Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Agnes Gouxha Bojaxhiu, madre Teresa de Calcutá, nasceu, no dia 27 de agosto de 1910, em Skopje, Iugoslávia, de pais albaneses. Seus pais, Nicolau e Rosa, tiveram três filhos. Na época escolar, Agnes tornou-se membro de uma associação católica para crianças, a Congregação Mariana, onde cresceu em ambiente cristão. Aos doze anos, já estava convencida de sua vocação religiosa, atraída pela obra dos missionários.
Agnes pediu para ingressar na Congregação das Irmãs de Loreto, que trabalhavam como missionárias em sua região. Logo foi encaminhada para a Abadia de Loreto, na Irlanda, onde aprenderia o inglês e depois seria enviada à Índia, a fim de iniciar seu noviciado. Feitos os votos, adotou o nome Teresa, em homenagem à carmelita francesa, Teresa de Lisieux, padroeira dos missionários.
Primeiramente, irmã Teresa foi incumbida de ensinar história e geografia no colégio da Congregação, em Calcutá. Essa atividade exerceu por dezessete anos. Cercada de crianças, filhas das melhores famílias de Calcutá, impressionava-se com o que via quando saia à rua: pobreza generalizada, crianças e velhos moribundos e abandonados, pessoas doentes sem a quem recorrer.
O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na sua vida como o "dia da inspiração". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, percebeu que deveria dedicar toda a sua existência aos mais pobres e excluídos, deixando o conforto do colégio da Congregação.
E assim fez. Irmã Teresa tomou algumas aulas de enfermagem, que julgava útil a seu plano, e misturou-se aos pobres, primeiro na cidade de Motijhil. A princípio, juntou cinco crianças de um bairro miserável e passou a dar-lhes escola. Passados dez dias, já se somavam cinqüenta crianças. O seu trabalho começou a ficar conhecido e a solidariedade do povo operava em seu favor, com donativos e trabalho voluntário.
Para irmã Teresa, o trabalho deveria continuar a dar frutos sem depender apenas das doações e dos voluntários. Seria necessário às suas companheiras que tivessem o espírito de vida religiosa e consagrada. Logo, uma a uma ouviram o chamado de Deus para entregarem-se ao serviço dos mais pobres. Nascia a Congregação das Missionárias da Caridade, com seu estatuto aprovado em 1950. E ela se tornou madre Teresa, a superiora.
As missionárias saíram às ruas e passaram a recolher doentes de toda espécie. Para as irmãs missionárias, cada doente, cada corpo chagado representava a figura de Cristo, e sua ajuda humanitária era a mais doce das tarefas. Somente com essa filosofia é que as corajosas irmãs poderiam tratar doentes de lepra, elefantíase, gangrena, cujos corpos, em putrefação, eram imagens horrendas que exalavam odores intoleráveis. Todos eles tinham lugar, comida, higiene e um recanto para repousar junto às missionárias.
Reconhecido universalmente, o trabalho de madre Teresa rendeu-lhe um prêmio Nobel da Paz, em 1979. Esse foi um dos muitos prêmios recebidos pela religiosa devido ao seu trabalho humanitário. Nesse período, sua obra já se havia espalhado pela Ásia, Europa, África, Oceania e Américas.
No dia 5 de setembro de 1997, madre Teresa veio a falecer, na Índia. A comoção foi mundial. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Ao fim de uma semana, o corpo da madre foi trasladado ao estádio Netaji, onde o cardeal Ângelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, celebrou a missa de corpo presente.
Em 2003, o papa João Paulo II, seu amigo pessoal, ao comemorar o jubileu de prata do seu pontificado, beatificou madre Teresa de Calcutá, reconhecida mundialmente como a "Mãe dos Pobres". Na emocionante solenidade, o sumo pontífice disse: "Segue viva em minha memória sua diminuta figura, dobrada por uma existência transcorrida a serviço dos mais pobres entre os mais pobres, porém sempre carregada de uma inesgotável energia interior: a energia do amor de Cristo".
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(Texto enviado por José Cavalcante ARNAUD)
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
ANOTAÇÕES À POLÍTICA ECONÔMICA, POR CIRO GOMES
Descontado o fato natural de as declarações presidenciais não necessariamente terem total apego ao real em virtude de expectativas que podem causar, especialmente em assuntos econômicos, é inquietante o erro de percepção a que tem sido induzida Dilma Rousseff por sua frágil equipe. A pressão sofrida pelo real perante o dólar nos últimos tempos, disse a presidenta, é um fenômeno produzido por causas externas, especialmente pelos norte-americanos. Não se deve, portanto, a questões internas do Brasil.
Gravíssimo engano se esse for o ponto de partida para atacar o explosivo problema cambial brasileiro. Diga-se logo: não falamos de urgências urgentíssimas. De fato, temos muita “bala na agulha”, como disse a presidenta, para administrar uma transição, graças aos mais de 370 bilhões de dólares em nossas reservas cambiais. É preciso, entretanto, conhecer o aspecto cancerígeno que o problema tem sobre nossa sorte econômica enquanto nação.
O Brasil tem experimentado déficits recordes em suas contas externas. A cada mês, o recorde é batido e neste ano já quer mirar os 75 bilhões de dólares. É o resultado de todas as nossas contas em dólar com o estrangeiro. O que temos de pagar a eles, em todas as rubricas, e o que eles têm de nos pagar de volta. Tirante um restinho de saldo comercial de cuja certeza nem sequer temos mais, o buraco é generalizado e em escala crescente. Trata-se de um problema estrutural. Não foi criado pelo atual governo, mas é dele a indeclinável tarefa de montar a equação de saída, tanto mais se o prazo para termos turbulências graves explodir muito provavelmente em um possível segundo governo Dilma.
Perdoem-me os letrados, o mercado de dólar funciona da mesma maneira que aquele de bananas em Sobradinho: se tiver pouca banana e muita gente disposta a comprá-la, o preço sobe. Se o Brasil tem uma brutal escassez de dólares, em virtude de déficits recordes e em expansão, o preço do dólar em real tende a subir. A causa é intrinsecamente nacional. Certamente, causas externas podem atenuar ou agravar a tendência estrutural de nosso momento econômico. E todas as condicionantes visualizáveis externamente hoje nos estressam. Até as possíveis boas notícias, como a especulada retomada de um nível razoável de atividade econômica nos EUA.
Vejam aonde chegamos por nossa própria culpa e incompetência: se melhorar a economia global puxada pelos Estados Unidos, nossas dificuldades de financiar o brutal rombo que cevamos se agravarão. E teremos de começar a usar nossas “balas na agulha”… Ou seja, manipular a taxa de câmbio por meio da venda de dólares baratos (como o Banco Central tem feito) para os especuladores encastelados na banca brasileira e internacional. Para, mais cedo ou mais tarde, quebrarmos.
Enquanto isso, o País se desindustrializa. A indústria brasileira hoje representa exíguos 13% do PIB.
O diagnóstico correto é a condição essencial para o correto ataque ao problema. E assusto-me em ouvir meu amigo Guido Mantega falar em “minicrise” e não abrir uma conversa franca sobre as saídas, enquanto a crise é só crônica. Esse filme é velho, já visto. E teve a reeleição, essa praga introduzida em nossos costumes, como causa. “A bala na agulha” na época foi o maior empréstimo do FMI em toda a sua história, em vez das reservas atuais. Fernando Henrique ganha as eleições de 1998 e, em janeiro de 1999, o real mica. Nota cultural: todos os bancos privados acertaram claramente a véspera de virada no câmbio, menos o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os minúsculos Marka e FonteCindam (mas aí o escândalo é outro, é o do Chico). O prejuízo para a nação brasileira foi superior a 18 bilhões de dólares.
Vamos decompor esse déficit. Vamos entendê-lo, produzir iniciativas consistentes para superá-lo. Algumas pistas são óbvias. Como a Petrobras pode ser a principal causa isolada da deterioração de nosso saldo comercial? Temos de pagar tal fortuna em royalties?
Vamos auditar essa conta. Por que um país detentor de 8,4 mil quilômetros de costa abre mão de ter uma Marinha Mercante e paga mais de 10 bilhões de dólares de frete a estrangeiros? De novo a assaltada Petrobras, a maior responsável… Por que a maior agricultura tropical do planeta tem de importar 40% de seus insumos? Por que o governo federal importa mais de 15 bilhões de dólares para o Ministério da Saúde, 76% com patente vencida, segundo o professor Carlos Gadelha, da Fiocruz? É razoável que os uniformes das Forças Armadas brasileiras sejam importados da China, como quase aconteceu recentemente?
Saudades do Bussunda: fala sério.
* Ciro Gomes,
Ex-ministro da Fazenda.
Gravíssimo engano se esse for o ponto de partida para atacar o explosivo problema cambial brasileiro. Diga-se logo: não falamos de urgências urgentíssimas. De fato, temos muita “bala na agulha”, como disse a presidenta, para administrar uma transição, graças aos mais de 370 bilhões de dólares em nossas reservas cambiais. É preciso, entretanto, conhecer o aspecto cancerígeno que o problema tem sobre nossa sorte econômica enquanto nação.
O Brasil tem experimentado déficits recordes em suas contas externas. A cada mês, o recorde é batido e neste ano já quer mirar os 75 bilhões de dólares. É o resultado de todas as nossas contas em dólar com o estrangeiro. O que temos de pagar a eles, em todas as rubricas, e o que eles têm de nos pagar de volta. Tirante um restinho de saldo comercial de cuja certeza nem sequer temos mais, o buraco é generalizado e em escala crescente. Trata-se de um problema estrutural. Não foi criado pelo atual governo, mas é dele a indeclinável tarefa de montar a equação de saída, tanto mais se o prazo para termos turbulências graves explodir muito provavelmente em um possível segundo governo Dilma.
Perdoem-me os letrados, o mercado de dólar funciona da mesma maneira que aquele de bananas em Sobradinho: se tiver pouca banana e muita gente disposta a comprá-la, o preço sobe. Se o Brasil tem uma brutal escassez de dólares, em virtude de déficits recordes e em expansão, o preço do dólar em real tende a subir. A causa é intrinsecamente nacional. Certamente, causas externas podem atenuar ou agravar a tendência estrutural de nosso momento econômico. E todas as condicionantes visualizáveis externamente hoje nos estressam. Até as possíveis boas notícias, como a especulada retomada de um nível razoável de atividade econômica nos EUA.
Vejam aonde chegamos por nossa própria culpa e incompetência: se melhorar a economia global puxada pelos Estados Unidos, nossas dificuldades de financiar o brutal rombo que cevamos se agravarão. E teremos de começar a usar nossas “balas na agulha”… Ou seja, manipular a taxa de câmbio por meio da venda de dólares baratos (como o Banco Central tem feito) para os especuladores encastelados na banca brasileira e internacional. Para, mais cedo ou mais tarde, quebrarmos.
Enquanto isso, o País se desindustrializa. A indústria brasileira hoje representa exíguos 13% do PIB.
O diagnóstico correto é a condição essencial para o correto ataque ao problema. E assusto-me em ouvir meu amigo Guido Mantega falar em “minicrise” e não abrir uma conversa franca sobre as saídas, enquanto a crise é só crônica. Esse filme é velho, já visto. E teve a reeleição, essa praga introduzida em nossos costumes, como causa. “A bala na agulha” na época foi o maior empréstimo do FMI em toda a sua história, em vez das reservas atuais. Fernando Henrique ganha as eleições de 1998 e, em janeiro de 1999, o real mica. Nota cultural: todos os bancos privados acertaram claramente a véspera de virada no câmbio, menos o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os minúsculos Marka e FonteCindam (mas aí o escândalo é outro, é o do Chico). O prejuízo para a nação brasileira foi superior a 18 bilhões de dólares.
Vamos decompor esse déficit. Vamos entendê-lo, produzir iniciativas consistentes para superá-lo. Algumas pistas são óbvias. Como a Petrobras pode ser a principal causa isolada da deterioração de nosso saldo comercial? Temos de pagar tal fortuna em royalties?
Vamos auditar essa conta. Por que um país detentor de 8,4 mil quilômetros de costa abre mão de ter uma Marinha Mercante e paga mais de 10 bilhões de dólares de frete a estrangeiros? De novo a assaltada Petrobras, a maior responsável… Por que a maior agricultura tropical do planeta tem de importar 40% de seus insumos? Por que o governo federal importa mais de 15 bilhões de dólares para o Ministério da Saúde, 76% com patente vencida, segundo o professor Carlos Gadelha, da Fiocruz? É razoável que os uniformes das Forças Armadas brasileiras sejam importados da China, como quase aconteceu recentemente?
Saudades do Bussunda: fala sério.
* Ciro Gomes,
Ex-ministro da Fazenda.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
PIB e pibinho - 1
Não deixa de ser significativo o que é comemorado no Brasil nestes estranhos tempos. Começou-se o ano se especulando que o crescimento do PIB gravitaria ao redor de 4%. Já em meados do ano, o próprio governo admitia que este crescimento não seria maior que 2,5%. Agora o PIB do terceiro trimestre, cujas previsões giravam entre 0,8% e 1,3% no segundo trimestre, "surpreendeu" (+1,5%). Os setores que surpreenderam foram a agricultura (+3,9% registrado contra 1,5% esperado) e a construção civil (+3,8%). Os outros indicadores foram razoavelmente dentro das expectativas o que pode ser considerado como bom no atual contexto de desânimo. A questão é sabermos se houve uma mudança estrutural que justificasse tal desempenho superior. A resposta é não. A economia brasileira deve cair um pouco em relação ao segundo trimestre e, ao final do ano, subir um pouco. Na contabilidade do ano vamos crescer algo como 2,3%-2,4%, o patamar que os EUA apresentam e que é insatisfatório. Mas, por aqui, a surpresa faz com que o ministro da Fazenda saia de sua rotina e manifeste a glória de sua política econômica. O Brasil continua um país de crescimento medíocre e não há nenhum vetor estrutural sendo alterado para que este 'voo de galinha' se afaste de nós.
PIB e pibinho - 2
O principal item que acalenta a tendência medíocre do crescimento brasileiro é a ausência de uma visão estratégica para as políticas econômicas. A combinação confiável entre o capital privado e o estatal persiste opaca pelo arranjo entre uma visão ideológica vencida da presidente-ministra da Fazenda Dilma Rousseff. Além disso, o governo flerta com a falta de disciplina fiscal e com a inflação mais alta, controlada, em parte, pela compressão de preços públicos e pela alta (hesitante) da taxa de juros básica. Não há nenhuma relação de causa e efeito que indique que o crescimento no Brasil será mais robusto nos próximos dois anos. É essencial que se supere (i) a inoperância/ineficiência governamental em relação às reformas e ao investimento, (ii) a política cambial desindustrializante, (iii) o custo elevado do crédito local e (iv) a baixa produtividade do setor público. Isso requererá reformas estruturais que vão da educação à tributação e que o governo e a sociedade gostam de jogar para debaixo do tapete. Resultado : PIB que cresce 2,5% é razão de euforia.
Sucesso eleitoral? - 1
Há dúvidas - ver notas acima - a respeito da continuidade da recuperação da economia brasileira no ritmo flagrado pelo IBGE no segundo trimestre. O próprio ministro Guido Mantega, o "dr. Pangloss" nacional de plantão, preferiu ser comedido e ficar com sua previsão anterior, de crescimento de 2,5% até dezembro, melhor que no ano passado, mas inferior da 2011. A presidente Dilma, sempre, agora com a direta orientação de seus marqueteiros, sempre disposta a trombetear qualquer sucesso de seu governo, mesmo quando é apenas uma pedra fundamental, preferiu também ser comedida nas suas comemorações. As razões nos parecem mais políticas que econômicas. Um dado do PIB do primeiro trimestre não é para comemorar, pelo menos sob a ótica político-eleitoral mais imediata do Palácio do Planalto. Enquanto economistas apontavam como um dos sinais o fato de a economia nacional estar invertendo sua lógica de crescimento dos últimos anos, saindo da força no consumo e recuperando ainda que em bases baixas, o investimento, o mundo do marketing político vê essa inversão como um ponto negativo.
Sucesso eleitoral? - 2
Afinal, a popularidade da presidente até a eclosão das ruas juninas, assim com a de Lula antes e sempre, se sustentou exatamente neste ponto: a satisfação da sociedade, especialmente a impropriamente chamada classe C, por estar consumindo mais. O sinal de que o consumo está estagnado - cresceu apenas 0,3% no trimestre abril/maio/junho, depois de ter caído 0,8% no período anterior - foi um soco na boca do estômago dos marqueteiros. Ainda mais se somarmos a isto os dados de que o crescimento da oferta de empregos com carteira assinada está desacelerado, que a renda média do trabalhador cai desde o início do ano, que o crédito ao consumo está mais seletivo. As manifestações juninas tiveram como estopim o aumento nos transportes coletivos em SP, RJ e em algumas outras cidades, porém só tiveram o alcance de público e de crítica que tiveram porque havia um caldo de cultura para o movimento prosperar.
Sucesso eleitoral? - 3
Centenas e milhares de pessoas foram se manifestar e mais de 80% dos brasileiros (dados de mais de uma pesquisa) aplaudiram as ruas em movimento não apenas pela insatisfação com a qualidade dos serviços públicos em geral e com a capacidade dos políticos fazerem as coisas certas, mas também por uma difusa sensação de insegurança, medo de perder o que foi conquistado nos últimos anos. Enquanto os economistas de Dilma não encontram uma fórmula para recuperar o poder de consumo da população e afastar o temor do desemprego, o desafio de Dilma e seus marqueteiros será encontrar outro mote para manter o discurso de gosto popular que a presidente abraçou nos últimos meses. Daí a ênfase no programa "Mais Médicos", um ideia positiva, porém cheia de aventuras e improvisações que tanto pode ser bem sucedida como virar um fracasso do qual Dilma e menos ainda o ministro Alexandre Padilha dificilmente se recuperarão.
Mais médicos
A reação inconsequente por parte de alguns profissionais brasileiros de medicina, como os que vaiaram indecentemente médicos cubanos em Recife, ou do CRM de MG, estão ajudando Dilma e Padilha a empurrar o programa "Mais Médicos" porque desviam a discussão de questões gravíssimas da saúde brasileira. Parece que tudo se resume a ter ou não ter mais médicos formados em Cuba no Brasil. Ajuda também a presidente o fato de seus oposicionistas não saberem o que dizer sobre o assunto. Bom ou mal para ajudar a minorar os problemas do atendimento às populações mais carentes do país em matéria de saúde, não há dúvidas de que o projeto tem claramente um cunho eleitoreiro. Basta ver que o acerto com os cubanos já estava feito há mais de seis meses, inclusive com instrutores brasileiros tendo ido a Cuba treinar seus profissionais, muito antes de a presidente Dilma, com uma espécie de resposta ao clamor das ruas, ter anunciado o "Mais Médicos".
Perca-se a ilusão. Ou: uma homenagem a Tiririca
Quase tudo o que se escreveu e o que ainda se escreverá sobre o escárnio, a cusparada na cara dos brasileiros como pode ser denominada a recusa da Câmara em cassar o mandato do deputado Natan Donadon, terá sido pouco para espelhar a indignação nacional contra a indignidade cometida pelos parlamentares e seus partidos. A imagem já está ficando batida, mas vale dizer mais uma que o deputado (e palhaço, no bom sentido) estava errado ao dizer que 'pior que está não fica'. Fica sim. Perca-se a ilusão de que alguma coisa possa mudar por lá: a verdadeira reforma política não sai. Um dia, se sair, sai apenas na parte que interessa políticos e partidos. Nem o fim do voto secreto no Parlamento, apontado como principal responsável pela manutenção do mandato do deputado Donadon, será aprovado com rapidez, embora o presidente da Câmara, Eduardo Alves, tenha prometido botar o projeto imediatamente em votação. Pode até passar na Câmara, mas para "inglês ver": será modificado, como quer o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), uma espécie de quase dono da casa dos deputados, sem o qual nada de bom ou de mau por lá acontece. Ademais, terá então de voltar ao Senado. Também é coisa para algum tempo longínquo a aprovação no Senado da PEC, que torna automática a perda de mandato dos parlamentares condenados por corrupção ao crime comum. Tiririca vai ter de mudar seu slogan se quiser se reeleger.
Contas a pagar
1. Estão sendo crucificados os deputados que assinaram a folha de presença na sessão de cassação do mandato do deputado Donadon e não votaram. Mesmo com o voto secreto eles foram identificados. São identificados e execrados também os que se ausentaram totalmente da Câmara naquela hora. Porém, os 513 deputados, exceção para aqueles (por doença ou viagem oficial) com justificativas plenas, são responsáveis por aquelas cenas de desrespeito aos brasileiros. O voto secreto também tem isto : todos são suspeitos igualmente, porque não dá para saber quem votou de tal ou qual forma.
2. Com O episódio, ficou ainda mais difícil de entender a mudança de entendimento do STF em casos de condenados como o de Donadon e do mensalão. No caso dos mensaleiros, os ministros entenderam que a cassação do mandato dos que são ainda parlamentares é automática. O que até ameaçou abrir uma crise entre o Judiciário e o Legislativo. No do deputado presidiário, já com o voto dos novos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, entendeu-se que a questão do mandato era privativa da Câmara. O STF também precisa se explicar.
3. Se alguns dos ausentes na fatídica sessão de terça-feira na Câmara e os que, beneficiados pelo covarde manto secreto contribuíram com a "absolvição" de Donadon, acreditavam estar abrindo caminho para dar boa vida aos mensaleiros-parlamentares, estão enganados. Como se diz popularmente, o tiro saiu pela culatra. Um dos temas que as manifestações programadas para este sábado, 7/9, em todo o país, vão levar para as ruas é exatamente o da impunidade política de parlamentares e dos mensaleiros.
Veio a calhar
O vexame da Câmara veio em boa hora para o Palácio do Planalto. Não que a presidente Dilma esteja comemorando qualquer coisa do caso Donadon. É inegável, porém, que este assunto deve desviar um pouco a atenção de outras palavras de ordem popular das manifestações de sábado. De todo modo, a segurança oficial está tomando todas as precauções possíveis - e muito mais - para proteger a presidente de cenas desagradáveis no palanque do desfile militar em Brasília. No ano passado, com um clima bem melhor, a presidente já foi alvo de vaias.
Cadê?
Nada mais se fala sobre o plebiscito, sobre referendo, sobre nenhum plano arquitetado por Aloizio Mercadante?
Trinta dias decisivos
Em pouco mais de um mês (exatamente no dia 5/10) parte do jogo eleitoral de 2014 estará definido : é quando termina o prazo para inscrições partidárias. Daí para frente ninguém mais muda de partido ou poderá se inscrever numa legenda para disputar as eleições ano que vem. Apenas a presidente Dilma Rousseff, do grid de sucessão presidencial, passará o mês sem muitas tensões nesta área. Aécio Neves vai ficar na expectativa do que vai fazer José Serra. Para o senador mineiro o ideal é que o ex-governador paulista ficasse no PSDB e se engajasse de fato em sua campanha. Isto, porém, parece impossível - e, aconteça o que acontecer, terá um custo para os tucanos. Eduardo Campos vê algumas reações às suas pretensões presidenciais, cada vez mais evidentes, contestadas por alguns governadores e prefeitos que não querem se indispor com os cofres do governo Federal. E pode perder aliados. O governador do CE, Cid Gomes, um empedernido governista Federal, anda caçando um novo partido abertamente. Seu mais recente sinal foi para o Solidariedade, partido que o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, promete colocar de pé no tempo devido. Marina Silva está às voltas com a criação de um partido para chamar de seu ou na busca de uma legenda que aceite abrigá-la e tenha uma imagem mais aceitável para a população. Enquanto isso Dilma terá tempo de cuidar dos seus renitentes parceiros que prometem para ela grandes emoções quando de fato os palanques regionais começaram a se formar.
Não preocupa agora
A presidente Dilma e sua turma da política não deram sinais de ter sentido o golpe do acordo de cooperação e não beligerância celebrado entre dois de seus prováveis adversários ano que vem : Aécio Neves e Eduardo Cunha. Pelo menos aparentemente. No momento, embora não confesse, a preocupação do staff reeleitoral é cortar as asas de Marina Silva. Uma leitura atenta das diversas pesquisas de opinião pública mostra que a ex-ministra é a que tem o maior potencial de surrupiar votos de Dilma. Com Marina está a chave do segundo turno, mesmo que ela não seja a escolhida para disputar o turno derradeiro.
É tudo ou nada nas concessões - 1
Exatamente em 15 dias, com o leilão de dois trechos de rodovias, o governo terá exatamente os sinais definitivos se o seu PIL (Programa de Investimentos Logísticos), lançado há mais de um ano e andando até agora a passos de cágado, vai deslanchar ou não. Para exorcizar o risco de um fracasso - em janeiro falho o primeiro leilão rodoviário -, que poderia contaminar em seguida as concessões também previstas para este ano de ferrovias, portos e aeroportos, além da primeira venda do pré-sal, o governo abriu o cofre de concessões.
É tudo ou nada nas concessões - 2
Colocado diante da ameaça de possíveis concorrentes de ficar em casa, o governo alterou várias regras inicialmente previstas. Poderá alterar outras até o dia 18/9. Semana passada, por exemplo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou dirigentes de bancos a Brasília para induzi-los a criar consórcios para financiar empresas interessadas em participar dos leilões. E ofereceu a eles risco zero nessas operações. O sucesso dos leilões é essencial por pelo menos quatro razões para Dilma:
1. A óbvia: sem a participação do capital privado nacional e estrangeiro será impossível melhorar, em prazo razoável, as condições da economia nacional para que ela possa crescer sem constrangimentos. Certamente o início efetivo de obras, no ano que vem, ajuda a turbinar o PIB de 2014.
2. Acertar bons negócios, ainda com a boa notícia relativa do PIB do segundo trimestre, pode quebrar a desconfiança e a resistência dos investidores na economia brasileira.
3. Vai melhorar também o astral da população e, naturalmente, dar a Dilma mais um bom argumento de palanque.
4. O dinheiro que deve entrar ainda este ano, com a assinatura dos contratos, o bônus de concessão, é essencial para fechar as contas públicas de 2013, especialmente os R$ 15 bilhões esperados para a primeira concessão do pré-sal.
Por isso, depois de muitas resistências e incensos de todos os lados ao estatismo velho de guerra, o Palácio do Planalto agora está erguendo todas as velas à Santa Concessão.
Espia que eu gosto
Usualmente quando a área de inteligência de um governo proporciona inquietações ao governo, os assessores se mexem muito antes dos atores principais para "mapear o problema". Em matéria tão sensível, não deve um presidente se expor primevamente antes de um tratamento inicial da questão pelas instâncias menores. Até o mundo mineral sabe que os EUA espionam mundo afora numa velocidade e quantidade jamais vistas. O Brasil não é exceção, muito embora esteja distante daquilo que seria o interesse central dos americanos. Ora, a presidente Dilma tem especial predileção em fazer do tema "espionagem" matéria de ampla divulgação social. Não faltam expressões de indignação patriótica na boca dos ministros do governo. Enquanto isso, as relações Brasil/EUA vão se deteriorando no momento em que a ocupante do Planalto prepara-se para tomar seu avião e ir tratar com o chefe do Império, Mr. Obama. Se a espionagem é tão certa, esta indignação pública ainda precisa ser explicada. Será que a presidente quer ganhar pontos junto à opinião pública às custas de um assunto tão obscuro?
O sonho de Obama
Se os EUA irão ou não atacar a debilitada Síria não é possível saber. São muitos os fatores a serem analisados em torno deste sensível assunto. Uma coisa é certa: sabia-se que Obama não passa de um conservador suficientemente provido de atributos de produto de marketing; o que não se sabia é que Obama era quase igual a Bush Jr. Se Barack fizesse o discurso I have a dream de Martin Luther King talvez ele dissesse que o sonho se realizou: Obama é igual a Bush, the little one.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Não deixa de ser significativo o que é comemorado no Brasil nestes estranhos tempos. Começou-se o ano se especulando que o crescimento do PIB gravitaria ao redor de 4%. Já em meados do ano, o próprio governo admitia que este crescimento não seria maior que 2,5%. Agora o PIB do terceiro trimestre, cujas previsões giravam entre 0,8% e 1,3% no segundo trimestre, "surpreendeu" (+1,5%). Os setores que surpreenderam foram a agricultura (+3,9% registrado contra 1,5% esperado) e a construção civil (+3,8%). Os outros indicadores foram razoavelmente dentro das expectativas o que pode ser considerado como bom no atual contexto de desânimo. A questão é sabermos se houve uma mudança estrutural que justificasse tal desempenho superior. A resposta é não. A economia brasileira deve cair um pouco em relação ao segundo trimestre e, ao final do ano, subir um pouco. Na contabilidade do ano vamos crescer algo como 2,3%-2,4%, o patamar que os EUA apresentam e que é insatisfatório. Mas, por aqui, a surpresa faz com que o ministro da Fazenda saia de sua rotina e manifeste a glória de sua política econômica. O Brasil continua um país de crescimento medíocre e não há nenhum vetor estrutural sendo alterado para que este 'voo de galinha' se afaste de nós.
PIB e pibinho - 2
O principal item que acalenta a tendência medíocre do crescimento brasileiro é a ausência de uma visão estratégica para as políticas econômicas. A combinação confiável entre o capital privado e o estatal persiste opaca pelo arranjo entre uma visão ideológica vencida da presidente-ministra da Fazenda Dilma Rousseff. Além disso, o governo flerta com a falta de disciplina fiscal e com a inflação mais alta, controlada, em parte, pela compressão de preços públicos e pela alta (hesitante) da taxa de juros básica. Não há nenhuma relação de causa e efeito que indique que o crescimento no Brasil será mais robusto nos próximos dois anos. É essencial que se supere (i) a inoperância/ineficiência governamental em relação às reformas e ao investimento, (ii) a política cambial desindustrializante, (iii) o custo elevado do crédito local e (iv) a baixa produtividade do setor público. Isso requererá reformas estruturais que vão da educação à tributação e que o governo e a sociedade gostam de jogar para debaixo do tapete. Resultado : PIB que cresce 2,5% é razão de euforia.
Sucesso eleitoral? - 1
Há dúvidas - ver notas acima - a respeito da continuidade da recuperação da economia brasileira no ritmo flagrado pelo IBGE no segundo trimestre. O próprio ministro Guido Mantega, o "dr. Pangloss" nacional de plantão, preferiu ser comedido e ficar com sua previsão anterior, de crescimento de 2,5% até dezembro, melhor que no ano passado, mas inferior da 2011. A presidente Dilma, sempre, agora com a direta orientação de seus marqueteiros, sempre disposta a trombetear qualquer sucesso de seu governo, mesmo quando é apenas uma pedra fundamental, preferiu também ser comedida nas suas comemorações. As razões nos parecem mais políticas que econômicas. Um dado do PIB do primeiro trimestre não é para comemorar, pelo menos sob a ótica político-eleitoral mais imediata do Palácio do Planalto. Enquanto economistas apontavam como um dos sinais o fato de a economia nacional estar invertendo sua lógica de crescimento dos últimos anos, saindo da força no consumo e recuperando ainda que em bases baixas, o investimento, o mundo do marketing político vê essa inversão como um ponto negativo.
Sucesso eleitoral? - 2
Afinal, a popularidade da presidente até a eclosão das ruas juninas, assim com a de Lula antes e sempre, se sustentou exatamente neste ponto: a satisfação da sociedade, especialmente a impropriamente chamada classe C, por estar consumindo mais. O sinal de que o consumo está estagnado - cresceu apenas 0,3% no trimestre abril/maio/junho, depois de ter caído 0,8% no período anterior - foi um soco na boca do estômago dos marqueteiros. Ainda mais se somarmos a isto os dados de que o crescimento da oferta de empregos com carteira assinada está desacelerado, que a renda média do trabalhador cai desde o início do ano, que o crédito ao consumo está mais seletivo. As manifestações juninas tiveram como estopim o aumento nos transportes coletivos em SP, RJ e em algumas outras cidades, porém só tiveram o alcance de público e de crítica que tiveram porque havia um caldo de cultura para o movimento prosperar.
Sucesso eleitoral? - 3
Centenas e milhares de pessoas foram se manifestar e mais de 80% dos brasileiros (dados de mais de uma pesquisa) aplaudiram as ruas em movimento não apenas pela insatisfação com a qualidade dos serviços públicos em geral e com a capacidade dos políticos fazerem as coisas certas, mas também por uma difusa sensação de insegurança, medo de perder o que foi conquistado nos últimos anos. Enquanto os economistas de Dilma não encontram uma fórmula para recuperar o poder de consumo da população e afastar o temor do desemprego, o desafio de Dilma e seus marqueteiros será encontrar outro mote para manter o discurso de gosto popular que a presidente abraçou nos últimos meses. Daí a ênfase no programa "Mais Médicos", um ideia positiva, porém cheia de aventuras e improvisações que tanto pode ser bem sucedida como virar um fracasso do qual Dilma e menos ainda o ministro Alexandre Padilha dificilmente se recuperarão.
Mais médicos
A reação inconsequente por parte de alguns profissionais brasileiros de medicina, como os que vaiaram indecentemente médicos cubanos em Recife, ou do CRM de MG, estão ajudando Dilma e Padilha a empurrar o programa "Mais Médicos" porque desviam a discussão de questões gravíssimas da saúde brasileira. Parece que tudo se resume a ter ou não ter mais médicos formados em Cuba no Brasil. Ajuda também a presidente o fato de seus oposicionistas não saberem o que dizer sobre o assunto. Bom ou mal para ajudar a minorar os problemas do atendimento às populações mais carentes do país em matéria de saúde, não há dúvidas de que o projeto tem claramente um cunho eleitoreiro. Basta ver que o acerto com os cubanos já estava feito há mais de seis meses, inclusive com instrutores brasileiros tendo ido a Cuba treinar seus profissionais, muito antes de a presidente Dilma, com uma espécie de resposta ao clamor das ruas, ter anunciado o "Mais Médicos".
Perca-se a ilusão. Ou: uma homenagem a Tiririca
Quase tudo o que se escreveu e o que ainda se escreverá sobre o escárnio, a cusparada na cara dos brasileiros como pode ser denominada a recusa da Câmara em cassar o mandato do deputado Natan Donadon, terá sido pouco para espelhar a indignação nacional contra a indignidade cometida pelos parlamentares e seus partidos. A imagem já está ficando batida, mas vale dizer mais uma que o deputado (e palhaço, no bom sentido) estava errado ao dizer que 'pior que está não fica'. Fica sim. Perca-se a ilusão de que alguma coisa possa mudar por lá: a verdadeira reforma política não sai. Um dia, se sair, sai apenas na parte que interessa políticos e partidos. Nem o fim do voto secreto no Parlamento, apontado como principal responsável pela manutenção do mandato do deputado Donadon, será aprovado com rapidez, embora o presidente da Câmara, Eduardo Alves, tenha prometido botar o projeto imediatamente em votação. Pode até passar na Câmara, mas para "inglês ver": será modificado, como quer o deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), uma espécie de quase dono da casa dos deputados, sem o qual nada de bom ou de mau por lá acontece. Ademais, terá então de voltar ao Senado. Também é coisa para algum tempo longínquo a aprovação no Senado da PEC, que torna automática a perda de mandato dos parlamentares condenados por corrupção ao crime comum. Tiririca vai ter de mudar seu slogan se quiser se reeleger.
Contas a pagar
1. Estão sendo crucificados os deputados que assinaram a folha de presença na sessão de cassação do mandato do deputado Donadon e não votaram. Mesmo com o voto secreto eles foram identificados. São identificados e execrados também os que se ausentaram totalmente da Câmara naquela hora. Porém, os 513 deputados, exceção para aqueles (por doença ou viagem oficial) com justificativas plenas, são responsáveis por aquelas cenas de desrespeito aos brasileiros. O voto secreto também tem isto : todos são suspeitos igualmente, porque não dá para saber quem votou de tal ou qual forma.
2. Com O episódio, ficou ainda mais difícil de entender a mudança de entendimento do STF em casos de condenados como o de Donadon e do mensalão. No caso dos mensaleiros, os ministros entenderam que a cassação do mandato dos que são ainda parlamentares é automática. O que até ameaçou abrir uma crise entre o Judiciário e o Legislativo. No do deputado presidiário, já com o voto dos novos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, entendeu-se que a questão do mandato era privativa da Câmara. O STF também precisa se explicar.
3. Se alguns dos ausentes na fatídica sessão de terça-feira na Câmara e os que, beneficiados pelo covarde manto secreto contribuíram com a "absolvição" de Donadon, acreditavam estar abrindo caminho para dar boa vida aos mensaleiros-parlamentares, estão enganados. Como se diz popularmente, o tiro saiu pela culatra. Um dos temas que as manifestações programadas para este sábado, 7/9, em todo o país, vão levar para as ruas é exatamente o da impunidade política de parlamentares e dos mensaleiros.
Veio a calhar
O vexame da Câmara veio em boa hora para o Palácio do Planalto. Não que a presidente Dilma esteja comemorando qualquer coisa do caso Donadon. É inegável, porém, que este assunto deve desviar um pouco a atenção de outras palavras de ordem popular das manifestações de sábado. De todo modo, a segurança oficial está tomando todas as precauções possíveis - e muito mais - para proteger a presidente de cenas desagradáveis no palanque do desfile militar em Brasília. No ano passado, com um clima bem melhor, a presidente já foi alvo de vaias.
Cadê?
Nada mais se fala sobre o plebiscito, sobre referendo, sobre nenhum plano arquitetado por Aloizio Mercadante?
Trinta dias decisivos
Em pouco mais de um mês (exatamente no dia 5/10) parte do jogo eleitoral de 2014 estará definido : é quando termina o prazo para inscrições partidárias. Daí para frente ninguém mais muda de partido ou poderá se inscrever numa legenda para disputar as eleições ano que vem. Apenas a presidente Dilma Rousseff, do grid de sucessão presidencial, passará o mês sem muitas tensões nesta área. Aécio Neves vai ficar na expectativa do que vai fazer José Serra. Para o senador mineiro o ideal é que o ex-governador paulista ficasse no PSDB e se engajasse de fato em sua campanha. Isto, porém, parece impossível - e, aconteça o que acontecer, terá um custo para os tucanos. Eduardo Campos vê algumas reações às suas pretensões presidenciais, cada vez mais evidentes, contestadas por alguns governadores e prefeitos que não querem se indispor com os cofres do governo Federal. E pode perder aliados. O governador do CE, Cid Gomes, um empedernido governista Federal, anda caçando um novo partido abertamente. Seu mais recente sinal foi para o Solidariedade, partido que o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, promete colocar de pé no tempo devido. Marina Silva está às voltas com a criação de um partido para chamar de seu ou na busca de uma legenda que aceite abrigá-la e tenha uma imagem mais aceitável para a população. Enquanto isso Dilma terá tempo de cuidar dos seus renitentes parceiros que prometem para ela grandes emoções quando de fato os palanques regionais começaram a se formar.
Não preocupa agora
A presidente Dilma e sua turma da política não deram sinais de ter sentido o golpe do acordo de cooperação e não beligerância celebrado entre dois de seus prováveis adversários ano que vem : Aécio Neves e Eduardo Cunha. Pelo menos aparentemente. No momento, embora não confesse, a preocupação do staff reeleitoral é cortar as asas de Marina Silva. Uma leitura atenta das diversas pesquisas de opinião pública mostra que a ex-ministra é a que tem o maior potencial de surrupiar votos de Dilma. Com Marina está a chave do segundo turno, mesmo que ela não seja a escolhida para disputar o turno derradeiro.
É tudo ou nada nas concessões - 1
Exatamente em 15 dias, com o leilão de dois trechos de rodovias, o governo terá exatamente os sinais definitivos se o seu PIL (Programa de Investimentos Logísticos), lançado há mais de um ano e andando até agora a passos de cágado, vai deslanchar ou não. Para exorcizar o risco de um fracasso - em janeiro falho o primeiro leilão rodoviário -, que poderia contaminar em seguida as concessões também previstas para este ano de ferrovias, portos e aeroportos, além da primeira venda do pré-sal, o governo abriu o cofre de concessões.
É tudo ou nada nas concessões - 2
Colocado diante da ameaça de possíveis concorrentes de ficar em casa, o governo alterou várias regras inicialmente previstas. Poderá alterar outras até o dia 18/9. Semana passada, por exemplo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chamou dirigentes de bancos a Brasília para induzi-los a criar consórcios para financiar empresas interessadas em participar dos leilões. E ofereceu a eles risco zero nessas operações. O sucesso dos leilões é essencial por pelo menos quatro razões para Dilma:
1. A óbvia: sem a participação do capital privado nacional e estrangeiro será impossível melhorar, em prazo razoável, as condições da economia nacional para que ela possa crescer sem constrangimentos. Certamente o início efetivo de obras, no ano que vem, ajuda a turbinar o PIB de 2014.
2. Acertar bons negócios, ainda com a boa notícia relativa do PIB do segundo trimestre, pode quebrar a desconfiança e a resistência dos investidores na economia brasileira.
3. Vai melhorar também o astral da população e, naturalmente, dar a Dilma mais um bom argumento de palanque.
4. O dinheiro que deve entrar ainda este ano, com a assinatura dos contratos, o bônus de concessão, é essencial para fechar as contas públicas de 2013, especialmente os R$ 15 bilhões esperados para a primeira concessão do pré-sal.
Por isso, depois de muitas resistências e incensos de todos os lados ao estatismo velho de guerra, o Palácio do Planalto agora está erguendo todas as velas à Santa Concessão.
Espia que eu gosto
Usualmente quando a área de inteligência de um governo proporciona inquietações ao governo, os assessores se mexem muito antes dos atores principais para "mapear o problema". Em matéria tão sensível, não deve um presidente se expor primevamente antes de um tratamento inicial da questão pelas instâncias menores. Até o mundo mineral sabe que os EUA espionam mundo afora numa velocidade e quantidade jamais vistas. O Brasil não é exceção, muito embora esteja distante daquilo que seria o interesse central dos americanos. Ora, a presidente Dilma tem especial predileção em fazer do tema "espionagem" matéria de ampla divulgação social. Não faltam expressões de indignação patriótica na boca dos ministros do governo. Enquanto isso, as relações Brasil/EUA vão se deteriorando no momento em que a ocupante do Planalto prepara-se para tomar seu avião e ir tratar com o chefe do Império, Mr. Obama. Se a espionagem é tão certa, esta indignação pública ainda precisa ser explicada. Será que a presidente quer ganhar pontos junto à opinião pública às custas de um assunto tão obscuro?
O sonho de Obama
Se os EUA irão ou não atacar a debilitada Síria não é possível saber. São muitos os fatores a serem analisados em torno deste sensível assunto. Uma coisa é certa: sabia-se que Obama não passa de um conservador suficientemente provido de atributos de produto de marketing; o que não se sabia é que Obama era quase igual a Bush Jr. Se Barack fizesse o discurso I have a dream de Martin Luther King talvez ele dissesse que o sonho se realizou: Obama é igual a Bush, the little one.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
OBSERVATÓRIO
Ano passado viajei para Crateús em companhia do líder político Antonio dos Santos. Expansivo e envolvente, loquaz e divertido, o filho de João Melo e eterno Deputado dos Crateuenses narrou-me episódios de sua longa trajetória pública. A certa altura fez um olhar compenetrado, mirou o horizonte e desabafou: - os problemas do nosso grupo político começaram com a morte do Leandro... (Leandro Martins, eleito em 1982 para um mandato de seis anos, faleceu em 1987). Assim, Antonio dos Santos relatou, com riqueza de detalhes, todo o sofrimento que Leandro e família passaram naquele período: desde o telefonema que recebeu da então primeira-dama Toinha, a visita ao médico em Fortaleza, a descoberta do grave problema de saúde, a internação forçada e a morte que causou enorme comoção na cidade.
FELIPE BEZERRA
A política é uma mulher sedutora que, não raro, leva à cegueira os que por ela se deixam conduzir. Apesar das contrariedades, dos enormes dissabores e, sobretudo, da rotina estafante, muitos se envolvem tanto com os seus aparentes encantos que só a deixam quando partem para outra dimensão. Alguns conseguem a façanha de deixá-la à francesa no tempo certo. Felipe Bezerra Cavalcante foi dadivado com essa graça. Militante político, Vereador por Crateús na sequencia do irmão Manoel Bezerra, conseguiu sair da linha de frente da política após vários anos de intensa atividade. E ainda viveu vários janeiros ao lado da família, vindo a falecer na última quarta-feira, dia 28 de agosto, contando 102 anos de existência. Esta coluna externa sua solidariedade à família. (Espaço de análise crítica à gestão, esta Coluna evitará qualquer menção ao Executivo Municipal, até porque o seu titular é filho do falecido patriarca).
LEANDRO
Voltando a falar de Leandro Martins. Detentor de exíguo currículo escolar, Leandro era um arguto e popular comerciante, que atuou destacadamente nos tempos áureos da produção de algodão, também chamado “ouro branco”. Percorrendo o interior do município, se fez popular. Construiu uma carreira política que principiou como Vereador e encerrou como Prefeito. Era um político tradicional, amante do clientelismo. Um de seus programas mais populares como Prefeito foi a distribuição de enxadas no período que antecedia às chuvas. Diferentemente de hoje, quando se distribui bolsas sem exigência de contrapartida – o que estimula a ociosidade – Leandro distribuía um instrumento de trabalho essencial à agricultura manual. Era fomentador da cultura do trabalho, da prática produtiva.
O TRABALHO
A súmula da vida monástica instituída por São Bento continua atual: ora et labora (“reza e trabalha”). Ninguém pode descurar quão bela é a cultura da fé aliada ao trabalho. Rui Barbosa ensinou que “oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se da alma pelo contacto com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua sobre si mesmos e sobre o mundo onde labutamos. O indivíduo que trabalha acerca-se continuamente do autor de todas as coisas, tomando na sua obra uma parte de que depende também a dele”.
LOJAS AMERICANAS
O grupo RAMLIVE, sob a liderança do empresário Adonel Rodrigues Sales, premia a cidade de Crateús com um empreendimento digno de aplauso: uma unidade da rede Lojas Americanas. Com um projeto arquitetônico que preservará a estrutura do octogenário Casarão situado na esquina das ruas Barão do Rio Branco com Coronel Lúcio, no Centro de Crateús, o empreendimento tem previsão de entrega para setembro de 2014. “Aqui, começamos, crescemos e nos sentimos alegres e motivados a investir, para colaborar e contribuir com esta terra. O empreendimento trará desenvolvimento econômico para a Região”, destacou o empresário Adonel, que reside em Sobral, centro dos negócios do grupo.
LAGO DE FRONTEIRAS
O DNOCS publicou, no Diário Oficial da União de 21/8/2013, o Aviso do Edital de Licitação que tem como objeto a contratação de empresa para executar as obras e serviços de implantação do Lago de Fronteiras. O mais importante é que a obra tem potencial para irrigação de seis mil hectares. Ivan Monte Claudino, diretor do órgão, teve papel essencial na liberação dessa obra. Logo que assumiu a Diretoria, Ivan – que também é adepto da cultura do trabalho – colocou o projeto debaixo do braço, foi de setor em setor até conseguir esse resultado positivo. O investimento deverá ultrapassar a ordem de R$ 200 milhões.
PARA REFLETIR
“Trabalha com gosto e terás o gosto do trabalho”. (Benjamim Franklin)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
FELIPE BEZERRA
A política é uma mulher sedutora que, não raro, leva à cegueira os que por ela se deixam conduzir. Apesar das contrariedades, dos enormes dissabores e, sobretudo, da rotina estafante, muitos se envolvem tanto com os seus aparentes encantos que só a deixam quando partem para outra dimensão. Alguns conseguem a façanha de deixá-la à francesa no tempo certo. Felipe Bezerra Cavalcante foi dadivado com essa graça. Militante político, Vereador por Crateús na sequencia do irmão Manoel Bezerra, conseguiu sair da linha de frente da política após vários anos de intensa atividade. E ainda viveu vários janeiros ao lado da família, vindo a falecer na última quarta-feira, dia 28 de agosto, contando 102 anos de existência. Esta coluna externa sua solidariedade à família. (Espaço de análise crítica à gestão, esta Coluna evitará qualquer menção ao Executivo Municipal, até porque o seu titular é filho do falecido patriarca).
LEANDRO
Voltando a falar de Leandro Martins. Detentor de exíguo currículo escolar, Leandro era um arguto e popular comerciante, que atuou destacadamente nos tempos áureos da produção de algodão, também chamado “ouro branco”. Percorrendo o interior do município, se fez popular. Construiu uma carreira política que principiou como Vereador e encerrou como Prefeito. Era um político tradicional, amante do clientelismo. Um de seus programas mais populares como Prefeito foi a distribuição de enxadas no período que antecedia às chuvas. Diferentemente de hoje, quando se distribui bolsas sem exigência de contrapartida – o que estimula a ociosidade – Leandro distribuía um instrumento de trabalho essencial à agricultura manual. Era fomentador da cultura do trabalho, da prática produtiva.
O TRABALHO
A súmula da vida monástica instituída por São Bento continua atual: ora et labora (“reza e trabalha”). Ninguém pode descurar quão bela é a cultura da fé aliada ao trabalho. Rui Barbosa ensinou que “oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se da alma pelo contacto com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua sobre si mesmos e sobre o mundo onde labutamos. O indivíduo que trabalha acerca-se continuamente do autor de todas as coisas, tomando na sua obra uma parte de que depende também a dele”.
LOJAS AMERICANAS
O grupo RAMLIVE, sob a liderança do empresário Adonel Rodrigues Sales, premia a cidade de Crateús com um empreendimento digno de aplauso: uma unidade da rede Lojas Americanas. Com um projeto arquitetônico que preservará a estrutura do octogenário Casarão situado na esquina das ruas Barão do Rio Branco com Coronel Lúcio, no Centro de Crateús, o empreendimento tem previsão de entrega para setembro de 2014. “Aqui, começamos, crescemos e nos sentimos alegres e motivados a investir, para colaborar e contribuir com esta terra. O empreendimento trará desenvolvimento econômico para a Região”, destacou o empresário Adonel, que reside em Sobral, centro dos negócios do grupo.
LAGO DE FRONTEIRAS
O DNOCS publicou, no Diário Oficial da União de 21/8/2013, o Aviso do Edital de Licitação que tem como objeto a contratação de empresa para executar as obras e serviços de implantação do Lago de Fronteiras. O mais importante é que a obra tem potencial para irrigação de seis mil hectares. Ivan Monte Claudino, diretor do órgão, teve papel essencial na liberação dessa obra. Logo que assumiu a Diretoria, Ivan – que também é adepto da cultura do trabalho – colocou o projeto debaixo do braço, foi de setor em setor até conseguir esse resultado positivo. O investimento deverá ultrapassar a ordem de R$ 200 milhões.
PARA REFLETIR
“Trabalha com gosto e terás o gosto do trabalho”. (Benjamim Franklin)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
sábado, 31 de agosto de 2013
PARABÉNS, NUTRICIONISTAS!
Num País de obesos e famintos, o nutricionista exerce papel estratégico. É ele o responsável pela promoção da alimentação saudável.
No dia 31 de agosto, data desta profissão, o Conselho Federal dos Nutricionistas (CFN) reconhece que a categoria vem ganhando destaque na sociedade brasileira pelos serviços prestados.
Para a nutricionista Christina Maia, o profissional da área “atua como orientador e educador no que diz respeito à alimentação adequada para prevenir e tratar as doenças”. Com esse objetivo, as cerca de 280 universidades de nutrição ensinam a diferenciar hábitos alimentares, a interpretar fatores culturais e sociais na formação de cardápios. Enfim, a promover a saúde alimentar da sociedade.
A profissão no Brasil está estruturada. Tem Conselho Federal dos Nutricionistas (CFN) e código de ética. Essa é uma realidade que vem sendo construída nas últimas seis décadas.
Nos anos 40, sugiram as primeiras universidades da área. A importância do nutricionista poderia ser resumida num provérbio antigo: "Nós somos o que comemos".
Hoje, a atuação do nutricionista é tão abrangente que é necessário, além dos conhecimentos acadêmicos, ter habilidades extras, como a capacidade de enfrentar situações aflitivas e conflitantes; lidar de forma positiva com as adversidades; manter a perseverança; e ainda desenvolver uma grande resistência às frustrações.
O Papel da Alimentação na Prevenção e Tratamento das Doenças
Todos sabem que a alimentação equilibrada é fundamental para preservar a saúde e prevenir doenças, pois os alimentos são fontes de vitaminas e minerais indispensáveis ao bom funcionamento do organismo.
Porém a maioria das pessoas não sabe alimentar-se de forma adequada e por este motivo surgem doenças que poderiam ter sido prevenidas.
Como exemplo temos a doença diverticular causada pela deficiência de fibras na dieta; a osteoporose por deficiência de cálcio; a anemia por deficiência de ferro, e tantas outras. .
Além do papel preventivo, a alimentação adequada também é fundamental no tratamento das doenças que muitas vezes se agravam por falta de orientação adequada.
Como exemplo temos o diabético que se preocupa em não consumir açúcar e desconhece que alimentar-se nos horários certos também é importante, pois a hipoglicemia (falta de açúcar no sangue) é tão perigosa quanto a hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue);
O paciente obeso, que tão preocupado em emagrecer, corta radicalmente o consumo de carboidratos (massas e pães) pois desconhece o fato de que 1g de carboidrato fornece 4 calorias e 1g de gordura fornece 9 calorias.
Será mesmo que o pão engorda? São tantos exemplos.
O que faz o nutricionista, então?
O nutricionista atua como orientador e educador no que diz respeito a alimentação adequada para prevenir e tratar as doenças.
É o profissional indicado e o mais capacitado para esta tarefa, pois conhece à fundo os alimentos e trabalha com dietas personalizadas, respeitando as diferenças de hábitos alimentares, estrutura física e situações fisiológicas especiais, tornando o tratamento das doenças mais eficiente e mantendo a saúde das pessoas que acreditam neste provérbio: "nós somos o que comemos".
Fonte: www.fomezero.gov.br
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ENCARE OITO VERDADES CRUÉIS SOBRE PERDER PESO
No dia 31 de agosto é comemorado o Dia do Nutricionista, um profissional que é bastante associado à dieta. Mas com a recém - divulgada pesquisa Vigitel 2012, do Ministério da Saúde, revelando que 51% dos brasileiros (acima de 18 anos) estão com excesso de peso é possível dizer que os nutricionistas são menos requisitados do que deveriam na guerra contra a balança. Verdade seja dita, muita gente perde tempo apostando nas táticas erradas de emagrecimento. "Muitas pessoas copiam a dieta da moda que o amigo seguiu, apostam em alimentos 'milagrosos', tomam medicamentos, mas o fato é que a perda de peso é um processo que leva tempo e, acima de tudo, que varia de acordo com cada pessoa", explica a nutricionista Fabiana Marangoni, do Spa Igaratá. É fato, não existe fórmula mágica para mandar os quilos embora, e ainda que você integre o time de quem faz tudo certo, logo abaixo podem estar as respostas para uma dúvida muito comum dentro e fora dos consultórios: "por que eu não consigo emagrecer?"
1. Seu corpo trabalha contra você
Quando você decide iniciar a reeducação alimentar e começar a cortar as calorias extras da dieta, acredite, seu corpo irá perceber rapidinho. Isso porque existem dois hormônios - leptina e grelina - que estão diretamente relacionados com o metabolismo e o emagrecimento. "A grelina é responsável por avisar nosso cérebro que estamos com fome, já a leptina tem a função de mandar uma mensagem dizendo que o corpo já está saciado e não precisa de comida", explica a nutricionista Fernanda Brunacci, da Equilibrium Consultoria em Nutrição e Bem Estar, de São Paulo. Segundo a especialista, quanto maior for a concentração de leptina e/ou menor for a concentração de grelina no organismo, maior é a dificuldade para o emagrecimento no início do tratamento. O grande problema está nas pessoas que, quando começam a dieta, estão com esses hormônios desequilibrados - aí não adianta, parece que a fome está sempre à espreita.
2. Não existem soluções rápidas
"Quanto mais restrita e radical é a dieta, maior é a chance de a pessoa querer sair da dieta", explica a nutricionista Fabiana. Pode até ser que você consiga emagrecer com uma dieta milagrosa - mas as chances de recuperar o peso ou ter algum tipo de sequela são grandes. Um corpo bem nutrido e livre de toxinas nocivas ao seu bom funcionamento responde melhor a qualquer tratamento, seja para perder peso, para ganhar qualidade de vida ou ainda para envelhecer de maneira saudável. Dessa forma, fugir das dietas rápidas, que cortam de maneira radical qualquer alimento saudável, é um avanço em sua meta para perda de peso. "O ideal é buscar um profissional qualificado, que identificará suas reais necessidades e traçará metas claras, respeitando seu estilo de vida e ritmo metabólico", completa o especialista.
3. Só exercício não basta para emagrecer
Está certo que a atividade física é essencial para levar um estilo de vida mais saudável, ajudando a prevenir e tratar uma série de doenças, além de aumentar o gasto calórico diário. Entretanto, ele sozinho pouco mudará os números estampados na balança. "De nada adianta queimar calorias se a qualidade da sua alimentação não é boa ? temos que pensar primeiramente na saúde", diz a nutricionista Fabiana. Ao depositar todas as suas esperanças de emagrecer na atividade física e enfiar o pé na jaca no cardápio com frequência, usando a desculpa de que está fazendo exercícios, você além de não perder peso, estará negligenciando a sua saúde - já que a dupla reeducação alimentar e exercícios é a chave para uma vida saudável e longe de doenças.
4. Remédios para emagrecer não funcionam sozinhos
Os remédios para emagrecer podem até ser um estímulo para quem tem dificuldade em seguir a dieta - entretanto, só podem ser usados com indicação médica e em casos muito específicos, geralmente quando a adoção de uma alimentação mais saudável e a prática de exercícios físicos feitos corretamente não mostraram resultado na perda de peso. E mesmo que você tenha o uso dos medicamentos prescritos pelo médico, eles não fazem o milagre por conta própria. O remédio sozinho não irá trazer resultados positivos, sendo necessário controlar a alimentação e praticar atividades físicas juntamente com a medicação para conseguir perder peso. "Se os remédios não estiverem acompanhados de hábitos saudáveis, há o risco de a pessoa ganhar os quilos perdidos assim que interromper o uso", declara Fabiana Marangoni.
5. Não existe uma dieta que sirva para todo mundo
Cada um tem suas preferências na cozinha - desde o tempero até um alimento que ela goste mais ou menos. E é por isso que a dieta do seu amigo ou de um parente pode não funcionar para você - ainda que ele tenha emagrecido 20 kg seguindo o tal cardápio. "De uma maneira geral, uma dieta de baixa caloria pode levar a uma redução de peso, mas não garante que a pessoa consiga levar a dieta durante muito tempo por, na maioria das vezes, não estar de acordo com seus hábitos e costumes", afirma a nutricionista Fabiana. Por isso uma dieta personalizada e individual elaborada por um nutricionista, que leve em conta suas preferências, é muito mais eficaz.
6. As pessoas não perdem peso de forma igual
Tem aqueles que perdem 10 kg no primeiro mês, outros que vão demorar mais para ver o ponteiro da balança mudar, e até aqueles que perderão o peso regularmente, um pouquinho de cada vez. E isso acontece porque cada organismo é único e trabalha de uma maneira muito particular, inclusive quando o assunto é gastar calorias. "Fatores como sexo, idade, mudanças hormonais e atividades diárias é que vão favorecer ou dificultar a perda de peso."
7. Dieta é para a vida toda
Não adianta lutar contra - reeducação alimentar é um estilo de vida, não um cardápio que você segue por dois meses e depois volta a comer fritura e refrigerante todos os dias. "Claro que o processo do emagrecimento tende a ser uma fase mais restrita que o processo de manutenção de peso, mas de qualquer forma, a melhora dos hábitos alimentares deve ser para o resto da vida, pois se a pessoa se descuidar irá ganhar o peso novamente, além de expor seu corpo a diversas doenças", alerta a nutricionista Fabiana.
8. Manter é mais difícil que perder
Essa verdade é absoluta principalmente entre as pessoas que, ao atingirem a meta de peso, voltam a ter os hábitos alimentares anteriores à dieta. Isso só fará com que a pessoa ganhe o peso novamente, gerando o efeito sanfona. É importante continuar fazendo exercícios e adequar sua alimentação ao gasto calórico diário, sempre priorizando alimentos saudáveis, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, oleaginosas e carnes magras.
(Por Carolina Serpejante)
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
HIPÓCRATES, PERDOAI, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM
"Pela pobreza de argumentos, apelam para o grito, levantam a voz e partem para atitudes agressivas "
Não levante a voz, melhore seus argumentos! Não consigo tirar da cabeça esta frase do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, desde a lamentável cena protagonizada por algumas pessoas formadas em Medicina sob a equivocada liderança de um sindicalismo anacrônico, caduco e nocivamente corporativo, desrespeitando e agredindo os médicos estrangeiros, sobretudo os cubanos, na Escola de Saúde Pública, na segunda-feira passada.
Neste momento de inquietação sobre o futuro do País e na busca de uma sociedade com justiça social, precisamos buscar novos paradigmas para a formação profissional e para o exercício da prática médica. Não é fácil ser protagonista deste processo, pois exigente do ponto de vista intelectual, tanto em sua formulação teórica como no exercício da práxis política.
Nesta busca, é preciso compromisso e sensibilidade para que o Estado Brasileiro, a sociedade, médicos e todos os profissionais de saúde possam garantir atenção básica à saúde nos pequenos, pobres e distantes municípios, com baixo IDH e indicadores de morbi-mortalidade vergonhosos.
O discurso político do sindicalismo médico cearense vem se estruturando em cima de verdades distorcidas, falseando a realidade. Não encontra lugar diante dos desafios colocados à categoria médica. Pela pobreza de argumentos, apelam para o grito, levantam a voz e partem para atitudes agressivas, tendo nos cubanos o alvo principal. Como é possível uma cultura de paz com comportamentos violentos?
Certamente, alguns estabanados, ao adjetivarem os colegas de “incompetentes” e “escravos”, não se apercebem que são escravos de uma vaidade desmedida, de sede de prestígio e um indisfarçado desejo de enriquecimento. Nos movimentos reivindicatórios por melhores salários, condições de trabalho, em defesa do SUS e saúde para todos, garantida a conquista salarial, as reivindicações “acessórias’’ são rapidamente esquecidas, e as pessoas à margem de qualquer atenção à saúde permanecem aonde estavam e estão abandonadas e sofridas.
Gostaria que os “valorosos manifestantes”, com a devida humildade, pedissem desculpas não só aos médicos e médicas cubanos, mas à sociedade pelo inconsequente e desastrado ato, incapaz de contribuir para o debate sobre os rumos da política de saúde em nosso País.
Neste momento cabe lembrar o pensamento de José Martí, herói Nacional de Cuba: “A verdadeira Medicina devemos ter em nossos corações”.
Mário Mamede
Médico
Não levante a voz, melhore seus argumentos! Não consigo tirar da cabeça esta frase do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, desde a lamentável cena protagonizada por algumas pessoas formadas em Medicina sob a equivocada liderança de um sindicalismo anacrônico, caduco e nocivamente corporativo, desrespeitando e agredindo os médicos estrangeiros, sobretudo os cubanos, na Escola de Saúde Pública, na segunda-feira passada.
Neste momento de inquietação sobre o futuro do País e na busca de uma sociedade com justiça social, precisamos buscar novos paradigmas para a formação profissional e para o exercício da prática médica. Não é fácil ser protagonista deste processo, pois exigente do ponto de vista intelectual, tanto em sua formulação teórica como no exercício da práxis política.
Nesta busca, é preciso compromisso e sensibilidade para que o Estado Brasileiro, a sociedade, médicos e todos os profissionais de saúde possam garantir atenção básica à saúde nos pequenos, pobres e distantes municípios, com baixo IDH e indicadores de morbi-mortalidade vergonhosos.
O discurso político do sindicalismo médico cearense vem se estruturando em cima de verdades distorcidas, falseando a realidade. Não encontra lugar diante dos desafios colocados à categoria médica. Pela pobreza de argumentos, apelam para o grito, levantam a voz e partem para atitudes agressivas, tendo nos cubanos o alvo principal. Como é possível uma cultura de paz com comportamentos violentos?
Certamente, alguns estabanados, ao adjetivarem os colegas de “incompetentes” e “escravos”, não se apercebem que são escravos de uma vaidade desmedida, de sede de prestígio e um indisfarçado desejo de enriquecimento. Nos movimentos reivindicatórios por melhores salários, condições de trabalho, em defesa do SUS e saúde para todos, garantida a conquista salarial, as reivindicações “acessórias’’ são rapidamente esquecidas, e as pessoas à margem de qualquer atenção à saúde permanecem aonde estavam e estão abandonadas e sofridas.
Gostaria que os “valorosos manifestantes”, com a devida humildade, pedissem desculpas não só aos médicos e médicas cubanos, mas à sociedade pelo inconsequente e desastrado ato, incapaz de contribuir para o debate sobre os rumos da política de saúde em nosso País.
Neste momento cabe lembrar o pensamento de José Martí, herói Nacional de Cuba: “A verdadeira Medicina devemos ter em nossos corações”.
Mário Mamede
Médico
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
REVENDO GONZAGÃO NOS VERSOS DE DIDEUS SALES
Falar a respeito da obra monumental de Luís Gonzaga é tarefa das mais desvanecedoras, posto que trata-se de personalidade que deve ser inscrita entre os gênios da música popular brasileira com raízes fincadas nos adustos sertões nordestinos. A música de Gonzaga e seus parceiros foi haurida no solo seco dos sertões do Meu Padim Ciço e de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, mas paradoxalmente fértil para inspiração de quem nos proporciona a imensidão de muitos sonhares através da musicalidade de sua sanfona e de seu canto que encanta e protesta.
Todavia, encantamento redobrado é quando nos deparamos com poeta cantando e contando a história de outro poeta. Dideus Sales, poeta forjado sob o sol escaldante dos sertões do Crateús, onde o vento de Aracati já chega cansado e morno lá pelas horas décimas da noite, hoje habita na beira do mar da própria Aracati, berço de inspirados poetas, onde ele foi buscar vendavais de inspiração, mercê da qual nos tem oferecido para libações literárias, um poesia cuja relevância sonora e rítmica o inscreve entre os grandes nomes da poesia popular brasileira.
Neste ano em que se comemora em todos os quadrantes do Brasil, o centenário de nascimento de Luís Gonzaga, sanfoneiro insuperável e cantador inconfundível, eis que o poeta Dideus Sales dedilha sua lira e em versos cheios de fervor e melodia, conta a vida do filho de Januário, num preito de ímpar homenagem àquele cuja voz soa à audição do povo nordestino como um hino perene de estímulo à resistência e à luta pela liberdade e pelo direito inalienável a uma vida digna.
Os que somos nordestinos, comprometidos com os valores mais firmes e autóctones da raça sertaneja, rude e quase nômade, que ainda agora, em pleno século XXI se debate diante de uma seca atroz, cantamos dolentemente a “Asa Branca”, a “Triste Partida” enquanto reafirmamos a crença em que “seu doto uma esmola a um homem que são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
Esta sertanidade, a um tempo cheia de langor e de um sentimento de inquebrantável resistência diante das agruras da vida, se faz presente tanto na obra musical de Luís Gonzaga, quanto na obra poética de Dideus Sales. Quero crer que esta irmanação de espírito é a fonte de onde fluiu a inspiração que se faz presente nesta breve biografia versificada que ora Dideus nos presenteia.
Repito à saciedade quão belos são a poética e a música que emanam da criação desses dois artistas. E não descuro do fato – assim o entendo – que o chão crestado do Crateús e do Exu que os viu germinar, bem como o sol escaldante que lhes deu a luz que os faz brilharem além dos limites da nordestinidade, contêm a força que se esparge sobre todos nós através da imaginação aguçada pela Poesia. Dideus vai além dos limites de sua capacidade criativa toda vez que escreve. Desta feita, intuído pelos sonhos gonzagueanos e introjetado dos mais profundos desejos que o sertão desperta, não foi diferente. Temos uma obra poética para se ler e reler prazerosamente.
Barros Alves - Jornalista - no Jornal O ESTADO de hoje
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
As galochas, padre, as galochas!
Um padre da paróquia de Caratinga procurou, um dia, o renomado médico, dr. Edmundo Lima. Queixava-se de um prosaico, mas renitente resfriado. O médico constatou, de pronto, não se tratar de resfriado. A coriza não era nasal. O padre insistiu alegando haver pisado no chão do banheiro com os pés descalços. O doutor Edmundo, experiente, já havia feito o diagnóstico: uma baita blenorragia. O médico sentiu o drama do sacerdote. Receitou os remédios da época para curar blenorragia, com um conselho:
- Olha, padre, quando o senhor for tomar banho não se esqueça de usar galochas. Elas são de borracha, garantidas, e não deixam passar a friagem que provoca essa coriza que lhe está atormentando. Padre, as galochas, viu?
- Ah! Já ia me esquecendo: é bom que o senhor bispo não fique sabendo desse resfriado. Padre, todo cuidado é pouco!
(A historinha é do mineiro Zé Abelha).
Crise de autoridade
A onda de manifestações que tomou conta de ruas e praças de capitais e grandes cidades, nos últimos tempos, abre um amplo cenário que junta demandas gerais, reivindicações pontuais, gestos e atitudes que embasam as ações de grupamentos, setores e categorias profissionais. Tudo isso já foi suficientemente diagnosticado. Mas pouco se destacou sobre um fenômeno que tem marcado o atual ciclo político-institucional : a leniência e a incapacidade do poder do Estado para coibir os atos que culminam com a depredação de propriedades tanto na esfera privada quanto na esfera pública (prédios, lojas, sedes de governos, monumentos, etc). Essa evidência aponta para uma crise de autoridade. O vandalismo, na forma do poder invisível, desafia o poder visível, o poder formal, o poder do Estado.
Medo de reagir
As autoridades governativas, possivelmente receosas de voltarem a ser alvo de manifestações e intencionando vestir sua imagem com o manto da democracia, reagem de maneira tumultuada e errática, acabando por alavancar os tumultos. A quebradeira nas ruas tem sido responsável pela retirada tática de apoio que setores das classes médias ofereciam aos movimentos. O Brasil da bandalheira, com sua fotografia de depredação, começa a ocupar o lugar do Brasil cidadão, que foi às ruas para mostrar sua indignação contra o status quo.
A moldura congressual
Após um primeiro momento - quando parecia interpretar os ecos das ruas e a atender às demandas sociais - as casas congressuais voltam à rotina das agendas, na esteira de uma previsibilidade de interesses dos grandes partidos. O Senado, ao que se observa, está mais inclinado a ouvir os pleitos do Palácio do Planalto. A Câmara continua pautando temáticas importantes, mas a melhoria dos índices de avaliação da presidente Dilma tem contribuído para arrefecer os ânimos e a aplacar a insatisfação da base governista.
Mudança de atitudes
Ademais, a presidente tem mudado seu comportamento em relação aos congressistas. Dá sinais de que quer ouvir mais os pleitos; dá ordens para liberar emendas de parlamentares, dentro de critérios razoáveis; vai aos eventos que reúnem muitas pessoas em diversos Estados; ou seja, desenvolve uma liturgia política mais aberta e do gosto dos atores políticos. Lula, diz-se, tem atuado como guru da presidente, dando indicações, fazendo sugestões, apontando correções de rumo, enfim, usando sua experiência de raposa matreira para evitar tiroteios sobre o alvo principal do Planalto.
Cenários - I
Dilma continua sendo a favorita no pleito de 2014. E as razões começam pelo plano da economia. Não há indicações de que a economia saia dos trilhos a ponto de destroçar o trem das políticas sociais e prejudicar o ponto mais sensível do brasileiro : o bolso. As previsões apontam para dificuldades pontuais - um pontinho a mais na inflação, atrasos no cronograma de obras - mas não há previsão de catástrofe. Esse cenário, mesmo com um pouco de tumulto, não seria suficiente para derrubar o favoritismo da presidente em 2014. A economia norte-americana se recupera e volta a puxar massa estupenda de recursos. Não a ponto de inviabilizar o feijão com arroz brasileiro.
Cenários - II
A ameaça mais próxima da presidente tem o nome de Marina Silva. Que se identifica com a nova política. Mas a nossa Madre Teresa de Calcutá ou, se quiserem, nossa irmã Dulce teria muitas dificuldades de enfrentar uma guerra sangrenta. Não aceitará recursos de empresas; não fará parcerias importantes para eleger governadores, senadores, deputados Federais e estaduais; não teria espaço de mídia eleitoral capaz de garantir alta visibilidade e exposição de seu escopo. Sob essa teia de carências, pode-se deduzir que morrerá antes de chegar à praia. Claro, se puder contar com sua Rede Sustentabilidade, a ser criada até 5/10. Admitamos, porém, que Marina vá ao segundo turno e ganhe a eleição. Com sua ojeriza à velha política e descarte da estratégia de parcerias com os grandes partidos, a hipótese aponta para a impossibilidade de criar condições de governabilidade.
Cenários - III
Aécio Neves será o candidato das oposições. Mais precisamente, do PSDB. Porque o parceiro tradicional dos tucanos, o DEM, já admite que poderá vir a apoiar a eventual candidatura de Eduardo Campos, governador de PE. Aécio, ademais, tem dificuldades de produzir um discurso nacional. Critica por criticar, sem apresentar alternativas viáveis, uma proposta densa para o país. Por exemplo, sua crítica desta semana teve como foco o fato de Dilma ter discursado, numa cidade mineira, de costas para o busto de Tancredo Neves. Foi ovacionado pelos mineiros. Mas, aqui prá nós, esse detalhe está eivado de demagogia. E não contém substância. Perfumaria.
Cenários - IV
Eduardo Campos esteve duas vezes em SP na última semana, sempre em encontros com empresários de grande porte. Critica a presidente, destacando a sua falta de liderança. Entusiasma as platéias. Começa a comer pelas beiradas. Na visão deste consultor, tira mais votos das oposições do que votos de Dilma. Em vez de prejudicar a presidente, pode empurrar a campanha para o segundo turno. Nesse momento, se forem Marina ou Aécio os candidatos ao lado de Dilma, no segundo turno, é evidente que o governador de PE voltaria a fazer aliança com a presidente. Sob o aconchego de Lula.
Cenários - V
E Lula, em alguma hipótese poderia voltar a ser candidato ? Sim. No caso de um desastre na economia. Desastre, não um pequeno tombo. Lula seria instado a aceitar a tarefa. Mesmo contrariado. Até porque sabe que pegaria um país muito diferente do que aquele que governo nos oito anos de seus dois mandatos. A moldura internacional não favorece o país. A crise virá mais cedo ou mais tarde. Tudo se faz nesse momento para empurrar os efeitos de uma crise para 2015, depois das eleições. O fato é que o ciclo da polarização entre PT e PSDB está se esgotando. Se ainda conserva fôlego, é por falta de novas lideranças.
Cenários - VI
E José Serra? Viverá seu crepúsculo se for candidato à presidente da República pelo PPS, de Roberto Freire. Terá votos, sim, mas não suficientes para entrar em um segundo turno ou ameaçar qualquer concorrente. Serra está no final de seu ciclo de vida político. Poderia ser candidato ao Senado, em SP, ou até a deputado Federal. Mas sua ambição olha mais alto. Diz-se, a boca pequena, que está com um pé no PPS. Que engordaria um pouco a bancada com Serra puxando a lista de candidatos do partido.
Eu tenho um sonho
Hoje, faz 50 anos do famoso discurso de Martin Luther King. Vale a pena lembrar o final.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouvirei o sino da liberdade. E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo Estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro: "Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal." 28 de agosto de 1963
Alckmin
Geraldo Alckmin poderá ter a maior dificuldade de sua vida política. Alckmin é um dos mais sensíveis e humanos perfis da política. Uma pessoa boa, como se diz entre amigos. Mas não construiu uma identidade, entendida como um conjunto de conceitos, valores e princípios que formam a construção do perfil. É um tocador de obras ? Hum... É um governante voltado para a esfera social ? Hum... É um gerentão ? Hum... É um cara determinado, corajoso, zangado como Mário Covas ? Hum.. É uma pessoa boa. E tem fama de honesto. Mas a identidade, mesmo, deixa a desejar. Terá dificuldades.
Padilha
O candidato ao governo de SP deverá ser mesmo o ministro Alexandre Padilha. Envolvido em polêmica. O programa Mais Médicos poderá ser aplaudido pelos fundões do país, beneficiando Dilma, mas nos grandes centros, terá a oposição dos médicos brasileiros e suas entidades. Mas o PT, vale lembrar, tem seus 30% históricos em SP. Lula conhece bem essa demografia eleitoral. Pode crescer? É possível. Mas o PT está puxando o último rolo de sua linha histórica. E se Haddad não estiver com boa imagem? Vai puxar também Padilha para baixo.
Skaf
Paulo Skaf poderá ser a surpresa do pleito. Hoje, já agrega cerca de 20% dos votos, segundo a última pesquisa Datafolha. É um índice surpreendente. Trata-se do pré-candidato do PMDB, presidente da FIESP, um bom articulador e que se movimenta bastante. Corre de um lado para outro, fazendo inaugurações de escolas do SESI e SENAI, desenvolve uma agenda plena de contatos com bases. Um perfil arrojado. Pode ser o contraponto à cansada polarização entre PSDB e PT. Como candidato do PMDB, teria condições de reagrupar o partido em SP.
Pezão e Lindbergh
Será difícil ao PT e ao PMDB chegarem a um acordo no RJ. Cada qual sairá com seu candidato. Por parte do PT, o senador Lindbergh Farias já conta com o passaporte do partido. Por parte do PMDB, o candidato será o vice-governador Luiz Fernando Pezão. Pois bem, Sérgio Cabral, antes da movimentação das ruas, tinha chances de conduzir Pezão nas costas. Tornou-se o governador mais atingido pelo tiroteio. Será difícil a jornada. Lindbergh tem problemas antigos a resolver, desde os tempos em que foi prefeito de Nova Iguaçu. Denúncias de corrupção. Cada qual com seu calvário.
Espelho de um corpo apaixonado
O corpo apaixonado, dia após dia
derrete no vento
vira perfume
volteia evoca outros perfumes
chega às camas
cobre os sonhos se evola volta
é como incenso
seus poemas primeiros lembram
o sofrimento de uma criança -
perde-se olhando o redemoinho das pontes:
como ficar nessas águas? Como sair?
Poema de Adonis, traduzido por Michel Sleiman
Conselho aos governantes
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros do STF. Hoje, volta sua atenção aos governantes:
1. Atentem para a quadra em que vive o país. Por todos os lados, clama-se por ordem, por autoridade. Façam cumprir a lei. Evitem que a desordem tome conta das ruas.
2. Urge coibir o vandalismo dos mascarados. Democracia implica liberdades de manifestação, associação, livre expressão, religiosa, etc. Mas nenhum cidadão tem o direito de colocar uma máscara e ocupar as ruas para praticar atos de depredação.
3. O exercício democrático pressupõe o respeito à ordem jurídica. Que impõe, por sua vez, a necessidade de garantia dos direitos individuais e coletivos, sempre na esteira da obediência aos princípios legais.
(Gaudêncio Torquato)
Um padre da paróquia de Caratinga procurou, um dia, o renomado médico, dr. Edmundo Lima. Queixava-se de um prosaico, mas renitente resfriado. O médico constatou, de pronto, não se tratar de resfriado. A coriza não era nasal. O padre insistiu alegando haver pisado no chão do banheiro com os pés descalços. O doutor Edmundo, experiente, já havia feito o diagnóstico: uma baita blenorragia. O médico sentiu o drama do sacerdote. Receitou os remédios da época para curar blenorragia, com um conselho:
- Olha, padre, quando o senhor for tomar banho não se esqueça de usar galochas. Elas são de borracha, garantidas, e não deixam passar a friagem que provoca essa coriza que lhe está atormentando. Padre, as galochas, viu?
- Ah! Já ia me esquecendo: é bom que o senhor bispo não fique sabendo desse resfriado. Padre, todo cuidado é pouco!
(A historinha é do mineiro Zé Abelha).
Crise de autoridade
A onda de manifestações que tomou conta de ruas e praças de capitais e grandes cidades, nos últimos tempos, abre um amplo cenário que junta demandas gerais, reivindicações pontuais, gestos e atitudes que embasam as ações de grupamentos, setores e categorias profissionais. Tudo isso já foi suficientemente diagnosticado. Mas pouco se destacou sobre um fenômeno que tem marcado o atual ciclo político-institucional : a leniência e a incapacidade do poder do Estado para coibir os atos que culminam com a depredação de propriedades tanto na esfera privada quanto na esfera pública (prédios, lojas, sedes de governos, monumentos, etc). Essa evidência aponta para uma crise de autoridade. O vandalismo, na forma do poder invisível, desafia o poder visível, o poder formal, o poder do Estado.
Medo de reagir
As autoridades governativas, possivelmente receosas de voltarem a ser alvo de manifestações e intencionando vestir sua imagem com o manto da democracia, reagem de maneira tumultuada e errática, acabando por alavancar os tumultos. A quebradeira nas ruas tem sido responsável pela retirada tática de apoio que setores das classes médias ofereciam aos movimentos. O Brasil da bandalheira, com sua fotografia de depredação, começa a ocupar o lugar do Brasil cidadão, que foi às ruas para mostrar sua indignação contra o status quo.
A moldura congressual
Após um primeiro momento - quando parecia interpretar os ecos das ruas e a atender às demandas sociais - as casas congressuais voltam à rotina das agendas, na esteira de uma previsibilidade de interesses dos grandes partidos. O Senado, ao que se observa, está mais inclinado a ouvir os pleitos do Palácio do Planalto. A Câmara continua pautando temáticas importantes, mas a melhoria dos índices de avaliação da presidente Dilma tem contribuído para arrefecer os ânimos e a aplacar a insatisfação da base governista.
Mudança de atitudes
Ademais, a presidente tem mudado seu comportamento em relação aos congressistas. Dá sinais de que quer ouvir mais os pleitos; dá ordens para liberar emendas de parlamentares, dentro de critérios razoáveis; vai aos eventos que reúnem muitas pessoas em diversos Estados; ou seja, desenvolve uma liturgia política mais aberta e do gosto dos atores políticos. Lula, diz-se, tem atuado como guru da presidente, dando indicações, fazendo sugestões, apontando correções de rumo, enfim, usando sua experiência de raposa matreira para evitar tiroteios sobre o alvo principal do Planalto.
Cenários - I
Dilma continua sendo a favorita no pleito de 2014. E as razões começam pelo plano da economia. Não há indicações de que a economia saia dos trilhos a ponto de destroçar o trem das políticas sociais e prejudicar o ponto mais sensível do brasileiro : o bolso. As previsões apontam para dificuldades pontuais - um pontinho a mais na inflação, atrasos no cronograma de obras - mas não há previsão de catástrofe. Esse cenário, mesmo com um pouco de tumulto, não seria suficiente para derrubar o favoritismo da presidente em 2014. A economia norte-americana se recupera e volta a puxar massa estupenda de recursos. Não a ponto de inviabilizar o feijão com arroz brasileiro.
Cenários - II
A ameaça mais próxima da presidente tem o nome de Marina Silva. Que se identifica com a nova política. Mas a nossa Madre Teresa de Calcutá ou, se quiserem, nossa irmã Dulce teria muitas dificuldades de enfrentar uma guerra sangrenta. Não aceitará recursos de empresas; não fará parcerias importantes para eleger governadores, senadores, deputados Federais e estaduais; não teria espaço de mídia eleitoral capaz de garantir alta visibilidade e exposição de seu escopo. Sob essa teia de carências, pode-se deduzir que morrerá antes de chegar à praia. Claro, se puder contar com sua Rede Sustentabilidade, a ser criada até 5/10. Admitamos, porém, que Marina vá ao segundo turno e ganhe a eleição. Com sua ojeriza à velha política e descarte da estratégia de parcerias com os grandes partidos, a hipótese aponta para a impossibilidade de criar condições de governabilidade.
Cenários - III
Aécio Neves será o candidato das oposições. Mais precisamente, do PSDB. Porque o parceiro tradicional dos tucanos, o DEM, já admite que poderá vir a apoiar a eventual candidatura de Eduardo Campos, governador de PE. Aécio, ademais, tem dificuldades de produzir um discurso nacional. Critica por criticar, sem apresentar alternativas viáveis, uma proposta densa para o país. Por exemplo, sua crítica desta semana teve como foco o fato de Dilma ter discursado, numa cidade mineira, de costas para o busto de Tancredo Neves. Foi ovacionado pelos mineiros. Mas, aqui prá nós, esse detalhe está eivado de demagogia. E não contém substância. Perfumaria.
Cenários - IV
Eduardo Campos esteve duas vezes em SP na última semana, sempre em encontros com empresários de grande porte. Critica a presidente, destacando a sua falta de liderança. Entusiasma as platéias. Começa a comer pelas beiradas. Na visão deste consultor, tira mais votos das oposições do que votos de Dilma. Em vez de prejudicar a presidente, pode empurrar a campanha para o segundo turno. Nesse momento, se forem Marina ou Aécio os candidatos ao lado de Dilma, no segundo turno, é evidente que o governador de PE voltaria a fazer aliança com a presidente. Sob o aconchego de Lula.
Cenários - V
E Lula, em alguma hipótese poderia voltar a ser candidato ? Sim. No caso de um desastre na economia. Desastre, não um pequeno tombo. Lula seria instado a aceitar a tarefa. Mesmo contrariado. Até porque sabe que pegaria um país muito diferente do que aquele que governo nos oito anos de seus dois mandatos. A moldura internacional não favorece o país. A crise virá mais cedo ou mais tarde. Tudo se faz nesse momento para empurrar os efeitos de uma crise para 2015, depois das eleições. O fato é que o ciclo da polarização entre PT e PSDB está se esgotando. Se ainda conserva fôlego, é por falta de novas lideranças.
Cenários - VI
E José Serra? Viverá seu crepúsculo se for candidato à presidente da República pelo PPS, de Roberto Freire. Terá votos, sim, mas não suficientes para entrar em um segundo turno ou ameaçar qualquer concorrente. Serra está no final de seu ciclo de vida político. Poderia ser candidato ao Senado, em SP, ou até a deputado Federal. Mas sua ambição olha mais alto. Diz-se, a boca pequena, que está com um pé no PPS. Que engordaria um pouco a bancada com Serra puxando a lista de candidatos do partido.
Eu tenho um sonho
Hoje, faz 50 anos do famoso discurso de Martin Luther King. Vale a pena lembrar o final.
"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouvirei o sino da liberdade. E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo Estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro: "Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal." 28 de agosto de 1963
Alckmin
Geraldo Alckmin poderá ter a maior dificuldade de sua vida política. Alckmin é um dos mais sensíveis e humanos perfis da política. Uma pessoa boa, como se diz entre amigos. Mas não construiu uma identidade, entendida como um conjunto de conceitos, valores e princípios que formam a construção do perfil. É um tocador de obras ? Hum... É um governante voltado para a esfera social ? Hum... É um gerentão ? Hum... É um cara determinado, corajoso, zangado como Mário Covas ? Hum.. É uma pessoa boa. E tem fama de honesto. Mas a identidade, mesmo, deixa a desejar. Terá dificuldades.
Padilha
O candidato ao governo de SP deverá ser mesmo o ministro Alexandre Padilha. Envolvido em polêmica. O programa Mais Médicos poderá ser aplaudido pelos fundões do país, beneficiando Dilma, mas nos grandes centros, terá a oposição dos médicos brasileiros e suas entidades. Mas o PT, vale lembrar, tem seus 30% históricos em SP. Lula conhece bem essa demografia eleitoral. Pode crescer? É possível. Mas o PT está puxando o último rolo de sua linha histórica. E se Haddad não estiver com boa imagem? Vai puxar também Padilha para baixo.
Skaf
Paulo Skaf poderá ser a surpresa do pleito. Hoje, já agrega cerca de 20% dos votos, segundo a última pesquisa Datafolha. É um índice surpreendente. Trata-se do pré-candidato do PMDB, presidente da FIESP, um bom articulador e que se movimenta bastante. Corre de um lado para outro, fazendo inaugurações de escolas do SESI e SENAI, desenvolve uma agenda plena de contatos com bases. Um perfil arrojado. Pode ser o contraponto à cansada polarização entre PSDB e PT. Como candidato do PMDB, teria condições de reagrupar o partido em SP.
Pezão e Lindbergh
Será difícil ao PT e ao PMDB chegarem a um acordo no RJ. Cada qual sairá com seu candidato. Por parte do PT, o senador Lindbergh Farias já conta com o passaporte do partido. Por parte do PMDB, o candidato será o vice-governador Luiz Fernando Pezão. Pois bem, Sérgio Cabral, antes da movimentação das ruas, tinha chances de conduzir Pezão nas costas. Tornou-se o governador mais atingido pelo tiroteio. Será difícil a jornada. Lindbergh tem problemas antigos a resolver, desde os tempos em que foi prefeito de Nova Iguaçu. Denúncias de corrupção. Cada qual com seu calvário.
Espelho de um corpo apaixonado
O corpo apaixonado, dia após dia
derrete no vento
vira perfume
volteia evoca outros perfumes
chega às camas
cobre os sonhos se evola volta
é como incenso
seus poemas primeiros lembram
o sofrimento de uma criança -
perde-se olhando o redemoinho das pontes:
como ficar nessas águas? Como sair?
Poema de Adonis, traduzido por Michel Sleiman
Conselho aos governantes
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros do STF. Hoje, volta sua atenção aos governantes:
1. Atentem para a quadra em que vive o país. Por todos os lados, clama-se por ordem, por autoridade. Façam cumprir a lei. Evitem que a desordem tome conta das ruas.
2. Urge coibir o vandalismo dos mascarados. Democracia implica liberdades de manifestação, associação, livre expressão, religiosa, etc. Mas nenhum cidadão tem o direito de colocar uma máscara e ocupar as ruas para praticar atos de depredação.
3. O exercício democrático pressupõe o respeito à ordem jurídica. Que impõe, por sua vez, a necessidade de garantia dos direitos individuais e coletivos, sempre na esteira da obediência aos princípios legais.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 27 de agosto de 2013
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
O estado da política econômica - 1
Há que se concordar que qualquer que seja o governo este tem de dar respostas razoáveis e proporcionais às variações relevantes da conjuntura, seja política, social ou econômica. Da mesma forma, tais respostas (políticas, estratégias, planos) têm de ser guiadas por uma visão vetorial e estratégica. Este aspecto é particularmente importante quando há intervenções sobre o andamento de mercados ou de qualquer processo endogenamente formado naquela determinada sociedade, como no caso de manifestações e protestos. Isso porque o imperium não pode prevalecer a toda hora e para qualquer solução. A soberania estatal deve simbolizar a reunião de esforços em sentido específico e em prol do interesse comum (ou da res publica). A banalização da intervenção estatal sempre resulta em distorções que já não serão conjunturais, mas estruturais. Cria-se um perigoso viés, cujo custo é inexoravelmente incorrido, seja logo após a intervenção, seja à frente - lembremo-nos, neste item, do congelamento do câmbio no primeiro governo FHC. Além disso, intervenções conjunturais sem visões estratégicas acabam por se tornar um fim em si mesmo. Vira um jogo entre o Estado e a sociedade (ou parte dela). Forma-se um par antagônico, nós versus eles. Isso é quase tudo.
O estado da política econômica - 2
Reportamo-nos a entrevista do ministro Guido Mantega ao jornalista Valdo Cruz da Folha de S.Paulo no último sábado, 24/8. Vejamos alguns trechos em itálico e nossos comentários a seguir:
a) Sobre a dívida interna: "O que posso dizer é que a nossa dívida vai continuar caindo e com mais transparência em operações que poderiam suscitar dúvidas". Nosso comentário : o ministro poderia começar explicando o que persiste sem explicação, tais como as manobras fiscais envolvendo bancos oficiais e a definição arbitrária do que é e do que não é investimento na apuração do superávit fiscal.
b) Sobre reajuste dos combustíveis: "A Petrobras sempre pede. Ela tem uma política de mais de um reajuste por ano, mas sem olhar a questão cambial, de momento". Nosso comentário : primeiro seria necessário que o ministro se definisse sobre o seu próprio papel. Isso porque ele é o presidente do Conselho de Administração da Petrobras e desta função amealha alguns bons reais no bolso. Ora, quando diz o ministro que a "Petrobras sempre pede..." quer dizer o que? Que ele pede para si mesmo ? Ademais, não sabe o ministro, ops!, o presidente do Conselho de Administração da Petrobras que existe uma enorme defasagem de preços dos combustíveis mantida pelo Ministério da Fazenda, cujo titular é o mesmo Guido Mantega?
c) Sobre os especuladores: "Você pode ganhar, mas pode perder. Porque o nosso câmbio é flutuante. Então é preciso tomar cuidado. Houve época em que nosso câmbio flutuava apenas só para um lado. Se você apostar demais numa direção, pode quebrar a cara". Nosso comentário : Isso mesmo ministro. Concordamos que "você" pode perder ou ganhar. Parece um axioma razoável. Quanto ao câmbio este nunca flutuou apenas para um lado, ele subiu e caiu muitas vezes desde a adoção do regime flutuante, logo após a inauguração do segundo governo FHC. Este fraseado ministerial serve para explicar exatamente o que?
d) Sobre a inflação: "A inflação tem uma trajetória sazonal. Começa alta no início do ano, vem caindo, atinge seu menor patamar em julho, depois volta a subir. O importante é a velocidade de crescimento, para que ela esteja dentro de parâmetros normais. Por exemplo, que a inflação de agosto fique em torno de 0,30". Nosso comentário : A inflação, conforme enorme literatura econômica internacional, não é aumento episódico de preços. Trata-se de aumento constante de preços. Este, no Brasil, gravita bem próximo à meta de inflação. Além disso, há uma considerável inflação acumulada nos últimos anos no Brasil, fruto de inúmeros fatores, mas um deles é constante: a falta de seriedade com que o governo trata o combate à inflação. Sobre isso nada fala o ministro. A única coisa que transparece das palavras de Guido Mantega é que a queda do câmbio é vital para o controle da inflação. Logo, é bom ter um limite para ele, mesmo que isso não dependa do ministro, mas do mercado. No caso, o mercado mundial.
O estado da política econômica - 3
Na semana passada, quando o tal do mercado mostrou que o dólar poderia subir bem mais, o governo anunciou que intervirá com US$ 50 bilhões no mercado cambial, via leilões de swaps cambiais. Tanto a elevação do dólar quanto a intervenção governamental são fatos importantes. Do lado do dólar as razões para a alta são bem claras: deve-se (i) a valorização da moeda americana no mercado internacional e também (ii) aos temores de que a economia brasileira não caminha bem por força da política da presidente Dilma Rousseff e que é executada pelo ministro Mantega. Mas e a intervenção no dólar? Atende a algum objetivo estratégico? Ou é algo meramente de controle conjuntural? Há preocupação do governo com a competitividade da indústria nacional? Além da intervenção do governo, o BC vai elevar a taxa de juros além daquilo que está previsto pelo mercado ? Não existe uma inflação "represada" nos combustíveis? Não contou o governo com a queda das tarifas de transporte, pós-manifestações de junho/julho, para a queda da inflação? O governo tem algum plano fiscal novo ? Bem, o governo Dilma Rousseff carece de uma visão estratégica e opera o dia a dia da política e economia. E ainda culpa o setor privado por ter dúvidas sobre o destino ao qual o país está sendo levado. Neste caso, o país pode "quebrar a cara"?
Em prol da transparência
Dada a nova vocação do ministro Mantega para a "transparência em operações que poderiam suscitar dúvidas" por que não se estimula o presidente do BNDES Luciano Coutinho, colega de Conselho de Administração de Mantega na Petrobras, a divulgar com clareza os resultados das operações de empréstimos do banco para as empresas de Eike Batista e para outros setores econômicos, tais como os frigoríficos, nossos "campeões mundiais"?
Recordar é viver: "Carta aos Brasileiros", Lula, PT 2002
"Quero agora reafirmar esse compromisso histórico com o combate à inflação, mas acompanhado do crescimento, da geração de empregos e da distribuição de renda, construindo um Brasil mais solidário e fraterno, um Brasil de todos. A volta do crescimento é o único remédio para impedir que se perpetue um círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação cambial brusca e aumento da dívida pública. O atual governo estabeleceu um equilíbrio fiscal precário no país, criando dificuldades para a retomada do crescimento. Com a política de sobrevalorização artificial de nossa moeda no primeiro mandato e com a ausência de políticas industriais de estímulo à capacidade produtiva, o governo não trabalhou como podia para aumentar a competitividade da economia. Exemplo maior foi o fracasso na construção e aprovação de uma reforma tributária que banisse o caráter regressivo e cumulativo dos impostos, fardo insuportável para o setor produtivo e para a exportação brasileira. A questão de fundo é que, para nós, o equilíbrio fiscal não é um fim, mas um meio. Queremos equilíbrio fiscal para crescer e não apenas para prestar contas aos nossos credores." Seria cômico, não fosse trágico.
Tucanos, uma nau sem rumo - 1
Não se pode dizer que os tucanos ganhariam as eleições em 2002, 2006 e 2010. Na sucessão de Fernando Henrique Cardoso havia um ambiente de "fadiga de material" a prejudicar qualquer que fosse o candidato governista. Na reeleição de Lula, o presidente já havia se recuperado da crise do mensalão e ainda começava a colher os frutos de uma boa fase da economia internacional e nacional. Na hora da substituição de Lula, o clima econômico era mais favorável ainda a um candidato governamental, o que facilitou a eleição do então "poste político" que Lula escolheu para substituí-lo. Mesmo assim, os tucanos que concorreram com os petistas - José Serra duas vezes e Geraldo Alckmin uma - embora tenham ido para o segundo turno, coisa que Lula não conseguiu nas duas vezes em que se bateu com Fernando Henrique Cardoso, poderiam ter tido um melhor desempenho. Não ganhariam, provavelmente, mas teriam se saído melhor na segunda rodada das urnas. Matou-os a incrível fogueira de vaidades que os consome.
Tucanos, uma nau sem rumo - 2
Do modo que as coisas vão entre eles, os tucanos caminham novamente para perder a eleição presidencial, com um ano de antecedência, ante à sua incapacidade, primeiro, de se entenderem minimamente, e segundo, por sua incapacidade de apresentar uma alternativa de governo ao que está em prática. Tanto quanto o governo eles parecem não ter entendido bem o que a dita "voz rouca das ruas" está pedindo. Pelo andar da carruagem, depois de outubro de 2014, Serra vai passar a gozar de definitiva aposentadoria da política, e Aécio Neves, mais jovem e ainda com mandato, vai ter de recomeçar do zero sua corrida para quem sabe um dia chegar ao Palácio do Planalto. Naturalmente, num outro partido, pois os tucanos não resistirão intocados a um novo vexame eleitoral nacional.
De intrigar
Apesar da quase desintegração dos tucanos, são eles que ainda assombram mais o Palácio do Planalto e o PT. Basta ver a insistência com que os informantes informais palacianos insistem em dizer ora que o grande adversário da Dilma é a Marina Silva, ora que é Eduardo Campos. Sempre acrescentando que Aécio é figura descartada. Há nessa conversa uma clara intenção de inflar Marina e Campos, dois candidatos com estrutura bem menor e menos sólida do que o possível candidato tucano. O fato real é que embora os tucanos estejam meio perdidos nesta sucessão, em princípio, são eles que ainda preocupam os governistas. Por pouco tempo, pelo que estamos vendo da "pax tucana".
Só ele salva?
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso engajou-se de fato na campanha de Aécio Neves. Aliás, como não o fez nas outras três campanhas em que o PSDB foi derrotado pelo PT. Conseguirá manter o partido mais ou menos unido e entusiasmado para o embate ? Só ele é a esperança dos tucanos.
Também é somente ele
A presidente Dilma, como sempre ocorre quando o mundo econômico e/ou político ameaça desabar sobre um governo, passou quatro horas na semana passada no confessionário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em SP. Tempo suficiente para discutir a escalação do Corinthians e passar em resumo toda a Bíblia. Também serviu para Lula dar instruções eleitorais e administrativas à pupila. Dilma aproveitou a vinda à SP para se aconselhar a respeito do que fazer sobre a maré de insatisfações políticas e econômicas que ronda o Palácio do Planalto. Os oráculos de Brasília esperam que a presidente se torne um pouco mais cordata com o mundo político depois desta conversa. Também se espera mais ações na economia para atrair de novo a atenção dos empresários. Há expectativas de novas mudanças nas regras de concessões.
É tudo com ele
Para sentir cada vez maior a influência do ex-presidente nas coisas que Brasília faz, veja o que escreveu sábado em seu artigo semanal da "Folha de S.Paulo", o jornalista e professor da USP, André Singer, porta-voz do Palácio do Planalto, na primeira fase do governo Lula: "Seja como for, o bloco reunificado [de empresários] foi se queixar a Lula, como se tornou costume à esquerda e à direita, obtendo uma espécie de recuo do desenvolvimentismo em quase todas as frentes no último semestre : aumento de juros, privatizações generalizadas na área de transportes, maiores taxas de retorno nas concessões, expansão das desonerações, suspensão das restrições ao capital especulativo e corte de dispêndio público". Leia-se : é Lula quem faz. E leia-se em certos amuos petistas: esta mudança de rumo não está agradando.
Entenda quem quiser
Muito se incensou - e justamente - a fala do ministro Celso de Mello, do STF, na primeira sessão de julgamento do mensalão, após a altercação entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Foi de forma elegante, um desagravo a Lewandowski, mas foi principalmente uma reafirmação da autonomia e independência do Supremo, acima de algumas paixões, quase um Fla-Flu (ou um Corinthians-Palmeiras) com que determinados grupos estão tratando o julgamento da AP 470. O recado foi muito claro, em uma substancial sentença, curiosamente ignorada por uma parte das arquibancadas : "Não nos olvidemos, jamais, senhor presidente e senhores ministros, das sábias palavras do saudoso ministro Luiz Gallotti, que lançou grave advertência sobre as consequências do processo decisório nesta Corte, ao enfatizar que o Supremo Tribunal Federal quando profere os seus julgamentos, também poderá, ele próprio, ser 'julgado pela Nação' (RTJ 63/299, 312) e pelos cidadãos desta República". Ou seja: o STF não é um ser anódino, apartado da sociedade. Para quem quiser entender, isto basta.
Aos embargos aquilo que é, de fato, infrigente
A questão "técnica" sobre a validade ou não do regimento interno do STF no que toca aos embargos infringentes é questão muito polêmica e passível de legítima dissecação dos excelsos jurisconsultos. Todavia, em sendo a Ação Penal 470 uma espécie de proxy sócio-política do Estado da Nação, a possibilidade de desvios jurisprudenciais é elevada. E mais : servirá de perigoso paradigma para esta questão "técnica". Todos os juízes ao redor daquelas mesas do plenário sabem disso e já revelaram a interlocutores suas preocupações. O problema é que, caso o andamento do julgamento caminhe para uma revisão das sentenças, poderemos ver coisas surpreendentes nas manifestações dos ministros. Os ácidos recados do presidente do STF poderão ir além do que já foi registrado. Nem parecido com Ulpiano, aquele jurisconsulto que firmou a máxima de que "tais são os preceitos do direito : viver honestamente, não ofender ninguém, dar a cada um o que lhe pertence".
Tão simples explicar
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cada vez menos ministro e cada vez mais candidato ao governo de SP, sempre uma figura muito afável em suas entrevistas, está exibindo clara irritação com as críticas e contestações à importação de quatro mil médicos cubanos que o governo pôs em prática esta semana. Boa parte delas, as de ordem legal, envolvendo inclusive questões trabalhistas, poderia ser facilmente rechaçada com a divulgação completa das datas e tudo mais do convênio que o governo brasileiro assinou com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS) para tornar viável a importação. Simples assim.
Também quero o meu
Entusiasmado com o que no governo é visto como um grande sucesso de "público" do ministro da Saúde, o programa "Mais Médicos", seu colega da Educação, Aloizio Mercadante, que lá no fundo ainda não "revogou" sua pretensão de concorrer ao governo de SP, anunciou que poderá também lançar em sua pasta um sucedâneo do programa de Padilha, o novo programa "Mais Professores". A questão é saber de onde virão esses profissionais se, como no caso dos médicos, não houver brasileiros suficientes para suprir as vagas a serem oferecidas pelo MEC : preferencialmente de Cuba também ? Dos países lusófonos ? Do Vietnã, Japão ou China ? E mais serão dispensados, como os médicos de um exame de validação do diploma e de um teste de eficiência em Língua Portuguesa ? Eleição, o que não se faz em seu nome!
Frase da semana
Do escritor e jornalista Gilberto de Mello Kujawiski em artigo no Migalhas:
"Por fim, permito-me reparar ainda que a denúncia da 'corrupção' gritada e escrita nas manifestações de junho não se limita a receber ou dar propina, não envolve forçosamente dinheiro. Refere-se à outra corrupção mais profunda e danosa : a deterioração das relações dos governantes com o Estado, apropriando-se do público em seu proveito, como se privado fosse, e pior ainda, provocando a degeneração do projeto de país em projeto de poder, sem limites." (clique aqui)
Comissões da verdade
Consta que os Estados já criaram nove "Comissões da Verdade" para apurar violações aos direitos humanos no período 1946-1988. Somadas tais comissões estaduais à sua "mãe" Federal o Brasil parece viver um verdadeiro período de apuração histórica sobre o papel da repressão (estatal ou não) sobre as pessoas e entidades. Observados os resultados de tais apurações verificamos que pouco ou quase nada se acresceu aquilo que já se sabia. O trabalho de tais comissões deve ser até sério, mas convenhamos : será que dá para ter algo "novo" sem uma abertura geral e irrestrita dos arquivos estatais, sobretudo aqueles nas mãos dos militares ? Com resultados tão pífios não seria o caso destas comissões se debruçarem sobre os 50 mil homicídios que o Brasil tem todos os anos? Este indicador é sim uma violação monumental aos direitos humanos, um recorde mundial que nos envergonha.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Há que se concordar que qualquer que seja o governo este tem de dar respostas razoáveis e proporcionais às variações relevantes da conjuntura, seja política, social ou econômica. Da mesma forma, tais respostas (políticas, estratégias, planos) têm de ser guiadas por uma visão vetorial e estratégica. Este aspecto é particularmente importante quando há intervenções sobre o andamento de mercados ou de qualquer processo endogenamente formado naquela determinada sociedade, como no caso de manifestações e protestos. Isso porque o imperium não pode prevalecer a toda hora e para qualquer solução. A soberania estatal deve simbolizar a reunião de esforços em sentido específico e em prol do interesse comum (ou da res publica). A banalização da intervenção estatal sempre resulta em distorções que já não serão conjunturais, mas estruturais. Cria-se um perigoso viés, cujo custo é inexoravelmente incorrido, seja logo após a intervenção, seja à frente - lembremo-nos, neste item, do congelamento do câmbio no primeiro governo FHC. Além disso, intervenções conjunturais sem visões estratégicas acabam por se tornar um fim em si mesmo. Vira um jogo entre o Estado e a sociedade (ou parte dela). Forma-se um par antagônico, nós versus eles. Isso é quase tudo.
O estado da política econômica - 2
Reportamo-nos a entrevista do ministro Guido Mantega ao jornalista Valdo Cruz da Folha de S.Paulo no último sábado, 24/8. Vejamos alguns trechos em itálico e nossos comentários a seguir:
a) Sobre a dívida interna: "O que posso dizer é que a nossa dívida vai continuar caindo e com mais transparência em operações que poderiam suscitar dúvidas". Nosso comentário : o ministro poderia começar explicando o que persiste sem explicação, tais como as manobras fiscais envolvendo bancos oficiais e a definição arbitrária do que é e do que não é investimento na apuração do superávit fiscal.
b) Sobre reajuste dos combustíveis: "A Petrobras sempre pede. Ela tem uma política de mais de um reajuste por ano, mas sem olhar a questão cambial, de momento". Nosso comentário : primeiro seria necessário que o ministro se definisse sobre o seu próprio papel. Isso porque ele é o presidente do Conselho de Administração da Petrobras e desta função amealha alguns bons reais no bolso. Ora, quando diz o ministro que a "Petrobras sempre pede..." quer dizer o que? Que ele pede para si mesmo ? Ademais, não sabe o ministro, ops!, o presidente do Conselho de Administração da Petrobras que existe uma enorme defasagem de preços dos combustíveis mantida pelo Ministério da Fazenda, cujo titular é o mesmo Guido Mantega?
c) Sobre os especuladores: "Você pode ganhar, mas pode perder. Porque o nosso câmbio é flutuante. Então é preciso tomar cuidado. Houve época em que nosso câmbio flutuava apenas só para um lado. Se você apostar demais numa direção, pode quebrar a cara". Nosso comentário : Isso mesmo ministro. Concordamos que "você" pode perder ou ganhar. Parece um axioma razoável. Quanto ao câmbio este nunca flutuou apenas para um lado, ele subiu e caiu muitas vezes desde a adoção do regime flutuante, logo após a inauguração do segundo governo FHC. Este fraseado ministerial serve para explicar exatamente o que?
d) Sobre a inflação: "A inflação tem uma trajetória sazonal. Começa alta no início do ano, vem caindo, atinge seu menor patamar em julho, depois volta a subir. O importante é a velocidade de crescimento, para que ela esteja dentro de parâmetros normais. Por exemplo, que a inflação de agosto fique em torno de 0,30". Nosso comentário : A inflação, conforme enorme literatura econômica internacional, não é aumento episódico de preços. Trata-se de aumento constante de preços. Este, no Brasil, gravita bem próximo à meta de inflação. Além disso, há uma considerável inflação acumulada nos últimos anos no Brasil, fruto de inúmeros fatores, mas um deles é constante: a falta de seriedade com que o governo trata o combate à inflação. Sobre isso nada fala o ministro. A única coisa que transparece das palavras de Guido Mantega é que a queda do câmbio é vital para o controle da inflação. Logo, é bom ter um limite para ele, mesmo que isso não dependa do ministro, mas do mercado. No caso, o mercado mundial.
O estado da política econômica - 3
Na semana passada, quando o tal do mercado mostrou que o dólar poderia subir bem mais, o governo anunciou que intervirá com US$ 50 bilhões no mercado cambial, via leilões de swaps cambiais. Tanto a elevação do dólar quanto a intervenção governamental são fatos importantes. Do lado do dólar as razões para a alta são bem claras: deve-se (i) a valorização da moeda americana no mercado internacional e também (ii) aos temores de que a economia brasileira não caminha bem por força da política da presidente Dilma Rousseff e que é executada pelo ministro Mantega. Mas e a intervenção no dólar? Atende a algum objetivo estratégico? Ou é algo meramente de controle conjuntural? Há preocupação do governo com a competitividade da indústria nacional? Além da intervenção do governo, o BC vai elevar a taxa de juros além daquilo que está previsto pelo mercado ? Não existe uma inflação "represada" nos combustíveis? Não contou o governo com a queda das tarifas de transporte, pós-manifestações de junho/julho, para a queda da inflação? O governo tem algum plano fiscal novo ? Bem, o governo Dilma Rousseff carece de uma visão estratégica e opera o dia a dia da política e economia. E ainda culpa o setor privado por ter dúvidas sobre o destino ao qual o país está sendo levado. Neste caso, o país pode "quebrar a cara"?
Em prol da transparência
Dada a nova vocação do ministro Mantega para a "transparência em operações que poderiam suscitar dúvidas" por que não se estimula o presidente do BNDES Luciano Coutinho, colega de Conselho de Administração de Mantega na Petrobras, a divulgar com clareza os resultados das operações de empréstimos do banco para as empresas de Eike Batista e para outros setores econômicos, tais como os frigoríficos, nossos "campeões mundiais"?
Recordar é viver: "Carta aos Brasileiros", Lula, PT 2002
"Quero agora reafirmar esse compromisso histórico com o combate à inflação, mas acompanhado do crescimento, da geração de empregos e da distribuição de renda, construindo um Brasil mais solidário e fraterno, um Brasil de todos. A volta do crescimento é o único remédio para impedir que se perpetue um círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação cambial brusca e aumento da dívida pública. O atual governo estabeleceu um equilíbrio fiscal precário no país, criando dificuldades para a retomada do crescimento. Com a política de sobrevalorização artificial de nossa moeda no primeiro mandato e com a ausência de políticas industriais de estímulo à capacidade produtiva, o governo não trabalhou como podia para aumentar a competitividade da economia. Exemplo maior foi o fracasso na construção e aprovação de uma reforma tributária que banisse o caráter regressivo e cumulativo dos impostos, fardo insuportável para o setor produtivo e para a exportação brasileira. A questão de fundo é que, para nós, o equilíbrio fiscal não é um fim, mas um meio. Queremos equilíbrio fiscal para crescer e não apenas para prestar contas aos nossos credores." Seria cômico, não fosse trágico.
Tucanos, uma nau sem rumo - 1
Não se pode dizer que os tucanos ganhariam as eleições em 2002, 2006 e 2010. Na sucessão de Fernando Henrique Cardoso havia um ambiente de "fadiga de material" a prejudicar qualquer que fosse o candidato governista. Na reeleição de Lula, o presidente já havia se recuperado da crise do mensalão e ainda começava a colher os frutos de uma boa fase da economia internacional e nacional. Na hora da substituição de Lula, o clima econômico era mais favorável ainda a um candidato governamental, o que facilitou a eleição do então "poste político" que Lula escolheu para substituí-lo. Mesmo assim, os tucanos que concorreram com os petistas - José Serra duas vezes e Geraldo Alckmin uma - embora tenham ido para o segundo turno, coisa que Lula não conseguiu nas duas vezes em que se bateu com Fernando Henrique Cardoso, poderiam ter tido um melhor desempenho. Não ganhariam, provavelmente, mas teriam se saído melhor na segunda rodada das urnas. Matou-os a incrível fogueira de vaidades que os consome.
Tucanos, uma nau sem rumo - 2
Do modo que as coisas vão entre eles, os tucanos caminham novamente para perder a eleição presidencial, com um ano de antecedência, ante à sua incapacidade, primeiro, de se entenderem minimamente, e segundo, por sua incapacidade de apresentar uma alternativa de governo ao que está em prática. Tanto quanto o governo eles parecem não ter entendido bem o que a dita "voz rouca das ruas" está pedindo. Pelo andar da carruagem, depois de outubro de 2014, Serra vai passar a gozar de definitiva aposentadoria da política, e Aécio Neves, mais jovem e ainda com mandato, vai ter de recomeçar do zero sua corrida para quem sabe um dia chegar ao Palácio do Planalto. Naturalmente, num outro partido, pois os tucanos não resistirão intocados a um novo vexame eleitoral nacional.
De intrigar
Apesar da quase desintegração dos tucanos, são eles que ainda assombram mais o Palácio do Planalto e o PT. Basta ver a insistência com que os informantes informais palacianos insistem em dizer ora que o grande adversário da Dilma é a Marina Silva, ora que é Eduardo Campos. Sempre acrescentando que Aécio é figura descartada. Há nessa conversa uma clara intenção de inflar Marina e Campos, dois candidatos com estrutura bem menor e menos sólida do que o possível candidato tucano. O fato real é que embora os tucanos estejam meio perdidos nesta sucessão, em princípio, são eles que ainda preocupam os governistas. Por pouco tempo, pelo que estamos vendo da "pax tucana".
Só ele salva?
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso engajou-se de fato na campanha de Aécio Neves. Aliás, como não o fez nas outras três campanhas em que o PSDB foi derrotado pelo PT. Conseguirá manter o partido mais ou menos unido e entusiasmado para o embate ? Só ele é a esperança dos tucanos.
Também é somente ele
A presidente Dilma, como sempre ocorre quando o mundo econômico e/ou político ameaça desabar sobre um governo, passou quatro horas na semana passada no confessionário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em SP. Tempo suficiente para discutir a escalação do Corinthians e passar em resumo toda a Bíblia. Também serviu para Lula dar instruções eleitorais e administrativas à pupila. Dilma aproveitou a vinda à SP para se aconselhar a respeito do que fazer sobre a maré de insatisfações políticas e econômicas que ronda o Palácio do Planalto. Os oráculos de Brasília esperam que a presidente se torne um pouco mais cordata com o mundo político depois desta conversa. Também se espera mais ações na economia para atrair de novo a atenção dos empresários. Há expectativas de novas mudanças nas regras de concessões.
É tudo com ele
Para sentir cada vez maior a influência do ex-presidente nas coisas que Brasília faz, veja o que escreveu sábado em seu artigo semanal da "Folha de S.Paulo", o jornalista e professor da USP, André Singer, porta-voz do Palácio do Planalto, na primeira fase do governo Lula: "Seja como for, o bloco reunificado [de empresários] foi se queixar a Lula, como se tornou costume à esquerda e à direita, obtendo uma espécie de recuo do desenvolvimentismo em quase todas as frentes no último semestre : aumento de juros, privatizações generalizadas na área de transportes, maiores taxas de retorno nas concessões, expansão das desonerações, suspensão das restrições ao capital especulativo e corte de dispêndio público". Leia-se : é Lula quem faz. E leia-se em certos amuos petistas: esta mudança de rumo não está agradando.
Entenda quem quiser
Muito se incensou - e justamente - a fala do ministro Celso de Mello, do STF, na primeira sessão de julgamento do mensalão, após a altercação entre os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Foi de forma elegante, um desagravo a Lewandowski, mas foi principalmente uma reafirmação da autonomia e independência do Supremo, acima de algumas paixões, quase um Fla-Flu (ou um Corinthians-Palmeiras) com que determinados grupos estão tratando o julgamento da AP 470. O recado foi muito claro, em uma substancial sentença, curiosamente ignorada por uma parte das arquibancadas : "Não nos olvidemos, jamais, senhor presidente e senhores ministros, das sábias palavras do saudoso ministro Luiz Gallotti, que lançou grave advertência sobre as consequências do processo decisório nesta Corte, ao enfatizar que o Supremo Tribunal Federal quando profere os seus julgamentos, também poderá, ele próprio, ser 'julgado pela Nação' (RTJ 63/299, 312) e pelos cidadãos desta República". Ou seja: o STF não é um ser anódino, apartado da sociedade. Para quem quiser entender, isto basta.
Aos embargos aquilo que é, de fato, infrigente
A questão "técnica" sobre a validade ou não do regimento interno do STF no que toca aos embargos infringentes é questão muito polêmica e passível de legítima dissecação dos excelsos jurisconsultos. Todavia, em sendo a Ação Penal 470 uma espécie de proxy sócio-política do Estado da Nação, a possibilidade de desvios jurisprudenciais é elevada. E mais : servirá de perigoso paradigma para esta questão "técnica". Todos os juízes ao redor daquelas mesas do plenário sabem disso e já revelaram a interlocutores suas preocupações. O problema é que, caso o andamento do julgamento caminhe para uma revisão das sentenças, poderemos ver coisas surpreendentes nas manifestações dos ministros. Os ácidos recados do presidente do STF poderão ir além do que já foi registrado. Nem parecido com Ulpiano, aquele jurisconsulto que firmou a máxima de que "tais são os preceitos do direito : viver honestamente, não ofender ninguém, dar a cada um o que lhe pertence".
Tão simples explicar
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cada vez menos ministro e cada vez mais candidato ao governo de SP, sempre uma figura muito afável em suas entrevistas, está exibindo clara irritação com as críticas e contestações à importação de quatro mil médicos cubanos que o governo pôs em prática esta semana. Boa parte delas, as de ordem legal, envolvendo inclusive questões trabalhistas, poderia ser facilmente rechaçada com a divulgação completa das datas e tudo mais do convênio que o governo brasileiro assinou com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS) para tornar viável a importação. Simples assim.
Também quero o meu
Entusiasmado com o que no governo é visto como um grande sucesso de "público" do ministro da Saúde, o programa "Mais Médicos", seu colega da Educação, Aloizio Mercadante, que lá no fundo ainda não "revogou" sua pretensão de concorrer ao governo de SP, anunciou que poderá também lançar em sua pasta um sucedâneo do programa de Padilha, o novo programa "Mais Professores". A questão é saber de onde virão esses profissionais se, como no caso dos médicos, não houver brasileiros suficientes para suprir as vagas a serem oferecidas pelo MEC : preferencialmente de Cuba também ? Dos países lusófonos ? Do Vietnã, Japão ou China ? E mais serão dispensados, como os médicos de um exame de validação do diploma e de um teste de eficiência em Língua Portuguesa ? Eleição, o que não se faz em seu nome!
Frase da semana
Do escritor e jornalista Gilberto de Mello Kujawiski em artigo no Migalhas:
"Por fim, permito-me reparar ainda que a denúncia da 'corrupção' gritada e escrita nas manifestações de junho não se limita a receber ou dar propina, não envolve forçosamente dinheiro. Refere-se à outra corrupção mais profunda e danosa : a deterioração das relações dos governantes com o Estado, apropriando-se do público em seu proveito, como se privado fosse, e pior ainda, provocando a degeneração do projeto de país em projeto de poder, sem limites." (clique aqui)
Comissões da verdade
Consta que os Estados já criaram nove "Comissões da Verdade" para apurar violações aos direitos humanos no período 1946-1988. Somadas tais comissões estaduais à sua "mãe" Federal o Brasil parece viver um verdadeiro período de apuração histórica sobre o papel da repressão (estatal ou não) sobre as pessoas e entidades. Observados os resultados de tais apurações verificamos que pouco ou quase nada se acresceu aquilo que já se sabia. O trabalho de tais comissões deve ser até sério, mas convenhamos : será que dá para ter algo "novo" sem uma abertura geral e irrestrita dos arquivos estatais, sobretudo aqueles nas mãos dos militares ? Com resultados tão pífios não seria o caso destas comissões se debruçarem sobre os 50 mil homicídios que o Brasil tem todos os anos? Este indicador é sim uma violação monumental aos direitos humanos, um recorde mundial que nos envergonha.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
domingo, 25 de agosto de 2013
LUIS FERNANDO VERÍSSIMO: UM HOMEM INTELIGENTE FALANDO SOBRE AS MULHERES!
Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia.
Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem.
Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia.
Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios.
Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!
(Luís Fernando Veríssimo)
sábado, 24 de agosto de 2013
A GRANDEZA DO MAR
Você sabe por que o mar é tão grande?
Tão imenso? Tão poderoso?
É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios.
Sabendo receber, tornou-se grande.
Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios,
não seria mar, mas sim uma ilha.
Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.
A perda faz parte.
A queda faz parte.
A morte faz parte.
É impossível vivermos satisfatoriamente.
Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.
Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber viver.
Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará.
Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.
E isto você já sabe.
Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade
o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte.
(Paulo Roberto Gaefke)
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
A morada do doutor
Abro a coluna com uma historinha do mestre Leonardo Mota.
Quem entra no "Hotel Roma" de Alagoinhas, na BA, vai com os olhos a uma tabuleta agressiva em que peremptoriamente lê: Pagamento adiantado, hóspedes sem bagagens e conferencistas. Também, em PE, o proprietário do hotelzinho de Timbaúba é, com carradas de razão, um espírito prevenido contra conferencistas que correm terras. Notei que se tornou carrancudo comigo quando lhe disseram que eu era conferencista, a pior nação de gente que ele contava em meio à sua freguesia. Supunha o hoteleiro de Timbaúba que eu fosse doutor de doença ou doutor de questão. Por falar em Timbaúba, há ali um sobrado, em cuja parte térrea funciona uma loja de modas, liricamente denominada "A Noiva". O andar superior foi adaptado para residência de uma família. Eu não sabia de nada disso quando tendo indagado do Major Ulpiano Ventura onde residia o dr. Agrício Silva, juiz de Direito da comarca, recebi esta informação chocante:
- O doutô Agriço? O doutô Agriço está morando em riba d' "A Noiva"...
Terceirização enviesada
O projeto 4330, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, foi completamente desestruturado. Virou uma bagunça. Voltado para a formalização do mercado de trabalho na esfera do trabalhador terceirizado, reivindicação do setor há cerca de três décadas, foi dissecado pela CUT, com o apoio do Governo, por meio de militantes cutistas infiltrados na máquina governamental. O projeto tem relatoria do deputado Arthur Maia (PMDB/BA), e é acompanhado por representantes do empresariado, da CUT e do governo. O empresariado, no caso, é representado pela CNI, que indicou o competente e renomado professor José Pastore, especialista em questões do trabalho. E, nas linhas de vanguarda e retaguarda, liderando o setor, duas destemidas lideranças : Vander Morales, pelo sindicato das empresas, e Genival Beserra, pelo sindicato dos trabalhadores.
Destruindo o setor
Pois bem, o projeto que CUT e Governo querem impor abriga duas posições que destroçam o esforço realizado pelas categorias terceirizadas nos últimos anos. A primeira: exclui o termo empresa para incluir, em seu lugar, pessoa jurídica, abrindo a possibilidade, como admite o próprio ministro Gilberto Carvalho, para que o trabalho terceirizado seja efetuado por cooperativas. A segunda posição: a representação sindical - as convenções coletivas - ocorrerá na esfera do tomador de serviços e não do prestador de serviços. Duas impropriedades. Uma punhalada na terceirização. Analisemos ambas.
Cooperativas nessa área?
O sindicalismo cutista, que já domina todo o campo das relações do trabalho no Brasil, quer estender suas garras. Dominar a área da terceirização. Quer que as cooperativas - suas cooperativas - exerçam essas tarefas. As cooperativas são isentas de uma bateria de impostos e tributos. Quer dizer, saem empresas, entram cooperativas. O rombo na previdência social seria profundo. As empresas que trabalham com terceirização e mão de obra temporária empregam cerca de 10 milhões de trabalhadores. São obrigadas de maneira rigorosa a cumprir toda a legislação trabalhista. Sua contribuição para o Tesouro Nacional soma muitos bilhões. Pois bem, essa dinheirama sairia dos cofres do governo. Sob a égide de cooperativas improvisadas, sem especialização, sem história na área, sem conhecimento das práticas do mercado.
O argumento? Economia solidária
Qual é o argumento do governo? Viabilizar a tal de economia solidária, que é abençoada pelo professor Paul Singer, ele mesmo atuando na esfera do Ministério do Trabalho. O que é essa modalidade de Economia ? Seria uma forma de gerar trabalho e renda, criando novas demandas para a atuação sindical e, de certo modo, um enfrentamento direto ao capitalismo. Podem, até, alegar que não é isso. Mas, verdadeiramente, trata-se de uma manobra para restringir o mercado de trabalho. A cooperação, primeiro eixo dessa modalidade, implica propriedade coletiva de bens, partilha de resultados, responsabilidade solidária. Autogestão das redes de produção e dos processos de trabalho. Uma visão diametralmente oposta ao conceito moderno de gerenciamento. Autogestão sem quadros de especialistas é suicídio. A solidariedade dessa economia se volta para a distribuição equitativa dos resultados alcançados. Melhorar a vida dos participantes. E assegurar as condições ambientais. Blefe.
A manobra é por dinheiro
A outra posição enviesada do projeto 4330 diz respeito à representação sindical dos terceirizados. Que passaria a ser feita pelo sindicato que atua na esfera do tomador de serviços e não do prestador. Às claras: uma copeira que trabalha numa siderúrgica seria considerada não mais copeira, mas um quadro do setor siderúrgico, com salários estabelecidos pela convenção coletiva para os trabalhadores da empresa tomadora de serviços. Seria uma contrafação geral. Motoristas, faxineiros, seguranças, enfim, mais de 30 categorias terceirizadas seriam deslocadas para os grandes setores da economia. Ou seja, trata-se de uma estratégia da CUT, que domina os eixos mais fortes dos sistemas produtivos, para locupletar seus cofres. O sindicato dos trabalhadores terceirizados, hoje com 280 mil associados, seria destroçado. As categorias por ele representadas seriam redistribuídas para os núcleos dominados pela CUT e Força Sindical, as duas maiores Centrais.
A fome com a vontade de comer
Junte-se cooperativa sem experiência com a matreirice da CUT para se formar a equação : é a fome com a vontade de comer. É a improvisação se aliando aos oportunistas de plantão. Resumo da ópera: o projeto 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel, que deveria por um fim à perseguição que o Ministério Público do Trabalho impõe às atividades terceirizadas, está se transformando na maior emboscada que se trama contra o setor nas últimas três décadas. Aprovada tal tramóia, todos os setores que trabalham com a terceirização, o Sindeprestem (sindicato das Empresas) e o Sindeepres (sindicato dos Trabalhadores), o Sinstal (sindicato das telecomunicações) - e mais aqueles que contam com leis próprias, como Conservação e Asseio (Seac) e Segurança Privada (Sesvesp) - estarão sob o crivo de cooperativas e sob a alçada das convenções coletivas realizadas no âmbito das tomadoras de serviços.
O patrocínio do Governo
Os comandantes desta insidiosa operação, segundo é sabido, estão no próprio Palácio do Planalto, sob a coordenação do ministro Gilberto Carvalho, a quem se subordinam as questões ligadas ao vetor trabalhista. Que pediu ao relator Arthur Maia para ajudar a tal da economia solidária do prof. Paul Singer. Os principais interlocutores da terceirização - sindicatos representando empresas e trabalhadores - acompanham atentamente a situação, denunciando a torpe manobra para jogar a terceirização sob a órbita da CUT.
Meneghelli, fundador da CUT
Agora, leiam estas declarações de Jair Meneguelli, presidente do SESI, ex-sindicalista, fundador da CUT, em entrevista a O Estado de São Paulo, na última segunda, 19/8/13: "Virou profissão, das boas, ser um dirigente sindical... A CUT não pode ter caráter partidário, isso é crucial. Tive uma briga homérica com José Dirceu justamente por conta disso... a CUT perdeu o maior momento de sua história...As Centrais não estão mais captando e representando o pensamento e a vontade dos trabalhadores".
O que dizer mais?
Depois desse veredicto do fundador da CUT, o quê mais dizer? Nada! Ou, se quiserem, um peremptório balançar negativo de cabeça.
Churchill - frases
"Eu não sou exigente, eu me contento com o que há de melhor."
"Não existe opinião pública, existe apenas opinião publicada."
"Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre gosto que me ensinem."
"Um conciliador é alguém que alimenta um crocodilo, esperando ser devorado por último."
"Eu gosto de porcos. Cães nos olham de baixo. Gatos nos olham de cima. Porcos nos tratam como iguais."
Médicos estrangeiros nos EUA
O Brasil quer implantar o programa Mais Médicos - com médicos estrangeiros - para ampliar a rede da saúde. O programa do Ministério da Saúde gera muita polêmica. Será o calcanhar de Aquiles do ministro Padilha, caso confirmada sua candidatura ao governo de SP em 2014. Apenas para ilustrar : nos EUA, médicos imigrantes trabalham como garçons ou taxistas. Milhares de médicos estrangeiros têm dificuldades para obter licença de atuação, apesar de faltarem médicos em muitas partes do país. O processo de admissão pode levar 10 anos. Precisam provar que sabem inglês, passar por três etapas distintas do Exame de Licenciamento Médico, obter cartas de recomendação americanas, trabalhar como voluntários ou não em hospital, clínicas ou organização de pesquisas e ser residente permanente ou obter visto de trabalho.
Pesquisas
Nos próximos dias, teremos nova rodada de pesquisas para o governo do Estado de SP, com o carimbo Datafolha. Perguntas: Geraldo Alckmin caiu? Como estará a posição de Paulo Skaf, que está em segundo lugar, com 20% dos votos? E o eventual candidato do PT, Alexandre Padilha?
Dilma em nova roupagem
A presidente Dilma mudou de atitudes. Conversa a torto e a direito com representantes e lideranças do Parlamento. Libera verbas de emendas parlamentares. Vai a capitais e a grandes cidades. Resgatou cinco pontos na popularidade. Mas, segundo se infere, jamais alcançará o topo de 65% de avaliação positiva, que era a marca de meses atrás.
Lula mais precavido
À boca pequena, comenta-se que Luiz Inácio Lula da Silva age com precaução. Ouve muito, conversa, articula. Seu sonho maior, além da reeleição de Dilma, é tomar o governo dos tucanos em SP. Nessa direção, poderia desistir de uma candidatura do PT, em SP, para apoiar o candidato de outro partido? Difícil. O PT quer fazer uma grande bancada. E a candidatura do governo é fundamental.
Serra no PPS?
Fonte fidedigna garante que José Serra está pensando seriamente em sair do PSDB e ingressar no PPS. Acha que voltou a ter chances no jogo eleitoral de 2014.
Marina vai conseguir?
Marina Silva fez a última jogada: pediu apoio à cúpula do TSE para agilizar a instalação de sua Rede Sustentabilidade. Conseguiu oficializar 250 mil assinaturas. Seu grupo garante ter entregue 830 mil assinaturas, 70% a mais do necessário. Na régua de 0 a 100, a probabilidade de abrir o partido até outubro é, hoje, de 60%.
Frases de Churchill
"Quando eu era jovem, estabeleci uma regra de nunca beber um drink antes do almoço. Agora, minha regra é nunca beber um drink antes do café-da-manhã."
"Comer minhas próprias palavras nunca me deu indigestão".
"Quando era subalterno na guerra da África do Sul, a água não era apropriada para beber. Para torná-la palatável, tínhamos que colocar whisky. Através de um esforço diligente, aprendi a gostar disso".
Silêncio geral
Fecho a coluna com uma historinha da Paraíba.
Flávio Ribeiro, presidente da Assembléia da Paraíba (depois foi governador do Estado), estava irritado com as galerias, que aplaudiam e vaiavam durante um debate entre o deputado comunista Santa Cruz e o udenista Praxedes Pitanga. De repente, tocou a campainha, pediu silêncio e avisou, grave:
- Se as galerias continuarem a se manifestar, eu evacuo.
As galerias, ufa, se calaram.
Conselho aos membros do STF
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às Entidades Sociais. Hoje, volta sua atenção aos membros do STF:
1. A Suprema Corte volta a chamar a atenção sobre suas decisões. O processo do mensalão é retomado sob intensa atenção social e clima de expectativas envolvendo o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, e o ministro Ricardo Lewandowski.
2. O bom senso sugere que Sua Excelência, o presidente Barbosa, deve pedir desculpas públicas ao ministro Lewandowski, por tê-lo chamado de chicaneiro. Não combina a imagem do chefe da mais Alta Corte Judiciária com o uso desse termo para designar um colega. Os componentes do STF devem se esforçar para harmonizar o ambiente.
3. O ministro Lewandowski, por sua vez, em caso de retratação, deveria receber o gesto humildemente. E mostrar que seu compromisso é com a Justiça. Evitando interpretações que estaria tentando atenuar a pena de alguns condenados.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com uma historinha do mestre Leonardo Mota.
Quem entra no "Hotel Roma" de Alagoinhas, na BA, vai com os olhos a uma tabuleta agressiva em que peremptoriamente lê: Pagamento adiantado, hóspedes sem bagagens e conferencistas. Também, em PE, o proprietário do hotelzinho de Timbaúba é, com carradas de razão, um espírito prevenido contra conferencistas que correm terras. Notei que se tornou carrancudo comigo quando lhe disseram que eu era conferencista, a pior nação de gente que ele contava em meio à sua freguesia. Supunha o hoteleiro de Timbaúba que eu fosse doutor de doença ou doutor de questão. Por falar em Timbaúba, há ali um sobrado, em cuja parte térrea funciona uma loja de modas, liricamente denominada "A Noiva". O andar superior foi adaptado para residência de uma família. Eu não sabia de nada disso quando tendo indagado do Major Ulpiano Ventura onde residia o dr. Agrício Silva, juiz de Direito da comarca, recebi esta informação chocante:
- O doutô Agriço? O doutô Agriço está morando em riba d' "A Noiva"...
Terceirização enviesada
O projeto 4330, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, foi completamente desestruturado. Virou uma bagunça. Voltado para a formalização do mercado de trabalho na esfera do trabalhador terceirizado, reivindicação do setor há cerca de três décadas, foi dissecado pela CUT, com o apoio do Governo, por meio de militantes cutistas infiltrados na máquina governamental. O projeto tem relatoria do deputado Arthur Maia (PMDB/BA), e é acompanhado por representantes do empresariado, da CUT e do governo. O empresariado, no caso, é representado pela CNI, que indicou o competente e renomado professor José Pastore, especialista em questões do trabalho. E, nas linhas de vanguarda e retaguarda, liderando o setor, duas destemidas lideranças : Vander Morales, pelo sindicato das empresas, e Genival Beserra, pelo sindicato dos trabalhadores.
Destruindo o setor
Pois bem, o projeto que CUT e Governo querem impor abriga duas posições que destroçam o esforço realizado pelas categorias terceirizadas nos últimos anos. A primeira: exclui o termo empresa para incluir, em seu lugar, pessoa jurídica, abrindo a possibilidade, como admite o próprio ministro Gilberto Carvalho, para que o trabalho terceirizado seja efetuado por cooperativas. A segunda posição: a representação sindical - as convenções coletivas - ocorrerá na esfera do tomador de serviços e não do prestador de serviços. Duas impropriedades. Uma punhalada na terceirização. Analisemos ambas.
Cooperativas nessa área?
O sindicalismo cutista, que já domina todo o campo das relações do trabalho no Brasil, quer estender suas garras. Dominar a área da terceirização. Quer que as cooperativas - suas cooperativas - exerçam essas tarefas. As cooperativas são isentas de uma bateria de impostos e tributos. Quer dizer, saem empresas, entram cooperativas. O rombo na previdência social seria profundo. As empresas que trabalham com terceirização e mão de obra temporária empregam cerca de 10 milhões de trabalhadores. São obrigadas de maneira rigorosa a cumprir toda a legislação trabalhista. Sua contribuição para o Tesouro Nacional soma muitos bilhões. Pois bem, essa dinheirama sairia dos cofres do governo. Sob a égide de cooperativas improvisadas, sem especialização, sem história na área, sem conhecimento das práticas do mercado.
O argumento? Economia solidária
Qual é o argumento do governo? Viabilizar a tal de economia solidária, que é abençoada pelo professor Paul Singer, ele mesmo atuando na esfera do Ministério do Trabalho. O que é essa modalidade de Economia ? Seria uma forma de gerar trabalho e renda, criando novas demandas para a atuação sindical e, de certo modo, um enfrentamento direto ao capitalismo. Podem, até, alegar que não é isso. Mas, verdadeiramente, trata-se de uma manobra para restringir o mercado de trabalho. A cooperação, primeiro eixo dessa modalidade, implica propriedade coletiva de bens, partilha de resultados, responsabilidade solidária. Autogestão das redes de produção e dos processos de trabalho. Uma visão diametralmente oposta ao conceito moderno de gerenciamento. Autogestão sem quadros de especialistas é suicídio. A solidariedade dessa economia se volta para a distribuição equitativa dos resultados alcançados. Melhorar a vida dos participantes. E assegurar as condições ambientais. Blefe.
A manobra é por dinheiro
A outra posição enviesada do projeto 4330 diz respeito à representação sindical dos terceirizados. Que passaria a ser feita pelo sindicato que atua na esfera do tomador de serviços e não do prestador. Às claras: uma copeira que trabalha numa siderúrgica seria considerada não mais copeira, mas um quadro do setor siderúrgico, com salários estabelecidos pela convenção coletiva para os trabalhadores da empresa tomadora de serviços. Seria uma contrafação geral. Motoristas, faxineiros, seguranças, enfim, mais de 30 categorias terceirizadas seriam deslocadas para os grandes setores da economia. Ou seja, trata-se de uma estratégia da CUT, que domina os eixos mais fortes dos sistemas produtivos, para locupletar seus cofres. O sindicato dos trabalhadores terceirizados, hoje com 280 mil associados, seria destroçado. As categorias por ele representadas seriam redistribuídas para os núcleos dominados pela CUT e Força Sindical, as duas maiores Centrais.
A fome com a vontade de comer
Junte-se cooperativa sem experiência com a matreirice da CUT para se formar a equação : é a fome com a vontade de comer. É a improvisação se aliando aos oportunistas de plantão. Resumo da ópera: o projeto 4330, de autoria do deputado Sandro Mabel, que deveria por um fim à perseguição que o Ministério Público do Trabalho impõe às atividades terceirizadas, está se transformando na maior emboscada que se trama contra o setor nas últimas três décadas. Aprovada tal tramóia, todos os setores que trabalham com a terceirização, o Sindeprestem (sindicato das Empresas) e o Sindeepres (sindicato dos Trabalhadores), o Sinstal (sindicato das telecomunicações) - e mais aqueles que contam com leis próprias, como Conservação e Asseio (Seac) e Segurança Privada (Sesvesp) - estarão sob o crivo de cooperativas e sob a alçada das convenções coletivas realizadas no âmbito das tomadoras de serviços.
O patrocínio do Governo
Os comandantes desta insidiosa operação, segundo é sabido, estão no próprio Palácio do Planalto, sob a coordenação do ministro Gilberto Carvalho, a quem se subordinam as questões ligadas ao vetor trabalhista. Que pediu ao relator Arthur Maia para ajudar a tal da economia solidária do prof. Paul Singer. Os principais interlocutores da terceirização - sindicatos representando empresas e trabalhadores - acompanham atentamente a situação, denunciando a torpe manobra para jogar a terceirização sob a órbita da CUT.
Meneghelli, fundador da CUT
Agora, leiam estas declarações de Jair Meneguelli, presidente do SESI, ex-sindicalista, fundador da CUT, em entrevista a O Estado de São Paulo, na última segunda, 19/8/13: "Virou profissão, das boas, ser um dirigente sindical... A CUT não pode ter caráter partidário, isso é crucial. Tive uma briga homérica com José Dirceu justamente por conta disso... a CUT perdeu o maior momento de sua história...As Centrais não estão mais captando e representando o pensamento e a vontade dos trabalhadores".
O que dizer mais?
Depois desse veredicto do fundador da CUT, o quê mais dizer? Nada! Ou, se quiserem, um peremptório balançar negativo de cabeça.
Churchill - frases
"Eu não sou exigente, eu me contento com o que há de melhor."
"Não existe opinião pública, existe apenas opinião publicada."
"Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre gosto que me ensinem."
"Um conciliador é alguém que alimenta um crocodilo, esperando ser devorado por último."
"Eu gosto de porcos. Cães nos olham de baixo. Gatos nos olham de cima. Porcos nos tratam como iguais."
Médicos estrangeiros nos EUA
O Brasil quer implantar o programa Mais Médicos - com médicos estrangeiros - para ampliar a rede da saúde. O programa do Ministério da Saúde gera muita polêmica. Será o calcanhar de Aquiles do ministro Padilha, caso confirmada sua candidatura ao governo de SP em 2014. Apenas para ilustrar : nos EUA, médicos imigrantes trabalham como garçons ou taxistas. Milhares de médicos estrangeiros têm dificuldades para obter licença de atuação, apesar de faltarem médicos em muitas partes do país. O processo de admissão pode levar 10 anos. Precisam provar que sabem inglês, passar por três etapas distintas do Exame de Licenciamento Médico, obter cartas de recomendação americanas, trabalhar como voluntários ou não em hospital, clínicas ou organização de pesquisas e ser residente permanente ou obter visto de trabalho.
Pesquisas
Nos próximos dias, teremos nova rodada de pesquisas para o governo do Estado de SP, com o carimbo Datafolha. Perguntas: Geraldo Alckmin caiu? Como estará a posição de Paulo Skaf, que está em segundo lugar, com 20% dos votos? E o eventual candidato do PT, Alexandre Padilha?
Dilma em nova roupagem
A presidente Dilma mudou de atitudes. Conversa a torto e a direito com representantes e lideranças do Parlamento. Libera verbas de emendas parlamentares. Vai a capitais e a grandes cidades. Resgatou cinco pontos na popularidade. Mas, segundo se infere, jamais alcançará o topo de 65% de avaliação positiva, que era a marca de meses atrás.
Lula mais precavido
À boca pequena, comenta-se que Luiz Inácio Lula da Silva age com precaução. Ouve muito, conversa, articula. Seu sonho maior, além da reeleição de Dilma, é tomar o governo dos tucanos em SP. Nessa direção, poderia desistir de uma candidatura do PT, em SP, para apoiar o candidato de outro partido? Difícil. O PT quer fazer uma grande bancada. E a candidatura do governo é fundamental.
Serra no PPS?
Fonte fidedigna garante que José Serra está pensando seriamente em sair do PSDB e ingressar no PPS. Acha que voltou a ter chances no jogo eleitoral de 2014.
Marina vai conseguir?
Marina Silva fez a última jogada: pediu apoio à cúpula do TSE para agilizar a instalação de sua Rede Sustentabilidade. Conseguiu oficializar 250 mil assinaturas. Seu grupo garante ter entregue 830 mil assinaturas, 70% a mais do necessário. Na régua de 0 a 100, a probabilidade de abrir o partido até outubro é, hoje, de 60%.
Frases de Churchill
"Quando eu era jovem, estabeleci uma regra de nunca beber um drink antes do almoço. Agora, minha regra é nunca beber um drink antes do café-da-manhã."
"Comer minhas próprias palavras nunca me deu indigestão".
"Quando era subalterno na guerra da África do Sul, a água não era apropriada para beber. Para torná-la palatável, tínhamos que colocar whisky. Através de um esforço diligente, aprendi a gostar disso".
Silêncio geral
Fecho a coluna com uma historinha da Paraíba.
Flávio Ribeiro, presidente da Assembléia da Paraíba (depois foi governador do Estado), estava irritado com as galerias, que aplaudiam e vaiavam durante um debate entre o deputado comunista Santa Cruz e o udenista Praxedes Pitanga. De repente, tocou a campainha, pediu silêncio e avisou, grave:
- Se as galerias continuarem a se manifestar, eu evacuo.
As galerias, ufa, se calaram.
Conselho aos membros do STF
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às Entidades Sociais. Hoje, volta sua atenção aos membros do STF:
1. A Suprema Corte volta a chamar a atenção sobre suas decisões. O processo do mensalão é retomado sob intensa atenção social e clima de expectativas envolvendo o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, e o ministro Ricardo Lewandowski.
2. O bom senso sugere que Sua Excelência, o presidente Barbosa, deve pedir desculpas públicas ao ministro Lewandowski, por tê-lo chamado de chicaneiro. Não combina a imagem do chefe da mais Alta Corte Judiciária com o uso desse termo para designar um colega. Os componentes do STF devem se esforçar para harmonizar o ambiente.
3. O ministro Lewandowski, por sua vez, em caso de retratação, deveria receber o gesto humildemente. E mostrar que seu compromisso é com a Justiça. Evitando interpretações que estaria tentando atenuar a pena de alguns condenados.
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(Gaudêncio Torquato)
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
PARA REFLETIR
"Cuidado com as palavras! Em religião, como em política, como em literatura, como em finanças, não há ideias, não há opiniões, não há algarismo: há palavras. As palavras são tudo: words, words, words..."
Olavo Bilac
Olavo Bilac
domingo, 18 de agosto de 2013
A MESMICE, O BALCÃO DE TROCAS E O IMPONDERÁVEL
Um sentimento de mesmice invade a alma nacional. A luta política, que se trava na arena do processo sucessório muito antecipado, é a teatralização de uma velha guerra que exibe perfis já conhecidos, bordões gastos e quase nenhum elemento de diferenciação.
Para se ter uma ideia, o slogan central das principais pré-candidaturas está centrado na “fazeção”: fazer mais e melhor. Tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o governador Eduardo Campos trabalham nessa direção discursiva.
O repertório de denúncias começa a ser reaberto, a lembrar, com mais de ano de antecedência, as conhecidas querelas entre o principal partido da situação, o PT, e o principal partido da oposição, o PSDB. Mensalão contra Trensalão.
Ao contrário do que seria de esperar, a sociedade parece esgotada. Não se anima com esta bateria de denúncias recíprocas. Há uma razão para tanto: a repetição cansativa de escândalos embrutece a sensibilidade, como se uma pesada camada de chumbo passasse a cobrir os nossos corpos.
O governo federal enfrenta contrariedade em sua própria base. É reativo, perdeu o comando da ação. A presidente ainda não se convenceu da necessidade de mudar o time que faz articulação política.
Os governadores mais se assemelham a dândis na escuridão. Aguardam, com expectativa, as pesquisas para saber se deverão continuar a surfar na onda governista ou a preparar o barco para novas travessias. Estão à mercê das pressões de suas populações.
Já os parlamentares, tanto deputados quanto senadores, esperam que a presidente mude seu comportamento ante o Parlamento. Hora de cobrar as emendas para as bases. É bem verdade que o balcão das trocas foi aberto, mas talvez a moeda sonante ainda seja escassa para enfrentar uma semana decisiva: a que vai decidir sobre a derrubada dos vetos presidenciais. Há quatro vetos que podem ser derrubados, o que significaria, nesse momento, mais uma tsunami de dissabores para a presidente Dilma.
A disputa sucessória antecipada dá o tom. Pré-candidatos correm atrás de apoio dos partidos, inclusive o tucano José Serra, que começa a por obstáculos no caminho do correligionário Aécio Neves, já consagrado como o nome tucano a entrar no páreo de 2014.
Fala-se de tudo e com todos. Mas conceitos e programas ficam a desejar. As oposições não encontraram rumo. Dilma, apesar da ojeriza que parece conservar sobre a classe política, continua como franca favorita, apesar de se saber que os opositores, hoje, somariam mais de 50% das intenções de voto. Ela teria algo como 40%. Segundo turno na certa.
Claro, se a disputa contar com Dilma, Aécio, Serra, Marina e Eduardo Campos. O que será difícil, levando-se em consideração que Lula ainda tem poder de influência sobre o governador pernambucano e Serra poderá recuar e vir a se candidatar a senador pelo PSDB. E não a presidente da República pelo PPS.
Procura-se um bode expiatório para a crise. Tucanos estão sob a mira do PT. Tudo vai depender dos resultados das investigações sobre o affaire dos trens. Que se espraia por algumas capitais do país, não se restringindo a São Paulo. Mas o governo federal também é foco das pressões.
O fato é que é refém de três ameaças que podem influenciar o processo eleitoral: o baixo crescimento do país, a volta da inflação e o cofre apertado para socorrer Estados e municípios.
Constata-se, ainda, que a tecnocracia é responsável pela imprevisibilidade e improvisação do Governo, pela departamentalização da eficácia econômica e pelo desprezo ao cinturão político.
As obras da Copa continuam atrasadas. As obras do PAC, essas, então, estão fora do calendário. Já na frente política, a articulação é frágil. Na esfera gerencial, portanto, aquilo que era mais forte e visível na índole da presidente – a capacidade gerencial – se esgarça.
Infelizmente, a eficiência e a eficácia organizacional são precárias e acabam prejudicando o manejo político e econômico. O resultado aí está: a baixa capacidade de governo, o que comprova a tese muito difundida de que os dirigentes latino-americanos, apesar de qualidades pessoais, têm dificuldades de lidar com a complexidade das máquinas.
A pior gestão é aquela que consome o capital político do governante sem alcançar os resultados anunciados e perseguidos e isso ocorre por mau manejo técnico.
Os políticos, por sua vez, aproveitam-se das circunstâncias para tirar proveito. A crise passa a ser oportunidade para aumentar o capital. E continuam a não ouvir o eco das ruas. Parecem anestesiados. Não sentem o cheiro de povo, não ouvem o grito rouco das ruas. Hibernam em densa e fria camada de gelo. E por que tanta insensibilidade? Por acharem que o povo esquecerá rapidamente suas demandas.
O fato é que a democracia representativa no Brasil vive aguda crise. Os quadros são velhos. A renovação se dá de maneira muito limitada. Os partidos, todos, se amalgamaram. Não há mais diferenciais entre as siglas, com exceção dos partidos que militam nos extremos do arco ideológico. Diante dessa moldura quebrada, o que fazer?
O olho social está vendo o nada. E a sociedade se distancia cada vez mais da política. No Judiciário, o clima é de guerra. Nunca se viu em toda a história do Poder Judiciário cena tão deprimente com as ásperas palavras trocadas entre o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, e seu colega Ricardo Lewandowski. Chamar um ministro da mais alta Corte do País de chicaneiro é a mais visível demonstração de que a lama toma conta de todos os espaços institucionais. Vamos aguardar os próximos acontecimentos. Muita água há de rolar carregando novas correntes.
Como rugiu Zaratustra, o profeta de Nietzsche: ”não apenas a razão dos milênios - também a sua loucura rompe em nós. É perigoso ser herdeiro. Ainda lutamos, passo a passo, com o gigante chamado acaso”. Nunca fomos tão cercados pela imponderabilidade. 2014 é um oceano de interrogações.
Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação.
Para se ter uma ideia, o slogan central das principais pré-candidaturas está centrado na “fazeção”: fazer mais e melhor. Tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o governador Eduardo Campos trabalham nessa direção discursiva.
O repertório de denúncias começa a ser reaberto, a lembrar, com mais de ano de antecedência, as conhecidas querelas entre o principal partido da situação, o PT, e o principal partido da oposição, o PSDB. Mensalão contra Trensalão.
Ao contrário do que seria de esperar, a sociedade parece esgotada. Não se anima com esta bateria de denúncias recíprocas. Há uma razão para tanto: a repetição cansativa de escândalos embrutece a sensibilidade, como se uma pesada camada de chumbo passasse a cobrir os nossos corpos.
O governo federal enfrenta contrariedade em sua própria base. É reativo, perdeu o comando da ação. A presidente ainda não se convenceu da necessidade de mudar o time que faz articulação política.
Os governadores mais se assemelham a dândis na escuridão. Aguardam, com expectativa, as pesquisas para saber se deverão continuar a surfar na onda governista ou a preparar o barco para novas travessias. Estão à mercê das pressões de suas populações.
Já os parlamentares, tanto deputados quanto senadores, esperam que a presidente mude seu comportamento ante o Parlamento. Hora de cobrar as emendas para as bases. É bem verdade que o balcão das trocas foi aberto, mas talvez a moeda sonante ainda seja escassa para enfrentar uma semana decisiva: a que vai decidir sobre a derrubada dos vetos presidenciais. Há quatro vetos que podem ser derrubados, o que significaria, nesse momento, mais uma tsunami de dissabores para a presidente Dilma.
A disputa sucessória antecipada dá o tom. Pré-candidatos correm atrás de apoio dos partidos, inclusive o tucano José Serra, que começa a por obstáculos no caminho do correligionário Aécio Neves, já consagrado como o nome tucano a entrar no páreo de 2014.
Fala-se de tudo e com todos. Mas conceitos e programas ficam a desejar. As oposições não encontraram rumo. Dilma, apesar da ojeriza que parece conservar sobre a classe política, continua como franca favorita, apesar de se saber que os opositores, hoje, somariam mais de 50% das intenções de voto. Ela teria algo como 40%. Segundo turno na certa.
Claro, se a disputa contar com Dilma, Aécio, Serra, Marina e Eduardo Campos. O que será difícil, levando-se em consideração que Lula ainda tem poder de influência sobre o governador pernambucano e Serra poderá recuar e vir a se candidatar a senador pelo PSDB. E não a presidente da República pelo PPS.
Procura-se um bode expiatório para a crise. Tucanos estão sob a mira do PT. Tudo vai depender dos resultados das investigações sobre o affaire dos trens. Que se espraia por algumas capitais do país, não se restringindo a São Paulo. Mas o governo federal também é foco das pressões.
O fato é que é refém de três ameaças que podem influenciar o processo eleitoral: o baixo crescimento do país, a volta da inflação e o cofre apertado para socorrer Estados e municípios.
Constata-se, ainda, que a tecnocracia é responsável pela imprevisibilidade e improvisação do Governo, pela departamentalização da eficácia econômica e pelo desprezo ao cinturão político.
As obras da Copa continuam atrasadas. As obras do PAC, essas, então, estão fora do calendário. Já na frente política, a articulação é frágil. Na esfera gerencial, portanto, aquilo que era mais forte e visível na índole da presidente – a capacidade gerencial – se esgarça.
Infelizmente, a eficiência e a eficácia organizacional são precárias e acabam prejudicando o manejo político e econômico. O resultado aí está: a baixa capacidade de governo, o que comprova a tese muito difundida de que os dirigentes latino-americanos, apesar de qualidades pessoais, têm dificuldades de lidar com a complexidade das máquinas.
A pior gestão é aquela que consome o capital político do governante sem alcançar os resultados anunciados e perseguidos e isso ocorre por mau manejo técnico.
Os políticos, por sua vez, aproveitam-se das circunstâncias para tirar proveito. A crise passa a ser oportunidade para aumentar o capital. E continuam a não ouvir o eco das ruas. Parecem anestesiados. Não sentem o cheiro de povo, não ouvem o grito rouco das ruas. Hibernam em densa e fria camada de gelo. E por que tanta insensibilidade? Por acharem que o povo esquecerá rapidamente suas demandas.
O fato é que a democracia representativa no Brasil vive aguda crise. Os quadros são velhos. A renovação se dá de maneira muito limitada. Os partidos, todos, se amalgamaram. Não há mais diferenciais entre as siglas, com exceção dos partidos que militam nos extremos do arco ideológico. Diante dessa moldura quebrada, o que fazer?
O olho social está vendo o nada. E a sociedade se distancia cada vez mais da política. No Judiciário, o clima é de guerra. Nunca se viu em toda a história do Poder Judiciário cena tão deprimente com as ásperas palavras trocadas entre o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, e seu colega Ricardo Lewandowski. Chamar um ministro da mais alta Corte do País de chicaneiro é a mais visível demonstração de que a lama toma conta de todos os espaços institucionais. Vamos aguardar os próximos acontecimentos. Muita água há de rolar carregando novas correntes.
Como rugiu Zaratustra, o profeta de Nietzsche: ”não apenas a razão dos milênios - também a sua loucura rompe em nós. É perigoso ser herdeiro. Ainda lutamos, passo a passo, com o gigante chamado acaso”. Nunca fomos tão cercados pela imponderabilidade. 2014 é um oceano de interrogações.
Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação.
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