sábado, 10 de março de 2012

ELIS REGINA & ADONIRAN BARBOSA - TIRO AO ÁLVARO

sexta-feira, 9 de março de 2012

FICHA LIMPA: RENO XIMENES, PROCURADOR DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO CEARÁ, ESCLARECE PARECER

Sobre críticas feitas pelo deputado estadual Ely Aguiar (PRTB) ao seu parecer contrário à emenda que quer instituir a Ficha Limpa nos cargos estaduais, proposta do pedetista Heitor Férrer, o procurador jurídico do Poder Legislativo, Reno Ximenes, manda a seguinte nota para o Blog. Confira:

Caro Eliomar de Lima,

Gostaria de prestar os seguintes esclarecimentos a respeito da polêmica criada em torno da Ficha Limpa no Estado:

1. Parecer jurídico é um exercício profissional que goza de imunidade profissional baseado no art. 133 da Constituição Federal, servindo apenas como orientação jurídica às condutas jurisdicionais, executivas ou legislativas, como é o caso concreto, podendo, serem discricionariamente ou politicamente despercebidos pelos gestores ou mandatários. Acerca da manutenção ou retratação de uma convicção jurídica, cabe exclusivamente, ao parecerista ou o responsável pelo ó rgão jurídico a sua condução, expedição ou retratação, não ficando suscetível ao tempo e espaço de ritos, principalmente, quando ocorre um fato novo, como foi a decisão do STF, emitida após o parecer exarado por mim e antes da decisão do plenário da assembléia. Parecer que mantenho pelos seguintes argumentos principais:

2. A matéria do “ficha limpa” para os Estados não pode ser copiada automaticamente, nos termos da decisão do STF. Embora não tenha efeito vinculante aos Estados, o que STF decidiu é afeto apenas aos casos de elegibilidade de candidaturas em matéria de Direito Eleitoral. Casos de investidura e exercício de servidores públicos são da área do Direito Administrativo, matéria diversa da tratada no Supremo.

3. Há controvérsias do teor da matéria e a Constituição Federal veda aos Estados legislarem sobre Direito Penal e Processual, competência privativa da União.

4. Mesmo que sobrevivesse algum argumento de cunho moral, o projeto está contaminado de vício de iniciativa, pois projetos de lei que tratem de gestão administrativa e servidores públicos, o próprio Supremo Tribunal Federal sustenta que é de competência privativa do Poder Executivo, cabendo a ele exclusivamente a faculdade de deflagrar o processo legislativo.

5. A decisão do STF é inconstitucional, como outras recentes que tem retirado direitos constitucionais pétreos, pois a Constituição Federal foi escrita por uma assembleia nacional constituinte eleita exclusivamente para tal fim, não cabendo ao STF poderes para revogar os direitos historicamente consagrados nela consignados, nem mesmo através de emenda constitucional, em razão da vedação do Art. 60.

6. As críticas políticas ao parecer fazem parte do exercício justo do cotidiano parlamentar ou da sociedade, o que não cabe a mim replicar, apenas quando elas surgirem com algum teor, substancialmente, jurídico.

7. A aprovação por outros Estados ou Municípios são decisões políticas, não necessariamente jurídicas ou constitucionais, movidas pelo torpor do moralismo, pois ainda não foram aferidas a sua constitucionalidade, o que necessariamente, apenas o futuro dirá.

8. Só falta o populismo jurídico aparecer agora com uma proposta para extinguir com o Habeas Corpus, sob o pretexto que esteja trazendo à liberdade, indevidamente, muitas pessoas.

9. Não se pode fazer reformas políticas com decisões judiciais baseadas em retóricas jurídicas. Para a probidade administrativa e eleitoral o país já possui inúmeras leis que são cotidianamente descumpridas, suspensas ou despercebidas. O que falta é postura e força política no combate à impunidade, principalmente no Brasil, em face do Direito Eleitoral ser eminentemente jurisprudencial, portanto, vulnerável e inseguro juridicamente.

10. Sou solidário à indignação social em face de muitos desmandos públicos, mas, garanto que não é construindo falsos horizontes jurídicos baseado no moralismo messiânico que resolveremos. Moralismo não é moralidade. Moralismo é apenas um bâlsamo que atenua a dor e o sintoma iludindo a doença, no caso, aquela que a sociedade brasileira hoje sofre, a desonestidade pública e a canalhice populista, fazendo retardar as atitudes efetivamente necessárias para uma reforma política inadiável.


* Reno Ximenes, Procurador Jurídico do Poder Legislativo do Ceará.

(No blog do Eliomar de Lima)

quinta-feira, 8 de março de 2012

MUI MULHER

Não sou de medir palavras

Não sou mulher recatada

O que serve para sua

Não serve pra minha estrada

Sou mulher de atitude

E nem sei se isto é virtude

Ou insolência dobrada.

*

Enfrento qualquer encrenca

Seja aqui ou no sertão

Já tive que puxar faca

Numa certa ocasião

Quando puxei a peixeira

Eu vi pegar na carreira

Quem armou tal confusão

*

Onde você estudou,

Não pude ser educada,

Pois tive que botar cedo

O meu pezinho na estrada,

Mas na escola da vida

Não virei uma perdida

Garanto, sou graduada.

*

Se quiser me enfrentar

Va prestando atenção

Não fujo de uma peleja

Sou mulher de opinião.

Gosto de diplomacia

Mas numa delegacia

Tenho argumentação.

*

Se quiser ganhar no grito

Alto também sei gritar.

Se vier na covardia

A mesma arma vou usar.

Porém se acordo quiser

A palavra desta mulher

Acordo não vai quebrar.

*

Dou um boi pra não entrar,

Pra não sair uma boiada

E contra raiva eu aviso

Que já estou vacinada.

E sou sim, flor que se cheira

Mas não caia na besteira

De querer me azucrinar.


--

Dalinha Catunda

VIVA A MULHER

quarta-feira, 7 de março de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Os quatro semáforos

Certo prefeito de Santa Rita do Sapucaí, nas Minas Gerais, ao ver nomeado um amigo para comandar o DETRAN, correu a Belo Horizonte, e não se fez de rogado. Foi logo pedindo:

- Amigo, me arranje umas sinaleiras para minha cidade. Vai ser o maior sucesso. Vai ajudar muito a minha popularidade.

O diretor, tomado de surpresa, ante tão inusitado pedido, procurou administrar a euforia do prefeito, mas não tinha como escapar à pressão:

- Compadre, está difícil arrumar esses aparelhos. Tenho de fazer uma grande reforma aqui na capital. Mas vou me esforçar para lhe arrumar quatro semáforos. Mas, por favor, não espalhe. Insisto: não espalhe.

E assim foi. Ao chegar a Santa Rita, um mês depois da entrega, ficou embasbacado. Viu os quatro semáforos colocados no mesmo lugar : o centro da cidade. Perguntou ao alcaide: "por que você mandou colocar todos eles naquele lugar"? Sorriso no canto da boca, o prefeito respondeu:

- Ora, compadre, você esqueceu? Me lembro bem: você bem que me pediu para não espalhar os faróis.

Manifesto do PMDB

O manifesto do PMDB, assinado pela maioria da bancada, é a gota d'água tirada do pote da insatisfação no qual mergulha o corpo partidário. O partido está insatisfeito com um 'certo' desprezo do governo. Não se trata apenas de queixas contra o menor espaço que tem hoje, comparado ao dos tempos de Lula. Trata-se da constatação de que a coalizão, na prática, não funciona. O Executivo quer os votos do PMDB. E só. Não faz consultas ao partido. Na hora H, a presidente Dilma vale-se da habilidade e do perfil harmônico do vice-presidente Michel Temer para acalmar os ânimos. Mas há limites nessa história de "vem-aqui-e-chega-pra-lá".

Mais reuniões

Diante da crise que pode se alastrar pelos desvãos do Parlamento, o vice-presidente Michel passa a ter papel transcendental. Não por acaso, a presidente Dilma quer fazer reuniões periódicas com ele. Agenda aberta, conversa franca.

Votação em peso

Por mais que existam divergências internas, o PMDB tem dado exemplo de unidade. Basta ver os votos por ocasião do Código Florestal e do Fundo Complementar do Servidor Público. Mostrou que vota unido. O líder Henrique Alves tem trabalhado com afinco para aprovar as matérias de interesse do Executivo. Mas não tem havido correspondência do governo. Só cobranças. Os peemedebistas desconfiam - e com razão - de que o governo quer minar suas forças e, ao mesmo tempo, ampliar as condições político-eleitorais do PT.

Presidência da Câmara

O PMDB quer presidir a Câmara Federal na próxima legislatura. E seu candidato é Henrique Alves, aliás, o parlamentar com o maior número de mandatos na Casa, 11. Henrique, para assegurar sua posição, procura se equilibrar entre a meta de atender os pleitos do Executivo e as demandas de sua bancada. Satisfazer, ao mesmo tempo, a uns e outros é tarefa quase impossível. Por isso, há um certo grupo - cerca de 20 - que tenta obstruir sua posição de liderança. Mas o vice-presidente, Michel Temer, do alto de sua índole equilibrada, funciona como algodão entre cristais.

Geddel, a trombeta

Há no PMDB alguns perfis que fazem barulho. Quem toca mais alto a trombeta é Geddel Vieira Lima, que exerceu o cargo de líder do partido, foi ministro da Integração Nacional, comanda o PMDB na Bahia, e hoje ocupa uma diretoria da Caixa Econômica Federal. Geddel é uma das melhores cabeças do partido. Pensa bem, mas é muito atirado. Não tem papas na língua. E não se cansa de fustigar, quase diariamente, o governador Jaques Wagner, adversário com quem quer medir forças. Ora, com tantas vozes dissonantes, torna-se mais complexa a tarefa do líder Henrique, de agradar todas as alas do partido.

Ameaça concreta

O PMDB está ameaçado de perder a posição de partido que detém o maior número de prefeituras do país, quase 1.200. O PT poderá tomar o seu lugar. E se isso ocorrer, o partido verá diminuídas as chances de poder vir a ser o parceiro principal do PT em 2014. Eis uma ameaça que paira sobre o PMDB.

Condições para ser governador

Solenidade de promoção da Polícia Militar em andamento, os agraciados com ascenso na carreira da corporação são chamados pelo cerimonial. Um a um recebe diplomação. Absorto em seu lugar, olhar atento a tudo, a maior autoridade presente à solenidade - governador Dinarte Mariz - resolve cochichar à orelha de Luciano Veras, secretário da Segurança do Estado:

- Coronel, eu não estou vendo entre os promovidos aquele meu afilhado que lhe fiz recomendação...

A resposta do secretário justifica o porquê da ausência do indicado pelo governador:

- Eu estive avaliando a carreira dele e observei que não havia condições para ganhar a promoção pretendida pelo senhor.

Sem maiores reservas, Dinarte alardeia sua contrariedade com a exclusão técnica:

- Luciano, que condições você está falando ? Se eu fosse atrás dessas condições nunca teria sido governador. (Quem conta o "causo" é Carlos Santos em seu livro Só Rindo 2)

Blocão

Há um bloquinho na Câmara, composto pelo PSB, PC do B, PMN e PRB. Pois bem, o sonho de Eduardo Campos é dar a esse ajuntamento o nome de blocão. A ideia é atrair o PSD de Kassab. Com essa junção, o bloco teria 110 deputados, que seria o maior da Casa. E, claro, com direito a reivindicar o comando parlamentar. Essa é mais uma ameaça que paira sobre o PMDB.

Mais insatisfeitos

Não é apenas o PMDB que se mostra insatisfeito com a participação no governo Dilma. Outros partidos também estão acusando o isolamento. Entre eles, o PSB, o PDT e o PR. A presidente reluta em nomear um indicado de Valdemar Costa Neto para o Ministério dos Transportes. Paulinho da Força quer indicar, pelo PDT, o novo ministro do Trabalho, mas a presidente tende a escolher o deputado gaúcho, Vieira da Cunha. O PSB, insatisfeito, deu apenas 2 votos favoráveis ao projeto do Fundo Complementar do Servidor Público.

Dilma, a durona

Pois é, depois de um ano, a presidente Dilma deixa ver, na plenitude, seu perfil: durona, cobradora, exigente, detalhista, apuro técnico, rigorosa, mandona, puxadora de orelha. O perfil da presidente amedronta ministros e assessores. Como consequência, distingue-se uma moldura de ministros sem autonomia, medrosos, pouco proativos. Muitas obras estão paradas. Verbas aprovadas para parlamentares não são liberadas. Esse é mais um motivo para descontentamento.

A humildade

"A humildade é virtude lúcida, sempre insatisfeita consigo mesma, mas que o seria ainda mais se não o fosse. É a virtude do homem que sabe não ser Deus". (André Comte-Sponville)

Militares da reserva

Pois é, os militares de pijama conseguiram o que queriam : ampla visibilidade. Fizeram um manifesto contra a Comissão da Verdade. E, de quebra, uma crítica ao governo. A presidente Dilma mandou puni-los. E, com essa decisão, a corrente de solidariedade entre os militares aposentados cresceu. Era o que eles queriam. Ora, a presidente deveria ter fechado os olhos a esses queixumes. Quem está na reserva só tem mesmo, como arma, o direito à livre expressão. Garantido pela Constituição. A impressão é a de que houve erro de conduta por parte do Executivo.

Quadro paulistano

A decisão de Serra, de participar do pleito paulistano, abre as seguintes hipóteses: maior probabilidade de segundo turno é com ele e Haddad. Mas tudo vai depender do papel de Lula. Terá o ex-presidente condições efetivas de participar ativamente do pleito? Até onde vai a motivação de Marta Suplicy com a candidatura Haddad? Geraldo Alckmin ajudará de maneira efetiva ou ficará na moita? Os tucanos estarão todos unidos ou haverá dissidentes/inconformados/indignados, como eventuais perdedores das prévias (Zé Aníbal e Ricardo Trípoli, por exemplo?).

Lula, corajoso

Quem conversou com Lula, recentemente, o achou muito deprimido. Ora, o ex-presidente passou por uma dura bateria de quimioterápicos. Os estados de depressão são previsíveis. Lula tem sido muito corajoso. Esta Coluna torce pela rápida recuperação deste grande brasileiro.

Governos sem grana

Os governos estaduais estão com a faca no pescoço. Os cofres estão vazios. Muitas obras paradas. Acorrem à Brasília. Ministros fazem ouvidos moucos.

Loucinha pintada

Etelvino Lins tomou posse no governo de Pernambuco. Logo no dia seguinte recebeu a visita de um tio do interior, que queria abraçar o sobrinho glorioso. O velho entrou meio desconfiado, sentou no sofá largo, começou a conversar. Mas tinha uma bronquite de abade. Tossia sem parar. Um emprego do palácio apanhou uma escarradeira toda desenhada em azul e a colocou discretamente ao lado. O velho tossiu, cuspiu no canto do chão. O empregado puxou a escarradeira mais para perto. O velho empurrou com o pé:

- Tervino, tira essa loucinha pintada daqui, senão eu acabo cuspindo dentro.

(Quem conta o "causo" é Sebastião Nery em seu Folclore Político)

O caso Valcke

Esse secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke, é mesmo um desastrado. Sugeriu que o Brasil deveria ganhar "um chute no traseiro" para avançar na organização da Copa de 2014. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, pediu que a FIFA troque de interlocutor junto ao Brasil. Pano de fundo: soberania do Brasil e poderio da FIFA na organização/realização do evento. Até onde os poderes de ambos se cruzam?

Dilma para Merkel

A chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, perguntou a presidente Dilma, que criticara "o tsunami" financeiro "o que você gostaria que nós fizéssemos?". Nossa mandatária respondeu: "primeiro, esterilizem a enxurrada de euros; segundo, queremos fazer boa parceria com Alemanha, desde que haja reciprocidade; terceiro, temos que tomar medidas de proteção à nossa moeda para proteger o mercado".

Ajudando Haddad

A presidente quer ajudar o pupilo de Lula, Fernando Haddad, a se eleger prefeito de São Paulo. Até toparia mexer no Ministério por conta dessa candidatura. Mas já avisou que não vai enfiar o pé na lama. Ajuda de longe. Para evitar desgaste. Aliás, esse tem sido o aviso da presidente aos correligionários.

Epílogo

"Um homem se propõe a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos, povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naus, de ilhas, de peixes, de moradas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem de seu rosto". (Jorge Luis Borges)

Conselhos à presidente Dilma

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à José Serra. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:

1. A insatisfação na base governista tende a se expandir caso não sejam liberadas as verbas aprovadas no Orçamento para as regiões indicadas pelos parlamentares. Em um ano eleitoral, fechar os cofres para a esfera política parece incongruente.

2. A postura técnica, elogiável e recomendada, precisa ter uma contrapartida política. Não se governa sem apoio da base política.

3. A responsabilidade deve iluminar os caminhos decisórios. E vossa Excelência acerta em cheio quando decide colocar a régua no meio das demandas e pressões. Mas tenha cuidado para não exacerbar na postura.

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*Gaudêncio Torquato

segunda-feira, 5 de março de 2012

PATATIVA DO ASSARÉ - 103 ANOS!


Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, de cujo consórcio nasceram nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956, Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Está sendo estudado na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel. Patativa do Assaré era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.

Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.

Filho de pequenos proprietários rurais, Patativa, nascido Antônio Gonçalves da Silva em Assaré, a 490 quilômetros de Fortaleza, inspirou músicos da velha e da nova geração e rendeu livros, biografias, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro. Também pudera. Ninguém soube tão bem cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza. Talvez por isso, Patativa ainda influencie a arte feita hoje. O grupo pernambucano da nova geração 'Cordel do Fogo Encantado' bebe na fonte do poeta para compor suas letras. Luiz Gonzaga gravou muitas músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, 'A triste partida'. Há até quem compare as rimas e maneira de descrever as diferenças sociais do Brasil com as músicas do rapper carioca Gabriel Pensador. No teatro, sua vida foi tema da peça infantil 'Patativa do Assaré - o cearense do século', de Gilmar de Carvalho, e seu poema 'Meu querido jumento', do espetáculo de mesmo nome de Amir Haddad. Sobre sua vida, a obra mais recente é 'Poeta do Povo - Vida e obra de Patativa do Assaré' (Ed. CPC-Umes/2000), assinada pelo jornalista e pesquisador Assis Angelo, que reúne, além de obras inéditas, um ensaio fotográfico e um CD.

Como todo bom sertanejo, Patativa começou a trabalhar duro na enxada ainda menino, mesmo tendo perdido um olho aos 4 anos. No livro 'Cante lá que eu canto cá', o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que para 'ser poeta de vera é preciso ter sofrimento'.

Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Desde os 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, 'já disse tudo que tinha de dizer'. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome.

NOS CAFUNDÓS DO SERTÃO - UM LIVRO EM LOUVOR A PATATIVA!


Dideus Sales, poeta magnífico e bondoso companheiro, nos abre a estante do novo milênio e dela retira uma preciosidade ímpar: um livro todo dedicado a Patativa, ou melhor, ao Sertão, visto que a ave e o homem, o mito e o sertanejo são raízes da mesma árvore lírica.

Homenagear muito cedo da vida ou somente após a morte é uma postura equivocada. Dideus trilhou o caminho certo: saúda o mestre da poesia popular no momento propício, na melhor idade.

Usando glosas decimais, amparado no mote “eu fui nascido e criado nos cafundós do sertão”, o poeta crateuense nos brinda com a densidade do seu cantar campesino.

Assim como Lampião, lâmpada justiceira na escuridão nordestina, Patativa enxerga com dificuldades. Talvez a luz que lhe falta nos olhos, Deus tenha colocado na alma.

Símbolo da genialidade matuta, o cancioneiro de Assaré conseguiu reunir – pasmem, letrados! – o vigor épico de um Camões, a sensibilidade ambiental de um Gonçalves Dias e o fulgor social de um Castro Alves.

Salve, Dideus, teu canto se eleva às alturas azuis do céu. Cantaste o mais luminoso dos nossos cantores, o poeta estrelado Patativa do Assaré.


(Por Júnior Bonfim, na Orelha do livro "NOS CAFUNDÓS DO SERTÃO", de Dideus Sales, em 2001, quando entre nós ainda cantava Patativa do Assaré. A propósito, o livro está sendo revisto, ampliado e reeditado agora.)

quinta-feira, 1 de março de 2012

SOBRE D. JACINTO

Deixa-nos Dom Jacinto.

Deixa-nos com muita saudade. Pastor dedicado. Afeito a grandes desafios. Mostrou-nos a face mariana da Igreja.

Deu a Nossa Diocese uma Padroeira: Nossa Senhora da Conceição. E um templo belíssimo.

Foi fiel aos ditames da Igreja e do Concilio Vaticano II.

Era um pastor de compromisso.

Vai nos faltar quando desejamos o perfil do Povo Bom e Piedoso de Crateus. Valeu.



José Maria Bonfim de Morais

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

"Foi o que me valeu"

Carlos Pedreira, advogado e engraçado, entra no relato engraçado de Leonardo Mota, no Tempo de Lampião, lá no Nordeste. A passagem é esta:

Certa vez, passei a atuar num processo de desquite. Como esses processos são sempre escandalosos, interferi suasoriamente junto aos cônjuges, a ver se os reconciliava. Consegui um entendimento de ambos. A esposa era uma jararaca velha ciumenta. Feia e desdentada, casara-se em segundas núpcias com o meu constituinte. Atendendo ao meu pedido para que dissesse francamente as razões que a levavam a desquitar-se, ela não hesitou:

- Doutor, eu não aguentei ingratidão do finado, quanto mais deste! Felizmente, o defunto meu primeiro marido está hoje prestando contas a Deus das noites e noites que me fez passar em claro. Agora, faz seis mês que eu estou casada com este cidadão. Os primeiros três mês viveu-se em paz. Ele tratava de me agradar e eu a ele. Mas, de certo tempo pra cá, este homem se desencabeçou, pensa que eu sou peixe podre, se esqueceu que é casado comigo, virou oficial de varruma (conquistador) e vive espalhando o sacramento pela rua..( prevaricando..).

- Mentira sua! Exaltou-se o acusado. E como prova de que cumpria os seus "deveres", e procurando desabotoar a camisa:

- Inda na semana passada você deu-me uma dentada aqui no peito, que eu não sei como não me arrancou um chaboque... Está aqui a roncha!

- É menos verdade! Titubeou ela, mostrando as gengivas. É menos verdade: a prova é que eu nem dente tenho...

Ele pôs levemente a mão sobre o peito equimosado e resmungou:

- Foi o que me valeu...

Serra, ufa, saiu do muro

Até que enfim, José Serra decidiu encarar a realidade. Não tinha alternativa melhor que a de entrar no páreo paulistano. Elenco as seguintes razões: o ciclo Serra de Vida Política não aguentaria mais uma esticada no limbo até 2014. Sem poder e sem visibilidade, chegaria trôpego e com a fala engrolada no ano do pleito presidencial. A eleição paulistana fecha o ciclo da polarização PT versus PSDB. Mas essa polarização só ocorreria com Serra candidato para disputar com Fernando Haddad. Nenhum outro candidato tucano teria cacife para ser competitivo.

Apoio e visibilidade

Serra conta com o apoio de duas máquinas, a da prefeitura, comandada por Kassab, e a do Estado, comandada por Alckmin. Serra tem alta visibilidade e já entra na disputa carregando uns 25% de intenção de voto. Tem ele uma rejeição alta - 33% - mas pode diminuí-la ao correr da campanha. Experiente, conhece os problemas de São Paulo mais que outros. Ademais, FHC e a cúpula tucana já avisaram que o candidato tucano, em 2014, para enfrentar Dilma é Aécio Neves. Portanto, ante a melhor alternativa, Serra desceu o muro.

O novo quadro

Diante da moldura que se estabelece com a decisão de Serra, é possível fazer as seguintes projeções: um segundo turno envolvendo Haddad e Serra, em campanha polarizada; a estrutura das máquinas - municipal e estadual - tende favorecer a candidatura tucana; Serra tentará comer o prato do centro para as bordas, ou seja, das classes médias para as margens sociais; Haddad, sob o império carismático de Lula, tentará comer a sopa das bordas para o centro, ou seja, tentando fisgar o eleitorado de Marta Suplicy e, vir com ele, das margens para o centro. O PT começa com seus 30% históricos de votos. Mas sua decolagem carecerá de mais alguns pontinhos.

Nacionalização?

A questão é: com a entrada de Serra, a campanha será nacionalizada? Este consultor tende a apostar que poderá, sim, ser nacionalizada, até porque a entrada de Lula na arena contribuirá para essa ideia.

Táticas de guerra

"Prepare iscas para atrair o inimigo. Finja desorganização e esmague-o. Se ele está protegido em todos os pontos, esteja preparado para isso. Se ele tem forças superiores, evite-o. Se o seu adversário é de temperamento irascível, procure irritá-lo. Finja estar fraco e ele se tornará arrogante. Se ele estiver tranquilo, não lhe dê sossego. Se suas forças estão unidas, separe-as. Ataque-o onde ele se mostrar despreparado, apareça quando não estiver sendo esperado".(Sun Tzu)

Chalita no meio

Mas há a candidatura de Gabriel Chalita, pelo PMDB, que não pode ser desprezada. Chalita é carismático e junta um voto fiel de parcela importante da Igreja Católica. Terá um bom tempo de TV e rádio, mais de quatro minutos, e expressa um discurso de renovação. Poderá, portanto, fazer barulho. Seu desafio: quebrar a polarização entre tucanos e petistas. Se não entrar no segundo turno, fechará posição com Haddad. Neste caso, o petista contará com a maior parcela do eleitorado de Chalita. Claro, nem todos os eleitores deverão entrar na corrente, pois há, em São Paulo, forte onda contra o petismo. A partir das classes médias.

D'Urso


Na telinha estará também a imagem de Luiz Flávio Borges D'Urso, candidato do PTB, que poderá surpreender nos debates. D'Urso é bom de embate. Se tiver um tempinho razoável de TV, pode crescer.

Renda mínima

"As rendas mínimas asseguradas aos cidadãos que não trabalham podem fazer com que grupos sociais inteiros caiam em um alçapão de pobreza por inatividade, de onde terão as maiores dificuldades de sair. E assim se reduz a oferta de trabalho". (Majnoni D'Intignano)

PSB com Haddad

O PSB do governador Eduardo Campos deverá formar aliança com o candidato petista. Lula e Campos são muito amigos e conservam uma admiração recíproca. Mas há um imbróglio: Marcio França, que comanda o PSB estadual, é secretário de Turismo do governo Geraldo Alckmin. Será que se curvará à orientação/determinação do governador Eduardo Campos? Há, como se pode depreender, muita interrogação no ambiente pré-eleitoral.

PC do B e PR

O PT quer atrair, ainda, o PC do B, o PR e outros partidos que compõem a aliança governista na área Federal. O PC do B tem Netinho de Paula, o cantor e vereador, como pré-candidato a prefeito. O PR é o partido de Paulo Maluf. Seria interessante Maluf no palanque de Haddad, ao lado de Lula e Marta Suplicy. Como o pleito deste ano é o do samba do crioulo doido, Maquiavel faz o patrocínio.

Dilma virá?

Claro, a presidente Dilma, convocada por Lula, deve aparecer para dar um abraço em seu candidato Haddad. Mas, como ela própria já anunciou, não gastará sola de sapato com os contendores, porque na maior parte dos 5.564 municípios os candidatos pertencem à base governista. Agradar a um significará desagradar a outro. A exceção deverá ser São Paulo. Trazida pela batuta do Papa Lula.

PSD de Kassab

O PSD do prefeito Gilberto Kassab terá papel importante no cenário político. O fato de apoiar Serra, em São Paulo, não implicará uma teia de apoios aos tucanos em outros espaços. Kassab tem sido muito claro: esse apoio se restringe a São Paulo. Até porque a tendência do partido é a de vir a integrar a base governista, logo após o quadro eleitoral. O PSD lutará para eleger 500 prefeitos. Com uma bancada de 53 deputados, terá cacife suficiente para influir no processo legislativo. Kassab pisca com um olho para o norte e, com o outro olho, para o sul. Um dos mais hábeis articuladores da política nacional.

Centrais e empresários

A FIESP promoveu, nesta segunda-feira, um encontro/almoço entre Centrais Sindicais e empresários. O motivo: debater a desindustrialização em marcha no país. Em torno de uma comprida mesa, dirigentes de entidades sindicais e industriais expressaram sua indignação com a falta de sensibilidade do Governo Dilma para com os setores produtivos. Paulo Skaf deu o tom dos discursos. Mostrou como o país está estrangulando seu parque industrial. A contrariedade se dirigia também ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que prometera comparecer ao encontro e, na última hora, deu o cano. Por que Pimentel não apareceu? Cochichos: desprezo por São Paulo; falta do que dizer aos participantes; medo de ser foco de grande indignação (e foi mesmo); veto da presidente Dilma à sua presença na FIESP.

A lição de Lincoln

"Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança. Não fortalecerás os fracos, por enfraquecer os fortes. Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que paga. Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes. Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos. Não poderás criar estabilidade permanente, baseada em dinheiro emprestado". (Lincoln)

Dados contundentes

Sindicalistas e empresários cantaram a mesma música: o Brasil está patrocinando milhares de empregos no exterior. O presidente da Marcopolo, gigante da fabricação de ônibus, exibiu dados contundentes: a hora trabalhada em sua fábrica, na Índia, é de R$ 12,00; no Brasil, é de R$ 54,00. Essa tende, dentro de poucos anos, a ser a maior fábrica do grupo. E desfilou o rosário de contas negativas, que termina na nossa logística, que cunhou com o adjetivo: "podre".

Pano de fundo

A presidente Dilma Rousseff dá visíveis demonstrações de desconsideração à maior Federação de Indústrias do país, FIESP. Diferentemente de Lula, que sempre visitou a entidade, quando convidado, Dilma é indiferente aos convites para encontros com empresários na avenida Paulista. Parece ter optado por uma aliança tática com a Federação de MG e com o mineiro Robson Andrade, que dirige a CNI. Em suma, Minas faz a cabeça (e o coração) da presidente. Fernando Pimentel, amigo dileto da mandatária, dá sinais de que a FIESP não existe em seu sistema cognitivo.

PDT em chamas

O PDT parece um partido em chamas. Paulinho, da Força Sindical, diz que será candidato a prefeito de São Paulo. Mas pode vir a apoiar José Serra. Ou não? Depende. Depende de quem será nomeado ministro do Trabalho. Se for alguém de sua ala, poderá debandar para o lado de Haddad, em São Paulo. Se não for, baterá cabeça com o governo e com o PT em São Paulo. Lupi, por sua vez, espera que o ministro seja alguém de sua confiança. Não pode ser o deputado Vieira da Cunha ou Brizola Neto. Se for Vieira, Paulinho garante que pulará para a oposição. Ninguém sabe para onde a sigla caminhará.

Base da Antártica


A base brasileira na Antártica foi destruída por um incêndio. Pesquisas de 30 anos foram destruídas. Retrato brasileiro do desleixo e displicência.

Marketing de campanhas

Este consultor, ancorado em sua vivência, chama a atenção para o planejamento do marketing das campanhas. Senhores candidatos e assessores, atentem para estas abordagens: 1) priorizem questões regionalizadas, localizadas, na esteira de um bairro-a-bairro, ou seja, façam a micropolítica; 2) procurem criar, logo, logo, o diferencial de imagem, elemento que será a espinha dorsal da candidatura, facilmente captável pelo sistema cognitivo do eleitor; 3) desenvolvam uma agenda que seja capaz de proporcionar "onipresença" ao candidato (presença em todos os locais); 4) organizem uma agenda contemplando as áreas de maior densidade e, concentricamente, chegando às áreas de menor densidade eleitoral; 5) eventos menores e multiplicados são mais decisivos que eventos gigantescos e escassos; 6) despojamento, simplicidade, agilidade, foco para o essencial, mobilidade, propostas fáceis de compreensão e factíveis - eis aí um ligeiro escopo de conceitos-chave.

Maia e Garotinho

Cesar Maia e Anthony Garotinho formalizaram a aliança entre PR e DEM. Minha velha mãe, Chiquita, sempre me lembra: "meu filho, nunca diga: desta água não beberei".

Porandubas populares

Pois é, esta coluna Porandubas Políticas tem a satisfação de registrar a peça Porandubas Populares ou Paulicéia Desvairada, de Carlos Queiroz Telles. Misto de teatro de revista, circo e ópera-rock. Ora, Porandubas é isso mesmo, coisa como fragmentos. Vivem perguntando a este consultor : o que significa Porandubas? Digo: em tupi guarani, quer dizer notas, notícias curtas, flashes, fragmentos de texto, pílulas.

O nome dos ministros?

Pequeno teste: quem é capaz, agora mesmo, de citar sete ministros do governo Dilma? Até o final deste texto, procure se lembrar. Num regime presidencialista forte, como o nosso, e ainda por cima controlado com mão de ferro, sob o regime do medo, ministro que aparece muito tem a língua cortada. Bom, chegamos ao final. E os cinco ministros? Lembro: há 37 ministros.

Mais que uma rosa

"Quero ser algo mais que uma rosa na lapela de meu marido" (Margaret Trudeau, então casada com o primeiro ministro do Canadá, Pierre Trudeau)

Conselho a José Serra

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos foliões. Hoje, sua atenção se volta à José Serra:

1. Não perca tempo. Alinhe o discurso, com abordagens convincentes, para justificar sua decisão de ser candidato, depois de tanto tempo indefinido.

2. Desta feita, evite coisas espalhafatosas, como registro em Cartório com o compromisso de permanecer até o final da administração, caso seja eleito. Uma vez, é aceitável. A segunda vez, mesmo sob o colchão da sinceridade, ninguém vai aceitar. Lembraria o compromisso não cumprido.

3. Tente usar a experiência para estabelecer seu diferencial. E administre sua conhecida índole de auto-suficiência, arrogância e superestima. Os olimpianos também despencam dos céus.

____________


(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

OBSERVATÓRIO



Indiscutivelmente o fato mais marcante da última quinzena no universo da atividade política foi a votação, pelo Supremo Tribunal Federal, da constitucionalidade da Lei Complementar 135/10, popularmente conhecida como Lei da Ficha Limpa. Em que pese ser inquestionável sua validade para as eleições deste ano, é óbvio que isso não anula as opiniões divergentes que já esposamos sobre o tema. A maioria dos ministros da Suprema Corte esqueceu voluntariamente de considerar lições básicas de eleitoralistas de nomeada, ilustres constitucionalistas e teóricos luminares do Direito Pátrio, assim como a jurisprudência consolidada do próprio STF.

PONDERAÇÕES

Em primeiro lugar, o termo. A expressão “ficha limpa” em contraposição a “ficha suja” resume bem o tom de intolerância que dominou o debate em torno desse tema. Venceu o velho maniqueísmo de dividir o mundo entre bons e maus, entre limpos e sujos (ah! Se o mundo fosse tão simples assim...). Sempre olhei com cautela para essas posições extremadas. Da forma em que foi colocada, a Lei se ressente de várias impropriedades jurídicas. Por exemplo: nivela as pessoas por baixo. Um cidadão que, por um motivo qualquer – às vezes uma mera atecnia - teve uma conta de gestão votada por um Tribunal de Contas como irregular, é colocado no mesmo patamar de uma figura que cometeu um crime hediondo. Todos receberão igual rótulo de “ficha suja”. E sofrerão um verdadeiro linchamento moral. Acho isso injusto. Fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Embora saiba que atende um desejo de justiçamento presente em setores bem intencionados da sociedade.

A NOVIDADE

Ultrapassada essa questão, o fato é que nas eleições deste ano os eleitores terão a oportunidade de acessar o plano de governo de todos os candidatos. Agora, por força de uma inovação introduzida no artigo 11, inciso IX, da Lei Eleitoral, ao solicitar o registro da candidatura, todo candidato a prefeito deve apresentar seu programa de governo. Nas eleições municipais passadas não existia essa obrigatoriedade. Para que se tenha uma idéia, salvo melhor juízo, nenhum dos candidatos a prefeito de Crateús na eleição passada registrou sua plataforma eleitoral. Passamos a campanha inteira ouvindo idéias, assistindo debates etc. Mas ninguém exibiu, manuseou, disponibilizou e registrou um Programa de Governo. Este ano, os candidatos têm até as dezenove horas do dia cinco de julho – três meses antes da eleição – para fazer o protocolo junto à Justiça Eleitoral, sob pena de sofrerem um processo de impugnação.

A NOVIDADE II

Essa inovação é um passo essencial à consolidação de uma consciência de cidadania no eleitorado em geral. É óbvio que, com o documento do candidato na mão, o eleitor fica com mais força para cobrar do postulante o compromisso assumido em campanha. Hoje, há pessoas elaborando uma lista com as promessas feitas na eleição passada e que não foram colocadas em prática. Mas ninguém possui um programa de governo escrito e assinado pelo candidato.

O RUMO

Há uma lição que devemos recolher disso. Devemos inverter a ordem de prioridades. Antes de tudo, deve se debater o município. As forças e fraquezas, os desafios e oportunidades, as angústias do presente e os sonhos de futuro. Desenhar um modelo, como quem projeta um edifício. Após definir o rumo que queremos para nossa comuna é que devemos escolher um nome para coordenar esse trabalho. Temos, até agora, feito o inverso: primeiro, e sempre, se discute pessoas. Nunca, ou quase nunca, um projeto. Setores da oposição estão empenhados em fazer esse trabalho de alavancar um debate em torno das questões estratégicas do município. É óbvio que se houver uma alteração no eixo da condução de campanha, elevando-a para um patamar qualificado, todos sairão ganhando.

DOM JACINTO

A imprensa piauiense noticiou: Foi anunciado por volta das 07horas da quarta feira de cinzas (22), no Palácio Arquiepiscopal, o nome do novo arcebispo de Teresina. Em carta do Núncio Apostólico no Brasil endereçada ao administrador arquidiocesano, Pe. Antonio Soares Batista, foi comunicado que o Papa Bento XVI escolhera o bispo Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, atual bispo de Crateús-CE, como o novo arcebispo de Teresina. Dom Jacinto Brito vai tomar posse no dia 06 de maio deste ano em missa solene com a presença do clero piauiense, maranhense e cearense. Ele substitui a Dom Sérgio da Rocha, transferido para Brasília no ano passado.

DOM JACINTO II

A promoção de Dom Jacinto para o arcebispado de Teresina, Piauí, provocou, nos católicos dos sertões de Crateús, reações de alegria e tristeza. Esta pelo fato da perda do pastor que liderava a Diocese local; aquela em razão do reconhecimento ao seu talento. “Dom Jacinto é preparado, simples e tem uma forte identidade com a realidade do povo piauiense, porque é nordestino como nós. Foi uma excelente escolha”, afirmou Padre Tony Batista, administrador diocesano de Teresina, ao fazer o anúncio. Abaixo, a crônica que a ele dedicamos há algum tempo atrás.

PARA REFLETIR

Não nos deixemos iludir! Sem respeito às legítimas convicções religiosas do outro não há PAZ! Respeitar não quer dizer: “tudo é igual, deixa assim mesmo”, mas reconhecer que no sacrário da consciência de cada um está o direito de responder livremente a Deus. O cristão-católico, como afirmava o Papa Bento XVI aos bispos, na Catedral de São Paulo (2008) não age por proselitismo ou imposição e sim por atração. Vede como
eles se amam! Essa força não esmaga, transforma e encanta! Quem acolhe e ama, escuta de seus lábios: “Bem aventurados os que constroem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Paz! Um ano em favor da Paz!
(Dom Jacinto)


(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

DOM JACINTO FURTADO DE BRITO SOBRINHO



A Catedral do Senhor do Bonfim, em Crateús, está leve como uma garça que se prepara para alçar vôo, acolhedora como uma matriarca generosa e sensível, dotada de delicadas saliências arquitetônicas e revestida da imponência silenciosa de um monólito do sertão central. A Cúria Diocesana e a Casa Paroquial também passaram por cirurgias plásticas que as fizeram rejuvenescer. O Cemitério São João Batista, pela beleza da fachada, está digno de ser chamado de mansão dos mortos. O Centro de Treinamento Diocesano experimenta uma inflação floral. Uma nova residência foi erigida na Rua Poty. Como os antigos fortes protetores das urbes, novos templos irrompem estrategicamente dispostos em bairros diferentes como Planalto, COHAB Ipase e Cidade Nova. Toda a infra-estrutura predial da Igreja Católica acusa o palpitar da renovação.

Esse impulso motivador há contagiado também os fiéis, que se revelam estimulados e atendem prontamente a todas as convocações do Pastor, inclusive para o exercício de longas peregrinações.

Estas consideráveis alterações se produziram graças ao Sopro do Espírito através de um dos seus discípulos, o bispo Jacinto Furtado de Brito Sobrinho. No ímpeto empreendedor, lembra D. José Tupinambá da Frota, o sobralense que elevou às estrelas a auto-estima da Princesa do Norte.

Na concordância de Juarez Leitão, D. José fundou uma escola “segundo a qual o padre deveria assumir o papel principal de sua comunidade. Prefeitos, juízes e delegados de polícia teriam que se conformar com a função coadjuvante. O vigário tinha de ser o líder maior e o puxador do progresso, onde quer que se encontrasse. Ele próprio, o bispo-conde, fora o maior construtor de Sobral. E, certamente, o homem mais virtuoso”.

Do Maranhão veio o atual prelado de Crateús. O anterior, D. Antonio Batista Fragoso, também, assim como o primeiro bispo a pisar o solo crateuense, Dom Antonio de Alvarenga. Há entre os crateuenses e os maranhenses um fio de união religiosa que atravessa as eras, pois de lá advieram missionários com prédicas peculiares na condução do estandarte da fé.

Hoje, costumamos identificar pessoas que tentam rivalizar ou fazer uma comparação excludente entre D. Fragoso e D. Jacinto. Acho impróprio. Aquele marcou época, inscreveu seu nome na lápide da história com a tinta do sangue profético; este se firma pelo pendor à edificação, pela inclinação à mobilização pastoreia, pela disposição gerencial.

Quando a Pátria agonizava sob o cativeiro da ditadura e as Instituições estavam amordaçadas, Dom Fragoso percorreu a íngreme vereda do combate, revelando ao povo com o aço cortante da sua verve que era possível atravessar o mar vermelho do regime de exceção.

Dom Jacinto é um carpinteiro da fé, que talha a madeira bruta do sonho realizador coletivo e estimula o rebanho religioso a desenvolver os talentos, que são dádivas celestiais. São caminhos distintos, mas não antagônicos.

Ambas as trilhas conduzem ao mesmo Jovem Galileu, que ora expulsou com ira santa os vendilhões do templo e ora coordenou a operação milagrosa da multiplicação dos pães.

O importante é que cada um de nós deve saber usar corretamente o dote que Deus lhe deu. Como bem leciona a música, “se um dom especial é dado para alguém, é pra ajudar o bem na luta contra o mal”.

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CÉU E INFERNO ÍNTIMOS


Conta-se que um dia um samurai, grande e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.
- Monge, disse o samurai com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:

- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável.
- Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.

O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva.

Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.

- "Aí começa o inferno", disse-lhe o sábio mansamente.

O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno.

O bravo guerreiro abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso ensinamento.

O velho sábio continuou em silencio.

Passado algum tempo o samurai, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse o gesto infeliz.

Percebendo que seu pedido era sincero, o monge lhe falou:

- "Aí começa o céu".

Para nós, resta a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir na própria intimidade.

Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia.

A cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno.

É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros.

Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer objeto do seu interior.

Assim, quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância.

Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou a gaze da autoconfiança.

Quando injúria bater em nossa porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o óleo do perdão.

Diante da enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido dissolvente da revolta ou empunhar o escudo da confiança.

Ante a partida de um ente caro, nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo punhal do desespero ou pela chave da resignação.

Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz.

A decisão depende sempre de nós mesmos.

Somente da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.

Portanto, criar céus ou infernos portas à dentro da nossa alma, é algo que ninguém poderá fazer por nós.

Pense nisso!

Sua vontade é soberana.

Sua intimidade é um santuário do qual só você possui a chave.

Preservá-la das investidas das sombras e abri-la para que o sol possa iluminá-la só depende de você.


(enviado por Francys Mary Paiva)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SOBRE D. JACINTO

A nomeação de D. Jacinto para o Arcebispado de Teresina traduz a grande capacidade de trabalho, amor à causa da Igreja e, acima de tudo, o reconhecimento do Santo Padre pelo trabalho do nosso Bispo em Crateús.

Que Deus o ilumine na nova missão.

Obrigado, D. Jacinto, pelos anos de sua vida dedicados a Crateús e a seu povo.



Sergio Moraes

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

DOM JACINTO, BISPO DE CRATEÚS, SERÁ O NOVO ARCEBISPO DE TERESINA


O administrador Diocesano da Arquidiocese da Capital do Piauí, padre Tony Batista, anunciou na manhã desta quarta-feira de cinzas (22) que Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, Bispo de Crateús, será o novo Arcebispo de Teresina. A posse está marcada para o dia 6 de maio na Catedral Nossa Senhora das Dores.

O padre Tony Batista, administrador diocesano, está no cargo desde agosto do ano passado, quando o Bispo Dom Sérgio da Rocha foi transferido para Brasília. O padre deus as boas-vindas ao escolhido por meio de uma carta distribuída à imprensa.

“Dom Jacinto é preparado, simples e que tem uma forte identidade com a realidade do povo piauiense, porque é nordestino como nós. Foi uma excelente escolha”, afirmou Padre Tony Batista ao fazer o anúncio.

O novo arcebispo é natural de Bacabal (MA). “Dom Jacinto é muito conhecido e respeitado na comunidade católica, já tendo participado de eventos e atividades religiosas em Teresina”, afirmou Padre Lauro, que trabalha no setor de comunicação da Diocese de Teresina.

Também estavam presentes os bispos de Picos, Dom Plínio Luz; Oeiras e Floriano, Dom Juarez; Parnaíba, Dom Alfredo; Campo Maior, Dom Eduardo e os arcebispos eméritos de Teresina, Dom Miguel e Dom Celso Luís.

O arcebispo pode ficar na função até os 75 anos.

Veja a carta escrita pelo padre Tony Batista:

NOTA DE BOAS VINDAS

Observando a nossa caminhada percebemos o quanto Deus tem sido bondoso para com a Igreja de Teresina. Sempre Ele tem nos mandado pastores solícitos, bons, generosos, competentes e, sobretudo, homens de Deus, dedicados ao nosso povo.

Ainda sentimos a presença marcante de Dom Sérgio da Rocha, nosso último Arcebispo que foi transferido para a Sede de Brasília. Temos muitas saudades dele!

Hoje, contudo, o Senhor voltou o seu olhar para nós e nos mandou o novo Arcebispo. Estamos contentes, radiantes, esperançosos e, sobretudo, gratos a Deus por nos mandar aquele que vem nos confirmar na fé e animar a nossa caminhada rumo ao Reino Definitivo.

Seja bem vindo, senhor Arcebispo, Dom Jacinto. Nós o acolhemos com a mesma ternura que acolhemos nossos pastores anteriores. Estamos felizes pela escolha do Santo Padre, o Papa Bento XVI. Agradecemos a Deus por nos ter mandado o senhor como nosso pastor e guia. Estamos de braços e corações abertos para acolher o senhor como nosso Arcebispo. Conte conosco, com os padres, religiosos e leigos valentes e trabalhadores, missionários e dedicados, simples, porém apaixonados por Cristo e a sua Igreja. Não mediremos esforços para ajuda-lo na missão evangelizadora nesta Igreja de Teresina.

Agradecemos ao senhor, Dom Jacinto, pela disponibilidade em aceitar mais este chamado do Senhor. Se o senhor diz que vem logo, desde agora somos felizes!

O senhor vai encontrar uma “Igreja que por graça de Deus e na força do Espírito, é rica de dons e de carismas, em operosidade evangélica e em amor pelos pobres e esquecidos”. Uma Igreja que está a serviço da vida e da esperança, que promove o bem e a verdade, que dialoga com o nosso povo e que assume o rosto missionário de Jesus, o Salvador.

Certamente que o senhor encontrará também dificuldades. Somos tão humanos como em qualquer outra Igreja, mas dispostos a viver a unidade e a colaborar com o senhor, no seu pastoreio. Conte conosco, senhor Arcebispo, e seja bem vindo à nossa amada Igreja de Teresina.

Teresina, 22 de fevereiro de 2012


Pe. Tony Batista
Administrador Diocesano


(Fonte: Cidade Verde)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A PLACE IN MY HEART (Um lugar no meu coração) TRADUÇÃO

DIDEUS SALES E DALINHA CATUNDA


DS

Dalinha, quando degusto

A tua literatura,

Às vezes até me assusto

Com tanta desenvoltura.

Acho que tu és elétrica,

Pois produz muito, e a métrica

Agora está bem na linha!

O verso tá bom de um jeito,

Que ao ver um verso bem feito

Já penso que é de Dalinha!


DC

Dideus eu fico contente

Com tua apreciação.

És um vate competente

Esta é minha opinião.

Nos versos tu és atleta

Que traz a alma repleta

De inspiração e magia

A tua maior riqueza

Concentra-se na beleza

De difundir alegria.

*

Foto de Dalinha Catunda

Décimas de Dideus e Dalinha


*************************************************

Olá Júnior,

Obrigada pela postagem e pelo carinho de sempre.

Esta foto é no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular no Rio de Janeiro.

Na foto da esquerda para direita: Dalinha Catunda, Dideus Sales e Rosário Pinto.

Um abraço,

Dalinha

A ARTE DE SER LEVE!



Costumo dizer que, depois de passar alguns anos correndo atrás da felicidade, hoje prefiro andar sem pressa em busca da leveza.

Não a leveza que nos aliena ou nos condena à superfície, mas aquela que nos inspira a manter uma espécie de elegância existencial mesmo diante das adversidades – e adversidade é coisa que nunca falta pelos caminhos.

Todos nós temos problemas, todos nós convivemos com frustrações e perdas. Mas nenhuma carga de insatisfação pessoal justifica nos transformarmos em seres de espírito obeso, criaturas permanentemente estressadas e insatisfeitas que parecem carregar nas costas (e na alma) o peso do universo. Não há nada mais penoso do que conviver com pessoas desagradáveis – seja na casa, no trabalho, no prédio onde moramos ou na fila do cinema.

E a recíproca, claro, é verdadeira: compartilhar um espaço, uma atividade ou uma vida com alguém leve é um dos grandes prazeres da existência.

Quando penso nessa leveza que acrescenta qualidade ao cotidiano, penso antes de mais nada, em bom humor e gentileza.

Pessoas indelicadas, incapazes de dizer "obrigado" ou "por favor", aquele colega da empresa que nunca dá um "Bom dia", o chefe que maltrata os funcionários, o motorista que sai dando fechadas no trânsito, a vendedora que não cumprimenta os clientes: quem é que gosta de dividir seu cotidiano com pessoas assim?

E aquele médico que não dá um sorriso sequer, o marido que não abre a cara por nada deste mundo, a amiga que reclama de tudo e de todos, a colega de trabalho que parece estar brigada com todos e com tudo: alguém merece conviver com criaturas assim?

Quando se abre a mão da gentileza, a qualidade de vida cai drasticamente.

Não há como manter bons relacionamentos – sejam eles na esfera profissional, social ou familiar – quando se é descortês ou grosseiro.

E quando nossos relacionamentos deixam a desejar, nossa qualidade de vida é expressivamente reduzida.

Com o humor ocorre o mesmo.

Pessoas bem humoradas ou com senso de humor convivem melhor com o mundo e com elas mesmas.

Não criam dramas desnecessários e, com isso, reduzem o impacto das circunstâncias desfavoráveis que inevitavelmente fazem parte do nosso dia a dia.

Antigamente, valorizava-se muito a simpatia.

Hoje, no mundo das aparências e do consumismo, valem o corpo malhado, o carro do ano, o rosto sem rugas, a roupa de grife. Aos poucos, vamos nos esquecendo de sermos agradáveis – é como se a simpatia fosse uma virtude bobinha do passado, uma prima pobre esquecida diante de tantos modismos. Apressados, estressados e esgotados pelo esforço permanente do "ter que fazer", "ter que correr", "ter que se dar bem" e "ter que competir", vamos aumentando, sem perceber, o peso que carregamos na alma.

É como se a cada dia acrescentássemos alguns quilos a nossa bagagem e o percurso vai ficando cada vez mais arrastado e mais difícil.

Para quem não teve a sorte de nascer leve, leveza é algo que se aprende, garante um casal de psicólogos portugueses que entrevistei para o meu livro sobre esse tema. Helena Marujo e Luís Miguel Neto dão treinamentos em empresas, escolas e hospitais para ensinar as pessoas a serem mais bem humoradas, mais agradáveis, mais otimistas. Fácil não é elas admitem. Mas é possível. São escolhas diárias que fazemos, pequenas e grandes escolhas: como vou tratar este colega? Vou respeitar ou não meus funcionários? Vou passar duas horas reclamando da vida para os meus filhos? Esta minha cara fechada é algo que alguém merece ter por perto? Até quando vou impor meu azedume a quem me cerca? Quando foi a última vez que tentei ser uma pessoa melhor, mais generosa e delicada, menos amarga ou agressiva? São perguntas que podemos, ou devemos, nos fazer cotidianamente – pequenos exercícios em prol da leveza e da tão falada qualidade de vida.

Mestres na arte de cortar carboidratos e contar calorias, talvez seja hora de colocarmos a alma na balança, aparar as arestas e reduzir as gorduras do espírito.

"Travel light", costumam recomendar os guias de viagem: "viaje leve", ou seja, quanto menos bagagem, maior a chance de desfrutarmos o que aparece no caminho. Quando a alma pesa pouco, viaja-se, ou vive-se melhor.

E, claro quem convive conosco agradece.

(Artigo da jornalista Leila Ferreira enviado por Arnaud Cavalcante)