Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sábado, 25 de junho de 2011
SAMPA - CAETANO VELOSO
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende de pressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Panaméricas de áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo Quilombo de Zumbi
E os novos baianos te podem curtir numa boa
E novos baianos passeiam na tua garoa.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
É GRAMA NOVA!

Você viu? Eu ví e acreditei, que só vendo mesmo. E até tinha dito que não dava mais nem um “pio”. Oh, vai um “silvo”, então!
Os canteiros de nossas avenidas (sorria e disfarce) estão sendo adornados por novíssima modalidade paisagística – a grama de concreto!
Ao invés de jardins , alamedas, passarinhos - concreto pintado de verde! Grama? Corta essa, brita não precisa aguar!
A inteligência e sensibilidade de nossos governantes (não deveria) ainda me surpreende... e me apalerma. (Tem gente que só envelhece, nunca aprende).
A lógica é: Gramas e Plantas de verdade exigem labor. Precisam de cuidados, carinho, água, e até de olhos que as enxerguem. (Somos cento e sessenta mil olhos, viu?!) Ademais produzem flores, sombra, abrigo e alimentos para pássaros, borboletinhas e outras tantas criaturinhas perigosíssimas à saúde e bem-estar dos humanos e do planeta.
Quanto ao calor, poeira, aquecimento global, estética, ética, etc., etc., ... meras bobagens de quem apenas quer atravancar nossa trajetória rumo ao futuro. Nossa civilização é outra, estamos para muito além do bem e do mal!
Não me surpreenderei, nem se surpreendam amigos e amigas (seres humanos e ceras humanas), quando começarem, em nossa cidade, o que não deve demorar, o plantio de uma novíssima e exótica espécie de árvore – a árvore de concreto. Igualmente pintadinha de verde, claro, para enganar até o mais sabido e ardiloso dos passarinhos. Nossa sabedoria e astúcia não têm limites nem comparação! Eita!
Jardins, alamedas e grama de concreto no coração do sertão nordestino! Imagino até que subjaz, por trás desta engenhosa e iluminada sacada, uma estratégia que só cérebros privilegiados podem engendrar – nos preparar, lenta e caridosamente, para o fogo eterno!
É VIDA NOVA... MELHOR DIZENDO, É GRAMA NOVA PARA CRATEÚS!
Edilson Macedo
Gestor cultural
quinta-feira, 23 de junho de 2011
MEMÓRIA BRASILEIRA: SIGILO OU VERGONHA?
Há 141 anos terminou a Guerra do Paraguai. Durou de 1864 a 1870. Ao longo de seis anos, Brasil, Argentina e Uruguai, instigados pela Inglaterra, combateram os paraguaios. O pretexto era derrubar o ditador Solano López e impedir que o Paraguai, país independente e sem miséria, abrisse uma saída para o mar.
O Brasil enviou 150 mil homens para o campo de batalha. Desses, tombaram 50 mil. Do lado paraguaio foram mortos 300 mil, 20% da população do país. E o Brasil abocanhou 40% do território da nação vizinha.
Até hoje o acesso aos documentos do conflito estão proibidos a quem pretende investigá-los. Por quê? Talvez o sigilo imposto sirva para cobrir a vergonhosa atuação de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que comandou nossas tropas na guerra. E do Conde D’Eu, genro de Dom Pedro II, que sucedeu o duque no massacre aos paraguaios.
Os arquivos ultrassecretos do Brasil podem permanecer sigilosos por 30 anos. O presidente da República pode prorrogar o prazo por mais 30, indefinidamente. Eternamente.
Em 2009, Lula enviou à Câmara dos Deputados projeto propondo o sigilo eterno periodicamente renovado. Cedeu a pressões dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Os deputados federais o aprovaram com esta emenda: o presidente da República poderia renovar, por uma única vez, o prazo do sigilo, e os documentos considerados ultrassecretos seriam divulgados em, no máximo, 50 anos.
O projeto passou ao Senado. Caiu em mãos da Comissão de Relações Exteriores, cujo presidente é o senador Fernando Collor. E, para azar de quem torce por transparência na República, ele próprio assumiu a relatoria. E tratou de engavetá-lo. Não deu andamento ao debate nem colocou o projeto em votação.
A presidente Dilma decidira sancionar a lei do fim do sigilo eterno a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Naquela data, o relator Collor foi a plenário e declarou ser "temerário” aprovar o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.
Na véspera de ser empossada ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti declarou que Dilma estaria disposta a atender pedidos dos senadores José Sarney e Fernando Collor, e patrocinar no Senado mudança no decreto para assegurar sigilo eterno a documentos oficiais. A única diferença é que, agora, o sigilo seria renovado a cada 25 anos.
O Congresso está prestes a aprovar a Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. Como aprovar esta comissão e vetar para sempre o acesso a documentos oficiais? Isso significa impedir que a nação brasileira tome conhecimento de fatos importantes de sua história.
Collor e Sarney não gostam de transparência por razões óbvias. Seus governos foram desastrosos e vergonhosos. Já o Ministério das Relações Exteriores alega que trazer à tona documentos, como os da Guerra do Paraguai, pode criar constrangimentos com países vizinhos. Com países vizinhos ou com nossas Forças Armadas e personagens que figuram como heróis em nossos livros didáticos?
O sigilo brasileiro a documentos oficiais não tem similar no mundo. Se não for quebrado, a presidente Dilma ficará refém da chamada base aliada. Ontem foi o "diamante de 20 milhões de reais”, hoje o sigilo eterno, amanhã…
Na terça, dia 14 de junho, retornaram ao Brasil os arquivos do livro "Brasil Nunca Mais” (Vozes), que relata os crimes da ditadura militar brasileira. A publicação, patrocinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, foi monitorada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright.
O mérito do "Brasil Nunca Mais” é que não há ali nenhuma notícia de jornal ou depoimento de vítima da ditadura. Toda a documentação se obteve em fontes oficiais, retirada, por advogados, de auditorias militares e do Superior Tribunal Militar. Microfilmada, foi remetida ao exterior, por razões de segurança. Agora retorna ao Brasil para ficar disponível aos interessados. Muitas informações ali contidas não constam da redação final do livro, da qual participei em parceria com Ricardo Kotscho.
Os arquivos da Polícia Civil (DOPS) sobre a ditadura militar já foram abertos e se encontram à disposição no Arquivo Nacional. Falta abrir o arquivo das Forças Armadas, o que depende da vontade política da presidente Dilma, ela também vítima da ditadura. As famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que ocorreu a seus entes queridos. E o Brasil, de conhecer melhor a sua história recente.
Um país sem memória corre sempre o risco de repetir, no futuro, o que houve de pior em sua história.
Frei Betto
O Brasil enviou 150 mil homens para o campo de batalha. Desses, tombaram 50 mil. Do lado paraguaio foram mortos 300 mil, 20% da população do país. E o Brasil abocanhou 40% do território da nação vizinha.
Até hoje o acesso aos documentos do conflito estão proibidos a quem pretende investigá-los. Por quê? Talvez o sigilo imposto sirva para cobrir a vergonhosa atuação de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que comandou nossas tropas na guerra. E do Conde D’Eu, genro de Dom Pedro II, que sucedeu o duque no massacre aos paraguaios.
Os arquivos ultrassecretos do Brasil podem permanecer sigilosos por 30 anos. O presidente da República pode prorrogar o prazo por mais 30, indefinidamente. Eternamente.
Em 2009, Lula enviou à Câmara dos Deputados projeto propondo o sigilo eterno periodicamente renovado. Cedeu a pressões dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Os deputados federais o aprovaram com esta emenda: o presidente da República poderia renovar, por uma única vez, o prazo do sigilo, e os documentos considerados ultrassecretos seriam divulgados em, no máximo, 50 anos.
O projeto passou ao Senado. Caiu em mãos da Comissão de Relações Exteriores, cujo presidente é o senador Fernando Collor. E, para azar de quem torce por transparência na República, ele próprio assumiu a relatoria. E tratou de engavetá-lo. Não deu andamento ao debate nem colocou o projeto em votação.
A presidente Dilma decidira sancionar a lei do fim do sigilo eterno a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Naquela data, o relator Collor foi a plenário e declarou ser "temerário” aprovar o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.
Na véspera de ser empossada ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti declarou que Dilma estaria disposta a atender pedidos dos senadores José Sarney e Fernando Collor, e patrocinar no Senado mudança no decreto para assegurar sigilo eterno a documentos oficiais. A única diferença é que, agora, o sigilo seria renovado a cada 25 anos.
O Congresso está prestes a aprovar a Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. Como aprovar esta comissão e vetar para sempre o acesso a documentos oficiais? Isso significa impedir que a nação brasileira tome conhecimento de fatos importantes de sua história.
Collor e Sarney não gostam de transparência por razões óbvias. Seus governos foram desastrosos e vergonhosos. Já o Ministério das Relações Exteriores alega que trazer à tona documentos, como os da Guerra do Paraguai, pode criar constrangimentos com países vizinhos. Com países vizinhos ou com nossas Forças Armadas e personagens que figuram como heróis em nossos livros didáticos?
O sigilo brasileiro a documentos oficiais não tem similar no mundo. Se não for quebrado, a presidente Dilma ficará refém da chamada base aliada. Ontem foi o "diamante de 20 milhões de reais”, hoje o sigilo eterno, amanhã…
Na terça, dia 14 de junho, retornaram ao Brasil os arquivos do livro "Brasil Nunca Mais” (Vozes), que relata os crimes da ditadura militar brasileira. A publicação, patrocinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, foi monitorada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright.
O mérito do "Brasil Nunca Mais” é que não há ali nenhuma notícia de jornal ou depoimento de vítima da ditadura. Toda a documentação se obteve em fontes oficiais, retirada, por advogados, de auditorias militares e do Superior Tribunal Militar. Microfilmada, foi remetida ao exterior, por razões de segurança. Agora retorna ao Brasil para ficar disponível aos interessados. Muitas informações ali contidas não constam da redação final do livro, da qual participei em parceria com Ricardo Kotscho.
Os arquivos da Polícia Civil (DOPS) sobre a ditadura militar já foram abertos e se encontram à disposição no Arquivo Nacional. Falta abrir o arquivo das Forças Armadas, o que depende da vontade política da presidente Dilma, ela também vítima da ditadura. As famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que ocorreu a seus entes queridos. E o Brasil, de conhecer melhor a sua história recente.
Um país sem memória corre sempre o risco de repetir, no futuro, o que houve de pior em sua história.
Frei Betto
CORPUS CHRISTI

A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.
Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal “Trasnsiturus de hoc mundo”, estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. Compôs o hino “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes.
A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.
No Brasil
No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.
A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento.
A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo.
Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.
Texto: Canção Nova
quarta-feira, 22 de junho de 2011
CONJUNTURA NACIONAL
Humildade argentina
A Argentina declara guerra à China! Comoção geral. Após consulta popular feita na "Plaza de Mayo", a Argentina enviou uma mensagem à República Popular da China:
- Chinos de mierda, maricones : les declaramos "guierra": - tenemos 105 tanques, 47 aviones sanos, 4 barcos que navegan y 5.221 soldados.
O governo chinês deu a resposta:
- Aceitamos a declaração. Informamos que temos 100.000 tanques, 50.000 aviões, 1.500 navios e 400 milhões de soldados.
Orgulhosos, os argentinos retrucam:
- Retiramos la declaración de guierra... No tenemos como alojar tantos prisioneros.
Cenários pós-juninos
Vésperas de São João. O Congresso em letargia. Meio corpo viajando pelas plagas nordestinas, meio corpo se dividindo entre outras regiões e o Exterior. E projetos de impacto na mira: PEC dos Policiais, que institui piso salarial para policiais civis e militares e de bombeiros militares. Projeto já foi votado em um turno na Câmara e está pronta para ser apreciada em uma segunda etapa, antes de seguir para o Senado Federal. O governo é contra a matéria, mas há integrantes da base favoráveis ao tema, o que pode forçar para que o texto volte a ser apreciado em breve. E a emenda 29, que institui investimentos mínimos em saúde pela União, Estados e municípios. Temas quentes.
Panorama paulista
São Paulo é o centro de ressonância do país. Tudo que ocorre na praça paulista tem repercussão nacional. Maior população, maior colégio eleitoral, maior concentração de mídias, maiores classes médias, maiores entidades da sociedade civil organizada. Vamos lá. Geraldo Alckmin começou bem, mas já enfrenta barreiras. Em seis meses, já mudou 4 secretários. O caso mais recente foi a troca do secretário de Esportes. Pego com um pé na lama. Médico de renome: Jorge Pagura. Gravações o incriminam. Expedientes não dados em hospitais. Geraldo enfrentará dilema: o candidato a prefeito da capital? Quem será? In pectore, seria Bruno Covas. Pesa sobre ele a juventude e ainda certa inexperiência. Se Serra decidisse ser o candidato, a coisa estaria resolvida. Serra diz que não quer.
Eu te amo
Um homem sentado na varanda de sua casa com a esposa, diz: "Eu te amo". Ela pergunta: "Este é você ou a cerveja falando?" Ele responde: "Sou eu... falando com a cerveja".
A razão de Serra
Serra teme ser confrontado com velhos documentos e antigas histórias. Jamais sairia da prefeitura para se candidatar ao governo do Estado. Mandou os papéis e as promessas para o espaço. Ademais, não gostaria de voltar ao passado. Sonha com a ideia de ser o candidato tucano em 2014. Única meta que o atrai. Dizem que, no frigir dos ovos, o ex-governador acabará aceitando. Mas, se não aceitar, o mistério continuará: quem será o candidato? Andrea Matarazzo? Perfil muito elitista. Boa pessoa, bom trato, conhece bem os problemas da cidade, mas ainda longe das urnas. José Aníbal? Por acaso, alguém sabe onde este circula? O que faz? Sumiu. O senador Aloysio Nunes Ferreira? Bem que poderia ser o candidato tucano para a prefeitura. Mas não quer deixar o céu que é o Senado.
Não mudou nada
Miguel Rodrigues foi visitar uma escola primária, a professora ensinava os primeiros dias de Brasil:
- No começo do Brasil Colônia, como a América e o Brasil ficavam muito longe, para cá vieram, primeiro, muitos ladrões, degredados, condenados.
Coronel Miguel suspirou:
- Então não mudou nada.
Mercadante, Marta e Haddad
Aloizio Mercadante gostaria de ser prefeito. Foi atingido em cheio por matéria da Revista Veja, onde aparece, junto com Quércia, como "patrocinadores" do dossiê dos aloprados. Se for candidato, será confrontado com esse petardo. A mancha suja a imagem. Difícil de limpá-la. Pois será lembrada. Resta apostar na curta memória nacional. Aparece, então, Marta Suplicy. Que dá mostras de querer ir à luta. Fala todo tempo sobre seu regresso à prefeitura. Marta acaba de espicaçar Kassab. Diz que ele não cumpriu os compromissos. O prefeito retruca: foi você que não cumpriu. Marta vai tentar ser a candidata. Tem parte do PT nas mãos. Mas há Lula e Dilma que patrocinariam uma "cara nova". Quem? Fernando Haddad, o atual ministro da Educação.
PC do B
Netinho de Paula vai consolidando seu nome como candidato do PC do B. Artista, conhecido, ex-candidato ao governo, Netinho carrega um bom recall. Pesquisa recente feita pelo IPESPE lhe dá 17%. Mercadante aparece, nessa pesquisa, como 26% e Serra, com 22%. Paulo Skaf, com 10% e Gabriel Chalita, com 2%. Haddad, com 1%.
PMDB
O PMDB aposta em Gabriel Chalita. Que tem uma base forte, que agrega contingentes da Igreja Católica, mais especificamente o grupamento da Canção Nova, e, como feição, pode surpreender. Ocorre que o PMDB também tem Paulo Skaf, que aparece bem na fita das pesquisas e demonstra muita determinação de entrar na política pela porta da frente.
PTB
O deputado Campos Machado, que dirige o PTB paulista, gostaria de ter como candidato Luiz Flávio Borges D'Urso, atual presidente da OAB/SP. D'Urso é muito articulado, é bom de debate e, com tempo de mídia eleitoral, poderá ter performance de expressão e qualidade.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato. Os juros são o perfume do capital. (Barão de Itararé)
DEM
E o DEM, que candidato apoiará? Pois é, Roberto Justus. Isso mesmo, o cara publicitário-televisivo que os Democratas querem lançar. Incrível, porém verdadeiro. Deixará de ganhar uma fábula para meter a mão no bolso?
PDT
Paulinho da Força será o candidato, se quiser. Poderá, porém, fazer aliança. Paulinho tem sua base: a Central Sindical. E uma campanha majoritária no meio do mandato proporcional é uma boa jogada. Ganha visibilidade. Marca posição para a próxima partida.
PSD de Kassab
O PSD deverá se juntar a uma base de 40 a 45 deputados. Poderá ser a quarta bancada na Câmara. Não terá tempo de mídia para as campanhas proporcionais em 2012. Mas, dependendo de parcerias e alianças, poderá ganhar bons minutos e usá-los nas campanhas majoritárias (para as prefeituras). Como o TSE abriu a janela da migração partidária durante 30 dias, o partido do prefeito de São Paulo se transforma em ponto de encontro de insatisfeitos, perfis encostados ou marginalizados nos partidos e outros que acreditam nos potenciais da nova sigla.
Itamar
Torço pelo restabelecimento do senador Itamar. Está internado. Sob rigoroso tratamento médico em São Paulo. Sem papas na língua. Grande perfil de civismo.
Arquivo vivo?
Um cara que se diz arquivo vivo pode estar chamando perigo. Lembram-se do George Sanguinetti, o perito que defendeu o argumento de que a morte de PC Farias foi queima de arquivo? Pois bem, Sanguinetti quer voltar ao batente. Para insistir na ideia de que a morte do alagoano, tesoureiro da campanha Collor, não foi crime passional. Lembra que PC "quatro dias após a morte, iria depor na CPI das Empreiteiras, e estaria falando demais". O julgamento do caso deve ocorrer até setembro. Sanguinetti não esconde que teme algum ato de violência. "Hoje, eu que sou o arquivo vivo. Eu sei o caminho percorrido para que PC fosse silenciado. Tudo que eu tenho transferi para três autoridades de alta confiança, que são de fora do Estado. Se fiquei vivo, devo à imprensa, que nunca aceitou a farsa do crime passional".
Bolsa de talentos
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP) criou o programa Bolsa de Talentos, iniciativa que visa incentivar a empregabilidade no Estado de São Paulo. Trata-se de um site exclusivo para o cadastramento de currículos e oportunidades de emprego. Trabalhadores de diversas áreas e empresas associadas à entidade podem acessar as informações contidas no banco de dados, liberadas a partir de uma senha. Os resultados das buscas são fornecidos por meio do cruzamento de dados como perfil da vaga e experiência do candidato. Para conhecer o site, clique aqui.
Lula palestrando
Luiz Inácio está adorando a experiência. Dá palestras pelo mundo afora. Palestras, sobretudo, para executivos do mercado financeiro. Os grupos se divertem com as tiradas do ex-presidente. Dependendo do lugar e do patrocinador, as palestras podem chegar até R$ 500 mil. A cobrança média é de R$ 250 mil.
Cidades ameaçadas
Manaus, Cuiabá, Natal e São Paulo estão com sinal vermelho. Há dúvidas se terão efetivas condições de abrigar jogos da Copa. O ministro Orlando Silva é otimista. Ricardo Teixeira diz que está tudo sob controle. Na verdade, as obras em algumas cidades estão na estaca zero. Literalmente.
Escombros
O contínuo do doutor Ernane Galvêas, quando presidente do Banco Central, entrou correndo no gabinete:
- Doutor, chegue na janela que estão passando lá embaixo os escombros de Dom Pedro.
Eram os despojos de Dom Pedro I desfilando na avenida Presidente Vargas.
Conselho aos congressistas
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à ministra Ideli Salvatti. Hoje, sua atenção se volta aos congressistas:
1. É hora de retomar o fôlego no Congresso. As pautas congressuais precisam ganhar ritmo e passar ao crivo dos plenários. Aproveitem os festejos juninos para tomar o pulso das massas. E voltem dispostos à ação legislativa.
2. Há temas polêmicos, como a PEC 300 e a Emenda 29. Usem o bom senso na análise e decisão sobre tais matérias.
3. E não esqueçam de inserir as velhas demandas na pauta do próximo semestre: aspectos tributários e fiscais; aspectos da reforma eleitoral, partidária e política.
(Gaudêncio Torquato)
A Argentina declara guerra à China! Comoção geral. Após consulta popular feita na "Plaza de Mayo", a Argentina enviou uma mensagem à República Popular da China:
- Chinos de mierda, maricones : les declaramos "guierra": - tenemos 105 tanques, 47 aviones sanos, 4 barcos que navegan y 5.221 soldados.
O governo chinês deu a resposta:
- Aceitamos a declaração. Informamos que temos 100.000 tanques, 50.000 aviões, 1.500 navios e 400 milhões de soldados.
Orgulhosos, os argentinos retrucam:
- Retiramos la declaración de guierra... No tenemos como alojar tantos prisioneros.
Cenários pós-juninos
Vésperas de São João. O Congresso em letargia. Meio corpo viajando pelas plagas nordestinas, meio corpo se dividindo entre outras regiões e o Exterior. E projetos de impacto na mira: PEC dos Policiais, que institui piso salarial para policiais civis e militares e de bombeiros militares. Projeto já foi votado em um turno na Câmara e está pronta para ser apreciada em uma segunda etapa, antes de seguir para o Senado Federal. O governo é contra a matéria, mas há integrantes da base favoráveis ao tema, o que pode forçar para que o texto volte a ser apreciado em breve. E a emenda 29, que institui investimentos mínimos em saúde pela União, Estados e municípios. Temas quentes.
Panorama paulista
São Paulo é o centro de ressonância do país. Tudo que ocorre na praça paulista tem repercussão nacional. Maior população, maior colégio eleitoral, maior concentração de mídias, maiores classes médias, maiores entidades da sociedade civil organizada. Vamos lá. Geraldo Alckmin começou bem, mas já enfrenta barreiras. Em seis meses, já mudou 4 secretários. O caso mais recente foi a troca do secretário de Esportes. Pego com um pé na lama. Médico de renome: Jorge Pagura. Gravações o incriminam. Expedientes não dados em hospitais. Geraldo enfrentará dilema: o candidato a prefeito da capital? Quem será? In pectore, seria Bruno Covas. Pesa sobre ele a juventude e ainda certa inexperiência. Se Serra decidisse ser o candidato, a coisa estaria resolvida. Serra diz que não quer.
Eu te amo
Um homem sentado na varanda de sua casa com a esposa, diz: "Eu te amo". Ela pergunta: "Este é você ou a cerveja falando?" Ele responde: "Sou eu... falando com a cerveja".
A razão de Serra
Serra teme ser confrontado com velhos documentos e antigas histórias. Jamais sairia da prefeitura para se candidatar ao governo do Estado. Mandou os papéis e as promessas para o espaço. Ademais, não gostaria de voltar ao passado. Sonha com a ideia de ser o candidato tucano em 2014. Única meta que o atrai. Dizem que, no frigir dos ovos, o ex-governador acabará aceitando. Mas, se não aceitar, o mistério continuará: quem será o candidato? Andrea Matarazzo? Perfil muito elitista. Boa pessoa, bom trato, conhece bem os problemas da cidade, mas ainda longe das urnas. José Aníbal? Por acaso, alguém sabe onde este circula? O que faz? Sumiu. O senador Aloysio Nunes Ferreira? Bem que poderia ser o candidato tucano para a prefeitura. Mas não quer deixar o céu que é o Senado.
Não mudou nada
Miguel Rodrigues foi visitar uma escola primária, a professora ensinava os primeiros dias de Brasil:
- No começo do Brasil Colônia, como a América e o Brasil ficavam muito longe, para cá vieram, primeiro, muitos ladrões, degredados, condenados.
Coronel Miguel suspirou:
- Então não mudou nada.
Mercadante, Marta e Haddad
Aloizio Mercadante gostaria de ser prefeito. Foi atingido em cheio por matéria da Revista Veja, onde aparece, junto com Quércia, como "patrocinadores" do dossiê dos aloprados. Se for candidato, será confrontado com esse petardo. A mancha suja a imagem. Difícil de limpá-la. Pois será lembrada. Resta apostar na curta memória nacional. Aparece, então, Marta Suplicy. Que dá mostras de querer ir à luta. Fala todo tempo sobre seu regresso à prefeitura. Marta acaba de espicaçar Kassab. Diz que ele não cumpriu os compromissos. O prefeito retruca: foi você que não cumpriu. Marta vai tentar ser a candidata. Tem parte do PT nas mãos. Mas há Lula e Dilma que patrocinariam uma "cara nova". Quem? Fernando Haddad, o atual ministro da Educação.
PC do B
Netinho de Paula vai consolidando seu nome como candidato do PC do B. Artista, conhecido, ex-candidato ao governo, Netinho carrega um bom recall. Pesquisa recente feita pelo IPESPE lhe dá 17%. Mercadante aparece, nessa pesquisa, como 26% e Serra, com 22%. Paulo Skaf, com 10% e Gabriel Chalita, com 2%. Haddad, com 1%.
PMDB
O PMDB aposta em Gabriel Chalita. Que tem uma base forte, que agrega contingentes da Igreja Católica, mais especificamente o grupamento da Canção Nova, e, como feição, pode surpreender. Ocorre que o PMDB também tem Paulo Skaf, que aparece bem na fita das pesquisas e demonstra muita determinação de entrar na política pela porta da frente.
PTB
O deputado Campos Machado, que dirige o PTB paulista, gostaria de ter como candidato Luiz Flávio Borges D'Urso, atual presidente da OAB/SP. D'Urso é muito articulado, é bom de debate e, com tempo de mídia eleitoral, poderá ter performance de expressão e qualidade.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato. Os juros são o perfume do capital. (Barão de Itararé)
DEM
E o DEM, que candidato apoiará? Pois é, Roberto Justus. Isso mesmo, o cara publicitário-televisivo que os Democratas querem lançar. Incrível, porém verdadeiro. Deixará de ganhar uma fábula para meter a mão no bolso?
PDT
Paulinho da Força será o candidato, se quiser. Poderá, porém, fazer aliança. Paulinho tem sua base: a Central Sindical. E uma campanha majoritária no meio do mandato proporcional é uma boa jogada. Ganha visibilidade. Marca posição para a próxima partida.
PSD de Kassab
O PSD deverá se juntar a uma base de 40 a 45 deputados. Poderá ser a quarta bancada na Câmara. Não terá tempo de mídia para as campanhas proporcionais em 2012. Mas, dependendo de parcerias e alianças, poderá ganhar bons minutos e usá-los nas campanhas majoritárias (para as prefeituras). Como o TSE abriu a janela da migração partidária durante 30 dias, o partido do prefeito de São Paulo se transforma em ponto de encontro de insatisfeitos, perfis encostados ou marginalizados nos partidos e outros que acreditam nos potenciais da nova sigla.
Itamar
Torço pelo restabelecimento do senador Itamar. Está internado. Sob rigoroso tratamento médico em São Paulo. Sem papas na língua. Grande perfil de civismo.
Arquivo vivo?
Um cara que se diz arquivo vivo pode estar chamando perigo. Lembram-se do George Sanguinetti, o perito que defendeu o argumento de que a morte de PC Farias foi queima de arquivo? Pois bem, Sanguinetti quer voltar ao batente. Para insistir na ideia de que a morte do alagoano, tesoureiro da campanha Collor, não foi crime passional. Lembra que PC "quatro dias após a morte, iria depor na CPI das Empreiteiras, e estaria falando demais". O julgamento do caso deve ocorrer até setembro. Sanguinetti não esconde que teme algum ato de violência. "Hoje, eu que sou o arquivo vivo. Eu sei o caminho percorrido para que PC fosse silenciado. Tudo que eu tenho transferi para três autoridades de alta confiança, que são de fora do Estado. Se fiquei vivo, devo à imprensa, que nunca aceitou a farsa do crime passional".
Bolsa de talentos
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP) criou o programa Bolsa de Talentos, iniciativa que visa incentivar a empregabilidade no Estado de São Paulo. Trata-se de um site exclusivo para o cadastramento de currículos e oportunidades de emprego. Trabalhadores de diversas áreas e empresas associadas à entidade podem acessar as informações contidas no banco de dados, liberadas a partir de uma senha. Os resultados das buscas são fornecidos por meio do cruzamento de dados como perfil da vaga e experiência do candidato. Para conhecer o site, clique aqui.
Lula palestrando
Luiz Inácio está adorando a experiência. Dá palestras pelo mundo afora. Palestras, sobretudo, para executivos do mercado financeiro. Os grupos se divertem com as tiradas do ex-presidente. Dependendo do lugar e do patrocinador, as palestras podem chegar até R$ 500 mil. A cobrança média é de R$ 250 mil.
Cidades ameaçadas
Manaus, Cuiabá, Natal e São Paulo estão com sinal vermelho. Há dúvidas se terão efetivas condições de abrigar jogos da Copa. O ministro Orlando Silva é otimista. Ricardo Teixeira diz que está tudo sob controle. Na verdade, as obras em algumas cidades estão na estaca zero. Literalmente.
Escombros
O contínuo do doutor Ernane Galvêas, quando presidente do Banco Central, entrou correndo no gabinete:
- Doutor, chegue na janela que estão passando lá embaixo os escombros de Dom Pedro.
Eram os despojos de Dom Pedro I desfilando na avenida Presidente Vargas.
Conselho aos congressistas
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à ministra Ideli Salvatti. Hoje, sua atenção se volta aos congressistas:
1. É hora de retomar o fôlego no Congresso. As pautas congressuais precisam ganhar ritmo e passar ao crivo dos plenários. Aproveitem os festejos juninos para tomar o pulso das massas. E voltem dispostos à ação legislativa.
2. Há temas polêmicos, como a PEC 300 e a Emenda 29. Usem o bom senso na análise e decisão sobre tais matérias.
3. E não esqueçam de inserir as velhas demandas na pauta do próximo semestre: aspectos tributários e fiscais; aspectos da reforma eleitoral, partidária e política.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 21 de junho de 2011
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Condições externas e o Brasil
As razoáveis condições econômicas da economia brasileira escondem da opinião pública a percepção sobre o quanto os riscos externos podem afetar o desempenho doméstico. Na semana passada, esta coluna esteve reunida com economistas e analistas de dois bancos internacionais que recentemente realizaram apresentações para investidores no exterior. Resumidamente eis o conteúdo destas conversas nas notas abaixo.
Riscos de crédito
Os problemas de crédito da Grécia podem ter um efeito dramático sobre toda a Europa. As condições da Espanha são tão deterioradas quanto da Grécia, mas o seu endividamento afeta muito mais os bancos europeus, em especial os alemães, que necessitariam de novas capitalizações para bancar os ativos de seus balanços. O default grego trará consequências, além de suas fronteiras, muito mais sérias que se imaginava há meses.
Riscos de investimento
De forma geral, os gestores de recursos estão muito mais restritivos à exposição de riscos. Com isso, estão reduzindo posições em ações e títulos de renda fixa de países emergentes, incluindo o Brasil, a África do Sul e a Rússia.
Câmbio
Os temores de desvalorizações "competitivas" entre os países voltaram com força. A ausência de competitividade de importantes setores econômicos dos EUA e da Europa não tem condições de competir com a China e a Índia e outros países do sudoeste asiático. Com isso, apenas a desvalorização da moeda pode conter este processo no curto prazo. Resultado : as pressões políticas envolvendo a taxa cambial destes países competitivos vão aumentar e as suas consequências são sempre perigosas, sobretudo no que tange à inflação e ao volume do comércio internacional.
Brasil
O país deixou de ser o "queridinho" dos investidores. A percepção que está prevalecendo atualmente é que o "Brasil está melhor que o resto". Desta forma, os indicadores de riscos brasileiros, expressos nas cotações de títulos de renda fixa privados e soberanos, sinalizam uma "preferência" e não confiança absoluta no desempenho do país. O baixo crescimento endógeno do país comparativamente à Índia e à China, os riscos políticos e a ausência de reformas não favorecem o momentum dentre os emergentes. Pesa como fator essencialmente positivo a confiança na solvência externa, o que não é pouco.
Coalizão, colisão e chanchada
Nem boi solitário anda dormindo mais com uma simples conversa, precisa de um calmante. O que quer dizer que uma boiada inteira (no sentido figurado, com todo o respeito), como a bancada governista no Congresso, sempre está pronta para um estouro se o ambiente não agrada. E este é exatamente o pé em que estão os governistas da Câmara e do Senado, mais os primeiros, um pouco mais de uma semana depois da presidente Dilma ter começado a rearranjar seu esquema político. Por razões diferentes, ninguém está feliz.
Prazo fatal e curto
Dilma ganhou esta semana de graça, em virtude do feriado de Corpus Christi de quinta-feira e do São João de sexta-feira, que deixaram Brasília ao sabor dos ventos. É o prazo para dizer como, na prática, vai atender os desejos de seus aliados, nos pantanosos terrenos das verbas e dos empregos. Prazo curto : até o dia 15 de julho para o dinheiro das emendas e diariamente no "Diário Oficial" com uma velocidade de atendimento digna de um Ayrton Senna.
Prazo de aliado
Para o bem e para o mal, o PMDB faz absoluta questão de lembrar do "prazo fatal" todos os dias, o governo tem aliados que querem partilhar o poder. E suas benesses e, quem sabe até, algumas agruras. É este o desafio da presidente: conciliar parceiros inconciliáveis e famélicos sem passar a imagem de que se rendeu ao fisiologismo e que não tem como impor seus princípios e normas. O dito "presidencialismo de coalizão" no Brasil pode descambar celeremente para um "presidencialismo de colisão" com grandes pitadas de chanchada.
Em loja de louças
Depoimento de parlamentares de diferentes partidos: a presidente Dilma precisa urgentemente dar um treinamento para a ministra Ideli Salvatti e colocar nas mãos dela algum poder de decisão antes que ela comece a quebrar todo o estabelecimento político. A impressão das raposas é de que Ideli precisa com rapidez de um bambolê igual aquele com o qual o PMDB presenteou Dilma durante a campanha do ano passado. E que a presidente ainda não aprendeu a usar totalmente.
A voz dos oráculos
Por contas das arestas que ainda ficaram da crise exposta pela revelação das super consultorias de Palocci, a presidente Dilma pediu uma mão aos chefões oficiosos do PT e do PMDB. Lula, em seu estilo mais teatral, já tratou de dar um puxão de orelhas público nos petistas de São Paulo. Meio esfinge, Temer resvala nos bastidores. A expectativa é que falarão esta semana o "oráculo de São Bernardo" e o "oráculo do Jaburu". Quando voltarem de suas festas juninas, os parlamentares chegarão um pouco mais esquentados pelas queixas dos prefeitos.
Incúria oficial
O Brasil já sabia desde 2007 que seria sede da Copa do Mundo de 2014. Aliás, as autoridades esportivas e os governos - Federal, estadual e municipal - esforçaram-se como poucas vezes fazem para que o evento da FIFA viesse para o país. Não tem desculpa de falta de tempo para preparar as estruturas necessárias. A correria agora, com liberação de licitações e outras escandalosas liberações, é apenas mais um retrato em todas as dimensões de nossa incúria gerencial pública e da tendência tupiniquim de se comprazer a criar facilidades para quem quer ganhar um dinheirinho fácil. E que dinheirinho!
Sob intervenção?
Alguma coisa muito estranha está acontecendo com a Petrobras. Em um mês ela teve seu plano estratégico de investimentos 2011/2015 recusado pelo governo, com voto do ministro da Fazendo, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração da empresa. Ao mesmo tempo, não teve autorizado o aumento pretendido de 10% no preço da gasolina na refinaria, pois implicaria em reajuste também na bomba para o consumidor final ou então redução da CIDE, e o Tesouro Nacional não pode perder arrecadação. Parece evidente que a Petrobras - assim como outras estatais (Eletrobras, os bancos oficiais, a rediviva Telebrás) - deve sujeitar-se à política econômica de Brasília. Assim sendo, não tem autonomia gerencial.
Visão externa da Petrobras
De um experiente analista de investimento de um banco inglês sobre a Petrobras: "não há mais nenhuma razão para recomendar as ações da Petrobras como opção de compra. Antes, os riscos eram enormes, mas previsíveis. Agora os riscos são imprevisíveis e gigantescos."
Deixe-se de sonhar
O ministro Guido Mantega pode enfiar no saco a viola da reforma tributária, mesmo fatiada, no curto prazo. Ela já joga os governadores do Norte e do Nordeste contra os do Sul e do Sudeste, oposição que só será vencida se o Tesouro Nacional tiver um baú muito recheado de recursos que todos pedirão para "compensar as perdas" com as mudanças no ICMS. O que, apesar dos acenos fazendários de que é possível, sabem todos que não é. Na Carta de Brasília lançada na semana passada, os governadores nortistas e nordestinos deixaram claro o preço da adesão deles ao imaginado pelo Ministério da Fazenda.
Só uma coisa une
Além dos discursos da simplificação tributária e do fim da guerra fiscal, está mais para estrangeiro ver, um único ponto une as partes estaduais em oposição : a mudança no índice de correção das dívidas estaduais para reduzir a contas deles de juros. O governo Federal está dizendo que topa, para ganhar em outros pontos. É operação complicada : como compensar o Tesouro com a perda do dinheiro desses pagamentos do serviço da dívida. A própria desoneração da contribuição das empresas para a previdência social, anunciada várias vezes pelo ministro Mantega para "os próximos dias" subiu na cobertura pela mesma razão. O cobertor da arrecadação é grande e bem pesado e, mesmo assim, é curto e não aquece todos os beneficiários dos impostos.
Para complicar - I
Voltou a guerra pela distribuição dos royalties do petróleo, pondo todos os Estados contra o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, mais de 5 mil prefeitos no Brasil todo contra pouco mais de 100 prefeitos fluminenses e capixabas.
Para complicar - II
Ainda há o caso isolado do Amazonas e da Zona Franca, já pintados também para um embate com todos. Dizem os manauaras que a mudança no ICMS, como foi proposta pelo Ministério da Fazenda, mata a economia industrial da região. Além disso, já estão em pânico com os incentivos fiscais concedidos à produção dos tablets. Caso não consigam barrar a MP, vão exigir que a lei defina o tamanho das telas de tablets, para evitar que as indústrias do sul possam usar a brecha da lei para produzir aparelhos de TV de 30 polegadas ou mais como se fossem esses novos "brinquedinhos" digitais. Se continuar nessa batida, o governo Dilma vai conseguir tirar de José Serra o "troféu de político brasileiro mais odiado em Manaus e adjacências", posto que o tucano conquistou quando foi ministro do Planejamento e teve a Zona Franca sob suas asas.
Apagão digital
Anatel, Congresso e o Ministério das Comunicações não se entendem sobre as novas regras para o setor de telecomunicações e informática no Brasil. A nova lei do cabo está parada no Senado. O novo Plano Geral de Metas e Universalização é objeto de disputa entre o setor público e o setor privado. E nada avança na lei geral de telecomunicações. A Telebrás foi ressuscitada para tocar o Plano Nacional de Banda Larga, mas até agora não explicou porque voltou a existir e o projeto, menina dos olhos eleitoral de Lula e Dilma, já sofreu vários adiamentos e redução de metas. Mais da R$ 10 bi do Fust, criado para financiar a universalização dos serviços de telecomunicações, está parado nos cofres do Tesouro Nacional para engordar o superávit primário enquanto o governo gasta em outras coisas muito menos importantes, especialmente com aumentos de salários e despesas de custeio. É o Brasil do século 21 em marcha acelerada para ficar parado no século. Num "apagão tecnológico" que pode retardar em algumas décadas a nossa tão sonhada (e não a atualmente apenas sonhada) entrada no universos das nações verdadeiramente desenvolvidas e com qualidade de vida para seus cidadãos. Como advertiu recentemente o presidente da União Internacional de Telecomunicações, Hamadoun Touré, que estará no Brasil participando da Futurecom, de 12 a 15 de setembro, "se não forem feitas profundas modificações no sistema regulatório do setor de telecomunicações, em cinco anos poderemos ter uma crise pior do que a financeira". Para Touré, as normas existentes estão ultrapassadas, não acompanharam a evolução da tecnologia de telecomunicações e de informática. A do Brasil ainda nem descobriu a convergência digital.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
As razoáveis condições econômicas da economia brasileira escondem da opinião pública a percepção sobre o quanto os riscos externos podem afetar o desempenho doméstico. Na semana passada, esta coluna esteve reunida com economistas e analistas de dois bancos internacionais que recentemente realizaram apresentações para investidores no exterior. Resumidamente eis o conteúdo destas conversas nas notas abaixo.
Riscos de crédito
Os problemas de crédito da Grécia podem ter um efeito dramático sobre toda a Europa. As condições da Espanha são tão deterioradas quanto da Grécia, mas o seu endividamento afeta muito mais os bancos europeus, em especial os alemães, que necessitariam de novas capitalizações para bancar os ativos de seus balanços. O default grego trará consequências, além de suas fronteiras, muito mais sérias que se imaginava há meses.
Riscos de investimento
De forma geral, os gestores de recursos estão muito mais restritivos à exposição de riscos. Com isso, estão reduzindo posições em ações e títulos de renda fixa de países emergentes, incluindo o Brasil, a África do Sul e a Rússia.
Câmbio
Os temores de desvalorizações "competitivas" entre os países voltaram com força. A ausência de competitividade de importantes setores econômicos dos EUA e da Europa não tem condições de competir com a China e a Índia e outros países do sudoeste asiático. Com isso, apenas a desvalorização da moeda pode conter este processo no curto prazo. Resultado : as pressões políticas envolvendo a taxa cambial destes países competitivos vão aumentar e as suas consequências são sempre perigosas, sobretudo no que tange à inflação e ao volume do comércio internacional.
Brasil
O país deixou de ser o "queridinho" dos investidores. A percepção que está prevalecendo atualmente é que o "Brasil está melhor que o resto". Desta forma, os indicadores de riscos brasileiros, expressos nas cotações de títulos de renda fixa privados e soberanos, sinalizam uma "preferência" e não confiança absoluta no desempenho do país. O baixo crescimento endógeno do país comparativamente à Índia e à China, os riscos políticos e a ausência de reformas não favorecem o momentum dentre os emergentes. Pesa como fator essencialmente positivo a confiança na solvência externa, o que não é pouco.
Coalizão, colisão e chanchada
Nem boi solitário anda dormindo mais com uma simples conversa, precisa de um calmante. O que quer dizer que uma boiada inteira (no sentido figurado, com todo o respeito), como a bancada governista no Congresso, sempre está pronta para um estouro se o ambiente não agrada. E este é exatamente o pé em que estão os governistas da Câmara e do Senado, mais os primeiros, um pouco mais de uma semana depois da presidente Dilma ter começado a rearranjar seu esquema político. Por razões diferentes, ninguém está feliz.
Prazo fatal e curto
Dilma ganhou esta semana de graça, em virtude do feriado de Corpus Christi de quinta-feira e do São João de sexta-feira, que deixaram Brasília ao sabor dos ventos. É o prazo para dizer como, na prática, vai atender os desejos de seus aliados, nos pantanosos terrenos das verbas e dos empregos. Prazo curto : até o dia 15 de julho para o dinheiro das emendas e diariamente no "Diário Oficial" com uma velocidade de atendimento digna de um Ayrton Senna.
Prazo de aliado
Para o bem e para o mal, o PMDB faz absoluta questão de lembrar do "prazo fatal" todos os dias, o governo tem aliados que querem partilhar o poder. E suas benesses e, quem sabe até, algumas agruras. É este o desafio da presidente: conciliar parceiros inconciliáveis e famélicos sem passar a imagem de que se rendeu ao fisiologismo e que não tem como impor seus princípios e normas. O dito "presidencialismo de coalizão" no Brasil pode descambar celeremente para um "presidencialismo de colisão" com grandes pitadas de chanchada.
Em loja de louças
Depoimento de parlamentares de diferentes partidos: a presidente Dilma precisa urgentemente dar um treinamento para a ministra Ideli Salvatti e colocar nas mãos dela algum poder de decisão antes que ela comece a quebrar todo o estabelecimento político. A impressão das raposas é de que Ideli precisa com rapidez de um bambolê igual aquele com o qual o PMDB presenteou Dilma durante a campanha do ano passado. E que a presidente ainda não aprendeu a usar totalmente.
A voz dos oráculos
Por contas das arestas que ainda ficaram da crise exposta pela revelação das super consultorias de Palocci, a presidente Dilma pediu uma mão aos chefões oficiosos do PT e do PMDB. Lula, em seu estilo mais teatral, já tratou de dar um puxão de orelhas público nos petistas de São Paulo. Meio esfinge, Temer resvala nos bastidores. A expectativa é que falarão esta semana o "oráculo de São Bernardo" e o "oráculo do Jaburu". Quando voltarem de suas festas juninas, os parlamentares chegarão um pouco mais esquentados pelas queixas dos prefeitos.
Incúria oficial
O Brasil já sabia desde 2007 que seria sede da Copa do Mundo de 2014. Aliás, as autoridades esportivas e os governos - Federal, estadual e municipal - esforçaram-se como poucas vezes fazem para que o evento da FIFA viesse para o país. Não tem desculpa de falta de tempo para preparar as estruturas necessárias. A correria agora, com liberação de licitações e outras escandalosas liberações, é apenas mais um retrato em todas as dimensões de nossa incúria gerencial pública e da tendência tupiniquim de se comprazer a criar facilidades para quem quer ganhar um dinheirinho fácil. E que dinheirinho!
Sob intervenção?
Alguma coisa muito estranha está acontecendo com a Petrobras. Em um mês ela teve seu plano estratégico de investimentos 2011/2015 recusado pelo governo, com voto do ministro da Fazendo, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração da empresa. Ao mesmo tempo, não teve autorizado o aumento pretendido de 10% no preço da gasolina na refinaria, pois implicaria em reajuste também na bomba para o consumidor final ou então redução da CIDE, e o Tesouro Nacional não pode perder arrecadação. Parece evidente que a Petrobras - assim como outras estatais (Eletrobras, os bancos oficiais, a rediviva Telebrás) - deve sujeitar-se à política econômica de Brasília. Assim sendo, não tem autonomia gerencial.
Visão externa da Petrobras
De um experiente analista de investimento de um banco inglês sobre a Petrobras: "não há mais nenhuma razão para recomendar as ações da Petrobras como opção de compra. Antes, os riscos eram enormes, mas previsíveis. Agora os riscos são imprevisíveis e gigantescos."
Deixe-se de sonhar
O ministro Guido Mantega pode enfiar no saco a viola da reforma tributária, mesmo fatiada, no curto prazo. Ela já joga os governadores do Norte e do Nordeste contra os do Sul e do Sudeste, oposição que só será vencida se o Tesouro Nacional tiver um baú muito recheado de recursos que todos pedirão para "compensar as perdas" com as mudanças no ICMS. O que, apesar dos acenos fazendários de que é possível, sabem todos que não é. Na Carta de Brasília lançada na semana passada, os governadores nortistas e nordestinos deixaram claro o preço da adesão deles ao imaginado pelo Ministério da Fazenda.
Só uma coisa une
Além dos discursos da simplificação tributária e do fim da guerra fiscal, está mais para estrangeiro ver, um único ponto une as partes estaduais em oposição : a mudança no índice de correção das dívidas estaduais para reduzir a contas deles de juros. O governo Federal está dizendo que topa, para ganhar em outros pontos. É operação complicada : como compensar o Tesouro com a perda do dinheiro desses pagamentos do serviço da dívida. A própria desoneração da contribuição das empresas para a previdência social, anunciada várias vezes pelo ministro Mantega para "os próximos dias" subiu na cobertura pela mesma razão. O cobertor da arrecadação é grande e bem pesado e, mesmo assim, é curto e não aquece todos os beneficiários dos impostos.
Para complicar - I
Voltou a guerra pela distribuição dos royalties do petróleo, pondo todos os Estados contra o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, mais de 5 mil prefeitos no Brasil todo contra pouco mais de 100 prefeitos fluminenses e capixabas.
Para complicar - II
Ainda há o caso isolado do Amazonas e da Zona Franca, já pintados também para um embate com todos. Dizem os manauaras que a mudança no ICMS, como foi proposta pelo Ministério da Fazenda, mata a economia industrial da região. Além disso, já estão em pânico com os incentivos fiscais concedidos à produção dos tablets. Caso não consigam barrar a MP, vão exigir que a lei defina o tamanho das telas de tablets, para evitar que as indústrias do sul possam usar a brecha da lei para produzir aparelhos de TV de 30 polegadas ou mais como se fossem esses novos "brinquedinhos" digitais. Se continuar nessa batida, o governo Dilma vai conseguir tirar de José Serra o "troféu de político brasileiro mais odiado em Manaus e adjacências", posto que o tucano conquistou quando foi ministro do Planejamento e teve a Zona Franca sob suas asas.
Apagão digital
Anatel, Congresso e o Ministério das Comunicações não se entendem sobre as novas regras para o setor de telecomunicações e informática no Brasil. A nova lei do cabo está parada no Senado. O novo Plano Geral de Metas e Universalização é objeto de disputa entre o setor público e o setor privado. E nada avança na lei geral de telecomunicações. A Telebrás foi ressuscitada para tocar o Plano Nacional de Banda Larga, mas até agora não explicou porque voltou a existir e o projeto, menina dos olhos eleitoral de Lula e Dilma, já sofreu vários adiamentos e redução de metas. Mais da R$ 10 bi do Fust, criado para financiar a universalização dos serviços de telecomunicações, está parado nos cofres do Tesouro Nacional para engordar o superávit primário enquanto o governo gasta em outras coisas muito menos importantes, especialmente com aumentos de salários e despesas de custeio. É o Brasil do século 21 em marcha acelerada para ficar parado no século. Num "apagão tecnológico" que pode retardar em algumas décadas a nossa tão sonhada (e não a atualmente apenas sonhada) entrada no universos das nações verdadeiramente desenvolvidas e com qualidade de vida para seus cidadãos. Como advertiu recentemente o presidente da União Internacional de Telecomunicações, Hamadoun Touré, que estará no Brasil participando da Futurecom, de 12 a 15 de setembro, "se não forem feitas profundas modificações no sistema regulatório do setor de telecomunicações, em cinco anos poderemos ter uma crise pior do que a financeira". Para Touré, as normas existentes estão ultrapassadas, não acompanharam a evolução da tecnologia de telecomunicações e de informática. A do Brasil ainda nem descobriu a convergência digital.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
FHC, 80 ANOS
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez 80 anos no sábado. Digam o que disserem, e há muito a ser dito contra ele, FHC tem razões para comemorar. Não só porque presidiu o país por duas vezes, mas porque, ao fazê-lo, deixou sua marca na história.
Sob seu comando, o Brasil eliminou a inflação, uma amarra que impedia a maioria de viver a vida sem o sobressalto de imaginar se chegaria ao fim do mês. Após o plano Real, o país adquiriu condições de ocupar lugar de destaque entre as economias emergentes. E tudo foi feito em meio à ampliação do regime democrático.
Sua importância é tamanha que seus sucessores, Lula e Dilma, apesar de se oporem a ele, deram seguimento ao fundamental de sua obra: a estabilidade econômica. Lula só conseguiu ser eleito e reeleito porque se comprometeu a seguir as políticas que FHC criou. Antes da Carta ao Povo Brasileiro, na qual assumiu tal compromisso, o petista era visto com desconfiança e medo.
No poder, Lula e seu partido se esforçaram para diminuir a importância daquele que sucederam. Mas ambos sabem da importância de FHC, o que foi recentemente reconhecido por Dilma em carta ao ex-presidente tucano.
Impossível negar que Lula fez o país avançar ainda mais: a expansão dos programas de distribuição de renda, a política de aumento real do salário mínimo e a ampliação do crédito permitiram àquela parcela da população que mais sofria com a inflação tornar-se o motor da expansão do consumo e, por consequência, do crescimento do país.
É lamentável, porém, que tanto esforço seja despendido para fazer parecer que os dois mandatos do tucano foram tão distintos dos dois que se seguiram. No fim das contas, até mesmo em seus erros e deficiências, FHC e Lula são mais parecidos que diferentes. A disputa sobre quem foi melhor do que o outro só serve para alimentar campanhas eleitorais, mas, lamentavelmente, atrapalha o país, pois as razões do sucesso de ambos - a estabilidade econômica - acabam virando um detalhe.
De resto, FHC merece ser comemorado, no mínimo, por ter chegado aos 80 anos sem ser um velhote esclerosado. Com essa idade, ainda tem vigor intelectual e disposição para assumir uma causa controversa, como a da descriminalização da maconha.
(Fábio Santos, no Jornal Destak São Paulo)
Sob seu comando, o Brasil eliminou a inflação, uma amarra que impedia a maioria de viver a vida sem o sobressalto de imaginar se chegaria ao fim do mês. Após o plano Real, o país adquiriu condições de ocupar lugar de destaque entre as economias emergentes. E tudo foi feito em meio à ampliação do regime democrático.
Sua importância é tamanha que seus sucessores, Lula e Dilma, apesar de se oporem a ele, deram seguimento ao fundamental de sua obra: a estabilidade econômica. Lula só conseguiu ser eleito e reeleito porque se comprometeu a seguir as políticas que FHC criou. Antes da Carta ao Povo Brasileiro, na qual assumiu tal compromisso, o petista era visto com desconfiança e medo.
No poder, Lula e seu partido se esforçaram para diminuir a importância daquele que sucederam. Mas ambos sabem da importância de FHC, o que foi recentemente reconhecido por Dilma em carta ao ex-presidente tucano.
Impossível negar que Lula fez o país avançar ainda mais: a expansão dos programas de distribuição de renda, a política de aumento real do salário mínimo e a ampliação do crédito permitiram àquela parcela da população que mais sofria com a inflação tornar-se o motor da expansão do consumo e, por consequência, do crescimento do país.
É lamentável, porém, que tanto esforço seja despendido para fazer parecer que os dois mandatos do tucano foram tão distintos dos dois que se seguiram. No fim das contas, até mesmo em seus erros e deficiências, FHC e Lula são mais parecidos que diferentes. A disputa sobre quem foi melhor do que o outro só serve para alimentar campanhas eleitorais, mas, lamentavelmente, atrapalha o país, pois as razões do sucesso de ambos - a estabilidade econômica - acabam virando um detalhe.
De resto, FHC merece ser comemorado, no mínimo, por ter chegado aos 80 anos sem ser um velhote esclerosado. Com essa idade, ainda tem vigor intelectual e disposição para assumir uma causa controversa, como a da descriminalização da maconha.
(Fábio Santos, no Jornal Destak São Paulo)
sábado, 18 de junho de 2011
CARTA DE DILMA PARA FHC
Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando Henrique Cardoso a homenagear.
O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.
Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.
Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidaçãoo da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.
Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito.
Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias.
Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!
Dilma Roussef
O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.
Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.
Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidaçãoo da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.
Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito.
Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias.
Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!
Dilma Roussef
AINDA SOBRE O DEBATE NA TV
Blog do Zaca deixou um novo comentário sobre a sua postagem "COMENTÁRIO":
Na oportunidade estava em fortaleza e também vi sua participação no Programa. Crateuense que sou, senti aquele orgulho por ver um filho de nossa terra mostrando toda inteligência e capacidade mundo a fora.
Na oportunidade estava em fortaleza e também vi sua participação no Programa. Crateuense que sou, senti aquele orgulho por ver um filho de nossa terra mostrando toda inteligência e capacidade mundo a fora.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
CHÃO DE ESTRELAS NA VOZ DE MAYSA
Composição: Silvio Caldas/Orestes Barbosa
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de 'doirado'
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Nosso barracão no morro do salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a alegria desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.
BRANCO, HONESTO, CONTRIBUINTE, ELEITOR, HÉTERO... PRA QUÊ?

Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.
Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.
Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.
Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria!
Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', porque cumpre a lei.
Desertores, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.
E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?
Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.
( *Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo ).
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INCISO IV DO Art. 3º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A QUE SE REFERE O DR. IVES GRANDA, NA ÍNTEGRA:
"promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."
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"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
quinta-feira, 16 de junho de 2011
A FELICIDADE
Despertamos de algumas horas, piscamos os olhos ante as primeiras luzes e nos imaginamos imortais.
A vida só tem uma certeza inarredável sem hora marcada. É possível prever quando alguém vai nascer. Mas nunca se saberá o instante exato em que se irá morrer.
Tocar a vida tem, para cada um de nós, maneiras diversas, mas no fundo, no fundo, se resume a um mesmo resultado. Sobreviver querendo, um dia, quem sabe, também ser feliz.
Você sabia que há no Congresso, em tramitação, uma proposta de emenda constitucional mandando inserir a felicidade entre os objetivos da República para o Povo em geral? Sim, ela mesma, a felicidade!
Dignidade da pessoa humana e prevalência dos direitos humanos, que já constam entre as obrigações republicanas, não bastariam para o alcance da felicidade.
Não se sabe ainda é se depois de inserida como obrigação do Estado para com o Povo em geral ela, a felicidade, dependerá de regulamentações especiais através de uma lei complementar ou de decretos governamentais, instruções normativas, portarias ou de um mandado de injunção no Supremo.
Não é ainda do conhecimento de todos se o Governo da República nomeará um conselho de jovens ou de anciãos, ou um colegiado misto com representantes de todas as cotas atualmente reconhecidas e admissíveis, para os efeitos do cumprimento da nova ordem constitucional.
Eu ainda não sabia dessa emenda no Congresso do Brasil quando, outro dia, em Buenos Aires, numa livraria, encontrei um livro, imagine, com este título – "La felicidad como elección, la dicha posible más Allá de las falsas ilusiones", de Sergio Sinay, um psicológico argentino.
O livro, a meu ver, não ajuda a ideia do inspirado legislador brasileiro que está propondo a felicidade como cláusula constitucional.
A proposta do "La Felicidad como elección...", ao contrário, é de contundente denúncia contra a manipulação da ideia de felicidade para garantia de lucros com dinheiro ou com o poder político.
A condição humana, dizem os marqueteiros das campanhas eleitorais, se inebria fácil com as miríades.
Daí que prometer a felicidade como direito de todos na Constituição da República pode resultar em algo balsâmico a afagar as esperanças de quem à beira do desespero vai perdendo a noção das certezas e das forças na vontade para resistir e lutar.
Quem, afinal, erguerá a voz ou o dedo na Câmara dos Deputados ou no Senado da República para se opor a essa importante conquanto imprescindível emenda constitucional, a PEC da Felicidade?
A ideia de constitucionalizar a felicidade não é invenção de brasileiro. Foi copiada lá fora.
Mas quem, entre nós, brasileiros, definirá a felicidade? Os juristas, os tecnocratas ou os poetas?
Vou preferir a definição dos poetas. Esta do Vinícius, por exemplo, na voz e violão de João Gilberto – a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar / voa tão leve e tem a vida breve / precisa que haja sem parar...
(Edson Vidigal)
A vida só tem uma certeza inarredável sem hora marcada. É possível prever quando alguém vai nascer. Mas nunca se saberá o instante exato em que se irá morrer.
Tocar a vida tem, para cada um de nós, maneiras diversas, mas no fundo, no fundo, se resume a um mesmo resultado. Sobreviver querendo, um dia, quem sabe, também ser feliz.
Você sabia que há no Congresso, em tramitação, uma proposta de emenda constitucional mandando inserir a felicidade entre os objetivos da República para o Povo em geral? Sim, ela mesma, a felicidade!
Dignidade da pessoa humana e prevalência dos direitos humanos, que já constam entre as obrigações republicanas, não bastariam para o alcance da felicidade.
Não se sabe ainda é se depois de inserida como obrigação do Estado para com o Povo em geral ela, a felicidade, dependerá de regulamentações especiais através de uma lei complementar ou de decretos governamentais, instruções normativas, portarias ou de um mandado de injunção no Supremo.
Não é ainda do conhecimento de todos se o Governo da República nomeará um conselho de jovens ou de anciãos, ou um colegiado misto com representantes de todas as cotas atualmente reconhecidas e admissíveis, para os efeitos do cumprimento da nova ordem constitucional.
Eu ainda não sabia dessa emenda no Congresso do Brasil quando, outro dia, em Buenos Aires, numa livraria, encontrei um livro, imagine, com este título – "La felicidad como elección, la dicha posible más Allá de las falsas ilusiones", de Sergio Sinay, um psicológico argentino.
O livro, a meu ver, não ajuda a ideia do inspirado legislador brasileiro que está propondo a felicidade como cláusula constitucional.
A proposta do "La Felicidad como elección...", ao contrário, é de contundente denúncia contra a manipulação da ideia de felicidade para garantia de lucros com dinheiro ou com o poder político.
A condição humana, dizem os marqueteiros das campanhas eleitorais, se inebria fácil com as miríades.
Daí que prometer a felicidade como direito de todos na Constituição da República pode resultar em algo balsâmico a afagar as esperanças de quem à beira do desespero vai perdendo a noção das certezas e das forças na vontade para resistir e lutar.
Quem, afinal, erguerá a voz ou o dedo na Câmara dos Deputados ou no Senado da República para se opor a essa importante conquanto imprescindível emenda constitucional, a PEC da Felicidade?
A ideia de constitucionalizar a felicidade não é invenção de brasileiro. Foi copiada lá fora.
Mas quem, entre nós, brasileiros, definirá a felicidade? Os juristas, os tecnocratas ou os poetas?
Vou preferir a definição dos poetas. Esta do Vinícius, por exemplo, na voz e violão de João Gilberto – a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar / voa tão leve e tem a vida breve / precisa que haja sem parar...
(Edson Vidigal)
quarta-feira, 15 de junho de 2011
COMENTÁRIO
Ontem a noite acompanhei atentamente sua participação no programa "Grande Debate" da TV O POVO.
Parabéns, brilhante participação.
José de Melo Neto (Zéneto)
**********************************************
Caro Zé Neto:
Obrigado pelo registro.
Realmente, participar de um programa de debates, ao vivo, é instigador.
Lembro que o programa será reprisado hoje a partir das 13:00 hs. E pode também ser visto pela internet: basta acessar o site do Jornal O POVO e clicar em TV O POVO. (http://www.opovo.com.br)
Júnior Bonfim
Parabéns, brilhante participação.
José de Melo Neto (Zéneto)
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Caro Zé Neto:
Obrigado pelo registro.
Realmente, participar de um programa de debates, ao vivo, é instigador.
Lembro que o programa será reprisado hoje a partir das 13:00 hs. E pode também ser visto pela internet: basta acessar o site do Jornal O POVO e clicar em TV O POVO. (http://www.opovo.com.br)
Júnior Bonfim
CONJUNTURA NACIONAL
No confessionário
Numa cidadezinha de Minas, Padre Elesbão estava esgotado de tanto ouvir pecados, ou, como dizia, besteiras. Decidiu moralizar o confessionário. Afixou um papelão na porta da Igreja, dizendo:
O Vigário só confessará:
2ª feira - As casadas que namoram
3ª feira - As viúvas desonestas
4ª feira - As donzelas levianas
5ª feira - As adúlteras
6ª feira - As falsas virgens
Sábado - As "mulheres da vida"
Domingo - As velhas mexeriqueiras
O confessionário ficou vazio. Padre Elesbão só assim pode levar vida folgada. Gabava-se:
- Freguesia boa é a minha... mulher lá só se confessa na hora da morte!
(Leonardo Mota em seu livro, Sertão Alegre)
Água na fervura
Dilma pegou o balde d'água e despejou na fervura. Essa é a imagem que se pinça das nomeações de Gleisi Hoffmann, Ideli Salvatti e Luiz Sérgio para a Casa Civil, as Relações Institucionais e o Ministério da Pesca. A senadora Gleisi vai gerenciar os projetos e ações do governo. Uma espécie de controladora geral do obreirismo governamental. Ideli fará a articulação com as casas congressuais. Nessa missão, será monitorada pela própria presidente Dilma, que tomou a decisão de mergulhar na piscina política. O affaire Palocci deixa no ar algumas certezas e dúvidas. Vejamos.
Assumindo as rédeas
Com suas decisões, a presidente Dilma assume de modo firme as rédeas do governo. Parece querer dizer: deixem de lado as querelas, administrem com parcimônia seus interesses, não sejam apressados. Alas do PT disputavam o comando da Casa Civil. O nome mais forte era, até então, o do líder Cândido Vaccarezza. Mas o grupo de Marco Maia parecia inflexível. Gleisi apareceu como tertius no processo. A presidente tomou atitude. Mostrou-se determinada a não ceder aos impulsos e pressões partidárias. Jogando com suas pedras no tabuleiro, abre efetivamente o ciclo de seu governo.
Primeira pessoa
Para reforçar este posicionamento, a presidente, por ocasião da posse das novas ministras Gleisi e Ideli e do ministro Luiz Sérgio, usou todo tempo a primeira pessoa: "em meu governo farei isso e aquilo... etc". Não se referiu uma vez sequer ao seu tutor, o ex-presidente Luiz Inácio. A impressão que passou é que Lula, até então, continuava a dar todas as cartas. Com a retórica mais personalista e com a vontade de fazer, ela mesma, a articulação política, Dilma dá mostras de que não se deixa levar pelas ondas. O barco vai seguir o rumo de acordo com sua bússola.
Para-choque
Frase de caminhão em Minas: "Tropeça no seu orgulho e cai nos meus braços".
Pesquisas dão o norte
A pesquisa Datafolha confirmou que o affaire Palocci não abalou a imagem do governo. Que oscilou, aliás, dois pontos para cima, de 47% (pesquisa anterior) para 49%. Mesmo a ameaça de volta da inflação não fez despencar a imagem do governo. Há, porém, um dado que quase passou despercebido na pesquisa. A imagem pessoal de Dilma sofreu uma queda. Uma forte queda, aliás: de 17 pontos. Trata-se da avaliação sobre capacidade decisória, estilo, etc.. Ou seja, o conceito de autoridade perdeu pontos. Certamente a presidente já recebera indicações nesse sentido, razão pela qual tomou as decisões para alicerçar o edifício da autoridade.
Lula como sombra
Luiz Inácio tem dito, à boca pequena, que está sendo muito difícil "desencarnar do governo". Claro, Lula apreciou bastante a passagem pelo centro do poder. E ela, a mulher, dona Marisa, também. O ex-metalúrgico é o último dos políticos carismáticos no Brasil. E não quer pendurar as chuteiras tão cedo. Daí sua atitude de ficar nas margens do poder central, como conselheiro, orientador, artífice da construção política do governo Dilma. Lula quer ser o comandante principal da operação eleitoral do PT, em 2012, que se volta para a meta de eleger cerca de 2.000 prefeitos. E com essa base, Lula pensa em fixar sólidos alicerces para o empreendimento do PT, que é de permanecer 20 anos ou mais no poder.
Ameaça à Dilma
Mas a permanência do ex-presidente nas proximidades do Planalto acaba dando ideia de intromissão no governo de sua sucessora. Ruim para ambos. Dilma dá sinais de que, mesmo com o respeito e admiração que conserva em relação ao seu patrocinador, não gostaria de tê-lo muito perto.
Carta para FHC
Mais um sinal de que Dilma regula seu governo por parâmetros diferenciados da gestão anterior foi uma carta que enviou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em homenagem aos seus 80 anos. A carta foi além da cortesia rotineira que um mandatário presta a outro. Dilma usou verbos e adjetivos fartos de elogio e admiração. Disse que Fernando Henrique, como ministro e presidente, foi o arquiteto mor da estabilidade econômica. Falou do idealismo do sociólogo quando jovem. Ora, por que tal referência? Trata-se de um preito de reconhecimento à trajetória do ex-presidente. Reconhecimento que Lula nunca fez. Portanto, a delimitação de atitudes é clara entre Dilma e seu antecessor.
Temer, o amortecedor
Nos últimos dias, um conjunto de notas, declarações e inferências teve como alvo o vice-presidente da República, Michel Temer. Entre as observações, duas partiram de intelectuais, uma de Renato Janine Ribeiro, em O Globo, e outra de Renato Lessa, na Folha de S. Paulo. Ambos praticamente usaram a mesma construção, alegando que o maior problema de Dilma é o vice. E aduziram na direção de que o vice luta pelo poder. Baboseira completa. Sesquipedal ignorância. Ora, esquecem que o vice é professor de Direito Constitucional, portanto, um perfil situado na área do Direito. Talhado para defender o território da legalidade. Michel Temer é conhecido pela maneira de tratar bem os interlocutores: paciente, educado, atencioso. Uma espécie de lã entre vidros. A imagem de aríete - que lhe querem impingir a fórceps - não condiz com a identidade de pessoa afável.
Bunker ou divã?
Além de vestirem o vice com a roupa do guerreiro - dissonância que salta aos olhos - alguns jornalistas sempre se referem ao Palácio do Jaburu como bunker, fortaleza que abriga tropas dispostas às guerrilhas. Este consultor sabe que o Jaburu, nesses tempos do vice Temer, mais se parece como um teto para administrar ansiedades. E assim, mais se assemelha a um divã.
Padre Américo
Padre Américo Sérgio Maia era vigário de Cajazeiras/PB. Um dia, teve de viajar 28 quilômetros a cavalo para dar extrema-unção a um doente. Chegou cansado:
- Minha senhora, por que vocês não fizeram uma casa mais perto da cidade?
- Padre, e por que não fizeram a cidade mais perto da gente?
PT: 70% contra 24%
Se alguém quer saber a razão de tanta disputa entre os grandes partidos da base governista basta ver os números. O PT conta com 24% das casas congressuais, Câmara e Senado. Mas detém cerca de 70% dos cargos Federais. E não quer repartir os cargos de acordo com as densidades de cada sigla. Eis aí a razão maior do imbróglio.
Copa 2014 segura
No quesito segurança, a Copa 2014 começa a ganhar corpo. O primeiro teste do esquema de segurança para Copa em São Paulo, ocorrido no último amistoso do Brasil, contra a Romênia, surpreendeu até mesmo autoridades oficiais. Este foi o segundo realizado no país, depois do jogo contra a Holanda no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, e pode representar a abertura de um novo filão para o setor. "Pela primeira vez, a segurança privada trabalhou sozinha na execução da segurança interna de um estádio, em um jogo de futebol, e conseguiu cumprir tal tarefa com excelência. Foi um grande desafio, mas que mostrou aos oficiais e especialistas presentes que as empresas brasileiras de segurança privada, sérias, são capazes de executar este serviço", avalia José Adir Loiola, presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo (Sesvesp).
50 mil profissionais
De acordo com o regulamento da FIFA, os estádios das cidades-sedes, onde os jogos acontecerão, precisam ter uma equipe integrada pelos corpos das seguranças pública e privada. Pelo menos 50 mil profissionais da segurança devem ser escalados para 2014. Atualmente, o segmento mantém-se estagnado e com limitado poder de absorção da mão de obra que se forma.
Barão de Itararé
Apparício Torelly (1895/1971), era gaúcho de Rio Grande. Definia-se assim: campeão olímpico da paz", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado", "cantor lírico", "andarilho da liberdade", "cientista emérito", "político inquieto", "artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker". Foi um dos maiores humoristas de nossa história.
- Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
- Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
- Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
Sinal amarelo
Pelo quarto mês consecutivo, a inadimplência cresceu. E 75,74% dos atrasos originam em prestações de até R$ 250. A confiança e a intenção de compra desses consumidores também caíram. Significado: classe C com seu atraso de prestações abre o sinal amarelo para a economia. Quando o bolso aperta, o clima geral fica anuviado.
Terceirização
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, o projeto 4.330/2004, do deputado Sandro Mabel, que "dispõe sobre o contrato de prestação de serviços a terceiros e as relações de trabalho dele decorrentes." Trata-se do projeto que atende de maneira mais completa as demandas dos setores produtivos. Eis os principais aspectos: Atividades terceirizadas - permite a terceirização de atividades-meio e atividades-fim da contratante; responsabilidade subsidiária - a empresa contratante será subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços e responsabilidade solidária - quando a empresa prestadora subcontratar outra empresa para a realização dos serviços, será solidariamente responsável pelas obrigações trabalhistas assumidas pela empresa subcontratada.
TST e a nova súmula
O TST começou a aplicar as súmulas aprovadas em maio. Pela nova redação da súmula 331, a Petrobras ficou excluída da responsabilidade subsidiária em processo movido por um empregado de uma prestadora de serviço. O Tribunal modificou, assim, julgamento do TRT no Rio Grande do Norte, que obrigava a empresa a pagar direitos trabalhistas de um empregado. O relator defendeu o argumento de que a responsabilidade subsidiária de entes da administração pública - direta e indireta - só ocorre quando há evidência de culpa no cumprimento das obrigações impostas pela lei das licitações - 8.666/93. Advogados dizem que empresas privadas poderão pleitear esse mesmo tipo de tratamento com base no princípio da isonomia, previsto na Constituição Federal. O pau que bate em Chico bate em Francisco.
Conselho à ministra Ideli
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma Rousseff. Hoje, sua atenção se volta à ministra Ideli Salvatti:
1. O escopo da articulação abriga os seguintes verbos: ouvir, ponderar, esclarecer, argumentar, administrar tensões, conciliar, propor, atender. E deixa fora o verbo irritar-se. O que não significa que deixe de usar a autoridade para não se deixar engolfar no turbilhão de demandas.
2. O jogo de cintura é pertinente ao cargo de ministra das Relações Institucionais. Vossa Excelência poderá desempenhar com eficácia a missão caso leve em consideração esses verbos com seus princípios.
3. A harmonia e a paz política dependerão bastante do seu desempenho no comando das Relações Institucionais.
(Gaudêncio Torquato)
Numa cidadezinha de Minas, Padre Elesbão estava esgotado de tanto ouvir pecados, ou, como dizia, besteiras. Decidiu moralizar o confessionário. Afixou um papelão na porta da Igreja, dizendo:
O Vigário só confessará:
2ª feira - As casadas que namoram
3ª feira - As viúvas desonestas
4ª feira - As donzelas levianas
5ª feira - As adúlteras
6ª feira - As falsas virgens
Sábado - As "mulheres da vida"
Domingo - As velhas mexeriqueiras
O confessionário ficou vazio. Padre Elesbão só assim pode levar vida folgada. Gabava-se:
- Freguesia boa é a minha... mulher lá só se confessa na hora da morte!
(Leonardo Mota em seu livro, Sertão Alegre)
Água na fervura
Dilma pegou o balde d'água e despejou na fervura. Essa é a imagem que se pinça das nomeações de Gleisi Hoffmann, Ideli Salvatti e Luiz Sérgio para a Casa Civil, as Relações Institucionais e o Ministério da Pesca. A senadora Gleisi vai gerenciar os projetos e ações do governo. Uma espécie de controladora geral do obreirismo governamental. Ideli fará a articulação com as casas congressuais. Nessa missão, será monitorada pela própria presidente Dilma, que tomou a decisão de mergulhar na piscina política. O affaire Palocci deixa no ar algumas certezas e dúvidas. Vejamos.
Assumindo as rédeas
Com suas decisões, a presidente Dilma assume de modo firme as rédeas do governo. Parece querer dizer: deixem de lado as querelas, administrem com parcimônia seus interesses, não sejam apressados. Alas do PT disputavam o comando da Casa Civil. O nome mais forte era, até então, o do líder Cândido Vaccarezza. Mas o grupo de Marco Maia parecia inflexível. Gleisi apareceu como tertius no processo. A presidente tomou atitude. Mostrou-se determinada a não ceder aos impulsos e pressões partidárias. Jogando com suas pedras no tabuleiro, abre efetivamente o ciclo de seu governo.
Primeira pessoa
Para reforçar este posicionamento, a presidente, por ocasião da posse das novas ministras Gleisi e Ideli e do ministro Luiz Sérgio, usou todo tempo a primeira pessoa: "em meu governo farei isso e aquilo... etc". Não se referiu uma vez sequer ao seu tutor, o ex-presidente Luiz Inácio. A impressão que passou é que Lula, até então, continuava a dar todas as cartas. Com a retórica mais personalista e com a vontade de fazer, ela mesma, a articulação política, Dilma dá mostras de que não se deixa levar pelas ondas. O barco vai seguir o rumo de acordo com sua bússola.
Para-choque
Frase de caminhão em Minas: "Tropeça no seu orgulho e cai nos meus braços".
Pesquisas dão o norte
A pesquisa Datafolha confirmou que o affaire Palocci não abalou a imagem do governo. Que oscilou, aliás, dois pontos para cima, de 47% (pesquisa anterior) para 49%. Mesmo a ameaça de volta da inflação não fez despencar a imagem do governo. Há, porém, um dado que quase passou despercebido na pesquisa. A imagem pessoal de Dilma sofreu uma queda. Uma forte queda, aliás: de 17 pontos. Trata-se da avaliação sobre capacidade decisória, estilo, etc.. Ou seja, o conceito de autoridade perdeu pontos. Certamente a presidente já recebera indicações nesse sentido, razão pela qual tomou as decisões para alicerçar o edifício da autoridade.
Lula como sombra
Luiz Inácio tem dito, à boca pequena, que está sendo muito difícil "desencarnar do governo". Claro, Lula apreciou bastante a passagem pelo centro do poder. E ela, a mulher, dona Marisa, também. O ex-metalúrgico é o último dos políticos carismáticos no Brasil. E não quer pendurar as chuteiras tão cedo. Daí sua atitude de ficar nas margens do poder central, como conselheiro, orientador, artífice da construção política do governo Dilma. Lula quer ser o comandante principal da operação eleitoral do PT, em 2012, que se volta para a meta de eleger cerca de 2.000 prefeitos. E com essa base, Lula pensa em fixar sólidos alicerces para o empreendimento do PT, que é de permanecer 20 anos ou mais no poder.
Ameaça à Dilma
Mas a permanência do ex-presidente nas proximidades do Planalto acaba dando ideia de intromissão no governo de sua sucessora. Ruim para ambos. Dilma dá sinais de que, mesmo com o respeito e admiração que conserva em relação ao seu patrocinador, não gostaria de tê-lo muito perto.
Carta para FHC
Mais um sinal de que Dilma regula seu governo por parâmetros diferenciados da gestão anterior foi uma carta que enviou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em homenagem aos seus 80 anos. A carta foi além da cortesia rotineira que um mandatário presta a outro. Dilma usou verbos e adjetivos fartos de elogio e admiração. Disse que Fernando Henrique, como ministro e presidente, foi o arquiteto mor da estabilidade econômica. Falou do idealismo do sociólogo quando jovem. Ora, por que tal referência? Trata-se de um preito de reconhecimento à trajetória do ex-presidente. Reconhecimento que Lula nunca fez. Portanto, a delimitação de atitudes é clara entre Dilma e seu antecessor.
Temer, o amortecedor
Nos últimos dias, um conjunto de notas, declarações e inferências teve como alvo o vice-presidente da República, Michel Temer. Entre as observações, duas partiram de intelectuais, uma de Renato Janine Ribeiro, em O Globo, e outra de Renato Lessa, na Folha de S. Paulo. Ambos praticamente usaram a mesma construção, alegando que o maior problema de Dilma é o vice. E aduziram na direção de que o vice luta pelo poder. Baboseira completa. Sesquipedal ignorância. Ora, esquecem que o vice é professor de Direito Constitucional, portanto, um perfil situado na área do Direito. Talhado para defender o território da legalidade. Michel Temer é conhecido pela maneira de tratar bem os interlocutores: paciente, educado, atencioso. Uma espécie de lã entre vidros. A imagem de aríete - que lhe querem impingir a fórceps - não condiz com a identidade de pessoa afável.
Bunker ou divã?
Além de vestirem o vice com a roupa do guerreiro - dissonância que salta aos olhos - alguns jornalistas sempre se referem ao Palácio do Jaburu como bunker, fortaleza que abriga tropas dispostas às guerrilhas. Este consultor sabe que o Jaburu, nesses tempos do vice Temer, mais se parece como um teto para administrar ansiedades. E assim, mais se assemelha a um divã.
Padre Américo
Padre Américo Sérgio Maia era vigário de Cajazeiras/PB. Um dia, teve de viajar 28 quilômetros a cavalo para dar extrema-unção a um doente. Chegou cansado:
- Minha senhora, por que vocês não fizeram uma casa mais perto da cidade?
- Padre, e por que não fizeram a cidade mais perto da gente?
PT: 70% contra 24%
Se alguém quer saber a razão de tanta disputa entre os grandes partidos da base governista basta ver os números. O PT conta com 24% das casas congressuais, Câmara e Senado. Mas detém cerca de 70% dos cargos Federais. E não quer repartir os cargos de acordo com as densidades de cada sigla. Eis aí a razão maior do imbróglio.
Copa 2014 segura
No quesito segurança, a Copa 2014 começa a ganhar corpo. O primeiro teste do esquema de segurança para Copa em São Paulo, ocorrido no último amistoso do Brasil, contra a Romênia, surpreendeu até mesmo autoridades oficiais. Este foi o segundo realizado no país, depois do jogo contra a Holanda no Estádio Serra Dourada, em Goiânia, e pode representar a abertura de um novo filão para o setor. "Pela primeira vez, a segurança privada trabalhou sozinha na execução da segurança interna de um estádio, em um jogo de futebol, e conseguiu cumprir tal tarefa com excelência. Foi um grande desafio, mas que mostrou aos oficiais e especialistas presentes que as empresas brasileiras de segurança privada, sérias, são capazes de executar este serviço", avalia José Adir Loiola, presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo (Sesvesp).
50 mil profissionais
De acordo com o regulamento da FIFA, os estádios das cidades-sedes, onde os jogos acontecerão, precisam ter uma equipe integrada pelos corpos das seguranças pública e privada. Pelo menos 50 mil profissionais da segurança devem ser escalados para 2014. Atualmente, o segmento mantém-se estagnado e com limitado poder de absorção da mão de obra que se forma.
Barão de Itararé
Apparício Torelly (1895/1971), era gaúcho de Rio Grande. Definia-se assim: campeão olímpico da paz", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado", "cantor lírico", "andarilho da liberdade", "cientista emérito", "político inquieto", "artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker". Foi um dos maiores humoristas de nossa história.
- Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
- Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
- Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
Sinal amarelo
Pelo quarto mês consecutivo, a inadimplência cresceu. E 75,74% dos atrasos originam em prestações de até R$ 250. A confiança e a intenção de compra desses consumidores também caíram. Significado: classe C com seu atraso de prestações abre o sinal amarelo para a economia. Quando o bolso aperta, o clima geral fica anuviado.
Terceirização
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, o projeto 4.330/2004, do deputado Sandro Mabel, que "dispõe sobre o contrato de prestação de serviços a terceiros e as relações de trabalho dele decorrentes." Trata-se do projeto que atende de maneira mais completa as demandas dos setores produtivos. Eis os principais aspectos: Atividades terceirizadas - permite a terceirização de atividades-meio e atividades-fim da contratante; responsabilidade subsidiária - a empresa contratante será subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços e responsabilidade solidária - quando a empresa prestadora subcontratar outra empresa para a realização dos serviços, será solidariamente responsável pelas obrigações trabalhistas assumidas pela empresa subcontratada.
TST e a nova súmula
O TST começou a aplicar as súmulas aprovadas em maio. Pela nova redação da súmula 331, a Petrobras ficou excluída da responsabilidade subsidiária em processo movido por um empregado de uma prestadora de serviço. O Tribunal modificou, assim, julgamento do TRT no Rio Grande do Norte, que obrigava a empresa a pagar direitos trabalhistas de um empregado. O relator defendeu o argumento de que a responsabilidade subsidiária de entes da administração pública - direta e indireta - só ocorre quando há evidência de culpa no cumprimento das obrigações impostas pela lei das licitações - 8.666/93. Advogados dizem que empresas privadas poderão pleitear esse mesmo tipo de tratamento com base no princípio da isonomia, previsto na Constituição Federal. O pau que bate em Chico bate em Francisco.
Conselho à ministra Ideli
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma Rousseff. Hoje, sua atenção se volta à ministra Ideli Salvatti:
1. O escopo da articulação abriga os seguintes verbos: ouvir, ponderar, esclarecer, argumentar, administrar tensões, conciliar, propor, atender. E deixa fora o verbo irritar-se. O que não significa que deixe de usar a autoridade para não se deixar engolfar no turbilhão de demandas.
2. O jogo de cintura é pertinente ao cargo de ministra das Relações Institucionais. Vossa Excelência poderá desempenhar com eficácia a missão caso leve em consideração esses verbos com seus princípios.
3. A harmonia e a paz política dependerão bastante do seu desempenho no comando das Relações Institucionais.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 14 de junho de 2011
AGRADECIMENTO!
Sensibilizado, agradeço a todos os amigos e amigas que nos prestigiaram na solenidade de posse ontem à noite.
Em especial, a todos os que - mesmo não tendo recebido diretamente o nosso convite - nos surpreenderam com o brilho da presença, como é o caso do meu parente Joseleido Bomfim Santana, historiador e venerável mestre de uma das lojas maçônicas mais atuantes da nossa capital.
Júnior Bonfim
OBSERVATÓRIO
Aldairton Carvalho, que foi por seguidas vezes vereador em Crateús, firmou-se no meio político como uma figura que, embora conservasse a astúcia e esperteza, era pacífica, tranqüila e calma. Evitava a fogueira das polêmicas. Quando o interrogavam sobre os motivos que o levavam a cultivar essa postura, costumava responder que seguia um conselho materno. Segundo Aldairton, sua genitora o ensinava que a gente deve escutar tudo, mas só se deve guardar o que é bom.
A POLÍTICA...
É palco permanente de conflitos. Espaço principal de cotejamento de interesses, a política é essencialmente uma arena de administração de divergências. Sucede que, muitas vezes, discussões fúteis, debates periféricos e questões menores ganham importância desproporcional ao seu real tamanho. Crateús vive um período de precarização da atividade pública, uma espécie de rendição ao império da futrica. As pessoas absorvem os fluidos negativos e os transmitem aos outros. Nestas horas faz falta o discernimento esposado pela mãe do Aldairton.
EXEMPLO...
Desse debate enviesado é a polêmica sobre a doação dos mercados: Centro de Abastecimento João Afonso (“Mercado da Carne”); Mercado Antônio Pierre de Aguiar (“Mercado dos Feirantes”) e Mercado Manoel Cardoso de Vasconcelos (“Mercado Velho”). Durante a semana passada o tema dominou a pauta dos meios de comunicação. Como é de ciência coletiva, há treze anos esses equipamentos foram doados aos locatários. Quem deseja a revogação desse processo imagina-se ancorado na defesa do interesse público; quem defende a manutenção da doação, também. Porém, independente das argumentações de ambos os lados e antes de se adentrar no mérito da cizânia, é preciso enfrentar algumas preliminares. Primeira: juridicamente, o exercício da pretensão ou da ação é limitável, no tempo, pela prescrição. A prescrição exprime o modo pelo qual o direito se extingue, em vista do interessado não o exercer no tempo oportuno. No caso dos mercados, a prescrição já se operou. Segunda: a Lei Municipal n.º 320/98, que aprovou a doação, é permitida no nosso ordenamento jurídico? Embora a Legislação estabeleça, em regra, que toda doação de bem público deve ser precedida de licitação, há exceção prevista no artigo 17 da Lei 8666/93 que reveste de validade o ato.
EUSÉBIO,
Município da região metropolitana de Fortaleza, foi destaque nacional por uma ação exitosa da Prefeitura: todas as escolas municipais estão funcionando em regime de tempo integral. Essa devia ser uma meta a ser perseguida por todos os gestores municipais. Há cerca de dez anos Crateús pioneiramente implantava um projeto batizado de ÉTICA (Escola em Tempo Integral, Cidadã e Amiga). Se nenhum percalço tivesse ocorrido e a alternância de poder não fosse óbice à continuidade de bons projetos, esse destaque poderia ser mérito da nossa terra.
JOÃO AGUIAR...
Planeja lançar uma Revista do Centenário, homenageando cem personalidades que marcaram a vida da cidade no seu primeiro século de vida. Para a consecução desse empreendimento, João procurou a Academia de Letras de Crateús – ALC – a fim de formalizar uma parceria.
A ALC,
Que completou dois anos de existência, esteve reunida em Assembléia na tarde do sábado passado com o objetivo de apreciar o ingresso de novos membros e de eleger a sua Diretoria para o próximo biênio. Foram aprovados, para integrar os quadros do sodalício, os nomes de Ana Cristina do Vale Gomes, Cheyla Mota, José Maria Bonfim de Morais, José Rodrigues Neto, Juarez Leitão, Karla Gomes, Paulo Nazareno e Silas Falcão. Alguns são soberbamente conhecidos do grande público como bons escritores; outros, não. Porém, todos meritoriamente o são. A posse está prevista para o dia 09 de julho. A nova Diretoria está assim constituída: Presidente – Elias de França; Vice-Presidente: Flávio Machado; Secretário: Raimundo Cândido; Tesoureiro: Lourival Veras; Diretora de Assuntos Culturais: Karla Gomes. Sobre a ALC, vide Crônica ao lado.
O XVIII...
Forró do Bode, realizado na noite de sábado passado na AABB de Crateús, foi um sucesso total. Edílson Vieira, Adelson Viana e Bento Raimundo brindaram o público com um show da mais autêntica música nordestina. Repertório leve, saudável e higiênico, sem letras apelativas ou de duplo sentido. Tudo em um ambiente muito familiar, integrativo e prazeroso. Parabéns ao coordenador do evento, Edvan Martins, Venerável da Loja Maçônica Liberdade e Justiça 1712, que anualmente promove da festa.
LUCAS...
Evangelista, Mestre da Cultura Cearense e maior cordelista vivo de Crateús, convida para o lançamento do livro O Cordel e o Professor. O evento ocorrerá na próxima sexta-feira, dia 17 de junho, no Ponto de Cultura Quintal com Arte (Sindicato dos Professores), na rua Auton Aragão, 552, bairro São Vicente. Na ocasião, haverá também um desafio de viola entre Bento Raimundo e Chico Chagas.
PARA REFLETIR...
“Educação e cultura/ É a porta do progresso/ Descobre, inventa e fabrica/ Ornamenta o universo/ Sem esta composição/ Não existia o sucesso”. (Lucas Evangelista).
(Júnior Bonfim na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
A POLÍTICA...
É palco permanente de conflitos. Espaço principal de cotejamento de interesses, a política é essencialmente uma arena de administração de divergências. Sucede que, muitas vezes, discussões fúteis, debates periféricos e questões menores ganham importância desproporcional ao seu real tamanho. Crateús vive um período de precarização da atividade pública, uma espécie de rendição ao império da futrica. As pessoas absorvem os fluidos negativos e os transmitem aos outros. Nestas horas faz falta o discernimento esposado pela mãe do Aldairton.
EXEMPLO...
Desse debate enviesado é a polêmica sobre a doação dos mercados: Centro de Abastecimento João Afonso (“Mercado da Carne”); Mercado Antônio Pierre de Aguiar (“Mercado dos Feirantes”) e Mercado Manoel Cardoso de Vasconcelos (“Mercado Velho”). Durante a semana passada o tema dominou a pauta dos meios de comunicação. Como é de ciência coletiva, há treze anos esses equipamentos foram doados aos locatários. Quem deseja a revogação desse processo imagina-se ancorado na defesa do interesse público; quem defende a manutenção da doação, também. Porém, independente das argumentações de ambos os lados e antes de se adentrar no mérito da cizânia, é preciso enfrentar algumas preliminares. Primeira: juridicamente, o exercício da pretensão ou da ação é limitável, no tempo, pela prescrição. A prescrição exprime o modo pelo qual o direito se extingue, em vista do interessado não o exercer no tempo oportuno. No caso dos mercados, a prescrição já se operou. Segunda: a Lei Municipal n.º 320/98, que aprovou a doação, é permitida no nosso ordenamento jurídico? Embora a Legislação estabeleça, em regra, que toda doação de bem público deve ser precedida de licitação, há exceção prevista no artigo 17 da Lei 8666/93 que reveste de validade o ato.
EUSÉBIO,
Município da região metropolitana de Fortaleza, foi destaque nacional por uma ação exitosa da Prefeitura: todas as escolas municipais estão funcionando em regime de tempo integral. Essa devia ser uma meta a ser perseguida por todos os gestores municipais. Há cerca de dez anos Crateús pioneiramente implantava um projeto batizado de ÉTICA (Escola em Tempo Integral, Cidadã e Amiga). Se nenhum percalço tivesse ocorrido e a alternância de poder não fosse óbice à continuidade de bons projetos, esse destaque poderia ser mérito da nossa terra.
JOÃO AGUIAR...
Planeja lançar uma Revista do Centenário, homenageando cem personalidades que marcaram a vida da cidade no seu primeiro século de vida. Para a consecução desse empreendimento, João procurou a Academia de Letras de Crateús – ALC – a fim de formalizar uma parceria.
A ALC,
Que completou dois anos de existência, esteve reunida em Assembléia na tarde do sábado passado com o objetivo de apreciar o ingresso de novos membros e de eleger a sua Diretoria para o próximo biênio. Foram aprovados, para integrar os quadros do sodalício, os nomes de Ana Cristina do Vale Gomes, Cheyla Mota, José Maria Bonfim de Morais, José Rodrigues Neto, Juarez Leitão, Karla Gomes, Paulo Nazareno e Silas Falcão. Alguns são soberbamente conhecidos do grande público como bons escritores; outros, não. Porém, todos meritoriamente o são. A posse está prevista para o dia 09 de julho. A nova Diretoria está assim constituída: Presidente – Elias de França; Vice-Presidente: Flávio Machado; Secretário: Raimundo Cândido; Tesoureiro: Lourival Veras; Diretora de Assuntos Culturais: Karla Gomes. Sobre a ALC, vide Crônica ao lado.
O XVIII...
Forró do Bode, realizado na noite de sábado passado na AABB de Crateús, foi um sucesso total. Edílson Vieira, Adelson Viana e Bento Raimundo brindaram o público com um show da mais autêntica música nordestina. Repertório leve, saudável e higiênico, sem letras apelativas ou de duplo sentido. Tudo em um ambiente muito familiar, integrativo e prazeroso. Parabéns ao coordenador do evento, Edvan Martins, Venerável da Loja Maçônica Liberdade e Justiça 1712, que anualmente promove da festa.
LUCAS...
Evangelista, Mestre da Cultura Cearense e maior cordelista vivo de Crateús, convida para o lançamento do livro O Cordel e o Professor. O evento ocorrerá na próxima sexta-feira, dia 17 de junho, no Ponto de Cultura Quintal com Arte (Sindicato dos Professores), na rua Auton Aragão, 552, bairro São Vicente. Na ocasião, haverá também um desafio de viola entre Bento Raimundo e Chico Chagas.
PARA REFLETIR...
“Educação e cultura/ É a porta do progresso/ Descobre, inventa e fabrica/ Ornamenta o universo/ Sem esta composição/ Não existia o sucesso”. (Lucas Evangelista).
(Júnior Bonfim na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS

Uma biblioteca, uma residência e um jardim. Pela tradição, o jardim teria pertencido a Academus - herói ateniense da guerra de Tróia (século XII a.C.), e por isso o espaço era chamado de academia.
Nessa escola, localizada nas proximidades de Atenas, na Grécia, o filósofo Platão fundou, ao redor do ano 387 a. C., a primeira Academia. Nessa ambiência filosófico-cultural, altar de louvor às musas, onde se ministrava um ensino informal calcado em diálogos entre os mestres e os discípulos, o filósofo pretendia compilar contribuições de diversos campos do saber como a filosofia, a matemática, a música, a astronomia e a legislação. Seus jovens seguidores dariam continuidade a este trabalho que viria a se constituir num dos capítulos importantes da história do saber ocidental.
E as Academias, como flores de jitiranas sob o sol de maio, desabrocharam sem pedir permissão. Na formosa e elegante França um cardeal de nome Richelieu levou à prancheta, em 1635, o desenho de um grêmio literário disposto em quarenta cadeiras com a principal finalidade de tornar a língua francesa “pura, eloqüente, e capaz de tratar das artes e ciências”. Esse modelo serviu de fonte inspiradora para as Academias Brasileiras.
Em nosso torrão natal, esse estalo para constituirmos nossa Arcádia me veio em 2007. Nesta Gazeta escrevi uma crônica em que lancei o desafio: ‘Nossa terra, sacudida por gigantescas adversidades, estonteada por tantas frustrações políticas, castigada por intempéries, na contramão das opressões econômicas, à margem do fulgor capitalista também assiste florescer talentos de toda sorte, humildes e valorosos atletas da criatividade, que correm as pistas olímpicas das artes com as tochas da inteligência e do saber. Por isso, fundemos a Academia. Juntemos, numa mesma Catedral de Cultura, os escritores de todos os sons, os poetas de todos os sonhos, os que batizam os seres e que nomeiam todas as coisas’.
Conversei inicialmente com o Dideus Sales, Lourival Veras, Edílson Macedo e Elias de França. Fizemos a primeira reunião. Outros nomes foram listados. E a semente germinou. Em 13 de junho de 2009, nas dependências do Teatro Rosa Moraes, foi formalmente instalada. Para presidi-la escolhemos consensualmente Elias de França. No seu primeiro biênio, praticamente o piano da entidade foi carregado por dois casais: Elias e Adriana, Lourival e Karla. No entanto, o resultado é extremamente alentador: a Academia é uma realidade viva e pulsante na cidade. Todos ressaltam sua relevância na militância cultural da urbe.
A página na internet (www.academiadeletrasdecrateus.blogspot.com) é constantemente atualizada pelos acadêmicos (os mais ativos são Ísis Celiane e Raimundo Cândido) e as visitas do público são freqüentes. Mais de dez obras já foram publicadas. Alguns dos nossos integrantes foram premiados em certames estaduais e até nacionais (destaque-se Elias de França, Lourival Veras, Lucas Evangelista e Raimundo Cândido). A participação nos mais diversos eventos culturais é outro diferencial.
É óbvio que nem tudo são flores. Algumas inquietações foram externadas na última avaliação, como a ausência de maior sentimento gregário e a concentração de trabalho em poucos ombros. Ponderei que essa realidade é comum a outras agremiações congêneres. E parece que o dado é histórico.
Lembro das palavras – pasmem quão atuais! – de Joaquim Nabuco na fundação da Academia Brasileira de Letras: “Não temos de que nos afligir: todas as Academias nasceram assim. Que era a Academia Francesa quando a Richelieu ocorreu insuflar-lhe o seu gênio, associá-la à sua missão? Era uma reunião de sete ou oito homens de espírito em Paris. E as Academias, as Arcádias todas do século passador? Qualquer pretexto é bom para nascer... Não se deve inquirir das origens. Quando a vida aparece, é que o inconsciente tomou parte na concepção, e com a vida vem a responsabilidade, que enobrece as origens as mais duvidosas. Quem nos lançará em rosto o nosso nascimento, se fizermos alguma coisa; se justificarmos a nossa existência; criando para nós mesmos uma função necessária e desempenhando-a? Acaso tem o ator que provar ao público o seu direito de existir? Não basta a emoção que desprende de si e faz passar por todos nós? E o pintor, o escultor, o poeta? Não basta a obra?”
Por isso, confrades e confreiras, exultemos!
A ALC nasceu e saudavelmente está em fase de crescimento. Consciente de sua excelsa missão, que Machado de Assis tão bem precisou: “A Academia, trabalhando pelo conhecimento [...], buscará ser, com o tempo, a guarda da nossa língua. Caber-lhe-á então defendê-la daquilo que não venha das fontes legítimas, - o povo e os escritores, - não confundindo a moda, que perece, com o moderno, que vivifica.”
Salve a Academia! Que continue a prodigalizar a cidade com os benefícios das causas do espírito, com a aspersão do óleo do pensamento, com a meditação fecunda, com o farol da plenitude do viver.
Afinal, a vida plena é possível. Pode ser encontrada em um espaço modesto onde se conjugue uma biblioteca, uma residência e um jardim.
(Júnior Bonfim na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 13 de junho de 2011
MAÇONARIA
Maçom, Maçonaria... Assunto que ainda suscita interrogações, mercê da aura folclórica, do véu de mistério e da cerca de curiosidade que sempre revestiu a Instituição e seus integrantes.
Dada sua característica discreta – que muita gente confunde com secreta – a Maçonaria, principalmente depois do lançamento de Best Sellers sobre o tema (como os livros de Dan Brown), tem despertado enorme interesse na juventude investigativa, nos amantes da sabedoria humana e nos estudiosos de todos os matizes.
Afinal, o que é ser Maçom no mundo contemporâneo? Qual o segredo que alimenta os Maçons e que tem perpassado os séculos aguçando a massa encefálica da humanidade?
Em verdade, o segredo da Maçonaria é simples. É o mesmo que impulsionou os maiores luminares da História. Não se encontra em um manual, mas no universo espiritual. É um tufão que sacode o âmago do ser e o retira da escuridão da consciência para colocá-lo sob a luz da profundidade. É aprender a enfrentar com a mesma serenidade tanto um terremoto de tristeza como uma explosão de alegria. Na Maçonaria, está sacramentado que o Segredo está ligado ao Sagrado. Naquele sentido que esposou um dos mais emblemáticos maçons de Portugal, o iluminado poeta Fernando Pessoa:
“O verdadeiro Segredo Maçônico...
É um segredo de vida
e não de ritual
e do que se lhe relaciona.
Os Graus Maçônicos comunicam àqueles que os recebem,
sabendo como recebê-los,
um certo espírito,
uma certa aceleração da vida
do entendimento
e da intuição,
que atua como uma espécie
de chave mágica dos próprios símbolos,
e dos símbolos
e rituais não maçônicos,
e da própria vida.
É um espírito,
um sopro posto na Alma,
e, por conseguinte,
pela sua natureza,
...incomunicável”.
Ser Maçom é consagrar-se à firmeza de caráter. Sem frouxidão, ser manso e humilde de coração. É libertar-se das baixas contingências gregárias. É subjugar a influência das ilusões. É combater o despotismo, os preconceitos e os erros. É promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade. É hastear a bandeira da Fraternidade, da Igualdade e da Liberdade – a tríade que já impulsionou vultosas transformações sociais, como a memorável Revolução Francesa. (A propósito, a França é o berço da palavra “maçom”, que significa “pedreiro”. O verdadeiro maçom é, pois, um ativo obreiro na construção de um edifício social mais justo, fraterno e livre).
Ao redor desses ideais e postulados progressistas, homens livres e de bons costumes - sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social – têm se reunido para cavar masmorras às vicissitudes e erigir templos à virtude. Neste 13 de junho, às 19:00 hs, na Câmara Municipal de Fortaleza tomam posse os novos dirigentes da Maçonaria do Grande Oriente do Brasil Ceará. Que revitalizem o papel da Instituição: perscrutar a verdade, espalhar a luz e dilatar a fraternidade!
Júnior Bonfim é advogado.
(Publicado na edição de hoje, página 7, do Jornal O POVO, Fortaleza, Ceará)
Dada sua característica discreta – que muita gente confunde com secreta – a Maçonaria, principalmente depois do lançamento de Best Sellers sobre o tema (como os livros de Dan Brown), tem despertado enorme interesse na juventude investigativa, nos amantes da sabedoria humana e nos estudiosos de todos os matizes.
Afinal, o que é ser Maçom no mundo contemporâneo? Qual o segredo que alimenta os Maçons e que tem perpassado os séculos aguçando a massa encefálica da humanidade?
Em verdade, o segredo da Maçonaria é simples. É o mesmo que impulsionou os maiores luminares da História. Não se encontra em um manual, mas no universo espiritual. É um tufão que sacode o âmago do ser e o retira da escuridão da consciência para colocá-lo sob a luz da profundidade. É aprender a enfrentar com a mesma serenidade tanto um terremoto de tristeza como uma explosão de alegria. Na Maçonaria, está sacramentado que o Segredo está ligado ao Sagrado. Naquele sentido que esposou um dos mais emblemáticos maçons de Portugal, o iluminado poeta Fernando Pessoa:
“O verdadeiro Segredo Maçônico...
É um segredo de vida
e não de ritual
e do que se lhe relaciona.
Os Graus Maçônicos comunicam àqueles que os recebem,
sabendo como recebê-los,
um certo espírito,
uma certa aceleração da vida
do entendimento
e da intuição,
que atua como uma espécie
de chave mágica dos próprios símbolos,
e dos símbolos
e rituais não maçônicos,
e da própria vida.
É um espírito,
um sopro posto na Alma,
e, por conseguinte,
pela sua natureza,
...incomunicável”.
Ser Maçom é consagrar-se à firmeza de caráter. Sem frouxidão, ser manso e humilde de coração. É libertar-se das baixas contingências gregárias. É subjugar a influência das ilusões. É combater o despotismo, os preconceitos e os erros. É promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade. É hastear a bandeira da Fraternidade, da Igualdade e da Liberdade – a tríade que já impulsionou vultosas transformações sociais, como a memorável Revolução Francesa. (A propósito, a França é o berço da palavra “maçom”, que significa “pedreiro”. O verdadeiro maçom é, pois, um ativo obreiro na construção de um edifício social mais justo, fraterno e livre).
Ao redor desses ideais e postulados progressistas, homens livres e de bons costumes - sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social – têm se reunido para cavar masmorras às vicissitudes e erigir templos à virtude. Neste 13 de junho, às 19:00 hs, na Câmara Municipal de Fortaleza tomam posse os novos dirigentes da Maçonaria do Grande Oriente do Brasil Ceará. Que revitalizem o papel da Instituição: perscrutar a verdade, espalhar a luz e dilatar a fraternidade!
Júnior Bonfim é advogado.
(Publicado na edição de hoje, página 7, do Jornal O POVO, Fortaleza, Ceará)
domingo, 12 de junho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
RAPHAEL HERBSTER E MARÍLIA FAÇANHA
Quem sobe ao altar do matrimônio na noite de hoje é o meu amigo Raphael Herbster, que permutará aliança com a advogada Marília Façanha, da qual se enamorou há alguns pares de janeiros.
Raphael é uma figura leve e agradável. Veloz e imprudente na fala, é calmo e prudente em se tratando das decisões essenciais da vida.
Desejo-lhe sucesso nesta nova etapa da sua caminhada existencial.
Raphael é um bom amigo e me faz lembrar a frase de Shakespeare: "bons amigos são a família que nos permitiram escolher."
A propósito, segue a íntegra da Mensagem do grande poeta e dramaturgo inglês:
Depois de algum tempo você aprende a diferença,
a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se.
E que companhia nem sempre significa segurança.
Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,
com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la…
E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam…
Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa…
por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas;
pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,
mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo…
mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão…
e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem, pelo menos, dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai
é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve
e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens…
Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,
mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame
não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar…
que realmente é forte,
e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem
que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.
Willian Shakespeare
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