segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

EU, ANALFABETO EMOCIONAL


Até mais ou menos o ano de 2006 eu era um analfabeto emocional. Diferente do analfabetismo comum onde a pessoa tem consciência de que não sabe escrever, o analfabeto emocional não tem a percepção da sua falta de conhecimento.

O que é então ser um analfabeto emocional? É desconhecer coisas básicas sobre o que são as emoções, como elas funcionam, como influenciam a nossa vida em todas as áreas. O que aprendemos durante a nossa formação escolar diz respeito de forma geral ao intelecto. Aprendemos e desenvolvemos o raciocínio lógico, a memória, a capacidade de aprender conceitos sobre coisas do mundo. O analfabeto emocional investe apenas no aumento da sua capacidade intelectual pois pensa que isso é o mais importante.

Esse aprendizado é bastante útil, entretanto fica faltando algo vital, que entendo como mais importante e que irá influenciar nossa vida de uma forma muito mais profunda do que o aprendizado intelectual. O que acaba ocorrendo é que formamos seres humanos dotados de uma grande capacidade intelectual mas que não conseguem criar uma vida feliz, em paz, próspera e saudável. Pior ainda, um intelecto muito desenvolvido sem a parte emocional em equilíbrio tem uma capacidade enorme de criar sofrimento para si próprio e para os outros.

Tive uma boa educação e sempre fui considerado uma pessoa inteligente. Entretanto, minha vida profissional se tornou um caos, a ansiedade me consumia e eu vivia uma vida cada vez mais infeliz. Se eu era tão inteligente isso não era para acontecer, era o que achava.

A maioria acha que a única coisa que podemos fazer para ajudar um ser humano a ser feliz e bem sucedido na vida é dar uma boa educação formal e uma boa educação caseira. A educação que temos em casa, mesmo com as melhores das intenções, é fortemente contaminada pela negatividade dos nossos pais que eles acabam nos passando de forma inconsciente.

São essas as ferramentas que damos as crianças até que completem sua formação. A partir daí temos então a ilusão de que a pessoa tem toda a base que interessa e assim ela terá condições seguir na vida de forma satisfatória. Se ela não consegue o resultado esperado não compreendemos a razão. Afinal de contas, ela não teve tudo o que foi necessário?

Apesar de ter tido uma boa educação e ter um nível razoável de inteligência, eu desconhecia completamente sobre os aspectos emocionais, e o quanto essa área em desequilíbrio sabotava a minha vida em diversos sentidos. Talvez eu tivesse uma leve noção sobre essa influência, mas eu pensava que ela era mínima, era uma noção muito superficial. Eu achava que se eu raciocinasse sobre os problemas, se eu estudasse mais e tomasse as atitudes que me parecessem mais lógicas, eu encontraria as soluções. Era nisso que eu investia. Só que as minhas ações e escolhas eram totalmente influenciadas pelo estado emocional, inconscientemente, e eu não tinha a menor idéia disso. A escolha da profissão, dos relacionamentos e as atitudes tomadas no dia a dia eram mais reflexo do meu estado emocional interior do que da minha inteligência intelectual.

A forma como eu lidava com a vida, de uma forma sutil e inconsciente, levava a mais e mais resultados negativos. Eu não percebia os erros que eu cometia. Tudo o que eu sabia é que as coisas davam errado e mais sofrimento surgia. E as razões por trás de tudo isso? Eu nem sabia que haviam razões. Parecia acaso, má sorte, qualquer coisa, só não parecia que tinha uma explicação tão óbvia e clara como eu consigo enxergar hoje.

Depois de muito sofrimento e de não entender o porque tudo dava tão errado, percebi que somente estudar e ser inteligente não era o suficiente. Despertou então o interesse pelo autoconhecimento. Comecei então um lento e gradual processo de alfabetização emocional.

Durante esse aprendizado foi ficando cada vez mais claro pra mim o quanto as crenças que eu carregava, e os problemas de autoestima (muitos que eu nem sabia que tinha) estavam criando resultados negativos na minha vida. Somente a inteligência intelectual jamais seria capaz de me levar a bons resultados. Pela primeira vez eu comecei a entender profundamente que eu era o criador de tudo aquilo e que precisa curar muitas coisas dentro de mim para que a minha vida mudasse. E foi o que aconteceu. Passando por diversos processos terapêuticos, lendo livros, textos na internet, vídeos, meditação e outras coisas, o interior foi mudando e o resultado foi aparecendo em todas as áreas: melhora da saúde física, dos relacionamentos, da parte profissional, diminuição da ansiedade e etc.

O analfabeto emocional não tem uma consciência profunda de que quando a sua vida não está indo bem e ele está infeliz, ele é a única pessoa que pode mudar a situação e que somente curando o seu interior sua vida vai mudar. Ele normalmente vai achar que são fatores externos a ele são os principais responsáveis pela sua infelicidade: seu pais, seu sócio, sua mulher, o Brasil, a cultura da cidade, o governo. Na sua lógica inconsciente, são esse fatores que precisam mudar para que ele seja feliz. Ele mesmo gerou muito sofrimento para si mesmo e não percebe. Não criou de forma proposital, mas sim inconscientemente. Mesmo assim, ele é o responsável.

O analfabeto emocional também não sabe que ele cria suas doenças físicas a partir de sentimentos negativos que vão se acumulando dentro de si. Toda emoção negativa é produzida quimicamente pelo nosso corpo e afeta a nossa fisiologia gerando: tensão nos músculos, alteração do hormônios, mudança do PH sanguíneo. Sentimentos vão ficando guardados dentro de nós e se somando até que começam a provocar reflexos mais visíveis na parte fisica: diabetes, pressão alta, câncer, doenças de pele, alergias, doenças cardíacas e etc.

É muito provável que a pessoa desenvolvida intelectualmente, mas analfabeta emocionalmente fique com raiva de mim ao ler esse texto. Pois ela tem certeza de que as doenças são causas por fatores externos, e que se sua vida mal em outras áreas, a maior causa está em coisas fora do seu interior e que ela não tem como mudar. Seu ego defenderá a posição da vítima. É uma posição que gera muito sofrimento e não permite que a pessoa mude, mas é o que ela está acostumada a ser.

Para o analfabeto emocional, terapia, auto conhecimento, auto ajuda, é bobagem. Coisa para pessoas problemáticas, dramáticas ou pouco inteligentes.

Seria muito bom que aprendêssemos desde criança a perceber nossos sentimentos negativos. Saber o que é raiva, o medo, a culpa, a frustração. Perceber a manifestação física dessas emoções. Sim, toda emoção quando surge provoca um desconforto no corpo, é a sua quimica afetando a fisiologia. Deveríamos aprender como os sentimentos negativos sabotam a nossa vida de forma inconsciente, influenciando nossas ações e escolha. Poderíamos aprender na escola sobre crenças limitantes, quais são e como elas nos prejudicam. Se aprendêssemos a detectar aspectos da autoestima baixa, jogos de manipulação familiar, padrões negativos que se repetem, teríamos muito mais condições de nos libertamos dessa negatividade. Mas nossos pais e professores também são analfabetos emocionais, eles não sabem lidar com nada disso. Normalmente só vamos aprender na idade adulta, depois de muito sofrimento, buscando professores nessa áreas através de livros, palestras, vídeos e terapeutas.

Bem, é isso. Fica aí um alerta para não deixarmos cuidar desse aspecto que é determinante para a criação de uma vida plena.

(André Lima)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

MAIS MANIFESTAÇÕES DE SOLIDARIEDADE À FAMÍLIA DO HARLEY


Crateús perdeu um grande filho que fazia da arte circense sua vida... Seu talendo era nato, tinha o dom de fazer-nos sorrir... Quantos de nós, muitas vezes com algum problema pessoal íamos assistir suas apresentações e voltávamos de coração aberto e aliviado... de baixo de uma lona toda remendada e com o uso de parafernálias fazia adultos sorriem com a mesma magia do sorriso puro de uma criança...

Infelizmente Crateús não teve tempo de agradecer pela alegria que proporcionou a cada um de nós em tantos momentos...

Adeus Harley, vá em paz! Tenho certeza que continuará fazendo graça no plano superior...

À família deste ilustre crateuense, deixo meus sentimentos e solidariedade por irreparável perca.

PROFº. LUCYANO RODRIGUES .'. E FAMÍLIA.


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Expresso aqui minha tristeza, minha revolta e dor.

Tive o prazer de residir com Harley e sua família em Crateús, onde fui para estudar.

Harley e sua irmã Luana eram crianças adoráveis. Guardo dessa família maravilhosa, lindas recordações de um tempo bom. Peço à Deus que leve consolo à D. Neide, Sr.Luis, Luana e os filhos de Harley.

Saibam que esse sentimento de revolta é compartilhado por muitas pessoas, que oram para que ele se transforme em saudades... saudades daquelas que a gente gosta de sentir.

Precisamos entender que, onde quer que Harley esteja nesse momento, ele quer nos ver felizes, como sempre quis enquanto esteve conosco.

Queridos, que Deus em sua infinita bondade e misericórdia possa lhes aquietar o coração e lhes enviar muitas bênçãos.

Que Maria, exemplo de mãe, juntamente com seus anjos, embale todos vocês com uma linda canção, lhes envolvendo com paz, muita paz e serenidade. Amém!

Os artistas não morrem jamais!

Zenite Gomes Vieira


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e´tempos bons que não voltam mais era ele no circo retalho sempre esbanjando alegria se estava triste transmitir a alegria devolvia sua felicidade halley halley palhaço caramelada será eternamente lembrado pela irreverencia pelos bordões inesqueciveis e pela alegria que so´o coração do palhaço sabe melhor do que ninguem como levar levando a alegria ele noa fazia viajar no mundo da fantasia do mundo magico do circo este circo incrivel diferente não por ser quadrado mas pelo conteudo das suas atrações nacionais e internacionais como ele mesmo costumava dizer na abertura dos espetaculos brincadeiras a parte com crianças palhaçadas e muita alegria vou levar para sempre no coração este cara fantastico que me acolheu e me transformou num filho dele como me chamava sempre era alegria demais entravamos em cena e o mundo se transformava a nossa volta eu let the sunshine sunchine halley filho marquin era so´alegria espero que a sua familia supere esta perda inesperada pois ele era so´alegria que descançe em paz

Eduardo junior

LIVRO CONTA A HISTÓRIA DE CRATEÚS


De autoria da Academia de Letras do Município, a publicação reúne contos, artigos e poemas a respeito da cidade

Crateús Em 404 páginas - a Academia de Letras de Crateús (ALC) presenteia a cidade por ocasião de seu centenário, comemorado em 15 de novembro de 2011, com o livro "Crateús: 100 anos". A obra, escrita a muitas mãos - pelos 30 membros da ALC - conta a história dessa cidade centenária com um diferencial das obras dessa envergadura: o fato de relatar a história de forma não cronológica. Por meio de artigos, contos, memórias e poesias, o leitor pode abrir o livro em qualquer página, seja no início, meio ou fim, e terá a oportunidade de conhecer a história de Crateús, contada pelos acadêmicos, que fizeram sua escolha literária de acordo com a sua identificação e estilo. Nos próximos meses, a obra será lançada em Fortaleza e Brasília.

"São enfocados fatos que, por si, contam a história. Elegemos os marcos importantes, após inúmeras reuniões e cada acadêmico escolheu sua opção e forma para contribuir com a obra. Foi realmente uma construção coletiva", explica Karla Gomes, secretária da Academia.

Apesar de ser definido como um presente para a cidade, de acordo com a própria ALC, o livro não se prende somente às comemorações do centenário. A publicação servirá de guia de consulta para as próximas gerações. "Trata-se de um trabalho de conotação histórica. Sua publicação e leitura não se prendem tão somente às comemorações do Centenário de Crateús", expressa o escritor e membro da ALC, padre Geraldinho.

Elias de França, presidente da entidade, ressalta o caráter histórico e memorialista do livro, além da visão da ALC em reconhecer a importância de registrar a data e os fatos para a posteridade. "A ALC, por seu turno, desde o início se mostrou desperta para uma passagem de centenário que não se encerrasse no dia 15 de novembro e nem no Revéillon 2012".

A dificuldade de obter informações sobre a história do Município é analisada pela ALC, que destaca o déficit de conhecimento histórico-antropológico acerca de Crateús. Alguns membros foram às cidades de Oeiras e Teresina, no Piauí, em busca de fontes e vestígios. Encontraram poucos e envelhecidos registros cartoriais e administrativos da Vila Príncipe Imperial, antiga denominação de Crateús.

"O nosso Município centenário é estabelecido às margens do Rio Poti, cujo vale já pertenceu ao Estado do Piauí, desde a nascente, na Serra da Joaninha, até o alto da Chapada da Ibiapaba, transferido para o Estado do Ceará, em troca de área litorânea do porto de Amarração, mudança que deu causa a um secular litígio entre as duas federações envolvidas, com muitas consequências, especialmente para os moradores das áreas disputadas. As memórias socioculturais de sua composição demográfica anterior e seus respectivos hábitos e costumes, naturalmente, foram ficando no esquecimento, em face da ação histórica dos novos ocupantes e seu fluxo de relações", frisa o presidente.

Por essas questões, a ALC define a obra como "um grande mosaico de visões e impressões sobre a história do nosso povo, montado sob olhares e estilos literários os mais diversos", de acordo com França.

Capítulos

Dividido em quatro capítulos, a publicação traz das origens da cidade às expectativas de futuro, passando pelo enfoque do centenário. No primeiro capítulo, aborda as nascentes geográficas dos Sertões de Crateús, bem como o vale do Rio Poti e seus primeiros moradores. O segundo capítulo enfoca Crateús já em sua condição de cidade. Mostra os distritos, terras, direito e justiça, além de bases religiosas. O terceiro capítulo é dedicado à cultura, patrimônio e educação, destacando os escribas da terrinha, manifestações folclóricas, politização e ensino superior.

No último capítulo, são apontados os marcos históricos dos 100 anos de Crateús: a chegada do trem, passagem da Coluna Prestes, a prisão da santa, a chegada do Batalhão de Construção, a Igreja Popular de dom Fragoso e outros fatos marcantes.

Silvania Claudino
Repórter

(na edição de hoje do Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

AINDA SOBRE O HARLEY

Caro Junior,
através de seu blog, quero transmitir à familia do Harley, em especial a Neide e Luiz, meus sinceros pêsames pela terrível tragédia que tirou a vida de alguém que só queria fazer os outros felizes.

Que a Justiça seja feita e puna merecidamente os assassinos.

Abraços,

Sergio Moraes e família



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Bem próximo... sou amigo de Haline e conheço Sunshine, 2 dos 8 filhos do artista da minha terra Cratéus que me deixa na memória sorrisos e invencionices fora do comum.
Lembro do palhaço-pessoa... recordo muito bem das bicicletas retorcidas e altas que ele pedalava orgulhoso, imponente, consciente de que sua ousadia era única nas ruas da pacata cidade.

Adoçava com sorriso e brincadeira quem estava nas ruas e na Praça dos Pirulitos.

O palhaço tinha cara melada, também por vezes desprezada... como a de todos artistas do circo.

Controverso, escolheu sorrir como meio para viver. Abdicou do que não lhe faria feliz. Despojou o viver.

Juntou retalhos e destes fez um circo.

Dos retalhos fez história...

Dessa história, fica o amor ao sorriso =D


Em 2011 o artista Harley Melo Crateuense conquistou o prêmio Funarte "Carequinha" de Estímulo ao Circo do Ministério da Cultura. Premiação concedida aos grandes artistas circenses do Brasil, e com reconhecimento pela escola tradicional do circo.

Rafael Motafer


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Nossa Felicidade, Papai, Era Te Ver Sorrir, Pois Teu Sorriso Nos Faz Sorrir.

Estamos sem palavras, sem noção de tamanha pervesiidade com um simples criança de 53 aninhos.

Meu Pai. Minha Felicidade, ou seja, nossa felicidade. No meu peito só me resta saudade de tudo aquilo que me lembra você meu Herói, Meu Rei, Meu Pai, Minha Alegria.

"Papai: Só sabe quem sente a dor da perca de um pai.

Papai, te amo, papai, te adoro*
Vou te dar muiito orgulho.
Te amamos".

Sua Filha

Lana Melo

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Estamos todos de luto pois esse homem fez a alegria de muita gente durante gerações,ainda lembro o circo que a anos atas ficava no campo do cruzeiro,hoje Caic,eternas saudades.

Marcela Batista

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Crateús está de luto pois perde-se uma pessoa muito querida que vivia para trazer felicidades aos outros, deixa-nos com a alma pesada e triste por não poder lhe dar o nosso muito obrigado enquanto era vivo, mas deixa sua obra para aqueles que um dia como eu no campo do cruzeiro(hoje CAIC)nos trouxe o sorriso verdadeiro...descanse em paz.

Marcela Sánchez

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SONHOS DE UM PALHAÇO

IMPEDIRAM O PALHAÇO HARLEY DE FAZER GRAÇA AQUI NA TERRA


Um homicídio foi registrado no início da tarde desta quinta-feira, 03, na Localidade de Lagoa de Pedra, no Distrito de Carrapateiras em Tauá. Por volta das 13h, o palhaço e proprietário do Circo Retalho Show Circus, Francisco Harley Araújo Melo, 53 anos, residente no Bairro Cohab, em Crateús, foi agredido a socos, pontapés e chicotadas e em seguida lesionado a golpe de faca, na estrada que liga a Vila de Poço da Onça à Mutuca. A vítima andava em companhia do filho de nome Netinho, que só não foi morto porque ajoelhou-se aos pés dos assassinos, identificados pelos nomes de Luis Luzimar Cavalcante de Araújo e Luis Wlendresson Alves Araújo, pai e filho, respectivamente, residentes na Localidade de Lagoa de Pedra.

O motivo do crime pode ter sido o furto de um cachorro pertencente à vítima. O circo passou alguns dias na Localidade de Poço da Onça, onde animal desapareceu. Ao passar próximo à residência dos acusados, em direção a Localidade de Iapí-Independência, o palhaço Harley teria comentado em voz alta que ” a casa do ladrão de seu cachorro, era ali”. Uma mulher que estava na calçada da residência, ouviu a conversa e deve ter repassado para os acusados, que pegaram uma moto e saíram em perseguição. As vítimas foram alcançadas e agredidas.

Harley foi socorrido ainda com vida pela equipe do PSF do Carrapateiras, mas não resistiu. Ao chegar no Hospital já estava morto. O corpo foi levado para o IML de Iguatu. Equipes das Polícias, Civil e Militar fizeram várias diligências, mas não conseguiram prender os assassinos.

O sepultamento do proprietário do Circo será às 16h desta sexta-feira, 03, no Cemitério São Miguel, em Crateús.

(Fonte: Difusora Tauá)

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MULTIDÃO SE DESPEDIU DO PALHAÇO DO POVO


Por todo o dia, já que o corpo do palhaço Harley chegou por volta das 12:45, houve uma intensa movimentação na residencia de seus pais, que ainda não acreditavam no que tinha acontecido. "Calou-se a alegria", assim falou a mãe do artista, que esteve em uma vista há alguns dias atras na casa da mãe.

"Ele me deu um beijo na testa e saiu, depois voltou de novo para me dar outro beijo, um filho amado" - disse a mãe do Palhaço Harley.

Uma despedida emocionante e merecida ao grande Palhaço Caramelada.

Uma multidão de pessoas ocupou a Rua Carlos Rolim, “o Beco do Velho Leônidas”. Todos seus 8 filhos, em prantos inconsoláveis, sucumbiam à mais profunda tristeza entre todos que seguiam o cortejo fúnebre.

O palhaço Lengo Lengo (Let the Sunshine) prestou sua homenagem, a essência da estrela do artista. O fim de mais um espetáculo e as palmas exaltaram sobre a jazida.

O cemitério ficou pequeno para tanta emoção.

(Do site http://www.crateusnoticias.com.br)


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Conheci o Harley.

Era um palhaço por vocação, amor e paixão.

Poderia ter seguido uma carreira que o cobrisse com os tesouros deste mundo.

Optou por seguir a vereda da alma, a trilha do coração, o pedregoso porém florido caminho do convite interior.

Viveu feliz com a felicidade dos outros. Distribui sorriso. Amou o despojamento.

Erguia a cada dia, com lona antiga e novos cacarecos, um templo à alegria de viver, que ele chamava de circo.


Júnior Bonfim
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Harley era um menino grande, assim minha mãe falava sobre ele, que desde criança já sonhava em ser palhaço.

Com certeza o grande sonho de criança, ele realizou intensamente, enquanto tantas pessoas passam a vida buscando sonhos impossíveis.

É linda a história desse palhaço, que se confunde com nossos sonhos de criança. Que Harley seja recebido por anjos cantarolando, todos de cara pintada de palhaço.

Deus sempre tem um propósito para cada um de nós, seja nesse plano, ou do outro lado. Chegou o momento de uma nova etapa na existência de Harley. Que ele seja abençoado e receba todas as orações com à alegria que sempre esbanjou.

Pena que não podemos sorrir para ti neste momento, pois a tristeza é grande demais. Luz para vc, palhaço Marmelada.


Eliete Gomes

CHORANDO E CANTANDO - PELA VOZ DE ELBA

Já que Fevereiro chegou...

ANDANDO PELO SERTÃO


Eu voltei ao Ceará
Fui rever o meu rincão.
Passeei pelas caatingas
Pisei com gosto em meu chão
Coloquei o meu chapéu
O sol ardia no céu
No calor do meu sertão
*
Subi no pé de caju
Como fazia em menina.
Peguei no pé de angico
Um pouquinho de resina
Abracei carnaubeira
A conhecida palmeira
Desta terra alencarina.
*
No caneco de alumínio
Água de pote bebi.
Tinha pedras no caminho
Em cima duma subi
Fiz uma farra danada
Andando pela estrada
Da terra em que eu nasci.
*
O tempo passou bem rápido,
Achei que passou ligeiro,
Pois já estou novamente
É no Rio de Janeiro!
Terra de são Sebastião
Distante do meu sertão
Ô destino aventureiro!

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Dalinha Catunda

STF VOTA PELA INDEPENDÊNCIA DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ)


Por seis votos a cinco, ontem quinta-feira (02), o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou referendo à liminar parcialmente concedida em dezembro passado pelo ministro Marco Aurélio, que suspendeu a vigência do artigo 12 da Resolução 135 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que atribui ao Conselho competência originária e concorrente com os Tribunais de todo o país para instaurar processos administrativo-disciplinares contra magistrados.

A decisão foi tomada no julgamento do referendo à liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4638, ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) contra a mencionada Resolução, e iniciado nesta quarta-feira (1º) pela Suprema Corte. Na decisão quanto a esse ponto questionado na ADI, prevaleceu o entendimento segundo o qual o Conselho, ao editar a resolução, agiu dentro das competências conferidas a este órgão pelo artigo 103-B, parágrafo 4º, da Constituição Federal (CF).

Impugnação
A cabeça do artigo 12 da Resolução 135 dispõe que “para os processos administrativos disciplinares e para a aplicação de quaisquer penalidades previstas em lei, é competente o Tribunal a que pertença ou esteja subordinado o magistrado, sem prejuízo da atuação do Conselho Nacional de Justiça”.

A AMB se insurge contra a ressalva “sem prejuízo da atuação do Conselho Nacional de Justiça” que, em seu entendimento, abre a possibilidade de o CNJ atuar originariamente em processos administrativo-disciplinares no âmbito dos tribunais, ou agindo concomitantemente com eles.

Decisão
Entretanto, na decisão de ontem do Plenário, prevaleceu a opinião da maioria dos ministros no sentido de que o CNJ tem, constitucionalmente, competência originária (primária) e concorrente com os tribunais, na sua incumbência de zelar pela autonomia e pelo bom funcionamento do Poder Judiciário.

Foram mencionados exemplos, sobretudo, de tribunais de justiça, cujas corregedorias teriam dificuldade para atuar disciplinarmente, sobretudo em relação aos desembargadores e a determinados juízes. “Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam quando se cuida de investigar os próprios pares”, afirmou o ministro Gilmar Mendes, integrante da corrente majoritária.

Ele lembrou que a Emenda Constitucional (EC) 45/2004 foi editada justamente para suprir essa e outras dificuldades, criando um órgão nacional, isento, para zelar pelo Judiciário de uma forma uniforme em todo o país.

Justificativa
Os cinco ministros que referendaram a liminar concedida parcialmente em dezembro pelo relator da ADI, ministro Marco Aurélio, suspendendo dispositivos da Resolução 135, não se manifestaram contra o poder do CNJ de agir e investigar, quando detectar situações anômalas nos tribunais. Entendem, entretanto que, ao fazê-lo, somente em tais casos, deve justificar essa intervenção.

Já a corrente majoritária entendeu que a competência outorgada pela CF ao Conselho é autoaplicável e que justificar sua atuação em caráter originário nos tribunais teria como consequência a impugnação de tal ato e, por conseguinte, poderia resultar na ineficiência de sua atuação.

O ministro Gilmar Mendes advertiu para o risco de se criar insegurança jurídica, se a liminar fosse referendada nesse ponto. Segundo ele, isso poderia inviabilizar boa parte da atuação do CNJ em termos administrativo-disciplinares.

Por seu turno, o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, entende que abrir a possibilidade de o CNJ atuar sem prévia motivação nos tribunais pode desmotivar a atuação das corregedorias, deixando questões disciplinares “nas mãos do CNJ”.

Votos
Votaram pelo referendo da liminar em relação ao artigo 12 o próprio relator, ministro Marco Aurélio, e os ministros Ricardo Lewandowski, Cezar Peluso, Luiz Fux e Celso de Mello. Divergiram, formando a corrente vencedora que negou o referendo à liminar, os ministros Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ayres Britto, Rosa Weber, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

(Fonte: STF)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MEMÓRIA FLUVIAL



(Ao rio da Dona Delite)


Refletia tanta água
no sábio facho de luz,
por onde seu riso lacrimal
e ríspido, fluía obsequioso.

E se alagava, pelos baixios,
lívida num liquido rosto,
imagem a se perder de vista
grudada nas águas do poço.

Num imprescindível fluir
dissipou-se, gota a gota,
até seu último anseio
pela sedenta calha do rio.

Das águas, antes perenes,
a confluir em magistral dança
só remanesce um jorrar escasso
de uma intermitente lembrança.

Raimundo Candido

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a coluna com uma historinha engraçada da semana. A realidade é, frequentemente, mais interessante/impactante que a ficção.

Cadê meu dente?

Cena hilária: faxineiros pacientes fazendo uma varredura no campo de futebol para ver se encontram... um dente. Um dente? Pois é: foi o que aconteceu. Marcelinho Paraíba perdeu um dente no clássico em que o Sport venceu o Náutico por 4 a 3. Marcelinho prometeu R$ 1 mil a quem achasse seu dente. Piada? Não. Ocorre que o jogador investiu R$ 4 mil naquele dente implantado. Perderia R$ 1 mil, mas livraria R$ 3 mil. Detalhe: Marcelinho deixou de sorrir. O dente, um centroavante, jogava bem na frente da boca do atleta. "Contundido", escondeu-se no gramado após trombada com Siloé, do Náutico. A jogada violenta ocorreu aos 29 minutos do segundo tempo. O goleador ainda não foi encontrado!

Plasmando a criatura

A presidente Dilma Rousseff - é visível - começa a plasmar um governo com a sua cara. Forma "um governo pra chamar de seu". Cumpriu o compromisso com Lula, de segurar alguns perfis durante um ano, e substitui peças no tabuleiro. A decisão mais difícil foi a de tirar o petista Sérgio Gabrielli do comando da Petrobras. A presidente nunca aceitou o flagrante de Gabrielli naquele hotel de Brasília, sendo recebido por José Dirceu. O governador da Bahia, Jaques Wagner, abriu uma vaga no secretariado para abrigar o ex-presidente da Companhia, que começa a vestir o figurino de candidato a governador em 2014. As mudanças na Petrobras, dizem, irão além da ascensão de Maria das Graças Foster à presidência. Deverão abrir arestas em alguns partidos, principalmente o PMDB e o próprio PT.

Outras áreas

Mudanças ocorrerão nos escalões inferiores de toda a estrutura. Além do DNOCS, mudanças ocorrem na Casa da Moeda, no Banco do Brasil (alterações em 13 Diretorias), e em alguns Ministérios. No Ministério das Minas e Energia, as tensões começam a energizar os espíritos.

A nova identidade

A identidade do governo tem como vértice a gestão eficaz. Técnica, focada em resultados, a presidente quer ver uma estrutura mais ágil e comprometida com os parâmetros da gestão moderna. Conta, para essa missão, com a valiosa colaboração de um Grupo de Gestão, coordenado pelo megaempresário Jorge Gerdau, um ícone da revolução de métodos e sistemas administrativos. Dilma parte de uma correta visão: a nova classe média (classe média C) - cerca de 30 milhões de brasileiros - não dispõe de recursos para implantar todos os padrões usados por estratos médios superiores (B e A), devendo, assim, continuar a usar os serviços essenciais do Estado, particularmente nas áreas da Educação e da Saúde. Portanto, exigirá serviços cada vez mais qualificados.

Leitura geral

Atenção para estas questões, hipóteses e inferências. Pela ordem: a) perfil técnico da presidente pode acirrar tensões com o Congresso; b) insatisfação de aliados, nesse momento de alto prestígio da presidente, não gera efeitos de impacto; c) PMDB e PT enfrentam dilema de não terem perfis novos em suas cúpulas; d) Dilma tem forças, hoje, para promover o choque de gestão que a inspira; quanto mais demorar, mais difícil será implantar seu modelo; e) o partido que fizer a maior bancada de prefeitos e vereadores terá melhores condições para eleger o maior número de deputados estaduais e federais em 2014, consequentemente, será parceiro preferencial; f) a campanha paulistana será questão de honra de Lula. Se Haddad ganhar, PT terá condições de esticar projeto de poder. A recíproca é verdadeira.

Negromonte

Quem ficará no lugar do ministro Mário Negromonte (PP)? A presidente enfrenta o desafio de achar um perfil com traços mais técnicos. Não quer fazer apenas a troca de 6 por meia dúzia. Questão é: onde estão os políticos com formação técnica?

PSD E PT juntos?

No final de semana, em conversa com o prefeito Gilberto Kassab, a moldura da política paulistana ficou mais nítida: 1) O PSDB não aceita a indicação do nome do vice-governador Guilherme Afif (PSD) como cabeça de chapa para a prefeitura em eventual aliança com os tucanos. 2) O PT dá demonstrações de topar a indicação do PSD para vice na chapa encabeçada por Fernando Haddad. No caso, o atual secretário de Educação da prefeitura, Alexandre Schneider. 3) Lula é o grande articulador da aliança com o PSD de Kassab, por parte do PT. 4) O PT tem históricos 30% de votos na capital paulista. Somada aos votos do prefeito Kassab, hoje em torno de 15% a 20%, essa votação confere ao candidato Haddad ótimo posicionamento. 5) Kassab espera, mais adiante, ter o apoio do PT para seu projeto político. Esse é o busílis.

Chances de Chalita

O projeto do PMDB para o Estado de São Paulo será ambicioso. O partido quer eleger uns 200 prefeitos. E espera boa performance de Gabriel Chalita, na capital. Chalita tem boa penetração em alguns núcleos, terá bom tempo de rádio e TV, e poderá crescer bem. Na capital, se a campanha for para o 2º turno, descortina-se um cenário entre Haddad, sob o escudo de Lula/PT, e Chalita, sob o abrigo do PMDB e a maioria de outras legendas, que poderão se unir contra o PT. Seria um embate histórico.

O trunfo do PTB

Já o PTB confia na expressão fácil e fluente de seu candidato, Luiz Flávio Borges D'Urso. Que é bastante convincente em debates.

Russomanno cairá

É pouco provável que Celso Russomanno (PRB), hoje com 19% das intenções de voto, segure sua atual posição. Terá mínimo tempo de TV. Será inevitável sua queda.

Netinho de Paula, idem

O mesmo pode ser dito sobre o cantor e vereador Netinho de Paula (PC do B). Ganha a segunda maior rejeição. Tende a cair na campanha.

Que tucano?

Só com muita boa vontade e fechando os olhos, dá para acreditar no triunfo do candidato tucano. Serra desistiu. Aliás, quem será vitorioso nas prévias ? Não dá para fazer previsões. Vou ter de consultar o amigo José Henrique Lobo, que sabe das coisas.

Aécio, ganhando força

Aécio Neves, senador tucano das Minas Gerais, ganha força nas hostes tucanas. Já se ouve abertamente na cúpula do PSDB que será ele o candidato à presidente da República pelo partido em 2014. Há tempos, essa era mera especulação. Hoje, Fernando Henrique, o cacique maior, diz que Aécio será o nome. O presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra, também vai nessa linha. Alckmin, apesar de calado, não teria dúvidas.

Tempo de falar e de calar

"Há tempo de falar e tempo de calar, e quem mede este tempo é a prudência, que é regra prática do nosso obrar". Padre Manuel Bernardes.

Ciro, senador?

Ciro Gomes planeja reingressar na política pela porta mais generosa do Senado. O irmão governador, Cid, quer vê-lo senador no final de 2014.

INA cai

O INA - Indicador de Nível de Atividade da indústria paulista divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) registrou queda de 0,4% em dezembro ante novembro, descontados os efeitos sazonais. Em novembro, o indicador havia caído 0,6% (dado também divulgado ontem pela instituição), após queda de 0,9% em outubro. Na comparação interanual, o INA caiu 5% em dezembro, fechando 2011 com crescimento de 0,6% em relação a 2010. Já o NUCI - Nível de Utilização da Capacidade Instalada em dezembro caiu para 80,9% (ajustando a sazonalidade), ante 81,5% em novembro e 83,4% em dezembro de 2010.

Segurança em jogo

A bola começa a rolar no campo da segurança da Copa 2014. É que ontem, (31/1), representantes de entidades de classe e de sindicatos de empresas de segurança privada, de 12 cidades sedes, fizeram a 1ª reunião com a Gerência Geral de Segurança do Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, no Rio de Janeiro/RJ. "Foi um primeiro encontro nacional com o segmento para discutir o modelo de segurança a ser implantado na Copa das Confederações 2013 e na Copa 2014, alinhar as exigências com os interesses do setor e esclarecer como se dará a contratação das empresas", explica o presidente do Sesvesp - Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo, José Adir Loiola. A intenção é que as empresas privadas atuem na parte interna dos estádios, com vigilantes desarmados.

Beleza em apuros

Explodem bueiros. Um atrás do outro. Caem prédios. Um ao lado do outro. Mortos e feridos. Despencam-se mecanismos de teatro, vitimando atores, atrizes e pessoas da plateia. Buracos por todos os lados. Ruas sem vagas para deficientes e idosos. Rio de Janeiro é uma Beleza em Apuros. Que desolação!

A forca mais alta

"Canuto, Rei dos Vândalos, mandando justiçar uma quadrilha, e pondo um deles embargos de que era parente del-Rei, respondeu: Pois se provar ser nosso parente razão é que lhe façam a forca mais alta." Padre Manuel Bernardes

Pinheirinho e Cracolândia

Comentários a boca pequena: o episódio do Pinheirinho será usado na campanha eleitoral. Contra os tucanos. Que poderão fazer o contraponto: operação na Cracolândia é aprovada por mais de 80% dos paulistanos. A percepção social sobre operações violentas é relativa. Essa é, infelizmente, a constatação. A violência é inadmissível.

Direção das casas

Por acordo com PT, PMDB deverá presidir a Câmara dos Deputados em 2013/2014. Se o PT não cumprir acordo, a parceria se desfaz e o trunfo será paus. No Senado, a tradição é a de que a maior bancada tenha o comando da Casa. Portanto, o PMDB deverá comandar as duas cúpulas. Para a Câmara, o nome do PMDB é o do deputado Henrique Eduardo Alves. Para o Senado, o nome é o do senador Renan Calheiros.

Coisas de Jânio

Historinhas selecionadas pelo jornalista e escritor Nelson Valente. Primeira: o Prefeito Jânio Quadros, em 1987, dava entrevistas para os jornalistas sobre a sua administração (sobre a polêmica dos homossexuais do Teatro Municipal), quando uma jovem jornalista o interrompeu:

- Você é contra os homossexuais? Você vai exonerá-los?

O ex-presidente não gostou de ser tratado de "você" e deu o troco:

- Intimidade gera aborrecimentos e filhos. Com a senhora não quero ter aborrecimentos e, muito menos filhos. Portanto, exijo que me respeite.

Adão

O agricultor Antenor Vieira Borges, residente em Santa Catarina e que mandou ao presidente Jânio Quadros uma maçã de 850 gramas, colhida em sua plantação, recebeu o seguinte bilhete do presidente da República:

"Prezado Antenor:

Abraços. Recebi a maçã de 850 gramas, que você enviou, produto da técnica e das terras catarinenses. Um colosso! Não há Adão que resista a essa fruta".

Colega

O próprio presidente Jânio Quadros, às vezes transmitia seus bilhetinhos para os ministros por meio do aparelho de Telex que mandou instalar em seu gabinete, ligado diretamente com os Ministérios em Brasília e no Rio de Janeiro. Ele mesmo datilografava os "memorandos". Transmitiu ele um bilhete para um ministro e na mesma hora recebeu a seguinte resposta, pelo telex:

"Prezado colega. Não há mais ninguém aqui".

Ao que o presidente respondeu:

"Obrigado, colega. Jânio Quadros".

Do outro lado do fio, porém, o outro não se perturbou:

"De nada. Ás ordens, John Kennedy...".

(Nelson Valente, jornalista e escritor, em seu livro "Jânio Quadros - O Estadista")

Conselho aos líderes e partidos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos ministros do STF. Hoje, sua atenção se volta aos partidos e seus líderes:

1. O momento é de muita tensão. A presidente Dilma Rousseff não admite questionamentos em matéria de trocas ministeriais. Por isso, todo cuidado deve ser tomado para evitar querelas e polêmica.

2. Como ensina o Padre Manuel Bernardes, um clássico da literatura portuguesa, há tempo de falar e há tempo de calar. Passarinho na muda não pia. Fechem o bico nesse momento, senhores líderes e dirigentes partidários.

3. Não adianta insistir com pressões ou contrapressões. Cautela e caldo de galinha, ensinam os mineiros, não fazem mal a ninguém. Se a presidente pedir um nome para algum Ministério ou cargos de segundo escalão, ofereçam três ou mais nomes. Para que não tenham decepção com a rejeição do perfil indicado. E Boa Sorte!

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Estados Unidos: a política em crise

A eleição nos EUA está revestida de substancial simbolismo, não apenas para o Império, mas para todo o mundo civilizado e democrático. Do lado republicano, os dois candidatos têm situação notoriamente inquietante. Newt Gingrich faz um discurso que beira o reacionarismo. Isso para não falar de sua vida privada, recheada de histórias de adultérios e sinais de mau-caratismo. Mitt Romney, por seu turno, faz apologia do livre mercado, o que parece lhe favorecer de forma espetacular: o candidato milionário com seus investimentos no mercado financeiro americano e em paraísos fiscais paga 1/3 dos impostos que o trabalhador médio paga. Do lado democrata, a sustentação de Obama se dará entre os latinos, negros e os mais ricos que crêem em reformas sociais. Todos estas classes são aquelas que o próprio presidente não assistiu em sua primeira administração em função da ausência de coragem para enfrentar Wall Street. O Império tropeça não apenas na economia, mas especialmente na política.

Sarkozy e a sua salvação

O lançamento do plano de estabilização da economia francesa neste fim de semana foi revestido por uma apatia particular. Os franceses viram no plano um político emparedado pelas eleições de poucas semanas à frente. Além disso, o eleitorado está acomodado num padrão de vida no qual o empregado de uma casa não está dando à mínima para o desempregado da casa ao lado. Políticas verdadeiramente republicanas são difíceis de serem implementadas num contexto em que os políticos têm de convencer os súditos sobre perdas e quase nenhum ganho no curto prazo. A aliança com os alemães põe em evidência a crescente fragilidade francesa perante seus pares europeus. Os eleitores não se encantam com nada que veem à direita e esquerda. Querem mesmo é o que se vê no retrovisor. Isso eles não haverão de ter nos próximos longos anos.

Europa: crise amainada e longa

Na Europa, a despeito dos problemas de rolagem da dívida grega, há indicações concretas de que o risco de crédito do sistema financeiro pode ser paulatinamente afastado. O tratamento fiscalista, recomendado pela chanceler alemã Angela Merkel, há de estabilizar as piores expectativas, mesmo que imponha ao Velho Continente uma recuperação da demanda muito lenta e gradual. Ou seja, a estabilização está a ocorrer num patamar elevadíssimo de desemprego e de desesperança social para as classes mais pobres. Os traços de "estadista" da líder alemã estão associados a este deplorável contexto. Uma situação bem diversa de Margaret Thatcher nos anos 1980, quando a "Dama de Ferro" fez um ajuste modernizante em termos de produtividade num contexto de desemprego conjuntural e não estrutural. As feições de enfermeira da Primeira Guerra Mundial de Angela Merkel combinam com o cenário letárgico e sofrido da Europa.

Brasil, coalizão estável?

É "chover no molhado" dizer que vivemos uma situação de estabilidade. De fato, nada parece incomodar a sociedade brasileira de forma dramática neste momento. Todavia, o que importa mesmo e é pouco comentado é o fato de que as políticas públicas emanadas do governo estão calcadas numa coalizão de partidos que instalam célere e profundamente seus interesses particulares dentro do Estado. A corrupção e o desempenho frágil dos resultados em termos de modernização e reformas são os sinais exteriores deste cenário desalentador. Se houve maior mobilidade da renda nos últimos anos, aspecto inegável, de outro lado não existem transformações estruturais e permanentes, tais como na educação, saúde, infraestrutura, tecnologia, etc. A excepcional popularidade da presidente Dilma, que coleta índices de aprovação absoluta ao redor de 50% da população, deve ser analisada sob a perspectiva de que os interesses estão acomodados e estabilizados, mesmo que não exista progresso evidente. Os conflitos mediados pela política engendram o progresso econômico e social. No Brasil de hoje há estagnação nas reformas e, sem pressões sociais organizadas, o cenário de negociatas políticas se espalha.

Abrem-se a cortinas do ano político-eleitoral

O ano político-partidário brasileiro começa para valer a partir desta semana com a reabertura, depois de amanhã, dos trabalhos do Congresso. Registre-se que, do ponto de vista legislativo, será um ano mais curto e menos "produtivo" que 2011, por tratar-se de um ano eleitoral. Os anos eleitorais já são naturalmente capengas no Legislativo e, até mesmo, em parte do Executivo, mas este 2012 deverá ser um pouco mais pois está marcado como prévia decisiva para 2014, tanto pelo governismo quanto pelo oposicionismo. Cada passo terá os dois olhos nas urnas antes de qualquer coisa.

Dilma e os aliados

Para a presidente o ano começa com os aliados insatisfeitos, como sempre com as ameaças de cortes de verbas e com a distribuição de cargos. A mini reforma ministerial em curso e as trocas anunciadas e especuladas no segundo escalão desagradaram gregos, troianos e baianos de um modo geral. E podem desagradar mais ainda os parceiros presidenciais. Especialmente a dupla do barulho PT/PMDB, dois adversários nada cordiais. Mas Dilma, montada em alta avaliação popular, nem tem nada a temer nesses primeiros momentos. O PT arrulha, chora pelos cantos, mas não morde. Aprendeu a ser obediente, até porque sabe que aconteça o que acontecer, ele ainda será o primeiro. Se não por nada, porque tem Lula. Já o PMDB estrebucha, faz ameaças, insinua chantagens, mas é um balofo sem muitas prendas. Não tem para onde correr a não ser para o poder Federal. Dilma, não tem nenhum projeto inadiável no Congresso este ano para ser submetida ao "toma lá dá cá" que marcam essas votações. Para a administração do dia a dia, o Congresso é desnecessário para o Planalto.

Com quem ele está?

De um peemedebista independente, nem governista nem oposicionista, pouco chegado também ao fisiologismo de sua legenda : "A quem realmente serve Temer : ao governo do qual é vice ou ao partido do qual é presidente licenciado ? Não dá para tentar ter dois patrões o tempo inteiro, uma hora o telhado desmonta".

Férias prolongadas

A política volta à ativa. Mas a oposição tudo indica vai prolongar suas férias. De preferência no Exterior. No Brasil, só para brigar entre si.

Dilma, gerência e eficiência

Como saída do nada, começou a pipocar nos meios de comunicação, a partir da primeira reunião ministerial de Dilma, informações sobre as cobranças que a presidente está fazendo a seus auxiliares, as exigências de mais eficiência, reforçando a imagem de "gerentona intransigente" com que sempre foi apresentada aos brasileiros, intolerante com erros, desvios e malfeitos. De fato, há que pôr os auxiliares na linha, uma vez que na prática a imagem de que Dilma é de mandar e não aceitar falhas está ficando comprometida pelo mundo real. Algumas dessas falhas registradas nas últimas semanas :

1. Mais uma vez, no ano passado os investimentos em saneamento básico previstos não foram integralmente cumpridos.

2. O projeto mais vistoso do ex-presidente Lula, a transposição do Rio São Francisco, está tão atrasado a ponto de talvez não ser concluído nem até o fim deste mandado de Dilma, sem contar que vários trechos dados como concluídos precisam ser refeitos.

3. Para cumprir a promessa de inundar o país de creches até 2014 o governo precisará a partir de agora inaugurar cinco creches por dia nas cidades brasileiras.

4. Uma das "meninas dos olhos de Lula e Dilma", a parte de construção de moradias populares no programa Minha Casa, Minha Vida, sete em cada dez contratos não saem do papel como constatou reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo".

Aposte se quiser

Os dados ainda não estão contabilizados, mas o governo Federal investiu no ano passado cerca de R$ 43 bi. Este ano está prevendo gastar em investimentos quase o dobro - R$ 80 bi. E ainda fazer um superávit fiscal robusto, sem subterfúgios e sem prejudicar a política social.

Copa e Olimpíada: sinais exteriores de deterioração

É preciso que prédios tombem no centro da Cidade Maravilhosa para que apareçam, com certa discrição, análises que questionem os caminhos que estão sendo tomados relativamente à Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Falta liderança competente e honesta para tocar tantas obras e a supervisão política de onde estão indo os recursos públicos é, para dizer o mínimo, frouxa. Os problemas de infraestrutura são gigantescos nas principais sedes da Copa do Mundo e as soluções não parecem atacar problemas básicos de mobilidade urbana, rede hoteleira, disponibilidade de mão de obra educada, assistência médica e assim vai. Basta verificarmos como está a situação de aeroportos e o deslocamento destes para os centros das principais cidades. No Estado, em qualquer nível, são poucas as informações disponíveis e os interesses comerciais ao redor dos eventos contribuem para que não exista debate sobre o tema.

Rio+20 ilustra os problemas

A Conferência da ONU sobre sustentabilidade que ocorrerá no Rio de Janeiro em meados do ano trará um impacto significativo para a cidade, mas bastante inferior à Olimpíada e à Copa do Mundo. Pois bem : as autoridades estão com enormes problemas apenas para acomodar os participantes deste evento, inclusos aí os mais de 150 chefes de Estados que virão. Será que podemos ter tanta convicção que em poucos anos tudo irá mudar?

Câmbio, turismo, Copa e Olimpíada

Bem fez o presidente da Embratur, Flávio Dino, em levantar a questão do câmbio em entrevista à Folha de S.Paulo publicada ontem. O turismo é setor estratégico para o Brasil, mas falta organicidade às políticas públicas voltadas para o setor. Ademais, o fluxo turístico no Brasil está na direção do exterior: no ano passado os gastos de estrangeiros no país foram da ordem de US$ 7 bi e os brasileiros gastaram cerca de US$ 22 bi lá fora. O déficit de turismo de US$ 15 bi equivale às exportações do setor de soja. Dados do BC e do ministério do Desenvolvimento. Eis um evidente sinal de que temos um problema cambial a resolver. Se a situação permanecer como está é bem provável que os gigantescos investimentos em eventos esportivos não sejam remunerados. Alguém vai pagar a conta, não é mesmo?

O plano de voo da economia

Os leitores desta coluna não devem ter ficado surpreendidos com as revelações da última ata do Copom do BC que confirmam tudo que se negou oficialmente durante o ano passado inteiro : a meta principal do governo, com o amplo beneplácito do BC, é o crescimento do PIB (para Dilma, repita-se, ao ritmo de 5% no fim do ano) mesmo que ao custo de mais inflação. Dilma tem o ano para firmar sua própria popularidade, ainda dependente dos fluidos da boa economia do passado e tem pela frente o ano eleitoral que vai determinar os passos decisivos das sucessões estaduais e Federal de 2014. Esses planos não combinam com qualquer fato econômico negativo, especialmente na seara do emprego. O futuro? Ora, o futuro é outra coisa. Como ensina o conselheiro Acácio, hilariante personagem de Eça de Queiroz, o problema é que as consequências vêm sempre depois. E nos cálculos políticos, o depois nunca é medido. Depois, arranja-se.

O BC de Dilma

Apesar de certos analistas estarem boquiabertos com o fato de que Alexandre Tombini está alinhado com a política econômica da presidente Dilma, na realidade não há surpresas. Tombini faz o que promete o governo. A independência da política monetária nunca foi verdadeira no Brasil. No passado recente, na era FHC, o BC serviu juros elevados para bancar a política de câmbio fixo do governo e ajustar o balanço de pagamentos nas temporadas de crise. Agora, serve às ambições "desenvolvimentistas" do governo. O problema disso tudo é que se nas safras boas o BC contribui para o sucesso, nos momentos ruins o BC não é anteparo para que se chegue ao pior cenário. O tema sobre a independência da autoridade monetária está em pauta no mundo inteiro. Veja-se o caso do BC dos EUA e da Europa, ambos sob fogo cerrado de investidores e "formadores de opinião". O problema adicional que o Brasil tem é que a supervisão política sob o BC é absolutamente irrelevante. Quando o chefão do BC é forte, per se isto parece ao "mercado" uma "garantia". Quando é fraco como Tombini, o tal do "mercado" fica com a pulga atrás da orelha.

Juros de um dígito

É legítimo o debate, dentro e fora do governo, sobre a necessidade de juros básicos mais baixos. O erário não deve pagar juros altos e injustificados para os investidores em títulos públicos. Todavia, há limites para que isto ocorra. O principal é a inflação. No caso do Brasil, a inflação está ainda elevada e se a demanda mais forte vier é provável que ela não caia muito abaixo do nível de 6%. Este patamar impõe uma deterioração no poder de compra da moeda inaceitável no médio prazo. Portanto, o momento de transição atual, possivelmente de uma demanda cadente para algo mais elevado, é muito sensível para a política monetária. Se o governo forçar a mão, a inflação pode não cair e, até mesmo, subir. Outro ponto sensível : a taxa de câmbio da moeda brasileira é incompatível com exportações mais elevadas e com a atração de investimentos externos. Se a taxa de câmbio for desvalorizada a inflação vai sofrer dupla pressão de demanda e custos. Neste momento saberemos os custos da intervenção do governo sobre a autoridade do BC.

O lado "bom da inflação"

Cálculos publicados segunda-feira pelo "Valor Econômico", da lavra da própria Receita Federal, indicam que o fato da inflação no ano passado ter sido de 6,5% cravados, um pouco mais de 0,5% acima da de 2010, propiciou um aumento de R$ 50 bi na arrecadação de impostos da União em 2011. O que também pode explicar uma parte da "boa vontade" de certas autoridades com alguns pontinhos mais de inflação.

Para consumo dos mais crédulos

Jacta-se o ministério da Fazenda de ter alcançado com folga de R$ 1,7 bi a sua parcela do superávit primário em 2011, isto sobre a meta corrigida, que havia sido aumentada em mais R$ 10 bi em meados do segundo semestre do ano passado. A economia para pagar juros, de parte da União, teria sido de cerca de R$ 12 bi, uma garantia de que o compromisso de guardar R$ 139,8 bi em 2012 irá ser cumprido. Sucesso total da política de austeridade fiscal do ministro Guido Mantega, avalia-se oficialmente. Mas será mesmo ? Vamos aos fatos : além de parte da sobra ter sido garantida por um aumento de arrecadação de mais de 10% em 2011 na comparação com 2010 e com uma diminuição nos investimentos de também cerca de 10%, foram deixados R$ 24 bi de obras concluídas no ano passado e serviços já prestados para serem quitados este ano - os famosos restos a pagar. Ou seja, se o governo pagasse seus compromissos em dia, a promessa de superávit teria sido descumprida inteiramente.

Vai pra casa, Padilha!

Em Brasília, o ministro da Saúde é apresentado como um dos mais bem avaliados pelo dito exigentíssimo termômetro da "gerentona" Dilma. E não há mesmo semana em que Alexandre Padilha na apareça nos meios de comunicação anunciando algum programa e um providência de sua pasta ou de avental branco como um médico em plena ação visitando hospitais, unidades de saúde, postos de vacinação, a Cracolândia em São Paulo, locais onde, naturalmente por mera coincidência, encontrará a postos máquinas fotográficas, câmeras de televisão e microfones à espreita. No entanto, tal azáfama ainda não chegou ao grande público usuário dos serviços que Padilha comanda. O dever de casa do ministro parece não ter surtido efeito real. Recente pesquisa do DataFolha mostra que, apesar de ter encerrado o primeiro ano de governo com aprovação recorde de 59%, Dilma obteve um resultado negativo na pesquisa : aumentou em 11% o número de brasileiros que consideram a saúde como o principal problema do país. A comparação é entre o último ano da gestão Lula para o primeiro da governança Dilma.

(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

domingo, 29 de janeiro de 2012

ALIANÇAS CRUZADAS

Eleição no Brasil deixou de ser aula de civismo para se transformar em luta encarniçada pelo poder. E a razão ultrapassa a observação de que a política substituiu o escopo aristotélico de missão a serviço do polis pela meta de servir de escada de ascensão pessoal. O fato é que o acervo da política se esgarçou na névoa do tempo.

Ademais, a economia é que dá hoje o rumo das coisas, trazendo a política para sua esfera e, por conseguinte, motivando os representantes do povo a usá-la como investimento. O bem-estar coletivo continua a enfeitar um discurso matizado por meia dúzia de conceitos, entre eles, a inserção das massas à mesa do consumo, o resgate de direitos individuais, a justa distribuição de renda e a maior aproximação entre as classes sociais, situações que incorporam padrões de vida consentâneos com a dignidade humana. Esse é o tônus ideológico da atualidade.

Por mais que a pletora de partidos brasileiros - quase 30 - se esforce para expressar especificidades, o sumo que se extrai do liquidificador partidário aponta para esse composto, mescla dos ideários da social-democracia e do liberalismo social. Siglas que defendem o socialismo nos moldes que antecederam a queda do Muro de Berlim o fazem mais por retórica que por convicção. Por aqui há forte dose de consenso sobre o que se pode chamar de sistema liberal-capitalista sob controle do Estado. Os admiradores do "capitalismo à moda chinesa", com intervenção rigorosa do Estado, não chegam a ameaçar.

Essa é a essência do nosso discurso político. Que não frequentará o palco eleitoral porque o eleitor não se motiva com abstrações. Portanto, veremos uma pregação mais adjetiva e menos substantiva, uma expressão menos ideológica e mais centrada em perfis. Os atores, claro, deverão fazer pontuações em certas áreas, ressaltando aspectos de programas, tentando colar o seu ideário às diretrizes que marcam o estágio de desenvolvimento do País. Mas é pouco provável vermos a federalização dos pleitos, a tentativa de puxar a força da administração federal para o palanque local. No tabuleiro municipal são mais adequadas as peças da micropolítica, coisas que dizem respeito ao cotidiano: transporte, educação, saúde, saneamento, moradia...

Nas capitais e nas grandes e médias cidades se pode até prever a abordagem mais generalista, amplificada pela tuba de ressonância de mídia mais poderosa. Se o País andar tranquilo até as margens eleitorais, ou seja, preservando o animus animandi dos contingentes periféricos, a partir de dinheiro no bolso, acesso ao consumo, colchões sociais, inflação controlada, etc., os candidatos patrocinados pelo rolo compressor governista poderão ser beneficiados. Massas carentes prezam o status quo e demonstram gratidão escolhendo candidatos com elas identificados. Há, porém, o outro lado: em Estados como São Paulo e Minas Gerais, que têm os dois maiores contingentes eleitorais do País e são governados por tucanos, os largos estratos médios tendem a ser mais críticos em relação ao governo federal. Com administrações bem avaliadas, esses governos estaduais poderão contrapor-se à onda situacionista que puxará as candidaturas da aliança federal.

Dito isto, convém arrematar: o pleito de outubro juntará grupos contrários e aproximará clássicos contendores. No palanque do blá-blá-blá assemelhado subirão candidatos de alianças exóticas jamais vistas por estas plagas. Traduzindo: o partido A apoia o governo federal, é contrário ao governo estadual, mas se unirá na eleição municipal ao partido B, que é contrário à administração federal; este partido B, em outros municípios, poderá trocar de samba do crioulo doido, fazendo parcerias com candidatos de outras siglas, algumas contra, outras a favor dos governos federal e estadual; já o partido C terá apetite para comer metade dessa salada mista, fechando com o A de um jeito, com o B de outro e até reciclando a mistura com o D, ao qual caberá inverter os papéis de acordo com suas conveniências. Em suma, o País verá uma campanha de conveniências. Os entes partidários farão extraordinário esforço para turbinar suas máquinas, preparando-as para a decolagem de 2014, que será emblemática: concessão de um ciclo de 16 anos de mando petista, retomada do poder pelos tucanos ou ascensão de um terceiro ator ao pódio

Vejamos as primeiras cenas. O PT abre um leque de articulações sob a batuta do maestro Lula, que se desdobra para atrair o maior número de aliados para a campanha de seu pupilo Fernando Haddad, em São Paulo. A retomada da capital paulista parece ser questão de honra (e esforço extraordinário) para o ex-presidente. A estratégia petista é ceder a cabeça de chapa aos candidatos favoritos de partidos parceiros, mantendo, contudo, a meta de fazer o mais gordo plantel de prefeitos (projeta 1.500) e alcançar a posição de maior ilha no arquipélago político.

Essa operação, todavia, não depende apenas de sua vontade. O PMDB, o aliado principal, não abdica da condição de maior partido brasileiro, o que lhe permitiria ser o fiador do situacionismo. Mas não descarta a hipótese de candidatura própria em 2014. Um olho no norte, outro no sul. O PSB, por sua vez, sonha alto e abre três alternativas: candidatura própria em 2014, continuação da aliança com o PT (reivindicando pedaço maior do bolo) e união com o PSDB de Aécio Neves. O governador Eduardo Campos (PE), que preside a sigla, já confessou o sonho de reunir o grupo pós-64 no comando do País. Ele e Aécio, juntos, liderariam essa estratégia. Já o PSDB alimenta o sonho de retomar o cetro, mas faltam-lhe discurso e bases populares. E o PSD de Gilberto Kassab, ao formar uma bancada expressiva na Câmara dos Deputados, deverá ser um núcleo de aglutinação de contrariados em outros grupamentos.

Uma coisa parece certa: os atores sairão do ensaio de outubro sem muitos aplausos das plateias. A política a cada dia perde vigor.

(Gaudêncio Torquato, no Estadão de hoje)

JARDIM DOS ANIMAIS - por WALDONYS

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PREITO À LOUCURA

Mal a locomotiva principia na curva, o maquinista já olha para trás, verificando se há uma inoportuna cabeça se mostrando no portão aberto de um dos barulhentos vagões.

É comum um clandestino subir, em surdina, sem murmúrio, sem leve sombra, aproveitando uma rápida parada numa estaçãozinha à beira da linha. Raramente é um destes desprendidos andarilhos, que vivem à toa, sem a reminiscência da uma partida ou a ânsia palpitante de uma chegada, afigurando-se como um poeta ou vagabundo. Ele sabe que é mais provável ser um insensato, algum infeliz demente que o mundo fabrica e que constantemente os encontra palmilhando os equidistantes trilhos, percorrendo sem ermo e com desatino numa infinda contagem dos dormentes.

Muitos descem na acolhedora Estação de Cratheús, tangidos pelo zelo profissional do Auxiliar de Maquinista, e acabam achando refúgio em suas ruas hospitaleiras e na propensão de um povo em admirá-los, mas também com o insano e cruel hábito de atordoá-los. É uma nova atração que chega e a cidade engole aquela loucura e também se alucina, calmamente, como uma substância primordial para alimentar a sufocante melancolia.

Muitos engendraram sua insanidade por aqui mesmo, são os loucos de casa. Alguns, prisioneiros, as famílias os vigiam e protegem. Outros, que correm livremente soprando uma insensatez em descontrolado espetáculo, nos assombram, pelo paroxismo do incomum, chegando à fronteira do insuportável.
Outro dia andando pela Rua Barão do Rio Branco – que logo deve ceder a placa de rua para o nome de um crateuense ilustre - já em frente ao Armarinho Literário da escritora Ana Cristina, vejo-a em desesperada aperreação, estava sentada no batente de sua loja, nada mais nada menos que “A Ninja”, uma figura misteriosa e obscura, desprovida de qualquer senso critico, com um pano preto cobrindo o rosto e uma pontiaguda arma na ponta de um cajado, querendo a todo custo um livro para ler. A poetisa Ana teve que entregar, para se livrar daquele insano mito do Japão, o livro “Cantigas do Oco do Mundo” do poeta e também acadêmico Antonio Elias de França. Tomara que a poesia tenha-lhe acalmado os nervos. Lá na frente o Dom Ratinho, outro estranho demente, caminha acelerado e soltado altos esturros, intensos berros chamando atenção dos transeuntes por ter sido enfezado pelos tumultuosos Mototaxistas. Já não se fazem mais doidos como antigamente.

Perambulava pelas ruas de Crateús um doido chamado Cabral e um valente Tenente denominado Nonato, ambos uniformizados a caráter. Cabral por deslocada paixão militar, e o Raimundo Nonato por predestinação cívica a Nação. Um fazendeiro, querendo agradar o Tenente, lhe manda um gordo Peru para a véspera de Natal. O ingênuo portador, avistando o Cabral de uniforme todo rasgado, lhe pergunta: — O Senhor conhece o Tenente Raimundo Nonato? Eu trouxe um peru para ele! O insano Cabral responde de imediato, com sua voz grossa: — Está falando com ele!!! O fazendeiro ao encontrar o Tenente, indaga: — Que tal o peru, Comandante! O coitado do insensato Cabral pegou um duro xilindró, mas comeu peru no natal.

Perambulava pelas ruas de Crateús um homem que ao perder o juízo se metamorfoseou num caminhão. — O Chico Budú já está lá fora! Avisava alguém da chegada do caminhão humano, que sequer subia na calçada, pois automóvel tem que estacionar é na rua. De lá mesmo esticava o braço com uma latinha surrada e imunda. Água, café e comida, tudo na mesma vasilha como se abastecesse o tanque de gasolina. É assim a mente humana, uma alma triste, mas sem nenhum tormento. Só víamos ali, no meio da rua, a sombra de um ser que foi alguém que sorriu e que amou um dia. Um esquelético fantasma, um risível espectro pensando que era um carro, nada mais de um homem restou.

Perambularam pelas ruas de Crateús tantos mansos doidos, e ainda nos deixaram saudade, como o Capão, em quem todo sapato dava no pé dele. A macaca caiu, o Paulão, a Careca que após proferir uma montanha de impropérios, inocentemente dizia: — Há meu Deus, tanto nome feio que eu sei e não me lembro de nenhum!

Vagueava pelas ruas de Crateús o Pirulito, um insano, mas protegido pelo grande empresário José Arteiro da Empresa Rápido Crateús. Alguém propositalmente pedia: - Pirulito mata o bode! Com as mãos dava uma tapa na nuca, reproduzindo um pesado machado, emitia um longo berro e se tremia como o animal morrendo.

Perambulava pelas ruas de Crateús, o Rouxinol, com os neurônios corroídos pela cachaça Lagoa do Barro a lhe trazer horríveis alucinações, ficava encostado nas paredes da Igreja da Matriz, dizendo alto e em bom tom: — Lá vai o diabo me levando... — Lá vai o diabo me levando... — Lá vai o diabo me levando...

Dizem que a loucura não é hereditária, embora alguma família seja propensa a apresentar mais loucos que as outras. Acho que por ter um pouquinho do sangue de Dona Maria I, a Francisca Isabel Josefa Antônia Gertrudes Rita Joana, que o Rio de janeiro chamava A Louca, tire só pelo nome, uma loucura.

É imperceptível a faixa de transição entre o dualismo existencial de sanidade e de loucura. Há tanta sensatez revestida de loucura e tanta loucura ornamentada de sensatez que acabamos descobrindo uma pura razão na loucura, uma insanidade lúcida.

Um especialista uma vez me que disse: não adianta camuflar aquele fixo olhar, aquela sensação que corrói a nossa alma e atormenta a nossa mente, a única explicação é a loucura, uma loucura disfarçada que deve ser assumida e dignificada, mas de qualquer forma, loucura.

Eu não sei não, mas estou percebendo que, com este meu sorriso inadequado no rosto, e por não escrever mais coisa com coisa, alternando os elementos concretos com os entes abstratos de um céu azul, colado ao cinza da terra que compõem a natureza cósmica a configurar todo o paradisíaco ar que respira meu ser, é coisa de quem estar ficando pires, não acham?

Raimundo Candido

WOMAN - JOHN LENNON - UMA LINDA DECLARAÇÃO DE AMOR!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Num contexto em que a economia norte-americana dá evidentes sinais de fortalecimento e que os riscos sistêmicos, embora altos, estão menos agudos, a economia brasileira vai se saindo bem dos turbilhões dos últimos anos. Todavia, há que se observar o enorme desperdício de oportunidades para colocar o país diante de um cenário sustentável e progressista. Há uma conformidade, não somente do governo, mas de toda a sociedade, em permanecer ao largo de reformas estruturais. Da educação à infraestrutura, passando pela tributação e previdência, nada de novo se verifica na política brasileira. A ausência de conflitos é mais sinal de doença que de vitalidade : a coalizão serve à manutenção da estabilidade do governo, mas cria um imobilismo secular. Mesmo os avanços, tal qual a previdência do setor público, são mitigados pelos interesses corporativos, os quais são pacificados antes mesmo de serem conflitados. Não há debate e nem greves. Os partidos são aglomerados comandados por elites que loteiam o setor público com seus asseclas. O cenário não é de calma, é de letargia.

O imediato e o futuro

Como não há um "projeto Brasil" vamos de remendo em remendo, de tapa buraco, em tapa buraco, de olho sempre na próxima eleição: sobe e desde IOF; IPI; juros; crédito; compulsório bancário; contingenciamento do Orçamento; carga tributária... Não é sem razão que um funcionário do tipo burocrata-obediente fez um desabafo na semana passada que define a situação com perfeição e vale para tudo. De Bernardo Figueiredo, presidente da ANTT: "Estamos no limite da gambiarra, do apagão logístico". O país do etanol e autossuficiente em petróleo importa... etanol e petróleo.

Inflação e câmbio lideram preocupações

Se no âmbito dos fatores estruturais a economia brasileira é letárgica, do ponto de vista conjuntural sobra à sociedade dois problemas críticos: a inflação elevada que está destruindo o poder da moeda no longo prazo e a sobrevalorização cambial que inviabiliza a indústria brasileira do ponto de vista da competitividade externa. Há chances concretas da inflação cair um pouco mais neste primeiro trimestre e, talvez no segundo. Todavia, isto dependerá, como vem dependendo, do desempenho da taxa cambial e da relativamente fraca atividade econômica. Qualquer mexida para cima destes dois fatores há de influenciar a evolução dos preços domésticos. Ou seja, há uma equação entre atividade, câmbio e inflação, ainda para ser resolvida. Por enquanto, o governo não esboça nenhuma solução que seja crível.

EUA: PIB para cima

Nesta semana, será divulgado o PIB norte-americano do quarto trimestre de 2011. O crescimento deve gravitar ao redor de 3% em função do aumento do consumo e da reposição de estoques do setor produtivo. Uma excelente notícia para o mundo e para o pálido presidente Obama. O crescimento deste ano deve atingir algo entre 2,5% e 3,0%. Todavia, os eleitores irão às urnas pensando no próprio emprego.

Reunião do Fed

Nada de novo deve ser esperado da reunião do Banco Central dos EUA nos próximos dias 24 e 25 de janeiro. Já se sabe que a taxa de juros básica ficará praticamente zerada daqui até meados de 2013 e que os riscos de alta da inflação são negligenciáveis. Enquanto isso, todos esperarão a análise dos policy makers sobre a atividade econômica em alta.

Agências de rating

Os investidores não deram a menor bola para os rebaixamentos da nota do risco de crédito de países europeus, inclusa aí a França, da Standard & Poor's. De outro lado, os burocratas da União Europeia, em Bruxelas, continuam a observar as ordens emanadas de Berlim. As agências de classificação de risco não têm credibilidade, como sabemos. Os erros seguidos desde meados dos anos 90 ensinaram que daquele oráculo não há pitonisa que seja crível. Todavia, ainda há efeitos significativos nestas reclassificações : há fundos que são obrigados a vender ou comprar títulos de países que são "reclassificados" pelas agências de risco. Isto ocorre por força de previsões nos estatutos destes fundos. Portanto, apesar de toda a falta de credibilidade das agências, há quem seja obrigado a segui-las. Isto fere a própria eficiência de mercado.

Caroço no angu baiano

Fica combinado assim: o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, deixa o cargo no próximo mês para Maria das Graças Foster (conhecida como Graça Foster) e desembarca numa secretaria do governo da Bahia para se preparar para a sucessão de Jaques Wagner, daqui a três anos. Esta é a versão oficial. Mas as paredes dizem:

1. As relações da presidente Dilma com Gabrielli, desde os tempos que ela ainda estava apenas ministra, sempre estiveram mais para UFC do que para Pequeno Príncipe.

2. Graça é das graças de fé de Dilma, que quando formava seu governo pensou para ele a própria presidência da Petrobras e até a Casa Civil, mas prevaleceram as preferências de Lula, respectivamente por Gabrielli e Palocci.

3. Gabrielli tinha laivos de independência ; Graça é técnica e dedicada.

4. Na Petrobras, Dilma aposta muitas fichas de investimentos para o PIB brasileiro crescer os 5% que ela espera este ano. No ano passado, a empresa de Gabrielli não cumpriu seu cronograma de gastos.

5. O TCU está de olho nos gastos da empresa sem licitações.

De barbas e pulgas

Depois de tudo que Brasília deixou vazar para explicar a troca de Gabrielli para Graça Foster, com insinuações de que se dá mais um esvaziamento do lulismo e do petismo no poder Federal, os últimos fios das barbas do PT entraram de molho e a pulga atrás da orelha de Lula ficou assanhadíssima. Na esteira de Gabrielli sairiam outros apadrinhados políticos da direção da empresa, substituídos, ao gosto da presidente, por técnicos. Finalmente começam a desconfiar que Dilma está balançando a árvore da aliança partidária escalada por Lula para elegê-la, sustentá-la e tutelá-la. Outros aliados também que se apoquetem. Sem força política própria ainda, Dilma tenta comê-los pelas bordas. E como tem a caneta, o Diário Oficial e a carranca...

Nó em pingo de chuva

Dilma, no ajuste ministerial, está enrolando em papel machê todos os aliados, inclusive o PT e o PMDB de Michel Temer. Estão todos emburradinhos. Ninguém, porém, vai chiar em público contra uma presidente que chega ao segundo ano de mandato com mais popularidade até do que Lula na mesma ocasião. Nesse páreo, FHC não vê nem poeira. E a única ameaça que a presidente pode ter pela frente nos próximos meses é um desarranjo na economia, cujos cordões ela não controla todos.

Simples assim

Do professor Renato Janine Ribeiro, da USP, em artigo no jornal "Valor Econômico" de ontem: "O PT está fazendo muita falta ao Brasil: na oposição... Dizendo isso, não estou criticando - aliás, nem elogiando - seu governo; só constato que desde 2003, quando ele ganhou as eleições para a presidência da República, não tivemos mais oposição digna desse nome." Algo a acrescentar?

Balançando a roseira

FHC balançou todos os galhos da frondosa árvore onde os tucanos, em prolongado ano sabático de oposicionismo, curtiam suas fogueiras de vaidades e idiossincrasias. Há tempos o ex-presidente vem tentando tirar os parceiros da modorra em que mergulharam dando-lhes algumas indicações de como fazer oposição. Inclusive quando mandou os procurar a nova tal classe média. Na verdade, indicava que eles deveriam sair do ar condicionado e ir comer poeira atrás dos eleitores. Não conseguiu grande entusiasmo e agora então balançou a roseira dos parceiros ao meter seu palpite na disputa que paralisa o PSDB e toda a oposição, entre Aécio e Serra para ver quem "perderá" a próxima eleição de Lula e o PT e os seus parceiros. Com a defesa da candidatura do mineiro, que ele considera natural, deve obrigar os tucanos a se mexer e joga Serra no sereno. Será curioso ver a reação do ex-governador paulista, em tese mais amigo de FHC que Aécio.

O jogo de Kassab

Não é preciso ir muito longe para verificarmos o absurdo : o PSD de Kassab flerta com o PT para ver se o antigo parceiro fiel, o PSDB, cai em seus braços. O PT que faz acirrada oposição ao prefeito paulistano, começa a avaliar a aliança não apenas como "possível", mas como "desejável" dada a sua ambição de retomar o controle da maior cidade do país. A situação seria risível se não tivesse os efeitos nefastos sobre o processo democrático que necessita de mínima sintonia entre ideologia partidária e o distinto eleitorado. Diz-se, nas rodinhas de políticos, inclusos os de alto coturno, que "a política é a arte do possível". No caso de Kassab, "a política é o circo do impossível".

Sem cacife

O problema do prefeito paulistano é que, no momento, ele não tem um dote muito generoso a oferecer aos parceiros que tem procurado, a não ser que inclua nesses bens a máquina da prefeitura na campanha. Sua popularidade está no porão e o PSD não sabe se terá um tempinho alentado no horário gratuito no rádio e na televisão. Quem precisa mesmo, desesperadamente, de alianças, e não só na capital paulista, é o partido de Kassab. Para não virar um natimorto.

Mercadante e a arrogância

Ao que parece, o ministro Mercadante terá muita chance de reaver um pouco de seu debilitado capital político, ao assumir o ministério da Educação. Não sossega em pensar em nova candidatura o governo de SP em 2014. Dentre os vários percalços em seu caminho político está a sua conhecida arrogância. Conta-nos um transeunte contumaz dos corredores do poder de Brasília uma cena que ilustra esta característica de sua personalidade. Vinha certo dia o bochechudo senador (hoje ex) Heráclito Fortes (DEM/PI) andando pelos corredores do Senado Federal quando vê um colega dando entrevista para a TV. Passa por ele e cumprimenta o colega: "bom dia Mercadante!". Logo após a entrevista, o colega questiona Fortes a razão de chamá-lo não pelo seu nome, mas pelo nome do ex-senador paulista. Fortes explica: "se está dando entrevista para a TV com grande afinco e não responde sequer "bom dia" aos colegas, só pode ser o Mercadante...". A "simpatia" ambulante de Mercadante já causa arrepios nos habitantes de sua nova pasta, acostumados à suavidade no trato de Fernando Haddad.

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(José Márcio Mendonça e Francisco Petros)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

OBSERVATÓRIO


O ano era 1989. A Câmara Municipal de Crateús vivia uma noite tumultuada. Ânimos acirrados. Presidia a Casa o Vereador Edi Pinto, conhecido pela leveza com que transitava entre as mais diferentes forças políticas. Porém, nessa noite estava exaltado, destoando do jeito de estilo. E, no fogo de uma discussão, atingiu com um soco no estômago o Vereador oposicionista Joaquim Braz. Foi necessária uma intervenção da turma da concórdia para contornar o entrevero. Na última sessão do ano, sob o clima pré-natalino, o Vereador Emanuel Cardoso, um polemista por natureza, surpreendeu a todos com um discurso entremeado de pedidos de desculpas, apelos fraternais e votos de boa sorte. Atento àquele inusitado desempenho, Joaquim ergue as sobrancelhas como quem descobre um caminho. E, ao usar a palavra, segue a mesma linha de Emanuel: nomina cada colega presente, ressaltando virtudes e qualidades. Ao se deparar com o ex-desafeto, dispara: - Nobre Vereador Edi Pinto... me perdoe por aquele murro que você me deu!...

INTERESSES

Em todas as instituições que tive a oportunidade de colocar os pés – sejam classistas, filantrópicas, sociais, esotéricas ou políticas – sempre vi presente o apego aos interesses pessoais em conflito com o desprendimento. Porém, em nenhum segmento, a busca por espaço, o sentimento de posse, a volúpia da ganância se expressa de maneira tão contundente como nas lutas partidárias. Parece que praticamente ninguém trabalha com a finitude humana. Ou seja, todos parecem desconhecer que, a qualquer momento, poderemos partir para outra dimensão. Com efeito, sempre que nos aproximamos de um prélio eleitoral, essa pulsação se eleva, as especulações pululam e o tensionamento se torna como que inevitável.

CANDIDATURA

Ser Prefeito, hoje, é exercer uma atividade de alto, altíssimo risco. Todo cuidado é pouco. O emaranhado legal que cerca um mandatário municipal é enorme. Às vezes, é iminente a possibilidade de ser responsabilizado por questões que fugiram de sua orientação. O ex-prefeito Paulo Nazareno, quiçá em tom de desabafo, declarou em rádio que divide postulantes a Prefeitura em três classes: a primeira é a dos altruístas – gente que se coloca com a melhor das intenções, mas não sabe o que é aquilo. A segunda é a dos sabem e, mesmo assim, entram, porque são doidos ou malucos. A terceira é a dos que sabem e entram porque estão com outras intenções. Esses ele preferiu não rotular...

CANDIDATOS

A preço de hoje, o esquema situacionista em Crateús apostará suas fichas na reeleição do Prefeito Carlos Felipe. Mesmo externando resistências pessoais, o Prefeito é indiscutivelmente o único expoente consolidado de sua corrente política, capaz de agregar a totalidade da base aliada. Noutro giro, as oposições se articulam. Um leque muito amplo de pretendentes se perfila. O desafio é construir uma unidade. Há setores com avaliações específicas, que refletem opiniões dignas de nota. Os empresários, por exemplo, consideram que é chegado o fim do ciclo de poder local nas mãos de médicos e advogados. Para eles, “os últimos 24 anos mostraram que esses ‘doutores’ têm pouca aptidão gerencial. Embora todos tenham dado seu contributo, nenhum deles fez um ajuste fiscal arrojado, desenvolveu um programa histórico de metas ou atacou o desperdício”. Asseveram que é hora da cidade ser entregue a um empresário com visão de futuro. Ou alguém identificado com esse projeto. Pois, se a Prefeitura gera algumas centenas de empregos, o empresariado gera, no mínimo, dez vezes mais. Empresários como José Vagno Mota e Luizinho Sales, que lideram um movimento de oxigenação do PSDB, compartilham dessa avaliação.

CANDIDATOS II

A lista de pretendentes à Prefeitura este ano é grande. Contempla a velha e a jovem guarda da política. Massaroca está convicto que é uma aposta que pode pegar. Márcio Cavalcante fala que as pesquisas lhe sorriem. E por aí vai... Há alguns dias esteve na cidade Ivan Monte Claudino. Conversou com amigos e externou que sempre vibrou com um projeto coletivo que represente um avanço significativo para a vida da cidade. Disse que estava disposto a colaborar – com destemor, entusiasmo e vigor – na concretização desse sonho. Acha, porém, que as oposições devem considerar, na hora da escolha, o nome capaz de somar mais.

ELEIÇÕES

A disputa eleitoral de 2012 será marcada por um fato novo: a primazia da internet. Pela primeira vez, as redes sociais poderão fazer uma diferença substantiva. E esse peso ainda não foi suficientemente avaliado. O bombardeio eletrônico, a velocidade da comunicação, a informação instantânea alteram, em fração de minutos, o humor da população e nos colocam diante de uma situação sem precedentes no mundo da política: o fim do favoritismo. Basta dizer que uma prática comum – a compra de votos – poderá ser colocada na rede mundial de computadores em tempo real, tornando o fato típico incontestável. Para quem detém a direção da máquina pública, isso é assombroso. A Prefeitura, em todos os tempos, sempre foi usada a serviço das candidaturas oficiais. Isso é fato. Todos sabiam, embora fosse difícil de provar. Agora, com um celular na mão, um militante qualquer poderá postar isso na internet, escancarar para todo mundo e deixar o Ministério Público na obrigação de apurar. Daí será irreversível a provocação ao Judiciário.

JUDICIÁRIO

Por falar em Judiciário, é expressiva a queixa em Crateús com a falta de juízes efetivos na Comarca, causando enormes prejuízos à celeridade processual e, por conseguinte, à cidadania. O assunto constou na pauta do Programa OAB NA TV MUNDO JURÍDICO, veiculado na semana passada em Fortaleza, quando foi anunciada a construção da sede da OAB na regional de Crateús.

PARA REFLETIR

"A primeira coisa, talvez a mais relevante, seja entender que um processo é muito mais do que um conjunto de papéis autuados e ordenados; processo é uma vida, é um drama, é a última esperança para quem procura a Justiça". (Piero Calamandrei)

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)


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Blog do Zaca deixou um novo comentário sobre a sua postagem "OBSERVATÓRIO":

O amigo esqueceu de mencionar o nome de Dr Lourival Rodrigues e do Dr Junior Bonfim, sabemos que os dois também são pretensos candidatos e podem em muito colaborar no engrandecimento de nossa cidade.

Zacarias Filho



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Meu Caro Zaca:

Quero pontuar que vários nomes deixaram de ser citados. E que certamente serão expostos ao longo das próximas matérias.

No que pertine aos dois mencionados (eu e Lourival) quero, em relação à minha pessoa, logo de pronto deixar claro: não sou candidato este ano. Tenho compromissos de ordem pessoal, institucional e profissional que me impedem de colocar o nome à disposição.

Nunca escondi de ninguém o desejo de entrar numa disputa. No entanto, compromisso ninguém é obrigado a fazer; mas, uma vez feito, tem que ser cumprido.

Por isso quero, primeiro, cumprir obrigações já assumidas. Depois, terei enorme prazer em me inserir num amplo e profundo debate sobre os destinos de Crateús. Que merece seguir uma trilha de avanços significativos e se tornar efetivamente uma cidade 3D: Desenvolvida, Democrática e Divertida!

Um cordial abraço

Júnior Bonfim


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Paulo Nazareno deixou um novo comentário sobre a sua postagem "OBSERVATÓRIO":

Não só desabafo, mas uma cruciante vivência com situações impossíveis de terem sido detectadas e muito menos evitadas.

Quem teve a infeliz experiência não a repete em sã consciência.

O lamentável é o consequente afastamento desta labuta de pessoas que o tempo,a experiência e o perfil lapidaram-na para esta missão;a meu ver,você JB está inclusive com a idade/maturidade imprescidíveis para tal. Pense sobre.

RESGATAR O ESSENCIAL

Ouvi a frase acima outro dia em uma reunião de trabalho. Um colega advogado disse que, neste início de ano, esta era a frase que pretendia colocar no frontispício de sua luta cotidiana. A oração acima me atravessou a mente. Mais: grudou-se em minha alma.

Ao sentar para lapidar esta crônica me veio a locução do causídico: Resgatar o essencial!

Nestes tempos paradoxais - que alternam simultaneamente momentos de límpidos horizontes e céus nebulosos, em que sobre uma aura de aparente prosperidade desce um raio de imensurável crise – o que nos toca buscar?

Extrair o óleo fino e aromático da árvore vital, recolher a seiva especial das coisas, apalpar a raiz fundamental de tudo. Eis o que, possivelmente, todos deveríamos fazer: colocar na ribalta as lições que essa quadra de inquietação reflexiva nos oferece.

Penso que, por sobre essa instabilidade financeira que atormenta os coletivos humanos de todos os matizes, palpita um desassossego civilizacional alimentado por razões muito mais profundas, cujas luzes só emergirão se nos dispusermos a ver o essencial. Este, à Saint Exupéry, só vemos bem com o coração.

Como abrir, então, as pálpebras delicadas do núcleo que comanda a consciência, sedia os sentimentos e produz as emoções? Quais os meios para transitar por essa via que destaca o semáforo azul da alegria duradoura?

Comprovado está que, tão importante quanto a saúde mental e/ou emocional, é a saúde espiritual. O psicólogo pesquisador Lewis Andrews, após dez anos estudando a ligação entre espiritualidade e saúde mental, concluiu que as pessoas que acreditam em Deus e adotam valores espirituais muito fortes são mais felizes, mais sadias e, na maioria dos casos, mais interessadas intelectualmente do que as pessoas que não o fazem.
Segundo o Professor José Emilio Menegatti, “na hipótese de você não ser tão entusiástico, como eu, sobre o valor dos conselhos bíblicos, recomendo que se lembre do seguinte: de acordo com a Revista Fortune, 91% dos executivos-chefes das “500 Maiores” empresas do país aprenderam aparentemente seus valores éticos e morais nas mesmas fontes – na Bíblia e na igreja. Pelo menos todos eles alegaram freqüentar igrejas protestantes, católicas ou sinagogas. Menos de 7% disseram que não tinham religião”.

Na visão do Professor Menegatti, a espiritualidade gera em nós qualidades indispensáveis:

Humildade - Um dos princípios cristãos é a humildade. A razão é simples: a humildade reduz o estresse. As pessoas humildes não acreditam que devam ter todas as respostas; conseqüentemente, não precisam fingir ter essas respostas, o que reduz a ansiedade. Quando a ansiedade diminui, a felicidade aumenta. Esse sentimento certamente melhora os seus relacionamentos. Afinal, ninguém gosta de se relacionar com um sabe-tudo. Com isso, seu número de amigos irá aumentar e sua felicidade também.

Amar ao próximo - “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:29). Ajudar ao próximo por razões puramente altruístas, sem ganhar nada, a não ser o prazer de prestar um favor ou praticar uma boa ação. As pessoas que só pensam em si desconhecem a alegria proporcionada pelo dar. Quem faz as coisas pelos outros sem visar ganho pessoal colhe grandes benefícios.

Saber perdoar - As pessoas que não têm fé quase sempre guardam mágoas, ressentimentos, rancor e amargura em relação aos outros e raramente, ou nunca, têm paz de espírito. A solução para essa situação é o perdão, que é um grande auxiliador para as pessoas espiritualizadas, pois sempre estaremos nos relacionando com pessoas imperfeitas, assim como nós.

Gratidão – agradecer agrada o ser – já disse uma vez. Agradeçamos sempre, porque dádivas recebemos diariamente.

Fortalecimento da fé - Da mesma forma que uma poupança financeira prescinde à realização de um bom empreendimento econômico, a reserva espiritual nos mantém firmes ante as intempéries da vida.

Somos uma construção de totalidade composta de corpo, mente e espírito. Resgatar o essencial é equilibrar essa tríade. Assim, nos tornaremos seres melhores!

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)