Santa Isabel". O Teatro Santa Isabel era o palco maior, o símbolo conspícuo, das grandezas e da glória regional de sua honra pernambucana. Falar ali, na tribuna egrégia em que ressoaram as vozes de Joaquim Nabuco de Castro Alves e de Tobias Barreto, as vozes de sua raça e de sua tribo, de sua história e de suas raízes, isto sim, é que era a coroa de louros e a taça de ouro de uma carreira olímpica. O laurel imarcessível com que o "vir gloriosus" podia destruir o provérbio pessimista de que ninguém é profeta em sua terra). Conhecedor da habilidade de José Maria na edificação das palavras e das suas incursões pelas mágicas grutas da poesia, lancei-lhe convite para tomar assento nesta Arcádia. Imaginei que, mercê do destaque que conquistou e das inúmeras atribuições, declinaria habilidosamente da incitação. Sua resposta me surpreendeu: - Sentir-me-ia muito mais honrado em participar da Academia de Letras da minha terra do que da Academia Brasileira de Letras. A honra é recíproca, mestre José Maria. Sei que, no palco maior da vossa terra, tomas assento na Academia de Letras da tua tribo com um orgulho especial. Por isso assuma a regência da orquestra dos nossos corações.


A minha convivência com o recipiendário que agora apresento se iniciou no oceano da política e terminou por nos aproximar nas outras praias da vida. Conheci o ser sensível e profundo, endoscopista de almas, amante da natureza, aviador natural, apreciador da boa música, estudioso dos grandes temas, visionário trabalhador. Jamais consegue ser morno. É sempre gelo ou brasa. Adora viver perigosamente, escalar as montanhas dos desafios, palmilhar as trilhas adversas. Saboreia intensamente cada prato que o restaurante da vida lhe oferece. No entanto, ao longo da nossa convivência, tive a oportunidade de identificar a mais original das suas facetas: no lençol freático desse homem aparentemente duro, há um poço profundo de ternura. Falo de Paulo, o Nazareno. O sério careca de hoje já foi o cabeludo irreverente, tipo hippie, que amava os Beatles e o Rolling Stones. Escreve. A letra é feia, mas o conteúdo é bonito. É poeta. Está com dois livros no forno: um sobre o rio e a vida e outro sobre o papel da mulher nas nossas vidas. Vista sua roupa branca e entre, Paulo. Um conselho, apenas: Assopre as velas da comemoração. Apague o que ficou para trás. Mire o futuro e reparta o bolo da amizade. Aqui o banquete é de fraternidade. Seja bem-vindo, Paulo Nazareno Soares Rosa.


Penso que falta a este Teatro a presença dos sinos. Sinos, senhoras! Senhores, faltam sinos neste templo ecumênico da cultura crateuense. Como é lindo o repicar dos sinos anunciando e ao mesmo tempo convocando a todos para, com formalidade litúrgica, participarem da solenidade essencial. E se alguém nos perguntasse: ?por quem os sinos dobram? Diríamos que dobram por Juarez Leitão, o maior poeta vivo dentre os nascidos neste sertão. Sim, porque todos nos postamos, reverentes, ante o brado retumbante da sua verve, fazemos um semicírculo cerimonioso sob o barulho tonitruante dos tambores da sua oratória. Oratória que o tornou laureado na Academia Cearense de Letras, na Academia Cearense de Retórica, na Academia Fortalezense de Letras, na Academia de Artes e Letras do Nordeste, na União Brasileira de Escritores e na Associação Nacional dos Professores de História. É difícil precisar se fala melhor do que escreve ou se escreve melhor do que fala. Resplandece como historiador, poeta, cronista, biógrafo e conferencista. Juarez, teu caule é alimentado pela seiva do nosso Juá. E é como um colossal pé de Juazeiro, a palmeira do nosso sertão, que o teu nome eleva a nossa instituição, mantendo-a permanentemente viva e verde.


Se nada tivesse produzido, esta Academia já se justificaria apenas por uma dos ensinamentos que nos legou. O de que é possível obedecermos à lei do universo que nos ensinou Lao-Tsé: as diferenças não constituem obstáculo à convivência respeitosa entre diferentes, à harmonia entre os contrários, ao louvor à pluralidade.

Viva a Academia de Letras de Crateús!


(Discurso proferido por Júnior Bonfim na noite de 30.07.2011 por ocasião da posse dos novos membros da Academia de Letras de Crateús – ALC – no Teatro Rosa Morais, Crateús, Ceará)






************************************************

Caro Junior,

cumprimento-o pelo belo discurso de saudação aos novos acadêmicos da ALC. Nesta oportunidade, parabenizo os novos empossados augurando-lhes votos de mais sucesso e realizações.

Abraços

Sérgio Moraes

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CONVITE


Amig@s,

A Academia de Letras de Crateús abre suas portas para receber uma nova leva de acadêmicos. Tomarão posse no sodalício crateuense Ana Cristina do Vale Gomes, Cheyla Mota, José Maria Bonfim de Morais, José Rodrigues Neto, Juarez Leitão, Karla Gomes, Paulo Nazareno e Silas Falcão. O evento, aberto à população de modo geral, ocorrerá no próximo sábado, dia 30 de julho, às 19:00 hs, no Teatro Rosa Morais.

RELEMBRANDO DOM HELDER CÂMARA, O ÚNICO BRASILEIRO INDICADO QUATRO VEZES PARA O NOBEL DA PAZ

Há doze anos o mundo se despedia de Dom Hélder Câmara, o cearense que se fez bispo dos pobres, santo rebelde, mestre da paz.

Era um homem que teve a rara habilidade de conciliar a condição de ser essencialmente midiático com a de pastor humildemente carismático.

Veja algumas de sua frases:


quarta-feira, 27 de julho de 2011

LANÇAMENTO

Foi extremamente prestigiado o lançamento do livro do poeta Dideus Sales ontem no Centro Cultural OBOÉ.

Dimas Macedo, da Academia Cearense de Letras, foi o cerimonialista. Juarez Leitão, o apresentador. Em belo discurso Juarez ressaltou que a poesia popular - tão bem representada por Dideus - é a fonte primária, é a nascente, é o filete original de todas as poesias.

Ao final, Dideus agradeceu a todos dizendo mais ou menos as seguintes palavras:

"Nunca imaginei que - depois de ceder aos encantos do mundo mágico do sertão e, depois, das serras, do litoral e das urbes – viraria um oleiro da palavra.

Minha modesta poesia é pura terra, terra pura, barro de afeto, argila sentimental. Pois tudo – plantas, aves, seres de todas as cores - tudo vem da terra. Assim, terra sou. Pertenço a esse espaço sagrado da fecundidade.

Todos vocês que me enobrecem esta noite com a honra das suas presenças, só podem ouvir uma palavra da minha boca: obrigado. Grato estou, graças vos dou. Agradeço de coração.

Sou um singelo lavrador que adora lançar sementes de amizade. Foi uma semente de amizade que plantei quando apertei a mão de Juarez Leitão pela primeira vez..."


(E citou quase todos os presentes...)

CONJUNTURA NACIONAL

Quatro chinelas


O médico Francisco Ibiapina, do Jaguaribe, Ceará, tratava com muito zelo de um cliente recém-casado e acometido de forte gripe. O clínico fazia prescrições sobre o regime alimentar e sugeria cautelas para evitar recaída. A um lado, a jovem esposa presenciava a conversa, silenciosa e atenta aos conselhos do médico. Fixando nela os olhos amorosos e não se conformando com a desarrumação de sua lua de mel, o doente cochichou um pedido com voz rouquenha:

- Seu doutô: fazerá mal quatro chinela debaixo da minha rede?

Causo contado pelo historiador Leonardo Mota.


Sinal amarelo


Há um grande sinal amarelo nos faróis que iluminam a trajetória das principais economias mundiais. E esse sinal começa a ser aceso nos Estados Unidos. Dia 2 de agosto é o prazo fatal para sabermos se o sinal é de perigo. A questão gira em torno da dívida interna dos EUA, de US$ 14,3 trilhões. Os republicanos querem aumentar a dívida em apenas (?) US$ 1 trilhão. Os democratas propõem um aumento de US$ 2,4 trilhões e um corte de despesas de US$ 2,7 trilhões. Se o aumento não for suficiente, a Nação de economia mais forte do mundo dará um calote. A economia poderá contrair em até 5% e o resto do mundo, entre 3% e 4%. Os investidores começam a escolher uma moeda para substituir o dólar. Por enquanto, o franco suíço.


E por aqui?


O Brasil, desta feita, receberá impactos mais fortes que os da crise de 2008. O país, dizem os analistas, gastou muita munição para suportar os efeitos daquela crise. A gastança não teve limites. Somos um território cheio de riquezas. O futuro é promissor. Mas, em termos imediatos, não seremos uma ilha de segurança no meio de um oceano revolto.


Dólar baixo


O dólar chegou ao patamar mais baixo desde 1999: R$ 1,54. A exportação brasileira levanta a bandeira do SOS. E a China abocanha os mercados mundiais.


Gasolina pode subir?


Será que este consultor foi contaminado pelo vírus do catastrofismo, aquele que Fernando Henrique identificava quando presidente da República? Pode ser. Mas não dá para fazer leitura otimista, quando vemos, por exemplo, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, fazer a previsão sobre aumento da gasolina. Segundo Gabrielli, com a crise do mercado de etanol e a alta venda de carros flexíveis, que podem usar a gasolina ou o etanol, houve um aumento de 19% da demanda de gasolina em 2010, fazendo com que nossa capacidade de produção desse combustível chegasse ao limite. As refinarias estariam trabalhando no limite e, por isso, o preço doméstico poderá receber reajuste.


A carta de Pagot


Luiz Antônio Pagot saiu magoado do DNIT. O ex-diretor geral do órgão despediu-se em tom amargurado. Foi aplaudido pelos funcionários. E escreveu uma carta pessoal para a presidente Dilma. Lacrou a carta. O conteúdo deve ser bombástico. Ali deve haver um relato de decisões tomadas e atores responsáveis por elas. Pagot quer dizer que não era ele o único a tomar decisões. Infere-se que os nomes de todos os grandes responsáveis pelas decisões e apadrinhados lá estão.


Decifrando Haddad


Há uma grande interrogação nas frentes políticas sobre as razões que levam o ex-presidente Luiz Inácio a escolher o nome de Fernando Haddad, ministro da Educação, como candidato do PT à prefeitura de São Paulo em 2012. Tentemos decifrar as razões: 1. Lula é muito intuitivo. Conhece profundamente a alma eleitoral. Sabe que o povo gosta de novidades. 2. Haddad encarna a novidade que o maior eleitorado do país quer ver, simbolismo encarnado também pela então candidata Dilma Rousseff; 3. Marta Suplicy, com alta rejeição, tende a cair na reta final de campanha; 4. PT precisa sair da velha pista onde correm os mesmos e velhos atletas; 5. A campanha de 2012 deverá ser caracterizada como um palco de novos atores: além de Haddad, deverão aparecer Gabriel Chalita, pelo PMDB, e um perfil também novo, oriundo do PSDB. Da floresta tucana, o único com feição antiga capaz de boa performance seria José Serra. Que rejeita a candidatura.


Prévias


O desafio de Fernando Haddad é passar pelas prévias. Como se sabe, o PT tem defendido, ao longo de sua história, a realização de prévias partidárias, de onde sai o candidato. Lula, mesmo, já passou por elas. Agora, porém, receoso de que seu candidato, Haddad, perca as prévias para Marta Suplicy, Lula estaria minimizando sua importância. Como se trata do dono da flauta petista (quem é dono da flauta, dá o tom), é provável que não haja prévias na seara petista. A turma da Marta deve chiar.


Um Chile de miséria


A presidente Dilma arrumou um novo mote para embalar o programa Brasil Sem Miséria. Promete tirar das margens sociais "Um Chile de miséria", no caso 16 milhões de brasileiros que vivem nas últimas fraldas da pirâmide social. O discurso tem forte apelo de marketing. Sobre o aspecto operacional, há muitas curvas a serem enfrentadas.


Crime contra a Humanidade


Quem diria, hein, o paraíso terrestre com clima de inferno. A Noruega e os países nórdicos se elevam, na visão de muitas Nações, ao patamar mais alto da excelência de vida. A imagem que se tem deles é a de harmonia, equilíbrio, ajustamento social, respeito ao ser humano, solidariedade, paz. O brutal assassinato de 76 pessoas por um descendente de viking - um rapaz alto e louro - com toques de frieza polar arremata a tese de Samuel P. Huntington, de que a maior ameaça às Nações democráticas provém do fundamentalismo de caráter ideológico/religioso. Esse louco desvairado tem uma visão maniqueísta da civilização. Na longa carta que escreveu, para explicar a monstruosidade que cometeu, chega a criticar, inclusive, o Brasil, pela miscigenação de raças. Deve passar 30 anos na prisão. Será condenado por crime contra a Humanidade.


Mexendo com as panelas


Fugir da azáfama cotidiana em troca de minutos de fruição é um permanente desafio das pessoas que militam na esfera pública. A ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, refugia-se na cozinha e gosta de fazer coisas complicadas, como folheados. Tem um livro de Receitas Especiais, de 300 páginas. O ministro do Esporte, Orlando Silva, é um artista na cozinha: faz coisas maravilhosas como vatapá e caruru. O senador Aloysio Nunes Ferreira oferece aos convidados um divino risoto de frutos do mar. O advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, faz uma imbatível picanha. Jarbas Vasconcelos, o senador pernambucano, só recebe elogios quando oferece carne de sol aos convidados. Banhada por longas horas no leite. É bom também no cozido. Deve haver uma boa centena de políticos, ministros e juízes que não fariam vergonha nas melhores cozinhas de São Paulo.


A máfia no mundo


Alessandra Dino e Walter Fanganiello Maierovitch, especialistas em matéria de máfias transnacionais, organizaram e lançaram a obra "Novas Tendências da Criminalidade Transnacional Mafiosa". Reúne, em nove perspectivas complementares, as características das organizações criminosas. "A globalização dos mercados aumentou as oportunidades e os modos de colaboração entre máfias e colarinhos brancos". O livro saiu pela Editora UNESP.


Skaf e as concessões


Paulo Skaf, presidente da FIESP/CIESP, ergue a bandeira da democratização no campo da energia. Aciona o TCU para que a Corte faça cumprir a disposição normativa de abrir as concessões no setor elétrico, evitando a prática antidemocrática de renovação automática. Nos anos de 2015/2016, deverão ser renovadas 112 concessões de empresas de geração de energia, 9 linhas de transmissão e 27 linhas de distribuição. A abertura das licitações, segundo estudos realizados pela FIESP, traria muitos benefícios à sociedade, a partir, por exemplo, do barateamento do custo da energia.


"Só quero os ócro"


O oftalmologista Manoel Teixeira de Araújo recebeu a mulher em seu consultório, em São João do Sabugi, para um exame de vista. Convidou a paciente para ler a tabuleta, para a qual a apontava: "Por favor, a senhora pode ler estas letras"? Em sua sertaneja ingenuidade, a mulher respondeu com calma e muita convicção: "Doutor, ler mesmo eu não sei não, mas essa menina que tá aqui pode fazer isso por mim. O que eu quero mermo é os ócro. Só os ócro". Divertido causo narrado por Valério Mesquita.


Recesso e tumulto


Cresce a expectativa na esfera política com o fim do recesso do Congresso. O pano de fundo reúne ingredientes que ainda não foram de todo digeridos pelo corpo parlamentar: a faxina no Ministério dos Transportes, a lerdeza no preenchimento de cargos do segundo escalão; a votação da PEC 300 e da Emenda 29; a pauta fiscal/tributária, encaminhada pelo Executivo. Vai haver certo tumulto. Os líderes começam a encomendar escudos mais duros.


Lixo, prioridade um


A questão do lixo, em São Paulo, foi motivo de uma audiência pública no dia 25 último. A logística para a operação do lixo é muito complicada. Quanto maior a área a ser cuidada, maior a complexidade da operação. A questão é: um grupo novo pode, em pouquíssimo tempo, preparar e apresentar um plano de trabalho de alta envergadura ?


200 aterros


Ainda sobre lixo: o Estado de São Paulo precisa regularizar cerca de 200 aterros sanitários para substituírem os famosos lixões irregulares. Coisa urgente. Uma licença para esta atividade aguarda na fila há quase três anos. A situação carece solução urgente, mas o Poder Público retarda o processo. A continuar assim, a regularização dos aterros não será vista por nenhum dos leitores. Coisa de um século.


Igrejas sortidas


Edir Macedo, o bispo-mor da Igreja Universal e comandante do Grupo Record, pede aos fiéis 20 dias de abstinência de comunicação. Nada de TV, rádio, jornais ou revistas. Como ficaria a Record sem os fiéis da Universal? Bem, muito bem. O contingente de telespectadores é pequeno. A Record captou outros públicos. E, claro, com os fiéis enchendo os cultos, mais dízimo. Ou seja, trata-se de uma operação lucrativa. Já a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, está negociando o uso do SBT nas madrugadas. Por uma bolada de R$ 300 milhões por ano.


Sede de poder


Nordeste, capital da sede
E é com sede que a sede cresce
E o Poder a poder da sede
Não deseja que a sede cesse.

Quem sepulta um cristão na rede
Vai vivendo a poder de prece
É sertão num pé de parede
Vendo tudo morrer de "EDE"
Pois ali já beberam o "S".

(Prosa Morena - Jessier Quirino)


Conselho às autoridades monetárias


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos pré-candidatos. Hoje, sua atenção se volta às autoridades monetárias:

1. Os EUA estão na iminência de um calote, caso o governo Obama não consiga aumentar o teto da dívida americana em US$ 2,4 trilhões.

2. A Zona do Euro vive intensa expectativa ante a situação crítica da Grécia, que poderá desandar e puxar pela ladeira as pedrinhas do dominó, gerando uma crise em cadeia nas economias interdependentes.

3. Diante dessa moldura, as autoridades monetárias devem abrir todos os sentidos, aproveitando a oportunidade para tomar medidas de precaução, não deixando as decisões essenciais para a última hora.


(Gaudêncio Torquato)

____________

terça-feira, 26 de julho de 2011

OBSERVATÓRIO


Escrevo esta coluna sob o olhar grave e pleno de autoridade do Padre Cícero Romão Batista. Estou em Juazeiro do Norte. Aqui, como cantou Luiz Gonzaga, olhando para o horto, a gente sente que ele está vivo, o Padre não está morto. Juazeiro, cidade que lidera o arranjo urbanístico, o conglomerado de urbes oficializado como Região Metropolitana do Cariri, conclui efusivamente a celebração do centenário. Em 22 de julho de 1911 nascia a cidade de Juazeiro.

ORIGEM

À margem direita do rio Batateira, na estrada real que ligava Crato a Missão Velha, no local denominado Tabuleiro Grande, havia um imponente e frondoso Juazeiro. Marca de todo pé de juazeiro, aquele também se mantinha verdejante mesmo sob o rigor das maiores secas. (Juazeiro é palavra tupi-portuguêsa: jua ou iu-à significa "fruto de espinho” - em virtude da grande quantidade de espinhos que defendem os ramos da árvore). Defronte a esse imenso Juazeiro, o Padre Pedro Ribeiro de Carvalho erigiu uma capelinha em homenagem a Nossa Senhora das Dores. Em seu entorno, havia um pequeno núcleo de casas. O povoado não teve grande desenvolvimento até o dia em que o Padre Cícero ali fincou seu cajado, há cerca de 130 anos. A fama do vigário se espalhou por todo o Nordeste e, junto com ela, veio o surto progressista do lugar. O resto da história todos conhecem.

A COINCIDÊNCIA

Coincidentemente Crateús também celebra, este ano, o seu centenário. Outra coincidência: a metrópole do Cariri vive um momento de inquietude política. Malgrado a cidade ter sido bafejada com um número significativo de obras (Hospital Regional, Metrô, Universidades, revitalização urbana, praças etc), há um visível processo de desconforto em relação ao Prefeito Municipal, eleito em 2008 com a mais expressiva maioria já registrada no município. É como se exalasse, de cada poro da urbe, um sentimento de decepção. Nada disso, entretanto, evitou que os movimentos organizados da sociedade civil e a população como um todo se empenhassem na realização das comemorações: atos cívicos, debates sociais, eventos religiosos (shows católicos e evangélicos em praça pública), homenagens memoriais, desfiles de rua, apresentações artísticas, competições esportivas, festivais etc.

O MOMENTO

Ambas as cidades se debatem com um momento de angústia em cima de fios extremados: Juazeiro em razão de um vultoso e incontrolável crescimento desacompanhado de uma orientação de planejamento; Crateús em busca de um rumo efetivo e substantivo de crescimento. Com o advento da globalização, esse fenômeno planetário de encurtamento das distâncias, inexiste obstáculos, fronteiras, muros ou limites ao progresso de um povo. Aquela velha argumentação – Crateús é fim de linha - que servia de escudo para justificar nossa acomodação, foi à lona. O interiorano jovem crateuense tem, hoje, acesso às mesmas informações do mais urbanizado europeu simplesmente teclando um computador. Podemos nos libertar de quaisquer amarras. Desenvolvamos sentimentos progressistas. Sonhemos alto.

ACL

A Academia de Letras de Crateús abre suas portas para receber uma nova leva de acadêmicos. Tomarão posse no sodalício crateuense Ana Cristina do Vale Gomes, Cheyla Mota, José Maria Bonfim de Morais, José Rodrigues Neto, Juarez Leitão, Karla Gomes, Paulo Nazareno e Silas Falcão. O evento, aberto à população de modo geral, ocorrerá no próximo sábado, dia 30 de julho, às 19:00 hs, no Teatro Rosa Morais.

LIVRO

A ALC prepara um livro relativo ao centenário de Crateús. A edição da obra contará com o apoio do causídico e empresário Estênio Campelo, atuando como um patrono das letras.

DIDEUS

Por falar em livro, Dideus Sales lança hoje, no Centro Cultural OBOÉ da Rua Maria Tomásia, 531, em Fortaleza, o livro de poemas “Jitiranas de Luz”. Como bem lembra Juarez Leitão, “este livro é uma inspirada e sonorosa viagem pelas coisas sublimes e espontâneas do Ceará. Um abraço generoso às raízes. Uma cuia de água fresca das nascentes telúricas do sertão. O Ceará original”.

PARA REFLETIR

“Em cada sala, um altar; em cada quintal, uma oficina”. (Padre Cícero)

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)


segunda-feira, 25 de julho de 2011

CONVITE

Clique na imagem para visualizar melhor:


O SERTÃO SE FAZ EM VERSOS


Pequenas flores que se abrem em sorrisos azuis-arroxeados, muitas vezes, em tons violetas, esverdeados ou vermelhos-púrpuras, conforme os ângulos de incidência de luz, as Jitiranas são plantas que afloram sob as primeiras carícias das chuvas no sertão. A simplicidade e a beleza delicada desta planta viram metáfora para o poeta Dideus Sales expressar, ao longo de 27 poemas sua admiração pelo interior cearense.

Com o curioso nome de "Jitiranas de Luz", Sales batiza seu 12º livro. A nova coleção de poemas será lançada amanhã, às 19h30, no Centro Cultural Oboé. A obra, cujos poemas haviam sidos publicados primeiramente na revista "Gente de Ação", editada por ele mesmo, fala de gestos, situações, sentimentos, prazeres e dissabores do cotidiano.

Cada poema, é acompanhado por uma ilustração produzida pelo artista plástico cearense Audifax Rios. Ele e o poeta são amigos há mais de 20 anos e a parceria já rendeu aos dois diversos projetos.

Poesia

Dideus Sales começou cedo à carreira no mundo da métrica, ainda, na rádio Educadora de Crateús, sua cidade natal. O poeta apresentava um programa de fim de tarde, no qual recitava poemas, apresentava cantorias e realizava contação de causos. Ali permaneceu por dez anos, partindo em seguida para as rádios Príncipe Imperial, de Crateús; Difusora dos Inhamuns; em Tauá, Itataia; em Santa Quitéria e Canoa FM, em Aracati. Nesta cidade, ele vive há 15 anos, ao lado da esposa, Bel, e dos filhos, Matheus e Vitória.

Além do trabalho como radialista, o despertar para a poesia veio da convivência com importantes nomes da cultura nordestina, como o repentista Geraldo Amâncio e o poeta Patativa do Assaré. Sales revela que a amizade com Patativa foi fundamental para o amadurecimento poético e o gosto pelo gênero popular. "Em 1980, fui á casa de Patativa, mostrei meus versos e ele gostou. Ficamos amigos. Lembro que o acompanhei em algumas viagens por cidades do interior do Ceará. Patativa era uma pessoa muito generosa e simples", diz.

"Jitiranas de Luz" dá sequência ao trabalho realizado por Dideus Sales, a partir de versos laborados por alguém que guarda dentro de si o lirismo e a sabedoria do povo sertanejo. O poeta discursa a própria vida, despontando-se como o intérprete das muitas linguagens e facetas que assomam o sertão, onde personagens saltam em meio aos seus sonhares, anseios e esperanças. O livro apresenta ao leitor poemas de caráter social a exemplo de "O mugido do boi", sobre o sofrimento do sertanejo diante dos rigores da estiagem; e o introspectivo "Cada minuto que morre". Nas palavras do pesquisador Gilmar de Carvalho: "Dideus continua a cantar seu canto, a encantar seus leitores com suas rimas, com sua viola imaginária, cruzando o arco da rabeca, falando dos temas eternos, como o amor, a morte e a terra castigada pelo sol".

O poeta cearense Dideus Sales lança na terça-feira, no Centro Cultural Oboé, seu 12º livro. "Jitiranas de Luz" reúne uma série de poemas inspirados nas belezas e encantos do sertão nordestino

Poema
Jitiranas de Luz
Dideus Sales

EXPRESSÃO GRÁFICA
2011
128 PÁGINAS
R$ 20

Lançamento amanhã, às 19h30, no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531 - Aldeota). Contatos: (85) 3264.7038

ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER

domingo, 24 de julho de 2011

A BELA ITÁLIA AO SOM DE UMA MÚSICA ITALIANA - Champagne - Peppino di Capri



Champagne
Pepino Di Capri



Champagne per brindare a un incontro
con te che già eri di un'altro
ricordi c´era stato un'invito
stasera si va tutti a casa mia.

Così cominciava la festa
e già ti girava la testa
per me non contavano gli altri
seguivo con lo sguardo solo te.

Se vuoi ti accompagno se vuoi
la scusa più banale per rimanere soli io e te
e poi gettare via i perché amarti come sei
la prima volta l´ultima.

Champagne per un dolce segreto
per noi un amore proibito
ormai resta solo un bicchiere
ed un ricordo da gettare via.

Lo so mi guardate lo so
mi sembra una pazzia
brindare solo senza compagnia
ma io, io devo festeggiare
la fine di un amore
cameriere champagne....

**********************************************************

Champanhe Pepino Di Capri
tradução Cancelar Salvar


Para brindar um encontro
Com você que já era de um outro
Você se lembra que eu te fiz um convite
Esta noite vamos todos para minha casa

Assim começamos a festa
E você já estava tonta
Para mim não contavam os outros
Eu te seguia com o meu olhar

Se você quiser, eu te acompanho
Se você quiser a desculpa mais banal
Para ficarmos somente eu e você
E depois me entregar a você, porque te amar é como se fosse
A primeira vez, e a última

Champanhe para um doce segredo
Para nós um amor proibido
No entanto resta somente um copo
E de uma lembrança da minha ilusão

Eu sei, prestem atenção, eu sei
Que é sempre um tédio
Brindar sozinho sem companhia, mas
Mas eu, eu devo festejar
O final de um amor
Garçom, champanhe

sábado, 23 de julho de 2011

AS ARMADILHAS DA RUA CEL. LÚCIO


Trafegar pela Rua Cel. Lúcio, no trecho compreendido entre as Ruas Firmino Rosa e Cazuza Ferreira, é quase caminhar por campo minado. A cada passo o perigo é iminente. Fluxo intenso de veículos, velocidade excessiva, violações de normas básicas de segurança e descaso do poder público são alguns dos motivos que põem em xeque a vida de inocentes que por lá habitam ou se arriscam diariamente.

A Rua, que liga o centro da cidade ao Bairro da Ilha, um dos bairros de maior densidade populacional de nossa cidade, há muito carece de reformas, ou pelo menos de providências que facilitem e protejam as vidas de habitantes e transeuntes.

Um pequeno passeio, de preferência à pés¹, pelo referido trecho, basta para que se saiba que o alerta que aqui fazemos é verdadeiro e de boa fé. Pena que nossos políticos e autoridades competentes não tenham tempo para gastar sola de sapato por onde trafega o canelau². Façamos o caminho, então...

De saída, antes mesmo de engrenarmos uma segunda³, lado direito, sentido centro-ilha, ops!!! Uma parada! Uma Clínica Médica e uma Loja de Grife fizeram desuas calçadas estacionamentos privativos para funcionários e clientes. Resta-nos descer a rampa (é rampa mesmo) e disputar espaço com motos e carros enraivecidos.

Triste e estarrecedor é saber que as ditas cujas, Clínica e Loja, pertencem a um importante político desta tão maltratada Pólis dos confins do mundo. Mais triste e mais estarrecedor ainda é ouvir o silêncio gritante, a inércia conivente da Prefeitura. Cadê o Código de Postura?! O bicho comeu?!!! Andemos...

Pouquíssimos metros adiante, novo ardil – seis Bocas- de- Lobos, literalmente arreganhadas, prontinhas para devorar o mais incauto e desatento filho de Deus. Três de cada lado da Rua, para que a justiça seja igual para todos, indo ou voltando... Quanto ao mal hálito que exalam, aceitemos com resignação, o mais sombrio e trágico da realidade reside um pouco adiante. Caminhemos...

Eis que chegamos à ponte que sobrepõe nosso amado e contundido Rio... e interliga a Ilha ao centro da centenária Pólis. Aqui, amigos e amigas, Seres humanos e Ceras humanas, reside o imponderável. A dita, construída há quase cinquenta anos atrás, quando nossa frota de veículos se limitava a meia dúzia de jeeps e quatro lambretas, já não atende às necessidades dos dias atuais. Se o cenário é o mesmo, a novela é outra. Hoje, carros e motos à mil, bicicletas e humanos (de todas as idades e credos) disputam brava e acirradamente o exíguo espaço da velha e inapta pinguela. Sérios são os agravantes. 1) uma das laterais, previamente arquitetada e destinada aos bípedes mortais, foi inadvertidamente ocupada por um duto da Cagece. Alguém viu?!!! Outro, mais agravante ainda: Abismos (de verdade mesmo) sem nenhuma parede ou baliza de proteção, antecedem, de ambos os lados, o acesso à ponte. O risco é permanente, a proteção divina, nem sempre.

Caso tenhamos a sorte de sairmos ilesos desta arriscada empreitada, resta o cruzamento com a Cazuza Ferreira...

Depois é caminhar até a Imaculada e agradecer a Deus. E não esqueça, afortunado viajante, de deixar uma moedinha para a Madre Santíssima.

Enxerguemos com os olhos, não com a dor indelével...


1. Ou quem sabe de cadeira de rodas
2. Com a permissão do Poeta e Sociólogo Airton Monte
3. Ao Chico Budu, in memoria


(Edilson Macedo)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a coluna com uma deliciosa historinha de Valério Mesquita, um potiguar contador de "causos", afamado pela verve.

Comício em Brejinho. Terra do folclórico ex-prefeito Avelino Matias, vulgo "Meu Pai", figura conhecida no Agreste do Rio Grande do Norte. No palanque, Avelino discursava inflamado : "Nós vai melhorar a educação do município. Nós vai melhorar a saúde do povo de Brejinho. Nós vai trabalhar pelos mais pobres e nós vai ajeitar as estradas". A filha, prefeita do município, não aguentou tanto erro de concordância e resolveu intervir:

- Pai, empregue o plural.

Avelino, empolgado, soltou-se:

- Nós vai arranjar emprego pro plural, pro pai do plural, pra mãe do plural, pra "famia" toda!

E assim Brejinho elevou a família Plural à Galeria da História Política.

Lula vai à luta

Vocês, leitores, percebem algo errado com o título acima? Ora, Lula sempre esteve no campo de batalha. Como presidente, parecia às vezes líder da oposição. Com um discurso alinhando abordagens de uma luta dos pobres contra os ricos, dos fracos contra os poderosos, dos carentes contra as elites. Lula chegou ao topo das elites políticas. Mas seu discurso é o do brasileiro comprimido na última camada da pirâmide social. Essa é a mágica de Luiz Inácio. Agora, solto na buraqueira - como se diz no vulgo - Lula correrá o país, abrindo palanques para fazer a maior baciada de prefeitos da história do PT.

Longo alcance

Luiz Inácio tem consciência de que funciona como a locomotiva que puxa o trem do PT. Sem ele, os carros não correrão nos trilhos. Por isso, não quer esperar mais um tempinho. Põe lenha na caldeira com a subida aos palanques. Irá ao Nordeste nos próximos dias para mobilizar massas na Bahia e em Pernambuco. Lula quer o PT governando o país pelo menos 16 anos. Claro, defende um segundo mandato para Dilma, sabendo que caso ela tropece na primeira jornada, ele será o estepe. No banco de reservas, pronto para assumir a posição de titular. Recursos para viver uma boa vida, ele descobriu como arrumar : palestras. Cada palestra é bem cobrada : entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, dependendo do patrocinador e do lugar.

23 palestras

Pois bem, nos próximos 2 meses, Lula tem engatadas - agendadas - 23 palestras internacionais. Convites chegam de todas as partes. Deverá recusar algumas para ter tempo e se dedicar à pré-campanha das prefeituras.

Acervo de Boal

Brasil grande? Que nada. Brasil medíocre. É o conceito que uso quando vejo situação perversa como essa: a viúva do grande dramaturgo, diretor de teatro e ensaísta carioca, Augusto Boal, que morreu em 2009, levará seu acervo para os Estados Unidos. Aqui, não encontra patrocinadores e apoiadores para escudar o acervo do grande brasileiro. E assim a obra do fundador do Teatro do Oprimido ficará longe da pátria. Perguntinha boba: quem é mesmo a ministra da Cultura? Ou da Curtura?

70% das verbas do porão

Mais um registro do Brasil na lama: 70% das verbas desviadas no território são das áreas da Saúde e da Educação. Dinheiro para reformas de escolas e hospitais, compra de merenda escolar e de remédios, construção de quadras esportivas e procedimentos do SUS. O ralo da corrupção consome parte formidável dos recursos e das energias do país.

DEM homogêneo?

Dizem seus dirigentes que o DEM, mais enxuto, também está mais homogêneo? Claro, é o mínimo que se poderia exigir de um partido estiolado pela saída de muitos quadros. A regra é esta: a homogeneidade aumenta na razão direta da compressão de participantes.

Tucanos unidos? Difícil

Diz-se também que o tucanato toca acordes mais uníssonos. Este consultor discorda. Os tucanos são todos caciques. E caciques exibem autonomia, arrogância, independência, autocontrole. Os grupos são independentes. Há um maestro mais respeitado entre eles, Fernando Henrique, que pouco consegue juntá-los na mesma orquestra. Por isso, Aécio toca sua viola com seu grupo, Serra rege uma bandinha própria, Alckmin tem a sua bateria forte em São Paulo, Tasso brinca de apitar no Nordeste e o presidente Sérgio Guerra, tonto e confuso, acaba ouvindo melodias dissonantes.

Empresa individual

A lei 12.441/2011, que permite a constituição de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, entra em vigor daqui a seis meses, mas já representa uma nova fase para o empreendedorismo brasileiro. O presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon-SP), José Chapina Alcazar, entende que a lei é um incentivo à formalidade. "O cidadão que antes precisava recorrer a amigos ou parentes para iniciar um negócio, agora pode colocar seus planos em prática sem o artifício de uma sociedade que, na prática, muitas vezes não existia". Não há limite de faturamento para abrir empresa nesta modalidade; basta comprovar capital social de pelo menos 100 vezes o maior salário mínimo vigente no país, valor que hoje representa R$ 54 mil.

Os argentinos

Mais uma sobre argentinos. Barack Obama, presidente dos EUA, e David Cameron, primeiro ministro inglês, conversam em um jantar na Casa Branca. Hillary Clinton, secretária de Estado, aproxima-se deles e pergunta:

- Qual é o assunto desta conversa tão animada?

- Estamos fazendo planos para a terceira Guerra Mundial, diz Obama.

- Uau!, exclama Hillary. E quais são esses planos?

- Vamos matar 14 milhões de argentinos e um dentista, responde Obama.

Hillary, tão surpresa e intrigada quanto ficou ao saber do affaire de Bill Clinton com Mônica Lewinsky num salão da Casa Branca, pergunta:

- Mas, um dentista ? Por que é que vão matar um dentista?

Cameron dá uma palmada nas costas de Obama e exclama:

- Não te disse? Ninguém vai perguntar pelos argentinos!

Valente e Jânio

Nelson Valente é um especialista em Jânio Quadros. Lança mais um livro sobre uma das figuras mais interessantes de nossa história política. Jânio Quadros, O Estadista, tem 467 páginas com fotos e bilhetinhos inéditos. Nelson conta: "corri bibliotecas, colhi depoimentos, li e reli centenas de revistas e jornais antigos e conversei muito com o próprio personagem. O ex-presidente sempre foi comigo muito atencioso, relatou-me fatos que hoje tenho por obrigação passar através deste livro. Para a renúncia, há mais de dezoito versões diferentes. As minhas pesquisas indicam que o ex-presidente Jânio da Silva Quadros tentou renunciar pelo menos onze vezes nos mesmos moldes e uma tentativa de deposição em toda a sua vida pública". Nos sete meses de governo, Jânio Quadros despachou cerca de quinhentos bilhetinhos, papeletas ou memorandos altamente enérgicos e exigentes.

A nova classe média

Há uma nova classe média abrindo as portas do consumo. São 20 milhões de brasileiros que ascenderam na escala social, chegando ao habitat da classe C, vindas das margens D e E. Acorrem aos pacotes de lazer e viagem, começam a entrar nos aviões, descobrem as maravilhas dos cruzeiros marítimos, entopem as lojas dos bairros e chegam aos shopping centers. Mas ainda não se apropriaram de outros valores inerentes à classe média B, como ser polo de irradiação de influência e opinião. Ainda não se identificaram com a característica fundamental da classe média : pedra no meio do lago. Jogada no meio de um lago, a pedra forma marolas que chegam até às margens.

Caras novas

A fornada de candidatos para as prefeituras no pleito de 2012 terá muitas caras novas. A cada dia, surgem pré-candidatos. Viva ! O município é a base do edifício político. Brasil tem 5.564 municípios. Seria muito bom um banho geral na velha cara da política.

Reforma fatiada

O governo já prometeu muito e não cumpriu. Promete mais uma vez : no segundo semestre, virão retalhos de uma reforma tributária. As fatias contemplarão situações como extinção da guerra fiscal entre Estados e fim do ICMS para importação. Vamos acompanhar. E avaliar se não haverá nova guerra fiscal a partir da geração de novas tensões e reivindicações.

Quem enxerga melhor?

Que a desindustrialização se faz presente no país, ninguém duvida. Apenas uma autoridade não concorda com essa escancarada realidade: o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Que diz literalmente: não há desindustrialização no país. Os dados lhe são apresentados. Ele diz : não entendo assim. Ontem, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, também disse literalmente: "os efeitos da desindustrialização estão bastante marcantes". Quem enxerga melhor?

Chávez, Fidel e Lula

Chávez decidiu tratar seu câncer de próstata em Cuba. Lula chegou a dizer a ele : venha para o Brasil que, se for preciso, cuidarei de você, ficarei na porta para não deixar nenhum intruso entrar. O Brasil dispõe de grandes médicos e o tratamento nessa área é considerado coisa de primeiro mundo. Mas Chávez decidiu pelo sigilo que o tratamento cubano lhe dispensará. Fidel lhe garantiu: aqui, você terá tranquilidade. No Brasil, muito barulho. Razoável o argumento.

Nordeste melhor

O nordeste já não exporta tantos habitantes para o sudeste Maravilha. A região, segundo o IBGE, começa a receber os nordestinos desiludidos com as intempéries encontradas no Eldorado tão sonhado. Viva o nordeste melhor.

Gilberto e DNIT

Nos últimos dias, uma nota foi recorrente na mídia : o patrocinador da continuidade de Luiz Antônio Pagot, no DNIT, seria o ministro Gilberto Carvalho. Teria sido ele o artífice da solução meio-termo encontrada : não se pode demitir um servidor público de férias. Mas a decisão parece tomada pela presidente Dilma : Pagot pagará o pato e não voltará à direção do DNIT.

Advogados

Os advogados entram em peso na militância político-partidária. Na campanha paulistana para a prefeitura, Luiz Flávio Borges D'Urso, Gabriel Chalita e Fernando Haddad são advogados. Chalita é o primeiro candidato sinalizado por um partido: o PMDB. D'Urso é o segundo, a ser lançado dia 6 de agosto pelo PTB. Haddad ainda é um sonho de Lula. Difícil de se concretizar. Marta Suplicy é, hoje, a candidata favorita do PT.

Luiza Trajano

Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, deverá ser convidada pela presidente Dilma para compor o Ministério. Para ela, estaria reservada a Pasta da Micro e Pequena Empresa. Comandante de um império, Luiza, conhecida pelo teor crítico às investidas tributárias do Governo, deverá pensar duas vezes antes de aceitar. Mas tende a fazer a experiência no governo.

Bocarra tributária

Este ano, o brasileiro vai pagar um volume maior de impostos. O economista Amir Khair, especialista em finanças públicas, calcula que a carga tributária deve crescer 1,3 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB), passando de 33,6% em 2010 para 34,9% do PIB em 2011, impulsionada pela arrecadação de impostos e contribuições Federais. Os tributos estaduais devem perder participação em relação ao tamanho da economia e os municipais ficarão praticamente estáveis. O movimento reflete a retirada de desonerações fiscais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a recuperação do valor do Imposto de Renda das empresas, que sofreram queda em 2010, como reflexo da crise de 2009, e à dinâmica favorável da economia.

5 minutos de silêncio

A onda de um minuto de silêncio faz parte da liturgia do poder. Surfam nessa onda políticos de todos os espectros. Vereador, então, usa a onda para capturar todos os votos da família do morto. Vejam este caso que ocorreu na Vila São José, bairro periférico de Macaíba/RN. O ex-vereador e candidato Moacir Gomes, ao usar a palavra, inicia a oração rogando aos assistentes do comício um minuto de silêncio pelo falecimento de um morador do bairro. Seu assessor e cabo eleitoral, ao lado, pensando no tamanho da família do falecido, sopra no ouvido de Moacir:

- Um minuto é pouco. Peça cinco. Tem muito voto lá!

Historinha de Valério Mesquita.

Conselho aos pré-candidatos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao novo ministro dos Transportes. Hoje, sua atenção se volta aos pré-candidatos. O pleito municipal do próximo ano deverá ser um dos mais concorridos. A política abre o apetite de profissionais de todos os campos e espectros. São milhares de candidatos que concorrerão ao cargo de prefeito em 5.564 municípios. Nesse momento, pré-candidatos começam a mobilizar seus times e a azeitar suas estruturas. Para eles, os seguintes conselhos :

1. Procurem fazer uma análise rigorosa das condições que os abrigarão, da situação de eventuais adversários e partidos e do clima ambiental das cidades;

2. Tentem, desde já, estabelecer um cronograma de ações e decisões com vistas à conquista de apoios de entidades e lideranças;

3. Antecipem-se em algumas iniciativas, como as de comprometer o maior número possível de parceiros e aliados no jogo eleitoral.



(Por Gaudêncio Torquato)