sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A LUCIDEZ DE FREI BETO ( E DE SÓCRATES)


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!

Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...

A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.


O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald's...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeçapercorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !"



Frei Betto

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

NO CEARÁ, SURGE O PRIMEIRO BLOCO COMPOSTO POR DEFICIENTES VISUAIS

Caros companheiros e companheiras da AMLEF (ACADEMIA METROPOLITANA DE LETRAS DE FORTALEZA),

Venho através desta convidar a todos para estarem presentes hoje (11/02/2010), a partir das 18h, no anfiteatro da Av. Beira-Mar (Depois das quadras e da Praça dos estressados), quando estaremos apresentando o MARACATU LUZES DA ALMA, o primeiro no Brasil a ser formado com pessoas com deficiências visuais.

Na ocasião, estarei entoando o canto que compus para o tema deste ano.

Contamos com a presença de todos e solicitamos que divulguem este evento para seus amigos.

"No Ceará, a nossa vez
de desfilar sem o preconceito,
temos garra, não invalidez
coração bate no peito"


Paulo Roberto Cândido
Cadeira 29 da AMLEF

CONJUNTURA NACIONAL

ENCENAÇÃO

Abro a coluna, hoje, com a encenação da Paixão de Cristo numa cidadezinha da Paraíba. O dono do circo, em passagem pela cidade, resolveu encenar a Paixão de Cristo na sexta-feira santa. Elenco escolhido dentre os moradores e no papel de Cristo, o cara mais gato da cidade. Ensaios de vento em popa. Às vésperas do evento, o dono do circo soube que 'Jesus' estava de caso com sua mulher. Furioso, deu-se conta que não podia fazer escândalo sob pena de perder o investimento. Bolou uma maneira. Comunicou ao elenco que iria participar fazendo o papel do 'centurião'.

– Como? – reclamaram – Você não ensaiou!

– Não é preciso ensaiar, porque centurião não fala!

O elenco teve que aceitar. Dono é dono. Chegou o grande dia. Cidade em peso compareceu. No momento mais solene, a plateia chorosa em profundo silêncio. Jesus carregando a cruz ... e o 'centurião' começa a dar-lhe chicotadas.

– Oxente, cabra, tá machucando! Reclamou Jesus, em voz baixa.

– É pra dar mais veracidade à cena, devolveu o centurião.

E tome mais chicotada. Chicote comendo solto no lombo do infeliz. Até que Jesus enfureceu-se, largou a cruz no chão, puxou uma peixeira e partiu pra cima do centurião:

– Vem, desgraçado! Vem cá que eu vou te ensinar a não bater num indefeso!

O centurião correndo, Jesus com a peixeira correndo atrás, e a plateia em delírio gritando :

– É isso aí! Fura ele, Jesus! Fura, que aqui é a Paraíba, não é Jerusalém, não!


FHC NO ATAQUE

Fernando Henrique mordeu a isca. Tudo que os petistas queriam era que um tucano de bico grande entrasse na briga da pré-campanha. Serra, matreiro, tomou distância. Aécio, idem, não quis entrar na briga, dizendo que não era o caso de fazer comparação entre ciclos. Todos deram sua contribuição ao progresso do país. E aí Fernando Henrique assume, por inteiro, a querela: vale a pena, diz ele, entrar na briga. Sem medo do passado. Seu artigo no Estadão do último domingo, ao lado do meu, fez furor. Na sequência, diz que falta liderança à Dilma.


PERDAS PARA SERRA

Ora, essa brigalhada é ruim para José Serra. E a razão é simples: na comparação entre as eras FHC e Lula, os dados favorecem os petistas. Não adianta querer argumentar que o Plano Real, de Itamar/FHC, foi a base que colocou a economia nos eixos. A verdade é que os braços assistencialistas do governo Lula são mais extensos. O Brasil se beneficiou das crises que afetaram o mundo na última década. Os eixos macroeconômicos foram fixados pelo governo tucano e aprofundados no atual governo. Mas o crescimento do país não se deu no ritmo desejado. O Brasil pouco cresceu.


LULA PROPAGANDISTA

É bem verdade que Lula é um bom propagandista. FHC é mais um schollar, um acadêmico respeitado. E Lula, ao fazer a comunicação direta com as massas, trombeteia todos os dias os feitos do governo. Repete, repete, usa linguagem simbólica, chavões, refrãos e até palavras chulas. Quanto mais ele é criticado, mais apimenta a linguagem. Ganha em matéria de comunicação. E a situação estável do país será intensamente usada como cobertor eleitoral.

______________

Seu Lunga entra num bar e pede uma cerveja e o dono do bar diz:

- Seu Lunga faltou energia!

Ele rebate:

- Eu vim aqui pra tomar cerveja, não pra tomar choque.

______________


TRANSFERÊNCIA DE VOTO

Pois bem, o colchão econômico em que se deita o país tem sido responsável pela boa performance da ministra Dilma Rousseff. Dilma anda no tapete estendido por Lula. Sua boa intenção de voto – cerca de 30% hoje – deriva não de suas qualidades de gerente ou mãe do PAC mas dos votos transferidos por Luiz Inácio. Não há dúvida que a transferência já começou a ocorrer. Principalmente nas regiões favorecidas pelo Bolsa Família.


SERRA E DILMA

Não concordo com Carlos Montenegro, do Ibope, que garante enfaticamente a derrota da candidata governista. Acho que as coisas estão indefinidas. Se política fosse lógica econômica, Dilma seria a vencedora, considerando-se a teia de programas que o governo Lula estabeleceu para todas as classes sociais. Da base da pirâmide ao topo, contabilizam-se uns 20 programas voltados para benesses e redistribuição de renda.

______________

Após o enterro de sua sogra, Seu Lunga encontra com um amigo que pergunta:

- Ooxeee! E ela morreu?

Seu Lunga:

- Não. Enterraram ela viva.

______________


DILMA E SERRA

Se eleição privilegiasse a questão do perfil, Serra seria o grande vencedor. Exibe perfil muito mais denso que Dilma. Preparado, experiente, conhecedor do país, já foi agraciados com milhões de votos. Dilma nunca recebeu um voto sequer. Mas eleição, hoje, leva em conta outros fatores que não aqueles de antigamente. Fatores da organodemocracia, que é a democracia das organizações intermediárias da sociedade – associações, movimentos, clubes, federações etc. A política afunda-se no vazio.


VAZIO POLÍTICO

Ora, foi o próprio ministro da Justiça, Tarso Genro, que usou o termo vazio. Disse que Dilma foi escolhida por conta do "vazio" do PT após o mensalão. Não havia outro candidato. Lula pinçou Dilma do bolso do colete. Um perfil técnico condizente com a democracia de cunho orgânica deste século XXI. No século XIX, tínhamos uma democracia atomizada. Cada eleitor, um átomo social, a ser conquistado por candidatos distintos com propostas para agradar aos desiguais. Hoje, o átomo cede lugar aos grupos e coletividades, que se tornam homogêneas. Já os candidatos são clones, muito parecidos.

______________

Seu Lunga encontra com um amigo que não via há tempos.

- Como é que você tá?

E seu Lunga:

- Do jeito que você tá vendo.

______________


AS ELEIÇÕES NO BRASIL

Sob essa moldura, as eleições vão ocorrer com partidos pasteurizados, siglas amorfas, eleitores desmotivados, oposições com discurso oco e indefinido, parlamento estiolado, doutrinas em franco declínio. O que sobra é um pano de fundo – economia estável, programas assistencialistas, massas relativamente satisfeitas com o governo. E uma classe C que aglutina 46% de toda a renda nacional, mais que a soma das rendas das classes A e B. Essa classe, que pulou para a área média da pirâmide no ciclo Lula, vai eleger o próximo presidente.


A NÃO SER QUE...

A não ser que os serviços do Estado nas áreas de saúde, segurança e educação sejam tão ruins que acabem amortecendo os feitos do governo Lula. E, como se sabe, segurança continua a ser um caos; a saúde é um desastre e a educação, apesar do esforço desse inteligente ministro Fernando Haddad, continua muita defasada.


ALENCAR EM MINAS

Luiz Inácio quer bancar o nome do vice-presidente da República, Zé Alencar, como candidato das oposições ao governo de MG. Trata-se de uma estratégia maquiavélica e desumana. Alencar, apesar de estar vencendo um câncer, não tem mais saúde para estar na linha de frente da política. Em MG, ele seria a convergência entre petistas e o PMDB. Fernando Pimentel e Patrus Ananias, do PT, cederiam o lugar para ele. Hélio Costa, o senador, que lidera as pesquisas, também aceitaria, até porque teria garantida mais uma volta ao senado. Mas o bom Alencar não tem saúde de ferro, gente. Tenham compaixão.


SKAF EM SÃO PAULO

Do jeito que as coisas andam pelos lados do PSB, é bem possível que Paulo Skaf, o socialista presidente da FIESP, seja o candidato do partido ao governo de SP. Há até versões de que poderia convidar o cantor comunista Netinho de Paula, atual vereador, para vice nessa chapa de esquerda. Imagino os companheiros Skaf, Netinho, Paulinho e Cirinho (Gomes, claro), de mãos dadas, fazendo passeata frente à Federação da Indústria em prol da redução da jornada de 44 para 40 horas. Nesse instante, o slogan ressoará em toda a extensão da Avenida Paulista: "deu a louca no mundo".


DIRCEU LIGEIRO

Zé Dirceu não morreu. Ao contrário, continua mais vivo que a direção do PT. Viaja para muitos lados. Dizem que no CE teria pedido a Cid, governador irmão de Ciro, que insistisse com este para sair do páreo federal. Se Ciro não sair, o PT teria um candidato ao governo cearense deixando de apoiar Cid. O deputado mandou Zé Dirceu pentear macaco.


PRIVATIZAÇÃO DAS TELECOMUNICAÇÕES

Ontem, no Parlamento, o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen, destacou alguns feitos da era FHC, entre os quais a privatização das telecomunicações, a partir da desestatização da Telebrás e de suas empresas estaduais de telefonia. Trecho: "o Brasil deu um salto, tornando-se um dos países mais desenvolvidos e atraentes do setor em todo o mundo. Mais importante que a inserção do país na era da alta tecnologia, a privatização do setor promoveu o maior programa de inclusão social e de acesso a renda jamais visto no país – maior mesmo que o Bolsa Família: em dezembro de 2009, a ANATEL registrava 173 milhões, 959 mil e 368 acessos do serviço móvel pessoal, o celular, pós e pré-pago".


MEIRELLES, O ESCRIBA

Michel Temer, reeleito entusiasticamente presidente do PMDB, está tranquilo. Sem açodamento. Não quer colocar pimenta nos pratos que lhe oferecem. Acaba de pedir a Meirelles que escreva as diretrizes econômicas do PMDB, e que serão entregues ao PT, para efeito de formação de uma aliança programática. Michel garantiu a este consultor que o PMDB fará questão de encaminhar o seu escopo ao PT. Sua ideia é a de formar um presidencialismo de coalizão, conceito que mais se aproxima do parlamentarismo.


ANÍBAL NO SENADO

São Paulo abre imenso espaço para o Senado. Se Mercadante topar ser o nome do PT para disputar o governo paulista, as possibilidades se escancaram para o tucanato. José Aníbal é um dos nomes mais qualificados para ocupar este espaço. Candidato no passado ao Senado, obteve cerca de 5 milhões de votos. Trata-se de um perfil bem palatável ao eleitorado.


ALCKMIN QUASE NA ARENA

Não há como afastá-lo da arena. Geraldo Alckmin, com cerca de 50% das intenções de voto, é o mais provável candidato ao governo paulista. Alguns acham que Alckmin é bom de largada e ruim de chegada. Mas não existe campanha igual. Pode ser que, desta feita, ele consiga chegar bem na dianteira. O candidato de José Serra, Aloysio Nunes Ferreira, tem um bom perfil. Quadro preparado, bom articulador, matreiro. Mas continua no esconderijo. É pouco conhecido. E nesta campanha conhecimento é vital. Tempo de campanha eleitoral é insuficiente.


COPA DO MUNDO E LULA

Há um fenômeno a ocorrer nos próximos meses que terá algum impacto no clima social : a copa do Mundo. Se o Brasil for campeão, o estado de ânimo se elevará. A alegria será contagiante. Os poros sociais se encherão de oxigênio. Candidatos governistas são mais beneficiados por este clima catártico. A recíproca é verdadeira.


CONSELHO A FHC

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

1. Presidente, acautele-se, cuidado para não entrar em briga errada. Fale apenas o necessário.

2. O PT quer encurralar o PSDB ao tentar fazer uma campanha plebiscitária. Procure não engolir o anzol.

3. O importante é estabelecer para o candidato da oposição – Serra ou Aécio – um discurso denso, crível e capaz de sensibilizar as massas.

____________

(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SOBRE A INAUGURAÇÃO DO CINE POTY

Olá!

Estreia dia 28 de fevereiro - domingo
na Casa de Cultura João Batista
rua Fcº Sá, 148 / Centro - Crateús, Ce
as 19:00h
O Cine Poty
Com "A marvada carne"

O filme é uma divertida comédia que homenageia o universo da cultura caipira, vista aqui num embate com a cultura da cidade, o filme também recorre à mitologia brasileira ao colocar em cena figuras como o Saci e o Curupira, é uma das comédias mais divertidas do moderno cinema brasileiro.

A marvada carne é um filme para todas as idades. Portanto, não deixe de trazer os amigos, o pai, a mãe, o filho... Temos certeza que todos irão adorar.

Saíba mais acessando o blog: http://sabicrateus.blogspot.com

Cordialmente

Karla Gomes

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++



Olá Júnior,

Parabéns a cidade de Crateús por oferecer ao seu povo mais um espaço cultural. O Cinema.

Com o advento da televisão e do computador, os cinemas se esvaziaram e as pessoas passaram a ficar mais em casa, seguindo novelas, vendo programas irrelevantes e travando amizades virtuais esquecendo-se de viver, ao vivo e a cores, as diversas possibilidades que a vida oferece.

Cinema é cultura, é diversão, aproxima as pessoas e nada mais romântico, que: pouca luz, um saquinho de pipoca, bala de hortelã, entre uma cena e outra um beijo, um aperto de mão etc. etc..

Palmas para Crateús!!!!

Dalinha Catunda

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

SABi INAUGURARÁ CINEMA EM CRATEÚS


Ontem, 08.02.2010, finalmente recebemos a primeira leva de filmes a serem exibidos em nosso Cine Poty. São dramas, comédias, documentários, infantis - aproximadamente 24 títulos, que estaremos mostrando para o público amante da sétima arte, sempre aos domingos, a partir das 19 horas, na Casa de Arte e Cultura João Batista, com entrada gratuita.

A estreia será dia 28 de fevereiro, com a divertida comédia "A marvada carne", protagonizada por Fernandinha Torres. O filme é uma homenagem ao universo da cultura caipira, vista aqui num embate com a cultura da cidade. Adaptação de uma peça teatral de Alfredo Soffredini, o filme também recorre à mitologia brasileira ao colocar em cena figuras como o Saci e o Curupira. Com nove Kikitos (prêmio do Festival de Gramado) em 1984, é uma das comédias mais divertidas do moderno cinema brasileiro.

A marvada carne é um filme para todas as idades. Portanto, não deixe de trazer os amigos, o pai, a mãe, o filho... Temos certeza que todos irão adorar.

(Do blog da Sabi)

POLÍTICA E ECONOMIA NA REAL

AGENDA ECONÔMICA BRASILEIRA

A agenda está cheia. A inflação sobe na previsão dos analistas conforme consta da pesquisa semanal publicada no Boletim Focus do BC. De outro lado, a política monetária continua sendo o último refúgio para controlar a inflação, pois do ponto de vista fiscal nada há de positivo e novo. Por cima de tudo, as exportações despencam e seus efeitos hão de aparecer. O cenário é ainda positivo, mas a qualidade da política econômica no Brasil se deteriora do ponto de vista estrutural e conjuntural (eleições).

EMPREGO NOS EUA

Os dados de atividade e emprego nos EUA continuam dando sinais de recuperação. Todavia, o ritmo da recuperação está mais lento do que o esperado. A taxa de desemprego caiu para o patamar mais baixo dos últimos cinco meses (9,7% da força de trabalho). O problema é que o ritmo de demissões ainda supera o de emprego e é possível que os indicadores de desemprego voltem a piorar nos próximos meses, o que seria um fato muito negativo do ponto de vista das expectativas.

FMI E CIA.

Observada a crise mundial (e agora a europeia), a pergunta que não quer calar é qual a utilidade do FMI na atualidade? Sequer a instituição tem a aura humanista da ONU e do Banco Mundial. Ao contrário, trata-se de uma instituição desmoralizada do ponto de vista técnico e político. Keynes, idealizador do Fundo, teria vergonha de seu destino...

"EFEITO BACALHAU", "EFEITO PAELLA" E "EFEITO PIZZA"

A crise econômica e de crédito da Espanha, Portugal e Itália terá seus efeitos diretos pelos nossos lados: a pressão dos dividendos das multinacionais destes países localizadas no país deve ser maior neste ano. O objetivo é cobrir riscos e eventuais prejuízos nos seus países-sede.

O PT, AOS 30 ANOS: VOLTA AO PASSADO?

Quem leu os documentos que o PT preparou para as discussões do programa de governo de um futuro governo Dilma, revelados pelo Estadão na semana passada e pelo Valor Econômico ontem, percebe que o partido está tentando retomar bandeiras que, por pragmatismo, foram abandonadas depois que a legenda, pelos pés de Lula, subiu as rampas do Planalto. Na ocasião, Lula não carregava sob as axilas as teses mais caras ao petismo. Levava a "Carta aos Brasileiros", documento elaborado sob a coordenação do futuro ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para conter os temores de boa parte da platéia bem informada de que um governo do PT fosse mesmo mudar tudo que está aí. O PT engoliu – e continua engolindo – o sapo barbudo de uma política econômica que nunca foi dele, feliz com as oportunidades que teve no poder. Seus documentos sobre economia, agora, pregam velhos (pré) conceitos, dando sinais até de que namora novamente com o estatismo. Na diplomacia, critica o acordo Mercosul-Israel e as negociações da Rodada de Doha da OMC e, ainda, sugere a criação de um Conselho de Política Exterior. Demonstram que o PT se prepara para a "era pós-Lula" com ideias pré-Lula. Aos 30 anos, completados neste fevereiro, o PT, com Dilma, uma petista de segunda viagem, flerta com o passado. E tenta reescrever o lulismo de seu fundador.

EXCEÇÃO DA VERDADE

Pode ser até a chamada mera coincidência, mas como coincidência demais passa a ser fato em política, o jogo está aberto. O PSDB começa a botar em prática uma das ações eleitorais com as quais pretende desconstruir a imagem de Dilma: botar em dúvida seu compromisso com a realidade. Em outras palavras, pespegar-lhe a pecha de mentirosa. Na última semana, a expressão mentira, associada à ministra chefe da Casa Civil e/ou ao governo Lula, apareceu em três emissões da oposição: num artigo do ex-ministro Paulo Renato de Souza, no Estadão; numa nota do deputado Federal paulista Mendes Thame; e, no artigo que o ex-presidente FHC escreveu este fim de semana para o Estadão e O Globo. A oposição acha que Dilma lida mal com esta situação desde que se "enrolou toda" (expressão de um tucano) para explicar aquela história do currículo com informações incorretas sobre sua formação acadêmica e não rebateu convincentemente as acusações da ex-secretária da Receita, Lina Vieira, de que tentou interferir em perícias que a RF fazia nos documentos da família Sarney.

OH MINAS GERAIS – CAPÍTULO 7.227

Seguramente, a solução da sucessão mineira na base aliada de Lula será a mais longa e arrastada das subnovelas da novela da sucessão presidencial. O lance mais recente é tentar fazer do vice-presidente José Alencar o candidato dos partidos governistas, uma espécie de tertius na disputa entre o PMDB (Hélio Costa) e o PT (Patrus Ananias e Fernando Pimentel). Um dos petistas seria acomodado na vice do vice e Costa disputaria a reeleição para o Senado. É mais um balão de ensaio, que pode até dar certo, mas depende de uma série de circunstâncias para prosperar. A primeira é a própria condição de saúde do vice. Depois, a disposição de Costa de ficar no mesmo lugar e ir para uma briga contra Aécio Neves e Itamar Franco. Em terceiro, a maleabilidade do PT mineiro para fazer concessões. Sem concorrer diretamente, o partido entrará na disputa pela prefeitura de BH em 2012, em franca desvantagem. Durante anos, lembremos, o PT dominou a capital mineira, ou diretamente (Patrus, Pimentel), ou em parceria com o PSB. Hoje, o PSB, com Marcio Lacerda, ainda comanda a prefeitura, mas com o coração de Aécio. A movimentação do PT e dos aliados em MG, até agora, só está mesmo servindo para aumentar a disposição de briga do governador Aécio Neves e sua total integração ao projeto nacional tucano.

O ALMODÓVAR DE CIRO

As reações de Ciro Gomes aos movimentos de Lula e do PT, para afastá-lo prematuramente do grid de largada da corrida presidencial, estão num crescendo tal que podem tornar inviável uma integração total e entusiasmada do deputado cearense à campanha de Dilma. Aliás, Ciro já deu este sinal quando, entre ironias ao "santo Lula" e verbosidades contra Dirceu, avisou que já está com a vida ganha e não tem ambições pessoais.

O SILÊNCIO DE SERRA

O DEM não consegue dormir com o barulho que o silêncio do governador Serra sobre sua candidatura à sucessão de Lula anda fazendo. Digam o que disserem tucanos, democratas e os ex-comunistas do PPS, a ascensão de Dilma nas últimas pesquisas assustou em todos os quadrantes. Até a imprensa estrangeira já acha que o governador paulista perdeu o timing. O que voltou a alimentar os boatos de Brasília de que ele poderia desistir da capital federal para ficar na capital paulista, abrindo espaço para uma chapa puro sangue, café com leite, com sinais invertidos: Aécio presidente e Alckmin de vice.

DILMA E SEUS DOIS VICES

Quanto mais o deputado, recém reeleito presidente do PMDB, Michel Temer, diz que não aspira à indicação de vice na chapa de Dilma, mais dentro e fora do governo aumenta a convicção de que isto é a única coisa que o presidente da Câmara realmente aspira. E mais cresce a inquietação do presidente Lula, do PT e de outros aliados governistas que não o PMDB. Desse lado mais cresce a convicção de que Dilma precisa de um Meirelles a seu lado como contraponto às desconfianças que ela gera em alguns setores e aos "alopramentos" que o PT vem demonstrando nos esboços das propostas para um governo Dilma.

OS TEMPOS DE LULA E DO PMDB

Lula joga com o tempo, para consolidar o crescimento de Dilma nas pesquisas, para fechar o acordo eleitoral com o PMDB sem pagar todas as faturas que o peemedebismo está cobrando. Por sua vez, o PMDB diz que tem todo o tempo do mundo e pode esperar até o início da formação do novo governo para acertar as contas.

PRÉ-SAL ELEITORAL

Não vai ser tão tranquila como Lula imaginava e deseja a votação completa – Câmara e Senado – das novas regras para a exploração de petróleo no Brasil. A oposição vai obstruir sem dizer que está obstruindo a Petrobras. E as disputas regionais, mesmo que sejam atropeladas na Câmara, ressuscitarão no Senado, onde os Estados não produtores pretendem tirar o um quinhão mais generoso. Talvez nem dê tempo para o pré-sal frequentar os palanques eleitorais, desfalcando o tripé de realizações a ser alardeado por Dilma: petróleo, Bolsa Família e PAC.

DE OLHO NOS REMÉDIOS

O BNDES ainda não desistiu de patrocinar, por meio de fusões e aquisições, o nascimento de uma grande indústria farmacêutica nacional, para se contrapor às multinacionais que dominam o setor. Não faltarão recursos para quem quiser se aventurar.

DE OLHO NA INTERNET

Amanhã, Lula vai definir as regras para o Plano Nacional de Banda Larga e avalizar o renascimento da Telebrás como grande operadora do programa. Uma corrente quer que a novo-velha empresa estatal faça tudo sozinha. Outra, que o programa seja dividido com o setor privado. O mais provável, para evitar ruídos e desconfiança em ano eleitoral, é que Lula opte pela segunda. Porém, com total protagonismo da Telebrás.

JOSÉ SARNEY E A ÉTICA

Na sua coluna da última sexta-feira na Folha de S.Paulo, o senador José Sarney teceu argumentos de variadas cepas para tratar da injustiça com a qual tem sido tratado nos últimos escândalos da política nacional. A certa altura do artigo diz que "(...) o famoso caso Dreyfus, de trágica memória, em que este oficial do Exército foi acusado de traição, condenado à prisão perpétua e à chamada 'guilhotina seca', que era a prisão na ilha do Diabo, na Guiana. Foi preciso a coragem de defendê-lo de Émile Zola, ao publicar um manifesto com os erros do julgamento (J'accuse!), para acabar com a fraude." Interessante o velho senador maranhense ter admiração por publicações de manifestos quando ele e seu filho Fernando censuram, mesmo que por via judicial, o jornal O Estado de S. Paulo o qual tem uns manifestos nada republicanos para divulgar sobre como se faz política na família Sarney.

(Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

SONETO DE PARABÉNS À AMADA!

Já sabes, amada, que o oito é o número da luz!
Já te falei outras vezes, até com a voz molhada,
Que o oito é união fraterna, lírio de Jesus,
Fogo sagrado, círculo de amor, aliança colada.

Nesta manhã fevereira, febril e calma
Em que um novo milênio nos abre o seu armário,
Retiro a taça de sonho que me uniu à tua alma
E renovo-te um doce brinde de Feliz Aniversário!

O jardim azul da trajetória volta à minha mente:
Me mostraste a vereda das coisas permanentes,
Me deste o pão da paz, a fruta verdadeira.

Por isso me analiso, me recolho, me inflamo
E repito com o mesmo ímpeto da vez primeira:
Eu te AMO, eu TE AMO, EU TE AMO!


(Por Júnior Bonfim)


+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Olá Júnior,

As vezes temos as palavras na ponta da língua, mas nos falta a inspiração.

Você com sua inspiração divina,dedicou, este soneto invejável, a sua musa inspiradora que certamente ficou em estado de graça ao receber a carinhosa declaração de amor.

Um abraço,

Dalinha



lb deixou um novo comentário:

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

domingo, 7 de fevereiro de 2010

DIVULGANDO

Júnior:

Sei que tem muito interesse por poesia. Estou divulgando meu 4º livro: Calendário Poético, com capa do consagrado Celito Medeiros, de Curitiba. O livro envolve mais de 150 trabalhos, sobre as datas cívicas, históricas, importantes, homenagens, as mães, pais, médicos, advogados, professores, dia internacional da mulher, semana da pátria, e assim por diante.

Estou querendo difundir meu livro por várias regiões do Brasil, razão pela qual estou vendendo o mesmo, por apenas R$20,00 já incluído o valor da remessa. Conto com seu incentivo, já que bem sabe não é fácil divulgar cultura, especialmente poesia.

Mando algumas poesias do citado livro, espero sejam do seu agrado.

Espero um e-mail seu!

Abraços do Wandisley



O Que Dizer, Brasileiro?...


wandisley garcia

O que dizer, brasileiro,
de nossa bela nação,
se já sabe o mundo inteiro
a mais profunda canção?!...

O que dizer, brasileiro,
de nossa rica nação,
do nosso povo altaneiro,
povo amigo, povo irmão?!...

O que dizer, brasileiro,
de nossa nobre nação,
que fez D. Pedro Primeiro
um cativo da emoção?!...

O que dizer, brasileiro,
de nossa jovem nação?!...
Todos sabem do celeiro,
dos produtos deste chão!

O que dizer, brasileiro,
de nossa imensa nação:
somos um povo ordeiro
com Jesus no coração!


Horizonte Perdido

Wandisley Garcia

Acredito no horizonte perdido,
não distante daqui, não muito além...
O que no filme tem acontecido,
onde existe paz, onde existe o bem!

Onde a gente não tem envelhecido,
porque problemas lá nunca se tem,
mas esse lugar pouco conhecido,
penso, quem encontrar contar não vem!

Impossível, voltar deste "Eldorado!,
encravado em algum lugar do mundo,
tão maravilhoso, lindo e sagrado!

Acredito de todo coração,
com a pureza de um amor profundo,
a ternura mais franca do perdão!


O Homem e Computador

Wandisley Garcia

O homem tem a inteligência
dada por Nosso Senhor,
por mais que avance a ciência
ou mesmo o computador!

O homem, o seu fabricante,
nunca será superado...
Quem é ser vivo, pensante,
não máquina programada!

Por isso, homem, seu trabalho
é de fato imprescíndível,
é qual flor, nasce do orvalho:

Do seu pensar sem limite,
do seu sonho inconfundível,
inda que a máquina o imite...



Quando Venho Te Ver

Wandisley garcia

Eu, quando venho te ver:
é com o coração saltitante de alegria,
é como se cego eu visse a luz do dia...

Eu, quando venho te ver:
quanto este momento foi esperado!...
Sufoquei o ímpeto do meu coração,
ó meu doce, perfil amado!

Eu, quando venho te ver:
é com saudade fora do comum
e pelos poucos momentos que iremos ter
vamos vivê-los, como momento algum...

Eu, quando venho te ver:
não te quero triste e distraída,
se és a parte da minha vida,
a razão do meu próprio ser!

Eu, quando venho te ver:
é com o coração cheio de amor
esperançoso para oferecer
como a brisa acariciando a flor!...

Por isso, quando venho te ver:
quero teu amor, tua alegria,
nos meus braços feliz te envolver,
até que chegue nosso eterno dia!


Quando Quiseres

Wandisley garcia

Quando quiseres:
a emoção mais pura,
a palavra mais sincera,
o amor mais profundo,
não o de um segundo,
não o de uma simples quimera,
mas de uma eterna ventura,
aí, então, me procures,
e serás a mais feliz de todas as mulheres!


(wandisley_garcia1@yahoo.com.br)

SEM MEDO DO PASSADO


O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

(Por Fernando Henrique Cardoso, ex-Presidente da República)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CINCO LIÇÕES SOBRE GESTÃO

**Lição No.1 - Gestão do Conhecimento**

Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair
dele e está se enxugando.
A campainha da porta toca.
Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste se enrola na toalha e desce as escadas.
Quando ela abre a porta, vê o vizinho Bob em pé na soleira.
Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Bob diz: "Eu lhe dou 800 dólares se você deixar cair esta toalha".
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a
toalha cair e fica nua.
Bob então entrega a ela os 800 dólares prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo
na toalha e volta para o quarto.
Quando ela entra no quarto, o marido grita do chuveiro
"Quem era?" "Era o Bob, o vizinho da casa ao lado." - diz ela.
"Ótimo! Ele lhe deu os 800 dólares que ele estava me devendo?"

*Moral da história:*

Se você *compartilha informações* a tempo você pode
prevenir exposições desnecessárias!!!


**Lição No.2 - Chefia e Liderança**

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar
e na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo.
Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio.
O gênio diz: "Eu só posso conceder três desejos, então, concederei
um a cada um de vocês".
"Eu primeiro, eu primeiro".Grita um dos funcionários.
"Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida!" Puf! e ele se foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:
"Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pinas coladas!" Puf e ele se foi.
"Agora você" diz o gênio para o gerente.
"Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do
almoço".- diz o gerente.

*Moral da história:*
Deixe sempre o *seu chefe* falar *primeiro*.


**Lição Nº 3 - Zona de Conforto** **

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada.
Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:
"Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro?
" O corvo responde: "Claro, porque não?"
O coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa.
De repente uma raposa aparece e come o coelho.

*Moral da história:*

Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar
*sentado bem no alto*.


**Lição Nº 4 - Motivação**

Na África todas as manhãs uma gazela acordava sabendo que
ela deveria conseguir correr mais do que o leão se quisesse se
manter viva.
Todas as manhãs o leão acordava sabendo que deveria correr
mais do que a gazela se não quisesse morrer de fome.

*Moral da história:*

Não faz diferença se você é gazela ou leão, quando o sol
*nascer* você deve começar a *correr*.


**Lição Nº 5 - Criatividade**

Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade,
pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas.
No caminho ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram suas terras.
Ao se aproximar lentamente, observa várias garotas nuas se
banhando na lagoa, quando elas percebem a sua presença,
nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam:
nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos
espiar e for embora.
O fazendeiro responde: eu não vim aqui para espiar vocês,
eu só vim alimentar os jacarés!

*Moral da história:*

A *criatividade* é o que faz a diferença na hora de atingirmos
nossos objetivos.


(Enviado por Murilo Braga)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

AS ÚLTIMAS PRESIDENCIAIS!

1. Quem perde com a entrada de Ciro? Perde Lula, que quer uma eleição plebiscitária. Perde Marina, que vai encolher e ficar como uma candidata nanica. Perde Dilma, porque Ciro é mais forte onde Lula (Dilma) é mais forte: nordeste. Perde Serra, pois terá que contratar sessões de relaxamento para ouvir o que Ciro vai dizer sobre economia. E perde este Ex-Blog, que tem a convicção que Serra ganha no primeiro turno sem Ciro. Ainda bem que a aposta feita tinha como preliminar a não candidatura de Ciro.

2. Quem ganha com a entrada de Ciro? Seus candidatos Brasil a fora, a deputados, senadores e governadores. Exclua-se Pernambuco a governador.

3. Bolsa Família. No tempo de FHC o cadastro da Bolsa Escola era privativo da CEF. Os prefeitos, governadores e partidos não tinham acesso ao cadastro dos cartões. Cada estado ou município que tivesse responsabilidade de acompanhar poderia até fazer o seu. Mas nunca usar o cadastro do cartão. E nem repassar a deputados. Agora todas as "bolsas" têm seu cartão, e seu cadastro vai direto para o governo e seus políticos da região independente de estarem ou não gerindo um estado ou município. E toca cartas nos beneficiários, do tipo: continuidade ou perda.

4. Uns quilinhos a mais atrapalham a imagem do político na TV. Muitos quilinhos a mais atrapalham muito mais. Ainda há alguns meses para Dilma perder vários quilinhos que ganhou de novembro para cá. Pode ser um tratamento de SPA em sua própria residência e local de trabalho.

5. O que faltou no programa de ontem da Marina? Emoção. Fala de momentos significativos de sua vida, como se estivesse contando um filme. Mas o programa acerta no alvo ao buscar contatos imediatos de primeiro grau com a juventude.

(Do ex-blog de César Maia)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

SEU LUNGA

E Seu Lunga não quer tirar férias da coluna. Nem que seja por uma semana. Ou será que seus patrocinadores pensam em mantê-lo firme neste espaço? Muitas historinhas chegam. Como já salientei, não procuro saber se são efetivamente de autoria do nosso sarcástico intérprete da cretinice tupiniquim. E que recebe de algumas pessoas o epíteto de mal educado. Continuarei a prestigiar a figura, nem que chatalhos insistam na ideia de que os "causos" apresentados não saiam da boca do Seu Lunga.

______________

Seu Lunga estava tomando uma sopa num bar de Juazeiro. Um sujeito entra no estabelecimento e pergunta:

- Tomando sopa, Seu Lunga?

E Seu Lunga, despejando o prato fundo de sopa sobre a própria cabeça, responde:

- Não! Tô tomando banho!

______________

PESQUISAS PRÉVIAS

Mais uma pesquisa sai dos laboratórios do marketing empresarial. A Confederação Nacional dos Transportes é a patrocinadora desta mais recente bateria, organizada pelo Instituto Sensus. Como se sabe, Dilma encostou em Serra (33,2% x 27,8%), tendo Ciro como candidato. Com Ciro fora da disputa, Serra sobe e Dilma se mantém na posição. Ou seja, os votos de Ciro tendem a migrar em maior quantidade na direção do governador de SP. Esse será o quadro? Não. Esta é a leitura deste consultor. Vamos às explicações.

POLARIZAÇÃO

Ciro Gomes não sustenta bom índice em uma moldura de polarização. Se for candidato, em disputa mais que polarizada, será comprimido/espremido pela alta visibilidade dos dois contendores Serra e Dilma. Não terá bom espaço na mídia eleitoral, seus palanques não passariam de 7 nos Estados, enquanto Dilma teria 35 palanques e Serra 25. Nenhum candidato resiste a uma bateria de comunicação intensa. Seria afogado pela maré comunicativa dos dois maiores candidatos. Tem razão Luiz Inácio quando aconselha Ciro a se retirar do páreo federal para brigar no páreo paulista.

______________

Seu Lunga foi à feira e comprou uma galinha caipira. Chegando a casa ele deu pra mulher. E ela pergunta:

- Lunga, é pra matar?

Lunga responde:

- Não, dê uma surra e solte.

______________

PÁREO PAULISTA

Mas é claro que Ciro Gomes não tem potencial para ganhar uma campanha em SP. O que Lula pretende é abrir um palanque contundente dentro do maior colégio eleitoral do país. SP tem 30 milhões de eleitores. Ciro poderia ser a cabeça de ponte na estratégia de estender o campo de lutas de Dilma. Com seu estilo bombástico, se prestaria a ser o aríete contra Serra, no território principal deste. Dilma poderia aproveitar esse tiroteio acirrado para aparecer ao lado de Lula. E o PT seria orientado a descarregar seus 30% de votos, históricos, em Ciro. O problema: Ciro não quer. Pretende, isso sim, disputar o pleito majoritário federal.

TRÊS MAIORES PALANQUES

Nos três maiores colégios eleitorais, a divisão será esta: em SP, o palanque tucano será bem maior que o palanque de Ciro ou um candidato pelo PT (30 milhões de eleitores); Geraldo Alckmin tem melhores condições de liderar o palanque paulista. Em MG, o segundo maior colégio (mais de 13 milhões de votos), o palanque de Serra será aberto por Aécio; já o palanque de Dilma terá Hélio Costa, Fernando Pimentel ou Patrus Ananias, além do vice Zé Alencar. No RJ, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho abrirão um grande palanque para Dilma. A perspectiva de Serra é com o palanque de Fernando Gabeira, mas este estará comprometido com Marina Silva. No segundo turno, Serra poderá deslanchar.

______________

Seu Lunga foi a um restaurante pra tomar uma sopa. Ao chegar, o garçom o abordou:

- O senhor quer a sopa num prato ou numa tigela?

Como sempre, muito educado, ele respondeu:

- Não! Despeje no chão e traga a sopa com o rodo.

______________

PALANQUES MÉDIOS

Na BA, Jaques Wagner, o governador, e Geddel Vieira Lima, o ministro, farão dois palanques para Dilma. Paulo Souto, do DEM, recepcionará José Serra. Dilma terá mais força. No PR, Beto Richa ou Álvaro Dias puxarão o cordão de José Serra e Osmar Dias estará no palanque adversário com Dilma. O vice-governador Pessuti, do PMDB, tende a ficar com Dilma. Em PE, Eduardo Campos, o governador, muito bem avaliado puxará o carro de Dilma. A única opção de Serra é a candidatura do senador Jarbas Vasconcelos ao governo. Poderia ter um bom palanque neste caso.

ATÉ ONDE DILMA CHEGARÁ?

Dilma Rousseff (ou Dilma do Chefe, como está sendo chamada no nordeste) poderá chegar aos 35%. Esse é o patamar histórico do PT. Margens maiores dependerão das circunstâncias eleitorais: ambiente econômico, satisfação social, harmonia e segurança social. Lula já passou razoável pacote de votos para Dilma. Não se pense que ela conquistou esses índices que aparecem em pesquisa por força pessoal ou capacidade de influenciar as massas. Dilma não gera empatia. Por isso, Lula é o transferidor de votos. Mas há um limite nesse processo.

PÍLULAS DO ENEM

Retrato em 3x4 do nosso alunado nas bancas do Enem:

- "O pobrema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta."

- "A amazônia é explorada de forma piedosa."

- "Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta."

- "A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu."

- "Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta."

- "O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação."

- "Espero que o desmatamento seja instinto."

- "A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo."

REINVENTAR O MUNDO

Lula não foi a Davos por conta do stress que fez subir sua pressão. Aliás, a altitude tem impregnado a alma de Lula. No discurso que mandou para o Fórum Mundial, lido por Celso Amorim, disse que o Brasil fez tudo certo e que o mundo faz tudo errado. Por isso, urge reinventar o mundo. Deus está mandando três anjos para a terra. Missão: perguntar se Luiz Inácio toparia substituir Deus, apenas por 7 dias, tempo suficiente para o Reinventor do Mundo realizar a tarefa.

______________

Seu Lunga estava deitado no sofá quando alguém faz a pergunta:

- Tá dormindo Seu Lunga?

- Não! Tô treinando pra morrer.

______________

DESPEDIDAS

Aliás, o Reinventor do Mundo despediu-se, ontem, do Congresso, por ocasião da instalação do ano judiciário. Lembrou, em tom de saudades, os sete anos de relacionamento entre Executivo e Legislativo. E mostrou a força do Brasil, respondendo de forma rápida à crise mundial. Ressaltou que o país continuou gerando empregos e fortalecendo a infraestrutura. Que, como o sabemos, é precária, a partir do sistema de transportes. E a geração de empregos continua engessada pela visão ortodoxa das Centrais Sindicais. Que dão o tom no Ministério do Trabalho e Emprego.

SISTEMA INSTÁVEL

"O sistema financeiro mundial que emergiu do processo de globalização dos mercados financeiros era fundamentalmente instável, porque foi construído sobre a falsa premissa de que é possível permitir que os mercados financeiros patrulhem a si mesmos. Foi essa a causa do colapso, e é por isso que não poderemos remontá-lo na forma que tinha." (George Soros)

SINDICALISMO EM QUEDA

O sindicalismo no Brasil entrou em processo de declínio no ciclo Lula. Quem faz a constatação é o próprio Instituto Sensus, esse que deu a pesquisa sobre o crescimento de Dilma. Em novembro de 2000, das pessoas entrevistadas, 5,7% eram sindicalizadas; hoje, esse índice é de 5,3%. Por que murcha? Porque as Centrais Sindicais nadam em grana. Porque o sindicalismo virou pompa, fausto, divertimento e zorra total. Os lobos de antigamente viraram cordeirinhos a comer grana nas cercanias do Planalto Central.

______________

Estava Seu Lunga, como de hábito, lavando a calçada com a mangueira quando passou uma vizinha e fez a infeliz pergunta:

- Ô Seu Lunga tá lavando a calçada?

E ele com toda sua educação:

- Não, tô regando pra ver se nasce poste...

______________

CAMPANHA DE DILMA

A campanha de Dilma começa a tomar forma no aspecto do comando. José Eduardo Dutra, presidente eleito do PT, estará no comando, mas o deputado Palocci dará as cartas como assessor de alto nível. O programa de governo ficará a cargo de Marco Aurélio Garcia, o teórico do PT, e o marketing será tocado por João Santana. Duda Mendonça até que tentou se encostar, mas levou um chega prá lá. Seu nome lembra pólvora. Meirelles funcionará como um consultor em matéria de política econômica. Franklin Martins e Gilberto Carvalho serão orientadores, ombudsman de Dilma.

PAULINHO DO DEM

Paulo Bornhausen será o líder do DEM na Câmara neste ano de campanha eleitoral. Paulinho é um grande articulador e tem expressão caprichada. Como o pai, Jorge, mantém contatos estreitos com Serra, Paulinho funcionará como link para juntar equipes e estruturas. O prefeito Kassab tem a ver com essa escolha.

______________

Seu Lunga vai à feira e compra limão. Passa uma mulher na rua e pergunta:

- Isso é limão na sua mão, Seu Lunga?

Seu Lunga pega uma faca, parte o limão no meio e responde espremendo o limão nos olhos:

- Nããããoooooo, é colírio!!!

______________

TEMER, COM MAIS FORÇA

Michel Temer é o nome de maior prestígio no PMDB. Por seu perfil cordato, Michel consegue ser rara unanimidade no seio do maior partido brasileiro. Não reivindica a vice de Dilma, até porque, na presidência do PMDB e na presidência da Câmara dos Deputados, consegue juntar mais poder e visibilidade que no cargo de vice. Como candidato a deputado federal – e está em campanha – terá boa votação, porquanto reúne ampla base de prefeitos. Só examinará a possibilidade da vice nas próximas semanas. Tende pela não aceitação, apesar das fortes pressões para que aceite o cargo. Inclusive por parte de perfis que pretendem sucedê-lo na presidência da Câmara.

TUNGA NO CONTRIBUINTE

O Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, coordenado pelo empresário José Maria Chapina Alcazar, fará ampla movimentação em Brasília para impedir mais uma tunga no contribuinte. Trata-se do famigerado projeto conhecido como II Pacto da República – Projeto 5.080/09 – que sugere mudanças na Lei de Execuções Fiscais. O projeto tenta criar a figura da execução prévia, ao atribuir à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a atividade jurisdicional, função legítima do Judiciário, dando-lhe a faculdade de constrição prévia de bens, inclusive com penhora on line, ferindo, dessa forma, a norma constitucional e proporcionando um dos mais violentos atentados contra os direitos dos contribuintes em toda a história brasileira. A comunicação posterior por parte do Erário ao Poder Judiciário, que poderá ser embargada não terá efeito suspensivo, numa fantástica fragilização do direito à ampla defesa assegurada pelo inciso LV do artigo 5º da CF/88.

MAIS UM GOLPE

A criatividade do governo na esfera autoritária é inesgotável. A última novidade é a complexa Portaria 1.510/09, do Ministério do Trabalho e Emprego, que cria o Registrador Eletrônico de Ponto e traz novidades sobre os programas e a manutenção dos sistemas eletrônicos de ponto de empresas com mais de dez funcionários. Mais uma vez caberá ao empreendedor brasileiro o ônus do processo. Caso não arque com os expressivos custos para implantação e manutenção do sistema, estará sujeito a astronômicas multas administrativas. Para se ter ideia do grau de exigência da nova determinação, as empresas serão obrigadas a manter equipamento com capacidade de funcionamento de 1.440 horas ininterruptas em casos de ausência de energia. O ponto deverá ter também impressora de uso exclusivo e de excelente qualidade para imprimir material com durabilidade mínima de cinco anos.

CONSELHO AO PRESIDENTE LULA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos deputados distritais. Hoje, volta sua atenção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

1. Ao receber a pesquisa Sensus, vossa Excelência fez uma gozação e vibrou por constatar que Dilma encostou em José Serra. Muito cuidado, presidente.

2. Pesquisa, nesse momento, apenas afere a visibilidade de perfis. E, como se percebe, Dilma está correndo os palanques dos Estados em campanha antecipada.

3. Não comemore antes do tempo, presidente. Dilma deverá crescer ainda mais, podendo chegar aos 35%. E até a ganhar a eleição. Mas o tempo é o senhor da razão. Espere por setembro, mês da grande definição. E então, vibre ou chore.

____________


* Gaudêncio Torquato

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

LEMBRANÇA

Ontem, foi celebrada a missa de sétimo dia do falecimento de Osvaldo Bezerra do Nascimento.

Abaixo, segue crônica que lapidei em sua homenagem.

++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Olá Júnior,

Mais uma vez parabéns por valorizar e nos mostrar um pouca da vida daqueles que mesmo indo nos deixam uma história que vale a pena ser divulgada.

Passei um mês viajando, por isso sumi um pouco, mas já estou de volta atualizando-me neste seu espaço onde a variedade de textos é um atrativo a mais.

Um abraço,

Dalinha

OSVALDO BEZERRA


Na noite de 27 de outubro de 2009, a convite do senhor Iran Parente, empresário que por muitos anos comandou a Crateús Algodoeira S/A, participei de uma solenidade do Lions Jangada Fortaleza, onde foram prestadas homenagens a Arimateia Santos e Claudino Sales, ex-integrantes daquele clube. Lá estava Osvaldo Bezerra do Nascimento, cuja silhueta denunciava um combatente em prol da própria saúde. A certa altura, sentou-se ao meu lado e me pediu para fazer a leitura, no microfone, de uma peça de arquitetura literária que havia preparado para aquela ocasião. Externei-lhe que me sentia honrado com a deferência, mas – cristão novo naquele ambiente – julgava que ele, enquanto lavrador do texto e sobejamente conhecido de todos, era indiscutivelmente mais indicado. E assim ocorreu.

Após o evento, ainda sob o impacto emocional daquele momento, mencionei que desejava brindá-lo com uma crônica. O seu globo ocular se iluminou.

No dia seguinte, chegava ele ao meu escritório, trazendo uma Revista da Academia Leonística de Cultura no Ceará, onde ocupava a cadeira 41. Às folhas 46/47 da Revista, um texto de seu lavor contendo admoestações sobre “O Homem – Dignidade – Oportunidade”, onde se lia: “É no respeito pelo homem que se fundamenta todo relacionamento social. Uma vez perdido esse respeito, perde-se a possibilidade de estabelecerem-se relações sociais saudáveis e, conseqüentemente, a oportunidade de usufruirmos a felicidade real que poderíamos gozar neste mundo, com o verdadeiro prazer de uma convivência delicada e elegante sem a qual a humanidade se transformaria em verdadeira alcatéia de lobos”.

Mais adiante, exclamava: “Quão bom seria que o homem usasse o seu cérebro privilegiado, sua inteligência, o seu raciocínio, sua disposição, enfim, as suas potencialidades, para o bem-estar social”.

No caso, identificamos que a caneta utilizada por Osvaldo para a escrita desse texto fora irrigada com a tinta do mesmo sangue que agitava seu batimento cardíaco. Desde meninote, quando mirava sua figura galante, de apreciador dos bons costumes, alimentador de hábitos gregários, sempre imaginei: “aí vai um típico lorde, homem de espírito nobre”.

Este fidalgo cidadão, nascido em Independência no dia 1º de março de 1937, partiu. Deixou-nos na última terça-feira, 26 de janeiro de 2010. Foi ocupar seu merecido assento entre os membros da elevada estirpe.

Sua extensa e memorável dedicação ao múnus público se iniciou e sempre girou sob o esquadro de Crateús, onde iniciou os estudos na Escola Normal, com passagem no Ginásio Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e na Escola Padre Champagnat, em Fortaleza, onde depois bacharelou-se pela Universidade Federal do Ceará.

Mesmo sob a administração de seu filho Osvaldo Júnior, o tradicional Cartório do 1º Ofício, na Rua Coronel Lúcio, em Crateús, tem o fenótipo do velho Osvaldo. Confunde-se com sua figura. As paredes, enfeitadas com diplomas, prêmios, troféus e certificados os mais diversos, lembram seu intenso apostolado público e sua afortunada militância filantrópica.

Na seara pública, dentre outras empreitadas, foi diretor da Escola de Comércio Padre Juvêncio, de 1962 a 1966; Superintendente regional de Ensino, de 1964 a 1968; Chefe do Escritório Regional da Casa Civil, em Crateús, de 1969 a 1970; Consultor Jurídico do Estado, de 1972 a 1978.

Na atividade sócio-cultural, dirigiu o Clube Caça e Pesca; foi Secretário do Centro Folclórico de Crateús; presidiu, em sete mandatos distintos, o Lions Clube de Crateús, tendo assumido as mais destacadas funções, inclusive a de Governador do Distrito L-15, além de participar de praticamente todas as Convenções Distritais e Nacionais, bem como das internacionais de Dallas, no Texas, Estados Unidos, e de Montreal, no Canadá.

Um dos seus principais contributos a Crateús foi ter idealizado, por uma chispa altruística, um dos mais respeitados espaços educacionais da urbe. Em 1967, sob o influxo inspirativo da insígnia Leonística do SERVIR, solicitou ao pai, Antonio Bezerra do Nascimento, uma quadra no bairro Castelo. Nessa quadra foi erigida, em forma de H, a “Escola Lions Clube”, uma das mais privilegiadas referências de escola pública da cidade.

Osvaldo, em sua germinação latina, significa “poder dos deuses”.

Imaginava escrever-lhe uma estampa louvativa. E, depois, observar a reação das suas esferas oculares. Que pena! Elas se fecharam antes disso.

Por isso, sem pestanejar, saúdo sua alma leonina, plena de potencialidades sublimes, e agradeço sua contribuição terrena. Boa estada no céu!

(Por Júnior Bonfim)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

OPHIR CAVALCANTE É O NOME DO NOVO PRESIDENTE DA OAB NACIONAL


Vinte e um anos depois, um paraense volta a ocupar o cargo mais alto de uma das mais importantes entidades da sociedade civil organizada do Brasil. Seguindo a trilha do pai, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil entre 1989 e 1991, o advogado Ophir Cavalcante Júnior toma posse nesta segunda-feira, dia 1º, como presidente do Conselho Federal da OAB.

Ciente da importância da posição, ele promete abrir guerra à corrupção, principalmente a eleitoral, já que o ano será marcado pela disputa nas urnas. O voto deve ser a principal arma do cidadão contra a corrupção. Por isso, devemos garantir que o voto reflita a real vontade do eleitor, seja um elemento de transformação social.

Vamos criar uma Comissão de Combate à Corrupção, seja ela eleitoral ou de outra ordem, garante ele. Em entrevista ao repórter Anderson Luís Araújo, o novo presidente da OAB defende a reforma eleitoral com a inclusão do voto de lista fechada e o financiamento público das campanhas. Mencionou ainda que os mais de 1.100 cursos superiores de Direito no Brasil representam um risco para a qualidade do ensino e a formação dos profissionais. E anunciou a luta pela instalação de duas sedes do Tribunal Regional Federal na Amazônia, uma delas com sede em Belém.

Além de Ophir Cavalcante, que assumirá o cargo de presidente em substituição ao advogado sergipano Cezar Britto, integrarão a nova diretoria os advogados Alberto de Paula Machado (vice-presidente); Marcus Vinicius Furtado Coelho (secretário-geral); Márcia Regina Machado Melaré (secretária-geral adjunta) e Miguel Ângelo Sampaio Cançado (diretor-tesoureiro). (Foto crédito OAB Nacional).


Leia abaixo a íntegra da entrevista publicada na edição de ontem do Jornal O Liberal (PA):

Qual será o enfoque da sua gestão à frente da OAB Nacional?

R - Depois do 11 de setembro nos Estados Unidos, todos passaram a ser culpados até que provassem que eram inocentes, invertendo o princípio constitucional da presunção da inocência. No Brasil, tentou-se instalar o Estado policial, e a gestão do presidente Cezar Britto, da qual fiz parte, reagiu na defesa das liberdades individuais e coletivas. Hoje, um outro desafio se apresenta: o combate a associação da corrupção com a impunidade. A nossa gestão se dedicará a combater isso que faz desviar dos cofres públicos dinheiro para manter e eleger políticos inescrupulosos; que usa cargos públicos comissionados como moeda de troca. Enfim, todo e qualquer tipo de corrupção que desvie dinheiro do contribuinte para beneficiar quem quer seja será por nós combatida, a fim de que a sociedade não perca a confiança nas instituições.

O ano é eleitoral. Como será atuação da OAB para barrar uma das mazelas mais antigas da democracia no Brasil, a compra do voto?

R - O voto deve ser a principal arma do cidadão contra a corrupção. Por isso, devemos garantir que o voto reflita a real vontade do eleitor e seja um elemento de transformação social. Vamos criar uma Comissão de Combate à Corrupção seja ela eleitoral ou de outra ordem. E vamos precisar fazer parcerias com outras entidades, como a CNBB, Ministério Público, a Imprensa. Essa Comissão terá será replicada por todo o país onde houver uma representação da OAB. Nunca é demais lembrar que a democracia tem um preço, que é o da eterna vigilância. Os avanços e recuos fazem parte da construção democrática, e eu confio no Brasil. Confio que as nossas instituições podem superar os desafios e, com gente honrada, poderemos mudar o mau conceito que se tem hoje dos políticos.

Como será a campanha de combate à corrupção eleitoral especificamente no Pará? Alguma diferença para outros Estados?

R - A corrupção eleitoral não privilégio de nenhum Estado. Só a reforma no sistema eleitoral - hoje ainda um sonho distante - com o fortalecimento e a democratização dos partidos poderá mudar o atual estágio. A Ordem defende o financiamento público de campanhas e a lista fechada, pois com isso permitiremos que pessoas que desejam fazer da política um meio de mudança para melhorar da sociedade passem a participar mais da vida política do país. Pode até não acabar com a corrupção eleitoral, mas a reduzirá a níveis muito pequenos, porque as pessoas não precisarão fazer acordos com empresas para depois pagarem quando assumirem o poder. Agora, é preciso o engajamento da sociedade. Nós, pessoas de bem, somos a maioria e devemos - e podemos - exigir a reforma do sistema eleitoral. É preciso sair do imobilismo e passar a ação. Sim, nós podemos e vamos fazer.

Qual a maior dificuldade para barrar a corrupção eleitoral no Pará?

R - O Pará é um Estado de dimensões continentais e qualquer ação em nosso Estado é sempre difícil de executar. Mas, com o engajamento dos advogados, da sociedade, do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal, podemos melhorar esse combate, que a meu ver deve ser uma batalha difícil, que a sociedade e os políticos comprometidos com a ética vão vencer.

É a primeira vez que o Pará faz um presidente da OAB? Como foi a articulação para vencer a eleição e chegar à frente de uma das entidades mais importantes da sociedade civil organizada no país?

R - Não, não é a primeira vez que um paraense assume a presidência da OAB Nacional. O primeiro foi meu pai, Ophir Filgueiras Cavalcante, no biênio 89/91. Aliás, foi o único até a minha eleição, nos 80 anos da OAB, a representar a região Norte. Deus quis que eu repetisse esse feito e estou pronto para, com o apoio dos advogados do Pará e de toda a sociedade paraense, engrandecer o nome do Estado. Será uma tarefa difícil, mas quem acredita em Deus e tem fé consegue ultrapassar as barreiras. A articulação foi natural e decorrente do trabalho que desenvolvi à frente da OAB-PA em dois mandatos e na Diretoria Financeira do Conselho Federal, conquistando a confiança dos colegas que presidem 26 dos 27 Estados da federação.

Faz diferença para o Pará ter um paraense a frente da OAB? Haverá alguma ação específica para Estado?

R - Acredito que faça sim diferença, porque eleva a autoestima dos paraenses, que, ao me verem presidindo a OAB Nacional, se sentirão motivados a mostrar ao Brasil que o Pará é uma terra de gente competente e de bem. Depois, porque procurarei ajudar o Pará em todas as demandas legítimas da sociedade paraense junto aos Poderes constituídos e também porque procurarei difundir a nossa cultura e as nossas tradições.

A OAB Nacional vai se empenhar pela instalação de um Tribunal Federal para a Amazônia, com sede em Belém?


R - O TRF da 1ª Região é um monstrengo judiciário, porque sua jurisdição açambarca 14 Estados da Federação, envolvendo Estados do Sudeste, alguns do Nordeste e todos os do Norte. Não há como se levar justiça para todos esses cantos de forma célere. Por isso, é preciso uma divisão da jurisdição criando-se três ou mais tribunais, sendo que para a Amazônia eu defendo que haja dois tribunais, um com sede em Belém e outro em Manaus. As sedes de que falo levam em consideração não só a geografia da região, mas também o potencial econômico de cada qual, sendo que o Pará supera em números de feitos todos os demais Estados da Região Norte, daí porque é fundamental uma sede aqui. A presença da Justiça é importante, porque dá segurança às pessoas e às empresas que desejam investir em nosso Estado, além de ampliar o acesso à Justiça e o mercado de trabalho.

Como o senhor avalia a atuação da OAB na luta pelos direitos da sociedade atualmente? O senhor acredita que, com o tempo, a entidade perdeu a força de mobilização e transformação?

R - A Ordem nunca deixou de lutar pelos direitos da sociedade, que é um dos seus compromissos, e continua, sim, a mobilizar a sociedade. Recentemente, fizemos uma passeata em Brasília envolvendo mais de 2 mil pessoas contra PEC do calote, que permite aos Estados e municípios pagar suas dívidas para com os credores em 15 ou mais anos. Ou seja: muitas pessoas morrerão e não receberão o que o Estado lhes deve. A PEC foi aprovada e agora a OAB luta no STF para demonstrar a inconstitucionalidade. Estamos - e continuaremos - fazendo a nossa parte para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Qual o maior desafio da Ordem hoje e como o senhor pretende enfrentar esse desafio?

R - São vários os desafios, sendo o destaque o combate à corrupção e à impunidade; a luta pela qualidade do ensino jurídico; a luta na defesa das prerrogativas, essenciais para o equilíbrio do processo judicial; a luta por um meio ambiente sustentável; a luta pelos direitos humanos, um desafio ainda presente hoje no Estado brasileiro. Enfim, teremos vários e vamos trabalhar para vencê-los.

Há uma quantidade grande de cursos superiores no Brasil e ainda assim muita reprovação na prova da Ordem. O senhor atribui isso a quê?

R - Temos hoje mais de 1.100 cursos de Direito do Brasil, enquanto nos EUA eles são 180. Demonstra uma deformação no nosso sistema. A proliferação desses cursos, sem um controle mais efetivo, trouxe a massificação e baixa qualidade, seja do corpo docente, seja do corpo discente. A posição da Ordem é lutar pela qualidade do ensino jurídico, pois é fundamental que a sociedade tenha profissionais para lidar com dois bens vitais para todos, a liberdade e o patrimônio. A unificação do Exame de Ordem tem demonstrado que temos poucas faculdades que aprovam bem e uma maioria que aprova pouco, com o mesmo conteúdo programático pautando os exames. Para a OAB, ter 2 milhões de advogados não seria problema, mas a nossa responsabilidade é com a sociedade e com a dignidade da profissão. Por isso, não podemos transigir com a baixa qualidade de ensino. Precisamos de um ensino de qualidade que informe e forme bons profissionais.


(Fonte: Opinião Jurídica)

sábado, 30 de janeiro de 2010

NÓS, ESCRAVOCRATAS


Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.

Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras.

Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.

Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro –, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.

Em 1888, libertamos 800 mil escravos, jogando-os na miséria. Em 2010, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens. De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler.

Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.

Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala.

Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais.

Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.

Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores.

Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade.

Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.

A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação.

Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.

Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar.

Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.

Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888.

Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.

Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.



Cristovam Buarque, ex-reitor da UnB, é senador pelo PDT-DF

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

OBSERVATÓRIO

Há poucos, uma emissora de rádio local me pediu uma avaliação sobre o primeiro ano de gestão do doutor Carlos Felipe à frente do Executivo Municipal. Compartilho aqui algumas das opiniões que externei.

O SIGNIFICADO DA ELEIÇÃO

A eleição de Carlos Felipe foi emblemática. Embora tenha votado em candidato concorrente, reconheço que Carlos Felipe catalisou as esperanças da população. Teve a imensa capacidade de estabelecer uma sintonia com os anseios da massa popular. O povo votou nele sob o forte desejo de que ele promovesse uma profunda alteração nos costumes políticos e na condução administrativa.

A OPORTUNIDADE PERDIDA

Infelizmente faltou-lhe aquilatar a real dimensão e o alcance histórico do seu papel. Ao invés de iniciar o seu governo conclamando a inteligência da cidade, pela mediação dos segmentos organizados, e as lideranças indistintamente para a construção de uma agenda de transformações sustentáveis, preferiu repetir os velhos modelos e as práticas que contestara: cooptação de vereadores, ações revanchistas, discurso discriminatório. Perdeu a oportunidade inicial da inovação.

O CHOQUE NECESSÁRIO

Além de uma mudança relacional, era imperiosa a promoção de um choque de gestão: corte nas gorduras, enxugamento da máquina, racionalização de procedimentos e constituição de uma robusta poupança. Na ânsia imediatista de mostrar resultado, iniciou obras sem folga de contrapartida e começa a enfrentar problemas (a reforma da Praça da Estação, por exemplo, está prestes a completar um ano e ainda longe de terminar). No lugar de um programa eficaz de desenvolvimento sustentável, temos uma série atabalhoada de ações desconexas ao sabor da conjuntura externa.

OS PROBLEMAS

Por conta desses desencontros entre o que foi prometido e o que está sendo efetivado, surgem problemas na própria base de sustentação do Prefeito. Na semana passada, o Vereador Nego do Bento subiu à tribuna da Câmara Municipal para dar publicidade do destino do dinheiro público crateuense. Obviamente, o edil apenas relatou o que qualquer pessoa que acesse a internet pode conferir, pois estas informações estão disponibilizadas no site http://www.tcm.ce.gov.br/transparencia/. O inusitado é que isso repercutiu. Imediatamente, surgiu uma saraivada de críticas em cima do ex-aliado. Ora, ele é um Vereador, eleito pelo povo. Tem legitimidade para falar. Independente de ter interesse contrariado, a crítica sobre a vida pública pode ser feita por qualquer pessoa. E o homem público verdadeiro, ao invés de procurar desqualificar quem a formula, deve observar o seu conteúdo. Se tiver fundamento, acolher e reformular. Mas é exatamente aí que reside outra faceta a ser considerada: o relacionamento com os opositores.

A OPOSIÇÃO
Onde se exercita a salutar prática da convivência democrática, a oposição é vista como benfazeja, freio e contrapeso a evitar os excessos e desleixos que a sujeição provoca. O prefeito nunca fez qualquer sinal de querer uma relação saudável e elevada com os setores que lhe fazem oposição. Nesse quesito, repete a velha e anacrônica política pendular de transitar sobre os dois extremos: ou as pessoas, por cooptação, o acompanham submissamente ou procura esmagar quem insiste em lhe fazer contraponto. Como se fosse impossível seguir outro caminho.

O SINDICATO DOS PROFESSORES

Um dos espaços onde se refuta, com conteúdo, essa obsessão hegemônica da Prefeitura é no Sindicato dos Professores Municipais. Nessa entidade que agrega os profissionais do magistério se pratica, além da defesa das prerrogativas dos trabalhadores em educação, uma intensa atividade cultural. Vale a pena se participar dos eventos promovidos no Quintal com Arte do Sindicato. Na manhã da última segunda-feira, foi realizada a solenidade de posse da atual diretoria, que tem à frente, em seu segundo mandato como presidente, Edilson Alves Pinto; Socorro Malveira como vice; Adriana Calaça como secretária e Socorro Marques como tesoureira. Marcaram presença representantes do Instituto de Desenvolvimento Social Dom Antonio Batista Fragoso - IDSAF, do Sindicato dos Professores do Estado, Academia de Letras de Crateús, Sindicato dos Servidores de Tamboril, MST, Cáritas, Associação do bairro Nova Terra, além é claro de professores e professoras do município, com filhos e outros familiares.


BLOG DA SABi

A Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho – SABi, organização não-governamental fundada em 2004, com atuação na área cultural, atendendo prioritariamente crianças e adolescentes do município de Crateús, acaba de lançar um blog: http://sabicrateus.blogspot.com/. Dê uma espiada nele. Desde 2007, a SABi é Ponto de Cultura do Ministério da Cultura (MINC), desenvolvendo atividades de formação artístico-cultural na modalidade de Oficinas de Artes, sendo elas: oficina de teatro, grafite, sapateado, xilogravura, teatro de bonecos, contação de histórias, artes plásticas, violão, edição de vídeo, além da produção de documentários sobre personalidades e expressões culturais do nosso município. A SABi está funcionando na Casa de Arte e Cultura João Batista, situada à rua Francisco Sá, 148 - ao lado do Colégio Estadual Regina Pacis - oferecendo, além das oficinas de arte, internet grátis para toda a população.

PARA REFLETIR

"Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro." (Albert Camus)


(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje da Gazeta do Centro Oeste)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE!

CONJUNTURA NACIONAL

DESDE QUE O DINHEIRO VENHA

Vamos abrir a coluna com a matreirice mineira. Benedito Valadares chegou a Curvelo/MG, para visitar a exposição de gado do município. Na hora do discurso, atrapalhou-se:
- Quero dizer aos fazendeiros aqui reunidos que já determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.
Lá do povo, alguém corrigiu:
- É o contrário, governador! Empréstimo a prazo longo e juro curto.
- Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância.

SEU LUNGA E OS CHATOS

E seu Lunga, hein? Virou personagem desta coluna tão grande é o sucesso que faz. Passo a receber colaborações de leitores. Que me encaminham historinhas com ele. Não procuro – nem é o caso – saber se são autênticas ou não. O cearense virou um monumento contra a cretinice. E, claro, contra os chatos. Um deles até questiona a coluna sobre os casos narrados. Uma das passagens fala em sonâmbulo. Argumenta que Seu Lunga não usaria tal expressão. Pode ser. Os chatos sempre nivelam por baixo. Se fosse dele, a palavra seria algo parecido com "sonambo". Pois esse chato chegou na casa do Lunga, em Juazeiro do Norte, e se anunciou:
- Ô de casa, tem gente?
- Não. Só tem percevejo e chato – gritou lá de dentro nosso querido personagem.
O chato não se afobou e, ao ver três imensos potes d'água, continuou:
- Tem água de beber?
- Não, só tem água de comer.
O chato calou-se.

TENSÃO: PMDB E PT

Apesar do estreitamento de relações, ocorrida nos últimos anos, graças a realpolitik acordada entre os dois, PMDB e PT vivem um clima de tensão. O PMDB sente que o PT começa a traí-lo, dando vazão a uma tendência histórica da sigla. A traição se dá na esfera da escolha para a chapa de Dilma. O nome peemedebista mais consensual é o de Michel Temer, presidente do partido. Nas últimas semanas, Lula passou a mandar recados e a soltar balões de ensaio. Quer outros nomes além do de Michel. Que, aliás, tem dito que é candidato a deputado e não a vice.

EFEITOS

Os efeitos da tensão apontam para a instabilidade da aliança entre as duas siglas. A convenção do PMDB, que seria antecipada para 6/2, foi adiada para 6/3, quando Michel deverá ser reeleito presidente do partido. Nesse ínterim, as tensões tendem a aumentar em decorrência das dificuldades de se fecharem acordos nos Estados. Em MG, por exemplo, Hélio Costa é candidato e só recuará se for indicado pelo PMDB como vice na chapa de Dilma. Não quer ser candidato ao Senado porque sabe que perde para o vice-presidente José Alencar, que pretende voltar à Câmara Alta.

FUMO E CASAMENTO

De Joaquim Bentinho para o compadre Cornélio, uma definição sobre o casamento:
- Casar, casar é mesma coisa que comprar fumo. A gente iscoi, iscoi, iscoi e acaba comprando um rolo de fumo. Nos premero tempo o fumo é bão! Mas despois, a gente fuma só pra aproveitar: já é da gente memo...

DESFAZIMENTO?

Pode a aliança com o PMDB ser quebrada? Pode, sim, e esta tendência começa a ser vislumbrada por alguns quadros da cúpula. Cresce, também, no seio do partido a ideia da candidatura própria. Nesse caso, o tempo de rádio e TV, que Dilma tanto espera, ficaria com o próprio PMDB, castrando a campanha midiática do PT. Uma campanha menos retumbante seria desastrosa para a pupila de Lula. Que, como se sabe, é ruim de palanque.

PALANQUEIRA? UM VEXAME

Quem já viu Dilma em palanque, principalmente nos últimos dias, constata: é um vexame. Artificial, sem emoção, sua fala mais se parece uma conversa cheia de promessas. Que não convence. Nem empolga. Não articula uma frase por inteiro porque faz desvios linguísticos que embrulham o pensamento. Vai ter uma campanha de palanque sem graça.

SERRA, MAGISTER DIXIT

O palanque sem graça terá noutra ponta o experimentado José Serra. Experimentado, isso mesmo. O que não significa bom de palanque. O governador, como bem definiu Jânio de Freitas, ontem, na Folha de S.Paulo, discursa como um leitor de orações didáticas. Serra tem conhecimento de causa, domina como poucos a matéria econômica, mas não é um palanqueiro. Está mais para professor em sala de aula. Com giz na mão e calibrando as cobranças aos alunos.
"Se bater na madeira isolasse o azar, o pica-pau não estaria em extinção." (Eugênio Mohallem)

SOCIALISMO FIESPEIRO

O socialista Paulo Skaf foi lançado ao governo de SP pelo governador de PE, Eduardo Campos, que dirige o PSB. Ou Campos está variando (como se diz no nordeste) ou o governador lança um balão de ensaio. A FIESP, se ele não se lembra, ocupa um imenso prédio na Avenida Paulista, simbolizando um poderio que, por tempos a fio, foi massacrado pelo também socialista Ciro Gomes. Candidato ao governo, Skaf daria vazão ao conceito de Kramer versus Kramer. Lembrete: Ciro tem a Avenida Paulista, onde se incrusta a FIESP, como o símbolo mais atrasado das elites paulistas.
______________

Seu Lunga vai ao banco descontar um cheque. A caixa pergunta:
- O senhor vai levar em dinheiro?
- Não. Me dá em clipes e borrachinha.
______________

INGENUIDADE OU VAIDADE?

O que pretende Paulo Skaf com a candidatura ao governo de SP? Será que ele realmente pensa que pode ter votos para se eleger? Chegou a dizer, em reunião interna da Federação, que se dispuser de recursos, daria para ganhar. Os jornais fizeram o registro. Dinheiro elege? Não. Dinheiro ajuda, coopta, mas votos em SP, o Estado mais racional do país, não são despejados sobre a cabeça de um candidato como o maná bíblico caindo no deserto. Ou o presidente da FIESP é ingênuo – o que não combina com seu perfil – ou muito vaidoso. De qualquer modo, este consultor reconhece: na maré vazia de bons políticos, Skaf tem todo direito de se colocar como opção. Que siga em frente.

PSB E PT

As relações entre o PT e o PSB vão de mal a pior. Tudo por conta do voluntarismo de Ciro Gomes. O deputado, que costuma abrir o bico, está calado. Passarinho na muda não pia. Ciro Gomes deverá fechar acordo com Lula nos próximos dias. Ele não quer ser o candidato do PT/PSB ao governo de SP. Mas Luiz Inácio assim o deseja. Vamos conferir para onde vão a vontade de um e o desejo de outro.

NA FACULDADE

Aluno de Direito ao fazer prova oral:
- O que é uma fraude?
- É o que o senhor, professor, está fazendo, responde o aluno.
O professor fica indignado:
- Ora essa, explique-se.
Então diz o aluno:
- Segundo o Código Penal, 'comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar'.

CABRAL E LINDENBERG

Quando me perguntam o que é a política, paro de falar e passo a apontar. Falar é um ato que consome tempo. Desgasta. Apontar não cansa tanto. Por exemplo. Lula xingou o PSDB, que xingou o PT, que xingou Sérgio Guerra, que xingou a ministra Dilma – dissimulada e despreparada –, que tem o apoio de Lula, que disse que Guerra é babaca. Moral da história? Lula, José Serra e Dilma aparecem sorridentes na pose de primeira página dos jornais. Mais um exemplo: o prefeito de Nova Iguaçu, Lindenberg Farias, esculhamba Sérgio Cabral, governador do Rio. E o que acontece? Os ex-desafetos aparecem abraçados e sorridentes. Quando me perguntam o que é política, economizo palavras: aponto para as fotos de jornais.
______________

Seu Lunga chegou numa barraca de feira e pediu uma tapioca. O feirante:
- É para viagem?
- O senhor está vendo alguma bagagem aqui?
______________

80% DE CHANCES

Marcio França, deputado e presidente do PSB paulista, diz que Paulo Skaf tem 80% de chances – na escala até 100% – de sair candidato ao governo de SP pela sigla. Eis aí uma miragem estatística. Trata-se do uso de uma alta percentagem em vão. Pura firula. 80% de chances de ser candidato equivalem, noutra leitura, a um pequeno dígito de chance de Skaf ganhar os louros da vitória.

LULA E AS ENCHENTES

Na vida dos governantes, certos momentos servem para exprimir seu estado de espírito e o modo como encaram adversários. Lula tem usado tais momentos para um exercício de autoglorificação. E, ainda, para espezinhar adversários. Mesmo que, circunstancialmente, alguns deles se façam presentes no instante da fala. Foi o que aconteceu, no dia 25/1, ao receber uma medalha conferida pelo prefeito Kassab. O governador Serra e o prefeito Gilberto ouviram de Lula a sugestão de fazerem um PAC para as enchentes que assolam a capital. O PAC, como se sabe, é execrado pelos tucanos, que enxergam nele pura propaganda. A sugestão de Lula foi entendida como uma alfinetada. Acho pior: uma porrada.

DEZ CONTRA UM

Quem acredita que Arruda se sustente no governo, levante a mão. Silêncio na sala. Um, dois, três ... dez pessoas na sala levantam a mão. Apenas uma acredita que o governador do DF será punido pela Justiça. É a visão do brasileiro sobre corrupção, política e justiça.

VIAGENS

E por falar em Luiz Inácio, fará mais uma viagem internacional. Já bateu o recorde. Passou bons meses afastado de Brasília. Lula vai receber os prêmios que ganhou. Até junho/julho, tem farta programação externa. Depois, comandará a campanha de Dilma.
______________

Seu Lunga vai ao armazém e pede veneno para rato. O balconista quer saber:
- O senhor vai levar?
- Não. Vou trazer os ratos para comerem aqui.
______________

E OS FÓRUNS, HEIN?

O Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em outras cidades, já não desperta emoções. Os atores são os mesmos. A conversa é uma mesmice. Stédile ameaçando com invasões. E, incrível, dizendo que o Movimento dos Sem Terra fará campanha contra o governador José Serra.

BRASIL NO HAITI

Esse ministro Celso Amorim é mesmo um falastrão. Repele a ideia de um Plano Marshall para salvar o Haiti. Porque põe fé no Plano Lula. Pensei que fosse piada. Fui conferir. Faz questão de repetir que o Plano de Salvação deve ser chamado de Lula. Porque o Brasil foi o primeiro a dar a ideia de uma reunião com os doadores. Quanta bajulação!

"O ideal de beleza do sapo é a sapa." (Voltaire)

CONSELHO AOS DEPUTADOS DISTRITAIS

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção aos deputados distritais:

1. A Câmara Legislativa de Brasília está sob a lupa da nação. Aproveitem a oportunidade para apurar ilicitudes, desvios, corrupção, expurgando todos os implicados no Mensalão.

2. Qualquer decisão no sentido da complacência e abafamento da situação será repudiada pela opinião pública e terá conseqüências nas eleições de outubro próximo.

3. Procurem apurar todas as denúncias e tomar as providências necessárias para fechar a malha de corrupção.
____________

(Por Gaudêncio Torquato)