Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sábado, 2 de julho de 2011
FOI DEUS
Não sei, não sabe ninguém
por que canto o fado
neste tom magoado
de dor e de pranto
e neste tormento
todo o sofrimento
eu sinto que a alma
cá dentro se acalma
nos versos que canto
Foi Deus
que deu luz aos olhos
perfumou as rosas
deu oiro ao sol
e prata ao luar
foi Deus
que me pôs no peito
um rosário de penas
que vou desfiando
e choro a cantar
e pôs as estrelas no céu
e fez o espaço sem fim
deu o luto as andorinhas
ai, e deu-me esta voz a mim
Se canto
não sei o que canto
misto de ventura
saudade, ternura
e talvez amor
mas sei que cantando
sinto o mesmo quando
se tem um desgosto
e o pranto no rosto
nos deixa melhor
Foi Deus
que deu voz ao vento
luz ao firmamento
e deu o azul às ondas do mar foi Deus
que me pôs no peito
um rosário de penas
que vou desfiando
e choro a cantar
fez poeta o rouxinol
pôs no campo o alecrim
deu as flores à Primavera
ai!, e deu-me esta voz a mim.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
PRINCESA DIANA - 50 ANOS
Se viva, hoje a Princesa do Povo estaria completando 50 anos.
Adeus rosa da Inglaterra
Que você cresca sempre em nossos corações
Você era a graça que se colocava
Onde as vidas eram despedaçadas
Ao país, você falou com doçura
Agora você pertence aos céus
E as estrelas formam o seu nome.
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva
E sua pegadas sempre estarão aqui,
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda
Encanto nós perdemos,
Nesses dias vazios sem seu sorriso.
Esta tocha nós sempre levaremos
Pela filha mais bela de nossa pátria.
E ainda que tentemos,
A verdade nos leva as lágrimas
Todas as nossas palavras não podem expressar
A alegria que você nos deu
Através dos anos.
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva.
E suas pegadas sempre estarão aqui
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra,
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda.
Adeus rosa da Inglaterra
Que você cresça sempre em nossos corações
Você era a graça que se colocava
Onde as vidas eram despedaçadas.
Adeus rosa da Inglaterra
Rosa de um país perdido sem sua alma
Que se vai sentir falta das asas de sua compaixão
Mais do que você jamais saberá
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento,
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva
E suas pegadas sempre estarão aqui,
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda
(Elton John)
Adeus rosa da Inglaterra
Que você cresca sempre em nossos corações
Você era a graça que se colocava
Onde as vidas eram despedaçadas
Ao país, você falou com doçura
Agora você pertence aos céus
E as estrelas formam o seu nome.
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva
E sua pegadas sempre estarão aqui,
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda
Encanto nós perdemos,
Nesses dias vazios sem seu sorriso.
Esta tocha nós sempre levaremos
Pela filha mais bela de nossa pátria.
E ainda que tentemos,
A verdade nos leva as lágrimas
Todas as nossas palavras não podem expressar
A alegria que você nos deu
Através dos anos.
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva.
E suas pegadas sempre estarão aqui
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra,
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda.
Adeus rosa da Inglaterra
Que você cresça sempre em nossos corações
Você era a graça que se colocava
Onde as vidas eram despedaçadas.
Adeus rosa da Inglaterra
Rosa de um país perdido sem sua alma
Que se vai sentir falta das asas de sua compaixão
Mais do que você jamais saberá
E parece-me que você viveu sua vida
Como uma vela ao vento,
Nunca enfraquecendo no poente
Quando chega a chuva
E suas pegadas sempre estarão aqui,
Ao longo das verdejantes colinas da Inglaterra
Sua vela consumida muito antes
Que sua lenda
(Elton John)
quinta-feira, 30 de junho de 2011
HOJE É O DIA DO CAMINHONEIRO OU CAMIONISTA
25 de julho, dia de São Cristovão, é a data escolhida para a comemoração do Dia do Motorista. No entanto, hoje, 30 de junho, se celebra o Dia do Caminhoneiro ou Camionista. Essa é diferenciada do dia do motorista para diferenciar as classes de Motorista e Camionista, pois a classe Motorista é genérica, incluindo também motoristas de veículos leves.
Em louvor aos que ganham a vida nas estradas, veja o vídeo abaixo:
Composição: Roberto Carlos/Erasmo Carlos
Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz
A saudade então aperta o peito
Ligo o rádio e dou um jeito
De espantar a solidão
Se é de dia eu ando mais veloz
E à noite todos os faróis
Iluminando a escuridão
Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela
Já rodei o meu país inteiro
E como bom caminhoneiro
Peguei chuva e cerração
Quando chove o limpador desliza
Vai e vem o pára-brisa
Bate igual meu coração
Doido pelo doce do seu beijo
Olho cheio de desejo
Seu retrato no painel
É no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel
Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela
Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Olho o horizonte e vou em frente
Tô com Deus e tô contente
O meu caminho eu sigo em paz
Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela
O nome dela (repete...)
Em louvor aos que ganham a vida nas estradas, veja o vídeo abaixo:
Composição: Roberto Carlos/Erasmo Carlos
Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Porque eu penso nela no caminho
Imagino seu carinho
E todo o bem que ela me faz
A saudade então aperta o peito
Ligo o rádio e dou um jeito
De espantar a solidão
Se é de dia eu ando mais veloz
E à noite todos os faróis
Iluminando a escuridão
Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela
Já rodei o meu país inteiro
E como bom caminhoneiro
Peguei chuva e cerração
Quando chove o limpador desliza
Vai e vem o pára-brisa
Bate igual meu coração
Doido pelo doce do seu beijo
Olho cheio de desejo
Seu retrato no painel
É no acostamento dos seus braços
Que eu desligo meu cansaço
E me abasteço desse mel
Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela
Todo dia quando eu pego a estrada
Quase sempre é madrugada
E o meu amor aumenta mais
Olho o horizonte e vou em frente
Tô com Deus e tô contente
O meu caminho eu sigo em paz
Eu sei
Tô correndo ao encontro dela
Coração tá disparado
Mas eu ando com cuidado
Não me arrisco na banguela
Eu sei
Todo dia nessa estrada
No volante eu penso nela
Já pintei no pára-choque
Um coração e o nome dela
O nome dela (repete...)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
FERREIRINHA, O HUMANISTA!

No tempo em que eu era menino, o mundo inteiro era as ruas de minha cidade, que eu corria num segundo, montado em bicicletas alugadas à hora no Beco da Galinha Morta. Ainda assim, por mais que eu me esforçasse, não havia jeito do meu dia caber nas horas adultas: ia pra rede à força, obrigado, zangado, mesmo então achava um desperdício dormir. Afinal, era tanta coisa a fazer, tanta brincadeira, tanta conversa, tanta novidade, e o tempo de estar acordado de jeito nenhum abarcava tudo. E pra piorar a situação, acharam de inventar os álbuns de figurinhas: para cada página completada, um prêmio – liquidificador, televisão, bicicleta... Minha vida virou um inferno!
Foi nessa época que eu conheci o Ferreirinha. Também, vivia na Casa Norberto Ferreira! Cada centavo que eu conseguia, era lá que eu ia deixar, trocado por envelopes de três figurinhas, torcendo pela premiada, pela “difícil”. Éramos um magote de meninos, todos ávidos, zuadentos e urgentes, e Ferreirinha atendia a todos, dividindo o tempo entre os fregueses que para ali acorriam na certeza de que tudo tinha, a mesma paciência que ainda hoje carrega em seu semblante de nonagenário. Comunista de carteirinha, nada nele denunciava aquela figura perigosa com a qual os adultos nos amedrontavam em noites de lua cheia, em conversas pelas calçadas: “Comunista é matador de padre, comedor de criancinhas...”. Eu, pra falar a verdade, achava o Ferreirinha um sujeito muito do inofensivo.
Mas foi somente depois de adulto, tendo já andado meio mundo, que eu vim a saber de fato quem é Ferreirinha e o porquê dele às vezes incutir tanto medo em algumas pessoas. Ferreirinha é autêntico, é coerente, é humano, interessa-se e luta pela condição dos mais carentes. Independente de questões partidárias – pelas quais “puxou” cadeia diversas vezes –, nunca abdicou de falar contra os desmandos dos poderosos, contra o malfeito dos insensíveis. A ambição e a riqueza fácil nunca o atraíram. Jamais percorreu o cômodo caminho da bajulação, nem contentou-se com a felicidade que só alcança aos amigos do rei.
Mesmo tendo frequentado o estudo regular por apenas seis meses, Ferreirinha tornou-se o maior memorialista de nossa história, contando-a em livros que são reverência a um tempo que não pode e nem deve ser preterido. Jornalista, radialista, cronista popular, folclorista, pesquisador, escritor e historiador, hoje com 93 anos, Norberto Ferreira Filho, o Ferreinha, é o símbolo vivo do homem que constrói o seu lugar como uma casa onde todos caibam, igualmente, irmãos em fartura e alegria.
Eu sinto saudades dos meus tempos de menino, é claro. Do Ferreirinha, não. A este eu tenho agora muito mais presente na minha compreensão de homem. E mesmo a sua vista cansada, sua memória falha, seu andar trôpego, de bengala à mão, me são imensuravelmente caros.
Lourival Mourão Veras
Escritor
CONJUNTURA NACIONAL
Maranhão
Historinha do Maranhão. O desembargador Deoclides Mourão, tio do escritor, jornalista e poeta Gerardo Mello Mourão, fez acordo com Urbano Santos para candidatura ao governo. Eleito, Urbano não cumpriu o acordo. Deoclides mandou-lhe uma carta:
- Senhor governador, diz o povo que o homem se pega pela palavra, o boi pelo chifre e a vaca pelo rabo. Supondo não ter V.Exa. nenhum desses acessórios, não sei por onde começar.
Mato Grosso do Sul
Historinha do Mato Grosso (hoje, do Sul). O ministro Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda do Governo Geisel, foi a Campo Grande discutir os problemas econômicos e financeiros de Mato Grosso do Sul. O fazendeiro Fernando Junqueira Franco pediu a palavra:
- Senhor ministro, depois que juro virou correção monetária, fazendeiro passou a ser empresário rural e roçar pasto chama-se investimento, nosso negócio acabou tornando-se uma merda.
Relatos do amigo Sebastião Nery.
Cabral desce ladeira
Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, desce a ladeira do prestígio. Como se sabe, Cabral era visto como um dos governantes mais prestigiados por Lula e, ultimamente, pela presidente Dilma. Guarda aquele jeitão carioca de conquistar as pessoas. O acidente com o helicóptero, na Bahia, escancarou a relação de interesses entre o chefe do Executivo carioca e empresas. Mostrou, por exemplo, que o governador viajou para a Bahia num jatinho de Eike Batista, que teria sido beneficiado com quase R$ 80 milhões de incentivos fiscais. O empresário que pilotava o helicóptero, que também morreu no acidente, teria também sido beneficiado. Cabral terá de dar explicações sob pena de continuar sob tiroteio midiático.
Gangorra
A presidente Dilma começa a exibir jogo de cintura. Era favorável ao sigilo eterno de documentos. Agora, já pensa que esse sigilo deve ser, no máximo, de 50 anos. Jobim, o ministro da Defesa, tem dito que os documentos da ditadura - aqueles guardados na caixa preta - sumiram, não havendo, portanto, razão para eternizar o sigilo. Outra mudança de posição se deu em relação às licitações de obra para a Copa. Agora, diz-se a favor de um regime diferenciado de licitações. Ou será que alguns jornais não souberam fazer a lição de casa? (Confiram a nota abaixo). T.S.Eliot dizia: "Só os imbecis não mudam porque carregam o defeito desde o berço".
Manchetes opostas
Manchete de ontem do O Estado de S.Paulo: "Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações".
Manchete de ontem da Folha de S.Paulo: "Dilma volta atrás e abre orçamentos de obras da Copa".
Jesus I
Renato Battaglia, advogado e leitor da Coluna, envia um conjunto de provas sobre a nacionalidade de Jesus. Distribuídas ao longo do texto. Portanto, o contraditório deve ser dirigido a ele.
Três provas de que Jesus era judeu:
1 - Assumiu os negócios do pai;
2 - Viveu em casa até os 33 anos;
3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem; e a mãe tinha certeza de que ele era Deus. (Continua)
Verdes em fuga
Os verdes comandados por Marina Silva têm data marcada para a fuga do PV: 7 de julho. O exército verde da acreana vai à luta pela criação de uma nova sigla. Que terá dois conceitos-chave: Verde e Cidadania. O novo partido não deverá ter problemas. O ambiente social favorece os horizontes esverdeados da ex-candidata à presidência da República.
Tiro pela culatra
Quem não se lembra? Um dos temas de campanha do governo Dilma era a desoneração da folha de pagamento. A promessa, alvissareira, era a de que, quanto menos onerosa for a contratação do trabalhador, mais trabalho formal se cria. Portanto, menor será o desemprego. Simples, não é? Ocorre que, pelo fato de, mais uma vez, o Congresso não ter legislado sobre o aviso prévio "proporcional", o STF julgará recursos nessa direção, proposto por funcionários da Vale. Dependendo do resultado, muitas empresas se precaverão desse ônus extra e começarão a dispensar os empregados de maior tempo de casa. Eis mais um paradoxo de nosso país: a legislação que deveria proteger o trabalhador, por excesso de proteção acabará gerando a ciranda do desemprego.
Nordeste farto e fértil
Petrolina-Juazeiro. Que maravilha contemplar a exuberância regional. Navegar pelo lago de Sobradinho é enxergar o futuro da região. 250 km de água. Energia por todos os lados. Fruticultura. 7 vinícolas, entre as quais os Grupos Rio Sol (Del Vale) e Terra Nova (Miolo). Domínio tecnológico do ciclo da uva. Quatro estações do ano ao mesmo tempo na cultura da uva. Bodódromo em Petrolina, um circuito de bons restaurantes. Carne macia e saudável. Queijo de cabra. Festejos juninos e massa acorrendo aos shows com muita energia. E dinheiro no bolso. Museus contando a história do sertão. Orla cheia de bares e gente alegre. Grande Universidade. Juazeiro-Petrolina, exemplo de pólo de desenvolvimento bem sucedido. Durante quatro dias, vi o progresso nordestino.
Jesus II
Três provas de que Jesus era irlandês:
1 - Nunca foi casado;
2 - Nunca teve emprego fixo;
3 - O último pedido dele foi uma bebida. (Continua)
Pagando o pato
Muitos órgãos públicos vêm contratando serviços terceirizados por meio do pregão eletrônico, valendo-se de preços que sequer pagam os encargos trabalhistas. Dirigentes fecham os olhos para os riscos dessa prática. O TST acaba de confirmar que os órgãos públicos serão chamados a pagar indenizações trabalhistas resultantes de contratações feitas por empresas inidôneas. Ora, como o órgão público é um ser inanimado, quem deverá pagar o pato por esse risco, serão os atores que tomaram as decisões, os participantes da jogada infeliz, desde o pregoeiro até o dirigente. O TST fez o alerta. Só não enxerga quem não quer.
Chávez sob mistério
Hugo Chávez está em Cuba convalescendo, há 20 dias, de um processo cirúrgico. O comandante está envolto em mistério. O vice-presidente da Venezuela promete que o país terá Chávez ainda por muito tempo. A Rádio Peão diz que ele está com câncer. Por que o tão falante presidente não abre a boca para dizer o que tem? O silêncio fala alto.
Jesus III
Três provas de que Jesus era italiano:
1 - Falava gesticulando muito;
2 - Tomava vinho em todas as refeições;
3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma. (Continua)
Mercadante chama os hackers
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, quer homenagear os hackers que invadiram os computadores do governo Federal, a partir da Receita. Mercadante convida o grupo a trabalhar para o governo. Deve estar se inspirando em um caso ou outro de hacker arrependido dos Estados Unidos e da Europa, onde os controles são muito mais rígidos e onde a cultura do respeito à ordem é generalizada. O ex-senador esquece que essa figura aprecia a transgressão. Seu hobby é agredir, ferir, promover ruptura. Trata-se de um fenômeno ligado a autoestima. Trabalhando no governo, os hackers brasileiros desmontariam, do dia para a noite, todo o sistema de controles governamentais.
O líder no Congresso
A presidente Dilma deve anunciar nas próximas horas o nome do líder do governo no Congresso. Será do PT ou do PMDB? O deputado Mendes Ribeiro, do RS, já esteve pertinho da porta de entrada. O PT reagiu forte. Defende que o nome seja do partido. O deputado Arlindo Chinaglia é o candidato do presidente da Câmara, deputado Marco Maia. Que quer retribuir o apoio dado a ele por Chinaglia por ocasião da disputa pela presidência da Câmara Federal. Os senadores do PT querem que o nome saia do grupo petista no Senado.
Boom imobiliário
Estrangeiros descobriram a mina: o mercado imobiliário brasileiro. Compram casas, apartamentos, terrenos. O Brasil é o solo da vez.
Jesus IV
Três provas de que Jesus era americano (californiano hippie):
1 - Nunca cortava o cabelo;
2 - Andava descalço;
3 - Inventou nova religião. (Continua)
Graziano, cuidando da fome
O agrônomo José Graziano foi o idealizador do programa Fome Zero. Que gorou no início do primeiro mandato de Lula. Depois, a ideia foi incorporada pelo Bolsa Família. Graziano chega à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) com a missão de aliviar a fome do mundo. Entra bem no modelo que Lula quer implantar em países do mundo faminto.
Ideli e os aloprados
Ideli Salvatti não irá ao Congresso para falar sobre os aloprados. Como é sabido, seu nome consta da relação (onde está também o nome do falecido Orestes Quércia) que tomara conhecimento da operação voltada para implodir a candidatura Serra à presidência no último pleito. Ideli agora é a ministra de Relações Institucionais. E será blindada pelo exército governista. Mercadante, por sua vez, foi ao Senado e enfrentou as frágeis perguntas da oposição sobre o tema. Argumentou que se Quércia estivesse vivo, a "história fantasiosa não se sustentava de pé meia hora". De fato, Quércia era aliado do PSDB e não do PT.
Distensão política
Sob o governo Dilma, o clima político está mais distendido. Tensões existem, aqui e ali, mas não contêm aquela dose incendiária dos tempos de Lula. A presidente tem sinalizado com gestos de elegância e educação política. Coisa que se viu na mensagem por ocasião dos 80 anos de FHC e na presença de ministros no enterro do ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza.
Paulo Renato
Paulo Renato foi por bom tempo meu companheiro de página 2 no Estadão, aos domingos. Como ministro da Educação do governo FHC, criou o Bolsa Escola, carro chefe dos programas sociais do atual governo. A Coluna rende homenagens ao tucano, que faleceu no sábado passado.
Itamar
O senador Itamar Franco, gravemente enfermo, é outro brasileiro que merece nossas homenagens. Presidente da República, foi ele quem implantou o Plano Real. Feito que abriu o ciclo da estabilidade monetária, consolidado por Fernando Henrique e continuado por Luiz Inácio.
Lula
Dilma fez bem em nomear Lula para chefiar missão na Guiné Equatorial. Todos se recordam do sonho acalentado pelo ex-presidente: estender os braços assistencialistas do governo petista pelo mundo carente. Pois bem, chegou a vez. Vamos, agora, conferir.
Jesus V
Três provas de que Jesus era francês:
1 - Nunca trocava de roupa;
2 - Não lavava os pés;
3 - Não falava inglês. (Continua)
Domínio das mulheres
O ciclo de domínio das mulheres se expande com a eleição da francesa, Christine Lagarde, para comandar o FMI. Será a primeira mulher no cargo, sendo o 11º europeu a ocupá-lo consecutivamente. Lagarde foi apontada para um mandato de cinco anos que começa no próximo dia 5 de julho. O rival, o mexicano Agustin Carstens, recebeu apoio público de apenas três países da comissão; por isso mesmo, esta abandonou o voto formal e nomeou a diretora-gerente por consenso.
Aborto de anencéfalos
O STF se prepara para julgar a questão polêmica de aborto quando a gravidez é de feto anencéfalo (sem cérebro). 5 ministros tendem a votar pelo direito de escolha da mãe; 3 tendem a votar contra e 2 ainda são uma incógnita. E um dos ministros, Toffoli, não decidiu se vai participar do julgamento, que está marcado para agosto. Lembrete: o Código Penal autoriza o aborto quando a gravidez é resultado de estupro ou quando a vida da mãe está em risco. Outro lembrete: o Estado é laico.
Jesus VI
Três provas de que Jesus era brasileiro:
1 - Vivia sempre liso;
2 - Vivia fazendo milagres;
3 - Prometia o céu e entregava o inferno...
Conclusão
Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus. Quanto a Judas... Todos concordam que era argentino.
Conselho às autoridades olímpicas
Há dois colegiados encarregados de definir políticas e ações visando preparar o país para acolher a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Há muita discussão sobre o calendário das obras, deixando no ar a dúvida: haverá tempo hábil e orçamento para o gigantesco programa de obras? Nesse sentido, a Coluna sugere às autoridades olímpicas:
1. Organizem um rigoroso programa de ações e controlem de maneira rigorosa as operações de campo.
2. Definam responsabilidades, façam as devidas divisões de tarefas, falem menos e ajam mais.
3. Dêem ampla visibilidade aos trabalhos de campo, evitem versões fantasiosas e trabalhem todo tempo sob o império da transparência, verdade e tempestividade.
(Gaudêncio Torquato)
Historinha do Maranhão. O desembargador Deoclides Mourão, tio do escritor, jornalista e poeta Gerardo Mello Mourão, fez acordo com Urbano Santos para candidatura ao governo. Eleito, Urbano não cumpriu o acordo. Deoclides mandou-lhe uma carta:
- Senhor governador, diz o povo que o homem se pega pela palavra, o boi pelo chifre e a vaca pelo rabo. Supondo não ter V.Exa. nenhum desses acessórios, não sei por onde começar.
Mato Grosso do Sul
Historinha do Mato Grosso (hoje, do Sul). O ministro Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda do Governo Geisel, foi a Campo Grande discutir os problemas econômicos e financeiros de Mato Grosso do Sul. O fazendeiro Fernando Junqueira Franco pediu a palavra:
- Senhor ministro, depois que juro virou correção monetária, fazendeiro passou a ser empresário rural e roçar pasto chama-se investimento, nosso negócio acabou tornando-se uma merda.
Relatos do amigo Sebastião Nery.
Cabral desce ladeira
Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, desce a ladeira do prestígio. Como se sabe, Cabral era visto como um dos governantes mais prestigiados por Lula e, ultimamente, pela presidente Dilma. Guarda aquele jeitão carioca de conquistar as pessoas. O acidente com o helicóptero, na Bahia, escancarou a relação de interesses entre o chefe do Executivo carioca e empresas. Mostrou, por exemplo, que o governador viajou para a Bahia num jatinho de Eike Batista, que teria sido beneficiado com quase R$ 80 milhões de incentivos fiscais. O empresário que pilotava o helicóptero, que também morreu no acidente, teria também sido beneficiado. Cabral terá de dar explicações sob pena de continuar sob tiroteio midiático.
Gangorra
A presidente Dilma começa a exibir jogo de cintura. Era favorável ao sigilo eterno de documentos. Agora, já pensa que esse sigilo deve ser, no máximo, de 50 anos. Jobim, o ministro da Defesa, tem dito que os documentos da ditadura - aqueles guardados na caixa preta - sumiram, não havendo, portanto, razão para eternizar o sigilo. Outra mudança de posição se deu em relação às licitações de obra para a Copa. Agora, diz-se a favor de um regime diferenciado de licitações. Ou será que alguns jornais não souberam fazer a lição de casa? (Confiram a nota abaixo). T.S.Eliot dizia: "Só os imbecis não mudam porque carregam o defeito desde o berço".
Manchetes opostas
Manchete de ontem do O Estado de S.Paulo: "Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações".
Manchete de ontem da Folha de S.Paulo: "Dilma volta atrás e abre orçamentos de obras da Copa".
Jesus I
Renato Battaglia, advogado e leitor da Coluna, envia um conjunto de provas sobre a nacionalidade de Jesus. Distribuídas ao longo do texto. Portanto, o contraditório deve ser dirigido a ele.
Três provas de que Jesus era judeu:
1 - Assumiu os negócios do pai;
2 - Viveu em casa até os 33 anos;
3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem; e a mãe tinha certeza de que ele era Deus. (Continua)
Verdes em fuga
Os verdes comandados por Marina Silva têm data marcada para a fuga do PV: 7 de julho. O exército verde da acreana vai à luta pela criação de uma nova sigla. Que terá dois conceitos-chave: Verde e Cidadania. O novo partido não deverá ter problemas. O ambiente social favorece os horizontes esverdeados da ex-candidata à presidência da República.
Tiro pela culatra
Quem não se lembra? Um dos temas de campanha do governo Dilma era a desoneração da folha de pagamento. A promessa, alvissareira, era a de que, quanto menos onerosa for a contratação do trabalhador, mais trabalho formal se cria. Portanto, menor será o desemprego. Simples, não é? Ocorre que, pelo fato de, mais uma vez, o Congresso não ter legislado sobre o aviso prévio "proporcional", o STF julgará recursos nessa direção, proposto por funcionários da Vale. Dependendo do resultado, muitas empresas se precaverão desse ônus extra e começarão a dispensar os empregados de maior tempo de casa. Eis mais um paradoxo de nosso país: a legislação que deveria proteger o trabalhador, por excesso de proteção acabará gerando a ciranda do desemprego.
Nordeste farto e fértil
Petrolina-Juazeiro. Que maravilha contemplar a exuberância regional. Navegar pelo lago de Sobradinho é enxergar o futuro da região. 250 km de água. Energia por todos os lados. Fruticultura. 7 vinícolas, entre as quais os Grupos Rio Sol (Del Vale) e Terra Nova (Miolo). Domínio tecnológico do ciclo da uva. Quatro estações do ano ao mesmo tempo na cultura da uva. Bodódromo em Petrolina, um circuito de bons restaurantes. Carne macia e saudável. Queijo de cabra. Festejos juninos e massa acorrendo aos shows com muita energia. E dinheiro no bolso. Museus contando a história do sertão. Orla cheia de bares e gente alegre. Grande Universidade. Juazeiro-Petrolina, exemplo de pólo de desenvolvimento bem sucedido. Durante quatro dias, vi o progresso nordestino.
Jesus II
Três provas de que Jesus era irlandês:
1 - Nunca foi casado;
2 - Nunca teve emprego fixo;
3 - O último pedido dele foi uma bebida. (Continua)
Pagando o pato
Muitos órgãos públicos vêm contratando serviços terceirizados por meio do pregão eletrônico, valendo-se de preços que sequer pagam os encargos trabalhistas. Dirigentes fecham os olhos para os riscos dessa prática. O TST acaba de confirmar que os órgãos públicos serão chamados a pagar indenizações trabalhistas resultantes de contratações feitas por empresas inidôneas. Ora, como o órgão público é um ser inanimado, quem deverá pagar o pato por esse risco, serão os atores que tomaram as decisões, os participantes da jogada infeliz, desde o pregoeiro até o dirigente. O TST fez o alerta. Só não enxerga quem não quer.
Chávez sob mistério
Hugo Chávez está em Cuba convalescendo, há 20 dias, de um processo cirúrgico. O comandante está envolto em mistério. O vice-presidente da Venezuela promete que o país terá Chávez ainda por muito tempo. A Rádio Peão diz que ele está com câncer. Por que o tão falante presidente não abre a boca para dizer o que tem? O silêncio fala alto.
Jesus III
Três provas de que Jesus era italiano:
1 - Falava gesticulando muito;
2 - Tomava vinho em todas as refeições;
3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma. (Continua)
Mercadante chama os hackers
O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, quer homenagear os hackers que invadiram os computadores do governo Federal, a partir da Receita. Mercadante convida o grupo a trabalhar para o governo. Deve estar se inspirando em um caso ou outro de hacker arrependido dos Estados Unidos e da Europa, onde os controles são muito mais rígidos e onde a cultura do respeito à ordem é generalizada. O ex-senador esquece que essa figura aprecia a transgressão. Seu hobby é agredir, ferir, promover ruptura. Trata-se de um fenômeno ligado a autoestima. Trabalhando no governo, os hackers brasileiros desmontariam, do dia para a noite, todo o sistema de controles governamentais.
O líder no Congresso
A presidente Dilma deve anunciar nas próximas horas o nome do líder do governo no Congresso. Será do PT ou do PMDB? O deputado Mendes Ribeiro, do RS, já esteve pertinho da porta de entrada. O PT reagiu forte. Defende que o nome seja do partido. O deputado Arlindo Chinaglia é o candidato do presidente da Câmara, deputado Marco Maia. Que quer retribuir o apoio dado a ele por Chinaglia por ocasião da disputa pela presidência da Câmara Federal. Os senadores do PT querem que o nome saia do grupo petista no Senado.
Boom imobiliário
Estrangeiros descobriram a mina: o mercado imobiliário brasileiro. Compram casas, apartamentos, terrenos. O Brasil é o solo da vez.
Jesus IV
Três provas de que Jesus era americano (californiano hippie):
1 - Nunca cortava o cabelo;
2 - Andava descalço;
3 - Inventou nova religião. (Continua)
Graziano, cuidando da fome
O agrônomo José Graziano foi o idealizador do programa Fome Zero. Que gorou no início do primeiro mandato de Lula. Depois, a ideia foi incorporada pelo Bolsa Família. Graziano chega à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) com a missão de aliviar a fome do mundo. Entra bem no modelo que Lula quer implantar em países do mundo faminto.
Ideli e os aloprados
Ideli Salvatti não irá ao Congresso para falar sobre os aloprados. Como é sabido, seu nome consta da relação (onde está também o nome do falecido Orestes Quércia) que tomara conhecimento da operação voltada para implodir a candidatura Serra à presidência no último pleito. Ideli agora é a ministra de Relações Institucionais. E será blindada pelo exército governista. Mercadante, por sua vez, foi ao Senado e enfrentou as frágeis perguntas da oposição sobre o tema. Argumentou que se Quércia estivesse vivo, a "história fantasiosa não se sustentava de pé meia hora". De fato, Quércia era aliado do PSDB e não do PT.
Distensão política
Sob o governo Dilma, o clima político está mais distendido. Tensões existem, aqui e ali, mas não contêm aquela dose incendiária dos tempos de Lula. A presidente tem sinalizado com gestos de elegância e educação política. Coisa que se viu na mensagem por ocasião dos 80 anos de FHC e na presença de ministros no enterro do ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza.
Paulo Renato
Paulo Renato foi por bom tempo meu companheiro de página 2 no Estadão, aos domingos. Como ministro da Educação do governo FHC, criou o Bolsa Escola, carro chefe dos programas sociais do atual governo. A Coluna rende homenagens ao tucano, que faleceu no sábado passado.
Itamar
O senador Itamar Franco, gravemente enfermo, é outro brasileiro que merece nossas homenagens. Presidente da República, foi ele quem implantou o Plano Real. Feito que abriu o ciclo da estabilidade monetária, consolidado por Fernando Henrique e continuado por Luiz Inácio.
Lula
Dilma fez bem em nomear Lula para chefiar missão na Guiné Equatorial. Todos se recordam do sonho acalentado pelo ex-presidente: estender os braços assistencialistas do governo petista pelo mundo carente. Pois bem, chegou a vez. Vamos, agora, conferir.
Jesus V
Três provas de que Jesus era francês:
1 - Nunca trocava de roupa;
2 - Não lavava os pés;
3 - Não falava inglês. (Continua)
Domínio das mulheres
O ciclo de domínio das mulheres se expande com a eleição da francesa, Christine Lagarde, para comandar o FMI. Será a primeira mulher no cargo, sendo o 11º europeu a ocupá-lo consecutivamente. Lagarde foi apontada para um mandato de cinco anos que começa no próximo dia 5 de julho. O rival, o mexicano Agustin Carstens, recebeu apoio público de apenas três países da comissão; por isso mesmo, esta abandonou o voto formal e nomeou a diretora-gerente por consenso.
Aborto de anencéfalos
O STF se prepara para julgar a questão polêmica de aborto quando a gravidez é de feto anencéfalo (sem cérebro). 5 ministros tendem a votar pelo direito de escolha da mãe; 3 tendem a votar contra e 2 ainda são uma incógnita. E um dos ministros, Toffoli, não decidiu se vai participar do julgamento, que está marcado para agosto. Lembrete: o Código Penal autoriza o aborto quando a gravidez é resultado de estupro ou quando a vida da mãe está em risco. Outro lembrete: o Estado é laico.
Jesus VI
Três provas de que Jesus era brasileiro:
1 - Vivia sempre liso;
2 - Vivia fazendo milagres;
3 - Prometia o céu e entregava o inferno...
Conclusão
Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus. Quanto a Judas... Todos concordam que era argentino.
Conselho às autoridades olímpicas
Há dois colegiados encarregados de definir políticas e ações visando preparar o país para acolher a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Há muita discussão sobre o calendário das obras, deixando no ar a dúvida: haverá tempo hábil e orçamento para o gigantesco programa de obras? Nesse sentido, a Coluna sugere às autoridades olímpicas:
1. Organizem um rigoroso programa de ações e controlem de maneira rigorosa as operações de campo.
2. Definam responsabilidades, façam as devidas divisões de tarefas, falem menos e ajam mais.
3. Dêem ampla visibilidade aos trabalhos de campo, evitem versões fantasiosas e trabalhem todo tempo sob o império da transparência, verdade e tempestividade.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 28 de junho de 2011
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Copa para o povo, banquete para poucos?
O sigilo dos orçamentos das obras e serviços da Copa do Mundo e da Olimpíada no Rio, que o governo diz que "não é bem assim", não é a única janela escancarada à bandalheira contida na MP 527, já aprovada em suas regras gerais na Câmara, mas ainda dependendo da votação de destaques pelos deputados e depois de apreciação pelo Senado. Ele é apenas o mais escancaradamente visível no Regime de Contratação Diferenciado. Diz o governo que o artigo sobre a licitação sem preço-base anunciado previamente é o melhor método e que houve interpretações equivocadas como classificaram as críticas à presidente Dilma. Além dos políticos do PMDB que se renderam ao argumento vindo do Palácio do Planalto, há especialistas, principalmente em obras civis, que endossam a tese. Dizem que reduz a possibilidade de corrupção.
Então...
Sendo assim, falta responder a algumas questões para convencer os leigos:
1. Por que foi incluído na MP, na última hora, no dia da votação, pelo relator José Nobre (PT/CE) e não constou desde o início do relatório?
2. Por que a mudança na lei de licitação não foi proposta a mais tempo?
3. Por que adotar a norma somente para a Copa e a Olimpíada e não estendê-la para tudo a partir de agora?
Bodes mal cheirosos
No RDC para a Copa e Olimpíada, na realidade o sigilo pode ser apenas o bode na sala, para deixar, ao largo das críticas, outros itens do projeto multiplicadores de licenças para jogadas nada ludopédicas:
1. Quem faz o projeto pode também tocar a obra.
2. Foram beneficiadas com as facilidades as capitais situadas a até 350 Km de uma cidade-sede o que deixará quase todas as capitais estaduais no perímetro das vantagens.
3. Mesmo obras não diretamente ligadas ao evento esportivo (mobilidade urbana, aeroportos, por exemplo) podem entrar no rateio, desde que a União, os Estados e municípios baixem uma resolução nesse sentido. Pode entrar uma estrada, um hospital e sabe-se lá o que, no limite, até o famoso trem bala.
4. Não há limite para elevação dos custos dos projetos, basta a FIFA ou o Comitê Olímpico mostrarem a necessidade de adaptação do que foi licitado.
5. O Comitê Olímpico e a FIFA estão isentas do pagamento do ISS (imposto municipal) nos serviços que utilizarem no Brasil.
Dois exímios pipoqueiros
No jargão do futebol, agora não tanto em voga quanto esteve nos tempos de Lula, diz-se que um jogador é pipoqueiro quando ele não faz esforço para chegar numa bola que deve dividir com um zagueiro mais virulento - finge que corre, mas não corre. Nesta questão do jogo inaugural da Copa de 2014, a FIFA de Joseph Blatter e a CBF de Ricardo Teixeira estão se revelando dois grandes pipoqueiros. Fingem que querem a abertura do mundial em São Paulo, porém jogam com má vontade nada discreta porque, para puxar o saco do governo Federal querem mesmo que o jogo vá para Brasília. 2014 é ano de eleição presidencial, tem reeleição ou a luta por um terceiro mandato, que daria para faturar nas urnas, sem ter de dividir a festa inaugural com os tucanos paulistas. Por esse ângulo, entende-se também porque tantas facilidades para evitar um vexame logístico em 2014.
Apagão olímpico
Nada tão exemplar que os apagões elétricos do "Engenhão". Já somam cinco os jogos de futebol interrompidos pela falta de energia elétrica - o último neste último fim de semana. Ali, no Estádio João Havelange, ex-sogro do eterno presidente da CBF Ricardo Teixeira, projeta-se para todos os olhos a incompetência em relação às obras voltadas para os eventos esportivos: foi ali que se realizaram boa parte dos Jogos Panamericanos em 2007.
O outro sigilo
Pelo menos um outro sigilo - os dos documentos oficiais secretos - vai cair. O PMDB de José Sarney e o ex-presidente Fernando Collor de Mello não seguram sozinhos a bomba do Senado depois que a presidente Dilma, pressionada pela opinião pública e pelo PT, desdisse o que havia desdito.
Encerra-se o trimestre
Este trimestre do ano está a fechar-se com evidentes sinais de estagnação na economia dos países centrais. Semana passada os EUA divulgaram os gastos dos consumidores e o resultado foi sofrível, mesmo para os produtos de primeira necessidade. Na Europa, a crise da Grécia, Irlanda e Portugal impõe restrições ao crédito em todo o Velho Mundo. A Espanha está igualmente quebrada e a Itália super endividada. No Japão, os efeitos da tragédia de dois meses atrás ainda impõe ao governo medidas para restabelecer o status quo anterior da produção. Até mesmo na China, os sinais são de queda da atividade econômica que gravita ao redor de 8% neste ano (10% no ano passado). O segundo semestre do ano, depois das férias no hemisfério norte, definirá se estamos entrando num novo ciclo negativo para economia mundial. Até lá, mercados "andando de lado". Como os caranguejos.
A Grécia e as velhas "leis de mercado"
Sabe-se que os germânicos e seus atuais parceiros europeus (Inglaterra e França, sobretudo) estão interessadíssimos que a pequena Grécia não dê um calote no tal do mercado. Os bancos alemães possuem muitos ativos espanhóis e não querem reconhecer os prováveis prejuízos que virão caso a Grécia busque uma saída para a sua própria tragédia. Ora, se há uma saída legítima, esta seria impor prejuízos aos investidores que investiram mal o seu dinheiro, incluindo os acionistas dos bancos. Como ocorreu nos EUA. Enquanto isso, parcelas substanciais da juventude grega, portuguesa, irlandesa e espanhola "bancam" um desemprego ao redor de 35%. O capitalismo atual do FMI e do Banco Europeu continua com as velhas práticas que fizeram vigorar a "década perdida" dos anos 80 na América Latina. Agora chegou a vez dos europeus. Por que não uma saída verdadeiramente de mercado?
Brasil, sem estratégia
Os impactos modestos da crise externa sobre o Brasil escondem os sérios problemas do país em meio à crise externa. A valorização cambial é "compensada" pelos bons preços das commodities, mas o volume global do comércio externo (exportações+importações) indica que há pouca agregação de tecnologia na produção industrial brasileira como ocorre com a China. Ora, este processo torna a economia local estruturalmente pouco competitiva. Não há, do lado político, nenhuma sensibilização em torno do tema. Afinal, o desemprego é baixo. Todavia, a conta virá no médio prazo e, nesta ocasião, virá um maior desemprego e maior inflação, caso o câmbio se desvalorize.
A propósito do tema...
Vejamos esta declaração de Luciano Coutinho ao jornal Valor Econômico na última sexta-feira:
Valor: O que o governo pretende fazer com a nova política (industrial)?
Coutinho: O que estamos fazendo é buscar reforçar a competitividade da indústria através de uma série de medidas.
Valor: Que medidas?
Coutinho: Infelizmente, não posso adiantar porque estamos ainda (grifo nosso) numa agenda de discussão.
O problema de competitividade do Brasil já perdura por mais de seis anos e a agenda persiste em discussão. Todas as medidas de crédito tomadas há seis meses não produziram essencialmente nenhuma alteração de rota no que tange ao problema externo brasileiro.
Parcerias privadas
Em conversa com esta coluna, um dirigente de empresa muito interessado em participar de concessões de serviços públicos mostrou-se bem mais otimista que há seis meses com a visão do governo sobre o tema. "Eles (governo) perderam a arrogância e estão começando a conversar mais abertamente sobre novas concessões. Acho que vem mesmo uma onda de novas concessões a partir do segundo semestre. A incompetência estatal ficou às claras...", vaticinou o dirigente. A conferir.
Lei das terras
Mais uma do capitalismo estatal brasileiro: o governo quer ser sócio dos estrangeiros que compraram terras aqui, por meio de uma golden share. Para um país que não precisa de investimentos...
O perigo amarelo
Nem contando chinesinhos durante a noite toda, boa parte dos empresários consegue dormir tranquilamente - aliás, esse exercício costuma mesmo é aumentar a insônia crônica dos produtores nacionais. Não é para menos, enquanto pelo menos o Brasil continuar jogando para trás em matéria de (des)incentivo à competição com o mundo afora. Historinha exemplar contada por Eduardo Neger, presidente da Associação das Empresas da Area de Internet, e da Neger Tecnologia e Sistemas: a empresa utiliza no seu equipamento para amplificação dos sinais de celulares uma placa fabricada na China. Ela manda o projeto da placa para o fabricante chinês pela internet e recebe o produto pronto três dias depois, por um serviço de postagem rápida. E pagando todos os impostos, tem uma placa de alta qualidade cerca de 50% menos do que pagaria se fizesse a encomenda aqui no Brasil.
Vitória lulista
Justiça seja feita: Lula sabe usar a sua imagem internacional com competência. A vitória de José Graziano para a direção da FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) foi espetacular. Graziano disse que "quem tem fome, tem pressa", ao se referir à necessidade de recursos (algo como US$ 50 bi por ano) para alavancar a produção de alimentos no mundo. Soa como lema de campanha, mas funcionou nos ouvidos dos representantes dos países em desenvolvimento e pobres que votaram em massa em Graziano. Agora, resta a Graziano estabelecer o diálogo necessário com os países desenvolvidos para reformar a FAO e fazê-la um organismo efetivo. Até lá nada de muitas taças de vinho nos bons restaurantes de Roma, a Cidade Eterna que sedia a FAO...
Uma ameaça a menos
Sempre é bom esperar para comemorar, contudo, tudo indica que o acerto para a votação do regulamento da Emenda 29 (aumento da aplicação orçamentário de recursos para a saúde) eliminou o renascimento da CPMF, com o nome fantasia da Contribuição Social para a Saúde (CSS). Se o Ministério da Fazenda deixar.
Uma ameaça a mais
No entanto, está no forno oficial a criação de um novo imposto sobre a exploração de recursos minerais no país.
Incompatibilidade de gênios
Se o cabriolé da reforma tributária continuar a ser conduzido do ritmo de Brasília, em pouco tempo não devem ser convidados para o mesmo pé de moleque junino os governadores do Norte e Nordeste e os do Sul e Sudeste e os negociadores do governo. Em entrevista semana passada (leitura obrigatória) ao jornal "Valor Econômico", o governador de Sergipe, Marcelo Déda, deu o tom da insatisfação geral avisando que ele e seus colegas não estão para discutir apenas mudanças no ICMS.
Fora do ritmo
O mesmo governador Déda indicou que não devem aparecer no mesmo forró alguns grupos de petistas, especialmente os forrozeiros paulistas.
Em berço esplêndido
Enquanto isso, a oposição dormita. Não sabe da reforma tributária, deixou para Sarney os primeiros (depois abafados) gritos contra o sigilo da Copa... Continua acreditando que explorar escândalos basta.
E por falar em escândalos...
Por que será que a oposição não prossegue as investigações sobre a fortuna amealhada por Palocci, o episódio de venda do Banco Panamericano, as nomeações governamentais e outros tantos escândalos que levaram à tribuna os próceres oposicionistas?
De olho na reforma do BC
Ao que parece o BC está fazendo uma reforma que tem chance de aumentar a sua eficiência por meio da eliminação de funções intermediárias que reduzem a sua agilidade em termos de supervisão e fiscalização. Eis aí um bom princípio para reformar o Estado. Da mesma forma, seria um tema a ser analisado pela classe política que tanto critica o BC quando o assunto é a política monetária. Poderiam os políticos prestar um serviço verdadeiramente republicano e verificar se estas alterações favorecem de fato o cidadão que lá na ponta paga extorsivos juros bancários e custos de serviços que nem banqueiros internacionais acreditam ser praticados.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
O sigilo dos orçamentos das obras e serviços da Copa do Mundo e da Olimpíada no Rio, que o governo diz que "não é bem assim", não é a única janela escancarada à bandalheira contida na MP 527, já aprovada em suas regras gerais na Câmara, mas ainda dependendo da votação de destaques pelos deputados e depois de apreciação pelo Senado. Ele é apenas o mais escancaradamente visível no Regime de Contratação Diferenciado. Diz o governo que o artigo sobre a licitação sem preço-base anunciado previamente é o melhor método e que houve interpretações equivocadas como classificaram as críticas à presidente Dilma. Além dos políticos do PMDB que se renderam ao argumento vindo do Palácio do Planalto, há especialistas, principalmente em obras civis, que endossam a tese. Dizem que reduz a possibilidade de corrupção.
Então...
Sendo assim, falta responder a algumas questões para convencer os leigos:
1. Por que foi incluído na MP, na última hora, no dia da votação, pelo relator José Nobre (PT/CE) e não constou desde o início do relatório?
2. Por que a mudança na lei de licitação não foi proposta a mais tempo?
3. Por que adotar a norma somente para a Copa e a Olimpíada e não estendê-la para tudo a partir de agora?
Bodes mal cheirosos
No RDC para a Copa e Olimpíada, na realidade o sigilo pode ser apenas o bode na sala, para deixar, ao largo das críticas, outros itens do projeto multiplicadores de licenças para jogadas nada ludopédicas:
1. Quem faz o projeto pode também tocar a obra.
2. Foram beneficiadas com as facilidades as capitais situadas a até 350 Km de uma cidade-sede o que deixará quase todas as capitais estaduais no perímetro das vantagens.
3. Mesmo obras não diretamente ligadas ao evento esportivo (mobilidade urbana, aeroportos, por exemplo) podem entrar no rateio, desde que a União, os Estados e municípios baixem uma resolução nesse sentido. Pode entrar uma estrada, um hospital e sabe-se lá o que, no limite, até o famoso trem bala.
4. Não há limite para elevação dos custos dos projetos, basta a FIFA ou o Comitê Olímpico mostrarem a necessidade de adaptação do que foi licitado.
5. O Comitê Olímpico e a FIFA estão isentas do pagamento do ISS (imposto municipal) nos serviços que utilizarem no Brasil.
Dois exímios pipoqueiros
No jargão do futebol, agora não tanto em voga quanto esteve nos tempos de Lula, diz-se que um jogador é pipoqueiro quando ele não faz esforço para chegar numa bola que deve dividir com um zagueiro mais virulento - finge que corre, mas não corre. Nesta questão do jogo inaugural da Copa de 2014, a FIFA de Joseph Blatter e a CBF de Ricardo Teixeira estão se revelando dois grandes pipoqueiros. Fingem que querem a abertura do mundial em São Paulo, porém jogam com má vontade nada discreta porque, para puxar o saco do governo Federal querem mesmo que o jogo vá para Brasília. 2014 é ano de eleição presidencial, tem reeleição ou a luta por um terceiro mandato, que daria para faturar nas urnas, sem ter de dividir a festa inaugural com os tucanos paulistas. Por esse ângulo, entende-se também porque tantas facilidades para evitar um vexame logístico em 2014.
Apagão olímpico
Nada tão exemplar que os apagões elétricos do "Engenhão". Já somam cinco os jogos de futebol interrompidos pela falta de energia elétrica - o último neste último fim de semana. Ali, no Estádio João Havelange, ex-sogro do eterno presidente da CBF Ricardo Teixeira, projeta-se para todos os olhos a incompetência em relação às obras voltadas para os eventos esportivos: foi ali que se realizaram boa parte dos Jogos Panamericanos em 2007.
O outro sigilo
Pelo menos um outro sigilo - os dos documentos oficiais secretos - vai cair. O PMDB de José Sarney e o ex-presidente Fernando Collor de Mello não seguram sozinhos a bomba do Senado depois que a presidente Dilma, pressionada pela opinião pública e pelo PT, desdisse o que havia desdito.
Encerra-se o trimestre
Este trimestre do ano está a fechar-se com evidentes sinais de estagnação na economia dos países centrais. Semana passada os EUA divulgaram os gastos dos consumidores e o resultado foi sofrível, mesmo para os produtos de primeira necessidade. Na Europa, a crise da Grécia, Irlanda e Portugal impõe restrições ao crédito em todo o Velho Mundo. A Espanha está igualmente quebrada e a Itália super endividada. No Japão, os efeitos da tragédia de dois meses atrás ainda impõe ao governo medidas para restabelecer o status quo anterior da produção. Até mesmo na China, os sinais são de queda da atividade econômica que gravita ao redor de 8% neste ano (10% no ano passado). O segundo semestre do ano, depois das férias no hemisfério norte, definirá se estamos entrando num novo ciclo negativo para economia mundial. Até lá, mercados "andando de lado". Como os caranguejos.
A Grécia e as velhas "leis de mercado"
Sabe-se que os germânicos e seus atuais parceiros europeus (Inglaterra e França, sobretudo) estão interessadíssimos que a pequena Grécia não dê um calote no tal do mercado. Os bancos alemães possuem muitos ativos espanhóis e não querem reconhecer os prováveis prejuízos que virão caso a Grécia busque uma saída para a sua própria tragédia. Ora, se há uma saída legítima, esta seria impor prejuízos aos investidores que investiram mal o seu dinheiro, incluindo os acionistas dos bancos. Como ocorreu nos EUA. Enquanto isso, parcelas substanciais da juventude grega, portuguesa, irlandesa e espanhola "bancam" um desemprego ao redor de 35%. O capitalismo atual do FMI e do Banco Europeu continua com as velhas práticas que fizeram vigorar a "década perdida" dos anos 80 na América Latina. Agora chegou a vez dos europeus. Por que não uma saída verdadeiramente de mercado?
Brasil, sem estratégia
Os impactos modestos da crise externa sobre o Brasil escondem os sérios problemas do país em meio à crise externa. A valorização cambial é "compensada" pelos bons preços das commodities, mas o volume global do comércio externo (exportações+importações) indica que há pouca agregação de tecnologia na produção industrial brasileira como ocorre com a China. Ora, este processo torna a economia local estruturalmente pouco competitiva. Não há, do lado político, nenhuma sensibilização em torno do tema. Afinal, o desemprego é baixo. Todavia, a conta virá no médio prazo e, nesta ocasião, virá um maior desemprego e maior inflação, caso o câmbio se desvalorize.
A propósito do tema...
Vejamos esta declaração de Luciano Coutinho ao jornal Valor Econômico na última sexta-feira:
Valor: O que o governo pretende fazer com a nova política (industrial)?
Coutinho: O que estamos fazendo é buscar reforçar a competitividade da indústria através de uma série de medidas.
Valor: Que medidas?
Coutinho: Infelizmente, não posso adiantar porque estamos ainda (grifo nosso) numa agenda de discussão.
O problema de competitividade do Brasil já perdura por mais de seis anos e a agenda persiste em discussão. Todas as medidas de crédito tomadas há seis meses não produziram essencialmente nenhuma alteração de rota no que tange ao problema externo brasileiro.
Parcerias privadas
Em conversa com esta coluna, um dirigente de empresa muito interessado em participar de concessões de serviços públicos mostrou-se bem mais otimista que há seis meses com a visão do governo sobre o tema. "Eles (governo) perderam a arrogância e estão começando a conversar mais abertamente sobre novas concessões. Acho que vem mesmo uma onda de novas concessões a partir do segundo semestre. A incompetência estatal ficou às claras...", vaticinou o dirigente. A conferir.
Lei das terras
Mais uma do capitalismo estatal brasileiro: o governo quer ser sócio dos estrangeiros que compraram terras aqui, por meio de uma golden share. Para um país que não precisa de investimentos...
O perigo amarelo
Nem contando chinesinhos durante a noite toda, boa parte dos empresários consegue dormir tranquilamente - aliás, esse exercício costuma mesmo é aumentar a insônia crônica dos produtores nacionais. Não é para menos, enquanto pelo menos o Brasil continuar jogando para trás em matéria de (des)incentivo à competição com o mundo afora. Historinha exemplar contada por Eduardo Neger, presidente da Associação das Empresas da Area de Internet, e da Neger Tecnologia e Sistemas: a empresa utiliza no seu equipamento para amplificação dos sinais de celulares uma placa fabricada na China. Ela manda o projeto da placa para o fabricante chinês pela internet e recebe o produto pronto três dias depois, por um serviço de postagem rápida. E pagando todos os impostos, tem uma placa de alta qualidade cerca de 50% menos do que pagaria se fizesse a encomenda aqui no Brasil.
Vitória lulista
Justiça seja feita: Lula sabe usar a sua imagem internacional com competência. A vitória de José Graziano para a direção da FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) foi espetacular. Graziano disse que "quem tem fome, tem pressa", ao se referir à necessidade de recursos (algo como US$ 50 bi por ano) para alavancar a produção de alimentos no mundo. Soa como lema de campanha, mas funcionou nos ouvidos dos representantes dos países em desenvolvimento e pobres que votaram em massa em Graziano. Agora, resta a Graziano estabelecer o diálogo necessário com os países desenvolvidos para reformar a FAO e fazê-la um organismo efetivo. Até lá nada de muitas taças de vinho nos bons restaurantes de Roma, a Cidade Eterna que sedia a FAO...
Uma ameaça a menos
Sempre é bom esperar para comemorar, contudo, tudo indica que o acerto para a votação do regulamento da Emenda 29 (aumento da aplicação orçamentário de recursos para a saúde) eliminou o renascimento da CPMF, com o nome fantasia da Contribuição Social para a Saúde (CSS). Se o Ministério da Fazenda deixar.
Uma ameaça a mais
No entanto, está no forno oficial a criação de um novo imposto sobre a exploração de recursos minerais no país.
Incompatibilidade de gênios
Se o cabriolé da reforma tributária continuar a ser conduzido do ritmo de Brasília, em pouco tempo não devem ser convidados para o mesmo pé de moleque junino os governadores do Norte e Nordeste e os do Sul e Sudeste e os negociadores do governo. Em entrevista semana passada (leitura obrigatória) ao jornal "Valor Econômico", o governador de Sergipe, Marcelo Déda, deu o tom da insatisfação geral avisando que ele e seus colegas não estão para discutir apenas mudanças no ICMS.
Fora do ritmo
O mesmo governador Déda indicou que não devem aparecer no mesmo forró alguns grupos de petistas, especialmente os forrozeiros paulistas.
Em berço esplêndido
Enquanto isso, a oposição dormita. Não sabe da reforma tributária, deixou para Sarney os primeiros (depois abafados) gritos contra o sigilo da Copa... Continua acreditando que explorar escândalos basta.
E por falar em escândalos...
Por que será que a oposição não prossegue as investigações sobre a fortuna amealhada por Palocci, o episódio de venda do Banco Panamericano, as nomeações governamentais e outros tantos escândalos que levaram à tribuna os próceres oposicionistas?
De olho na reforma do BC
Ao que parece o BC está fazendo uma reforma que tem chance de aumentar a sua eficiência por meio da eliminação de funções intermediárias que reduzem a sua agilidade em termos de supervisão e fiscalização. Eis aí um bom princípio para reformar o Estado. Da mesma forma, seria um tema a ser analisado pela classe política que tanto critica o BC quando o assunto é a política monetária. Poderiam os políticos prestar um serviço verdadeiramente republicano e verificar se estas alterações favorecem de fato o cidadão que lá na ponta paga extorsivos juros bancários e custos de serviços que nem banqueiros internacionais acreditam ser praticados.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
segunda-feira, 27 de junho de 2011
ACADEMIA EM AÇÃO
Caros Colegas da ALC,
Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, estaremos partindo de Crateús para três cidades do Estado do Piauí, Oeiras, Teresina e Castelo.
O objetivo é buscar e colher dados sobre os primórdios de nosso município, de quando a jovem Crateús ainda pertencia àquele Estado.
A partida será da nossa Sede, à Rua do Instituto Santa Inês, n° 231 - no centro de Crateús, às 5:00h da manhã.
Temos em benefício da ALC 12 vagas no microônibus. A presença na viagem deve ser confirmada junto ao Elias (9219-3506 ou 9943-4494), Karla (9253-3103 0u 9910-9473) e Lourival (9201-5010).
Lembramos que as despesas de hospedagem e alimentação correm por conta de cada um dos excursionistas.
É recomendável que os pesquisadores se municiem de maquinas fotográficas, gravadores ou outros meios de registrar informações.
Aguardamos contato
Elias de França
Presidente
Na próxima terça-feira, dia 28 de junho, estaremos partindo de Crateús para três cidades do Estado do Piauí, Oeiras, Teresina e Castelo.
O objetivo é buscar e colher dados sobre os primórdios de nosso município, de quando a jovem Crateús ainda pertencia àquele Estado.
A partida será da nossa Sede, à Rua do Instituto Santa Inês, n° 231 - no centro de Crateús, às 5:00h da manhã.
Temos em benefício da ALC 12 vagas no microônibus. A presença na viagem deve ser confirmada junto ao Elias (9219-3506 ou 9943-4494), Karla (9253-3103 0u 9910-9473) e Lourival (9201-5010).
Lembramos que as despesas de hospedagem e alimentação correm por conta de cada um dos excursionistas.
É recomendável que os pesquisadores se municiem de maquinas fotográficas, gravadores ou outros meios de registrar informações.
Aguardamos contato
Elias de França
Presidente
VERGONHA QUE NÃO TENHO DE SER NORDESTINA
Cultivado entre os cascalhos do chão seco e as cercas de aveloz que se perdem no horizonte, cresceu, forte e robusto, o meu orgulho de pertencer a esse pedaço de terra chamado Nordeste.
Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano, correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.
Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato. Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair é nunca!
Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta, atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira, feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol... E mais uma ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em casa!
Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.
Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.
Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo além da sanfona, do triangulo e da zabumba? No máximo, um pandeiro ou uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom!
Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.
Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.
Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.
Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso. Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.
(Sheila Raposo - Jornalista)
Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano, correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.
Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato. Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair é nunca!
Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta, atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira, feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol... E mais uma ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em casa!
Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.
Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.
Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo além da sanfona, do triangulo e da zabumba? No máximo, um pandeiro ou uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom!
Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.
Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.
Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.
Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso. Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.
(Sheila Raposo - Jornalista)
domingo, 26 de junho de 2011
NÃO SE PODE VIVER SÓ POR SONHAR
O Mal anda galope, absoluto...
No corcel da Arrogância, à rédea solta,
A Injustiça caminha desenvolta
E o combate à Violência, dissoluto.
Sonho que haja um choque resoluto
Para o Crime poder retroceder,
Sonho a Paz nesta terra florescer
E a Justiça, justiça proclamar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Todo dia sentimos grande baque
Ao ouvir as notícias da nação,
São escândalos demais!... Corrupção,
Marginais investindo ousado ataque,
Mais seqüestro, homicídio, bullying, crack,
E a família não sabe o que fazer,
Contudo, eu prefiro ainda crer
Que o sol da decência irá raiar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Dá vergonha e nos enche de tristeza
Ver políticos sem ética e elegância,
Atolados na lama da ganância
Sectários do luxo e da riqueza,
Leiloando o povo, a natureza,
Mas, já vejo este quadro esmaecer.
Sonho um dia, no topo do poder
Ter quem saiba amor disseminar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Não mergulho no mar da utopia
Nem transponho o bosque das injúrias,
Não me sento na sala das lamúrias,
Do malogro não quero a companhia.
Com meus versos, florais de poesia,
Vou compondo canções de bendizer,
As mazelas, eu tento dissolver,
Na esperança do amor ressuscitar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Sonho ver nossa Pátria humanizada
Com políticos gentis e desvelados,
Os direitos humanos preservados,
E a Justiça sem nódoa e respeitada.
A família em Deus sintonizada,
O alinho marcando o proceder,
Em tapetes de sonho adormecer
E com gorjeios suaves despertar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Sou boêmio, romântico, sonhador,
Penso a vida bordada de cultura,
Adornada com enfeites de ternura,
Adoçada com mel de puro de amor,
Perfumada com pétalas de flor,
Recheada de graça e de prazer,
Temperada de afeto e bem querer
E a bandeira da paz a flamejar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
(Dideus Sales)
No corcel da Arrogância, à rédea solta,
A Injustiça caminha desenvolta
E o combate à Violência, dissoluto.
Sonho que haja um choque resoluto
Para o Crime poder retroceder,
Sonho a Paz nesta terra florescer
E a Justiça, justiça proclamar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Todo dia sentimos grande baque
Ao ouvir as notícias da nação,
São escândalos demais!... Corrupção,
Marginais investindo ousado ataque,
Mais seqüestro, homicídio, bullying, crack,
E a família não sabe o que fazer,
Contudo, eu prefiro ainda crer
Que o sol da decência irá raiar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Dá vergonha e nos enche de tristeza
Ver políticos sem ética e elegância,
Atolados na lama da ganância
Sectários do luxo e da riqueza,
Leiloando o povo, a natureza,
Mas, já vejo este quadro esmaecer.
Sonho um dia, no topo do poder
Ter quem saiba amor disseminar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Não mergulho no mar da utopia
Nem transponho o bosque das injúrias,
Não me sento na sala das lamúrias,
Do malogro não quero a companhia.
Com meus versos, florais de poesia,
Vou compondo canções de bendizer,
As mazelas, eu tento dissolver,
Na esperança do amor ressuscitar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Sonho ver nossa Pátria humanizada
Com políticos gentis e desvelados,
Os direitos humanos preservados,
E a Justiça sem nódoa e respeitada.
A família em Deus sintonizada,
O alinho marcando o proceder,
Em tapetes de sonho adormecer
E com gorjeios suaves despertar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
Sou boêmio, romântico, sonhador,
Penso a vida bordada de cultura,
Adornada com enfeites de ternura,
Adoçada com mel de puro de amor,
Perfumada com pétalas de flor,
Recheada de graça e de prazer,
Temperada de afeto e bem querer
E a bandeira da paz a flamejar.
Não se pode viver só por sonhar,
Mas sem sonho não dá pra se viver!
(Dideus Sales)
sábado, 25 de junho de 2011
SAMPA - CAETANO VELOSO
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende de pressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Panaméricas de áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo Quilombo de Zumbi
E os novos baianos te podem curtir numa boa
E novos baianos passeiam na tua garoa.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
É GRAMA NOVA!

Você viu? Eu ví e acreditei, que só vendo mesmo. E até tinha dito que não dava mais nem um “pio”. Oh, vai um “silvo”, então!
Os canteiros de nossas avenidas (sorria e disfarce) estão sendo adornados por novíssima modalidade paisagística – a grama de concreto!
Ao invés de jardins , alamedas, passarinhos - concreto pintado de verde! Grama? Corta essa, brita não precisa aguar!
A inteligência e sensibilidade de nossos governantes (não deveria) ainda me surpreende... e me apalerma. (Tem gente que só envelhece, nunca aprende).
A lógica é: Gramas e Plantas de verdade exigem labor. Precisam de cuidados, carinho, água, e até de olhos que as enxerguem. (Somos cento e sessenta mil olhos, viu?!) Ademais produzem flores, sombra, abrigo e alimentos para pássaros, borboletinhas e outras tantas criaturinhas perigosíssimas à saúde e bem-estar dos humanos e do planeta.
Quanto ao calor, poeira, aquecimento global, estética, ética, etc., etc., ... meras bobagens de quem apenas quer atravancar nossa trajetória rumo ao futuro. Nossa civilização é outra, estamos para muito além do bem e do mal!
Não me surpreenderei, nem se surpreendam amigos e amigas (seres humanos e ceras humanas), quando começarem, em nossa cidade, o que não deve demorar, o plantio de uma novíssima e exótica espécie de árvore – a árvore de concreto. Igualmente pintadinha de verde, claro, para enganar até o mais sabido e ardiloso dos passarinhos. Nossa sabedoria e astúcia não têm limites nem comparação! Eita!
Jardins, alamedas e grama de concreto no coração do sertão nordestino! Imagino até que subjaz, por trás desta engenhosa e iluminada sacada, uma estratégia que só cérebros privilegiados podem engendrar – nos preparar, lenta e caridosamente, para o fogo eterno!
É VIDA NOVA... MELHOR DIZENDO, É GRAMA NOVA PARA CRATEÚS!
Edilson Macedo
Gestor cultural
quinta-feira, 23 de junho de 2011
MEMÓRIA BRASILEIRA: SIGILO OU VERGONHA?
Há 141 anos terminou a Guerra do Paraguai. Durou de 1864 a 1870. Ao longo de seis anos, Brasil, Argentina e Uruguai, instigados pela Inglaterra, combateram os paraguaios. O pretexto era derrubar o ditador Solano López e impedir que o Paraguai, país independente e sem miséria, abrisse uma saída para o mar.
O Brasil enviou 150 mil homens para o campo de batalha. Desses, tombaram 50 mil. Do lado paraguaio foram mortos 300 mil, 20% da população do país. E o Brasil abocanhou 40% do território da nação vizinha.
Até hoje o acesso aos documentos do conflito estão proibidos a quem pretende investigá-los. Por quê? Talvez o sigilo imposto sirva para cobrir a vergonhosa atuação de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que comandou nossas tropas na guerra. E do Conde D’Eu, genro de Dom Pedro II, que sucedeu o duque no massacre aos paraguaios.
Os arquivos ultrassecretos do Brasil podem permanecer sigilosos por 30 anos. O presidente da República pode prorrogar o prazo por mais 30, indefinidamente. Eternamente.
Em 2009, Lula enviou à Câmara dos Deputados projeto propondo o sigilo eterno periodicamente renovado. Cedeu a pressões dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Os deputados federais o aprovaram com esta emenda: o presidente da República poderia renovar, por uma única vez, o prazo do sigilo, e os documentos considerados ultrassecretos seriam divulgados em, no máximo, 50 anos.
O projeto passou ao Senado. Caiu em mãos da Comissão de Relações Exteriores, cujo presidente é o senador Fernando Collor. E, para azar de quem torce por transparência na República, ele próprio assumiu a relatoria. E tratou de engavetá-lo. Não deu andamento ao debate nem colocou o projeto em votação.
A presidente Dilma decidira sancionar a lei do fim do sigilo eterno a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Naquela data, o relator Collor foi a plenário e declarou ser "temerário” aprovar o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.
Na véspera de ser empossada ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti declarou que Dilma estaria disposta a atender pedidos dos senadores José Sarney e Fernando Collor, e patrocinar no Senado mudança no decreto para assegurar sigilo eterno a documentos oficiais. A única diferença é que, agora, o sigilo seria renovado a cada 25 anos.
O Congresso está prestes a aprovar a Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. Como aprovar esta comissão e vetar para sempre o acesso a documentos oficiais? Isso significa impedir que a nação brasileira tome conhecimento de fatos importantes de sua história.
Collor e Sarney não gostam de transparência por razões óbvias. Seus governos foram desastrosos e vergonhosos. Já o Ministério das Relações Exteriores alega que trazer à tona documentos, como os da Guerra do Paraguai, pode criar constrangimentos com países vizinhos. Com países vizinhos ou com nossas Forças Armadas e personagens que figuram como heróis em nossos livros didáticos?
O sigilo brasileiro a documentos oficiais não tem similar no mundo. Se não for quebrado, a presidente Dilma ficará refém da chamada base aliada. Ontem foi o "diamante de 20 milhões de reais”, hoje o sigilo eterno, amanhã…
Na terça, dia 14 de junho, retornaram ao Brasil os arquivos do livro "Brasil Nunca Mais” (Vozes), que relata os crimes da ditadura militar brasileira. A publicação, patrocinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, foi monitorada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright.
O mérito do "Brasil Nunca Mais” é que não há ali nenhuma notícia de jornal ou depoimento de vítima da ditadura. Toda a documentação se obteve em fontes oficiais, retirada, por advogados, de auditorias militares e do Superior Tribunal Militar. Microfilmada, foi remetida ao exterior, por razões de segurança. Agora retorna ao Brasil para ficar disponível aos interessados. Muitas informações ali contidas não constam da redação final do livro, da qual participei em parceria com Ricardo Kotscho.
Os arquivos da Polícia Civil (DOPS) sobre a ditadura militar já foram abertos e se encontram à disposição no Arquivo Nacional. Falta abrir o arquivo das Forças Armadas, o que depende da vontade política da presidente Dilma, ela também vítima da ditadura. As famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que ocorreu a seus entes queridos. E o Brasil, de conhecer melhor a sua história recente.
Um país sem memória corre sempre o risco de repetir, no futuro, o que houve de pior em sua história.
Frei Betto
O Brasil enviou 150 mil homens para o campo de batalha. Desses, tombaram 50 mil. Do lado paraguaio foram mortos 300 mil, 20% da população do país. E o Brasil abocanhou 40% do território da nação vizinha.
Até hoje o acesso aos documentos do conflito estão proibidos a quem pretende investigá-los. Por quê? Talvez o sigilo imposto sirva para cobrir a vergonhosa atuação de Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, que comandou nossas tropas na guerra. E do Conde D’Eu, genro de Dom Pedro II, que sucedeu o duque no massacre aos paraguaios.
Os arquivos ultrassecretos do Brasil podem permanecer sigilosos por 30 anos. O presidente da República pode prorrogar o prazo por mais 30, indefinidamente. Eternamente.
Em 2009, Lula enviou à Câmara dos Deputados projeto propondo o sigilo eterno periodicamente renovado. Cedeu a pressões dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. Os deputados federais o aprovaram com esta emenda: o presidente da República poderia renovar, por uma única vez, o prazo do sigilo, e os documentos considerados ultrassecretos seriam divulgados em, no máximo, 50 anos.
O projeto passou ao Senado. Caiu em mãos da Comissão de Relações Exteriores, cujo presidente é o senador Fernando Collor. E, para azar de quem torce por transparência na República, ele próprio assumiu a relatoria. E tratou de engavetá-lo. Não deu andamento ao debate nem colocou o projeto em votação.
A presidente Dilma decidira sancionar a lei do fim do sigilo eterno a 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Naquela data, o relator Collor foi a plenário e declarou ser "temerário” aprovar o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.
Na véspera de ser empossada ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti declarou que Dilma estaria disposta a atender pedidos dos senadores José Sarney e Fernando Collor, e patrocinar no Senado mudança no decreto para assegurar sigilo eterno a documentos oficiais. A única diferença é que, agora, o sigilo seria renovado a cada 25 anos.
O Congresso está prestes a aprovar a Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. Como aprovar esta comissão e vetar para sempre o acesso a documentos oficiais? Isso significa impedir que a nação brasileira tome conhecimento de fatos importantes de sua história.
Collor e Sarney não gostam de transparência por razões óbvias. Seus governos foram desastrosos e vergonhosos. Já o Ministério das Relações Exteriores alega que trazer à tona documentos, como os da Guerra do Paraguai, pode criar constrangimentos com países vizinhos. Com países vizinhos ou com nossas Forças Armadas e personagens que figuram como heróis em nossos livros didáticos?
O sigilo brasileiro a documentos oficiais não tem similar no mundo. Se não for quebrado, a presidente Dilma ficará refém da chamada base aliada. Ontem foi o "diamante de 20 milhões de reais”, hoje o sigilo eterno, amanhã…
Na terça, dia 14 de junho, retornaram ao Brasil os arquivos do livro "Brasil Nunca Mais” (Vozes), que relata os crimes da ditadura militar brasileira. A publicação, patrocinada pelo Conselho Mundial de Igrejas, foi monitorada pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright.
O mérito do "Brasil Nunca Mais” é que não há ali nenhuma notícia de jornal ou depoimento de vítima da ditadura. Toda a documentação se obteve em fontes oficiais, retirada, por advogados, de auditorias militares e do Superior Tribunal Militar. Microfilmada, foi remetida ao exterior, por razões de segurança. Agora retorna ao Brasil para ficar disponível aos interessados. Muitas informações ali contidas não constam da redação final do livro, da qual participei em parceria com Ricardo Kotscho.
Os arquivos da Polícia Civil (DOPS) sobre a ditadura militar já foram abertos e se encontram à disposição no Arquivo Nacional. Falta abrir o arquivo das Forças Armadas, o que depende da vontade política da presidente Dilma, ela também vítima da ditadura. As famílias dos mortos e desaparecidos têm o direito de saber o que ocorreu a seus entes queridos. E o Brasil, de conhecer melhor a sua história recente.
Um país sem memória corre sempre o risco de repetir, no futuro, o que houve de pior em sua história.
Frei Betto
CORPUS CHRISTI

A celebração teve origem em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido visões de Cristo demonstrando-lhe desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.
Em 1264, o Papa Urbano IV através da Bula Papal “Trasnsiturus de hoc mundo”, estendeu a festa para toda a Igreja, pedindo a São Tomás de Aquino que preparasse as leituras e textos litúrgicos que, até hoje, são usados durante a celebração. Compôs o hino “Lauda Sion Salvatorem” (Louva, ó Sião, o Salvador), ainda hoje usado e cantado nas liturgias do dia pelos mais de 400 mil sacerdotes nos cinco continentes.
A procissão com a Hóstia consagrada conduzida em um ostensório é datada de 1274. Foi na época barroca, contudo, que ela se tornou um grande cortejo de ação de graças.
No Brasil
No Brasil, a festa passou a integrar o calendário religioso de Brasília, em 1961, quando uma pequena procissão saiu da Igreja de madeira de Santo Antônio e seguiu até a Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima. A tradição de enfeitar as ruas surgiu em Ouro Preto, cidade histórica do interior de Minas Gerais.
A celebração de Corpus Christi consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento.
A procissão lembra a caminhada do povo de Deus, que é peregrino, em busca da Terra Prometida. No Antigo Testamento esse povo foi alimentado com maná, no deserto. Hoje, ele é alimentado com o próprio Corpo de Cristo.
Durante a Missa o celebrante consagra duas hóstias: uma é consumida e a outra, apresentada aos fiéis para adoração. Essa hóstia permanece no meio da comunidade, como sinal da presença de Cristo vivo no coração de sua Igreja.
Texto: Canção Nova
quarta-feira, 22 de junho de 2011
CONJUNTURA NACIONAL
Humildade argentina
A Argentina declara guerra à China! Comoção geral. Após consulta popular feita na "Plaza de Mayo", a Argentina enviou uma mensagem à República Popular da China:
- Chinos de mierda, maricones : les declaramos "guierra": - tenemos 105 tanques, 47 aviones sanos, 4 barcos que navegan y 5.221 soldados.
O governo chinês deu a resposta:
- Aceitamos a declaração. Informamos que temos 100.000 tanques, 50.000 aviões, 1.500 navios e 400 milhões de soldados.
Orgulhosos, os argentinos retrucam:
- Retiramos la declaración de guierra... No tenemos como alojar tantos prisioneros.
Cenários pós-juninos
Vésperas de São João. O Congresso em letargia. Meio corpo viajando pelas plagas nordestinas, meio corpo se dividindo entre outras regiões e o Exterior. E projetos de impacto na mira: PEC dos Policiais, que institui piso salarial para policiais civis e militares e de bombeiros militares. Projeto já foi votado em um turno na Câmara e está pronta para ser apreciada em uma segunda etapa, antes de seguir para o Senado Federal. O governo é contra a matéria, mas há integrantes da base favoráveis ao tema, o que pode forçar para que o texto volte a ser apreciado em breve. E a emenda 29, que institui investimentos mínimos em saúde pela União, Estados e municípios. Temas quentes.
Panorama paulista
São Paulo é o centro de ressonância do país. Tudo que ocorre na praça paulista tem repercussão nacional. Maior população, maior colégio eleitoral, maior concentração de mídias, maiores classes médias, maiores entidades da sociedade civil organizada. Vamos lá. Geraldo Alckmin começou bem, mas já enfrenta barreiras. Em seis meses, já mudou 4 secretários. O caso mais recente foi a troca do secretário de Esportes. Pego com um pé na lama. Médico de renome: Jorge Pagura. Gravações o incriminam. Expedientes não dados em hospitais. Geraldo enfrentará dilema: o candidato a prefeito da capital? Quem será? In pectore, seria Bruno Covas. Pesa sobre ele a juventude e ainda certa inexperiência. Se Serra decidisse ser o candidato, a coisa estaria resolvida. Serra diz que não quer.
Eu te amo
Um homem sentado na varanda de sua casa com a esposa, diz: "Eu te amo". Ela pergunta: "Este é você ou a cerveja falando?" Ele responde: "Sou eu... falando com a cerveja".
A razão de Serra
Serra teme ser confrontado com velhos documentos e antigas histórias. Jamais sairia da prefeitura para se candidatar ao governo do Estado. Mandou os papéis e as promessas para o espaço. Ademais, não gostaria de voltar ao passado. Sonha com a ideia de ser o candidato tucano em 2014. Única meta que o atrai. Dizem que, no frigir dos ovos, o ex-governador acabará aceitando. Mas, se não aceitar, o mistério continuará: quem será o candidato? Andrea Matarazzo? Perfil muito elitista. Boa pessoa, bom trato, conhece bem os problemas da cidade, mas ainda longe das urnas. José Aníbal? Por acaso, alguém sabe onde este circula? O que faz? Sumiu. O senador Aloysio Nunes Ferreira? Bem que poderia ser o candidato tucano para a prefeitura. Mas não quer deixar o céu que é o Senado.
Não mudou nada
Miguel Rodrigues foi visitar uma escola primária, a professora ensinava os primeiros dias de Brasil:
- No começo do Brasil Colônia, como a América e o Brasil ficavam muito longe, para cá vieram, primeiro, muitos ladrões, degredados, condenados.
Coronel Miguel suspirou:
- Então não mudou nada.
Mercadante, Marta e Haddad
Aloizio Mercadante gostaria de ser prefeito. Foi atingido em cheio por matéria da Revista Veja, onde aparece, junto com Quércia, como "patrocinadores" do dossiê dos aloprados. Se for candidato, será confrontado com esse petardo. A mancha suja a imagem. Difícil de limpá-la. Pois será lembrada. Resta apostar na curta memória nacional. Aparece, então, Marta Suplicy. Que dá mostras de querer ir à luta. Fala todo tempo sobre seu regresso à prefeitura. Marta acaba de espicaçar Kassab. Diz que ele não cumpriu os compromissos. O prefeito retruca: foi você que não cumpriu. Marta vai tentar ser a candidata. Tem parte do PT nas mãos. Mas há Lula e Dilma que patrocinariam uma "cara nova". Quem? Fernando Haddad, o atual ministro da Educação.
PC do B
Netinho de Paula vai consolidando seu nome como candidato do PC do B. Artista, conhecido, ex-candidato ao governo, Netinho carrega um bom recall. Pesquisa recente feita pelo IPESPE lhe dá 17%. Mercadante aparece, nessa pesquisa, como 26% e Serra, com 22%. Paulo Skaf, com 10% e Gabriel Chalita, com 2%. Haddad, com 1%.
PMDB
O PMDB aposta em Gabriel Chalita. Que tem uma base forte, que agrega contingentes da Igreja Católica, mais especificamente o grupamento da Canção Nova, e, como feição, pode surpreender. Ocorre que o PMDB também tem Paulo Skaf, que aparece bem na fita das pesquisas e demonstra muita determinação de entrar na política pela porta da frente.
PTB
O deputado Campos Machado, que dirige o PTB paulista, gostaria de ter como candidato Luiz Flávio Borges D'Urso, atual presidente da OAB/SP. D'Urso é muito articulado, é bom de debate e, com tempo de mídia eleitoral, poderá ter performance de expressão e qualidade.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato. Os juros são o perfume do capital. (Barão de Itararé)
DEM
E o DEM, que candidato apoiará? Pois é, Roberto Justus. Isso mesmo, o cara publicitário-televisivo que os Democratas querem lançar. Incrível, porém verdadeiro. Deixará de ganhar uma fábula para meter a mão no bolso?
PDT
Paulinho da Força será o candidato, se quiser. Poderá, porém, fazer aliança. Paulinho tem sua base: a Central Sindical. E uma campanha majoritária no meio do mandato proporcional é uma boa jogada. Ganha visibilidade. Marca posição para a próxima partida.
PSD de Kassab
O PSD deverá se juntar a uma base de 40 a 45 deputados. Poderá ser a quarta bancada na Câmara. Não terá tempo de mídia para as campanhas proporcionais em 2012. Mas, dependendo de parcerias e alianças, poderá ganhar bons minutos e usá-los nas campanhas majoritárias (para as prefeituras). Como o TSE abriu a janela da migração partidária durante 30 dias, o partido do prefeito de São Paulo se transforma em ponto de encontro de insatisfeitos, perfis encostados ou marginalizados nos partidos e outros que acreditam nos potenciais da nova sigla.
Itamar
Torço pelo restabelecimento do senador Itamar. Está internado. Sob rigoroso tratamento médico em São Paulo. Sem papas na língua. Grande perfil de civismo.
Arquivo vivo?
Um cara que se diz arquivo vivo pode estar chamando perigo. Lembram-se do George Sanguinetti, o perito que defendeu o argumento de que a morte de PC Farias foi queima de arquivo? Pois bem, Sanguinetti quer voltar ao batente. Para insistir na ideia de que a morte do alagoano, tesoureiro da campanha Collor, não foi crime passional. Lembra que PC "quatro dias após a morte, iria depor na CPI das Empreiteiras, e estaria falando demais". O julgamento do caso deve ocorrer até setembro. Sanguinetti não esconde que teme algum ato de violência. "Hoje, eu que sou o arquivo vivo. Eu sei o caminho percorrido para que PC fosse silenciado. Tudo que eu tenho transferi para três autoridades de alta confiança, que são de fora do Estado. Se fiquei vivo, devo à imprensa, que nunca aceitou a farsa do crime passional".
Bolsa de talentos
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP) criou o programa Bolsa de Talentos, iniciativa que visa incentivar a empregabilidade no Estado de São Paulo. Trata-se de um site exclusivo para o cadastramento de currículos e oportunidades de emprego. Trabalhadores de diversas áreas e empresas associadas à entidade podem acessar as informações contidas no banco de dados, liberadas a partir de uma senha. Os resultados das buscas são fornecidos por meio do cruzamento de dados como perfil da vaga e experiência do candidato. Para conhecer o site, clique aqui.
Lula palestrando
Luiz Inácio está adorando a experiência. Dá palestras pelo mundo afora. Palestras, sobretudo, para executivos do mercado financeiro. Os grupos se divertem com as tiradas do ex-presidente. Dependendo do lugar e do patrocinador, as palestras podem chegar até R$ 500 mil. A cobrança média é de R$ 250 mil.
Cidades ameaçadas
Manaus, Cuiabá, Natal e São Paulo estão com sinal vermelho. Há dúvidas se terão efetivas condições de abrigar jogos da Copa. O ministro Orlando Silva é otimista. Ricardo Teixeira diz que está tudo sob controle. Na verdade, as obras em algumas cidades estão na estaca zero. Literalmente.
Escombros
O contínuo do doutor Ernane Galvêas, quando presidente do Banco Central, entrou correndo no gabinete:
- Doutor, chegue na janela que estão passando lá embaixo os escombros de Dom Pedro.
Eram os despojos de Dom Pedro I desfilando na avenida Presidente Vargas.
Conselho aos congressistas
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à ministra Ideli Salvatti. Hoje, sua atenção se volta aos congressistas:
1. É hora de retomar o fôlego no Congresso. As pautas congressuais precisam ganhar ritmo e passar ao crivo dos plenários. Aproveitem os festejos juninos para tomar o pulso das massas. E voltem dispostos à ação legislativa.
2. Há temas polêmicos, como a PEC 300 e a Emenda 29. Usem o bom senso na análise e decisão sobre tais matérias.
3. E não esqueçam de inserir as velhas demandas na pauta do próximo semestre: aspectos tributários e fiscais; aspectos da reforma eleitoral, partidária e política.
(Gaudêncio Torquato)
A Argentina declara guerra à China! Comoção geral. Após consulta popular feita na "Plaza de Mayo", a Argentina enviou uma mensagem à República Popular da China:
- Chinos de mierda, maricones : les declaramos "guierra": - tenemos 105 tanques, 47 aviones sanos, 4 barcos que navegan y 5.221 soldados.
O governo chinês deu a resposta:
- Aceitamos a declaração. Informamos que temos 100.000 tanques, 50.000 aviões, 1.500 navios e 400 milhões de soldados.
Orgulhosos, os argentinos retrucam:
- Retiramos la declaración de guierra... No tenemos como alojar tantos prisioneros.
Cenários pós-juninos
Vésperas de São João. O Congresso em letargia. Meio corpo viajando pelas plagas nordestinas, meio corpo se dividindo entre outras regiões e o Exterior. E projetos de impacto na mira: PEC dos Policiais, que institui piso salarial para policiais civis e militares e de bombeiros militares. Projeto já foi votado em um turno na Câmara e está pronta para ser apreciada em uma segunda etapa, antes de seguir para o Senado Federal. O governo é contra a matéria, mas há integrantes da base favoráveis ao tema, o que pode forçar para que o texto volte a ser apreciado em breve. E a emenda 29, que institui investimentos mínimos em saúde pela União, Estados e municípios. Temas quentes.
Panorama paulista
São Paulo é o centro de ressonância do país. Tudo que ocorre na praça paulista tem repercussão nacional. Maior população, maior colégio eleitoral, maior concentração de mídias, maiores classes médias, maiores entidades da sociedade civil organizada. Vamos lá. Geraldo Alckmin começou bem, mas já enfrenta barreiras. Em seis meses, já mudou 4 secretários. O caso mais recente foi a troca do secretário de Esportes. Pego com um pé na lama. Médico de renome: Jorge Pagura. Gravações o incriminam. Expedientes não dados em hospitais. Geraldo enfrentará dilema: o candidato a prefeito da capital? Quem será? In pectore, seria Bruno Covas. Pesa sobre ele a juventude e ainda certa inexperiência. Se Serra decidisse ser o candidato, a coisa estaria resolvida. Serra diz que não quer.
Eu te amo
Um homem sentado na varanda de sua casa com a esposa, diz: "Eu te amo". Ela pergunta: "Este é você ou a cerveja falando?" Ele responde: "Sou eu... falando com a cerveja".
A razão de Serra
Serra teme ser confrontado com velhos documentos e antigas histórias. Jamais sairia da prefeitura para se candidatar ao governo do Estado. Mandou os papéis e as promessas para o espaço. Ademais, não gostaria de voltar ao passado. Sonha com a ideia de ser o candidato tucano em 2014. Única meta que o atrai. Dizem que, no frigir dos ovos, o ex-governador acabará aceitando. Mas, se não aceitar, o mistério continuará: quem será o candidato? Andrea Matarazzo? Perfil muito elitista. Boa pessoa, bom trato, conhece bem os problemas da cidade, mas ainda longe das urnas. José Aníbal? Por acaso, alguém sabe onde este circula? O que faz? Sumiu. O senador Aloysio Nunes Ferreira? Bem que poderia ser o candidato tucano para a prefeitura. Mas não quer deixar o céu que é o Senado.
Não mudou nada
Miguel Rodrigues foi visitar uma escola primária, a professora ensinava os primeiros dias de Brasil:
- No começo do Brasil Colônia, como a América e o Brasil ficavam muito longe, para cá vieram, primeiro, muitos ladrões, degredados, condenados.
Coronel Miguel suspirou:
- Então não mudou nada.
Mercadante, Marta e Haddad
Aloizio Mercadante gostaria de ser prefeito. Foi atingido em cheio por matéria da Revista Veja, onde aparece, junto com Quércia, como "patrocinadores" do dossiê dos aloprados. Se for candidato, será confrontado com esse petardo. A mancha suja a imagem. Difícil de limpá-la. Pois será lembrada. Resta apostar na curta memória nacional. Aparece, então, Marta Suplicy. Que dá mostras de querer ir à luta. Fala todo tempo sobre seu regresso à prefeitura. Marta acaba de espicaçar Kassab. Diz que ele não cumpriu os compromissos. O prefeito retruca: foi você que não cumpriu. Marta vai tentar ser a candidata. Tem parte do PT nas mãos. Mas há Lula e Dilma que patrocinariam uma "cara nova". Quem? Fernando Haddad, o atual ministro da Educação.
PC do B
Netinho de Paula vai consolidando seu nome como candidato do PC do B. Artista, conhecido, ex-candidato ao governo, Netinho carrega um bom recall. Pesquisa recente feita pelo IPESPE lhe dá 17%. Mercadante aparece, nessa pesquisa, como 26% e Serra, com 22%. Paulo Skaf, com 10% e Gabriel Chalita, com 2%. Haddad, com 1%.
PMDB
O PMDB aposta em Gabriel Chalita. Que tem uma base forte, que agrega contingentes da Igreja Católica, mais especificamente o grupamento da Canção Nova, e, como feição, pode surpreender. Ocorre que o PMDB também tem Paulo Skaf, que aparece bem na fita das pesquisas e demonstra muita determinação de entrar na política pela porta da frente.
PTB
O deputado Campos Machado, que dirige o PTB paulista, gostaria de ter como candidato Luiz Flávio Borges D'Urso, atual presidente da OAB/SP. D'Urso é muito articulado, é bom de debate e, com tempo de mídia eleitoral, poderá ter performance de expressão e qualidade.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato. Os juros são o perfume do capital. (Barão de Itararé)
DEM
E o DEM, que candidato apoiará? Pois é, Roberto Justus. Isso mesmo, o cara publicitário-televisivo que os Democratas querem lançar. Incrível, porém verdadeiro. Deixará de ganhar uma fábula para meter a mão no bolso?
PDT
Paulinho da Força será o candidato, se quiser. Poderá, porém, fazer aliança. Paulinho tem sua base: a Central Sindical. E uma campanha majoritária no meio do mandato proporcional é uma boa jogada. Ganha visibilidade. Marca posição para a próxima partida.
PSD de Kassab
O PSD deverá se juntar a uma base de 40 a 45 deputados. Poderá ser a quarta bancada na Câmara. Não terá tempo de mídia para as campanhas proporcionais em 2012. Mas, dependendo de parcerias e alianças, poderá ganhar bons minutos e usá-los nas campanhas majoritárias (para as prefeituras). Como o TSE abriu a janela da migração partidária durante 30 dias, o partido do prefeito de São Paulo se transforma em ponto de encontro de insatisfeitos, perfis encostados ou marginalizados nos partidos e outros que acreditam nos potenciais da nova sigla.
Itamar
Torço pelo restabelecimento do senador Itamar. Está internado. Sob rigoroso tratamento médico em São Paulo. Sem papas na língua. Grande perfil de civismo.
Arquivo vivo?
Um cara que se diz arquivo vivo pode estar chamando perigo. Lembram-se do George Sanguinetti, o perito que defendeu o argumento de que a morte de PC Farias foi queima de arquivo? Pois bem, Sanguinetti quer voltar ao batente. Para insistir na ideia de que a morte do alagoano, tesoureiro da campanha Collor, não foi crime passional. Lembra que PC "quatro dias após a morte, iria depor na CPI das Empreiteiras, e estaria falando demais". O julgamento do caso deve ocorrer até setembro. Sanguinetti não esconde que teme algum ato de violência. "Hoje, eu que sou o arquivo vivo. Eu sei o caminho percorrido para que PC fosse silenciado. Tudo que eu tenho transferi para três autoridades de alta confiança, que são de fora do Estado. Se fiquei vivo, devo à imprensa, que nunca aceitou a farsa do crime passional".
Bolsa de talentos
O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo (Sescon/SP) criou o programa Bolsa de Talentos, iniciativa que visa incentivar a empregabilidade no Estado de São Paulo. Trata-se de um site exclusivo para o cadastramento de currículos e oportunidades de emprego. Trabalhadores de diversas áreas e empresas associadas à entidade podem acessar as informações contidas no banco de dados, liberadas a partir de uma senha. Os resultados das buscas são fornecidos por meio do cruzamento de dados como perfil da vaga e experiência do candidato. Para conhecer o site, clique aqui.
Lula palestrando
Luiz Inácio está adorando a experiência. Dá palestras pelo mundo afora. Palestras, sobretudo, para executivos do mercado financeiro. Os grupos se divertem com as tiradas do ex-presidente. Dependendo do lugar e do patrocinador, as palestras podem chegar até R$ 500 mil. A cobrança média é de R$ 250 mil.
Cidades ameaçadas
Manaus, Cuiabá, Natal e São Paulo estão com sinal vermelho. Há dúvidas se terão efetivas condições de abrigar jogos da Copa. O ministro Orlando Silva é otimista. Ricardo Teixeira diz que está tudo sob controle. Na verdade, as obras em algumas cidades estão na estaca zero. Literalmente.
Escombros
O contínuo do doutor Ernane Galvêas, quando presidente do Banco Central, entrou correndo no gabinete:
- Doutor, chegue na janela que estão passando lá embaixo os escombros de Dom Pedro.
Eram os despojos de Dom Pedro I desfilando na avenida Presidente Vargas.
Conselho aos congressistas
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à ministra Ideli Salvatti. Hoje, sua atenção se volta aos congressistas:
1. É hora de retomar o fôlego no Congresso. As pautas congressuais precisam ganhar ritmo e passar ao crivo dos plenários. Aproveitem os festejos juninos para tomar o pulso das massas. E voltem dispostos à ação legislativa.
2. Há temas polêmicos, como a PEC 300 e a Emenda 29. Usem o bom senso na análise e decisão sobre tais matérias.
3. E não esqueçam de inserir as velhas demandas na pauta do próximo semestre: aspectos tributários e fiscais; aspectos da reforma eleitoral, partidária e política.
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 21 de junho de 2011
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Condições externas e o Brasil
As razoáveis condições econômicas da economia brasileira escondem da opinião pública a percepção sobre o quanto os riscos externos podem afetar o desempenho doméstico. Na semana passada, esta coluna esteve reunida com economistas e analistas de dois bancos internacionais que recentemente realizaram apresentações para investidores no exterior. Resumidamente eis o conteúdo destas conversas nas notas abaixo.
Riscos de crédito
Os problemas de crédito da Grécia podem ter um efeito dramático sobre toda a Europa. As condições da Espanha são tão deterioradas quanto da Grécia, mas o seu endividamento afeta muito mais os bancos europeus, em especial os alemães, que necessitariam de novas capitalizações para bancar os ativos de seus balanços. O default grego trará consequências, além de suas fronteiras, muito mais sérias que se imaginava há meses.
Riscos de investimento
De forma geral, os gestores de recursos estão muito mais restritivos à exposição de riscos. Com isso, estão reduzindo posições em ações e títulos de renda fixa de países emergentes, incluindo o Brasil, a África do Sul e a Rússia.
Câmbio
Os temores de desvalorizações "competitivas" entre os países voltaram com força. A ausência de competitividade de importantes setores econômicos dos EUA e da Europa não tem condições de competir com a China e a Índia e outros países do sudoeste asiático. Com isso, apenas a desvalorização da moeda pode conter este processo no curto prazo. Resultado : as pressões políticas envolvendo a taxa cambial destes países competitivos vão aumentar e as suas consequências são sempre perigosas, sobretudo no que tange à inflação e ao volume do comércio internacional.
Brasil
O país deixou de ser o "queridinho" dos investidores. A percepção que está prevalecendo atualmente é que o "Brasil está melhor que o resto". Desta forma, os indicadores de riscos brasileiros, expressos nas cotações de títulos de renda fixa privados e soberanos, sinalizam uma "preferência" e não confiança absoluta no desempenho do país. O baixo crescimento endógeno do país comparativamente à Índia e à China, os riscos políticos e a ausência de reformas não favorecem o momentum dentre os emergentes. Pesa como fator essencialmente positivo a confiança na solvência externa, o que não é pouco.
Coalizão, colisão e chanchada
Nem boi solitário anda dormindo mais com uma simples conversa, precisa de um calmante. O que quer dizer que uma boiada inteira (no sentido figurado, com todo o respeito), como a bancada governista no Congresso, sempre está pronta para um estouro se o ambiente não agrada. E este é exatamente o pé em que estão os governistas da Câmara e do Senado, mais os primeiros, um pouco mais de uma semana depois da presidente Dilma ter começado a rearranjar seu esquema político. Por razões diferentes, ninguém está feliz.
Prazo fatal e curto
Dilma ganhou esta semana de graça, em virtude do feriado de Corpus Christi de quinta-feira e do São João de sexta-feira, que deixaram Brasília ao sabor dos ventos. É o prazo para dizer como, na prática, vai atender os desejos de seus aliados, nos pantanosos terrenos das verbas e dos empregos. Prazo curto : até o dia 15 de julho para o dinheiro das emendas e diariamente no "Diário Oficial" com uma velocidade de atendimento digna de um Ayrton Senna.
Prazo de aliado
Para o bem e para o mal, o PMDB faz absoluta questão de lembrar do "prazo fatal" todos os dias, o governo tem aliados que querem partilhar o poder. E suas benesses e, quem sabe até, algumas agruras. É este o desafio da presidente: conciliar parceiros inconciliáveis e famélicos sem passar a imagem de que se rendeu ao fisiologismo e que não tem como impor seus princípios e normas. O dito "presidencialismo de coalizão" no Brasil pode descambar celeremente para um "presidencialismo de colisão" com grandes pitadas de chanchada.
Em loja de louças
Depoimento de parlamentares de diferentes partidos: a presidente Dilma precisa urgentemente dar um treinamento para a ministra Ideli Salvatti e colocar nas mãos dela algum poder de decisão antes que ela comece a quebrar todo o estabelecimento político. A impressão das raposas é de que Ideli precisa com rapidez de um bambolê igual aquele com o qual o PMDB presenteou Dilma durante a campanha do ano passado. E que a presidente ainda não aprendeu a usar totalmente.
A voz dos oráculos
Por contas das arestas que ainda ficaram da crise exposta pela revelação das super consultorias de Palocci, a presidente Dilma pediu uma mão aos chefões oficiosos do PT e do PMDB. Lula, em seu estilo mais teatral, já tratou de dar um puxão de orelhas público nos petistas de São Paulo. Meio esfinge, Temer resvala nos bastidores. A expectativa é que falarão esta semana o "oráculo de São Bernardo" e o "oráculo do Jaburu". Quando voltarem de suas festas juninas, os parlamentares chegarão um pouco mais esquentados pelas queixas dos prefeitos.
Incúria oficial
O Brasil já sabia desde 2007 que seria sede da Copa do Mundo de 2014. Aliás, as autoridades esportivas e os governos - Federal, estadual e municipal - esforçaram-se como poucas vezes fazem para que o evento da FIFA viesse para o país. Não tem desculpa de falta de tempo para preparar as estruturas necessárias. A correria agora, com liberação de licitações e outras escandalosas liberações, é apenas mais um retrato em todas as dimensões de nossa incúria gerencial pública e da tendência tupiniquim de se comprazer a criar facilidades para quem quer ganhar um dinheirinho fácil. E que dinheirinho!
Sob intervenção?
Alguma coisa muito estranha está acontecendo com a Petrobras. Em um mês ela teve seu plano estratégico de investimentos 2011/2015 recusado pelo governo, com voto do ministro da Fazendo, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração da empresa. Ao mesmo tempo, não teve autorizado o aumento pretendido de 10% no preço da gasolina na refinaria, pois implicaria em reajuste também na bomba para o consumidor final ou então redução da CIDE, e o Tesouro Nacional não pode perder arrecadação. Parece evidente que a Petrobras - assim como outras estatais (Eletrobras, os bancos oficiais, a rediviva Telebrás) - deve sujeitar-se à política econômica de Brasília. Assim sendo, não tem autonomia gerencial.
Visão externa da Petrobras
De um experiente analista de investimento de um banco inglês sobre a Petrobras: "não há mais nenhuma razão para recomendar as ações da Petrobras como opção de compra. Antes, os riscos eram enormes, mas previsíveis. Agora os riscos são imprevisíveis e gigantescos."
Deixe-se de sonhar
O ministro Guido Mantega pode enfiar no saco a viola da reforma tributária, mesmo fatiada, no curto prazo. Ela já joga os governadores do Norte e do Nordeste contra os do Sul e do Sudeste, oposição que só será vencida se o Tesouro Nacional tiver um baú muito recheado de recursos que todos pedirão para "compensar as perdas" com as mudanças no ICMS. O que, apesar dos acenos fazendários de que é possível, sabem todos que não é. Na Carta de Brasília lançada na semana passada, os governadores nortistas e nordestinos deixaram claro o preço da adesão deles ao imaginado pelo Ministério da Fazenda.
Só uma coisa une
Além dos discursos da simplificação tributária e do fim da guerra fiscal, está mais para estrangeiro ver, um único ponto une as partes estaduais em oposição : a mudança no índice de correção das dívidas estaduais para reduzir a contas deles de juros. O governo Federal está dizendo que topa, para ganhar em outros pontos. É operação complicada : como compensar o Tesouro com a perda do dinheiro desses pagamentos do serviço da dívida. A própria desoneração da contribuição das empresas para a previdência social, anunciada várias vezes pelo ministro Mantega para "os próximos dias" subiu na cobertura pela mesma razão. O cobertor da arrecadação é grande e bem pesado e, mesmo assim, é curto e não aquece todos os beneficiários dos impostos.
Para complicar - I
Voltou a guerra pela distribuição dos royalties do petróleo, pondo todos os Estados contra o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, mais de 5 mil prefeitos no Brasil todo contra pouco mais de 100 prefeitos fluminenses e capixabas.
Para complicar - II
Ainda há o caso isolado do Amazonas e da Zona Franca, já pintados também para um embate com todos. Dizem os manauaras que a mudança no ICMS, como foi proposta pelo Ministério da Fazenda, mata a economia industrial da região. Além disso, já estão em pânico com os incentivos fiscais concedidos à produção dos tablets. Caso não consigam barrar a MP, vão exigir que a lei defina o tamanho das telas de tablets, para evitar que as indústrias do sul possam usar a brecha da lei para produzir aparelhos de TV de 30 polegadas ou mais como se fossem esses novos "brinquedinhos" digitais. Se continuar nessa batida, o governo Dilma vai conseguir tirar de José Serra o "troféu de político brasileiro mais odiado em Manaus e adjacências", posto que o tucano conquistou quando foi ministro do Planejamento e teve a Zona Franca sob suas asas.
Apagão digital
Anatel, Congresso e o Ministério das Comunicações não se entendem sobre as novas regras para o setor de telecomunicações e informática no Brasil. A nova lei do cabo está parada no Senado. O novo Plano Geral de Metas e Universalização é objeto de disputa entre o setor público e o setor privado. E nada avança na lei geral de telecomunicações. A Telebrás foi ressuscitada para tocar o Plano Nacional de Banda Larga, mas até agora não explicou porque voltou a existir e o projeto, menina dos olhos eleitoral de Lula e Dilma, já sofreu vários adiamentos e redução de metas. Mais da R$ 10 bi do Fust, criado para financiar a universalização dos serviços de telecomunicações, está parado nos cofres do Tesouro Nacional para engordar o superávit primário enquanto o governo gasta em outras coisas muito menos importantes, especialmente com aumentos de salários e despesas de custeio. É o Brasil do século 21 em marcha acelerada para ficar parado no século. Num "apagão tecnológico" que pode retardar em algumas décadas a nossa tão sonhada (e não a atualmente apenas sonhada) entrada no universos das nações verdadeiramente desenvolvidas e com qualidade de vida para seus cidadãos. Como advertiu recentemente o presidente da União Internacional de Telecomunicações, Hamadoun Touré, que estará no Brasil participando da Futurecom, de 12 a 15 de setembro, "se não forem feitas profundas modificações no sistema regulatório do setor de telecomunicações, em cinco anos poderemos ter uma crise pior do que a financeira". Para Touré, as normas existentes estão ultrapassadas, não acompanharam a evolução da tecnologia de telecomunicações e de informática. A do Brasil ainda nem descobriu a convergência digital.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
As razoáveis condições econômicas da economia brasileira escondem da opinião pública a percepção sobre o quanto os riscos externos podem afetar o desempenho doméstico. Na semana passada, esta coluna esteve reunida com economistas e analistas de dois bancos internacionais que recentemente realizaram apresentações para investidores no exterior. Resumidamente eis o conteúdo destas conversas nas notas abaixo.
Riscos de crédito
Os problemas de crédito da Grécia podem ter um efeito dramático sobre toda a Europa. As condições da Espanha são tão deterioradas quanto da Grécia, mas o seu endividamento afeta muito mais os bancos europeus, em especial os alemães, que necessitariam de novas capitalizações para bancar os ativos de seus balanços. O default grego trará consequências, além de suas fronteiras, muito mais sérias que se imaginava há meses.
Riscos de investimento
De forma geral, os gestores de recursos estão muito mais restritivos à exposição de riscos. Com isso, estão reduzindo posições em ações e títulos de renda fixa de países emergentes, incluindo o Brasil, a África do Sul e a Rússia.
Câmbio
Os temores de desvalorizações "competitivas" entre os países voltaram com força. A ausência de competitividade de importantes setores econômicos dos EUA e da Europa não tem condições de competir com a China e a Índia e outros países do sudoeste asiático. Com isso, apenas a desvalorização da moeda pode conter este processo no curto prazo. Resultado : as pressões políticas envolvendo a taxa cambial destes países competitivos vão aumentar e as suas consequências são sempre perigosas, sobretudo no que tange à inflação e ao volume do comércio internacional.
Brasil
O país deixou de ser o "queridinho" dos investidores. A percepção que está prevalecendo atualmente é que o "Brasil está melhor que o resto". Desta forma, os indicadores de riscos brasileiros, expressos nas cotações de títulos de renda fixa privados e soberanos, sinalizam uma "preferência" e não confiança absoluta no desempenho do país. O baixo crescimento endógeno do país comparativamente à Índia e à China, os riscos políticos e a ausência de reformas não favorecem o momentum dentre os emergentes. Pesa como fator essencialmente positivo a confiança na solvência externa, o que não é pouco.
Coalizão, colisão e chanchada
Nem boi solitário anda dormindo mais com uma simples conversa, precisa de um calmante. O que quer dizer que uma boiada inteira (no sentido figurado, com todo o respeito), como a bancada governista no Congresso, sempre está pronta para um estouro se o ambiente não agrada. E este é exatamente o pé em que estão os governistas da Câmara e do Senado, mais os primeiros, um pouco mais de uma semana depois da presidente Dilma ter começado a rearranjar seu esquema político. Por razões diferentes, ninguém está feliz.
Prazo fatal e curto
Dilma ganhou esta semana de graça, em virtude do feriado de Corpus Christi de quinta-feira e do São João de sexta-feira, que deixaram Brasília ao sabor dos ventos. É o prazo para dizer como, na prática, vai atender os desejos de seus aliados, nos pantanosos terrenos das verbas e dos empregos. Prazo curto : até o dia 15 de julho para o dinheiro das emendas e diariamente no "Diário Oficial" com uma velocidade de atendimento digna de um Ayrton Senna.
Prazo de aliado
Para o bem e para o mal, o PMDB faz absoluta questão de lembrar do "prazo fatal" todos os dias, o governo tem aliados que querem partilhar o poder. E suas benesses e, quem sabe até, algumas agruras. É este o desafio da presidente: conciliar parceiros inconciliáveis e famélicos sem passar a imagem de que se rendeu ao fisiologismo e que não tem como impor seus princípios e normas. O dito "presidencialismo de coalizão" no Brasil pode descambar celeremente para um "presidencialismo de colisão" com grandes pitadas de chanchada.
Em loja de louças
Depoimento de parlamentares de diferentes partidos: a presidente Dilma precisa urgentemente dar um treinamento para a ministra Ideli Salvatti e colocar nas mãos dela algum poder de decisão antes que ela comece a quebrar todo o estabelecimento político. A impressão das raposas é de que Ideli precisa com rapidez de um bambolê igual aquele com o qual o PMDB presenteou Dilma durante a campanha do ano passado. E que a presidente ainda não aprendeu a usar totalmente.
A voz dos oráculos
Por contas das arestas que ainda ficaram da crise exposta pela revelação das super consultorias de Palocci, a presidente Dilma pediu uma mão aos chefões oficiosos do PT e do PMDB. Lula, em seu estilo mais teatral, já tratou de dar um puxão de orelhas público nos petistas de São Paulo. Meio esfinge, Temer resvala nos bastidores. A expectativa é que falarão esta semana o "oráculo de São Bernardo" e o "oráculo do Jaburu". Quando voltarem de suas festas juninas, os parlamentares chegarão um pouco mais esquentados pelas queixas dos prefeitos.
Incúria oficial
O Brasil já sabia desde 2007 que seria sede da Copa do Mundo de 2014. Aliás, as autoridades esportivas e os governos - Federal, estadual e municipal - esforçaram-se como poucas vezes fazem para que o evento da FIFA viesse para o país. Não tem desculpa de falta de tempo para preparar as estruturas necessárias. A correria agora, com liberação de licitações e outras escandalosas liberações, é apenas mais um retrato em todas as dimensões de nossa incúria gerencial pública e da tendência tupiniquim de se comprazer a criar facilidades para quem quer ganhar um dinheirinho fácil. E que dinheirinho!
Sob intervenção?
Alguma coisa muito estranha está acontecendo com a Petrobras. Em um mês ela teve seu plano estratégico de investimentos 2011/2015 recusado pelo governo, com voto do ministro da Fazendo, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração da empresa. Ao mesmo tempo, não teve autorizado o aumento pretendido de 10% no preço da gasolina na refinaria, pois implicaria em reajuste também na bomba para o consumidor final ou então redução da CIDE, e o Tesouro Nacional não pode perder arrecadação. Parece evidente que a Petrobras - assim como outras estatais (Eletrobras, os bancos oficiais, a rediviva Telebrás) - deve sujeitar-se à política econômica de Brasília. Assim sendo, não tem autonomia gerencial.
Visão externa da Petrobras
De um experiente analista de investimento de um banco inglês sobre a Petrobras: "não há mais nenhuma razão para recomendar as ações da Petrobras como opção de compra. Antes, os riscos eram enormes, mas previsíveis. Agora os riscos são imprevisíveis e gigantescos."
Deixe-se de sonhar
O ministro Guido Mantega pode enfiar no saco a viola da reforma tributária, mesmo fatiada, no curto prazo. Ela já joga os governadores do Norte e do Nordeste contra os do Sul e do Sudeste, oposição que só será vencida se o Tesouro Nacional tiver um baú muito recheado de recursos que todos pedirão para "compensar as perdas" com as mudanças no ICMS. O que, apesar dos acenos fazendários de que é possível, sabem todos que não é. Na Carta de Brasília lançada na semana passada, os governadores nortistas e nordestinos deixaram claro o preço da adesão deles ao imaginado pelo Ministério da Fazenda.
Só uma coisa une
Além dos discursos da simplificação tributária e do fim da guerra fiscal, está mais para estrangeiro ver, um único ponto une as partes estaduais em oposição : a mudança no índice de correção das dívidas estaduais para reduzir a contas deles de juros. O governo Federal está dizendo que topa, para ganhar em outros pontos. É operação complicada : como compensar o Tesouro com a perda do dinheiro desses pagamentos do serviço da dívida. A própria desoneração da contribuição das empresas para a previdência social, anunciada várias vezes pelo ministro Mantega para "os próximos dias" subiu na cobertura pela mesma razão. O cobertor da arrecadação é grande e bem pesado e, mesmo assim, é curto e não aquece todos os beneficiários dos impostos.
Para complicar - I
Voltou a guerra pela distribuição dos royalties do petróleo, pondo todos os Estados contra o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, mais de 5 mil prefeitos no Brasil todo contra pouco mais de 100 prefeitos fluminenses e capixabas.
Para complicar - II
Ainda há o caso isolado do Amazonas e da Zona Franca, já pintados também para um embate com todos. Dizem os manauaras que a mudança no ICMS, como foi proposta pelo Ministério da Fazenda, mata a economia industrial da região. Além disso, já estão em pânico com os incentivos fiscais concedidos à produção dos tablets. Caso não consigam barrar a MP, vão exigir que a lei defina o tamanho das telas de tablets, para evitar que as indústrias do sul possam usar a brecha da lei para produzir aparelhos de TV de 30 polegadas ou mais como se fossem esses novos "brinquedinhos" digitais. Se continuar nessa batida, o governo Dilma vai conseguir tirar de José Serra o "troféu de político brasileiro mais odiado em Manaus e adjacências", posto que o tucano conquistou quando foi ministro do Planejamento e teve a Zona Franca sob suas asas.
Apagão digital
Anatel, Congresso e o Ministério das Comunicações não se entendem sobre as novas regras para o setor de telecomunicações e informática no Brasil. A nova lei do cabo está parada no Senado. O novo Plano Geral de Metas e Universalização é objeto de disputa entre o setor público e o setor privado. E nada avança na lei geral de telecomunicações. A Telebrás foi ressuscitada para tocar o Plano Nacional de Banda Larga, mas até agora não explicou porque voltou a existir e o projeto, menina dos olhos eleitoral de Lula e Dilma, já sofreu vários adiamentos e redução de metas. Mais da R$ 10 bi do Fust, criado para financiar a universalização dos serviços de telecomunicações, está parado nos cofres do Tesouro Nacional para engordar o superávit primário enquanto o governo gasta em outras coisas muito menos importantes, especialmente com aumentos de salários e despesas de custeio. É o Brasil do século 21 em marcha acelerada para ficar parado no século. Num "apagão tecnológico" que pode retardar em algumas décadas a nossa tão sonhada (e não a atualmente apenas sonhada) entrada no universos das nações verdadeiramente desenvolvidas e com qualidade de vida para seus cidadãos. Como advertiu recentemente o presidente da União Internacional de Telecomunicações, Hamadoun Touré, que estará no Brasil participando da Futurecom, de 12 a 15 de setembro, "se não forem feitas profundas modificações no sistema regulatório do setor de telecomunicações, em cinco anos poderemos ter uma crise pior do que a financeira". Para Touré, as normas existentes estão ultrapassadas, não acompanharam a evolução da tecnologia de telecomunicações e de informática. A do Brasil ainda nem descobriu a convergência digital.
(José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
FHC, 80 ANOS
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez 80 anos no sábado. Digam o que disserem, e há muito a ser dito contra ele, FHC tem razões para comemorar. Não só porque presidiu o país por duas vezes, mas porque, ao fazê-lo, deixou sua marca na história.
Sob seu comando, o Brasil eliminou a inflação, uma amarra que impedia a maioria de viver a vida sem o sobressalto de imaginar se chegaria ao fim do mês. Após o plano Real, o país adquiriu condições de ocupar lugar de destaque entre as economias emergentes. E tudo foi feito em meio à ampliação do regime democrático.
Sua importância é tamanha que seus sucessores, Lula e Dilma, apesar de se oporem a ele, deram seguimento ao fundamental de sua obra: a estabilidade econômica. Lula só conseguiu ser eleito e reeleito porque se comprometeu a seguir as políticas que FHC criou. Antes da Carta ao Povo Brasileiro, na qual assumiu tal compromisso, o petista era visto com desconfiança e medo.
No poder, Lula e seu partido se esforçaram para diminuir a importância daquele que sucederam. Mas ambos sabem da importância de FHC, o que foi recentemente reconhecido por Dilma em carta ao ex-presidente tucano.
Impossível negar que Lula fez o país avançar ainda mais: a expansão dos programas de distribuição de renda, a política de aumento real do salário mínimo e a ampliação do crédito permitiram àquela parcela da população que mais sofria com a inflação tornar-se o motor da expansão do consumo e, por consequência, do crescimento do país.
É lamentável, porém, que tanto esforço seja despendido para fazer parecer que os dois mandatos do tucano foram tão distintos dos dois que se seguiram. No fim das contas, até mesmo em seus erros e deficiências, FHC e Lula são mais parecidos que diferentes. A disputa sobre quem foi melhor do que o outro só serve para alimentar campanhas eleitorais, mas, lamentavelmente, atrapalha o país, pois as razões do sucesso de ambos - a estabilidade econômica - acabam virando um detalhe.
De resto, FHC merece ser comemorado, no mínimo, por ter chegado aos 80 anos sem ser um velhote esclerosado. Com essa idade, ainda tem vigor intelectual e disposição para assumir uma causa controversa, como a da descriminalização da maconha.
(Fábio Santos, no Jornal Destak São Paulo)
Sob seu comando, o Brasil eliminou a inflação, uma amarra que impedia a maioria de viver a vida sem o sobressalto de imaginar se chegaria ao fim do mês. Após o plano Real, o país adquiriu condições de ocupar lugar de destaque entre as economias emergentes. E tudo foi feito em meio à ampliação do regime democrático.
Sua importância é tamanha que seus sucessores, Lula e Dilma, apesar de se oporem a ele, deram seguimento ao fundamental de sua obra: a estabilidade econômica. Lula só conseguiu ser eleito e reeleito porque se comprometeu a seguir as políticas que FHC criou. Antes da Carta ao Povo Brasileiro, na qual assumiu tal compromisso, o petista era visto com desconfiança e medo.
No poder, Lula e seu partido se esforçaram para diminuir a importância daquele que sucederam. Mas ambos sabem da importância de FHC, o que foi recentemente reconhecido por Dilma em carta ao ex-presidente tucano.
Impossível negar que Lula fez o país avançar ainda mais: a expansão dos programas de distribuição de renda, a política de aumento real do salário mínimo e a ampliação do crédito permitiram àquela parcela da população que mais sofria com a inflação tornar-se o motor da expansão do consumo e, por consequência, do crescimento do país.
É lamentável, porém, que tanto esforço seja despendido para fazer parecer que os dois mandatos do tucano foram tão distintos dos dois que se seguiram. No fim das contas, até mesmo em seus erros e deficiências, FHC e Lula são mais parecidos que diferentes. A disputa sobre quem foi melhor do que o outro só serve para alimentar campanhas eleitorais, mas, lamentavelmente, atrapalha o país, pois as razões do sucesso de ambos - a estabilidade econômica - acabam virando um detalhe.
De resto, FHC merece ser comemorado, no mínimo, por ter chegado aos 80 anos sem ser um velhote esclerosado. Com essa idade, ainda tem vigor intelectual e disposição para assumir uma causa controversa, como a da descriminalização da maconha.
(Fábio Santos, no Jornal Destak São Paulo)
sábado, 18 de junho de 2011
CARTA DE DILMA PARA FHC
Em seus 80 anos há muitas características do senhor Fernando Henrique Cardoso a homenagear.
O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.
Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.
Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidaçãoo da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.
Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito.
Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias.
Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!
Dilma Roussef
O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica.
Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje.
Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidaçãoo da democracia brasileira em seus oito anos de mandato.
Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito.
Não escondo que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias.
Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço!
Dilma Roussef
AINDA SOBRE O DEBATE NA TV
Blog do Zaca deixou um novo comentário sobre a sua postagem "COMENTÁRIO":
Na oportunidade estava em fortaleza e também vi sua participação no Programa. Crateuense que sou, senti aquele orgulho por ver um filho de nossa terra mostrando toda inteligência e capacidade mundo a fora.
Na oportunidade estava em fortaleza e também vi sua participação no Programa. Crateuense que sou, senti aquele orgulho por ver um filho de nossa terra mostrando toda inteligência e capacidade mundo a fora.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
CHÃO DE ESTRELAS NA VOZ DE MAYSA
Composição: Silvio Caldas/Orestes Barbosa
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de 'doirado'
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Nosso barracão no morro do salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a alegria desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.
BRANCO, HONESTO, CONTRIBUINTE, ELEITOR, HÉTERO... PRA QUÊ?

Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.
Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.
Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.
Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria!
Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', porque cumpre a lei.
Desertores, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.
E são tantas as discriminações, que é de perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?
Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.
( *Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo ).
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INCISO IV DO Art. 3º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL A QUE SE REFERE O DR. IVES GRANDA, NA ÍNTEGRA:
"promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."
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"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
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