terça-feira, 19 de junho de 2012

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL


A Grécia votou

Não se pode dizer que os gregos deixaram de votar pensando em ficar na chamada "eurolândia". Afinal de contas, a Nea Democratia é o partido que incorpora a visão mais eurocentrista dentre todos os partidos gregos. Além disso, a coalizão a ser formada pode alcançar uma maioria relativamente folgada num país que viveu uma inusitada fragmentação política. A pressa em formar um novo governo e a tentativa de atrair para a coalizão mais que os partidos "tradicionais" indicam que os gregos buscam uma saída para a tragédia na qual entraram. Todavia, a probabilidade de ficar no euro é pequena. Isso porque nos próximos meses haverá um grande acúmulo de pagamentos e as pressões sobre o novo governo serão enormes. A disposição da Alemanha de Merkel em flexibilizar a rigidez fiscal está muito mais vinculada ao necessário proselitismo pró-europeu que algo efetivo para que os países voltem a crescer. De toda a forma uma coalizão mais sólida entre os helênicos pode servir para que a saída do euro seja possível, sem que isso provoque uma hecatombe. Veremos.

Espanha e Itália

O risco da Espanha já está em níveis da América Latina dos anos 80. O mais incrível é que a União Europeia já injetou 100 bi de euros para salvar o sistema financeiro e os analistas acreditam que serão necessários mais 80-90 bi para que exista estabilização. Enquanto isso, os investidores, dotados do famoso espírito de "debandada", já voltam seus canhões especulativos para a Itália. A cada leilão de títulos públicos o risco-país sobe e o financiamento se torna mais penoso para o erário. A sina da Itália será igual a dos outros países meridionais da Europa e a Irlanda. Todos sabem disso, mas o jogo geopolítico da Alemanha ainda permanece suficientemente forte para evitar uma revisão mais drástica do processo.

A calmaria durará pouco

Talvez os mercados ainda reajam nos próximos dias às notícias da eleição grega e da melhoria da volatilidade. Mas a coisa está mais para "tiro curto". Não há nada suficiente para reverter este processo agudo de contenção do crédito. É certo que não é hora para os otimistas, mas não deixa de ser horrível ter que dizer que o pior pode não ter passado.

Não vai jogar a tolha, mas...

O ministro Guido Mantega vai continuar jurando de pés juntos que o PIB semestral brasileiro, de julho a dezembro, será de 4,5%. Contudo, hoje todo o esforço da política econômica está voltado para não deixar a economia derrapar abaixo dos 2,5%. Mas será que funciona colocar o PIB num elevador movido a empréstimos - crédito para o consumidor e, agora, dinheiro para os governos estaduais ? No caso dos governos estaduais, inclusive, quem garante que eles não vão pegar recursos no BNDES para investimentos já programados, liberando recursos para outras despesas muito apreciadas em anos eleitorais?

Os pacotinhos estão saindo, mas...

... está faltando uma parte na contribuição que a presidente Dilma deseja que o setor público dê para acelerar o ritmo da economia brasileira: um ajuste nas contas oficiais, com cortes de despesas desnecessárias, para sobrar mais dinheiro para obras e investimentos. Não há incompatibilidade entre ajuste fiscal e investimentos, ao contrário do que querem fazer crer a "obtusidade córnea e má fé cínica" de alguns analistas oficiais e oficiosos.

Satisfeitos, mas nem tanto

Ninguém recusa dinheiro - e ainda mais uma boa bolada - oferecido com vantagens, como é o caso da linha de crédito de R$ 20 bi oferecidos pelo governo Federal aos governadores, via BNDES, com juros de família, de 7,1% ou 8,1% (com e sem aval). Agora, os 27 chefes de Executivo estaduais vão brigar para ver como o bolo será dividido, qual a cota de cada um nesse latifúndio. Tem também na mesa mais R$ 39 bi do BB. Tudo para obras e investimentos. Os governadores gostariam, porém não era isto - ou só isto - que eles queriam. O que eles pretendem mesmo do governo Federal é dinheiro para valer, não apenas empréstimos. Eles querem melhorar seu fluxo de receitas, permanentemente. Os governadores se queixam da perda de participação no bolo tributário nacional. Querem ver na mesa, por exemplo, a definição da nova divisão dos royalties do petróleo. Só depois aceitam discutir mudanças mais profundas no ICMS.

Ninguém reage, mas...

As cobranças da presidente Dilma a seus ministros, para que sejam mais ágeis ao tocar a máquina do governo, principalmente no que diz respeito à liberação de recursos para investimentos e programas, estão ficando cada vez mais duros. E incomodam. Mas ninguém reage abertamente. No privado, no entanto, muitos se justificam dizendo que o problema não é de seus ministérios e sim do "detalhismo" da presidente, que tudo quer ver e interferir nos mínimos detalhes, bem como da Casa Civil, por onde tudo tem de passar e não tem a agilidade que a presidente acha que deve ter - ou tinha no tempo dela. As orelhas de Gleisi Hoffmann devem arder todos os dias. Outras que estão ardendo um tanto são as da ministra do Planejamento, Miriam Belchior. As duas estão começando a criar a fama de "engavetadoras".

Encanto quebrado?

A greve em mais de 50 universidades e instituições superiores de ensino federais caminha para completar seu primeiro mês. Parece o primeiro sinal claro de que os dias da pax sindical que Lula celebrou com as centrais sindicais e o funcionalismo público Federal estão contados. Já houve paralisações nos metrôs federais e, na semana passada, boa parte dos médicos do SUS pararam por um dia. E, como se diz nos meios sindicais, "há indicativos" de que outros movimentos podem pipocar em greve. Uma turma do judiciário já fez manifestação pública na última sexta-feira.

Paredes com ouvidos

Certo hospital de SP - e acerta quem pensar no Sírio-Libanês - além de praticar excelente medicina, por motivos óbvios tem também dotes políticos, palco que é de atendimento de grandes figuras da República. Suas paredes são ágeis. Semana passada, dois personagens que bem conhecem tanto Dilma quanto Lula, pois prestaram atendimento a ambos, trocaram algumas confidências e concluíram que Dilma está afastada demais dos políticos, ao contrário de seu antecessor. E que isto pode sair caro para ela. Até aí não tem nada demais : o mundo político não ligado à presidente, mesmo seus aliados, pensa a mesma coisa. O intrigante é que o diagnóstico parece ter saído do pensamento do "Grande Eleitor".

CPI: não adianta correr

Vexames à parte, é inevitável a convocação do dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, para depor na CPI. Há apenas um refresco esta semana porque se descobriu em Brasília que os deputados e senadores são imprescindíveis para os debates sobre os rumos do planeta na Rio+20 e estabeleceu-se um recesso branco na Câmara e no Senado. Porém, com a história da "tropa do cheque" e as primeiras revelações da quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico da empresa em todo o país, não haverá muitos parlamentares dispostos a botar a cara para bater. Nem com a blindagem que o PMDB e o PT criaram. O próprio Planalto, mesmo temendo alguns respingos pela proximidade da Delta com o PAC, não vai se meter neste pantanal para salvar quem quer que seja. A convocação do ex-diretor do DNIT, Luiz Antônio Pagot, também não escapa. A estratégia para evitar mais desastres será garantir a convocação, mas sem data para o depoimento, jogando tudo para agosto, depois do recesso parlamentar, na esperança de que o julgamento do mensalão e a campanha eleitoral arrefeçam as repercussões.

As contas da Delta

Esta coluna teve uma conversa reveladora sobre os pagamentos da Delta para "intermediários" das obras contratadas. Segundo as denúncias, incluídas as originadas das operações policiais, a Delta pagou algo como R$ 145 milhões às empresas suspeitas. Nossas informações de um profissional que detalhou as contas dos últimos quatro anos da empresa "está faltando dinheiro"... Ou seja, mais revelações virão à tona. Ou servirão para que as luzes não recaiam sobre os distintos beneficiários...

Só de longe

Quanto ao mensalão, não há hipótese de o Palácio do Planalto, se envolver ainda que muito discretamente, por baixo do pano, em qualquer coisa que diga respeito ao julgamento no STF. Bem que os envolvidos e seus padrinhos gostariam de algum gesto nesse sentido, porém vão ficar esperando sentadinhos para não cansarem muito. A turma de Dilma quer distância dessa bomba, é questão de outra turma.

Também não muito perto

O envolvimento da presidente Dilma na campanha eleitoral, a favor dos aliados, deverá ser muito menor do que todos gostariam vê-la ainda mais com a popularidade dela andando lá pelos 80%. Há pelo menos duas razões para isso: (1) ela quer manter uma posição mais institucional ; (2) há muita confusão entre os aliados em várias cidades importantes e isso pode criar problemas para ela com a base, quando algum partido se sentir preterido. A presidente vai ajudar, permitindo imagens nos programas eleitorais, até gravando mensagens. E dando ajudas indiretas, como fez esta semana ao reservar um lugar para um indicado de Maluf para o ministério das Cidades em troca do apoio do PP malufista ao petista Fernando Haddad em SP. Nada do engajamento do antecessor. No segundo turno esta determinação pode mudar.

Bananão e bananinhas

Morreu semana passada em Londres o jornalista e escritor Ivan Lessa, dono de um texto sofisticado e de fina ironia. Costumava chamar o Brasil de "Bananão", embora não deixasse de amar o país a seu modo e distante desde o fim dos anos 1970. O que a CPI fez na semana passada, com as mornas inquirições dos governadores Marconi Perillo (PSDB/GO) e Agnelo Queiroz (PT/DF) e a recusa em convocar para depor Fernando Cavendish e Luiz Antônio Pagot, parece uma homenagem do Congresso a Lessa - para provar que em matéria de política continuamos cada vez mais uma república bananeira, um Bananão.

Pêndulo eleitoral 1

De repente, o PT de SP, que parecia caminhar para o isolamento na disputa pela prefeitura paulistana, deu a impressão de sair da solidão. Na sexta-feira, conseguiu, com uma mãozinha da presidente Dilma e o grande empenho de Lula, dois trunfos eleitorais : emplacou Luiza Erundina, do PSB, uma política de boa imagem, e arranjou o apoio do PP de Paulo Maluf. Assim, aumentou o tempo no horário eleitoral obrigatório no rádio e na televisão. E ficou com a que, nas circunstâncias poderia ser a melhor vice para o quase desconhecido Haddad. Porém, nem bem saboreava essas vitórias e mais o resultado da pesquisa DataFolha divulgada no domingo, com seu candidato saindo da estagnação em que se encontrava a meses, passando de 3% para 8% nas intenções de votos dos paulistanos, o PT sofreu um duro revés. Erundina, que até havia ensaiado algumas justificativas para estar do mesmo lado de Maluf, um político que ela detesta e do qual sofreu muitas agressões, tão de repente quando aceitou ser vice de Haddad, anunciou que vai rever sua posição - na verdade, disse que não quer mais o lugar - seu estômago revelou-se delicado demais para engolir o malufismo. Lula, dirigentes do PT e do PSB ainda tentarão demover Erundina. Parece difícil. Agora, é medir o prejuízo que isso pode trazer para a campanha de Haddad.

Pêndulo eleitoral 2

No campo adversário, o PSDB de José Serra, que parecia navegar em águas limpas, além de perder os minutos eleitorais do partido de Maluf, está enrolado em tremenda confusão por causa da formação da chapa de vereadores de sua aliança. Ele quer um blocão, exigência dos outros partidos para apoiá-lo, porém a turma de candidatos do PSDB não quer a aliança nas eleições proporcionais, com medo de perder vagas especialmente para o pessoal do PSD de Gilberto Kassab.

Mal estar

Estão cada vez maiores as indisposições entre o PT e o PMDB e deste também, embora não confessada, com o governo Federal. Bons peemedebistas nem desconfiam mais, têm quase certeza de que se prepara uma cama para deixá-los mal nas disputas pelas prefeituras e diminuir seu poder de fogo na aliança governista. O epílogo desse processo seria cortar as candidaturas de Renan Calheiros à presidência do Senado, de Henrique Alves à presidência da Câmara e trocar de vice na chapa de uma reeleição de Dilma.

Rio+20

Quem for ao maior encontro sobre sustentabilidade nos últimos anos no planeta vai descobrir que os resultados objetivos da reunião foram deixados de lado pelos participantes, sobretudo pelos países mais desenvolvidos. Todavia, a simbologia mais intrigante do evento é o fato de se ver o Rio congestionado de carros, sem capacidade de operar eficientemente seu transporte público e os serviços (públicos e privados) de qualidade duvidosa. Haverá quem acredite que até a Copa e as Olimpíadas as coisas melhorem, mas a amostra destes primeiros dias nas terras cariocas foi sofrível.

Os correspondentes estrangeiros

O cenário era eleitoral: os correspondentes estrangeiros de São Paulo elegiam uma nova diretoria para a sua associação na Escola de Direito da GV. Dois candidatos concorriam. Os programas eleitorais tinham lá suas divergências em termos de administração e finanças. Todavia, no tema mais importante todos concordavam : o governo Dilma piorou muito as relações com os jornalistas de órgãos internacionais. Estes não conseguem entrevistas com pessoas-chaves do governo, não tem acesso ao Planalto e nem aos governos estaduais. Dizem que o Brasil está em alta na mídia estrangeira, mas que, por aqui, os governos não dão bola para os correspondentes. Falta matéria-prima para "vender" lá fora.

(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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segunda-feira, 18 de junho de 2012

PARABÉNS, WILSON VICENTINO, CIDADÃO DE FORTALEZA!




Às 19h30min de hoje o doutor Wilson da Silva Vicentino vai receber, na Câmara Municipal, o Título de Cidadão de Fortaleza, por propositura do vereador Carlos Mesquita.

Paulista de nascimento, há 37 anos descobriu aquilo que hoje todo mundo sabe: é uma fortaleza ser cidadão desta cidade!

Nestes últimos anos, desde quando firmamos sociedade na labuta jurídica, muito aprendi com o seu talento para enfrentar os desafios e olhar de frente as adversidades.

Generosa figura humana, marcante companheiro, pai extremado, amigo fraterno, profissional dedicado, Wilson Vicentino é um dos mais destacados operadores do direito no Ceará.

Agrega às atividades típicas do causídico (advocacia e consultoria) o diferencial da estratégia. É um estrategista legal. Entra nas causas que abraça com a desenvoltura e a paixão de um mergulhador de águas profundas. Vai ao fundo do oceano jurisdicional. Perscruta cada detalhe.

Avesso aos holofotes, adora entregar para os clientes o protagonismo das vitórias na seara do Direito e da Justiça.

Testemunho seu inflamado amor à Terra de Iracema!

Mais do que justo, é indubitavelmente merecido esse Título!


Júnior Bonfim

domingo, 17 de junho de 2012

SIVUCA, QUE FEZ NA SANFONA UMA OBRA SINFÔNICA: RAPSÓDIA GONZAGUIANA!

O Mestre SIVUCA, monstro sagrado da música brasileira, em Rapsódia Gonzaguiana (seleção de clássicos do Monarca do Baião) quebrou as barreiras entre o popular e o erudito. Veja:



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Júnior estou encantada com seu blog, somente um Crateuense para mostrar tanto talento.Fiquei deslumbrada com o baião mostrado num clássico balé.

Parabéns!

Vera Linhares


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MEDICINA RECONHECE OBSESSÃO ESPIRITUAL COMO DOENÇA




Código Internacional de Doenças (OMS) inclui influência dos Espíritos.

Medicina reconhece obsessão espiritual

Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico psiquiatra e coordenador da cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade na USP:


Ouvir vozes e ver espíritos não é motivo para tomar remédio de faixa preta pelo resto da vida.

Até que enfim as mentes materialistas estão se abrindo para a Nova Era; para aqueles que queiram acordar, boa viagem, para os que preferem ainda não mudar de opinião, boa viagem também...

Uma nova postura da medicina frente aos desafios da espiritualidade.

Vejam que interessante a palestra sobre a glândula pineal do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira:

A obsessão espiritual como doença_da_alma, já é reconhecida pela Medicina. Em artigos anteriores, escrevi que a obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do Ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.

No entanto, quero ratificar, atualizar os leitores de meus artigos com essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social. Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do indivíduo e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.

Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, psicológico e espiritual.

Desta forma, a obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado_de_transe, que é um item do CID - Código Internacional de Doenças - que permite o diagnóstico da interferência espiritual Obsessora.

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença.

Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.

Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos - nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura bem como na interferência de um ser desencarnado, a Obsessão espiritual.

Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios.

O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura.

Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, que coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade.

Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.

Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas.

Em minha prática clínica (também praticada por Ian Stevenson), a grande maioria dos pacientes, rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico. (Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o Ser Integral).

Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo.


Nota:

Sérgio Felipe de Oliveira é um psiquiatra brasileiro, doutor em Neurociências, mestre em Ciências pela USP (Universidade de São Paulo) e destacado pesquisador na área da Psicobiofísica. A sua pesquisa reúne conceitos de Psicologia, de Física, de Biologia e de Espiritismo.

Desenvolve estudos sobre a glândula pineal, estabelecendo relações com atividades psíquicas e recepção de sinais do mundo espiritual por meio de ondas eletromagnéticas. Realiza um trabalho junto à Associação Médico-Espírita de São Paulo AMESP e possui a clínica Pineal Mind, onde faz seus atendimentos e aplica suas pesquisas.

Segundo o mesmo, a pineal forma os cristais de apatite que, em indivíduos adultos, facilita a captura do campo magnético que chega e repele outros cristais. Esses cristais são apontados através de exames de tomografia em pacientes com facilidade no fenómeno da incorporação. Já em outros pacientes, em que os exames não apontam tais cristais, foi observado que o desdobramento fora facilmente apontado.

Segundo a revista Espiritismo & Ciência,[1] "o mistério não é recente.

Há mais de dois mil anos, a glândula pineal é tida como a sede da alma.

Para os praticantes da ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o “terceiro olho”, que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês René Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que “existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente”.

Sérgio Felipe de Oliveira tem feito palestras sobre o tema em várias universidades do Brasil e do exterior, inclusive na Universidade de Londres.

Numa apresentação na Universidade de Caxias do Sul, o pesquisador afirmou ter recebido vários estímulos para estudar a glândula pineal quando ainda estava concentrado em pesquisas na área de física e matemática. Um desses estímulos foi uma visão em que lhe apareceu o professor Zerbini, renomado médico cardiologista e pioneiro dos transplantes de coração no Brasil. Zerbini, a quem Sérgio teria substituído em seus dois últimos compromissos acadêmicos, sugeriu a Sérgio insistentemente (durante a visão) que estudasse a glândula pineal, conforme o relato do pesquisador.
Paz e Luz para todos!

Paulo Roberto Maria


O Conhecimento é uma dádiva de Deus e sua propagação é inevitável.
Procure não se entesourar, compartilhando-o com o seu irmão!
Paulo Roberto Maria

"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,
nunca tem medo e nunca se arrepende." Leonardo da Vinci

"Solidários, seremos união.
Separados, um dos outros seremos pontos de vista.
Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos."
Bezerra de Menezes

Marcia Amaral

quinta-feira, 14 de junho de 2012

FRANCISCO DE MATOS E MELO, DESCANSE EM PAZ!

O Matos partiu para outra dimensão ontem. Foi para o Templo Celeste o Capelão da Amizade. Compartilho a crônica que dediquei ao seu oceânico coração.



O humano ser, quando ultrapassa as nuvens embaçadas da trivialidade e pisa no platô da profundidade, descobre o verdadeiro sabor daquele pedaço de pão espiritual feito Boa Nova: “De graça recebeste; de graça dai!”.

A gratuidade, dom superior, força que impulsiona as pessoas à entrega e ao serviço do outro sem busca de recompensa, quando inocula alguém, torna-o irremediavelmente benfazejo ao ambiente que habita.

O “Matos”, nascido Francisco de Matos e Melo no distrito de Ibiapaba, em Crateús, é um homem que carrega desde a quinta-feira em que nasceu, aos 29 de março de 1939, esse princípio vital. Seu coração é uma antena invariavelmente sintonizada com as ondas da generosidade.

Por isso a vida sempre lhe abriu o largo sorriso. Nasceu bem-aventurado. Único varão da prole de Gilberto de Paiva Melo e Filomena da Silva Matos. Bendito entre mulheres de nomes aureolados: Terezinha, Neide, Maria do Carmo, Conceição, Maria das Graças e Socorro – suas irmãs, com as quais nutriu uma relação de ternura, ganhando o primeiro apelido: Teté. O segundo foi Pantico.

Quando ainda vestia o gibão da infância, mudou-se para a fazenda do seu avô, José de Sousa Melo, o popular Zé Melo das Catingueiras. De lá, sob os auspícios dos avós e das tias Adalgisa, Terezinha e Maristela, foi para a cidade ser iniciado nos escaninhos escolares e nos balcões da atividade laboral. Naqueles, deslumbrou-se com o mundo dos fonemas através das professoras Iolanda Lima, Maria Águeda e Lúcia Frota, sequenciando na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio; nestes, realizou um longo e profícuo percurso. Começou como vendedor do Armazém Ceará, depois trabalhou como civil no Batalhão e, posteriormente, serviu ao Exército Brasileiro como Cabo. No meio militar, por conta de sua postura agregadora, do seu jeitão pacífico, da sua sacerdotal cordialidade, surgiu o terceiro e mais popular apelido: Capelão. Em 1962, mediante concurso público, ingressa nos quadros do Banco do Brasil, instituição em que despendeu sua força de trabalho até 1994, ano de sua aposentadoria. No exercício do cargo de gerente, instalou as agências de Iracema e Nova Russas. Trabalhou, também, nas cidades de Ipu (onde tem raízes familiares), Tauá e Paracuru.

Até nos galanteios o jovem Matos exalava o perfume do espírito servidor. Na década de 1960, costumava exercitar seus préstimos levando as donzelas amigas para as tertúlias. Uma delas, a professora Anália Maria Alves de Melo, descobriu o seu poço jorrante de romantismo. Iniciaram um idílio que os levou ao altar da Igreja de Santo Anastácio, na cidade de Tamboril, no ano de 1973, e os fez colocar no mundo três filhos: Éthel Alves Matos, cirurgiã-dentista, Érica Alves Melo, arquiteta, e Luiz Gilberto Alves Melo, bancário e universitário.

No seu álbum de registros da dedicação ao próximo, consta sua passagem pela diretoria de várias casas associativas como Crateús Clube, Sargento Hermínio e Lions Clube, além das presidências da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e da Sociedade Crateuense de Tiro, Caça e Pesca (Clube Caça e Pesca).

Por reconhecimento popular, é detentor de título de cidadania nos municípios de Iracema, Ipu e Paracuru.

Nos dias atuais, Matos se divide entre a brisa marítima da Capital e as noites enluaradas da fazenda Várzea Grande, em Crateús. Adora prestigiar eventos literários. Encontrei-o no lançamento do livro “Crateús: 100 Anos!”, da Academia de Letras de Crateús. Estava acompanhado de sua inseparável esposa, Anália, e amigas. Uma delas me confidenciou: - Estou preocupada com o Matos. Acho que ele está meio calado e pensativo.

Quiçá a resposta esteja na avaliação de outro amigo seu, aqui em Fortaleza: - Solícito e educado. Assim defino o Matos. É uma pessoa de tamanha sensibilidade que talvez o impeça de ser completamente feliz, como afirmou Jean de La Bruyére: “Os grandes corações nunca estão totalmente felizes; falta-lhes a felicidade dos outros”.


(Júnior Bonfim)

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Novo comentário sobre a postagem:

Parabéns Junior por esse grande comentário que vc faz deste que grande cidadão Crateuene Francisco Matos(CAPELÃO). Deus estava precisando de uma pessoa que toda sua vida só mpraticou o bem. Que DEUS a tenha num bom lugar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Evoluindo com o povo

Dia 28/5/2012. Câmara Municipal de Mirante da Serra/RO. Populares faziam pressão sobre a Casa legislativa por melhorias prometidas e não cumpridas. De repente, um vereador toma a palavra para manifestar sobre o tumulto. E tasca:

- "Meu povo, fico feliz pela presença de todos, isso é democracia, mas vocês precisam entender que Mirante da Serra evoluiu muito, quando eu cheguei aqui há 30 anos não tinha estrada, energia e nem hospital..."

É interrompido por um impaciente ouvinte.

- "É, o senhor esquece que há 30 anos aqui nem cidade tinha; como queria ter alguma coisa?"

O vereador não deixa a peteca cair:

- Isso é para você ver que estamos trabalhando para o povo e pelo povo. Já temos hospital e até rua asfaltada. Parabéns para nós que estamos evoluindo".

O tumulto se agiganta. Sobre o vereador cai uma onda de apupos.

Águas correntes e sujas

A CPI das Águas Correntes inunda os dutos da política com torrentes de sujeira. A cada semana, emergem mais informações sobre sócios com contratos milionários, pagamentos extraordinários, ligações espúrias, versões estapafúrdias. E o que essa torrente provoca? Muita confusão na cabeça de quem se atreve a acompanhar o caso. A CPI do Cachoeira mais parece uma Torre de Babel. Muito se fala e pouco se presta atenção. Todos os implicados, sem exceção, se dizem inocentes. Os depoimentos acumulam argumentos que não são questionados, comprovados, avaliados devidamente. A essa altura, a barafunda se estabelece. 10 a 10 ou 0 a 0, conforme a interpretação de cada pessoa que acompanha o imbróglio. O bate-boca de ontem poderá se repetir hoje.

Que confa...!

O desembargador Tourinho Neto, do TRF da 1ª região, do DF, reconheceu como ilegais as interceptações telefônicas da operação Monte Carlo, da PF. A operação desmontou o grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ou seja, considera nulas as provas decorrentes desses grampos. E agora?

O povo

"Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão. Estes Homens são o Povo". (Eça de Queiroz)

Rio+20

O Brasil sediará por quase duas semanas o maior evento mundial sobre a sustentabilidade do planeta. Mas as expectativas não são animadoras. Os chefões das Nações mais importantes não se farão presentes, preferindo mandar representantes. Cientistas e ambientalistas estão descrentes. Alegam que as conquistas da Rio 92 foram abandonadas. A globalização seria a barreira contra a regulamentação. Mesmo assim resta a esperança de que grupos organizados façam pressão, propiciando clima favorável aos avanços.

Mais um pito público

A presidente Dilma, com seus pitos rotineiros em ministros, reforça a identidade de centralizadora e durona. Quem ganhou o mais recente puxão de orelhas foi seu "amigo" Mendes Ribeiro, ministro da Agricultura. Que falou sobre... Código Florestal, ou seja, um tema que faz parte da agenda da... agricultura. Mendes apenas adiantou que poderia haver um acordo sobre os vetos feitos pela presidente ao texto aprovado pela Câmara e juntados numa nova MP. Ou seja, trabalhava com a ideia da harmonia, consenso, pacificação. Foi desautorizado pelo assessor de imprensa da presidência. A mando da presidente. O puxão de orelhas foi mal recebido pelo PMDB, partido de Mendes. Dilma poderia simplesmente ter dado um telefonema e pedido ao ministro para desmentir o acordo em torno da nova MP. Que amizade estranha essa entre o ministro e a presidente.

Seca e inverno

A seca no NO mostra a desolação da paisagem. Carcaças de animais tragados pela fome. As chuvas no Estado de SP aumentaram o número de mortes em 45%. Em 10 horas, a capital registrou, nesta segunda-feira, 271 raios. Cada região com sua tragédia característica.

PT x PT

O PT contra o PT. Ou melhor, alas contra alas. O PT do prefeito João Costa, do Recife, é contra a cúpula partidária. Que escolheu o senador Humberto Costa como candidato a prefeito da capital pernambucana.

PSB terá nome

O PSB do governador Eduardo Campos, ao concluir que a coisa fica feia para as bandas do PT, decidiu lançar candidato próprio em Recife. Campos se sentiu liberado para deixar a aliança com o PT. Seu candidato deverá ser um dos quatro secretários de Estado que deixaram a máquina: Geraldo Júlio, ex-titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico; Tadeu Alencar, ex-chefe da Casa Civil; Danilo Cabral, ex de Cidades; e Sileno Guedes, antes secretário de Articulação Social. Os dois mais cotados são Geraldo Julio e Danilo Cabral.

PSB contra PT

Em Fortaleza, os irmãos Gomes - Cid, governador, Ciro e Ivo - decidiram romper com o PT, da prefeita Luizianne, que indicou Elmano Freitas como candidato a prefeito. O PSB dos três indicará um nome do partido.

Slim...slim...

Anotem aí: nos próximos tempos, um nome vai fazer plim...plim... digo, slim...slim... nos ouvidos nacionais. O nome? Carlos Slim. Que vai expandir a tecnologia 4G no Brasil. Dono da Claro, Embratel e NET, vai investir mais R$ 10 bilhões no setor. Bom, o cara é o mais rico do mundo. Slim! Está falado.

Em João Pessoa

Em João Pessoa, a disputa no PSB é mais acirrada que a situação do PT em Recife. O governador Ricardo Coutinho/PSB convidou o atual prefeito Luciano Agra/PSB a desistir da reeleição. Lançou o nome de Estelizabel Bezerra/PSB. Lembrando. Ricardo Coutinho foi eleito prefeito de João Pessoa tendo o apoio do PMDB, em 2004, que indicou o seu vice, Manoel Júnior. Em 2008, Ricardo foi reeleito tendo como companheiro de chapa Luciano Agra, seu secretário de planejamento. Venceu as eleições, em chapa formada pelo PSB, PSDB e DEM contra o PMDB e o PT. No final do ano passado, o PSB começou a preparar substituição do nome para disputar a eleição de 2012. Agra, que assumiu em definitivo a prefeitura de João Pessoa com a renuncia de Ricardo, era visto por esse como muito técnico. Luciano renunciara ao direito à reeleição. E lançou Estelizabel Bezerra, jornalista alinhada ao movimento feminista. Voltou atrás. Há dias, enviou carta a Eduardo Campos e ao governador da Coutinho informando do desejo de disputar a reeleição.

O leque

Em resposta, o governador disse que o PSB mantinha a candidatura de Estelizabel Bezerra, exonerada por Luciano em fevereiro, tão logo foi lançada como sua substituta. O prefeito de João Pessoa enviou aliados à sede do partido para registrar sua candidatura na convenção, ocorrida domingo. Pois bem, Estelizabel venceu Agra na convenção do PSB: 305 votos contra 142 votos. Ricardo Coutinho conclamou os filiados para votar em Estelizabel. Outras candidaturas já postas : PMDB: José Maranhão, ex-governador por três mandatos; PSDB : Cícero Lucena, que votou em Maranhão em 2010, por ser arquirval de Ricardo. PT : Luciano Cartaxo, deputado estadual; vice-governador do Maranhão (2009/2010). PPS : Nonato Bandeira, ex-secretário de comunicação de Ricardo, tanto no período em que foi prefeito de João Pessoa (2005/2010) quanto no governo do Estado. Até março era o melhor amigo de Ricardo. PTN : Toinho do Sopão. Informações enviadas por Elson de Carvalho Filho. A quem agradeço.

Em BH, PT de Pimentel vence

Em BH, o ministro Fernando Pimentel levou a melhor e indicará o vice na chapa do prefeito Marcio Lacerda, candidato do PSB à reeleição. Patrus Ananias está se distanciando do partido. Não teria mais clima no petismo mineiro.

Vieram e não me encontraram

Otávio Mangabeira foi governador da Bahia, ministro de Relações Exteriores e um sábio da velha política. Tinha um amor todo especial à língua. E cuidava do português a todo preço. Chega uma comissão de professoras ao palácio, Mangabeira as recebe no salão.

- Governador, nós viemos aqui conversar com V. Excelência sobre a situação do ensino na Bahia. (Deviam, claro, ter dito "vimos", que é o presente. "Viemos" é o passado.).

Mangabeira respondeu apenas:

- Que pena, senhoras professoras, vieram e não me encontraram. E voltou para o gabinete.

Dirceu à la Collor

José Dirceu conclamou a juventude socialista a fazer sua defesa face à ameaça de eventual condenação no STF, que vai julgar, a partir de agosto, o caso dos mensaleiros. Dirceu fez entusiasmado discurso em evento da UNE. Ao melhor estilo Collor, convidou a estudantada a tomar as ruas para fazer sua defesa. Não pediu - registre-se - que os jovens pintassem a cara de vermelho, a cor do PT. O ex-líder estudantil, convenhamos, exagerou na dose.

Copa, até agora 27 bi

O TCU fez as contas. Até o momento, as obras para a realização da Copa somam R$ 27,140 bilhões. O TCU considera financiamentos oferecidos por bancos federais, investimentos feitos por agentes privados, pelas estatais e pelas esferas de governo estaduais e municipais. A mobilidade urbana conta com a fatia maior: R$ 12,004 bilhões. Os aeroportos deverão consumir R$ 7,4 bilhões. Os 12 estádios da Copa custarão R$ 6,778 bilhões.

Obras paralisadas

Começa-se a achar o responsável pela paralisação de obras do PAC: a Casa Civil do Planalto. Os projetos chegam por lá. E a Casa Civil "senta em cima", dizem as línguas. Ferinas, mas com alta credibilidade. Com a palavra, a ministra Gleisi.

Forças pedem mais

As Forças Armadas, atualmente não muito armadas por conta da precariedade de seus equipamentos, reivindicam melhores condições de trabalho e salários condignos. A Marinha lidera esse movimento reivindicatório. Começa-se a ouvir um clamor mais explícito das Forças. Sinais dos tempos de pressão e mobilização da sociedade mais organizada?

Impressões

Marconi Perillo (PSDB/GO) respondeu as questões de senadores e deputados. Saiu-se bem. Apresentou documentos. Mais adiante, a confusão se instalou quando o relator perguntou se ele, governador, quebraria seus sigilos telefônico e bancário. Agnelo Queiroz (PT/DF) está se preparando com afinco. Vai depor hoje. Impressão é a de que contrários se enfrentarão. Mais jogadas de defesa e ataque.

PIB de 2,3%

2,3% de crescimento em 2012. Menos que os 2,7% do ano passado. Economia em baixa, emprego na gangorra, mensalão na bancada da decisão, CPI das Águas Correntes em clima de balbúrdia - terão influência no processo eleitoral? Resposta: nos espaços onde houver polarização entre tucanos e petistas.

A bola da vez

Depois dos 100 bilhões de euros que a Espanha ganha do BC europeu para o seu setor bancário, a bola da vez será a Itália. A dívida pública italiana é maior do que a dívida da Espanha - 120% do PIB - mas o déficit orçamentário é menor - 3,9% ante os 8,5% da Espanha. Nos últimos 3 meses, o PIB italiano caiu 0,8%.

Suavemente

José Maria Alkmin, mineiro dos velhos tempos, ex-ministro da Fazenda, ex-deputado, foi advogado de um crime bárbaro. No júri, conseguiu oito anos para o réu. Recorreu. Novo júri, 30 anos. O réu ficou desesperado:

- A culpa foi do senhor, dr. Alkmin. Eu pedi para não recorrer. Agora vou passar 30 anos na cadeia.

- Calma, meu filho, não é bem assim. Nada é como a gente pensa da primeira vez. Primeiro, não são 30, são 15. Se você se comportar bem, cumpre só 15. Depois, esses 15 são feitos de dias e noites. Quando a gente está dormindo tanto faz estar solto como preso. Então, não são 15 anos, são 7 e meio. E, por último, meu filho, você não vai cumprir esses 7 anos e meio de uma vez só. Vai ser dia a dia, dia a dia. Suavemente.

Da coleção de historinhas de Sebastião Nery.

Conselho aos comandantes do planeta

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma Rousseff. Hoje, sua atenção se volta aos comandantes do planeta, presentes ou não Conferência da ONU, Rio + 20.

1. A Rio+20 é a grande oportunidade que as Nações planetárias dispõem para fazer ajustes fortes nos botões do futuro. Urge controlar os excessos e ajustar o exagerado consumismo que leva à degradação do meio ambiente.

2. Países com índices diferentes de desenvolvimento devem procurar meios e métodos para compor uma pauta comum e condizente com a sustentabilidade da vida planetária.

3. Ao crescimento econômico - meta finalista dos países - deve corresponder desenvolvimento social e proteção ambiental. Países que se desenvolveram bem antes e mais provocaram danos ao meio ambiente devem reconhecer suas responsabilidades e oferecer sua contrapartida para a melhoria da condição humana.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 12 de junho de 2012

OBSERVATÓRIO

Na Semana que passou celebrou-se o meio ambiente. Segundo Antonio Luis Francisco, o meio ambiente é “um tema cada vez mais recorrente no dia a dia dos governos, das empresas e das pessoas. Embora o planeta ainda sofra bastante os efeitos do desenvolvimento da humanidade, a conscientização quanto à necessidade de preservá-lo tem sido ampliada, com muitas iniciativas — pequenas ou grandes — que visam proteger o que temos de melhor: a natureza”.

O MEIO AMBIENTE

Eis um assunto essencial para os candidatos a Prefeito: a preservação do meio ambiente, o cuidado com os recursos naturais. Por que ninguém estabelece, como meta de campanha, que a cidade atinja um índice de ser a mais arborizada do planeta. Em regiões quentes como a nossa, por que não inserir no programa de governo a edificação de bosques, ampliação da área plantada, a disseminação de pulmões verdes na delimitação urbana? Mais árvores, mais sombras, mais espelhos d’água = clima mais ameno. Melhor qualidade de vida.

DEFINIÇÃO

Esta semana pode ser decisiva para as Oposições Unidas em Crateús. Virá a lume uma pesquisa encomendada para saber o índice de popularidade dos pré-candidatos. Vários cenários foram desenhados. Obviamente, com os dados na mão, estaremos próximos da decisão definitiva da chapa. A esta altura, todos correm contra o tempo. O prazo limite para a realização das convenções que escolherão os candidatos expira-se no final deste mês. O tempo urge.

NOVO ORIENTE

Sábado passado, em Novo Oriente, na casa do Vice-Prefeito Godofredo, o Godô, foi anunciada a aliança do seu grupo (liderado por Nenen Coelho e Rodrigão) com o grupo de Neto Vidal. Foi uma espécie de reação ao anúncio de rompimento promovido pelo ex-prefeito Valdeci Coelho. O espaço da ampla residência de Godô foi pequeno para a grande multidão que lá acorreu. Neto Vidal mostrou força. Levou um grupo expressivo de lideranças oposicionistas e fez um discurso inflamado. Godô pediu a união de todos e anunciou que pretende fazer a diferença no município.

NOVO ORIENTE II

Após Rodrigão, que conclamou o empenho de todos, ocorreu o recado mais duro da noite, dado pelo Deputado Nenen Coelho. Depois de uma longa explanação sobre os últimos episódios da política de Novo Oriente, em que ficou claro o seu empenho e ajuda para a ascensão política de Valdeci, Nenen declarou guerra ao primo. Mostrou que foi construída a maior e melhor aliança em favor da população de novorientense. Disse que, ali, Neto Vidal representava um grupo forte com ramificação estadual e federal. Por trás dele estava o apoio de um grande contingente de lideranças populares, vereadores, do vice-governador Domingos Filho e do Deputado Federal Domingos Neto. Essa junção de forças permitirá que a próxima gestão viabilize mais obras e realizações que a atual.

INDEPENDÊNCIA

Independência vive um momento de indefinição. Um problema de saúde ocorrido com o pré-candidato Valterlin Coutinho suscitou dúvidas na população sobre a candidatura oposicionista. No grupo da situação permanece, também, um clima de apreensão. O doutor Bezaliel, o nome mais forte do bloco, enfrenta resistências.

IPAPORANGA

O líder Nilson Moreira vai enfrentar o mais duro teste à sua liderança nas eleições deste ano. Sua esposa, a Prefeita Ybsen Keith Catunda Lima, enfrentará o ex-Prefeito Antonio Alves Melo, o Toinho Contábil. Desde 1988 Nilson vem obtendo sucessivas vitórias. Este ano enfrentará um ex-aliado, que também já esteve à frente da municipalidade. Toinho e Keith são candidatos carismáticos. É uma disputa que promete.

PORANGA

Em Poranga estão praticamente certas as candidaturas de Cárlisson Emerson, atual vice-prefeito, e do professor Adriano. Pesquisas apontam favoritismo para o doutor Cárlisson, profissional da área de saúde. Independente de quem seja o eleito, essa eleição marcará época: depois de muitos anos, a cadeira de Prefeito do município serrano será ocupada por alguém que não possui o sobrenome Pinho.

TAMBORIL

A disputa em Tamboril deverá ser polarizada por Ramiro Júnior, candidato do Prefeito Jeová, e o vereador Pedro Calisto, candidato da oposição. Pesquisas apontam leve vantagem para o candidato Ramiro. Em casos assim, repercutirá muito a candidatura que der mais volume à campanha. É aguardar para ver.

PARA REFLETIR

“É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve”. (Victor Hugo)


(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, de Crateús, Ceará)

15 ANOS DA GAZETA

O biógrafo Lira Neto, na acurada pesquisa que realizou sobre o escritor e político cearense José de Alencar, relata com detalhes a intimidade dos jornais com a produção literária no período imperial.

Os periódicos de uma maneira geral se constituíam no principal estuário da efervescência cultural daquelas distantes eras.

O estilo literário do cearense de Messejana, também conhecido como romance de costumes, em que se destacam livros como Diva, Lucíola e A Viuvinha, passando pelos romances regionalistas tipo O Sertanejo e O Tronco do Ipê, incursionando pelos históricos As Minas de Prata e A Guerra dos Mascates, até chegar ao mundo indianista por meio de Iracema e O Guarani, foi sempre inicialmente festejado na imprensa. Os jornais da época publicavam, em primeiríssima mão, capítulos de suas obras.

Mais do que pergaminhos noticiosos, os jornais cumpriram ao longo da história a solene missão de fornecer aos apreciadores da leitura a porção estrelada dos fonemas, o delicado perfume da crônica, o fermento sedutor da poesia.

Nesta edição o Jornal Gazeta do Centro Oeste finca o mourão dos quinze anos de existência, saúda a alegria vital e estende à retina de todos a faixa de feliz aniversário!

Há uma década e meia João Aguiar idealizou este quinzenário. Convidou amigos e autoridades, preparou uma grande festa e exibiu o recém nascido à luneta da comunidade sob paternal emoção.

Depois de algum tempo passou a tocha para César Vale, que o pôs no topo do console: é o mais longevo forno de formação e informação escrita da nossa centenária cidade. Poucos sabem ou imaginam ou têm ciência ou se dão conta de quão meticulosa ou árdua ou exigente é a tarefa de organizar um Jornal. Hercúlea função.

Sei que o seu editor às vezes encetou campanhas em que recebeu pedradas de incompreensão. Polemista arrojado, já levantou bandeiras fulgurantes, como aquelas bordadas com as cores da nossa flora, exibindo as palavras de ordem de defesa do meio ambiente. Em outros momentos, esposou posicionamentos políticos que geraram reações adversas. Não quero aqui entrar nesse terreno. Não quero por na mesa de hoje o cálice amargo ou derramar o líquido ácido, apesar de sabê-los indispensáveis ao ofício jornalístico.

Quero, em especial, reconhecer o contributo saudável. Valorizar o mérito prazeroso. Enaltecer a dignificante edificação.

O Jornal Gazeta do Centro é responsável por grande parte do banquete cultural que a cidade de Crateús hoje experimenta.

Como o periodismo dos tempos do Império, aqui tivemos a oportunidade de conhecer em primeira mão a fluência literária de bons mestres das letras.

Algumas pessoas se revelaram luminares da escrita, talentosos manejadores das palavras através da incubadora deste periódico. A cidade hoje festeja nomes que se revelaram exímios cronistas pelas colunas da Gazeta. Flávio Machado é um exemplo desse movimento de fecundidade literária.

O nosso Silogeu, a Academia de Letras de Crateús, teve seu primeiro estalo levado aos tímpanos da população por estas páginas. Quantos e quantos movimentos outros de emoção e sensibilidade, de alegria e cidadania emergiram do leito deste Jornal?

Aqui se ouviu o primeiro grito contra a algazarra, o barulho ensurdecedor, a perturbação do sossego alheio. Daqui explodiu uma luta renhida contra a poluição e em favor do equilíbrio sonoro.

Só para citar outro exemplo: quem não lembra de ter lido as garrafais letras que denunciavam a crueldade ante o tombamento injustificado de árvores centenárias? Foi por estas páginas que escorreram as primeiras lágrimas oriundas daquelas caudalosas raízes...

Por dever de justiça impõe-se que reconheçamos a dedicação obstinada, a tenacidade guerreira do editor destas páginas. Este tem sido um Jornal forjado por múltiplos colaboradores, mas que se sustenta em uma só coluna: César Vale. Sei que não raro o concreto do tempo o açoita. Espero que não o desestimule.

Nesta edição desejo, de coração, que o único veículo de comunicação local com capilaridade nacional continue a ser um elo integrador da conterraneidade. Mas que, sobretudo, sobre tudo, continue sendo um semeador de letras que fortaleçam o espírito, animem a esperança e alimentem o altruísmo humano.

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, de Crateús, Ceará)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

PARABÉNS, MARÍLIA!



Hoje é dia de cantar Parabéns para Marília, primeira filha do nosso sangue.

Cachoeira de espontaneidade, imantada de expansividade, desprovida de malícias e madrinha da bateria da boa vontade, encanta a todos que com ela convivem.

Sem esforços artificiais, adentra com naturalidade na mina delicada da nossa alma e se faz hóspede definitiva do espaço mais íntimo do nosso coração.

TE AMAMOS!


(Júnior Bonfim)

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Oi, Marília!

Depois da preciosidade que o teu pai te dedicou fica difícil pra gente escrever alguma coisa, contudo manifesto carinhosamente o meu desejo de feliz aniversário e vida promissora, nesta simples estrofe:


Doce Marília, que Deus

Borde os teus dias risonhos

E ornamente os teus sonhos

Como tu sonhas Marília!...

Que exales em abundância

Os halos da juventude

Com muita graça e saúde

No coração da família!...


(Dideus Sales)

AMANHÃ É DIA DA EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO OESTE



CAÇADORES DE TESOUROS




Nunca o implacável tempo deu um mero sinal de cansaço na função de arrastar o mundo em redemoinho voraz, consumindo tudo, devorando a todos e deixando escassas imagens estampadas no ar, como vulto de um passado.

Ele sempre transpassou borrifando um ácido corrosivo na pele das coisas que se alteram, impreterivelmente, compondo aparêcias sombreadas decorrentes de um lento processo de metamorfose.

É quando a nossa atenção se volta para outro rumo, para o que é mais ostentoso aos olhos, sempre sequiosos por uma novidade, sedentos por mudanças.

E assim, as essências das épocas caem num esquecimento impiedoso, sem data prevista para acabar. É como se bebesse a água de um dos rios de Hades na Grécia antiga, o célebre e lamacento Lete, que cruza a morada dos mortos com seu fluido aquoso a provocar um demente olvidamento. A realidade transitória das coisas, como os homens, está sujeita a esta maresia, mesmo que esteja bem longe do mar. É necessária uma compleição forte para burlar o zelo profano do tempo em nos repostar como poeira da eternidade, e só conseguem este grande feito os tesouros verdadeiramente determinados, os que já deixaram em seu pretérito a feição da imortalidade.

A estes, que brilham mesmo na escuridão momentânea do esquecimento, o destino sempre dará um jeito para que voltem a cintilar, fazendo com que alguns devolutos cidadãos se transformem em caçadores de talentos perdidos, incumbindo-se da nobre missão de procurá-los: — Oh, doce brisa do norte, avistaste algum disperso poeta por aí? Saímos a revirar as entranhas abissais da terra, investigando nas fendas do tempo, auscultando seu tíbio sopro e até pomo-nos a catar nos entulhos abandonados pelos desleixados entes queridos, tudo para redescobri-los e salvá-los, e a isso nos dispomos.

Como os três mosqueteiros de Alexandre Dumas, Athos, Porthos e Aramis, partimos, eu e meus intrépidos companheiros: Edmilson Providência, um cabra bem oh xente, que veste o manto da composição poética, e o nobre historiador Flávio Machado, rumo à aventura, numa atitude que já se tornou bem habitual.

Havia começado “a busca”, casualmente, numa pesquisa de campo nos distritos de Crateús para o Livro dos 100 Anos, quando admirado soube da existência do poeta de Monte Nebo, Nelson Sabóia Barros, nascido no sopé da Serra Grande e de lá partiu, maturado e afeito ave migrante, para se revelar na distante cidade de Sobral, sob os olhares do poderoso Dom José Tupinambá da Frota.

A esse, Monte Nebo com certeza lhe dará mérito, e louvará a sua gloria como se deve exaltar a um filho querido que transporta nos ombros e nos versos a história de seu lugar.

Era como se levássemos uma quartinha com as águas do rio Mnemósine, a contraparte do Lete, e ao chegarmos no Curral Velho dos Bonfim aspergimos a água benta da memória e pululou poetas de todo canto, como se estivessem em sortilégio por muito tempo e agora vicejam e versejam ao vento. O Curral Velho é um grande celeiro de poetas. Só tivemos que separar direitinho, com ajuda do vate Dideus Sales, o enganoso joio do essencial trigo.

O Bastiãozinho, debaixo de uma velha casa alpendrada, observava-nos com um olhar penetrante e com certeza já sabia o que fazíamos por ali, pois nada disse e nada perguntou. Devia refletir sobre o destino de outro vate, seu amigo, que fora morar na cidade aos cuidados da família, o ativo e falante Datim Bonfim que gosta de recitar: “Tem quatro coisas no mundo/ Que faz eu trocer o camim/ Uma rodia de cascavel/ Uma briga de guaxinim/ Dos bebos do Curral Velho/ Ser morador dos Bonfim”.

O poeta Junior Bonfim, essência e pó do extremado nectário do Curral Velho, foi quem nos lembrou, no Livro do Centenário: “Foi um fidalgo das letras que teve a graça de alcançar os píncaros da glória!”. E saímos à procura dele - José Coriolano de Souza Lima, o Príncipe dos Poetas - um grande crateuense.
O pesquisador incansável, inquiridor metódico, um perfeito historiógrafo, Flávio Machado, liga-me dizendo que no Livro “Meus Avos” de Raimundo Raul Correia Lima, na página 247, poderia encontrar os dados exatos do poeta.

E vi entre as páginas amareladas deste livro, que conta a história da família correia Lima, a grande festa em homenagem ao vate crateuense.

A missa solene, no dia 30 de novembro de 1947, um ensolarado domingo, já havia acabado e o Pe. José Maria Moreira do Bonfim abençoou a lápide em que se encontram os restos mortais do poeta, quando todos foram convidados a se dirigir ao largo, no lado esquerdo da matriz, onde um pano encobria, como surpresa, um monumento.

O prefeito, Dr. Afonso de Almeida Vale, depois de descerrar o busto revelando um rosto fino sob um cabelo ondulado, o nariz afilado e um brônzeo olhar de poeta perscrutador, foi primeiro a falar. Advogado, de palavra fácil, exímio orador, encantou a plateia que se aglomeravam em círculo apurando a audição para ouvi-lo melhor. O doutor aproveitou a ocasião e mostrou seus dotes de excelente declamador, recitando o poema Crateús: “..... terra, onde a alvorada/ Primeira pra mim raiou!/ Onde a primeira morada/ Meu pai querido assentou! // Onde o galo, à madrugada/ Cantando me despertou!/ Onde à primeira alvorada/ Ouvi-lhe o có-corô-cô!”

Uma salva de palmas ecoou infundindo inveja aos badalos dos sinos que assistiam do alto das duas torres da matriz. Os vereadores presentes, Leônidas Bezerra de Melo, Chico Gomes, Tobias Soares Resende entre outros, olhavam sentindo vontade de ter sido deles aquele momento de exaltação ao digníssimo poeta. Encerrada a festa, todos se dirigiram a suas casas, buscando repousar para mais uma semana de trabalho.

A quem afirme que a vida é uma lousa e o destino quando quer escrever um novo caso precisa apagar o anterior, só para confirmar que esquecer é uma necessidade. Mas isso é para as lembranças imediatas e passageiras. O que se viveu intensamente nas cordas do coração, não se pode desprezar; as pegadas marcadas na alma são indestrutíveis.
Mas o implacável tempo que nunca deu um mero sinal de cansaço na função de arrastar o mundo em redemoinho voraz, fez o busto sumir, desaparecendo, levando até a lembrança do poeta.

Dizem que a família o retirou pelo descaso e abandono com que se encontrava em plena praça, comprovando que a ingratidão tem memória curta.
Foi quando os três mosqueteiros, como uma infalível cavalaria, entraram em ação numa descomedida busca pelo torso do poeta. Conjecturava-se: — Um busto tão pesado não pode ter saído a andar por ai, ou criado asas imitando a imaginação de poeta Coriolano! Por fim, alguém afirmou: — Tenho certeza de que o busto foi derretido! Uma tristeza enorme apossou-se dos animados caçadores de poetas, deixando-os em desalento profundo e, com olha incrédulo, perguntávamos ao vazio: — Como pode um líquido brônzeo que representa nossa poesia, escoar pelo ralo da ingratidão e desaparecer nas coxias da ignorância?

Como Aramis, um racionalista, detalhista e corajoso, o poeta Edmilson Lopes logo arranjou novas soluções e mobilizou a família inteira do poeta, espalhada pelos lugares por onde ele palmilhou o seu encantamento e seu valor. Premedita-se uma nova festa como aquela do domingo batido de sol, no ano 47, quando um novo busto resplandecerá na Praça José Coriolano, provando que o coração do poeta ainda pulsa e sua mente ainda vive.

E sinto-me um pouco o Athos, desacreditado e desiludido com os tristes fatos da vida, mas já mandei fazer uma roupa nova, como aquela de primoroso brim que minha mãe sempre me presenteava no natal para ir à praça. Tomara que na festa do retorno do Poeta José Coriolano, tenha o saboroso bolo de milho e o delicioso aluá feito com água do memorável Poti, para reviver alguns momentos felicidade. E antes que me esqueça, meu(minha) querido(a) amigo(a), você também está convidado.

Raimundo Candido

quarta-feira, 6 de junho de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Esselentíssimo juiz

Abro a coluna de hoje com uma engraçada historinha envolvendo advogados e juízes.

Ao transitar pelos corredores do fórum, o advogado, que também era professor, foi chamado por um dos juízes:

- Olha só que erro ortográfico grosseiro temos nesta petição. Que coisa vergonhosa!

Estampado logo na primeira linha do petitório lia-se:

"Esselentíssimo juiz".

Gargalhando, o magistrado perguntou ao advogado:

- Por acaso, professor, esse advogado foi seu aluno na faculdade?

- Foi sim - reconheceu o mestre. Mas onde está o erro ortográfico a que o senhor se refere?

O juiz pareceu surpreso:

- Ora, meu caro, acaso você não sabe como se escreve a palavra Excelentíssimo?

Então explicou o professor:

- Doutor juiz, acredito que a expressão pode significar duas coisas diferentes.

Se o colega desejava se referir a excelência dos seus serviços, o erro ortográfico efetivamente é grosseiro. Entretanto, se fazia alusão à morosidade da prestação jurisdicional, o equívoco reside apenas na junção inapropriada de duas palavras.

O certo então seria dizer:

"Esse lentíssimo juiz".

....Silêncio geral!

Depois desse episódio, aquele magistrado nunca mais aceitou o tratamento de "Excelentíssimo juiz", sem antes perguntar:

- Devo receber a expressão como extremo de excelência ou como superlativo de lento?

Ressentimentos

O que significa uma montanha de emendas sobre uma MP? Pode significar participação maciça do corpo político sobre as medidas provenientes do Executivo; pode significar tentativa de ajuste, melhoria, aperfeiçoamento do instrumento normativo. Mas grande quantidade de emendas a uma MP também pode ser considerada um sinal explícito de insatisfação dos parlamentares com o andar da carruagem movida pelo governo. É o que se infere das 620 emendas apresentadas para alterar o novo Código Florestal. A Comissão mista vai analisar a admissibilidade da MP e o senador Luiz Henrique (PMDB/SC) vai apresentar um cronograma de trabalho.

Mágoas acumuladas

É sabido que o poço de mágoas aberto na Câmara Federal em decorrência do trato que o Executivo vem dando às demandas parlamentares se aprofunda. A presidente Dilma Rousseff tem tratado a base governista a pão seco e água salobra. Os ressentimentos se acumulam. Os partidos não abrem críticas porque temem puxão de orelhas da presidente. Que tem, de maneira lenta e gradual, expurgado espaços, limpado áreas até então ocupadas pelos partidos da base. No território da Petrobras, os partidos ficaram a ver navios. Fala-se que o sistema Eletrobrás está na mira. Esse processo culminaria com a saída do ministro Edison Lobão do Ministério das Minas e Energia. Saindo, o ministro deixaria livre o caminho para uma drenagem no entorno. Para compensá-lo, a presidente quer vê-lo na presidência do Senado na próxima legislatura.

Combinar com os russos

Mas a presidente precisaria combinar essa jogada com os russos. Não apenas com os ursos do PT. Combinar com os russos quer significar fazer uma eficiente articulação junto ao PMDB, que tem o maior número de jogadores no plenário da Casa senatorial. Também tem o significado: combinar com os técnicos dos russos, a partir dos senadores José Sarney e Renan Calheiros. Especula-se que Sarney gostaria de patrocinar essa jogada por considerar Lobão um jogador de seu time. Mas Sarney deve ter suas restrições. No Senado, o técnico Renan Calheiros, que lidera a bancada do PMDB, tem voz ativa. E Renan não vai desistir com facilidade da presidência da Casa.

Governo de Alagoas?

A presidente Dilma já sinalizou a Renan que gostaria de vê-lo no governo de Alagoas. E teria se comprometido a apoiá-lo. Mas esse apoio mais parece abraço de urso. Mais apertado que afetuoso, mais estrangulador que amaciador. Sarney, por seu lado, sabe que o deslocamento de Lobão para a presidência do Senado implica ver espaços da Eletrobrás, onde teria alguma influência, desocupados. Neles a presidente fincaria estacas impermeáveis às pressões políticas. E assim, de grão em grão, de cargo a cargo, Dilma plasma o governo à sua imagem e semelhança.

Bumerangue

Sob o prisma estratégico, que leva em conta a necessidade de a presidente dotar o governo de todos os meios e recursos para atingir as metas que pretende, substituir gestores políticos por administradores técnicos é uma medida não apenas compreensível mas recomendável. Estamos falando dos cargos nas empresas governamentais. Ocorre que os partidos que perdem posições precisam ser recompensados. Sob pena de partirem para uma retaliação. Que pode ser no médio prazo. Já nos espaços políticos - presidências das Casas Legislativas - o risco da presidente é bem maior. Ali os interesses de partidos e blocos se cruzam. A cartilha do Executivo não é bem digerida quando dá receitas fortes. Por isso, a intenção de Dilma de querer eleger presidentes nas duas Casas que rezem pelo seu missal causa muita contrariedade.

Auge da popularidade

A presidente arrisca-se a operações políticas mais complicadas porque atingiu o pico da popularidade. Conta com quase 80% de aprovação. Logo, tem respaldo da comunidade nacional para adentrar em territórios dominados por interesses políticos. Se, daqui a pouco, sua popularidade começar a cair, será mais difícil tomar atitudes duras na frente política. O momento é esse. Ela age sob a crença de que "ou vai ou racha". Os partidos, por sua vez, aguardam o momento para o contra-ataque. Que, mais cedo ou mais tarde, virá. Na forma de desaprovação de pautas e nomes indicados pelo Executivo e que tenham de passar, necessariamente, pelo crivo do Parlamento.

Presidência do Senado

Quanto à presidência do Senado, está muito cedo para se projetar cenários mais claros. Lobão até pode querer enxergar esse horizonte, sob a indicação de que seu ciclo nas Minas e Energia está com os dias contados. Renan, por sua vez, administra o tempo observando, examinando, avaliando, conversando aqui e ali, falando pouco e agindo muito nos bastidores. No momento certo, tomará a decisão : colocar a bagagem no plenário e tomar o pulso dos senadores ou fazer as malas e correr para as Alagoas.

Câmara

Já na Câmara dos Deputados, o nome mais evidente para assumir o lugar de Marcos Maia (PT/RS) é o do deputado Henrique Alves. Por sinal, o mais antigo parlamentar, o que carrega nas costas o maior número de mandatos: 11. Henrique é o nome do PMDB e de confiança do vice-presidente da República, Michel Temer. Querer colocar alguém no lugar de Henrique, por parte de quem quer que seja, seria uma operação de alto risco. Há um compromisso formal do PT com o PMDB para que este indique o nome para dirigir a Casa na próxima legislatura. É claro que todos esses cenários ficarão mais aclarados após as eleições de outubro. Se o PMDB continuar com o maior núcleo de prefeitos, certamente reforçará seu cacife. A conferir!

Mais turistas estrangeiros

Com o câmbio desfavorável, a conta de gastos de turistas no exterior tende a arrefecer. É um bom momento para inverter essa matemática, inclusive facilitando a entrada de turistas vindos de além-mar. As divisas dos estrangeiros são alvo de cobiça de toda a cadeia econômica do turismo. Tramita no congresso uma matéria que flexibiliza os processos para turistas estrangeiros. Trata-se do Estatuto do Estrangeiro, cujo relator é o deputado Cadoca, de Pernambuco. O parlamentar é uma das referências no legislativo nas questões afetas ao turismo nacional.

Mare nostro

O setor de Cruzeiros Marítimos realizou em São Paulo o seu evento maior. Voltado aos agentes de viagens, o Cruise Day/Fórum Abremar contou com a presença do deputado Jonas Donizette que mostrou conhecimento da causa e citou números positivos sobre a atividade. Jonas, que lidera a corrida para a prefeitura campinense, sabe do que fala. Já presidiu a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara no ano passado e desempenhou importante papel frente àquele colegiado arregimentando simpatia do trade em sua estreia no legislativo Federal.

Brasil menos competitivo

No debate entre agentes, autoridades e demais players do setor de cruzeiros marítimos, no Cruise Day 2012, os participantes puderam compreender melhor os gargalos da atividade. Entre eles, os altos custos operacionais e a limitada infraestrutura portuária que, pela primeira vez, devem causar redução de 15% na oferta da próxima temporada. "As discussões ganharam muito com o interesse do trade, em especial, dos agentes de viagens que agora entendem o motivo pelo qual a temporada será menor", revela o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, Ricardo Amaral.

Destino em alta

Durante sua participação na Aliança das Civilizações, o vice-presidente Michel Temer foi informado de que os turistas brasileiros estão em alta na Turquia. Istambul era o destino escolhido por cinco mil brasileiros por ano, segundo a imigração turca. Em 2011, esse número saltou para 91 mil. E deve crescer ainda mais: a Globo está desembarcando para filmar a novela Salve Jorge naquele país a ser exibida no horário das nove horas.

Vice em alta

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, prestou muitas homenagens ao vice-presidente brasileiro, Michel Temer. Erdogan o recebeu na entrada do palácio do governo em Istambul, elogiou o Brasil, falou dos laços de proximidade com o ex-presidente Lula, chamou a presidente Dilma de "irmã" e mostrou boa vontade de aumentar o intercâmbio comercial com o Brasil. A começar pela Embraer, cujo possível negócio com a Turkish Airlines pode chegar a U$ 600 milhões. Temer também mostrou suas credenciais, relatando que conseguiu a aprovação de decreto legislativo que acaba com a bitributação entre os dois países. Isso atrapalhava muito exportadores e importadores.

Presos

Apesar de ter apenas 5% dos habitantes do planeta, os EUA abrigam hoje 25% da população carcerária do mundo.

Tempo de TV

José Serra, PSDB, lidera, por enquanto, o palanque eletrônico em São Paulo. Pelo número de partidos que lhe darão apoio, já conquistou 8min e 14s de TV e rádio; Haddad, do PT, tem 6min e 3s e Chalita, PMDB, dispõe de 4min e 3s. Esses tempos deverão mudar até a definição de alguns partidos.

PT e PSB

PSB e PT se esforçam para fazer alianças em Recife e em São Paulo. Em Recife, o PT está detonando a candidatura do prefeito João da Costa. Em seu lugar, indica o senador petista Humberto Costa. Aceito pelo governador e presidente do PSB, Eduardo Campos. Em São Paulo, o PSB está caminhando para ingressar na campanha de Haddad. Mas há um grupo que gostaria de ver o partido saindo com um candidato próprio, forma de não se envergonhar de mudar tão rapidamente de estrada. O presidente do PSB estadual, que está saindo da secretaria de Turismo do governo de São Paulo, é o deputado Márcio França. Portanto, trabalhou na floresta tucana até esses dias.

Tomando ônibus

"Gostaria de dividir minha experiência com você que bebe e mesmo assim dirige. No último sábado à noite bebi não sei quantas taças de vinho. Bebi tanto que fiz uma coisa que nunca havia feito antes : deixei meu carro no estacionamento e peguei um ônibus. Resultado : cheguei em casa são e salvo, sem nenhum incidente. Fiquei muito orgulhoso de mim mesmo, sobretudo porque nunca antes na minha vida tinha dirigido um ônibus". (Enviado pelo amigo Álvaro Lopes)

Conselho à presidente Dilma

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos membros da CPI. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:

1. Todo cuidado é pouco, presidente. O crescimento de 0,2% no PIB, no último trimestre, recomenda urgentes e densas medidas de incentivo à economia. Urge verificar se a receita de 2008 - impulso ao consumo e acesso ao crédito - basta para estancar a queda. E os investimentos na infraestrutura, presidente?

2. Seria oportuno radiografar todos os setores que enfrentam estrangulamentos. Ouvir suas lideranças, mapear suas demandas.

3. Imagine, presidente, juntar crise econômica com caldeirão político do mensalão. Vossa Excelência, se isso ocorrer, poderá ter uma indigestão no segundo semestre deste ano.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 5 de junho de 2012

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

PIB: Riscos e oportunidades (I)

Não foi totalmente inesperado, mas teve uma dose relevante de surpresa a divulgação do crescimento de apenas 0,2% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Neste ritmo, o PIB anual cresceria ao redor de 2%. Deixemos de lado o resultado (excepcionalmente ruim) do setor agrícola. O crescimento da indústria foi de 1,7% e do setor de serviços foi 1,3%. Ambos continuam com desempenho mensal muito fraco - o crescimento da indústria foi levemente negativo em abril (-0,2%). A análise dos segmentos da indústria e de serviços indica que o país tende à estagnação de vez que o consumo das famílias está positivo, mas está caindo em função da estabilização do mercado laboral e, principalmente, em função do endividamento pessoal. Ou seja, enquanto a indústria patina, o resultado do PIB flutuará em função do consumo. A agricultura permanece como a "incógnita" da equação.

PIB: Riscos e oportunidades (II)

O resultado do PIB no primeiro trimestre deste ano indica que não há espaço para o governo repetir a estratégia de 2008/09 para que o PIB do país cresça. O estímulo ao investimento e seus correspondentes reflexos sobre a competitividade brasileira são aspectos necessários, muito embora não suficientes para que o PIB retorne ao patamar de pelo menos 5% de crescimento. O estímulo ao investimento privado dependerá, do lado do empresário, da taxa de juros, mas especialmente da desoneração fiscal. Do lado do mercado é preciso alimentar o consumo doméstico. No que tange ao investimento público a coisa é mais complicada : há um "nó" que mistura problemas de regulação, eficiência de execução e problemas de litígio intra e extra no Estado.

PIB: Riscos e oportunidades (III)

Pelas razões acima relacionadas a questão do crescimento se tornou mais complexa que em 2008. Além disso, o contexto internacional indica um quadro de piora e não de melhora. Estes são os riscos. A oportunidade consiste em aproveitar a atual conjuntura e organizar o governo para exercer o seu papel de estimulador do crescimento. Não há no âmbito do governo "centros de planejamento e execução" de políticas públicas voltadas para o investimento. O próprio ministério do Desenvolvimento carece de mais poder para propor políticas. Ademais, o PAC necessita de uma gestão mais ativa, seja na fiscalização, seja na concepção e na implementação de investimentos públicos. O Brasil não pode confirmar a percepção de que o seu crescimento é débil e insustentável. É preciso reverter este quadro. Com paciência e gradualismo, porque não será uma tarefa fácil.

Investimentos: alguns dados

Para ficar num eufemismo, o governo continua demonstrando um extraordinário déficit de execução. Até abril, os gastos do PAC foram inferiores aos realizados no mesmo período em 2010 e 2011. Obras prioritárias como a transposição do rio São Francisco e a Ferrovia Norte Sul estão com seus cronogramas totalmente estourados - em anos, não simplesmente em dias ou meses. O DNIT acaba de confessar que 30 mil quilômetros de estradas dos poucos mais de 50 mil sob sua responsabilidade estão sem contratos de manutenção - e a maioria em frangalhos. Mais uma vez foi adiada a assinatura dos contratos de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

O PIB e o capital político do governo

O PIB é conceito incompreensível para a imensa maioria da população brasileira, uma abstração que não entra no seu estômago nem no seu bolso, assim como outros conceitos tais como superávit primário, metas de inflação... O que interessa, popularmente, é a conta final, o que vai para sua algibeira para pagar suas contas. Portanto, na frigideira de tantas discussões sobre o que se quer saber é o seguinte : qual o efeito de tudo isso no emprego e na renda do brasileiro ? É possível manter os dois em alta, com o horizonte que se tem pela frente ? O capital político a presidente Dilma é este : a paz social que isto proporciona.

Crescer pelo consumo?
Pensem nesses números...


1. A classe média no Brasil, segundo os últimos estudos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da presidência da República, é formada pelas famílias com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019.

2. O PIB per capita dos brasileiros é de US$ 11,6 mil.

3. Cerca de 10 milhões de famílias no Brasil já estão com mais de 30% de sua renda comprometida com pagamento de dívidas.

Agora respondam: ainda é possível sustentar o crescimento da economia brasileira por muito mais tempo com simples estímulos ao consumo?

Medidas adicionais de estímulo

É questão de dias - muito mais para poucos dias - o governo anunciar que vai reduzir a meta de superávit primário deste ano, estabelecida na lei de Diretrizes Orçamentárias em cerca de 3,1% (o valor real é R$ 139 bilhões) para permitir mais investimentos públicos na luta para elevar o PIB. Vai utilizar-se da facilidade concedida pela própria LDO de abater do superávit parte dos gastos com obras do PAC. Vale tudo para não deixar o PIB ficar abaixo dos 3%. Aliás, desde a revelação do PIBinho de 0,2% no primeiro trimestre, passou-se a especular em Brasília, em informações de "cocheira" ou balões de ensaio, sobre o "arsenal" que o ministro Mantega tem para elevar o ritmo de crescimento da economia: (1) mais desonerações da contribuição patronal para a Previdência Social; (2) unificação na cobrança do PIS e da Cofins; (3) ampliação dos investimentos das estatais; (4) liberação da Petrobras da obrigação de compras com um mínimo de 65% de conteúdo nacional; (5) queda da Selic em agosto para menos de 8%; (6) redução dos juros do BNDES; (7) redução dos impostos para diminuir as tarifas de energia e transporte; (8) aceleração das concessões de serviços públicos; (9) novos incentivos pontuais, com os recentemente dados a setores como o automobilístico, de motos, de ar condicionado; (10) mais liberação de crédito e novos recursos para os bancos públicos; (11) eliminação de alguns entraves à entrada de capitais externos aplicados tempos atrás. É pagar para ver.

A crise é latente. E permanente

A ação de bombeiros poderosos abafou a crise instalada com a revelação do encontro "secreto" entre o ex-presidente Lula e o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, sob os auspícios, a vigilância e, inicialmente, os aplausos do ex-ministro Nelson Jobim. Jogou para a catacumba sem que o deprimente - e indecente para todos os seus personagens - episódio ficasse devidamente esclarecido. Não elimina, porém, o mal estar vigente nas relações entre os três poderes da República, especialmente entre o mundo político representado pelo Legislativo e o Executivo, de um lado e o Judiciário. Há uma tensão latente, insatisfações e queixas mútuas. Sem conciliadores à vista, num momento de descuido alguma coisa pode explodir. Por pouco não foi agora, na trêfega ação Lula-Gilmar-Jobim.

É com eles também

O mesmo desamor Executivo e o Legislativo dedicam ao MP - incomoda-os o trabalho investigatório dos promotores.

O Supremo e o mensalão

Não há mais dúvidas: a CPI Cachoeira-Delta e o "convescote" Lula-Gilmar empurraram o STF para um impasse: ou julga logo ou julga logo o processo do mensalão. E sem se render a qualquer tipo de chicana. Por isso, como se dizia na imprensa de antigamente, há "mensaleiros", petistas ou não, infelizes com o ex-presidente Lula.

Jobim sim, Jobim não

Nota ferina do jornalista Carlos Brickman em sua excelente coluna:

"O excelente colunista político Jorge Bastos Moreno, de O Globo, conversou com Jobim logo que Veja publicou a notícia. Jobim, disse Moreno, afirmou-lhe que o encontro tinha sido casual, que Gilmar costuma ir a seu escritório e apareceu sem saber que Lula estava lá. Depois, disse aos jornais que Lula lhe havia pedido para chamar Gilmar. Em qual Jobim acreditar? Este colunista, que viu Jobim gabar-se introduzir itens não votados na Constituição, que o viu militando entusiástico nos Governos Fernando Henrique, Lula e Dilma, que sendo ministro de Lula votou em Serra, dá uma sugestão a Moreno: em nenhum deles. Jobim seria o nome ideal para uma Comissão da Inverdade".

Dilma-Lula: gratidão e dívida

Como fez ainda na semana passada em cerimônia no Palácio do Planalto, na qual arrancou aplausos calorosos para Lula, a presidente Dilma faz questão de registrar publicamente sempre que pode a gratidão que tem pelo companheiro por tê-la, praticamente sozinho, elevado até onde a elevou. É gratidão eterna. Porém, Lula, aos poucos, vai acumulando passivos para com a presidente, com custos que podem pesar para ele no futuro. Na contabilidade negativa está ter jogado o governo dentro de uma CPI que nunca interessou à presidente, e na qual, está provado, o governo não tinha nada a ganhar. A abertura das contas da empreiteira Delta nacionalmente é pura dinamite pronta para explodir nas cercanias do PAC. Já se fala em Brasília que a CPI Cachoeira-Delta pode virar a CPI do PAC. Esta semana podem vir as desagradáveis convocações da ministra Miriam Belchior e de Erenice Guerra, segunda de Dilma na Casa Civil (e depois a primeira), para explicarem as relações PAC-Delta. Lula deu uma declaração - gratuita ou marota? - num programa popularesco de televisão, dizendo que poderá ser candidato à presidência da República caso ela não concorra, para não deixar um tucano voltar ao Palácio do Planalto. Ele despertou nos aliados "descontentes" com Dilma um comichão de outra "alternativa de poder" além de Dilma. Os aliados com birra do Palácio do Planalto não são poucos.

PT versus PMDB

Está cada vez menos "amigável" a relação do PT com seu principal parceiro na aliança governista. A pouca confiança existente entre os dois esvaiu-se de vez. A "ajuda" peemedebista para a convocação de Agnelo Queiroz para depor na CPI e para a quebra do sigilo da matriz da Delta é fruto desse desentendimento. O PT em nome de Dilma e das alianças municipais teve de engolir mais ou menos calado. Depois das eleições será outra coisa.

Congresso desobediente

Por falta de acertos entre o Palácio do Planalto e suas bases, duas MPs editadas pelo governo no fim do ano passado não foram votadas a tempo e perderam validade. Uma delas continha pelo menos um ponto considerado crucial para agilizar os investimentos públicos: estendia às obras do PAC o Regime Diferenciado de Contratação adotado nos projetos para a Copa de 2014. O RDC permite queimar etapas nas exigências da lei de licitações. Os parceiros continuam insatisfeitos com o tratamento do Palácio - nem nomeações, nem o dinheiro de verbas no ritmo que desejam, nem açúcar e afeto. O mesmo desgosto contribuiu para puxar votos aliados a favor da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empreiteira Delta em todo o país.

Dando corda ao adversário

Mesmo contra a vontade deles, como mostra a confusão em que se meteram no caso do governador Marconi Perillo, os aliados, em especial o PT, têm se metido em tantas trapalhadas, que vão acabar acordando os oposicionistas e dando a eles um fôlego que não esperavam conquistar tão cedo. É o milagre da ressurreição de Lázaro.

(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

POLÍTICA E MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Escrevo esta crônica nas vésperas de partir para o Japão e a China, de onde só regressarei depois de publicado o texto, daqui a duas semanas. É sempre arriscado, nessas condições, falar sobre a agenda política.

Será mesmo? O marasmo é tão grande que possivelmente, ao voltar e reler os jornais, encontrarei os mesmos temas: a CPI, a corrupção com suas teias enredadas, os candidatos às prefeituras já conhecidos e suas previsíveis alianças, o PIB que cresce pouco, os juros que finalmente começam a cair, a inadimplência dos devedores, as demandas por reformas tributárias, as soluções caso a caso para diminuir os estoques das empresas (principalmente automobilísticas) e assim por diante.

Dá até preguiça passar os olhos pelas colunas e notícias da mídia, sem falar das TVs que repetem tudo isso com sabor de press release, emitido seja pelo governo, seja por empresas.

Ainda recentemente, um sociólogo mexicano falando na Fundação iFHC e referindo-se a outro aspecto da mesma questão disse que o resultado das eleições em seu país independe das campanhas eleitorais. Isso porque, quando a propaganda partidária tem vez na mídia, a “opinião” já está enraizada nos eleitores, pois nos anos anteriores se elegeram os heróis e os vilões cujas virtudes e defeitos foram repetidos todo o tempo, sem contestação crítica.

Será muito diferente entre nós? É desta maneira que se exerce nas modernas sociedades de massa o controle ideológico da opinião, seja pelos governos, seja pelos grupos dominantes na sociedade, econômicos ou políticos.

A sensação do já visto que alimenta a modorra e leva ao tédio e ao descaso com a política é, entretanto, enganadora e perigosa. A despeito de tudo, nem só de manipulação da opinião vive uma sociedade. De repente, quando menos se espera, não são as “forças do mercado”, nem o “pensamento único” (que em nosso caso, menos do que neoliberal, é de esquerda desenvolvimentista-autoritária) que comandam a vontade popular.

É o que vemos agora na Grécia e na França, onde a vitória de Hollande, a despeito do irrealismo de algumas de suas promessas, ecoa até na alma de Obama e o rígido dogmatismo tedesco, fantasiado de racionalidade de mercado, vê-se cerceado por aspirações de outra natureza.

Convém, portanto, não sobrestimar a força das verdades preestabelecidas. Mormente em nossos dias, quando a internet permite que um sem número de opiniões divergentes circule sem que os leitores ou ouvintes da grande mídia se deem conta.

Não digo isso para aceitar o conformismo vigente em muitos meios de comunicação, mesmo porque, para fazer frente a ele, o desconcerto causado pela variabilidade de opiniões das mídias sociais e mesmo pela mistura entre lixo eletrônico e real opinião é insuficiente.

Digo para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas, o que decide nossa vida em sociedade é a política mesmo. Portanto, sensaborona ou não, repetitiva ou não, controlada pelos que mandam ou não, dependemos dela.

Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas.

A precondição para que haja alternativas ao que aí está é manter a liberdade de expressão, mesmo que haja distorções. Isso não exclui uma luta constante contra estas, não para censurá-las, mas para confrontá-las com outras versões. Afastando por inaceitável qualquer tentativa de “controle social da mídia”, o acesso de opiniões divergentes aos meios de comunicação poderia criar um ambiente mais favorável à veracidade das informações.

Por exemplo: será que é democrático deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos?

E que dizer do tom invariavelmente otimista das declarações sobre a superação da crise financeira global oriundas de setores empresariais interessados ou, em nosso caso, da marcha contínua para o êxito econômico reiterada pelos governos?

O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.

A autenticidade das informações escapa das deformações advindas da influência das forças estatais (inclusive do setor produtivo estatal) e das empresas privadas precisamente pela voz crítica dos setores da mídia independente, por meio de seus repórteres, editorialistas e mesmo dos proprietários que têm coragem de expor opiniões.

Não por acaso, é contra estes que os donos do poder político e os partidos que os sustentam se movem: denunciam que é a imprensa quem faz o papel da oposição. Até certo ponto isso é verdade. Mais por deficiência dos partidos de oposição, cujas vozes se perdem nos corredores dos parlamentos, do que por desejo de protagonismo da mídia crítica.

Nos países europeus ou nos Estados Unidos, por mais que haja partidarismo nos meios de comunicação ou que por lá prevaleça o mesmismo das notícias que refletem o status quo, sempre há espaço para o outro lado, para o contraponto. Mal termina de falar o primeiro-ministro da Inglaterra e já a voz da oposição, como tal, é transmitida. O mesmo ocorre quando o presidente dos Estados Unidos faz sua apresentação anual ao Congresso.

Obviamente, não basta haver uma mudança na oferta de espaço pela mídia, é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar.

Sem esquecer que nas democracias a voz que pesa politicamente é a de quem busca o voto para se tornar poder.

(Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente da República)

domingo, 3 de junho de 2012

"A SAÚDE É O ESPELHO DO QUE PENSAMOS"



Antes de perguntar ao médico o que fazer para viver mais e com melhor qualidade de vida, faça essa pergunta ao seu próprio corpo. Descobrir como ele se sente antes da tomada de decisões é um dos segredos para conseguir adotar hábitos saudáveis e chegar a um estado de perfeita saúde. Essa é uma das principais posições do médico indiano Deepak Chopra, 65 anos, autor de livros como “As Sete Leis Espirituais do Sucesso” e “Conexão Saúde” e admirado por celebridades como a cantora Madonna e a apresentadora Oprah Winfrey.

O endocrinologista radicado nos Estados Unidos usa como base de seus tratamentos os princípios da medicina ayurvédica, criada há mais de cinco mil anos na Índia. Ela preconiza a prevenção das doenças por meio de uma sintonia entre o corpo e a mente que poderia ser obtida, por exemplo, com a prática da ioga e da meditação.

Em sua clínica na Califórnia, no entanto, o médico também se utiliza dos instrumentos da medicina ocidental quando acha necessário. É, por excelência, um defensor da medicina integrativa, uma corrente cada vez mais forte que prega a união entre os conhecimentos da medicina praticada no Ocidente com os recursos oferecidos por terapias como a acupuntura. “É preciso caminhar para uma integração de tratamentos”, defende. No sábado 26, Chopra é esperado para ser um dos principais palestrantes da primeira edição do Fórum da Saúde e Bem-Estar, evento organizado pelo Lide, Grupo de Líderes Empresariais, realizado em São Paulo. Antes de desembarcar no Brasil, o médico falou à ISTOÉ:


Istoé - Embora o sr. tenha nascido na Índia, aprendeu a meditar em Boston, nos Estados Unidos. Também foi médico em tempo integral em um hospital de Massachusetts. Como foi sua transição da medicina convencional para a ayurvédica?

Deepak Chopra - Por meio da meditação, percebi que havia muitos mecanismos que a medicina não explicava porque olhava na direção errada. Ela, às vezes de modo eficaz, se concentra em um estado de doença, e não de saúde. Mas cheguei à conclusão de que a experiência da Ayurveda é simples, integrada. É um caminho de volta para o pleno funcionamento biológico.

Istoé - Mas seus princípios podem ser aplicados hoje, para o homem ocidental, com os mesmos efeitos?

Deepak Chopra - Não só podem como estão sendo usados para isso. Os meus pacientes seguem as recomendações, são capazes de analisar a própria vida, ouvir o próprio corpo, controlar a hipertensão, a diabetes. Eles aprendem a prestar atenção no funcionamento do organismo. E hoje temos aparelhos de biofeedback que dão uma medida do quanto um pensamento e uma atitude podem determinar uma resposta fisiológica e controlar uma doença. Essa tecnologia comprova o que o corpo já sabia e que pode ser percebido em um estado de atenção.

Istoé - De que maneira isso melhora a saúde?

Deepak Chopra - A saúde é o espelho da nossa consciência, do que pensamos. Atualmente, estudos comprovam que pensamentos geram respostas fisiológicas correspondentes, que podem ser positivas ou negativas. Cada estado de humor fica impresso em nossas células. Mas temos a capacidade de controlar algumas reações do organismo por meio do domínio dos pensamentos.

Istoé - Como fazer isso?

Deepak Chopra - Pode-se voltar a atenção para si mesmo, pensar na qualidade dos relacionamentos, questionar o próprio corpo e relacionar o bem-estar com as escolhas diárias. Tudo isso não é feito de uma maneira estritamente racional, mas com o pensamento que passa pela intuição do organismo sobre o que é a saúde ou simplesmente nos perguntando se estamos bem ou não.

Istoé - O que significa não pensar de uma maneira racional? O que é esse pensamento? Intuitivo?

Deepak Chopra - É um processo que nos livra dos condicionamentos. É preciso alguma inocência para ouvir o corpo.

Istoé - Uma técnica descrita em um dos seus livros para auxiliar a prática de uma vida saudável é justamente perguntar ao corpo, antes de uma tomada de decisão, se ele se sente confortável com aquela escolha. De que modo isso é benéfico?

Deepak Chopra - A resposta de conforto é uma medida do que nos é caro, do que nos é saudável, do que irá produzir uma sensação de bem-estar. Ela nos livra da dúvida, de um peso e nos coloca na direção da saúde.

Istoé - Para o tratamento de muitas doenças crônicas, como a diabetes e a hipertensão, os médicos frisam a importância de adotar hábitos mais saudáveis. Mas muitos não conseguem. O que poderia ajudá-los?

Deepak Chopra - Posso dar alguns mecanismos: atenção, repetição, foco no presente e o entendimento de que o novo hábito a ser instaurado é bom. Quando ele se instaura, a consciência consegue encontrar um canal para se sentir bem. Sem o hábito, o corpo se esforça para atender a consciência e, numa mente voltada para o cigarro e o álcool, por exemplo, vai se flexibilizar ao máximo até chegar à exaustão, dando espaço a doenças.

Istoé - Qual a sua opinião sobre a medicina ocidental?

Deepak Chopra - Há muitos tratamentos válidos que ajudam o corpo físico a combater uma enfermidade já instaurada, mas eles obtêm comprovadamente mais sucesso quando integrados a outras terapias. É preciso caminhar para uma integração de terapias. O problema é que algumas vezes a ciência do Ocidente se pauta em modelos reducionistas e a natureza não funciona dessa maneira. É preciso entender quando há outros mecanismos relacionados que, de algum modo, também podem intervir no processo de uma cura. É o que a medicina integrativa, na tentativa de unir essas terapias, está querendo mudar.

Istoé - Pode citar exemplos de comprovação científica de bons resultados dessa integração?

Deepak Chopra - Um estudo publicado na revista científica “The Lancet Oncology” mostrou que técnicas de meditação e ioga podem aumentar a quantidade de telomerase, enzima associada à proteção contra o envelhecimento precoce. Ela é responsável pelo aumento do comprimento dos telômeros, estruturas presentes nos extremos dos cromossomos cujo encurtamento está ligado ao envelhecimento e ao surgimento de males como o câncer. Em um outro extremo, uma pesquisa divulgada no “The New England Journal of Medicine” mostrou que a cirurgia de ponte de safena feita apenas como um recurso de prevenção em pacientes estáveis só conseguiu aumentar a expectativa de vida em 3% dos indivíduos que passaram pelo procedimento.

Istoé - Qual seria o tratamento indicado para doenças crônicas?

Deepak Chopra - Hoje, sabe-se que 95% dessas enfermidades são motivadas por fatores que envolvem um estresse sobre o organismo. A medicina ocidental é capaz de dar uma resposta positiva imediata para médicos e pacientes com drogas e tratamentos comprovadamente capazes de reduzir um tumor, por exemplo. Essa intervenção mais urgente é necessária em alguns casos, mas em outros ela é dispensável porque é preciso fazer uma análise mais profunda sobre as origens da doença e ter uma atitude de cura, de saúde, com alimentação adequada e bons relacionamentos.

Istoé - No seu livro “Cura Quântica”, o sr. descreve o caso de uma paciente com câncer de mama que acabou curada submetendo-se à quimioterapia e às técnicas da medicina ayurvédica. E, embora o câncer dela tenha tido remissão, ela continuou com a quimioterapia. Por que isso aconteceu?

Deepak Chopra - As pessoas tomam decisões baseadas naquilo que confiam, no que acreditam ser válido para a situação que enfrentam. É uma avaliação difícil. Eu faria uma análise diferente.

Istoé - O sr. não teme que seus pacientes deixem de seguir os tratamentos convencionais, abandonando os remédios, por exemplo?

Deepak Chopra - Não é essa a minha orientação.

Istoé - Em “As Leis Espirituais do Sucesso”, o sr. descreve a necessidade de não darmos importância aos resultados. Este seria o caminho para que eles, os resultados, de fato sejam obtidos. Pode explicar isso?

Deepak Chopra - É o que chamo de lei do desprendimento. O desprendimento dá espaço para a fé enquanto o apego aos resultados abre caminho ao medo e à insegurança. Quando você se prende ao resultado, opta por um símbolo que limita a natureza. A ordem natural tem uma ação que vai muito além de variáveis usadas para quantificar o efeito de um tratamento, por exemplo. O desprendimento dá espaço para uma busca profunda pelo bem-estar.

Istoé - Hoje a medicina sabe sobre o peso das emoções na nossa saúde. Mas, de alguma maneira, não estamos conseguindo chegar a uma vida sem estresse. Onde estamos falhando?

Deepak Chopra - É um caminho que cada um precisa trilhar, questionar de que modo algumas escolhas se refletem na saúde. Há pessoas conseguindo fazer isso com muito sucesso.

Istoé - Para alguns de seus pacientes que sofrem de insônia, o sr. recomenda, como tratamento, permanecer acordado de 48 a 56 horas. Como isso funciona?

Deepak Chopra - Essas pessoas estão em desequilíbrio biológico. Ficar em vigília por mais tempo comprovadamente renova o organismo e proporciona um recomeço.

(Publicada na Revista ISTOÉ da semana passada)