sexta-feira, 13 de maio de 2011

UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO

BLOG DO JÚNIOR BONFIM: UMA PAUSA PARA MEDITAÇÃO: "MAIO É O MÊS DE MARIA! A oração preferida e mais proferida pelos católicos: AVE MARIA! Em Português Ave, Maria, cheia de graça, o Sen..."

quarta-feira, 11 de maio de 2011

OBSERVATÓRIO

Vamos iniciar nossa coluna hoje passeando pela fonte dos bons ensinamentos: os filósofos. Platão concluiu que os males do homem só chegariam ao fim quando fôssemos governados por filósofos. O filósofo é o amigo do saber. Saber – que tem a mesma raiz latina de sabor – tem menos a ver com cultura dos livros e mais com a cultura das luzes. Sabedoria é saber sentir e saborear a vida verdadeira. É deixar-se banhar pela luminosidade do bem. É ter sensibilidade para experimentar um tempero diferente. É ousar. Aristóteles, discorrendo sobre a virtude, afirmou que virtuoso era quem mantinha eqüidistância entre dois vícios, um por excesso e outro por falta. Em A Tranqüilidade da Alma, Sêneca mostra a importância do equilíbrio do humor na vida das pessoas. Indagado por um amigo (Aneu Sereno) a respeito de uma questão existencial, uma espécie de inconstância da alma que o incomodava, responde: “o objeto de tuas aspirações é, aliás, uma grande e nobre coisa, e bem próxima de ser divina, pois que é a ausência da inquietação”. Em seguida, Sêneca diz o que entende por tranqüilidade: “Vamos, pois, procurar como é possível à alma caminhar numa conduta sempre igual e firme, sorrindo para si mesma e comprazendo-se com seu próprio espetáculo e prolongando indefinidamente esta agradável sensação, sem se afastar jamais de sua calma, sem se exaltar, nem se deprimir. Isto será tranqüilidade”.


O FOCO

Nas últimas edições temos rabiscado cenários para a eleição municipal vindoura, inclusive mencionando possíveis postulantes. De pronto, alguns reagem aos nomes como se qualquer cidadão que, em tese, preenche as condições de elegibilidade não pudesse lançar o seu nome. Porém, hoje quero redirecionar a discussão. O que é essencial, estratégico e relevante se colocar a respeito do assunto? Normalmente a campanha é um momento culminante da realização de um debate que deveria ser permanente: a cidade e o campo, a vida e sonhos das pessoas. Para onde caminhamos? O que queremos? Pensar sobre a nossa existência, o conserto dos problemas e os contornos do futuro – eis o que importa. No entanto, ao invés desse debate maiúsculo, via de regra nos perdemos em questões menores. No lugar de projetos, discutimos pessoas, fulanizando uma conferência que deveria ser impessoal. É aí que se insere a lição dos filósofos: precisamos dos eflúvios da sabedoria, do equilíbrio sensato e da tranqüilidade da alma para conduzir esse processo pelos trilhos da sensatez. Libertar-se das altas temperaturas verbais, do discurso contaminado pela grosseira rivalidade, da cegueira tóxica que nos impede de enxergar méritos nos contendores.


OS POLOS

Invariavelmente, temos assentado as disputas no binômio presente versus passado. A próxima refrega eleitoral precisa ser feita com esteio em outra polarização: o presente e o futuro. Avaliar o presente projetando um futuro melhor. Traduzindo: a oposição precisa analisar a atual gestão sem os arroubos da inconseqüência, sem disseminar o ódio contra o atual gestor. Carlos Felipe teve algum merecimento – reconheçamos. É trabalhador – aplaudamos. A controvérsia não repousa sobre a pessoa dele, mas sobre o projeto de governo que implantou. O que se contesta, então? Dentre outras coisas, um modelo administrativo que priorizou a partidarização ao invés da profissionalização da Administração Pública. Profissionalizar significa priorizar a competência técnica e não a afinidade eleitoral/partidária. (É inadmissível, nos dias atuais, que uma Prefeitura do porte da nossa funcione sem um quadro de advogados-procuradores concursados. O Procurador Geral pode até ser nomeado sem concurso, porém o corpo técnico não). Outro ponto: Como se admitir que um governo que se reivindica de esquerda tenha uma relação de intolerância, desrespeito e, à vezes, até de truculência com os servidores, em especial os professores?... Enfim, se nos detivéssemos a elencar a pauta de debate, com certeza o espaço seria pequeno. O importante é que se olhe a Educação, a Saúde, a Cultura, a Instituição, a Infra-estrutura etc. sobre os olhos da realidade atual e com vistas aos avanços que almejamos. Só depois de pontuarmos corretamente essa primeira etapa do processo, é que se pode passar para a segunda: a definição de nomes.


NOMES

Nomes é que não faltam. E quando os mencionamos queremos apenas mostrar que esse interesse das pessoas em oferecer sua contribuição é salutar para o município. O nome de Paulo Nazareno repercutiu rapidamente. O ex-vereador Antonio Luiz Mourão externou que toparia ser o vice de Nazareno. Sustenta que comporiam uma dupla imbatível. Márcio Cavalcante ligou protestando o fato de seu nome não ter sido divulgado. Diz que é candidato a Prefeito. Argumenta que está bem posicionado nas pesquisas e que realizou um grande trabalho à frente do legislativo municipal. Até amigos do ex-Deputado Federal Antonio Cambraia exibem a avaliação de que Crateús está necessitando de um gestor equilibrado e experiente, com boas relações internas e externas. Cambraia, escolhido o melhor Prefeito do Brasil quando governou Fortaleza, poderia ser convidado a dar sua contribuição a Crateús. Enfim, essa fartura de postulantes é positiva.


À MODA TWITTER


O doutor José Arteiro apresentou, sexta-feira (06.05), o livro Jitiranas de Luz, do poeta Dideus Sales. Notada a ausência do alto escalão da Prefeitura. Vanderlei inaugurou moderno salão de eventos, altos do Restaurante... Os ‘camilianos’ (representantes da Instituição São Camilo) assumiram o Hospital São Lucas. Que essa intervenção cirúrgica na saúde local seja bem sucedida... Zé Vanlor e Vânia, por ocasião da festa de bodas de ouro, conseguiram congregar uma legião de amigos e, principalmente, a confraria familiar, liderada por Estênio e Valmir Campelo... Este último, o decano da mais alta Corte de Contas do País, agradeceu efusivamente a Crônica de sua vida aqui publicada...



PARA REFLETIR


“O importante é viver bem, não viver por muito tempo; e muitas vezes vive bem quem não vive muito. Ninguém se preocupa em ter uma vida virtuosa, mas apenas com quanto tempo poderá viver. Todos podem viver bem, ninguém tem o poder de viver muito. Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida”. (Sêneca)


(Júnior Bonfim, na edição de ontem do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)

ELIEL MACHADO DA PONTE


Diviso aleatoriamente as pessoas que escolho para abrilhantar esta Coluna. Algumas, em função de posições que ocupam no gramado social, são amplamente conhecidas; outras, por razões que não me compete perquirir, optaram por buscar assento na arquibancada do anonimato. Quiçá porque assimilaram, como Gandhi, a liturgia da natureza: trabalham continuamente, mas em silêncio.

É o caso de Eliel Machado da Ponte, um cidadão que conheci na década de 1970, quando pilotava um ônibus da Viação Machado. Vindo das Três Lagoas do Coreaú, Eliel se fez um ser humano fácil em meio às dificuldades da vida. Filho de agricultores pobres, sua primeira escola foi a roça – onde aprendeu que é necessário paciência e perseverança para colher a fartura natural. Jamais esqueceu o frugal alimento que lhe era oferecido na mesa do sofrimento: o feijão, a farinha e a rapadura – símbolo da dureza que se transforma em doçura.

Com apenas 11 janeiros teve cortado o cordão do afeto maternal: Florência Carneiro Portela, sua genitora, desencarna por ocasião de um parto. Logo que completa 18 anos, o filho de Francisco Machado da Ponte segue a marcha independente da vida.
Trabalhando com os primos Raimundo Machado e Milton Machado, empresários do ramo de transportes, faz progressos: começa na função de cobrador e ajudante de bagagens, depois vira motorista.

Laborando no percurso Crateús a Independência, conhece a mulher que iria tornar cativo o seu coração: Elzafá Pedrosa Machado. Convolaram núpcias em 1975 e, com a chegada de herdeiros, se dedicaram inteiramente à formação dos mesmos: Magidiel e Ismael Pedrosa Machado, pois o caçula, Gebnnel, prematuramente (com apenas dez dias de vida) foi levado para outra dimensão.

Em que pese as enormes barreiras postas na estrada da sua vida, Eliel sempre alimentou firmemente o sonho de formar os filhos. E na direção desse sonho pilotou como um sábio. Ou como um mestre, na melhor esteira do ensinamento Budista: "O Mestre na arte da vida faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu lazer, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Ele dificilmente sabe distinguir um corpo do outro. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo que faz, deixando para os outros a decisão de saber se está trabalhando ou se divertindo. Ele acha que está sempre fazendo as duas coisas simultaneamente."

Em 1996, transporta o filho mais velho, Magidiel, para a Capital Alencarina, a fim de que pudesse dar concreção ao mais profundo desejo de sua alma. No ano seguinte repete o gesto com o outro filho, Ismael. Nesse mesmo ano, enfrenta uma grave intempérie: perde o emprego! Mas não perde a fé, essa inexplicável força que remove montanhas e gera luz onde reina a escuridão. A mão Divina o abençoou e um novo emprego surgiu, na Empresa Gontijo. Faltando apenas dois anos para a graduação dos seus pupilos, passa a trabalhar na Empresa Barroso, onde laborou até obter a aposentadoria.

Homem de sólidas crenças, Eliel conseguiu voar ao topo do monte do discernimento: aprendeu que a vida é passageira e que, nessa viagem fugaz, nossa melhor ação é lançar sementes do bem à beira do caminho e cavar masmorras às paixões ilusórias. Virou obreiro da messe Espírita e, como Allan Kardec, “reconhece o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações”.

Antenado com os campos infinitos da percepção dos valores essenciais, tem seguido a bússola do desprendimento da matéria e conseqüente dedicação às causas do espírito, concentrando energia na valorização interior e no serviço ao próximo.

A partir desse desabrochar íntimo da sensibilidade, recolheu da realização do sonho de ver os filhos bacharéis em direito, em julho de 2002 (Magidiel e Ismael pontificam entre os mais promissores causídicos das plagas do Poty) o sinal da oportunidade de se dedicar com mais afinco ao ideal de servir ao semelhante. Passa a trabalhar voluntariamente na Creche José Maria Camerino, dedicando tempo e trabalho, atenção e afeto para a comunidade do bairro Fátima II.

Em 2006, elege a meta de construir um Centro Espírita no bairro Cidade 2.000 como o seu grande propósito. Em 15 de dezembro do mesmo ano, inaugura um grande templo Espírita, dotado de moderna infra-estrutura e à altura do vigoroso trabalho social que realiza junto àquela comunidade.

Eliel renasce em cada desafio e se mantém colhendo frutos de prosperidade, pois descobriu a norma fundamental: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. (Allan Kardec)


(Júnior Bonfim, na edição de ontem do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE!

UTOPIA

Hoje lembrei-me dessa música, que presenciei sendo gestada no início dos anos 1980. Compartilho:



UTOPIA

Composição: Zé Vicente

Quando o dia da paz renascer
Quando o Sol da esperança brilhar
Eu vou cantar

Quando o povo nas ruas sorrir
E a roseira de novo florir
Eu vou cantar

Quando as cercas cairem no chão
Quando as mesas se encherem de pão
Eu vou cantar

Quando os muros que cercam os jardins, destruídos
Então os jasmins vão perfurmar

Vai ser tão bonito se ouvir a canção
Cantada de novo
no olhar da gente a certeza de irmãos
reinado do povo (2x)

Quando as armas da destruição
destruídas em cada nação
eu vou sonhar

E o decreto que encerra a opressão
assinado só no coração
vai triunfar

Quando a voz da verdade se ouvir
e a mentira não mais existir
será enfim
tempo novo de eterna justiça
sem amis odio sem sangue ou cobiça
vai ser assim

Vai ser tão bonito se ouvir a canção
Cantada de novo
no olhar da gente a certeza de irmãos
reinado do povo (2x)

domingo, 8 de maio de 2011

O DIA DAS MÃES

O dia das Mães inevitavelmente nos remete a dois caminhos: o primeiro nos impele a pensar a magnitude da maternidade; o segundo nos leva ao útero que nos gerou, à lembrança da nossa genitora.

Conquanto respeite quem pensa diferente, acho constrangedor para alguém do sexo masculino falar sobre algo que o destino reservou única e exclusivamente para uma fêmea. A maternidade repousa no território sagrado do inefável, habita as grutas imperscrutáveis do mistério, dormita no altar solene das grandezas inatingíveis.

Na academia da maternidade, as mulheres fazem todos os exercícios físicos e psíquicos, ideológicos e fisiológicos imagináveis: colocam ali o peso do corpo, a leveza da alma, o sopro da inteligência e a aura do espírito. Quando uma mulher se torna mãe, sua personalidade se transforma indelevelmente. Jamais será a mesma. Por isso dedicamos incomparável predileção pela que nos gerou.

Só quem se abre à comunhão com os laços umbilicais; só quem conviveu com a figura invariavelmente afetuosa de uma mãe - ou, noutro extremo, foi privado ou perdeu a ternura da presença materna sabe quão importante é o papel da fonte pela qual vimos ao mundo.

Recordo Rosária, minha suave mãe, ornamento floral em minha vida, peça de arquitetura fisiológica donde brotaram roseiras preciosas. Praticou o amor em sua plenitude evangélica: deu a vida pelos outros, personificados nos entes mais próximos, sobremaneira pelos filhos e pelo marido. Meu pai revelava a predileção especial que tinha por um ou outro filho. Dos lábios da minha mãe jamais auscultamos qualquer sílaba discriminatória.

Concordo com Rubem Alves quando elege a árvore como linda metáfora para a mãe: “As árvores estão sempre à espera. Acolhem aqueles que as buscam na sua sombra. São silenciosas. Sabem ouvir. Não têm pressa. Sob as árvores os pensamentos se aquietam. Elas nos falam da estupidez humana, na sua correria sempre em busca dos olhares dos outros. Coitados dos adultos: sempre prisioneiros dos olhos dos outros e dos pensamentos que imaginam morar neles. Árvores não têm olhos. Por isso elas não fazem comparações. Não dizem que esse é mais bonito que aquele”.

Mães de todas as raças: continuem como colossais árvores de luz, deitando raízes profundas, produzindo frutos de sabedoria e germinando rebentos de uma cultura de paz! Feliz Dia das Mães!

(Júnior Bonfim)

FELIZ DIA DAS MÃES!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

POETA DIDEUS SALES LANÇA LIVRO HOJE EM CRATEÚS

Às 20 horas de hoje, no Restaurante O Wanderley, o poeta Dideus Sales lança seu "Jitiranas de Luz". É a sua 13ª obra literária, na linha poética. Lançado em abril, em Aracati, onde ele reside, a obra será lançada em vários outros locais do País, até julho. Fortaleza, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Mossoró já estão marcados para os próximos dois meses. Será apresentado pelo promotor de Justiça, José Arteiro Soares Goiano.

(Caderno REGIONAL do Diário do Nordeste)

JITIRANA DE LUZ

No pórtico de entrada, um pelotão de Carnaúbas - palmeiras do semi-árido - anuncia o ingresso no território mágico da latência imorredoura. Na vereda que percorro esparrama-se o perfume original do mufumbo. Chego à sertaneja casa que amo. Mesclada de alvenaria e pau-a-pique, cercada por aquele tradicional entrelaçamento de madeiras locais. Quando, mesmo distante, para ela volvo o pensamento, sinto-me transportado para um espaço de deleite e aconchegante convívio. Na entrada toco a sagrada romã, símbolo do amor e da fecundidade. Miro o ornamental flamboyant e sua magnética ressurreição. Colho uma polpuda siriguela e sorvo o seu doce mel. Em seguida corro a vista na vigorosa canafístula e sento à sombra do juazeiro, estandarte da caatinga.

Pronto! Agora posso prosear sobre o autor deste livro. Só aqui, em meio às oiticicas da infância, ao estrume azul do velho curral, às ribanceiras do rio em que nasci, recolho a espontânea força para falar de um ser tão efusivamente terrestre como Antonio Dideus Pereira Sales.

Este poeta é co-responsável pelo meu ingresso no reino da alegria. No ano 2000, quando restaurava um habitat no torrão em que nasci, ele me fez uma doação valiosa e vital: um carro cheio de mudas – mamão, pitanga, coco, acerola, limão, alfavaca, laranja etc. - a fim de que eu circundasse com plantas minha gleba predileta.

Nascido nos sertões de Crateús, Dideus Sales veio a este ambiente chamado terra para cumprir a sina invulgar de divulgar a boa nova da poesia e esbanjar generosidade.

Desde cedo virou apóstolo do sonho, missionário do verso, lavrador de amizades, cidadão do mundo. Nos anos 1980 destacou-se ao desenhar, na atmosfera do interland cearense, um arco-íris de estrofes formosas e delicadas. Usava as nuvens sonoras do rádio para derramar os fios celestes da genuína, silenciosa, cativante e muitas vezes anônima poesia popular.

Depois, ganhou asas e voou o Brasil inteiro. Conhece versejadores da foz do enigmático Amazonas ao Porto Alegre do Rio Grande do Sul. É, por natureza, andarilho. Caminha por sobre o trilho da rima com brilho.

Cantando, se encantou com as graças de Isabel, uma bela morena do litoral. A Bel e um sedutor vento arrastaram o trovador para as ondas do mar de Aracati, onde se instalou e procriou o Mateus e a Vitória. Daquela terra suntuosa e exuberante comanda a linotipia da Gente de Ação, uma revista que divulga quem faz alguma coisa pela arrumação do mundo e que exibe um balaio dos melhores fiadores de palavras do Ceará.

Eis, minha gente, um típico e robusto animal do sertão, com uma das mais altas taxas de colesterol telúrico que conheço. Um canário da terra, um autêntico “cabeça vermelha”.

Na vida, como na literatura, nos defrontamos com dois modos de ser: o da prosa e o da poesia. Ao gosto da flora que amamos, Dideus optou por viver em permanente estado de poesia. É ele a JITIRANA DE LUZ!

(Júnior Bonfim)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

STF - OAB PEDE QUE LEI DA FICHA LIMPA SEJA DECLARADA CONSTITUCIONAL


Em ação ajuizada no STF ontem, 3, a OAB pede que a lei da ficha limpa (LC 135/10) seja declarada constitucional. "A sociedade e a comunidade jurídica discutem a validade e sua constitucionalidade, criando-se, pois, justo receio de nova situação de insegurança jurídica a ser projetada nas eleições municipais de 2012", afirma o presidente da OAB na ação, Ophir Cavalcante.

O pedido da entidade é feito em uma ADC 30, distribuída para o ministro Luiz Fux. Ele é relator de outros dois processos sobre a matéria, a ADIn 4578 e a ADC 29.

Na ação, a OAB afirma que a lei da ficha limpa, quando estabelece novas hipóteses de inelegibilidade, não fere os princípios da razoabilidade ou da proporcionalidade. Alega ainda que a aplicação da norma a atos e fatos passados não ofende a coisa julgada, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Ainda de acordo com a entidade, não é aplicável à norma o argumento de que ela estaria retroagindo para prejudicar políticos já condenados.

"Não haveria sentido a Lei Complementar estabelecer novas hipóteses de inelegibilidade e não transcender seus efeitos a atos/fatos passados à sua publicação (em junho de 2010), visto que é a própria Carta Federal que determina seja observada a vida pregressa do candidato", ressalta o presidente da OAB.

Ele também frisa que inelegibilidade não é pena e não impõe punição a quem quer que seja. Segundo o presidente da OAB, as regras e sanções previstas na lei da ficha limpa são de natureza eleitoral. "O regramento, neste caso, é obviamente diferente, pois visa a proteger um outro valor constitucional: a moralidade administrativa", diz.

Na ação, a OAB lembra que, em março, o Supremo decidiu que a lei da ficha limpa não poderia ser aplicada ao pleito do ano passado porque foi promulgada menos de um ano antes das eleições. A entidade afirma ainda que, no julgamento, foram apresentados questionamentos sobre a constitucionalidade de outros pontos da norma.

"Calha pontuar que durante o julgamento foram invocados diversos argumentos que abalam a confiança da sociedade brasileira acerca da aplicabilidade do regramento legal nas próximas eleições municipais [2012], o que justifica a utilização da presente (ação declaratória de constitucionalidade)." A OAB complementa que há, inclusive, divergência nos diversos TRE's sobre a norma.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Zeca I

Abro a coluna com Zeca Boca de Bacia, que fazia a alegria do povo em Campina Grande/PB. Personagem folclórico, amigos de políticos. Dava assessoria informal a Ronaldo Cunha Lima e a seu filho Cássio, prestes a ganhar o mandato de senador. Quando Zeca abria a boca, a galera caia na risada. Certa vez, numa de suas internações na clínica Santa Clara, em Campina Grande, a enfermeira foi logo perguntando:

- Zeca, qual o seu plano (de saúde)?

E ele:

- Ficar bom!

Outra vez, Zeca pegou um táxi em Brasília para ir à casa de Ronaldo Cunha Lima. Em frente à casa do poeta, o taxista cobrou R$ 15. Zeca só tinha R$ 10. Sem acordo, disparou:

- Então, amigo, dê cinco reais de ré!

DEM no ralo

O DEM está escorrendo pelo ralo. A última defecção do partido é a do governador Raimundo Colombo, de Santa Catarina. Sai do DEM e carrega bancada de deputados Federais, estaduais e prefeitos. Ali, o comandante da operação migração é Jorge Bornhausen, que tem no filho Paulinho Bornhausen uma semente de renovação.

Bancada cresce

A cada semana, expande-se a bancada do PSD. O partido previa contar, inicialmente, com uns 20 parlamentares. Hoje, a estimativa é de que chegue aos 50. Possui, já, dois governadores, cinco vice-governadores, 40 deputados Federais e uma batelada de deputados estaduais e prefeitos. Poderá, até, não ter tempo de TV e rádio para os embates eleitorais de 2012. Mas, com sua força, deverá atrair partidos menores e criar uma teia de parceiros e, assim, conseguir bons minutos na mídia eleitoral.

A crise tucana

Os tucanos não admitem que o partido esteja vivendo uma crise. Pois bem, este consultor garante: trata-se da maior crise já vivenciada pelo partido desde sua criação nos idos de 88. Sem comando. Sérgio Guerra pode ter sido importante na fase de transição. Hoje, não tem estofo para comandar a sigla. Sem discurso. Fernando Henrique deu ao partido um norte, quando sugeriu que buscasse a classe média emergente. Profundamente rachado em São Paulo. A ala Alckmin devora, a olhos vistos, a ala Serra. As duas bandas não se entendem. Fazem salamaleques em público e dão estocadas nas sombras. Serra, calado. Alckmin, sorridente. E portando a bandeira da vitória. Porque, claro, tem o poder da caneta. Que solta muita tinta.

PT, o mais organizado

É visível o esforço do PT para pôr o bloco nas ruas visando o carnaval eleitoral de 2012. Fazem reuniões em sequência, escolhem áreas prioritárias e secundárias, nomeiam comandantes para as linhas de vanguarda e retaguarda, começam a definir roteiros de parcerias e formam estratégias. Lula será o comandante geral da campanha. Começará a correr o país nas próximas semanas. PT quer eleger cerca de 2 mil prefeitos. Projeto: esticar o mando até 2020.

Apareçam, machistas

Primeiras campanhas com a participação de mulheres. Pequeno município do interior de São Paulo. Conservador, machista. Os homens não admitiam que uma mulher fosse candidata á prefeita. Mas uma corajosa mulher decidiu enfrentar o machismo. Para evitar que ganhasse o pleito, os machões começaram a inventar fantasias sobre a candidata. Líder nas pesquisas, a mulher era um poço de silêncio. Mas a violência verbal era tanta que não aguentou. No comício de encerramento, mandou bala:

- Sei que tem um montão de machos por aí metendo o pau em mim por trás. Quero dizer para esses sacanas que se forem machos de verdade, que venham aqui meter o pau aqui na minha frente!

A multidão foi ao delírio. Foi eleita com grande votação.

Aécio tateia

Aécio Neves, depois do affaire bafômetro, diminuiu alguns centímetros de sua autoconfiança. Percebeu que deve, doravante, calçar as sandálias da humildade e começar a perambular pelo território. A começar por São Paulo. Esteve aqui no palanque de 1º de maio armado pela Força Sindical e mais quatro centrais. Circulou bem. Conversou com Alckmin. Defendeu Kassab e sua iniciativa de criar o PSD. Aécio quer ser o candidato tucano em 2014. Serra, porém, continua com a ideia fixa de pleitear a candidatura.

Centrais e o governo

Essa querela está longe de ser administrada. A CUT quer o fim do imposto sindical. As outras Centrais estão na frente oposta. A Central dos Trabalhadores confia em suas bases e em sua capacidade de sobreviver (e bem) com a contribuição voluntária que poderia ser criada na esfera do sindicalismo. Já as outras Centrais defendem a contribuição compulsória. Interessante é observar que as Centrais mantêm em relação ao governo postura ciclotímica : ora, frequentam a mesa de reuniões com Dilma ; ora, batem de frente no governo. Uma no cravo, outra na ferradura.

Obama, paciente e metódico

Osama Bin Laden estava com os dias contados. Obama, desde a campanha presidencial, prometera capturar o líder da Al-Qaeda vivo ou morto. Defendeu a saída gradativa do Iraque e do Afeganistão e a luta em outras frentes. Tinha razão. E, já no salão oval da Casa Branca, fazia constantes reuniões com a equipe de inteligência. Foi paciente. Monitorava tudo. No dia da decisão, reuniu-se com a cúpula do governo na Sala de Situações. Acompanhou passo a passo uma operação que se desenvolvia a 10 mil km de distância. No domingo, tranquilo, chegou a jogar golfe. Ordenou o ataque. Os militares não tinham tanta certeza de que Osama se encontrava naquela mansão. O risco era grande. O metódico Obama ganhou a batalha. E, seguramente, aplaina os caminhos da reeleição.

Elliot

T. S. Elliot, o poeta, ensinava: "somente aqueles que se arriscam a ir longe sabem até onde podem chegar".

Relato da Paraíba

A coluna pescou este relato de Astier Basílio, que chegou, ontem, à mesa de Zé Nêumanne:

"Cheguei cedo demais à redação do Correio da Paraíba. Resolvi ir ao mercado central, tomar café. Paro em uma barraquinha, a televisão está ligada no Bom Dia Brasil, momento em que Marcos Losekann fala sobre as minúcias da operação que matou Osama. Para o homem que me atende, certamente o dono do local, peço um café com leite - 'mais leite que café por favor' - e um queijo de coalho com pão francês, há um outro que, pela semelhança, julgo ser irmão do proprietário, e que não para de rebater os comentários - ao que à narração da Globo alude a uma ação cirúrgica, o moço arrebenta em comentários dizendo: 'cirúrgica o quê? Foi um assassinato! Ele era um terrorista? Era! Mas que foi um assassinato, isso foi". Agora vem a parte que lhe interessa. Enquanto tomo o café, o mesmo indignado homem me diz: "é como falou ontem no comentário José Nêumanne Pinto (falou teu nome todo, como se escandisse): os Estados Unidos não falam dos "milhares" (o número não foi lembrado por Astier) de civis mortos na Guerra do Afeganistão." O homem das ruas faz sua leitura dos acontecimentos. Ainda mais na Paraíba, onde Zé Nêumanne é motivo de orgulho dos paraibanos. E deste seu primo.

Mais Zeca de Campina

Em João Pessoa, num restaurante chique, Zeca pediu um bode assado. O garçom retrucou:

- Desculpe-me, senhor, aqui só servimos frutos do mar.

Zeca emendou sem dar tempo:

- Então me traz uma água de coco.

_________

Um dia, outro taxista cobrou R$ 20. Zeca, liso, só tinha R$ 10. E pagou.

- Cadê o resto? - pergunta o taxista.

Zeca não hesita:

- E eu vim sozinho? Vamos rachar!

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Essa é infame. Quem quiser, pode pular. Já em São Paulo, chamou um táxi. Queria ir à Central da Globo, na avenida Chucri Zaidan. Quando o carro chegou, ele se espantou: uma mulher no volante. Gentilmente, ela perguntou:

- O senhor quer que eu pegue o minhocão? (Elevado Costa e Silva, construído na época do prefeito Maluf, que atravessa o centro da cidade).

Zeca disparou:

- Só se a senhora souber dirigir com uma mão... e for baixando as calças...!

E o compromisso em cartório?

Serra nem pensa em se recandidatar a prefeito de São Paulo. Afinal, na campanha que ganhou para prefeito, fez um compromisso e registrou em cartório, negando-se a deixar a prefeitura no meio do mandato. Saiu no meio do mandato e se candidatou ao governo do Estado. Ganhou o pleito. Hoje, me perguntam: e se ele fizer a mesma coisa ? Respondo: política e políticos estão tão desmoralizados que promessas não valem nada. Ademais, em São Paulo, há um componente que precisa ser devidamente avaliado: a rixa histórica entre PSDB e PT é tão contundente que deixa outras questões no plano do detalhe. Os eleitores tendem a esquecer promessas e compromissos e olham para as circunstâncias do momento.

Skaf e Chalita no PMDB

Paulo Skaf sairá do PSB e migrará para o PMDB. Já acertou a entrada com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves. Entrará de maneira discreta. Já o deputado Gabriel Chalita (PSB) será recebido em festa programada para dia 28 de maio. Ambos gostariam de ser candidatos à prefeito de São Paulo pela legenda.

Moldura paulistana

A eleição para prefeito de São Paulo será emblemática. Porque São Paulo é um laboratório avançado do Brasil. Reúne as maiores classes médias, o maior contingente laboral, a maior força do PIB, as maiores pressões sociais, etc. São Paulo é a cara do país. Tem todo tipo de eleitor. E gostos variados. Minha leitura:

- Há uma rixa histórica entre PSDB e PT.

- O PT agrega tradicionalmente 30% dos votos da metrópole.

- Mas as classes médias, sob a tuba da mídia, conservam certo gelo/ojeriza em relação ao petismo. E acabam dando o tom.

- Lula nunca tentou andar pelo meio. Sempre quis a sopa pelas bordas.

- Dilma se diferencia e cria polos de simpatia no meio.

- FHC, Serra e Alckmin são as referências contra o PT.

- Mas o prestígio tucano está em descenso.

- PT poderá, sim, vir a crescer.

- Um novo nome do PT pode criar impacto.

- Um novo nome do PMDB, idem.

- Kassab será eleitor importante no processo.

- Serra, se não for candidato, também será eleitor central.

- Definição: Produto Nacional Bruto da Felicidade (em alta, média ou baixa).

- PNBF alto: ganha candidatura do PT.

- PNBF baixo: candidato do sistema tucano.

CLT, 68 anos

A Consolidação das Leis do Trabalho completou, dia 1º de maio, 68 anos de idade. Filha da Carta de 1937, passou incólume pelas Constituições de 1946, 1967 e 1988. São 922 artigos que regulam praticamente todas as relações individuais e coletivas de trabalho. Careceria uma revisão.

7 em 10

Sete em dez empresários sofrem com a falta de qualificação profissional. Para cada R$ 100 gastos com seguro-desemprego, o governo Federal despende só R$ 1 em programas de qualificação de mão de obra.

Perguntinhas básicas

1. Aécio - Aécio teria no futuro um bafômetro contra ele? Resposta: sim. Vão utilizar o bafômetro como instrumento para desmontar a vida pessoal de Aécio. Mas ele poderá dar a volta pelos lados.

2. Serra - Serra vai mesmo se candidatar à prefeito de SP em 2012? Resposta: possivelmente. Político bom usa a régua para frente e para trás. Ele deve recomeçar. Do zero? Não. Do 50 na régua de 100 pontos. Pode se eleger novamente prefeito de SP. E recomeçar a trajetória. Esperar sem nada até 2014? Muito arriscado. Viraria vapor.

3. Lula/Dilma - Lula será candidato novamente nem 2014? Depende. Economia bombando, Produto Nacional Bruto da Felicidade em expansão: Dilma candidata à reeleição com alta chance de vitória. Contrário: Lula voltaria ao palanque. Usando o último estoque de carisma.

Calo apertado

Inflação é maior ameaça ao governo Dilma. Se cair na faixa dos 8% a 9% será um deus-nos-acuda. Mantega pegaria o chapéu, Palocci assumiria no lugar e o resto, SDS: Só Deus Sabe.

Conselho aos partidos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos tucanos. Hoje, sua atenção se volta aos partidos:

1. Comecem a fazer imediatamente o Planejamento Estratégico da Campanha de 2012.

2. Tracem estratégias, táticas e ações visando trabalho em:

a. Municípios com população em torno de 300 mil habitantes;

b. Municípios com população de 200 mil habitantes;

c. Municípios com população de 100 mil habitantes;

d. Municípios com população de 50 mil habitantes.

3. Estabeleçam discursos adequados, reunindo temáticas gerais, regionais e locais.

4. Organizem/selecionem prioridades para parcerias entre partidos naqueles espaços.

5. Estabeleçam programa de ações táticas para os próximos meses.

6. Definam comandos/equipes/lideranças para coordenar programas, projetos e ações.

____________

(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Júnior,

Parabéns pelo bonito soneto e pelo sábio olhar do poeta sobre o trabalho.
Segue meu poema em relação ao mesmo tema.

Um abraço,

Dalinha Catunda
*

LABUTA INGLÓRIA
*
Mal o dia amanhece,
Ela já está de pé
Acorda vai pra cozinha,
Depressa faz o café.
Nunca sem antes rezar,
Alimentando sua fé.
*
Após servir o café,
Pra família reunida,
Filhos vão para escola
Marido segue pra lida,
Ela volta pra cozinha
Já pensando na comida.
*
Faz o café da manhã,
Faz almoço, faz jantar.
Lava louça, varre casa,
Sem pensar em descansar
Pega a roupa pra lavar,
Já pensando em passar.
*
Da dita dona de casa,
É assim o dia-a-dia.
Uma tarefa após outra
Sem aposentadoria.
E sem remuneração,
Só a fé lhe alivia.
*
Hoje, dia do trabalho,
Quero homenagear,
A nobre dona de casa,
Que só vive a labutar,
Sem ter reconhecimento
Sem ser rainha do lar.

REUNIÃO DA ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS

Caros Colegas da ALC,

Lembramos todos da nossa reunião, na proxima quinta feira, dia 05 de maio, às 19:00, na nossa Sede.

Na ocasião serão discutidos os ultimos acertos do projeto de publicação da ALC, os preparativos para eleição da nova diretoria da ALC e para o ingresso de novo membro no sodalício, bem como a participação da ALC no lançamento do livro do Colega Dideus Sales.

Encontraremo-nos todos lá!

Saudações literárias

Elias de França
Presidente

domingo, 1 de maio de 2011

MAIO, O MÊS MAIS BELO, COMEÇA COM VIVAS AO TRABALHADOR!


O dia primeiro de maio, data em que se celebra a luta dos trabalhadores em prol do direito a uma vida mais saudavel e prazerosa, é um dia de todo o povo. Por isso posto este

SONETO AO POVO

Quem do milho a cada manhã nos dá o pão desejado;
Faz as praças, os mercados florescerem de verdura;
Doma as árvores, e do barro nos oferece o telhado;
Encontra o outro, modela o ferro, traz a fartura? !!!

Quem é este que golpeia as trevas, constrói a beleza,
Sabe as vontades dos seres, os segredos do viver,
Conhece as aspirações da terra, as notas da pureza,
Os mistérios da noite, os hinos do amanhecer? !!!

Tu és, oh obscuro ser, o mais luminoso companheiro,
Tens o fogo da vida, o amplo sonho, o amor verdadeiro,
De tuas mãos mágicas e poderosas nasce o Novo.

Ó combativo operário, valente camponês, pai guerreiro,
Com as veias da aurora honradamente te louvo
E no peito azul da vida escrevo o teu nome: POVO!

(Junior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)

sábado, 30 de abril de 2011

SAIGON

SAIGON, a maior cidade do Vietnã, foi tomada pelos revolucionários em 30 de abril de 1975. Era o fim da guerra do Vietnã, que foi a primeira guerra televisionada em toda sua brutalidade. Os americanos sentiam o cheiro de sangue dentro de suas casas, viam seus filhos morrerem inutilmente... Esse é um dos fatores contribuintes para a sua horrenda "fama".

A música abaixo, apenas pelo nome guarda relação com o fato histórico. No mais, curtamos seu romantismo:



Composição: Claudio Cartier/Paulo Feital/Carlão

Tantas palavras
Meias palavras
Nosso apartamento
Um pedaço de Saigon
Me disse adeus
No espelho com batom...

Vai minha estrela
Iluminando
Toda esta cidade
Como um céu
De luz neon..

Seu brilho silencia
Todo som
Às vezes
Você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir...

E quase sempre
Eu penso em te deixar
E é só você chegar
Pr'eu esquecer de mim...

Anoiteceu!
Olho pro céu
E vejo como é bom
Ver as estrelas
Na escuridão
Espero você voltar
Prá Saigon...(2x)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ESTOU VELHO Juliana Ramires

VAGA DE PARLAMENTAR PERTENCE A SUPLENTE DA COLIGAÇÃO - DIZ SUPREMO

Por 10 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (27) que a vaga decorrente do licenciamento de titulares de mandato parlamentar deve ser ocupada pelos suplentes das coligações, e não dos partidos. A partir de agora, o entendimento poderá ser aplicado pelos ministros individualmente, sem necessidade de os processos sobre a matéria serem levados ao Plenário.

Durante mais de cinco horas, os ministros analisaram Mandados de Segurança (MS 30260 e 30272) em que suplentes de deputados federais dos estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais reivindicavam a precedência na ocupação de vagas deixadas por titulares de seus partidos, que assumiram cargos de secretarias de Estado.

A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, relatora dos processos, foi a primeira a afirmar que se o quociente eleitoral para o preenchimento de vagas é definido em função da coligação, a mesma regra deve ser seguida para a sucessão dos suplentes. “Isso porque estes formam a única lista de votação que em ordem decrescente representa a vontade do eleitorado”, disse.

Além da ministra Cármen Lúcia, votaram dessa forma os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Celso de Mello e Cezar Peluso.

Somente o ministro Marco Aurélio manteve a posição externada em dezembro do ano passado, no julgamento de liminar no MS 29988, e reafirmou que eventuais vagas abertas pelo licenciamento de parlamentares titulares devem ser destinadas ao partido.

Mais votado

“Deverá ser empossado no cargo eletivo, como suplente, o candidato mais votado na lista da coligação e não do partido que pertence o parlamentar afastado”, afirmou o ministro Luiz Fux, que se pronunciou logo após a relatora dos processos.

Segundo ele, a coligação regularmente constituída substitui os partidos políticos e merece o mesmo tratamento jurídico para todos os efeitos relativos ao processo eleitoral. Para o ministro, decidir por uma aplicação descontextualizada da conclusão de que o mandato pertence aos partidos, no caso, “significaria fazer tábula rasa da decisão partidária que aprovou a formação da coligação”. Também seria negar aos partidos políticos autonomia para adotar os critérios de escolha e regime de coligações partidárias consagrados na Constituição Federal.

A ministra Ellen Gracie, por sua vez, afirmou que a Constituição Federal reconhece o caráter de indispensabilidade às agremiações partidárias, assegurando seus direitos, inclusive o de adotar regimes de coligações eleitorais. Ela frisou que o partido pode optar por concorrer sozinho ou reunir-se com outros para obter resultado mais positivo.

Os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Ayres Britto mantiveram entendimento externado em dezembro do ano passado, no sentido de que a vaga de suplência pertence à coligação.

“O presidente da Câmara dos Deputados assim como os presidentes de Assembleias Legislativas, de Câmara de Vereadores e da Câmara Legislativa do Distrito Federal recebem uma lista do Poder Judiciário Eleitoral e essa lista diz a ordem de sucessão (dos suplentes)”, afirmou o ministro Toffoli. “Essa lista é um ato jurídico perfeito”, disse.

Lewandowski ressaltou que as coligações têm previsão constitucional e que os partidos políticos têm absoluta autonomia para decidir sobre se coligar. “As coligações existem, há ampla liberdade de formação das coligações, as coligações se formam, por meio delas se estabelece o quociente eleitoral e também se estabelece quem é o suplente que assumirá o cargo na hipótese de vacância”, concluiu.

Ao expor seu posicionamento, o ministro Ayres Britto afirmou que a tese da preponderância da coligação sobre o partido, no caso, “homenageia o sumo princípio da soberania popular, manifestada na majoritariedade do voto, sabido que os suplentes por uma coligação têm mais votos do que os suplentes por um partido”.

O ministro Celso de Mello votou no mesmo sentido. Em decisão liminar tomada em março, ele já havia manifestado que o cômputo dos votos válidos para fins de definição dos candidatos deveria ter como parâmetro a própria coligação partidária, e não a votação dada a cada um dos partidos coligados.

Na noite desta quarta-feira, ele afirmou que, embora a coligação tenha caráter efêmero, as consequências dos resultados por ela obtidos têm eficácia permanente. Caso contrário, segundo o ministro, cria-se uma situação de vício em que parlamentares menos votados assumem vagas em lugar de outros que obtiveram votação bem mais expressiva.

Ele também afastou o argumento de que a hipótese se amolda à decisão do STF sobre infidelidade partidária, quando a Corte firmou entendimento que o mandato pertence ao partido, quando um parlamentar é infiel à agremiação.

Segundo Celso de Mello, a infidelidade representa uma deslealdade para com o partido e uma fraude para com o próprio eleitor, além de deformar a ética e os fins visados pelo sistema de eleições proporcionais. Nos casos hoje analisados, concluiu ele, as coligações foram firmadas de livre e espontânea vontade pelos partidos dos suplentes, com objetivo de obter melhores resultados eleitorais.

Nova análise

Além da ministra Cármen Lúcia, os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Cezar Peluso modificaram posição apresentada em dezembro do ano passado e aderiram ao entendimento de que as vagas de suplência devem ser definidas pelas coligações.

“Em caso de coligação não há mais que se falar em partido, porque o quociente eleitoral passa a se referir à coligação”, disse o ministro Joaquim Barbosa.

O ministro Gilmar Mendes fez severas críticas ao sistema de coligação partidária, mas, ao final, ressaltou que a prática “ainda é constitucional”. Para ele, as coligações são “arranjos momentâneos e circunstanciais” que, na prática, acabam por debilitar os partidos políticos e o sistema partidário, em prejuízo do próprio sistema democrático.

“Em verdade, as coligações proporcionais, ao invés de funcionarem como um genuíno mecanismo de estratégia racional dos partidos majoritários para alcançar o quociente eleitoral, acabam transformando os partidos de menor expressão em legendas de aluguel para os partidos politicamente dominantes. O resultado é a proliferação dos partidos criados, com um único objetivo eleitoreiro, de participar das coligações em apoio aos partidos majoritários, sem qualquer ideologia marcante ou conteúdo programático definido”, ressaltou.

Último a votar, o ministro Cezar Peluso também acompanhou o voto da relatora. No entanto, ele ressaltou que a coligação, “tal como estruturada hoje, é um corpo estranho no sistema eleitoral brasileiro”, concordando com as críticas apresentadas pelo ministro Gilmar Mendes.

“A coligação, para mim, teria sentido se ela fosse desenhada como instrumento de fixação e execução de programas de governo”, disse o ministro Peluso. Do ponto de vista prático, ele considerou que entre as incongruências geradas pela atual estrutura da coligação está a posse de suplentes que tiveram “votação absolutamente insignificante e incapaz de representar alguma coisa”. O ministro também demonstrou preocupação quanto à eventual necessidade de se realizar novas eleições, tendo em vista que há 29 deputados federais que têm suplentes de seus próprios partidos.

Divergência

O ministro Marco Aurélio abriu a divergência. Segundo ele, o eleitor não vota em coligação. A Constituição, disse, versa realmente sobre coligação, mas com gradação maior versa sobre a instituição que é o partido político. Segundo ele, a Constituição concede ao partido até a possibilidade de definir com quem pretende se coligar. O ministro também ressaltou a necessidade de preservar as bancadas e a composição dos blocos partidários, assim como a representatividade dos partidos nos cargos de direção da Câmara, que poderão ser alteradas com este novo critério de convocação de suplentes.


Fonte: Supremo Tribunal Federal

CONJUNTURA NACIONAL

E minhas ordens, tenente?


Camilo de Holanda, presidente da Paraíba (nessa época, 1916/1920, governador era presidente), tinha uma namorada. Mas a namorada era mulher de um sargento da PM. Uma vez por semana, o tenente-comandante, auxiliar direto de Camilo, dava prontidão noturno no quartel. Uma noite, Camilo vai chegando à casa de seu amor e vê pendurado na cadeira da sala, o dólmã do sargento. Voltou furioso ao quartel:

- Tenente, e minhas ordens?

- Que ordens, presidente?

- Prontidão rigorosa, pois a ordem pública está ameaçada.

O tenente mandou tocar a corneta, dentro de pouco tempo o batalhão estava todo lá. De prontidão absoluta. Não faltava ninguém. Meia-noite, Camilo voltou lépido:

- Tenente, relaxa a prontidão que o perigo já passou.

O perigo era ele.

"Causo" da verve do amigo Sebastião Nery


Aposentadoria burra



Um servidor público que se aposenta aos 70 anos é a expressão burra de um país que se dá ao luxo de mandar para a cesta do lixo boa parcela de sua sabedoria e experiência. Aos 70 anos, uma pessoa continua a atravessar um fértil ciclo de vida. A aposentadoria compulsória do servidor público aos 70 anos significa também um monumental prejuízo aos cofres do Tesouro nacional. Basta ver apenas o cenário intermediário desenhado pela FIESP. A economia seria de R$ 1,4 milhão se o período de trabalho fosse estendido para 75 anos por trabalhador por ano. Em um período de 5 anos, esta economia chegaria aos R$ 2,4 bilhões, somente para o governo Federal. Projetando a moldura para Estados e municípios, a economia seria de R$ 5,6 bilhões em um período de 5 anos. Com esta radiografia em mãos, Paulo Skaf coordena um movimento pela aprovação da PEC 457/05. Propõe a alteração do art. 40 da CF relativo ao limite de idade para o servidor público se aposentar.


Operação em Campinas



A operação deflagrada em Campinas, que envolve o governador do Tocantins, secretários de Estado, deputados e empresários, para apurar fraude em licitações e lavagem de dinheiro, teve mais um episódio no STJ. O habeas corpus impetrado pelo advogado Luiz Flávio Borges D'Urso em favor do empresário José Carlos Cepera, que pleiteia sua liberdade enquanto responde o processo e ainda sustenta que a investigação é totalmente nula porque autorizada por juiz incompetente, teve seu julgamento iniciado pela 5a turma. Após sustentação oral de D'Urso, o relator, ministro Adilson Macabu, concedeu a ordem, atendendo ao pleito, seguido pelo pedido de vista do ministro Gilson Dipp.


Retrato em 3 X 4



Quatro dias em Comandatuba, conversando com empresários e políticos, propiciam aos interlocutores sentir o cheiro do tempo. Este consultor faz ligeiro resumo do que ouviu na Bahia:

- o empresariado conserva boa impressão sobre o governo Dilma;

- o estilo e tom da atual administração são mais compatíveis com o Brasil real do que o estilo/tom bombásticos do governo anterior;

- a nova governante compõe a identidade por meio desse escopo: visão técnica, controle de situações, cobrança, prioridade à aspectos do planejamento/gestão;

- há temores localizados, particularmente na frente de lutas contra a inflação;

- críticas continuam sendo despejadas às políticas de juros/câmbio, que enfraquecem a capacidade brasileira de reagir às investidas de países como a China;

- há esperança de que as reformas tributária e política avancem ; mas não se apostam em mudanças radicais;

- a imagem do Brasil perante o mundo ganha maior respeito e credibilidade.


Temer, otimista



Com a sobriedade e moderação que lhe são peculiares, o vice-presidente da República, Michel Temer, fez, em Comandatuba, uma leitura abrangente sobre o país, mostrando os avanços que permitem vislumbrar a transformação da pirâmide social em um losango. A classe média, passando a ser maior entre as classes, alargou o meio e redesenhou o formato piramidal da estrutura social do país. Mas não se negou a reconhecer a dificuldade do país em avançar nas matérias das reformas política e tributária. Michel aposta na capacidade do Brasil em superar crises e continuar ganhando posição no ranking das Nações.


Alckmin, feliz da vida



No fórum de Comandatuba, o governador Alckmin estampava permanente sorriso. Parecia viver o momento mais feliz de sua vida pública. Demonstrava confiança e segurança na conversa. E colaborou com nossas porandubas contando alguns "causos" entremeados entre as notas.


Gerdau, Brasil real



Com a sinceridade que o torna um dos mais críveis e respeitados empresários do país, Jorge Gerdau abriu o trombone das críticas contra aspectos da política econômica, cujos efeitos se fazem sentir na abertura de milhares de empregos no... exterior. O presidente do conselho do Grupo Gerdau começou a dar, como consultor informal, ajuda ao governo Dilma, tendo como foco a gestão e a competitividade. Nessa condição, poderá ajudar a administração a fazer ajustes nas políticas cambial, de juros e de incentivo aos investimentos. Enquanto tivermos baixa capacidade de investimentos, o Brasil andará a passos curtos. Gerdau bate sempre nessa tecla. Foi o mais aplaudido em Comandatuba.


Rabello, reformar a reforma


Paulo Rabello de Castro, em brilhante e objetiva apresentação, defendeu a tese de que, para se alcançar uma nova estrutura tributária, urge reformar a reforma. Significa uma arquitetura tributária que garanta conforto financeiro e segurança jurídica ; que permita previsibilidade ao erário; funcionalidade e força aos governos e poder de competição duradouro ao país, como produtor e exportador de bens e serviços. Na visão de Rabello, três pilares devem sustentar a reforma: a renda arrecadada deve ser igual à renda transferida; imposto sobre valor agregado duplo - incidente sobre o consumo de bens e serviços e destinado a sustentar máquinas públicas nos 3 níveis de governo e sistema tributário complementar, com apenas tributos sobre propriedade predial e sua transmissão; taxação fundiária e automotiva, além de tributos regulatórios convencionais.


Rabello em resumo



O economista sugere quatro grupos de impostos: simplificação dos tributos em IR; ICMS nacional; impostos regulatórios; e, impostos locais. O IR para financiar a atual previdência; o ICMS para financiar União, Estados e municípios; impostos regulatórios para financiar União e impostos locais para financiamento de Estados e municípios.


"No psicodélico"


No interiorzão de Pernambuco, o eleitor de uns bons 30 votos procurou o amigo político para pedir um "adjutório". Queria tirar a carteira de motorista, sonho de sua vida. O político agendou o exame, deu as orientações, a passagem até Recife. Tempos depois, voltando à cidade, encontrou o eleitor. E foi logo perguntando:

- Então, tirou a CNH, a carteira nacional de habilitação?

A resposta veio cheio de lamento e decepção:

- Que nada, doutor, não passei no psicodélico.

"Causo" do exame psicotécnico contado por Marco Maciel a Geraldo Alckmin, que o reproduziu para esta coluna.


Maia, nas alturas


Marcos Maia, presidente da Câmara dos Deputados, não deixou boa impressão. Apesar do som do ambiente não apresentar problemas, usou o microfone para gritar uma fala que mais parecia a de sindicalista em palanque. Maia queria conquistar a plateia. Ali estavam empresários e colegas de Parlamento. Não trouxe novidades. Deslizou, alto e bom som, pela névoa esgarçada das platitudes.


Silva, cercado de números


O ministro dos Esportes, o boa praça Orlando Silva, procura convencer a audiência com números, dados, projeções, enfim, uma fileira de estatísticas sobre Copa e Olimpíadas. Aprecio a palavra fácil e densa do ministro. Desta feita, confesso: não me convenci. Parecia um autômato. Montanhas de dados não dizem muita coisa quando cercadas pela seca de obras. Bastaria alguém perguntar: de tudo isso que está sendo mostrado, o que foi aplicado, o que já foi feito?


Haddad, técnico e bom


O ministro Fernando Haddad não precisou de planilhas de apoio para circundar sobre a temática educacional. Discorre fluente sobre os temas e subtemas. Mas os buracos no sistema educacional, infelizmente, continuam sem respostas incisivas e diretas do ministro da Educação. Perguntei a um deputado petista de SP: "e aí, deputado, com esse tom, o ministro Haddad pode se habilitar à candidatura de prefeito de São Paulo, em 2012?" Quase cochichando aos meus ouvidos, ele respondeu: "esse ministro não tem estofo nem vontade de enfrentar as ruas. Gosta mais de gabinete". Sorriu para dizer que não acredita nesse nome, nem que seja o preferido de Lula.


"Só expectorante"



Reunião de vereadores com o chefe político da região numa pequena cidade de Pernambuco. Cada um tinha de falar sobre os problemas do município, reivindicações, sugestões, etc.. Todos falaram alguma coisa, com exceção de um deles, meio acabrunhado no canto da sala. O chefe político cobrou dele a palavra:

- E você, amigo, não tem nada a dizer?

O vereador, tonto com a provocação, não teve saída. Respondeu:

- Não, doutor, estou apenas expectorante.

Abriu a gargalhada dos companheiros espectadores.

"Causo" do Marco Maciel e relato de Alckmin.


Tucanos, queda e ascensão


Conversei, numa noite, com os tucanos deputados Otávio Leite (RJ), 1º vice-líder do PSDB; Bruno Araújo (PE), presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara; Duarte Nogueira (SP), líder do PSDB; Antônio Imbassahy (BA) e Nelson Marchezan Júnior. Botei na roda o tema: para onde vai o PSDB? Consenso entre eles: o partido vai cair mais um pouco no poço da crise que o aflige e, depois, subirá e alçará voo. Quando? Não deram um prazo. Arrematei: para sair da crise, o PSDB precisa equacionar a dúvida sobre comando (Sérgio Guerra será um comandante eficaz para esse novo ciclo?); a indefinição do discurso (o que dizer?); a indefinição do foco eleitoral (classe média, povão?). E acrescentei: se o PNBF continuar alto, o tucanato ficará a ver navios por muito tempo. PNBF significa: Produto Nacional Bruto da Felicidade.


Caiado e Demóstenes


Era voz corrente, nas interlocuções de Comandatuba, que o DEM está com os dias anotados e contados. Mais cedo ou mais tarde, será absorvido pelo PSDB. Quem não admite a hipótese é o bravo e sempre fluente deputado goiano, Ronaldo Caiado. Que parece o último dos guerreiros moicanos. Com suas flechas cheias de veneno para atirar no coração dos desafetos. Caiado, boa conversa, não se deixa esmorecer. E já tem candidato na ponta da língua para a candidatura presidencial do DEM, em 2014: Demóstenes Torres (DEM/GO). O senador é preparado, sabe atirar bem e, espera Caiado, pode entusiasmar os contingentes insatisfeitos.


E o PSB, vai pra onde?



Perguntei, de supetão, ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos, de Pernambuco: " e aí, Eduardo, para onde vai o PSB?" Arregalou os olhos verdes e, sob o eco da gargalhada, respondeu na lata : "eu também quero saber para onde ele vai".


Cardozo, ataque ao contrabando


José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, é um dos mais preparados perfis do governo Dilma. Sempre atento às conversas, gentil com todos, tem respostas prontas e objetivas para atacar as diversas frentes que compõem o escopo de sua pasta. Mas o combate às drogas e ao contrabando de armas integram o rol de absoluta prioridade das ações de segurança.


Uma barba por 500 mil



Jaques Wagner, governador da Bahia, inventou a moda: cortar a barba por dinheiro ofertado por empresas e doar a grana para instituições sociais carentes. Decidiu cortar a barba que conserva há 35 anos por R$ 500 mil. Sugeri nas redes sociais uma campanha para o corte de barbas de personalidades, a partir do patrimônio de Lula, passando pelo bigode de José Sarney. Quem quiser patrocinar o corte, mande, por favor, sua oferta.


A tucanada jovem



Bruno Araújo, o jovem deputado tucano de PE, está pensando em se lançar candidato a prefeito de Recife. Otávio Leite, o aguerrido deputado tucano, garante que será candidato a prefeito do RJ. E Bruno Covas também demonstra muita vontade de ser o candidato dos tucanos para a prefeitura de SP, em 2012. Os jovens afinam os bicos.


E os candidatos do PT?



Carlos Zarattini, deputado Federal, garante que lutará pela candidatura à prefeito de SP. Mas, e se for Serra o candidato? Diante da provocação, abre um sorriso, e insiste em sua candidatura. A visão geral é a de que Lula, mesmo com Serra, gostaria de lançar o ministro Haddad. Marta Suplicy, porém, acalenta o sonho. Ela já sairia com o índice de 30%. Aloizio Mercadante mais que toparia entrar no tabuleiro.


Benito: 30 bilhões no RN


O secretário do Desenvolvimento Econômico do RN, Benito da Gama, amigo e quadro competente, me diz que o RN, nos próximos anos, terá um aporte de R$ 30 bi de investimentos em grandes projetos. Tomo um susto, mas ele fez as contas, projeto por projeto. Só posso afiançar que meu Estado foi abençoado por Deus e possui riquezas fantásticas sob seu território.


Centenário de Walfredo


Semana passada, abri a coluna com uma historinha de Walfredo Siqueira, político pernambucano, de São João do Egito, no Vale do Pajeú, famoso por suas tiradas e "causos". O neto Paulo Maurício Siqueira lembra que, dia 22 de maio, se estivesse vivo, Walfredo comemoraria seu 100º aniversário. Este escriba e consultor integra-se às comemorações e saúda a família do celebrado homem público.


Conselho aos tucanos



Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao ex-presidente Lula. Hoje, sua atenção se volta aos tucanos:

1. A crise que assola o PSDB ameaça se aprofundar. Urge definir comando, discurso, integração de setores e grupos, linhas de operação estratégica e tática para a campanha de 2012.

2. Enquanto as alas tucanas de SP continuarem a se bicar, o partido continuará atolado na lama da crise.

3. A fusão do DEM com o PSDB poderia ensejar a abertura de um novo ciclo de vida e reorganização partidária. O partido ganharia mais força.




(Gaudêncio Torquato)