Abro a coluna com uma historinha contada pelo impagável Zé Abelha.
Jaeder Albergaria foi, sem dúvida, o mais famoso político do antigo PSD no Vale do Rio Doce. Fazia parte do que se convencionou chamar de o jardim de infância de Benedito Valadares. Fundador do PSD. Médico, começa a clinicar em Itanhomi. Primeira semana, nada de cliente. O jovem médico entrava em desespero. De repente, quando está almoçando na pensão onde mora, surge um pai aflito com um garoto ao colo. O garoto havia aspirado um caroço de feijão e respirava mal. Dr. Jaeder diz ao aflito pai que vá caminhando para o seu consultório.
- Termino rápido o almoço.
O primeiro cliente já garantiria o pagamento da cama e boia ao jovem médico. Acocorado na porta da pensão, um velho cuspinha e pergunta ao assustado pai o quê é que o aflige.
- Isso num é nada. Dá esse rapé para ele cheirá. É fava contada - garante.
Dito e feito! O garoto cheira o rapé, espirra e o caroço de feijão voa longe. E bem pra longe voam os primeiros honorários do dr. Jaeder Albergaria.
O Futebol venceu
Ufa, o futebol venceu. A Copa é um sucesso. De plateias, animação e gols. Quem achava que não daria certo, caiu da arquibancada. Isso é um fato. Mas a política não vai tirar proveito do evento. Vejam-se as vaias. Que continuam aqui e ali. Se o Brasil não chegar às finais, mas fizer boa performance, os ânimos serão apaziguados. Se a seleção não melhorar, é possível que o clima fique ácido. Mas tudo indica que, catando milho, sem grandes exibições, os canarinhos deverão chegar perto da gaiola e, quem sabe, comer os grãos nas finais. A conferir.
Zelites
Essa mania de achar que a "zelite branca" é a responsável pelas maldades que assolam o território nacional já bateu no teto. Ninguém aguenta mais tal bobagem. Afinal, Lula é de que zona da "zelite"? E a presidente Dilma? Os réus do mensalão fazem parte de que parte da "zelite"? Joaquim Barbosa, o juiz que preside a mais alta Corte, é ou não é "zelite"? Faz mal ou bem à Nação? Se fez mal ou bem, que "zelite" representa no repertório das maldades do país? A "zelite negra"? Haja mistificação. Haja sofisma. Haja paciência com a imbecilidade.
Nós e eles
Mas é claro que o apartheid entre pobres e ricos, "nós e eles", interessa ao PT. Que, apesar dos avanços institucionais e atitudinais que ocorrem no país, teima em ressuscitar motes do passado. Lula acha que o discurso da separação de classes favorece o PT. Está equivocado. Até as massas ignaras não toleram mais viver sob refrãos obsoletos. O resgate desse discurso é uma tentativa de botar novamente no palanque a polarização PT x PSDB, os primeiros vestindo a pele da ética e os segundos, o manto da maldade. Será que Lula e adjacências acreditam que podem continuar a enrolar as massas com o celofane da mistificação?
Quem prega ódio?
Lembremos: em 1972, Lula vestia a camiseta do João Ferrador, personagem criado pelo jornalista Antônio Felix Nunes para apresentar as reivindicações dos metalúrgicos. O bordão do raivoso Ferrador era: "hoje eu não tô bom". Em 2002, adotou o slogan "Lulinha paz e amor", contrapondo-se ao perfil combativo e sisudo das eleições de 1989, quando recebeu de Leonel Brizola a alcunha "sapo barbudo". Passou a ecoar o slogan: "a esperança vencerá o medo". Foi um tento. Hoje, tenta recompor o dito sob nova roupagem: "a esperança vencerá o ódio". Nesse ponto, emerge a dissonância. O ódio faz parte da estratégia lulista, quando procura resgatar a polarização entre petistas e tucanos, identificando os primeiros com os ricos e os segundos com os pobres.
Vacinação
A questão, porém, é mais complexa. Os habitantes do meio da pirâmide e parcelas das bordas já estão vacinados contra os refrãos carcomidos pela poeira do tempo. O slogan das ruas é outro: "mais e melhores serviços públicos". Não acreditam que estatutos como o Bolsa Família serão extintos qualquer que seja o futuro presidente. Aos tucanos, por sua vez, interessa acender a tocha da polarização, crentes de suas chances no pleito deste ano. Fernando Henrique decide ir à trincheira: "Lula vestiu a carapuça", resposta à crítica de que teria "comprado" apoios para aprovar a reeleição.
O mais corrupto?
Depois de ter brilhado na constelação da ética, o PT aparece nas pesquisas como o ente que mais encarna o vírus da corrupção. Mesmo assim, aposta na dualidade "nós e eles", o bem e o mal. E continua a desprezar os parceiros partidários da aliança governista, alargando seu império na administração Federal. E haja sofisma, a denotar um duplo padrão ético que lembra a resposta do rei africano sobre o bem e o mal, dada ao pesquisador Carl Jung: "O bem é quando roubo as mulheres do meu inimigo; o mal é quando o inimigo rouba minhas mulheres". Nessa toada, a campanha eleitoral, já começada, se cerca de grandes interrogações. A aposta maior é a de que os rumos finais serão ditados pelo andar da carruagem econômica: maior inflação, aumento do desemprego, barrigas roncando, massas apertando o cerco, pior para a presidente Dilma, melhor para as oposições; a recíproca é verdadeira.
Lula no ataque
No plano dos discursos, o PT se esforça para dar credibilidade a um escopo ideológico, que ainda causa receio à parcela ponderável do eleitorado. É um partido que enxerga, muito assustado, a corrosão de sua identidade, que era a mais confiável há 20 anos. Teme ser desalojado do primeiro andar do poder. Sente que já não tem tanto respaldo popular quanto nos dourados anos da era Lula, de quem espera papel de vanguarda na estratégia de continuidade. Por isso, Luiz Inácio, valendo-se do conhecido instinto, desenvolvido ao longo do contato direto com as massas, resgata o velho axioma de guerra: "a melhor defesa é o ataque". Ataque contra a imprensa; ataque contra as elites; ataque contra quem cospe no prato em que comeu; ataque contra o ex-presidente Fernando Henrique (que teria "comprado" apoio no Congresso ao projeto da reeleição). O tiroteio, vale frisar, tem o mérito de fazer recuar exércitos adversários, obrigando-os à defesa.
Beócio
Agenor Leal de Souza, vereador de Peçanha, chamou seu companheiro de Câmara Municipal, Tibúrcio Alves Pereira, de beócio. Tibúrcio levantou-se solene:
- Nobre senhor vereador Agenor Leal de Souza, se a palavra beócio for agradativa ou adulativa, muito obrigado a V.Exa. Mas se for atacativa, beócio é a mãe de V.Exa.
Era atacativa!
O bacanal eleitoral
Uns dizem: vivemos um bacanal eleitoral; outros falam: estamos vendo a orgia em plena esfera partidária. Esculhambação geral. O PSB de Eduardo Campos, que pretende se apresentar como o novo, alia-se, no Rio, ao senador Lindbergh, do PT, candidato ao governo. Logo, o "lindinho", como é chamado pela presidente Dilma o candidato petista ao governo, abre um palanque misto no RJ. Ou seja, em seu palco poderão se apresentar Dilma e Eduardo Campos, ambos candidatos à presidência. Em SP, o mesmo PSB (o novo?), faz aliança com Alckmin, podendo, então, aparecer no mesmo palanque do tucano Aécio Neves. No Rio, agora é o DEM, de César Maia, que se junta ao PMDB. Esse casamento de zebra com bode, de jacaré com cobra d'água, se repete na maioria dos 27 Estados.
E Pezão, hein?
Pezão, o governador do Rio, tem um pé no PT, apoiando Dilma, e também um pé no PSDB, apoiando Aécio. Daí a chapa Aezão, como já se vê. Quem tem boca vai a Roma. E quem tem um Pezão, embarca em duas canoas. Assim é a política brasileira. Em tempo: esse consultor tende a acreditar que Pezão levará a melhor no RJ. A conferir.
Partidos no Rio
No RJ, os partidos conservam a seguinte posição em matéria de prefeituras: PMDB, 22, com 53,% do eleitorado; PR, 6, com 9,5% do eleitorado; PT, 12, com 6,6% do eleitorado; PC do B, 4, com 3,9% do eleitorado; PDT, 5, com 3,5% do eleitorado; PSB, 6, com 3,2% do eleitorado; PP, 8, com 3,1% do eleitorado; PSC, 7, com 2,8% do eleitorado; PSD, 7, com 2,5% do eleitorado; PV, 1, com 1,2% do eleitorado; PMN, 1, com 1, 06% do eleitorado. Os partidos restantes(PRB, PSDB, PPS, DEM, PSDC, PTB e PSOL) têm menos de 1% dos eleitores.
Computo
Pachequinho e Chico Fulô (Waldomiro Lobo) eram muito populares e vereadores do PTB em BH. Disputavam as mesmas áreas e viviam brigando. Na tribuna, Waldomiro falava de tuberculose e tuberculosos, seu assunto predileto:
- A cidade está cheia de tuberculosos. Não sei ao certo quantos são, mas eu computo...
Pachequinho aparteo :
- Não é computo não, ilustre vereador. É cômputo.
- Eu sei que cômputo. Mas, falando com V.Exa., eu falo computo.
Foram aos tapas!
Adeus, Sarney
60 anos de vida política. Uma única derrota em uma eleição para a Câmara Federal. O poderoso ex-presidente da República e senador José Sarney está abandonando a lide eleitoral. Não a trajetória da política. Alega motivos pessoais. Quer ficar mais tempo perto de sua mulher, dona Marly. Mas é evidente que pesam nessa decisão as possibilidades estreitas de uma vitória para o Senado, no AP, que representa na Câmara Alta, e as dificuldades que a família enfrenta no MA, onde os Sarney dominam a política há 60 anos. Sarney promete continuar a influenciar os bastidores do poder.
PT abre a porteira
Parceiros do PT continuam a fazer alianças nos Estados com adversários do petismo, fato que pesará bastante na balança da presidente Dilma. O PT é o responsável por esta situação. Não abre para os aliados as condições para sua expansão. Ao contrário, mantém-se firme em seu projeto de hegemonia. No Triângulo das Bermudas - SP, MG e RJ - a presidente Dilma perde bastante densidade eleitoral. PTB já saiu da aliança. PP está insatisfeito. PSD, de Kassab, também tem divergências com PT. Esses dois partidos fecharão com o PT no plano Federal, mas as bases expressam resistência.
CE
No CE, o senador Eunício Oliveira, candidato do PMDB ao governo, tende a fechar aliança com o empresário e ex-governador Tasso Jereissati, que será candidato ao Senado pelo PSDB. E pode ainda formar aliança com o DEM.
Carvalho tem razão
O ministro Gilberto Carvalho, conhecido por não ter papa na língua, foi direto ao ponto: não apenas as "elites brancas" apupam o governo. Segundo ele, a coisa está "gotejando" e chegando mais embaixo. O ministro tem razão. Basta conferir, de passagem, o Produto Nacional Produto da Insatisfação, que se vê nas ruas e vielas do território.
Conselho aos estrategistas do PT
Na última nota, a coluna oferece pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos marqueteiros dos candidatos. Hoje, volta sua atenção aos estrategistas do PT, a começar pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
1. Trata-se de um erro querer resgatar o velho mote da luta de classes, pobres contra ricos. O Brasil quer apagar esse discurso de separação.
2. Urge apresentar à sociedade programas, ideias, projetos, ações, que possam colocar as questões substantivas acima das abordagens adjetivas.
3. As manifestações que ocorrem nos principais centros do país, a partir de SP, apontam para o slogan desses tempos inquietos: mais e melhores serviços públicos.
(Gaudêncio Torquato)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quarta-feira, 25 de junho de 2014
sábado, 31 de maio de 2014
A CIDADE DOS SONHOS DE FRANCISCO, por Geovane Saraiva
A vida é um mistério belíssimo, de tão extraordinária que é, Deus quis que existíssemos por sua vontade, numa estreita e íntima relação terna, afetuosa e paternal, entre nós e Deus. A iniciativa, nesse contexto, de nos convidar para uma realidade profundamente harmoniosa, parte dele: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém escutar a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei como ele, e ele comigo” (Ap 6, 30-31). Da nossa parte, temos como tarefa reavivar o entusiasmo, dom e graça do nosso bom Deus, por tudo que dele provém, não o decepcionando durante a vida.
Esta vida é curta e passageira. “O homem é como um sopro, os seus dias, como uma sombra que passa” (Sl 144, 4). É claro que moramos em cidades e por vontade do Criador e Pai, a exemplo do Apóstolo dos gentios, do papa Francisco, de Dom Hélder Câmara e de inúmeros homens de Deus, sonhamos com a cidade celeste, a Jerusalém do Alto. Recordamos o grande Santo Agostinho, na sua imortal obra, A cidade de Deus, na qual nos assegura que “dois amores fundaram duas cidades, a saber: O amor próprio, levado ao desprezo a Deus, a terrena e o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial”.
Como nos deixou sensibilizados e edificados o Sumo Pontífice, na sua viagem à Terra Santa, como peregrino da concórdia e da paz, nos gestos grandiosos e magnânimos. Dentro do plano salvífico de Deus ao salvar a humanidade, após visitar o lugar de batismo de Jesus, em Betânia no além Jordão, Francisco escreveu uma dedicatória do próprio punho no Livro de Honra, a saber: “Despojados a alma e os pés se aproximaram do batismo doze tribos de Israel; Peço a Deus onipotente e misericordioso Que nos ensine a todos a caminhar na sua presença com a alma e os pés descalços e o coração aberto à misericórdia divina no amor pelos irmãos. Assim, Deus será tudo em todos e reinará a paz. Obrigado por oferecerem à humanidade este lugar de testemunho".
“Que alegria quando ouvi que me disseram: Vamos à casa do senhor. Jerusalém, cidade bem edificada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor” (Sl 121, 1-2). Que a humanidade deixe de lado o indiferentismo, para que, associada e sensibilizada com a força figura humana de Francisco, tenha sempre diante dos olhos, na mente e no coração suas palavras seguras e proféticas: “Não nos cansemos de buscar a paz, disse ao Presidente de Israel, Shimon Peres. A construção da paz exige, antes de qualquer coisa, o respeito pela liberdade e a dignidade de cada pessoa humana. Renovo os meus votos de que se evitem, por parte de todos, iniciativas e ações que contradizem a declarada vontade de chegar a um verdadeiro acordo e de que não nos cansemos de buscar a paz com determinação e coerência”.
Deus nos dê sempre mais a graça de aprender com o papa Francisco, quando afirmou que o conflito é inaceitável, também nas palavras conjuntas dele e do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, suplicando a unidade: "Mesmo sendo plenamente conscientes de não ter alcançado a meta da plena comunhão, confirmamos hoje nosso compromisso de avançar juntos para aquela unidade pela qual Cristo Nosso Senhor orou ao Pai, para que todos sejam um". Não podemos esquecer seu coração tomado de sensibilidade diante do Muro das Lamentações: "Minha peregrinação não seria completa se não incluísse também o encontro com as pessoas e as comunidades que vivem nesta terra e por isto fico feliz de poder estar com vocês, amigos muçulmanos", dirigindo-se ao líder religioso islâmico, Mohamed Hussein.
Os conflitos, a ausência de paz e de concórdia perseguem a todos e a cada um, sem exceção. Peçamos a Deus que nos cumule de graças e virtudes indispensáveis, no sentido de vivermos o nosso batismo, despojando-nos do velho homem, inspirados na exortação do Apóstolo Paulo: “Tende vós os mesmos sentimentos que Cristo Jesus teve: Ele, que sendo de condição divina, não se apropriou ser igual a Deus...” (cf. Fl 2, 5-15), tão bem representado pelo Santo Padre, na sua generosa doação, constantemente ofertada ao mundo.
* Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
OBSERVATÓRIO
“Trate, pois, o príncipe de conservar o poder; os meios serão sempre julgados honrosos e louvados por todos, porque o vulgo sempre se deixa levar pela aparência e pelo resultado das coisas; e no mundo só existe o vulgo e a minoria não tem lugar quando a maioria tem onde se apoiar. Triunfai sempre, pouco importando como, e sempre terás razão”. A citação acima é da famosa obra de Nicolau Maquiavel, "O Príncipe". Esse livro levantou questões fundamentais, como a conquista do poder, a preservação do mandato e os cuidados para não perdê-lo, a obtenção de alianças, negociações e acordos políticos, relações entre Estado e povo, corrupção, nepotismo e favorecimento, bem como outros temas secundários não menos importantes. As ideias centrais de Maquiavel foram resumidas no eixo de que, para se manter no poder, "os fins justificam os meios".
A LUTA ATUAL
A humanidade – e cada um de nós em especial – se debate contra duas forças permanentemente antagônicas: o bem e o mal. Ora, se estão dentro de nós, essas forças também se manifestam em quaisquer instituições constituídas pelos coletivos humanos. Maquiavel expressou bem essa batalha no âmbito da coisa pública. No tempo atual há uma manifestação clara, um afloramento acentuado dessa contradição. A Igreja Católica, ao mesmo tempo em que enfrenta acusações de pedofilia, produz um líder da estatura moral e da força de humildade de Francisco, o atual Papa. O judiciário cearense, por exemplo, ganha as páginas da imprensa com a divulgação de esquemas de venda de liminares ao mesmo tempo em que o seu Presidente manda apurar irregularidades que envolvem advogados, membros do Ministério Público e desembargadores, que são juízes oficiantes no topo da magistratura estadual. São os sinais dos tempos. Aliás, dentre os desembargadores que lideram o movimento de higienização do Tribunal de Justiça do Ceará, há um que tem raízes em Crateús: Washington Luis Bezerra de Araújo. Embora nascido em Campo Maior, no Piauí, pertence à família Bezerra Bonfim dos Sertões de Crateús.
A LUTA ATUAL II
Na quinzena passada, uma equipe de juízes, escalada para cumprir uma meta de julgamento de ações que envolvem recursos públicos, publicou sentenças de vários processos que tramitavam em comarcas da nossa região. Alguns pares de gestores públicos sofreram condenações. Isso só reforça aquilo que já pontuamos nesta coluna: administrar a coisa pública, hoje, é um trabalho árduo. É uma missão delicada. Todo cuidado é pouco. O gestor tem que agir como se todas as suas ações estivessem sendo filmadas e transmitidas em tempo real.
ALERTA
Coisas simples, que antes passavam despercebidas, hoje podem se constituir em problema. Este Jornal, por exemplo, divulgou na edição passada a existência de um outdoor na praça da estação em que estão estampadas as fotos do ex-prefeito de Crateús e da Presidenta da República. No passado, isso era algo comum, corriqueiro até. Hoje é expressamente vedado, pois se trata de promoção pessoal de autoridade, conduta capitulada como improbidade a teor do que dispõe o artigo 37 da Constituição Federal e o artigo 11, I, da Lei n.° 8.429/92.
VALMIR CAMPELO
Valmir Campelo, um crateuense de escol, que por muitos anos brilhou no Tribunal de Contas da União – TCU – deixou a mais alta Corte de Contas do País para assumir a Vice-Presidência de Governo do Banco do Brasil. Ganha aquela Instituição Financeira um excelente quadro.
OAB
O Presidente da OAB de Crateús, doutor Ismael Pedrosa, acompanhado de um grupo de advogados e advogadas crateuenses, esteve reunido na sexta-feira passada com o Prefeito de Crateús, doutor Mauro Soares, apresentando propostas para a melhoria da prestação jurisdicional no município. Uma parceria incluindo cessão de mais servidores municipais ao Fórum, para garantir celeridade aos processos, constou da pauta.
LIVROS
Dois fatos auspiciosos deixaram o poeta Dideus Sales extremamente feliz no sábado passado. A Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF – aprovou o seu nome como Acadêmico Correspondente. À noite, Dideus lançou em Crateús os livros “Luiz Gonzaga – muito além de um sanfoneiro” e “Poemas Telúricos”. Segundo o poeta Raimundo Cândido, Presidente da ALC, “amigos compareceram, mesmo o digníssimo São Pedro, nunca inoportuno, mandando chuvas. Então foi com poesias e água muita mesmo no coração da Academia de Letras de Crateús, um apertado coração de mãe!”
PARA REFLETIR
“Não há nada que não se consiga com a força de vontade, a bondade e, principalmente, com o amor”. (Marcus Tullius Cícero)
(Júnior Bonfim, na edição do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
A LUTA ATUAL
A humanidade – e cada um de nós em especial – se debate contra duas forças permanentemente antagônicas: o bem e o mal. Ora, se estão dentro de nós, essas forças também se manifestam em quaisquer instituições constituídas pelos coletivos humanos. Maquiavel expressou bem essa batalha no âmbito da coisa pública. No tempo atual há uma manifestação clara, um afloramento acentuado dessa contradição. A Igreja Católica, ao mesmo tempo em que enfrenta acusações de pedofilia, produz um líder da estatura moral e da força de humildade de Francisco, o atual Papa. O judiciário cearense, por exemplo, ganha as páginas da imprensa com a divulgação de esquemas de venda de liminares ao mesmo tempo em que o seu Presidente manda apurar irregularidades que envolvem advogados, membros do Ministério Público e desembargadores, que são juízes oficiantes no topo da magistratura estadual. São os sinais dos tempos. Aliás, dentre os desembargadores que lideram o movimento de higienização do Tribunal de Justiça do Ceará, há um que tem raízes em Crateús: Washington Luis Bezerra de Araújo. Embora nascido em Campo Maior, no Piauí, pertence à família Bezerra Bonfim dos Sertões de Crateús.
A LUTA ATUAL II
Na quinzena passada, uma equipe de juízes, escalada para cumprir uma meta de julgamento de ações que envolvem recursos públicos, publicou sentenças de vários processos que tramitavam em comarcas da nossa região. Alguns pares de gestores públicos sofreram condenações. Isso só reforça aquilo que já pontuamos nesta coluna: administrar a coisa pública, hoje, é um trabalho árduo. É uma missão delicada. Todo cuidado é pouco. O gestor tem que agir como se todas as suas ações estivessem sendo filmadas e transmitidas em tempo real.
ALERTA
Coisas simples, que antes passavam despercebidas, hoje podem se constituir em problema. Este Jornal, por exemplo, divulgou na edição passada a existência de um outdoor na praça da estação em que estão estampadas as fotos do ex-prefeito de Crateús e da Presidenta da República. No passado, isso era algo comum, corriqueiro até. Hoje é expressamente vedado, pois se trata de promoção pessoal de autoridade, conduta capitulada como improbidade a teor do que dispõe o artigo 37 da Constituição Federal e o artigo 11, I, da Lei n.° 8.429/92.
VALMIR CAMPELO
Valmir Campelo, um crateuense de escol, que por muitos anos brilhou no Tribunal de Contas da União – TCU – deixou a mais alta Corte de Contas do País para assumir a Vice-Presidência de Governo do Banco do Brasil. Ganha aquela Instituição Financeira um excelente quadro.
OAB
O Presidente da OAB de Crateús, doutor Ismael Pedrosa, acompanhado de um grupo de advogados e advogadas crateuenses, esteve reunido na sexta-feira passada com o Prefeito de Crateús, doutor Mauro Soares, apresentando propostas para a melhoria da prestação jurisdicional no município. Uma parceria incluindo cessão de mais servidores municipais ao Fórum, para garantir celeridade aos processos, constou da pauta.
LIVROS
Dois fatos auspiciosos deixaram o poeta Dideus Sales extremamente feliz no sábado passado. A Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF – aprovou o seu nome como Acadêmico Correspondente. À noite, Dideus lançou em Crateús os livros “Luiz Gonzaga – muito além de um sanfoneiro” e “Poemas Telúricos”. Segundo o poeta Raimundo Cândido, Presidente da ALC, “amigos compareceram, mesmo o digníssimo São Pedro, nunca inoportuno, mandando chuvas. Então foi com poesias e água muita mesmo no coração da Academia de Letras de Crateús, um apertado coração de mãe!”
PARA REFLETIR
“Não há nada que não se consiga com a força de vontade, a bondade e, principalmente, com o amor”. (Marcus Tullius Cícero)
(Júnior Bonfim, na edição do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
quarta-feira, 23 de abril de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
Pena mínima
Abro a Coluna com uma historinha da PB.
O rapaz era advogado novo em Princesa Isabel, na PB. Ia defender um criminoso de morte a faca. Procurou o coronel Zé Pereira, o mandão da cidade:
- Coronel, preciso conseguir pena mínima para meu cliente. Se não conseguir, não tenho carreira aqui.
O coronel prometeu. Terminou o julgamento, pena mínima. O advogado foi agradecer a vitória ao coronel, que valorizou a ajuda:
- Doutor, o senhor não calcula a força que eu fiz para conseguir a pena mínima. Todo mundo queria absolver o homem.
Coalizão dos indignados
Cada ciclo eleitoral possui as suas características, sendo algumas particularmente influenciadas pela vertente da economia. Este ano, ao fator econômico, somam-se situações de desconforto social, desagrado com o andar da carruagem, insatisfações, contrariedades. Há um Produto Nacional Bruto do Inconformismo, somatória de todos os problemas cotidianos, a partir do troco menor no bolso dos consumidores. Pois bem, esse PNBI é bastante visível, principalmente se aguçarmos os ouvidos. Para qualquer lado que se olhe, há um zum zum zum de insatisfações. Esse estado geral de indignação, que também se volta contra os atores políticos, dará o tom do pleito de outubro.
Dilma em queda
Dilma tende a cair mais ainda? Resposta positiva se o clima econômico descambar e os consumidores dos estratos de baixo acusarem a queda. Resposta negativa se a locomotiva econômica puxar o trem do conforto social. Dilma tem boas respostas principalmente no Nordeste do Brasil, mas tem caído nos maiores colégios eleitorais, exatamente no Sudeste. Enquanto no NE ela leva, hoje, 51% das intenções de voto, no Sudeste tem uma avaliação positiva (ótimo + bom) de apenas 30%.
Atenção para os dados
A última pesquisa Ibope abre algumas pistas. 72% dos 37% que não indicaram preferência por nenhum candidato não têm interesse na eleição deste ano. Isso poderá aumentar o número de abstenções, votos nulos e brancos. Na pesquisa espontânea, 56% não marcaram nenhum candidato. Eleitores que disseram não votar de jeito nenhum em Dilma: 33%; em Aécio, 25%; e em Eduardo Campos, 21%; e em Marina (o nome dela esteve em um cenário), 20%. Ou seja, a maior rejeição é para a presidente.
Mudança
O eleitorado quer mudanças. 30% querem mudar completamente. No Nordeste, 36% querem que tudo fique igual. Esse é o maior pedaço eleitoral (em termos proporcionais) de Dilma. Queda da presidente entre a pesquisa de novembro de 2013 para esta última, de abril de 2014: 47% a 43%; não votariam de jeito nenhum em Dilma: 25% a 33% (nesta última). Aécio saiu de 26% e subiu para 33% neste grupo e Eduardo Campos também aumentou a rejeição, de 24% a 33%. O eleitorado está descontente e desconfiado.
Clima em SP
No maior colégio eleitoral do país, o clima também esquenta. O governador Geraldo Alckmin, apesar da alquimia com que vem trabalhando para superar a tragédia da falta d'água (que já escasseia em torneiras periféricas), passa a ser alvo de bombardeio. O governador promete multar os consumidores flagrados em situações de extravagância. Faz campanha pelo bom senso no uso de água. E garante que o governo aplicará multas aos abusos. Alckmin não conseguirá formar um dique contra a indignação popular se a água deixar de correr nas torneiras nos próximos meses.
Pérolas do Barão de Itararé
-Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
-Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
-Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
-Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
-É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
Temas do ciclo eleitoral
A água, ou se quiserem a falta dela, secará a roça eleitoral do governador Geraldo Alckmin, podendo lhe surrupiar gorda batelada de votos; a insegurança da população, que se vê cercada de atos criminosos, em todos os espaços - do centro e das periferias - também se apresenta como ameaça ao candidato que dirige a segurança no Estado mais forte (e um dos mais perigosos) do país; a bandalheira como está sendo apresentada a situação da Petrobras - teias de corrupção nos intestinos da empresa - símbolo da Nação - suja a imagem do candidato petista, Alexandre Padilha. Que terá de repetir a resposta-mantra sobre o caso da Labogen, empresa "farmacêutica" que teria sido beneficiada por negociações envolvendo o Ministério da Saúde; a deterioração de alguns parafusos da engrenagem econômica, que se fazem ver na expansão da inflação das ruas (feiras livres) também estará recheando o bolo da campanha, podendo ser mais um ingrediente contra Padilha.
O eco das ruas
Sente-se por aqui e ali a sensação de que o copo transbordou. Escândalos, denúncias, troca de acusações, defesas inconsistentes, tiroteios entre alas de um mesmo partido formam um gigantesco pano de fundo a acolher a coalizão dos indignados. Ouve-se um clamor por inovação, por perfis que possam incorporar um novo conceito de gestão. O eleitorado quer, porém, uma figura que simbolize ação e menos discurso, experiência no trato administrativo, tendo como espelho situações bem empreendidas na área privada.
Exemplo das boas experiências
Buscam-se exemplos de iniciativas bem realizadas nas organizações privadas. O eleitorado jovem, principalmente, procura distinguir esses perfis na tentativa de se identificar com novos modelos e novas formas de fazer política. Por isso, pode-se prever, nos Estados, o crescimento de candidaturas comprometidas com o choque de gestão na administração pública, uma nova abordagem para o atendimento das prioridades e das demandas sociais, que ganham volume na contemporaneidade.
Volta Lula? Ou fica Lula?
Luiz Inácio está em silêncio. Luiz Inácio em silêncio é um monumento de interrogações? O que tem pensado sobre a crise da Petrobras? O que tem aconselhado Dilma a fazer? O que tem dito aos companheiros sobre a economia sob o fio da meada? Lula em silêncio diz tudo ou quase tudo: algo como "passarinho na muda não pia". O silêncio do maior palanqueiro do PT é um sinal de alerta para o PT.
Mais pérolas do Barão
- A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
- Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
- O advogado é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
- Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
Onde estão as Centrais?
E por falar em Centrais, que carregam a bandeira dos trabalhadores, o que têm elas a dizer a Petrobras, os escândalos, as prisões, o disse me disse de diretores de nossa empresa-símbolo? Será que defender a Petrobras deixou de fazer parte da agenda da CUT, por exemplo?
Hegemonia petista
Até dois meses atrás, o projeto de hegemonia política do PT fazia parte da agenda de todos os partidos. E frequentava, ainda, a agenda de preocupações dos setores produtivos. De uns tempos para cá, sentiu-se certo alívio ante essa propalada meta petista. Mas o PT, sem dúvida, continuará a ensaiar como personagem as peças de nossa política. Trata-se do partido com a maior e melhor organização do país.
Serra e Cabral?
Para onde irá José Serra, hein? Candidato a senador? Para onde caminhará Cabral? Na direção do Senado? Serra poderia ser um deputado de mais de milhão de votos. Será que isso é coisa menor? Cabral, diz-se, quer ser ministro. De hoje e do amanhã. Em que governo?
A rima
Lacerda, governador da Guanabara/RJ, candidato à presidência da República, foi a Montes Claros, lá em MG. A cidade amanheceu com os muros pichados: "Lacerda rima com m...". No comício, à noite, Lacerda acabou o discurso assim:
- Aos meus amigos, deixo um grande abraço. Aos meus adversários, a rima.
Conselho ao PT
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao governador de SP, Geraldo Alckmin. Hoje, volta sua atenção ao PT.
1. Reconhecer o erro em relação a algumas decisões tomadas pela antiga diretoria da Petrobras pode ser uma alternativa interessante. Melhor do que a querela entre alas do partido.
2. É preciso coragem para repor a verdade, sem firulações, manobras e tergiversações.
3. O eleitor consegue distinguir as diferenças entre falsas versões, meias versões e a verdade. Tentativa de enrolar o eleitorado pode se transformar em bumerangue.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a Coluna com uma historinha da PB.
O rapaz era advogado novo em Princesa Isabel, na PB. Ia defender um criminoso de morte a faca. Procurou o coronel Zé Pereira, o mandão da cidade:
- Coronel, preciso conseguir pena mínima para meu cliente. Se não conseguir, não tenho carreira aqui.
O coronel prometeu. Terminou o julgamento, pena mínima. O advogado foi agradecer a vitória ao coronel, que valorizou a ajuda:
- Doutor, o senhor não calcula a força que eu fiz para conseguir a pena mínima. Todo mundo queria absolver o homem.
Coalizão dos indignados
Cada ciclo eleitoral possui as suas características, sendo algumas particularmente influenciadas pela vertente da economia. Este ano, ao fator econômico, somam-se situações de desconforto social, desagrado com o andar da carruagem, insatisfações, contrariedades. Há um Produto Nacional Bruto do Inconformismo, somatória de todos os problemas cotidianos, a partir do troco menor no bolso dos consumidores. Pois bem, esse PNBI é bastante visível, principalmente se aguçarmos os ouvidos. Para qualquer lado que se olhe, há um zum zum zum de insatisfações. Esse estado geral de indignação, que também se volta contra os atores políticos, dará o tom do pleito de outubro.
Dilma em queda
Dilma tende a cair mais ainda? Resposta positiva se o clima econômico descambar e os consumidores dos estratos de baixo acusarem a queda. Resposta negativa se a locomotiva econômica puxar o trem do conforto social. Dilma tem boas respostas principalmente no Nordeste do Brasil, mas tem caído nos maiores colégios eleitorais, exatamente no Sudeste. Enquanto no NE ela leva, hoje, 51% das intenções de voto, no Sudeste tem uma avaliação positiva (ótimo + bom) de apenas 30%.
Atenção para os dados
A última pesquisa Ibope abre algumas pistas. 72% dos 37% que não indicaram preferência por nenhum candidato não têm interesse na eleição deste ano. Isso poderá aumentar o número de abstenções, votos nulos e brancos. Na pesquisa espontânea, 56% não marcaram nenhum candidato. Eleitores que disseram não votar de jeito nenhum em Dilma: 33%; em Aécio, 25%; e em Eduardo Campos, 21%; e em Marina (o nome dela esteve em um cenário), 20%. Ou seja, a maior rejeição é para a presidente.
Mudança
O eleitorado quer mudanças. 30% querem mudar completamente. No Nordeste, 36% querem que tudo fique igual. Esse é o maior pedaço eleitoral (em termos proporcionais) de Dilma. Queda da presidente entre a pesquisa de novembro de 2013 para esta última, de abril de 2014: 47% a 43%; não votariam de jeito nenhum em Dilma: 25% a 33% (nesta última). Aécio saiu de 26% e subiu para 33% neste grupo e Eduardo Campos também aumentou a rejeição, de 24% a 33%. O eleitorado está descontente e desconfiado.
Clima em SP
No maior colégio eleitoral do país, o clima também esquenta. O governador Geraldo Alckmin, apesar da alquimia com que vem trabalhando para superar a tragédia da falta d'água (que já escasseia em torneiras periféricas), passa a ser alvo de bombardeio. O governador promete multar os consumidores flagrados em situações de extravagância. Faz campanha pelo bom senso no uso de água. E garante que o governo aplicará multas aos abusos. Alckmin não conseguirá formar um dique contra a indignação popular se a água deixar de correr nas torneiras nos próximos meses.
Pérolas do Barão de Itararé
-Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
-Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
-Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
-Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
-É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
Temas do ciclo eleitoral
A água, ou se quiserem a falta dela, secará a roça eleitoral do governador Geraldo Alckmin, podendo lhe surrupiar gorda batelada de votos; a insegurança da população, que se vê cercada de atos criminosos, em todos os espaços - do centro e das periferias - também se apresenta como ameaça ao candidato que dirige a segurança no Estado mais forte (e um dos mais perigosos) do país; a bandalheira como está sendo apresentada a situação da Petrobras - teias de corrupção nos intestinos da empresa - símbolo da Nação - suja a imagem do candidato petista, Alexandre Padilha. Que terá de repetir a resposta-mantra sobre o caso da Labogen, empresa "farmacêutica" que teria sido beneficiada por negociações envolvendo o Ministério da Saúde; a deterioração de alguns parafusos da engrenagem econômica, que se fazem ver na expansão da inflação das ruas (feiras livres) também estará recheando o bolo da campanha, podendo ser mais um ingrediente contra Padilha.
O eco das ruas
Sente-se por aqui e ali a sensação de que o copo transbordou. Escândalos, denúncias, troca de acusações, defesas inconsistentes, tiroteios entre alas de um mesmo partido formam um gigantesco pano de fundo a acolher a coalizão dos indignados. Ouve-se um clamor por inovação, por perfis que possam incorporar um novo conceito de gestão. O eleitorado quer, porém, uma figura que simbolize ação e menos discurso, experiência no trato administrativo, tendo como espelho situações bem empreendidas na área privada.
Exemplo das boas experiências
Buscam-se exemplos de iniciativas bem realizadas nas organizações privadas. O eleitorado jovem, principalmente, procura distinguir esses perfis na tentativa de se identificar com novos modelos e novas formas de fazer política. Por isso, pode-se prever, nos Estados, o crescimento de candidaturas comprometidas com o choque de gestão na administração pública, uma nova abordagem para o atendimento das prioridades e das demandas sociais, que ganham volume na contemporaneidade.
Volta Lula? Ou fica Lula?
Luiz Inácio está em silêncio. Luiz Inácio em silêncio é um monumento de interrogações? O que tem pensado sobre a crise da Petrobras? O que tem aconselhado Dilma a fazer? O que tem dito aos companheiros sobre a economia sob o fio da meada? Lula em silêncio diz tudo ou quase tudo: algo como "passarinho na muda não pia". O silêncio do maior palanqueiro do PT é um sinal de alerta para o PT.
Mais pérolas do Barão
- A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
- Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
- O advogado é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
- Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
Onde estão as Centrais?
E por falar em Centrais, que carregam a bandeira dos trabalhadores, o que têm elas a dizer a Petrobras, os escândalos, as prisões, o disse me disse de diretores de nossa empresa-símbolo? Será que defender a Petrobras deixou de fazer parte da agenda da CUT, por exemplo?
Hegemonia petista
Até dois meses atrás, o projeto de hegemonia política do PT fazia parte da agenda de todos os partidos. E frequentava, ainda, a agenda de preocupações dos setores produtivos. De uns tempos para cá, sentiu-se certo alívio ante essa propalada meta petista. Mas o PT, sem dúvida, continuará a ensaiar como personagem as peças de nossa política. Trata-se do partido com a maior e melhor organização do país.
Serra e Cabral?
Para onde irá José Serra, hein? Candidato a senador? Para onde caminhará Cabral? Na direção do Senado? Serra poderia ser um deputado de mais de milhão de votos. Será que isso é coisa menor? Cabral, diz-se, quer ser ministro. De hoje e do amanhã. Em que governo?
A rima
Lacerda, governador da Guanabara/RJ, candidato à presidência da República, foi a Montes Claros, lá em MG. A cidade amanheceu com os muros pichados: "Lacerda rima com m...". No comício, à noite, Lacerda acabou o discurso assim:
- Aos meus amigos, deixo um grande abraço. Aos meus adversários, a rima.
Conselho ao PT
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao governador de SP, Geraldo Alckmin. Hoje, volta sua atenção ao PT.
1. Reconhecer o erro em relação a algumas decisões tomadas pela antiga diretoria da Petrobras pode ser uma alternativa interessante. Melhor do que a querela entre alas do partido.
2. É preciso coragem para repor a verdade, sem firulações, manobras e tergiversações.
3. O eleitor consegue distinguir as diferenças entre falsas versões, meias versões e a verdade. Tentativa de enrolar o eleitorado pode se transformar em bumerangue.
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(Gaudêncio Torquato)
segunda-feira, 21 de abril de 2014
UM BOM NEGÓCIO: RECONHECER ERROS
“Foi um mau negócio”. A sincera confissão feita no Senado Federal pela presidente da Petrobras, Graça Foster, sobre a aquisição da refinaria americana Pasadena foi um ato de coragem, mas não suficiente para desfazer o enredo que deixa em lençóis sujos a empresa símbolo do Brasil.
Há de se completar o processo deflagrado pela comandante Foster, tarefa que compete aos órgãos de controle e investigação, entre os quais PF, Tribunal de Contas da União, Corregedoria Geral e Advocacia da União, sob o olhar atento do Ministério Público.
A questão que remanesce é: depois de oito anos do ato consumado, com cabais demonstrações de prejuízos aos cofres do Tesouro e perdas para o bolso de milhares de investidores que adquiriram ações da empresa, quem será punido por transgressão ao ordenamento legal?
Não importa se a Comissão Parlamentar de Inquérito, em discussão no Congresso e em análise pela Corte Suprema, terá escopo restrito ou ampliado. Importa, sim, chegar às respostas objetivas que impliquem responsabilização de agentes, desmontagem de conluios entre a res publica e os negócios privados e a devida apenação de envolvidos.
Ao reforçar a abordagem da presidente Dilma (que, em 2006, presidia o Conselho da Petrobras) de que a compra da refinaria se deu por ato falho, ou seja, pela não apresentação de duas cláusulas – Put Option e Marlim – por parte do então diretor internacional Nestor Cerveró, Maria das Graças Foster foi fiel ao script recomendado pelo Palácio do Planalto, mas se obriga, para preservar a imagem técnica, a dar continuidade às investigações internas que mandou realizar. É imperiosa a resposta às indagações que correm pelos contingentes de formação de opinião e já chegam aos ouvidos periféricos.
Como é sabido, o balão da opinião pública começa a encher com os ares insuflados de grupos do meio da pirâmide e ganha volume com as ondas que, em círculos concêntricos, descem até às margens. A condição para desinflar reside no aparecimento de respostas diretas sobre as responsabilidades dos gestores públicos.
Daí a pergunta que se faz ao ex-diretor: por que a proposta apresentada omitiu (tanto no power point que usou quanto na exposição oral) cláusulas que obrigavam a Petrobras a comprar a outra parte da unidade?
Responde ele: porque eram irrelevantes.
Imaginemos a situação. Setembro de 2006. Meia noite na Avenida Paulista em São Paulo. O coordenador do trânsito avança o sinal vermelho. Para se livrar de um carro que vinha, velozmente, por uma rua lateral, derruba um poste de iluminação que acaba deixando sem luz o expressivo cartão postal da maior metrópole do país. Dois anos depois, tomando conhecimento da ação intempestiva do servidor, o secretário dos transportes o transfere de posto.
Não teria sido esse o enredo? Cerveró, ao deixar de lado cláusulas básicas para viabilizar a aquisição da refinaria, não estaria ultrapassando o sinal vermelho? Ou ele não viu nenhum sinal vermelho?
Alegar que a chamada cláusula “put option” é comum em contratos daquele tipo parece bater de frente na disposição da então presidente do Conselho Administrativo da Petrobras de vetar a transação caso soubesse daquele dispositivo que regulava a saída do parceiro. A conta não fecha.
Será que uma avenida vazia, em plena madrugada, (a Petrobras sem muitos controles), teria aberto a brecha para um “desvio de atenção”?
Teria sido por excesso de confiança (achar que tudo era sabido) que decidiu fazer o que fez e como fez?
O ex-diretor garante não saber com certeza se o Conselho recebeu todas as documentações sobre a compra. Como gestor público, sabe quais os procedimentos que motivam dolo, incúria, inépcia, desleixo. Teria havido isso na Petrobrás? As investigações irão mostrar.
O caso remete a uma reflexão sobre as teias de interesses que se multiplicam na administração pública. Os desvios, veredas escuras e teias de corrupção que agem nos intestinos das estruturas públicas, nas três instâncias federativas, produzem o monumental PIB do desperdício.
Sob outro olhar, são utilizados também para encher os cofres de tios Patinhas e agregados, que se espalham por territórios partidários, a serem usados nos múltiplos projetos de poder, alguns a perder de vista de tão longevos.
O desconsolo é constatar que o discurso do “choque de gestão”, “renovação de métodos”, “meritocracia”, de tão banalizados, não chegam a sensibilizar a numerosa categoria dos gestores públicos. Não se criaram no país meios para a implementação de uma gestão moderna, racional, sob critérios de metas, resultados, eficiência e eficácia.
A cada ciclo governativo, as máquinas administrativas, ao contrário da tendência de racionalização e enxugamento, são inchadas e encharcadas pela representação feudal de partidos e grupos. O lema do Lord Acton ressurge esplendoroso em nossas plagas: “o poder tende a corromper; e o poder absoluto corrompe absolutamente”.
Ora, na antevéspera de um pleito eleitoral que tende a ser um dos mais contundentes de nossa história, em função da forte expressão que emerge dos mais diferentes grupos da sociedade, um grande bem que os candidatos fariam seria o compromisso com uma profunda reforma no campo da administração. Que deveria abrigar os territórios técnicos, imexíveis pelos comandos políticos; a adoção de critérios de mérito e qualidade no aproveitamento de quadros; a transparência absoluta de contas e processos de licitação; a demissão sumária de dirigentes de empresas e autarquias flagrados em ilícitos, com o respectivo processo de apuração; a abertura de canais com os consumidores e facilitação de acesso às investigações da mídia, entre outros aspectos.
Não é mais possível conviver com a mania de “jogar a sujeira por baixo do tapete”. O ciclo da gestão eficaz pode ser aberto com a adoção do costume de reconhecer o erro. E acabar com a mistificação.
Gaudêncio Torquato
Há de se completar o processo deflagrado pela comandante Foster, tarefa que compete aos órgãos de controle e investigação, entre os quais PF, Tribunal de Contas da União, Corregedoria Geral e Advocacia da União, sob o olhar atento do Ministério Público.
A questão que remanesce é: depois de oito anos do ato consumado, com cabais demonstrações de prejuízos aos cofres do Tesouro e perdas para o bolso de milhares de investidores que adquiriram ações da empresa, quem será punido por transgressão ao ordenamento legal?
Não importa se a Comissão Parlamentar de Inquérito, em discussão no Congresso e em análise pela Corte Suprema, terá escopo restrito ou ampliado. Importa, sim, chegar às respostas objetivas que impliquem responsabilização de agentes, desmontagem de conluios entre a res publica e os negócios privados e a devida apenação de envolvidos.
Ao reforçar a abordagem da presidente Dilma (que, em 2006, presidia o Conselho da Petrobras) de que a compra da refinaria se deu por ato falho, ou seja, pela não apresentação de duas cláusulas – Put Option e Marlim – por parte do então diretor internacional Nestor Cerveró, Maria das Graças Foster foi fiel ao script recomendado pelo Palácio do Planalto, mas se obriga, para preservar a imagem técnica, a dar continuidade às investigações internas que mandou realizar. É imperiosa a resposta às indagações que correm pelos contingentes de formação de opinião e já chegam aos ouvidos periféricos.
Como é sabido, o balão da opinião pública começa a encher com os ares insuflados de grupos do meio da pirâmide e ganha volume com as ondas que, em círculos concêntricos, descem até às margens. A condição para desinflar reside no aparecimento de respostas diretas sobre as responsabilidades dos gestores públicos.
Daí a pergunta que se faz ao ex-diretor: por que a proposta apresentada omitiu (tanto no power point que usou quanto na exposição oral) cláusulas que obrigavam a Petrobras a comprar a outra parte da unidade?
Responde ele: porque eram irrelevantes.
Imaginemos a situação. Setembro de 2006. Meia noite na Avenida Paulista em São Paulo. O coordenador do trânsito avança o sinal vermelho. Para se livrar de um carro que vinha, velozmente, por uma rua lateral, derruba um poste de iluminação que acaba deixando sem luz o expressivo cartão postal da maior metrópole do país. Dois anos depois, tomando conhecimento da ação intempestiva do servidor, o secretário dos transportes o transfere de posto.
Não teria sido esse o enredo? Cerveró, ao deixar de lado cláusulas básicas para viabilizar a aquisição da refinaria, não estaria ultrapassando o sinal vermelho? Ou ele não viu nenhum sinal vermelho?
Alegar que a chamada cláusula “put option” é comum em contratos daquele tipo parece bater de frente na disposição da então presidente do Conselho Administrativo da Petrobras de vetar a transação caso soubesse daquele dispositivo que regulava a saída do parceiro. A conta não fecha.
Será que uma avenida vazia, em plena madrugada, (a Petrobras sem muitos controles), teria aberto a brecha para um “desvio de atenção”?
Teria sido por excesso de confiança (achar que tudo era sabido) que decidiu fazer o que fez e como fez?
O ex-diretor garante não saber com certeza se o Conselho recebeu todas as documentações sobre a compra. Como gestor público, sabe quais os procedimentos que motivam dolo, incúria, inépcia, desleixo. Teria havido isso na Petrobrás? As investigações irão mostrar.
O caso remete a uma reflexão sobre as teias de interesses que se multiplicam na administração pública. Os desvios, veredas escuras e teias de corrupção que agem nos intestinos das estruturas públicas, nas três instâncias federativas, produzem o monumental PIB do desperdício.
Sob outro olhar, são utilizados também para encher os cofres de tios Patinhas e agregados, que se espalham por territórios partidários, a serem usados nos múltiplos projetos de poder, alguns a perder de vista de tão longevos.
O desconsolo é constatar que o discurso do “choque de gestão”, “renovação de métodos”, “meritocracia”, de tão banalizados, não chegam a sensibilizar a numerosa categoria dos gestores públicos. Não se criaram no país meios para a implementação de uma gestão moderna, racional, sob critérios de metas, resultados, eficiência e eficácia.
A cada ciclo governativo, as máquinas administrativas, ao contrário da tendência de racionalização e enxugamento, são inchadas e encharcadas pela representação feudal de partidos e grupos. O lema do Lord Acton ressurge esplendoroso em nossas plagas: “o poder tende a corromper; e o poder absoluto corrompe absolutamente”.
Ora, na antevéspera de um pleito eleitoral que tende a ser um dos mais contundentes de nossa história, em função da forte expressão que emerge dos mais diferentes grupos da sociedade, um grande bem que os candidatos fariam seria o compromisso com uma profunda reforma no campo da administração. Que deveria abrigar os territórios técnicos, imexíveis pelos comandos políticos; a adoção de critérios de mérito e qualidade no aproveitamento de quadros; a transparência absoluta de contas e processos de licitação; a demissão sumária de dirigentes de empresas e autarquias flagrados em ilícitos, com o respectivo processo de apuração; a abertura de canais com os consumidores e facilitação de acesso às investigações da mídia, entre outros aspectos.
Não é mais possível conviver com a mania de “jogar a sujeira por baixo do tapete”. O ciclo da gestão eficaz pode ser aberto com a adoção do costume de reconhecer o erro. E acabar com a mistificação.
Gaudêncio Torquato
quinta-feira, 17 de abril de 2014
FARTURA NO CEARÁ
Fartura terá
A Semana Santa
Tudo isso me encanta
No meu Ceará
A chuva por lá
Caiu com vontade
Pra felicidade
De quem fez roçado
No chão cultivado
Há prosperidade.
*
No sertão florido
De chuva encharcado
Comi milho assado
E milho cozido
Jerimum colhido
Nas ramas do chão
Maxixe e feijão
Na roça apanhei
Quando visitei
Meu velho sertão.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda
quarta-feira, 16 de abril de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
Quer ver?
Abro a coluna com um "padrinho" cheio de graça.
Padre Aneiko, deputado estadual pelo PDC, vinha do Paraguai. Na fronteira de Foz do Iguaçu, encontrou-se com duas amigas, que lhe pediram para passar com uns perfumes de contrabando. Arrumou no cinturão, embaixo da batina. Na Alfândega, o fiscal pergunta:
- Alguma mercadoria, padre?
- Claro que não.
- E o que senhor tem aí embaixo da batina?
- O que tem aqui embaixo é dessas duas moças. Quer ver?
O fiscal:
- De jeito nenhum.
Feliz
"Quando eu tinha cinco anos, a minha mãe dizia-me que a felicidade era a chave da vida. Quando fui para a escola perguntaram-me o que queria ser quando fosse grande. Escrevi: "feliz". Então eles me disseram que eu não tinha entendido o exercício e eu respondi que eles é quem não entendiam a vida". (John Lennon)
A queda de uma estrela
O PT sempre apreciou o simbolismo da estrela. Que conota beleza, luz, fé, esperança, o encontro do homem com os mistérios da natureza. Escolheu a estrela para acolher a estética do partido. Acolheu a cor vermelha para expressar a interação com a esquerda. Os partidos socialistas ancoram-se no vermelho. Até o jardim do Palácio da Alvorada ganhou uma estrela vermelha nos idos tempos do presidente Luiz Inácio. André Vargas era uma estrela em ascensão. O cargo parlamentar mais elevado do PT era por ele ocupado: vice-presidente da Câmara dos Deputados. Conservava o sonho de chegar à presidência da Câmara em 2014. De punho erguido, por ocasião da instalação dos trabalhos parlamentares, ao lado do presidente do STF, era a própria encarnação do poder petista. A estrela cai. Vargas desce do Olimpo para habitar a terra dos mortais. Pior: dos mortais pecadores.
Decisão e indecisão
A decisão para a renúncia do deputado foi decidida pela cúpula do PT. Na verdade, quanto mais protelasse a decisão, mais sangria do corpo petista Vargas proporcionaria. Ocorre que Vargas ainda tem dúvidas. A Comissão de Ética da Câmara pediu ao presidente Henrique Alves para não aceitar o pedido. Quer que a casa o julgue tendo em vista que já havia sido instaurado um processo contra ele.
O Brasil é surpreendente
Por nossas tropicais plagas, tudo pode acontecer. O pior virar melhor e vice-versa. Com a nuance de que essa extraordinária mutação pode ocorrer em questão de instantes. Um dia, uma hora, um flagrante bastam para o destronamento de imperadores ou para a queda de estrelas. O imponderável nos ronda. Está ali na esquina espreitando políticos de todas as estirpes. Não adianta querer esconder malfeitos. Um dia, uma hora, o véu cai e deixa ver os perfis desnudados. Sem as lantejoulas que, até então, douravam seus corpos. O Brasil dos Trópicos é um dos maiores laboratórios da ciência política contemporânea.
O imponderável - I
Sob o abrigo da nota acima, respondo como consultor político à insistente e recorrente pergunta: E Lula, volta? Ele tomará o lugar de Dilma? Tudo é possível, principalmente ante o desmoronamento da locomotiva que puxa o trem da inflação. O imponderável está na onda. O que é isso? Explico. Eleições de 1986. Comício de encerramento de Freitas Neto, do antigo PFL. Praça do Marquês. Desde a manhã os carros de som convidavam o povo para o monumental show de Elba Ramalho. 18h, praça lotada. A massa urra : "queremos Elba, queremos Elba". Os caminhões com os equipamentos de som só chegaram em cima da hora do comício. Começa a cair um toró. Pipocos e faíscas. Os cabos, em curto circuito, queimaram. Comício sem som?
O imponderável - II
Elba mostrou o contrato: "sem som, não canto". Sob insistente apelo do candidato, propôs a cantar uma música. Arrumaram um banjo para acompanhá-la. Nem mesmo começara a cantar, passou a vociferar: "imbecis, ignorantes, não façam isso". No meio da multidão, a cena constrangedora: a galera abria a boca de um jumento e derramava nela uma garrafa de cachaça. Sob apupos, acabava-se o comício. O candidato perdeu a campanha por menos de 2%. O caso foi contado de boca a boca. O imponderável: um jumento embriagado em Teresina.
Confiança cai
A confiança dos brasileiros nos governantes cai. Quem garante é o Datafolha, que acaba de criar um Índice de Confiança. Numa escala que vai do 0 a 200, acima de 100, o índice é positivo. Em março do ano passado, o índice apontava 148. Agora em abril, caiu para 109. Uma perda razoável de confiança no país.
Coração puro
"Um grande mago me ensinou uma vez que contra a maldade de um homem não era necessário tomar nenhuma medida. Basta ter um coração puro para que o tempo se encarregue de dar a resposta."
Inflação, o dragão
A inflação pode se transformar no dragão engolidor de votos. Hoje, o índice de 6,15% estaria dentro da meta, que vai de 4,5% a 6,5%. Ocorre que há uma inflação não controlada, essa de produtos hortifrutigranjeiros de feiras livres, por exemplo. O tomate, o chuchu, o abacaxi, o mamão papaia das feiras, quando sobem um real ou mais, pesam no bolso dos consumidores, principalmente dos contingentes que vivem da cesta básica. Há quem garanta que a inflação das ruas já está por volta de 8% a 9%. Não sei. Mas ouço um zum zum no ar.
Saber administrar o tempo
Sêneca, o grande sábio, escreveu sobre a brevidade da vida, quando diz: "Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente, constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido". Saber administrar o tempo é, hoje, um dos desafios instigantes do nosso cotidiano. O tempo não se mata. "Quem mata tempo é suicida", satiriza Millôr Fernandes. A reprimenda é do dramaturgo inglês H.D. Thoreau: "Como se fosse possível matar o tempo sem ferir a eternidade".
A festa foi bonita, pá
O casório foi bonito, pá. Fiquei contente. Ainda guardo renitente um velho cravo para mim. Não foi bonita a festa de casamento de Eduardo Campos e Marina, em Brasília, esta semana? Com direito a imagem gastronômica de Marina: a união da tapioca com o açaí, o que, convenhamos, produz fonética esquisita ou semântica exótica: tapiçaí, ou se preferirem, açapioca. Campos prometendo botar mais feijão no Bolsa Família e dizendo: "vamos mudar, vamos mudar". Meu Deus do céu: mudar é encher as panelas do Bolsa Família? Pelo que se sabe, o desafio é exatamente o contrário: diminuir o Bolsa Família, o assistencialismo paternalista com programas estruturantes. Onde está a saída, Eduardo e Marina? Há quem prefira o canto de Chico Buarque: "Sei que há léguas a nos separar, tanto mar, tanto mar; sei, também, quanto é preciso, pá; navegar, navegar; canta primavera, pá; cá estou carente, manda novamente algum cheirinho de alecrim".
A diretriz de Lula
Lula deu a diretriz: atacar quem ataca a Petrobras. Sair da passividade. Ir à luta. Foi o que a presidente fez em PE: atacou oposicionistas que querem usar a Petrobras como arma política. O imbróglio está no ar. Literalmente. A Rede Globo coloca todos os dias nas ondas sonoras, levando ao assunto do Caburaí ao Chuí (aliás, não é do Oiapoque ao Chuí, no AP, como se insiste. Do monte Caburaí, no município de Uiramutã, em RR, ao arroio Chuí são 85 km a mais do que a distância do Oiapoque ao Chuí, que é de 4.180 km). Mas a história é outra. Dilma e Graça Foster vão à luta. Vamos ver até onde vai dar essa brigalhada.
Viver o presente
Procurar viver intensamente o hoje. Também é de Sêneca o pensamento: "Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente". Há pessoas que passam o tempo preparando o futuro, deixando de lado as grandes oportunidades de momento em que poderiam ser felizes. Ocupar o tempo é viver. Deixar de ocupá-lo é um descompromisso com o ideal da existência. Como musicou John Lennon: "Vida é o que acontece quando você está ocupado, fazendo outros planos".
São Geraldo pede ajuda a São Pedro
São "Geraldo Alckmin" todos os dias reza uma prece a São Pedro, o porteiro do céu. O primeiro papa da Igreja Católica Apostólica Romana não está muito de aceitar preces apenas em momentos críticos. Gostaria que os pecadores rezassem todos os dias. Sem invencionices nem carolices. O fato é que o santo "Alckmin" todos os dias, ao acordar, corre para ver os aparelhos que colecionam gotas de chuva para ver se os cus atenderam a suas rezas. A Cantareira está com 12% de sua capacidade. Cantareira seca é secura nas urnas do habitante do Palácio dos Bandeirantes. Que até garantiu ter enxugado o tempo de banho. Claro, a careca do governador é um adjutório nesses tempos de economia d'água. Perdão, bom governador e amigo, pela brincadeira.
Súmulas do TST
O ex-ministro Almir Pazzianotto esclareceu dúvidas de empresários sobre as súmulas 244 e 378 do TST, que tratam da garantia de estabilidade à gestante e em caso de acidente de trabalho. Foi ontem no Sindeprestem, entidade que reúne empresas de serviços terceirizados e temporários. Para ele, falta união dos empresários e de entidades patronais de representação nacional para lidar com a questão. "Iniciativas isoladas não impedirão que estas súmulas sejam aplicadas nem farão o TST rever o texto. Não é simplesmente uma decisão jurídica, mas política e deve ser tratada como tal. O enfrentamento jurídico é indispensável, mas não é suficiente".
Conselho a "São Geraldo"
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente da Petrobras, Graça Foster. Hoje, dedica sua atenção ao governador de SP, Geraldo Alckmin.
1. Use sua providencial franqueza para explicar tim tim por tim tim as contas da Sabesp, a distribuição de dividendos acima dos limites mínimos ; a conversa direta, sem pirrepes (nordestinês para significar firulas e dribles - sem talvez no inglês) poderá ser eficaz ;
2. Há momentos na vida de um governante que são centrais para defender sua identidade e preservar sua imagem. Vossa Excelência terá pela frente um imenso desafio a enfrentar.
3. Mostre alto conhecimento de causa sobre a questão hídrica em SP.
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(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com um "padrinho" cheio de graça.
Padre Aneiko, deputado estadual pelo PDC, vinha do Paraguai. Na fronteira de Foz do Iguaçu, encontrou-se com duas amigas, que lhe pediram para passar com uns perfumes de contrabando. Arrumou no cinturão, embaixo da batina. Na Alfândega, o fiscal pergunta:
- Alguma mercadoria, padre?
- Claro que não.
- E o que senhor tem aí embaixo da batina?
- O que tem aqui embaixo é dessas duas moças. Quer ver?
O fiscal:
- De jeito nenhum.
Feliz
"Quando eu tinha cinco anos, a minha mãe dizia-me que a felicidade era a chave da vida. Quando fui para a escola perguntaram-me o que queria ser quando fosse grande. Escrevi: "feliz". Então eles me disseram que eu não tinha entendido o exercício e eu respondi que eles é quem não entendiam a vida". (John Lennon)
A queda de uma estrela
O PT sempre apreciou o simbolismo da estrela. Que conota beleza, luz, fé, esperança, o encontro do homem com os mistérios da natureza. Escolheu a estrela para acolher a estética do partido. Acolheu a cor vermelha para expressar a interação com a esquerda. Os partidos socialistas ancoram-se no vermelho. Até o jardim do Palácio da Alvorada ganhou uma estrela vermelha nos idos tempos do presidente Luiz Inácio. André Vargas era uma estrela em ascensão. O cargo parlamentar mais elevado do PT era por ele ocupado: vice-presidente da Câmara dos Deputados. Conservava o sonho de chegar à presidência da Câmara em 2014. De punho erguido, por ocasião da instalação dos trabalhos parlamentares, ao lado do presidente do STF, era a própria encarnação do poder petista. A estrela cai. Vargas desce do Olimpo para habitar a terra dos mortais. Pior: dos mortais pecadores.
Decisão e indecisão
A decisão para a renúncia do deputado foi decidida pela cúpula do PT. Na verdade, quanto mais protelasse a decisão, mais sangria do corpo petista Vargas proporcionaria. Ocorre que Vargas ainda tem dúvidas. A Comissão de Ética da Câmara pediu ao presidente Henrique Alves para não aceitar o pedido. Quer que a casa o julgue tendo em vista que já havia sido instaurado um processo contra ele.
O Brasil é surpreendente
Por nossas tropicais plagas, tudo pode acontecer. O pior virar melhor e vice-versa. Com a nuance de que essa extraordinária mutação pode ocorrer em questão de instantes. Um dia, uma hora, um flagrante bastam para o destronamento de imperadores ou para a queda de estrelas. O imponderável nos ronda. Está ali na esquina espreitando políticos de todas as estirpes. Não adianta querer esconder malfeitos. Um dia, uma hora, o véu cai e deixa ver os perfis desnudados. Sem as lantejoulas que, até então, douravam seus corpos. O Brasil dos Trópicos é um dos maiores laboratórios da ciência política contemporânea.
O imponderável - I
Sob o abrigo da nota acima, respondo como consultor político à insistente e recorrente pergunta: E Lula, volta? Ele tomará o lugar de Dilma? Tudo é possível, principalmente ante o desmoronamento da locomotiva que puxa o trem da inflação. O imponderável está na onda. O que é isso? Explico. Eleições de 1986. Comício de encerramento de Freitas Neto, do antigo PFL. Praça do Marquês. Desde a manhã os carros de som convidavam o povo para o monumental show de Elba Ramalho. 18h, praça lotada. A massa urra : "queremos Elba, queremos Elba". Os caminhões com os equipamentos de som só chegaram em cima da hora do comício. Começa a cair um toró. Pipocos e faíscas. Os cabos, em curto circuito, queimaram. Comício sem som?
O imponderável - II
Elba mostrou o contrato: "sem som, não canto". Sob insistente apelo do candidato, propôs a cantar uma música. Arrumaram um banjo para acompanhá-la. Nem mesmo começara a cantar, passou a vociferar: "imbecis, ignorantes, não façam isso". No meio da multidão, a cena constrangedora: a galera abria a boca de um jumento e derramava nela uma garrafa de cachaça. Sob apupos, acabava-se o comício. O candidato perdeu a campanha por menos de 2%. O caso foi contado de boca a boca. O imponderável: um jumento embriagado em Teresina.
Confiança cai
A confiança dos brasileiros nos governantes cai. Quem garante é o Datafolha, que acaba de criar um Índice de Confiança. Numa escala que vai do 0 a 200, acima de 100, o índice é positivo. Em março do ano passado, o índice apontava 148. Agora em abril, caiu para 109. Uma perda razoável de confiança no país.
Coração puro
"Um grande mago me ensinou uma vez que contra a maldade de um homem não era necessário tomar nenhuma medida. Basta ter um coração puro para que o tempo se encarregue de dar a resposta."
Inflação, o dragão
A inflação pode se transformar no dragão engolidor de votos. Hoje, o índice de 6,15% estaria dentro da meta, que vai de 4,5% a 6,5%. Ocorre que há uma inflação não controlada, essa de produtos hortifrutigranjeiros de feiras livres, por exemplo. O tomate, o chuchu, o abacaxi, o mamão papaia das feiras, quando sobem um real ou mais, pesam no bolso dos consumidores, principalmente dos contingentes que vivem da cesta básica. Há quem garanta que a inflação das ruas já está por volta de 8% a 9%. Não sei. Mas ouço um zum zum no ar.
Saber administrar o tempo
Sêneca, o grande sábio, escreveu sobre a brevidade da vida, quando diz: "Não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente, constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido". Saber administrar o tempo é, hoje, um dos desafios instigantes do nosso cotidiano. O tempo não se mata. "Quem mata tempo é suicida", satiriza Millôr Fernandes. A reprimenda é do dramaturgo inglês H.D. Thoreau: "Como se fosse possível matar o tempo sem ferir a eternidade".
A festa foi bonita, pá
O casório foi bonito, pá. Fiquei contente. Ainda guardo renitente um velho cravo para mim. Não foi bonita a festa de casamento de Eduardo Campos e Marina, em Brasília, esta semana? Com direito a imagem gastronômica de Marina: a união da tapioca com o açaí, o que, convenhamos, produz fonética esquisita ou semântica exótica: tapiçaí, ou se preferirem, açapioca. Campos prometendo botar mais feijão no Bolsa Família e dizendo: "vamos mudar, vamos mudar". Meu Deus do céu: mudar é encher as panelas do Bolsa Família? Pelo que se sabe, o desafio é exatamente o contrário: diminuir o Bolsa Família, o assistencialismo paternalista com programas estruturantes. Onde está a saída, Eduardo e Marina? Há quem prefira o canto de Chico Buarque: "Sei que há léguas a nos separar, tanto mar, tanto mar; sei, também, quanto é preciso, pá; navegar, navegar; canta primavera, pá; cá estou carente, manda novamente algum cheirinho de alecrim".
A diretriz de Lula
Lula deu a diretriz: atacar quem ataca a Petrobras. Sair da passividade. Ir à luta. Foi o que a presidente fez em PE: atacou oposicionistas que querem usar a Petrobras como arma política. O imbróglio está no ar. Literalmente. A Rede Globo coloca todos os dias nas ondas sonoras, levando ao assunto do Caburaí ao Chuí (aliás, não é do Oiapoque ao Chuí, no AP, como se insiste. Do monte Caburaí, no município de Uiramutã, em RR, ao arroio Chuí são 85 km a mais do que a distância do Oiapoque ao Chuí, que é de 4.180 km). Mas a história é outra. Dilma e Graça Foster vão à luta. Vamos ver até onde vai dar essa brigalhada.
Viver o presente
Procurar viver intensamente o hoje. Também é de Sêneca o pensamento: "Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente". Há pessoas que passam o tempo preparando o futuro, deixando de lado as grandes oportunidades de momento em que poderiam ser felizes. Ocupar o tempo é viver. Deixar de ocupá-lo é um descompromisso com o ideal da existência. Como musicou John Lennon: "Vida é o que acontece quando você está ocupado, fazendo outros planos".
São Geraldo pede ajuda a São Pedro
São "Geraldo Alckmin" todos os dias reza uma prece a São Pedro, o porteiro do céu. O primeiro papa da Igreja Católica Apostólica Romana não está muito de aceitar preces apenas em momentos críticos. Gostaria que os pecadores rezassem todos os dias. Sem invencionices nem carolices. O fato é que o santo "Alckmin" todos os dias, ao acordar, corre para ver os aparelhos que colecionam gotas de chuva para ver se os cus atenderam a suas rezas. A Cantareira está com 12% de sua capacidade. Cantareira seca é secura nas urnas do habitante do Palácio dos Bandeirantes. Que até garantiu ter enxugado o tempo de banho. Claro, a careca do governador é um adjutório nesses tempos de economia d'água. Perdão, bom governador e amigo, pela brincadeira.
Súmulas do TST
O ex-ministro Almir Pazzianotto esclareceu dúvidas de empresários sobre as súmulas 244 e 378 do TST, que tratam da garantia de estabilidade à gestante e em caso de acidente de trabalho. Foi ontem no Sindeprestem, entidade que reúne empresas de serviços terceirizados e temporários. Para ele, falta união dos empresários e de entidades patronais de representação nacional para lidar com a questão. "Iniciativas isoladas não impedirão que estas súmulas sejam aplicadas nem farão o TST rever o texto. Não é simplesmente uma decisão jurídica, mas política e deve ser tratada como tal. O enfrentamento jurídico é indispensável, mas não é suficiente".
Conselho a "São Geraldo"
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente da Petrobras, Graça Foster. Hoje, dedica sua atenção ao governador de SP, Geraldo Alckmin.
1. Use sua providencial franqueza para explicar tim tim por tim tim as contas da Sabesp, a distribuição de dividendos acima dos limites mínimos ; a conversa direta, sem pirrepes (nordestinês para significar firulas e dribles - sem talvez no inglês) poderá ser eficaz ;
2. Há momentos na vida de um governante que são centrais para defender sua identidade e preservar sua imagem. Vossa Excelência terá pela frente um imenso desafio a enfrentar.
3. Mostre alto conhecimento de causa sobre a questão hídrica em SP.
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(Gaudêncio Torquato)
quarta-feira, 9 de abril de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
Sou solidário e não pago
Abro a coluna de hoje falando de solidariedade.
Antônio Carlos Portela era um senhor rico e bom. Dava aval a todo o mundo em Petrópolis. Gostava de política. Gostava demais. Ao se aproximar a campanha eleitoral, sua maneira de ajudar os amigos era avalizar empréstimos para as despesas de campanha. Na última eleição, avalizou um título para um candidato a deputado, que perdeu feio e ficou em dificuldades de pagar. O gerente do banco, sabendo que não receberia do devedor, foi ao avalista:
- Senhor Portela, o título está vencido. Preciso que o senhor pague. Como avalista, o senhor é solidário.
Resposta matreira:
- Sou, sim. Sou muito amigo dele e estou inteiramente solidário com ele. Se ele não pagou, é porque tem seus motivos. Porque estou solidário, não pago também.
A força do imponderável
O imponderável - eis o fator que muda os rumos da política. É o que estamos começando a distinguir nos esfumaçados horizontes da política. O bombardeio que se desenvolve nos costados da Petrobras pega alguns atores de chofre, maltratando suas imagens e, em alguns casos, inviabilizando seus sonhos. Vejam o caso do deputado André Vargas, um dos mais fortes perfis do PT, vice-presidente da Câmara dos Deputados e até então o mais gabaritado candidato à presidência da Casa na próxima legislatura. Pois bem, perdeu sua condição de candidato e vê ameaçado seu próprio mandato. A licença de 60 dias que tirou não o ajudará a fechar as cicatrizes abertas pelo tiroteio midiático que mostrou diálogos considerados aéticos e imorais com o senhor Alberto Youssef, sob suspeita de cometer crimes.
Vargas e a sangria no PT
A esta altura, não há outra alternativa para o deputado Vargas senão a de renunciar ao mandato. Ora, não será uma curta licença que apagará as manchas já deixadas nos flancos petistas. O PT quer cumprir, este ano, sua agenda: eleger um grande número de governadores e as maiores bancadas Federal e estaduais do partido. Se André Vargas continuar exercendo seu mandato, será o alvo predileto para muitos candidatos da oposição e mesmo para alguns candidatos de siglas aliadas. A partir do PR, seu Estado, onde a senadora Gleisi Hoffmann será a candidata do PT. Em SP, pelo envolvimento do deputado com o chamado doleiro Youssef - que teria ligações com a empresa de remédios Labogen - o candidato Alexandre Padilha, do PT, entrará na dança. Ou seja, nele respingará o sangue provocado pelo bombardeio midiático.
O IP, Índice Petrobras
A Petrobras continuará como alvo central dos opositores. Não adianta, a essa altura, exibir argumentos favoráveis à compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. O rombo de imagem e os estragos sobre candidatos do PT são um fato irretorquível. Lula poderá atenuar os efeitos, mas a mídia terá o condão de amplificar o caso. A queda de seis pontos na pontuação da presidente Dilma já acusa o IP - o que chamo de Índice Petrobras. Ninguém está imune ao poder de destruição da mídia. Nem Lula. Como se viu, também ele, mesmos continuando a ser o maior cabo eleitoral do país, mostra tendência de queda.
Os danos maiores
Os danos mais impactantes do IP (Índice Petrobras) e IV (Índice Vargas) serão maiores nas arenas petistas de SP, RJ, MG e PR. Ou seja, no Triângulo das Bermudas e no Estado natal do deputado e da senadora Gleisi. Em SP, a par da questão, vê-se, ainda, a má avaliação do prefeito Fernando Haddad. Será muito difícil que o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, consiga auferir os 30% históricos do PT em SP. No RJ, o senador Lindbergh também terá dificuldades de subir no ranking eleitoral. Em Minas, o ex-ministro Fernando Pimentel também será atingido. Portanto, esses Estados, com os colégios eleitorais mais densos do país, poderão determinar o sucesso ou o insucesso da ainda favorita, presidente Dilma.
E o volta Lula?
Pergunta recorrente: Lula tem condições de voltar? Respondo: só em situação de descalabro geral com efeitos drásticos sobre a imagem da presidente Dilma. E lembro. Voltando ou não, precisamos ter em mente que nem o Brasil nem Luiz Inácio são os mesmos de tempos atrás, o que nos leva a recitar a máxima de Heráclito de Éfeso: "não se pode entrar duas vezes no mesmo rio". As águas estão sempre se renovando.
O caso da Guiné
A revista Piauí de março traz reveladora reportagem sobre interesses brasileiros na Guiné Equatorial. Matéria que envolve a Vale, que teria fechado acordo com um israelense em um negócio bilionário e muito suspeito na República da Guiné.
Sinalizações de pesquisas
Urge ler outros sinais apontados pela última pesquisa Datafolha. 65% apontam desejo de mudanças e outros tantos dizem que esperavam mais da presidente Rousseff. Mais um dado curioso: somando abstenção, votos nulos e brancos e mais os nanicos, teremos 35% dos votos. Contra 38% da presidente. Ou seja, há um imenso território a se explorar. Mas e a equação BO+BA+CO+CA - Bolso, Barriga, Coração, Cabeça? Será que o bolso em outubro próximo terá o "rico dinheirinho" de hoje? E se a cesta de alimentos for uns 10% a 15% mais cara? Interrogações por todos os lados.
Duas linguagens
A campanha deste ano será também uma disputa de linguagens: a do PT e a do PSDB. Vejamos exemplos, a partir do dicionário de Lula: "Já tomei tanta chibatada nesta vida que minhas costas estão mais grossas que casco de tartaruga; não sejam apressados: uma jabuticabeira leva tempo pra dar jabuticaba; uma mulher demora nove meses para dar à luz; no Brasil, alguns comiam a massa e o chantili do bolo, mas para a grande população ficava aquele chumbinho de enfeite que colocam em cima do bolo". Na reunião do G-20: "Você não faz negociação com o pé na parede, na base do dá ou desce, existe uma negociação". Os tucanos usam termos herméticos: "Desconforto hídrico temporário" (no lugar de seca braba): "redução compulsória do consumo de energia elétrica (corte de energia); retracionismo na empregabilidade (desemprego); compensação pecuniária às distribuidoras pelo déficit que enfrentam devido ao racionamento (aumento de tarifas de energia)".
O estilo Jânio
Apesar de sofisticar no uso da linguagem, quando estava diante de audiências intelectualizadas, Jânio Quadros foi o guru da expressão popular. Na campanha de 1985, aquela em que ganhou de Fernando Henrique, depois deste ter sentado na cadeira de prefeito de SP antes da apuração final dos votos, levou Delfim Netto para um comício na Vila Maria. O ex-ministro da Fazenda assim concluiu sua peroração palanqueira: "A grande causa do processo inflacionário é o déficit orçamentário". Após a fala, Jânio puxou Delfim de lado e cochichou: "olhe para a cara daquele sujeito ali. O que você acha que ele entendeu de seu discurso? Ele não sabe o que é processo, não sabe o que é inflacionário, não sabe o que é déficit e não tem a menor ideia do que seja orçamentário. Da próxima vez, diga assim: a causa da carestia é a roubalheira do governo". O guru da economia, a quem todos hoje recorrem para explicar os sobressaltos que deixam interrogações no ar, passou a reservar seu economês para plateias mais acessíveis ao vocabulário de questões complexas.
A agenda econômica do PT
O economista Samuel Pessoa execra a agenda econômica do PT. Sua leitura no Estadão do último domingo: "É uma agenda para colocar o Estado - o setor público - interferindo no desenvolvimento econômico. É o Estado decidindo a alocação de capital. É o Estado fazendo microgerenciamento das políticas de impostos e das tarifas de importação para incentivar alguns setores escolhidos segundo certos critérios. É o Estado fazendo microgerenciamento da política de intermediação financeira. Além disso, tenta adotar teorias heterodoxas sobre o processo inflacionário que acabam interferindo na liberdade do Banco Central e tendo um impacto sobre a inflação. É uma agenda grande. Começou no governo Lula, antes de 2009. Mexe nos graus de independência das agências reguladoras. Coloca uma parte grande da regulação de volta para os ministérios e, além de colocar de volta para os ministérios, passa a ter muita discricionariedade na regulação de diversos setores da economia".
A agenda econômica do PT - II
"Ou seja: ao invés de usar um sistema de regras e procedimentos, pesos e contra pesos, passamos a ter a mão pesada do Estado. A gente vê isso no setor de petróleo, no setor de energia elétrica. Até na reformulação do marco ferroviário, com a ideia de separação vertical - que eu acho que não vai funcionar. Foi uma má ideia. Tem uma lista longa. Esse pacote não é da sociedade. É um pacote de um grupo de pessoas que está no centro da formulação da política econômica e que avalia que essas medidas são necessárias para acelerar o crescimento econômico. A minha avaliação é que esse ensaio nacional desenvolvimentista deu errado. Deu tudo errado. Foi uma tragédia para o País. Foi adotado por motivos ideológicos e acho que ele tem de ser revertido".
Honestidade
Fecho a coluna falando de Honestidade. Na China antiga, um príncipe estava para ser coroado e, de acordo com a lei, deveria se casar. Resolveu escolher a esposa entre todas as moças da corte. Distribuiu a cada uma das pretendentes uma semente, pedindo que dentro de seis meses elas trouxessem as flores que nasceriam. Quem trouxesse a mais bela flor seria escolhida a imperatriz da China. Depois de seis meses, todas as moças fizeram fila no palácio ostentando belíssimas flores. Apenas uma delas estava sem nada na mão. O príncipe chegou e depois de olhar para todas, dirigiu-se a uma das moças, proclamando: "Escolho esta moça como minha futura esposa. Ela foi a única que cultivou a flor que a torna digna de se tornar uma imperatriz - a flor da honestidade. Informo que todas as sementes que entreguei eram estéreis".
Conselho à presidente da Petrobras
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades que lideram as ações voltadas para a Copa do Mundo. Hoje, dirige sua atenção à presidente da Petrobras, Graça Foster:
1. Procure enfrentar o bombardeio contra a gestão antiga da Petrobras sem medo e sem tergiversação. Quem não deve não teme. A senhora deve ter informações fundamentais para dar. O país delas precisa.
2. A Petrobras é um símbolo de nossa grandeza e dos nossos potenciais. Contar o que aconteceu com a compra da refinaria de Pasadena é um dever de sua gestão e um direito da sociedade.
3. Antes tarde do que nunca. Enfrente os convites que recebe do Congresso e faça a defesa da empresa. Afinal, a senhora não deve ter sido protagonista central de atos cometidos no passado.
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(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna de hoje falando de solidariedade.
Antônio Carlos Portela era um senhor rico e bom. Dava aval a todo o mundo em Petrópolis. Gostava de política. Gostava demais. Ao se aproximar a campanha eleitoral, sua maneira de ajudar os amigos era avalizar empréstimos para as despesas de campanha. Na última eleição, avalizou um título para um candidato a deputado, que perdeu feio e ficou em dificuldades de pagar. O gerente do banco, sabendo que não receberia do devedor, foi ao avalista:
- Senhor Portela, o título está vencido. Preciso que o senhor pague. Como avalista, o senhor é solidário.
Resposta matreira:
- Sou, sim. Sou muito amigo dele e estou inteiramente solidário com ele. Se ele não pagou, é porque tem seus motivos. Porque estou solidário, não pago também.
A força do imponderável
O imponderável - eis o fator que muda os rumos da política. É o que estamos começando a distinguir nos esfumaçados horizontes da política. O bombardeio que se desenvolve nos costados da Petrobras pega alguns atores de chofre, maltratando suas imagens e, em alguns casos, inviabilizando seus sonhos. Vejam o caso do deputado André Vargas, um dos mais fortes perfis do PT, vice-presidente da Câmara dos Deputados e até então o mais gabaritado candidato à presidência da Casa na próxima legislatura. Pois bem, perdeu sua condição de candidato e vê ameaçado seu próprio mandato. A licença de 60 dias que tirou não o ajudará a fechar as cicatrizes abertas pelo tiroteio midiático que mostrou diálogos considerados aéticos e imorais com o senhor Alberto Youssef, sob suspeita de cometer crimes.
Vargas e a sangria no PT
A esta altura, não há outra alternativa para o deputado Vargas senão a de renunciar ao mandato. Ora, não será uma curta licença que apagará as manchas já deixadas nos flancos petistas. O PT quer cumprir, este ano, sua agenda: eleger um grande número de governadores e as maiores bancadas Federal e estaduais do partido. Se André Vargas continuar exercendo seu mandato, será o alvo predileto para muitos candidatos da oposição e mesmo para alguns candidatos de siglas aliadas. A partir do PR, seu Estado, onde a senadora Gleisi Hoffmann será a candidata do PT. Em SP, pelo envolvimento do deputado com o chamado doleiro Youssef - que teria ligações com a empresa de remédios Labogen - o candidato Alexandre Padilha, do PT, entrará na dança. Ou seja, nele respingará o sangue provocado pelo bombardeio midiático.
O IP, Índice Petrobras
A Petrobras continuará como alvo central dos opositores. Não adianta, a essa altura, exibir argumentos favoráveis à compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. O rombo de imagem e os estragos sobre candidatos do PT são um fato irretorquível. Lula poderá atenuar os efeitos, mas a mídia terá o condão de amplificar o caso. A queda de seis pontos na pontuação da presidente Dilma já acusa o IP - o que chamo de Índice Petrobras. Ninguém está imune ao poder de destruição da mídia. Nem Lula. Como se viu, também ele, mesmos continuando a ser o maior cabo eleitoral do país, mostra tendência de queda.
Os danos maiores
Os danos mais impactantes do IP (Índice Petrobras) e IV (Índice Vargas) serão maiores nas arenas petistas de SP, RJ, MG e PR. Ou seja, no Triângulo das Bermudas e no Estado natal do deputado e da senadora Gleisi. Em SP, a par da questão, vê-se, ainda, a má avaliação do prefeito Fernando Haddad. Será muito difícil que o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, consiga auferir os 30% históricos do PT em SP. No RJ, o senador Lindbergh também terá dificuldades de subir no ranking eleitoral. Em Minas, o ex-ministro Fernando Pimentel também será atingido. Portanto, esses Estados, com os colégios eleitorais mais densos do país, poderão determinar o sucesso ou o insucesso da ainda favorita, presidente Dilma.
E o volta Lula?
Pergunta recorrente: Lula tem condições de voltar? Respondo: só em situação de descalabro geral com efeitos drásticos sobre a imagem da presidente Dilma. E lembro. Voltando ou não, precisamos ter em mente que nem o Brasil nem Luiz Inácio são os mesmos de tempos atrás, o que nos leva a recitar a máxima de Heráclito de Éfeso: "não se pode entrar duas vezes no mesmo rio". As águas estão sempre se renovando.
O caso da Guiné
A revista Piauí de março traz reveladora reportagem sobre interesses brasileiros na Guiné Equatorial. Matéria que envolve a Vale, que teria fechado acordo com um israelense em um negócio bilionário e muito suspeito na República da Guiné.
Sinalizações de pesquisas
Urge ler outros sinais apontados pela última pesquisa Datafolha. 65% apontam desejo de mudanças e outros tantos dizem que esperavam mais da presidente Rousseff. Mais um dado curioso: somando abstenção, votos nulos e brancos e mais os nanicos, teremos 35% dos votos. Contra 38% da presidente. Ou seja, há um imenso território a se explorar. Mas e a equação BO+BA+CO+CA - Bolso, Barriga, Coração, Cabeça? Será que o bolso em outubro próximo terá o "rico dinheirinho" de hoje? E se a cesta de alimentos for uns 10% a 15% mais cara? Interrogações por todos os lados.
Duas linguagens
A campanha deste ano será também uma disputa de linguagens: a do PT e a do PSDB. Vejamos exemplos, a partir do dicionário de Lula: "Já tomei tanta chibatada nesta vida que minhas costas estão mais grossas que casco de tartaruga; não sejam apressados: uma jabuticabeira leva tempo pra dar jabuticaba; uma mulher demora nove meses para dar à luz; no Brasil, alguns comiam a massa e o chantili do bolo, mas para a grande população ficava aquele chumbinho de enfeite que colocam em cima do bolo". Na reunião do G-20: "Você não faz negociação com o pé na parede, na base do dá ou desce, existe uma negociação". Os tucanos usam termos herméticos: "Desconforto hídrico temporário" (no lugar de seca braba): "redução compulsória do consumo de energia elétrica (corte de energia); retracionismo na empregabilidade (desemprego); compensação pecuniária às distribuidoras pelo déficit que enfrentam devido ao racionamento (aumento de tarifas de energia)".
O estilo Jânio
Apesar de sofisticar no uso da linguagem, quando estava diante de audiências intelectualizadas, Jânio Quadros foi o guru da expressão popular. Na campanha de 1985, aquela em que ganhou de Fernando Henrique, depois deste ter sentado na cadeira de prefeito de SP antes da apuração final dos votos, levou Delfim Netto para um comício na Vila Maria. O ex-ministro da Fazenda assim concluiu sua peroração palanqueira: "A grande causa do processo inflacionário é o déficit orçamentário". Após a fala, Jânio puxou Delfim de lado e cochichou: "olhe para a cara daquele sujeito ali. O que você acha que ele entendeu de seu discurso? Ele não sabe o que é processo, não sabe o que é inflacionário, não sabe o que é déficit e não tem a menor ideia do que seja orçamentário. Da próxima vez, diga assim: a causa da carestia é a roubalheira do governo". O guru da economia, a quem todos hoje recorrem para explicar os sobressaltos que deixam interrogações no ar, passou a reservar seu economês para plateias mais acessíveis ao vocabulário de questões complexas.
A agenda econômica do PT
O economista Samuel Pessoa execra a agenda econômica do PT. Sua leitura no Estadão do último domingo: "É uma agenda para colocar o Estado - o setor público - interferindo no desenvolvimento econômico. É o Estado decidindo a alocação de capital. É o Estado fazendo microgerenciamento das políticas de impostos e das tarifas de importação para incentivar alguns setores escolhidos segundo certos critérios. É o Estado fazendo microgerenciamento da política de intermediação financeira. Além disso, tenta adotar teorias heterodoxas sobre o processo inflacionário que acabam interferindo na liberdade do Banco Central e tendo um impacto sobre a inflação. É uma agenda grande. Começou no governo Lula, antes de 2009. Mexe nos graus de independência das agências reguladoras. Coloca uma parte grande da regulação de volta para os ministérios e, além de colocar de volta para os ministérios, passa a ter muita discricionariedade na regulação de diversos setores da economia".
A agenda econômica do PT - II
"Ou seja: ao invés de usar um sistema de regras e procedimentos, pesos e contra pesos, passamos a ter a mão pesada do Estado. A gente vê isso no setor de petróleo, no setor de energia elétrica. Até na reformulação do marco ferroviário, com a ideia de separação vertical - que eu acho que não vai funcionar. Foi uma má ideia. Tem uma lista longa. Esse pacote não é da sociedade. É um pacote de um grupo de pessoas que está no centro da formulação da política econômica e que avalia que essas medidas são necessárias para acelerar o crescimento econômico. A minha avaliação é que esse ensaio nacional desenvolvimentista deu errado. Deu tudo errado. Foi uma tragédia para o País. Foi adotado por motivos ideológicos e acho que ele tem de ser revertido".
Honestidade
Fecho a coluna falando de Honestidade. Na China antiga, um príncipe estava para ser coroado e, de acordo com a lei, deveria se casar. Resolveu escolher a esposa entre todas as moças da corte. Distribuiu a cada uma das pretendentes uma semente, pedindo que dentro de seis meses elas trouxessem as flores que nasceriam. Quem trouxesse a mais bela flor seria escolhida a imperatriz da China. Depois de seis meses, todas as moças fizeram fila no palácio ostentando belíssimas flores. Apenas uma delas estava sem nada na mão. O príncipe chegou e depois de olhar para todas, dirigiu-se a uma das moças, proclamando: "Escolho esta moça como minha futura esposa. Ela foi a única que cultivou a flor que a torna digna de se tornar uma imperatriz - a flor da honestidade. Informo que todas as sementes que entreguei eram estéreis".
Conselho à presidente da Petrobras
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades que lideram as ações voltadas para a Copa do Mundo. Hoje, dirige sua atenção à presidente da Petrobras, Graça Foster:
1. Procure enfrentar o bombardeio contra a gestão antiga da Petrobras sem medo e sem tergiversação. Quem não deve não teme. A senhora deve ter informações fundamentais para dar. O país delas precisa.
2. A Petrobras é um símbolo de nossa grandeza e dos nossos potenciais. Contar o que aconteceu com a compra da refinaria de Pasadena é um dever de sua gestão e um direito da sociedade.
3. Antes tarde do que nunca. Enfrente os convites que recebe do Congresso e faça a defesa da empresa. Afinal, a senhora não deve ter sido protagonista central de atos cometidos no passado.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 8 de abril de 2014
PAULO EDUARDO MENDES
Embora fosse abrasado orador, escritor incansável, jurista consagrado, político militante, o que mais enternecia a alma e estremecia o coração do gênio multifacetário Ruy Barbosa era a sua condição de jornalista. Certa feita proclamou: “E jornalista é que nasci, jornalista é que eu sou, de jornalista não me hão de demitir enquanto houver imprensa, a imprensa for livre (...)” E foi mais além: “Cada jornalista é, para o comum do povo, ao mesmo tempo um mestre de primeiras letras e um catedrático de democracia em ação, um advogado e um censor, um familiar e um magistrado. Bebidas com o primeiro pão do dia, as suas lições penetram até ao fundo das consciências inexpertas, onde vão elaborar a moral usual, os rudimentos e os impulsos, de que depende a sorte dos governos e das nações.”
Desde algum tempo, sob o influxo da admiração curiosa, leio aos sábados, na seção “Idéias” do Jornal Diário do Nordeste, uma coluna assinada por Paulo Eduardo Mendes, que se identifica apenas como jornalista. Tempos depois, em evento na Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), seu nome foi submetido, juntamente com o da sua consorte Gilmaíse, à nossa apreciação para integrar aquele sodalício de letras. Despiciendo enfatizar que foram aclamados com louvor.
E assim fiquei conhecendo Paulo Eduardo Mendes, de cujas crônicas já era íntimo. Embora pouco tenhamos convivido, já concluí que seu fenótipo parece transparecer sua alma: homem de olhar sereno, leve como a pluma, postura equilibrada, voz ponderada, alma superior. Porque humilde de índole e manso de coração, parece exalar o orvalho da sabedoria evangélica por todos os poros. Talvez por isso se explique o fato de omitir suas outras facetas, como a de magistrado modelar, homem devotado à família, doutor da honrosa causa do bem e da generosidade, jardineiro das flores filantrópicas e reitor da invisível universidade do espírito.
Paulo Eduardo é um condoreiro que adora voar sem ser notado, um candeeiro que brilha sem que identifiquem a origem. É um astro distraído, ou melhor, um ser discreto como a própria sombra.
A paixão pelo jornalismo nasceu no vale da infância, no Cariri cearense, quando pegava uma lata de canela e imitava um locutor de rádio. Mais do que jornalista, radialista é. Não por acaso ainda hoje participa, com o mesmo encantamento infantil, do programa dominical Antena Espírita, na rádio Cidade AM.
A intimidade com os fonemas, o fascínio pelo verbo, a afeição às letras é algo que lhe veio pelo caule da família: o avô, Alcides Mendes, que levou massa à “Padaria Espiritual”, e o pai, José Maria Mendes, foram poetas benditos.
O périplo ininterrupto de Paulo Eduardo pela linotipia começou no O Povo, seguiu pelo Diários Associados (Ceará Rádio Clube, Unitário – matutino – e Correio do Ceará - vespertino), passou pela Uirapuru, em seguida Tribuna do Ceará, depois Gazeta de Notícias, até ocupar uma das molduras de Ideias do Diário do Nordeste. No jornal fundado por Demócrito Rocha, um episódio indelével: deparou-se com o lendário José Raymundo Costa. Este o indagou: - Você escreve alguma coisa que sirva? Respondeu que sim e exibiu uma de suas crônicas. Ante a reação de desconfiança, Paulo Eduardo se prontificou a escrever sobre qualquer outro tema que lhe lançasse na hora. O entrevistador, então, pediu a carteira do jovem e descobriu algo inusitado: Paulo Eduardo Mendes nascera no mesmo dia, mês e ano em que ele, José Raymundo Costa, começou trabalhar no O Povo - 01 de junho de 1938.
Bacharel em Direito pela UFC, prestou concurso para Juiz. Lavrou éditos em sintonia com a deusa Thêmis nas comarcas de Santana do Acaraú, Pentecoste, Russas, Cascavel, Crato e Fortaleza, onde atuou, também, como desembargador substituto no TJCE.
Romântico recatado, no início da década de 1970, em uma tertúlia da Casa Universitária, começou a dançar com Maria Gilmaíse de Oliveira e não a soltou mais. No embalo desse idílio, subiram ao altar do matrimônio em 19 de fevereiro de 1971. O Coordenador da ABRAME (Associação Brasileira de Magistrados Espíritas), autor de vários livros (apesar de ter publicado apenas dois), é um pai invulgar, detentor de especial e rara sensibilidade. Quando pequenas, as filhas Luciana, Flávia e Roberta costumavam despertar pelo som das doces canções paternas. Como avô, poderia adotar a sigla CCG (Carinhoso, Cuidadoso e Gentil), pois é assim que se esmera no trato com os netos Carolina, Cecília e Gustavo, rebentos de sua filha Flávia.
Esse veterano radialista foi, sempre, um sujeito antenado com as ondas da virtude. Gostava de engraxar o sapato do pai para se considerar digno de receber algum trocado. Optava por ir caminhando para o Sete de Setembro a fim de economizar o dinheiro do transporte, a fim de poder ir ao Cinema, uma de suas predileções. Nunca buscou os lugares de honra ou os assentos mais importantes nas sinagogas da vida. Sempre evitou o fermento farisaico. Não raro passa despercebido em ribaltas onde deveria ser referenciado. Reage com bom humor quando olvidam de citá-lo, sobretudo em obras literárias. Procura a palavra “outro” e diz: - pronto, fui citado, sou o ‘outro’.
Moacir Ribeiro da Silva sintetizou seu anonimato militante em um breve poema: “Se não me falha a memória/ Eu sou aquele dos dias de chumbo nos jornais/ O outro sem nome, mas com história/ Aquele que vagou a esmo nas ondas dos rádios/ Exortando vozes que perdi pelos caminhos do tempo/ Lembrou? O dono da voz era o “outro”.../ Não o outro... no caso eu! Entendeu?/ Deleitei-me nas coxias, transfigurei-me/ Encarnei personagens como se fossem minhas próprias encarnações/ Fui eu e outros ou será que fui o “outro” e eus?/ Pouco importa!/ Quando todos disseram que eu era o “outro”/ Eu sempre fui eu!”
A existência terrena de Paulo Eduardo é uma música profunda e suave, agradável partitura de louvor ao altruísmo. Salve, cronista da bem-aventurança, profeta da paz!
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
OBSERVATÓRIO
Há alguns dias fomos convidados pela direção estadual do PEN (Partido Ecológico Nacional) para proferirmos uma palestra sobre Eleições 2014, destinada aos pré-candidatos a deputado da legenda. Iniciamos dizendo que o objetivo de todo candidato é a vitória nas urnas, o êxito eleitoral. Só que, para ganhar, tem que considerar a teoria dos cinco “Gês”: o primeiro é a garra – ninguém vence uma batalha sem disposição. Portanto, o primeiro item a ser considerado é a disposição interior do postulante. O segundo é grana – a eleição tem custos. Para montar e manter uma estrutura mínima – comitês, militantes, transportes para deslocamentos, realização de eventos etc – o candidato tem que levantar recursos. O terceiro é gente – inimaginável uma campanha sem gente. Para trabalhar, ir à cata dos votos, multiplicar o lastro de adeptos, o candidato precisa de gente. O quarto é gogó – para seduzir o eleitorado, o candidato precisa dizer a que veio, quais são os seus planos, idéias, metas de trabalho. Expor-se. Falar. E o quinto é a grade legal. Toda a ação de campanha, obrigatoriamente, tem que se desenvolver dentro das normas legais.
RENÚNCIA
O Prefeito Carlos Felipe renunciou. Após cumprir um ano e três meses do seu segundo mandato, deixa o comando do município. A justificativa oficial é que vai pleitear uma vaga de deputado estadual. Será que, nessa decisão, ponderou sobre os cinco “Gês”? Garra é indiscutível que tem. Jovem na idade, conta com grande disposição para o trabalho. Mas... e a grana, ou seja, a estrutura de campanha? E a gente? Onde estão seus colégios eleitorais? Nos demais municípios da região, os líderes petistas estão comprometidos com outras candidaturas. Novo Oriente, por exemplo, o bloco de oposição – que estreitou laços de afinidade com Felipe na eleição passada, optou por apoiar a esposa do Deputado Federal Genecias Noronha. A eleição para a Assembleia é uma incógnita. Até porque, no PCdoB, há vários nomes que estão mais bem posicionados. A abdicação tem outros motivos.
RENÚNCIA II
A verdadeira razão da renúncia de Carlos Felipe parece ter sido outra. O médico eleito para o Executivo Municipal crateuense cansou da rotina de prefeito. Saturou-se com o dia a dia das cobranças feitas pelos correligionários e aliados. Não suportava mais a carga de pressão. Dispôs-se a sair. Independente dos desdobramentos e do resultado do próximo prélio eleitoral. Felipe não é criança. Sabe que campanha de Deputado é muito diferente de disputa para Prefeito. Esta polariza; aquela pulveriza. A própria base aliada do Executivo Municipal estará rachada. Em razão de compromissos anteriores, há vereadores do bloco de sustentação ao Prefeito que estão trabalhando para outras candidaturas.
RENÚNCIA III
Mauro Soares assumiu a Prefeitura. Seu primeiro ato administrativo foi mostrar que era leal a Carlos Felipe: manteve toda a equipe do ex-prefeito rigorosamente no mesmo lugar, inclusive a ex-primeira-dama. Foi um gesto de fidelidade. Porém, isso terá que ser alterado em algum momento. Se ele ficar o restante do mandato apenas imitando e como sombra do antecessor passará à História sem mostrar seus próprios ideais. Isso definitivamente não combina com ele. Assim, pouco a pouco, terá que enfrentar a contradição que o persegue. Aliás, já saltou à vista: no discurso de posse, convidou todos os vereadores de oposição para o diálogo, algo que o predecessor nunca cogitou.
RENÚNCIA IV
Por falar em renúncia, a mais comentada foi aquela que não se concretizou: a do governador Cid Gomes. São as chamadas ‘varáveis políticas’ que os políticos não controlam. A princípio, Cid não cogitava sair. Depois, premido pela possibilidade de tornar o irmão elegível, passou a considerar. Em seguida, o séquito que o cerca exigiu que o vice-governador também renunciasse. Domingos reagiu. Disse que acolhia qualquer sugestão política; no entanto, considerava renúncia um ato de vontade, pessoal, de caráter íntimo e, portanto, inegociável. Com esteio nisso, manteve-se firme e não abriu do seu legítimo e constitucional direito. Agiu como um estadista e saiu maior do que quando entrou. O deputado Carlomano Marques disse-lhe: “todo prejuízo financeiro, por maior que seja, é pequeno; todo prejuízo à honra, por menor que seja, é grande; mas o prejuízo à falta de coragem é irrecuperável. Você sai grande desse processo e entra para as páginas da História”.
LIONS
A XV Convenção Estadual do Distrito LA-4 do Lions Clube, no salão de eventos do Hotel Cavalcante Park, reuniu centenas de cearenses de todas as regiões do estado e foi um evento exitoso. Agradeço aos amigos e organizadores – em especial Manoel Carmo, Edmilson Providência e Raimundo Cândido – pela deferência do convite para que abordasse o tema “Cultura de Crateús e o papel da Academia nas mudanças sociais”.
PARA REFLETIR
“A razão de ser do escritor – e dos seus coletivos organizados, que são as academias – é a de contribuir para que as galinhas se transformem em águias, é fomentar a proliferação de vaga-lumes nos obscuros túneis do tempo, é ser fresta de luz na caverna platônica”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
RENÚNCIA
O Prefeito Carlos Felipe renunciou. Após cumprir um ano e três meses do seu segundo mandato, deixa o comando do município. A justificativa oficial é que vai pleitear uma vaga de deputado estadual. Será que, nessa decisão, ponderou sobre os cinco “Gês”? Garra é indiscutível que tem. Jovem na idade, conta com grande disposição para o trabalho. Mas... e a grana, ou seja, a estrutura de campanha? E a gente? Onde estão seus colégios eleitorais? Nos demais municípios da região, os líderes petistas estão comprometidos com outras candidaturas. Novo Oriente, por exemplo, o bloco de oposição – que estreitou laços de afinidade com Felipe na eleição passada, optou por apoiar a esposa do Deputado Federal Genecias Noronha. A eleição para a Assembleia é uma incógnita. Até porque, no PCdoB, há vários nomes que estão mais bem posicionados. A abdicação tem outros motivos.
RENÚNCIA II
A verdadeira razão da renúncia de Carlos Felipe parece ter sido outra. O médico eleito para o Executivo Municipal crateuense cansou da rotina de prefeito. Saturou-se com o dia a dia das cobranças feitas pelos correligionários e aliados. Não suportava mais a carga de pressão. Dispôs-se a sair. Independente dos desdobramentos e do resultado do próximo prélio eleitoral. Felipe não é criança. Sabe que campanha de Deputado é muito diferente de disputa para Prefeito. Esta polariza; aquela pulveriza. A própria base aliada do Executivo Municipal estará rachada. Em razão de compromissos anteriores, há vereadores do bloco de sustentação ao Prefeito que estão trabalhando para outras candidaturas.
RENÚNCIA III
Mauro Soares assumiu a Prefeitura. Seu primeiro ato administrativo foi mostrar que era leal a Carlos Felipe: manteve toda a equipe do ex-prefeito rigorosamente no mesmo lugar, inclusive a ex-primeira-dama. Foi um gesto de fidelidade. Porém, isso terá que ser alterado em algum momento. Se ele ficar o restante do mandato apenas imitando e como sombra do antecessor passará à História sem mostrar seus próprios ideais. Isso definitivamente não combina com ele. Assim, pouco a pouco, terá que enfrentar a contradição que o persegue. Aliás, já saltou à vista: no discurso de posse, convidou todos os vereadores de oposição para o diálogo, algo que o predecessor nunca cogitou.
RENÚNCIA IV
Por falar em renúncia, a mais comentada foi aquela que não se concretizou: a do governador Cid Gomes. São as chamadas ‘varáveis políticas’ que os políticos não controlam. A princípio, Cid não cogitava sair. Depois, premido pela possibilidade de tornar o irmão elegível, passou a considerar. Em seguida, o séquito que o cerca exigiu que o vice-governador também renunciasse. Domingos reagiu. Disse que acolhia qualquer sugestão política; no entanto, considerava renúncia um ato de vontade, pessoal, de caráter íntimo e, portanto, inegociável. Com esteio nisso, manteve-se firme e não abriu do seu legítimo e constitucional direito. Agiu como um estadista e saiu maior do que quando entrou. O deputado Carlomano Marques disse-lhe: “todo prejuízo financeiro, por maior que seja, é pequeno; todo prejuízo à honra, por menor que seja, é grande; mas o prejuízo à falta de coragem é irrecuperável. Você sai grande desse processo e entra para as páginas da História”.
LIONS
A XV Convenção Estadual do Distrito LA-4 do Lions Clube, no salão de eventos do Hotel Cavalcante Park, reuniu centenas de cearenses de todas as regiões do estado e foi um evento exitoso. Agradeço aos amigos e organizadores – em especial Manoel Carmo, Edmilson Providência e Raimundo Cândido – pela deferência do convite para que abordasse o tema “Cultura de Crateús e o papel da Academia nas mudanças sociais”.
PARA REFLETIR
“A razão de ser do escritor – e dos seus coletivos organizados, que são as academias – é a de contribuir para que as galinhas se transformem em águias, é fomentar a proliferação de vaga-lumes nos obscuros túneis do tempo, é ser fresta de luz na caverna platônica”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
sábado, 5 de abril de 2014
O JOSÉ WILKER QUE EU CONHECI DE PERTO
Todos estão no noticiário da televisão falando de José Wilker.
Wilker era muito talentoso e extremamente inteligente. O que emocionava nele era justamente o seu talento. Mas não era uma pessoa de se expor a todos que conhecia. De abrir sua alma, seu coração. Não era um emotivo.
Os que vejo falarem com mais propriedade sobre o ator são os veteranos. E quando a repórter pede histórias pessoais, Eva Wilma, a rainha da sensibilidade, lembrou-se dos livros de poesia que ele levava e distribuía ao elenco em que atuaram.
Wilker era um homem reservado de alma. Trabalhamos juntos antes de ele debutar na TV. Tinha chegado do Ceará e já despontava como o mais brilhante ator de sua geração no Rio de Janeiro, depois de seu extraordinário desempenho em O arquiteto e o Imperador da Assíria, no Teatro Jovem, de Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa, que lhes abriram a porta dos palcos nacionais, do estrelato e até da casa, pois morava num apartamento de Rubens.
O ano era 1972. A peça era A Mãe, de Stanisław Ignacy Witkiewicz, e, para dirigi-la, a produtora e protagonista do espetáculo, Tereza Rachel, importou o maior diretor da época na França, Claude Régy, que assinou a montagem no Théâtre Récamier, em Paris, assistida por Tereza com Madeleine Renaud no papel título.
Wilker foi convidado para protagonista masculino, o “filho da mãe”. Para o terceiro principal papel da peça, a noiva de Wilker, vivida na montagem francesa por Delphine Seyrig, foram abertos testes. Candidataram-se todas as jovens atrizes de 20 anos do país. Tive a sorte de ser a escolhida.
Grande elenco, grande experiência, grandes amigos. Foi também a estreia no Rio de Janeiro de Aderbal Freire como ator, hoje um grande diretor.
Tivemos todos um contato muito próximo. Foram meses de ensaios intensos. Naqueles anos, os ensaios estendiam-se por quatro, cinco, às vezes seis meses.
Ensaiávamos no clube judaico da Rua das Laranjeiras, Wilker costumava beber antes do ensaio. Nos intervalos. E depois. Acho que para encarar o diretor francês, nada fácil. Fase da pobreza, a pedida do ator era conhaque Dreher. Chegava, pedia um cálice no bar do clube e virava num gole.
Wilker gostava de falar por metáforas, hipérboles, parábolas. Inteligentíssimo e complicadíssimo. Antes que o diretor o confundisse, ele, que não falava francês, o pôs lno bolso.
Jogava um charme louco sobre Claude, que acabou literalmente apaixonado pelo ator, que lhe escorria entre os dedos, num jogo de sedução de gato e rato, de ironia, po que não passava, eu acho, de uma estratégia de Wilker para desempenhar seu personagem sem ser desestabilizado pelo diretor.
Bom que se saiba que, através de sua técnica angustiada e angustiante de direção, Claude Régy levou Tereza Rachel praticamente ao paroxismo de desespero.
No final, o diretor jogou-nos as duas no chão do palco, esfomeadas, comendo macarrão frio catado no piso, descabeladas, envergonhadas, sem blusa, irreconhecíveis, com os rostos cobertos por máscaras brancas.
Apenas Wilker se salvava em cena. Belíssimo, de malha preta, corpo de toureiro, make up de Nureiev. Ah, Wilker sabido!
Ali aprendi uma lição: José Wilker era um sobrevivente em qualquer circunstância – da aridez nordestina à angústia de um diretor, que não conseguia transmitir o que pretendia a um elenco em que poucos entendiam o idioma que ele falava.
O espetáculo era lindo. Os cenário e figurinos de Joel de Carvalho, maravilhosos. A direção, muito elogiada. Nossos desempenhos, idem. Mas, quanto sofrimento!
Wilker, o inteligentíssimo Wilker, o extra-talentoso, que entendia das manhas dos artistas manhosos, manteve-se blindado e indestrutível, esteve hors concours em cena!
Acho que foi o único ator no mundo que conseguiu dar a volta no diretor francês com sua tática de desestabilização que levou algumas atrizes famosas aos consultórios de psicanálise.
Naqueles anos, o carisma de um grande ator não era o Ter. Era o Ser. José Wilker exercia com mérito o carisma da sua real pobreza. Vestia a emblemática e surrada roupa caqui, meio à la Guevara. A pé, peregrinava sua legítima falta de dinheiro pela noite boêmia teatral, do Leme à Galeria Menescal, em Copacabana, e depois até Ipanema. Ou de ônibus. Ah, como era bonito ser artista pobre e revolucionário!
Era namorador. Comentava-se dele que as namoradas no mundo artístico eram passageiras, pois cortejava mítica noiva secreta, em casa de quem almoçava nos fins de semana, mesa posta, aliança no dedo direito, família em volta, pequena burguesia. Diziam que, com ela, e só com ela, Wilker iria um dia se casar.
Não foi.
Isso só conto para ilustrar que havia dois José Wilker. Aquele impulsivo, transgressor, iconoclasta, revolucionário, que falava bonito, quase discursando. Aquele pequeno burguês, com ambições de prosperidade.
Os dois José Wilker se fundiram, a partir de seu ingresso na televisão, que lhe deu a oportunidade e o palco para ser plenamente talentoso e se tornar um ator famoso nacionalmente, constituir família – algumas famílias – ter as casas amplas, com todas as estantes para todos os seus livros, fazer todos os grandes personagens que sempre quis, ser múltiplo, preocupar-se com a memória das nossas artes audiovisuais.
Já famoso, eu colunista escrevendo sobre TV, publiquei alguma incorreção o envolvendo. Em vez de me interpelar por telefone, pois nos conhecíamos bem, escreveu-me uma carta delicada. Fiz o reparo, assumindo o meu erro com ênfase.
Revolucionário em sua perspectiva da memória artística. Ordinário em suas ambições humanas de conforto, família.
Não foi um qualquer. Antes de tudo, um reflexivo. Preocupou-se com a pesquisa das artes.
Se eu fosse a Globo, catalogava sua biblioteca, sua videoteca, a discoteca, e lhes dava um nobre destino, para consulta orientada e franqueada. Realizava o último sonho do José Wilker.
(Hildegard Angel)
Wilker era muito talentoso e extremamente inteligente. O que emocionava nele era justamente o seu talento. Mas não era uma pessoa de se expor a todos que conhecia. De abrir sua alma, seu coração. Não era um emotivo.
Os que vejo falarem com mais propriedade sobre o ator são os veteranos. E quando a repórter pede histórias pessoais, Eva Wilma, a rainha da sensibilidade, lembrou-se dos livros de poesia que ele levava e distribuía ao elenco em que atuaram.
Wilker era um homem reservado de alma. Trabalhamos juntos antes de ele debutar na TV. Tinha chegado do Ceará e já despontava como o mais brilhante ator de sua geração no Rio de Janeiro, depois de seu extraordinário desempenho em O arquiteto e o Imperador da Assíria, no Teatro Jovem, de Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa, que lhes abriram a porta dos palcos nacionais, do estrelato e até da casa, pois morava num apartamento de Rubens.
O ano era 1972. A peça era A Mãe, de Stanisław Ignacy Witkiewicz, e, para dirigi-la, a produtora e protagonista do espetáculo, Tereza Rachel, importou o maior diretor da época na França, Claude Régy, que assinou a montagem no Théâtre Récamier, em Paris, assistida por Tereza com Madeleine Renaud no papel título.
Wilker foi convidado para protagonista masculino, o “filho da mãe”. Para o terceiro principal papel da peça, a noiva de Wilker, vivida na montagem francesa por Delphine Seyrig, foram abertos testes. Candidataram-se todas as jovens atrizes de 20 anos do país. Tive a sorte de ser a escolhida.
Grande elenco, grande experiência, grandes amigos. Foi também a estreia no Rio de Janeiro de Aderbal Freire como ator, hoje um grande diretor.
Tivemos todos um contato muito próximo. Foram meses de ensaios intensos. Naqueles anos, os ensaios estendiam-se por quatro, cinco, às vezes seis meses.
Ensaiávamos no clube judaico da Rua das Laranjeiras, Wilker costumava beber antes do ensaio. Nos intervalos. E depois. Acho que para encarar o diretor francês, nada fácil. Fase da pobreza, a pedida do ator era conhaque Dreher. Chegava, pedia um cálice no bar do clube e virava num gole.
Wilker gostava de falar por metáforas, hipérboles, parábolas. Inteligentíssimo e complicadíssimo. Antes que o diretor o confundisse, ele, que não falava francês, o pôs lno bolso.
Jogava um charme louco sobre Claude, que acabou literalmente apaixonado pelo ator, que lhe escorria entre os dedos, num jogo de sedução de gato e rato, de ironia, po que não passava, eu acho, de uma estratégia de Wilker para desempenhar seu personagem sem ser desestabilizado pelo diretor.
Bom que se saiba que, através de sua técnica angustiada e angustiante de direção, Claude Régy levou Tereza Rachel praticamente ao paroxismo de desespero.
No final, o diretor jogou-nos as duas no chão do palco, esfomeadas, comendo macarrão frio catado no piso, descabeladas, envergonhadas, sem blusa, irreconhecíveis, com os rostos cobertos por máscaras brancas.
Apenas Wilker se salvava em cena. Belíssimo, de malha preta, corpo de toureiro, make up de Nureiev. Ah, Wilker sabido!
Ali aprendi uma lição: José Wilker era um sobrevivente em qualquer circunstância – da aridez nordestina à angústia de um diretor, que não conseguia transmitir o que pretendia a um elenco em que poucos entendiam o idioma que ele falava.
O espetáculo era lindo. Os cenário e figurinos de Joel de Carvalho, maravilhosos. A direção, muito elogiada. Nossos desempenhos, idem. Mas, quanto sofrimento!
Wilker, o inteligentíssimo Wilker, o extra-talentoso, que entendia das manhas dos artistas manhosos, manteve-se blindado e indestrutível, esteve hors concours em cena!
Acho que foi o único ator no mundo que conseguiu dar a volta no diretor francês com sua tática de desestabilização que levou algumas atrizes famosas aos consultórios de psicanálise.
Naqueles anos, o carisma de um grande ator não era o Ter. Era o Ser. José Wilker exercia com mérito o carisma da sua real pobreza. Vestia a emblemática e surrada roupa caqui, meio à la Guevara. A pé, peregrinava sua legítima falta de dinheiro pela noite boêmia teatral, do Leme à Galeria Menescal, em Copacabana, e depois até Ipanema. Ou de ônibus. Ah, como era bonito ser artista pobre e revolucionário!
Era namorador. Comentava-se dele que as namoradas no mundo artístico eram passageiras, pois cortejava mítica noiva secreta, em casa de quem almoçava nos fins de semana, mesa posta, aliança no dedo direito, família em volta, pequena burguesia. Diziam que, com ela, e só com ela, Wilker iria um dia se casar.
Não foi.
Isso só conto para ilustrar que havia dois José Wilker. Aquele impulsivo, transgressor, iconoclasta, revolucionário, que falava bonito, quase discursando. Aquele pequeno burguês, com ambições de prosperidade.
Os dois José Wilker se fundiram, a partir de seu ingresso na televisão, que lhe deu a oportunidade e o palco para ser plenamente talentoso e se tornar um ator famoso nacionalmente, constituir família – algumas famílias – ter as casas amplas, com todas as estantes para todos os seus livros, fazer todos os grandes personagens que sempre quis, ser múltiplo, preocupar-se com a memória das nossas artes audiovisuais.
Já famoso, eu colunista escrevendo sobre TV, publiquei alguma incorreção o envolvendo. Em vez de me interpelar por telefone, pois nos conhecíamos bem, escreveu-me uma carta delicada. Fiz o reparo, assumindo o meu erro com ênfase.
Revolucionário em sua perspectiva da memória artística. Ordinário em suas ambições humanas de conforto, família.
Não foi um qualquer. Antes de tudo, um reflexivo. Preocupou-se com a pesquisa das artes.
Se eu fosse a Globo, catalogava sua biblioteca, sua videoteca, a discoteca, e lhes dava um nobre destino, para consulta orientada e franqueada. Realizava o último sonho do José Wilker.
(Hildegard Angel)
quarta-feira, 2 de abril de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
As pedras de Drummond
Abro a coluna com os versos do Drummond.
Historinha dos nossos tempos.
A verdade de hoje é bem diferente da realidade de ontem. Hoje, até a poesia se depara com outras pedras no caminho. Na sala de aula, o professor analisa com seus alunos aquele famoso poema do Carlos Drummond de Andrade:
"No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho.
E eu nunca me esquecerei...
no meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho."
O professor pergunta:
- Joãozinho, qual a característica do Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema?
Joãozinho tascou a resposta:
- Se não era traficante, era usuário...
Fumaceira no ar
O ambiente está esfumaçado. Muita fumaça e fogo crescente à vista. Tudo porque a avaliação da presidente Dilma baixou sete pontos. Tentemos desanuviar os ares. Estamos a seis meses das eleições. Muito tempo. A pesquisa sobre queda da avaliação não quer dizer que Dilma perdeu pontos no índice de intenção de voto. Fosse assim, alguém teria de ganhar esses pontinhos. Por enquanto, os escalados mantêm suas posições: ela, como 43%; Aécio, com cerca de 15%, e Eduardo Campos com 7%. A partir da campanha de rua e após a Copa, os índices de intenção de voto poderão ganhar nova escala. Mas a avaliação em queda pode sinalizar queda de intenção de voto? Em termos, sim. Expliquemos.
Bolso cheio e melhores serviços
Se o bolso dos contingentes das margens se mantiver em condições de comprar os mesmos produtos de um ano atrás, o status quo se mantém. Se falta grana para as coisas essenciais, a situação ficará ruim para quem patrocina a queda. E mais: os cidadãos que tiveram acesso à mesa de consumo, querem dar um passo adiante: exigem melhores serviços, a partir de transportes mais rápidos e confortáveis; malha de saúde em condições de atender rapidamente os casos; mais segurança nas ruas, etc. Temos pela frente a Copa do Mundo. Se o acesso às arenas esportivas apresentar problemas, o caldo tende a entornar.
Entornando o caldo
Se o caldo entornar, será alta a possibilidade de manifestações de rua. E, ante as manifestações, o sistema de segurança, reforçado com tropas do Exército, dará sua contribuição para a efervescência. Por mais que haja orientação para se preservar a harmonia, a polícia, em casos de depredação, vai reagir. E reagindo, haverá vítimas nas frentes de manifestação : cenas de barbaridade, sangue e patrimônios depredados. O desenho suja a imagem de atores políticos, principalmente os situacionistas, tanto da área Federal como das áreas estaduais. Alhos e bugalhos, Chico e Francisco serão inseridos na mesma configuração de "responsáveis pelo caos" (claro, se isso ocorrer).
"Ele era como um galo que pensava que o sol surgia para ouvi-lo cantar." (G. Eliot, escritora inglesa)
Lula volta?
Só se a pupila, Dilma, começar a descer a alta serra do conforto de votos, que ainda frequenta. E qual será a possibilidade disso ocorrer? Se a inflação estourar e começar a faltar alimentos nas gôndolas de supermercados. Mas a economia, segundo nossos melhores analistas econômicos, não está fora de prumo. Delfim Neto, um dos melhores, garante que estamos bem. Mas o imponderável poderá tirar o trem dos trilhos. E o país, nos últimos tempos, tem abrigado uma teia de fatores imponderáveis.
"Não fico me lembrando de onde caí, mas de onde me reergui." (Cícero em Cartas a Ático)
Os desafios de Aécio Neves
Tenho ouvido com atenção o discurso de Aécio Neves. É fato que começa a ter uma identidade oposicionista. Convenhamos, ele estava meio apagadão no Senado. Nos últimos tempos, arrumou um bom eixo para alicerçar suas perorações. O último é o affaire Petrobras. Pois bem, essa peroração, mesmo cáustica e cravejada de adjetivos, não chega ao âmago das massas. Não sobe à cachola do eleitor que habita a base da pirâmide. E por quê ? Porque os tucanos, todos sem exceção, aprenderam a falar muito bem o tucanês, mas são ignorantes em matéria de popularês. Discorrem sobre macroeconomia com aquele palavreado que come espaço e diz pouco. E mesmo quando não têm respostas concretas para questões complexas, valem-se, como Aécio, de economistas de alto coturno, como Armínio Fraga. Pois bem, o desafio do neto de Tancredo é aprender o portuga do fim de linha e transmitir questões complexas de forma inteligível.
Todos, todos
O observador que ouve tucanos de alta plumagem - Fernando Henrique, Geraldo Alckmin, José Serra, Antonio Anastasia, entre outros - distingue a sonoridade do mesmo canto mavioso, ao qual têm acesso privilegiados integrantes de uma plêiade do Olimpo. O grupo é realmente bom de bico. Sabe dizer as coisas que os ouvidos finos entendem; mas são os ouvidos grossos das margens que, na hora do voto, selecionam as mensagens que encherão as urnas.
Democracia
"É preferível um remédio que cure as partes defeituosas da democracia do que um que as ampute." (Cícero em Cartas a Atiço, II, 1.7)
Petrobras chegará na ponta?
Eis o caso Pasadena/Petrobras. O que o povão entende disso? Como dizer às massas que a Petrobras, em 10 anos, perdeu mais da metade de seu valor de mercado? Bilhões e milhões para as massas são montanhas difíceis de escalar. E como meter nessa cumbuca responsáveis ligados ao governismo? Se Aécio Neves conseguir destrinchar as curvas dessa vereda linguística, seria razoável apostar em seu crescimento na planilha de intenção de voto. Por enquanto, é isso: ele tem o apoio de 86% de um grupo de empresários que comparece ao almoço do LIDE, empreendimento comandado pelo competente João Dória, mas não alcança nem 5% da galera das arquibancadas. Esse é seu principal desafio.
Ganhar em Minas
O dito é bastante conhecido: quem ganha em Minas, ganha no Brasil. Tem sido assim. Os candidatos à presidente da República que ganham em MG, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, levam a melhor. Por quê? Explicações surgem de todos os lados. Minas é a síntese nacional. Localizado entre o Nordeste e o Sudeste, abriga DNAs dessas duas megarregiões, capta a alma brasileira. Chiste: o mineiro é o nordestino com preguiça de chegar até o Rio; decidira conhecer as areias de Copacabana e, no meio da viagem, meio com preguiça, estendeu a rede naquelas fazendas do interior mineiro e... pernas pra que te quero. Arrumou seu trem por ali. Que trem bão. Já o carioca é o nordestino que chegou antes, que chegou logo. Instalou-se com seu matulão e caprichou nos "erres" para criar o dicionário carioquês. Depois, esse nordestino-carioca acabou, querendo experimentar o pão de queijo, arribou para as Minas. O candidato que souber conquistar alma mineira - a síntese do Brasil - ganha o pleito. Mas, e se o candidato é mineiro, essa hipótese não está viciada? Só entro nessa discussão pitando um "cigarrim de paia".
Sem pensamento
É de Blaise Pascal o pensamento: "Posso até conceber um homem sem mãos, sem pés, sem cabeça, pois é só a experiência que nos ensina que a cabeça é mais necessária do que os pés. Mas não posso conceber um homem sem pensamento. Seria uma pedra ou um bicho".
Os desafios de Eduardo Campos
O principal desafio de Eduardo Campos é subir ao morro da visibilidade. Boa estampa, sorriso aberto, Campos vem morar em SP, num flat de três quartos, em Moema. Maneira de abrir espaços de mídia, circular no meio da massa, gastar sola de sapato nas maiores periferias do país. SP agrega as maiores classes médias, as maiores margens sociais, a mais alta pirâmide das classes, as maiores organizações da sociedade civil, o voto mais racional e também o mais emotivo. Logo, trata-se de um laboratório para o neto de Arraes treinar seu eduardês, a linguagem para as galeras.
Aquífero Guarani I
Lembram-se da campanha para o governo do Estado de SP em 2002? Em um debate, o candidato do PT, José Genoino, escorregou na "casca de banana". Candidato, qual a importância do Aquífero Guarani na estratégia de abastecimento de nossa região? Genoino produziu uma sopa de platitudes: o aquífero é importante para a nossa região, não podendo ser deixado de lado por sua ampla capacidade de armazenar esse precioso líquido e assim por diante. Indagado onde fica esse tal aquífero, o candidato tergiversou e saiu pela tangente. Não disse coisa com coisa. Diante da grave crise de abastecimento d'água que se projeta para os próximos meses, os candidatos precisam fazer mais essa lição de casa.
Aquífero Guarani II
O aquífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea do mundo entre fronteiras. Localiza-se na região centro-leste da América do Sul, estendendo-se pelo Brasil (840.000 km2), Paraguai (58.500 km2), Uruguai (58.500 km2) e Argentina (255.000 km2). Sua maior ocorrência é, portanto, no território brasileiro, abrangendo os Estados de GO, MS, MG, SP, PR, SC e RS. Trata-se de um reservatório de proporções gigantescas de água subterrânea formado por derrames de basalto nos períodos triássico, jurássico e cretáceo inferior (entre 200 e 132 milhões de anos).
Ganância
"O principal em qualquer administração dos negócios e dos serviços públicos, é rechaçar até mesmo a menor suspeita de ganância". (Dos Deveres, II, XXI.75)
CPI da Petrobras
Na visão deste consultor, a CPI da Petrobras vai para as calendas. A essa altura, os senadores já enterraram a CPI e agora pretendem formar apenas uma Comissão Mista. Donde não sairá nenhuma gota de óleo, ou seja, apenas barulho. O rolo compressor governista evitará quaisquer dissabores. Portanto, o furo no mar da CPI encontrará apenas água.
O bichano
José Inocêncio de Almeida, "Ioiô Almeida", empunha candidatura a deputado estadual em meados dos anos 60. Ao seu lado, o vereador "Expedito Bolão" se empenha em ajudá-lo. Leva-o ao distrito de Baraúna, onde costuma ser bem votado à Câmara Municipal de Mossoró. Num aglomerado de casas modestas, os dois políticos se aproximam, cumprimentando os populares.
- Chegue, meu filho! Tome o leite, senão eu dou pro gatinho - acalenta, com um bebê no colo, uma senhora de seios fartos e voz manhosa.
Encarnando um "felino" imaginário, Expedido Bolão boceja, quase ronronando: "Miaau!"
Despercebido até então, o marido da mãezona aparece fatiando uma carne e resolve espantar o "bichano", com sua faca reluzente à mão.
- Chaninho, chaninho, chaninho.
(Carlos Santos, Só rindo 2 - A política do bom humor do palanque aos bastidores)
Conselho ao grupo da Copa
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos. Hoje, dirige sua atenção às autoridades que lideram as ações voltadas para a Copa do Mundo:
1. Procurem mapear todas as situações, demandas, obras, voltadas para a finalização dos equipamentos que serão usados na Copa do Mundo.
2. Vejam eventuais pontos de estrangulamento, impasses, atrasos, cronogramas e fornecedores com o objetivo de tapar os buracos do empreendimento.
3. A imagem do Brasil estará nas telas mundiais. Vossas Excelências serão responsáveis por manchas e sujeiras no desenho da Copa do Mundo.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com os versos do Drummond.
Historinha dos nossos tempos.
A verdade de hoje é bem diferente da realidade de ontem. Hoje, até a poesia se depara com outras pedras no caminho. Na sala de aula, o professor analisa com seus alunos aquele famoso poema do Carlos Drummond de Andrade:
"No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho.
E eu nunca me esquecerei...
no meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho."
O professor pergunta:
- Joãozinho, qual a característica do Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema?
Joãozinho tascou a resposta:
- Se não era traficante, era usuário...
Fumaceira no ar
O ambiente está esfumaçado. Muita fumaça e fogo crescente à vista. Tudo porque a avaliação da presidente Dilma baixou sete pontos. Tentemos desanuviar os ares. Estamos a seis meses das eleições. Muito tempo. A pesquisa sobre queda da avaliação não quer dizer que Dilma perdeu pontos no índice de intenção de voto. Fosse assim, alguém teria de ganhar esses pontinhos. Por enquanto, os escalados mantêm suas posições: ela, como 43%; Aécio, com cerca de 15%, e Eduardo Campos com 7%. A partir da campanha de rua e após a Copa, os índices de intenção de voto poderão ganhar nova escala. Mas a avaliação em queda pode sinalizar queda de intenção de voto? Em termos, sim. Expliquemos.
Bolso cheio e melhores serviços
Se o bolso dos contingentes das margens se mantiver em condições de comprar os mesmos produtos de um ano atrás, o status quo se mantém. Se falta grana para as coisas essenciais, a situação ficará ruim para quem patrocina a queda. E mais: os cidadãos que tiveram acesso à mesa de consumo, querem dar um passo adiante: exigem melhores serviços, a partir de transportes mais rápidos e confortáveis; malha de saúde em condições de atender rapidamente os casos; mais segurança nas ruas, etc. Temos pela frente a Copa do Mundo. Se o acesso às arenas esportivas apresentar problemas, o caldo tende a entornar.
Entornando o caldo
Se o caldo entornar, será alta a possibilidade de manifestações de rua. E, ante as manifestações, o sistema de segurança, reforçado com tropas do Exército, dará sua contribuição para a efervescência. Por mais que haja orientação para se preservar a harmonia, a polícia, em casos de depredação, vai reagir. E reagindo, haverá vítimas nas frentes de manifestação : cenas de barbaridade, sangue e patrimônios depredados. O desenho suja a imagem de atores políticos, principalmente os situacionistas, tanto da área Federal como das áreas estaduais. Alhos e bugalhos, Chico e Francisco serão inseridos na mesma configuração de "responsáveis pelo caos" (claro, se isso ocorrer).
"Ele era como um galo que pensava que o sol surgia para ouvi-lo cantar." (G. Eliot, escritora inglesa)
Lula volta?
Só se a pupila, Dilma, começar a descer a alta serra do conforto de votos, que ainda frequenta. E qual será a possibilidade disso ocorrer? Se a inflação estourar e começar a faltar alimentos nas gôndolas de supermercados. Mas a economia, segundo nossos melhores analistas econômicos, não está fora de prumo. Delfim Neto, um dos melhores, garante que estamos bem. Mas o imponderável poderá tirar o trem dos trilhos. E o país, nos últimos tempos, tem abrigado uma teia de fatores imponderáveis.
"Não fico me lembrando de onde caí, mas de onde me reergui." (Cícero em Cartas a Ático)
Os desafios de Aécio Neves
Tenho ouvido com atenção o discurso de Aécio Neves. É fato que começa a ter uma identidade oposicionista. Convenhamos, ele estava meio apagadão no Senado. Nos últimos tempos, arrumou um bom eixo para alicerçar suas perorações. O último é o affaire Petrobras. Pois bem, essa peroração, mesmo cáustica e cravejada de adjetivos, não chega ao âmago das massas. Não sobe à cachola do eleitor que habita a base da pirâmide. E por quê ? Porque os tucanos, todos sem exceção, aprenderam a falar muito bem o tucanês, mas são ignorantes em matéria de popularês. Discorrem sobre macroeconomia com aquele palavreado que come espaço e diz pouco. E mesmo quando não têm respostas concretas para questões complexas, valem-se, como Aécio, de economistas de alto coturno, como Armínio Fraga. Pois bem, o desafio do neto de Tancredo é aprender o portuga do fim de linha e transmitir questões complexas de forma inteligível.
Todos, todos
O observador que ouve tucanos de alta plumagem - Fernando Henrique, Geraldo Alckmin, José Serra, Antonio Anastasia, entre outros - distingue a sonoridade do mesmo canto mavioso, ao qual têm acesso privilegiados integrantes de uma plêiade do Olimpo. O grupo é realmente bom de bico. Sabe dizer as coisas que os ouvidos finos entendem; mas são os ouvidos grossos das margens que, na hora do voto, selecionam as mensagens que encherão as urnas.
Democracia
"É preferível um remédio que cure as partes defeituosas da democracia do que um que as ampute." (Cícero em Cartas a Atiço, II, 1.7)
Petrobras chegará na ponta?
Eis o caso Pasadena/Petrobras. O que o povão entende disso? Como dizer às massas que a Petrobras, em 10 anos, perdeu mais da metade de seu valor de mercado? Bilhões e milhões para as massas são montanhas difíceis de escalar. E como meter nessa cumbuca responsáveis ligados ao governismo? Se Aécio Neves conseguir destrinchar as curvas dessa vereda linguística, seria razoável apostar em seu crescimento na planilha de intenção de voto. Por enquanto, é isso: ele tem o apoio de 86% de um grupo de empresários que comparece ao almoço do LIDE, empreendimento comandado pelo competente João Dória, mas não alcança nem 5% da galera das arquibancadas. Esse é seu principal desafio.
Ganhar em Minas
O dito é bastante conhecido: quem ganha em Minas, ganha no Brasil. Tem sido assim. Os candidatos à presidente da República que ganham em MG, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, levam a melhor. Por quê? Explicações surgem de todos os lados. Minas é a síntese nacional. Localizado entre o Nordeste e o Sudeste, abriga DNAs dessas duas megarregiões, capta a alma brasileira. Chiste: o mineiro é o nordestino com preguiça de chegar até o Rio; decidira conhecer as areias de Copacabana e, no meio da viagem, meio com preguiça, estendeu a rede naquelas fazendas do interior mineiro e... pernas pra que te quero. Arrumou seu trem por ali. Que trem bão. Já o carioca é o nordestino que chegou antes, que chegou logo. Instalou-se com seu matulão e caprichou nos "erres" para criar o dicionário carioquês. Depois, esse nordestino-carioca acabou, querendo experimentar o pão de queijo, arribou para as Minas. O candidato que souber conquistar alma mineira - a síntese do Brasil - ganha o pleito. Mas, e se o candidato é mineiro, essa hipótese não está viciada? Só entro nessa discussão pitando um "cigarrim de paia".
Sem pensamento
É de Blaise Pascal o pensamento: "Posso até conceber um homem sem mãos, sem pés, sem cabeça, pois é só a experiência que nos ensina que a cabeça é mais necessária do que os pés. Mas não posso conceber um homem sem pensamento. Seria uma pedra ou um bicho".
Os desafios de Eduardo Campos
O principal desafio de Eduardo Campos é subir ao morro da visibilidade. Boa estampa, sorriso aberto, Campos vem morar em SP, num flat de três quartos, em Moema. Maneira de abrir espaços de mídia, circular no meio da massa, gastar sola de sapato nas maiores periferias do país. SP agrega as maiores classes médias, as maiores margens sociais, a mais alta pirâmide das classes, as maiores organizações da sociedade civil, o voto mais racional e também o mais emotivo. Logo, trata-se de um laboratório para o neto de Arraes treinar seu eduardês, a linguagem para as galeras.
Aquífero Guarani I
Lembram-se da campanha para o governo do Estado de SP em 2002? Em um debate, o candidato do PT, José Genoino, escorregou na "casca de banana". Candidato, qual a importância do Aquífero Guarani na estratégia de abastecimento de nossa região? Genoino produziu uma sopa de platitudes: o aquífero é importante para a nossa região, não podendo ser deixado de lado por sua ampla capacidade de armazenar esse precioso líquido e assim por diante. Indagado onde fica esse tal aquífero, o candidato tergiversou e saiu pela tangente. Não disse coisa com coisa. Diante da grave crise de abastecimento d'água que se projeta para os próximos meses, os candidatos precisam fazer mais essa lição de casa.
Aquífero Guarani II
O aquífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea do mundo entre fronteiras. Localiza-se na região centro-leste da América do Sul, estendendo-se pelo Brasil (840.000 km2), Paraguai (58.500 km2), Uruguai (58.500 km2) e Argentina (255.000 km2). Sua maior ocorrência é, portanto, no território brasileiro, abrangendo os Estados de GO, MS, MG, SP, PR, SC e RS. Trata-se de um reservatório de proporções gigantescas de água subterrânea formado por derrames de basalto nos períodos triássico, jurássico e cretáceo inferior (entre 200 e 132 milhões de anos).
Ganância
"O principal em qualquer administração dos negócios e dos serviços públicos, é rechaçar até mesmo a menor suspeita de ganância". (Dos Deveres, II, XXI.75)
CPI da Petrobras
Na visão deste consultor, a CPI da Petrobras vai para as calendas. A essa altura, os senadores já enterraram a CPI e agora pretendem formar apenas uma Comissão Mista. Donde não sairá nenhuma gota de óleo, ou seja, apenas barulho. O rolo compressor governista evitará quaisquer dissabores. Portanto, o furo no mar da CPI encontrará apenas água.
O bichano
José Inocêncio de Almeida, "Ioiô Almeida", empunha candidatura a deputado estadual em meados dos anos 60. Ao seu lado, o vereador "Expedito Bolão" se empenha em ajudá-lo. Leva-o ao distrito de Baraúna, onde costuma ser bem votado à Câmara Municipal de Mossoró. Num aglomerado de casas modestas, os dois políticos se aproximam, cumprimentando os populares.
- Chegue, meu filho! Tome o leite, senão eu dou pro gatinho - acalenta, com um bebê no colo, uma senhora de seios fartos e voz manhosa.
Encarnando um "felino" imaginário, Expedido Bolão boceja, quase ronronando: "Miaau!"
Despercebido até então, o marido da mãezona aparece fatiando uma carne e resolve espantar o "bichano", com sua faca reluzente à mão.
- Chaninho, chaninho, chaninho.
(Carlos Santos, Só rindo 2 - A política do bom humor do palanque aos bastidores)
Conselho ao grupo da Copa
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos. Hoje, dirige sua atenção às autoridades que lideram as ações voltadas para a Copa do Mundo:
1. Procurem mapear todas as situações, demandas, obras, voltadas para a finalização dos equipamentos que serão usados na Copa do Mundo.
2. Vejam eventuais pontos de estrangulamento, impasses, atrasos, cronogramas e fornecedores com o objetivo de tapar os buracos do empreendimento.
3. A imagem do Brasil estará nas telas mundiais. Vossas Excelências serão responsáveis por manchas e sujeiras no desenho da Copa do Mundo.
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(Gaudêncio Torquato)
sábado, 29 de março de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
Abro a coluna com uma historinha da gloriosa terra potiguar.
Cuidado com o bolso
Poeta popular com vasto e multifacetado círculo de amizades, além de possuir reconhecido talento, Onésimo Maia é convidado para participar de uma festa na casa de um político seridoense. Sua tarefa é a mais simples possível, em face da sua capacidade criativa : enfocar através dos versos e com sua viola quadrantes da vida política dos envolvidos naquele encontro, como se fosse um Homero a narrar em forma de rima épicos sertanejos. Mostrando sua arte, Onésimo Maia desperta o entusiasmo de muitos circunstantes. Entre eles, o ex-governador Aluízio Alves, que resolve fazer um agrado. Aproximando-se, Aluízio, com os dedos entrançados, coloca uma cédula no bolso da camisa do poeta. Onésimo, de chofre, toma o gesto como tema ao improviso:
- Doutor Aluízio Alves agora compareceu / Meteu a mão no meu bolso, vou ver o que ele me deu / Do jeito que ele é sabido, pode ter levado o meu.
(Só rindo 2 - A política do bom humor do palanque aos bastidores, de Carlos Santos)
Pano de fundo sujo
O pano de fundo da política é uma sujeira só. Escândalos continuam abrindo as pautas dos meios de comunicação. A perda do valor de mercado da Petrobras é algo que até pode ser explicado, jamais aceito. Principalmente nesses tempos de administração petista. Como se sabe, o PT bateu forte no governo FHC, acusando-o de querer privatizar a empresa-símbolo das riquezas nacionais. Ganhou as eleições, na sombra dos refrãos do passado: não mexam com nosso petróleo; ele é nosso e de mais ninguém. E o que ocorreu? O sistema Eletrobrás/Petrobras perdeu algo em torno de US$ 100 bilhões. É muita grana. Sujeira do óleo nas costas do petismo.
Dilma sincera
A confissão da presidente Dilma de que aprovou a compra da refinaria de Pasadena por conta de relatórios que escondiam informações fundamentais é crível. Ela fez um desabafo. Foi corajosa. Mas não constitui um sincericídio, como alguns apontam. Apesar de ser inadmissível a aprovação para a compra de uma refinaria sem os devidos dados para embasar a decisão.
CPI da Petrobras
Será difícil passar pelo Senado a aprovação de uma CPI para investigar a Petrobras. O rolo compressor governista na Câmara Alta não deixaria passar essa lâmina que cortaria muito a carne viva do governo.
A falta d'água
A falta de água nas torneiras afetará, sobretudo, a imagem do governo de SP e, por conseguinte, a imagem do governador Geraldo Alckmin. A Sabesp fez estudos prevendo a extensão dos sistemas de captação. Não foi, portanto, por falta de planejamento que a crise do abastecimento de água na região metropolitana de SP tende a se agravar. O que faltou foi decisão política para investimento em obras. Ou seja, o dedo do governador apontou para baixo, lembrando a sinalização dos ditadores romanos quando a turba pedia morte aos gladiadores fracos.
Uma Cantareira por ano
Por falta de obras - contenção/represamento, captação - SP perde, por ano, o volume de uma Cantareira: um bilhão de metros cúbicos. Hoje, a Cantareira tem armazenados apenas 144 milhões de metros cúbicos. Se considerarmos a média histórica de chuvas (a menor média), teríamos 37,5 milhões de metros cúbicos por mês. Em três meses, esse volume estaria esgotado. A considerar a média maior, é possível se chegar a quatro meses de uso da Cantareira. Qual seria a solução de curto prazo? Puxar água do sistema Billings, água poluída.
Dois anos
E as obras que estão sendo apontadas pelo governador Alckmin, como a que prevê a utilização da água do rio Jaguari, no Vale do Paraíba? Demoraria cerca de dois anos.
3%, o índice da indústria
Como sempre acontece, arranja-se nas crises um bode expiatório. Na questão da água da região metropolitana, a indústria é apontada por alguns como o tal bode. O fato é que a indústria consome apenas 11% de toda a bacia, ou seja, de todo o volume de chuva que cai e é recolhido na região metropolitana de SP (o complexo com 38 municípios, onde estão 50% da população do Estado de SP). A indústria usa seus próprios sistemas de captação. Dos canos da Sabesp, ou seja, da chamada água pública, a indústria recolhe menos de 3%. O restante, quase 97% são consumidos pela população.
E o apagão?
Traria problema para o governo Federal e, por conseguinte, teria impacto sobre a imagem da presidente Dilma ? Sim, em caso de incidente. Por exemplo, no meio do jogo de uma partida entre a seleção brasileira e qualquer outra seleção, o estádio fica às escuras. Seria coberto de vaias. Que Deus nos livre desse risco. Qualquer incidente que mexa com o humor popular terá consequências sobre políticos e suas ambições.
Jantar para Aécio
Aécio Neves será recebido na próxima segunda-feira por João Dória em uma recepção que contará com pesos pesados da esfera produtiva. Aécio e Eduardo Campos disputam a preferência do empresariado. Nunca foi tão importante para os candidatos essa aproximação. Tempos competitivos.
Negócios no exterior?
As versões se espalham. As empresas brasileiras que fazem negócios no exterior estariam fora dos controles de TCU? Os empreendimentos na África, por exemplo, seriam imunes aos controles? O exterior é fonte primeira da propinagem?
Encontro da segurança privada
Empresários do setor de segurança privada realizarão, a partir desta quarta, 26, o X Fórum Empresarial de Segurança Privada do Estado de São Paulo (FESP), em Campos do Jordão. Com o objetivo de discutir a atual situação do mercado de segurança privada, o Estatuto da Segurança, e alguns problemas do setor, como a existência de empresas clandestinas, o evento, que seguirá até sexta, 28, também marcará a posse da nova diretoria, a ser liderada pelo empresário João Palhuca. Deixa a presidência o empresário José Adir Loiola após um período de oito anos de mandato.
De matar em PE
Eduardo Campos fará a maior campanha eleitoral da historia de PE. Lutará com armas mais pesadas do que as usadas em suas campanhas e nas de seu avô, Miguel Arraes. Afinal, ele é candidato a presidente da República. E tem de fazer bonito em sua terra. Se perder ou ganhar por um triz em PE, será um desastre.
De matar em Minas
Pelas mesmas razões, Aécio Neves terá de fazer a maior campanha eleitoral da história mineira. Minas tem o segundo maior colégio eleitoral do país: 16 milhões de eleitores. Precisa tirar de Minas cerca de quatro milhões de votos de maioria. Será que consegue?
Lindenberg sob risco
O PT começa a temer a derrota do senador Lindenberg no RJ. Dilma tem dito que preza os amigos Sérgio Cabral e seu candidato Pezão; e teria prometido também apoio ao candidato Crivella, que pode lhe dar os votos evangélicos no RJ.
Henrique no RN
Henrique Alves decidiu: será candidato ao governo do RN. Henrique é o mais antigo deputado: 11 legislaturas. Deixará a presidência da Câmara para embarcar na canoa de governo de Estado. Sempre foi o sonho do pai, Aluízio Alves, a maior liderança política de toda a história do RN. Henrique está formando a mais larga e densa coligação da política potiguar. Deixará o PT de fora.
Novo manual de marketing
Está no forno o novo Manual de Marketing Político, mais um livro deste escriba. Apresento os conceitos fundamentais do Marketing Político, mostro a evolução da área, descrevo os desafios do Estado-Espetáculo e narro curiosidades do mundo da política. Em breve. Poderá ajudar muitos candidatos.
Moldura do Senado I
Mudanças à vista na composição do Senado Federal. Eis a situação em alguns Estados: Garibaldi Alves, pai do ministro Garibaldi Alves Filho, da Previdência, poderá ceder lugar a Vilma Faria, do PSB, candidata da coligação a ser comandada por Henrique Alves no RN; é pouco provável a vitória de Fátima Bezerra, do PT; Em PE, Jarbas Vasconcelos não disputará o mandato. Terá chances o deputado João Paulo, do PT; Clésio Andrade, do PMDB de Minas, vai continuar a concorrer com a desistência de Anastasia, do PSDB? Kátia Abreu, do PMDB, terá chances de se reeleger; Cassildo Maldaner será candidato em SC? Pedro Simon não disputará a reeleição. PMDB disputará com pequena chance de vitória para o governo do Estado; José Sarney vai continuar no AP? Eduardo Suplicy hoje leva vantagem, mas pode perder caso Kassab, como candidato a senador, faça coligação entre seu PSD e o PMDB de Paulo Skaf, que está bem cotado.
Moldura do Senado II
Com Jorge Viana no governo, é possível que Aníbal Diniz, do PT, mantenha a vaga; no ES, Ana Rita deve manter a vaga em razão do acordo com Casagrande. O PMDB poderia tentar com Paulo Hartung para o Senado. Neste caso, o páreo será duro; em AL, Fernando Collor enfrentará eleição difícil, mas é provável que não seja substituído pelo PT; no DF, sairá Gim Argello, que irá para o TCU, mas o PT não tem chances de substituí-lo; em RO, Mozarildo Cavalcanti terá dificuldades e Chico Rodrigues tem condições de levar a melhor no pleito ao governo? ; no PI, o senador João Vicente Claudino deverá continuar; na PB, Cícero Lucena deverá continuar bem como o senador Álvaro Dias, no PR. Na BA, João Durval poderá ser substituído por Jacques Wagner, caso este dispute a senatoria. Geddel, do PMDB, faz forte coligação em torno de sua candidatura ao governo. No CE, panorama indefinido. Em GO, Iris Resende quer ser senador pelo PMDB? Seria fortíssimo candidato. Maria do Carmo, do PFL, terá condições em SE?
Governo apressado I
A Receita Federal quer implantar ainda este ano o eSocial, um sistema informatizado para que todas as empresas brasileiras prestem contas de suas obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Um sistema extremamente complexo. Dois problemas: o governo não anunciou a sua invenção. É de utilidade pública, assim as datas de vacinação. Logo, a maioria dos empresários ainda não sabe que têm esse compromisso pela frente. Segundo problema: como a declaração exige software específicos, muitas empresas nem tem como comprar. Depois, os softwares ainda estão sendo desenvolvidos. Em muitos pontos do país ainda nem existe banda larga; é conexão discada mesmo, aquele martírio. Mas o governo não consulta, exige. O pior é que a Receita Federal simulou seus testes só com as grandes corporações, que têm como preencher os formulários. E as pequenas ?
Governo apressado II
O presidente do SESCON-SP, Sérgio Approbato Machado Filho, ergueu essa bandeira contra a pressa do governo em implantar o eSocial , uma grande injustiça com as micro e pequenas empresas brasileiras, ou 98% do setor produtivo do país. Pior: o sistema prevê punições e multas em caso de erro ou atraso nas informações. Ora, como o sistema é complexo, erros são possíveis e com boa fé. Atrasos também, pois os formulários equivalem a câmaras de tortura, principalmente com as informações trabalhistas. O SESCON vê avanço no sistema digital, pois elimina a papelada. O problema é a urgência, desnecessária. E espera do governo um mínimo de sensibilidade para adiar por mais tempo a implantação do programa. Se não adiar, fica configurado que o governo quer mesmo é arrecadar. E dos menores, para não fugir à regra.
Conselho aos políticos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos. Hoje, reforça o conselho anterior. A pedidos.
1. Atentem para o ciclo que o país está vivendo. Cuidado com mais lenha na fogueira. O eleitor prepara-se para ouvir propostas. E não quer participar de querelas entre candidatos.
2. Este é o momento de planejamento de suas campanhas. Procure formar boa equipe, arrumar discurso eficaz, conseguir recursos necessários a uma boa luta e, desde já, disponha-se a gastar sola de alguns sapatos.
3. Leve verdade, muita verdade, para os eleitores. Só prometa o que poderá realizar.
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(Gaudêncio Torquato)
Cuidado com o bolso
Poeta popular com vasto e multifacetado círculo de amizades, além de possuir reconhecido talento, Onésimo Maia é convidado para participar de uma festa na casa de um político seridoense. Sua tarefa é a mais simples possível, em face da sua capacidade criativa : enfocar através dos versos e com sua viola quadrantes da vida política dos envolvidos naquele encontro, como se fosse um Homero a narrar em forma de rima épicos sertanejos. Mostrando sua arte, Onésimo Maia desperta o entusiasmo de muitos circunstantes. Entre eles, o ex-governador Aluízio Alves, que resolve fazer um agrado. Aproximando-se, Aluízio, com os dedos entrançados, coloca uma cédula no bolso da camisa do poeta. Onésimo, de chofre, toma o gesto como tema ao improviso:
- Doutor Aluízio Alves agora compareceu / Meteu a mão no meu bolso, vou ver o que ele me deu / Do jeito que ele é sabido, pode ter levado o meu.
(Só rindo 2 - A política do bom humor do palanque aos bastidores, de Carlos Santos)
Pano de fundo sujo
O pano de fundo da política é uma sujeira só. Escândalos continuam abrindo as pautas dos meios de comunicação. A perda do valor de mercado da Petrobras é algo que até pode ser explicado, jamais aceito. Principalmente nesses tempos de administração petista. Como se sabe, o PT bateu forte no governo FHC, acusando-o de querer privatizar a empresa-símbolo das riquezas nacionais. Ganhou as eleições, na sombra dos refrãos do passado: não mexam com nosso petróleo; ele é nosso e de mais ninguém. E o que ocorreu? O sistema Eletrobrás/Petrobras perdeu algo em torno de US$ 100 bilhões. É muita grana. Sujeira do óleo nas costas do petismo.
Dilma sincera
A confissão da presidente Dilma de que aprovou a compra da refinaria de Pasadena por conta de relatórios que escondiam informações fundamentais é crível. Ela fez um desabafo. Foi corajosa. Mas não constitui um sincericídio, como alguns apontam. Apesar de ser inadmissível a aprovação para a compra de uma refinaria sem os devidos dados para embasar a decisão.
CPI da Petrobras
Será difícil passar pelo Senado a aprovação de uma CPI para investigar a Petrobras. O rolo compressor governista na Câmara Alta não deixaria passar essa lâmina que cortaria muito a carne viva do governo.
A falta d'água
A falta de água nas torneiras afetará, sobretudo, a imagem do governo de SP e, por conseguinte, a imagem do governador Geraldo Alckmin. A Sabesp fez estudos prevendo a extensão dos sistemas de captação. Não foi, portanto, por falta de planejamento que a crise do abastecimento de água na região metropolitana de SP tende a se agravar. O que faltou foi decisão política para investimento em obras. Ou seja, o dedo do governador apontou para baixo, lembrando a sinalização dos ditadores romanos quando a turba pedia morte aos gladiadores fracos.
Uma Cantareira por ano
Por falta de obras - contenção/represamento, captação - SP perde, por ano, o volume de uma Cantareira: um bilhão de metros cúbicos. Hoje, a Cantareira tem armazenados apenas 144 milhões de metros cúbicos. Se considerarmos a média histórica de chuvas (a menor média), teríamos 37,5 milhões de metros cúbicos por mês. Em três meses, esse volume estaria esgotado. A considerar a média maior, é possível se chegar a quatro meses de uso da Cantareira. Qual seria a solução de curto prazo? Puxar água do sistema Billings, água poluída.
Dois anos
E as obras que estão sendo apontadas pelo governador Alckmin, como a que prevê a utilização da água do rio Jaguari, no Vale do Paraíba? Demoraria cerca de dois anos.
3%, o índice da indústria
Como sempre acontece, arranja-se nas crises um bode expiatório. Na questão da água da região metropolitana, a indústria é apontada por alguns como o tal bode. O fato é que a indústria consome apenas 11% de toda a bacia, ou seja, de todo o volume de chuva que cai e é recolhido na região metropolitana de SP (o complexo com 38 municípios, onde estão 50% da população do Estado de SP). A indústria usa seus próprios sistemas de captação. Dos canos da Sabesp, ou seja, da chamada água pública, a indústria recolhe menos de 3%. O restante, quase 97% são consumidos pela população.
E o apagão?
Traria problema para o governo Federal e, por conseguinte, teria impacto sobre a imagem da presidente Dilma ? Sim, em caso de incidente. Por exemplo, no meio do jogo de uma partida entre a seleção brasileira e qualquer outra seleção, o estádio fica às escuras. Seria coberto de vaias. Que Deus nos livre desse risco. Qualquer incidente que mexa com o humor popular terá consequências sobre políticos e suas ambições.
Jantar para Aécio
Aécio Neves será recebido na próxima segunda-feira por João Dória em uma recepção que contará com pesos pesados da esfera produtiva. Aécio e Eduardo Campos disputam a preferência do empresariado. Nunca foi tão importante para os candidatos essa aproximação. Tempos competitivos.
Negócios no exterior?
As versões se espalham. As empresas brasileiras que fazem negócios no exterior estariam fora dos controles de TCU? Os empreendimentos na África, por exemplo, seriam imunes aos controles? O exterior é fonte primeira da propinagem?
Encontro da segurança privada
Empresários do setor de segurança privada realizarão, a partir desta quarta, 26, o X Fórum Empresarial de Segurança Privada do Estado de São Paulo (FESP), em Campos do Jordão. Com o objetivo de discutir a atual situação do mercado de segurança privada, o Estatuto da Segurança, e alguns problemas do setor, como a existência de empresas clandestinas, o evento, que seguirá até sexta, 28, também marcará a posse da nova diretoria, a ser liderada pelo empresário João Palhuca. Deixa a presidência o empresário José Adir Loiola após um período de oito anos de mandato.
De matar em PE
Eduardo Campos fará a maior campanha eleitoral da historia de PE. Lutará com armas mais pesadas do que as usadas em suas campanhas e nas de seu avô, Miguel Arraes. Afinal, ele é candidato a presidente da República. E tem de fazer bonito em sua terra. Se perder ou ganhar por um triz em PE, será um desastre.
De matar em Minas
Pelas mesmas razões, Aécio Neves terá de fazer a maior campanha eleitoral da história mineira. Minas tem o segundo maior colégio eleitoral do país: 16 milhões de eleitores. Precisa tirar de Minas cerca de quatro milhões de votos de maioria. Será que consegue?
Lindenberg sob risco
O PT começa a temer a derrota do senador Lindenberg no RJ. Dilma tem dito que preza os amigos Sérgio Cabral e seu candidato Pezão; e teria prometido também apoio ao candidato Crivella, que pode lhe dar os votos evangélicos no RJ.
Henrique no RN
Henrique Alves decidiu: será candidato ao governo do RN. Henrique é o mais antigo deputado: 11 legislaturas. Deixará a presidência da Câmara para embarcar na canoa de governo de Estado. Sempre foi o sonho do pai, Aluízio Alves, a maior liderança política de toda a história do RN. Henrique está formando a mais larga e densa coligação da política potiguar. Deixará o PT de fora.
Novo manual de marketing
Está no forno o novo Manual de Marketing Político, mais um livro deste escriba. Apresento os conceitos fundamentais do Marketing Político, mostro a evolução da área, descrevo os desafios do Estado-Espetáculo e narro curiosidades do mundo da política. Em breve. Poderá ajudar muitos candidatos.
Moldura do Senado I
Mudanças à vista na composição do Senado Federal. Eis a situação em alguns Estados: Garibaldi Alves, pai do ministro Garibaldi Alves Filho, da Previdência, poderá ceder lugar a Vilma Faria, do PSB, candidata da coligação a ser comandada por Henrique Alves no RN; é pouco provável a vitória de Fátima Bezerra, do PT; Em PE, Jarbas Vasconcelos não disputará o mandato. Terá chances o deputado João Paulo, do PT; Clésio Andrade, do PMDB de Minas, vai continuar a concorrer com a desistência de Anastasia, do PSDB? Kátia Abreu, do PMDB, terá chances de se reeleger; Cassildo Maldaner será candidato em SC? Pedro Simon não disputará a reeleição. PMDB disputará com pequena chance de vitória para o governo do Estado; José Sarney vai continuar no AP? Eduardo Suplicy hoje leva vantagem, mas pode perder caso Kassab, como candidato a senador, faça coligação entre seu PSD e o PMDB de Paulo Skaf, que está bem cotado.
Moldura do Senado II
Com Jorge Viana no governo, é possível que Aníbal Diniz, do PT, mantenha a vaga; no ES, Ana Rita deve manter a vaga em razão do acordo com Casagrande. O PMDB poderia tentar com Paulo Hartung para o Senado. Neste caso, o páreo será duro; em AL, Fernando Collor enfrentará eleição difícil, mas é provável que não seja substituído pelo PT; no DF, sairá Gim Argello, que irá para o TCU, mas o PT não tem chances de substituí-lo; em RO, Mozarildo Cavalcanti terá dificuldades e Chico Rodrigues tem condições de levar a melhor no pleito ao governo? ; no PI, o senador João Vicente Claudino deverá continuar; na PB, Cícero Lucena deverá continuar bem como o senador Álvaro Dias, no PR. Na BA, João Durval poderá ser substituído por Jacques Wagner, caso este dispute a senatoria. Geddel, do PMDB, faz forte coligação em torno de sua candidatura ao governo. No CE, panorama indefinido. Em GO, Iris Resende quer ser senador pelo PMDB? Seria fortíssimo candidato. Maria do Carmo, do PFL, terá condições em SE?
Governo apressado I
A Receita Federal quer implantar ainda este ano o eSocial, um sistema informatizado para que todas as empresas brasileiras prestem contas de suas obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Um sistema extremamente complexo. Dois problemas: o governo não anunciou a sua invenção. É de utilidade pública, assim as datas de vacinação. Logo, a maioria dos empresários ainda não sabe que têm esse compromisso pela frente. Segundo problema: como a declaração exige software específicos, muitas empresas nem tem como comprar. Depois, os softwares ainda estão sendo desenvolvidos. Em muitos pontos do país ainda nem existe banda larga; é conexão discada mesmo, aquele martírio. Mas o governo não consulta, exige. O pior é que a Receita Federal simulou seus testes só com as grandes corporações, que têm como preencher os formulários. E as pequenas ?
Governo apressado II
O presidente do SESCON-SP, Sérgio Approbato Machado Filho, ergueu essa bandeira contra a pressa do governo em implantar o eSocial , uma grande injustiça com as micro e pequenas empresas brasileiras, ou 98% do setor produtivo do país. Pior: o sistema prevê punições e multas em caso de erro ou atraso nas informações. Ora, como o sistema é complexo, erros são possíveis e com boa fé. Atrasos também, pois os formulários equivalem a câmaras de tortura, principalmente com as informações trabalhistas. O SESCON vê avanço no sistema digital, pois elimina a papelada. O problema é a urgência, desnecessária. E espera do governo um mínimo de sensibilidade para adiar por mais tempo a implantação do programa. Se não adiar, fica configurado que o governo quer mesmo é arrecadar. E dos menores, para não fugir à regra.
Conselho aos políticos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos. Hoje, reforça o conselho anterior. A pedidos.
1. Atentem para o ciclo que o país está vivendo. Cuidado com mais lenha na fogueira. O eleitor prepara-se para ouvir propostas. E não quer participar de querelas entre candidatos.
2. Este é o momento de planejamento de suas campanhas. Procure formar boa equipe, arrumar discurso eficaz, conseguir recursos necessários a uma boa luta e, desde já, disponha-se a gastar sola de alguns sapatos.
3. Leve verdade, muita verdade, para os eleitores. Só prometa o que poderá realizar.
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(Gaudêncio Torquato)
domingo, 23 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
LIRA NETO - ACADÊMICO HONORÁRIO DA AMLEF
É com emocionada alegria que anuncio: o mais destacado biógrafo brasileiro da atualidade, Lira Neto, será agraciado com o título de Acadêmico Honorário da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - AMLEF.
O Fortalezense Lira Neto – que nos últimos anos ganhou notoriedade nacional com a publicação de livros biográficos calcados em rigorosas pesquisas – há muito tempo é merecedor do reconhecimento dos militantes das letras de seu estado de origem.
Cursou Filosofia (Faculdade de Filosofia de Fortaleza), Letras (Universidade Estadual do Ceará) e Jornalismo (Universidade Federal do Ceará). Como jornalista, começou como revisor do Diário do Nordeste e posteriormente transferiu-se para o jornal O Povo, no qual ocupou entre outras funções as de repórter especial, editor de cultura e ombudsman.
Radicado hoje na cidade de São Paulo, possui artigos, entrevistas e reportagens publicados em alguns dos principais jornais e revistas do Brasil.
Em 2007, foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria melhor biografia do ano, pelo livro O inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar ou a mirabolante aventura de um romancista que colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil (Editora Globo).
Grandes vultos da história brasileira – como Getúlio Vargas, Padre Cícero Romão Batista e Maysa – tiveram dados inéditos de suas trajetórias revelados sob as tintas da expertise jornalística de Lira Neto.
A AMLEF, ao inserir João de Lira Neto em sua galeria de honra, assume a vanguarda desse sarau de louvor ao mérito. É o primeiro sodalício de letras cearense que formaliza esse preito.
Parabéns ao acadêmico Gonzaga Mota, nosso Diretor Cultural, pela idéia!
Parabéns a todos os membros da AMLEF!
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