sábado, 9 de julho de 2011

A PAZ - ROUPA NOVA e PADRE FABIO DE MELO




Composição: Michael Jackson
Versão: Nando



É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor.
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!

Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz ja nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança

Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.
A lição pro futuro vem da alma e do coração,
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor.

Se você começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança.

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Inteira feliz ...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

UM OITAVADO ABRAÇO DE ANIVERSÁRIO!




Nascer no dia 8, poeta, é uma benção!

Oito é o número da luz, festa sagrada, lírio de Jesus, aliança colada!

Só que você é meio descolado, cheio daquela fé dos ateus, chegado a uma festa profana e, talvez até por isso, seja esse ser obscuro condenado à luminosidade!


(Júnior Bonfim)



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Muito obrigado, poeta, pelas palavras e pela tradução desse meu humilde ser!

Viver no meio de uma geração tão iluminada, ainda que quase toda (todos) com alguns trejeitos de obscuridade, profanismo e rebeldia, é para mim um grande privilégio, alem da benção.

Grande Abraço!

Elias de França

quinta-feira, 7 de julho de 2011

NO DIA DE HOJE, EM 1456, JOANA D'ARC - A SANTA E HEROÍNA FRANCESA - ERA ABSOLVIDA!


Joana d'Arc, santa e heroína francesa, conhecida como a "Virgem de Orléans".

Filha de lavradores, ainda menina começou a ouvir vozes que atribuía ser de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida. Quando tinha 16 anos, as vozes aconselharam-na a ajudar o delfim Carlos VII a salvar a França do domínio inglês durante a Guerra dos Cem Anos.

Robert de Baudricourt, capitão das forças de Vaucouleurs, conseguiu um escolta para levar Joana até Carlos VII. Ao encontrar o delfim, no castelo de Chinon, falou sobre sua missão divina. O rei, então, mandou que teólogos a examinassem e, em seguida, deu-lhe o comando de uma pequena tropa.

Em maio de 1429, ela derrotou os ingleses e retomou a cidade de Orléans. Em julho, o delfim foi coroado na cidade de Reims. Joana ficou ao seu lado durante a coroação.

Em setembro de 1429, Joana tentou retomar Paris, porém não obteve êxito. Na primavera de 1430, ela entrou em Compiègne, mas foi capturada pelos Burgundians e entregue aos ingleses.

Carlos VII não fez nada para assegurar sua liberdade. Para escapar da responsabilidade e não fazer de Joana um mártir, os ingleses mandaram-na para a corte eclesiástica em Rouen. Ela foi acusada de heresia e bruxaria pelo bispo Pierre Cauchon e por outros clérigos franceses, que apoiavam os ingleses. Provavelmente, seu pior crime foi declarar que se comunicava diretamente com Deus; aos olhos da corte, essa recusa em aceitar a hierarquia da igreja era uma heresia.

Ela foi condenada a prisão perpétua, após assinar uma abjuração. Porém sua condenação durou pouco tempo, ela voltou atrás na abjuração e foi posta novamente em julgamento, sendo condenada à fogueira por heresia e queimada em praça pública em 1431.

Apenas em 1456, Carlos VII reconheceu os serviços de Joana à nação e tornou o tribunal que a condenou inválido. Joana foi beatificada em 1909 e canonizada em 1920. Sua vida inspirou inúmeras lendas e ela foi retratada em várias pinturas, estátuas.


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UM POEMA EM LOUVOR A JOANA D'ARC

Balada das damas do tempo ido

Dizei-me onde, em qual país,
Anda Flora, a bela romana
Arquipíades, ou Taís,
Que foi sua prima-germana?
Eco a falar, voz que se emana,
Qual rumor, de rios e planos:
Que beleza foi mais que humana?
E onde estão as neves dos anos?

Da sábia Heloísa quem diz,
Por quem, castrado, fez-se monge
Pedro Abelardo em Saint-Denis?
Por seu amor sofreu tão longe.
E a rainha, também sem pena,
Que mandou forrar Buridano
Com um saco e jogá-lo ao Sena?
E onde estão as neves dos anos?

A Rainha Branca qual lis
A cantar com voz de sereia,
Berta-Pé Grane, Alis, Beatriz
Haremburgues, que o Maine alteia,
E a brava Lorena, a Joana,
Quem em Rouen, queimaram os anglos:
Onde estão, Virgem Soberana?
E onde estão as neves dos anos?

Príncipe, quereis na semana
Ter resposta? Nem este ano,
Pois o refrão não vos engana:
E onde estão as neves dos anos?


Tradução De Sebastião Uchoa Leite


Dites-moi où, n'en quel pays,
Est Flora la belle Romaine,
Archipiades, ne Thaïs,
Qui fut sa cousine germaine,
Echo, parlant quant bruit on mène
Dessus rivière ou sur étang,
Qui beauté eut trop plus qu'humaine ?
Mais où sont les neiges d'antan ?

Où est la très sage Héloïs,
Pour qui fut châtré et puis moine
Pierre Esbaillart à Saint-Denis ?
Pour son amour eut cette essoine.
Semblablement, où est la roine
Qui commanda que Buridan
Fût jeté en un sac en Seine ?
Mais où sont les neiges d'antan ?

La roine Blanche comme un lis
Qui chantait à voix de sirène,
Berthe au grand pied, Bietrix, Aliz,
Haramburgis qui tint le Maine,
Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen ;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine ?
Mais où sont les neiges d'antan ?

Prince, n'enquerrez de semaine
Où elles sont, ni de cet an,
Que ce refrain ne vous remaine :
Mais où sont les neiges d'antan ?

François Villon

quarta-feira, 6 de julho de 2011

FELIZ ANIVERSÁRIO, CRATEÚS!


Ambulante garoto, sem sotaque cigano

Mergulhei na capoeira de concreto

E descobri o iodado sal do mundo:

A chama suave e ardente da conjunção afetiva,

O copo boêmio que leva o líquido estonteante,

O movimentado vazio dos vagabundos,

A algazarra da aurora urbana,

Essa gota de malícia chamada sensualidade,

O som arrebatador dos violões apaixonados,

A grave disposição do Externato,

O peso e o pesadelo da palmatória da D. Delite,

A educação feita na construção sintética de amor e rigor,

A disputada corrida para o pão com refresco,

Os rebeldes motivos da rua em crescimento.

Estava na tribo dos Karatiús.


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Crateús,

Com sua verde cabeleira de árvores,

Com sua alucinação festiva,

Com a doçura de suas veias fluviais,

Com seu suave desenho maternal,

Com suas invisíveis pratas de mistério,

Lançou sobre mim

Uma inextinguível luz.


Quando desfolho combates

Em tua História, Crateús,

Quando saboreio

A abertura de teus pobres,

Quando me inebrio de teu

Aroma noturno,

Quando toco

Teu tórax revolucionário,

Sinto que de ti recebi

Uma fragrância de simplicidade

Reconheço o poder

Das descobertas

E concluo

Que és uma cidade

Que Eu Amo!


(Júnior Bonfim)

CONJUNTURA NACIONAL

Em diagonal


Severino Cabral foi prefeito de Campina Grande (PB), vice-governador, chefe político de muitos votos. E conhecido pelas tiradas engraçadas. Uma tarde, no Rio, andava pela avenida Rio Branco. Resolvendo passar para o outro lado, meteu-se na frente dos carros, fora do sinal. O guarda gritou:

- Cidadão, não pode ir por aí. É proibido atravessar em diagonal.

Severino Cabral voltou:

- Você não conhece roupa não, ignorante? Isto não é "diagonal". É "tropical maracanã".

Atravessou em diagonal e tropical.


Adeus, Itamar


Itamar Franco deixa a cena político-institucional com a sinalização de que o país perde uma pessoa íntegra, de vida simples, despojada da pompa do poder. Teve uma vida pautada pelos primados da ética. Não se tem notícia de escândalo nas passagens variadas de sua vida pública. Teve, sim, um episódio folclórico, aquele em que esteve ao lado de uma moça à procura de fama em um palanque carnavalesco, no Rio. A personagem deixou partes íntimas aos olhares curiosos da galera. Evento humorístico da vida social. O grande mérito de Itamar foi, seguramente, o patrocínio do Plano Real. Ele apôs a assinatura no instrumento que dominou a inflação. É dele o mérito como presidente. Claro, com a ajuda de Fernando Henrique, ministro da Fazenda, e sua equipe. Parte deixando, ainda, a imagem de um senador combativo nesses quase 6 meses de mandato. A Coluna rende a Itamar a melhor de suas homenagens.


Adeus, Chamie


Mario Chamie também nos deixou. Considerado por muitos como um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Tive a felicidade de compartilhar de sua companhia e amizade, graças à ligação afetiva e estreita com o primão Zé Nêumanne. Aos sábados, Nêumanne sempre reúne um grupo de amigos em torno de uma feijoada, uma bacalhoada, com liberdade para bons tragos. Mário sempre estava presente nesses encontros. Conversa afiada, humor finíssimo, painel de cultura geral, encanto das mulheres, desfile de perfis que mereciam dele a expressão exata. Ao final, eu deixava o poeta em seu apartamento nos Jardins. Padecia de um câncer no pulmão. Morreu de parada cardíaca. Na manhã deste último domingo, Chamie nos deu adeus.

P. S. No momento em que digitava Zé Nêumanne, na terceira linha acima, este me chama ao celular. Tomo um susto. Zé me responde: "coisas do Mário".


Axioma positivo I


"Ajuste seu fim aos seus meios. Uma visão clara e um raciocínio frio devem prevalecer por ocasião da escolha do objetivo da guerra. É loucura querer 'abocanhar mais do que se pode mastigar' e é uma prova de sabedoria analisar os fatos friamente, embora sem perder o otimismo: a fé pode realizar o aparentemente impossível quando a ação for iniciada." (Tratado de Comunicação Organizacional e Política, de Gaudêncio Torquato)


Perrella chega


Sem um voto, Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, será senador por 7,5 anos. Suplente de Itamar, Perrella enfrenta processos na Justiça por enriquecimento ilícito. Vejam como a política é feita de retas e curvas. Itamar frequentava a linha reta. Seu suplente entra na arena política pela linha curva.


O cancro dos transportes


Há muito se comenta sobre a existência de um cancro corroendo o sistema de transportes. Não é de hoje que se ouve falar de superfaturamento de obras, licitações conduzidas, cobrança de comissões etc. A última revista Veja trouxe detalhes. E o que aconteceu? Quatro figuras importantes do Ministério dos Transportes foram demitidas. Manchete dos jornais: cúpula dos transportes é demitida. Como cúpula? O ministro dos Transportes continua no mesmo lugar. Alfredo Nascimento diz que vai apurar eventuais denúncias de corrupção. Pediu a ajuda da AGU. Impressão é a de que ministro não segurará o lugar. Cargo é da cota do PR.


Quem sai com Marina?


Marina Silva, ícone do ambientalismo no Brasil, está saindo do PV. Sairia com ela um alentado grupo de representantes. Ante a ameaça de serem cassados por abandonarem a sigla, deputados Federais e estaduais decidiram esperar mais um pouco. Alfredo Sirkis (RJ) continuará, por enquanto, na legenda. E Fernando Gabeira, que pleiteia ser candidato a prefeito do Rio, também deverá permanecer. Vão tomar atitude mais drástica quando tiverem certeza de que a migração para outra sigla ou a tentativa de criação de nova sigla não forem motivo para punição.


Axioma positivo II


"Conserve seu objeto sempre em mente quando tiver que adaptar seu plano 'à situação'. Recorde que existe mais de um caminho para atingir seu objetivo, mas lembre-se de que qualquer objetivo a ser conquistado deve estar relacionado à sua meta maior." (Tratado de Comunicação Organizacional e Política, de Gaudêncio Torquato)


SP e a guerra fiscal


A prefeitura de São Paulo, ufa, até que enfim decidiu entrar na guerra fiscal, que a faz perder uma apreciável soma de recursos. Como? Reduzindo a alíquota de 5% para 2% do ISS para um conjunto de serviços e atividades, entre as quais as de empresas do setor financeiro - corretoras, operadoras de cartão de crédito e débito, cartórios e até da Bolsa de Mercadorias. Muitas empresas de serviços que mudaram de endereço para cidades da Região Metropolitana poderão voltar a São Paulo. Ademais, aprovou-se a Nota Fiscal Paulistana.


Cara da podridão


Chegou ao conhecimento desta Coluna uma relação de nomes que uma Igreja famosa indicou/está indicando para diversas instâncias do Judiciário. Alguns já escolhidos e nomeados. Uma vergonha. Quando essa lista vier à tona, o Brasil verá uma parte de sua podridão. Religião entrando no Estado laico é um estupro constitucional. Vou acompanhar esta crônica dos intestinos do poder.


Máximas do Barão de Itararé


- O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.

- Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.

- Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.

- Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.

- A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.


Carrefour/Pão de Açúcar


A fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, desejada por ambos, e questionada pelo Grupo Casino, vai dar muita dor de cabeça. Os advogados dos dois lados terão muito trabalho pela frente. O Grupo Casino mostra-se traído. E denuncia a trama de Abílio Diniz, que quer fazer a fusão para se livrar de uma cláusula contratual com o Casino, pela qual o Grupo assumiria o controle do Pão de Açúcar a partir de 2012. Diniz teria em mente expandir o cacife do Pão de Açúcar para romper a situação acordada com o Grupo francês. Quando percebeu a onda crítica, a presidente Dilma pediu ao BNDES mais cautela na análise da fusão e da possibilidade de entrar com R$ 4,5 bilhões e, assim, tornar-se parceiro do Novo Pão de Açúcar. O Banco acaba de colocar na mesa de avaliação mais um dado: só entrará no negócio se o acordo de acionistas não colocar em risco a manutenção do controle nacional da companhia. Ou seja, Diniz sob cabresto curto.


Cade? Só em 2013


A fusão, se ocorrer, baterá às portas do Cade. Mas o órgão só terá condições de avaliar a questão em 2013. Passaria boa parte de 2012 fazendo uma completa varredura em todos os espaços. Para garantir estabilidade do varejão nacional.


Bicadas tucanas


Os tucanos continuam se bicando. Feridas da campanha eleitoral de 2010 cicatrizadas. Homenagens a FHC pelos 80 anos. Criação do Conselho Político, presidido por Serra. Que preparou um documento com dura avaliação do governo Dilma. Queria soltá-lo. Não conseguiu aprovação do Conselho. Serra acabou dando as linhas do documento em seu twitter e site. Reações negativas. Sérgio Guerra viu-se obrigado a soltar uma nota dizendo que Serra não pretendeu impor o documento ao partido, mas apenas provocar o debate. Ou seja, as bicadas continuam.


DSK voltará?


Dominique Strauss-Kahn sai do inferno e pode sonhar com o paraíso. Acusado do estupro de uma camareira em um hotel de Nova Iorque, o ex-diretor gerente do FMI era, até então, o candidato mais forte das oposições para as eleições presidenciais na França. Até 13 de julho, o partido socialista deverá anunciar os nomes que se submeterão às primárias em 9 de outubro. Ocorre que a próxima audiência na Promotoria de NI está marcada para 18 de julho, cinco dias depois. Outros candidatos das primárias, entre eles François Hollande e Ségolène Royal, que perdeu para o presidente Nicolas Sarkozy em 2007, disseram-se dispostos a adiar a disputa para Strauss-Kahn participar.


Atenção, São Paulo


Tenho ouvido as ponderações do ministro dos Esportes, Orlando Silva, com muita preocupação. Orlando é uma pessoa ponderada. Sabe ouvir e tem bons argumentos na ponta da língua. Portanto, não é de exagerar. Volta a cobrar agilidade de São Paulo para não perder a chance de receber os jogos da Copa de 2014. "O prazo está no limite", alerta o ministro. E lembra que são necessários pelo menos 30 meses para que um estádio padrão FIFA fique pronto. Estamos a 35 meses do início da competição.


Axioma positivo III


"Escolha a linha (ou curso de ação) de menor expectativa. Procure colocar-se no lugar do inimigo e verificar qual a linha de ação menos provável a ser prevista ou prevenida. E explore a direção de menor resistência desde que possa conduzir a qualquer objetivo que contribua para a consecução de seu objetivo básico". (Tratado de Comunicação Organizacional e Política, de Gaudêncio Torquato)


Quatro elefantes brancos


Outro alarme: 5 dos estádios que serão usados na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, correm o risco de se transformar em "elefantes brancos". Motivo: serão construídos em cidades com baixa quantidade de público para partidas locais. Os estádios são os de Brasília, Cuiabá, Manaus, Natal e Recife. O custo de manutenção do estádio em Natal seria, no mínimo, de R$ 500 mil reais mensais. Com elevados custos de manutenção, provavelmente ficarão vazios depois da Copa. As cidades em que estão sendo construídos não contam com clubes de futebol muito populares ou não têm quantidades de torcedores que justifiquem seu tamanho.


Os cães da FIESP


A FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - está patrocinando, por meio das organizações que cuidam de seus Serviços - SESI e SENAI - um dos mais interessantes programas sociais do país: desenvolvimento de know-how para treinamento e monitoramento de cães-guia para pessoas com deficiência de visão. Esta semana, a FIESP apresentou o programa, que começará com 7 cães, até se alcançar a meta de 100 por ano. A iniciativa, inédita no país, visa ajudar a população deficiente no campo visual. O Brasil tem 5,4 milhões de pessoas com perda de visão e apenas possui cerca de 70 animais treinados como guias de cego. Calcula-se que 12 mil pessoas estejam nas filas de espera por um cão-guia. O treinamento e o acompanhamento do animal custam, em média, R$ 25 mil. O presidente da Federação, Paulo Skaf, está pessoalmente empenhado no sucesso do empreendimento.


Conselho aos dirigentes do BNDES


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades olímpicas. Hoje, sua atenção se volta aos dirigentes do BNDES:

1. Examinem, atentamente, os prós e os contras da fusão Pão de Açúcar e Carrefour, tomando a devida cautela para evitar decisões precipitadas e que venham onerar o bolso do consumidor.

2. Dizer que o BNDESPar não é dinheiro público é tentar reagir às críticas com sofisma. O dono da flauta é quem dá o tom. E o dono da flauta é o BNDES, um órgão do Estado. Que administra cofres públicos.

3. Urge avaliar de maneira rigorosa as razões do veto do Grupo Casino à fusão. Será que cláusulas do acordo de acionistas serão rompidas? Como fica a imagem do Brasil nos mercados e nas cortes internacionais? Feitas as contas, o que será melhor para o país?


(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 5 de julho de 2011

COMENTÁRIO

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ANTONIO IRISMAR FROTA":

Vc é bem informado sobre a historia de Crateus...Parabéns!

Procure saber quem foi o mandante do arrombamento do Sacrário do Altar Mor da Matriz do Senhor do Bonfim. Norberto Ferreira Filho talvez lhe dê esta informação.

Para que o Vigario Pe. Bonfim não fosse punido, quem fez a defesa foi um casal de missionários evangélicos, da América do Norte: Mr.Jonh e sua esposa que moravam em Crateus.

Muito interessante!

OBSERVATÓRIO

O Brasil perdeu, no sábado passado, um dos seus mais expressivos homens públicos: Itamar Franco. Pouco louvado pela imprensa, que só deu ênfase aos aspectos controvertidos da sua personalidade, Itamar foi um nacionalista incorrigível, um cultor da probidade, um destemido democrata. Nascido em um navio, Ita (pedra) mar era uma pedra na defesa dos princípios; um mar de generosidade e imprevisibilidade política. Inseriu-se nos rol dos que incorporaram um itinerário épico ao livro da memória.


A VIDA


Itamar Augusto Cautiero Franco, o filho de Augusto César Stiebler Franco e Itália Cautiero Franco, nascido em 28 de junho de 1930, era formado em Engenharia Civil e iniciou sua vida pública, participando da política estudantil. Pelo MDB conquistou seu primeiro mandato eletivo - Prefeito de Juiz de Fora, em 1967. No pleito de 1972, foi reeleito, mas deixou o cargo um ano depois para concorrer, com sucesso, a uma vaga no Senado - sendo reeleito em 1982, já no sucessor do MDB, o PMDB. Participou ativamente da Assembléia Nacional Constituinte e das campanhas para a volta das eleições diretas. Em 1989, foi eleito vice na chapa de Fernando Collor de Mello, que saiu vencedora.


PRESIDENTE ITAMAR


Itamar, vice de Collor, assumiu a Presidência do País após um vigoroso levante popular que apeou do poder o megalomaníaco jovem alagoano. No comando da República, Itamar governou com decência e desassombro. Deu provas de grandeza do inicio ao fim do mandato. Quis convocar eleições logo que assumiu. O conglomerado de partidos que o sustentava ponderou em sentido contrario. Deu liberdade a FHC, seu Ministro da Fazenda, para implementar o mais substantivo e extraordinário plano econômico da historia nacional, o Plano Real. Elegeu o sucessor e deixou o governo sob os auspícios de uma enorme popularidade sem se render a qualquer negociata.


ITAMAR X ACM


O Presidente Itamar jamais se dobrou a qualquer tipo de chantagem. Antonio Carlos Magalhães era, à época, o mais poderoso senador brasileiro. Diante de ACM, metade do mundo político temia; outra metade tremia. Quando ACM agia, constrangia. Ameaçava com dossiês. Incomodado com a nomeação do baiano Jutahy Magalhães Júnior para o Ministério de Itamar, resolve enfrentar o Presidente Itamar. Alardeia que tinha em mãos um fulminante dossiê contra o Governo e pede uma audiência com Itamar. Este aquiesce. Quando ACM adentra o gabinete presidencial por uma porta, Itamar abre outra, autoriza a entrada da imprensa e pede que senador baiano apresente ao País as denúncias que guardava. Não passavam de recortes velhos de jornal. A moral de ACM saiu baixa; a de Itamar, alta.


O AMOR AO TORRAO NATAL


Itamar sempre proclamou o seu amor por Juiz de Fora. Em visita a terra natal, parafraseando Fernando Pessoa, disse - “O rio mais belo não é aquele que não passa na minha aldeia. O mais bonito é o que passa na minha aldeia e mais belo é o rio Paraibuna. Devo a minha vida ao Paraibuna e Juiz de Fora. E é por isso que fico feliz quando estou na cidade e poder dizer a Juiz de Fora o quanto eu a quero e o quanto a amo”.


ANIVERSARIO


Faço esses registros esparsos sobre Itamar, recém-falecido, quando estamos a celebrar mais um aniversario de Crateús. Que presente melhor poderíamos oferecer a esta terra do que uma reflexão sobre a atualidade de uma higienização de sua vida publica? Sem falso moralismo, sem exibir o farisaico dedo acusatório, mas mirando o futuro. O relógio anuncia: eis a hora desta terra promover um reencontro consigo mesma. Alem deste horizonte autofágico, existe um espaço na região mais sagrada das nossas consciências convidando para fitarmos a aurora de uma convivência mais sadia e responsável. Vamos ficar eternamente reféns das futricas medíocres? Não, filhos da mocidade e reitores da maturidade, não nos quedemos a essa avalanche de equívocos. Não nos afoguemos nesse rio contaminado de pusilanimidade.


ANIVERSARIO II


Esta pequena palma de terra que um dia se inseriu no mapa como a tribo dos Karatius, que conquistou contornos imperiais de Vila e, como uma Princesa delicada, construiu um reino sui generis – merece mais do que um bolo de aniversario. Urge que cada um dos seus patrícios, mais do que uma viagem sentimental pelos campos do seu passado, ofereça seu imprescindível contributo no presente, por mais modesto que seja, para a construção efetiva de um afetivo futuro melhor. Essa edificação passa pela escolha criteriosa de nossos representantes, mas também pela atitude cautelosa e silenciosa de nos renovarmos interiormente. Ouso afirmar que o mais belo e precioso presente que poderemos oferecer consiste em procurarmos realizar, dentro dos nossos corações, a mudança que sonhamos para a terra que amamos.


PARA REFLETIR


Abramos as pálpebras embaçadas, sacudamos a poeira das decepções, revigoremos o espírito, desbravemos novos caminhos, recuperemos a utopia, lancemos um outro olhar sobre o fazer político e marchemos na rota de uma cidade que cultue a justiça e a fraternidade. Crateús merece!



(Júnior Bonfim na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)

ANTONIO IRISMAR FROTA

Por detrás daquele olhar ligeiramente grave, daquela imponente compleição, daquele imenso bloco monolítico de aparente sisudez, se esconde um manancial de ternura – que, no decorrer da convivência, se revela uma cascata de afabilidade, uma colossal cachoeira de bom humor. Assim é o octogenário garoto Antonio Irismar Frota, um crateuense do bem. Encontro-me com ele em um junino domingo, na sua arejada residência em Fortaleza. Ao lado de dona Mirian, esposa inseparável e imantada amiga, defronte a uma gruta em louvor a Nossa Senhora e com um terço na mão, ele começa o diálogo abrindo literalmente o coração. Mostra que carrega um dispositivo eletrônico micro processado de alta tecnologia, o popular marca passo. Quando foi colocá-lo, o médico estranhou o fato de possuir na região torácica uma cicatriz incomum. É a primeira grande marca que carrega da infância. Menino traquino nos campos do Riacho Seco - localidade em que veio ao mundo, na área limítrofe de Crateús com Novo Oriente – sofreu uma enorme queda de uma árvore e quebrou uma vértebra. Com medo da censura paterna, amargou solitariamente aquela dor.

No ano de 1930, em que nasceu, era desejo comum e motivo de orgulho de toda família encaminhar um dos seus brotos para o altar sacerdotal. Foi assim que o irrequieto menino do seu Anízio foi destacado para iniciar os estudos teológicos no Seminário da Betânia, em Sobral, e depois concluí-los no Pontificio Collegio Pio Brasiliano (Pontifício Colégio Pio Brasileiro), em Roma, na Itália. Apesar da litúrgica e formal atmosfera, nunca perdeu o dínamo sertanejo: estudou muito e andou a Europa inteira. Em 1957, foi ordenado. Celebrou a primeira missa nas Catacumbas de São Calixto, na Via Apia, região central de Roma, ponto de intensa visitação turística.

Com as vestes talares no corpo e o talo realizador na alma, Padre Irismar Frota retorna à terra natal. Assume a vaga deixada pelo Padre Fernando Frota. Como que determinado a seguir o conselho de Rui Barbosa - “a suprema santificação da linguagem humana, abaixo da prece, está no ensino da mocidade” – começou um lavor fecundo no seio da juventude crateuense. Atrás da Igreja, abriu uma casa, denominada Betânia, para onde moças e rapazes acorriam ao fim da liturgia eucarística. Era um saudável centro de cultura, lazer e entretenimento, com música, jogos de salão, biblioteca etc.

Visando a acender nos jovens a lâmpada da consciência política e social, animou a JEC (Juventude Estudantil Católica), a Cáritas Diocesana e o Movimento de Bairro. Convocava os fiéis para construir o Reino de Deus nesta terra, através do amor solidário ao próximo. Liderava o rebanho católico em mutirões para construção de casas. Pregava e provava que era possível “construir uma casa por dia”. Após a missa dominical, reunia os homens sob o regime de mutirão e, com um taco na mão, estimulava a todos a cumprir a meta. Quando alguém titubeava, ele mostrava o taco e dizia com desfastio: ‘se fraquejar, eu taco o pau’.

Essa sensibilidade social o fez protagonizar uma cena interessante. No auge da ditadura, os admiradores de Luis Carlos Prestes costumavam homenageá-lo no dia 03 de janeiro, data de aniversário do lendário Capitão. Certa feita os muros da cidade amanheceram pintados com loas ao Cavaleiro da Esperança. Meu parente Padre Bonfim, anticomunista ferrenho, usou o púlpito para proferir um veemente sermão clamando providências das autoridades. Pouco tempo depois, foram para detrás das grades Ferreirinha, João Aragão e João da Bela. Segundo o vulgo comentava, Ferreirinha era o cabeça; João Aragão, o pintor e João da Bela segurara o balde de tinta. Padre Irismar resolveu ir visitar os presos. Ferreirinha já estava sendo liberado. O Padre lhe oferece carona. Ao ver a cena, o povo exclamou: “Quer dizer que um padre prende e o outro solta?!”...

Dentre outros motivos, foram as intrigas que plantaram entre os dois sacerdotes e, sobremaneira, desentendimentos na equipe paroquial, que motivaram sua saída de Crateús. Antes, foi ao Chile fazer um curso. E os mexericos continuaram. Em 1973 resolve se licenciar e passar uma temporada em Manaus. De lá, troca correspondência com a amiga Mirian Monteiro. Um dia, vem a Fortaleza e desabafa. Temia a solidão... Ela se lembrou da frase de João VI para D. Pedro e concluiu: “antes que alguma aventureira lance mão desta jóia, eu o farei”. E no ano chuvoso de 1974 subiram ao altar para selar, sob as bênçãos de D. Fragoso, o sacramento do matrimônio. Têm dois filhos: Suzana Lourdes e Norberto Anízio – assim batizados em homenagem aos avós, maternos e paternos. Ela, fisioterapeuta em Sobral; ele, médico neurologista na capital. Ambos são também professores universitários. E, segundo os pais, pessoas maravilhosas.

Indago-lhe qual a reflexão que faz dessas oito décadas de existência. Primeiro brinca: “Estou pronto para ir quando o Senhor me chamar. Mas... não quero ir tão cedo.” Depois pontua: “Deus foi positivo comigo. Deu-me uma vida abençoada. Sou feliz pela esposa e filhos que tenho”. Descobriu o sentido da nossa passagem neste vale terreno - que não precisa ser um vale de lágrimas, mas de alegria – em especial quando se vive em sintonia com o Altíssimo, fazendo o bem ao próximo, encarando o dia a dia com leveza e, sobretudo, bom humor. Charles Chaplin, engenheiro do riso e um dos maiores gênios da alegria humana, proclamou: “o bom humor está um degrau acima da inteligência!” Antonio Irismar Frota vê o mundo desse degrau superior!


(Júnior Bonfim, na Revista Gente de Ação e no Jornal Gazeta do Centro Oeste)

domingo, 3 de julho de 2011

ITAMAR FRANCO MORRE AOS 81 ANOS


Morreu às 10h15 de ontem, sábado, em São Paulo, o ex-presidente da República Itamar Franco. Aos 81 anos, o político cumpria mandato até janeiro de 2019 no Senado Federal. Antes prefeito de Juiz de Fora (MG) e senador em três oportunidades, Itamar Franco chegou à Presidência após a renúncia de Fernando Collor de Mello, em 1992. Após deixar o Planalto, foi governador de Minas Gerais.

Itamar foi diagnosticado com leucemia em maio e, durante o tratamento, contraiu uma pneumonia, que se agravou. De acordo com o hospital Albert Einstein, ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) na Unidade de Terapia Intensiva da instituição.

Filho de Augusto César Stiebler Franco e Itália Cautiero Franco, Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu a bordo de um navio em 28 de junho de 1930. O pai de Itamar havia morrido meses antes de seu nascimento e sua mãe registrou o filho em Salvador (BA), onde morava um tio. A família era de Juiz de Fora e ele se mudou para Minas Gerais com poucos meses. No município, cresceu e se formou em Engenharia Civil em 1954. Foi durante o curso que iniciou sua vida pública, participando da política estudantil.

Ainda na década de 50, se filiou ao PTB e tentou se eleger vereador e, depois, vice-prefeito em Juiz de Fora. Com o golpe militar em 1964 e a instalação de um regime de bipartidarismo, Itamar migrou para o MDB, sigla pela qual conquistou seu primeiro mandato eletivo, na prefeitura de Juiz de Fora, em 1967. No pleito de 1972, foi reeleito, mas deixou o cargo um ano depois para concorrer, com sucesso, a uma vaga no Senado - sendo reeleito em 1982, já no sucessor do MDB, o PMDB. Em 1986, sem apoio para ser candidato ao governo mineiro em seu partido, se filiou ao PL, mas foi derrotado por Newton Cardoso, candidato de sua ex-agremiação.

Com a derrota, Itamar voltou ao Senado para cumprir o restante de seu mandato, que ia até 1990. No período, participou da Assembleia Nacional Constituinte e das campanhas para a volta das eleições diretas. Em 1989, trocou novamente de sigla e foi para o desconhecido Partido da Reconstrução Nacional (PRN), para ser candidato à vice na chapa de Fernando Collor de Mello, que saiu vencedora.

De vice a chefe da nação

Na vice-presidência, Itamar criticou atos de Collor, como os processos de privatizações, mas se manteve discreto. Com o surgimento das denúncias de corrupção contra o governo e o início da campanha pelo impeachment do presidente, a figura pacata de Itamar ganhou espaço.

Em setembro de 1992, quando a Câmara decidiu autorizar a abertura do processo contra Collor, Itamar assumiu a vaga interinamente. Três meses depois, o presidente renunciou ao cargo e o mineiro foi conduzido à Presidência, sem uma posse formal.

Na Presidência da República

Itamar Franco assumiu o País com uma inflação de 1.100%, que chegaria a 6.000% no ano seguinte. Em meio à crise, o presidente trocou o comando do Ministério da Fazenda diversas vezes, até que Fernando Henrique Cardoso, então ministro das Relações Exteriores, assumiu a pasta com um projeto para a implantação do Plano Real.

Com o plano, era criada uma unidade real de valor (URV) para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente na época, o Cruzeiro Real. Cada URV correspondia a US$ 1. O modelo conseguiu atrair capitais estrangeiros e foi exitoso no combate à inflação em um curto período. Apesar de ousada, a medida estabilizou a economia brasileira.

Com o sucesso do real, Itamar elegeu Fernando Henrique Cardoso seu sucessor em 1995 e deixou o Palácio do Planalto com altos índices de aprovação. No período até a eleição seguinte, Itamar foi embaixador em Portugal e na Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos.

No início de 2011, Itamar Franco foi entrevistado em uma série do canal Globonews com ex-presidentes da República. Na ocasião, ele afirmou que seus feitos durante o governo não eram lembrados pelos críticos na atualidade. "Esqueceu-se e, aliás, se esquece, de que eu entreguei o País democraticamente. Ninguém fala, ninguém fala. Só falam de mim 'é o cabelo (caracterizado por um topete), é o não sei o que, é o Carnaval', essas bobagens. Mas esqueceram que eu fiz uma reunião logo de início, no Alvorada, com todos os presidentes dos partidos e fiz a seguinte proposta, a todos: 'olha, eu assumi o governo pela Constituição e pela vontade de Deus, mas estou disposto, se os senhores entenderem, eu estou pronto a convocar as eleições'".

No Carnaval de 1994, Itamar foi fotografado ao lado da modelo Lílian Ramos em um camarote na Marques de Sapucaí, no Rio de Janeiro, após ela desfilar por uma agremiação. A polêmica ficou por conta de a modelo estar só de camiseta e sem calcinha, detalhe evidenciado pelo ângulo das imagens.

O governo em Minas Gerais

Após sair do governo, Itamar se tornou um crítico da política de Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista à Globonews, ele destacou como uma das principais críticas a reeleição, estabelecida no Brasil após a Constituição ser alterada no governo FHC. "Jamais ele disse que seria candidato à reeleição. Eu considero até hoje um grande mal, quebrou a ordem constitucional brasileira. Na reeleição, você não distingue se é presidente, se é candidato", afirmou. Além disso, ele afirmou que, logo após deixar Brasília, ficou incomodado com o fato de o real ser associado apenas a FHC, e não ao seu mandato. "Se ele quiser ficar com o Plano Real para ele, ele fica", afirmou.

Ao retornar ao Brasil e ao PMDB, o político tentou se lançar candidato à Presidência para as eleições de 1998, mas encontrou resistência no partido, que apoiaria a reeleição do tucano FHC. Decidiu, então, tentar o governo de Minas Gerais, e foi bem sucedido.

O início do governo foi turbulento. No primeiro dia, Itamar decretou a moratória para renegociar a dívida do Estado, gerando uma crise com a presidência do Banco Central. A suspensão do pagamento da dívida durou pouco mais de um ano e gerou retaliação por parte do governo federal, que suspendeu repasses como o do Fundo de Participação dos Municípios.

Outros episódios que marcaram o governo Itamar em Minas foram a retomada, por meio judicial, do controle acionário da estatal elétrica Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), parcialmente vendida no governo anterior, de Eduardo Azeredo (PSDB), e a reação de Itamar após a intenção do governo federal de privatizar a estatal Furnas, projeto que não foi levado adiante. Após a eleição de 2002, na qual apoiou Aécio Neves (PSDB) para ser seu sucessor, Itamar foi nomeado embaixador brasileiro na Itália.

A volta ao Senado

De volta ao Brasil após deixar a embaixada na Europa, Itamar tentou se candidatar a presidente pelo PMDB em 2006, mas desistiu para retornar ao Senado Federal. Acabou perdendo a indicação do partido para Hélio Costa. Em 2007, ele assumiu a presidência do Conselho do Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais.

Em 2009, sinalizando intenção de disputar a sucessão presidencial no ano seguinte, Itamar Franco se filiou ao PPS e declarou seu apoio a Aécio. No discurso de filiação, ele ainda criticou o presidente Lula e o PT. Mais tarde, Aécio e Itamar anunciaram suas candidaturas ao Senado e foram eleitos, derrotando o petista Fernando Pimentel.

Ao voltar a Brasília, Itamar passou a integrar a comissão da reforma política da Casa e defendeu o fim do voto obrigatório e a reeleição. Ele também defendeu um veto à possibilidade de retorno de um político que cumpriu dois mandatos no Planalto. "Quem já foi presidente duas vezes não poderia concorrer mais. Vamos dar oportunidade a outras pessoas. O cidadão fica oito anos no poder e quer voltar?", disse.

A descoberta da leucemia

Em 25 de maio de 2011, Itamar Franco anunciou que um exame de rotina o diagnosticou com leucemia em estágio inicial. Ele se licenciou do Senado e se internou no Centro de Hematologia e Oncologia do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

No final de junho, Itamar foi internado na UTI devido a uma pneumonia. Na sexta-feira, o hospital havia informado que o político apresentou uma remissão completa no quadro de leucemia, o que não equivale à cura da doença, mas, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), representa um estado de aparente normalidade que se obtém após a quimioterapia.

Apesar da melhora, o parlamentar apresentava um "quadro grave" de pneumonia aguda e recebia tratamento com corticoesteróides em altas doses. Ele também respirava com a ajuda de aparelhos.

(Fonte: Terra)

DEVO A ITAMAR A AUDÁCIA DE TER ME NOMEADO - DIZ FHC

Acabo de saber da morte de Itamar. Recordo vivamente a última vez que o vi, no almoço oferecido ao presidente Barack Obama, em março.

Encontrei-o jovial, brincalhão, parecendo feliz. Recordei-me imediatamente do Itamar meu colega no Senado. Nossas relações na época eram superficiais, mas cordiais e sempre alegres.

Quando fui líder do PMDB, no fim dos anos 80, ele era um liderado rebelde, sem perder as boas maneiras.

Uma vez ficamos até altas horas da noite para aprovar um aumento do ICMS, a que Itamar se opunha. Ele obstruía com afinco invejável e tiradas e apartes oportunos, não necessariamente ligados ao tema em debate.

No meio tempo, eu e ele brincávamos um com o outro, enquanto na tribuna os argumentos eram severos.

Assim foi Itamar a vida inteira: persistente em seus objetivos, sempre civilizado, discreto, vivaz e, se necessário, contundente.

Quando à luz dos acontecimentos políticos parecia claro que Itamar se transformaria em presidente da República, tive a surpresa de ser chamado por ele, por intermédio do senador Jutahy Magalhães, para uma conversa.

Mineiramente, ele me perguntou: "O que você acha que vai acontecer?". Repliquei o óbvio: "Você será presidente da República".

Daquele dia em diante, passamos a conversar com frequência e a debater, junto com outros amigos, quase tudo, desde a formação do novo governo até as ações preliminares a serem tomadas.

HABILIDADE POLÍTICA

Um dia, ele me perguntou se eu aceitaria ser ministro do Exterior. Disse-lhe que sim, mas que isso não era condição para meu apoio e que poderia continuar a ajudá-lo no Senado.

De quando em vez, eu perguntava quem seria o ministro da Educação, até que me indagou de chofre: "Você quer ser ministro da Educação?". Respondi que não, queria apenas saber o nome de quem seria para evitar que a área fosse objeto de clientelismo. Ele sorriu, não me disse quem seria, mas assegurou que não havia perigo. De fato, nomeou um nome técnico que teve ação positiva.

Conto isso para ressaltar que Itamar sabia navegar nos mares encapelados da política, sabia dissimular para evitar o pior e tinha compromissos com o interesse público.

Neste momento de alguma lassidão nos costumes, vale recordar que na ocasião em que, sem motivos substanciais, uma CPI colocou em dúvida o comportamento de um de seus ministros mais chegados, ele não teve dúvidas em aceitar o afastamento provisório do amigo, até que ficou comprovado que não havia razões para demiti-lo.

Noutra oportunidade, diante da pressão de denúncias capitaneada por um poderoso senador, Itamar resolveu recebê-lo e convocou a imprensa para que escutasse o que lhe diriam e para que visse abertamente como ele reagiria.

Em matéria de deslizes que ferissem os interesses do povo, Itamar não hesitava. O homem discreto e cordial se transformava no presidente austero, incorruptível.

NO GOVERNO

Devo a ele a audácia de nomear um sociólogo sem grande experiência administrativa para o Ministério da Fazenda. Mais: apoiou tudo que eu e minha equipe propusemos para fazer o que no início foi o Plano FHC e se transformou no Plano Real.

Sem o apoio irrestrito do presidente, nada do que foi feito poderia ter sido aprovado. E isso em matéria que nem sempre era da preferência de Itamar.

Preocupado que foi a vida inteira com atender aos mais pobres, temia que a contenção fiscal necessária para assegurar a estabilidade da economia pudesse prejudicar os trabalhadores.

Não obstante, aceitou com responsabilidade histórica o que teria de ser feito, embora às vezes com a alma travada.

As repercussões positivas do Plano Real para o povo e para a economia permitiram que Itamar assistisse sua consagração no fim do mandato. Mais do que merecida, a consagração de um homem que tinha forte sentido ético na política e que, com sua simplicidade e despojamento, serve cada vez mais de exemplo ao Brasil atual.

Pessoalmente, devo a Itamar não só o ter-me apoiado como ministro, mas o haver aprovado com entusiasmo minha candidatura ao Planalto. A despeito das reviravoltas da política que nem sempre permitiram que estivéssemos no mesmo lado quando exerci a Presidência, sempre guardei respeito por tudo que Itamar significou para o Brasil.
Só lamento não ter tido mais oportunidades de desfrutar, com a tranquilidade que só os anos trazem, uma convivência mais frequente.


(FERNANDO HENRIQUE CARDOSO foi presidente da República (1995 a 2002) e ministro da Fazenda no governo Itamar.)

sábado, 2 de julho de 2011

FOI DEUS





Não sei, não sabe ninguém
por que canto o fado
neste tom magoado
de dor e de pranto
e neste tormento
todo o sofrimento
eu sinto que a alma
cá dentro se acalma
nos versos que canto

Foi Deus
que deu luz aos olhos
perfumou as rosas
deu oiro ao sol
e prata ao luar
foi Deus
que me pôs no peito
um rosário de penas
que vou desfiando
e choro a cantar
e pôs as estrelas no céu
e fez o espaço sem fim
deu o luto as andorinhas
ai, e deu-me esta voz a mim

Se canto
não sei o que canto
misto de ventura
saudade, ternura
e talvez amor
mas sei que cantando
sinto o mesmo quando
se tem um desgosto
e o pranto no rosto
nos deixa melhor

Foi Deus
que deu voz ao vento
luz ao firmamento
e deu o azul às ondas do mar foi Deus
que me pôs no peito
um rosário de penas
que vou desfiando
e choro a cantar
fez poeta o rouxinol
pôs no campo o alecrim
deu as flores à Primavera
ai!, e deu-me esta voz a mim.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

PRINCESA DIANA - 50 ANOS

Se viva, hoje a Princesa do Povo estaria completando 50 anos.





Adeus rosa da Inglaterra
Que você cresca sempre em nossos corações
Você era a graça que se colocava
Onde as vidas eram despedaçadas
Ao país, você falou com doçura
Agora você pertence aos céus
E as estrelas formam o seu nome.

E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva
E sua pegadas sempre estarão aqui,
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda
Encanto nós perdemos,
Nesses dias vazios sem seu sorriso.

Esta tocha nós sempre levaremos
Pela filha mais bela de nossa pátria.
E ainda que tentemos,
A verdade nos leva as lágrimas
Todas as nossas palavras não podem expressar
A alegria que você nos deu
Através dos anos.
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva.
E suas pegadas sempre estarão aqui
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra,
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda.
Adeus rosa da Inglaterra
Que você cresça sempre em nossos corações
Você era a graça que se colocava
Onde as vidas eram despedaçadas.
Adeus rosa da Inglaterra
Rosa de um país perdido sem sua alma
Que se vai sentir falta das asas de sua compaixão
Mais do que você jamais saberá
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento,
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva
E suas pegadas sempre estarão aqui,
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda


(Elton John)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

HOJE É O DIA DO CAMINHONEIRO OU CAMIONISTA

25 de julho, dia de São Cristovão, é a data escolhida para a comemoração do Dia do Motorista. No entanto, hoje, 30 de junho, se celebra o Dia do Caminhoneiro ou Camionista. Essa é diferenciada do dia do motorista para diferenciar as classes de Motorista e Camionista, pois a classe Motorista é genérica, incluindo também motoristas de veículos leves.

Em louvor aos que ganham a vida nas estradas, veja o vídeo abaixo:




Composição: Roberto Carlos/Erasmo Carlos

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais

Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz

A saudade então aperta o peito
Ligo o rádio e dou um jeito
De espantar a solidão

Se é de dia eu ando mais veloz
E à noite todos os faróis
Iluminando a escuridão

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Já rodei o meu país inteiro
E como bom caminhoneiro
Peguei chuva e cerração

Quando chove o limpador desliza
Vai e vem o pára-brisa
Bate igual meu coração

Doido pelo doce do seu beijo
Olho cheio de desejo
Seu retrato no painel

É no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais

Olho o horizonte e vou em frente
Tô com Deus e tô contente
O meu caminho eu sigo em paz

Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela

Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela

O nome dela (repete...)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

FERREIRINHA, O HUMANISTA!


No tempo em que eu era menino, o mundo inteiro era as ruas de minha cidade, que eu corria num segundo, montado em bicicletas alugadas à hora no Beco da Galinha Morta. Ainda assim, por mais que eu me esforçasse, não havia jeito do meu dia caber nas horas adultas: ia pra rede à força, obrigado, zangado, mesmo então achava um desperdício dormir. Afinal, era tanta coisa a fazer, tanta brincadeira, tanta conversa, tanta novidade, e o tempo de estar acordado de jeito nenhum abarcava tudo. E pra piorar a situação, acharam de inventar os álbuns de figurinhas: para cada página completada, um prêmio – liquidificador, televisão, bicicleta... Minha vida virou um inferno!


Foi nessa época que eu conheci o Ferreirinha. Também, vivia na Casa Norberto Ferreira! Cada centavo que eu conseguia, era lá que eu ia deixar, trocado por envelopes de três figurinhas, torcendo pela premiada, pela “difícil”. Éramos um magote de meninos, todos ávidos, zuadentos e urgentes, e Ferreirinha atendia a todos, dividindo o tempo entre os fregueses que para ali acorriam na certeza de que tudo tinha, a mesma paciência que ainda hoje carrega em seu semblante de nonagenário. Comunista de carteirinha, nada nele denunciava aquela figura perigosa com a qual os adultos nos amedrontavam em noites de lua cheia, em conversas pelas calçadas: “Comunista é matador de padre, comedor de criancinhas...”. Eu, pra falar a verdade, achava o Ferreirinha um sujeito muito do inofensivo.


Mas foi somente depois de adulto, tendo já andado meio mundo, que eu vim a saber de fato quem é Ferreirinha e o porquê dele às vezes incutir tanto medo em algumas pessoas. Ferreirinha é autêntico, é coerente, é humano, interessa-se e luta pela condição dos mais carentes. Independente de questões partidárias – pelas quais “puxou” cadeia diversas vezes –, nunca abdicou de falar contra os desmandos dos poderosos, contra o malfeito dos insensíveis. A ambição e a riqueza fácil nunca o atraíram. Jamais percorreu o cômodo caminho da bajulação, nem contentou-se com a felicidade que só alcança aos amigos do rei.


Mesmo tendo frequentado o estudo regular por apenas seis meses, Ferreirinha tornou-se o maior memorialista de nossa história, contando-a em livros que são reverência a um tempo que não pode e nem deve ser preterido. Jornalista, radialista, cronista popular, folclorista, pesquisador, escritor e historiador, hoje com 93 anos, Norberto Ferreira Filho, o Ferreinha, é o símbolo vivo do homem que constrói o seu lugar como uma casa onde todos caibam, igualmente, irmãos em fartura e alegria.


Eu sinto saudades dos meus tempos de menino, é claro. Do Ferreirinha, não. A este eu tenho agora muito mais presente na minha compreensão de homem. E mesmo a sua vista cansada, sua memória falha, seu andar trôpego, de bengala à mão, me são imensuravelmente caros.


Lourival Mourão Veras
Escritor

CONJUNTURA NACIONAL

Maranhão


Historinha do Maranhão. O desembargador Deoclides Mourão, tio do escritor, jornalista e poeta Gerardo Mello Mourão, fez acordo com Urbano Santos para candidatura ao governo. Eleito, Urbano não cumpriu o acordo. Deoclides mandou-lhe uma carta:

- Senhor governador, diz o povo que o homem se pega pela palavra, o boi pelo chifre e a vaca pelo rabo. Supondo não ter V.Exa. nenhum desses acessórios, não sei por onde começar.


Mato Grosso do Sul


Historinha do Mato Grosso (hoje, do Sul). O ministro Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda do Governo Geisel, foi a Campo Grande discutir os problemas econômicos e financeiros de Mato Grosso do Sul. O fazendeiro Fernando Junqueira Franco pediu a palavra:

- Senhor ministro, depois que juro virou correção monetária, fazendeiro passou a ser empresário rural e roçar pasto chama-se investimento, nosso negócio acabou tornando-se uma merda.

Relatos do amigo Sebastião Nery.


Cabral desce ladeira


Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, desce a ladeira do prestígio. Como se sabe, Cabral era visto como um dos governantes mais prestigiados por Lula e, ultimamente, pela presidente Dilma. Guarda aquele jeitão carioca de conquistar as pessoas. O acidente com o helicóptero, na Bahia, escancarou a relação de interesses entre o chefe do Executivo carioca e empresas. Mostrou, por exemplo, que o governador viajou para a Bahia num jatinho de Eike Batista, que teria sido beneficiado com quase R$ 80 milhões de incentivos fiscais. O empresário que pilotava o helicóptero, que também morreu no acidente, teria também sido beneficiado. Cabral terá de dar explicações sob pena de continuar sob tiroteio midiático.


Gangorra


A presidente Dilma começa a exibir jogo de cintura. Era favorável ao sigilo eterno de documentos. Agora, já pensa que esse sigilo deve ser, no máximo, de 50 anos. Jobim, o ministro da Defesa, tem dito que os documentos da ditadura - aqueles guardados na caixa preta - sumiram, não havendo, portanto, razão para eternizar o sigilo. Outra mudança de posição se deu em relação às licitações de obra para a Copa. Agora, diz-se a favor de um regime diferenciado de licitações. Ou será que alguns jornais não souberam fazer a lição de casa? (Confiram a nota abaixo). T.S.Eliot dizia: "Só os imbecis não mudam porque carregam o defeito desde o berço".


Manchetes opostas


Manchete de ontem do O Estado de S.Paulo: "Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações".


Manchete de ontem da Folha de S.Paulo: "Dilma volta atrás e abre orçamentos de obras da Copa".


Jesus I


Renato Battaglia, advogado e leitor da Coluna, envia um conjunto de provas sobre a nacionalidade de Jesus. Distribuídas ao longo do texto. Portanto, o contraditório deve ser dirigido a ele.

Três provas de que Jesus era judeu:

1 - Assumiu os negócios do pai;

2 - Viveu em casa até os 33 anos;

3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem; e a mãe tinha certeza de que ele era Deus. (Continua)


Verdes em fuga


Os verdes comandados por Marina Silva têm data marcada para a fuga do PV: 7 de julho. O exército verde da acreana vai à luta pela criação de uma nova sigla. Que terá dois conceitos-chave: Verde e Cidadania. O novo partido não deverá ter problemas. O ambiente social favorece os horizontes esverdeados da ex-candidata à presidência da República.


Tiro pela culatra


Quem não se lembra? Um dos temas de campanha do governo Dilma era a desoneração da folha de pagamento. A promessa, alvissareira, era a de que, quanto menos onerosa for a contratação do trabalhador, mais trabalho formal se cria. Portanto, menor será o desemprego. Simples, não é? Ocorre que, pelo fato de, mais uma vez, o Congresso não ter legislado sobre o aviso prévio "proporcional", o STF julgará recursos nessa direção, proposto por funcionários da Vale. Dependendo do resultado, muitas empresas se precaverão desse ônus extra e começarão a dispensar os empregados de maior tempo de casa. Eis mais um paradoxo de nosso país: a legislação que deveria proteger o trabalhador, por excesso de proteção acabará gerando a ciranda do desemprego.


Nordeste farto e fértil


Petrolina-Juazeiro. Que maravilha contemplar a exuberância regional. Navegar pelo lago de Sobradinho é enxergar o futuro da região. 250 km de água. Energia por todos os lados. Fruticultura. 7 vinícolas, entre as quais os Grupos Rio Sol (Del Vale) e Terra Nova (Miolo). Domínio tecnológico do ciclo da uva. Quatro estações do ano ao mesmo tempo na cultura da uva. Bodódromo em Petrolina, um circuito de bons restaurantes. Carne macia e saudável. Queijo de cabra. Festejos juninos e massa acorrendo aos shows com muita energia. E dinheiro no bolso. Museus contando a história do sertão. Orla cheia de bares e gente alegre. Grande Universidade. Juazeiro-Petrolina, exemplo de pólo de desenvolvimento bem sucedido. Durante quatro dias, vi o progresso nordestino.


Jesus II


Três provas de que Jesus era irlandês:

1 - Nunca foi casado;

2 - Nunca teve emprego fixo;

3 - O último pedido dele foi uma bebida. (Continua)


Pagando o pato


Muitos órgãos públicos vêm contratando serviços terceirizados por meio do pregão eletrônico, valendo-se de preços que sequer pagam os encargos trabalhistas. Dirigentes fecham os olhos para os riscos dessa prática. O TST acaba de confirmar que os órgãos públicos serão chamados a pagar indenizações trabalhistas resultantes de contratações feitas por empresas inidôneas. Ora, como o órgão público é um ser inanimado, quem deverá pagar o pato por esse risco, serão os atores que tomaram as decisões, os participantes da jogada infeliz, desde o pregoeiro até o dirigente. O TST fez o alerta. Só não enxerga quem não quer.


Chávez sob mistério


Hugo Chávez está em Cuba convalescendo, há 20 dias, de um processo cirúrgico. O comandante está envolto em mistério. O vice-presidente da Venezuela promete que o país terá Chávez ainda por muito tempo. A Rádio Peão diz que ele está com câncer. Por que o tão falante presidente não abre a boca para dizer o que tem? O silêncio fala alto.


Jesus III


Três provas de que Jesus era italiano:

1 - Falava gesticulando muito;

2 - Tomava vinho em todas as refeições;

3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma. (Continua)


Mercadante chama os hackers


O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, quer homenagear os hackers que invadiram os computadores do governo Federal, a partir da Receita. Mercadante convida o grupo a trabalhar para o governo. Deve estar se inspirando em um caso ou outro de hacker arrependido dos Estados Unidos e da Europa, onde os controles são muito mais rígidos e onde a cultura do respeito à ordem é generalizada. O ex-senador esquece que essa figura aprecia a transgressão. Seu hobby é agredir, ferir, promover ruptura. Trata-se de um fenômeno ligado a autoestima. Trabalhando no governo, os hackers brasileiros desmontariam, do dia para a noite, todo o sistema de controles governamentais.


O líder no Congresso


A presidente Dilma deve anunciar nas próximas horas o nome do líder do governo no Congresso. Será do PT ou do PMDB? O deputado Mendes Ribeiro, do RS, já esteve pertinho da porta de entrada. O PT reagiu forte. Defende que o nome seja do partido. O deputado Arlindo Chinaglia é o candidato do presidente da Câmara, deputado Marco Maia. Que quer retribuir o apoio dado a ele por Chinaglia por ocasião da disputa pela presidência da Câmara Federal. Os senadores do PT querem que o nome saia do grupo petista no Senado.


Boom imobiliário


Estrangeiros descobriram a mina: o mercado imobiliário brasileiro. Compram casas, apartamentos, terrenos. O Brasil é o solo da vez.


Jesus IV

Três provas de que Jesus era americano (californiano hippie):

1 - Nunca cortava o cabelo;

2 - Andava descalço;

3 - Inventou nova religião. (Continua)


Graziano, cuidando da fome


O agrônomo José Graziano foi o idealizador do programa Fome Zero. Que gorou no início do primeiro mandato de Lula. Depois, a ideia foi incorporada pelo Bolsa Família. Graziano chega à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) com a missão de aliviar a fome do mundo. Entra bem no modelo que Lula quer implantar em países do mundo faminto.


Ideli e os aloprados


Ideli Salvatti não irá ao Congresso para falar sobre os aloprados. Como é sabido, seu nome consta da relação (onde está também o nome do falecido Orestes Quércia) que tomara conhecimento da operação voltada para implodir a candidatura Serra à presidência no último pleito. Ideli agora é a ministra de Relações Institucionais. E será blindada pelo exército governista. Mercadante, por sua vez, foi ao Senado e enfrentou as frágeis perguntas da oposição sobre o tema. Argumentou que se Quércia estivesse vivo, a "história fantasiosa não se sustentava de pé meia hora". De fato, Quércia era aliado do PSDB e não do PT.


Distensão política


Sob o governo Dilma, o clima político está mais distendido. Tensões existem, aqui e ali, mas não contêm aquela dose incendiária dos tempos de Lula. A presidente tem sinalizado com gestos de elegância e educação política. Coisa que se viu na mensagem por ocasião dos 80 anos de FHC e na presença de ministros no enterro do ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza.


Paulo Renato


Paulo Renato foi por bom tempo meu companheiro de página 2 no Estadão, aos domingos. Como ministro da Educação do governo FHC, criou o Bolsa Escola, carro chefe dos programas sociais do atual governo. A Coluna rende homenagens ao tucano, que faleceu no sábado passado.


Itamar


O senador Itamar Franco, gravemente enfermo, é outro brasileiro que merece nossas homenagens. Presidente da República, foi ele quem implantou o Plano Real. Feito que abriu o ciclo da estabilidade monetária, consolidado por Fernando Henrique e continuado por Luiz Inácio.


Lula


Dilma fez bem em nomear Lula para chefiar missão na Guiné Equatorial. Todos se recordam do sonho acalentado pelo ex-presidente: estender os braços assistencialistas do governo petista pelo mundo carente. Pois bem, chegou a vez. Vamos, agora, conferir.


Jesus V


Três provas de que Jesus era francês:

1 - Nunca trocava de roupa;

2 - Não lavava os pés;

3 - Não falava inglês. (Continua)


Domínio das mulheres


O ciclo de domínio das mulheres se expande com a eleição da francesa, Christine Lagarde, para comandar o FMI. Será a primeira mulher no cargo, sendo o 11º europeu a ocupá-lo consecutivamente. Lagarde foi apontada para um mandato de cinco anos que começa no próximo dia 5 de julho. O rival, o mexicano Agustin Carstens, recebeu apoio público de apenas três países da comissão; por isso mesmo, esta abandonou o voto formal e nomeou a diretora-gerente por consenso.


Aborto de anencéfalos


O STF se prepara para julgar a questão polêmica de aborto quando a gravidez é de feto anencéfalo (sem cérebro). 5 ministros tendem a votar pelo direito de escolha da mãe; 3 tendem a votar contra e 2 ainda são uma incógnita. E um dos ministros, Toffoli, não decidiu se vai participar do julgamento, que está marcado para agosto. Lembrete: o Código Penal autoriza o aborto quando a gravidez é resultado de estupro ou quando a vida da mãe está em risco. Outro lembrete: o Estado é laico.


Jesus VI


Três provas de que Jesus era brasileiro:

1 - Vivia sempre liso;

2 - Vivia fazendo milagres;

3 - Prometia o céu e entregava o inferno...


Conclusão


Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus. Quanto a Judas... Todos concordam que era argentino.


Conselho às autoridades olímpicas


Há dois colegiados encarregados de definir políticas e ações visando preparar o país para acolher a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Há muita discussão sobre o calendário das obras, deixando no ar a dúvida: haverá tempo hábil e orçamento para o gigantesco programa de obras? Nesse sentido, a Coluna sugere às autoridades olímpicas:

1. Organizem um rigoroso programa de ações e controlem de maneira rigorosa as operações de campo.

2. Definam responsabilidades, façam as devidas divisões de tarefas, falem menos e ajam mais.

3. Dêem ampla visibilidade aos trabalhos de campo, evitem versões fantasiosas e trabalhem todo tempo sob o império da transparência, verdade e tempestividade.



(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 28 de junho de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Copa para o povo, banquete para poucos?


O sigilo dos orçamentos das obras e serviços da Copa do Mundo e da Olimpíada no Rio, que o governo diz que "não é bem assim", não é a única janela escancarada à bandalheira contida na MP 527, já aprovada em suas regras gerais na Câmara, mas ainda dependendo da votação de destaques pelos deputados e depois de apreciação pelo Senado. Ele é apenas o mais escancaradamente visível no Regime de Contratação Diferenciado. Diz o governo que o artigo sobre a licitação sem preço-base anunciado previamente é o melhor método e que houve interpretações equivocadas como classificaram as críticas à presidente Dilma. Além dos políticos do PMDB que se renderam ao argumento vindo do Palácio do Planalto, há especialistas, principalmente em obras civis, que endossam a tese. Dizem que reduz a possibilidade de corrupção.


Então...


Sendo assim, falta responder a algumas questões para convencer os leigos:

1. Por que foi incluído na MP, na última hora, no dia da votação, pelo relator José Nobre (PT/CE) e não constou desde o início do relatório?

2. Por que a mudança na lei de licitação não foi proposta a mais tempo?

3. Por que adotar a norma somente para a Copa e a Olimpíada e não estendê-la para tudo a partir de agora?


Bodes mal cheirosos


No RDC para a Copa e Olimpíada, na realidade o sigilo pode ser apenas o bode na sala, para deixar, ao largo das críticas, outros itens do projeto multiplicadores de licenças para jogadas nada ludopédicas:

1. Quem faz o projeto pode também tocar a obra.

2. Foram beneficiadas com as facilidades as capitais situadas a até 350 Km de uma cidade-sede o que deixará quase todas as capitais estaduais no perímetro das vantagens.

3. Mesmo obras não diretamente ligadas ao evento esportivo (mobilidade urbana, aeroportos, por exemplo) podem entrar no rateio, desde que a União, os Estados e municípios baixem uma resolução nesse sentido. Pode entrar uma estrada, um hospital e sabe-se lá o que, no limite, até o famoso trem bala.

4. Não há limite para elevação dos custos dos projetos, basta a FIFA ou o Comitê Olímpico mostrarem a necessidade de adaptação do que foi licitado.

5. O Comitê Olímpico e a FIFA estão isentas do pagamento do ISS (imposto municipal) nos serviços que utilizarem no Brasil.


Dois exímios pipoqueiros


No jargão do futebol, agora não tanto em voga quanto esteve nos tempos de Lula, diz-se que um jogador é pipoqueiro quando ele não faz esforço para chegar numa bola que deve dividir com um zagueiro mais virulento - finge que corre, mas não corre. Nesta questão do jogo inaugural da Copa de 2014, a FIFA de Joseph Blatter e a CBF de Ricardo Teixeira estão se revelando dois grandes pipoqueiros. Fingem que querem a abertura do mundial em São Paulo, porém jogam com má vontade nada discreta porque, para puxar o saco do governo Federal querem mesmo que o jogo vá para Brasília. 2014 é ano de eleição presidencial, tem reeleição ou a luta por um terceiro mandato, que daria para faturar nas urnas, sem ter de dividir a festa inaugural com os tucanos paulistas. Por esse ângulo, entende-se também porque tantas facilidades para evitar um vexame logístico em 2014.


Apagão olímpico


Nada tão exemplar que os apagões elétricos do "Engenhão". Já somam cinco os jogos de futebol interrompidos pela falta de energia elétrica - o último neste último fim de semana. Ali, no Estádio João Havelange, ex-sogro do eterno presidente da CBF Ricardo Teixeira, projeta-se para todos os olhos a incompetência em relação às obras voltadas para os eventos esportivos: foi ali que se realizaram boa parte dos Jogos Panamericanos em 2007.


O outro sigilo


Pelo menos um outro sigilo - os dos documentos oficiais secretos - vai cair. O PMDB de José Sarney e o ex-presidente Fernando Collor de Mello não seguram sozinhos a bomba do Senado depois que a presidente Dilma, pressionada pela opinião pública e pelo PT, desdisse o que havia desdito.


Encerra-se o trimestre


Este trimestre do ano está a fechar-se com evidentes sinais de estagnação na economia dos países centrais. Semana passada os EUA divulgaram os gastos dos consumidores e o resultado foi sofrível, mesmo para os produtos de primeira necessidade. Na Europa, a crise da Grécia, Irlanda e Portugal impõe restrições ao crédito em todo o Velho Mundo. A Espanha está igualmente quebrada e a Itália super endividada. No Japão, os efeitos da tragédia de dois meses atrás ainda impõe ao governo medidas para restabelecer o status quo anterior da produção. Até mesmo na China, os sinais são de queda da atividade econômica que gravita ao redor de 8% neste ano (10% no ano passado). O segundo semestre do ano, depois das férias no hemisfério norte, definirá se estamos entrando num novo ciclo negativo para economia mundial. Até lá, mercados "andando de lado". Como os caranguejos.


A Grécia e as velhas "leis de mercado"


Sabe-se que os germânicos e seus atuais parceiros europeus (Inglaterra e França, sobretudo) estão interessadíssimos que a pequena Grécia não dê um calote no tal do mercado. Os bancos alemães possuem muitos ativos espanhóis e não querem reconhecer os prováveis prejuízos que virão caso a Grécia busque uma saída para a sua própria tragédia. Ora, se há uma saída legítima, esta seria impor prejuízos aos investidores que investiram mal o seu dinheiro, incluindo os acionistas dos bancos. Como ocorreu nos EUA. Enquanto isso, parcelas substanciais da juventude grega, portuguesa, irlandesa e espanhola "bancam" um desemprego ao redor de 35%. O capitalismo atual do FMI e do Banco Europeu continua com as velhas práticas que fizeram vigorar a "década perdida" dos anos 80 na América Latina. Agora chegou a vez dos europeus. Por que não uma saída verdadeiramente de mercado?


Brasil, sem estratégia


Os impactos modestos da crise externa sobre o Brasil escondem os sérios problemas do país em meio à crise externa. A valorização cambial é "compensada" pelos bons preços das commodities, mas o volume global do comércio externo (exportações+importações) indica que há pouca agregação de tecnologia na produção industrial brasileira como ocorre com a China. Ora, este processo torna a economia local estruturalmente pouco competitiva. Não há, do lado político, nenhuma sensibilização em torno do tema. Afinal, o desemprego é baixo. Todavia, a conta virá no médio prazo e, nesta ocasião, virá um maior desemprego e maior inflação, caso o câmbio se desvalorize.


A propósito do tema...


Vejamos esta declaração de Luciano Coutinho ao jornal Valor Econômico na última sexta-feira:

Valor: O que o governo pretende fazer com a nova política (industrial)?

Coutinho: O que estamos fazendo é buscar reforçar a competitividade da indústria através de uma série de medidas.

Valor: Que medidas?

Coutinho: Infelizmente, não posso adiantar porque estamos ainda (grifo nosso) numa agenda de discussão.


O problema de competitividade do Brasil já perdura por mais de seis anos e a agenda persiste em discussão. Todas as medidas de crédito tomadas há seis meses não produziram essencialmente nenhuma alteração de rota no que tange ao problema externo brasileiro.


Parcerias privadas


Em conversa com esta coluna, um dirigente de empresa muito interessado em participar de concessões de serviços públicos mostrou-se bem mais otimista que há seis meses com a visão do governo sobre o tema. "Eles (governo) perderam a arrogância e estão começando a conversar mais abertamente sobre novas concessões. Acho que vem mesmo uma onda de novas concessões a partir do segundo semestre. A incompetência estatal ficou às claras...", vaticinou o dirigente. A conferir.


Lei das terras


Mais uma do capitalismo estatal brasileiro: o governo quer ser sócio dos estrangeiros que compraram terras aqui, por meio de uma golden share. Para um país que não precisa de investimentos...


O perigo amarelo


Nem contando chinesinhos durante a noite toda, boa parte dos empresários consegue dormir tranquilamente - aliás, esse exercício costuma mesmo é aumentar a insônia crônica dos produtores nacionais. Não é para menos, enquanto pelo menos o Brasil continuar jogando para trás em matéria de (des)incentivo à competição com o mundo afora. Historinha exemplar contada por Eduardo Neger, presidente da Associação das Empresas da Area de Internet, e da Neger Tecnologia e Sistemas: a empresa utiliza no seu equipamento para amplificação dos sinais de celulares uma placa fabricada na China. Ela manda o projeto da placa para o fabricante chinês pela internet e recebe o produto pronto três dias depois, por um serviço de postagem rápida. E pagando todos os impostos, tem uma placa de alta qualidade cerca de 50% menos do que pagaria se fizesse a encomenda aqui no Brasil.


Vitória lulista


Justiça seja feita: Lula sabe usar a sua imagem internacional com competência. A vitória de José Graziano para a direção da FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) foi espetacular. Graziano disse que "quem tem fome, tem pressa", ao se referir à necessidade de recursos (algo como US$ 50 bi por ano) para alavancar a produção de alimentos no mundo. Soa como lema de campanha, mas funcionou nos ouvidos dos representantes dos países em desenvolvimento e pobres que votaram em massa em Graziano. Agora, resta a Graziano estabelecer o diálogo necessário com os países desenvolvidos para reformar a FAO e fazê-la um organismo efetivo. Até lá nada de muitas taças de vinho nos bons restaurantes de Roma, a Cidade Eterna que sedia a FAO...


Uma ameaça a menos


Sempre é bom esperar para comemorar, contudo, tudo indica que o acerto para a votação do regulamento da Emenda 29 (aumento da aplicação orçamentário de recursos para a saúde) eliminou o renascimento da CPMF, com o nome fantasia da Contribuição Social para a Saúde (CSS). Se o Ministério da Fazenda deixar.


Uma ameaça a mais


No entanto, está no forno oficial a criação de um novo imposto sobre a exploração de recursos minerais no país.


Incompatibilidade de gênios


Se o cabriolé da reforma tributária continuar a ser conduzido do ritmo de Brasília, em pouco tempo não devem ser convidados para o mesmo pé de moleque junino os governadores do Norte e Nordeste e os do Sul e Sudeste e os negociadores do governo. Em entrevista semana passada (leitura obrigatória) ao jornal "Valor Econômico", o governador de Sergipe, Marcelo Déda, deu o tom da insatisfação geral avisando que ele e seus colegas não estão para discutir apenas mudanças no ICMS.


Fora do ritmo


O mesmo governador Déda indicou que não devem aparecer no mesmo forró alguns grupos de petistas, especialmente os forrozeiros paulistas.


Em berço esplêndido


Enquanto isso, a oposição dormita. Não sabe da reforma tributária, deixou para Sarney os primeiros (depois abafados) gritos contra o sigilo da Copa... Continua acreditando que explorar escândalos basta.


E por falar em escândalos...


Por que será que a oposição não prossegue as investigações sobre a fortuna amealhada por Palocci, o episódio de venda do Banco Panamericano, as nomeações governamentais e outros tantos escândalos que levaram à tribuna os próceres oposicionistas?


De olho na reforma do BC


Ao que parece o BC está fazendo uma reforma que tem chance de aumentar a sua eficiência por meio da eliminação de funções intermediárias que reduzem a sua agilidade em termos de supervisão e fiscalização. Eis aí um bom princípio para reformar o Estado. Da mesma forma, seria um tema a ser analisado pela classe política que tanto critica o BC quando o assunto é a política monetária. Poderiam os políticos prestar um serviço verdadeiramente republicano e verificar se estas alterações favorecem de fato o cidadão que lá na ponta paga extorsivos juros bancários e custos de serviços que nem banqueiros internacionais acreditam ser praticados.





(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

ACADEMIA EM AÇÃO

Caros Colegas da ALC,

Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, estaremos partindo de Crateús para três cidades do Estado do Piauí, Oeiras, Teresina e Castelo.

O objetivo é buscar e colher dados sobre os primórdios de nosso município, de quando a jovem Crateús ainda pertencia àquele Estado.

A partida será da nossa Sede, à Rua do Instituto Santa Inês, n° 231 - no centro de Crateús, às 5:00h da manhã.

Temos em benefício da ALC 12 vagas no microônibus. A presença na viagem deve ser confirmada junto ao Elias (9219-3506 ou 9943-4494), Karla (9253-3103 0u 9910-9473) e Lourival (9201-5010).

Lembramos que as despesas de hospedagem e alimentação correm por conta de cada um dos excursionistas.

É recomendável que os pesquisadores se municiem de maquinas fotográficas, gravadores ou outros meios de registrar informações.



Aguardamos contato

Elias de França

Presidente

VERGONHA QUE NÃO TENHO DE SER NORDESTINA

Cultivado entre os cascalhos do chão seco e as cercas de aveloz que se perdem no horizonte, cresceu, forte e robusto, o meu orgulho de pertencer a esse pedaço de terra chamado Nordeste.


Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano, correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.


Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato. Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair é nunca!


Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta, atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira, feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol... E mais uma ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em casa!


Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.


Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.


Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo além da sanfona, do triangulo e da zabumba? No máximo, um pandeiro ou uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom!


Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.


Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.


Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.


Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso. Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.


(Sheila Raposo - Jornalista)

domingo, 26 de junho de 2011

NÃO SE PODE VIVER SÓ POR SONHAR

O Mal anda galope, absoluto...
No corcel da Arrogância, à rédea solta,
A Injustiça caminha desenvolta
E o combate à Violência, dissoluto.
Sonho que haja um choque resoluto
Para o Crime poder retroceder,
Sonho a Paz nesta terra florescer
E a Justiça, justiça proclamar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!


Todo dia sentimos grande baque
Ao ouvir as notícias da nação,
São escândalos demais!... Corrupção,
Marginais investindo ousado ataque,
Mais seqüestro, homicídio, bullying, crack,
E a família não sabe o que fazer,
Contudo, eu prefiro ainda crer
Que o sol da decência irá raiar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!



Dá vergonha e nos enche de tristeza
Ver políticos sem ética e elegância,
Atolados na lama da ganância
Sectários do luxo e da riqueza,
Leiloando o povo, a natureza,
Mas, já vejo este quadro esmaecer.
Sonho um dia, no topo do poder
Ter quem saiba amor disseminar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!


Não mergulho no mar da utopia
Nem transponho o bosque das injúrias,
Não me sento na sala das lamúrias,
Do malogro não quero a companhia.
Com meus versos, florais de poesia,
Vou compondo canções de bendizer,
As mazelas, eu tento dissolver,
Na esperança do amor ressuscitar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!


Sonho ver nossa Pátria humanizada
Com políticos gentis e desvelados,
Os direitos humanos preservados,
E a Justiça sem nódoa e respeitada.
A família em Deus sintonizada,
O alinho marcando o proceder,
Em tapetes de sonho adormecer
E com gorjeios suaves despertar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!


Sou boêmio, romântico, sonhador,
Penso a vida bordada de cultura,
Adornada com enfeites de ternura,
Adoçada com mel de puro de amor,
Perfumada com pétalas de flor,
Recheada de graça e de prazer,
Temperada de afeto e bem querer
E a bandeira da paz a flamejar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!


(Dideus Sales)