quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Plural garante emprego

Abro a coluna com Arandu, em SP, cuja história começa com um pequeno povoado, no bairro do Barreiro, no município de Avaré. Em 1898, um pedaço de uma fazenda leiteira da região foi doado para a construção de uma capela. Elevado a distrito de Avaré/SP, em 1944, recebeu na ocasião a atual denominação. Em 1964, conquistou a emancipação política. No primeiro comício, os candidatos a prefeito exibiam seus verbos. Dentre eles, o matuto José Ferezin. Subiu ao palanque e mandou brasa: "Povo de Arandu, vô botá água encanada, asfaltá as rua, iluminá as praça, dá mantimento nas escola...". Ao lado, um assessor cochichou: "Zé, emprega o plural". O candidato emendou: "Vô dá emprego pro prural, pro pai do prural e pra mãe do prural, pois no meu governo não terá desemprego". (Historinha enviada por Marcio Assis)

PT abre a campanha

A campanha eleitoral começou. Sabe-se que o prazo legal para candidatos irem às ruas é 6 de julho. Mas poucos observam isso. O candidato do PT, Alexandre Padilha, foi entronizado por Lula em comício no interior. Até ônibus especial, que se transformará na casa ambulante de Padilha, foi devidamente preparado. A campanha do PT será muito organizada. Terá comitês de conteúdo, batalhão de comunicadores e repassadores de informações, analistas de pesquisas, coordenadores regionais, tesoureiro, agências e consultores variados. Será a campanha mais densa da história do PT em SP. Mote: ou vai ou racha. O chefe da comunicação é o jornalista Eduardo Oinegue.

A caravana

O candidato Padilha agora é funcionário do PT, com salário de R$ 10 mil mensais. Vai fazer uma batelada de viagens pelo Estado em um ônibus especial. As caravanas lembrarão o roteiro de Lula. O ônibus, que não deve fazer nenhuma referência direta às eleições por conta de legislação, adquirido por leasing, foi adaptado para abrigar cerca de 12 pessoas. O veículo será uma espécie de escritório volante, com uma mesa de reuniões.

Articulação e mobilização

O PT estabeleceu uma agenda com atividades fechadas, sem atos na rua, ora com os militantes, ora com setores da sociedade, como universidades, empresários e lideranças religiosas. A preocupação é colher elementos para o programa de governo, garante Emídio de Souza, o esforçado e competente presidente do partido em SP.

PSDB verticaliza

O PSDB decidiu impor ordem na casa. Quer imitar o PT e vai verticalizar os comandos. Intenção é: ajustar, padronizar, normatizar as linguagens. Como o PSDB é um partido de caciques, há muita particularidade, muitos feudos. A ordem é compor uma unidade. Com um discurso homogêneo, que possa ser capilarizado. De cima para baixo. Andrea Neves, a irmã de Aécio, vai dar um empurrão nessa meta de verticalização do marketing.

Temperatura ambiente

A temperatura subiu neste verão. Mais que em outros verões. No Rio, chegou aos 42º C. Em SP, 38º C. Sensação térmica em alguns lugares beirando os 50º C. Mas a temperatura ambiental está mais alta. Refiro-me ao clima que se respira nas ruas: insegurança, medo, assaltos, black blocs, assassinato de cinegrafista, greve de ônibus, greve de policiais Federais, movimentos em série, vandalismo, repressão policial, descrença nos políticos, inflação se expandindo nas gôndolas de supermercados e feiras-livres, falta de energia, apagões, falta d'água, etc. Até parece que um cordão embebido de gasolina corre em direção ao arsenal de pólvora. Exagero? Pode ser. Mas a imagem, confesso, bateu na mente. Enxergo um estado geral de beligerância.

O arsenal da guerra eleitoral

A campanha eleitoral deste ano, para ser eficiente e eficaz (entenda-se, nos meios e resultados) deve usar de maneira harmoniosa as ferramentas e suportes de guerra. Vamos lá : a infantaria pode ser entendida como os batalhões especializados em ações táticas em terreno hostil, no caso, os cabos eleitorais correndo para tirar votos dos adversários para os seus candidatos; são esses que olham diretamente para o eleitor de fim de linha. A cavalaria, hoje formada por carros de combate, pode ser entendida como os eventos nas cidades, com algum barulho para animar as massas eleitorais. A artilharia, composta por mísseis balísticos de longo, médio e curto alcance, é formada pelos canhões do rádio e TV nos programas eleitorais. Neste caso, a artilharia agrega também as comunicações. A engenharia agrega o planejamento da campanha, com foco na formação das propostas. O candidato é um composto de materiais bélicos, e deve se fazer presente em todas as frentes. De vanguarda e retaguarda. Pedindo votos e ouvindo conselheiros.

PMDB e a corda

Esta semana, mais uma rodada de conversações deve ocorrer entre a cúpula do PMDB e a presidente Dilma ou interlocutores. O governo estica a corda. E o PMDB a estica. A queda de braço deverá gerar pequena ruptura, não a ponto de inviabilizar a parceria entre peemedebistas e petistas.

Quebrar a força

Uma certeza vai se adensando nas entranhas da política. Projeto do PT é estiolar a força do PMDB, fazer secar suas fontes de poder. Para isso, o PT quer fazer as maiores bancadas de deputados (Federal e estadual), o maior número de governadores e de prefeitos. Nos últimos tempos, tem dado sinais de seu projeto.

Fontes secam

Os reservatórios exibem índices alarmantes. Há pouca água para atender a demanda nacional. A situação do Sudeste é precária. O governo garante que não faltará energia. E que as térmicas estão esperando acionamento. Claro, o custo vai subir. O governo aguentará o rombo ? Haverá racionamento? Já imaginaram o clima eleitoral com falta de água e de luz?

A volta de Lula

Por enquanto, são apenas versões. Mas o clima social, tenso e tendente a ficar mais quente, abre muita especulação. Fala-se bastante em Lula como estepe. Se a crise se intensificar, diz-se, Lula entraria tranquilamente no lugar de Dilma. Até porque estará fazendo campanha em paralelo. Quer se fazer do escudo de Dilma. Querem fazê-lo candidato no lugar da pupila. Este consultor registra a hipótese, mas não acredita que seja viável em 2014.

Agenda agitada

Agenda das Casas Congressuais tende a ser agitada. Na pauta, o marco civil da internet, o Código de Mineração (regras para exploração das riquezas nacionais), a reforma dos presídios, a reforma do Código Civil e até a reforma política. Este consultor acredita que não haverá ânimo para grandes debates. Os parlamentares estarão com a cabeça voltada para as bases eleitorais.

Pergunta indiscreta?

Por que o PT e a CUT não se engajam na luta para corrigir o FGTS pela inflação? A correção foi alterada em 1999, no governo do PSDB, em prejuízo dos trabalhadores. Em mais de uma década de poder, o PT nunca quis tratar desse assunto.

Contas da esplanada

Ilimar Franco, o bem informado colunista de O Globo, fez as contas das correntes petistas no Ministério. A tendência Um Novo Brasil, do PT, com 45 deputados e 12 senadores, tem 10 ministérios. (Mas tem a bancada inferior a do PMDB, que tem apenas cinco ministérios). A corrente Mensagem, do PT, com 12 deputados, tem um ministério, bancada inferior à do PTB, que não tem nenhuma pasta. A Democracia Socialista, do PT, com oito deputados e um senador, tem um ministério.(O PROS, que tem mais cadeiras no Congresso, nada possui). E o Movimento PT, com oito deputados, tem uma pasta. (PP, PR, PDT e PC do B têm mais parlamentares que aquela tendência para ganhar sua cota).

A liturgia destoante I

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, elevou o punho fechado, forma de "cumprimentar os companheiros", por ocasião da abertura do ano legislativo. Ao seu lado, o ministro JB, presidente do STF, que comandou a AP 470, o mais longo da história da Corte e que condenou importantes quadros do PT, hoje presos no presídio da Papuda, em Brasília. O gesto não combinou com a liturgia, ainda mais pelo fato de Vargas portar o segundo cargo mais importante da Casa do Povo. Foi um ato escasso de polidez.

A liturgia destoante II

Do alto de seus domínios, o ministro Edison Lobão garantiu que o risco de faltar energia este ano é zero. Valia-se de dados que mostram uma sobra de energia de 1.773 MW, "valor que deve dobrar esse ano". No mesmo dia, leu-se que o déficit de energia passará este ano de 20% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No dia seguinte, um apagão deixou sem energia seis milhões de pessoas nessas regiões, incidente que, segundo o governo, não teve vinculação com a sobrecarga do sistema nem com os baixos níveis de reservatório. Garantias e realidade são dissonantes. A situação das represas do Sudeste é a pior desde 1953, com 39,98% de sua capacidade, alerta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A liturgia destoante III

Cheguemos, agora, à Petrobras. No ano passado, registrou a maior perda de valor de mercado, em termos nominais, passando de US$ 124,7 bilhões no fim de 2012 para US$ 90,6 bilhões semana passada, em um recuo de US$ 34,1 bilhões. Portanto, o momento não é de comemorar, brindar o sucesso. O clima é de velório. E o que se vê? Pesada campanha na TV, em comemoração aos 60 anos da empresa. A Petrobras fez aniversário em 3 de outubro do ano passado, quando a fornada publicitária foi lançada. Há motivo, quatro meses depois, para se fazer loas à ex-primeira empresa brasileira, cujas ações derretem na Bolsa de Valores? Mais uma dissonância.

A liturgia destoante IV

A liturgia dos Poderes recomenda respeito e obediência aos ritos, normas, gestos e ações inerentes às funções que exercem. O Poder Judiciário deve ser exemplo de recato. Bacon, por volta de 1620, já pregava que os "juízes devem ser mais instruídos que sutis, mais reverendos que aclamados, mais circunspectos que audaciosos". Bela lição sobre as virtudes da magistratura. Por isso, é estranho ver altos magistrados deixando a toga de lado para usar verbos de tom político. O ministro Gilmar Mendes, um dos mais preparados da Suprema Corte, sugeriu investigação sobre as doações feitas aos apenados na AP 470, por meio de campanhas por eles acionadas nas redes sociais, nas quais vê indícios de lavagem de dinheiro. É verdade que as altas arrecadações surpreendem, principalmente quando se tem em conta o esforço de candidatos, como a presidente Dilma, que alcançaram resultados pífios quando tentaram angariar recursos pela internet. Mesmo assim, o sucesso da operação não justifica que um alto magistrado abra a boca para criar polêmica.

Conselho às polícias

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos investidores. Hoje, dedica sua atenção aos integrantes do aparato policial.

1. O ambiente está tenso e turvo. O país está vivendo uma intensa crise de autoridade, que tem como pano de fundo a descrença na política e nos governantes e a precariedade dos serviços públicos. Por isso, os grupamentos policiais precisam compreender a natureza das manifestações e planejar suas ações, sobretudo no campo da prevenção e da inteligência.

2. Urge ter bastante cuidado para evitar a repressão que deflagre o conceito de violência gerando violência. Urge reprimir ondas de vandalismo do império da desordem.

3. O Brasil se prepara para abrigar o maior evento esportivo mundial. 100 mil homens das forças Federais e estaduais estarão envolvidos nos sistemas de segurança para a Copa. Urge muito preparo, muita cautela, muito bom senso. A segurança pública será um teste decisivo para consolidar a imagem do Brasil.

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(Gaudêncio Torquato)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

PARABÉNS, OLÍMPIO!

José Olímpio de Sousa Araújo, o aniversariante de hoje, é o Secretário da AMLEF, impecável guia na condução de todos nós pelas selvas da gramática.

Homem que descobriu o dínamo revolucionário da fé, tem nos mostrado que, sem espiritualidade, tudo se fragiliza, inclusive a inteligência. É. Melhor que qualquer outro – e por experiência própria - Olímpio sabe que “a fé remove montanhas”. Olímpio, "aquele que pertence ao Monte Olimpo", lugar onde os deuses da mitologia grega erguiam suas moradas, conhece a atmosfera superior da energia inesgotável que impulsiona os que acreditam sem ver.

Não por acaso esse Acadêmico é um disciplinado peregrino do caminho delicado da sabedoria. Podia brilhar no alto da montanha, nos píncaros do Olimpo, mas prefere a planície.

A milenar cultura oriental produziu um amigo da sabedoria chamado Lao Tsé. Lao significa “criança, adolescente, jovem”. Tsé indica “idoso, maduro, sábio, espiritualmente adulto”. Segundo Huberto Rohden, podemos transliterar Lao Tsé por “jovem sábio”, “adolescente maduro”.

Olímpio descobriu, como o filósofo chinês Lao Tsé, que “a razão por que os rios e os mares recebem a homenagem de centenas de córregos das montanhas é que eles se acham abaixo dos últimos. Deste modo podem reinar sobre todos os córregos das montanhas. Por isso, o sábio, desejando pairar acima dos homens, coloca-se abaixo deles; desejando estar adiante deles, coloca-se atrás dos mesmos. Assim, não obstante o seu posto ser acima dos homens, eles não sentem o seu peso; apesar do seu lugar ser adiante deles, não consideram isto uma ofensa”.

Por isso Olímpio é humilde, carrega no peito o ‘húmus’ que circunda aquilo que os índios nomeavam de “a grande laje”, Itapebussu. Esse Olímpio, que principia José, também aplainou a alma com a santa discrição do carpinteiro de Nazaré. E é sensível aos despossuídos. Doem a esse devoto de Maria os que sofrem no “vale de lágrimas” das injustiças sociais.

Apreendeu, sobremaneira, o que importa nesta passagem terrena e por isso seu coração se felicita com pouco. A mundana ilusão não lhe causa emoção. Basta-lhe o principal. Sabe, como o sábio Lao Tsé, que

“Quando nos contentamos em Ser,
pura e simplesmente Ser,
sem comparar, sem competir…
Realizamos o Essencial.
(...)
O sábio faz o que tem que fazer
E se afasta…
Assim realiza o céu em si mesmo”.

Feliz Aniversário, confrade!

(Júnior Bonfim)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Zeca de Campina Grande

Abro a coluna com Zeca Boca de Bacia, personagem folclórico de Campina Grande/PB. Amigo de políticos, prestava assessoria informal a Ronaldo Cunha Lima (falecido, ex-governador) e a seu filho Cássio, senador. Zeca abria as risadas. Em uma de suas internações na clínica Santa Clara, em Campina Grande, a enfermeira foi logo perguntando:

- Zeca, qual o seu plano (de saúde)?

E ele:

- Ficar bom!

Outra vez, Zeca pegou um táxi em Brasília para ir à casa de Ronaldo Cunha Lima. Em frente à casa do poeta, o taxista cobrou R$ 15. Zeca só tinha R$ 10. Sem acordo, disparou:

- Então, amigo, dê cinco reais de ré!

Em João Pessoa, num restaurante chique, Zeca pediu um bode assado. O garçom retrucou:

- Desculpe-me, senhor, aqui só servimos frutos do mar.

Zeca emendou sem dar tempo:

- Então me traz uma água de coco.

Outro dia, um taxista cobrou R$ 20 pela corrida. Zeca, liso, só tinha R$ 10. E pagou.

- Cadê o resto? - pergunta o taxista.

Zeca não hesita:

- E eu vim sozinho? Vamos rachar!

A onça quer beber água

A hora chegou e a onça está com muita sede. Início de fevereiro, início do ano Judiciário e Legislativo. As coisas começam a funcionar em Brasília. Mas e a água da onça ? Onde estão as fontes, é o que indagam os partidos. Claro, as águas estão nos Ministérios. A presidente Dilma, após as nomeações iniciais - Mercadante, Paim, Chioro e Traumann - concluirá nas próximas horas as consultas e deverá anunciar os nomes. Espera-se que, nas próximas semanas, tudo esteja concluído. Vamos, agora, às fontes.

Pistas para as fontes

Benito Gama, o atual presidente do PTB, poderá beber na fonte do Turismo, se o PMDB aceitar a troca dessa Pasta pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Benito tem larga experiência parlamentar, um perfil de renome no compartimento da economia, um baiano que conhece bem a realidade brasileira - e a do turismo, especialmente - sendo, assim, um perfil adequado ao setor. O PMDB pode, em troca, ficar com Ciência e Tecnologia, ministério bastante prestigiado. E também ficaria com a Secretaria dos Portos, para a qual é consensual no partido o nome do eficiente e preparado senador Vital do Rego Filho, paraibano filho do grande parlamentar e tribuno, Vital do Rego, de quem herdou o nome e a identidade política. Além disso, a pasta da Agricultura permaneceria com o PMDB. O atual titular, Antônio Andrade (MG), deve sair para se recandidatar à Câmara Federal. Deverão sair, ainda, Gastão Vieira (Turismo), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Aguinaldo Ribeiro (Cidades).

Inserção na estrutura

Há cargos importantes na estrutura governamental, nas agências e espaços regionais dos Ministérios. A presidente tentará administrar as demandas partidárias com outros partidos da base, tendo como ideia central o equilíbrio de poder entre os grandes partidos, apesar de saber que a fatia gigantesca do bolo continuará sendo a do PT, que disporá de 25 ministérios dos 39. Afinal, o projeto de vida longa do PT no poder está no centro das atenções do petismo sob a batuta de Lula.

Eixo político

As indicações iniciais, Saúde e Educação, principalmente, atestam que o projeto político do PT se firma com a indicação de quadros de confiança do partido, os ministros Arthur Chioro e Henrique Paim, que tem a confiança absoluta da presidente. Aloizio Mercadante na Casa Civil significa adensamento do eixo político do governo, eis que se trata de um parlamentar com larga experiência nas duas casas congressuais. Não é um perfil do qual se possa pinçar uma adjetivação com carimbo nas áreas de empatia e simpatia. Mas conhece bem as entranhas partidárias e as regras do jogo político. Tende a aproximar o Planalto do Congresso. Fazendo sombra a Ideli Salvatti. Mas essa ministra da articulação institucional tem vida curta. Ou não será candidata ao senado em SC ?

Vida longa ao PT

O fortalecimento do eixo político do Governo implica blindagem ao projeto de vida longa do PT no Poder. Projeto com a seguinte dimensão : Lula voltaria em 2018 para ficar até 2026, com o olho em mais um mandato petista, se for bem sucedido, que puxaria o partido até 2030. Base do sonho : eleição da Dilma, eleição de maior bancada de deputados Federais; gigantesca bancada de deputados estaduais e eleição de 20 senadores neste ano; eleição do maior número de prefeitos em 2016 e consequente inchaço da bancada de vereadores, etc. E bala existe para essa batalha ? Bala é, claro, grana, muita grana. O PT é um partido vertical, uma igreja. Onde se paga dízimo. A par dos seus fiéis, o PT conta com doadores aqui e alhures. Tio Patinhas não passaria, no PT, de um modesto zelador do cofre.

Traumann, um jornalista

Thomas Traumann, ao que se sabe, dará um tom mais jornalístico à Pasta que dirige, a Secretaria de Comunicação. Dizem que o PT ambiciona abocanhar fatias publicitárias em apoio ao projeto político do partido, a partir de uma cobertura mais densa e intensa nas redes sociais, incluindo financiamento de "blocos sujos". E que faria um esforço extraordinário para implantar o cantado e decantado projeto de controle da mídia. Como jornalista, Traumann não tem perfil para ser instrumentalizado pelo partido.

Franklin, a volta

Franklin Martins volta à esfera da campanha eleitoral. Não assumiu cargo formal na estrutura do governo, mas, pelo se lê, é um consultor especial da presidente. Franklin também conhece, e muito, os jogos de poder. A ele atribui-se o projeto de controle da mídia, entregue ao governo Dilma, logo após a posse. Foi alvo de tiroteio. Saiu do governo. Retorna com força. Vai colaborar com João Santana (?). Diz-se que coordenará o projeto de comunicação da candidata Dilma nas redes sociais. Por seu perfil, fará mais que isso, atuando como orientador geral de atitudes, gestos e ações da presidente ao correr da campanha.

Mantega, fim de jornada?

O ministro Guido Mantega tem sobrevivido a chuvas e trovoadas. Um baluarte. Mas, comenta-se à boca pequena, a fortaleza onde se abriga o ministro começa a mostrar rachaduras. O tempo desgastou as paredes. O reboco começa a cair. Fala-se de mudança radical na área econômica como medida de choque para enfrentar a tempestade eleitoral. Será ? Há muitas dúvidas. Mas muitos olhos começam a enxergar Alexandre Tombini, o presidente do BC, na cadeira potente do Ministério da Fazenda. A conferir.

Skaf, alvo dos tucanos?

A história dos tucanos em SP exibe uma arena de lutas travadas contra seu tradicional adversário: o PT. Em todas as eleições das últimas duas décadas, a polarização entre petistas e tucanos foi acirrada. Pois bem, nas últimas semanas, da floresta tucana saem flechadas não contra o candidato do PT ao governo de SP, o ex-ministro Alexandre Padilha, mas contra Paulo Skaf, eventual candidato do PMDB. Qual a razão ? Por que o PT desvia seus tiros ? A resposta : Paulo Skaf, segundo pesquisas (Datafolha e outros) tem, hoje, 19% das intenções de voto. Com essa margem, bem antes da campanha eleitoral, é uma ameaça ao projeto tucano de reeleição de Geraldo Alckmin. Portanto, deve ser abatido.

Propaganda?

O PSDB entrou com recurso contra Paulo Skaf alegando que este usa as inserções publicitárias do SESI e do SENAI para aparecer. Este consultor, curioso, viu as inserções. E anotou : o discurso nada mais nada menos expressa o trabalho daquelas duas entidades do sistema FIESP/CIESP. Mostra exemplos de vida a serem imitados. Não há menção à eleição e nem, de maneira indireta, referências à política. O Ministério Público Eleitoral também entrou com recurso sob o mesmo argumento. Ora, o que é legal, ilegal, ético e aético ? E a propaganda governamental, principalmente quando candidatos (ao governo de um Estado) ou candidata (à presidência da República) usam campanhas publicitárias ou redes abertas de TV para mostrar feitos ? É legal, ilegal, ético e aético ? Se querem apurar a presença de atores eleitorais nos meios de comunicação, o fato é : pré - candidatos ou candidatos engajados na máquina pública tendem a ganhar maior visibilidade midiática. Isso é inegável.

Verbas gordas

Os jornais anunciam : o governo de SP deverá investir, no primeiro semestre deste ano, quantia semelhante ao gasto de todo o ano passado : cerca de R$ 190 milhões. Alegação do governo : 2014 é um ano atípico, por conta das restrições no período em que a publicidade pode ser veiculada. O Estadão, em matéria de Fernando Gallo, ao final do ano passado, mostrou que as empresas públicas de SP (Dersa, Metrô, Sabesp e outras) despenderam, de 10 anos para cá, nas gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, a soma de R$ 1,24 bilhão em campanhas promocionais. No mesmo período, outro R$ 1,2 bilhão foi consumido em divulgação da administração direta. A soma total (R$ 2,44 bilhões) seria suficiente, diz a matéria, para "construir, por exemplo, mais de metade da segunda fase da linha cinco do metrô, que vai ligar o Largo Treze à Chácara Klabin, ou custear o Instituto do Câncer por sete anos".

Vacinação em março

Há poucos dias, o ex-ministro Alexandre Padilha usou a cadeia de comunicação massiva - TVs e emissoras de rádio - para falar da campanha de vacinação. Claro, tem de dar orientação, conclamar as famílias a levarem seus filhos aos postos de vacinação. A publicidade se justifica. Ocorre que a campanha será apenas em março. Não seria mais viável que o novo ministro da Saúde fosse o porta-voz desse evento ? Será que o anúncio não se perderá no tempo?

Ano curto

O ano será bem curto. Teremos um carnaval daqui a pouco, depois entraremos na Copa do Mundo, sairemos para as férias de julho e, logo a seguir, adentramos na atmosfera eleitoral. Setembro todo será muito quente. E em outubro, alegria para uns, tristeza para outros e muita expectativa sobre um segundo turno.

Segundo turno

O cobertor já foi mais confortável para a presidente Dilma. Mesmo assim, a régua aponta para um segundo turno. Muito difícil uma vitória da presidente na primeira rodada. Projeção de segundo turno hoje : 70. Outra leitura que se faz nas conversas : Eduardo Campos seria obstáculo maior que Aécio para uma vitória governista no segundo turno. Se o governador entrar nesse páreo, a projeção é da vitória dele ou da presidente no olho mecânico. Já com Aécio, a conta favorece a presidente Rousseff.

Déficit de energia?

O risco de déficit de energia já chega a 20% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Cálculos do próprio governo. A propósito, uma falha no sistema elétrico interrompeu parte da transmissão de energia entre o Norte e o Sudeste do país na tarde de ontem, causando falhas no abastecimento de diversas cidades. Mais de um milhão de consumidores ficaram sem energia. O Ministério de Minas e Energia, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) tentam dimensionar o impacto.

Crise passageira

Uma nota alvissareira: a crise dos países emergentes será passageira. É o que calcula o Instituto Internacional de Finanças, que reúne os grandes bancos. A onda de instabilidade, logo, logo, arrefecerá. Os fluxos de capitais para os emergentes se recuperarão em dois anos.

O nome do PSB em PE

Quem Eduardo Campos escolherá como candidato do PSB ao governo de PE? São favoritos: o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, secretários estaduais Danilo Cabral (Cidades), Paulo Câmara (Fazenda) e Tadeu Alencar (Casa Civil), vice-governador João Lyra Neto, que se filiou ao PSB no ano passado e até o prefeito de Recife, Geraldo Julio. Que prefere ficar na prefeitura até o fim do mandato. Campanha vital para Campos. Terá de dar um banho na oposição.

Conselho aos investidores

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos parlamentares. Hoje, dirige-se aos investidores.

1. O momento é de grandes interrogações. As Bolsas despencam, as economias entram em compasso de espera. Hora de direcionar recursos para ativos de baixo risco, sugerem analistas financeiros.

2. No caso do Brasil, a piora do resultado fiscal expande o pessimismo. O conselho é aguardar a divulgação da nova meta de superávit fiscal a sair no fim do mês.

3. As riquezas e potenciais do Brasil, porém, abrem perspectivas promissoras. Se o ano eleitoral sugere cautela, em função de medidas popularescas, nem tudo está perdido. Urge esperar que o clima fique mais ameno, pelo menos em 2016. Vamos ter paciência.

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(Gaudêncio Torquato)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

QUASE POESIA!


Estimado Paz,

O bom carteiro e pombo invisível das boas novas fez chegar até a mim a tua missiva em forma de pedido. Como recusar esse quase apelo?!

É óbvio que, antes do mais, preciso fazer um reparo: tenho mais alento que talento. Por isso, em determinado momento, descobri o valor das ‘palavras ao vento’! Cada dia, abstraindo ilusões, firmo o convencimento de evitar comparações. Melhor do que ‘com-parar’ é ‘parar-com’. Comparar distancia, separa; parar-com aproxima, une, integra.

Assim, ao parar-com e mirar tua obra, senti-me arrastado pela brisa de humildade que dela exala: cedi ao leve encanto que permeia teu canto, suave manto, flor de espanto, sotaque de esperanto.

Confesso que desconhecia tua filiação à confraria do coração. Não te sabia da estirpe da poesia, noturno do meio-dia, aparentado da alegria. A poesia, passeio das asas da emoção pelo sagrado vale da inspiração, é uma donzela encantadora e cheia de opinião, que nunca aceita a gaiola de egoísmo da nossa mão. Às vezes, quando por um rasgo de soberba e presunção, imaginamos tê-la em sujeição, ela some de nós (adeus, inspiração!). Ou, mesmo já feita matéria e passada na casca da gramática - quando a supomos estática - desaparece em um passe de mágica.

É, meu camarada, os versos não têm idade. Alguns nascem, crescem, permanecem invisíveis, nunca perecem e, um belo dia, aparecem. Mirando teu pomar diligente, recordei um passado quase recente: meus primeiros contatos flamejantes com os versos, essas dóceis criaturas, vaga-lumes da ventura, lenitivos feitos clarões às almas obscuras (daí nasceu minhas Poesias Adolescentes e... Maduras).

Profissional da engenharia, esta é indiscutivelmente a tua mais fulgurante construção: a edificação da poesia, pilastras com desenho de árvores em sinfonia, concreto desarmado saltitando na betoneira da melodia!

Principias mostrando que a deusa da ritmada solenidade te bafejou com a melhor herdade: o húmus radical da humildade. Emocionas, no agradecimento de luz, do Escritor Celestial ao povo de Crateús. Dilatas o carinho aos amigos in pectore do teu caminho: Zacarias, Paulo Flor e Vicentinho. Não olvidaste o Venâncio, que está em outra dimensão, e lá recebe o afago da gratidão. Elasteces a rima aos amigos e amigas que elevam a autoestima. Abres o cofre dos pendores a todos os professores e, suprema lição, também estendes a mão aos que te lançam as pedras da rejeição.

Amigos do juazeiro e da palma: quem, pelos campos azuis dessas estrofes passeia com calma, descobre que eles brotaram de uma grande alma. A paciência, que é a ciência da paz, arranchou-se no peitoril deste Paz! A paciência, sapiência de quem faz, antídoto à ansiedade fugaz, acompanha este Paz! A paciência, experiência tenaz, flexibilidade eficaz, é a bússola deste Paz!
Nada revela mais o ser e seu emblema do que o poema. Nada transcende mais a humana criatura do que o verso feito escritura. Se, de um homem que canta, quiseres conhecer o caminho, mira o seu poético pergaminho.

Apreciei, na parte primeira, o ensurdecedor brado sem eco, a chuva torrencial do amar demais, a arte de ver e ouvir os gemidos e a estrela do coração. Pasmei-me como um solitário navegante, sob o fascínio da aurora, lindo céu de diamante, ao ler a confissão do amante suplicando a Deus que implante, na amada, colibris no semblante. Exultei com a tua conclusão fina de que a sumidade poética é pura obra divina!

Os teus cordéis – berro, farra, saga, rifa, caçada, santuário – parecem pincéis que, em simples pano, fiam obras de arte em louvor ao cotidiano!

Sem qualquer inquietude, erigiste por fim a cúpula da completude: a tua matrícula existencial é um testamento fenomenal! Registras, com sílabas de simpatia, a fortuna da gratidão pela luz de cada dia! (Aliás, com o ineditismo aguerrido de quem soma cada dia vivido).

O epílogo é uma preciosa raridade: a filha Rafaelli exibindo o teu manancial de sensibilidade!

Encerro fazendo uma correção de justiça, por amor à verdade: o quase desta poesia é um grande elogio à humildade!

(Júnior Bonfim, no prefácio do livro ‘Quase Poesia’, de Humberto Rodrigues Paz).

OBSERVATÓRIO

Juarez Leitão costuma, nas palestras que profere, narrar a estória de um jovem do interior de Novo Oriente que migrou para a capital paulista em busca de emprego. Lá encontrou uma vaga de vendedor em uma grande rede varejista, dessas que vendem praticamente tudo, do remédio ao pneu de carro. Um belo dia o jovem cearense estava convencendo um cliente a comprar uma linha de pesca, em seguida o anzol, a isca e... por fim, uma lancha! O gerente, que assistia à distância, aproximou-se do vendedor e, exultante, indagou: - “Amigo, parabéns! O cidadão chegou para comprar um anzol e você o convenceu a comprar até uma lancha. Como fez isso?” O vendedor respondeu: - na verdade, patrão, eu o vi entrando na farmácia à procura de absorvente. Bati no ombro dele e disse: já que o final de semana está perdido, que tal uma pescaria?!...

EMPREENDER

A narrativa acima revela bem um tipo de postura comum aos visionários e empreendedores: a capacidade de transformar dificuldade em oportunidade. O grande desafio da quadra que vivemos – em especial para os gestores públicos – é exatamente este. Ao que tudo indica se descortina no horizonte a possibilidade de mais um ano de seca. Qual deveria ser a prioridade número um de um administrador da coisa pública? A estiagem.

NOME

Em primeiro lugar, urge que mudemos a maneira de olhar o problema. A ausência de chuva regular é um fenômeno típico do semi-árido. Existe desde quando se tem registro e continuará existindo. Assim como, em outras regiões do planeta, há erupções vulcânicas, maremotos, terremotos, etc, aqui nos defrontamos com a estiagem. Então, devemos colocar as coisas no seu devido lugar: ao invés de “combater” a seca, devemos aprender a “conviver” com ela. A sigla DNOCS, por exemplo, deveria significar Departamento Nacional de Obras e Convivência com a Seca.

INICIATIVA

Os prefeitos das regiões mais afetadas pela falta de água poderiam se unir em um arrojado movimento de sensibilização das autoridades estaduais e nacionais com o fito de apresentar propostas estratégicas e estruturantes. Consenso é que precisamos de um amplo sistema de interligação das bacias hídricas, a fim de haja uma melhor distribuição espacial das águas. O Brasil é o maior caudatário de água doce do mundo. Diariamente milhões de metros cúbicos de água por segundo são despejados no oceano. Por que não reter boa parte disso? Por que não incluir na pauta a transposição das águas do Rio Tocantins pelos estados do Maranhão e Piauí com destino final no Ceará? No lugar de micro ações pontuais, por que não reunir forças em uma empreitada abrangente, de alta envergadura e retorno definitivo?

LEI ANTICORRUPÇÃO

Já está em vigor, desde antes de ontem, a Lei 12.846, que dispõe sobre “a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública”. A lei considera atos lesivos à gestão pública: I - prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a agente público, ou a terceira pessoa a ele relacionada; II - comprovadamente, financiar, custear, patrocinar ou de qualquer modo subvencionar a prática dos atos ilícitos previstos nesta Lei; III - comprovadamente, utilizar-se de interposta pessoa física ou jurídica para ocultar ou dissimular seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários dos atos praticados; IV - no tocante a licitações e contratos: a) frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo de procedimento licitatório público; b) impedir, perturbar ou fraudar a realização de qualquer ato de procedimento licitatório público; c) afastar ou procurar afastar licitante, por meio de fraude ou oferecimento de vantagem de qualquer tipo; d) fraudar licitação pública ou contrato dela decorrente; e) criar, de modo fraudulento ou irregular, pessoa jurídica para participar de licitação pública ou celebrar contrato administrativo; f) obter vantagem ou benefício indevido, de modo fraudulento, de modificações ou prorrogações de contratos celebrados com a administração pública, sem autorização em lei, no ato convocatório da licitação pública ou nos respectivos instrumentos contratuais; ou g) manipular ou fraudar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos celebrados com a administração pública; V - dificultar atividade de investigação ou fiscalização de órgãos, entidades ou agentes públicos, ou intervir em sua atuação, inclusive no âmbito das agências reguladoras e dos órgãos de fiscalização do sistema financeiro nacional. A Lei cria o Cadastro Nacional de Empresas Punidas - CNEP, que reunirá e dará publicidade às sanções aplicadas pelos órgãos ou entidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas de governo.

PARA REFLETIR

“Os gastos com viação e obras públicas foram excessivos. Lamento, entretanto, não me haver sido possível gastar mais. Infelizmente a nossa pobreza é grande. Está visto que me não preocupei com todas as obras exigidas. Escolhi as mais urgentes”. (...) “Não favoreci ninguém. Devo ter cometido numerosos disparates. Todos os meus erros, porém, foram da inteligência, que é fraca. Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome. Não me fizeram falta”. (Graciliano Ramos, no Relatório em que prestou contas do mandato de Prefeito de Palmeira dos Índios, Alagoas, em 1929)

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Takachi e o povo

Lá das bandas do PR vem a historinha de Jorge Takachi, japonês simpático, generoso e afável, muito querido. Decidiu ser candidato a prefeito de Nova Esperança. A oposição começou o tiroteio. Takachi é isso, Takachi é aquilo. O candidato não aguentou. E desabafou no palanque:

- Jorge Takachi bom para a cidade, né? Constrói hospital, dá dinheiro para igreja, ajuda pobre, paga feira dos outros. Povo diz: Jorge Takachi muito bom; Jorge Takachi muito querido. Jorge Takachi candidato prefeito, ai povo diz: Jorge Takachi filho da puta. Assim, Jorge Takachi não entende povo.

Risadas gerais na plateia. E comentários entre uns e outros: "Takachi não entende mesmo".

Doação do além

Em coro uníssono, os vereadores em plenário na Câmara de Mossoró defendem campanha para doação de órgãos humanos. Corroborando com os colegas, o vereador Chico da Prefeitura manifesta integral apoio ao movimento, mas lamenta não poder fazer um gesto concreto.

- Sou diabético e sei que nenhum órgão meu serve para nada - admite.

Apesar da auto-análise catastrófica, Chico da Prefeitura reitera sua convicção na solidariedade, mesmo que do além:

- Não faço questão de após a minha morte assinar qualquer termo doando meus órgãos!

(Do Livro Só Rindo 2 - A política do bom humor do palanque aos bastidores - De Carlos Santos)

Cavalo não desce escada

Quem se lembra de Ibrahim Sued, o famoso e impagável colunista social carioca, com seus bordões ? Pois bem, convido leitores e leitoras a seguir um de seus bordões: "olho vivo, que cavalo não desce escada". A cena brasileira merece um olho bem vivo. Tem tramóias, emboscadas, projetos mirabolantes e o tabuleiro do poder nunca esteve tão frequentado.

Tempestades e turbulências

A mobilização da semana passada, em SP, contra a Copa do Mundo acabou em mais um capítulo da crônica de baderna e devastação que se escreve por estas plagas. O que significa? Primeiro, que há e haverá, sempre, grupos que não têm nada a perder e que se dispõem a tumultuar o cenário das ruas. Segundo, que a natureza do ano eleitoral, somada ao calendário esportivo, favorecerá a continuidade dos movimentos. Terceiro, é patente que a organicidade social, no país, atingindo níveis extraordinários, acabará incentivando as pressões de grupos, categorias profissionais e setores organizados. Afinal, o ano eleitoral é propício para encaminhamento público de demandas.

PT, o mais prejudicado

Qual a influência da movimentação sobre a imagem dos atores políticos? Bastante forte. Temos de convir que qualquer movimentação de rua chama a atenção, paralisa o trânsito, incomoda as pessoas e acaba deflagrando impropérios contra os governantes, sejam os da esfera Federal seja os do âmbito estadual. Mas o impacto maior se faz sentir no PT. O Partido dos Trabalhadores tem parcela de sua identidade firmada sobre as bases dos movimentos sociais. Logo, deveria ele ser o partido dos encaminhamentos sociais. Não o é. Perdeu o controle. Gilberto Carvalho, o ministro que tem por atribuição administrar e monitorar o barulho das ruas, acaba de reconhecer esse fato. Chegou a insinuar ingratidão. O PT, portanto, recebe os respingos dessa movimentação. Geraldo Alckmin, idem. Como governador do Estado mais populoso do país, identifica-se com o status quo.

Nuvens sobre a Copa

A partir de maio, as tensões começam a ganhar força. As arenas esportivas passarão pela lupa. Condições gerais dos estádios, o acesso, os meios de mobilidade, a estrutura de serviços - tudo será analisado. O que merecer desaprovação - não há dúvidas - deverá ensejar protestos. Uma questão será, portanto, a condição de cada arena esportiva. E o desempenho do Brasil? Veja abaixo.

O desempenho do Brasil

O desempenho da seleção canarinho na Copa dá margem a especulações: 1. a derrota do Brasil levaria às multidões aos protestos e revolta nas ruas; 2. a vitória brasileira consolidaria a candidatura Dilma, podendo motivar uma vitória logo no primeiro turno. Este consultor coloca as duas hipóteses sob o império das dúvidas. O povo tende a separar o futebol da política. Um urro de raiva contra os cartolas tem direção. Se esse urro se estende aos políticos, todos, sem exceção, poderão ser atingidos. Atribuir ao governismo a culpa pela derrota seria um exagero. Usar a vitória como bandeira de campanha também poderia ser um bumerangue para os candidatos que assim o fizessem.

Punição aos jogadores

Certamente a indignação, em caso de derrota, será mesmo junto aos atletas. E mais, a alguns atletas, não a todos. O paredão abrigará os jogadores com pior desempenho; o pódio, por seu lado, acolherá os melhores. Desse modo, haverá críticas e indignação. E se o Brasil tiver um desempenho médio, o clima tende a não endurecer, como muitos acreditam. A eleição é um evento que pode receber contaminação da Copa, mas em índices muito pequenos. Não se acredita que o bom ou mau desempenho dos jogadores no campo político tenha relação forte e direta com o desempenho dos jogadores na arena esportiva. A conferir.

Pezão com as mãos nas rédeas

Luiz Fernando Pezão, a essa altura, é considerado por muitos como carta fora do baralho. Perderá feio as eleições. Não é o que pensa este consultor. Com as rédeas do governo do RJ, poderá ganhar intensa visibilidade e, na sequência, exibir um perfil de obreiro, trabalhador, pessoa séria e desprovido de vaidades. Sob essa moldura, tem condições de avançar, e muito, nas veredas eleitorais e, até, alcançar o pódio no segundo turno. Claro, teria de desbancar Garotinho, Crivella e César Maia para poder enfrentar o senador petista Lindbergh. É difícil? Sim. É improváve ? Não.

Nova geografia eleitoral

A geografia eleitoral de 2014 será bem diferente da geografia eleitoral de 2010. O governismo encontrará um quadro mutante em alguns Estados. Por exemplo: no AM, os tucanos podem virar o jogo e dar alguns votinhos a Aécio sob a batuta do alcaide tucano Arthur Virgílio, que comanda a capital; no CE, se o senador Eunício não tiver o apoio do PT e fechar aliança com Tasso Jereissati, do PSDB, este para senador, é evidente que Aécio ganhará um ótimo palanque nesse Estado, que deu grande vitória a Dilma em 2010; em PE, por mais que Lula se esforce para repetir o feito do pleito anterior, é evidente que Eduardo Campos fará uma boa maioria no Estado que comanda; na BA, a previsão é de que Dilma não terá uma grande vitória, eis que o candidato do PT, saído do bornal do governador Jaques Wagner, poderá ser derrotado; no RS, a reeleição do governador Tasso Genro, do PT, passará por grandes dificuldades.

PT e o cálice sagrado

O PT mira no cálice sagrado. O cálice é uma miragem. Mas o PT quer porque quer encontrar esse precioso objeto. Porque este cálice o levaria, até 2030, à mais alta montanha do poder. Com ele nas mãos, o PT mudaria a face da política, o sistema econômico, imprimiria uma nova marca social, deixaria seu nome nos livros de história do Brasil como a entidade que, depois de Pedro Álvares Cabral, redescobriu um imenso território para fazer dele a Pátria do socialismo mundial no século XXI. Pois bem, metáforas à parte, o PT se prepara para moldar o projetão 30. Ou, se quiserem, 28 anos. PT no comando do Brasil até 2030. Como assim?

PT, 2030

A ideia é essa: Dilma até 2018; Lula voltando em 2018 para ficar mais 8 anos, até 2026. E, na sequência, um mandato tampão até 2030, quando se encerraria o ciclo petista. Nesse ínterim, o maior conjunto de mudanças na política, na economia, nas relações trabalhistas, nos tributos e na previdência. E o lastro? Grana, muita grana. É o que não faltaria. Miragem ou não, o fato é que esse mirabolante projeto começa a frequentar as conversas de próceres petistas. Como dizia Ibrahim Sued, "em sociedade tudo se sabe".

PMDB, 1986

Em quem o PT parece se inspirar? No PMDB de 1986. Naquele ano, as eleições ocorreram em 15 de novembro, sob o voto de 70 milhões de brasileiros. O PMDB fez 22 governadores, perdendo apenas em SE para Antônio Carlos Valadares, do então PFL. Fez maioria dos 49 senadores; elegeu 487 deputados Federais e 953 deputados estaduais. Com essa base, elegeu, no pleito seguinte, o maior número de prefeitos. Até hoje, o partido se beneficia da vitória esmagadora.

PMDB, Federação; PT, religião

Em sua trajetória, o PMDB se tornou uma Confederação de partidos. Cada unidade estadual tem seus comandantes e suas posições. O partido é o mais repartido do país. Mas se une na hora das urgências. Usa a divisão como soma, na medida em que faz parcerias com quase todos os grandes e médios partidos. Já o PT é uma religião. Seus participantes até pagam dízimo. É uma entidade vertical. E comandos bem definidos. Ordem dada é ordem cumprida. Com essa armadura, o PT quer buscar a hegemonia. Custe o que custar.

O valor da pontuação

Um homem rico, sentindo-se morrer, pediu papel e pena, e escreveu:

"Deixo os meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres". Não teve tempo de pontuar - e morreu. A quem deixava ele a fortuna que tinha? Eram quatro os concorrentes. Chegou o sobrinho e fez estas pontuações numa cópia do bilhete: "Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". A irmã do morto chegou em seguida, com outra cópia do escrito; e pontuou-o deste modo: "Deixo os meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". Surgiu o alfaiate que, pedindo cópia do original, fez estas pontuações: "Deixo os meus bens à minha irmã? Não ! A meu sobrinho ? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres". O juiz estudava o caso, quando chegaram os pobres da cidade; e um deles, mais sabido, tomando outra cópia, pontuou-a assim: "Deixo os meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!"

(Extraído do Leia Comigo, livro do amigo Luís Costa)

Conselho aos parlamentares

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos governantes. Hoje, dedica sua atenção aos parlamentares:

1. O recesso chega ao fim e a retomada das atividades parlamentares, nesse ano eleitoral, requer mais esforço, mais engajamento, mais atenção às pautas e agendas. O ano será mais curto e, nem por isso, Vossas Excelências podem justificar menos trabalho.

2. Por isso mesmo, urge selecionar temáticas importantes e que correspondam ao clima e às aspirações da sociedade. Todo esforço deve ser empreendido para evitar paralisações, bloqueios, prolongamento de discussões infrutíferas.

3. A Nação espera que cada parlamentar cumpra o seu dever. Temos um eleitor mais racional, mais crítico, mais atento e bem mais disposto a participar do processo político. Que tem no voto uma arma letal.

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(Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a Coluna com duas historinhas, uma de ontem, a doidice desse velho mundo, e outra de anteontem, o ladrão de galinhas.

Que mundo doido...!

- Esse velho mundo ta cada vez mais doido.

Era a queixa de Maneco Faustino, nas ruas de Limoeiro, no Ceará. E arrematava:

- Veja vosmicê : ta se vendo estrela de mei dia ; já hai galinha nascendo com chifre ; cangaceiro dando esmola na igreja ; já vi bode dando leite e, agora, deu pra chuver no Ceará em agosto. Querem ver mais : muié sentando em cadeira de barbeiro e home entrando em banheiro de muié.

Pedro Malagueta confirmava, balançando a cabeça:

- Tá mesmo tudo virado, cumpade. O mundo endoidou. Tenho três fias, duas casadas e uma sorteira; as duas casadas nunca tiveram menino ; mas a solteira todos os ano me dá um neto.

O ladrão de galinhas

Historinha conhecida merece um repeteco.

Certa vez, um ladrão pulou o muro da casa de Rui Barbosa para roubar uma galinha. No alvoroço, o grande tribuno acordou do profundo sono, e se dirigiu ao galinheiro. Lá chegando, viu o ladrão já com uma de suas galinhas, e passou o carão:

- Não o interpelo pelos bicos de bípedes palmípedes, nem pelo valor intrínseco dos retrocitados galináceos, mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se foi por mera ignorância, perdôo-te, mas se foi para abusar da minha alta prosopopéia, juro pelos tacões metabólicos dos meus calçados que dar-te-ei tamanha bordoada no alto da tua sinagoga que transformarei sua massa encefálica em cinzas cadavéricas.

O ladrão, pasmo e sem entender patavina, tascou:

-Cumé, doutor, posso levar ou não a galinha?

Lula arruma a cara

O ex-presidente Lula será mais que caixeiro viajante na empreitada eleitoral deste ano. Correrá Estados no esforço para desfraldar a bandeira petista pelos grandes e médios centros. Ele sabe que este 2014 será o teste de fogo do PT. A primeira providência foi tomada: deixar a barba crescer. Desenha a velha e conhecida estética lulista. A voz já está no prumo. Com esse aparato, não apenas pretende reeleger a pupila, a presidente Dilma, mas fazer o maior número de governadores, o maior número de deputados federais, expandir a bancada de senadores e de deputados estaduais. Alvo: vida longa ao projeto petista de poder, uma inserção até 2022. Quem sabe, até mais. Para tanto, precisa fazer o que o PMDB fez em 1986: esticou os braços por todo o país, construindo a maior máquina partidária para atravessar décadas.

Palíndromo I

Palavra ou frases que se podem ler nos dois sentidos, da direita para a esquerda e da esquerda para a direita. A coluna de hoje será puxada por palíndromos.

- Anotaram a data da maratona

O alvo principal

Pela primeira vez, o PT disputará, em condições competitivas, os governos dos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em São Paulo, a meta é viabilizar o nome do ministro Alexandre Padilha, a partir de seu índice histórico de 30% de eleitorado no Estado. Vai lutar com unhas e dentes para jogar Padilha no segundo turno. Contará com a máquina da prefeitura de SP, os prefeitos do PT, o poder de mando ($$$$$) do governo federal e o comando de Lula. Fernando Haddad, mal avaliado, poderá prejudicar? Em termos, mas o eleitor petista é engajado.

Palíndromo II

- Assim a aia ia a missa

Polarização?

É possível que a velha polarização entre petistas e tucanos prevaleça. Mas parcela considerável do eleitorado está saturada da querela histórica. E tende a rejeitar os nomes tradicionais. Alckmin conserva boa imagem no interior do Estado. Na capital, sua imagem não é tão forte. O PSDB sofre, ainda, do fenômeno da corrosão de material. Sob essa moldura, um perfil com traços de renovação teria condições de avançar, quebrando a polarização. Paulo Skaf, presidente da FIESP, entra no figurino. Já exibe, a essa altura, 20% das intenções de voto dos paulistas. É determinado, expressa atitudes corajosas, liderou campanhas vitoriosas - CPMF, barateamento da energia, IPTU menor e mais justo.

Palíndromo III

- A diva em Argel alegra-me a vida

MG, incógnita

Fernando Pimentel é perfil bastante conhecido em Minas. Sua imagem é de petista suave, sem os traços radicais que carimbam figuras clássicas do PT. Ex-prefeito de Belo Horizonte, fez boa administração. Dialoga com as correntes políticas do Estado. Dessa feita, sua luta é contra os tucanos mineiros, liderados por Aécio Neves, candidato à presidente da República, e pelo governador Antônio Anastasia. Derrubar a gaiola dos tucanos, depois de longo ciclo de mando, não será fácil. Minas abriga o maior número de municípios do país e o segundo maior colégio eleitoral. A candidatura de Aécio, muito simbólica aos mineiros, que se sentem relegados a segundo plano, depois de terem perdido o presidente Tancredo, poderá dar a seu neto grande votação. Maneira dos mineiros resgatarem o poder perdido. Esse é o pano de fundo sob o qual será disputado o pleito. Apagar esse cenário será um desafio ao PT. O candidato tucano terá charme para dar continuidade à era Aécio-Anastasia? Seu nome: Pimenta da Veiga. É conhecido. Não significa, porém, um voo ao passado?

Palíndromo IV

- A droga da gorda

Lacerda

E como se comportará o PSB, do prefeito de BH, Márcio Lacerda? Que terá Eduardo Campos, o comandante do partido, candidato à presidente da República? Com quem o PSB fechará posição em Minas?

Palíndromo V

- A mala nada na lama

O terceiro vulcão

O terceiro vulcão da campanha será o Rio de Janeiro. Lindbergh Farias, o senador petista, espera entrar no segundo turno. Pezão, o vice-governador, candidato do PMDB e da máquina, oscila entre 10% a 12% de intenção de voto. O deputado Garotinho, do PR, lidera o início de corrida. César Maia, do DEM, passará dos 10%. Ou apenas quer garantir visibilidade ? O senador Marcelo Crivella, do PRB, prepara-se para entrar no páreo. A incógnita toma corpo entre os cariocas. Mas a tendência é que os candidatos das máquinas cresçam. Por disporem de mais tempo de mídia eleitoral e mais recursos. É plausível prever um segundo turno entre PMDB e PT. Os candidatos evangélicos, Garotinho e Crivella, teriam condições competitivas ? Difícil. Lindbergh tem um histórico de problemas. E processos no entorno. Mas, caso entre no segundo turno, pode ganhar o apoio de outros candidatos. Será uma campanha tão árdua quanto a que se verá em SP e MG.

Palíndromo VI

- A torre da derrota

E Marina, hein?

Marina era a grande estrela a brilhar na constelação do PSB de Eduardo Campos. A estrela não brilha quanto se esperava. Parece mais uma guerreira a fustigar (e a afastar) aliados do governador pernambucano.

Palíndromo VII

- Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na moda da Romana anil e cor azul

Chances de Campos

Hoje, as chances de Eduardo Campos são pequenas. Tentar furar o bloqueio dos três maiores colégios eleitorais do país é tarefa que exige um conjunto de condições: parcerias locais, recursos, tempo de rádio e TV, ajuda de máquinas administrativas, agenda intensa nesses espaços. Por onde Eduardo Campos vai começar?

Palíndromo VIII

- O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro

O exercício da função

Os candidatos a cargos majoritários em comandos de estruturas - governadores de Estado, presidente da República, ministros - dispõem de condições mais favoráveis que candidatos sem máquinas administrativas. Ganham visibilidade na esteira de uma agenda locupletada de eventos : viagens, inspeções, inaugurações, articulação política, mobilização de massas. Estão praticamente todos os dias na mídia. Por isso, não podem se queixar de pessoas que, na esfera de suas entidades, ganham visibilidade e se habilitam a ingressar na política. No fundo, estão na mídia em razão do exercício de suas funções.

Palíndromo IX

- Saíram o tio e oito Marias

Tapetão, uma vergonha

Por essa razão, não se compreende a tentativa de tucanos e de um ou outro partido nanico de entrar com ação contra Paulo Skaf, do PMDB, pelo fato de aparecer em anúncios publicitários do Sesi e do SENAI. Ora, o presidente da FIESP usa o direito que tem, coerente com o exercício do cargo. Acaba de ganhar uma luta que beneficia milhões de paulistanos: o reajuste do IPTU paulistano à base do índice da inflação. Trata-se de uma campanha de relevo social. O sucesso de um empreendimento desse vulto carece de mobilização. E conhecimento da sociedade. Assim como foram as lutas contra a CPMF e o custo menor da energia, também lideradas por Skaf. A tentativa do tucanato de entrar com recurso para inviabilizar, mais adiante, sua candidatura significa temor de que o presidente da FIESP possa romper a polarização PT x PSDB. Hipótese a ser levada em alta conta.

Palíndromo X

- Zé de Lima rua Laura mil e dez

Discórdia ministerial

A reforma ministerial é o pomo da discórdia. Por mais que a presidente tente acolher as demandas de sua base partidária, a insatisfação se expande. Os 39 ministérios serão devidamente distribuídos, cabendo ao PT, claro, a parte do leão : 25 Pastas. O PMDB começa a enxergar que, ao invés de aumentar seu espaço na Esplanada dos Ministérios, poderá, até, ver diminuída sua fatia. Dilma e Lula teriam combinado oferecer ao PMDB, em compensação à perda de Ministérios que o partido reivindica (Integração, Cidades, por exemplo), palanque a seus candidatos em alguns Estados. Quer dizer, Dilma iria prestigiar candidatos petistas e, em outra oportunidade, poderia subir ao palanque de peemedebistas. Se for essa a proposta, a indignação subirá a montanha. Os ânimos estão acirrados. Lula, Dilma e o PT não acreditam que o PMDB parta para retaliação. Mas o partido sabe muito bem guardar a raiva no congelador. Para servi-la em futuros coquetéis.

Palíndromo XI

- O lobo ama o bolo

Tucanos e aliados de Dilma

Os tucanos tendem a fazer alianças com aliados do governo Dilma nos seguintes Estados : Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.

Palíndromo XII

- A cara rajada da jararaca

A partilha

Pelo que se observa, a partilha ministerial terá a seguinte composição : 25 ministérios para o PT ; 5 para o PMDB ; 1 para o PR ; 1 para o PP ; 1 para o PROS ; 1 para o PTB ; 2 para o PSD ; 1 para o PDT ; 1 para o PC do B e 1 para o PRB.

Palíndromo XIII

- Rir, o breve verbo rir

Conselho aos governantes

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos jovens. Hoje, volta sua atenção aos governantes e representantes :

1. Urge interpretar a quadra social que o país vivencia. As movimentações sociais, a partir dos rolezinhos dos jovens, querem significar, a par do lazer e diversão, esforço para participação mais intensa e engajada no processo decisório nacional. E expressar demandas de grupos e setores.

2. Os rolezinhos não devem ser tratados como eventos de natureza policial, mas como fenômeno social/cultural.

3. O bom senso se faz necessário, antes que os movimentos assumam posicionamentos que transbordem os limites e objetivos ao que, preliminarmente, se propõem.

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(Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a Coluna com duas historinhas de Carlos Santos, pinçadas de seu "Só Rindo 2".

Pedras no português

Médico e candidato a prefeito de Pau dos Ferros, Etelânio Vieira retorna de outra movimentação de campanha. Ao seu lado, o vereador "Assis Bigodão".

No interior do carro em que ambos estão, Assis desabafa fuzilando de morte o português:

- Jogaram uma pedra "neu"...(sic).

Com elegância, quase inaudível para não expor o vereador a embaraços, Etelânio sopra o que seria a expressão correta:

- "Neu" não, Assis; "em mim"!

Olhar de espanto, o vereador complementa o assassinato da língua de Fernando Pessoa, Camões e Eça de Queirós:

- Sim...Jogaram no senhor também, doutor!

Que coisa!

O candidato retardado

Palanque armado no bairro Pereiros, o comerciante "Chico do Peixe" chega com considerável atraso, ávido por discursar na condição de candidato a vereador em 1996, no município de Mossoró. Favorecido pela escassez de oradores no comício do candidato governista, engenheiro Valtércio Silveira, apoiado pelo prefeito Dix-huit Rosado, Chico é alertado de que também terá direito a discursar. Ufa! Ele já pensava que não teria vez. Abrindo a oratória, Chico do Peixe tenta justificar sua ausência até então, mas mistura semântica com psiquiatria:

- Olha, meus amigos, eu estou chegando "retardado"...

Previsões para o ano

Há analistas pessimistas, otimistas e realistas. Distinguir uns de outros não é tarefa fácil. Alguns apontam para a recuperação da economia americana e impactos sobre o Brasil. Outros procuram mostrar que a engenharia da "catástrofe perfeita" começa a ser desenhada. Entre uns e outros, os realistas se impõem. A tempestade perfeita ocorreria no cenário de reversão da política monetária, fortemente expansionista, empreendida pelo FED, o banco central americano. O nosso guru, Delfim Netto, diz que se a oferta de moeda estrangeira escassear, o câmbio interno poderia passar por turbulências. Como pano de fundo, rebaixamento da qualidade da dívida brasileira. Mas o próprio Delfim acredita que as chances da tempestade estão sendo afastadas.

Economia de 2% do PIB

Delfim argumenta: basta que a presidente Dilma assuma o compromisso firme de que o governo fará uma economia de 2% do PIB (cerca de R$ 96 bilhões) por ano, destinada a amortizar a dívida (superávit primário), para que a política econômica comece a passar firmeza e, nessas condições, a tempestade seria enfrentada sem avarias de monta para o navio. Nesse caso, teria de basear-se em cálculo transparente das contas públicas, sem os truques contábeis inventados em 2012 pelo secretário do Tesouro, Arno Augustin, que vem denunciando a existência de ataques especulativos contra as finanças do governo.

Leos: garantindo grau de investimento

O economista Mauro Leos, vice-presidente da Moody's, uma das maiores agências internacionais de classificação de risco, garante que se a situação macroeconômica do Brasil, em 2014, for idêntica à do ano passado, a nota do país continuará sendo a de grau de investimento. Com ele, a palavra: "o cenário que prevemos não deverá ser muito diferente de 2013, quando a economia cresceu em torno de 2%. Neste ano, deverá ficar no mesmo patamar. No caso da dívida pública, que ultrapassou 60% do PIB em 2013, deverá acontecer algo parecido. Se esse cenário se confirmar, não precisaremos mudar a classificação de risco do Brasil no curto prazo. Acreditamos que ela é consistente com a nota do país, hoje, de grau de investimento com perspectiva estável".

Dilma, franco favorita

Pois bem, mantida essa situação, este analista acredita que a presidente Dilma Rousseff continua na posição de franco favorita do pleito de outubro. Uma catástrofe - inflação alta, desemprego em massa, tumulto na distribuição do Bolsa Família, descalabro na saúde e segurança pública - aumentaria, consideravelmente, as chances de um candidato das oposições. A candidata governista, convenhamos, conta com gigantesca máquina - as estruturas administrativas de ministérios e agências governamentais, milhares de cabos eleitorais postados em áreas-chave. Pode ser que o clima do ano chegue a conturbar o processo eleitoral. Manifestações por ocasião da Copa, mobilizações nas margens eleitorais, movimentos paredistas de setores e categorias profissionais etc. Teriam força para mudar a paisagem eleitoral? Essa é a pergunta que fica no ar.

Dor de cabeça

A dor de cabeça que afligirá a candidata à reeleição pode, também, prejudicar o rumo de sua campanha. Trata-se do imbróglio da reforma ministerial. Sairão alguns ministros para disputar a eleição. Os partidos começam a guerrear por melhores postos na administração, a partir do PMDB, o maior partido aliado. Será impossível chegar ao consenso. No Rio, as posições tendem a ser irreconciliáveis, a partir da férrea determinação do PMDB e do PT de manter as candidaturas do vice-governador, Pezão, e do senador petista Lindenberg. O vice-presidente Michel Temer, com sua conhecida habilidade para negociar, continua a tentar um acordo. O que pode ocorrer é um palanque duplo para Dilma, no Rio de Janeiro. E uma parceria estremecida.

Rolezinhos

Os "rolezinhos" começam a se multiplicar pelas praças do território. Aglomerados de jovens, sob o convite das redes, adentram os shoppings centers, para uma zoeira, um encontro animado, sob manifestações e palavras-chave de uma turba que quer se divertir. Os "rolezinhos", como estão sendo chamados, podem se transformar no hit das próximas estações, principalmente se o Estado não souber administrar as ondas. Proibir a entrada de jovens em um shopping center, levando em conta seu modo de vestir, é um ato discriminatório. Permitir a bagunça generalizada em um ambiente privado também é inconveniente. O Estado é transportado ao espaço entre a cruz e a caldeirinha.

Significado

Os "rolezinhos" são como a água corrente de um rio, que esbarra em pedras e obstáculos, até encontrar o oceano. A água se infiltra entre as pedras, procurando desvios, ladeando barreiras, adentrando os estreitos espaços entre rochas. Procuram dar vazão a seus volumes. A falta de espaços urbanos para o lazer, a compressão das grandes cidades, o estrangulamento das vias e praças públicas - eis o leit motiv dos "rolezinhos". Essa movimentação quer dar vazão à expressão de jovens contidos em suas vontades, anseios, expectativas e demandas.

O marketing eleitoral

Estamos quase entrando no "império dos signos". Refiro-me à campanha eleitoral. Urge lembrar aos candidatos. A esperteza, o vale-tudo, a dramatização, os recursos artificiais e a insinceridade deverão ser anotadas por um eleitor mais sabido, crítico e racional. A "feitiçaria" da publicização eleitoral não será capaz de enganar a massa eleitoral. Gato não mais será vendido como lebre. Se o Príncipe não pode dispensar a astúcia da raposa e a força do leão, devendo trapacear e matar, de acordo com os preceitos de Maquiavel, o súdito não vai deixar ser pego por eles. O eleitor saberá medir versões, interpretações e propostas. "Nenhum homem, por maior esforço que faça, pode acrescentar um palmo à sua altura e alterar o pequeno modelo que é o corpo humano". É o que diz a Sagrada Escritura.

Candidato não é sabonete

Candidato não pode ser tratado como sabonete. Tem identidade, alma, tem emoção. Para chegar ao fim do caminho, passará por cinco grandes fases. A primeira é a do lançamento, quando seu nome começa a ser apresentado ao eleitorado. A segunda é a do discurso, quando fará propostas condizentes com as demandas sociais. Contará com a ajuda de mapeamentos e pesquisas qualitativas e quantitativas. Usará uma ampla e densa bateria de comunicação para dar conhecimento de suas ideias, os chamados canais publicitários e jornalísticos. Deverá formar uma sólida rede de articulação com a sociedade organizada, a partir de entidades de credibilidade e respeito, a partir de convocação e parceria com os setores políticos (partidos e lideranças). E fechará seu marketing com os esquemas de mobilização, onde deverão ocorrer os eventos de contato com as massas.

O eleitor de 2014

Uma pequena lição de Zaratustra para compreender melhor o eleitor de outubro próximo: "novos caminhos, sigo; uma nova fala me empolga: cansei-me das velhas línguas. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas".

Debates

Este consultor sugere um amplo e contínuo programa de debates entre os candidatos. Como faz a TV americana. Escolhem-se três a quatro temas e, sobre eles, cada candidato fará a sua análise e propostas. O eleitor ganhará ao poder comparar a viabilidade de cada proposta e a maneira de implementação das ideias. Sem agressões.

Herói

O Brasil está à procura de um Herói. Quem se habilita? Atenção aos candidatos: cuidado com as pedradas.

Grande dúvida

Guido Mantega resistirá? Continuará firme e forte no Governo Dilma? E o Arno Agustín, Secretário do Tesouro, idem?

Papel tem pernas?

E a seguinte historinha (real) dos papéis que andam entre as instantes dos prédios públicos não passaria de folclore. O cidadão chega à repartição e pede para ver seu processo. Ouve do atendente: "ah, tem muitos outros na frente. Vai demorar um tempão até ser despachado. Papel, doutor, não tem pernas". Agastado, o interlocutor reage: "e quanto o senhor quer para por dois pés nesse papel?" Tiro e queda. A nota de 100 fez o papel correr rapidinho.

Conselho aos jovens

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos maniqueístas que se multiplicam no país. Hoje, dirige-se aos jovens :

1. Compreende-se a onda jovem que irrompe nos espaços privados para fazer valer sua expressão e necessidades lúdicas. A falta de espaços públicos para as manifestações da juventude explica, em parte, a multiplicação de ondas de mobilização juvenil.

2. Convém, no entanto, não se deixar levar por oportunistas e aproveitadores, que procuram disseminar um poderio destrutivo, voltado para a depredação dos ambientes.

3. Cuidado para não servirem de massa de manobra a grupos e setores interessados em desestabilizar os climas ambientais.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

OBSERVATÓRIO

A certa altura do seu segundo mandato, com a imagem consolidada de grande tocador de obras, Paulo Nazareno resolveu lançar uma cartilha apresentando suas centenas de realizações. Um dos lançamentos dessa revista ocorreu na sede do distrito de Santo Antonio dos Azevedos. Para lá acorreram várias lideranças. Era uma ensolarada manhã de domingo e o povo da região lotou as dependências do Grupo Escolar, onde ocorreu a solenidade. Um dos oradores foi o então vereador Francisco Pinto da Silva, o Pinto, que costumava fazer uma impostação de voz similar à do deputado Antonio dos Santos. Convidado a fazer uso da palavra, Pinto assumiu uma postura altiva, inflamou a voz, segurou com firmeza o microfone e disparou: “Povo de Santo Antonio, vocês estão recebendo hoje uma cartilha apresentando as obras do nosso Prefeito Paulo Nazareno. Nunca vi um Prefeito realizar tanta obra. É obra prá todo lado, é obra prá todo canto. É obra demais, minha gente. Ô Prefeito prá obrar esse Paulo Nazareno”.

A RENÚNCIA

Confirmado! Carlos Felipe, alcaide crateuense, vai renunciar na última semana de janeiro. Disputará uma cadeira de Deputado Estadual. Na cabeça do atual Prefeito de Crateús só há um nome que pode representar o município de Crateús na Assembleia Legislativa: Carlos Felipe. Seu mote de campanha se resume às obras que realizou como Prefeito da terra do Senhor do Bonfim.

‘OBRISMO’

Volta e meia, o ‘obrismo’ toma conta do debate político. É um tema antigo e recorrente na política brasileira. Desde o tempo do “rouba, mas faz” que se procura incutir na cabeça da população a ideia de que um bom governo se mede pelo índice de obras. Recentemente, o governador Cid Gomes reacendeu essa chama ao lançar um desafio ao ex-governador Tasso sobre o legado de obras de cada um. Debate à parte, o certo é que um grande homem público não se mede somente pelos quilos de concreto armado que exibe. Vai além disso. A dimensão de um líder se aufere por um conjunto de atributos, dentre eles a estatura moral, a lista de princípios, a correção das ações, a visão de mundo. Líder é o que arrebata os liderados pelo exemplo. É um farol que ilumina pela autoridade pessoal, pela imantação sedutora, pelo respeito natural.

A RENÚNCIA II

A renúncia de Carlos Felipe suscita algumas constatações e ponderações. A primeira é sua opção pela política profissional, seguindo carreira na atividade. A segunda é que não deixa de ser um ato de coragem. Apesar de todas as garantias que obteve – fechou com o deputado federal Guimarães o apoio em outros colégios – pairam dúvidas sobre sua eleição. Pode tirar uma grande votação em Crateús e minguar em outros municípios. O seu partido, PCdoB, encerrou a lua de mel com o governo estadual desde a última eleição municipal, quando fincou pé na candidatura de Inácio Arruda no primeiro turno. Tanto é que perdeu a principal posição que detinha na máquina estadual: a Secretaria de Saúde. Por outra, o Olimpo Estadual priorizará na região dois outros nomes: Jeová Mota e Nenen Coelho.

A RENÚNCIA III

Porém, a oposição não pode subestimar Carlos Felipe. Ele não é um bobo e demonstra que já aprendeu todos os trejeitos de esperteza dos velhos políticos. Quando se faz de desentendido exerce, na verdade, uma arte na qual se tornou mestre, a arte da dissimulação. Na campanha passada, quando seu concorrente Ivan Claudino o desafiou a assinar um documento se comprometendo a exercer o mandato de Prefeito integralmente e não abandonar a Prefeitura para ser candidato a Deputado em 2014, ele simplesmente fez ouvido de mercador. Seu pensamento era outro. Como outro era seu intento quando foi à residência do Conselheiro Manoel Veras convidá-lo para ser candidato a Deputado Estadual e prometeu apoio.

IVAN

Por falar em Ivan, ele hoje está inspecionando pessoalmente as obras do DNOCS nos sertões de Crateús. E o faz na condição de diretor geral do órgão, visto que está respondendo pelas férias do titular. Dezenas de obras hídricas estão sendo executadas em municípios da região. Duas empresas foram contratadas: uma de Pernambuco, para os chafarizes e outra do Maranhão, para os pequenos abastecimentos d’água, além da máquina do próprio DNOCS, que perfurará dezenas de poços.

CURTAS...

...comenta-se que Hermínio Rezende poderá surpreender e ser candidato a Deputado Federal.

...a obra do novo Fórum de Crateús contou com o empenho de magistrados ligados à terrinha, como os desembargadores Emanuel Leite Albuquerque e João Byron Frota. Este último está agora cumprindo aquilo que o famoso orador romano Cícero chamava de “otium cum dignitate” (ócio com dignidade), ou seja, a ocupação do tempo com o exercício de atividades nobres.

...Amanhã, quarta-feira, a Academia de Letras de Crateús e a Prefeitura Municipal realizam solenidade comemorativa dos 88 anos da passagem da Coluna Prestes em Crateús. Programação tem início às 16hs00min com visita aos locais que marcaram a passagem da Coluna Prestes em Crateús e conclui à noite, com exibição do filme ‘A história de Luiz Carlos Prestes’, apresentação da Banda de Música Expedito Paiva e palavra de intelectuais sobre a Coluna Prestes.

PARA REFLETIR

“A Coluna Prestes superou a marcha de Mao Tse-Tung, em número de quilômetros e em sacrifícios. É a maior marcha da Idade Moderna, e um símbolo de valores como ética e justiça. E Crateús é uma referência da passagem da Coluna pelo Ceará”. (Padre Geraldo Oliveira Lima)

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

OS POEMAS TELÚRICOS DE DIDEUS


Dideus Sales celebra 16 publicações livrescas. Já virou rotina lançamento de livro dele. Porém, a retina da rotina não há que ter necessariamente um veio pejorativo. Pois, tudo é rotina. Em defesa da repetição, Gerardo Mello Mourão proclamou que “só há uma forma boa de gerar um ser novo no ventre de uma fêmea: repetir o ato imemorial de Adão em cima de Eva, com um movimento entre a cintura e as ancas. O resto é inseminação artificial. A repetição gera o novo.”

Nesses últimos tempos tenho me interrogado a respeito da aura que circunda a poesia. O que vem a ser esse cantante, encantado e encantador fenômeno? Parece-me que Poesia é tudo aquilo que nos torna essencialmente mais humanos, nos aprofunda no humanismo ao ponto de nos aproximar do divino. A poesia é a divinização do humano. Nessa esteira, o primeiro e maior poeta é Deus, que com seu sopro mágico desenhou o universo, a magnitude da natureza, a comunidade dos seres vivos. Nessa trilha, todos somos ou podemos ser poetas. Os que desenvolvem a arte de concatenar os fonemas musicais, as obras arquitetônicas das estrofes arrebatadoras nada mais são do que sonoros instrumentos que o Poeta original distinguiu com a missão de apontar, como guias abençoados, as trilhas de Orfeu. Por isso que o amazônico Thiago de Mello proclamou: Não somos melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa.

O mundo inteiro, esta semana, está reverenciando um poeta que se fez líder global, herói maiúsculo, libertador singular, gênio da paz: Nelson Mandela!

O Dragão do Mar Africano, sem escrever poesias, foi um poeta militante, que na solidão da masmorra, na escuridão do cárcere, repetia um mantra: Não importa quão estreito o portão/ Quão repleta de castigo a sentença,/ Eu sou o senhor de meu destino/ Eu sou o capitão de minha alma.

Mandela carregava na sua jangada existencial a lanterna da poesia. Senhor do destino, capitão da alma, general do coração e soldado da consciência, colonizou projetos pessoais e grupais e delineou um projeto de sociedade em que os seres não estavam apartados pela cor da pele, em que um governante não precisava demonizar o passado, em que os homens pudessem compartilhar civilizadamente o mesmo espaço social.

Quando dispunha do pescoço dos algozes e dele esperaram as correntes da vingança, estendeu a cadeira da reconciliação e ofereceu o banquete da paz. Quando lhe franquearam a continuidade no poder, lançou o manifesto do desapego. Era um homem superior, sintonizado com a melodia celeste. Como político, atuou não em função de uma parte ou de um partido, mas com uma invulgar compreensão de totalidade.

Era um homem, do ponto de vista ético, da melhor estatura, com visão de Estado. Um verdadeiro estadista. Poeta é, pois, todo aquele que se dispõe a romper os grilhões dos formalismos estéreis, das convenções descabidas, dos debates inúteis, do cotidiano infrutífero, da pusilanimidade dominante.

Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranqüilo das águas profundas do oceano da vida. Dideus merece ser festejado porque é um desses desassombrados padeiros da massa poética.

Mello Mourão dizia que o poeta tem que ser assim: essencialmente poeta. De resto, tinha razão Rilke: cantar é ser. Às vezes somos forçados a fazer outras coisas na vida. Gerardo confessa ter tido a necessidade de exercer atividades as mais díspares na vida, como a política partidária e outras aventuras. Mas considerava tudo isso "adultério" à sua musa permanente, a poesia.

Dideus luta incessantemente para guardar fidelidade à poesia. Comete, vez por outra, alguns adultérios: ora edita uma Revista, ora se embrenha na produção rural, ora se entrega à intimidade de um microfone de rádio.

Todos esses ‘pulos de cerca’ são perdoáveis, porque ele é um incorrigível amante da poesia. E está sempre renovando esse matrimonio sagrado. O livro Poemas Telúricos é um delicado registro cartorial da renovação desses votos de amor. Telúrico vem de terra. Por isso fiz questão de consignar que a lírica desse fraterno filho da argila tem a altivez das carnaúbas, o perfume do mufumbo, a sombra do juazeiro, o desabrochar gratuito das jitiranas, o tempero do manjericão.

Um pequeno relato final. Johann Christian Friedrich Hölderlin, poeta lírico e romancista alemão, certa feita foi instado pela mãe a deixar esse negócio de poesia. (Sua genitora considerava isso um tanto perigoso, além de impedi-lo de viver uma vida normal). Em resposta, ele escreve à mãe: “a poesia é a coisa mais inocente do mundo.” Inocente, em alemão, é "unschuldig", que quer dizer uma coisa não-culpada, isenta de culpa. Em latim, “inocens” significa algo que não prejudica. Nocere é ser nocivo, prejudicar. Inocens é aquilo que não prejudica a ninguém e a nada.

Aprendamos com esse poeta terrestre, telúrico, a lição essencial da poesia: passar por essa vida insuflando a alegria, lançando sementes de sonho no coração dos nossos semelhantes e evitando causar prejuízos às coisas e às pessoas.

(Júnior Bonfim, na apresentação do livro Poemas Telúricos, de Dideus Sales, no Café da Vila, em Aracati, Ceará, aos doze dias de dezembro de dois mil e treze).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a Coluna com historinhas do impagável José Flávio Abelha, em A Mineirice.

Lá vem a relaxada

Idos de 30. Caratinga, em festa, aguarda a inauguração do ramal da estrada de ferro Leopoldina Railway, a EFLR. O pessoal da roça interpretava o LR como "Leopordinha Relaxada". No pátio da estação, gente que não acaba mais. Num canto, dois coronéis, picam o fuminho para o cigarro e conversam.

A máquina apita.

Coronel Antônio Fernandes comenta com o coronel Rafael da Silva Araújo:

- Compadre, estão chegando os donos da cidade.

Coronel Rafael contesta:

- Os donos somos nós.

Não, compadre, retruca o coronel Fernandes, os donos são os que chegam, porque enxergam os nossos defeitos, desconhecem as nossas virtudes e, logo, logo, ficam mandando na cidade. Veio a Revolução de 30 e não ficou um coronel em pé.
Realmente, os donos da cidade haviam chegado pela Leopordinha Relaxada.

Entra "disgraçada"

No meio da algazarra, da emoção inusitada, das palmas e foguetes, a locomotiva quase entrando na gare, inopinadamente salta nos trilhos o coronel Galdêncio. (Nota do escriba : Isso mesmo, com L, diferente do meu que se escreve com U).

Como que desejando enfrentar o cavalo de ferro ele abre o paletó, saca de uma garrucha, dispara dois tiros para o alto e grita em direção do trem de ferro, sob os olhares atônitos dos presentes:

- Entra, disgraçada, qui esta terra é sua ! Entra, fiadaputa, trazedêra de pogréssio.

Abrem-se as cortinas

As cortinas começam a ser abertas. O palco de 2014 verá um dos mais vibrantes espetáculos eleitorais das últimas décadas. O pano de fundo não deixa dúvidas. Estamos vivenciando o fim de um ciclo : a polarização entre PT e PSDB. Não que a arenga deixe de existir. Certamente, em espaços do Sudeste (Minas e São Paulo, principalmente), a polarização deve ser forte. Mas o eleitorado dá sinais de cansaço. Como diria o profeta Zaratustra, "novos caminhos sigo, uma nova fala me empolga. Cansei-me das velhas línguas. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas." Sinais de mudar o tom da orquestra se ouvem de muitos lados.

Axioma 1

(Conselhinhos importantes em ano eleitoral)

"Ajuste seu fim a seus meios" (É loucura querer abocanhar mais do que se pode mastigar). B.H. Liddell Hart em As Grandes Guerras da História.

Basta de maniqueísmo

Não é mais possível vivermos num ambiente dividido entre o Bem e o Mal. O que é bom para uns é ruim para outros. O paraíso do PSDB é, para o PT, um inferno. E vice-versa. O céu petista é cheio de demônios queimando em brasa, segundo os tucanos. Ora, deixemos esse maniqueísmo de lado. Desde os tempos em que o PT cunhou o slogan "nunca antes na história deste país", um fosso profundo separa os dois territórios. Mas o Brasil é um só. Urge reconhecer vitórias de tucanos e petistas, avanços que os dois partidos conquistaram. Ninguém agüenta mais essa lorota : sendo PT, tudo é bom ; feito por tucanos, o empreendimento é magnífico. Ambos têm erros e acertos.

Axioma 2

"Conserve seu objeto sempre em mente quando tiver que adaptar seu plano à situação." (Há mais de um caminho para atingir seu objetivo). B.H. Liddell Hart.

Economia em baixa?

Este consultor tem repetido o mantra : economia nos trinques, Dilma subirá, mais uma vez, ao pódio. Economia no despenhadeiro, Dilma ameaça cair na lona. Nas últimas semanas, os analistas financeiros reacenderam suas previsões : PIB abaixo da meta (2,5%), inflação estourando a meta (6%), retração no consumo, empregabilidade sob risco. Apesar de todo esse cenário preocupante, é oportuno lembrar que o governo fará de tudo a seu alcance para empurrar a catástrofe de barriga, fazendo com que a conta a pagar entre no calendário de 2015. Por isso, este analista acredita que Dilma continua sendo a favorita no processo.

Axioma 3

"Escolha a linha ou o curso de ação de menor expectativa" (Procure se colocar no lugar do adversário e verificar qual a linha de ação menos provável a ser prevista). Liddell Hart.

O decisivo Triângulo das Bermudas

Tudo vai depender do desempenho eleitoral do Triângulo das Bermudas. Aécio conta com uma maioria de 4 milhões de votos em Minas. Será que seu candidato, possivelmente Pimenta da Veiga, terá o apoio do PSB, do prefeito Márcio Lacerda ? Será que Alckmin conseguirá transferir para Aécio seus votos tucanos ? Há, ainda, o Rio. O PMDB do Rio de Janeiro, insatisfeito com a candidatura do senador petista, Lindenberg Faria, subirá no palanque de Dilma ? Ou um zangadão Pezão fará campanha contrária ? Ele é amigo da presidente, mas não se conformará com a decisão do PT de lançar um candidato próprio ao governo.

Axioma 4

"Explore a direção de menor resistência" (Desde que possa conduzir ao objetivo que contribua para a consecução de sua meta básica). Liddell Hart

PA, GO E NE

As contas tucanas prevêem, ainda, um bom desempenho do PSDB no Paraná e em Goiás. Os tucanos, ademais, acreditam que a candidatura de Eduardo Campos tirará muitos votos de Dilma no Nordeste. Os mais de 10 milhões de votos que a presidente ganhou no Nordeste serão rateados com o candidato do PSB. Mas Lula promete fincar pé na campanha nordestina, a partir de sua forte participação em Pernambuco, seu estado Natal.

Axioma 5

"Opere em uma direção que ofereça objetivos alternativos" (Coloque o adversário nas alternativas de um dilema). Liddell Hart

Tom maior e tom menor

Pois é, o desempenho eleitoral dos partidos nos Estados será o tom menor do pleito, porque o tom maior continuará a ser dado pela economia. Por isso tudo, qualquer projeção sobre votos regionais ficará sujeito às intempéries do macro-clima ambiental, ou seja, o desempenho econômico, na esteira da equação que sempre apresento: BO+BA+CO+CA= Bolso Cheio, Barriga Satisfeita, Coração Agradecido, Cabeça Decidindo dar o voto a quem arrumou o jogo.

Axioma 6

"Cuide para que seu plano e seus recursos sejam flexíveis e adaptáveis à situação" (Preveja a manobra a ser realizada em caso de êxito, fracasso ou êxito parcial). Liddell Hart.

Serra?

Para onde irá José Serra? Para a Câmara Federal? Para o Senado? Vale um picolé de graviola quem acertar a rota serrista.

Axioma 7

"Não exerça um esforço enquanto o adversário estiver em guarda" (Não se deve lançar um ataque quando o inimigo está muito organizado). Liddell Hart

Ciro?

Para onde irá Ciro Gomes, atual secretário da Saúde do Ceará? Para um Ministério do governo Dilma? Para a equipe de campanha da presidente? Ou continuará com trombeteiro-mor das forças governistas?

Axioma 8

"Não renove um ataque na direção em que fracassou uma vez" (O fracasso do ataque pode ter levantado o moral do inimigo). Liddell Hart

Eduardo e Marina

Marina começa a dar dores de cabeça no governador Eduardo Campos. Seu pacote de exigências extrapola o tamanho da parceria. É o que se diz nos bastidores. Veta alianças do PSB com PSDB, a partir de São Paulo. Quer ver a deputada Luiza Erundina como candidata do PSB ao governo paulista. Mas esta não pretende entrar nesse jogo. A questão é : Marina Silva conseguirá, como vice de Eduardo Campos, trazer para a chapa a maior fatia dos quase 20 milhões de votos auferidos no pleito presidencial de 2010 ?

PMDB tenso

O PMDB vive um estado de tensão. Quer ter uma participação maior no governo, significando uma cota mais forte de Ministérios ou cota de Ministérios mais gordos. No governo Lula, o partido foi mais aquinhoado. As pressões internas se avolumam. Quem administra as tensões, com sua capacidade de articulação e liderança, é o vice-presidente Michel Temer. Esse mês de janeiro será decisivo para o partido, que mostra interesse em segurar os Ministérios que comanda e ganhar outro com maior peso. Ocorre que a disputa é muito acirrada. E Dilma se esforçará para fazer uma reforma que satisfaça ao conjunto governista. Difícil. Agradar uma sigla significa desagradar a outra. É a questão do cobertor curto. Curto? São 39 Ministérios. Mas os partidos da base são mais de 15.

Gregos e romanos

"Enquanto os gregos foram teóricos brilhantes, inovadores, os romanos foram agricultores-guerreiros, sérios e prudentes, menos sujeitos que seus antecessores a se deixarem levar por uma idéia. Herdamos nossas idéias dos gregos, mas nossas práticas dos romanos." (Kenneth Minogue)

30%, percentagem cabalística?

Pois é, podemos repartir o eleitorado brasileiro em três grandes blocos, cada qual somando cerca de 30% : os governistas, os oposicionistas e os eleitores que ainda não tomaram posição. Os 10% finais votarão em branco, nulo ou se absterão. 1/3 do eleitorado tende a decidir nos meses finais de campanha.

Os bons

"Parece que Deus escolhe os bons e os que fazem mais falta, para pagarem pela maldade dos que não fazem falta nenhuma." (Camilo Castelo Branco)

Maranhão

As últimas imagens sangrentas que estampam um Maranhão tomado pela violência em presídios apontam para um perfil em confronto com o status quo político : Flávio Dino, atual presidente da EMBRATUR e candidato ao governo pelo PC do B.

Dilma mais política

É visível. Nos últimos tempos, a presidente Dilma treinou mais o bambolê. Tornou-se mais flexível. Hora de conversar, dialogar, ouvir, atender demandas. Hora em que a onça corre ao poço para beber água. E os partidos estão sedentos. Hora da reforma ministerial.

Crime desculpado

"Quando alguém se vê privado de alimento e de outras coisas necessárias à sua vida, e só é capaz de preservar-se através de um ato contrário à lei, como quando durante uma grande fome obtém pela força ou pelo roubo o alimento que não consegue com dinheiro ou pela caridade, ou quando em defesa da própria vida arranca a arma das mãos de outrem, pela razão acima apresentada, nesses casos o crime é totalmente desculpado." (Leviatã - Thomas Hobbes)

Mensalão e eleição

O mensalão será um prato, mesmo requentado, no cardápio deste ano. Mas não conseguirá puxar votos das margens sociais. Que olham mais para o bolso. E por falar em mensalão, o que virá de Minas Gerais também subirá ao palco.

O caráter

"O caráter é como a gravata; uns usam por gravata uma fitinha preta, são os frívolos; outros um lenço de dois palmos de altura, são os graves. A primeira constipa, a segunda sufoca; eu uso gravata regular." (Machado de Assis)

Queda no desempenho

A GT Marketing e Comunicação, sob o comando deste escriba, acaba de concluir uma enquete sobre os Ministérios do governo Dilma, empreendimento que teve início no final do segundo mandato de Luiz Inácio. A nota média mais alta atribuída aos ministros do governo Dilma Rousseff foi 6,3 (em uma escala de 0 a 10), resultado pior na comparação com o governo Lula, quando a média esteve acima de 6,5. O mapeamento foi feito junto a lideranças empresariais, empresários, dirigentes de entidades, executivos, publicitários e jornalistas.

Os mais bem cotados

Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e José Eduardo Cardozo, do Ministério da Justiça, lideram o ranking como os melhores avaliados pelo grupo. Empatados no primeiro lugar, receberam nota média de 6,3.

Na lanterna

Os Ministérios da Fazenda, Trabalho e Emprego e Turismo foram avaliados com notas médias abaixo de 5. Para que a administração seja considerada regular, seriam necessárias notas na casa do 7. Os entrevistados, integrantes da cadeia de formação de opinião, são críticos e acompanham a dinâmica governamental.

Anjos

"Se os homens fossem anjos, nenhum governo seria necessário." (Kenneth Minogue)

Conselho aos maniqueístas

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos cartolas. Hoje, escolhe os maniqueístas que se multiplicam no país:

1. O Brasil é um todo territorial e a Pátria de Todos Nós. Não há lugar para exclusivismos e maniqueísmos. Cada grupo, setor, categoria, atividade, cada partido político tem um compromisso para com o país. O Bem-Estar da Coletividade requer integração de sentimentos.

2. Sob essa moldura, ninguém pode se considerar mais importante que outro. O Bem não é exclusividade de um Partido Político. Nem o Mal deve ser atribuído aos entes adversários. Urge acabar com o maniqueísmo burro que circula até no meio jornalístico, formando grupos contrários e excludentes.

3. Obras, livros, opiniões contrárias fazem parte da democracia. Não há razão para o combate mortífero entre petistas e tucanos. Que lutem no terreno das ideias e não na arena das agressões mortais.

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(Gaudêncio Torquato)

domingo, 5 de janeiro de 2014

PEQUENAS LIÇÕES PARA 2014

O ano que se inicia será um dos mais competitivos das últimas décadas. Principalmente na esfera da política. As razões apontam para o esgotamento do nosso modelo de fazer política, a partir de velhas práticas de campanhas.

O desenho é carcomido pela poeira do tempo: são raros perfis identificados com mudanças; formas de cooptação eleitoral se inspiram nos eixos históricos do fisiologismo e do corporativismo, sendo tênue o engajamento do eleitor pela via doutrinária; eleitos, via de regra, acabam distanciando-se das bases, deixando de lado compromissos assumidos; a representação parlamentar, em função do poder quase absoluto do presidencialismo, torna-se deste refém, obrigando-se a repartir com o Poder Executivo funções legislativas; em decorrência da ausência de programas doutrinários, imbricam-se interesses de lideranças e partidos, não se distinguindo diferenciais entre eles, condição essencial para qualificar o voto.

A impressão final é a de que o retrato desfigurado está a merecer urgente retoque, se não em todas as nuances da moldura, pelo menos em partes que ofereçam aparência asséptica ao edifício político. Fichas sujas, por exemplo, não podem continuar no mapa eleitoral.

Os ingredientes que entrarão na composição da nova tintura não de absorver a química de setores e categorias mais participativas, exigentes e dispostas a enfrentar a resistência de defensores de obsoleta arquitetura política.

É oportuno lembrar que a pirâmide social não mais se assemelha a um triângulo estático. Os lados que o integram, a partir da base, mostram-se dispostos a sair da letargia, depois de décadas convivendo com a batelada de vírus políticos.

Os movimentos sociais e a ocupação das ruas, no ano que findou, sinalizam a intenção de reencontrar o tempo perdido. A coletividade parece descer do céu da abstração para ser uma força na paisagem, fazendo valer sua determinação, princípios e valores voltados para qualificar a vida política. O curto dicionário abaixo poderá servir de baliza para milhares de candidatos na tentativa de aprimorar suas relações com a comunidade nacional.

Estado e Nação – O Estado, infelizmente, está bastante distante da Nação com que os cidadãos sonham. A Nação é a Pátria que acolhe os filhos, que se irmana na fé e na esperança de um futuro melhor; é o habitat onde as pessoas constroem os pilares da existência, constituem o lar, prezam antepassados, cultivam tradições.

O Estado é a entidade técnico-jurídica, com seu arcabouço de Poderes, pressionada por interesses díspares e dividida por conflitos. Aproximar o Estado da Nação, formando o espírito nacional, constitui a missão basilar da política. Essa meta precisa ser o centro da agenda do homem público.

Representação – A representação política é missão, não profissão. É a lição de Aristóteles. Resgatar o verdadeiro papel da política – trabalhar pela polis - significa clarificar o papel do representante, as demandas das comunidades, as soluções para a melhoria dos padrões da vida social. A política não é um balcão de negócios.

As angústias urbanas se expandem na esteira do crescimento populacional. As periferias não constituem massa de manobra para exploração por parte de siglas, líderes popularescos e oportunistas. Carecem de ações de efeito duradouro, não de quinquilharias e coisas improvisadas. Migalhas poderão alimentar o povo por certo tempo, nunca por todo tempo. Um representante do povo preocupa-se com metas, programas permanentes, medidas estruturantes.

Identidade – A identidade é a coluna vertebral de um político. É a soma de sua história, de seu pensamento, percepções e feitos. Um erro, que o tempo corrigirá, é construir a imagem incongruente com a identidade. Camadas exageradas de verniz corroem perfis. Dizer a verdade dá credibilidade. Os novos tempos condenam a hipocrisia, a simulação. Corretos são conceitos como lealdade, fidelidade, coerência, sinceridade, honestidade pessoal e senso do dever.

Discurso - O discurso deve abrigar propostas concretas, viáveis, simples. E, sobretudo, factíveis. A população dispõe de entidades que a representam. Resta ao político procurar tal universo. O povo quer um discurso sincero. Promessas mirabolantes, planos fantásticos, obras faraônicas, de tão banalizadas, já não despertam interesse. Até as monumentais arenas esportivas entram na lista de suspeições.

Grito das ruas - O grito das ruas se faz ouvir nos espaços dos Poderes em todas as instâncias. Expressam a vontade de uma nova ordem social e política. Urge abrir os ouvidos e a mente para interpretar o significado de cada movimento. Quem não fizer esse exercício, sairá do cenário. Uma linguagem comum se forma nos centros e fundões do país. O povo sabe distinguir oportunistas de idealistas.

Sabedoria – Sabedoria não significa vivacidade; mescla aprendizagem, compromisso, equilíbrio, busca de conhecimentos, capacidade de convivência, racionalidade. Não é populismo. Espertos que procurarão vender “gato por lebre” poderão ser cozidos no caldeirão do voto.

Transparência – A era do esconderijo está agônica. Esconder (mal) feitos é um perigo. A corrupção, mesmo dando sinais de sobrevida, é atacada em muitas frentes. Grandes figuras foram (e continuarão a ser) punidas. Denúncias sobre negociatas agora são objeto da lupa dos sistemas de controle. O público e o privado começam a ter limites controlados.

Simplicidade – Despojamento, eis um apreciado conceito. Lembrem-se do papa Francisco. Ser simples não é arrumar crianças no colo, comer cachorro quente na esquina ou gesticular para famílias nas calçadas. Simplicidade é o ato de pensar, dizer e agir com naturalidade. Sem artimanhas e maquiagens.

Lição final de José Ingenieros: “cem políticos torpes, juntos, não valem um estadista genial”.

(Gaudêncio Torquato)