sábado, 27 de março de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

Conversa de jardim

Manuel Ribas, interventor no Paraná (1932/35), depois governador (1935/37), despachava no palácio, mas gostava de morar em sua casa. Bem cedinho, chega um rapaz e encontra o jardineiro regando o jardim:

- Seu Ribas está? Sou filho de um grande amigo dele. Meu pai me mandou pedir um emprego a ele. Eu podia falar com ele?

- Poder, pode. Mas, e se ele não lhe arrumar o emprego?

- Bem, meu pai me disse que, se ele não arranjasse o emprego, eu mandasse ele à merda.

- Olhe, rapaz, passe às 4 da tarde lá no palácio, que é a hora das audiências, e você fala com ele.

Às 4 horas, o rapaz estava lá. Deu o nome, esperou, esperou. No salão comprido, sentado atrás da mesa, o jardineiro. Ou seja, o governador. O rapaz ficou branco de surpresa.

- O que é que você quer mesmo?

Repetiu a história. "Meu pai me mandou pedir um emprego ao senhor".

- E se eu não arranjar o emprego?

- Então, seu Ribas, fica valendo aquela nossa conversa de hoje de manhã, lá no jardim.

Corrida ao Planalto - Cenário Barriga Cheia

Este consultor se permite produzir ligeiros cenários na direção do Planalto. O primeiro aponta para a Barriga Cheia. Neste cenário, massas confortáveis. Gente satisfeita. Grupos numerosos comemorando avanços do bolso. Sem grandes novidades, mas ambiente denotando segurança e tranquilidade. Neste cenário, o cavalo de Dilma Rousseff corre na frente. O animal, sem aperto na barriga, dispara deixando outros contendores atrás. Dá uma parada aqui e ali para tomar fôlego, beber água no poço, respirar o ar fresco e comer um capinzinho. Lula fica à espera na cocheira de chegada. Ele mesmo é o dono de estupendos estoques de água e capim.

Corrida ao Planalto - Cenário Cuca Quente

O cenário Cuca Quente flagra massas insatisfeitas, intranquilas, inseguras e com o estômago apertado. Pode ser que alguns estratos estampem amplos sorrisos e tranquilidade. Mas a maioria denota inquietude. Não se conforma com o estado geral das coisas : carestia, violência, muita chuva aqui e falta de água acolá, greves, cidades sem controles. Esta ambientação social impulsiona candidatos da oposição. Que simbolizam a mudança de um status quo negativo, feio, ruim, perverso. José Serra levaria vantagem sob esse desenho. A contrariedade social tende a favorecer perfis que simbolizem esperança de melhoria, bem-estar. Ou seja, quando o Produto Nacional Bruto da Felicidade é baixo, expande-se a viabilidade de quem tem condições de soerguê-lo.

Corrida ao Planalto - Cenário Mosaicos Coloridos

No cenário Mosaicos Coloridos, há grupos de todos os calibres e gostos. Há turmas que estão muito satisfeitas com a situação; há núcleos muito revoltados contra o desgoverno, a insegurança, a corrupção; há contingentes que não se conectam à política; há eleitores que agem no calor da hora, sob impulso do momento; há um eleitorado tradicional, fiel, que vota sempre nos nomes apoiados pelas lideranças locais; há uma esfera moderna, antenada nas questões mais filosóficas (portanto, muito racional); e há grupos que mudam de esfera e referências ao sabor das circunstâncias. Nesse cenário, leva a melhor quem tem o maior pincel e a maior carga de tinta para pintar a parede de mosaicos. Geralmente, o tom predominante na parede é de quem domina as maiores estruturas do poder. Tirem suas conclusões.

As chances de Dilma

As chances de Dilma dependerão muito do estado geral de satisfação social. É claro que, em determinado momento, se desenvolverá um processo de distinção entre a cria e o criador. O eleitor vai concluir: Dilma não é Lula. Nesse momento, poderá ocorrer uma ruptura com tendência a certo desligamento. Mas o processo estará também atrelado às atitudes, comportamentos, gestos, palavras da candidata. Qualquer tropeço no meio do caminho arrefecerá suas forças. Contra ela, somam-se fatores como inexperiência, falta de tato político, desenvoltura comunicativa, carência de visão global do país. Se lógica, porém, fosse fator decisivo de campanha, ela teria grandes chances.

As chances de Serra

As chances de José Serra dependerão de sua capacidade de mostrar que os avanços, sob sua presidência, serão mais consistentes e duradouros. Ele tem mais experiência que Dilma. Mas a experiência só funciona como laço eleitoral caso passe pelo efeito demonstração. Ou seja, não adianta apenas ser apresentado como experiente, testado. No caso do pleito federal, urge mostrar e comprovar que as coisas poderão ser melhores. Serra é um perfil que mergulha no poço da racionalidade. Sua peroração é uma aula. Didática, mas monótona. Tem contra ele, portanto, uma pequena vela emotiva. Cuja chama só se acende depois de muitas tentativas.

As chances de Marina

Marina será uma folha verde entre as paisagens vermelha, dos petistas, e azul/amarelo, dos tucanos. Será um símbolo. E pode captar a simpatia de um grupo que certamente ostentará a folha verde na lapela.

As chances de Ciro

Ciro Gomes é a boca que jorra chumbo e fogo. Por isso, terá sempre alguém para ouvir seus tiros. Mas quem atira muito passa a ser temido. Não respeitado. Ciro é um arremedo de Lampião político. Enfeite-se o pindacearense (fusão de Pindamonhangaba e Ceará) com um chapéu de cangaceiro e uma cartucheira cheia de balas para se chegar ao Lampião contemporâneo. Como tal, faz muito barulho no palco.

Aliás...

Aliás, Ciro anda trombeteando: "serei o próximo presidente do Brasil". Meu Deus do céu... quanta lorota! A não ser que Brasil seja um novo time do Ceará.

Lula na ONU?

Essa notícia saiu na mídia internacional. Lula estaria com um olho na Secretaria Geral da ONU. Depois de seu périplo no Oriente Médio, onde deitou e rolou nas sugestões e orientações, passei a acreditar que o cara efetivamente poderia se encantar com o cargo. Mas o desmentido veio logo. Lula não quer a coisa. Fiquei imaginando: por quê, por quê? A proposta foi de Sarkozy. Caiu a ficha. O marido de Carla Bruni quer vender os caças franceses ao Brasil. Encheu o peito de Lula de bajulação. Passei a acreditar no desmentido após ler nas entrelinhas: um secretário-geral da ONU sem saber expressar uma frase em inglês?

Instituto Lula

Por isso, acho mais viável e útil a ideia de Gilberto Carvalho, secretário particular do presidente: o Instituto Lula. Onde o mandatário de grande popularidade poderá abrigar a agenda, as interlocuções, os eventos etc. E se preparar para as próximas jornadas. Lula está longe de uma aposentadoria. O cara gostou do néctar do poder. Que desceu da garganta para o coração, depois de invadir os neurônios.

"Há só duas coisas que me incutem respeito: o céu estrelado sobre mim e a consciência moral dentro de mim." (Kant)

Gilmar fala duro

Esse presidente do STF fala duro. Não teme expressar opiniões. Inclusive as mais contundentes. Atira para todos os lados. Diz com ênfase: "Constituição não comporta controle de mídia". Depois dessa, aquele grupo que deseja manietar os meios de comunicação só tem uma alternativa: enfiar a viola no saco.

PMDB prepara ideário

O PMDB vai apresentar seu Ideário ao país nas próximas semanas. Trata-se de um Documento onde estarão descritas as Diretrizes para um programa de governo. Na primeira reunião do Grupo, comandada pelo presidente do partido e da Câmara, Michel Temer, as coordenadas foram postas à mesa. Nelson Jobim fez interessante pontuação. Segundo ele, o PMDB tem ministros no governo, mas não está no governo. Relação de Lula com ministros do PMDB: próxima de 10. Relação do PMDB com outros ministros ou com gestão : próxima de zero. Mangabeira Unger apimentou a reunião, dizendo que o Documento não poderia ser uma "coleção de platitudes". Cada membro do Grupo fará suas sugestões e até dia 15 de abril deverá ser produzido um Documento com a consolidação das contribuições.

"Os velhos amigos são os melhores. O rei Jonas costumava pedir os seus velhos sapatos porque eram mais folgados para os seus pés". (John Selden, jurista inglês)

Senado peemedebista

As previsões apontam para um PMDB com uma grande bancada de senadores. Das 54 vagas em jogo, este ano, o partido deverá eleger cerca de 20, dos quais 14 a 15 serão senadores reeleitos. O PSDB e o DEM deverão ter bancadas menores, 10 e 8, respectivamente. O PT deverá fazer a segunda maior bancada.

Cabral, o redentor do Rio


Sérgio Cabral foi salvo pelo maremoto do pré-sal. O governador estava sem discurso. Não sabia o que dizer. Fernando Gabeira se preparava para dar um bote na vaga de governador do Rio de Janeiro. E aí apareceu o maremoto, que foi a emenda Ibsen Pinheiro, tirando a grana – R$ 8 bilhões – do Rio. Cabral verteu lágrimas. O público viu. E muitos aplaudiram. "Querem roubar o Rio, querem roubar o Rio". Comandou uma passeata de 80 mil pessoas. Para resgatar a grana do pré-sal e salvar o Rio de Janeiro. Mas essa grana só virá daqui a 5, 6, 7 anos. Pois é. Tudo ficará como dantes no quartel d’Abrantes. Mas Cabral, a esta altura, posa de Redentor do Rio, ao lado de outro Redentor, o Cristo do Corcovado.

"O gênio sem caráter nada vale". (Anatole France)

Arruda joga a toalha?


José Roberto Arruda jogou a toalha. Sai da vida pública. Deixa o cargo de governador, claro, depois de ser jogado na lama do lago Paranoá. Arruda imagina que seu gesto poderá aliviar a mão da Justiça. Amanhã ou depois de amanhã, quem sabe, ele poderia contornar as curvas da decisão. Pois o Brasil é um país da provisoriedade. Nada, por aqui, é definitivo.

Pegando fogo

A relação entre PMDB e DEM em Santa Catarina está pegando fogo. O DEM deixou o governo comandado por Luiz Henrique.

PACPEL


Mídia alerta: 54% do PAC ainda não saiu do papel. Mais vale a versão do que o fato?

Segurança privada


Entre 25 e 27 de março, o setor da segurança privada se reunirá no VI FESP – Fórum Empresarial de Segurança Privada do Estado de São Paulo, que será realizado em Itapeva, Minas Gerais. O objetivo do SESVESP (Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo), ao promover este evento, é reunir os empresários do setor para discutir as tendências do mercado de segurança e gestão de empresas. Entre os temas, o cenário político-econômico dos próximos anos e os entraves que afetam o setor. "Precisamos traçar estratégias para combater o crime e nos antecipar ao cenário econômico para manter a nossa atividade, principalmente neste momento em que a clandestinidade mais afeta nosso segmento", enfatiza José Adir Loiola, presidente do Sindicato.

Pacotão de Obama

Obama conseguiu, ufa, a aprovação do pacotão da saúde. Todos os americanos terão, doravante, um programa público de saúde. Sob outro olhar : o Estado americano entra mais forte na vida das pessoas. Conclusão : ocorre, sim, grande mudança de paradigma.

"Quando eu disse ao coração da laranja que dentro dela dormia um laranjal, ele me olhou estupidamente incrédulo". (Hermógenes)

Revisão da agenda tributária

Os constantes problemas operacionais no sistema da Receita Federal levaram o Sescon de São Paulo a solicitar ao órgão a revisão da agenda tributária, a redução das multas aplicadas e a melhor equalização dos prazos. A multa por obrigação que não for entregue no prazo é de R$ 5 mil. "Os atrasos são motivados principalmente por problemas com o sistema da Receita, que muitas vezes se apresenta instável, inoperante ou fora do ar. Devido ao volume de acessos, o site não suporta a demanda e o contribuinte é quem paga pela falha, pois o governo não prorroga prazos e tampouco o isenta das multas", diz José Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo.

Conselho aos tucanos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos pré-candidatos aos governos dos Estados. Hoje, volta sua atenção aos tucanos:

1. Arrumem, logo, logo, um discurso denso para que Serra tenha o que dizer nas próximas semanas, quando deverá iniciar o longo percurso.

2. Procurem evitar platitudes, generalidades e abstrações. Sob a indagação central: qual o programa para o país? Como e onde avançar?

3. Procurem mobilizar a sociedade organizada na busca dos focos de ação e atuação. Muito cuidado com as ideias de gaveta.


(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 24 de março de 2010

PADRE CÍCERO


Celebra-se hoje o aniversário de Cícero Romão Batista, o mitológico Padim Ciço, nascido em 24 de março de 1844.

Li, há poucos dias, a biografia do Padre Cícero escrita prlo jornalista Lira Neto.

Trata-se de um labor de escol, esforço cuidadoso e louvável dedicação com o fito de produzir a mais imparcial reconstituição da trajetória do mais marcante líder religioso do Nordeste. Recomendo.

Nestes tempos em que o respeito ao meio ambiente ganha relevo, vale a pena relembrar os MANDAMENTOS ECOLÓGICOS do Padim Ciço:



1. "Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau.

2. Não toque fogo no roçado nem na caatinga.

3. Não cace mais e deixe os bichos viverem.

4. Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer.

5. Não plante em serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé: deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza.

6. Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água da chuva.

7. Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta.

8. Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só.

9. Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba,a favela e a jurema; elas podem ajudar a você a conviver com a seca.

10. Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo ter sempre o que comer.

11. Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só."

terça-feira, 23 de março de 2010

A CARTA DE ARRUDA


José Roberto Arruda encaminhou carta ao Tribunal Regional Eleitoral para informar que não deve recorrer da decisão que cassou o mandato dele de governador do Distrito Federal por infidelidade partidária. Em carta, ele diz que “mesmo certo de seu direito”, recorrer da decisão seria "prolongar o drama". A informação é do portal do Estadão.

O ex-governador distrital disse que deve responder os demais processos contra ele como cidadão comum. Em carta, ele ainda cita todos os seus projetos de governo e pede aos sucessores que suas obras não sejam interrompidas.

Arruda é acusado, em inquérito da Operação Caixa de Pandora, de comandar e ser beneficiário do "mensalão do DEM", esquema de corrupção que envolve secretários de Estado, assessores e deputados distritais. Ele está preso há mais de um mês na Superintendência da Polícia Federal por tentativa de suborno a uma das testemunhas do caso. O TRE-DF cassou o mandato de Arruda porque ele pediu desfiliação do DEM, legenda pela qual foi eleito, em dezembro de 2009, após a cúpula do partido ter anunciado que o expulsaria.

"Não tenho a culpa que querem me imputar. Resisti a um inquérito que já ultrapassa 180 dias. Suportei as pressões, as traições, os flagrantes montados, as farsas, as buscas e apreensões, os vazamentos de documentos para fomentar o escândalo, o abandono do Democratas, a prisão, 180 dias de inquérito, 40 dias de prisão. E até agora eu não fui ouvido uma única vez!", reclama Arruda na carta.

Arruda foi preso no dia 11 de fevereiro por determinação do STJ, por ter tentado, supostamente, corromper uma testemunha envolvida na operação. Outras cinco pessoas estão presas pelo mesmo motivo. O Supremo Tribunal Federal já negou pedido do ex-governador de responder o processo em liberdade. Na Câmara Legislativa, o processo de impeachment que corre contra ele deve ser suspenso. E o Superior Tribunal de Justiça não precisa mais de autorização do legislativo para abrir Ação Penal contra ele.

Leia a carta

"Ao agradecê-los pelo trabalho que têm feito na minha defesa nas diversas frentes, com o apoio de competentes e leais colegas de profissão, desejo manifestar, em especial à Dra. Luciana Lossio, que sustentou a nossa defesa no TRE - o meu desejo de não recorrer ao TSE, mesmo consciente do nosso bom direito.

Não tenho a culpa que querem me imputar. Resisti a um inquérito que já ultrapassa 180 dias. Suportei as pressões, as traições, os flagrantes montados, as farsas, as buscas e apreensões, os vazamentos de documentos para fomentar o escândalo, o abandono do Democratas, a prisão, 180 dias de inquérito, 40 dias de prisão.

E até agora eu não fui ouvido uma única vez! Neste final de semana, imobilizado na cama de uma cela, pensei muito sobre tudo isso e, sobretudo, nos dois mais recentes episódios: a decisão do TRE e o cateterismo a que me submeti, confirmando uma doença coronariana que eu não tinha antes de enfrentar essa luta.

Pensei na minha família, nos amigos de verdade, no trabalho que fizemos por Brasília nesses 3 anos, nas 2000 obras, nas 200 escolas de educação integral, nas 1000 novas salas de aula, no novo sistema viário, pistas, duplicações, viadutos, nas 12 cidades mais pobres que há 20 anos esperavam por asfalto, esgoto, escolas, centros de saúde, vilas olímpicas, postos policiais, nos condomínios regularizados, enfim, em tudo que fizemos para colocar ordem na cidade e nas contas públicas. O fim das vans piratas, das invasões, os 2000 ônibus sem nenhum aumento de passagens - 3 anos de governo sem nenhum aumento de passagem - os parques, o Noroeste (bairro), os 65.000 pais de famílias empregados nas obras do governo.

E concluí que posso ajudar mais Brasília, no seu aniversário de 50 anos, com a minha ausência do que com a minha presença. Divergem-se os conflitos e as paixões. Por isso decidi solicitar a vocês, meus advogados, que não recorram ao TSE, apesar do bom direito que vos assiste. Recorrer seria prolongar o drama.

Acatando a decisão do TRE. Responderei os processos como cidadão comum, longe das paixões e dos interesses políticos. Saio da vida pública.

Espero, apenas, que meus sucessores não deixem que as obras sejam interrompidas, todas já com recursos assegurados e na sua fase final. As obras não são minhas, são da cidade.

Sou grato a toda a minha equipe de governo que, com eficiência e determinação, foi fundamental no cumprimento dos nossos objetivos.

Sou grato, também, a Sua Exa o Sr. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e ao seu governo, sem cujo apoio não teríamos feito tudo que fizemos.

Com a paz que já me assiste neste momento de despedida, lembro que "há homens livres nas celas e homens presos nas ruas" - O meu corpo-matéria sofre desgastes, mas nunca tive tanta liberdade de espírito.

Leio, em Eclesiastes: "Sabedoria é a capacidade de discernir a verdade por trás das aparências. Quem é capaz disso não se perturba diante dos conflitos". Pode demorar, mas a verdade se estabelecerá. Tenho fé que serão identificados os interesses que contrariei, as propostas indecorosas que não aceitei, os hábitos que repeli.

A vida é cíclica. Já vivi altos e baixos. Aplausos e vaias. Vitórias e derrotas. Vida que segue.

Serei eternamente grato à grande parte da população que me elegeu e que me apoiou mesmo nos momentos mais difíceis. Peço ainda que transmitam meus agradecimentos ao dr. Alckmin, dr. Gerardo Grossi, dr. Bulhões e dr. Ferrão.

Agradeço também, ao verdadeiros amigos, às correntes de oração e especialmente à Flávia, de cuja coragem, carinho e amor verdadeiro retirei as forças necessárias para superar tantos obstáculos.

Não posso negar que a doença coronariana que me levou ao cateterismo - e agora a cuidados especiais - foi variável importante nesta decisão. Já vivi o bastante para saber que as razões políticas muitas vezes ultrapassam os limites do Direito - e que a humildade de saber parar pode valer mais que a mais triste e destemida insistência.


(Fonte: CONJUR)

segunda-feira, 22 de março de 2010

HOJE É O DIA MUNDIAL DA ÁGUA


A Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a resolução A/RES/47/193 de 22 de fevereiro de 1993, através da qual 22 de março de cada ano seria declarado Dia Mundial das Águas (DMA), para ser observado a partir de 93, de acordo com as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento contidas no capítulo 18 (sobre recursos hídricos) da Agenda 21. E através da Lei n.º 10.670, de 14 de maio de 2003, o Congresso Nacional Brasileiro instituiu o Dia Nacional da Água na mesma data.

Os Estados foram convidados, como fosse mais apropriado no contexto nacional, a dedicar o Dia a atividades concretas que promovessem a conscientização pública através de publicações e difusão de documentários e a organização de conferências, mesas redondas, seminários e exposições relacionadas à conservação e desenvolvimento dos recursos hídricos e/ou a implementação das recomendações da Agenda 21.

No mês em que se comemora o Dia Mundial da Água, é preciso lembrar que, em diversos lugares do planeta, milhares de pessoas já sofrem com a falta desse bem essencial à vida.
A água é um bem precioso e insubstituível. É um elemento da natureza, um recurso natural. Na natureza podemos encontrar a água em três estados: sólido (gelo), gasoso (vapor) e líquido. Ainda classificando a água ela pode ser: doce, salobra e salgada.

É de domínio público e de vital importância para a existência da própria vida na Terra. A água é um recurso natural que propicia saúde, conforto e riqueza ao homem, por meio de seus incontáveis usos, dos quais se destacam o abastecimento das populações, a irrigação, a produção de energia, o lazer, a navegação.

De acordo com a “Gestão dos Recursos Naturais da Agenda 21, a água pode ainda assumir funções básicas, como:

- Biológica: constituição celular de animais e vegetais.
- Natural: meio de vida e elemento integrante dos ecossistemas.
- Técnica: aproveitada pelo homem através das propriedades hidrostática, hidrodinâmica, termodinâmica entre outros fatores para a produção.
- Simbólica: valores culturais e sociais.

Muito se fala em falta de água e que, num futuro próximo, teremos uma guerra em busca de água potável. O Brasil é um país privilegiado, pois aqui estão 11,6% de toda a água doce do planeta. Aqui também se encontram o maior rio do mundo - o Amazonas - e o maior reservatório de água subterrânea do planeta - o Sistema Aqüífero Guarani.

No entanto, essa água está mal distribuída: 70% das águas doces do Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população. Essa distribuição irregular deixa apenas 3% de água para o Nordeste. Essa é a causa do problema de escassez de água verificado em alguns pontos do país. Em Pernambuco existem apenas 1.320 litros de água por ano por habitante e no Distrito Federal essa média é de 1.700 litros, quando o recomendado são 2.000 litros.

Mas, ainda assim, não se chega nem próximo à situação de países como Egito, África do Sul, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, Haiti, Turquia, Paquistão, Iraque e Índia, onde os problemas com recursos hídricos já chegam a níveis críticos. Em todo o mundo, domina uma cultura de desperdício de água, pois ainda se acredita que ela é um recurso natural ilimitado. O que se deve saber é que apesar de haver 1,3 milhão de km\3 livre na Terra, segundo dados do Ministério Público Federal, nem sequer 1% desse total pode ser economicamente utilizado, sendo que 97% dessa água se encontra em áreas subterrâneas, formando os aqüíferos, ainda inacessíveis pelas tecnologias existentes.

Políticas públicas e um melhor gerenciamento dos recursos hídricos em todos os países tornam-se hoje essenciais para a manutenção da qualidade de vida dos povos. Se o problema de escassez já existente em algumas regiões não for resolvido, ele se tornará um entrave à continuidade do desenvolvimento do país, resultando em problemas sociais, de saúde, entre outros.

O país está tomando medidas concretas para impedir esse futuro, entre elas a criação da Agência Nacional de Águas, a sobreposição do rio São Francisco, adoção de técnicas de reuso de água e construção de infra-estrutura de saneamento, já que hoje 90% do esgoto produzido no país é despejado em rios, lagos e mares sem nenhum tratamento.

Segundo a Organização das Nações Unidas - ONU, 50% da taxa de doenças e morte nos países em desenvolvimento ocorrem por falta de água ou pela sua contaminação. Assim sendo, o rápido crescimento da população mundial e a crescente poluição, causado também pela industrialização, torna a água o recurso natural mais estratégico de qualquer país do mundo.

Para cada 1.000 litros de água utilizados, outros 10 mil são poluídos. Segundo a ONU, parece estar cada vez mais difícil se conseguir água para todos, principalmente nos países em desenvolvimento. Dados do International Water Management Institute - IWMI mostram que, no ano de 2025, 1.8 bilhão de pessoas de diversos países deverão viver em absoluta falta de água, o que equivale a mais de 30% da população mundial. Diante dessa constatação, cabe lembrar que a água limpa e acessível se constitui em um elemento indispensável para a vida humana e que, para se tê-la no futuro, é preciso protegê-la para evitar o futuro caótico previsto para a humanidade, quando homens de todos os continentes travarão guerras em busca de um elemento antes tão abundante: a água.

Devido à grande expansão urbanística, a industrialização, a agricultura e a pecuária intensivas e ainda à produção de energia elétrica - que estão estreitamente associadas à elevação do nível de vida e ao crescimento populacional - crescentes quantidades de água passaram a ser exigidas.

As crescentes necessidades de água, a limitação dos recursos hídricos, os conflitos entre alguns usos e os prejuízos causados pelo excesso de água exigem um planejamento bem elaborado pelos órgãos governamentais, estaduais e municipais, visando técnicas de melhor aproveitamento dos recursos hídricos. Além das responsabilidades públicas, cada cidadão tem o direito de usufruir da água mas o dever de preservá-la, utilizando-a de maneira consciente, sem desperdícios, assim dando o valor devido à água.

Use a água racionalmente, a fonte não pode secar!

(Fonte: portal ambiente brasil)

sábado, 20 de março de 2010

UMA MÚSICA

Raul Seixas pertenceu àquela geração de compositores e cantores brasileiros que mesclavam as melodias com mensagens de vida, lições consistentes, apelos profundos.

A música abaixo, que considero fantástica, se insere nesse rol. Preste atenção na letra. Sobretudo quando ensina que "basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo".

TENTE OUTRA VEZ

sexta-feira, 19 de março de 2010

APELO A SÃO JOSÉ



Glorioso São José.
Santo da minha devoção.
Não se esqueça de mandar,
Chuva pro meu sertão.
Aqui o povo é sofrido,
E carece de proteção.

Olho pro gado no pasto,
Tão magro tão desnutrido...
Parece que lambe pedra,
O verde foi destruído.
Só se vê nessas paragens,
Galhos secos retorcidos.

À vontade de trabalhar é grande.
A fé em Deus não é menor.
A gente só quer do senhor,
Uma ajudinha maior,
Pois o nordestino é forte,
Não economiza suor.

Dá uma tristeza danada,
Ver nosso açude secar.
Primeiro vira lama,
Depois se dana a rachar.
Os peixes vão se sumindo,
E os urubus a rondar.

É a miséria chegando,
É a chuva sem chegar,
É a oração e o pranto,
E o pobre sempre a rogar:
Glorioso São José,
Venha nos ajudar.


(Dalinha Catunda)

DE FLAVIANNA

Boa noite!!!

Não tenho palavras para descrever tamanha emoção ao ler suas palavras....

Fiquei muito feliz de ter minha pequena história reproduzida por um amigo do meu Pai.

Tenho certeza que meu pai está muito grato pela sua lembrança e homenagem.

Obrigada e parabéns pelo domínio da escrita tão comovente e cheia de emoções!


Abraço carinhoso da Família Loiola Lima.


Flavianna Lima


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Olá Júnior,

Gostaria nesse primeiro momento, de manifestar os meus emocionados e sinceros agradecimentos pela homenagem e pelo admirável relato que simboliza uma parte da história da família LOIOLA LIMA.

Já para você, minha irmã, gostaria de aproveitar o espaço para parabenizá-la pela determinação, pela sabedoria, pela humildade, e antes de tudo, pelo SER iluminado que você é.

Fica com as bençãos de DEUS, com a presença de nosso PAI que nos acompanha e nos ilumina, e com o apoio de nossa FAMÍLIA e AMIGOS.

"CONTINUA... O CÉU É O LIMITE"

Amo,


MAXMILLER.


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Parabéns pela matéria! Essa minha prima, é mesmo uma mulher de garra e coragem...
Bela matéria,continue assim 'Iana':)

bjo


Thávila Monniz

quinta-feira, 18 de março de 2010

FLAVIANNA LOIOLA LIMA


Nasci em pleno embaçamento do horizonte institucional do País. Vivia a locomotiva da Pátria à mercê dos solavancos militares, conduzida sob a bitola dos trilhos da exceção. Era um tempo que provocava a indignação. Ato heróico era resistir à ordem estabelecida. Privilegiava-se a revolta, pois toda a culpa das mazelas mundanas era debitada na conta dos detentores do poder.

Vivemos outros tempos. Descobrimos, como o cronista carioca, a ‘inutilidade da cólera’. Descobrimos também – pelo menos alguns – que o olhar mais profundo é aquele que mira para o mais íntimo de nós mesmos. Pois a purgação pessoal prescinde à paz social. Para a verdadeira “concertação” do mundo ou para que germine uma civilização fraterna e justa, mais importante do que vociferar sobre os defeitos alheios, é buscar corrigir as nossas próprias imperfeições. À Buda, procuro extrair de cada ser, inclusive dos contendedores, a pérola da virtude, a flor da bondade. E assim vivo a sondar exemplos reluzentes. Daí esta página, que invariavelmente traz à ribalta contornos descritivos de pessoas que, via de regra, cruzaram a linha serena da maturidade.

Decorre que hoje falarei de gente que exala o bálsamo da juventude. Esta crônica nasceu em Crateús, na segunda-feira do Carnaval deste 2010. Fui acudir um chamado afetuoso para uma dupla comemoração. Fabiano e Socorro Marques tinham motivos de sobra para convidar familiares e amigos: Larisse e Levi, filhos do casal, tinham obtido êxito em duas distintas etapas da vida educacional. Aquela, selecionada para cursar mestrado; este, classificado no vestibular para medicina da Universidade Federal do Ceará. Ao invés de um evento Dionisíaco, próprio da atmosfera carnavalesca, optaram por um ritual transcendente: uma celebração litúrgica seguida de um banquete fraterno. Impressionou sobremaneira a madureza do depoimento do Levi, um jovem de 18 anos, que declarou: - “Embora eu saiba que meus pais poderiam custear meus estudos em uma faculdade particular, resolvi lhes dar esse presente: passar em uma Universidade Pública. Acho que eles mereciam”.

Dentre as agradáveis figuras com que me deparei ali, destacou-se a dona Zenaide, uma jovem viúva que é proprietária do mais requisitado Buffet da cidade – o Favo de Mel – que, inclusive, fora contratado para coordenar o almoço. Flávio Lima, com quem era casada, foi meu companheiro de lutas estudantis e culturais no início da década de 1980, quando o saudoso professor José Ferreira de Oliveira atiçava a mocidade crateuense para os embates democráticos. Embora amante da introspecção, Flávio se viu arrastado pelo redemoinho da militância estudantil. Depois, resolveu se dedicar aos dois amores de sua vida: o trabalho e a família. A lanchonete “Favo de Mel”, que comandava, era um indefectível ponto de encontro dos prosadores da cidade. Há exatos três anos, em março de 2007, súbita e repentinamente ele se mudou para o espaço da meditação permanente. Tal qual uma guerreira destemida e impulsionada pelo mesmo amor culinário, sua consorte fez progressos negociais e zelou pela formação da prole.

A primogênita, Flavianna Loiola Lima, nascida em 1985, iluminada pela lâmpada do exemplo familiar, resolveu cursar Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Quando o pai faleceu, poderia ter se recolhido à intimidade do lar, rendendo-se à justificada dor que tomou conta de si e de seus entes queridos. Embora tenha passado um mês junto à família, em Crateús, resolveu seguir na batalha da existência e prosseguiu nos estudos. Assediada, como sói acontecer aos da sua idade, pelas tentações da facilidade hodierna, manteve-se no caminho originalmente definido.

No período de férias, ao invés de se entregar ao merecido lazer, aproveitava para fazer cursos. Um desses, ocorrido em Belo Horizonte, foi o curso de multiplicadores do PROPAN (Programa de Apoio à Panificação) que forma e seleciona consultores em nível nacional.

Ao término da faculdade, in continenti remeteu o currículo para a empresa. Também em uma resposta relâmpago, teve seu nome aprovado para fazer parte do grupo de consultores do PROPAN. Vinte minutos depois da sua aceitação, foi-lhe emitido um bilhete de passagem aérea e, hoje, através de uma empresa de consultoria que montou, vive nas asas de um avião pelo país afora, prestando serviços de consultoria e treinamentos para o setor de panificação e alimentação em geral.

Atuando majoritariamente no Sul e Sudeste, com ênfase em São Paulo, faz parte de um grupo de 80 consultores, onde detém respeito referencial: obteve o 2º lugar (dentre todos os consultores), ocasião em que foi premiada com um netbook.

Flavianna protagoniza uma dessas sagas difíceis de aclarar pelos estreitos caminhos de raciocínio que as nossas mentes estão acostumadas a percorrer. Deepak Chopra nomeou de Sincrodestino essa capacidade de decifrar o significado oculto nas coincidências da vida e que é capaz de operar milagres. Na obra “O andar do bêbado: como o acaso determina nossas vidas”, Leonard Mlodinow batizou de “teoria da aleatoriedade”, mostrando como os processos aleatórios são fundamentais na natureza e onipresentes em nossa vida cotidiana. Na linguagem religiosa, os santos verbalizam que é “o sopro do Espírito”.

Coincidência do destino, processo aleatório ou sopro do Espírito são formas diferentes de dizer a mesma coisa: quando, como lembra Valter Franco, se mantém “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”, ou seja, em sintonia com a energia superior que rege o universo, milagres acontecem. E quem se transforma em instrumento do prodígio adquire uma luz especial. Vira Gente que Brilha!


(Por Júnior Bonfim - na Revista Gente de Ação - março/2010)

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Olá Júnior,

Você sempre nos brinda com histórias de vida bem marcantes.

Certamente estas histórias servirão como exemplo para pessoas que pensam em seguir em frente mas esperam um empurrão, quando na realidade, cabe a cada um de nós correr em busca de nosso futuro.

Parabéns a Flavianna pela determinação, pelo sucesso alcançado e pelo exemplo de mulher que sabe o que quer.

Um abraço,

Dalinha

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Parabéns pela matéria. Essa minha sobrinha é uma nordestina de coragem, como todos nós somos, sem medo de enfretar os desafios.

Parabéns.


Martonia

segunda-feira, 15 de março de 2010

O QUE EU NÃO QUERO



"Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim,
que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame,
não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas
as pessoas que gosto, gostem de mim...
Nem que eu faça a falta que elas me fazem.

O importante pra mim é saber que eu,
em algum momento, fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível...
Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso
estampando em meu rosto,
mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz
para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...
E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém
também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar
de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou,
não pelo que tenho...

Que me veja como um ser humano completo,
que abusa demais dos bons sentimentos
que a vida lhe proporciona,
que dê valor ao que realmente importa,
que é meu sentimento... e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude,
para que eu nunca cresça,
para que eu seja sempre eu mesmo.

Não quero brigar com o mundo,
mas se um dia isso acontecer,
quero ter forças suficientes para
mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor,
e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar,
amanhã será outro dia, e se eu não desistir
dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito
e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança
ser abalada por palavras pessimistas ...

Que a esperança nunca me pareça um "não"
que a gente teima em maquiá-lo de verde
e entendê-lo como "sim".

Quero poder ter a liberdade de
dizer o que sinto a uma pessoa,
de poder dizer a alguém o quanto ele
é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros ...
Sem correr o risco de ferir uma
ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer
às pessoas que nada foi em vão ...
que o amor existe, que vale a pena
se doar às amizades a às pessoas,
que a vida é bela sim,
e que eu sempre dei o melhor de mim... valeu a pena!!!

(Mário Quintana)

sexta-feira, 12 de março de 2010

FEIRA CIRCULANDO LIVROS


A Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho (SABi), PC Cultura é para todos, convida a todas e a todos os crateuenses para mais uma edição da Feira Circulando Livros, sábado e domingo próximos, dias 13 e 14.03.2010, a partir das 18 horas, na Praça do Anfiteatro.

Serão ofertados, como sempre, livros de autores crateuenses e da literatura nacional e mundial, poesia, conto, romance, filosofia, religião, literatura infantil e muitas revistas em quadrinhos e mangás. Seja qual for o seu gosto literário, com certeza lá você conseguirá satisfazê-lo. O preço, todos sabem, vai de R$ 0,20 a R$ 5,00 – mais acessível impossível.

No sábado, a atração musical fica por conta do Bê-a-Bá do Forró. No domingo, é a vez de reunir todos os amigos da noite: Ernesto e Ivonete, Sílvio Holanda, Lílian, João Alfredo, Marcília Brandão, Erasmo, Socorro Malveira, Manoelzinho, Cláudia, e muitos outros.

Venha, traga a família, os amigos... Vamos ajudar a melhorar a cultura em nosso município.

A Feira Circulando tem o apoio da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, através do Prêmio Areté, e do Prêmio Pontos de Valor, que tem a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

http://sabicrateus.blogspot.com

quarta-feira, 10 de março de 2010

TSE TEM NOVO PRESIDENTE


O ministro Ricardo Lewandowski foi eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral. A eleição ocorreu na sessão plenária de terça-feira (9/3). Ele vai suceder no cargo o ministro Carlos Britto e será responsável por organizar o processo eleitoral deste ano. Seu mandato vai até 2012. A data da posse ainda não foi anunciada.

De acordo com a Constituição Federal, o TSE é composto por três ministros do Supremo Tribunal Federal, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também são escolhidos pelo STF dois advogados, que são nomeados pelo presidente da República. A presidência da corte é sempre ocupada por um dos representantes do STF.

Após a eleição, o ministro se mostrou confiante sobre os desafios que enfrentará em 2010. Ele se comprometeu em cumprir a missão do TSE nessas eleições. “Tenho certeza de que estaremos à altura das honrosas tradições desta Casa e da Justiça Eleitoral e que propiciaremos a todos os cidadãos e a todos os candidatos uma eleição tranqüila e que chegará a bom termo”, disse.

Lewandowski integra o TSE há quatro anos, quando ingressou como ministro substituto. Após a renúncia do ministro Joaquim Barbosa ao cargo de ministro da Corte por motivos de saúde, ele tornou-se membro efetivo.

Aos 61 anos, é mestre, doutor e livre-docente em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e Master of Arts em Relações Internacionais pela Fletcher School of Law and Diplomacy, da Tufts University, administrada em cooperação com a Harvard University. Também é professor titular da Faculdade de Direito da USP.

Nascido no Rio de Janeiro, foi nomeado juiz do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo pelo quinto constitucional da advocacia. Chegou a desembargador do Tribunal de Justiça do mesmo estado. Foi nomeado ministro do Supremo em 2006.

A próxima presidente

A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha ocupa o cargo de vice-presidente de Lewandowski e é a próxima a assumir o comando do TSE. Após a eleição desta terça, Cármen Lúcia agradeceu a confiança de seus colegas. A ministra declarou que irá continuar o trabalho de administração do tribunal, que classificou como “competente e séria”.

Assim como Lewandowski, ele chegou ao STF em 2006. Dois anos depois, tornou-se ministra substituta no TSE. Antes de ingressar no Judiciário, foi procuradora do Estado de Minas Gerais. No governo de Itamar Franco, foi procuradora-geral do Estado.

Também já atuou como professora titular de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, membro da Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. É membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros.

Ela nasceu em Montes Claros (MG) e se formou em direito pela PUC-MG. Tornou-se mestre em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e cursou doutorado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Com informações da Assessoria de Imprensa do TSE.

(Fonte: CONJUR)

terça-feira, 9 de março de 2010

TRÊS ANOS SEM O FUNDADOR DO "PAÍS DOS MOURÕES"

No dia 09 de março de 2007 o Brasil perdia o seu maior poeta: Gerardo Mello Mourão.

É com emocionada alegria que ocupo, na Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - AMLEF, a cadeira que tem como patrono o vate das Ipueiras.

Nas postagens abaixo, dois textos que remetem à sua iluminada figura de abrasado acendedor de polêmicas, inflamado construtor de poemas e lúdico fundador de país.

GERARDO MELLO MOURÃO


GERARDO MELLO MOURÃO

Tornou-se lugar comum, entre os militantes das letras, a afirmação de que quanto mais nos aprofundamos no local, mais nos tornamos universal. Fernando Pessoa foi um expoente dessa tese quando cantou que o rio mais belo do mundo era o que corria pela sua aldeia.
Sucede que o patrono da minha cadeira foi além dessa assertiva. Gerardo Mello Mourão, nascido no pé da Serra da Matriz, nas Ipueiras, soube dialeticamente combinar, de forma magistral e em linguagem incomparável, o arcabouço telúrico do ‘local’ e o manancial germinador do ‘universal’. Como ele próprio afirmou, cantou “as gitiranas das Ipueiras em Jerusalém, em Belém, no Pará, e em Belém de Judá, no lago de Tiberíades, no Mar Morto, na feira de Cafarnaum e na Cripta de Nazaré, onde o arcanjo Gabriel anunciou à Virgem o nascimento de Jesus”.

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Quando ainda perambulava pelo jardim da infância, Mello Mourão foi levado para estudar em Crateús, onde teve como professor o prodigioso Padre Solon Farias, que “foi o primeiro homem a me dar a impressão de uma pessoa prodigiosamente inteligente e cheia de saber”. Padre Solon, percebendo a genialidade do menino Gerardo, convenceu a mãe a mandá-lo para o Sul. Alguns parentes do poeta encamparam a idéia, dentre entre eles Chagas Barreto, um promissor industrial de então, que se exaltou: "Leve o menino. Este menino vai ser um profeta, e ninguém é profeta em sua terra".
O próprio Gerardo conta os passos seguintes: “Depois, foi o mundo. O grande e estranho mundo. O Seminário holandês nas montanhas de Minas. Cresci e prosperei à sombra dos profetas barrocos do Aleijadinho, em Congonhas do Campo. Cresci pouco e prosperei menos. Depois, o Convento da Glória, a tomada de hábito em Juiz de Fora, onde o jovem clérigo, cumpridos os fervorosos estudos do latim e do grego, da Retórica e da Poesia, da Música, das Línguas vivas e mortas, das ciências e das artes — um verdadeiro curriculum de trivium e quatrivium, como se usava nos mosteiros medievais — era iniciado no conhecimento, na teoria e na prática da Ascética.
Em seguida, deixou o menino a sombra do claustro, a serena beleza de suas vestes talares de clérigo de Santo Afonso, a celestial harmonia do canto gregoriano e o odor dos incensos sagrados nos turíbulos rituais.

Caiu, então, no outro mundo, nesse triângulo das Bermudas em que desaparecemos, no abismo de cada dia, no trinômio de perigo e perdição e angústia, onde estão os aguilhões do quotidiano, a que os doutores da fé chamam de "os três inimigos do homem: — o mundo, a carne e o diabo". Entre esses três inimigos, o menino passou a viver perigosamente, por vocação e por aprendizado. Nietzsche, um dos mestres de sua adolescência, e ainda hoje um companheiro das horas temerárias do pensamento, acendeu-lhe a paixão de viver perigosamente — única forma pela qual o homem pode escapar às dimensões menores, que levam à vala comum”.

AVENTURAS

“Conheceu e terçou armas — todas as armas — com o Senhor Diabo, com o Senhor Mundo e com a Senhora Carne. Conheceu a política, com suas glórias efêmeras, sua ambição de construir, a mais de sua história pessoal, a história da sociedade. Conheceu o poder e a queda. Subiu à tribuna dos parlamentos e freqüentou os palácios das salas de passos perdidos do poder. Venho de longe, de muito longe. Venho do subterrâneo das conspirações e dos golpes armados contra a tirania. Venho do fundo dos cárceres de duas ditaduras e comi, como o Dante, o sal do exílio, depois de fugir rocambolescamente aos esbirros da repressão, atravessando as fronteiras temerárias do Paraguai, para viver durante alguns anos entre a cordilheira e o mar, no doce e querido país do Chile”.
O país em que viveu mais tempo, no exterior, foi o Chile, onde deu aulas na Universidade Católica de Valparaíso. Na década de 1980, morou em Pequim, na China, onde foi correspondente do jornal Folha de São Paulo. Mais precisamente, foi o primeiro correspondente brasileiro e sul-americano na China.


OBRAS

Entre os seus livros mais importantes, destacam-se: O Cabo das Tormentas (1950); O Valete de Espadas (1960); a trilogia poética Os Peãs, composta pelos livros O País dos Mourões (1963), Peripécias de Gerardo (1972) e Rastro de Apolo (1977); A Invenção do Saber (1983); a epopéia Invenção do Mar (1997 - Prêmio Jabuti de 1999); Cânon e Fuga (1999); Os Olhos do Gato (2001) e O Bêbado de Deus (2001) e O Nome de Deus (obra póstuma in: Confraria 2 anos, 2007).

RECONHECIMENTOS

Carlos Drummond de Andrade declarou-se "possuído de violenta admiração pelo imenso, dramático e vigoroso painel" da poesia de Gerardo, pois sabia do incomensurável manancial telúrico do magnífico do bardo de Ipueiras, que "atestará para sempre a grandeza singular e a intensidade universal da poesia". "— Esta poesia — escreveu ele — foi tudo quanto sempre desejei escrever na vida, e nunca tive força. Gerardo Mello Mourão teve".
E Ezra Pound assentou: — "Toda a minha obra foi uma tentativa de escrever a epopéia da América. Não o consegui. Ela foi escrita no poema espantoso do poeta do País dos Mourões".
Pela magnitude de sua obra, Gerardo Mello Mourão foi indicado por uma Universidade Americana, em 1979, para o Prêmio Nobel de Literatura.
Em 1997, a Guilda Órfica Européia, uma secular irmandade internacional de poetas, o elegeu o poeta do século XX.

GERARDO POR MELLO MOURÃO

"Sou católico, apostólico, romano. Acho que as pessoas de outras religiões têm as mesmas chances de salvação. Sou cearense há mais de quatrocentos anos. Sou casado, fui viúvo. Tenho três filhos, o que acho muito importante, pois creio, como está no Credo de Santo Atanásio, na ressurreição da carne. E os filhos são a prefiguração da ressurreição da carne. Amo as alegrias do corpo e da alma. Mas estou afetado pela tristeza existencial (ou será ontológica?) do ser humano, pois sei, como Léon Bloy, que a maior desgraça que pode ocorrer ao ser humano é a desgraça de não ser santo. Eu não sou santo. Esta é a tristeza medular de minha vida. Pois nasci e fui criado para ser santo e manter intacta a imagem e semelhança de Deus. Tal qual a tinha em meu dia de nascimento, a 8 de janeiro de 1917, em Ipueiras, no Ceará, e na data de meu batismo, quatro dias depois providenciado pelos cuidados pressurosos de minha mãe, no dia 12 do mesmo mês, ministrado na Igreja de Nossa Senhora da Conceição por nosso primo, Monsenhor José de Lima. Minha mãe era uma pessoa dramaticamente religiosa. Eu tinha um irmão mais velho. Minha mãe leu na vida de São Luís Gonzaga, que sua mãe Branca de Castela, fizera um voto a Deus: queria ver seu filho morto antes que cometesse um único pecado mortal. Quando meu irmão morreu, ela se convenceu de que seu voto o matara. E retirou de mim a promessa terrível. Resultado: estou vivo e fui maculado por quase todos os pecados mortais, os chamados pecados mortais. Quem quiser que os imagine. Etc."

POETA

Ruy Câmara narra:
“Lembro-me que, após uns dias em sua Ipueiras, Gerardo regressou a Fortaleza e fomos juntos para um evento na Assembléia Legislativa. Na tribuna, após haver falado das misérias que testemunhara durante sua viagem ao sertão do Ceará, ele perguntou aos deputados: alguém poderia dizer para que serve um poeta num Estado pobre em Cultura, Educação e Saúde? Após um tempo de silêncio frustrante, eis que ele afia as palavras na sua língua de pedra e diz: ´Neste mundo o que dura é o que foi fundado pelos poetas e não pelos especialistas, que são meros figurantes de uma tarefa ancilar. Não são protagonistas do saber nem da história. Nunca um especialista criou algo duradouro nem embasou uma nação.´

Ao ouvir isso, suspeitei que Gerardo utilizou o eufemismo ´especialista´ para não deixar os deputados que o aplaudiam de saia-justa. E prosseguiu: ´A Grécia foi fundada pelo poeta, Homero, cego e gênio. O império romano foi inspirado pelo poeta, Virgílio e por um escritor que se fez general, Caio Julio César. O mundo judaico foi fundado pelos poetas das profecias, Jeremias, Isaias, Ezequiel, Daniel e pelos Cantos do rei Davi. A civilização mulçumana foi fundada pelo poeta Maomé, seu senhor e soberano. A China e a Ásia Oriental foram fundadas pelo poeta Kung-Fu-Tze, que conhecemos por Confúcio. A Itália foi fundada por Dante, poeta absoluto. Churchill animava suas tropas contra o fogo de Hitler, enviando aos soldados os versos de Shakespeare. Os soldados germânicos levavam na mochila os Cantos de Rilke e os hinos de Hölderlin. E o que seria de Portugal sem Camões e Pessoa? Da França sem Voltaire, Baudelaire, Lamartine e Hugo? E o Ceará sem seus poetas, renegados e esquecidos? E finalizou dizendo: foi o Deus poético e dialético que engendrou o pensamento mítico, o tempo divino do homem, mas foi a verdade helênica que deu vigor à noção de liberdade e democracia, verdade luminosíssima que fundou o homem livre.´ Os aplausos não impediram o nosso poeta de assim dizer: ´É para preencher o vazio dos espírito humano que serve um poeta com sua poesia.´

(Por Júnior Bonfim)

UMA CADEIRA CATIVA PARA GERARDO MELLO MOURÃO


Parece que foi ontem... Mas já se foram três anos.

Em nove de março de 2007, Ipueiras ficava órfã de seu mais polêmico e ilustre filho: Gerardo Mello Mourão.

“Gerardo foi: Jornalista, poeta e escritor. Era membro da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Brasileira de Hogiologia e do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Era um dos escritores mais respeitados no exterior”

Infelizmente, Gerardo, ainda não foi devidamente reconhecido em Ipueiras, cidade que ele carregou com carinho, na cabeça, no coração e em seus escritos.

Foi grande falando de sua aldeia, mas sua aldeia não crescera o suficiente para reconhecer a magnitude deste ícone ipueirense.

Eu não conheci Gerardo de ouvir falar. Freqüentei sua casa e conversávamos, não como o mestre e a sua aprendiz, falávamos como dois retirantes nordestinos querendo palestrar.

Eu ficava encantada com sua grande cultura e sua ainda maior, simplicidade.

Tive a grata satisfação em receber Gerardo Mello Mourão, num evento cultural realizado em minha chácara na cidade de Ipueiras.

Entre amigos, parentes e políticos, o poeta saboreava comidas típicas como: baião-de-dois, paçoca de pilão, intercalados por uma cachacinha da terra. Era clara sua satisfação.

Na hora da saída, após os agradecimentos, Gerardo chamou-me reservadamente e disse-me: “Dalinha, estou indo e carregando a cadeira que sentei” E assim o fez.

Logo que voltei ao Rio de Janeiro, ele telefonou-me: “Dalinha, Venha visitar-me e ver sua cadeira”.

Fui. Qual não foi minha surpresa ao ser reapresentada a minha pobre cadeira, matuta, feita de pau e couro. Estava toda envernizada, enfeitadas com tachas, ocupando um lugar de respeito em sua sala de visitas.

Hoje queria registrar minhas saudades e o prazer indizível que foi participar de um naco da vida de Gerardo Mello Mourão que certamente terá cadeira cativa em meu coração.

(Dalinha Catunda)


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Olá Júnior,

Obrigada por postar minha homenagem ao grande poeta Gerardo Mello Mourão.

Na foto pela ordem:
Gerardo Mourão, Dalinha Catunda e Frota Neto.

Fico feliz também por este seu relato/homenagem ao nosso grande poeta, orgulho do Ceará.

Um abraço,

Dalinha

AINDA SOBRE A HOMENAGEM ÀS MULHERES

Olá Júnior,

Sua homenagem a essas mulheres geniais é mais do que justa.

Eleger Madre Tereza de Calcutá para homenagear como um ícone maior, também concordo, por todo trabalho dedicado a humanidade.

Acrescentaria uma homenagem especial a nossa fundadora e coordenadora da pastoral da criança, Zilda Arns, que nos deixou a pouco tempo e deixou orfão uma legião de necessitados.

Citaria também Rachel de Queiroz, a primeira escritora a integrar a Academia Brasileira de Letras.

Ruth Cardoso por todo seu trabalho, Inês de Castro pela bela e trágica história de amor.

Queria lhe agradescer pela homenagem a mim e as mulheres em geral.

Carinhosamente,

Dalinha

segunda-feira, 8 de março de 2010

UMA MULHER CHAMADA TERESA


Muitos são os que afirmam que “por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. Outros, no afã de externar generosidade, fizeram um reparo e asseveraram que é “ao lado do homem que encontramos a grande mulher”.

Perdoem-me, mas penso diferente. Mulheres há que, sem fixação, indiferença ou rejeição ao companheiro, constroem marca própria!

Nunca desfraldei bandeiras feministas, mas sempre admirei as mulheres talentosas que, conservando a ímpar doçura maternal, exibem a fortaleza das descendentes de Eva. O útero da História é pródigo em exemplos: Cleópatra - uma das mulheres mais festejadas da história da humanidade – além de deslumbrante, era inteligente e culta, e sua notória esperteza manteve as fronteiras do seu reino; Joana D’Arc, jovem camponesa que vestiu a farda militar e foi protagonista de uma guerra que restabeleceu a dignidade francesa, além de ser queimada pela mesma Igreja que, séculos depois, reconheceu sua santidade; a catarinense Anita Garibaldi, combatente da Revolução Farroupilha, mulher muito à frente de seu tempo... A lista é, pois, numerosa...

Antes de rabiscar estas linhas, que me foram sugeridas pelo César a propósito do Dia Internacional da Mulher, pensei em homenagear uma mulher de forma singular.

Imaginei, primeiramente, que poderia ser aquela que me gerou, cujo convívio me foi subtraído prematuramente.

Depois, pensei que poderia ser a minha esposa, a quem prefiro chamar de consorte, porque compartilha comigo o sonho, a sesta, a saudade, o silêncio, a sonoridade, a soledade, os surtos, os sustos... enfim, a sorte de viver.

Mas há uma que, pela colossal história de vida, galgou um tipo tão superior de destaque que merece um registro todo especial. Antes do mais, foi considerada pelo então Secretário Geral das Nações Unidas, Pérez de Cuéllar, como “a mulher mais poderosa do mundo”.
Sem ter gerado um único filho, transformou-se, pela esplendorosa fé e pelo oceânico amor, na mãe mais fecunda do planeta.

Sobre ela, a diretora de uma revista feminina escreveu um chamativo artigo intitulado “UMA MULHER QUE NUNCA PASSARÁ DE MODA”. De início, afirmava: “Não é Cindy Crawford nem Cláudia Schiffer. Provavelmente, nunca entrou numa boutique, mas é uma das mulheres que marcam o passo à Humanidade e que deixarão um rasto indelével no século que termina. É muito possível que a preocupação pelo seu look não passe da água e do sabão, mas o seu olhar irradia uma força especial”.

A passarela por onde desfilou e exibiu seu glamour e sua beleza extraordinária foi o espaço onde reluzia a dor e a miséria mais comoventes, nos corredores desprezados dos aidéticos, nos esgotos onde se escondiam os vitimados pela lepra. Ruanda e Angola, Ulster e Biafra, a Etiópia e a Somália, o Harlem e o Bronx, o Tondo de Manila e o Líbano estão entre os palcos de sua vida. Diuturnamente, comendo de maneira frugal e dormindo apenas três horas diárias, em solene e incansável vigília de amor, operou sua missão sob o pálio do ‘ora et labora’.

Nascida em 26 de agosto de 1910, em Skoplje, um lugar entre a Albânia e a antiga Iugoslávia, atual República da Macedônia, construiu um verdadeiro império de amor e caridade. Hoje, são mais de 450 centros de assistência em mais de cem nações de todo o mundo, inclusive no Brasil, e quase cinco mil religiosas e duzentos missionários, espalhados em albergues para adolescentes grávidas, cozinhas gratuitas para famintos e refúgios para pessoas sem lar.

No dia 5 de setembro de 1997, o coração dessa mulher iluminada parou de palpitar. Seu nome: Inês (Agnes) Gonscha Bojaxhiu, eternizada como Madre Teresa de Calcutá, a missionária do século XX.

Sua mensagem, estrela flamejante em defesa da vida, continua contundente:
- “O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. Só é questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o Estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar fosse gasto em fazer que as pessoas vivessem, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza”.

Mulheres desse naipe nos instigam a celebrar, com o incenso da profundidade, o Dia da Mulher!

(Júnior Bonfim - em Amores e Clamores da Cidade)

domingo, 7 de março de 2010

NO CLIMA DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, SURGE O BLOG "CORDEL DE SAIA"


BLOG CORDEL DE SAIA

Amigos,

Hoje fujo um pouquinho da rotina, para fazer um comunicado.
Eu, Dalinha Catunda, uni-me a Maria Rosário e criamos o blog: www.cordeldesaia.blogspot.com

Tanto Rosário com eu, somos membros da ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Assim sendo, resolvemos abrir este espaço, que inicialmente parece bem feminista, mas na realidade a proposta é agregar democraticamente cordelistas de ambos o sexo.

No Cordel de Saia postaremos notícias sobre cordel, divulgaremos companheiros, curiosidade e faremos entrevistas com cordelistas e amantes dessa literatura Popular.

Gostaria de pedir a vocês que prestigiam o Cantinho da Dalinha, que dessem uma passadinha por lá e se não for pedir muito, que deixem seus comentários.

Um abraço a todos,

Dalinha Catunda

SOBRE MULHERES



Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças.

Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres?
Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.
"Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."


Por Rita Lee


(Enviado por Wagner Vitoriano)

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Auauuuuuuuu que post MARAVILHOSO

Amei tudo. Fala de toda nossa dor, de quanto nós sentimos pequenas diante atos barbaros e patriacal. Eu nunca sofri casos assim mais histórias como essa estão marcados na trajetória de uma mulher, tenha ela vivido ou não. É a nossa história e a nossa luta.

Amei o seu blog, estou iniciando a minha trajetória nesta blogosfera e estou amando os blogs que tenho conhecido.

Valeu!!

Beijos

Ana