Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sexta-feira, 2 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
SOBRE D. JACINTO
Deixa-nos Dom Jacinto.
Deixa-nos com muita saudade. Pastor dedicado. Afeito a grandes desafios. Mostrou-nos a face mariana da Igreja.
Deu a Nossa Diocese uma Padroeira: Nossa Senhora da Conceição. E um templo belíssimo.
Foi fiel aos ditames da Igreja e do Concilio Vaticano II.
Era um pastor de compromisso.
Vai nos faltar quando desejamos o perfil do Povo Bom e Piedoso de Crateus. Valeu.
José Maria Bonfim de Morais
Deixa-nos com muita saudade. Pastor dedicado. Afeito a grandes desafios. Mostrou-nos a face mariana da Igreja.
Deu a Nossa Diocese uma Padroeira: Nossa Senhora da Conceição. E um templo belíssimo.
Foi fiel aos ditames da Igreja e do Concilio Vaticano II.
Era um pastor de compromisso.
Vai nos faltar quando desejamos o perfil do Povo Bom e Piedoso de Crateus. Valeu.
José Maria Bonfim de Morais
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
"Foi o que me valeu"
Carlos Pedreira, advogado e engraçado, entra no relato engraçado de Leonardo Mota, no Tempo de Lampião, lá no Nordeste. A passagem é esta:
Certa vez, passei a atuar num processo de desquite. Como esses processos são sempre escandalosos, interferi suasoriamente junto aos cônjuges, a ver se os reconciliava. Consegui um entendimento de ambos. A esposa era uma jararaca velha ciumenta. Feia e desdentada, casara-se em segundas núpcias com o meu constituinte. Atendendo ao meu pedido para que dissesse francamente as razões que a levavam a desquitar-se, ela não hesitou:
- Doutor, eu não aguentei ingratidão do finado, quanto mais deste! Felizmente, o defunto meu primeiro marido está hoje prestando contas a Deus das noites e noites que me fez passar em claro. Agora, faz seis mês que eu estou casada com este cidadão. Os primeiros três mês viveu-se em paz. Ele tratava de me agradar e eu a ele. Mas, de certo tempo pra cá, este homem se desencabeçou, pensa que eu sou peixe podre, se esqueceu que é casado comigo, virou oficial de varruma (conquistador) e vive espalhando o sacramento pela rua..( prevaricando..).
- Mentira sua! Exaltou-se o acusado. E como prova de que cumpria os seus "deveres", e procurando desabotoar a camisa:
- Inda na semana passada você deu-me uma dentada aqui no peito, que eu não sei como não me arrancou um chaboque... Está aqui a roncha!
- É menos verdade! Titubeou ela, mostrando as gengivas. É menos verdade: a prova é que eu nem dente tenho...
Ele pôs levemente a mão sobre o peito equimosado e resmungou:
- Foi o que me valeu...
Serra, ufa, saiu do muro
Até que enfim, José Serra decidiu encarar a realidade. Não tinha alternativa melhor que a de entrar no páreo paulistano. Elenco as seguintes razões: o ciclo Serra de Vida Política não aguentaria mais uma esticada no limbo até 2014. Sem poder e sem visibilidade, chegaria trôpego e com a fala engrolada no ano do pleito presidencial. A eleição paulistana fecha o ciclo da polarização PT versus PSDB. Mas essa polarização só ocorreria com Serra candidato para disputar com Fernando Haddad. Nenhum outro candidato tucano teria cacife para ser competitivo.
Apoio e visibilidade
Serra conta com o apoio de duas máquinas, a da prefeitura, comandada por Kassab, e a do Estado, comandada por Alckmin. Serra tem alta visibilidade e já entra na disputa carregando uns 25% de intenção de voto. Tem ele uma rejeição alta - 33% - mas pode diminuí-la ao correr da campanha. Experiente, conhece os problemas de São Paulo mais que outros. Ademais, FHC e a cúpula tucana já avisaram que o candidato tucano, em 2014, para enfrentar Dilma é Aécio Neves. Portanto, ante a melhor alternativa, Serra desceu o muro.
O novo quadro
Diante da moldura que se estabelece com a decisão de Serra, é possível fazer as seguintes projeções: um segundo turno envolvendo Haddad e Serra, em campanha polarizada; a estrutura das máquinas - municipal e estadual - tende favorecer a candidatura tucana; Serra tentará comer o prato do centro para as bordas, ou seja, das classes médias para as margens sociais; Haddad, sob o império carismático de Lula, tentará comer a sopa das bordas para o centro, ou seja, tentando fisgar o eleitorado de Marta Suplicy e, vir com ele, das margens para o centro. O PT começa com seus 30% históricos de votos. Mas sua decolagem carecerá de mais alguns pontinhos.
Nacionalização?
A questão é: com a entrada de Serra, a campanha será nacionalizada? Este consultor tende a apostar que poderá, sim, ser nacionalizada, até porque a entrada de Lula na arena contribuirá para essa ideia.
Táticas de guerra
"Prepare iscas para atrair o inimigo. Finja desorganização e esmague-o. Se ele está protegido em todos os pontos, esteja preparado para isso. Se ele tem forças superiores, evite-o. Se o seu adversário é de temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranquilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado".(Sun Tzu)
Chalita no meio
Mas há a candidatura de Gabriel Chalita, pelo PMDB, que não pode ser desprezada. Chalita é carismático e junta um voto fiel de parcela importante da Igreja Católica. Terá um bom tempo de TV e rádio, mais de quatro minutos, e expressa um discurso de renovação. Poderá, portanto, fazer barulho. Seu desafio: quebrar a polarização entre tucanos e petistas. Se não entrar no segundo turno, fechará posição com Haddad. Neste caso, o petista contará com a maior parcela do eleitorado de Chalita. Claro, nem todos os eleitores deverão entrar na corrente, pois há, em São Paulo, forte onda contra o petismo. A partir das classes médias.
D'Urso
Na telinha estará também a imagem de Luiz Flávio Borges D'Urso, candidato do PTB, que poderá surpreender nos debates. D'Urso é bom de embate. Se tiver um tempinho razoável de TV, pode crescer.
Renda mínima
"As rendas mínimas asseguradas aos cidadãos que não trabalham podem fazer com que grupos sociais inteiros caiam em um alçapão de pobreza por inatividade, de onde terão as maiores dificuldades de sair. E assim se reduz a oferta de trabalho". (Majnoni D'Intignano)
PSB com Haddad
O PSB do governador Eduardo Campos deverá formar aliança com o candidato petista. Lula e Campos são muito amigos e conservam uma admiração recíproca. Mas há um imbróglio: Marcio França, que comanda o PSB estadual, é secretário de Turismo do governo Geraldo Alckmin. Será que se curvará à orientação/determinação do governador Eduardo Campos? Há, como se pode depreender, muita interrogação no ambiente pré-eleitoral.
PC do B e PR
O PT quer atrair, ainda, o PC do B, o PR e outros partidos que compõem a aliança governista na área Federal. O PC do B tem Netinho de Paula, o cantor e vereador, como pré-candidato a prefeito. O PR é o partido de Paulo Maluf. Seria interessante Maluf no palanque de Haddad, ao lado de Lula e Marta Suplicy. Como o pleito deste ano é o do samba do crioulo doido, Maquiavel faz o patrocínio.
Dilma virá?
Claro, a presidente Dilma, convocada por Lula, deve aparecer para dar um abraço em seu candidato Haddad. Mas, como ela própria já anunciou, não gastará sola de sapato com os contendores, porque na maior parte dos 5.564 municípios os candidatos pertencem à base governista. Agradar a um significará desagradar a outro. A exceção deverá ser São Paulo. Trazida pela batuta do Papa Lula.
PSD de Kassab
O PSD do prefeito Gilberto Kassab terá papel importante no cenário político. O fato de apoiar Serra, em São Paulo, não implicará uma teia de apoios aos tucanos em outros espaços. Kassab tem sido muito claro: esse apoio se restringe a São Paulo. Até porque a tendência do partido é a de vir a integrar a base governista, logo após o quadro eleitoral. O PSD lutará para eleger 500 prefeitos. Com uma bancada de 53 deputados, terá cacife suficiente para influir no processo legislativo. Kassab pisca com um olho para o norte e, com o outro olho, para o sul. Um dos mais hábeis articuladores da política nacional.
Centrais e empresários
A FIESP promoveu, nesta segunda-feira, um encontro/almoço entre Centrais Sindicais e empresários. O motivo: debater a desindustrialização em marcha no país. Em torno de uma comprida mesa, dirigentes de entidades sindicais e industriais expressaram sua indignação com a falta de sensibilidade do Governo Dilma para com os setores produtivos. Paulo Skaf deu o tom dos discursos. Mostrou como o país está estrangulando seu parque industrial. A contrariedade se dirigia também ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que prometera comparecer ao encontro e, na última hora, deu o cano. Por que Pimentel não apareceu? Cochichos: desprezo por São Paulo; falta do que dizer aos participantes; medo de ser foco de grande indignação (e foi mesmo); veto da presidente Dilma à sua presença na FIESP.
A lição de Lincoln
"Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança. Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes. Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que paga. Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos. Não poderás criar estabilidade permanente, baseada em dinheiro emprestado". (Lincoln)
Dados contundentes
Sindicalistas e empresários cantaram a mesma música: o Brasil está patrocinando milhares de empregos no exterior. O presidente da Marcopolo, gigante da fabricação de ônibus, exibiu dados contundentes: a hora trabalhada em sua fábrica, na Índia, é de R$ 12,00; no Brasil, é de R$ 54,00. Essa tende, dentro de poucos anos, a ser a maior fábrica do grupo. E desfilou o rosário de contas negativas, que termina na nossa logística, que cunhou com o adjetivo: "podre".
Pano de fundo
A presidente Dilma Rousseff dá visíveis demonstrações de desconsideração à maior Federação de Indústrias do país, FIESP. Diferentemente de Lula, que sempre visitou a entidade, quando convidado, Dilma é indiferente aos convites para encontros com empresários na avenida Paulista. Parece ter optado por uma aliança tática com a Federação de MG e com o mineiro Robson Andrade, que dirige a CNI. Em suma, Minas faz a cabeça (e o coração) da presidente. Fernando Pimentel, amigo dileto da mandatária, dá sinais de que a FIESP não existe em seu sistema cognitivo.
PDT em chamas
O PDT parece um partido em chamas. Paulinho, da Força Sindical, diz que será candidato a prefeito de São Paulo. Mas pode vir a apoiar José Serra. Ou não? Depende. Depende de quem será nomeado ministro do Trabalho. Se for alguém de sua ala, poderá debandar para o lado de Haddad, em São Paulo. Se não for, baterá cabeça com o governo e com o PT em São Paulo. Lupi, por sua vez, espera que o ministro seja alguém de sua confiança. Não pode ser o deputado Vieira da Cunha ou Brizola Neto. Se for Vieira, Paulinho garante que pulará para a oposição. Ninguém sabe para onde a sigla caminhará.
Base da Antártica
A base brasileira na Antártica foi destruída por um incêndio. Pesquisas de 30 anos foram destruídas. Retrato brasileiro do desleixo e displicência.
Marketing de campanhas
Este consultor, ancorado em sua vivência, chama a atenção para o planejamento do marketing das campanhas. Senhores candidatos e assessores, atentem para estas abordagens: 1) priorizem questões regionalizadas, localizadas, na esteira de um bairro-a-bairro, ou seja, façam a micropolítica; 2) procurem criar, logo, logo, o diferencial de imagem, elemento que será a espinha dorsal da candidatura, facilmente captável pelo sistema cognitivo do eleitor; 3) desenvolvam uma agenda que seja capaz de proporcionar "onipresença" ao candidato (presença em todos os locais); 4) organizem uma agenda contemplando as áreas de maior densidade e, concentricamente, chegando às áreas de menor densidade eleitoral; 5) eventos menores e multiplicados são mais decisivos que eventos gigantescos e escassos; 6) despojamento, simplicidade, agilidade, foco para o essencial, mobilidade, propostas fáceis de compreensão e factíveis - eis aí um ligeiro escopo de conceitos-chave.
Maia e Garotinho
Cesar Maia e Anthony Garotinho formalizaram a aliança entre PR e DEM. Minha velha mãe, Chiquita, sempre me lembra: "meu filho, nunca diga: desta água não beberei".
Porandubas populares
Pois é, esta coluna Porandubas Políticas tem a satisfação de registrar a peça Porandubas Populares ou Paulicéia Desvairada, de Carlos Queiroz Telles. Misto de teatro de revista, circo e ópera-rock. Ora, Porandubas é isso mesmo, coisa como fragmentos. Vivem perguntando a este consultor : o que significa Porandubas? Digo: em tupi guarani, quer dizer notas, notícias curtas, flashes, fragmentos de texto, pílulas.
O nome dos ministros?
Pequeno teste: quem é capaz, agora mesmo, de citar sete ministros do governo Dilma? Até o final deste texto, procure se lembrar. Num regime presidencialista forte, como o nosso, e ainda por cima controlado com mão de ferro, sob o regime do medo, ministro que aparece muito tem a língua cortada. Bom, chegamos ao final. E os cinco ministros? Lembro: há 37 ministros.
Mais que uma rosa
"Quero ser algo mais que uma rosa na lapela de meu marido" (Margaret Trudeau, então casada com o primeiro ministro do Canadá, Pierre Trudeau)
Conselho a José Serra
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos foliões. Hoje, sua atenção se volta à José Serra:
1. Não perca tempo. Alinhe o discurso, com abordagens convincentes, para justificar sua decisão de ser candidato, depois de tanto tempo indefinido.
2. Desta feita, evite coisas espalhafatosas, como registro em Cartório com o compromisso de permanecer até o final da administração, caso seja eleito. Uma vez, é aceitável. A segunda vez, mesmo sob o colchão da sinceridade, ninguém vai aceitar. Lembraria o compromisso não cumprido.
3. Tente usar a experiência para estabelecer seu diferencial. E administre sua conhecida índole de auto-suficiência, arrogância e superestima. Os olimpianos também despencam dos céus.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Carlos Pedreira, advogado e engraçado, entra no relato engraçado de Leonardo Mota, no Tempo de Lampião, lá no Nordeste. A passagem é esta:
Certa vez, passei a atuar num processo de desquite. Como esses processos são sempre escandalosos, interferi suasoriamente junto aos cônjuges, a ver se os reconciliava. Consegui um entendimento de ambos. A esposa era uma jararaca velha ciumenta. Feia e desdentada, casara-se em segundas núpcias com o meu constituinte. Atendendo ao meu pedido para que dissesse francamente as razões que a levavam a desquitar-se, ela não hesitou:
- Doutor, eu não aguentei ingratidão do finado, quanto mais deste! Felizmente, o defunto meu primeiro marido está hoje prestando contas a Deus das noites e noites que me fez passar em claro. Agora, faz seis mês que eu estou casada com este cidadão. Os primeiros três mês viveu-se em paz. Ele tratava de me agradar e eu a ele. Mas, de certo tempo pra cá, este homem se desencabeçou, pensa que eu sou peixe podre, se esqueceu que é casado comigo, virou oficial de varruma (conquistador) e vive espalhando o sacramento pela rua..( prevaricando..).
- Mentira sua! Exaltou-se o acusado. E como prova de que cumpria os seus "deveres", e procurando desabotoar a camisa:
- Inda na semana passada você deu-me uma dentada aqui no peito, que eu não sei como não me arrancou um chaboque... Está aqui a roncha!
- É menos verdade! Titubeou ela, mostrando as gengivas. É menos verdade: a prova é que eu nem dente tenho...
Ele pôs levemente a mão sobre o peito equimosado e resmungou:
- Foi o que me valeu...
Serra, ufa, saiu do muro
Até que enfim, José Serra decidiu encarar a realidade. Não tinha alternativa melhor que a de entrar no páreo paulistano. Elenco as seguintes razões: o ciclo Serra de Vida Política não aguentaria mais uma esticada no limbo até 2014. Sem poder e sem visibilidade, chegaria trôpego e com a fala engrolada no ano do pleito presidencial. A eleição paulistana fecha o ciclo da polarização PT versus PSDB. Mas essa polarização só ocorreria com Serra candidato para disputar com Fernando Haddad. Nenhum outro candidato tucano teria cacife para ser competitivo.
Apoio e visibilidade
Serra conta com o apoio de duas máquinas, a da prefeitura, comandada por Kassab, e a do Estado, comandada por Alckmin. Serra tem alta visibilidade e já entra na disputa carregando uns 25% de intenção de voto. Tem ele uma rejeição alta - 33% - mas pode diminuí-la ao correr da campanha. Experiente, conhece os problemas de São Paulo mais que outros. Ademais, FHC e a cúpula tucana já avisaram que o candidato tucano, em 2014, para enfrentar Dilma é Aécio Neves. Portanto, ante a melhor alternativa, Serra desceu o muro.
O novo quadro
Diante da moldura que se estabelece com a decisão de Serra, é possível fazer as seguintes projeções: um segundo turno envolvendo Haddad e Serra, em campanha polarizada; a estrutura das máquinas - municipal e estadual - tende favorecer a candidatura tucana; Serra tentará comer o prato do centro para as bordas, ou seja, das classes médias para as margens sociais; Haddad, sob o império carismático de Lula, tentará comer a sopa das bordas para o centro, ou seja, tentando fisgar o eleitorado de Marta Suplicy e, vir com ele, das margens para o centro. O PT começa com seus 30% históricos de votos. Mas sua decolagem carecerá de mais alguns pontinhos.
Nacionalização?
A questão é: com a entrada de Serra, a campanha será nacionalizada? Este consultor tende a apostar que poderá, sim, ser nacionalizada, até porque a entrada de Lula na arena contribuirá para essa ideia.
Táticas de guerra
"Prepare iscas para atrair o inimigo. Finja desorganização e esmague-o. Se ele está protegido em todos os pontos, esteja preparado para isso. Se ele tem forças superiores, evite-o. Se o seu adversário é de temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranquilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado".(Sun Tzu)
Chalita no meio
Mas há a candidatura de Gabriel Chalita, pelo PMDB, que não pode ser desprezada. Chalita é carismático e junta um voto fiel de parcela importante da Igreja Católica. Terá um bom tempo de TV e rádio, mais de quatro minutos, e expressa um discurso de renovação. Poderá, portanto, fazer barulho. Seu desafio: quebrar a polarização entre tucanos e petistas. Se não entrar no segundo turno, fechará posição com Haddad. Neste caso, o petista contará com a maior parcela do eleitorado de Chalita. Claro, nem todos os eleitores deverão entrar na corrente, pois há, em São Paulo, forte onda contra o petismo. A partir das classes médias.
D'Urso
Na telinha estará também a imagem de Luiz Flávio Borges D'Urso, candidato do PTB, que poderá surpreender nos debates. D'Urso é bom de embate. Se tiver um tempinho razoável de TV, pode crescer.
Renda mínima
"As rendas mínimas asseguradas aos cidadãos que não trabalham podem fazer com que grupos sociais inteiros caiam em um alçapão de pobreza por inatividade, de onde terão as maiores dificuldades de sair. E assim se reduz a oferta de trabalho". (Majnoni D'Intignano)
PSB com Haddad
O PSB do governador Eduardo Campos deverá formar aliança com o candidato petista. Lula e Campos são muito amigos e conservam uma admiração recíproca. Mas há um imbróglio: Marcio França, que comanda o PSB estadual, é secretário de Turismo do governo Geraldo Alckmin. Será que se curvará à orientação/determinação do governador Eduardo Campos? Há, como se pode depreender, muita interrogação no ambiente pré-eleitoral.
PC do B e PR
O PT quer atrair, ainda, o PC do B, o PR e outros partidos que compõem a aliança governista na área Federal. O PC do B tem Netinho de Paula, o cantor e vereador, como pré-candidato a prefeito. O PR é o partido de Paulo Maluf. Seria interessante Maluf no palanque de Haddad, ao lado de Lula e Marta Suplicy. Como o pleito deste ano é o do samba do crioulo doido, Maquiavel faz o patrocínio.
Dilma virá?
Claro, a presidente Dilma, convocada por Lula, deve aparecer para dar um abraço em seu candidato Haddad. Mas, como ela própria já anunciou, não gastará sola de sapato com os contendores, porque na maior parte dos 5.564 municípios os candidatos pertencem à base governista. Agradar a um significará desagradar a outro. A exceção deverá ser São Paulo. Trazida pela batuta do Papa Lula.
PSD de Kassab
O PSD do prefeito Gilberto Kassab terá papel importante no cenário político. O fato de apoiar Serra, em São Paulo, não implicará uma teia de apoios aos tucanos em outros espaços. Kassab tem sido muito claro: esse apoio se restringe a São Paulo. Até porque a tendência do partido é a de vir a integrar a base governista, logo após o quadro eleitoral. O PSD lutará para eleger 500 prefeitos. Com uma bancada de 53 deputados, terá cacife suficiente para influir no processo legislativo. Kassab pisca com um olho para o norte e, com o outro olho, para o sul. Um dos mais hábeis articuladores da política nacional.
Centrais e empresários
A FIESP promoveu, nesta segunda-feira, um encontro/almoço entre Centrais Sindicais e empresários. O motivo: debater a desindustrialização em marcha no país. Em torno de uma comprida mesa, dirigentes de entidades sindicais e industriais expressaram sua indignação com a falta de sensibilidade do Governo Dilma para com os setores produtivos. Paulo Skaf deu o tom dos discursos. Mostrou como o país está estrangulando seu parque industrial. A contrariedade se dirigia também ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que prometera comparecer ao encontro e, na última hora, deu o cano. Por que Pimentel não apareceu? Cochichos: desprezo por São Paulo; falta do que dizer aos participantes; medo de ser foco de grande indignação (e foi mesmo); veto da presidente Dilma à sua presença na FIESP.
A lição de Lincoln
"Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança. Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes. Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que paga. Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos. Não poderás criar estabilidade permanente, baseada em dinheiro emprestado". (Lincoln)
Dados contundentes
Sindicalistas e empresários cantaram a mesma música: o Brasil está patrocinando milhares de empregos no exterior. O presidente da Marcopolo, gigante da fabricação de ônibus, exibiu dados contundentes: a hora trabalhada em sua fábrica, na Índia, é de R$ 12,00; no Brasil, é de R$ 54,00. Essa tende, dentro de poucos anos, a ser a maior fábrica do grupo. E desfilou o rosário de contas negativas, que termina na nossa logística, que cunhou com o adjetivo: "podre".
Pano de fundo
A presidente Dilma Rousseff dá visíveis demonstrações de desconsideração à maior Federação de Indústrias do país, FIESP. Diferentemente de Lula, que sempre visitou a entidade, quando convidado, Dilma é indiferente aos convites para encontros com empresários na avenida Paulista. Parece ter optado por uma aliança tática com a Federação de MG e com o mineiro Robson Andrade, que dirige a CNI. Em suma, Minas faz a cabeça (e o coração) da presidente. Fernando Pimentel, amigo dileto da mandatária, dá sinais de que a FIESP não existe em seu sistema cognitivo.
PDT em chamas
O PDT parece um partido em chamas. Paulinho, da Força Sindical, diz que será candidato a prefeito de São Paulo. Mas pode vir a apoiar José Serra. Ou não? Depende. Depende de quem será nomeado ministro do Trabalho. Se for alguém de sua ala, poderá debandar para o lado de Haddad, em São Paulo. Se não for, baterá cabeça com o governo e com o PT em São Paulo. Lupi, por sua vez, espera que o ministro seja alguém de sua confiança. Não pode ser o deputado Vieira da Cunha ou Brizola Neto. Se for Vieira, Paulinho garante que pulará para a oposição. Ninguém sabe para onde a sigla caminhará.
Base da Antártica
A base brasileira na Antártica foi destruída por um incêndio. Pesquisas de 30 anos foram destruídas. Retrato brasileiro do desleixo e displicência.
Marketing de campanhas
Este consultor, ancorado em sua vivência, chama a atenção para o planejamento do marketing das campanhas. Senhores candidatos e assessores, atentem para estas abordagens: 1) priorizem questões regionalizadas, localizadas, na esteira de um bairro-a-bairro, ou seja, façam a micropolítica; 2) procurem criar, logo, logo, o diferencial de imagem, elemento que será a espinha dorsal da candidatura, facilmente captável pelo sistema cognitivo do eleitor; 3) desenvolvam uma agenda que seja capaz de proporcionar "onipresença" ao candidato (presença em todos os locais); 4) organizem uma agenda contemplando as áreas de maior densidade e, concentricamente, chegando às áreas de menor densidade eleitoral; 5) eventos menores e multiplicados são mais decisivos que eventos gigantescos e escassos; 6) despojamento, simplicidade, agilidade, foco para o essencial, mobilidade, propostas fáceis de compreensão e factíveis - eis aí um ligeiro escopo de conceitos-chave.
Maia e Garotinho
Cesar Maia e Anthony Garotinho formalizaram a aliança entre PR e DEM. Minha velha mãe, Chiquita, sempre me lembra: "meu filho, nunca diga: desta água não beberei".
Porandubas populares
Pois é, esta coluna Porandubas Políticas tem a satisfação de registrar a peça Porandubas Populares ou Paulicéia Desvairada, de Carlos Queiroz Telles. Misto de teatro de revista, circo e ópera-rock. Ora, Porandubas é isso mesmo, coisa como fragmentos. Vivem perguntando a este consultor : o que significa Porandubas? Digo: em tupi guarani, quer dizer notas, notícias curtas, flashes, fragmentos de texto, pílulas.
O nome dos ministros?
Pequeno teste: quem é capaz, agora mesmo, de citar sete ministros do governo Dilma? Até o final deste texto, procure se lembrar. Num regime presidencialista forte, como o nosso, e ainda por cima controlado com mão de ferro, sob o regime do medo, ministro que aparece muito tem a língua cortada. Bom, chegamos ao final. E os cinco ministros? Lembro: há 37 ministros.
Mais que uma rosa
"Quero ser algo mais que uma rosa na lapela de meu marido" (Margaret Trudeau, então casada com o primeiro ministro do Canadá, Pierre Trudeau)
Conselho a José Serra
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos foliões. Hoje, sua atenção se volta à José Serra:
1. Não perca tempo. Alinhe o discurso, com abordagens convincentes, para justificar sua decisão de ser candidato, depois de tanto tempo indefinido.
2. Desta feita, evite coisas espalhafatosas, como registro em Cartório com o compromisso de permanecer até o final da administração, caso seja eleito. Uma vez, é aceitável. A segunda vez, mesmo sob o colchão da sinceridade, ninguém vai aceitar. Lembraria o compromisso não cumprido.
3. Tente usar a experiência para estabelecer seu diferencial. E administre sua conhecida índole de auto-suficiência, arrogância e superestima. Os olimpianos também despencam dos céus.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
OBSERVATÓRIO

Indiscutivelmente o fato mais marcante da última quinzena no universo da atividade política foi a votação, pelo Supremo Tribunal Federal, da constitucionalidade da Lei Complementar 135/10, popularmente conhecida como Lei da Ficha Limpa. Em que pese ser inquestionável sua validade para as eleições deste ano, é óbvio que isso não anula as opiniões divergentes que já esposamos sobre o tema. A maioria dos ministros da Suprema Corte esqueceu voluntariamente de considerar lições básicas de eleitoralistas de nomeada, ilustres constitucionalistas e teóricos luminares do Direito Pátrio, assim como a jurisprudência consolidada do próprio STF.
PONDERAÇÕES
Em primeiro lugar, o termo. A expressão “ficha limpa” em contraposição a “ficha suja” resume bem o tom de intolerância que dominou o debate em torno desse tema. Venceu o velho maniqueísmo de dividir o mundo entre bons e maus, entre limpos e sujos (ah! Se o mundo fosse tão simples assim...). Sempre olhei com cautela para essas posições extremadas. Da forma em que foi colocada, a Lei se ressente de várias impropriedades jurídicas. Por exemplo: nivela as pessoas por baixo. Um cidadão que, por um motivo qualquer – às vezes uma mera atecnia - teve uma conta de gestão votada por um Tribunal de Contas como irregular, é colocado no mesmo patamar de uma figura que cometeu um crime hediondo. Todos receberão igual rótulo de “ficha suja”. E sofrerão um verdadeiro linchamento moral. Acho isso injusto. Fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Embora saiba que atende um desejo de justiçamento presente em setores bem intencionados da sociedade.
A NOVIDADE
Ultrapassada essa questão, o fato é que nas eleições deste ano os eleitores terão a oportunidade de acessar o plano de governo de todos os candidatos. Agora, por força de uma inovação introduzida no artigo 11, inciso IX, da Lei Eleitoral, ao solicitar o registro da candidatura, todo candidato a prefeito deve apresentar seu programa de governo. Nas eleições municipais passadas não existia essa obrigatoriedade. Para que se tenha uma idéia, salvo melhor juízo, nenhum dos candidatos a prefeito de Crateús na eleição passada registrou sua plataforma eleitoral. Passamos a campanha inteira ouvindo idéias, assistindo debates etc. Mas ninguém exibiu, manuseou, disponibilizou e registrou um Programa de Governo. Este ano, os candidatos têm até as dezenove horas do dia cinco de julho – três meses antes da eleição – para fazer o protocolo junto à Justiça Eleitoral, sob pena de sofrerem um processo de impugnação.
A NOVIDADE II
Essa inovação é um passo essencial à consolidação de uma consciência de cidadania no eleitorado em geral. É óbvio que, com o documento do candidato na mão, o eleitor fica com mais força para cobrar do postulante o compromisso assumido em campanha. Hoje, há pessoas elaborando uma lista com as promessas feitas na eleição passada e que não foram colocadas em prática. Mas ninguém possui um programa de governo escrito e assinado pelo candidato.
O RUMO
Há uma lição que devemos recolher disso. Devemos inverter a ordem de prioridades. Antes de tudo, deve se debater o município. As forças e fraquezas, os desafios e oportunidades, as angústias do presente e os sonhos de futuro. Desenhar um modelo, como quem projeta um edifício. Após definir o rumo que queremos para nossa comuna é que devemos escolher um nome para coordenar esse trabalho. Temos, até agora, feito o inverso: primeiro, e sempre, se discute pessoas. Nunca, ou quase nunca, um projeto. Setores da oposição estão empenhados em fazer esse trabalho de alavancar um debate em torno das questões estratégicas do município. É óbvio que se houver uma alteração no eixo da condução de campanha, elevando-a para um patamar qualificado, todos sairão ganhando.
DOM JACINTO
A imprensa piauiense noticiou: Foi anunciado por volta das 07horas da quarta feira de cinzas (22), no Palácio Arquiepiscopal, o nome do novo arcebispo de Teresina. Em carta do Núncio Apostólico no Brasil endereçada ao administrador arquidiocesano, Pe. Antonio Soares Batista, foi comunicado que o Papa Bento XVI escolhera o bispo Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, atual bispo de Crateús-CE, como o novo arcebispo de Teresina. Dom Jacinto Brito vai tomar posse no dia 06 de maio deste ano em missa solene com a presença do clero piauiense, maranhense e cearense. Ele substitui a Dom Sérgio da Rocha, transferido para Brasília no ano passado.
DOM JACINTO II
A promoção de Dom Jacinto para o arcebispado de Teresina, Piauí, provocou, nos católicos dos sertões de Crateús, reações de alegria e tristeza. Esta pelo fato da perda do pastor que liderava a Diocese local; aquela em razão do reconhecimento ao seu talento. “Dom Jacinto é preparado, simples e tem uma forte identidade com a realidade do povo piauiense, porque é nordestino como nós. Foi uma excelente escolha”, afirmou Padre Tony Batista, administrador diocesano de Teresina, ao fazer o anúncio. Abaixo, a crônica que a ele dedicamos há algum tempo atrás.
PARA REFLETIR
Não nos deixemos iludir! Sem respeito às legítimas convicções religiosas do outro não há PAZ! Respeitar não quer dizer: “tudo é igual, deixa assim mesmo”, mas reconhecer que no sacrário da consciência de cada um está o direito de responder livremente a Deus. O cristão-católico, como afirmava o Papa Bento XVI aos bispos, na Catedral de São Paulo (2008) não age por proselitismo ou imposição e sim por atração. Vede como
eles se amam! Essa força não esmaga, transforma e encanta! Quem acolhe e ama, escuta de seus lábios: “Bem aventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Paz! Um ano em favor da Paz! (Dom Jacinto)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
DOM JACINTO FURTADO DE BRITO SOBRINHO

A Catedral do Senhor do Bonfim, em Crateús, está leve como uma garça que se prepara para alçar vôo, acolhedora como uma matriarca generosa e sensível, dotada de delicadas saliências arquitetônicas e revestida da imponência silenciosa de um monólito do sertão central. A Cúria Diocesana e a Casa Paroquial também passaram por cirurgias plásticas que as fizeram rejuvenescer. O Cemitério São João Batista, pela beleza da fachada, está digno de ser chamado de mansão dos mortos. O Centro de Treinamento Diocesano experimenta uma inflação floral. Uma nova residência foi erigida na Rua Poty. Como os antigos fortes protetores das urbes, novos templos irrompem estrategicamente dispostos em bairros diferentes como Planalto, COHAB Ipase e Cidade Nova. Toda a infra-estrutura predial da Igreja Católica acusa o palpitar da renovação.
Esse impulso motivador há contagiado também os fiéis, que se revelam estimulados e atendem prontamente a todas as convocações do Pastor, inclusive para o exercício de longas peregrinações.
Estas consideráveis alterações se produziram graças ao Sopro do Espírito através de um dos seus discípulos, o bispo Jacinto Furtado de Brito Sobrinho. No ímpeto empreendedor, lembra D. José Tupinambá da Frota, o sobralense que elevou às estrelas a auto-estima da Princesa do Norte.
Na concordância de Juarez Leitão, D. José fundou uma escola “segundo a qual o padre deveria assumir o papel principal de sua comunidade. Prefeitos, juízes e delegados de polícia teriam que se conformar com a função coadjuvante. O vigário tinha de ser o líder maior e o puxador do progresso, onde quer que se encontrasse. Ele próprio, o bispo-conde, fora o maior construtor de Sobral. E, certamente, o homem mais virtuoso”.
Do Maranhão veio o atual prelado de Crateús. O anterior, D. Antonio Batista Fragoso, também, assim como o primeiro bispo a pisar o solo crateuense, Dom Antonio de Alvarenga. Há entre os crateuenses e os maranhenses um fio de união religiosa que atravessa as eras, pois de lá advieram missionários com prédicas peculiares na condução do estandarte da fé.
Hoje, costumamos identificar pessoas que tentam rivalizar ou fazer uma comparação excludente entre D. Fragoso e D. Jacinto. Acho impróprio. Aquele marcou época, inscreveu seu nome na lápide da história com a tinta do sangue profético; este se firma pelo pendor à edificação, pela inclinação à mobilização pastoreia, pela disposição gerencial.
Quando a Pátria agonizava sob o cativeiro da ditadura e as Instituições estavam amordaçadas, Dom Fragoso percorreu a íngreme vereda do combate, revelando ao povo com o aço cortante da sua verve que era possível atravessar o mar vermelho do regime de exceção.
Dom Jacinto é um carpinteiro da fé, que talha a madeira bruta do sonho realizador coletivo e estimula o rebanho religioso a desenvolver os talentos, que são dádivas celestiais. São caminhos distintos, mas não antagônicos.
Ambas as trilhas conduzem ao mesmo Jovem Galileu, que ora expulsou com ira santa os vendilhões do templo e ora coordenou a operação milagrosa da multiplicação dos pães.
O importante é que cada um de nós deve saber usar corretamente o dote que Deus lhe deu. Como bem leciona a música, “se um dom especial é dado para alguém, é pra ajudar o bem na luta contra o mal”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
CÉU E INFERNO ÍNTIMOS

Conta-se que um dia um samurai, grande e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.
- Monge, disse o samurai com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:
- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável.
- Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.
O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva.
Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
- "Aí começa o inferno", disse-lhe o sábio mansamente.
O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno.
O bravo guerreiro abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso ensinamento.
O velho sábio continuou em silencio.
Passado algum tempo o samurai, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse o gesto infeliz.
Percebendo que seu pedido era sincero, o monge lhe falou:
- "Aí começa o céu".
Para nós, resta a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir na própria intimidade.
Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia.
A cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno.
É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros.
Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer objeto do seu interior.
Assim, quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância.
Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou a gaze da autoconfiança.
Quando injúria bater em nossa porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o óleo do perdão.
Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança.
Ante a partida de um ente caro, nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo punhal do desespero ou pela chave da resignação.
Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz.
A decisão depende sempre de nós mesmos.
Somente da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.
Portanto, criar céus ou infernos portas à dentro da nossa alma, é algo que ninguém poderá fazer por nós.
Pense nisso!
Sua vontade é soberana.
Sua intimidade é um santuário do qual só você possui a chave.
Preservá-la das investidas das sombras e abri-la para que o sol possa iluminá-la só depende de você.
(enviado por Francys Mary Paiva)
sábado, 25 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
SOBRE D. JACINTO
A nomeação de D. Jacinto para o Arcebispado de Teresina traduz a grande capacidade de trabalho, amor à causa da Igreja e, acima de tudo, o reconhecimento do Santo Padre pelo trabalho do nosso Bispo em Crateús.
Que Deus o ilumine na nova missão.
Obrigado, D. Jacinto, pelos anos de sua vida dedicados a Crateús e a seu povo.
Sergio Moraes
Que Deus o ilumine na nova missão.
Obrigado, D. Jacinto, pelos anos de sua vida dedicados a Crateús e a seu povo.
Sergio Moraes
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
DOM JACINTO, BISPO DE CRATEÚS, SERÁ O NOVO ARCEBISPO DE TERESINA

O administrador Diocesano da Arquidiocese da Capital do Piauí, padre Tony Batista, anunciou na manhã desta quarta-feira de cinzas (22) que Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, Bispo de Crateús, será o novo Arcebispo de Teresina. A posse está marcada para o dia 6 de maio na Catedral Nossa Senhora das Dores.
O padre Tony Batista, administrador diocesano, está no cargo desde agosto do ano passado, quando o Bispo Dom Sérgio da Rocha foi transferido para Brasília. O padre deus as boas-vindas ao escolhido por meio de uma carta distribuída à imprensa.
“Dom Jacinto é preparado, simples e que tem uma forte identidade com a realidade do povo piauiense, porque é nordestino como nós. Foi uma excelente escolha”, afirmou Padre Tony Batista ao fazer o anúncio.
O novo arcebispo é natural de Bacabal (MA). “Dom Jacinto é muito conhecido e respeitado na comunidade católica, já tendo participado de eventos e atividades religiosas em Teresina”, afirmou Padre Lauro, que trabalha no setor de comunicação da Diocese de Teresina.
Também estavam presentes os bispos de Picos, Dom Plínio Luz; Oeiras e Floriano, Dom Juarez; Parnaíba, Dom Alfredo; Campo Maior, Dom Eduardo e os arcebispos eméritos de Teresina, Dom Miguel e Dom Celso Luís.
O arcebispo pode ficar na função até os 75 anos.
Veja a carta escrita pelo padre Tony Batista:
NOTA DE BOAS VINDAS
Observando a nossa caminhada percebemos o quanto Deus tem sido bondoso para com a Igreja de Teresina. Sempre Ele tem nos mandado pastores solícitos, bons, generosos, competentes e, sobretudo, homens de Deus, dedicados ao nosso povo.
Ainda sentimos a presença marcante de Dom Sérgio da Rocha, nosso último Arcebispo que foi transferido para a Sede de Brasília. Temos muitas saudades dele!
Hoje, contudo, o Senhor voltou o seu olhar para nós e nos mandou o novo Arcebispo. Estamos contentes, radiantes, esperançosos e, sobretudo, gratos a Deus por nos mandar aquele que vem nos confirmar na fé e animar a nossa caminhada rumo ao Reino Definitivo.
Seja bem vindo, senhor Arcebispo, Dom Jacinto. Nós o acolhemos com a mesma ternura que acolhemos nossos pastores anteriores. Estamos felizes pela escolha do Santo Padre, o Papa Bento XVI. Agradecemos a Deus por nos ter mandado o senhor como nosso pastor e guia. Estamos de braços e corações abertos para acolher o senhor como nosso Arcebispo. Conte conosco, com os padres, religiosos e leigos valentes e trabalhadores, missionários e dedicados, simples, porém apaixonados por Cristo e a sua Igreja. Não mediremos esforços para ajuda-lo na missão evangelizadora nesta Igreja de Teresina.
Agradecemos ao senhor, Dom Jacinto, pela disponibilidade em aceitar mais este chamado do Senhor. Se o senhor diz que vem logo, desde agora somos felizes!
O senhor vai encontrar uma “Igreja que por graça de Deus e na força do Espírito, é rica de dons e de carismas, em operosidade evangélica e em amor pelos pobres e esquecidos”. Uma Igreja que está a serviço da vida e da esperança, que promove o bem e a verdade, que dialoga com o nosso povo e que assume o rosto missionário de Jesus, o Salvador.
Certamente que o senhor encontrará também dificuldades. Somos tão humanos como em qualquer outra Igreja, mas dispostos a viver a unidade e a colaborar com o senhor, no seu pastoreio. Conte conosco, senhor Arcebispo, e seja bem vindo à nossa amada Igreja de Teresina.
Teresina, 22 de fevereiro de 2012
Pe. Tony Batista
Administrador Diocesano
(Fonte: Cidade Verde)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
DIDEUS SALES E DALINHA CATUNDA

DS
Dalinha, quando degusto
A tua literatura,
Às vezes até me assusto
Com tanta desenvoltura.
Acho que tu és elétrica,
Pois produz muito, e a métrica
Agora está bem na linha!
O verso tá bom de um jeito,
Que ao ver um verso bem feito
Já penso que é de Dalinha!
DC
Dideus eu fico contente
Com tua apreciação.
És um vate competente
Esta é minha opinião.
Nos versos tu és atleta
Que traz a alma repleta
De inspiração e magia
A tua maior riqueza
Concentra-se na beleza
De difundir alegria.
*
Foto de Dalinha Catunda
Décimas de Dideus e Dalinha
*************************************************
Olá Júnior,
Obrigada pela postagem e pelo carinho de sempre.
Esta foto é no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular no Rio de Janeiro.
Na foto da esquerda para direita: Dalinha Catunda, Dideus Sales e Rosário Pinto.
Um abraço,
Dalinha
A ARTE DE SER LEVE!
Costumo dizer que, depois de passar alguns anos correndo atrás da felicidade, hoje prefiro andar sem pressa em busca da leveza.
Não a leveza que nos aliena ou nos condena à superfície, mas aquela que nos inspira a manter uma espécie de elegância existencial mesmo diante das adversidades – e adversidade é coisa que nunca falta pelos caminhos.
Todos nós temos problemas, todos nós convivemos com frustrações e perdas. Mas nenhuma carga de insatisfação pessoal justifica nos transformarmos em seres de espírito obeso, criaturas permanentemente estressadas e insatisfeitas que parecem carregar nas costas (e na alma) o peso do universo. Não há nada mais penoso do que conviver com pessoas desagradáveis – seja na casa, no trabalho, no prédio onde moramos ou na fila do cinema.
E a recíproca, claro, é verdadeira: compartilhar um espaço, uma atividade ou uma vida com alguém leve é um dos grandes prazeres da existência.
Quando penso nessa leveza que acrescenta qualidade ao cotidiano, penso antes de mais nada, em bom humor e gentileza.
Pessoas indelicadas, incapazes de dizer "obrigado" ou "por favor", aquele colega da empresa que nunca dá um "Bom dia", o chefe que maltrata os funcionários, o motorista que sai dando fechadas no trânsito, a vendedora que não cumprimenta os clientes: quem é que gosta de dividir seu cotidiano com pessoas assim?
E aquele médico que não dá um sorriso sequer, o marido que não abre a cara por nada deste mundo, a amiga que reclama de tudo e de todos, a colega de trabalho que parece estar brigada com todos e com tudo: alguém merece conviver com criaturas assim?
Quando se abre a mão da gentileza, a qualidade de vida cai drasticamente.
Não há como manter bons relacionamentos – sejam eles na esfera profissional, social ou familiar – quando se é descortês ou grosseiro.
E quando nossos relacionamentos deixam a desejar, nossa qualidade de vida é expressivamente reduzida.
Com o humor ocorre o mesmo.
Pessoas bem humoradas ou com senso de humor convivem melhor com o mundo e com elas mesmas.
Não criam dramas desnecessários e, com isso, reduzem o impacto das circunstâncias desfavoráveis que inevitavelmente fazem parte do nosso dia a dia.
Antigamente, valorizava-se muito a simpatia.
Hoje, no mundo das aparências e do consumismo, valem o corpo malhado, o carro do ano, o rosto sem rugas, a roupa de grife. Aos poucos, vamos nos esquecendo de sermos agradáveis – é como se a simpatia fosse uma virtude bobinha do passado, uma prima pobre esquecida diante de tantos modismos. Apressados, estressados e esgotados pelo esforço permanente do "ter que fazer", "ter que correr", "ter que se dar bem" e "ter que competir", vamos aumentando, sem perceber, o peso que carregamos na alma.
É como se a cada dia acrescentássemos alguns quilos a nossa bagagem e o percurso vai ficando cada vez mais arrastado e mais difícil.
Para quem não teve a sorte de nascer leve, leveza é algo que se aprende, garante um casal de psicólogos portugueses que entrevistei para o meu livro sobre esse tema. Helena Marujo e Luís Miguel Neto dão treinamentos em empresas, escolas e hospitais para ensinar as pessoas a serem mais bem humoradas, mais agradáveis, mais otimistas. Fácil não é elas admitem. Mas é possível. São escolhas diárias que fazemos, pequenas e grandes escolhas: como vou tratar este colega? Vou respeitar ou não meus funcionários? Vou passar duas horas reclamando da vida para os meus filhos? Esta minha cara fechada é algo que alguém merece ter por perto? Até quando vou impor meu azedume a quem me cerca? Quando foi a última vez que tentei ser uma pessoa melhor, mais generosa e delicada, menos amarga ou agressiva? São perguntas que podemos, ou devemos, nos fazer cotidianamente – pequenos exercícios em prol da leveza e da tão falada qualidade de vida.
Mestres na arte de cortar carboidratos e contar calorias, talvez seja hora de colocarmos a alma na balança, aparar as arestas e reduzir as gorduras do espírito.
"Travel light", costumam recomendar os guias de viagem: "viaje leve", ou seja, quanto menos bagagem, maior a chance de desfrutarmos o que aparece no caminho. Quando a alma pesa pouco, viaja-se, ou vive-se melhor.
E, claro quem convive conosco agradece.
(Artigo da jornalista Leila Ferreira enviado por Arnaud Cavalcante)
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
VEM, ME FALA DE VOCÊ!
ME FALA DE VOCÊ
(Zé Vicente)
Vem, me fala tu de liberdade
Dessa igualdade que todos queremos
Desta vida nova que todos buscamos
Desta paz que um dia encontraremos.
Vem me fala tu de tua vida
Dessa amizade mais querida
Dessa ansiedade de amar de novo
Desta tua vida doada ao povo
Vem me fala tu de esperança
Desse novo ser criança
Dessa paz sem ser bonança
Dessa luta pra vencer
Vem me fala de você
NO STF, LEI DA FICHA LIMPE JÁ TEM QUATRO VOTOS A FAVOR E UM CONTRA
O Supremo Tribunal Federal suspendeu, pela terceira vez, nesta quarta-feira (15/2), a sessão de julgamento da Lei da Ficha Limpa sem concluir a votação que avalia, desde novembro, sob que condições seus dispositivos devem ser aplicados nas eleições municipais deste ano.
O STF retomou o julgamento nesta quarta depois que o pedido de vista do ministro Dias Toffoli interrompeu, em dezembro, a conclusão da análise do pleito. Dois dos 11 ministros, Joaquim Barbosa e o relator, Luiz Fux, já haviam votado, ainda em 2011, a favor da plena aplicabilidade dos dispositivos da lei nas eleições municipais em 2012. Com a sessão de hoje, o placar até agora é de quatro votos a um a favor da Lei da Ficha Limpa. Além de Fux e Barbosa, Rosa Weber e Carmen Lúcia proferiram votos favoráveis à nova lei, enquanto Dias Toffoli votou contra.
Depois de se estender por mais de cinco horas, a sessão foi adiada para esta quinta-feira (16/2). São esperados ainda os votos do presidente do STF, ministro Cezar Peluso, e dos ministros Ayres Britto, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Apenas o ministro Joaquim Barbosa não tomou parte da sessão desta quarta-feira. Pelas intervenções nos debates dos ministros que ainda não votaram, é possível prever que Ricardo Lewandowski e Carlos Britto deverão garantir a maioria da posição que considera a lei constitucional, enquanto o presidente Cezar Peluso e os ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes devem se alinhar com Dias Toffoli na posição vencida. Marco Aurélio não deu sinais de como deve votar.
Na sessão desta quarta-feira, o ministro Dias Toffoli “abriu a divergência” em relação aos votos dos ministros Luiz Fux e Joaquim Barbosa em uma longa consideração que ocupou praticamente toda a tarde e gerou inúmeros debates, a maioria protagonizados pelos ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes, opositores declarados da Lei Complementar nº 135.
Mendes não poupou farpas a praticamente cada consideração a favor da nova lei. “Estender a pena [de inegibilidade] aos casos já julgados é um convite ao casuísmo”, disparou o ministro. “É fundamental lembrar que quando essa lei chegou ao Congresso, bastava a denúncia recebida para impor a inegibilidade”, observou. “Temos que proteger o núcleo dos direitos fundamentais”, disse em outro momento.
A ministra Rosa Weber e Carmen Lúcia votaram em conformidade com o relator e Joaquim Barbosa, decidindo pela ampla constitucionalidade da lei. O voto de Carmen Lúcia foi o mais curto, se estendendo por menos de dez minutos. Weber chamou a atenção para o entendimento de que a inegibilidade não pode ser considerada “pena em si” e que o foco em questão é a coletividade e, portanto, dessa forma, “os poderes constituídos devem emprestar ressonância à vontade popular”. Carmen Lúcia apelou para a distinção entre presunção de inocência e presunção de não-culpabilidade penal, argumentando que a Lei Complementar 135 não fere os principios da primeira.
A Lei da Ficha Limpa entrou em vigor há quase dois anos, provocando uma série de dúvidas referentes à sua validade e extensão até o STF decidir, à época, que esta não vigorava para 2010, ano em que foram eleitos presidente, governadores, deputados estaduais e federais e senadores.
Fruto da iniciativa popular, a lei embarga a candidatura e faz inelegíveis políticos condenados pela Justiça em decisões colegiadas ou aqueles que renunciaram ao cargo eletivo para se esquivar da cassação, isto até se extinguir os efeitos da decisões condenatórias.
O julgamento dos três processos que questionam a abrangência da lei iniciou em novembro de 2011, porém os trabalhos foram interrompidos por duas vezes em razão de pedidos de vista. O julgamento se refere a duas ações declaratórias de constitucionalidade, apresentadas pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Partido Popular Socialista (PPS), e à ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL), uma federação de sindicatos .
Um dos pontos de controvérsia se refere a alínea que faz inelegíveis políticos que renunciam a cargos eletivos a fim de impedir a cassação do mandato. Neste caso, de acordo seus opositores, o dispositivo não poderia compreender renúncias anteriores à sanção da nova lei em razão do político desconhecer, até então, as implicações do ato da renúncia frente à nova realidade. O outro ponto é relacionado ao fato da lei tornar inelegível o réu de juízo em primeiro grau, ainda apto de recorrer da decisão a que pesa contra si.
(Fonte: CONJUR)
O STF retomou o julgamento nesta quarta depois que o pedido de vista do ministro Dias Toffoli interrompeu, em dezembro, a conclusão da análise do pleito. Dois dos 11 ministros, Joaquim Barbosa e o relator, Luiz Fux, já haviam votado, ainda em 2011, a favor da plena aplicabilidade dos dispositivos da lei nas eleições municipais em 2012. Com a sessão de hoje, o placar até agora é de quatro votos a um a favor da Lei da Ficha Limpa. Além de Fux e Barbosa, Rosa Weber e Carmen Lúcia proferiram votos favoráveis à nova lei, enquanto Dias Toffoli votou contra.
Depois de se estender por mais de cinco horas, a sessão foi adiada para esta quinta-feira (16/2). São esperados ainda os votos do presidente do STF, ministro Cezar Peluso, e dos ministros Ayres Britto, Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Apenas o ministro Joaquim Barbosa não tomou parte da sessão desta quarta-feira. Pelas intervenções nos debates dos ministros que ainda não votaram, é possível prever que Ricardo Lewandowski e Carlos Britto deverão garantir a maioria da posição que considera a lei constitucional, enquanto o presidente Cezar Peluso e os ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes devem se alinhar com Dias Toffoli na posição vencida. Marco Aurélio não deu sinais de como deve votar.
Na sessão desta quarta-feira, o ministro Dias Toffoli “abriu a divergência” em relação aos votos dos ministros Luiz Fux e Joaquim Barbosa em uma longa consideração que ocupou praticamente toda a tarde e gerou inúmeros debates, a maioria protagonizados pelos ministros Celso de Mello e Gilmar Mendes, opositores declarados da Lei Complementar nº 135.
Mendes não poupou farpas a praticamente cada consideração a favor da nova lei. “Estender a pena [de inegibilidade] aos casos já julgados é um convite ao casuísmo”, disparou o ministro. “É fundamental lembrar que quando essa lei chegou ao Congresso, bastava a denúncia recebida para impor a inegibilidade”, observou. “Temos que proteger o núcleo dos direitos fundamentais”, disse em outro momento.
A ministra Rosa Weber e Carmen Lúcia votaram em conformidade com o relator e Joaquim Barbosa, decidindo pela ampla constitucionalidade da lei. O voto de Carmen Lúcia foi o mais curto, se estendendo por menos de dez minutos. Weber chamou a atenção para o entendimento de que a inegibilidade não pode ser considerada “pena em si” e que o foco em questão é a coletividade e, portanto, dessa forma, “os poderes constituídos devem emprestar ressonância à vontade popular”. Carmen Lúcia apelou para a distinção entre presunção de inocência e presunção de não-culpabilidade penal, argumentando que a Lei Complementar 135 não fere os principios da primeira.
A Lei da Ficha Limpa entrou em vigor há quase dois anos, provocando uma série de dúvidas referentes à sua validade e extensão até o STF decidir, à época, que esta não vigorava para 2010, ano em que foram eleitos presidente, governadores, deputados estaduais e federais e senadores.
Fruto da iniciativa popular, a lei embarga a candidatura e faz inelegíveis políticos condenados pela Justiça em decisões colegiadas ou aqueles que renunciaram ao cargo eletivo para se esquivar da cassação, isto até se extinguir os efeitos da decisões condenatórias.
O julgamento dos três processos que questionam a abrangência da lei iniciou em novembro de 2011, porém os trabalhos foram interrompidos por duas vezes em razão de pedidos de vista. O julgamento se refere a duas ações declaratórias de constitucionalidade, apresentadas pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Partido Popular Socialista (PPS), e à ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL), uma federação de sindicatos .
Um dos pontos de controvérsia se refere a alínea que faz inelegíveis políticos que renunciam a cargos eletivos a fim de impedir a cassação do mandato. Neste caso, de acordo seus opositores, o dispositivo não poderia compreender renúncias anteriores à sanção da nova lei em razão do político desconhecer, até então, as implicações do ato da renúncia frente à nova realidade. O outro ponto é relacionado ao fato da lei tornar inelegível o réu de juízo em primeiro grau, ainda apto de recorrer da decisão a que pesa contra si.
(Fonte: CONJUR)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Salgar meu pai
Abro a Coluna com uma historinha do Rio Grande do Norte, mais precisamente de Macaíba, vizinha à Capital, Natal.
Em certa administração municipal, constituída em sua grande maioria por pessoas de Natal, um pobre rapaz procurou o gabinete do prefeito com um problema urgente. Era uma sexta-feira. "Meu pai morreu e vim pedir o caixão", suplicou o jovem à secretária natalense da mais fina flor da moderna burocracia. "Hoje não há como atender. O prefeito e todo o pessoal foram a Natal. Volte segunda-feira, está bem?", respondeu a funcionária conscientíssima do dever cumprido. Desolado o rapaz recuou e abriu novamente a porta do gabinete para nova abordagem: "Dona, poderia me arranjar dois reais?". "Pra quê você quer o dinheiro?", interrogou a eficiente servidora. "É pra comprar sal grosso, salgar o meu pai até segunda-feira!".
Quem conta o "causo" é Valério Mesquita.
Cenários eleitorais
- Vermelho/encarnado
Este cenário é o do PT. Nele, vê-se o partido abocanhando entre 1200/1300 prefeituras das 5.564 existentes no país. Significaria passar à frente do PMDB e, desse modo, garantir a argamassa para a decolagem do avião de 2014, com as maiores bancadas - estaduais e federais - sob o embalo da reeleição da presidente Dilma. Este é o desenho que o PT tentará compor. E mais ainda: sua meta é eleger o maior número de prefeitos nas 200 mais populosas cidades do Brasil. Faz parte da estratégia de prolongar o ciclo petismo/lulismo/dilmismo.
- Vermelho/preto
Este é o cenário do PMDB. O desenho que o partido quer ver no país abriga entre 1300/1400 prefeitos. Acha que, por ter, hoje, o maior número de administrações municipais e o maior número de vereadores, pode ambicionar meta mais larga, ou seja, expandir sua base municipalista. Trata-se do partido de maior capilaridade nacional, posição que vem mantendo desde 1986, quando elegeu 21 dos 22 governadores de Estado. Eram os tempos áureos de Sarney e do confisco do boi no pasto. A grande luta do partido será com o PT, que quer desbancá-lo da posição.
- Azul/amarelo
Este é o cenário tucano. O PSDB tentará eleger entre 800 a 1000 prefeitos. Conta, para isso, com a força de administrações estaduais nos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo (Geraldo Alckmin), Minas Gerais (Antonio Anastasia), e em Estados importantes como Paraná (Beto Richa) e Goiás (Marconi Perillo). Lembre-se que MG tem o maior número de municípios do Brasil e o governador Anastasia é bem avaliado. A administração Alckmin também goza de razoável prestígio.
- Verde/amarelo/branco
Este é o cenário do PSD de Kassab. Que governa, hoje, cerca de 270 prefeituras, com a migração de prefeitos vindos principalmente do DEM. O PSD já tem 53 deputados Federais e espera ser vitorioso em 500 municípios. O partido pisca de um lado e de outro, ensaiando estabelecer alianças de todos os lados. Seu objetivo é formar uma grande base política. O prefeito é exímio articulador. Conta com governos de Estado (SC, AM) e com políticos influentes. Tenderá a participar da base governista.
- Vermelho/amarelo
Este é o cenário do PSB, do governador Eduardo Campos. Espera fazer uns 800 prefeitos, principalmente na região Nordeste, a partir dos Estados de Pernambuco e Paraíba, onde tem as rédeas. Campos sonha com 2014, seja como candidato a presidente da República seja como vice na chapa da presidente Dilma. Pisca com um olho para o tucano Aécio Neves e com outro para Kassab. É um poço de ambições. E aprecia Maquiavel.
- Azul/verde/branco
Este é o cenário do DEM. Que foi visivelmente enfraquecido pelo PSD de Kassab. O partido terá o pleito de outubro como um parâmetro para projetar suas estratégias e abrir os horizontes de futuro. Caso perca tempo eleitoral e recursos do Fundo Partidário - ameaça real que sobre ele se projeta - a saída para o DEM seria uma fusão. E o partido com quem começa a abrir conversações é o PMDB. Os dois, juntos, formariam um grande ente com mais de 100 deputados Federais. O DEM quer eleger uma boa bancada de prefeitos, mas seu desempenho será uma incógnita.
Prosperidade e adversidade
"Na prosperidade, nossos amigos nos conhecem. Na adversidade, conhecemos os nossos amigos". (Collins)
A policromia partidária
Como se pode aduzir das próprias cores que adornam os cenários, a imbricação de posições, ações, metas e comportamentos é patente. Todos pensam de forma assemelhada. Falamos, claro, dos grandes e médios partidos (lembrando ainda o PDT, PTB, PP, PRB, PV) que agem no centro - e nas bandas esquerda e direita - do arco ideológico. Não estamos, aqui, incluindo os entes com maior coloração doutrinária, como PSOL, PCO, PSTU, etc. A constelação partidária deverá obter 90% dos votos nacionais, deixando percentagem mínima para siglas das margens ideológicas.
A régua de cada um
Quem tem se sobressaído nas administrações estaduais? A maior visibilidade dos governadores, convenhamos, ocorreu na esteira de eventos negativos - acidentes/incidentes naturais no Rio, greves de policiais militares, epidemias, etc. Quem apareceu de maneira positiva? Ninguém. Anastasia, sobre o qual se projetava a marca de exímio gestor, mergulhou. Renato Casagrande, do Espírito Santo, não é nem referência de passagem. Alckmin, em São Paulo, talvez seja o mais visível, particularmente por conta de eventos conjuntos com a presidente Dilma Rousseff, em São Paulo. Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, fica distante dos eixos centrais. Perillo e Beto Richa, tucanos, parecem não terem ainda deslanchado. Cabral, do Rio, aparece sempre em meio a tragédias. E com a imagem de turista parisiense. Wagner, da Bahia, acaba de sair de uma greve. Quem ficou acima de cinco na régua? Difícil dizer.
Tudo o que somos
"Morrer é deixar tudo o que temos e levar tudo o que somos".
Serra quase aceitando
E aqui estou eu novamente fazendo a recorrente leitura do quadro paulistano. Digo e repito: aqui nessa arena ocorrerá a mais sanguinolenta e emblemática luta eleitoral dos últimos tempos. Terá Lula, careca e curado, no comando de um exército; Alckmin, na vanguarda de outro; e Kassab, abrindo novas frentes na arena. Pois bem, a briga tende a se acirrar, caso José Serra, que sempre nega ser candidato, decida enfrentar o páreo. Este consultor soube que, nas últimas horas, ele deixou de refugar. Já não manda o interlocutor recolher-se ao silêncio. Mostra-se disposto a pensar. Serra está quase com a decisão pronta. Se sair, Kassab deverá recuar da ideia de fechar posição com o PT de Haddad. Daí a pressa de Serra para evitar a decisão de Kassab.
Rejeição nas nuvens
Caso Serra tope a parada, deverá enfrentar a maior luta de sua vida: contra ele mesmo. Tem uma rejeição altíssima, por volta de 35%. Significa que Serra deverá ajustar sua identidade, na esteira de um processo que demanda mudança de atitudes, comportamentos, ações, gestos, etc. José Serra não provoca simpatia.
O que mata um jardim
"O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por ele passa indiferente". Mário Quintana.
Ministros na ordem unida
Em tempos idos, era fácil apontar o ministro com maior força, de maior prestígio, o mais simpático, o mais arrogante, etc. Nos últimos tempos, essa tarefa tornou-se difícil. Porque o governo gira em torno de dona Dilma. Que centraliza tudo, que dá as ordens, puxa a orelha, cobra, dá corda, motiva e desmotiva. Os ministros temem enfrentar a ira da presidente. O Ministério recolheu-se. Quem bota as manguinhas de fora pode levar bronca.
Mais ordem unida
A presidente Dilma recomendou, ontem, aos 15 partidos que compõem a base aliada - presentes à primeira Reunião do Conselho Político - que mantivessem a unidade. Que as eleições de outubro não fossem obstáculo para brigas partidárias. Estiveram presentes líderes e presidentes dos seguintes partidos: PT, PMDB, PSB, PSC, PP, PDT, PTB, PR, PCdoB, PRTB, PRB, PT do B, PRP, PSL e PHS.
Ansiedade
"Ansiedade é a incapacidade de saber o que é importante e o que não é".
Plasmando a cara
A cara do Ministério vai tomando a feição de dona Dilma. A nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e a nova presidente da Petrobras, Graça Foster, são carne e unha com a presidente. De maneira lenta, segura e gradual, a comandante-em-chefe das forças do país vai escolhendo os seus generais e coronéis.
Magistrados em nova briga
Nem bem saíram da batalha sobre o CNJ, cujas funções queriam ver mais restritas, as associações de magistrados acenam com mais querelas. Querem, agora, lutar contra o Executivo por não aceitarem a criação do Fundo Complementar para os Servidores Públicos. As demandas dos magistrados, convenhamos, contribuem para expandir o contencioso que entope os canais da Justiça. Cada qual empresta sua cota para as curvas da Justiça.
Justos e pecadores
"Só há dois tipos de homens: os justos que se crêem pecadores e os pecadores que se crêem justos. Mas nunca sabemos em qual dessas categorias nos classificamos - se soubéssemos já estaríamos na outra". (Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - André Comte-Sponville)
Governo sob pressão
O governo não tem cumprido o compromisso de mandar pagar as emendas dos parlamentares feitas no orçamento de 2011. A insatisfação das bases bate no teto. As ministras Ideli e Gleisi são uma pilha de nervos. Os deputados miram em três alvos: aprovação do Fundo Complementar dos Servidores Públicos, o Código Florestal e a Lei Geral da Copa.
Prócer e liderança
Historinha contada por Carlos Santos, em seu livro Só Rindo 2.
Auxiliar direto do governador Dinarte Mariz, Grimaldi Ribeiro apresenta-lhe outro político interiorano no Palácio Potengi:
- Este é um prócer político do Trairi - define.
Noutra oportunidade, utiliza vocábulo diferente:
- Governador, esta é um liderança política da região Oeste.
Intrigado com as constantes distinções, mas sem captar a sutileza da separação, o arguto Dinarte interpela Grimaldi: "Por que uns são próceres e outros lideranças?".
Professoral, Grimaldi justifica:
- Governador, prócer só tem pose, e liderança é que tem voto.
Conselho aos foliões
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros do Judiciário. Hoje, sua atenção se volta aos foliões:
1. Tempo de folia é tempo de catarse, de alegria, de descontração, de convívio social. Aproveitem a folia carnavalesca, mas sem exageros que possam causar problemas ao físico e ao espírito.
2. Que o carnaval lhes proporcione viver momentos de relaxamento e lazer ao lado de familiares, amigas e amigos.
3. E que voltem ao espaço do labor com disposição e o compromisso de realizar bem as suas tarefas e funções. Pelo seu bem e pelo bem da sociedade!
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a Coluna com uma historinha do Rio Grande do Norte, mais precisamente de Macaíba, vizinha à Capital, Natal.
Em certa administração municipal, constituída em sua grande maioria por pessoas de Natal, um pobre rapaz procurou o gabinete do prefeito com um problema urgente. Era uma sexta-feira. "Meu pai morreu e vim pedir o caixão", suplicou o jovem à secretária natalense da mais fina flor da moderna burocracia. "Hoje não há como atender. O prefeito e todo o pessoal foram a Natal. Volte segunda-feira, está bem?", respondeu a funcionária conscientíssima do dever cumprido. Desolado o rapaz recuou e abriu novamente a porta do gabinete para nova abordagem: "Dona, poderia me arranjar dois reais?". "Pra quê você quer o dinheiro?", interrogou a eficiente servidora. "É pra comprar sal grosso, salgar o meu pai até segunda-feira!".
Quem conta o "causo" é Valério Mesquita.
Cenários eleitorais
- Vermelho/encarnado
Este cenário é o do PT. Nele, vê-se o partido abocanhando entre 1200/1300 prefeituras das 5.564 existentes no país. Significaria passar à frente do PMDB e, desse modo, garantir a argamassa para a decolagem do avião de 2014, com as maiores bancadas - estaduais e federais - sob o embalo da reeleição da presidente Dilma. Este é o desenho que o PT tentará compor. E mais ainda: sua meta é eleger o maior número de prefeitos nas 200 mais populosas cidades do Brasil. Faz parte da estratégia de prolongar o ciclo petismo/lulismo/dilmismo.
- Vermelho/preto
Este é o cenário do PMDB. O desenho que o partido quer ver no país abriga entre 1300/1400 prefeitos. Acha que, por ter, hoje, o maior número de administrações municipais e o maior número de vereadores, pode ambicionar meta mais larga, ou seja, expandir sua base municipalista. Trata-se do partido de maior capilaridade nacional, posição que vem mantendo desde 1986, quando elegeu 21 dos 22 governadores de Estado. Eram os tempos áureos de Sarney e do confisco do boi no pasto. A grande luta do partido será com o PT, que quer desbancá-lo da posição.
- Azul/amarelo
Este é o cenário tucano. O PSDB tentará eleger entre 800 a 1000 prefeitos. Conta, para isso, com a força de administrações estaduais nos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo (Geraldo Alckmin), Minas Gerais (Antonio Anastasia), e em Estados importantes como Paraná (Beto Richa) e Goiás (Marconi Perillo). Lembre-se que MG tem o maior número de municípios do Brasil e o governador Anastasia é bem avaliado. A administração Alckmin também goza de razoável prestígio.
- Verde/amarelo/branco
Este é o cenário do PSD de Kassab. Que governa, hoje, cerca de 270 prefeituras, com a migração de prefeitos vindos principalmente do DEM. O PSD já tem 53 deputados Federais e espera ser vitorioso em 500 municípios. O partido pisca de um lado e de outro, ensaiando estabelecer alianças de todos os lados. Seu objetivo é formar uma grande base política. O prefeito é exímio articulador. Conta com governos de Estado (SC, AM) e com políticos influentes. Tenderá a participar da base governista.
- Vermelho/amarelo
Este é o cenário do PSB, do governador Eduardo Campos. Espera fazer uns 800 prefeitos, principalmente na região Nordeste, a partir dos Estados de Pernambuco e Paraíba, onde tem as rédeas. Campos sonha com 2014, seja como candidato a presidente da República seja como vice na chapa da presidente Dilma. Pisca com um olho para o tucano Aécio Neves e com outro para Kassab. É um poço de ambições. E aprecia Maquiavel.
- Azul/verde/branco
Este é o cenário do DEM. Que foi visivelmente enfraquecido pelo PSD de Kassab. O partido terá o pleito de outubro como um parâmetro para projetar suas estratégias e abrir os horizontes de futuro. Caso perca tempo eleitoral e recursos do Fundo Partidário - ameaça real que sobre ele se projeta - a saída para o DEM seria uma fusão. E o partido com quem começa a abrir conversações é o PMDB. Os dois, juntos, formariam um grande ente com mais de 100 deputados Federais. O DEM quer eleger uma boa bancada de prefeitos, mas seu desempenho será uma incógnita.
Prosperidade e adversidade
"Na prosperidade, nossos amigos nos conhecem. Na adversidade, conhecemos os nossos amigos". (Collins)
A policromia partidária
Como se pode aduzir das próprias cores que adornam os cenários, a imbricação de posições, ações, metas e comportamentos é patente. Todos pensam de forma assemelhada. Falamos, claro, dos grandes e médios partidos (lembrando ainda o PDT, PTB, PP, PRB, PV) que agem no centro - e nas bandas esquerda e direita - do arco ideológico. Não estamos, aqui, incluindo os entes com maior coloração doutrinária, como PSOL, PCO, PSTU, etc. A constelação partidária deverá obter 90% dos votos nacionais, deixando percentagem mínima para siglas das margens ideológicas.
A régua de cada um
Quem tem se sobressaído nas administrações estaduais? A maior visibilidade dos governadores, convenhamos, ocorreu na esteira de eventos negativos - acidentes/incidentes naturais no Rio, greves de policiais militares, epidemias, etc. Quem apareceu de maneira positiva? Ninguém. Anastasia, sobre o qual se projetava a marca de exímio gestor, mergulhou. Renato Casagrande, do Espírito Santo, não é nem referência de passagem. Alckmin, em São Paulo, talvez seja o mais visível, particularmente por conta de eventos conjuntos com a presidente Dilma Rousseff, em São Paulo. Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, fica distante dos eixos centrais. Perillo e Beto Richa, tucanos, parecem não terem ainda deslanchado. Cabral, do Rio, aparece sempre em meio a tragédias. E com a imagem de turista parisiense. Wagner, da Bahia, acaba de sair de uma greve. Quem ficou acima de cinco na régua? Difícil dizer.
Tudo o que somos
"Morrer é deixar tudo o que temos e levar tudo o que somos".
Serra quase aceitando
E aqui estou eu novamente fazendo a recorrente leitura do quadro paulistano. Digo e repito: aqui nessa arena ocorrerá a mais sanguinolenta e emblemática luta eleitoral dos últimos tempos. Terá Lula, careca e curado, no comando de um exército; Alckmin, na vanguarda de outro; e Kassab, abrindo novas frentes na arena. Pois bem, a briga tende a se acirrar, caso José Serra, que sempre nega ser candidato, decida enfrentar o páreo. Este consultor soube que, nas últimas horas, ele deixou de refugar. Já não manda o interlocutor recolher-se ao silêncio. Mostra-se disposto a pensar. Serra está quase com a decisão pronta. Se sair, Kassab deverá recuar da ideia de fechar posição com o PT de Haddad. Daí a pressa de Serra para evitar a decisão de Kassab.
Rejeição nas nuvens
Caso Serra tope a parada, deverá enfrentar a maior luta de sua vida: contra ele mesmo. Tem uma rejeição altíssima, por volta de 35%. Significa que Serra deverá ajustar sua identidade, na esteira de um processo que demanda mudança de atitudes, comportamentos, ações, gestos, etc. José Serra não provoca simpatia.
O que mata um jardim
"O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por ele passa indiferente". Mário Quintana.
Ministros na ordem unida
Em tempos idos, era fácil apontar o ministro com maior força, de maior prestígio, o mais simpático, o mais arrogante, etc. Nos últimos tempos, essa tarefa tornou-se difícil. Porque o governo gira em torno de dona Dilma. Que centraliza tudo, que dá as ordens, puxa a orelha, cobra, dá corda, motiva e desmotiva. Os ministros temem enfrentar a ira da presidente. O Ministério recolheu-se. Quem bota as manguinhas de fora pode levar bronca.
Mais ordem unida
A presidente Dilma recomendou, ontem, aos 15 partidos que compõem a base aliada - presentes à primeira Reunião do Conselho Político - que mantivessem a unidade. Que as eleições de outubro não fossem obstáculo para brigas partidárias. Estiveram presentes líderes e presidentes dos seguintes partidos: PT, PMDB, PSB, PSC, PP, PDT, PTB, PR, PCdoB, PRTB, PRB, PT do B, PRP, PSL e PHS.
Ansiedade
"Ansiedade é a incapacidade de saber o que é importante e o que não é".
Plasmando a cara
A cara do Ministério vai tomando a feição de dona Dilma. A nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e a nova presidente da Petrobras, Graça Foster, são carne e unha com a presidente. De maneira lenta, segura e gradual, a comandante-em-chefe das forças do país vai escolhendo os seus generais e coronéis.
Magistrados em nova briga
Nem bem saíram da batalha sobre o CNJ, cujas funções queriam ver mais restritas, as associações de magistrados acenam com mais querelas. Querem, agora, lutar contra o Executivo por não aceitarem a criação do Fundo Complementar para os Servidores Públicos. As demandas dos magistrados, convenhamos, contribuem para expandir o contencioso que entope os canais da Justiça. Cada qual empresta sua cota para as curvas da Justiça.
Justos e pecadores
"Só há dois tipos de homens: os justos que se crêem pecadores e os pecadores que se crêem justos. Mas nunca sabemos em qual dessas categorias nos classificamos - se soubéssemos já estaríamos na outra". (Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - André Comte-Sponville)
Governo sob pressão
O governo não tem cumprido o compromisso de mandar pagar as emendas dos parlamentares feitas no orçamento de 2011. A insatisfação das bases bate no teto. As ministras Ideli e Gleisi são uma pilha de nervos. Os deputados miram em três alvos: aprovação do Fundo Complementar dos Servidores Públicos, o Código Florestal e a Lei Geral da Copa.
Prócer e liderança
Historinha contada por Carlos Santos, em seu livro Só Rindo 2.
Auxiliar direto do governador Dinarte Mariz, Grimaldi Ribeiro apresenta-lhe outro político interiorano no Palácio Potengi:
- Este é um prócer político do Trairi - define.
Noutra oportunidade, utiliza vocábulo diferente:
- Governador, esta é um liderança política da região Oeste.
Intrigado com as constantes distinções, mas sem captar a sutileza da separação, o arguto Dinarte interpela Grimaldi: "Por que uns são próceres e outros lideranças?".
Professoral, Grimaldi justifica:
- Governador, prócer só tem pose, e liderança é que tem voto.
Conselho aos foliões
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros do Judiciário. Hoje, sua atenção se volta aos foliões:
1. Tempo de folia é tempo de catarse, de alegria, de descontração, de convívio social. Aproveitem a folia carnavalesca, mas sem exageros que possam causar problemas ao físico e ao espírito.
2. Que o carnaval lhes proporcione viver momentos de relaxamento e lazer ao lado de familiares, amigas e amigos.
3. E que voltem ao espaço do labor com disposição e o compromisso de realizar bem as suas tarefas e funções. Pelo seu bem e pelo bem da sociedade!
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
OBSERVATÓRIO

Estive em Crateús no final de semana passado. No início da Praça localizada no entorno da Estação divisei um chamativo outdoor em cor vermelha – que provavelmente está ali desde o final do ano passado - com a seguinte mensagem: “Boas festas!... FÉ PAZ AMOR SAÚDE VIDA NOVA FELICIDADE PROSPERIDADE! ...um novo ano de muitas realizações. Carlos Felipe – Prefeito de Crateús”.
IMPESSOALIDADE
A Constituição Federal estabelece que a propaganda custeada com o dinheiro público ter que obedecer a determinadas regras. No parágrafo primeiro do artigo 37 está dito claramente: “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. É induvidoso que o outdoor acima mencionado foi confeccionado com a mesma cor do partido do Prefeito, o vermelho do PCdoB. É incontestável que ali está, em destaque, o nome do Chefe do Executivo Municipal, caracterizando promoção pessoal da autoridade. Talvez sem se dar conta a gestão municipal afixou um outdoor que atenta contra princípio constitucional. Pelo artigo 11 da Lei Federal 8.429, de 02 de junho de 1992, isso constitui em tese ato de improbidade administrativa. Melhor seria substituí-lo imediatamente por outro.
OPOSIÇÃO
Parece-me que esse outdoor é emblemático da situação política da cidade: a ausência de oposição. Afora as queixas espontâneas da população e a manifestação isolada de algumas lideranças e segmentos, o fato é que o senhor Prefeito não enfrentou uma oposição contundente nesses três anos de mandato. Pelo menos nos moldes formais e tradicionais como a enfrentaram os dois ex-prefeitos imediatamente anteriores, Paulo Nazareno e Zé Almir. Contra Paulo existia uma atuante e implacável oposição política, entrincheirada na Câmara Municipal. Os Vereadores de oposição se reuniam semanalmente, avaliavam o quadro político, definiam uma agenda de combate e a implementavam. Inúmeras denúncias, ações judiciais e pronunciamentos nos meios de comunicação. Ainda hoje Paulo responde, juntamente com alguns ex-auxiliares, um enorme passivo judicial. As intimações têm freqüência quase semanal. Contra Zé Almir se consolidou uma forte oposição judiciária, provocada pela vigilância severa do Ministério Público e que culminou, inclusive, com seu afastamento temporário da Prefeitura.
OPOSIÇÃO II
No último fim de semana houve intensa movimentação nos bastidores políticos. Uma reunião ocorrida no sábado à tarde reuniu lideranças insatisfeitas com essa letargia na política local. Na mesma mesa estavam Nenzé Bezerra, Marcelo Machado e Luizinho Sales, ex-eleitores de alto coturno do atual alcaide. Este ano subirão em palanque adverso ao do Prefeito. Comenta-se que poderão somar em uma ampla articulação oposicionista. Há um consenso naqueles que estão fora do poder: é preciso construir uma unidade. Os entendimentos estão se amiudando. O PSDB se reuniu no sábado pela manhã e definiu que vai trabalhar por essa unificação oposicionista. Convidou os empresários José Vagno Mota e Luizinho Sales para se colocarem como opções do partido na mesa de negociação. Além disso, definiu uma dezena de candidatos a vereador. Há nomes expressivos e de grande densidade eleitoral.
OPOSIÇÃO III
A população está sedenta por nomes, opções, caminhos indicativos. O importante é que haja uma campanha qualificada. Um programa de governo que mobilize o povo para debater os grandes desafios do município. Que se discuta o futuro. Com grandeza e equilíbrio. Sem exibir baixarias nem resvalar para ressentimentos pessoais.
NENEN FRANCELINO
O ex-vereador Nenen Francelino completou oito décadas. A confraternização de seu aniversário reuniu uma multidão. Na festa, prestigiada por várias lideranças populares, ocuparam o microfone Neto Francelino, filho caçula do aniversariante, o Deputado Nenen Coelho, Lourival Rodrigues e Ivan Monte Claudino. Nossa saudação ao velho guerreiro do pé da serra.
HARLEY
Causou comoção generalizada o assassinato do Harley. Conheci-o. E daqui externo solidariedade à família. Uma de suas filhas escreveu que ele era um menino de 53 anos. Era um palhaço por vocação, amor e paixão. Poderia ter seguido uma carreira que o cobrisse com os tesouros deste mundo. Optou por seguir a vereda da alma, a trilha do coração, o pedregoso porém florido caminho do convite interior. Viveu feliz com a felicidade dos outros. Distribui sorriso. Amou o despojamento. Erguia a cada dia, com lona antiga e novos cacarecos, um templo à alegria de viver, que ele chamava de circo.
PARA REFLETIR
“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”. (Charles Chaplin)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
FLORENTINO DE ARAÚJO CARDOSO FILHO

Antigos pergaminhos e a auricular tradição rezam que, na antiguidade, em uma ilha grega chamada Cós, nasceu um cidadão cuja vida seria um culto permanente ao estudo das linhas nobres que dão vida e luz ao corpo humano. Era um asclepíade, membro de uma espécie de corporação de mestres da saúde que dizia descender do próprio Asclépio, o Deus da Medicina.
Esse insular ser tornou-se um peregrino da arte médica. Atendia seus consulentes à sombra de árvores, ao ar livre. Perambulava de cidade em cidade recolhendo observações e compartilhando saberes. Em 430-429 a.C., uma grande peste assolou a cidade de Atenas. Através do seu olho clínico identificou existir uma categoria – a dos artesãos (por dever de ofício guardava intimidade com o fogo) – que parecia imune ao contágio da doença. O sábio orientou que se acendessem fogueiras como forma de estender a imunidade a toda à população. Ao que se sabe a epidemia se extinguiu depois que Hipócrates mandou acender fogueiras por toda a cidade.
O fato é que o filho da ilha de Cós ganhou da História o honorável brasão de Pai da Medicina. Sua aura popular atravessou a madrugada dos séculos não só pelos tesouros científicos que extraiu, mas em especial pelos pórticos morais que erigiu. Gotejando sabedoria e humanidade, regou com serenidade e discrição para a posteridade o jardim suspenso do médico ideal. Inscreveu, nas éticas tábuas da devoção à vida, um juramento definitivo: “Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade. Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade. A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação. Respeitarei os segredos a mim confiados. Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos. Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes. Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção. Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza. Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra.”
Foi por sobre esse invisível tapete mágico da história tecida pelos mestres da arte da cura que o crateuense Florentino de Araújo Cardoso Filho chegou ao topo da representação associativa médica nacional. Assumiu, há poucos meses, a Presidência da Associação Médica Brasileira. É o primeiro brasileiro fora do eixo sul-sudeste a presidir a entidade nos seus mais de sessenta anos.
“Herdei a emotividade da minha mãe e a vontade de trabalhar do meu pai” – confidenciou ao chegar ao cargo máximo da Associação Médica Brasileira. Em Crateús, onde mirou a primeira roupa branca de médico e aprendeu a soletrar o alfabeto do sonho, viveu até os doze anos de idade. Às margens do Poty fez o batismo de consagração á carreira de Hipócrates. Imaginava conquistar um Diploma e retornar ao leito umbilical. Porém o curso do rio da História o conduziu a outras paragens. Após se formar pela Universidade Federal do Ceará (onde também colou grau de mestre), fez Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia Oncológica no Rio de Janeiro, com incursões pelos Estados Unidos. Atingiu um grau de especialização que o impediu de retornar a Crateús.
Embora optando por ficar em Fortaleza, tinha na mente uma clara certeza: fazer da medicina um serviço à humanidade. Ao invés de fechar-se no espaço bitolado dos que querem apenas acumular a prata deste mundo, resolveu ser um profissional do setor público. Encarando a medicina como um serviço ao próximo, buscou e busca dignificar a profissão atuando na congregação dos pares e na intervenção cirúrgica na sociedade, a fim de que o conjunto da população possa sentir os efeitos de um melhor sistema de saúde. Fez da luta associativa médica sua principal bandeira. Destacou-se na vanguarda dos médicos cearenses até pontificar na liderança nacional da categoria.
A faceta de gestor operoso teve seu ápice quando assumiu a direção do Hospital Geral de Fortaleza – HGF, ocasião em que profissionalizou a gestão daquela instituição. Em dezembro de 2009, estava com a família em uma viagem internacional quando foi instado, por telefone, a enfrentar o desafio de comandar o complexo hospitalar da Universidade Federal do Ceará, que inclui o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC). Foi lá, na sala da Superintendência que ele me recebeu outro dia e discorreu sobre a sua trajetória e os projetos que toca atualmente na AMB. Entre outros, o de enfatizar o foco cientifico e melhorar a saúde pública. Falou com entusiasmo do Projeto de Lei de Iniciativa Popular que obriga a União a destinar 10% da Receita Corrente Líquida para o setor, o que significa um incremento de 35 bilhões no orçamento da saúde. Considera que, além de combater os desvios, é necessário trabalhar a formação profissional, a qualidade dos médicos lançados ao mercado. Quer inserir o Ceará no centro dos grandes debates. Para 2013, no centenário da Associação Médica Cearense, vai trazer para a terra da luz a Assembléia Geral da Associação Médica Mundial.
Indago-lhe sobre a família. Fala que tem, na intimidade do lar, um esteio essencial: a prima Rachel Cardoso, esposa, e os filhos Amanda (17 anos, já estudante de medicina), Daniel (15 anos) e Maria (10 anos).
Peço-lhe uma mensagem final... O semblante pétreo e forte, como os monólitos e os mares bravios do Ceará, dá lugar à divagação e à brandura. Aos poucos a solidez do olhar é tomada por um melancólico líquido de lagoa noturna do sertão. Orienta a respiração e sussurra uma carteirada existencial recolhida do genitor, um filósofo com pouco tempo nos bancos escolares, de quem herdou o amor laboral: “Muito cedo aprendi que nada vence o trabalho e a dedicação. O conhecimento ninguém lhe tira”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste e na Revista Gente de Ação)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
UTOPIA - de ZÉ VICENTE
Presenciei esta composição sendo escrita e musicada. Era o início dos anos oitenta.
Merece, pois, ser revisitada de quando em vez. Ouçamos:
Merece, pois, ser revisitada de quando em vez. Ouçamos:
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