sexta-feira, 11 de novembro de 2011

UM POEMA DE AMOR À CRATEÚS


Crateús, bela urbe, hospitaleira,
Do sertão tu és o índice, uma legenda...
Progressista, alinhada e altaneira,
Exalando ar bucólico de fazenda.

Bem conheço teu íntimo, tua senda,
Teus detalhes, teu chão, tua poeira,
O silêncio, o reclamo e cada lenda
Despejada no colo da ribeira...

Sei sorver os teus halos e nuances,
Compreendo teus casos e romances,
Teu amor me embriaga e me seduz...

Por conhecer-te assim, visceralmente,
Neste centenário, eis o meu presente:
Um Poema de Amor à Crateús!


(Dideus Sales)

CORAÇÃO CIVIL - MILTON NASCIMENTO

MINISTRO LUIZ FUX PODE MUDAR VOTO SOBRE LEI DA FICHA LIMPA

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, relator das ações que tratam da legalidade da Lei da Ficha Limpa, pode mudar seu voto sobre a questão da renúncia de políticos para escapar de processo de cassação. Fux defendeu na quarta-feira (9/11), em seu voto, que a Lei da Ficha Limpa deveria ser alterada para que a renúncia só pudesse tornar o parlamentar inelegível se já houvesse processo de cassação aberto contra ele. Mas, ontem, quinta-feira (10/11), disse que vai reanalisar a matéria.

Caso entenda que sua proposta abre brechas para impunidade, pretende modificar o voto concordando com o atual texto da lei diz que o político já fica inelegível se renunciar quando houver uma representação para abertura do processo que pode levar a cassação.

"Vamos refletir e recolocar, porque o julgamento não acabou", ressaltou Fux. "E se nós entendermos que de alguma maneira essa proposição abre alguma brecha que tira a higidez desse item da Lei da Ficha Limpa, vamos fazer uma retificação."

O ministro disse ainda que seu voto tinha o objetivo de manter todas as restrições da Lei da Ficha Limpa. Para ele, não lhe parecia razoável que a renúncia a partir de uma simples petição pudesse tornar alguém inelegível. "Posso mudar. Você sempre reflete sobre a repercussão da decisão. Então, até o termino do julgamento, a lei permite que o próprio relator possa pedir vista e mudar o seu voto. É uma reflexão jurídica e fática."

Reações

O voto de Fux provocou reações de entidades que entenderam que se criou uma brecha para impunidade. De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil, o voto de Fux contém uma "excrecência". "A se manter esse ponto do voto do ministro Fux, ficarão elegíveis todos os políticos que já renunciaram antes da abertura do processo pelo Conselho de Ética para escapar de cassações", assinalou o presidente da entidade, Ophir Cavalcante.

Segundo Ophir, a Constituição já determina a suspensão da renúncia de um parlamentar submetido a processo de cassação enquanto não houver decisão sobre o caso, item incluído por uma emenda de 1994. "Por isso, os parlamentares acabam decidindo sobre eventual renúncia antes mesmo da abertura do processo pelo Conselho de Ética."

Nesta quarta-feira, ao comentar seu voto, Fux disse que sua proposta vem dar mais seriedade ao critério da renúncia. "Uma petição todo mundo pode entrar, até um inimigo político. Se houver, então é preciso que haja seriedade. Para obedecer essa seriedade [a renúncia] tem que ocorrer quando for instalado processo de cassação. Aí o político sabe que já está a caminho de um processo que pode levar à cassação de seu direito político."

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta quinta-feira que essa proposta certamente será analisada pelos demais ministros e que o momento que passa a valer a inelegibilidade por renúncia sempre foi objeto de contestação. "Mas, no geral, o voto foi animador porque proclama a constitucionalidade da lei."

Gurgel assinalou também que a a proposta de subtrair os anos de inelegibilidade do tempo decorrido entre a condenação e a decisão definitiva da Justiça foi surpreendente. "A proposta surpreendeu um pouco, porque foi uma abordagem nova, mas vamos esperar o final do julgamento."

Casos

Os primeiros dois casos analisados no STF sobre a Lei da Ficha Limpa — os registros de Joaquim Roriz e de Jader Barbalho — dizem respeito ao item que trata da renúncia. Jader entregou o mandato de senador, em 2001, em meio a denúncias de desvio de verbas no Banpará. Joaquim Roriz fez o mesmo em 2007, depois de ser acusado de negociar a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília Tarcísio Franklin de Moura. Roriz e Jader renunciaram antes da abertura do processo, o que poderia levar à cassação do mandato parlamentar.

Revista Consultor Jurídico, 10 de novembro de 2011

MONSENHOR MORAES

Caro Junior Bonfim, li seu artigo sobre o Monsebhor Morais e queria lhe parabenizar sobre este artigo.

Estou em estado bem avançado sobre um artigo bem complexo sobre o padre Morais.

Sou carioca da Cidade do Rio de Janeiro e em minha cidade existe uma população de cearenses enorme, achei que seria de bom grado escrever sobre esta personalidade.

Tenho uma gama de escritos sobre o PADRE e gostaria de pedir-lhes ajuda no sentido de conclusão deste.

Meu nome é Sebastião José Filho, meu pai nasceu na cidade de Ipu e viveu até os 86 anos na cidade de Nova Russas.



Sebastiao Jose Filho


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Caro Sebastião:

Fiquei feliz com sua iniciativa.

Envie-me maiores detalhes sobre seu trabalho pelo meu e-mail: juniorbonfim@msn.com

Na paz,

Júnior Bonfim

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CRATEUENSE NA NATIONAL GEOGRAPHIC

Envio um link para você apreciar lindas fotos da National Geographic. Dentre as 30 selecionadas para compor a revista de setembro de 2011, está uma do crateuense Miguel de Paula.

Uma pequena observação: foram 30 fotógrafos de vários continentes: Europa, América Latina, Ásia. Bacana, né?

link: http://viajeaqui.abril.com.br/materias/sua-foto-setembro-2011#13

Atenciosamente,
Karla Gomes
SABi


Beija-flor em um cacto da Reserva Natural Serra das Almas, em Crateús, no Ceará.

DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ!!!


Quando publiquei estes conselhos “amigos-da-onça” em meu site, recebi uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida inconscientemente.

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.

2 Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.

4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes..

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro , enferruja!!. .rs)

9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado.. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.

11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.


Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

Duvido que você não tenha um belo infarto se seguir os conselhos acima!!!

IMPORTANTE:

Uma nota importante sobre os ataques cardíacos...

Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo (direito). Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.

Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram... Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo.

Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ''ataque cardíaco'' e que tomou 2 Aspirinas. Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro.. NÃO SE DEITE !!!!

Um cardiologista disse que, se cada pessoa que receber este e-mail, o enviar a 10 pessoas, pode ter a certeza de que se salvará pelo menos uma vida!


(Dr. Ernesto Artur – Cardiologista)

(Enviado por Boaventura Bonfim)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CONJUNTURA NACIONAL


Verdade sem poesia

A verdade de hoje é bem diferente da realidade de ontem. Hoje, até a poesia se depara com outras pedras no caminho. Na sala de aula o professor analisa com seus alunos aquele famoso poema do Carlos Drummond de Andrade:

"No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho.
E eu nunca me esquecerei...
no meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho."


O professor pergunta:

- Joãozinho, qual a característica do Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema?

- Se não era traficante, era usuário...

Eterno retorno

O Brasil do eterno retorno entra mais uma vez em cena. Desta feita, envolvendo o sexto ministro do governo Dilma: Carlos Lupi. A denúncia é a mesma que percorreu corredores de outras Pastas: cobrança de propina, negócios escusos com ONGs, malversação do dinheiro público. Mais de 500 prestações de contas de entidades teriam sido engavetadas pelo Ministério. Leia-se, burocracia/assessoria. A defesa de Lupi anda no compasso de outros: pediu averiguação ao Ministério da Justiça e ao MP. O ministro promete resistir. Até o fim. Declarações também ditas por outros ministros.

A assessoria

A burocracia estatal está tomada por um batalhão de assessores de todos os tipos. Os ministros enfrentam uma agenda diária densa e larga. Não têm como acompanhar todos os detalhes de convênios com ONGs. E assim muita coisa passa ao largo dos olhos dos ministros. É assim que esta coluna enxerga o affaire no Ministério do Trabalho. Por isso mesmo, não adianta mudar, trocar nomes de assessores. O buraco está nos sistemas e métodos adotados.

Reforma administrativa

Os sucessivos episódios que corroem a imagem do Ministério estão a exigir profunda mudança de hábitos e atitudes. Ou seja, urge mudar as práticas na administração Federal. Critérios de seleção de ONGs mais rigorosos, definição clara de prioridades, sistema de controle de atividades e metas, liberação de recursos de acordo com o fluxo apurado de tarefas, atividades e programas cumpridos - eis aí pequena planilha de exigências. Sem esse pano de fundo moralizador, as coisas continuarão como hoje se apresentam : colaborando para o crescimento do Produto Nacional Bruto da Corrupção - PNBC.

A reforma de Temer

Este analista conversou com o vice-presidente da República, Michel Temer, sobre a crise crônica que paira sobre a administração Federal. Do alto de sua experiência, Michel alinha alguns pontos que merecem reflexão: 1) defende uma reforma administrativa em profundidade. Os escopos programáticos devem ser distribuídos aos partidos. Educação, para o partido X; saúde, para o partido Y. E assim por diante. 2) O governo deve estabelecer metas, objetivos e programas para as áreas distribuídas. O partido que não cumpri-los (as) deixa seu lugar na administração, sendo substituído por outro. 3) O preenchimento de cargos, sob responsabilidade dos partidos, precisa atender a critérios técnicos.

Sistema parlamentarista

O vice-presidente enxerga, com sua proposta, a metodologia adotada no parlamentarismo. O partido que exerce o poder no governo, a partir da indicação do primeiro-ministro, tem a responsabilidade (e o ônus) de conduzir o país. Se não acertar, cai e novo partido - com novo primeiro ministro - assumirá as rédeas do governo. A questão, como se pode intuir, é a nossa cultura política, propensa a agir de forma fisiológica.

Rosa Weber

A ministra do TST, Rosa Maria Weber, vai para o STF. A presidente Dilma escolhe uma gaúcha para substituir Ellen Gracie. Muito considerada entre os pares do Judiciário. Boa escolha. Os gaúchos se dão muito bem no Supremo.

Tucanos rachados

FHC dá a receita. Tucanos deveriam ser carinhosos. E até sugeriu um novo slogan para o partido: Yes, we care (Sim, nós cuidamos), na esteira do slogan de Obama - Yes, we can. Mas os tucanos estão de bico rachados. O grupo de São Paulo está desunido. Serra puxa sua ala para fazer aliança com o PSD de Kassab. Seu candidato seria Guilherme Afif. Idéia inteligente. Mas a turma de Alckmin é contra. Zé Aníbal, então, não suporta a sugestão de fazer aliança com o partido do prefeito. Acha que será um bom candidato.

Agnelo, em fritura

O governador do DF, Agnelo Queiroz, também entrou no caldeirão. A deputada Celina Leão (PSD/DF) gravou depoimento de uma pessoa (Daniel Almeida Tavares) que afirma ter depositado R$ 5 mil na conta do então diretor da ANVISA, ele mesmo, Agnelo. O governador rebate: foi o ressarcimento de um empréstimo. Historinha que será apurada.

Pergunta incômoda

Perguntinha incômoda: quando deputados do PDT dizem que vão acionar o ministro Lupi junto aos órgãos de controle, o que resta a ele - reagir aos correligionários ou pedir o boné?

Gastão desgastado

O ministro Gastão Vieira, endossado pela bancada do PMDB da Câmara Federal, já não tem tanto apoio dos correligionários. Está desgastado. Não tem dado atenção ao grupo que o indicou. Diz-se que está ancorado no presidente do Senado, José Sarney. A indicação partiu da Câmara, não do senador.

CUT contra Força Sindical

A CUT trava uma batalha contra a Força Sindical. São as maiores centrais sindicais do país. Cada qual quer luta para arregimentar em seu entorno o maior número de sindicatos. O pano de fundo é dinheiro, muito dinheiro. E, claro, mais espaço na Esplanada dos Ministérios. A CUT quer tomar as rédeas do Ministério do Trabalho. A Força Sindical resiste. Vamos acompanhar a querela.

PSD independente

Não é verdade que o PSD esteja lutando para nomear o ministro do Trabalho, caso Lupi saia do Ministério. O PSD, nesse primeiro momento, deseja ser independente, olhando para as bandas do espectro ideológico e contemplando os horizontes eleitorais de 2012. Quer fazer boa bancada de prefeitos. E não é interessante fechar posição exclusiva. Se mais adiante for conveniente ao fortalecimento do partido ingressar no Ministério da presidente Dilma, poderá fazer parte do bloco governista. Por enquanto, o partido ficará contemplando a cena. Por essa razão, não procede a informação de que um determinado parlamentar paulista, recém ingresso no PSD, seria bancado pelo prefeito para assumir o MTE - Ministério do Trabalho e Emprego.

Projeto 4.330: contra substitutivo

O substitutivo ao projeto de lei 4.330, proposto pelo deputado Roberto Santiago, que acaba de entrar no PSD oriundo do PV, é considerado pela maioria das centrais sindicais uma excrescência. É considerado um retrocesso à terceirização de serviços. Como se sabe, esta área carece de marco regulatório. O projeto 4.330, de autoria do deputado Sandro Mabel, foi simplesmente despedaçado pelo relator da Comissão Especial nomeada para tratar da questão. Santiago, com seu substitutivo, quer atender a um grupo muito restrito de grandes empresas do setor. Eis a crítica contra ele, que parte da CUT, CTB e NTSC, além de núcleos que se dedicam ao tema, como a Comissão de Alto Nível, formada no Ministério da Justiça, integrada por ministros do TST, OAB, Associação dos Procuradores e Anamatra. Os dois maiores sindicatos da terceirização , das áreas patronal e laboral (Sindeprestem e Sindeepres), também são contrários ao substitutivo de Roberto Santiago.

10 bilhões de dólares

Nação rica é outra coisa. Pois não é que o Brasil vai ajudar o FMI a salvar a Europa? Vai contribuir com o reforço de US$ 10 bilhões, equivalentes a 3,3% das contribuições previstas para o Fundo e similar ao montante que o país despejou por ocasião da crise de 2009.

Os gregos e os direitos

Será verdade? Vejam essas coisas que dizem da Grécia, o berço da Democracia. Em 1930, um lago do país (Lago Kopais) secou, mas o governo mantém, até hoje, dezenas de funcionários para conservá-lo. As filhas solteiras de funcionários públicos têm direito a pensão vitalícia após a morte do pai. Há 40 mil mulheres que custam ao erário? 550 milhões por ano. Há um hospital público com 4 arbustos e 45 jardineiros. Há 600 profissões que podem pedir reforma aos 50 anos (mulheres) e aos 55 (homens). Exemplos de profissões: cabeleireiras, apresentadores de TV, músicos, etc. Há um 15º salário para trabalhadores. Pensões continuam a ser depositadas mesmo após o falecimento de idosos. Algumas viaturas da administração têm 50 condutores. E como 90% da terra não têm cadastro, os proprietários não pagam impostos. É isso mesmo?

Sociedade condenada

A filósofa russo-americana Ayn Rand (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), sobre esses nossos tempos inglórios: "Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

Conselho para a presidente Dilma

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos parlamentares. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:

1. As crises envolvendo ministros se sucedem. Cada semana, um novo ministro entra na fogueira, consolidando a ideia do Brasil do eterno retorno. A situação tende a continuar caso não sejam mudados os critérios, os sistemas e métodos.

2. A reforma ministerial não será eficiente caso persista a obsoleta metodologia adotada pelas Pastas. Daí a necessidade de se promover profunda alteração na modelagem da gestão governamental.

3. Essa é a esperança que ainda resta, senhora presidente. O Brasil espera que ao lado da reforma ministerial se realize ampla e profunda reforma administrativa.



(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Europa: a dualidade ampla, geral e irrestrita

Não há analista que não reconheça a gravidade da crise europeia, mas o conteúdo desta tem sido interpretada com enorme amplidão o que dificulta, ao não versado em economia, entender suas variáveis e consequências. A cobertura da mídia dá enorme ênfase à crise da Grécia, país pequeno e muito menos importante na zona do euro. Todavia, a rápida deterioração dos fundamentos deste país gerou consequências que se espalharam por todo o Velho Continente e colocaram a moeda unificada sob risco. Eis o primeiro e simbólico teste do modelo político-econômico-social da Europa: um desastre em termos de coordenação em função da política paroquial de quase todos os países que estão sob o euro, especialmente da França e da Alemanha. É da contradição entre a "união" da ideia de uma Europa e a realidade mesquinha e paroquial de cada país que resulta o maior problema de um continente que pretendia ser a gruta iluminada do processo civilizatório do século XXI. Triste engano.

G-20: uma reunião vergonhosa

Pode-se resumir a ausência de soluções da reunião das 20 maiores economias mundiais em Cannes com muitas palavras. De nossa parte preferimos "vergonha". A cidade escolhida para sediar não poderia ser mais apropriada : parecia uma reunião de artistas a praticar o "realismo fantástico" do cinema. Vejamos: Nicolas Sarkozy, o anfitrião francês, queria capitalizar a imagem de grande líder europeu às custas de decisões mal construídas. O abatido Obama cobrava resultados que minimamente não alcança do outro lado do Atlântico. Angela Merkel, com seu rosto marcado, ameaçava a pequena Grécia de uma espécie de excomunhão caso não aceitasse retirar de pauta um referedum de última hora alegado pelo premiê Papandreou da Grécia. Berlusconi desembarcava na Riviera Francesa sem saber se voltava firme no cargo. Já Zapatero, que deve perder as eleições de dezembro, nada tinha para negociar. Irlandeses e portugueses eram questionados a razão de seus títulos soberanos pagarem mais juros que a Grécia. A China olhava tudo isto com água na boca. E o Brasil sem propostas em função da falta de proposta dos próprios europeus. A conclusão é simples, mesmo que desastrosa: o maior problema para a solução da crise é política. Não há lideranças críveis para elaborar planos e soluções.

A Grécia e seus "parceiros"

O cenário grego é trágico. Todavia, o pequeno país balcânico é a ponta de um iceberg já desvendado: Itália, Espanha, Portugal e Irlanda estão igualmente em maus lençóis e é de cada um deles ou de seu conjunto que virão novas e mais graves turbulências, se nada for feito. Por seu lado, a Grécia tenta reforçar a sua política interna aos trancos e barrancos: a proposta de um referendum não é tão descabida quando se vê um país com ¼ de sua força de trabalho desempregada, o mesmo nível dos EUA quando da depressão pós-29 e, ao mesmo tempo, Alemanha e França pedem mais "ajustes". De toda forma, ou por meio de eleições, ou de um governo de coalizão, os gregos vão buscar a solução política que falta aos outros países. Uma geração de jovens será afetada pela falta de esperança. Não dá para falar em cenário melhor, mas a cessação de pressões "na boca do caixa" já seria um fator positivo. Isto dependerá da solução política interna, mas também dependerá da capacidade de seus "parceiros" em entender a natureza da crise e agir politicamente em conjunto.

O "mercadismo" intacto

Não foram poucos os anos de avanço dos "tecno-banqueiros" na economia mundial. Trata-se de uma "classe social" que passou a influir decisivamente na condução de todos os assuntos relevantes às economias nacionais e ao mercado internacional. De seus interesses é que nasceram os projetos "liberalizantes", que permitiram ao cabo de poucos anos a propagação de modelos teóricos, que funcionavam e uma prática que engendrava crises de todos os lados: desde os anos 90 até o presente, mais de duas dezenas de crises afetaram a chamada "economia real". E o que se viu foi a passividade dos reguladores, em geral, e dos BCs, em particular. A crise pós-29 resultou numa guerra mundial e, ao final dela, em uma bem elaborada tentativa de coordenação de política econômica a partir de Bretton Woods, reunião que criou o FMI, o BIRD, o BIS e outros organismos de cooperação. A crise atual merece uma revisão substantiva do funcionamento do mercado de capital e financeiro ao redor do mundo. Todavia, ainda não foi construída uma fórmula política de fazê-lo. Mesmo porque banqueiros e financistas estão a controlar a antessala dos principais decision makers mundiais. O exemplo maior é Barack Obama, triste personagem democrata dos EUA que não consegue articular nenhuma política consistente em busca de soluções. É o caso de sentir saudades intensas de Franklin D. Roosevelt.

Um calendário político?

De tudo que ocorreu pelos lados do Velho Continente, por ocasião do "meio sucesso" (definição de Dilma) da reunião do G-20 em Cannes, foi um fato paralelo: a inesperada decisão do novo presidente do BC Europeu, o italiano Mario Draghi, de reduzir a taxa de juros por lá. Por isso e por outras coisas, a interpretação de algumas autoridades brasileiras é de que saiu de campo a rigidez dos ajustes fiscais para dar lugar a políticas mais "sóbrias", de olho também no crescimento e no emprego. Igualzinho ao que o Brasil vem fazendo. Mesmo que a Grécia tenha levado uma prensa da dupla Merkel-Sarkozy e a França tenha anunciado ontem uma política de ajuste nas contas públicas, com aumento de tributos e cortes nas aposentadorias. O Brasil quer aprofundar sua estratégia, com o sonho de voltar a crescer até 5% no ano que vem. Há quem aposte no aumento de 14% do salário mínimo, tido como um problema para os críticos, para ativar o consumo. Há também os gastos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Sem contar os gastos do ano político-eleitoral. As fichas já estão na mesa e a roleta começa rolar. A dose de otimismo em Brasília está elevada.

Ortodoxia ou heterodoxia?

Ainda vai dar muito o que falar a proposta do senador Lindbergh Faria (PT/RJ), aprovada por unanimidade na Comissão de Assuntos Econômicos acrescentando duas outras obrigações à tradicional função do BC de proteger a integridade da moeda : deverá também garantir o crescimento da economia e do emprego com a política monetária. Já é um pouco do que o BC está fazendo com Dilma, embora sem confessar abertamente. É a alegria dos heterodoxos (ou desenvolvimentistas) e o horror dos ortodoxos (ou monetaristas). Alega-se que o Fed já tem tal mandato.O governo ainda não disse se é a favor ou contra.

Breve revisão de nosso cenário

Como enunciamos na semana passada, estamos num dificílimo período de transição. A reunião do G-20 e as decepções com os caminhos da Europa são retratos fiéis do atual momento. De toda a forma, persistimos na ideia de que não é bom negócio apostar no pior. (Vide a coluna da semana passada na qual elaboramos algumas de nossas razões que justificam esta posição - clique aqui). O ponto mais importante no curto prazo e, tão logo a Grécia se estabilize minimamente, é verificar se a Espanha, Itália, Portugal e Irlanda vão ter crises tão agudas quanto à da Grécia. O melhor sintoma que pode vir neste momento é a substituição das lideranças políticas na Itália e na Espanha. Somente a política pode mudar a economia, agora e sempre. Caso a crise se torne aguda é provável que os vários segmentos dos mercados se tornem novamente tensos, voláteis e deprimidos. Neste caso, revisaremos nossos pontos de vista. O pior ainda estará por vir. Por enquanto, não é nisso que acreditamos.

Para quebrar o termômetro

Informa-se que Lula, mesmo sem poder falar muito por recomendações médicas, ficou irado com os dados do PNUD sobre o IDH brasileiro - que teria perdido 13 posições em relação à medida anterior, quando medido também pela desigualdade social - e teria cobrado uma reação enérgica do governo Dilma. Diz que os números do Brasil adotados pelo organismo da ONU estão defasados. Dados mais recentes passados pelo governo brasileiro não teriam sido considerados. Pode ser até que sim e que uma revisão faça o Brasil subir. Todavia, parece mais uma coisa de quebrar o termômetro para disfarçar a febre. Pode um país, no qual somente 47,5% de todos os seus lares têm acesso a redes de esgoto sanitário, arvorar-se em campeão do desenvolvimento humano? Briga-se com os números, com os fatos, nunca.

Se fosse assim

De um leitor assíduo desta coluna, a respeito da nota da semana passada sobre a agonia quase crônica da oposição:

"Se com os oposicionistas em doce recesso, o governo já perdeu cinco ministros por suspeitas de 'malfeitorias', imagine-se o que ocorreria se PSDB, DEM e PPS tivessem um décimo da disposição de briga de Lula e do PT quando do outro lado eles infernizavam a vida dos adversários."

Será assim?

Não dá para saber, até agora, se o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, seguirá a sina dos seus outros oito indigitados colegas que perderam seus cargos em poucos dias depois de reportagens na imprensa ou se conseguirá passar incólume da fritura que se instala em Brasília. Há a denúncia, apoio formal com cobrança oficial de explicações, novas revelações até a degola. Mas não é importante saber se ele se safa desta. Há algum tempo já é, de fato, como cinco ou seis companheiros de Esplanada: um ex-ministro, um zumbi à espera de uma carta de demissão. E essa turma vai para o estaleiro, em janeiro ou fevereiro, juntamente com alguns candidatos a prefeito, por absoluta falta de aptidão gerencial, não por possíveis desvios funcionais.

Mudou a explicação

Desde a saída de Wagner Rossi do ministério da Agricultura, governo e partidos dos ministros que perderam os cargos desistiram definitivamente de culpar a imprensa (golpista?) e a oposição pelas denúncias responsáveis pelas degolas. Já se conformaram com as intrigas internas e os atingidos esperam apenas para dar o troco.

Pule de dez

Não há (aliás, havia?) nenhuma dúvida, depois do abalroamento de Marta Suplicy, que o candidato petista à prefeitura de SP será o ministro Fernando Haddad. Sem prévias. O que se pergunta agora é quantos diretórios estaduais e municipais do PT nas grandes cidades pelo país afora resistirão aos apelos de Lula. Se houver algum, será apenas para confirmar o ditado: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Resistirá?

Empolgado, o PMDB tem dito que em SP não há essa coisa de aliança incondicional no primeiro turno. Gabriel Chalita é o candidato peemedebista e pronto. Será? Somente se for para garantir o petista Haddad no segundo turno. Se tirar votos do ministro da Educação... O PMDB tem muito a perder no plano Federal, a começar pelo olho gordo de alguns aliados na vice-presidência em 2014.

Tudo pelo social

Governo vai pressionar o Senado a aprovar o projeto, já passado na Câmara, autorizando o uso dos recursos do FGTS para financiar obras da Copa do Mundo. É mais patrimônio dos trabalhadores jogados em negócios de retorno duvidoso - e bem duvidoso. Não basta o que se faz com o FAT?


(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

domingo, 6 de novembro de 2011

MESTRA FRANCISCA ROSA


a/c – Prezado Júnior Bonfim

Para: Caro Luiz Bonfim, Salve!

Sobre a história da maçonaria em Crateús, pouco ou nada sei, lembro-me de meu pai fazer referência a forte oposição "do padre" em face ao caráter dogmático do Catolicismo. No arco do tempo constitui fato tão longínquo que para ingressar na Ordem recorreu a Loja de Camocim, corria então o ano de 1948. Também quanto ao maçom mais antigo da Crateús: Egbert Torres Martins, (suponho), era também o mais brilhante jogador de basquete, titular absoluto do incipiente esporte praticado a época, junto à quadra do Tiro de Guerra 251.

Isto posto, segue-se que o motivo principal de meu comentário se cinge a sua colocação: “obs: a Educação de Crateus deve-se a quatro entidades: Luiz Bezerra, José Maria Moreira do Bomfim, Luiz de Araujo Melo e Maria Delite Menezes Teixeira. O resto, é o resto. (Luiz Bonfim)”

Sem dúvida, o pai do Thales, nosso Prego Dourado através de seu Educandário, foi emérito educador e merecedor de todas as honras, os demais, ignoro, mas citados por você certamente merecerem o mesmo crédito, contudo, finalizar com “O resto, é o resto” (Sic), é no mínimo não haver convivido ou desconhecimento da história cultural de Crateús nas décadas de 40 e 50, visto a impropriedade e injustiça na lacuna do nome de FRANCISCA ROSA.

Não tome por bom minha afirmação, vá às fontes deste rico período, argua a Norberto Ferreira Filho, a José Lins de Albuquerque, aos descendentes de João Melo, de Morais Rolim, constate e se permita a um bon fim em breve e profícuo verniz sobre o passado que se faz presente em ilustres crateuenses, todos seus afilhados e ex-alunos do Instituto Santa Inês.

Cordialmente,

Murilo

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Caro Murilo,

Feliz este encontro.

Murilo, neto de Afonso Melo Araujo Chaves e filho de Raimundo Melo Chaves(estes fundadores da Loja Deus e Crateús nº 20 e sobrinho Afonso Melo Chaves, Afonsito e meu cunhado.

Afonsito me narrou que: as primeiras reuniões do grupo fundador da Loja Deus e Crateús, foram realizadas no estabelecimento comercial do seu avó, Afonso Chaves, na rua Moreira da Rocha, onde hoje funciona uma farmácia e a outra parte funcionou o Armazém Canário de meu irmão Manoel Bonfim de Araujo, ao lado da Livraria do Ferreirinha. A loja era improvisada, sendo até mesma desenhado a giz em uma sala mais ampla do prédio.

Certamente, Estimado Murilo, que Alaide Bomfim, Airam Veras e a Madrinha Francisca Rosa, prestaram relevantes serviços a Educação de Crateús; desculpe-me a omissão.

Quanto ao estimado Egber Torres Martins, desconheço esta sua atuação como brilhante jogador de basquete. Eu, Marcos Melo e Egber, ai na década de 60, andamos praticando este esporte e o nosso mestre foi o saudoso Edilberto Frota, lá no caça e pesca e não no Ipiranga.

MURILO, um abração de estima e consideração.

Luiz Bomfim




Em tempo:

Luiz Bezerra, foi fundador da Escola Normal Rural de Crateús;

José Maria Moreira do Bomfim, Pe. Bomfim, foi fundador do Patronato Senhor do Bom Fim, do Colégio Regina Pacis( que deu continuidade a Escola Normal Rural de Crateús e do Ginásio Pio XII;

Luiz Araujo Melo(Luiz Mano), foi fundador da Escola Técnica de Comercio Pe. Juvêncio;

Maria Delite Menezes Teixeira, fundadora do Externato Nossa Senhora de Fátima;

Francisca de Araujo Rosa, fundadora do Instituto Santa Inês.

GISELE BUNDCHEN FALA EM DEFESA DAS NOSSAS FLORESTAS

sábado, 5 de novembro de 2011

PRIMA DARA: INVADIMOS O BLOG DO PAI PARA TE PARABENIZAR!



Parabéns, minha princesa! Sejas sempre essa maravilhosa e meiga menina. É meu desejo que os anjos do Senhor te cubram de luz e Deus abençoe seus caminhos, para que vivas repleta de muita saúde, paz, amor e cercada com todo carinho que só uma família unida pode proporcionar.

Te amo prima, linda.

Beijos

Marília Freire Bonfim

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Parabéns Dara!

Muitos anos de vida, prima amada. “O dia amanheceu especialmente mais cedo hoje, para lhe dar os parabéns; o sol está mais brilhante, para iluminar ainda mais o seu grande dia; as nuvens se esconderam, para preparar uma surpresa pra você; o pôr do sol será mais lento para a lua vir com as estrelas e festejar com você;” E quando chegar a noite não se esqueça de agradecer o seu dia, assim como eu agradeço por você ser a minha prima que amo tanto, e que Deus ilumine os seus passos, todos seus sonhos se realizem, continue sendo sempre essa menina, linda, inteligente, dócil e com muitas outras qualidades , que muito admiro.

TE AMO MUITO DARINHA!

Beijos da sua prima.

Marguerrite Freire Bonfim.

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DARA,

Apesar de só nos vermos apenas em festas de família e em alguns feriados, eu tenho um carinho muito grande por você e acredito que qualquer pessoa que te veja a primeira vez sinta o mesmo. Devido à sua pureza e alegria, não é difícil se apegar a ti. Por isso nessa data tão importante te desejo toda a felicidade do mundo que só Deus, pode lhe proporcionar.

Parabéns, Dara!

Beijos!

Hermano Freire Bonfim


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E, por fim, uma música:

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

EDMILSON PROVIDÊNCIA, FELIZ ANIVERSÁRIO!

Meu caro providência:

Permita-me que, no dia do seu aniversário, publique o seu lamento.

Aniversário não é apenas momento de festiva animação, é também um instante para uma boa reflexão.

Esta sua música nos convida a isso.

Por isso, vamos curtí-la:




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Olá Júnior,

Edmilson faz aniversário, e nós ganhamos de você esta significante postagem com o belo "Lamento da Natureza", um poema musicado de nosso caro Edmilson Providência.

Ganhei de Edmilson o cd e o livro, "Sertanejo, Oh! XENTE" escutei o cd mais de uma vez e já li o livro.
Muito bom os dois.
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Parabéns Júnior pela postagem e a Edmilson pelas criações e pelo aniversário passado.

Meu abraço,


Dalinha

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

FRANCISCO DE ALMEIDA - O MAIS EXTRAORDINÁRIO ARTISTA VIVO DE CRATEÚS

Reparto hoje um texto prenhe de beleza e sensibilidade da italiana Anna Caramagno sobre o nosso conterrâneo Francisco de Almeida, o Almeidinha. Depois do dia de finados, nada melhor que ler algo sobre um dos seres que mais encarnam o milagre da ressureição. Quanto mais as adversidades buscam fragilizar o De Almeida, mais ele se robustece, sua obra se agiganta e, por coinsequência, melhor escala o pico da glória. Mas, deleitem-se com o texto:









PANORAMA XILOGRÁFICO


Um amigo tinha-me dito, como um aviso, que ele era assim como um duende do bosque, uma pessoa cheia de magia... lhe recebe com um sorriso e com um sorriso se despede... um artista, Francisco de Almeida, jovial, que difunde alegria e que, como um alquimista moderno, mistura os pigmentos, cria as suas cores, colocando para fora o que tem dentro... enigmas, certezas, sonhos e medos. Desenrola informações e detalhes sobre sua obra com a mesma facilidade com que desenrola um grande painel no qual está trabalhando agora...

Doze metros de papel no qual surgem Nossas Senhoras rodeadas de velas, girassóis e anjinhos, quase altares suspensos no ar, índios atléticos – irônico retrato de si próprio - mulheres suaves e sinuosas, um pouco guerreiras um pouco deusas, e os costumeiros símbolos espalhados aqui e ali... cruzes, estrelas, chamas, peixes. Fundo negro e manchas de cores diversas, um dragão vermelho, os mandacarus verdes com centenas de espinhos brancos, até mesmo uma homenagem especial a um "artista de rua" - como ele o define - um amigo conterrâneo que já se foi, inventor criativo de uma realidade inexistente que não
fazia mal a ninguém, um doutor imaginário, que divertia, com suas estórias, a cidade toda, e que agora deixou um vazio.

O painel vai ornamentar o palco do Teatro de Crateús, cidade do Ceará onde Francisco de Almeida nasceu. E, para comemorar o centenário de fundação da cidade, como não voltar-se ao seu artista e filho ilustre? Partiu de lá, quando tinha 15 anos, para conhecer o "mundo". Chega em Fortaleza só, sem nada, trabalha como desenhista técnico em estúdios de arquitetura e depois um curso de pintura e um de xilogravura no Museu de Arte da UFC, com Sebastião de Paula, mudam-lhe a vida. Agora faz 17 anos que faz xilogravura... para ele é uma aventura, gosta de experimentar, inovar, mudar estilo, inventar instrumentos de trabalho... Faz tudo, mas tudo mesmo, à mão, a prensa arruinaria as matrizes e os papéis... Imprime as tintas sentado sobre o papel, pernas abertas e uma simples colher de
pau de cozinha na mão e ali, com grande paciência, centímetro por centímetro, cria delicadamente obras de arte... Os desafios, percebemos, não o assustam, e por isso sempre preferiu grandes superfícies, macro xilogravuras em branco e preto que propõem um universo dentro da sua cabeça... ícones e temáticas religiosas principalmente - de todas as religiões misturadas entre si, entenda-se bem - rodeado no seu quartinho-oficina de estatuetas de Iemanjá, São Francisco, Nossa Senhora de Fátima, São Jorge e São Sebastião, luzes divinas que o protegem e o inspiram.

O pai era ourives e é por isso que os seus personagens são ricamente adornados de pingentes, tornozeleiras, braceletes, colares, brincos, correntes, coroas de ouro e prata... evocações da oficina paterna onde o pequeno Francisco brincava. A mãe era costureira e bordadeira, atividade que deixou sugestões de fios, bordas e arabescos, sempre presentes na sua obra. O resto é tudo fruto da sua fantasia, sereias, seres alados, reis e rainhas, criaturas mitológicas.

Agora dedica-se principalmente a painéis de grandes dimensões, panoramas xilográficos que necessitam de grandes espaços para serem vistos... é um modo de utilizar as matrizes de forma mais criativa, misturando-as entre si, decompondo-as, eliminando elementos ou exaltando outros... obras onde a intervenção do autor é ainda mais forte... um trabalho de composição manual, muito mais que uma simples xilogravura... aproxima, sobrepõe, inverte, num jogo de cobre/descobre, insere imagens fotográficas com um sistema similar àquele dos decalques, insere sinais gráficos como um grafiteiro...

O sistema de enrolar as folhas de papel em duas bobinas que correm ao longo da mesa sobre correntes de bicicleta - foi inventado por ele, assim como a ferramenta-colher (uma colher com um longo bastão) usado para imprimir a cor, inventou também moldes de plástico para posicionar como pontos de referência durante a fase de composição e, para proteger o papel, durante a impressão da cor, pensou numa folha de plástico transparente... Tudo rudimentar, simples, econômico para um resultado majestoso, preciso... meses e meses de trabalho para realizar um painel de 20 metros de comprimento por 1,5 m de altura com o título "Os Quatro Elementos I - O Dia e a Noite", apresentado na VII Bienal de Artes Visuais do Mercosul - Porto Alegre (Rio Grande do Sul). Obra que pode ser considerada, para quem for apaixonado pelo Guinness dos recordes, a maior xilogravura do mundo.

Tantas exposições coletivas e individuais, salões de arte - inclusive no exterior - que ele tem participado, tem obras expostas na Pinacoteca de São Paulo, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Fortaleza, tantos prêmios recebidos, o mais recente da XVI Unifor Plástica que lhe permitirá visitar a próxima Bienal de Veneza...

Na minha bola de cristal prevejo um encontro brilhante entre a cidade, mágica e lunar, e o artista, cheio de alma e luz.

Anna Caramagno

(Texto original em italiano, tradução de Pedro Humberto)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

OBSERVATÓRIO


O livro “As Mil e Uma Noites” é um compêndio de histórias e contos populares do Oriente e do sul da Ásia. Em suas variadas versões há, porém, um fio lógico: os contos estão organizados como uma série de histórias em cadeia narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, vítima da infidelidade de sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade, filha de um alto funcionário nos reinos muçulmanos, foi a escolhida do sultão em certa ocasião e conseguiu a façanha de escapar do destino das suas antecessoras. Como? Usando uma sábia e inteligente estratégia de contar histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Xerazade interrompia cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantinha viva ao longo de várias noites - as mil e uma do título - ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.


FIDELIDADE

A fidelidade, ou seu antônimo, a infidelidade, é tema relevante na literatura porque sempre alimentou as mais diversas facetas da atividade humana, principalmente a intimidade do amor e a luta política. Neste último campo, as batalhas se renovam. A fidelidade partidária foi tema recorrente no período que startou a contagem regressiva de um ano para a eleição de 2012. Vários políticos mudaram de sigla partidária nos primeiros dias do mês de outubro. Quem não é detentor de mandato, nenhum reproche pode sofrer. No entanto, aqueles que exercem delegação popular por força do voto do povo, podem ser alcançados pela legislação. A regra é clara no sentido de que o ocupante de vaga do partido somente poderá se desfiliar levando consigo o mandato se houver justa causa. A Resolução nº 22.610/07 conceitua o que é justa causa. Vejamos: Art. 1º – O partido político interessado pode pedir, perante a Justiça Eleitoral, a decretação da perda de cargo eletivo em decorrência de desfiliação partidária sem justa causa. § 1º – Considera-se justa causa:
I) incorporação ou fusão do partido;
II) criação de novo partido;
III) mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;
IV) grave discriminação pessoal.


FIDELIDADE II


Isso significa, que para justificar a sua desfiliação sem perder o mandato, o político terá que enquadrar-se em um dos incisos acima. Quem não participou da incorporação ou fusão de partido, subscreveu a criação de novo partido, provou mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário, bem como ter sofrido grave discriminação pessoal, em tese corre o risco de perder o mandato. Sucede que, para que haja declaração de perda de mandato, a justiça eleitoral há que ser provocada. Quem pode fazer essa provocação? O partido interessado. E se este não o fizer? Diz a Resolução: Quando o partido político não formular o pedido dentro de 30 (trinta) dias da desfiliação, pode fazê-lo, em nome próprio, nos 30 (trinta) subseqüentes, quem tenha interesse jurídico ou o Ministério Público Eleitoral. Em Crateús, pelo menos até o fechamento desta edição, nenhum partido requereu vaga. O prazo se expira esta semana. E, possivelmente, nada acontecerá, porque houve entendimento prévio no sentido das vagas não serem requeridas. A política da boa convivência, ou a popular conveniência, é a explicação.


CANDIDATURAS


É óbvio que, com o início do período de defeso para mudança de partido, começam as especulações em torno dos prováveis cenários com os quais nos defrontaremos na eleição do ano que vem. Há uma possibilidade de termos quatro candidaturas: a do atual Prefeito, Carlos Felipe, do PCdoB, candidato a reeleição; a do PSOL, que poderá repetir Alexandre Maia ou experimentar um outro nome, como Paulo Giovani ou Adriana Calaça; a do PV, que já lançou João Coelho Soriano, o Maçaroca; e a do blocão das oposições, ainda indefinido. O Prefeito deve sair com o bordão da continuidade, suscitando um discurso de comparação com gestões anteriores. Deve fixar como eixo do debate o binômio presente/passado. O desafio das oposições é alterar esse eixo, inserindo o dístico presente/futuro. Há que se mudar o foco e qualificar a discussão eleitoral. Ao invés de justificar os equívocos do presente apontando os erros do passado, urge se mostrar quem melhor pode liderar o povo, sob o farol da excelência, rumo ao futuro. Esse é o desafio. Demais disso, é preciso que nos libertemos do discurso tóxico que se tonifica na grosseria, na agressão pessoal, na covardia do anonimato e na baixaria. A luta política deve ser travada com grandeza e pautada no combate de idéias. Este seria o melhor presente que a cidade poderia receber na sua primeira eleição municipal pós-centenário.


CENTENÁRIO


Os crateuenses que residem fora das fronteiras do município preparam-se para participar dos eventos comemorativos do centenário da cidade. Soube que a rede hoteleira da cidade estará lotada no período magno.


FILME SOBRE DOM FRAGOSO

O cineasta Francis Vale, que tem raízes em Crateús, lançou um documentário sobre o Dom Antonio Batista Fragoso. “Nosso objetivo é retratar Dom Fragoso e seu exemplo. O filme é uma síntese de sua história. Só de conversa com ele tínhamos um material de mais de duas horas de gravação. O documentário começa e termina com depoimentos dele, além de intervenção de várias pessoas que com ele conviveram”, informa. Além dos depoimentos, o filme exibe ainda fotos, documentos, jornais e imagens do religioso que revolucionou a nossa Diocese.


PARA REFLETIR


“Vi neste grande homem uma lição de vida. Um homem, filho de camponeses, que lavrou a terra e plantou. Que mostrou na prática as ideias de organização popular. Ele ensinou que para conquistar a terra, é preciso cuidar dela e não fugir dos desafios”. (Francis Vale, sobre Dom Fragoso)


(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

A RELIGIÃO EM CRATEÚS!


Pelas raízes do latim, Religião significa “religar”. Religião é, portanto, o mergulho que o ser humano realiza no amoroso lago da transcendência, rumo ao Infinito. Nesse sentido, todos os humanos nadam ou estão aptos a nadar nas águas cristalinas da religião.

Em Crateús, embora existam poucos registros, a tradição oral assegura que os primeiros seres a realizarem essa experiência de ‘religação’ foram os índios: os Poti-Jaras, depois Poti-Guaras, que usavam a terra como o palco em que dançavam em honra do seu ser supremo, o Deus Tupã. Dos Potiguaras foi extraído o nome “Poti”, que significa ‘rio pequeno’, afluente de um grande rio.

Porém, aqui chegou o homem branco e intentou um processo de dizimação da história, das raízes e da cultura indígenas. (O tio Zezé registrou, em seu livro História da Paróquia de Crateús, um depoimento de Heleno Sabóia Barros, cidadão do Monte Nebo, que narra como foram traiçoeiramente eliminados os nativos daquela região. Uma pequena gruta – apelidada de “gruta dos caboclos” ou “a furna dos índios” - juntamente com algumas ossadas, é o único monumento-relíquia à cultura indígena).

Uma baiana chamada Luíza, com esperteza de coelho e passos firme como a rocha, se apoderou deste território e erigiu uma capela em louvor ao baiano Senhor do Bonfim, cuja imagem aqui chegou sobre os ombros de escravos.

Por muito tempo, esta freguesia esteve eclesiasticamente sob jurisdição maranhense. Só vinte e dois anos antes de ser elevada à categoria de cidade é que a nossa Paróquia vinculou-se hierarquicamente à Igreja do Ceará.

Porém, não só em torno da Cruz – símbolo do catolicismo – se reuniram os seres para dar vazão à religiosidade. A partir da quarta década do século passado, através de outras Instituições, começaram a ganhar corpo as mais diversas facetas de manifestação religiosa. As Igrejas Evangélicas se proliferaram. Hoje, há dezenas espalhadas pelos mais variados bairros da urbe.

Em alguns casos, esse conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões, sob cada rótulo esotérico específico, recebeu o petardo da hostilidade ou teve que enfrentar as barrancas da adversidade, como foi o caso da Maçonaria, por exemplo. Embora não seja uma religião, a Maçonaria é religiosa, pois prega a prevalência do espírito sobre a matéria e reconhece a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual dá o nome de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO.

Conta o Egbert Torres Martins, empresário do ramo de combustíveis e um dos maçons mais antigos da nossa cidade, que na década de 1950, quando foi fundada a primeira Loja Maçônica de Crateús, houve um princípio de movimento hostil. O então vigário paroquial, o saudoso Padre Bonfim, zeloso guardador da ortodoxia católica, peregrinou pelos bairros da cidade insuflando os fiéis a apedrejarem o prédio do templo maçônico – que funcionaria na Rua Coronel Jiló. Sucede que os maçons se articularam junto às autoridades estaduais e o Secretário de Segurança Pública fez chegar às mãos do Monsenhor José Maria Moreira do Bonfim um documento em que o responsabilizava por qualquer dano ou ato atentatório à integridade dos membros da Maçonaria. E o diligente pastor viu-se obrigado a realizar um novo périplo pelas casas dos fiéis desfazendo a orientação anterior...

O certo é que, por ocasião dos atuais festejos, a cidade acariciada pelo rio Poti celebra o ecumenismo. Católicos, protestantes, crentes, ateus, testemunhas de Jeová, admiradores de Kardec, freqüentadores dos terrenos de umbanda, militantes dos diversos grêmios de crença e apreciadores das causas do espírito de todos os matizes cultivam uma respeitosa relação.

O principal, o que importa, o maior dos mandamentos, como bem ensinou o Jovem de Nazaré, é o amor. E isso nos faz lembrar o famoso diálogo entre o frei brasileiro Leonardo Boff e o iluminado líder tibetano Dalai Lama: “A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito. (...) É aquela que te faz melhor, mais compassivo, mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável.. Mais ético… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião…”


Que este centenário faça de cada crateuense um dedicado militante da verdadeira religião, aquela que nos religa ao Infinito e nos torna mais próximos da finitude humana, ou seja, nos torna melhores!


(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)


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Caro Junior Bonfim,

Sobre a "estoria" da fundação da loja maçônica.

Em 1970, quando fui admitido na confraria, eu entrevistei dois personagens que viveram este momento:

Edmar Lopes Martins,um dos fundadores da Loja e meu cunhado, e José Maria Moreira do Bomfim, Pe. Bomfim e meu tio.

Os fundadores da Loja Maçonica Deus e Crateus nº 20, sofreram sim, por parte do Vigário, Pe. Bomfim (pupilo de Dom Jose Tupinambá da Frota) forte campanha reacionária a instalação da Loja Maçonica mas, tudo do púlpito da Matriz do Senhor do BOM FIM.

Nem O Sr. Edmar Lopes Martins e nem o Pe. Bomfim, narraram esta intenção de apedrejamento do prédio aonde a Loja funcionou cerca de 10 anos. Tal comportamento não era próprio do Pe. Bomfim e nem do pacato povo Cristão de Crateus.

Enfim, caro JB, fui secretario da amada Deus e Crateus nº20, por mais de 12 anos, e procurei no acervo da Loja, li Atas, deste a fundação e outras datas pertinentes, e não encontrei nenhum registro sobre o assunto e nem tão pouco sobre a intervenção da Secretaria de Segurança Publica do Ceará.

Tudo fora intriga das oposições, que perdurou até os últimos dias da sua gloriosa VIDA.

obs: a Educação de Crateus deve-se a quatro entidades: Luiz Bezerra, José Maria Moreira do Bomfim, Luiz de Araujo Melo e Maria Delite Menezes Teixeira.

O resto, é o resto.

(Luiz Bonfim)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

ESTECOM - SETENTA LAMPARINAS



Quem se achava naquele amplo pátio, onde já corria uma leve brisa noturna, se embevecia ao ver os corredores sempre superlotados de joviais alunos, tão logo um aguardado sino soava, avisando o intervalo. Ali, naquela febril algazarra estudantil, foi onde realmente teve inicio a nossa firme cidadania. Antes de ser uma cidade culta e amadurecida, Crateús foi ao colégio. Adquiriu na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio, quase todo o centenário tesouro antropológico e cultural que se funde com o que aprendemos, com o que projetamos, com o que sonhamos e vivemos desde aqueles duros anos de bancos escolares, norteados por inesquecíveis mestres e o mais influente deles foi, sem duvida, o inexorável tempo.

A Escola Técnica apaga, nesse cálido ano de 2011, setenta árduas velinhas, que as ouso chamar de “As Setenta Lamparinias” em homenagem a um dos momentos mais grandiosos promovido por seu corpo discente, na figura de seu grêmio estudantil, pois se atreveu a existir numa época bastante difícil, que nos faz recordar a morte de quatro estudantes: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, inspirando a revolução constitucionalista de 1932 e que acabou desabando na passagem da Coluna Miguel-Prestes pela nossa terrinha, numa grande façanha de uns poéticos revoltosos.

No dia 1º de abril de 1964 um golpe militar derruba o presidente João Goulart, estava instituída a famigerada ditadura militar. A resistência a essa aberração só existiu pelos atos heróicos proveniente da corajosa alma estudantil, no qual muito foram presos, foram mortos ou simplesmente desapareceram como uma leve fumaça no ar.
Crateús era espreitada noite e dia, por causa do eminente, singular e “ameaçador” Bispo “Comunista” Don Antonio Batista Fragoso. Época em que a nossa luzidia energia elétrica advinha de um potente motor a óleo. Alguém, pontualmente às 22 horas, o desligava para que os cidadãos pudessem repousar e ainda fazia um receoso sinal para que os seres noctívagos começassem a vaguear pelos cantos de nossas casas e pelos recantos de nossas mentes, já que na claridade do dia nos sobrava o que se temer.
O dia-a-dia seguia bucolicamente simples quando um digníssimo prefeito enviou uma mensagem para a entediada câmara dos vereadores, que a rejeitou por algum motivo escuso e que feriria os seus interesses, levando o nosso gestor crateuense, Dr. Olavo Frota, a tomar uma brutal atitude ditatorial, trancar a Casa de Força e jogar a chave lá dentro. Ficamos as escuras, entreguem às figuras de nossos pesadelos noturnos, já que as aflições diurnas sobravam pelas esquinas. De qualquer reunião, mesmo sem nada urdir, logo chegava o seu desfecho às ouças militares, pois era também uma época de gratuitos dedos-duros, de vis delatores.

O Grêmio Estudantil da Escola Técnica, tendo como Presidente um inteligente jovem chamado Neto Gonçalves, a Vice-Presidência era exercida pelo tranquilo Manoel Messias Coriolano e na Oratória Oficial, já treinando sua famosa eloqüência, o dinâmico Juarez Leitão, resolve tomar providências urgentes. Conspiram em surdina, tramam uma inusitada PASSEATA DAS LAMPARINAS em protesto ao ato insano de se jogar na escuridão esta terna cidade que estava a necessitar, como o restante do país, de muita luz. Centenas de alunos preparam suas lamparinas como uns luzidios mosquetões de guerra. Mas tão rápido quanto telegrafia, a noticia chega aos ouvidos da caserna.

O Neto Gonçalves estava bem nervoso quando o ordenança de um poderoso coronel chegou a Radio Educadora, local onde trabalhava, para o levar. Manoel Messias corre para avisar o restante do grupo. O Coronel já abanava o dedo em riste no nariz do pobre Neto, lhe impondo as ameaças de mil doloridas borrachadas nos lombos, quando de súbito uma porta se abre, era o restante do grêmio estudantil da Escola Técnica, que vinha em seu socorro.

— Que é isso, Coronel? Para que tanta pancada num pobre homem, doente e raquítico, divida tudo isso conosco, dá menos pancada para cada um.

Era o Juarez leitão soltando sua persuasiva lábia para convencer o coronel a não cometer a atrocidade de bater no Neto. Quem tem o dom da oratória leva consigo uma varinha de condão, com a propriedade de desfazer o não e de negar o sim como num passe de mágica. E aos pouco tudo foi se acalmando, de tal modo que já estavam até tomando um gostoso cafezinho trazido pelo mesmo ordenança que tinha ido buscar o Neto.

O Militar pede aos gremistas que não realizem a tal passeata das lamparinas, o estudante Juarez indaga: — O que o senhor nos garante, coronel? Responde de imediato o oficial: — Garanto que, bem antes da passeata de vocês, já tenho arrombado a casa de força e ligado a energia. Manda o ordenança levar os meninos de volta para que impedissem a marcha das lamparinas, a tempo. Muitos militares já estavam nas ruas, de prontidão e com poderosas metralhadoras nas mãos.

Centenas de estudantes também já os aguardavam na praça da matriz com suas lamparinas acesas, e ali mesmo no monumento chamado pitoco do Seu Raimundo Bezerra, as depositaram, com suas bruxuleantes luzes a clarear o bojo de uma época em que ainda estava por vir carregada com muita escuridão.

Pelo setuagenário ano da Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio, a nos lembrar do sábio sacerdote que lhe emprestou o nome e que gostava de beber água das fontes puras e cristalinas, proveniente lá das nascentes dos Tucuns, esperamos que a Escola continue sendo essa pura fonte de sabedoria e coragem. E também para que a luz se fortaleça em cada flamulazinha que se amolda hoje, em seus bancos escolares, como aquelas outras esperançosas lamparinas que continuaram clareando na escuridão, é o que sinceramente desejamos, por mais setenta vezes sete, as abundantes forças em prontidão para que a renomada Estecom prossiga, sempre a nos iluminar.

Raimundo Candido

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Paulo Nazareno disse...

Obrigado Raimundinho. Vai nao vai nos presenteia e nos ilumina.


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João Silas Falcão Soares disse...

Poeta, muito interessante receber estas informações sobre a Passeata das Lamparinas. Outra vez, parabéns.



(Fonte: blog da Academia de Letras de Crateús - ALC)

WALDONYS E ESQUADRILHA DA FUMAÇA (SONHO DE ÍCARO)




Clipe Gravado em Pirassununga SP, em 2009, Direção Pedro Brasil, Cameras Marcus Vinicius e Edilson Freire, Fotos de Ricardo Beccari. Editado e Finalizado em Fortaleza Ce. HD Produções

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

DIMAS MACEDO FALA SOBRE Amores e Clamores da Cidade


Desde a minha juventude, lembro que a defesa da Justiça e da democracia se interpôs na minha caminhada. É por isso, com certeza, que escolhi a profissão que exerço: ser advogado. Sei que a palavra e o seu significado me seduzem até a exaustão, e que a ética e os valores supremos da beleza estão na raiz do meu equilíbrio psíquico, mas sem a busca incessante da Justiça sei também que não faz sentido viver.

Sempre me aproximei daqueles que defendem esses valores, que lutam pela afirmação da cultura popular, que clamam no deserto contra a injustiça e a perversão do capital, que sabem palmilhar seus caminhos, instalando neles a iluminação, sem nunca reclamar a busca do tempo que se foi.

A afirmação da cultura, para a minha visão pessoal, não está nas Universidades, tampouco nas Academias, esses nichos de petulância e de quase nenhuma produção, mas naqueles que fazem a cultura prosperar, em todos os quadrantes do mundo e especialmente no sertão.

Os grandes produtores de cultura do Ceará não estão somente em Fortaleza, como pensavam, até bem pouco tempo, os pesquisadores eruditos, mas em toda extensão da terra de Alencar. Patativa do Assaré, Dideus Sales, Oswald Barroso e Gilmar de Carvalho conheceram ou conhecem o Ceará e as suas tradições muito mais do que os poetas que mourejam no Ideal; ou muito mais do que os eruditos que estudam a extensão da sua ignorância nos corredores do Benfica.

Júnior Bonfim, poeta e pastor de estrelas nas margens do Poty, com banca de advogado em Fortaleza, é um dos nomes da cultura cearense que resplende em todo o Ceará. Sabe os ofícios da Justiça e da reparação da Igualdade, o alfabeto da Ética e os inventários máximos que se plantam nos rios da cultura.

É poeta de vários instrumentos, viajante lírico dos melhores e arauto de uma épica que se quer, a qualquer custo, incrustada em nossos corações. A emoção se coloca no centro das suas preocupações. O tecido amoroso o envolve. E a poesia por ele praticada é toda ela uma imensa jitirana de luz, brilhando entre veredas de sol, iluminando os cafundós do nosso empedernido sertão.

E para além de poeta e de autor de livro de poemas que se impõe aos ofícios da leitura, Júnior Bonfim é produtor de cultura que não para nunca de criar. Exemplo desse seu desassombro de esteta é o seu livro de crônicas e ensaios Amores e Clamores da Cidade (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2008), que agora tive o privilégio de reler, para o meu grande deleite pessoal.

Trata-se de uma radiografia e de um inventário de amores (e de clamores) da cidade que o viu nascer, em que se mesclam personagens e cenários, e paisagens e fulgores de um estilo de vida que se quer, também, fazer representar, tamanha a verossimilhança dos afetos e o recorte à clef dos atores com os quais o escritor Júnior Bonfim interage.

Não me vou alongar nesta exposição. Digo tão somente que Júnior Bonfim para mim é irmão, porque preza o Direito, sabe defender a Justiça e sustentar a Ética do desejo pela urbe, como se o tecido das relações urbanas fosse a morada do ser e a reprodução da cena social.


(Dimas Macedo, poeta, procurador de Justiça, crítico literário, professor universitário e membro da Academia Cearense de Letras)


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Parabéns, Júnior, pela palavras do poeta Dimas Macedo.

Concordo plenamente com tudo que ele escreveu.

Sérgio Moraes

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O peito crateuense se infla de orgulho ao ver o grandioso talento do poeta Junior Bonfim como porta-bandeira deste nosso rincão!

Raimundo Candido

CELEBRANDO DRUMMOND


Na data em que se celebra o nascimento de Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores nomes da poesia e prosa brasileira, vale narrar as peripécias de sua infância mineira, o tempo compartilhado entre o funcionalismo público e o vasto trabalho de traduções literárias e a trajetória do poeta consagrado na liberdade de seus versos, contos e crônicas.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

Mineiro de Itabira, nascido em 31 de outubro de 1902, Carlos Drummond de Andrade demonstrou desde cedo seu senso irônico e cético, sendo expulso do colégio por "insubordinação mental". A carreira de escritor teve início no jornal Diário de Minas, local em que viu nascer o movimento modernista mineiro. Mais tarde, os jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil também contariam com a pena de Drummond.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.

Formado em Farmácia, devido à pressão familiar por um diploma, sua dedicação espontânea era reservada para A Revista, veículo que visava afirmar o modernismo em território mineiro. Em 1934, a carreira no serviço público levou-o a respirar ares cariocas, ingressando no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde aposentou em 1962.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.

Enquanto suas obras, em versiprosa, ganhavam o mundo sendo traduzidas para idiomas vários como inglês, espanhol, italiano, alemão, francês, etc., Drummond realizava aqui, em terras tupiniquins, o belo trabalho de trazer para o português obras de Balzac, Proust, Molière, García Lorca, entre outros.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

A vida lhe soprou pela última vez em 17 de agosto de 1987, mas fiel aos seus próprios ensinamentos, Drummond tratou de entender que a vida é uma ordem e, assim, para honrar os versos de outrora, eternizou-se na literatura de nosso país, sendo hoje merecedor de nossos louros e glórias.

(Fonte: Migalhas)

A MENSAGEM DO JOVEM DE NAZARÉ NO DIA DE HOJE

Naquele tempo, dizia Jesus ao chefe dos fariseus que o tinha convidado:

“Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos nem teus irmãos nem teus parentes nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.



(LUCAS 14,12-14)