sábado, 15 de maio de 2010

TOCANDO EM FRENTE



(Composição: Almir Sater e Renato Teixeira)

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

quinta-feira, 13 de maio de 2010

CARTAZ/REFLEXÃO


Este cartaz saiu da Espanha e está rodando o mundo (traduzido). Muito bom para chacoalhar os países que estão discriminando estrangeiros, mas bom também para todo mundo, para uma reflexão sobre nossos preconceitos, nossas escolhas e nossas rejeições...!

(Enviado por Luiz Bonfim)

CONJUNTURA NACIONAL

Historinha do Ceará

Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, participava de um júri em Quixeramobim. O promotor berrava na tribuna:

- Senhores Jurados, estou montado na lei.

Quintino pede um aparte:

- V. Exª. Tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.

O promotor se calou. (Do Folclore Político do Sebastião Nery)

Ave, Copa

Salve, Copa. Com a convocação dos jogadores para a Copa do Mundo, o Brasil entra em lua de mel com o futebol. Sai do trono o Rei Lula e senta nele o Rei Dunga e seus 23 ministros. A política passará uma boa temporada sob o abrigo do futebol. Querelas serão administradas na mesa do bar, no cafezinho, nas esquinas e corredores. Os olhos estarão atentos aos campos de futebol. O discurso político perderá a graça. Até que o Brasil se levante em aplausos, comemorando a vitória, ou verta em lágrimas, chorando a derrota.

Nomes do Brasil malvado - 1

Folheei o alfabeto dos nomes próprios do Brasil dos fundões. Eis um aperitivo:

Abrilina Décima Nona Caçapavana Piratininga de Almeida
Acheropita Papazone
Adalgamir Marge
Adegesto Pataca
Adoração Arabites
Aeronauta Barata
Agrícola Beterraba Areia

Alegria e choro

Se o Brasil ganhar o Troféu, tende a crescer o PNBF - Produto Nacional Bruto da Felicidade. As ruas estarão mais animadas. A cor verde amarela enfeitará as paisagens. Ânimos festivos, teor alcoólico aumentado, animação e bumbo. Dilma seria beneficiária disso tudo? Não acredito. E o ambiente de velório, inevitável se o Brasil não trouxer a taça, favorecerá o candidato José Serra? Tampouco creio nisso. O brasileiro não confunde alhos com bugalhos.

Mais um périplo


Luiz Inácio fará mais um périplo pelo mundo, a começar pela Rússia. Brasileiros poderão entrar naquele país sem a exigência do visto e vice-versa. Russos poderão aportar por aqui sem muita burocracia. Mas a viagem de Lula já não terá tanto impacto quanto antes. Após o apoio incondicional do Brasil ao Irã, o espaço de Lula na cabeça das lideranças mundiais diminuiu muito. Luiz Inácio perdeu prestígio.

Jobim, a voz do PMDB


O ministro Nelson Jobim entrou no governo pela cota pessoal do presidente Lula. É do PMDB, mas a escolha não teria passado pelo crivo do partido. Hoje, Jobim é considerado um quadro do PMDB na coordenação do governo. Ligado a Michel Temer, Jobim é um credenciado porta-voz do partido junto ao presidente. A ação ministerial de Jobim é considerada muito positiva. Ganhou a confiança de todos, peemedebistas e petistas.

Nomes do Brasil irresponsável - 2

Bananeia Oliveira de Deus
Bandeirante do Brasil Paulistano
Barrigudinha Seleida
Bende Sande Branquinho Maracajá
Benedito Autor da Purificação
Benedito Camurça Aveludado

Dia das mães

Considerada pelos lojistas como a segunda data comemorativa que mais movimenta o comércio, o Dia das Mães só perde para as festas de fim de ano em vendas e em número de postos de trabalho temporário. Neste ano, foram confirmadas as 26 mil novas vagas temporárias previstas na pesquisa pontual divulgada pela Asserttem - Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário, 11% a mais que no ano passado. O índice de efetivações girou em torno de 10%, o que representa emprego novo para 2,6 mil trabalhadores. As novas contratações, somadas às remanescentes da Páscoa, resultou em emprego temporário para 65 mil pessoas durante a data comemorativa.

A confiança de Lula

Lula deu entrevista a El País, o principal jornal espanhol, exibindo plena confiança na vitória de sua candidata Dilma. Mas abriu uma fresta, ao dizer que não haverá perigo de retrocesso, "ganhe quem ganhar". Aliás, para ele, sob o aspecto maquiavélico, uma vitória de Serra não seria de todo perniciosa para propósitos de um retorno em 2014. O país passará por um ciclo de contenção. Terá de fechar rombos abertos pela gastança do atual governo. Serra é especialista em ajustar contas. E manter cofres cheios. Seria um governante duro. Mas a área social se queixaria muito. E Lula teria condições de brandir seu slogan: Lula de novo nos braços do povo.

E se Dilma ganhar?


Se Dilma ganhar, a continuidade do projeto petista estaria garantida. Não haveria desmonte da máquina. Portanto, não haveria tanta motivação para um retorno de Lula ao Palácio do Planalto. Dilma poderia, então, se candidatar à reeleição. Mas, agora, teria de enfrentar um perfil mais jovial e até com certo poder carismático. Aécio Neves, por exemplo. São filigranas que já começam a surgir nos horizontes do amanhã.

Montenegro cauteloso

O amigo Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, é o papa das pesquisas no Brasil. Não quer falar de tendências nesse momento. Por quê? Por algumas razões: primeiro, as regras do jogo ainda não foram de todo definidas. O palco dos atores está incompleto. Quem será o vice de Serra? E quando será homologado o nome de Michel Temer, vice de Dilma? Lula, por sua vez, está saindo. E Dilma nunca recebeu um voto na arena política. Serra, por sua vez, tem longo e denso currículo. Mas o governo Lula tem muito a mostrar. Questão posta por Montenegro: quem garantirá melhor o futuro do eleitor? Conversei, ao final da tarde, com o papa das pesquisas. E ficamos de trocar figurinhas mais adiante.

Serra e o BC

Serra ataca "os juros mais altos do mundo" e o câmbio baixo. Dilma, no início do primeiro mandato de Lula, era contra a política do Banco Central. Hoje, é defensora de Meirelles. Até vai prestigiar, dia 21, em Nova Iorque, uma comenda que ele ganhou. A política monetária de Serra difere bem da atual. Os empresários gostam da visão de Serra, mas temem a dureza dele noutras áreas. Por isso, olham para ele com o olho direito, mas fixam o olho esquerdo em Dilma. Confiam que esta não mudaria muita coisa.

Nomes do Brasil brincalhão - 3

Cafiaspirina Cruz
Capote Valente e Marimbondo da Trindade
Caius Marcius Africanus
Carabino Tiro Certo
Carlos Alberto Santíssimo Sacramento
Cantinho da Vila Alencar da Corte Real Sampaio
Carneiro de Souza e Faro
Caso Raro Yamada
Céu Azul do Sol Poente

Agenda tributária


O setor contábil é formado por 417 mil profissionais e mais de 70 mil empresas no Brasil, que atendem, em média, 96% dos contribuintes do país. Hoje, as obrigações acessórias abarcam uma combinação perversa de acúmulos – por vezes em datas simultâneas ou muito próximas entre si e com informações redundantes entre elas – com uma tecnologia que ainda não conseguiu absorver o enorme volume de informações. O presidente do Sescon/SP, José Chapina Alcazar, esteve em Brasília recentemente para uma reunião com Otacílio Cartaxo, secretario da Receita Federal, quando pediu atenção ao tema, que é de interesse nacional. Chapina defende revisão urgente na agenda tributária.

Dr. Equinócio

Virgílio Távora, governador, recebeu telegrama do prefeito do Crato : "Senhor governador, solicito V. Exª. recursos enfrentar seca município. Cordiais saudações." Virgílio respondeu: "Senhor prefeito, aguarde, 19 de março, passagem Equinócio. Cordiais saudações." Dia 20 de março, o prefeito telegrafa de novo: "Senhor governador, apesar banquete e homenagens preparamos receber condignamente enviado V. Exª., até agora Dr. Equinócio não apareceu. Cordiais saudações."

MR?

MR é uma figura no entorno de Serra que dá muito medo aos setores produtivos. Ouvi de muita gente esse nome: Mauro Ricardo.

Fechando alianças

Periodicamente, temos de fazer um balanço de tendências. Hoje, esse balanço se volta para o campo das alianças. Para onde a balança pende? Para o lado de José Serra. Até o momento, tem melhores resultados que Dilma. Trouxe o PSC, da base de Lula, para junto de si, e ameaça puxar, ainda, o PP e o PTB. No Sul, Serra aplaina caminhos com muitas pedras. No Paraná, a meta, agora, é puxar o senador Osmar Dias do PDT, candidato ao Senado, para o bloco do Beto Richa do PSDB, candidato ao governo.

FHC e o dedaço

Fernando Henrique, o maior intelectual do PSDB, foi direto ao ponto. Disse que Lula escolheu Dilma com um "dedaço". E até imitou o gesto. Linguagem chula, que não combina na estrutura linguística de um ex-presidente da República. Um ícone do pensamento e das letras.

Ficha limpa

O projeto Ficha Limpa será um marco na história eleitoral. Mas não deverá vingar para o pleito deste ano. O sentimento é de que a vitória foi pela metade. Deveria vingar, já. Passará ainda pelo Senado e, na sequencia, deverá ser sancionado.

O veto aos velhinhos


Pois é, os 7,7% de aumento aos aposentados e o fim do fator previdenciário deverão ser vetados pelo presidente Lula, caso passem pelo crivo do Senado. A questão é: o veto deixará indignados os velhinhos? Na análise deste consultor, sim. Lula terá essa coragem? Sim, garante. Vamos ver se ele tomará essa decisão. Há dúvidas.

Nomes do Brasil improvisado - 4

Danúbio Tarada Duarte
Darcília Abraços
Carvalho Santinho
Deus Magda Silva
Deus É Infinitamente Misericordioso
Deusarina Venus de Milo
Dezêncio Feverêncio de Oitenta e Cinco
Dignatário da Ordem Imperial do Cruzeiro

Servidores, não

Os servidores públicos também não terão aumento este ano. E mais, Lula chamou os ministros e passou um carão: não ajam como sindicalistas. Não vai haver aumento e pronto. O "cara" decidiu engrossar.

Lula e o PT

Fico a imaginar a razão do sucesso de Luiz Inácio em seus dois mandatos. A razão mais forte: impôs sua visão ao PT. Deixou de se inspirar no ideário petista. Criou seu próprio modelo. Um modelo que diz ser "multi-ideológico". Ou seja, a capacidade de fazer alianças com Deus e o Diabo, gregos e troianos. Lula passou sobre o PT com um gigantesco rolo compressor. E assim conseguiu governar. Por que não foi aporrinhado? Porque abriu espaços para todos os grupos. Que se encastelaram nos arredores e no centro do poder.

PT e PV no governo Serra?


José Serra disse alto e em bom som: se eu ganhar, convidarei o PT e o PV para fazerem parte do governo. Verdade? Em termos. Chamaria, claro, um Eduardo Jorge, que é do PV. E que é considerado, por sua postura, um perfil suprapartidário. Difícil é imaginar José Serra convidando um perfil histórico e engajado do PT. O discurso de Serra, porém, é inteligente. Desarmado, em favor da união, do esforço de todos pela Grandeza da Pátria.

Longe de mim este cálice

Serra quer dizer, na verdade, o seguinte: longe de mim este cálice. Longe de mim o epíteto de anti-Lula. Ele não quer aparecer como o adversário de Lula numa campanha. Nesse caso, seria vencido.

Samba do crioulo doido


Campanha maluca, sô. No Rio de Janeiro, Dilma consegue reunir, em um evento, prefeitos do DEM e do PSDB. Isso mesmo: prefeitos da oposição. A mídia contou: 3 prefeitos do DEM e 2 tucanos. No Ceará, Tasso Jereissati, do PSDB, contará com o apoio do governador Cid Gomes, do PSB. Partido de Eduardo Campos, fechado com Dilma. Collor, em Alagoas, será candidato ao governo. Collor é do PTB e apoiará Dilma. Mas o PTB de São Paulo apoiará Serra, para a presidência, e Alckmin para o governo do Estado.

Conselho aos jogadores da seleção


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos à presidência Dilma e Serra. Hoje, volta sua atenção aos atletas brasileiros convocados para a Copa do Mundo:

1. Recebam com humildade a convocação de Dunga para a Seleção Brasileira.

2. Evitem salto alto e procurem fazer o que sabem: jogar futebol.

3. Sejam esforçados, destemidos, despojados e cultivem o civismo no coração.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"FICHA LIMPA"

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Ficha Limpa, por 412 votos a favor e 3 abstenções. O texto, que será encaminhado ao Senado, prevê que não podem se candidatar políticos que tenham condenação em segunda instância ou tribunal superior, ou processo transitado em julgado, em que não cabe mais recurso. A informação é da Agência Câmara.

O candidato com as condenações listadas pela lei fica inelegível por oito anos. Caso uma decisão liminar absolva o político, a inegibilidade é suspensa até novo recurso na Justiça. A votação foi encerrada quando o Plenário rejeitou o último destaque apresentado pelo PMDB. A intenção do partido era tirar do texto do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) o dispositivo que prevê a cassação do diploma de eleito quando o julgamento final do recurso acontecer depois da diplomação.

O texto aprovado traz uma longa lista de casos em que o candidato torna-se inelegível, incluindo as condenações que acarretam a perda de mandato, como improbidade administrativa e lesão ao patrimônio público. A lei também inclui abuso de poder econômico, contra o sistema financeiro, tráfico de drogas, ocultação de bens, trabalho escravo e abuso de autoridade.

Na Justiça Eleitoral, o PL cita os crimes de corrupção eleitoral e doações e gastos ilegais de recursos de campanha. O projeto veta ainda a candidatura de pessoas físicas e dirigentes de empresas responsáveis por doações eleitorais ilegais, além de juízes e membros do Ministério Público que tenham sido aposentados compulsoriamente pela Justiça, bem como profissionais excluídos da categoria por falha ética.

Nesta segunda-feira (10/5), o o líder do governo na Câmara Cândido Vacarezza (PT-SP) afirmou que o entendimento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, é que o Ficha Limpa não terá validade para as eleições de outubro. Segundo a Folha Online, os favoráveis à aplicação imediata da lei, acreditam que ela poder ser validada este ano se for sancionada até junho, antes da convenções partidárias.

O que diz a lei
São inelegíveis quem tiver condenação definitiva ou de órgão colegiado, nos seguintes casos:

* Ocupantes de cargos eletivos:
o Cassados por violação à Constituição Estadual ou Lei Orgânica dos Municípios.
o Que tiverem suas contas recusadas
o Que desfizerem união conjugal ou estável para descaracterizar situação de inelegibilidade.
o Que renunciaram para não serem cassados
* Ocupantes de cargos na administração pública condenados por abuso de poder econômico ou político
* Oficiais excluídos das forças armadas
* Profissionais excluídos da categoria por falha ético-profissional.
* Magistrados e membros do MP aposentados compulsoriamente
* Quem teve os direitos políticos suspensos por improbidade.
* Demitidos do serviço público em processo administrativo.
* Condenados por fazer doações eleitorais ilegais
* Condenados
o Por crime contra a economia popular, a fé pública, a administração e o patrimônio públicos.
o Por crime contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e por violação à Lei de Falências.
o Por crime contra o meio ambiente e a saúde pública.
o Por crime eleitoral punido com pena de prisão.
o Por abuso de autoridade
o Por lavagem de dinheiro, tráfico de droga, racismo, tortura e crimes hediondos
o Por trabalho escravo
o Por crime contra a vida e a dignidade sexual
o Por organização criminosa, quadrilha ou bando

(Fonte: CONJUR)

DE ALMEIDA BRILHA


O artista cearense Francisco de Almeida inaugura, hoje, a exposição "20 aos pedaços". A individual é composta por dez gravuras inéditas e conta, ainda, com a presença do famoso painel "Os quatro elementos" de 20 metros de comprimento, que participou da VII Bienal do Mercosul, realizada em 2009

Tão suave e pequenino, ele voa leve e ligeiro como um passarinho. Por ziguezagues altos e certeiros, fura nuvens, serpenteia estrelas e dá "loops" alegres pela lua. Num mundo idílico e mágico, habitado por sereias, anjos, musas, seres alados, mitológicos, santos, guerreiros e reis, Francisco de Almeida mergulha em êxtase artístico.

É dai que todos os dias, segundo me contou em tom confessional, "arranca um trabalho da alma". Desse desarraigar denso marcado pelo dualismo da dor e do prazer, movido às asas da imaginação, que o artista concebe sua poética de luz.

Em "20 aos pedaços", exposição que abre hoje, às 19h, no anexo do Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (Unifor), Francisco de Almeida nos mostra mais uma vez a genialidade de sua arte. Uma xilogravura que impressiona pela beleza, singularidade e alegoria de suas formas e figuras.

Na individual, estão presentes dez gravuras, feitas especialmente para a ocasião, e mais o aclamado painel "Os quatro elementos" de 20 metros de comprimento, que marcou sua presença na VII Bienal do Mercosul, realizada em Porto Alegre, no ano passado. "Na exposição, as gravuras menores foram produzidas com as mesmas matrizes da gravura mãe, aquela que levei para a Bienal do Mercosul, mas em contexto diferente, com outras combinações. É somente no painel grande que o público poderá encontrar todas as figuras juntas", explica.

Segundo Francisco o convite para expor no Espaço Cultural Unifor foi motivo de felicidade, mas também de preocupação. "Fiquei muito contente com o convite, mas depois fiquei temeroso pelo fato de ter que produzir dez obras em apenas cinco meses, quero sempre dá o meu melhor e sei que o público merece isso. Teve um dia que eu estava sentado perto da janela, um vazio grande me consumia, quase liguei para a minha...Ai fui ver o pôr- do-sol com a Maria Eugênia, minha esposa, tudo melhorou...Daí pensei: puxa, se fiz uma obra de 20 metros em pouco tempo, posso superar qualquer obstáculo...Então, as coisas floresceram".

Para o artista, a produção das gravuras aconteceu em meio a um processo intenso e doloroso como um parto. "Parir é difícil, acho que sei como é a dor que uma mãe sente na hora do parto", diz entre risos.

Técnica inovadora

A preferência pelos grandes formatos e pelos meios rudimentares de impressão potencializa a dramaticidade e a grandeza de seu trabalho. O artista está constantemente reinventando as próprias ferramentas, linguagens, pigmentação e métodos de gravação.

Desde 2004, dedica-se à pesquisa de uma xilogravura fragmentada, que impede a repetição de uma mesma combinação, permitindo, portanto, infinitas formas de fazer um dado trabalho com uma única matriz. Prática que se opõe à produção mais tradicional. Sobre o assunto, ele justifica: "tudo na vida parte de uma necessidade. No meu caso, por exemplo, surgiram muitas: como imprimir? Como gravar e colorir em grandes dimensões uma gravura? Estou sempre aprendendo com todas as etapas de produção do meu trabalho, é como um diálogo constante entre criador e criatura", conclui. Assim, frágil e pequenino, leve e veloz como um passarinho, Francisco voa, tão longe e tão alto, perdendo-se na imensidão branca perolada de nuvens fofinhas e desalinhadas...Voa, voa Francisco, segue teu caminho de luz e emoção.

Arte de Francisco

O mago das gravuras


O xilogravador Francisco de Almeida nasceu na cidade de Crateús, interior do Ceará, em 7 de agosto de 1962. De pai ourives, mãe bordadeira e avó rendeira, ele herdou o dom de fazer arte com as mãos. Aos 15 anos, o artista veio morar em Fortaleza e teve a oportunidade de estudar xilogravura com o gravador Sebastião de Paula. Pouco a pouco, seu talento foi sendo reconhecido pelo público e pela crítica.

Hoje, portanto, suas obras estão guardadas em acervos importantes do País, como o da Pinacoteca, em São Paulo, e o Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, aqui em Fortaleza. Francisco de Almeida já participou de várias exposições, entre individuais e coletivas, no Brasil, Argentina e Espanha. Em suas investigações, o artista criou uma espécie de equipamento feito com canos de PVC, madeira, corrente e coroa de bicicleta, do qual é possível produzir grandes gravuras. Através dele, elaborou o painel "Os quatro elementos" de 20 metros de comprimento. O trabalho participou da VII Bienal do Mercosul, ocorrida entre os dias 16 de outubro e 29 de novembro, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Não há notícias de outra gravura com essas dimensões no País.
O artista plástico confecciona um feito inédito. No painel, é tratada a temática religiosa nordestina, enfatizando elementos da natureza, como a chuva, o sol, o vento, a terra e o ouro. Parte da obra, inclusive, é colorida e contém a utilização de imagens com grafite.

MAIS INFORMAÇÕES:

Exposição "20 aos pedaços", de Francisco de Almeida, abertura hoje, às 19h, para convidados. Visitas a partir do dia 13 de maio a 13 de junho, no Anexo do Espaço Cultural Unifor. Gratuita. De terça a sexta, das 10h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h. O público também pode agendar exposições guiadas pelo , através do Projeto Arte-Educação.

ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER


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Almeidinha merece todas as homenagens devidas a um grande e autêntico artista universal.

Sua obra tem a característica singular de nos encher da esperança de que coisas boas são possíveis. E é sempre gratificante vê-lo em evidência.

Indo a Fortaleza nesse período, com certeza irei visitá-lo.


Lourival

terça-feira, 11 de maio de 2010

ACADGOB

Ocorreu ontem à noite, no templo da Loja Igualdade, em Fortaleza, a solenidade de fundação do núcleo cearense da Academia de Artes, Ciências e Letras do Grande Oriente do Brasil - Ceará.

Várias autoridades compareceram, prestigiando o evento.

Na ocasião, fui escalado para saudar os confrades empossados.

Eis uma transcrição livre da minha fala:

O DISCURSO

Autoridades que compõem a mesa,

Meus Irmãos, Cunhadas e fraternos confrades:


A mim me incumbiram de saudar os entrantes nesta Academia.

Pensei em lhes estender a mão, afagar-lhes com um tríplice abraço, oferecer-lhes o ósculo da paz e desejar-lhes boas vindas. Só isso.

Mas a magnitude deste momento, a excepcionalidade deste evento me impulsiona a compartilhar com vocês uma breve reflexão.

Como bem sabeis, pedreiros livre que engalanam esta sinagoga da virtude, a nossa Instituição é um estandarte que atravessou os séculos graças à auréola da significação simbólica.

Para nós, os símbolos têm o significado que a etimologia original, do grego clássico, elucidou: sim (junto) e bailein (lançar). O sentido é lançar as coisas de tal modo que permaneçam juntas.

Pois bem. Como no universo do simbolismo nada ocorre por acaso (para os Maçons, existe Acácia, nunca acaso), fico perquirindo por que estamos realizando esta Sessão exatamente no templo fundante da Maçonaria cearense! Logo que cheguei – meu caro Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Vereador Salmito Filho, que muito tem colaborado com a nossa Instituição - divisei uma mesa composta por uma plêiade de maçons em cuja memória está guardado o fio histórico da Maçonaria cearense. Destaco Zelito Magalhães que escreveu um livro narrando nossa caminhada histórica. Destaco Osmar Maia Diógenes, esse ícone da fraternidade, o único que conseguiu a façanha de ser Grão Mestre das três potências maçônicas cearenses.

É como se o Grande Arquiteto do Universo – professor Antonio Cerqueira - estivesse nos convidando para um Ágape Fraternal em que nos banquetearíamos saboreando as nossas raízes.

Pois é para isto que entendo este Sodalício, a existência desta Arcádia, o funcionamento desta Academia.

Para extrairmos a seiva das nossas raízes e oferecermos um contributo frutífero à geração presente de maçons. Resgatarmos nosso passado heróico! Lembrarmos – meu estimado ex-professor Fernando Távora, Procurador estadual - de que a nossa Ordem foi o espaço do rito de passagem, a abóbada celeste que, entre suas Colunas de Luz, forjou grandes mestres para o território complexo das ciências, para o emaranhado fonético do salão das letras, para o jardim florido das artes.

Permitam-me que saliente três exemplos que povoam as enciclopédias universais.

Cito Benjamim Franklin, elétrico patriarca das Américas, inventor contumaz, criador do pára-raios, dos óculos bifocais, dentre inúmeras outras criações da sua mente prodigiosa. É exemplo de maçom empreendedor.

A história registra o caso, por exemplo, de uma mulher, doente mental, casada com um homem desequilibrado em todos os sentidos. Alcoólatra e desocupado, estava longe de ser pai modelar ou marido referencial. Esse casal, no entanto, teve quatro filhos: o primeiro, doente mental; o segundo, paralítico; o terceiro, acometido de outra enfermidade séria; o quarto também deficiente. Mesmo com todo esse histórico de tragédia, a mulher estava grávida pela quinta vez. E esse quinto filho, que tudo apontaria para ter também uma vida desventurada, foi Ludwung Van Beethoven, um dos maiores gênios musicais da humanidade. Maçom e homem de artes. Gênio perpétuo e inolvidável.

Outro, no campo das letras – e lembro que o Osmar me dizia que outrora existia nesta Oficina uma biblioteca francesa - foi François-Marie Arouet, o francês Voltaire. Incondicional amante da liberdade, foi advogado dos oprimidos e escritor magnífico. Deixou frases insuperáveis em defesa da liberdade de opinião, como essa: "Não concordo com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la."


É disso que estamos precisando – comendador Hermes Elias, Presidente Anízio Araujo - meus Irmãos todos: para um Oriente abatido por sucessivas crises ao longo de seus últimos anos, a aura empreendedora de um Benjamin Franklin; para um Oriente sacudido pela desesperança no futuro, a audácia do exemplo de um Beethoven; para um Oriente que se engalfinha em discussões estéreis, que têm dificuldade de conviver com a opinião alheia, que enxerga no pensamento divergente uma razão para se render à inutilidade da cólera e alimentar uma irracional divisão interna, o exemplo libertário de um Voltaire.

É disso que precisamos. Este o nosso desafio: estarmos à altura do que nos cobra este momento histórico. Que esta Academia seja essa força revolucionária, capaz de sacudir as colunas sagradas dos nossos templos e nos fazer enxergar o universo mágico da verdadeira Maçonaria, trolha que aplaina as diferenças e nos convoca para a prática da tolerância e do amor!


(Transcrição livre de discurso proferido ontem à noite, no templo da Loja Igualdade, na Rua Senador Pompeu, 578, Centro, Fortaleza, Ceará)



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lb deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ACADGOB":

Junior, voce foi simplesmente brilhante. PARABENS!

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

PARA REFLETIR


"Já que eu sou imperfeito e preciso da tolerância e da bondade dos demais, também tenho de tolerar os defeitos do mundo até que possa encontrar o segredo que me permita remediá-lo." (Mahatma Ghandi)
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domingo, 9 de maio de 2010

O DIA DAS MÃES


O dia das Mães inevitavelmente nos remete a dois caminhos: o primeiro nos impele a pensar a magnitude da maternidade; o segundo nos leva ao útero que nos gerou, à lembrança da nossa genitora.

Conquanto respeite quem pensa diferente, acho constrangedor para alguém do sexo masculino falar sobre algo que o destino reservou única e exclusivamente para uma fêmea. A maternidade repousa no território sagrado do inefável, habita as grutas imperscrutáveis do mistério, dormita no altar solene das grandezas inatingíveis.

Na academia da maternidade, as mulheres fazem todos os exercícios físicos e psíquicos, ideológicos e fisiológicos imagináveis: colocam ali o peso do corpo, a leveza da alma, o sopro da inteligência e a aura do espírito. Quando uma mulher se torna mãe, sua personalidade se transforma indelevelmente. Jamais será a mesma. Por isso dedicamos incomparável predileção pela que nos gerou.

Só quem se abre à comunhão com os laços umbilicais; só quem conviveu com a figura invariavelmente afetuosa de uma mãe - ou, noutro extremo, foi privado ou perdeu a ternura da presença materna sabe quão importante é o papel da fonte pela qual vimos ao mundo.

Recordo Rosária, minha suave mãe, ornamento floral em minha vida, peça de arquitetura fisiológica donde brotaram roseiras preciosas. Praticou o amor em sua plenitude evangélica: deu a vida pelos outros, personificados nos entes mais próximos, sobremaneira pelos filhos e pelo marido. Meu pai revelava a predileção especial que tinha por um ou outro filho. Dos lábios da minha mãe jamais auscultamos qualquer sílaba discriminatória.

Concordo com Rubem Alves quando elege a árvore como linda metáfora para a mãe: “As árvores estão sempre à espera. Acolhem aqueles que as buscam na sua sombra. São silenciosas. Sabem ouvir. Não têm pressa. Sob as árvores os pensamentos se aquietam. Elas nos falam da estupidez humana, na sua correria sempre em busca dos olhares dos outros. Coitados dos adultos: sempre prisioneiros dos olhos dos outros e dos pensamentos que imaginam morar neles. Árvores não têm olhos. Por isso elas não fazem comparações. Não dizem que esse é mais bonito que aquele”.

Mães de todas as raças: continuem como colossais árvores de luz, deitando raízes profundas, produzindo frutos de sabedoria e germinando rebentos de uma cultura de paz! Feliz Dia das Mães!



(Júnior Bonfim, in Amores e Clamores da Cidade)

sábado, 8 de maio de 2010

JOSÉ ALBERTO MACEDO


Felizes os que possuem a ventura de descobrir, em cada evento da existência, o bafejar do vento da sapiência!

Louvados são aqueles que, sob a aparente vala da ignorância e da escuridão, acendem o tição do aprendizado e conservam a lição como uma chave que abre as portas do coração!


Cresci ao lado de dois ferreiros, o Antonio Ferreira e o Matias. Religiosamente, marreta à mão, os dois saudavam o frio da madrugada acionando um velho fole e acendendo o fogo poderoso que moldava o ferro, magicamente transformado em singulares facas, vistosas foices, arrojadas chibancas e outras peças indispensáveis à vida campesina.

Descobri, com frio e o fogo da vida, gente feita de minério que se lapidou com o tempo, esse mestre extraordinário, e se fez instrumento da generosidade humana.

José Alberto Macedo, o Zé Alberto, cearense há muitos outubros com raízes em Brasília, integra o rol de admiráveis figuras cuja personalidade foi se refinando com o filtro do convívio amigável. Recebeu, da reitoria da vida, o invisível título de doutor “honoris fraternus”.

Dedilho estes fonemas no dia em que se rememora o batismo do poeta da fonte dos grandes amores, talvez um dos mais vastos seres da literatura universal: Wiliam Shakespeare. A trajetória existencial do Zé, delicada cachoeira de aprendizados, me lembra um poema que se atribui a esse gênio que se irmanou com o som mais profundo da terra, o som da alma humana. Em um texto sobre as descobertas da maturação nas relações, Shakespeare revela: “Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma”. E sai, como um lavrador que debulha uma espiga de milho verde, distribuindo caroços de nutritiva sabedoria.

“E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida”.
Zé Alberto deveria se chamar Zé Aberto. Eí-lo, amigos: um ser permanentemente aberto às pessoas e ao mundo. Nascido no sítio da família, sob o clima ameno da serra da Guaraciaba, no Ceará, desde a relva da infância sempre soube se relacionar bem. É óbvio que muito sorveu da seiva serena do caule familiar dos genitores: Meton Carvalho Macedo e Alda Ribeiro Macedo. “Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha”. Ele, de tradicional família de Independência; ela, filha do Coronel Porfírio da Barra, um dos maiores latifundiários da região. Ainda viva e disposta, a octogenária mãe é uma flor de luz para o filho.

“Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos”.
No fulgor da juventude, Zé Alberto mergulhou na correnteza da militância político-eclesial liderada por Dom Fragoso em Crateús. E conheceu o túnel sem lustre do tempo da ditadura: viu amigos perseguidos, colegas algemados, libertários presos, combatentes desaparecerem... E também deixou o berço. Passou um tempo em Recife, outro no Rio de Janeiro, até se fixar na Capital da República.

Em Brasília, aeronave onde tomou assento no ano de 1973, laborou numa Casa de Peças na W3, em seguida na CNEC. Depois, por intermédio do conterrâneo Pompeu de Souza, se firmou na Confederação Nacional da Indústria – CNI, onde está até hoje. Na CNI conheceu Albano Franco, um sergipano que se destacou na seara empresarial e na política partidária. Ao mesmo tempo em que presidiu a entidade representativa do segmento industrial por 13 anos, Franco exerceu mandato de Senador, Governador de Estado e Deputado Federal. Amigo íntimo de Albano, Zé Alberto tornou-se uma espécie de embaixador do Sergipe na Sede da República. “E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão”.

Em 1974 levou ao altar Márcia Monteiro Macedo, sobralense que conheceu no Colégio Regina Pácis de Crateús. Com ela assinalou 03 anos de torrencial namoro e 27 de harmônica união matrimonial, que lhes brindou com 3 filhos: uma mulher - Raquel, que reside em Brasília; e dois homens – Márcio, advogado em Fortaleza e Marcelo, analista de sistemas em Goiânia. No ano de 2001, empós um longo período de sofrimento e dor, assistiu o desencarne da amada. E passou a exibir o amuleto da viuvez. “Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas. Pode ser a última vez que as vejamos”. Costuma dizer que há uma diferença entre separado e viúvo. O separado fez uma opção: concordou em se distanciar da pessoa que amava; já o viúvo teve a pessoa amada arrancada do cômodo da intimidade. “E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais”.

Apesar de aposentado, Zé continua em plena atividade. Aproveita o tempo livre para investir em viagens pelo mundo afora e se aquecer com a ternura dos netos: Tainá, Artur e Isabela. Detentor de imóveis – dentre eles um de inestimável valor sentimental: a Cacimba da Roça, em Crateús – considera os amigos o seu maior patrimônio. “Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher”.

Roça ordeira, cacimba de cordialidade, croa de afeto, o que mais se sobressai nesse honrado cidadão é a habilidade convivencial. Sabe pisar, entrar e sair com invulgar elegância em todas as ínvias veredas das relações humanas. Fala pouco, apenas o essencial. – “Dê a todos seus ouvidos, mas a poucos a sua voz.”

Eis um príncipe da simplicidade, um súdito aplicado na majestosa escola da arte de viver. É um açude colossal de sabedoria e singeleza. Salve, Zé!


(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste e na Revista GENTE DE AÇÃO, Ceará)

OBSERVATÓRIO


Prefeito pela segunda vez, Paulo Nazareno era o mais forte eleitor do município na sua própria sucessão, no ano de 2004. Em meio ao cipoal de desgaste dos seus principais colaboradores – que se engalfinhavam pela indicação – Paulo resolveu lançar um neófito: Carlos Felipe. Jovem laborioso, com grande destreza na arte de Hipócrates, Felipe era um nome imaculado naquele universo de supostas máculas. Como um pai que deseja o melhor marido para uma filha, Paulo viu Carlos Felipe como o candidato dos sonhos. O nome ideal. O príncipe! E assim passou a chamá-lo tempos depois, quando as relações entre ambos se estremeceram. E aí já era por razões outras: passou a vislumbrar no ex-pupilo ares de pouca humildade, inclinações messiânicas, arroubos de quem quer ver todos os demais aos seus pés.

O PRINCÍPE I

“O Príncipe” é o título da famosa obra do italiano Maquiavel, o mais festejado cientista político de todos os tempos. O livro retrata a experiência de Maquiavel em analisar as estruturas de um governo, oferecendo ao Príncipe Lorenzo de Médici uma forma de manter-se permanentemente no poder, sem ser odiado por seu povo. Nessa obra, Maquiavel trabalha, dentre outros, com dois conceitos essenciais: Virtu e Fortuna. Por “virtu” Maquiavel entende a capacidade pessoal de dominar os eventos, de alcançar um fim objetivado, por qualquer meio; por “fortuna” entende o curso dos acontecimentos que não dependem da vontade humana. O primeiro está ligado à preparação pessoal; o segundo, à sorte.

O PRÍNCIPE II

Na ótica Maquiavélica, a diferença entre os governos abiscoitados pela “virtu” e os conquistados pela “fortuna” é que os primeiros são mais duradouros. O critério para distinguir a boa política da má é o seu êxito. O êxito é medido pela capacidade de manter o governo em estabilidade, sob o signo do sucesso.

O PRÍNCIPE III

Carlos Felipe conquistou a Prefeitura de Crateús montado no tapete da fortuna. Bafejado pela sorte, inseriu-se na política da terra em que nasceu num momento de saturação das principais lideranças locais. Daí para a vitória, só precisava ter duas coisas: disposição pessoal e falar o que o povo queria ouvir. E dessas duas tarefas ele se desincumbiu com maestria. O nosso atual gestor se preparou para ser o melhor candidato; nunca o melhor prefeito. Por isso, a urbe sofre, lamenta, se angustia. Há uma enorme inquietude que aperta o coração da cidade. Há mais de um ano que o prefeito tateia no aprendizado da administração. E tem dificuldades. As pessoas se perguntam: - Será que merecíamos passar por tão dolorosa purgação? - Será impossível uma saída?


O PRÍNCIPE IV

É óbvio que há algo sendo feito. A administração já viabilizou uma cartela apreciável de pequenas e médias realizações. Mas nada de significativo, de impactante, de revolucionário. Que possa se intitular como “Vida Nova”. Entretanto, também não nos apetece a idéia de torcer pelo avanço dessa corrosão de credibilidade, pelo crescimento dessa areia movediça institucional. Precisamos superar esse estágio de luta política baseado na degradação. Melhor seria que a cidade estivesse arrumada e fagueira, como uma exuberante donzela, respirando ares de progresso sustentável. Travaríamos não uma batalha de mediocridades, mas uma disputa de excelências, sob o pêndulo saudável da virtu e da fortuna. E o povo ganharia.


DEPUTADOS

Começa a se delinear o quadro de concorrentes ao Legislativo Estadual. Certos: Nenen Coelho e Hermínio Resende. Políticos tradicionais, Nenen e Hermínio alinhavam suas estruturas e se preparam para a largada oficial. Outro nome é do médico doutor Pierre. Sonha ser confirmado como o candidato da tribo situacionista. Como seu objetivo maior é ser candidato a Prefeito, inserindo-se no rol dos postulantes à Assembléia Legislativa (independente do resultado), será um nome com assento na mesa em que se discutirá o cardápio sucessório municipal. Outro nome que está sendo ventilado é o do causídico Alexandre Maia. Aliás, O PSOL, legenda guiada pelo astro rei ideológico, pretende lançar em Crateús candidatos a deputado federal e estadual. Para a Câmara dos Deputados, apresentaria o líder sindical Paulo Giovani. Como candidato a uma vaga na Assembléia Legislativa, Alexandre Maia vislumbra a possibilidade de ser suplente de João Alfredo, estrela maior do PSOL. Considerando que certamente João Alfredo disputará a Prefeitura de Fortaleza nas eleições de 2012, o seu suplente tem grandes chances de assumir.


O DILEMA DE MÁRCIO

Márcio Cavalcante, Presidente da Câmara, vive um dilema Hamletiano em relação ao PSDB. Ainda está formalmente filiado ao partido, mas nenhum laço o une à legenda tucana. Quer sair do ninho, porém teme perder as asas do mandato, porque poderia amargar um processo por infidelidade partidária. Por outro lado, a legenda não o deseja mais em seus quadros. No entanto, evita liberá-lo para que busque outro habitat.


PARA REFLETIR

“Recorda-se de tudo o que você passou? Nenhuma coisa ou emoção é permanente. Como o dia e a noite, há momentos de felicidades e momentos de tristezas. Aceite-os como parte natural das coisas, porque eles fazem parte da natureza de sua vida”. (Malba Tahan)


(Publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste - Crateús, Ceará)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

Moreninho jeitoso

Paulo Guerra era governador de Pernambuco e Joaquim Guerra, o filho, candidato a deputado. Elegeu-se pela Arena. Houve festa da padroeira em Bom Conselho, Joaquim Guerra foi lá. Depois das festas religiosas, Joaquim Guerra foi ao baile. Tirou para dançar a filha do prefeito. Joaquim Guerra era bem moreno, queimado de sol. O prefeito o enxerga no meio do salão. Chama a mulher:

- Quem é aquele negrinho que está dançando com a menina?

- Não tem nenhum negrinho aqui.

- Aquele ali, dançando com a nossa filha.

- Fale baixo, homem, não diga besteira. É o filho do governador.

- Moreninho bonito e jeitoso!

Historinha contada pelo amigo Sebastião Nery

Os aviões decolam


Os aviões de José Serra e Dilma Rousseff começam a decolar. As turbinas foram ligadas. E o primeiro trajeto na pista começa a ser visto. Serra respira ares no nordeste, no sul, dando sua paradinha no meio, em Minas Gerais. Dilma não fica atrás. Corre solta, em alguns momentos, e noutros, na companhia de Lula, como se viu no 1º de maio. O que se pode dizer dos primeiros movimentos?

Vertical e horizontal

Serra está mais solto. Parece mais tranquilo. E está até sorridente. Expressa mais segurança e equilíbrio do que na campanha presidencial de 2002. Dilma denota certa falta de traquejo nesse início. Possivelmente, seja efeito do puxa-puxa: um puxa de lado, outro puxa de outro. Sua campanha se reparte em muitos núcleos. Tem comandos vários. Muitos chefes. Quando isso ocorre, a linha decisória torna-se tênue. Campanha de comando horizontal é aquela em que todos mandam e ninguém obedece. A campanha de Serra sinaliza mais enxugamento, mais verticalidade. Ele é o centro que comanda as decisões. Obtém-se maior eficácia.

"Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada." (Albert Einstein)

Quando mudar é perigoso


Dilma é aconselhada a mudar. Coisa complicada. A pessoa poderá melhorar posturas e habilidades comunicativas. Mudar, porém, de comportamento, saindo de um modelo A para um modelo Z é muito perigoso. A identidade é o caráter, a personalidade, a essência, a coluna vertebral de um candidato. Quando você muda essa coluna, o corpo se quebra, verga, entorta. E isso é um risco. Mais adiante, a pessoa vai querer repor a antiga identidade. E acaba dando com os burros n’água. Comete gafes, tropeços, exalta-se, perde as estribeiras. Não é o que ocorre com Dilma. Mas poderá vir a ocorrer.

O discurso político

Muita gente se engana com a eficácia do discurso político. Pois bem, o discurso político é uma composição entre a semântica e a estética. O que muitos não sabem é que a eficácia do discurso depende 7% do conteúdo da expressão e 93% da comunicação não verbal. Esse é o resultado de pesquisas que se fazem sobre o tema desde 1960. E das comunicações não verbais, 55% provêm de expressões faciais e 38% derivam de elementos paralinguísticos – voz, entonação, gestos, postura etc. Ou seja, do que se diz, apenas pequena parcela é levada em consideração. O que não se diz, mas se vê tem muito maior importância.

Clinton e Mônica

O presidente Clinton foi objeto de estudos nessa área. Sua entrevista negando ter tido relações sexuais com Mônica Lewinsky é uma peça antológica. Mãos nervosas, que ele não sabia onde colocar, olhos que se desviavam para o alto – em sinal de fuga – o ex-presidente dos EUA atingiu o pico da mentira quando se referiu à Mônica na terceira pessoa: "afirmo de maneira categórica que nunca tive relações sexuais com aquela mulher". Ao usar a terceira pessoa, aquela mulher, Clinton desejava dar ideia de afastamento, desconhecimento. Mas as fotos mostravam intimidade. Caiu na dissonância. Fala e expressão não combinavam.

Pacote de macarrão

Esse é o calcanhar de Aquiles dos candidatos. Evitar ser flagrados em dissonância. E isso ocorre geralmente quando um candidato é instado a mudar de identidade. O eleitor percebe quando a pessoa torna-se artificial, um mero produto de marketing. E candidato não pode ser trabalhado como se trabalha um sabonete, um pacote de macarrão.

Mercado de trabalho

Mais do que uma oportunidade para adquirir experiência, o trabalho temporário aumenta a chance de empregabilidade, segundo o estudo da International Confederation of Private Employment Agencies (CIETT). Realizado em âmbito mundial, a pesquisa revela que, após uma contratação temporária, o risco de permanecer desempregado diminui em média 66%. O levantamento completo será apresentado durante o Congresso Mundial de Terceirização e Trabalho Temporário, evento promovido pelo Sindeprestem nos dias 27 e 28 de maio, no WTC Convention Center, em São Paulo.

A Copa e a lição de casa

O Brasil não está fazendo a lição de casa para a Copa de 2014, segundo a Fifa. Aliás, nem começou. Embora alguns digam que a entidade máxima do futebol faz excessivas exigências ao país, o fato é que o Brasil não tem o direito de fingir que o assunto não é com ele. Quem chama o evento para si, tem que fazer. O Brasil quis trazer a Copa, conseguiu. Vários setores vem se movimentando, tanto que os principais hotéis nas cidades sedes já aceitam reservas, mas ficam muitas dúvidas. Nos estádios, as obras nem começaram. No setor de hospedagem não se sabe se haverá acomodação para todos os turistas. Construir novos hotéis é bobagem, pois passado o evento não terão ocupação suficiente. Os navios seriam boa solução como hospedagem alternativa, mas, será que virão? Não temos terminais turísticos e são raras as boas ligações rodoviárias entre portos e cidades. Em termos de infraestrutura estamos indo muito mal.

A fábula do fogo


O fogo ficou ofendido porque a água, na panela, foi colocada acima dele. Logo ele que se considera um "elemento superior". Não aceita a provocação. Começa a erguer cada vez mais alto as suas chamas até provocar a ebulição da água. E esta, transbordando da panela, extingue o fogo. Moral da história : meça sempre as conseqüências de seus atos. Nem sempre o ímpeto consegue ser eficaz.

Zé Anibal chateado

Zé Aníbal renunciou à sua candidatura ao Senado. Teve de ceder à pressão da máquina. Que trabalhava para Aloysio Nunes Ferreira. Aníbal ainda não decidiu se vai para a reeleição de deputado. Foi convidado para coordenar o programa de governo de Geraldo Alckmin. Em conversa com este consultor, demonstrou muita indignação.

Senado em SP

A moldura eleitoral para o Senado, em SP, mostra Marta Suplicy, pelo PT, em situação confortável. Aloysio, do PSDB, é um perfil para dentro. Vai ter de fazer grande esforço para ganhar simpatia do eleitorado. Quércia, do PMDB, em aliança com os tucanos, sofre desgaste de imagem. Tuma tem um bom índice de intenção de voto, mas falta-lhe uma coligação de porte, que lhe garanta boa visibilidade. Netinho de Paula, do PCdoB, terá pouca mídia eleitoral, mas é um artista midiático. E Gabriel Chalita, com votos fechados no colégio católico, tem boa apresentação. Mas não terá visibilidade. A não ser que PSB faça coligação com PT, queimando a pretensão de Paulo Skaf, o neosocialista.

"Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia em sua vida." (Confúcio)

3 X 4 em Natal


Pesquisa apenas em Natal, capital do RN : Presidência : José Serra, 39%; Dilma, 27%; Governo do Estado : Rosalba Ciarlini, 42%. Carlos Eduardo, 25%; Iberê Ferreira, 10% e Fernando Bezerra, 10%. Senado: Garibaldi Alves, 57%; José Agripino, 55%; Vilma Faria, 42%.

Balzaquianas

As balzaquianas - consagradas por Honoré de Balzac no livro a Mulher de 30 anos -, somam mais de 30% do eleitorado brasileiro. Segundo estudos do prof. José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, o grupo em torno de 35 anos vai decidir o destino dos candidatos. O estudo mostra que Lula e o PT sempre tiveram mais dificuldades junto ao eleitorado feminino, que, aliás, supera o eleitorado masculino em 5 milhões de votos: 68 milhões de eleitoras e 63 milhões de eleitores.

Guerra em Pernambuco


Jarbas Vasconcelos está em vias de aceitar a candidatura ao governo de Pernambuco. O senador tucano tem poucas chances. Mas poderá ser importante na estratégia de extensão do palanque de Serra no nordeste. Já o senador Sérgio Guerra hesita em postular a reeleição ao Senado. Mais se inclina por uma candidatura à Câmara Federal.

Sergipe

João Alves deverá ser candidato ao governo de Sergipe. Enfrentará o governador Marcelo Deda, que lidera as pesquisas. Mas João é um forte candidato. Tem chances.

Alagoas

A novidade em Alagoas é a candidatura de Fernando Collor. O senador decidiu se candidatar após examinar pesquisas. Estaria liderando o páreo. O jogo vai ser duro. O tucano Teotônio Vilela enfrentaria pela oposição o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que teria o apoio de um chapão, composto pelo PDT, PTB, PMDB (de Renan Calheiros), PR, PT, PC do B, PRB, PV. Collor, embolando o jogo, gostaria de tirar Lessa da jogada.

Rio Grande do Sul

Os tucanos gaúchos fecharam aliança com o PP de Dornelles para as eleições estaduais. Significa que, no plano nacional, esse é um passo na direção de José Serra. Com o próprio senador Dornelles como vice. Primo de Aécio, o senador carioca abriria espaços no Rio e em Minas para o ex-governador paulista. Mas o PP pode optar pela neutralidade.

Rio de Janeiro

No Rio, Fernando Gabeira, do PV, fecha aliança com DEM-PPS-PSDB e ancorará uma vaga para César Maia no Senado. Gabeira poderá crescer bastante. E até vir a ameaçar Sérgio Cabral. Abre palanque para Serra, no segundo turno. No primeiro, claro, o verde fechará com Marina também verde.

Ceará

No Ceará, o samba do crioulo doido tocará nesta campanha. Ciro deverá comandar a campanha do irmão Cid. E este, que é do PSB, deverá ajudar o amigo Tasso Jereissati, do PSDB. Que comandará a campanha de Serra no Estado. Ciro é adversário de Serra. Mas é irmão político de Tasso. Os opostos de unirão? SDS. Só Deus Sabe.

Paraná

PT poderá até vir a apoiar a candidatura do governador Orlando Pessuti, do PMDB, que se esforça para alavancar seu nome ao governo.

Minas Gerais

Em Minas Gerais, Fernando Pimentel venceu as prévias do PT. Para quê ? Para ser candidato a senador, porque o candidato que o PT apoiará ao governo será Hélio Costa, do PMDB. Mas Hélio levará a melhor? Está na frente, mas Aécio Neves tem condições de emplacar no assento seu vice e atual governador, Antônio Anastasia.

Primórdios do marketing político

"Rastreie, vá ao encalço de homens de toda e qualquer região, passe a conhecê-los, cultive e fortaleça a amizade, cuide para que em suas respectivas localidades eles cabalem votos para você e defendam sua causa como se fossem eles os candidatos". (Quinto Túlio Cícero aconselhando o irmão Marco Cícero, o grande tribuno, em 64. A . C, quando este fazia campanha o Consulado de Roma)

Conselho a Dilma e a Serra

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às assessorias de Dilma e Serra. Hoje, volta sua atenção aos candidatos à presidência Dilma e Serra:

1. Minas Gerais será a principal balança da campanha. Poderá ser surpresa. Apesar de Aécio Neves ser tucano, o voto mineiro foi e será muito escondido. Mineiro é desconfiado.

2. Pode haver um mutirão de votos para Serra, se Aécio conseguir verdadeiramente comandar a campanha tucana. E mais : mobilizar e motivar as massas.

3. Mas os mineiros podem misturar o voto. Há, sim, uma tendência para o voto Anastadilma ou Dilmasia. Minas tem 14,2 milhões de eleitores. A vitória de Serra ou de Dilma está muito na dependência do voto mineiro.

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* Gaudêncio Torquato

UMA FLOR DE MÃE

Flor de encanto e ternura,
Coragem da mãe de Jesus
Pelo bem de cada filho
Suporta o peso da cruz.

Flor que se torna fera,
Para defender sua cria,
Às vezes desesperada,
Invoca a Virgem Maria.

Flor de palavras sábias,
Que minha vida conduz,
Do teu ventre abençoado
Vim ao mundo ver a luz.

Flor da qual eu sou fruto,
E um dia me viu crescer,
Só após ter os meus filhos
Eu passei a lhe entender.

Agradeço a minha flor,
A sua eterna dedicação.
Meu coração está repleto
De carinho e gratidão.

Dalinha Catunda

quarta-feira, 5 de maio de 2010

HOJE É O DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES

A Comunicação vem do latim communis, comum, dando idéia de comunidade.

Comunicar significa participação, troca de informações, tornar comum aos outros idéias, volições e estados de espírito.

Ou seja, as pessoas poderem entender-se umas às outras, expressando pensamentos e até mesmo unindo o que está isolado, o que está longe da comunidade.
O Conceito Biológico da comunicação é relacionado com a atividade sensorial e nervosa do ser humano.

É através da linguagem que é exprimido o que se passa no seu sistema nervoso.

Algumas espécies têm a necessidade de intercambiar informações apenas para multiplicar-se, enquanto a espécie humana procura comunicar-se intensamente com outros porque necessita de participar ativamente da sua própria evolução biológica.

Esse é um conceito parcial, pois a comunicação não se resume a impulsos nervosos.

Existe o lado emocional que contribui para a formulação das idéias.

A inteligência emocional é parte biológica do ser humano, uma vez que sentimentos como ira e alegria alteram batimentos cardíacos, influenciando pensamentos e reformulando informações.

A comunicação é uma atividade educativa que envolve troca de experiências entre pessoas de gerações diferentes, evitando-se assim que grupos sociais retornem ao primitivismo.

Entre os que se comunicam, há uma transmissão de ensinamentos, onde se modifica a disposição mental das partes envolvidas.

Pedagogicamente, é essencial que a educação faça parte de uma comunidade, para que os jovens se adaptem à vida social, sem que cometam erros do passado.

Não fossem os meios de comunicação, ampliando as possibilidades de coexistência mais pacífica entre os homens, estes já estariam extintos devido às disputas pelo poder.

E não menos importante que os conceitos anteriores, a comunicação atua na forma de sobrevivência social e no fundamento da existência humana.

Os homens têm necessidade de estar em constante relação com o mundo, e para isso usam a comunicação como mediadora na interação social, pois é compreensível enquanto código para todos que dela participam.

Além desse aspecto, os sociólogos entendem a comunicação como fundamental nos dias de hoje para o bom entendimento da sociedade e na construção social do mundo.

(Fonte: Intervozes)

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Para que se tornasse possível a expansão das comunicações e dos meios físicos no Brasil, houve o empenho de Cândido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon, que era descendente de índios, destacado militar, sertanista e geógrafo brasileiro.

Ao ingressar no exército, ele foi ajudante da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas que ligaram Goiás a Mato Grosso. Em 1900, promovido a chefe da Comissão, atravessou mais de 3.500 km de sertão e de florestas inexploradas, levando as linhas do telégrafo até o Acre.

Mais de 2.000 km de linhas foram instalados sob seu comando, fato que permitiu que a comunicação atingisse territórios antes isolados.

Em homenagem ao seu importante e pioneiro trabalho, o dia de seu nascimento foi declarado Dia das Comunicações.

Hoje, as linhas telegráficas foram substituídas por linhas telefônicas, fibras ópticas e de transmissão de dados.

Com esses avanços tecnológicos, as comunicações quebraram grandes barreiras e se tornaram "massificadas".

Milhões de pessoas, todos os dias, estão em contato com alguma forma de comunicação e sugestão propagadas pela televisão, pelo rádio e, mais recentemente, pela internet.

Assim, as comunicações foram transformadas em um setor estratégico para a manutenção da sociedade.

O Ministério das Comunicações é o órgão do Poder Executivo federal responsável pela elaboração e cumprimento das políticas públicas de três grandes áreas: radiodifusão, serviços postais e telecomunicações, com base na Constituição Federal e na legislação específica: Código Brasileiro de Telecomunicações, criado pela lei no 4117, de 27/8/1962, e regulamentado pelo decreto-lei no 236, de 28/2/1967; Lei Geral de Telecomunicações (lei no 9.472, de 16/7/1997); lei no 10.052, de 28/11/2000, que criou o fundo para o desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

Os meios de comunicação social tomaram especial importância no século passado.

O mundo conheceu um avanço tecnológico ímpar, que afetou o modo de as pessoas se relacionarem e, sobretudo, a forma como elas se comunicam.

A Igreja católica, ciente da importância dos meios de comunicação para o anúncio da Palavra de Deus, tem demonstrado extrema preocupação com o seu uso indevido.

Ao longo dos anos, a Igreja tem emitido pareceres e documentos acerca do uso coerente e cristão dos meios de comunicação social por parte das instituições religiosas, em sua missão apostólica, e por parte das instituições civis.

Entre os documentos mais importantes, está o decreto Inter Mirifica, do papa Paulo VI, e a instrução pastoral Aetatis Novae, do papa João Paulo II, além de inúmeras instruções pastorais.

Todos os anos, o Papa envia uma carta aos cristãos, para o Dia das Comunicações, discorrendo a respeito das novas formas de difusão do pensamento e da Palavra de Deus.

Fonte: www.paulinas.org.br

terça-feira, 4 de maio de 2010

JUSTIFICATIVA SOBRE POSTAGENS

Às vezes, demoro na atualização deste blog.

Mantenho esta página por dilentantismo. E a alimento nos escassos momentos de folga.

Como sou adepto da máxima popular "primeiro a obrigação; depois a diversão" - priorizo os compromissos profissionais.

Nestes últimos dias, tenho tido uma agenda superlotada, inclusive com viagens a municípios com problemas de conexão na web. Por isso, a diferença de ritmo nas postagens.

Espero a compreensão dos amigos.

Grato,

JB

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Olá Júnior,

Estarei sempre passando por aqui,mesmo sem novas postagens, tem sempre algo interessante para se ler.

Você em sua generosidade, abriga em seu espaço, valores de sua terra, amigos, conhecido e muitas vezes transforma comentários em postagens.

Um abraço carinhoso,

Dalinha

domingo, 2 de maio de 2010

GUERREIRO MENINO




Composição: Gonzaguinha

Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas

Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura

Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito

Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem perfeitos

É triste ver este homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros

Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que traz no peito
Pois ama e ama

Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho

E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata

Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

sexta-feira, 30 de abril de 2010

BÁLSAMO DA VIDA

Haurido nas sendas da existência, fruto das pétalas colhidas nas veredas da vida, um eflúvio encantatório se esfumou exalando o amor pelo Direito.

É assim que nós, com parcos recursos intelectuais, podemos definir o que foi o inebriante discurso emanado pelo advogado Pedro Gordilho na cerimônia de posse do ministro Peluso na presidência do STF, ocorrida na última sexta-feira.

Aplaudidíssimo (e não sem motivo), o advogado representou a comunidade jurídica e, sobretudo, "os espíritos livres da nação".

Possuidor de ímpar erudição, Pedro Gordilho encetou seu discurso afirmando que falava "sem outros títulos senão o certificado da lixa do tempo", e o encerrou lançando as sementes do destino da Corte Suprema, para que ela "continue em harmonia com o sentimento nacional" e mantenha seu "saudável equilíbrio". Conhecidos o alfa e o ômega desta bela oração, é bem o momento de sorver seu rico conteúdo.

(Fonte: Migalhas)

UM DISCURSO HISTÓRICO


Sr. Ministro Cezar Peluso, Presidente do Supremo Tribunal Federal

Sr. Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva,

Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Michel Temer,

Sr Presidente do Senado, Senador José Sarney,

Sr. Procurador-Geral da República Dr. Roberto Gurgel, nomes que pronuncio e destaco e, fazendo-o, homenageio as demais autoridades presentes,

Colega Ophir Cavalcante, Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil

Senhoras, Senhores,

Colegas Advogadas, colegas advogados

MINISTRO CEZAR PELUSO (*)

Cabe ao veterano advogado militante – sem outros títulos senão o certificado da lixa do tempo, em uma tribuna que felizmente não confere promoção por antiguidade – a incumbência insigne de celebrar os novos dirigentes do Supremo Tribunal Federal, Presidente Cezar Peluso e Vice-Presidente Aires Brito, no pórtico da jornada que se vai iniciar.

Incumbência grata, devo dizer, em razão da afeição que me liga aos homenageados, juízes eminentes e advogado, por certo, mas todos observadores atentos da alma humana e, por isso mesmo, habilitados a depor reciprocamente e com conhecimento acerca das atividades que ilustram os nossos caminhos e das ideias e sentimentos que mais nos uniram na saudável convivência desses últimos anos.

* * *

Continuamos contemporâneos do futuro, buscando remédios mais justos e equânimes para as inquietações de nosso tempo. O secular instinto de liberdade e as aspirações de justiça social procuram fundir-se em medidas que superem as contradições sociais e econômicas, agravadas pelas crises financeiras, os contrastes ideológicos e os antagonismos políticos.

Esse Eg. Tribunal fez eco a tais inquietações visíveis em nosso país. Ameaças e abusos que tiveram como molas propulsoras certas forças policiais, alguns setores da Magistratura e do Ministério Público e uma expectativa social muitas vezes proveniente da fragilidade das informações. Mas com pulso forte, sem temer as deturpações dos polemistas de plantão, o Exmo. Sr. Presidente Gilmar Mendes, que conclui seu mandato na Presidência, defendeu com vigor os direitos fundamentais e as garantias individuais. Assim o fez no livre curso do debate forense e, por igual – visando alcançar grande parte da sociedade desinformada –, em oportunas e convincentes entrevistas dadas à imprensa, esclarecendo, em linguagem acessível, o que se passa na intimidade de um julgamento, de uma proposição jurídica, de uma preceituação constitucional.

A nação brasileira muito deve a V. Exa., Ministro Gilmar Mendes, que com seu destemor, sua vasta cultura jurídica e seu intenso labor deixa a Presidência, podendo se envaidecer justamente – sem prejuízo da notável administração que imprimiu à nossa Suprema Corte –, por haver corrigido os rumos de algumas instituições que se achavam à deriva do arcabouço constitucional no plano da observância das garantias que a Constituição reclama.

Não se compreende como se possa construir uma nação vigorosa, em que cidadãos aspirem o bem e a grandeza, pelo aviltamento do homem com o emprego de processos tenebrosos, desligados do sistema legal, que nele procuram sufocar e extinguir o quanto existe de nobre, de belo, de fecundo e criador, para reduzi-lo a um autômato, a um temeroso, acanhado pela degradação moral, arrancando-lhe tudo aquilo que nele mostra superiormente a presença do sopro divino. O nosso canto de vida é, agora mais do que nunca, um canto à justiça e ao Juiz que a torna viva, e o seu refrão há de ser a estrofe de Walt Whitman, em sua exaltação imortal ao juiz (**):

“Grande é a Justiça;

A justiça não é aquela feita por legisladores e leis... está na alma,

Não pode ser alterada por estatutos, não mais que o amor ou o orgulho ou a atração gravitacional, pois a justiça está nos grandes e perfeitos juízes da natureza .... está em suas almas (...)

O juiz perfeito nada teme.... poderia ficar cara a cara com Deus,

Diante do juiz perfeito todos recuam .... vida e morte recuam .... céu e inferno recuam.”

* * *

Vossa Excelência, Sr. Ministro Cezar Peluso, assume a Presidência do Supremo Tribunal tendo ao seu lado o Ministro Aires Brito, um humanista, um poeta, que, como profundo conhecedor da constituição brasileira, busca, notadamente nos princípios que orientam e comandam o nosso estatuto fundamental, a resolução para os conflitos judiciais. Posso afirmar que humanidade, no entendimento do Ministro Aires Brito, significa solidariedade social. E os princípios constitucionais, na visão de S. Exa., têm parte ativa entre os instrumentos democráticos que tornam concreta esta diretriz. Com uma visão social abrangente, marcante e didática na interpretação da Constituição, concede-nos a garantia de que o Supremo Tribunal, à luz de sua hermenêutica, estará em permanente alerta às ameaças e abusos praticados pelos outros poderes e nas resoluções dos conflitos.

* * *

Do ponto de partida de sua atividade luminosa até atingir a culminância que ora se inicia, V.Exa., Sr. Presidente Cezar Peluso, viveu plenamente, como participante ativo, todas as experiências e aflições do magistrado de carreira.

Iniciou-a em Itapetininga, no distante janeiro de 1968, seguindo-se as Comarcas de São Sebastião, Igarapava, até a Capital paulista, quatro anos após seu ingresso na magistratura.

Por dez longos anos esteve V.Exa. como juiz de primeira instância em São Paulo até a promoção por merecimento para o 2º Tribunal de Alçada Civil, onde oficiou durante quatro anos, sendo promovido, em 14 de abril de 1986, sempre por merecimento, para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Funções e ofícios que foram exercidos sem prejuízo do magistério, atividade intelectual que tanto o encantou e está entre as preferidas de V.Exa.

Marcas vigorosas se mantêm nos textos de sua lavra, desde os primórdios, no exercício da toga, até os dias dos quais somos todos testemunhas: a absoluta correção vocabular, o desdobramento lógico e a fulgurante clareza dos conceitos expressados.

O professor está presente no exercício erudito das teses, na riqueza da pesquisa, na solidez das ideias. Mas na hora da decisão – sem prejuízo das leituras e da cátedra, dos quais promana o denso conhecimento jurídico revelando o notável saber –, o resultado vem pontual com a aplicação do preceito fundamental e o restabelecimento do direito ofendido.

V.Exa. é o Juiz da realidade de seu tempo, aprecia os fatos que lhe cercam e, sempre que necessário – seguindo o exemplo, que a História consagrou, do Chief Justice Warren, conhecendo in faciem o grau de segregação em seu país, antes de dar seu voto decisivo –, V.Exa. também não hesita em conhecer diretamente os fatos visando fortalecer a decisão a ser tomada. Sempre foi assim, desde o início da sua carreira luminosa, como testemunha a obra autobiográfica que encantou o Brasil, Código da Vida, do colega advogado Saulo Ramos.

É esse exercício, raro entre os magistrados, mas tão salutar na construção e renovação do direito, que, ao lado da vasta cultura jurídica, permite-lhe a inabalável segurança com que pronuncia seus votos, na qualidade de relator ou partícipe do debate colegiado. Guardando, sempre, elegância no trato, que se revela na capacidade de ouvir antes de replicar, de reservar a mesma tonalidade – sem demasia no fortíssimo – para a discussão vibrante no respeitoso embate conceitual, que por vezes se estabelece nesse salão venerando.

Em certo momento, fazendo um retrospecto histórico, pude conhecer-lhe ainda melhor a pulsação. Estávamos em 1964. Ferido por uma explosão de insânia, o Des. Edgard de Moura Bittencourt foi punido pela ditadura militar, “condenado à dura pena de afastamento do cargo que foi o sonho realizado de minha mocidade”, como disse o saudoso magistrado em artigo publicado na Folha de São Paulo. Falecido vinte anos depois, coube ao então Juiz do 2º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo Cezar Peluso prestar as homenagens merecidas. Em discurso, celebrou-lhe a memória com um dos depoimentos mais pungentes que tenho conhecido, descrevendo o martírio e censurando a crueldade dos então curadores de plantão das instituições brasileiras.

Extraio trechos do discurso pronunciado naquela ocasião pelo Juiz Cezar Peluso:

“De sua vida, entretecida de fios da tragédia grega, martirologio romano e paixão hebraica, fica-nos a imagem imperecível de fidelidade à consciência e aos mais caros ideais da utopia humana. De sua morte uma exigência de reflexão institucional.

Jamais o atraíram os banquetes das oportunidades ou a medíocre rotina dos horizontes acabados. Espírito inquieto, privilegiadamente sensível às angustias e às palpitações da condição humana, conseguiu articular os valores permanentes do Direito com as mutações históricas. Preparou caminhos e antecipou veredas. Esteve além de sua época, como profeta do sentido jurídico. Não admira escandalizasse contemporâneos escravizados a fórmulas vazias e a preconceitos irremovíveis. A final, todo profeta é incomodo a estruturas e a padrões esclerosados.

Para afastar as suspicácias, não lhe bastaram a honradez pessoal, a integra devoção profissional, a sinceridade imperturbável do verbo, nem a romântica exemplaridade do convívio familiar. Mas, já indagara o velho cavaleiro do Palmeirim, “que prestam razões, onde não há razão”? (apud RUI BARBOSA, “Réplica”, vol. 11 pág. 111). A misteriosa iniqüidade, que grava o coração do homem, é insaciável e não o poupou.

Inventaram-lhe o pecado e não houve tempo por lhe inventarem o perdão. Eis a ironia da Historia. Se a alma grandiosa não pede tempo para anistiar e perdoar no ato mesmo da crucifixão, a catarse não prescinde da temporalidade, que é sempre limitada e não raro insuficiente. A Pilatos, Anás e Caifás, faltou-lhes tempo para refazer o tempo. Edgard de Moura Bittencourt não foi reempossado em todos os seus direitos e prerrogativas, nem restituído nos seus sonhos e esperanças.

Foi, no entanto, menos vítima do arbítrio rebelionário que do obscurantismo e intolerância informes, enquanto lhe deturparam as ideias, corromperam intenções, desfiguraram os gestos e conspurcaram a inocência. A tentação maniqueísta, que não desconfia dos enganos próprios e não se fia nas virtudes alheias, prepara, incentiva e preludia as grandes injustiças.”

Eis aí, Senhoras e Senhores, excertos de um depoimento indignado, doloroso, representativo de um período que a Historia jamais purgará, e que deve ser lembrado para que as gerações estejam atentas e oponham a mais severa resistência às tentações totalitárias.

E vem aqui reproduzido, afim de figurar nos anais do Supremo Tribunal a reminiscência histórica de seu Presidente, lembrança amarga de um suplício irreparável.

* * *

Uma vez foi a rebelião das massas que se considerava a grande ameaça. Golpes de Estado foram dados sob a falácia da proteção da sociedade organizada contra a subversão. Hoje, em nosso tempo, a principal ameaça vem de alguns que estão no topo da hierarquia social, numa ligação espúria com maus políticos e maus gestores. Esta notável mudança nos acontecimentos confunde muitas de nossas expectativas quanto ao curso da historia.

A democracia está hoje ameaçada não mais pelas massas, mas pela inconsciência das elites. Estas elites recusam-se a aceitar limites ou vínculos com a nação ou com lugares. Ao se isolar em suas redes, dividem a nação e trazem a idéia da existência de uma democracia para todos, fantasiada, para induzir a engodos, com designações falaciosas.

Isso explica porque estamos todos apáticos quanto à cultura comum e desinteressados em discutir política ou votar, escolher os governantes e os representantes legislativos. As elites, tendo se descartado de normas éticas, que a religião lhes proporcionava, e valendo-se da lassidão de alguns Estados, felizmente distantes de nós, agarram-se à crença de que, através da ciência e do lucro abusivo, associadas aos maus políticos, é possível dominar seu destino e escapar dos limites. E na busca desta fantasia, ficam fascinadas pela economia global. É uma rebelião que infortunadamente está acabando com tudo o que vale a pena no mundo ocidental e somente poderá ser contida eficazmente pela indelegável ação do Estado, como temos felizmente podido testemunhar em nossos dias.

* * *

Ao Supremo Tribunal Federal cabe significativa parcela nesse quadrante de nossa história contemporânea. Na Apologia de Sócrates Platão ressalta: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo a lei.” Mas há um conceito divergente, muito menos rígido, que busca conciliar o imperativo da lei, aprisionado nos códigos e na jurisprudência, com a percepção de uma realidade política e social essencialmente dinâmica. É um conceito que quebra o entrave do tecnicismo exacerbado, em beneficio da causa dos direitos humanos, das liberdades publicas e do equilíbrio social.

Muito mais do que garimpar textos e, com a ajuda de poderosas lupas, revolver – com as louváveis exceções de sempre – o que já passou, o que todos esperamos é que o Tribunal continue em harmonia com o sentimento nacional, fazendo viva a expressão de V.Exa. Presidente Cezar Peluso, dirigida aos novos Juízes, ao ressaltar em linguagem elevada, brilhante e sentenciosa: “A força do Judiciário é a força da própria sociedade civil, da qual é interprete.”

O Tribunal, assim, haverá de manter seu saudável equilíbrio, sintonizado com a política e ao mesmo tempo desligado dela, como tem sido no curso de sua longa historia, mostrando a todos quantos se envolveram na pesquisa dos fatos notáveis – que oferecem o grandioso cenário das muitas décadas vencidas –, que, ao contrario de uma famosa catilinária, muitas vezes repetida e sempre sem razão, foi o poder que menos faltou à república brasileira.

* * *

Há três milênios o Livro da Sabedoria adverte as gerações porvindouras, conturbadas ou felizes, na desordem ou na paz, que “a justiça é perpetua e imortal”. Guardemos, todos, a certeza de que teremos no comando do poder judiciário brasileiro o juiz que irá propagar esse principio de todos os tempos, o juiz cristão e amigo da verdade, como o queria a virtude teologal, e com todos atributos reclamados para a grandeza de seu sacerdócio, integro em julgar, integro em ouvir, servo da razão, da equidade e da tolerância, incansável no labor, e sobre quem – com o testemunho de Dra. Lucia de Toledo Piza Peluso, a esposa, a companheira querida da vida inteira, dos filhos Vinicius, Glais, Érica e Luciana, da nora, dos genros e dos netos – fazemos recair agora a brilhante imagem com a qual Rui Barbosa, o nosso pontífice maior, desvelou-se por inteiro diante da nação brasileira: “Às majestades da força nunca me inclinei. Mas sirvo às do Direito. Sirvo ao merecimento. Sirvo à razão. Sirvo à lei. Sirvo a minha Pátria. São essas as que eu reconheço neste mundo.”

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(*) Discurso pronunciado no Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 23.4.10, pelo advogado Pedro Gordilho, por ocasião da solenidade de posse do Ministro Cezar Peluso na Presidência.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

Mel de abelhas

Abro a coluna com uma historinha que Geraldo Alckmin me contou no 9º Fórum de Comandatuba. No jantar, eu falava sobre o texto de Dora Kramer. E lembrava que ela fora minha aluna na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, nos idos de 70. Dora tinha o melhor texto da turma. Por isso, eu pedia que a classe formasse um círculo ao seu redor. Um dia, achei aquela formação muito parecida a de uma colmeia. E exclamei : "vamos, agora, ouvir a abelha rainha". Era a imagem que Dora transmitia. Com todas as abelhas trabalhadoras à sua volta. A historinha de Alckmin aparece porque eu lembrava que, naquela época, Doramaria tinha como sobrenome: Tavares de Lima. Era sobrinha do grande e saudoso Chopin Tavares de Lima. Eis o relato:

Chopin, como secretário do Interior do Governo Montoro, tinha a missão de fazer a articulação com os prefeitos. Um dos programas de Montoro contemplava a fabricação de mel. Mel caseiro. O prefeito de Silveiras, na microrregião de Bananal, de nome Miguel, no meio do caminho para a capital, aproveitando a parada para o almoço, comprou uma garrafa de mel, dessas comuns que se encontram em restaurantes de estrada. Tirou o rótulo, lavou a garrafa, embalou-a em celofane. Era um presente para Chopin. Planejava provocar um impacto.

- Secretário, aqui está o resultado do programa 'Colmeia' do governo Montoro. Mel de primeira qualidade. O melhor mel que São Paulo já produziu.

Surpresa geral. Agradecimentos do Chopin com o aviso de que levaria o presente para o governador Montoro. A seguir, o astuto prefeito emendou:

- Gostaria que o secretário providenciasse a liberação da verba para o asfalto. Que pedimos faz bom tempo.

Imediatamente, o secretário mandou localizar o pedido da Prefeitura de Silveiras. Ocorre que não havia nenhuma solicitação. O prefeito aproveitara a ocasião para jogar verde e colher maduro. Queria colher recompensa pela garrafa de mel que levara. Depois de algum tempo, a mensagem: a solicitação não foi encontrada. Mil pedidos de desculpas do Secretário Chopin. O prefeito prometeu encaminhar novo pedido, conformado com a burocracia do Palácio que havia perdido o ofício. Geraldo Alckmin, então deputado estadual, ouvira o relato e percebeu a artimanha do prefeito. Aos ouvidos dele, cochichou a frase bíblica:

- Miguel, Miguel, tu não tens abelha e trazes mel.

Miguel regressou a Silveiras. No dia seguinte, ao telefonar para o Secretário Chopin Tavares de Lima, comunicando que novo ofício estava seguindo pelo Correio, ouviu dele a confissão:

- Não precisa mandar, prefeito, encontramos o ofício. Vamos liberar a verba.

E assim Chopin Tavares de Lima, Miguel, Silveiras, Geraldo Alckmin, Dora Kramer e eu entramos juntos, pela primeira vez, numa mesma história. Pergunto perplexo: como Dora Kramer passou a ter ligação com mel e colmeia? Mistérios que as antenas do circulo planetário nos proporcionam. Meu sistema cognitivo capturara a imagem da colmeia celebrada por Chopin, seu tio. Ela tinha de ser a abelha rainha. Lembrem-se do ditado: "As pedras tanto rolam que um dia ainda se encontram."

Ecos de Comandatuba


Durante quatro dias, cerca de 350 empresários, autoridades do Executivo e uma penca de políticos passaram a limpo as condições atuais do país e suas perspectivas. O clima de otimismo impregnou-se no grupo, a partir do desfile de números apresentado por Henrique Meirelles. Dados mostraram a situação confortável do Brasil. Que tem condições de dar um salto. Em cinco/seis anos, poderá pular para a 6ª ou a 5ª economia mundial. Entramos na crise mais tarde e saímos mais cedo. O país fez a lição de casa antes dos outros.

Sem retrocesso

O clima de otimismo saiu da esfera econômica para encher os balões de ensaio da política. Dilma ou Serra? O grupo estava dividido. Um superempresário chegou a confessar a este consultor: o risco Serra é 10 vezes menor que o risco Dilma. Muitos, porém, demonstravam simpatia para com a ministra. E, no frigir das análises a favor e contra, uma visão consensual: seja quem for o vencedor, não há perigo de o Brasil retroceder. As condições macroeconômicas estão profundamente afixadas no solo pátrio. E os perfis de Serra e de Dilma se bifurcam na encruzilhada dos rumos a serem seguidos.

Melhor momento?

A frase, pronunciada por um banqueiro jovem e agressivo, soou forte no meio da noite: "O Brasil vive seu melhor momento em 500 anos". O autor da façanha expressiva foi André Esteves, do Banco Pontual. Abílio Diniz, ao lado, assentia com a cabeça. Na manhã seguinte, tentei conferir a ideia com um maxiempresário. Que me confessou: "Não é bem assim. Devemos medir o momento por parâmetros como salário mínimo e crescimento do PIB". E arrematou: você sabia que, na época do Médici (tempos de chumbo), o salário mínimo tinha duas vezes e meia o poder de compra que tem hoje? Fechou o pensamento com a nota do crescimento daqueles pesados tempos, e o PIB crescia a 12% ao ano.

O mundo mudou

Ouvi as ponderações. Mas fiquei pensando: o paradigma mudou. Os parâmetros são diferentes. O mundo era menor. E a crise não tinha proporções gigantescas. De qualquer maneira, deixo os registros no ar. Conclusão: há empresários fechados com Serra, outros com Dilma. Como convém a uma salutar democracia.

10 para Dória

Mais uma vez, João Dória deu um show de organização e competência. Liderou o 9º Fórum de Comandatuba com extrema eficiência. Ancorou falas, integrou eventos, animou os espíritos.

Alckmin e Mercadante

Geraldo Alckmin, ao lado da esposa Lu, era só sorrisos. Sob a estampa de 60% de intenção de voto, parecia um candidato embalado no celofane da felicidade. Na mesa ao lado, Aloizio Mercadante, cara fechada, mas confiante. Parecia convicto de que, na perda ou na vitória, crescerá com a campanha ao governo de SP.

Prefeitura?

Os olhos de Mercadante contemplam o futuro. Se não alcançar o Palácio dos Bandeirantes, focará a visão sobre o Palácio da Prefeitura, que se debruça sobre o Anhangabaú. Assim são os caminhos da política : a derrota de hoje poderá ser o desvio para a vitória de amanhã. É a curva para a reta futura. Mercadante terá alta visibilidade. Mas a possibilidade de chegar ao Palácio dos Bandeirantes é muito restrita.

Zé Aníbal

O deputado José Aníbal trabalha com a perspectiva de levar para a Convenção tucana seu nome para a vaga ao Senado. Aloysio Nunes Ferreira é o nome in pectore de Serra. Mas Zé, ao contrário do perfil introspectivo de Ferreira, conversa, abre o debate, articula, se movimenta. Fará tudo para que o jogo não seja ganho no tapetão. Aníbal, convém lembrar, já teve quase 5 milhões de votos para o Senado em SP.

Vaccarezza, algodão entre cristais

Cândido Vaccarezza é um espírito conciliador. Ouve atento as observações mais críticas. Não se afoba. Veste a camisa do governo em qualquer circunstância. O líder do PT na Câmara é respeitado por colegas de todos os partidos. Tem sido um defensor intransigente da aliança entre PT e PMDB. Amigo de Michel Temer, desfila argumentos densos para demonstrar as possibilidades de Dilma.

"As almas são incombustíveis." (Machado de Assis)

De jacaré a lagartixa

Há 60 dias, víamos um formidável jacaré abrindo a boca na beira da lagoa política. Ao mostrar os dentes, o bicho impunha respeito. O tempo foi se passando. Há três dias, aquela fera desapareceu. Em seu lugar, surgiu uma lagartixa. O que teria acontecido? Não, o jacaré não mergulhou na lagoa. Virou a própria lagartixa. Encolheu. Fenômeno da natureza? Sim. Mutação gerada pela genética política. O jacaré Ciro virou a lagartixa Gomes. O tiro Gomes saiu pela culatra.

Gafe lá, gafe cá

Dilma comete gafes? Sim. Não é bem treinada na arte de dizer de maneira concisa e precisa? Sim. Ocorre que Serra também comete bobeiras. Em Natal, semana passada, carimbou a população trabalhadora do RN com o selo de 6% da mão de obra nacional. Ora, não chega a 1,7%. Serra teria falado de costas para empresários que lotavam o auditório. Chegou no meio da madrugada quando era esperado às 9h.

Lula crente


Luiz Inácio nunca esteve tão crente na vida. É o que confessam amigos que convivem com ele no dia a dia. Crente na vitória de Dilma. Crente de que o ambiente de otimismo que cerca o país conduzirá sua afilhada ao trono do Palácio do Planalto.

Chapa com Temer

A esta altura, está consolidada a chapa de Dilma com Michel Temer como vice. Em todo esse tempo, Michel trabalhou discretamente, como é de seu feitio, sem arroubos oratórios, sem destempero e sem fisgar a isca que pescadores de águas turvas sempre lhe jogam.

PMDB, o maior

Seja qual for o nome – Serra ou Dilma – o PMDB deverá continuar sendo o maior partido brasileiro. Espera eleger uma bancada de 100 deputados federais e cerca de 10 governadores. Afora as maiores bancadas estaduais em muitos Estados. O PT deverá secundá-lo, vindo a seguir, o PSDB. A partir do quarto lugar, o quadro é nebuloso.

Campos Sales

O paulista Campos Sales presidiu o Brasil de 1898 a 1902. Deixou a presidência sob vaias do povo por ter implementado uma política econômica das mais dolorosas. Saiu do catete debaixo de uma chuva de manifestações indignadas. Piada da época: "Qual é o seu método de vida? Há muito tempo só como o pão que o diabo amassou, só passeio na rua da amargura e o tempo pra mim é sempre bicudo".

Mídia eleitoral

Dilma terá 48% de tempo a mais na programação eleitoral de TV e rádio. Ou seja, mais de 8 minutos. Serra terá um pouco mais de 5 minutos. Atenção, marqueteiros: nem sempre grande tempo significa grande programa. Se os espaços não são bem aproveitados, o programa pode ser uma chatice ou enchimento de linguiça.

Tempos ímprobos

Nesses tempos de muito dolo, eis uma leitura obrigatória: "Improbidade Administrativa – Dolo e Culpa", de Isabela Giglio Figueiredo. O livro foi lançado nesta segunda-feira. Trata-se da monografia com que obteve o título de especialista em Direito Administrativo.

Thomas Paine

"Quando alguém pode dizer em qualquer país do mundo: meus pobres são felizes, nem ignorância nem miséria se encontram entre eles; minhas cadeias estão vazias de prisioneiros, minhas ruas de mendigos; os idosos não passam necessidades, os impostos não são opressivos.. quando estas coisas podem ser ditas, então pode tal país se orgulhar de sua Constituição e de seu governo." (Thomas Paine, em Os Direitos do Homem)

Hiperte(n)são?

O ministro Temporão receita sexo contra a hipertensão. E deu, até, a receita: cinco vezes por semana. Passou a adotar o inverso do slogan do cigarro: sexo faz bem à saúde. O Ministério da Saúde deverá massificar a distribuição do preservativo Temporão. Para cobrir a temporada sexual.

Besteirol

O besteirol em ano eleitoral se espalha. Um dos capítulos mais imbecis é o que anuncia a renúncia de Lula para se candidatar a vice na chapa de Dilma. Eleita, ela passaria pouco tempo. Renunciaria e cederia o trono a Lula. Que terminaria o mandato de Dilma, candidatando-se, ao final, à nova reeleição. E ainda há gente séria que me pergunta sobre essas bobagens.

Reajuste dos aposentados

Os aposentados deverão ter reajuste maior que os 6,14% desejados pelo governo. Podem ganhar 7,7%.

César, o maior?

César é considerado o maior de todos os heróis de guerras. O motivo apontado pelos historiadores: ceifou a vida da maior quantidade de inimigos. Em menos de 10 anos, durante a guerra contra a Gália, tomou de assalto, mais de 800 cidades, submeteu 300 povos, combateu 3 milhões de homens, dos quais matou 1 milhão durante as batalhas e transformou outro milhão em prisioneiros. Que heroísmo é esse, hein?

Soltura de presos?

Soltar 20% dos presos do país é uma temeridade. Há assassinos e loucos que poderão voltar ao cenário de matança. Não era o caso do monstro de Luziânia, em GO, que matou 6 jovens?

Conselho às assessorias de Dilma e Serra

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Dilma. Hoje, volta sua atenção às assessorias de Dilma e Serra:

1. Procurem orientar, desde já, seus candidatos a trilhar o caminho das grandes ideias. Os candidatos devem abandonar as trilhas de coisas perfunctórias.

2. Produzam conteúdos transcendentais para a vida do país. Substituam as querelas adjetivadas por debates programáticos.

3. Mapeiem os espaços das grandes carências nacionais e regionais.

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(Gaudêncio Torquato)