Haurido nas sendas da existência, fruto das pétalas colhidas nas veredas da vida, um eflúvio encantatório se esfumou exalando o amor pelo Direito.
É assim que nós, com parcos recursos intelectuais, podemos definir o que foi o inebriante discurso emanado pelo advogado Pedro Gordilho na cerimônia de posse do ministro Peluso na presidência do STF, ocorrida na última sexta-feira.
Aplaudidíssimo (e não sem motivo), o advogado representou a comunidade jurídica e, sobretudo, "os espíritos livres da nação".
Possuidor de ímpar erudição, Pedro Gordilho encetou seu discurso afirmando que falava "sem outros títulos senão o certificado da lixa do tempo", e o encerrou lançando as sementes do destino da Corte Suprema, para que ela "continue em harmonia com o sentimento nacional" e mantenha seu "saudável equilíbrio". Conhecidos o alfa e o ômega desta bela oração, é bem o momento de sorver seu rico conteúdo.
(Fonte: Migalhas)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
UM DISCURSO HISTÓRICO

Sr. Ministro Cezar Peluso, Presidente do Supremo Tribunal Federal
Sr. Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva,
Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Michel Temer,
Sr Presidente do Senado, Senador José Sarney,
Sr. Procurador-Geral da República Dr. Roberto Gurgel, nomes que pronuncio e destaco e, fazendo-o, homenageio as demais autoridades presentes,
Colega Ophir Cavalcante, Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
Senhoras, Senhores,
Colegas Advogadas, colegas advogados
MINISTRO CEZAR PELUSO (*)
Cabe ao veterano advogado militante – sem outros títulos senão o certificado da lixa do tempo, em uma tribuna que felizmente não confere promoção por antiguidade – a incumbência insigne de celebrar os novos dirigentes do Supremo Tribunal Federal, Presidente Cezar Peluso e Vice-Presidente Aires Brito, no pórtico da jornada que se vai iniciar.
Incumbência grata, devo dizer, em razão da afeição que me liga aos homenageados, juízes eminentes e advogado, por certo, mas todos observadores atentos da alma humana e, por isso mesmo, habilitados a depor reciprocamente e com conhecimento acerca das atividades que ilustram os nossos caminhos e das ideias e sentimentos que mais nos uniram na saudável convivência desses últimos anos.
* * *
Continuamos contemporâneos do futuro, buscando remédios mais justos e equânimes para as inquietações de nosso tempo. O secular instinto de liberdade e as aspirações de justiça social procuram fundir-se em medidas que superem as contradições sociais e econômicas, agravadas pelas crises financeiras, os contrastes ideológicos e os antagonismos políticos.
Esse Eg. Tribunal fez eco a tais inquietações visíveis em nosso país. Ameaças e abusos que tiveram como molas propulsoras certas forças policiais, alguns setores da Magistratura e do Ministério Público e uma expectativa social muitas vezes proveniente da fragilidade das informações. Mas com pulso forte, sem temer as deturpações dos polemistas de plantão, o Exmo. Sr. Presidente Gilmar Mendes, que conclui seu mandato na Presidência, defendeu com vigor os direitos fundamentais e as garantias individuais. Assim o fez no livre curso do debate forense e, por igual – visando alcançar grande parte da sociedade desinformada –, em oportunas e convincentes entrevistas dadas à imprensa, esclarecendo, em linguagem acessível, o que se passa na intimidade de um julgamento, de uma proposição jurídica, de uma preceituação constitucional.
A nação brasileira muito deve a V. Exa., Ministro Gilmar Mendes, que com seu destemor, sua vasta cultura jurídica e seu intenso labor deixa a Presidência, podendo se envaidecer justamente – sem prejuízo da notável administração que imprimiu à nossa Suprema Corte –, por haver corrigido os rumos de algumas instituições que se achavam à deriva do arcabouço constitucional no plano da observância das garantias que a Constituição reclama.
Não se compreende como se possa construir uma nação vigorosa, em que cidadãos aspirem o bem e a grandeza, pelo aviltamento do homem com o emprego de processos tenebrosos, desligados do sistema legal, que nele procuram sufocar e extinguir o quanto existe de nobre, de belo, de fecundo e criador, para reduzi-lo a um autômato, a um temeroso, acanhado pela degradação moral, arrancando-lhe tudo aquilo que nele mostra superiormente a presença do sopro divino. O nosso canto de vida é, agora mais do que nunca, um canto à justiça e ao Juiz que a torna viva, e o seu refrão há de ser a estrofe de Walt Whitman, em sua exaltação imortal ao juiz (**):
“Grande é a Justiça;
A justiça não é aquela feita por legisladores e leis... está na alma,
Não pode ser alterada por estatutos, não mais que o amor ou o orgulho ou a atração gravitacional, pois a justiça está nos grandes e perfeitos juízes da natureza .... está em suas almas (...)
O juiz perfeito nada teme.... poderia ficar cara a cara com Deus,
Diante do juiz perfeito todos recuam .... vida e morte recuam .... céu e inferno recuam.”
* * *
Vossa Excelência, Sr. Ministro Cezar Peluso, assume a Presidência do Supremo Tribunal tendo ao seu lado o Ministro Aires Brito, um humanista, um poeta, que, como profundo conhecedor da constituição brasileira, busca, notadamente nos princípios que orientam e comandam o nosso estatuto fundamental, a resolução para os conflitos judiciais. Posso afirmar que humanidade, no entendimento do Ministro Aires Brito, significa solidariedade social. E os princípios constitucionais, na visão de S. Exa., têm parte ativa entre os instrumentos democráticos que tornam concreta esta diretriz. Com uma visão social abrangente, marcante e didática na interpretação da Constituição, concede-nos a garantia de que o Supremo Tribunal, à luz de sua hermenêutica, estará em permanente alerta às ameaças e abusos praticados pelos outros poderes e nas resoluções dos conflitos.
* * *
Do ponto de partida de sua atividade luminosa até atingir a culminância que ora se inicia, V.Exa., Sr. Presidente Cezar Peluso, viveu plenamente, como participante ativo, todas as experiências e aflições do magistrado de carreira.
Iniciou-a em Itapetininga, no distante janeiro de 1968, seguindo-se as Comarcas de São Sebastião, Igarapava, até a Capital paulista, quatro anos após seu ingresso na magistratura.
Por dez longos anos esteve V.Exa. como juiz de primeira instância em São Paulo até a promoção por merecimento para o 2º Tribunal de Alçada Civil, onde oficiou durante quatro anos, sendo promovido, em 14 de abril de 1986, sempre por merecimento, para o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
Funções e ofícios que foram exercidos sem prejuízo do magistério, atividade intelectual que tanto o encantou e está entre as preferidas de V.Exa.
Marcas vigorosas se mantêm nos textos de sua lavra, desde os primórdios, no exercício da toga, até os dias dos quais somos todos testemunhas: a absoluta correção vocabular, o desdobramento lógico e a fulgurante clareza dos conceitos expressados.
O professor está presente no exercício erudito das teses, na riqueza da pesquisa, na solidez das ideias. Mas na hora da decisão – sem prejuízo das leituras e da cátedra, dos quais promana o denso conhecimento jurídico revelando o notável saber –, o resultado vem pontual com a aplicação do preceito fundamental e o restabelecimento do direito ofendido.
V.Exa. é o Juiz da realidade de seu tempo, aprecia os fatos que lhe cercam e, sempre que necessário – seguindo o exemplo, que a História consagrou, do Chief Justice Warren, conhecendo in faciem o grau de segregação em seu país, antes de dar seu voto decisivo –, V.Exa. também não hesita em conhecer diretamente os fatos visando fortalecer a decisão a ser tomada. Sempre foi assim, desde o início da sua carreira luminosa, como testemunha a obra autobiográfica que encantou o Brasil, Código da Vida, do colega advogado Saulo Ramos.
É esse exercício, raro entre os magistrados, mas tão salutar na construção e renovação do direito, que, ao lado da vasta cultura jurídica, permite-lhe a inabalável segurança com que pronuncia seus votos, na qualidade de relator ou partícipe do debate colegiado. Guardando, sempre, elegância no trato, que se revela na capacidade de ouvir antes de replicar, de reservar a mesma tonalidade – sem demasia no fortíssimo – para a discussão vibrante no respeitoso embate conceitual, que por vezes se estabelece nesse salão venerando.
Em certo momento, fazendo um retrospecto histórico, pude conhecer-lhe ainda melhor a pulsação. Estávamos em 1964. Ferido por uma explosão de insânia, o Des. Edgard de Moura Bittencourt foi punido pela ditadura militar, “condenado à dura pena de afastamento do cargo que foi o sonho realizado de minha mocidade”, como disse o saudoso magistrado em artigo publicado na Folha de São Paulo. Falecido vinte anos depois, coube ao então Juiz do 2º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo Cezar Peluso prestar as homenagens merecidas. Em discurso, celebrou-lhe a memória com um dos depoimentos mais pungentes que tenho conhecido, descrevendo o martírio e censurando a crueldade dos então curadores de plantão das instituições brasileiras.
Extraio trechos do discurso pronunciado naquela ocasião pelo Juiz Cezar Peluso:
“De sua vida, entretecida de fios da tragédia grega, martirologio romano e paixão hebraica, fica-nos a imagem imperecível de fidelidade à consciência e aos mais caros ideais da utopia humana. De sua morte uma exigência de reflexão institucional.
Jamais o atraíram os banquetes das oportunidades ou a medíocre rotina dos horizontes acabados. Espírito inquieto, privilegiadamente sensível às angustias e às palpitações da condição humana, conseguiu articular os valores permanentes do Direito com as mutações históricas. Preparou caminhos e antecipou veredas. Esteve além de sua época, como profeta do sentido jurídico. Não admira escandalizasse contemporâneos escravizados a fórmulas vazias e a preconceitos irremovíveis. A final, todo profeta é incomodo a estruturas e a padrões esclerosados.
Para afastar as suspicácias, não lhe bastaram a honradez pessoal, a integra devoção profissional, a sinceridade imperturbável do verbo, nem a romântica exemplaridade do convívio familiar. Mas, já indagara o velho cavaleiro do Palmeirim, “que prestam razões, onde não há razão”? (apud RUI BARBOSA, “Réplica”, vol. 11 pág. 111). A misteriosa iniqüidade, que grava o coração do homem, é insaciável e não o poupou.
Inventaram-lhe o pecado e não houve tempo por lhe inventarem o perdão. Eis a ironia da Historia. Se a alma grandiosa não pede tempo para anistiar e perdoar no ato mesmo da crucifixão, a catarse não prescinde da temporalidade, que é sempre limitada e não raro insuficiente. A Pilatos, Anás e Caifás, faltou-lhes tempo para refazer o tempo. Edgard de Moura Bittencourt não foi reempossado em todos os seus direitos e prerrogativas, nem restituído nos seus sonhos e esperanças.
Foi, no entanto, menos vítima do arbítrio rebelionário que do obscurantismo e intolerância informes, enquanto lhe deturparam as ideias, corromperam intenções, desfiguraram os gestos e conspurcaram a inocência. A tentação maniqueísta, que não desconfia dos enganos próprios e não se fia nas virtudes alheias, prepara, incentiva e preludia as grandes injustiças.”
Eis aí, Senhoras e Senhores, excertos de um depoimento indignado, doloroso, representativo de um período que a Historia jamais purgará, e que deve ser lembrado para que as gerações estejam atentas e oponham a mais severa resistência às tentações totalitárias.
E vem aqui reproduzido, afim de figurar nos anais do Supremo Tribunal a reminiscência histórica de seu Presidente, lembrança amarga de um suplício irreparável.
* * *
Uma vez foi a rebelião das massas que se considerava a grande ameaça. Golpes de Estado foram dados sob a falácia da proteção da sociedade organizada contra a subversão. Hoje, em nosso tempo, a principal ameaça vem de alguns que estão no topo da hierarquia social, numa ligação espúria com maus políticos e maus gestores. Esta notável mudança nos acontecimentos confunde muitas de nossas expectativas quanto ao curso da historia.
A democracia está hoje ameaçada não mais pelas massas, mas pela inconsciência das elites. Estas elites recusam-se a aceitar limites ou vínculos com a nação ou com lugares. Ao se isolar em suas redes, dividem a nação e trazem a idéia da existência de uma democracia para todos, fantasiada, para induzir a engodos, com designações falaciosas.
Isso explica porque estamos todos apáticos quanto à cultura comum e desinteressados em discutir política ou votar, escolher os governantes e os representantes legislativos. As elites, tendo se descartado de normas éticas, que a religião lhes proporcionava, e valendo-se da lassidão de alguns Estados, felizmente distantes de nós, agarram-se à crença de que, através da ciência e do lucro abusivo, associadas aos maus políticos, é possível dominar seu destino e escapar dos limites. E na busca desta fantasia, ficam fascinadas pela economia global. É uma rebelião que infortunadamente está acabando com tudo o que vale a pena no mundo ocidental e somente poderá ser contida eficazmente pela indelegável ação do Estado, como temos felizmente podido testemunhar em nossos dias.
* * *
Ao Supremo Tribunal Federal cabe significativa parcela nesse quadrante de nossa história contemporânea. Na Apologia de Sócrates Platão ressalta: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo a lei.” Mas há um conceito divergente, muito menos rígido, que busca conciliar o imperativo da lei, aprisionado nos códigos e na jurisprudência, com a percepção de uma realidade política e social essencialmente dinâmica. É um conceito que quebra o entrave do tecnicismo exacerbado, em beneficio da causa dos direitos humanos, das liberdades publicas e do equilíbrio social.
Muito mais do que garimpar textos e, com a ajuda de poderosas lupas, revolver – com as louváveis exceções de sempre – o que já passou, o que todos esperamos é que o Tribunal continue em harmonia com o sentimento nacional, fazendo viva a expressão de V.Exa. Presidente Cezar Peluso, dirigida aos novos Juízes, ao ressaltar em linguagem elevada, brilhante e sentenciosa: “A força do Judiciário é a força da própria sociedade civil, da qual é interprete.”
O Tribunal, assim, haverá de manter seu saudável equilíbrio, sintonizado com a política e ao mesmo tempo desligado dela, como tem sido no curso de sua longa historia, mostrando a todos quantos se envolveram na pesquisa dos fatos notáveis – que oferecem o grandioso cenário das muitas décadas vencidas –, que, ao contrario de uma famosa catilinária, muitas vezes repetida e sempre sem razão, foi o poder que menos faltou à república brasileira.
* * *
Há três milênios o Livro da Sabedoria adverte as gerações porvindouras, conturbadas ou felizes, na desordem ou na paz, que “a justiça é perpetua e imortal”. Guardemos, todos, a certeza de que teremos no comando do poder judiciário brasileiro o juiz que irá propagar esse principio de todos os tempos, o juiz cristão e amigo da verdade, como o queria a virtude teologal, e com todos atributos reclamados para a grandeza de seu sacerdócio, integro em julgar, integro em ouvir, servo da razão, da equidade e da tolerância, incansável no labor, e sobre quem – com o testemunho de Dra. Lucia de Toledo Piza Peluso, a esposa, a companheira querida da vida inteira, dos filhos Vinicius, Glais, Érica e Luciana, da nora, dos genros e dos netos – fazemos recair agora a brilhante imagem com a qual Rui Barbosa, o nosso pontífice maior, desvelou-se por inteiro diante da nação brasileira: “Às majestades da força nunca me inclinei. Mas sirvo às do Direito. Sirvo ao merecimento. Sirvo à razão. Sirvo à lei. Sirvo a minha Pátria. São essas as que eu reconheço neste mundo.”
_____________
(*) Discurso pronunciado no Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 23.4.10, pelo advogado Pedro Gordilho, por ocasião da solenidade de posse do Ministro Cezar Peluso na Presidência.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Mel de abelhas
Abro a coluna com uma historinha que Geraldo Alckmin me contou no 9º Fórum de Comandatuba. No jantar, eu falava sobre o texto de Dora Kramer. E lembrava que ela fora minha aluna na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, nos idos de 70. Dora tinha o melhor texto da turma. Por isso, eu pedia que a classe formasse um círculo ao seu redor. Um dia, achei aquela formação muito parecida a de uma colmeia. E exclamei : "vamos, agora, ouvir a abelha rainha". Era a imagem que Dora transmitia. Com todas as abelhas trabalhadoras à sua volta. A historinha de Alckmin aparece porque eu lembrava que, naquela época, Doramaria tinha como sobrenome: Tavares de Lima. Era sobrinha do grande e saudoso Chopin Tavares de Lima. Eis o relato:
Chopin, como secretário do Interior do Governo Montoro, tinha a missão de fazer a articulação com os prefeitos. Um dos programas de Montoro contemplava a fabricação de mel. Mel caseiro. O prefeito de Silveiras, na microrregião de Bananal, de nome Miguel, no meio do caminho para a capital, aproveitando a parada para o almoço, comprou uma garrafa de mel, dessas comuns que se encontram em restaurantes de estrada. Tirou o rótulo, lavou a garrafa, embalou-a em celofane. Era um presente para Chopin. Planejava provocar um impacto.
- Secretário, aqui está o resultado do programa 'Colmeia' do governo Montoro. Mel de primeira qualidade. O melhor mel que São Paulo já produziu.
Surpresa geral. Agradecimentos do Chopin com o aviso de que levaria o presente para o governador Montoro. A seguir, o astuto prefeito emendou:
- Gostaria que o secretário providenciasse a liberação da verba para o asfalto. Que pedimos faz bom tempo.
Imediatamente, o secretário mandou localizar o pedido da Prefeitura de Silveiras. Ocorre que não havia nenhuma solicitação. O prefeito aproveitara a ocasião para jogar verde e colher maduro. Queria colher recompensa pela garrafa de mel que levara. Depois de algum tempo, a mensagem: a solicitação não foi encontrada. Mil pedidos de desculpas do Secretário Chopin. O prefeito prometeu encaminhar novo pedido, conformado com a burocracia do Palácio que havia perdido o ofício. Geraldo Alckmin, então deputado estadual, ouvira o relato e percebeu a artimanha do prefeito. Aos ouvidos dele, cochichou a frase bíblica:
- Miguel, Miguel, tu não tens abelha e trazes mel.
Miguel regressou a Silveiras. No dia seguinte, ao telefonar para o Secretário Chopin Tavares de Lima, comunicando que novo ofício estava seguindo pelo Correio, ouviu dele a confissão:
- Não precisa mandar, prefeito, encontramos o ofício. Vamos liberar a verba.
E assim Chopin Tavares de Lima, Miguel, Silveiras, Geraldo Alckmin, Dora Kramer e eu entramos juntos, pela primeira vez, numa mesma história. Pergunto perplexo: como Dora Kramer passou a ter ligação com mel e colmeia? Mistérios que as antenas do circulo planetário nos proporcionam. Meu sistema cognitivo capturara a imagem da colmeia celebrada por Chopin, seu tio. Ela tinha de ser a abelha rainha. Lembrem-se do ditado: "As pedras tanto rolam que um dia ainda se encontram."
Ecos de Comandatuba
Durante quatro dias, cerca de 350 empresários, autoridades do Executivo e uma penca de políticos passaram a limpo as condições atuais do país e suas perspectivas. O clima de otimismo impregnou-se no grupo, a partir do desfile de números apresentado por Henrique Meirelles. Dados mostraram a situação confortável do Brasil. Que tem condições de dar um salto. Em cinco/seis anos, poderá pular para a 6ª ou a 5ª economia mundial. Entramos na crise mais tarde e saímos mais cedo. O país fez a lição de casa antes dos outros.
Sem retrocesso
O clima de otimismo saiu da esfera econômica para encher os balões de ensaio da política. Dilma ou Serra? O grupo estava dividido. Um superempresário chegou a confessar a este consultor: o risco Serra é 10 vezes menor que o risco Dilma. Muitos, porém, demonstravam simpatia para com a ministra. E, no frigir das análises a favor e contra, uma visão consensual: seja quem for o vencedor, não há perigo de o Brasil retroceder. As condições macroeconômicas estão profundamente afixadas no solo pátrio. E os perfis de Serra e de Dilma se bifurcam na encruzilhada dos rumos a serem seguidos.
Melhor momento?
A frase, pronunciada por um banqueiro jovem e agressivo, soou forte no meio da noite: "O Brasil vive seu melhor momento em 500 anos". O autor da façanha expressiva foi André Esteves, do Banco Pontual. Abílio Diniz, ao lado, assentia com a cabeça. Na manhã seguinte, tentei conferir a ideia com um maxiempresário. Que me confessou: "Não é bem assim. Devemos medir o momento por parâmetros como salário mínimo e crescimento do PIB". E arrematou: você sabia que, na época do Médici (tempos de chumbo), o salário mínimo tinha duas vezes e meia o poder de compra que tem hoje? Fechou o pensamento com a nota do crescimento daqueles pesados tempos, e o PIB crescia a 12% ao ano.
O mundo mudou
Ouvi as ponderações. Mas fiquei pensando: o paradigma mudou. Os parâmetros são diferentes. O mundo era menor. E a crise não tinha proporções gigantescas. De qualquer maneira, deixo os registros no ar. Conclusão: há empresários fechados com Serra, outros com Dilma. Como convém a uma salutar democracia.
10 para Dória
Mais uma vez, João Dória deu um show de organização e competência. Liderou o 9º Fórum de Comandatuba com extrema eficiência. Ancorou falas, integrou eventos, animou os espíritos.
Alckmin e Mercadante
Geraldo Alckmin, ao lado da esposa Lu, era só sorrisos. Sob a estampa de 60% de intenção de voto, parecia um candidato embalado no celofane da felicidade. Na mesa ao lado, Aloizio Mercadante, cara fechada, mas confiante. Parecia convicto de que, na perda ou na vitória, crescerá com a campanha ao governo de SP.
Prefeitura?
Os olhos de Mercadante contemplam o futuro. Se não alcançar o Palácio dos Bandeirantes, focará a visão sobre o Palácio da Prefeitura, que se debruça sobre o Anhangabaú. Assim são os caminhos da política : a derrota de hoje poderá ser o desvio para a vitória de amanhã. É a curva para a reta futura. Mercadante terá alta visibilidade. Mas a possibilidade de chegar ao Palácio dos Bandeirantes é muito restrita.
Zé Aníbal
O deputado José Aníbal trabalha com a perspectiva de levar para a Convenção tucana seu nome para a vaga ao Senado. Aloysio Nunes Ferreira é o nome in pectore de Serra. Mas Zé, ao contrário do perfil introspectivo de Ferreira, conversa, abre o debate, articula, se movimenta. Fará tudo para que o jogo não seja ganho no tapetão. Aníbal, convém lembrar, já teve quase 5 milhões de votos para o Senado em SP.
Vaccarezza, algodão entre cristais
Cândido Vaccarezza é um espírito conciliador. Ouve atento as observações mais críticas. Não se afoba. Veste a camisa do governo em qualquer circunstância. O líder do PT na Câmara é respeitado por colegas de todos os partidos. Tem sido um defensor intransigente da aliança entre PT e PMDB. Amigo de Michel Temer, desfila argumentos densos para demonstrar as possibilidades de Dilma.
"As almas são incombustíveis." (Machado de Assis)
De jacaré a lagartixa
Há 60 dias, víamos um formidável jacaré abrindo a boca na beira da lagoa política. Ao mostrar os dentes, o bicho impunha respeito. O tempo foi se passando. Há três dias, aquela fera desapareceu. Em seu lugar, surgiu uma lagartixa. O que teria acontecido? Não, o jacaré não mergulhou na lagoa. Virou a própria lagartixa. Encolheu. Fenômeno da natureza? Sim. Mutação gerada pela genética política. O jacaré Ciro virou a lagartixa Gomes. O tiro Gomes saiu pela culatra.
Gafe lá, gafe cá
Dilma comete gafes? Sim. Não é bem treinada na arte de dizer de maneira concisa e precisa? Sim. Ocorre que Serra também comete bobeiras. Em Natal, semana passada, carimbou a população trabalhadora do RN com o selo de 6% da mão de obra nacional. Ora, não chega a 1,7%. Serra teria falado de costas para empresários que lotavam o auditório. Chegou no meio da madrugada quando era esperado às 9h.
Lula crente
Luiz Inácio nunca esteve tão crente na vida. É o que confessam amigos que convivem com ele no dia a dia. Crente na vitória de Dilma. Crente de que o ambiente de otimismo que cerca o país conduzirá sua afilhada ao trono do Palácio do Planalto.
Chapa com Temer
A esta altura, está consolidada a chapa de Dilma com Michel Temer como vice. Em todo esse tempo, Michel trabalhou discretamente, como é de seu feitio, sem arroubos oratórios, sem destempero e sem fisgar a isca que pescadores de águas turvas sempre lhe jogam.
PMDB, o maior
Seja qual for o nome – Serra ou Dilma – o PMDB deverá continuar sendo o maior partido brasileiro. Espera eleger uma bancada de 100 deputados federais e cerca de 10 governadores. Afora as maiores bancadas estaduais em muitos Estados. O PT deverá secundá-lo, vindo a seguir, o PSDB. A partir do quarto lugar, o quadro é nebuloso.
Campos Sales
O paulista Campos Sales presidiu o Brasil de 1898 a 1902. Deixou a presidência sob vaias do povo por ter implementado uma política econômica das mais dolorosas. Saiu do catete debaixo de uma chuva de manifestações indignadas. Piada da época: "Qual é o seu método de vida? Há muito tempo só como o pão que o diabo amassou, só passeio na rua da amargura e o tempo pra mim é sempre bicudo".
Mídia eleitoral
Dilma terá 48% de tempo a mais na programação eleitoral de TV e rádio. Ou seja, mais de 8 minutos. Serra terá um pouco mais de 5 minutos. Atenção, marqueteiros: nem sempre grande tempo significa grande programa. Se os espaços não são bem aproveitados, o programa pode ser uma chatice ou enchimento de linguiça.
Tempos ímprobos
Nesses tempos de muito dolo, eis uma leitura obrigatória: "Improbidade Administrativa – Dolo e Culpa", de Isabela Giglio Figueiredo. O livro foi lançado nesta segunda-feira. Trata-se da monografia com que obteve o título de especialista em Direito Administrativo.
Thomas Paine
"Quando alguém pode dizer em qualquer país do mundo: meus pobres são felizes, nem ignorância nem miséria se encontram entre eles; minhas cadeias estão vazias de prisioneiros, minhas ruas de mendigos; os idosos não passam necessidades, os impostos não são opressivos.. quando estas coisas podem ser ditas, então pode tal país se orgulhar de sua Constituição e de seu governo." (Thomas Paine, em Os Direitos do Homem)
Hiperte(n)são?
O ministro Temporão receita sexo contra a hipertensão. E deu, até, a receita: cinco vezes por semana. Passou a adotar o inverso do slogan do cigarro: sexo faz bem à saúde. O Ministério da Saúde deverá massificar a distribuição do preservativo Temporão. Para cobrir a temporada sexual.
Besteirol
O besteirol em ano eleitoral se espalha. Um dos capítulos mais imbecis é o que anuncia a renúncia de Lula para se candidatar a vice na chapa de Dilma. Eleita, ela passaria pouco tempo. Renunciaria e cederia o trono a Lula. Que terminaria o mandato de Dilma, candidatando-se, ao final, à nova reeleição. E ainda há gente séria que me pergunta sobre essas bobagens.
Reajuste dos aposentados
Os aposentados deverão ter reajuste maior que os 6,14% desejados pelo governo. Podem ganhar 7,7%.
César, o maior?
César é considerado o maior de todos os heróis de guerras. O motivo apontado pelos historiadores: ceifou a vida da maior quantidade de inimigos. Em menos de 10 anos, durante a guerra contra a Gália, tomou de assalto, mais de 800 cidades, submeteu 300 povos, combateu 3 milhões de homens, dos quais matou 1 milhão durante as batalhas e transformou outro milhão em prisioneiros. Que heroísmo é esse, hein?
Soltura de presos?
Soltar 20% dos presos do país é uma temeridade. Há assassinos e loucos que poderão voltar ao cenário de matança. Não era o caso do monstro de Luziânia, em GO, que matou 6 jovens?
Conselho às assessorias de Dilma e Serra
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Dilma. Hoje, volta sua atenção às assessorias de Dilma e Serra:
1. Procurem orientar, desde já, seus candidatos a trilhar o caminho das grandes ideias. Os candidatos devem abandonar as trilhas de coisas perfunctórias.
2. Produzam conteúdos transcendentais para a vida do país. Substituam as querelas adjetivadas por debates programáticos.
3. Mapeiem os espaços das grandes carências nacionais e regionais.
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(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com uma historinha que Geraldo Alckmin me contou no 9º Fórum de Comandatuba. No jantar, eu falava sobre o texto de Dora Kramer. E lembrava que ela fora minha aluna na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, nos idos de 70. Dora tinha o melhor texto da turma. Por isso, eu pedia que a classe formasse um círculo ao seu redor. Um dia, achei aquela formação muito parecida a de uma colmeia. E exclamei : "vamos, agora, ouvir a abelha rainha". Era a imagem que Dora transmitia. Com todas as abelhas trabalhadoras à sua volta. A historinha de Alckmin aparece porque eu lembrava que, naquela época, Doramaria tinha como sobrenome: Tavares de Lima. Era sobrinha do grande e saudoso Chopin Tavares de Lima. Eis o relato:
Chopin, como secretário do Interior do Governo Montoro, tinha a missão de fazer a articulação com os prefeitos. Um dos programas de Montoro contemplava a fabricação de mel. Mel caseiro. O prefeito de Silveiras, na microrregião de Bananal, de nome Miguel, no meio do caminho para a capital, aproveitando a parada para o almoço, comprou uma garrafa de mel, dessas comuns que se encontram em restaurantes de estrada. Tirou o rótulo, lavou a garrafa, embalou-a em celofane. Era um presente para Chopin. Planejava provocar um impacto.
- Secretário, aqui está o resultado do programa 'Colmeia' do governo Montoro. Mel de primeira qualidade. O melhor mel que São Paulo já produziu.
Surpresa geral. Agradecimentos do Chopin com o aviso de que levaria o presente para o governador Montoro. A seguir, o astuto prefeito emendou:
- Gostaria que o secretário providenciasse a liberação da verba para o asfalto. Que pedimos faz bom tempo.
Imediatamente, o secretário mandou localizar o pedido da Prefeitura de Silveiras. Ocorre que não havia nenhuma solicitação. O prefeito aproveitara a ocasião para jogar verde e colher maduro. Queria colher recompensa pela garrafa de mel que levara. Depois de algum tempo, a mensagem: a solicitação não foi encontrada. Mil pedidos de desculpas do Secretário Chopin. O prefeito prometeu encaminhar novo pedido, conformado com a burocracia do Palácio que havia perdido o ofício. Geraldo Alckmin, então deputado estadual, ouvira o relato e percebeu a artimanha do prefeito. Aos ouvidos dele, cochichou a frase bíblica:
- Miguel, Miguel, tu não tens abelha e trazes mel.
Miguel regressou a Silveiras. No dia seguinte, ao telefonar para o Secretário Chopin Tavares de Lima, comunicando que novo ofício estava seguindo pelo Correio, ouviu dele a confissão:
- Não precisa mandar, prefeito, encontramos o ofício. Vamos liberar a verba.
E assim Chopin Tavares de Lima, Miguel, Silveiras, Geraldo Alckmin, Dora Kramer e eu entramos juntos, pela primeira vez, numa mesma história. Pergunto perplexo: como Dora Kramer passou a ter ligação com mel e colmeia? Mistérios que as antenas do circulo planetário nos proporcionam. Meu sistema cognitivo capturara a imagem da colmeia celebrada por Chopin, seu tio. Ela tinha de ser a abelha rainha. Lembrem-se do ditado: "As pedras tanto rolam que um dia ainda se encontram."
Ecos de Comandatuba
Durante quatro dias, cerca de 350 empresários, autoridades do Executivo e uma penca de políticos passaram a limpo as condições atuais do país e suas perspectivas. O clima de otimismo impregnou-se no grupo, a partir do desfile de números apresentado por Henrique Meirelles. Dados mostraram a situação confortável do Brasil. Que tem condições de dar um salto. Em cinco/seis anos, poderá pular para a 6ª ou a 5ª economia mundial. Entramos na crise mais tarde e saímos mais cedo. O país fez a lição de casa antes dos outros.
Sem retrocesso
O clima de otimismo saiu da esfera econômica para encher os balões de ensaio da política. Dilma ou Serra? O grupo estava dividido. Um superempresário chegou a confessar a este consultor: o risco Serra é 10 vezes menor que o risco Dilma. Muitos, porém, demonstravam simpatia para com a ministra. E, no frigir das análises a favor e contra, uma visão consensual: seja quem for o vencedor, não há perigo de o Brasil retroceder. As condições macroeconômicas estão profundamente afixadas no solo pátrio. E os perfis de Serra e de Dilma se bifurcam na encruzilhada dos rumos a serem seguidos.
Melhor momento?
A frase, pronunciada por um banqueiro jovem e agressivo, soou forte no meio da noite: "O Brasil vive seu melhor momento em 500 anos". O autor da façanha expressiva foi André Esteves, do Banco Pontual. Abílio Diniz, ao lado, assentia com a cabeça. Na manhã seguinte, tentei conferir a ideia com um maxiempresário. Que me confessou: "Não é bem assim. Devemos medir o momento por parâmetros como salário mínimo e crescimento do PIB". E arrematou: você sabia que, na época do Médici (tempos de chumbo), o salário mínimo tinha duas vezes e meia o poder de compra que tem hoje? Fechou o pensamento com a nota do crescimento daqueles pesados tempos, e o PIB crescia a 12% ao ano.
O mundo mudou
Ouvi as ponderações. Mas fiquei pensando: o paradigma mudou. Os parâmetros são diferentes. O mundo era menor. E a crise não tinha proporções gigantescas. De qualquer maneira, deixo os registros no ar. Conclusão: há empresários fechados com Serra, outros com Dilma. Como convém a uma salutar democracia.
10 para Dória
Mais uma vez, João Dória deu um show de organização e competência. Liderou o 9º Fórum de Comandatuba com extrema eficiência. Ancorou falas, integrou eventos, animou os espíritos.
Alckmin e Mercadante
Geraldo Alckmin, ao lado da esposa Lu, era só sorrisos. Sob a estampa de 60% de intenção de voto, parecia um candidato embalado no celofane da felicidade. Na mesa ao lado, Aloizio Mercadante, cara fechada, mas confiante. Parecia convicto de que, na perda ou na vitória, crescerá com a campanha ao governo de SP.
Prefeitura?
Os olhos de Mercadante contemplam o futuro. Se não alcançar o Palácio dos Bandeirantes, focará a visão sobre o Palácio da Prefeitura, que se debruça sobre o Anhangabaú. Assim são os caminhos da política : a derrota de hoje poderá ser o desvio para a vitória de amanhã. É a curva para a reta futura. Mercadante terá alta visibilidade. Mas a possibilidade de chegar ao Palácio dos Bandeirantes é muito restrita.
Zé Aníbal
O deputado José Aníbal trabalha com a perspectiva de levar para a Convenção tucana seu nome para a vaga ao Senado. Aloysio Nunes Ferreira é o nome in pectore de Serra. Mas Zé, ao contrário do perfil introspectivo de Ferreira, conversa, abre o debate, articula, se movimenta. Fará tudo para que o jogo não seja ganho no tapetão. Aníbal, convém lembrar, já teve quase 5 milhões de votos para o Senado em SP.
Vaccarezza, algodão entre cristais
Cândido Vaccarezza é um espírito conciliador. Ouve atento as observações mais críticas. Não se afoba. Veste a camisa do governo em qualquer circunstância. O líder do PT na Câmara é respeitado por colegas de todos os partidos. Tem sido um defensor intransigente da aliança entre PT e PMDB. Amigo de Michel Temer, desfila argumentos densos para demonstrar as possibilidades de Dilma.
"As almas são incombustíveis." (Machado de Assis)
De jacaré a lagartixa
Há 60 dias, víamos um formidável jacaré abrindo a boca na beira da lagoa política. Ao mostrar os dentes, o bicho impunha respeito. O tempo foi se passando. Há três dias, aquela fera desapareceu. Em seu lugar, surgiu uma lagartixa. O que teria acontecido? Não, o jacaré não mergulhou na lagoa. Virou a própria lagartixa. Encolheu. Fenômeno da natureza? Sim. Mutação gerada pela genética política. O jacaré Ciro virou a lagartixa Gomes. O tiro Gomes saiu pela culatra.
Gafe lá, gafe cá
Dilma comete gafes? Sim. Não é bem treinada na arte de dizer de maneira concisa e precisa? Sim. Ocorre que Serra também comete bobeiras. Em Natal, semana passada, carimbou a população trabalhadora do RN com o selo de 6% da mão de obra nacional. Ora, não chega a 1,7%. Serra teria falado de costas para empresários que lotavam o auditório. Chegou no meio da madrugada quando era esperado às 9h.
Lula crente
Luiz Inácio nunca esteve tão crente na vida. É o que confessam amigos que convivem com ele no dia a dia. Crente na vitória de Dilma. Crente de que o ambiente de otimismo que cerca o país conduzirá sua afilhada ao trono do Palácio do Planalto.
Chapa com Temer
A esta altura, está consolidada a chapa de Dilma com Michel Temer como vice. Em todo esse tempo, Michel trabalhou discretamente, como é de seu feitio, sem arroubos oratórios, sem destempero e sem fisgar a isca que pescadores de águas turvas sempre lhe jogam.
PMDB, o maior
Seja qual for o nome – Serra ou Dilma – o PMDB deverá continuar sendo o maior partido brasileiro. Espera eleger uma bancada de 100 deputados federais e cerca de 10 governadores. Afora as maiores bancadas estaduais em muitos Estados. O PT deverá secundá-lo, vindo a seguir, o PSDB. A partir do quarto lugar, o quadro é nebuloso.
Campos Sales
O paulista Campos Sales presidiu o Brasil de 1898 a 1902. Deixou a presidência sob vaias do povo por ter implementado uma política econômica das mais dolorosas. Saiu do catete debaixo de uma chuva de manifestações indignadas. Piada da época: "Qual é o seu método de vida? Há muito tempo só como o pão que o diabo amassou, só passeio na rua da amargura e o tempo pra mim é sempre bicudo".
Mídia eleitoral
Dilma terá 48% de tempo a mais na programação eleitoral de TV e rádio. Ou seja, mais de 8 minutos. Serra terá um pouco mais de 5 minutos. Atenção, marqueteiros: nem sempre grande tempo significa grande programa. Se os espaços não são bem aproveitados, o programa pode ser uma chatice ou enchimento de linguiça.
Tempos ímprobos
Nesses tempos de muito dolo, eis uma leitura obrigatória: "Improbidade Administrativa – Dolo e Culpa", de Isabela Giglio Figueiredo. O livro foi lançado nesta segunda-feira. Trata-se da monografia com que obteve o título de especialista em Direito Administrativo.
Thomas Paine
"Quando alguém pode dizer em qualquer país do mundo: meus pobres são felizes, nem ignorância nem miséria se encontram entre eles; minhas cadeias estão vazias de prisioneiros, minhas ruas de mendigos; os idosos não passam necessidades, os impostos não são opressivos.. quando estas coisas podem ser ditas, então pode tal país se orgulhar de sua Constituição e de seu governo." (Thomas Paine, em Os Direitos do Homem)
Hiperte(n)são?
O ministro Temporão receita sexo contra a hipertensão. E deu, até, a receita: cinco vezes por semana. Passou a adotar o inverso do slogan do cigarro: sexo faz bem à saúde. O Ministério da Saúde deverá massificar a distribuição do preservativo Temporão. Para cobrir a temporada sexual.
Besteirol
O besteirol em ano eleitoral se espalha. Um dos capítulos mais imbecis é o que anuncia a renúncia de Lula para se candidatar a vice na chapa de Dilma. Eleita, ela passaria pouco tempo. Renunciaria e cederia o trono a Lula. Que terminaria o mandato de Dilma, candidatando-se, ao final, à nova reeleição. E ainda há gente séria que me pergunta sobre essas bobagens.
Reajuste dos aposentados
Os aposentados deverão ter reajuste maior que os 6,14% desejados pelo governo. Podem ganhar 7,7%.
César, o maior?
César é considerado o maior de todos os heróis de guerras. O motivo apontado pelos historiadores: ceifou a vida da maior quantidade de inimigos. Em menos de 10 anos, durante a guerra contra a Gália, tomou de assalto, mais de 800 cidades, submeteu 300 povos, combateu 3 milhões de homens, dos quais matou 1 milhão durante as batalhas e transformou outro milhão em prisioneiros. Que heroísmo é esse, hein?
Soltura de presos?
Soltar 20% dos presos do país é uma temeridade. Há assassinos e loucos que poderão voltar ao cenário de matança. Não era o caso do monstro de Luziânia, em GO, que matou 6 jovens?
Conselho às assessorias de Dilma e Serra
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Dilma. Hoje, volta sua atenção às assessorias de Dilma e Serra:
1. Procurem orientar, desde já, seus candidatos a trilhar o caminho das grandes ideias. Os candidatos devem abandonar as trilhas de coisas perfunctórias.
2. Produzam conteúdos transcendentais para a vida do país. Substituam as querelas adjetivadas por debates programáticos.
3. Mapeiem os espaços das grandes carências nacionais e regionais.
____________
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 27 de abril de 2010
UM VERSO
Querido amigo Júnior,
Da família dos Bonfim.
Quando a chuva despenca,
é uma beleza sem fim.
O Nordeste verdejante,
fica mesmo contagiante,
até parece um jardim!
Um abraço
Dalinha Catunda
Da família dos Bonfim.
Quando a chuva despenca,
é uma beleza sem fim.
O Nordeste verdejante,
fica mesmo contagiante,
até parece um jardim!
Um abraço
Dalinha Catunda
A BELEZA DO SERTÃO
De repente, a chuva! Tal qual o milho debulhado, que se depreende das espigas em delicados caroços, cai o látego líquido, os pingos celestiais, a esperada chuva de inverno. Do chão explode o verde, os açudes sangram, os rios transbordam, os olhos brilham, as pessoas resplandecem.
Eis o nosso sertão: mandacaru e juazeiro, escassez e fartura, sequidão e verdura, espinho e flor - entusiástica terra que não conhece a monotonia.
É lindo ver as flores surgindo na margem da estrada, dádiva do Jardineiro do Universo!


Eis o nosso sertão: mandacaru e juazeiro, escassez e fartura, sequidão e verdura, espinho e flor - entusiástica terra que não conhece a monotonia.
É lindo ver as flores surgindo na margem da estrada, dádiva do Jardineiro do Universo!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
FEIRA CIRCULANDO LIVROS
Repetindo as edições anteriores, a Feira Circulando Livros levou à Praça do Anfiteatro aproximadamente três mil pessoas nesse último final de semana, gente que foi atraída principalmente pela certeza de encontrar ótimas publicações, autores consagrados, amigos e uma vasta programação cultural.
Marcaram presença os acadêmicos Elias de França, presidente da Academia de Letras de Crateús; Júnior Bonfim, recém-empossado na Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Grande Oriente do Brasil, integrando o núcleo brasileiro da Academia Maçônica Internacional de Letras; Carlos Bonfim, Aldo Santos, Maria da Conceição (Nêga), Éricson Fabrício, Adriana Calaça, Ísis Celiane, Lourival Veras e Raimundo Cândido, que lançava sua mais recente obra poética: Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices).
Alegrando a noite de sábado, os palhaços Farrapinha e Xenhenhen fizeram a alegria de crianças e adultos, seguidos pela bela apresentação do reisado mirim de Bom Sucesso, de Novo Oriente, além do músico e cantor Edilson Barros. No domingo, além da volta dos palhaços, a sempre espetacular apresentação do grupo Essência do Samba.
(Do blog da SABI)
sexta-feira, 23 de abril de 2010
GILMAR MENDES SE EXPÕE A BOMBARDEIO PELO YOUTUBE
Entrevista coletiva, todo jornalista sabe disso, costuma ser das coisas mais entediantes do mundo. Imagine, então, uma entrevista coletiva feita pela internet, com 956 internautas no papel de entrevistadores? Pois se faltou alguma coisa na entrevista do presidente do STF pelo Youtube, na última sexta-feira (16/4), foi tédio. E sobrou emoção. Houve de tudo um pouco — perguntas agressivas, incômodas, encomendadas, nenhuma combinada antes ou para afagar o entrevistado. O ministro Gilmar Mendes respondeu a todas, sem perder a calma. Quem não viu, ainda pode ver pelo canal do STF no Youtube.
A entrevista se inclui na programação de atos que marca a despedida do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal. E coroa a política de comunicação da corte sob sua gestão, baseada na contínua busca pela transparência e pelo contato com a sociedade, dispensando intermediários. Feita através do canal de vídeos que o Supremo tem no Youtube, a entrevista seguiu o modelo da que foi concedida pelo presidente americano Barack Obama, dos Estados Unidos, logo após sua eleição para o cargo. E não se tem notícia de outra semelhante.
Durante uma semana os internautas puderam registrar seus questionamentos pela internet, sobre onze temas pré-estabelecidos. Os internautas podiam também votar nas perguntas que achassem mais interessantes. Depois de cinco dias, 956 internautas registraram 408 perguntas e 12.425 votos nas suas preferidas. As 11 mais votadas foram levadas para a entrevista transmitida pelo Youtube na tarde de sexta-feira (16/4). As perguntas foram selecionadas pelo Google, que administra do site de vídeos, sem interferência da TV Justiça ou do STF.
Para começar, Daniel Dantas e De Sanctis. Em vez de uma, o ministro teve de dar respostas para seis perguntas que rememoraram e questionaram seu comportamento no transcorrer da operação da Polícia Federal que ficou conhecida como Satiagraha. Lembram-se? Denunciado pela tentativa de suborno contra um delegado da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas foi preso temporariamente por determinação do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo. Um pedido de Habeas Corpus com liminar para sua libertação chegou às mãos do ministro que o deferiu. Dantas foi solto e em seguida nova ordem de prisão — desta vez, provisória — foi emitida pelo juiz De Sanctis e cumprida pela PF. Novo pedido de HC foi julgado e deferido pelo ministro Gilmar Mendes.
Os internautas não usaram meias palavras para perguntar: o senhor desrepeitou o juiz De Sanctis... foi criticado pelos próprios colegas do Supremo... Só o senhor está certo? Qual a prova que o senhor aceitaria para manter na prisão o banqueiro condenado a 10 anos por corrupção? Por que a Justiça dos EUA levou seis meses para prender o Madoff e aqui Justiça deixa solto o Daniel Dantas que foi condenado a 10 anos de prisão?
Gilmar Mendes lembrou que sua posição no caso foi respaldada e confirmada pelo Pleno do STF. Falou do Sistema Jabuticaba, que só existe no Brasil: “um sistema em que um ministro da suprema corte está jungido à decisão de um juiz de primeiro grau e que um juiz de primeiro grau pode desrespeitar uma decisão do STF”. Lembrou que, ao contrário do que sai nos jornais, o STF não dá Habeas Corpus apenas para os ricos: “No ano passado o Supremo concedeu 18 Habeas Corpus em casos de bagatela”.
Fez uma cronologia dos fatos na segunda prisão de Daniel Dantas para demonstrar a existência de um consórcio entre o juiz, o delegado da PF e o promotor: o Habeas Corpus libertou o banqueiro às 23h; às 5h ele saiu da prisão; às 9h ele foi intimado para prestar depoimento e as 14h estava preso de novo. “Prova que antes da decisão do Supremo já se preparava a nova prisão, combinada entre juiz, delegado e promotor.”
As trapalhadas do delegado Protógenes Queiroz, cujo nome não é pronunciado mas que foi o primeiro encarregado de conduzir as investigações contra o banqueiro Daniel Dantas, voltou à tela quando uma pergunta abordou a questão do suposto grampo de uma conversa do presidente do Supremo com o senador Demóstenes Torres. Gilmar lembrou então que mais de 80 agentes da Abin, a Agência de Inteligência do governo federal, foram empregados em função policial completamente estranha a suas atribuições funcionais.
Outra pergunta para provocar o ministro: o foro especial para políticos corruptos não é um incentivo à impunidade? O ministro diz que é a favor do foro especial desde que isso não rime com impunidade. “É preciso dar uma dinâmica ao processo criminal, quer ele tramite no Supremo ou no primeiro grau”. E contou que o STF conta hoje com um juízo de instrução para dar dinâmica aos processos criminais da corte. “Falhas nas Justiça criminal existem e o CNJ fez deste 2010 o ano da Justiça Penal.”
Outra pergunta foi direto no corpo do presidente do ministro. “Ano passado uma revista afirmou que o 'senhor foi coronelzinho durante muitos anos em Diamantino, elegendo e reelegendo pessoas de sua confiança para beneficiar sua família'”. Gilmar Mendes respondeu à altura: “Esta publicação se qualifica como uma digna pistolagem jornalística e fez uma série de ataques a mim.” Esclareceu que só participou da eleição de seu irmão para a prefeitura da cidade quando era advogado-geral da União. “Meu bisavô foi desembargador em Mato Grosso, nunca tive capangas, minha família nunca se envolveu com a violência.”
Outra pergunta coloca o presidente do STF como voz da “direita conservadora brasileira”. Gilmar Mendes responde com alguns dos feitos à frente do Supremo: temos defendido um sistema eficiente de saúde pública para todos; avançamos no que diz respeito à fidelidade partidária; editamos a súmula das algemas, que passou a evitar abusos notórios; lançamos no CNJ o mutirão carcerário que beneficiou 20 mil presos com a liberdade; na falta de assistência judiciária, lançamos a advocacia voluntária. Isso é política de direita conservadora?
Mais uma vez foi interpelado com a expressão de que juiz só deve falar nos autos. “O que é falar nos autos quando se tem uma missão institucional?” Para o presidente do STF, afirma Gilmar, não existem autos. Existe, sim, a obrigação de se manifestar em questões institucionais e políticas. “O presidente do STF enquanto chefe de um poder da República, tem uma missão institucional. Ele trata de processos e trata de política. Quando diz que a Constituição tem de ser respeitada e que não pode haver invasão de terra ele está em sua missão política e para isso não tem autos, não tem processo.” Aliás, era isso que ele, em sua última semana como presidente do Supremo Tribunal Federal, estava fazendo naquela tarde de sexta-feira.
(Fonte: CONJUR)
A entrevista se inclui na programação de atos que marca a despedida do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal. E coroa a política de comunicação da corte sob sua gestão, baseada na contínua busca pela transparência e pelo contato com a sociedade, dispensando intermediários. Feita através do canal de vídeos que o Supremo tem no Youtube, a entrevista seguiu o modelo da que foi concedida pelo presidente americano Barack Obama, dos Estados Unidos, logo após sua eleição para o cargo. E não se tem notícia de outra semelhante.
Durante uma semana os internautas puderam registrar seus questionamentos pela internet, sobre onze temas pré-estabelecidos. Os internautas podiam também votar nas perguntas que achassem mais interessantes. Depois de cinco dias, 956 internautas registraram 408 perguntas e 12.425 votos nas suas preferidas. As 11 mais votadas foram levadas para a entrevista transmitida pelo Youtube na tarde de sexta-feira (16/4). As perguntas foram selecionadas pelo Google, que administra do site de vídeos, sem interferência da TV Justiça ou do STF.
Para começar, Daniel Dantas e De Sanctis. Em vez de uma, o ministro teve de dar respostas para seis perguntas que rememoraram e questionaram seu comportamento no transcorrer da operação da Polícia Federal que ficou conhecida como Satiagraha. Lembram-se? Denunciado pela tentativa de suborno contra um delegado da Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas foi preso temporariamente por determinação do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo. Um pedido de Habeas Corpus com liminar para sua libertação chegou às mãos do ministro que o deferiu. Dantas foi solto e em seguida nova ordem de prisão — desta vez, provisória — foi emitida pelo juiz De Sanctis e cumprida pela PF. Novo pedido de HC foi julgado e deferido pelo ministro Gilmar Mendes.
Os internautas não usaram meias palavras para perguntar: o senhor desrepeitou o juiz De Sanctis... foi criticado pelos próprios colegas do Supremo... Só o senhor está certo? Qual a prova que o senhor aceitaria para manter na prisão o banqueiro condenado a 10 anos por corrupção? Por que a Justiça dos EUA levou seis meses para prender o Madoff e aqui Justiça deixa solto o Daniel Dantas que foi condenado a 10 anos de prisão?
Gilmar Mendes lembrou que sua posição no caso foi respaldada e confirmada pelo Pleno do STF. Falou do Sistema Jabuticaba, que só existe no Brasil: “um sistema em que um ministro da suprema corte está jungido à decisão de um juiz de primeiro grau e que um juiz de primeiro grau pode desrespeitar uma decisão do STF”. Lembrou que, ao contrário do que sai nos jornais, o STF não dá Habeas Corpus apenas para os ricos: “No ano passado o Supremo concedeu 18 Habeas Corpus em casos de bagatela”.
Fez uma cronologia dos fatos na segunda prisão de Daniel Dantas para demonstrar a existência de um consórcio entre o juiz, o delegado da PF e o promotor: o Habeas Corpus libertou o banqueiro às 23h; às 5h ele saiu da prisão; às 9h ele foi intimado para prestar depoimento e as 14h estava preso de novo. “Prova que antes da decisão do Supremo já se preparava a nova prisão, combinada entre juiz, delegado e promotor.”
As trapalhadas do delegado Protógenes Queiroz, cujo nome não é pronunciado mas que foi o primeiro encarregado de conduzir as investigações contra o banqueiro Daniel Dantas, voltou à tela quando uma pergunta abordou a questão do suposto grampo de uma conversa do presidente do Supremo com o senador Demóstenes Torres. Gilmar lembrou então que mais de 80 agentes da Abin, a Agência de Inteligência do governo federal, foram empregados em função policial completamente estranha a suas atribuições funcionais.
Outra pergunta para provocar o ministro: o foro especial para políticos corruptos não é um incentivo à impunidade? O ministro diz que é a favor do foro especial desde que isso não rime com impunidade. “É preciso dar uma dinâmica ao processo criminal, quer ele tramite no Supremo ou no primeiro grau”. E contou que o STF conta hoje com um juízo de instrução para dar dinâmica aos processos criminais da corte. “Falhas nas Justiça criminal existem e o CNJ fez deste 2010 o ano da Justiça Penal.”
Outra pergunta foi direto no corpo do presidente do ministro. “Ano passado uma revista afirmou que o 'senhor foi coronelzinho durante muitos anos em Diamantino, elegendo e reelegendo pessoas de sua confiança para beneficiar sua família'”. Gilmar Mendes respondeu à altura: “Esta publicação se qualifica como uma digna pistolagem jornalística e fez uma série de ataques a mim.” Esclareceu que só participou da eleição de seu irmão para a prefeitura da cidade quando era advogado-geral da União. “Meu bisavô foi desembargador em Mato Grosso, nunca tive capangas, minha família nunca se envolveu com a violência.”
Outra pergunta coloca o presidente do STF como voz da “direita conservadora brasileira”. Gilmar Mendes responde com alguns dos feitos à frente do Supremo: temos defendido um sistema eficiente de saúde pública para todos; avançamos no que diz respeito à fidelidade partidária; editamos a súmula das algemas, que passou a evitar abusos notórios; lançamos no CNJ o mutirão carcerário que beneficiou 20 mil presos com a liberdade; na falta de assistência judiciária, lançamos a advocacia voluntária. Isso é política de direita conservadora?
Mais uma vez foi interpelado com a expressão de que juiz só deve falar nos autos. “O que é falar nos autos quando se tem uma missão institucional?” Para o presidente do STF, afirma Gilmar, não existem autos. Existe, sim, a obrigação de se manifestar em questões institucionais e políticas. “O presidente do STF enquanto chefe de um poder da República, tem uma missão institucional. Ele trata de processos e trata de política. Quando diz que a Constituição tem de ser respeitada e que não pode haver invasão de terra ele está em sua missão política e para isso não tem autos, não tem processo.” Aliás, era isso que ele, em sua última semana como presidente do Supremo Tribunal Federal, estava fazendo naquela tarde de sexta-feira.
(Fonte: CONJUR)
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O ANIVERSÁRIO DE BRASÍLIA É HOJE!


BRASÍLIA
(UMA CINQUENTONA QUE ME CONQUISTOU)
Sou do Ceará, acostumada com muito céu e muito chão, tudo isso encontrei em Brasília para encanto dos meus olhos.
Bem instalada, no apartamento de Tereza Mourão, uma lua imensa, cheia de magia, transpassava a vidraça iluminando o ambiente, numa penumbra natural.
As Paineiras floridas desabrocharam salpicando o chão de pétalas para que eu embevecida pudesse passar, as nuvens se esconderam e a cidade me presenteou com o céu azul mais maravilhoso que eu já pude ver em toda minha vida. A falta de umidade respeitosamente não apareceu, para meu conforto.
Eu não teria palavras para traduzir a beleza do que é um passeio de veleiro ao cair da tarde no Lago Paranoá. Ver o sol se esconder, a beleza do escarlate em suas nuances até sumir de vez preparando o espaço para o brilho soberano de uma lua cheia de encanto cercada de intermitentes estrelas.
O Verde das árvores, o azul do céu em contraste com a arquitetura dessa cidade planejada é simplesmente majestoso. Nem me fez falta a falta de esquinas! Os monumentos realmente me encantaram.
Estou falando de uma Brasília que vi e senti por mais de uma vez e me encantei. Não daquela Brasília que aparece sendo covardemente ridicularizada na televisão.
Hoje gostaria de parabenizar essa bela cinquentona que me conquistou e parabenizar também meus amigos nordestinos que fizeram de Brasília se segundo lar e que me acolhem com tanto carinho.
(Dalinha Catunda)
POSSE
Em solenidade realizada no auditório Álvaro Palmeira, do GOB, em Brasília-DF, o poeta e cronista Júnior Bonfim, que integra o corpo de colunistas deste Jornal, foi empossado na Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Grande Oriente do Brasil. Também passou a integrar o núcleo brasileiro da Academia Maçônica Internacional de Letras (AMIL), com sede em Lisboa, Portugal.
O evento contou com a presença das mais altas autoridades da Maçonaria nacional, além de líderes internacionais como o Presidente da Academia Maçônica Internacional (AMIL), o português Bernardo Martins Pereira.
Conterrâneos como Dideus Sales, Paulo Nazareno e Tião Machado e esposa estiveram presentes e prestigiaram Júnior Bonfim.
(Publicado no Jornal Gazeta do Centro Oeste - Crateús, Ceará)
terça-feira, 20 de abril de 2010
OBSERVATÓRIO
Semana passada estive em Crateús. Andando pelas ruas da urbe com um taxista – que, sei, votou no atual Prefeito - indaguei: - Como está a cidade? Ele respondeu com aquela ansiedade do eleitor que já ultrapassou a fase da decepção e ingressou no tablado da indignação: - Parece que estamos sem sorte: veja essa buraqueira... Toda semana marcam para começar a obra na segunda-feira e este dia nunca chega. Mas... O Prefeito é só enchendo a Prefeitura de parentes. De Brasília já chegou um bocado... Nunca imaginei que isso fosse acontecer...
ATMOSFERA
Parece que um lençol de tensão cobre a atmosfera da cidade. Uma energia pesada, própria de momentos beligerantes, típica de situações de contendas irracionais, transpassa sob o horizonte municipal. É como se emergisse um produto estranho, resultado de uma combinação perigosa que mistura uma alta dose de frustração com uma perspectiva desprovida de esperança no futuro. As notícias desairosas suplantam as informações virtuosas. Uma hora, estoura nova greve de professores. Noutra, o telefone do hospital aparece bloqueado. Um dia, surge uma denúncia da obra da Praça. Noutro, a emissão irregular de diárias.
O CARRO
Um aliado do Prefeito, que inicialmente previa vida longa para o governo vida nova, hoje utiliza a seguinte imagem: “Eu costumo comparar a máquina municipal com um carro, que tem como principais itens de segurança a embreagem, o pneu e a barra de direção. Na administração do doutor Felipe a embreagem já se desmantelou; no final do mês, quando ele demitir 400 funcionários, o pneu vai baixar; e, depois das eleições, ninguém segura mais a barra da direção”. O que fazer, então? Talvez o primeiro ato, visando aspergir a gestão com o bálsamo da credibilidade, deveria ser uma inflexão rumo à verdade. Há certo desapreço à transparência nos gestos, nas palavras e nas imagens.
A VERDADE
Aqui, retoma-se filosoficamente a velha pergunta: o que é a verdade? Na forma da concepção aristotélica clássica da verdade, lembrada por Ferrater Mora (1996:700), "Dizer do que é que não é, e do que não é que é, é o falso; dizer do que é que é, e do que não é que não é, é o verdadeiro". Para o Doutor Angélico (1988:127), verdade é definida como a "conformidade de coisa com a inteligência. Donde, conhecer tal conformidade é conhecer a verdade". Na expressão latina, adaequatio rei et intellectus (adequação da coisa com o conhecimento). No direito penal, aprendemos a diferença entre “verdade formal” (aquela que está nos autos) e “verdade real” (aquela que guarda sintonia com os fatos). A Prefeitura precisa deixar de propagar verdades formais e se apegar à verdade real.
O SITE I
Um exemplo do pouco apreço à verdade real se constata acessando o site da Prefeitura. Na semana antepassada, divulgou-se a agenda do Prefeito em Brasília, onde oficialmente estaria em busca de liberação de obras e projetos para o município. Nas fotos que comprovam esse trabalho, aparece o Prefeito ao lado da ex-ministra Dilma Roussef. Todo o Brasil sabe que Dilma já havia deixado o ministério uma semana antes da ida do Prefeito. Logo, jamais ela poderia estar liberando verbas ou projetos empós sua saída, sob pena de cometer crime. Sucede que, curiosamente, a agenda escrita não revela qualquer encontro com a ex-ministra ou que ação específica ela teria empreendido visando a liberação de recursos para o município. Há um claro descompasso entre o que está divulgado e o que efetivamente ocorreu.
O SITE II
O site http://www.crateus.ce.gov.br/ é a página oficial do governo municipal na rede mundial de computadores. No mínimo, as informações ali postadas mereceriam maior atenção. Há mais de um ano alertamos para dados inverídicos na página de apresentação do Chefe do Executivo. Ainda hoje eles estão lá. Ali se diz, por exemplo, que o Prefeito “na década de 70 iniciou a vida político-partidária como Universitário, militando no PT – Partido dos Trabalhadores”. Qualquer cidadão minimamente informado sabe que o PT foi fundado na década de 1980. E nenhum petista confirma que o alcaide crateuense tenha sido militante do Partido dos Trabalhadores antes de sua fundação. Por isso, é urgente, imperioso, prioritário que se faça uma revisão orgânica na postura da Administração e na sua interlocução com a sociedade.
ACADEMIA
O terreno literário cultivado pela Academia de Letras de Crateús (ALC) segue em ritmo normal de produção. Após a divulgação do livro do acadêmico Flávio Machado, o Presidente Elias de França lançou no final de semana passado, por ocasião da Bienal do Livro, em Fortaleza, um livro voltado para o público infantil. Esta semana o poeta Raimundo Cândido, o Professor Raimundinho, apresenta a sua mais nova obra: , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices). Vide o prefácio do livro na postagem abaixo.
PARA REFLETIR
“A minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política”. (Mahatma Gandhi)
(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
ATMOSFERA
Parece que um lençol de tensão cobre a atmosfera da cidade. Uma energia pesada, própria de momentos beligerantes, típica de situações de contendas irracionais, transpassa sob o horizonte municipal. É como se emergisse um produto estranho, resultado de uma combinação perigosa que mistura uma alta dose de frustração com uma perspectiva desprovida de esperança no futuro. As notícias desairosas suplantam as informações virtuosas. Uma hora, estoura nova greve de professores. Noutra, o telefone do hospital aparece bloqueado. Um dia, surge uma denúncia da obra da Praça. Noutro, a emissão irregular de diárias.
O CARRO
Um aliado do Prefeito, que inicialmente previa vida longa para o governo vida nova, hoje utiliza a seguinte imagem: “Eu costumo comparar a máquina municipal com um carro, que tem como principais itens de segurança a embreagem, o pneu e a barra de direção. Na administração do doutor Felipe a embreagem já se desmantelou; no final do mês, quando ele demitir 400 funcionários, o pneu vai baixar; e, depois das eleições, ninguém segura mais a barra da direção”. O que fazer, então? Talvez o primeiro ato, visando aspergir a gestão com o bálsamo da credibilidade, deveria ser uma inflexão rumo à verdade. Há certo desapreço à transparência nos gestos, nas palavras e nas imagens.
A VERDADE
Aqui, retoma-se filosoficamente a velha pergunta: o que é a verdade? Na forma da concepção aristotélica clássica da verdade, lembrada por Ferrater Mora (1996:700), "Dizer do que é que não é, e do que não é que é, é o falso; dizer do que é que é, e do que não é que não é, é o verdadeiro". Para o Doutor Angélico (1988:127), verdade é definida como a "conformidade de coisa com a inteligência. Donde, conhecer tal conformidade é conhecer a verdade". Na expressão latina, adaequatio rei et intellectus (adequação da coisa com o conhecimento). No direito penal, aprendemos a diferença entre “verdade formal” (aquela que está nos autos) e “verdade real” (aquela que guarda sintonia com os fatos). A Prefeitura precisa deixar de propagar verdades formais e se apegar à verdade real.
O SITE I
Um exemplo do pouco apreço à verdade real se constata acessando o site da Prefeitura. Na semana antepassada, divulgou-se a agenda do Prefeito em Brasília, onde oficialmente estaria em busca de liberação de obras e projetos para o município. Nas fotos que comprovam esse trabalho, aparece o Prefeito ao lado da ex-ministra Dilma Roussef. Todo o Brasil sabe que Dilma já havia deixado o ministério uma semana antes da ida do Prefeito. Logo, jamais ela poderia estar liberando verbas ou projetos empós sua saída, sob pena de cometer crime. Sucede que, curiosamente, a agenda escrita não revela qualquer encontro com a ex-ministra ou que ação específica ela teria empreendido visando a liberação de recursos para o município. Há um claro descompasso entre o que está divulgado e o que efetivamente ocorreu.
O SITE II
O site http://www.crateus.ce.gov.br/ é a página oficial do governo municipal na rede mundial de computadores. No mínimo, as informações ali postadas mereceriam maior atenção. Há mais de um ano alertamos para dados inverídicos na página de apresentação do Chefe do Executivo. Ainda hoje eles estão lá. Ali se diz, por exemplo, que o Prefeito “na década de 70 iniciou a vida político-partidária como Universitário, militando no PT – Partido dos Trabalhadores”. Qualquer cidadão minimamente informado sabe que o PT foi fundado na década de 1980. E nenhum petista confirma que o alcaide crateuense tenha sido militante do Partido dos Trabalhadores antes de sua fundação. Por isso, é urgente, imperioso, prioritário que se faça uma revisão orgânica na postura da Administração e na sua interlocução com a sociedade.
ACADEMIA
O terreno literário cultivado pela Academia de Letras de Crateús (ALC) segue em ritmo normal de produção. Após a divulgação do livro do acadêmico Flávio Machado, o Presidente Elias de França lançou no final de semana passado, por ocasião da Bienal do Livro, em Fortaleza, um livro voltado para o público infantil. Esta semana o poeta Raimundo Cândido, o Professor Raimundinho, apresenta a sua mais nova obra: , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices). Vide o prefácio do livro na postagem abaixo.
PARA REFLETIR
“A minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política”. (Mahatma Gandhi)
(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
UM TEOREMA DA COMPLETUDE
Demorei a escrever esta breve apresentação. Era como se a suave e poderosa voz interior imperativamente me ponderasse: ‘Calma!’. E me rendi à morosidade... Até porque quando gostamos de algo ou alguém nos inclinamos a demorar ao seu lado. Envoltos na atmosfera do afeto, sob a brisa deliciosa da satisfação, temos a tendência de esquecer o tempo. Por isso os antigos ensinavam: “a pressa é inimiga da perfeição”. Quando a gente se apressa para se ver livre de algo, é porque aspiramos esquecê-lo. O romancista Milan Kundera defende que “há um elo secreto entre a lentidão e a sabedoria, entre velocidade e esquecimento”.
O certo é que, paciente e tranquilamente, gostei deste livro. Aliás, já estimava o seu autor. Conheci o ourives que poliu estes versos, Raimundo Cândido Teixeira Filho, o Raimundinho, no Externato Nossa Senhora de Fátima, escola fundada por sua inolvidável genitora, a mestra Maria Delite Menezes Teixeira. Já divisava nele o olhar elevado, capaz de sobrevoar o trivial e atingir o transcendental. Depois, viramos colegas no ofício de magia e mistério chamado magistério, na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio. Ultimamente, o magnetismo dos fonemas da poesia nos reaproximou e nos fez sentar em assentos próximos na Academia de Letras de Crateús.
Raimundinho é um desses raros seres que cultivam a invulgar habilidade de se comunicar pelo silêncio. É. Pouca gente consegue, nesse mundo veloz e loquaz, se comunicar sem nada falar. Tal Chaplin, mestre do cinema mudo, ele se recusa a ser máquina. Para se afirmar Homem. Homem é. Com o amor da humanidade latejando na alma.
À Pitágoras, este poeta é matemático. E filósofo também. Como sói acontecer com os que se danam a pensar e viram amigos do saber, haverá quem o considere estranho ou esquisito. No entanto, adianto que só alguém conhecedor desse naipe precioso é capaz de nos brindar com um , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices).
Neste livro, diamante geométrico, Raimundinho faz um passeio singular pela “matemática existencial”: vai ao poço fundo dos nossos poetas profundos (Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Mello Neto), toca outros clássicos (como Guimarães Rosa), homenageia heróis que povoam a nossa memória (Peter Pan) e saúda ídolos que driblavam a apatia dominical, como o ‘galinho de Quintino’, Zico.
Entretanto, as formas mais delicadas de construções poliédricas foram reservadas para os cubos autobiográficos. Em ‘Bodega’, ele observa que:
“Só a velha balança parada
Com os pratos vazios
Ponderava o que havia
De sabor no denso langor
De algo invisível a indicar
Que a tarde se dissipava
Pesarosa a chorar...”
Em ‘Periplaneta’, o anátema ao inseto:
“Mas a barata é um patife
Covarde no ínfimo ato,
Passa sebo nas canelas
Ao pressentir meus sapatos!”
É óbvio que partidas precoces, como a da irmã Gláucia, abalaram as formas básicas do sólido familiar. E ele registra em ‘Transmutação’:
“Ah, instante atroz,
Que ti invoca em ir!
Logo agora...
Fruto enraizado
Na imensidão
De um verde florir?”
Iniciado no átrio da sabedoria, sente uma ponta de angústia e se entedia com a mediocridade mundana. Desabafa em ‘Fastio’:
“Ultimamente,
tenho carregado demasiado peso:
ausências indefinidas,
presenças indesejadas
e saudade de um doce sal
que jamais provei!”
Este é um teorema que nos tange para os vértices da alma triangular da profundidade. Pitágoras afirmou que ‘todas as coisas são números’. E, dentre os números, o três simboliza a completude: a comunhão perfeita, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus, Maria e José – a sagrada família. Também: liberdade, igualdade e fraternidade; presente, passado e futuro; luz, trevas e tempo; nascimento, vida e morte; ou ainda sabedoria, força e beleza.
Com indisfarçável alegria assisti a estréia do Raimundinho nos palcos literários com Karatis, seu primeiro pergaminho poético. Agora, nos mimoseia com este livro, que contém 58 (cinqüenta e oito) poemas. Coincidentemente, tirando 5 de 8, temos 3. Portanto, completo sob todos os ângulos.
Saúdo-o com um tríplice cumprimento poético!
(Por Júnior Bonfim – prefácio do livro , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices) - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
O certo é que, paciente e tranquilamente, gostei deste livro. Aliás, já estimava o seu autor. Conheci o ourives que poliu estes versos, Raimundo Cândido Teixeira Filho, o Raimundinho, no Externato Nossa Senhora de Fátima, escola fundada por sua inolvidável genitora, a mestra Maria Delite Menezes Teixeira. Já divisava nele o olhar elevado, capaz de sobrevoar o trivial e atingir o transcendental. Depois, viramos colegas no ofício de magia e mistério chamado magistério, na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio. Ultimamente, o magnetismo dos fonemas da poesia nos reaproximou e nos fez sentar em assentos próximos na Academia de Letras de Crateús.
Raimundinho é um desses raros seres que cultivam a invulgar habilidade de se comunicar pelo silêncio. É. Pouca gente consegue, nesse mundo veloz e loquaz, se comunicar sem nada falar. Tal Chaplin, mestre do cinema mudo, ele se recusa a ser máquina. Para se afirmar Homem. Homem é. Com o amor da humanidade latejando na alma.
À Pitágoras, este poeta é matemático. E filósofo também. Como sói acontecer com os que se danam a pensar e viram amigos do saber, haverá quem o considere estranho ou esquisito. No entanto, adianto que só alguém conhecedor desse naipe precioso é capaz de nos brindar com um , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices).
Neste livro, diamante geométrico, Raimundinho faz um passeio singular pela “matemática existencial”: vai ao poço fundo dos nossos poetas profundos (Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Mello Neto), toca outros clássicos (como Guimarães Rosa), homenageia heróis que povoam a nossa memória (Peter Pan) e saúda ídolos que driblavam a apatia dominical, como o ‘galinho de Quintino’, Zico.
Entretanto, as formas mais delicadas de construções poliédricas foram reservadas para os cubos autobiográficos. Em ‘Bodega’, ele observa que:
“Só a velha balança parada
Com os pratos vazios
Ponderava o que havia
De sabor no denso langor
De algo invisível a indicar
Que a tarde se dissipava
Pesarosa a chorar...”
Em ‘Periplaneta’, o anátema ao inseto:
“Mas a barata é um patife
Covarde no ínfimo ato,
Passa sebo nas canelas
Ao pressentir meus sapatos!”
É óbvio que partidas precoces, como a da irmã Gláucia, abalaram as formas básicas do sólido familiar. E ele registra em ‘Transmutação’:
“Ah, instante atroz,
Que ti invoca em ir!
Logo agora...
Fruto enraizado
Na imensidão
De um verde florir?”
Iniciado no átrio da sabedoria, sente uma ponta de angústia e se entedia com a mediocridade mundana. Desabafa em ‘Fastio’:
“Ultimamente,
tenho carregado demasiado peso:
ausências indefinidas,
presenças indesejadas
e saudade de um doce sal
que jamais provei!”
Este é um teorema que nos tange para os vértices da alma triangular da profundidade. Pitágoras afirmou que ‘todas as coisas são números’. E, dentre os números, o três simboliza a completude: a comunhão perfeita, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus, Maria e José – a sagrada família. Também: liberdade, igualdade e fraternidade; presente, passado e futuro; luz, trevas e tempo; nascimento, vida e morte; ou ainda sabedoria, força e beleza.
Com indisfarçável alegria assisti a estréia do Raimundinho nos palcos literários com Karatis, seu primeiro pergaminho poético. Agora, nos mimoseia com este livro, que contém 58 (cinqüenta e oito) poemas. Coincidentemente, tirando 5 de 8, temos 3. Portanto, completo sob todos os ângulos.
Saúdo-o com um tríplice cumprimento poético!
(Por Júnior Bonfim – prefácio do livro , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices) - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
LANÇAMENTO DO DIA
LANÇAMENTO HOJE NO TEATRO ROSA MORAIS - CRATEÚS - CEA OBRA: Chão Inaugural
O livro foi dividido em três partes. Em todas, o poeta expõem-se e o que o inquieta: suas dores, os homens, os governos, a poética e a política.
Na primeira parte, os poemas são como que uma janela através da qual se entreve um “entrevado”: o iluminado.
Na segunda parte, Termos, o poeta, em peças curtas e discursivas dedica-se a perorar, atrás de grafar as “palavras mais irresistíveis”.
Na terceira parte, com poemas de temáticas diversas – infância, política, o mundo, enfim, suas inquietações –, o poeta encerra o livro indicando o desafio que a poesia épica representa nestes tempos de lirismo fácil: captação e escritura desta era de turbina.
O AUTOR: Rogerlando Gomes Cavalcante - Ano de nascimento? É o correspondente a 400 depois do ano da primeira edição (de 1572, produzida em casa do impressor António Gonçalves, de Lisboa) da obra máxima e fundante da língua – e poesia – portuguesas, Os Lusíadas, de Camões, no qual o Brasil é referido uma única vez. Aliás, essa “coincidência”, pode, quiçá, ser um bom augúrio poético, ou um acaso meramente simbólico: a publicação de uma obra, o nascimento de um poeta.
Postado por ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS - ALC
sexta-feira, 16 de abril de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
Historinha de Goiás
Edmundo Galdino, deputado estadual de Goiás, de Araguaína, recebeu um tiro na região lombar, na década de 80. Quase morreu. Sobreviveu graças à intervenção feita por outro político. Paraplégico, por conta do atentado cometido por pistoleiros, o ex-líder camponês, que militou no PC do B e, depois no PSDB, continuou a luta política com força e dinamismo. Um dia, na tribuna, usou o verbo para perorar contra o adversário, o deputado estadual e médico que o operou, Ronaldo Caiado. "Deputado Caiado, suas mãos estão cobertas de sangue...". Caiado, calmo e elegante, dirigiu-se à tribuna. E não deixou por menos: "Deputado Galdino, uso a palavra para afirmar e corroborar sua assertiva. Sim, é verdade que minhas mãos estão cobertas de sangue. Mas, Vossa Excelência bem o sabe. Este sangue é seu, nobre deputado. Salvei sua vida e salvarei tantas outras quantas vezes forem necessárias". Galdino se esquecera da boa fama de cirurgião. Com o instrumental cirúrgico e com a palavra. Nunca mais usou a palavra para atacar o parlamentar.
Tucanos, alto astral
O tucanato vibra com o lançamento da candidatura de José Serra à presidência. De fato, o evento foi um sucesso. Serra pegou bem o eixo do diálogo nacional. Candidato da harmonia, da unidade, do pacto. Deixou Dilma e o petismo na condição de atores da desunião, da querela entre classes e Estados, pobres contra ricos, o nordeste contra o sul. Passará a usar o bordão "Brasil pode mais", na verdade uma fisgada no slogan de Obama, "Nós podemos". Mas Aécio Neves foi o mais aplaudido. Arrebatou a plateia de 4 mil pessoas com as estocadas no PT e no governo Lula. Chamou os adversários para a briga. FHC, mais moderado, fez contundente defesa de seu governo. Mereceu também aplausos.
Cobertura
A cobertura do evento ganhou bom espaço da mídia. Vai durar, ainda, uns três dias com as repercussões do entusiasmo dos líderes da oposição. O lançamento de Dilma também obteve cinco dias de cobertura. O Jornal Nacional, da TV Globo, no sábado, não deu uma nesga de espaço para o evento petista no ABC, quando Lula lembrou que ele era "o cara", criticando o slogan apropriado por Serra. A arena começa a esquentar.
Dilma agressiva
Dilma começa a campanha de modo contundente. Atira forte nos adversários, a partir da acusação de que os tucanos "são lobo em pele de cordeiro". Atacar, optar por armas de destruição, apelar para uma agenda negativa não fazem bem a nenhum candidato. Este consultor prefere seguir a linha das coisas positivas e do realce a programas de envergadura. Quem ataca perde. Campanha negativa fere os brios do eleitor. Não entendo como uma pessoa que tem tanta coisa a mostrar pode optar por tiros no adversário. Que podem sair pela culatra.
Dilmasia/Anastadilma
Seja qual for o trocadilho que se queira dar ao voto em Dilma e Anastasia – candidato de Aécio Neves ao governo mineiro – a candidata do presidente Lula não poderia, ela mesma, se referir a este fato. Deveria deixar correr naturalmente o trocadilho pela boca dos mineiros. E mesmo usar o corpo parlamentar de MG para expandir a ideia. Ela cometeu a gafe de fazer uma defesa muito pessoal. Que lembra o ditado: "elogio em boca própria é vitupério". Agora, este consultor se arrisca a dizer: vai haver, sim, o Dilmasia. Explico abaixo.
As razões do voto misto
MG é um Estado bairrista (o sentido, aqui, é positivo). Os mineiros são orgulhosos de sua importância na vida política do país. Carregam, ainda, o sentimento de perda de Tancredo Neves. Por outro lado, o neto dele, Aécio, é muito bem avaliado. Eles gostariam de ver Aécio e não Serra como candidato a presidente da República. Ficaram frustrados. Por isso, votarão maciçamente em Neves para o Senado, é bem provável que elejam Anastasia para o governo e, pasmem, grande parte do voto poderá migrar para Dilma. Não se deve esquecer que ela é mineira. E os mineiros prezarão esse fato. Apesar da ministra ter passado quase toda sua vida no Rio Grande do Sul.
Pesquisa em SP
Pesquisa fresquinha, feita pelo Instituto Opinião, e que esta coluna registra em primeira mão. A pesquisa foi feita apenas no Estado de São Paulo, que abriga o maior eleitorado do país, cerca de 30 milhões de eleitores : Serra = 48,46%; Dilma = 21,23%; Ciro = 7,08%; Marina = 6,33%; nenhum = 9,99% e não sabe = 6,91%. Para o governo do Estado : Alckmin = 61,12%; Mercadante = 12,49%; Russomano = 7,08%, Paulo Skaf = 2,08; Fábio Feldman = 1,08% e Plínio Arruda = 0.83%; nenhum = 9,58% e não sabe = 5,75%. Por esses números de hoje, considerando uma soma em torno de 22 milhões de votos válidos, Serra teria em torno de 6 milhões de maioria em SP. Que é o número planejado pelos tucanos. Cifra para enfrentar a maré enchente de Dilma no nordeste.
Alckmin nas alturas
Pela mesma tabela, Alckmin faria uma maioria de mais de 10 milhões de votos sobre Mercadante. Claro, a posição do petista deverá melhorar. Sob pena de uma derrota escorchante.
Senado em SP
A moldura para o Senado mostra Marta em primeiro lugar, com 36,47%; Romeu Tuma em segundo, com 23,23% e Quércia em terceiro, com 21,07. Netinho de Paula ocuparia a quarta posição, com 15,57% e José Aníbal viria, a seguir, com 12,49%. Estas posições apontam para a retração de candidatos com baixa visibilidade. Neste caso, o mais prejudicado seria Netinho de Paula, com mídia muito curta. Noutros desenhos, aparecem Gabriel Chalita, com 6,16% e Soninha, com 11,07%. Outro nome do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, tem pouca expressão, apenas 6,83%. Ou seja, o candidato mais viável dos tucanos é Zé Aníbal. Que poderá crescer muito na onda surfada por Geraldo Alckmin. Quércia enfrenta um desgaste histórico. Tende a cair. E Tuma vai precisar muito de um bom espaço na mídia.
Mais pesquisa
Agora é a vez da rodada Sensus. Pesquisa encomendada pelo Sintrapav - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo, divulgada ontem, aponta empate técnico na corrida presidencial entre Serra (32,7%) e Dilma (32,4%). Pau a pau. Tirem suas conclusões. Ciro Gomes teve 10,1%, e Marina Silva, 8,1%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Feldman na contramão?
O deputado Walter Feldman quis arrematar o desfecho Serra/Aécio com uma declaração que irritou os mineiros: José Serra "era imbatível na disputa interna". Ou seja, quis dizer que Aécio não tinha ficha para ganhar o jogo. Ora, o mineiro fez um entusiasmado discurso de apoio ao paulista, no sábado. Foi o mais duro orador contra o PT. O deputado Rodrigo de Castro condenou Feldman. Para ele, o comentário vai na contramão do que o partido está construindo. Passarinho na muda não pia, Walter.
Congresso do aço
O mais importante evento do aço no Brasil ocorrerá, a partir de hoje, quarta, até sexta-feira. A agenda abriga debates com palestrantes nacionais e internacionais. A China merecerá um capítulo especial. A indústria do aço no mundo será vista e revista. Em paralelo, a ExpoAço, feira de negócios com a presença de 50 empresas brasileiras e estrangeiras. Os organizadores construíram uma Vila do Aço para mostrar todas as possibilidades de utilização do aço. Entre os nomes famosos, o de Lakshmi Mittal, CEO da ArcelorMittal. Tomará posse na presidência do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter. Na vice, Albano Chagas Vieira. E na presidência executiva do Instituto, Marco Polo de Mello Lopes.
Fogueiras
O PT corre para apagar fogueiras no CE, MG e PR. No Ceará, Cid, o governador e irmão de Ciro Gomes, quer apoiar Tasso Jereissati para o Senado. O PT quer sair com a candidatura de José Pimentel, ex-ministro da Previdência. Dilma, em mais um momento desastrado, foi ao Ceará receber uma homenagem. Cid não compareceu. Em Minas, Fernando Pimentel e Patrus Ananias não desistiram das candidaturas ao governo. Vão se enfrentar em prévias. Lula vai ter de botar ordem na casa. E Hélio Costa, paciente, espera a decisão. Olhando para um tal de Serrélio. No Paraná, Osmar Dias gostaria que Gleisi Hoffmann fosse sua vice. Mas o PT quer vê-la como candidata ao Senado. Osmar quer a vaga de senador para atrair o PR. Caso não consiga, dirige o olhar para José Serra. Será preciso muita água para apagar as fogueiras.
Marina sorridente
Registrei para o Correio Braziliense e O Estado de Minas, os dois principais jornais da cadeia dos Diários Associados, o fato de Marina Silva ter operado boa mudança na apresentação pessoal. É toda sorrisos. E dei as razões. O discurso político abriga duas vertentes: a estética e a semântica. O prisma estético é o primeiro que entra no sistema cognitivo do eleitor. Quem inicialmente, capta a maneira como o candidato se veste, usa o cabelo e fala. O discurso semântico, das palavras e ideias, vem depois. Marina compõe-se melhor, está mais sorridente.
Wallace, um impostor
E opino: "os eleitores de baixa escolaridade e renda, principalmente, se impactam ante o visual dos candidatos. Os de renda média e superior racionalizam mais, apesar de também serem influenciados pelo que vêem". Contei um episódio da década de 1960, durante a campanha de George Wallace, governador do Alabama, à presidência dos Estados Unidos, em que o candidato subiu ao palanque para discursar usando uma armação de óculos sem lentes, com a intenção de passar a ideia de intelectual. Ao falar aos eleitores, algo lhe caiu nos olhos e ele os tocou entre os aros da armação, denunciando a ausência das lentes. O gesto fez de Wallace um impostor. Dia seguinte, os jornais e TVs exibiram o engodo. Perdeu a chance de ser candidato pelo Partido Democrata nos idos de 60. Era um falcão. Direitista. Segregacionista. Dele era o slogan: "segregação agora e segregação sempre".
Ciro defenestrado
Gabriel Chalita, potencial candidato do PSB ao governo paulista. O jovem político se esforça para que o PSB faça coligação com o PT. Em sua opinião, Ciro Gomes não será candidato a nada: nem a presidente da República, nem a governador de SP e muito menos a deputado em SP, para onde mudou o título de eleitor. Eduardo Campos quebra a cabeça para armar a estratégia de desmanche da candidatura de Ciro à presidência.
Conselho à candidata Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Marina Silva. Hoje, volta sua atenção à outra pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff:
1. Pense antes de agir e/ou expressar ideias. Doravante, suas atitudes, atos, decisões e palavras serão registradas e examinadas pela lupa de julgamento da mídia.
2. Campanhas negativas – ataques contundentes, violência expressiva – desajudam uma candidatura. O eleitor aprecia uma agenda positiva.
3. Não se deixe envolver por grupos radicais, alas ortodoxas, grupos que ainda imaginam uma volta à mofada luta de classes.
* Gaudêncio Torquato
Edmundo Galdino, deputado estadual de Goiás, de Araguaína, recebeu um tiro na região lombar, na década de 80. Quase morreu. Sobreviveu graças à intervenção feita por outro político. Paraplégico, por conta do atentado cometido por pistoleiros, o ex-líder camponês, que militou no PC do B e, depois no PSDB, continuou a luta política com força e dinamismo. Um dia, na tribuna, usou o verbo para perorar contra o adversário, o deputado estadual e médico que o operou, Ronaldo Caiado. "Deputado Caiado, suas mãos estão cobertas de sangue...". Caiado, calmo e elegante, dirigiu-se à tribuna. E não deixou por menos: "Deputado Galdino, uso a palavra para afirmar e corroborar sua assertiva. Sim, é verdade que minhas mãos estão cobertas de sangue. Mas, Vossa Excelência bem o sabe. Este sangue é seu, nobre deputado. Salvei sua vida e salvarei tantas outras quantas vezes forem necessárias". Galdino se esquecera da boa fama de cirurgião. Com o instrumental cirúrgico e com a palavra. Nunca mais usou a palavra para atacar o parlamentar.
Tucanos, alto astral
O tucanato vibra com o lançamento da candidatura de José Serra à presidência. De fato, o evento foi um sucesso. Serra pegou bem o eixo do diálogo nacional. Candidato da harmonia, da unidade, do pacto. Deixou Dilma e o petismo na condição de atores da desunião, da querela entre classes e Estados, pobres contra ricos, o nordeste contra o sul. Passará a usar o bordão "Brasil pode mais", na verdade uma fisgada no slogan de Obama, "Nós podemos". Mas Aécio Neves foi o mais aplaudido. Arrebatou a plateia de 4 mil pessoas com as estocadas no PT e no governo Lula. Chamou os adversários para a briga. FHC, mais moderado, fez contundente defesa de seu governo. Mereceu também aplausos.
Cobertura
A cobertura do evento ganhou bom espaço da mídia. Vai durar, ainda, uns três dias com as repercussões do entusiasmo dos líderes da oposição. O lançamento de Dilma também obteve cinco dias de cobertura. O Jornal Nacional, da TV Globo, no sábado, não deu uma nesga de espaço para o evento petista no ABC, quando Lula lembrou que ele era "o cara", criticando o slogan apropriado por Serra. A arena começa a esquentar.
Dilma agressiva
Dilma começa a campanha de modo contundente. Atira forte nos adversários, a partir da acusação de que os tucanos "são lobo em pele de cordeiro". Atacar, optar por armas de destruição, apelar para uma agenda negativa não fazem bem a nenhum candidato. Este consultor prefere seguir a linha das coisas positivas e do realce a programas de envergadura. Quem ataca perde. Campanha negativa fere os brios do eleitor. Não entendo como uma pessoa que tem tanta coisa a mostrar pode optar por tiros no adversário. Que podem sair pela culatra.
Dilmasia/Anastadilma
Seja qual for o trocadilho que se queira dar ao voto em Dilma e Anastasia – candidato de Aécio Neves ao governo mineiro – a candidata do presidente Lula não poderia, ela mesma, se referir a este fato. Deveria deixar correr naturalmente o trocadilho pela boca dos mineiros. E mesmo usar o corpo parlamentar de MG para expandir a ideia. Ela cometeu a gafe de fazer uma defesa muito pessoal. Que lembra o ditado: "elogio em boca própria é vitupério". Agora, este consultor se arrisca a dizer: vai haver, sim, o Dilmasia. Explico abaixo.
As razões do voto misto
MG é um Estado bairrista (o sentido, aqui, é positivo). Os mineiros são orgulhosos de sua importância na vida política do país. Carregam, ainda, o sentimento de perda de Tancredo Neves. Por outro lado, o neto dele, Aécio, é muito bem avaliado. Eles gostariam de ver Aécio e não Serra como candidato a presidente da República. Ficaram frustrados. Por isso, votarão maciçamente em Neves para o Senado, é bem provável que elejam Anastasia para o governo e, pasmem, grande parte do voto poderá migrar para Dilma. Não se deve esquecer que ela é mineira. E os mineiros prezarão esse fato. Apesar da ministra ter passado quase toda sua vida no Rio Grande do Sul.
Pesquisa em SP
Pesquisa fresquinha, feita pelo Instituto Opinião, e que esta coluna registra em primeira mão. A pesquisa foi feita apenas no Estado de São Paulo, que abriga o maior eleitorado do país, cerca de 30 milhões de eleitores : Serra = 48,46%; Dilma = 21,23%; Ciro = 7,08%; Marina = 6,33%; nenhum = 9,99% e não sabe = 6,91%. Para o governo do Estado : Alckmin = 61,12%; Mercadante = 12,49%; Russomano = 7,08%, Paulo Skaf = 2,08; Fábio Feldman = 1,08% e Plínio Arruda = 0.83%; nenhum = 9,58% e não sabe = 5,75%. Por esses números de hoje, considerando uma soma em torno de 22 milhões de votos válidos, Serra teria em torno de 6 milhões de maioria em SP. Que é o número planejado pelos tucanos. Cifra para enfrentar a maré enchente de Dilma no nordeste.
Alckmin nas alturas
Pela mesma tabela, Alckmin faria uma maioria de mais de 10 milhões de votos sobre Mercadante. Claro, a posição do petista deverá melhorar. Sob pena de uma derrota escorchante.
Senado em SP
A moldura para o Senado mostra Marta em primeiro lugar, com 36,47%; Romeu Tuma em segundo, com 23,23% e Quércia em terceiro, com 21,07. Netinho de Paula ocuparia a quarta posição, com 15,57% e José Aníbal viria, a seguir, com 12,49%. Estas posições apontam para a retração de candidatos com baixa visibilidade. Neste caso, o mais prejudicado seria Netinho de Paula, com mídia muito curta. Noutros desenhos, aparecem Gabriel Chalita, com 6,16% e Soninha, com 11,07%. Outro nome do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, tem pouca expressão, apenas 6,83%. Ou seja, o candidato mais viável dos tucanos é Zé Aníbal. Que poderá crescer muito na onda surfada por Geraldo Alckmin. Quércia enfrenta um desgaste histórico. Tende a cair. E Tuma vai precisar muito de um bom espaço na mídia.
Mais pesquisa
Agora é a vez da rodada Sensus. Pesquisa encomendada pelo Sintrapav - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo, divulgada ontem, aponta empate técnico na corrida presidencial entre Serra (32,7%) e Dilma (32,4%). Pau a pau. Tirem suas conclusões. Ciro Gomes teve 10,1%, e Marina Silva, 8,1%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Feldman na contramão?
O deputado Walter Feldman quis arrematar o desfecho Serra/Aécio com uma declaração que irritou os mineiros: José Serra "era imbatível na disputa interna". Ou seja, quis dizer que Aécio não tinha ficha para ganhar o jogo. Ora, o mineiro fez um entusiasmado discurso de apoio ao paulista, no sábado. Foi o mais duro orador contra o PT. O deputado Rodrigo de Castro condenou Feldman. Para ele, o comentário vai na contramão do que o partido está construindo. Passarinho na muda não pia, Walter.
Congresso do aço
O mais importante evento do aço no Brasil ocorrerá, a partir de hoje, quarta, até sexta-feira. A agenda abriga debates com palestrantes nacionais e internacionais. A China merecerá um capítulo especial. A indústria do aço no mundo será vista e revista. Em paralelo, a ExpoAço, feira de negócios com a presença de 50 empresas brasileiras e estrangeiras. Os organizadores construíram uma Vila do Aço para mostrar todas as possibilidades de utilização do aço. Entre os nomes famosos, o de Lakshmi Mittal, CEO da ArcelorMittal. Tomará posse na presidência do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter. Na vice, Albano Chagas Vieira. E na presidência executiva do Instituto, Marco Polo de Mello Lopes.
Fogueiras
O PT corre para apagar fogueiras no CE, MG e PR. No Ceará, Cid, o governador e irmão de Ciro Gomes, quer apoiar Tasso Jereissati para o Senado. O PT quer sair com a candidatura de José Pimentel, ex-ministro da Previdência. Dilma, em mais um momento desastrado, foi ao Ceará receber uma homenagem. Cid não compareceu. Em Minas, Fernando Pimentel e Patrus Ananias não desistiram das candidaturas ao governo. Vão se enfrentar em prévias. Lula vai ter de botar ordem na casa. E Hélio Costa, paciente, espera a decisão. Olhando para um tal de Serrélio. No Paraná, Osmar Dias gostaria que Gleisi Hoffmann fosse sua vice. Mas o PT quer vê-la como candidata ao Senado. Osmar quer a vaga de senador para atrair o PR. Caso não consiga, dirige o olhar para José Serra. Será preciso muita água para apagar as fogueiras.
Marina sorridente
Registrei para o Correio Braziliense e O Estado de Minas, os dois principais jornais da cadeia dos Diários Associados, o fato de Marina Silva ter operado boa mudança na apresentação pessoal. É toda sorrisos. E dei as razões. O discurso político abriga duas vertentes: a estética e a semântica. O prisma estético é o primeiro que entra no sistema cognitivo do eleitor. Quem inicialmente, capta a maneira como o candidato se veste, usa o cabelo e fala. O discurso semântico, das palavras e ideias, vem depois. Marina compõe-se melhor, está mais sorridente.
Wallace, um impostor
E opino: "os eleitores de baixa escolaridade e renda, principalmente, se impactam ante o visual dos candidatos. Os de renda média e superior racionalizam mais, apesar de também serem influenciados pelo que vêem". Contei um episódio da década de 1960, durante a campanha de George Wallace, governador do Alabama, à presidência dos Estados Unidos, em que o candidato subiu ao palanque para discursar usando uma armação de óculos sem lentes, com a intenção de passar a ideia de intelectual. Ao falar aos eleitores, algo lhe caiu nos olhos e ele os tocou entre os aros da armação, denunciando a ausência das lentes. O gesto fez de Wallace um impostor. Dia seguinte, os jornais e TVs exibiram o engodo. Perdeu a chance de ser candidato pelo Partido Democrata nos idos de 60. Era um falcão. Direitista. Segregacionista. Dele era o slogan: "segregação agora e segregação sempre".
Ciro defenestrado
Gabriel Chalita, potencial candidato do PSB ao governo paulista. O jovem político se esforça para que o PSB faça coligação com o PT. Em sua opinião, Ciro Gomes não será candidato a nada: nem a presidente da República, nem a governador de SP e muito menos a deputado em SP, para onde mudou o título de eleitor. Eduardo Campos quebra a cabeça para armar a estratégia de desmanche da candidatura de Ciro à presidência.
Conselho à candidata Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à pré-candidata à presidência Marina Silva. Hoje, volta sua atenção à outra pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff:
1. Pense antes de agir e/ou expressar ideias. Doravante, suas atitudes, atos, decisões e palavras serão registradas e examinadas pela lupa de julgamento da mídia.
2. Campanhas negativas – ataques contundentes, violência expressiva – desajudam uma candidatura. O eleitor aprecia uma agenda positiva.
3. Não se deixe envolver por grupos radicais, alas ortodoxas, grupos que ainda imaginam uma volta à mofada luta de classes.
* Gaudêncio Torquato
quinta-feira, 15 de abril de 2010
CONVITE - LANÇAMENTO DE LIVRO
Este é o novo livro do poeta Raimundo Candido,
que será lançado amanhã, 16 de abril de 2010, no CEJA de Crateús.
O título já suscita grande curiosidade sobre como
um professor de ciências exatas
tece a teia incerta e inexata da poesia.
Esquisites?
Teoremas?
sensações?
Coisas de poeta mesmo.
So vendo para conferir!
Prestigie!
(Do site da ALC)
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
HOJE A TARDE RECEBI A INFORMAÇÃO DE QUE O LANÇAMENTO ACIMA HAVIA SIDO TRANSFERIDO PARA A PRÓXIMA SEMANA.
Boa Tarde , amigos e companheiros:
É com uma grande tristeza e abatimento que comunico o adiamento do lançamento do livro RAIZ DO POEMA. Era para ter tomado esta decisão bem antes, mas como me garantiram que o livro estaria aqui em Crateús a tempo , acreditei e fui deixando o tempo passar tendo fé que estaria aqui no dia ,agora dia 15 exatamente as 5 horas da tarde o livro se encontra em fortaleza, sem certeza absoluta que amanhã estará aqui, por isso resolvo adiar o lançamento para a próxima sexta feira dia 23 de abril. Peço desculpa a todos esperando compreensão.
Obs: O livro foi impresso no Rio de Janeiro na Editora CBJE por trabalhar com pequenas quantidades e já estava pronto desde o começo do mês. Este transtorno foi devido as chuvas do Rio. Me desculpem!
Mas fica o convite para dia 23 de Abril como toda certeza! Amanhã (16) avisarei nos meios de comunicação e telefonarei pessoalmente para alguns. Se possível avisem também aos outros por ai!
Obrigado!
Raimundinho
terça-feira, 13 de abril de 2010
FELIZ ANIVERSÁRIO, FORTALEZA!


Dia 13 de Abril… O dia que essa jovem moça comemora mais uma primavera. Claro que como todas adolescentes ela tem seus problemas e suas crises. Sabe como é, são coisas da idade… Porém mesmo assim, com esse olhar juvenil cativante, aqueles olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada que Machado de Assis já descrevia, apaixonam cada vez mais pessoas de todo o mundo. Quem flerta com essa beldade fica embevecido e não consegue se desvencilhar do seu canto de sereia. É algo que tem na água, é alguma coisa que dá no juízo da gente, um frenesi que corre a espinha todas as manhãs, uma lufada de vento vespertina que mais lembra um beijo suave e cálido num crepúsculo convidativo na Ponte dos Ingleses.
Falar de Fortaleza é entoar uma paixão incomensurável. É um sublime prazer verborrágico almejar transcrever para o vil papel um amor platônico de tamanha magnitude. Ah Fortaleza… Cantada em vários versos famosos por distintos poetas inebriados com esse amor, tal qual esse mero escriba que vos escreve, um pobre artesão da palavra que tenta agradar sua musa com alguns alfarrábios. No dia que comemora seu natalício a aniversariante ganhou de presente um banho dos deuses, acredito que seja um choro copioso de um pai desditoso por ter que se separar de sua filha mais bela, que já é uma jovem adulta procurando trilhar seus caminhos.
Fica mais uma vez registrado a quem interessar possa, independente da naturalidade e da nacionalidade, que aqui no Nordeste do Brasil, neste torrão de terra abençoado por Deus, existe uma cidade com quase 3 milhões de filhos que nutrem por ela uma paixão para toda vida. Parabéns Fortitudine por mais um aniversário, tomara que eu possa estar contigo sorvendo essa paixão durante muitos e muitos anos. Parafraseando um político da atualidade me despeço dizendo: Obrigado Fortaleza!
(Escrito por Roberto Félix)


+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Olá Júnior,
Parabén pelo post. Segue minha homenagem a terrinha.
Um abraço,
Dalinha Catunda
Rio de Janeiro
FORTALEZA-CEARÁ
Um mar uma jangada,
Que encanto! Que Beleza!
Um sol tão majestoso,
Oferenda da natureza.
Tudo isso é o Ceará,
Terra melhor não há
O exemplo é Fortaleza.
O azul do nosso céu,
As verdes ondas do mar.
As carnaubeiras virentes,
Que o vento vem beijar.
O vento que sopra fagueiro,
Na palma de cada coqueiro,
Faz meu peito acelerar.
Em cada praia que vou,
Vislumbro uma aquarela.
Essa loura é um encanto!
O rei sol casou com ela.
E para a nossa alegria
A terra da luz tem magia
E está cada dia mais bela.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
POESIAS QUE AQUI CHEGARAM
O meu cantar
Vou cantar os madrigais
Para ver se o amor se encanta
Com um beijo de um rouxinol
Que de tão alegre voa, voa
E perfumar com alfazemas
o caminho por onde passas
Para ver se tu desperta
deste sonho tão sem graça
E assim eu vou seguindo
Suavemente, eu e o vento
Deixando palavras soltas pelo ar
de mágias e encantamentos
E com o brilho dos teus olhos
me encher de esperança
Para ver bem lá no fundo
um novo dia que desponta
Prefiro as Flores
Prefiro falar das Flores
Das que encantam os amores
Perfumadas e multicores
São colírios para os olhos
Rosas, Jasmins, Girassóis
Cada qual tem sua beleza
Que enfeitiçam as paixões
Nos jardins elas reinam
Absolutas, magistrais
Cenário de graça e pureza
Transmitem a paz
Fico admirando as Flores
Elas acalmam o meu coração
Com um toque de magia e com
boas vibrações
Vem fale-me do Amor
Vem fale-me do Amor
Conte-me todos os seus segredos
Seus truques e artimanhas
Como nasce o desejo?
Vem fale-me do Amor
Do calor de um beijo roubado
Dos olhares tímidos trocados
Do arrepio que o corpo senti
Vem fale-me do Amor
Daquele recheado de carinhos
Daquele enfeitado de sonhos
Daquele que chega de mansinho
e rouba o coração para sempre
Vem fale-me do Amor
Deste que é feito em sentimentos
Que é puro e verdadeiro
Que ultrapassa o tempo e
não tem fim
Já é tarde
Você poderia chegar
vestido em palavras
para tocar o meu coração
Poderia até me dar as estrelas,
as mais brilhantes que encontrasse
no caminho
E mesmo assim eu ainda duvidaria
Do tamanho desse amor que dizes ter
O amor quando se perde vai embora
como água corrente pelo ribeirão
Um dia disseste que eras o meu Sol
e eu a tua Lua encantada
Mas em que lado da história ficou o carinho
Pois bem eu quero me libertar, quero voar
alto, o mais alto que eu puder alcançar
Talvez um dia você acorde
Mude de vez esse jeito e valorize
as coisas simples da vida
Já é muito tarde para lamentar
O que não se pode mais mudar
Aceita que o fim não é um tormento
Apenas uma ponte para um
novo recomeçar
Quisera eu
Quisera eu ser a flor mais linda
do teu jardim encantado
Exalar só para ti o meu perfume
Entre tantas flores ser a mais
bela e cobiçada
E das tuas mãos receber a delicadeza
de um toque de carinho
A maciez da tua pele acariciando
as pétalas sedosas desta flor que
habita em mim
Nos meus sonhos,
Nos meus delírios secretos
Quisera eu ser a escolhida
a mais amada da tua vida
Ser o teu maior desejo
o mais ardente beijo
a mais pura paixão
Quisera eu ser a tua vida
a prometida para sempre
meu amor
Do meu jardim
Das Rosas que colhi no jardim
A mais bela me trouxe a paz em
minha alma
Deu-me a nostalgia do olhar
E as emoções da embriaguez
Das Rosas mais lindas que vi
você foi à única porquem devotei
meu amor, motivou meu coração
E tranquilizou-me com seu sorriso
Das Rosas que desenhei,
Foi pelo seu olhar que me apaixonei
ressuscitou minha alegria de ser feliz
Das Rosas que amei,
Foi do seu orvalho que desejei
Cativou a sede de mais amor
E me ensinou o que é viver
Das Rosas que criei
você foi quem dediquei todo
o amor e carinho
Que sempre sonhei
Das Rosas que sonhei
você foi quem me despertou
e me fez sonhar outra vez
Amor
O amor quando chega
não pedi licença
É como uma enxurrada
Invade tudo por onde passa
O amor quando chega
tem pressa
Não vê os minutos
e nem as horas
Está sempre correndo
O amor quando chega
não pedi licença
é bem mal educado
Mas ninguém se queixa
Porque é o mais desejar
Segui o vento amor
Segui com o vento meu amor
Se joga de braços abertos sem medo
Deixa que ele te guie
Pois o tempo já corre apressado
Vive com os dias contados e
não pode mais esperar
Ouça essa voz que te chama
Essa voz que insiste em te amar
Vai segui o perfume do vento
Que eu estou em pensamento
a ti esperar
Ser mulher é...
Ser Mulher é...
Podes-me explicar
O que é ser mulher?
É por mais que tentar
Não consigo compreender.
Ser Mulher é ser guerreira
Incansável e companheira
Desculpa voltar a insistir,
Mas como sentem as mulheres?
São sensíveis e complicadas
Tímidas e refinadas
Assim sem menos nem mais,
são todas iguais?
Mas todas contém a mesma
essência são mulheres apaixonadas
que não entregam a batalha
a mulher além de sonhadora
também é uma lutadora?
Lutam por seus ideais
Querem e merecem ser respeitadas,
amadas e tratadas com muito carinho
A mulher é um ser vibrante
Mas também uma doce amante?
Ser Mulher é ter coragem de
enfrentar todos os problemas com
a cabeça sempre erguida
É não ter medo da vida
A mulher enfrenta as dificuldades
Sem olhar a medos ou falsidades?
Ser Mulher é nunca desistir
de um sonho
Correr atrás, persistir até alcançar
A mulher é persistente
Encarando a vida de frente?
Acreditar que os sonhos são
possíveis de se realizar
A mulher é positiva?
Ah! Por isso está bem viva.
Ser Mulher é saber se colocar
Ser livre para decidir as suas escolhas
Se respeitar, amar-se em primeiro lugar
Ser mulher é ser abençoada,
E ser homem é saber respeitar
E amar a mulher amada.
(Por Christine Fujiwara e Francis Ferreira)
Vou cantar os madrigais
Para ver se o amor se encanta
Com um beijo de um rouxinol
Que de tão alegre voa, voa
E perfumar com alfazemas
o caminho por onde passas
Para ver se tu desperta
deste sonho tão sem graça
E assim eu vou seguindo
Suavemente, eu e o vento
Deixando palavras soltas pelo ar
de mágias e encantamentos
E com o brilho dos teus olhos
me encher de esperança
Para ver bem lá no fundo
um novo dia que desponta
Prefiro as Flores
Prefiro falar das Flores
Das que encantam os amores
Perfumadas e multicores
São colírios para os olhos
Rosas, Jasmins, Girassóis
Cada qual tem sua beleza
Que enfeitiçam as paixões
Nos jardins elas reinam
Absolutas, magistrais
Cenário de graça e pureza
Transmitem a paz
Fico admirando as Flores
Elas acalmam o meu coração
Com um toque de magia e com
boas vibrações
Vem fale-me do Amor
Vem fale-me do Amor
Conte-me todos os seus segredos
Seus truques e artimanhas
Como nasce o desejo?
Vem fale-me do Amor
Do calor de um beijo roubado
Dos olhares tímidos trocados
Do arrepio que o corpo senti
Vem fale-me do Amor
Daquele recheado de carinhos
Daquele enfeitado de sonhos
Daquele que chega de mansinho
e rouba o coração para sempre
Vem fale-me do Amor
Deste que é feito em sentimentos
Que é puro e verdadeiro
Que ultrapassa o tempo e
não tem fim
Já é tarde
Você poderia chegar
vestido em palavras
para tocar o meu coração
Poderia até me dar as estrelas,
as mais brilhantes que encontrasse
no caminho
E mesmo assim eu ainda duvidaria
Do tamanho desse amor que dizes ter
O amor quando se perde vai embora
como água corrente pelo ribeirão
Um dia disseste que eras o meu Sol
e eu a tua Lua encantada
Mas em que lado da história ficou o carinho
Pois bem eu quero me libertar, quero voar
alto, o mais alto que eu puder alcançar
Talvez um dia você acorde
Mude de vez esse jeito e valorize
as coisas simples da vida
Já é muito tarde para lamentar
O que não se pode mais mudar
Aceita que o fim não é um tormento
Apenas uma ponte para um
novo recomeçar
Quisera eu
Quisera eu ser a flor mais linda
do teu jardim encantado
Exalar só para ti o meu perfume
Entre tantas flores ser a mais
bela e cobiçada
E das tuas mãos receber a delicadeza
de um toque de carinho
A maciez da tua pele acariciando
as pétalas sedosas desta flor que
habita em mim
Nos meus sonhos,
Nos meus delírios secretos
Quisera eu ser a escolhida
a mais amada da tua vida
Ser o teu maior desejo
o mais ardente beijo
a mais pura paixão
Quisera eu ser a tua vida
a prometida para sempre
meu amor
Do meu jardim
Das Rosas que colhi no jardim
A mais bela me trouxe a paz em
minha alma
Deu-me a nostalgia do olhar
E as emoções da embriaguez
Das Rosas mais lindas que vi
você foi à única porquem devotei
meu amor, motivou meu coração
E tranquilizou-me com seu sorriso
Das Rosas que desenhei,
Foi pelo seu olhar que me apaixonei
ressuscitou minha alegria de ser feliz
Das Rosas que amei,
Foi do seu orvalho que desejei
Cativou a sede de mais amor
E me ensinou o que é viver
Das Rosas que criei
você foi quem dediquei todo
o amor e carinho
Que sempre sonhei
Das Rosas que sonhei
você foi quem me despertou
e me fez sonhar outra vez
Amor
O amor quando chega
não pedi licença
É como uma enxurrada
Invade tudo por onde passa
O amor quando chega
tem pressa
Não vê os minutos
e nem as horas
Está sempre correndo
O amor quando chega
não pedi licença
é bem mal educado
Mas ninguém se queixa
Porque é o mais desejar
Segui o vento amor
Segui com o vento meu amor
Se joga de braços abertos sem medo
Deixa que ele te guie
Pois o tempo já corre apressado
Vive com os dias contados e
não pode mais esperar
Ouça essa voz que te chama
Essa voz que insiste em te amar
Vai segui o perfume do vento
Que eu estou em pensamento
a ti esperar
Ser mulher é...
Ser Mulher é...
Podes-me explicar
O que é ser mulher?
É por mais que tentar
Não consigo compreender.
Ser Mulher é ser guerreira
Incansável e companheira
Desculpa voltar a insistir,
Mas como sentem as mulheres?
São sensíveis e complicadas
Tímidas e refinadas
Assim sem menos nem mais,
são todas iguais?
Mas todas contém a mesma
essência são mulheres apaixonadas
que não entregam a batalha
a mulher além de sonhadora
também é uma lutadora?
Lutam por seus ideais
Querem e merecem ser respeitadas,
amadas e tratadas com muito carinho
A mulher é um ser vibrante
Mas também uma doce amante?
Ser Mulher é ter coragem de
enfrentar todos os problemas com
a cabeça sempre erguida
É não ter medo da vida
A mulher enfrenta as dificuldades
Sem olhar a medos ou falsidades?
Ser Mulher é nunca desistir
de um sonho
Correr atrás, persistir até alcançar
A mulher é persistente
Encarando a vida de frente?
Acreditar que os sonhos são
possíveis de se realizar
A mulher é positiva?
Ah! Por isso está bem viva.
Ser Mulher é saber se colocar
Ser livre para decidir as suas escolhas
Se respeitar, amar-se em primeiro lugar
Ser mulher é ser abençoada,
E ser homem é saber respeitar
E amar a mulher amada.
(Por Christine Fujiwara e Francis Ferreira)
domingo, 11 de abril de 2010
BRASÍLIA

Estou em Brasília, onde participei de vários eventos além de reencontrar amigos e familiares.
Ontem, assisti ao evento de lançamento da pré-candidatura de José Serra.
Posto, abaixo, o seu discurso. Por se tratar do nome que lidera as pesquisas, sua fala há que ser analisada.
Foi uma longa explanação onde o candidato abordou os seus principais compromissos com a nação.
Vejamos:
O BRASIL PODE MAIS - DISCURSO DE SERRA EM BRASÍLIA ONTEM

Venho hoje, aqui, falar do meu amor pelo Brasil; falar da minha vida; falar da minha experiência; falar da minha fé; falar das minhas esperanças no Brasil. E mostrar minha disposição de assumir esta caminhada. Uma caminhada que vai ser longa e difícil mas que com a ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro será com certeza vitoriosa.
Alguns dias atrás, terminei meu discurso de despedida do Governo de São Paulo afirmando minha convicção de que o Brasil pode mais. Quatro palavras, em meio a muitas outras. Mas que ganharam destaque porque traduzem de maneira simples e direta o sentimento de milhões de brasileiros: o de que o Brasil, de fato, pode mais. E é isto que está em jogo nesta hora crucial!
Nos últimos 25 anos, o povo brasileiro alcançou muitas conquistas: retomamos a Democracia, arrancamos nas ruas o direito de votar para presidente, vivemos hoje num país sem censura e com uma imprensa livre. Somos um Estado de Direito Democrático. Fizemos uma nova Constituição, escrita por representantes do povo. Com o Plano Real, o Brasil transformou sua economia a favor do povo, controlou a inflação, melhorou a renda e a vida dos mais pobres, inaugurou uma nova Era no Brasil. Também conquistamos a responsabilidade fiscal dos governos. Criamos uma agricultura mais forte, uma indústria eficiente e um sistema financeiro sólido. Fizemos o Sistema Único de Saúde, conseguimos colocar as crianças na escola, diminuímos a miséria, ampliamos o consumo e o crédito, principalmente para os brasileiros mais pobres. Tudo isso em 25 anos. Não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País. Nós podemos nos orgulhar disso.
Mas, se avançamos, também devemos admitir que ainda falta muito por fazer. E se considerarmos os avanços em outros países e o potencial do Brasil, uma conclusão é inevitável: o Brasil pode ser muito mais do que é hoje.
Mas para isso temos de enfrentar os problemas nacionais e resolvê-los, sem ceder à demagogia, às bravatas ou à politicagem. E esse é um bom momento para reafirmarmos nossos valores. Começando pelo apreço à Democracia Representativa, que foi fundamental para chegarmos aonde chegamos. Devemos respeitá-la, defendê-la, fortalecê-la. Jamais afrontá-la.
Democracia e Estado de Direito são valores universais, permanentes, insubstituíveis e inegociáveis. Mas não são únicos. Honestidade, verdade, caráter, honra, coragem, coerência, brio profissional, perseverança são essenciais ao exercício da política e do Poder. É nisso que eu acredito e é assim que eu ajo e continuarei agindo. Este é o momento de falar claro, para que ninguém se engane sobre as minhas crenças e valores. É com base neles que também reafirmo: o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais.
Governos, como as pessoas, têm que ter alma. E a alma que inspira nossas ações é a vontade de melhorar a vida das pessoas que dependem do estudo e do trabalho, da Saúde e da Segurança. Amparar os que estão desamparados.
Sabem quantas pessoas com alguma deficiência física existem no Brasil? Mais de 20 milhões – a esmagadora maioria sem o conforto da acessibilidade aos equipamentos públicos e a um tratamento de reabilitação. Os governos, como as pessoas, têm que ser solidários com todos e principalmente com aqueles que são mais vulneráveis.
Quem governa, deve acreditar no planejamento de suas ações. Cultivar a austeridade fiscal, que significa fazer melhor e mais com os mesmos recursos. Fazer mais do que repetir promessas. O governo deve ouvir a voz dos trabalhadores e dos desamparados, das mulheres e das famílias, dos servidores públicos e dos profissionais de todas as áreas, dos jovens e dos idosos, dos pequenos e dos grandes empresários, do mercado financeiro, mas também do mercado dos que produzem alimentos, matérias-primas, produtos industriais e serviços essenciais, que são o fundamento do nosso desenvolvimento, a máquina de gerar empregos, consumo e riqueza.
O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.
Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural, a indústria contra os serviços, o comércio contra a agricultura, azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes. Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.
Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo. O Brasil tem grandes carências. Não pode perder energia com disputas entre brasileiros. Nunca será um país desenvolvido se não promover um equilíbrio maior entre suas regiões. Entre a nossa Amazônia, o Centro Oeste e o Sudeste. Entre o Sul e o Nordeste. Por isso, conclamo: Vamos juntos. O Brasil pode mais. O desenvolvimento é uma escolha. E faremos essa escolha. Estamos preparados para isso.
Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem comum.
Na Constituinte fiz a emenda que permitiu criar o FAT, financiar e fortalecer o BNDES e tirar do papel o seguro-desemprego – que hoje beneficia 10 milhões de trabalhadores. Todos os partidos e blocos a apoiaram. No ministério da Saúde do governo Fernando Henrique tomei a iniciativa de enviar ou refazer e impulsionar seis projetos de lei e uma emenda constitucional – a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Agência Nacional de Saúde, a implantação dos genéricos, a proibição do fumo nos aviões e da propaganda de cigarros, a regulamentação dos planos de saúde, o combate à falsificação de remédios e a PEC 29, que vinculou recursos à Saúde nas três esferas da Federação - todos, sem exceção, aprovados pelos parlamentares do governo e da oposição. É assim que eu trabalho: somando e unindo, visando ao bem comum. Os membros do Congresso que estão me ouvindo, podem testemunhar: suas emendas ao orçamento da Saúde eram acolhidas pela qualidade, nunca devido à sua filiação partidária.
Se o povo assim decidir, vamos governar com todas e com todos, sem discriminar ninguém. Juntar pessoas em vez de separá-las; convidá-las ao diálogo, em vez de segregá-las; explicar os nossos propósitos, em vez de hostilizá-las. Vamos valorizar o talento, a honestidade e o patriotismo em vez de indagar a filiação partidária.
Minha história de vida e minhas convicções pessoais sempre estiveram comprometidas com a unidade do país e com a unidade do seu povo. Sou filho de imigrantes, morei e cresci num bairro de trabalhadores que vinham de todas as partes, da Europa, do Nordeste, do Sul. Todos em busca de oportunidade e de esperança.
A liderança no movimento estudantil me fez conhecer e conviver com todo o Brasil logo ao final da minha adolescência. Aliás, na época, aprendi mesmo a fazer política no Rio, em Minas, na Bahia e em Pernambuco, aos 21 anos de idade. O longo exílio me levou sempre a enxergar e refletir sobre o nosso país como um todo.
Minha história pessoal está diretamente vinculada à valorização do trabalho, à valorização do esforço, à valorização da dedicação. Lembro-me do meu pai, um modesto comerciante de frutas no mercado municipal: doze horas de jornada de trabalho nos dias úteis, dez horas no sábado, cinco horas aos domingos. Só não trabalhava no dia 1 de janeiro. Férias? Um luxo, pois deixava de ganhar o dinheiro da nossa subsistência. Um homem austero, severo, digno. Seu exemplo me marcou na vida e na compreensão do que significa o amor familiar de um trabalhador: ele carregava caixas de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixas de livros.
E eu me esforço para tornar digno o trabalho de todo homem e mulher, do ser humano como ele foi. Porque vejo a imagem de meu pai em cada trabalhador. Eu a vi outro dia, na inauguração do Rodoanel, quando um dos operários fez questão de me mostrar com orgulho seu nome no mural que eu mandei fazer para exibir a identidade de todos os trabalhadores que fizeram aquela obra espetacular. Por que o mural? Por justo reconhecimento e porque eu sabia que despertaria neles o orgulho de quem sabe exercer a profissão. Um momento de revelação a si mesmos de que eles são os verdadeiros construtores nesta nação.
Eu vejo em cada criança na escola o menino que eu fui, cheio de esperanças, com o peito cheio de crença no futuro. Quando prefeito e quando governador, passei anos indo às escolas para dar aula (de verdade) à criançada da quarta série. Ia reencontrar-me comigo mesmo. Porque tudo o que eu sou aprendi em duas escolas: a escola pública e a escola da vida pública. Aliás, e isto é um perigo dizer, com freqüência uso senhas de computador baseadas no nome de minhas professoras no curso primário. E toda vez que escrevo lembro da sua fisionomia, da sua voz, do seu esforço, e até das broncas, de um puxão de orelhas, quando eu fazia alguma bagunça.
Mas é por isso tudo que sempre lutei e luto tanto pela educação dos milhões de filhos do Brasil. No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político. E estou convencido de uma coisa: bons prédios, serviços adequados de merenda, transporte escolar, atividades esportivas e culturais, tudo é muito importante e deve ser aperfeiçoado. Mas a condição fundamental é a melhora do aprendizado na sala de aula, propósito bem declarado pelo governo, mas que praticamente não saiu do papel. Serão necessários mais recursos. Mas pensemos no custo para o Brasil de não ter essa nova Educação em que o filho do pobre freqüente uma escola tão boa quanto a do filho do rico. Esse é um compromisso.
É preciso prestar atenção num retrocesso grave dos últimos anos: a estagnação da escolaridade entre os adolescentes. Para essa faixa de idade, embora não exclusivamente para ela, vamos turbinar o ensino técnico e profissional, aquele que vira emprego. Emprego para a juventude, que é castigada pela falta de oportunidades de subir na vida. E vamos fazer de forma descentralizada, em parcerias com estados e municípios, o que garante uma vinculação entre as escolas técnicas e os mercados locais, onde os empregos são gerados. Ensino de qualidade e de custos moderados, que nos permitirá multiplicar por dois ou três o número de alunos no país inteiro, num período de governo. Sim, meus amigos e amigas, o Brasil pode mais.
Podemos e devemos fazer mais pela saúde do nosso povo. O SUS foi um filho da Constituinte que nós consolidamos no governo passado, fortalecendo a integração entre União, Estados e Municípios; carreando mais recursos para o setor; reduzindo custos de medicamentos; enfrentando com sucesso a barreira das patentes, no Brasil e na Organização Mundial do Comércio; ampliando o sistema de atenção básica e o Programa Saúde da Família em todo o Brasil; prestigiando o setor filantrópico sério, com quem fizemos grandes parcerias, dos hospitais até a prevenção e promoção da Saúde, como a Pastoral da Criança; fazendo a melhor campanha contra a AIDS do mundo em desenvolvimento; organizando os mutirões; fazendo mais vacinações; ampliando a assistência às pessoas com deficiência; cerceando o abuso do incentivo ao cigarro e ao tabaco em geral. E muitas outras coisas mais. De fato, e mais pelo que aconteceu na primeira metade do governo, a Saúde estagnou ou avançou pouco. Mas a Saúde pode avançar muito mais. E nós sabemos como fazer isso acontecer.
Saúde é vida, Segurança também. Por isso, o governo federal deve assumir mais responsabilidades face à gravidade da situação. E não tirar o corpo fora porque a Constituição atribui aos governos estaduais a competência principal nessa área. Tenho visto gente criticar o Estado Mínimo, o Estado Omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública. As bases do crime organizado estão no contrabando de armas e de drogas, cujo combate efetivo cabe às autoridades federais . Ou o governo federal assume de vez, na prática, a coordenação efetiva dos esforços nacionalmente, ou o Brasil não tem como ganhar a guerra contra o crime e proteger nossa juventude.
Qual pai ou mãe de família não se sente ameaçado pela violência, pelo tráfico e pela difusão do uso das drogas? As drogas são hoje uma praga nacional. E aqui também o Governo tem de investir em clínicas e programas de recuperação para quem precisa e não pode ser tolerante com traficantes da morte. Mais ainda se o narcotráfico se esconde atrás da ideologia ou da política. Os jovens são as grandes vítimas. Por isso mesmo, ações preventivas, educativas, repressivas e de assistência precisam ser combinadas com a expansão da qualificação profissional e a oferta de empregos.
Uma coisa que precisa acabar é a falsa oposição entre construir escolas e construir presídios. Muitas vezes, essa é a conversa de quem não faz nem uma coisa nem outra. É verdade que nossos jovens necessitam de boas escolas e de bons empregos, mas se o indivíduo comete um crime ele deve ser punido. Existem propostas de impor penas mais duras aos criminosos. Não sou contra, mas talvez mais importante do que isso seja a garantia da punição. O problema principal no Brasil não são as penas supostamente leves. É a quase certeza da impunidade. Um país só tem mais chance de conseguir a paz quando existe a garantia de que a atitude criminosa não vai ficar sem castigo.
Eu quero que meus netos cresçam num país em que as leis sejam aplicadas para todos. Se o trabalhador precisa cumprir a lei, o prefeito, o governador e o presidente da República também tem essa obrigação. Em nosso país, nenhum brasileiro vai estar acima da lei, por mais poderoso que seja. Na Segurança e na Justiça, o Brasil também pode mais.
Lembro que os investimentos governamentais no Brasil, como proporção do PIB, ainda são dos mais baixos do mundo em desenvolvimento. Isso compromete ou encarece a produção, as exportações e o comércio. Há uma quase unanimidade a respeito das carências da infra-estrutura brasileira: no geral, as estradas não estão boas, faltam armazéns, os aeroportos vivem à beira do caos, os portos, por onde passam nossas exportações e importações, há muito deixaram de atender as necessidades. Tem gente que vê essas carências apenas como um desconforto, um incômodo. Mas essa é uma visão errada. O PIB brasileiro poderia crescer bem mais se a infra-estrutura fosse adequada, se funcionasse de acordo com o tamanho do nosso país, da população e da economia.
Um exemplo simples: hoje, custa mais caro transportar uma tonelada de soja do Mato Grosso ao porto de Paranaguá do que levar a mesma soja do porto brasileiro até a China. Um absurdo. A conseqüência é menos dinheiro no bolso do produtor, menos investimento e menos riqueza no interior do Brasil. E sobretudo menos empregos.
Temos inflação baixa, mais crédito e reservas elevadas, o que é bom, mas para que o crescimento seja sustentado nos próximos anos não podemos ter uma combinação perversa de falta de infra-estrutura, inadequações da política macroeconômica, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos. Aliás, o valor de nossas exportações cresceu muito nesta década, devido à melhora dos preços e da demanda por nossas matérias primas. Mas vai ter de crescer mais. Temos de romper pontos de estrangulamento e atuar de forma mais agressiva na conquista de mercados. Vejam que dado impressionante: nos últimos anos, mais de 100 acordos de livre comércio foram assinados em todo o mundo. São um instrumento poderoso de abertura de mercados. Pois o Brasil, junto com o MERCOSUL, assinou apenas um novo acordo (com Israel), que ainda não entrou em vigência!
Da mesma forma, precisamos tratar com mais seriedade a preservação do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável. Repito aqui o que venho dizendo há anos: é possível, sim, fazer o país crescer e defender nosso meio ambiente, preservar as florestas, a qualidade do ar a contenção das emissões de gás carbônico. É dever urgente dar a todos os brasileiros saneamento básico, que também é meio ambiente. Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo. São essenciais. São Saúde. São cidadania. A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns, uma possibilidade promissora para o Brasil. Temos muito por fazer e muito o que progredir, e vamos fazê-lo.
Também não são incompatíveis a proteção do meio ambiente e o dinamismo extraordinário de nossa agricultura, que tem sido a galinha de ovos de ouro do desenvolvimento do país, produzindo as alimentos para nosso povo, salvando nossas contas externas, contribuindo para segurar a inflação e ainda gerar energia! Estou convencido disso e vamos provar o acerto dessa convicção na prática de governo. Sabem por quê? Porque sabemos como fazer e porque o Brasil pode mais!
O Brasil está cada vez maior e mais forte. É uma voz ouvida com respeito e atenção. Vamos usar essa força para defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos, sem vacilações. Eu fui perseguido em dois golpes de estado, tive dois exílios simultâneos, do Brasil e do Chile. Sou sobrevivente do Estádio Nacional de Santiago, onde muitos morreram. Por algum motivo, Deus permitiu que eu saísse de lá com vida. Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.
Nossa presença no mundo exige que não descuidemos de nossas Forças Armadas e da defesa de nossas fronteiras. O mundo contemporâneo é desafiador. A existência de Forças Armadas treinadas, disciplinadas, respeitadoras da Constituição e das leis foi uma conquista da Nova República. Precisamos mantê-las bem equipadas, para que cumpram suas funções, na dissuasão de ameaças sem ter de recorrer diretamente ao uso da força e na contribuição ao desenvolvimento tecnológico do país.
Como falei no início, esta será uma caminhada longa e difícil. Mas manteremos nosso comportamento a favor do Brasil. Às provocações, vamos responder com serenidade; às falanges do ódio que insistem em dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.
O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma "boquinha"; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.
Este é o povo que devemos mobilizar para a nossa luta; este é o povo que devemos convocar para a nossa caminhada; este é o povo que quer, porque assim deve ser, conservar as suas conquistas, mas que anseia mais. Porque o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais. E, por isso, tem de estar unido. O Brasil é um só.
Pretendo apresentar ao Brasil minha história e minhas idéias. Minha biografia. Minhas crenças e meus valores. Meu entusiasmo e minha confiança. Minha experiência e minha vontade.
Vou lhes contar uma coisa. Desde cedo, quando entrei na vida pública, descobri qual era a motivação maior, a mola propulsora da atividade política. Para mim, a motivação é o prazer. A vida pública não é sacrifício, como tantos a pintam, mas sim um trabalho prazeroso. Só que não é o mero prazer do desfrute. É o prazer da frutificação. Não é um sonho de consumo. É um sonho de produção e de criação. Aprendi desde cedo que servir é bom, nos faz felizes, porque nos dá o sentido maior de nossas existências, porque nos traz uma sensação de bem estar muito mais profunda do que quaisquer confortos ou vantagens propiciados pelas posições de Poder. Aprendi que nada se compara à sensação de construir algo de bom e duradouro para a sociedade em que vivemos, de descobrir soluções para os problemas reais das pessoas, de fazer acontecer.
O grande escritor mineiro Guimarães Rosa, escreveu: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Concordo. É da coragem que a vida quer que nós precisamos agora.
Coragem para fazer um projeto de País, com sonhos, convicções e com o apoio da maioria.
Juntos, vamos construir o Brasil que queremos, mais justo e mais generoso. Eleição é uma escolha sobre o futuro. Olhando pra frente, sem picuinhas, sem mesquinharias, eu me coloco diante do Brasil, hoje, com minha biografia, minha história política e com . esperança no nosso futuro. E determinado a fazer a minha parte para construir um Brasil melhor. Quero ser o presidente da união. Vamos juntos, brasileiros e brasileiras, porque o Brasil pode mais.
Fonte: Assessoria
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