segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

JUIZ CASSA MANDATO DO PREFEITO GILBERTO KASSAB


O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Resende Silveira, cassou o mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), da vice-prefeita, Alda Marco Antonio (PMDB), e de alguns vereadores e/ou suplente. Kassab é acusado de recebimento de doações ilegais na campanha de 2008. Cabe recurso e o advogado do prefeito, Ricardo Penteado, disse que vai recorrer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O juiz Silveira manteve o mesmo entendimento que levou à cassação de 16 vereadores no fim de 2009. Todos os políticos que receberam mais de 20% do total arrecadado pela campanha de fonte considerada vedada pelo juiz foram cassados. "Se passou de 20%, independentemente do nome, tenho aplicado a pena por coerência e usado esse piso como caracterizador do abuso de poder econômico na eleição, um circulo vicioso que dita a campanha e altera a vontade do eleitor", afirmou ao jornal.

Entre as doadoras, estão a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e outras empresas concessionárias de serviços públicos que são impedidas por lei de colaborar com campanhas. Kassab e Alda teriam recebido a doação via Comitê Municipal ou via Diretório Nacional dos partidos.

O advogado de Kassab diz que a tese citada pelo juiz está "derrotada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2006". Ricardo Penteado se refere à decisão que considerou legais doações de concessionárias do governo federal para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Causa perplexidade e insegurança jurídica que assuntos e temas já decididos há tantos anos pela Justiça sejam reabertos e reinterpretados sem nenhuma base legal", afirma. "Por esse mesmo motivo seriam cassados desde o presidente Lula até o vereador do menor município do Brasil."

Os vereadores condenados, que teriam recebido diretamente, não tiveram seus nomes revelados pelo juiz, que se limitou a informar que foram nove os julgados desta vez. A sentença deverá ser publicada no Diário Oficial de Justiça de terça-feira.

Segundo a Agência Brasil, o partido Democratas (ex-PFL) criticou a decisão do juiz de cassar o prefeito. Para o partido, a decisão é “incoerente”, “eleitoral”, “irresponsável” e “criminosa”. De acordo com o líder da legenda no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), o partido está tranquilo e confia na Justiça. Ele preferiu não politizar a decisão, porém ressaltou que as “as decisões judiciais tem que ser coerentes”.

(Fonte: CONJUR)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

OBRIGADO À VIDA!





Violeta Parra, poetisa chilena, nos dá uma amostra magistral de um poema no qual conseguiu entrelaçar o canto de amor ao homem amado junto ao canto pela espécie humana e pela vida. As palavras se encontram e se mesclam em uma só intensidade, em um momento de felicidade e exaltação.

Violeta Parra toma da natureza o que a natureza nos deu de mais precioso – os sentidos, e os transforma, os eleva através da beleza da comparação entre a natureza e a pessoa amada. Violeta Parra nos faz captar o mundo através dos sentidos e depois, com uma sutileza de linguagem, com uma enorme capacidade de representação, ela os transforma, os organiza e nos devolve plenos de matizes através de seu bem-amado. Assim é "Obrigado à vida" (“Gracias a la vida”)

Num país de poetas universais como Neruda, Mistral e Huidobro, Violeta alcança um patamar internacional com textos de origem popular. Musa da juventude revolucionária do século passado, continua celebrada por cantores e estudiosos das letras de nosso continente.

TRADUÇÃO DE "GRACIAS À LA VIDA!"

Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois luzeiros que quando os abro
Perfeito distingo o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o ouvido que em todo seu comprimento
Grava noite e dia grilos e canários
Martírios, turbinas, latidos, aguaceiros
E a voz tão terna de meu bem amado

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distingo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Graças à vida, graças à vida

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

DOMINGOS FILHO



Há pouco mais de cem anos nascia no sopé das montanhas do Líbano, próximo dos cedros milenares, o multifacetário artista Gibran Khalil Gibran. Amante daquela ambiência mística e fascinado pela natureza em fúria, adorava correr com os ventos e apreciar as tempestades.

Matriculado no Colégio da Sabedoria, em Beirute, recebeu em certa oportunidade uma admoestação do diretor que, procurando acalmar o vulcão de desejos impacientes que era sua alma, advertiu-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau. Gibran respondeu: "Mas as águias não usam escadas!"

Pessoas há que, como Gibran, têm espírito de águia: rompem os limites imaginários, as barreiras pré-conceituais e os obstáculos conceituais. Com a brisa do amor e o tufão do destemor, voam à frente apontando o horizonte de luz e o oceano energizante da vida.

No átrio quase imperscrutável da política, templo ordinariamente ornado com símbolos profanos, vez por outra divisamos asas de águia. O advogado Domingos Gomes de Aguiar Filho, atual Presidente da Assembléia Legislativa do estado do Ceará, é uma delas.

Em seu quarto mandato como representante maior da comuna “barro amarelo”, na origem tupi-guarani, depois São João do Príncipe ou, como se notabilizou nos tempos atuais, Tauá, Domingos Filho chegou ao comando do Parlamento Cearense e consolidou-se como um dos mais prestigiados representantes do povo da atual safra Alencarina.

Quem primeiro me desenhou um perfil do Domingão foi Moacir Soares. Era antevéspera do ano eleitoral municipal de 2004. Então Secretário de Saúde de Tauá na gestão de Patrícia, consorte de Domingos, Moacir ponderou: “Cuidado! Você vai conversar com um político acima da média. Como alguém que vai para uma partida de xadrez, prepare-se porque a qualquer momento ele poderá lhe surpreender com um xeque-mate”.

Com efeito, ao longo do diálogo senti que estava diante de um homem que cavalgava pela caatinga da política montado no alazão do pragmatismo, vestindo o gibão da ciência e tendo à mão o chicote da arte.

Inicialmente, pôs no tabuleiro as premissas em que assentava suas tratativas. Dentre outras, duas peças primordiais: a dama da franqueza e o bispo da lealdade.

Perguntou-me: - o que você acha imprescindível para a gente ganhar uma eleição? Falei que apreciava a “Teoria dos Três G”: Garra, Grana e Gente. Ou seja, disposição para o embate, estrutura de trabalho e apoio das pessoas. Ele replicou: Acrescente mais um, mude para a “Teoria dos Quatro G”: Garra, Grana, Gente e Gogó. Porque, uma boa comunicação também é essencial.
E, de fato, é muito atento a todas as formas de comunicação, inclusive a gestual. Arquiteto de frases impactantes, gosta de pontuar: “Palavras mentem; gestos, não”. (Aliás, um de seus movimentos gestuais é conhecido: levar a mão aos cabelos e enrolá-los como se estivesse fazendo cachos. Esse hábito sempre denuncia sua taxa de ansiedade ou índice de stress.)

Noutro momento da palestra, soltou: “Abstenho-me dessa política de amor e ódio que vocês praticam em Crateús”. Fiz-me de desentendido. Ele explicou: “Chamo política do amor e ódio essa prática crônica e irracional de um dia estar amando e, no outro, odiando. E vice-versa”.

No desenrolar daquela conversa senti a profecia de Moacir se materializando. Ele começou a lançar cordas invisíveis sobre mim e, ao final, estava amordaçado.

É óbvio que essa maestria com que toca a orquestra das articulações políticas tem uma nesga hereditária. Oriundo de uma fonte cristalina de políticos honrados, herdou do pai, Domingos Gomes de Aguiar, o amor à causa pública e o ímpeto de manter límpido o córrego da tradição familiar, iniciada com o seu bisavô, Domingos Gomes de Freitas, e seqüenciada pelo avô, Odilon Aguiar. Com a mãe e mestra, Mônica Moreira Gomes de Aguiar, aprendeu a soletrar o alfabeto da política.

Bacharel em direito pela Universidade Federal do Ceará, iniciou a militância na área do Direito Público. Logo descobriu que estava mais vocacionado a cumprir o mandato popular que o judicial. Eleito deputado estadual pela vez primeira em 1994, sempre ocupou cargos na Mesa Diretora da Assembléia. Foi duas vezes segundo vice-presidente; uma vez terceiro secretário e duas vezes quarto secretário. No seu quarto mandato parlamentar, foi eleito para a presidência do Legislativo Estadual e reeleito por unanimidade dos seus pares.

No iter popularis, se defrontou com momentos decisivos em que viu testada a máxima que sempre proclama de ser “amigo dos amigos”. Em 2002, enquanto muitos debandaram, manteve-se quase solitariamente fiel no compromisso assumido com o colega de Assembléia Wellington Landim, então candidato ao Governo do Estado.

Orador empolgado, não raro entremeia suas falas com canjas musicais. Gosta da boa música, como MPB e o forró autêntico, tipo pé de serra. Certa vez, foi assediado por um músico popular que desejava montar uma banda. Num arroubo pragmático, idealizou a banda “Forró sem limite”. Ainda bem que familiares o demoveram da idéia...

Se, como empresário musical era uma incógnita, como político se revelou empreendedor nato. Comanda hoje o maior volume de realizações da história do Legislativo. Desde 2008, preside o Parlamento Nordestino, que tem como objetivo defender de forma conjunta soluções para os problemas que atingem os estados da região. E, em setembro de 2009, foi eleito presidente do Colegiado dos Presidentes das Assembléias Legislativas do País (biênio 2010/2011). O primeiro nordestino a comandar o Colegiado.

Descortinou 2010 à frente do Governo do Estado, cuja interinidade foi marcada pelo estilo cauteloso, discrição na postura e nobreza nas atitudes. Em todas as rodas de projeção política, quando se discute o cenário de uma vice-governadoria para o PMDB, seu nome é o que mais desponta.

Sobre isso, seu espírito de águia nada fala. Embora saiba, como Gibran, que as águias desconhecem escadas, Domingos Filho prefere subir com talentosa habilidade e solene firmeza cada degrau da escadaria do sucesso!

(Por Júnior Bonfim - na Revista Gente de Ação)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A ERA DO FIM DOS EMPREGOS

O problema do desemprego é uma ameaça real em todo o mundo, que se agrava diante do crescimento desordenado da população e se torna um desafio quando enfrentamos crises como a que vivemos no último ano. Apesar dos sinais de recuperação da economia, uma lição ficou na mente dos executivos: fazer mais com menos.

Não tem jeito, os duros prejuízos reportados ao longo das inúmeras crises que passamos deixaram marcas e as empresas estão cada vez mais conscientes de que não podem jogar dinheiro fora. Aquela era de gastos desvairados em momentos de torneiras abertas acabou. Hoje, qualquer investimento que for feito será muito bem avaliado, pensado e dimensionado. E mais do que nunca a questão custo versus retorno certamente ditará as regras de todos os projetos que sairão da gaveta.

As perspectivas para 2010 e os anos que se seguirão são bastante positivas. Mas como já disse, nada será como antes. Haverá emprego como antes? Minha resposta é não. As estatísticas mostram claramente que o modelo do emprego formal, como estamos acostumados a ver da carteira assinada, está acabando. Da mesma forma que assistimos a uma reinvenção das profissões.

Pode parecer um cenário catastrófico, mas as mudanças que vemos hoje terão impactos profundos bem mais cedo do que imaginamos. Quando o economista Jeremy Rifkin, em seu livro “O Fim dos Empregos” previu um futuro sombrio há 16 anos, não só causou grande polêmica, como foi alvo de olhares desconfiados, já que estamos acostumados a ver futurologias caírem por água abaixo. Infelizmente, ele estava certo.

A busca com sofreguidão por redução de custos na produção provocou cortes e mais cortes de postos de trabalho. Por outro lado, esta nova fase, chamada por Rifkin de a terceira revolução industrial, é o resultado do surgimento de novas tecnologias, como o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações e as demais tecnologias que aos poucos vão pondo máquinas nas atividades anteriormente realizadas por seres humanos.

O pior de tudo é que as pessoas ainda não se deram conta de que viverão cada vez mais, não encontrarão tantas oportunidades de trabalho porque já não há empregos para todo mundo como antes e terão carreiras mais curtas nas empresas. Esses aspectos já estão afetando suas vidas e é um caminho sem volta.

O mercado de trabalho não consegue absorver os milhares de profissionais que perdem seus empregos todos os dias e quem passou dos 60 enfrenta o dilema de encontrar um lugar ao sol. O que fazer então se dados recentes do IBGE chamam a atenção para o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, que está na casa dos 72 anos? A resposta para este paradoxo – menos emprego, carreiras mais curtas e a longevidade – é planejar a carreira o mais cedo possível e antes que a tragédia do desemprego perene bata à sua porta.

Ter um plano B deixou de ser uma possibilidade para se transformar em necessidade imperiosa. No livro “O Melhor Vem Depois”, que escrevi em coautoria com a jornalista Andrea Giardino, retratamos bem essa questão. Impressionante os depoimentos que nos chegam diariamente dos leitores que comprovam esse movimento que acontece no mercado. Tem sido difícil dar conta de tantos pedidos de conselhos de como enfrentar a situação. Casos, às vezes, desesperadores.

Muitos dos profissionais que entrevistamos para ilustrar o livro foram reféns desse cenário e por não terem um plano B, ingenuamente acreditavam que se recolocariam rapidamente. O ex-presidente da GVT, Marcio Kaiser, enfrentou um duro golpe ao se ver um belo dia sem o sobrenome corporativo e descobrir que não havia mais espaço para seu talento. Após meses e meses de tentativas, parece ter encontrado um caminho.

Se tivesse traçado uma meta desde cedo, talvez seu destino tivesse sido outro e não o da vítima do acaso. Cabe a nós dentro dessa sociedade baseada na informação, valorizar nosso conhecimento e transformar as competências adquiridas em algo que nos perpetue como população ativa, mesmo aos 70 anos.

Quer um conselho? Corra e prepare o terreno desde já e comece a traçar seu plano B.

A vida não segue roteiros, mas para quem se planeja a rota seguirá seu curso desejado. Pode não ser exatamente do jeito que você idealizou, no entanto, não o deixará refém do destino. Lembre-se que se você não conduzir o barco da sua vida, ele vai fazê-lo por você.

Se você não for o comandante pelo menos seja um passageiro da primeira classe e aproveite a paisagem. Ficar aí ao sabor do destino não dá. Reaja!

(Por Selem e Bertozzi)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A LUCIDEZ DE FREI BETO ( E DE SÓCRATES)


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!

Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.


O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald's...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeçapercorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"



Frei Betto

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

NO CEARÁ, SURGE O PRIMEIRO BLOCO COMPOSTO POR DEFICIENTES VISUAIS

Caros companheiros e companheiras da AMLEF (ACADEMIA METROPOLITANA DE LETRAS DE FORTALEZA),

Venho através desta convidar a todos para estarem presentes hoje (11/02/2010), a partir das 18h, no anfiteatro da Av. Beira-Mar (Depois das quadras e da Praça dos estressados), quando estaremos apresentando o MARACATU LUZES DA ALMA, o primeiro no Brasil a ser formado com pessoas com deficiências visuais.

Na ocasião, estarei entoando o canto que compus para o tema deste ano.

Contamos com a presença de todos e solicitamos que divulguem este evento para seus amigos.

"No Ceará, a nossa vez
de desfilar sem o preconceito,
temos garra, não invalidez
coração bate no peito"


Paulo Roberto Cândido
Cadeira 29 da AMLEF

CONJUNTURA NACIONAL

ENCENAÇÃO

Abro a coluna, hoje, com a encenação da Paixão de Cristo numa cidadezinha da Paraíba. O dono do circo, em passagem pela cidade, resolveu encenar a Paixão de Cristo na sexta-feira santa. Elenco escolhido dentre os moradores e no papel de Cristo, o cara mais gato da cidade. Ensaios de vento em popa. Às vésperas do evento, o dono do circo soube que 'Jesus' estava de caso com sua mulher. Furioso, deu-se conta que não podia fazer escândalo sob pena de perder o investimento. Bolou uma maneira. Comunicou ao elenco que iria participar fazendo o papel do 'centurião'.

– Como? – reclamaram – Você não ensaiou!

– Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala!

O elenco teve que aceitar. Dono é dono. Chegou o grande dia. Cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a plateia chorosa em profundo silêncio. Jesus carregando a cruz ... e o 'centurião' começa a dar-lhe chicotadas.

– Oxente, cabra, tá machucando! Reclamou Jesus, em voz baixa.

– É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o centurião.

E tome mais chicotada. Chicote comendo solto no lombo do infeliz. Até que Jesus enfureceu-se, largou a cruz no chão, puxou uma peixeira e partiu pra cima do centurião:

– Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso!

O centurião correndo, Jesus com a peixeira correndo atrás, e a plateia em delírio gritando :

– É isso aí! Fura ele, Jesus! Fura, que aqui é a Paraíba, não é Jerusalém, não!


FHC NO ATAQUE

Fernando Henrique mordeu a isca. Tudo que os petistas queriam era que um tucano de bico grande entrasse na briga da pré-campanha. Serra, matreiro, tomou distância. Aécio, idem, não quis entrar na briga, dizendo que não era o caso de fazer comparação entre ciclos. Todos deram sua contribuição ao progresso do país. E aí Fernando Henrique assume, por inteiro, a querela: vale a pena, diz ele, entrar na briga. Sem medo do passado. Seu artigo no Estadão do último domingo, ao lado do meu, fez furor. Na sequência, diz que falta liderança à Dilma.


PERDAS PARA SERRA

Ora, essa brigalhada é ruim para José Serra. E a razão é simples: na comparação entre as eras FHC e Lula, os dados favorecem os petistas. Não adianta querer argumentar que o Plano Real, de Itamar/FHC, foi a base que colocou a economia nos eixos. A verdade é que os braços assistencialistas do governo Lula são mais extensos. O Brasil se beneficiou das crises que afetaram o mundo na última década. Os eixos macroeconômicos foram fixados pelo governo tucano e aprofundados no atual governo. Mas o crescimento do país não se deu no ritmo desejado. O Brasil pouco cresceu.


LULA PROPAGANDISTA

É bem verdade que Lula é um bom propagandista. FHC é mais um schollar, um acadêmico respeitado. E Lula, ao fazer a comunicação direta com as massas, trombeteia todos os dias os feitos do governo. Repete, repete, usa linguagem simbólica, chavões, refrãos e até palavras chulas. Quanto mais ele é criticado, mais apimenta a linguagem. Ganha em matéria de comunicação. E a situação estável do país será intensamente usada como cobertor eleitoral.

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Seu Lunga entra num bar e pede uma cerveja e o dono do bar diz:

- Seu Lunga faltou energia!

Ele rebate:

- Eu vim aqui pra tomar cerveja, não pra tomar choque.

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TRANSFERÊNCIA DE VOTO

Pois bem, o colchão econômico em que se deita o país tem sido responsável pela boa performance da ministra Dilma Rousseff. Dilma anda no tapete estendido por Lula. Sua boa intenção de voto – cerca de 30% hoje – deriva não de suas qualidades de gerente ou mãe do PAC mas dos votos transferidos por Luiz Inácio. Não há dúvida que a transferência já começou a ocorrer. Principalmente nas regiões favorecidas pelo Bolsa Família.


SERRA E DILMA

Não concordo com Carlos Montenegro, do Ibope, que garante enfaticamente a derrota da candidata governista. Acho que as coisas estão indefinidas. Se política fosse lógica econômica, Dilma seria a vencedora, considerando-se a teia de programas que o governo Lula estabeleceu para todas as classes sociais. Da base da pirâmide ao topo, contabilizam-se uns 20 programas voltados para benesses e redistribuição de renda.

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Após o enterro de sua sogra, Seu Lunga encontra com um amigo que pergunta:

- Ooxeee! E ela morreu?

Seu Lunga:

- Não. Enterraram ela viva.

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DILMA E SERRA

Se eleição privilegiasse a questão do perfil, Serra seria o grande vencedor. Exibe perfil muito mais denso que Dilma. Preparado, experiente, conhecedor do país, já foi agraciados com milhões de votos. Dilma nunca recebeu um voto sequer. Mas eleição, hoje, leva em conta outros fatores que não aqueles de antigamente. Fatores da organodemocracia, que é a democracia das organizações intermediárias da sociedade – associações, movimentos, clubes, federações etc. A política afunda-se no vazio.


VAZIO POLÍTICO

Ora, foi o próprio ministro da Justiça, Tarso Genro, que usou o termo vazio. Disse que Dilma foi escolhida por conta do "vazio" do PT após o mensalão. Não havia outro candidato. Lula pinçou Dilma do bolso do colete. Um perfil técnico condizente com a democracia de cunho orgânica deste século XXI. No século XIX, tínhamos uma democracia atomizada. Cada eleitor, um átomo social, a ser conquistado por candidatos distintos com propostas para agradar aos desiguais. Hoje, o átomo cede lugar aos grupos e coletividades, que se tornam homogêneas. Já os candidatos são clones, muito parecidos.

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Seu Lunga encontra com um amigo que não via há tempos.

- Como é que você tá?

E seu Lunga:

- Do jeito que você tá vendo.

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AS ELEIÇÕES NO BRASIL

Sob essa moldura, as eleições vão ocorrer com partidos pasteurizados, siglas amorfas, eleitores desmotivados, oposições com discurso oco e indefinido, parlamento estiolado, doutrinas em franco declínio. O que sobra é um pano de fundo – economia estável, programas assistencialistas, massas relativamente satisfeitas com o governo. E uma classe C que aglutina 46% de toda a renda nacional, mais que a soma das rendas das classes A e B. Essa classe, que pulou para a área média da pirâmide no ciclo Lula, vai eleger o próximo presidente.


A NÃO SER QUE...

A não ser que os serviços do Estado nas áreas de saúde, segurança e educação sejam tão ruins que acabem amortecendo os feitos do governo Lula. E, como se sabe, segurança continua a ser um caos; a saúde é um desastre e a educação, apesar do esforço desse inteligente ministro Fernando Haddad, continua muita defasada.


ALENCAR EM MINAS

Luiz Inácio quer bancar o nome do vice-presidente da República, Zé Alencar, como candidato das oposições ao governo de MG. Trata-se de uma estratégia maquiavélica e desumana. Alencar, apesar de estar vencendo um câncer, não tem mais saúde para estar na linha de frente da política. Em MG, ele seria a convergência entre petistas e o PMDB. Fernando Pimentel e Patrus Ananias, do PT, cederiam o lugar para ele. Hélio Costa, o senador, que lidera as pesquisas, também aceitaria, até porque teria garantida mais uma volta ao senado. Mas o bom Alencar não tem saúde de ferro, gente. Tenham compaixão.


SKAF EM SÃO PAULO

Do jeito que as coisas andam pelos lados do PSB, é bem possível que Paulo Skaf, o socialista presidente da FIESP, seja o candidato do partido ao governo de SP. Há até versões de que poderia convidar o cantor comunista Netinho de Paula, atual vereador, para vice nessa chapa de esquerda. Imagino os companheiros Skaf, Netinho, Paulinho e Cirinho (Gomes, claro), de mãos dadas, fazendo passeata frente à Federação da Indústria em prol da redução da jornada de 44 para 40 horas. Nesse instante, o slogan ressoará em toda a extensão da Avenida Paulista: "deu a louca no mundo".


DIRCEU LIGEIRO

Zé Dirceu não morreu. Ao contrário, continua mais vivo que a direção do PT. Viaja para muitos lados. Dizem que no CE teria pedido a Cid, governador irmão de Ciro, que insistisse com este para sair do páreo federal. Se Ciro não sair, o PT teria um candidato ao governo cearense deixando de apoiar Cid. O deputado mandou Zé Dirceu pentear macaco.


PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES

Ontem, no Parlamento, o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen, destacou alguns feitos da era FHC, entre os quais a privatização das telecomunicações, a partir da desestatização da Telebrás e de suas empresas estaduais de telefonia. Trecho: "o Brasil deu um salto, tornando-se um dos países mais desenvolvidos e atraentes do setor em todo o mundo. Mais importante que a inserção do país na era da alta tecnologia, a privatização do setor promoveu o maior programa de inclusão social e de acesso a renda jamais visto no país – maior mesmo que o Bolsa Família: em dezembro de 2009, a ANATEL registrava 173 milhões, 959 mil e 368 acessos do serviço móvel pessoal, o celular, pós e pré-pago".


MEIRELLES, O ESCRIBA

Michel Temer, reeleito entusiasticamente presidente do PMDB, está tranquilo. Sem açodamento. Não quer colocar pimenta nos pratos que lhe oferecem. Acaba de pedir a Meirelles que escreva as diretrizes econômicas do PMDB, e que serão entregues ao PT, para efeito de formação de uma aliança programática. Michel garantiu a este consultor que o PMDB fará questão de encaminhar o seu escopo ao PT. Sua ideia é a de formar um presidencialismo de coalizão, conceito que mais se aproxima do parlamentarismo.


ANÍBAL NO SENADO

São Paulo abre imenso espaço para o Senado. Se Mercadante topar ser o nome do PT para disputar o governo paulista, as possibilidades se escancaram para o tucanato. José Aníbal é um dos nomes mais qualificados para ocupar este espaço. Candidato no passado ao Senado, obteve cerca de 5 milhões de votos. Trata-se de um perfil bem palatável ao eleitorado.


ALCKMIN QUASE NA ARENA

Não há como afastá-lo da arena. Geraldo Alckmin, com cerca de 50% das intenções de voto, é o mais provável candidato ao governo paulista. Alguns acham que Alckmin é bom de largada e ruim de chegada. Mas não existe campanha igual. Pode ser que, desta feita, ele consiga chegar bem na dianteira. O candidato de José Serra, Aloysio Nunes Ferreira, tem um bom perfil. Quadro preparado, bom articulador, matreiro. Mas continua no esconderijo. É pouco conhecido. E nesta campanha conhecimento é vital. Tempo de campanha eleitoral é insuficiente.


COPA DO MUNDO E LULA

Há um fenômeno a ocorrer nos próximos meses que terá algum impacto no clima social : a copa do Mundo. Se o Brasil for campeão, o estado de ânimo se elevará. A alegria será contagiante. Os poros sociais se encherão de oxigênio. Candidatos governistas são mais beneficiados por este clima catártico. A recíproca é verdadeira.


CONSELHO A FHC

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

1. Presidente, acautele-se, cuidado para não entrar em briga errada. Fale apenas o necessário.

2. O PT quer encurralar o PSDB ao tentar fazer uma campanha plebiscitária. Procure não engolir o anzol.

3. O importante é estabelecer para o candidato da oposição – Serra ou Aécio – um discurso denso, crível e capaz de sensibilizar as massas.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SOBRE A INAUGURAÇÃO DO CINE POTY

Olá!

Estreia dia 28 de fevereiro - domingo
na Casa de Cultura João Batista
rua Fcº Sá, 148 / Centro - Crateús, Ce
as 19:00h
O Cine Poty
Com "A marvada carne"

O filme é uma divertida comédia que homenageia o universo da cultura caipira, vista aqui num embate com a cultura da cidade, o filme também recorre à mitologia brasileira ao colocar em cena figuras como o Saci e o Curupira, é uma das comédias mais divertidas do moderno cinema brasileiro.

A marvada carne é um filme para todas as idades. Portanto, não deixe de trazer os amigos, o pai, a mãe, o filho... Temos certeza que todos irão adorar.

Saíba mais acessando o blog: http://sabicrateus.blogspot.com

Cordialmente

Karla Gomes

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Olá Júnior,

Parabéns a cidade de Crateús por oferecer ao seu povo mais um espaço cultural. O Cinema.

Com o advento da televisão e do computador, os cinemas se esvaziaram e as pessoas passaram a ficar mais em casa, seguindo novelas, vendo programas irrelevantes e travando amizades virtuais esquecendo-se de viver, ao vivo e a cores, as diversas possibilidades que a vida oferece.

Cinema é cultura, é diversão, aproxima as pessoas e nada mais romântico, que: pouca luz, um saquinho de pipoca, bala de hortelã, entre uma cena e outra um beijo, um aperto de mão etc. etc..

Palmas para Crateús!!!!

Dalinha Catunda

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

SABi INAUGURARÁ CINEMA EM CRATEÚS


Ontem, 08.02.2010, finalmente recebemos a primeira leva de filmes a serem exibidos em nosso Cine Poty. São dramas, comédias, documentários, infantis - aproximadamente 24 títulos, que estaremos mostrando para o público amante da sétima arte, sempre aos domingos, a partir das 19 horas, na Casa de Arte e Cultura João Batista, com entrada gratuita.

A estreia será dia 28 de fevereiro, com a divertida comédia "A marvada carne", protagonizada por Fernandinha Torres. O filme é uma homenagem ao universo da cultura caipira, vista aqui num embate com a cultura da cidade. Adaptação de uma peça teatral de Alfredo Soffredini, o filme também recorre à mitologia brasileira ao colocar em cena figuras como o Saci e o Curupira. Com nove Kikitos (prêmio do Festival de Gramado) em 1984, é uma das comédias mais divertidas do moderno cinema brasileiro.

A marvada carne é um filme para todas as idades. Portanto, não deixe de trazer os amigos, o pai, a mãe, o filho... Temos certeza que todos irão adorar.

(Do blog da Sabi)

POLÍTICA E ECONOMIA NA REAL

AGENDA ECONÔMICA BRASILEIRA

A agenda está cheia. A inflação sobe na previsão dos analistas conforme consta da pesquisa semanal publicada no Boletim Focus do BC. De outro lado, a política monetária continua sendo o último refúgio para controlar a inflação, pois do ponto de vista fiscal nada há de positivo e novo. Por cima de tudo, as exportações despencam e seus efeitos hão de aparecer. O cenário é ainda positivo, mas a qualidade da política econômica no Brasil se deteriora do ponto de vista estrutural e conjuntural (eleições).

EMPREGO NOS EUA

Os dados de atividade e emprego nos EUA continuam dando sinais de recuperação. Todavia, o ritmo da recuperação está mais lento do que o esperado. A taxa de desemprego caiu para o patamar mais baixo dos últimos cinco meses (9,7% da força de trabalho). O problema é que o ritmo de demissões ainda supera o de emprego e é possível que os indicadores de desemprego voltem a piorar nos próximos meses, o que seria um fato muito negativo do ponto de vista das expectativas.

FMI E CIA.

Observada a crise mundial (e agora a europeia), a pergunta que não quer calar é qual a utilidade do FMI na atualidade? Sequer a instituição tem a aura humanista da ONU e do Banco Mundial. Ao contrário, trata-se de uma instituição desmoralizada do ponto de vista técnico e político. Keynes, idealizador do Fundo, teria vergonha de seu destino...

"EFEITO BACALHAU", "EFEITO PAELLA" E "EFEITO PIZZA"

A crise econômica e de crédito da Espanha, Portugal e Itália terá seus efeitos diretos pelos nossos lados: a pressão dos dividendos das multinacionais destes países localizadas no país deve ser maior neste ano. O objetivo é cobrir riscos e eventuais prejuízos nos seus países-sede.

O PT, AOS 30 ANOS: VOLTA AO PASSADO?

Quem leu os documentos que o PT preparou para as discussões do programa de governo de um futuro governo Dilma, revelados pelo Estadão na semana passada e pelo Valor Econômico ontem, percebe que o partido está tentando retomar bandeiras que, por pragmatismo, foram abandonadas depois que a legenda, pelos pés de Lula, subiu as rampas do Planalto. Na ocasião, Lula não carregava sob as axilas as teses mais caras ao petismo. Levava a "Carta aos Brasileiros", documento elaborado sob a coordenação do futuro ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para conter os temores de boa parte da platéia bem informada de que um governo do PT fosse mesmo mudar tudo que está aí. O PT engoliu – e continua engolindo – o sapo barbudo de uma política econômica que nunca foi dele, feliz com as oportunidades que teve no poder. Seus documentos sobre economia, agora, pregam velhos (pré) conceitos, dando sinais até de que namora novamente com o estatismo. Na diplomacia, critica o acordo Mercosul-Israel e as negociações da Rodada de Doha da OMC e, ainda, sugere a criação de um Conselho de Política Exterior. Demonstram que o PT se prepara para a "era pós-Lula" com ideias pré-Lula. Aos 30 anos, completados neste fevereiro, o PT, com Dilma, uma petista de segunda viagem, flerta com o passado. E tenta reescrever o lulismo de seu fundador.

EXCEÇÃO DA VERDADE

Pode ser até a chamada mera coincidência, mas como coincidência demais passa a ser fato em política, o jogo está aberto. O PSDB começa a botar em prática uma das ações eleitorais com as quais pretende desconstruir a imagem de Dilma: botar em dúvida seu compromisso com a realidade. Em outras palavras, pespegar-lhe a pecha de mentirosa. Na última semana, a expressão mentira, associada à ministra chefe da Casa Civil e/ou ao governo Lula, apareceu em três emissões da oposição: num artigo do ex-ministro Paulo Renato de Souza, no Estadão; numa nota do deputado Federal paulista Mendes Thame; e, no artigo que o ex-presidente FHC escreveu este fim de semana para o Estadão e O Globo. A oposição acha que Dilma lida mal com esta situação desde que se "enrolou toda" (expressão de um tucano) para explicar aquela história do currículo com informações incorretas sobre sua formação acadêmica e não rebateu convincentemente as acusações da ex-secretária da Receita, Lina Vieira, de que tentou interferir em perícias que a RF fazia nos documentos da família Sarney.

OH MINAS GERAIS – CAPÍTULO 7.227

Seguramente, a solução da sucessão mineira na base aliada de Lula será a mais longa e arrastada das subnovelas da novela da sucessão presidencial. O lance mais recente é tentar fazer do vice-presidente José Alencar o candidato dos partidos governistas, uma espécie de tertius na disputa entre o PMDB (Hélio Costa) e o PT (Patrus Ananias e Fernando Pimentel). Um dos petistas seria acomodado na vice do vice e Costa disputaria a reeleição para o Senado. É mais um balão de ensaio, que pode até dar certo, mas depende de uma série de circunstâncias para prosperar. A primeira é a própria condição de saúde do vice. Depois, a disposição de Costa de ficar no mesmo lugar e ir para uma briga contra Aécio Neves e Itamar Franco. Em terceiro, a maleabilidade do PT mineiro para fazer concessões. Sem concorrer diretamente, o partido entrará na disputa pela prefeitura de BH em 2012, em franca desvantagem. Durante anos, lembremos, o PT dominou a capital mineira, ou diretamente (Patrus, Pimentel), ou em parceria com o PSB. Hoje, o PSB, com Marcio Lacerda, ainda comanda a prefeitura, mas com o coração de Aécio. A movimentação do PT e dos aliados em MG, até agora, só está mesmo servindo para aumentar a disposição de briga do governador Aécio Neves e sua total integração ao projeto nacional tucano.

O ALMODÓVAR DE CIRO

As reações de Ciro Gomes aos movimentos de Lula e do PT, para afastá-lo prematuramente do grid de largada da corrida presidencial, estão num crescendo tal que podem tornar inviável uma integração total e entusiasmada do deputado cearense à campanha de Dilma. Aliás, Ciro já deu este sinal quando, entre ironias ao "santo Lula" e verbosidades contra Dirceu, avisou que já está com a vida ganha e não tem ambições pessoais.

O SILÊNCIO DE SERRA

O DEM não consegue dormir com o barulho que o silêncio do governador Serra sobre sua candidatura à sucessão de Lula anda fazendo. Digam o que disserem tucanos, democratas e os ex-comunistas do PPS, a ascensão de Dilma nas últimas pesquisas assustou em todos os quadrantes. Até a imprensa estrangeira já acha que o governador paulista perdeu o timing. O que voltou a alimentar os boatos de Brasília de que ele poderia desistir da capital federal para ficar na capital paulista, abrindo espaço para uma chapa puro sangue, café com leite, com sinais invertidos: Aécio presidente e Alckmin de vice.

DILMA E SEUS DOIS VICES

Quanto mais o deputado, recém reeleito presidente do PMDB, Michel Temer, diz que não aspira à indicação de vice na chapa de Dilma, mais dentro e fora do governo aumenta a convicção de que isto é a única coisa que o presidente da Câmara realmente aspira. E mais cresce a inquietação do presidente Lula, do PT e de outros aliados governistas que não o PMDB. Desse lado mais cresce a convicção de que Dilma precisa de um Meirelles a seu lado como contraponto às desconfianças que ela gera em alguns setores e aos "alopramentos" que o PT vem demonstrando nos esboços das propostas para um governo Dilma.

OS TEMPOS DE LULA E DO PMDB

Lula joga com o tempo, para consolidar o crescimento de Dilma nas pesquisas, para fechar o acordo eleitoral com o PMDB sem pagar todas as faturas que o peemedebismo está cobrando. Por sua vez, o PMDB diz que tem todo o tempo do mundo e pode esperar até o início da formação do novo governo para acertar as contas.

PRÉ-SAL ELEITORAL

Não vai ser tão tranquila como Lula imaginava e deseja a votação completa – Câmara e Senado – das novas regras para a exploração de petróleo no Brasil. A oposição vai obstruir sem dizer que está obstruindo a Petrobras. E as disputas regionais, mesmo que sejam atropeladas na Câmara, ressuscitarão no Senado, onde os Estados não produtores pretendem tirar o um quinhão mais generoso. Talvez nem dê tempo para o pré-sal frequentar os palanques eleitorais, desfalcando o tripé de realizações a ser alardeado por Dilma: petróleo, Bolsa Família e PAC.

DE OLHO NOS REMÉDIOS

O BNDES ainda não desistiu de patrocinar, por meio de fusões e aquisições, o nascimento de uma grande indústria farmacêutica nacional, para se contrapor às multinacionais que dominam o setor. Não faltarão recursos para quem quiser se aventurar.

DE OLHO NA INTERNET

Amanhã, Lula vai definir as regras para o Plano Nacional de Banda Larga e avalizar o renascimento da Telebrás como grande operadora do programa. Uma corrente quer que a novo-velha empresa estatal faça tudo sozinha. Outra, que o programa seja dividido com o setor privado. O mais provável, para evitar ruídos e desconfiança em ano eleitoral, é que Lula opte pela segunda. Porém, com total protagonismo da Telebrás.

JOSÉ SARNEY E A ÉTICA

Na sua coluna da última sexta-feira na Folha de S.Paulo, o senador José Sarney teceu argumentos de variadas cepas para tratar da injustiça com a qual tem sido tratado nos últimos escândalos da política nacional. A certa altura do artigo diz que "(...) o famoso caso Dreyfus, de trágica memória, em que este oficial do Exército foi acusado de traição, condenado à prisão perpétua e à chamada 'guilhotina seca', que era a prisão na ilha do Diabo, na Guiana. Foi preciso a coragem de defendê-lo de Émile Zola, ao publicar um manifesto com os erros do julgamento (J'accuse!), para acabar com a fraude." Interessante o velho senador maranhense ter admiração por publicações de manifestos quando ele e seu filho Fernando censuram, mesmo que por via judicial, o jornal O Estado de S. Paulo o qual tem uns manifestos nada republicanos para divulgar sobre como se faz política na família Sarney.

(Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

SONETO DE PARABÉNS À AMADA!

Já sabes, amada, que o oito é o número da luz!
Já te falei outras vezes, até com a voz molhada,
Que o oito é união fraterna, lírio de Jesus,
Fogo sagrado, círculo de amor, aliança colada.

Nesta manhã fevereira, febril e calma
Em que um novo milênio nos abre o seu armário,
Retiro a taça de sonho que me uniu à tua alma
E renovo-te um doce brinde de Feliz Aniversário!

O jardim azul da trajetória volta à minha mente:
Me mostraste a vereda das coisas permanentes,
Me deste o pão da paz, a fruta verdadeira.

Por isso me analiso, me recolho, me inflamo
E repito com o mesmo ímpeto da vez primeira:
Eu te AMO, eu TE AMO, EU TE AMO!


(Por Júnior Bonfim)


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Olá Júnior,

As vezes temos as palavras na ponta da língua, mas nos falta a inspiração.

Você com sua inspiração divina,dedicou, este soneto invejável, a sua musa inspiradora que certamente ficou em estado de graça ao receber a carinhosa declaração de amor.

Um abraço,

Dalinha



lb deixou um novo comentário:

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

domingo, 7 de fevereiro de 2010

DIVULGANDO

Júnior:

Sei que tem muito interesse por poesia. Estou divulgando meu 4º livro: Calendário Poético, com capa do consagrado Celito Medeiros, de Curitiba. O livro envolve mais de 150 trabalhos, sobre as datas cívicas, históricas, importantes, homenagens, as mães, pais, médicos, advogados, professores, dia internacional da mulher, semana da pátria, e assim por diante.

Estou querendo difundir meu livro por várias regiões do Brasil, razão pela qual estou vendendo o mesmo, por apenas R$20,00 já incluído o valor da remessa. Conto com seu incentivo, já que bem sabe não é fácil divulgar cultura, especialmente poesia.

Mando algumas poesias do citado livro, espero sejam do seu agrado.

Espero um e-mail seu!

Abraços do Wandisley



O Que Dizer, Brasileiro?...


wandisley garcia

O que dizer, brasileiro,
de nossa bela nação,
se já sabe o mundo inteiro
a mais profunda canção?!...

O que dizer, brasileiro,
de nossa rica nação,
do nosso povo altaneiro,
povo amigo, povo irmão?!...

O que dizer, brasileiro,
de nossa nobre nação,
que fez D. Pedro Primeiro
um cativo da emoção?!...

O que dizer, brasileiro,
de nossa jovem nação?!...
Todos sabem do celeiro,
dos produtos deste chão!

O que dizer, brasileiro,
de nossa imensa nação:
somos um povo ordeiro
com Jesus no coração!


Horizonte Perdido

Wandisley Garcia

Acredito no horizonte perdido,
não distante daqui, não muito além...
O que no filme tem acontecido,
onde existe paz, onde existe o bem!

Onde a gente não tem envelhecido,
porque problemas lá nunca se tem,
mas esse lugar pouco conhecido,
penso, quem encontrar contar não vem!

Impossível, voltar deste "Eldorado!,
encravado em algum lugar do mundo,
tão maravilhoso, lindo e sagrado!

Acredito de todo coração,
com a pureza de um amor profundo,
a ternura mais franca do perdão!


O Homem e Computador

Wandisley Garcia

O homem tem a inteligência
dada por Nosso Senhor,
por mais que avance a ciência
ou mesmo o computador!

O homem, o seu fabricante,
nunca será superado...
Quem é ser vivo, pensante,
não máquina programada!

Por isso, homem, seu trabalho
é de fato imprescíndível,
é qual flor, nasce do orvalho:

Do seu pensar sem limite,
do seu sonho inconfundível,
inda que a máquina o imite...



Quando Venho Te Ver

Wandisley garcia

Eu, quando venho te ver:
é com o coração saltitante de alegria,
é como se cego eu visse a luz do dia...

Eu, quando venho te ver:
quanto este momento foi esperado!...
Sufoquei o ímpeto do meu coração,
ó meu doce, perfil amado!

Eu, quando venho te ver:
é com saudade fora do comum
e pelos poucos momentos que iremos ter
vamos vivê-los, como momento algum...

Eu, quando venho te ver:
não te quero triste e distraída,
se és a parte da minha vida,
a razão do meu próprio ser!

Eu, quando venho te ver:
é com o coração cheio de amor
esperançoso para oferecer
como a brisa acariciando a flor!...

Por isso, quando venho te ver:
quero teu amor, tua alegria,
nos meus braços feliz te envolver,
até que chegue nosso eterno dia!


Quando Quiseres

Wandisley garcia

Quando quiseres:
a emoção mais pura,
a palavra mais sincera,
o amor mais profundo,
não o de um segundo,
não o de uma simples quimera,
mas de uma eterna ventura,
aí, então, me procures,
e serás a mais feliz de todas as mulheres!


(wandisley_garcia1@yahoo.com.br)

SEM MEDO DO PASSADO


O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

(Por Fernando Henrique Cardoso, ex-Presidente da República)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CINCO LIÇÕES SOBRE GESTÃO

**Lição No.1 - Gestão do Conhecimento**

Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair
dele e está se enxugando.
A campainha da porta toca.
Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste se enrola na toalha e desce as escadas.
Quando ela abre a porta, vê o vizinho Bob em pé na soleira.
Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Bob diz: "Eu lhe dou 800 dólares se você deixar cair esta toalha".
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a
toalha cair e fica nua.
Bob então entrega a ela os 800 dólares prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo
na toalha e volta para o quarto.
Quando ela entra no quarto, o marido grita do chuveiro
"Quem era?" "Era o Bob, o vizinho da casa ao lado." - diz ela.
"Ótimo! Ele lhe deu os 800 dólares que ele estava me devendo?"

*Moral da história:*

Se você *compartilha informações* a tempo você pode
prevenir exposições desnecessárias!!!


**Lição No.2 - Chefia e Liderança**

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar
e na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo.
Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio.
O gênio diz: "Eu só posso conceder três desejos, então, concederei
um a cada um de vocês".
"Eu primeiro, eu primeiro".Grita um dos funcionários.
"Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida!" Puf! e ele se foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:
"Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pinas coladas!" Puf e ele se foi.
"Agora você" diz o gênio para o gerente.
"Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do
almoço".- diz o gerente.

*Moral da história:*
Deixe sempre o *seu chefe* falar *primeiro*.


**Lição Nº 3 - Zona de Conforto** **

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada.
Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:
"Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro?
" O corvo responde: "Claro, porque não?"
O coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa.
De repente uma raposa aparece e come o coelho.

*Moral da história:*

Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar
*sentado bem no alto*.


**Lição Nº 4 - Motivação**

Na África todas as manhãs uma gazela acordava sabendo que
ela deveria conseguir correr mais do que o leão se quisesse se
manter viva.
Todas as manhãs o leão acordava sabendo que deveria correr
mais do que a gazela se não quisesse morrer de fome.

*Moral da história:*

Não faz diferença se você é gazela ou leão, quando o sol
*nascer* você deve começar a *correr*.


**Lição Nº 5 - Criatividade**

Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade,
pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas.
No caminho ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram suas terras.
Ao se aproximar lentamente, observa várias garotas nuas se
banhando na lagoa, quando elas percebem a sua presença,
nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam:
nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos
espiar e for embora.
O fazendeiro responde: eu não vim aqui para espiar vocês,
eu só vim alimentar os jacarés!

*Moral da história:*

A *criatividade* é o que faz a diferença na hora de atingirmos
nossos objetivos.


(Enviado por Murilo Braga)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

AS ÚLTIMAS PRESIDENCIAIS!

1. Quem perde com a entrada de Ciro? Perde Lula, que quer uma eleição plebiscitária. Perde Marina, que vai encolher e ficar como uma candidata nanica. Perde Dilma, porque Ciro é mais forte onde Lula (Dilma) é mais forte: nordeste. Perde Serra, pois terá que contratar sessões de relaxamento para ouvir o que Ciro vai dizer sobre economia. E perde este Ex-Blog, que tem a convicção que Serra ganha no primeiro turno sem Ciro. Ainda bem que a aposta feita tinha como preliminar a não candidatura de Ciro.

2. Quem ganha com a entrada de Ciro? Seus candidatos Brasil a fora, a deputados, senadores e governadores. Exclua-se Pernambuco a governador.

3. Bolsa Família. No tempo de FHC o cadastro da Bolsa Escola era privativo da CEF. Os prefeitos, governadores e partidos não tinham acesso ao cadastro dos cartões. Cada estado ou município que tivesse responsabilidade de acompanhar poderia até fazer o seu. Mas nunca usar o cadastro do cartão. E nem repassar a deputados. Agora todas as "bolsas" têm seu cartão, e seu cadastro vai direto para o governo e seus políticos da região independente de estarem ou não gerindo um estado ou município. E toca cartas nos beneficiários, do tipo: continuidade ou perda.

4. Uns quilinhos a mais atrapalham a imagem do político na TV. Muitos quilinhos a mais atrapalham muito mais. Ainda há alguns meses para Dilma perder vários quilinhos que ganhou de novembro para cá. Pode ser um tratamento de SPA em sua própria residência e local de trabalho.

5. O que faltou no programa de ontem da Marina? Emoção. Fala de momentos significativos de sua vida, como se estivesse contando um filme. Mas o programa acerta no alvo ao buscar contatos imediatos de primeiro grau com a juventude.

(Do ex-blog de César Maia)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

SEU LUNGA

E Seu Lunga não quer tirar férias da coluna. Nem que seja por uma semana. Ou será que seus patrocinadores pensam em mantê-lo firme neste espaço? Muitas historinhas chegam. Como já salientei, não procuro saber se são efetivamente de autoria do nosso sarcástico intérprete da cretinice tupiniquim. E que recebe de algumas pessoas o epíteto de mal educado. Continuarei a prestigiar a figura, nem que chatalhos insistam na ideia de que os "causos" apresentados não saiam da boca do Seu Lunga.

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Seu Lunga estava tomando uma sopa num bar de Juazeiro. Um sujeito entra no estabelecimento e pergunta:

- Tomando sopa, Seu Lunga?

E Seu Lunga, despejando o prato fundo de sopa sobre a própria cabeça, responde:

- Não! Tô tomando banho!

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PESQUISAS PRÉVIAS

Mais uma pesquisa sai dos laboratórios do marketing empresarial. A Confederação Nacional dos Transportes é a patrocinadora desta mais recente bateria, organizada pelo Instituto Sensus. Como se sabe, Dilma encostou em Serra (33,2% x 27,8%), tendo Ciro como candidato. Com Ciro fora da disputa, Serra sobe e Dilma se mantém na posição. Ou seja, os votos de Ciro tendem a migrar em maior quantidade na direção do governador de SP. Esse será o quadro? Não. Esta é a leitura deste consultor. Vamos às explicações.

POLARIZAÇÃO

Ciro Gomes não sustenta bom índice em uma moldura de polarização. Se for candidato, em disputa mais que polarizada, será comprimido/espremido pela alta visibilidade dos dois contendores Serra e Dilma. Não terá bom espaço na mídia eleitoral, seus palanques não passariam de 7 nos Estados, enquanto Dilma teria 35 palanques e Serra 25. Nenhum candidato resiste a uma bateria de comunicação intensa. Seria afogado pela maré comunicativa dos dois maiores candidatos. Tem razão Luiz Inácio quando aconselha Ciro a se retirar do páreo federal para brigar no páreo paulista.

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Seu Lunga foi à feira e comprou uma galinha caipira. Chegando a casa ele deu pra mulher. E ela pergunta:

- Lunga, é pra matar?

Lunga responde:

- Não, dê uma surra e solte.

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PÁREO PAULISTA

Mas é claro que Ciro Gomes não tem potencial para ganhar uma campanha em SP. O que Lula pretende é abrir um palanque contundente dentro do maior colégio eleitoral do país. SP tem 30 milhões de eleitores. Ciro poderia ser a cabeça de ponte na estratégia de estender o campo de lutas de Dilma. Com seu estilo bombástico, se prestaria a ser o aríete contra Serra, no território principal deste. Dilma poderia aproveitar esse tiroteio acirrado para aparecer ao lado de Lula. E o PT seria orientado a descarregar seus 30% de votos, históricos, em Ciro. O problema: Ciro não quer. Pretende, isso sim, disputar o pleito majoritário federal.

TRÊS MAIORES PALANQUES

Nos três maiores colégios eleitorais, a divisão será esta: em SP, o palanque tucano será bem maior que o palanque de Ciro ou um candidato pelo PT (30 milhões de eleitores); Geraldo Alckmin tem melhores condições de liderar o palanque paulista. Em MG, o segundo maior colégio (mais de 13 milhões de votos), o palanque de Serra será aberto por Aécio; já o palanque de Dilma terá Hélio Costa, Fernando Pimentel ou Patrus Ananias, além do vice Zé Alencar. No RJ, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho abrirão um grande palanque para Dilma. A perspectiva de Serra é com o palanque de Fernando Gabeira, mas este estará comprometido com Marina Silva. No segundo turno, Serra poderá deslanchar.

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Seu Lunga foi a um restaurante pra tomar uma sopa. Ao chegar, o garçom o abordou:

- O senhor quer a sopa num prato ou numa tigela?

Como sempre, muito educado, ele respondeu:

- Não! Despeje no chão e traga a sopa com o rodo.

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PALANQUES MÉDIOS

Na BA, Jaques Wagner, o governador, e Geddel Vieira Lima, o ministro, farão dois palanques para Dilma. Paulo Souto, do DEM, recepcionará José Serra. Dilma terá mais força. No PR, Beto Richa ou Álvaro Dias puxarão o cordão de José Serra e Osmar Dias estará no palanque adversário com Dilma. O vice-governador Pessuti, do PMDB, tende a ficar com Dilma. Em PE, Eduardo Campos, o governador, muito bem avaliado puxará o carro de Dilma. A única opção de Serra é a candidatura do senador Jarbas Vasconcelos ao governo. Poderia ter um bom palanque neste caso.

ATÉ ONDE DILMA CHEGARÁ?

Dilma Rousseff (ou Dilma do Chefe, como está sendo chamada no nordeste) poderá chegar aos 35%. Esse é o patamar histórico do PT. Margens maiores dependerão das circunstâncias eleitorais: ambiente econômico, satisfação social, harmonia e segurança social. Lula já passou razoável pacote de votos para Dilma. Não se pense que ela conquistou esses índices que aparecem em pesquisa por força pessoal ou capacidade de influenciar as massas. Dilma não gera empatia. Por isso, Lula é o transferidor de votos. Mas há um limite nesse processo.

PÍLULAS DO ENEM

Retrato em 3x4 do nosso alunado nas bancas do Enem:

- "O pobrema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."

- "A amazônia é explorada de forma piedosa."

- "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta."

- "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."

- "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."

- "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação."

- "Espero que o desmatamento seja instinto."

- "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo."

REINVENTAR O MUNDO

Lula não foi a Davos por conta do stress que fez subir sua pressão. Aliás, a altitude tem impregnado a alma de Lula. No discurso que mandou para o Fórum Mundial, lido por Celso Amorim, disse que o Brasil fez tudo certo e que o mundo faz tudo errado. Por isso, urge reinventar o mundo. Deus está mandando três anjos para a terra. Missão: perguntar se Luiz Inácio toparia substituir Deus, apenas por 7 dias, tempo suficiente para o Reinventor do Mundo realizar a tarefa.

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Seu Lunga estava deitado no sofá quando alguém faz a pergunta:

- Tá dormindo Seu Lunga?

- Não! Tô treinando pra morrer.

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DESPEDIDAS

Aliás, o Reinventor do Mundo despediu-se, ontem, do Congresso, por ocasião da instalação do ano judiciário. Lembrou, em tom de saudades, os sete anos de relacionamento entre Executivo e Legislativo. E mostrou a força do Brasil, respondendo de forma rápida à crise mundial. Ressaltou que o país continuou gerando empregos e fortalecendo a infraestrutura. Que, como o sabemos, é precária, a partir do sistema de transportes. E a geração de empregos continua engessada pela visão ortodoxa das Centrais Sindicais. Que dão o tom no Ministério do Trabalho e Emprego.

SISTEMA INSTÁVEL

"O sistema financeiro mundial que emergiu do processo de globalização dos mercados financeiros era fundamentalmente instável, porque foi construído sobre a falsa premissa de que é possível permitir que os mercados financeiros patrulhem a si mesmos. Foi essa a causa do colapso, e é por isso que não poderemos remontá-lo na forma que tinha." (George Soros)

SINDICALISMO EM QUEDA

O sindicalismo no Brasil entrou em processo de declínio no ciclo Lula. Quem faz a constatação é o próprio Instituto Sensus, esse que deu a pesquisa sobre o crescimento de Dilma. Em novembro de 2000, das pessoas entrevistadas, 5,7% eram sindicalizadas; hoje, esse índice é de 5,3%. Por que murcha? Porque as Centrais Sindicais nadam em grana. Porque o sindicalismo virou pompa, fausto, divertimento e zorra total. Os lobos de antigamente viraram cordeirinhos a comer grana nas cercanias do Planalto Central.

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Estava Seu Lunga, como de hábito, lavando a calçada com a mangueira quando passou uma vizinha e fez a infeliz pergunta:

- Ô Seu Lunga tá lavando a calçada?

E ele com toda sua educação:

- Não, tô regando pra ver se nasce poste...

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CAMPANHA DE DILMA

A campanha de Dilma começa a tomar forma no aspecto do comando. José Eduardo Dutra, presidente eleito do PT, estará no comando, mas o deputado Palocci dará as cartas como assessor de alto nível. O programa de governo ficará a cargo de Marco Aurélio Garcia, o teórico do PT, e o marketing será tocado por João Santana. Duda Mendonça até que tentou se encostar, mas levou um chega prá lá. Seu nome lembra pólvora. Meirelles funcionará como um consultor em matéria de política econômica. Franklin Martins e Gilberto Carvalho serão orientadores, ombudsman de Dilma.

PAULINHO DO DEM

Paulo Bornhausen será o líder do DEM na Câmara neste ano de campanha eleitoral. Paulinho é um grande articulador e tem expressão caprichada. Como o pai, Jorge, mantém contatos estreitos com Serra, Paulinho funcionará como link para juntar equipes e estruturas. O prefeito Kassab tem a ver com essa escolha.

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Seu Lunga vai à feira e compra limão. Passa uma mulher na rua e pergunta:

- Isso é limão na sua mão, Seu Lunga?

Seu Lunga pega uma faca, parte o limão no meio e responde espremendo o limão nos olhos:

- Nããããoooooo, é colírio!!!

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TEMER, COM MAIS FORÇA

Michel Temer é o nome de maior prestígio no PMDB. Por seu perfil cordato, Michel consegue ser rara unanimidade no seio do maior partido brasileiro. Não reivindica a vice de Dilma, até porque, na presidência do PMDB e na presidência da Câmara dos Deputados, consegue juntar mais poder e visibilidade que no cargo de vice. Como candidato a deputado federal – e está em campanha – terá boa votação, porquanto reúne ampla base de prefeitos. Só examinará a possibilidade da vice nas próximas semanas. Tende pela não aceitação, apesar das fortes pressões para que aceite o cargo. Inclusive por parte de perfis que pretendem sucedê-lo na presidência da Câmara.

TUNGA NO CONTRIBUINTE

O Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, coordenado pelo empresário José Maria Chapina Alcazar, fará ampla movimentação em Brasília para impedir mais uma tunga no contribuinte. Trata-se do famigerado projeto conhecido como II Pacto da República – Projeto 5.080/09 – que sugere mudanças na Lei de Execuções Fiscais. O projeto tenta criar a figura da execução prévia, ao atribuir à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a atividade jurisdicional, função legítima do Judiciário, dando-lhe a faculdade de constrição prévia de bens, inclusive com penhora on line, ferindo, dessa forma, a norma constitucional e proporcionando um dos mais violentos atentados contra os direitos dos contribuintes em toda a história brasileira. A comunicação posterior por parte do Erário ao Poder Judiciário, que poderá ser embargada não terá efeito suspensivo, numa fantástica fragilização do direito à ampla defesa assegurada pelo inciso LV do artigo 5º da CF/88.

MAIS UM GOLPE

A criatividade do governo na esfera autoritária é inesgotável. A última novidade é a complexa Portaria 1.510/09, do Ministério do Trabalho e Emprego, que cria o Registrador Eletrônico de Ponto e traz novidades sobre os programas e a manutenção dos sistemas eletrônicos de ponto de empresas com mais de dez funcionários. Mais uma vez caberá ao empreendedor brasileiro o ônus do processo. Caso não arque com os expressivos custos para implantação e manutenção do sistema, estará sujeito a astronômicas multas administrativas. Para se ter ideia do grau de exigência da nova determinação, as empresas serão obrigadas a manter equipamento com capacidade de funcionamento de 1.440 horas ininterruptas em casos de ausência de energia. O ponto deverá ter também impressora de uso exclusivo e de excelente qualidade para imprimir material com durabilidade mínima de cinco anos.

CONSELHO AO PRESIDENTE LULA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos deputados distritais. Hoje, volta sua atenção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

1. Ao receber a pesquisa Sensus, vossa Excelência fez uma gozação e vibrou por constatar que Dilma encostou em José Serra. Muito cuidado, presidente.

2. Pesquisa, nesse momento, apenas afere a visibilidade de perfis. E, como se percebe, Dilma está correndo os palanques dos Estados em campanha antecipada.

3. Não comemore antes do tempo, presidente. Dilma deverá crescer ainda mais, podendo chegar aos 35%. E até a ganhar a eleição. Mas o tempo é o senhor da razão. Espere por setembro, mês da grande definição. E então, vibre ou chore.

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* Gaudêncio Torquato

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

LEMBRANÇA

Ontem, foi celebrada a missa de sétimo dia do falecimento de Osvaldo Bezerra do Nascimento.

Abaixo, segue crônica que lapidei em sua homenagem.

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Olá Júnior,

Mais uma vez parabéns por valorizar e nos mostrar um pouca da vida daqueles que mesmo indo nos deixam uma história que vale a pena ser divulgada.

Passei um mês viajando, por isso sumi um pouco, mas já estou de volta atualizando-me neste seu espaço onde a variedade de textos é um atrativo a mais.

Um abraço,

Dalinha

OSVALDO BEZERRA


Na noite de 27 de outubro de 2009, a convite do senhor Iran Parente, empresário que por muitos anos comandou a Crateús Algodoeira S/A, participei de uma solenidade do Lions Jangada Fortaleza, onde foram prestadas homenagens a Arimateia Santos e Claudino Sales, ex-integrantes daquele clube. Lá estava Osvaldo Bezerra do Nascimento, cuja silhueta denunciava um combatente em prol da própria saúde. A certa altura, sentou-se ao meu lado e me pediu para fazer a leitura, no microfone, de uma peça de arquitetura literária que havia preparado para aquela ocasião. Externei-lhe que me sentia honrado com a deferência, mas – cristão novo naquele ambiente – julgava que ele, enquanto lavrador do texto e sobejamente conhecido de todos, era indiscutivelmente mais indicado. E assim ocorreu.

Após o evento, ainda sob o impacto emocional daquele momento, mencionei que desejava brindá-lo com uma crônica. O seu globo ocular se iluminou.

No dia seguinte, chegava ele ao meu escritório, trazendo uma Revista da Academia Leonística de Cultura no Ceará, onde ocupava a cadeira 41. Às folhas 46/47 da Revista, um texto de seu lavor contendo admoestações sobre “O Homem – Dignidade – Oportunidade”, onde se lia: “É no respeito pelo homem que se fundamenta todo relacionamento social. Uma vez perdido esse respeito, perde-se a possibilidade de estabelecerem-se relações sociais saudáveis e, conseqüentemente, a oportunidade de usufruirmos a felicidade real que poderíamos gozar neste mundo, com o verdadeiro prazer de uma convivência delicada e elegante sem a qual a humanidade se transformaria em verdadeira alcatéia de lobos”.

Mais adiante, exclamava: “Quão bom seria que o homem usasse o seu cérebro privilegiado, sua inteligência, o seu raciocínio, sua disposição, enfim, as suas potencialidades, para o bem-estar social”.

No caso, identificamos que a caneta utilizada por Osvaldo para a escrita desse texto fora irrigada com a tinta do mesmo sangue que agitava seu batimento cardíaco. Desde meninote, quando mirava sua figura galante, de apreciador dos bons costumes, alimentador de hábitos gregários, sempre imaginei: “aí vai um típico lorde, homem de espírito nobre”.

Este fidalgo cidadão, nascido em Independência no dia 1º de março de 1937, partiu. Deixou-nos na última terça-feira, 26 de janeiro de 2010. Foi ocupar seu merecido assento entre os membros da elevada estirpe.

Sua extensa e memorável dedicação ao múnus público se iniciou e sempre girou sob o esquadro de Crateús, onde iniciou os estudos na Escola Normal, com passagem no Ginásio Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e na Escola Padre Champagnat, em Fortaleza, onde depois bacharelou-se pela Universidade Federal do Ceará.

Mesmo sob a administração de seu filho Osvaldo Júnior, o tradicional Cartório do 1º Ofício, na Rua Coronel Lúcio, em Crateús, tem o fenótipo do velho Osvaldo. Confunde-se com sua figura. As paredes, enfeitadas com diplomas, prêmios, troféus e certificados os mais diversos, lembram seu intenso apostolado público e sua afortunada militância filantrópica.

Na seara pública, dentre outras empreitadas, foi diretor da Escola de Comércio Padre Juvêncio, de 1962 a 1966; Superintendente regional de Ensino, de 1964 a 1968; Chefe do Escritório Regional da Casa Civil, em Crateús, de 1969 a 1970; Consultor Jurídico do Estado, de 1972 a 1978.

Na atividade sócio-cultural, dirigiu o Clube Caça e Pesca; foi Secretário do Centro Folclórico de Crateús; presidiu, em sete mandatos distintos, o Lions Clube de Crateús, tendo assumido as mais destacadas funções, inclusive a de Governador do Distrito L-15, além de participar de praticamente todas as Convenções Distritais e Nacionais, bem como das internacionais de Dallas, no Texas, Estados Unidos, e de Montreal, no Canadá.

Um dos seus principais contributos a Crateús foi ter idealizado, por uma chispa altruística, um dos mais respeitados espaços educacionais da urbe. Em 1967, sob o influxo inspirativo da insígnia Leonística do SERVIR, solicitou ao pai, Antonio Bezerra do Nascimento, uma quadra no bairro Castelo. Nessa quadra foi erigida, em forma de H, a “Escola Lions Clube”, uma das mais privilegiadas referências de escola pública da cidade.

Osvaldo, em sua germinação latina, significa “poder dos deuses”.

Imaginava escrever-lhe uma estampa louvativa. E, depois, observar a reação das suas esferas oculares. Que pena! Elas se fecharam antes disso.

Por isso, sem pestanejar, saúdo sua alma leonina, plena de potencialidades sublimes, e agradeço sua contribuição terrena. Boa estada no céu!

(Por Júnior Bonfim)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

OPHIR CAVALCANTE É O NOME DO NOVO PRESIDENTE DA OAB NACIONAL


Vinte e um anos depois, um paraense volta a ocupar o cargo mais alto de uma das mais importantes entidades da sociedade civil organizada do Brasil. Seguindo a trilha do pai, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil entre 1989 e 1991, o advogado Ophir Cavalcante Júnior toma posse nesta segunda-feira, dia 1º, como presidente do Conselho Federal da OAB.

Ciente da importância da posição, ele promete abrir guerra à corrupção, principalmente a eleitoral, já que o ano será marcado pela disputa nas urnas. O voto deve ser a principal arma do cidadão contra a corrupção. Por isso, devemos garantir que o voto reflita a real vontade do eleitor, seja um elemento de transformação social.

Vamos criar uma Comissão de Combate à Corrupção, seja ela eleitoral ou de outra ordem, garante ele. Em entrevista ao repórter Anderson Luís Araújo, o novo presidente da OAB defende a reforma eleitoral com a inclusão do voto de lista fechada e o financiamento público das campanhas. Mencionou ainda que os mais de 1.100 cursos superiores de Direito no Brasil representam um risco para a qualidade do ensino e a formação dos profissionais. E anunciou a luta pela instalação de duas sedes do Tribunal Regional Federal na Amazônia, uma delas com sede em Belém.

Além de Ophir Cavalcante, que assumirá o cargo de presidente em substituição ao advogado sergipano Cezar Britto, integrarão a nova diretoria os advogados Alberto de Paula Machado (vice-presidente); Marcus Vinicius Furtado Coelho (secretário-geral); Márcia Regina Machado Melaré (secretária-geral adjunta) e Miguel Ângelo Sampaio Cançado (diretor-tesoureiro). (Foto crédito OAB Nacional).


Leia abaixo a íntegra da entrevista publicada na edição de ontem do Jornal O Liberal (PA):

Qual será o enfoque da sua gestão à frente da OAB Nacional?

R - Depois do 11 de setembro nos Estados Unidos, todos passaram a ser culpados até que provassem que eram inocentes, invertendo o princípio constitucional da presunção da inocência. No Brasil, tentou-se instalar o Estado policial, e a gestão do presidente Cezar Britto, da qual fiz parte, reagiu na defesa das liberdades individuais e coletivas. Hoje, um outro desafio se apresenta: o combate a associação da corrupção com a impunidade. A nossa gestão se dedicará a combater isso que faz desviar dos cofres públicos dinheiro para manter e eleger políticos inescrupulosos; que usa cargos públicos comissionados como moeda de troca. Enfim, todo e qualquer tipo de corrupção que desvie dinheiro do contribuinte para beneficiar quem quer seja será por nós combatida, a fim de que a sociedade não perca a confiança nas instituições.

O ano é eleitoral. Como será atuação da OAB para barrar uma das mazelas mais antigas da democracia no Brasil, a compra do voto?

R - O voto deve ser a principal arma do cidadão contra a corrupção. Por isso, devemos garantir que o voto reflita a real vontade do eleitor e seja um elemento de transformação social. Vamos criar uma Comissão de Combate à Corrupção seja ela eleitoral ou de outra ordem. E vamos precisar fazer parcerias com outras entidades, como a CNBB, Ministério Público, a Imprensa. Essa Comissão terá será replicada por todo o país onde houver uma representação da OAB. Nunca é demais lembrar que a democracia tem um preço, que é o da eterna vigilância. Os avanços e recuos fazem parte da construção democrática, e eu confio no Brasil. Confio que as nossas instituições podem superar os desafios e, com gente honrada, poderemos mudar o mau conceito que se tem hoje dos políticos.

Como será a campanha de combate à corrupção eleitoral especificamente no Pará? Alguma diferença para outros Estados?

R - A corrupção eleitoral não privilégio de nenhum Estado. Só a reforma no sistema eleitoral - hoje ainda um sonho distante - com o fortalecimento e a democratização dos partidos poderá mudar o atual estágio. A Ordem defende o financiamento público de campanhas e a lista fechada, pois com isso permitiremos que pessoas que desejam fazer da política um meio de mudança para melhorar da sociedade passem a participar mais da vida política do país. Pode até não acabar com a corrupção eleitoral, mas a reduzirá a níveis muito pequenos, porque as pessoas não precisarão fazer acordos com empresas para depois pagarem quando assumirem o poder. Agora, é preciso o engajamento da sociedade. Nós, pessoas de bem, somos a maioria e devemos - e podemos - exigir a reforma do sistema eleitoral. É preciso sair do imobilismo e passar a ação. Sim, nós podemos e vamos fazer.

Qual a maior dificuldade para barrar a corrupção eleitoral no Pará?

R - O Pará é um Estado de dimensões continentais e qualquer ação em nosso Estado é sempre difícil de executar. Mas, com o engajamento dos advogados, da sociedade, do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal, podemos melhorar esse combate, que a meu ver deve ser uma batalha difícil, que a sociedade e os políticos comprometidos com a ética vão vencer.

É a primeira vez que o Pará faz um presidente da OAB? Como foi a articulação para vencer a eleição e chegar à frente de uma das entidades mais importantes da sociedade civil organizada no país?

R - Não, não é a primeira vez que um paraense assume a presidência da OAB Nacional. O primeiro foi meu pai, Ophir Filgueiras Cavalcante, no biênio 89/91. Aliás, foi o único até a minha eleição, nos 80 anos da OAB, a representar a região Norte. Deus quis que eu repetisse esse feito e estou pronto para, com o apoio dos advogados do Pará e de toda a sociedade paraense, engrandecer o nome do Estado. Será uma tarefa difícil, mas quem acredita em Deus e tem fé consegue ultrapassar as barreiras. A articulação foi natural e decorrente do trabalho que desenvolvi à frente da OAB-PA em dois mandatos e na Diretoria Financeira do Conselho Federal, conquistando a confiança dos colegas que presidem 26 dos 27 Estados da federação.

Faz diferença para o Pará ter um paraense a frente da OAB? Haverá alguma ação específica para Estado?

R - Acredito que faça sim diferença, porque eleva a autoestima dos paraenses, que, ao me verem presidindo a OAB Nacional, se sentirão motivados a mostrar ao Brasil que o Pará é uma terra de gente competente e de bem. Depois, porque procurarei ajudar o Pará em todas as demandas legítimas da sociedade paraense junto aos Poderes constituídos e também porque procurarei difundir a nossa cultura e as nossas tradições.

A OAB Nacional vai se empenhar pela instalação de um Tribunal Federal para a Amazônia, com sede em Belém?


R - O TRF da 1ª Região é um monstrengo judiciário, porque sua jurisdição açambarca 14 Estados da Federação, envolvendo Estados do Sudeste, alguns do Nordeste e todos os do Norte. Não há como se levar justiça para todos esses cantos de forma célere. Por isso, é preciso uma divisão da jurisdição criando-se três ou mais tribunais, sendo que para a Amazônia eu defendo que haja dois tribunais, um com sede em Belém e outro em Manaus. As sedes de que falo levam em consideração não só a geografia da região, mas também o potencial econômico de cada qual, sendo que o Pará supera em números de feitos todos os demais Estados da Região Norte, daí porque é fundamental uma sede aqui. A presença da Justiça é importante, porque dá segurança às pessoas e às empresas que desejam investir em nosso Estado, além de ampliar o acesso à Justiça e o mercado de trabalho.

Como o senhor avalia a atuação da OAB na luta pelos direitos da sociedade atualmente? O senhor acredita que, com o tempo, a entidade perdeu a força de mobilização e transformação?

R - A Ordem nunca deixou de lutar pelos direitos da sociedade, que é um dos seus compromissos, e continua, sim, a mobilizar a sociedade. Recentemente, fizemos uma passeata em Brasília envolvendo mais de 2 mil pessoas contra PEC do calote, que permite aos Estados e municípios pagar suas dívidas para com os credores em 15 ou mais anos. Ou seja: muitas pessoas morrerão e não receberão o que o Estado lhes deve. A PEC foi aprovada e agora a OAB luta no STF para demonstrar a inconstitucionalidade. Estamos - e continuaremos - fazendo a nossa parte para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Qual o maior desafio da Ordem hoje e como o senhor pretende enfrentar esse desafio?

R - São vários os desafios, sendo o destaque o combate à corrupção e à impunidade; a luta pela qualidade do ensino jurídico; a luta na defesa das prerrogativas, essenciais para o equilíbrio do processo judicial; a luta por um meio ambiente sustentável; a luta pelos direitos humanos, um desafio ainda presente hoje no Estado brasileiro. Enfim, teremos vários e vamos trabalhar para vencê-los.

Há uma quantidade grande de cursos superiores no Brasil e ainda assim muita reprovação na prova da Ordem. O senhor atribui isso a quê?

R - Temos hoje mais de 1.100 cursos de Direito do Brasil, enquanto nos EUA eles são 180. Demonstra uma deformação no nosso sistema. A proliferação desses cursos, sem um controle mais efetivo, trouxe a massificação e baixa qualidade, seja do corpo docente, seja do corpo discente. A posição da Ordem é lutar pela qualidade do ensino jurídico, pois é fundamental que a sociedade tenha profissionais para lidar com dois bens vitais para todos, a liberdade e o patrimônio. A unificação do Exame de Ordem tem demonstrado que temos poucas faculdades que aprovam bem e uma maioria que aprova pouco, com o mesmo conteúdo programático pautando os exames. Para a OAB, ter 2 milhões de advogados não seria problema, mas a nossa responsabilidade é com a sociedade e com a dignidade da profissão. Por isso, não podemos transigir com a baixa qualidade de ensino. Precisamos de um ensino de qualidade que informe e forme bons profissionais.


(Fonte: Opinião Jurídica)