quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Fraco, mas cheiroso

Nos sertões do Nordeste, caçadores e lenhadores costumam pôr na frincha de uma árvore da mata em que se encontram certa porção de fumo para Santa Clara. A santa, em recompensa, faz com que naquele dia a chuva lhes não estorve o trabalho. Em São Paulo há uma superstição semelhante: - quem sai a caçar, em dia de sexta-feira, tem a obrigação de levar um pedaço de fumo para o Saci-Pererê. De um caipira mentiroso, fértil no relato de inverossímeis proezas venatórias, repete-se que o mesmo contava :

- Uma sexta-feira, eu me esqueci de levar o fumo. Estava pensando nisso, quando o Saci apareceu e me exigiu o tal tributo que lhe era devido. Fiquei atrapalhado, mas resolvi ver se enganava o Saci e o matava. Disse a ele: - "Fumo, mesmo fumo eu não truxe não, mas truxe o cachimbo carregado". Aí, meti-lhe o cano da espingarda na boca e puxei o gatilho. Quando o tiro falou e eu esperava ver o Saci esperneando e morrendo, ele mexeu com as bochechas, como se estivesse enxaguando a boca com os caroços de chumbo e, cuspindo a carga da espingarda, me disse:

- O fuminho é fraco, mas é até cheiroso...

(Quem conta é Leonardo Mota em Sertão Alegre)

Nova crise

A crise nunca foi embora. Às vezes, entra em refluxo. E reaparece sempre. Grécia dará calote. O temor de moratória volta com intensidade. Itália teve sua nota A+ para A, rebaixamento feito pela Agência de classificação de risco S&P. Espanha, Irlanda, Portugal e Chipre, além da Grécia, já tinham suas notas rebaixadas. O presidente Obama parte para uma ofensiva tributária com foco na redução de US$ 3 trilhões, além de US$ 1 trilhão, já acordado em agosto, mas os republicanos se opõem. E o Brasil, hein, passará ao largo da nova crise?

IPI, um bumerangue?

O aumento de 30% do IPI para carros importados poderá se transformar em bumerangue. A medida foi tomada para proteger a indústria nacional. Significará recuo nas vendas de carros chineses e sul-coreanos. A medida afeta os consumidores, que sonham com um carrinho mais sofisticado. O mercado de carros importados deverá ser suprido por carros mexicanos e argentinos. Assim, não devem ser gerados empregos nas 19 montadoras sediadas no Brasil. Mas haverá, isso sim, sufoco no atendimento ao mercado interno pelo setor de autopeças. A decisão de aumentar o IPI dos importados foi tomada unilateralmente pelo governo. A FIESP, por exemplo, referência mor da indústria, não foi ouvida.

Bolsa maior da família

É pouco, mas milhares de famílias agradecerão comovidas: R$ 32 como benefício extra por mês no Bolsa Família. O benefício será dado a famílias com 5 filhos menores (16 anos). Antes, tinham direito famílias com 3 filhos. A conta anual será de R$ 797 milhões no orçamento. O programa custa, ao todo, R$ 16 bilhões anuais. Mais um adjutório : quem sair do programa, por ter alcançado renda acima do permitido pelo Bolsa Família, poderá a ele retornar, caso volte à condição de pobreza. Dilma, dessa forma, estende os braços sociais até a ponta extrema das margens. Colherá agrados e, claro, votos.

Poder centrípeto

Este consultor tem motivos para fazer um brinde à bandeira da esperança. Espraiam-se pelo território os sinais de conscientização cívica. Cresce o poder de indignação social. Multiplicam-se os atos pela moral e ética nas práticas políticas. Marchas e movimentos contra a corrupção se expandem. O poder centrípeto, das margens para o centro, faz pressão sobre o poder centrífugo, do centro para as margens. Ou seja, o poder social como pano de fundo do poder institucional.

Maranhão

Vejo, a cada dia, notas, observações e dados sobre o Maranhão dos Sarney. Vejo a força imperial do senador que comanda a Câmara Alta, José Sarney. Fico perplexo quando percebo que o Estado do Maranhão é um dos mais miseráveis do país. Não há recursos suficientes? Os Sarney não conseguem tirar seu Estado do fundo do poço? E aquela revolução que o jovem e vibrante governador Sarney prometia quando abriu seu périplo político no início da década de 60? Há um filme de Glauber Rocha que mostra as promessas do então símbolo da esperança dos maranhenses.

Humor e mulher moderna

"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você".

"Mulher moderna calça as botas e bota as calças".


(Barão de Itararé)

Reforma sem forma

A reforma política continua à procura de uma forma. Luiz Inácio promete se engajar na luta por sua aprovação. Mas a reforma de Lula se restringe ao duplo voto: voto distrital e voto em lista. Os eleitos sairiam dessa composição. E, ainda, teriam o financiamento público para suas campanhas. É pouco, convenhamos. Mesmo assim, nem esse mínimo será aprovado. Reforma política para valer apenas quando o poder centrípeto funcionar como aríete do Congresso.

Acordo PMDB e PT

O acordo entre o PMDB e o PT continua firme na esfera Federal, ou seja, no plano do apoio partidário ao governo da presidente Dilma. Na esfera estadual e municipal, tanto o PMDB quanto o PT trabalham na perspectiva de alianças com quaisquer frentes que contribuam para seu fortalecimento. O leque de alianças está aberto. O PMDB quer a garantia dos compromissos centrais assumidos pelo PT e que abrigam o comando da Câmara, no último biênio da Legislatura, pelo partido, e que já tem um nome escolhido: o deputado Henrique Eduardo Alves. O PT não é de todo confiável. Pois abre um olho para o Norte, outro para o Sul.

O foco de Edu Campos

Este consultor insiste na observação: o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, abre seu PSB para múltiplas alianças. Conversa com Deus e o diabo. Tem em mira fazer uma grande bancada de prefeitos e alargar as bases para seu projeto de 2014. Enquanto isso, faz campanha acirrada para colocar a mãe, a deputada Ana Arraes (PSB/PE), no TCU. Corre os Estados. Definição será hoje, quarta-feira, em sessão secreta. Disputam com ela Aldo Rebelo (PC do B/SP), Átila Lins (PMDB/AM), Milton Monti (PR/SP), entre outros.

Registro absurdo

A partir de 3 de outubro, as empresas devem se adequar às normas da portaria 1.510/09 que determina novas regras para o Sistema de Registro Eletrônico de Ponto. Segundo o Ministério do Trabalho, o objetivo é impedir que horários anotados na entrada e saída do expediente de trabalho sejam alterados. Quase dois anos depois de anunciada, a nova legislação ainda é motivo de discussão e dúvida. Para José Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo, a obrigatoriedade de adesão ao novo sistema é absurda. "A portaria 1.510 contém medidas onerosas, complexas e que demandam grandes investimentos das organizações, principalmente, das micro e pequenas", argumenta. As empresas terão de manter equipamento com capacidade de funcionamento de 1,4 mil horas ininterruptas em casos de falta de energia, disponibilizar impressora de uso exclusivo e papel para impressão com durabilidade de cinco anos.

TV e mundo

"A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana".

"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato".

(Barão de Itararé)

Haddad, ele mesmo

Fernando Haddad, ministro da Educação, consolida sua posição e certamente será o candidato do PT para disputar a prefeitura de São Paulo. Lula dá as cartas no PT. Haddad acaba de ganhar o apoio da corrente majoritária do partido, a ala Construindo um Novo Brasil. Marta, ao que se comenta, já está resignada. Lula acha que o eleitor quer ver e votar em caras novas. Tem razão. Mas há outras caras novas que deverão entrar no pleito, como Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB/SP, pelo PTB, e Gabriel Chalita, deputado Federal, pelo PMDB.

Chalita em ministério?

Este consultor não crê que Gabriel Chalita aceite o convite da presidente Dilma para compor o Ministério. Especula-se que a ele estaria destinado o Ministério da Educação, a ser oferecido após a saída de Haddad. Chalita não aceitará o convite pela convicção firmada de que tem grandes chances de vir a ser o vitorioso. O PT, por sua vez, insistirá em um acordo com o PMDB. Lula não deverá convencer o vice-presidente Michel Temer com essa proposta. Acordo, se houver, será selado para o segundo turno.

Afif, um bom nome

Guilherme Afif, o vice-governador, poderá ser o candidato do PSD a prefeito de São Paulo. Já foi sondado. Deixou uma janela aberta. Se o partido nascer forte, como os sinais indicam, Afif topará entrar no jogo. Este consultor conhece bem o potencial do vice: bom comunicador, expressão forte na TV, fluente, objetivo, com grande visibilidade. Quase pegou Suplicy no contrapé, na campanha para o Senado. E o eleitor paulistano poderá querer repetir o voto nele.

Dúvidas no Recife

Se João da Costa (PT), prefeito do Recife, vai ser o candidato do partido, para onde irá João Paulo, ex-prefeito e padrinho político de Costa, com quem está brigado? O deputado João Paulo tem poucas semanas para decidir se fica ou se sai do PT, sendo assediado pelo PTB, PC do B e PSB. Mas é mais provável que João Paulo permaneça no PT, selando uma aliança com todas as alas petistas.

Profusão em Natal

Na capital potiguar, não faltam nomes para a disputa municipal. Por enquanto, despontam seis nomes: a prefeita Micarla de Sousa (PV), a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), o ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT), o deputado Federal Rogério Marinho (PSDB), o deputado estadual Hermano Morais (PMDB) e o deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Carlos está na frente. Há, ainda, os nomes dos deputados Fábio Faria (PMN) e Felipe Maia (DEM). O senador José Agripino, presidente do DEM, tenta articular com o deputado Federal Henrique Alves, presidente estadual do PMDB, o ministro Garibaldi Filho (PMDB) e o ex-deputado Carlos Augusto (DEM), a formação de um bloco em torno de um nome para a prefeitura de Natal.

Lei da Copa

O líder do Governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, anuncia para os próximos dias o envio, pelo Executivo, do Projeto de Lei Geral da Copa. O documento objetiva regulamentar todas as questões previstas nas Garantias Governamentais, acordadas com a FIFA para a realização da Copa 2014.

Posse de Skaf

Paulo Skaf toma posse, dia 26, para um novo mandato na FIESP. A posse será no Teatro Municipal de São Paulo, em um evento que reunirá cerca de 2 mil pessoas. Na administração Skaf, a Federação tomou um banho de modernização. Abriu novas frentes, convocou quadros das administrações pública e privada para integrarem seus inúmeros foros, azeitou a máquina, produziu estudos em profundidade sobre temáticas nacionais.

Promissória e forca

"A promissória é uma questão 'de...vida'. O pagamento é de morte".

"A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda".

(Barão de Itararé)

Michel no palácio

O vice-presidente da República, Michel Temer, por solicitações insistentes de ministros do gabinete da presidente Dilma, despachou, ontem, pela primeira vez, no Palácio do Planalto. Michel, com sua discrição, nunca quis despachar no gabinete presidencial.

Mendes Ribeiro muda

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, empenha-se em uma cruzada pela mudança na estrutura de gestão da Pasta. Extingue áreas, cria novos setores, busca quadros. Foco: maior adequação da estrutura aos novos tempos. E quadros técnicos de alto nível.

Confúcio e a cooperação

O governador Confúcio Moura (PMDB) promove ampla reordenação da estrutura governamental em Rondônia. Administra um Estado com imensos potenciais, mas ainda muito arraigado às velhas práticas. Confúcio ampara a gestão em um modelo de cooperação, pelo qual procura convocar e motivar a sociedade organizada a participar da administração. Trata-se de um governante com os olhos voltados para a eficiência de métodos e a eficácia de resultados.

Conselho aos membros do STJ

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos gestores públicos. Hoje, sua atenção se volta aos membros do STJ:

1. A anulação das provas da Operação Boi Barrica pode funcionar como cascata para desacreditar todas as investigações levadas a cabo pela Polícia Federal.

2. A invalidação de operações feitas pela PF pode vir a reforçar a tese de que o Judiciário age "a serviço das elites". Ora, a PF, ao que se sabe, só investiga nos termos da lei e sob fiscalização do Ministério Público.

3. A decisão de invalidar as provas sobre negócios envolvendo gente importante poderá redundar em desestímulo e desmotivação no aparato policial que tem como foco desbaratar as quadrilhas que corroem a administração pública.

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(Por Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

TRE CASSA PREFEITO E VICE DE ICAPUÍ


Por unanimidade, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) cassou, na tarde desta segunda-feira, 19 de setembro, o mandato do prefeito do município de Icapuí, José Edilson da Silva (PSDB), conhecido como Irmão Edilson, e do vice, Heverton Costa Silva.

O Tribunal julgou procedente Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) por abuso de poder político e econômico, proposta em dezembro de 2008, pelo deputado estadual Dedé Teixeira (PT) e o advogado Orlando Rebouças, candidatos a prefeito e vice nas eleições de 2008.

O relator do caso, Juiz Raimundo Nonato, votou pela cassação do prefeito e vice e foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte Eleitoral, o jurista Cid Marconi, a desembargadora Iracema do Vale, o juiz federal João Luís Nogueira Martins e o juiz de direito Heráclito Vieira de Sousa Neto. Com a decisão, o presidente da Câmara Municipal da cidade assumirá o cargo de prefeito, após a publicação da decisão no diário oficial da justiça eleitoral e enquanto não é realizada nova eleição, de acordo com a lei orgânica de Icapuí.

O Pleno do TRE-CE confirmou o entendimento do Ministério Público Eleitoral no Ceará (MPE/CE). O objeto da AIME foi a alegação de abuso de poder político e econômico por parte do prefeito Irmão Edilson que, enquanto prefeito de Icapuí, contratou 484 servidores públicos temporários, sem concurso público e sem qualquer critério de seleção, no primeiro semestre eleitoral de 2008, com o objetivo de beneficiar a sua candidatura à reeleição. Irmão Edilson venceu a eleição por 269 votos.

Em seu voto o relator, juiz Raimundo Nonato citou relatório do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) que narrou desvios de recursos da ordem de quase R$ 600 mil do Instituto de Previdência dos Servidores de Icapuí (Icaprev) para saldar a folha pagamento de servidores contratados fora do período eleitoral. “Restou configuradas contratações irregulares e tendenciosas, que não se revestiram da real demonstração de necessidade do serviço público”, afirmou.

Para o advogado do deputado Dedé Teixeira, André Costa, “o TRE-CE corretamente e seguindo a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, reconheceu a existência do abuso do poder econômico entrelaçado com o abuso do poder político por causa da contratação de 484 servidores temporários através de 683 contratos celebrados, sem qualquer justificativa legal, no período pré-eleitoral, com potencialidade de desequilibrar a disputa eleitoral em outubro de 2008.”

MINISTRO TOFFOLI CRITICA CRIMINALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DO POLÍTICO


Justiça Eleitoral brasileira orgulha o país por diversas razões. Mas pede uma reflexão sobre um dado objetivo relacionado ao rigor com que se tem aplicado as normas eleitorais: o regime democrático já cassou mais mandatos e candidaturas que o regime militar. A informação foi dada nesta segunda-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, no seminário “A reforma do Código Eleitoral”, organizado pelo Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp. Invocando estudos de sua autoria e de outros pensadores, Toffoli repeliu a “criminalização da política e do político”, que ganha terreno no seio da sociedade. No mesmo sentido se manifestaram os ministros Gilmar Mendes e Nelson Jobim (este já afastado do STF).

Em sua exposição, o ministro analisou uma das proposições do evento: a questão do financiamento público das campanhas. Toffoli começou a responder a pergunta com outra indagação. “Quem financia a Democracia”, perguntou, para corrigir a conceituação: “Quando falamos de financiamento de campanha, na verdade, estamos falando do financiamento do regime”. A pessoa jurídica, estabelecida hoje como a alavanca dos partidos no processo eleitoral, afirmou o ministro, “não é a base social da Democracia”. O ator principal e legítimo, defendeu, é a pessoa física.

Toffoli ressalvou, contudo, que um sistema adequado não pode depender unicamente do financiamento público. E citou casos de financiamento misto já existentes, como os que demandam a participação do fundo partidário ou na situação que envolve o horário eleitoral gratuito. O ministro do STF pontuou ainda críticas à inobservância do segredo de justiça que deveria revestir os processos judiciais que, ainda que não decidam pela cassação de um mandato, chegam perto de inviabilizar a governabilidade dos prefeitos ou governadores acusados, mas ainda não julgados.

Da mesa condutora dos trabalhos na Fiesp participaram também o ministro aposentado do STF, Sydney Sanches; outro ex-presidente da Corte, Nelson Jobim; o ministro Gilmar Mendes; o procurador-geral do Estado de São Paulo, Elival da Silva Ramos; o diretor da Fiesp, Hélcio Honda; o professor da USP, José Levi Mello Amaral Jr.; e o diretor da Fecap, Alexandre Zavaglia Coelho.

No painel de que participou, Elival Ramos fez um histórico das propostas de emendas constitucionais em curso e deu sua opinião sobre o motivo de o Brasil estar sempre às voltas com algum tipo de reforma legal. “Isso acontece porque em geral não atacamos o centro da questão, o fundamental.” Para o procurador-geral, assim como existe um Estatuto do Torcedor, para o futebol, deveria existir um Estatuto do Filiado para que o integrante de partido político seja um protagonista mais ativo do processo.

Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico

domingo, 18 de setembro de 2011

PARABÉNS, MURILO!



Quem aniversaria hoje é meu sócio de trabalho Murilo Gadelha Vieira Braga.

Mais do que um parceiro de trabalho, Murilo é um filho da luz que salpica de estrelas o chão do nosso espaço profissional.

Murilo é muro com lírio.

Gadelha, aquele que tem muito cabelo.

Vieira, pura videira.

Braga é uma variação do branco.

Murilo Braga, és um verdadeiro Muro de lírio Branco, regado com o bálsamo da leveza e bondade, fortaleza em que se abriga o estandarte da nobreza e majestade.

Sei que não aprecias longas cabeleiras. Afinal, diferentemente de Sansão, tua força não está no couro cabeludo mas no íntimo da alma.

Genuína videira, aprendeste o estatuto da vida verdadeira.

Causídico das causas superiores, arquiteto de edificações à virtude, peregrino das veredas brilhantes da beneficência, que continues nos incensando com teus fluídos de generosidade.

Feliz aniversário!

(Júnior Bonfim)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CRUZ NA BEIRA DA ESTRADA


Cada vez que eu atravesso,

Estradas do meu sertão.

No transcorrer da viagem

Dispara meu coração

Cada lado da estrada

Tem tanta cruz enfeitada

Que causa até comoção.

*

Por detrás de cada cruz

Uma história singular

Um filho que sai de casa

Para nunca mais voltar

Com o coração ferido

Por ter o filho perdido

Tem mãe na cruz a chorar

*

A causa maior se sabe,

É o consumo de bebida.

Jovens inconseqüentes,

Em disparada corrida.

E cada cruz na estrada,

É uma vida roubada

Antecipada e perdida.

*

A cruz na beira da estrada,

No Nordeste é tradição

Tanto se vê no asfalto

Como na estrada de chão

Ela marca o desatino

Marca o trágico destino

Vira lenda no sertão.




--

Dalinha Catunda

PARA REFLETIR

Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.

(Confúcio)

(enviado por Leudo Santana)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Cambada de ladrões

Cabralzinho, líder estudantil em Campina Grande/PB, foi passear em Sobral, no Ceará. Chegou em dia de um formidável comício. No palanque, longos cabelos brancos esvoaçantes, o deputado Crisanto Moreira da Rocha, competente orador da província :

- Ladrões! Ladrões.

A praça, apinhada de gente, levou o maior susto.

- Ladrões! Ladrões, porque vocês roubaram meu coração!

Cabralzinho voltou para Campina Grande. Candidatou-se a vereador. No primeiro comício, lembrou-se de Sobral. Suspiro. Imaginou os aplausos, sob a oratória do deputado cearense. Fechou os olhos. E tascou com ar furios:

- Ladrões!

Correu um frio na espinha da praça.

- Ladrões!

Ninguém se mexeu. Cabralzinho bem sabia que a política em Campina Grande era briga de foice no escuro. Queria o impacto total.

- Cambada de ladrões!

Foi uma loucura! A multidão avançou sobre o palanque. Pedra, pau, sapatos. O rosto sangrando, acuado, Cabralzinho implorava:

- Espera que eu explico! Espera que eu explico!

Explicou. Ao médico, no hospital. (Com a verve do amigo Sebastião Nery).

Emenda 29

Dia 28 de setembro, será votada a Emenda 29, voltada para socorrer o sistema de saúde, que está na UTI. Será aprovada. Mas quem pensar que será criado um novo imposto, pode tirar o cavalinho da chuva. Nenhum partido tem motivação para votar um novo tributo temendo represálias da população. Afinal, a carga de impostos é escorchante. O PMDB fechará questão contrária a um novo tributo. O líder Henrique Alves pronuncia esta tarde no plenário da Câmara veemente discurso com duas mensagens fortes: sociedade não tolerará novo imposto; e governos estaduais precisam fazer suas lições de casa e não desviar recursos da saúde para outras frentes.

Carga escorchante

Vejam, a seguir, como os impostos entram no processo produtivo:

Média tributação sobre o faturamento

Energia Elétrica: 38,65%; Comunicações: 36,97%; Indústrias: 35,47%; Combustíveis: 32,74%; Transportes: 29,56%; Comércio: 23,23%; Demais Serviços: 23,83%; Instituições Financeiras: 17,58%; Administração de bens: 14,94%; Agropecuária e Extrativista: 14,29%; Micro e Pequenas Empresas: 9,78%.

A informação é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT.

Impostos sobre produtos

Já na frente de produtos, eis alguns exemplos dos tributos:

Achocolatado : 38,06%; Agenda escolar : 43,19%; Água mineral : 43,91%; Aparelho de barbear : 40,78%; Balão de borracha : 34,00%; Batedeira : 44,37%; Cachaça : 81,87%; Calça (tecido) : 34,67%; Computador : 33,62%; Maisena : 33,87%; Fralda descartável : 54,75%; Gasolina : 53,03%.

Mobilização do PMDB

Amanhã, quinta-feira, o PMDB deve reunir, em Brasília, cerca de 3 mil militantes. Trata-se do primeiro movimento com vistas à mobilização geral que o partido promove para alavancar o pleito municipal de 2012. Não há uma agenda prefixada, eis que o partido tem a intenção de fazer um primeiro movimento de animação. Já o segundo será no início do próximo ano, quando as bases municipais serão convocadas para a batalha eleitoral. Nesse momento, o PMDB exibirá suas bandeiras, particularmente aquelas que atingem o bolso do eleitor.

Beleza e paciência

"Relacionamento é baseado em duas coisas: beleza e paciência. Se der certo, beleza ! Se não, paciência". (Colaboração de Álvaro Lopes)

PT em 2012

O PT, como o PMDB, quer fazer a maior bancada de prefeitos de sua história. Porque acredita na hipótese de que a alavanca municipal será decisiva para abrir as portas das prefeituras em 2014. O PT quer atingir as cidades grandes e médias. Trabalhará acertando o foco para cerca de 150 municípios. É o bastante para iluminar o panorama eleitoral. Lula está se arrumando para comandar o espetáculo. Com (muito) dinheiro no bolso e (muito) tempo livre para se divertir nos palanques, Luiz Inácio será o maior cabo eleitoral do Brasil em todos os tempos. Vai ser interessante acompanhar e medir o tamanho e a importância de Lula para a eficácia eleitoral.

Reforma política

A cantada e decantada reforma política pode, sim, sair do papel. Este consultor vê viabilidade na aprovação de um sistema de voto misto : meio distritinho, meio distritão. Metade dos eleitos será tirada de uma lista de candidatos do distrito. E a outra metade será pinçada de uma lista geral do Estado, tomando-se como parâmetro os mais votados em todo o Estado. Com o fim das coligações proporcionais, esta fórmula poderá ser interessante por atender mais de perto aos interesses do eleitor. O PT gostaria de ver implantado o voto de lista partidária. Como partido de mando vertical, ele se beneficiaria. Elegeria seus comandantes. O PMDB defende mais o distritão.

Duas formas de vida

"Há apenas duas formas de viver a vida: uma é acreditar que nada é um milagre. A outra é acreditar que tudo é um milagre". (Albert Einstein)

Dilma e Alckmin

Pela segunda vez, a presidente Dilma vai ao Palácio dos Bandeirantes para realizar um ato conjunto com o governador Geraldo Alckmin. Trata-se de parceria entre o governo Federal e o estadual em torno do rodoanel Mário Covas. Dinheiro lá do Planalto para a planície. Dos tempos, ainda, de Lula. Que, convidado, refugou. Alegação : não quer empanar prestígio de Dilma. A esta altura, não empanaria. Ela conserva a liturgia presidencial. E não é de salamaleques. Dilma está demonstrando atitudes suprapartidárias, que merecem aplausos.

Mais solta

Aliás, a presidente Dilma está mais solta e mais leve. Desenvolta foi sua atitude na entrevista que concedeu ao Fantástico, quando perambulou pelo Palácio da Alvorada. Respondeu a todas as perguntas. E cometeu, até, a liberdade poética de chamar a ema macho de emo. A família e seu barulho animam o netinho da presidente.

Enem, hein?

Por mais que o ministro Fernando Haddad se esforce para subir o conceito das escolas públicas em nosso país, não consegue. As escolas públicas e também privadas receberam notas insuficientes no exame do Enem. Quase 64% foram reprovadas. E destas, mais de 99% são da área pública. Não adianta sofismar dizendo que os alunos é que foram reprovados e não as escolas. Ou, por acaso, não há relação entre causa e efeito ? Alunos estudam em escolas... logo...!

UPPs marquetizadas

A tentativa da bandidagem de reerguer bandeiras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, quer dizer apenas uma coisa. As tais Unidades de Polícia Pacificadoras ainda não conseguiram se consolidar. A harmonia nas favelas está longe de aparecer. O governador Sérgio Cabral cosmetizou bastante a ideia. Há muito marketing enfeitando esse troféu de Cabral.

Um olho, um ouvido, um coração

"Para toda beleza, há um olho em algum lugar para vê-la.
Para toda verdade, há um ouvido em algum lugar para ouvi-la.
Para todo amor, há um coração em algum lugar para recebê-lo". (Panin). Colaboração de Álvaro Lopes.

Mensalão à vista

O ministro Joaquim Barbosa sinaliza muita vontade de jogar o pacote do mensalão no plenário do STF logo, logo. A depender dele, as coisas caminharão em ritmo adequado, de forma que, em 2012, antes das eleições, o processo seja concluído. Mas alguns advogados - dos melhores do país - tentam produzir curvas no meio do caminho. Finalidade : jogar a bomba para 2013, após as eleições. Justiça se faça : José Dirceu quer agilidade no julgamento do mensalão. Diz : "é a única coisa que peço, que me julguem nos autos. Porque juízo político já tive na Câmara dos Deputados. Fui cassado sem provas".

Campos só vê aquilo

Eduardo Campos passou a fazer política 25 horas por dia. A hora a mais é por conta da teoria de sistemas, na qual 2 + 2 pode ser cinco. Trata-se do adendo proporcionado pelo elemento organizativo, que junta as coisas. Ou seja, a capacidade de juntar, unir, mobilizar, tecer, costurar é mais um componente na cadeia aritmética. Campos deixou se ver por inteiro por ocasião do programa do PSB em rede nacional. Escolheu, até, uma moeda que entra direto no bolso das pessoas : tarifas de ônibus. Defende sua redução. Leia-se : quero ser candidato em 2014. Um posto nacional.

Demonização da política

A presidente Dilma fez um alerta : não confundam faxina na administração com demonização da política. Ou seja, não queiram culpar os partidos por erros e desvios de alguns de seus integrantes. Recado dado, recado sentido. Políticos ficaram satisfeitos.

Títono ou saciedade

"Formosa fábula, a que se conta de Títono. Estando por ele apaixonada, a Aurora, desejosa de lhe gozar para sempre a companhia, implorou a Júpiter que seu amado jamais morresse. Mas, em seu açodamento de mulher, esqueceu-se de acrescentar à súplica que ele também não padecesse as agruras da idade. De modo que Títono se viu livre da condição mortal. Sobreveio-lhe, porém, uma velhice estranha e miserável, como a que toca àqueles a quem a morte foi negada e que carregam um fardo de anos cada vez mais pesados. Então Júpiter, condoído, transformou-o finalmente em cigarra". (A Sabedoria dos Antigos, Francis Bacon).

Comissão da verdade

A Comissão da verdade está nascendo. Viva ! Precisamos abrir todas as frestas do país. Mostrar os buracos, as mazelas, os desvios, os erros. A verdade precisa aparecer como os raios do sol iluminando um novo horizonte.

A diferença

"Sabe qual é a diferença entre as galinhas e os governos? Simples: as galinhas botam ovos antes de cacarejar".

Desencontro histórico

Juscelino sempre foi um homem desencontrado com o seu tempo. Sempre mais adiante ! Tragédia de Kennedy em 1963. Juscelino, ex-presidente, era entrevistado e o assunto girava em torno das gestões avançadas dos dois presidentes. A certa altura da entrevista o repórter traçou um paralelo, perguntando :

- O senhor já calculou o que seria, JK no Brasil e Kennedy nos EUA, no mesmo período?

Juscelino desabafou:

- Foi um desencontro histórico... lamentável ! (José Flávio Abelha em A Mineirice)

Conselho aos gestores públicos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, sua atenção se volta aos gestores públicos. O sistema de saúde está na UTI. Precisa ser salvo. Para tanto, a aprovação da Emenda 29 se faz absolutamente necessária. Garantirá a aplicação rígida de índices orçamentários no sistema, sem desvios. Nesse sentido, urge fazer as seguintes observações:

1. Governadores e prefeitos precisam fazer a lição de casa e usar rigorosamente os recursos alocados nas frentes da Saúde, sem desvios e curvas na aplicação.

2. A população não aguenta mais criação de novos impostos. Se recursos extras são necessários, que se arrumem recursos em fontes como os royalties do petróleo, etc.

3. É comum dizer-se: dinheiro há, o que é ruim é a gestão. Aplicação rigorosa de recursos, diminuição do Produto Nacional Bruto da Corrupção (PNBC), enxugamento de estruturas, racionalização de processos, simplificação de rotinas seriam, entre outras, medidas absolutamente viáveis e necessárias para se chegar ao Pacote Financeiro para a Saúde.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

POETA DO CURRAL VELHO


Desde a época em que velhos automóveis trafegavam por uma central de terra batida, desviando-se dos inúmeros buracos com as habilidades de malabaristas e a poeira ia se levantando, cobrindo meio mundo a indicar que vinha um carro pela BR 404, já toda asfaltadinha, mas só no papel, ou então era o Misto do Seu Zé Padre que já ia, com a carroceria carregada de mercadorias e os passageiros bem acomodados nas boléias e com os sentidos aguçados, pois desceriam na próxima parada, é que sabemos: no Curral velho era tempo de poeta, pois ali versejava com engenho e arte, como um cancão acuando as cobras na mata espinhosa da caatinga, um sertanejo chamado Sebastião Ferreira do Bonfim.

Agora que a central é realmente uma pista bem pavimentada e que o tempo encurtou as distâncias e a brevidade nos obriga a novas desenvolturas, a rejuvenescida pista continua a nos levar aos mesmos locais que antes, numa paisagem nem tão semelhante à de outrora, mas percebemos satisfeitos, que por lá continua sendo a mesma época de poetas. Alguns dos vates que beberam nas cacimbas do riacho serrote criaram asas e levantaram vôo, rumo a um horizonte sem fim, tornaram-se poetas-doutores, poetas-professores, todos airosos. Mas outras sementes que brotaram por lá, ficaram e foram troando como trovões na terra dos Bonfins, retumbando suas estrofes a pleno pulmão num meio dia de um sol estorricante. Como a sericora que embeleza as margens das lagoas com seu canto vespertino ou a esbelta sariema que pasmaceia o ar com seus cortantes versos, vi admirado o poeta Antonio de Lisboa Bonfim, o bonachão e já grisalho Lisboa a soltar seu belo canto e a confirmar que, por lá, onde antes era os velhos currais de gado, continua um abundante celeiro de poetas.

Curioso, pergunto só para começar a nossa conversa: Lisboa, como é que você faz os seus versos?

Responde-me rápido: Não faço! Eles vêm em qualquer canto, aqui na mercearia ou onde eu estiver.

De supetão, pergunta-me: O que é a saudade? Ele mesmo me responde, em versos:

“Saudade é um parafuso
Que dentro da rosca cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo não vai.
E quando atarraxa dentro,
Nem torcendo não sai!”

Isso é a saudade!

Percebo o potencial no sorriso solto, como quem sabe que já domou o mundo com todos os seus apetrechos, inclusive a tal felicidade, que transborda de seus olhos claros. E se fores por lá, comprar algo para mantença do corpo ou tomar uma, bem geladinha, escorado num balcão que é uma ampla janela, prepara-se para sair com os bolsos abarrotados de versos e a alma leve pela poesia que aflora do lugar. Imploro por outras, de suas rimas.

Ele concorda, mas com a condição de que eu lhe responda uma pergunta no final e afirma que, se não responder, iria me chamar de mentiroso. Desfralda o poema:

“ Tudo depende de sorte,
Até para lavar roupa.
No dia que o sol não sai,
A roupa não cora bem,
Você quando está de azar,
Vai dar um peido e a merda vem!

Já aconteceu com você? Era a ameaçadora pergunta. E respondo de imediato: - Já!!! A risada é geral, que ecoa pelos quatro cantos do Curral Velho.

Ele aproveita o clima de alegria ali gerada, mas que germinava mesmo era de sua simplicidade, para lembrar mais uma estrofe e eu aproveito para recordar o poeta das figuras, naquele calorento dia de setembro, o espanhol Pablo Picasso, que uma vez disse: Há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol... Lisboa cintila os versos como os raios de sol clareando o dia:

Bezerra de vaca preta,
Onça pintada não come.
Quem casa com mulher feia,
Não tem medo de outro homem.
Quem casa com mulher bonita,
Leva chifre, mas não passa fome!

Ainda nos brinda com o duelo de dois cantadores, primor de história que ele criou em rimas:

Um cantador disse:

Cachaça matou jacinto,
Homem muito trabalhador,
Sentença de mão cortada
Para a cana que não plantou.

O outro disse:

Cachaça não matou jacinto,
Porque ela não tem esse poder,
Quando ele foi beber
Já estava era para morrer.

O poeta Lisboa é assim, sabe fazer de pequenos instantes grandes momentos. Pergunta-me: Você já ouviu falar no sitio Cagajá Ele sabia que eu não sabia! E continua: a rapadura de lá era três partes de sal e uma de doce ruim. Papai me mandava buscar uma carga e eu comia era muito por lá. Vamos aos versos:

Fui uma viagem
Com destino de voltar,
Porém tive que passar
No sitio Cagajá.
Andei quatorze léguas
Sem a calça abotoar.
Oh, caganeira de lascar!

O poeta Lisboa é como um passarinho cantando no terreiro, uma alma liberta, numa coexistência pacifica com o lugar. Um grande contador de historias que só perde que não for ouvi-lo por lá. Quando ele se despede da gente já vai deixando saudades e avisa, assim:

Olhe!!! Eu sou contador de historia...
Não confunda aroeira com aurora,
Não confunda rabicho com rabichola,
Eu sou contador de historia!!!

Vá lá! Confirme no brilho dos olhos do Lisboa onde mora a poesia! E ao chegar, não deixe de cumprimentar um gato preto que está sempre deitado na cadeira de seu dono, é um velho mago, que se faz de ajudante do poeta Antonio de Lisboa Bonfim.

Raimundo Candido

ABLC- CORDELTECAS E IMPLANTAÇÕES



A Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, no seu compromisso em difundir a literatura de cordel, vem dando continuidade a implantação de cordeltecas por todo Brasil. Gonçalo Ferreira da Silva presidente da ABLC estará implantando mais três cordeltecas no Estado do Ceará no inicio de outubro.

Com o calendário definido, as inaugurações acontecerão nos seguintes dias:

Dia 03-10-2011 Reriutaba – Cordelteca Riacho das Flores

Dia 05-10-2011 em Crateús - cordelteca Lucas Evangelista

Dia 07-10-2011 em Aracati - Cordelteca Dideus Sales

Como membro da ABLC e convidada do presidente Gonçalo Ferreira, eu, Dalinha Catunda, estarei na comitiva prestigiando as inaugurações.

--

Dalinha Catunda

CORRIGINDO UM EQUÍVOCO

Permitam-me um apontamento.

Este texto tem sido atribuído a Ariano Suassuna, entretanto é de autoria do jornalista José Teles sendo publicado originalmente (segundo o próprio) na coluna Toques Digitais do Jornal do Commercio online, em 7 de maio de 2008.

Existem outros textos no qual o crítico musical aborda o tema - como ele intitula - "fuleiragem music". Seguem alguns:

http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/04/08/mudernos-tinhoroes-e-a-fuleiragem-music/

http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/05/08/pequena-historia-da-fuleiragem-music/

http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/06/04/368/

http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/06/05/ate-tu-arcoverde/

ps. caso não acessem através do clique direto, basta copiar e colar na barra de endereço do seu navegador.

Abraços Fraternos!



Postado por Jocelino Neto no blog BLOG DO JÚNIOR BONFIM em 13 de setembro de 2011 14:08

AS FOTOS COMPROVAM QUE FOI PROVIDENCIAL O LANÇAMENTO DO LIVRO COM CD DO "PROVIDÊNCIA"

Sábado passado, na Cabana Mendes, em Crateús, Edmilson Providência fez o lançamento de seu primeiro livro e CD
Sertanejo, Oh! Xente
Por razões superiores, estive impossibilitado de prestigiar o magno evento.
Fica o registro:






domingo, 11 de setembro de 2011

CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA ( SECRETÁRIO DE CULTURA ) SOBRE O FORRÓ ATUAL

"'Tem rapariga aí? Se tem, levante ...a mão!'. A maioria, as moças,
levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase
todas muito jovens (pelo menos um terço de adolescentes), o vocalista
da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas
(dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são 'gaia',
'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena
aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas
se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos
70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades
em deixar a cidade.

Para uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas
bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque
este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a
dizer alguns títulos, vamos lá: 'Calcinha no chão' (Caviar com
Rapadura), 'Zé Priquito' (Duquinha), 'Fiel à putaria' (Felipão Forró
Moral), 'Chefe do puteiro' (Aviões do forró), 'Mulher roleira' (Saia
Rodada), 'Mulher roleira a resposta' (Forró Real), 'Chico Rola' (Bonde do
Forró), 'Banho de língua' (Solteirões do Forró), 'Vou dá-lhe de cano de
ferro' (Forró Chacal), 'Dinheiro na mão, calcinha no chão' (Saia Rodada),
'Sou viciado em putaria' (Ferro na Boneca), 'Abre as pernas e dê uma
sentadinha' (Gaviões do forró), 'Tapa na cara, puxão no cabelo' (Swing do
forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta 'desculhambação' não é exatamente as
bandas, ou os empresários que as financiam, já que na grande parte
delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que
investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o
turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia,
quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas,
em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo
folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As
estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das
bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam
muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista
ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos
alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o
regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e
relevou o primitivismo estilístico. Pior, o glamour, a facilidade
estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos
políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia,
que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em
popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos
do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno
lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma
banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade,
com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas)
pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de
ordem. Quando canta uma canção (canção??!!!) que tem como tema uma
transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É
vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está
muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por
tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns
poucos anos."

Ariano Suassuna

Observação:



O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa

aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda

Calipso, que ele achava (e deve continuar achando, claro) de mau

gosto. Daí mostraram a ele algumas letras das bandas de

'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'.

Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou. Realmente, alguma

coisa está muito errada com esse nosso país, quando se levanta a mão

pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou

quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha', aonde vamos parar? Como

podemos querer pessoas sérias, competentes e de bom gosto? E não

pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E

como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas

pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e

atendem.

Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar

gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem

sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se

querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer

outro tipo de ruído, ou se querem ser alguém de respeito na vida!





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(enviado por José Cavalcante ARNAUD)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

MENSAGEM

LB deixou um novo comentário sobre a sua postagem "SIN PALABRAS":

“Se o povo for conduzido apenas por meio de leis e decretos impessoais e se forem trazidos à ordem apenas por meio de punições, ele apenas procurará evitar a dor das punições, evitando a transgressão por medo da dor. Mas se ele for conduzido pela virtude e trazido à ordem pelo exemplo e pelos ritos em comum, ele terá o sentimento de pertencer a uma coletividade e o sentimento de vergonha quando agir contrário a ela e, assim, bem se comportará de livre e espontânea vontade.”

Confucio

SIN PALABRAS

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MENSAGEM

"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade".
Confúcio



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


(Fernando Pessoa)

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(enviada por José Cavalcante ARNAUD)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Política monetária: mudança de tendência?

Nossa previsão, idêntica a do mercado, foi errada. Esperávamos que a taxa de juros básica permanecesse em 12,5% ao ano. O BC, por meio do COPOM, reduziu o custo básico do dinheiro para 12%. Uma análise fria concluirá que esta queda foi surpreendente na forma, mas não foi totalmente no conteúdo. Afinal, o governo havia dado evidências, desde o início da gestão da presidente Dilma, de que a taxa de juros será reduzida para "patamares civilizados". Mais que um desejo, esta premissa é uma necessidade. Portanto, não cabe surpresa (de conteúdo), mesmo porque o governo sempre fez gestões públicas e privadas para que o BC agisse neste sentido. Provavelmente, a própria presidente assim agiu. A pergunta que cabe é a seguinte: esta queda da taxa de juros é sustentável?

A sustentação da política monetária

Para responder a questão enunciada na nota anterior, há que se reparar em alguns aspectos da mudança da política monetária. Em primeiro lugar, qual seria a razão para uma mudança tão rápida? Afinal, até a reunião anterior, o BC agiu no sentido do aperto monetário, aumentando a taxa básica. O cenário externo, as perspectivas da inflação, a situação cambial e o nível de atividade econômica não sofreram drásticas mudanças neste período de apenas 40 dias. Apenas a política fiscal, na essência expansionista, sofreu uma pequena retração quando se analisa o cenário dos últimos cinco anos. Sequer um compromisso de superávit fiscal no médio prazo, digamos, de quatro anos, foi estabelecido pelo governo. Nem 2012 está previsto pelo próprio governo. Neste sentido, o BC (e o governo) agiu sem "preparar" as expectativas para a queda de juros introduzida. Um risco e tanto, num sistema de metas que opera sobre - e a partir de - expectativas.

Dois riscos do mesmo lado da moeda

Excluamos, para fins da análise, o complicado setor externo o qual é exógeno à capacidade de gestão do governo brasileiro e do BC. Mais à frente comentaremos sobre ele. Pois bem: ao mexer abruptamente na taxa de juros, o BC não tem como se furtar às consequências que a inflação, muito alta (ao redor de 7% nos últimos doze meses), pode provocar sobre preços privados e públicos, além da dinâmica da indexação - sim, ela ainda existe em muitos segmentos! - e os salários reais. Não é nada difícil a inflação passar de um patamar de 5-7% ao ano para algo como 10%. Daí para frente, o ajuste da inflação (para baixo) terá de ser feito com muito mais esforço pesando sobre a atividade econômica. Como ? Por meio de uma taxa de juros mais alta ! Ou será que alguém pode acreditar racionalmente que o governo vai produzir mais resultado fiscal para conter a demanda inflacionária? Além da inflação, há a taxa de câmbio "fora de lugar" (no que tange à competitividade da economia brasileira). Se o câmbio se desvalorizar mais acentuadamente, veremos seus reflexos sobre a inflação. Assim, o risco de uma dinâmica negativa entre "inflação passada - inflação futura - taxa de câmbio" é considerável. Por tudo isso, o BC operou mal. BCs existem para reduzir riscos e não aumentá-los.

Quem dá as cartas em relação aos juros

Já se sabe que o BC está cada vez mais "indexado" às vontades do governo. De outro lado, erra quem pensa que a "vontade econômica" é formulada no edifício do ministério da Fazenda. Por lá, muitos cálculos são feitos, mas quem manda mesmo na direção da economia é a presidente Dilma. Não foram poucos os estímulos recebidos por sindicatos, empresários e políticos para que falassem "mal da taxa de juros". A presidente consolidava junto ao público externo a decisão interna (e essencialmente sua) de baixar os juros básicos. Veja nota abaixo.

Fato ou cortina de fumaça

Ato contínuo à polêmica decisão do COPOM de quarta-feira passada passou a circular em Brasília a informação sobre um "Plano Dilma" para a economia brasileira, com profundas alterações na gestão das finanças públicas. Alterações na política de financiamento da dívida pública e até mudanças na forma de remuneração das cadernetas de poupança (comentamos mais abaixo). Para a sempre bem informada Claudia Safatle, do "Valor Econômico", seria uma espécie de "Novo Plano Real". Para levar os juros a um nível de 2% a 3% reais.

Sumiu do mapa

Observação de um desses espíritos de porco que habitam a economia, mas têm olhos também para as motivações políticas dos que fazem as decisões públicas: de repente sumiu do discurso do governo a tese de que o Brasil hoje, em 2011, estaria muito mais bem preparado para as turbulências externas do que estava três anos atrás, em 2008. Foi substituída por uma boa dose de catastrofismo externo, em parte percebida, em parte imaginada.

Crescer e crescer

É conta planaltina e manteguiana: o Brasil tem de se armar para crescer cerca de 5% em 2012. Por isso, o projeto de Orçamento mandado ao Congresso na semana passada, ao contrário do apregoado, é, no linguajar dos economistas, mais expansionista (gastador) do que contracionista (poupador). O ano de 2012 é do "ciclo político" e rito de passagem para 2014. Quem quer jogar no ano da Copa tem de estar bem treinado já no ano que vem...

A questão da caderneta de poupança

Já há fluxos substantivos de recursos indo para a caderneta de poupança, aplicação que combina juros medianos com indexação garantida. As contingências eleitorais do ano passado impediram o governo de mudar a regra da poupança. Assunto sensível e que toca fundo na alma do pequeno poupador. Se o governo quiser mesmo reduzir os juros para valer, a despeito dos riscos já mencionados acima, deverá incluir na sua agenda a necessidade de mexer na remuneração da caderneta de poupança. Neste tema, a onça vai beber água.

Cenário externo sem tréguas

Horrível. Eis uma palavra que define, sem emoção, os últimos números da economia norte-americana. O cenário não é desesperador. É cronicamente ruim. Não há incrementos na atividade econômica, a criação de empregos é desprezível do ponto de vista estatístico e trágico do ponto de vista social. Triste sina a de Obama, presidente acanhado para obra tão importante. Na Europa, o cenário é vergonhoso para um continente que se propunha a ser "alternativa" civilizatória no século XXI. O jogo lá é de cinismo absoluto. Nem governos e nem as sociedades estão dispostos a correr riscos e impor mudanças para neutralizar o elevado endividamento. Os governos são fracos para elaborar e gerir políticas e fortes o suficiente para se manterem letárgicos. Por fim, os "emergentes" são o maior "novo risco do cenário". A desaceleração da China é risco considerável e, muito provavelmente, a economia já está desacelerando. Obviamente, veremos a magnitude mais à frente, se o governo comunista do país for minimamente transparente sobre suas mazelas econômicas.

Merkel perde as eleições locais

Apesar de todo empenho da chanceler Angela Merkel em agradar o público interno, seu desempenho nas eleições locais da Alemanha foi sofrível. Há mudanças à vista no cenário da maior economia europeia. Muito possivelmente os social-democratas reforçarão o discurso nacionalista que dificultará a solução da atual crise das dívidas dos países do bloco europeu.

Grécia não concorda com pressões

Já dissemos neste espaço que a dívida da Grécia é impagável sobre qualquer critério que não considere um calote de pelo menos 30% de seu valor. Na semana passada, no retorno das férias europeias, soube-se que a Grécia não cumpriu as metas fiscais com as quais se comprometeu. Simples entender : o cenário daquele país é de depressão e os gregos não estão dispostos a incorrer em mais depressão. Nestas próximas semanas, mais confusão à vista. Os europeus se reunirão para discutir sobre o tema. Tem tudo para dar errado.

O PMDB e seus fantasmas I

O partido nunca vai admitir, pois está disposto a não se indispor publicamente com o governo da presidente Dilma, nem com o principal parceiro na coalizão governista aliada. Afinal, o partido, embora tenha a vice-presidência, não tem a caneta nem o "Diário Oficial" e o palácio do Planalto não tem sido, oito meses depois, generoso no uso desses instrumentos para afagar os peemedebistas. A lista de nomeações está parada quase no mesmo tamanho no início do ano e alguns lugares já foram perdidos.

O PMDB e seus fantasmas II

Vejamos os fantasmas que rondam o PMDB:

1. A desconfiança de que por trás do discurso "aliancista" de Lula e do PT para as eleições municipais o objetivo dos petistas é aumentar, à custa de quem quer que seja, suas prefeituras e seu número de vereadores em 2012.

2. Do mesmo modo, teme-se que tanto o PT, como Dilma e Lula possam tramar a substituição do PMDB como principal parceiro em 2014, trocando o vice do PMDB por um partido de mais "pedigree" (mais tinturas de esquerda, menos imagem fisiológica) como o PSB. A aproximação do partido de Eduardo Campos com o PSD já quase criado do prefeito Kassab, com incentivo paralelo de petistas, acirra esta disputa.

3. O estilo Dilma, de jogar no colo dos parceiros a solução dos problemas no qual eles estão envolvidos, é percebido agora como nada ingênuo, mas destinado a deixar os aliados na defensiva. O próprio PMDB "recuou as arfadas" diante do desenlace das ocorrências no ministério da Agricultura, das confusões no Turismo e dos rearranjos em Furnas. O partido das barbas na política brasileira é o PT, mas que as tem permanentemente de molho é o PMDB.

O estilo Dilma

Não desceu bem na goela o modo como Dilma tentou solucionar as divergências do governo com o STF no caso das verbas para aumentos do Judiciário. Ao transferir a alocação das verbas para a responsabilidade dos deputados e senadores, mas lembrando os prejuízos que isto poderá gerar nos programas sociais, a presidente teria jogado parte da sociedade contra os magistrados. É um método. Porém (observa um analista isento em Brasília na sexta-feira), como, normalmente, o juiz só costuma falar nos autos, o silêncio dos atingidos não quer dizer nada. Há autos abertos por todos os lados.

O estilo Dilma II

O PT não estrilou publicamente, porém este modo de Dilma incomoda também o partido. Não foi por omissão que faltou no documento petista expedido este fim de semana uma defesa explícita à "faxina" geral e irrestrita no governo, sempre que couber. O cheiro de papel queimado incomodava porque a tendência, dados os exemplos já ocorridos, era revolver sempre um passado muito recente e nada sobre o governo anterior. Melhor, portanto, ficar em generalidades.

Muito barulho por nada

Gastou-se muito papel, tinta e ondas de som e imagem para acompanhar o encontro do PT no fim de semana. E mais ainda vai se gastar na exegese do documento com as resoluções da legenda e as moções aprovadas. Esses documentos - e somente quase só o PT os faz periodicamente, os outros partidos nem isso - são para pura orientação interna, acomodação de correntes, para algum marketing e um tanto quanto de propaganda. Seu valor de face é quase nulo, sempre permite diversas interpretações e maiores ainda adaptações. Basta lembrar a resolução em Recife, do próprio PT em 2001, com orientações para as eleições de 2002, no qual a palavra de ordem era acabar com "tudo o que está aí" com referência à política econômica adotada nos oito anos de tucanato que se encerrariam naquele ano. Todas as palavras de ordem petista estavam lá contempladas - até a revisão da dívida externa. Não durou seis meses. Elaborada pelo então coordenador da campanha de Lula e futuro ministro da Fazenda, como a colaboração de alguns luminares, sem consultas formais a nenhuma instância partidária, uma "Carta do Povo Brasileiro" renegou tudo o que havia sido defendido na bela capital republicana. Por isso, o documento petista deve ser lido mais pelo que não escreveu do que pelo que deu a ler. E neste, divulgado no domingo, ficaram duas estranhezas:

1. A ausência de uma moção explícita, por escrito, de defesa da maior liderança partidária depois do ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu.

2. A não inclusão entre as resoluções petistas - virou uma moção (ou seja, não é uma obrigação, é uma orientação) - da criação de um "código de comportamento" da imprensa.

Nenhum barulho por nada

Um mês depois de encerradas as férias parlamentares, a oposição continua com sua obsessão de pegar o governo por meio de algum desvio de conduta. Contestações rasas relativamente a algumas decisões do palácio do Planalto, tão rasas e tão baixas que o Brasil não ouve. As propostas oposicionistas são mais desconhecidas que o processo de transformação de grama em grama de ouro.

Eles vão durar ainda

Os ex-ministros que ainda perambulam pela Esplanada dos Ministérios - os mais notórios continuam sendo Pedro Novais (Turismo) e Mário Negromonte (Cidades) - ganharam algum tempo de sobrevida. Não havendo graves ocorrências, Dilma quer tocar o barco com o time que está aí para não causar turbulências na aliança partidária mais das que já existem. Há pedras no Congresso a serem descascadas. A aprovação da prorrogação da Desvinculação das Receitas da União é uma delas. Desarmar as armadilhas do fator previdenciário, dos reajustes dos policiais e da percepção dos banqueiros são as outras. O saneamento ficará para o início do ano que vem, quando uma turminha vai receber bilhete de volta para disputar (como desculpa ou de fato) alguma prefeitura.

Um retrato real do Brasil real

Se quiser fugir um pouco do discurso oficial, de heranças benditas gestadas apenas pelos operadores de marketing, a tão execrada imprensa brasileira tem uma pauta criativa para explorar, muito além dos "eventos" de corrupção. Alguns deles :

1. A situação dos hospitais universitários.

2. A situação dos hospitais filantrópicos, sustentáculos dos SUS e dependentes do sistema para sobreviver.

3. A situação das novas universidades Federais, plantadas como tiririca por todo o país.

4. A situação das escolas técnicas Federais, com greves por todos os poros.

5. Um levantamento dos mini-apagões elétricos que têm ocorrido no país com incrível frequência. Na semana passada foram "agraciados" nove Estados. Parece uma soma de fadiga de materiais com fadiga de gestão e pode ser um péssimo sinal do que pode acontecer quando o país quiser crescer de novo com vontade.

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A coluna Política & Economia NA REAL é assinada por José Marcio Mendonça e Francisco Petros.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DE SER VOCÊ MESMO

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o Samurai sentiu-se repentinamente inferior.

Ele então disse ao Mestre:

- "Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado agora?"


O Mestre falou:

- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o Samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o Samurai perguntou novamente:

- "Agora o senhor pode me responder por que me sinto inferior?"

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- "Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: 'Por que me sinto inferior diante de você?' Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."

O Samurai então argumentou:

- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."

E o Mestre replicou:

- "Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.

"Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na Natureza, tamanho não é diferença. Tudo é expressão igual de vida!"


(DESCONHEÇO O AUTOR)

(Enviado por Leudo Santana)

GERARDO MELLO MOURÃO E ANSELMO VIEIRA



Gerardo Mello Mourão, embora universal, não deixou de cantar seu sertão e sua gente em prosa e em versos em sua trajetória literária.

Muito me orgulho de ter privado da amizade deste poeta e escritor que com toda erudição que carregava em seus alforjes, pois falava nove idiomas entre eles o grego, soube falar com singeleza das coisas do sertão o que notadamente ficou registrado no seu livro “Rastro de Apolo” e em tantos outros livros de sua autoria.

Para o deleite do leitor que gosta do bom versejar, pincei do livro de Gerardo Algumas sextilhas onde ele cita os cantadores nordestinos entre eles Anselmo Vieira de Sousa.

“Há cantadores famosos
Nas feiras do Cariri,
Jacó Alves Passarinho
De Mutamba, Aracati,
Há Romano de Mãe d’Água,
Sinfrônio do Jaboti.
*
Azulão em Pernambuco
E Inácio da Catingueira,
Serrador, Cego Aderaldo
E mais Anselmo Vieira
Que foi o melhor de todos
Por ser filho da Ipueira.
*
Na viola e na rabeca
Eu também sou cantador,
Mas somos pobres mortais,
Eu, Anselmo ou Serrador,
Não vamos desafiar
Apolo, Nosso Senhor.”

*
Anselmo Vieira de Sousa é filho de Ipueiras, e foi, segundo o próprio Gerardo, referência para ele. De Anselmo, são poucos registros na história dos cantadores nordestinos. Em minhas pesquisas, o que li sobre o mesmo foi no livro “Cantadores” de Leonardo Mota e nas entrevistas e livros de Gerardo.

Ser filha de Ipueiras e navegar nas ondas poéticas do popular Anselmo Vieira e do culto Gerardo Mello Mourão é uma honra sem tamanho.
*

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Dalinha Catunda
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com

domingo, 4 de setembro de 2011

FRASES PARA A VIDA

Se você se sente só é porque construiu muros em vez de pontes.
(Anônimo)

Nunca ore suplicando cargas mais leves, e sim ombros mais fortes.
(Philips Brooks)

Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos."
(Provérbio Chinês)

"Se não puder se destacar pelo talento, vença pelo esforço."
(Dave Weinbaum )

Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se!
Você quer ser feliz para sempre? Perdoe!"
(Tertuliano)

Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta."
(Carl Young)

"Ao dizer alguma coisa, cuide para que suas palavras não sejam piores que o seu silêncio."
(Desconhecido)

Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera."
(Desconhecido)

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
(William Shakespeare)

"É muito fácil ser pedra, o difícil é ser vidraça".


(Enviadas por Leudo Santana)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

JOSÉ LINS DE ALBUQUERQUE


A retina da História se rejuvenesce com o andar do tempo: quanto mais distante dos fatos, mais nítido se torna o papel de determinados protagonistas. A imagem de algumas figuras, às vezes, permanece por longos períodos sob a distorção da caricatura ou da rotulação ideológica, envolta no véu da fantasia ou distinguida pela etiqueta coletiva da mitologia.

O jornalista Laurentino Gomes se dedicou ultimamente à confecção de uma trilogia em que explica as bases do Brasil atual a partir da chegada da Família Real, do processo de Independência e da proclamação da República. No livro 1822, ele revela a verdadeira imagem de José Bonifácio de Andrada e Silva. Diferentemente daquele cidadão carrancudo que conheci na escola primária, José Bonifácio foi um dos homens mais cultos do seu tempo. Boa praça, era uma figura sedutora, amante da sabedoria, que exalava poesia e apreciava a alegria. Sob o impulso de convicções grandiosas, rabiscou uma agenda avançadíssima para o seu tempo. “Defendia o fim do tráfico negreiro e a abolição da escravatura, reforma agrária pela distribuição de terras improdutivas e o estímulo à agricultura familiar, tolerância política e religiosa, educação para todos, proteção das florestas e tratamento respeitoso aos índios”.

Neste ano em que a cidade de Crateús acende a vela comemorativa do centenário, há um movimento espontâneo de semeadores das palavras no sentido de reposicionar ou trazer às luzes da ribalta o verdadeiro papel de alguns dos nossos conterrâneos. Trata-se de uma inflexão vital, sem lamentar perdidas ilusões, mas na clara certeza de que o ideal que sempre nos acalentou pode renascer em outros corações.

Nessa honrosa galeria há que se inserir o nome de José Lins de Albuquerque, um ser constelado que conserva a invariável expertise de bafejar com o incenso da competência os espaços por onde passa.

Nasceu aos 06 de agosto de 1920, nove anos após Crateús ter sido elevada à categoria de cidade. Como outros ícones da messe pública brasileira, poliu a mente e a alma nas montanhas das Minas Gerais. Certamente nas Alterosas apurou a visão aguçada, sedimentou o estilo sóbrio, fiou o jeito silencioso e disciplinou-se no rigor técnico. De Ouro Preto saiu como um diamante lapidado. Atuou, no final dos anos quarenta, como Engenheiro da Companhia de Força e Luz de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

No entanto, excelsas missões o aguardavam no Ceará. Aqui retorna para acionar com todo vigor o dínamo humanista. Falava com desenvoltura o Esperanto - ‘aquele que tem esperança’ - a língua planejada mais vastamente falada e bem sucedida do mundo. (Criada pelo polonês Zamenhof, tem 28 letras, morfologia aglutinante e é articulada atualmente por mais de três milhões de pessoas). Esperantista fervoroso, José Lins funda o Ceará Esperanto-Klubo, que em menos de um ano já possuía quase uma centena de sócios efetivos e mais de uma centena de sócios contribuintes. Tempos depois, assumiria a Presidência da Liga Brasileira de Esperanto.

Em 1952, a irresistível linguagem do amor o arrebatou pelas mãos de Maria Nise Studart Lins. (O casal viveu em comunhão espiritual e cumplicidade amorosa até a partida dela para a Casa do Pai em 2010).

Embalado pela excelência do lavor, desenvolvido como diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Ceará, cunhou um dos mais portentosos fólios curriculares contemporâneos: secretário de Viação e Obras, Minas e Energia do Ceará, entre 1963 e 1965, e no governo seguinte, Secretário de Planejamento do Estado. Em 1968, superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Maranhão (SUDEMA); em 1969, diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). De 1974 a 1978, superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE – quando viabilizou a construção do Açude Realejo, a maior obra hídrica da época. Senador da República de 1979 a 1986 e Deputado Federal Constituinte de 1987 a 1991. Homem de posições equilibradas, no Congresso Nacional teve atuação destacada. Foi um dos articuladores do Centro Democrático (Centrão), tendo sido escolhido para relator do anteprojeto de constituição elaborado por esse grupo.

Pai de oito filhos, com 22 netos e dois bisnetos, o nonagenário engenheiro, professor, poeta, contista e memorialista mergulhou nas águas plácidas da aposentadoria com a dignidade de um varão romano, dedicando-se ao culto da família e às delícias do espírito, escrevendo Contos Verdadeiros e Versos de Muito Amor & Outras Poesias.

No momento em que o País sofre as agruras de uma governança contaminada por desvios éticos, ocasionados em boa parte pelo desvão do loteamento politiqueiro, a vida de José Lins é uma placa indicativa do caminho alternativo: a refundação do Estado a partir da valorização da excelência técnica, da formação dos quadros de carreira permanente e do resgate da meritocracia!

(Por Júnior Bonfim, na Revista GENTE DE AÇÃO e no Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

OBSERVATÓRIO



Ouvi de um palestrante outro dia que, durante uma excursão da seleção brasileira pela Itália, Garrincha, na companhia dos demais jogadores, resolveu visitar o famoso Coliseu de Roma. Muito já tinha ouvido falar do monumento histórico, que ficou curioso. Ao chegar ao local, ficou estarrecido. Olhou bem, visitou, tirou fotos e, quando não se aguentava mais, exclamou para um colega mais "erudito": - Não entendo porque o povo daqui e os turistas falam tanto desse tal Coliseu. Está velho, caindo aos pedaços, precisando de uma bela reforma e, além do mais, é muito menor que o Maracanã!...

O PONTO DE VISTA

Virou consenso entre os que esgrimam na arena do debate de que “todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto”. Cada um vê as coisas tendo como base o lugar em que se encontra ou o conjunto conceitual que construiu. Enquanto que, para muita gente, o Coliseu sempre foi o símbolo maior do Império Romano, para Garrincha não passou de um monte de ruínas, inferior ao Maracanã. É assim. Alguém pode considerar que as molduras analíticas que desenho nesta Coluna são impróprias, descabidas ou equivocadas. Entendo e respeito quem assim pense. Não erigi o portal da razão. Nunca exibi o amuleto da perfeição. Realizo um modesto esforço em prol da superação. Ressalto, por oportuno, que as críticas aqui pontuadas deitam raízes nos balseiros da intimidade. Não as faço por impulso de rancor ou sob a jactância do ressentimento. Faço-as por amor, nobre sentimento. Por isso, sigo tranquilamente este caminho.

PLANEJAR

Semana passada, em Brasília, tive o prazer de bater um papo com José Lins de Albuquerque (vide crônica). Nonagenário, José Lins ainda cumpre o ritual de um homem na flor da idade. Esbelto e sereno, diariamente se dirige de casa para o trabalho. Foi um destacado homem público em âmbito regional e nacional. O mais importante: pisou todos os degraus do progresso pessoal mercê do mérito, do preparo técnico, da fulgurante competência. Virgílio Távora identificou seu talento na Universidade. Aliás, Virgílio e Tasso – os dois maiores governantes cearenses do século passado – tinham muita coisa em comum. Ambos priorizaram o planejamento (Virgílio, o PLAMEG – Plano de Metas Governamentais, planejamento estratégico de vanguarda para a época; Tasso, o Plano das Mudanças - conjunto de medidas político-econômicas que trouxeram grandes transformações na economia e na sociedade cearenses). A essa altura, alguém pode indagar: e o que é que isso tem a ver com Crateús? Tudo.

PLANEJAR II

Uma das razões dos nossos problemas crônicos, que invariavelmente se repetem a cada gestão, é a ausência de planejamento. Em decorrência disso, amargamos alterações cíclicas conforme o humor do governante de plantão. Questões elementares, como o desequilíbrio entre receita e despesa, rebentam a cada novo governo. Nos últimos anos, registrou-se o maior aumento de arrecadação da história municipal. Mesmo assim, continuamos convivendo com reclamação de fornecedores e prestadores de serviço em função de atraso nos pagamentos. Noutro giro, e também em decorrência da ausência de um rumo planejado, a cidade tem ficado, via de regra, ao sabor daquilo que os estudiosos chamam de “intervenção de oportunidade”. Dado o volume de investimentos federais e estaduais, sempre surge uma oportunidade de conseguir verba aqui, outra ali, e corre-se atrás. (Registre-se: a cidade foi beneficiada com muitos investimentos). Nada, porém, é feito em sintonia com um plano diretor elaborado pela própria urbe.

RELAÇÃO EXECUTIVO X LEGISLATIVO

Outro desafio diz respeito às bases sobre as quais se assenta o relacionamento Prefeitura e Câmara. Aliás, essa questão hoje perpassa todos os níveis de governo: municipal, estadual e federal. Criou-se uma cultura no Brasil de que um governante não pode viver sem maioria no Legislativo. E, em nome de um instituto chamado ‘governabilidade’, criou-se um relacionamento pouco sadio - muitas vezes promíscuo e alimentado pela chantagem – entre Executivo e Legislativo. Para ter maioria no Legislativo, sacrifica-se o bom planejamento, a nomeação das pessoas mais qualificadas para os cargos de confiança e, até, o concurso público para o quadro permanente (supõe-se que rende mais votos indicar um temporário do que cumprir a regra constitucional do concurso).

O PATRIMONIALISMO

Conseqüência natural dessa postura é a de que a coisa pública passa a ser tratada como se fosse patrimônio de quem está à frente da gestão. É o chamado patrimonialismo, que gera o uso da máquina em favor de interesses pessoais ou grupais. Na eleição passada, a exemplo de outras antes ocorridas, o peso da Prefeitura foi usado em favor das candidaturas oficiais. Nada diferente do que sempre foi feito. Mas, também por isso, aumentou-se o déficit do tesouro municipal. Algumas Secretarias estão mais sacrificadas. A bola da vez é a Saúde. O Secretário não agüentou. Deixou a pasta. Nada dispomos para fazer um juízo mais abalizado sobre o caso. No entanto, há uma certeza: Diego é mais uma vítima de um sistema! Sistema baseado na inversão de valores, em que a ansiedade supera a serenidade, o temporário se sobrepõe ao permanente, a futrica pessoal reina sobre a justeza do ideal.

O FUTURO

Esse tempo, porém, é de purgação. Nada deve nos abater. Jamais devemos nos render ao desânimo. Aclarar esses problemas, responsáveis pelo desassossego atual, é necessário para que nos preparemos para um melhor futuro. Cada cidadão é co-responsável pela cidade que tem, a partir dos próprios representantes que elege. O exercício da cidadania consiste em oferecermos o nosso quinhão contributivo. Nenhum candidato, por melhor que seja, poderá ser visto como o Profeta Anunciado, o Messias Redentor, o Salvador da Pátria. Sem mistificações, devemos discutir que a aurora sonhada nascerá da intervenção de cada um de nós na definição de um planejamento comprometido, na construção de uma relação sadia e aberta entre os Poderes, no equilíbrio das contas públicas, na implementação de ferramentas efetivas de participação popular e na libertação do jugo da mentira.

PARA REFLETIR

“Não, não tenho um caminho novo, o que tenho de novo é o jeito de caminhar”. (Thiago de Mello)

(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE E DA REVISTA GENTE DE AÇÃO!



É A LEI QUE ESTABELECE: "NÃO EXISTE HIERARQUIA ENTRE ADVOGADOS, MAGISTRADOS E MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO".


Certas verdades necessitam ser sempre ditas, sob pena de perecimento. A inviolabilidade do advogado no exercício da função é norma insculpida no artigo 133 da Constituição Federal. O Conselho Nacional de Justiça, na sessão dessa terça-feira (30/8), reafirmou essa lição.

Decorre da inviolabilidade constitucional que o juiz não pode ameaçar de prisão, muito menos prender, advogado, seja ele privado ou público, ao argumento que a parte por ele representada, seja particular ou autoridade, esteja descumprindo ordem judicial. O advogado não se confunde com o seu cliente, eis uma premissa de altivez profissional.

Ao julgar Pedido de Providência formulado pela União dos Advogados Públicos Federais (Unafe), tendo o Conselho Federal da OAB como interessado em favor do pólo ativo, o CNJ acolheu magistral voto proferido pelo relator Jorge Hélio Chaves de Oliveira (1), decidindo oficiar aos presidentes de tribunais e corregedores solicitando a orientação de juízes no sentido de eximir que seja ameaçado de prisão, menos ainda preso, advogados públicos federais e estaduais para forçar que sejam cumpridas ações judiciais dirigidas a autoridades públicas.

Todos os advogados são invioláveis, submetendo-se à correção disciplinar por sua entidade, a Ordem dos Advogados do Brasil. Tal situação se aplica tanto ao advogado público quanto particular. Em controle concentrado de constitucionalidade, o STF vaticinou: “Impugnação ao parágrafo único do artigo 14 do Código de Processo Civil, na parte em que ressalva ‘os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB’ da imposição de multa por obstrução à Justiça. Discriminação em relação aos advogados vinculados a entes estatais, que estão submetidos a regime estatutário próprio da entidade. Violação ao princípio da isonomia e ao da inviolabilidade no exercício da profissão. Interpretação adequada, para afastar o injustificado discrímen”.

Observa com propriedade, o conselheiro relator no CNJ, “se o STF entende inadequada a aplicação de multa ao advogado, quanto mais a prisão ou ameaça de prisão”. E, mais, “não se pode admitir que advogados públicos sejam punidos com a pena mais grave em vigor neste país — a restrição da liberdade — por desempenharem as funções a eles acometidas por lei, ou seja, pelo exercício de suas atribuições funcionais”.

Sobre a inviolabilidade constitucional do advogado, ou imunidade no exercício da profissão, bem salienta o ministro Celso de Mello, em lapidar julgamento, asseverando se tratar de “garantia destinada a assegurar-lhe o pleno exercício de sua atividade profissional”. Nesse sentido, “o Supremo Tribunal Federal tem proclamado, em reiteradas decisões, que o advogado — ao cumprir o dever de prestar assistência àquele que o constituiu, dispensando-lhe orientação jurídica perante qualquer órgão do Estado — converte, a sua atividade profissional, quando exercida com independência e sem indevidas restrições, em prática inestimável de liberdade”. E, mais, “qualquer que seja a instância de poder perante a qual atue, incumbe, ao advogado, neutralizar os abusos, fazer cessar o arbítrio, exigir respeito ao ordenamento jurídico e velar pela integridade das garantias — legais e constitucionais — outorgadas àquele que lhe confiou a proteção de sua liberdade e de seus direitos”.

Com efeito, “o exercício do poder-dever de questionar, de fiscalizar, de criticar e de buscar a correção de abusos cometidos por órgãos públicos e por agentes e autoridades do Estado, inclusive magistrados, reflete prerrogativa indisponível do advogado, que não pode, por isso mesmo, ser injustamente cerceado na prática legítima de atos que visem a neutralizar situações configuradoras de arbítrio estatal ou de desrespeito aos direitos daquele em cujo favor atua”. E conclui o digno decano do Supremo Tribunal Federal, “o respeito às prerrogativas profissionais do advogado constitui garantia da própria sociedade e das pessoas em geral, porque o Advogado, nesse contexto, desempenha papel essencial na proteção e defesa dos direitos e liberdades fundamentais”.

O julgamento do CNJ acaba por beneficiar e proteger todo e qualquer cidadão, ainda que não advogado, pois ficou assentado, “o juiz não pode restringir a liberdade o exercício de jurisdição cível fora das hipóteses constitucionais de prisão civil. Essa garantia atinge todo cidadão”.

As prerrogativas são exercidas pelos advogados, mas não lhes pertencem. São predicamentos estatuídos para proteger a sociedade que necessita do profissional da defesa para garantir seus direitos.

A alvissareira decisão do CNJ êxito protagonizado pela atuação conjunta da Unafe e da OAB nacional, sob a liderança do presidente Ophir Cavalcante Junior, há de ser celebrada pela advocacia e cidadania brasileiras, pois asseguradora da inviolabilidade do exercício da profissão, fundamental à proteção dos direitos e garantias da sociedade, dos quais o advogado é instrumento. Advogado respeitado significa cidadão valorizado.


Por Marcus Vinicius Furtado Coêlho

"UMA OSTRA QUE NÃO FOI FERIDA NÃO PRODUZ PÉROLAS"


As pérolas são uma ferida curada.

Pérolas são produto da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Quando um grão de areia penetra, as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado, uma linda pérola é formada.

Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada:

a) Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de um amigo?

b) Já foi acusado de ter dito coisas que não disse?

c) Suas idéias já foram rejeitadas?

Então produza uma pérola... cubra suas mágoas e as rejeições sofridas com camadas e camadas de amor.

Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida, não produz pérolas - pois uma pérola é uma ferida cicatrizada.

DESEJO A TODOS OS IRMÃOS UMA EXCELENTE QUINTA-FEIRA!!!


(Mensagem enviada por LEUDO SANTANA)