Caro Júnior,
Grato estou pela gentileza de me enviar o seu belo discurso.
Naquela mesma noite, ao chegar em casa , ainda encantado com a ambiência de poesia, naveguei no site da academia e lá me deleitei , mais uma vez , com seu outro discurso proferido em data anterior.
Difícil escolher o mais belo...
Fiquei mais contente ainda ao saber da sua outra paixão: a culinária, arte pela qual também nutro uma pitada generosa de paixão.
Bravo, amigo !
Na certeza de que um dia poderemos jogar conversa fora à beira do fogão, degustando um bom vinho, mais uma vez agradeço e o parabenizo por tanta destreza e carinho com que tratas as palavras.
Grande Abraço
Aldo Quintino
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Grande Júnior Bonfim,
eu é que agradeço a delicadeza do seu convite ao evento da Academia. Obrigado.
Aproveito o ensejo para dizer-lhe que fiquei deveras emocionado com sua lírica oratória aos recipiendários.
Os vocábulos do seu discurso já são primorosos, mas você, não se contentando, ainda dá vida às palavras, transfigurando-as em belíssima canção, acompanhada de uma lira invisível que inebria toda a plateia.
Parabéns.
As fotos ficaram excelentes.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Proibindo eclipses
O Coronel Zé Azul, chefe político de São Gonçalo do Abaeté, em Minas, era candidato a prefeito pela UDN, às vésperas de um eclipse do sol que a imprensa vinha prevendo para começo do ano seguinte, como o mais forte já visto no Brasil. O medo generalizou-se. Espraiavam-se relatos de crianças que iam nascer defeituosas, galinhas que deixariam de pôr ovos, cabritos que não mais berrariam e a cachaça que ficaria envenenada. No dia 1º de outubro, o coronel Zé Azul fez o último comício da campanha e acabou com um juramento sagrado:
- Pode ser que, na prefeitura, a partir de janeiro, eu não consiga fazer tudo que pretendo por esta terra. Mas juro para vocês que meu primeiro decreto será proibir definitivamente eclipses em São Gonçalo do Abaeté.
Ganhou a campanha. No Brasil, candidatos continuam a prometer mundos e fundos.
Quem pode decidir?
Esta é a recorrente pergunta. Quem pode decidir o segundo turno? Darei algumas pistas. A primeira chave da porta de sucesso se chama Minas Gerais. Esse Estado é a síntese do Brasil. E quem pode abri-la é Aécio Neves. O recém eleito senador tem a força para convocar a prefeitada de Minas - Estado com o maior número de municípios - e colocar o governador eleito Antonio Anastasia testa a testa com eles. Prefeitos querem verbas. E Anastasia poderá prometer pagar a conta. Aécio diz que dará o sangue para eleger Serra. No primeiro turno, acomodou-se. Não queria prejudicar seu candidato ao governo. MG registrou o voto Dilmasia. Mais uma informação: desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos ganharam a eleição em Minas.
E se Serra for derrotado?
Mas há uma pergunta que também se faz: e se Serra for derrotado, quem será a maior liderança do PSDB? Isso mesmo, todos vocês acertaram a resposta: Aécio Neves. Será, então, que ele vai arregaçar a manga da camisa? Respondo: pelo menos vai mostrar serviço. Ele apareceu na capa da Veja, deu entrevistas para todos os lados, acenando com a vitória de Serra. Não poderá, portanto, fazer feio. Acredito que Aécio poderá tirar parte da vantagem que Dilma conseguiu sobre Serra no segundo maior colégio eleitoral do país.
O triângulo das bermudas
Ao lado de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro completam o triângulo das bermudas. São os 3 maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, Geraldo Alckmin se posta na mesma posição de Aécio: transforma-se no comandante do tucanato paulista. Sua meta: aumentar expressivamente a votação de Serra em SP. E, no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral deveria fazer o mesmo papel. Mas Cabral, tão logo foi eleito, despachou-se para as praças centrais do mundo. Foi a Paris curtir a ressaca cívica. Os generais tucanos estão mais motivados que os generais dilmistas. É o que parece.
"Não admira que os néscios se julguem muitos sabedores, eles têm a vantagem de desconhecer que ignoram." (Marquês de Maricá)
Alckmin, 2 milhões a mais
Geraldo Alckmin teve 2 milhões de votos a mais que Serra em São Paulo. O governador eleito luta para jogar essa votação no colo do seu companheiro tucano. Conseguirá?
Abstenção, segundo fator
A resposta à pergunta acima mostra que o fator abstenção poderá ser fatal para a derrota ou vitória dos candidatos. Vejamos. No nordeste, a abstenção foi muito alta, ultrapassando, na média, a casa dos 20%. No Maranhão, ultrapassou os 24%. Em alguns municípios da região, a abstenção chegou a 30%. A causa? O medo de errar a votação em 6 nomes. Agora, com apenas dois nomes (ou 1 em Estados que já decidiram a eleição para governador), a votação será mais fácil. Por esse argumento, pode-se inferir uma abstenção menor. Porém...
Porém...
O porém é esta dúvida: quem arrasta o povão, principalmente das áreas rurais, para as urnas é geralmente o candidato a deputado. Ora, os deputados estaduais e federais já foram eleitos. Terão disposição para, novamente, arrebanhar os contingentes e levá-los à boca da urna? Pode ser que a prefeitada colabore com essa missão. Mas se a abstenção continuar alta no nordeste, Dilma será a mais prejudicada.
Feriadão
Há outra barreira no caminho do voto. Trata-se do feriado de finados, dia 2 de novembro. E também há o dia do funcionário público. Dia 28. O governador de São Paulo, Alberto Goldman, antecipou a data para 11/10. Em alguns Estados, também haverá alteração para 1/11. Muita gente vai viajar antes do dia 31 de outubro, esticando, como sói acontecer, o tempo de lazer. Outros votarão pela manhã e pegarão a estrada. Mas eleitores da classe média, os mais endinheirados das regiões sudeste e sul, tendem a passar ao lado do exercício cívico. E se isso ocorrer, o mais prejudicado será o candidato José Serra.
E os verdes de Marina?
Outra questão é: para onde irão os votos de Marina? O voto preponderante de Marina é urbano, com origem na classe média e de jovens. Trata-se de um voto mais independente e crítico. Segundo as pesquisas, 51% do eleitorado de Marina migrará para Serra. Dilma pegaria uns 30%. Os outros ainda não têm definição. Minha análise sobre os indecisos é: os mais endinheirados e urbanos irão para Serra e os mais pobres e das margens sociais correrão para Dilma.
E as pesquisas, hein?
As pesquisas, como se viu, erraram bastante, apesar das mil explicações dadas pelos diretores dos Institutos. A essa altura, o que dá para afirmar, sem grandes riscos, é que Dilma continua com mais chances de ser eleita. Numa régua de 0 a 100, ela pontuaria 65. A última pesquisa Datafolha lhe deu 6 pontos de vantagem, e, logo a seguir, a pesquisa Sensus/CNT mostrou um empate técnico, com Dilma tendo uns 3 pontos a mais que Serra. E a pesquisa Vox Populi de ontem, terça-feira, mostra Dilma com 51% e Serra com 39%: 12 pontos de diferença.
O tira-teima
Se os dados do Vox forem confirmados pelo Ibope e Datafolha desta semana, Dilma aumenta suas chances para 80 na régua de 0 a 100 deste consultor. Portanto, vamos aguardar por aferições mais recentes, que sinalizarão a tendência dos últimos dias. Deve-se ter muito cuidado. Há uma senhora chamada abstenção, que somada aos votos nulos e brancos, poderá causar muitas surpresas e aborrecimentos.
Linhas de ataque
Em minha análise, as abordagens de ataque, encampadas pelas duas campanhas, não geram resultados impactantes. Como os tiros são recíprocos, acabam se anulando. Ademais, o eleitor não reage de maneira positiva a ataques virulentos. Os primeiros ataques até causam impacto. Mas, depois de muitos tiros, perdem sua função sinalizadora e motivadora. Envolvem-se no "efeito banalização". Tornando-se comuns não penetram mais no sistema cognitivo dos eleitores. Depois de uma artilharia pesada e intensa, de ambos os lados, o eleitor tende a proclamar: "essa gente é tudo farinha do mesmo saco".
Debates insossos
Os debates, por sua vez, esgotaram os estoques de novidades. Refrãos, mantras e bordões são recitados para ilustrar as áreas da saúde, segurança, educação, habitação, transportes. Até as alfinetadas são previsíveis. Os candidatos dão curvas nas perguntas e respondem apenas o que lhes interessa. As audiências são pequenas, coisa de 3%, 4%, no máximo 5%. Exceção feita à Rede Globo, que registra um pouco mais. Para que servem, então, os debates? Para animar as alas e exércitos das candidaturas. Consolidam visões dos militantes. Mas não agregam votos.
O lobo ferido e a ovelha
Um lobo, tendo sido mordido por cães, estava passando mal, estendido por terra, sem poder procurar alimento para si. A certa altura avistou uma ovelha e pediu-lhe que lhe trouxesse água do rio próximo: "Realmente, se tu me deres de beber, eu mesmo acharei o que comer." Então a ovelha respondeu: "Mas se eu te der de beber, logo tu me usarás como refeição." Esta fábula de Esopo é adequada ao indivíduo perverso que prepara ciladas hipócritas. Em clima de guerra eleitoral, os lobos se espalham por todos os cantos.
Internet negativa
Nunca as campanhas eleitorais exibiram uma agenda tão negativa como a deste ano. E o meio usado para a veiculação dos ataques é a internet. As redes sociais disparam campanhas violentas contra os candidatos. Histórias inventadas, versões estapafúrdias, relatos burlescos, bobagens e piadas de extremo mau gosto invadem a rede eletrônica. E assim muitos incautos compram gato por lebre.
Aborto e privatização
O aborto no Brasil é uma questão de saúde pública. A cada dois dias, morre uma mulher vítima de aborto inseguro. 187 mil mulheres tiveram sérios problemas, em 2009, por conta do aborto. Portanto, é sob esse pano de fundo que a questão deve ser abordada. Não se trata de ser a favor da mortandade de criancinhas, como se procura impingir nos intestinos da campanha. Da mesma forma, não se pode demonizar o conceito de privatização. O programa de privatização das telecomunicações, levado a cabo pelo governo FHC, foi um sucesso. Há no país 187 milhões de linhas de celular. Esses são dois temas mal tratados por candidatos e campanhas.
Maior derrota
Quem foi o maior derrotado nesta eleição Uma das maiores surpresas do pleito foi a derrota do senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará. Causou mais impacto que a derrota de Arthur Virgílio (PSDB/AM) ou Marco Maciel (DEM/PE).
Kassab vitorioso
O prefeito Gilberto Kassab continua fazendo boa política. Elegeu seis deputados federais, mas sua cota pode chegar a 8, com a esperada nomeação de parlamentares para o secretariado de Geraldo Alckmin e elevação dos suplentes Walter Ihoshi e Eleuses Paiva.
"Eu só trago amor"
Chego, enfim, à minha terra. Trago, nas vestes a poeira das longas caminhadas; nos ouvidos, a ressonância da voz dos oprimidos e, nos olhos, a visão panorâmica da Pátria. Venho fatigado do esforço e das emoções. Mas trago o coração limpo de ódios, de malquerenças ou queixas. Nem ressentimentos tenho. Quem os tiver que com eles se alimente. Eu só trago amor. Vitorioso ou vencido, cumpri o meu dever para com o povo brasileiro. E chego à minha terra como um peregrino ao pórtico do tempo. Sacudo o pó das minhas sandálias e me persigno como um penitente. Que a paz seja convosco, meus irmãos. (Mensagem de Getúlio Vagas dirigida ao povo brasileiro, ao encerrar sua campanha para a presidência da República, em São Borja, em 30/9/1950).
Conselho aos candidatos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos ministros do TSE e do STF. Hoje, volta sua atenção aos candidatos à presidência da República:
1. Procurem pautar seu discurso, nos últimos dias de campanha, sob a inspiração das grandes temáticas nacionais.
2. Teremos uma reforma política? Continuaremos a ter uma alta carga tributária? Sairemos do engessamento das relações do trabalho por meio de uma reforma trabalhista em profundidade? E a reforma previdenciária continuará a ser uma utopia?
3. Evitem a artilharia de ataques recíprocos. A agenda negativa não agrega interesses e demandas dos eleitores.
____________
(Por Gaudêncio Torquato)
O Coronel Zé Azul, chefe político de São Gonçalo do Abaeté, em Minas, era candidato a prefeito pela UDN, às vésperas de um eclipse do sol que a imprensa vinha prevendo para começo do ano seguinte, como o mais forte já visto no Brasil. O medo generalizou-se. Espraiavam-se relatos de crianças que iam nascer defeituosas, galinhas que deixariam de pôr ovos, cabritos que não mais berrariam e a cachaça que ficaria envenenada. No dia 1º de outubro, o coronel Zé Azul fez o último comício da campanha e acabou com um juramento sagrado:
- Pode ser que, na prefeitura, a partir de janeiro, eu não consiga fazer tudo que pretendo por esta terra. Mas juro para vocês que meu primeiro decreto será proibir definitivamente eclipses em São Gonçalo do Abaeté.
Ganhou a campanha. No Brasil, candidatos continuam a prometer mundos e fundos.
Quem pode decidir?
Esta é a recorrente pergunta. Quem pode decidir o segundo turno? Darei algumas pistas. A primeira chave da porta de sucesso se chama Minas Gerais. Esse Estado é a síntese do Brasil. E quem pode abri-la é Aécio Neves. O recém eleito senador tem a força para convocar a prefeitada de Minas - Estado com o maior número de municípios - e colocar o governador eleito Antonio Anastasia testa a testa com eles. Prefeitos querem verbas. E Anastasia poderá prometer pagar a conta. Aécio diz que dará o sangue para eleger Serra. No primeiro turno, acomodou-se. Não queria prejudicar seu candidato ao governo. MG registrou o voto Dilmasia. Mais uma informação: desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos ganharam a eleição em Minas.
E se Serra for derrotado?
Mas há uma pergunta que também se faz: e se Serra for derrotado, quem será a maior liderança do PSDB? Isso mesmo, todos vocês acertaram a resposta: Aécio Neves. Será, então, que ele vai arregaçar a manga da camisa? Respondo: pelo menos vai mostrar serviço. Ele apareceu na capa da Veja, deu entrevistas para todos os lados, acenando com a vitória de Serra. Não poderá, portanto, fazer feio. Acredito que Aécio poderá tirar parte da vantagem que Dilma conseguiu sobre Serra no segundo maior colégio eleitoral do país.
O triângulo das bermudas
Ao lado de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro completam o triângulo das bermudas. São os 3 maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, Geraldo Alckmin se posta na mesma posição de Aécio: transforma-se no comandante do tucanato paulista. Sua meta: aumentar expressivamente a votação de Serra em SP. E, no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral deveria fazer o mesmo papel. Mas Cabral, tão logo foi eleito, despachou-se para as praças centrais do mundo. Foi a Paris curtir a ressaca cívica. Os generais tucanos estão mais motivados que os generais dilmistas. É o que parece.
"Não admira que os néscios se julguem muitos sabedores, eles têm a vantagem de desconhecer que ignoram." (Marquês de Maricá)
Alckmin, 2 milhões a mais
Geraldo Alckmin teve 2 milhões de votos a mais que Serra em São Paulo. O governador eleito luta para jogar essa votação no colo do seu companheiro tucano. Conseguirá?
Abstenção, segundo fator
A resposta à pergunta acima mostra que o fator abstenção poderá ser fatal para a derrota ou vitória dos candidatos. Vejamos. No nordeste, a abstenção foi muito alta, ultrapassando, na média, a casa dos 20%. No Maranhão, ultrapassou os 24%. Em alguns municípios da região, a abstenção chegou a 30%. A causa? O medo de errar a votação em 6 nomes. Agora, com apenas dois nomes (ou 1 em Estados que já decidiram a eleição para governador), a votação será mais fácil. Por esse argumento, pode-se inferir uma abstenção menor. Porém...
Porém...
O porém é esta dúvida: quem arrasta o povão, principalmente das áreas rurais, para as urnas é geralmente o candidato a deputado. Ora, os deputados estaduais e federais já foram eleitos. Terão disposição para, novamente, arrebanhar os contingentes e levá-los à boca da urna? Pode ser que a prefeitada colabore com essa missão. Mas se a abstenção continuar alta no nordeste, Dilma será a mais prejudicada.
Feriadão
Há outra barreira no caminho do voto. Trata-se do feriado de finados, dia 2 de novembro. E também há o dia do funcionário público. Dia 28. O governador de São Paulo, Alberto Goldman, antecipou a data para 11/10. Em alguns Estados, também haverá alteração para 1/11. Muita gente vai viajar antes do dia 31 de outubro, esticando, como sói acontecer, o tempo de lazer. Outros votarão pela manhã e pegarão a estrada. Mas eleitores da classe média, os mais endinheirados das regiões sudeste e sul, tendem a passar ao lado do exercício cívico. E se isso ocorrer, o mais prejudicado será o candidato José Serra.
E os verdes de Marina?
Outra questão é: para onde irão os votos de Marina? O voto preponderante de Marina é urbano, com origem na classe média e de jovens. Trata-se de um voto mais independente e crítico. Segundo as pesquisas, 51% do eleitorado de Marina migrará para Serra. Dilma pegaria uns 30%. Os outros ainda não têm definição. Minha análise sobre os indecisos é: os mais endinheirados e urbanos irão para Serra e os mais pobres e das margens sociais correrão para Dilma.
E as pesquisas, hein?
As pesquisas, como se viu, erraram bastante, apesar das mil explicações dadas pelos diretores dos Institutos. A essa altura, o que dá para afirmar, sem grandes riscos, é que Dilma continua com mais chances de ser eleita. Numa régua de 0 a 100, ela pontuaria 65. A última pesquisa Datafolha lhe deu 6 pontos de vantagem, e, logo a seguir, a pesquisa Sensus/CNT mostrou um empate técnico, com Dilma tendo uns 3 pontos a mais que Serra. E a pesquisa Vox Populi de ontem, terça-feira, mostra Dilma com 51% e Serra com 39%: 12 pontos de diferença.
O tira-teima
Se os dados do Vox forem confirmados pelo Ibope e Datafolha desta semana, Dilma aumenta suas chances para 80 na régua de 0 a 100 deste consultor. Portanto, vamos aguardar por aferições mais recentes, que sinalizarão a tendência dos últimos dias. Deve-se ter muito cuidado. Há uma senhora chamada abstenção, que somada aos votos nulos e brancos, poderá causar muitas surpresas e aborrecimentos.
Linhas de ataque
Em minha análise, as abordagens de ataque, encampadas pelas duas campanhas, não geram resultados impactantes. Como os tiros são recíprocos, acabam se anulando. Ademais, o eleitor não reage de maneira positiva a ataques virulentos. Os primeiros ataques até causam impacto. Mas, depois de muitos tiros, perdem sua função sinalizadora e motivadora. Envolvem-se no "efeito banalização". Tornando-se comuns não penetram mais no sistema cognitivo dos eleitores. Depois de uma artilharia pesada e intensa, de ambos os lados, o eleitor tende a proclamar: "essa gente é tudo farinha do mesmo saco".
Debates insossos
Os debates, por sua vez, esgotaram os estoques de novidades. Refrãos, mantras e bordões são recitados para ilustrar as áreas da saúde, segurança, educação, habitação, transportes. Até as alfinetadas são previsíveis. Os candidatos dão curvas nas perguntas e respondem apenas o que lhes interessa. As audiências são pequenas, coisa de 3%, 4%, no máximo 5%. Exceção feita à Rede Globo, que registra um pouco mais. Para que servem, então, os debates? Para animar as alas e exércitos das candidaturas. Consolidam visões dos militantes. Mas não agregam votos.
O lobo ferido e a ovelha
Um lobo, tendo sido mordido por cães, estava passando mal, estendido por terra, sem poder procurar alimento para si. A certa altura avistou uma ovelha e pediu-lhe que lhe trouxesse água do rio próximo: "Realmente, se tu me deres de beber, eu mesmo acharei o que comer." Então a ovelha respondeu: "Mas se eu te der de beber, logo tu me usarás como refeição." Esta fábula de Esopo é adequada ao indivíduo perverso que prepara ciladas hipócritas. Em clima de guerra eleitoral, os lobos se espalham por todos os cantos.
Internet negativa
Nunca as campanhas eleitorais exibiram uma agenda tão negativa como a deste ano. E o meio usado para a veiculação dos ataques é a internet. As redes sociais disparam campanhas violentas contra os candidatos. Histórias inventadas, versões estapafúrdias, relatos burlescos, bobagens e piadas de extremo mau gosto invadem a rede eletrônica. E assim muitos incautos compram gato por lebre.
Aborto e privatização
O aborto no Brasil é uma questão de saúde pública. A cada dois dias, morre uma mulher vítima de aborto inseguro. 187 mil mulheres tiveram sérios problemas, em 2009, por conta do aborto. Portanto, é sob esse pano de fundo que a questão deve ser abordada. Não se trata de ser a favor da mortandade de criancinhas, como se procura impingir nos intestinos da campanha. Da mesma forma, não se pode demonizar o conceito de privatização. O programa de privatização das telecomunicações, levado a cabo pelo governo FHC, foi um sucesso. Há no país 187 milhões de linhas de celular. Esses são dois temas mal tratados por candidatos e campanhas.
Maior derrota
Quem foi o maior derrotado nesta eleição Uma das maiores surpresas do pleito foi a derrota do senador Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará. Causou mais impacto que a derrota de Arthur Virgílio (PSDB/AM) ou Marco Maciel (DEM/PE).
Kassab vitorioso
O prefeito Gilberto Kassab continua fazendo boa política. Elegeu seis deputados federais, mas sua cota pode chegar a 8, com a esperada nomeação de parlamentares para o secretariado de Geraldo Alckmin e elevação dos suplentes Walter Ihoshi e Eleuses Paiva.
"Eu só trago amor"
Chego, enfim, à minha terra. Trago, nas vestes a poeira das longas caminhadas; nos ouvidos, a ressonância da voz dos oprimidos e, nos olhos, a visão panorâmica da Pátria. Venho fatigado do esforço e das emoções. Mas trago o coração limpo de ódios, de malquerenças ou queixas. Nem ressentimentos tenho. Quem os tiver que com eles se alimente. Eu só trago amor. Vitorioso ou vencido, cumpri o meu dever para com o povo brasileiro. E chego à minha terra como um peregrino ao pórtico do tempo. Sacudo o pó das minhas sandálias e me persigno como um penitente. Que a paz seja convosco, meus irmãos. (Mensagem de Getúlio Vagas dirigida ao povo brasileiro, ao encerrar sua campanha para a presidência da República, em São Borja, em 30/9/1950).
Conselho aos candidatos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos ministros do TSE e do STF. Hoje, volta sua atenção aos candidatos à presidência da República:
1. Procurem pautar seu discurso, nos últimos dias de campanha, sob a inspiração das grandes temáticas nacionais.
2. Teremos uma reforma política? Continuaremos a ter uma alta carga tributária? Sairemos do engessamento das relações do trabalho por meio de uma reforma trabalhista em profundidade? E a reforma previdenciária continuará a ser uma utopia?
3. Evitem a artilharia de ataques recíprocos. A agenda negativa não agrega interesses e demandas dos eleitores.
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(Por Gaudêncio Torquato)
"UMA VIDA"
O título desta reportagem é o nome do livro escrito por Maria Lima de Oliveira, que será lançado no próximo dia 21 de outubro. Até aí nada de muito excepcional, mas o que também chama a atenção é o fato de que a autora, uma dona de casa, tem quase 93 anos de idade e muita história para contar.
Pode parecer clichê, mas ela é exemplo para muitas pessoas, acomodadas, que vivem reclamando de tudo. No livro, o 5o de sua autoria, a escritora narra os sucessos e os fatos não tão bons ocorridos em mais de 90 anos felizes e bem aproveitados. “A vida não é só bondade. É cheia de altos e baixos, mas o melhor de tudo é viver”, afirma.
Dona Maria conta que não tem um segredo ou uma fórmula para ter tanta força de vontade. A explicação é simples: “apenas procuro viver com bom humor, fazer aquilo que gosto e não reclamar da vida”. Muito católica, reza e lê todos os dias. Também escreve contos e poesias.
Ela faz questão de acompanhar o desenvolvimento das tecnologias. No passado, terminou o namoro através de uma carta. Hoje, utiliza o computador e a internet para enviar e-mail e conversar com filhos, netos e sobrinhos espalhados pelo Brasil, Estados Unidos e Europa.
De família conservadora, deixou de lado a intolerância e o preconceito. Passou aos filhos, netos e bisnetos o valor da ética e do respeito. Dona Maria Lima de Oliveira considera que o idoso ainda é pouco valorizado no País, embora acredite que as coisas estão melhorando nesse sentido. Ela lamenta o surgimento de males como as drogas e a violência.
OUTRAS PUBLICAÇÕES
O primeiro livro, “Afonso e Maria (1936-1986) – 50 anos depois...”, escreveu nos momentos em que não tinha algo para fazer. “Escrevia às escondidas e guardava os textos em uma gaveta. Um dia, uma de minhas netas descobriu, e a família passou a incentivar”, confessa.
A primeira obra, que teve como tema o casamento com Afonso Justino de Oliveira, agricultor, homem simples, mas com uma filosofia de vida muito rica, foi publicada com a própria caligrafia da escritora. Depois vieram “Meus 80 anos”, “Meu Jardim”, “Momentos da Vida” e, agora, “Uma Vida”.
PERFIL
Maria Lima de Oliveira nasceu em Guajaratuba, no Amazonas, no dia 22 de outubro de 1917. No ano de 1928, aos dez anos, veio morar no município cearense de Jaguaruana, com a mãe viúva. Em 1936, casou-se com Afonso Justino de Oliveira. Em 1957, a família foi morar em Russas e em 1980 se transferiu para Fortaleza. Tem 16 filhos, 45 netos, quase 30 bisnetos e uma trineta.
“UMA VIDA”
Segundo Delano Macedo, a publicação, que traz personagens verídicas, datas e sequência cronológica, reflete a memória e a lucidez invejáveis da escritora. “As frequentes mudanças da família, vividas por Maria Lima na infância, viajando pelo interior do Amazonas e do Ceará, fizeram com que a autora conhecesse ainda criança as diversidades do meio, vivendo em lugares ora com abundância, ora com escassez de água. Também já desenhava desde cedo seu imenso dom maternal, com as bonecas de tecido demarcadas com fitas e mais tarde comprovadas pela prole numerosa”.
Traz ainda “detalhes do namoro, o casamento ainda jovem com datas e documentos, bem como o início da maternidade demonstram muito bem a personalidade forte da autora”. O lançamento ocorrerá hoje, dia 21 de outubro, no Centro Cultural Oboé, às 19h30. Toda a renda será revestida para a Associação Casa de Afonso e Maria.
(Matéria publicada no Jornal O ESTADO)
ACADEMIA
Metropolitana de...
...letras, mantendo o charme de seus eventos, empossou entre discursos bonitos e testemunho cívico, seus novos associados: Fernando Távora, Grecianny C. Cordeiro, Marcos Fernandes Oliveira, Etevaldo Barcelos e Francisco Cajazeiras. Admitindo ainda Pedro Henrique S. Leão, José Alves Fernandes e Newton Freitas como acadêmicos honorários.
Saudando os entrantes o acadêmico Júnior Bonfim ressaltou que "naquela casa poderemos celebrar a liturgia do sonho, formar uma cadeia de união em torno da inquebrantável eletricidade da coerência e compartilhar o elixir da profunda fibra existencial".
Presidente Anísio Araújo manteve na solenidade e na recepção sua marca de entusiasmo, fortalecendo o brilho da noite, reunindo a intelectualidade e os amigos dos empossados.
(Coluna da Leda Maria, no Jornal Diário do Nordeste de hoje)
...letras, mantendo o charme de seus eventos, empossou entre discursos bonitos e testemunho cívico, seus novos associados: Fernando Távora, Grecianny C. Cordeiro, Marcos Fernandes Oliveira, Etevaldo Barcelos e Francisco Cajazeiras. Admitindo ainda Pedro Henrique S. Leão, José Alves Fernandes e Newton Freitas como acadêmicos honorários.
Saudando os entrantes o acadêmico Júnior Bonfim ressaltou que "naquela casa poderemos celebrar a liturgia do sonho, formar uma cadeia de união em torno da inquebrantável eletricidade da coerência e compartilhar o elixir da profunda fibra existencial".
Presidente Anísio Araújo manteve na solenidade e na recepção sua marca de entusiasmo, fortalecendo o brilho da noite, reunindo a intelectualidade e os amigos dos empossados.
(Coluna da Leda Maria, no Jornal Diário do Nordeste de hoje)
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
ACADEMIA METROPOLITANA DE LETRAS DE FORTALEZA - AMLEF
Ontem à noite, os aristocráticos salões do Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras, estiveram lotados por gente do povo, intelectuais, autoridades e representantes da sociedade civil que foram prestigiar a solenidade de posse de novos acadêmicos realizada pela Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF.
Escolhido para saudar os neófitos, proferi o seguinte discurso:
Escolhido para saudar os neófitos, proferi o seguinte discurso:
DISCURSO DE JÚNIOR BONFIM NA SOLENIDADE DE POSSE DE NOVOS ACADÊMICOS DA AMLEF
AUTORIDADES QUE COMPÕEM A MESA,
SENHORAS E SENHORES:
BOA NOITE!
Gerardo Mello Mourão, o maior vate que o ardente e telúrico barro cearense produziu, quando veio a Fortaleza receber o prêmio Sereia de Ouro, na sagração da primavera de 1996, confessou que falar em nome dos demais contemplados era “uma honra, um perigoso privilégio”.
Instado a fazer a louvação de estilo aos recipiendários, eu, desafinado versejador da mata ciliar do Rio Poty e ocupante, nesta Arcádia, da cadeira que homenageia o fundador do País dos Mourões, sinto-me igualmente com aquela sensação de ventura e aventura, de fortuna e risco produzidos pela emoção militante.
Porém, hoje é a noite da completude da nossa Academia. Cinco novos amantes das letras se incorporam ao nosso grêmio para celebrarmos o preenchimento de todos os seus quarenta lugares. E a magnitude deste momento sobrepuja qualquer fragilidade verbal ou percalço emocional da minha parte.
Por isso, principio pedindo vênia para açoitar o protocolo e, ao invés de um tapete vermelho, pedir para estender aqui um invisível tapete azul. Azul, sim! Porque azul é o sangue desse nobre que se agrega às nossas fileiras. Talhado para as grandezas, desde a tenra idade teve a veia instilada pelo vírus da genialidade. Aos 17 anos já reluzia nos Estados Unidos da América recebendo o título de BEST ACADEMIC STUDENT. Com dezoito janeiros foi intérprete da Comitiva Papal de Sua Santidade João Paulo II no Brasil. Com vinte e dois anos foi aprovado em seleção de mestrado na UFC e, aos vinte e sete, por concurso, virava Procurador de Justiça. Foi meu professor no curso de Direito. Lembro-me de suas primorosas aulas na disciplina de processo civil. Em uma delas discorreu com tranqüilidade sobre o instituto do litisconsórcio. É com indizível alegria que o recebo para, neste organismo de jurisdição voluntária, nos consorciarmos sem lide. Em voz alta anuncio solenemente o nome do poeta FERNANDO ANTONIO TEIXEIRA TÁVORA, que ocupará a cadeira de número 02, abençoada por Hermes Vieira.
Há alguns meses o confrade Seridião Montenegro me presenteou com um romance. Disse: - Bonfim, a autora é minha candidata a uma cadeira na AMLEF. Assenti no escuro, pois sei do zelo desse meu claro companheiro. Acertou em cheio. O livro, batizado de ANJO CAÍDO, nos sacode com a história de Maria, jovem de alma marcada pelas feridas da exploração sexual. É uma das obras de uma romancista que escolheu o ofício de promover a justiça. Rosto angelical, alma generosa, coração em festa, límpida fronte. Mãe e mestra, pisa neste tablado com seu andar libertário. Na qualidade de custus legis, fiscal da cidadania feita ternura, vem aqui para nos cobrar obediência aos Estatutos que mais importam, aqueles que o caudaloso poeta Thiago inscreveu na madeira de lei da Amazônia e que em seu último artigo assevera:
Fica proibido o uso da palavra liberdade,/ a qual será suprimida dos dicionários/ e do pântano enganoso das bocas./ A partir deste instante/ a liberdade será algo vivo e transparente/ como um fogo ou um rio,/ e a sua morada será sempre/ o coração do homem.
Na cadeira de número 3, que tem por padroeiro Senador Pompeu, sentará a doutora GRECIANNY CARVALHO CORDEIRO.
Quem me abriu o coração ao sol da vida e me ensinou a mirar o mundo com outros olhos foi Antonio Batista Fragoso, o profético bispo de Crateús nas décadas de 60, 70 e 80. Errante adolescente, com ele descobri as raízes do mal, a engrenagem que gera a injustiça, o sonho de transformação, a festa do mundo, o pão da poesia! Desde então, passei a admirar os defensores das nobres causas. Na segunda metade da década de 1980, em um púlpito da arena política no centro de Fortaleza divisei certa manhã o terceiro daqueles que recepcionamos nesta noite memorável. Impossível olvidar a oratória inflamada, a postura destemida e a intimidade com a ousadia que sempre caracterizaram esse paraibano cearense. Polivalente, bacharelou-se em ciências jurídicas, fez-se mestre, doutor e cientista na área da odontologia. Poliédrico, incursiona pelas pedrinhas de brilhantes da crônica, pela ribalta azul da dramaturgia e pelas veredas mágicas da poesia. Poliglota, passeia com desenvoltura pelo inglês, francês, espanhol e alemão. Entre nós, MARCOS JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA zelará pela cadeira 25, sob a proteção de Otacílio Azevedo.
O quarto que se perfila em nosso pavimento mosaico nasceu embalado pela brisa do Coreaú, na heráldica Granja. Depois de profícua trajetória na iniciativa privada, ocupando as mais diversas fainas de ordenação e coordenação, entregou-se ao empreendedorismo esotérico. Livre e de bons costumes, foi pedreiro, mestre de obra e arquiteto no imorredouro processo de construção do edifício social da humanidade. Sentará na cadeira que pertenceu ao nosso irmão José Muniz Brandão, substância do bem, mineral cachoeira de doação. Embora ejetado precocemente do nosso convívio, Muniz permanece em nossa memória com sua silhueta de gentleman. É por isso que o assento de número 19, cujo patrono é Joarivar Macedo, será ocupado por um homem que também subiu com formalidade cada degrau da escada de Jacó, que lapidou corações petrificados pela insensibilidade. Líder espiritual de milhares de pedreiros-livres espalhados por todo o território cearense, Sereníssimo Grão Mestre da Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, ETEVALDO BARCELOS FONTENELE.
Ruy Barbosa lecionou que “a fronte do sacerdote se verga para o cálice consagrado. A do lavrador para a terra. A do que espalha o grão da verdade para o sulco soaberto nas consciências novas. E todos três receberam ordens sacras. Todos concorrem para a fecundação divina do Universo. A hóstia, o arado, a palavra correspondem aos três sacerdócios do Senhor. Mas a suprema santificação da linguagem humana, abaixo da prece, está no ensino da mocidade”. Abraçou o nosso quinto neófito esta excelsa tarefa. Médico de almas, articulista iluminado, conferencista consagrado nacionalmente, semeador de fonemas de indulgência, tem feito da palavra escrita e falada instrumento sagrado em favor da dilatação da fraternidade. Publicou onze livros cheios de sílabas poderosas. Fundou e preside o Instituto de Cultura Espírita do Ceará e a Associação Médico-Espírita Alencarina. Por conta de uma dessas confluências místicas que só a retina da alma enxerga sucederá, neste Sodalício, outro timoneiro da doutrina espírita: Mário Kaula. Segundo o confrade Paulo Eduardo, Kaula era o mais humanista dos Amlefianos. Por isso, para sucedê-lo só outro trabalhador igualmente altruísta, admirado e querido na messe kardecista: FRANCISCO DE ASSIS CARVALHO CAJAZEIRAS. Protegerá a cadeira 16, que tem Inês Kaula como patronesse.
Portanto, adentrai todos.
Vinde, Fernando e Grecianny, assinar o decreto irrevogável que, ao gosto do cantor amazonense, estabelecerá o reinado permanente da justiça e da claridade, fazendo da alegria uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Vinde, Marcos, proclamar a atualidade da arte de Demóstenes e nos ensinar a fórmula da eterna juventude.
Vinde, Etevaldo, ceder aos movimentos dos corações sensíveis e subir ao altar dos juramentos à cultura.
Vinde, Cajazeiras, brindar-nos com vossos conselhos evolutivos e reafirmar o valor terapêutico do perdão.
Aqui poderemos celebrar a liturgia do sonho, formar uma cadeia de união em torno da inquebrantável eletricidade da coerência e compartilhar o elixir da profunda fibra existencial.
Uma advertência final: este Palácio é de Luz! Quem aqui é iniciado só tem um compromisso: manter vivo o vaga-lume da alma e tornar mais clara a existência humana!
Obrigado!
(Discurso proferido por Júnior Bonfim no Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras, em 19.10.2010)
terça-feira, 19 de outubro de 2010
EVENTO CULTURAL
Tomam posse...
...logo mais, às 19 horas, na Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza: Fernando Antônio Teixeira Távora, Grecianny Carvalho Cordeiro, Marcos José Fernandes Oliveira, Etevaldo Barcelos Fontenele e Francisco de Assis Carvalho Cajazeiras. Ali, também receberão o título de Acadêmicos Honorários o presidente da Academia Cearense de Letras, Pedro Henrique Saraiva Leão e Newton Freitas. Tudo acontece no Palácio da Luz. Presidente da Amlef, José Anízio de Araújo, comanda.
(Coluna da Leda Maria, no Diário do Nordeste de hoje)
...logo mais, às 19 horas, na Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza: Fernando Antônio Teixeira Távora, Grecianny Carvalho Cordeiro, Marcos José Fernandes Oliveira, Etevaldo Barcelos Fontenele e Francisco de Assis Carvalho Cajazeiras. Ali, também receberão o título de Acadêmicos Honorários o presidente da Academia Cearense de Letras, Pedro Henrique Saraiva Leão e Newton Freitas. Tudo acontece no Palácio da Luz. Presidente da Amlef, José Anízio de Araújo, comanda.
(Coluna da Leda Maria, no Diário do Nordeste de hoje)
LIMITE DA ESTABILIDADE - SUPREMO DEFINE DIREITOS DE SERVIDORES CELETISTAS
Os funcionários públicos contratados sob o regime celetista só têm direito de integrar o regime jurídico único dos servidores, com todas as vantagens e a estabilidade dele decorrentes, se já trabalhavam no serviço público cinco anos antes da promulgação da Constituição de 1988. O entendimento foi reforçado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal.
Por unanimidade, os ministros decidiram que os servidores celetistas têm o direito à transformação de suas funções em cargos públicos desde que seus casos estejam enquadrados no que dispõe o artigo 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Essa é a única hipótese aceitável para a dispensa de concurso para o ingresso no serviço público.
O artigo 19 do ADCT fixou que “os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público”.
O entendimento do Supremo foi reforçado no julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo governo do Paraná contra o artigo 233 da Constituição Estadual paranaense. A regra determinava que todos os servidores estáveis seriam regidos pelo Estatuto dos Funcionários Civis do Estado. Em seu parágrafo único, a Constituição do Paraná determinava que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário fariam as adequações necessárias em seus quadros funcionais para cumprir a determinação.
Os ministros do STF decidiram declarar inconstitucional o parágrafo único do artigo 233. A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia, entendeu que a ordem de adequar os quadros funcionais para absorver os servidores celetistas demandaria a criação de cargos e permitiria a entrada de servidores no estado sem a promoção do devido concurso público. Para ela, a adequação dependeria de prévia existência de cargo público criado por lei e seria necessária a abertura de concurso.
Na prática, a regra permitiria que fossem transformados em servidores públicos todos os funcionários admitidos sem concurso, mesmo aqueles que não tinham a estabilidade reconhecida pelo artigo 19 do ADCT.
Além de derrubar a regra que determinava a adequação dos quadros para a absorção dos servidores no regime único, os ministros deram interpretação conforme ao artigo 233 da Constituição paranaense. Ou seja, só os funcionários que tinham mais de cinco anos de serviço público quando a Constituição de 1988 foi promulgada passam a ser regidos pelo regime jurídico único do funcionalismo.
(Por Rodrigo Haidar)
Por unanimidade, os ministros decidiram que os servidores celetistas têm o direito à transformação de suas funções em cargos públicos desde que seus casos estejam enquadrados no que dispõe o artigo 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Essa é a única hipótese aceitável para a dispensa de concurso para o ingresso no serviço público.
O artigo 19 do ADCT fixou que “os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público”.
O entendimento do Supremo foi reforçado no julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo governo do Paraná contra o artigo 233 da Constituição Estadual paranaense. A regra determinava que todos os servidores estáveis seriam regidos pelo Estatuto dos Funcionários Civis do Estado. Em seu parágrafo único, a Constituição do Paraná determinava que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário fariam as adequações necessárias em seus quadros funcionais para cumprir a determinação.
Os ministros do STF decidiram declarar inconstitucional o parágrafo único do artigo 233. A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia, entendeu que a ordem de adequar os quadros funcionais para absorver os servidores celetistas demandaria a criação de cargos e permitiria a entrada de servidores no estado sem a promoção do devido concurso público. Para ela, a adequação dependeria de prévia existência de cargo público criado por lei e seria necessária a abertura de concurso.
Na prática, a regra permitiria que fossem transformados em servidores públicos todos os funcionários admitidos sem concurso, mesmo aqueles que não tinham a estabilidade reconhecida pelo artigo 19 do ADCT.
Além de derrubar a regra que determinava a adequação dos quadros para a absorção dos servidores no regime único, os ministros deram interpretação conforme ao artigo 233 da Constituição paranaense. Ou seja, só os funcionários que tinham mais de cinco anos de serviço público quando a Constituição de 1988 foi promulgada passam a ser regidos pelo regime jurídico único do funcionalismo.
(Por Rodrigo Haidar)
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
CONVITE
O Presidente da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, José Anízio de Araújo, tem a honra de convidar Vossa Senhoria para a solenidade de posse dos novos acadêmicos: Fernando Antonio Teixeira Távora, Grecianny Carvalho Cordeiro, Marcos José Fernandes de Oliveira, Etevaldo Barcelos Fontenele e Francisco de Assis Carvalho Cajazeiras.
Receberão o título de Acadêmico Honorário os doutores Pedro Henrique Saraiva Leão, José Alves Fernandes e Newton Freitas.
O evento acontecerá no dia 19 de outubro de 2010, às 19:00 hs, na sede da Academia Cearense de Letras, Rua do Rosário, nº 1, Fortaleza, Ceará.
Receberão o título de Acadêmico Honorário os doutores Pedro Henrique Saraiva Leão, José Alves Fernandes e Newton Freitas.
O evento acontecerá no dia 19 de outubro de 2010, às 19:00 hs, na sede da Academia Cearense de Letras, Rua do Rosário, nº 1, Fortaleza, Ceará.
sábado, 16 de outubro de 2010
UM POEMA LEGAL!

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
(Thiago de Mello, em Santiago do Chile, abril de 1964)
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
OBSERVATÓRIO
Um casal amigo, que possui casa de veraneio na Serra da Guaramiranga, resolveu ir curtir por lá o feriado prolongado próximo passado. Em lá chegando, deparou-se com a família do caseiro, que tinha votado na Dilma no primeiro turno, agora exibindo propaganda do Serra. Seu Raimundo, o patriarca, foi inquirido pela patroa: - O que houve? Vocês mudaram o voto? A resposta: - É, doutora, nós estamos analisando... e, pensando bem, as propostas do homem são melhores. O salário mínimo de R$ 600,00, para o pobre, é excelente...
SEGUNDO TURNO
Via de regra, convencionou-se dizer que segundo turno é outra eleição. Em parte, sim. Prova é o que está acontecendo em nível nacional. A primeira pesquisa divulgada após o inicio deste segundo round trouxe números inimagináveis até bem pouco tempo. Uma diferença de apenas 07 (sete) pontos separa Dilma de Serra. E mais: o indicativo de uma onda verde-amarela. Serra está à frente da petista em todas as regiões do País, à exceção do Nordeste. Isto significa que teremos uma disputa acirradíssima.
O DEBATE
Exemplo maior dessa elevação de temperatura foi o debate promovido pela rede Bandeirantes no domingo passado. Diferentemente daquela mãezona doce e bem produzida, com ares de ternura e equilíbrio, Dilma estava surpreendentemente furiosa, tensa, agressiva. Segundo sondagem realizada pelo portal IG, Serra foi o vencedor do debate. 54% dos participantes da enquete disseram que o tucano teve desempenho melhor; 38% dizem que trocaram o voto para ele após o embate. O PSDB conquistou, no primeiro turno, os estados mais populosos e com maior fatia orçamentária da federação (São Paulo, Minas Gerais e Paraná). Isso deu ânimo novo aos seus aliados. Eleitos, ninguém teme mais o efeito Lula, que intimidou o País de ponta a ponta no primeiro turno.
CEARÁ
O Ceará foi um dos estados onde o efeito Lula se fez devastador. Ninguém discutiu a trajetória dos principais candidatos. O grande debate sobre a escolha dos nomes do Ceará no Senado foi de que não pode existir representante de oposição. Todos têm que estar alinhados, aliados do poder e dizendo amém ao governante maior. Essa precariedade do embate pode ser resumida em uma frase de Lula: “quem vota nium vota nioto, quem vota nioto vota nioto e num precisa mais votar em ninguém”. Com isso, desbancou Tasso – aquele que, na visão do governador Cid, “é o maior homem público do Ceará” – e elegeu a dupla Eunício-Pimentel.
CRATEÚS
O resultado da eleição em Crateús ficou aquém do esperado, tanto no campo da situação como na seara da oposição. O Prefeito Carlos Felipe, há dois anos, obteve 24.381 sufrágios, 63% dos votos válidos. Agora, só conseguiu transferir 8.077 votos (22,67%) para o seu candidato a estadual, doutor Pierre, e 5.493 votos (15,53%) para o federal, João Ananias. O PSDB, em que pese ter obtido o melhor desempenho – Domingos Neto, 7.707 votos (21,79%) e Nenen Coelho, 11.906 votos (33,42%) – ficou abaixo da expectativa. Hermínio Rezende – que correu por uma espécie de terceira via – abiscoitou 5.317 votos (14,92%). Todos, portanto, têm que realizar uma autocrítica, rever posturas e traçar novos rumos para o pleito municipal de 2012. Há uma sensação de esgotamento de todas essas repetitivas prédicas e práticas. Talvez seja o momento de reformularmos todos os modelos vigentes (vide Crônica abaixo).
ALERTA
Segundo o Jornal Diário do Nordeste da última terça-feira (12.10.10), “o quadro de Risco Dengue incluindo os 184 municípios do Ceará, divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) classifica 46,7% das cidades com risco Alto e Muito Alto de transmissão da doença para 2011”. Dentre os municípios com risco muito alto está Crateús. O fato é muito preocupante e deve servir de alerta para as autoridades municipais.
CRÍTICAS
Sou crítico da Administração Municipal. Sem qualquer fresta de mágoa ou ressentimento, até porque meu coração nunca hospedou ódio. Sempre busco me despir de sentimentos menores. Faço observações e comentários independentes porque, imagino, seja esta uma forma diferente de contribuir com a cidadania da minha terra. Por isso esforço-me para juntar, a cada ponderação crítica, uma sugestão pertinente, um caminho propositivo.
PROCURADORIA E LICITAÇÃO
A Procuradoria Geral do Município e a Comissão Permanente de Licitação são dois setores que têm sido alvo de petardos na atual Administração. São duas áreas estratégicas, essenciais ao funcionamento governamental. A Procuradoria cuida do suporte jurídico, do balizamento legal da Administração. Pela Licitação passam todos os procedimentos para aquisição de serviços, compras e obras em geral. Ou seja, todos os negócios públicos. Resumindo: a Procuradoria é o altar onde se realiza a liturgia da legalidade; a Comissão de Licitação é a vidraça onde a população divisa se existe transparência na gestão.
PROCURADORIA E LICITAÇÃO II
Há poucos dias, o Procurador-Chefe foi exonerado, denunciando que há problemas nesse setor. Por outro lado, é voz corrente na cidade que existe direcionamento em determinados procedimentos licitatórios. Por via oblíqua um mesmo grupo controla essa área. Solução: 1. Para a Procuradoria, Concurso Público. Além de cumprir a Constituição, estaria se instituindo um quadro permanente e qualificado de Procuradores. Ganharia o município e, por conseqüência, a população. 2. A Comissão de Licitação, coração pulsante da coisa pública, deve ser melhor remunerada, para ficar imune às investidas escusas. Aliás, os membros da Comissão de Licitação, além de adequada capacitação, merecem ganhar equivalência salarial ao primeiro escalão, a fim de que ajam com independência e transparência.
PARA REFLETIR
“Quando o governo é formado de homens justos e honestos, o povo vive feliz.” (Livro dos Provérbios)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
SEGUNDO TURNO
Via de regra, convencionou-se dizer que segundo turno é outra eleição. Em parte, sim. Prova é o que está acontecendo em nível nacional. A primeira pesquisa divulgada após o inicio deste segundo round trouxe números inimagináveis até bem pouco tempo. Uma diferença de apenas 07 (sete) pontos separa Dilma de Serra. E mais: o indicativo de uma onda verde-amarela. Serra está à frente da petista em todas as regiões do País, à exceção do Nordeste. Isto significa que teremos uma disputa acirradíssima.
O DEBATE
Exemplo maior dessa elevação de temperatura foi o debate promovido pela rede Bandeirantes no domingo passado. Diferentemente daquela mãezona doce e bem produzida, com ares de ternura e equilíbrio, Dilma estava surpreendentemente furiosa, tensa, agressiva. Segundo sondagem realizada pelo portal IG, Serra foi o vencedor do debate. 54% dos participantes da enquete disseram que o tucano teve desempenho melhor; 38% dizem que trocaram o voto para ele após o embate. O PSDB conquistou, no primeiro turno, os estados mais populosos e com maior fatia orçamentária da federação (São Paulo, Minas Gerais e Paraná). Isso deu ânimo novo aos seus aliados. Eleitos, ninguém teme mais o efeito Lula, que intimidou o País de ponta a ponta no primeiro turno.
CEARÁ
O Ceará foi um dos estados onde o efeito Lula se fez devastador. Ninguém discutiu a trajetória dos principais candidatos. O grande debate sobre a escolha dos nomes do Ceará no Senado foi de que não pode existir representante de oposição. Todos têm que estar alinhados, aliados do poder e dizendo amém ao governante maior. Essa precariedade do embate pode ser resumida em uma frase de Lula: “quem vota nium vota nioto, quem vota nioto vota nioto e num precisa mais votar em ninguém”. Com isso, desbancou Tasso – aquele que, na visão do governador Cid, “é o maior homem público do Ceará” – e elegeu a dupla Eunício-Pimentel.
CRATEÚS
O resultado da eleição em Crateús ficou aquém do esperado, tanto no campo da situação como na seara da oposição. O Prefeito Carlos Felipe, há dois anos, obteve 24.381 sufrágios, 63% dos votos válidos. Agora, só conseguiu transferir 8.077 votos (22,67%) para o seu candidato a estadual, doutor Pierre, e 5.493 votos (15,53%) para o federal, João Ananias. O PSDB, em que pese ter obtido o melhor desempenho – Domingos Neto, 7.707 votos (21,79%) e Nenen Coelho, 11.906 votos (33,42%) – ficou abaixo da expectativa. Hermínio Rezende – que correu por uma espécie de terceira via – abiscoitou 5.317 votos (14,92%). Todos, portanto, têm que realizar uma autocrítica, rever posturas e traçar novos rumos para o pleito municipal de 2012. Há uma sensação de esgotamento de todas essas repetitivas prédicas e práticas. Talvez seja o momento de reformularmos todos os modelos vigentes (vide Crônica abaixo).
ALERTA
Segundo o Jornal Diário do Nordeste da última terça-feira (12.10.10), “o quadro de Risco Dengue incluindo os 184 municípios do Ceará, divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) classifica 46,7% das cidades com risco Alto e Muito Alto de transmissão da doença para 2011”. Dentre os municípios com risco muito alto está Crateús. O fato é muito preocupante e deve servir de alerta para as autoridades municipais.
CRÍTICAS
Sou crítico da Administração Municipal. Sem qualquer fresta de mágoa ou ressentimento, até porque meu coração nunca hospedou ódio. Sempre busco me despir de sentimentos menores. Faço observações e comentários independentes porque, imagino, seja esta uma forma diferente de contribuir com a cidadania da minha terra. Por isso esforço-me para juntar, a cada ponderação crítica, uma sugestão pertinente, um caminho propositivo.
PROCURADORIA E LICITAÇÃO
A Procuradoria Geral do Município e a Comissão Permanente de Licitação são dois setores que têm sido alvo de petardos na atual Administração. São duas áreas estratégicas, essenciais ao funcionamento governamental. A Procuradoria cuida do suporte jurídico, do balizamento legal da Administração. Pela Licitação passam todos os procedimentos para aquisição de serviços, compras e obras em geral. Ou seja, todos os negócios públicos. Resumindo: a Procuradoria é o altar onde se realiza a liturgia da legalidade; a Comissão de Licitação é a vidraça onde a população divisa se existe transparência na gestão.
PROCURADORIA E LICITAÇÃO II
Há poucos dias, o Procurador-Chefe foi exonerado, denunciando que há problemas nesse setor. Por outro lado, é voz corrente na cidade que existe direcionamento em determinados procedimentos licitatórios. Por via oblíqua um mesmo grupo controla essa área. Solução: 1. Para a Procuradoria, Concurso Público. Além de cumprir a Constituição, estaria se instituindo um quadro permanente e qualificado de Procuradores. Ganharia o município e, por conseqüência, a população. 2. A Comissão de Licitação, coração pulsante da coisa pública, deve ser melhor remunerada, para ficar imune às investidas escusas. Aliás, os membros da Comissão de Licitação, além de adequada capacitação, merecem ganhar equivalência salarial ao primeiro escalão, a fim de que ajam com independência e transparência.
PARA REFLETIR
“Quando o governo é formado de homens justos e honestos, o povo vive feliz.” (Livro dos Provérbios)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
A RESSUREIÇÃO DA UTOPIA!
Admiro profundamente o músico brasileiro Milton Nascimento. Ele pertence a uma estirpe musical que soube aliar, com fulgurante talento, a boa música e o bom conteúdo. Letra e melodia se misturando em um baile de grandeza, itinerário telúrico, exercício reflexivo, eflúvio de excelência.
Dentre suas canções, tenho especial predileção por “Coração Civil”. Ela aborda um tema que me é caro: a utopia. Admiremos a letra, produto de uma parceria de Milton e Fernando Brant: “Quero a utopia, quero tudo e mais/ Quero a felicidade nos olhos de um pai/ Quero a alegria muita gente feliz/ Quero que a justiça reine em meu país/ Quero a liberdade, quero o vinho e o pão/ Quero ser amizade, quero amor, prazer/ Quero nossa cidade sempre ensolarada/ Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil/ Me inspire no meu sonho de amor Brasil/ Se o poeta é o que sonha o que vai ser real/ Vou sonhar coisas boas que o homem faz/ E esperar pelos frutos no quintal/ Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?/ Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter/ Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida/ Eu vou viver bem melhor/ Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se realizar”.
A Utopia – cujo berço etimológico é a união dos radicais gregos οὐ, ‘não’ e τόπος, ‘lugar’; portanto, o ‘não-lugar’ ou ‘lugar que não existe’ - tem como significado mais comum a idéia de um território ou mundo ideal, imaginário, fantástico – produto da usina de sonhos da mente humana. (O termo foi popularizado por Thomas More, pois serviu de título para uma de suas obras escritas em latim por volta de 1516. Segundo a versão de vários historiadores, More se fascinou pelas narrações extraordinárias de Américo Vespúcio sobre a recém avistada ilha de Fernando de Noronha, em 1503. Thomas More decidiu então escrever sobre um lugar novo e puro onde existiria uma sociedade perfeita.)
O fato é que vi com muita alegria, na recente disputa de primeiro turno da eleição presidencial, a ressurreição da utopia na política. A líder desse movimento pascal foi Marina Silva, a candidata do PV.
Marina é descendente de cearenses. Nasceu nas florestas do Acre e viveu na carne e na alma, no coração e na consciência, os estertores da extrema pobreza, os astres e desastres da vida pública. Sentiu no peito as flechas da adversidade, leu os signos das matas e adquiriu a noção mais correta de aldeia global. Descobriu no pulmão do planeta como construir uma proposta de oxigenação da política nacional.
Sua maior contribuição, ao nosso sentir, não foi a de trazer ao púlpito do debate eleitoral a imperiosa agenda da compatibilidade do desenvolvimento com respeito ao equilíbrio do meio ambiente. Seu mais importante contributo foi, indiscutivelmente, o da higienização da prédica política. A necessidade premente e a importância cardeal da eliminação desse discurso tóxico “entre PT e PSDB, agredindo-se mutuamente, sem conseguir ver mérito em nada um no outro; é a política velha, de ter de destruir o outro, ter de desqualificá-lo”.
Esse respeito pelo outro, embora suas idéias sejam absolutamente contrárias às nossas, é uma das principais facetas daquilo que se convencionou chamar de ética. Marina entrou e saiu da disputa sem recorrer ao desespero, ao vale-tudo, à máxima de que ‘em política, o feio é perder’. Em verdade, o feio – na política e na vida – não é perder uma batalha, mas abrir mão da dignidade, da construção de princípios, do culto aos valores essenciais.
Na nossa Crateús, como em quase todas as urbes do território nacional, ainda prevalece esse modo corrosivo de agir político. Porém, impende questionar: - Por que, para me eleger, tenho que explorar os defeitos do outro ao invés de apresentar minhas qualidades?... - Por que, ao assumir o poder, tenho que seguir a mesma rota obsessiva de buscar desqualificar os antecessores?...
Embora já tenhamos todos transigido com essa prática, julgo que podemos dela nos libertar e construir alternativas. Há algum tempo suscitei esse debate íntimo e bradei em outra crônica: ‘Abramos as pálpebras embaçadas, sacudamos a poeira das decepções, revigoremos o espírito, desbravemos novos caminhos, recuperemos a utopia, lancemos um outro olhar sobre o fazer político e marchemos na rota de uma cidade que cultue a justiça e a fraternidade. Crateús merece!’
Alguém pode dizer que isto é sonho, devaneio, utopia! Pode ser. Mesmo assim, prefiro seguir na mesma estrada de Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
Dentre suas canções, tenho especial predileção por “Coração Civil”. Ela aborda um tema que me é caro: a utopia. Admiremos a letra, produto de uma parceria de Milton e Fernando Brant: “Quero a utopia, quero tudo e mais/ Quero a felicidade nos olhos de um pai/ Quero a alegria muita gente feliz/ Quero que a justiça reine em meu país/ Quero a liberdade, quero o vinho e o pão/ Quero ser amizade, quero amor, prazer/ Quero nossa cidade sempre ensolarada/ Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil/ Me inspire no meu sonho de amor Brasil/ Se o poeta é o que sonha o que vai ser real/ Vou sonhar coisas boas que o homem faz/ E esperar pelos frutos no quintal/ Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?/ Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter/ Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida/ Eu vou viver bem melhor/ Doido pra ver o meu sonho teimoso um dia se realizar”.
A Utopia – cujo berço etimológico é a união dos radicais gregos οὐ, ‘não’ e τόπος, ‘lugar’; portanto, o ‘não-lugar’ ou ‘lugar que não existe’ - tem como significado mais comum a idéia de um território ou mundo ideal, imaginário, fantástico – produto da usina de sonhos da mente humana. (O termo foi popularizado por Thomas More, pois serviu de título para uma de suas obras escritas em latim por volta de 1516. Segundo a versão de vários historiadores, More se fascinou pelas narrações extraordinárias de Américo Vespúcio sobre a recém avistada ilha de Fernando de Noronha, em 1503. Thomas More decidiu então escrever sobre um lugar novo e puro onde existiria uma sociedade perfeita.)
O fato é que vi com muita alegria, na recente disputa de primeiro turno da eleição presidencial, a ressurreição da utopia na política. A líder desse movimento pascal foi Marina Silva, a candidata do PV.
Marina é descendente de cearenses. Nasceu nas florestas do Acre e viveu na carne e na alma, no coração e na consciência, os estertores da extrema pobreza, os astres e desastres da vida pública. Sentiu no peito as flechas da adversidade, leu os signos das matas e adquiriu a noção mais correta de aldeia global. Descobriu no pulmão do planeta como construir uma proposta de oxigenação da política nacional.
Sua maior contribuição, ao nosso sentir, não foi a de trazer ao púlpito do debate eleitoral a imperiosa agenda da compatibilidade do desenvolvimento com respeito ao equilíbrio do meio ambiente. Seu mais importante contributo foi, indiscutivelmente, o da higienização da prédica política. A necessidade premente e a importância cardeal da eliminação desse discurso tóxico “entre PT e PSDB, agredindo-se mutuamente, sem conseguir ver mérito em nada um no outro; é a política velha, de ter de destruir o outro, ter de desqualificá-lo”.
Esse respeito pelo outro, embora suas idéias sejam absolutamente contrárias às nossas, é uma das principais facetas daquilo que se convencionou chamar de ética. Marina entrou e saiu da disputa sem recorrer ao desespero, ao vale-tudo, à máxima de que ‘em política, o feio é perder’. Em verdade, o feio – na política e na vida – não é perder uma batalha, mas abrir mão da dignidade, da construção de princípios, do culto aos valores essenciais.
Na nossa Crateús, como em quase todas as urbes do território nacional, ainda prevalece esse modo corrosivo de agir político. Porém, impende questionar: - Por que, para me eleger, tenho que explorar os defeitos do outro ao invés de apresentar minhas qualidades?... - Por que, ao assumir o poder, tenho que seguir a mesma rota obsessiva de buscar desqualificar os antecessores?...
Embora já tenhamos todos transigido com essa prática, julgo que podemos dela nos libertar e construir alternativas. Há algum tempo suscitei esse debate íntimo e bradei em outra crônica: ‘Abramos as pálpebras embaçadas, sacudamos a poeira das decepções, revigoremos o espírito, desbravemos novos caminhos, recuperemos a utopia, lancemos um outro olhar sobre o fazer político e marchemos na rota de uma cidade que cultue a justiça e a fraternidade. Crateús merece!’
Alguém pode dizer que isto é sonho, devaneio, utopia! Pode ser. Mesmo assim, prefiro seguir na mesma estrada de Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
EM NOTA, DAVID ZYLBERSZTAJN REFUTOU DILMA ROUSSEFF
Convertido por Dilma Rousseff em em personagem involuntário da peça eleitoral, David Zylbersztajn veio à boca do palco na terça (12).
Ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo na era FHC, Zylbersztajn foi aos lábios de Dilma no debate de domingo, na Bandeirantes.
Ela o apresentou como “principal assessor energético” de José Serra. Em tom acusatório, acusou-o de defender a “privatização do pré-sal”.
Em nota, Zylbersztajn esclarece que nem é assessor de Serra nem defende a venda da riqueza pré-saleira à iniciativa privada.
“A candidata (ou quem a assessora) delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização a cada esquina”, anotou.
No último parágrafo da nota, Zylbersztajn serve-se de uma expressão do livro Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz.
Escreve que o autor atribui confusão análoga à “má fé cínica ou obtusidade córnea”.
Zylbersztajn diz suspeitar que, no caso de Dilma, sucede um misto dos dois fenômenos. Vai abaixo a nota:
“Durante o debate da Rede Bandeirantes, ocorrido no último domingo, dia 10, a candidata do Partido dos Trabalhadores, sra. Dilma Rousseff referiu-se a mim de forma inverídica e tendenciosa, induzindo, deliberadamente, o eleitor ao erro. A mesma afirmação tem sido repetida nos programas eleitorais.
Em primeiro lugar refere-se a mim como assessor do candidato do PSDB, José Serra. Devo esclarecer que não sou, nem nunca fui assessor do candidato.
Mais grave, afirma que declarei ser a favor da privatização do pré-sal! A candidata (ou quem a assessora) delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização a cada esquina.
As declarações recentes sobre o assunto (e que encontram-se devidamente registradas em áudio e vídeo) foram dadas em seminário realizado pela Revista EXAME, no Rio de Janeiro, há cerca de uma semana.
Na qualidade de expositor, defendi a manutenção do atual sistema de concessões também para as futuras licitações, sejam elas no pré-sal, ou fora dele. As áreas do pré-sal, contém, como seria de se esperar, petróleo e gás, os mesmos existentes nas áreas fora do pré-sal.
O modelo de partilha proposto, na minha opinião, é danoso aos interesses do país, por motivos diversos, que não cabem explicar em detalhes neste momento. O pior deles refere-se à criação de uma estatal para comprar e vender petróleo.
Além do mais, a proposta é danosa à Petrobras, que, queira ou não, será obrigada a participar de todos os campos do pré-sal, seja isto de seu interesse, ou não.
Por fim, nunca é demais lembrar que o exitoso modelo de concessões foi implantado a partir da Lei do Petróleo, a partir de 1999. Durante o governo FHC foram realizados 4 leilões sob este regime (num dos quais foram licitadas as áreas do pré-sal). No governo do PT foram 6.
Ou seja, se este é um modelo privatizante, foi aplicado de forma bem sucedida e permanente pelo governo do qual fazia parte a candidata Dilma, inclusive na qualidade de Ministra de Minas e Energia.
Por fim, este episódio faz-me lembrar de um trecho da introdução do "Crime do Padre Amaro", de Eça de Queiroz, onde para uma situação semelhante, o autor afirmava tratar-se de ‘má fé cínica ou obtusidade córnea’. Neste caso, suponho tratar-se de ambas. Esta é a verdade”.
David Zylbersztajn
(Do blog do Josias, da Folha de São Paulo)
Ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo na era FHC, Zylbersztajn foi aos lábios de Dilma no debate de domingo, na Bandeirantes.
Ela o apresentou como “principal assessor energético” de José Serra. Em tom acusatório, acusou-o de defender a “privatização do pré-sal”.
Em nota, Zylbersztajn esclarece que nem é assessor de Serra nem defende a venda da riqueza pré-saleira à iniciativa privada.
“A candidata (ou quem a assessora) delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização a cada esquina”, anotou.
No último parágrafo da nota, Zylbersztajn serve-se de uma expressão do livro Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz.
Escreve que o autor atribui confusão análoga à “má fé cínica ou obtusidade córnea”.
Zylbersztajn diz suspeitar que, no caso de Dilma, sucede um misto dos dois fenômenos. Vai abaixo a nota:
“Durante o debate da Rede Bandeirantes, ocorrido no último domingo, dia 10, a candidata do Partido dos Trabalhadores, sra. Dilma Rousseff referiu-se a mim de forma inverídica e tendenciosa, induzindo, deliberadamente, o eleitor ao erro. A mesma afirmação tem sido repetida nos programas eleitorais.
Em primeiro lugar refere-se a mim como assessor do candidato do PSDB, José Serra. Devo esclarecer que não sou, nem nunca fui assessor do candidato.
Mais grave, afirma que declarei ser a favor da privatização do pré-sal! A candidata (ou quem a assessora) delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização a cada esquina.
As declarações recentes sobre o assunto (e que encontram-se devidamente registradas em áudio e vídeo) foram dadas em seminário realizado pela Revista EXAME, no Rio de Janeiro, há cerca de uma semana.
Na qualidade de expositor, defendi a manutenção do atual sistema de concessões também para as futuras licitações, sejam elas no pré-sal, ou fora dele. As áreas do pré-sal, contém, como seria de se esperar, petróleo e gás, os mesmos existentes nas áreas fora do pré-sal.
O modelo de partilha proposto, na minha opinião, é danoso aos interesses do país, por motivos diversos, que não cabem explicar em detalhes neste momento. O pior deles refere-se à criação de uma estatal para comprar e vender petróleo.
Além do mais, a proposta é danosa à Petrobras, que, queira ou não, será obrigada a participar de todos os campos do pré-sal, seja isto de seu interesse, ou não.
Por fim, nunca é demais lembrar que o exitoso modelo de concessões foi implantado a partir da Lei do Petróleo, a partir de 1999. Durante o governo FHC foram realizados 4 leilões sob este regime (num dos quais foram licitadas as áreas do pré-sal). No governo do PT foram 6.
Ou seja, se este é um modelo privatizante, foi aplicado de forma bem sucedida e permanente pelo governo do qual fazia parte a candidata Dilma, inclusive na qualidade de Ministra de Minas e Energia.
Por fim, este episódio faz-me lembrar de um trecho da introdução do "Crime do Padre Amaro", de Eça de Queiroz, onde para uma situação semelhante, o autor afirmava tratar-se de ‘má fé cínica ou obtusidade córnea’. Neste caso, suponho tratar-se de ambas. Esta é a verdade”.
David Zylbersztajn
(Do blog do Josias, da Folha de São Paulo)
terça-feira, 12 de outubro de 2010
FELIZ CUMPLEAÑOS, PABLO!


HOJE É O NATALÍCIO DE PAULO NAZARENO SOARES ROSA!
Conheci o Paulo Nazareno no inicio da década de mil novecentos e oitenta.
Realizávamos uma reunião em prol do pré-candidato a prefeito de Crateús José Fernandes da Silva, médico sisudo e de bom coração, alagoano que se fez crateuense e capitão da resistência democrática na nossa terra.
Alguém anunciou a presença do jovem cirurgião Paulo. Silhueta magérrima e vasta cabeleira. Estilo hippie e olhar profundo.
O projeto que sonhávamos para a cidade foi abortado em 1982, mas veio à tona alguns anos depois. Eleito prefeito – com menos cabelos na cabeça e uns quilos a mais no corpo - Nazareno me convidou para integrar sua equipe.
Gestou-se entre nós, a partir do desenho de um projeto inovador para a cidade, um processo de cumplicidade espontânea. Laboramos grandes idéias, desenvolvemos arrojadas iniciativas. As pessoas experimentaram debates que incluíam a integração da equipe (intersetorialidade) e a transferência do poder ao povo (empoderamento). A cidade respirou uma auspiciosa aura de oxigenação em todas as áreas.
Depois, o ar voltou a se poluir pela contaminação do submundo da política. E a urbe, outra vez, involuiu.
A nossa convivência, que se iniciou no oceano da política, terminou por nos aproximar nas outras praias da vida. Conheci o ser sensível e profundo, endoscopista de almas, amante da natureza, aviador natural, apreciador da boa música, estudioso dos grandes temas, visionário trabalhador.
Jamais consegue ser morno. É sempre gelo ou brasa. Adora viver perigosamente, escalar as montanhas dos desafios, palmilhar as trilhas adversas. Saboreia intensamente cada prato que o restaurante da vida lhe oferece.
No entanto, ao longo da nossa convivência, tive a oportunidade de identificar a mais original das suas facetas: no lençol freático desse homem aparentemente duro, há um poço profundo de ternura.
Coincidentemente, nasceu no dia 12 de outubro. Talvez por isso seja, no mais recôndito de si mesmo, uma criança: brinca e briga, preza e reza, chora e ri, sofre e sonha.
Hoje completa mais um ano. Assopra velas. Apaga o que ficou para trás. Mira o futuro. E reparte o bolo da amizade.
Como dizem os latino-americanos, feliz cumpleaños!
(Por Júnior Bonfim)
SUA EXCELÊNCIA, TIRIRICA!
Enquanto candidato, Tiririca foi pichado por quase todos da mídia e da política tradicional por ser um palhaço e em razão dos seus slogans satíricos de campanha. Ele sempre foi um palhaço de fato e fazer piadas fazia parte de seu ganha-pão. Quando fazia gracejos em sua campanha estava sendo coerente. Somente por ter a profissão de palhaço, Tiririca nem é pior nem melhor do que nenhum concorrente profissional da política.
O festival de imagens de doutos engravatados enchendo literalmente os bolsos com dinheiro de corrupção, nas meias e nas bolsas, que enlamearam as telas deste país, desautorizaria as críticas ao palhaço. Essas imagens forçaram a renúncia de Joaquim Roriz, candidato favoritíssimo ao governo do Distrito Federal. Pior do que alguns fatos são algumas justificativas. Esse doutor justificara um empréstimo suspeito de dois milhões de reais, que seria para a compra de uma bezerra. Nem que fosse de diamantes, custaria tanto. Mas, esse gado de pelo de ouro passou a ser a salvação dos políticos ideais. Renan Calheiros, político por excelência, senador da República, utilizou da nova raça de gado de ouro para justificar o pagamento de pensão alimentícia por funcionários de empresa privada e outras dinheiramas de seu patrimônio “billgateano”. Sua gente o salvou da cassação, inclusive com apoio incondicional de Mercadante.
Episódios dessa natureza têm se repetido nos últimos anos, que passa a sensação de ser requisito inerente à gestão pública. Um pouco antes, o notável Severino Cavalcanti criara o mensalinho, que consistia em cobrar propina de proprietários de restaurantes localizados na Câmara dos Deputados. O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, renunciou ao cargo por ter sido filmado embolsando dinheiro. Ele e vários deputados. Pelos mesmos motivos, também foram presos e são acusados os governadores do Amapá e de Mato Grosso do Sul, além do prefeito de Dourados. O reeleito governador do Ceará passeou pela Europa com a sogra com dinheiro da viúva. O uso de celular de serviço pela filha do senador Tião Viana.
Essas mesmas condutas são praticadas diariamente pelo cidadão ao pagar propina em troca da relevação de falhas. No Rio de Janeiro, dois policiais não deram a mínima para o coordenador do grupo Afro Reggae agonizando, cena repetida pelos que liberaram os rapazes que mataram o filho da atriz Cissa Guimarães. Isso também é rotina para evitar as multas de trânsito, além dos cafezinhos para aprovação nos testes para aquisição da carteira nacional de habilitação. E até pelos vendedores de qualquer coisa para adentrarem nos ônibus coletivos.
Além dessas condutas de cunho mais restrito aos políticos, existem as práticas generalizadas. Todo dia vem acusação dos milhões pagos em horas extras no Senado e na Câmara dos Deputados, inclusive quando os parlamentares estão em férias. Acho que os brasileiros já esqueceram, mas não custa relembrar a farra das passagens aéreas pelos parlamentares federais; a filha do Excelentíssimo senador Tião Viana gastou 14,7 mil em ligações do telefone do Senado em passeio pelo México. Para fechar essa pequena célula desse jeito brasileiro de boa cidadania e representantes ideais do povo, a Folha de São Paulo estampou na capa do dia 4 de outubro de 2009 que 17 milhões de brasileiros admitiram ter vendido o voto na eleição de 2008.
Todos esses citados aparecem engravatados e se tratam respeitosamente por excelência, mesmo para mandarem tomar em qualquer lugar, quando mandam para a mãe tomar conta ou quando range os dentes para intimidar e ameaçar colegas, como costuma fazer o excelentíssimo senador Fernando Collor de Mello.
Tudo isso, para enfatizar a idéia de que corrupção é uma prática generalizada na política brasileira de há muito tempo, para a qual Tiririca não contribuiu em nada com sua candidatura e eleição, além de sua campanha ter ficado longe de descer a esse nível. Sua tão criticada baixa escolaridade o credencia a pleitear a Presidência da República na próxima eleição.
Ainda que fosse acusado de alguma falha grave, o Palhaço não chegaria ao patamar de bondades desses nobres. Portanto e literalmente, Tiririca é apenas uma pessoa simplória, um palhaço de fato que, por si só, não merecia tratamento depreciativo. Agora, se fizer alguma coisa positiva, será melhor do que muitos; se não fizer nada, empata com quase todos. Mas, se ele empregar parentes; se seus filhos fizerem lobbie para empresa de amigos; ou se tornarem bilionários do dia pra noite, o Palhaço teria grande chance de se tornar ministro da Casa Civil, pois se enquadraria no perfil brasileiro de fazer política. Daí se concluir que, se ele não corromper ou for corrompido até o final do mandato, Sua Excelência já teria sido melhor do que grande parte dos parlamentares brasileiros.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP.
Bel. Direito
O festival de imagens de doutos engravatados enchendo literalmente os bolsos com dinheiro de corrupção, nas meias e nas bolsas, que enlamearam as telas deste país, desautorizaria as críticas ao palhaço. Essas imagens forçaram a renúncia de Joaquim Roriz, candidato favoritíssimo ao governo do Distrito Federal. Pior do que alguns fatos são algumas justificativas. Esse doutor justificara um empréstimo suspeito de dois milhões de reais, que seria para a compra de uma bezerra. Nem que fosse de diamantes, custaria tanto. Mas, esse gado de pelo de ouro passou a ser a salvação dos políticos ideais. Renan Calheiros, político por excelência, senador da República, utilizou da nova raça de gado de ouro para justificar o pagamento de pensão alimentícia por funcionários de empresa privada e outras dinheiramas de seu patrimônio “billgateano”. Sua gente o salvou da cassação, inclusive com apoio incondicional de Mercadante.
Episódios dessa natureza têm se repetido nos últimos anos, que passa a sensação de ser requisito inerente à gestão pública. Um pouco antes, o notável Severino Cavalcanti criara o mensalinho, que consistia em cobrar propina de proprietários de restaurantes localizados na Câmara dos Deputados. O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, renunciou ao cargo por ter sido filmado embolsando dinheiro. Ele e vários deputados. Pelos mesmos motivos, também foram presos e são acusados os governadores do Amapá e de Mato Grosso do Sul, além do prefeito de Dourados. O reeleito governador do Ceará passeou pela Europa com a sogra com dinheiro da viúva. O uso de celular de serviço pela filha do senador Tião Viana.
Essas mesmas condutas são praticadas diariamente pelo cidadão ao pagar propina em troca da relevação de falhas. No Rio de Janeiro, dois policiais não deram a mínima para o coordenador do grupo Afro Reggae agonizando, cena repetida pelos que liberaram os rapazes que mataram o filho da atriz Cissa Guimarães. Isso também é rotina para evitar as multas de trânsito, além dos cafezinhos para aprovação nos testes para aquisição da carteira nacional de habilitação. E até pelos vendedores de qualquer coisa para adentrarem nos ônibus coletivos.
Além dessas condutas de cunho mais restrito aos políticos, existem as práticas generalizadas. Todo dia vem acusação dos milhões pagos em horas extras no Senado e na Câmara dos Deputados, inclusive quando os parlamentares estão em férias. Acho que os brasileiros já esqueceram, mas não custa relembrar a farra das passagens aéreas pelos parlamentares federais; a filha do Excelentíssimo senador Tião Viana gastou 14,7 mil em ligações do telefone do Senado em passeio pelo México. Para fechar essa pequena célula desse jeito brasileiro de boa cidadania e representantes ideais do povo, a Folha de São Paulo estampou na capa do dia 4 de outubro de 2009 que 17 milhões de brasileiros admitiram ter vendido o voto na eleição de 2008.
Todos esses citados aparecem engravatados e se tratam respeitosamente por excelência, mesmo para mandarem tomar em qualquer lugar, quando mandam para a mãe tomar conta ou quando range os dentes para intimidar e ameaçar colegas, como costuma fazer o excelentíssimo senador Fernando Collor de Mello.
Tudo isso, para enfatizar a idéia de que corrupção é uma prática generalizada na política brasileira de há muito tempo, para a qual Tiririca não contribuiu em nada com sua candidatura e eleição, além de sua campanha ter ficado longe de descer a esse nível. Sua tão criticada baixa escolaridade o credencia a pleitear a Presidência da República na próxima eleição.
Ainda que fosse acusado de alguma falha grave, o Palhaço não chegaria ao patamar de bondades desses nobres. Portanto e literalmente, Tiririca é apenas uma pessoa simplória, um palhaço de fato que, por si só, não merecia tratamento depreciativo. Agora, se fizer alguma coisa positiva, será melhor do que muitos; se não fizer nada, empata com quase todos. Mas, se ele empregar parentes; se seus filhos fizerem lobbie para empresa de amigos; ou se tornarem bilionários do dia pra noite, o Palhaço teria grande chance de se tornar ministro da Casa Civil, pois se enquadraria no perfil brasileiro de fazer política. Daí se concluir que, se ele não corromper ou for corrompido até o final do mandato, Sua Excelência já teria sido melhor do que grande parte dos parlamentares brasileiros.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP.
Bel. Direito
domingo, 10 de outubro de 2010
OS SETE PONTOS. OU: OS MISTIFICADORES JÁ PERDERAM A ELEIÇÃO!

Eu continuo sem saber quem vai ganhar as eleições. O que sei é que o resultado nunca esteve tão indefinido, desta feita até para aqueles que deram a disputa como resolvida. Os arquivos dos jornais estão por aí. Faziam-se crônicas sobre o triste destino de Serra; tratava-se a divisão de cargos do “governo Dilma” como um dado da realidade. A opinião dos jornalistas — com raras, raríssimas exceções mesmo! — era soprada por potentados morais acima de qualquer suspeita como Marcos Coimbra, do Vox Populi, ou Ricardo Guedes, do Sensus. Aqueles um pouquinho mais exigentes buscavam Carlos Augusto Montenegro. Os que pretendiam chutar com muita credibilidade só decretavam a vitória de Dilma no primeiro turno depois de ouvir Mauro Paulino, do Datafolha. E havia, finalmente, os que somavam todos esses — indo de Paulino, num extremo do possível, a Coimbra, no outro extremo — para tirar uma média…
A pratica foi inaugurada na redação de São Paulo do Estadão. Um dia esse jornal há de ter, na totalidade, a qualidade técnica de seus editoriais ou a coragem e percuciência de Dora Kramer! Esta é uma predição benigna, um bom augúrio! Outros augúrios, para outros veículos, não prodigalizo porque me atenho ao que é possível…
E, no entanto, está aí: segundo o Datafolha, sete pontos separam o tucano José Serra (41%) da petista Dilma Rousseff (48%). Sete! Numa eleição de segundo turno, valem 3,5 pontos. No mesmo instituto, há três semanas, a diferença entre os dois era de 22 pontos: 57% a 35%. Em 21 dias, o tucano teria ganhado 8 milhões de eleitores, e Dilma teria perdido 12,15 milhões. Possível? Pode ser. A quatro dias do primeiro turno, no dia 29, o Ibope apontava nada menos de 23 pontos de distância. Agora, dadas as margens de erro, ela pode ser de meros três pontos. Será o eleitorado tão inconstante assim?
Quero reiterar: eu não sei quem vai ganhar as eleições. “Eles”, estes de que falo (que não vão mudar de ramo, claro; continuarão a buscar motivos novos para justificar seus erros), é que sabiam. Decretavam, com fatalismo cínico: “O povo quer é consumir; ninguém está nem aí para escândalos”. Será que não? Tamanha “mudança” do eleitorado terá se dado só por causa do debate sobre a descriminação do aborto (já falo sobre o assunto e sobre a demofobia de Elio Gaspari)?
A vigarice intelectual ganhava ares de ciência. Números comprovadamente errados — basta ver o resultado das urnas — geravam infográficos que tingiam o Brasil de vermelho, no que não era uma onda, mas uma verdadeira tsunami tóxica, que a tudo contaminava. Era a realização de uma predição que vinha de priscas eras: com mais de 70% de popularidade, Lula fará a sua sucessora, e não há política que possa mudar isso. Afinal, como era mesmo, “é a economia, idiota!” Ela certamente conta. Mas “será sempre a política, idiota!”.
Serra estava liquidado, e, entanto, na largada do segundo turno, perder mesmo, segundo o Datafolha, ele só perde no Nordeste (62% a 31%). No Sul, está cinco pontos à frente (43% a 48%); no Sudeste, três (41% a 44%) e, no Norte Centro-Oeste, 2.
“O Reinaldo critica pesquisas, mas fala sobre elas para dizer que Serra melhorou?” EU NÃO CRITICO PESQUISAS. Repito o que já escrevi aqui e falei em vídeo na VEJA online: critiquei o “interpretacionismo”; os que usam números para antever resultados e decretar o fim antecipado do processo eleitoral. Jornais, revistas, sites noticiosos etc passaram a considerar que os institutos substituíam os eleitores. E eles não substituem. Não sei quem vai ganhar a eleição. Caso Serra seja o vitorioso, algumas penas deveria silenciar de vergonha. Mas não o farão porque não poderão usar o que não têm.
Mas o que moveu essa gente? Há os venais de sempre, e nada há a dizer a respeito deles porque são convictos como um táxi — não os de Nova York, que só aceitam levar a gente para um determinado lugar se também estiverem indo para lá, hehe… Há os ideológicos, que buscam o mesmo resultado dos vendidos, distorcendo a verdade por convicção; acreditam que a canalhice, quando crença ou ideologia, se torna uma virtude. E há os covardes de sempre — talvez sejam os piores, já digo a razão —, que temem a patrulha e emprestam substantivos e adjetivos novos ao consenso. Então se deixam engravidar pelo ouvido.
Resultado: o segundo turno está aí, ninguém pode mais “prever” o resultado, e alguns dados da equação até contam em favor do candidato tucano: o PSDB elegeu governadores em primeiro turno, por exemplo, nos dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo e Minas — além de Paraná e Tocantins; disputa o segundo em cinco outros. Como Serra vinha da “derrota certa”, sua candidatura ressurge revigorada; como Dilma vinha da “vitória certa”, sua candidatura deu sinais de fadiga, o que não quer dizer que não possa se recuperar.
À diferença do que sugerem as cheerleaders da candidatura Dilma, que se comportam agora como viúvas ressentidas e, obviamente precoces, o segundo turno é um sinal de vitalidade da democracia: não basta Lula mandar para acontecer. No mínimo, o eleitor pede mais esclarecimentos. E está aí em razão de conjunto de fatores — a polêmica sobre o aborto é uma delas, mas certamente não será a única. Quem sabe a própria imprensa fique melhor diante dessa realidade e aprenda, quando menos, a ser prudente, por mais difícil que seja. E fácil não é mesmo.
Relembrando: na pesquisa de hoje, Dilma aparece com 48%, e Serra, com 41%. No texto em que trata dos números, escreve Fernando Rodrigues na Folha:
“No dias 1º e 2 de outubro (…), Dilma teria 52% contra 40% de Serra (…) Dilma perdeu quatro pontos percentuais. A petista teve uma oscilação na margem de erro máxima da pesquisa”.
Está errado! Duvido que Mauro Paulino, o chefe do Datafolha endosse essa afirmação do redator. Ela não teve “oscilação” coisa nenhuma! Teve queda mesmo, FORA DA MARGEM DE ERRO, que é de dois pontos para mais ou para menos.
Esse quadro pode mudar depois de uma semana de propaganda na TV? Pode, sim. Meus textos compreendem essa possibilidade. Não faço antevisões, previsões, predições, maldições, nada. “Eles” fizeram — e estou certo de que acharão este texto muito parcial… Alô, analistas! Comecem a ouvir menos o João Santana e a ouvir mais o povo…
O segundo turno está aí, indefinido! Por pouco as urnas não foram seqüestradas pela associação entre marqueteiros, pesquiseiros e “analistas”. Pode dar Serra, pode dar Dilma. Em qualquer dos casos, os mistificadores da “análise” já perderam a eleição vergonhosamente.
(Por Reinaldo Azevedo)
sábado, 9 de outubro de 2010
TASSO JEREISSATI - O MAIOR POLÍTICO DO CEARÁ!

A Assessoria de Imprensa do senador Tasso Jereissati liberou, na noite de ontem, o discurso proferido pelo tucano durante o primeiro encontro de trabalho pró-campanha de José Serra neste segundo turno da disputa presidencial. Tasso não logrou êxito nas urnas, mas fez discurso considerado contundente pelos que lotaram o salão de convenções do Hotel Vila Galé. Confira:
*DISCURSO DO SENADOR TASSO
A História do Ceará não poderia ser manchada diante dos outros partidos que não tiverem sequer a coragem de lançar outro candidato. Nós limpamos e salvamos a História do Ceará quando fizemos o nosso caminho e eu, pessoalmente, estou muito orgulhoso disso. Muito orgulhoso. E eu disse outra verdade, que parece que apareceu na televisão: “Prefiro não ter ganho a senatoria a ter sido eleito por causa do favor ou da benesse de alguém.”
Nunca fiz esse tipo de política. Eu sou aquilo que sou, a minha história, a nossa história e as nossas idéias. Se a nossa história e as nossas idéias, num dado momento não são aceitas, muito bem. Foi o povo que quis. Mas, ser eleito simplesmente pela benesse de um padrinho que tenta a hegemonia política absoluta e restabelece as velhas oligarquias e as práticas do atraso no Estado do Ceará, eu prefiro estar como estou.
Estou muito bem, porque estou com minha consciência tranqüila. Estou muito bem, repito. E digo mais: Estou mais forte fisicamente do que estava quando começou a eleição. Quem pensa que minhas pontes não agüentam; agüentam, sim. Melhor ainda, pra recomeçar uma eleição. Vem aí outubro, agora.
Eu queria dizer uma coisa a vocês, falando sinceramente de política. É hora de Prefeitos, lideranças, vereadores fazer política com “P” maiúsculo. Política não é a conveniência do momento, em função de favores ou desfavores. Política é outra coisa. Política é respeitar seus ideais, política é respeitar seus compromissos, política é compromisso com as ideias e com o povo que o elegeu, independente da circunstância do momento. Isso é política. E nós, neste momento, não temos a eleição totalmente perdida. Pelo contrário, tem uma luz enorme aparecendo aí para todos nós. E a nossa opção aqui no Estado do Ceará é a seguinte: ou continuarmos sendo amigos do poder local, amigos de segunda classe do poder local, desprezados até pelo interesse do momento (porque ninguém valoriza o amigo que sabe que é interesseiro, que está ali do seu lado por causa do interesse, porque você tem o que dar. Você valoriza aquele amigo de verdade). A mesma coisa acontece na política.
Nós vamos voltar a brigar, agora. Eu estou disposto mais do que nunca a brigar. Digo uma coisa do meu coração: Eu prefiro um PSDB menor; mas forte, unido e com convicções políticas. Eu vou dizer uma coisa para vocês: Aquele que por medo, por receio ou por conveniência não tiver disposto à luta neste momento, que se retire. Nós não mudamos a História do Ceará pela quantidade.
Nós mudamos a História do Ceará pela qualidade das nossas idéias e dos nossos líderes. E aqueles que não quiserem, a gente entende. A política é assim hoje. Não é mais a grande política. Está na moda a troca de favores pra cá, a troca de emenda pra lá, tem uma “graninha” que corre por ali - e é isso a política. Quem quiser fazer esse tipo de política que se retire. Nós estamos noutra. Eu estou noutra completamente diferente. E tem mais: Nós vamos ganhar a eleição no Brasil. Eu estou chegando de São Paulo e vi o que está acontecendo: Uma verdadeira onda verde e amarelo. O Centro Sul já se definiu e está na hora de nos definirmos, através de nossa liderança. Nós não podemos nos acomodarmos em ser um pais de segunda classe, que recebe as esmolas de um país de primeira classe pelo resto da vida. Nós somos trabalhadores, nós sabemos produzir e temos dignidade. Nós não vamos nos acomodar a essa situação. E depende de cada liderança, em cada região com seus liderados. Tenho a certeza absoluta de que o resultado aqui não vai ser igual ao resultado do primeiro turno, e que nós vamos ajudar também a fazer José Serra ganhar as eleições.
E isso significa fazer a nossa parte aqui nesta luta tremenda que iremos enfrentar contra um poder autoritário, arbitrário que usa todas as armas para aniquilar o inimigo. Democracia não tem inimigo, tem adversário e a gente não aniquila o adversário, a gente convive com a oposição, e democracia é exatamente a convivência de idéias diferentes, idéias opostas. Nós vamos para essa luta para defender a democracia, para defender a honestidade. Não se faz um país sem valores morais. E os valores morais estão sendo destruídos neste país. Banalizou-se o escândalo, a corrupção, de tal maneira que qualquer escândalo, qualquer corrupção não espanta mais ninguém.
O comportamento normal do político agora é roubar. Aquele que não rouba é que é diferente.
Está aí o Tiririca para dar o recado. Ele teve mais de um milhão de votos, e é um recado pra gente. E a agente recebendo este recado de cabeça baixa, porque não estamos lutando contra isso. Mas eu garanto a todos vocês todos que estiverem dispostos à luta (e a luta já começou) que não estou cansado. Pelo contrário, estou descansadíssimo e tenho muita esperança que esse grupo possa recuperar o seu brio, o amor próprio. Estar de bem com a sua consciência, não aceitar ser mandado. Durante a campanha, não conheci um prefeito, uma esperança, que gostasse do PT. No entanto, muitos deles votaram com o PT. Isso é covardia feia, isso não é fazer política. Eu perco uma eleição, duas, três, mas não vou me entregar às conveniências. Vou continuar fiel à minha história e à minha vida. Quem quiser continuar nesta luta, vamos juntos. Quem não quiser se retire, vá para o PT, para onde quiser, mas nós vamos continuar com essa luta. Se sobrarem quatro ou cinco, nós vamos juntos com esses quatro ou cinco rodar o Estado do Ceará inteiro.
Vamos levar José Serra à vitória neste Estado inteiro.
(Tasso Jereissati)
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
A COMUNICAÇÃO FOI A GRANDE DERROTADA NAS URNAS
Quem não se comunica se trumbica, já dizia o grande filósofo da comunicação de massas Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Os resultados das eleições deste domingo revelaram que os diretores de campanha não aprenderam ainda a explorar os prodigiosos recursos oferecidos pela maravilhosa máquina da comunicação moderna.
Da internet, nem é preciso falar. A rede mundial de computadores ficou completamente à margem da panfletagem eleitoral. A rede acabou sendo usada por particulares, nem sempre com as melhores intenções, que aproveitaram para disseminar boatos e maledicências, quase sempre anônimas. Mas vamos falar do horário eleitoral gratuito, essa invenção da democracia brasileira.
O fenômeno Tiririca e seu 1,3 milhão de votos provavelmente não existiriam sem as facilidades oferecidas pelo horário gratuito. Mas a maioria dos quase 20 mil candidatos nas eleições proporcionais entraram e saíram da televisão sem deixar o anonimato. Ou seja: a propaganda compulsória na rádio e televisão só ajuda a quem já é conhecido. Os desconhecidos, aqueles que botam a cara na telinha para dizer: “Eu sou fulano, meu número é tal”, continuam desconhecidos depois de 100 minutos diários de exposição durante 45 dias.
Perguntem a qualquer vendedor de sabão em pó ou a um bom autor de novela o que é possível fazer com esse tempo todo de TV. Bem, o Tiririca sabe. Mas dava pena ver a aflição dos eleitores mais responsáveis às vésperas da eleição à procura de um candidato a deputado estadual para votar. Faltou candidato, ou melhor, faltou comunicação para saber a simples biografia dos senhores candidatos.
Quanto aos candidatos majoritários, por serem menos em quantidade e por terem mais tempo de exposição, conseguem até dar o seu recado. Mas vejam só como o debate na televisão está se tornando uma coisa inútil. Todo mundo concorda que as agressões pessoais, as baixarias e as pegadinhas não pegam bem num debate de alto nível. Mas para ser bom, para ficar no campo das ideias, o debate perde a emoção. E sem emoção o telespectador dorme diante do televisor. Ou muda de canal.
O único candidato que conseguiu tirar o eleitor de seu torpor televisivo durante os debates foi o Plínio de Arruda Sampaio, do PSol, e suas mirabolantes propostas de desgoverno. Teve gente que achou engraçado. A maioria não entendeu a piada. Plínio teve menos votos para presidente do que Tiririca para deputado.
Outro instrumento de comunicação infalível nas campanhas eleitorais são as pesquisas de intenção de votos. Nas mãos dos marqueteiros, as pesquisas de opinião são capazes de indicar os rumos de uma campanha: onde atacar para melhorar o desempenho do candidato, qual o eleitor a ser conquistado, que tipo de mensagem deve ser veiculada. Nas mãos da imprensa as pesquisas viraram um adivinhômetro, com a pretensão de antecipar o resultado da eleição.
Mas as pesquisas falham. Que o diga Aloysio Nunes, o candidato tucano ao Senado por São Paulo, que passou a campanha inteira como um nanico das pesquisas e terminou as eleições como o novo campeão de votos para a câmara alta.
E por que falham? Falham porque ninguém é obrigado a responder as entrevistas dos pesquisadores e quem responde não é obrigado a dizer a verdade ou ser sincero. Se o eleitor, no momento solene de dar seu voto, na solidão da cabine que de indevassável não tem nada, é capaz de brincar e votar no palhaço ou na mulher-fruta, imagina o que ele não fará diante do pobre pesquisador que resolveu tomar seu precioso tempo.
Ainda bem que ainda não foi baixada a MP que subsititui as eleições pelas pesquisas. Por enquanto, continua valendo o resultado das urnas.
(Por Maurício Cardoso)
Da internet, nem é preciso falar. A rede mundial de computadores ficou completamente à margem da panfletagem eleitoral. A rede acabou sendo usada por particulares, nem sempre com as melhores intenções, que aproveitaram para disseminar boatos e maledicências, quase sempre anônimas. Mas vamos falar do horário eleitoral gratuito, essa invenção da democracia brasileira.
O fenômeno Tiririca e seu 1,3 milhão de votos provavelmente não existiriam sem as facilidades oferecidas pelo horário gratuito. Mas a maioria dos quase 20 mil candidatos nas eleições proporcionais entraram e saíram da televisão sem deixar o anonimato. Ou seja: a propaganda compulsória na rádio e televisão só ajuda a quem já é conhecido. Os desconhecidos, aqueles que botam a cara na telinha para dizer: “Eu sou fulano, meu número é tal”, continuam desconhecidos depois de 100 minutos diários de exposição durante 45 dias.
Perguntem a qualquer vendedor de sabão em pó ou a um bom autor de novela o que é possível fazer com esse tempo todo de TV. Bem, o Tiririca sabe. Mas dava pena ver a aflição dos eleitores mais responsáveis às vésperas da eleição à procura de um candidato a deputado estadual para votar. Faltou candidato, ou melhor, faltou comunicação para saber a simples biografia dos senhores candidatos.
Quanto aos candidatos majoritários, por serem menos em quantidade e por terem mais tempo de exposição, conseguem até dar o seu recado. Mas vejam só como o debate na televisão está se tornando uma coisa inútil. Todo mundo concorda que as agressões pessoais, as baixarias e as pegadinhas não pegam bem num debate de alto nível. Mas para ser bom, para ficar no campo das ideias, o debate perde a emoção. E sem emoção o telespectador dorme diante do televisor. Ou muda de canal.
O único candidato que conseguiu tirar o eleitor de seu torpor televisivo durante os debates foi o Plínio de Arruda Sampaio, do PSol, e suas mirabolantes propostas de desgoverno. Teve gente que achou engraçado. A maioria não entendeu a piada. Plínio teve menos votos para presidente do que Tiririca para deputado.
Outro instrumento de comunicação infalível nas campanhas eleitorais são as pesquisas de intenção de votos. Nas mãos dos marqueteiros, as pesquisas de opinião são capazes de indicar os rumos de uma campanha: onde atacar para melhorar o desempenho do candidato, qual o eleitor a ser conquistado, que tipo de mensagem deve ser veiculada. Nas mãos da imprensa as pesquisas viraram um adivinhômetro, com a pretensão de antecipar o resultado da eleição.
Mas as pesquisas falham. Que o diga Aloysio Nunes, o candidato tucano ao Senado por São Paulo, que passou a campanha inteira como um nanico das pesquisas e terminou as eleições como o novo campeão de votos para a câmara alta.
E por que falham? Falham porque ninguém é obrigado a responder as entrevistas dos pesquisadores e quem responde não é obrigado a dizer a verdade ou ser sincero. Se o eleitor, no momento solene de dar seu voto, na solidão da cabine que de indevassável não tem nada, é capaz de brincar e votar no palhaço ou na mulher-fruta, imagina o que ele não fará diante do pobre pesquisador que resolveu tomar seu precioso tempo.
Ainda bem que ainda não foi baixada a MP que subsititui as eleições pelas pesquisas. Por enquanto, continua valendo o resultado das urnas.
(Por Maurício Cardoso)
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