sábado, 29 de outubro de 2011

AMIGOS PARA SEMPRE

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PROFESSORA ROSA MORAES, PARABÉNS!


Registro que, ontem, celebrou mais um outubro a nonagenária e veneranda professora crateuense Rosa Ferreira de Moraes, cujo nome homenageia o Teatro da cidade.

Sobre ela, escrevi o texto abaixo em meu livro Amores e Clamores da Cidade:

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Ao tempo em que estava à frente da Secretaria de Educação de Crateús, convidei o Professor Celso Antunes para proferir uma palestra para a comunidade escolar. O longevo mestre, cabelos flor de algodão, distribuidor de sorrisos, olhar penetrantemente delicado, com o magistério da própria experiência encheu a nossa alma de graça e encantamento.

Contou-nos, dentre outros fatos, que, em missão cultural ao Japão, foi levado pelo Ministro da Educação daquele País para um encontro com o Imperador. Ao adentrar no salão do monarca, viu uma cena inusitada: o nobre se curvou, com litúrgica solenidade e reverente respeito, ante a presença dos dois professores. Ficou intrigado. Na saída, indagou ao Ministro o motivo daquele gesto. E ele respondeu: - Se o perguntássemos, ele responderia que presta reverência aos professores porque foram eles que o formaram.

Com essa citação, o mestre Antunes queria deixar registrado que nalguns rincões do planeta os professores estão colocados no lugar que merecem: sobre o púlpito do respeito social, no altar da admiração coletiva.

Talvez para provocar nossa capacidade alterativa ou, simplesmente, como uma cândida lamparina de referência, ainda existem remanescentes – raros, é bem verdade – de uma época áurea da educação, em que os que lideravam as salas de aula estavam, ao lado do Padre e do Juiz, entre as figuras que ocupavam a tribuna de honra da deferência comunitária.

Entre esses nomes, e com indiscutível destaque, está o da crateuense ROSA FERREIRA DE MORAES. Escrevo o seu nome em negrito e com letras maiúsculas porque as palavras que o compõem formam um ternário biográfico.

A sua artística porção ROSA desabrocha permanentemente, como uma flor de roseira, no jardim invisível do seu coração, em especial quando, de posse de um pincel, nos chama a atenção para detalhes pouco perceptíveis do cotidiano, através de quadros pintados com acurado esmero e fina sensibilidade.

Dentre os presentes que esta vida me deu está o privilégio de ter sido aluno desta FERREIRA. De ferro, mesmo. Com seu jeito austero, com sua imponente compleição física, com sua voz grave e seu olhar severo, ensinou-nos os benefícios da férrea disciplina, da dedicação inflexível, do cumprimento do objetivo delineado, da satisfação do dever cumprido. Recordo como era comum, em suas aulas, quando identificava desvios de conduta nos alunos, a realização de paradas bruscas na transmissão dos conteúdos a fim de que pudéssemos ouvir exortações sobre os caminhos da retidão e do bem, verdadeiras lições de moral, preciosos sermões sobre as virtudes de cultuarmos princípios de vida.

Outro dia, ela me confidenciou que seu saudoso pai sempre escrevia MORAES com E ao invés de I porque, no entendimento dele, Morais com “i” era plural de moral. Para mim, esse MORAES deita raízes na palavra mora, não no sentido comercial de retardamento do devedor no pagamento de uma dívida, mas no profundo sentido espiritual da palavra demora, que se resume na rara capacidade de saber o tempo certo de cada coisa, de não atropelar o curso natural da existência, de não queimar etapas na caminhada da vida.

Em suas mais de oito décadas de vida, ROSA FERREIRA DE MORAES tem reluzido. Se pudesse, mudaria o seu nome para ROSA FERREIRA ESTRELA DE MORAES, pois é isto que ela é: uma pétala resplandecente que há iluminado gerações.

(Júnior Bonfim, in "Amores e Clamores da Cidade")

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Conjunção rachativa

Historinha da Bahia. Grande de nome e pequeno de corpo. Magricela, esperto, inteligente, José Antônio Wagner Castro Alves Araújo de Abreu, sobrinho-neto de Castro Alves, herdou o DNA, o talento e a vadiagem existencial do poeta. Não gostava de estudar. No esporte, era bom em tudo. Colega de Sebastião Nery, no primeiro ano do seminário menor, na Bahia, em 42, na aula de português, o padre Correia lhe perguntou o que era "mas".

- É uma conjunção.

- Certo, mas que conjunção?

Zé Antônio olhou para um lado, para o outro e respondeu:

- Conjunção rachativa, professor.

- Não existe isso, Zé Antônio.

- Existe, professor. Quando a gente quer falar mal de alguém, sempre diz assim : - Fulano até que é um bom sujeito, mas... E aí racha com ele.

Cena paulistana

A cada dia, a ficha desce um pouco sobre a cabeça de José Serra, eterno candidato à presidência da República. Por onde passa, ele é peremptório : não colocará seu nome na disputa para a prefeitura de São Paulo. Pois bem, este analista quer ver para crer. E mais: aposta que Serra será candidato a prefeito. A lógica sublinha o argumento: não há saída para ele. Aécio Neves, a essa altura, já ganhou o apoio da cúpula do PSDB. Mesmo com os horizontes distantes, Aécio tem maior cacife : um mandato de senador no início, energia e disposição, o apoio da cúpula tucana e o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais.

Ficha vai cair

José Serra alimenta a esperança da candidatura presidencial em 2014. Não ganhará o troféu de candidato. O vazio oceânico ainda não ocupou sua cabeça. Quando a ficha cair - e cairá lá pelos idos de março - ele concluirá que sua carreira política tem apenas uma fresta para decolar novamente: a candidatura à prefeitura. A não ser que ele decida encerrar a vida pública breve. Por tudo isso, esse analista vai apostar na hipótese: Serra será o candidato tucano para a prefeitura paulistana. Diante dessa possibilidade, os atuais pré-candidatos - José Aníbal, Bruno Covas e Ricardo Trípoli - desistiriam das prévias. A conferir!

Marta, tem chance?

E se for realmente José Serra o candidato tucano, Marta Suplicy poderia ser a candidata do PT? Mesmo com 30% nas pesquisas de intenção de voto, será difícil. É claro que suas chances aumentam, tendo em vista a clássica polarização entre PSDB e PT, que tem nela um símbolo. Ocorre que há um cacique-mor por trás do patrocínio da candidatura petista: Lula. E o candidato dele é mesmo Fernando Haddad. A essa altura, será difícil remover Haddad sob pretexto que, para disputar com Serra, o melhor nome seria o de Marta. Lula acha que só uma cara nova vencerá os tucanos na capital paulista. Esse analista concorda, em princípio, com a tese.

Cantadores da morena

O primeiro sapeca:
- Se eu fosse Nosso Senhor
Dono do ouro e da prata
Mandava fazer espelho
Dos olhos desta mulata

O segundo replica:
- Cabra, deixa de ser besta
Tu não sabe apreciar
Espelho queria eu ser
Pra mulata me mirar.

(Versos apanhados por Leonardo Mota)

Avião de um dólar

Ricardo Teixeira, presidente da CBF, foi convocado pelo Congresso para falar sobre futebol. Claro, que falará menos sobre futebol e mais sobre as práticas de articulação que circundam a paixão nacional. Apura-se uma suspeita de que Teixeira teria adquirido um avião pela módica quantia (módica ?) de US$ 1. Isso mesmo. Um dólar. Há uma gigantesca teia de interesses no entorno da Copa. Por mais que haja esforço para desfazer essa teia ou tentar entendê-la, será impossível. Mas as coisas começam a ficar mais claras nos espaços futebolísticos. Os cartolas abrem os chapéus.

O Brasil é um lixo?

Os containers com lixo hospitalar despachados pelos Estados Unidos para o Brasil carregam uma dura conotação sobre nosso país: um lixo. Só mesmo um território considerado bárbaro, atrasado, carente, pode servir ao de ser penico do mundo. A máfia que está por trás desse empreendimento deve ser destroçada. Se não houver rigorosa punição aos malfeitores, o lixo do mundo continuará a ser objeto de desejo de contingentes carentes. Cadê o ministro da Saúde? Viajando, padilhando.

Greve de médicos

Os médicos do SUS fazem sua greve. Têm direito, sim, a parar os serviços. As condições precárias dos estabelecimentos hospitalares e a péssima remuneração dos profissionais formam o argumento para a greve. Receber R$ 1.946,91 para uma jornada de 20 horas semanais é muito pouco. Onde está o pomposo ministro da Saúde, Padilha? Só pode estar dentro de um avião. Viaja mais que piloto. Deixando a pilotagem da saúde ao léu.

Lula e a nova vida

Lula continua o périplo pelo mundo. Recebe prêmios, faz palestra, embolsa alta grana, é homenageado aqui e alhures. Dizem que tem um olho no norte, outro no sul. Ou seja, um olho na reeleição de Dilma e outro na sua volta ao centro do poder. Este analista começa a achar que Lula aprecia muito o fato de ter uma agenda mais solta. E um bom tempo para encher as burras. Acostuma-se ao fato de não ter a corte de aspones. Afasta-se, gradualmente, da rampa do Planalto.

Religião

Cresce na Grã-Bretanha, a cada ano, o número de jovens mulheres que deixa para trás suas carreiras, namorados e posses para se dedicar totalmente à religião. O fenômeno desperta curiosidades. Decepção com a vida mundana?

PSD com 700 prefeitos

O PSD do prefeito Kassab já tem 700 prefeitos. Ultrapassa o número de prefeitos do PT. Em Santa Catarina, os 42 prefeitos do DEM rumaram para o PSD, acompanhando o governador Raimundo Colombo.

As chaves

O poeta manda o verso:
Meu coração está fechado
Não se abre para ninguém,
Foi-se embora o seu dono,
A chave é ele que tem.

O outro retoma:
Sexta-feira faz um ano
Que meu peito se fechou...
Quem morava dentro dele
Tirou a chave e levou.

E o terceiro lamenta:
A chave da fechadura
Que trancou o seu caixão
É a mesma da fechadura
Que trancou meu coração.

(Leonardo Mota em Sertão Alegre)

Filiados partidários

O TSE fechou a conta de filiados aos 29 partidos políticos brasileiros. Um total de 15.381.121. Sete partidos concentram a maioria dos filiados. O PMDB encabeça a lista com 2.420.327. Na sequência aparecem o PT com 1.566.208; o PP com 1.436.670; o PSDB com 1.410.917; o PDT com 1.212.531; e o DEM com 1.124.069.

Nomes

Caso Orlando Silva saia do Ministério do Esporte, dois nomes são apontados para ocupar seu lugar: o ex-deputado Flávio Dino, atual presidente da EMBRATUR e o deputado Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara. Há um 'porém' no caminho de Dino: ele pretende ser candidato à prefeito de São Luís, em 2012. Se for guindado ao Ministério, fecha a chance da candidatura.

PSD no RN

O vice-governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, é o presidente do PSD no Estado. E acaba de romper com o governo, comandado pelo único governador do DEM, no caso, a governadora Rosalba Ciarlini. Faria foi presidente da Assembleia por três vezes. Como o PMDB está aliado ao governo do DEM, o vice-governador tem campo livre para se firmar como eixo de oposição. A avaliação do governo não é boa. Grande parcela dos prefeitos está insatisfeita. A oposição tende a se expandir no Estado.

7 bilhões

A população mundial cresce a velocidade recorde. Atingirá 7 bilhões no dia 31 de outubro. Em 2050, este número deve alcançar 9,3 bilhões. Entre os fatores que contribuem para o rápido aumento populacional estão a alta taxa de natalidade em alguns países e a maior longevidade da população. Hoje, 893 milhões de pessoas tem mais de 60 anos. Até a metade do século, este número vai praticamente triplicar, chegando a 2,4 bilhões. A expectativa de vida média atual é de 68 anos, quando era de apenas 48 anos em 1950.

Código Florestal

A senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu (PSD/TO), garante que o novo Código Florestal deve ser votado no Senado dia 22 de novembro. O texto, votado na Câmara dos Deputados, deve passar antes pelas comissões de Agricultura e Reforma Agrária e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle. A proposta tem pontos polêmicos, como o que permite aos Estados legislar sobre a conservação de áreas rurais.

Brasil e a FIFA

O governo Federal se articula no Congresso para aprovar rapidamente a Lei Geral da Copa. Se o conjunto de normas que vão reger a realização do Mundial de 2014 no país demorar a ser sancionado ou nem sair do papel, a entidade máxima do futebol desfrutará de uma série de poderes que, em alguns casos, se sobrepõem à própria legislação brasileira. As garantias foram assinadas na gestão Lula. O Brasil promete à FIFA direitos soberanos, independentemente da aprovação de lei específica sobre o tema, até o fim do ano de realização do torneio.

As promessas

O Brasil prometeu muita coisa à FIFA. As promessas estão em 11 documentos que tratam desde os trâmites para a entrada e a saída do país, a permissão de trabalho para a FIFA contratar funcionários, facilidades alfandegárias, isenção de impostos à proteção e exploração de direitos comerciais, incluindo hinos e bandeiras nacionais, além do pagamento de indenizações e o fornecimento de infraestrutura tecnológica e de telecomunicações que atenda aos requisitos da entidade. Vejam o que consta nos documentos: "Essa garantia do governo é e permanecerá obrigatória, válida e executável contra o Brasil e seu governo, bem como todas as autoridades estaduais e locais, desde a data desta garantia até 31 de dezembro de 2014, independentemente de qualquer mudança no governo do Brasil ou em seus representantes, ou qualquer mudança nas leis e regulamentos do Brasil". Entre as garantias, há, ainda, a liberação da venda e do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos da Copa, medida que fere o Estatuto do Torcedor, em vigor no país desde 2003.

Conselho aos parlamentares

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos partidos. Hoje, sua atenção se volta aos parlamentares:

1. A aprovação da Lei da Copa requer minucioso cuidado sobre promessas e garantias oferecidas pelo Brasil à FIFA. Algumas são absurdas. Urge defender a Soberania nacional.

2. Os responsáveis pelas garantias e promessas devem ser chamados a depor. É inimaginável que tenham assinado documentos que contêm dispositivos que afrontam a dignidade da Nação.

3. Não é momento, porém, de radicalização. Urge avaliar o que é impossível fazer e o que inegociável.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Cristina Kirchner Argentina: a vitória

A vitória espetacular da presidente argentina, com mais de 53% dos votos, e superior à eleição de Raúl Alfonsín (51%), o primeiro presidente após a ditadura militar instalada em 1976, pode ser considerada "esperada", mas incorpora significados que merecem melhor análise. Vejamos:

1) Cristina Kirchner, enfim, se tornou um animal político completo, dotado de legitimidade formal e simbólica. Não é mais a sombra do marido morto. Ele é sua sombra.

2) O plano de conquista do poder foi construído de forma consistente. Embora os "analistas políticos" prefiram avaliar sua vitória à vista de modelos teóricos e republicanos, a verdade é que Cristina foi pragmática e focou seus esforços políticos dentre aqueles que têm votos e necessidade básicas, os 30% da população que vivem abaixo da linha da miséria.

3) A elite rural argentina persiste com o poder econômico, mas seus interesses maiores estão além das fronteiras. E essa elite não foi capaz de ter a decisiva influência que historicamente teve. Ao contrário, viu-se acuada e sem discurso.

4) Distribuição de renda, depois de tantos anos de concentração, é politicamente mais importante que construção de renda. E consumo crescente pesa mais que investimento, quando o assunto é eleição.

5) Oposição que não tem projetos econômico-sociais inclusivos não consegue se estabelecer perante a opinião pública. Não à toa, o Partido Radical foi quase destruído.

6) Imprensa livre é essencial, mas pouco conta num cenário onde prevalece o populismo.

Rigorosamente estes aspectos não diferem de outros que podem ser coletados em diferentes sociedades para explicar uma vitória tão significativa.

Cristina Kirchner Argentina: os riscos

Não devemos, a despeito da constatação da imensa vitória de Kirchner, relutar em reconhecer os igualmente imensos riscos da vitória política. Vejamos:

1) O fato de Cristina ter se tornado mais, digamos, "independente" de seu marido morto, a tornará mais desprotegida em termos simbólicos e ideológicos. É preciso deixar de ser "a esposa" e passar a ter brilho próprio.

2) Eleitores mais pobres são menos politizados e para mantê-los sob o manto peronista será necessário continuar a atendê-los em suas ambições psicossociais e econômicas. Isto demandará recursos públicos, sabidamente gerados no setor privado. Caso contrário, o desequilíbrio orçamentário resulta em inflação e perda de renda, sobretudo para os mais pobres.

3) A Argentina é um país muito mais subdesenvolvido que o Brasil no que tange à industrialização. Com efeito, o surgimento de novas "elites" depende de planos nos quais o populismo é uma restrição, não uma alavanca.

4) O Estado pode apenas "criar" recursos em regimes inflacionários. O processo de acumulação de capital é condição inerente e essencial para a distribuição da renda. Este dilema intertemporal será cada vez mais urgente à Cristina e seu projeto político.

5) Um país sem oposição crível do ponto de vista intrínseco (ideologia e projetos) e extrínseco (apoio popular) é caminho para o perigoso ambiente de "vazio político" o qual já ocorreu de forma acentuada na história latino-americana e argentina. Assim, a alternativa ao populismo acaba por ser o próprio populismo.

6) A tentativa explícita de Cristina Kirchner de "enquadrar" e restringir a atuação da imprensa (mídia) favorece a um perigoso oficialismo sem fiscalização e sem crítica social. Uma tragédia contra a democracia que retira da própria Cristina sua legitimidade recém-conquistada.

Como se vê, entre os riscos do governo e a constatação da vitória, o pêndulo da análise cai mais para a preocupação que para a comemoração. Some-se a isto o fato de que tudo isso ocorre num ambiente internacional desfavorável às commodities que a Argentina exporta. Triste sina para a República se algo de grave ocorrer lá no sul.

Brasil e Argentina: além da doçura

Cristina Kirchner considerou os cumprimentos pela vitória da presidente Dilma como "doces palavras". Cabe bem à retórica diplomática, doces palavras, quando se tem uma parceira tão importante como a Argentina. Todavia, a presidente brasileira deveria se socorrer aos dados colecionados pelo Itamaraty e pela Fazenda e estabelecer alternativas estratégicas em relação a tão importante parceria. Por dever de ofício, diplomatas e técnicos da Fazenda deveriam perguntar o que ocorreria se algo der muito errado por lá e quais os efeitos aqui. Os sintomas não são nada bons. Toda vez que a Argentina tem uma dificuldade externa e interna, a primeira reação é restringir as vantagens competitivas do Brasil no Mercosul e proteger suas fronteiras nacionais da entrada de produtos nacionais. A Argentina está longe de ser um país inimigo e igualmente distante de ser um país confiável do ponto de vista de suas relações externas. Assim, o interesse em relação à Argentina deve ser de Estado.

Dilma e seu dilema

Se Cristina Kirchner teve um esposo falecido a conformar sua nova estatura política, a presidente Dilma tem um ex-presidente a lhe limitar sua ação, não apenas política, mas administrativa. Infelizmente, no Brasil, ex-presidentes não são apenas "referências políticas". São agentes da ação política. FHC ainda é o maior líder da oposição fruto da ausência de lideranças capazes de arregimentar forças sociais. Lula é um caso ainda mais grave: considera o governo atual como área de manobra para seus óbvios planos políticos. Não precisa a presidente brasileira esgotar os fundamentos da lógica aristotélica para saber disso. Basta atender as ligações telefônicas de Lula. A mudança do ministério do atual governo é o fator político mais simbólico que pode dar à atual ocupante do Planalto a legitimidade que ainda lhe falta e lhe é essencial. Vejamos a continuação da crise nos Esportes.

Orlando resiste

Do ponto de vista stricto sensu, não há mais razão para que o atual ministro dos Esportes permaneça na cadeira. Mais que credibilidade, falta a Orlando Silva condições para implementar políticas públicas. Todavia, as movimentações políticas enquadraram o ministro numa situação na qual ele acaba por (i) catalisar o desejo da classe política em manter o atual status quo da base aliada, (ii) herdar a gratidão do atual governo à fidelidade dos comunistas ao anterior e (iii) não permitir que o lamaçal esportivo acabe por dragar o governador brasiliense Agnelo Queiroz. Há outras razões importantes (Copa do Mundo, por exemplo) que explicariam o emaranhado de interesses na manutenção de Silva, mas estas são paradoxalmente menos importantes, por ora. O que fará Dilma? Vejamos a próxima nota.

Dilma desiste?

A presidente sabe que sua popularidade e o capital próprio que arregimentou decorrem da chamada "limpeza ética" que tenta promover na Esplanada. Ora, tomado este fato como premissa, a presidente não poderia hesitar em assinar a demissão de Orlando Silva. O problema é que, ao contrário de outros demitidos, o atual ocupante dos Esportes e seu minúsculo PC do B são capazes de mexer com os pilares do PT. Sabe-se que a presidente não é muito querida do partido de Lula, e isso pode se transformar em mais um agravante para a condução do governo e a relação com o petismo. Com este tipo de equação política a vigorar nos arredores do Planalto, Dilma vê-se mais constrangida. Ainda mais quando se liga a TV e vê-se o desfile de discursos dos comunistas cerrando fileiras em torno de Orlando Silva. A despeito de tudo isso, a presidente terá de agir e tentar sair desta com uma feição cada vez mais própria ou ceder à permanência da condição de "herdeira de Lula". Não há ação sem custo para Dilma.

Panamericano: fatos à tona, personagens à deriva

Por diversas vezes nesta coluna chamamos a atenção de nossos leitores para os estranhos fatos que marcaram a compra do Banco Panamericano pela CEF. Agora, sabe-se que o surpreendente prejuízo de mais de R$ 4,3 bi - muito além dos R$ 2,5 bi inicialmente informados - é um dado do escândalo. Há uma teia de acontecimentos que vão das perigosas relações do ex-banco de Sílvio Santos com os fundos de pensão via líderes e tecnocratas petistas (Luiz Gushiken, sobretudo) até a "vontade de não contrariar Guido Mantega" na nomeação de Demian Fiocca, ex-BNDES para a diretoria do Banco. As revelações são da colunista da Folha de S.Paulo Renata Lo Prete. Não é necessário ter faro de policial para se imaginar as várias e vastas implicações destas revelações. Há apenas uma pequena ponta do iceberg à vista ou será uma "enorme corrente de enriquecimento ilícito". Talvez até Sílvio Santos queira saber o que havia no baú...

Europa reunida

Até o fechamento desta coluna, na noite da segunda-feira, o encontro dos principais líderes europeus em Bruxelas ainda não tinha chegado a nenhuma conclusão definitiva sobre os caminhos que a UE tomará para evitar o colapso financeiro do Continente. A despeito da falta de uma conclusão definitiva, os sintomas são positivos. A começar pelo reconhecimento de que o European Financial Stability Facility (EFSF) precisa ser substancialmente incrementado para algo como 1,5 trilhão de euros. Neste ponto, finalmente a chanceler Angela Merkel aceitou lutar no Parlamento Alemão para que o país participe do esforço europeu. Neste contexto, não apenas a Grécia se beneficiaria do maior apoio financeiro necessário à estabilização do país, mas todos os outros que estão a se esconder atrás do país balcânico. Um passo gigantesco se considerarmos a postura da Alemanha até pouco tempo atrás.

Mercado pode melhorar

Quase sempre é muito difícil definirmos com mais precisão o momento pelo qual passa o mercado. Nos últimos meses temos expressado nosso pessimismo em relação ao andamento dos mercados globais, em geral, e o brasileiro, em particular. De fato, a conjuntura internacional piorou significativamente e os riscos instalados de forma mais aguda em 2008, acabaram por recrudescer em 2011 de forma novamente aguda. A crise financeira europeia e a letargia da atividade econômica nos EUA são os aspectos mais gritantes da perigosa crise estrutural que vivenciamos. Pois bem: os preços dos ativos, sobremaneira os dos mercados acionários, caíram ao longo dos últimos meses. Como sabemos, os investidores se antecipam aos fatos e precipitam os movimentos de alta e baixa. O pessimismo se consolidou, desta forma. A despeito da conjuntura atual, gostaríamos de recomendar aos nossos leitores que não apostem numa piora significativa do mercado daqui para frente. Há razões para acreditarmos que os mercados estejam passando por um momento de reavaliação. Assim, a volatilidade acentuada pode estar refletindo mais esta reavaliação que o agravamento do pessimismo. Poderemos ter uma conjuntura mais favorável à frente. Nas próximas semanas iremos explorar mais este importante tema. Por enquanto, o recado é: não aposte na piora do mercado.

Banco Central: como previsto

Não houve surpresas na ação do BC na semana passada em relação à taxa de juros básica. A redução de 0,5% era esperada e os agentes estão mais atentos em relação à inflação dos próximos meses. Uma coisa é certa: a atividade econômica está apresentando fraqueza, possivelmente maior que a esperada pelos agentes. Todavia, não sabemos ainda se esta queda da atividade trará efeitos significativos sobre a inflação. As expectativas serão determinantes no andamento dos preços. Além da taxa de câmbio.

Política industrial

O governo está cada vez mais protecionista quando o assunto é importações. A maior preocupação é com os chineses e sua máquina de competição (leal e desleal). As medidas restritivas em relação aos veículos importados sofreram um revés momentâneo em função do prazo legal que tem de ser cumprido, mas uma o animus do governo continua o mesmo: a competitividade da indústria é fator político e econômico sensível e a Fazenda cumprirá a agenda de restrições de importações. Há muitos problemas neste tema, mas um é geral: falta ao governo uma estratégia industrial que melhore a percepção dos agentes de que o protecionismo atende a certos interesses paroquiais e não ao interesse coletivo. Alem do mais, é preciso combinar com o Itamaraty o que está sendo feito. Afinal, tudo pode acabar em demandas internacionais na OMC.

Justiça: questão de competitividade

Os magistrados brasileiros estão a discutir suas questões que envolvem o CNJ, além de outras tantas questões relativamente à transparência do Judiciário. Seria interessante que também fosse avaliado pelos líderes do Judiciário a questão da competitividade brasileira quando o tema é acesso à Justiça. A demora nas decisões, as complicações burocráticas e a falta de eficiência dos juízos e tribunais é questão vital para os agentes econômicos daqui e de lá de fora. Por que não estudar o tema?



(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

NO DIA DA DEMOCRACIA, ESCUTEMOS A REFLEXÃO DE JOSÉ SARAMAGO

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

POLÍTICA PÚBLICA NÃO PODE SER DECIDIDA POR TRIBUNAL


O Poder Judiciário precisa refletir sobre seu avanço diante das atribuições dos outros dois Poderes da República. Na implementação de políticas públicas, por exemplo, a Justiça pode até ter uma participação complementar, mas nunca atuar como protagonista em ações típicas dos Poderes Legislativo e Executivo. A opinião é de um dos maiores estudiosos de Direito Constitucional do mundo, o professor da renomada Universidade de Coimbra José Joaquim Gomes Canotilho — ou apenas J. J. Canotilho, como gosta de ser chamado.

O jurista, que tem em seu currículo o fato de ser um dos autores da Constituição de Portugal, é um crítico da ampliação do controle do Poder Judiciário sobre os demais poderes, principalmente na esfera da efetivação de direitos que dependem de políticas públicas, o que se convencionou chamar de ativismo judicial: “Pedir ao Judiciário que exerça alguma função de ordem econômica, cultural ou social é pedir ao órgão que exerça uma função para a qual não está funcionalmente adequado”.

J. J. Canotilho recebeu a revista Consultor Jurídico para uma breve entrevista em São Paulo, por onde passou para participar da entrega do Prêmio Mendes Júnior de Monografias Jurídicas, promovido pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Além fazer observações sobre ativismo, ele também fez ressalvas sobre o mecanismo de Repercussão Geral aplicado pelo Supremo Tribunal Federal no Brasil.

O professor ainda revelou que há coisas que aproximam bem a Justiça portuguesa da brasileira. Por exemplo, o fato de processos em Portugal poderem percorrer até cinco instâncias para, enfim, chegarem a uma conclusão. O jurista ainda falou sobre as metas do Conselho Nacional de Justiça e considerou questionável a intenção da presidente Dilma Roussef de flexibilizar patentes. “A flexibilização é muito perigosa porque pode significar a quebra de patente”, disse. Para o professor, as empresas têm direito de exploração econômica, por certo período, por ter inventado um produto. É uma garantia constitucional que não deve ser violada a não ser em casos de extremo interesse público.

Aos 68 anos, Canotilho é considerado um dos papas do Direito Constitucional da atualidade, citado com frequência por ministros do Supremo Tribunal Federal. É doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, professor visitante da Faculdade de Direito da Universidade de Macau e autor de obras clássicas como Constituição Dirigente e Vinculação do Legislador e Direito Constitucional e Teoria da Constituição.

Leia a entrevista

ConJur — Recentemente, o senhor participou de um debate em que se discutiu o ativismo judicial. Qual a sua opinião sobre o assunto?

J. J. Canotilho — Não sou um dos maiores simpatizantes do ativismo judicial. Entendo que a política é feita por cidadãos que questionam, criticam e apontam problemas. Os juízes nunca fizeram revoluções. Eles aprofundaram aplicações de princípios, contribuíram para a estabilidade do Estado de Direito, da ordem democrática, mas nunca promoveram revoluções. E, portanto, pedir ao Judiciário que exerça alguma função de ordem econômica, cultural, social, e assim por diante, é pedir ao órgão que exerça uma função para a qual não está funcionalmente adequado.

ConJur — No Brasil, há uma enxurrada de ações e determinações judiciais para que o Estado forneça remédios para quem não pode comprá-los. Como o Judiciário deve atuar quando o Estado não põe em prática as políticas públicas?

J. J. Canotilho — As políticas públicas não podem ser decididas pelos tribunais, mas pelos órgãos socialmente conformadores da Constituição. Mas é fato que existem medicamentos raros e certa falta de compreensão para situações especificas de alguns doentes. Isso põe em causa a defesa do bem da vida. Os tribunais devem ter legitimação para solucionar um problema desses. É um problema de Justiça e o valor que está a ser invocado é indiscutível: o bem da vida.

ConJur — O senhor afirma que as políticas públicas não devem ser decididas pelo Judiciário. Mas, uma vez que passam a representar uma demanda que a Justiça não tem como deixar de enfrentar, qual a melhor forma de equalizar esta questão?

J. J. Canotilho — O Judiciário precisa enxergar o seu papel nessa questão. Ele pode ter uma participação, mas tem que complementar, e não ser protagonista. Até porque, quando determina a entrega de um medicamento a um cidadão, ele não está resolvendo o problema da saúde. Ele não tem o poder, a incumbência e não é o mais apropriado para a solução das políticas públicas sociais. Os que são responsáveis são os órgãos com responsabilidade política dos serviços de saúde, desde o Legislativo ao Executivo.

ConJur — Qual a sua opinião sobre o mecanismo da Repercussão Geral, criada para filtrar a subida de recursos e para pacificar em todo o Judiciário os posicionamentos do Supremo Tribunal Federal?

J. J. Canotilho — É uma das perguntas a que não sei responder. Porque, no fundo, o apelo à Repercussão Geral é, de certo modo, uma urgência de sintonizar as decisões judiciais — que são muitas — com a República e com os cidadãos. Nessa medida, entendo que o Supremo Tribunal Federal está levando em conta uma dimensão interessante. Essa é uma atitude inteligente. Mas uma coisa é convocar a vontade da Repercussão Geral e outra é avocar os argumentos, que é um conceito indeterminado, para justificar um caso concreto. Existe então a possibilidade da jurisprudência ser uma jurisprudência que não aplica o Direito para o caso concreto, mas que repete a retórica e os textos argumentativos de outras sentenças.

ConJur — Qual é a diferença?

J. J. Canotilho — A diferença é que embora você tenha uma Repercussão Geral, cada caso possui uma particularidade. Por isso, cada juiz deve julgar o caso concreto. O que por vezes se tem percebido é que tanto a Repercussão Geral quanto a disponibilização do processo digitalizado têm contribuído para que juízes apliquem a decisão, a mesma que o tribunal tomou sobre aquele tema, quando na verdade o correto é avocar o entendimento para tomar sua própria decisão.

ConJur — O senhor é contra a informatização dos processos?

J. J. Canotilho — Não há razão nenhuma para duvidar da bondade da informatização, até porque ela oferece ao cidadão acesso a um ato do tribunal e à possibilidade de saber em que pé está o processo. Eu acho que isso é uma evolução absolutamente incontornável, então não podemos criticá-la. Até porque, relativamente aos juízes que aparecem agora, mais jovens, nenhum pode deixar de saber trabalhar com os instrumentos da informática, com os computadores.

ConJur — Mas, ao falar da Repercussão Geral, o senhor deu a entender que existe algum problema com relação à digitalização do processo...

J. J. Canotilho — Sim. É a questão de os juízes pensarem em copiar uns aos outros. Ou seja: “Como é jurisprudência constante... Como já decidimos...”. Com a ausência do papel, agora isso é muito mais fácil. E pode haver alguma uniformização da própria estrutura, da própria retórica, o que não é mal, desde que aquilo sirva ao caso concreto que está a ser discutido. Mas isso também parece incontornável. Isso facilita também que os juízes transcrevam um esquema básico e, afinal de contas, não é só um parâmetro, mas é um esquema que eles utilizam todos da mesma maneira. Ou seja, garante-se um nível de uniformização, mas perde-se alguma coisa desta dimensão de que cada processo é um processo, de que cada caso é um caso. E há esta possibilidade da jurisprudência ser uma jurisprudência que não diz o Direito para o caso concreto, mas que repete a retórica e os textos argumentativos de outras sentenças.

ConJur — Mas isso também ocorre em virtude do número grande de processos, não? A propósito, qual a opinião do senhor sobre as metas impostas pelo CNJ?

J. J. Canotilho — Há mais ou menos uns dois anos, o governo português tinha mandado fazer um estudo sobre o tempo médio de trabalho necessário para proferir uma decisão. Os magistrados logo se revoltaram dizendo que era intrusão do Executivo no Judiciário, porque não há possibilidade de determinar um tempo médio na produção de um juiz. Essa cobrança é natural, afinal, nos tempos de hoje, tudo requer agilidade e eficiência. Mas basta entrar em qualquer tribunal para ver processos com milhares de partes, processos com monstruosa complexidade, que levam meses e até anos para serem decididos. Por mais que se criem soluções como a informatização, ainda é o ser humano que decide. Por exemplo, se determina que o juiz julgue 500 casos por ano. Ele julga 300. Depois se pede 400. E ele julga 300. E quando se pede 200? Ele julga 300. Portanto, as metas nos permitem dizer que é humanamente impossível decidir por ano mais do que tantos processos.

ConJur — Aqui ainda é forte a máxima do “ganha, mas não leva”, porque o pleito da causa e a execução se dão em processos diferentes. Isso também ocorre em Portugal?

J. J. Canotilho — Em Portugal também funciona assim. Muito dos processos acabaram por ser processos puramente declaratórios. Muitas partes não abdicam de todas as dimensões recursais e vão até o Supremo. Em Portugal, há o risco de termos até cinco instâncias. São três até ao Supremo Tribunal de Justiça, quatro com a Corte Constitucional e cinco ao Tribunal Europeu. Muitas empresas arrastam os processos sem razão de ser. Há processos demasiado formalistas ou garantistas que impedem uma solução dos conflitos.

ConJur — Parece que não existe Defensoria Pública em Portugal. Como isso funciona?

J. J. Canotilho — Não existe a instituição Defensoria Pública, mas há defensores pagos pelo Ministério da Justiça. Portanto, de uma lista de advogados, indicados pela Ordem dos Advogados, há defensor oficioso que é pago pelo Estado. Isso traz alguns problemas. Muitas vezes, são jovens advogados que não têm experiência, o governo atrasa o pagamento, mas não sei qual é o melhor modelo, até porque não sei como seria se tivéssemos a Defensoria. No Brasil tem, mas não conheço seu trabalho.

ConJur — O senhor falou sobre advogados com pouca experiência, mas como o avalia a nova geração da advocacia?

J. J. Canotilho — Existe uma questão que precisa ser observada no Brasil, que é a qualidade das universidades, em especial das privadas. A quantidade de universidades que publicam livros, que realmente acrescentam para o mundo do conhecimento é muito pequena. As universidades não podem ser escolas primárias. Vejo muita honestidade e boa vontade na iniciativa do Brasil em democratizar o acesso ao ensino superior, mas isso precisa vir acompanhado de qualidade.

ConJur — Aqui no Brasil se critica o baixo índice de aprovação no Exame da OAB. O senhor acredita que isso é resultado do número de universidades de má qualidade?

J. J. Canotilho — Não apenas. Qual é o brasileiro que pode se dedicar exclusivamente aos estudos? Poucos. Isso influencia também. Não que eu defenda que as pessoas devam se dedicar integralmente aos estudos, mas é preciso reservar tempo considerável. O mesmo se aplica aos professores. As universidades públicas pagam quase nada para que eles façam orientação de mestrado, doutorado, por isso muitos saem da aula e vão direto para o tribunal advogar. Eles não têm tempo para preparar uma boa aula. Os alunos estão cansados. Não há tempo para o estudo, não há tempo para pesquisa. Trabalhos acadêmicos são grandes plágios.

ConJur — Por falar em plágio, a presidente Dilma Roussef tem falado em flexibilização de patentes. Qual a sua opinião?

J. J. Canotilho — A flexibilização é muito perigosa porque pode significar a quebra de patente. As empresas têm direito de exploração econômica, por certo período, por ter inventado um produto. É uma garantia constitucional que não deve ser violada a não ser em casos de extremo interesse público, como no caso dos genéricos, e não nos moldes que ocorre no Brasil.

ConJur — Por quê? O que há de errado na política brasileira de medicamentos genéricos?

J. J. Canotilho — No meu ponto de vista esta é uma questão que o Brasil deveria ter superado. O que é um genérico? Um medicamento com o mesmo princípio ativo que um de mercado. Ou seja, de um que foi desenvolvido pela indústria, com base em anos de pesquisa, muito dinheiro investido e que está protegido por lei por 20 anos. Como um medicamento genérico pode confeccionar uma bula dizendo que em 2% dos casos pode ocorrer tal reação adversa? Ele não fez nenhum teste, como pode afirmar? O genérico é um grande plágio.

Rogério Barbosa é repórter da revista Consultor Jurídico.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MISSANTA BONFIM - 91 ANOS!

Peço desculpas antecipadas pela ausência de postagens neste final de semana. Vou me deslocar para o sossego do recanto em que nasci, ainda sem internet (graças!). Resolvi fazer uma pequena pausa para abraçar minha nonagenária vovó, Missanta Bonfim.

Ano passado, quando ela celebrou noventa outubros, a família se reuniu e lhe brindou com uma glamourosa festa. Este ano ela não quer festa, nem glamour. Apenas a presença da família e os fluídos do amor.

Aproveito para recolocar a crônica que lapidei há um ano... Incrível é o que o milagre se repetiu: o tempo, mais uma vez, mudou. A temperatura está amena. E ela, serena!... Fenômeno de quem descobriu o segredo da vida plena. Parabéns, minha vó, meu emblema!


Os meses do ano coroados com a sílaba “bro” costumam ser bafejados, no sertão do Ceará, com os mais elevados índices de temperatura. Invariavelmente ao redor dos quarenta graus.

No dia 23 de outubro deste 2010, no entanto, a fazenda Mondubim, que dista 23 quilômetros da cidade de Crateús, amanheceu sob a surpresa do afago de um clima ameno. Um cenário agradável – caracterizado por uma combinação de pausa na inclemência solar com a gratuidade do céu espargindo delicados fios de água – como que convidava as pessoas a dar graças à vida ou compartilhar a boa prosa no largo alpendre da fraternidade!

Essa dupla alteração no horizonte sertanejo e no coração das pessoas, para os membros da minha veia familiar, foi obra da nossa matriarca: Missanta! (Sua filha Toinha havia profetizado: - “Nós já sabemos que a mamãe é santa. Para que os outros tenham essa certeza, só falta um milagre: chover no dia do aniversário”. E choveu!)
Missanta! Esse prenome íntimo, carinhoso apelido familiar, obra dos seus genitores e produto da junção litúrgica de missa e santa, incorporou-se à sua doce figura e substituiu o nome de batismo: Raimunda Rodrigues Bonfim.

A Vó Missanta - Tia Santa para a grande maioria – celebrou seus 90 (noventa) outubros sob o conforto de todos os filhos vivos, netos, bisnetos e demais componentes de seu imenso arvoredo genealógico. Durante estas nove décadas só residiu em duas casas: o habitat de nascimento, na localidade Lagoa das Pedras dos Rodrigues, e o lar do Mondubim, um casarão de calçada alta e teto trabalhado com arte, para onde se mudou após ter trocado aliança com José Moreira Bonfim (o Têtêro), no dia 29 de junho de 1939. (Aliás, a medida da aliança foi feita em um pedaço de pano, pois antes de casar minha avó nada havia colocado entre os dedos).

A trajetória de Missanta Bonfim está vinculada aos eflúvios superiores do Espírito. Viu o sol do mundo pela primeira vez às 14:00 horas de um dia de sábado: 23 de outubro de 1920. (Quem nasce em dia de sábado é regido por Saturno e conhece o sentido do tempo, a paciência, a sabedoria, o amadurecimento. Tem a graça de viver sob o impulso abençoado de uma vida laboriosa).

Seis homens e quatro mulheres vieram à terra através do seu ventre. Criou doze filhos: José Maria Bonfim, Sebastião Bonfim Neto, Rosária Rodrigues Bonfim, Josefa Rodrigues Bonfim (Zezé), Domingos Rodrigues Neto, José Itamar Bonfim, Antonia Rodrigues Bonfim (Toinha), Manoel Fernandes Bonfim, Lauro Rodrigues Bonfim, Maria de Lourdes Rodrigues Bonfim, Francisco Stênio Bonfim e Antonio Luiz dos Santos.

Por inevitável, saboreou frutas amargas. Carregou nos ombros maternais o peso da humana cruz e sentiu no peito as pedras cortantes da longeva caminhada. Teve que colocar na nave que leva os seres para a estação da outra dimensão, além do próprio cônjuge, três filhos: Lauro, Manoel e Rosária. Deles se recorda diariamente.

Porém, continua Missanta. Desfila, na passarela do convívio, com a elegância discreta de uma miss e a radiosa alma de uma santa. Mantém, no acolhedor terreiro do coração, uma permanente fogueira de espiritualidade como que a fazer contraponto à redução de temperatura gregária.

Sem embargo é por isso que coleciona, no anonimato de sua saga pessoal, feitos admiráveis. Aos noventa anos, Missanta Bonfim mantém o sorriso nos lábios e conserva hábitos incomuns para os da sua idade: levanta cedo, administra a própria casa, monta na garupa de uma motocicleta, brinda e sorve com alegria um copo de cerveja ou uma taça de vinho, se alimenta sem qualquer restrição e aceita sem pestanejar os constantes convites que recebe para participar dos mais variados eventos. Vive tranqüila e intensamente. É serena e afável, pacífica e bondosa!

Indaguei-lhe qual o segredo de viver em paz consigo mesma. Ela me respondeu: - “Meu filho, nunca deixei que as preocupações tomassem conta de mim. Não é que não me preocupe. Mas, se uma coisa é inevitável, nunca deixo que ela perturbe demais a minha cabeça. E toco a vida prá frente”.

Nunca deixar as preocupações tomar conta da gente – ou seja, relevar, perdoar, viver em sintonia com a consciência - é o principal segredo, a lição essencial de uma nonagenária criança que exibe o invisível diploma de PHD na Universidade da Existência. Parabéns, Vó Missanta!

(Júnior Bonfim)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

SESSÃO ESPECIAL EM HOMENAGEM A CRATEÚS

Pela primeira vez em sua história, a cidade de Crateús será homenageada com uma sessão especial na maior Casa Legislativa do País.

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, aprovou requerimento do deputado, João Ananias(PCdoB-CE) para realização de sessão solene em homenagem aos 100 anos do Município de Crateús.

Essa sessão acontecerá no dia 07/11, às 10h00, no Plenário da Câmara dos Deputados com transmissão pela TV Câmara para todo o Brasil.

Convidamos a colônia cearense para participar desse memorável evento. O gabinete do deputado, João Ananias, está à disposição para mais informações.



Atenciosamente,

Edmar Soares - Jornalista

8119-8813 - 8142-8301

Gabinete Deputado Federal João Ananias

(61) 3215-5303

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

A sinfônica mineirice

Zé Abelha registra em Mineirice, um dos seus imperdíveis manuais sobre os mineiros, este anúncio, veiculado no INFORME JB, de 1975. "A Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte precisa dos seguintes músicos: cinco violinos, três altos, três violoncelos, dois contrabaixos, uma flauta, um trompete e um trombone. Paga de quatro a cinco mil cruzeiros por mês, 13 vezes ao ano. Custeia a passagem até a cidade e a instalação profissional. Assina contrato de dois anos. Não se pode garantir que a direção da Orquestra, em Minas, garanta tudo isso a músicos brasileiros. No entanto, é certo que o faz para músicos franceses, segundo anúncio publicado no Le Monde do dia 7 de janeiro (1975). Caso a Orquestra mantenha as condições para nacionais, tudo bem. Do contrário, recomenda-se aos interessados que sigam para Paris, onde devem apresentar suas candidaturas na Embaixada".

Reforma ministerial

Ganha força a reforma ministerial que a presidente Dilma intencionaria fazer entre o fim do ano e o início de 2012. Os eventos negativos responsáveis pela queda de ministros e a continuidade de episódios e denúncias, desta feita envolvendo o Ministério do Esporte, embasam a tese reformista. À primeira leitura, a presidente Dilma gostaria de promover uma reforma mais profunda, tratando de fusão e/ou integração de pastas. É muito alto o número de ministérios: 38. Chegará a 39 com a criação do Ministério da Pequena Empresa. Trocar nomes, apenas, não seria suficiente para alavancar o segundo momento do ciclo Dilma.

Nomes mais técnicos

Será muito difícil compor um Ministério com nomes exclusivos das áreas técnicas, quando se sabe que o mando político-partidário é fundamental para a sustentação do governo na esfera congressual. Mas a presidente, conforme se conversa nos bastidores, estaria interessada em nomear perfis de índole mais técnica, mesmo com o carimbo político de indicação dos partidos. Dilma pensa em ter uma equipe mais homogênea, capaz de interagir em projetos integrados. Com raras exceções, as pastas são espaços fechados, sob domínio dos partidos e de algumas lideranças. Parcela acentuada das fogueiras que queimam a imagem de ministros é acesa com a ajuda de gravetos amigos.

Reforma política

O vice-presidente da República, Michel Temer, mostra o caminho para viabilizar a reforma política: um plebiscito em 2014. Com o conhecimento que detém - foi três vezes presidente da Câmara e é presidente do maior partido brasileiro (PMDB) - Michel propõe que a reforma passe pelo crivo popular. Enaltece as missões cumpridas por Ronaldo Caiado, Miro Teixeira e Henrique Fontana - deputados que deram grande contribuição ao escopo da reforma política, por meio de suas ideias aos projetos que tramitam na Câmara - e aponta o impasse de uma reforma que, para muitos, funcionaria como um tiro no pé dos congressistas. Para tirar dúvidas sobre tipologia do voto - distrital, distritinho, distritão, distrital misto - financiamento público de campanha, cláusula de barreira, etc., a proposta precisaria receber o endosso da sociedade. Ante o caráter Federal da reforma, é lógico que o plebiscito seja feito por ocasião de um pleito Federal, ou seja, em 2014. Muito bem argumentada a tese.

Campanha emblemática

O palco mais fosforescente de 2012 será o da capital paulista. Pois em São Paulo, desenvolve-se a mais contundente polarização entre PT e PSDB. Não é a toa que Lula quer impor seu candidato - o ministro da Educação, Fernando Haddad - e os tucanos, sob comando do governador Geraldo Alckmin, pretendem escolher o seu sob o critério de maior viabilidade eleitoral. Ora, não há um grande candidato tucano. Os maiores nomes são os de José Serra e Aloysio Nunes Ferreira. Ambos rejeitam a hipótese da candidatura à prefeitura. Marta Suplicy, com seus 30% de intenção de voto, não desiste e irá às prévias petistas, desafiando Lula. Ganhará? Pouco provável.

Quatro filhos

"Quatro mães muito formosas geram quatro filhos muito feios. A verdade pare ódio; a prosperidade, orgulho; a familiaridade, desprezo e a segurança, perigo". (Padre Manuel Bernardes)

Briga dos royalties

A briga pelos royalties do petróleo se acirra. Clima emocional envolve todos os atores, os chamados "Estados produtores e não produtores". A União não aceita reduzir sua receita de participação especial de 50% para 40%. Os Estados não produtores esperam que o relatório do senador Vital do Rêgo (PMDB/PB) seja aprovado. Se a confusão aumentar, a situação poderá ser decidida pelo STF.

Caras novas

Ou seja, o candidato do PT deverá ser mesmo Fernando Haddad. O PMDB já escolheu como seu candidato, o deputado Gabriel Chalita. O PTB vai de Luiz Flávio Borges D'Urso. O PDT acena com o nome de sempre - Paulinho da Força. O PC do B, com o vereador Netinho de Paula. Celso Russomano, que saiu do PP e entrou no PRB, deverá sair por este partido. E o PSDB? O secretário da Energia, José Aníbal, teria condições de ganhar as prévias. Mas o PSDB não fecharia totalmente com ele. O nome que pode desequilibrar o jogo é o de Guilherme Afif. Com boa visibilidade e um portfólio de muitos votos. Sairia pelo PSD de Kassab. Alckmin e o prefeito acenam com uma aliança. Ocorre que PSDB, com tempo de mídia eleitoral, só faria acordo caso conseguisse a cabeça de chapa, cedendo a vaga de vice ao PSD, que não dispõe de tempo de rádio e TV.

Acordo Sescon e OAB/SP

A OAB/SP firmou ontem acordo de cooperação mútua com o Sescon/SP em benefício dos jovens profissionais de ambas as entidades. "O Sescon tem sido um parceiro e nunca nos faltou nas grandes jornadas que caminhamos juntos. O objetivo dessa nova parceria visando os jovens é ressaltar que o futuro está em boas mãos e que o papel das instituições é trabalhar pela renovação", afirmou o presidente da secional da Ordem, Luiz Flávio Borges D'Urso. José Maria Chapina, presidente do Sescon, lembrou que a OAB/SP tem sido parceira fiel e aliada do Fórum Permanente do Empreendedor, que congrega dezenas de entidades. O presidente do Conselho Federal, Ophir Cavalcante, prestigiou o evento. A parceria foi assinada também pelo presidente da Comissão do Jovem Advogado, da OAB/SP, Gilberto Rodrigues Porto, pelo vice-presidente de Desenvolvimento, Sérgio Approbato Machado Júnior, e pelo presidente da Comissão do núcleo dos Jovens Empresários, Eduardo Serbaro Tostes.

Meu Sergipe

Augusto Franco, governador, estava no aeroporto do Galeão, quando uma aeromoça da Varig, reconhecendo-o, jogou a pergunta:

- O senhor é o Dr. Augusto Franco, de Sergipe?

- Não, minha filha, Sergipe é que é de Augusto Franco.

(Da verve do Sebastião Nery)

PT, mais próximo?

Se não houver acordo entre PSD e PSDB, o que poderá ocorrer? PSD vai procurar outros partidos para fazer aliança e, assim, garantir mídia eleitoral. PSDB, idem. Quanto maior o número de candidatos, tanto melhor para o PT. Que é a sigla que alcança maior união eleitoral. O PT começa, sempre, com históricos 30% de votos. Esse índice lhe garantiria o ingresso no segundo turno. E, com o governo Federal funcionando como escudo e emblema, não seria difícil para o PT arrumar um grande acordo para o segundo turno. Claro, essa hipótese leva em consideração a maior dificuldade do PSDB em estabelecer alianças. A orquestra tucana será conduzida pelo maestro Alckmin. Resumo da ópera: o PT terá, em 2012, maiores chances que em pleitos passados. São Paulo é a sonhada cereja do bolo petista.

Ministério do Esporte

O ministro Orlando Silva tomou a iniciativa adequada ante as denúncias que o envolvem: pediu urgente apuração do caso pela PF e PGR. E se dispõe a ir à Comissão de Ética Pública da presidência da República. Na Câmara Federal prestou depoimento. "Coloquei meu sigilo fiscal, bancário e telefônico à disposição. Eu sei qual meu compromisso ético. Da mesma maneira que fiz questão de impetrar a abertura de apuração para desnudar tudo o que está escrito na reportagem". Disse mais: "Creio que é uma ameaça grave à democracia tentar desqualificar a história de um partido. Por isso quero rechaçar a segunda acusação de que há qualquer tipo de esquema para beneficiar um partido político". Vamos ver, agora, os desdobramentos.

Segurança privada

Empresários do setor de segurança privada realizarão um encontro, quinta e sexta desta semana, por ocasião do VII Fórum Empresarial de Segurança Privada do Estado de São Paulo (FESP), em Bragança Paulista/SP - com o objetivo de discutir a atual situação do mercado de segurança privada, as tendências e os problemas inerentes ao setor. "Autoridades e especialistas debaterão as questões jurídicas, trabalhistas e operacionais, com ênfase para a aprovação do Estatuto da Segurança Privada, que prevê uma regulação maior", explica João Eliezer Palhuca, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo (Sesvesp), organizador do evento.

Terceirização evolui

Pesquisa feita pelo Sindeepres, o maior sindicato brasileiro, que reúne trabalhadores terceirizados, mostra que a remuneração média dos terceirizados era de R$ 972,40, em 2010. Em 1985, era de R$ 544,10. O número de terceirizados subiu, em média, 11,1% ao ano entre 1985 e 2010. A quantidade de empresas teve aumento médio de 16,4% ao ano no período. O mercado paulista possui 700 mil terceirizados contratados. Desse total, o Sindeepres representa cerca de 200 mil, abrigados em mais de dez categorias. "A falta de regulamentação dificulta a solução dos problemas de relações trabalhistas precárias que ainda existem no ambiente da terceirização", diz Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que realizou a pesquisa. "Melhores condições de trabalho, controle do número de horas de serviço e salários mais altos fazem parte das reivindicações dos trabalhadores terceirizados", defende Genival Beserra Leite, presidente do sindicato.

Mário Sérgio

Mário Sérgio Cutait, ex-presidente e membro do Conselho do Sindicato Nacional da Indústria da Alimentação (Sindirações) e atual presidente da FeedLatina (Asociación de las Industrias de Alimentos para Animales de America Latina y Caribe), foi eleito para o cargo de presidente da International Feed Industry Federation - IFIF. A eleição ocorreu há duas semanas, em Roma, e o mandato é de dois anos. Ao ocupar este cargo, Mário Cutait enfrentará importantes desafios impostos pela indústria mundial de alimentos, a partir da elevação dos padrões de qualidade.

Marketing eleitoral

Questões importantes que deverão florescer no jardim do Marketing Eleitoral de 2012 : Campanhas serão municipalizadas ou tendem a receber inputs Federais? Micropolítica - política das pequenas coisas - ou macropolítica, temáticas abrangentes? O discurso da forma (estética) suplantará o discurso semântico? Campanhas privilegiarão pequenas ou grandes concentrações? Qual será o papel das entidades de intermediação social (associações, movimentos, sindicatos, Federações, clubes, etc.)? Telegráficas respostas: 1) Ambiente geral - estado geral de satisfação/insatisfação - adentra esfera regional/local (temas locais darão o tom, mas a temperatura ambiental será sentida); 2) Micropolítica, escopo que diz respeito ao bolso e a saúde, estará no centro dos debates; 3) O discurso semântico - propostas concretas e viáveis - suplantará a cosmética; 4) Pequenas concentrações, em série, gerarão mais efeito que grandes concentrações; 5) Organizações sociais mobilizarão eleitorado.

O coice do jumento

Sócrates caminhava tranquilo quando um atrevido descomedido lhe deu um coice. Estranharam alguns a paciência do filósofo, que arguiu:

- Pois eu que lhe hei de fazer, depois de dado o coice?

Responderam:

- Demandá-lo em juízo pela injúria.

Replicou:

- Se ele em dar coices confessa ser jumento, quereis que leve um jumento a juízo?

(Padre Manuel Bernardes)

Conselhos aos partidos

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao governador Sérgio Cabral. Hoje, sua atenção se volta aos partidos:

1. Procurem, desde já, mapear e estudar as questões municipais - demandas, gargalos, obstáculos, soluções - para o planejamento do discurso de seus candidatos nos 5.564 municípios brasileiros.

2. Elejam, dentre os temas estudados, entre 5 e 6 áreas prioritárias, que devem merecer atenção central. Esse será o vértice da Identidade dos candidatos.

3. Comecem, já agora em outubro/novembro, as tarefas de articulação/mobilização com vistas a parcerias, eventuais alianças, acordos, etc. Com início do mapeamento dos quadros locais para efeito de apuração do corpo de lideranças municipais.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

REPERCUTINDO A "CARTA AO EDUARDO"

Meu caro primo Júnior Bonfim, a generosidade de sua carta me deixou deveras emocionado. Não apenas por estar num momento de grande perda, mas suas palavras calaram profundamento meu coração.

Um grande abraço e meu obrigado.

Eduardo

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É isso Júnior, Eduardo é esse ser maravilhoso, digo isso porque, além de sermos parentes bem próximos, somos amigos de infância e fizemos o "terrível" Exame de Admissão ao ginásio no mesmo ano, fomos colegas de escola, quando depois ele partiu por esses mares sem fim e hoje a gente sempre está em contato, seja aqui ou em Brasília nos encontros da família.

Na semana que passou Eduardo sofreu uma separação: sua mãe, D. Mariinha partiu deixando muita saudade, mas uma família bem estruturada.

Ao nosso querido Eduardo, muita Saúde, Paz, Amor, Sucesso e Prosperidade, tudo o que pessoas boas e decentes merecem nesta vida.

Grande abraço a você Júnior e ao nosso Eduardo.

Postado por Gotardo Beserra Bomfim

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Agradecemos a diligente atuação do nosso querido Eduardo com as dificuldades da nossa familia, e nesse momento somos solidários ao momento de separação e saudade.

Sandra Estela Bonfim

OBSERVATÓRIO

Na solenidade de lançamento da Cordelteca Lucas Evangelista, na sede da Academia de Letras de Crateús, comentei com o vice-prefeito, doutor Mauro Soares, e com o ex-vereador Cleber Bonfim sobre a ausência de uma agenda diferente – que animasse um debate qualificado - para a próxima eleição municipal. Aquele me ponderou que, analisando os municípios da nossa região, Crateús ainda estava na frente dos demais. Penso, no entanto, que essa angústia quanto à qualidade do que vai ser inserido na pauta da campanha vindoura perpassa o coração de muita gente: afinal, para onde estamos indo? Qual o pensar estratégico que há sobre os principais desafios que inquietam o nosso povo? Ouviremos, mais uma vez, a surrada melodia da mistificação? Na falta de um norte claro, continuamos reféns dos ardis, das manobras e dos lances de astúcia. E eles já começaram.

O PMDB

Conforme anunciamos aqui na edição passada, o PMDB de Crateús saiu das dunas da situação e migrou de vez para as ondas tempestuosas da oposição. Qual, então, o desacerto cometido pelos estrategistas da situação que culminou com a perda do PMDB? Apostaram em uma cisão irreversível entre Eunício Oliveira e Domingos Filho. Acreditaram em demasia na suposta força de um neófito, o Deputado Estadual André Oliveira. Eunício conhece bem o potencial de Domingos. Embora saiba que ambos almejam o mesmo objetivo, sabe também que a relação histórica que construíram consolidou a certeza de que um é útil ao outro. Celebraram um pacto de boa convivência. E Eunício entregou o PMDB de Crateús para os amigos de Domingos. Sucede que essa situação episódica apenas trouxe à baila uma velha querela: a resistência de alguns políticos crateuenses, hoje abrigados nos gabinetes do poder local, ao nome de Domingos Filho. Por quê?

DOMINGOS FILHO

O que mais se argumenta como motivo para dissentir do vice-governador é que “Domingos Filho é de Tauá e vai levar tudo que conseguir para lá”. Ninguém diz que João Ananias é de Santana do Acaraú, que Gorete Pereira é de Juazeiro do Norte, que Guimarães é de Quixeramobim e que outros políticos votados e festejados em Crateús são oriundos de outras paragens... Esse argumento é apenas contra Domingos. Por isso é injusto. Ele luta por Tauá, sim. E deveria ser censurado se agisse de modo diferente. Porém, sempre se dispôs a dar o melhor de si por Crateús. Empenhou-se na viabilização das principais obras hoje em andamento no município. Mostrando ser um político desprovido de queixas ou rancores, convidou o Prefeito e seu staff para uma ida a Tauá, ocasião em que disponibilizou sua expertise tecnológica para que Crateús implementasse o Projeto Cidade Digital. Enfim, são inconsistentes as razões levantadas para que se alimente qualquer clima de hostilidade em relação ao ex-presidente da Assembléia. Aliás, isso é apenas uma manifestação de infantilidade política.

DOMINGOS FILHO II

Hoje, Domingos Filho não é apenas um dos mais expressivos nomes do universo público estadual. Ele é, pela posição que ocupa, o próprio curinga. A sucessão Alencarina passará pelo seu crivo. Primeiro da linha sucessória constitucional, com a desincompatibilização do governador para disputar outro mandato, Domingos terá nas mãos as principais pedras do xadrez político cearense. Por que, então, alimentar gratuitamente em Crateús uma atmosfera xenófoba em torno dele? Nossa terra sempre foi conhecida pela sua larga, às vezes ingênua e excessiva, hospitalidade. Se até aqueles que nunca fizeram por merecer experimentam nossa acolhida calorosa, qual a razão para denegá-la a um companheiro de lutas?

CANDIDATO

O cenário eleitoral crateuense para o próximo ano está marcado pela imprevisibilidade. Enquanto a situação já tem um nome definido – o Prefeito – e luta para resgatar a credibilidade arranhada pelos passos equivocados da gestão, a oposição se debate em torno de três desafios: construção da unidade, inovador plano de governo e candidato de visibilidade. O primeiro desafio deverá ser vencido brevemente. Um encontro de todas as forças de oposição deverá selar a unidade sonhada. Nessa esteira, se constrói o consenso em torno de um Programa de Governo, a partir da colaboração efetiva da inteligência local. A definição do nome é que complica. Historicamente, nos últimos anos as candidaturas surgiram sempre por definição de cúpula. O próprio Prefeito atual, Carlos Felipe, foi lançado pela primeira vez, em 2004, nessa mesma lógica: de cima para baixo. O PSDB, que sempre protagonizou essa postura, está fazendo uma auto-avaliação e propondo a inversão dessa lógica. Sugere que todos os que se propõem ser candidato sentem à mesma mesa, definam uma agenda de debates com a população e, ao final, como resultado da soma das mais diversas possibilidades discutidas, se chegue à definição do candidato. Para esse nome oriundo das bases é que seria solicitado o apoio da cúpula.

CENTENÁRIO

No próximo mês a cidade comemorará o seu centenário. Muitos conterrâneos estão se preparando para prestigiar o evento. A Academia de Letras de Crateús prepara, através de seus acadêmicos, um livro substantivo e rico em conteúdo que será lançado como o contributo da Arcádia para a efeméride.

PARA REFLETIR

“O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário”. (Steve Jobs)

(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste)

CARTA AO EDUARDO


Meu primo Eduardo Paula Rodrigues:

Um pássaro virtual me trouxe a missiva em que narras a sucessão dos fatos que constituem tua árvore essencial. Minha primeira reação foi correr para o mar. Tua vida parece se resumir a uma corrida, após uma busca para conhecer o mundo através de uma inserção marítima. E hoje à tarde o mar, esse incansável viajante que nunca sai do lugar, me estimulou a te pedir vênia para dar publicidade a alguns detalhes da tua intimidade.

Confesso que desconhecia, oh sexto filho do Janjão e da Mariinha, o porquê do teu nome composto Eduardo Paulo. Eduardo porque nasceste em 13 de outubro, dia de santo Eduardo, o Confessor, penúltimo rei saxão da Inglaterra. Já o Paulo surgiu em homenagem a Paulo Sarasate, excelso líder cearense quando viestes ao mundo. No cartório, grafaram ‘Paula’ ao invés de Paulo.

Na infância fostes talhado para a fortaleza, sendo cúmplice da madrugada e acordando antes da aurora para beber o leite ‘mugido’, a fim de tanger o comboio de animais que transportava a água de beber em pipas de madeira.

Na sequencia, a cidade. Crateús. Febril, pulsante, desafiadora. O Externato Nossa Senhora de Fátima, a Escola da Dona Delite. E a inusitada recepção: o código do rigor, o estatuto da severidade, o puxão na orelha, o regimento da palmatória. Mas essa exigente etapa era condição sine qua non para a realização do sonho de todo estudante daquela agradável província: passar no exame de admissão do Ginásio Pio XII. Como “reprovar era um verbo proibido de se conjugar”, passaste.

Naquele final da década de 1960, o País sob o governo das armas, um anúncio te despertou a atenção: “Entre na Marinha e conheça o mundo”. Vislumbraste ali não apenas uma oportunidade de trabalho, mas a oceânica aventura de mudar de vida. E foi na Escola de Aprendizes Marinheiros, precisamente em 04 de junho de 1971, que enfrentaste o teu maior maremoto existencial: a perda do pai, aos 52 anos, vítima de acidente automobilístico.

Se a amplidão do mar tinha inicialmente te inebriado, o convés do navio te sufocava.

Desejavas um porto seguro, correr em terra firme, subir degraus na escadaria educacional, viver novas experiências. Aí, concursado do Banco Central, foste para o centro do País, a Capital da República. Tiveste a oportunidade de saborear o convívio poético com o tio-avô Alexandre Lucas, o maior condoreiro do nosso clã, que resolveu adotar o sobrenome Boquady - “Jatobá” em tupi-guarani – como uma forma de prestar reverência à nação indígena. Jamais esqueceste o gesto generoso de Jesus, filho de Lucas, ao te ofertar o indispensável apoio na condução do barco educacional, essencial para que pudesses aportar com tranqüilidade nessa ilha de excelência pública que é o Banco dos Bancos, regulador do crédito e do volume de dinheiro na economia.

Em Brasília, saboreaste a Ambrosia, o doce de divinal sabor, produzido pelo fogão de lenha do coração. Desposaste Antonia, que te deu a inteligente e radiosa Ana Paula, a mais velha, jovem discípula da deusa Thêmis e o promissor Lucas, o mais novo, em adiantado estágio de preparação para prestar o juramento de Hipócrates.

Quem enfrenta a procela, aprende a pisar com agilidade no espaço terreno. Por puro diletantismo, começaste a correr pelas ruas, como um hobby para recondicionamento físico, e viraste um maratonista de dimensão internacional, com atuação na famosa maratona de Nova Iorque e, por quatro vezes, na COMRADES, a ultra maratona da África do Sul, que ocorre desde 1921.

Porém, a incursão mais espetacular que registraste foi em direção às montanhas da bem-aventurança, praticando a filantropia nas ribanceiras da própria vazante familiar, presidindo a Associação Beneficente em Prol dos Portadores de Ataxia (ABPAT/DF), um lenitivo para o incômodo hereditário que inquieta vários parentes com dificuldades de coordenação motora.

Sei que amas a leitura, gostas de ouvir música e adoras pescar. Tens, porém, uma frustração: nunca aprendeste a tocar um instrumento musical. Ficai tranqüilo: tua trajetória é uma melodia à essência solene da vida!

(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste e na Revista Gente de Ação)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PARA REFLETIR

"A ginástica não é um agente materialista, mas, pelo contrário, uma influência tão moralizadora quanto higiênica, tão intelectual quanto física, tão imprescindível à educação do sentimento e do espírito quanto à estabilidade da saúde e ao vigor dos órgãos."

Rui Barbosa

domingo, 16 de outubro de 2011

HOJE É O "DIA DE STEVE JOBS" NA CALIFÓRNIA

O governador da Califórnia (oeste dos Estados Unidos), Jerry Brown, declarou ontem que este domingo, 16 de outubro, será proclamado o "Dia de Steve Jobs" em seu Estado, em homenagem ao cofundador da fabricante de computadores Apple, falecido no dia 5 de outubro.

Em um comunicado, Brown considerou que Steve Jobs "era um visionário californiano único em seu gênero e é normal que marquemos este dia (16 de outubro de 2011) em honra à sua vida e suas conquistas. Ele encarnou o espírito de um Estado (Califórnia) que o mundo inteiro observa para ver o que o futuro nos reserva".

Steve Jobs, falecido aos 56 anos, lutava contra um câncer há vários anos.


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Num discurso que se tem espalhado através das redes sociais, Jobs fala da vida, do trabalho e da morte. Sem preconceitos, num tom por vezes irónico e bem-disposto, o fundador da Apple quer passar uma mensagem de esperança aos milhares de alunos que o ouvem e que acabavam de se licenciar.

Através da sua história de vida – de ter sido dado para adopção, de ter desistido da universidade, a criação da Apple e a sua demissão ("Como é que pode ser despedido da empresa que se cria?", brincou) –, Steve Jobs mostra por que é que hoje é lembrado como "um grande homem", "um revolucionário", "um génio". A chave do segredo, para ele, é acreditar sempre. Ter fé, nunca desistir e fazer sempre o que se gosta.

"Quando olho para trás vejo que ter desistido da universidade foi a melhor coisa podia ter feito", contou Jobs, lembrando que assim pôde deixar de frequentar as aulas obrigatórias "que não serviam para nada" e passar a assistir às que mais lhe interessavam.

Da mesma forma, fala sobre o seu despedimento da Apple, garantindo que essa situação lhe permitiu começar tudo de novo: "Se não fosse assim, hoje não estaria aqui".

A última parte do discursou é dedicada à morte, "muito provavelmente a melhor invenção da vida". "Lembrar-me de que todos estaremos mortos em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida".

"Quase tudo – as expectativas, o orgulho, o medo de falar, qualquer coisa – tudo desaparece quando estamos perante a morte", diz, lembrando o dia em que os médicos lhe disseram para ir para casa e tratar dos seus assuntos, dando-lhe no máximo seis meses de vida, uma situação que viria a mudar quando os médicos acabaram por descobrir que a sua doença era de um tipo raro, que podia ser curado.

"O tempo é limitado, não o deperdicem."


O DISCURSO COMPLETO


“Você tem que encontrar o que você ama.

Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos.

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.

Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.

A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.

Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.

Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.

Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição.
Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.
Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

"Continue com fome, continue bobo.”

Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.
Obrigado.”

Steve Jobs

sábado, 15 de outubro de 2011

LEVI CAZUMBA DE ALMEIDA


Meu afilhado Levi Cazumba de Almeida completa hoje 08 anos de idade. É um sítio de verde esperança para a família.

Meu presente:

TOADA PARA O LEVI


Pertences à alta estirpe solar,
Tens o sonoro silencio do bem-te-vi;
Na dança dos passos, na curva do andar
Baila um adulto dentro de ti.

Carregas na clara fronte, no azul do peito
A filosofal pedra – da vida o emblema.
Na algazarra da rua, no aconchego do leito
Do íntimo de tua alma brota um poema.

Teu jeito meditativo, teu mistério de mar,
Teu vôo de pássaro, tua força de Guarani
É o que me estimula, com palmas, a te louvar:
Feliz aniversário! Parabéns, LEVI!

(Júnior Bonfim)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

VIVER BEM, POR CORA CORALINA



Um repórter perguntou à CORA CORALINA o que é viver bem?

Ela disse-lhe:

“Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice”.

E digo prá você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.

Eu não digo estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.

É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a
vencer as dificuldades da vida.

O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.

O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga prá você que está ficando esquecida,
porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.

Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa.

Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.

Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.

Então silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado,
e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.

Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.

Filha dessa abençoada terra de Goiás.

Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus
direitos.

Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha
própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e
morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina
os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e
amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.

“Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende!”


Cora Coralina , pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas,
(Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985)