Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
domingo, 12 de junho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
RAPHAEL HERBSTER E MARÍLIA FAÇANHA
Quem sobe ao altar do matrimônio na noite de hoje é o meu amigo Raphael Herbster, que permutará aliança com a advogada Marília Façanha, da qual se enamorou há alguns pares de janeiros.
Raphael é uma figura leve e agradável. Veloz e imprudente na fala, é calmo e prudente em se tratando das decisões essenciais da vida.
Desejo-lhe sucesso nesta nova etapa da sua caminhada existencial.
Raphael é um bom amigo e me faz lembrar a frase de Shakespeare: "bons amigos são a família que nos permitiram escolher."
A propósito, segue a íntegra da Mensagem do grande poeta e dramaturgo inglês:
Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se.
E que companhia nem sempre significa segurança.
Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,
com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa…
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas;
pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo…
mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão…
e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem, pelo menos, dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai
é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve
e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame
não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
que realmente é forte,
e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
Willian Shakespeare
quinta-feira, 9 de junho de 2011
"A CADA 1 MINUTO DE TRISTEZA PERDEMOS A OPORTUNIDADE DE SERMOS FELIZES 60 SEGUNDOS"!
Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia 'o Infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.
O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer.
Aliás, fico até mais tranqüilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que.....', frase que me dá arrepios.
E o que fazer... para evitarmos essas drogas?
Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida 'bandida'. Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos. Namorem muito, amem, apaixonem-se, casem, descasem(mas não vivam infelizes). Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos. Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso. Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum...Preocupante!). Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.
Dicas para escapar do Alzheimer:
- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes; (conheço tanta gente que só quer comer a mesma coisa)
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.
A proposta é mudar o comportamento rotineiro!
Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.. Vale a pena tentar!
(Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor)
O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer.
Aliás, fico até mais tranqüilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que.....', frase que me dá arrepios.
E o que fazer... para evitarmos essas drogas?
Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida 'bandida'. Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos. Namorem muito, amem, apaixonem-se, casem, descasem(mas não vivam infelizes). Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos. Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso. Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum...Preocupante!). Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.
Dicas para escapar do Alzheimer:
- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes; (conheço tanta gente que só quer comer a mesma coisa)
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.
A proposta é mudar o comportamento rotineiro!
Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro.. Vale a pena tentar!
(Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor)
ASSEMBLÉIA DA ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS
Caros colegas da ALC,
Está se aproximando a data de nossa assembleia. Vai ser sabado proximo, dia 11, em nossa sede, as 15 HORAS.
Vamos avisar e mobilizar todos os colegas para estarem presentes. é importante estarmos todos decidindo os rumos de nossa Academia.
Gostaria de lembrar ao colegas que estão responsaveis pelos contatos com os convidados a virem integrar nossa Arcádia para providenciarem o quanto antes os itens exigidos como pré-requisitos para o ingresso, ou seja: curriculo pessoal, memorial do patrono e copia de obra.
O material deve ser entregue até sexta, dia 10 na sede.
Saudações literárias
Elias de França
Presidente
Está se aproximando a data de nossa assembleia. Vai ser sabado proximo, dia 11, em nossa sede, as 15 HORAS.
Vamos avisar e mobilizar todos os colegas para estarem presentes. é importante estarmos todos decidindo os rumos de nossa Academia.
Gostaria de lembrar ao colegas que estão responsaveis pelos contatos com os convidados a virem integrar nossa Arcádia para providenciarem o quanto antes os itens exigidos como pré-requisitos para o ingresso, ou seja: curriculo pessoal, memorial do patrono e copia de obra.
O material deve ser entregue até sexta, dia 10 na sede.
Saudações literárias
Elias de França
Presidente
PALOCCI SALVA MUAMBEIRO DE IR PARA A CADEIA
Palocci ainda estava ministro da Casa Civil, quando foi invocado como a principal alegação de um sacoleiro em processo por crime de descaminho, numa audiência na 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo, na manhã desta terça-feira (7/6).
O réu era duramente denunciado pelo representante do Ministério Público pela irregular importação de muambas no valor de pouco mais de R$ 12 mil. Eis senão quando, ao ser interrogado, o muambeiro reclama que está sendo injustiçado: "Pois o Palocci fez coisas bem pior e teve suas vultosas consultorias arquivadas pelo procurador-geral da República", lamenta.
Pairou na sala de audiências um pesado e constrangedor silêncio até que o ilustre representante do Ministério Público Federal, com um misto de ironia e vergonha, informou que na rede interna do parquet todos exclamavam que "o Gurgel ‘brindeirou’ geral" (para os mais jovens vale esclarecer que a neologismo é uma referência a Geraldo Brindeiro, o procurador-geral da República no governo Fernando Henrique Cardoso que entrou para a história com o singelo epíteto de "engavetador geral").
E continuou o nobre procurador a dizer que depois da "brindeiragem" de Gurgel cresceu na comunidade a torcida para que a candidata Ella Wiecko venha a ocupar a cadeira de procurador-geral em substituição ao próprio, que está em fim de mandato. Gurgel é candidatíssimo a ficar no posto — a lei permite a recondução —, daí sua intenção de agradar quem nomeia o procurador-geral com sua atuação no caso Palloci. Mas segundo a interpretação do procurador, o tiro do Gurgel saiu pela culatra.
Depois desse forrobodó nos debates orais, o membro do MPF pediu a absolvição do muambeiro, no que foi prontamente atendido pelo juiz.
(Fonte: CONJUR)
O réu era duramente denunciado pelo representante do Ministério Público pela irregular importação de muambas no valor de pouco mais de R$ 12 mil. Eis senão quando, ao ser interrogado, o muambeiro reclama que está sendo injustiçado: "Pois o Palocci fez coisas bem pior e teve suas vultosas consultorias arquivadas pelo procurador-geral da República", lamenta.
Pairou na sala de audiências um pesado e constrangedor silêncio até que o ilustre representante do Ministério Público Federal, com um misto de ironia e vergonha, informou que na rede interna do parquet todos exclamavam que "o Gurgel ‘brindeirou’ geral" (para os mais jovens vale esclarecer que a neologismo é uma referência a Geraldo Brindeiro, o procurador-geral da República no governo Fernando Henrique Cardoso que entrou para a história com o singelo epíteto de "engavetador geral").
E continuou o nobre procurador a dizer que depois da "brindeiragem" de Gurgel cresceu na comunidade a torcida para que a candidata Ella Wiecko venha a ocupar a cadeira de procurador-geral em substituição ao próprio, que está em fim de mandato. Gurgel é candidatíssimo a ficar no posto — a lei permite a recondução —, daí sua intenção de agradar quem nomeia o procurador-geral com sua atuação no caso Palloci. Mas segundo a interpretação do procurador, o tiro do Gurgel saiu pela culatra.
Depois desse forrobodó nos debates orais, o membro do MPF pediu a absolvição do muambeiro, no que foi prontamente atendido pelo juiz.
(Fonte: CONJUR)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
POSSE NA MAÇONARIA
Caro Júnior Bonfim,
Ficamos-lhe gratos pelo convite para Solenidade de Posse do Grão Mestre José Anízio de Araújo, e de sua Posse de Grão Mestre Adjunto, da Assembleia Estadual Legislativa Maçônica, do Grande Oriente do Brasil, no Ceará.
Sua honrosa investidura para exercer o múnus de Grão Mestre Adjunto é motivo de alegria toda a nossa família e, indubitavelmente, para todos os crateuenses.
Sua escolha como dignitário da Maçonaria, no Ceará, afigura-se-nos apenas em reconhecimento do seu intrínseco valor de pessoa verdadeiramente humana.
Continue a palmilhar o caminho da fraternidade, praticando a Reta Ação (ação sem espera de recompensa) e seguindo a Lei Geral que rege o Universo.
Parabéns, extensivos a toda a sua abençoada família.
Saúde e Paz,
Fortaleza (CE), 7 de junho de 2011.
Boaventura Bonfim e Família.
CONJUNTURA NACIONAL
Idôneo, o comandante
Em certa cidade fluminense, o chefe local era um monumento de ignorância. A política era feita de batalhas diárias. Um dia, o chefe político recebeu um telegrama de Feliciano Sodré, que presidia o Estado:
- Conforme seu pedido, segue força comandada por oficial idôneo. O coronelão relaxou e gritou para a galera que o ouvia:
- Agora, sim, quero ver a oposição não pagar imposto: a força que eu pedi vem aí. E quem vem com ela é o comandante IDÔNEO.
(Historinha contada por Leonardo Mota, em Sertão Alegre)
A análise Swot
Procuremos adaptar a análise Swot para o caso Palocci. Após essa análise, talvez se possa fa-zer apreciação mais adequada da decisão da presidente em tirar o ministro Palocci da equipe. Não procederemos a uma análise rigorosa, mas tão somente à rápida aplicação das questões: forças (streghts), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats).
Forças
Antonio Palocci foi um ministro bem conceituado nos mais variados conjuntos das forças pro-dutivas. Médico, ex-prefeito, como ministro da economia do primeiro ciclo do governo Lula, saiu-se muito bem, sendo respeitado pela maneira como soube aprofundar os eixos iniciados pelo governo FHC. Domina bem a matéria econômica. E os partidos da base o preferiam a ou-tros, mesmo que não tenha correspondido aos seus pleitos e demandas. Antes de cair, sinali-zava com a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, os partidos seriam contemplados. Conservava o apoio de forças do mercado.
Fraquezas
Atingido pela segunda vez - a primeira foi por conta do caseiro Francenildo - Palocci abriu um flanco nos próprios costados do governo Dilma. Como demorou bastante a se explicar, colabo-rou diretamente para espanar a fumaça pelo ambiente político. Sai do governo deixando no ar muitas interrogações. Não disse que consultorias prestou, quais os clientes e quanto ganhou de cada um, etc.. Ou seja, fez uma defesa genérica. Coisa que poderia ter feito no dia seguinte à denúncia de multiplicação do patrimônio. Para complicar sua situação, veio à tona a informação de que mora em apartamento em nome de um laranja. Ou seja, mais fumaça chegou aos ares. E passou a ser objeto de fogo amigo. Isso contribuiu para a queda.
Oportunidades
O governo Dilma deveria aproveitar a saída de Palocci para reformular o modelo de gestão, de forma a estreitar a articulação com a esfera política, considerada, hoje, muito frágil. A perma-nência de Palocci dificultaria tal possibilidade, na medida em que o ministro passou (e ainda passará) bom tempo no corredor da suspeita e da dúvida. Teria ele a mesma independência, ficando no governo? Não. Seria compelido a atender aos pleitos dos atores políticos. O governo Dilma, ao tirá-lo do Ministério, marca presença da autoridade, atenuando a especulação de que é tutelada todo tempo pelo ex-presidente Lula.
Ameaças
A saída de Palocci pode fechar o tempo na frente das relações com a área política. Mas isso vai depender da nova ministra, a senadora Gleisi Hoffmann. A substituição de Palocci por um qua-dro sem muito traquejo na esfera política terá o condão de fechar ainda mais as comportas congressuais? Será que o governo terá forças para fazer a reformulação que pretende no Có-digo Florestal? Gleisi participou de debates quentes e recentes no plenário do Senado. Pode vir a ser questionada pelas oposições. Por outro lado, cessa o processo de deterioração da imagem governamental. Imagem que, segundo se sabe, passou a se corroer em grandes centros urbanos. Pesquisa que teria sido feita em São Paulo aponta para uma queda de 15 pontos per-centuais na avaliação positiva do governo. A lua de mel com o Palácio do Planalto acaba e se abre um novo ciclo.
PMDB, o mais forte
O caso Palocci joga mais forças nos braços do PMDB. Que tem apresentado uma unidade nunca vista, nem nos tempos do velho Ulysses. Michel Temer, o vice-presidente da República, é o centro da convergência peemedebista.
"Não sou Deus, mas posso ser"
Tertuliano, maníaco religioso, batina cinzenta adornada de cores berrantes, terços e escapulá-rios, e conhecido pelos "repentes". Costumava recitar:
"O ano tem doze mês,
O dinheiro é quem faz guerra,
Adão foi feito de terra,
Não se morre duas vez;
Um reinado com dois reis
Não houve nem há de haver,
O homem não tem poder
De fazer outro feliz :
Como é que este bruto diz :
- Não sou Deus, mas posso ser ?"
PSD já nasce gordo
O PSD, partido que está sendo criado pelo prefeito Gilberto Kassab, já tem, a essa altura, o compromisso de ingresso de 50 deputados Federais. A janela aberta pelo TSE, que deu 30 dias para migração partidária, sem punição aos migrantes, consolida a gordura da sigla. Kassab espera obter as 500 mil assinaturas necessárias para a formalização do partido até o final de agosto.
O papel de Lula
Luiz Inácio está com a corda toda. Quer ir, já, já, para as ruas. Não se conforma de ser mero observador da cena política. Quer participar. Iria a Brasília esta semana, mas foi desaconse-lhado a viajar. Sua ida à capital Federal há dias não fez bem à imagem do governo Dilma. Lula pode querer ajudar, mas deve entender que a presidente precisa ganhar a confiança social. E esse desafio carece de um estilo próprio de governo. Sem tutelas que possam sugerir interfe-rências do ex-presidente na condução do país. Será que Lula concordou com a saída de Palocci?
O papel da mídia
Não adianta querer culpar a mídia pela crise. Aqui e ali aparecem maldosos comentários de que a mídia está fabricando uma crise. Que besteira. A mídia abre espaços para o que vê e apura. Quem vê a imprensa como golpista tem cegueira na cabeça.
Ser fita
"Deus me perdoe, se é pecado,
Mas eu queria ser fita
Só para andar na cintura
Duma cabocla bonita."
(Do Cancioneiro nordestino)
Cenário paulistano
Gabriel Chalita é o primeiro candidato indicado para disputar a prefeitura da maior capital do país, São Paulo. Foi recebido pelo PMDB em grande festa, semana passada, na Assembleia Paulista. Ele e Paulo Skaf, presidente da FIESP, são os nomes que abrem o processo de reno-vação do partido no maior colegiado eleitoral do país. Pesquei a informação de que o presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges D'Urso está sendo convidado pelo presidente do PTB, deputado Campos Machado, a ser o candidato do partido para a prefeitura. D'Urso tem discurso denso e poderá dar uma boa contribuição ao debate político, a partir das bandeiras da Justiça e da Cidadania, que cobrem o seu dia a dia. Fala-se, ainda, em Bruno Covas, o neto do governador Mário. Que poderia sair pelo PSDB. Todos vestindo o manto da renovação. Coisa para a democracia brasileira.
Governo é solidário
Atenção, tomadores e prestadores de serviço. O TST ratifica, em súmula, uma posição que serve para moralizar a área de prestação de serviços. Se houver inadimplência do prestador de serviços - por quaisquer motivos - o tomador governamental deverá arcar também com o ô-nus. Ou seja, acabará no colo do órgão público eventuais compromissos com os contingentes terceirizados. Essa situação é típica de serviços contratados a preços inexequíveis, baixos, co-brados por prestadores inidôneos. O alerta está dado.
Certidão negativa
Mais um alerta na área dos serviços. O Senado aprovou projeto de lei que exige das empresas que participarem de licitações públicas a apresentação de uma certidão negativa de débitos trabalhistas. O documento seria emitido on-line pela Justiça do Trabalho para comprovar a ausência de dívidas com os empregados - desde que estejam apuradas em decisões judiciais transitadas em julgado. E condiciona o recebimento de benefícios fiscais à apresentação da certidão, que teria validade de 180 dias. Projeto agora irá a plenário. Aprovado, será encami-nhado à sanção presidencial.
JK?
Anos de chumbo grosso. Tempos magros, época de fechadura braba. Falar em Juscelino era, no mínimo, pecado mortal. Mudança das placas dos carros, as chamadas alfanuméricas. A Câmara Municipal de Diamantina oficia ao Contran solicitando as letras JK para as placas dos carros do município, "como uma forma de homenagear o grande estadista John Kennedy". O Contran não atende. Um conterrâneo de Juscelino desabafa:
- Esse pessoal do Conselho deve ser republicano, eleitor do Nixon.
(Historinha de Zé Abelha)
Basta o essencial
"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, chupo displicente, mas percebendo que faltam poucas. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, co-biçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade... Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial."
(Anônimo na multidão)
Conselho à presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao ministério da Justiça. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:
1. Presidente, aproveite a saída do ministro Palocci para fazer uma reformulação profunda na área de articulação com a esfera política.
2. Faça um exame dos pontos positivos e negativos do caso Palocci, uma leitura das ameaças e oportunidades que advirão. E oriente a nova ministra Gleisi Hoffmann para abrir um novo ciclo, que deve ser inspirado em princípios de franqueza, transparência, lealdade e compromissos.
3. Converse com o ex-presidente Lula sobre as inconveniências de presença (dele) no palco da administração. Abra ampla e urgente interlocução com líderes e partidos da base.
(Gaudêncio Torquato)
Em certa cidade fluminense, o chefe local era um monumento de ignorância. A política era feita de batalhas diárias. Um dia, o chefe político recebeu um telegrama de Feliciano Sodré, que presidia o Estado:
- Conforme seu pedido, segue força comandada por oficial idôneo. O coronelão relaxou e gritou para a galera que o ouvia:
- Agora, sim, quero ver a oposição não pagar imposto: a força que eu pedi vem aí. E quem vem com ela é o comandante IDÔNEO.
(Historinha contada por Leonardo Mota, em Sertão Alegre)
A análise Swot
Procuremos adaptar a análise Swot para o caso Palocci. Após essa análise, talvez se possa fa-zer apreciação mais adequada da decisão da presidente em tirar o ministro Palocci da equipe. Não procederemos a uma análise rigorosa, mas tão somente à rápida aplicação das questões: forças (streghts), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats).
Forças
Antonio Palocci foi um ministro bem conceituado nos mais variados conjuntos das forças pro-dutivas. Médico, ex-prefeito, como ministro da economia do primeiro ciclo do governo Lula, saiu-se muito bem, sendo respeitado pela maneira como soube aprofundar os eixos iniciados pelo governo FHC. Domina bem a matéria econômica. E os partidos da base o preferiam a ou-tros, mesmo que não tenha correspondido aos seus pleitos e demandas. Antes de cair, sinali-zava com a esperança de que, mais cedo ou mais tarde, os partidos seriam contemplados. Conservava o apoio de forças do mercado.
Fraquezas
Atingido pela segunda vez - a primeira foi por conta do caseiro Francenildo - Palocci abriu um flanco nos próprios costados do governo Dilma. Como demorou bastante a se explicar, colabo-rou diretamente para espanar a fumaça pelo ambiente político. Sai do governo deixando no ar muitas interrogações. Não disse que consultorias prestou, quais os clientes e quanto ganhou de cada um, etc.. Ou seja, fez uma defesa genérica. Coisa que poderia ter feito no dia seguinte à denúncia de multiplicação do patrimônio. Para complicar sua situação, veio à tona a informação de que mora em apartamento em nome de um laranja. Ou seja, mais fumaça chegou aos ares. E passou a ser objeto de fogo amigo. Isso contribuiu para a queda.
Oportunidades
O governo Dilma deveria aproveitar a saída de Palocci para reformular o modelo de gestão, de forma a estreitar a articulação com a esfera política, considerada, hoje, muito frágil. A perma-nência de Palocci dificultaria tal possibilidade, na medida em que o ministro passou (e ainda passará) bom tempo no corredor da suspeita e da dúvida. Teria ele a mesma independência, ficando no governo? Não. Seria compelido a atender aos pleitos dos atores políticos. O governo Dilma, ao tirá-lo do Ministério, marca presença da autoridade, atenuando a especulação de que é tutelada todo tempo pelo ex-presidente Lula.
Ameaças
A saída de Palocci pode fechar o tempo na frente das relações com a área política. Mas isso vai depender da nova ministra, a senadora Gleisi Hoffmann. A substituição de Palocci por um qua-dro sem muito traquejo na esfera política terá o condão de fechar ainda mais as comportas congressuais? Será que o governo terá forças para fazer a reformulação que pretende no Có-digo Florestal? Gleisi participou de debates quentes e recentes no plenário do Senado. Pode vir a ser questionada pelas oposições. Por outro lado, cessa o processo de deterioração da imagem governamental. Imagem que, segundo se sabe, passou a se corroer em grandes centros urbanos. Pesquisa que teria sido feita em São Paulo aponta para uma queda de 15 pontos per-centuais na avaliação positiva do governo. A lua de mel com o Palácio do Planalto acaba e se abre um novo ciclo.
PMDB, o mais forte
O caso Palocci joga mais forças nos braços do PMDB. Que tem apresentado uma unidade nunca vista, nem nos tempos do velho Ulysses. Michel Temer, o vice-presidente da República, é o centro da convergência peemedebista.
"Não sou Deus, mas posso ser"
Tertuliano, maníaco religioso, batina cinzenta adornada de cores berrantes, terços e escapulá-rios, e conhecido pelos "repentes". Costumava recitar:
"O ano tem doze mês,
O dinheiro é quem faz guerra,
Adão foi feito de terra,
Não se morre duas vez;
Um reinado com dois reis
Não houve nem há de haver,
O homem não tem poder
De fazer outro feliz :
Como é que este bruto diz :
- Não sou Deus, mas posso ser ?"
PSD já nasce gordo
O PSD, partido que está sendo criado pelo prefeito Gilberto Kassab, já tem, a essa altura, o compromisso de ingresso de 50 deputados Federais. A janela aberta pelo TSE, que deu 30 dias para migração partidária, sem punição aos migrantes, consolida a gordura da sigla. Kassab espera obter as 500 mil assinaturas necessárias para a formalização do partido até o final de agosto.
O papel de Lula
Luiz Inácio está com a corda toda. Quer ir, já, já, para as ruas. Não se conforma de ser mero observador da cena política. Quer participar. Iria a Brasília esta semana, mas foi desaconse-lhado a viajar. Sua ida à capital Federal há dias não fez bem à imagem do governo Dilma. Lula pode querer ajudar, mas deve entender que a presidente precisa ganhar a confiança social. E esse desafio carece de um estilo próprio de governo. Sem tutelas que possam sugerir interfe-rências do ex-presidente na condução do país. Será que Lula concordou com a saída de Palocci?
O papel da mídia
Não adianta querer culpar a mídia pela crise. Aqui e ali aparecem maldosos comentários de que a mídia está fabricando uma crise. Que besteira. A mídia abre espaços para o que vê e apura. Quem vê a imprensa como golpista tem cegueira na cabeça.
Ser fita
"Deus me perdoe, se é pecado,
Mas eu queria ser fita
Só para andar na cintura
Duma cabocla bonita."
(Do Cancioneiro nordestino)
Cenário paulistano
Gabriel Chalita é o primeiro candidato indicado para disputar a prefeitura da maior capital do país, São Paulo. Foi recebido pelo PMDB em grande festa, semana passada, na Assembleia Paulista. Ele e Paulo Skaf, presidente da FIESP, são os nomes que abrem o processo de reno-vação do partido no maior colegiado eleitoral do país. Pesquei a informação de que o presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges D'Urso está sendo convidado pelo presidente do PTB, deputado Campos Machado, a ser o candidato do partido para a prefeitura. D'Urso tem discurso denso e poderá dar uma boa contribuição ao debate político, a partir das bandeiras da Justiça e da Cidadania, que cobrem o seu dia a dia. Fala-se, ainda, em Bruno Covas, o neto do governador Mário. Que poderia sair pelo PSDB. Todos vestindo o manto da renovação. Coisa para a democracia brasileira.
Governo é solidário
Atenção, tomadores e prestadores de serviço. O TST ratifica, em súmula, uma posição que serve para moralizar a área de prestação de serviços. Se houver inadimplência do prestador de serviços - por quaisquer motivos - o tomador governamental deverá arcar também com o ô-nus. Ou seja, acabará no colo do órgão público eventuais compromissos com os contingentes terceirizados. Essa situação é típica de serviços contratados a preços inexequíveis, baixos, co-brados por prestadores inidôneos. O alerta está dado.
Certidão negativa
Mais um alerta na área dos serviços. O Senado aprovou projeto de lei que exige das empresas que participarem de licitações públicas a apresentação de uma certidão negativa de débitos trabalhistas. O documento seria emitido on-line pela Justiça do Trabalho para comprovar a ausência de dívidas com os empregados - desde que estejam apuradas em decisões judiciais transitadas em julgado. E condiciona o recebimento de benefícios fiscais à apresentação da certidão, que teria validade de 180 dias. Projeto agora irá a plenário. Aprovado, será encami-nhado à sanção presidencial.
JK?
Anos de chumbo grosso. Tempos magros, época de fechadura braba. Falar em Juscelino era, no mínimo, pecado mortal. Mudança das placas dos carros, as chamadas alfanuméricas. A Câmara Municipal de Diamantina oficia ao Contran solicitando as letras JK para as placas dos carros do município, "como uma forma de homenagear o grande estadista John Kennedy". O Contran não atende. Um conterrâneo de Juscelino desabafa:
- Esse pessoal do Conselho deve ser republicano, eleitor do Nixon.
(Historinha de Zé Abelha)
Basta o essencial
"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, chupo displicente, mas percebendo que faltam poucas. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, co-biçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade... Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial."
(Anônimo na multidão)
Conselho à presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao ministério da Justiça. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:
1. Presidente, aproveite a saída do ministro Palocci para fazer uma reformulação profunda na área de articulação com a esfera política.
2. Faça um exame dos pontos positivos e negativos do caso Palocci, uma leitura das ameaças e oportunidades que advirão. E oriente a nova ministra Gleisi Hoffmann para abrir um novo ciclo, que deve ser inspirado em princípios de franqueza, transparência, lealdade e compromissos.
3. Converse com o ex-presidente Lula sobre as inconveniências de presença (dele) no palco da administração. Abra ampla e urgente interlocução com líderes e partidos da base.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 7 de junho de 2011
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
O vício está na origem
A decisão do procurador-Geral da República de arquivar as quatro representações da oposição contra Palocci deu uma sobrevida, talvez até uma vida longa, ao chefe da Casa Civil. Deu também o argumento que o presidente da Câmara, Marco Maia, necessitava para anular a convocação de Palocci para depor na Comissão de Agricultura sem parecer demasiado parcial. A insistência de Dilma em ficar com Palocci, apesar das pressões até de partidos aliados, tem outra razão que a simples solidariedade e o respeito à presunção de inocência do ministro : as dificuldades para encontrar alguém que o substitua com as características que foram imputadas a ele quando de sua escolha - ao mesmo tempo um eficiente gerente e um hábil articulador político. Assim, sem Palocci o governo ficaria manco, pois Dilma também tem características especiais que não a deixam ocupar os espaços que foram designados para o ministro da Casa Civil. Com Palocci baleado em campo (a confusão não vai amainar tão cedo, mesmo agora com o parecer de Roberto Gurgel) ou sem ele, no entanto, o governo continuará com problemas em seus espaços políticos, pois a confusão não nasceu com a decadência política do ministro. Está na origem do governo. O caso Palocci apenas explicitou o que já estava latente. O governo Dilma é politicamente arrevesado.
O grande equívoco
O pecado original foi a crença de Lula - depois abraçada de forma obediente pelo PT e seus aliados - de que seria possível botar na presidência da República, cargo eminentemente político, uma pessoa de perfil gerencial, sem gosto e paciência para as negociações que a política exige - as boas e, no Brasil, as más. O arranjo foi terceirizar essa função, deixando-se um pedaço dela para o ministro da Casa Civil, outro tanto para o ministro das Relações Institucionais e, ainda, algumas funções para o ministro Secretário Geral da presidência. Lula teve todo esse aparato, mas todos os seus auxiliares nesta linha eram, por assim dizer, "subintelocutores" dos políticos, dos empresários, dos sindicalistas, das ONGs. Quem fazia a interlocução real era ele mesmo, Lula, o animal político por natureza que tinha a caneta e o poder de decisão.
Linha torta
Como nem Palocci (o "primeiro ministro"), nem Luiz Sérgio e nem Gilberto Carvalho tinham força para fazer acontecer o que conversavam e acertavam, uma vez que dependiam da palavra final de Dilma, as relações políticas do governo ficaram capengas. Antes de estourar o caso Palocci, a insatisfação com o Planalto no Congresso, nos partidos aliados, já era imensa. Explodiu no episódio do Código Florestal, mas teria explodido também em outra votação na Câmara e no Senado mais tarde. Com ou sem consultorias do ministro, diga-se. É insatisfação que já atingia ministros, dirigentes de estatais e até gente de fora do governo.
Assim sendo...
Com Palocci totalmente reabilitado ou com ele fora do governo, a crise política que cerca o governo Dilma, fato negado inicialmente e agora classificado como um "problema do ministro", não vai embora. Ela fica, instalada no Planalto. O que terá de ser feito é reformular politicamente o governo, não apenas trocar de nomes. E esta reformulação implica que Dilma assuma as funções presidenciais em sua plenitude, como uma entidade política. Inclusive com paciência para a "micropolítica". Há muito urubu rondando o telhado...
Os nomes para a Casa Civil
As especulações para a substituição de Palocci, e que ainda estão no ar, gravitam em torno da ministra do Planejamento Miriam Belchior que, por sua vez, seria substituída por Paulo Bernardo no Planejamento e Graça Foster, diretora da Petrobras, um dos primeiros nomes cogitados por Dilma para o lugar, ainda na fase de formação do governo. Depois é que surgiu Palocci, indicado por Lula. O único nome que preenche o requisito político (comentado nas notas acima), no que diz respeito à articulação política do governo, é o de Paulo Bernardo. Experiente burocrata e político, Bernardo pode facilitar as articulações necessárias à retomada da normalidade do governo Dilma. Já Belchior e Foster são nomes que reforçam a visão de que o governo continuará carente na arte da política. Com o agravante de que há reservas sobre a personalidade excessivamente forte de ambas as amigas da presidente. Mas, por enquanto, a vez ainda é de Palocci.
Pagando também pelo que não deve
Palocci está hoje em desgraça com os políticos, mesmo os que ainda o defendem não querem ser vistos em sua companhia. A razão não é apenas os embaraços causados pelos até agora mal explicados negócios de consultoria empresarial. Ele já estava em desgraça antes no meio político, porque é tido como responsável pelo represamento das nomeações para o segundo escalão e das verbas das emendas do parlamentares. Neste caso, está pagando pelo que não deve. Decisões desse tipo saem de um andar superior ao de Palocci. A não ser que ele fosse poderoso o suficiente para impor essas normas à presidente. A interpretação de que era Palocci quem barrava tudo pode ser até conveniente para Dilma, pois não a indispõe diretamente com os políticos, mas ajuda a desgastar sua imagem de pessoa decidida. Já bastam as intromissões do sucessor.
A caneta é dela
As decisões de bloqueio são, sim, da presidente, que não quis se render ao jogo tradicional do escambo fisiológico da política. Quis deixar isto para os ministros "políticos". Agora, o desafio da presidente é mergulhar nessa micropolítica sem entrar no jogo bruto.
Um homem de peso
Gabinetes muito bem postados em Brasília e em SP - e bota bem postados nisso! - estão anotando ciosamente em suas cadernetas de "deveres e haveres" a agilidade política com que tem se movimentado o vice-presidente da República, Michel Temer. O prócer do PMDB é comparado, em termos de fidelidade, com o companheirão José Alencar nos tempos lulistas. Uma comparação penosa para o atual vice.
Joguinho sem erros
Pergunta um: quem quer a permanência de Palocci no governo, de preferência fragilizado? Pergunta dois: quem não quer mais Palocci no governo de modo algum, a não ser que ele seja ungido beato? Erra quem responder PT, para a primeira indagação, e PMDB, para a segunda. Hoje, quem está com o ministro e não abre é o peemedebismo (e outros aliados). Ninguém quer perder o que Garotinho ironicamente classificou como um "diamante de 20 milhões".
Experiência
Jornalista político experiente, sentado à mesa tomando chopp num tradicional bar paulistano, analisava o desempenho de Palocci na sua incursão televisiva da última sexta-feira. Depois de minuciosa observação do ministro, o jornalista lançou a conclusão: há sinais inequívocos de que Palocci falava para seus clientes e fazia um seguro para si mesmo, para Dilma e para o PT. Algo parecido com o que já fez José Dirceu.
Guido em silêncio e resguardado
O ministro da Fazenda era um dos principais membros do governo sujeitos ao monitoramento e, de vez em quando, ao fogo cruzado de Palocci. Desde a conversão do trotskismo juvenil para a ortodoxia de sua gestão na Fazenda, o venerável de Ribeirão Preto era os olhos e ouvidos dos segmentos mais conservadores do meio empresarial. Guido sabia disso e era alvo aberto da tentativa de Palocci em interferir no dia a dia da política econômica. A fragilidade de Mantega se reduziu drasticamente com os percalços de Palocci. Daqui para frente pode ter mais paz dentro do governo, mas será mais cobrado pelos críticos que se escondiam por detrás dos vidros do gabinete do ministro da Casa Civil.
BC e os juros. De novo
Em meio à crise política do governo, o Copom se reúne a partir de hoje para analisar os dados disponíveis e disparar uma decisão. É quase unânime a expectativa de que os juros básicos subam de 12% para 12,25% ao ano. Pode parecer algo cosmético, mas não devemos esquecer que as pressões em relação à autoridade monetária eram gigantescas em função da alta da inflação. Agora, por debaixo de nuvens cinzentas externas e internas, o BC deve ter mais paz para subir os juros e todos dizerem amém. Afinal, a economia continua aquecida, mesmo com sinais de desaceleração à vista.
Portugal na rota conservadora
A vitória do PSD português e seus aliados da direita levarão Portugal a caminhar para a ortodoxia econômica com mais docilidade. Para receber os quase 115 bilhões de euros de recursos para fechar as suas contas, Portugal deve se sujeitar a um crescimento de 12% para 15% no desemprego formal. Os credores podem até sorrir, mas a dúvida sobre a capacidade de Portugal em resistir a tanto sofrimento social voltará à tona. Por enquanto, há alguns felizes na terra de Fernando Pessoa. Já os infelizes são incontáveis.
Entre a reforma e a conjuntura
O BC dos EUA deve aumentar o capital mínimo para que as instituições financeiras alavanquem seus ativos, sobretudo os empréstimos. Esta é uma boa notícia no que tange à reforma do combalido sistema financeiro do país. Todavia, como nada é neutro quando o assunto é economia, esta medida adicionará dificuldades para que os indivíduos e empresas retomem sua disposição em emprestar para consumir e investir. Os últimos números de empregos e de atividade econômica dos EUA mostram que a convalescência depois da crise do final de 2008 ainda é sofrida. A retomada ainda é frágil e o mundo não está nada fácil para os americanos : a Europa está caída e, até mesmo, a China mostra sinais de esfriamento da demanda.
Ainda não se viu tudo
Está ainda para ser contada a verdadeira crônica da malfadada ressurreição da Telebrás e da pressa eleitoral do lançamento do Plano Nacional de Banda Larga. A demissão, na semana passada, para "readequação" do Plano, do primeiro presidente da nova Telebrás, Rogério Santana, é apenas o capítulo inicial. O segundo, foi também na semana passada, a decisão da Anatel, sem esperar a votação de um projeto já em tramitação no Congresso, da TV a cabo para as empresas de telecomunicações. A banda larga eleitoral de alta velocidade está com todos os prazos vencidos e os custos elevados. E o TCU já entrou no jogo constatando superfaturamento em licitação da Telebrás.
Contradição ambiental
Esqueçam-se as questões de fundo, de conteúdo, olhe-se só a questão política. Em matéria ambiental, o governo anda mergulhado em uma contradição só. Para não aceitar a proposta de Código Florestal aprovada pela Câmara, Dilma põe entre seus argumentos os estragos que ele pode causar na imagem internacional do Brasil como um país ambientalmente responsável. Mas, ao mesmo temp,o força o Ibama a apressar as licenças para a construção da Usina de Belo Monte, decisão que no mesmo dia gerou várias bordoadas no Brasil lá fora.
Eles estão salivando
Usinas hidrelétricas em correria, Copa do Mundo e Olimpíadas com lei de licitações abrandada, trem bala com "papai" BNDES de cofres abertos, pressões para o TCU ser menos exigente... Nunca antes neste país os construtores de obras públicas estiveram tão felizes... E mais felizes ainda estão os que concedem as obras e os consultores de negócios.
Neoconvertido. Mas não sabe rezar
Acompanhado de prefeitos de 47 cidades, que estiveram na capital paulista para discutir os problemas (e soluções) dos grandes aglomerados urbanos, o prefeito Gilberto Kassab virou um poço de ideias, inclusive para um dos mais graves gargalos de São Paulo - o trânsito. Logo ele, que em sua gestão (somada aos dois anos de Serra) não construiu praticamente um único quilômetro de corredores exclusivos para ônibus, solução já testada para melhorar a circulação dos veículos de transportes de massa. Um de seus grandes projetos é o de um túnel na avenida Sena Madureira, pista para veículos individuais. E a sua mais brilhante ideia agora é criar faixas exclusivas - para carros que se dispuserem a fazer o transporte solidário. Levaram Kassab à missa do transporte público. Mas não lhe ensinaram direito a rezar.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
A decisão do procurador-Geral da República de arquivar as quatro representações da oposição contra Palocci deu uma sobrevida, talvez até uma vida longa, ao chefe da Casa Civil. Deu também o argumento que o presidente da Câmara, Marco Maia, necessitava para anular a convocação de Palocci para depor na Comissão de Agricultura sem parecer demasiado parcial. A insistência de Dilma em ficar com Palocci, apesar das pressões até de partidos aliados, tem outra razão que a simples solidariedade e o respeito à presunção de inocência do ministro : as dificuldades para encontrar alguém que o substitua com as características que foram imputadas a ele quando de sua escolha - ao mesmo tempo um eficiente gerente e um hábil articulador político. Assim, sem Palocci o governo ficaria manco, pois Dilma também tem características especiais que não a deixam ocupar os espaços que foram designados para o ministro da Casa Civil. Com Palocci baleado em campo (a confusão não vai amainar tão cedo, mesmo agora com o parecer de Roberto Gurgel) ou sem ele, no entanto, o governo continuará com problemas em seus espaços políticos, pois a confusão não nasceu com a decadência política do ministro. Está na origem do governo. O caso Palocci apenas explicitou o que já estava latente. O governo Dilma é politicamente arrevesado.
O grande equívoco
O pecado original foi a crença de Lula - depois abraçada de forma obediente pelo PT e seus aliados - de que seria possível botar na presidência da República, cargo eminentemente político, uma pessoa de perfil gerencial, sem gosto e paciência para as negociações que a política exige - as boas e, no Brasil, as más. O arranjo foi terceirizar essa função, deixando-se um pedaço dela para o ministro da Casa Civil, outro tanto para o ministro das Relações Institucionais e, ainda, algumas funções para o ministro Secretário Geral da presidência. Lula teve todo esse aparato, mas todos os seus auxiliares nesta linha eram, por assim dizer, "subintelocutores" dos políticos, dos empresários, dos sindicalistas, das ONGs. Quem fazia a interlocução real era ele mesmo, Lula, o animal político por natureza que tinha a caneta e o poder de decisão.
Linha torta
Como nem Palocci (o "primeiro ministro"), nem Luiz Sérgio e nem Gilberto Carvalho tinham força para fazer acontecer o que conversavam e acertavam, uma vez que dependiam da palavra final de Dilma, as relações políticas do governo ficaram capengas. Antes de estourar o caso Palocci, a insatisfação com o Planalto no Congresso, nos partidos aliados, já era imensa. Explodiu no episódio do Código Florestal, mas teria explodido também em outra votação na Câmara e no Senado mais tarde. Com ou sem consultorias do ministro, diga-se. É insatisfação que já atingia ministros, dirigentes de estatais e até gente de fora do governo.
Assim sendo...
Com Palocci totalmente reabilitado ou com ele fora do governo, a crise política que cerca o governo Dilma, fato negado inicialmente e agora classificado como um "problema do ministro", não vai embora. Ela fica, instalada no Planalto. O que terá de ser feito é reformular politicamente o governo, não apenas trocar de nomes. E esta reformulação implica que Dilma assuma as funções presidenciais em sua plenitude, como uma entidade política. Inclusive com paciência para a "micropolítica". Há muito urubu rondando o telhado...
Os nomes para a Casa Civil
As especulações para a substituição de Palocci, e que ainda estão no ar, gravitam em torno da ministra do Planejamento Miriam Belchior que, por sua vez, seria substituída por Paulo Bernardo no Planejamento e Graça Foster, diretora da Petrobras, um dos primeiros nomes cogitados por Dilma para o lugar, ainda na fase de formação do governo. Depois é que surgiu Palocci, indicado por Lula. O único nome que preenche o requisito político (comentado nas notas acima), no que diz respeito à articulação política do governo, é o de Paulo Bernardo. Experiente burocrata e político, Bernardo pode facilitar as articulações necessárias à retomada da normalidade do governo Dilma. Já Belchior e Foster são nomes que reforçam a visão de que o governo continuará carente na arte da política. Com o agravante de que há reservas sobre a personalidade excessivamente forte de ambas as amigas da presidente. Mas, por enquanto, a vez ainda é de Palocci.
Pagando também pelo que não deve
Palocci está hoje em desgraça com os políticos, mesmo os que ainda o defendem não querem ser vistos em sua companhia. A razão não é apenas os embaraços causados pelos até agora mal explicados negócios de consultoria empresarial. Ele já estava em desgraça antes no meio político, porque é tido como responsável pelo represamento das nomeações para o segundo escalão e das verbas das emendas do parlamentares. Neste caso, está pagando pelo que não deve. Decisões desse tipo saem de um andar superior ao de Palocci. A não ser que ele fosse poderoso o suficiente para impor essas normas à presidente. A interpretação de que era Palocci quem barrava tudo pode ser até conveniente para Dilma, pois não a indispõe diretamente com os políticos, mas ajuda a desgastar sua imagem de pessoa decidida. Já bastam as intromissões do sucessor.
A caneta é dela
As decisões de bloqueio são, sim, da presidente, que não quis se render ao jogo tradicional do escambo fisiológico da política. Quis deixar isto para os ministros "políticos". Agora, o desafio da presidente é mergulhar nessa micropolítica sem entrar no jogo bruto.
Um homem de peso
Gabinetes muito bem postados em Brasília e em SP - e bota bem postados nisso! - estão anotando ciosamente em suas cadernetas de "deveres e haveres" a agilidade política com que tem se movimentado o vice-presidente da República, Michel Temer. O prócer do PMDB é comparado, em termos de fidelidade, com o companheirão José Alencar nos tempos lulistas. Uma comparação penosa para o atual vice.
Joguinho sem erros
Pergunta um: quem quer a permanência de Palocci no governo, de preferência fragilizado? Pergunta dois: quem não quer mais Palocci no governo de modo algum, a não ser que ele seja ungido beato? Erra quem responder PT, para a primeira indagação, e PMDB, para a segunda. Hoje, quem está com o ministro e não abre é o peemedebismo (e outros aliados). Ninguém quer perder o que Garotinho ironicamente classificou como um "diamante de 20 milhões".
Experiência
Jornalista político experiente, sentado à mesa tomando chopp num tradicional bar paulistano, analisava o desempenho de Palocci na sua incursão televisiva da última sexta-feira. Depois de minuciosa observação do ministro, o jornalista lançou a conclusão: há sinais inequívocos de que Palocci falava para seus clientes e fazia um seguro para si mesmo, para Dilma e para o PT. Algo parecido com o que já fez José Dirceu.
Guido em silêncio e resguardado
O ministro da Fazenda era um dos principais membros do governo sujeitos ao monitoramento e, de vez em quando, ao fogo cruzado de Palocci. Desde a conversão do trotskismo juvenil para a ortodoxia de sua gestão na Fazenda, o venerável de Ribeirão Preto era os olhos e ouvidos dos segmentos mais conservadores do meio empresarial. Guido sabia disso e era alvo aberto da tentativa de Palocci em interferir no dia a dia da política econômica. A fragilidade de Mantega se reduziu drasticamente com os percalços de Palocci. Daqui para frente pode ter mais paz dentro do governo, mas será mais cobrado pelos críticos que se escondiam por detrás dos vidros do gabinete do ministro da Casa Civil.
BC e os juros. De novo
Em meio à crise política do governo, o Copom se reúne a partir de hoje para analisar os dados disponíveis e disparar uma decisão. É quase unânime a expectativa de que os juros básicos subam de 12% para 12,25% ao ano. Pode parecer algo cosmético, mas não devemos esquecer que as pressões em relação à autoridade monetária eram gigantescas em função da alta da inflação. Agora, por debaixo de nuvens cinzentas externas e internas, o BC deve ter mais paz para subir os juros e todos dizerem amém. Afinal, a economia continua aquecida, mesmo com sinais de desaceleração à vista.
Portugal na rota conservadora
A vitória do PSD português e seus aliados da direita levarão Portugal a caminhar para a ortodoxia econômica com mais docilidade. Para receber os quase 115 bilhões de euros de recursos para fechar as suas contas, Portugal deve se sujeitar a um crescimento de 12% para 15% no desemprego formal. Os credores podem até sorrir, mas a dúvida sobre a capacidade de Portugal em resistir a tanto sofrimento social voltará à tona. Por enquanto, há alguns felizes na terra de Fernando Pessoa. Já os infelizes são incontáveis.
Entre a reforma e a conjuntura
O BC dos EUA deve aumentar o capital mínimo para que as instituições financeiras alavanquem seus ativos, sobretudo os empréstimos. Esta é uma boa notícia no que tange à reforma do combalido sistema financeiro do país. Todavia, como nada é neutro quando o assunto é economia, esta medida adicionará dificuldades para que os indivíduos e empresas retomem sua disposição em emprestar para consumir e investir. Os últimos números de empregos e de atividade econômica dos EUA mostram que a convalescência depois da crise do final de 2008 ainda é sofrida. A retomada ainda é frágil e o mundo não está nada fácil para os americanos : a Europa está caída e, até mesmo, a China mostra sinais de esfriamento da demanda.
Ainda não se viu tudo
Está ainda para ser contada a verdadeira crônica da malfadada ressurreição da Telebrás e da pressa eleitoral do lançamento do Plano Nacional de Banda Larga. A demissão, na semana passada, para "readequação" do Plano, do primeiro presidente da nova Telebrás, Rogério Santana, é apenas o capítulo inicial. O segundo, foi também na semana passada, a decisão da Anatel, sem esperar a votação de um projeto já em tramitação no Congresso, da TV a cabo para as empresas de telecomunicações. A banda larga eleitoral de alta velocidade está com todos os prazos vencidos e os custos elevados. E o TCU já entrou no jogo constatando superfaturamento em licitação da Telebrás.
Contradição ambiental
Esqueçam-se as questões de fundo, de conteúdo, olhe-se só a questão política. Em matéria ambiental, o governo anda mergulhado em uma contradição só. Para não aceitar a proposta de Código Florestal aprovada pela Câmara, Dilma põe entre seus argumentos os estragos que ele pode causar na imagem internacional do Brasil como um país ambientalmente responsável. Mas, ao mesmo temp,o força o Ibama a apressar as licenças para a construção da Usina de Belo Monte, decisão que no mesmo dia gerou várias bordoadas no Brasil lá fora.
Eles estão salivando
Usinas hidrelétricas em correria, Copa do Mundo e Olimpíadas com lei de licitações abrandada, trem bala com "papai" BNDES de cofres abertos, pressões para o TCU ser menos exigente... Nunca antes neste país os construtores de obras públicas estiveram tão felizes... E mais felizes ainda estão os que concedem as obras e os consultores de negócios.
Neoconvertido. Mas não sabe rezar
Acompanhado de prefeitos de 47 cidades, que estiveram na capital paulista para discutir os problemas (e soluções) dos grandes aglomerados urbanos, o prefeito Gilberto Kassab virou um poço de ideias, inclusive para um dos mais graves gargalos de São Paulo - o trânsito. Logo ele, que em sua gestão (somada aos dois anos de Serra) não construiu praticamente um único quilômetro de corredores exclusivos para ônibus, solução já testada para melhorar a circulação dos veículos de transportes de massa. Um de seus grandes projetos é o de um túnel na avenida Sena Madureira, pista para veículos individuais. E a sua mais brilhante ideia agora é criar faixas exclusivas - para carros que se dispuserem a fazer o transporte solidário. Levaram Kassab à missa do transporte público. Mas não lhe ensinaram direito a rezar.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
segunda-feira, 6 de junho de 2011
NOVOS DESAFIOS

Passados os momentos de euforia por havermos ingressado no clube dos que tomam decisões no mundo (e não nos esqueçamos de que o G-20 começou como encontro entre ministros da Fazenda quando Pedro Malan ainda exercia a função), começam as dores de cabeça e as indefinições criadas pela nova situação. Se a estas juntarmos as advindas da política doméstica, não são poucos os enigmas e incertezas que temos pela frente.
O mundo está se reordenando. A liderança norte-americana, com Barack Obama, evita a arrogância e começa a aceitar novas parcerias. Ainda agora, ao proclamar que a melhora de posição dos Brics e dos demais países emergentes não põe a perigo a predominância anglo-saxã, não disse isso como ameaça, mas como conselho aos seus: não temam o que está surgindo porque surgirá de qualquer modo e é melhor ter aliados do que inventar inimigos. Diante dos novos atores políticos no Norte da África e no Oriente Médio, a atitude americana está sendo marcada por um encorajamento democrático discreto como há tempos não víamos. É cedo para saber até onde irá esse bafejo de idealismo pragmático e também para ver até que ponto evoluirá a situação dos países recém-ansiosos por liberalização.
De qualquer modo, a situação internacional é distinta daquela aterradora da era Bush. O que não quer dizer que o futuro será melhor. Depende de muita coisa. De os Estados Unidos superarem a crise financeira, pois o desemprego continua enorme e o gasto público, descontrolado. De a Europa mostrar ser capaz de suportar as agruras de uma austeridade "germânica" sem romper a coesão social produzida pelo modelo democrático e próspero sonhado pela União Europeia. De a China continuar a crescer e dar pitadas de bem-estar ao povo. Mesmo que tudo isso se realize da melhor maneira, sobram dúvidas.
Que farão EUA e China, gigantes em comparação com as demais economias e Estados em expansão, jogarão como um duo gestor do mundo? Haverá um G-2 com suas economias complementares impondo seus interesses ao conjunto do planeta? Ou, então, EUA e Europa imporão seu predomínio, como tentam fazer agora na sucessão do FMI? E nós nisso tudo?
As incertezas pesam e tornam necessárias estratégias de convergência doméstica e lucidez para organizar alianças internacionais. Dado o caráter dos interesses globais, que ora unem, ora repelem alianças entre os Três Grandes, o necessário é que participemos da grande cena mundial sem ilusões ideológicas e com muita coesão interna. Para tanto precisamos de uma estratégia consensual e de determinação política. Estratégia consensual não é um "projeto nacional", expressão que, em geral, significa o Estado conduzindo o povo para objetivos definidos por um partido ou um grupo de ideólogos. Não é disso que precisamos, mas de um consenso enraizado na sociedade sobre questões decisivas, sem supor adesão a governos nem oposições aquietadas.
Com a globalização os condicionantes geográficos não nos limitam, como no passado. Não há por que nos cingirmos ao "Ocidente", ao Hemisfério ou mesmo à América do Sul. Mas temos outros condicionantes. A demografia impõe-nos desafios, com o crescimento da população adulta e idosa. Há que criar empregos de qualidade para sustentar tal tipo de população. É certo também que aprendemos a amar a liberdade e a desejar uma sociedade com crescente participação de todos no bem-estar e nas decisões. Por fim, os imperativos de preservação do meio ambiente e da criação de uma economia baseada em energias de baixo consumo de carbono são onipresentes.
Não adianta sonhar com o "estilo chinês" de crescimento, pois o afã de liberdade e consumo impede tal proeza. Nem imaginar que a expansão econômica baseada na exportação de minérios e produtos alimentícios gerará, por si só, a quantidade e a qualidade de valor agregado necessário para distribuir melhor o bolo, que é o que queremos. Tampouco faz sentido limitarmos nossas alianças a este ou àquele parceiro: elas deverão ser com quem nos ofereça vantagens de conhecimento (tecnológico, científico, organizacional) que permitam nos apropriarmos do que de melhor há no mundo. É imperativo inovar, não abrir mão da indústria e oferecer serviços em quantidade e qualidade em saúde, educação, transportes, finanças, etc. Aproveitar, mas ir além do que as commodities nos permitem alcançar. Nosso caminho será o da democracia. Ela não é um obstáculo. É parte inseparável do desenvolvimento, como valor e como "método". Por isso é preciso aumentar a transparência das decisões e debater com o País os passos decisivos para o futuro.
É ai que pecamos. Desde o governo Lula, a modo do autoritarismo militar, as decisões fundamentais são tomadas sem debate pelo Congresso e pelo País (mudança da Lei do Petróleo, decisões na política energética, especialmente na nuclear, reaparelhamento militar, não decisões sobre a infraestrutura por medo das privatizações, ou pior, decisões com abuso de subsídios, como no caso do trem).
Quando o governo da presidente Dilma parecia dar passos certos para ajustar a política internacional e começava a permitir que o debate sobre as grandes questões nacionais se deslocasse do plano miúdo das divergências eleitorais, vem de novo "seu mestre" (que prometera ficar calado como ex-presidente) e joga em solo corriqueiro as questões políticas. Em vez de se preocupar com a veracidade do que transpareceu, acusa irresponsavelmente o PSDB pelo vazamento de informações relativas à evolução patrimonial do principal ministro do governo. E passa a operar a disputa por cargos e troca de votos no Congresso, ofuscando sua sucessora. Em vez de um passo à frente, mais um passo atrás no amadurecimento da sociedade e da política, que volta a se apequenar no jogo rasteiro de chantagens e pressões. No lugar de o líder sustentar valores, temos o retorno da metamorfose ambulante operando com o costumeiro desdém aos princípios.
Assim será difícil uma nação com tantas virtudes alcançar a maturidade que as condições materiais começam a tornar possível. É preciso ter lideranças à altura se quisermos jogar na grande cena mundial. Presidente Dilma: não desperdice sua chance!
(Fernando Henrique Cardoso)
EVANGELHO DE HOJE (João 16,29-33)
Naquele tempo, os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. Jesus respondeu: “Credes agora? Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”
domingo, 5 de junho de 2011
DIA MUNDIAL DA ECOLOGIA E DO MEIO AMBIENTE
Caro Júnior Bonfim,
Eu não sabia que hoje é Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente.
Ao acessar seu instrutivo e bem elaborado Blog, hoje pela manhã (5.6.2011), vi sua informação sobre este importante dia e a assisti ao vídeo produzido por Pedro Caetano Wellington Bernardes, dirigido à Greenpeace, a respeito da Mãe Natureza.
Muito bom. Parabéns.
O interessante é que remeti, hoje, uma mensagem para o celular de dois amigos, antes de abrir o computador, tratando do mesmo assunto.
Transcrevo-a:
"Quando a última árvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come." (Greenpeace).
Saúde e Paz.
Boaventura Bonfim.
Eu não sabia que hoje é Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente.
Ao acessar seu instrutivo e bem elaborado Blog, hoje pela manhã (5.6.2011), vi sua informação sobre este importante dia e a assisti ao vídeo produzido por Pedro Caetano Wellington Bernardes, dirigido à Greenpeace, a respeito da Mãe Natureza.
Muito bom. Parabéns.
O interessante é que remeti, hoje, uma mensagem para o celular de dois amigos, antes de abrir o computador, tratando do mesmo assunto.
Transcrevo-a:
"Quando a última árvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come." (Greenpeace).
Saúde e Paz.
Boaventura Bonfim.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
JADER BARBALHO DEVE CONTINUAR INELEGÍVEL
Jader Barbalho deve continuar inelegível. Foi negado o pedido apresentado por ele ao ministro Joaquim Barbosa para que ele exercesse o juízo de retratação sobre a decisão do Plenário que aplicou a Lei da Ficha Limpa a seu caso. A decisão é do ministro Joaquim Barbosa.
No julgamento desse RE pelo Plenário, em outubro do ano passado, a maioria dos ministros do Supremo entenderam que Jader Barbalho estava inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Posteriormente, ao julgar o Recurso Extraordinário 633703, o Plenário concluiu o julgamento sobre a aplicação da lei e entendeu que as previsões de inelegibilidade nela contidas não poderiam ser aplicadas para as eleições de 2010, sendo válidas apenas a partir das eleições de 2012.
A partir desse novo entendimento, Jader Barbalho recorreu ao ministro Joaquim Barbosa para que, em decisão monocrática, o relator se retratasse quanto à decisão do Plenário para, então, determinar que a Lei da Ficha Limpa não se aplicaria ao seu caso.
A defesa de Barbalho citou o Código de Processo Civil (artigo 543-B, parágrafo 3º) e afirmou que “o relator está autorizado a proceder ao juízo de retratação por se tratar de recurso que versa sobre a mesma questão já decidida em Plenário”.
Acrescentou, ainda, que a demora no juízo de retratação causa dano ao seu mandato de senador da República, pois fica inviabilizado de exercê-lo.
Para o ministro Joaquim Barbosa, no entanto, o pedido não tem amparo legal, pois o artigo 543-B, parágrafo 3º, do Código de Processo Civil, não se aplica ao caso. Isso porque esse dispositivo diz que o juízo de retratação pode ocorrer nos casos sobrestados [que aguardam julgamento] quando o mérito do Recurso Extraordinário já tiver sido julgado.
O ministro explicou, em sua decisão, que o recurso em questão não está sobrestado, pois já houve efetivo e integral julgamento do mérito do recurso pelo Plenário do Supremo. Dessa forma, o dispositivo do Código de Processo Civil não pode ser aplicado porque o sobrestamento é condição necessária para o juízo de retratação.
Joaquim Barbosa destacou, ainda, que o acórdão do julgamento do RE 631.102 foi encaminhado por ele no dia 12 de abril de 2011 para a Seção de Acórdãos do STF e está pendente de publicação.
“Como se pode observar, no presente caso, existe um acórdão de decisão proferida pelo Plenário desta Corte pendente de publicação. Porém, antes da publicação desse acórdão, o ora recorrente pretende que o relator, monocraticamente, exerça um juízo de retratação e reforme a decisão proferida pelo colegiado maior do Tribunal”, frisou o ministro ao lembrar que “não existe previsão legal para juízo de retratação, pelo relator, de decisão proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal". Assim, o ministro Joaquim Barbosa negou o pedido e afirmou que tão logo o acórdão seja publicado, Jader Barbalho deve “valer-se dos meios de insurgência previstos no ordenamento jurídico brasileiro” para que o “próprio colegiado seja chamado a reapreciar a questão e decidir como entender de direito”.
(Com informações da Assessoria de Imprensa do STF).
No julgamento desse RE pelo Plenário, em outubro do ano passado, a maioria dos ministros do Supremo entenderam que Jader Barbalho estava inelegível com base na Lei da Ficha Limpa. Posteriormente, ao julgar o Recurso Extraordinário 633703, o Plenário concluiu o julgamento sobre a aplicação da lei e entendeu que as previsões de inelegibilidade nela contidas não poderiam ser aplicadas para as eleições de 2010, sendo válidas apenas a partir das eleições de 2012.
A partir desse novo entendimento, Jader Barbalho recorreu ao ministro Joaquim Barbosa para que, em decisão monocrática, o relator se retratasse quanto à decisão do Plenário para, então, determinar que a Lei da Ficha Limpa não se aplicaria ao seu caso.
A defesa de Barbalho citou o Código de Processo Civil (artigo 543-B, parágrafo 3º) e afirmou que “o relator está autorizado a proceder ao juízo de retratação por se tratar de recurso que versa sobre a mesma questão já decidida em Plenário”.
Acrescentou, ainda, que a demora no juízo de retratação causa dano ao seu mandato de senador da República, pois fica inviabilizado de exercê-lo.
Para o ministro Joaquim Barbosa, no entanto, o pedido não tem amparo legal, pois o artigo 543-B, parágrafo 3º, do Código de Processo Civil, não se aplica ao caso. Isso porque esse dispositivo diz que o juízo de retratação pode ocorrer nos casos sobrestados [que aguardam julgamento] quando o mérito do Recurso Extraordinário já tiver sido julgado.
O ministro explicou, em sua decisão, que o recurso em questão não está sobrestado, pois já houve efetivo e integral julgamento do mérito do recurso pelo Plenário do Supremo. Dessa forma, o dispositivo do Código de Processo Civil não pode ser aplicado porque o sobrestamento é condição necessária para o juízo de retratação.
Joaquim Barbosa destacou, ainda, que o acórdão do julgamento do RE 631.102 foi encaminhado por ele no dia 12 de abril de 2011 para a Seção de Acórdãos do STF e está pendente de publicação.
“Como se pode observar, no presente caso, existe um acórdão de decisão proferida pelo Plenário desta Corte pendente de publicação. Porém, antes da publicação desse acórdão, o ora recorrente pretende que o relator, monocraticamente, exerça um juízo de retratação e reforme a decisão proferida pelo colegiado maior do Tribunal”, frisou o ministro ao lembrar que “não existe previsão legal para juízo de retratação, pelo relator, de decisão proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal". Assim, o ministro Joaquim Barbosa negou o pedido e afirmou que tão logo o acórdão seja publicado, Jader Barbalho deve “valer-se dos meios de insurgência previstos no ordenamento jurídico brasileiro” para que o “próprio colegiado seja chamado a reapreciar a questão e decidir como entender de direito”.
(Com informações da Assessoria de Imprensa do STF).
quarta-feira, 1 de junho de 2011
CONJUNTURA NACIONAL
As galochas, padre, as galochas!
Um padre da paróquia de Caratinga procurou, um dia, o renomado médico, Dr. Edmundo Lima. Queixava-se de um prosaico, mas renitente resfriado. O médico constatou, de pronto, não se tratar de resfriado. A coriza não era nasal. O padre insistiu alegando haver pisado no chão do banheiro com os pés descalços. O doutor Edmundo, experiente, já havia feito o diagnóstico: uma baita blenorragia. O médico sentiu o drama do sacerdote. Receitou os remédios da época para curar blenorragia, com um conselho:
- Olha, padre, quando o senhor for tomar banho não se esqueça de usar galochas. Elas são de borracha, garantidas, e não deixam passar a friagem que provoca essa coriza que lhe está atormentando. Padre, as galochas, viu?
- Ah! Já ia me esquecendo: é bom que o senhor bispo não fique sabendo desse resfriado. Padre, todo cuidado é pouco!
A historinha é do mineiro Zé Abelha.
Tucanos arrumam a casa
Depois da tempestade, a bonança. O PSDB começa a arrumar a casa. A arquitetura de arrumação adota desenhos internos e externos. Os internos implicaram em fortalecimento do Conselho Político para acomodar em seu comando o ex-governador José Serra. Serra, como lembra o líder Duarte Nogueira à Coluna, sempre quis dirigir o Conselho. Fora convidado lá atrás por Fernando Henrique. Mas o órgão passou uns tempos sem prestígio e sem escopo. Agora, recauchutado, tem poderes para aprovar o Programa de Ação do partido, as parcerias e coligações, fusões partidárias, etc.. O Conselho passa a ser peça fundamental para traçar os rumos tucanos. Apesar de Serra ter em mãos a entidade com poder deliberativo, o senador Aécio Neves, essa é a impressão geral, saiu muito abastecido da Convenção. Seu grupo dará as cartas.
Acomodação
Fernando Henrique teve papel importante na composição de interesses em jogo. Ajudou a redigir as normas do novo Conselho Político. O partido sai assim bem composto da Convenção ocorrida semana passada. Quem me diz isso é o bem articulado líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, cuja boa atuação na arrumação das peças merece destaque. A reunião de consenso se deu em seu apartamento. O desenho interno, porém, foi reforçado com as tintas do desenho externo, que mostrou um cenário borrado e confuso provocado pelo affaire Palocci. O chefe da Casa Civil do governo Dilma, pivô de mais um episódio impactante, ajuda as oposições a manterem a ordem unida.
Ser ou não ser?
Dilema de José Serra nos horizontes que se avizinham: ser ou não ser candidato à prefeitura de São Paulo ?
Estar e ser governo
O líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Henrique Alves, faz questão de lembrar que há uma diferença entre estar e ser governo. Estar no governo é ter presença, eventual e até temporária, nas frentes administrativas do Poder Executivo. No governo Lula, por exemplo, a participação do PMDB era a de um aliado circunstancial. Podendo, a qualquer hora, ser alijado da administração. Ser governo pressupõe outras condições. O partido, aliado de primeira hora, fez aliança para ser votado. Integra o núcleo central do governo, a partir da vice-presidência da República. Ou seja, o partido também ganhou respaldo das urnas para chegar ao centro do poder. Nessa situação, não pode e não deve receber tratamento secundário, inferior. Essa é a diferença que provoca tensões e arrepios constantes entre PMDB e PT.
PT e os outros
As tensões que, eventualmente, atingem os partidos da base governista têm como origem o próprio PT. Que continua a se considerar um ente exclusivista. Ele é o melhor e os outros devem ser meros coadjuvantes. É assim que pensa ponderável parcela do partido, que ainda luta para dominar todos os espaços da administração, excluindo os demais parceiros. Há uma parcela do PT que pensa e age de maneira cordial, franca, aberta, sem restrições aos outros partidos. Abriga perfis como o líder Cândido Vaccarezza ou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. São pessoas boas de trato e que entendem o ciclo por que passa o país. Mas forte parcela do partido pensa assim: primeiro, eu; segundo, eu; e terceiro, eu.
Violência em expansão
Este consultor observa com olhos de preocupação. Expande-se a violência no perímetro da capital Federal, entrando pelos interiores de Goiás. O que será? Área praticamente carimbada pelo funcionalismo público. Região que atrai migrantes de outros espaços nacionais. O que poderia dar margem a uma classe média forte, cercada por contingentes de miseráveis. Que contemplam a cena e partem para ter acesso, na marra, ao pão sobre a mesa. Quais seriam os motivos mais palpáveis?
Fica ou não?
Palocci fica ou não no governo? Fica. Nesse caso, terá o respaldo dos órgãos de controle: Comissão de Ética Pública, Advocacia Geral da União e Procuradoria Geral da República. Não fica. Nesse caso, haverá suspeição e a PGR abrirá investigação. Essas são as duas alternativas que hoje se impõem. Palocci depende de Palocci. Ou seja, tudo vai depender da PGR.
Ophir pede saída
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, lidera a mobilização pela saída do ministro Palocci.
PSDB e PSB
Em Pernambuco, vislumbra-se uma parceria entre tucanos e socialistas. O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, divisa possibilidades nessa direção. Os partidos têm parentesco. Indagado sobre essa chance, o presidente do PSB, governador Eduardo Campos, responde com mistério: "essa é uma questão difícil de responder". Na verdade, o governador de Pernambuco quer abrir fronteiras. Acha que seu ciclo pernambucano está se esgotando. Precisa de voos mais altos. Conversa também com o PMDB. Em resumo: as possibilidades de uma candidatura reunindo partidos da base aliada do governo começam a ser debatidas. Claro, no caso de inviabilidade da atual aliança governista. Por conta da ambição desmesurada do PT.
Tucanos e peemedebistas na terceirização
O líder Duarte Nogueira, do PSDB, diz à Coluna que indicou os tucanos Alfredo Kaefer, do PR, Andreia Zito, do Rio de Janeiro, e Jutahy Júnior, da Bahia, para comporem a Comissão de Terceirização, nomeada pelo presidente Marco Maia. Já o líder Henrique Alves, do PMDB, informa ao colunista que indicou para a mesma Comissão os nomes de Adrian Mussi Ramos, do RJ, Darcísio Perondi, do RS, Édio Lopes, de RR e José Priante, do PA. Paulinho, da Força Sindical, que também integra a Comissão, confessa ter boas expectativas sobre a busca de consenso.
Renegociação ou locupletação?
Existem gestores públicos entusiasmados por renegociarem contratos por preços menores que os celebrados originariamente. Empresas terceirizadas, no sufoco, ou como se diz na gíria comercial, "pedalando", acabam por conceder descontos impossíveis. Ao invés de comemorar este tipo de "redução de despesas", o gestor deveria se preocupar. Quem vai pagar a conta trabalhista e social quando essas empresas quebrarem? Com certeza não será o gestor? E se fosse? Será que haveria tanta negociação sem nenhum critério técnico?
Abaixo do custo?
Serviços como os de logística, controle de acesso, de limpeza e segurança são como "commodities", ou seja, têm piso salarial, encargos trabalhistas, tributários e fiscais iguais aos de todas as empresas. Considerados estes fatores teríamos, por analogia, o chamado "preço de custo" do serviço. Somados a este preço existem, ainda, o custo da administração e o lucro. Como pode o administrador público contratar serviços por preços que sequer cobrem o custo? Coisas do arco da velha!
Moreira Franco
Quem quiser ouvir um dos mais argutos relatos sobre o ciclo político que estamos vivendo basta ouvir por alguns minutos a verve do ministro Moreira Franco. Que sabe resumir, como ninguém, o estado civilizatório de nossa política.
Abremar abrindo mares
A Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar) comemora o sucesso dos dois maiores eventos do turismo marítimo: Seatrade South America e Cruise Day 2011, realizados nos dias 30 e 31 de maio em São Paulo. Ao evento, com a participação de agências governamentais, operadores de terminais públicos e privados, autoridades portuárias, agentes de viagem, compareceram os CEOs das maiores companhias de cruzeiros do mundo: Pierfrancesco Vago, da MSC Cruzeiros, Adam Goldstein, da Royal Caribbean e Gianni Onorato, da Costa Cruzeiros. O ministro do turismo, Pedro Novais, compareceu ao jantar de confraternização, oportunidade em que, dando as boas-vindas aos visitantes, garantiu, com bom humor, que o Brasil sempre acolherá bem os navios, eis que foi a bordo deles que os nossos colonizadores aportaram ao país.
Economia dos cruzeiros
A Temporada 2010/2011 de cruzeiros marítimos chegou ao fim, neste mês de maio, exibindo um saldo altamente positivo para a economia: quase 800 mil turistas transportados pelos navios, acréscimo de 10% sobre a temporada passada, e uma conta de R$ 1,3 bilhão entre gastos de armadoras e cruzeiristas nos destinos por onde passaram. Foi o que apurou pesquisa realizada pela FGV, apresentada pela Abremar por ocasião dos eventos do turismo marítimo. Em 5 cidades-destino, os cruzeiros deixaram nas economias locais R$ 332,7 milhões.
FHC e a descriminalização
Fernando Henrique atua firme nas frentes de defesa da descriminalização das drogas. Pede que o Brasil abra urgente um debate sobre a descriminalização da maconha. Que acha medida importante para enfrentar a guerra contra as drogas.
R$ 1,85 trilhão
Em uma década, a carga tributária captou R$ 1,85 trilhão da sociedade. Cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.
Serys suspensa
Por infidelidade partidária, a ex-senadora petista Serys Slhessarenko, do Mato Grosso, foi suspensa pelo PT. Não apoiou o candidato do partido ao senado, na última eleição, o ex-deputado Carlos Abicalil, seu inimigo. Alega que não teve direito à defesa. PT tem seus critérios.
Substitutos de Palocci
Há três nomes que podem substituir Antonio Palocci, caso venha a sair do governo: Fernando Pimentel (atual ministro do Desenvolvimento), Paulo Bernardo (ministro das Comunicações) e Alexandre Padilha (ministro da Saúde). Pesa sobre Padilha a querela que tem com o PMDB. Anda fechando as portas para esse partido.
ISO para a contabilidade
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP) realizou, dia 12 de maio, a cerimônia de certificação das 349 organizações aprovadas no Programa de Qualidade de Empresas Contábeis (PQEC 2011). Destas, 28 empresas receberam o selo ISO 9001 : 2008, inédito para a categoria. Pela primeira vez, empresas de contabilidade recebem a certificação máxima da qualidade. José Chapina Alcazar, presidente do Sescon/SP e líder da categoria, entroniza mais um troféu em sua larga galeria. De acordo com o presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Juarez Domingues Carneiro, "o evento já faz parte do calendário anual da classe contábil". Mais de 4 mil convidados estiveram presentes.
O mel de Frei Damião
Fausto Campos sempre passava pela BR-232, entre Serra Talhada e Custódia, em Pernambuco. Na beira da estrada, vendedores ofereciam o melhor mel do mundo, o mais puro. Um dia, resolveu levar uma garrafa. Perguntou: "o mel é puro"? O vendedor : "o mais puro do mundo". Fausto arrematou: "pois vou levar esse mel para o Frei Damião". O vendedor apressou-se a esclarecer: "doutor, é melhor não levar esse pote. Quem tirou esse mel foi meu irmão e ele gosta de juntar um pouco d'água no mel para render mais. Desculpe. Na próxima vez, o senhor vai levar um mel 100% puro. Agora, só se o senhor quiser levar esse pro senhor. Mas pro Frei Damião, de jeito nenhum". Historinha enviada por Delmiro Campos, filho de Fausto.
Conselho ao Ministério da Justiça
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao ministro Antonio Palocci. Hoje, sua atenção se volta ao Ministério da Justiça:
1. Cresce a violência no faroeste brasileiro, a vasta região amazônica, onde assassinatos de ambientalistas e agricultores têm se expandido. As mortes de José Claudio Ribeiro da Silva e de Maria do Espírito Santo foram mais um sinal de que a bandidagem atua sem medo e de maneira covarde.
2. Urge manter um sistema de mutirão na região norte para desarmar bandos e cercar os feudos criminosos que atuam na região.
3. A cada assassinato, a imagem do Brasil ganha tinturas de desrespeito e irresponsabilidade na paisagem dos Direitos Humanos. Polícia Federal, MP e outros órgãos deveriam formar uma urgente rede de proteção aos cidadãos ameaçados de morte. E identificar e prender os mandantes dos crimes.
(Gaudêncio Torquato)
Um padre da paróquia de Caratinga procurou, um dia, o renomado médico, Dr. Edmundo Lima. Queixava-se de um prosaico, mas renitente resfriado. O médico constatou, de pronto, não se tratar de resfriado. A coriza não era nasal. O padre insistiu alegando haver pisado no chão do banheiro com os pés descalços. O doutor Edmundo, experiente, já havia feito o diagnóstico: uma baita blenorragia. O médico sentiu o drama do sacerdote. Receitou os remédios da época para curar blenorragia, com um conselho:
- Olha, padre, quando o senhor for tomar banho não se esqueça de usar galochas. Elas são de borracha, garantidas, e não deixam passar a friagem que provoca essa coriza que lhe está atormentando. Padre, as galochas, viu?
- Ah! Já ia me esquecendo: é bom que o senhor bispo não fique sabendo desse resfriado. Padre, todo cuidado é pouco!
A historinha é do mineiro Zé Abelha.
Tucanos arrumam a casa
Depois da tempestade, a bonança. O PSDB começa a arrumar a casa. A arquitetura de arrumação adota desenhos internos e externos. Os internos implicaram em fortalecimento do Conselho Político para acomodar em seu comando o ex-governador José Serra. Serra, como lembra o líder Duarte Nogueira à Coluna, sempre quis dirigir o Conselho. Fora convidado lá atrás por Fernando Henrique. Mas o órgão passou uns tempos sem prestígio e sem escopo. Agora, recauchutado, tem poderes para aprovar o Programa de Ação do partido, as parcerias e coligações, fusões partidárias, etc.. O Conselho passa a ser peça fundamental para traçar os rumos tucanos. Apesar de Serra ter em mãos a entidade com poder deliberativo, o senador Aécio Neves, essa é a impressão geral, saiu muito abastecido da Convenção. Seu grupo dará as cartas.
Acomodação
Fernando Henrique teve papel importante na composição de interesses em jogo. Ajudou a redigir as normas do novo Conselho Político. O partido sai assim bem composto da Convenção ocorrida semana passada. Quem me diz isso é o bem articulado líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, cuja boa atuação na arrumação das peças merece destaque. A reunião de consenso se deu em seu apartamento. O desenho interno, porém, foi reforçado com as tintas do desenho externo, que mostrou um cenário borrado e confuso provocado pelo affaire Palocci. O chefe da Casa Civil do governo Dilma, pivô de mais um episódio impactante, ajuda as oposições a manterem a ordem unida.
Ser ou não ser?
Dilema de José Serra nos horizontes que se avizinham: ser ou não ser candidato à prefeitura de São Paulo ?
Estar e ser governo
O líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Henrique Alves, faz questão de lembrar que há uma diferença entre estar e ser governo. Estar no governo é ter presença, eventual e até temporária, nas frentes administrativas do Poder Executivo. No governo Lula, por exemplo, a participação do PMDB era a de um aliado circunstancial. Podendo, a qualquer hora, ser alijado da administração. Ser governo pressupõe outras condições. O partido, aliado de primeira hora, fez aliança para ser votado. Integra o núcleo central do governo, a partir da vice-presidência da República. Ou seja, o partido também ganhou respaldo das urnas para chegar ao centro do poder. Nessa situação, não pode e não deve receber tratamento secundário, inferior. Essa é a diferença que provoca tensões e arrepios constantes entre PMDB e PT.
PT e os outros
As tensões que, eventualmente, atingem os partidos da base governista têm como origem o próprio PT. Que continua a se considerar um ente exclusivista. Ele é o melhor e os outros devem ser meros coadjuvantes. É assim que pensa ponderável parcela do partido, que ainda luta para dominar todos os espaços da administração, excluindo os demais parceiros. Há uma parcela do PT que pensa e age de maneira cordial, franca, aberta, sem restrições aos outros partidos. Abriga perfis como o líder Cândido Vaccarezza ou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. São pessoas boas de trato e que entendem o ciclo por que passa o país. Mas forte parcela do partido pensa assim: primeiro, eu; segundo, eu; e terceiro, eu.
Violência em expansão
Este consultor observa com olhos de preocupação. Expande-se a violência no perímetro da capital Federal, entrando pelos interiores de Goiás. O que será? Área praticamente carimbada pelo funcionalismo público. Região que atrai migrantes de outros espaços nacionais. O que poderia dar margem a uma classe média forte, cercada por contingentes de miseráveis. Que contemplam a cena e partem para ter acesso, na marra, ao pão sobre a mesa. Quais seriam os motivos mais palpáveis?
Fica ou não?
Palocci fica ou não no governo? Fica. Nesse caso, terá o respaldo dos órgãos de controle: Comissão de Ética Pública, Advocacia Geral da União e Procuradoria Geral da República. Não fica. Nesse caso, haverá suspeição e a PGR abrirá investigação. Essas são as duas alternativas que hoje se impõem. Palocci depende de Palocci. Ou seja, tudo vai depender da PGR.
Ophir pede saída
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, lidera a mobilização pela saída do ministro Palocci.
PSDB e PSB
Em Pernambuco, vislumbra-se uma parceria entre tucanos e socialistas. O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, divisa possibilidades nessa direção. Os partidos têm parentesco. Indagado sobre essa chance, o presidente do PSB, governador Eduardo Campos, responde com mistério: "essa é uma questão difícil de responder". Na verdade, o governador de Pernambuco quer abrir fronteiras. Acha que seu ciclo pernambucano está se esgotando. Precisa de voos mais altos. Conversa também com o PMDB. Em resumo: as possibilidades de uma candidatura reunindo partidos da base aliada do governo começam a ser debatidas. Claro, no caso de inviabilidade da atual aliança governista. Por conta da ambição desmesurada do PT.
Tucanos e peemedebistas na terceirização
O líder Duarte Nogueira, do PSDB, diz à Coluna que indicou os tucanos Alfredo Kaefer, do PR, Andreia Zito, do Rio de Janeiro, e Jutahy Júnior, da Bahia, para comporem a Comissão de Terceirização, nomeada pelo presidente Marco Maia. Já o líder Henrique Alves, do PMDB, informa ao colunista que indicou para a mesma Comissão os nomes de Adrian Mussi Ramos, do RJ, Darcísio Perondi, do RS, Édio Lopes, de RR e José Priante, do PA. Paulinho, da Força Sindical, que também integra a Comissão, confessa ter boas expectativas sobre a busca de consenso.
Renegociação ou locupletação?
Existem gestores públicos entusiasmados por renegociarem contratos por preços menores que os celebrados originariamente. Empresas terceirizadas, no sufoco, ou como se diz na gíria comercial, "pedalando", acabam por conceder descontos impossíveis. Ao invés de comemorar este tipo de "redução de despesas", o gestor deveria se preocupar. Quem vai pagar a conta trabalhista e social quando essas empresas quebrarem? Com certeza não será o gestor? E se fosse? Será que haveria tanta negociação sem nenhum critério técnico?
Abaixo do custo?
Serviços como os de logística, controle de acesso, de limpeza e segurança são como "commodities", ou seja, têm piso salarial, encargos trabalhistas, tributários e fiscais iguais aos de todas as empresas. Considerados estes fatores teríamos, por analogia, o chamado "preço de custo" do serviço. Somados a este preço existem, ainda, o custo da administração e o lucro. Como pode o administrador público contratar serviços por preços que sequer cobrem o custo? Coisas do arco da velha!
Moreira Franco
Quem quiser ouvir um dos mais argutos relatos sobre o ciclo político que estamos vivendo basta ouvir por alguns minutos a verve do ministro Moreira Franco. Que sabe resumir, como ninguém, o estado civilizatório de nossa política.
Abremar abrindo mares
A Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar) comemora o sucesso dos dois maiores eventos do turismo marítimo: Seatrade South America e Cruise Day 2011, realizados nos dias 30 e 31 de maio em São Paulo. Ao evento, com a participação de agências governamentais, operadores de terminais públicos e privados, autoridades portuárias, agentes de viagem, compareceram os CEOs das maiores companhias de cruzeiros do mundo: Pierfrancesco Vago, da MSC Cruzeiros, Adam Goldstein, da Royal Caribbean e Gianni Onorato, da Costa Cruzeiros. O ministro do turismo, Pedro Novais, compareceu ao jantar de confraternização, oportunidade em que, dando as boas-vindas aos visitantes, garantiu, com bom humor, que o Brasil sempre acolherá bem os navios, eis que foi a bordo deles que os nossos colonizadores aportaram ao país.
Economia dos cruzeiros
A Temporada 2010/2011 de cruzeiros marítimos chegou ao fim, neste mês de maio, exibindo um saldo altamente positivo para a economia: quase 800 mil turistas transportados pelos navios, acréscimo de 10% sobre a temporada passada, e uma conta de R$ 1,3 bilhão entre gastos de armadoras e cruzeiristas nos destinos por onde passaram. Foi o que apurou pesquisa realizada pela FGV, apresentada pela Abremar por ocasião dos eventos do turismo marítimo. Em 5 cidades-destino, os cruzeiros deixaram nas economias locais R$ 332,7 milhões.
FHC e a descriminalização
Fernando Henrique atua firme nas frentes de defesa da descriminalização das drogas. Pede que o Brasil abra urgente um debate sobre a descriminalização da maconha. Que acha medida importante para enfrentar a guerra contra as drogas.
R$ 1,85 trilhão
Em uma década, a carga tributária captou R$ 1,85 trilhão da sociedade. Cálculo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.
Serys suspensa
Por infidelidade partidária, a ex-senadora petista Serys Slhessarenko, do Mato Grosso, foi suspensa pelo PT. Não apoiou o candidato do partido ao senado, na última eleição, o ex-deputado Carlos Abicalil, seu inimigo. Alega que não teve direito à defesa. PT tem seus critérios.
Substitutos de Palocci
Há três nomes que podem substituir Antonio Palocci, caso venha a sair do governo: Fernando Pimentel (atual ministro do Desenvolvimento), Paulo Bernardo (ministro das Comunicações) e Alexandre Padilha (ministro da Saúde). Pesa sobre Padilha a querela que tem com o PMDB. Anda fechando as portas para esse partido.
ISO para a contabilidade
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP) realizou, dia 12 de maio, a cerimônia de certificação das 349 organizações aprovadas no Programa de Qualidade de Empresas Contábeis (PQEC 2011). Destas, 28 empresas receberam o selo ISO 9001 : 2008, inédito para a categoria. Pela primeira vez, empresas de contabilidade recebem a certificação máxima da qualidade. José Chapina Alcazar, presidente do Sescon/SP e líder da categoria, entroniza mais um troféu em sua larga galeria. De acordo com o presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Juarez Domingues Carneiro, "o evento já faz parte do calendário anual da classe contábil". Mais de 4 mil convidados estiveram presentes.
O mel de Frei Damião
Fausto Campos sempre passava pela BR-232, entre Serra Talhada e Custódia, em Pernambuco. Na beira da estrada, vendedores ofereciam o melhor mel do mundo, o mais puro. Um dia, resolveu levar uma garrafa. Perguntou: "o mel é puro"? O vendedor : "o mais puro do mundo". Fausto arrematou: "pois vou levar esse mel para o Frei Damião". O vendedor apressou-se a esclarecer: "doutor, é melhor não levar esse pote. Quem tirou esse mel foi meu irmão e ele gosta de juntar um pouco d'água no mel para render mais. Desculpe. Na próxima vez, o senhor vai levar um mel 100% puro. Agora, só se o senhor quiser levar esse pro senhor. Mas pro Frei Damião, de jeito nenhum". Historinha enviada por Delmiro Campos, filho de Fausto.
Conselho ao Ministério da Justiça
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao ministro Antonio Palocci. Hoje, sua atenção se volta ao Ministério da Justiça:
1. Cresce a violência no faroeste brasileiro, a vasta região amazônica, onde assassinatos de ambientalistas e agricultores têm se expandido. As mortes de José Claudio Ribeiro da Silva e de Maria do Espírito Santo foram mais um sinal de que a bandidagem atua sem medo e de maneira covarde.
2. Urge manter um sistema de mutirão na região norte para desarmar bandos e cercar os feudos criminosos que atuam na região.
3. A cada assassinato, a imagem do Brasil ganha tinturas de desrespeito e irresponsabilidade na paisagem dos Direitos Humanos. Polícia Federal, MP e outros órgãos deveriam formar uma urgente rede de proteção aos cidadãos ameaçados de morte. E identificar e prender os mandantes dos crimes.
(Gaudêncio Torquato)
PARA REFLETIR
FRASE DO DIA:
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.”
Agostinho Neto
(Enviada por Boaventura Bonfim)
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.”
Agostinho Neto
(Enviada por Boaventura Bonfim)
terça-feira, 31 de maio de 2011
JOÃO DE PAULA MONTEIRO FERREIRA
No último carnaval crateuense o bloco Mandacaru rendeu graças ao mais destacado memorialista vivo da antiga Vila Piranhas ou Príncipe Imperial: Norberto Ferreira Filho, o Ferreirinha. Por ocasião do desfile algumas pessoas, sobretudo jovens, indagavam sobre a identidade de um cidadão (por certo ignoravam tratar-se de um dos integrantes da prole do homenageado) que se destacava enfeitando um dos carros alegóricos. Aparentemente passado no engenho da maturidade, o folião em comento era João de Paula Monteiro Ferreira, que há pouco mais de quatro décadas se firmara como ícone de uma geração de jovens que almejava contaminar de imaginação e sonho a atmosfera do poder.
Ferreirinha, um mito nonagenário, aprendeu na padaria do pai que o povo, assim como o pão, precisa de fermento. E se tornou fermento na massa popular da sua terra. E passou a alimentar o filho com o pão do idealismo. E o jovem João, como um profeta, educou-se na disciplina da alma resoluta, do coração valente, do peito em luta.
A década de 1960 corria e o mundo ardia sob as chamas da utopia. Em todos os continentes surgiam heróis da epopéia libertária, combatentes da justiça, poetas da igualdade, mestres da paz, músicos da fraternidade. Uma pauta audaciosa inebriava as principais avenidas da terra. Na bela Paris, os jovens de maio erigiam uma verdadeira torre de frases instigadoras como “Sejamos realistas, exijamos o impossível” ou “Criemos comitês de sonhos”.
No Ceará, João de Paula se consolidou como emblema dessa geração ousada na presidência do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da UFC. Animou o movimento estudantil na resistência ao golpe militar de 1964, projetando-se como líder nacional. No famoso Congresso de Ibiúna, em São Paulo, aparece credenciado para a Vice-Presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) sob o respaldo de nomes como Frei Tito Alencar, Pedro Albuquerque Neto, Paulo Lincoln Leão Matos e Rute Cavalcante, a primeira presa política do Ceará e, posteriormente, sua companheira afetiva.
Enfrentou solenemente os cárceres da ditadura. Depois, sem alternativa, embrenhou-se no matagal da clandestinidade e se valeu de uma outra identidade até migrar para o exílio - no Chile austral de Allende. Com a quartelada de Pinochet, novamente preso no Estádio Nacional, foi reencontrar a liberdade na Alemanha, onde concluiu o curso de Medicina pela Medizinische Fakultät zu Koln.
Alguns anos depois, com a conquista da Anistia, volta a beijar o solo pátrio. Conheci-o em 1982, quando pleiteava uma cadeira na Assembléia Legislativa Cearense. Integrei um grupo de adolescentes que, em Crateús, subia em uma caminhonete do Fernando Aguiar e pedia votos para Professor Oliveira (Vereador), José Fernandes (Prefeito), João de Paula (Deputado Estadual), Iranildo Pereira (Deputado Federal), Dorian Sampaio (Senador) e Mauro Benevides (Governador). Do grupo, apenas o Vereador e o Deputado Federal receberam os diplomas de eleitos. Aquele resultado doeu no coração do guerreiro. Impactou. Foi um choque. Os choques da repressão nunca o surpreenderam; este, sim. Passada a refrega, me confidenciou que não voltaria a ser candidato.
Refogado na casca do alho das adversidades, retomou a culinária essencial: sempre há um prato novo a ser degustado na mesa da vida. Sua têmpera é feita com o tempero da inovação. Por isso, retomou a festa da vida no banquete da cooperação. Especialista em Psicologia Organizacional e em Filosofia Gerencial, virou um requisitado Consultor de organizações públicas, privadas e não governamentais, na área de Desenvolvimento Organizacional e Humano, com ênfase em Planejamento Estratégico, Programas de Desenvolvimento Gerencial e Modelos de Gestão. Criou e comanda a Personal Consultoria, empresa que trabalha a cooperação entre organizações, utilizando a tecnologia da Gestão Compartilhada. Foi um dos ideólogos do PACTO DE COOPERAÇÃO DO CEARÁ, articulação de forças da sociedade civil, do mercado e do estado, objetivando o desenvolvimento sustentável da Terra da Luz.
Outro dia, perambulando pelos alpendres da web, flagrei-o discorrendo sobre as redes sociais: “Na minha condição de cearense, não é de se estranhar que meu envolvimento com redes tenha começado na mais tenra infância, ao embalo de maviosas canções de ninar, o que criou em mim uma predisposição muito favorável em relação a tudo que receba esse nome”.
Este é o João. Um ser livre e largo, porque liberto das algemas do ressentimento e sintonizado com a amplidão generosa do universo. Um camarada que brilha sem ostentação. Exibe os dotes cosmopolitas de um autêntico sedutor e o fluído envolvente do bom boêmio. Mantém radiosa a aura do carisma. Carrega intacto o sertanejo alforje da benevolência. E cultua a predisposição onírica da tenra infância, em que o sono gerado pelo embalo das maviosas canções de ninar vitaliza o sonho juvenil de um mundo mais prazeroso, cooperativo e feliz.
(Por Júnior Bonfim, nas edições de hoje da Revista GENTE DE AÇÃO e do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
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Amigo Júnior!
Antes de mais nada, meus agradecimentos por sua gentileza e meus cumprimentos por seu belo ( e generoso) texto.
Está excelente, havendo apenas uma informação a corrigir: não fui preso no Estádio Nacional, pois, antes que isso acontecesse, tive a sorte de abrigar-me, sob a proteção da ONU, em um campo criado para estrangeiros, denominado Refugio Padre Hurtado. Saí deste refúgio diretamente para a Alemanha, por mediação da embaixada daquele País em Santiago.
Honrado pelo seu gesto, transmito-lhe meu forte abraço.
João de Paula
OBSERVATÓRIO
Recebi semana passada do Prefeito Carlos Felipe o seguinte convite: “Crateuense Amigo(a), O Exmo. Sr. Prefeito de Crateús, Dr. Carlos Felipe Saraiva Bezerra, tem a honra de convidá-lo(a) para um café da manhã, onde discutiremos propostas para o PLANO DECENAL DE CRATEÚS, em alusão ao Centenário de emancipação política do município. Local: Marina Park Hotel-Salão Iracema-Fortaleza. Data: 28/05/2011. Horário: 08:30 ás 12:00h”.
CONVITE
A iniciativa do convite é louvável. É sempre um gesto bem vindo o de um governante deflagrando um processo de discussão, debates, confronto de idéias. Estive ausente desse encontro porque, no mesmo horário, estava no Palácio da Luz (sede da Academia Cearense de Letras) participando de uma reunião da AMLEF (Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza) anteriormente agendada. Embora faça contraponto à atual gestão, entendo que nada impede de opositores políticos protagonizarem um debate civilizado sobre os destinos da terra natal. Soube depois, por intermédio do vice-prefeito Mauro Soares, que a pauta enfatizou em especial o centenário da cidade, cuja festa comemorativa está programada para novembro. É desejo dos que estão à frente do processo levar a termo a inclusão de Crateús no calendário estadual de eventos, materializando um Festival Internacional de Sanfona. Seria algo como o Festival do Jazz, de Guaraminga; o Festival do Chorinho, em Viçosa do Ceará ou a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio, em Barbalha. Parabéns a quem idealizou essa ação.
CONVITE II
Fazemos, no entanto, três ponderações: 1. Os instrumentos de planejamento obrigatórios no nosso ordenamento jurídico são: Plano Plurianual, Orçamento Anual e Lei de Diretrizes Orçamentárias (em todos eles a lei assegura a necessidade da participação popular). Por que, ao invés de fortalecer a participação do povo nesses instrumentos previstos, se cria um instrumento novo? 2. Por que se deflagrar esse processo de planejamento em Fortaleza e não em Crateús? Afinal quem está morando na cidade, vivendo o seu dia a dia, tem muito mais possibilidade de fazer um diagnóstico mais preciso da realidade local de que quem está à distância. 3. A elaboração de um Plano Decenal na segunda metade de um governo parece uma estratégia eleitoral de quem almeja continuar no poder. Lula, antes de concluir 50% do PAC 1, lançou midiaticamente o PAC 2. Por que? Para incutir no subconsciente das pessoas um desejo de continuidade. É natural que se cogite algo semelhante no atual governo municipal de Crateús. Malgrado isso, impõe-se ressaltar o profissionalismo da consultoria contratada para coordenar essa empreitada, a empresa Personal Consultoria, que tem à frente o nosso honroso conterrâneo João de Paula (vide Crônica ao lado).
NENEN
Quinta-feira. 26 de maio. Às 10:30 horas da manhã o deputado Nenen Coelho adentra no antigo prédio da Rádio Dragão do Mar, no centro de Fortaleza. Ali, onde hoje funciona o escritório de Marcos Cals, atual Presidente estadual do PSDB, os dois discutiram assuntos relacionados ao futuro do filho do Rodrigão e fizeram uma avaliação político-administrativa do PSDB em cada município da região, em especial Crateús, Novo Oriente, Independência, Quiterianópolis e Ipaporanga. Em nenhum desses municípios haverá sobressalto; em todos eles o Partido continuará nas mãos dos filiados históricos do partido. Marcos Cals e Nenen cultivam uma boa relação, pois ambos entenderam a posição que cada um tomou na campanha passada. Cumpriram compromissos. A marcha da história é na direção do futuro. Marcos revelou que estava torcendo para que Tasso conquistasse, na Convenção do dia 28, a presidência nacional do Instituto Teotônio Vilela (ITV), o mais vitaminado e poderoso órgão da agremiação. Deu certo.
NENEN II
O velho timoneiro Ulysses Guimarães gostava da expressão “Como dizia De Gaulle: ‘Sua Excelência, o fato’”, para se referir a algo irrefutável. Eis um fato incontestável: Nenen Coelho é um político que não pode ser subestimado. É gregário e trabalhador. Sua trajetória revela ser um sujeito obstinado. Capaz de romper grandes barreiras e graves bloqueios. Oriundo de uma cidade-satélite de Crateús, conquistou a metrópole regional. Foi, em duas eleições seguidas, o mais votado no município. Transita com facilidade em todos os gabinetes públicos. Com igual desenvoltura, senta na mesa do diálogo com Tasso Jereissati ou José Pimentel. Além disso, exibe números no seu Novo Oriente que deixam os gestores crateuenses em verdadeira saia justa. Mirem-se no caso da educação. No prêmio Escola Nota 10, que contempla escolas bem avaliadas pelo Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica (Spaece-Alfa), Novo Oriente disparou com quatro escolas entre as melhores (21º lugar); Crateús ficou com apenas uma (104º lugar)...
POSSE
Na noite da segunda-feira do próximo dia 13 de junho, às 19:30 horas, na Câmara Municipal de Fortaleza, ocorrerá a posse da direção estadual da Maçonaria do Grande Oriente do Brasil – GOB. É a primeira vez que um crateuense ocupará, através de eleição direta, o cargo de Grão Mestre Adjunto. Na festiva ocasião, o Vice-Governador Domingos Filho – que integra os quadros da Ordem - será agraciado com a medalha do mérito legislativo maçônico. O evento é aberto ao público. Prestigie.
PARA REFLETIR
(...) VOCAÇÃO – O estadista nasce, é o encontro de um homem com seu destino. O estadista é um animal político. (...) ESPERANÇA - Estadista é o arquiteto da esperança. Não é coruja que só pia agouro, nem Cassandra de catástrofes. (...) PACIÊNCIA - A impaciência é uma das faces da estupidez. Paciência é a competência para fazer a hora, não se precipitar. Saber escutar é um dom político. NÃO SERVIRÁS A DOIS SENHORES - A política não divide o tempo, a ocupação e as preocupações com nenhuma outra atividade. Político não compra nem vende nada. (...) ORDEM - São Tomaz de Aquino disse que a ordem é as coisas no seu lugar. Para isso é preciso hierarquizar e selecionar. É a capacidade de escolher. Quem confunde as coisas, desconhece prioridades, não tem senso de ordem. O estadista discrimina o essencial e o urgente para praticá-los. (Ulisses Guimarães, em Decálogo do Estadista).
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
CONVITE
A iniciativa do convite é louvável. É sempre um gesto bem vindo o de um governante deflagrando um processo de discussão, debates, confronto de idéias. Estive ausente desse encontro porque, no mesmo horário, estava no Palácio da Luz (sede da Academia Cearense de Letras) participando de uma reunião da AMLEF (Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza) anteriormente agendada. Embora faça contraponto à atual gestão, entendo que nada impede de opositores políticos protagonizarem um debate civilizado sobre os destinos da terra natal. Soube depois, por intermédio do vice-prefeito Mauro Soares, que a pauta enfatizou em especial o centenário da cidade, cuja festa comemorativa está programada para novembro. É desejo dos que estão à frente do processo levar a termo a inclusão de Crateús no calendário estadual de eventos, materializando um Festival Internacional de Sanfona. Seria algo como o Festival do Jazz, de Guaraminga; o Festival do Chorinho, em Viçosa do Ceará ou a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio, em Barbalha. Parabéns a quem idealizou essa ação.
CONVITE II
Fazemos, no entanto, três ponderações: 1. Os instrumentos de planejamento obrigatórios no nosso ordenamento jurídico são: Plano Plurianual, Orçamento Anual e Lei de Diretrizes Orçamentárias (em todos eles a lei assegura a necessidade da participação popular). Por que, ao invés de fortalecer a participação do povo nesses instrumentos previstos, se cria um instrumento novo? 2. Por que se deflagrar esse processo de planejamento em Fortaleza e não em Crateús? Afinal quem está morando na cidade, vivendo o seu dia a dia, tem muito mais possibilidade de fazer um diagnóstico mais preciso da realidade local de que quem está à distância. 3. A elaboração de um Plano Decenal na segunda metade de um governo parece uma estratégia eleitoral de quem almeja continuar no poder. Lula, antes de concluir 50% do PAC 1, lançou midiaticamente o PAC 2. Por que? Para incutir no subconsciente das pessoas um desejo de continuidade. É natural que se cogite algo semelhante no atual governo municipal de Crateús. Malgrado isso, impõe-se ressaltar o profissionalismo da consultoria contratada para coordenar essa empreitada, a empresa Personal Consultoria, que tem à frente o nosso honroso conterrâneo João de Paula (vide Crônica ao lado).
NENEN
Quinta-feira. 26 de maio. Às 10:30 horas da manhã o deputado Nenen Coelho adentra no antigo prédio da Rádio Dragão do Mar, no centro de Fortaleza. Ali, onde hoje funciona o escritório de Marcos Cals, atual Presidente estadual do PSDB, os dois discutiram assuntos relacionados ao futuro do filho do Rodrigão e fizeram uma avaliação político-administrativa do PSDB em cada município da região, em especial Crateús, Novo Oriente, Independência, Quiterianópolis e Ipaporanga. Em nenhum desses municípios haverá sobressalto; em todos eles o Partido continuará nas mãos dos filiados históricos do partido. Marcos Cals e Nenen cultivam uma boa relação, pois ambos entenderam a posição que cada um tomou na campanha passada. Cumpriram compromissos. A marcha da história é na direção do futuro. Marcos revelou que estava torcendo para que Tasso conquistasse, na Convenção do dia 28, a presidência nacional do Instituto Teotônio Vilela (ITV), o mais vitaminado e poderoso órgão da agremiação. Deu certo.
NENEN II
O velho timoneiro Ulysses Guimarães gostava da expressão “Como dizia De Gaulle: ‘Sua Excelência, o fato’”, para se referir a algo irrefutável. Eis um fato incontestável: Nenen Coelho é um político que não pode ser subestimado. É gregário e trabalhador. Sua trajetória revela ser um sujeito obstinado. Capaz de romper grandes barreiras e graves bloqueios. Oriundo de uma cidade-satélite de Crateús, conquistou a metrópole regional. Foi, em duas eleições seguidas, o mais votado no município. Transita com facilidade em todos os gabinetes públicos. Com igual desenvoltura, senta na mesa do diálogo com Tasso Jereissati ou José Pimentel. Além disso, exibe números no seu Novo Oriente que deixam os gestores crateuenses em verdadeira saia justa. Mirem-se no caso da educação. No prêmio Escola Nota 10, que contempla escolas bem avaliadas pelo Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica (Spaece-Alfa), Novo Oriente disparou com quatro escolas entre as melhores (21º lugar); Crateús ficou com apenas uma (104º lugar)...
POSSE
Na noite da segunda-feira do próximo dia 13 de junho, às 19:30 horas, na Câmara Municipal de Fortaleza, ocorrerá a posse da direção estadual da Maçonaria do Grande Oriente do Brasil – GOB. É a primeira vez que um crateuense ocupará, através de eleição direta, o cargo de Grão Mestre Adjunto. Na festiva ocasião, o Vice-Governador Domingos Filho – que integra os quadros da Ordem - será agraciado com a medalha do mérito legislativo maçônico. O evento é aberto ao público. Prestigie.
PARA REFLETIR
(...) VOCAÇÃO – O estadista nasce, é o encontro de um homem com seu destino. O estadista é um animal político. (...) ESPERANÇA - Estadista é o arquiteto da esperança. Não é coruja que só pia agouro, nem Cassandra de catástrofes. (...) PACIÊNCIA - A impaciência é uma das faces da estupidez. Paciência é a competência para fazer a hora, não se precipitar. Saber escutar é um dom político. NÃO SERVIRÁS A DOIS SENHORES - A política não divide o tempo, a ocupação e as preocupações com nenhuma outra atividade. Político não compra nem vende nada. (...) ORDEM - São Tomaz de Aquino disse que a ordem é as coisas no seu lugar. Para isso é preciso hierarquizar e selecionar. É a capacidade de escolher. Quem confunde as coisas, desconhece prioridades, não tem senso de ordem. O estadista discrimina o essencial e o urgente para praticá-los. (Ulisses Guimarães, em Decálogo do Estadista).
(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 30 de maio de 2011
DIMAS MACEDO FALA SOBRE JITIRANAS DE LUZ, LIVRO DE DIDEUS SALES
Poeta, Jitiranas de Luz. Grande título, grande livro.
Sou grato, antes de tudo, pela louvação e a nordestinação.
Honra e comenda, trofeu e pedestal.
O signo de Gerardo, na Academia, lhe deixou assim: grego e sertanejo.
Forte abraço, poeta,
e todo o meu coração é seu.
Dimas Macedo
Sou grato, antes de tudo, pela louvação e a nordestinação.
Honra e comenda, trofeu e pedestal.
O signo de Gerardo, na Academia, lhe deixou assim: grego e sertanejo.
Forte abraço, poeta,
e todo o meu coração é seu.
Dimas Macedo
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