Entrevista coletiva, todo jornalista sabe disso, costuma ser das coisas mais entediantes do mundo. Imagine, então, uma entrevista coletiva feita pela internet, com 956 internautas no papel de entrevistadores? Pois se faltou alguma coisa na entrevista do presidente do STF pelo Youtube, na última sexta-feira (16/4), foi tédio. E sobrou emoção. Houve de tudo um pouco — perguntas agressivas, incômodas, encomendadas, nenhuma combinada antes ou para afagar o entrevistado. O ministro Gilmar Mendes respondeu a todas, sem perder a calma. Quem não viu, ainda pode ver pelo canal do STF no Youtube.
A entrevista se inclui na programação de atos que marca a despedida do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal. E coroa a política de comunicação da corte sob sua gestão, baseada na contínua busca pela transparência e pelo contato com a sociedade, dispensando intermediários. Feita através do canal de vídeos que o Supremo tem no Youtube, a entrevista seguiu o modelo da que foi concedida pelo presidente americano Barack Obama, dos Estados Unidos, logo após sua eleição para o cargo. E não se tem notícia de outra semelhante.
Durante uma semana os internautas puderam registrar seus questionamentos pela internet, sobre onze temas pré-estabelecidos. Os internautas podiam também votar nas perguntas que achassem mais interessantes. Depois de cinco dias, 956 internautas registraram 408 perguntas e 12.425 votos nas suas preferidas. As 11 mais votadas foram levadas para a entrevista transmitida pelo Youtube na tarde de sexta-feira (16/4). As perguntas foram selecionadas pelo Google, que administra do site de vídeos, sem interferência da TV Justiça ou do STF.
Para começar, Daniel Dantas e De Sanctis. Em vez de uma, o ministro teve de dar respostas para seis perguntas que rememoraram e questionaram seu comportamento no transcorrer da operação da Polícia Federal que ficou conhecida como Satiagraha. Lembram-se? Denunciado pela tentativa de suborno contra um delegado da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas foi preso temporariamente por determinação do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo. Um pedido de Habeas Corpus com liminar para sua libertação chegou às mãos do ministro que o deferiu. Dantas foi solto e em seguida nova ordem de prisão — desta vez, provisória — foi emitida pelo juiz De Sanctis e cumprida pela PF. Novo pedido de HC foi julgado e deferido pelo ministro Gilmar Mendes.
Os internautas não usaram meias palavras para perguntar: o senhor desrepeitou o juiz De Sanctis... foi criticado pelos próprios colegas do Supremo... Só o senhor está certo? Qual a prova que o senhor aceitaria para manter na prisão o banqueiro condenado a 10 anos por corrupção? Por que a Justiça dos EUA levou seis meses para prender o Madoff e aqui Justiça deixa solto o Daniel Dantas que foi condenado a 10 anos de prisão?
Gilmar Mendes lembrou que sua posição no caso foi respaldada e confirmada pelo Pleno do STF. Falou do Sistema Jabuticaba, que só existe no Brasil: “um sistema em que um ministro da suprema corte está jungido à decisão de um juiz de primeiro grau e que um juiz de primeiro grau pode desrespeitar uma decisão do STF”. Lembrou que, ao contrário do que sai nos jornais, o STF não dá Habeas Corpus apenas para os ricos: “No ano passado o Supremo concedeu 18 Habeas Corpus em casos de bagatela”.
Fez uma cronologia dos fatos na segunda prisão de Daniel Dantas para demonstrar a existência de um consórcio entre o juiz, o delegado da PF e o promotor: o Habeas Corpus libertou o banqueiro às 23h; às 5h ele saiu da prisão; às 9h ele foi intimado para prestar depoimento e as 14h estava preso de novo. “Prova que antes da decisão do Supremo já se preparava a nova prisão, combinada entre juiz, delegado e promotor.”
As trapalhadas do delegado Protógenes Queiroz, cujo nome não é pronunciado mas que foi o primeiro encarregado de conduzir as investigações contra o banqueiro Daniel Dantas, voltou à tela quando uma pergunta abordou a questão do suposto grampo de uma conversa do presidente do Supremo com o senador Demóstenes Torres. Gilmar lembrou então que mais de 80 agentes da Abin, a Agência de Inteligência do governo federal, foram empregados em função policial completamente estranha a suas atribuições funcionais.
Outra pergunta para provocar o ministro: o foro especial para políticos corruptos não é um incentivo à impunidade? O ministro diz que é a favor do foro especial desde que isso não rime com impunidade. “É preciso dar uma dinâmica ao processo criminal, quer ele tramite no Supremo ou no primeiro grau”. E contou que o STF conta hoje com um juízo de instrução para dar dinâmica aos processos criminais da corte. “Falhas nas Justiça criminal existem e o CNJ fez deste 2010 o ano da Justiça Penal.”
Outra pergunta foi direto no corpo do presidente do ministro. “Ano passado uma revista afirmou que o 'senhor foi coronelzinho durante muitos anos em Diamantino, elegendo e reelegendo pessoas de sua confiança para beneficiar sua família'”. Gilmar Mendes respondeu à altura: “Esta publicação se qualifica como uma digna pistolagem jornalística e fez uma série de ataques a mim.” Esclareceu que só participou da eleição de seu irmão para a prefeitura da cidade quando era advogado-geral da União. “Meu bisavô foi desembargador em Mato Grosso, nunca tive capangas, minha família nunca se envolveu com a violência.”
Outra pergunta coloca o presidente do STF como voz da “direita conservadora brasileira”. Gilmar Mendes responde com alguns dos feitos à frente do Supremo: temos defendido um sistema eficiente de saúde pública para todos; avançamos no que diz respeito à fidelidade partidária; editamos a súmula das algemas, que passou a evitar abusos notórios; lançamos no CNJ o mutirão carcerário que beneficiou 20 mil presos com a liberdade; na falta de assistência judiciária, lançamos a advocacia voluntária. Isso é política de direita conservadora?
Mais uma vez foi interpelado com a expressão de que juiz só deve falar nos autos. “O que é falar nos autos quando se tem uma missão institucional?” Para o presidente do STF, afirma Gilmar, não existem autos. Existe, sim, a obrigação de se manifestar em questões institucionais e políticas. “O presidente do STF enquanto chefe de um poder da República, tem uma missão institucional. Ele trata de processos e trata de política. Quando diz que a Constituição tem de ser respeitada e que não pode haver invasão de terra ele está em sua missão política e para isso não tem autos, não tem processo.” Aliás, era isso que ele, em sua última semana como presidente do Supremo Tribunal Federal, estava fazendo naquela tarde de sexta-feira.
(Fonte: CONJUR)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA É HOJE!


BRASÍLIA
(UMA CINQUENTONA QUE ME CONQUISTOU)
Sou do Ceará, acostumada com muito céu e muito chão, tudo isso encontrei em Brasília para encanto dos meus olhos.
Bem instalada, no apartamento de Tereza Mourão, uma lua imensa, cheia de magia, transpassava a vidraça iluminando o ambiente, numa penumbra natural.
As Paineiras floridas desabrocharam salpicando o chão de pétalas para que eu embevecida pudesse passar, as nuvens se esconderam e a cidade me presenteou com o céu azul mais maravilhoso que eu já pude ver em toda minha vida. A falta de umidade respeitosamente não apareceu, para meu conforto.
Eu não teria palavras para traduzir a beleza do que é um passeio de veleiro ao cair da tarde no Lago Paranoá. Ver o sol se esconder, a beleza do escarlate em suas nuances até sumir de vez preparando o espaço para o brilho soberano de uma lua cheia de encanto cercada de intermitentes estrelas.
O Verde das árvores, o azul do céu em contraste com a arquitetura dessa cidade planejada é simplesmente majestoso. Nem me fez falta a falta de esquinas! Os monumentos realmente me encantaram.
Estou falando de uma Brasília que vi e senti por mais de uma vez e me encantei. Não daquela Brasília que aparece sendo covardemente ridicularizada na televisão.
Hoje gostaria de parabenizar essa bela cinquentona que me conquistou e parabenizar também meus amigos nordestinos que fizeram de Brasília se segundo lar e que me acolhem com tanto carinho.
(Dalinha Catunda)
POSSE
Em solenidade realizada no auditório Álvaro Palmeira, do GOB, em Brasília-DF, o poeta e cronista Júnior Bonfim, que integra o corpo de colunistas deste Jornal, foi empossado na Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Grande Oriente do Brasil. Também passou a integrar o núcleo brasileiro da Academia Maçônica Internacional de Letras (AMIL), com sede em Lisboa, Portugal.
O evento contou com a presença das mais altas autoridades da Maçonaria nacional, além de líderes internacionais como o Presidente da Academia Maçônica Internacional (AMIL), o português Bernardo Martins Pereira.
Conterrâneos como Dideus Sales, Paulo Nazareno e Tião Machado e esposa estiveram presentes e prestigiaram Júnior Bonfim.
(Publicado no Jornal Gazeta do Centro Oeste - Crateús, Ceará)
terça-feira, 20 de abril de 2010
OBSERVATÓRIO
Semana passada estive em Crateús. Andando pelas ruas da urbe com um taxista – que, sei, votou no atual Prefeito - indaguei: - Como está a cidade? Ele respondeu com aquela ansiedade do eleitor que já ultrapassou a fase da decepção e ingressou no tablado da indignação: - Parece que estamos sem sorte: veja essa buraqueira... Toda semana marcam para começar a obra na segunda-feira e este dia nunca chega. Mas... O Prefeito é só enchendo a Prefeitura de parentes. De Brasília já chegou um bocado... Nunca imaginei que isso fosse acontecer...
ATMOSFERA
Parece que um lençol de tensão cobre a atmosfera da cidade. Uma energia pesada, própria de momentos beligerantes, típica de situações de contendas irracionais, transpassa sob o horizonte municipal. É como se emergisse um produto estranho, resultado de uma combinação perigosa que mistura uma alta dose de frustração com uma perspectiva desprovida de esperança no futuro. As notícias desairosas suplantam as informações virtuosas. Uma hora, estoura nova greve de professores. Noutra, o telefone do hospital aparece bloqueado. Um dia, surge uma denúncia da obra da Praça. Noutro, a emissão irregular de diárias.
O CARRO
Um aliado do Prefeito, que inicialmente previa vida longa para o governo vida nova, hoje utiliza a seguinte imagem: “Eu costumo comparar a máquina municipal com um carro, que tem como principais itens de segurança a embreagem, o pneu e a barra de direção. Na administração do doutor Felipe a embreagem já se desmantelou; no final do mês, quando ele demitir 400 funcionários, o pneu vai baixar; e, depois das eleições, ninguém segura mais a barra da direção”. O que fazer, então? Talvez o primeiro ato, visando aspergir a gestão com o bálsamo da credibilidade, deveria ser uma inflexão rumo à verdade. Há certo desapreço à transparência nos gestos, nas palavras e nas imagens.
A VERDADE
Aqui, retoma-se filosoficamente a velha pergunta: o que é a verdade? Na forma da concepção aristotélica clássica da verdade, lembrada por Ferrater Mora (1996:700), "Dizer do que é que não é, e do que não é que é, é o falso; dizer do que é que é, e do que não é que não é, é o verdadeiro". Para o Doutor Angélico (1988:127), verdade é definida como a "conformidade de coisa com a inteligência. Donde, conhecer tal conformidade é conhecer a verdade". Na expressão latina, adaequatio rei et intellectus (adequação da coisa com o conhecimento). No direito penal, aprendemos a diferença entre “verdade formal” (aquela que está nos autos) e “verdade real” (aquela que guarda sintonia com os fatos). A Prefeitura precisa deixar de propagar verdades formais e se apegar à verdade real.
O SITE I
Um exemplo do pouco apreço à verdade real se constata acessando o site da Prefeitura. Na semana antepassada, divulgou-se a agenda do Prefeito em Brasília, onde oficialmente estaria em busca de liberação de obras e projetos para o município. Nas fotos que comprovam esse trabalho, aparece o Prefeito ao lado da ex-ministra Dilma Roussef. Todo o Brasil sabe que Dilma já havia deixado o ministério uma semana antes da ida do Prefeito. Logo, jamais ela poderia estar liberando verbas ou projetos empós sua saída, sob pena de cometer crime. Sucede que, curiosamente, a agenda escrita não revela qualquer encontro com a ex-ministra ou que ação específica ela teria empreendido visando a liberação de recursos para o município. Há um claro descompasso entre o que está divulgado e o que efetivamente ocorreu.
O SITE II
O site http://www.crateus.ce.gov.br/ é a página oficial do governo municipal na rede mundial de computadores. No mínimo, as informações ali postadas mereceriam maior atenção. Há mais de um ano alertamos para dados inverídicos na página de apresentação do Chefe do Executivo. Ainda hoje eles estão lá. Ali se diz, por exemplo, que o Prefeito “na década de 70 iniciou a vida político-partidária como Universitário, militando no PT – Partido dos Trabalhadores”. Qualquer cidadão minimamente informado sabe que o PT foi fundado na década de 1980. E nenhum petista confirma que o alcaide crateuense tenha sido militante do Partido dos Trabalhadores antes de sua fundação. Por isso, é urgente, imperioso, prioritário que se faça uma revisão orgânica na postura da Administração e na sua interlocução com a sociedade.
ACADEMIA
O terreno literário cultivado pela Academia de Letras de Crateús (ALC) segue em ritmo normal de produção. Após a divulgação do livro do acadêmico Flávio Machado, o Presidente Elias de França lançou no final de semana passado, por ocasião da Bienal do Livro, em Fortaleza, um livro voltado para o público infantil. Esta semana o poeta Raimundo Cândido, o Professor Raimundinho, apresenta a sua mais nova obra: , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices). Vide o prefácio do livro na postagem abaixo.
PARA REFLETIR
“A minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política”. (Mahatma Gandhi)
(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
ATMOSFERA
Parece que um lençol de tensão cobre a atmosfera da cidade. Uma energia pesada, própria de momentos beligerantes, típica de situações de contendas irracionais, transpassa sob o horizonte municipal. É como se emergisse um produto estranho, resultado de uma combinação perigosa que mistura uma alta dose de frustração com uma perspectiva desprovida de esperança no futuro. As notícias desairosas suplantam as informações virtuosas. Uma hora, estoura nova greve de professores. Noutra, o telefone do hospital aparece bloqueado. Um dia, surge uma denúncia da obra da Praça. Noutro, a emissão irregular de diárias.
O CARRO
Um aliado do Prefeito, que inicialmente previa vida longa para o governo vida nova, hoje utiliza a seguinte imagem: “Eu costumo comparar a máquina municipal com um carro, que tem como principais itens de segurança a embreagem, o pneu e a barra de direção. Na administração do doutor Felipe a embreagem já se desmantelou; no final do mês, quando ele demitir 400 funcionários, o pneu vai baixar; e, depois das eleições, ninguém segura mais a barra da direção”. O que fazer, então? Talvez o primeiro ato, visando aspergir a gestão com o bálsamo da credibilidade, deveria ser uma inflexão rumo à verdade. Há certo desapreço à transparência nos gestos, nas palavras e nas imagens.
A VERDADE
Aqui, retoma-se filosoficamente a velha pergunta: o que é a verdade? Na forma da concepção aristotélica clássica da verdade, lembrada por Ferrater Mora (1996:700), "Dizer do que é que não é, e do que não é que é, é o falso; dizer do que é que é, e do que não é que não é, é o verdadeiro". Para o Doutor Angélico (1988:127), verdade é definida como a "conformidade de coisa com a inteligência. Donde, conhecer tal conformidade é conhecer a verdade". Na expressão latina, adaequatio rei et intellectus (adequação da coisa com o conhecimento). No direito penal, aprendemos a diferença entre “verdade formal” (aquela que está nos autos) e “verdade real” (aquela que guarda sintonia com os fatos). A Prefeitura precisa deixar de propagar verdades formais e se apegar à verdade real.
O SITE I
Um exemplo do pouco apreço à verdade real se constata acessando o site da Prefeitura. Na semana antepassada, divulgou-se a agenda do Prefeito em Brasília, onde oficialmente estaria em busca de liberação de obras e projetos para o município. Nas fotos que comprovam esse trabalho, aparece o Prefeito ao lado da ex-ministra Dilma Roussef. Todo o Brasil sabe que Dilma já havia deixado o ministério uma semana antes da ida do Prefeito. Logo, jamais ela poderia estar liberando verbas ou projetos empós sua saída, sob pena de cometer crime. Sucede que, curiosamente, a agenda escrita não revela qualquer encontro com a ex-ministra ou que ação específica ela teria empreendido visando a liberação de recursos para o município. Há um claro descompasso entre o que está divulgado e o que efetivamente ocorreu.
O SITE II
O site http://www.crateus.ce.gov.br/ é a página oficial do governo municipal na rede mundial de computadores. No mínimo, as informações ali postadas mereceriam maior atenção. Há mais de um ano alertamos para dados inverídicos na página de apresentação do Chefe do Executivo. Ainda hoje eles estão lá. Ali se diz, por exemplo, que o Prefeito “na década de 70 iniciou a vida político-partidária como Universitário, militando no PT – Partido dos Trabalhadores”. Qualquer cidadão minimamente informado sabe que o PT foi fundado na década de 1980. E nenhum petista confirma que o alcaide crateuense tenha sido militante do Partido dos Trabalhadores antes de sua fundação. Por isso, é urgente, imperioso, prioritário que se faça uma revisão orgânica na postura da Administração e na sua interlocução com a sociedade.
ACADEMIA
O terreno literário cultivado pela Academia de Letras de Crateús (ALC) segue em ritmo normal de produção. Após a divulgação do livro do acadêmico Flávio Machado, o Presidente Elias de França lançou no final de semana passado, por ocasião da Bienal do Livro, em Fortaleza, um livro voltado para o público infantil. Esta semana o poeta Raimundo Cândido, o Professor Raimundinho, apresenta a sua mais nova obra: , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices). Vide o prefácio do livro na postagem abaixo.
PARA REFLETIR
“A minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política”. (Mahatma Gandhi)
(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
UM TEOREMA DA COMPLETUDE
Demorei a escrever esta breve apresentação. Era como se a suave e poderosa voz interior imperativamente me ponderasse: ‘Calma!’. E me rendi à morosidade... Até porque quando gostamos de algo ou alguém nos inclinamos a demorar ao seu lado. Envoltos na atmosfera do afeto, sob a brisa deliciosa da satisfação, temos a tendência de esquecer o tempo. Por isso os antigos ensinavam: “a pressa é inimiga da perfeição”. Quando a gente se apressa para se ver livre de algo, é porque aspiramos esquecê-lo. O romancista Milan Kundera defende que “há um elo secreto entre a lentidão e a sabedoria, entre velocidade e esquecimento”.
O certo é que, paciente e tranquilamente, gostei deste livro. Aliás, já estimava o seu autor. Conheci o ourives que poliu estes versos, Raimundo Cândido Teixeira Filho, o Raimundinho, no Externato Nossa Senhora de Fátima, escola fundada por sua inolvidável genitora, a mestra Maria Delite Menezes Teixeira. Já divisava nele o olhar elevado, capaz de sobrevoar o trivial e atingir o transcendental. Depois, viramos colegas no ofício de magia e mistério chamado magistério, na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio. Ultimamente, o magnetismo dos fonemas da poesia nos reaproximou e nos fez sentar em assentos próximos na Academia de Letras de Crateús.
Raimundinho é um desses raros seres que cultivam a invulgar habilidade de se comunicar pelo silêncio. É. Pouca gente consegue, nesse mundo veloz e loquaz, se comunicar sem nada falar. Tal Chaplin, mestre do cinema mudo, ele se recusa a ser máquina. Para se afirmar Homem. Homem é. Com o amor da humanidade latejando na alma.
À Pitágoras, este poeta é matemático. E filósofo também. Como sói acontecer com os que se danam a pensar e viram amigos do saber, haverá quem o considere estranho ou esquisito. No entanto, adianto que só alguém conhecedor desse naipe precioso é capaz de nos brindar com um , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices).
Neste livro, diamante geométrico, Raimundinho faz um passeio singular pela “matemática existencial”: vai ao poço fundo dos nossos poetas profundos (Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Mello Neto), toca outros clássicos (como Guimarães Rosa), homenageia heróis que povoam a nossa memória (Peter Pan) e saúda ídolos que driblavam a apatia dominical, como o ‘galinho de Quintino’, Zico.
Entretanto, as formas mais delicadas de construções poliédricas foram reservadas para os cubos autobiográficos. Em ‘Bodega’, ele observa que:
“Só a velha balança parada
Com os pratos vazios
Ponderava o que havia
De sabor no denso langor
De algo invisível a indicar
Que a tarde se dissipava
Pesarosa a chorar...”
Em ‘Periplaneta’, o anátema ao inseto:
“Mas a barata é um patife
Covarde no ínfimo ato,
Passa sebo nas canelas
Ao pressentir meus sapatos!”
É óbvio que partidas precoces, como a da irmã Gláucia, abalaram as formas básicas do sólido familiar. E ele registra em ‘Transmutação’:
“Ah, instante atroz,
Que ti invoca em ir!
Logo agora...
Fruto enraizado
Na imensidão
De um verde florir?”
Iniciado no átrio da sabedoria, sente uma ponta de angústia e se entedia com a mediocridade mundana. Desabafa em ‘Fastio’:
“Ultimamente,
tenho carregado demasiado peso:
ausências indefinidas,
presenças indesejadas
e saudade de um doce sal
que jamais provei!”
Este é um teorema que nos tange para os vértices da alma triangular da profundidade. Pitágoras afirmou que ‘todas as coisas são números’. E, dentre os números, o três simboliza a completude: a comunhão perfeita, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus, Maria e José – a sagrada família. Também: liberdade, igualdade e fraternidade; presente, passado e futuro; luz, trevas e tempo; nascimento, vida e morte; ou ainda sabedoria, força e beleza.
Com indisfarçável alegria assisti a estréia do Raimundinho nos palcos literários com Karatis, seu primeiro pergaminho poético. Agora, nos mimoseia com este livro, que contém 58 (cinqüenta e oito) poemas. Coincidentemente, tirando 5 de 8, temos 3. Portanto, completo sob todos os ângulos.
Saúdo-o com um tríplice cumprimento poético!
(Por Júnior Bonfim – prefácio do livro , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices) - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
O certo é que, paciente e tranquilamente, gostei deste livro. Aliás, já estimava o seu autor. Conheci o ourives que poliu estes versos, Raimundo Cândido Teixeira Filho, o Raimundinho, no Externato Nossa Senhora de Fátima, escola fundada por sua inolvidável genitora, a mestra Maria Delite Menezes Teixeira. Já divisava nele o olhar elevado, capaz de sobrevoar o trivial e atingir o transcendental. Depois, viramos colegas no ofício de magia e mistério chamado magistério, na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio. Ultimamente, o magnetismo dos fonemas da poesia nos reaproximou e nos fez sentar em assentos próximos na Academia de Letras de Crateús.
Raimundinho é um desses raros seres que cultivam a invulgar habilidade de se comunicar pelo silêncio. É. Pouca gente consegue, nesse mundo veloz e loquaz, se comunicar sem nada falar. Tal Chaplin, mestre do cinema mudo, ele se recusa a ser máquina. Para se afirmar Homem. Homem é. Com o amor da humanidade latejando na alma.
À Pitágoras, este poeta é matemático. E filósofo também. Como sói acontecer com os que se danam a pensar e viram amigos do saber, haverá quem o considere estranho ou esquisito. No entanto, adianto que só alguém conhecedor desse naipe precioso é capaz de nos brindar com um , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices).
Neste livro, diamante geométrico, Raimundinho faz um passeio singular pela “matemática existencial”: vai ao poço fundo dos nossos poetas profundos (Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Mello Neto), toca outros clássicos (como Guimarães Rosa), homenageia heróis que povoam a nossa memória (Peter Pan) e saúda ídolos que driblavam a apatia dominical, como o ‘galinho de Quintino’, Zico.
Entretanto, as formas mais delicadas de construções poliédricas foram reservadas para os cubos autobiográficos. Em ‘Bodega’, ele observa que:
“Só a velha balança parada
Com os pratos vazios
Ponderava o que havia
De sabor no denso langor
De algo invisível a indicar
Que a tarde se dissipava
Pesarosa a chorar...”
Em ‘Periplaneta’, o anátema ao inseto:
“Mas a barata é um patife
Covarde no ínfimo ato,
Passa sebo nas canelas
Ao pressentir meus sapatos!”
É óbvio que partidas precoces, como a da irmã Gláucia, abalaram as formas básicas do sólido familiar. E ele registra em ‘Transmutação’:
“Ah, instante atroz,
Que ti invoca em ir!
Logo agora...
Fruto enraizado
Na imensidão
De um verde florir?”
Iniciado no átrio da sabedoria, sente uma ponta de angústia e se entedia com a mediocridade mundana. Desabafa em ‘Fastio’:
“Ultimamente,
tenho carregado demasiado peso:
ausências indefinidas,
presenças indesejadas
e saudade de um doce sal
que jamais provei!”
Este é um teorema que nos tange para os vértices da alma triangular da profundidade. Pitágoras afirmou que ‘todas as coisas são números’. E, dentre os números, o três simboliza a completude: a comunhão perfeita, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus, Maria e José – a sagrada família. Também: liberdade, igualdade e fraternidade; presente, passado e futuro; luz, trevas e tempo; nascimento, vida e morte; ou ainda sabedoria, força e beleza.
Com indisfarçável alegria assisti a estréia do Raimundinho nos palcos literários com Karatis, seu primeiro pergaminho poético. Agora, nos mimoseia com este livro, que contém 58 (cinqüenta e oito) poemas. Coincidentemente, tirando 5 de 8, temos 3. Portanto, completo sob todos os ângulos.
Saúdo-o com um tríplice cumprimento poético!
(Por Júnior Bonfim – prefácio do livro , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices) - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
LANÇAMENTO DO DIA
LANÇAMENTO HOJE NO TEATRO ROSA MORAIS - CRATEÚS - CEA OBRA: Chão Inaugural
O livro foi dividido em três partes. Em todas, o poeta expõem-se e o que o inquieta: suas dores, os homens, os governos, a poética e a política.
Na primeira parte, os poemas são como que uma janela através da qual se entreve um “entrevado”: o iluminado.
Na segunda parte, Termos, o poeta, em peças curtas e discursivas dedica-se a perorar, atrás de grafar as “palavras mais irresistíveis”.
Na terceira parte, com poemas de temáticas diversas – infância, política, o mundo, enfim, suas inquietações –, o poeta encerra o livro indicando o desafio que a poesia épica representa nestes tempos de lirismo fácil: captação e escritura desta era de turbina.
O AUTOR: Rogerlando Gomes Cavalcante - Ano de nascimento? É o correspondente a 400 depois do ano da primeira edição (de 1572, produzida em casa do impressor António Gonçalves, de Lisboa) da obra máxima e fundante da língua – e poesia – portuguesas, Os Lusíadas, de Camões, no qual o Brasil é referido uma única vez. Aliás, essa “coincidência”, pode, quiçá, ser um bom augúrio poético, ou um acaso meramente simbólico: a publicação de uma obra, o nascimento de um poeta.
Postado por ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS - ALC
sexta-feira, 16 de abril de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Historinha de Goiás
Edmundo Galdino, deputado estadual de Goiás, de Araguaína, recebeu um tiro na região lombar, na década de 80. Quase morreu. Sobreviveu graças à intervenção feita por outro político. Paraplégico, por conta do atentado cometido por pistoleiros, o ex-líder camponês, que militou no PC do B e, depois no PSDB, continuou a luta política com força e dinamismo. Um dia, na tribuna, usou o verbo para perorar contra o adversário, o deputado estadual e médico que o operou, Ronaldo Caiado. "Deputado Caiado, suas mãos estão cobertas de sangue...". Caiado, calmo e elegante, dirigiu-se à tribuna. E não deixou por menos: "Deputado Galdino, uso a palavra para afirmar e corroborar sua assertiva. Sim, é verdade que minhas mãos estão cobertas de sangue. Mas, Vossa Excelência bem o sabe. Este sangue é seu, nobre deputado. Salvei sua vida e salvarei tantas outras quantas vezes forem necessárias". Galdino se esquecera da boa fama de cirurgião. Com o instrumental cirúrgico e com a palavra. Nunca mais usou a palavra para atacar o parlamentar.
Tucanos, alto astral
O tucanato vibra com o lançamento da candidatura de José Serra à presidência. De fato, o evento foi um sucesso. Serra pegou bem o eixo do diálogo nacional. Candidato da harmonia, da unidade, do pacto. Deixou Dilma e o petismo na condição de atores da desunião, da querela entre classes e Estados, pobres contra ricos, o nordeste contra o sul. Passará a usar o bordão "Brasil pode mais", na verdade uma fisgada no slogan de Obama, "Nós podemos". Mas Aécio Neves foi o mais aplaudido. Arrebatou a plateia de 4 mil pessoas com as estocadas no PT e no governo Lula. Chamou os adversários para a briga. FHC, mais moderado, fez contundente defesa de seu governo. Mereceu também aplausos.
Cobertura
A cobertura do evento ganhou bom espaço da mídia. Vai durar, ainda, uns três dias com as repercussões do entusiasmo dos líderes da oposição. O lançamento de Dilma também obteve cinco dias de cobertura. O Jornal Nacional, da TV Globo, no sábado, não deu uma nesga de espaço para o evento petista no ABC, quando Lula lembrou que ele era "o cara", criticando o slogan apropriado por Serra. A arena começa a esquentar.
Dilma agressiva
Dilma começa a campanha de modo contundente. Atira forte nos adversários, a partir da acusação de que os tucanos "são lobo em pele de cordeiro". Atacar, optar por armas de destruição, apelar para uma agenda negativa não fazem bem a nenhum candidato. Este consultor prefere seguir a linha das coisas positivas e do realce a programas de envergadura. Quem ataca perde. Campanha negativa fere os brios do eleitor. Não entendo como uma pessoa que tem tanta coisa a mostrar pode optar por tiros no adversário. Que podem sair pela culatra.
Dilmasia/Anastadilma
Seja qual for o trocadilho que se queira dar ao voto em Dilma e Anastasia – candidato de Aécio Neves ao governo mineiro – a candidata do presidente Lula não poderia, ela mesma, se referir a este fato. Deveria deixar correr naturalmente o trocadilho pela boca dos mineiros. E mesmo usar o corpo parlamentar de MG para expandir a ideia. Ela cometeu a gafe de fazer uma defesa muito pessoal. Que lembra o ditado: "elogio em boca própria é vitupério". Agora, este consultor se arrisca a dizer: vai haver, sim, o Dilmasia. Explico abaixo.
As razões do voto misto
MG é um Estado bairrista (o sentido, aqui, é positivo). Os mineiros são orgulhosos de sua importância na vida política do país. Carregam, ainda, o sentimento de perda de Tancredo Neves. Por outro lado, o neto dele, Aécio, é muito bem avaliado. Eles gostariam de ver Aécio e não Serra como candidato a presidente da República. Ficaram frustrados. Por isso, votarão maciçamente em Neves para o Senado, é bem provável que elejam Anastasia para o governo e, pasmem, grande parte do voto poderá migrar para Dilma. Não se deve esquecer que ela é mineira. E os mineiros prezarão esse fato. Apesar da ministra ter passado quase toda sua vida no Rio Grande do Sul.
Pesquisa em SP
Pesquisa fresquinha, feita pelo Instituto Opinião, e que esta coluna registra em primeira mão. A pesquisa foi feita apenas no Estado de São Paulo, que abriga o maior eleitorado do país, cerca de 30 milhões de eleitores : Serra = 48,46%; Dilma = 21,23%; Ciro = 7,08%; Marina = 6,33%; nenhum = 9,99% e não sabe = 6,91%. Para o governo do Estado : Alckmin = 61,12%; Mercadante = 12,49%; Russomano = 7,08%, Paulo Skaf = 2,08; Fábio Feldman = 1,08% e Plínio Arruda = 0.83%; nenhum = 9,58% e não sabe = 5,75%. Por esses números de hoje, considerando uma soma em torno de 22 milhões de votos válidos, Serra teria em torno de 6 milhões de maioria em SP. Que é o número planejado pelos tucanos. Cifra para enfrentar a maré enchente de Dilma no nordeste.
Alckmin nas alturas
Pela mesma tabela, Alckmin faria uma maioria de mais de 10 milhões de votos sobre Mercadante. Claro, a posição do petista deverá melhorar. Sob pena de uma derrota escorchante.
Senado em SP
A moldura para o Senado mostra Marta em primeiro lugar, com 36,47%; Romeu Tuma em segundo, com 23,23% e Quércia em terceiro, com 21,07. Netinho de Paula ocuparia a quarta posição, com 15,57% e José Aníbal viria, a seguir, com 12,49%. Estas posições apontam para a retração de candidatos com baixa visibilidade. Neste caso, o mais prejudicado seria Netinho de Paula, com mídia muito curta. Noutros desenhos, aparecem Gabriel Chalita, com 6,16% e Soninha, com 11,07%. Outro nome do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, tem pouca expressão, apenas 6,83%. Ou seja, o candidato mais viável dos tucanos é Zé Aníbal. Que poderá crescer muito na onda surfada por Geraldo Alckmin. Quércia enfrenta um desgaste histórico. Tende a cair. E Tuma vai precisar muito de um bom espaço na mídia.
Mais pesquisa
Agora é a vez da rodada Sensus. Pesquisa encomendada pelo Sintrapav - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo, divulgada ontem, aponta empate técnico na corrida presidencial entre Serra (32,7%) e Dilma (32,4%). Pau a pau. Tirem suas conclusões. Ciro Gomes teve 10,1%, e Marina Silva, 8,1%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Feldman na contramão?
O deputado Walter Feldman quis arrematar o desfecho Serra/Aécio com uma declaração que irritou os mineiros: José Serra "era imbatível na disputa interna". Ou seja, quis dizer que Aécio não tinha ficha para ganhar o jogo. Ora, o mineiro fez um entusiasmado discurso de apoio ao paulista, no sábado. Foi o mais duro orador contra o PT. O deputado Rodrigo de Castro condenou Feldman. Para ele, o comentário vai na contramão do que o partido está construindo. Passarinho na muda não pia, Walter.
Congresso do aço
O mais importante evento do aço no Brasil ocorrerá, a partir de hoje, quarta, até sexta-feira. A agenda abriga debates com palestrantes nacionais e internacionais. A China merecerá um capítulo especial. A indústria do aço no mundo será vista e revista. Em paralelo, a ExpoAço, feira de negócios com a presença de 50 empresas brasileiras e estrangeiras. Os organizadores construíram uma Vila do Aço para mostrar todas as possibilidades de utilização do aço. Entre os nomes famosos, o de Lakshmi Mittal, CEO da ArcelorMittal. Tomará posse na presidência do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter. Na vice, Albano Chagas Vieira. E na presidência executiva do Instituto, Marco Polo de Mello Lopes.
Fogueiras
O PT corre para apagar fogueiras no CE, MG e PR. No Ceará, Cid, o governador e irmão de Ciro Gomes, quer apoiar Tasso Jereissati para o Senado. O PT quer sair com a candidatura de José Pimentel, ex-ministro da Previdência. Dilma, em mais um momento desastrado, foi ao Ceará receber uma homenagem. Cid não compareceu. Em Minas, Fernando Pimentel e Patrus Ananias não desistiram das candidaturas ao governo. Vão se enfrentar em prévias. Lula vai ter de botar ordem na casa. E Hélio Costa, paciente, espera a decisão. Olhando para um tal de Serrélio. No Paraná, Osmar Dias gostaria que Gleisi Hoffmann fosse sua vice. Mas o PT quer vê-la como candidata ao Senado. Osmar quer a vaga de senador para atrair o PR. Caso não consiga, dirige o olhar para José Serra. Será preciso muita água para apagar as fogueiras.
Marina sorridente
Registrei para o Correio Braziliense e O Estado de Minas, os dois principais jornais da cadeia dos Diários Associados, o fato de Marina Silva ter operado boa mudança na apresentação pessoal. É toda sorrisos. E dei as razões. O discurso político abriga duas vertentes: a estética e a semântica. O prisma estético é o primeiro que entra no sistema cognitivo do eleitor. Quem inicialmente, capta a maneira como o candidato se veste, usa o cabelo e fala. O discurso semântico, das palavras e ideias, vem depois. Marina compõe-se melhor, está mais sorridente.
Wallace, um impostor
E opino: "os eleitores de baixa escolaridade e renda, principalmente, se impactam ante o visual dos candidatos. Os de renda média e superior racionalizam mais, apesar de também serem influenciados pelo que vêem". Contei um episódio da década de 1960, durante a campanha de George Wallace, governador do Alabama, à presidência dos Estados Unidos, em que o candidato subiu ao palanque para discursar usando uma armação de óculos sem lentes, com a intenção de passar a ideia de intelectual. Ao falar aos eleitores, algo lhe caiu nos olhos e ele os tocou entre os aros da armação, denunciando a ausência das lentes. O gesto fez de Wallace um impostor. Dia seguinte, os jornais e TVs exibiram o engodo. Perdeu a chance de ser candidato pelo Partido Democrata nos idos de 60. Era um falcão. Direitista. Segregacionista. Dele era o slogan: "segregação agora e segregação sempre".
Ciro defenestrado
Gabriel Chalita, potencial candidato do PSB ao governo paulista. O jovem político se esforça para que o PSB faça coligação com o PT. Em sua opinião, Ciro Gomes não será candidato a nada: nem a presidente da República, nem a governador de SP e muito menos a deputado em SP, para onde mudou o título de eleitor. Eduardo Campos quebra a cabeça para armar a estratégia de desmanche da candidatura de Ciro à presidência.
Conselho à candidata Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Marina Silva. Hoje, volta sua atenção à outra pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff:
1. Pense antes de agir e/ou expressar ideias. Doravante, suas atitudes, atos, decisões e palavras serão registradas e examinadas pela lupa de julgamento da mídia.
2. Campanhas negativas – ataques contundentes, violência expressiva – desajudam uma candidatura. O eleitor aprecia uma agenda positiva.
3. Não se deixe envolver por grupos radicais, alas ortodoxas, grupos que ainda imaginam uma volta à mofada luta de classes.
* Gaudêncio Torquato
Edmundo Galdino, deputado estadual de Goiás, de Araguaína, recebeu um tiro na região lombar, na década de 80. Quase morreu. Sobreviveu graças à intervenção feita por outro político. Paraplégico, por conta do atentado cometido por pistoleiros, o ex-líder camponês, que militou no PC do B e, depois no PSDB, continuou a luta política com força e dinamismo. Um dia, na tribuna, usou o verbo para perorar contra o adversário, o deputado estadual e médico que o operou, Ronaldo Caiado. "Deputado Caiado, suas mãos estão cobertas de sangue...". Caiado, calmo e elegante, dirigiu-se à tribuna. E não deixou por menos: "Deputado Galdino, uso a palavra para afirmar e corroborar sua assertiva. Sim, é verdade que minhas mãos estão cobertas de sangue. Mas, Vossa Excelência bem o sabe. Este sangue é seu, nobre deputado. Salvei sua vida e salvarei tantas outras quantas vezes forem necessárias". Galdino se esquecera da boa fama de cirurgião. Com o instrumental cirúrgico e com a palavra. Nunca mais usou a palavra para atacar o parlamentar.
Tucanos, alto astral
O tucanato vibra com o lançamento da candidatura de José Serra à presidência. De fato, o evento foi um sucesso. Serra pegou bem o eixo do diálogo nacional. Candidato da harmonia, da unidade, do pacto. Deixou Dilma e o petismo na condição de atores da desunião, da querela entre classes e Estados, pobres contra ricos, o nordeste contra o sul. Passará a usar o bordão "Brasil pode mais", na verdade uma fisgada no slogan de Obama, "Nós podemos". Mas Aécio Neves foi o mais aplaudido. Arrebatou a plateia de 4 mil pessoas com as estocadas no PT e no governo Lula. Chamou os adversários para a briga. FHC, mais moderado, fez contundente defesa de seu governo. Mereceu também aplausos.
Cobertura
A cobertura do evento ganhou bom espaço da mídia. Vai durar, ainda, uns três dias com as repercussões do entusiasmo dos líderes da oposição. O lançamento de Dilma também obteve cinco dias de cobertura. O Jornal Nacional, da TV Globo, no sábado, não deu uma nesga de espaço para o evento petista no ABC, quando Lula lembrou que ele era "o cara", criticando o slogan apropriado por Serra. A arena começa a esquentar.
Dilma agressiva
Dilma começa a campanha de modo contundente. Atira forte nos adversários, a partir da acusação de que os tucanos "são lobo em pele de cordeiro". Atacar, optar por armas de destruição, apelar para uma agenda negativa não fazem bem a nenhum candidato. Este consultor prefere seguir a linha das coisas positivas e do realce a programas de envergadura. Quem ataca perde. Campanha negativa fere os brios do eleitor. Não entendo como uma pessoa que tem tanta coisa a mostrar pode optar por tiros no adversário. Que podem sair pela culatra.
Dilmasia/Anastadilma
Seja qual for o trocadilho que se queira dar ao voto em Dilma e Anastasia – candidato de Aécio Neves ao governo mineiro – a candidata do presidente Lula não poderia, ela mesma, se referir a este fato. Deveria deixar correr naturalmente o trocadilho pela boca dos mineiros. E mesmo usar o corpo parlamentar de MG para expandir a ideia. Ela cometeu a gafe de fazer uma defesa muito pessoal. Que lembra o ditado: "elogio em boca própria é vitupério". Agora, este consultor se arrisca a dizer: vai haver, sim, o Dilmasia. Explico abaixo.
As razões do voto misto
MG é um Estado bairrista (o sentido, aqui, é positivo). Os mineiros são orgulhosos de sua importância na vida política do país. Carregam, ainda, o sentimento de perda de Tancredo Neves. Por outro lado, o neto dele, Aécio, é muito bem avaliado. Eles gostariam de ver Aécio e não Serra como candidato a presidente da República. Ficaram frustrados. Por isso, votarão maciçamente em Neves para o Senado, é bem provável que elejam Anastasia para o governo e, pasmem, grande parte do voto poderá migrar para Dilma. Não se deve esquecer que ela é mineira. E os mineiros prezarão esse fato. Apesar da ministra ter passado quase toda sua vida no Rio Grande do Sul.
Pesquisa em SP
Pesquisa fresquinha, feita pelo Instituto Opinião, e que esta coluna registra em primeira mão. A pesquisa foi feita apenas no Estado de São Paulo, que abriga o maior eleitorado do país, cerca de 30 milhões de eleitores : Serra = 48,46%; Dilma = 21,23%; Ciro = 7,08%; Marina = 6,33%; nenhum = 9,99% e não sabe = 6,91%. Para o governo do Estado : Alckmin = 61,12%; Mercadante = 12,49%; Russomano = 7,08%, Paulo Skaf = 2,08; Fábio Feldman = 1,08% e Plínio Arruda = 0.83%; nenhum = 9,58% e não sabe = 5,75%. Por esses números de hoje, considerando uma soma em torno de 22 milhões de votos válidos, Serra teria em torno de 6 milhões de maioria em SP. Que é o número planejado pelos tucanos. Cifra para enfrentar a maré enchente de Dilma no nordeste.
Alckmin nas alturas
Pela mesma tabela, Alckmin faria uma maioria de mais de 10 milhões de votos sobre Mercadante. Claro, a posição do petista deverá melhorar. Sob pena de uma derrota escorchante.
Senado em SP
A moldura para o Senado mostra Marta em primeiro lugar, com 36,47%; Romeu Tuma em segundo, com 23,23% e Quércia em terceiro, com 21,07. Netinho de Paula ocuparia a quarta posição, com 15,57% e José Aníbal viria, a seguir, com 12,49%. Estas posições apontam para a retração de candidatos com baixa visibilidade. Neste caso, o mais prejudicado seria Netinho de Paula, com mídia muito curta. Noutros desenhos, aparecem Gabriel Chalita, com 6,16% e Soninha, com 11,07%. Outro nome do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, tem pouca expressão, apenas 6,83%. Ou seja, o candidato mais viável dos tucanos é Zé Aníbal. Que poderá crescer muito na onda surfada por Geraldo Alckmin. Quércia enfrenta um desgaste histórico. Tende a cair. E Tuma vai precisar muito de um bom espaço na mídia.
Mais pesquisa
Agora é a vez da rodada Sensus. Pesquisa encomendada pelo Sintrapav - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo, divulgada ontem, aponta empate técnico na corrida presidencial entre Serra (32,7%) e Dilma (32,4%). Pau a pau. Tirem suas conclusões. Ciro Gomes teve 10,1%, e Marina Silva, 8,1%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Feldman na contramão?
O deputado Walter Feldman quis arrematar o desfecho Serra/Aécio com uma declaração que irritou os mineiros: José Serra "era imbatível na disputa interna". Ou seja, quis dizer que Aécio não tinha ficha para ganhar o jogo. Ora, o mineiro fez um entusiasmado discurso de apoio ao paulista, no sábado. Foi o mais duro orador contra o PT. O deputado Rodrigo de Castro condenou Feldman. Para ele, o comentário vai na contramão do que o partido está construindo. Passarinho na muda não pia, Walter.
Congresso do aço
O mais importante evento do aço no Brasil ocorrerá, a partir de hoje, quarta, até sexta-feira. A agenda abriga debates com palestrantes nacionais e internacionais. A China merecerá um capítulo especial. A indústria do aço no mundo será vista e revista. Em paralelo, a ExpoAço, feira de negócios com a presença de 50 empresas brasileiras e estrangeiras. Os organizadores construíram uma Vila do Aço para mostrar todas as possibilidades de utilização do aço. Entre os nomes famosos, o de Lakshmi Mittal, CEO da ArcelorMittal. Tomará posse na presidência do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter. Na vice, Albano Chagas Vieira. E na presidência executiva do Instituto, Marco Polo de Mello Lopes.
Fogueiras
O PT corre para apagar fogueiras no CE, MG e PR. No Ceará, Cid, o governador e irmão de Ciro Gomes, quer apoiar Tasso Jereissati para o Senado. O PT quer sair com a candidatura de José Pimentel, ex-ministro da Previdência. Dilma, em mais um momento desastrado, foi ao Ceará receber uma homenagem. Cid não compareceu. Em Minas, Fernando Pimentel e Patrus Ananias não desistiram das candidaturas ao governo. Vão se enfrentar em prévias. Lula vai ter de botar ordem na casa. E Hélio Costa, paciente, espera a decisão. Olhando para um tal de Serrélio. No Paraná, Osmar Dias gostaria que Gleisi Hoffmann fosse sua vice. Mas o PT quer vê-la como candidata ao Senado. Osmar quer a vaga de senador para atrair o PR. Caso não consiga, dirige o olhar para José Serra. Será preciso muita água para apagar as fogueiras.
Marina sorridente
Registrei para o Correio Braziliense e O Estado de Minas, os dois principais jornais da cadeia dos Diários Associados, o fato de Marina Silva ter operado boa mudança na apresentação pessoal. É toda sorrisos. E dei as razões. O discurso político abriga duas vertentes: a estética e a semântica. O prisma estético é o primeiro que entra no sistema cognitivo do eleitor. Quem inicialmente, capta a maneira como o candidato se veste, usa o cabelo e fala. O discurso semântico, das palavras e ideias, vem depois. Marina compõe-se melhor, está mais sorridente.
Wallace, um impostor
E opino: "os eleitores de baixa escolaridade e renda, principalmente, se impactam ante o visual dos candidatos. Os de renda média e superior racionalizam mais, apesar de também serem influenciados pelo que vêem". Contei um episódio da década de 1960, durante a campanha de George Wallace, governador do Alabama, à presidência dos Estados Unidos, em que o candidato subiu ao palanque para discursar usando uma armação de óculos sem lentes, com a intenção de passar a ideia de intelectual. Ao falar aos eleitores, algo lhe caiu nos olhos e ele os tocou entre os aros da armação, denunciando a ausência das lentes. O gesto fez de Wallace um impostor. Dia seguinte, os jornais e TVs exibiram o engodo. Perdeu a chance de ser candidato pelo Partido Democrata nos idos de 60. Era um falcão. Direitista. Segregacionista. Dele era o slogan: "segregação agora e segregação sempre".
Ciro defenestrado
Gabriel Chalita, potencial candidato do PSB ao governo paulista. O jovem político se esforça para que o PSB faça coligação com o PT. Em sua opinião, Ciro Gomes não será candidato a nada: nem a presidente da República, nem a governador de SP e muito menos a deputado em SP, para onde mudou o título de eleitor. Eduardo Campos quebra a cabeça para armar a estratégia de desmanche da candidatura de Ciro à presidência.
Conselho à candidata Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Marina Silva. Hoje, volta sua atenção à outra pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff:
1. Pense antes de agir e/ou expressar ideias. Doravante, suas atitudes, atos, decisões e palavras serão registradas e examinadas pela lupa de julgamento da mídia.
2. Campanhas negativas – ataques contundentes, violência expressiva – desajudam uma candidatura. O eleitor aprecia uma agenda positiva.
3. Não se deixe envolver por grupos radicais, alas ortodoxas, grupos que ainda imaginam uma volta à mofada luta de classes.
* Gaudêncio Torquato
quinta-feira, 15 de abril de 2010
CONVITE - LANÇAMENTO DE LIVRO
Este é o novo livro do poeta Raimundo Candido,
que será lançado amanhã, 16 de abril de 2010, no CEJA de Crateús.
O título já suscita grande curiosidade sobre como
um professor de ciências exatas
tece a teia incerta e inexata da poesia.
Esquisites?
Teoremas?
sensações?
Coisas de poeta mesmo.
So vendo para conferir!
Prestigie!
(Do site da ALC)
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
HOJE A TARDE RECEBI A INFORMAÇÃO DE QUE O LANÇAMENTO ACIMA HAVIA SIDO TRANSFERIDO PARA A PRÓXIMA SEMANA.
Boa Tarde , amigos e companheiros:
É com uma grande tristeza e abatimento que comunico o adiamento do lançamento do livro RAIZ DO POEMA. Era para ter tomado esta decisão bem antes, mas como me garantiram que o livro estaria aqui em Crateús a tempo , acreditei e fui deixando o tempo passar tendo fé que estaria aqui no dia ,agora dia 15 exatamente as 5 horas da tarde o livro se encontra em fortaleza, sem certeza absoluta que amanhã estará aqui, por isso resolvo adiar o lançamento para a próxima sexta feira dia 23 de abril. Peço desculpa a todos esperando compreensão.
Obs: O livro foi impresso no Rio de Janeiro na Editora CBJE por trabalhar com pequenas quantidades e já estava pronto desde o começo do mês. Este transtorno foi devido as chuvas do Rio. Me desculpem!
Mas fica o convite para dia 23 de Abril como toda certeza! Amanhã (16) avisarei nos meios de comunicação e telefonarei pessoalmente para alguns. Se possível avisem também aos outros por ai!
Obrigado!
Raimundinho
terça-feira, 13 de abril de 2010
FELIZ ANIVERSÁRIO, FORTALEZA!


Dia 13 de Abril… O dia que essa jovem moça comemora mais uma primavera. Claro que como todas adolescentes ela tem seus problemas e suas crises. Sabe como é, são coisas da idade… Porém mesmo assim, com esse olhar juvenil cativante, aqueles olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada que Machado de Assis já descrevia, apaixonam cada vez mais pessoas de todo o mundo. Quem flerta com essa beldade fica embevecido e não consegue se desvencilhar do seu canto de sereia. É algo que tem na água, é alguma coisa que dá no juízo da gente, um frenesi que corre a espinha todas as manhãs, uma lufada de vento vespertina que mais lembra um beijo suave e cálido num crepúsculo convidativo na Ponte dos Ingleses.
Falar de Fortaleza é entoar uma paixão incomensurável. É um sublime prazer verborrágico almejar transcrever para o vil papel um amor platônico de tamanha magnitude. Ah Fortaleza… Cantada em vários versos famosos por distintos poetas inebriados com esse amor, tal qual esse mero escriba que vos escreve, um pobre artesão da palavra que tenta agradar sua musa com alguns alfarrábios. No dia que comemora seu natalício a aniversariante ganhou de presente um banho dos deuses, acredito que seja um choro copioso de um pai desditoso por ter que se separar de sua filha mais bela, que já é uma jovem adulta procurando trilhar seus caminhos.
Fica mais uma vez registrado a quem interessar possa, independente da naturalidade e da nacionalidade, que aqui no Nordeste do Brasil, neste torrão de terra abençoado por Deus, existe uma cidade com quase 3 milhões de filhos que nutrem por ela uma paixão para toda vida. Parabéns Fortitudine por mais um aniversário, tomara que eu possa estar contigo sorvendo essa paixão durante muitos e muitos anos. Parafraseando um político da atualidade me despeço dizendo: Obrigado Fortaleza!
(Escrito por Roberto Félix)


+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Olá Júnior,
Parabén pelo post. Segue minha homenagem a terrinha.
Um abraço,
Dalinha Catunda
Rio de Janeiro
FORTALEZA-CEARÁ
Um mar uma jangada,
Que encanto! Que Beleza!
Um sol tão majestoso,
Oferenda da natureza.
Tudo isso é o Ceará,
Terra melhor não há
O exemplo é Fortaleza.
O azul do nosso céu,
As verdes ondas do mar.
As carnaubeiras virentes,
Que o vento vem beijar.
O vento que sopra fagueiro,
Na palma de cada coqueiro,
Faz meu peito acelerar.
Em cada praia que vou,
Vislumbro uma aquarela.
Essa loura é um encanto!
O rei sol casou com ela.
E para a nossa alegria
A terra da luz tem magia
E está cada dia mais bela.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
POESIAS QUE AQUI CHEGARAM
O meu cantar
Vou cantar os madrigais
Para ver se o amor se encanta
Com um beijo de um rouxinol
Que de tão alegre voa, voa
E perfumar com alfazemas
o caminho por onde passas
Para ver se tu desperta
deste sonho tão sem graça
E assim eu vou seguindo
Suavemente, eu e o vento
Deixando palavras soltas pelo ar
de mágias e encantamentos
E com o brilho dos teus olhos
me encher de esperança
Para ver bem lá no fundo
um novo dia que desponta
Prefiro as Flores
Prefiro falar das Flores
Das que encantam os amores
Perfumadas e multicores
São colírios para os olhos
Rosas, Jasmins, Girassóis
Cada qual tem sua beleza
Que enfeitiçam as paixões
Nos jardins elas reinam
Absolutas, magistrais
Cenário de graça e pureza
Transmitem a paz
Fico admirando as Flores
Elas acalmam o meu coração
Com um toque de magia e com
boas vibrações
Vem fale-me do Amor
Vem fale-me do Amor
Conte-me todos os seus segredos
Seus truques e artimanhas
Como nasce o desejo?
Vem fale-me do Amor
Do calor de um beijo roubado
Dos olhares tímidos trocados
Do arrepio que o corpo senti
Vem fale-me do Amor
Daquele recheado de carinhos
Daquele enfeitado de sonhos
Daquele que chega de mansinho
e rouba o coração para sempre
Vem fale-me do Amor
Deste que é feito em sentimentos
Que é puro e verdadeiro
Que ultrapassa o tempo e
não tem fim
Já é tarde
Você poderia chegar
vestido em palavras
para tocar o meu coração
Poderia até me dar as estrelas,
as mais brilhantes que encontrasse
no caminho
E mesmo assim eu ainda duvidaria
Do tamanho desse amor que dizes ter
O amor quando se perde vai embora
como água corrente pelo ribeirão
Um dia disseste que eras o meu Sol
e eu a tua Lua encantada
Mas em que lado da história ficou o carinho
Pois bem eu quero me libertar, quero voar
alto, o mais alto que eu puder alcançar
Talvez um dia você acorde
Mude de vez esse jeito e valorize
as coisas simples da vida
Já é muito tarde para lamentar
O que não se pode mais mudar
Aceita que o fim não é um tormento
Apenas uma ponte para um
novo recomeçar
Quisera eu
Quisera eu ser a flor mais linda
do teu jardim encantado
Exalar só para ti o meu perfume
Entre tantas flores ser a mais
bela e cobiçada
E das tuas mãos receber a delicadeza
de um toque de carinho
A maciez da tua pele acariciando
as pétalas sedosas desta flor que
habita em mim
Nos meus sonhos,
Nos meus delírios secretos
Quisera eu ser a escolhida
a mais amada da tua vida
Ser o teu maior desejo
o mais ardente beijo
a mais pura paixão
Quisera eu ser a tua vida
a prometida para sempre
meu amor
Do meu jardim
Das Rosas que colhi no jardim
A mais bela me trouxe a paz em
minha alma
Deu-me a nostalgia do olhar
E as emoções da embriaguez
Das Rosas mais lindas que vi
você foi à única porquem devotei
meu amor, motivou meu coração
E tranquilizou-me com seu sorriso
Das Rosas que desenhei,
Foi pelo seu olhar que me apaixonei
ressuscitou minha alegria de ser feliz
Das Rosas que amei,
Foi do seu orvalho que desejei
Cativou a sede de mais amor
E me ensinou o que é viver
Das Rosas que criei
você foi quem dediquei todo
o amor e carinho
Que sempre sonhei
Das Rosas que sonhei
você foi quem me despertou
e me fez sonhar outra vez
Amor
O amor quando chega
não pedi licença
É como uma enxurrada
Invade tudo por onde passa
O amor quando chega
tem pressa
Não vê os minutos
e nem as horas
Está sempre correndo
O amor quando chega
não pedi licença
é bem mal educado
Mas ninguém se queixa
Porque é o mais desejar
Segui o vento amor
Segui com o vento meu amor
Se joga de braços abertos sem medo
Deixa que ele te guie
Pois o tempo já corre apressado
Vive com os dias contados e
não pode mais esperar
Ouça essa voz que te chama
Essa voz que insiste em te amar
Vai segui o perfume do vento
Que eu estou em pensamento
a ti esperar
Ser mulher é...
Ser Mulher é...
Podes-me explicar
O que é ser mulher?
É por mais que tentar
Não consigo compreender.
Ser Mulher é ser guerreira
Incansável e companheira
Desculpa voltar a insistir,
Mas como sentem as mulheres?
São sensíveis e complicadas
Tímidas e refinadas
Assim sem menos nem mais,
são todas iguais?
Mas todas contém a mesma
essência são mulheres apaixonadas
que não entregam a batalha
a mulher além de sonhadora
também é uma lutadora?
Lutam por seus ideais
Querem e merecem ser respeitadas,
amadas e tratadas com muito carinho
A mulher é um ser vibrante
Mas também uma doce amante?
Ser Mulher é ter coragem de
enfrentar todos os problemas com
a cabeça sempre erguida
É não ter medo da vida
A mulher enfrenta as dificuldades
Sem olhar a medos ou falsidades?
Ser Mulher é nunca desistir
de um sonho
Correr atrás, persistir até alcançar
A mulher é persistente
Encarando a vida de frente?
Acreditar que os sonhos são
possíveis de se realizar
A mulher é positiva?
Ah! Por isso está bem viva.
Ser Mulher é saber se colocar
Ser livre para decidir as suas escolhas
Se respeitar, amar-se em primeiro lugar
Ser mulher é ser abençoada,
E ser homem é saber respeitar
E amar a mulher amada.
(Por Christine Fujiwara e Francis Ferreira)
Vou cantar os madrigais
Para ver se o amor se encanta
Com um beijo de um rouxinol
Que de tão alegre voa, voa
E perfumar com alfazemas
o caminho por onde passas
Para ver se tu desperta
deste sonho tão sem graça
E assim eu vou seguindo
Suavemente, eu e o vento
Deixando palavras soltas pelo ar
de mágias e encantamentos
E com o brilho dos teus olhos
me encher de esperança
Para ver bem lá no fundo
um novo dia que desponta
Prefiro as Flores
Prefiro falar das Flores
Das que encantam os amores
Perfumadas e multicores
São colírios para os olhos
Rosas, Jasmins, Girassóis
Cada qual tem sua beleza
Que enfeitiçam as paixões
Nos jardins elas reinam
Absolutas, magistrais
Cenário de graça e pureza
Transmitem a paz
Fico admirando as Flores
Elas acalmam o meu coração
Com um toque de magia e com
boas vibrações
Vem fale-me do Amor
Vem fale-me do Amor
Conte-me todos os seus segredos
Seus truques e artimanhas
Como nasce o desejo?
Vem fale-me do Amor
Do calor de um beijo roubado
Dos olhares tímidos trocados
Do arrepio que o corpo senti
Vem fale-me do Amor
Daquele recheado de carinhos
Daquele enfeitado de sonhos
Daquele que chega de mansinho
e rouba o coração para sempre
Vem fale-me do Amor
Deste que é feito em sentimentos
Que é puro e verdadeiro
Que ultrapassa o tempo e
não tem fim
Já é tarde
Você poderia chegar
vestido em palavras
para tocar o meu coração
Poderia até me dar as estrelas,
as mais brilhantes que encontrasse
no caminho
E mesmo assim eu ainda duvidaria
Do tamanho desse amor que dizes ter
O amor quando se perde vai embora
como água corrente pelo ribeirão
Um dia disseste que eras o meu Sol
e eu a tua Lua encantada
Mas em que lado da história ficou o carinho
Pois bem eu quero me libertar, quero voar
alto, o mais alto que eu puder alcançar
Talvez um dia você acorde
Mude de vez esse jeito e valorize
as coisas simples da vida
Já é muito tarde para lamentar
O que não se pode mais mudar
Aceita que o fim não é um tormento
Apenas uma ponte para um
novo recomeçar
Quisera eu
Quisera eu ser a flor mais linda
do teu jardim encantado
Exalar só para ti o meu perfume
Entre tantas flores ser a mais
bela e cobiçada
E das tuas mãos receber a delicadeza
de um toque de carinho
A maciez da tua pele acariciando
as pétalas sedosas desta flor que
habita em mim
Nos meus sonhos,
Nos meus delírios secretos
Quisera eu ser a escolhida
a mais amada da tua vida
Ser o teu maior desejo
o mais ardente beijo
a mais pura paixão
Quisera eu ser a tua vida
a prometida para sempre
meu amor
Do meu jardim
Das Rosas que colhi no jardim
A mais bela me trouxe a paz em
minha alma
Deu-me a nostalgia do olhar
E as emoções da embriaguez
Das Rosas mais lindas que vi
você foi à única porquem devotei
meu amor, motivou meu coração
E tranquilizou-me com seu sorriso
Das Rosas que desenhei,
Foi pelo seu olhar que me apaixonei
ressuscitou minha alegria de ser feliz
Das Rosas que amei,
Foi do seu orvalho que desejei
Cativou a sede de mais amor
E me ensinou o que é viver
Das Rosas que criei
você foi quem dediquei todo
o amor e carinho
Que sempre sonhei
Das Rosas que sonhei
você foi quem me despertou
e me fez sonhar outra vez
Amor
O amor quando chega
não pedi licença
É como uma enxurrada
Invade tudo por onde passa
O amor quando chega
tem pressa
Não vê os minutos
e nem as horas
Está sempre correndo
O amor quando chega
não pedi licença
é bem mal educado
Mas ninguém se queixa
Porque é o mais desejar
Segui o vento amor
Segui com o vento meu amor
Se joga de braços abertos sem medo
Deixa que ele te guie
Pois o tempo já corre apressado
Vive com os dias contados e
não pode mais esperar
Ouça essa voz que te chama
Essa voz que insiste em te amar
Vai segui o perfume do vento
Que eu estou em pensamento
a ti esperar
Ser mulher é...
Ser Mulher é...
Podes-me explicar
O que é ser mulher?
É por mais que tentar
Não consigo compreender.
Ser Mulher é ser guerreira
Incansável e companheira
Desculpa voltar a insistir,
Mas como sentem as mulheres?
São sensíveis e complicadas
Tímidas e refinadas
Assim sem menos nem mais,
são todas iguais?
Mas todas contém a mesma
essência são mulheres apaixonadas
que não entregam a batalha
a mulher além de sonhadora
também é uma lutadora?
Lutam por seus ideais
Querem e merecem ser respeitadas,
amadas e tratadas com muito carinho
A mulher é um ser vibrante
Mas também uma doce amante?
Ser Mulher é ter coragem de
enfrentar todos os problemas com
a cabeça sempre erguida
É não ter medo da vida
A mulher enfrenta as dificuldades
Sem olhar a medos ou falsidades?
Ser Mulher é nunca desistir
de um sonho
Correr atrás, persistir até alcançar
A mulher é persistente
Encarando a vida de frente?
Acreditar que os sonhos são
possíveis de se realizar
A mulher é positiva?
Ah! Por isso está bem viva.
Ser Mulher é saber se colocar
Ser livre para decidir as suas escolhas
Se respeitar, amar-se em primeiro lugar
Ser mulher é ser abençoada,
E ser homem é saber respeitar
E amar a mulher amada.
(Por Christine Fujiwara e Francis Ferreira)
domingo, 11 de abril de 2010
BRASÍLIA

Estou em Brasília, onde participei de vários eventos além de reencontrar amigos e familiares.
Ontem, assisti ao evento de lançamento da pré-candidatura de José Serra.
Posto, abaixo, o seu discurso. Por se tratar do nome que lidera as pesquisas, sua fala há que ser analisada.
Foi uma longa explanação onde o candidato abordou os seus principais compromissos com a nação.
Vejamos:
O BRASIL PODE MAIS - DISCURSO DE SERRA EM BRASÍLIA ONTEM

Venho hoje, aqui, falar do meu amor pelo Brasil; falar da minha vida; falar da minha experiência; falar da minha fé; falar das minhas esperanças no Brasil. E mostrar minha disposição de assumir esta caminhada. Uma caminhada que vai ser longa e difícil mas que com a ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro será com certeza vitoriosa.
Alguns dias atrás, terminei meu discurso de despedida do Governo de São Paulo afirmando minha convicção de que o Brasil pode mais. Quatro palavras, em meio a muitas outras. Mas que ganharam destaque porque traduzem de maneira simples e direta o sentimento de milhões de brasileiros: o de que o Brasil, de fato, pode mais. E é isto que está em jogo nesta hora crucial!
Nos últimos 25 anos, o povo brasileiro alcançou muitas conquistas: retomamos a Democracia, arrancamos nas ruas o direito de votar para presidente, vivemos hoje num país sem censura e com uma imprensa livre. Somos um Estado de Direito Democrático. Fizemos uma nova Constituição, escrita por representantes do povo. Com o Plano Real, o Brasil transformou sua economia a favor do povo, controlou a inflação, melhorou a renda e a vida dos mais pobres, inaugurou uma nova Era no Brasil. Também conquistamos a responsabilidade fiscal dos governos. Criamos uma agricultura mais forte, uma indústria eficiente e um sistema financeiro sólido. Fizemos o Sistema Único de Saúde, conseguimos colocar as crianças na escola, diminuímos a miséria, ampliamos o consumo e o crédito, principalmente para os brasileiros mais pobres. Tudo isso em 25 anos. Não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País. Nós podemos nos orgulhar disso.
Mas, se avançamos, também devemos admitir que ainda falta muito por fazer. E se considerarmos os avanços em outros países e o potencial do Brasil, uma conclusão é inevitável: o Brasil pode ser muito mais do que é hoje.
Mas para isso temos de enfrentar os problemas nacionais e resolvê-los, sem ceder à demagogia, às bravatas ou à politicagem. E esse é um bom momento para reafirmarmos nossos valores. Começando pelo apreço à Democracia Representativa, que foi fundamental para chegarmos aonde chegamos. Devemos respeitá-la, defendê-la, fortalecê-la. Jamais afrontá-la.
Democracia e Estado de Direito são valores universais, permanentes, insubstituíveis e inegociáveis. Mas não são únicos. Honestidade, verdade, caráter, honra, coragem, coerência, brio profissional, perseverança são essenciais ao exercício da política e do Poder. É nisso que eu acredito e é assim que eu ajo e continuarei agindo. Este é o momento de falar claro, para que ninguém se engane sobre as minhas crenças e valores. É com base neles que também reafirmo: o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais.
Governos, como as pessoas, têm que ter alma. E a alma que inspira nossas ações é a vontade de melhorar a vida das pessoas que dependem do estudo e do trabalho, da Saúde e da Segurança. Amparar os que estão desamparados.
Sabem quantas pessoas com alguma deficiência física existem no Brasil? Mais de 20 milhões – a esmagadora maioria sem o conforto da acessibilidade aos equipamentos públicos e a um tratamento de reabilitação. Os governos, como as pessoas, têm que ser solidários com todos e principalmente com aqueles que são mais vulneráveis.
Quem governa, deve acreditar no planejamento de suas ações. Cultivar a austeridade fiscal, que significa fazer melhor e mais com os mesmos recursos. Fazer mais do que repetir promessas. O governo deve ouvir a voz dos trabalhadores e dos desamparados, das mulheres e das famílias, dos servidores públicos e dos profissionais de todas as áreas, dos jovens e dos idosos, dos pequenos e dos grandes empresários, do mercado financeiro, mas também do mercado dos que produzem alimentos, matérias-primas, produtos industriais e serviços essenciais, que são o fundamento do nosso desenvolvimento, a máquina de gerar empregos, consumo e riqueza.
O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.
Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural, a indústria contra os serviços, o comércio contra a agricultura, azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes. Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.
Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo. O Brasil tem grandes carências. Não pode perder energia com disputas entre brasileiros. Nunca será um país desenvolvido se não promover um equilíbrio maior entre suas regiões. Entre a nossa Amazônia, o Centro Oeste e o Sudeste. Entre o Sul e o Nordeste. Por isso, conclamo: Vamos juntos. O Brasil pode mais. O desenvolvimento é uma escolha. E faremos essa escolha. Estamos preparados para isso.
Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem comum.
Na Constituinte fiz a emenda que permitiu criar o FAT, financiar e fortalecer o BNDES e tirar do papel o seguro-desemprego – que hoje beneficia 10 milhões de trabalhadores. Todos os partidos e blocos a apoiaram. No ministério da Saúde do governo Fernando Henrique tomei a iniciativa de enviar ou refazer e impulsionar seis projetos de lei e uma emenda constitucional – a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Agência Nacional de Saúde, a implantação dos genéricos, a proibição do fumo nos aviões e da propaganda de cigarros, a regulamentação dos planos de saúde, o combate à falsificação de remédios e a PEC 29, que vinculou recursos à Saúde nas três esferas da Federação - todos, sem exceção, aprovados pelos parlamentares do governo e da oposição. É assim que eu trabalho: somando e unindo, visando ao bem comum. Os membros do Congresso que estão me ouvindo, podem testemunhar: suas emendas ao orçamento da Saúde eram acolhidas pela qualidade, nunca devido à sua filiação partidária.
Se o povo assim decidir, vamos governar com todas e com todos, sem discriminar ninguém. Juntar pessoas em vez de separá-las; convidá-las ao diálogo, em vez de segregá-las; explicar os nossos propósitos, em vez de hostilizá-las. Vamos valorizar o talento, a honestidade e o patriotismo em vez de indagar a filiação partidária.
Minha história de vida e minhas convicções pessoais sempre estiveram comprometidas com a unidade do país e com a unidade do seu povo. Sou filho de imigrantes, morei e cresci num bairro de trabalhadores que vinham de todas as partes, da Europa, do Nordeste, do Sul. Todos em busca de oportunidade e de esperança.
A liderança no movimento estudantil me fez conhecer e conviver com todo o Brasil logo ao final da minha adolescência. Aliás, na época, aprendi mesmo a fazer política no Rio, em Minas, na Bahia e em Pernambuco, aos 21 anos de idade. O longo exílio me levou sempre a enxergar e refletir sobre o nosso país como um todo.
Minha história pessoal está diretamente vinculada à valorização do trabalho, à valorização do esforço, à valorização da dedicação. Lembro-me do meu pai, um modesto comerciante de frutas no mercado municipal: doze horas de jornada de trabalho nos dias úteis, dez horas no sábado, cinco horas aos domingos. Só não trabalhava no dia 1 de janeiro. Férias? Um luxo, pois deixava de ganhar o dinheiro da nossa subsistência. Um homem austero, severo, digno. Seu exemplo me marcou na vida e na compreensão do que significa o amor familiar de um trabalhador: ele carregava caixas de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixas de livros.
E eu me esforço para tornar digno o trabalho de todo homem e mulher, do ser humano como ele foi. Porque vejo a imagem de meu pai em cada trabalhador. Eu a vi outro dia, na inauguração do Rodoanel, quando um dos operários fez questão de me mostrar com orgulho seu nome no mural que eu mandei fazer para exibir a identidade de todos os trabalhadores que fizeram aquela obra espetacular. Por que o mural? Por justo reconhecimento e porque eu sabia que despertaria neles o orgulho de quem sabe exercer a profissão. Um momento de revelação a si mesmos de que eles são os verdadeiros construtores nesta nação.
Eu vejo em cada criança na escola o menino que eu fui, cheio de esperanças, com o peito cheio de crença no futuro. Quando prefeito e quando governador, passei anos indo às escolas para dar aula (de verdade) à criançada da quarta série. Ia reencontrar-me comigo mesmo. Porque tudo o que eu sou aprendi em duas escolas: a escola pública e a escola da vida pública. Aliás, e isto é um perigo dizer, com freqüência uso senhas de computador baseadas no nome de minhas professoras no curso primário. E toda vez que escrevo lembro da sua fisionomia, da sua voz, do seu esforço, e até das broncas, de um puxão de orelhas, quando eu fazia alguma bagunça.
Mas é por isso tudo que sempre lutei e luto tanto pela educação dos milhões de filhos do Brasil. No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político. E estou convencido de uma coisa: bons prédios, serviços adequados de merenda, transporte escolar, atividades esportivas e culturais, tudo é muito importante e deve ser aperfeiçoado. Mas a condição fundamental é a melhora do aprendizado na sala de aula, propósito bem declarado pelo governo, mas que praticamente não saiu do papel. Serão necessários mais recursos. Mas pensemos no custo para o Brasil de não ter essa nova Educação em que o filho do pobre freqüente uma escola tão boa quanto a do filho do rico. Esse é um compromisso.
É preciso prestar atenção num retrocesso grave dos últimos anos: a estagnação da escolaridade entre os adolescentes. Para essa faixa de idade, embora não exclusivamente para ela, vamos turbinar o ensino técnico e profissional, aquele que vira emprego. Emprego para a juventude, que é castigada pela falta de oportunidades de subir na vida. E vamos fazer de forma descentralizada, em parcerias com estados e municípios, o que garante uma vinculação entre as escolas técnicas e os mercados locais, onde os empregos são gerados. Ensino de qualidade e de custos moderados, que nos permitirá multiplicar por dois ou três o número de alunos no país inteiro, num período de governo. Sim, meus amigos e amigas, o Brasil pode mais.
Podemos e devemos fazer mais pela saúde do nosso povo. O SUS foi um filho da Constituinte que nós consolidamos no governo passado, fortalecendo a integração entre União, Estados e Municípios; carreando mais recursos para o setor; reduzindo custos de medicamentos; enfrentando com sucesso a barreira das patentes, no Brasil e na Organização Mundial do Comércio; ampliando o sistema de atenção básica e o Programa Saúde da Família em todo o Brasil; prestigiando o setor filantrópico sério, com quem fizemos grandes parcerias, dos hospitais até a prevenção e promoção da Saúde, como a Pastoral da Criança; fazendo a melhor campanha contra a AIDS do mundo em desenvolvimento; organizando os mutirões; fazendo mais vacinações; ampliando a assistência às pessoas com deficiência; cerceando o abuso do incentivo ao cigarro e ao tabaco em geral. E muitas outras coisas mais. De fato, e mais pelo que aconteceu na primeira metade do governo, a Saúde estagnou ou avançou pouco. Mas a Saúde pode avançar muito mais. E nós sabemos como fazer isso acontecer.
Saúde é vida, Segurança também. Por isso, o governo federal deve assumir mais responsabilidades face à gravidade da situação. E não tirar o corpo fora porque a Constituição atribui aos governos estaduais a competência principal nessa área. Tenho visto gente criticar o Estado Mínimo, o Estado Omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública. As bases do crime organizado estão no contrabando de armas e de drogas, cujo combate efetivo cabe às autoridades federais . Ou o governo federal assume de vez, na prática, a coordenação efetiva dos esforços nacionalmente, ou o Brasil não tem como ganhar a guerra contra o crime e proteger nossa juventude.
Qual pai ou mãe de família não se sente ameaçado pela violência, pelo tráfico e pela difusão do uso das drogas? As drogas são hoje uma praga nacional. E aqui também o Governo tem de investir em clínicas e programas de recuperação para quem precisa e não pode ser tolerante com traficantes da morte. Mais ainda se o narcotráfico se esconde atrás da ideologia ou da política. Os jovens são as grandes vítimas. Por isso mesmo, ações preventivas, educativas, repressivas e de assistência precisam ser combinadas com a expansão da qualificação profissional e a oferta de empregos.
Uma coisa que precisa acabar é a falsa oposição entre construir escolas e construir presídios. Muitas vezes, essa é a conversa de quem não faz nem uma coisa nem outra. É verdade que nossos jovens necessitam de boas escolas e de bons empregos, mas se o indivíduo comete um crime ele deve ser punido. Existem propostas de impor penas mais duras aos criminosos. Não sou contra, mas talvez mais importante do que isso seja a garantia da punição. O problema principal no Brasil não são as penas supostamente leves. É a quase certeza da impunidade. Um país só tem mais chance de conseguir a paz quando existe a garantia de que a atitude criminosa não vai ficar sem castigo.
Eu quero que meus netos cresçam num país em que as leis sejam aplicadas para todos. Se o trabalhador precisa cumprir a lei, o prefeito, o governador e o presidente da República também tem essa obrigação. Em nosso país, nenhum brasileiro vai estar acima da lei, por mais poderoso que seja. Na Segurança e na Justiça, o Brasil também pode mais.
Lembro que os investimentos governamentais no Brasil, como proporção do PIB, ainda são dos mais baixos do mundo em desenvolvimento. Isso compromete ou encarece a produção, as exportações e o comércio. Há uma quase unanimidade a respeito das carências da infra-estrutura brasileira: no geral, as estradas não estão boas, faltam armazéns, os aeroportos vivem à beira do caos, os portos, por onde passam nossas exportações e importações, há muito deixaram de atender as necessidades. Tem gente que vê essas carências apenas como um desconforto, um incômodo. Mas essa é uma visão errada. O PIB brasileiro poderia crescer bem mais se a infra-estrutura fosse adequada, se funcionasse de acordo com o tamanho do nosso país, da população e da economia.
Um exemplo simples: hoje, custa mais caro transportar uma tonelada de soja do Mato Grosso ao porto de Paranaguá do que levar a mesma soja do porto brasileiro até a China. Um absurdo. A conseqüência é menos dinheiro no bolso do produtor, menos investimento e menos riqueza no interior do Brasil. E sobretudo menos empregos.
Temos inflação baixa, mais crédito e reservas elevadas, o que é bom, mas para que o crescimento seja sustentado nos próximos anos não podemos ter uma combinação perversa de falta de infra-estrutura, inadequações da política macroeconômica, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos. Aliás, o valor de nossas exportações cresceu muito nesta década, devido à melhora dos preços e da demanda por nossas matérias primas. Mas vai ter de crescer mais. Temos de romper pontos de estrangulamento e atuar de forma mais agressiva na conquista de mercados. Vejam que dado impressionante: nos últimos anos, mais de 100 acordos de livre comércio foram assinados em todo o mundo. São um instrumento poderoso de abertura de mercados. Pois o Brasil, junto com o MERCOSUL, assinou apenas um novo acordo (com Israel), que ainda não entrou em vigência!
Da mesma forma, precisamos tratar com mais seriedade a preservação do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável. Repito aqui o que venho dizendo há anos: é possível, sim, fazer o país crescer e defender nosso meio ambiente, preservar as florestas, a qualidade do ar a contenção das emissões de gás carbônico. É dever urgente dar a todos os brasileiros saneamento básico, que também é meio ambiente. Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo. São essenciais. São Saúde. São cidadania. A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns, uma possibilidade promissora para o Brasil. Temos muito por fazer e muito o que progredir, e vamos fazê-lo.
Também não são incompatíveis a proteção do meio ambiente e o dinamismo extraordinário de nossa agricultura, que tem sido a galinha de ovos de ouro do desenvolvimento do país, produzindo as alimentos para nosso povo, salvando nossas contas externas, contribuindo para segurar a inflação e ainda gerar energia! Estou convencido disso e vamos provar o acerto dessa convicção na prática de governo. Sabem por quê? Porque sabemos como fazer e porque o Brasil pode mais!
O Brasil está cada vez maior e mais forte. É uma voz ouvida com respeito e atenção. Vamos usar essa força para defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos, sem vacilações. Eu fui perseguido em dois golpes de estado, tive dois exílios simultâneos, do Brasil e do Chile. Sou sobrevivente do Estádio Nacional de Santiago, onde muitos morreram. Por algum motivo, Deus permitiu que eu saísse de lá com vida. Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.
Nossa presença no mundo exige que não descuidemos de nossas Forças Armadas e da defesa de nossas fronteiras. O mundo contemporâneo é desafiador. A existência de Forças Armadas treinadas, disciplinadas, respeitadoras da Constituição e das leis foi uma conquista da Nova República. Precisamos mantê-las bem equipadas, para que cumpram suas funções, na dissuasão de ameaças sem ter de recorrer diretamente ao uso da força e na contribuição ao desenvolvimento tecnológico do país.
Como falei no início, esta será uma caminhada longa e difícil. Mas manteremos nosso comportamento a favor do Brasil. Às provocações, vamos responder com serenidade; às falanges do ódio que insistem em dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.
O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma "boquinha"; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.
Este é o povo que devemos mobilizar para a nossa luta; este é o povo que devemos convocar para a nossa caminhada; este é o povo que quer, porque assim deve ser, conservar as suas conquistas, mas que anseia mais. Porque o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais. E, por isso, tem de estar unido. O Brasil é um só.
Pretendo apresentar ao Brasil minha história e minhas idéias. Minha biografia. Minhas crenças e meus valores. Meu entusiasmo e minha confiança. Minha experiência e minha vontade.
Vou lhes contar uma coisa. Desde cedo, quando entrei na vida pública, descobri qual era a motivação maior, a mola propulsora da atividade política. Para mim, a motivação é o prazer. A vida pública não é sacrifício, como tantos a pintam, mas sim um trabalho prazeroso. Só que não é o mero prazer do desfrute. É o prazer da frutificação. Não é um sonho de consumo. É um sonho de produção e de criação. Aprendi desde cedo que servir é bom, nos faz felizes, porque nos dá o sentido maior de nossas existências, porque nos traz uma sensação de bem estar muito mais profunda do que quaisquer confortos ou vantagens propiciados pelas posições de Poder. Aprendi que nada se compara à sensação de construir algo de bom e duradouro para a sociedade em que vivemos, de descobrir soluções para os problemas reais das pessoas, de fazer acontecer.
O grande escritor mineiro Guimarães Rosa, escreveu: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Concordo. É da coragem que a vida quer que nós precisamos agora.
Coragem para fazer um projeto de País, com sonhos, convicções e com o apoio da maioria.
Juntos, vamos construir o Brasil que queremos, mais justo e mais generoso. Eleição é uma escolha sobre o futuro. Olhando pra frente, sem picuinhas, sem mesquinharias, eu me coloco diante do Brasil, hoje, com minha biografia, minha história política e com . esperança no nosso futuro. E determinado a fazer a minha parte para construir um Brasil melhor. Quero ser o presidente da união. Vamos juntos, brasileiros e brasileiras, porque o Brasil pode mais.
Fonte: Assessoria
DE MARAVILHOSA A CALAMITOSA

As nuvens desabaram
Inundando todo chão
A cidade maravilhosa
Virou caos e confusão
Nunca vi tanta enchente
Levando casa e gente,
E causando destruição.
.
O caos invade a cidade,
Trazendo a devastação.
A tragédia assola o Rio,
Cidade de São Sebastião.
E a cidade maravilhosa
Tornou-se calamitosa,
Quem padece é a população.
.
E triste ver a desgraça
Massacrando tanta gente.
No Sudeste tanta água
E no Nordeste diferente.
Falta chuva no Nordeste,
Água no Rio virou peste,
Devastação e enchente.
.
“Desgraça pouca é bobagem,”
Ainda temos que padecer.
Com políticos oportunistas,
Que só querem aparecer:
-“Com minha casa minha vida
“A problemática tá resolvida,”
Ouvi um maioral dizer.
.
Muitos já não precisam,
De casas para morar.
Sete palmos é o suficiente.
Para os mortos enterrar,
Chorar e abraçar família,
Isso é pura demagogia,
Mas de político é peculiar.
.
Nas manchetes dos jornais,
Ou mesmo na televisão,
Cada imagem mostrada,
É de enternecer coração.
Que Deus tenha piedade,
Do povo desta cidade,
Cidade de São Sebastião.
.
Dalinha Catunda
quarta-feira, 7 de abril de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
De mineiros
Grande churrasco abrindo a campanha de Magalhães Pinto, no pátio do Centro Gaúcho, Pampulha, BH. Gabriel Procópio Loures, o Gabi, gerente da Caixa Econômica Estadual em Santos Dumont, pega o microfone para saudar o candidato:
- Minhas senhoras e meus senhores! Como disse o grande filósofo francês "Madame, Monsieur"...
Muitas palmas. E comentários gerais: "que homem culto, o homem sabe tudo".
De paranaenses
Jorge Takachi, japonês simpático e generoso, querido em toda a cidade, saiu candidato a prefeito de Nova Esperança/PR. A oposição começou a falar mal dele. Jorge Takachi não aguentou. Foi fazer comício:
- Jorge Takachi bom para a cidade, constrói hospital, dá dinheiro para a igreja, ajuda os pobres, paga feira dos outros, povo diz: Jorge Takachi muito bom. Jorge Takachi candidato a prefeito, povo diz: Jorge Takachi filho da puta. Num é, né ? Assim, Jorge Takachi não entende povo.
Risadas. E comentários gerais: "Takachi não entende mesmo".
Arena semi-aberta I
O jogo eleitoral começou para valer com os primeiros tiros de guerra. Serra fez o melhor discurso de seu percurso recente. Apesar de ser um orador fissurado na racionalidade, usou uns 8% do palavreado para jogar no tabuleiro da emoção. Fustigou adversários petistas e, indiretamente, o governo Lula, ao se referir à roubalheira. Não admitirá isso, garante. Foi muito eloquente, a ponto de abrir manchetes no dia seguinte. Serra se posiciona, hoje, como identidade comprometida com o pós-lulismo e não como o anti-lulista. Se optasse por ser do contra, estaria perdido.
Arena semi-aberta II
Dilma deixou o Planalto debaixo de uma cascata de lágrimas. Em seu discurso, fez loas ao governo. E elevou Lula aos céus. Fez quase 20 referências ao "senhor", referindo-se ao presidente. Coloca-se, assim, como pupila, patrocinada, candidata do presidente e, no arremate, herdeira do jeito lulista de governar. Reagiu imediatamente aos golpes tucanos. Garante que há muito lobo vestido de cordeiro. Dilma, aliás, está chamando Serra para o ringue. A tática é inteligente. Procura, assim, se posicionar no ranking principal, apresentando-se como lutadora, destemida, sem medo de atirar e debater. Ou seja, atiçando o fogo, Dilma mostra-se disposta a enfrentar o tucanato de igual para igual.
Lula à espreita
Nas próximas semanas, Lula ficará espiando as atitudes, gestos, palavras e atos de sua pupila. A seguir, vai chamá-la para a interlocução de ajustes: diga isso, não repita aquilo, aja assim e assado, corra por aqui e evite aquela vereda acolá. Nos fins de semana, estará quase todo tempo com Dilma, fazendo campanha. E a candidata - bem como Serra - poderá participar de atos administrativos públicos, porém sem ter direito ao verbo. Essa legislação eleitoral é mesmo dúbia. Ou seja, o candidato poderá ser visto ao lado de seus patrocinadores, mas não poderá ser ouvido.
Churchill
"Espero que meus amigos e colegas, ou colegas de outrora, que tenham sido afetados pela reconstrução política, sejam tolerantes e me desculpem por qualquer falta de cerimônia na maneira por que fui compelido a agir. Eu diria a esta Casa, como disse àqueles que passaram a formar este governo: - eu nada mais tenho a oferecer senão sangue, trabalho, suor é lágrimas." (Winston Leonard Spencer Churchill, estadista, no célebre discurso de 3 de setembro de 1939, quando foi nomeado primeiro ministro)
Marina se solta
Este consultor começa a perceber Marina Silva mais solta e desinibida. Chega a ser, até, falante. E começa a aparecer em circuitos empresariais. Quem esperava uma ambientalista confinada aos ambientes florestais, terá grata surpresa. Marina quer viabilizar acordos laterais, até com figuras exponenciais, que lhe acenam com esta possibilidade. É o caso do ex-presidente Itamar Franco. Marina poderá atrair a atenção e o voto de uma faixa jovem e de grupos organizados que cercam o conceito de sustentabilidade.
Ciro se prende
Ciro Gomes, por sua vez, se dobra cada vez mais ao rolo compressor de seu partido, o PSB, cuja maioria quer apoiar a candidata Dilma. O presidente do PSB, governador Eduardo Campos, é do entendimento de que a candidatura Ciro prejudica Dilma. Mas as pesquisas apontam noutra direção: sem Ciro, Serra cresce. E Ciro começa a convencer Campos de que poderá ajudar Dilma se permanecer como candidato. No segundo turno, fecharia aliança com ela. Tudo vai depender de mais duas baterias de pesquisa. Ou seja, vamos ver essa decisão lá para os meados de maio.
O imponderável
Calma, pessoal. É arriscado fazer prognósticos nesse momento. Os dois candidatos principais têm condições de levar a melhor. Fatores imponderáveis poderão ser decisivos. E a imponderabilidade abarca o mundo da abstração. Ninguém sabe se este fator sairá do perfil do candidato, do momento ou das circunstâncias.
PNBF e PNBInf
É tarefa complexa, portanto, aferir o imponderável. O que se pode garantir, isso sim, é que há fatores positivos e negativos que contribuem para derrotar ou dar a vitória a candidatos. Costumo, em minhas análises, fazer referência a dois: Produto Nacional Bruto da Felicidade e Produto Nacional Bruto da Infelicidade. O primeiro resulta de situações confortáveis: dinheiro no bolso, emprego garantido, comida barata, escola garantida para os filhos, assistência do governo, bolsas etc. O segundo é a antítese : desconforto, indignação, raiva, violência desmesurada, medo, desemprego, insegurança social. Façam suas análises em torno desses dois escopos. O primeiro deixa o estômago confortável; o segundo provoca vazios no estômago. O eleitor mais forte é o bolso. Quando cheio, vitória no candidato mais próximo a ele.
Vestindo a máscara do porco
"Os chineses têm um ditado: "vestir a máscara do porco para matar o tigre". É uma referência a uma antiga técnica de caça em que o caçador se cobre com a pele e o focinho de um porco, e sai grunhindo. O poderoso tigre pensa que um porco vem chegando, deixa-o se aproximar, saboreando a perspectiva de uma refeição fácil. Mas é o caçador quem ri por último. Mascarar-se de porco funciona muito bem com quem, como os tigres, é muito arrogante e seguro de si. Quanto mais eles acham que é fácil apanhar você, mais facilmente você vira a mesa. Este truque também é útil se você for ambicioso, mas ocupa uma posição inferior na hierarquia - aparentar ser menos inteligente do que é, até meio tolo, é o disfarce perfeito" (Robert Greene).
E as pesquisas, hein?
Este consultor considera Marcos Coimbra um bom especialista em pesquisa. Tem formação adequada. Sabe manejar os instrumentos de pesquisa. Por isso mesmo, ficou perplexo com as suspeitas de que seu Instituto, Vox Populi, estaria manipulando pesquisas. Há uma nota negativa na mídia dizendo que a última pesquisa do Instituto repetiu os mesmos lugares da penúltima. E que a diferença entre Serra e Dilma não seria de 9 pontos, conforme atesta o Datafolha, mas de apenas 2 pontos. Por via das dúvidas, vamos esperar pelas próximas rodadas, seja do Datafolha seja do Vox Populi.
Dora abelha rainha Kramer
Dora Kramer lançou, esta semana, seu livro - O Poder Pelo Avesso - em uma longa noite de autógrafos. Passei exatos 1 hora e 40 minutos na fila. No meu autógrafo, a querida amiga escreveu: o professor precisa por no papel a história da abelha rainha. Vou começar a contar. Idos de 70. Dora, minha aluna na Cásper Líbero, av. Paulista, 900, 6º andar, já exibia um belo texto. E eu sempre lhe pedia que lesse a reportagem para os comentários e debates da classe. Eu solicitava que os alunos formassem um círculo em torno de Dora. E aí, um dia, para risada geral, eu disse: vamos, agora, ouvir a abelha rainha. Pois ela parecia a rainha cercada pelo enxame de abelhas trabalhadoras. O apelido pegou. Até hoje, quando nos encontramos, ela recorda o passado.
Grande texto
Dora Kramer já escrevia bem naquela época. Texto descritivo, recheado de imagens e simbolismos. Eu lhe dava a melhor nota da classe. Quanta alegria foi ver essa jornalista substituir Carlos Castelo Branco no grande Jornal do Brasil, que também foi meu primeiro jornal. Hoje, no Estadão, Dora é leitura obrigatória. Quem não tem o costume de lê-la, perde e muito. A propósito, a Dora daquele tempo era Dora Tavares de Lima, sobrinha do famoso Chopin Tavares de Lima, contemporânea de Carvalho Pinto, Jânio, amigo de Montoro, e integrante do velho Partido Democrata Cristão. O Kramer vem de seu ex-marido Paulo Kramer, professor e cientista político.
Michel na vice
Com a permanência de Henrique Meirelles no comando do BC, Michel Temer consolida sua posição como peemedebista a compor a chapa de Dilma. O PMDB está fechado em torno de seu nome.
Presente de páscoa
Segundo a Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário), a páscoa deste ano gerou emprego temporário para 63,3 mil trabalhadores em todo o país. O resultado é 5,5% maior que o registrado em 2009. O levantamento confirma ainda que 15% destes contratos temporários têm chance de efetivação, o que corresponde a quase 9,5 mil brasileiros, praticamente o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. A data também significou oportunidade de primeiro emprego para 25% dos trabalhadores.
Lula convencido
Lula no Canal Livre da Band: "estou convencido de que a Dilma vai ser a próxima presidente do Brasil. Agora, vai ter de trabalhar..." Pergunta: vai de ter trabalhar para se eleger? Será que alguém que quer ser presidente do país não consideraria essa possibilidade? A questão levantada pelo presidente parece sem sentido.
FHC faz apelo a Aécio
FHC continua apelando para Aécio Neves vestir a camisa de Serra. Por quê? Desconfia de que o mineiro não está motivado? Neves é candidato ao Senado. Não quer compor a chapa como vice. FHC deve saber de coisas...
MG, um mistério
Minas, com seus quase 14 milhões de eleitores, é um mistério. Não se pense que os mineiros jogarão todos os seus votos na floresta tucana. Vão eleger Aécio, senador, e podem, até, dar a vitória a Anastasia na corrida ao governo. Mas, na área federal, Minas tem sido surpreendente. Não acompanha muito os caciques.
Vermelho de abril
O abril vermelho prometido pelo MST é um tiro nas costas de Dilma. O MST, em anos eleitorais, sempre amainou a corrente invasiva. Mas, este ano, promete recrudescimento nas ações do campo. Traição ao compromisso assumido com o governo Lula? Vamos ver se os emessetistas farão a agenda destrutiva que prometem.
Conselho a Marina Silva
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros do Ministério Público. Hoje, volta sua atenção à pré-candidata à presidência da República Marina Silva:
1. Procure absorver um escopo mais abrangente: educação, saúde, infraestrutura técnica (transportes, energia, telecomunicações), segurança pública, evitando a identidade monotemática da sustentabilidade.
2. Circule nos grandes núcleos da sociedade organizada (associações, federações, sindicatos, movimentos etc.)
3. Privilegie os espaços de maior densidade eleitoral e os pólos de difusão de ideias e informação.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Grande churrasco abrindo a campanha de Magalhães Pinto, no pátio do Centro Gaúcho, Pampulha, BH. Gabriel Procópio Loures, o Gabi, gerente da Caixa Econômica Estadual em Santos Dumont, pega o microfone para saudar o candidato:
- Minhas senhoras e meus senhores! Como disse o grande filósofo francês "Madame, Monsieur"...
Muitas palmas. E comentários gerais: "que homem culto, o homem sabe tudo".
De paranaenses
Jorge Takachi, japonês simpático e generoso, querido em toda a cidade, saiu candidato a prefeito de Nova Esperança/PR. A oposição começou a falar mal dele. Jorge Takachi não aguentou. Foi fazer comício:
- Jorge Takachi bom para a cidade, constrói hospital, dá dinheiro para a igreja, ajuda os pobres, paga feira dos outros, povo diz: Jorge Takachi muito bom. Jorge Takachi candidato a prefeito, povo diz: Jorge Takachi filho da puta. Num é, né ? Assim, Jorge Takachi não entende povo.
Risadas. E comentários gerais: "Takachi não entende mesmo".
Arena semi-aberta I
O jogo eleitoral começou para valer com os primeiros tiros de guerra. Serra fez o melhor discurso de seu percurso recente. Apesar de ser um orador fissurado na racionalidade, usou uns 8% do palavreado para jogar no tabuleiro da emoção. Fustigou adversários petistas e, indiretamente, o governo Lula, ao se referir à roubalheira. Não admitirá isso, garante. Foi muito eloquente, a ponto de abrir manchetes no dia seguinte. Serra se posiciona, hoje, como identidade comprometida com o pós-lulismo e não como o anti-lulista. Se optasse por ser do contra, estaria perdido.
Arena semi-aberta II
Dilma deixou o Planalto debaixo de uma cascata de lágrimas. Em seu discurso, fez loas ao governo. E elevou Lula aos céus. Fez quase 20 referências ao "senhor", referindo-se ao presidente. Coloca-se, assim, como pupila, patrocinada, candidata do presidente e, no arremate, herdeira do jeito lulista de governar. Reagiu imediatamente aos golpes tucanos. Garante que há muito lobo vestido de cordeiro. Dilma, aliás, está chamando Serra para o ringue. A tática é inteligente. Procura, assim, se posicionar no ranking principal, apresentando-se como lutadora, destemida, sem medo de atirar e debater. Ou seja, atiçando o fogo, Dilma mostra-se disposta a enfrentar o tucanato de igual para igual.
Lula à espreita
Nas próximas semanas, Lula ficará espiando as atitudes, gestos, palavras e atos de sua pupila. A seguir, vai chamá-la para a interlocução de ajustes: diga isso, não repita aquilo, aja assim e assado, corra por aqui e evite aquela vereda acolá. Nos fins de semana, estará quase todo tempo com Dilma, fazendo campanha. E a candidata - bem como Serra - poderá participar de atos administrativos públicos, porém sem ter direito ao verbo. Essa legislação eleitoral é mesmo dúbia. Ou seja, o candidato poderá ser visto ao lado de seus patrocinadores, mas não poderá ser ouvido.
Churchill
"Espero que meus amigos e colegas, ou colegas de outrora, que tenham sido afetados pela reconstrução política, sejam tolerantes e me desculpem por qualquer falta de cerimônia na maneira por que fui compelido a agir. Eu diria a esta Casa, como disse àqueles que passaram a formar este governo: - eu nada mais tenho a oferecer senão sangue, trabalho, suor é lágrimas." (Winston Leonard Spencer Churchill, estadista, no célebre discurso de 3 de setembro de 1939, quando foi nomeado primeiro ministro)
Marina se solta
Este consultor começa a perceber Marina Silva mais solta e desinibida. Chega a ser, até, falante. E começa a aparecer em circuitos empresariais. Quem esperava uma ambientalista confinada aos ambientes florestais, terá grata surpresa. Marina quer viabilizar acordos laterais, até com figuras exponenciais, que lhe acenam com esta possibilidade. É o caso do ex-presidente Itamar Franco. Marina poderá atrair a atenção e o voto de uma faixa jovem e de grupos organizados que cercam o conceito de sustentabilidade.
Ciro se prende
Ciro Gomes, por sua vez, se dobra cada vez mais ao rolo compressor de seu partido, o PSB, cuja maioria quer apoiar a candidata Dilma. O presidente do PSB, governador Eduardo Campos, é do entendimento de que a candidatura Ciro prejudica Dilma. Mas as pesquisas apontam noutra direção: sem Ciro, Serra cresce. E Ciro começa a convencer Campos de que poderá ajudar Dilma se permanecer como candidato. No segundo turno, fecharia aliança com ela. Tudo vai depender de mais duas baterias de pesquisa. Ou seja, vamos ver essa decisão lá para os meados de maio.
O imponderável
Calma, pessoal. É arriscado fazer prognósticos nesse momento. Os dois candidatos principais têm condições de levar a melhor. Fatores imponderáveis poderão ser decisivos. E a imponderabilidade abarca o mundo da abstração. Ninguém sabe se este fator sairá do perfil do candidato, do momento ou das circunstâncias.
PNBF e PNBInf
É tarefa complexa, portanto, aferir o imponderável. O que se pode garantir, isso sim, é que há fatores positivos e negativos que contribuem para derrotar ou dar a vitória a candidatos. Costumo, em minhas análises, fazer referência a dois: Produto Nacional Bruto da Felicidade e Produto Nacional Bruto da Infelicidade. O primeiro resulta de situações confortáveis: dinheiro no bolso, emprego garantido, comida barata, escola garantida para os filhos, assistência do governo, bolsas etc. O segundo é a antítese : desconforto, indignação, raiva, violência desmesurada, medo, desemprego, insegurança social. Façam suas análises em torno desses dois escopos. O primeiro deixa o estômago confortável; o segundo provoca vazios no estômago. O eleitor mais forte é o bolso. Quando cheio, vitória no candidato mais próximo a ele.
Vestindo a máscara do porco
"Os chineses têm um ditado: "vestir a máscara do porco para matar o tigre". É uma referência a uma antiga técnica de caça em que o caçador se cobre com a pele e o focinho de um porco, e sai grunhindo. O poderoso tigre pensa que um porco vem chegando, deixa-o se aproximar, saboreando a perspectiva de uma refeição fácil. Mas é o caçador quem ri por último. Mascarar-se de porco funciona muito bem com quem, como os tigres, é muito arrogante e seguro de si. Quanto mais eles acham que é fácil apanhar você, mais facilmente você vira a mesa. Este truque também é útil se você for ambicioso, mas ocupa uma posição inferior na hierarquia - aparentar ser menos inteligente do que é, até meio tolo, é o disfarce perfeito" (Robert Greene).
E as pesquisas, hein?
Este consultor considera Marcos Coimbra um bom especialista em pesquisa. Tem formação adequada. Sabe manejar os instrumentos de pesquisa. Por isso mesmo, ficou perplexo com as suspeitas de que seu Instituto, Vox Populi, estaria manipulando pesquisas. Há uma nota negativa na mídia dizendo que a última pesquisa do Instituto repetiu os mesmos lugares da penúltima. E que a diferença entre Serra e Dilma não seria de 9 pontos, conforme atesta o Datafolha, mas de apenas 2 pontos. Por via das dúvidas, vamos esperar pelas próximas rodadas, seja do Datafolha seja do Vox Populi.
Dora abelha rainha Kramer
Dora Kramer lançou, esta semana, seu livro - O Poder Pelo Avesso - em uma longa noite de autógrafos. Passei exatos 1 hora e 40 minutos na fila. No meu autógrafo, a querida amiga escreveu: o professor precisa por no papel a história da abelha rainha. Vou começar a contar. Idos de 70. Dora, minha aluna na Cásper Líbero, av. Paulista, 900, 6º andar, já exibia um belo texto. E eu sempre lhe pedia que lesse a reportagem para os comentários e debates da classe. Eu solicitava que os alunos formassem um círculo em torno de Dora. E aí, um dia, para risada geral, eu disse: vamos, agora, ouvir a abelha rainha. Pois ela parecia a rainha cercada pelo enxame de abelhas trabalhadoras. O apelido pegou. Até hoje, quando nos encontramos, ela recorda o passado.
Grande texto
Dora Kramer já escrevia bem naquela época. Texto descritivo, recheado de imagens e simbolismos. Eu lhe dava a melhor nota da classe. Quanta alegria foi ver essa jornalista substituir Carlos Castelo Branco no grande Jornal do Brasil, que também foi meu primeiro jornal. Hoje, no Estadão, Dora é leitura obrigatória. Quem não tem o costume de lê-la, perde e muito. A propósito, a Dora daquele tempo era Dora Tavares de Lima, sobrinha do famoso Chopin Tavares de Lima, contemporânea de Carvalho Pinto, Jânio, amigo de Montoro, e integrante do velho Partido Democrata Cristão. O Kramer vem de seu ex-marido Paulo Kramer, professor e cientista político.
Michel na vice
Com a permanência de Henrique Meirelles no comando do BC, Michel Temer consolida sua posição como peemedebista a compor a chapa de Dilma. O PMDB está fechado em torno de seu nome.
Presente de páscoa
Segundo a Asserttem (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário), a páscoa deste ano gerou emprego temporário para 63,3 mil trabalhadores em todo o país. O resultado é 5,5% maior que o registrado em 2009. O levantamento confirma ainda que 15% destes contratos temporários têm chance de efetivação, o que corresponde a quase 9,5 mil brasileiros, praticamente o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. A data também significou oportunidade de primeiro emprego para 25% dos trabalhadores.
Lula convencido
Lula no Canal Livre da Band: "estou convencido de que a Dilma vai ser a próxima presidente do Brasil. Agora, vai ter de trabalhar..." Pergunta: vai de ter trabalhar para se eleger? Será que alguém que quer ser presidente do país não consideraria essa possibilidade? A questão levantada pelo presidente parece sem sentido.
FHC faz apelo a Aécio
FHC continua apelando para Aécio Neves vestir a camisa de Serra. Por quê? Desconfia de que o mineiro não está motivado? Neves é candidato ao Senado. Não quer compor a chapa como vice. FHC deve saber de coisas...
MG, um mistério
Minas, com seus quase 14 milhões de eleitores, é um mistério. Não se pense que os mineiros jogarão todos os seus votos na floresta tucana. Vão eleger Aécio, senador, e podem, até, dar a vitória a Anastasia na corrida ao governo. Mas, na área federal, Minas tem sido surpreendente. Não acompanha muito os caciques.
Vermelho de abril
O abril vermelho prometido pelo MST é um tiro nas costas de Dilma. O MST, em anos eleitorais, sempre amainou a corrente invasiva. Mas, este ano, promete recrudescimento nas ações do campo. Traição ao compromisso assumido com o governo Lula? Vamos ver se os emessetistas farão a agenda destrutiva que prometem.
Conselho a Marina Silva
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros do Ministério Público. Hoje, volta sua atenção à pré-candidata à presidência da República Marina Silva:
1. Procure absorver um escopo mais abrangente: educação, saúde, infraestrutura técnica (transportes, energia, telecomunicações), segurança pública, evitando a identidade monotemática da sustentabilidade.
2. Circule nos grandes núcleos da sociedade organizada (associações, federações, sindicatos, movimentos etc.)
3. Privilegie os espaços de maior densidade eleitoral e os pólos de difusão de ideias e informação.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 6 de abril de 2010
AMAZÔNIA

Durante debate ocorrido no mês de Novembro/2000, em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."
(*) Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É senador da República, palestrante e humanista respeitado mundialmente.
domingo, 4 de abril de 2010
HORA DE UNIÃO, POR FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

A visão de futuro mostra quem é verdadeiramente líder. No auge das lutas pela volta às eleições diretas e pelo fim do autoritarismo, três personagens, cada qual à sua maneira, foram decisivos para que conseguíssemos mudar o rumo do país. Não foram os únicos. Muita gente se empenhou desde a campanha das Diretas Já com o mesmo propósito. Nem se deve esquecer o papel desempenhado pelas grandes greves do ABC e por seus líderes. Mas, a partir da derrota da emenda Dante de Oliveira, quando se colocou a possibilidade de derrotar o candidato do Sistema utilizando-se o próprio Colégio Eleitoral, a condução do processo passou a depender de Ulysses Guimarães, Franco Montoro e Tancredo Neves.
Houve hesitação sobre o que fazer. Fiz um discurso no Senado trocando o lema Diretas Já por Mudanças Já, com a convicção de que poderíamos derrotar os donos do poder. Foi difícil para Ulysses Guimarães tragar a dose e aceitar as eleições indiretas, ele que fora o anticandidato em 1974 e cujo nome se identificava com as eleições diretas. Foi mais difícil ainda, uma vez deslanchado o processo de conquista de votos no Congresso, unir a oposição em torno de um nome.
Ulysses até aquele momento fora o condutor indiscutido das oposições democráticas. Entretanto, pela dureza das posições que assumira na crítica ao regime autoritário, teria dificuldades em granjear votos entre os que, diante do desgaste do poder, da crítica de uma imprensa mais livre, dos movimentos de protesto em massa e das dificuldades econômicas, se predispunham a mudar de posição. Sem o apoio destes, a derrota era garantida. Na época, presidente do MDB de São Paulo e muito próximo a Ulysses Guimarães, disse-lhe com muito pesar, pela enorme admiração e respeito que nutria por ele, que a vez seria de outro.
Roberto Gusmão, chefe da Casa Civil do governo Montoro, havia declarado nas páginas amarelas da Veja que São Paulo se uniria a Tancredo Neves para a conquista da Presidência. Ulysses fez questão de ouvir a decisão da voz do governador de São Paulo. Acompanhei-o ao Palácio dos Bandeirantes em um encontro com o governador Montoro e com Roberto Gusmão. Montoro poderia pretender legitimamente a candidatura à Presidência: ganhara as eleições diretas em São Paulo com votação consagradora. Percebeu, entretanto, que no caso das eleições indiretas Tancredo teria melhores oportunidades. Reafirmou este ponto de vista a Ulysses. Mais do que os méritos e as ambições de cada um, contava o momento histórico. Ou nos uníamos e ampliávamos a frente contra o autoritarismo ou este permaneceria por mais tempo, esmaecido que fosse, com a eleição de Paulo Maluf, candidato da Arena. A visão de futuro e o interesse nacional contavam mais do que as biografias. Tiveram grandeza. São Paulo se uniu a Minas para que o Brasil avançasse e Ulysses chefiou a campanha pela eleição de Tancredo.
Passados 25 anos, nos encontramos frente a circunstâncias históricas que novamente requerem grandeza dos líderes e unidade de todos. Não está em jogo o admirar ou não o presidente Lula, nem mesmo as qualidades de liderança (ou a falta delas) de sua candidata Dilma Rousseff. Por trás das duas candidaturas polares há um embate maior. A tendência que vem marcando os últimos 18 meses do atual governo nos levará, pouco a pouco, para um modelo de sociedade que se baseia na predominância de uma forma de capitalismo na qual governo e algumas grandes corporações, especialmente públicas, unem-se sob a tutela de uma burocracia permeada por interesses corporativos e partidários. Especialmente de um partido cujo programa recente se descola da tradição democrática brasileira, para dizer o mínimo. Cada vez mais nos aproximamos de uma forma de organização política inspirada em um capitalismo com forte influência burocrática e predomínio de um partido. Tudo sob uma liderança habilidosa que ajeita interesses contraditórios e camufla a reorganização política que se está esboçando.
Agora, com as eleições presidenciais se aproximando, as alianças são feitas sem preocupação com a coerência político-ideológica: o que conta é ganhar as eleições. Depois, a força do Executivo se encarregará de diluir eventuais resistências de governadores e parlamentares que se opuserem à marcha do processo em curso, e transformará os aliados em vassalos. Mais recentemente, tem surgido a dúvida: será que a candidata petista, sem ser Lula, terá força para arbitrar entre os interesses do partido, os dos aliados e os da sociedade? Não sei avaliar, mas o resultado será o mesmo: pouco a pouco, o “pensamento único”, agora sim, esmagará os anseios dos que sustentam uma visão aberta da sociedade e se opõem ao capitalismo de Estado controlado por forças partidárias quase únicas infiltradas na burocracia do Estado.
Os líderes oposicionistas atuais terão a visão de grandeza dos que os antecederam e perceberão que está em jogo a própria concepção do que seja democracia? Há quem defenda um outro estilo de sociedade. Há quem acredite que certo autoritarismo burocrático com poder econômico-financeiro pode favorecer o crescimento econômico. A China está aí para demonstrar que isso é possível. Mas é isso o que queremos para nós? A força governista ignora os limites da lei e tudo que decorre dessa atitude, desde a leniência com a corrupção até a arrogância do poder e o abuso publicitário antes do início legal das campanhas. É imperativo, pois, que as oposições se unam. A aliança entre Minas e São Paulo – que se pode dar de forma variada – salvou-nos do autoritarismo no passado. Uma candidatura que fale a todo o país, que represente a união das oposições e busque o consenso na sociedade é o melhor caminho para assegurar a vitória. José Serra e Aécio Neves estiveram ao lado dos que permitiram derrotar o regime autoritário. Cabe-lhes agora conduzir-nos para uma vitória que nos dê esperança de dias melhores. Tenho certeza de que não nos decepcionarão.
*Ex-presidente da República
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Ha um tendencia mundial de governar sob a égide de pesquisas, alem de erros crassos,corri-se o risco do imediatismo; esse " bolsismo" se compara a pais de adolescentes que mesmo sem estudar,ter qualquer outra atividade,recebem dos seus pais régia mesada; nesse meio tempo avaliam seus pais como os melhores do mundo mas,depois de 20/30 anos, que futuro terao?!
Existem agravos e situacoes emergenciais que somente o estado pode intervir?
Claro que sim,no entanto,esse assistencialismo sem um minino projeto de desmame, torna-se, inconsequente e paradoxalmente desrespeitoso e malefico aos pretensamente assistidos.
Paulo Nazareno
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