quarta-feira, 27 de abril de 2011

YARA

A YARA é minha afilhada e aniversaria hoje. Sinto o gáudio de ser padrinho de uma bela garota de nome lendário. Parabéns! Que Maria te guarde sempre no coração!

Meu presente:

Conta a lenda que surgiste da mata azul, em noite clara;
Nas horas mortas da noite, forjas uma doce cantiga;
Inventas a partitura dos sonhos, a nota mais cara;
Tens na fronte o suave brilho da esmeralda mais antiga.

A alma da tua calorosa pele é impermeável à intriga
Tens a voz do horizonte, a sintonia fina, a melodia que sara
Exibes o talismã solidário, a leve tiara de amiga
Carregas o fardo da paixão, o amor como uma aura.

De repente, somes no rio... És uma espécie rara:
Ouço teu idioma de luz, canção que não pára;
Tens longos cabelos, olhos de mar, pêlos de areia,

Mãe da água e do luar, minha fonte seca hoje te encara:
Depois de muito perscrutar, te decifrei, acertando na veia:
És a menina musa, a moça madura, a mulher sereia!



(Júnior Bonfim)




terça-feira, 26 de abril de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL


Os desafios reais da presidente Dilma


No campo da política, o Palácio do Planalto não tem de se preocupar com a atribulada e complicada oposição (v. nota abaixo). Sua luta é com seus próprios partidários, muitos ainda insatisfeitos com a divisão do bolo dos cargos (nesta lista entram até algumas alas do petismo) e todos, praticamente sem exceções, desacorçoados com os cortes nas emendas parlamentares. Esta semana a presidente Dilma terá de dizer como vai ficar o decreto do presidente Lula, suspendendo os restos a pagar de 2007, 2008 e 2009 que não tiverem sido executados. Prefeitos, deputados e senadores estão unidos na luta pelo cancelamento do cancelamento. Se não fizer um agrado a esse grupo, a paz política de Dilma vai começar a esmaecer. E sem a contribuição do PSDB, do DEM e do PPS.


É a economia


Já no terreno econômico há pântanos a serem enxugados: os agentes formadores de preço ainda não estão totalmente convencidos de que o gradualismo adotado na política anti-inflacionária é o melhor remédio para a luta contra a ameaça de carestia. Não se confia na política fiscal (corte efetivo de despesas em vez de sustentar o superávit primário no aumento da receita). Nem se tem tanta certeza de que as medidas "macroprudenciais" adotadas até agora terão os efeitos e o alcance imaginado pelo BC. A própria independência do novo BC tem sido posta em dúvida aqui e acolá. Por fim, há a confusão do câmbio, pesadelo das indústrias nacionais.


O novo aumento dos juros


Escrevemos na semana passada em relação à decisão do COPOM : "subir 0,25% ou 0,5% será o indicador do esforço que o governo está disposto a incorrer". Pois bem : a elevação de 0,25% indica que o governo (e não mais apenas o BC) está apostando no gradualismo da política monetária. De fato, um governo não precisa fazer o que o "mercado" está a projetar, ou sugerir, ou pressionar. Todavia, a questão aqui é outra : o fato é que a inflação está efetivamente se "espalhando" na economia brasileira e não há nenhuma barreira relevante, fiscal e/ou monetária, para evitar que a inflação futura seja menor que a atual. Ademais, há mecanismos de indexação desde as tarifas de serviços públicos até a caderneta de poupança. Este é o maior risco, não necessariamente a aposta "contra o mercado". O governo errou o momento e a forma de "peitar" os agentes do mercado financeiro.


A aposta do mercado


Apenas para registrar: a pesquisa Focus do BC, que coleta nas instituições financeiras dados projetados sobre contas públicas, atividade e inflação, continua registrando que a atividade cai, o déficit público não sofrerá e a inflação sobe - esta já bate em 6,34% para este ano.


É a infraestrutura


O poço mais fundo que Dilma deve saltar, no entanto, está na área de obras e de oferta de bens e serviços de infraestrutura. A lista é longa e exige início imediato de ações:

1. O problema do preço e da garantia de abastecimento de álcool e gasolina, cujo consumo está subindo exponencialmente e, em pouco tempo e no mesmo ritmo, poderá não ser totalmente atendido pela produção local. A Petrobras e os produtores de álcool já tiveram de fazer algumas importações.

2. A questão de energia elétrica, com atrasos em projetos que podem levar a apagões temporários mais constantes em algumas regiões. A Aneel considerou a situação preocupante principalmente no Norte e está cobrando providências das companhias. E a Petrobras vai entrar com mais força no campo das termoelétricas.

3. Há um abarrotamento visível de portos e aeroportos. Com ou sem Copa, com ou sem Olimpíadas, esses últimos já chegaram ao limite, sem que se tenha uma solução desenhada, seja com recursos públicos, seja com concessões privadas.

4. O Plano Nacional de Banda Larga, de adiamento em adiamento, não saiu ainda do papel. A reativação de Telebrás só trouxe até agora despesas e empregos. O remédio vai ser apelar para as operadoras de telefonia privada, antes consideradas dispensáveis no PNBL. Mas os entendimentos estão complicados. A meta de atender mais de mil cidades este ano com internet de alta velocidade a R$ 35 já está fora de propósito. Reduzir esse preço para R$ 29 (ainda alto para um país com a renda do Brasil), como quer a presidente, depende dos governadores aceitarem abrir mão do ICMS. E nem todos querem perder receita, ainda mais que eles sabem que a banda larga tira tráfego da telefonia comum.


Em nome de quem?


Dúvida assola o mundo político: quem será o patrono do PSD - Serra ou Palocci? Serra por causa do silêncio obsequioso com que tem acompanhado o esvaziamento do DEM e até do PSDB paulistano e porque seus aliados no DEM paulista estão migrando para o partido de Gilberto Kassab. E Palocci pela contribuição desinteressada dada ao nascimento do novo partido.


A voz do dono


O presidente oficial do PT, cargo atualmente ocupado por José Eduardo Dutra, é função para cerimônias e os trabalhos burocráticos. Dão as cartas mesmo no partido, de fato, Lula e José Dirceu. Sem eles o PT não acontece, sem o aval deles nada acontece.


Realidade ou farsa


O vice-presidente Michel Temer anunciou a ida do deputado Gabriel Chalita para o PMDB e sua provável escalação como candidato peemedebista à prefeitura paulistana. Como existe uma coisa (incômoda para os partidos e para os políticos) chamada fidelidade partidária, ou Temer, que é jurista de respeito, achou uma brecha para livrar o filósofo, escritor e professor Chalita desta camisa de força ou então espera que a mini (e olhe que mini!) reforma política em gestação em Brasília vai dar uma fórmula para abrir as porteiras partidárias.


Como cegos em tiroteio


A oposição não sabe como se defender dos ataques do PSD de Kassab. Ainda não descobriu como se opor ao governo Dilma. Não sabe se dá forças a Aécio Neves ou insiste mais uma vez com José Serra. A pouco mais de um mês de sua convenção, o PSDB não sabe como formar seu novo diretório nacional. O DEM desmilingue-se em plena praça pública. O PPS é o único que procura preservar sua unidade, punindo como pode os infiéis - já expulsou militantes em vários Estados. Mas tem pouca força, e quase nenhuma voz.


Sem mudanças profundas


Se entendermos por reformas estruturais mudanças amplas nos sistemas e modelos vigentes, podemos dar adeus definitivo à reforma política, à reforma tributária, à reforma previdenciária ou qualquer outra. Poderemos ter, no máximo, algumas alterações pontuais. Não é do interesse do governo mexer nesses vespeiros. Nem dos partidos.


A política...


Deve ficar restrita ao financiamento público de campanha, a uma liberalização da fidelidade partidária e a alguns penduricalhos, tipo data da posse nos executivos, de nenhuma importância. Até a proibição das coligações partidárias nas eleições proporcionais, dada em algum momento como certa, perdeu força e foi para o limbo: o PT não quer e os partidos pequenos também não.


A tributária...


O grande nó que o governo Federal e os empresários gostariam de desatar é a complicação do ICMS, o imposto mais confuso do país. Mas os governadores não aceitam as propostas postas na mesa e sem eles não se sai do lugar. A desoneração da folha de pagamento, a redução da contribuição previdenciária, prometida por Dilma durante a campanha e reiterada no início da gestão, esbarra nos cofres do Tesouro. Terá de ser compensada por outra receita, e aí é trocar seis por meia dúzia - o custo tributário para as empresas continuará o mesmo. Além do mais, com a arrecadação Federal crescendo como cresceu nos três primeiros meses do ano - 12% em termos reais - não é de bom tom tocar no que está dando certo.


A previdenciária


Esta morre nas resistências dos sindicalistas e dos servidores públicos.


Ouro, commodities, vídeo tapes


Quanto mais lemos e pesquisamos sobre as razões para a alta dos metais preciosos e das commodities, maiores são as chances de acreditarmos que existe uma "bolha" neste segmento. São muitas as alegações para a alta das cotações, a maioria justificada, mas o nível de preços atual projeta um cenário que teria que combinar hiperinflação (para justificar os preços dos metais) com atividade em alta (para justificar os preços das commodities). Sinceramente...



(Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

STF DECIDE SE VAGA É DO SUPLENTE OU DA COLIGAÇÃO

Na próxima quarta-feira (27/4), os olhos do Congresso Nacional e dos partidos políticos estarão voltados, mais uma vez, para o Supremo Tribunal Federal. Os ministros devem definir se as vagas que se abrem na Câmara dos Deputados em razão do afastamento dos titulares devem ser preenchidas pelos suplentes do partido ou pelos da coligação partidária.

Para especialistas, o julgamento marca uma batalha entre a segurança jurídica e a coerência da Corte com suas decisões anteriores. A segurança jurídica reside no fato de que até então essa discussão simplesmente não existia. Há décadas se consolidou, no âmbito da Câmara dos Deputados e do Tribunal Superior Eleitoral, que quem toma posse no lugar do titular é o suplente que obteve mais votos dentro da coligação pela qual foi eleito.

Por outro lado, o Supremo definiu, em 2007, que o deputado que troca de partido durante o mandato sem motivos para isso perde a cadeira no Parlamento por infidelidade partidária. Ou seja, o mandato pertence ao partido, não ao titular do mandato. Logo, a vacância por afastamento, morte ou mesmo renúncia de um deputado deve ser preenchida por um suplente do mesmo partido ao qual pertencia o titular, não da coligação.

Para o advogado eleitoral Rodrigo Lago, o tribunal pode encontrar um caminho para garantir as duas coisas: a segurança jurídica e a preservação de sua jurisprudência. “Não é possível permanecer em vigor dois regimes distintos de suplência. Um para vacância decorrente de infidelidade e outro para os casos de licença, renúncia ou mesmo de morte do titular”, afirma.

Assim, por uma questão de “coerência hermenêutica”, o advogado acredita que os cinco ministros que até agora decidiram que a vaga é do partido andaram bem. Mas, de acordo com Lago, o Supremo deve decidir que a nova interpretação vale somente para as eleições de 2012, o que preservaria a segurança jurídica, já que modifica uma prática em vigor há décadas, segundo a qual a vaga de suplente é preenchida pelo mais votado a partir da lista da coligação partidária.

“Em razão de se tratar de uma mudança abrupta, deve ser aplicada apenas para o futuro. Todos os acordos entre os partidos para formar as coligações foram feitos sob a regra anterior de suplência, que nunca havia sido questionada. Para preservar a legitimidade desses acordos, o Supremo pode aplicar o que se chama de prospective overruling. Ou seja, a decisão se aplica apenas para as eleições feitas a partir dela”, afirma Rodrigo Lago.

Outra especialista em Direito Eleitoral, a advogada eleitoral Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro concorda com Lago no que diz respeito aos efeitos da decisão apenas para o futuro. “Nas eleições de 2010, as coligações foram feitas de acordo com a regra vigente naquela ocasião. Decidir que o novo entendimento vale só a partir de 2012 permite aos partidos optar com segurança sobre a conveniência e oportunidade de se coligar sob o novo entendimento que poder vir a ser fixado. Qualquer modificação não pode se aplicar para as convenções pretéritas”, sustenta a advogada.


Decisões conflitantes

Hoje, o STF tem decisões que se chocam sobre o tema, todas tomadas em pedidos de liminar. Ou seja, provisórias. São cinco decisões liminares — uma delas tomada pelo plenário do tribunal no ano passado — pelas quais a vacância deve ser preenchida pelo suplente do partido ao qual pertence o deputado eleito que se afastou. Decidiram dessa forma os ministros Cezar Peluso, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa e Cármen Lúcia.

Em outras três decisões, os ministros Celso de Mello e Ricardo Lewandowski entenderam que as vagas pertencem às coligações eleitorais e devem ser preenchidas respeitando a ordem das listas apresentadas pela união dos partidos que disputou a eleição. No julgamento da liminar concedida pelo plenário, os ministros Dias Toffoli e Ayres Britto também defenderam essa tese.

Os ministros Luiz Fux e Ellen Gracie ainda não se pronunciaram sobre a questão em nenhuma ocasião. Quando houve a discussão do tema em plenário, Fux ainda compunha o Superior Tribunal de Justiça e a ministra Ellen não estava na sessão.

Em sua decisão sobre a matéria, o ministro Celso de Mello abordou a necessidade de o Supremo definir a partir de quando a decisão deve ser aplicada, caso prevaleça a tese de que a vaga deve ser preenchida pelo suplente do partido. De acordo com o decano da Corte, a “ruptura de paradigma” que resultará da decisão traz a necessidade de se “definir o momento a partir do qual essa nova diretriz deverá ter aplicação”, em respeito à segurança jurídica.

“O que me parece irrecusável, nesse contexto, é o fato de que a posse do suplente (vale dizer, do primeiro suplente da coligação partidária), no caso em exame, processou-se com a certeza de que se observava a ordem estabelecida, há décadas, pela Justiça Eleitoral”, registrou o ministro Celso de Mello.

Para o advogado Erick Pereira, a possibilidade de mudança nas regras de suplência causou surpresa e trouxe uma mudança significativa no ordenamento jurídico. “A regra de que a vaga do suplente pertence à coligação, que decorre do Código Eleitoral, é aplicada há 60 anos”, diz o advogado.

Erick Pereira defende a tese de que a vaga deve ser preenchida respeitando a ordem dos candidatos mais votados de acordo com a coligação. “É preciso ter em mente que o partido não obteve sozinho os votos que lhe garantiram determinado número de vagas na Câmara. O cálculo do quociente eleitoral é feito levando-se em conta as coligações”, afirma.


Realidade eleitoral


Nas eleições proporcionais, as coligações eleitorais são feitas por um único motivo: unir esforços para conquistar o maior número possível de vagas no Congresso. Partidos se reúnem, conversam, fazem cálculos, somam tempos na televisão e chegam a um prognóstico sobre sua capacidade de, juntos, eleger determinado número de deputados e senadores.

Para isso, abrem mão de parte de sua autonomia. Tanto que o partido coligado não pode acionar a Justiça Eleitoral individualmente durante o período de eleições. As ações judiciais só podem ser impetradas pela coligação. Arcam com o ônus de perda momentânea da autonomia de olho no bônus de conseguir um maior número de cadeiras no Parlamento.

Assim, o número de deputados eleitos deriva da soma de esforços, recursos e inclusive do tempo de propaganda da coligação. Como conseqüência, as vagas seriam um direito da coligação partidária.

Mas, terminadas as eleições, as coligações se dissolvem. Aí entra a tese dos que advogam que a vaga pertence ao partido. No exercício dos mandatos, os deputados se descolam da coligação e passam a representar seus partidos. O mandato se transforma, então, em um patrimônio jurídico da legenda.

De acordo com a representação partidária é que são formadas as comissões de trabalho na Câmara e definida a própria direção da Casa. Assim, um partido que obtivesse 70 vagas na Câmara e, por isso, passasse a ocupar postos-chave na Casa perderia representatividade se as vagas de seus deputados que se afastaram por quaisquer motivos fossem ocupadas por membros de outro partido. O direito de assento em certas comissões já não seria legítimo, pois não corresponderia à sua representatividade.

Caso o Supremo defina que a vaga pertence ao partido, criará dificuldades também para a flutuação de forças, já que o número de cadeiras dos partidos tende a ficar inalterado durante toda a legislatura.

Deputados convidados por governadores para assumir secretarias em seus estados ou mesmo pelo presidente da República para comandar ministérios ou secretarias no âmbito federal não enfraqueceriam a representatividade de seus partidos ao aceitar os convites e deixarem temporariamente a Câmara. De quebra, isso faria diminuir a influência do Poder Executivo no Legislativo.


Limites do Judiciário

Para o ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB-MA), contudo, a mudança de interpretação da suplência pelo STF não é uma boa ideia e a Justiça não é o foro adequado para discutir o tema. “O atual critério legal é claro e vigente há várias décadas. Não vejo razão política ou jurídica para mudá-lo pela via interpretativa”, diz.

“Considero até razoável que se faça um debate sobre essa mudança normativa, que tenha como foco, inclusive, a própria existência de coligações. Mas a mudança por meio de interpretação do Supremo pode gerar anomalias”, sustenta o ex-deputado, que também foi juiz federal por 12 anos e leciona Direito em Brasília e no Maranhão.

De acordo com Dino, mesmo que o tribunal decida mudar a regra aplicando a nova interpretação só para as eleições de 2012, a decisão fará florescer situações impensáveis até agora. Como exemplo, ele cita casos em que o titular do mandato pode ficar sem suplente porque todos os que obtiveram votos suficientes para se legitimar a substituí-lo pertencem a outros partidos da coligação.

Em uma de suas decisões, por exemplo, o ministro Ricardo Lewandowski citou levantamento feito pela Câmara dos Deputados, segundo o qual 29 deputados eleitos não possuem suplentes dentro de seus respectivos partidos e representam 14 estados brasileiros. Com os dados, o ministro afirmou que determinar que a vaga seja preenchida por um suplente do partido pode levar a situações inusitadas, como ter de fazer eleições restritas a determinados partidos.

Flávio Dino acrescenta que a decisão pode levar ao fato de um suplente diplomado pela Justiça Eleitoral, na prática, ter sua diplomação invalidada em seguida. No caso de nenhum deputado do partido do suplente ser eleito para o cargo de titular, ele não teria a quem substituir, mesmo com votos suficientes para isso. Logo, sua diplomação seria inócua.

Por essas razões, o ex-deputado sustenta que o Supremo deveria privilegiar a segurança jurídica e manter o preenchimento de vagas de acordo com os suplentes mais votados pela ordem da coligação. Ele lembra que recentemente o tribunal frisou que a segurança jurídica é um valor fundamental no julgamento da aplicação da Lei da Ficha Limpa para as eleições de 2010.

“Para ser coerente com a fidelidade partidária, o tribunal pode gerar uma série de incoerências. Se ponderarmos o que torna o sistema mais contraditório, certamente é decidir que a vaga de suplente é do partido, e não da coligação”, afirma Dino.

Mas para o relator da primeira liminar que garantiu aos partidos políticos a vaga de suplente da Câmara, ministro Gilmar Mendes, no sistema eleitoral proporcional adotado no Brasil os partidos políticos detêm um monopólio absoluto das candidaturas. Por isso, “ocorrida a vacância, o direito de preenchimento da vaga é do partido político detentor do mandato, e não da coligação partidária, já não mais existente como pessoa jurídica”.

Para o ministro, trata-se de um “direito fundamental dos partidos políticos a manutenção dos mandatos eletivos conquistados nas eleições proporcionais”. De acordo com Mendes, apesar de esse direito não figurar expressamente no texto constitucional, decorre do regime de democracia representativa e partidária adotado pela própria Constituição.

O voto do ministro prevaleceu na ocasião, mas com a composição do plenário incompleta. Agora, com os 11 ministros presentes ao julgamento da próxima quarta-feira (27/4), o Supremo definirá a questão.


(Fonte: CONJUR)

domingo, 24 de abril de 2011

RAIMUNDINHO RECORDA MEU PAI

CURRAL VELHO

O clima era de pura alegria,
a roça, a cachaça, a pescaria
e seu Josamar dentro do balcão
tratando a todos com afeição!

Lembro-me bem, num desses sábado
que fiquei assistindo calado,
vendo a satisfação da freguesia
e eu ali, só bebericando poesia!

Raimundo Candido

FRANCIS VALE, AD ARGUMENTANDUN

Júnior,

Não li seu comentário no Estadão sobre a questão da "classe média&povão&fhc&lula".

Gostaria de ter o link de onde encontrá-lo.

Creio que essa conclusão do FHC precisa ser melhor analisada.

Ora, todos dizem que a classe média cresceu em número de pessoas e hoje é um percentual bem mais expressivo do eleitorado.

No entanto, esse crescimento ocorreu exatamente após a ascensão de Lula.

Aí eu pergunto: a qual classe média ele se refere? A que ainda não era e ascendeu com Lula ou a que já era e perdeu algumas vantagens ( funcionários públicos, profissionais liberais etc)? O que você acha?

Francis Vale



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Resposta:

Mau caro Francis: sua visita ao nosso modesto sítio é um prazer. Salve!

O artigo que reproduzi sobre o tema povão x classe média é o do Gaudêncio Torquato. Eí-lo:

Com sua acurada visão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quis indicar um rumo aos correligionários, mas acabou produzindo um charabiá, ou seja, uma baita confusão na esfera política. Em polêmico artigo para uma revista, propôs que as oposições invistam na nova classe média, arrematando com a tese de que, "se o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os movimentos sociais ou o povão, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos". Nem bem teve tempo para detalhar o pensamento, o sociólogo passou a ser bombardeado. Afinal de contas, que partido se pode dar ao luxo de desprezar "o povão"? A indagação resume o ponto de vista de parceiros como o senador Aécio Neves, que desponta como a maior liderança tucana, para quem o PSDB deve se aproximar de "várias camadas sociais". Como sói ocorrer por estas bandas, a algaravia tomou corpo pelo costume de derrubar argumentos sem avaliar os escopos que traduzem. Ora, para julgar o dito do ilustrado tucano pelo menos dois conceitos precisariam ser postos à mesa de discussão: partido e classe média.

Partido é parcela, parte, pedaço. Sob esse significado, o ente partidário representa fatia da sociedade. É impraticável que seja escoadouro de demandas de todas as classes e grupamentos. Quando, em seus programas, as siglas vocalizam um discurso em defesa da sociedade como um todo, estão apenas cumprindo o ritual de enaltecimento do ideário da liberdade, da igualdade e dos direitos dos cidadãos. São porta-vozes de preceitos e valores das Cartas Magnas das nações. Já para efeito de conquista do poder, sua meta finalista, o partido deve selecionar focos entre classes sociais, grupamentos ou comunidades, para os quais e com os quais estabelece programas, projetos, ações e relações. Se esse ordenamento não é seguido à risca, como se sabe, o motivo é a crise crônica que assola a democracia representativa em todo o planeta, cujos reflexos se projetam sobre a fragilidade partidária, a pasteurização das doutrinas, a desmotivação das bases e a descrença geral nos políticos. A se considerar tal configuração, a tese de Fernando Henrique faz sentido.

A morfologia partidária clássica também reforça seu ponto de vista. Maurice Duverger, em 1951, formulou duas modalidades: partidos de quadros e partidos de massas. Os primeiros não visariam a agrupar contingentes numerosos, e, sim, grupos de notáveis, representantes das elites sociais. Os segundos teriam como foco as massas, o que demandaria mobilizações voltadas para um recrutamento maciço. A classificação não resistiu às avalanches que se abatem sobre a política e, na corrente do desvanecimento ideológico, multiplicaram-se as organizações que tendem a substituir o prisma doutrinário pela estratégia de capturar diversos eleitorados a qualquer custo. Surgiram, então, os entes que o cientista social Otto Kirchheimer chamou de "catch-all parties" ("agarra tudo o que puderes"). Em termos de Brasil, não há dúvida que esse modelo parece o que melhor se ajusta à estrutura partidária. Apesar disso, o PSDB dos tucanos exibe certa semelhança com os partidos de quadros. Não por acaso, é conhecido como agremiação de "muito cacique e pouco índio". Novamente ganha força a tese de Fernando Henrique, eis que é mais prático dialogar com determinado segmento do que motivar as massas assentadas na base da pirâmide social.

Ademais, é sabido que, nos últimos anos, a teia social - iniciada no ciclo FHC e intensamente reforçada no ciclo do lulopetismo pelos programas de distribuição de renda e acesso ao crédito e ao consumo - consolidou os vínculos entre "o povão" e o sistema governista e, consequentemente, com seus partidos aliados. Fortes barreiras afastam as oposições das margens carentes. E assim a abordagem do ex-presidente se vai firmando. Neste ponto, convém levantar o véu da classe média. Depois da vitamina distributivista do governo Lula, cerca de 30 milhões de brasileiros ingressaram na classe C, reduto considerado como a nova classe média. Seria esta nova classe a biruta para indicar aos partidos o caminho do vento? Analisemos a questão sob a planilha do professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Unicamp, que estuda a dinâmica dos três degraus das classes médias. Ao transformarem a pirâmide social num losango, passaram a ser a maior classe social do País. O especialista aponta três conjuntos que a integram: a alta classe média (7,7% da população), a média (13,2%) e a baixa (38,8%). Além destas, temos na base a massa trabalhadora (30,7%) e os miseráveis (9,7%). Nesse modelo de estratificação, o primeiro grupo corresponde à classe A de outras metodologias. Pois bem, só esse grupo teria pleno acesso a um padrão de vida considerado satisfatório. Os conjuntos médio e baixo das classes médias - somando 52% da população - defrontam-se com grandes carências nas áreas de saúde, educação, saneamento, habitação, transporte coletivo, segurança, etc.

Esses são os aglomerados que clamam pela atenção dos partidos. Aspiram a conquistar as boas coisas que o núcleo mais elevado da classe já possui: planos de saúde mais abrangentes, acesso à educação de qualidade, moradias satisfatórias, transporte particular, academias de ginástica, alimentação saudável, cursos de idiomas, viagens, cultura, lazer, etc. Há, ainda, um fator que confere às classes médias - principalmente ao nível mais elevado - extraordinária significação: a capacidade de irradiar influência. Daí provém a imagem de pedra jogada no meio do lago. As marolas que produzem - demandas, clamor, expectativas, pressão - chegam até às margens. Essa condição sui generis não pode passar ao largo do sentimento de partidos e políticos, e certamente nisso pensou o ex-presidente Fernando Henrique. Que não iria gastar seu sociologuês à toa. Assim, a intenção dos políticos de capturar o "povão" só tem uma explicação: demagogia. Ou mesmo lorota.

(Gaudêncio Torquato)

FRANCIS VALE FALA SOBRE O POTY


Júnior,

Muito pertinente sua observação sobre a omissão do nosso rio Poti entre os ícones da cidade.

Vou lhe contar uma pequena história a esse respeito.

Certamente, vocêhttp://www.blogger.com/img/blank.gif já sabe uma parte dela.

Em 1949, quando meu pai ( Raimundo Nonato do Vale) voltou a morar em Crateús, adquiriu do Sr. Edgar Albuquerque ( pai do ex-senador Zélins) o seu Cine Luz.

Mandou fazer uma reforma no prédio, dotando-o de um pequeno palco, e mudou o nome para Cine Teatro Poti.

E ficou assim por muitos donos e anos.

Até que mudaram para Cine Sertanejo, antes de fechá-lo e demolirem o prédio.

Parece que tem gente que não gosta do velho Poti, a salvação do povo dessa região...

Francis Vale

quarta-feira, 20 de abril de 2011

SAUDADES DO MEU PAI



Se estivesse entre nós, meu pai hoje estaria recebendo os parabéns.

Partiu em uma tarde de fevereiro. Ano 2004. O rio da aldeia em que nasceu estava cheio e ele foi dar um mergulho. Ninguém imaginava que aquela submersão seria para sempre.

Sua presença é uma constante em minha rotina.

Outro dia rabisquei um soneto em sua memória. Eí-lo:


“Meu querido pai, corpulento e afobado homem
De cor vermelha e idéias levemente escuras
Diviso-te espargindo, ombro e abdômen,
O sereno prestativo de tua arrojada figura.

Tinhas vários nomes e eu, um único jeito,
De abrandar tua explosão temperamental:
Ao invés da faca da palavra, o mutismo do olhar -
Denso como o caju, cortante como o punhal.

Adorava teus contornos de astúcia, o ás de precipitação
O comercial espírito, o passo apressado, a alma em flor
O palpitante núcleo do peito, lagoa sempre em ebulição

Que num fevereiro e ensolarado sábado se evaporou.
Pois é. E o mesmo rio que abriu tuas comportas de emoção
Um dia, como em redemoinho, de súbito te levou!”



(Júnior Bonfim)

CONJUNTURA NACIONAL

"O carro atolou-se"


Walfredo Paulino de Siqueira foi um típico coronel da política pernambucana. Escrivão de polícia, comerciante, deputado, industrial, presidente da Assembleia, vice-governador de PE. Era uma figura folclórica, como conta Ivanildo Sampaio, diretor de redação do Jornal do Commercio, de Pernambuco, e meu contemporâneo na faculdade. Um dia, dois eleitores discutiam sobre o uso da partícula "se". O exemplo era com um automóvel que ficara preso em meio a um atoleiro. O primeiro afirmava que a forma correta de expressar-se era falar que "o carro atolou-se"; o outro insistia que não; o correto era "o carro se atolou". Consultado, Walfredo deu a sentença salomônica:

- Escutem aqui. Se os pneus que ficaram presos foram os dois da frente, o correto é dizer que "o carro se atolou". Se foram os pneus traseiros, a gente fala assim: "o carro atolou-se". Mas, acontecendo de ficarem presos os quatro pneus, os de frente e os de trás, então, meus filhos, a forma correta mesmo é "o carro se atolou-se"...


FHC X Lula


Lula não deixa a peteca cair. Se Fernando Henrique diz algo que possa ser considerado polêmico ou, ainda, que renda dividendos ao lulismo, o ex-presidente abre o verbo. O sociólogo, em artigo para uma revista, defendeu o ponto de vista de que as oposições deveriam se afastar da massa carente e focar na classe média. Chegou, até, a usar a expressão "povão", para deixar mais claro o pensamento. Lula arremeteu: Fernando Henrique, como o ex-presidente João Figueiredo, não gosta do "cheiro do povo", mas do cheiro de cavalo (Figueiredo apreciava equitação). A resposta não tardou por vir: "Lula esquece que o derrotei 2 vezes. E topo outra disputa, se ele quiser". Ora, essa algaravia só serve para acalentar bovinos. Lula e FHC gostam de desembainhar suas espadas. E esgrimi-las em público. O primeiro quer palco. O segundo deseja energizar as oposições.


FHC e o conceito


Sobre a ideia de PSDB, DEM e PPS focarem sua atenção na classe média, o sociólogo tem inteira razão. Meu último artigo dominical no Estadão - Classe Média, Povão e Lorota - procura, à luz dos conceitos de classes médias, partido político e massas, examinar os aspectos concernentes ao argumento exposto pelo ex-presidente FHC.


O maior racha dos tucanos


O PSDB vive o maior racha de toda sua história. Em São Paulo, a fenda é enorme. De um lado, está a ala comandada pelo governador Geraldo Alckmin e, de outro, a banda que fica sob controle do ex-governador e presidenciável José Serra. Estas alas não se toleram. A rixa é histórica. Os alckministas sempre foram desprezados pelos serristas e vice-versa. O episódio mais bombástico se deu com a saída do PSDB de 5 (pode chegar a 7) vereadores tucanos. O Diretório Municipal é presidido, hoje, pelo deputado Julio Semeghini, que faz parte do secretariado de Alckmin. Por trás dessa saída, atua de maneira habilidosa, como sempre, o prefeito Gilberto Kassab.


PSDB perdeu a biruta


A biruta, o instrumento que mostra, nos aeroportos, o caminho do vento, foi perdido pelo PSDB. O presidente do partido, deputado (ex-senador) Sérgio Guerra é um cego no meio do tiroteio. Quer renovar o mandato na condução do tucanato e deve levar a melhor. Serra, pleiteante do cargo, não teria o endosso de caciques como Aécio Neves e Tasso Jereissati. Alckmin, mesmo governando o Estado mais poderoso do país, tem influência limitada. Trata-se de perfil alheio aos embates na arena política. Foca sua atenção na administração. FHC aponta rumos mas o partido não fisga a ideia.


DEM em apuros


Quem também está em apuros é o DEM. Míngua a olhos vistos. Seu presidente, o senador José Agripino, do RN, tem perfil diplomático, sabe ouvir e argumentar. Será difícil resgatar a densidade do velho PFL. A questão é: poucos políticos resistem a mandatos continuados dentro do túnel escuro das oposições. O rolo compressor do governismo devasta os espaços oposicionistas. Deputados e senadores ficam praticamente sob a proteção única do verbo. Tiram-lhes as verbas orçamentárias. Sem recursos para atender as bases, vêem suas forças quebradas. Vivemos cada vez mais o ciclo da micropolítica, a política das pequenas coisas, das demandas locais e regionais. Se as demandas não são atendidas, os políticos são forçados ao canto do ringue.


Filosofia do Vitorino


Vitorino Freire, ex-manda chuva e filósofo do Maranhão:

- Quando o pasto pega fogo, preá cai no brejo.

- O risco que corre o pau, corre o machado.

- Não quero que ajudem meu roçado. Só quero que os bois do vizinho não entrem nele.

- O Sarney não conhece o tamanho do meu roçado. De um lado da cerca eu grito e ele não ouve do outro lado.

- Política no Maranhão é um bumba-meu-boi que não sai sem mim.


Oposições somadas: 96


O calculo é de que as oposições deverão ficar com apenas 96 parlamentares, o menor número dos últimos 16 anos. Vejam: no primeiro e segundo mandatos de FHC, somavam 108; no primeiro mandato de Lula, as oposições chegaram a fazer 159 deputados; no segundo mandato, o número caiu para 147; na posse de Dilma, as oposições tinham 108 e agora estão em 96.


Cena municipal em SP (I)


Lula tem uma crença: estampa nova é novidade e gera interesse. Foi assim que apostou em Dilma. Agora, a estampa nova da vez se chama Fernando Haddad. Ele é o candidato in pectore de Lula para disputar a prefeitura de São Paulo, em 2012. Contra ele, no PT, há Aloizio Mercadante, atual ministro da Ciência e Tecnologia, Marta Suplicy, senadora. Fala-se, ainda, em Alexandre Padilha, ministro da Saúde, mas este não tem porte, perfil, flexibilidade e vocação. Da parte do PSDB, quem demonstra mais fôlego é o secretário de Energia do Estado de São Paulo, deputado José Aníbal, que já teve uma boa votação para o Senado.


Cena municipal em SP (II)


O prefeito Kassab aprecia bastante a arte de jogar balões. Para ver que efeitos e curiosidade provocam na opinião pública. Lançou, até o momento, estes nomes para a prefeitura: Guilherme Afif Domingos, vice-governador e secretário de Estado; Eduardo Jorge (PV), seu secretário do Verde e Meio Ambiente; Francisco Luna, seu secretário de Planejamento e (pasmem!) Henrique Meirelles, que será a Autoridade Pública Olímpica. Despiste? Disfarce? Quem desses é o nome in pectore do prefeito? Da parte do PMDB, o perfil mais adequado e forte seria o de Paulo Skaf, que já mostrou fôlego na política, ao disputar o último pleito para o governo de Estado. Com apenas um minuto, Skaf obteve 1.038.430 votos, ou seja, 4,56% dos votos válidos. Outro nome é o do deputado Gabriel Chalita, hoje no PSB, que tem a intenção de migrar para o PMDB. Tem história, perfil e carreira muito ligadas ao governador Alckmin.


Sem pauzinho


João Almeida deputado mineiro, Fortunato Pinto Júnior, jornalista e ghost writer, escrevia seus discursos. Sábio e bom, o doce coronel só não gostava de proparoxítonos:

- Tininho, não bota no discurso palavra que tem um pauzinho lá atrás, porque a dentadura cai.


Fadiga de material


Este consultor tem usado recorrente análise sobre a moldura político-institucional. O copo está quase transbordando. Estamos fechando um ciclo da política. A sociedade não aguenta mais ouvir desculpas. Fala-se muito em reforma, renovação de métodos, mudança. Mas o clamor social não recebe respostas adequadas. As reformas não saem. Projetos há, mas não ganham consenso. E assim a fadiga de material exibe suas marcas no tempo. Essa fadiga se projeta também nos campos governamentais e nos Estados. Há cansaço nas esferas da administração Federal e em alguns Estados. Depois de 12 anos de um sistema no poder, o sinal amarelo surge no horizonte. Muito tempo de poder corrói as portas dos Palácios. Cuidado, partidos.


Lula 70% mais


Lula gastou 70% mais em publicidade, no final do mandato (2010), que Fernando Henrique. Em 8 anos, foram R$ 10 bilhões. Lei da propaganda: repetição é a medida da eficácia.


Infraestrutura patina


As obras de Infraestrutura destinadas aos empreendimentos da Copa, em 2014, e da Olimpíada, em 2016, continuam patinando. Os investimentos ainda não chegaram ao índice de 5% dos recursos previstos. Cadê você, Henrique Meirelles, a Autoridade Olímpica, que tem a missão de fazer correr o fluxograma? Coitado, ainda dorme na rede da burocracia. Sua APO ainda não foi criada legalmente.


Colombo no PSD?


Há quem diga que o governador Raimundo Colombo (DEM) não aguentará ficar no partido. Jorge Bornhausen estaria fazendo pressão por sua saída e ingresso no PSD.


Cuba vê a China


Cuba quer se espelhar no modelo chinês de comunismo. Mas faltam condições. Não adianta apenas querer. Os jovens que Fidel pensar entronizar no poder não farão milagres. Cuba é uma pequena ilha cheia de grandes carências e de monumentais atrasos.


Drible na fiscalização


Governo Federal pensa em mudar a lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) por meio de um artigo que esvaziaria o poder dos auditores do Tribunal de Contas da União. Esse é o Brasil. Se os controles são mais severos, a solução é driblá-los. Famoso jeitinho brasileiro.


Reforma política? Tá brincando


O interlocutor se aproxima do político e pergunta: e aí, desta vez, a reforma política passa? Todos, senadores e deputados, parecem mais entusiasmados. O parlamentar responde: "Tá brincando. Não vai dar". Ou seja, para a maioria parlamentar, mudar as regras do jogo é suicídio. E o que pode ser aprovado? Coisas pontuais. O financiamento público de campanha, por exemplo, deverá ser aprovado. Ou o fim das coligações proporcionais. Voto em lista ou distritão é matéria polêmica. Não passarão. A não ser que se faça a costura de alhos com bugalhos.


Aécio flagrado


Ninguém tem o direito de ser contra o fato de um político prezar a boemia. Mas, homem público deve prestar contas de seus atos. Mesmo atos privados, quando flagrado em tramóia. O senador Aécio Neves até pode recusar o bafômetro. É um direito dele. Mas a recusa depõe contra sua imagem. Derruba o argumento de que o bom exemplo vem de cima. Se Aécio pode se negar a fazer o teste do álcool, por que não posso eu também negar? Esse é o senso comum.


Cofre cheio


Em março, a arrecadação de impostos e contribuições Federais totalizou R$ 70,984 bilhões. O resultado supera a média de R$ 68,300 bilhões. A arrecadação de impostos e contribuições Federais cobradas pela Receita Federal apresenta, no 1º trimestre deste ano, crescimento de R$ 35,740 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. A arrecadação saltou de R$ 190,454 bilhões, de janeiro a março de 2010, para R$ 226,194 bilhões. Dinheiro para a gastança. E enfeite do Estado Espetáculo.


O verbo não "vareia"


A Câmara Municipal de Paulista (PE) vivia sessão agitada em função da discussão de um projeto enviado pelo prefeito, que pedia crédito para assistência social. Um vereador da oposição combatia de maneira veemente a proposição. A certa altura, disse que "era contra o crédito porque a administração municipal não merecia credibilidade". O líder da bancada governista intervém, afirmando que "o nobre colega não pode jogar pedras no telhado alheio, pois já foi acusado de algumas trampolinagens".

- Menas a verdade - retrucou o acusado. Sou homem honesto, de vida limpa.

- Vejam, senhores, - disse o líder - o nobre colega, além de um passado nada limpo, ainda por cima é analfabeto, pois, "menas" é verbo, e verbo não "vareia".

Mais uma historinha de Ivanildo Sampaio.


Conselho ao ex-presidente Lula


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos educadores de todo o país. Hoje, sua atenção se volta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

1. Tenha mais cautela nas afirmações, declarações, acusações e insinuações que expressa.

2. A matéria da revista Veja mostrando a influência do advogado Roberto Teixeira, seu amigo, que teria insinuado corrupção por parte do ministro Cesar Asfor Rocha, do STJ, merece maiores esclarecimentos. Verdade ou prevaricação, é a indagação da revista. Que fica sem resposta. E se for verdadeira a insinuação de corrupção, não seria condenável a atitude do advogado ao procurar o ministro?

3. Urge avaliar melhor as novas tarefas políticas a serem desenvolvidas por Vossa Excelência. Um ex-presidente da Republica há de cumprir uma liturgia do poder, evitando ações estrepitosas. Use seu carisma para melhorar os costumes da Nação.



(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 19 de abril de 2011

OBSERVATÓRIO


Em 1996, todas as principais forças políticas de Crateús sentaram à mesa e, pondo fim a divergências históricas, resolveram se unir em torno de um nome comum: Paulo Nazareno. Seria, na prática, uma aclamação, pois a única força que não iria compor a aliança era o PT, que na época não possuía musculatura para alterar o quadro. Porém, no calor da empolgação, os líderes dessa costura olvidaram de combinar com o povo. E um clima de descontentamento tomou conta do ar. Por ocasião da convenção que homologaria a participação do PMDB na ampla coligação, provocaram o líder Zé Maria Pedreiro: - Zé, será que essa cidade não tem um homem que tenha coragem de enfrentar esse “Acórdão”? Duas horas depois Zé Maria era anunciado candidato. Para a vice, arrasta João Aguiar, do PP. E protagonizam uma das mais empolgantes campanhas eleitorais da história do município. Durante vários dias, o Pedreiro esteve à frente de Nazareno. Foi necessário um hercúleo esforço para reverter a onda pró Zé Maria. Paulo ganhou, mas ficou a lição: o povo de Crateús adora uma campanha disputada.


NOMES I



Começaram as especulações em torno de nomes que poderão enfeitar a disputa do ano que vem. O Prefeito Carlos Felipe espalhou que não é candidato, revelando-se propenso a apoiar Elder Leitão ou Mauro Soares. Sucede que pouca gente acredita nessa possibilidade. Domingos Filho diz que “palavras mentem; gestos, não”. Os gestos do alcaide indicam que o candidato de Carlos Felipe é... Carlos Felipe. Um candidato se conhece pela agenda que ele cumpre. A agenda pública de Felipe confirma sua pretensão oculta. Resta saber quem será o escolhido para enfrentá-lo.


NOMES II

No campo da oposição, vários nomes estão sendo estudados. Certo, porque independe de qualquer negociação, é o nome do advogado Alexandre Maia, candidato do PSOL. Desenvolto nos debates, Alexandre ganhou terreno na eleição passada. Quer ampliar espaços. Os três últimos ex-prefeitos são sempre possibilidades postas pelos aliados. Nas enquetes internas oposicionistas quem detém o maior “recall” (recordação) é Paulo Nazareno. O ex-prefeito, que até bem pouco tempo descartava a idéia, começa a cogitar a possibilidade, pois seu nome provoca impacto. Paulo, no entanto, ainda se recupera das bordoadas do seu segundo mandato. Os problemas que enfrentou após deixar a Prefeitura causaram marcas profundas. Ficaram como uma trava na alma. Alguns o aconselham a deixar de lado essa aventura. Outros dizem que poderia ser venturosa, pois uma nova candidatura serviria como um antídoto na tentativa de purgar todo esse passado.


NOMES III

Outros nomes vêem sendo sondados. Um deles esteve recentemente na cidade. Manteve conversas reservadas com meio mundo de gente. Técnico habilidoso, discurso contemporâneo, estudioso da máquina pública municipal, seu nome ecoa bem por vários setores. Foi gerente do Banco do Brasil e militante de proa do PMDB no período áureo da redemocratização. Em 1992, compôs chapa com Marcelo Machado na mais acirrada disputa municipal das três últimas décadas. Em 2001, comandou a Secretaria Municipal de Saúde. Hoje é graduado servidor público federal, com destacada atuação na Controladoria Geral da União. Ivan Monte Claudino é seu nome.


SINDICATO


Enquanto não chega a eleição municipal, outras disputas colocam-se como prévias daquela. O embate pela presidência do Sindicato dos Servidores soou preocupante para vários estrategistas do governo municipal. Nunca antes na história a máquina da Prefeitura se envolveu tão intensamente em uma refrega sindical. E, o que é mais grave, amargou uma derrota acachapante. Embora alguns continuem deitados em berço esplêndido, o cenário é de pedra no caminho.


LOGOMARCA



Há equívocos primários que poderiam ser evitados. A escolha da logomarca do centenário é um exemplo. As propostas se resumem, quase todas, à reprodução de edifícios e monumentos. Nenhuma lembrou o Rio Poty, que beija a cidade e é seu ícone natural. Demais disso, como é possível se divulgar que, sob tempo recorde, registrou-se uma quantidade de acessos superior à população do município em um site que realizava a enquete para escolha da logomarca oficial?


BODAS DE OURO



Vivemos uma era em que rareiam as relações estáveis, sólidas, duradouras. A intolerância, tentação que orienta a maioria dos consórcios afetivos, tende a querer incutir em nossas cabeças a idéia de que uniões passageiras são melhores. Fazer de um casamento uma construção permanente exige muito despojamento, compreensão e zelo. José Vanlor e Vânia reunirão familiares e amigos, no próximo sábado, para celebrar cinqüenta anos de matrimônio. Registro meus parabéns ao casal!


PARA REFLETIR


"O casamento é como uma longa viagem em um pequeno barco a remo: se um passageiro começar a balançar o barco, o outro terá que estabilizá-lo; caso contrário, os dois afundarão juntos." (Dr. David Reuben)

"O casamento feliz é e continuará a ser a viagem de descoberta mais importante que o homem jamais poderá empreender." (Soren Kierkegaard)


(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

QUARESMA


Estamos em plena Semana Santa. É o pôr-do-sol da Quaresma. Tempo que nos remete a um estado de contemplação, de parada mística, de renovação da fé.

Por algum tempo tive dificuldades para absorver a relação entre a caminhada da fé e os passos da política. Julgava serem antagônicos o universo da fé e o mundo da política. Naquele, enxergava um grupo de imaculados, envoltos em uma aura ascética, alheios às disputas mundanas pelo poder; neste, vislumbrava uma plêiade de surfistas deslizando nas ondas tempestuosas da ganância, um grupo de pára-quedistas observando o lugar mais conveniente para pousar, absortos em uma agenda mercadológica consumidora inclusive do imprescindível tempo de dedicação à família e ao diletantismo.

Foi D. Fragoso quem me ensinou a ligação profunda, a intimidade essencial entre fé e política, pilastras do mesmo edifício onde reside a deusa da Justiça. Ninguém vive sozinho. Embora seja produto de uma iluminação pessoal, a fé se sedimenta no mutirão humano, é construção coletiva, está vinculada à existência em sociedade. A vida dos profetas bíblicos é a história de homens que lideraram o povo em busca de uma terra onde escorresse leite e mel.

A vida do Mestre Jesus é um exemplo da umbilical união do divinal com o terreno. Jesus encarou os problemas do seu tempo. Optou pelos despossuídos. Enfrentou os vendilhões do templo. Trouxe a lume a hipocrisia contida na prática dos doutores da lei. Foi compreensivo com o erro dos pecadores. Cultuou a paz. Incomodou aos poderosos e terminou assassinado em uma cruz como prisioneiro político. Portanto, ser cristão (seguidor de Cristo) é encarar a política como missão. E refletir sobre os temas da agenda cristã à luz da crença transformadora.

A quaresma (do latim, quadragésima), os quarenta dias que se iniciam na quarta-feira de cinzas, é uma época plena de significações.

Para os estudiosos, o número quatro, na Bíblia, simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Quarenta dias do dilúvio, quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, quarenta dias Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, são exemplos disso. Noutras palavras, Quaresma corresponde a um período preparatório para a realização de uma tarefa heróica e histórica. Prenúncio de uma grande missão. Por isso alguns se impõem sacrifícios (ou sagrados ofícios). Abstêm-se de determinados prazeres, como o excesso de comida e bebida. É o popular Jejum.

É importante, no entanto, que saibamos o verdadeiro sentido do jejum. Há alguns dias o amigo Boaventura Bonfim me enviou uma mensagem lapidar sobre o Jejum que agrada a Deus, aquele que nos leva às veredas do bem.

Lembrei-me, então, da mensagem do Profeta Isaías, que pode assim ser resumida: "O fruto da justiça será a paz" (Isaías 32, 17).

Profeta iluminado, homem luminoso, Isaías era conselheiro do rei de Judá. Malgrado ser íntimo do poder, sempre manteve a coerência. Fronte voltada para o sol, sabia o que agradava ao Senhor. Intérprete humano da vontade divina, foi enfático sobre o tema do jejum:

"O jejum que eu quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar qualquer opressão; repartir a comida com quem passa fome." (Isaías 58, 6-7).

O espírito da quaresma é este: empreender todos os esforços e sacrifícios no sentido de realizar a utopia de uma vida justa, digna, humana, feliz.

A nossa cidade, palco em que a política convencional resta divorciada dos princípios evangélicos, carece de uma sacudida quaresmal!


(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje do jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

domingo, 17 de abril de 2011

Política - DE FHC PARA LULA

Renata Lo Prete, Folha de S. Paulo

"Se Lula fosse um adversário leal, saberia reconhecer que não desprezo o "povão'", diz Fernando Henrique Cardoso em resposta às declarações de seu sucessor sobre artigo escrito pelo tucano. "Sou contra o que ele fez com o povo: cooptar movimentos sociais; enganar os mais carentes e menos informados trocando votos por benefícios de governo; transformar direitos do cidadão em moeda clientelista. Quero que o PSDB, sem esquecer nem excluir ninguém, se aproxime das pessoas que não caíram na rede do neoclientelismo petista. Desejo que Lula, que esqueceu as antiquadas posições contra as privatizações, continue usufruindo das oportunidades que as empresas multinacionais lhe oferecem, como agora em Londres."

"E desejo, principalmente, que Lula termine com a lenga-lenga contra ler muito e ter graus universitários, pois não precisa mais ter complexos. Virou 'doutor'".

CLASSE MÉDIA, POVÃO E LOROTA

Com sua acurada visão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quis indicar um rumo aos correligionários, mas acabou produzindo um charabiá, ou seja, uma baita confusão na esfera política. Em polêmico artigo para uma revista, propôs que as oposições invistam na nova classe média, arrematando com a tese de que, "se o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os movimentos sociais ou o povão, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos". Nem bem teve tempo para detalhar o pensamento, o sociólogo passou a ser bombardeado. Afinal de contas, que partido se pode dar ao luxo de desprezar "o povão"? A indagação resume o ponto de vista de parceiros como o senador Aécio Neves, que desponta como a maior liderança tucana, para quem o PSDB deve se aproximar de "várias camadas sociais". Como sói ocorrer por estas bandas, a algaravia tomou corpo pelo costume de derrubar argumentos sem avaliar os escopos que traduzem. Ora, para julgar o dito do ilustrado tucano pelo menos dois conceitos precisariam ser postos à mesa de discussão: partido e classe média.


Partido é parcela, parte, pedaço. Sob esse significado, o ente partidário representa fatia da sociedade. É impraticável que seja escoadouro de demandas de todas as classes e grupamentos. Quando, em seus programas, as siglas vocalizam um discurso em defesa da sociedade como um todo, estão apenas cumprindo o ritual de enaltecimento do ideário da liberdade, da igualdade e dos direitos dos cidadãos. São porta-vozes de preceitos e valores das Cartas Magnas das nações. Já para efeito de conquista do poder, sua meta finalista, o partido deve selecionar focos entre classes sociais, grupamentos ou comunidades, para os quais e com os quais estabelece programas, projetos, ações e relações. Se esse ordenamento não é seguido à risca, como se sabe, o motivo é a crise crônica que assola a democracia representativa em todo o planeta, cujos reflexos se projetam sobre a fragilidade partidária, a pasteurização das doutrinas, a desmotivação das bases e a descrença geral nos políticos. A se considerar tal configuração, a tese de Fernando Henrique faz sentido.


A morfologia partidária clássica também reforça seu ponto de vista. Maurice Duverger, em 1951, formulou duas modalidades: partidos de quadros e partidos de massas. Os primeiros não visariam a agrupar contingentes numerosos, e, sim, grupos de notáveis, representantes das elites sociais. Os segundos teriam como foco as massas, o que demandaria mobilizações voltadas para um recrutamento maciço. A classificação não resistiu às avalanches que se abatem sobre a política e, na corrente do desvanecimento ideológico, multiplicaram-se as organizações que tendem a substituir o prisma doutrinário pela estratégia de capturar diversos eleitorados a qualquer custo. Surgiram, então, os entes que o cientista social Otto Kirchheimer chamou de "catch-all parties" ("agarra tudo o que puderes"). Em termos de Brasil, não há dúvida que esse modelo parece o que melhor se ajusta à estrutura partidária. Apesar disso, o PSDB dos tucanos exibe certa semelhança com os partidos de quadros. Não por acaso, é conhecido como agremiação de "muito cacique e pouco índio". Novamente ganha força a tese de Fernando Henrique, eis que é mais prático dialogar com determinado segmento do que motivar as massas assentadas na base da pirâmide social.


Ademais, é sabido que, nos últimos anos, a teia social - iniciada no ciclo FHC e intensamente reforçada no ciclo do lulopetismo pelos programas de distribuição de renda e acesso ao crédito e ao consumo - consolidou os vínculos entre "o povão" e o sistema governista e, consequentemente, com seus partidos aliados. Fortes barreiras afastam as oposições das margens carentes. E assim a abordagem do ex-presidente se vai firmando. Neste ponto, convém levantar o véu da classe média. Depois da vitamina distributivista do governo Lula, cerca de 30 milhões de brasileiros ingressaram na classe C, reduto considerado como a nova classe média. Seria esta nova classe a biruta para indicar aos partidos o caminho do vento? Analisemos a questão sob a planilha do professor Waldir Quadros, do Instituto de Economia da Unicamp, que estuda a dinâmica dos três degraus das classes médias. Ao transformarem a pirâmide social num losango, passaram a ser a maior classe social do País. O especialista aponta três conjuntos que a integram: a alta classe média (7,7% da população), a média (13,2%) e a baixa (38,8%). Além destas, temos na base a massa trabalhadora (30,7%) e os miseráveis (9,7%). Nesse modelo de estratificação, o primeiro grupo corresponde à classe A de outras metodologias. Pois bem, só esse grupo teria pleno acesso a um padrão de vida considerado satisfatório. Os conjuntos médio e baixo das classes médias - somando 52% da população - defrontam-se com grandes carências nas áreas de saúde, educação, saneamento, habitação, transporte coletivo, segurança, etc.


Esses são os aglomerados que clamam pela atenção dos partidos. Aspiram a conquistar as boas coisas que o núcleo mais elevado da classe já possui: planos de saúde mais abrangentes, acesso à educação de qualidade, moradias satisfatórias, transporte particular, academias de ginástica, alimentação saudável, cursos de idiomas, viagens, cultura, lazer, etc. Há, ainda, um fator que confere às classes médias - principalmente ao nível mais elevado - extraordinária significação: a capacidade de irradiar influência. Daí provém a imagem de pedra jogada no meio do lago. As marolas que produzem - demandas, clamor, expectativas, pressão - chegam até às margens. Essa condição sui generis não pode passar ao largo do sentimento de partidos e políticos, e certamente nisso pensou o ex-presidente Fernando Henrique. Que não iria gastar seu sociologuês à toa. Assim, a intenção dos políticos de capturar o "povão" só tem uma explicação: demagogia. Ou mesmo lorota.


(Gaudêncio Torquato - em O Estado de S.Paulo)

NA SEMANA SANTA, EIS O JEJUM MAIS IMPORTANTE!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

TOMBA UM GUERREIRO


No dia 30.10.2009, recebi de presente dos amigos Robério e Lúcia o livro Tudo ou Nada, de Roberto Shinyashiki, com a seguinte mensagem:



“Caro Arnaud,

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”




Hoje recebo a notícia que um amigo nos deixou de forma repentina. Ainda cheio de vida e de esperança. No curto espaço de tempo que o conheci, reconheci um guerreiro, um incansável batalhador pela causa da educação. Uma disposição intensa para colocar em prática tantos sonhos, tantas esperanças.



Meu caro amigo Augusto Júnior, Secretário de Educação de Camocim(CE), na última conversa que tivemos eu lhe disse, “cara dá um tempo, o teu problema de saúde é semelhante ao meu, porém, com um agravante, você teve uma pré-embolia”. Tenho consciência que talvez eu nem possa dar este conselho, pois estou descuidando das responsabilidades que uma doença adquirida pode nos trazer. E, em muitos casos, sabemos que os problemas de saúde são em decorrência da nossa atividade profissional e da responsabilidade que assumimos nos cargos que são passageiros. A intensidade do nosso trabalho como gestor de uma Secretaria de Educação é tão louco, que nos esquecemos de nós mesmos, da nossa família, dos nossos amigos....



Como acredito em Deus e no seu poder santificador e misericordioso. Acredito, também, que nosso amigo Augusto Júnior transmitiu sempre a sua energia vital, pelo desejo de construir a vida do jeito que sempre sonhou. Prematuramente, nos deixa, deixa também muitos projetos e sonhos que não pode realizar. No entanto, ficamos aqui com a esperança do cristão, de que esta vida é efêmera. A verdadeira vida eterna será no momento que nos encontraremos na casa Pai Celestial.



Para este guerreiro deixo a seguinte passagem bíblica:



2 Timóteo 4, 6-8 - Combati o bom combate – “Quanto a mim, meu sangue está para ser derramado em libação, e chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele Dia; e não somente para mim, mas para todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação.”



Coloquemos em nossas preces as lembranças do nosso amigo, esperando que Deus dê o devido amparo e conforto para sua família e amigos.



Do amigo.


José Cavalcante Arnaud

PROFESSOR ODALY

Olá Junior,

Sou Odaly, funcionário publico de Novo Oriente, prazer enorme em ter descoberto o seu blog, gosto muito de ler, encontrando coisas bacanas, dicas como a do alfabeto emocional.


Parabens pelo seu blog.

Serei leitor diariamente.

Grato.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

ESTRADA DE CANINDÉ

Mirem na sensibilidade perceptiva dos autores desta música.

Percebem detalhes que só os olhos do coração são capazes de captar.

Veja:




Composição: Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira


Ai, ai, que bom
Que bom, que bom que é
Uma estrada e uma cabocla
Cum a gente andando a pé

Ai, ai, que bom
Que bom, que bom que é
Uma estrada e a lua branca
No sertão de Canindé

Artomove lá nem sabe
se é home ou se é muié
Quem é rico anda em burrico
Quem é pobre anda a pé

Mas o pobre vê nas estrada
O orvaio beijando as flô
Vê de perto o galo campina
Que quando canta muda de cor

Vai moiando os pés no riacho
Que água fresca, nosso Senhor
Vai oiando coisa a grané
Coisas qui, pra mode vê
O cristão tem que andá a pé


**********************************************

Olá Júnior,

É difícil elaborar um poema como este, sem ter vivido o que retrata os versos.

A música é linda a letra encanta e nos transporta ao nosso velho e querido sertão.
*

Nos caminhos do Sertão,
Mirando a luz do luar
Meus pés percorreram estradas.
Difícil é não lembrar...
Da lua me acompanhando,
De uma mão me guiando,
Do jeito singelo de amar.
*

Parabéns pela postagem, Júnior.

Um abraço,

Dalinha

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CONJUNTURA NACIONAL

Morra tranquila, mamãe


Fernando Leite, filho do senador Júlio Leite, era presidente da Assembleia de Sergipe quando Seixas Dória era governador. Conta Sebastião Nery que Seixas teve de ir ao Rio, o vice-governador Celso Carvalho estava no Rio Grande do Norte assistindo ao enterro da sogra, assumiu o governo o presidente da Assembleia. Por dois dias. Fernando Leite mandou telegramas a todas as embaixadas comunicando ao mundo sua governança. E, orgulhoso, como bom filho, telegrafou à mãe, internada e gravemente enferma em hospital do Rio:

- Mamãe, pode morrer tranquila. Seu filho é governador. Beijos, Fernando.


Dilma na China


A presidente Dilma começa a firmar a sua identidade. E já mostra que não veio para ser mera figurante do ciclo lulista. Não gosta de estardalhaço; é contida na expressão; não usa imagens popularescas; respeita Lula, mas sem bajulação; e já tomou distância em relação ao governo anterior em áreas como as relações exteriores. Este consultor fez análise para o site da revista Exame dos 100 dias do governo Dilma e pinça rápidas passagens (em destaque) entre as notas abaixo.


Tragédia na região serrana


Análise: "A presença de uma alta autoridade da República no cenário de um desastre sempre gera simpatia da população. A presidente Dilma conseguiu angariar popularidade e tirou lição do erro de Lula, que foi muito criticado quando houve uma tragédia semelhante em Santa Catarina. Dilma conseguiu estabelecer um diferencial nesse episódio."


Mais tragédia no Rio


A tragédia do Rio de Janeiro se apresenta como mais uma demonstração da visão defendida pelo prof. Samuel Huntington, celebrado autor de O Choque das Civilizações: "há muitos indícios do paradigma do caos - quebra no mundo inteiro da lei e da ordem; Estados fracassados e anarquia crescente em muitas partes; uma onda global de criminalidade; máfias transnacionais e cartéis de drogas; crescente número de viciados em muitas sociedades; um debilitamento geral da família, um declínio da confiança e na solidariedade social em muitos países; violência étnica, religiosa e civilizacional e a lei do revólver predominando em grande parte do mundo".


Oposições sem rumo


As oposições estão sem rumo. Isso é sabido. Mas as oposições dentro dos partidos de oposição também colaboram para a geleia geral. O DEM se estiola. O PSDB está rachado. Em São Paulo, o deputado Julio Semeghini conseguiu se eleger presidente do diretório municipal da capital, sem o apoio da bancada de vereadores. Alckmin ganhou a parada para o grupo de José Serra. E também deu um recado a Serra e Aécio: daqui por diante, no PSDB, as decisões devem sair de votações em primárias. Disse nas entrelinhas que ambos só pensam em 2014, sem medir as consequências de ambições fora de hora. Nessa imensa cratera, terá vez o partido de Kassab, o PSD.


1ª reunião ministerial


Análise: "A reunião foi importante para Dilma mostrar autoridade e cobrar resultados dos ministros. Ficou claro que o ponto forte dela é o gerenciamento das tarefas. Até hoje eu observo que os ministros têm feito poucos discursos, porque a presidente não aceita discursos sem resultados práticos. Os ministros têm receio de receber um puxão de orelha."


PSD conta com 40


O PSD deverá contar com cerca de 40 parlamentares, entre deputados e senadores. Não será tão pequeno como muitos apregoavam. As "placas tectônicas" que se mexeram após as eleições só se acomodarão quando a nova sigla surgir e abrigar as ondas provocadas pelo tsunami eleitoral.


Renascimento partidário


Os partidos brasileiros, todos sem exceção, carecem de intenso e amplo programa de reformulação. Precisam respirar o cheiro do tempo. Viver o momento presente. Sentir o pulso da sociedade. Em suma, carecem de uma ação revigorante, que pode se inspirar nos seguintes eixos: formulação de um novo ideário, condizente com as demandas do tempo; esforço para rearticulação com as entidades da sociedade organizada; mobilização das bases com vistas ao engajamento de forças e inserção de contingentes nas fileiras partidárias; organizada ação de comunicação com classes sociais, setores e movimentos que promovem a dinâmica social.


Mercadante e Haddad


Não há lugar fixo nas planilhas partidárias para candidatos a pleitos majoritários. Cada candidato pode subir ou descer porque a vida partidária se assemelha a uma gangorra. Hoje, o candidato do PT em alta para a prefeitura de São Paulo, em 2012, é o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante. Mas o candidato de Lula continua sendo o ministro da Educação, Fernando Haddad. Lula trabalha com a hipótese de que o eleitorado está se cansando dos velhos nomes. E exige novidade no caminho partidário.


Referendo contra armas


O presidente Sarney promete levar a plenário da Casa um projeto encaminhando nova consulta à população - referendo - sobre a proibição de venda de armas. Como se recorda, em 2005, mais de 64% da população disse "não" à proibição. Desta feita, imagina-se que o sentimento social, acirrado após a tragédia que vitimou 12 crianças no Rio de Janeiro, influencie a decisão da sociedade. Mas já há núcleos contrários a esse projeto.


DEM processa


O DEM quer processar o prefeito Gilberto Kassab por indisciplina partidária. Bobagem. Deveria, isso sim, fazer um arrastão nacional na direção de novos adeptos.


Governo corta R$ 50 bi


Análise: "A presidente está correta em dar uma cacetada logo no começo do mandato para sinalizar suas posições econômicas. O problema é que a pressão política dos parlamentares é muito forte e pode reverter alguns cortes. Uma tesourada de R$ 50 bilhões pareceu sério para a sociedade, embora muitos analistas questionem a efetividade desse ajuste fiscal."


500 mil na informalidade


A presidente Dilma quer retirar 500 mil trabalhadores da informalidade. Via: redução de 11% para 5% da alíquota de contribuição para a Previdência. Mais certeira seria a decisão de regulamentar os serviços terceirizados. Essa área está solta. E carece de um marco para consolidar-se. Lembre-se que o programa Micro Empreendedor Individual gerou cerca de 1 milhão de trabalhadores com carteira assinada.


50% das cotas para as mulheres


Hoje, a cota para as mulheres nas listas de candidatos pelos partidos é de 30%. Mas a cota não é preenchida. Mesmo assim, o projeto de reforma política do Senado aumenta essa taxa para 50%. Ou seja, as listas partidárias serão compostas por metade de homens e metade de mulheres. É bem provável que a ideia não vingue.


Micro e pequena empresa


Nessa direção, o governo criou, em nível de Ministério, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. Vamos ver se contribuirá para diminuir a burocracia.


PSD no RN


O deputado Ricardo Motta, presidente da Assembleia Legislativa do RN, garante que o PSD deverá ter a maior bancada na Casa, com uns 8 parlamentares. "Tenho a convicção de que o PSD surge, no Rio Grande do Norte, como um dos maiores partidos. A expectativa é de que possamos contar com 40 a 50 prefeitos e ex-prefeitos, inúmeros vereadores", afirma o presidente.


Robô do prefeito?


Na Câmara Municipal de Mimoso do Sul, Luiz Carlos da Silva, líder do PMDB, discutia com Jaime da Rocha Nogueira, líder do PDS, por causa do prefeito Pedro Costa, também do PDS. Luiz Carlos atacava o líder do prefeito:

- V.Exa. é um teleguiado, sem personalidade. Só cumpre ordens.

- Sou líder. E o líder tem de dizer o que o Executivo pensa.

- Critico o comportamento de V.Exa., por ser um homem de recados, o robô do prefeito.

- Senhor vereador, até agora discutia com V.Exa. porque não me sentia agredido. Agora, V.Exa. vai ter de provar a esta Casa quando é que eu roubei o prefeito.


A sessão acabou.


Mais uma vez, Nery e suas hilárias historinhas!


Salário mínimo de R$ 545


Análise: "Houve uma demonstração inequívoca do rolo compressor do governo. Mais forte e contundente que o rolo compressor organizado por Lula. O PMDB conseguiu 100% dos votos, que funcionariam como moeda de troca por cargos em seguida. O preço dessa fidelidade é a nomeação de indicados pelo partido para o segundo e o terceiro escalões, principalmente de políticos derrotados na última eleição."


De baixo para cima


Se quase ninguém acredita em reforma política com origem em projetos de senadores e deputados, muitos põem fé nos movimentos sociais e em sua capacidade de gerar pressão. Esta seria a alternativa para a viabilização da reforma política, desafio para o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), entidade que idealizou o projeto da lei da Ficha Limpa. Este movimento abriu um espaço na internet com a intenção de popularizar a discussão do tema e consolidar um projeto para tramitar no Congresso Nacional ainda este ano. Espera o apoio de 2 milhões de brasileiros.


Dilma no programa de Ana Maria Braga


Análise : "É o Estado espetáculo, em que o governante desce do altar para o mesmo patamar dos simples mortais. Ela fez isso de maneira competente, falando primeiro para dois programas femininos. Ela, ao lado de uma mulher, falando para mulheres. De mulher para mulher. E, com isso, ela ganha a simpatia das mulheres, e fez até um omelete - de maneira desengonçada, é verdade - mas fez. Em seguida, foi ao programa da Hebe, que assim como a Ana Maria Braga e a própria Dilma, teve câncer. Ela não é populista como o Lula, que sempre ia a palanques, mas não se negou a ir a programas de TV com grandes índices de audiência."


Marina e o PV


Marina tem a cara do PV. Mas está cada vez mais distante desse partido. Tudo por conta do estilo centralizador e absorvente do José Luiz Penna, atual presidente da sigla, que se elegeu deputado Federal. Marina encarna um projeto de sustentabilidade ambiental mais sólido e estruturante que a visão superficial do comando da sigla. Se sair do PV, o partido perde a maior referência.


Alta de 7,5% do PIB


Análise: "Esse é o gargalo do governo. Como administrar a meta de crescimento sem perder o controle da inflação. A situação real mostra que as metas não estão sendo cumpridas. Sendo assim, mais cedo ou mais tarde, o governo vai ter que adotar medidas mais drásticas para conter o consumo."


Detector de metais


Será que adianta colocar detector de metais nas escolas para evitar a entrada de armas? É claro que essa medida, isolada, não resolverá a questão. Mas é uma ferramenta a mais na engrenagem para escudar as escolas. Outras medidas precisam ser encontradas, a partir de uma revisão dos métodos e práticas educacionais. Urge banir todas as manifestações que possam servir de fundamento para incremento da violência nos sagrados espaços da educação.


Visita de Obama


Análise: "A vinda de Obama foi um gol magnífico logo no começo do mandato. Foi um sinal de prestígio que o Lula não conseguiu ter. Dilma fez um discurso muito mais concreto do que o de Obama, que decepcionou na questão do assento na ONU, frustrando a diplomacia brasileira. De qualquer forma, houve avanços nas relações entre os dois países. O episódio da revista dos ministros foi constrangedor e o discurso ao ar livre foi cancelado para evitar algum incidente mais sério. Imagine se algum manifestante atirasse um ovo no Obama. Daria repercussão mundial."


Novo modelo de gestão?


Geraldo Alckmin promete implantar um novo modelo de gestão em São Paulo, citando especificamente as parcerias que construiu com as Centrais Sindicais e Patronais. Devemos entender a preocupação de Alckmin no sentido da intenção de buscar maior participação da sociedade organizada no processo de gestão governamental. Até ai tudo bem. A dificuldade está na escolha dos parceiros. Falar em Centrais Sindicais, por exemplo, é fazer referência ao novo peleguismo que se espraia no país ao som da alta grana que aquelas entidades recebem do governo.


Brasil vota contra o Irã


Análise: "Foi um gesto de coragem do Brasil de mudar a sua política externa, se pautando pela linha do respeito aos direitos humanos. Foi um voto avançando e condizente com os parâmetros que são esperados de nações democráticas. Foi uma grande mudança em relação ao governo Lula."


Não mudou nada


Miguel Rodrigues, velho e sábio político de Goiás, foi visitar uma escola primária. Ali, a professora ensinava os primeiros dias de Brasil:

- No começo do Brasil colônia, como a América e o Brasil ficavam muito longe, para cá vieram, primeiro, muitos ladrões, degredados, condenados.

O coronel Miguel suspirou:

- Então não mudou nada.


Saída de Agnelli


Análise: "O Roger Agnelli vinha sendo jogado para escanteio pelo governo desde o mandato de Lula por dois motivos: não queria entrar no mercado de siderurgia e ainda fez inúmeras demissões no auge da crise. Aproveitando essa situação, Mantega fez um pacto com o Bradesco e trocou o presidente da empresa. É uma perda irreparável de alguém com o perfil do Agnelli, mas o fato mais importante nessa história é a constatação de que uma empresa privada que depende de fundos de pensão de estatais não é imune às pressões do Estado."


Conselho aos educadores


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades da esfera energética. Hoje, sua atenção se volta aos educadores de todo o país:

1. A tragédia do Realengo, no Rio, sugere ampla reflexão e debates a respeito dos processos educacionais. Todos os esforços devem ser empreendidos para que o ambiente escolar respire paz, harmonia, integração de espíritos e atitudes.

2. Nos últimos tempos, tem se multiplicado os casos de violência nas escolas, mascarados em forma de brincadeira (o chamado bullying). Esse fenômeno tem provocado distúrbios e consequencias nefastas para o desenvolvimento psíquico dos alunos.

3. O alunato é envolvido por uma gigantesca estrutura tecnológica, a partir da internet, cujo potencial nem sempre é usado em benefício do desenvolvimento educativo, criativo e moral. Esse é mais um foco a receber atenção prioritária dos corpos docentes.



(Gaudêncio Torquato)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ALFABETO EMOCIONAL

O Dr. Juan Hitzig estudou as características de alguns longevos saudáveis e concluiu que além das características biológicas, o denominador comum entre todos eles está em suas condutas e atitudes.

“Cada pensamento gera uma emoção e cada emoção mobiliza um circuito hormonal que terá impacto nos trilhões de células que formam um organismo – explica -.

As condutas “S”: serenidade, silêncio, sabedoria, sabor, sexo, sono, sorriso, promovem secreção de Serotonina, …enquanto que as condutas “R”: ressentimento, raiva, rancor, repressão, resistências, facilitam a secreção de CoRtisol, um hormônio coRRosivo para as células, que acelera o envelhecimento.

As condutas “S” geram atitudes “A”: ânimo, amor, apreço, amizade, aproximação.

As condutas “R” pelo contrário geram atitudes “D”: depressão, desânimo, desespero, desolação.

Aprendendo este alfabeto emocional, lograremos viver mais tempo e melhor, porque o “sangue ruim” (muito cortisol e pouca serotonina) deteriora a saúde, oportuniza as doenças e acelera o envelhecimento.

O bom humor, pelo contrário, é a chave para a longevidade saudável.”

Tenha uma excelente vida!

Plena de Serotonina!!!

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RECEITA DE QUALIDADE DE VIDA

Exercícios simples que evitam problemas cardíacos:


1º) Antes do banho, exercitar a panturrilha (levantar o corpo na ponta dos pés), primeiro rápido até esquentar as panturrilhas e, depois, uma sequência de 10 movimentos lentos.

Pronto. Esse exercício bombeia o sangue para o coração, melhora os batimentos cardíacos e evita obstrução das veias.

Nos primeiros 6 meses, se a pessoa estiver com excesso de peso, ela emagrece da cintura para baixo e, nos 6 meses seguintes, da cintura para cima;

Depois de 2 anos, não engorda mais e, além de tudo, diminui o risco de uma cirurgia cardíaca que custa em média, hoje em dia, R$ 38.000,00 e, de um modo geral, os planos de saúde nem sempre pagam.

Melhora o problema de micro varizes.

2º) Ao chegar em casa, coloque os seus pés em uma bacia com água bem quente (o famoso escalda pés) - além de relaxar, esse processo desencadeia a dilatação dos vasos sanguíneos dos pés, melhora o cabelo e melhora, inclusive, a visão.

Esse processo foi pesquisado com pessoas diabéticas e o resultado evidenciou a melhora na circulação sanguínea, diminuindo os casos de gangrena, o quadro geral de saúde dos pesquisados melhorou e, como um fato relevante, a melhora da visão. Evita o encurvamento da coluna.

3º) Ao acordar, deitado de barriga para cima, pedalar 120 vezes no ar.


Esse exercício melhora o posicionamento da coluna e da postura, diminuindo ou retardando o encurvamento das costas e aliviando as dores nas costas.

4º) Baixando a pressão

Ao perceber que a pressão subiu, coloque as pernas dentro de um balde com água muito gelada até os joelhos.

Permaneça nesta imersão por 20 min.

Este processo fará com que o organismo, na busca de aquecer os membros inferiores, faça com que o acúmulo de sangue na cabeça desça, baixando a pressão.

Repassem aos seus contatos...


(Enviado por Arnaud Cavalcante)