Por razões óbvias, uma das palavras cuja musical sonoridade mais sensibiliza as cordas da minha alma é, indubitavelmente, JOSÉ – em hebraico“Yoseph”, aquele que acrescenta - significa Deus acrescenta e indica uma pessoa sensível, confiante e generosa, que sofre com os problemas alheios. É muito conciliador e conserva o autocontrole mesmo nas piores situações.
O culto a São José, aniversariante de hoje, começou provavelmente no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX o proclamou "O Patrono da Igreja Universal" e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de março.
Em 1955 o Papa Pio XII fixou o dia 1º de maio para "São José Operário, o trabalhador".
José, o pai de Jesus na Terra, tinha como profissão a carpintaria. Em seu livro "São José, a personificação do Pai", Leonardo Boff conta que o artesão, descendente de David, tinha a oficina no pátio da casa. E que ali, entre pregos, martelos, rolos de barbante e cunha, Jesus teria iniciado na vida profissional. “É dentro desse universo de trabalho, de mãos calosas, do suor no rosto, das canseiras cotidianas e do silêncio, que se desenrolou a vida anônima de José. Ele era um homem justo, como disse minha mãe”, diz o teólogo. E silencioso. São José não deixou uma palavra. “O silêncio é a essência de José e a de quem ele personifica: o Pai celeste”, diz Boff.
Na festa de hoje, celebremos São José meditando sobre as duas principais facetas da sua rica personalidade: o amor ao trabalho e o culto ao silêncio!
(Júnior Bonfim)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quinta-feira, 19 de março de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
A POESIA TAMBÉM ANIVERSARIA!
A poesia ganhou um dia – específico, honorífico – em homenagem ao maior poeta brasileiro de todas as luas: Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871). No dia de seu nascimento, 14 de março. Nada mais justo, merecido e feliz. Castro Alves reluz com destaque naquele monumento arquitetônico suspenso e invisível em que vislumbramos os nossos pássaros de asas mais formosas. É a nossa mais excelsa ave, o luminar e principal condor, a vanguardista águia imperial, a voz indelével dos trópicos.
Foi Castro Alves o autor do édito que determinou ser a praça um altar do povo; foi ele o sonoro surfista das espumas flutuantes; o alfaiate da Bandeira içada contra a infâmia e a covardia; o ensolarado capitão do navio negreiro; o ousado compositor da solene partitura da Liberdade. Os versos do vate baiano são sementes selecionadas em constante germinação nos mais diversos solos da nossa fértil Pátria. Sua poesia é uma coroa de esmeraldas construída com os louros do povo.
Nesses últimos tempos tenho me interrogado a respeito da aura que circunda a poesia. Fica difícil circunscrevê-la à régua e ao compasso dos conceitos.
Federico Garcia Lorca, convidado para falar sobre poesia, limitou-se a estender as duas mãos abertas e dizer: “Eu não posso, eu não sei falar sobre poesia. Eu a tenho aqui em minhas mãos. Sei que está queimando minha pele. Porém, não sei o que é”.
Depois, certamente em um lampejo de racionalidade, ponderou que “a poesia é a união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam, e que formam algo como um mistério”.
O que vem a ser esse cantante, encantado e encantador fenômeno? Opino que a poesia é uma flor perfumada de amanhãs; é um vento que sabe ser brisa, ventania, furacão ou tempestade no momento adequado; é pássaro que tem por missão cantar e por dever, a liberdade; é o horizonte misterioso que o homem busca beber; é a raiz colossal da profundidade humana.
Parece-me que Poesia é tudo aquilo que nos torna essencialmente mais humanos, nos aprofunda no humanismo ao ponto de nos aproximar do divino. A poesia é a divinização do humano.
Nessa esteira, o primeiro e maior poeta é Deus, que com seu sopro mágico desenhou o universo, a magnitude da natureza, a comunidade dos seres vivos. Nessa trilha, todos somos ou podemos ser poetas. Os que desenvolvem a arte de concatenar os fonemas musicais, as obras arquitetônicas das estrofes arrebatadoras nada mais são do que sonoros instrumentos que o Poeta original distinguiu com a missão de apontar, como guias abençoados, as trilhas de Orfeu. Por isso que o amazônico Thiago de Mello proclamou: “Não somos melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa”.
Poeta é, pois, todo aquele que se dispõe a romper os grilhões dos formalismos estéreis, das convenções descabidas, dos debates inúteis, do cotidiano infrutífero, da pusilanimidade dominante.
Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranqüilo das águas profundas do oceano da vida.
Gerardo Mello Mourão resumiu tudo: “É para preencher o vazio do espírito humano que serve um poeta com sua poesia.” Salve, pois, a poesia, pão d’alma de todo dia!
(Júnior Bonfim, crônica publicada na Gazeta do Centro Oeste e Revista Gente de Ação)
Foi Castro Alves o autor do édito que determinou ser a praça um altar do povo; foi ele o sonoro surfista das espumas flutuantes; o alfaiate da Bandeira içada contra a infâmia e a covardia; o ensolarado capitão do navio negreiro; o ousado compositor da solene partitura da Liberdade. Os versos do vate baiano são sementes selecionadas em constante germinação nos mais diversos solos da nossa fértil Pátria. Sua poesia é uma coroa de esmeraldas construída com os louros do povo.
Nesses últimos tempos tenho me interrogado a respeito da aura que circunda a poesia. Fica difícil circunscrevê-la à régua e ao compasso dos conceitos.
Federico Garcia Lorca, convidado para falar sobre poesia, limitou-se a estender as duas mãos abertas e dizer: “Eu não posso, eu não sei falar sobre poesia. Eu a tenho aqui em minhas mãos. Sei que está queimando minha pele. Porém, não sei o que é”.
Depois, certamente em um lampejo de racionalidade, ponderou que “a poesia é a união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam, e que formam algo como um mistério”.
O que vem a ser esse cantante, encantado e encantador fenômeno? Opino que a poesia é uma flor perfumada de amanhãs; é um vento que sabe ser brisa, ventania, furacão ou tempestade no momento adequado; é pássaro que tem por missão cantar e por dever, a liberdade; é o horizonte misterioso que o homem busca beber; é a raiz colossal da profundidade humana.
Parece-me que Poesia é tudo aquilo que nos torna essencialmente mais humanos, nos aprofunda no humanismo ao ponto de nos aproximar do divino. A poesia é a divinização do humano.
Nessa esteira, o primeiro e maior poeta é Deus, que com seu sopro mágico desenhou o universo, a magnitude da natureza, a comunidade dos seres vivos. Nessa trilha, todos somos ou podemos ser poetas. Os que desenvolvem a arte de concatenar os fonemas musicais, as obras arquitetônicas das estrofes arrebatadoras nada mais são do que sonoros instrumentos que o Poeta original distinguiu com a missão de apontar, como guias abençoados, as trilhas de Orfeu. Por isso que o amazônico Thiago de Mello proclamou: “Não somos melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa”.
Poeta é, pois, todo aquele que se dispõe a romper os grilhões dos formalismos estéreis, das convenções descabidas, dos debates inúteis, do cotidiano infrutífero, da pusilanimidade dominante.
Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranqüilo das águas profundas do oceano da vida.
Gerardo Mello Mourão resumiu tudo: “É para preencher o vazio do espírito humano que serve um poeta com sua poesia.” Salve, pois, a poesia, pão d’alma de todo dia!
(Júnior Bonfim, crônica publicada na Gazeta do Centro Oeste e Revista Gente de Ação)
domingo, 15 de março de 2015
ORAÇÃO ROTÁRIA NO DIA DA POESIA
Senhor,
Celebramos hoje o Dia Nacional da Poesia, em homenagem a Antônio Frederico de Castro Alves, nascido na cidade de Curralinho (hoje Castro Alves), em 14 de março de 1847. ]
Castro Alves foi indiscutivelmente um dos nossos mais alados condoreiros, brilhante poeta romântico, responsável por uma nova concepção de amor na Literatura, além de um notável entusiasmo pelos grandes temas sociais.
Castro Alves cantou a Liberdade, a abolição da escravatura, o domínio do povo sobre a praça, a Bandeira como símbolo e emblema de luta contra a infâmia e a covardia.
O amor à humanidade e a defesa entusiasmada das grandes causas humanas unem Castro Alves e o Rotary. E esses ideais superiores nada mais são do que a mensagem da bem-aventurança evangélica.
Ajuda-nos, Senhor, a incorporar esse legado superior, relevar as fraquezas e focar a nossa ação na construção de grandezas. Faz de cada um de nós cavaleiros dos bons propósitos, transmissores de uma cultura de paz e construtores da civilização do amor!
domingo, 8 de março de 2015
UMA MULHER CHAMADA TERESA!
Muitos são os que afirmam que “por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. Outros, no afã de externar generosidade, fizeram um reparo e asseveraram que é “ao lado do homem que encontramos a grande mulher”.
Perdoem-me, mas penso diferente. Mulheres há que, sem fixação, indiferença ou rejeição ao companheiro, constroem marca própria!
Nunca desfraldei bandeiras feministas, mas sempre admirei as mulheres talentosas que, conservando a ímpar doçura maternal, exibem a fortaleza das descendentes de Eva. O útero da História é pródigo em exemplos: Cleópatra - uma das mulheres mais festejadas da história da humanidade – além de deslumbrante, era inteligente e culta, e sua notória esperteza manteve as fronteiras do seu reino; Joana D’Arc, jovem camponesa que vestiu a farda militar e foi protagonista de uma guerra que restabeleceu a dignidade francesa, além de ser queimada pela mesma Igreja que, séculos depois, reconheceu sua santidade; a catarinense Anita Garibaldi, combatente da Revolução Farroupilha, mulher muito à frente de seu tempo... A lista é, pois, numerosa...
Antes de rabiscar estas linhas, pensei em homenagear uma mulher de forma singular.
Imaginei, primeiramente, que poderia ser aquela que me gerou, cujo convívio me foi subtraído prematuramente.
Depois, pensei que poderia ser a minha esposa, a quem prefiro chamar de consorte, porque compartilha comigo o sonho, a sesta, a saudade, o silêncio, a sonoridade, a soledade, os surtos, os sustos... enfim, a sorte de viver.
Mas há uma que, pela colossal história de vida, galgou um tipo tão superior de destaque que merece um registro todo especial.
Antes do mais, foi considerada pelo então Secretário Geral das Nações Unidas, Pérez de Cuéllar, como “a mulher mais poderosa do mundo”.
Sem ter gerado um único filho, transformou-se, pela esplendorosa fé e pelo oceânico amor, na mãe mais fecunda do planeta.
Sobre ela, a diretora de uma revista feminina escreveu um chamativo artigo intitulado “UMA MULHER QUE NUNCA PASSARÁ DE MODA”. De início, afirmava: “Não é Cindy Crawford nem Cláudia Schiffer. Provavelmente, nunca entrou numa boutique, mas é uma das mulheres que marcam o passo à Humanidade e que deixarão um rasto indelével no século que termina. É muito possível que a preocupação pelo seu look não passe da água e do sabão, mas o seu olhar irradia uma força especial”.
A passarela por onde desfilou e exibiu seu glamour e sua beleza extraordinária foi o espaço onde reluzia a dor e a miséria mais comoventes, nos corredores desprezados dos aidéticos, nos esgotos onde se escondiam os vitimados pela lepra. Ruanda e Angola, Ulster e Biafra, a Etiópia e a Somália, o Harlem e o Bronx, o Tondo de Manila e o Líbano estão entre os palcos de sua vida. Diuturnamente, comendo de maneira frugal e dormindo apenas três horas diárias, em solene e incansável vigília de amor, operou sua missão sob o pálio do ‘ora et labora’.
Nascida em 26 de agosto de 1910, em Skoplje, um lugar entre a Albânia e a antiga Iugoslávia, atual República da Macedônia, construiu um verdadeiro império de amor e caridade. Hoje, são mais de 450 centros de assistência em mais de cem nações de todo o mundo, inclusive no Brasil, e quase cinco mil religiosas e duzentos missionários, espalhados em albergues para adolescentes grávidas, cozinhas gratuitas para famintos e refúgios para pessoas sem lar.
No dia 5 de setembro de 1997, o coração dessa mulher iluminada parou de palpitar. Seu nome: Inês (Agnes) Gonscha Bojaxhiu, eternizada como Madre Teresa de Calcutá, a missionária do século XX.
Sua mensagem, estrela flamejante em defesa da vida, continua contundente:
- “O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. Só é questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o Estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar fosse gasto em fazer que as pessoas vivessem, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza”.
Mulheres desse naipe nos instigam a celebrar, com o incenso da profundidade, o Dia Internacional da Mulher!
(Júnior Bonfim)
Perdoem-me, mas penso diferente. Mulheres há que, sem fixação, indiferença ou rejeição ao companheiro, constroem marca própria!
Nunca desfraldei bandeiras feministas, mas sempre admirei as mulheres talentosas que, conservando a ímpar doçura maternal, exibem a fortaleza das descendentes de Eva. O útero da História é pródigo em exemplos: Cleópatra - uma das mulheres mais festejadas da história da humanidade – além de deslumbrante, era inteligente e culta, e sua notória esperteza manteve as fronteiras do seu reino; Joana D’Arc, jovem camponesa que vestiu a farda militar e foi protagonista de uma guerra que restabeleceu a dignidade francesa, além de ser queimada pela mesma Igreja que, séculos depois, reconheceu sua santidade; a catarinense Anita Garibaldi, combatente da Revolução Farroupilha, mulher muito à frente de seu tempo... A lista é, pois, numerosa...
Antes de rabiscar estas linhas, pensei em homenagear uma mulher de forma singular.
Imaginei, primeiramente, que poderia ser aquela que me gerou, cujo convívio me foi subtraído prematuramente.
Depois, pensei que poderia ser a minha esposa, a quem prefiro chamar de consorte, porque compartilha comigo o sonho, a sesta, a saudade, o silêncio, a sonoridade, a soledade, os surtos, os sustos... enfim, a sorte de viver.
Mas há uma que, pela colossal história de vida, galgou um tipo tão superior de destaque que merece um registro todo especial.
Antes do mais, foi considerada pelo então Secretário Geral das Nações Unidas, Pérez de Cuéllar, como “a mulher mais poderosa do mundo”.
Sem ter gerado um único filho, transformou-se, pela esplendorosa fé e pelo oceânico amor, na mãe mais fecunda do planeta.
Sobre ela, a diretora de uma revista feminina escreveu um chamativo artigo intitulado “UMA MULHER QUE NUNCA PASSARÁ DE MODA”. De início, afirmava: “Não é Cindy Crawford nem Cláudia Schiffer. Provavelmente, nunca entrou numa boutique, mas é uma das mulheres que marcam o passo à Humanidade e que deixarão um rasto indelével no século que termina. É muito possível que a preocupação pelo seu look não passe da água e do sabão, mas o seu olhar irradia uma força especial”.
A passarela por onde desfilou e exibiu seu glamour e sua beleza extraordinária foi o espaço onde reluzia a dor e a miséria mais comoventes, nos corredores desprezados dos aidéticos, nos esgotos onde se escondiam os vitimados pela lepra. Ruanda e Angola, Ulster e Biafra, a Etiópia e a Somália, o Harlem e o Bronx, o Tondo de Manila e o Líbano estão entre os palcos de sua vida. Diuturnamente, comendo de maneira frugal e dormindo apenas três horas diárias, em solene e incansável vigília de amor, operou sua missão sob o pálio do ‘ora et labora’.
Nascida em 26 de agosto de 1910, em Skoplje, um lugar entre a Albânia e a antiga Iugoslávia, atual República da Macedônia, construiu um verdadeiro império de amor e caridade. Hoje, são mais de 450 centros de assistência em mais de cem nações de todo o mundo, inclusive no Brasil, e quase cinco mil religiosas e duzentos missionários, espalhados em albergues para adolescentes grávidas, cozinhas gratuitas para famintos e refúgios para pessoas sem lar.
No dia 5 de setembro de 1997, o coração dessa mulher iluminada parou de palpitar. Seu nome: Inês (Agnes) Gonscha Bojaxhiu, eternizada como Madre Teresa de Calcutá, a missionária do século XX.
Sua mensagem, estrela flamejante em defesa da vida, continua contundente:
- “O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. Só é questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o Estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar fosse gasto em fazer que as pessoas vivessem, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza”.
Mulheres desse naipe nos instigam a celebrar, com o incenso da profundidade, o Dia Internacional da Mulher!
(Júnior Bonfim)
sábado, 7 de março de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
OBSERVATÓRIO
Charlie Hebdo. O nome do Jornal Francês, livre piada interna a partir de uma sutil combinação entre os personagens de Charlie Brown e Charles de Gaulle, simboliza a natureza do periódico: a sátira, a irreverência! O jornal se notabilizou pela postura ousada e pelos arroubos corajosos na suas empreitadas pelas vias do humor vanguardista. Segundo João Batista Natali, “implicava com o catolicismo conservador, com o Partido Comunista, com a hierarquia judaica, com a extrema direita e com o terrorismo islâmico”. Na quarta-feira da semana passada, dia 7 de janeiro de 2015, em Paris, o semanário foi alvo do mais virulento ataque de sua história. Terroristas fundamentalistas invadiram a sede do Charlie Hebdo, no XI distrito de Paris. Em tese, seria uma forma de protesto mais uma vez contra a edição de charge satirizando a religião islâmica. Sucede que o atentado resultou em doze pessoas mortas, entre as quais Charb, Cabu, Honoré, Tignous, e Wolinski (cartunistas do jornal) e mais outras feridas gravemente.Das doze vítimas, onze morreram dentro da sede da editora e um do lado de fora. Duas vítimas eram policiais que faziam a guarda do local (incluindo a que foi vitimada do lado de fora da sede). O violento episódio chocou a opinião pública mundial e conclama a uma profunda reflexão: por que, depois de tantos avanços, a humanidade ainda exibe explosões de intolerância que lembram um retorno à barbárie?
TOLERÂNCIA
A intolerância, na visão de Sergio Paulo Rouanet, é “uma atitude de ódio sistemático e de agressividade irracional com relação a indivíduos e grupos específicos, à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções”. De todas as dificuldades que o ser humano possui para dialogar com o diferente, a que tem mais contundência e, sem embargo, causado maiores estragos à harmonia civilizatória é a denominada “intolerância religiosa”. José Saramago (2001) denominou este ódio recíproco fundado em valores religiosos como “O Fator Deus”: “De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus”.
TOLERÂNCIA II
O certo é que o reprovável fato ocorrido em Paris convoca o mundo inteiro a meditar sobre a necessidade do culto permanente à tolerância. Se sou católico e venero Maria, Mãe de Jesus, não posso obrigar os outros a ter a mesma atitude. Noutro giro, se alguém repudia essa minha crença, não pode também desrespeitá-la. O combate àintolerância e o fortalecimento das relações sociais com esteio no respeito aos contrários – a convivência respeitosa com o pensamento divergente – é um dos desafios mais robustos da atual quadra humana.
A TOLERÂNCIA NA POLÍTICA
O corpo das palavras pode ser coberto pelo manto da dissimulação ou da inverdade. Os gestos, no entanto, dispensam adornos, falam por si mesmos. Analisemos dois gestos. Governo Cid Gomes. O irmão do governador, Ciro, não escondia a postura irascível em relação ao líder policial Capitão Vagner, lançando sobre ele as referências mais pesadas. Governo Camilo. O novo Secretário de Segurança Pública, Delci Teixeira, com o aval de Camilo, em suas primeiras declarações disse que Vagner merecia respeito: primeiro, porque era um Capitão e, segundo, porque era o Deputado mais votado, tinha o apoio da sociedade. Em seguida, o próprio Governador recebe o Capitão Deputado em longa audiência no Palácio. Após um leve desarmamento de espírito e permuta de gentilezas, aquele que se prenunciava como um grande gargalo de gestão foi parcialmente contornado com um simples gesto de tolerância e boa vontade. Ponto para a maturidade exibida pelos dois lados. Uma simples atitude de humildade e abertura pode ser a solução de problemas aparentemente insolúveis. Lição para todos nós, em especial para os políticos.
CRATEUENSES
Por falar em Governo Camilo, há muita gente de Crateús e região que, mesmo sem exercer mandato, possui laços fortes com a nova gestão. Só a título exemplificativo: a crateuense Janaína Farias é assessora especial do Governador. Moacir Soares é amigo-irmão do doutor Carlile Lavor, Secretário de Saúde.
SECRETARIADO
O Prefeito Mauro Soares anunciou uma mudança no Secretariado. Os novos nomes merecem aquilo que a todo principiante é ofertado: um período de carência para o desdobramento do chamado voto de confiança. Alguns sinais emergiram: o ex-Prefeito Carlos Felipe mostrou que possui força tutelar sobre o atual: emplacou quem lhe era caro (como a própria consorte) e vetou desafetos(como José Humberto e Adriano das Flores). Aparentemente Mauro Soares se compôs com Elder Leitão, entregando-lhe uma das pastas estratégicas: a Saúde. Esta, no entanto, é a mais delicada área da gestão, onde a demanda é sempre superior à capacidade de atendimento. Pode ser uma faca de dois gumes. Robusto abacaxi, caieira de problemas, a Saúde constitui a principal empreitada que Elder enfrentará depois que passou a ocupar assento na máquina municipal. Seu espaço e destino na sucessão municipal estão diretamente vinculados ao resultado da cirurgia que necessariamente terá que realizar na Saúde local.
PARA REFLETIR
“O que é a intolerância?” E, respondia: É o apanágio da humanidade. Estamos todos empedernidos de debilidades e erros; perdoemo-nos reciprocamente nossas tolices, é a primeira lei da natureza”. (Voltaire)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
CONJUNTURA NACIONAL
Dinheiro e não pronomes
Abro a primeira coluna do ano com a matreirice mineira.
Benedito Valadares chegou a Curvelo/MG, para visitar a exposição de gado do município. Na hora do discurso, atrapalhou-se:
- Quero dizer aos fazendeiros aqui reunidos que já determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.
Lá do povo, alguém corrigiu:
- É o contrário, governador! Empréstimo a prazo longo e juro curto.
- Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância.
Precisamos trabalhar
O brigadeiro Eduardo Gomes fazia, no largo da Carioca (Rio de Janeiro), seu primeiro comício da campanha presidencial de 1945. A multidão o ouvia em silêncio:
- Brasileiros, precisamos trabalhar!
Do meio do povo, uma voz poderosa gritou:
- Já começou a perseguição!
Bagunça geral. O comício quase acabou.
O espírito do ano: dureza
2015, como se sabe, será um ano de ajustes. Um ano duro. Dureza, nesse caso, quer significar aperto nas contas, corte de gastos supérfluos (e até comendo as beiradas de gastos necessários), contenção de despesas, eliminação de milhares de cargos comissionados nas administrações estaduais e municipais, cofres mais vazios. Essa é metade da aura de 2015: a outra metade atingirá o bolso. Inflação alta, superando o teto da meta, alimentos, gasolina, energia, transportes mais altos, enfim, a planilha de bens e serviços mais caros baterá forte no bolso do consumidor. A alma consumista entrará em confronto com o espírito do ano. Teremos turbulência.
Movimentos nas ruas
É mais que previsível a reocupação das ruas - a partir do principal polo difusor de ideias do país, São Paulo - pelos movimentos organizados. Há um grupo de jovens líderes que quer aparecer na onda. Vão dar duro para liderar correntes sociais, a partir de Guilherme Boulos, um sujeito que aprecia visibilidade, principalmente a fosforescente. As centrais sindicais vão se agitar para evitar perdas em um ano de muitos sacrifícios. Baterão bumbo. Pretendem alertar à presidente sobre compromissos por ela assumidos na campanha. Categorias profissionais também afinarão suas tubas.
O puxão de orelhas em Barbosa
Nelson Barbosa é pessoa recatada, séria, um técnico muito comedido nas palavras. Um sujeito pacato. Disse apenas o que já se sabia em uma fala apressada com jornalistas. Que uma nova regra iria ser apresentada para correção do salário mínimo, a partir de 2016. De acordo, aliás, com o discurso de ajuste alinhado com a nova equipe econômica. As centrais não gostaram, enxergando na fala de Barbosa perda residual no mínimo. Dilma recebeu comunicação de Mercadante, que também faz o papel de parlador-mor. E ligou para o novo ministro do Planejamento mandando que ele se desmentisse. O que foi feito com uma nota. Barbosa, o comedido, não deve ter gostado. Passará um tempo de bico calado. Para não ter de suportar um segundo puxão de orelhas.
Levy, sob observação
Há quem diga que Joaquim Levy, caso tivesse de se desdizer em menos de 24 horas, sob ordens da presidente, não teria cumprido a ordem. Daria um adeus ao governo. Dono de vastos conhecimentos econômicos, o doutor pela renomada Escola de Chicago com experiência em ajuste de contas de governos, tem plena consciência de sua autoridade, não se dobrando a conceitos com os quais não concorda. Por isso, não são poucos os que acham que, em caso de confronto temático-conceitual com a presidente, não terá receio de pedir o chapéu. O mais provável é que continue por um bom tempo, até as camadas tectônicas da economia se acomodarem.
A índole presidencial
Já se conhece a índole mandona da presidente, seu jeito autoritário de ser. Os políticos, porém, sabem que a presidente terá de se curvar à real politik, que é a maneira brasileira de fazer política, com um agrado aqui, um benefício acolá, um adjutório ao corpo parlamentar. O voto, eles têm. E se negarão a ceder os votos em todas as votações. Por isso, esperam que Dilma seja mais acessível ao clamor da política. A conferir.
Lula no entorno
As alas dilmista e lulista estão em litígio. A presidente escolhe perfis mais próximos a ela, quadros do Rio Grande do Sul, como Pepe Vargas e Miguel Rossetto, afastando a turma de Lula. Mercadante, mesmo fazendo parte da CNB, há tempos se distancia do ex-presidente. É natural que Dilma escolha quadros com os quais mantém afinidade. Mas é visível a querela entre lulistas e dilmistas. A presidente sabe que a tendência Construindo um Novo Brasil, que reúne outras facções do PT, é amplamente majoritária. Lula, por sua vez, se esforça para resgatar a alma do petismo histórico e começa a se preparar para 2018. Apesar da rixa entre os grupos, ela e Lula procuram preservar a boa relação. De irmã para irmão mais velho.
Lula doente?
Balela. Corre pelas redes sociais a informação de que Luiz Inácio estaria às voltas com a recidiva de câncer. Fofoca. Intrigas. Ele está bem de saúde, segundo pessoas que estão no seu entorno. Idas e vindas do ex-presidente para muitos cantos e recantos demonstram vitalidade.
Mercadante
Aloizio Mercadante encarna mesmo o papel de primeiro-ministro. É centralizador, preparado, um técnico de alta competência e um parlamentar com formidável experiência. Em um ministério de figuras apagadas - com exceção de uns poucos - tende a ganhar mais força e visibilidade. Teria sido dele a ideia da presidente exigir o desmentido de Barbosa sobre a nova regra para o salário mínimo entre 2016/19.
Insatisfações
O PMDB começa a ser chamado de partido de secretarias : da Pesca, da Aviação Civil e dos Portos. O fato é que, apesar de adicionar uma Pasta a mais às cinco que detinha no primeiro mandato, o maior aliado do governo foi contemplado com ministérios de menor importância. Quer compensar as perdas com cargos de segundo escalão. Ameaça tornar-se independente no Senado. Se o rebuliço ocorrer na Câmara Alta, imagine-se o que pode ocorrer na Câmara.
Estratégia de Dilma
A presidente distribuiu a estrutura ministerial de forma a contemplar as seguintes estratégias : diminuir força do PMDB ; fortalecer forças dos partidos médios - PDT, PTB, PSD, PROS, PC do B etc. ; tirar mais peso do PT lulista e reforçar a ala dilmista. Nessa linha, o novo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, foi motivado a refundar o antigo PL e, depois de criado, fazer a fusão com seu PSD. Surgiria, então, um partido maior que o atual PMDB, a segunda bancada da Câmara. A conferir.
Maré brava
O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acenou com alta de impostos. Os preços represados de bens e serviços abrirão porteiras. As ações da Petrobras caem no fundo do poço, a ponto de ameaçar a viabilidade do pré-sal. A inflação tende a estourar o teto da meta, de 6,5%. As categorias profissionais exigirão aumentos acima da inflação. O arrocho será inevitável.
Falta de credibilidade
Prioridade das prioridades, definida no discurso de posse da presidente : fazer do país uma Pátria Educadora. Ora, mas boas intenções e slogans não são capazes de sustentar um bom programa. Urge credibilidade a quem cabe a responsabilidade de executá-lo. O novo ministro da Educação, Cid Gomes, não está no rol de pessoas críveis. Já chegou a dizer que professor de ensino público deve ensinar por prazer, não para ganhar dinheiro. Se for o caso, deve mudar para o ensino privado. O ex-governador do Ceará é aquele que pegou a família, sogra junto, e levou-a para um passeio pela Europa. Com recursos públicos.
Embate
A ministra da Agricultura, Katia Abreu, afirma que não há mais latifúndios no Brasil. O MST diz que eles ainda existem. E o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, entra na dança ao dizer que "não basta derrubar cerca do latinfúndio", mas fazer a reforma agrária. Ministros com armas em plena arena. Do mesmo governo.
Demissões
Mais de 800 trabalhadores demitidos na Volks. Metalúrgicos ameaçam com greve. Demissões na imprensa. Grupo Abril em refluxo. Metade do prédio de Veja entregue à Previ, que alugará os espaços desocupados a novos clientes. Crise começa chegar nas frentes do Emprego.
E as chuvas, hein?
Quanto mais pé d'água em São Paulo, com queda de árvores e destruição de imóveis, menos água no sistema Cantareira. O nível está deixando os 7%. Como será a vida daqui a uns três, quatro meses, se não chover bastante até lá ? Não ouvi ainda explicação satisfatória.
Fecho a Coluna com mais essa deliciosa historinha.
Tu não vais, não é?
Luís Simões Lopes era um miniditador. Diretor do DASP, fazia o que queria, com apoio de Getúlio. Mandou ofício aos ministros com uma série de determinações. Enquadrava todo mundo. Osvaldo Aranha, ministro da Fazenda, recebeu, leu, devolveu:
"Ao remetente: vá à merda."
Entregou ao chefe de gabinete. O chefe de gabinete ficou em pânico:
- Devolver pelo protocolo reservado, não é, senhor ministro?
- Não, pelo protocolo comum.
Era um escândalo. De mão em mão. Luís Simões Lopes recebeu, ficou furioso, foi a Getúlio pedir demissão. Getúlio puxou uma baforada do charuto:
- Ora, Luís, para que demissão? Tu não vais, não é? Não indo, tu desmoralizas o Osvaldo. Ele vai ficar uma fera. Tu sabes. Tu sabes.
Luís Simões Lopes foi. Mas foi de volta para seu gabinete no DASP.
(Gaudêncio Torquato)
Abro a primeira coluna do ano com a matreirice mineira.
Benedito Valadares chegou a Curvelo/MG, para visitar a exposição de gado do município. Na hora do discurso, atrapalhou-se:
- Quero dizer aos fazendeiros aqui reunidos que já determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.
Lá do povo, alguém corrigiu:
- É o contrário, governador! Empréstimo a prazo longo e juro curto.
- Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância.
Precisamos trabalhar
O brigadeiro Eduardo Gomes fazia, no largo da Carioca (Rio de Janeiro), seu primeiro comício da campanha presidencial de 1945. A multidão o ouvia em silêncio:
- Brasileiros, precisamos trabalhar!
Do meio do povo, uma voz poderosa gritou:
- Já começou a perseguição!
Bagunça geral. O comício quase acabou.
O espírito do ano: dureza
2015, como se sabe, será um ano de ajustes. Um ano duro. Dureza, nesse caso, quer significar aperto nas contas, corte de gastos supérfluos (e até comendo as beiradas de gastos necessários), contenção de despesas, eliminação de milhares de cargos comissionados nas administrações estaduais e municipais, cofres mais vazios. Essa é metade da aura de 2015: a outra metade atingirá o bolso. Inflação alta, superando o teto da meta, alimentos, gasolina, energia, transportes mais altos, enfim, a planilha de bens e serviços mais caros baterá forte no bolso do consumidor. A alma consumista entrará em confronto com o espírito do ano. Teremos turbulência.
Movimentos nas ruas
É mais que previsível a reocupação das ruas - a partir do principal polo difusor de ideias do país, São Paulo - pelos movimentos organizados. Há um grupo de jovens líderes que quer aparecer na onda. Vão dar duro para liderar correntes sociais, a partir de Guilherme Boulos, um sujeito que aprecia visibilidade, principalmente a fosforescente. As centrais sindicais vão se agitar para evitar perdas em um ano de muitos sacrifícios. Baterão bumbo. Pretendem alertar à presidente sobre compromissos por ela assumidos na campanha. Categorias profissionais também afinarão suas tubas.
O puxão de orelhas em Barbosa
Nelson Barbosa é pessoa recatada, séria, um técnico muito comedido nas palavras. Um sujeito pacato. Disse apenas o que já se sabia em uma fala apressada com jornalistas. Que uma nova regra iria ser apresentada para correção do salário mínimo, a partir de 2016. De acordo, aliás, com o discurso de ajuste alinhado com a nova equipe econômica. As centrais não gostaram, enxergando na fala de Barbosa perda residual no mínimo. Dilma recebeu comunicação de Mercadante, que também faz o papel de parlador-mor. E ligou para o novo ministro do Planejamento mandando que ele se desmentisse. O que foi feito com uma nota. Barbosa, o comedido, não deve ter gostado. Passará um tempo de bico calado. Para não ter de suportar um segundo puxão de orelhas.
Levy, sob observação
Há quem diga que Joaquim Levy, caso tivesse de se desdizer em menos de 24 horas, sob ordens da presidente, não teria cumprido a ordem. Daria um adeus ao governo. Dono de vastos conhecimentos econômicos, o doutor pela renomada Escola de Chicago com experiência em ajuste de contas de governos, tem plena consciência de sua autoridade, não se dobrando a conceitos com os quais não concorda. Por isso, não são poucos os que acham que, em caso de confronto temático-conceitual com a presidente, não terá receio de pedir o chapéu. O mais provável é que continue por um bom tempo, até as camadas tectônicas da economia se acomodarem.
A índole presidencial
Já se conhece a índole mandona da presidente, seu jeito autoritário de ser. Os políticos, porém, sabem que a presidente terá de se curvar à real politik, que é a maneira brasileira de fazer política, com um agrado aqui, um benefício acolá, um adjutório ao corpo parlamentar. O voto, eles têm. E se negarão a ceder os votos em todas as votações. Por isso, esperam que Dilma seja mais acessível ao clamor da política. A conferir.
Lula no entorno
As alas dilmista e lulista estão em litígio. A presidente escolhe perfis mais próximos a ela, quadros do Rio Grande do Sul, como Pepe Vargas e Miguel Rossetto, afastando a turma de Lula. Mercadante, mesmo fazendo parte da CNB, há tempos se distancia do ex-presidente. É natural que Dilma escolha quadros com os quais mantém afinidade. Mas é visível a querela entre lulistas e dilmistas. A presidente sabe que a tendência Construindo um Novo Brasil, que reúne outras facções do PT, é amplamente majoritária. Lula, por sua vez, se esforça para resgatar a alma do petismo histórico e começa a se preparar para 2018. Apesar da rixa entre os grupos, ela e Lula procuram preservar a boa relação. De irmã para irmão mais velho.
Lula doente?
Balela. Corre pelas redes sociais a informação de que Luiz Inácio estaria às voltas com a recidiva de câncer. Fofoca. Intrigas. Ele está bem de saúde, segundo pessoas que estão no seu entorno. Idas e vindas do ex-presidente para muitos cantos e recantos demonstram vitalidade.
Mercadante
Aloizio Mercadante encarna mesmo o papel de primeiro-ministro. É centralizador, preparado, um técnico de alta competência e um parlamentar com formidável experiência. Em um ministério de figuras apagadas - com exceção de uns poucos - tende a ganhar mais força e visibilidade. Teria sido dele a ideia da presidente exigir o desmentido de Barbosa sobre a nova regra para o salário mínimo entre 2016/19.
Insatisfações
O PMDB começa a ser chamado de partido de secretarias : da Pesca, da Aviação Civil e dos Portos. O fato é que, apesar de adicionar uma Pasta a mais às cinco que detinha no primeiro mandato, o maior aliado do governo foi contemplado com ministérios de menor importância. Quer compensar as perdas com cargos de segundo escalão. Ameaça tornar-se independente no Senado. Se o rebuliço ocorrer na Câmara Alta, imagine-se o que pode ocorrer na Câmara.
Estratégia de Dilma
A presidente distribuiu a estrutura ministerial de forma a contemplar as seguintes estratégias : diminuir força do PMDB ; fortalecer forças dos partidos médios - PDT, PTB, PSD, PROS, PC do B etc. ; tirar mais peso do PT lulista e reforçar a ala dilmista. Nessa linha, o novo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, foi motivado a refundar o antigo PL e, depois de criado, fazer a fusão com seu PSD. Surgiria, então, um partido maior que o atual PMDB, a segunda bancada da Câmara. A conferir.
Maré brava
O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acenou com alta de impostos. Os preços represados de bens e serviços abrirão porteiras. As ações da Petrobras caem no fundo do poço, a ponto de ameaçar a viabilidade do pré-sal. A inflação tende a estourar o teto da meta, de 6,5%. As categorias profissionais exigirão aumentos acima da inflação. O arrocho será inevitável.
Falta de credibilidade
Prioridade das prioridades, definida no discurso de posse da presidente : fazer do país uma Pátria Educadora. Ora, mas boas intenções e slogans não são capazes de sustentar um bom programa. Urge credibilidade a quem cabe a responsabilidade de executá-lo. O novo ministro da Educação, Cid Gomes, não está no rol de pessoas críveis. Já chegou a dizer que professor de ensino público deve ensinar por prazer, não para ganhar dinheiro. Se for o caso, deve mudar para o ensino privado. O ex-governador do Ceará é aquele que pegou a família, sogra junto, e levou-a para um passeio pela Europa. Com recursos públicos.
Embate
A ministra da Agricultura, Katia Abreu, afirma que não há mais latifúndios no Brasil. O MST diz que eles ainda existem. E o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, entra na dança ao dizer que "não basta derrubar cerca do latinfúndio", mas fazer a reforma agrária. Ministros com armas em plena arena. Do mesmo governo.
Demissões
Mais de 800 trabalhadores demitidos na Volks. Metalúrgicos ameaçam com greve. Demissões na imprensa. Grupo Abril em refluxo. Metade do prédio de Veja entregue à Previ, que alugará os espaços desocupados a novos clientes. Crise começa chegar nas frentes do Emprego.
E as chuvas, hein?
Quanto mais pé d'água em São Paulo, com queda de árvores e destruição de imóveis, menos água no sistema Cantareira. O nível está deixando os 7%. Como será a vida daqui a uns três, quatro meses, se não chover bastante até lá ? Não ouvi ainda explicação satisfatória.
Fecho a Coluna com mais essa deliciosa historinha.
Tu não vais, não é?
Luís Simões Lopes era um miniditador. Diretor do DASP, fazia o que queria, com apoio de Getúlio. Mandou ofício aos ministros com uma série de determinações. Enquadrava todo mundo. Osvaldo Aranha, ministro da Fazenda, recebeu, leu, devolveu:
"Ao remetente: vá à merda."
Entregou ao chefe de gabinete. O chefe de gabinete ficou em pânico:
- Devolver pelo protocolo reservado, não é, senhor ministro?
- Não, pelo protocolo comum.
Era um escândalo. De mão em mão. Luís Simões Lopes recebeu, ficou furioso, foi a Getúlio pedir demissão. Getúlio puxou uma baforada do charuto:
- Ora, Luís, para que demissão? Tu não vais, não é? Não indo, tu desmoralizas o Osvaldo. Ele vai ficar uma fera. Tu sabes. Tu sabes.
Luís Simões Lopes foi. Mas foi de volta para seu gabinete no DASP.
(Gaudêncio Torquato)
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
7 DICAS PARA UM ANO NOVO MELHOR!
Não importa como tenha sido o seu ano, nós sempre queremos que o próximo seja melhor. Pensando nisso eu vou dar 7 dicas infalíveis que, se forem seguidas a risca, certamente vão tornar o ano vindouro muito melhor que o anterior.
São coisas simples, possíveis para qualquer pessoa que esteja disposta a crescer, desenvolver-se como pessoa e ter mais paz e sucesso.
Dica 1: Perdoar. Isso significa abrir mão de sentimentos de mágoa, raiva, decepção e qualquer tipo de ressentimento que você tenha acumulado durante esse ano contra qualquer pessoa, governo, instituição ou situação. Quando você guarda qualquer tipo de ressentimento você entra inconscientemente em um estado de vitimização. Um lado seu não está assumindo a plena responsabilidade pela sua felicidade pois está culpando outras pessoas e situações por sentimentos que você guarda. Uma parte da sua energia está presa no passado a algo que não vai mudar. A sua criatividade fica comprometida. Processos inconscientes de autossabotagem começam a acontecer, pois a vítima não nos permite crescer. Vitimização atrai mais vitimização.
Você precisa assumir 100% da responsabilidade pelo seu bem estar. O que outras pessoas fizeram contra você é responsabilidade delas. Mas, os seus sentimentos, a sua reação emocional, é de sua total responsabilidade. E eu sei que, muitas vezes, perdoar não é tão fácil quanto gostaríamos.
E, pra se aprofundar nesse tema, você pode também perdoar fatos anteriores do seu passado. Outra coisa importante… você deve também perdoar a si mesmo por qualquer erro, arrependimento, culpa, fracasso e etc. pra que você não se torne uma vitima de si mesmo que se pune e autossabota.
Dica 2: Limpeza. A limpeza deve ser feita em dois níveis: emocional e material. O nível emocional envolve o perdão que falei anteriormente, mas não só isso. Você pode e deve limpar também todo e qualquer tipo de emoção negativa que ficou acumulada do ano (e também do passado mais antigo): sentimentos de medo, tristeza, fracasso, frustração, perdas e etc. Livre desse peso negativo você vai se tornar uma pessoa muito mais criativa, em paz, e produtiva.
Já a limpeza no nível material envolve separar tudo o que você não utiliza mais e doar, vender ou jogar fora em um exercício de desapego. Isso inclui roupas, sapatos, eletrônicos, cabos, papeis e tudo mais que fica entulhado na sua casa contribuindo pra desorganização e bloqueio do fluxo de energia. A maioria das pessoas tem grande dificuldade de descartar o que não usa mais por causa de sentimentos de escassez, de que poderá precisar depois. Mas a maioria dessas coisas já está a anos sem uso e nunca serão reutilizadas. Faça essa limpeza e sinta o alivio que isso traz.
Dica 3: Agradecer. O estado da gratidão é o mais poderoso que existe para gerar abundância e atrair mais situações positivas. Enquanto que o estado da lamúria e reclamação atrai e ajuda a repetir situações desagradáveis. Por isso a recomendação é simples. Pare de reclamar e comece a agradecer. Faça uma lista de pelo menos 50 coisas que aconteceram no ano que são reais motivos pra você agradecer, e agradeça todos os dias por isso. Quem agradece sempre, cria uma estrada que leva a mais gratidão.
Dica 4: Clarear. A maioria das pessoas sabem apenas o que elas Não querem. Basta ver a lista de coisas que elas reclamam. Tudo aquilo que você dá atenção, cresce. Você precisa começar a se perguntar o que é que você deseja no lugar daquilo que você não quer. É importante ter clareza daquilo que você deseja para poder dar atenção e fazer crescer.
Dica 5: Visualizar. Depois de ter a clareza do que você realmente quer, é importante que você visualize essa nova realidade em detalhes como se ela já estivesse acontecendo agora. Além de visualizar, sinta durante esse exercício todas as emoções boas que essa realidade desejada traz pra você. Quanto mais você conseguir visualizar e sentir, mais você conseguirá ativar vários mecanismos inconscientes de criação da realidade e a lei da atração que vão ajudar a manifestar o que você deseja. Dedique alguns minutos por dia a esse exercício. Três minutinhos já vão fazer diferença.
Dica 6: Eliminar os sabotadores. Eu chamo de sabotadores os sentimentos e pensamentos negativos que atrapalham a sua chegada nos seus objetivos. Quando você pensa em atingir seus objetivos, vão surgir crenças limitantes, medo de não dar certo, medo de julgamento, sensação de incapacidade e etc… Imagine se você conseguisse simplesmente eliminar esses pensamentos e sentimentos? Seria muito mais fácil atingir o que você deseja. É possível sim eliminar os sabotadores.
Dica 7: Agir! As pessoas ficam paralisadas e não dão o primeiro passo. Talvez por que sintam que é tudo muito complicado ou por não terem a clareza exata de todos os passos que tem que dar pra conseguir o que desejam. Só que a clareza vai surgindo a medida que você entra em ação. Ao dar o primeiro passo você vai começar a enxergar qual é o segundo passo e depois o terceiro… Colocar-se em ação dando o primeiro passo dissolve o medo e lança uma luz que vai clarear mais alguns metros da sua caminhada.
Tenha um ano novo incrível!
André Lima
São coisas simples, possíveis para qualquer pessoa que esteja disposta a crescer, desenvolver-se como pessoa e ter mais paz e sucesso.
Dica 1: Perdoar. Isso significa abrir mão de sentimentos de mágoa, raiva, decepção e qualquer tipo de ressentimento que você tenha acumulado durante esse ano contra qualquer pessoa, governo, instituição ou situação. Quando você guarda qualquer tipo de ressentimento você entra inconscientemente em um estado de vitimização. Um lado seu não está assumindo a plena responsabilidade pela sua felicidade pois está culpando outras pessoas e situações por sentimentos que você guarda. Uma parte da sua energia está presa no passado a algo que não vai mudar. A sua criatividade fica comprometida. Processos inconscientes de autossabotagem começam a acontecer, pois a vítima não nos permite crescer. Vitimização atrai mais vitimização.
Você precisa assumir 100% da responsabilidade pelo seu bem estar. O que outras pessoas fizeram contra você é responsabilidade delas. Mas, os seus sentimentos, a sua reação emocional, é de sua total responsabilidade. E eu sei que, muitas vezes, perdoar não é tão fácil quanto gostaríamos.
E, pra se aprofundar nesse tema, você pode também perdoar fatos anteriores do seu passado. Outra coisa importante… você deve também perdoar a si mesmo por qualquer erro, arrependimento, culpa, fracasso e etc. pra que você não se torne uma vitima de si mesmo que se pune e autossabota.
Dica 2: Limpeza. A limpeza deve ser feita em dois níveis: emocional e material. O nível emocional envolve o perdão que falei anteriormente, mas não só isso. Você pode e deve limpar também todo e qualquer tipo de emoção negativa que ficou acumulada do ano (e também do passado mais antigo): sentimentos de medo, tristeza, fracasso, frustração, perdas e etc. Livre desse peso negativo você vai se tornar uma pessoa muito mais criativa, em paz, e produtiva.
Já a limpeza no nível material envolve separar tudo o que você não utiliza mais e doar, vender ou jogar fora em um exercício de desapego. Isso inclui roupas, sapatos, eletrônicos, cabos, papeis e tudo mais que fica entulhado na sua casa contribuindo pra desorganização e bloqueio do fluxo de energia. A maioria das pessoas tem grande dificuldade de descartar o que não usa mais por causa de sentimentos de escassez, de que poderá precisar depois. Mas a maioria dessas coisas já está a anos sem uso e nunca serão reutilizadas. Faça essa limpeza e sinta o alivio que isso traz.
Dica 3: Agradecer. O estado da gratidão é o mais poderoso que existe para gerar abundância e atrair mais situações positivas. Enquanto que o estado da lamúria e reclamação atrai e ajuda a repetir situações desagradáveis. Por isso a recomendação é simples. Pare de reclamar e comece a agradecer. Faça uma lista de pelo menos 50 coisas que aconteceram no ano que são reais motivos pra você agradecer, e agradeça todos os dias por isso. Quem agradece sempre, cria uma estrada que leva a mais gratidão.
Dica 4: Clarear. A maioria das pessoas sabem apenas o que elas Não querem. Basta ver a lista de coisas que elas reclamam. Tudo aquilo que você dá atenção, cresce. Você precisa começar a se perguntar o que é que você deseja no lugar daquilo que você não quer. É importante ter clareza daquilo que você deseja para poder dar atenção e fazer crescer.
Dica 5: Visualizar. Depois de ter a clareza do que você realmente quer, é importante que você visualize essa nova realidade em detalhes como se ela já estivesse acontecendo agora. Além de visualizar, sinta durante esse exercício todas as emoções boas que essa realidade desejada traz pra você. Quanto mais você conseguir visualizar e sentir, mais você conseguirá ativar vários mecanismos inconscientes de criação da realidade e a lei da atração que vão ajudar a manifestar o que você deseja. Dedique alguns minutos por dia a esse exercício. Três minutinhos já vão fazer diferença.
Dica 6: Eliminar os sabotadores. Eu chamo de sabotadores os sentimentos e pensamentos negativos que atrapalham a sua chegada nos seus objetivos. Quando você pensa em atingir seus objetivos, vão surgir crenças limitantes, medo de não dar certo, medo de julgamento, sensação de incapacidade e etc… Imagine se você conseguisse simplesmente eliminar esses pensamentos e sentimentos? Seria muito mais fácil atingir o que você deseja. É possível sim eliminar os sabotadores.
Dica 7: Agir! As pessoas ficam paralisadas e não dão o primeiro passo. Talvez por que sintam que é tudo muito complicado ou por não terem a clareza exata de todos os passos que tem que dar pra conseguir o que desejam. Só que a clareza vai surgindo a medida que você entra em ação. Ao dar o primeiro passo você vai começar a enxergar qual é o segundo passo e depois o terceiro… Colocar-se em ação dando o primeiro passo dissolve o medo e lança uma luz que vai clarear mais alguns metros da sua caminhada.
Tenha um ano novo incrível!
André Lima
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
SALÁRIO MÍNIMO 2015
DECRETO Nº 8.381, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2014
Regulamenta a Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre o valor do salário mínimo e a sua política de valorização de longo prazo.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011,
DECRETA:
Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2015, o salário mínimo será de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais).
Parágrafo único. Em virtude do disposto no caput, o valor diário do salário mínimo corresponderá a R$ 26,27 (vinte e seis reais e vinte e sete centavos) e o valor horário, a R$ 3,58 (três reais e cinquenta e oito centavos).
Art. 2º Este Decreto entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2015.
Brasília, 29 de dezembro de 2014; 193º da Independência e 126º da República.
DILMA ROUSSEFF
Guido Mantega
Manoel Dias
Miriam Belchior
Garibaldi Alves Filho
Regulamenta a Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre o valor do salário mínimo e a sua política de valorização de longo prazo.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011,
DECRETA:
Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2015, o salário mínimo será de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais).
Parágrafo único. Em virtude do disposto no caput, o valor diário do salário mínimo corresponderá a R$ 26,27 (vinte e seis reais e vinte e sete centavos) e o valor horário, a R$ 3,58 (três reais e cinquenta e oito centavos).
Art. 2º Este Decreto entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2015.
Brasília, 29 de dezembro de 2014; 193º da Independência e 126º da República.
DILMA ROUSSEFF
Guido Mantega
Manoel Dias
Miriam Belchior
Garibaldi Alves Filho
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
domingo, 21 de dezembro de 2014
O CASAMENTO
Paulo Roberto Cândido de Oliveira, agrimensor das terras fonéticas, arquiteto dos desenhos fermentados, garimpeiro das esmeraldas das palavras, engenheiro de elétricos edifícios invisíveis e esmerado especialista na medição das altas e baixas tensões do coração, é um fiador do tecido linguístico que desde os doze anos de idade se aventura, com calma, a acionar o sol do espírito e temperar o alimento da alma.
É um poeta, ou profeta, advinhador das eras, desses que desenha na lousa do firmamento a estrela de vento, que atomiza os prótons e nêutrons sob a caldeira de um único elemento. Filho e imitador da divindade, sopra com o verbo e ergue castelos de bondade.
Colocou no mesmo frasco a essência e a existência, e saiu a propagar a complementariedade do Uno e do Verso, que formam o que chamamos de Universo (Como bem lembrou Huberto Rohden, “o Universo nunca é só Uno nem só Verso – é sempre Uni-verso”). Cheio de mistérios, Paulo já subiu aos espaços etéreos para nos convidar a fazer uma “Viagem ao Céu Particular”.
Paulo evita pedestal, mas é aquele gênero especial que se pode chamar de intelectual. E há uma característica que parece inerente ao bom intelectual: é alguém que na comida insípida coloca um pouco de sal. O verdadeiro intelectual tem uma inata virtude: a comunhão com a inquietude!
Intelectual orgânico, desconhece o pânico. É discreto e irreverente, símbolo do militante includente. É. Malgrado adore velejar no seu oceano particular, é um surfista que desliza com emoção por sobre as ondas da inclusão. É membro proeminente da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF – onde tem assento na Cadeira 29, cujo patrono é o poeta, dramaturgo e jornalista Antonio Sales, um dos idealizadores da épica Padaria Espiritual.
Paulo Roberto – que figura como fundador e principal animador da Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos – ALASAC, é um insuflador do gérmen da criatividade, sementeiro da boa vontade, amante da novidade.
É um frasista excepcional. Erige edificações fonéticas que só os pedreiros livres da alta prestidigitação das palavras são capazes. Neste livro, em que compartilha seu modo especial de reflexionar sobre essa instituição prenhe de desafios e portentos batizada de casamento, Cândido nos sacode com suas argumentações singulares e nos bafeja com suas tiradas geniais.
Só a título exemplificativo: ao final do terceiro capítulo, ele destila esta: “continuemos casados com a Literatura e sigamos em frente. Isto não é uma imposição do autor e sim, um pedido em prol do matrimônio da intelectualidade com a sensatez”. No desfecho do livro, parafraseando Vinícius, faz votos que “o casamento seja Eterno enquanto Puro”.
Tendo como protagonista um casal fictício, Ana e Roberto, ele principia afirmando que ‘Casamento é Coisa Séria’ para seguir nos chamando a atenção para ‘A Diversidade Humana e Suas Semelhanças’. Em seguida, levanta três indagações inquietantes na relação matrimonial: ‘Quando Impor?’; ‘Quando Supor?’ e ‘Quando Propor?’
No sexto capítulo fala sobre ‘As Sinalizações conscientes e inconscientes impostas, supostas e propostas por um "bate-boca matrimonial"’ para, ao final, nos brindar com “Reflexões Complementares e o reencontro de Ana e Roberto”.
Sugiro que este amuleto literário nos desperte para descer às profundidades relacionais, à gruta que esconde, à fonte que libera esse veio de luz dito amor ou entrelaçamento de almas. Melhor: como bem pontua: “Casamento, ‘casar mentes’”, proposição do escritor Robiyn Delphos, que o autor teve o prazer de conhecer pessoalmente em 2012, na cidade italiana de Florença.
Neruda preferia nominar quem passeava pela estação perene do amor de amante. Por isso cantou:
Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama...
De todas as verdades escolheram o dia....
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras...
A ventura é uma torre transparente...
O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos...
Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem...
têm da natureza a eternidade...
Paremos diante deste livro. Ruminemos suas contraditórias provocações, a um só tempo intrigantemente silenciosas e delicadamente rumorosas. Mas, sobretudo, o admiremos. Ou apenas o fitemos com a retina demorada da estupefação. Esta é uma obra para se ler com os olhos da emoção.
(Júnior Bonfim, na apresentação do livro Casamento, de Paulo Roberto Cândido)
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
A CENTENÁRIA MARIA JOSÉ PINTO
“Ama-me o quanto amo-te, que será bastante” – eis o teor de um bilhete, cunhado em primeiro de junho de mil novecentos e trinta e quatro, por Edmundo Pinto da Silva para a sua amada Maria José Pinto.
Aquele singelo e minúsculo manuscrito, que ainda hoje integra o relicário familiar, era o ferro, o amuleto, a esfinge, o brasão, a marca, o distintivo, o selo de um idílio que se amolda aos poemas sagrados, como aquele estampado no Cântico dos Cânticos: “Grava-me como selo em teu coração, como selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor, implacável como o abismo é a paixão; os seus ardores são chamas de fogo, são labaredas divinas. Nem as águas caudalosas conseguirão apagar o fogo do amor, nem as torrentes o podem submergir. Se alguém desse toda a riqueza da sua casa para comprar o amor, seria ainda tratado com desprezo.”
As labaredas divinas da paixão e o fogo indelével do amor levaram Edmundo Pinto da Silva & Maria José Vieira Pinto, crateuenses de nascimento e entre si casados por quase meio século, a cumprir outro mandamento superior: o de crescer e multiplicar! Em 1936, Antonio Vieira Pinto; três anos depois, Adilson Vieira Pinto; no ano de 1940, Maria Alice Vieira Pinto; em 1944, Maria do Socorro Pinto Melo; outro varão em 1947: Edmundo Pinto Filho; uma sequência de quatro mulheres: Maria de Fátima Pinto Pimentel, Maria das Dores Vieira Pinto, Maria das Graças Vieira Pinto e Raimunda Nonata Pinto da Silva, respectivamente em 1948, 1950, 1952 e 1953; Francisco Vieira Pinto, o Pachico, em 1955; Augusto Pinto Neto, o Netinho, em 1956, e o filho do coração, Leopécio Pinto da Silva, adotado aos 2 anos de idade, nascido em 1937.
Em que pese o senhor Edmundo – varão piedoso, justo e obreiro celeste na terra – tenha migrado para a outra dimensão há trinta anos (precisamente em 06 de outubro de 1984), a senhora Mazé Pinto ainda vive sob o afago afetivo da sua invisível companhia.
O índice existencial dessa simples, louvável, generosa e encantadora mulher centenária precisa ser revisitado e exaltado. Aos oito anos, na aurora da vida, diferentemente do que retratou Casimiro de Abreu, não lhe foi dado curtir “noites de melodia, naquela doce alegria, naquele ingênuo folgar! O céu bordado d'estrelas, a terra de aromas cheia, as ondas beijando a areia e a lua beijando o mar!” A menina Mazé, de tenra idade, ‘se não tinha outras delícias, recebia da mãe carícias e os beijos da irmã naquela risonha manhã’, em que se dirigia à missa dominical para rogar a força e a luz superiores.
Essa força e essa luz, que vinham de Jesus, impulsionavam a pequena Mazé a marchar com fé e muita tranqüilidade por sobre os trilhos da adversidade. Ao invés do banco escolar, batalhava pelo pão para o lar; no lugar das rumorosas brincadeiras de criança ia confeccionar uma silenciosa bandeira chamada esperança! Sem medo de açoite, no escuro da noite, substituía a conversa de terreiro pelo transporte de um fogareiro, com o qual ajudava a mãe na venda de quitutes na estação do trem de passageiros.
Outro dia, conversando comigo, ela me abriu rapidamente o álbum da recordação: a imagem do Padre Juvêncio, que a casou e batizou quase todos os seus filhos; do apoio ao Hospital do Batalhão, que ela tanto serviu oferecendo comida e louça, inclusive hospedando pacientes em seu lar; da Sapataria União, casa comercial que iniciou pequena e se tornou referência regional; dos quitutes que vendia, em especial a “lingüiça da dona Mazé”, e da inumerável legião de amigos e espontâneos admiradores que possui. Confessou estar “embelezada” com todas as manifestações de carinho e ternura. Em verdade, beleza é o nome do manto que envolve a alma leve de dona Mazé! Em nome dos filhos, Maria de Fátima Pinto Pimentel confia que “a outra Maria, lá do Céu, há de estender o Manto Azul protetor por sobre sua cabeça e lhe abençoar pelo muito que fez por todos nós”.
A dona Mazé Pinto lembra o milho, esse cereal milenar cultivado em várias partes do mundo, inclusive na nossa região. O seu nome, cuja pia batismal é indígena e caribenha, significava “sustento da vida”. Lindo, humilde e acessível, o milho serve de múltiplas formas à humanidade. É mítico e místico. Segundo Rubem Alves, ele lembra a morte e a ressurreição. Submetido ao fogo, o milho, ao invés de morrer, ressuscita: vira uma linda pipoca. Enquanto o milho que não se deixa estalar fica duro, aquele que estala vira pipoca, que lembra uma linda flor aberta. Assim são as pessoas que passam pelo fogo da vida e chegam à maturidade semelhante a uma flor branca. Assim é Maria José Pinto, que neste dia 31 de outubro de 2014 celebrará cem anos de vida: uma alva camélia, um crisântemo branco, um jasmim de candura que merece todo o afeto e louvor dos seus conterrâneos. Honremo-la!
(Júnior Bonfim, na Revista Gente de Ação e no Jornal Gazeta do Centro Oeste)
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
OBSERVATÓRIO
O economista Luiz Gonzaga Belluzo, conselheiro da Presidente Dilma para assuntos econômicos, disse no domingo passado, antes da abertura das urnas, que não sabia quem deveria comemorar o resultado: vitorioso ou derrotado. Tão volumosos são os problemas e desafios que ninguém pode tripudiar sobre o contendor. No mesmo instante, o jornalista Josias de Souza fez um balanço que transcrevo a seguir:
A MONTANHA
“PT e PSDB frequentaram a sucessão presidencial como personagens de uma anedota de Millôr Fernandes. A piada trata da tecnologia da engenharia na China. Colocam 10 mil chineses cavando de um lado da montanha, 10 mil cavando do outro lado. Se os dois grupos se encontram no meio do caminho, fazem um túnel. Se não se encontram, fazem dois túneis. Petistas e tucanos cavam há anos. Mas a montanha que os separa parece intransponível. Encontram-se de raro em raro. Mas, ocupados em trocar socos e ofensas mútuas, não conseguem enxergar luz no fim do túnel. Desviam-se uns dos outros. E continuam cavando. Em 2014, exageraram nas agressões. “Acho que teve momentos lamentáveis”, disse Dilma Rousseff neste domingo. “Ficará marcada como a mais sórdida campanha já feita”, declarou Aécio Neves. Ou eles param de cavar ou a montanha vai virar um gigantesco labirinto”.
ENCONTRO
“Na origem do relacionamento, imaginou-se que haveria um fim de túnel. A coisa começou em 1978, ano em que o sindicalista Lula apoiou o intelectual FHC na sua primeira campanha ao Senado. Juntos, distribuíam panfletos nas portas de fábrica do ABC paulista. Nessa época, FHC e Lula dividiam conjecturas sobre a constituição de um partido socialista. Mudaram de ideia. E cada um foi cavar a própria história. Um preferiu alinhar-se à esquerda do velho MDB. O outro foi fundar o PT. Encontraram-se no miolo da montanha nos palanques dos comícios pela volta das eleições diretas. Separaram-se no colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves, o avô de Aécio. Juntaram-se num palanque de segundo turno –Lula X Collor. Achegaram-se novamente nas articulações que levaram ao impeachment de Collor”.
DESENCONTRO
“Desde 1994, desencontram-se a cada quatro anos. Estapeiam-se em campanhas presidenciais. FHC prevaleceu sobre Lula em 1994 e 1998. A transição de 2002 para 2003, por civilizada, teve a aparência de um novo reencontro. Engano. Após derrotar Jose Serra, Lula pespegou na gestão de FHC o selo de “herança maldita”. Desentenderam-se de novo em 2006 e 2010. Em 2014, a oratória atingiu o grau máximo de radioatividade”.
BOM SENSO
“Chegou a hora de tornar o cenário menos tóxico. Se restar alguma dose de bom senso, Aécio e Dilma retiram a raiva dos discursos já noite deste domingo, depois do anúncio do resultado das urnas. Dá-se de barato que a montanha venceu. Mas não precisa entregar 100% da governabilidade do labirinto a personagens como Renan Yang, Sarney Ling e toda a dinastia Ming que perambula pelo Congresso à procura de aliança$”.
CEARÁ
Camilo Santana, o governador de todos os cearenses a partir de primeiro de janeiro de 2014, é agora o alvo das conjecturas. Por seu estilo discreto, pouca gente se arrisca a fazer prospecções sobre como será a sua gestão. Porém, há alguns indicativos. Quem pensa que Camilo é um petista radical e virulento, engana-se. Quem imagina que será um mero despachante da família Ferreira Gomes, também se equivoca. Camilo Santana conseguiu a façanha de fazer, pessoalmente, uma campanha respeitosa, sem que ninguém tenha identificado sua digital em baixarias, malgrado elas terem ocorrido. Figura correta e bem intencionada, o filho de Eudoro Santana certamente vai se esforçar para realizar um mandato biográfico, que homenageie a história combativa do seu genitor.
ANIVERSARIANTES
Como as árvores, as mulheres centenárias merecem a solene reverência, a respeitosa deferência. Nossos cumprimentos para duas delas. Uma é Rosa Ferreira de Moraes, sacerdotisa da educação, mestra da pintura, irmã da música, jardineira da fé, semeadora de bons costumes, legenda referencial! Completou 101 anos no domingo passado. A outra é Maria José Pinto, que na próxima sexta-feira, dia 31 de outubro de 2014 celebrará cem anos de vida: uma alva camélia, um crisântemo branco, um jasmim de candura que merece todo o afeto e louvor dos seus conterrâneos. Abençoadas sejam per sécula seculórum, pelo século dos séculos! Outro que aniversaria no próximo sábado, dia primeiro de novembro, é Antonio dos Santos, que por vários mandatos representou Crateús na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal (vide Crônica ao lado).
PARA REFLETIR
“Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás”. (Sabedoria oriental)
(Júnior Bonfim, no Jornal gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
A MONTANHA
“PT e PSDB frequentaram a sucessão presidencial como personagens de uma anedota de Millôr Fernandes. A piada trata da tecnologia da engenharia na China. Colocam 10 mil chineses cavando de um lado da montanha, 10 mil cavando do outro lado. Se os dois grupos se encontram no meio do caminho, fazem um túnel. Se não se encontram, fazem dois túneis. Petistas e tucanos cavam há anos. Mas a montanha que os separa parece intransponível. Encontram-se de raro em raro. Mas, ocupados em trocar socos e ofensas mútuas, não conseguem enxergar luz no fim do túnel. Desviam-se uns dos outros. E continuam cavando. Em 2014, exageraram nas agressões. “Acho que teve momentos lamentáveis”, disse Dilma Rousseff neste domingo. “Ficará marcada como a mais sórdida campanha já feita”, declarou Aécio Neves. Ou eles param de cavar ou a montanha vai virar um gigantesco labirinto”.
ENCONTRO
“Na origem do relacionamento, imaginou-se que haveria um fim de túnel. A coisa começou em 1978, ano em que o sindicalista Lula apoiou o intelectual FHC na sua primeira campanha ao Senado. Juntos, distribuíam panfletos nas portas de fábrica do ABC paulista. Nessa época, FHC e Lula dividiam conjecturas sobre a constituição de um partido socialista. Mudaram de ideia. E cada um foi cavar a própria história. Um preferiu alinhar-se à esquerda do velho MDB. O outro foi fundar o PT. Encontraram-se no miolo da montanha nos palanques dos comícios pela volta das eleições diretas. Separaram-se no colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves, o avô de Aécio. Juntaram-se num palanque de segundo turno –Lula X Collor. Achegaram-se novamente nas articulações que levaram ao impeachment de Collor”.
DESENCONTRO
“Desde 1994, desencontram-se a cada quatro anos. Estapeiam-se em campanhas presidenciais. FHC prevaleceu sobre Lula em 1994 e 1998. A transição de 2002 para 2003, por civilizada, teve a aparência de um novo reencontro. Engano. Após derrotar Jose Serra, Lula pespegou na gestão de FHC o selo de “herança maldita”. Desentenderam-se de novo em 2006 e 2010. Em 2014, a oratória atingiu o grau máximo de radioatividade”.
BOM SENSO
“Chegou a hora de tornar o cenário menos tóxico. Se restar alguma dose de bom senso, Aécio e Dilma retiram a raiva dos discursos já noite deste domingo, depois do anúncio do resultado das urnas. Dá-se de barato que a montanha venceu. Mas não precisa entregar 100% da governabilidade do labirinto a personagens como Renan Yang, Sarney Ling e toda a dinastia Ming que perambula pelo Congresso à procura de aliança$”.
CEARÁ
Camilo Santana, o governador de todos os cearenses a partir de primeiro de janeiro de 2014, é agora o alvo das conjecturas. Por seu estilo discreto, pouca gente se arrisca a fazer prospecções sobre como será a sua gestão. Porém, há alguns indicativos. Quem pensa que Camilo é um petista radical e virulento, engana-se. Quem imagina que será um mero despachante da família Ferreira Gomes, também se equivoca. Camilo Santana conseguiu a façanha de fazer, pessoalmente, uma campanha respeitosa, sem que ninguém tenha identificado sua digital em baixarias, malgrado elas terem ocorrido. Figura correta e bem intencionada, o filho de Eudoro Santana certamente vai se esforçar para realizar um mandato biográfico, que homenageie a história combativa do seu genitor.
ANIVERSARIANTES
Como as árvores, as mulheres centenárias merecem a solene reverência, a respeitosa deferência. Nossos cumprimentos para duas delas. Uma é Rosa Ferreira de Moraes, sacerdotisa da educação, mestra da pintura, irmã da música, jardineira da fé, semeadora de bons costumes, legenda referencial! Completou 101 anos no domingo passado. A outra é Maria José Pinto, que na próxima sexta-feira, dia 31 de outubro de 2014 celebrará cem anos de vida: uma alva camélia, um crisântemo branco, um jasmim de candura que merece todo o afeto e louvor dos seus conterrâneos. Abençoadas sejam per sécula seculórum, pelo século dos séculos! Outro que aniversaria no próximo sábado, dia primeiro de novembro, é Antonio dos Santos, que por vários mandatos representou Crateús na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal (vide Crônica ao lado).
PARA REFLETIR
“Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás”. (Sabedoria oriental)
(Júnior Bonfim, no Jornal gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
OS 9 PASSOS PARA REFORMAR O PAÍS, SEGUNDO O MINISTRO LUIS ROBERTO BARROSO
Um novo Brasil em nove pontos. A receita do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso foi apresentada aos mais de 16 mil advogados que participam da 22ª Conferência Nacional no Rio de Janeiro. A abordagem inclui o reconhecimento de problemas e a busca por soluções que sirvam para “empurrar a história”, como ele, numa profissão de fé, costuma repetir.
Um novo país que, conforme conclamou, passe por uma reforma política no primeiro semestre de 2015, seja Dilma Rousseff presidenta ou Aécio Neves presidente. E se preciso for, não conseguindo o Congresso Nacional chegar a um acordo sobre o novo modelo político, Barroso defendeu a convocação de um plebiscito. Uma ideia já aventada por Dilma após as manifestações de rua em junho do ano passado. O tema foi martelado por todos que discursaram na abertura da 22ª Conferência Nacional dos Advogados.
“Quem quer que ganhe as próximas eleições tem o dever patriótico de dedicar o primeiro semestre do próximo ano a promover uma reforma política”, afirmou sob os aplausos dos advogados. “Se não houver consenso no Congresso (para sua aprovação), aí sim se parte para um plebiscito.”
Uma visão crítica, mas otimista. Uma lista de problemas, defeitos e obstáculos. Mas um rol igualmente extenso de propostas, concorde-se ou não com elas. Os nove pontos para a reforma do país, na avaliação do ministro do Supremo:
1 – Superação do patrimonialismo, do oficialismo e da desigualdade.
Um patrimonialismo tão arraigado, disse o ministro, que foi preciso a Constituição expressamente vedar que agentes públicos usem dinheiro do Tesouro Nacional para promoção pessoal. O Supremo precisou, ainda, dispor em súmula vinculante que o nepotismo é constitucionalmente vedado.
O oficialismo é a dependência do Estado para tudo, desde a benção a determinada proposta até o financiamento com dinheiro público. E, por fim, o combate ao que o ministro cunhou como inigualitarismo: garantir igualdade de oportunidades, coibir o tratamento mais benéfico para quem tem mais recursos e assegurar que todo cidadão tem direito a ser diferente – religiosa ou sexualmente.
2 – O preconceito contra a livre iniciativa e o empreendedorismo.
Um preconceito, afirmou o ministro, que transforma o capitalismo brasileiro em algo envergonhado, um sentimento que ignora ser a livre iniciativa a principal fonte geradora de riqueza no país. De acordo com Barroso, talvez porque o brasileiro ainda associe o capitalismo brasileiro a favorecimentos por parte do governo, licitações duvidosas, golpes no mercado financeiro, chegando aos grandes latifúndios.
3 – Necessidade urgente de Reforma Política.
O diagnóstico é simples e paradoxal: a necessidade de uma reforma política reúne forças distintas, mas na mesma direção. Mas essa concentração de esforços parece fazer aumentar as dificuldades para que as mudanças sejam feitas.
A conclamação para que o Congresso e o novo presidente concentrem esforços na aprovação de uma reforma política no primeiro semestre de 2015 pode não ser factível, dadas as necessidades de um governo em início de mandado e da chegada ao Congresso de novos parlamentares. Mas reforça o apelo feito na mesma Conferência pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski.
Se a reforma não for aprovada pelo Congresso, que se convoque um plebiscito para que o eleitor responda.
Pergunta I – Sistema eleitoral.
Você é a favor: (1) do sistema proporcional puro (modelo atual); (2) do sistema distrital puro; ou (3) do sistema distrital e proporcional combinados (distrital misto).
Pergunta II – Natureza da lista partidária. Você é a favor: (1) da lista partidária aberta (modelo atual); (2) da lista partidária preordenada; ou (3) do voto proporcional em dois turnos, sendo o primeiro voto no partido e o segundo no candidato.
Pergunta III – Financiamento eleitoral. Você é a favor: (1) do financiamento privado, seja por pessoa física ou jurídica (modelo atual); (2) do financiamento exclusivamente público; ou (3) do financiamento público e privado, sendo este último limitado a pessoas físicas.
4 – O necessário florescimento da sociedade civil: inovação social e filantropia
Uma alternativa para quem pede menos Estado no dia a dia do País. “Nós já temos ricos o suficiente no país para incluir na agenda política a filantropia”, disse Barroso em seu discurso. “Ao lado do governo democrático e da livre-iniciativa, precisamos de mais sociedade civil, de pessoas e de instituições que funcionem como agentes do bem, da transformação social.”
5 – Criação de instituições de ensino superior de ponta.
“O país precisa criar instituições acadêmicas verdadeiramente de ponta. Nessa matéria, estamos atrás de outros países em estágio assemelhado de desenvolvimento, como Rússia, Índia e China. Estamos defasados mesmo em termos de América Latina”, afirma o ministro.
Os alunos seriam recrutados por meio de bolsas de estudo. Professores estrangeiros se juntariam aos brasileiros nessas escolas. Instituições que não sejam financiadas com recursos públicas. Também haveria universidades e faculdades com financiamento de empresas privadas.
6 – Algumas mudanças de patamar ético.
Em tempos de campanha eleitoral, com ataques entre os dois candidatos à Presidência da República, o apelo vem a calhar. “Quem pensa diferentemente de mim não é “meu inimigo, mas meu parceiro na construção de uma sociedade aberta e plural”, afirmou o ministro. “O foco do debate deve ser o argumento e não a pessoa que o enuncia. A divergência, como regra geral, pode e deve ficar no conteúdo do argumento.”
7 – Redução drástica do foro por prerrogativa de função.
No STF, Barroso integra um grupo – já majoritário – que defende a extinção do foro privilegiado. Nas suas palavras, o modelo atual é construído para garantir a impunidade. Para que aqueles no topo econômico da sociedade não sejam condenados.
“O foro por prerrogativa de função é uma reminiscência aristocrática que temos no Brasil. O sistema é muito ruim, é feito para não funcionar, para fomentar a impunidade, para levar à prescrição”, afirmou. “O sistema é feito para isso mesmo: para que ao fim e ao cabo o sujeito não seja punido se estiver no extrato superior da sociedade”, acrescentou.
A proposta do ministro é polêmica: criação de uma vara federal em Brasília para julgar parlamentares, ministros de Estado e de tribunais superiores. Um juiz, que alguns já classificam como super-juiz, que teria mandato de quatro anos e que, ao final do período, seria promovido ao Tribunal Regional Federal. Lá encerraria sua carreira – não poderia, portanto, ser escolhido ministro do Superior Tribunal de Justiça ou do STF.
8 – Equacionamento do excesso de litigiosidade e da demora processual
O último levantamento do Conselho Nacional de Justiça mostrou que há mais de 100 milhões de processos em andamento, algo como um em cada dois brasileiros com alguma ação judicial.
Se por um lado os números mostram que as pessoas passaram a ter mais consciência de seus direitos e demonstram confiança na solução que virá do Judiciário, eles também revelam a crise da Justiça.
Barroso sugeriu algo nem sempre palatável e bem recebido por advogados. Inicialmente, encerrar o processo após o julgamento do caso em duas instâncias. “Acesso à Justiça se dá no duplo grau de jurisdição”, afirmou.
Em seguida, reduzir o uso abusivo ou não dos recursos. Para isso, disse o ministro, seria necessário reformar o sistema brasileiro.
Umas das ideias seria determinar que um juiz de primeiro grau recebesse a inicial do processo e fixasse a data em que iria proferir a sentença. Nesse período, os advogados das partes teriam tempo para produzir provas e prepararem seus argumentos.
9 – Redefinição do papel do Supremo Tribunal Federal.
No STF, Barroso destaca-se pelas propostas de alteração no regimento e nos rumos do tribunal, trabalhando por restringir o plenário a temas constitucionais e deixando os demais processos para as turmas de julgamento. Por propostas como estas, é combatido internamente e encontra muita resistência de alguns colegas, como o ministro Marco Aurélio Mello.
Mas desde que entrou no tribunal, tem demonstrado estranhamento e descontentamento com a quantidade de processos que se vê obrigado a julgar. “Meu assessor veio me dizer com orgulho que havíamos julgado 4.578 processos. Pois eu não tenho orgulho, tenho constrangimento. Isso é o oposto da Jurisdição constitucional”, afirmou.
Os dados são corroborados por uma observação do professor Joaquim Falcão, da Fundação Getulio Vargas. Hoje, um juiz de primeira instância recebe menos processos que um ministro do Supremo. “A pirâmide está invertida”, afirmou Falcão.
E quando o número de processos julgados por cada ministro é dividido pelo tempo útil, a conclusão é uma só: “Estamos repetindo decisões porque não dá tempo”, admitiu Barroso.
Um diagnóstico crítico, propositivo e que, ao final, terminou com uma demonstração de otimismo.
“O Brasil foi um dos maiores sucessos do século XX. Agora, ao longo do século XXI, vamos enfrentar o abismo social brasileiro, com educação, empreendedorismo e serviços públicos de qualidade. E, então, com atraso, mas não tarde demais, chegaremos finalmente ao futuro, oferecendo um exemplo de civilização para o mundo, com justiça social, liberdades públicas, diversidade racial, pluralismo cultural e alegria de viver.”
Por Felipe Recondo
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
Tudo verdim
Abro a coluna com deliciosa historinha do Seridó/RN.
Os cientistas envolvidos com o estudo da agropecuária garantem que o gado bovino somente visualiza uma cor, a escura. Mas o Honorim Medeiros (que Deus o guarde), da Fazenda Pedra do Sino, em Caicó, não foi na conversa e, com a ajuda do seu próprio rebanho, jogou por terra a tese dos doutores em zootecnia. Foi na seca dos anos 50. Exauridos todos os recursos de pastagem, o gado rejeitava os restos do capim seco, duro, esturricado, preferindo apenas a torta de algodão, verdinha, fresquinha, ótimo sabor. Honorim vivia preocupadíssimo, aperreado, sem mais saber o que fazer:
- Tô lascado, desse jeito vou alisar!
Matutou, matutou, e, criativo, bolou a ideia genial. Foi até a Paribana, casa comercial do amigo Antonio da Viola e fez uma inflacionada compra, deixando o comerciante boquiaberto:
- Tem óculos de carnaval? Pois então me dá todo o estoque, todos da cor verde (antigamente, eram comuns os óculos de plástico, com alças de elásticos, usados exclusivamente no período momesco).
O fazendeiro levou-os para a Pedra do Sino e fantasiou o rebanho. Na volta à cidade, o amigo quer saber dos resultados:
- Como é Honorim, deu certo?
O fazendeiro abriu um sorriso de orelha a orelha e deu a boa nova:
- Mas, home, é um milagre. O gado tá comendo até as cercas e os mourões das porteiras!
(Quem conta em Segura Essa é Orlando Rodrigues)
Quem ganha?
Em todos os lugares, a recorrente pergunta: e agora, quem ganha a campanha? Mais uma vez, a bola de cristal está turva. E desta feita, não há esperança que as águas se acalmem e deixem a figura que está na frente. Tudo está mais embolado. Mas se as perguntas adiante forem respondidas, teremos chance de acertar as previsões: Aécio conseguirá retumbante vitória em seu Estado, MG, onde um governador do PT, Fernando Pimentel, eleito no primeiro turno, se transforma em cabo eleitoral de primeira linha de Dilma? Dilma conseguirá expandir sua vitoria no Nordeste, onde teve 12,5 milhões de votos de maioria? Aécio conseguirá expandir seus votos no Nordeste, a partir de PE, e sair dos 15% de votos que teve na região? Ambos conseguirão aumentar seu cacife em SP e no RJ, grandes colégios eleitorais?
Hipóteses
Todas as hipóteses acima são razoáveis para um e para outro, mas outra questão de colocar: a maioria de votos de Aécio no Sudeste conseguirá ultrapassar o latifúndio de votos de Dilma no Nordeste? Se PE vai dar uma boa votação para Aécio, em função do apoio da família Campos a sua candidatura, a BA, que é o quarto maior colégio eleitoral do país, elegeu um governador do PT no primeiro turno. Jaques Wagner está, portanto, com a bola no pênalti para fazer mais um gol. A PB está dividida entre o tucano Cassio Cunha Lima e o socialista do PSB, Ricardo Coutinho, que apóia Dilma. O RN deu mais de 60% dos votos a Dilma. O CE, idem. PI e MA são redutos dilmistas. Já no Sul, Aécio tende a levar a melhor, inclusive no RS, onde terá o apoio do candidato Ivo Sartori, do PMDB.
SP, a guerra maior
Em SP, será travada uma guerra como nunca se viu. Os tucanos contam no Estado a maior rejeição ao PT - mais de 40% - entre todos os entes federativos. Mas o PT tem Lula. Será que o mosqueteiro-mor do partido está cansado? Ou não tem mais munição? Será que os artilheiros de pouco fogo - Fernando Haddad e Alexandre Padilha - terão pólvora para gastar? E Aloizio Mercadante, que já foi candidato ao governo? E Marta Suplicy, a maior herdeira dos votos periféricos do PT em SP? Onde estas pessoas se encontram?
PMDB unido
Já o PMDB, sob o comando de Michel Temer, deu inequívoca demonstração de força e unidade, na segunda-feira passada, quando os prefeitos do partido, vice-prefeitos, vereadores e lideranças regionais compareceram a um encontro-almoço numa churrascaria do bairro do Ipiranga. O único ausente da grande festa foi o candidato do PMDB ao governo, Paulo Skaf, que não recebeu menção ou lembrança na festa. As bases saíram motivadas para a batalha final.
Marina e Aécio
Marina, ufa, acabou dando seu apoio a Aécio Neves. Mas parcela de seus eleitores já havia decidido apoiar o candidato. Outra parcela, principalmente os eleitores de Marina no Nordeste, migram em direção à candidata Dilma. Afinal, os eleitores de Marina e Dilma são muito próximos. No Sudeste, a distância é maior, eis que parcela de ambos habita os andares do meio da pirâmide. Marina teve uma grande votação no Rio. Irá toda para o tucano?
Debates
Ontem, na TV Bandeirantes, foram reiniciados os debates. Apenas corroborarão as decisões já tomadas por grupos e camadas de eleitores. Serão poucos aqueles que deixarão um candidato por outro em função de debate eleitoral. O que pode ocorrer é a migração de eleitores das bases que tendem a aderir a candidatos com melhores chances de vitória. Nesse sentido, esses eleitores querem se sentir vitoriosos. E sair das eleições de cabeça alegre. Teremos debates, ainda no SBT, TV Record e TV Globo.
Os juízes - I
Os juízes, ensinava Francis Bacon, devem ser mais instruídos que sutis, mais reverendos do que aclamados, mais circunspectos do que audaciosos... e completava o velho filósofo: "o juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando os vales e abaixando as montanhas, deve guardar-se de conclusões duras e inferências desmedidas, porque não há pior tortura do que a tortura das leis".
Os juízes - II
Esta semana, este consultor ficou pasmo. Ao tomar conhecimento da decisão de uma juíza (até imaginava que as mulheres juízas tivessem mais humanidade que os homens juízes) no caso de um pleito de senhora de 97 anos, por meio de uma liminar apresentada por um advogado. Tendo uma síncope, foi internada em regime de urgência na UTI de um hospital. Precisava urgentemente ser atendida. A juíza negou provimento à liminar. Por erro procedimental. Faltava um documento, alegou. Que foi imediatamente providenciado. Mesmo assim, decidiu encerrar o recurso. Deixando no ar o alerta: não quero entrar no mérito. Em outras palavras, queria dizer: pouco me importa se a senhora vai morrer, agora, daqui a cinco minutos ou amanhã. Meu olho é para o procedimento. Meu Deus do céu: onde está o bom senso? O que é ser justo? O que é fazer Justiça? Como garantir acesso do povo à Justiça quando, no meio do caminho, há um naipe de juízes com essa índole?
Integridade
Acima de todas as coisas, a integridade é a virtude que na função caracteriza os juízes, ensina Bacon. Será que podemos atribuir a Sua Excelência, a tal juíza insensível, a virtude da integridade?
Mais uma lição
- Nas causas de vida ou morte, devem os juízes não esquecer que com a Justiça está a misericórdia, para castigarem com olhos severos o exemplo, mas com olhos misericordiosos a pessoa. (Francis Bacon, em Ensaios, Capítulo sobre A Judicatura).
(P.S. Seria muito útil que a Excelentíssima juíza pudesse ler essa modesta lição do grande filósofo inglês).
Grandes juízes
Este consultor não tem dificuldades em identificar grandes juízes. Magistrados que encarnam valores e virtudes do humanismo. Querem um exemplo? O presidente da mais alta Corte do Judiciário paulista, o desembargador, José Renato Nalini, que luta por uma Justiça mais próxima ao cidadão.
Ecos da eleição - I
A disputa produziu uma modelagem formada por três tipos de votos: o do bolso, com efeito na barriga; o do coração e o da cabeça. O primeiro saiu da imensa população - cerca de 60 milhões de pessoas - que recebe o adjutório do governo, por meio dos programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos e outros. A equação é: bolso cheio enche a geladeira, que enche a barriga, gerando um voto de reconhecimento e de agradecimento. É o que explica os cerca de 60% da votação que a presidente Dilma obteve no Nordeste. O voto do coração foi dado, sobretudo, à ex-senadora Marina Silva, sob o empuxo da onda emotiva que se formou a partir do acidente que matou o ex-governador de PE, Eduardo Campos. Já o terceiro tipo, o voto racional, mesmo em expansão no país, sai da cabeça dos habitantes do meio da pirâmide, eleitores de maior renda, principalmente das regiões Sul e Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do senador Aécio.
Ecos da eleição - II
A tal "nova política" assentará praça na próxima legislatura? Infelizmente, não. Os resultados mostram, de um lado, grande renovação de quadros (46% de novos deputados na Câmara), e de outro, uma representação que espelha a continuidade de grupos familiares, ao lado de fortes bancadas de setores conservadores. Parece um paradoxo. O clamor das ruas por mudança não furou o bloqueio de bastiões tradicionais. A bancada de empresários subirá de 220 para 280 deputados; a dos ruralistas vai crescer de 130 para 160, aumento de 23%; e a dos sindicalistas diminui de 83 para 46, ou seja, 44%; já a bancada da "bala", conhecida por agregar perfis de ex-militares e de posições radicais, ganhou votação expressiva ao lado da ala de 20 pastores e bispos, irmanados no evangelismo. Por último, ressalte-se a maciça votação de atores midiáticos, como Celso Russomano (que amealhou mais de 1,5 milhão de votos) e o palhaço Tiririca (mais de um milhão), que puxam seis candidatos de suas legendas, mais uma contrafação da velha política.
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(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com deliciosa historinha do Seridó/RN.
Os cientistas envolvidos com o estudo da agropecuária garantem que o gado bovino somente visualiza uma cor, a escura. Mas o Honorim Medeiros (que Deus o guarde), da Fazenda Pedra do Sino, em Caicó, não foi na conversa e, com a ajuda do seu próprio rebanho, jogou por terra a tese dos doutores em zootecnia. Foi na seca dos anos 50. Exauridos todos os recursos de pastagem, o gado rejeitava os restos do capim seco, duro, esturricado, preferindo apenas a torta de algodão, verdinha, fresquinha, ótimo sabor. Honorim vivia preocupadíssimo, aperreado, sem mais saber o que fazer:
- Tô lascado, desse jeito vou alisar!
Matutou, matutou, e, criativo, bolou a ideia genial. Foi até a Paribana, casa comercial do amigo Antonio da Viola e fez uma inflacionada compra, deixando o comerciante boquiaberto:
- Tem óculos de carnaval? Pois então me dá todo o estoque, todos da cor verde (antigamente, eram comuns os óculos de plástico, com alças de elásticos, usados exclusivamente no período momesco).
O fazendeiro levou-os para a Pedra do Sino e fantasiou o rebanho. Na volta à cidade, o amigo quer saber dos resultados:
- Como é Honorim, deu certo?
O fazendeiro abriu um sorriso de orelha a orelha e deu a boa nova:
- Mas, home, é um milagre. O gado tá comendo até as cercas e os mourões das porteiras!
(Quem conta em Segura Essa é Orlando Rodrigues)
Quem ganha?
Em todos os lugares, a recorrente pergunta: e agora, quem ganha a campanha? Mais uma vez, a bola de cristal está turva. E desta feita, não há esperança que as águas se acalmem e deixem a figura que está na frente. Tudo está mais embolado. Mas se as perguntas adiante forem respondidas, teremos chance de acertar as previsões: Aécio conseguirá retumbante vitória em seu Estado, MG, onde um governador do PT, Fernando Pimentel, eleito no primeiro turno, se transforma em cabo eleitoral de primeira linha de Dilma? Dilma conseguirá expandir sua vitoria no Nordeste, onde teve 12,5 milhões de votos de maioria? Aécio conseguirá expandir seus votos no Nordeste, a partir de PE, e sair dos 15% de votos que teve na região? Ambos conseguirão aumentar seu cacife em SP e no RJ, grandes colégios eleitorais?
Hipóteses
Todas as hipóteses acima são razoáveis para um e para outro, mas outra questão de colocar: a maioria de votos de Aécio no Sudeste conseguirá ultrapassar o latifúndio de votos de Dilma no Nordeste? Se PE vai dar uma boa votação para Aécio, em função do apoio da família Campos a sua candidatura, a BA, que é o quarto maior colégio eleitoral do país, elegeu um governador do PT no primeiro turno. Jaques Wagner está, portanto, com a bola no pênalti para fazer mais um gol. A PB está dividida entre o tucano Cassio Cunha Lima e o socialista do PSB, Ricardo Coutinho, que apóia Dilma. O RN deu mais de 60% dos votos a Dilma. O CE, idem. PI e MA são redutos dilmistas. Já no Sul, Aécio tende a levar a melhor, inclusive no RS, onde terá o apoio do candidato Ivo Sartori, do PMDB.
SP, a guerra maior
Em SP, será travada uma guerra como nunca se viu. Os tucanos contam no Estado a maior rejeição ao PT - mais de 40% - entre todos os entes federativos. Mas o PT tem Lula. Será que o mosqueteiro-mor do partido está cansado? Ou não tem mais munição? Será que os artilheiros de pouco fogo - Fernando Haddad e Alexandre Padilha - terão pólvora para gastar? E Aloizio Mercadante, que já foi candidato ao governo? E Marta Suplicy, a maior herdeira dos votos periféricos do PT em SP? Onde estas pessoas se encontram?
PMDB unido
Já o PMDB, sob o comando de Michel Temer, deu inequívoca demonstração de força e unidade, na segunda-feira passada, quando os prefeitos do partido, vice-prefeitos, vereadores e lideranças regionais compareceram a um encontro-almoço numa churrascaria do bairro do Ipiranga. O único ausente da grande festa foi o candidato do PMDB ao governo, Paulo Skaf, que não recebeu menção ou lembrança na festa. As bases saíram motivadas para a batalha final.
Marina e Aécio
Marina, ufa, acabou dando seu apoio a Aécio Neves. Mas parcela de seus eleitores já havia decidido apoiar o candidato. Outra parcela, principalmente os eleitores de Marina no Nordeste, migram em direção à candidata Dilma. Afinal, os eleitores de Marina e Dilma são muito próximos. No Sudeste, a distância é maior, eis que parcela de ambos habita os andares do meio da pirâmide. Marina teve uma grande votação no Rio. Irá toda para o tucano?
Debates
Ontem, na TV Bandeirantes, foram reiniciados os debates. Apenas corroborarão as decisões já tomadas por grupos e camadas de eleitores. Serão poucos aqueles que deixarão um candidato por outro em função de debate eleitoral. O que pode ocorrer é a migração de eleitores das bases que tendem a aderir a candidatos com melhores chances de vitória. Nesse sentido, esses eleitores querem se sentir vitoriosos. E sair das eleições de cabeça alegre. Teremos debates, ainda no SBT, TV Record e TV Globo.
Os juízes - I
Os juízes, ensinava Francis Bacon, devem ser mais instruídos que sutis, mais reverendos do que aclamados, mais circunspectos do que audaciosos... e completava o velho filósofo: "o juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando os vales e abaixando as montanhas, deve guardar-se de conclusões duras e inferências desmedidas, porque não há pior tortura do que a tortura das leis".
Os juízes - II
Esta semana, este consultor ficou pasmo. Ao tomar conhecimento da decisão de uma juíza (até imaginava que as mulheres juízas tivessem mais humanidade que os homens juízes) no caso de um pleito de senhora de 97 anos, por meio de uma liminar apresentada por um advogado. Tendo uma síncope, foi internada em regime de urgência na UTI de um hospital. Precisava urgentemente ser atendida. A juíza negou provimento à liminar. Por erro procedimental. Faltava um documento, alegou. Que foi imediatamente providenciado. Mesmo assim, decidiu encerrar o recurso. Deixando no ar o alerta: não quero entrar no mérito. Em outras palavras, queria dizer: pouco me importa se a senhora vai morrer, agora, daqui a cinco minutos ou amanhã. Meu olho é para o procedimento. Meu Deus do céu: onde está o bom senso? O que é ser justo? O que é fazer Justiça? Como garantir acesso do povo à Justiça quando, no meio do caminho, há um naipe de juízes com essa índole?
Integridade
Acima de todas as coisas, a integridade é a virtude que na função caracteriza os juízes, ensina Bacon. Será que podemos atribuir a Sua Excelência, a tal juíza insensível, a virtude da integridade?
Mais uma lição
- Nas causas de vida ou morte, devem os juízes não esquecer que com a Justiça está a misericórdia, para castigarem com olhos severos o exemplo, mas com olhos misericordiosos a pessoa. (Francis Bacon, em Ensaios, Capítulo sobre A Judicatura).
(P.S. Seria muito útil que a Excelentíssima juíza pudesse ler essa modesta lição do grande filósofo inglês).
Grandes juízes
Este consultor não tem dificuldades em identificar grandes juízes. Magistrados que encarnam valores e virtudes do humanismo. Querem um exemplo? O presidente da mais alta Corte do Judiciário paulista, o desembargador, José Renato Nalini, que luta por uma Justiça mais próxima ao cidadão.
Ecos da eleição - I
A disputa produziu uma modelagem formada por três tipos de votos: o do bolso, com efeito na barriga; o do coração e o da cabeça. O primeiro saiu da imensa população - cerca de 60 milhões de pessoas - que recebe o adjutório do governo, por meio dos programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos e outros. A equação é: bolso cheio enche a geladeira, que enche a barriga, gerando um voto de reconhecimento e de agradecimento. É o que explica os cerca de 60% da votação que a presidente Dilma obteve no Nordeste. O voto do coração foi dado, sobretudo, à ex-senadora Marina Silva, sob o empuxo da onda emotiva que se formou a partir do acidente que matou o ex-governador de PE, Eduardo Campos. Já o terceiro tipo, o voto racional, mesmo em expansão no país, sai da cabeça dos habitantes do meio da pirâmide, eleitores de maior renda, principalmente das regiões Sul e Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do senador Aécio.
Ecos da eleição - II
A tal "nova política" assentará praça na próxima legislatura? Infelizmente, não. Os resultados mostram, de um lado, grande renovação de quadros (46% de novos deputados na Câmara), e de outro, uma representação que espelha a continuidade de grupos familiares, ao lado de fortes bancadas de setores conservadores. Parece um paradoxo. O clamor das ruas por mudança não furou o bloqueio de bastiões tradicionais. A bancada de empresários subirá de 220 para 280 deputados; a dos ruralistas vai crescer de 130 para 160, aumento de 23%; e a dos sindicalistas diminui de 83 para 46, ou seja, 44%; já a bancada da "bala", conhecida por agregar perfis de ex-militares e de posições radicais, ganhou votação expressiva ao lado da ala de 20 pastores e bispos, irmanados no evangelismo. Por último, ressalte-se a maciça votação de atores midiáticos, como Celso Russomano (que amealhou mais de 1,5 milhão de votos) e o palhaço Tiririca (mais de um milhão), que puxam seis candidatos de suas legendas, mais uma contrafação da velha política.
____________
(Gaudêncio Torquato)
domingo, 12 de outubro de 2014
MARINA APOIA AÉCIO (VEJA A NOTA)
Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável”.
Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação.
Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.
Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros.
E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente destinatária de promessas ou compromissos.
Os compromissos explicitados e assinados por Aécio tem como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento.
E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.
Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política.
Para mim eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui.
Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.
Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.
Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram.
Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira.
Me posicionarei.
Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.
A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas.
Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas.
Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.
Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.
Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica.
E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.
Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.
Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos.
Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.
Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:
O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.
A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.
A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado.
Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.
Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.
Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.
Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado
Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.
Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.
Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas
Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.
Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.
Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro.
É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranqüilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.
Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil.
O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas.
É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa.
É ferir de morte a democracia.
Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum.
É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.
Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.
Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu.
Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar.
O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas.
MARINA SILVA
Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação.
Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.
Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros.
E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente destinatária de promessas ou compromissos.
Os compromissos explicitados e assinados por Aécio tem como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento.
E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.
Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política.
Para mim eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui.
Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.
Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.
Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram.
Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira.
Me posicionarei.
Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.
A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas.
Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas.
Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.
Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.
Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica.
E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.
Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.
Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos.
Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.
Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:
O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.
A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.
A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado.
Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.
Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.
Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.
Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado
Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.
Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.
Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas
Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.
Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.
Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro.
É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranqüilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.
Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil.
O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas.
É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa.
É ferir de morte a democracia.
Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum.
É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.
Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.
Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu.
Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar.
O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas.
MARINA SILVA
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
OBSERVATÓRIO
Se compararmos o processo eleitoral com uma partida de futebol, o segundo turno significa a prorrogação do jogo. O eleitor, ainda não totalmente convencido, resolve pedir um tempo para refletir melhor. Foi o que fez, este ano, o votante na esfera do estado do Ceará e em âmbito nacional. Quais os possíveis desdobramentos dessa nova etapa/momento da disputa?
PT X PSDB
Será reeditada uma polarização já conhecida no Brasil: PT e PSDB, que é artificial. Escorados em orientações de marqueteiros, petistas e tucanos se demonizam mutuamente. (Em um breve passeio pelas redes sociais se atesta quão virulentos são os ataques). Vendem-se muito diferentes, embora não o sejam. Quem analisa sem parcialidade, constata que os dois principais partidos brasileiros se detestam com a mesma intensidade com que se invejam. Analistas falam que os principais líderes das duas agremiações, Fernando Henrique e Lula, encarnam e simbolizam essa relação de amor e ódio, de paixão e emulação. Esse contraditório sentimento poderia ser assim resumido: Lula almejaria possuir o charme acadêmico do sociólogo; FHC sempre sonhou possuir a sedução popular do ex-metalúrgico. Um já votou no outro e vice-versa: em 1978, FHC foi candidato a Senador e um dos seus apoiadores era Lula; no segundo turno de 1989, FHC votou em Lula para Presidente.
PT X PSDB II
No pós campanha, os discursos mudam. Quando Presidente, por várias vezes FHC sinalizou no sentido de uma aproximação com a turma da estrela. Um dos seus principais parceiros dialogais era Tião Viana, petista do Acre. Noutro giro, cumpre indagar: quem, no primeiro mandato, Lula nomeou para a Presidência do Banco Central? O então deputado federal tucano Henrique Meireles. Quando sentado na cadeira presidencial, um dos governadores com interlocução freqüente junto a Lula era... o mineiro Aécio Neves. Por sua vez, Governador de Minas, Aécio mantinha uma relação de cordial intimidade e frutífera ação com então prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Trocando em miúdos: esse discurso ácido, irracional e corrosivo de um contra o outro já está saturado. Esperamos que neste segundo turno predomine um debate qualificado, com olhos propositivos para o futuro.
CEARÁ
O que foi esposado no plano nacional vale para o estadual. Só que, no caso da eleição para governador, há um aditivo mais relevante: os dois rivais que contendem no segundo turno eram aliados e amigos até poucos meses. Camilo e Eunício são partes de um mesmo grupo que se dividiu. Portanto, ao invés da guerra autofágica, deveriam realizar uma disputa mágica: mostrar quem pode retirar mais coelhos da cartola ou cartas da camisa para a solução dos graves desafios que ainda remanescem em nosso sofrido Ceará. É o que esperamos.
CRATEÚS
A eleição em Crateús consolidou algumas conclusões. Uma delas: está superada a velha dicotomia que reinava na política municipal entre dois grandes blocos. A bipolaridade foi superada pela multipolaridade. Não temos mais duas grandes forças, mas uma variedade de grupos e facções políticas, cada um com peso específico. São retalhos distintos compondo a velha colcha da política local. Vejamos: a votação de Gorete Pereira, obtendo o primeiro lugar para Deputada Federal, denuncia a força do grupo de Elder Leitão, que pode assumir a posição que quiser na eleição de 2016. O grupo de Genecias Noronha, segundo colocado, também. Guimarães, como terceiro colocado, revela a posição do Prefeito Mauro Soares. Chico Lopes, o quarto, expõe o peso do ex-prefeito Felipe e do PCdoB. Domingos Neto, o quinto, de parte da oposição. Isso significa que, para a eleição municipal, tudo fica no terreno da incógnita.
DESTAQUES
À primeira vista, o grande destaque foi Carlos Felipe, campeão de votos. Aparentemente, Felipe fez uma campanha simples, sem ceder à compra de votos ou sem grandes dispêndios do próprio bolso. Sucede que contou com dois fatores que o favoreceram: a desistência de Nenen Coelho e o apoio da Prefeitura. Sem Nenen como concorrente, Carlos Felipe teve o campo aberto, enquanto a máquina municipal não parou de trabalhar em seu benefício. O custo direto e indireto do apoio da Prefeitura é incalculável. Os outros principais contendores de Felipe – Aderlânia, Jeová Mota e Walter Cavalcante – também foram eleitos. Isso é bom, pois significa mais gente para ser cobrada e para trabalhar pela nossa terra.
DESTAQUES II
Merece destaque o resultado exibido pelo dirigente político Enivaldo Corisco, que apoiou Moses Rodrigues e Gomes Farias. Garantiu um lugar à mesa da sucessão. Seu peso político, algo ao redor de dois mil votos, é decisivo em qualquer pleito municipal.
DESTAQUES III
Dos Prefeitos da região foi Toinho Contábil o que abocanhou o troféu de maior eficiência no processo de transferência de votos. Deu maioria a todos os seus candidatos, inclusive a Mauro Filho.
REGISTROS!
Nossos efusivos votos de parabéns para o jornalista e editor César Vale, pelo natalício festejado dia 07, terça-feira passada... E para a senhora Maria José Pinto, que saboreia a fruta do centenário... Nossas condolências à família de Maria Lindomar Bezerra. Depois de uma vida de labuta em que registrou o nascimento de muita gente, atestamos aqui o seu falecimento na última segunda-feira (06.10.14).
PARA REFLETIR
“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. (John Galbraith)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
PT X PSDB
Será reeditada uma polarização já conhecida no Brasil: PT e PSDB, que é artificial. Escorados em orientações de marqueteiros, petistas e tucanos se demonizam mutuamente. (Em um breve passeio pelas redes sociais se atesta quão virulentos são os ataques). Vendem-se muito diferentes, embora não o sejam. Quem analisa sem parcialidade, constata que os dois principais partidos brasileiros se detestam com a mesma intensidade com que se invejam. Analistas falam que os principais líderes das duas agremiações, Fernando Henrique e Lula, encarnam e simbolizam essa relação de amor e ódio, de paixão e emulação. Esse contraditório sentimento poderia ser assim resumido: Lula almejaria possuir o charme acadêmico do sociólogo; FHC sempre sonhou possuir a sedução popular do ex-metalúrgico. Um já votou no outro e vice-versa: em 1978, FHC foi candidato a Senador e um dos seus apoiadores era Lula; no segundo turno de 1989, FHC votou em Lula para Presidente.
PT X PSDB II
No pós campanha, os discursos mudam. Quando Presidente, por várias vezes FHC sinalizou no sentido de uma aproximação com a turma da estrela. Um dos seus principais parceiros dialogais era Tião Viana, petista do Acre. Noutro giro, cumpre indagar: quem, no primeiro mandato, Lula nomeou para a Presidência do Banco Central? O então deputado federal tucano Henrique Meireles. Quando sentado na cadeira presidencial, um dos governadores com interlocução freqüente junto a Lula era... o mineiro Aécio Neves. Por sua vez, Governador de Minas, Aécio mantinha uma relação de cordial intimidade e frutífera ação com então prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel. Trocando em miúdos: esse discurso ácido, irracional e corrosivo de um contra o outro já está saturado. Esperamos que neste segundo turno predomine um debate qualificado, com olhos propositivos para o futuro.
CEARÁ
O que foi esposado no plano nacional vale para o estadual. Só que, no caso da eleição para governador, há um aditivo mais relevante: os dois rivais que contendem no segundo turno eram aliados e amigos até poucos meses. Camilo e Eunício são partes de um mesmo grupo que se dividiu. Portanto, ao invés da guerra autofágica, deveriam realizar uma disputa mágica: mostrar quem pode retirar mais coelhos da cartola ou cartas da camisa para a solução dos graves desafios que ainda remanescem em nosso sofrido Ceará. É o que esperamos.
CRATEÚS
A eleição em Crateús consolidou algumas conclusões. Uma delas: está superada a velha dicotomia que reinava na política municipal entre dois grandes blocos. A bipolaridade foi superada pela multipolaridade. Não temos mais duas grandes forças, mas uma variedade de grupos e facções políticas, cada um com peso específico. São retalhos distintos compondo a velha colcha da política local. Vejamos: a votação de Gorete Pereira, obtendo o primeiro lugar para Deputada Federal, denuncia a força do grupo de Elder Leitão, que pode assumir a posição que quiser na eleição de 2016. O grupo de Genecias Noronha, segundo colocado, também. Guimarães, como terceiro colocado, revela a posição do Prefeito Mauro Soares. Chico Lopes, o quarto, expõe o peso do ex-prefeito Felipe e do PCdoB. Domingos Neto, o quinto, de parte da oposição. Isso significa que, para a eleição municipal, tudo fica no terreno da incógnita.
DESTAQUES
À primeira vista, o grande destaque foi Carlos Felipe, campeão de votos. Aparentemente, Felipe fez uma campanha simples, sem ceder à compra de votos ou sem grandes dispêndios do próprio bolso. Sucede que contou com dois fatores que o favoreceram: a desistência de Nenen Coelho e o apoio da Prefeitura. Sem Nenen como concorrente, Carlos Felipe teve o campo aberto, enquanto a máquina municipal não parou de trabalhar em seu benefício. O custo direto e indireto do apoio da Prefeitura é incalculável. Os outros principais contendores de Felipe – Aderlânia, Jeová Mota e Walter Cavalcante – também foram eleitos. Isso é bom, pois significa mais gente para ser cobrada e para trabalhar pela nossa terra.
DESTAQUES II
Merece destaque o resultado exibido pelo dirigente político Enivaldo Corisco, que apoiou Moses Rodrigues e Gomes Farias. Garantiu um lugar à mesa da sucessão. Seu peso político, algo ao redor de dois mil votos, é decisivo em qualquer pleito municipal.
DESTAQUES III
Dos Prefeitos da região foi Toinho Contábil o que abocanhou o troféu de maior eficiência no processo de transferência de votos. Deu maioria a todos os seus candidatos, inclusive a Mauro Filho.
REGISTROS!
Nossos efusivos votos de parabéns para o jornalista e editor César Vale, pelo natalício festejado dia 07, terça-feira passada... E para a senhora Maria José Pinto, que saboreia a fruta do centenário... Nossas condolências à família de Maria Lindomar Bezerra. Depois de uma vida de labuta em que registrou o nascimento de muita gente, atestamos aqui o seu falecimento na última segunda-feira (06.10.14).
PARA REFLETIR
“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. (John Galbraith)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
CONJUNTURA NACIONAL
Coronel, eis as urnas...
O coronel Lucas Pinto, que comandava a UDN no Vale do Apodi/RN, não dormia em serviço. Quando o Tribunal Eleitoral exigiu que os títulos eleitorais fossem documentados com a foto do eleitor, mandou um fotógrafo "tirar a chapa" do seu rebanho, aliás, do seu eleitorado. Numa fazenda, um eleitor tirava o leite da vaca quando foi orientado a posar para a foto. Não teve dúvida: escolheu a vaca como companheira do flagrante. Mas o fotógrafo, por descuido, deixou-o fora. O coronel Lucas Pinto não teve dúvida. Ao entregar as fotos aos eleitores, deparando-se com a vaca, não perdeu tempo e ordenou ao eleitor: "prega a foto aí, vote assim mesmo, na próxima eleição, nós arrumamos a situação". Noutra feita, o coronel levou as urnas de Apodi para o juiz, em Mossoró, quase 15 dias após as eleições. Tomou uma bronca.
- Coronel, isso não se faz. As eleições ocorreram há 15 dias.
- Pode deixar, "seu" juiz. Na próxima, vou trazer bem cedo.
Não deu outra. Na eleição seguinte, três dias antes do pleito, o velho Lucas Pinto chegava com um comboio de burros carregando as urnas. Chegando ao cartório, surpreendeu o juiz:
- Taqui, seu juiz, as urnas de Apodi.
- Mas coronel, as eleições serão daqui a três dias.
- Ah, seu juiz, não quero levar mais bronca. Tá tudo direitinho. Todos os eleitores votaram. Trouxe antes para não ter problema.
Idos das décadas de 50/60. Não havia grandes empreiteiras financiando campanhas. A empreitada ficava mesmo a cargo dos coronéis.
A voz de SP
Primeiro, vale ressaltar a onda da razão. Ela veio e empurrou Aécio para o segundo turno. E veio de onde este escriba previa há bastante tempo: de SP, onde reside o eleitorado mais racional do país. Há um mês, no meu artigo dominical no Estadão, eu dizia que SP, com seus maiores agrupamentos especializados, deveria sinalizar o segundo turno, eis que no Estado se concentra a maior oposição ao PT. SP é um território à parte. A voz crítica se faz ver até nos municípios que são berço do PT, como São Bernardo do Campo e em outros do ABC paulista, onde Aécio teve mais votos que Dilma.
A batalha de SP
O artigo sobre SP abria assim: Non ducor, duco. "Não sou conduzido, conduzo". O lema do brasão da cidade de SP, criado em 1916 pelo prefeito Washington Luiz, que veio a assumir, depois, a presidência da República, expressa de modo adequado a importância do Estado mais poderoso da Federação no pleito eleitoral deste ano. Ancorando a hipótese, há uma densa lista de superlativos: cerca de 32 milhões de eleitores; as mais populosas classes sociais, com destaque para três contingentes de classe média (A, B e C) e super-povoadas margens sociais; os maiores conglomerados de categorias setoriais, abarcando trabalhadores e profissionais liberais; centrais sindicais e entidades de áreas produtivas; movimentos organizados, que promovem intensa mobilização e abrem a locução das ruas; núcleos em defesa de direitos humanos, minorias e igualdade de gêneros; e, para dar vazão às demandas dessa gigantesca teia de representação, SãP dispõe de vigorosa tuba de ressonância, cujo eco se faz ouvir em todo o território nacional.
O meio da lagoa
Mais adiante, arrematei: "costuma-se dizer que o pleito será decidido pela passagem do transatlântico eleitoral pelo Triângulo das Bermudas, constituído por SP, MG e RJ, os três maiores colégios. Ou ainda que Minas é quem decide, sob o argumento de que o Estado do Sudeste é uma encruzilhada que representa a síntese do país. Ora, quando há na disputa dois candidatos mineiros (Aécio e Dilma), a tese parece fraquejar. O fato é que SP possui os maiores exércitos da guerra eleitoral. As ondas de seu mar costumam empurrar para longe os eventos que geram: protestos, denúncias, discursos positivos/negativos, avaliações de candidatos, percepções sobre o cotidiano. Na simbologia da pedra jogada no meio da lagoa (associada à classe media), o Estado é a força centrípeta que faz as marolas chegarem às margens... a batalha de SP será decisiva".
Marina desconstruída
Marina sofreu os efeitos do bombardeio. Não resistiu, conforme também apontávamos em entrevista no programa Entre Aspas, da Globo News, há um mês e meio. Não tinha estrutura, seu discurso passou a mudar, o programa de governo ganhou uma bateria de críticas. E até foi flagrada em contradição forte ante a questão do voto que deu contra a CPMF. Magoada com o tiroteio mais retumbante da candidata Dilma, apoiará Aécio Neves, no que será seguida pela família de Eduardo Campos. É claro que exigirá colagem de programas e ajustes principiológicos, particularmente no que diz respeito à sustentabilidade e ao mandato de cinco anos, sem reeleição, nos cargos ao Executivo.
Triângulo das Bermudas
Este consultor volta a dizer: a decisão do segundo turno passará pelas fortes correntezas que se desenvolvem no Triângulo das Bermudas : SP, MG e RJ. Em SP, Aécio poderá aumentar a margem de mais de quatro milhões de votos de maioria que obteve sobre a presidente Dilma, caso consiga a participação e o empenho dos tucanos, a partir do governador eleito, Alckmin. Como se sabe, este já está sendo apontado como o candidato tucano em 2018. Como Aécio defende um mandato de cinco anos, sem reeleição, a receita cai bem no colo de Alckmin. Em Minas, Aécio precisa trabalhar com a mineiridade e vencer de ponta a ponta, não apenas no sul do Estado. Mas terá contra ele o governador eleito, Fernando Pimentel.
Briga de foice no escuro
Em Minas, veremos uma briga de foice no escuro. Aécio e Anastasia, de um lado, com seus sabres ensarilhados, e de outro, Dilma e Pimentel, guerreando para evitar que os mineiros se reúnam em torno do tucano. Dilma até poderá cantar: quem conhece Aécio não vota nele, toada que Pimentel já anuncia não ser boa. Em SP, Lula fará o que Maquiavel soprar no seu ouvido para aumentar a votação de sua pupila. Ele se mostra surpreso com a grande votação de Aécio, mas ele próprio é, em parte, responsável por esta situação, quando dá força ao slogan "nós contra eles", sem perceber que esse mote não bate bem na cabeça da poderosa classe média do Estado.
O Nordeste
Já na região nordestina, a candidata Dilma continuará a ter sua principal fortaleza, que abriga os milhões de famílias sob o teto da Minha Casa, Minha Vida, e diante do pão sobre a mesa, garantido pelo gigantesco programa Bolsa Família. Dilma quer ter mais de 60% dos votos na região para compensar eventual perda de votos no Sudeste do país. Em PE, por exemplo, deverá intensificar a mobilização, eis que Marina ganhou no Estado e a família Campos deverá fazer campanha para Aécio. Ela conta com um forte reduto na BA, onde o governador Jaques Wagner, mais uma vez, vira a campanha e coloca o PT na dianteira.
O RJ
No RJ, Dilma terá dois grandes palanques: o de Pezão e o de Crivella. Mas Aécio, que tem uma banda carioca no perfil, poderá aumentar a sua fatia, surfando na "onda da razão", que pega principalmente eleitores do meio da pirâmide.
Rolo compressor
O rolo compressor das máquinas tende a favorecer os candidatos situacionistas. É o que se viu, aliás, na última semana do primeiro turno, quando os candidatos governistas encostaram e alguns ultrapassaram os oposicionistas. Neste caso, urge sinalizar a força da candidata Dilma no segundo turno, apesar de se constatar a forte máquina tucana, que poderá beneficiar Aécio, a partir de SP e PR, onde dois tucanos erguem a bandeira da vitória.
Debates e desconstrução
É previsível um cenário de defesa forte de programas e ideias, mas não se descarta a probabilidade da continuação da campanha negativa. De um lado, o pano de fundo serão os escândalos e a corrupção, de outro, "os fantasmas" do passado, como crava a presidente Dilma, mostrando os traumas na economia no segundo ciclo FHC. Aécio deve retrucar, resgatando o Plano Real e mostrando os "monstros" de hoje. Será uma luta sangrenta. Ou tudo ou nada para os dois lados.
Congresso fragmentado
Teremos um Congresso mais fragmentado: as 22 siglas na Câmara passarão para 28 e das 16 no Senado, teremos 18. O rolo compressor governista será até maior, eis que os partidos da base elegeram 304 deputados Federais, mais que o dobro dos 138 deputados eleitos pelas 10 siglas que apoiaram o oposicionista Aécio Neves. Mas isso não significa alinhamento automático. Muitos poderão sair de seu lado e aderir a outro.
Congresso conservador
O Congresso será mais conservador, bastando ver os números : de 220, o número de empresários passará para 280 ; os sindicalistas diminuem de 83 para 46, ou seja, 44%; e os ruralistas sobem de 130 para 160, e, aumento de 23%. 46% - esse é o índice de renovação na Câmara, mas não significa compromisso com a "nova política", eis que muitos pertencem aos quadros tradicionais da política regional. A religiosidade também se expande : pastores e bispos aumentam para 20.
Pesquisas erram?
Em nove Estados, as pesquisas apresentaram índices diferentes dos resultados: CE, PE, BA, RS, MG, DF, RJ, SP e PR. Alguns furos: Garotinho não vai ao segundo turno, conforme os Institutos de Pesquisa anunciavam; Camilo Santana, do PT do CE, teve quatro pontos a mais que os índices de pesquisas; Padilha, em SP, também teve cinco pontos a mais; Rui Costa, na BA, idem, com cinco pontos a mais. Os Institutos precisam aumentar suas amostras e fazer controles mais rígidos.
Posições radicais
Posições radicais deram alta visibilidade a seus porta-vozes, que ganharam uma montanha de votos. Jair Bolsonaro teve 465 mil votos; o delegado Eder Mauro teve 266 mil votos no PR; no RS, Luiz Carlos Heinze teve 162 mil votos; em GO, o delegado Waldir foi o mais votado, com 275 mil votos; o coronel da reserva, Alberto Fraga, no DF, ganhou 155 mil votos.
Midiáticos e religiosos
Celso Russomano, do PRB, liderou com 1.524.361 votos; Tiririca, do PR, abocanhou 1.016.796; pastor Eurico, do PSB, 233.762; pastor Marco Feliciano, 398.087; Paulinho da Força, do SD, 227.186.
Maior perda
A maior perda absoluta na Câmara é do PT: 18 deputados. PT fica com 70 (tinha 88) e o PMDB terá 66 (tinha 71). A terceira bancada será a do PSDB, com 54 deputados (tinha 44); a quarta bancada será a do PSD, com 37 (tinha 45) e a quinta será a do PP, com 36 (tinha 40).
Um voto
Alguns candidatos não tiveram um voto sequer, como acabo de ver na lista de deputados estaduais do RN. Mas Selma Silva, do PHS, teve um voto. Um. Donde se conclui que deve ter sido o dela. Merece destaque. Os outros podem até ter desistido. Selma, não.
Marina, na quinta
Marina anunciará seu apoio na quinta-feira. Tudo indica que acompanhará Aécio Neves.
(Gaudêncio Torquato)
O coronel Lucas Pinto, que comandava a UDN no Vale do Apodi/RN, não dormia em serviço. Quando o Tribunal Eleitoral exigiu que os títulos eleitorais fossem documentados com a foto do eleitor, mandou um fotógrafo "tirar a chapa" do seu rebanho, aliás, do seu eleitorado. Numa fazenda, um eleitor tirava o leite da vaca quando foi orientado a posar para a foto. Não teve dúvida: escolheu a vaca como companheira do flagrante. Mas o fotógrafo, por descuido, deixou-o fora. O coronel Lucas Pinto não teve dúvida. Ao entregar as fotos aos eleitores, deparando-se com a vaca, não perdeu tempo e ordenou ao eleitor: "prega a foto aí, vote assim mesmo, na próxima eleição, nós arrumamos a situação". Noutra feita, o coronel levou as urnas de Apodi para o juiz, em Mossoró, quase 15 dias após as eleições. Tomou uma bronca.
- Coronel, isso não se faz. As eleições ocorreram há 15 dias.
- Pode deixar, "seu" juiz. Na próxima, vou trazer bem cedo.
Não deu outra. Na eleição seguinte, três dias antes do pleito, o velho Lucas Pinto chegava com um comboio de burros carregando as urnas. Chegando ao cartório, surpreendeu o juiz:
- Taqui, seu juiz, as urnas de Apodi.
- Mas coronel, as eleições serão daqui a três dias.
- Ah, seu juiz, não quero levar mais bronca. Tá tudo direitinho. Todos os eleitores votaram. Trouxe antes para não ter problema.
Idos das décadas de 50/60. Não havia grandes empreiteiras financiando campanhas. A empreitada ficava mesmo a cargo dos coronéis.
A voz de SP
Primeiro, vale ressaltar a onda da razão. Ela veio e empurrou Aécio para o segundo turno. E veio de onde este escriba previa há bastante tempo: de SP, onde reside o eleitorado mais racional do país. Há um mês, no meu artigo dominical no Estadão, eu dizia que SP, com seus maiores agrupamentos especializados, deveria sinalizar o segundo turno, eis que no Estado se concentra a maior oposição ao PT. SP é um território à parte. A voz crítica se faz ver até nos municípios que são berço do PT, como São Bernardo do Campo e em outros do ABC paulista, onde Aécio teve mais votos que Dilma.
A batalha de SP
O artigo sobre SP abria assim: Non ducor, duco. "Não sou conduzido, conduzo". O lema do brasão da cidade de SP, criado em 1916 pelo prefeito Washington Luiz, que veio a assumir, depois, a presidência da República, expressa de modo adequado a importância do Estado mais poderoso da Federação no pleito eleitoral deste ano. Ancorando a hipótese, há uma densa lista de superlativos: cerca de 32 milhões de eleitores; as mais populosas classes sociais, com destaque para três contingentes de classe média (A, B e C) e super-povoadas margens sociais; os maiores conglomerados de categorias setoriais, abarcando trabalhadores e profissionais liberais; centrais sindicais e entidades de áreas produtivas; movimentos organizados, que promovem intensa mobilização e abrem a locução das ruas; núcleos em defesa de direitos humanos, minorias e igualdade de gêneros; e, para dar vazão às demandas dessa gigantesca teia de representação, SãP dispõe de vigorosa tuba de ressonância, cujo eco se faz ouvir em todo o território nacional.
O meio da lagoa
Mais adiante, arrematei: "costuma-se dizer que o pleito será decidido pela passagem do transatlântico eleitoral pelo Triângulo das Bermudas, constituído por SP, MG e RJ, os três maiores colégios. Ou ainda que Minas é quem decide, sob o argumento de que o Estado do Sudeste é uma encruzilhada que representa a síntese do país. Ora, quando há na disputa dois candidatos mineiros (Aécio e Dilma), a tese parece fraquejar. O fato é que SP possui os maiores exércitos da guerra eleitoral. As ondas de seu mar costumam empurrar para longe os eventos que geram: protestos, denúncias, discursos positivos/negativos, avaliações de candidatos, percepções sobre o cotidiano. Na simbologia da pedra jogada no meio da lagoa (associada à classe media), o Estado é a força centrípeta que faz as marolas chegarem às margens... a batalha de SP será decisiva".
Marina desconstruída
Marina sofreu os efeitos do bombardeio. Não resistiu, conforme também apontávamos em entrevista no programa Entre Aspas, da Globo News, há um mês e meio. Não tinha estrutura, seu discurso passou a mudar, o programa de governo ganhou uma bateria de críticas. E até foi flagrada em contradição forte ante a questão do voto que deu contra a CPMF. Magoada com o tiroteio mais retumbante da candidata Dilma, apoiará Aécio Neves, no que será seguida pela família de Eduardo Campos. É claro que exigirá colagem de programas e ajustes principiológicos, particularmente no que diz respeito à sustentabilidade e ao mandato de cinco anos, sem reeleição, nos cargos ao Executivo.
Triângulo das Bermudas
Este consultor volta a dizer: a decisão do segundo turno passará pelas fortes correntezas que se desenvolvem no Triângulo das Bermudas : SP, MG e RJ. Em SP, Aécio poderá aumentar a margem de mais de quatro milhões de votos de maioria que obteve sobre a presidente Dilma, caso consiga a participação e o empenho dos tucanos, a partir do governador eleito, Alckmin. Como se sabe, este já está sendo apontado como o candidato tucano em 2018. Como Aécio defende um mandato de cinco anos, sem reeleição, a receita cai bem no colo de Alckmin. Em Minas, Aécio precisa trabalhar com a mineiridade e vencer de ponta a ponta, não apenas no sul do Estado. Mas terá contra ele o governador eleito, Fernando Pimentel.
Briga de foice no escuro
Em Minas, veremos uma briga de foice no escuro. Aécio e Anastasia, de um lado, com seus sabres ensarilhados, e de outro, Dilma e Pimentel, guerreando para evitar que os mineiros se reúnam em torno do tucano. Dilma até poderá cantar: quem conhece Aécio não vota nele, toada que Pimentel já anuncia não ser boa. Em SP, Lula fará o que Maquiavel soprar no seu ouvido para aumentar a votação de sua pupila. Ele se mostra surpreso com a grande votação de Aécio, mas ele próprio é, em parte, responsável por esta situação, quando dá força ao slogan "nós contra eles", sem perceber que esse mote não bate bem na cabeça da poderosa classe média do Estado.
O Nordeste
Já na região nordestina, a candidata Dilma continuará a ter sua principal fortaleza, que abriga os milhões de famílias sob o teto da Minha Casa, Minha Vida, e diante do pão sobre a mesa, garantido pelo gigantesco programa Bolsa Família. Dilma quer ter mais de 60% dos votos na região para compensar eventual perda de votos no Sudeste do país. Em PE, por exemplo, deverá intensificar a mobilização, eis que Marina ganhou no Estado e a família Campos deverá fazer campanha para Aécio. Ela conta com um forte reduto na BA, onde o governador Jaques Wagner, mais uma vez, vira a campanha e coloca o PT na dianteira.
O RJ
No RJ, Dilma terá dois grandes palanques: o de Pezão e o de Crivella. Mas Aécio, que tem uma banda carioca no perfil, poderá aumentar a sua fatia, surfando na "onda da razão", que pega principalmente eleitores do meio da pirâmide.
Rolo compressor
O rolo compressor das máquinas tende a favorecer os candidatos situacionistas. É o que se viu, aliás, na última semana do primeiro turno, quando os candidatos governistas encostaram e alguns ultrapassaram os oposicionistas. Neste caso, urge sinalizar a força da candidata Dilma no segundo turno, apesar de se constatar a forte máquina tucana, que poderá beneficiar Aécio, a partir de SP e PR, onde dois tucanos erguem a bandeira da vitória.
Debates e desconstrução
É previsível um cenário de defesa forte de programas e ideias, mas não se descarta a probabilidade da continuação da campanha negativa. De um lado, o pano de fundo serão os escândalos e a corrupção, de outro, "os fantasmas" do passado, como crava a presidente Dilma, mostrando os traumas na economia no segundo ciclo FHC. Aécio deve retrucar, resgatando o Plano Real e mostrando os "monstros" de hoje. Será uma luta sangrenta. Ou tudo ou nada para os dois lados.
Congresso fragmentado
Teremos um Congresso mais fragmentado: as 22 siglas na Câmara passarão para 28 e das 16 no Senado, teremos 18. O rolo compressor governista será até maior, eis que os partidos da base elegeram 304 deputados Federais, mais que o dobro dos 138 deputados eleitos pelas 10 siglas que apoiaram o oposicionista Aécio Neves. Mas isso não significa alinhamento automático. Muitos poderão sair de seu lado e aderir a outro.
Congresso conservador
O Congresso será mais conservador, bastando ver os números : de 220, o número de empresários passará para 280 ; os sindicalistas diminuem de 83 para 46, ou seja, 44%; e os ruralistas sobem de 130 para 160, e, aumento de 23%. 46% - esse é o índice de renovação na Câmara, mas não significa compromisso com a "nova política", eis que muitos pertencem aos quadros tradicionais da política regional. A religiosidade também se expande : pastores e bispos aumentam para 20.
Pesquisas erram?
Em nove Estados, as pesquisas apresentaram índices diferentes dos resultados: CE, PE, BA, RS, MG, DF, RJ, SP e PR. Alguns furos: Garotinho não vai ao segundo turno, conforme os Institutos de Pesquisa anunciavam; Camilo Santana, do PT do CE, teve quatro pontos a mais que os índices de pesquisas; Padilha, em SP, também teve cinco pontos a mais; Rui Costa, na BA, idem, com cinco pontos a mais. Os Institutos precisam aumentar suas amostras e fazer controles mais rígidos.
Posições radicais
Posições radicais deram alta visibilidade a seus porta-vozes, que ganharam uma montanha de votos. Jair Bolsonaro teve 465 mil votos; o delegado Eder Mauro teve 266 mil votos no PR; no RS, Luiz Carlos Heinze teve 162 mil votos; em GO, o delegado Waldir foi o mais votado, com 275 mil votos; o coronel da reserva, Alberto Fraga, no DF, ganhou 155 mil votos.
Midiáticos e religiosos
Celso Russomano, do PRB, liderou com 1.524.361 votos; Tiririca, do PR, abocanhou 1.016.796; pastor Eurico, do PSB, 233.762; pastor Marco Feliciano, 398.087; Paulinho da Força, do SD, 227.186.
Maior perda
A maior perda absoluta na Câmara é do PT: 18 deputados. PT fica com 70 (tinha 88) e o PMDB terá 66 (tinha 71). A terceira bancada será a do PSDB, com 54 deputados (tinha 44); a quarta bancada será a do PSD, com 37 (tinha 45) e a quinta será a do PP, com 36 (tinha 40).
Um voto
Alguns candidatos não tiveram um voto sequer, como acabo de ver na lista de deputados estaduais do RN. Mas Selma Silva, do PHS, teve um voto. Um. Donde se conclui que deve ter sido o dela. Merece destaque. Os outros podem até ter desistido. Selma, não.
Marina, na quinta
Marina anunciará seu apoio na quinta-feira. Tudo indica que acompanhará Aécio Neves.
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