quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ENTREVISTA COM O UROLOGISTA MIGUEL SROUGI - VALE A PENA LER ATÉ O FINAL



O urologista, que cuida da saúde do "PIB" brasileiro, fala sobre os
principais temores masculinos, como problemas na próstata, disfunções
sexuais e decadência física.

Não tem nem o que questionar: quando se fala em urologia, e
principalmente em saúde masculina, primeiro nome da agenda e da
confiança dos principais políticos, empresários e brasileiros em geral
é o do médico Miguel Srougi. Considerado o número 1 do Brasil em
Cirurgias de câncer de próstata ( já realizou 2.900), atende em seu
consultório gente como o presidente Lula, José Alencar, José Serra ,
Geraldo Alckmin, Joseph Safra, Lázaro Brandão, Abílio Diniz e Antônio
Ermírio de Moraes, entre outros pesos pesados.

Professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP,
pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados
Unidos, 35 anos de carreira, uma dezena de livros publicados e outra
centena de artigos espalhados mundo afora, Srougi tem a simplicidade
daqueles que muito sabem, pouco ostentam e continuam lutando. Ele se
dedica integralmente ao que faz - trabalha todos os dias, das 7 da
manhã às 10 da noite -, abriu mão da vida pessoal - é casado, pai de dois filhos - e não tem receio de dizer que se envolve demais com seus pacientes. "Sofro muito e esse sofrimento é um dos fatores de sucesso da minha carreira, porque acabo me entregando mais aos doentes."

Embora viva intensamente entre os limites das dores da perda e
alegrias dos resgates da vida, Srougi, aos 60 anos, se abastece
lecionando na Faculdade de Medicina, "uma de minhas razões
existenciais".

No ano passado inaugurou um moderno centro de ensino e pesquisa para
seus alunos, garimpando verbas junto aos seus pacientes poderosos. A
sala ganhou o nome de Vicky Safra, mulher de Joseph Safra - em
homenagem ao banqueiro que doou a maior parte dos recursos.

Nesta entrevista, o maior especialista em câncer de próstata do país
afirma que "todo homem nasce programado para ter a doença" e que, se
viver até os 100 anos, inevitavelmente vai contraí-la.

Fala ainda sobre medos, fantasmas masculinos, impotência, novos
tratamentos e seus sonhos pessoais.

E conta por que trocou o Hospital Sírio-Libanês pelo Oswaldo Cruz
depois de 30 anos.

A seguir, os principais trechos.

ASSOMBROS MASCULINOS

Os homens têm uma certa sensação de invulnerabilidade - isso faz parte
da cabeça deles. Passam boa parte da sua vida livre de todos os
incômodos que a mulher tem, fazendo com que relaxem mais com a sua
saúde. Com o passar dos anos, começam a perceber a sua vulnerabilidade
e passam a dar um pouco mais de valor aos cuidados médicos.

O que mais os atemoriza hoje?

Problemas com a próstata, disfunções sexuais e a decadência física, que mexe muito com a cabeça das mulheres, mas também com a deles. As mulheres pautam muito a vida em
função da beleza e os homens, da força, da virilidade, da capacidade
de agir, raciocinar. E na hora em que surgem falhas nessas áreas, ele
percebe que, talvez, não seja aquele ser imortal que achava que
fosse.

ENVELHECIMENTO

Há dois profundos temores hoje nos homens: o primeiro é o crescimento
benigno da próstata, um fenômeno que ocorre em praticamente todos
eles: ela aumenta de tamanho depois dos 40 anos e, dessa forma, o
canal da uretra fica ocluído.

Isso faz com que o homem comece a urinar sucessivas vezes, a não
ficar em uma reunião prolongada, tem de levantar à noite, prejudica o
sono, acorda mal, pode ter descontroles de urina. O crescimento
benigno é quase inexorável: todos os homens vão ter em maior ou menor
grau - felizmente, apenas um terço, 30%, tem sintomas mais
significativos que exigem apoio médico.

Nesses casos, há medicações que desobstruem parcialmente a uretra e
fazem o indivíduo urinar e viver melhor; apenas de 4% a 5% dos homens
têm de fazer uma cirurgia para desobstruir a uretra por causa desse
crescimento benigno.

Essa é uma cirurgia, que se faz com segurança e sem os inconvenientes
de uma cirurgia maior nos casos de câncer.

Ela remove apenas o fator obstrutivo, o homem passa a viver melhor e
sem nenhuma seqüela. Esse crescimento não tem causa conhecida, surge
por um desequilíbrio hormonal no homem maduro, ou seja, as células da
próstata passam a se proliferar em decorrência dos hormônios. Não tem
como prevenir. Existem algumas medidas, mas nenhuma consistente.

OBESOS E FUMANTES

Existe a idéia de que o obeso e os fumantes teriam menos crescimento
benigno da próstata. O que é interessante é que a próstata seria o
único lugar no organismo que eles deixam de ter todas as desvantagens,
mas a realidade é meio dura: recentemente se apurou que eles são menos
operados da próstata, mas não porque ela não cresce, mas pelo receio
dos médicos de operá-los porque complicam mais e também porque muitas
vezes não vivem o suficiente para ser operados - morrem antes. É uma
realidade perversa.

REALIDADE NUA E CRUA

O câncer na próstata adquire maior relevância porque tem uma grande
prevalência: 18% dos homens - um em cada seis - manifestarão a doença.
E também porque o tumor, que ocorre com muita freqüência dentro da
próstata, é eliminado com sucesso em 80%, 90% dos homens. Se esse
tumor não é identificado no momento certo e se expande, saindo para
fora da próstata, as chances de cura caem para 30%. É um tumor muito
comum e se for detectado a tempo, tem como resgatar esse paciente.
Dos 18%, somente 3% morrem - a medicina consegue curar 15% dos homens,
ou seja, a maioria. Mas vale dizer que todo homem nasce programado
para ter câncer de próstata. Ou seja, nós temos, nas nossas células,
genes que as estimulam a virar cancerosas e eles ficam bloqueados
durante a nossa existência. Quando o indivíduo envelhece, esses
mecanismos de bloqueio deixam de exercer o seu papel e o câncer começa
a se manifestar. Com isso vai aumentando a freqüência da doença e todo
homem que chegar aos 100 anos vai ter câncer de próstata.

SEM FANTASIA

O exame de toque - um dos meios de se detectar a doença - gera na
cabeça dos homens fantasias negativas e receios, mas, na verdade, eles
tem muito medo da dor. Tanto é que os que fazem pela primeira vez, no
ano seguinte perdem o medo. Leva três ou quatro segundos e não dói.
Então, um dos fatores de resistência é eliminado. Existe um segundo
sentimento, que é muito forte: expressar, exteriorizar uma fraqueza se
a doença for descoberta. O homem tem pavor disso porque, de acordo com
todas as idéias evolucionistas, só vão sobreviver aqueles que forem
fortes. É comum você descobrir um câncer no indivíduo, e ele entrar em
pânico, não pela doença, mas porque as pessoas vão descobri-la. Porque
o câncer é muito relacionado com morte, decadência física, perda da
independência, dependência dos outros. O homem não aceita essa idéia,
e prefere fechar os olhos e enfiar a cabeça debaixo da terra a
enfrentar, mostrando para o mundo e às pessoas que ele é um ser mais
fraco. Isso vai afetar a imagem dele, acha que vai perder poder sobre
outras pessoas, porque ninguém obedece a um fraco, alguém que vai
morrer. Isso vai contra a idéia que temos de ser mais fortes para
sobreviver.

A PERFORMANCE DO ROBÔ

Estamos fazendo cirurgias com robô, que permite uma visão muito mais
precisa do campo cirúrgico, elimina os tremores mão do cirurgião, permite incisões
pequenas, uma operação muito mais perfeita porque os movimentos dele
são muito suaves.

Isso é muito novo no Brasil. Fiz o primeiro caso há dois meses, no
Sírio-Libanês. E agora, o Albert Einstein tem e o Oswaldo Cruz está
adquirindo. Nos Estados Unidos se faz cirurgia robótica em larga
escala. Lá, o robô ganha em performance do cirurgião médio, mas ele
ainda perde do habilitado.

Tenho mais de 2.900 pacientes operados de câncer de próstata
pessoalmente. Eu sou o terceiro cirurgião do mundo nesse quesito - só perco para dois
americanos e eles estão parando de trabalhar. Apesar de ter essa
grande experiência, quando comecei a operar, 35% ficavam com
incontinência urinária grave. Agora são só 3%. Impotentes, todos
também ficavam. Hoje, se o homem tem menos de 55 anos, a incidência é
de 20% - antes era 100%. Há também enxertos de nervos, porque a
impotência se deve à remoção de dois nervos que passam perto da
próstata, e nós estamos fazendo esse enxerto quando somos obrigados a
retirá-los nos casos em que o tumor fica grudado.
Entre os pacientes que fizeram os enxertos, metade voltou a ter
ereções com o tempo.

IMPOTÊNCIA, O QUE FAZER?

Esses novos remédios para tratar a disfunção sexual contornam 1/3 da
impotência, tanto após a cirurgia quanto depois da radioterapia. Se os
comprimidos não atuarem, existem injeções. Há ainda próteses penianas
que são muito desenvolvidas e produzem uma ereção que quase não tem
nenhuma diferença em relação à normal. Isso permite que o homem
reassuma a vida sexual plenamente e que as mulheres tenham muita
satisfação. Os homens ficam extremamente felizes - são hastes colocadas dentro do
pênis. Não fica marca, nem cicatriz. Nos Estados Unidos, entrevistaram
as mulheres sobre os homens que tinham prótese e as respostas foram
positivas. Ela funciona muito bem.

ENTRE A VIDA E A MORTE

Minha vida é complexa porque eu ando um caminho muito estreito que, de
um lado tem a morte e, de outro, a vida. E as minhas ações podem, com uma certa
freqüência, resgatar alguém para a vida. Trilhar esse caminho é muito
difícil porque, quando você se identifica com o paciente, compreende o
sofrimento humano, isso cria um estado de impotência que lhe faz
sofrer. Mas, por outro lado, traz momentos de alegria incontida,
principalmente quando você resgata um ser para a vida, que não tem
nada parecido.

ESCUTANDO MAIS, OUVINDO MENOS

Se eu listar uma série de qualidades, como, por exemplo, humildade,
conhecimento técnico, dedicação ao doente, presença, coerência,
sentido humanístico, desprendimento material e comunicação e perguntar
qual é melhor, só tem uma resposta: comunicação. Todas as outras são
importantes. O médico precisa ser humano, ter desprendimento material.
A relação médico-doente não é tipo supermercado, que você dá e recebe,
é algo muito superior. Ele precisa ter conhecimento técnico, precisa
estar presente, gerar esperança, mas ele tem de se comunicar. É
comunicação superior, não apenas saber falar.

É tão significativo que explica por que há médicos brilhantes aqui no
Hospital das Clínicas que conhecem tudo, e não conseguem atender a um
doente porque falam bobagem na hora de se expressar. São inibidos,
tímidos, não sabem dar para o doente o substrato humanístico. Ele
lista 450 tabelas de números e cálculos e não sabe o que se passa pelo
seu coração. Isso explica também porque tem tanto charlatão por aí -
médicos mal-intencionados e não-médicos - que conseguem atender a
muitos pacientes. Eles têm a comunicação. Comunicação envolve inicialmente gerar empatia no doente. É errado cumprimentar um doente e falar "como vai?". Você deve
cumprimentar alguém que está com uma doença grave e falar "eu lamento
que você esteja nessa situação, imagino o que está sentindo".
Saber ouvir, que é diferente de escutar. A hora que você passa a
ouvir, entende quais as apreensões que ele tem, elimina um pouco do
sentimento de culpa, entende por que está lhe procurando e conquista a
confiança. É preciso ser coerente e falar com realismo. É ilusão achar
que se engana as pessoas. Falar numa dimensão maior significa gerar
esperança, estimular a espiritualidade, porque um dos maiores medos é
morrer e não saber o que vai acontecer depois; explicar o que vai ser
a evolução dele. Também assegurar presença - ele não será abandonado.

O PAPEL DAS MULHERES

Os homens são resistentes: eles relutam muito em ir ao médico fazer um
exame de próstata e só vão quando a mulher os empurra: dois terços dos
pacientes no consultório de Miguel Srougi são trazidos por elas.
"Ligam para marcar a consulta, os acompanham. A gente não vê mulheres
jovens trazendo homens jovens para fazer exames. A gente vê mulheres
maduras. Claro que o jovem não está na faixa de risco. Mas existe um
outro significado da importância da mulher.

Primeiro, que ela é pragmática e incentiva o marido." Mas, por que ela
quer isso? "Porque quem ficou vivendo bem 30 anos e conseguiu superar
todos os embates da vida conjugal é um casal que o tempo consolidou. E
aí a mulher tem um sentido de preservação da família muito mais forte
que o do homem. Passadas as tempestades e oscilações do relacionamento, ela não quer que o marido morra. É real. Toda vez que tenho um paciente e ofereço dois tratamentos: um que aumente a existência dele, mas vai, por exemplo,causar alguma deficiência na área sexual. E ofereço um outro tratamento, que cura menos, mas
preserva melhor a parte sexual, o homem balança na decisão. A mulher
nunca hesita. Ela prefere aquele que aumenta a existência, mesmo
ocorrendo o risco de comprometer a vida sexual dele e do casal. Poucas
vezes vi uma mulher aconselhar um tratamento que dê menos chance de
vida e aumente a possibilidade de ele ficar potente. Dá para contar
nos dedos. Ela quer o companheiro, quer preservar aquela pirâmide que
foi construída, que é rica."

GERANDO ESPERANÇAS

O ser humano precisa ter alguma esperança, nem que sejam vislumbres.
Os médicos americanos acham que são fantásticos e verdadeiros quando
dizem que não tem jeito o seu caso, mas isso é não conhecer a natureza
humana. É preciso mostrar que ele tem alguma chance, sim.

SOFRIMENTOS E PRIVILÉGIOS

Eu me envolvo muito com meus pacientes. Sofro muito. E esse sofrimento
é um dos fatores do sucesso da minha carreira, de 35 anos. Nesse
sofrimento eu acabo me entregando mais e mais aos doentes. Isso é
ruim, porque não tenho vida pessoal, minha vida familiar é feita nos
intervalos. Felizmente, os momentos bons prevalecem sobre os ruins.
É por isso que eu sobrevivo. Um doente que coloca a cabeça no meu
ombro e agradece por ter feito algo por ele, ou deixa correr uma
lágrima na minha frente, me faz deletar, superar aqueles momentos em
que me senti totalmente impotente. Uma das coisas importantes é o médico saber e demonstrar que a medicina não é infalível e ele não se sentir onipotente. O urologista tem um privilégio. O oncologista mexe com câncer avançado, já no fim
do caminho - eu lido com o inicial. Eu consigo salvar muita gente. É
um privilégio para mim.

MEDO DA SEPARAÇÃO

Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. segundo,
porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a
aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal. A morte está
relacionada com dor, sofrimento, à decadência física, à desfiguração,
à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres
materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror
de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém
feliz. Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da
realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de
se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno
também. Não é o médico que apóia o doente nas fases difíceis - é a
família. Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do
processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte
pela frente ou não, se a família estiver ao lado.

VIVENDO NOS LIMITES

Eu sou católico, não praticante, acredito em alguma coisa depois da
vida e isso me dá muita paz. Eu continuo numa luta incessante. Vivo
nos limites. Nos limites do sofrimento, porque estou do lado das
pessoas que sofrem. Nos limites das minhas energias, porque começo a
trabalhar às 7 da manhã e vou até as 10 da noite. Trabalho na
faculdade de Medicina. Tenho várias razões existenciais,
uma delas é a faculdade. Aqui é a única forma de deixar marcas e
mostrar que a minha passagem pela Terra não foi em vão. Aqui você
planta as coisas. Cada aluno que receber esses conhecimentos, vai multiplicar o feito. Em vez de ajudar 20 pessoas que ajudo num mês, para cada aluno que eu
fizer isso, serão 40, 60, 80, 320... Se eu saísse da faculdade, não
iria agüentar essa carga toda de emoções, sentimentos, morte e vida.
Aqui a gente conhece o que é o ser humano. Lá fora as pessoas estão
todas maquiadas.

REABASTECENDO ENERGIAS

Eu simplesmente acabei com a minha vida pessoal, os meus grandes
amigos mal vejo. O meu melhor amigo médico, o oncologista Sergio
Simon, não encontro há quase três anos. Sábado à noite vou para uma
casa de campo que tenho e fico 24 horas ouvindo música, fazendo minhas
leituras, pesquisas, um pouco no computador. E controlo muito bem a
alimentação, o sono e a atividade física para poder agüentar. Faço
ginástica de quatro a cinco vezes por semana, tenho uma alimentação
equilibrada e durmo bem. Deixo de sair com os amigos para dormir. Não
gosto de dormir, mas preciso me recompor.

A SAÍDA DO SÍRIO-LIBANÊS

Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais - não as igrejas. Nas
igrejas tem muito ouro, riqueza. Aqui não, você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes:
eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é
viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer,que o
sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar,
cicatrizar a sua alma. Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o
verdadeiro templo, onde o ouro é a vida. Você entende o impacto que a
desigualdade social tem sobre o ser humano, a pobreza, a falta de
instrução causa doenças. Depois de 30 anos no Sirio-Libanês eu mudei
para o Oswaldo Cruz. Achar que eu vou ter novas salas, três
enfermeiras a mais, é brutalizar o que passou pela minha cabeça. Mudei
porque não estava vendo esse lugar como um templo. Eu vivo intensamente, por isso tenho esses sentimentos.

NAS ASAS DA LIBERDADE

Você só é livre quando tem boa saúde. Ninguém fala isso. Dar saúde
para uma pessoa é um pré-requisito para ela ser livre. Nesse templo,
que é o hospital, nós tornamos as pessoas livres.

UM POUCO DE FILOSOFIA

A melhor forma de se transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela
coerência. Certa vez perguntaram para Sócrates como a virtude poderia
ser transmitida - se pelas palavras ou conquistada pela prática. Ele
não soube responder. Então, Aristóteles, depois de uns anos,
respondeu: "A virtude só pode ser transmitida pela prática e por meio
do exemplo". Aqui, eu posso tentar ser o exemplo. Mudando o cotidiano
das pessoas, transformando a sociedade e construindo um novo mundo.

CINCO MEDIDAS PREVENTIVAS

Segundo Miguel Srougi, a prevenção ao câncer de próstata é feita de
forma um pouco precária, porque não existem soluções para impedi-lo.

Na prática, há o licopeno, que é o pigmento que dá cor ao tomate, à
melancia e à goiaba vermelha. "Talvez diminua em 30% a chance, mas
esse dado é controvertido, por causa disso a gente incentiva os homens
a comerem muito tomate, só que deve ser ingerido pós-fervura, ou seja,
precisa ser molho de tomate. Não pode ser seco ou cru."

A vitamina E também reduz teoricamente os riscos em 30%, 40%. Mas, se
for ingerida em grandes quantidades, produz problemas
cardiovasculares. Na verdade, se o homem quiser se proteger, deve
tomar uma cápsula de vitamina E por dia. Acima disso, não é
recomendável.

O terceiro elemento é o Selenio, um mineral que existe
na natureza e é importante para manter a estabilidade das células,
impedindo que elas se degenerem, que é encontrado em grande quantidade na castanha-do- Pará. "Qualquer homem pode ingerir em cápsulas, mas se ele comer duas
castanhas por dia, recebe uma certa proteção", diz o especialista.

Uma quarta medida é comer peixe, três porções por semana - rico em ômega
3 e tem uma ação anticancerígena provável.

E, uma quinta, tomar sol. "O homem que toma muito sol sintetiza na pele vitamina D, que tem forte ação anticancerígena. É por isso que os homens da Califórnia
desenvolvem muito menos a doença do que os de Boston", afirma Srougi.

PACIENTES ILUSTRES

Trato todos os meus pacientes de forma igual. Se começo a tratar os
mais importantes de um jeito diferente, eles dão mais trabalho. Se
tratar igual, não. Até se sentem melhor com isso.

PODER vs TRANSFORMAÇÃO

O poder é a única forma de passar pela existência deixando marcas. Só
com ele você consegue fazer isso. E nenhum de nós terá vivido de forma
digna se não deixá-las. A minha definição de felicidade é estarmos
alegres com o que somos, o que representa um continuum de bem-estar
físico, mental e afetivo. É fantástica essa definição. E a gente só
é feliz se estivermos circundados por pessoas felizes. E o poder nos
dá um pouco dessa felicidade.

Mas o grande problema é você dá-lo ao ser humano, que é altamente
imperfeito - ele tem defeitos incompreensíveis para qualquer espécie -
aí vira uma arma de destruição. Mas, quando se dá poder às pessoas de
bem, ele se torna algo transformador.

(Colaboração Gabriel Vale)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

OBSERVATÓRIO



Nos tempos de ardência da militância estudantil, um dos conceitos que mais se discutia era o da Dialética – que, na Grécia Antiga, significava a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias. Entrecortando as mais distintas correntes filosóficas ao longo do tempo, chegamos ao método dialético, cujos elementos do esquema básico são a tese, a antítese e a síntese. O exemplo clássico é o do ovo: este contém um germe, que a uma certa temperatura se desenvolve. Desenvolvendo-se dará um pintinho. Desse modo, o germe já é a negação do ovo. Noutras palavras: o ovo é a afirmação (tese); o pintinho é a negação (antítese); porém o resultado final de tudo é a galinha (síntese).

A POLÍTICA

No universo da luta política é, talvez, onde identificamos com mais intensidade essa tensão entre a afirmação e a negação, entre sol e sombra, entre luz e escuridão - as distintas dimensões que compõem a unidade dialética. A tendência natural é se reduzir isso a um jogo simplório: quem está na oposição só enxerga defeitos em quem governa; quem está no governo despreza e tenta desqualificar a opinião oposicionista. Facilmente recorre-se a métodos grosseiros, golpes baixos e instrumentos escusos para denegrir a opinião divergente. Olvida-se que, ao final, há razões e equívocos em ambos os lados. E o resultado final pode, inclusive, contemplar facetas de um e outro.

O PAPEL

Discute-se muito hoje o papel da oposição. É lógico que à orquestra oposicionista incumbe dedilhar a partitura do protesto. Aos ouvidos da situação compete decifrar a letra dessa música, avançando para uma síntese. Analisemos o nosso município. O Prefeito Carlos Felipe foi guindado ao Paço Municipal com a mão sobre o mastro de uma bandeira revolucionária: Vida Nova para Crateús! Cobrar dele uma alteração imediata, mudanças profundas ou grandes transformações após pouco mais de um mês de governo é algo insano, absurdo, fora de propósito. Ele necessita daquele benefício que a todos foi dado: um prazo mínimo para acertar o passo. No entanto, algumas ações estratégicas podem servir de indicativo do rumo que será seguido.

O PROBLEMA

Vamos a um caso concreto. Hoje, 17 de fevereiro de 2009, está prevista a realização de uma Licitação, sob a modalidade de Pregão Presencial, para a contratação de empresa visando a prestação de serviços de transporte escolar dos alunos da rede pública de Crateús. Segundo o Edital, o valor estimado para o objeto desse Pregão é de R$ 2.686.594,20 (Dois milhões, seiscentos e oitenta e seis mil, quinhentos noventa e quatro reais e vinte centavos). O dinheiro é oriundo, em parte, do Governo Federal através do PNATE (Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar), do Governo do Estado através da SEDUC e da Prefeitura Municipal. É óbvio que um certame licitatório dessa magnitude impõe uma análise acurada. Indaga-se: há alguma diferença entre este processo e os que foram realizados em anos anteriores? Parece que não: pressão dos vereadores e cabos eleitorais por rotas, disputas pesadas entre os diversos grupos, carros desprovidos das condições básicas de segurança, apadrinhamento etc. Nada diferente do que ocorreu desde quando esse sistema foi implantado. Mas há uma novidade...

A PROPOSTA I

Hoje, os municípios dispõem de um Programa que pode revolucionar o transporte escolar. Desde 2007, o Governo Federal lançou o Programa Caminho da Escola - criado com o objetivo de renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola. O programa também visa à padronização dos veículos de transporte escolar, à redução dos preços dos veículos e ao aumento da transparência nessas aquisições. O Decreto Federal Nº 6.768º/2009 disciplina esse programa, que consiste na aquisição de veículos padronizados para o transporte escolar. Existem três formas para estados e municípios participarem do Caminho da Escola: com recursos próprios, bastando aderir ao pregão; via convênio firmado com o FNDE; ou por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que disponibiliza linha de crédito especial para a aquisição de ônibus zero quilômetro. Para 2009, foram aportados 1,1 bilhão de reais (a linha de financiamento do BNDES é de R$ 700 milhões; R$ 200 milhões de emendas parlamentares; R$ 100 milhões do orçamento do MEC e outros R$ 100 milhões de recursos próprios de municípios e estados). Nesta última forma, o município pode adquirir um ônibus escolar financiado em 60 meses, com prestação em torno de R$ 2.000,00 (Dois mil reais) por mês. Complementando essa idéia de oferta qualificada de transporte escolar, o Governo do Estado anunciou que, para cada ônibus que o município adquirisse, ele entraria com outro.



A PROPOSTA II

No caso de Crateús, digamos que a demanda total para cobrir a necessidade de transporte de estudantes seja de quarenta (40) ônibus. Basta o Município financiar vinte, porque os outros vinte seriam repassados pelo governo estadual. E qual seria o custo desse financiamento para a Prefeitura de Crateús? Algo ao redor de 25% a 30% do que ela gasta hoje, pagando a carros que em sua maioria não preenchem as condições legais de segurança e conforto. Naturalmente, a concretização de uma medida dessa natureza encontrará resistências. Mas, sem embargo, ecoará positivamente no seio da grande maioria da população. E será muito mais sinalizador de algo novo do que a mera reprodução dos equívocos que cometemos no passado. Fica a sugestão!

PARA REFLETIR


O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica. (Norman Vincent)

Não podes ensinar nada a um homem; podes apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo. (Galileu Galilei)

(Por Júnior Bonfim - Publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste - Crateús - Ceará)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

BOA LIÇÃO!



Uma velha senhora foi para um safári na África e levou seu velho vira-lata com ela.

Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido.

Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção,
Com intenção de conseguir um bom almoço . .

O cachorro velho pensa:

-'Oh, oh! Estou mesmo enrascado ! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador ..

Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto:
-Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ?

Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na
direção das árvores.

-Caramba! Pensa o leopardo, essa foi por pouco ! O velho vira-lata quase me pega!

Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção
para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum...

E assim foi, rápido, em direção ao leopardo.
Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa:

-Aí tem coisa!

O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo.

O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz:

-'Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!'

Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:

-E agora, o que é que eu posso fazer ?

Mas, em vez de correr ( sabe que suas pernas doídas não o levariam longe...) o cachorro senta, mais uma vez dando costas
aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouví-lo, o velho cão diz:

-'Cadê o safado daquele macaco? Tô morrendo de fome! Ele disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca! '

Moral da história: não mexa com cachorro velho.. Idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga.

Sabedoria só vem com idade e experiência.

A cada dia você acrescenta mais uma.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

"O BOLSA FAMÍLIA É O MAIOR PROGRAMA OFICIAL DE COMPRA DE VOTOS DO MUNDO"


Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso

A ideia de que parlamentares usem seu mandato preferencialmente para obter vantagens pessoais já causou mais revolta. Nos dias que correm, essa noção parece ter sido de tal forma diluída em escândalos a ponto de não mais tocar a corda da indignação.

Mesmo em um ambiente político assim anestesiado, as afirmações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos, de 66 anos, 43 dos quais dedicados à política e ao PMDB, nesta entrevista a VEJA soam como um libelo de alta octanagem.

Jarbas se revela decepcionado com a política e, principalmente, com os políticos. Ele diz que o Senado virou um teatro de mediocridades e que seus colegas de partido, com raríssimas exceções, só pensam em ocupar cargos no governo para fazer negócios e ganhar comissões. Acusa o ex-governador de Pernambuco: "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção".

O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?

- É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.

Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.

- Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

Como o senhor avalia sua atuação no Senado?

- Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan (Calheiros, ex-presidente do Congresso que usou um lobista para pagar pensão a uma filha). Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido. O nível dos debates aqui é inversamente proporcional à preocupação com benesses. É frustrante.

O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...

- Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

O senhor é um dos fundadores do PMDB. Em que o atual partido se parece com aquele criado na oposição ao regime militar?

- Em nada. Eu entrei no MDB para combater a ditadura, o partido era o conduto de todo o inconformismo nacional. Quando surgiu o pluripartidarismo, o MDB foi perdendo sua grandeza. Hoje, o PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.

Para que o PMDB quer cargos?

- Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

Quando o partido se transformou nessa máquina clientelista?

- De 1994 para cá, o partido resolveu adotar a estratégia pragmática de usufruir dos governos sem vencer eleição. Daqui a dois anos o PMDB será ocupante do Palácio do Planalto, com José Serra ou com Dilma Rousseff. Não terá aquele gabinete presidencial pomposo no 3º andar, mas terá vários gabinetes ao lado.

Por que o senhor continua no PMDB?

- Se eu sair daqui irei para onde? É melhor ficar como dissidente, lutando por uma reforma política para fazer um partido novo, ao lado das poucas pessoas sérias que ainda existem hoje na política.

Lula ajudou a fortalecer o PMDB. É de esperar uma retribuição do partido, apoiando a candidatura de Dilma?

- Não há condições para isso. O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo, já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.

O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso?

- Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.

A favor do governo Lula há o fato de o país ter voltado a crescer e os indicadores sociais terem melhorado.

- O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país. Não é à toa que o Senado e a Câmara estão piores. Lula não é o único responsável, mas é óbvio que a mediocridade do governo dele leva a isso.

Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.

- O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

O senhor não acha que o Bolsa Família tem virtudes?

- Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. Em algumas regiões de Pernambuco, como a Zona da Mata e o agreste, já há uma grande carência de mão-de-obra. Famílias com dois ou três beneficiados pelo programa deixam o trabalho de lado, preferem viver de assistencialismo. Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece.

A oposição está acuada pela popularidade de Lula?

- Eu fui oposição ao governo militar como deputado e me lembro de que o general Médici também era endeusado no Nordeste. Se Lula criou o Bolsa Família, naquela época havia o Funrural, que tinha o mesmo efeito. Mas ninguém desistiu de combater a ditadura por isso. A popularidade de Lula não deveria ser motivo para a extinção da oposição. Temos aqui trinta senadores contrários ao governo. Sempre defendi que cada um de nós fiscalizasse um setor importante do governo. Olhasse com lupa o Banco do Brasil, o PAC, a Petrobras, as licitações, o Bolsa Família, as pajelanças e bondades do governo. Mas ninguém faz nada. Na única vez em que nos organizamos, derrotamos a CPMF. Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.

Para o senhor, o governo é medíocre e a oposição é medíocre. Então há uma mediocrização geral de toda a classe política?

- Isso mesmo. A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil.

Por que há essa banalização dos escândalos?

- O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?". Sofri isso na pele quando governava Pernambuco.

É possível mudar essa situação?

- É possível, mas será um processo longo, não é para esta geração. Não é só mudar nomes, é mudar práticas. A corrupção é um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?

- A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

O senhor parece estar completamente desiludido com a política.

- Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais. Sei que vou ser muito pressionado a disputar o governo em 2010, mas não vou ceder. Seria uma incoerência voltar ao governo e me submeter a tudo isso que critico.

(Transcrito da VEJA de 18/2/2009 - edição 2100)

Entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao repórter Otávio Cabral.

UNIVERSIDADE DO MAGISTÉRIO



Os dados do último censo escolar mostram a tragédia de uma hemorragia no organismo do Brasil: a redução no número de jovens que buscam a carreira do magistério nas nossas universidades. A continuar nesse rumo, o Brasil terá o agravamento da anemia intelectual que nos caracteriza. Em um mundo competitivo, isso significa a anemia na economia, na cultura, na vida social. Sem uma boa educação de base, não teremos uma boa universidade, porque desperdiçaremos os cérebros excluídos por falta de boa qualidade nos primeiros anos de educação. Mas sem uma boa universidade, não teremos boa educação de base, por falta de bons professores; esse é o círculo vicioso da hemorragia intelectual do Brasil.

A culpa está na falta de prestígio da carreira do magistério, por causa dos baixos salários, das vergonhosas condições de trabalho, da violência a que são submetidos os professores e da falta de adaptação da escola atual às necessidades e gostos das novas gerações. Mas a culpa está também na estrutura universitária, que não produz os profissionais de que o País precisa, nem com a qualificação necessária.

A universidade deve formar uma elite intelectual que se ponha a serviço do país, da população e da humanidade. A formação de professores é uma prioridade fundamental. Mas não é só isso. Nossa elite é pobre intelectualmente, minúscula numericamente e alienada socialmente. Formamos uma elite muito aquém do potencial de nossa população; e sem profissionais nas especialidades de que precisamos, em quantidade e qualidade, especialmente professores.

Entretanto, a criação de mais universidades não aumentará o número de professores, nem melhorará a qualidade na formação deles. Os alunos dessas universidades continuarão preferindo outras carreiras e as universidades continuarão mantendo uma estrutura sem vínculos com a educação de base.

Em vez de mais universidades similares às atuais, o círculo vicioso da hemorragia intelectual pode ser quebrado pela criação de uma “universidade” diferente das atuais. Uma Universidade do Magistério que consistiria simplesmente de uma estrutura administrativa, com as funções de definir o número de estudantes necessários para preencher a anemia de professores; selecionar os estudantes especificamente para as carreiras de magistério, no número necessário a cada especialidade para os próximos anos; selecionar universidades e faculdades com qualidade, sejam estatais ou particulares; e financiar os estudos desses jovens, incluindo salários durante a formação.

A Universidade para o Magistério definiria o número de alunos conforme a necessidade do sistema educacional, teria uma pequena estrutura para selecionar os alunos e as faculdades com qualidade onde eles estudariam; financiaria os cursos; e pagaria um salário para os alunos. O diploma de cada formando seria assinado pela universidade onde estudou e pela Universidade do Magistério, ambas controlariam a qualificação.

Com uma pequena estrutura basicamente administrativa, a Universidade do Magistério começaria de imediato, ajustada às necessidades de profissionais deste momento, aproveitando o imenso potencial já existente na universidade brasileira, ajustando-a às exigências atuais.

Uma proposta parecida foi oferecida pelo Ministério da Educação, em 2003, à Presidência da República, para formar professores e outros profissionais. Essa foi a sugestão dada também para a nova universidade orientada a estudantes vindos de países pobres. Os alunos seriam selecionados e distribuídos nas universidades já existentes, e com estruturas consolidadas.

A Universidade do Magistério teria a flexibilidade de aumentar ou reduzir o número de alunos de cada especialidade, conforme a demanda; aproveitar o potencial universitário de qualidade já disponível; evitar o custo de novas estruturas; permitir a dinâmica estrutural que o mundo moderno exige e, sobretudo, começar imediatamente, com a urgência de tratamento que as hemorragias exigem.

Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

REGINALDO ROSSI ANIVERSARIA HOJE

REGINALDO ROSSI ANIVERSARIA HOJE


Reginaldo Rossi (Recife, 14 de fevereiro de 1944) antes de se lançar nacionalmente como cantor e compositor, foi professor de matemática e estudou engenharia.

Carreira

Embora seja conhecido como o Rei do brega, Reginaldo Rossi iniciou sua carreira cantando Iê-iê-iê.

Fazia parte do conjunto The Silver Jets. Seu primeiro sucesso foi O pão, no disco do mesmo nome, em 1964.

Em 1970, com a música Mon amour, meu bem, ma femme, o disco À procura de você fez sucesso, quando ele deixou a fase de roqueiro, para se dedicar à música brega.

Em 1987, a música Garçom foi outro sucesso, sendo mencionada como uma das primeiras músicas cantadas por vários cantores que fizeram sucesso depois, a exemplo de Ivete Sangalo.

Em 1999, com a participação de Erasmo Carlos, Wanderléa e Planet Hemp, lançou o disco The king.

Sucessos

* O pão (Reginaldo Rossi, Orácio Faustino e Namyr Cury)
* Deixa de banca (versão de Borogodá, de Pocker, feita por Eduardo Araújo e Ferrer)
* Tô doidão (Picket e F. Thomas)
* Mon amour, meu bem, ma femme (Cleide)
* Garçom (Reginaldo Rossi)
* A raposa e as uvas (Reginaldo Rossi)

Discografia

LP

* O pão (1966) Chantecler
* Festa dos pães (1967) Chantecler
* À procura de você (1970) CBS
* Reginaldo Rossi (1971) CBS
* Nos teus braços (1972) CBS
* Reginaldo Rossi (1973) CBS
* Reginaldo Rossi (1974) CBS
* Reginaldo Rossi (1976) Beverly
* Chega de promessas (1977) CBS
* A volta(1980) EMI
* Cheio de amor (1981) EMI
* A raposa e as uvas (1982) EMI
* Sonha comigo (1983) EMI
* Reginaldo Rossi (1986) EMI
* Reginaldo Rossi (1987) EMI
* Momentos de amor (1989) EMI
* O rei (1990) EMI
* Reginaldo Rossi (1992) Celim

CD

* Reginaldo Rossi-ao vivo (1998) Polydisc
* Reginaldo Rossi the king (1999) Sony Music
* Popularidade-Reginaldo Rossi (1999) Continental
* Reginaldo Rossi (2000) Sony Music
* Reginaldo Rossi ao vivo (2001) Sony Music
* Para Sempre -Reginaldo Rossi (2001) EMI
* Reginaldo Rossi (2003) EMI
* Ao Vivo, O melhor do brega (2003) Indie Records

Estatísticas

* 14 discos de ouro
* 2 discos de platina
* 1 disco de platina duplo
* 1 disco de diamante

GARÇOM

NO DIA DE HOJE, EM...

1928

O médico bacteriologista escocês Alexander Fleming descobriu casualmente a penicilina, que trouxe grandes resultados para o tratamento de doenças infecciosas.

1929

Sete gângsters morreram em Chicago numa emboscada armada por Al Capone. O crime ficou conhecido como "Dia dos Namorados".

1942

O navio brasileiro Cabedelo foi atacado por um submarino alemão. Foi o primeiro de uma série de ataques germânicos à Marinha Mercante brasileira na nossa costa durante a Segunda Guerra Mundial.

1946

O computador Eniac, ou Electronic Numerical Integrator and Computer, começou a trabalhar na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Ele fazia em segundos cálculos complicadíssimos.

1981

Um incêndio no edifício Grande Avenida, em São Paulo, deixou 17 pessoas mortas e mais de 50 feridas.

1995

O governo do Peru declarou cessar-fogo na disputa de fronteira com o Equador. O conflito durou 19 dias.

2003

A ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado de uma célula adulta, foi sacrificada pelos cientistas do Instituto Rolin, na Escócia. Ela estava seis anos e havia contraído uma doença pulmonar.

STF ARQUIVA PROCESSO CONTRA PALOCCI



O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou nesta sexta-feira (13) Petição (Pet 3946) em que o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) era investigado por suposta contratação da empresa de publicidade MIC Editorial Ltda. sem a realização de licitação, durante o seu segundo mandato como prefeito de Ribeirão Preto. O arquivamento foi determinado após o Ministério Público Federal (MPF), autor do pedido de investigação, alegar “ausência de provas contra o parlamentar”. Como há outros supostos envolvidos no caso que não detêm prerrogativa de foro, o processo foi enviado para a 5ª Vara criminal de Ribeirão Preto (SP).

Continuarão sendo investigados Juscelino Dourado, ex-secretário da Casa Civil da prefeitura à época, Hélio Pelissari, que era coordenador de Comunicação Social, e sócios da empresa de publicidade. “Além das provas testemunhais afastarem a hipótese de envolvimento do deputado federal Antonio Palocci Filho nos fatos investigados, os documentos juntados não apresentam quaisquer indícios de autoria por parte do mesmo”, afirma o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, em sua manifestação pelo arquivamento da petição.

Segundo Celso de Mello, “inexistindo, nos autos deste procedimento, elementos que justifiquem o oferecimento de denúncia contra o deputado Antônio Palocci Filho, como expressamente o reconhece o eminente procurador-geral da República (que acentua não haver prova contra o parlamentar em questão), não pode, o Supremo Tribunal Federal, presente tal contexto, recusar o pedido de arquivamento”.

Em sua manifestação, o procurador-geral ressalva “a possibilidade de nova remessa [do processo] ao STF caso surjam indícios concretos de envolvimento de Antonio Palocci Filho”. O ministro Celso de Mello reforça em sua decisão “que a possibilidade de reabertura das investigações criminais, contra mencionado congressista, revelar-se-á legítima, se, surgindo provas substancialmente novas contra ele, a prescrição da pretensão punitiva do Estado ainda não houver ocorrido”.

O deputado federal Antonio Palocci é investigado no STF em outros dois processos: a Petição (PET) 3898, pela suposta quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, e o Inquérito (Inq) 2443, sobre a formação de um possível "caixa dois" eleitoral com dinheiro proveniente de um contrato de coleta de lixo da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP).

(STF)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SERRA LANÇA PACOTE PARA LIMITAR EFEITOS DA CRISE



O governador paulista, José Serra (PSDB), anunciou ontem várias medidas econômicas para tentar atenuar o impacto da crise global no Estado de São Paulo. São 17 ações que envolvem, basicamente, a antecipação de recursos de R$ 20,6 bilhões do Orçamento de 2009, a desoneração de investimentos para determinados setores, o aperfeiçoamento e a abertura de linhas de crédito e a equalização da taxa de juros em financiamentos a micro e pequenas empresas.

"Não é só o governo do Estado que será capaz de segurar a onda. Mas nós podemos contribuir muito para segurar a onda", disse o governador em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. Em seu discurso, Serra falou em "turbinar a demanda" e disse que o Brasil deve voltar a ser o país do emprego. Afirmou ainda que "estamos vivendo uma crise cujo tamanho não se conhece" e citou o britânico John Maynard Keynes, defensor do Estado na regulação da economia, e o presidente americano Franklin Roosevelt (1933-1945), que liderou a recuperação dos EUA pós-crise de 1929.

As medidas foram anunciadas pelo ex-governador e atual secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin. Ocorrem num momento em que a indústria paulista cortou 7 mil vagas em 2008 e dois dias após o PT ter aprovado uma resolução em que acusa os governos do PSDB e do DEM de não terem tomado medidas contra a crise.

Um dos nomes do PSDB para disputar a Presidência da República em 2010, o governador tentou desvincular o anúncio das medidas de eventuais pretensões eleitorais. "Às vezes, nem os jornalistas entendem o que é o trabalho de um governo que cumpre a sua obrigação. Parece uma coisa excêntrica, com motivações misteriosas, grandes conspirações."

Questionado sobre a política monetária do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Serra evitou criticá-la: "Hoje vou falar das coisas de São Paulo. Todo mundo sabe o que eu penso de política monetária, de juros e tudo o mais". O tucano critica o alto nível dos juros brasileiros.

Os investimentos anunciados já constam do Orçamento de 2009. Serão R$ 20,6 bilhões, a maior parte em obras de transporte (R$ 5 bilhões) e saneamento (R$ 2,5 bilhões) e no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (R$ 4,2 bilhões). O objetivo é manter ou criar 858 mil empregos. No ano passado, os investimentos de R$ 15 bilhões ajudaram a criar 630 mil empregos diretos e indiretos. O governo não especificou quantos empregos serão criados.

Entre as ações anunciadas estão ainda a antecipação de compras do governo, a aceleração das reformas de escolas e delegacias e a queda no custo de registro cartorial para regularizar propriedades urbanas. Para Serra, porém, as medidas não resolvem a crise como um todo. "Nenhuma dessas coisas vai resolver. Resolver implica medidas nacionais e muitas outras coisas."

(Julia Duailibi e Silvia Amorim)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

PERIGOS NA INTERNET



L E I A M E S M O!

Assunto: As bobagens da internet que lhe prejudicam

Preste atenção, porque o negócio é sério!

Alerta pra você se proteger

Eu já mandei esse tipo de alerta umas três vezes para os meus amigos, mas já que surgem amigos novos, a todo momento, assim como surgem também bobagens novas, crimes novos e bandidagens novas a cada dia que passa, pela Internet, torna-se necessário enviar novamente a campanha com novos alertas, a fim de prevenir às pessoas contra as inúmeras safadezas que elementos de mau caráter vivem a promover, utilizando este instrumento fantástico que poderia muito bem ser utilizado somente para o bem, que é a Internet.

Toda sujeira da Internet tem objetivos nos bandidos da Internet ou nos bobos da Internet.

O e-mail é grande, meu amigo e minha amiga, porque a variedade de coisas prejudiciais é grande também.

Tem várias coisas que vou falar aqui:

• Tipos que e-mail que você não deve dar bola e jogar no lixo, imediatamente.

Vamos lá:

Objetivo maior dos bandidos – Eles querem que você envie o maior número possível de E-mails, para que possam captar, através de programas especiais, todos os endereços da sua lista de amigos e conhecidos. Nos fazemos de bobos toda vez que saímos retransmitindo para as pessoas tudo o que nos enviam pedindo retransmissões.

Vejam alguns casos:

1) Menina seqüestrada – Você já deve ter recebido vários e-mails com essa foto, não foi? Pois é, este anúncio, com esta foto dessa criança linda aí ao lado, circula na Internet há mais de 8 anos. Nunca apareceu nenhum parente dessa menina pra autenticar isto, em lugar nenhum do Brasil. Já foi comprovado que o anúncio é mentiroso e que não tem o menor sentido. Todo mundo fica morrendo de pena da criança e sai retransmitindo. Não tem o menor fundamento.

2) O MSN e o ORKUT vão ser pagos – Mentira. Não existe nada nesse sentido e você não precisa fazer nada, digitar coisa alguma e muito menos sair espalhando isto para as pessoas. Ignore os E-mails que chegam falando nisto, mande-os para o lixo.

3) A Microsoft está dando dinheiro para quem enviar E-mails – Mentira também. A Microsoft, a AOL e empresa nenhuma dão dinheiro a ninguém por retransmissão de E-mails.

4) "O jovem foi encontrado numa banheira com gelo" – Mentira. Apesar de termos, sim, que ter todos os cuidados com os assaltos, que de fato existem, como os batedores de carteiras, os bancos e todo tipo de bandido, não devemos dar crédito a essa conversa de que bandidos pegaram um garoto, abriram-lhe a barriga, injetaram sangue contaminado nele e o deixou numa banheira cheia de gelo. Isto não aconteceu.

5) "O deputado Jutahy Magalhães..." – Há mais de cinco anos que este mesmo E-mail anda circulando pela Internet e as pessoas continuam a reenviar. Dizem que foi o Franklin Martins que escreveu. Ele já desmentiu isto, várias vezes. Bobagem. Joguem no lixo.

6) Faz muito tempo que não lhe vejo, aí estão as minhas fotos – Estudamos juntos, acho que você não se lembra mais de mim. Veja as minhas fotos. Outros dizem que hoje está morando em Londres e que está com saudades de vocês. Jogue no lixo também, são vírus perigosos. Não aceite email de ninguém, mandando abrir fotos.

7) Cenas do Big Brother que a Globo não mostra. (esta aparece muito no Orkut) – Querem dar a você a impressão de que é alguma gravação com os participantes do Big Brother transando. Mentira, não existe, é vírus.

8) Veja o paparazzo inédito da Sandi, Daniela Cicarelli, Aline Moraes... – Antes eles diziam que era da Carla Perez, Sheyla Melo e as "gostosas" da época. É outra forma de enviar vírus. Não abra. Lixo!

9) Esta mensagem foi escrita pelo Franklin Martins, pelo João Ubaldo... – Conversa fiada. Estes homens já desmentiram que sejam de suas autorias esses textos que andam trafegando por aí. Não perca seu tempo.

10) A Nokia vai lhe dar um celular de graça – Não tem sentido, é conversa fiada também. Bote isto na sua cabeça: Empresa nenhuma dá prêmio a ninguém, muito menos paga alguma coisa a quem quer que seja, por retransmissões de E-mails. Só trouxa acredita nisso.

11) Cobranças da EMBRATEL, TELEMAR, TELEFÔNICA – Não dê bola. A Embratel e nenhuma dessas companhias cobram ninguém por E-mail. Não abra, jogue no lixo.

12) A Microsoft descobriu um novo vírus devastador que vai danificar o seu HD – Mentira. A Microsoft não anda divulgando E-mails falando de vírus. Todas as providências contra ameaças ao sistema operacional ela coloca nas atualizações do Windows e você baixa gratuitamente no site dela, pela opção UPDATE.

13) SERASA, SPC e Receita Federal – Não mandam E-mail para ninguém. Jamais digite o seu CPF para atender a uma dessas mensagens. Recentemente, no período de declaração de imposto de renda, milhares de pessoas se prejudicaram no Brasil por causa disto. A Receita Federal nunca manda E-mail para ninguém.

14) Confirmação da sua compra na Gol, TAM, Submarino, Americanas – Eles mandam pra você, dizendo que a compra está confirmada. Não dê bola, nem se preocupe em responder dizendo que não comprou nada (é isto que eles querem). Simplesmente apague e não dê a menor bola.

15) Vá no diretório tal do seu computador e apague o ursinho cinza – Não vá nessa onda. Aquele ursinho não é vírus coisa nenhuma, é um programa normal do sistema operacional do seu computador. Se você apagar, aí sim pode danificar o seu sistema.

16) Se não mandar esta prece para dez pessoas, você vai se prejudicar – Só gente muito supersticiosa e boba para acreditar numa coisa desta. Religião séria e crença racional não fazem isto com ninguém, é picaretagem. Jesus não vai se envergonhar de ninguém que não retransmitir mensagens pela Internet.

17) Se não enviar, vai ter azar no amor – Somente pessoas muito mal humoradas, pessimistas, ciumentas e de mal com elas mesmas vão ter azar no amor. Não é enviando E-mails a torto e a direita que você vai conseguir relacionamentos amorosos. Cuide de você, jogue fora o baixo astral, elimine o ciúme e, por favor, não vá se encontrar com ninguém com mau hálito ou desodorante vencido. Reenviando todo E-mail que recebe vai é encher a paciência dos outros e a coisa ficará pior.

18) Dieta pra emagrecer, do Chico Xavier – Mentira. Chico Xavier nunca escreveu dieta pra ninguém. Ele nunca se envolveu em coisas que só dizem respeito à Medicina. Quer emagrecer? Coma menos e faça exercícios físicos.

19) Hospital dos olhos de Sorocaba – Recebo este E-mail há mais de cinco anos. Já me enviaram centenas de vezes. Você já procurou entrar em contato com o pessoal de Sorocaba?

20) Criança seqüestrada. Passe urgente esta mensagem para o maior número de pessoas – Mentira. A grande maioria destas mensagens não tem fundamento. Quando há verdade, o que só ocorre muito raramente, existe uma forma de manter contato com a polícia, com E-mail de algum familiar ou parente e trás sempre alguma forma de identificação.

21) Criança pobre precisa de ajuda para fazer transplante de medula – Mentira também. Se não tem identificação onde você possa comprovar, jogue fora.

22) Viagra, Cialis, Levitra, Valium e outros medicamentos – Não dê a menor importância e jogue no lixo. Ainda que fosse verdade, o fato do emitente do E-mail ser anônimo já caracterizaria uma grande oportunidade de serem produtos falsificados que poderiam lhe causar seríssimos danos à saúde. Somente pessoas muito burras para se deixarem levar por medicamentos contrabandeados e baratos demais. Já existem registros de homens que morreram, de fato, porque compraram esse medicamentos falsificados, anunciados pelos internet.

23) Cartões Virtuais – A idéia é boa, são bonitinhos quando verdadeiros, mas eu, particularmente, não abro nenhum. Apago todos. A possibilidade de ser vírus é grande demais, já que os bandidos virtuais aproveitam-se exatamente das boas idéias, aquilo que todo mundo gosta, para mandar os seus venenos. Digo aos meus amigos: Se quiserem me mandar alguma mensagem de elogio, parabéns ou qualquer tipo de carinho, que façam no bojo do próprio E-mail, porque se for em cartão virtual eu não abro.

24) No ORKUT – Vote na minha foto, vi este filme que é a sua cara, cenas do Big Brother, veja esta mensagem que preparei pra você... – Não me mandem, porque eu apago tudo. Ali é outra forma dos bandidos mandarem vírus. Quem desejar mandar mensagem para uma pessoa amiga, que escreva a mensagem. Por mais que não tenha criatividade, copie uma já pronta, bonitinha, mas escreva.

25) Alexandre Garcia foi demitido da Globo – Mentira. O Alexandre tá mais firme do que nunca na Globo, é um nível de profissional que a Globo não pretende perder nunca. Eu me correspondo com ele sempre. O pior é que tem tanta gente besta que, mesmo o vendo no Jornal Nacional, sai multiplicando esta mensagem ridícula que circula há tanto tempo.

26) Arnaldo Jabor demitido da CBN – As pessoas precisam deixar de ser bobas. Se entrarem no site da CBN ou escutarem a CBN, vão ouvir o Jabor lá, todos os dias. Como é que ainda passam em frente uma mentira dessa?

27) Rede Globo declara ao imposto de renda doações do Criança Esperança – Mentira tão ridícula que o criador não sabe nem distinguir UNICEF de UNESCO. A Globo nunca pegou em um centavo do dinheiro doado ao Criança Esperança, que vai todo para a UNESCO.

28) Fraude no programa do Luciano Hulk – Querem dizer que é montagem o quadro "lata velha" do programa. Conversa fiada também, tudo aquilo ali é autêntico e a Globo jamais seria tão ingênua de se expor tanto com fraudes tão baratas e mesquinhas.

29) Intimação da Polícia Federal – Como é que pode alguém acreditar que a Polícia Federal possa intimar alguém por email? O pior é que tem gente que tem medo da própria sombra e fica apavorada com isto.

30) Cartão virtual da TIM, Claro, Vivo, Oi... – Se algum amigo quiser me agradar, por favor, não me mande cartões virtuais que eu não abro nunca. Existem intenções de carinho, sim, só que os bandidos aproveitam-se disto para mandar vírus. Não costumo abrir torpedos e nada disso e sugiro que você evite também.

31) Telegrama do Correio – Entrando no site dos correios você vai verificar eles desmentindo o envio de telegramas pela internet.

33) Receita Federal informa: Seu CPF está cancelado – Nesta época agora, que milhões de brasileiros estão declarando imposto de renda, eles aproveitam para atacar. Não abra nada que venha escrito Receita Federal, já que a Receita não se comunica nunca com as pessoas por e-mail.

34) Veja o que fizeram com suas fotos no Orkut – Não vá ver, não ligue, não dê bola. É também armadilha.

Enfim, a cada dia que passa estão criando coisas novas. Pessoas que odeiam o Lula, por exemplo, mandam supostas fotos, "escândalos" e "provas" de alguém em corrupção, sabendo que, de fato, existem muitas outras pessoas que o odeiam também. Curiosas pra saberem o que é, quebram a cara. Pessoas que odeiam a Globo, mandam todo tipo de calúnia contra ela, pessoas que odeiam até elas mesmas... fazem o que querem na internet e muita gente, que está se fazendo de boba, vai na onda.

(Por Gabriel Vale)

A POLÍTICA É MESMO DINÂMICA!



(Por Gabriel Vale)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

MENSAGEM DO DIA



Vá e viva o que tem que viver. Você merece estar aqui

Continue fazendo tudo com amor! E com humor!

E não se preocupe, porque se no fim tudo dá certo, então pra que viver de mau humor?

Isso mesmo: o que é feito com a atitude correta, com amor no coração, com boa intenção é perfeito e certo!

Portanto, assuma sempre a melhor atitude e mantenha-se alegre e contente! Pois há uma enorme diferença entre simplesmente deixar a vida passar e viver a vida pra valer.

Seja uma pessoa de valor antes de desejar ser uma pessoa de sucesso, tá? Aprenda a lidar consigo mesmo e a amar as pessoas mais do que elas aparentemente mereçam. É assim que se transforma a vida! Aliás, transformar sua atitude negativa em positiva talvez seja o grande desafio das pessoas.

Harmonize-se com o todo! Contemple mais o mundo, as pessoas, as coisas e procure gostar do que faz! Seja o melhor profissional que puder. Acredite sempre em você! Acredite sempre na vida e no Amor!

Conhece aquele lindo poema de Cora Coralina que diz assim? "Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei do que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa do outro mundo! É o que dá sentido a vida! É o que faz com ela não seja curta, nem longa demais. Mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar".

Pronto, agora vá e viva o que tem que viver. Você merece estar aqui!

Bom Dia! Bom Divertimento! Fique com Deus.

"Não se pode ensinar tudo a alguém, pode-se apenas ajudá-lo a encontrar a si mesmo"

(Colaboração de Luis Carlos Mazzini)

POLÍTICA E ECONOMIA NA REAL

Atualização da crise I

A crise internacional ainda não tem novidades positivas a serem alinhadas por aqueles que desejam fazer análises prospectivas. No que diz respeito ao sistema de crédito, embora as negociações para implementação de um (novo) plano de resgate da ordem de US$ 850 bilhões esteja andando no Congresso norte-americano, há que se considerar um aspecto relevante : o sistema financeiro dos EUA e das principais economias mundiais necessitam de medidas salvadoras, mas dificilmente serão um fator de alavancagem do crescimento no curto e (talvez) no médio prazo. Portanto, estamos a torcer por um "resgate" necessário, mas não suficiente para forjar o crescimento econômico.

Atualização da crise II

Há uma crise de confiança geral originada no sistema financeiro, mas alastrada de modo geral. O desemprego galopante, o cancelamento generalizado de investimentos e a retração sistemática do consumo e crédito criam uma espiral que precisaria ser rompida pelos investimentos do setor público. Todavia, isto não é possível ser feito com a rapidez necessária por muitos motivos, mas vale destacar três : (i) há os naturais obstáculos políticos para implementar novos gastos públicos, vide o caso dos EUA onde Obama, apesar da popularidade, tem algumas barreiras substantivas ; (ii) os recursos do setor público são demandados por todos os lados, mas os setores mais organizados (empresas, bancos, etc.) têm maior poder de pressão e devem ser os mais beneficiados. Todavia, são estes os setores menos propensos a gastar e fazer a economia crescer e (iii) o sistema capitalista por definição é não-cooperativo, o que dificulta um "concerto" entre empresas, empregados, governo e países que dê rapidez à solução da crise. Cada um tenta salvar o seu.

O fato novo é o protecionismo

Gordon Brown, o impopular, mas competente primeiro-ministro inglês, falou no risco da "desglobalização". Ou seja, na perspectiva concreta e nefasta de que se espalhem pelo mundo medidas protecionistas que fechem mercados com o objetivo de protegê-los. Ora, isto seria muito bom se valesse para um ou outro país. Quando todos os países adotam o mesmo comportamento o resultado pode ser desastroso. Reduz-se a demanda global, surgem movimentos perigosos entre as moedas (desvalorizações competitivas), diminui-se a eficiência na alocação de recursos e por aí vai. Há muitos pensando, analisando e protestando contra esta concreta possibilidade. Note-se, por exemplo, a reunião desta semana na OMC para tentar evitar os primeiros passos protecionistas das principais economias mundiais. Isto apenas duas semanas depois da mesma organização alardear que o "protecionismo estava sob controle". O fato é : não está e o que ora vemos é apenas um pequenino aviso do que pode vir. Um novo abismo não está descartado. Infelizmente.

Primeiros passos de Obama

Sejamos muito objetivos e deixemos de lado os aspectos ideológicos em relação a Obama. É relativamente fácil fechar a prisão de Guantánamo, impor medidas disciplinadoras a Wall Street ou igualar direitos civis e econômicos entre homens e mulheres frente ao tamanho da crise mundial. Embora os aspectos ideológicos não sejam tão desprezíveis – afinal, estes tratam do que as sociedades desejam em relação ao futuro – o fato é que quase todos concordam que sem o músculo vigoroso do Estado não há solução mínima para a crise. Os primeiros passos de Obama nos parecem óbvios, mas no momento nada melhor do que o óbvio. E diga-se : o óbvio deve ser feito logo, o impossível deve demorar pouco. Afinal, os americanos já perderam 3,6 milhões de empregos (7,6% da população ativa) desde que a crise começou e a recessão (já) é comparável àquela dos anos 70. Por fim, Obama afirmou na semana passada que os eleitores "não votaram por falsas teorias do passado". Parece certo que os eleitores desejam mudanças, mas vamos deixar claro uma coisa : mudar hoje significa voltar ao passado e adotar na prática aquilo que Keynes escreveu há mais de 70 anos.

A base da pirâmide

O fato político mais relevante e inegável é que Lula tem mais de 80% de apoio da população, mesmo depois da crise. O que será do futuro, deixamos para analisar em outras notas. Todavia, não é nada ruim que um presidente esteja forte quando o país precisa dele – gostemos do presidente ou não. Como sabemos, o diabo mora nos detalhes. É neste ponto que residem as nossas maiores preocupações. Se em países ricos, os setores mais organizados da sociedade conseguem mais apoio do governo neste momento de crise, no Brasil este ponto é ainda mais notório. Certos setores e grupos econômicos estão recebendo muito apoio governamental para seguir em frente. A título de ilustração citamos a liberação de US$ 36 bilhões das reservas para apoiar empresas com dívidas no exterior e os milionários aportes de recursos do BNDES. Mas cabe perguntar sem nenhum populismo : e o povão que está com medo do desemprego, que vive o subemprego ou que já está desempregado ? Não seria esta vasta multidão que deveria receber estímulo ao consumo e a tomada de iniciativas que reduzam o risco da recessão ? O sistema financeiro brasileiro está muito sadio frente ao mundo. Isto é fato. E as empresas estão carecendo de consumo. O governo deveria adotar medidas da base da pirâmide para cima. Não é isto que vemos. Ou é ?

Uma oportunidade histórica para o Brasil

Dentre muitas características a Política, com "p" maiúsculo, depende muito da percepção do momento histórico do Político. Isto mesmo! Com "p" maiúsculo. Veja a atual crise. Imensa, séria e importante. De outro lado, analisado o cenário dos emergentes... Vejamos. Nenhum deles tem a oportunidade histórica que o Brasil tem. Somos um país relativamente fechado o que não nos deve remeter a necessidades de medidas protecionistas adicionais. Não quebramos em nenhum setor, sobretudo o financeiro no qual a saúde de nossos bancos deveria ser motivo de orgulho nacional quando retratado o que ocorreu no mundo. Não temos uma população excessivamente endividada e nem uma dependência externa premente. Não somos uma ditadura. Nem a China, nem a Rússia e nem a Índia têm a oportunidade de alavancar investimentos no curto prazo. Para isto, basta que o Brasil cresça, mesmo que a taxas bem mais baixas e de forma equilibrada em termos de inflação, finanças públicas e regulação. Falta-nos um plano arrojado para alcançar isto e liderança que perceba o momento e arregimente as forças para torná-lo realidade. Note-se que arrojo não é irresponsabilidade. É coragem para mudar. Sem valentias.

Procura-se

Quem tiver notícias da oposição brasileira, de suas idéias e propostas para ajudar a combater a "marolinha", por favor, avise a esta coluna em particular e aos brasileiros de um modo geral. Dela se sabe mesmo é que Serra deu um golpe de mestre em Aécio Neves nomeando Alckmin como secretário do Desenvolvimento de SP. E que Aécio deu um golpe de mestre em Serra ajudando a eleger o candidato a candidato ao governo de SP, José Aníbal líder do PSDB na Câmara. Todo o resto é um mistério.

Procura-se – 2

Rogam-se também informações a respeito do maior partido político do Brasil e de seu receituário para combater a crise econômica e financeira. Quem souber qualquer coisa sobre as posições do PMDB ganha fotografias autografadas dos principais líderes da legenda na Câmara e no Senado – José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e Michel Temer. Dispensa-se o "Bolsa-Geladeira", criação do luminar ministro peemedebista das Minas e Energia Edison Lobão.

Procura-se - 3

Talvez já tenha passado da hora de aparecer nos portões do Palácio do Planalto uma placa de "Procura-se um coordenador". Antes que episódios como o do controle das importações e a eterna discussão sobre o pacote imobiliário se tornem rotina. Afinal, o primeiro-coordenador necessita manter o auditório animado. E a coordenadora-adjunta, a ministra Dilma Roussef, está carregada de compromissos eleitorais e estéticos e não tem tempo para se dedicar as estas questões menos transcendentes em Brasília.

A política monetária do Brasil e o (desconhecido) Spread

Como afirmamos em colunas passadas o maior risco atual é a redução da atividade econômica cuja magnitude está sendo definida nos países ricos do norte. Há muito a ser feito por aqui, inclusive reduzir a taxa de juros básica e o spread bancário para amainar a recessão. Esta coluna mantém a sua posição pró-redução da taxa de juros básica de forma que o BC brasileiro nos parece atrasado neste processo em função da forte redução da demanda (atual e prospectiva). Uma nova redução de 1% na taxa básica é provável na próxima reunião do COPOM. Já na questão do spread bancário a discussão parece mais um quadro de Marcel Duchamp : oscila entre altas doses dadaístas e manifestos surrealistas. Expliquemos : o lado dadaísta se deve à defesa apaixonada do tema com variações de irracionalidade consideráveis. Afinal, todos reclamam ou justificam, mas não explicam. O lado surrealista diz respeito ao resultado das defesas de ponto de vista : a realidade passa a ser conhecida mais pela sua distorção (o fato do spread ser alto mesmo) do que pela sua justificativa racional (o porquê do spread ser alto). Destaque-se que, neste cenário, setores governamentais ao atacar o spread elevado acabam por tropeçar nas próprias palavras ao verificar que os bancos oficiais têm spreads tão ou mais elevados que os seus pares privados. A verdade – onde estará? – acaba obscurecida.

Sem rumo

Há algum tempo o governo ameaça o céu, a terra e o inferno por causa dos spreads cobrados pelos bancos de seus clientes, pelos bancos oficiais e pelos bancos privados, sem muita distinção. Pelo que diziam as autoridades, parecia uma questão de vontade, por isso o BC passou divulgar as taxas bancárias para forçar as instituições a competirem entre si. Não é bem isso, descobre-se. Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", o ministro da Fazenda Guido Mantega informou que "o plano antispread apenas ficará pronto depois que a Fazenda e o BC terminarem os estudos sobre as causas das altas de juros no país", segundo os jornalistas Guilherme Barros e Vinicius Torres Freire. Então, o governo não sabe as razões dos juros altos e ainda assim andou prometendo que eles cairão ? É grave, gravíssimo.


E o superávit primário?

Na mesma entrevista, outra revelação preocupante do ministro da Fazenda : na realidade, o governo ainda não tem meta para o superávit primário de 2009. Somente terá "uma dimensão" desse número em meados do ano, depois de uma definição do cenário mundial. Ora, o superávit de 3,8% inscrito no Orçamento sancionado pelo presidente da República é apenas uma ficção ? Pelo que se pode depreender dessa declaração, o governo não vai fazer força para cortar despesas correntes e de custeio para economizar e diminuir a conta dos juros.


Sonhadores e perdidos

O índice que mensura os preços do setor imobiliário inglês (o Halifax House Price Índex) subiu 1,9% em janeiro comparativamente a dezembro em meio a toda a crise mundial. Surpresa total. Alguns analistas do mercado inglês, um dos mais assolados pela recessão, vêem sinais de estabilização. Outros, apenas um "ruído" estatístico. De nossa parte, aos primeiros chamamos de sonhadores. Quanto aos outros, chamamos de perdidos. Vale dizer que tal índice caiu 17,2% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O FMI seria engraçado...

...se não fosse trágico. Diz o FMI : "Ações políticas para solucionar a crise financeira têm sido abrangentes, mas não alcançaram um reinício." Pois bem : o organismo multilateral divulgou na semana passada um extenso relatório sobre a crise, um longo blablablá que não aponta nada de novo no cenário, nem o que seria necessário e nem uma visão sobre o que seria um "reinício". É desta forma que o FMI continua a ser o organismo mais inútil para prevenir e solucionar crises. Quando admoestavam os países mais pobres os burocratas da instituição se comportavam como profetas. A derrocada dos países centrais nunca foi prenunciada por aqueles profetas.

Mercado financeiro: cinco razões para não aumentar o risco

Continuamos recomendando cautela em relação à aquisição de ativos de risco, sobretudo ações. De maneira sucinta e didática esta recomendação se deve aos seguintes fatores :

1) Os informes financeiros anuais e do último trimestre do ano das empresas aqui e lá fora mostraram que os riscos financeiros (condições de financiamento) devem continuar aumentando ainda neste semestre e os resultados ainda devem ser cadentes;

2) Considerando o item acima, os preços dos ativos devem continuar caindo e, nesta conjuntura, os investidores continuam nervosos (mercado volátil) quando os ativos possuídos se depreciam;

3) Uma estratégia de "compra contínua", ou seja, aumenta-se a posição na medida em que os preços caem, é muito incerta, pois o processo de queda (ou a percepção dele) ainda pode ser substancial;

4) Os investidores, além das preocupações com o mercado, têm outra maior : a estabilidade da própria renda. Pode-se ter prejuízo no próprio negócio ou perder o emprego. Como definir um padrão de risco aceitável diante de uma dúvida tão grande ?

5) Considerando o item acima, um conselho : não torne a redução de sua liquidez uma arma. A vítima pode ser você.

O coração do PMDB

O governo, a oposição e os próprios PMDBs (aqueles dois, com suas inúmeras facções) estão pondo a imaginação para funcionar para tentar descobrir o que vai no coração do partido agora que a legenda tornou-se, sem sombra de dúvida, a maior força política da micropolítica nacional. Quem sabe das coisas nesse universo da política dos políticos (não necessariamente a política dos brasileiros) define os dois anos de amores peemedebistas com o verso de um samba de Paulinho da Viola, que começa, sintomaticamente, com "Trama em segredo teus planos" e fecha com: "... coração leviano, que nunca será de ninguém." Desculpem, será sim, em 2011 ! Daquele que subir a rampa do Palácio do Planalto. Até lá, o PMDB desfila seu "charme" em várias direções, sem trocar alianças de noivado com ninguém :1) Tem pendores lulistas e dilmistas ; 2) Tem olhares serristas ; 3) Tem acenos aecistas, com um Aécio (eventualmente) convertido ao peemedebismo. E para não deixar alguém acreditando que secretamente já é dono do seu coração, o PMDB também tem amores pelo PMDB com um peemedebista a encabeçar a chapa de 2010.

As recompensas

Tanto o governo quanto a oposição acham que poderão conquistar o PMDB oferecendo ao partido, além da maior probabilidade de vitória, a vice-presidência da República. Não comovem. O vice é um cargo honorífico, no jogo que interessa ao PMDB, vale menos que uma gerência estratégica do BB. A vitória eleitoral não tem significado. As raposas - quase escrevemos no lugar o nome de um peixe que não pode ver sangue - peemedebistas sabem que qualquer que venha a ser o vencedor em 2010 eles serão chamados para compartilhar prioritariamente o condomínio do poder em 2011. Eles querem é espaço que lhes permita fazer "política" e manter suas estruturas nos legislativos, nas prefeituras e nos governos estaduais. E com cargos e verbas que o PMDB elege deputados, governadores, vereadores e prefeitos e exerce a influência que tem exercido nos últimos 20 anos na política nacional. E o partido já começou a dar os seus recados. Matéria da bem informada repórter Christiane Samarco no "Estadão" de domingo informava, por exemplo, que o partido quer de seu parceiro presidencial nada menos que o compromisso de entregar-lhe a chefia da Casa Civil, o ministério dos ministérios, o gerente da máquina federal. Não quer pouco.


As recompensas – 2

O PMDB vai exigir também apoio a seus candidatos a governador nos Estados em que o partido já governa e naqueles em que, a seu juízo, têm candidatos com chances reais de ir para o segundo turno e de vitória. São as chapas estaduais, mais do que as chapas federais, que puxam votos para deputados federais, deputados estaduais e senadores. E os governadores têm os empregos úteis na hora das disputas municipais. Quem souber dividir mais pode ter mais simpatias do PMDB. E, nesse caso, Lula vai ter de cobrar alguns tributos a mais do sacrificado PT. Ninguém se iluda, porém, nem um nem outro levarão o PMDB inteiro. O PMDB sabe como poucos pegar o melhor de cada lado.


Bicadas tucanas

Lula tem tido lá suas agruras com o PT. Mas não tem tanto do que se queixar: Serra e Aécio têm feito de tudo para trucidar o PSDB e a aliança com o DEM. Vaidade e ambição demais podem matar. Se a carruagem tucana for nesse ritmo, Dilma Roussef já pode encomendar o terninho e a maquiagem da posse.

Começou tudo errado

Os presidentes - ia escrever também "novos", mas, seguramente, não é o caso, nem em tempo de política, nem em conceitos - da Câmara, Michel Temer, e do Senado, José Sarney, em sua primeira visita oficial ao Palácio do Planalto queixaram-se ao presidente da República do excesso de MPs com que Lula atulha o Congresso e acaba determinando a agenda legislativa. O discurso de Sarney e Temer é o de retomar a autonomia do Legislativo, hoje um poder de segunda categoria em relação ao Executivo e ao Judiciário. Por esse lado, começaram muito mal. Não têm de fazer queixas, comunicados ou alertas. Devem agir como determina a Constituição. No caso das MPs, o "livrinho" determina que estas só podem ser editadas em caso de urgência e relevância. Bastava analisar se elas têm estes requisitos e, caso contrário, recusá-las. Simples, não ? Quando se precisa fazer jogo de cena, fazer discursos pomposos, dar declarações bombásticas e, depois, ir buscar a anuência do presidente, não é para valer. O pior, segundo as notícias dos encontros, é que o presidente concorda com tudo. Concorda – como sempre concordou, principalmente quando era oposição – mas continua editando MPs a respeito de tudo e de nada. Mais de nada.

Troca de guarda

Foi isso que ocorreu na Câmara e no Senado na semana passada (troca de guarda). Simplesmente e nada mais. Classificar as mudanças nas duas casas de "renovação" chamar suas mesas diretoras de "novas" é licença poética apenas. Não há risco de melhorar. Já de piorar...


Reforma tributária

Frase do deputado Darcísio Perondi, do PMDB/RS, ou seja, de um PMDB que ainda guarda algumas fumaças do velho MDB, sobre a reforma tributária : "Eles não estão preocupados com as pessoas. Estão trabalhando para os Tesouros".

Sadia: saída via mercado?

O presidente executivo da Sadia, o ex-ministro Luiz Fernando Furlan, informou que o "controle acionário da Sadia não está à venda, mas que, se esta for a saída, não há nenhuma 'restrição cultural' a tal transferência". Ou seja, intrinsecamente admite que a Sadia pode não ficar com o controle atual. Tudo isto se deve à necessidade de injeção de capital após os prejuízos que implicarão em algo ao redor de R$ 1,7 bilhão de recursos ao longo deste ano para cobrir os prejuízos financeiros com as operações cambiais contratadas antes da crise. O BNDES deve participar da operação de saneamento juntamente com outros fundos de Private Equity. Resta saber se o exato papel que o banco de fomento do Brasil terá em tudo isto. Será que podemos ter outra operação semelhante a do Grupo Votorantim na qual recursos públicos são utilizados para que "as coisas mudem para que tudo continue igual" ? Ou será que as condições serão mais duras e condicionadas ?

Renault e PSA Peugeot Citröen : as exigências

O governo francês emprestará 3 bilhões de Euros (US$ 3,9 bilhões) para as montadoras francesas. Trata-se de uma parte da ajuda governamental para o setor automotivo que pode alcançar algo em torno de 6 bilhões de Euros. Para receber os recursos as montadoras não poderão dispensar trabalhadores e nem fechar fábricas no país. Além disso, as empresas terão de cortar bônus dos principais executivos e os dividendos para os acionistas. Dois aspectos a observar : (1) o governo francês subordina a concessão de recursos públicos a compromissos públicos das empresas privadas envolvendo empregos e fábricas. (2) Trata-se de um sinal inequívoco de protecionismo : pode fechar fábricas ao redor do mundo, mas não na França. E no Brasil ? As exigências requeridas pelo governo nas suas operações com o setor privado atendem aos interesses públicos ?

(Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros)

EXPRESSÕES LATINAS

Pertransit beneficiendo - "Passou praticando o bem" - Palavras de S. Pedro a respeito de Jesus Cristo

Per varios casos, per tot discrimina rerum - "Através de várias aventuras e de tantas crises" - Virgílio

Pessima respublica, plurimae leges - "O pior Estado (é o que tem) mais leis"
Pessimum inimicorum genus laudantes - "Os aduladores, a pior espécie de inimigos" - Tácito

Petitio principii - "Petição de princípio"

Petrus in cunctis, nihil in omnibus - "Pedro em todos (os assuntos) sem exceção, nada em tudo" isto é "Quem presume saber tudo, nada sabe"

Pia fraus - "Fraude piedosa" - Ovídio

Pictoribus atque poetis/Quidlibet audendi semper fuit aequa potestas - "Os pintores e os poetas sempre tiveram da mesma forma o poder de ousar o que quisessem" - Horácio

Pintxit - "Pintou" - Aparece em quadros, seguido do nome do pintor
Piscem natare doces - "Ensinas o peixe a nadar" corresponde a "Ensinar o padre-nosso ao vigário"

Piscis primum a capite foetet - "O peixe começa a feder pela cabeça" - Provérbio
Placebo - "Agradarei" - Medicamento inerte ministrado com fins sugestivos ou morais. Aportuguesado

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PT festeja 29 anos fechado com ‘projeto Dilma 2010’



O PT comemora nesta terça (10) aniversário de 29 anos. Rendido à vontade de Lula, o partido encontra-se unificado em torno da candidatura de Dilma Rousseff.

Uma candidatura não declarada, que a ministra diz que não assume “nem amarrada”. Mas que, em reunião de seu diretório nacional, o PT deu como favas contadas.

O diretório petista encontrou-se nesta segunda (9), em Brasília. Os dirigentes petistas fizeram uma análise da conjuntura.

Na política, verificou-se que não há voz dissonante na cúpula do PT quanto à opção por Dilma, vista como algo irreversível para a sucessão de 2010.

Na economia, avaliou-se que o governo Lula portou-se com acerto diante da crise financeira global. Ouviram-se, porém, críticas ao Banco Central.

A reunião do diretório prossegue nesta terça (10). O PT deve aprovar uma resolução que pede a flexibilização da política monetária. Leia-se queda da taxa de juros.

Na noite passada, o diretório do PT promoveu, na sede brasiliense do partido, um debate sobre a crise. A debatedora Dilma fez um sucesso de refrigerante.

A chefe da Casa Civil discorreu sobre a crise com desenvoltura de candidata. A certa altura, lembrou uma frase dita por Lula num encontro com empresários:

“Um bom governo combate a crise. Um governo excepcional aproveita as oportunidades da crise”.

Dilma contou à platéia detalhes da reunião do empresariado com Lula, ocorrida no final do ano passado.

Disse que os executivos das grandes empresas reconheceram no presidente “a única pessoa capaz de coesionar o país nesse momento” de turbulência econômica.

Algo que, no dizer de Dilma, “significa uma tomada de consciência de que nosso governo vem agindo corretamente e tomando as decisões corretas”.

Para a presidenciável de Lula, o governo está aniquilando o discurso da oposição e de parte da imprensa.

“Diziam que éramos bons para governar com o vento a favor, mas que não saberíamos o que fazer diante da crise econômica...”

“...Mas há, hoje, clara percepção de que o Brasil está em melhores condições do que qualquer outro país, e de que o governo está tomando as medidas necessárias para o enfrentamento” da crise.

O ápice dos festejos do aniversário do PT será um megajantar, em Brasília, nesta terça. Coisa para 1.200 talheres.

Lula não disse se vai. Sua eventual ausência realçará a presença de Dilma, vista como a grande estrela da noite.

Longe do fausto que marcou a era delúbio-valeriana, o PT foi buscar no bolso dos comensais o dinheiro para o repasto. Estima-se que custará cerca de R$ 100 mil.

O valor da “adesão” variou conforme o tamanho da conta bancária. A menor mordida saiu por R$ 200. A intermediária, R$ 500. A maior, R$ 1.000.


O dia foi organizado como uma passarela para Dilma. Antes do jantar consagrador, a candidata desfilará seu rosto reformado na abertura de um encontro com prefeitos.

Prefeitos de todo país, filiados a legendas governistas e de oposição. O sucesso da empreitada é certo como o nascer do Sol.

Para comprar a simpatia dos prefeitos, o governo vai desembrulhar em Brasília um pacote de bondades.

O afago mais vistoso do embrulho é uma medida provisória que prevê a rolagem de débitos previdenciários dos municípios por 20 anos. Um mimo de R$ 14 bilhões.

Em troca, o governo deseja amarrar as prefeituras a programas idealizados em Brasília. Entre eles o PAC, principal peça do marketing eleitoral de "mãe" Dilma.

(Escrito por Josias de Souza)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

STF EDITA SÚMULA VINCULANTE QUE PERMITE ACESSO DE ADVOGADO A INQUÉRITO POLICIAL SIGILOSO



Por 9 votos a 2, o STF aprovou súmula vinculante que garante a advogados acesso a provas já documentadas em autos de inquéritos policiais que envolvam seus clientes, inclusive os que tramitam em sigilo.

O texto a 14ª Súmula Vinculante diz o seguinte:

"É DIREITO DO DEFENSOR, NO INTERESSE DO REPRESENTADO, TER ACESSO AMPLO AOS ELEMENTOS DE PROVA QUE, JÁ DOCUMENTADOS EM PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO REALIZADO POR ÓRGÃO COM COMPETÊNCIA DE POLÍCIA JUDICIÁRIA, DIGAM RESPEITO AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA".

A questão foi levada ao Plenário a pedido do Conselho Federal da OAB por meio de processo chamado Proposta de Súmula Vinculante - PSV, instituído no STF no ano passado. Essa foi a primeira PSV julgada pela Corte.

Dos 11 ministros, somente Joaquim Barbosa e Ellen Gracie foram contra a edição da súmula. Para os dois, a matéria não deve ser tratada em súmula vinculante. A maioria dos ministros, no entanto, afirmou que o verbete trata de tema relativo a direitos fundamentais, analisado diversas vezes pelo Plenário. Eles lembraram que a Corte tem jurisprudência assentada no sentido de permitir que os advogados tenham acesso aos autos de processos.

"A súmula vinculante, com o conteúdo proposto, qualifica-se como um eficaz instrumento de preservação de direitos fundamentais", afirmou Celso de Mello.

O ministro Marco Aurélio destacou que "a eficiência repousa na transparência dos atos praticados pelo Estado", reiterando que precedentes da Corte revelam que a matéria tem sido muito enfrentada. Ele afirmou que há pelo menos sete decisões sobre a matéria no STF. "Investigação não é devassa", observou a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.

O ministro Peluso lembrou que a súmula somente se aplica a provas já documentadas, não atingindo demais diligências do inquérito. "Nesses casos, o advogado não tem direito a ter acesso prévio", observou. Ou seja, a autoridade policial está autorizada a separar partes do inquérito que estejam em andamento para proteger a investigação.

Ellen Gracie concordou com o entendimento dos demais ministros quanto ao direito dos advogados de ter acesso aos autos dos processos, mas afirmou que uma súmula sobre o tema dependeria da interpretação de autoridades policiais. "A súmula vinculante é algo que não deve ser passível de interpretação, deve ser suficientemente clara para ser aplicada sem maior tergiversação."

Para Barbosa, a súmula privilegiará os direitos dos investigados e dos advogados em detrimento do direito da sociedade de ver irregularidades devidamente investigadas. Segundo ele, "peculiaridades do caso concreto podem exigir que um inquérito corra em sigilo".

Essa tese foi defendida pela PGR, que também se posicionou contra a edição da súmula. Durante o julgamento, o vice-procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que o verbete causará um "embaraço indevido do poder investigativo do Estado", podendo até inviabilizar o prosseguimento de investigações. Ele acrescentou que o verbete se direciona, sobretudo, a crimes de colarinho branco, e pouco será utilizado por advogados de réus pobres.

Ao responder, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, relator da matéria, afirmou que a súmula não significará um "obstáculo à tutela penal exercida pelo Estado". Ele acrescentou que muitos casos de pedido de acesso a autos de processo dizem respeito a crimes que não são de colarinho branco.

TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO




O texto abaixo nos remete à tese de que somos, naturalmente, orgulhosos. Então, não é produtivo administramos a nossa humildade. Temos que domar o nosso orgulho. Já vi, muitas vezes, orgulho sacrificar felicidade. Visto de forma bem realista, dá pra ver que o orgulho, mais do que besteira, é burrice e atraso. (Gabriel Vale)

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social. (Plínio Delphino, Diário de São Paulo).

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: 'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.
'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café.Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca... Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali,na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins.Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,parece que todo mundo parou para assistir à cena,como se perguntasse: - 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou.

Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete,tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias.

Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome.

São tratados como se fossem uma 'COISA'.

*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!


"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda." (Carl Gustav Jung)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

LULA REÚNE PREFEITOS PENSANDO EM DILMA



A convite de Lula, prefeitos de todo país participarão, em Brasília, de um encontro de dois dias – terça (10) e quarta-feira (11) - desta semana.

Em artigo (vide post abaixo) veiculado neste domingo (8), o próprio presidente explica os objetivos da pajelança.

Deseja-se estabelecer uma parceria da União com os municípios em torno de uma “agenda de compromissos”. O texto anota dez itens.

São, no dizer de Lula, as “dez questões mais sérias que afetam os municípios”. O documento do governo descreve os problemas.

Entre eles “a moratalidade infantil, a falta de registro civil, o analfabetismo e a desigualdade social”.

O texto associa os problemas a programas lançados pelo governo Lula. Oferece um mapa do dinheiro federal à disposição dos municípios.

Afora a “agenda de compromissos”, Lula deseja, segundo escreve no artigo, “estabelecer um roteiro para a adoção e a execução das obras do PAC”.
Espera-se que algo como 4.000 mil prefeitos acorram ao encontro de Brasília. Lula diz que vai ignorar “as cores partidárias” dos convidados.

O presidente não escreve, mas o megaevento de Brasília funcionará como vitrine para Dilma Rousseff, a presidenciável do Planalto.

Para Lula, a parceria entre União e prefeituras funcionará como “um antídoto contra a crise econômica”. Uma crise “que veio de fora”, ele repisa no artigo.

Lula vende assim o seu peixe: “Aquele [prefeito] que for mais ativo, que aproveitar as oportunidades oferecidas pelos vários programas governamentais...”

O prefeito “que criar um grupo gestor do PAC no município, para monitorar a execução das obras, será menos afetado pela crise econômica”.

O PAC, como se sabe, será uma das bandeiras da campanha presidencial de Dilma. O cronograma de inagurações de obras esparrama-se por 2010.

Ao oferecer dinheiro aos prefeitos, Lula como que amarra a agenda municipal à plataforma de sua candidata.

Em Brasília, PSDB e DEM tacham o PAC de “eleitoreiro”. Nos fundões do Brasil, a prefeitaiada de oposição tende a dar de ombros para esse discurso.

Os gestores municipais não querem senão dinheiro para plantar canteiros de obras que possam encher os olhos do eleitorado.

Pouco se lhes dá se um pedaço do êxito eventual vá para Lula e para a candidata dele à sucessão de 2010.

(Escrito por Josias de Souza)

PARCERIA UNIÃO-MUNICÍPIOS



Nos dias 10 e 11 de fevereiro, estaremos inaugurando um novo marco no relacionamento entre o governo federal e os municípios brasileiros. Com uma extensa pauta de trabalhos, vamos nos reunir, em Brasília, juntamente com os ministros e presidentes de órgãos federais, com prefeitos e prefeitas de todo o país, independentemente de suas cores partidárias.

Em 2003, fui ao encontro da Marcha dos Prefeitos, sendo a primeira vez que um presidente participava do movimento anual articulado pelas entidades nacionais de municípios. Nasceu, então, o Comitê de Articulação Federativa - CAF -, que funciona como um espaço de negociação do governo federal com as entidades nacionais de municípios.

Os resultados podem ser observados, entre outros indicadores, pela evolução do Fundo de Participação dos Municípios, que passou de R$ 19,3 bilhões, em 2003, para 42,3 bilhões, em 2007, um crescimento de nada menos que 119%. Agora, pela primeira vez, a iniciativa de reunir os prefeitos partiu do próprio governo federal. Relacionamos as 10 questões mais sérias que afetam os municípios. Editamos uma Agenda de Compromissos que será distribuída a todos os prefeitos e prefeitas, com a descrição dos problemas e com a relação de todos os programas federais adequados a cada um deles.

Entre as questões relacionadas estão a mortalidade infantil, a falta de registro civil, o analfabetismo e a desigualdade social. Além dos 10 compromissos, vamos estabelecer um roteiro para a adoção e a execução das obras do PAC e dos programas sociais, como o Plano de Desenvolvimento da Educação, o Mais Saúde, o Mais Cultura, o Bolsa Família e os Territórios da Cidadania. Daremos uma atenção especial aos municípios menores e às regiões mais distantes dos grandes centros.

O enfrentamento das questões elencadas será um antídoto contra a crise econômica que veio de fora. Da mesma maneira que os países, os municípios sofrem de maneira diferente os efeitos da crise. Aquele que for mais ativo, que aproveitar as oportunidades oferecidas pelos vários programas governamentais e que criar um grupo gestor do PAC no município para monitorar a execução das obras, será menos afetado pela crise econômica. Com os avanços resultantes da união de esforços entre o governo federal e os governos municipais, o maior beneficiado será o cidadão brasileiro.

(Luiz Inácio Lula da Silva)