Alguém postou o seguinte comentário na Coluna Observatório:
"Anônimo disse...
paulo nazareno é rei morto rei posto, não compare agua não se mistura com oleo, o primeiro esbofeteava todo mundo conegundes paulo teles....
á proposito onde voce encontrou que o nenen é ficha limpa...no TRE certamente não foi pois encontra -se no terceiro lugar da podridão..
o pior cego é deseja convecer tentando ocultar o que todo mundo ver...." (sic)
RESPONDO:
Tenho por regra excluir comentários de quem se esconde sob a capa do anonimato. Como em minhas observações procuro evitar expressões grosseiras, acho que qualquer pessoa pode comentá-las assinando embaixo.
Porém, abro uma exceção porque vi aqui uma provocação que pode suscitar uma melhor explicitação:
1. QUANTO À OBSERVAÇÃO SOBRE O PAULO NAZARENO (REI POSTO, REI MORTO), HÁ QUE SE PONDERAR QUE A HISTÓRIA REGISTRA INÚMEROS CASOS DE POLÍTICOS QUE PERDERAM ELEIÇÃO E SE REABILITARAM. A POLÍTICA É UM DESSES RAROS ESPAÇOS EM QUE MORTOS RESSUCITAM. COLLOR DE MELO, POR EXEMPLO, FOI DEPOSTO, CONSIDERADO MORTO POLITICAMENTE, E HOJE INTEGRA, NO SENADO, A LISTA DOS ALIADOS INFLUENTES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
2. QUANTO A NENEN COELHO, NUNCA DISSE QUE ELE NÃO POSSUI PROCESSOS. O QUE EU POSSO AFIRMAR É QUE EM NENHUM DOS PROCESSOS QUE ELE RESPONDE HÁ CONDENAÇÃO TIPIFICADA NOS MOLDES DA LEI DO "FICHA LIMPA". EXPLICO MELHOR: PELA LEI RECÉM-APROVADA, A PESSOA SÓ SE TORNA INELEGÍVEL SE A CONDENAÇÃO NO TRIBUNAL DE CONTAS CONFIGURAR "ATO DOLOSO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA". AS DECISÕES DO TCM EM RELAÇÃO A ELE ESTÃO FORA DESSE ENQUADRAMENTO. DE IGUAL FORMA, AS CONDENAÇÕES EM ORGÃO COLEGIADO TAMBÉM TÊM QUE CONTEMPLAR "A SUSPENSÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS, IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, LESÃO AO PATRIMONIO PÚBLICO E ENRIQUECIMENTO ILÍCITO". TAMBÉM AQUI INEXISTE DECISÃO TERMINATIVA DESSA NATUREZA EM RELAÇÃO AO DEPUTADO NENEN COELHO. ANTES DE POSTAR ESSA INFORMAÇÃO, FIZ UMA PESQUISA. SE O AUTOR DO COMENTÁRIO TIVER UMA DECISÃO DIFERENTE DAS QUE EU ENCONTREI, FAREI O DEVIDO E IMPRECINDÍVEL REPARO.
3. POR ÚLTIMO, QUERO REAFIRMAR NOSSO COMPROMISSO DE REFUTAR A CRÍTICA VITUPERINA, O INSULTO RASTEIRO OU A PRÁTICA DA BAIXARIA. PROCURAMOS PRATICAR O BOM DEBATE. ATÉ PORQUE PARA CADA PONDERAÇÃO LISTAMOS UMA SUGESTÃO.
4. UMA OBSERVAÇÃO DERRADEIRA: PODE COMENTAR À VONTADE. DE PREFERÊNCIA, IDENTIFICANDO-SE. AQUI NINGUÉM SERÁ EXECRADO NO EXERCÍCIO DEMOCRÁTICO DO DIREITO DE OPINIÃO. OBRIGADO!
JÚNIOR BONFIM
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
JOÃO BYRON DE FIGUEIREDO FROTA

Sempre recebo o mês de junho com a alma ardente e o coração em festa. Nos sertões de Crateús, o frio das noites é aquecido pelas fogueiras. O céu, estrelado e envolvente, fica mais belo. Os jovens, mais românticos. Do fogão de lenha surge a culinária com autênticos sabores terrestres, principalmente do milho verde. É o apogeu da colheita. Um ciclo abençoado por santos populares, como Santo Antonio, o casamenteiro; São João, o festivo e São Pedro, o protetor das viúvas e dos pescadores.
Este ano, notei que no junino mês, mais precisamente no dia de São João, a família do crateuense João Byron de Figueiredo Frota celebra o folguedo do seu natalício. Detentor de portentoso currículo, o sexagenário conterrâneo homônimo do famoso poeta inglês, além de ocupar cadeira na Corte de Justiça Alencarina como desembargador, é também o seu atual Corregedor.
Fui ao seu encontro nesse início de mês. No aristocrático gabinete da Corregedoria Geral de Justiça ofereceu-me um chá biográfico. Ali, como dois sertanejos sentados em um terreiro em noite de fogueira, ficamos aquecendo gratuitamente grãos informativos da história de sua vida.
Cultor de coincidências, assisti um verdadeiro desfile invisível de eventos sincronísticos, sob a sombra benfazeja de seu pai: o também juiz José Olavo de Rodrigues Frota. Na doutrina Shakespeariana, “há mais dos seus pais em você do que você supunha”.
De início, ele me fala da cena mais impactante de sua vida como Magistrado. No ano de 1971, iniciava a carreira judicante na Comarca de Coreaú. (A mesma onde seu genitor havia iniciado a magistratura cinqüenta anos antes). Ocupava, na pequena urbe, um velho casarão. Certa manhã dirigia-se ao fórum. Numa calçada próxima, três longevos cidadãos estavam sentados, proseando. Ao avistarem o jovem juiz, levantaram solenemente, tiraram os chapéus e o cumprimentaram com reverente respeito.
Desconhecia que o mesmo gesto, anos antes, era repetido em Crateús, quando o seu velho pai, bengala à mão, caminhava pelas ruas da cidade...
Nascido em Crateús, na Rua José Coriolano, Byron tem ascendência sobralense. Na seqüência, me fala dos seus ancestrais: o senador Paula Pessoa, seu trisavô, e do bisavô José Antonio Figueiredo, que foi professor da lendária Faculdade de Direito de Recife, a mais respeitada do País no século XIX. Por lá passaram luminares das letras e do direito como Castro Alves, Rui Barbosa, Clóvis Beviláqua... E um crateuense fulgurante: José Coriolano de Sousa Lima. Magistrado, poeta, político, jornalista, deputado provincial pelo Piauí por duas legislaturas e presidente da Assembléia Legislativa.
Sabem onde Byron Frota nasceu? Na Rua José Coriolano – que, ao que tudo indica, fora aluno do seu bisavô.
Muito da coluna de dignidade do pai de Byron teve como alicerce a Ordem Maçônica. O homem era uma verdadeira pedra polida. Cavava masmorras ao vício e levantava templos à virtude. Por isso, embora parente de dom José Tupinambá da Frota, atritou-se com o bispo-conde de Sobral. Aristocrático no estilo, culto por dedicação, empreendedor por vocação, dom José reinava absoluto na Princesa do Norte. Porém, cometeu equívocos. Um deles foi dizer que, em Sobral, nunca permitiria Carnaval e Maçonaria. Perdeu a batalha. Uma das poucas na sua vitoriosa trajetória. Do outro lado estava o parente José Olavo de Rodrigues Frota.
Na esteira do pai, Byron também é iniciado nos Augustos Mistérios do simbolismo. Por onde passou como Juiz (na pacata Coreaú, na libertária Redenção ou sob a brisa da Bica do Ipú), o filho do doutor Olavo sempre reservou tempo para preencher o livro de presença em ações filantrópicas e manter vivo o arquivo com escaninhos do trabalho social, principalmente através do Lions.
Sempre esteve com o rádio do coração sintonizado na freqüência do serviço ao próximo e na busca do conserto do mundo. No inicio da década de 1960, pisou nas brasas da luta estudantil. Eleito Secretário Geral do Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua, da Faculdade de Direito da UFC, exerceu ponderável liderança no meio estudantil. No dia 09 de agosto de 1964, em palanque armado defronte a Catedral do Senhor do Bonfim, em Crateús, proferiu inflamada oração saudando o profético pastor Dom Antonio Batista Fragoso, um dos pioneiros da Teologia da Libertação e primeiro bispo da sua terra natal. Em 1965, após rigorosa seleção, foi classificado para o "Seminário Especial para Líderes Estudantis Brasileiros", tendo sido um dos poucos crateuenses a ocupar assento na famosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América.
Tempos depois, já maduro e na direção da entidade classista dos Magistrados (ACM), reacendeu a garra militante da juventude para estancar uma campanha difamatória contra o Poder que tem por tarefa precípua a dicção da Justiça. Foi de sua lavra o artigo “Respeito ao Poder Judiciário”, publicado no Jornal O POVO em 25 de outubro de 1987. Oportuno e eficaz, o histórico repto acha-se transcrito nos anais do Tribunal de Justiça.
Ao final da nossa conversa, fala da célula mater que cultiva. Olha para o céu e recorda que está casado há 38 anos com Rita. Suspira: - Parece que foi ontem! Rita Enoy Machado Vale Frota é sua consorte e com ela colocou no mundo Danielle Maria Vale Frota, Isabelle Maria Frota e José Olavo de Rodrigues Frota Neto.
Doutor Byron se despede de mim com um olhar de alegria. Alegria de quem compartilhou um pouco da canjica existencial, produzida com o milho da correção e o leite da decência. Lembrei-me de uma frase do outro Byron, o poeta inglês: “Só temos alegrias se as repartirmos: a felicidade nasceu gêmea!”
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal GAZETA DO CENTRO OESTE e na REVISTA GENTE DE AÇÃO)
OBSERVATÓRIO
O ano: 1962. Todas as principais forças políticas cearenses (UDN, PSD e PTN) se uniram em uma mesma coligação intitulada “União pelo Ceará”. O objetivo: derrotar Carlos Jereissati (PTB), que pleiteava o Senado e pontificava como um dos principais adversários do então governador Parsifal Barroso. Tasso Jereissati era um adolescente e acompanhava o pai, Carlos, na batalha eleitoral. Quando as urnas se abriram, Carlos Jereissati foi o único da chapa de oposição à “União pelo Ceará” que conseguiu se eleger. Segundo o historiador Altemar da Costa Muniz, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), “muito possivelmente, o Tasso nunca imaginou viver situação semelhante à do pai”. Mas... é o que se desenha.
JEREISSATI E OS “FERREIRA GOMES”
Os últimos fatos da política cearense revelam que esta pode ser a primeira eleição estadual em que Tasso e a família Ferreira Gomes se enfrentem diretamente. A história da parceria entre eles é conhecida. Todo o Ceará sabe que o sucesso político dos Ferreira Gomes tem dois motivos principais: primeiro, o talento dos seus membros (são águias no exercício da política); segundo, o apoio de Tasso. Quando era apenas Deputado Estadual e uma boa promessa, Ciro recebeu o convite do “Galego” para ser o líder do Governo da Assembléia. Depois, Prefeito de Fortaleza. Em seguida, recebeu das mãos de Tasso a faixa de Governador. A partir daí, fez carreira solo como Ministro de Estado, Candidato a Presidente e Deputado Federal. Mesmo quando virou oposicionista feroz do Presidente que Tasso apoiava, Ciro continuou recebendo a solidariedade do antigo aliado. Pela manutenção da amizade a Ciro, Tasso enfrentou todos os caciques do seu partido. E nunca fraquejou. Agora, os papéis se inverteram. Resta saber se a recíproca ocorrerá.
PAULO TELES I
Paulo Teles, na década passada, era um ilustre desconhecido. Em uma noite de festa no Clube Caça e Pesca, resolveu provocar o então Prefeito Paulo Nazareno, que estava no auge do mandato. Pavio curto e pouco dado à prudência que agora busca cultivar, Nazareno reagiu. O tempo fechou. Trocaram socos e pontapés. O episódio deu notoriedade a Teles. A oposição festejou. Nas eleições seguintes, candidato a vereador, Paulo Teles era apresentado como “o homem que enfrentou o Prefeito”. Davi contra Golias. E assim ganhou uma vaga na Câmara Municipal.
PAULO TELES II
Carlos Filipe, o atual alcaide, parece que já elegeu o seu Paulo Teles. Chama-se Silveira Filho. Deficiente físico, Silveira foi um dos mais eficientes e dedicados colaboradores das duas eleições que Felipe disputou. Há alguns dias, foi abruptamente expulso do Gabinete do Prefeito. O gesto causou desconforto. A imprensa explorou. A Prefeitura publicou uma nota desmentindo. Porém, ficou mal na foto.
OBRAS I
Em verdade, o Prefeito é beneficiário de um leque significativo de obras que os governos estadual e federal despejam no município. Embora várias delas sejam fruto de um trabalho antigo, caíram no colo do gestor atual, por conta dos bons fluídos da economia. E ele competentemente fatura em cima delas, chamando para si a paternidade de todas. Poderia, como o Lula, estar deslizando na maionese. Mas sofre de um visível desgaste. Por quê?
OBRAS II
Carlos Felipe desprezou seu maior capital: a credibilidade. Mais do que um simples tocador de obras, a população delirou com sua campanha messiânica porque enxergou nele um jovem sério, médico limpo, avesso a negociatas, inimigo da corrupção, algoz da politicagem e profeta da novidade. Uma vez no poder, requentou as práticas que, com justeza, havia condenado: desprezou aliados de primeira hora, trocou cargos por apoio, deixou aflorar suspeitas de direcionamento de licitações, esconjurou movimentos grevistas e deu aval a ações nepotistas. Deixou chispa de lama respingar na bandeira de esperança que desfraldou. Guardadas as imprescindíveis proporções, suscitou uma desilusão à Collor de Melo. Certamente, ao longo do mandato, exibirá muitas obras. É trabalhador e audaz. Porém, deveria cuidar da sua obra mais importante: a de recuperar e preservar o respeito ético e a dignidade moral que despertou. Esta não é física, mas espiritual. Definitiva e nobre. Para isso, basta um freio de arrumação, um enérgico murro na mesa dos deslizes. Abrir a janela da transparência e convidar todos à sala de estar do diálogo saudável. Do contrário, nenhuma das outras obras enterrará o arranha-céu da decepção.
FICHA LIMPA
Está decidido: a Lei Complementar 135/2010, que alterou a Lei das Inelegibilidades, valerá para este ano. Também chamada de “Ficha Limpa”, essa lei estabelece casos de inelegibilidade e determina providências que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. A indagação que surge é: qual a situação dos deputados mais votados em Crateús, Nenen e Hermínio? Terão problemas? A resposta é simples: não! Ambos estão livres das molduras legais previstas na Lei. Ambos poderão ser candidatos sem maiores dificuldades de natureza legal.
ALC
Este mês a Academia de Letras de Crateús estará reunida. Formalmente constituída, passará agora por uma nova fase, com os ônus e bônus da personalidade jurídica. Na pauta, calendário anual de reuniões e assuntos mais urgentes. Espaço de debate qualificado, a Academia muito há de contribuir para o avanço cultural da urbe.
PARA REFLETIR
“A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência”. (Albert Einstein)
(Por Júnior Bonfim - na edição de hoje do Jornal GAZETA DO CENTRO OESTE, Crateús, Ceará)
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
COMENTÁRIO:
Aos 40 do segundo tempo, não restava opção ao Senador que não a ruptura com os Ferreira Gomes. Afinal, uma coalizão entre PSDB e PSB no Ceará significaria a presença, num mesmo palanque, de Ciro Gomes e José Serra, o que seria, no mínimo, paradoxal à história recente de desavenças entre os dois.
Não se pode esquecer também que, aproximando-se do PSDB, o governador Cid estaria desfazendo os laços com a fonte provedora da União, o que não se mostraria razoável, notadamente em época de eleição.
No gand finale, Tasso seria posto em banho-maria até o dia 05 de julho, prazo limite para o registro dos candidatos, não indicaria candidato do PSDB e deixaria o caminho livre para os Ferreira Gomes fazerem aliança com o PT, sem qualquer oposição ao governo do Ceará.
Ponto para o senador!
Petrus Henrique
JEREISSATI E OS “FERREIRA GOMES”
Os últimos fatos da política cearense revelam que esta pode ser a primeira eleição estadual em que Tasso e a família Ferreira Gomes se enfrentem diretamente. A história da parceria entre eles é conhecida. Todo o Ceará sabe que o sucesso político dos Ferreira Gomes tem dois motivos principais: primeiro, o talento dos seus membros (são águias no exercício da política); segundo, o apoio de Tasso. Quando era apenas Deputado Estadual e uma boa promessa, Ciro recebeu o convite do “Galego” para ser o líder do Governo da Assembléia. Depois, Prefeito de Fortaleza. Em seguida, recebeu das mãos de Tasso a faixa de Governador. A partir daí, fez carreira solo como Ministro de Estado, Candidato a Presidente e Deputado Federal. Mesmo quando virou oposicionista feroz do Presidente que Tasso apoiava, Ciro continuou recebendo a solidariedade do antigo aliado. Pela manutenção da amizade a Ciro, Tasso enfrentou todos os caciques do seu partido. E nunca fraquejou. Agora, os papéis se inverteram. Resta saber se a recíproca ocorrerá.
PAULO TELES I
Paulo Teles, na década passada, era um ilustre desconhecido. Em uma noite de festa no Clube Caça e Pesca, resolveu provocar o então Prefeito Paulo Nazareno, que estava no auge do mandato. Pavio curto e pouco dado à prudência que agora busca cultivar, Nazareno reagiu. O tempo fechou. Trocaram socos e pontapés. O episódio deu notoriedade a Teles. A oposição festejou. Nas eleições seguintes, candidato a vereador, Paulo Teles era apresentado como “o homem que enfrentou o Prefeito”. Davi contra Golias. E assim ganhou uma vaga na Câmara Municipal.
PAULO TELES II
Carlos Filipe, o atual alcaide, parece que já elegeu o seu Paulo Teles. Chama-se Silveira Filho. Deficiente físico, Silveira foi um dos mais eficientes e dedicados colaboradores das duas eleições que Felipe disputou. Há alguns dias, foi abruptamente expulso do Gabinete do Prefeito. O gesto causou desconforto. A imprensa explorou. A Prefeitura publicou uma nota desmentindo. Porém, ficou mal na foto.
OBRAS I
Em verdade, o Prefeito é beneficiário de um leque significativo de obras que os governos estadual e federal despejam no município. Embora várias delas sejam fruto de um trabalho antigo, caíram no colo do gestor atual, por conta dos bons fluídos da economia. E ele competentemente fatura em cima delas, chamando para si a paternidade de todas. Poderia, como o Lula, estar deslizando na maionese. Mas sofre de um visível desgaste. Por quê?
OBRAS II
Carlos Felipe desprezou seu maior capital: a credibilidade. Mais do que um simples tocador de obras, a população delirou com sua campanha messiânica porque enxergou nele um jovem sério, médico limpo, avesso a negociatas, inimigo da corrupção, algoz da politicagem e profeta da novidade. Uma vez no poder, requentou as práticas que, com justeza, havia condenado: desprezou aliados de primeira hora, trocou cargos por apoio, deixou aflorar suspeitas de direcionamento de licitações, esconjurou movimentos grevistas e deu aval a ações nepotistas. Deixou chispa de lama respingar na bandeira de esperança que desfraldou. Guardadas as imprescindíveis proporções, suscitou uma desilusão à Collor de Melo. Certamente, ao longo do mandato, exibirá muitas obras. É trabalhador e audaz. Porém, deveria cuidar da sua obra mais importante: a de recuperar e preservar o respeito ético e a dignidade moral que despertou. Esta não é física, mas espiritual. Definitiva e nobre. Para isso, basta um freio de arrumação, um enérgico murro na mesa dos deslizes. Abrir a janela da transparência e convidar todos à sala de estar do diálogo saudável. Do contrário, nenhuma das outras obras enterrará o arranha-céu da decepção.
FICHA LIMPA
Está decidido: a Lei Complementar 135/2010, que alterou a Lei das Inelegibilidades, valerá para este ano. Também chamada de “Ficha Limpa”, essa lei estabelece casos de inelegibilidade e determina providências que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato. A indagação que surge é: qual a situação dos deputados mais votados em Crateús, Nenen e Hermínio? Terão problemas? A resposta é simples: não! Ambos estão livres das molduras legais previstas na Lei. Ambos poderão ser candidatos sem maiores dificuldades de natureza legal.
ALC
Este mês a Academia de Letras de Crateús estará reunida. Formalmente constituída, passará agora por uma nova fase, com os ônus e bônus da personalidade jurídica. Na pauta, calendário anual de reuniões e assuntos mais urgentes. Espaço de debate qualificado, a Academia muito há de contribuir para o avanço cultural da urbe.
PARA REFLETIR
“A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência”. (Albert Einstein)
(Por Júnior Bonfim - na edição de hoje do Jornal GAZETA DO CENTRO OESTE, Crateús, Ceará)
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COMENTÁRIO:
Aos 40 do segundo tempo, não restava opção ao Senador que não a ruptura com os Ferreira Gomes. Afinal, uma coalizão entre PSDB e PSB no Ceará significaria a presença, num mesmo palanque, de Ciro Gomes e José Serra, o que seria, no mínimo, paradoxal à história recente de desavenças entre os dois.
Não se pode esquecer também que, aproximando-se do PSDB, o governador Cid estaria desfazendo os laços com a fonte provedora da União, o que não se mostraria razoável, notadamente em época de eleição.
No gand finale, Tasso seria posto em banho-maria até o dia 05 de julho, prazo limite para o registro dos candidatos, não indicaria candidato do PSDB e deixaria o caminho livre para os Ferreira Gomes fazerem aliança com o PT, sem qualquer oposição ao governo do Ceará.
Ponto para o senador!
Petrus Henrique
quarta-feira, 16 de junho de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Perspectivas e características
Luís Pereira, pintor de parede, teve apenas 200 votos em Pernambuco. Mas virou deputado Federal. Suplente de Francisco Julião, cassado, tinha de assumir. Chegou a Brasília de roupa nova e muito comovido. No aeroporto, o potiguar Murilo Melo Filho, conta Sebastião Nery, jogou tinta na boca do novo parlamentar:
- Deputado, como vai a situação?
Pensou, pensou, olhou para um lado, olhou para o outro e tascou:
- As perspectivas são piores do que as características.
Identidade e imagem
Postas as candidaturas, a campanha começa a ganhar ares oficiais. Cada candidato terá de fazer chegar sua Identidade aos eleitores. Identidade é um composto de: pensamentos e ideias, experiências, história, atitudes e valores (plano semântico); e maneira de se vestir, de falar, de gesticular (plano estético). Identidade começa com o sufixo Idem (do latim), que significa semelhante, igual. Identidade, portanto, é a verdade da pessoa. Já Imagem é a sombra da Identidade, é a projeção. Quando a sombra está muito distante da pessoa, cria-se uma dissonância. A Imagem não corresponde à verdade. Por isso, candidatas e candidatos, procurem ajustar as Imagens que desejam transmitir aos eleitores à Identidade.
Escândalos
A pergunta é recorrente: e os escândalos farão alguma diferença? Os dossiês montados para prejudicar candidaturas surtirão algum efeito? A resposta é: não. Os eleitores sabem que todos os escândalos em princípio, meio e fim de campanha têm a finalidade de ajudar um candidato em detrimento de outro. E por saberem disso, os eleitores estão devidamente vacinados. Não se contaminam com o clima de denúncias. O efeito é apenas esse: reforça a opinião dos dois lados. Os eleitores de uns ficarão com raiva do candidato adversário; e os eleitores deste candidato ficarão indignados com o outro candidato. Zero a zero.
A decisão estará com 1/3
Pois bem, o que estamos vendo é o seguinte: 1/3 do eleitorado está apoiando José Serra; 1/3 do eleitorado está apoiando Dilma; e 1/3 do eleitorado está espiando a cena. Este 1/3 que está nas arquibancadas de observação definirá o resultado da eleição. Ele será guiado e influenciado por três fatores: o conforto econômico (40%), os patrocinadores (30%), como Lula, governadores, prefeitos e outras lideranças políticas e perfis (30%), correspondendo à avaliação que os eleitores farão da Identidade e da Imagem dos candidatos. Essa é mais ou menos a equação eleitoral. Conte-se, ainda, com o detalhe abaixo.
Minas, síntese do Brasil
Tenho dito e repetido: a eleição passa por Minas Gerais. Este Estado é a síntese do Brasil. Nos últimos cinco pleitos, Minas foi o Estado que registrou a menor diferença entre o índice nacional e os índices regionais, algo em torno de 5%. Quer dizer que Minas aponta o caminho da vitória dos candidatos. Os vitoriosos em todos os grandes pleitos contemporâneos ganharam também em Minas Gerais. Que tem 14 milhões e 300 mil eleitores. E o eleitorado mais indeciso do país. Na última hora, tira o voto do colete.
A força dos debates
Os debates têm importância central em uma campanha. Por meio deles, o eleitor afere os contendores, estabelece comparações, avalia posições etc. Um candidato mais nervoso, mais preparado, mais tenso, com menor domínio temático, explosivo, contundente, tranqüilo, educado, mais grosseiro: eis aí o painel de características e condições dos perfis captadas pelos eleitores. O preparo para os debates ajuda, mas as situações incontroláveis poderão desestabilizar uma candidatura. Ciro Gomes chamou um eleitor de burro pelo rádio; outra feita, indagado sobre o papel de sua mulher, Patrícia Pillar, na campanha, disse que ela era importante: dormia com ele. Caiu nas pesquisas. Foi grosseiro.
O papel de Lula
O que vimos, até agora, foi um ensaio de campanha. Que pegará fogo após a Copa. Lula já prometeu usar toda a munição que tem no seu arsenal. E mais: desafia Serra, querendo saber se o ex-governador tem mesmo "sangue de barata", porque fará ele, Lula, muitas provocações para tirar o tucano da seriedade. Lula é macaco velho. Respira política pelos poros. Aprendeu as maldades nos tempos do sindicalismo maquiavélico. Forjou sua experiência com muitas derrotas. Diz que seu maior projeto de vida é: eleger Dilma.
Cancelo chuvas
A seca era medonha. A Paraíba em desespero, o governador aflito. Um dia, caiu uma chuva fininha no município de Monteiro. Inácio Feitosa, o prefeito, correu ao telégrafo:
"Governador José Américo: chuvas torrenciais cobriram todo município de Monteiro. População exultante: Saudações, Feitosa”.
Os comerciantes da cidade, quando souberam do telegrama, ficaram desesperados. O município não ia mais receber ajuda. Ainda mais porque a mensagem era falsa e apressada. Feitosa correu de novo ao telégrafo:
"Governador José Américo: cancelo chuvas. População continua aflita. Feitosa, prefeito".
A favorita
Hoje, a ex-ministra é a franca favorita do pleito. E a razão é simples: peguem os dados da equação descrita no início da Coluna e somem os fatores positivos – a favor e contra ela. Façam a mesma coisa em relação a Serra e Marina. A conclusão é a de que a pirâmide social foi toda ocupada por programas do governo Lula. Tenho usado um conceito simbólico para expressar o favoritismo de Dilma Rousseff: o Produto Nacional Bruto da Felicidade (dinheiro no bolso com certo conforto social) aponta na direção dela. Serra, por sua vez, terá dificuldade em montar o discurso, que deverá se pautar por verbos como: melhorar o que existe, ampliar os programas, aumentar a rede social etc. Se disser que vai mudar alguma coisa – que está dando certo – poderá ser rejeitado.
Mudanças
Então, não poderá Serra usar o termo mudança? Ele tem usado o slogan: o Brasil pode mais. E fará mais com ele. Essa foi a saída encontrada por seus marqueteiros. Mas ele poderá usar mudança ao se referir a aspectos da macroeconomia, área que não é palatável para as massas. Serra tem dito que vai baixar os juros e o empresariado gosta dessa abordagem. Mexerá, ainda, na política de câmbio, para evitar um câmbio tão baixo, que prejudica as exportações, tema também do agrado de setores como o agronegócio. Mas a palavra mudança, quando focada para os braços sociais, dá pesadelo.
Campanha negativa
Os candidatos terão de controlar muito a expressão. E a razão é muito conhecida: campanha negativa não ajuda candidatura. Quem se prestar ao esforço de passar uma campanha xingando, acusando, criando atritos, poderá ser visto como perfil negativo. É claro que os contendores devem reagir à altura diante de acusações pesadas. Mas o substantivo é melhor que o adjetivo em campanha eleitoral. Porque eleva as pessoas, conferindo-lhes uma taxa de liturgia e seriedade.
História (1)
Depois de nove anos em campanha, Alexandre, o Grande, parou de conquistar povos. Essa parada ocorreu no dia em que ele se preparava para cruzar o rio Beas, na Índia. O general gritou: "Adiante!". Os homens responderam: "Nem pensar". E assim tudo se acabou. Alexandre já não conquistava a admiração de seu Exército. Por que seus homens se recusaram a continuar? Uns dizem que os soldados estavam com saudades de casa. Outros de que estavam cansados de aguentar chuvas. O biógrafo Peter Green é de opinião que eles finalmente compreenderam que o objetivo de Alexandre era conquistar o mundo. E eles não estavam dispostos a tanto.
Avanço e recuo em SC
Eduardo Moreira, presidente do PMDB de Santa Catarina, procurou o presidente nacional do partido, Michel Temer, para que este marcasse uma reunião com Dilma Rousseff. Michel marcou. Na reunião, garantiu aliança com o PT no Estado. Firmou posição. No sábado, os convencionais de SC votaram na convenção do PMDB, em Brasília. Na segunda-feira, Temer é surpreendido com a virada. Moreira virou vice na chapa de Raimundo Colombo, do DEM, candidato ao governo. Este consultor ouviu um Temer furioso, bem diferente do perfil equilibrado. Dizia ele: André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, sempre me dizia que iria apoiar Serra. Jarbas Vasconcelos sempre se manifestou também na direção do PSDB. Ao contrário de SC. Que traiu o compromisso. A direção pensa em intervenção em SC.
Exposição de Serra
Depois da ascensão de Dilma, na esteira de ampla visibilidade, espera-se a subida de Serra na montanha eleitoral. Mas há um busílis: a Copa. Serra vai aparecer muito – inserções do DEM, PPS e PSDB – no meio dos jogos. Ou seja, haverá certo processo de canibalização. Será esmaecido pela catarse futebolística. De qualquer forma, tenderá a crescer. Se não ocorrer, sinal vermelho. Quando a Copa acabar e se o empate continuar, na escala de 0 a 100, Dilma sobe para uma escada com uma inclinação de 65 graus.
Jogo a zero grau?
Essa Coluna é fechada na terça. Vou arriscar: 2 a 1 para o Brasil. Se der mais, ótimo. Se não, indignação. Nesse momento, os leitores se dividem entre esses dois sentimentos. Pequena vitória é meia frustração. Empate e derrota são motivos de intenso xingamento. Culpa de quem? Da pouca pomada que o médico da seleção, José Luiz Runco, botou nos jogadores para aliviar o frio de zero grau? Se o resultado for ótimo, foi densa a camada de pomada.
Precisamos trabalhar
O brigadeiro Eduardo Gomes fazia, no largo da Carioca(Rio de Janeiro), seu primeiro comício da campanha presidencial de 1945. A multidão o ouvia em silêncio:
- Brasileiros, precisamos trabalhar!
Do meio do povo, uma voz poderosa gritou:
- Já começou a perseguição!
Bagunça geral. O comício quase acabou.
Cadê o Skaf, hein?
Cadê o socialista Paulo Skaf, hein? Ele é o único caso na história do marketing político no Brasil que contratou um marqueteiro bem antes de homologar a candidatura. Duda Mendonça será o homem da cosmética publicitária. Se alcançar 5% dos votos em SP, poderá se considerar um político iniciante com razoável performance.
Olho na Rede Globo
Há um olho apurado sobre a cobertura das eleições pelo Grupo Globo. Aliás, o Grupo fez questão de produzir uma Carta de Princípios para orientar a cobertura das eleições. Nenhum de seus colaboradores poderá fazer campanha nos textos que produzem. Ou dar ênfase a um em detrimento de outro. O jornal O Globo com seu Estatuto das Eleições produz, assim, uma vacina ética contra futuras versões sobre cobertura tendenciosa. O Grupo se compromete a cobrir com equilíbrio, independência e pluralidade. Aqui pra nós, Lula acha que a Rede Globo favorece os tucanos.
História (2)
A derrota de Napoleão costuma ser atribuída ao inverno russo. Aliás, esse sempre foi o argumento usado pelo próprio. Mas o exército napoleônico estava arrasado bem antes de o inverno chegar. Napoleão deixou Moscou com cerca de cem mil homens. Em 12 de novembro de 1812, primeiro dia em que a temperatura caiu abaixo de zero, haviam sobrado apenas quarenta e um mil. Não foi apenas o frio do inverno que matou os soldados. Foram as doenças. O clima enfraqueceu os homens de Napoleão, mas a temperatura não estava fria o suficiente para matá-los. O exército de George Washington, décadas antes, sobreviveu a clima muito pior. A descoberta mais estranha dos historiadores é que seu exército provavelmente sofreu tanto com o calor como com o frio. O verão russo de 1812 foi tão quente que dezenas de milhares de seus soldados morreram de insolação e desidratação.
Conselho a Dunga
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao pré-candidato ao governo de Minas Gerais, senador Hélio Costa. Hoje, volta sua atenção ao técnico Dunga:
1. Use todos os seus conhecimentos e experiência para que os jogadores brasileiros alcancem a única meta que interessa: a vitória.
2. Os jogadores brasileiros têm um algo a mais : criatividade, genialidade, capacidade de improvisação. É claro que sua visão dura – voltada exclusivamente para a eficácia – poderá, eventualmente, canibalizar a força criativa do conjunto. Mas deixe o grupo usar também a genialidade.
3. Diz-se que você tem ouvidos moucos para a opinião pública. Dunga, a chamada Pátria de Chuteiras pede que seja também ouvida.
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(Por Gaudêncio Torquato)
Luís Pereira, pintor de parede, teve apenas 200 votos em Pernambuco. Mas virou deputado Federal. Suplente de Francisco Julião, cassado, tinha de assumir. Chegou a Brasília de roupa nova e muito comovido. No aeroporto, o potiguar Murilo Melo Filho, conta Sebastião Nery, jogou tinta na boca do novo parlamentar:
- Deputado, como vai a situação?
Pensou, pensou, olhou para um lado, olhou para o outro e tascou:
- As perspectivas são piores do que as características.
Identidade e imagem
Postas as candidaturas, a campanha começa a ganhar ares oficiais. Cada candidato terá de fazer chegar sua Identidade aos eleitores. Identidade é um composto de: pensamentos e ideias, experiências, história, atitudes e valores (plano semântico); e maneira de se vestir, de falar, de gesticular (plano estético). Identidade começa com o sufixo Idem (do latim), que significa semelhante, igual. Identidade, portanto, é a verdade da pessoa. Já Imagem é a sombra da Identidade, é a projeção. Quando a sombra está muito distante da pessoa, cria-se uma dissonância. A Imagem não corresponde à verdade. Por isso, candidatas e candidatos, procurem ajustar as Imagens que desejam transmitir aos eleitores à Identidade.
Escândalos
A pergunta é recorrente: e os escândalos farão alguma diferença? Os dossiês montados para prejudicar candidaturas surtirão algum efeito? A resposta é: não. Os eleitores sabem que todos os escândalos em princípio, meio e fim de campanha têm a finalidade de ajudar um candidato em detrimento de outro. E por saberem disso, os eleitores estão devidamente vacinados. Não se contaminam com o clima de denúncias. O efeito é apenas esse: reforça a opinião dos dois lados. Os eleitores de uns ficarão com raiva do candidato adversário; e os eleitores deste candidato ficarão indignados com o outro candidato. Zero a zero.
A decisão estará com 1/3
Pois bem, o que estamos vendo é o seguinte: 1/3 do eleitorado está apoiando José Serra; 1/3 do eleitorado está apoiando Dilma; e 1/3 do eleitorado está espiando a cena. Este 1/3 que está nas arquibancadas de observação definirá o resultado da eleição. Ele será guiado e influenciado por três fatores: o conforto econômico (40%), os patrocinadores (30%), como Lula, governadores, prefeitos e outras lideranças políticas e perfis (30%), correspondendo à avaliação que os eleitores farão da Identidade e da Imagem dos candidatos. Essa é mais ou menos a equação eleitoral. Conte-se, ainda, com o detalhe abaixo.
Minas, síntese do Brasil
Tenho dito e repetido: a eleição passa por Minas Gerais. Este Estado é a síntese do Brasil. Nos últimos cinco pleitos, Minas foi o Estado que registrou a menor diferença entre o índice nacional e os índices regionais, algo em torno de 5%. Quer dizer que Minas aponta o caminho da vitória dos candidatos. Os vitoriosos em todos os grandes pleitos contemporâneos ganharam também em Minas Gerais. Que tem 14 milhões e 300 mil eleitores. E o eleitorado mais indeciso do país. Na última hora, tira o voto do colete.
A força dos debates
Os debates têm importância central em uma campanha. Por meio deles, o eleitor afere os contendores, estabelece comparações, avalia posições etc. Um candidato mais nervoso, mais preparado, mais tenso, com menor domínio temático, explosivo, contundente, tranqüilo, educado, mais grosseiro: eis aí o painel de características e condições dos perfis captadas pelos eleitores. O preparo para os debates ajuda, mas as situações incontroláveis poderão desestabilizar uma candidatura. Ciro Gomes chamou um eleitor de burro pelo rádio; outra feita, indagado sobre o papel de sua mulher, Patrícia Pillar, na campanha, disse que ela era importante: dormia com ele. Caiu nas pesquisas. Foi grosseiro.
O papel de Lula
O que vimos, até agora, foi um ensaio de campanha. Que pegará fogo após a Copa. Lula já prometeu usar toda a munição que tem no seu arsenal. E mais: desafia Serra, querendo saber se o ex-governador tem mesmo "sangue de barata", porque fará ele, Lula, muitas provocações para tirar o tucano da seriedade. Lula é macaco velho. Respira política pelos poros. Aprendeu as maldades nos tempos do sindicalismo maquiavélico. Forjou sua experiência com muitas derrotas. Diz que seu maior projeto de vida é: eleger Dilma.
Cancelo chuvas
A seca era medonha. A Paraíba em desespero, o governador aflito. Um dia, caiu uma chuva fininha no município de Monteiro. Inácio Feitosa, o prefeito, correu ao telégrafo:
"Governador José Américo: chuvas torrenciais cobriram todo município de Monteiro. População exultante: Saudações, Feitosa”.
Os comerciantes da cidade, quando souberam do telegrama, ficaram desesperados. O município não ia mais receber ajuda. Ainda mais porque a mensagem era falsa e apressada. Feitosa correu de novo ao telégrafo:
"Governador José Américo: cancelo chuvas. População continua aflita. Feitosa, prefeito".
A favorita
Hoje, a ex-ministra é a franca favorita do pleito. E a razão é simples: peguem os dados da equação descrita no início da Coluna e somem os fatores positivos – a favor e contra ela. Façam a mesma coisa em relação a Serra e Marina. A conclusão é a de que a pirâmide social foi toda ocupada por programas do governo Lula. Tenho usado um conceito simbólico para expressar o favoritismo de Dilma Rousseff: o Produto Nacional Bruto da Felicidade (dinheiro no bolso com certo conforto social) aponta na direção dela. Serra, por sua vez, terá dificuldade em montar o discurso, que deverá se pautar por verbos como: melhorar o que existe, ampliar os programas, aumentar a rede social etc. Se disser que vai mudar alguma coisa – que está dando certo – poderá ser rejeitado.
Mudanças
Então, não poderá Serra usar o termo mudança? Ele tem usado o slogan: o Brasil pode mais. E fará mais com ele. Essa foi a saída encontrada por seus marqueteiros. Mas ele poderá usar mudança ao se referir a aspectos da macroeconomia, área que não é palatável para as massas. Serra tem dito que vai baixar os juros e o empresariado gosta dessa abordagem. Mexerá, ainda, na política de câmbio, para evitar um câmbio tão baixo, que prejudica as exportações, tema também do agrado de setores como o agronegócio. Mas a palavra mudança, quando focada para os braços sociais, dá pesadelo.
Campanha negativa
Os candidatos terão de controlar muito a expressão. E a razão é muito conhecida: campanha negativa não ajuda candidatura. Quem se prestar ao esforço de passar uma campanha xingando, acusando, criando atritos, poderá ser visto como perfil negativo. É claro que os contendores devem reagir à altura diante de acusações pesadas. Mas o substantivo é melhor que o adjetivo em campanha eleitoral. Porque eleva as pessoas, conferindo-lhes uma taxa de liturgia e seriedade.
História (1)
Depois de nove anos em campanha, Alexandre, o Grande, parou de conquistar povos. Essa parada ocorreu no dia em que ele se preparava para cruzar o rio Beas, na Índia. O general gritou: "Adiante!". Os homens responderam: "Nem pensar". E assim tudo se acabou. Alexandre já não conquistava a admiração de seu Exército. Por que seus homens se recusaram a continuar? Uns dizem que os soldados estavam com saudades de casa. Outros de que estavam cansados de aguentar chuvas. O biógrafo Peter Green é de opinião que eles finalmente compreenderam que o objetivo de Alexandre era conquistar o mundo. E eles não estavam dispostos a tanto.
Avanço e recuo em SC
Eduardo Moreira, presidente do PMDB de Santa Catarina, procurou o presidente nacional do partido, Michel Temer, para que este marcasse uma reunião com Dilma Rousseff. Michel marcou. Na reunião, garantiu aliança com o PT no Estado. Firmou posição. No sábado, os convencionais de SC votaram na convenção do PMDB, em Brasília. Na segunda-feira, Temer é surpreendido com a virada. Moreira virou vice na chapa de Raimundo Colombo, do DEM, candidato ao governo. Este consultor ouviu um Temer furioso, bem diferente do perfil equilibrado. Dizia ele: André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, sempre me dizia que iria apoiar Serra. Jarbas Vasconcelos sempre se manifestou também na direção do PSDB. Ao contrário de SC. Que traiu o compromisso. A direção pensa em intervenção em SC.
Exposição de Serra
Depois da ascensão de Dilma, na esteira de ampla visibilidade, espera-se a subida de Serra na montanha eleitoral. Mas há um busílis: a Copa. Serra vai aparecer muito – inserções do DEM, PPS e PSDB – no meio dos jogos. Ou seja, haverá certo processo de canibalização. Será esmaecido pela catarse futebolística. De qualquer forma, tenderá a crescer. Se não ocorrer, sinal vermelho. Quando a Copa acabar e se o empate continuar, na escala de 0 a 100, Dilma sobe para uma escada com uma inclinação de 65 graus.
Jogo a zero grau?
Essa Coluna é fechada na terça. Vou arriscar: 2 a 1 para o Brasil. Se der mais, ótimo. Se não, indignação. Nesse momento, os leitores se dividem entre esses dois sentimentos. Pequena vitória é meia frustração. Empate e derrota são motivos de intenso xingamento. Culpa de quem? Da pouca pomada que o médico da seleção, José Luiz Runco, botou nos jogadores para aliviar o frio de zero grau? Se o resultado for ótimo, foi densa a camada de pomada.
Precisamos trabalhar
O brigadeiro Eduardo Gomes fazia, no largo da Carioca(Rio de Janeiro), seu primeiro comício da campanha presidencial de 1945. A multidão o ouvia em silêncio:
- Brasileiros, precisamos trabalhar!
Do meio do povo, uma voz poderosa gritou:
- Já começou a perseguição!
Bagunça geral. O comício quase acabou.
Cadê o Skaf, hein?
Cadê o socialista Paulo Skaf, hein? Ele é o único caso na história do marketing político no Brasil que contratou um marqueteiro bem antes de homologar a candidatura. Duda Mendonça será o homem da cosmética publicitária. Se alcançar 5% dos votos em SP, poderá se considerar um político iniciante com razoável performance.
Olho na Rede Globo
Há um olho apurado sobre a cobertura das eleições pelo Grupo Globo. Aliás, o Grupo fez questão de produzir uma Carta de Princípios para orientar a cobertura das eleições. Nenhum de seus colaboradores poderá fazer campanha nos textos que produzem. Ou dar ênfase a um em detrimento de outro. O jornal O Globo com seu Estatuto das Eleições produz, assim, uma vacina ética contra futuras versões sobre cobertura tendenciosa. O Grupo se compromete a cobrir com equilíbrio, independência e pluralidade. Aqui pra nós, Lula acha que a Rede Globo favorece os tucanos.
História (2)
A derrota de Napoleão costuma ser atribuída ao inverno russo. Aliás, esse sempre foi o argumento usado pelo próprio. Mas o exército napoleônico estava arrasado bem antes de o inverno chegar. Napoleão deixou Moscou com cerca de cem mil homens. Em 12 de novembro de 1812, primeiro dia em que a temperatura caiu abaixo de zero, haviam sobrado apenas quarenta e um mil. Não foi apenas o frio do inverno que matou os soldados. Foram as doenças. O clima enfraqueceu os homens de Napoleão, mas a temperatura não estava fria o suficiente para matá-los. O exército de George Washington, décadas antes, sobreviveu a clima muito pior. A descoberta mais estranha dos historiadores é que seu exército provavelmente sofreu tanto com o calor como com o frio. O verão russo de 1812 foi tão quente que dezenas de milhares de seus soldados morreram de insolação e desidratação.
Conselho a Dunga
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao pré-candidato ao governo de Minas Gerais, senador Hélio Costa. Hoje, volta sua atenção ao técnico Dunga:
1. Use todos os seus conhecimentos e experiência para que os jogadores brasileiros alcancem a única meta que interessa: a vitória.
2. Os jogadores brasileiros têm um algo a mais : criatividade, genialidade, capacidade de improvisação. É claro que sua visão dura – voltada exclusivamente para a eficácia – poderá, eventualmente, canibalizar a força criativa do conjunto. Mas deixe o grupo usar também a genialidade.
3. Diz-se que você tem ouvidos moucos para a opinião pública. Dunga, a chamada Pátria de Chuteiras pede que seja também ouvida.
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(Por Gaudêncio Torquato)
OS SEGREDOS DE UM RELACIONAMENTO
A vida é cheia de ilusões. Mais ainda: muitos relacionamentos são o próprio mundo das ilusões. As pessoas se iludem muito e depois se decepcionam com as fantasias que elas mesmas criaram.
Talvez a maior ilusão seja construída em torno daquela conhecida frase das histórias de cinema: “E foram felizes para sempre.”
A verdade é que encontrar uma pessoa, se apaixonar, namorar e casar é apenas o ponto de partida para uma nova caminhada na nossa vida.
Mas tem um segredo: Pessoas felizes constroem um casamento feliz. Pessoas infelizes constroem casamentos infelizes. Então, você tem que dar um jeito de ser feliz sozinho, antes de querer ser feliz junto de alguém.
A primeira ilusão que as pessoas têm é de que o casamento vai resolver seus problemas. Mas casamento não resolve problema de ninguém. Pelo contrário, se você tiver essa ilusão, o casamento vai aumentar os seus problemas.
A segunda ilusão é querer encontrar a pessoa perfeita para ter como companheiro. Não busque a perfeição. Essa é uma meta inatingível. Nem você é perfeito, nem vai encontrar a pessoa perfeita.
O casamento dá certo para pessoas que não são dependentes uma da outra. Os dois têm de aprender a crescer juntos.
Mas, o mais importante de tudo é saber que o outro sempre é o seu espelho. Quando você critica o outro, na verdade não está falando dele, está falando de si mesmo. Sempre que você reclama algo de alguém, é preciso perceber como esse problema começa antes em você.
É importante entender, se quer ter um relacionamento que dê certo na sua vida, que tudo o que acontece com você, é você mesmo quem provoca.
Portanto só você mesmo pode mudar. Só você pode escolher o que quer para a sua vida, para os seus relacionamentos. A escolha é sempre sua. Portanto, olhe para dentro de você e realize a sua vocação: deixe aparecer o ser amoroso que você é.
Cuide bem de seus relacionamentos e seja feliz.
Um abraço,
Roberto Shinyashiki
Talvez a maior ilusão seja construída em torno daquela conhecida frase das histórias de cinema: “E foram felizes para sempre.”
A verdade é que encontrar uma pessoa, se apaixonar, namorar e casar é apenas o ponto de partida para uma nova caminhada na nossa vida.
Mas tem um segredo: Pessoas felizes constroem um casamento feliz. Pessoas infelizes constroem casamentos infelizes. Então, você tem que dar um jeito de ser feliz sozinho, antes de querer ser feliz junto de alguém.
A primeira ilusão que as pessoas têm é de que o casamento vai resolver seus problemas. Mas casamento não resolve problema de ninguém. Pelo contrário, se você tiver essa ilusão, o casamento vai aumentar os seus problemas.
A segunda ilusão é querer encontrar a pessoa perfeita para ter como companheiro. Não busque a perfeição. Essa é uma meta inatingível. Nem você é perfeito, nem vai encontrar a pessoa perfeita.
O casamento dá certo para pessoas que não são dependentes uma da outra. Os dois têm de aprender a crescer juntos.
Mas, o mais importante de tudo é saber que o outro sempre é o seu espelho. Quando você critica o outro, na verdade não está falando dele, está falando de si mesmo. Sempre que você reclama algo de alguém, é preciso perceber como esse problema começa antes em você.
É importante entender, se quer ter um relacionamento que dê certo na sua vida, que tudo o que acontece com você, é você mesmo quem provoca.
Portanto só você mesmo pode mudar. Só você pode escolher o que quer para a sua vida, para os seus relacionamentos. A escolha é sempre sua. Portanto, olhe para dentro de você e realize a sua vocação: deixe aparecer o ser amoroso que você é.
Cuide bem de seus relacionamentos e seja feliz.
Um abraço,
Roberto Shinyashiki
terça-feira, 15 de junho de 2010
TASSO ANUNCIA QUE CANDIDATO DO PSDB AO GOVERNO SAI NA SEGUNDA
rompimento do PSDB com o governador Cid Gomes foi confirmado hoje durante encontro de três horas do senador Tasso Jereissati com 45 prefeitos. Tasso aproveitou a reunião para anunciar que até segunda, 21, o PSDB estará lançando o candidato do partido ao Governo do Ceará. O instituto Ibope já foi contratado para fazer uma pesquisa com vários cenários eleitorais que vão definir o melhor nome. Há dois fortes candidatos: o deputado estadual Marcos Cals e o empresário Beto Studart.
A conversa de Tasso com os prefeitos retratou os últimos acontecimentos da política cearense. Sem esconder seu sentimento de ter sido traído pelo governador Cid Gomes e também por seu amigo, deputado federal Ciro Gomes, Tasso disse que "a coragem da família Ferreira Gomes acabou no dia em que Lula(presidente) desembarcou no Ceará(no dia 8 de junho)".
Tasso explicou aos prefeitos que procurou Cid Gomes para negociar os termos da aliança eleitoral do PSDB com o PSB. Primeiro, contou Tasso, Cid pediu que aguardássemos o retorno de Ciro do exterior. Depois, sugeriu que esperasse sua volta da Copa do Mundo. Sem uma definição eleitoral e com o tempo passando, Tasso disse que resolveu cobrar uma decisão do governador Cid Gomes.
Para surpresa de Tasso, segundo contou aos prefeitos, o governador Cid Gomes não atendia as ligações e nem retornava os telefonemas. Constatado esse fato, Tasso afirmou que resolveu telefonar para o seu amigo, deputado federal Ciro Gomes. Mas, o estranho disse Tasso, é que Ciro também não me deu nenhum retorno. "Agora quem manda é o Ivo".
Sem esconder sua revolta, o senador Tasso Jereissati aproveitou a reunião com os prefeitos para fazer um desabafo. Declarou que no momento oportuno irá provar porque " Ciro Gomes não é um homem de palavra". Não quis dar detalhes dessa forte declaração que revela o estremecimento não apenas político mas também pessoal de Tasso e de Ciro Gomes, numa amizade de 24 anos que está trincada pelo que sentiram todos os prefeitos presentes ao escritório do senador.
(Por Donizete Arruda)
A conversa de Tasso com os prefeitos retratou os últimos acontecimentos da política cearense. Sem esconder seu sentimento de ter sido traído pelo governador Cid Gomes e também por seu amigo, deputado federal Ciro Gomes, Tasso disse que "a coragem da família Ferreira Gomes acabou no dia em que Lula(presidente) desembarcou no Ceará(no dia 8 de junho)".
Tasso explicou aos prefeitos que procurou Cid Gomes para negociar os termos da aliança eleitoral do PSDB com o PSB. Primeiro, contou Tasso, Cid pediu que aguardássemos o retorno de Ciro do exterior. Depois, sugeriu que esperasse sua volta da Copa do Mundo. Sem uma definição eleitoral e com o tempo passando, Tasso disse que resolveu cobrar uma decisão do governador Cid Gomes.
Para surpresa de Tasso, segundo contou aos prefeitos, o governador Cid Gomes não atendia as ligações e nem retornava os telefonemas. Constatado esse fato, Tasso afirmou que resolveu telefonar para o seu amigo, deputado federal Ciro Gomes. Mas, o estranho disse Tasso, é que Ciro também não me deu nenhum retorno. "Agora quem manda é o Ivo".
Sem esconder sua revolta, o senador Tasso Jereissati aproveitou a reunião com os prefeitos para fazer um desabafo. Declarou que no momento oportuno irá provar porque " Ciro Gomes não é um homem de palavra". Não quis dar detalhes dessa forte declaração que revela o estremecimento não apenas político mas também pessoal de Tasso e de Ciro Gomes, numa amizade de 24 anos que está trincada pelo que sentiram todos os prefeitos presentes ao escritório do senador.
(Por Donizete Arruda)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
"A SELEÇÃO DE DUNGA"

Na Copa do Mundo de 90, na Itália, o técnico foi Sebastião Lazaroni, que um ano antes ganhara a Copa América, competição na qual o Brasil não ia bem (a conquista de 89 quebrou um jejum de quarenta anos nesse torneio, que até então era o preferido de argentinos e de uruguaios). Com a conquista da Copa América, Lazaroni teve carta branca da CBF e levou para a Itália a primeira geração pós Zico, Falcão e Sócrates. Esta geração, como se sabe, perdeu as Copas de 82 e 86. Lazaroni, então, formou uma seleção com alguns egressos de 86, mas fundamentalmente com espírito diverso da geração anterior e que tinha no meio-campista Dunga uma espécie de emblema daquele grupo que foi para a Itália com o peso de conquistar um título que há 20 anos o Brasil perseguia.
A seleção de 90 não se deu bem, foi eliminada justamente pela Argentina de Maradona, e aquele time passou para o anedotário do futebol como a "Geração Dunga". A história tem seus caprichos e, em 94, Dunga, capitão da seleção contra a vontade de muitos que o viam de sobrolho, levantou a Copa do Mundo, num feito esperado por 24 anos. Dunga, ainda, em 98, novamente como capitão da seleção, chegou a outra final de Copa do Mundo, contra a França. O Brasil, como todos sabem, perdeu a final, mas não lembro outro capitão de seleção em qualquer país que tenha chegado a duas finais seguidas de Copa do Mundo (quem foi o capitão italiano nas finais de 34 e 38? O jornalista Paulo Vinícius Coelho, do ESPN e jornal Folha de S. Paulo, que se esmera com memória invulgar, responderia de bate pronto?).
Dunga e sua geração foram estigmatizados em 90, ganhou a Copa de 94, mas, quando a Copa acabou, voltou-se para a imprensa e disse: esse título é para vocês, seus traíras! Na época, com o título, Dunga tinha um alvo bem fixo: a imprensa esportiva. O tempo passa e, após a controvertida participação na Copa da Alemanha em 2006, Dunga foi chamado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para técnico da seleção. No início, desconfiança; depois, títulos, vitórias incontestes sobre a arquirival Argentina, sobre o Uruguai em Montevidéu, classificação antecipada para a Copa Sulafricana de 2010. Mas, após a convocação, a imprensa bate pesado em Dunga, que, quando tem microfones e holofotes, revida com virulência que impressiona.
Recentemente, em entrevista coletiva, Dunga afirmou, para afrontar os jornalistas, que a seleção era sua. Se perder, será ele e sua seleção que serão derrotados e, portanto, alvos de ira jornalística. Dunga, por isso, foi acusado de levar para o "pessoal" o que é um trabalho jornalístico. O que se pode extrair é que Dunga, como figura do futebol brasileiro, marca como poucos (como jogador ou agora como técnico) sua passagem na seleção. Com seu estilo duro e seco, ele não agrada a gregos e troianos, mas creio que seria o caso de observá-lo com um olhar, digamos, mais pausado: ele tem história, sabe o que é futebol para além das pranchetas dos jornalistas especializados (tenho em vista principalmente Paulo Vinícius Coelho), ganhou, perdeu, foi estigmatizado e convocou uma seleção praticamente pautada pela relação de confiança num grupo que se formou ao longo desses últimos quatro anos.
Espera-se que uma seleção não agrade a todos. A "seleção de Dunga" não é a que muitos gostariam, mas o que muitos podem não gostar, e isso não tem importância, é que ele dá a incautos e especialistas, com certa generosidade inconsciente, motivos para pensar. Se perder esta Copa, como ele e todos nós sabemos, será execrado; se ganhar, pode até ser desdenhado, como muitos desdenham a conquista de 94, mas a terá ganho e, junto ao coro dos ressentidos, ouvir-se-á: HEXA! O que se pode aprender com Dunga e sua seleção? Revelamo-nos à altura dos acontecimentos quando nos elevamos na vitória e na derrota, não quando choramos e procuramos culpados, como crianças imberbes que não têm a bola só para si.
Mas o que quer dizer que Dunga leva para o lado "pessoal" o que seria um trabalho jornalístico? Creio que há muito tempo o trabalho da imprensa esportiva em época de Copa do Mundo, principalmente, carece de autocrítica. Para além da ajeitada de meia de Roberto Carlos na jogada que resultou no gol de Thierry Henry na derrota para a França na Copa de 2006, a imprensa tem também grande parcela de culpa pelo insucesso da seleção. O papel da imprensa esportiva é ― todos com bom senso hão de concordar ― cobrir a seleção, manter-se numa posição quase neutra para falar o que acontece, digamos, de "bom" e de "ruim". Mas muitos, muitos jornalistas acabam por ter uma influência que vai além da mera cobertura profissional. Num momento como o de Copa do Mundo, de ânimos exacerbados e de paixões incontidas, muitos jornalistas esquecem o profissional e falam da seleção como se fosse uma coisa "pessoal", de torcida a favor ou contra conforme não tenham a seleção que desejam.
O que esperar dos jornalistas? Na posição em que eles estão, menos paixão, mais discernimento e cultura futebolística. Dunga tem história e sabe bem mais de futebol do que possa desconfiar nossa vã filosofia. O que esperar de Dunga? Que, se perder, tenha a dignidade e grandeza que tem demonstrado ao longo de sua carreira: uma derrota, como os gregos ficaram sabendo com os trezentos liderados por Leônidas em Termófilas, não é simplesmente uma derrota. Basta, para tanto, ler as belas páginas de Heródoto. As derrotas em 82 e 86 serviram para que não se cometessem erros similares em 94. A derrota em 2006 traz uma experiência a não ser seguida agora em 2010. A presença de Dunga como técnico da seleção afirma que em 2010 não se repetirá o que ocorreu em 2006.
Dunga leva para o pessoal? Aí os jornalistas precisariam ter grandeza. Em certos momentos, argumentar que alguém leva para o "pessoal" tem algo como falar da bota do soldado antes do desembarque na Normandia. Quem entra em campo de batalha sabe o que pode sofrer, ou pelo menos o que o espera. Imagino no Dia D um soldado a reclamar que a guerra era uma questão pessoal. Estabelecidas as bases para o embate, não posso me esconder sob o manto dos sentimentos pessoais, com o risco de parecer criança sem a bola do jogo. Ao bater, é ingênuo exigir que meu oponente não me bata com força igual ou maior.
O que parece mais saliente com esta "seleção de Dunga" é que grande parte da imprensa está tendo, como teve no passado, grande dificuldade para reagir com grandeza no caso de uma conquista ou de uma derrota. O que espero dos jornalistas em caso de uma vitória não é outra coisa senão lembrarem sempre que essa é a "seleção de Dunga", que assim se manifestou para lembrar que seu time não satisfaz o desejo de grande parte imprensa. Mas, a essa altura, alguém pode imaginar que creio que segmento expressivo da imprensa esportiva torce contra a seleção.
Não acredito, sinceramente, que algum jornalista sério, mesmo que espinafre a seleção de Dunga, torça contra ela. Acredito é que o jornalismo esportivo no Brasil, em grande parte, reverbera a voz da galera, ecoa paixões incontidas, se dispersa em dores de jogadores como Kaká, fofocas de corredores e perde o senso de grandeza e de responsabilidade diante do evento. Raras vezes, cito Juca Kfouri (da ESPN e Folha de S. Paulo), vi um jornalista fazer meaculpa. Não é, portanto, que muitos bons jornalistas torcem, digamos, contra, é que perdem o senso do que dizem e de seus efeitos. Se não quero levar meu alvo de crítica a falar e depois, em momento de fraqueza, acusá-lo de levar para o "pessoal", eu teria que ter discernimento e acuidade para acusar a mulher de Cesar sem ofender Cesar.
Humberto Pereira da Silva
sábado, 12 de junho de 2010
NAMORADO: TER O NÃO TER, EIS A QUESTÃO!

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical na Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.
(Carlos Drummond de Andrade)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
PARABÉNS, MARÍLIA!
Hoje é dia de cantar Parabéns para Marília, primeira filha do nosso sangue.
Cachoeira de espontaneidade, imantada de expansividade, desprovida de malícias e madrinha da bateria da boa vontade, encanta a todos que com ela convivem.
Sem esforços artificiais, adentra com naturalidade na mina delicada da nossa alma e se faz hóspede definitiva do espaço mais íntimo do nosso coração.
TE AMAMOS!
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Parabens menina. Nossa! Como se parece com a mãe!
(Paulo Nazareno)
BRAGANÇA PAULISTA

Estou em Bragança Paulista para o prêmio da Antologia em homenagem ao título que a cidade recebe agora: "CIDADE POESIA".
Bragança é diferente das outras cidades paulistas, parece uma pequenina cidade da Europa que a gente ver em cartão postal, perdida entre as montanhas de São Paulo, é poética realmente.
Os escritores daqui, da ASES, se mostraram bastante interessados na Academia de Crateús, me fizeram muitas perguntas e até mostrei o nosso site da ALC e novamente aquela pedra do rio poty com um poema escrito está se mostrando bastante útil.
Sábado a noite vai ser a festa do lançamento do livro que estarei levando 5 exemplares e um certificado por ter sido escolhido pra participar do mesmo.
Dia 19 estarei na nossa reunião pra fazer um relatorio, acho, pois estou me sentindo um representante da ALC por aqui.
Um abraço e até a próxima
--
Raimundo Candido T Filho
Da Academia de Letras de Crateús
TASSO CHAMA GOVERNADOR CID DE "RAINHA" POR DIFICULDADE EM MANTER DIÁLOGO
O senador Tasso Jereissati confirmou na reunião ocorrida na noite desta quinta com o PSDB o principal motivo para o rompimento com o governador Cid Gomes. Segundo declarou, Tasso disse que não liga telefonar várias vezes e o Governador não dar retorno. "Cid age como se fosse uma rainha. O problema é que a condução política de um acordo em eleições não pode ser assim".
A atitude do governador Cid foi tratada pelos deputados estaduais e federais como "deselegância" para com o PSDB que sempre agiu com muita fidelidade na Assembleia. Assim, foi voz unânime a solidariedade ao senador Tasso Jereissati. Após fazer uma leitura política de que esse comportamento de Cid não era à toa e revelava a decisão dele de não se aliar com os tucanos, foi consenso promover o rompimento entre PSDB e PSB.
Uma voz distoou dentro do PSDB. O deputado estadual Osmar Baquit propôs que Tasso telefonasse mais uma vez para o governador Cid Gomes. Essa sugestão sequer foi levada em consideração. Tasso tentava falar com Cid há quase um mês sem sucesso, e havia telefonado pelo menos três vezes nos últimos dias para tratar de fechar a aliança eleitoral no Ceará.
Outro deputado estadual, Neném Coelho, disse publicamente que só acompanharia o PSDB no rompimento com Cid Gomes se o candidato a governador escolhido pelos tucanos fosse o senador Tasso Jereissati. "Senador Tasso se o senhor não for candidato continuarei apoiando a reeleição de Cid", revelou Neném. Tasso ao ouvir a infidelidade partidária de Neném com o PSDB agradeceu a honestidade do parlamentar e deixou a brecha para que outros rejeitassem o rompimento. Não houve outras vozes contrárias ao posicionamento manifestado por Tasso.
(Por Donizete Arruda)
A atitude do governador Cid foi tratada pelos deputados estaduais e federais como "deselegância" para com o PSDB que sempre agiu com muita fidelidade na Assembleia. Assim, foi voz unânime a solidariedade ao senador Tasso Jereissati. Após fazer uma leitura política de que esse comportamento de Cid não era à toa e revelava a decisão dele de não se aliar com os tucanos, foi consenso promover o rompimento entre PSDB e PSB.
Uma voz distoou dentro do PSDB. O deputado estadual Osmar Baquit propôs que Tasso telefonasse mais uma vez para o governador Cid Gomes. Essa sugestão sequer foi levada em consideração. Tasso tentava falar com Cid há quase um mês sem sucesso, e havia telefonado pelo menos três vezes nos últimos dias para tratar de fechar a aliança eleitoral no Ceará.
Outro deputado estadual, Neném Coelho, disse publicamente que só acompanharia o PSDB no rompimento com Cid Gomes se o candidato a governador escolhido pelos tucanos fosse o senador Tasso Jereissati. "Senador Tasso se o senhor não for candidato continuarei apoiando a reeleição de Cid", revelou Neném. Tasso ao ouvir a infidelidade partidária de Neném com o PSDB agradeceu a honestidade do parlamentar e deixou a brecha para que outros rejeitassem o rompimento. Não houve outras vozes contrárias ao posicionamento manifestado por Tasso.
(Por Donizete Arruda)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Alerta
Cuidado, senhores candidatos e senhoras candidatas. Muito cuidado com a liturgia de abraçar pessoas e beijar crianças. Francelino Pereira, ex-governador de Minas, ex-senador e ex-deputado federal, nos fundões do Estado, fazia a maior demagogia. Encontrou um grupo de crianças. Começou a suspendê-las pelos braços e a beijá-las. De repente, sentiu algo estranho. Era uma cara cheia de barba. Francelino havia beijado o anão de Uberaba.
Ibope confirma
Dos Institutos de Pesquisa, faltava apenas o Ibope. Que confirma o empate entre Dilma e Serra: 37%, no primeiro turno, e 42% no segundo turno. O que esse cenário quer dizer? Vamos lá. O segundo turno tende a favorecer a candidata situacionista. Os candidatos apoiados por estruturas governamentais somam melhores condições. O poder da máquina federal puxa grupos e lideranças. O governismo age como um rolo compressor. Lula comandará as estratégias de cooptação de votos. Dilma passa, então, a ser favorita.
A tipologia eleitoral
Como este consultor tem avaliado, o eleitorado de Dilma se agiganta no nordeste. Serra ganha no sudeste, mas sua maioria está diminuindo. Poderá anular a vantagem de Dilma no nordeste com a eventual maioria que tirará do sul e do sudeste. Minas, porém, será uma incógnita. Tem 14,2 milhões de votos. O mineiro é desconfiado. Hélio Costa, do PMDB, terá o apoio do PT para disputar o governo. Mas Aécio Neves poderá puxar a vitória para Anastasia. Ocorre que a vitória do vice Anastasia não significa a vitória de Serra em MG. Lá, o voto poderá favorecer a mistura Dilmasia ou Anastadilma.
A razão?
Perguntam-me a razão. Digo: o orgulho mineiro. Os mineiros não querem ver Aécio Neves como segundo ou terceiro. E sim como o primeiro. Deveria ele estar no lugar de Serra. Se não é Aécio, podem optar por uma candidatura mineira, nesse caso, a de Dilma, que nasceu no Estado. Há uma rixa histórica entre Minas e São Paulo. Acho que Minas Gerais poderá ser o principal termômetro desta campanha. Com o Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, cumprindo também papel preponderante. E Dilma tende a ganhar no Rio, se caso Sérgio Cabral levar boa vantagem.
Vox de Dilma
Já o Vox Populi fez uma pesquisa sob encomenda do PT que dá Dilma com 6% de vantagem em relação a Serra. No segundo turno, são 8 pontos de diferença para a petista.
A favor de Serra
Este consultor crê que o favoritismo de Dilma pode ser esvaziado ante as seguintes situações: acidente/incidente de percurso por parte da campanha petista como a extravagância de produção de dossiês contra Serra; gafes continuadas de Dilma; alterações continuadas na fachada principal (a fisionomia da candidata), pois o efeito cosmético poderá lhe sugar a identidade; climas emotivos nacionais – catástrofes, desastres – que sujem a imagem do governo Lula.
A favor de Dilma
A continuidade do PNBF – Produto Nacional Bruto da Felicidade – amálgama de fatores: dinheiro no bolso, conforto social, geladeira cheia, carro novo, transporte barato, escolas perto de casa, bolsa família chegando todo mês; luz para todos; casa própria; dinheiro para ajudar a produzir boa colheita; enfim, os braços assistenciais do governo Lula.
O caminho do voto
O voto começa pelo bolso, vai subindo até o coração e, depois de longo percurso, chega à cabeça. Esse é o caminho do voto e da geografia eleitoral. Do estômago das massas chega ao escopo crítico das classes mais aculturadas. Que somam bem menos gente do que os contingentes nas gerais.
E a Copa, hein?
A Copa poderá servir como gigantesca estrutura de consolação, que funciona como espaço da catarse coletiva. Se o Brasil ganhar, comoção e locupletação emotiva. Se perder, decepção e frustração coletivas. Mas o eleitor não confunde vitória ou derrota com o político ou o governante. Quem desejar tirar partido do gol, acabará na linha do pênalti.
Pêsames (e não palmas) em Tocantins
A Assembleia Legislativa de Tocantins acaba de dar um golpe na Carta Magna. Um deputado, de nome Stalin - que não se perca pelo nome -, conseguiu aprovar seu projeto para estiolar as funções do Tribunal de Contas do Estado. A lei revoga dispositivos da Lei Orgânica do TCE - que enquadravam os prefeitos, no exercício das funções de ordenador de despesas -, a se submeterem às competências do Tribunal. Ou seja, pretende que o TCE não julgue mais os prefeitos na condição de ordenadores de despesas, o que acontece em 137 dos 139 municípios do Estado. O projeto é uma curva na CF, que dispõe sobre a exclusividade dos Tribunais de Contas na iniciativa de propor alterações na Lei Orgânica. Se a moda "stalinista" pegar, o caminho da gastança sem controles não terá fim. Mas a Atricon - Associação dos Tribunais de Contas impetrou ADIn no STF. Vamos aguardar os resultados.
Livro-dossiê?
Este consultor recebeu um briefing sobre o livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que teria sido contatado por Luiz Lanzetta, o cara que teria feito as sondagens para a produção de dossiês contra Serra. Fofocagem sob encomenda. Por não acreditar nessas baboseiras, este consultor não abre espaço para o acervo que discorre sobre negócios da família do ex-governador de São Paulo. Agirá do mesmo modo, caso chegue pacote sob encomenda contra figuras do PT.
Juiz? Também o fui
Jânio Quadros era um ás na técnica da enrolação. Visitava Fortaleza e ficou na casa do deputado Jorge Furtado Leite. Descansava numa rede, quando Furtado tentou convencê-lo a receber uma comitiva de juízes.
- Não os recebo. Juiz é magistrado. Não pode fazer política. Eles não têm nada a me dar e nem tenho nada a prometer-lhes.
De repente, viu que estava cercado de juízes. Prontamente se levanta e exclama, em alto e bom som :
- Juízes dessa querida terra, que também o fui...
E conversou lorota por mais de duas horas com eles. Sob o efeito de uma cachacinha.
Nova comissão
A OAB/SP criou a "Comissão de Estudos de Recuperação Judicial e Falência". A ideia foi do advogado Luiz Antonio Caldeira Miretti, nomeado seu presidente. Miretti, representando a Seccional Paulista da Ordem, será palestrante no "Congresso Internacional de Direito Empresarial", discorrendo, no dia 11, às 10h30, sobre os "Os cinco anos da Lei de Recuperação e Falência". O evento será pelo INRE - Instituto Nacional de Recuperação de Empresas, nos dias 10, 11 e 12/06/10, no Hotel Sofitel, em São Paulo.
Quem paga o pato? Nós
Esta coluna abre uma campanha de moralização no complexo terreno das licitações. Pano de fundo: estratagemas de certas empresas para ganhar o bolo. Expliquemos. Empresas estatais possuem um passivo trabalhista que poucos conseguem imaginar. No afã de demonstrar eficiência na hora de contratar serviços de terceiros, buscam, apenas e tão somente, o menor preço apresentado. A prestadora contratada por este critério, na maioria das vezes, acaba quebrando e seus funcionários, sem terem a quem acionar, voltam-se contra a estatal que responde subsidiariamente pelas ações trabalhistas. O passivo trabalhista da estatal cresce. E quem acabará pagando o pato? Ora, todos os cidadãos que pagam impostos. Moral: é mais razoável buscar o melhor preço possível e não simplesmente o menor. O barato acaba saindo muito caro.
O viés do pregão
O Estado consegue fazer economias, aliás, bem-vindas, por meio deste processo de compras, que nada mais é do que um leilão ao contrário. Entretanto, por falta de parâmetros para estabelecer a formação de preços, ou ao menos do custo do serviço, fica difícil ao pregoeiro justificar a não contratação de uma empresa que ofereça o menor - muito menor - preço. O país possui muitos institutos capacitados. Por que não são chamados a realizar estudos sobre o chamado "preço inexequível"?
Ficha Limpa
A lei da Ficha Limpa, sancionada por Lula, está à espera de uma interpretação por parte do TSE. Valerá para este ano ou apenas para 2012? Pela lei, para ser impedido de registrar candidatura, o político deve ter sido condenado por um órgão colegiado, ou seja, em que há mais de um juiz. Áreas das condenações: tráfico de drogas, formação de quadrilha, racismo ou tortura, além de crimes eleitorais, por exemplo, fica inelegível por oito anos. É ainda o caso de punições por ações civis de improbidade administrativa, mas só se as acusações forem de enriquecimento ilícito ou lesão aos cofres públicos. Os condenados poderão recorrer para viabilizar a candidatura. O projeto recebeu a adesão de 1,6 milhão de assinaturas sobre a aplicação da lei. O STF também pode ser consultado com uma ação para confirmar a constitucionalidade do texto aprovado.
Números da terceirização
O país tem, hoje, mais de 31 mil empresas de serviços terceirizáveis que, juntas, faturam acima de R$ 43 bilhões ao ano. As regiões sudeste e sul são as que concentram a maior parte desse montante. A remuneração mensal destes profissionais paga pelas empresas gira em torno de R$ 918, totalizando R$ 18 bilhões ao ano. Os dados são da 4ª Pesquisa Setorial, encomendada pela Asserttem - Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário. Com relação à empregabilidade, o Brasil possui, hoje, mais de 8 milhões de trabalhadores terceirizados, o que representa quase 9% da população economicamente ativa. Jovens em situação de primeiro emprego representam 12,5% das vagas preenchidas. A terceira idade responde por quase 14% do total de contratos com empresas terceirizadas.
Conselho a Hélio Costa
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos jogadores da seleção. Hoje, volta sua atenção ao pré-candidato ao governo de Minas Gerais, senador Hélio Costa:
1. Definida sua candidatura pelo PMDB, cuide, agora, de garantir o prometido apoio do PT. Pelo andar da carruagem, há alas querendo traição.
2. Haverá muita casca de banana pelo caminho. A serem jogadas pelas alas descontentes.
3. O futuro político do governador Aécio Neves estará atrelado ao sucesso de seu candidato ao governo, o vice Anastasia. Aécio fará tudo o que for possível para eleger seu sucessor. Panorama bem provável.
____________
(Por Gaudêncio Torquato)
Cuidado, senhores candidatos e senhoras candidatas. Muito cuidado com a liturgia de abraçar pessoas e beijar crianças. Francelino Pereira, ex-governador de Minas, ex-senador e ex-deputado federal, nos fundões do Estado, fazia a maior demagogia. Encontrou um grupo de crianças. Começou a suspendê-las pelos braços e a beijá-las. De repente, sentiu algo estranho. Era uma cara cheia de barba. Francelino havia beijado o anão de Uberaba.
Ibope confirma
Dos Institutos de Pesquisa, faltava apenas o Ibope. Que confirma o empate entre Dilma e Serra: 37%, no primeiro turno, e 42% no segundo turno. O que esse cenário quer dizer? Vamos lá. O segundo turno tende a favorecer a candidata situacionista. Os candidatos apoiados por estruturas governamentais somam melhores condições. O poder da máquina federal puxa grupos e lideranças. O governismo age como um rolo compressor. Lula comandará as estratégias de cooptação de votos. Dilma passa, então, a ser favorita.
A tipologia eleitoral
Como este consultor tem avaliado, o eleitorado de Dilma se agiganta no nordeste. Serra ganha no sudeste, mas sua maioria está diminuindo. Poderá anular a vantagem de Dilma no nordeste com a eventual maioria que tirará do sul e do sudeste. Minas, porém, será uma incógnita. Tem 14,2 milhões de votos. O mineiro é desconfiado. Hélio Costa, do PMDB, terá o apoio do PT para disputar o governo. Mas Aécio Neves poderá puxar a vitória para Anastasia. Ocorre que a vitória do vice Anastasia não significa a vitória de Serra em MG. Lá, o voto poderá favorecer a mistura Dilmasia ou Anastadilma.
A razão?
Perguntam-me a razão. Digo: o orgulho mineiro. Os mineiros não querem ver Aécio Neves como segundo ou terceiro. E sim como o primeiro. Deveria ele estar no lugar de Serra. Se não é Aécio, podem optar por uma candidatura mineira, nesse caso, a de Dilma, que nasceu no Estado. Há uma rixa histórica entre Minas e São Paulo. Acho que Minas Gerais poderá ser o principal termômetro desta campanha. Com o Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, cumprindo também papel preponderante. E Dilma tende a ganhar no Rio, se caso Sérgio Cabral levar boa vantagem.
Vox de Dilma
Já o Vox Populi fez uma pesquisa sob encomenda do PT que dá Dilma com 6% de vantagem em relação a Serra. No segundo turno, são 8 pontos de diferença para a petista.
A favor de Serra
Este consultor crê que o favoritismo de Dilma pode ser esvaziado ante as seguintes situações: acidente/incidente de percurso por parte da campanha petista como a extravagância de produção de dossiês contra Serra; gafes continuadas de Dilma; alterações continuadas na fachada principal (a fisionomia da candidata), pois o efeito cosmético poderá lhe sugar a identidade; climas emotivos nacionais – catástrofes, desastres – que sujem a imagem do governo Lula.
A favor de Dilma
A continuidade do PNBF – Produto Nacional Bruto da Felicidade – amálgama de fatores: dinheiro no bolso, conforto social, geladeira cheia, carro novo, transporte barato, escolas perto de casa, bolsa família chegando todo mês; luz para todos; casa própria; dinheiro para ajudar a produzir boa colheita; enfim, os braços assistenciais do governo Lula.
O caminho do voto
O voto começa pelo bolso, vai subindo até o coração e, depois de longo percurso, chega à cabeça. Esse é o caminho do voto e da geografia eleitoral. Do estômago das massas chega ao escopo crítico das classes mais aculturadas. Que somam bem menos gente do que os contingentes nas gerais.
E a Copa, hein?
A Copa poderá servir como gigantesca estrutura de consolação, que funciona como espaço da catarse coletiva. Se o Brasil ganhar, comoção e locupletação emotiva. Se perder, decepção e frustração coletivas. Mas o eleitor não confunde vitória ou derrota com o político ou o governante. Quem desejar tirar partido do gol, acabará na linha do pênalti.
Pêsames (e não palmas) em Tocantins
A Assembleia Legislativa de Tocantins acaba de dar um golpe na Carta Magna. Um deputado, de nome Stalin - que não se perca pelo nome -, conseguiu aprovar seu projeto para estiolar as funções do Tribunal de Contas do Estado. A lei revoga dispositivos da Lei Orgânica do TCE - que enquadravam os prefeitos, no exercício das funções de ordenador de despesas -, a se submeterem às competências do Tribunal. Ou seja, pretende que o TCE não julgue mais os prefeitos na condição de ordenadores de despesas, o que acontece em 137 dos 139 municípios do Estado. O projeto é uma curva na CF, que dispõe sobre a exclusividade dos Tribunais de Contas na iniciativa de propor alterações na Lei Orgânica. Se a moda "stalinista" pegar, o caminho da gastança sem controles não terá fim. Mas a Atricon - Associação dos Tribunais de Contas impetrou ADIn no STF. Vamos aguardar os resultados.
Livro-dossiê?
Este consultor recebeu um briefing sobre o livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que teria sido contatado por Luiz Lanzetta, o cara que teria feito as sondagens para a produção de dossiês contra Serra. Fofocagem sob encomenda. Por não acreditar nessas baboseiras, este consultor não abre espaço para o acervo que discorre sobre negócios da família do ex-governador de São Paulo. Agirá do mesmo modo, caso chegue pacote sob encomenda contra figuras do PT.
Juiz? Também o fui
Jânio Quadros era um ás na técnica da enrolação. Visitava Fortaleza e ficou na casa do deputado Jorge Furtado Leite. Descansava numa rede, quando Furtado tentou convencê-lo a receber uma comitiva de juízes.
- Não os recebo. Juiz é magistrado. Não pode fazer política. Eles não têm nada a me dar e nem tenho nada a prometer-lhes.
De repente, viu que estava cercado de juízes. Prontamente se levanta e exclama, em alto e bom som :
- Juízes dessa querida terra, que também o fui...
E conversou lorota por mais de duas horas com eles. Sob o efeito de uma cachacinha.
Nova comissão
A OAB/SP criou a "Comissão de Estudos de Recuperação Judicial e Falência". A ideia foi do advogado Luiz Antonio Caldeira Miretti, nomeado seu presidente. Miretti, representando a Seccional Paulista da Ordem, será palestrante no "Congresso Internacional de Direito Empresarial", discorrendo, no dia 11, às 10h30, sobre os "Os cinco anos da Lei de Recuperação e Falência". O evento será pelo INRE - Instituto Nacional de Recuperação de Empresas, nos dias 10, 11 e 12/06/10, no Hotel Sofitel, em São Paulo.
Quem paga o pato? Nós
Esta coluna abre uma campanha de moralização no complexo terreno das licitações. Pano de fundo: estratagemas de certas empresas para ganhar o bolo. Expliquemos. Empresas estatais possuem um passivo trabalhista que poucos conseguem imaginar. No afã de demonstrar eficiência na hora de contratar serviços de terceiros, buscam, apenas e tão somente, o menor preço apresentado. A prestadora contratada por este critério, na maioria das vezes, acaba quebrando e seus funcionários, sem terem a quem acionar, voltam-se contra a estatal que responde subsidiariamente pelas ações trabalhistas. O passivo trabalhista da estatal cresce. E quem acabará pagando o pato? Ora, todos os cidadãos que pagam impostos. Moral: é mais razoável buscar o melhor preço possível e não simplesmente o menor. O barato acaba saindo muito caro.
O viés do pregão
O Estado consegue fazer economias, aliás, bem-vindas, por meio deste processo de compras, que nada mais é do que um leilão ao contrário. Entretanto, por falta de parâmetros para estabelecer a formação de preços, ou ao menos do custo do serviço, fica difícil ao pregoeiro justificar a não contratação de uma empresa que ofereça o menor - muito menor - preço. O país possui muitos institutos capacitados. Por que não são chamados a realizar estudos sobre o chamado "preço inexequível"?
Ficha Limpa
A lei da Ficha Limpa, sancionada por Lula, está à espera de uma interpretação por parte do TSE. Valerá para este ano ou apenas para 2012? Pela lei, para ser impedido de registrar candidatura, o político deve ter sido condenado por um órgão colegiado, ou seja, em que há mais de um juiz. Áreas das condenações: tráfico de drogas, formação de quadrilha, racismo ou tortura, além de crimes eleitorais, por exemplo, fica inelegível por oito anos. É ainda o caso de punições por ações civis de improbidade administrativa, mas só se as acusações forem de enriquecimento ilícito ou lesão aos cofres públicos. Os condenados poderão recorrer para viabilizar a candidatura. O projeto recebeu a adesão de 1,6 milhão de assinaturas sobre a aplicação da lei. O STF também pode ser consultado com uma ação para confirmar a constitucionalidade do texto aprovado.
Números da terceirização
O país tem, hoje, mais de 31 mil empresas de serviços terceirizáveis que, juntas, faturam acima de R$ 43 bilhões ao ano. As regiões sudeste e sul são as que concentram a maior parte desse montante. A remuneração mensal destes profissionais paga pelas empresas gira em torno de R$ 918, totalizando R$ 18 bilhões ao ano. Os dados são da 4ª Pesquisa Setorial, encomendada pela Asserttem - Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário. Com relação à empregabilidade, o Brasil possui, hoje, mais de 8 milhões de trabalhadores terceirizados, o que representa quase 9% da população economicamente ativa. Jovens em situação de primeiro emprego representam 12,5% das vagas preenchidas. A terceira idade responde por quase 14% do total de contratos com empresas terceirizadas.
Conselho a Hélio Costa
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos jogadores da seleção. Hoje, volta sua atenção ao pré-candidato ao governo de Minas Gerais, senador Hélio Costa:
1. Definida sua candidatura pelo PMDB, cuide, agora, de garantir o prometido apoio do PT. Pelo andar da carruagem, há alas querendo traição.
2. Haverá muita casca de banana pelo caminho. A serem jogadas pelas alas descontentes.
3. O futuro político do governador Aécio Neves estará atrelado ao sucesso de seu candidato ao governo, o vice Anastasia. Aécio fará tudo o que for possível para eleger seu sucessor. Panorama bem provável.
____________
(Por Gaudêncio Torquato)
quarta-feira, 9 de junho de 2010
FICAR E NAMORAR

*
Esta onda de Ficar
Ainda não assimilei.
A conquista me atraía
De caça me disfarcei,
Para ficar bem na mira,
Daquele que namorei.
*
Se flertar saiu de moda,
Imagine então namorar!
A onda agora é outra,
Nem precisa paquerar,
Basta apenas chegar junto
E rolando um clima, ficar!
*
Confesso sinto saudades,
Dos antigos rituais.
Um bilhete, uma rosa,
E as juras dos casais,
Beijos e rostos corados,
Que hoje não se vê mais.
*
Flerte, namoro, noivado,
Já deu o que tinha que dar.
A graça dos velhos namoros
São histórias a se contar.
Diz-me os novos tempos,
Que o lance mesmo, é ficar!
*
Mas quem um dia ouviu,
Uma serenata de amor.
No meio da madrugada,
Na voz de um trovador.
Dispensa o verbo ficar,
Para apostar no amor!
(Dalinha Catunda)
BEBA ÁGUA COM O ESTÔMAGO VAZIO!!!

Hoje é muito popular no Japão beber água imediatamente após se levantar, na parte da manhã. Além disso, as evidências científicas têm demonstrado os valores de beber água.
Abaixo divulgamos uma descrição da utilização da água para os nossos leitores:
Para idosos com doenças graves e doenças em tratamento médico, a água tem sido muito bem sucedida. Para a sociedade médica japonesa, há cura de até 100% para as seguintes doenças:
Dores de cabeça, corpo ferido, problemas cardíacos, artrite, taquicardia, epilepsia, excesso de gordura, bronquite, asma, tuberculose, meningite, aparelho urinário e doenças renais, vômitos, gastrite, diarréia, diabetes, hemorróidas, todas as doenças oculares, obstipação, útero, câncer, distúrbios menstruais, doenças de ouvido, nariz e garganta.
Método de tratamento:
1. Pela manhã e antes de escovar os dentes, beber 4 copos de água com 160ml.
2. Lavar e limpar a boca, mas não comer ou beber nada durante 45 minutos, depois pode-se comer e beber normalmente.
3. Após os 15 minutos do lanche, almoço e jantar não se deve comer ou beber nada durante 2 horas.
4. Pessoas idosas ou doentes que não podem beber 4 copos de água, no início podem começar por tomar um copo e aumentar gradualmente a quantidade para 4 copos por dia.
5. O método de tratamento cura doenças e outros podem desfrutar de uma vida mais saudável.
A lista que se segue apresenta o número de dias de tratamento necessários para curar / controlar / reduzir as principais doenças:
1. Pressão Alta – 30 dias
2. Gastrite – 10 dias
3. Diabetes – 30 dias
4. Obstipação – 10 dias
5. Câncer – 180 dias
6. Os doentes com artrite devem continuar o tratamento por apenas 3 dias na primeira semana e, desde a segunda semana, diariamente.
Este método de tratamento não tem efeitos colaterais. No entanto, no início do tratamento, haverá a necessidade de urinar frequentemente. Mas é melhor se continuarmos com o tratamento, porque este procedimento funciona como uma rotina de nossas vidas. Beber água é saudável e dá energia, porém é importante não beber durante, nem após a refeição, pois retarda a digestão ao diluir o suco gástrico.
Experimente!
(Enviado por Olimpio Bonfim)
terça-feira, 8 de junho de 2010
JOÃO ALFREDO LANÇA LIVRO EM CRATEÚS
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Do colega Alexandre Maia recebo o seguinte e-mail:
"O advogado, vereador, professor e ambientalista João Alfredo Telles Melo, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), lança na próxima quinta-feira (10/06), às 19 horas, no auditório da Faculdade de Pedagogia de Crateús, seu mais recente livro: “Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo: Artigos acadêmicos e escritos militantes”.
Na obra, o desafio contemporâneo da superação da crise ambiental é discutido, após serem revisitadas as lutas socioambientais que marcaram as últimas décadas, bem como os debates da área do Direito em relação à questão ambiental.
O livro é enriquecido pela ilustração do artista plástico Hélio Rôla e pelas apresentações do sociólogo Michael Löwy (diretor emérito de pesquisas do Centre National de La Recherche Scientifique (CNRS) – Paris), do professor de Direito Ambiental da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Paulo Affonso Leme Machado, e do jornalista Valdemar Menezes, editor-sênior do jornal O POVO. Também conta com as contribuições do diretor do Greenpeace, Sérgio Leitão, e do Presidente do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, Guilherme José Purvin de Figueiredo.
A edição é da Fundação Demócrito Rocha, com o apoio do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública e do curso de Direito da Faculdade 7 de Setembro. A obra foi organizada pela jornalista Helena Martins.
No último dia 2 de junho o livro foi lançado com sucesso em Fortaleza, nos jardins do Passeio Público, localizado no Centro da cidade. O evento contou com a apresentação dos professores Raquel Rigotto e José de Albuquerque Rocha. Já dia 16/06 a obra será lançada na sede estadual do PSOL, localizada na avenida Imperdor, 1397 (Centro-Fortaleza) e dia 23/06, no município do Crato".
Serviço:
Lançamento do livro "Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo"
Data: 10 de junho (quinta-feira)
Horário: 19 horas
Local: Auditório da Faculdade de Pedagogia de Crateús
Mais informações com o jornalista Emanuel Furtado (85 9964.6614), Assessor de Comunicação do Mandato Ecos da Cidade - vereador João Alfredo (PSOL)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
"FICHA LIMPA" É SANCIONADA
Lei complementar denominada Ficha limpa é publicada. A LC proíbe a candidatura de políticos condenados pela Justiça em decisão colegiada em processos ainda não conclusos.
*
Confira abaixo a LC 135 na íntegra.
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LEI COMPLEMENTAR Nº 135, DE 4 DE JUNHO DE 2010
Altera a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:
Art. 1º Esta Lei Complementar altera a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências.
Art. 2º A Lei Complementar nº 64, de 1990, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 1º .........................................................................
I – ..................................................................................
.......................................................................................
c) o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido eleitos;
d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes;
e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos crimes:
1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público;
2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência;
3. contra o meio ambiente e a saúde pública;
4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;
5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública;
6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;
7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;
8. de redução à condição análoga à de escravo;
9. contra a vida e a dignidade sexual; e
10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando;
f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele incompatíveis, pelo prazo de 8 (oito) anos;
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição;
h) os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes;
...................................................................................
j) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição;
k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura;
l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena;
m) os que forem excluídos do exercício da profissão, por decisão sancionatória do órgão profissional competente, em decorrência de infração ético-profissional, pelo prazo de 8 (oito) anos, salvo se o ato houver sido anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário;
n) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão que reconhecer a fraude;
o) os que forem demitidos do serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial, pelo prazo de 8 (oito) anos, contado da decisão, salvo se o ato houver sido suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário;
p) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22;
q) os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar, pelo prazo de 8 (oito) anos;
................................................................................
§ 4º A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial ofensivo, nem aos crimes de ação penal privada.
§ 5º A renúncia para atender à desincompatibilização com vistas a candidatura a cargo eletivo ou para assunção de mandato não gerará a inelegibilidade prevista na alínea k, a menos que a Justiça Eleitoral reconheça fraude ao disposto nesta Lei Complementar.” (NR)
“Art. 15. Transitada em julgado ou publicada a decisão proferida por órgão colegiado que declarar a inelegibilidade do candidato, ser-lhe-á negado registro, ou cancelado, se já tiver sido feito, ou declarado nulo o diploma, se já expedido.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput, independentemente da apresentação de recurso, deverá ser comunicada, de imediato, ao Ministério Público Eleitoral e ao órgão da Justiça Eleitoral competente para o registro de candidatura e expedição de diploma do réu.” (NR)
“Art. 22. .....................................................................
................................................................................
XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar;
XV – (revogado);
XVI – para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam.
.............................................................................” (NR)
“Art. 26-A. Afastada pelo órgão competente a inelegibilidade prevista nesta Lei Complementar, aplicar-se-á, quanto ao registro de candidatura, o disposto na lei que estabelece normas para as eleições.”
“Art. 26-B. O Ministério Público e a Justiça Eleitoral darão prioridade, sobre quaisquer outros, aos processos de desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade até que sejam julgados, ressalvados os de habeas corpus e mandado de segurança.
§ 1º É defeso às autoridades mencionadas neste artigo deixar de cumprir qualquer prazo previsto nesta Lei Complementar sob alegação de acúmulo de serviço no exercício das funções regulares.
§ 2º Além das polícias judiciárias, os órgãos da receita federal, estadual e municipal, os tribunais e órgãos de contas, o Banco Central do Brasil e o Conselho de Controle de Atividade Financeira auxiliarão a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral na apuração dos delitos eleitorais, com prioridade sobre as suas atribuições regulares.
§ 3º O Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e as Corregedorias Eleitorais manterão acompanhamento dos relatórios mensais de atividades fornecidos pelas unidades da Justiça Eleitoral a fim de verificar eventuais descumprimentos injustificados de prazos, promovendo, quando for o caso, a devida responsabilização.”
“Art. 26-C. O órgão colegiado do tribunal ao qual couber a apreciação do recurso contra as decisões colegiadas a que se referem as alíneas d, e, h, j, l e n do inciso I do art. 1o poderá, em caráter cautelar, suspender a inelegibilidade sempre que existir plausibilidade da pretensão recursal e desde que a providência tenha sido expressamente requerida, sob pena de preclusão, por ocasião da interposição do recurso.
§ 1º Conferido efeito suspensivo, o julgamento do recurso terá prioridade sobre todos os demais, à exceção dos de mandado de segurança e de habeas corpus.
§ 2º Mantida a condenação de que derivou a inelegibilidade ou revogada a suspensão liminar mencionada no caput, serão desconstituídos o registro ou o diploma eventualmente concedidos ao recorrente.
§ 3º A prática de atos manifestamente protelatórios por parte da defesa, ao longo da tramitação do recurso, acarretará a revogação do efeito suspensivo.”
Art. 3º Os recursos interpostos antes da vigência desta Lei Complementar poderão ser aditados para o fim a que se refere o caput do art. 26-C da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, introduzido por esta Lei Complementar.
Art. 4º Revoga-se o inciso XV do art. 22 da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990.
Art. 5º Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação.
Brasília, 4 de junho de 2010; 189º da Independência e 122º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Luis Inácio Lucena Adams
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Confira abaixo a LC 135 na íntegra.
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LEI COMPLEMENTAR Nº 135, DE 4 DE JUNHO DE 2010
Altera a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar:
Art. 1º Esta Lei Complementar altera a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências.
Art. 2º A Lei Complementar nº 64, de 1990, passa a vigorar com as seguintes alterações:
“Art. 1º .........................................................................
I – ..................................................................................
.......................................................................................
c) o Governador e o Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal e o Prefeito e o Vice-Prefeito que perderem seus cargos eletivos por infringência a dispositivo da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término do mandato para o qual tenham sido eleitos;
d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes;
e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos crimes:
1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público;
2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência;
3. contra o meio ambiente e a saúde pública;
4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;
5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública;
6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;
7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;
8. de redução à condição análoga à de escravo;
9. contra a vida e a dignidade sexual; e
10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando;
f) os que forem declarados indignos do oficialato, ou com ele incompatíveis, pelo prazo de 8 (oito) anos;
g) os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes, contados a partir da data da decisão, aplicando-se o disposto no inciso II do art. 71 da Constituição Federal, a todos os ordenadores de despesa, sem exclusão de mandatários que houverem agido nessa condição;
h) os detentores de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional, que beneficiarem a si ou a terceiros, pelo abuso do poder econômico ou político, que forem condenados em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes;
...................................................................................
j) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 (oito) anos a contar da eleição;
k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura;
l) os que forem condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena;
m) os que forem excluídos do exercício da profissão, por decisão sancionatória do órgão profissional competente, em decorrência de infração ético-profissional, pelo prazo de 8 (oito) anos, salvo se o ato houver sido anulado ou suspenso pelo Poder Judiciário;
n) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão que reconhecer a fraude;
o) os que forem demitidos do serviço público em decorrência de processo administrativo ou judicial, pelo prazo de 8 (oito) anos, contado da decisão, salvo se o ato houver sido suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário;
p) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22;
q) os magistrados e os membros do Ministério Público que forem aposentados compulsoriamente por decisão sancionatória, que tenham perdido o cargo por sentença ou que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar, pelo prazo de 8 (oito) anos;
................................................................................
§ 4º A inelegibilidade prevista na alínea e do inciso I deste artigo não se aplica aos crimes culposos e àqueles definidos em lei como de menor potencial ofensivo, nem aos crimes de ação penal privada.
§ 5º A renúncia para atender à desincompatibilização com vistas a candidatura a cargo eletivo ou para assunção de mandato não gerará a inelegibilidade prevista na alínea k, a menos que a Justiça Eleitoral reconheça fraude ao disposto nesta Lei Complementar.” (NR)
“Art. 15. Transitada em julgado ou publicada a decisão proferida por órgão colegiado que declarar a inelegibilidade do candidato, ser-lhe-á negado registro, ou cancelado, se já tiver sido feito, ou declarado nulo o diploma, se já expedido.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput, independentemente da apresentação de recurso, deverá ser comunicada, de imediato, ao Ministério Público Eleitoral e ao órgão da Justiça Eleitoral competente para o registro de candidatura e expedição de diploma do réu.” (NR)
“Art. 22. .....................................................................
................................................................................
XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar;
XV – (revogado);
XVI – para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o fato alterar o resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam.
.............................................................................” (NR)
“Art. 26-A. Afastada pelo órgão competente a inelegibilidade prevista nesta Lei Complementar, aplicar-se-á, quanto ao registro de candidatura, o disposto na lei que estabelece normas para as eleições.”
“Art. 26-B. O Ministério Público e a Justiça Eleitoral darão prioridade, sobre quaisquer outros, aos processos de desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade até que sejam julgados, ressalvados os de habeas corpus e mandado de segurança.
§ 1º É defeso às autoridades mencionadas neste artigo deixar de cumprir qualquer prazo previsto nesta Lei Complementar sob alegação de acúmulo de serviço no exercício das funções regulares.
§ 2º Além das polícias judiciárias, os órgãos da receita federal, estadual e municipal, os tribunais e órgãos de contas, o Banco Central do Brasil e o Conselho de Controle de Atividade Financeira auxiliarão a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral na apuração dos delitos eleitorais, com prioridade sobre as suas atribuições regulares.
§ 3º O Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e as Corregedorias Eleitorais manterão acompanhamento dos relatórios mensais de atividades fornecidos pelas unidades da Justiça Eleitoral a fim de verificar eventuais descumprimentos injustificados de prazos, promovendo, quando for o caso, a devida responsabilização.”
“Art. 26-C. O órgão colegiado do tribunal ao qual couber a apreciação do recurso contra as decisões colegiadas a que se referem as alíneas d, e, h, j, l e n do inciso I do art. 1o poderá, em caráter cautelar, suspender a inelegibilidade sempre que existir plausibilidade da pretensão recursal e desde que a providência tenha sido expressamente requerida, sob pena de preclusão, por ocasião da interposição do recurso.
§ 1º Conferido efeito suspensivo, o julgamento do recurso terá prioridade sobre todos os demais, à exceção dos de mandado de segurança e de habeas corpus.
§ 2º Mantida a condenação de que derivou a inelegibilidade ou revogada a suspensão liminar mencionada no caput, serão desconstituídos o registro ou o diploma eventualmente concedidos ao recorrente.
§ 3º A prática de atos manifestamente protelatórios por parte da defesa, ao longo da tramitação do recurso, acarretará a revogação do efeito suspensivo.”
Art. 3º Os recursos interpostos antes da vigência desta Lei Complementar poderão ser aditados para o fim a que se refere o caput do art. 26-C da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, introduzido por esta Lei Complementar.
Art. 4º Revoga-se o inciso XV do art. 22 da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990.
Art. 5º Esta Lei Complementar entra em vigor na data da sua publicação.
Brasília, 4 de junho de 2010; 189º da Independência e 122º da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Luis Inácio Lucena Adams
JOSÉ CORIOLANO

O poeta e sua esposa,
Maria Cisalpina,
sobrinha
(filha de seu irmão Gonçalo)
e sua
grande musa inspiradora.
O maior poeta de Crateús foi José Coriolano de Sousa Lima. A cidade precisa fazer um esforço de rememoração do seu excelso e multifacetário filho.
Durante muito tempo, na Praça da Matriz - que oficialmente tem o seu nome - havia um busto de José Coriolano. Urge resgatá-lo.
Sétimo e último filho de Gonçalo Correia Lima e Ana Rosa Bezerra, José Coriolano de Sousa Lima nasceu em 30/10/1829, na Vila de Príncipe Imperial, hoje Crateús-CE. Magistrado, poeta, político, jornalista. Formou-se em Direito. Foi deputado provincial pelo Piauí, por duas legislaturas, e presidente da Assembléia Legislativa. Participou ativamente da imprensa no Recife e Teresina. Faleceu em 24/08/1869, Na Vila de Príncipe Imperial.
Segue um de seus poemas:
O TRISTE ARCANO
Lamento a sorte que me faz poeta,
Não que eu engenhe divinais canções;
Poeta n’alma cuja dor secreta
Do peito faz-me rebentar vulcões!...
Tenho um segredo que na fria lousa
Comigo à terra deverá baixar;
No peito guardo-o, pois ali repousa
O triste arcano que me faz penar.
Embalde tenho consumido os anos
Em falsas cismas... em penar sem fim;
Não saiba o mundo, de fatais enganos,
Aquele arcano... que só cumpre a mim!
A campa gélida comigo desça.
São desventuras que convém calar;
Basta que eu saiba-o (2) e que Deus conheça
O triste arcano, que me faz penar.
Dize-lo aos homens... não no (3) quer o peito;
Que importa aos homens o segredo meu?
Soubera-o o anjo... se não fosse afeito
Àquelas juras... como o penso eu.
Porém os anjos não perjuram... minto!
É triste a cisma que me faz chorar!
Do peito viva no fiel recinto
O triste arcano, que me fez penar.
Feliz julgai-me! Não no sou, por certo!
Anri meu peito, vê-lo-eis de dor
Contudo, enfermo, qual baixei incerto,
Lançado às rochas por um mar de horro.
Segredo infausto que, talvez na campa,
Meus curtos dias me fará murchar!
E a lousa (4) apenas saberão que estampa
O triste arcano, que me faz penar.
Rireis! – qu’importa – não permita o fado
A sorte, um anjo, ou a mulher, ou Deus
Que o peito vosso, qual o meu, penado
Concentre males como os males meus.
Males que pode desfazer somente
Um riso d’anjo... de mulher falaz... (5)
Mas não que a fala, que o sorrir desmente
O triste arcano, que me faz penar.
Corram meus dias lacrimosos, mestos, (6)
Julgem-me os homens, por demais feliz;
Fruindo julguem-me prazeres festos, (7)
E ocultem versos o que o rosto diz!
Comigo – aos sorvos – beberei meus males
Até meus dias, meu viver findar;
Nem leve a brisa pelos amplos vales
O triste arcano, que me faz penar.
Embalde tenho consumido os anos
Em falsas cismas... em penar sem fim;
Não saiba o mundo, de fatais enganos,
Aquele arcano... que só cumpre a mim!
À campa gélida comigo desça:
Basta que eu saiba e que Deus conheça
O triste arcano, que me faz penar.
Comentários:
1) Arcano. Segredo profundo. É o latim arcanu, secreto, oculto.
2) Que eu saiba-o. Na tempo em que José Coriolano escreveu ainda não estava disciplinada a colocação dos pronomes átonos.
3) No. Nos clássicos, principalmente, o pronome átono, acusativo de 3ª pessoa, o, a, os, as assume, por assimilação, a forma no, na, nos, nas, depois de vozes nasais.
- Viam-no chegar.
- Não na deixariam prear impunemente (Rui).
- Que não sabe a arte, não na estima (Camões).
No português de hoje, depois de bem, não e quem, vai desaparecendo o modelo clássico: não o desejo, por exemplo.
4) Lousa.
5) Falaz. Que engana intencionalmente.
6) Mestos. Tristes.
7) Festos. O mesmo que festivos. Pronúncia aberta (fés).
**********************************************
JB,que presente!Temos um Camões bem aqui ao lado.
Paulo Nazareno
Não que eu engenhe divinais canções;
Poeta n’alma cuja dor secreta
Do peito faz-me rebentar vulcões!...
Tenho um segredo que na fria lousa
Comigo à terra deverá baixar;
No peito guardo-o, pois ali repousa
O triste arcano que me faz penar.
Embalde tenho consumido os anos
Em falsas cismas... em penar sem fim;
Não saiba o mundo, de fatais enganos,
Aquele arcano... que só cumpre a mim!
A campa gélida comigo desça.
São desventuras que convém calar;
Basta que eu saiba-o (2) e que Deus conheça
O triste arcano, que me faz penar.
Dize-lo aos homens... não no (3) quer o peito;
Que importa aos homens o segredo meu?
Soubera-o o anjo... se não fosse afeito
Àquelas juras... como o penso eu.
Porém os anjos não perjuram... minto!
É triste a cisma que me faz chorar!
Do peito viva no fiel recinto
O triste arcano, que me fez penar.
Feliz julgai-me! Não no sou, por certo!
Anri meu peito, vê-lo-eis de dor
Contudo, enfermo, qual baixei incerto,
Lançado às rochas por um mar de horro.
Segredo infausto que, talvez na campa,
Meus curtos dias me fará murchar!
E a lousa (4) apenas saberão que estampa
O triste arcano, que me faz penar.
Rireis! – qu’importa – não permita o fado
A sorte, um anjo, ou a mulher, ou Deus
Que o peito vosso, qual o meu, penado
Concentre males como os males meus.
Males que pode desfazer somente
Um riso d’anjo... de mulher falaz... (5)
Mas não que a fala, que o sorrir desmente
O triste arcano, que me faz penar.
Corram meus dias lacrimosos, mestos, (6)
Julgem-me os homens, por demais feliz;
Fruindo julguem-me prazeres festos, (7)
E ocultem versos o que o rosto diz!
Comigo – aos sorvos – beberei meus males
Até meus dias, meu viver findar;
Nem leve a brisa pelos amplos vales
O triste arcano, que me faz penar.
Embalde tenho consumido os anos
Em falsas cismas... em penar sem fim;
Não saiba o mundo, de fatais enganos,
Aquele arcano... que só cumpre a mim!
À campa gélida comigo desça:
Basta que eu saiba e que Deus conheça
O triste arcano, que me faz penar.
Comentários:
1) Arcano. Segredo profundo. É o latim arcanu, secreto, oculto.
2) Que eu saiba-o. Na tempo em que José Coriolano escreveu ainda não estava disciplinada a colocação dos pronomes átonos.
3) No. Nos clássicos, principalmente, o pronome átono, acusativo de 3ª pessoa, o, a, os, as assume, por assimilação, a forma no, na, nos, nas, depois de vozes nasais.
- Viam-no chegar.
- Não na deixariam prear impunemente (Rui).
- Que não sabe a arte, não na estima (Camões).
No português de hoje, depois de bem, não e quem, vai desaparecendo o modelo clássico: não o desejo, por exemplo.
4) Lousa.
5) Falaz. Que engana intencionalmente.
6) Mestos. Tristes.
7) Festos. O mesmo que festivos. Pronúncia aberta (fés).
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JB,que presente!Temos um Camões bem aqui ao lado.
Paulo Nazareno
domingo, 6 de junho de 2010
EM CRATEÚS
Estive em Crateús neste final de semana.
Ontem pela manhã participei, a convite do Marcelo Chaves, de um debate com radialistas da região sobre Eleições 2010.
Eis, em apertada síntese, o que abordei:
Antes do mais, frisei o papel extremamente importante da Imprensa, lembrando Rui Barbosa: "A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça".
PROPAGANDA POLÍTICA
Propaganda política é gênero, que tem como espécies: a Propaganda Partidária, a Propaganda Intrapartidária e a Propaganda Eleitoral. Um dos problemas que visualizamos atualmente é a confusão que se faz em torno dessas três modalidades distintas de Propaganda. Aproveita-se a propaganda partidária – cujo objetivo é a divulgação da mensagem do partido – para se fazer propaganda eleitoral, com a promoção de candidaturas.
CONDUTAS VEDADAS
Relembrei as condutas vedadas aos agentes públicos no período de campanha eleitoral:
I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração;
II - usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram;
III - ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado;
IV - fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público;
V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos.
VI - nos três meses que antecedem o pleito:
a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública;
b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral;
c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo;
VII - realizar, em ano de eleição, antes do prazo fixado no inciso anterior, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.
VIII - fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir do início do prazo estabelecido no art. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos.
DOS CRIMES ELEITORAIS
Os crimes eleitorais são previstos no Código Eleitoral e em leis extravagantes, como nas Leis nº 9.504/97, 6.091/74, 6.996/82, 7.021/82 e Lei Complementar nº 64/90, sendo definidos como condutas lesivas aos serviços eleitorais e ao processo eleitoral.
Os crimes eleitorais são tidos como crimes comuns e, não como crimes políticos, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE, REspe nº 16.048-SP, Rel. Min. Eduardo Alckmin, DJU 14.04.2000, p. 96).
Geralmente os crimes eleitorais referem-se à propaganda eleitoral abusiva, corrupção eleitoral, fraude eleitoral, coação eleitoral, aproveitamento econômico da ocasião eleitoral e irregularidades no serviço público eleitoral.
Chamou a atenção dos presentes o fato de destacarmos que, em se tratando de Ações Eleitorais, há uma diferença básica entre a Ação que apura abuso do poder econômico e ação de captação ilícita de sufrágio (compra de votos). Enquanto na primeira (abuso de poder: econômico, político ou de meio de comunicação) se afere a potencialidade do ato praticado no resultado da eleição, na segunda (compra de votos) isto é irrelevante. Basta se provar um caso apenas para gerar uma sentença condenatória.
FICHA LIMPA
Discorremos sobre as principais alterações decorrentes do batizado Projeto de Lei “Ficha Limpa”.
Estávamos numa situação extrema: pessoas com sérios problemas de natureza judicial, inclusive com condenações, podiam ser candidatas enquanto existissem recursos pendentes de julgamento. A proposta original puxava o Projeto para outro extremo: qualquer condenação tornava a pessoa inelegível. Chegou-se a um consenso: para gerar inelegibilidade a condenação deve ser fruto de uma decisão de órgão colegiado. Com isso, evitou-se o açodamento de um magistrado isoladamente, através de uma decisão monocrática, excluir um postulante.
Outra mudança: a partir de agora, o prazo de inelegibilidade – que era de cinco anos – subiu para oito anos.
(Por Júnior Bonfim)
Ontem pela manhã participei, a convite do Marcelo Chaves, de um debate com radialistas da região sobre Eleições 2010.
Eis, em apertada síntese, o que abordei:
Antes do mais, frisei o papel extremamente importante da Imprensa, lembrando Rui Barbosa: "A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça".
PROPAGANDA POLÍTICA
Propaganda política é gênero, que tem como espécies: a Propaganda Partidária, a Propaganda Intrapartidária e a Propaganda Eleitoral. Um dos problemas que visualizamos atualmente é a confusão que se faz em torno dessas três modalidades distintas de Propaganda. Aproveita-se a propaganda partidária – cujo objetivo é a divulgação da mensagem do partido – para se fazer propaganda eleitoral, com a promoção de candidaturas.
CONDUTAS VEDADAS
Relembrei as condutas vedadas aos agentes públicos no período de campanha eleitoral:
I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração;
II - usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram;
III - ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado;
IV - fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público;
V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos.
VI - nos três meses que antecedem o pleito:
a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal preexistente para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a atender situações de emergência e de calamidade pública;
b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral;
c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo;
VII - realizar, em ano de eleição, antes do prazo fixado no inciso anterior, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos nos três últimos anos que antecedem o pleito ou do último ano imediatamente anterior à eleição.
VIII - fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir do início do prazo estabelecido no art. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos.
DOS CRIMES ELEITORAIS
Os crimes eleitorais são previstos no Código Eleitoral e em leis extravagantes, como nas Leis nº 9.504/97, 6.091/74, 6.996/82, 7.021/82 e Lei Complementar nº 64/90, sendo definidos como condutas lesivas aos serviços eleitorais e ao processo eleitoral.
Os crimes eleitorais são tidos como crimes comuns e, não como crimes políticos, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE, REspe nº 16.048-SP, Rel. Min. Eduardo Alckmin, DJU 14.04.2000, p. 96).
Geralmente os crimes eleitorais referem-se à propaganda eleitoral abusiva, corrupção eleitoral, fraude eleitoral, coação eleitoral, aproveitamento econômico da ocasião eleitoral e irregularidades no serviço público eleitoral.
Chamou a atenção dos presentes o fato de destacarmos que, em se tratando de Ações Eleitorais, há uma diferença básica entre a Ação que apura abuso do poder econômico e ação de captação ilícita de sufrágio (compra de votos). Enquanto na primeira (abuso de poder: econômico, político ou de meio de comunicação) se afere a potencialidade do ato praticado no resultado da eleição, na segunda (compra de votos) isto é irrelevante. Basta se provar um caso apenas para gerar uma sentença condenatória.
FICHA LIMPA
Discorremos sobre as principais alterações decorrentes do batizado Projeto de Lei “Ficha Limpa”.
Estávamos numa situação extrema: pessoas com sérios problemas de natureza judicial, inclusive com condenações, podiam ser candidatas enquanto existissem recursos pendentes de julgamento. A proposta original puxava o Projeto para outro extremo: qualquer condenação tornava a pessoa inelegível. Chegou-se a um consenso: para gerar inelegibilidade a condenação deve ser fruto de uma decisão de órgão colegiado. Com isso, evitou-se o açodamento de um magistrado isoladamente, através de uma decisão monocrática, excluir um postulante.
Outra mudança: a partir de agora, o prazo de inelegibilidade – que era de cinco anos – subiu para oito anos.
(Por Júnior Bonfim)
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