quinta-feira, 9 de abril de 2015

A FELICIDADE QUE VEM DE FORA É EFÊMERA

O jovem monge tibetano Yongey Mingyur Rinpoche ensina que a felicidade só é completa quando brota de dentro de nós mesmos

por Liane Alves

Ao medir a atividade da área relacionada à felicidade, que fica no córtex frontal do cérebro, os cientistas da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, levaram um susto. Quando submeteram o jovem mestre tibetano Yongey Mingyur Rinpoche aos seus testes, descobriram que ele mostrava uma atividade de 700% a 1 000% maior do que uma pessoa normal nessa área cerebral.

Isso mesmo: Yongey, um dos oito monges meditadores indicados pelo Dalai Lama para participar do estudo, era quase dez vezes mais feliz que qualquer pessoa do planeta enquanto estava meditando. Em termos já mensuráveis, ele poderia ser considerado o homem mais feliz do mundo.

O resultado foi tão surpreendente que as revistas Time e National Geographic se uniram para divulgar, no fim do ano passado, as descobertas das pesquisas que relacionavam a meditação à capacidade de ser feliz. Mingyur Rinpoche, por sua vez, escreveu um livro sobre felicidade, neurociência e budismo a ser lançado em março no Brasil. Aos 30 anos, o monge é tido como a reencarnação de dois mestres tibetanos que teriam se reunido em uma só pessoa para ensinar o caminho da iluminação.

Em visita a São Paulo para fundar o Yongey Buddhist Center do Brasil, Yongey Mingyur Rinpoche falou à VIDA SIMPLES.

Por que as pessoas querem ser felizes?

Nossa natureza mais essencial pode ser descrita como felicidade em estado puro. No budismo, esse estado é chamado de natureza búdica, nossa natureza iluminada, desperta, tanto quanto a de um Buda. Todos os seres, em essência, são essa felicidade que não depende de nenhuma condição externa.

E queremos ser felizes porque temos saudade desse estado primordial. Por isso é que toda pessoa, não importa o país ou a sociedade em que viva, quer ser feliz – ela simplesmente quer voltar a ser o que ela já é, em sua essência.

Porém, essa realidade última é obscurecida pelo efeito de nossas ações, o carma. Não reconhecemos nossa verdadeira natureza. Mas um diamante não deixa de ser um diamante só porque está coberto de terra. Se retirarmos a terra, vamos encontrar novamente seu brilho e esplendor. Esse é o caminho da iluminação: retirar o que nos separa da natureza búdica.

E como se faz isso?

A meditação é o caminho básico. Nossa mente, em seu estado habitual, é como um macaquinho louco que não pára de pular. Pulamos de um pensamento para outro, de uma emoção para outra. Essa é uma das atividades naturais da mente: os pensamentos fazem parte dela como os raios de sol fazem parte do sol.

Mas a mente não é só isso, como o sol não é apenas seus raios. Podemos nos separar dos pensamentos, das emoções, ver como eles surgem, observar que há um espaço entre eles, testemunhar que eles não são nossa verdadeira essência.

Podemos também nos separar das emoções negativas, raiva, medo, inveja e outras, e olhar para elas, ver como elas nascem e nos dominam, e igualmente constatar que elas não são nossa natureza mais essencial. Tudo isso acontece quando meditamos. Podemos usar qualquer um desses objetos para meditar: pensamentos, emoções, sensações e até a própria dor. Mas pode-se começar com os pensamentos.

Qual o efeito desse distanciamento?

Os pensamentos não vão parar de surgir, mas veremos que podemos deixar de segui-los. Eles vão passar como nuvens. E, entre eles, vamos perceber que há momentos, que duram milésimos de segundo, em que nada acontece.

Começamos assim a entrar em contato com a totalidade de nossa mente e vemos que ela é muito maior do que os pensamentos e as emoções causadas por eles.

Com a prática constante, a mente vai se tornando cada vez mais clara até mesmo para o que temos de fazer no dia-a-dia. Quando não somos mais tão dominados por pensamentos e pelas emoções negativas causadas por eles, nos tornamos mais felizes.

Qual a diferença entre felicidade e satisfação de desejos?

Na verdade, existem duas visões sobre a felicidade. Para a maioria das pessoas, a felicidade vem de fora. Fico feliz porque tenho uma boa casa, carros ou se ganho na loteria. Pelo menos, por algum tempo, vou me sentir feliz por ter alguns dos meus desejos satisfeitos.

Mas isso, é claro, não dura. Os cientistas fizeram uma pesquisa muito curiosa: descobriram que os ganhadores de loteria, nos dois primeiros anos, ficavam realmente muito felizes. Porém, depois desse período, essa sensação de felicidade começava a declinar rapidamente até atingir os mesmos índices de quem nunca havia ganhado na loteria, se não índices piores.

Isso significa que vão surgir outros desejos que não posso satisfazer e vou ficar infeliz de novo. Ou vou ficar com medo de perder o que tenho e tentar me agarrar desesperadamente a isso, condição que, novamente, vai me trazer muita infelicidade. Segundo o budismo, esse tipo de felicidade, que depende de um objeto externo e do apego, é ligado à infelicidade, pois elas são interdependentes. A felicidade que vem de fora é condicionada, instável e de pouca duração. Existe, é bom tê-la, mas é efêmera e impura, pois traz junto a infelicidade.

E qual a outra felicidade?

A que vem de dentro e que não depende de nenhum objeto externo. Ela está mais associada à calma, à pacificação interna, ao relaxamento. Essa felicidade é mais clara, serena, perene. E a alegria, o bem-estar, surge naturalmente quando você tem essa paz interna fortalecida. É uma felicidade sem apego, muito ligada ao momento presente. Ela não está baseada nem no medo (de não ter mais felicidade) nem na esperança (de continuar a tê-la).

Esse tipo de felicidade imutável surge da meditação e da compreensão da natureza ilusória da realidade. E pode ser desenvolvida por meio do amor, da compaixão e da devoção espiritual.

Qual o elo entre meditação, amor e felicidade?

A infelicidade nasce de pensamentos tensos, de uma mente tensa: tenho de vencer, tenho de conseguir, ninguém vai me atrapalhar. Dessa maneira, tudo o que contraria esses objetivos se torna um obstáculo ou um inimigo. Nesse estado opressivo, a mente se torna presa fácil para a irritação, a ansiedade, a angústia, a depressão. Ela percebe o mundo com muita tensão, rigidez, dureza. Você enxerga apenas suas metas, sofre muito se não consegue alcançá-las ou fica infeliz com aquilo que possa dificultá-las.

A felicidade interna, ao contrário, surge de uma mente relaxada, maleável. Tudo o que acontece, recebe um olhar mais positivo e aquela visão estreita e sufocante ganha uma ampla abertura. Também há mais espaço interno para o outro, para o que ele está sentindo ou passando. Você naturalmente se torna menos egoísta e mais amoroso. O que, na realidade, vai ser ótimo para você: as pessoas gostarão de ficar em sua companhia, você terá mais amigos, mais vida e alegria.

Se você desenvolver amor ou compaixão pelos outros certamente será muito mais feliz. ■

(Enviado por Boaventura Bonfim)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

CONJUNTURA NACIONAL

I.N.R.I. - Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum

Conta Leonardo Mota que o mestre Henrique era reputado marceneiro nos sertões de Sergipe. Sua especialidade estava nas "camas francesas a Luís Quinze". Quando o freguês achava que o leito era baixo, recebia a explicação de que a cama era francesa, mas era a "Luís Quatorze" ; se a queixa era contra a excessiva altura, ficava sabendo que aquilo era "cama francesa a Luís Dezesseis..." O mestre Henrique pôs toda a sua ciência no Cruzeiro do patamar da igreja de Aquidabã. No topo do sagrado madeiro, o vigário da freguesia fizera o mestre Henrique colocar uma tabuinha com as letras I.N.R.I., iniciais em latim de Jesus Nazareno Rei dos Judeus, a irônica inscrição latina de que a ruindade de Pilatos se lembrara na ignominiosa sentença de morte do filho de Deus. Decorrido algum tempo, um sertanejo sergipano, intrigado com a significação daquelas quatro letras, perguntou a um seu conhecido:

- Que é que quererá dizer aquele negócio de INRI, que tem escrito em riba do Cruzeiro?

- Você não sabe não? Ali falta é o Q-U-E. Esse QUE não cabeu na tabuinha: aquilo é a assinatura de quem fez, que foi o mestre INRIque...

Ufa, Semana Santa

A Semana Santa surge como um lenitivo para as dores de cabeça dos atores governativos. A partir da presidente Dilma, que poderá descansar das agruras e pressões a que vem se submetendo nos últimos dias. Nomeação de ministros, divisão de espaços, desmentidos do que foi dito, articulação com o Congresso Nacional, MPs polêmicas - o acervo de questões que mexem com a cabeça presidencial é denso. A Semana Santa é bem-vinda.

Turismo

Dilma deverá nomear esta semana o novo ministro do Turismo. A questão é: onde colocar o bom ministro Vinicius Lajes? Vinícius tem sido um dos melhores ministros do governo. Afável, simples, técnico, rápido no gatilho. Sem burocracia. Se sair da Pasta do Turismo, será bem aproveitado em outra área. Henrique Alves ocupará seu lugar.

PL 4.330

Felizmente, o país vislumbra um avanço no caminho das relações capital-trabalho: a votação do PL 4.330, que trata da Terceirização de Serviços. O tema tem sido debatido nos últimos 20 anos. As Centrais Sindicais fazem objeção ao projeto. Mas, como se sabe, tudo se resume a uma questão de dinheiro. A tese da Força Sindical é a de que as contribuições sindicais deveriam ser canalizadas junto ao sindicato preponderante, no caso, os sindicatos das empresas tomadoras de serviços. O que faria de uma copeira numa empresa siderúrgica trabalhadora siderúrgica. Claro, reivindicaria a condição e, assim, veria seu salário no teto dos trabalhadores do setor. As Centrais encheriam seus cofres. E a Terceirização iria para o buraco. Deixaria de existir. Essa maluquice tem a objeção dos sindicatos que fazem terceirização e das empresas tomadoras de serviços.

Dia de abril

Dia 12 será mais um Dia D. As redes sociais estão convocando o povo às ruas. Ouço: veremos o dobro do número de pessoas que compareceram às ruas dia 15 de março. Mais uma vez, tenho duvidas. A banalização desses eventos de massa acaba esmaecendo sua força. Com possibilidade de vermos menos gente nas ruas. Mas o ânimo social exacerbado funciona como contraponto. Portanto, este consultor permanece na dúvida.

A prisão de Moro

Não. O juiz Sérgio Moro, que aparece como herói nacional, não corre perigo de ser preso. O título acima quer significar a prisão que o juiz defende para os condenados na primeira instância. Ora, a presunção de inocência é um dos pilares básicos do nosso Estado de Direito. Ninguém será condenado até o trânsito em julgado da sentença. O que exige recurso de indiciados até a última instância. E se a Justiça inocentar o indiciado ao final do processo, depois do próprio ter passado bom tempo no xilindró ? O juiz Sérgio Moro abriu grande polêmica com sua tese exposta em artigo em O Estado de São Paulo, de 29 de março.

O pacote de Levy

Joaquim Levy tem sido um vendedor ambulante de seu pacote fiscal. Ouve as queixas dos setores, algumas com muita zanga, e se mantém em estado fleumático. Fala duro e com convicção. Tem credibilidade. Mas seu pacote deverá receber remendos aqui e ali. Não de modo a desfigurar a embalagem nem de modo a ferir de morte os nichos da produção. In médium virtus. A virtude está no meio. Mas o que será esse tipo de virtude?

A esfera política

A esfera política continua olhando de soslaio o Palácio do Planalto. Enquanto a presidente padecer em seu gabinete, as casas congressuais não a enxergarão com simpatia. A economia, como locomotiva do trem, não deve melhorar no curto prazo. Nesse caso, a má vontade dos parlamentares se fará ver em decisões que contrariarão o Planalto. Nem a mudança da articulação política será suficiente para melhorar o clima com o Congresso. Que agirá com independência do Executivo.

Enxugamento

Sabe-se que a presidente encomendou um estudo sobre o enxugamento da estrutura ministerial. De 39 ministérios, sobrarão quantos? Uns 25? 20? Ou continuaremos na casa dos 30%? Este consultor não acredita que esta hipótese seja adotada em curto prazo. Seria uma baita confusão na Esplanada.

O PT reage

O PT vive a maior crise desde sua fundação. A sigla é demonizada. Embalada no manto da corrupção. Está no fundo do lamaçal. E decidiu reagir, sob argumentos de Lula, Rui Falcão e outros comandantes reunidos em São Paulo. Tomaram a decisão: vamos reagir; vamos às ruas; vamos ao ataque. Porque o ataque é a melhor defesa. Este consultor acredita que a estratégia petista pode se transformar em bumerangue: acirrará os ânimos. Aumentará a tensão nas redes sociais e nas ruas. O PT não pode e não deve aparecer como vestal. Seu traje ético está sujo. Iguala-se a de outros atores políticos. Com a diferença de que, nesse momento, enxerga-se um corpo que queima no meio da fogueira.

O despiste

Lula deu a ideia para o PT despistar o nome e buscar uma expressão que possa condizer com o discurso das ruas: uma Frente Ampla, como a que foi liderada no Uruguai pelo ex-presidente José Mujica; ou o modelo chileno de la concertacion. Ou seja, ele quer embalar o PT com uma designação simbólica capaz de traduzir a indignação social, na esteira das ruas. Lula quer ser oposição ao status quo; ao governo da presidente Dilma, maneira de disfarçar o governismo encarnado pelo PT. Lula é um craque. Quando presidente, subia aos palanques para desancar... seu próprio governo. As massas o aplaudiam nesse papel.

Nome para o STF

A presidente Dilma se fechou em copas na especulação sobre o nome para ocupar a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa no STF. Faz bem. A decisão é dela. E quanto mais fazem pressão, mais ela fecha os ouvidos.

Nalini no Roda Viva

Segunda-feira, o presidente do TJ/SP, José Renato Nalini, será o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura, um dois mais prestigiados programas da TV brasileira. Estarei na bancada dos entrevistadores.

Haitianos

O Brasil abriu as portas para o mundo. Cerca de 50.000 haitianos encontraram a rota do Acre para entrar no país. Foram bem acolhidos, receberem documentação e moradia. Mas o governo acreano livra-se da massa haitiana, incentivando sua peregrinação para São Paulo e outras regiões do país. O gesto do governo brasileiro pode, até, parecer digno. Urge lembrar, porém, que temos os nossos desvalidos. Milhões. Chega aos meus ouvidos a pergunta: haitianos e cubanos integrarão os exércitos de Stédile ? Este consultor não acredita. Seria uma afronta.

Maioridade penal

A CCJ da Câmara dos Deputados aprovou proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos de idade. A Câmara vai criar comissão especial para analisar a PEC. Depois de votada duas vezes no Plenário da Câmara e passar pelo Senado, também em dois turnos, a proposta poderá virar lei. A tramitação da PEC ainda pode ser questionada no STF. Tema causará intensa discussão na sociedade. A conferir!

Quebradeira

O Grupo OAS pede recuperação judicial. Uma pedrinha no dominó?

Desemprego

Ouvi a pergunta de um grande empresário, semana passada, numa palestra sobre a Conjuntura proferida no Rio de Janeiro: "o desemprego está à vista. Empreiteiras, desempregando cerca de 200 mil; setor construção civil, parado; setor automobilístico, começando a desempregar; outros, em início de processo; desemprego na Grande São Paulo, chegando aos 10,5%. Alguém do governo está vendo isso?" Lembrei o poema de Manuel Bandeira, o poema do Beco:

"Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

- O que eu vejo é o beco."

Complementei: mas o beco tem saída. Não sei se à esquerda, à direita ou ao centro.

O Brasil banca

Recebo uma lista com empréstimos do Brasil, por meio do BNDES, a países amigos :

1 - MOÇAMBIQUE BARRAGEM USD 350.000.000,00

2 - MOÇAMBIQUE CORREDOR DE ONIBUS USD 180.000.000,00

3 - NICARAGUA HIDROELETRICA USD 343.000.000,00

4 - BOLIVIA ESTRADA DA COCA USD 199.000.000,00

5 - VENEZUELA PONTE USD 300.000.000,00

6 - VENEZUELA METRO USD 732.000.000,00

7 - ARGENTINA SOTERRAMENTO USD 1.500.000.000,00

8 - ARGENTINA AQUEDUTO USD 180.000.000,00

9 - PANAMA AUTO PISTA USD 152.800.000,00

10 - PANAMA METRO USD 1.000.000.000,00

11 - PERU HIDROELETRICA USD 320.000.000,00

12 - EQUADOR HIDROELETRICA USD 243.000.000,00

13 - EQUADOR HIDROELETRICA USD 90.000.000,00

14 - CUBA PORTO MARIEL USD 68.200.000,00

15 - MOÇAMBIQUE AEROPORTO USD 125.000.000,00

16 - PERU ABASTECIMENTO DE AGUA NI

17 - URUGUAI GAZEODUTO NI

18 - LUANDA LINHA EXPRESSA NI

Total .............................USD 5.783.000.000,00

(Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 25 de março de 2015

CONJUNTURA NACIONAL

Não sabe que não sabe

Abro a coluna com um pequeno conto. Sobre pessoas que desconhecem o que se passa a seu redor. Como é o caso de ilustres figuras da nossa política. Conto uma parábola: "há pessoas que não conseguem perceber o que se passa ao seu redor. Não veem que não veem, não sabem que não sabem". Pequeno relato. Zé caiu em um poço e está a 10 metros de profundidade. Olhava para os céus e não viu o buraco. Desesperado, começou a escalar as paredes. Sobe um centímetro e escorrega. Passou o dia fazendo tentativas. As energias começaram a faltar. No dia seguinte, alguém que passava pelo lugar ouviu um barulho. Olhou para o fundo do poço. Enxergou o vulto de Zé. Correu e pegou uma corda. Lançou-a no buraco. Concentrado em seu trabalho, esbaforido, cansado, Zé não ouve o grito da pessoa : "pegue a corda, pegue a corda". Surdo, sem perceber a realidade, Zé continua a tarefa de escalar, sem sucesso, as paredes. O homem na beira do poço joga uma pedra. Zé sente a dor e olha para cima, irritado, sem compreender nada. Grita furioso:

- O que você quer? Não vê que estou ocupado?

O desconhecido se surpreende e volta a aconselhar:

- Aí tem a corda, pegue-a, que eu puxo.

Zé, mais irritado ainda, responde sem olhar para cima:

- Não vê que estou ocupado, ó cara. Não tenho tempo para me preocupar com sua corda.

E recomeça seu trabalho.

Parábola: "Zé não vê que não vê, não sabe que não sabe".

A maior crise

O Brasil vive a maior crise de sua contemporaneidade. Quais os fatores que justificam tal hipótese ? Uma confluência de crises : a crise econômica, a crise política e do sistema partidário, a crise do petrolão, a crise social, a crise hídrica, a crise energética e a crise de gestão, com impacto sério na governabilidade. Analisemos cada uma.

A economia

A economia é a locomotiva do trem. Se faltar nela combustível, o trem fica parado. Se tiver pouco combustível, o trem dá solavancos e pode descarrilar. A locomotiva é quem puxa o trem Brasil, composto por seus carros : o PIB, a inflação, o emprego/desemprego, a política, a avaliação positiva/negativa dos governantes, o Produto Nacional Bruto da Felicidade/Infelicidade. Pois bem : começa a faltar óleo na locomotiva. As contas públicas estão desconjuntadas. O Estado gasta mais que arrecada.

Trem descarrilando

A ameaça de o trem descarrilar é real, abrindo espaço para corpos jogados fora dos carros : desemprego em massa, inflação chegando aos dois dígitos, recessão econômica, bolso mais vazio fazendo roncar o estômago das massas, cofres secos, setores produtivos em retração a partir da indústria com queda prevista de 5% para o ano e assim por diante. Um carro vai levando de roldão o outro.

A política

O primeiro carro a sofrer abalos é o da política, nesse caso, impulsionado para fora dos trilhos por causa do petrolão, que produz a lista de Janot, uma relação de nomes que deverá ser ampliada nas próximas semanas. O rebuliço na frente política dará ao Congresso um gigantesco escudo corporativista. Os presidentes das duas casas congressuais, na esteira de seus poderes, estabelecem uma pauta de grandes temas para votação. E exibem certa independência diante do Executivo, mudando o curso das tradicionais relações, quando o Congresso se postava como poder convalidador.

Réus políticos

O STF vai aprofundar as investigações sobre os políticos indiciados, enquanto o juiz Sérgio Moro começa a inserir empresários na lista de réus, tirando-os da faixa de indiciados. As novas delações premiadas - que são previstas, sob a pressão das famílias que não querem ver seus chefes purgando anos e anos na prisão - tendem a adensar as provas e a expandir a relação de réus. A expectativa é que nomes mais poderosos que os atuais envolvidos possam ser relacionados. A CPI da Petrobras na Câmara, por sua vez, funcionará como palco da espetacularização política, com tendência a contemporizar com os quadros políticos.

Sociedade de costas

A sociedade está de costas para a mandatária-mor e também para os políticos. As pesquisas mostram que 65% desaprovam a presidente Dilma e nunca foi tão evidente a distância entre a representação política e os grupamentos sociais. Portanto, a esfera da governança e da política vive dias de aperto. Formidável pressão social é exercida sobre os Poderes Executivo e Legislativo. O Poder Judiciário sai com imagem melhor.

Esgotamento de um ciclo

A crise política aponta para o esgotamento do modelo de presidencialismo de coalizão. A partilha dos cargos e espaços na administração pública gera fortes arestas junto aos partidos e estiola a força do Executivo. Portanto, o ciclo da partilha do poder está a exigir novos condicionamentos, abordagens mais avançadas. A estrutura governativa é lerda e paquidérmica, a mostrar que seu modelo é ultrapassado. Daí a sugestão de enxugamento da máquina. Que conta até com o apoio do PMDB, o maior partido da base, a pregar a redução de 39 para 20 ministérios.

Centros de comando

Multiplicam-se os centros de comando político, o que dificulta a tarefa de repartição de espaço, a cargo da presidente Dilma. O esgarçamento da base situacionista causa dores de cabeça, não havendo mais a tradicional fidelidade dos conjuntos parlamentares. E, sob uma economia que ameaça estrangular as veias produtivas da nação, os políticos também se afastam da arena governativa. Tentam se afastar da contaminação que impregna o corpo do Executivo.

A frente das ruas

A animosidade toma conta dos grupamentos sociais. Os movimentos se adensam e se espalham, com tendência a pontuar sobre matérias específicas. Os ânimos acirrados ocupam as redes sociais para uma guerrilha expressiva, observando-se maiores quantidades de falas contrárias ao governo. O rechaço à política toma conta de todos os setores. O repúdio à presidente e ao governo que comanda atinge os píncaros. A movimentação social mostra-se mais madura, crítica e consciente do que a grande mobilização de junho de 2003. Naquela ocasião, acendeu-se a faísca. De lá para cá, tonéis de gasolina com a "graxa" do propinoduto da Petrobras esticaram o tamanho das fogueiras.

A água e a energia

Apesar de chuvas intermitentes em grande parte do país, a partir do Sudeste, os reservatórios continuam muito abaixo de suas potencialidades. O racionamento não está fora das probabilidades e, na sequência, os apagões de energia também constituem ameaça. O aumento no preço da energia - em torno de 40% - podendo, ainda, ser mais alto, em julho, é outro elo da corrente da indignação.

Bo+ba+co+ca ameaçada

A equação que uso - Bolso, Barriga, Coração, Cabeça - começa a ser desfeita. As margens sociais já dão pulos de raiva quando constatam a carestia de vida. A feirinha de rua aumenta preços de hortifrutigranjeiros, crise alimentada pela greve dos caminhoneiros. As barrigas, então, começam a roncar e a enfurecer os corações. As cabeças decidem ir ruas para se manifestar. Pais e mães levando seus filhos. Portanto, não apenas as elites afluem às avenidas das grandes e médias cidades. O povo das classes mais necessitadas está também de olho aceso.

A governabilidade

Não por acaso, o país parece ingovernável. Os serviços públicos são precários, a violência ganha as ruas das grandes cidades e se espraia pelos fundões, amedrontando as populações. O Bolsa Família já deu tudo o que tinha de dar em matéria de lucro eleitoral. As famílias pobres já o incorporaram ao seu orçamento. E a inflação corrói sua força. Daí a exigência por serviços públicos mais qualificados. Os partidos estão sem rumo. Não sabem o que e como aprovar as medidas de ajuste econômico propostas pelo ministro Joaquim Levy. Os setores produtivos gritam contra mais impostos. Exigem que o governo corte profundamente suas gorduras.

O que fazer?

O governo, por sua vez, está entre a cruz e a caldeirinha. Se cortar benefícios de trabalhadores, como prevêem as MPs 664 e 665, terá de enfrentar os tratores das centrais sindicais. Se cortar as desonerações concedidas a setores produtivos, ouvirá o clamor de frentes de produção que já padecem sob a falta de competitividade da indústria brasileira. O que fazer? Negociar, negociar, chegar a um mínimo de consenso.

O outono da matriarca

Estamos no outono. Época de folhas caindo. Tempo de descenso. Seria também o outono da matriarca? O termo, aqui, não tem sentido pejorativo. Apenas é utilizado como expressão para destacar sua índole autoritária, dura, fechada em torno de si mesma? Este analista da política não tem resposta. Por enquanto. Vamos esperar pelo andar da carruagem ou, em outros termos, pela continuidade das investigações do petrolão.

Poema do beco

Fecho esta Leitura com o Poema do Beco, do imortal Manuel Bandeira:

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

- O que eu vejo é o beco.

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(Gaudêncio Torquato)

quinta-feira, 19 de março de 2015

HOJE É O DIA DE SÃO JOSÉ – MODELO DE HOMEM DO BEM, CARPINTEIRO DO ANONIMATO, ARTESÃO DO SILÊNCIO!

Por razões óbvias, uma das palavras cuja musical sonoridade mais sensibiliza as cordas da minha alma é, indubitavelmente, JOSÉ – em hebraico“Yoseph”, aquele que acrescenta - significa Deus acrescenta e indica uma pessoa sensível, confiante e generosa, que sofre com os problemas alheios. É muito conciliador e conserva o autocontrole mesmo nas piores situações.

O culto a São José, aniversariante de hoje, começou provavelmente no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX o proclamou "O Patrono da Igreja Universal" e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de março.

Em 1955 o Papa Pio XII fixou o dia 1º de maio para "São José Operário, o trabalhador".

José, o pai de Jesus na Terra, tinha como profissão a carpintaria. Em seu livro "São José, a personificação do Pai", Leonardo Boff conta que o artesão, descendente de David, tinha a oficina no pátio da casa. E que ali, entre pregos, martelos, rolos de barbante e cunha, Jesus teria iniciado na vida profissional. “É dentro desse universo de trabalho, de mãos calosas, do suor no rosto, das canseiras cotidianas e do silêncio, que se desenrolou a vida anônima de José. Ele era um homem justo, como disse minha mãe”, diz o teólogo. E silencioso. São José não deixou uma palavra. “O silêncio é a essência de José e a de quem ele personifica: o Pai celeste”, diz Boff.

Na festa de hoje, celebremos São José meditando sobre as duas principais facetas da sua rica personalidade: o amor ao trabalho e o culto ao silêncio!

(Júnior Bonfim)

quarta-feira, 18 de março de 2015

A POESIA TAMBÉM ANIVERSARIA!

A poesia ganhou um dia – específico, honorífico – em homenagem ao maior poeta brasileiro de todas as luas: Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871). No dia de seu nascimento, 14 de março. Nada mais justo, merecido e feliz. Castro Alves reluz com destaque naquele monumento arquitetônico suspenso e invisível em que vislumbramos os nossos pássaros de asas mais formosas. É a nossa mais excelsa ave, o luminar e principal condor, a vanguardista águia imperial, a voz indelével dos trópicos.

Foi Castro Alves o autor do édito que determinou ser a praça um altar do povo; foi ele o sonoro surfista das espumas flutuantes; o alfaiate da Bandeira içada contra a infâmia e a covardia; o ensolarado capitão do navio negreiro; o ousado compositor da solene partitura da Liberdade. Os versos do vate baiano são sementes selecionadas em constante germinação nos mais diversos solos da nossa fértil Pátria. Sua poesia é uma coroa de esmeraldas construída com os louros do povo.

Nesses últimos tempos tenho me interrogado a respeito da aura que circunda a poesia. Fica difícil circunscrevê-la à régua e ao compasso dos conceitos.

Federico Garcia Lorca, convidado para falar sobre poesia, limitou-se a estender as duas mãos abertas e dizer: “Eu não posso, eu não sei falar sobre poesia. Eu a tenho aqui em minhas mãos. Sei que está queimando minha pele. Porém, não sei o que é”.

Depois, certamente em um lampejo de racionalidade, ponderou que “a poesia é a união de duas palavras que ninguém poderia supor que se juntariam, e que formam algo como um mistério”.

O que vem a ser esse cantante, encantado e encantador fenômeno? Opino que a poesia é uma flor perfumada de amanhãs; é um vento que sabe ser brisa, ventania, furacão ou tempestade no momento adequado; é pássaro que tem por missão cantar e por dever, a liberdade; é o horizonte misterioso que o homem busca beber; é a raiz colossal da profundidade humana.

Parece-me que Poesia é tudo aquilo que nos torna essencialmente mais humanos, nos aprofunda no humanismo ao ponto de nos aproximar do divino. A poesia é a divinização do humano.

Nessa esteira, o primeiro e maior poeta é Deus, que com seu sopro mágico desenhou o universo, a magnitude da natureza, a comunidade dos seres vivos. Nessa trilha, todos somos ou podemos ser poetas. Os que desenvolvem a arte de concatenar os fonemas musicais, as obras arquitetônicas das estrofes arrebatadoras nada mais são do que sonoros instrumentos que o Poeta original distinguiu com a missão de apontar, como guias abençoados, as trilhas de Orfeu. Por isso que o amazônico Thiago de Mello proclamou: “Não somos melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa”.

Poeta é, pois, todo aquele que se dispõe a romper os grilhões dos formalismos estéreis, das convenções descabidas, dos debates inúteis, do cotidiano infrutífero, da pusilanimidade dominante.

Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranqüilo das águas profundas do oceano da vida.

Gerardo Mello Mourão resumiu tudo: “É para preencher o vazio do espírito humano que serve um poeta com sua poesia.” Salve, pois, a poesia, pão d’alma de todo dia!

(Júnior Bonfim, crônica publicada na Gazeta do Centro Oeste e Revista Gente de Ação)


domingo, 15 de março de 2015

ORAÇÃO ROTÁRIA NO DIA DA POESIA


Senhor,  

Celebramos hoje o Dia Nacional da Poesia, em homenagem a Antônio Frederico de Castro Alves, nascido na cidade de Curralinho (hoje Castro Alves), em 14 de março de 1847.   ]

Castro Alves foi indiscutivelmente um dos nossos mais alados condoreiros, brilhante poeta romântico, responsável por uma nova concepção de amor na Literatura, além de um notável entusiasmo pelos grandes temas sociais.  

Castro Alves cantou a Liberdade, a abolição da escravatura, o domínio do povo sobre a praça, a Bandeira como símbolo e emblema de luta contra a infâmia e a covardia.  

O amor à humanidade e a defesa entusiasmada das grandes causas humanas unem Castro Alves e o Rotary. E esses ideais superiores nada mais são do que a mensagem da bem-aventurança evangélica.  


Ajuda-nos, Senhor, a incorporar esse legado superior, relevar as fraquezas e focar a nossa ação na construção de grandezas.   Faz de cada um de nós cavaleiros dos bons propósitos, transmissores de uma cultura de paz e construtores da civilização do amor!

domingo, 8 de março de 2015

UMA MULHER CHAMADA TERESA!

Muitos são os que afirmam que “por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. Outros, no afã de externar generosidade, fizeram um reparo e asseveraram que é “ao lado do homem que encontramos a grande mulher”.

Perdoem-me, mas penso diferente. Mulheres há que, sem fixação, indiferença ou rejeição ao companheiro, constroem marca própria!

Nunca desfraldei bandeiras feministas, mas sempre admirei as mulheres talentosas que, conservando a ímpar doçura maternal, exibem a fortaleza das descendentes de Eva. O útero da História é pródigo em exemplos: Cleópatra - uma das mulheres mais festejadas da história da humanidade – além de deslumbrante, era inteligente e culta, e sua notória esperteza manteve as fronteiras do seu reino; Joana D’Arc, jovem camponesa que vestiu a farda militar e foi protagonista de uma guerra que restabeleceu a dignidade francesa, além de ser queimada pela mesma Igreja que, séculos depois, reconheceu sua santidade; a catarinense Anita Garibaldi, combatente da Revolução Farroupilha, mulher muito à frente de seu tempo... A lista é, pois, numerosa...

Antes de rabiscar estas linhas, pensei em homenagear uma mulher de forma singular.

Imaginei, primeiramente, que poderia ser aquela que me gerou, cujo convívio me foi subtraído prematuramente.

Depois, pensei que poderia ser a minha esposa, a quem prefiro chamar de consorte, porque compartilha comigo o sonho, a sesta, a saudade, o silêncio, a sonoridade, a soledade, os surtos, os sustos... enfim, a sorte de viver.

Mas há uma que, pela colossal história de vida, galgou um tipo tão superior de destaque que merece um registro todo especial.

Antes do mais, foi considerada pelo então Secretário Geral das Nações Unidas, Pérez de Cuéllar, como “a mulher mais poderosa do mundo”.

Sem ter gerado um único filho, transformou-se, pela esplendorosa fé e pelo oceânico amor, na mãe mais fecunda do planeta.

Sobre ela, a diretora de uma revista feminina escreveu um chamativo artigo intitulado “UMA MULHER QUE NUNCA PASSARÁ DE MODA”. De início, afirmava: “Não é Cindy Crawford nem Cláudia Schiffer. Provavelmente, nunca entrou numa boutique, mas é uma das mulheres que marcam o passo à Humanidade e que deixarão um rasto indelével no século que termina. É muito possível que a preocupação pelo seu look não passe da água e do sabão, mas o seu olhar irradia uma força especial”.

A passarela por onde desfilou e exibiu seu glamour e sua beleza extraordinária foi o espaço onde reluzia a dor e a miséria mais comoventes, nos corredores desprezados dos aidéticos, nos esgotos onde se escondiam os vitimados pela lepra. Ruanda e Angola, Ulster e Biafra, a Etiópia e a Somália, o Harlem e o Bronx, o Tondo de Manila e o Líbano estão entre os palcos de sua vida. Diuturnamente, comendo de maneira frugal e dormindo apenas três horas diárias, em solene e incansável vigília de amor, operou sua missão sob o pálio do ‘ora et labora’.

Nascida em 26 de agosto de 1910, em Skoplje, um lugar entre a Albânia e a antiga Iugoslávia, atual República da Macedônia, construiu um verdadeiro império de amor e caridade. Hoje, são mais de 450 centros de assistência em mais de cem nações de todo o mundo, inclusive no Brasil, e quase cinco mil religiosas e duzentos missionários, espalhados em albergues para adolescentes grávidas, cozinhas gratuitas para famintos e refúgios para pessoas sem lar.

No dia 5 de setembro de 1997, o coração dessa mulher iluminada parou de palpitar. Seu nome: Inês (Agnes) Gonscha Bojaxhiu, eternizada como Madre Teresa de Calcutá, a missionária do século XX.

Sua mensagem, estrela flamejante em defesa da vida, continua contundente:

- “O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. Só é questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o Estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar fosse gasto em fazer que as pessoas vivessem, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza”.

Mulheres desse naipe nos instigam a celebrar, com o incenso da profundidade, o Dia Internacional da Mulher!

(Júnior Bonfim)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

OBSERVATÓRIO


Charlie Hebdo. O nome do Jornal Francês, livre piada interna a partir de uma sutil combinação entre os personagens de Charlie Brown e Charles de Gaulle, simboliza a natureza do periódico: a sátira, a irreverência! O jornal se notabilizou pela postura ousada e pelos arroubos corajosos na suas empreitadas pelas vias do humor vanguardista. Segundo João Batista Natali, “implicava com o catolicismo conservador, com o Partido Comunista, com a hierarquia judaica, com a extrema direita e com o terrorismo islâmico”. Na quarta-feira da semana passada, dia 7 de janeiro de 2015, em Paris, o semanário foi alvo do mais virulento ataque de sua história. Terroristas fundamentalistas invadiram a sede do Charlie Hebdo, no XI distrito de Paris. Em tese, seria uma forma de protesto mais uma vez contra a edição de charge satirizando a religião islâmica. Sucede que o atentado resultou em doze pessoas mortas, entre as quais Charb, Cabu, Honoré, Tignous, e Wolinski (cartunistas do jornal) e mais outras feridas gravemente.Das doze vítimas, onze morreram dentro da sede da editora e um do lado de fora. Duas vítimas eram policiais que faziam a guarda do local (incluindo a que foi vitimada do lado de fora da sede). O violento episódio chocou a opinião pública mundial e conclama a uma profunda reflexão: por que, depois de tantos avanços, a humanidade ainda exibe explosões de intolerância que lembram um retorno à barbárie?

TOLERÂNCIA

A intolerância, na visão de Sergio Paulo Rouanet, é “uma atitude de ódio sistemático e de agressividade irracional com relação a indivíduos e grupos específicos, à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções”. De todas as dificuldades que o ser humano possui para dialogar com o diferente, a que tem mais contundência e, sem embargo, causado maiores estragos à harmonia civilizatória é a denominada “intolerância religiosa”. José Saramago (2001) denominou este ódio recíproco fundado em valores religiosos como “O Fator Deus”: “De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus”.

TOLERÂNCIA II

O certo é que o reprovável fato ocorrido em Paris convoca o mundo inteiro a meditar sobre a necessidade do culto permanente à tolerância. Se sou católico e venero Maria, Mãe de Jesus, não posso obrigar os outros a ter a mesma atitude. Noutro giro, se alguém repudia essa minha crença, não pode também desrespeitá-la. O combate àintolerância e o fortalecimento das relações sociais com esteio no respeito aos contrários – a convivência respeitosa com o pensamento divergente – é um dos desafios mais robustos da atual quadra humana.

A TOLERÂNCIA NA POLÍTICA

O corpo das palavras pode ser coberto pelo manto da dissimulação ou da inverdade. Os gestos, no entanto, dispensam adornos, falam por si mesmos. Analisemos dois gestos. Governo Cid Gomes. O irmão do governador, Ciro, não escondia a postura irascível em relação ao líder policial Capitão Vagner, lançando sobre ele as referências mais pesadas. Governo Camilo. O novo Secretário de Segurança Pública, Delci Teixeira, com o aval de Camilo, em suas primeiras declarações disse que Vagner merecia respeito: primeiro, porque era um Capitão e, segundo, porque era o Deputado mais votado, tinha o apoio da sociedade. Em seguida, o próprio Governador recebe o Capitão Deputado em longa audiência no Palácio. Após um leve desarmamento de espírito e permuta de gentilezas, aquele que se prenunciava como um grande gargalo de gestão foi parcialmente contornado com um simples gesto de tolerância e boa vontade. Ponto para a maturidade exibida pelos dois lados. Uma simples atitude de humildade e abertura pode ser a solução de problemas aparentemente insolúveis. Lição para todos nós, em especial para os políticos.

CRATEUENSES

Por falar em Governo Camilo, há muita gente de Crateús e região que, mesmo sem exercer mandato, possui laços fortes com a nova gestão. Só a título exemplificativo: a crateuense Janaína Farias é assessora especial do Governador. Moacir Soares é amigo-irmão do doutor Carlile Lavor, Secretário de Saúde.

SECRETARIADO

O Prefeito Mauro Soares anunciou uma mudança no Secretariado. Os novos nomes merecem aquilo que a todo principiante é ofertado: um período de carência para o desdobramento do chamado voto de confiança. Alguns sinais emergiram: o ex-Prefeito Carlos Felipe mostrou que possui força tutelar sobre o atual: emplacou quem lhe era caro (como a própria consorte) e vetou desafetos(como José Humberto e Adriano das Flores). Aparentemente Mauro Soares se compôs com Elder Leitão, entregando-lhe uma das pastas estratégicas: a Saúde. Esta, no entanto, é a mais delicada área da gestão, onde a demanda é sempre superior à capacidade de atendimento. Pode ser uma faca de dois gumes. Robusto abacaxi, caieira de problemas, a Saúde constitui a principal empreitada que Elder enfrentará depois que passou a ocupar assento na máquina municipal. Seu espaço e destino na sucessão municipal estão diretamente vinculados ao resultado da cirurgia que necessariamente terá que realizar na Saúde local.

PARA REFLETIR

“O que é a intolerância?” E, respondia: É o apanágio da humanidade. Estamos todos empedernidos de debilidades e erros; perdoemo-nos reciprocamente nossas tolices, é a primeira lei da natureza”. (Voltaire)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CONJUNTURA NACIONAL

Dinheiro e não pronomes

Abro a primeira coluna do ano com a matreirice mineira.

Benedito Valadares chegou a Curvelo/MG, para visitar a exposição de gado do município. Na hora do discurso, atrapalhou-se:

- Quero dizer aos fazendeiros aqui reunidos que já determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.

Lá do povo, alguém corrigiu:

- É o contrário, governador! Empréstimo a prazo longo e juro curto.

- Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância.

Precisamos trabalhar

O brigadeiro Eduardo Gomes fazia, no largo da Carioca (Rio de Janeiro), seu primeiro comício da campanha presidencial de 1945. A multidão o ouvia em silêncio:

- Brasileiros, precisamos trabalhar!

Do meio do povo, uma voz poderosa gritou:

- Já começou a perseguição!

Bagunça geral. O comício quase acabou.

O espírito do ano: dureza

2015, como se sabe, será um ano de ajustes. Um ano duro. Dureza, nesse caso, quer significar aperto nas contas, corte de gastos supérfluos (e até comendo as beiradas de gastos necessários), contenção de despesas, eliminação de milhares de cargos comissionados nas administrações estaduais e municipais, cofres mais vazios. Essa é metade da aura de 2015: a outra metade atingirá o bolso. Inflação alta, superando o teto da meta, alimentos, gasolina, energia, transportes mais altos, enfim, a planilha de bens e serviços mais caros baterá forte no bolso do consumidor. A alma consumista entrará em confronto com o espírito do ano. Teremos turbulência.

Movimentos nas ruas

É mais que previsível a reocupação das ruas - a partir do principal polo difusor de ideias do país, São Paulo - pelos movimentos organizados. Há um grupo de jovens líderes que quer aparecer na onda. Vão dar duro para liderar correntes sociais, a partir de Guilherme Boulos, um sujeito que aprecia visibilidade, principalmente a fosforescente. As centrais sindicais vão se agitar para evitar perdas em um ano de muitos sacrifícios. Baterão bumbo. Pretendem alertar à presidente sobre compromissos por ela assumidos na campanha. Categorias profissionais também afinarão suas tubas.

O puxão de orelhas em Barbosa

Nelson Barbosa é pessoa recatada, séria, um técnico muito comedido nas palavras. Um sujeito pacato. Disse apenas o que já se sabia em uma fala apressada com jornalistas. Que uma nova regra iria ser apresentada para correção do salário mínimo, a partir de 2016. De acordo, aliás, com o discurso de ajuste alinhado com a nova equipe econômica. As centrais não gostaram, enxergando na fala de Barbosa perda residual no mínimo. Dilma recebeu comunicação de Mercadante, que também faz o papel de parlador-mor. E ligou para o novo ministro do Planejamento mandando que ele se desmentisse. O que foi feito com uma nota. Barbosa, o comedido, não deve ter gostado. Passará um tempo de bico calado. Para não ter de suportar um segundo puxão de orelhas.

Levy, sob observação

Há quem diga que Joaquim Levy, caso tivesse de se desdizer em menos de 24 horas, sob ordens da presidente, não teria cumprido a ordem. Daria um adeus ao governo. Dono de vastos conhecimentos econômicos, o doutor pela renomada Escola de Chicago com experiência em ajuste de contas de governos, tem plena consciência de sua autoridade, não se dobrando a conceitos com os quais não concorda. Por isso, não são poucos os que acham que, em caso de confronto temático-conceitual com a presidente, não terá receio de pedir o chapéu. O mais provável é que continue por um bom tempo, até as camadas tectônicas da economia se acomodarem.

A índole presidencial

Já se conhece a índole mandona da presidente, seu jeito autoritário de ser. Os políticos, porém, sabem que a presidente terá de se curvar à real politik, que é a maneira brasileira de fazer política, com um agrado aqui, um benefício acolá, um adjutório ao corpo parlamentar. O voto, eles têm. E se negarão a ceder os votos em todas as votações. Por isso, esperam que Dilma seja mais acessível ao clamor da política. A conferir.

Lula no entorno

As alas dilmista e lulista estão em litígio. A presidente escolhe perfis mais próximos a ela, quadros do Rio Grande do Sul, como Pepe Vargas e Miguel Rossetto, afastando a turma de Lula. Mercadante, mesmo fazendo parte da CNB, há tempos se distancia do ex-presidente. É natural que Dilma escolha quadros com os quais mantém afinidade. Mas é visível a querela entre lulistas e dilmistas. A presidente sabe que a tendência Construindo um Novo Brasil, que reúne outras facções do PT, é amplamente majoritária. Lula, por sua vez, se esforça para resgatar a alma do petismo histórico e começa a se preparar para 2018. Apesar da rixa entre os grupos, ela e Lula procuram preservar a boa relação. De irmã para irmão mais velho.

Lula doente?

Balela. Corre pelas redes sociais a informação de que Luiz Inácio estaria às voltas com a recidiva de câncer. Fofoca. Intrigas. Ele está bem de saúde, segundo pessoas que estão no seu entorno. Idas e vindas do ex-presidente para muitos cantos e recantos demonstram vitalidade.

Mercadante

Aloizio Mercadante encarna mesmo o papel de primeiro-ministro. É centralizador, preparado, um técnico de alta competência e um parlamentar com formidável experiência. Em um ministério de figuras apagadas - com exceção de uns poucos - tende a ganhar mais força e visibilidade. Teria sido dele a ideia da presidente exigir o desmentido de Barbosa sobre a nova regra para o salário mínimo entre 2016/19.

Insatisfações

O PMDB começa a ser chamado de partido de secretarias : da Pesca, da Aviação Civil e dos Portos. O fato é que, apesar de adicionar uma Pasta a mais às cinco que detinha no primeiro mandato, o maior aliado do governo foi contemplado com ministérios de menor importância. Quer compensar as perdas com cargos de segundo escalão. Ameaça tornar-se independente no Senado. Se o rebuliço ocorrer na Câmara Alta, imagine-se o que pode ocorrer na Câmara.

Estratégia de Dilma

A presidente distribuiu a estrutura ministerial de forma a contemplar as seguintes estratégias : diminuir força do PMDB ; fortalecer forças dos partidos médios - PDT, PTB, PSD, PROS, PC do B etc. ; tirar mais peso do PT lulista e reforçar a ala dilmista. Nessa linha, o novo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, foi motivado a refundar o antigo PL e, depois de criado, fazer a fusão com seu PSD. Surgiria, então, um partido maior que o atual PMDB, a segunda bancada da Câmara. A conferir.

Maré brava

O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acenou com alta de impostos. Os preços represados de bens e serviços abrirão porteiras. As ações da Petrobras caem no fundo do poço, a ponto de ameaçar a viabilidade do pré-sal. A inflação tende a estourar o teto da meta, de 6,5%. As categorias profissionais exigirão aumentos acima da inflação. O arrocho será inevitável.

Falta de credibilidade

Prioridade das prioridades, definida no discurso de posse da presidente : fazer do país uma Pátria Educadora. Ora, mas boas intenções e slogans não são capazes de sustentar um bom programa. Urge credibilidade a quem cabe a responsabilidade de executá-lo. O novo ministro da Educação, Cid Gomes, não está no rol de pessoas críveis. Já chegou a dizer que professor de ensino público deve ensinar por prazer, não para ganhar dinheiro. Se for o caso, deve mudar para o ensino privado. O ex-governador do Ceará é aquele que pegou a família, sogra junto, e levou-a para um passeio pela Europa. Com recursos públicos.

Embate

A ministra da Agricultura, Katia Abreu, afirma que não há mais latifúndios no Brasil. O MST diz que eles ainda existem. E o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, entra na dança ao dizer que "não basta derrubar cerca do latinfúndio", mas fazer a reforma agrária. Ministros com armas em plena arena. Do mesmo governo.

Demissões

Mais de 800 trabalhadores demitidos na Volks. Metalúrgicos ameaçam com greve. Demissões na imprensa. Grupo Abril em refluxo. Metade do prédio de Veja entregue à Previ, que alugará os espaços desocupados a novos clientes. Crise começa chegar nas frentes do Emprego.

E as chuvas, hein?

Quanto mais pé d'água em São Paulo, com queda de árvores e destruição de imóveis, menos água no sistema Cantareira. O nível está deixando os 7%. Como será a vida daqui a uns três, quatro meses, se não chover bastante até lá ? Não ouvi ainda explicação satisfatória.

Fecho a Coluna com mais essa deliciosa historinha.

Tu não vais, não é?

Luís Simões Lopes era um miniditador. Diretor do DASP, fazia o que queria, com apoio de Getúlio. Mandou ofício aos ministros com uma série de determinações. Enquadrava todo mundo. Osvaldo Aranha, ministro da Fazenda, recebeu, leu, devolveu:

"Ao remetente: vá à merda."

Entregou ao chefe de gabinete. O chefe de gabinete ficou em pânico:

- Devolver pelo protocolo reservado, não é, senhor ministro?

- Não, pelo protocolo comum.

Era um escândalo. De mão em mão. Luís Simões Lopes recebeu, ficou furioso, foi a Getúlio pedir demissão. Getúlio puxou uma baforada do charuto:

- Ora, Luís, para que demissão? Tu não vais, não é? Não indo, tu desmoralizas o Osvaldo. Ele vai ficar uma fera. Tu sabes. Tu sabes.

Luís Simões Lopes foi. Mas foi de volta para seu gabinete no DASP.

(Gaudêncio Torquato)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

7 DICAS PARA UM ANO NOVO MELHOR!

Não importa como tenha sido o seu ano, nós sempre queremos que o próximo seja melhor. Pensando nisso eu vou dar 7 dicas infalíveis que, se forem seguidas a risca, certamente vão tornar o ano vindouro muito melhor que o anterior.

São coisas simples, possíveis para qualquer pessoa que esteja disposta a crescer, desenvolver-se como pessoa e ter mais paz e sucesso.

Dica 1: Perdoar. Isso significa abrir mão de sentimentos de mágoa, raiva, decepção e qualquer tipo de ressentimento que você tenha acumulado durante esse ano contra qualquer pessoa, governo, instituição ou situação. Quando você guarda qualquer tipo de ressentimento você entra inconscientemente em um estado de vitimização. Um lado seu não está assumindo a plena responsabilidade pela sua felicidade pois está culpando outras pessoas e situações por sentimentos que você guarda. Uma parte da sua energia está presa no passado a algo que não vai mudar. A sua criatividade fica comprometida. Processos inconscientes de autossabotagem começam a acontecer, pois a vítima não nos permite crescer. Vitimização atrai mais vitimização.

Você precisa assumir 100% da responsabilidade pelo seu bem estar. O que outras pessoas fizeram contra você é responsabilidade delas. Mas, os seus sentimentos, a sua reação emocional, é de sua total responsabilidade. E eu sei que, muitas vezes, perdoar não é tão fácil quanto gostaríamos.

E, pra se aprofundar nesse tema, você pode também perdoar fatos anteriores do seu passado. Outra coisa importante… você deve também perdoar a si mesmo por qualquer erro, arrependimento, culpa, fracasso e etc. pra que você não se torne uma vitima de si mesmo que se pune e autossabota.

Dica 2: Limpeza. A limpeza deve ser feita em dois níveis: emocional e material. O nível emocional envolve o perdão que falei anteriormente, mas não só isso. Você pode e deve limpar também todo e qualquer tipo de emoção negativa que ficou acumulada do ano (e também do passado mais antigo): sentimentos de medo, tristeza, fracasso, frustração, perdas e etc. Livre desse peso negativo você vai se tornar uma pessoa muito mais criativa, em paz, e produtiva.

Já a limpeza no nível material envolve separar tudo o que você não utiliza mais e doar, vender ou jogar fora em um exercício de desapego. Isso inclui roupas, sapatos, eletrônicos, cabos, papeis e tudo mais que fica entulhado na sua casa contribuindo pra desorganização e bloqueio do fluxo de energia. A maioria das pessoas tem grande dificuldade de descartar o que não usa mais por causa de sentimentos de escassez, de que poderá precisar depois. Mas a maioria dessas coisas já está a anos sem uso e nunca serão reutilizadas. Faça essa limpeza e sinta o alivio que isso traz.

Dica 3: Agradecer. O estado da gratidão é o mais poderoso que existe para gerar abundância e atrair mais situações positivas. Enquanto que o estado da lamúria e reclamação atrai e ajuda a repetir situações desagradáveis. Por isso a recomendação é simples. Pare de reclamar e comece a agradecer. Faça uma lista de pelo menos 50 coisas que aconteceram no ano que são reais motivos pra você agradecer, e agradeça todos os dias por isso. Quem agradece sempre, cria uma estrada que leva a mais gratidão.

Dica 4: Clarear. A maioria das pessoas sabem apenas o que elas Não querem. Basta ver a lista de coisas que elas reclamam. Tudo aquilo que você dá atenção, cresce. Você precisa começar a se perguntar o que é que você deseja no lugar daquilo que você não quer. É importante ter clareza daquilo que você deseja para poder dar atenção e fazer crescer.

Dica 5: Visualizar. Depois de ter a clareza do que você realmente quer, é importante que você visualize essa nova realidade em detalhes como se ela já estivesse acontecendo agora. Além de visualizar, sinta durante esse exercício todas as emoções boas que essa realidade desejada traz pra você. Quanto mais você conseguir visualizar e sentir, mais você conseguirá ativar vários mecanismos inconscientes de criação da realidade e a lei da atração que vão ajudar a manifestar o que você deseja. Dedique alguns minutos por dia a esse exercício. Três minutinhos já vão fazer diferença.

Dica 6: Eliminar os sabotadores. Eu chamo de sabotadores os sentimentos e pensamentos negativos que atrapalham a sua chegada nos seus objetivos. Quando você pensa em atingir seus objetivos, vão surgir crenças limitantes, medo de não dar certo, medo de julgamento, sensação de incapacidade e etc… Imagine se você conseguisse simplesmente eliminar esses pensamentos e sentimentos? Seria muito mais fácil atingir o que você deseja. É possível sim eliminar os sabotadores.

Dica 7: Agir! As pessoas ficam paralisadas e não dão o primeiro passo. Talvez por que sintam que é tudo muito complicado ou por não terem a clareza exata de todos os passos que tem que dar pra conseguir o que desejam. Só que a clareza vai surgindo a medida que você entra em ação. Ao dar o primeiro passo você vai começar a enxergar qual é o segundo passo e depois o terceiro… Colocar-se em ação dando o primeiro passo dissolve o medo e lança uma luz que vai clarear mais alguns metros da sua caminhada.

Tenha um ano novo incrível!

André Lima

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

SALÁRIO MÍNIMO 2015

DECRETO Nº 8.381, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2014


Regulamenta a Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre o valor do salário mínimo e a sua política de valorização de longo prazo.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011,

DECRETA:

Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2015, o salário mínimo será de R$ 788,00 (setecentos e oitenta e oito reais).
Parágrafo único. Em virtude do disposto no caput, o valor diário do salário mínimo corresponderá a R$ 26,27 (vinte e seis reais e vinte e sete centavos) e o valor horário, a R$ 3,58 (três reais e cinquenta e oito centavos).

Art. 2º Este Decreto entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2015.

Brasília, 29 de dezembro de 2014; 193º da Independência e 126º da República.

DILMA ROUSSEFF
Guido Mantega
Manoel Dias
Miriam Belchior
Garibaldi Alves Filho

domingo, 21 de dezembro de 2014

O CASAMENTO


Paulo Roberto Cândido de Oliveira, agrimensor das terras fonéticas, arquiteto dos desenhos fermentados, garimpeiro das esmeraldas das palavras, engenheiro de elétricos edifícios invisíveis e esmerado especialista na medição das altas e baixas tensões do coração, é um fiador do tecido linguístico que desde os doze anos de idade se aventura, com calma, a acionar o sol do espírito e temperar o alimento da alma.

É um poeta, ou profeta, advinhador das eras, desses que desenha na lousa do firmamento a estrela de vento, que atomiza os prótons e nêutrons sob a caldeira de um único elemento. Filho e imitador da divindade, sopra com o verbo e ergue castelos de bondade.

Colocou no mesmo frasco a essência e a existência, e saiu a propagar a complementariedade do Uno e do Verso, que formam o que chamamos de Universo (Como bem lembrou Huberto Rohden, “o Universo nunca é só Uno nem só Verso – é sempre Uni-verso”). Cheio de mistérios, Paulo já subiu aos espaços etéreos para nos convidar a fazer uma “Viagem ao Céu Particular”.

Paulo evita pedestal, mas é aquele gênero especial que se pode chamar de intelectual. E há uma característica que parece inerente ao bom intelectual: é alguém que na comida insípida coloca um pouco de sal. O verdadeiro intelectual tem uma inata virtude: a comunhão com a inquietude!

Intelectual orgânico, desconhece o pânico. É discreto e irreverente, símbolo do militante includente. É. Malgrado adore velejar no seu oceano particular, é um surfista que desliza com emoção por sobre as ondas da inclusão. É membro proeminente da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF – onde tem assento na Cadeira 29, cujo patrono é o poeta, dramaturgo e jornalista Antonio Sales, um dos idealizadores da épica Padaria Espiritual.

Paulo Roberto – que figura como fundador e principal animador da Academia de Letras e Artes da Sociedade de Assistência aos Cegos – ALASAC, é um insuflador do gérmen da criatividade, sementeiro da boa vontade, amante da novidade.

É um frasista excepcional. Erige edificações fonéticas que só os pedreiros livres da alta prestidigitação das palavras são capazes. Neste livro, em que compartilha seu modo especial de reflexionar sobre essa instituição prenhe de desafios e portentos batizada de casamento, Cândido nos sacode com suas argumentações singulares e nos bafeja com suas tiradas geniais.

Só a título exemplificativo: ao final do terceiro capítulo, ele destila esta: “continuemos casados com a Literatura e sigamos em frente. Isto não é uma imposição do autor e sim, um pedido em prol do matrimônio da intelectualidade com a sensatez”. No desfecho do livro, parafraseando Vinícius, faz votos que “o casamento seja Eterno enquanto Puro”.

Tendo como protagonista um casal fictício, Ana e Roberto, ele principia afirmando que ‘Casamento é Coisa Séria’ para seguir nos chamando a atenção para ‘A Diversidade Humana e Suas Semelhanças’. Em seguida, levanta três indagações inquietantes na relação matrimonial: ‘Quando Impor?’; ‘Quando Supor?’ e ‘Quando Propor?’

No sexto capítulo fala sobre ‘As Sinalizações conscientes e inconscientes impostas, supostas e propostas por um "bate-boca matrimonial"’ para, ao final, nos brindar com “Reflexões Complementares e o reencontro de Ana e Roberto”.

Sugiro que este amuleto literário nos desperte para descer às profundidades relacionais, à gruta que esconde, à fonte que libera esse veio de luz dito amor ou entrelaçamento de almas. Melhor: como bem pontua: “Casamento, ‘casar mentes’”, proposição do escritor Robiyn Delphos, que o autor teve o prazer de conhecer pessoalmente em 2012, na cidade italiana de Florença.

Neruda preferia nominar quem passeava pela estação perene do amor de amante. Por isso cantou:

Dois amantes ditosos fazem um só pão,
uma só gota de lua na erva,
deixam andando duas sombras que se reúnem,
deixam um só sol vazio numa cama...

De todas as verdades escolheram o dia....
não se ataram com fios senão com um aroma,
e não despedaçaram a paz nem as palavras...
A ventura é uma torre transparente...
O ar, o vinho vão com os dois amantes,
a noite lhes oferta suas ditosas pétalas,
têm direito a todos os cravos...

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem...
têm da natureza a eternidade...

Paremos diante deste livro. Ruminemos suas contraditórias provocações, a um só tempo intrigantemente silenciosas e delicadamente rumorosas. Mas, sobretudo, o admiremos. Ou apenas o fitemos com a retina demorada da estupefação. Esta é uma obra para se ler com os olhos da emoção.

(Júnior Bonfim, na apresentação do livro Casamento, de Paulo Roberto Cândido)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A CENTENÁRIA MARIA JOSÉ PINTO


“Ama-me o quanto amo-te, que será bastante” – eis o teor de um bilhete, cunhado em primeiro de junho de mil novecentos e trinta e quatro, por Edmundo Pinto da Silva para a sua amada Maria José Pinto.
Aquele singelo e minúsculo manuscrito, que ainda hoje integra o relicário familiar, era o ferro, o amuleto, a esfinge, o brasão, a marca, o distintivo, o selo de um idílio que se amolda aos poemas sagrados, como aquele estampado no Cântico dos Cânticos: “Grava-me como selo em teu coração, como selo no teu braço, porque forte como a morte é o amor, implacável como o abismo é a paixão; os seus ardores são chamas de fogo, são labaredas divinas. Nem as águas caudalosas conseguirão apagar o fogo do amor, nem as torrentes o podem submergir. Se alguém desse toda a riqueza da sua casa para comprar o amor, seria ainda tratado com desprezo.”

As labaredas divinas da paixão e o fogo indelével do amor levaram Edmundo Pinto da Silva & Maria José Vieira Pinto, crateuenses de nascimento e entre si casados por quase meio século, a cumprir outro mandamento superior: o de crescer e multiplicar! Em 1936, Antonio Vieira Pinto; três anos depois, Adilson Vieira Pinto; no ano de 1940, Maria Alice Vieira Pinto; em 1944, Maria do Socorro Pinto Melo; outro varão em 1947: Edmundo Pinto Filho; uma sequência de quatro mulheres: Maria de Fátima Pinto Pimentel, Maria das Dores Vieira Pinto, Maria das Graças Vieira Pinto e Raimunda Nonata Pinto da Silva, respectivamente em 1948, 1950, 1952 e 1953; Francisco Vieira Pinto, o Pachico, em 1955; Augusto Pinto Neto, o Netinho, em 1956, e o filho do coração, Leopécio Pinto da Silva, adotado aos 2 anos de idade, nascido em 1937.

Em que pese o senhor Edmundo – varão piedoso, justo e obreiro celeste na terra – tenha migrado para a outra dimensão há trinta anos (precisamente em 06 de outubro de 1984), a senhora Mazé Pinto ainda vive sob o afago afetivo da sua invisível companhia.

O índice existencial dessa simples, louvável, generosa e encantadora mulher centenária precisa ser revisitado e exaltado. Aos oito anos, na aurora da vida, diferentemente do que retratou Casimiro de Abreu, não lhe foi dado curtir “noites de melodia, naquela doce alegria, naquele ingênuo folgar! O céu bordado d'estrelas, a terra de aromas cheia, as ondas beijando a areia e a lua beijando o mar!” A menina Mazé, de tenra idade, ‘se não tinha outras delícias, recebia da mãe carícias e os beijos da irmã naquela risonha manhã’, em que se dirigia à missa dominical para rogar a força e a luz superiores.

Essa força e essa luz, que vinham de Jesus, impulsionavam a pequena Mazé a marchar com fé e muita tranqüilidade por sobre os trilhos da adversidade. Ao invés do banco escolar, batalhava pelo pão para o lar; no lugar das rumorosas brincadeiras de criança ia confeccionar uma silenciosa bandeira chamada esperança! Sem medo de açoite, no escuro da noite, substituía a conversa de terreiro pelo transporte de um fogareiro, com o qual ajudava a mãe na venda de quitutes na estação do trem de passageiros.

Outro dia, conversando comigo, ela me abriu rapidamente o álbum da recordação: a imagem do Padre Juvêncio, que a casou e batizou quase todos os seus filhos; do apoio ao Hospital do Batalhão, que ela tanto serviu oferecendo comida e louça, inclusive hospedando pacientes em seu lar; da Sapataria União, casa comercial que iniciou pequena e se tornou referência regional; dos quitutes que vendia, em especial a “lingüiça da dona Mazé”, e da inumerável legião de amigos e espontâneos admiradores que possui. Confessou estar “embelezada” com todas as manifestações de carinho e ternura. Em verdade, beleza é o nome do manto que envolve a alma leve de dona Mazé! Em nome dos filhos, Maria de Fátima Pinto Pimentel confia que “a outra Maria, lá do Céu, há de estender o Manto Azul protetor por sobre sua cabeça e lhe abençoar pelo muito que fez por todos nós”.

A dona Mazé Pinto lembra o milho, esse cereal milenar cultivado em várias partes do mundo, inclusive na nossa região. O seu nome, cuja pia batismal é indígena e caribenha, significava “sustento da vida”. Lindo, humilde e acessível, o milho serve de múltiplas formas à humanidade. É mítico e místico. Segundo Rubem Alves, ele lembra a morte e a ressurreição. Submetido ao fogo, o milho, ao invés de morrer, ressuscita: vira uma linda pipoca. Enquanto o milho que não se deixa estalar fica duro, aquele que estala vira pipoca, que lembra uma linda flor aberta. Assim são as pessoas que passam pelo fogo da vida e chegam à maturidade semelhante a uma flor branca. Assim é Maria José Pinto, que neste dia 31 de outubro de 2014 celebrará cem anos de vida: uma alva camélia, um crisântemo branco, um jasmim de candura que merece todo o afeto e louvor dos seus conterrâneos. Honremo-la!

(Júnior Bonfim, na Revista Gente de Ação e no Jornal Gazeta do Centro Oeste)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

OBSERVATÓRIO

O economista Luiz Gonzaga Belluzo, conselheiro da Presidente Dilma para assuntos econômicos, disse no domingo passado, antes da abertura das urnas, que não sabia quem deveria comemorar o resultado: vitorioso ou derrotado. Tão volumosos são os problemas e desafios que ninguém pode tripudiar sobre o contendor. No mesmo instante, o jornalista Josias de Souza fez um balanço que transcrevo a seguir:

A MONTANHA

“PT e PSDB frequentaram a sucessão presidencial como personagens de uma anedota de Millôr Fernandes. A piada trata da tecnologia da engenharia na China. Colocam 10 mil chineses cavando de um lado da montanha, 10 mil cavando do outro lado. Se os dois grupos se encontram no meio do caminho, fazem um túnel. Se não se encontram, fazem dois túneis. Petistas e tucanos cavam há anos. Mas a montanha que os separa parece intransponível. Encontram-se de raro em raro. Mas, ocupados em trocar socos e ofensas mútuas, não conseguem enxergar luz no fim do túnel. Desviam-se uns dos outros. E continuam cavando. Em 2014, exageraram nas agressões. “Acho que teve momentos lamentáveis”, disse Dilma Rousseff neste domingo. “Ficará marcada como a mais sórdida campanha já feita”, declarou Aécio Neves. Ou eles param de cavar ou a montanha vai virar um gigantesco labirinto”.

ENCONTRO

“Na origem do relacionamento, imaginou-se que haveria um fim de túnel. A coisa começou em 1978, ano em que o sindicalista Lula apoiou o intelectual FHC na sua primeira campanha ao Senado. Juntos, distribuíam panfletos nas portas de fábrica do ABC paulista. Nessa época, FHC e Lula dividiam conjecturas sobre a constituição de um partido socialista. Mudaram de ideia. E cada um foi cavar a própria história. Um preferiu alinhar-se à esquerda do velho MDB. O outro foi fundar o PT. Encontraram-se no miolo da montanha nos palanques dos comícios pela volta das eleições diretas. Separaram-se no colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves, o avô de Aécio. Juntaram-se num palanque de segundo turno –Lula X Collor. Achegaram-se novamente nas articulações que levaram ao impeachment de Collor”.

DESENCONTRO

“Desde 1994, desencontram-se a cada quatro anos. Estapeiam-se em campanhas presidenciais. FHC prevaleceu sobre Lula em 1994 e 1998. A transição de 2002 para 2003, por civilizada, teve a aparência de um novo reencontro. Engano. Após derrotar Jose Serra, Lula pespegou na gestão de FHC o selo de “herança maldita”. Desentenderam-se de novo em 2006 e 2010. Em 2014, a oratória atingiu o grau máximo de radioatividade”.

BOM SENSO

“Chegou a hora de tornar o cenário menos tóxico. Se restar alguma dose de bom senso, Aécio e Dilma retiram a raiva dos discursos já noite deste domingo, depois do anúncio do resultado das urnas. Dá-se de barato que a montanha venceu. Mas não precisa entregar 100% da governabilidade do labirinto a personagens como Renan Yang, Sarney Ling e toda a dinastia Ming que perambula pelo Congresso à procura de aliança$”.

CEARÁ

Camilo Santana, o governador de todos os cearenses a partir de primeiro de janeiro de 2014, é agora o alvo das conjecturas. Por seu estilo discreto, pouca gente se arrisca a fazer prospecções sobre como será a sua gestão. Porém, há alguns indicativos. Quem pensa que Camilo é um petista radical e virulento, engana-se. Quem imagina que será um mero despachante da família Ferreira Gomes, também se equivoca. Camilo Santana conseguiu a façanha de fazer, pessoalmente, uma campanha respeitosa, sem que ninguém tenha identificado sua digital em baixarias, malgrado elas terem ocorrido. Figura correta e bem intencionada, o filho de Eudoro Santana certamente vai se esforçar para realizar um mandato biográfico, que homenageie a história combativa do seu genitor.

ANIVERSARIANTES

Como as árvores, as mulheres centenárias merecem a solene reverência, a respeitosa deferência. Nossos cumprimentos para duas delas. Uma é Rosa Ferreira de Moraes, sacerdotisa da educação, mestra da pintura, irmã da música, jardineira da fé, semeadora de bons costumes, legenda referencial! Completou 101 anos no domingo passado. A outra é Maria José Pinto, que na próxima sexta-feira, dia 31 de outubro de 2014 celebrará cem anos de vida: uma alva camélia, um crisântemo branco, um jasmim de candura que merece todo o afeto e louvor dos seus conterrâneos. Abençoadas sejam per sécula seculórum, pelo século dos séculos! Outro que aniversaria no próximo sábado, dia primeiro de novembro, é Antonio dos Santos, que por vários mandatos representou Crateús na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal (vide Crônica ao lado).

PARA REFLETIR

“Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás”. (Sabedoria oriental)

(Júnior Bonfim, no Jornal gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

OS 9 PASSOS PARA REFORMAR O PAÍS, SEGUNDO O MINISTRO LUIS ROBERTO BARROSO


Um novo Brasil em nove pontos. A receita do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso foi apresentada aos mais de 16 mil advogados que participam da 22ª Conferência Nacional no Rio de Janeiro. A abordagem inclui o reconhecimento de problemas e a busca por soluções que sirvam para “empurrar a história”, como ele, numa profissão de fé, costuma repetir.

Um novo país que, conforme conclamou, passe por uma reforma política no primeiro semestre de 2015, seja Dilma Rousseff presidenta ou Aécio Neves presidente. E se preciso for, não conseguindo o Congresso Nacional chegar a um acordo sobre o novo modelo político, Barroso defendeu a convocação de um plebiscito. Uma ideia já aventada por Dilma após as manifestações de rua em junho do ano passado. O tema foi martelado por todos que discursaram na abertura da 22ª Conferência Nacional dos Advogados.

“Quem quer que ganhe as próximas eleições tem o dever patriótico de dedicar o primeiro semestre do próximo ano a promover uma reforma política”, afirmou sob os aplausos dos advogados. “Se não houver consenso no Congresso (para sua aprovação), aí sim se parte para um plebiscito.”

Uma visão crítica, mas otimista. Uma lista de problemas, defeitos e obstáculos. Mas um rol igualmente extenso de propostas, concorde-se ou não com elas. Os nove pontos para a reforma do país, na avaliação do ministro do Supremo:

1 – Superação do patrimonialismo, do oficialismo e da desigualdade.

Um patrimonialismo tão arraigado, disse o ministro, que foi preciso a Constituição expressamente vedar que agentes públicos usem dinheiro do Tesouro Nacional para promoção pessoal. O Supremo precisou, ainda, dispor em súmula vinculante que o nepotismo é constitucionalmente vedado.

O oficialismo é a dependência do Estado para tudo, desde a benção a determinada proposta até o financiamento com dinheiro público. E, por fim, o combate ao que o ministro cunhou como inigualitarismo: garantir igualdade de oportunidades, coibir o tratamento mais benéfico para quem tem mais recursos e assegurar que todo cidadão tem direito a ser diferente – religiosa ou sexualmente.

2 – O preconceito contra a livre iniciativa e o empreendedorismo.

Um preconceito, afirmou o ministro, que transforma o capitalismo brasileiro em algo envergonhado, um sentimento que ignora ser a livre iniciativa a principal fonte geradora de riqueza no país. De acordo com Barroso, talvez porque o brasileiro ainda associe o capitalismo brasileiro a favorecimentos por parte do governo, licitações duvidosas, golpes no mercado financeiro, chegando aos grandes latifúndios.

3 – Necessidade urgente de Reforma Política.

O diagnóstico é simples e paradoxal: a necessidade de uma reforma política reúne forças distintas, mas na mesma direção. Mas essa concentração de esforços parece fazer aumentar as dificuldades para que as mudanças sejam feitas.

A conclamação para que o Congresso e o novo presidente concentrem esforços na aprovação de uma reforma política no primeiro semestre de 2015 pode não ser factível, dadas as necessidades de um governo em início de mandado e da chegada ao Congresso de novos parlamentares. Mas reforça o apelo feito na mesma Conferência pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski.

Se a reforma não for aprovada pelo Congresso, que se convoque um plebiscito para que o eleitor responda.

Pergunta I – Sistema eleitoral.

Você é a favor: (1) do sistema proporcional puro (modelo atual); (2) do sistema distrital puro; ou (3) do sistema distrital e proporcional combinados (distrital misto).

Pergunta II – Natureza da lista partidária. Você é a favor: (1) da lista partidária aberta (modelo atual); (2) da lista partidária preordenada; ou (3) do voto proporcional em dois turnos, sendo o primeiro voto no partido e o segundo no candidato.

Pergunta III – Financiamento eleitoral. Você é a favor: (1) do financiamento privado, seja por pessoa física ou jurídica (modelo atual); (2) do financiamento exclusivamente público; ou (3) do financiamento público e privado, sendo este último limitado a pessoas físicas.

4 – O necessário florescimento da sociedade civil: inovação social e filantropia

Uma alternativa para quem pede menos Estado no dia a dia do País. “Nós já temos ricos o suficiente no país para incluir na agenda política a filantropia”, disse Barroso em seu discurso. “Ao lado do governo democrático e da livre-iniciativa, precisamos de mais sociedade civil, de pessoas e de instituições que funcionem como agentes do bem, da transformação social.”

5 – Criação de instituições de ensino superior de ponta.

“O país precisa criar instituições acadêmicas verdadeiramente de ponta. Nessa matéria, estamos atrás de outros países em estágio assemelhado de desenvolvimento, como Rússia, Índia e China. Estamos defasados mesmo em termos de América Latina”, afirma o ministro.

Os alunos seriam recrutados por meio de bolsas de estudo. Professores estrangeiros se juntariam aos brasileiros nessas escolas. Instituições que não sejam financiadas com recursos públicas. Também haveria universidades e faculdades com financiamento de empresas privadas.

6 – Algumas mudanças de patamar ético.

Em tempos de campanha eleitoral, com ataques entre os dois candidatos à Presidência da República, o apelo vem a calhar. “Quem pensa diferentemente de mim não é “meu inimigo, mas meu parceiro na construção de uma sociedade aberta e plural”, afirmou o ministro. “O foco do debate deve ser o argumento e não a pessoa que o enuncia. A divergência, como regra geral, pode e deve ficar no conteúdo do argumento.”

7 – Redução drástica do foro por prerrogativa de função.

No STF, Barroso integra um grupo – já majoritário – que defende a extinção do foro privilegiado. Nas suas palavras, o modelo atual é construído para garantir a impunidade. Para que aqueles no topo econômico da sociedade não sejam condenados.

“O foro por prerrogativa de função é uma reminiscência aristocrática que temos no Brasil. O sistema é muito ruim, é feito para não funcionar, para fomentar a impunidade, para levar à prescrição”, afirmou. “O sistema é feito para isso mesmo: para que ao fim e ao cabo o sujeito não seja punido se estiver no extrato superior da sociedade”, acrescentou.

A proposta do ministro é polêmica: criação de uma vara federal em Brasília para julgar parlamentares, ministros de Estado e de tribunais superiores. Um juiz, que alguns já classificam como super-juiz, que teria mandato de quatro anos e que, ao final do período, seria promovido ao Tribunal Regional Federal. Lá encerraria sua carreira – não poderia, portanto, ser escolhido ministro do Superior Tribunal de Justiça ou do STF.

8 – Equacionamento do excesso de litigiosidade e da demora processual

O último levantamento do Conselho Nacional de Justiça mostrou que há mais de 100 milhões de processos em andamento, algo como um em cada dois brasileiros com alguma ação judicial.

Se por um lado os números mostram que as pessoas passaram a ter mais consciência de seus direitos e demonstram confiança na solução que virá do Judiciário, eles também revelam a crise da Justiça.

Barroso sugeriu algo nem sempre palatável e bem recebido por advogados. Inicialmente, encerrar o processo após o julgamento do caso em duas instâncias. “Acesso à Justiça se dá no duplo grau de jurisdição”, afirmou.

Em seguida, reduzir o uso abusivo ou não dos recursos. Para isso, disse o ministro, seria necessário reformar o sistema brasileiro.

Umas das ideias seria determinar que um juiz de primeiro grau recebesse a inicial do processo e fixasse a data em que iria proferir a sentença. Nesse período, os advogados das partes teriam tempo para produzir provas e prepararem seus argumentos.

9 – Redefinição do papel do Supremo Tribunal Federal.

No STF, Barroso destaca-se pelas propostas de alteração no regimento e nos rumos do tribunal, trabalhando por restringir o plenário a temas constitucionais e deixando os demais processos para as turmas de julgamento. Por propostas como estas, é combatido internamente e encontra muita resistência de alguns colegas, como o ministro Marco Aurélio Mello.

Mas desde que entrou no tribunal, tem demonstrado estranhamento e descontentamento com a quantidade de processos que se vê obrigado a julgar. “Meu assessor veio me dizer com orgulho que havíamos julgado 4.578 processos. Pois eu não tenho orgulho, tenho constrangimento. Isso é o oposto da Jurisdição constitucional”, afirmou.

Os dados são corroborados por uma observação do professor Joaquim Falcão, da Fundação Getulio Vargas. Hoje, um juiz de primeira instância recebe menos processos que um ministro do Supremo. “A pirâmide está invertida”, afirmou Falcão.

E quando o número de processos julgados por cada ministro é dividido pelo tempo útil, a conclusão é uma só: “Estamos repetindo decisões porque não dá tempo”, admitiu Barroso.

Um diagnóstico crítico, propositivo e que, ao final, terminou com uma demonstração de otimismo.

“O Brasil foi um dos maiores sucessos do século XX. Agora, ao longo do século XXI, vamos enfrentar o abismo social brasileiro, com educação, empreendedorismo e serviços públicos de qualidade. E, então, com atraso, mas não tarde demais, chegaremos finalmente ao futuro, oferecendo um exemplo de civilização para o mundo, com justiça social, liberdades públicas, diversidade racial, pluralismo cultural e alegria de viver.”

Por Felipe Recondo

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

CONJUNTURA NACIONAL

Tudo verdim

Abro a coluna com deliciosa historinha do Seridó/RN.

Os cientistas envolvidos com o estudo da agropecuária garantem que o gado bovino somente visualiza uma cor, a escura. Mas o Honorim Medeiros (que Deus o guarde), da Fazenda Pedra do Sino, em Caicó, não foi na conversa e, com a ajuda do seu próprio rebanho, jogou por terra a tese dos doutores em zootecnia. Foi na seca dos anos 50. Exauridos todos os recursos de pastagem, o gado rejeitava os restos do capim seco, duro, esturricado, preferindo apenas a torta de algodão, verdinha, fresquinha, ótimo sabor. Honorim vivia preocupadíssimo, aperreado, sem mais saber o que fazer:

- Tô lascado, desse jeito vou alisar!

Matutou, matutou, e, criativo, bolou a ideia genial. Foi até a Paribana, casa comercial do amigo Antonio da Viola e fez uma inflacionada compra, deixando o comerciante boquiaberto:

- Tem óculos de carnaval? Pois então me dá todo o estoque, todos da cor verde (antigamente, eram comuns os óculos de plástico, com alças de elásticos, usados exclusivamente no período momesco).

O fazendeiro levou-os para a Pedra do Sino e fantasiou o rebanho. Na volta à cidade, o amigo quer saber dos resultados:

- Como é Honorim, deu certo?

O fazendeiro abriu um sorriso de orelha a orelha e deu a boa nova:

- Mas, home, é um milagre. O gado tá comendo até as cercas e os mourões das porteiras!

(Quem conta em Segura Essa é Orlando Rodrigues)

Quem ganha?

Em todos os lugares, a recorrente pergunta: e agora, quem ganha a campanha? Mais uma vez, a bola de cristal está turva. E desta feita, não há esperança que as águas se acalmem e deixem a figura que está na frente. Tudo está mais embolado. Mas se as perguntas adiante forem respondidas, teremos chance de acertar as previsões: Aécio conseguirá retumbante vitória em seu Estado, MG, onde um governador do PT, Fernando Pimentel, eleito no primeiro turno, se transforma em cabo eleitoral de primeira linha de Dilma? Dilma conseguirá expandir sua vitoria no Nordeste, onde teve 12,5 milhões de votos de maioria? Aécio conseguirá expandir seus votos no Nordeste, a partir de PE, e sair dos 15% de votos que teve na região? Ambos conseguirão aumentar seu cacife em SP e no RJ, grandes colégios eleitorais?

Hipóteses

Todas as hipóteses acima são razoáveis para um e para outro, mas outra questão de colocar: a maioria de votos de Aécio no Sudeste conseguirá ultrapassar o latifúndio de votos de Dilma no Nordeste? Se PE vai dar uma boa votação para Aécio, em função do apoio da família Campos a sua candidatura, a BA, que é o quarto maior colégio eleitoral do país, elegeu um governador do PT no primeiro turno. Jaques Wagner está, portanto, com a bola no pênalti para fazer mais um gol. A PB está dividida entre o tucano Cassio Cunha Lima e o socialista do PSB, Ricardo Coutinho, que apóia Dilma. O RN deu mais de 60% dos votos a Dilma. O CE, idem. PI e MA são redutos dilmistas. Já no Sul, Aécio tende a levar a melhor, inclusive no RS, onde terá o apoio do candidato Ivo Sartori, do PMDB.

SP, a guerra maior

Em SP, será travada uma guerra como nunca se viu. Os tucanos contam no Estado a maior rejeição ao PT - mais de 40% - entre todos os entes federativos. Mas o PT tem Lula. Será que o mosqueteiro-mor do partido está cansado? Ou não tem mais munição? Será que os artilheiros de pouco fogo - Fernando Haddad e Alexandre Padilha - terão pólvora para gastar? E Aloizio Mercadante, que já foi candidato ao governo? E Marta Suplicy, a maior herdeira dos votos periféricos do PT em SP? Onde estas pessoas se encontram?

PMDB unido

Já o PMDB, sob o comando de Michel Temer, deu inequívoca demonstração de força e unidade, na segunda-feira passada, quando os prefeitos do partido, vice-prefeitos, vereadores e lideranças regionais compareceram a um encontro-almoço numa churrascaria do bairro do Ipiranga. O único ausente da grande festa foi o candidato do PMDB ao governo, Paulo Skaf, que não recebeu menção ou lembrança na festa. As bases saíram motivadas para a batalha final.

Marina e Aécio

Marina, ufa, acabou dando seu apoio a Aécio Neves. Mas parcela de seus eleitores já havia decidido apoiar o candidato. Outra parcela, principalmente os eleitores de Marina no Nordeste, migram em direção à candidata Dilma. Afinal, os eleitores de Marina e Dilma são muito próximos. No Sudeste, a distância é maior, eis que parcela de ambos habita os andares do meio da pirâmide. Marina teve uma grande votação no Rio. Irá toda para o tucano?

Debates

Ontem, na TV Bandeirantes, foram reiniciados os debates. Apenas corroborarão as decisões já tomadas por grupos e camadas de eleitores. Serão poucos aqueles que deixarão um candidato por outro em função de debate eleitoral. O que pode ocorrer é a migração de eleitores das bases que tendem a aderir a candidatos com melhores chances de vitória. Nesse sentido, esses eleitores querem se sentir vitoriosos. E sair das eleições de cabeça alegre. Teremos debates, ainda no SBT, TV Record e TV Globo.

Os juízes - I

Os juízes, ensinava Francis Bacon, devem ser mais instruídos que sutis, mais reverendos do que aclamados, mais circunspectos do que audaciosos... e completava o velho filósofo: "o juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando os vales e abaixando as montanhas, deve guardar-se de conclusões duras e inferências desmedidas, porque não há pior tortura do que a tortura das leis".

Os juízes - II

Esta semana, este consultor ficou pasmo. Ao tomar conhecimento da decisão de uma juíza (até imaginava que as mulheres juízas tivessem mais humanidade que os homens juízes) no caso de um pleito de senhora de 97 anos, por meio de uma liminar apresentada por um advogado. Tendo uma síncope, foi internada em regime de urgência na UTI de um hospital. Precisava urgentemente ser atendida. A juíza negou provimento à liminar. Por erro procedimental. Faltava um documento, alegou. Que foi imediatamente providenciado. Mesmo assim, decidiu encerrar o recurso. Deixando no ar o alerta: não quero entrar no mérito. Em outras palavras, queria dizer: pouco me importa se a senhora vai morrer, agora, daqui a cinco minutos ou amanhã. Meu olho é para o procedimento. Meu Deus do céu: onde está o bom senso? O que é ser justo? O que é fazer Justiça? Como garantir acesso do povo à Justiça quando, no meio do caminho, há um naipe de juízes com essa índole?

Integridade

Acima de todas as coisas, a integridade é a virtude que na função caracteriza os juízes, ensina Bacon. Será que podemos atribuir a Sua Excelência, a tal juíza insensível, a virtude da integridade?

Mais uma lição

- Nas causas de vida ou morte, devem os juízes não esquecer que com a Justiça está a misericórdia, para castigarem com olhos severos o exemplo, mas com olhos misericordiosos a pessoa. (Francis Bacon, em Ensaios, Capítulo sobre A Judicatura).

(P.S. Seria muito útil que a Excelentíssima juíza pudesse ler essa modesta lição do grande filósofo inglês).

Grandes juízes

Este consultor não tem dificuldades em identificar grandes juízes. Magistrados que encarnam valores e virtudes do humanismo. Querem um exemplo? O presidente da mais alta Corte do Judiciário paulista, o desembargador, José Renato Nalini, que luta por uma Justiça mais próxima ao cidadão.

Ecos da eleição - I

A disputa produziu uma modelagem formada por três tipos de votos: o do bolso, com efeito na barriga; o do coração e o da cabeça. O primeiro saiu da imensa população - cerca de 60 milhões de pessoas - que recebe o adjutório do governo, por meio dos programas Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos e outros. A equação é: bolso cheio enche a geladeira, que enche a barriga, gerando um voto de reconhecimento e de agradecimento. É o que explica os cerca de 60% da votação que a presidente Dilma obteve no Nordeste. O voto do coração foi dado, sobretudo, à ex-senadora Marina Silva, sob o empuxo da onda emotiva que se formou a partir do acidente que matou o ex-governador de PE, Eduardo Campos. Já o terceiro tipo, o voto racional, mesmo em expansão no país, sai da cabeça dos habitantes do meio da pirâmide, eleitores de maior renda, principalmente das regiões Sul e Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do senador Aécio.

Ecos da eleição - II

A tal "nova política" assentará praça na próxima legislatura? Infelizmente, não. Os resultados mostram, de um lado, grande renovação de quadros (46% de novos deputados na Câmara), e de outro, uma representação que espelha a continuidade de grupos familiares, ao lado de fortes bancadas de setores conservadores. Parece um paradoxo. O clamor das ruas por mudança não furou o bloqueio de bastiões tradicionais. A bancada de empresários subirá de 220 para 280 deputados; a dos ruralistas vai crescer de 130 para 160, aumento de 23%; e a dos sindicalistas diminui de 83 para 46, ou seja, 44%; já a bancada da "bala", conhecida por agregar perfis de ex-militares e de posições radicais, ganhou votação expressiva ao lado da ala de 20 pastores e bispos, irmanados no evangelismo. Por último, ressalte-se a maciça votação de atores midiáticos, como Celso Russomano (que amealhou mais de 1,5 milhão de votos) e o palhaço Tiririca (mais de um milhão), que puxam seis candidatos de suas legendas, mais uma contrafação da velha política.

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(Gaudêncio Torquato)