terça-feira, 6 de setembro de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Política monetária: mudança de tendência?

Nossa previsão, idêntica a do mercado, foi errada. Esperávamos que a taxa de juros básica permanecesse em 12,5% ao ano. O BC, por meio do COPOM, reduziu o custo básico do dinheiro para 12%. Uma análise fria concluirá que esta queda foi surpreendente na forma, mas não foi totalmente no conteúdo. Afinal, o governo havia dado evidências, desde o início da gestão da presidente Dilma, de que a taxa de juros será reduzida para "patamares civilizados". Mais que um desejo, esta premissa é uma necessidade. Portanto, não cabe surpresa (de conteúdo), mesmo porque o governo sempre fez gestões públicas e privadas para que o BC agisse neste sentido. Provavelmente, a própria presidente assim agiu. A pergunta que cabe é a seguinte: esta queda da taxa de juros é sustentável?

A sustentação da política monetária

Para responder a questão enunciada na nota anterior, há que se reparar em alguns aspectos da mudança da política monetária. Em primeiro lugar, qual seria a razão para uma mudança tão rápida? Afinal, até a reunião anterior, o BC agiu no sentido do aperto monetário, aumentando a taxa básica. O cenário externo, as perspectivas da inflação, a situação cambial e o nível de atividade econômica não sofreram drásticas mudanças neste período de apenas 40 dias. Apenas a política fiscal, na essência expansionista, sofreu uma pequena retração quando se analisa o cenário dos últimos cinco anos. Sequer um compromisso de superávit fiscal no médio prazo, digamos, de quatro anos, foi estabelecido pelo governo. Nem 2012 está previsto pelo próprio governo. Neste sentido, o BC (e o governo) agiu sem "preparar" as expectativas para a queda de juros introduzida. Um risco e tanto, num sistema de metas que opera sobre - e a partir de - expectativas.

Dois riscos do mesmo lado da moeda

Excluamos, para fins da análise, o complicado setor externo o qual é exógeno à capacidade de gestão do governo brasileiro e do BC. Mais à frente comentaremos sobre ele. Pois bem: ao mexer abruptamente na taxa de juros, o BC não tem como se furtar às consequências que a inflação, muito alta (ao redor de 7% nos últimos doze meses), pode provocar sobre preços privados e públicos, além da dinâmica da indexação - sim, ela ainda existe em muitos segmentos! - e os salários reais. Não é nada difícil a inflação passar de um patamar de 5-7% ao ano para algo como 10%. Daí para frente, o ajuste da inflação (para baixo) terá de ser feito com muito mais esforço pesando sobre a atividade econômica. Como ? Por meio de uma taxa de juros mais alta ! Ou será que alguém pode acreditar racionalmente que o governo vai produzir mais resultado fiscal para conter a demanda inflacionária? Além da inflação, há a taxa de câmbio "fora de lugar" (no que tange à competitividade da economia brasileira). Se o câmbio se desvalorizar mais acentuadamente, veremos seus reflexos sobre a inflação. Assim, o risco de uma dinâmica negativa entre "inflação passada - inflação futura - taxa de câmbio" é considerável. Por tudo isso, o BC operou mal. BCs existem para reduzir riscos e não aumentá-los.

Quem dá as cartas em relação aos juros

Já se sabe que o BC está cada vez mais "indexado" às vontades do governo. De outro lado, erra quem pensa que a "vontade econômica" é formulada no edifício do ministério da Fazenda. Por lá, muitos cálculos são feitos, mas quem manda mesmo na direção da economia é a presidente Dilma. Não foram poucos os estímulos recebidos por sindicatos, empresários e políticos para que falassem "mal da taxa de juros". A presidente consolidava junto ao público externo a decisão interna (e essencialmente sua) de baixar os juros básicos. Veja nota abaixo.

Fato ou cortina de fumaça

Ato contínuo à polêmica decisão do COPOM de quarta-feira passada passou a circular em Brasília a informação sobre um "Plano Dilma" para a economia brasileira, com profundas alterações na gestão das finanças públicas. Alterações na política de financiamento da dívida pública e até mudanças na forma de remuneração das cadernetas de poupança (comentamos mais abaixo). Para a sempre bem informada Claudia Safatle, do "Valor Econômico", seria uma espécie de "Novo Plano Real". Para levar os juros a um nível de 2% a 3% reais.

Sumiu do mapa

Observação de um desses espíritos de porco que habitam a economia, mas têm olhos também para as motivações políticas dos que fazem as decisões públicas: de repente sumiu do discurso do governo a tese de que o Brasil hoje, em 2011, estaria muito mais bem preparado para as turbulências externas do que estava três anos atrás, em 2008. Foi substituída por uma boa dose de catastrofismo externo, em parte percebida, em parte imaginada.

Crescer e crescer

É conta planaltina e manteguiana: o Brasil tem de se armar para crescer cerca de 5% em 2012. Por isso, o projeto de Orçamento mandado ao Congresso na semana passada, ao contrário do apregoado, é, no linguajar dos economistas, mais expansionista (gastador) do que contracionista (poupador). O ano de 2012 é do "ciclo político" e rito de passagem para 2014. Quem quer jogar no ano da Copa tem de estar bem treinado já no ano que vem...

A questão da caderneta de poupança

Já há fluxos substantivos de recursos indo para a caderneta de poupança, aplicação que combina juros medianos com indexação garantida. As contingências eleitorais do ano passado impediram o governo de mudar a regra da poupança. Assunto sensível e que toca fundo na alma do pequeno poupador. Se o governo quiser mesmo reduzir os juros para valer, a despeito dos riscos já mencionados acima, deverá incluir na sua agenda a necessidade de mexer na remuneração da caderneta de poupança. Neste tema, a onça vai beber água.

Cenário externo sem tréguas

Horrível. Eis uma palavra que define, sem emoção, os últimos números da economia norte-americana. O cenário não é desesperador. É cronicamente ruim. Não há incrementos na atividade econômica, a criação de empregos é desprezível do ponto de vista estatístico e trágico do ponto de vista social. Triste sina a de Obama, presidente acanhado para obra tão importante. Na Europa, o cenário é vergonhoso para um continente que se propunha a ser "alternativa" civilizatória no século XXI. O jogo lá é de cinismo absoluto. Nem governos e nem as sociedades estão dispostos a correr riscos e impor mudanças para neutralizar o elevado endividamento. Os governos são fracos para elaborar e gerir políticas e fortes o suficiente para se manterem letárgicos. Por fim, os "emergentes" são o maior "novo risco do cenário". A desaceleração da China é risco considerável e, muito provavelmente, a economia já está desacelerando. Obviamente, veremos a magnitude mais à frente, se o governo comunista do país for minimamente transparente sobre suas mazelas econômicas.

Merkel perde as eleições locais

Apesar de todo empenho da chanceler Angela Merkel em agradar o público interno, seu desempenho nas eleições locais da Alemanha foi sofrível. Há mudanças à vista no cenário da maior economia europeia. Muito possivelmente os social-democratas reforçarão o discurso nacionalista que dificultará a solução da atual crise das dívidas dos países do bloco europeu.

Grécia não concorda com pressões

Já dissemos neste espaço que a dívida da Grécia é impagável sobre qualquer critério que não considere um calote de pelo menos 30% de seu valor. Na semana passada, no retorno das férias europeias, soube-se que a Grécia não cumpriu as metas fiscais com as quais se comprometeu. Simples entender : o cenário daquele país é de depressão e os gregos não estão dispostos a incorrer em mais depressão. Nestas próximas semanas, mais confusão à vista. Os europeus se reunirão para discutir sobre o tema. Tem tudo para dar errado.

O PMDB e seus fantasmas I

O partido nunca vai admitir, pois está disposto a não se indispor publicamente com o governo da presidente Dilma, nem com o principal parceiro na coalizão governista aliada. Afinal, o partido, embora tenha a vice-presidência, não tem a caneta nem o "Diário Oficial" e o palácio do Planalto não tem sido, oito meses depois, generoso no uso desses instrumentos para afagar os peemedebistas. A lista de nomeações está parada quase no mesmo tamanho no início do ano e alguns lugares já foram perdidos.

O PMDB e seus fantasmas II

Vejamos os fantasmas que rondam o PMDB:

1. A desconfiança de que por trás do discurso "aliancista" de Lula e do PT para as eleições municipais o objetivo dos petistas é aumentar, à custa de quem quer que seja, suas prefeituras e seu número de vereadores em 2012.

2. Do mesmo modo, teme-se que tanto o PT, como Dilma e Lula possam tramar a substituição do PMDB como principal parceiro em 2014, trocando o vice do PMDB por um partido de mais "pedigree" (mais tinturas de esquerda, menos imagem fisiológica) como o PSB. A aproximação do partido de Eduardo Campos com o PSD já quase criado do prefeito Kassab, com incentivo paralelo de petistas, acirra esta disputa.

3. O estilo Dilma, de jogar no colo dos parceiros a solução dos problemas no qual eles estão envolvidos, é percebido agora como nada ingênuo, mas destinado a deixar os aliados na defensiva. O próprio PMDB "recuou as arfadas" diante do desenlace das ocorrências no ministério da Agricultura, das confusões no Turismo e dos rearranjos em Furnas. O partido das barbas na política brasileira é o PT, mas que as tem permanentemente de molho é o PMDB.

O estilo Dilma

Não desceu bem na goela o modo como Dilma tentou solucionar as divergências do governo com o STF no caso das verbas para aumentos do Judiciário. Ao transferir a alocação das verbas para a responsabilidade dos deputados e senadores, mas lembrando os prejuízos que isto poderá gerar nos programas sociais, a presidente teria jogado parte da sociedade contra os magistrados. É um método. Porém (observa um analista isento em Brasília na sexta-feira), como, normalmente, o juiz só costuma falar nos autos, o silêncio dos atingidos não quer dizer nada. Há autos abertos por todos os lados.

O estilo Dilma II

O PT não estrilou publicamente, porém este modo de Dilma incomoda também o partido. Não foi por omissão que faltou no documento petista expedido este fim de semana uma defesa explícita à "faxina" geral e irrestrita no governo, sempre que couber. O cheiro de papel queimado incomodava porque a tendência, dados os exemplos já ocorridos, era revolver sempre um passado muito recente e nada sobre o governo anterior. Melhor, portanto, ficar em generalidades.

Muito barulho por nada

Gastou-se muito papel, tinta e ondas de som e imagem para acompanhar o encontro do PT no fim de semana. E mais ainda vai se gastar na exegese do documento com as resoluções da legenda e as moções aprovadas. Esses documentos - e somente quase só o PT os faz periodicamente, os outros partidos nem isso - são para pura orientação interna, acomodação de correntes, para algum marketing e um tanto quanto de propaganda. Seu valor de face é quase nulo, sempre permite diversas interpretações e maiores ainda adaptações. Basta lembrar a resolução em Recife, do próprio PT em 2001, com orientações para as eleições de 2002, no qual a palavra de ordem era acabar com "tudo o que está aí" com referência à política econômica adotada nos oito anos de tucanato que se encerrariam naquele ano. Todas as palavras de ordem petista estavam lá contempladas - até a revisão da dívida externa. Não durou seis meses. Elaborada pelo então coordenador da campanha de Lula e futuro ministro da Fazenda, como a colaboração de alguns luminares, sem consultas formais a nenhuma instância partidária, uma "Carta do Povo Brasileiro" renegou tudo o que havia sido defendido na bela capital republicana. Por isso, o documento petista deve ser lido mais pelo que não escreveu do que pelo que deu a ler. E neste, divulgado no domingo, ficaram duas estranhezas:

1. A ausência de uma moção explícita, por escrito, de defesa da maior liderança partidária depois do ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu.

2. A não inclusão entre as resoluções petistas - virou uma moção (ou seja, não é uma obrigação, é uma orientação) - da criação de um "código de comportamento" da imprensa.

Nenhum barulho por nada

Um mês depois de encerradas as férias parlamentares, a oposição continua com sua obsessão de pegar o governo por meio de algum desvio de conduta. Contestações rasas relativamente a algumas decisões do palácio do Planalto, tão rasas e tão baixas que o Brasil não ouve. As propostas oposicionistas são mais desconhecidas que o processo de transformação de grama em grama de ouro.

Eles vão durar ainda

Os ex-ministros que ainda perambulam pela Esplanada dos Ministérios - os mais notórios continuam sendo Pedro Novais (Turismo) e Mário Negromonte (Cidades) - ganharam algum tempo de sobrevida. Não havendo graves ocorrências, Dilma quer tocar o barco com o time que está aí para não causar turbulências na aliança partidária mais das que já existem. Há pedras no Congresso a serem descascadas. A aprovação da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União é uma delas. Desarmar as armadilhas do fator previdenciário, dos reajustes dos policiais e da percepção dos banqueiros são as outras. O saneamento ficará para o início do ano que vem, quando uma turminha vai receber bilhete de volta para disputar (como desculpa ou de fato) alguma prefeitura.

Um retrato real do Brasil real

Se quiser fugir um pouco do discurso oficial, de heranças benditas gestadas apenas pelos operadores de marketing, a tão execrada imprensa brasileira tem uma pauta criativa para explorar, muito além dos "eventos" de corrupção. Alguns deles :

1. A situação dos hospitais universitários.

2. A situação dos hospitais filantrópicos, sustentáculos dos SUS e dependentes do sistema para sobreviver.

3. A situação das novas universidades Federais, plantadas como tiririca por todo o país.

4. A situação das escolas técnicas Federais, com greves por todos os poros.

5. Um levantamento dos mini-apagões elétricos que têm ocorrido no país com incrível frequência. Na semana passada foram "agraciados" nove Estados. Parece uma soma de fadiga de materiais com fadiga de gestão e pode ser um péssimo sinal do que pode acontecer quando o país quiser crescer de novo com vontade.

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A coluna Política & Economia NA REAL é assinada por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DE SER VOCÊ MESMO

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:

- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"


O Mestre falou:

- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:

- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:

- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.

"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"


(DESCONHEÇO O AUTOR)

(Enviado por Leudo Santana)

GERARDO MELLO MOURÃO E ANSELMO VIEIRA



Gerardo Mello Mourão, embora universal, não deixou de cantar seu sertão e sua gente em prosa e em versos em sua trajetória literária.

Muito me orgulho de ter privado da amizade deste poeta e escritor que com toda erudição que carregava em seus alforjes, pois falava nove idiomas entre eles o grego, soube falar com singeleza das coisas do sertão o que notadamente ficou registrado no seu livro “Rastro de Apolo” e em tantos outros livros de sua autoria.

Para o deleite do leitor que gosta do bom versejar, pincei do livro de Gerardo Algumas sextilhas onde ele cita os cantadores nordestinos entre eles Anselmo Vieira de Sousa.

“Há cantadores famosos
Nas feiras do Cariri,
Jacó Alves Passarinho
De Mutamba, Aracati,
Há Romano de Mãe d’Água,
Sinfrônio do Jaboti.
*
Azulão em Pernambuco
E Inácio da Catingueira,
Serrador, Cego Aderaldo
E mais Anselmo Vieira
Que foi o melhor de todos
Por ser filho da Ipueira.
*
Na viola e na rabeca
Eu também sou cantador,
Mas somos pobres mortais,
Eu, Anselmo ou Serrador,
Não vamos desafiar
Apolo, Nosso Senhor.”

*
Anselmo Vieira de Sousa é filho de Ipueiras, e foi, segundo o próprio Gerardo, referência para ele. De Anselmo, são poucos registros na história dos cantadores nordestinos. Em minhas pesquisas, o que li sobre o mesmo foi no livro “Cantadores” de Leonardo Mota e nas entrevistas e livros de Gerardo.

Ser filha de Ipueiras e navegar nas ondas poéticas do popular Anselmo Vieira e do culto Gerardo Mello Mourão é uma honra sem tamanho.
*

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Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com

domingo, 4 de setembro de 2011

FRASES PARA A VIDA

Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes.
(Anônimo)

Nunca ore suplicando cargas mais leves, e sim ombros mais fortes.
(Philips Brooks)

Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos."
(Provérbio Chinês)

"Se não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço."
(Dave Weinbaum )

Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se!
Você quer ser feliz para sempre? Perdoe!"
(Tertuliano)

Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta."
(Carl Young)

"Ao dizer alguma coisa, cuide para que suas palavras não sejam piores que o seu silêncio."
(Desconhecido)

Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera."
(Desconhecido)

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
(William Shakespeare)

"É muito fácil ser pedra, o difícil é ser vidraça".


(Enviadas por Leudo Santana)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

JOSÉ LINS DE ALBUQUERQUE


A retina da História se rejuvenesce com o andar do tempo: quanto mais distante dos fatos, mais nítido se torna o papel de determinados protagonistas. A imagem de algumas figuras, às vezes, permanece por longos períodos sob a distorção da caricatura ou da rotulação ideológica, envolta no véu da fantasia ou distinguida pela etiqueta coletiva da mitologia.

O jornalista Laurentino Gomes se dedicou ultimamente à confecção de uma trilogia em que explica as bases do Brasil atual a partir da chegada da Família Real, do processo de Independência e da proclamação da República. No livro 1822, ele revela a verdadeira imagem de José Bonifácio de Andrada e Silva. Diferentemente daquele cidadão carrancudo que conheci na escola primária, José Bonifácio foi um dos homens mais cultos do seu tempo. Boa praça, era uma figura sedutora, amante da sabedoria, que exalava poesia e apreciava a alegria. Sob o impulso de convicções grandiosas, rabiscou uma agenda avançadíssima para o seu tempo. “Defendia o fim do tráfico negreiro e a abolição da escravatura, reforma agrária pela distribuição de terras improdutivas e o estímulo à agricultura familiar, tolerância política e religiosa, educação para todos, proteção das florestas e tratamento respeitoso aos índios”.

Neste ano em que a cidade de Crateús acende a vela comemorativa do centenário, há um movimento espontâneo de semeadores das palavras no sentido de reposicionar ou trazer às luzes da ribalta o verdadeiro papel de alguns dos nossos conterrâneos. Trata-se de uma inflexão vital, sem lamentar perdidas ilusões, mas na clara certeza de que o ideal que sempre nos acalentou pode renascer em outros corações.

Nessa honrosa galeria há que se inserir o nome de José Lins de Albuquerque, um ser constelado que conserva a invariável expertise de bafejar com o incenso da competência os espaços por onde passa.

Nasceu aos 06 de agosto de 1920, nove anos após Crateús ter sido elevada à categoria de cidade. Como outros ícones da messe pública brasileira, poliu a mente e a alma nas montanhas das Minas Gerais. Certamente nas Alterosas apurou a visão aguçada, sedimentou o estilo sóbrio, fiou o jeito silencioso e disciplinou-se no rigor técnico. De Ouro Preto saiu como um diamante lapidado. Atuou, no final dos anos quarenta, como Engenheiro da Companhia de Força e Luz de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

No entanto, excelsas missões o aguardavam no Ceará. Aqui retorna para acionar com todo vigor o dínamo humanista. Falava com desenvoltura o Esperanto - ‘aquele que tem esperança’ - a língua planejada mais vastamente falada e bem sucedida do mundo. (Criada pelo polonês Zamenhof, tem 28 letras, morfologia aglutinante e é articulada atualmente por mais de três milhões de pessoas). Esperantista fervoroso, José Lins funda o Ceará Esperanto-Klubo, que em menos de um ano já possuía quase uma centena de sócios efetivos e mais de uma centena de sócios contribuintes. Tempos depois, assumiria a Presidência da Liga Brasileira de Esperanto.

Em 1952, a irresistível linguagem do amor o arrebatou pelas mãos de Maria Nise Studart Lins. (O casal viveu em comunhão espiritual e cumplicidade amorosa até a partida dela para a Casa do Pai em 2010).

Embalado pela excelência do lavor, desenvolvido como diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Ceará, cunhou um dos mais portentosos fólios curriculares contemporâneos: secretário de Viação e Obras, Minas e Energia do Ceará, entre 1963 e 1965, e no governo seguinte, Secretário de Planejamento do Estado. Em 1968, superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão (SUDEMA); em 1969, diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). De 1974 a 1978, superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE – quando viabilizou a construção do Açude Realejo, a maior obra hídrica da época. Senador da República de 1979 a 1986 e Deputado Federal Constituinte de 1987 a 1991. Homem de posições equilibradas, no Congresso Nacional teve atuação destacada. Foi um dos articuladores do Centro Democrático (Centrão), tendo sido escolhido para relator do anteprojeto de constituição elaborado por esse grupo.

Pai de oito filhos, com 22 netos e dois bisnetos, o nonagenário engenheiro, professor, poeta, contista e memorialista mergulhou nas águas plácidas da aposentadoria com a dignidade de um varão romano, dedicando-se ao culto da família e às delícias do espírito, escrevendo Contos Verdadeiros e Versos de Muito Amor & Outras Poesias.

No momento em que o País sofre as agruras de uma governança contaminada por desvios éticos, ocasionados em boa parte pelo desvão do loteamento politiqueiro, a vida de José Lins é uma placa indicativa do caminho alternativo: a refundação do Estado a partir da valorização da excelência técnica, da formação dos quadros de carreira permanente e do resgate da meritocracia!

(Por Júnior Bonfim, na Revista GENTE DE AÇÃO e no Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

OBSERVATÓRIO



Ouvi de um palestrante outro dia que, durante uma excursão da seleção brasileira pela Itália, Garrincha, na companhia dos demais jogadores, resolveu visitar o famoso Coliseu de Roma. Muito já tinha ouvido falar do monumento histórico, que ficou curioso. Ao chegar ao local, ficou estarrecido. Olhou bem, visitou, tirou fotos e, quando não se aguentava mais, exclamou para um colega mais "erudito": - Não entendo porque o povo daqui e os turistas falam tanto desse tal Coliseu. Está velho, caindo aos pedaços, precisando de uma bela reforma e, além do mais, é muito menor que o Maracanã!...

O PONTO DE VISTA

Virou consenso entre os que esgrimam na arena do debate de que “todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto”. Cada um vê as coisas tendo como base o lugar em que se encontra ou o conjunto conceitual que construiu. Enquanto que, para muita gente, o Coliseu sempre foi o símbolo maior do Império Romano, para Garrincha não passou de um monte de ruínas, inferior ao Maracanã. É assim. Alguém pode considerar que as molduras analíticas que desenho nesta Coluna são impróprias, descabidas ou equivocadas. Entendo e respeito quem assim pense. Não erigi o portal da razão. Nunca exibi o amuleto da perfeição. Realizo um modesto esforço em prol da superação. Ressalto, por oportuno, que as críticas aqui pontuadas deitam raízes nos balseiros da intimidade. Não as faço por impulso de rancor ou sob a jactância do ressentimento. Faço-as por amor, nobre sentimento. Por isso, sigo tranquilamente este caminho.

PLANEJAR

Semana passada, em Brasília, tive o prazer de bater um papo com José Lins de Albuquerque (vide crônica). Nonagenário, José Lins ainda cumpre o ritual de um homem na flor da idade. Esbelto e sereno, diariamente se dirige de casa para o trabalho. Foi um destacado homem público em âmbito regional e nacional. O mais importante: pisou todos os degraus do progresso pessoal mercê do mérito, do preparo técnico, da fulgurante competência. Virgílio Távora identificou seu talento na Universidade. Aliás, Virgílio e Tasso – os dois maiores governantes cearenses do século passado – tinham muita coisa em comum. Ambos priorizaram o planejamento (Virgílio, o PLAMEG – Plano de Metas Governamentais, planejamento estratégico de vanguarda para a época; Tasso, o Plano das Mudanças - conjunto de medidas político-econômicas que trouxeram grandes transformações na economia e na sociedade cearenses). A essa altura, alguém pode indagar: e o que é que isso tem a ver com Crateús? Tudo.

PLANEJAR II

Uma das razões dos nossos problemas crônicos, que invariavelmente se repetem a cada gestão, é a ausência de planejamento. Em decorrência disso, amargamos alterações cíclicas conforme o humor do governante de plantão. Questões elementares, como o desequilíbrio entre receita e despesa, rebentam a cada novo governo. Nos últimos anos, registrou-se o maior aumento de arrecadação da história municipal. Mesmo assim, continuamos convivendo com reclamação de fornecedores e prestadores de serviço em função de atraso nos pagamentos. Noutro giro, e também em decorrência da ausência de um rumo planejado, a cidade tem ficado, via de regra, ao sabor daquilo que os estudiosos chamam de “intervenção de oportunidade”. Dado o volume de investimentos federais e estaduais, sempre surge uma oportunidade de conseguir verba aqui, outra ali, e corre-se atrás. (Registre-se: a cidade foi beneficiada com muitos investimentos). Nada, porém, é feito em sintonia com um plano diretor elaborado pela própria urbe.

RELAÇÃO EXECUTIVO X LEGISLATIVO

Outro desafio diz respeito às bases sobre as quais se assenta o relacionamento Prefeitura e Câmara. Aliás, essa questão hoje perpassa todos os níveis de governo: municipal, estadual e federal. Criou-se uma cultura no Brasil de que um governante não pode viver sem maioria no Legislativo. E, em nome de um instituto chamado ‘governabilidade’, criou-se um relacionamento pouco sadio - muitas vezes promíscuo e alimentado pela chantagem – entre Executivo e Legislativo. Para ter maioria no Legislativo, sacrifica-se o bom planejamento, a nomeação das pessoas mais qualificadas para os cargos de confiança e, até, o concurso público para o quadro permanente (supõe-se que rende mais votos indicar um temporário do que cumprir a regra constitucional do concurso).

O PATRIMONIALISMO

Conseqüência natural dessa postura é a de que a coisa pública passa a ser tratada como se fosse patrimônio de quem está à frente da gestão. É o chamado patrimonialismo, que gera o uso da máquina em favor de interesses pessoais ou grupais. Na eleição passada, a exemplo de outras antes ocorridas, o peso da Prefeitura foi usado em favor das candidaturas oficiais. Nada diferente do que sempre foi feito. Mas, também por isso, aumentou-se o déficit do tesouro municipal. Algumas Secretarias estão mais sacrificadas. A bola da vez é a Saúde. O Secretário não agüentou. Deixou a pasta. Nada dispomos para fazer um juízo mais abalizado sobre o caso. No entanto, há uma certeza: Diego é mais uma vítima de um sistema! Sistema baseado na inversão de valores, em que a ansiedade supera a serenidade, o temporário se sobrepõe ao permanente, a futrica pessoal reina sobre a justeza do ideal.

O FUTURO

Esse tempo, porém, é de purgação. Nada deve nos abater. Jamais devemos nos render ao desânimo. Aclarar esses problemas, responsáveis pelo desassossego atual, é necessário para que nos preparemos para um melhor futuro. Cada cidadão é co-responsável pela cidade que tem, a partir dos próprios representantes que elege. O exercício da cidadania consiste em oferecermos o nosso quinhão contributivo. Nenhum candidato, por melhor que seja, poderá ser visto como o Profeta Anunciado, o Messias Redentor, o Salvador da Pátria. Sem mistificações, devemos discutir que a aurora sonhada nascerá da intervenção de cada um de nós na definição de um planejamento comprometido, na construção de uma relação sadia e aberta entre os Poderes, no equilíbrio das contas públicas, na implementação de ferramentas efetivas de participação popular e na libertação do jugo da mentira.

PARA REFLETIR

“Não, não tenho um caminho novo, o que tenho de novo é o jeito de caminhar”. (Thiago de Mello)

(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE E DA REVISTA GENTE DE AÇÃO!



É A LEI QUE ESTABELECE: "NÃO EXISTE HIERARQUIA ENTRE ADVOGADOS, MAGISTRADOS E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO".


Certas verdades necessitam ser sempre ditas, sob pena de perecimento. A inviolabilidade do advogado no exercício da função é norma insculpida no artigo 133 da Constituição Federal. O Conselho Nacional de Justiça, na sessão dessa terça-feira (30/8), reafirmou essa lição.

Decorre da inviolabilidade constitucional que o juiz não pode ameaçar de prisão, muito menos prender, advogado, seja ele privado ou público, ao argumento que a parte por ele representada, seja particular ou autoridade, esteja descumprindo ordem judicial. O advogado não se confunde com o seu cliente, eis uma premissa de altivez profissional.

Ao julgar Pedido de Providência formulado pela União dos Advogados Públicos Federais (Unafe), tendo o Conselho Federal da OAB como interessado em favor do pólo ativo, o CNJ acolheu magistral voto proferido pelo relator Jorge Hélio Chaves de Oliveira (1), decidindo oficiar aos presidentes de tribunais e corregedores solicitando a orientação de juízes no sentido de eximir que seja ameaçado de prisão, menos ainda preso, advogados públicos federais e estaduais para forçar que sejam cumpridas ações judiciais dirigidas a autoridades públicas.

Todos os advogados são invioláveis, submetendo-se à correção disciplinar por sua entidade, a Ordem dos Advogados do Brasil. Tal situação se aplica tanto ao advogado público quanto particular. Em controle concentrado de constitucionalidade, o STF vaticinou: “Impugnação ao parágrafo único do artigo 14 do Código de Processo Civil, na parte em que ressalva ‘os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB’ da imposição de multa por obstrução à Justiça. Discriminação em relação aos advogados vinculados a entes estatais, que estão submetidos a regime estatutário próprio da entidade. Violação ao princípio da isonomia e ao da inviolabilidade no exercício da profissão. Interpretação adequada, para afastar o injustificado discrímen”.

Observa com propriedade, o conselheiro relator no CNJ, “se o STF entende inadequada a aplicação de multa ao advogado, quanto mais a prisão ou ameaça de prisão”. E, mais, “não se pode admitir que advogados públicos sejam punidos com a pena mais grave em vigor neste país — a restrição da liberdade — por desempenharem as funções a eles acometidas por lei, ou seja, pelo exercício de suas atribuições funcionais”.

Sobre a inviolabilidade constitucional do advogado, ou imunidade no exercício da profissão, bem salienta o ministro Celso de Mello, em lapidar julgamento, asseverando se tratar de “garantia destinada a assegurar-lhe o pleno exercício de sua atividade profissional”. Nesse sentido, “o Supremo Tribunal Federal tem proclamado, em reiteradas decisões, que o advogado — ao cumprir o dever de prestar assistência àquele que o constituiu, dispensando-lhe orientação jurídica perante qualquer órgão do Estado — converte, a sua atividade profissional, quando exercida com independência e sem indevidas restrições, em prática inestimável de liberdade”. E, mais, “qualquer que seja a instância de poder perante a qual atue, incumbe, ao advogado, neutralizar os abusos, fazer cessar o arbítrio, exigir respeito ao ordenamento jurídico e velar pela integridade das garantias — legais e constitucionais — outorgadas àquele que lhe confiou a proteção de sua liberdade e de seus direitos”.

Com efeito, “o exercício do poder-dever de questionar, de fiscalizar, de criticar e de buscar a correção de abusos cometidos por órgãos públicos e por agentes e autoridades do Estado, inclusive magistrados, reflete prerrogativa indisponível do advogado, que não pode, por isso mesmo, ser injustamente cerceado na prática legítima de atos que visem a neutralizar situações configuradoras de arbítrio estatal ou de desrespeito aos direitos daquele em cujo favor atua”. E conclui o digno decano do Supremo Tribunal Federal, “o respeito às prerrogativas profissionais do advogado constitui garantia da própria sociedade e das pessoas em geral, porque o Advogado, nesse contexto, desempenha papel essencial na proteção e defesa dos direitos e liberdades fundamentais”.

O julgamento do CNJ acaba por beneficiar e proteger todo e qualquer cidadão, ainda que não advogado, pois ficou assentado, “o juiz não pode restringir a liberdade o exercício de jurisdição cível fora das hipóteses constitucionais de prisão civil. Essa garantia atinge todo cidadão”.

As prerrogativas são exercidas pelos advogados, mas não lhes pertencem. São predicamentos estatuídos para proteger a sociedade que necessita do profissional da defesa para garantir seus direitos.

A alvissareira decisão do CNJ êxito protagonizado pela atuação conjunta da Unafe e da OAB nacional, sob a liderança do presidente Ophir Cavalcante Junior, há de ser celebrada pela advocacia e cidadania brasileiras, pois asseguradora da inviolabilidade do exercício da profissão, fundamental à proteção dos direitos e garantias da sociedade, dos quais o advogado é instrumento. Advogado respeitado significa cidadão valorizado.


Por Marcus Vinicius Furtado Coêlho

"UMA OSTRA QUE NÃO FOI FERIDA NÃO PRODUZ PÉROLAS"


As pérolas são uma ferida curada.

Pérolas são produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado, uma linda pérola é formada.

Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada:

a) Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo?

b) Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?

c) Suas idéias já foram rejeitadas?

Então produza uma pérola... cubra suas mágoas e as rejeições sofridas com camadas e camadas de amor.

Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida, não produz pérolas - pois uma pérola é uma ferida cicatrizada.

DESEJO A TODOS OS IRMÃOS UMA EXCELENTE QUINTA-FEIRA!!!


(Mensagem enviada por LEUDO SANTANA)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Uma infelicidade

Em Caruaru, PE, o Coronel João Guilherme, senador estadual e chefe político, comprou a um matuto um cavalo de sela. Cavalo bonito, mas com a pálpebra caída. Cego de uma das vistas. Ao descobrir o logro, o Coronel ficou indignado. Fez vir à sua presença o espertalhão. Ameaçou-o de cadeia.
- Você teve a coragem de me vender um cavalo cego dum olho! Isso é uma falta de seriedade! Você fez negócio com um homem e não com um tratante da sua laia! Por que você não teve a franqueza de me dizer que o cavalo tinha esse defeito?
- Mas, seu Coronéu, Vamincê me desculpe que eu lhe diga: o cavalo que eu lhe vendi não tem defeito, não!
- Não tem defeito? Não tem defeito? Então, você acha que um cavalo cego dum olho não tem defeito?
- Seu Coronéu, Vamincê me desculpe, mas eu acho que não tem não! Ser cego não é DEFEITO: ser cego é uma INFELICIDADE...

(Historinha de Leonardo Mota em Sertão Alegre)

O estilo Dilma

A presidente Dilma começa a imprimir marca forte ao governo. E que marca é esta? Gestão. Por todos os lados, os conceitos-chave são: controle, monitoramento, cobrança. Um olho aqui, outro ali. Para enfrentar distúrbios gerados pelo agravamento da crise mundial, a presidente determina corte em receitas extras. E assim o país economiza R$ 10 bilhões. Esta semana, Dilma recomeça o périplo pelos Estados. Não o faz no estilo Lula, com subidas aos palanques e discursos exacerbados, mas com palavras medidas. O esforço para escapar do corredor de pressões e contrapressões do Congresso é visível. Não quer ficar refém das circunstâncias. Conta com a ajuda do vice, Michel Temer. A fixação de um estilo próprio vai sendo desenvolvida de maneira natural, de forma a não amedrontar parceiros e correligionários, saudosos dos tempos fartos de Lula.

Aécio vai à rua

Aécio Neves abre um segundo ciclo em sua vida senatorial. Digamos que o primeiro tenha se fixado na lição de casa, no estudo das ideias correntes, dos grupos que se formam ali nos corredores do Salão Azul do Senado. Aécio chegou a fazer dois discursos fortes. Um deles teve como foco uma análise do governo Dilma. Mas não tem usado a contundência de que José Serra tem se valido para bater no governo. Aécio mede as coisas no seu tempo. Pensar em ser uma espécie de candidato curinga, capaz de atrair gregos e troianos, ou seja, a base oposicionista e parte da base aliada. Sonha em fazer aliança com PMDB e PSB, onde tem muitos amigos. O novo ciclo de Aécio será dedicado a contatos, articulação, viagens pelos Estados e mais presença nos polos decisórios e midiáticos do país, a partir de São Paulo.

A lei da liderança: é melhor ser o primeiro do que ser o melhor. (Al Ries& Jack Trout)

José Serra

José Serra está consciente do que lhe resta como opção na esfera política: a vaga de candidato das oposições em 2014 para a presidência da República. Serra afasta a ideia de se candidatar a prefeito. Queria, isso sim, que Aloysio Nunes Ferreira fosse o candidato. Mas este refuga. Está feliz e tranquilo no Congresso. Serra é um político racional que adora fazer contas. Teme sua alta rejeição como candidato à prefeitura. Bem perto da rejeição da Marta, por volta dos 30%. Como candidato a prefeito, chegou a registrar, em cartório, um documento dando conta de seu compromisso de continuar até o final do mandato. Foi eleito prefeito e deixou o cargo no meio para se candidatar ao governo. Receia que todas essas histórias venham à tona. Sob essa moldura, Serra divisa os horizontes de 2014. Um rio nunca corre duas vezes no mesmo lugar. Daqui a três nos, o Brasil se banhará em outras águas. Aperta-se, a cada dia, o beco de Serra na vida política. Em contraponto, alarga-se a via de Aécio.

Sopro de renovação

Os ventos da política sopram na direção dos horizontes da renovação. Para onde se olhe, aparece uma figura nova, um perfil com as vestes do novo. São Paulo deverá ser o espelho mais largo dessa tendência. Fundamento da alternativa: água transbordando no copo da mesmice; saturação dos velhos discursos; rejeição de velhas figuras; obsolescência dos discursos bolorentos; oxigenação de pulmões intoxicados pela fumaça do passado. Teremos, em 2012, um amplo espectro de perfis novos.

PSDB versus PT

Luiz Inácio Lula da Silva é o arquiteto-mor da construção petista nos amplos espaços de 2012 com vista para os horizontes de 2014. Lula montou um Instituto em São Paulo para legitimar as operações políticas que aprecia desenvolver. Uma boa grana, ele já acumulou, fruto de palestras pagas a peso de ouro. E continuará a locupletar o cofre. Mas a atenção central se volta para o pleito de 2012. O ex-presidente quer fazer a maior baciada de prefeitos da história do PT, uma meta em torno de 2 mil. Hoje, quem tem mais prefeito é o PMDB, com 1.200. Lula imagina que, tendo a maior fatia de prefeitos nas bordas do território, poderá vir de lá com tudo em 2014. Claro, Dilma ou ele.

Não há coisa tão segura como a humildade nem mais arriscada do que a soberba. (Padre Manuel Bernardes)

Dilma ou Lula?

Ora, a presidente é a candidata natural em 2014. Mas será uma personagem rodeada de circunstâncias, dentre elas, a configuração da nossa economia ante a moldura da crise intermitente que se projeta nos quadrantes do planeta. A economia é a locomotiva que puxará o trem da política. Significando: maior ou menor conforto social; mais vazios ou mais cheios os bolsos das classes médias; maior ou menor PNBF, Produto Nacional Bruto da Felicidade; maior ou menor satisfação com os serviços públicos, particularmente nos mais de 2 mil municípios acima de 50 mil e até 100 mil habitantes; maior ou menor segurança nas metrópoles. Qualquer que seja o candidato, essa paisagem é que medirá a pressão e o tamanho das urnas dos candidatos.

Lula na água corrente

Já lembrei anteriormente: o rio nunca corre duas vezes no mesmo lugar. As águas estão sempre se renovando. Uma pessoa nunca atravessa um rio duas vezes no mesmo lugar. Lula pensa que o Brasil de 2014 será o mesmo de 2006 ou de 2002. Ele imagina que tendo o mesmo discurso, desenvolvendo no palco o mesmo papel, fazendo a mesma performance, chegará novamente ao mesmo altar da glorificação. Improvável. Claro, em política, tudo pode acontecer, mesmo o imponderável cedendo temporariamente lugar ao previsível.

No plural

Eneas da Cruz Nunes foi nomeado funcionário público. Saiu no Diário Oficial "Ênea". Correu ao governador do Rio de Janeiro: "governador, quero que o jornal conserte. Todo mundo sabe que meu nome é no plural".

Nêumanne e Lula

José Nêumanne Pinto lançou o mais contundente livro sobre Luiz Inácio Lula da Silva: "O Que Sei de Lula". Trata-se de um precioso relato sobre o mito e o homem. Ou a escalada de um perfil conservador que, por qualidades e méritos, conseguiu driblar a massa dos atores políticos para aparecer como, diz o autor, no mais competente e genial político brasileiro de todos os tempos. A obra é arrojada. Atém-se aos fatos. Que viu, ouviu de fonte direta, ou resgata de fontes indiretas. Emerge o perfil de Lula, emoldurado por um jogo de cores que assombra apenas os desavisados: o conservador/reacionário; o oportunista que se aproveita da teoria da mais-valia para auferir benefícios, engabelando companheiros; o comunicador e o conciliador, que sempre tirava proveito de abordagens divergentes que ele mesmo incentivava; o governante que "comprou" a governabilidade (o mensalão? Coisa corriqueira do Caixa 2); enfim, o homem que aprendeu com as derrotas e utilizou o poder até o limite.

Uma obra de peso

Já se produziram muitos livros sobre Lula, alguns citados por Nêumanne. Mas a obra produzida pela verve do poeta, escritor e, sobretudo, pela aguda percepção do acurado e inquieto repórter é, seguramente, a mais abrangente. E densa. Pela teia de fios e relações que estabelece em torno do retirante "filho do Brasil dos pais canalhas, que sobreviveu por obra e graça das mães heroínas, quase mártires"; por mostrar que Lula é "filho da mentalidade brasileira que produziu JK: a pressa que levou à imperfeição, a opção pelo ocasional em detrimento do permanente, do que pode vir para ficar, a submissão ao charme, ao encanto pessoal..."; por saber abrir canais proveitosos com os "300 picaretas" da Câmara; por ser "muito maior que o PT, este é que não sabia"; e pela insensibilidade demonstrada ante os assassinatos de Celso Daniel e Toninho do PT, envolvidos em tramas sórdidas, conforme se depreende do pungente relato ouvido de familiares dos ex-prefeitos de Santo André e Campinas.

"Nunca antes..."

De fato a fato, na esteira de uma narrativa plena de nomes, datas e enredos, Nêumanne entra nas profundezas da administração petista para concluir que sua prática "tem sido a reafirmação de tudo o que de nobre e sórdido a política profissional tem produzido no Brasil desde os tempos da Colônia até hoje". Moldura convenientemente pintada com a maior falácia de todos os tempos do marketing político: "nunca na história desse país".

Baixinho, argila segredou ao oleiro que a trabalhava: "não esqueças que já fui como tu... não me maltrates". (Omar Kháyyán)

PSDB versus PT?

Há quem aposte que o clima eleitoral de 2012 será medido pela "eterna" polarização entre PSDB e PT. Em algumas praças, isso até pode ocorrer. São Paulo, capital, é, por excelência, o espaço dessa renhida luta. Mas sinais de esgotamento dessa possibilidade já aparecem. Inclusive, por meio de iniciativas suprapartidárias, como a integração de ações federais e estaduais, como é o caso do Brasil sem Miséria, lançado no Palácio dos Bandeirantes, com a presença da presidente Dilma, governador Geraldo Alckmin e Fernando Henrique.

Cronograma da copa

Discurso do governo sob foco da lupa: 9 estádios para a Copa de 2014 ficarão prontos até dezembro de 2012; as obras nos aeroportos serão concluídas em 2013; e 6 aeroportos já começaram as obras de ampliação/modernização. E 5 estão em fase de licitação. Vamos acompanhar o cronograma.

Chove por aqui

Agamenon Magalhães, interventor de Pernambuco. A seca assolava o Nordeste. De repente, começou a chover na região do São Francisco. Um prefeito aproveitou para bajular: "chove copiosamente na região graças à profícua administração de V.Excia". Agamenon não teve dúvidas. Demitiu o alcaide.

Lupa da FIESP

Aliás, a FIESP planeja formar um amplo Observatório sobre a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Com destaque para cronogramas de obras, preparação de sistemas de segurança, avaliação de pontos fortes e pontos fracos em cada cidade que sediará os eventos.

Pé de pezão na estrada

O mais certeiro nome para a candidatura ao governo, em 2014, é o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão. Na verdade, é o executor dos programas. Sérgio Cabral é o Relações Públicas/Embaixador do Governo. Pezão vai ao campo, controla, fiscaliza, cobra, toma providências. Cabral, vez ou outra, entre suas inúmeras viagens internacionais, acompanha Pezão.

Eu e Deus

O "causo" ocorreu em Conchas/SP. Era a audiência de um processo - requerimento do Benefício Assistencial ao Idoso para um senhor alto, velho, magro, negro, humilde e muito simpático, tipo folclórico da cidade. Antes da audiência, o advogado lembrou ao seu cliente para afirmar perante o juiz morar sozinho e não ter renda para manter a subsistência. Nisso residia o sucesso da causa. Na audiência, veio a pergunta:

- O senhor mora sozinho?

- Não! respondeu ele (o advogado sentiu que a coisa ia degringolar).

- Hum, não? Então, com quem o senhor mora?

- Eu e Deus, respondeu o matreiro velhinho.

O advogado tomou um baita susto. Mas a causa foi ganha. O juiz considerou procedente ação.

(Historinha enviada por Éder Caram e contada pelo pai dele)

Conselho à presidente Dilma

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos tucanos. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma:

O governo carece de uma ampla pauta positiva, após a bateria de denúncias, escândalos e trocas de ministros. A sociedade clama por melhoria de serviços sociais, educação mais qualificada, sistema de saúde aparelhado para atender as demandas, segurança pública de maior envergadura para atenuar as ondas de violência e criminalidade. Nessa direção, algumas sugestões parecem óbvias:

1. Convocar as áreas responsáveis pelas ações e programas nas frentes sociais e cobrar um amplo conjunto de ações com vistas às demandas mais imediatas;

2. O governo pode se amparar em sistemas de mutirões para sanar as dificuldades nas estruturas de atendimento social, a partir do sistema de saúde;

3. Abrir pontes largas com a sociedade organizada, convocando entidades representativas de grupos organizados para ouvir demandas e reclamações, acolher sugestões e tomar as providências necessárias e imediatas. Exemplo: posicionar o governo face aos problemas enfrentados nas áreas dos Planos de Saúde e demandas dos grupos profissionais?


(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A CONQUISTA DO PARAÍSO

SOU FILHA DO REI


Nasci na terra da luz

Pegando sol na moleira

Tomando banho de açude

Pulando da ribanceira

Brincando de tibungar

Nos rios do meu lugar

Na meninice brejeira.

*

Em noite de lua cheia,

Sob o luar do sertão

Serenatas escutei

Nos acordes da paixão

Presente de namorados,

Poéticos, apaixonados,

Escravos do coração.

*

Feliz eu era e sabia

Nas terras de Alencar

No leque da carnaúba

Ouvia o vento cantar

Assobiando bonito

No entre palmas um agito

Formando um grácil bailar.

*

Nasce detrás de um serrote,

O rei sol na minha terra,

Mas na boquinha da noite

Quanta beleza ele encerra

Com a sua vermelhidão

Tinge de rubro o sertão

E se esconde atrás da serra.

*

No sertão do Ceará

Eu nasci e me criei.

Já andei por muitos reinos

Mas lá sou filha do rei!

No condado de Ipueiras

Depois de romper barreiras

Meu palacete montei.


--

Dalinha Catunda

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

50 ANOS DE MISTÉRIO


Esmerino Arruda esteve no centro dos acontecimentos que antecederam a renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Ele garante: se a carta tivesse passado por suas mãos mudaria a história, rasgando-a.

Era madrugada de 25 de agosto de 1961, exatos 50 anos atrás. Deputado federal pelo Ceará, Esmerino Arruda tomava uísque na casa do então ministro da Justiça, Pedroso Horta. Saiu de lá às 4 horas e seguiu para descansar no Palace Hotel. Nem imaginava as surpresas que o dia lhe reservava. Chegou às 11 horas à Câmara Federal, quando o deputado Abelardo Jurema lia um texto para a Casa lotada. “Um alvoroço doido”. Para seu espanto e dos colegas, era a carta de renúncia do presidente Jânio Quadros.

“Foi uma decepção muito grande. Como é que o sujeito renuncia sem dar satisfação a ninguém?”, questiona. Para Esmerino, ninguém na festa, que teve início na noite do dia 24 e varou a madrugada, podia prever a atitude que Jânio Quadros estava prestes a tomar. Se estivesse na Casa no momento em que a carta chegou, ele acredita que teria mudado a história. “Se eu estivesse lá, tinha rasgado essa renúncia”, admite.

Hoje, com 89 anos, ainda ativo na política e prefeito licenciado de Granja, Esmerino tem suas teorias para explicar a atitude de Jânio. Para ele, tratou-se de uma tentativa fracassada de “golpe”.

Por dentro

Esmerino Arruda trabalhou na campanha do “Vassourinha” e sabia dos bastidores. Presidente e vice-presidente eram eleitos em votos diferentes. Oficialmente, Jânio declarava apoio a Milton Campos para ser seu vice. “Mas ele mandava a gente botar (apoio a João Goulart) por trás. Era Jan Jan, Jânio e Jango”, conta Esmerino, mostrando a foto do veículo usado na campanha com os nomes de Jânio Quadros e João Goulart como se formassem uma chapa única.


No entender de Esmerino, quando Jânio decidiu apoiar Jango como vice, já estava “maquinando” a renúncia. “Jango não tinha a simpatia dos militares e Jânio sabia que as forças armadas não o aceitavam. Ele fantasiou a renúncia achando que ninguém ia aceitar. Já fez isso de malandro”, interpreta Esmerino. João Goulart havia viajado para China. Seria o momento perfeito. Jânio imaginava que o povo e os militares não aceitariam sua renúncia e clamariam por sua volta. “Se voltasse, Jânio ia pedir plenos poderes”, especula Esmerino. Não foi o que aconteceu.

O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, assumiu a presidência. O povo também não reagiu. Segundo Esmerino, os militares dificultaram a entrada de João Goulart ao país, retardando sua posse.

Na sua lembrança, Jânio era um homem de grande autoridade, muito inteligente, falava corretamente o português, tinha o prestígio dos militares, mesmo que tivesse desagradado a classe quando condecorou Che Guevara e recebeu a visita de Fidel Castro. Tinha oscilações de humor. “Ele era uma pessoa estranha. Mudava da água pro vinho, coisa de doido”, ri.

Jânio foi vereador, deputado estadual, prefeito da maior cidade da nação, São Paulo, governador, deputado federal e chegou a presidente da República, num curto intervalo de tempo. Governou o país por apenas sete meses. No reencontro com Jânio, Esmerino não se satisfez com as explicações. “Falei com ele depois, mas ele não se justificava, sabe? Dizia que foi por forças ocultas. Mas isso não existia”, garante.


Lucinthya Gomes
lucinthya@opovo.com.br

(Publicado no Jornal O POVO, em 25.08.2011)

A JOVEM RAQUEL INGREDY TOCANDO "A VOLTA DA ASA BRANCA" COM A BANDA LUISINHO MAGALHÃES

“UM POUCO DE CIÊNCIA NOS AFASTA DE DEUS… MUITO, NOS APROXIMA"

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo a seu lado um jovem universitário que lia um livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta.

Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos… Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal.


Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas me deixe o seu cartão, que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.

Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma “ameba bêbada”… No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas – Universidade Nacional da França – Cartão de visitas.



- Fato verdadeiro ocorrido em 1892 e integrante da biografia de Pasteur.

‘Um pouco de ciência nos afasta de Deus… Muito, nos aproxima.’
- Louis Pasteur.


(Enviado por Raimundo Cândido)

HOJE É O DIA NACIONAL DE COMBATE AO FUMO

LEI Nº 7.488, DE 11 DE JUNHO DE 1986

Institui o "Dia Nacional de Combate ao Fumo".

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte lei:

Art. 1º O Dia Nacional de Combate ao Fumo será comemorado, em todo o território nacional, a 29 de agosto de cada ano.

Parágrafo único. O Poder Executivo, através do Ministério da Saúde, promoverá, na semana que anteceder aquela data, uma campanha de âmbito nacional, visando a alertar a população para os malefícios advindos com o uso do fumo.

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 11 de junho de 1986; 165º da Independência e 98º da República.

JOSÉ SARNEY
Roberto Figueira Santos

sábado, 27 de agosto de 2011

QUER SE RELACIONAR BEM? NO MÍNIMO...

…se não consegue extinguir, pelo menos diminua sua expectativa em relação aos outros. Amar, pressupõe aceitar a pessoa como ela é;

…tem algo para resolver, resolva. Não guarde, não espere o outro falar, tome a iniciativa, abra o diálogo. Não espere que o outro perceba ou interprete o que você sente. Procure e fale;

...ouça com atenção, inclusão e silêncio. Inclua o outro através de uma “escutatória” que acolha de fato o que se está dizendo. Quem só sabe falar, não está preparado para se relacionar;

…seja pródigo(a) em elogios e econômico(a)em críticas. A legitimidade para criticar vem de uma caminhada de presença e reconhecimento. E ninguém aguenta um crítico de plantão;

…aprenda com as dificuldades e defeitos, mas minimize o impacto disso, enquanto forem menores do que as virtudes. E são menores. Não deixe de aprender com sua própria dificuldade e a do outro, mas minimize;

…saiba que toda situação é transitória, tanto as boas, quanto as ruins. Sua decisão de como vai passar por ela determinará seu sucesso ou insucesso, independente da circunstância. E a busca pelo “sucesso interior” é sempre a melhor decisão. “Não importa o que a vida fez com você, mas o que você faz com o que a vida fez com você”;

…não lamente o passado. Aprenda, mas não faça dele um fantasma que imobiliza e assombra sua relação presente ou o presente de tua relação;

…não esconda coisas profundas de pessoas com as quais quer estabelecer relacionamentos profundos. O diabo domina as sombras, mas Jesus é o Senhor da luz. Traga as coisas para a luz, confesse, elucide, conte. Elimine a possibilidade do outro “descobrir” algo sem ser por você mesmo(a);

…considere que o futuro do pretérito e o pretérito do subjuntivo não existem e, quando os inserimos em nossas vidas, vivemos lamentado o que “poderia ter sido”. Se poderia, não foi. Se poderia, não pode mais… Afirmações como “se você tivesse”, “se você fizesse” fazem muito mal. “Se” não existe;

…emancipe o outro. Que o outro seja uma pessoa melhor por estar com você, do que seria se não se relacionasse contigo. Quer ser uma pessoa melhor, faça do outro um “outro” melhor;

nunca se familiarize com detalhes que, apesar de detalhes, são importantes. Fale sempre: “por favor” e “obrigado”; Bastante: elogios e expressões de carinho; De vez em quando: escreva uma carta pessoal;

seja cordial e educado(a) com todos. Trate gente como gente deve ser tratada. Qual o nome do porteiro do seu prédio, de seu vizinho, do garçom que sempre te atende? Certamente o nome de seu chefe você sabe né?! Pergunte o nome, olhe nos olhos, aperte a mão com firmeza e singeleza.

Por hoje é só!

(Enviada por Arnaud Cavalcante)



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

EDMILSON PROVIDÊNCIA LANÇA LIVRO E CD



A Academia de Letras de Crateús tem se constituído em celeiro de revelação de talentos literários na cidade beijada pelo Rio Poty.

Edmilson Providência, que a integra, estará vivendo a especial emoção de lançar um livro - Sertanejo, Oh! Xente - pela vez primeira às 19:00 hs do sábado de 10 de setembro.

Parabéns!


**********************************************

O Cabra da Peste do Providência,
Poeta-compositor de competência,
se presta a sua terra, a sua gente
exaltando um centenário, Oh, Xente!

Parabéns, ao amigo Edmilson!


(Raimundo Candido)

SALVO PELA GENTILEZA


Conta-se uma história de um empregado em um frigorífico da Noruega.

Certo dia ao término do trabalho foi inspecionar a câmara frigorífica. Inexplicavelmente, a porta se fechou e ele ficou preso dentro da câmara. Bateu na porta com força, gritou por socorro, mas ninguém o ouviu, todos já haviam saído para suas casas e era impossível que alguém pudesse escutá-lo.

Já estava quase cinco horas preso, debilitado com a temperatura insuportável.

De repente a porta se abriu e o vigia entrou na câmara e o resgatou com vida.

Depois de salvar a vida do homem, perguntaram ao vigia:

Porque foi abrir a porta da câmara se isto não fazia parte da sua rotina de trabalho?.

Ele explicou:

Trabalho nesta empresa há 35 anos, centenas de empregados entram e saem aqui todos os dias e ele é o único que me cumprimenta ao chegar pela manhã e se despede de mim ao sair.

Hoje pela manhã disse“Bom dia” quando chegou.

Entretanto não se despediu de mim na hora da saída. Imaginei que poderia ter-lhe acontecido algo. Por isto o procurei e o encontrei..

Pergunta: E VOCÊ, SERIA SALVO?


(enviada por Arnaud Cavalcante)

DECISÃO LIMITA EM 10% TAXA PARA REMARCAR PASSAGEM AÉREA


A companhia aérea TAM vai recorrer da decisão da Justiça Federal que limitou em 10% do valor da passagem a tarifa para remarcação e cancelamento de bilhetes. A decisão judicial, publicada nesta quinta-feira (25/8) no Diário Oficial da União, atendeu a pedido do Ministério Público Federal, que denunciou a cobrança de tarifas de até 80% pelas alterações.

Em nota, a TAM informou que discorda da decisão da Justiça e que já entrou com recurso contra a limitação na cobrança. "Sobre as atuais taxas para a remarcação de passagens, a companhia informa que hoje os valores para remarcação de bilhetes variam de acordo com o tipo de voo — domésticos ou internacionais — e com os perfis de tarifa do bilhete adquirido, sendo que os clientes são informados sobre as condições da tarifa no momento da compra do bilhete."

Já a companhia aérea Gol, que também foi condenada, informou que "só se manifestará nos autos do processo".

Entidades representativas das agências de turismo comemoraram a decisão da Justiça e consideram a medida um avanço na defesa dos direitos dos usuários de serviços de transporte aéreo. "Embora seja cedo para festejar, pois cabe recurso, o fato constitui um marco na proteção ao consumidor, de quem vem sendo cobradas diversas taxas criadas ao bel-prazer das empresas", segundo nota de representantes do setor, entre elas a Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo e Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas.

"Que venha, agora, a eliminação das taxas cobradas a título de segurança, combustível, assento confortável, entre outras. Obrigações básicas do transporte aéreo, mas cobradas como se fossem exceções", pedem os representantes das agências. Com informações da Agência Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 25 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

O promotor e o senador

Participando de uma solenidade na cidade de Jardim de Piranhas, no Seridó, o senador Dinarte Mariz é ovacionado por dezenas de pessoas. Uma festa de popularidade. Integrando o evento, um jovem promotor público é apresentado ao "Velho Dida", apelido carinhoso dado ao senador. O cumprimento passa da formalidade.

- Senador, eu soube que o senhor teve pouco estudo. Imagino se tivesse estudado, o que o senhor não seria, hein? - comenda o promotor, sem qualquer má-fé.

Com seu jeito espontâneo e inteligência à produção de frases lapidares, instantaneamente Dinarte emenda:

- Seria promotor em Jardim de Piranhas...

(Carlos Santos - "Só Rindo 2")


E mais esta do mesmo contador de "causos"

Governador do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz chega com pompa a Macau. A cidade faz festa para recebê-lo à inauguração da cadeia pública. O prefeito Venâncio Zacarias, advindo do movimento sindical salineiro, empresta sua eloquência à recepção da autoridade no evento:

- Governador, a cadeia está inaugurada e o senhor pode se sentir em sua "casa".

Sinais de um tempo

Muita fumaça continua a empanar a imagem da Esplanada dos Ministérios. A bateria de denúncias agora se volta contra o Ministro das Cidades, Mário Negromonte, do PP, atingido pela acusação de ter implantado um "mensalão" com o objetivo de cooptar o apoio de correligionários. Surpreende o fato de surgir essa execrável figura do "mensalão", depois que esse instrumento fracionou a imagem do PT, nos tempos do todo poderoso ministro da Casa Civil, José Dirceu. Seria isso possível? Na verdade, a competitividade intra e inter partidos está mais incrementada. Sinais de um tempo em que ninguém tem mais vergonha de criar e engordar os bichos que se alimentam na mesa da corrupção.

Turismo na mira

O bombardeio sobre o Ministério do Turismo continua implacável, sob a tênue defesa de um grupo de parlamentares que alega não haver nada que comprometa o ministro Pedro Novais. O ministro deverá permanecer no cargo. Balança mas não cai. Saiu-se muito bem no Senado, ontem. Blindado e amparado. Poderia, agora, ir a público e anunciar a suspensão de convênios suspeitos com organizações fajutas. Seria mesmo aconselhável que um rolo compressor fosse empurrado em todas as áreas para expurgar detritos e afastar as impurezas que assolam aquele pedaço da Esplanada. Não houve nenhum problema de convênios efetuados com organizações que fazem parte do Conselho Nacional do Turismo. Ministro Novais, separe o joio do trigo.

CPI da corrupção?

Difícil sair a CPI da corrupção porque a base governista no Senado a impede. O senador Cristovam Buarque (PDT), mesmo fazendo parte da base, promete buscar assinaturas para criar a CPI caso a presidente Dilma suspenda a faxina que faz em cozinhas e salas de estar de alguns Ministérios. Buarque, porém, usa essa promessa como aríete para abrir fendas nos desvãos da visibilidade.

Mendes, amigo

Mendes Ribeiro (PMDB-RS), elevado ao cargo de ministro da Agricultura, foi saudado pela presidente Dilma como velho amigo. Foi agraciado com uma forte palavra de confiança em seu trabalho.

Rossi, elogiado

Wagner Rossi, por sua vez, foi bastante elogiado pela presidente. Que agradeceu por duas vezes sua ação no comando do Ministério da Agricultura. Rossi era considerado um dos melhores ministros pela presidente Dilma.

PSDB sindicalista

O evento quase passou despercebido. O PSDB acaba de abrir um capítulo novo no livro de sua história. Partido elitista, cheio de intelectuais e professores, que circundam em torno do ex-presidente Fernando Henrique, começa a fincar eixos nos espaços do sindicalismo. O tucanato decidiu filiar trabalhadores e arrumar um discurso nesse meio, seguramente como contraponto ao contingente sindical que continua a manobrar importantes eixos do PT. O que estranha é o fato de que FHC, sempre que pode, aperta seu canhão contra o sindicalismo burocrático brasileiro, que mama nas tetas do Estado. O sociólogo, aliás, elegera esse vértice de poder como alvo predileto para treinar seu arsenal verborrágico. Agora, ao que parece, o PSDB entrou na teia.

Rose candidata?

Rose de Freitas (PMDB-ES) se movimenta para ser candidata do PMDB à presidência da Câmara. Desse modo, começa a obstruir os caminhos do líder do partido, Henrique Alves, "eterno" candidato àquele cargo. Ocorre que Henrique tem sido muito criticado por parcela da bancada peemedebista na Câmara por não consultar as bases e tomar decisões unilaterais. Rose de Freitas, por seu lado, sentindo o vácuo, começa a se mexer. Como vice-presidente da Câmara, acha-se no direito de reivindicar o comando da Casa. Foi assim, aliás, com Marco Maia, que substituiu o vice-presidente Michel Temer. O sonho de Henrique é o de presidir a Câmara. Se conseguir administrar a rebeldia de um grupo de deputados - uns 20 - pode voltar a sonhar.

PMDB sai de Furnas

O PMDB deixa mais um de seus tradicionais territórios. Desta feita, perde duas diretorias em Furnas. O atual presidente, Flávio Decat, quer formar sua equipe na estatal com nomes de sua confiança, conservando, porém, os quadros do PT. Mais uma fogueira a jogar fumaça nas relações PMDB/Governo.

Os lençóis de Bernardo

Ninguém pode se considerar seguro dentro da moldura ministerial. Mas o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pode ser a exceção. Marido da ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, Bernardo demonstra tranquilidade com a informação de que usou, por mais de uma vez, o jato da construtora Sanches Tripoloni, empresa que recebeu do governo Federal R$ 267 milhões. Em nota, o ministro disse que usou aviões fretados durante a campanha de Gleisi ao Senado. E se houver provas de que teria pegado carona no avião da construtora? Se Paulo Bernardo faz uma nota com a ênfase que deu, é porque ampara-se em fortes argumentos. Sob pena de ser pego com a boca na botija. Não cometeria ele esse desatino. O ministro tenta se desvencilhar dos maus lençóis. E, ao que parece, vai conseguir.

Marta rebelde

Marta Suplicy, apesar de gostar de ser senadora, parece apreciar mais a paisagem do Vale do Anhangabaú. Quer porque quer voltar ao comando da maior capital do país. Lula a recebeu esta semana. E lhe disse com todas as letras que o PT precisa entrar na campanha de 2012 com uma "cara nova". Em outras palavras, Fernando Haddad. Lula também recebeu os "novatos" Carlos Zarattini e Jilmar Tatto, que também pleiteiam a candidatura à prefeitura. Claro, são caras novas, mas a nova cara que Lula quer emplacar é a do ministro da Educação, Fernando Haddad. Marta saiu da reunião, anunciando que é "candidatíssima". Forma de dizer, "vou lutar, mas sei que vou perder para o Lula". A rebeldia de Marta não será suficiente para enfrentar o deus petista. Bingo!

Palestras

Bill Clinton ganha em um ano dez vezes mais que ganhava como presidente. Faz 43 palestras em 14 países, cobrando entre 150 mil a 350 mil dólares, cada uma. Tony Blair, ex-primeiro ministro inglês, cobra ainda mais: em 36 horas nas Filipinas, com duas palestras, faturou 600 mil dólares, 9 mil por minuto. O que ele diz nessas palestras? Coisas como: a política realmente importa ; a religião é uma fonte de inspiração ou uma desculpa para o mal. E Lula, hoje, cobra entre 200 mil a 500 mil reais. Os ex-governantes enriquecem facilmente.

Negromonte, ser ou não ser?


Esta coluna apurou que Mário Negromonte, ministro das Cidades, tem os dias contados. O Planalto não quer um ministro que perdeu o apoio da bancada. Mas ele garante que não perdeu. A conferir!

Temer, algodão entre vidros

O vice-presidente da República, Michel Temer, intensifica sua atuação como bombeiro para apagar incêndios, a partir de seu próprio partido, o PMDB. A presidente Dilma o aciona constantemente. Temer acalma um grupo, aqui, põe um bandaid noutro, acolá. E assim, as feridas vão sendo cicatrizadas.

Campinas sob Vilagra

Campinas troca o dr. Hélio, do PDT, por Vilagra, do PT. O prefeito foi cassado, assume o vice Demétrio Vilagra. Que está carecendo de muita força para se manter firme no cargo. O vice defende as investigações do Ministério Público. O prefeito foi cassado por conta de infrações e atos de corrupção praticados na Sanasa, irresponsabilidade legal e política na defesa de bens e direitos do município no caso do parcelamento do solo e comportamento incompatível com o decoro do cargo. E Vilagra é acusado pelo Ministério Público dos supostos crimes de corrupção passiva, formação de quadrilha e fraudes de licitações. Ele se defende: "Espero que eu seja absolvido de todos esses indícios. Sou uma pessoa limpa. Existe uma diferença entre ser investigado e ser culpado".

Grana em casa

Vilagra falou sobre os R$ 60 mil em dinheiro encontrados em sua casa. "Eu tenho receita (para ter o dinheiro)". E explica que guarda o dinheiro em casa porque na época do governo militar, quando era funcionário da Petrobras, foi impedido de poupar dinheiro. Adquiriu, então, o hábito de guardar dinheiro - hábito que mantém até hoje.

Lembrete: o prefeito Toninho, do PT, foi assassinado em setembro de 2001, na esteira de um episódio nebuloso. Tentativa de assalto (versão oficial) ou vingança política (versão oficiosa).

Cenários do amanhã

Aécio Neves seria o candidato tucano contra Lula. Se este, claro, quiser voltar. Serra não abandonou o sonho. Vai lutar para ser o candidato tucano caso a presidente Dilma pleiteie a reeleição. Antes, porém, há uma curva: São Paulo, capital. Mas quem o conhece bem garante: não vai se candidatar à prefeitura. Aécio tem um plano B. Voltar, em 2014, a se candidatar ao governo de Minas, pois Anastasia não poderá ser reeleito. Um olho de Aécio está virado para o Planalto, outro para a planície mineira. E Serra ficará na tocaia.

Aloysio Nunes

O senador tucano Aloysio Nunes Ferreira poderá unir o governador Alckmin, o ex-governador Serra e o prefeito Kassab. É o único candidato a prefeito de São Paulo com esta condição. Nenhum outro tucano possui essa cola. Mas o senador está satisfeito com o Senado. Um paraíso. Ocorre que não perderá nada caso não tenha sucesso no pleito paulistano. Voltará ao Senado. E ele, sim, tem boas chances no pleito.

Caras novas

Este consultor tem dito e repetido: a campanha para a Prefeitura de São Paulo será muito diferente de outras. A começar pelas caras novas: Chalita, Haddad, D'Urso. Os debates ganharão uma linguagem nova. Lula, que respira política pelos poros, tem razão. O copo transbordou de gente velha. O povo quer ver caras novas.

Groucho

Diante de uma bela dama, Groucho Marx perguntou: "você quer se casar comigo? Você é rica?". E antes da moça responder, completava: "responda primeiro a segunda pergunta".

Conselho aos tucanos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos partidos. Hoje, sua atenção se volta aos tucanos:

1. O momento político sugere a arrumação de um discurso de oposição. O PSDB ainda não o tem. Fazer CPI não é discurso, é barulho. Qual a ideia central do partido para o país?

2. O ex-presidente Fernando Henrique, com seu bom senso, dá apoio à faxina que a presidente Dilma faz na Esplanada dos Ministérios. Mas com seu gesto de boa vontade, cria uma ponte de aproximação/identificação com o governo. Será entendido como apoiador do governo.

3. O PSDB sempre careceu, e nunca conseguiu, formar uma base política com a militância das massas municipais e periféricas. Trata-se de um partido formado com o apoio das classes médias e do topo. Enquanto não descer à base da pirâmide, será sempre um partido de muitos caciques e poucos índios.


(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

CENTENÁRIA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CRATEÚS - PATRIMÔNIO AMEAÇADO


Causa tristeza e indignação cruzar os caminhos de ferro à altura de nossa velha Estação Ferroviária. Quem, como eu, cruzou a linha dos cinquenta, e tem um pouco de poesia nas veias, não pode deixar que a tristeza lhe invada a alma ao ver a degradação criminosamente imposta a este belo e importante Patrimônio Histórico de nossa Cidade. Estes antigos trilhos de ferro, onde tantas memórias estão incrustadas, partiram de Camocim, chegaram aqui em 1912, a exatos cem anos, quando, de Vila Imperial, passamos à então Cratheús, tal qual está escrito em alto relevo no pardieiro principal, ali onde comprávamos os bilhetes, de primeira ou segunda classe... passaporte para mundos distantes, insondáveis, que víamos pelas janelas...

Antes o trem transportava passageiros e seu patrimônio material era tratado com zelo devido. Hoje o descaso e o abandono põem-no em ruínas. Aquilo que o tempo, por si só, leva à bancarrota não é reparado, e o que insiste em resistir ao seu labor a Empresa Ferroviária e atual Concessionária vai, aos poucos, sem que ninguém dê um pio, transformando em escombros.

Há pouco tempo atrás uns vagões carregados com enormes pneus arrebentaram os alpendres da lateral esquerda (sentido Crateús – Piauí) e a única providência da tal Empresa foi, depois de várias semanas, recolher o entulho, restos de telhas e madeiras, que foram abaixo num ato, a meu ver, de vandalismo institucionalizado – a Empresa tinha conhecimento prévio da impossibilidade do tráfego, dado o tamanho descomunal da mercadoria. Os belos alpendres, construídos em madeira- de- de- lei e antiga arquitetura denominada “Mão-Francesa” viraram ruínas. Com eles, também, um pouco de nossa história e dignidade... Este crime permanecerá impune? Até quando o interesse financeiro suplantará os valores históricos e mesmo material de um povo?...

Um carro em desgoverno bateu em galpão que funciona como oficina. A construção rija rachou, não caiu, foi por uns dias interditada, como continuou de pé, voltou a funcionar normalmente... as rachaduras expostas, como ossos fraturados, esperam, por certo, providências divina...

As velhas e inabaláveis pontes em ferro e aço, importadas da Inglaterra, resistem como podem, mas sofrem avarias em pontos vulneráveis. As chapas de zinco que cobriam os dormentes e facilitavam a passagem de pedestres há muito sumiram. Quem por lá se aventura (e não são poucos os desvalidos) andam em corda bamba sobre abismo tenebroso. Dormentes soltos, apodrecidos, fendas enormes, fazem o martírio de quem por lá trafega, sejam crianças ou velhinhos. O constante resfolegar das locomotivas completam o ato de terror a que são submetidos. À noite, à falta de iluminação e sinalização de advertência em caso de aproximação dos comboios, o terror ganha status de bandeira dois. Há quem diga e argumente que as pontes não foram projetadas para tráfego humano. Esquecem, os incautos, que, além de destituídos de asas, nossa pouca fé nos impossibilita de caminhar sobre águas, ainda que poluídas...

A Empresa Concessionária é protagonista ainda de outros tantos atos criminosos contra nossa gentil aldeia. Destruiu, sem nenhuma explicação, batentes outrora edificados para facilitar a vida de pedestres entre o Centro da Cidade e Bairro São Vicente. Alguém pode explicar tamanha e desumana barbárie?...

Diariamente comboios intermináveis de vagões, em movimento ou simplesmente estacionados, impedem a passagem de quem por ali precisa se locomover... ás vezes temos de escalar até três filas de carros estacionados paralelamente... haja coragem e coluna, meu santo do Bonfim!

Os pátios, imundos, repletos de lixo e onde o mato viceja à rédeas soltas, sem nenhuma iluminação, estão agora repletos de valas abertas... como se não bastasse a distância que nos separa das oficinas de concertar ossos...

A sinalização na passagem da tão movimentada Avenida Sargento Hermínio, cadê? Se antes, quando nosso transito era mínimo, existia, que razões fazem hoje desmerece-la?

Enfim, amigos e amigas, seres e ceras, pergunto:

- Quem deu tanto poder a esta empresazinha para que ela destrua impunimente nosso patrimônio e ponha em risco constante a vida de pessoas inocentes sem dá satisfação a ninguém?

- Até quando esta Empresa continuará perturbando nossas vidas, manchando nossa história e zurrando pra nossa cultura?¹

No ano de nosso Centenário, que maravilhoso presente seria a restauração de nossa Centenária Gare, com suas belíssimas Pontes iluminadas... brilhando sobre nosso indômito Rio... alumiando nosso futuro... clareando nossos passos...

Quanto custa? Muito, muitíssimo menos que uma vida humana...

1. Com todo respeito aos nossos jegues, claro!


(Edilson Macedo)

A BATALHA INTERIOR!



Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.

Ele disse: - Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.

Um é Mau - É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.

O outro é Bom - É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: - Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

- "Aquele que você alimenta! "


(mensagem enviada por Arnaud Cavalcante)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

MORREU O "DOUTOR MARQUINHOS!"



Crateús hoje ficou chocada com a dolorida informação de que o Marquinho, filho do José Mendes, partiu para o Céu.

Digo que foi para o espaço sagrado onde trafegam os astros e estrelas porque sua presença entre nós indicava isso. Era uma figura agradável, cuja lembrança invariavelmente nos remete ao reino da infância, às trilhas da bondade, à feição pura da vida.

Nos últimos anos, a partir de uma amizade estreita com o médico Júnior Fernandes, fez do Hospital São Lucas a segunda residência. Chegava pedalando a bicicleta, acompanhado do indefectível rádio de pilha. Ali incorporou o fenótipo de médico e, usando bata, ganhou o cognome “doutor Marquinho”.

Era presença ativa no grupo de amigos do doutor Júnior Fernandes. Também participava do programa do Jorge Cury, na Super Vale. Fazia a festa da turma, cantando e emitindo suas inusitadas opiniões, em especial sobre futebol.

Foi convocado muito cedo para o estádio celestial.

Minha solidariedade à família.

(Júnior Bonfim)

A CARTA RENÚNCIA DE JÂNIO QUADROS FOI ENTREGUE AO MINISTRO DA JUSTIÇA, PEDROSO HORTA, EM 22 DE AGOSTO DE 1961


Doente, deitado num quarto do Hospital Israelita Albert Einstein, no dia 25 de agosto de 1991, no trigésimo aniversário da renúncia, Jânio Quadros revelou ao neto os reais motivos porque renunciou à Presidência da República. A certa altura, revela que entregou a Carta Renúncia no dia 22 de agosto de 1961. Confira:

‘’Quando assumi a presidência, eu não sabia da verdadeira situação político-econômica do País. A minha renúncia era para ter sido uma articulação: nunca imaginei que ela seria de fato aceita e executada. Renunciei à minha candidatura à presidencia, em 1960. A renúncia não foi aceita. Voltei com mais fôlego e força. Meu ato de 25 de agosto de 1961 foi uma estratégia política que não deu certo, uma tentativa de governabilidade. Também foi o maior fracasso político da história republicana do país, o maior erro que cometi(...)Tudo foi muito bem planejado e organizado. Eu mandei João Goulart (N:vice-presidente) em missão oficial à China, no lugar mais longe possível. Assim,ele não estaria no Brasil para assumir ou fazer articulações políticas. Escrevi a carta da renúncia no dia 19 de agosto e entreguei ao ministro da Justica, Oscar Pedroso Horta,no dia 22. Eu acreditava que não haveria ninguém para assumir a presidência. Pensei que os militares,os governadores e,principalmente,o povo nunca aceitariam a minha renúncia e exigiriam que eu ficasse no poder. Jango era,na época,semelhante a Lula : completamente inaceitável para a elite. Achei que era impossével que ele assumisse, porque todos iriam implorar para que eu ficasse(...) Renunciei no dia do soldado porque quis senbilizar os militares e conseguir o apoio das Forças Armadas. Era para ter criado um certo clima político. Imaginei que,em primeiro lugar,o povo iria às ruas, seguido pelos militares. Os dois me chamariam de volta. Fiquei com a faixa presidencial até o dia 26. Achei que voltaria de Santos para Brasília na glória. Ao renunciar, pedi um voto de confianca à minha permanencia no poder. Isso é feito frequentemente pelos primeiros-ministros na Inglaterra.Fui reprovado.O País pagou um preço muito alto. Deu tudo errado’’.


EIS O TEOR DA CARTA:

Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo. Nestes sete meses, cumpri meu dever. Tenho-o cumprido, dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções nem rancores. Mas, baldaram-se os meus esforços para conduzir esta Nação pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, o único que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.

Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo, que não manteria a própria paz pública. Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. A mim, não falta a coragem da renúncia.

Saio com um agradecimento, e um apelo. O agradecimento, é aos companheiros que, comigo, lutaram e me sustentaram, dentro e fora do Governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.

O apelo, é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios para todos; de todos para cada um.

Somente, assim, seremos dignos deste País, e do Mundo.

Somente, assim, seremos dignos da nossa herança e da nossa predestinação cristã.

Retorno, agora, a meu trabalho de advogado e professor.

Trabalhemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.

Brasília, 25-8-61.

a) J. Quadros

domingo, 21 de agosto de 2011

REDE NO ALPENDRE


Uma rede num alpendre
E um ventinho sedutor
Vento que vem do açude
Para abanar meu calor
São delícias que desfruto
Quando estou no interior.

*

Vejo o voo das marrecas
Em bando ao entardecer
Num mágico ritual
Girando antes de descer
Para pernoitar nas águas,
Como costumam fazer.

*

No balançado da rede
No sertão é lindo ver
O fim do dia chegando
Com o sol a esmorecer,
Cedendo lugar a lua
Que não tarda a aparecer.

*

Um bando de pirilampos
Bordando a escuridão
Enriquecem o cenário,
Das noites do meu rincão
Da minha rede eu vejo
Quão mágico é meu sertão!

*

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Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com