A real política econômica - ou o "plano real" de Dilma I
Em doses homeopáticas, sem muito destaque, o governo da presidente Dilma tem dado clara indicação das diretrizes de sua política econômica, do cavalo de pau que está dando na política herdada de Lula. Esta, por sua vez, herdada por Lula de FHC. Da própria Dilma, no discurso na ONU: "O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se recolhem, a face mais amarga da crise - a do desemprego - se amplia". Para quem lê, está enunciado o princípio de que o Estado vai intervir sempre que julgar necessário, cada vez mais. O tripé de política econômica composto pelo câmbio flutuante, política fiscal disciplinada e meta de inflação hoje tem valor relativo.
A real política econômica - ou o "plano real" de Dilma II
O boletim bimestral "Economia Brasileira em Perspectiva", do ministério da Fazenda, distribuído também na semana passada, informa que "uma política monetária expansionista seria uma resposta à desaceleração da economia". Na mesma linha de outro dito da presidente em NY: que não dá para sair da crise "produzindo recessão". Em Brasília, vozes mais entusiasmadas, já chamam esse arranjo de "o Plano Real" de Dilma. Dando certo, seria o passaporte para ela se livrar da sombra de Lula e projetar uma espécie de "dilmismo", para além de 2014.
A economia na real
Se, de um lado, é certo que Dilma começa a formular uma política econômica fora dos padrões dos governos anteriores, de outro os problemas econômicos atuais são efetivos. A crise externa começa a interferir diretamente sobre a economia brasileira. A face mais visível são os recentes movimentos altistas do câmbio e sua correspondente influência sobre a inflação. Todavia, não é o único efeito. Linhas de crédito em reais e moeda estrangeira estão substancialmente mais caras e escassas, os investimentos diretos estão sendo paulatinamente revistos, o consumo de bens duráveis mostra sinais de enfraquecimento e, com efeito, a atividade econômica está bem mais frágil, algo além do que podia se esperar. O Brasil vai crescer menos que a média da América Latina e cerca de 1/3 do que Índia e China vão crescer este ano. Tudo isso é muito significativo.
Inflação: o problema mais urgente
O futuro é, por definição, incerto, muito embora os economistas de plantão estejam sempre prontos a prevê-lo. Ora, quem poderia esperar que inflação superasse tão rapidamente a meta estabelecida pelo BC, a qual baliza a política monetária? Basta verificarmos o que diziam as fontes no final do ano passado sobre o assunto. Pois bem: alguém pode duvidar que a inflação possa atingir um patamar (anual) acima dos dois dígitos? A resposta honesta hoje é que a probabilidade de que isto aconteça é significativa e, ao mesmo tempo, crescente. As variações da taxa de câmbio pesarão sobre a inflação e é bom não esquecermos de que há mecanismos de indexação suficientes na economia brasileira (aluguéis, crédito imobiliário, salários, preços públicos, etc.) que tragam de volta o "velho" fator inercial. Não apenas o governo subestima este cenário. O próprio "mercado" também o faz.
E a política?
Em nome da "política dos políticos" é que está havendo uma certa condescendência com a inflação. Acredita-se que mais PIB signifique mais votos no baú. Esquece-se de que não há maior buraco negro de votos do que preços altos e renda em queda. Principalmente para uma classe "C "emergente, a dita classe média do Lula.
BC: credibilidade em baixa
A taxa de juros básica no Brasil já poderia estar mais baixa há algum tempo, coisa de anos. Há uma gama de economistas que dirão o contrário, mas o certo é que não há "provas científicas" que sustentem que temos de ter uma taxa de juros real tão alta assim. Esta premissa, contudo, não afasta a constatação de que o BC escolheu a pior forma e momento para iniciar a queda dos juros. Com a inflação em alta e a taxa de câmbio supervalorizada, o BC tomou para si e, por decorrência, para o país, todos os riscos econômicos. Provavelmente, não faltou "sensibilidade" à autoridade monetária em relação ao tema, tanto é que a última decisão do COPOM foi construída com os votantes do BC divididos. Agora, a coisa ficou mais complicada, pois o esforço do BC para retomar as rédeas da inflação terá de ser muito maior. Neste caso, Tombini e sua turma poderão descobrir que estarão sozinhos nesta tarefa.
A questão dos derivativos
É direito de qualquer governo cuidar para a higidez de um segmento de mercado. Ainda mais quando se trata de câmbio. Os ingressos de recursos externos já são enormes desde a década de 90. Coisa de longo prazo e cujo destino sempre foi o lucrativo mercado de juros brasileiro. Em julho o governo, leia-se Fazenda, resolveu adotar uma medida de restrição cambial, escolheu o mercado de derivativos com o fito de evitar a tal da "arbitragem" entre juros locais e externos. Está claro que a medida adotada não foi concebida com a devida análise de suas consequências. Por duas razões: (i) os "hedgers" (aqueles que querem proteção cambial) tiveram que comprar posições no mercado à vista, pois não há mais vendedores de câmbio no mercado de derivativos. De outro lado, (ii) os detentores de dólares não vão liberá-los, pois poderão não ter liquidez no futuro. Resultado: apenas o governo pode fornecer dólares com suficiência para o mercado. É o que está a ocorrer. A Fazenda fez algo inesperado: deu um nó no BC. Que, obediente, calou-se.
A crise europeia
Não dá para ficar pessimista com o anúncio e as notícias que vieram da reunião do FMI neste último fim de semana. Isso não significa que devemos ficar eufóricos. De fato, a leitura do que saiu da autoridade multilateral mostra que, finalmente, os europeus parecem dispostos a agir, criando formas e fontes que aumentem a liquidez do sistema financeiro, bem como limitem os riscos do crédito soberano. Não será somente a pequena Grécia a ser analisada na reunião da UE na primeira semana de outubro. De fato, parece que teremos novidades e estas serão positivas. Isso não quer dizer que os mercados reverterão as expectativas. Quer dizer que talvez poderemos rever as nossas piores expectativas. Não dá para se antecipar às medidas e operar no mercado, mesmo porque caso a "nova estratégia europeia" seja um desastre, os efeitos serão terríveis. Por isto não mudamos o nosso "Radar NA REAL".
A pergunta de Canotilho
A edição, na última quinta-feira, do "Prêmio Mendes Junior" da GVLaw reuniu Delfim Netto, Ives Grandra e J.J. Canotilho para discutir os efeitos da segurança jurídica sobre o desenvolvimento econômico. Um debate recheado de erudição e vívida reflexão prática. A certa altura do debate, o português J.J. Canotilho, um dos maiores constitucionalistas vivos do mundo, acusou: "as parcerias público-privadas eram vistas até pouco tempo atrás como a 'salvação' da economia portuguesa na sua tarefa de se desenvolver. Hoje, depois da deflagração da crise europeia, estas PPPs são vistas como 'as maiores produtoras de déficit público' de Portugal pela União Europeia. Como isto é possível?". Segundo o jurista, "a questão fundamental hoje não é como o Estado cumpre a sua função fiscalizadora, mas se o faz de maneira inteligente". Eis uma excelente reflexão nestes tempos de Copa do Mundo e Olimpíadas neste nosso país...
Queridinho do mercado
Roger Agnelli, ex-Vale, acaba de ganhar o prêmio da prestigiada "Revista RI" como "Melhor Desempenho em RI (Relações com Investidores) por um CEO". Das sete edições deste prêmio, Agnelli foi indicado todas as vezes e ganhou quatro prêmios. Um desempenho e tanto. Resta saber se alguma autoridade da Fazenda prestigiará a entrega do prêmio, depois de tirar a coroa de Agnelli na Vale.
Reforma política de fachada
Até os mais ingênuos parceiros já notaram: as mudanças eleitorais que Lula abraçou são principalmente muito boas para o PT. E para ele, Lula. O voto em lista é uma aberração. Mais dinheiro público em campanha, sem democracia partidária e sem controle rígido e punição rigorosa para "caixa dois", outra. Dinheiro de estatais na campanha, crime. O PMDB não fica atrás, distritão é regressão. Não há reforma para valer. Não interessa a ninguém, nem situacionistas nem oposicionistas. Nada de mudar de fato o que está aí, correr o risco de pôr novos atores na cena política e dar mais voz e poder de escolha ao eleitor. Daí opção por novos velhos com Fernando Haddad, Gabriel Chalita, Bruno Covas, etc. O lema é mudar para permanecer como está.
Constrangimentos no judiciário
O silêncio da maioria dos membros da Justiça a respeito das resistências do Executivo e do Legislativo em aprovarem o pedido de reajuste salarial para eles não é de ouro. Pode, quase discretamente, fazer muito barulho.
É apenas tática
Nem o governo nem o Congresso desistiram de ter uma nova fonte para "financiar a saúde", ou seja, ter um novo velho imposto como a CPMF, uma outra jabuticaba tributária ou um ajuste num dos velhos tributos. Eles estão esperando apenas uma ocasião mais propícia para passar o arranjo goela abaixo da sociedade. Veja-se que nunca se fez questão, na área pública, de mostrar tanto as mazelas do setor quanto agora.
O que está errado?
Da ministra Eliana Calmon, do STJ, a respeito da anulação das provas contra negócios da família Sarney: "Ou a Polícia Federal está inteiramente errada, jogando fora o dinheiro da Nação, fazendo investigações temerárias, ou a Justiça está errada". O que o ministro da Justiça vai fazer?
A China real e a China imaginária
Em fulgorosa viagem à China, em abril, a presidente Dilma teve a oportunidade de, segundo informações brasileiras, patrocinar o acerto de dois grandes negócios de interesse do Brasil;
- a reativação da fábrica da Embraer no país, com venda de produtos brasileiros para os chineses.
- um investimento de US$ 12 bilhões da chinesa Foxconn no Brasil para fabricação dos tablets da Apple aqui.
Cinco meses depois: a Embraer ainda está a "ver aviões" e os US$ 12 bi ainda não voaram, à espera do generoso BNDES. Negociar com os chineses é ciência que exige mais do gogó e deslumbramento.
(Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
VALMIR CAMPELO É O SEGUNDO CRATEUENSE A RECEBER O TROFÉU "SEREIA DE OURO"
Com uma rica trajetória no serviço público, o cearense Valmir Campelo, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), será agraciado na próxima sexta-feira com o Troféu Sereia de Ouro. Na ocasião, também serão homenageados o artista plástico Luiz Hermano, o empresário Everardo Telles e o jornalista Fernando César Mesquita
A realidade do sertão conspirava contra o menino Antônio Valmir Campelo Bezerra. Ele nasceu em 1944, em Crateús, em uma família de 11 filhos. Os pais, o comerciante João Amaro Bezerra e a professora Raimunda Campelo Bezerra, criaram os filhos com amor, dedicação e muito esforço. Ainda assim, Valmir foi marcado pelo que presenciava em sua cidade. "Acompanhávamos o sofrimento dos mais pobres no período de seca. Eu via aquelas pessoas sobrevivendo à falta de água e de comida. Isso sempre mexeu comigo", relembra.
A preocupação com o próximo despertou em Valmir Campelo a vocação pelo trabalho social. A vida difícil de seu povo, abatido pelas severas estiagens, ele viu estampada em outros lugares, por causas diversas. Estava escrito: o menino de Crateús dedicar-se-ia, por toda a vida, ao serviço público, sempre disposto a assumir novas funções e encarar desafios necessários. Subiria degrau por degrau no poder público e, mais tarde, seu esforço seria recompensado com o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União.
As oportunidades para desenvolver o talento de homem público lhe aguardavam em Brasília. Em 1962, suas irmã Maria Valdira foi aprovada em um concurso na Câmara dos Deputados. O pai condicionou a mudança da filha para a recém-criada capital federal à companhia de um de seus irmãos. Valmir a acompanhou e logo descobriu que, na cidade, abundavam as dificuldades e as oportunidades. Terminou os estudos em escola pública, prestou vestibular e foi aprovado, para o curso de Comunicação Social, na conceituada Universidade de Brasília (UnB).
"Sou jornalista por formação, mas, como já estava adiantado no serviço público, e precisava trabalhar, optei por não seguir a profissão", explica o ministro. Ele e a irmã acalentavam o sonho de levar para a capital federal os pais e os irmãos. "Trouxemos todos, um a um. E por fim, meus pais, em 1968", relembra Valmir Campelo.
Tão logo chegou na cidade, o jovem de Crateús ingressou no governo. "Entrei no serviço público em 1963. Exerci todas as funções que se possa imaginar dentro do governo. Trilhei cada degrau. Fui escriturário, encarregado de seção, chefe de seção, chefe de divisão, diretor administrativo, subsecretário e secretário do Distrito Federal, fui prefeito de três cidades próximas de Brasília, Braslândia, Gama e Taguatinga", enumera o ministro Valmir Campelo.
O cearense ocupou os cargos de administrador municipal, nessas três cidades, entre 1971 e 1985. O sucesso como gestor público foi reconhecido nas urnas: foi o deputado federal mais votado na história de Brasília, exercendo o cargo entre 1987 e 1991; na sequência, foi eleito senador, venceu outros seis candidatos na disputa por uma única vaga. "Quando estava no Senado Federal, fui indicado para o Tribunal de Contas da União, uma instituição respeitada, com mais de 120 anos de história".
A dedicação foi total. No TCU, foi ministro-corregedor, vice-presidente e presidente. "É uma vida muito agitada e muito intensa. A minha preocupação maior é com o julgamento. Antes de decidir, penso muito. Não se pode julgar só pelo que está na Lei, é preciso entender os contextos. Você tem que educar, fazer um trabalho pedagógico. O juiz faz o papel muito parecido com o dos pais. O bom pai não precisa bater para educar seu filho. A punição só pode ser dada na última instância", ensina o ministro.
O esporte e os livros
Para um ministro do TCU, encontrar tempo livre não é tarefa fácil. "Com estes sistemas da internet, posso acessar os processos de qualquer lugar. Então, estou sempre trabalhando. Sempre fui assim. Quando era deputado, atendia até 100 pessoas por dia. Tinha fila na porta do gabinete. E, no fim do dia, eu saía de lá inteiro, porque amo o que faço", conta Valmir Campelo.
Campelo, ainda assim, faz mágica com seu tempo. Afinal, apaixonado pela família como é, não a deixa de lado. "Sou casado, desde 1968, com Marizalva Ximenes Maia Bezerra, também nascida em Crateús. Temos três filhos excelentes, todos independentes e concursados, casados com três mulheres maravilhosas. Eles me deram quatro netos que amo muito", conta o pai e avô dedicado.
O ministro é também um apaixonado pelo futebol. É um torcedor alvinegro - acompanha os lances do Ceará, do Vasco da Gama e do Santos. "Gosto muito do preto e branco. O único time que difere é o Gama, um alviverde, que ajudei a criar. Tanto que, na cidade, me homenagearam, dando o meu nome ao seu estádio de futebol. Em Braslândia, quando estava à frente da prefeitura, eu jogava no time da cidade. Sempre fui um apaixonado pelo esporte", revela, recordando seus feitos de atleta e administrador.
De sua formação em Comunicação Social, o ministro Valmir Campelo manteve intacto o gosto por manter-se bem informado. Ele é um leitor voraz das notícias. Lê, diariamente, jornais, revistas, sites e blogs. Lamenta que o trabalho não lhe deixe tempo para conviver mais com os livros, uma de suas paixões desde a juventude. Tanto que, apesar dos muitos afazeres, ele nunca deixou a escrita de lado. É autor das obras "Deputado Valmir Campelo na Constituinte", "Opinião - Política, Governo e Desenvolvimento Econômico", "Plebiscito: Considerações de um Democrata", "Homens, Feras e Prisões", "Atividades Parlamentares - 1º Semestre de 1995", "As Safenas da Economia" e "O Novo Tribunal de Contas - Órgão Protetor dos Direitos Fundamentais".
Atualmente, ele trabalha em um novo projeto. É um livro em que suas memórias servem de fio condutor para retratar diferentes realidades sociais, econômicas e políticas que testemunhou. A obra ainda não tem data de lançamento.
Homenagem
Valmir Campelo ficou entusiasmado quando recebeu a notícia de que seria um dos agraciados com o Troféu Sereia de Ouro deste ano. "Receber a Sereia de Ouro é um marco na minha vida. Trata-se de uma das maiores homenagens do Ceará. Graças a Deus, recebi comendas nos postos mais altos do País, mas faltava esta. O troféu vem coroar minha carreira, o esforço da minha trajetória política, administrativa e pessoal. Sou muito grato à lembrança do Grupo Edson Queiroz e me sinto ainda mais feliz porque serei o orador dos homenageados deste ano".
"O Troféu Sereia de Ouro vem coroar minha carreira, o esforço da minha trajetória"
Valmir Campelo
Ministro do Tribunal de Contas das União
(Jornal Diário do Nordeste)
domingo, 25 de setembro de 2011
REGINA VIARUM (RAINHA DAS VIAS)

As ruas de minha cidade são artérias carregadas de indispensáveis ânimos ou de um pesado desalento que escorem pelos granizos disformes de um roto calçamento. Às vezes escoa uma rara coragem que escapole de alguma porta aberta e se arrua, esvaindo-se, a dizer que na minha cidade ainda há esperança e fé.
Alegro-me ao pronunciar tantos nomes insignes estampados pelas placas das duras esquinas, a indicar que aquela via tem um Senhor, tem um dono e não é só um número seco e uma letra morta que nos serve de orientação. Um distanciado cidadão emprestou-lhe o digníssimo nome para continuar a nos orientar rumo ao destino final, nesta nossa longa e tediosa caminhada.
Nasci e finquei minhas profundas raízes como aquelas velhas Algarobas e aqueles frondosos Benjamins, na Rua Frei Vidal da Penha numa infância solta, numa rua de terra batida, onde jogávamos pião, bolinha de gude, quando vinha uma amenizante chuva, construímos ilusórias barragens, no meio da rua, represando suas coxias para criar imensos açudes. Lá, me fiz em longitude e equilíbrio.
Medrei na Frei Vidal, minha eterna Regina Viarum, e só há pouco despertei para a importância de seu nome, como muitos desatentos citadinos que não sabem o porque do título da rua onde moram.
Frei Vidal da Penha, um Frade Menor da Ordem Dos Capuchinhos, passou por minha rua, nos instantes finais do século XVIII, com seu hábito pobre e descalço, com seu o capuz pontiagudo, com uma longa barba branca a indicar uma idade avançada, uma vida sofrida de um pregador itinerante. Era grande a multidão que vinha de toda parte e se aglomeravam em sua volta, para ouvi-lo. Ele sempre pedia àqueles de abastadas posses que construíssem uma capela ou erguessem uma grande cruz por onde passava. O cruzeiro da Rua Frei Vidal era o confim, era o extremado limite para as aventuras daqueles meninos que brincavam comigo, livres como os pássaros da minha rua. O missionário eremita seguia peregrinando pelas trilhas da Vila Príncipe imperial e se embrenhava pelo Ceará deserto e sedento de esperança e vida.
As ruas que existem no mapa de Crateús homenageiam nossos personagens ilustres, filhos ou não desta nossa urbe, com o pai da aviação ou o magnânimo D. Pedro II, o imperador do Brasil, que nos deixou à posteridade 5.500 páginas de seu diário, registradas a lápis em 43 cadernos, que nos possibilitam conhecer um pouco mais do seu perfil e pensamento. Foi por determinação de D. Pedro, após a guerra do Paraguai, que se passou a homenagear as pessoas ilustres. Padres, chefes políticos, intendentes, juristas, desembargadores, magistrados, professores, coronéis, todos ganharam uma extensa rua para perpetuar seus dignos nomes.
Hoje não mais resido na saudosa Frei Vidal, a via arterial da minha infância, habito a Rua José Coriolano, uma homenagem ao nosso grande poeta, político e jurista. José Coriolano de Sousa Lima que ainda é muito pouco reverenciado, escassamente lembrado pelo real valor literário de seus versos, contidos no livro “Impressões e Gemidos”. O príncipe dos poetas piauiense, como era reconhecido, nasceu na realidade em Crateús, quando fazíamos parte do vasto mundo do Piauí. O nobre poeta cantava sua terra, assim: “Lindo Sertão, meus amores / Crateús, onde nasci / Que saudade, que rigores, / Sofre meu peito por ti!/ São amargos dissabores / Que em funda taça bebi! / Que saudade, oh meus amores, / Crateús, onde nasci!”.
A Princesa do Oeste é uma centenária cidade de um agreste que continuamente cresce, e vai florescendo com novas ruas, que precisam de uma boa denominação, coisa bem fácil de achar no rol de nossos cidadãos ilustres que já nos deixaram. Foi uma agradável surpresa, ao perambular pelos bairros de nossa cidade, ver estampado numa placa azulada de uma esquina no novíssimo bairro dos Patriarcas o nome: Raimundo Cândido, um ser humano dotado de uma profunda fé e uma dignidade impar. Comerciante dos velhos tempos, das antigas e saudosas bodegas de um rústico balcão enegrecido onde o tempo parava... Um irmão mariano de imenso sentimento cristão, de principio moral, apaixonado pelo servir, pela vida e por duas digníssimas Marias. Uma lhe auxiliando no Céu e a outra na Terra, como o nosso poeta José Coriolano em quem o amor era tão intenso, tão abrangente, como declara, em um de seus versos: “Sim, Maria, meu anjo, terno encanto! / Quanto te amo, dizer não sei, não posso. / É amor que não pode ser descrito / Porém nele o rigor d’ausência adoço!”“.
Deixo, ainda, a canção do Príncipe Coriolano encerrar essa narração como uma saudosa conclusão carregada de melancolia: “Crateús, que dor tão viva! / Ai tempos que já se vão! / Ao teu nome a dor me aviva / que sente meu coração / Assim sofre a sensitiva / ao toque da incauta mão! / Crateús, que dor tão viva / Ai eras que já lá se vão!
(Por Raimundo Cândido)
TUCUNS - PÉROLAS AOS PORCOS

Quem caminha pelas ruas do pequeno Distrito de Tucuns cruza a todo instante com indesejáveis transeuntes - porcos. Grandes ou pequenos, a maioria doentes, se fartam nos lixões que a cada dia crescem em número e dimensões que assustam. Estima-se que meia tonelada de lixo é despejada diariamente nos arredores da pacata Comunidade. Grande parte do indesejado material desliza mata adentro, arrastado pelas águas das chuvas, poluindo, destruindo uma das maiores riquezas legada à pobreza e aridez de nossos espíritos...
Queira Deus que um dia, talvez daqui a duzentos, trezentos anos, alguém se assuste ao encontrar no meio de nossa mata reconstituída, uma garrafa pet, símbolo de uma geração que viveu em contradição com a natureza e consigo própria...
TUCUNS é um simpático vilarejo no cocuruto da serra de Ibiapaba. A exuberância de suas belezas naturais o credenciam a um potencial turístico de valor inestimável. Lá os ventos dos Sertões de Crateús se misturam à brisa que sopra dos mares do Piauí. Serras revestidas com as cores da caatinga, lajedos de onde brotam jardins paradisíacos ornamentados pelas cores vibrantes de cactos e macambiras, céu de azul ímpar, pedras pigmentadas que atestam a pureza do ar, mágicos mirantes, águas que brotam do chão... tudo isso faz, como atesta o poeta Raimundo Cândido, lugar digno da morada de deuses. Habita o lugarejo, entretanto, um povo pacífico e esquecido das benesses públicas...
Em Tucuns a maioria das casas não possuem banheiros, não existe saneamento e os bichos têm licença da saúde pública para transitarem livremente entre os humanos...
DEUS NOS PRESENTEOU COM PÉROLAS, NÓS AS JOGAMOS AOS PORCOS...
(Por Edilson Macedo)
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
O COMERCIAL DA CAIXA E A POLÊMICA SOBRE MACHADO DE ASSIS
Uma polêmica apareceu estes dias, e nós, adoradores do autor de Dom Casmurro, vimo-nos forçados a meter nossa colher. Este mês, a CEF iniciou a veiculação da campanha publicitária comemorativa de seu sesquicentenário. Na TV, era intitulada "Caixa 150 anos - O Bruxo do Cosme Velho" e trazia, como principal personagem, Machado de Assis. No reclame, o criador de Capitu ia a uma agência da CEF para realizar uma transação bancária e, ato contínuo, era mostrado seu testamento, no qual constava que ele, de fato, era cliente da instituição. Tudo isso, frise-se, com a apresentação perfeita de Glória Pires e com o tom das imagens em sépia, dando aparência de um filme de época. Perfeito. Mas não foi bem assim. O que era para ser louvado, pois raras vezes uma instituição desse porte faz uma campanha ao público com uma ligação histórica ou cultural, virou motivo de perseguição. Com efeito, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da presidência da República chiou porque o personagem que interpretava Machado de Assis não tinha a mesma cor de pele que provavelmente teria o escritor. Ou seja, não era um mulato, mas um homem branco. Se bem que pelo tom sépia não dá muito para medir. Diante disso, o comercial foi retirado do ar e o presidente da Caixa, Jorge Hereda, pediu desculpas "a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial". Mas será que o que se pretendeu fazer não era uma mera representação artística, sem o apanágio da verossimilhança? Ademais, se fosse uma cópia exata, talvez Machado de Assis tivesse tido um dos seus ataques (inerente à doença da qual padecia), na boca do caixa, ao conferir seu saldo, já que com os parcos vencimentos - Machado era funcionário público - certamente ele não conseguia engordar sua poupança. (Migalhas)
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A CEF suspendeu a veiculação do comercial "Caixa 150 anos – O Bruxo do Cosme Velho". Na publicidade, o escritor Machado de Assis ia a uma agência da CEF para realizar uma transação bancária e, ato contínuo, era mostrado seu testamento, no qual constava que ele, de fato, era cliente da instituição.
A decisão da CEF ocorreu após a grande repercussão de um "deslize" na escolha do ator que interpretava Machado, que não tinha a mesma cor de pele que provavelmente teria o escritor. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da presidência da República pediu para que a instituição suspendesse a publicidade.
Em nota oficial, assinada por Jorge Hereda, presidente da CEF, a instituição pediu desculpas "a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial".
Veja abaixo a íntegra da nota divulgada pela CEF.
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NOTA DA CAIXA - Peça Publicitária Machado de Assis
A Caixa Econômica Federal informa que suspendeu a veiculação de sua última peça publicitária, a qual teve como personagem o escritor Machado de Assis. O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial.
A CAIXA reafirma que, nos seus 150 anos de existência, sempre buscou retratar, em suas peças publicitárias, toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país. Esta política pode ser reconhecida em muitas das ações de comunicação, algumas realizadas em parceria e com o apoio dos movimentos sociais e da Secretaria de Política e Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal.
A CAIXA nasceu com a missão de ser o banco de todos, e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, idosos ou qualquer outra diferença social ou racial.
Jorge Hereda
Presidente da Caixa Econômica Federal
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VEJA O COMERCIAL:
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A CEF suspendeu a veiculação do comercial "Caixa 150 anos – O Bruxo do Cosme Velho". Na publicidade, o escritor Machado de Assis ia a uma agência da CEF para realizar uma transação bancária e, ato contínuo, era mostrado seu testamento, no qual constava que ele, de fato, era cliente da instituição.
A decisão da CEF ocorreu após a grande repercussão de um "deslize" na escolha do ator que interpretava Machado, que não tinha a mesma cor de pele que provavelmente teria o escritor. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da presidência da República pediu para que a instituição suspendesse a publicidade.
Em nota oficial, assinada por Jorge Hereda, presidente da CEF, a instituição pediu desculpas "a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial".
Veja abaixo a íntegra da nota divulgada pela CEF.
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NOTA DA CAIXA - Peça Publicitária Machado de Assis
A Caixa Econômica Federal informa que suspendeu a veiculação de sua última peça publicitária, a qual teve como personagem o escritor Machado de Assis. O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial.
A CAIXA reafirma que, nos seus 150 anos de existência, sempre buscou retratar, em suas peças publicitárias, toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país. Esta política pode ser reconhecida em muitas das ações de comunicação, algumas realizadas em parceria e com o apoio dos movimentos sociais e da Secretaria de Política e Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal.
A CAIXA nasceu com a missão de ser o banco de todos, e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, idosos ou qualquer outra diferença social ou racial.
Jorge Hereda
Presidente da Caixa Econômica Federal
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VEJA O COMERCIAL:
BOAVENTURA FAZ UM BEM-AVENTURADO REPARO SOBRE "OUTRA VEZ"
Grande Júnior Bonfim,
Vi esta notícia no seu Blog:
"Dias antes do show em Jerusalém, Roberto Carlos fez uma revelação ao seu empresário Dody Sirena, em um almoço regado a vinho. “Outra Vez”, uma de suas canções mais famosas, criada em 1977, foi inspirada num grande gênio da voz: Frank Sinatra. Roberto contou que, durante um jantar em Los Angeles, do qual ele participou nos anos 70, Sinatra comentou à mesa sua paixão pela atriz Ava Gardner com esta frase: “Foi o melhor dos meus erros, e o maior dos enganos”. Roberto aproveitou a ideia e a transformou no verso: “Você foi... o melhor dos meus erros (...), o melhor dos meus planos e o maior dos enganos que eu pude fazer”.
(Por Gisele Vitória, na Revista ISTOÉ desta semana"
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Devo informar-lhe que se trata de uma notícia equivocada.
A música, "Outra vez" foi composta por Isolda, grande compositora brasileira, de origem francesa, que sempre achou melhor viver protegida sob o pálio do anonimato, por livre e espontânea vontade.
Ele é irmã do grande cantor e compositor Milton Carlos, aquele da voz suaviloquente, que fez sucesso com a música "Samba Quadrado".
Milton Carlos morreu, prematuramente, no ano de 1977 em consequência de acidente de carro, em São Paulo. Esse lamentável fato abalou muito sua irmã Isolda.
Há algum tempo, talvez 2009, a Isolda gravou um CD com suas composições, resolvendo deixar um pouco de lado a salutar mania de viver consigo própria. Concedeu, inclusive entrevista ao Jô Soares.
Percebe-se, portanto, haver equívoco na notícia propalada pela jornalista Gisele Vitória, da Revista ISTO É.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
Vi esta notícia no seu Blog:
"Dias antes do show em Jerusalém, Roberto Carlos fez uma revelação ao seu empresário Dody Sirena, em um almoço regado a vinho. “Outra Vez”, uma de suas canções mais famosas, criada em 1977, foi inspirada num grande gênio da voz: Frank Sinatra. Roberto contou que, durante um jantar em Los Angeles, do qual ele participou nos anos 70, Sinatra comentou à mesa sua paixão pela atriz Ava Gardner com esta frase: “Foi o melhor dos meus erros, e o maior dos enganos”. Roberto aproveitou a ideia e a transformou no verso: “Você foi... o melhor dos meus erros (...), o melhor dos meus planos e o maior dos enganos que eu pude fazer”.
(Por Gisele Vitória, na Revista ISTOÉ desta semana"
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Devo informar-lhe que se trata de uma notícia equivocada.
A música, "Outra vez" foi composta por Isolda, grande compositora brasileira, de origem francesa, que sempre achou melhor viver protegida sob o pálio do anonimato, por livre e espontânea vontade.
Ele é irmã do grande cantor e compositor Milton Carlos, aquele da voz suaviloquente, que fez sucesso com a música "Samba Quadrado".
Milton Carlos morreu, prematuramente, no ano de 1977 em consequência de acidente de carro, em São Paulo. Esse lamentável fato abalou muito sua irmã Isolda.
Há algum tempo, talvez 2009, a Isolda gravou um CD com suas composições, resolvendo deixar um pouco de lado a salutar mania de viver consigo própria. Concedeu, inclusive entrevista ao Jô Soares.
Percebe-se, portanto, haver equívoco na notícia propalada pela jornalista Gisele Vitória, da Revista ISTO É.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
"OUTRA VEZ", DE ROBERTO CARLOS, FOI INSPIRADA EM UMA FRASE DE FRANK SINATRA
Dias antes do show em Jerusalém, Roberto Carlos fez uma revelação ao seu empresário Dody Sirena, em um almoço regado a vinho. “Outra Vez”, uma de suas canções mais famosas, criada em 1977, foi inspirada num grande gênio da voz: Frank Sinatra. Roberto contou que, durante um jantar em Los Angeles, do qual ele participou nos anos 70, Sinatra comentou à mesa sua paixão pela atriz Ava Gardner com esta frase: “Foi o melhor dos meus erros, e o maior dos enganos”. Roberto aproveitou a ideia e a transformou no verso: “Você foi... o melhor dos meus erros (...), o melhor dos meus planos e o maior dos enganos que eu pude fazer”.
(Por Gisele Vitória, na Revista ISTOÉ desta semana)
(Por Gisele Vitória, na Revista ISTOÉ desta semana)
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
"VISITA AO DENTISTA" - CORDEL DE LEVI MADEIRA

Quero homenagear
Importante profissão
Que bem cuida do sorriso
E da nossa dentição
Uma bela boca ter
Muito bem poder comer
Na saúde é prevenção
Imagine se você
Uma festa programar
E na hora de sair
Um dos dentes se quebrar
Quão grande desilusão
Ficará na frustração
Mas na festa não irá
A venda de super bonder
Acho até que aumentou
Pessoas colando dente
Que sem querer fraturou
Isto é um galho quebrar
Tentar seu dente colar
Sua saúde arriscou
Ao chegar lá no dentista
Na sala de recepção
Muita gente esperando
Buscando uma solução
Cada qual com seu problema
Há alguns com dor extrema
Escrita na expressão
Finalmente a sua vez
E na cadeira sentou
O dentista ali ao lado
A cadeira já deitou
Sua boca escancarada
Muito bem iluminada
O foco lá projetou
Ambiente muito limpo
E dentista mascarado
O gorro cobre o cabelo
Bem na cabeça ajustado
Após avaliação
Detalhada explicação
Tratamento é planejado
Uma coisa acho engraçada
É uma constatação
O dentista abre sua boca
E trava conversação
Manda a boca arreganhar
E começa a perguntar
Que grande judiação
Se tem dente careado
Lá vem “obturação”
Uma broca ali penetra
Vem com alta rotação
Mas primeiro anestesia
Pra dar boa analgesia
Fazer a restauração
Quando tem aquela dor
Entra noite e chega dia
Pode ser o seu canal
Área da endodontia
O canal deve tratar
E só depois restaurar
Isto é odontologia
O dentista é um artista
Um verdadeiro escultor
Molda boca muchibenta
E não raro até tumor
Pega boca desdentada
Sem ter dente na arcada
Transformando num primor
Tem a periodontia
Que trata de inflamação
A gengiva inflamada
Não raro com infecção
Pode dar endocardite
Com foco na gengivite
Afetando o coração
Aparelhos ortodônticos
Chegou a ortodontia
Má posições corrigindo
Com ajuste e maestria
Mastigar na posição
Viver com satisfação
Transbordando de alegria
Parece não ter limite
A nossa odontologia
Corrigindo desdentado
Tem implantatologia
Na gengiva implantar
Cada dente em seu lugar
Parece até fantasia
Quando o dentista aparece
Com sua seringa e agulha
Fala que não vai doer
Mas bem fundo ele mergulha
Ái, ai, ai, grita o doente
Se contorce o paciente
Mas o doutor se orgulha
Fiz apenas um relato
Desta nobre profissão
Dentistas são os heróis
Da nossa mastigação
Saúde vão promover
Já no ato de comer
Focando na prevenção
Meu amigo Júlio Lóssio
É dentista e professor
A Andréia e Laércio
São dentistas de valor
Tem enorme relação
De renome e projeção
Que trabalham por amor
Em nome de um amigo
Quero aqui agradecer
Aos dentistas do Brasil
Que fazem por merecer
Denílson dá atenção
Dentista por vocação
Cuida da boca e do ser.
Levi Madeira - Médico Oftalmologista
CONJUNTURA NACIONAL
Fraco, mas cheiroso
Nos sertões do Nordeste, caçadores e lenhadores costumam pôr na frincha de uma árvore da mata em que se encontram certa porção de fumo para Santa Clara. A santa, em recompensa, faz com que naquele dia a chuva lhes não estorve o trabalho. Em São Paulo há uma superstição semelhante: - quem sai a caçar, em dia de sexta-feira, tem a obrigação de levar um pedaço de fumo para o Saci-Pererê. De um caipira mentiroso, fértil no relato de inverossímeis proezas venatórias, repete-se que o mesmo contava :
- Uma sexta-feira, eu me esqueci de levar o fumo. Estava pensando nisso, quando o Saci apareceu e me exigiu o tal tributo que lhe era devido. Fiquei atrapalhado, mas resolvi ver se enganava o Saci e o matava. Disse a ele: - "Fumo, mesmo fumo eu não truxe não, mas truxe o cachimbo carregado". Aí, meti-lhe o cano da espingarda na boca e puxei o gatilho. Quando o tiro falou e eu esperava ver o Saci esperneando e morrendo, ele mexeu com as bochechas, como se estivesse enxaguando a boca com os caroços de chumbo e, cuspindo a carga da espingarda, me disse:
- O fuminho é fraco, mas é até cheiroso...
(Quem conta é Leonardo Mota em Sertão Alegre)
Nova crise
A crise nunca foi embora. Às vezes, entra em refluxo. E reaparece sempre. Grécia dará calote. O temor de moratória volta com intensidade. Itália teve sua nota A+ para A, rebaixamento feito pela Agência de classificação de risco S&P. Espanha, Irlanda, Portugal e Chipre, além da Grécia, já tinham suas notas rebaixadas. O presidente Obama parte para uma ofensiva tributária com foco na redução de US$ 3 trilhões, além de US$ 1 trilhão, já acordado em agosto, mas os republicanos se opõem. E o Brasil, hein, passará ao largo da nova crise?
IPI, um bumerangue?
O aumento de 30% do IPI para carros importados poderá se transformar em bumerangue. A medida foi tomada para proteger a indústria nacional. Significará recuo nas vendas de carros chineses e sul-coreanos. A medida afeta os consumidores, que sonham com um carrinho mais sofisticado. O mercado de carros importados deverá ser suprido por carros mexicanos e argentinos. Assim, não devem ser gerados empregos nas 19 montadoras sediadas no Brasil. Mas haverá, isso sim, sufoco no atendimento ao mercado interno pelo setor de autopeças. A decisão de aumentar o IPI dos importados foi tomada unilateralmente pelo governo. A FIESP, por exemplo, referência mor da indústria, não foi ouvida.
Bolsa maior da família
É pouco, mas milhares de famílias agradecerão comovidas: R$ 32 como benefício extra por mês no Bolsa Família. O benefício será dado a famílias com 5 filhos menores (16 anos). Antes, tinham direito famílias com 3 filhos. A conta anual será de R$ 797 milhões no orçamento. O programa custa, ao todo, R$ 16 bilhões anuais. Mais um adjutório : quem sair do programa, por ter alcançado renda acima do permitido pelo Bolsa Família, poderá a ele retornar, caso volte à condição de pobreza. Dilma, dessa forma, estende os braços sociais até a ponta extrema das margens. Colherá agrados e, claro, votos.
Poder centrípeto
Este consultor tem motivos para fazer um brinde à bandeira da esperança. Espraiam-se pelo território os sinais de conscientização cívica. Cresce o poder de indignação social. Multiplicam-se os atos pela moral e ética nas práticas políticas. Marchas e movimentos contra a corrupção se expandem. O poder centrípeto, das margens para o centro, faz pressão sobre o poder centrífugo, do centro para as margens. Ou seja, o poder social como pano de fundo do poder institucional.
Maranhão
Vejo, a cada dia, notas, observações e dados sobre o Maranhão dos Sarney. Vejo a força imperial do senador que comanda a Câmara Alta, José Sarney. Fico perplexo quando percebo que o Estado do Maranhão é um dos mais miseráveis do país. Não há recursos suficientes? Os Sarney não conseguem tirar seu Estado do fundo do poço? E aquela revolução que o jovem e vibrante governador Sarney prometia quando abriu seu périplo político no início da década de 60? Há um filme de Glauber Rocha que mostra as promessas do então símbolo da esperança dos maranhenses.
Humor e mulher moderna
"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você".
"Mulher moderna calça as botas e bota as calças".
(Barão de Itararé)
Reforma sem forma
A reforma política continua à procura de uma forma. Luiz Inácio promete se engajar na luta por sua aprovação. Mas a reforma de Lula se restringe ao duplo voto: voto distrital e voto em lista. Os eleitos sairiam dessa composição. E, ainda, teriam o financiamento público para suas campanhas. É pouco, convenhamos. Mesmo assim, nem esse mínimo será aprovado. Reforma política para valer apenas quando o poder centrípeto funcionar como aríete do Congresso.
Acordo PMDB e PT
O acordo entre o PMDB e o PT continua firme na esfera Federal, ou seja, no plano do apoio partidário ao governo da presidente Dilma. Na esfera estadual e municipal, tanto o PMDB quanto o PT trabalham na perspectiva de alianças com quaisquer frentes que contribuam para seu fortalecimento. O leque de alianças está aberto. O PMDB quer a garantia dos compromissos centrais assumidos pelo PT e que abrigam o comando da Câmara, no último biênio da Legislatura, pelo partido, e que já tem um nome escolhido: o deputado Henrique Eduardo Alves. O PT não é de todo confiável. Pois abre um olho para o Norte, outro para o Sul.
O foco de Edu Campos
Este consultor insiste na observação: o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, abre seu PSB para múltiplas alianças. Conversa com Deus e o diabo. Tem em mira fazer uma grande bancada de prefeitos e alargar as bases para seu projeto de 2014. Enquanto isso, faz campanha acirrada para colocar a mãe, a deputada Ana Arraes (PSB/PE), no TCU. Corre os Estados. Definição será hoje, quarta-feira, em sessão secreta. Disputam com ela Aldo Rebelo (PC do B/SP), Átila Lins (PMDB/AM), Milton Monti (PR/SP), entre outros.
Registro absurdo
A partir de 3 de outubro, as empresas devem se adequar às normas da portaria 1.510/09 que determina novas regras para o Sistema de Registro Eletrônico de Ponto. Segundo o Ministério do Trabalho, o objetivo é impedir que horários anotados na entrada e saída do expediente de trabalho sejam alterados. Quase dois anos depois de anunciada, a nova legislação ainda é motivo de discussão e dúvida. Para José Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo, a obrigatoriedade de adesão ao novo sistema é absurda. "A portaria 1.510 contém medidas onerosas, complexas e que demandam grandes investimentos das organizações, principalmente, das micro e pequenas", argumenta. As empresas terão de manter equipamento com capacidade de funcionamento de 1,4 mil horas ininterruptas em casos de falta de energia, disponibilizar impressora de uso exclusivo e papel para impressão com durabilidade de cinco anos.
TV e mundo
"A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana".
"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato".
(Barão de Itararé)
Haddad, ele mesmo
Fernando Haddad, ministro da Educação, consolida sua posição e certamente será o candidato do PT para disputar a prefeitura de São Paulo. Lula dá as cartas no PT. Haddad acaba de ganhar o apoio da corrente majoritária do partido, a ala Construindo um Novo Brasil. Marta, ao que se comenta, já está resignada. Lula acha que o eleitor quer ver e votar em caras novas. Tem razão. Mas há outras caras novas que deverão entrar no pleito, como Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB/SP, pelo PTB, e Gabriel Chalita, deputado Federal, pelo PMDB.
Chalita em ministério?
Este consultor não crê que Gabriel Chalita aceite o convite da presidente Dilma para compor o Ministério. Especula-se que a ele estaria destinado o Ministério da Educação, a ser oferecido após a saída de Haddad. Chalita não aceitará o convite pela convicção firmada de que tem grandes chances de vir a ser o vitorioso. O PT, por sua vez, insistirá em um acordo com o PMDB. Lula não deverá convencer o vice-presidente Michel Temer com essa proposta. Acordo, se houver, será selado para o segundo turno.
Afif, um bom nome
Guilherme Afif, o vice-governador, poderá ser o candidato do PSD a prefeito de São Paulo. Já foi sondado. Deixou uma janela aberta. Se o partido nascer forte, como os sinais indicam, Afif topará entrar no jogo. Este consultor conhece bem o potencial do vice: bom comunicador, expressão forte na TV, fluente, objetivo, com grande visibilidade. Quase pegou Suplicy no contrapé, na campanha para o Senado. E o eleitor paulistano poderá querer repetir o voto nele.
Dúvidas no Recife
Se João da Costa (PT), prefeito do Recife, vai ser o candidato do partido, para onde irá João Paulo, ex-prefeito e padrinho político de Costa, com quem está brigado? O deputado João Paulo tem poucas semanas para decidir se fica ou se sai do PT, sendo assediado pelo PTB, PC do B e PSB. Mas é mais provável que João Paulo permaneça no PT, selando uma aliança com todas as alas petistas.
Profusão em Natal
Na capital potiguar, não faltam nomes para a disputa municipal. Por enquanto, despontam seis nomes: a prefeita Micarla de Sousa (PV), a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), o ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT), o deputado Federal Rogério Marinho (PSDB), o deputado estadual Hermano Morais (PMDB) e o deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Carlos está na frente. Há, ainda, os nomes dos deputados Fábio Faria (PMN) e Felipe Maia (DEM). O senador José Agripino, presidente do DEM, tenta articular com o deputado Federal Henrique Alves, presidente estadual do PMDB, o ministro Garibaldi Filho (PMDB) e o ex-deputado Carlos Augusto (DEM), a formação de um bloco em torno de um nome para a prefeitura de Natal.
Lei da Copa
O líder do Governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, anuncia para os próximos dias o envio, pelo Executivo, do Projeto de Lei Geral da Copa. O documento objetiva regulamentar todas as questões previstas nas Garantias Governamentais, acordadas com a FIFA para a realização da Copa 2014.
Posse de Skaf
Paulo Skaf toma posse, dia 26, para um novo mandato na FIESP. A posse será no Teatro Municipal de São Paulo, em um evento que reunirá cerca de 2 mil pessoas. Na administração Skaf, a Federação tomou um banho de modernização. Abriu novas frentes, convocou quadros das administrações pública e privada para integrarem seus inúmeros foros, azeitou a máquina, produziu estudos em profundidade sobre temáticas nacionais.
Promissória e forca
"A promissória é uma questão 'de...vida'. O pagamento é de morte".
"A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda".
(Barão de Itararé)
Michel no palácio
O vice-presidente da República, Michel Temer, por solicitações insistentes de ministros do gabinete da presidente Dilma, despachou, ontem, pela primeira vez, no Palácio do Planalto. Michel, com sua discrição, nunca quis despachar no gabinete presidencial.
Mendes Ribeiro muda
O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, empenha-se em uma cruzada pela mudança na estrutura de gestão da Pasta. Extingue áreas, cria novos setores, busca quadros. Foco: maior adequação da estrutura aos novos tempos. E quadros técnicos de alto nível.
Confúcio e a cooperação
O governador Confúcio Moura (PMDB) promove ampla reordenação da estrutura governamental em Rondônia. Administra um Estado com imensos potenciais, mas ainda muito arraigado às velhas práticas. Confúcio ampara a gestão em um modelo de cooperação, pelo qual procura convocar e motivar a sociedade organizada a participar da administração. Trata-se de um governante com os olhos voltados para a eficiência de métodos e a eficácia de resultados.
Conselho aos membros do STJ
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos gestores públicos. Hoje, sua atenção se volta aos membros do STJ:
1. A anulação das provas da Operação Boi Barrica pode funcionar como cascata para desacreditar todas as investigações levadas a cabo pela Polícia Federal.
2. A invalidação de operações feitas pela PF pode vir a reforçar a tese de que o Judiciário age "a serviço das elites". Ora, a PF, ao que se sabe, só investiga nos termos da lei e sob fiscalização do Ministério Público.
3. A decisão de invalidar as provas sobre negócios envolvendo gente importante poderá redundar em desestímulo e desmotivação no aparato policial que tem como foco desbaratar as quadrilhas que corroem a administração pública.
____________
(Por Gaudêncio Torquato)
Nos sertões do Nordeste, caçadores e lenhadores costumam pôr na frincha de uma árvore da mata em que se encontram certa porção de fumo para Santa Clara. A santa, em recompensa, faz com que naquele dia a chuva lhes não estorve o trabalho. Em São Paulo há uma superstição semelhante: - quem sai a caçar, em dia de sexta-feira, tem a obrigação de levar um pedaço de fumo para o Saci-Pererê. De um caipira mentiroso, fértil no relato de inverossímeis proezas venatórias, repete-se que o mesmo contava :
- Uma sexta-feira, eu me esqueci de levar o fumo. Estava pensando nisso, quando o Saci apareceu e me exigiu o tal tributo que lhe era devido. Fiquei atrapalhado, mas resolvi ver se enganava o Saci e o matava. Disse a ele: - "Fumo, mesmo fumo eu não truxe não, mas truxe o cachimbo carregado". Aí, meti-lhe o cano da espingarda na boca e puxei o gatilho. Quando o tiro falou e eu esperava ver o Saci esperneando e morrendo, ele mexeu com as bochechas, como se estivesse enxaguando a boca com os caroços de chumbo e, cuspindo a carga da espingarda, me disse:
- O fuminho é fraco, mas é até cheiroso...
(Quem conta é Leonardo Mota em Sertão Alegre)
Nova crise
A crise nunca foi embora. Às vezes, entra em refluxo. E reaparece sempre. Grécia dará calote. O temor de moratória volta com intensidade. Itália teve sua nota A+ para A, rebaixamento feito pela Agência de classificação de risco S&P. Espanha, Irlanda, Portugal e Chipre, além da Grécia, já tinham suas notas rebaixadas. O presidente Obama parte para uma ofensiva tributária com foco na redução de US$ 3 trilhões, além de US$ 1 trilhão, já acordado em agosto, mas os republicanos se opõem. E o Brasil, hein, passará ao largo da nova crise?
IPI, um bumerangue?
O aumento de 30% do IPI para carros importados poderá se transformar em bumerangue. A medida foi tomada para proteger a indústria nacional. Significará recuo nas vendas de carros chineses e sul-coreanos. A medida afeta os consumidores, que sonham com um carrinho mais sofisticado. O mercado de carros importados deverá ser suprido por carros mexicanos e argentinos. Assim, não devem ser gerados empregos nas 19 montadoras sediadas no Brasil. Mas haverá, isso sim, sufoco no atendimento ao mercado interno pelo setor de autopeças. A decisão de aumentar o IPI dos importados foi tomada unilateralmente pelo governo. A FIESP, por exemplo, referência mor da indústria, não foi ouvida.
Bolsa maior da família
É pouco, mas milhares de famílias agradecerão comovidas: R$ 32 como benefício extra por mês no Bolsa Família. O benefício será dado a famílias com 5 filhos menores (16 anos). Antes, tinham direito famílias com 3 filhos. A conta anual será de R$ 797 milhões no orçamento. O programa custa, ao todo, R$ 16 bilhões anuais. Mais um adjutório : quem sair do programa, por ter alcançado renda acima do permitido pelo Bolsa Família, poderá a ele retornar, caso volte à condição de pobreza. Dilma, dessa forma, estende os braços sociais até a ponta extrema das margens. Colherá agrados e, claro, votos.
Poder centrípeto
Este consultor tem motivos para fazer um brinde à bandeira da esperança. Espraiam-se pelo território os sinais de conscientização cívica. Cresce o poder de indignação social. Multiplicam-se os atos pela moral e ética nas práticas políticas. Marchas e movimentos contra a corrupção se expandem. O poder centrípeto, das margens para o centro, faz pressão sobre o poder centrífugo, do centro para as margens. Ou seja, o poder social como pano de fundo do poder institucional.
Maranhão
Vejo, a cada dia, notas, observações e dados sobre o Maranhão dos Sarney. Vejo a força imperial do senador que comanda a Câmara Alta, José Sarney. Fico perplexo quando percebo que o Estado do Maranhão é um dos mais miseráveis do país. Não há recursos suficientes? Os Sarney não conseguem tirar seu Estado do fundo do poço? E aquela revolução que o jovem e vibrante governador Sarney prometia quando abriu seu périplo político no início da década de 60? Há um filme de Glauber Rocha que mostra as promessas do então símbolo da esperança dos maranhenses.
Humor e mulher moderna
"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você".
"Mulher moderna calça as botas e bota as calças".
(Barão de Itararé)
Reforma sem forma
A reforma política continua à procura de uma forma. Luiz Inácio promete se engajar na luta por sua aprovação. Mas a reforma de Lula se restringe ao duplo voto: voto distrital e voto em lista. Os eleitos sairiam dessa composição. E, ainda, teriam o financiamento público para suas campanhas. É pouco, convenhamos. Mesmo assim, nem esse mínimo será aprovado. Reforma política para valer apenas quando o poder centrípeto funcionar como aríete do Congresso.
Acordo PMDB e PT
O acordo entre o PMDB e o PT continua firme na esfera Federal, ou seja, no plano do apoio partidário ao governo da presidente Dilma. Na esfera estadual e municipal, tanto o PMDB quanto o PT trabalham na perspectiva de alianças com quaisquer frentes que contribuam para seu fortalecimento. O leque de alianças está aberto. O PMDB quer a garantia dos compromissos centrais assumidos pelo PT e que abrigam o comando da Câmara, no último biênio da Legislatura, pelo partido, e que já tem um nome escolhido: o deputado Henrique Eduardo Alves. O PT não é de todo confiável. Pois abre um olho para o Norte, outro para o Sul.
O foco de Edu Campos
Este consultor insiste na observação: o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, abre seu PSB para múltiplas alianças. Conversa com Deus e o diabo. Tem em mira fazer uma grande bancada de prefeitos e alargar as bases para seu projeto de 2014. Enquanto isso, faz campanha acirrada para colocar a mãe, a deputada Ana Arraes (PSB/PE), no TCU. Corre os Estados. Definição será hoje, quarta-feira, em sessão secreta. Disputam com ela Aldo Rebelo (PC do B/SP), Átila Lins (PMDB/AM), Milton Monti (PR/SP), entre outros.
Registro absurdo
A partir de 3 de outubro, as empresas devem se adequar às normas da portaria 1.510/09 que determina novas regras para o Sistema de Registro Eletrônico de Ponto. Segundo o Ministério do Trabalho, o objetivo é impedir que horários anotados na entrada e saída do expediente de trabalho sejam alterados. Quase dois anos depois de anunciada, a nova legislação ainda é motivo de discussão e dúvida. Para José Chapina Alcazar, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo, a obrigatoriedade de adesão ao novo sistema é absurda. "A portaria 1.510 contém medidas onerosas, complexas e que demandam grandes investimentos das organizações, principalmente, das micro e pequenas", argumenta. As empresas terão de manter equipamento com capacidade de funcionamento de 1,4 mil horas ininterruptas em casos de falta de energia, disponibilizar impressora de uso exclusivo e papel para impressão com durabilidade de cinco anos.
TV e mundo
"A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana".
"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato".
(Barão de Itararé)
Haddad, ele mesmo
Fernando Haddad, ministro da Educação, consolida sua posição e certamente será o candidato do PT para disputar a prefeitura de São Paulo. Lula dá as cartas no PT. Haddad acaba de ganhar o apoio da corrente majoritária do partido, a ala Construindo um Novo Brasil. Marta, ao que se comenta, já está resignada. Lula acha que o eleitor quer ver e votar em caras novas. Tem razão. Mas há outras caras novas que deverão entrar no pleito, como Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da OAB/SP, pelo PTB, e Gabriel Chalita, deputado Federal, pelo PMDB.
Chalita em ministério?
Este consultor não crê que Gabriel Chalita aceite o convite da presidente Dilma para compor o Ministério. Especula-se que a ele estaria destinado o Ministério da Educação, a ser oferecido após a saída de Haddad. Chalita não aceitará o convite pela convicção firmada de que tem grandes chances de vir a ser o vitorioso. O PT, por sua vez, insistirá em um acordo com o PMDB. Lula não deverá convencer o vice-presidente Michel Temer com essa proposta. Acordo, se houver, será selado para o segundo turno.
Afif, um bom nome
Guilherme Afif, o vice-governador, poderá ser o candidato do PSD a prefeito de São Paulo. Já foi sondado. Deixou uma janela aberta. Se o partido nascer forte, como os sinais indicam, Afif topará entrar no jogo. Este consultor conhece bem o potencial do vice: bom comunicador, expressão forte na TV, fluente, objetivo, com grande visibilidade. Quase pegou Suplicy no contrapé, na campanha para o Senado. E o eleitor paulistano poderá querer repetir o voto nele.
Dúvidas no Recife
Se João da Costa (PT), prefeito do Recife, vai ser o candidato do partido, para onde irá João Paulo, ex-prefeito e padrinho político de Costa, com quem está brigado? O deputado João Paulo tem poucas semanas para decidir se fica ou se sai do PT, sendo assediado pelo PTB, PC do B e PSB. Mas é mais provável que João Paulo permaneça no PT, selando uma aliança com todas as alas petistas.
Profusão em Natal
Na capital potiguar, não faltam nomes para a disputa municipal. Por enquanto, despontam seis nomes: a prefeita Micarla de Sousa (PV), a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), o ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT), o deputado Federal Rogério Marinho (PSDB), o deputado estadual Hermano Morais (PMDB) e o deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Carlos está na frente. Há, ainda, os nomes dos deputados Fábio Faria (PMN) e Felipe Maia (DEM). O senador José Agripino, presidente do DEM, tenta articular com o deputado Federal Henrique Alves, presidente estadual do PMDB, o ministro Garibaldi Filho (PMDB) e o ex-deputado Carlos Augusto (DEM), a formação de um bloco em torno de um nome para a prefeitura de Natal.
Lei da Copa
O líder do Governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, anuncia para os próximos dias o envio, pelo Executivo, do Projeto de Lei Geral da Copa. O documento objetiva regulamentar todas as questões previstas nas Garantias Governamentais, acordadas com a FIFA para a realização da Copa 2014.
Posse de Skaf
Paulo Skaf toma posse, dia 26, para um novo mandato na FIESP. A posse será no Teatro Municipal de São Paulo, em um evento que reunirá cerca de 2 mil pessoas. Na administração Skaf, a Federação tomou um banho de modernização. Abriu novas frentes, convocou quadros das administrações pública e privada para integrarem seus inúmeros foros, azeitou a máquina, produziu estudos em profundidade sobre temáticas nacionais.
Promissória e forca
"A promissória é uma questão 'de...vida'. O pagamento é de morte".
"A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda".
(Barão de Itararé)
Michel no palácio
O vice-presidente da República, Michel Temer, por solicitações insistentes de ministros do gabinete da presidente Dilma, despachou, ontem, pela primeira vez, no Palácio do Planalto. Michel, com sua discrição, nunca quis despachar no gabinete presidencial.
Mendes Ribeiro muda
O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, empenha-se em uma cruzada pela mudança na estrutura de gestão da Pasta. Extingue áreas, cria novos setores, busca quadros. Foco: maior adequação da estrutura aos novos tempos. E quadros técnicos de alto nível.
Confúcio e a cooperação
O governador Confúcio Moura (PMDB) promove ampla reordenação da estrutura governamental em Rondônia. Administra um Estado com imensos potenciais, mas ainda muito arraigado às velhas práticas. Confúcio ampara a gestão em um modelo de cooperação, pelo qual procura convocar e motivar a sociedade organizada a participar da administração. Trata-se de um governante com os olhos voltados para a eficiência de métodos e a eficácia de resultados.
Conselho aos membros do STJ
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos gestores públicos. Hoje, sua atenção se volta aos membros do STJ:
1. A anulação das provas da Operação Boi Barrica pode funcionar como cascata para desacreditar todas as investigações levadas a cabo pela Polícia Federal.
2. A invalidação de operações feitas pela PF pode vir a reforçar a tese de que o Judiciário age "a serviço das elites". Ora, a PF, ao que se sabe, só investiga nos termos da lei e sob fiscalização do Ministério Público.
3. A decisão de invalidar as provas sobre negócios envolvendo gente importante poderá redundar em desestímulo e desmotivação no aparato policial que tem como foco desbaratar as quadrilhas que corroem a administração pública.
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(Por Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 20 de setembro de 2011
TRE CASSA PREFEITO E VICE DE ICAPUÍ
Por unanimidade, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) cassou, na tarde desta segunda-feira, 19 de setembro, o mandato do prefeito do município de Icapuí, José Edilson da Silva (PSDB), conhecido como Irmão Edilson, e do vice, Heverton Costa Silva.
O Tribunal julgou procedente Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) por abuso de poder político e econômico, proposta em dezembro de 2008, pelo deputado estadual Dedé Teixeira (PT) e o advogado Orlando Rebouças, candidatos a prefeito e vice nas eleições de 2008.
O relator do caso, Juiz Raimundo Nonato, votou pela cassação do prefeito e vice e foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte Eleitoral, o jurista Cid Marconi, a desembargadora Iracema do Vale, o juiz federal João Luís Nogueira Martins e o juiz de direito Heráclito Vieira de Sousa Neto. Com a decisão, o presidente da Câmara Municipal da cidade assumirá o cargo de prefeito, após a publicação da decisão no diário oficial da justiça eleitoral e enquanto não é realizada nova eleição, de acordo com a lei orgânica de Icapuí.
O Pleno do TRE-CE confirmou o entendimento do Ministério Público Eleitoral no Ceará (MPE/CE). O objeto da AIME foi a alegação de abuso de poder político e econômico por parte do prefeito Irmão Edilson que, enquanto prefeito de Icapuí, contratou 484 servidores públicos temporários, sem concurso público e sem qualquer critério de seleção, no primeiro semestre eleitoral de 2008, com o objetivo de beneficiar a sua candidatura à reeleição. Irmão Edilson venceu a eleição por 269 votos.
Em seu voto o relator, juiz Raimundo Nonato citou relatório do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) que narrou desvios de recursos da ordem de quase R$ 600 mil do Instituto de Previdência dos Servidores de Icapuí (Icaprev) para saldar a folha pagamento de servidores contratados fora do período eleitoral. “Restou configuradas contratações irregulares e tendenciosas, que não se revestiram da real demonstração de necessidade do serviço público”, afirmou.
Para o advogado do deputado Dedé Teixeira, André Costa, “o TRE-CE corretamente e seguindo a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, reconheceu a existência do abuso do poder econômico entrelaçado com o abuso do poder político por causa da contratação de 484 servidores temporários através de 683 contratos celebrados, sem qualquer justificativa legal, no período pré-eleitoral, com potencialidade de desequilibrar a disputa eleitoral em outubro de 2008.”
MINISTRO TOFFOLI CRITICA CRIMINALIZAÇÃO DA POLÍTICA E DO POLÍTICO

Justiça Eleitoral brasileira orgulha o país por diversas razões. Mas pede uma reflexão sobre um dado objetivo relacionado ao rigor com que se tem aplicado as normas eleitorais: o regime democrático já cassou mais mandatos e candidaturas que o regime militar. A informação foi dada nesta segunda-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Toffoli, no seminário “A reforma do Código Eleitoral”, organizado pelo Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp. Invocando estudos de sua autoria e de outros pensadores, Toffoli repeliu a “criminalização da política e do político”, que ganha terreno no seio da sociedade. No mesmo sentido se manifestaram os ministros Gilmar Mendes e Nelson Jobim (este já afastado do STF).
Em sua exposição, o ministro analisou uma das proposições do evento: a questão do financiamento público das campanhas. Toffoli começou a responder a pergunta com outra indagação. “Quem financia a Democracia”, perguntou, para corrigir a conceituação: “Quando falamos de financiamento de campanha, na verdade, estamos falando do financiamento do regime”. A pessoa jurídica, estabelecida hoje como a alavanca dos partidos no processo eleitoral, afirmou o ministro, “não é a base social da Democracia”. O ator principal e legítimo, defendeu, é a pessoa física.
Toffoli ressalvou, contudo, que um sistema adequado não pode depender unicamente do financiamento público. E citou casos de financiamento misto já existentes, como os que demandam a participação do fundo partidário ou na situação que envolve o horário eleitoral gratuito. O ministro do STF pontuou ainda críticas à inobservância do segredo de justiça que deveria revestir os processos judiciais que, ainda que não decidam pela cassação de um mandato, chegam perto de inviabilizar a governabilidade dos prefeitos ou governadores acusados, mas ainda não julgados.
Da mesa condutora dos trabalhos na Fiesp participaram também o ministro aposentado do STF, Sydney Sanches; outro ex-presidente da Corte, Nelson Jobim; o ministro Gilmar Mendes; o procurador-geral do Estado de São Paulo, Elival da Silva Ramos; o diretor da Fiesp, Hélcio Honda; o professor da USP, José Levi Mello Amaral Jr.; e o diretor da Fecap, Alexandre Zavaglia Coelho.
No painel de que participou, Elival Ramos fez um histórico das propostas de emendas constitucionais em curso e deu sua opinião sobre o motivo de o Brasil estar sempre às voltas com algum tipo de reforma legal. “Isso acontece porque em geral não atacamos o centro da questão, o fundamental.” Para o procurador-geral, assim como existe um Estatuto do Torcedor, para o futebol, deveria existir um Estatuto do Filiado para que o integrante de partido político seja um protagonista mais ativo do processo.
Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
PARABÉNS, MURILO!

Quem aniversaria hoje é meu sócio de trabalho Murilo Gadelha Vieira Braga.
Mais do que um parceiro de trabalho, Murilo é um filho da luz que salpica de estrelas o chão do nosso espaço profissional.
Murilo é muro com lírio.
Gadelha, aquele que tem muito cabelo.
Vieira, pura videira.
Braga é uma variação do branco.
Murilo Braga, és um verdadeiro Muro de lírio Branco, regado com o bálsamo da leveza e bondade, fortaleza em que se abriga o estandarte da nobreza e majestade.
Sei que não aprecias longas cabeleiras. Afinal, diferentemente de Sansão, tua força não está no couro cabeludo mas no íntimo da alma.
Genuína videira, aprendeste o estatuto da vida verdadeira.
Causídico das causas superiores, arquiteto de edificações à virtude, peregrino das veredas brilhantes da beneficência, que continues nos incensando com teus fluídos de generosidade.
Feliz aniversário!
(Júnior Bonfim)
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
CRUZ NA BEIRA DA ESTRADA
Cada vez que eu atravesso,
Estradas do meu sertão.
No transcorrer da viagem
Dispara meu coração
Cada lado da estrada
Tem tanta cruz enfeitada
Que causa até comoção.
*
Por detrás de cada cruz
Uma história singular
Um filho que sai de casa
Para nunca mais voltar
Com o coração ferido
Por ter o filho perdido
Tem mãe na cruz a chorar
*
A causa maior se sabe,
É o consumo de bebida.
Jovens inconseqüentes,
Em disparada corrida.
E cada cruz na estrada,
É uma vida roubada
Antecipada e perdida.
*
A cruz na beira da estrada,
No Nordeste é tradição
Tanto se vê no asfalto
Como na estrada de chão
Ela marca o desatino
Marca o trágico destino
Vira lenda no sertão.
--
Dalinha Catunda
PARA REFLETIR
Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.
(Confúcio)
(enviado por Leudo Santana)
(Confúcio)
(enviado por Leudo Santana)
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
CONJUNTURA NACIONAL
Cambada de ladrões
Cabralzinho, líder estudantil em Campina Grande/PB, foi passear em Sobral, no Ceará. Chegou em dia de um formidável comício. No palanque, longos cabelos brancos esvoaçantes, o deputado Crisanto Moreira da Rocha, competente orador da província :
- Ladrões! Ladrões.
A praça, apinhada de gente, levou o maior susto.
- Ladrões! Ladrões, porque vocês roubaram meu coração!
Cabralzinho voltou para Campina Grande. Candidatou-se a vereador. No primeiro comício, lembrou-se de Sobral. Suspiro. Imaginou os aplausos, sob a oratória do deputado cearense. Fechou os olhos. E tascou com ar furios:
- Ladrões!
Correu um frio na espinha da praça.
- Ladrões!
Ninguém se mexeu. Cabralzinho bem sabia que a política em Campina Grande era briga de foice no escuro. Queria o impacto total.
- Cambada de ladrões!
Foi uma loucura! A multidão avançou sobre o palanque. Pedra, pau, sapatos. O rosto sangrando, acuado, Cabralzinho implorava:
- Espera que eu explico! Espera que eu explico!
Explicou. Ao médico, no hospital. (Com a verve do amigo Sebastião Nery).
Emenda 29
Dia 28 de setembro, será votada a Emenda 29, voltada para socorrer o sistema de saúde, que está na UTI. Será aprovada. Mas quem pensar que será criado um novo imposto, pode tirar o cavalinho da chuva. Nenhum partido tem motivação para votar um novo tributo temendo represálias da população. Afinal, a carga de impostos é escorchante. O PMDB fechará questão contrária a um novo tributo. O líder Henrique Alves pronuncia esta tarde no plenário da Câmara veemente discurso com duas mensagens fortes: sociedade não tolerará novo imposto; e governos estaduais precisam fazer suas lições de casa e não desviar recursos da saúde para outras frentes.
Carga escorchante
Vejam, a seguir, como os impostos entram no processo produtivo:
Média tributação sobre o faturamento
Energia Elétrica: 38,65%; Comunicações: 36,97%; Indústrias: 35,47%; Combustíveis: 32,74%; Transportes: 29,56%; Comércio: 23,23%; Demais Serviços: 23,83%; Instituições Financeiras: 17,58%; Administração de bens: 14,94%; Agropecuária e Extrativista: 14,29%; Micro e Pequenas Empresas: 9,78%.
A informação é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT.
Impostos sobre produtos
Já na frente de produtos, eis alguns exemplos dos tributos:
Achocolatado : 38,06%; Agenda escolar : 43,19%; Água mineral : 43,91%; Aparelho de barbear : 40,78%; Balão de borracha : 34,00%; Batedeira : 44,37%; Cachaça : 81,87%; Calça (tecido) : 34,67%; Computador : 33,62%; Maisena : 33,87%; Fralda descartável : 54,75%; Gasolina : 53,03%.
Mobilização do PMDB
Amanhã, quinta-feira, o PMDB deve reunir, em Brasília, cerca de 3 mil militantes. Trata-se do primeiro movimento com vistas à mobilização geral que o partido promove para alavancar o pleito municipal de 2012. Não há uma agenda prefixada, eis que o partido tem a intenção de fazer um primeiro movimento de animação. Já o segundo será no início do próximo ano, quando as bases municipais serão convocadas para a batalha eleitoral. Nesse momento, o PMDB exibirá suas bandeiras, particularmente aquelas que atingem o bolso do eleitor.
Beleza e paciência
"Relacionamento é baseado em duas coisas: beleza e paciência. Se der certo, beleza ! Se não, paciência". (Colaboração de Álvaro Lopes)
PT em 2012
O PT, como o PMDB, quer fazer a maior bancada de prefeitos de sua história. Porque acredita na hipótese de que a alavanca municipal será decisiva para abrir as portas das prefeituras em 2014. O PT quer atingir as cidades grandes e médias. Trabalhará acertando o foco para cerca de 150 municípios. É o bastante para iluminar o panorama eleitoral. Lula está se arrumando para comandar o espetáculo. Com (muito) dinheiro no bolso e (muito) tempo livre para se divertir nos palanques, Luiz Inácio será o maior cabo eleitoral do Brasil em todos os tempos. Vai ser interessante acompanhar e medir o tamanho e a importância de Lula para a eficácia eleitoral.
Reforma política
A cantada e decantada reforma política pode, sim, sair do papel. Este consultor vê viabilidade na aprovação de um sistema de voto misto : meio distritinho, meio distritão. Metade dos eleitos será tirada de uma lista de candidatos do distrito. E a outra metade será pinçada de uma lista geral do Estado, tomando-se como parâmetro os mais votados em todo o Estado. Com o fim das coligações proporcionais, esta fórmula poderá ser interessante por atender mais de perto aos interesses do eleitor. O PT gostaria de ver implantado o voto de lista partidária. Como partido de mando vertical, ele se beneficiaria. Elegeria seus comandantes. O PMDB defende mais o distritão.
Duas formas de vida
"Há apenas duas formas de viver a vida: uma é acreditar que nada é um milagre. A outra é acreditar que tudo é um milagre". (Albert Einstein)
Dilma e Alckmin
Pela segunda vez, a presidente Dilma vai ao Palácio dos Bandeirantes para realizar um ato conjunto com o governador Geraldo Alckmin. Trata-se de parceria entre o governo Federal e o estadual em torno do rodoanel Mário Covas. Dinheiro lá do Planalto para a planície. Dos tempos, ainda, de Lula. Que, convidado, refugou. Alegação : não quer empanar prestígio de Dilma. A esta altura, não empanaria. Ela conserva a liturgia presidencial. E não é de salamaleques. Dilma está demonstrando atitudes suprapartidárias, que merecem aplausos.
Mais solta
Aliás, a presidente Dilma está mais solta e mais leve. Desenvolta foi sua atitude na entrevista que concedeu ao Fantástico, quando perambulou pelo Palácio da Alvorada. Respondeu a todas as perguntas. E cometeu, até, a liberdade poética de chamar a ema macho de emo. A família e seu barulho animam o netinho da presidente.
Enem, hein?
Por mais que o ministro Fernando Haddad se esforce para subir o conceito das escolas públicas em nosso país, não consegue. As escolas públicas e também privadas receberam notas insuficientes no exame do Enem. Quase 64% foram reprovadas. E destas, mais de 99% são da área pública. Não adianta sofismar dizendo que os alunos é que foram reprovados e não as escolas. Ou, por acaso, não há relação entre causa e efeito ? Alunos estudam em escolas... logo...!
UPPs marquetizadas
A tentativa da bandidagem de reerguer bandeiras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, quer dizer apenas uma coisa. As tais Unidades de Polícia Pacificadoras ainda não conseguiram se consolidar. A harmonia nas favelas está longe de aparecer. O governador Sérgio Cabral cosmetizou bastante a ideia. Há muito marketing enfeitando esse troféu de Cabral.
Um olho, um ouvido, um coração
"Para toda beleza, há um olho em algum lugar para vê-la.
Para toda verdade, há um ouvido em algum lugar para ouvi-la.
Para todo amor, há um coração em algum lugar para recebê-lo". (Panin). Colaboração de Álvaro Lopes.
Mensalão à vista
O ministro Joaquim Barbosa sinaliza muita vontade de jogar o pacote do mensalão no plenário do STF logo, logo. A depender dele, as coisas caminharão em ritmo adequado, de forma que, em 2012, antes das eleições, o processo seja concluído. Mas alguns advogados - dos melhores do país - tentam produzir curvas no meio do caminho. Finalidade : jogar a bomba para 2013, após as eleições. Justiça se faça : José Dirceu quer agilidade no julgamento do mensalão. Diz : "é a única coisa que peço, que me julguem nos autos. Porque juízo político já tive na Câmara dos Deputados. Fui cassado sem provas".
Campos só vê aquilo
Eduardo Campos passou a fazer política 25 horas por dia. A hora a mais é por conta da teoria de sistemas, na qual 2 + 2 pode ser cinco. Trata-se do adendo proporcionado pelo elemento organizativo, que junta as coisas. Ou seja, a capacidade de juntar, unir, mobilizar, tecer, costurar é mais um componente na cadeia aritmética. Campos deixou se ver por inteiro por ocasião do programa do PSB em rede nacional. Escolheu, até, uma moeda que entra direto no bolso das pessoas : tarifas de ônibus. Defende sua redução. Leia-se : quero ser candidato em 2014. Um posto nacional.
Demonização da política
A presidente Dilma fez um alerta : não confundam faxina na administração com demonização da política. Ou seja, não queiram culpar os partidos por erros e desvios de alguns de seus integrantes. Recado dado, recado sentido. Políticos ficaram satisfeitos.
Títono ou saciedade
"Formosa fábula, a que se conta de Títono. Estando por ele apaixonada, a Aurora, desejosa de lhe gozar para sempre a companhia, implorou a Júpiter que seu amado jamais morresse. Mas, em seu açodamento de mulher, esqueceu-se de acrescentar à súplica que ele também não padecesse as agruras da idade. De modo que Títono se viu livre da condição mortal. Sobreveio-lhe, porém, uma velhice estranha e miserável, como a que toca àqueles a quem a morte foi negada e que carregam um fardo de anos cada vez mais pesados. Então Júpiter, condoído, transformou-o finalmente em cigarra". (A Sabedoria dos Antigos, Francis Bacon).
Comissão da verdade
A Comissão da verdade está nascendo. Viva ! Precisamos abrir todas as frestas do país. Mostrar os buracos, as mazelas, os desvios, os erros. A verdade precisa aparecer como os raios do sol iluminando um novo horizonte.
A diferença
"Sabe qual é a diferença entre as galinhas e os governos? Simples: as galinhas botam ovos antes de cacarejar".
Desencontro histórico
Juscelino sempre foi um homem desencontrado com o seu tempo. Sempre mais adiante ! Tragédia de Kennedy em 1963. Juscelino, ex-presidente, era entrevistado e o assunto girava em torno das gestões avançadas dos dois presidentes. A certa altura da entrevista o repórter traçou um paralelo, perguntando :
- O senhor já calculou o que seria, JK no Brasil e Kennedy nos EUA, no mesmo período?
Juscelino desabafou:
- Foi um desencontro histórico... lamentável ! (José Flávio Abelha em A Mineirice)
Conselho aos gestores públicos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, sua atenção se volta aos gestores públicos. O sistema de saúde está na UTI. Precisa ser salvo. Para tanto, a aprovação da Emenda 29 se faz absolutamente necessária. Garantirá a aplicação rígida de índices orçamentários no sistema, sem desvios. Nesse sentido, urge fazer as seguintes observações:
1. Governadores e prefeitos precisam fazer a lição de casa e usar rigorosamente os recursos alocados nas frentes da Saúde, sem desvios e curvas na aplicação.
2. A população não aguenta mais criação de novos impostos. Se recursos extras são necessários, que se arrumem recursos em fontes como os royalties do petróleo, etc.
3. É comum dizer-se: dinheiro há, o que é ruim é a gestão. Aplicação rigorosa de recursos, diminuição do Produto Nacional Bruto da Corrupção (PNBC), enxugamento de estruturas, racionalização de processos, simplificação de rotinas seriam, entre outras, medidas absolutamente viáveis e necessárias para se chegar ao Pacote Financeiro para a Saúde.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Cabralzinho, líder estudantil em Campina Grande/PB, foi passear em Sobral, no Ceará. Chegou em dia de um formidável comício. No palanque, longos cabelos brancos esvoaçantes, o deputado Crisanto Moreira da Rocha, competente orador da província :
- Ladrões! Ladrões.
A praça, apinhada de gente, levou o maior susto.
- Ladrões! Ladrões, porque vocês roubaram meu coração!
Cabralzinho voltou para Campina Grande. Candidatou-se a vereador. No primeiro comício, lembrou-se de Sobral. Suspiro. Imaginou os aplausos, sob a oratória do deputado cearense. Fechou os olhos. E tascou com ar furios:
- Ladrões!
Correu um frio na espinha da praça.
- Ladrões!
Ninguém se mexeu. Cabralzinho bem sabia que a política em Campina Grande era briga de foice no escuro. Queria o impacto total.
- Cambada de ladrões!
Foi uma loucura! A multidão avançou sobre o palanque. Pedra, pau, sapatos. O rosto sangrando, acuado, Cabralzinho implorava:
- Espera que eu explico! Espera que eu explico!
Explicou. Ao médico, no hospital. (Com a verve do amigo Sebastião Nery).
Emenda 29
Dia 28 de setembro, será votada a Emenda 29, voltada para socorrer o sistema de saúde, que está na UTI. Será aprovada. Mas quem pensar que será criado um novo imposto, pode tirar o cavalinho da chuva. Nenhum partido tem motivação para votar um novo tributo temendo represálias da população. Afinal, a carga de impostos é escorchante. O PMDB fechará questão contrária a um novo tributo. O líder Henrique Alves pronuncia esta tarde no plenário da Câmara veemente discurso com duas mensagens fortes: sociedade não tolerará novo imposto; e governos estaduais precisam fazer suas lições de casa e não desviar recursos da saúde para outras frentes.
Carga escorchante
Vejam, a seguir, como os impostos entram no processo produtivo:
Média tributação sobre o faturamento
Energia Elétrica: 38,65%; Comunicações: 36,97%; Indústrias: 35,47%; Combustíveis: 32,74%; Transportes: 29,56%; Comércio: 23,23%; Demais Serviços: 23,83%; Instituições Financeiras: 17,58%; Administração de bens: 14,94%; Agropecuária e Extrativista: 14,29%; Micro e Pequenas Empresas: 9,78%.
A informação é do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT.
Impostos sobre produtos
Já na frente de produtos, eis alguns exemplos dos tributos:
Achocolatado : 38,06%; Agenda escolar : 43,19%; Água mineral : 43,91%; Aparelho de barbear : 40,78%; Balão de borracha : 34,00%; Batedeira : 44,37%; Cachaça : 81,87%; Calça (tecido) : 34,67%; Computador : 33,62%; Maisena : 33,87%; Fralda descartável : 54,75%; Gasolina : 53,03%.
Mobilização do PMDB
Amanhã, quinta-feira, o PMDB deve reunir, em Brasília, cerca de 3 mil militantes. Trata-se do primeiro movimento com vistas à mobilização geral que o partido promove para alavancar o pleito municipal de 2012. Não há uma agenda prefixada, eis que o partido tem a intenção de fazer um primeiro movimento de animação. Já o segundo será no início do próximo ano, quando as bases municipais serão convocadas para a batalha eleitoral. Nesse momento, o PMDB exibirá suas bandeiras, particularmente aquelas que atingem o bolso do eleitor.
Beleza e paciência
"Relacionamento é baseado em duas coisas: beleza e paciência. Se der certo, beleza ! Se não, paciência". (Colaboração de Álvaro Lopes)
PT em 2012
O PT, como o PMDB, quer fazer a maior bancada de prefeitos de sua história. Porque acredita na hipótese de que a alavanca municipal será decisiva para abrir as portas das prefeituras em 2014. O PT quer atingir as cidades grandes e médias. Trabalhará acertando o foco para cerca de 150 municípios. É o bastante para iluminar o panorama eleitoral. Lula está se arrumando para comandar o espetáculo. Com (muito) dinheiro no bolso e (muito) tempo livre para se divertir nos palanques, Luiz Inácio será o maior cabo eleitoral do Brasil em todos os tempos. Vai ser interessante acompanhar e medir o tamanho e a importância de Lula para a eficácia eleitoral.
Reforma política
A cantada e decantada reforma política pode, sim, sair do papel. Este consultor vê viabilidade na aprovação de um sistema de voto misto : meio distritinho, meio distritão. Metade dos eleitos será tirada de uma lista de candidatos do distrito. E a outra metade será pinçada de uma lista geral do Estado, tomando-se como parâmetro os mais votados em todo o Estado. Com o fim das coligações proporcionais, esta fórmula poderá ser interessante por atender mais de perto aos interesses do eleitor. O PT gostaria de ver implantado o voto de lista partidária. Como partido de mando vertical, ele se beneficiaria. Elegeria seus comandantes. O PMDB defende mais o distritão.
Duas formas de vida
"Há apenas duas formas de viver a vida: uma é acreditar que nada é um milagre. A outra é acreditar que tudo é um milagre". (Albert Einstein)
Dilma e Alckmin
Pela segunda vez, a presidente Dilma vai ao Palácio dos Bandeirantes para realizar um ato conjunto com o governador Geraldo Alckmin. Trata-se de parceria entre o governo Federal e o estadual em torno do rodoanel Mário Covas. Dinheiro lá do Planalto para a planície. Dos tempos, ainda, de Lula. Que, convidado, refugou. Alegação : não quer empanar prestígio de Dilma. A esta altura, não empanaria. Ela conserva a liturgia presidencial. E não é de salamaleques. Dilma está demonstrando atitudes suprapartidárias, que merecem aplausos.
Mais solta
Aliás, a presidente Dilma está mais solta e mais leve. Desenvolta foi sua atitude na entrevista que concedeu ao Fantástico, quando perambulou pelo Palácio da Alvorada. Respondeu a todas as perguntas. E cometeu, até, a liberdade poética de chamar a ema macho de emo. A família e seu barulho animam o netinho da presidente.
Enem, hein?
Por mais que o ministro Fernando Haddad se esforce para subir o conceito das escolas públicas em nosso país, não consegue. As escolas públicas e também privadas receberam notas insuficientes no exame do Enem. Quase 64% foram reprovadas. E destas, mais de 99% são da área pública. Não adianta sofismar dizendo que os alunos é que foram reprovados e não as escolas. Ou, por acaso, não há relação entre causa e efeito ? Alunos estudam em escolas... logo...!
UPPs marquetizadas
A tentativa da bandidagem de reerguer bandeiras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, quer dizer apenas uma coisa. As tais Unidades de Polícia Pacificadoras ainda não conseguiram se consolidar. A harmonia nas favelas está longe de aparecer. O governador Sérgio Cabral cosmetizou bastante a ideia. Há muito marketing enfeitando esse troféu de Cabral.
Um olho, um ouvido, um coração
"Para toda beleza, há um olho em algum lugar para vê-la.
Para toda verdade, há um ouvido em algum lugar para ouvi-la.
Para todo amor, há um coração em algum lugar para recebê-lo". (Panin). Colaboração de Álvaro Lopes.
Mensalão à vista
O ministro Joaquim Barbosa sinaliza muita vontade de jogar o pacote do mensalão no plenário do STF logo, logo. A depender dele, as coisas caminharão em ritmo adequado, de forma que, em 2012, antes das eleições, o processo seja concluído. Mas alguns advogados - dos melhores do país - tentam produzir curvas no meio do caminho. Finalidade : jogar a bomba para 2013, após as eleições. Justiça se faça : José Dirceu quer agilidade no julgamento do mensalão. Diz : "é a única coisa que peço, que me julguem nos autos. Porque juízo político já tive na Câmara dos Deputados. Fui cassado sem provas".
Campos só vê aquilo
Eduardo Campos passou a fazer política 25 horas por dia. A hora a mais é por conta da teoria de sistemas, na qual 2 + 2 pode ser cinco. Trata-se do adendo proporcionado pelo elemento organizativo, que junta as coisas. Ou seja, a capacidade de juntar, unir, mobilizar, tecer, costurar é mais um componente na cadeia aritmética. Campos deixou se ver por inteiro por ocasião do programa do PSB em rede nacional. Escolheu, até, uma moeda que entra direto no bolso das pessoas : tarifas de ônibus. Defende sua redução. Leia-se : quero ser candidato em 2014. Um posto nacional.
Demonização da política
A presidente Dilma fez um alerta : não confundam faxina na administração com demonização da política. Ou seja, não queiram culpar os partidos por erros e desvios de alguns de seus integrantes. Recado dado, recado sentido. Políticos ficaram satisfeitos.
Títono ou saciedade
"Formosa fábula, a que se conta de Títono. Estando por ele apaixonada, a Aurora, desejosa de lhe gozar para sempre a companhia, implorou a Júpiter que seu amado jamais morresse. Mas, em seu açodamento de mulher, esqueceu-se de acrescentar à súplica que ele também não padecesse as agruras da idade. De modo que Títono se viu livre da condição mortal. Sobreveio-lhe, porém, uma velhice estranha e miserável, como a que toca àqueles a quem a morte foi negada e que carregam um fardo de anos cada vez mais pesados. Então Júpiter, condoído, transformou-o finalmente em cigarra". (A Sabedoria dos Antigos, Francis Bacon).
Comissão da verdade
A Comissão da verdade está nascendo. Viva ! Precisamos abrir todas as frestas do país. Mostrar os buracos, as mazelas, os desvios, os erros. A verdade precisa aparecer como os raios do sol iluminando um novo horizonte.
A diferença
"Sabe qual é a diferença entre as galinhas e os governos? Simples: as galinhas botam ovos antes de cacarejar".
Desencontro histórico
Juscelino sempre foi um homem desencontrado com o seu tempo. Sempre mais adiante ! Tragédia de Kennedy em 1963. Juscelino, ex-presidente, era entrevistado e o assunto girava em torno das gestões avançadas dos dois presidentes. A certa altura da entrevista o repórter traçou um paralelo, perguntando :
- O senhor já calculou o que seria, JK no Brasil e Kennedy nos EUA, no mesmo período?
Juscelino desabafou:
- Foi um desencontro histórico... lamentável ! (José Flávio Abelha em A Mineirice)
Conselho aos gestores públicos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, sua atenção se volta aos gestores públicos. O sistema de saúde está na UTI. Precisa ser salvo. Para tanto, a aprovação da Emenda 29 se faz absolutamente necessária. Garantirá a aplicação rígida de índices orçamentários no sistema, sem desvios. Nesse sentido, urge fazer as seguintes observações:
1. Governadores e prefeitos precisam fazer a lição de casa e usar rigorosamente os recursos alocados nas frentes da Saúde, sem desvios e curvas na aplicação.
2. A população não aguenta mais criação de novos impostos. Se recursos extras são necessários, que se arrumem recursos em fontes como os royalties do petróleo, etc.
3. É comum dizer-se: dinheiro há, o que é ruim é a gestão. Aplicação rigorosa de recursos, diminuição do Produto Nacional Bruto da Corrupção (PNBC), enxugamento de estruturas, racionalização de processos, simplificação de rotinas seriam, entre outras, medidas absolutamente viáveis e necessárias para se chegar ao Pacote Financeiro para a Saúde.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
POETA DO CURRAL VELHO

Desde a época em que velhos automóveis trafegavam por uma central de terra batida, desviando-se dos inúmeros buracos com as habilidades de malabaristas e a poeira ia se levantando, cobrindo meio mundo a indicar que vinha um carro pela BR 404, já toda asfaltadinha, mas só no papel, ou então era o Misto do Seu Zé Padre que já ia, com a carroceria carregada de mercadorias e os passageiros bem acomodados nas boléias e com os sentidos aguçados, pois desceriam na próxima parada, é que sabemos: no Curral velho era tempo de poeta, pois ali versejava com engenho e arte, como um cancão acuando as cobras na mata espinhosa da caatinga, um sertanejo chamado Sebastião Ferreira do Bonfim.
Agora que a central é realmente uma pista bem pavimentada e que o tempo encurtou as distâncias e a brevidade nos obriga a novas desenvolturas, a rejuvenescida pista continua a nos levar aos mesmos locais que antes, numa paisagem nem tão semelhante à de outrora, mas percebemos satisfeitos, que por lá continua sendo a mesma época de poetas. Alguns dos vates que beberam nas cacimbas do riacho serrote criaram asas e levantaram vôo, rumo a um horizonte sem fim, tornaram-se poetas-doutores, poetas-professores, todos airosos. Mas outras sementes que brotaram por lá, ficaram e foram troando como trovões na terra dos Bonfins, retumbando suas estrofes a pleno pulmão num meio dia de um sol estorricante. Como a sericora que embeleza as margens das lagoas com seu canto vespertino ou a esbelta sariema que pasmaceia o ar com seus cortantes versos, vi admirado o poeta Antonio de Lisboa Bonfim, o bonachão e já grisalho Lisboa a soltar seu belo canto e a confirmar que, por lá, onde antes era os velhos currais de gado, continua um abundante celeiro de poetas.
Curioso, pergunto só para começar a nossa conversa: Lisboa, como é que você faz os seus versos?
Responde-me rápido: Não faço! Eles vêm em qualquer canto, aqui na mercearia ou onde eu estiver.
De supetão, pergunta-me: O que é a saudade? Ele mesmo me responde, em versos:
“Saudade é um parafuso
Que dentro da rosca cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo não vai.
E quando atarraxa dentro,
Nem torcendo não sai!”
Isso é a saudade!
Percebo o potencial no sorriso solto, como quem sabe que já domou o mundo com todos os seus apetrechos, inclusive a tal felicidade, que transborda de seus olhos claros. E se fores por lá, comprar algo para mantença do corpo ou tomar uma, bem geladinha, escorado num balcão que é uma ampla janela, prepara-se para sair com os bolsos abarrotados de versos e a alma leve pela poesia que aflora do lugar. Imploro por outras, de suas rimas.
Ele concorda, mas com a condição de que eu lhe responda uma pergunta no final e afirma que, se não responder, iria me chamar de mentiroso. Desfralda o poema:
“ Tudo depende de sorte,
Até para lavar roupa.
No dia que o sol não sai,
A roupa não cora bem,
Você quando está de azar,
Vai dar um peido e a merda vem!
Já aconteceu com você? Era a ameaçadora pergunta. E respondo de imediato: - Já!!! A risada é geral, que ecoa pelos quatro cantos do Curral Velho.
Ele aproveita o clima de alegria ali gerada, mas que germinava mesmo era de sua simplicidade, para lembrar mais uma estrofe e eu aproveito para recordar o poeta das figuras, naquele calorento dia de setembro, o espanhol Pablo Picasso, que uma vez disse: Há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol... Lisboa cintila os versos como os raios de sol clareando o dia:
Bezerra de vaca preta,
Onça pintada não come.
Quem casa com mulher feia,
Não tem medo de outro homem.
Quem casa com mulher bonita,
Leva chifre, mas não passa fome!
Ainda nos brinda com o duelo de dois cantadores, primor de história que ele criou em rimas:
Um cantador disse:
Cachaça matou jacinto,
Homem muito trabalhador,
Sentença de mão cortada
Para a cana que não plantou.
O outro disse:
Cachaça não matou jacinto,
Porque ela não tem esse poder,
Quando ele foi beber
Já estava era para morrer.
O poeta Lisboa é assim, sabe fazer de pequenos instantes grandes momentos. Pergunta-me: Você já ouviu falar no sitio Cagajá Ele sabia que eu não sabia! E continua: a rapadura de lá era três partes de sal e uma de doce ruim. Papai me mandava buscar uma carga e eu comia era muito por lá. Vamos aos versos:
Fui uma viagem
Com destino de voltar,
Porém tive que passar
No sitio Cagajá.
Andei quatorze léguas
Sem a calça abotoar.
Oh, caganeira de lascar!
O poeta Lisboa é como um passarinho cantando no terreiro, uma alma liberta, numa coexistência pacifica com o lugar. Um grande contador de historias que só perde que não for ouvi-lo por lá. Quando ele se despede da gente já vai deixando saudades e avisa, assim:
Olhe!!! Eu sou contador de historia...
Não confunda aroeira com aurora,
Não confunda rabicho com rabichola,
Eu sou contador de historia!!!
Vá lá! Confirme no brilho dos olhos do Lisboa onde mora a poesia! E ao chegar, não deixe de cumprimentar um gato preto que está sempre deitado na cadeira de seu dono, é um velho mago, que se faz de ajudante do poeta Antonio de Lisboa Bonfim.
Raimundo Candido
ABLC- CORDELTECAS E IMPLANTAÇÕES
A Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, no seu compromisso em difundir a literatura de cordel, vem dando continuidade a implantação de cordeltecas por todo Brasil. Gonçalo Ferreira da Silva presidente da ABLC estará implantando mais três cordeltecas no Estado do Ceará no inicio de outubro.
Com o calendário definido, as inaugurações acontecerão nos seguintes dias:
Dia 03-10-2011 Reriutaba – Cordelteca Riacho das Flores
Dia 05-10-2011 em Crateús - cordelteca Lucas Evangelista
Dia 07-10-2011 em Aracati - Cordelteca Dideus Sales
Como membro da ABLC e convidada do presidente Gonçalo Ferreira, eu, Dalinha Catunda, estarei na comitiva prestigiando as inaugurações.
--
Dalinha Catunda
CORRIGINDO UM EQUÍVOCO
Permitam-me um apontamento.
Este texto tem sido atribuído a Ariano Suassuna, entretanto é de autoria do jornalista José Teles sendo publicado originalmente (segundo o próprio) na coluna Toques Digitais do Jornal do Commercio online, em 7 de maio de 2008.
Existem outros textos no qual o crítico musical aborda o tema - como ele intitula - "fuleiragem music". Seguem alguns:
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/04/08/mudernos-tinhoroes-e-a-fuleiragem-music/
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/05/08/pequena-historia-da-fuleiragem-music/
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/06/04/368/
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/06/05/ate-tu-arcoverde/
ps. caso não acessem através do clique direto, basta copiar e colar na barra de endereço do seu navegador.
Abraços Fraternos!
Postado por Jocelino Neto no blog BLOG DO JÚNIOR BONFIM em 13 de setembro de 2011 14:08
Este texto tem sido atribuído a Ariano Suassuna, entretanto é de autoria do jornalista José Teles sendo publicado originalmente (segundo o próprio) na coluna Toques Digitais do Jornal do Commercio online, em 7 de maio de 2008.
Existem outros textos no qual o crítico musical aborda o tema - como ele intitula - "fuleiragem music". Seguem alguns:
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/04/08/mudernos-tinhoroes-e-a-fuleiragem-music/
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/05/08/pequena-historia-da-fuleiragem-music/
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/06/04/368/
http://jconlineblogs.ne10.uol.com.br/toques/2011/06/05/ate-tu-arcoverde/
ps. caso não acessem através do clique direto, basta copiar e colar na barra de endereço do seu navegador.
Abraços Fraternos!
Postado por Jocelino Neto no blog BLOG DO JÚNIOR BONFIM em 13 de setembro de 2011 14:08
AS FOTOS COMPROVAM QUE FOI PROVIDENCIAL O LANÇAMENTO DO LIVRO COM CD DO "PROVIDÊNCIA"
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA ( SECRETÁRIO DE CULTURA ) SOBRE O FORRÓ ATUAL
"'Tem rapariga aí? Se tem, levante ...a mão!'. A maioria, as moças,
levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase
todas muito jovens (pelo menos um terço de adolescentes), o vocalista
da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas
(dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são 'gaia',
'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena
aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas
se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos
70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades
em deixar a cidade.
Para uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas
bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque
este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a
dizer alguns títulos, vamos lá: 'Calcinha no chão' (Caviar com
Rapadura), 'Zé Priquito' (Duquinha), 'Fiel à putaria' (Felipão Forró
Moral), 'Chefe do puteiro' (Aviões do forró), 'Mulher roleira' (Saia
Rodada), 'Mulher roleira a resposta' (Forró Real), 'Chico Rola' (Bonde do
Forró), 'Banho de língua' (Solteirões do Forró), 'Vou dá-lhe de cano de
ferro' (Forró Chacal), 'Dinheiro na mão, calcinha no chão' (Saia Rodada),
'Sou viciado em putaria' (Ferro na Boneca), 'Abre as pernas e dê uma
sentadinha' (Gaviões do forró), 'Tapa na cara, puxão no cabelo' (Swing do
forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta 'desculhambação' não é exatamente as
bandas, ou os empresários que as financiam, já que na grande parte
delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que
investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o
turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia,
quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas,
em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo
folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As
estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das
bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam
muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista
ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos
alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o
regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e
relevou o primitivismo estilístico. Pior, o glamour, a facilidade
estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos
políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia,
que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em
popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos
do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno
lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma
banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade,
com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas)
pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de
ordem. Quando canta uma canção (canção??!!!) que tem como tema uma
transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É
vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está
muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por
tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns
poucos anos."
Ariano Suassuna
Observação:
O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa
aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda
Calipso, que ele achava (e deve continuar achando, claro) de mau
gosto. Daí mostraram a ele algumas letras das bandas de
'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'.
Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou. Realmente, alguma
coisa está muito errada com esse nosso país, quando se levanta a mão
pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou
quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha', aonde vamos parar? Como
podemos querer pessoas sérias, competentes e de bom gosto? E não
pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E
como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas
pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e
atendem.
Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar
gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem
sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se
querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer
outro tipo de ruído, ou se querem ser alguém de respeito na vida!
--
(enviado por José Cavalcante ARNAUD)
levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase
todas muito jovens (pelo menos um terço de adolescentes), o vocalista
da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas
(dele só não, e todas bandas do gênero). As outras são 'gaia',
'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena
aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas
se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos
70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades
em deixar a cidade.
Para uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas
bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque
este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a
dizer alguns títulos, vamos lá: 'Calcinha no chão' (Caviar com
Rapadura), 'Zé Priquito' (Duquinha), 'Fiel à putaria' (Felipão Forró
Moral), 'Chefe do puteiro' (Aviões do forró), 'Mulher roleira' (Saia
Rodada), 'Mulher roleira a resposta' (Forró Real), 'Chico Rola' (Bonde do
Forró), 'Banho de língua' (Solteirões do Forró), 'Vou dá-lhe de cano de
ferro' (Forró Chacal), 'Dinheiro na mão, calcinha no chão' (Saia Rodada),
'Sou viciado em putaria' (Ferro na Boneca), 'Abre as pernas e dê uma
sentadinha' (Gaviões do forró), 'Tapa na cara, puxão no cabelo' (Swing do
forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta 'desculhambação' não é exatamente as
bandas, ou os empresários que as financiam, já que na grande parte
delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que
investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o
turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia,
quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas,
em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo
folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As
estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das
bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam
muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista
ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos
alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o
regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e
relevou o primitivismo estilístico. Pior, o glamour, a facilidade
estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos
políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia,
que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em
popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos
do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno
lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma
banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade,
com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas)
pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de
ordem. Quando canta uma canção (canção??!!!) que tem como tema uma
transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É
vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está
muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por
tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns
poucos anos."
Ariano Suassuna
Observação:
O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa
aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhado uma música da Banda
Calipso, que ele achava (e deve continuar achando, claro) de mau
gosto. Daí mostraram a ele algumas letras das bandas de
'forró', e Ariano exclamou: 'Eita que é pior do que eu pensava'.
Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou. Realmente, alguma
coisa está muito errada com esse nosso país, quando se levanta a mão
pra se vangloriar que é rapariga, cachaceiro, que gosta de puteiro, ou
quando uma mulher canta 'sou sua cachorrinha', aonde vamos parar? Como
podemos querer pessoas sérias, competentes e de bom gosto? E não
pensem que uma coisa não tem a ver com a outra não, pq tem e muito! E
como as mulheres querem respeito como havia antigamente? Se hoje elas
pedem 'ferro', 'quero logo 3', 'lapada na rachada'? Os homens vão e
atendem.
Vamos passar essa mensagem adiante, as pessoas não podem continuar
gritando e vibrando por serem putas e raparigueiros não. Reflitam bem
sobre isso, eu sei que gosto é gosto... Mas, pensem direitinho se
querem continuar gostando desse tipo de 'forró' ou qualquer
outro tipo de ruído, ou se querem ser alguém de respeito na vida!
--
(enviado por José Cavalcante ARNAUD)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
MENSAGEM
LB deixou um novo comentário sobre a sua postagem "SIN PALABRAS":
“Se o povo for conduzido apenas por meio de leis e decretos impessoais e se forem trazidos à ordem apenas por meio de punições, ele apenas procurará evitar a dor das punições, evitando a transgressão por medo da dor. Mas se ele for conduzido pela virtude e trazido à ordem pelo exemplo e pelos ritos em comum, ele terá o sentimento de pertencer a uma coletividade e o sentimento de vergonha quando agir contrário a ela e, assim, bem se comportará de livre e espontânea vontade.”
Confucio
“Se o povo for conduzido apenas por meio de leis e decretos impessoais e se forem trazidos à ordem apenas por meio de punições, ele apenas procurará evitar a dor das punições, evitando a transgressão por medo da dor. Mas se ele for conduzido pela virtude e trazido à ordem pelo exemplo e pelos ritos em comum, ele terá o sentimento de pertencer a uma coletividade e o sentimento de vergonha quando agir contrário a ela e, assim, bem se comportará de livre e espontânea vontade.”
Confucio
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
MENSAGEM
"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade".
Confúcio
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa)
--
(enviada por José Cavalcante ARNAUD)
Confúcio
Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa)
--
(enviada por José Cavalcante ARNAUD)
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