sábado, 30 de janeiro de 2010

NÓS, ESCRAVOCRATAS


Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.

Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras.

Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.

Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro –, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.

Em 1888, libertamos 800 mil escravos, jogando-os na miséria. Em 2010, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens. De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler.

Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.

Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala.

Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais.

Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.

Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores.

Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade.

Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.

A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação.

Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.

Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar.

Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.

Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888.

Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.

Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.



Cristovam Buarque, ex-reitor da UnB, é senador pelo PDT-DF

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

OBSERVATÓRIO

Há poucos, uma emissora de rádio local me pediu uma avaliação sobre o primeiro ano de gestão do doutor Carlos Felipe à frente do Executivo Municipal. Compartilho aqui algumas das opiniões que externei.

O SIGNIFICADO DA ELEIÇÃO

A eleição de Carlos Felipe foi emblemática. Embora tenha votado em candidato concorrente, reconheço que Carlos Felipe catalisou as esperanças da população. Teve a imensa capacidade de estabelecer uma sintonia com os anseios da massa popular. O povo votou nele sob o forte desejo de que ele promovesse uma profunda alteração nos costumes políticos e na condução administrativa.

A OPORTUNIDADE PERDIDA

Infelizmente faltou-lhe aquilatar a real dimensão e o alcance histórico do seu papel. Ao invés de iniciar o seu governo conclamando a inteligência da cidade, pela mediação dos segmentos organizados, e as lideranças indistintamente para a construção de uma agenda de transformações sustentáveis, preferiu repetir os velhos modelos e as práticas que contestara: cooptação de vereadores, ações revanchistas, discurso discriminatório. Perdeu a oportunidade inicial da inovação.

O CHOQUE NECESSÁRIO

Além de uma mudança relacional, era imperiosa a promoção de um choque de gestão: corte nas gorduras, enxugamento da máquina, racionalização de procedimentos e constituição de uma robusta poupança. Na ânsia imediatista de mostrar resultado, iniciou obras sem folga de contrapartida e começa a enfrentar problemas (a reforma da Praça da Estação, por exemplo, está prestes a completar um ano e ainda longe de terminar). No lugar de um programa eficaz de desenvolvimento sustentável, temos uma série atabalhoada de ações desconexas ao sabor da conjuntura externa.

OS PROBLEMAS

Por conta desses desencontros entre o que foi prometido e o que está sendo efetivado, surgem problemas na própria base de sustentação do Prefeito. Na semana passada, o Vereador Nego do Bento subiu à tribuna da Câmara Municipal para dar publicidade do destino do dinheiro público crateuense. Obviamente, o edil apenas relatou o que qualquer pessoa que acesse a internet pode conferir, pois estas informações estão disponibilizadas no site http://www.tcm.ce.gov.br/transparencia/. O inusitado é que isso repercutiu. Imediatamente, surgiu uma saraivada de críticas em cima do ex-aliado. Ora, ele é um Vereador, eleito pelo povo. Tem legitimidade para falar. Independente de ter interesse contrariado, a crítica sobre a vida pública pode ser feita por qualquer pessoa. E o homem público verdadeiro, ao invés de procurar desqualificar quem a formula, deve observar o seu conteúdo. Se tiver fundamento, acolher e reformular. Mas é exatamente aí que reside outra faceta a ser considerada: o relacionamento com os opositores.

A OPOSIÇÃO
Onde se exercita a salutar prática da convivência democrática, a oposição é vista como benfazeja, freio e contrapeso a evitar os excessos e desleixos que a sujeição provoca. O prefeito nunca fez qualquer sinal de querer uma relação saudável e elevada com os setores que lhe fazem oposição. Nesse quesito, repete a velha e anacrônica política pendular de transitar sobre os dois extremos: ou as pessoas, por cooptação, o acompanham submissamente ou procura esmagar quem insiste em lhe fazer contraponto. Como se fosse impossível seguir outro caminho.

O SINDICATO DOS PROFESSORES

Um dos espaços onde se refuta, com conteúdo, essa obsessão hegemônica da Prefeitura é no Sindicato dos Professores Municipais. Nessa entidade que agrega os profissionais do magistério se pratica, além da defesa das prerrogativas dos trabalhadores em educação, uma intensa atividade cultural. Vale a pena se participar dos eventos promovidos no Quintal com Arte do Sindicato. Na manhã da última segunda-feira, foi realizada a solenidade de posse da atual diretoria, que tem à frente, em seu segundo mandato como presidente, Edilson Alves Pinto; Socorro Malveira como vice; Adriana Calaça como secretária e Socorro Marques como tesoureira. Marcaram presença representantes do Instituto de Desenvolvimento Social Dom Antonio Batista Fragoso - IDSAF, do Sindicato dos Professores do Estado, Academia de Letras de Crateús, Sindicato dos Servidores de Tamboril, MST, Cáritas, Associação do bairro Nova Terra, além é claro de professores e professoras do município, com filhos e outros familiares.


BLOG DA SABi

A Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho – SABi, organização não-governamental fundada em 2004, com atuação na área cultural, atendendo prioritariamente crianças e adolescentes do município de Crateús, acaba de lançar um blog: http://sabicrateus.blogspot.com/. Dê uma espiada nele. Desde 2007, a SABi é Ponto de Cultura do Ministério da Cultura (MINC), desenvolvendo atividades de formação artístico-cultural na modalidade de Oficinas de Artes, sendo elas: oficina de teatro, grafite, sapateado, xilogravura, teatro de bonecos, contação de histórias, artes plásticas, violão, edição de vídeo, além da produção de documentários sobre personalidades e expressões culturais do nosso município. A SABi está funcionando na Casa de Arte e Cultura João Batista, situada à rua Francisco Sá, 148 - ao lado do Colégio Estadual Regina Pacis - oferecendo, além das oficinas de arte, internet grátis para toda a população.

PARA REFLETIR

"Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro." (Albert Camus)


(Por Júnior Bonfim, na edição de hoje da Gazeta do Centro Oeste)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE!

CONJUNTURA NACIONAL

DESDE QUE O DINHEIRO VENHA

Vamos abrir a coluna com a matreirice mineira. Benedito Valadares chegou a Curvelo/MG, para visitar a exposição de gado do município. Na hora do discurso, atrapalhou-se:
- Quero dizer aos fazendeiros aqui reunidos que já determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.
Lá do povo, alguém corrigiu:
- É o contrário, governador! Empréstimo a prazo longo e juro curto.
- Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância.

SEU LUNGA E OS CHATOS

E seu Lunga, hein? Virou personagem desta coluna tão grande é o sucesso que faz. Passo a receber colaborações de leitores. Que me encaminham historinhas com ele. Não procuro – nem é o caso – saber se são autênticas ou não. O cearense virou um monumento contra a cretinice. E, claro, contra os chatos. Um deles até questiona a coluna sobre os casos narrados. Uma das passagens fala em sonâmbulo. Argumenta que Seu Lunga não usaria tal expressão. Pode ser. Os chatos sempre nivelam por baixo. Se fosse dele, a palavra seria algo parecido com "sonambo". Pois esse chato chegou na casa do Lunga, em Juazeiro do Norte, e se anunciou:
- Ô de casa, tem gente?
- Não. Só tem percevejo e chato – gritou lá de dentro nosso querido personagem.
O chato não se afobou e, ao ver três imensos potes d'água, continuou:
- Tem água de beber?
- Não, só tem água de comer.
O chato calou-se.

TENSÃO: PMDB E PT

Apesar do estreitamento de relações, ocorrida nos últimos anos, graças a realpolitik acordada entre os dois, PMDB e PT vivem um clima de tensão. O PMDB sente que o PT começa a traí-lo, dando vazão a uma tendência histórica da sigla. A traição se dá na esfera da escolha para a chapa de Dilma. O nome peemedebista mais consensual é o de Michel Temer, presidente do partido. Nas últimas semanas, Lula passou a mandar recados e a soltar balões de ensaio. Quer outros nomes além do de Michel. Que, aliás, tem dito que é candidato a deputado e não a vice.

EFEITOS

Os efeitos da tensão apontam para a instabilidade da aliança entre as duas siglas. A convenção do PMDB, que seria antecipada para 6/2, foi adiada para 6/3, quando Michel deverá ser reeleito presidente do partido. Nesse ínterim, as tensões tendem a aumentar em decorrência das dificuldades de se fecharem acordos nos Estados. Em MG, por exemplo, Hélio Costa é candidato e só recuará se for indicado pelo PMDB como vice na chapa de Dilma. Não quer ser candidato ao Senado porque sabe que perde para o vice-presidente José Alencar, que pretende voltar à Câmara Alta.

FUMO E CASAMENTO

De Joaquim Bentinho para o compadre Cornélio, uma definição sobre o casamento:
- Casar, casar é mesma coisa que comprar fumo. A gente iscoi, iscoi, iscoi e acaba comprando um rolo de fumo. Nos premero tempo o fumo é bão! Mas despois, a gente fuma só pra aproveitar: já é da gente memo...

DESFAZIMENTO?

Pode a aliança com o PMDB ser quebrada? Pode, sim, e esta tendência começa a ser vislumbrada por alguns quadros da cúpula. Cresce, também, no seio do partido a ideia da candidatura própria. Nesse caso, o tempo de rádio e TV, que Dilma tanto espera, ficaria com o próprio PMDB, castrando a campanha midiática do PT. Uma campanha menos retumbante seria desastrosa para a pupila de Lula. Que, como se sabe, é ruim de palanque.

PALANQUEIRA? UM VEXAME

Quem já viu Dilma em palanque, principalmente nos últimos dias, constata: é um vexame. Artificial, sem emoção, sua fala mais se parece uma conversa cheia de promessas. Que não convence. Nem empolga. Não articula uma frase por inteiro porque faz desvios linguísticos que embrulham o pensamento. Vai ter uma campanha de palanque sem graça.

SERRA, MAGISTER DIXIT

O palanque sem graça terá noutra ponta o experimentado José Serra. Experimentado, isso mesmo. O que não significa bom de palanque. O governador, como bem definiu Jânio de Freitas, ontem, na Folha de S.Paulo, discursa como um leitor de orações didáticas. Serra tem conhecimento de causa, domina como poucos a matéria econômica, mas não é um palanqueiro. Está mais para professor em sala de aula. Com giz na mão e calibrando as cobranças aos alunos.
"Se bater na madeira isolasse o azar, o pica-pau não estaria em extinção." (Eugênio Mohallem)

SOCIALISMO FIESPEIRO

O socialista Paulo Skaf foi lançado ao governo de SP pelo governador de PE, Eduardo Campos, que dirige o PSB. Ou Campos está variando (como se diz no nordeste) ou o governador lança um balão de ensaio. A FIESP, se ele não se lembra, ocupa um imenso prédio na Avenida Paulista, simbolizando um poderio que, por tempos a fio, foi massacrado pelo também socialista Ciro Gomes. Candidato ao governo, Skaf daria vazão ao conceito de Kramer versus Kramer. Lembrete: Ciro tem a Avenida Paulista, onde se incrusta a FIESP, como o símbolo mais atrasado das elites paulistas.
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Seu Lunga vai ao banco descontar um cheque. A caixa pergunta:
- O senhor vai levar em dinheiro?
- Não. Me dá em clipes e borrachinha.
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INGENUIDADE OU VAIDADE?

O que pretende Paulo Skaf com a candidatura ao governo de SP? Será que ele realmente pensa que pode ter votos para se eleger? Chegou a dizer, em reunião interna da Federação, que se dispuser de recursos, daria para ganhar. Os jornais fizeram o registro. Dinheiro elege? Não. Dinheiro ajuda, coopta, mas votos em SP, o Estado mais racional do país, não são despejados sobre a cabeça de um candidato como o maná bíblico caindo no deserto. Ou o presidente da FIESP é ingênuo – o que não combina com seu perfil – ou muito vaidoso. De qualquer modo, este consultor reconhece: na maré vazia de bons políticos, Skaf tem todo direito de se colocar como opção. Que siga em frente.

PSB E PT

As relações entre o PT e o PSB vão de mal a pior. Tudo por conta do voluntarismo de Ciro Gomes. O deputado, que costuma abrir o bico, está calado. Passarinho na muda não pia. Ciro Gomes deverá fechar acordo com Lula nos próximos dias. Ele não quer ser o candidato do PT/PSB ao governo de SP. Mas Luiz Inácio assim o deseja. Vamos conferir para onde vão a vontade de um e o desejo de outro.

NA FACULDADE

Aluno de Direito ao fazer prova oral:
- O que é uma fraude?
- É o que o senhor, professor, está fazendo, responde o aluno.
O professor fica indignado:
- Ora essa, explique-se.
Então diz o aluno:
- Segundo o Código Penal, 'comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar'.

CABRAL E LINDENBERG

Quando me perguntam o que é a política, paro de falar e passo a apontar. Falar é um ato que consome tempo. Desgasta. Apontar não cansa tanto. Por exemplo. Lula xingou o PSDB, que xingou o PT, que xingou Sérgio Guerra, que xingou a ministra Dilma – dissimulada e despreparada –, que tem o apoio de Lula, que disse que Guerra é babaca. Moral da história? Lula, José Serra e Dilma aparecem sorridentes na pose de primeira página dos jornais. Mais um exemplo: o prefeito de Nova Iguaçu, Lindenberg Farias, esculhamba Sérgio Cabral, governador do Rio. E o que acontece? Os ex-desafetos aparecem abraçados e sorridentes. Quando me perguntam o que é política, economizo palavras: aponto para as fotos de jornais.
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Seu Lunga chegou numa barraca de feira e pediu uma tapioca. O feirante:
- É para viagem?
- O senhor está vendo alguma bagagem aqui?
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80% DE CHANCES

Marcio França, deputado e presidente do PSB paulista, diz que Paulo Skaf tem 80% de chances – na escala até 100% – de sair candidato ao governo de SP pela sigla. Eis aí uma miragem estatística. Trata-se do uso de uma alta percentagem em vão. Pura firula. 80% de chances de ser candidato equivalem, noutra leitura, a um pequeno dígito de chance de Skaf ganhar os louros da vitória.

LULA E AS ENCHENTES

Na vida dos governantes, certos momentos servem para exprimir seu estado de espírito e o modo como encaram adversários. Lula tem usado tais momentos para um exercício de autoglorificação. E, ainda, para espezinhar adversários. Mesmo que, circunstancialmente, alguns deles se façam presentes no instante da fala. Foi o que aconteceu, no dia 25/1, ao receber uma medalha conferida pelo prefeito Kassab. O governador Serra e o prefeito Gilberto ouviram de Lula a sugestão de fazerem um PAC para as enchentes que assolam a capital. O PAC, como se sabe, é execrado pelos tucanos, que enxergam nele pura propaganda. A sugestão de Lula foi entendida como uma alfinetada. Acho pior: uma porrada.

DEZ CONTRA UM

Quem acredita que Arruda se sustente no governo, levante a mão. Silêncio na sala. Um, dois, três ... dez pessoas na sala levantam a mão. Apenas uma acredita que o governador do DF será punido pela Justiça. É a visão do brasileiro sobre corrupção, política e justiça.

VIAGENS

E por falar em Luiz Inácio, fará mais uma viagem internacional. Já bateu o recorde. Passou bons meses afastado de Brasília. Lula vai receber os prêmios que ganhou. Até junho/julho, tem farta programação externa. Depois, comandará a campanha de Dilma.
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Seu Lunga vai ao armazém e pede veneno para rato. O balconista quer saber:
- O senhor vai levar?
- Não. Vou trazer os ratos para comerem aqui.
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E OS FÓRUNS, HEIN?

O Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em outras cidades, já não desperta emoções. Os atores são os mesmos. A conversa é uma mesmice. Stédile ameaçando com invasões. E, incrível, dizendo que o Movimento dos Sem Terra fará campanha contra o governador José Serra.

BRASIL NO HAITI

Esse ministro Celso Amorim é mesmo um falastrão. Repele a ideia de um Plano Marshall para salvar o Haiti. Porque põe fé no Plano Lula. Pensei que fosse piada. Fui conferir. Faz questão de repetir que o Plano de Salvação deve ser chamado de Lula. Porque o Brasil foi o primeiro a dar a ideia de uma reunião com os doadores. Quanta bajulação!

"O ideal de beleza do sapo é a sapa." (Voltaire)

CONSELHO AOS DEPUTADOS DISTRITAIS

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção aos deputados distritais:

1. A Câmara Legislativa de Brasília está sob a lupa da nação. Aproveitem a oportunidade para apurar ilicitudes, desvios, corrupção, expurgando todos os implicados no Mensalão.

2. Qualquer decisão no sentido da complacência e abafamento da situação será repudiada pela opinião pública e terá conseqüências nas eleições de outubro próximo.

3. Procurem apurar todas as denúncias e tomar as providências necessárias para fechar a malha de corrupção.
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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MORREU OSVALDO BEZERRA DO NASCIMENTO!

Júnior:

Talvez você não tenha tomado conhecimento da morte do Dr. Osvaldo Bezerra do Nascimento.

Não vi no seu blog.

Ele faleceu ontem à noite no Hospital Unimed. Estava com problemas de cirrose e do coração. Há mais de um ano não vinha a Crateús.

Sobre o Dr. Osvaldo você sabe muito mais que eu. Com certeza perdi um grande amigo e Crateús um dos filhos mais queridos.

Um abraço do César.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O FILME DE LULA E OS DOIS LADOS DA ARQUIBANCADA


Lula, o filho do Brasil. Esse é o nome da polêmica do ano (que mal começou). Já é possível antecipar essa previsão, pois o filme invade não só o debate sobre a produção de cinema nacional (apimentado pela polêmica sobre as leis de incentivo), mas também o debate político. Com orçamento recorde, atmosfera novelesca e elenco global, a película busca mimetizar todos os arquétipos (e feitos) de 2 Filhos de Francisco, se desenhando como a mais controversa cinebiografia já feita por aqui. Feito para emocionar, feito para chorar e, principalmente, feito para vender. Para efeitos cênicos, a discussão sobre o filme é nula, pois não traz nenhuma inovação e não se vende como alta cultura. Sob esse ponto de vista, qualquer crítica fica oca ao analisá-lo sob os mais altos conceitos da sétima arte. Mas como o personagem principal é um presidente ainda em exercício do mandato (e que busca fazer o seu sucessor em ano eleitoral), não há como não analisá-lo sob o aspecto político.

Pode-se argumentar que O filho do Brasil foi feito sem dinheiro público ― o que é verdade ―, mas expõe de maneira grosseira o jogo promíscuo das empresas privadas que patrocinaram o filme, interessadas em adular o governo, com as piores das intenções. O espectador não fica livre nem dos "merchans", como na constrangedora cena em que os personagens pedem uma determinada cerveja, enxertando um slogan que nem existia na época em que o filme se passa. Há de se ressaltar a ótima caracterização do ator que incorporou Lula no filme. Rui Ricardo Diaz reproduz os trejeitos e a voz sem cair na caricatura. E Glória Pires é bastante contida (e por isso mesmo, correta) na interpretação de Dona Lindú, mãe de Lula.

Inicialmente idealizado como uma mistura de documentário com melodrama (vulgo "docudrama"), o diretor Fabio Barreto alterou a rota no meio do caminho e resolveu partir para a ficção, ora omitindo, ora "romanceando" fatos da vida do presidente, para efeitos dramáticos (e mercadológicos). No mais perigoso deles, o episódio em que os sindicalistas jogam o empresário do alto de uma escadaria da fábrica e este morre estatelado no chão, resultando numa histeria coletiva. No livro de Denise Paraná (que serviu de suporte para o filme), Lula "achou que estavam fazendo justiça", compactuando da atitude de seus companheiros. No filme, ele cai em prantos, horrorizado com toda aquela violência ― forjando um Lula humanista e, por isso mesmo, desumanizando-o. Deixando claro que, no filme, a intenção é somente esculpir um mito, tudo o que Lula (supostamente) teria de ruim é empurrado (metaforicamente) para o seu pai, Aristides, interpretado por Milhem Cortaz. Como bônus, entre outras ironias, temos Fabio Barreto e seu pai, Barretão (o Assis Chateaubriand do cinema nacional), admitindo terem sido eleitores de Fernando Henrique Cardoso, incitando ainda mais a (falsa) polêmica entre o ex e o atual presidente e alavancando a promoção do filme.

O ponto mais correto do filme (que se aproxima de um documentário) fica para a formação da figura política de Lula, remontando sua trajetória sindical. Para quem achava que o presidente já abraçava as causas esquerdistas na luta contra a ditadura militar, vai se decepcionar, pois o Lula que aparece naquela época, além de já ser carismático, era também conciliador, extremamente pragmático e apolítico (sim, no sentido ideológico ― procurando ficar alheio às lutas políticas dos anos 60 e 70). Só depois de liderar as greves no sindicato em 1978 é que Lula ficou famoso no país inteiro, e, posteriormente, foi abraçado pela "intelligentsia" de esquerda, que viria a fundar o Partido dos Trabalhadores. No filme, temos um bom retrato da gênese do camaleão político que vemos nos dias de hoje, que gesticula com a mão esquerda e manipula com a direita.

Os detratores acusaram o filme de ser eleitoreiro antes mesmo de ele chegar às telas. Ao que os defensores rebateram argumentando que ele não mostrava a trajetória política do presidente (acaba em 1980, pouco antes da fundação do PT). Ambos os lados têm razão... Em termos. Se o filme não mostra os feitos do governo, não pode ser tido como eleitoreiro, mas o desfecho épico, com imagens de Lula eleito em 2002, nos braços do povo, deixa uma mensagem subliminar de que aquela figura "romanceada" teria mantido todos os valores (que o filme acabara de ensinar) durante os oito anos de mandato. Imagine o que Dona Lindú pensaria se visse seu filho defendendo mensaleiros, abraçando Collor, mancomunando-se com Sarney e toda a alcateia do PMDB...

Mas, como era de se esperar, o problema de O filho do Brasil foi muito além das salas de exibição e dos cadernos e sites de cultura. Quando se tem um líder popular no poder, as reações vão da mais profunda idolatria ao ódio mais rancoroso. De um lado, a classe média ressentida, que se recusa a aceitar o ex-torneiro mecânico no poder. Atacam Lula pelo fato dele não ter estudado e defendem políticos com respeitáveis títulos de doutores (mesmo que seus currículos acadêmicos sejam tão extensos quanto suas fichas criminais). O ódio chega a tal ponto que, se escorregarem numa casca de banana e caírem de bunda no chão, são capazes de colocar a culpa no Lula. Na impossibilidade de arrancá-lo as tripas e vê-lo empalado em praça pública, pegam carona em qualquer bobagem que o presidente fala (e olha que são muitas) para impichá-lo moralmente. Com o filme, encontraram mais uma via para tentar converter seus interlocutores ao antilulismo fanático e oportunista.

Do outro lado, os pitbulls da "esquerda" militante. Empenham-se ― com todo o ódio ― na defesa cega e aguerrida de seu deus. Se já ficavam contrariados em ver uma simples charge no jornal, imagine o que acontece com alguém que resolver criticar o filme do "chefe". Qualquer crítica ou manifestação contrária pode (e deve) ser patrulhada. É aí que aparecem as muletas mais comuns do exército chapa-branca: "preconceito", "mídia", "elitista", "facista" (eles escrevem errado mesmo), "golpista", "direita"... Portanto, cuidado: se os pitbulls estiverem sem suas focinheiras, é bom que você já tenha tomado a sua dose da vacina contra a raiva...

A política, da maneira como é vista no Brasil, mostra uma paupérrima gama de cores: ou é preto ou é branco (a idiotice do debate é tão grande que muitos já insinuariam aqui uma polarização racial). Não existem tons de cinza em nossa palheta. O compromisso partidário não permite ser a favor do Pro-Uni e, ao mesmo tempo, contra o aparelhamento estatal (ou vice-versa). É também proibido elogiar a política de juros do Banco Central e, ao mesmo tempo, reconhecer os feitos do Bolsa Família ― ou criticar os dois, que seja. A discussão sobre as cotas raciais nas universidades, a política externa no caso Honduras e no caso Cesare Battisti... Tudo, absolutamente tudo no Brasil é discutido com uma cartilha ideológica ou partidária debaixo do braço (nem o STF escapa). Muitos não se dão nem ao trabalho de refletir o que está escrito nessas cartilhas, apenas regurgitam tudo o que ali está, de maneira absolutamente acrítica. Aqui, ou se é radicalmente contra ou se é colericamente a favor. De modo personalista e apaixonado, deixamos de reconhecer erros e acertos, para defendermos as resoluções mais descabidas, tudo em nome de identificações meramente pessoais. Quem quiser questionar alguma coisa, não precisa ficar em cima do muro, basta ficar acima do muro. Esse governo não é a soma de todos os medos, como muitos querem acreditar (as diferenças entre Lula e Hugo Chavez são abissais), mas também está muito longe de ser essa maravilha que os adeptos do discurso do "nunca antes nesse país" fazem parecer.

Ambas as frentes (contra e a favor), infiltradas em blogs políticos pretensamente "independentes" e/ou "imparciais", levam a defesa de suas concepções políticas às últimas consequências. O achincalhamento, a difamação, a intolerância e a perseguição implacável de seus "adversários" mostram do que é feita a arte do extremismo político. Num momento em que se tem uma eleição presidencial à frente e que Lula cumpre o seu último ano de mandato, o filme traz à tona os piores sentimentos e preconceitos daqueles que encaram o debate político como uma pancadaria entre torcidas num jogo de futebol. Além de colocar a internet em estado de sítio, o filme retoca a já pesada maquiagem publicitária do presidente, visando a aprovação máxima, a popularidade inatingível, a unanimidade ― uma contradição para um país que se pretende democrático. No país das novelas, pode funcionar como enredo de horário "nobre", mas ao "romancear" a trajetória de um líder político, insinua o culto à personalidade, remodelando-o para o consumo, como uma figura mítica, incorruptível e magnânima. Quem acompanha (mesmo que à distância) o noticiário de Brasília, vê um Lula muito diferente. Assim, O filho do Brasil conseguiu pecar no timing do lançamento, desconstruir um grande roteiro (que já estava escrito) e ainda jogar no lixo a chance de ser tanto rentável comercialmente, quanto elegante no trato com a coisa pública. Uma pena.

Bom, fim de mais um clássico. As torcidas já se armam para mais uma guerra. O pau promete quebrar feio dessa vez...

Diogo Salles
São Paulo, 19/1/2010

PRESIDENTE DO PSB REPELE PRESSÃO PELA SAÍDA DE CIRO

Às vésperas de receber Lula em Pernambuco, o governador Eduardo Campos disse que cabe apenas ao PSB definir se Ciro Gomes disputará o Planalto:

“Nossas decisões não serão tomadas por dirigentes de outras legendas. Nossas decisões serão tomadas pela nossa direção”.

Campos é presidente nacional do PSB. Falou sobre Ciro depois de almoçar com um personagem que inspira ojeriza em Lula: o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

Cristão novo no PSB, Skaf liderou o movimento que resultou na rejeição, em 2007, da emenda que prorrogava a CPMF.

Desde então, Lula traz o presidente da Fiesp atravessado na traquéia.

O neo-socialista Skaff reivindica o aval do PSB para disputar o governo de São Paulo. Deseja justamente a posição que Lula reservou para Ciro.

Em entrevista, Campos disse que “a candidatura de Paulo Skaf amplia” o palanque da oposição em São Paulo.

Afirmou que que Skaf vai “ficar mobilizado” até que o PSB tome sua decisão sobre o “projeto Ciro”. Algo que só deve ocorrer em março.

Lembrou que a data foi acertada com Lula. E não vê razões para descumprir o combinado.

O governador exalou incômodo com o noticiário acerca do encontro que terá com Lula, nesta quinta (28). Estranha sobretudo o caráter político conferido à conversa.

É algo que, segundo disse, Lula não acertou com ele. O presidente fará no Recife escala para uma viagem à Suiça.

Chega no início da tarde, acompanhado de oito ministros. Entre eles Dilma Rousseff, a candidata do PT.

A comitiva presidencial tem agenda cheia –um pa©mício, visita a uma exposição e a uma sinagoga.

Só à noite, por volta de 20h, Lula será recebido em jantar pelo governador. Participam do repasto companheiros de viagem de Lula.

É gente demais para uma conversa consequente, que o petismo se apressa em apresentar como definidora dos destinos de Ciro Gomes.

Em férias na Europa, Ciro retorna ao Brasil nesta quarta (27). Informa-se que deve dar as caras no Recife.

Integrante da comitiva de Lula, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado disse nesta segunda (25):
"O PSB tem legitimidade para ter candidato, mas o importante é unir a base e vencer no primeiro turno...”
“...O presidente vai a Pernambucano conversar com Ciro e eu vou junto”.

O lero-lero sobre a pressão para que Ciro troque a cena nacional pelo ringue paulista foi açulado pelo próprio Lula.

Em reunião ministerial, na semana passada, o presidente repisou a tecla da sucessão plebiscitária –era Lula X fase FHC.

Disse que conversaria com o “companheiro Ciro” sobre a candidatura dele ao governo de São Paulo. Deu a entender que o jogo estava, por assim dizer, jogado.

É nesse contexto que Eduardo Campos veio ao meio-fio para propalar a autonomia do seu PSB. Uma autonomia que enfrenta uma conspiração dos fatos.

Ao transferir o seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, em setembro passado, Ciro aceitou gostosamente o papel de candidato multiuso.

Em novembro, animada pelas pesquisas que mostravam um Ciro encostado em Dilma, a Executiva do PSB proclamou-o candidato à presidência.

Dono de escassos 2,5 minutos de tempo de TV, o PSB sonhava pôr de pé uma coligação com pelo menos outras duas legendas: PDT e PCdoB.

Dias atrás, acossado por Lula, o PDT proclamou o apoio a Dilma. O PCdoB, premido pelo menos assédio, também se encaminha para o colo da ministra-candidata.

Em movimentos calculados, Lula tratou de asfixiar a candidatura presidencial de Ciro. Em menos de cinco meses, deixou o PSB falando sozinho.
De resto, numa conversa do tipo ‘olho no olho’ com Lula, o presidente do PSB tende a atenuar o tom de voz.

A gestão de Eduardo Campos é, hoje, uma das mais umedecidas pelas verbas borrifadas por Brasília. Graças a Lula, converteu o Estado em canteiro de obras.
Candidato à reeleição num Estado em que a popularidade de Lula roça os 90%, Campos não dispõe de motivos nem de disposição para divergir de Lula.

Resta saber o que tem a dizer o próprio Ciro. Antes de tomar chá de sumiço, desfilara sua candidatura presidencial por diversos pedaços do mapa brasileiro.

Por onde passou, fez questão de atacar alvejar o tucano José Serra e realçar a “frouxidão moral” que permeia a união PT-PMDB em torno de Dilma.
Soou tão enfático que, agora, vai parecer um frouxo se ceder aos apelos de Lula, incorporando-se à caravana dos imorais.

(Escrito por Josias de Souza)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

CONVITE!

A QUEM INTERESSA UMA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL PLEBISCITÁRIA?


1. A dinâmica do processo pré-eleitoral até este início de 2010 mostra que a campanha presidencial sofreu mudanças importantes. O lançamento a fórceps de Dilma por Lula e o estressamento em suas aparições acompanhadas deste, mostraram que seu potencial é menor do que se imaginava. Sua imagem -burocrata- e a de Lula -paizão- são opostas. O fato de Dilma ter nos setores de renda menor a mesma média que tem em geral, pode ser também por dificuldade de introjeção.

2. Ciro, nas últimas pesquisas de 2009, mostrou menos potencial do que se imaginava, e mesmo no nordeste passou a ter sua média igual a geral, apesar de disparar no Ceará. Sem o Ceará, curiosamente, teria no nordeste menos do que nas demais regiões. Hoje, se poderia dizer que se ele ficar, vai ser só para atrapalhar Dilma. Havendo consciência disso, ele deixará de ser candidato.

3. Marina teve sete meses para sair da Amazônia e entrar nos demais Estados. Copenhague mostrou isso: seu destaque estava entre os de outros países preocupados com a Amazônia. O programa do PV não acrescentou uma vírgula à sua intenção de voto. Se conseguir reproduzir o resultado de Heloísa Helena, será um sucesso. Dessa forma, a Marina que cresceria e tornaria o segundo turno compulsório, parece não existir mais. Ela passou a ser um número baixo que levará ou não a eleição para o segundo turno, dependendo da diferença de Serra e Dilma.

4. Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Serra. As razões parecem claras. Se a introjeção da imagem de Dilma não será simples, quanto menor o tempo de exposição, pior para ela. Sem experiência eleitoral, com imagem fotograficamente mutante, com uma TV dia sim, dia não, e cheia de ruídos de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, maior a dificuldade para fazer entender que ela é "irmã" de Lula.

5. Os temas -economia, social, saúde, segurança, política externa...,- terminam não sendo diferenciadores. Até porque a oposição prefere o "somos todos iguais nesta noite", ou tudo começou com FHC, que a diferenciação, por temor à popularidade de Lula. A eleição vai depender de tipping points e da clássica dialética "segurança-insegurança" do eleitor. Segurança/Insegurança no sentido de risco. A capilaridade dos candidatos a governador do PT ou os realmente integrados é menor que os da oposição em proporção ao eleitorado.

6. Num segundo turno, com 10 minutos para cada lado, todo dia, sem os ruídos do primeiro turno, com as imagens limpas, com debates polarizantes, com a experiência adquirida na campanha e, por isso tudo, com a maior facilidade para Lula explicar o que a burocrata tem que ver com o paizão, Dilma terá um terreno mais fértil para avançar. Lembre-se de Alckmin x Lula em 2006.

7. Com essas preliminares, a tese da eleição plebiscitária, que pesava a favor de Dilma, agora pesa a favor de Serra. Nesse sentido, quanto menor o peso de Marina, maior a probabilidade da eleição se decidir no primeiro turno, e sendo assim, hoje, maior a probabilidade de vitória de Serra. Um quadro curioso, pois é o inverso do que se pensava seis meses atrás.

* * *

(Do ex-blog de César Maia)

domingo, 24 de janeiro de 2010

AMLEF



Ontem aconteceu mais uma reunião ordinária da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF – onde ocupo a cadeira 18.

O nosso habitat é o Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras – ACL – o mais antigo sodalício de letras do Brasil.

Sucede que, ontem, ocorreu um fato inusitado: ao chegarmos para a reunião, por um contratempo, as portas ainda estavam cerradas. E decidimos iniciar os trabalhos no coreto da Praça dos Leões, que fica ao lado do prédio.

Ali, debaixo daquelas generosas árvores centenárias e bafejados pelo vento praiano, realizamos um dos nossos mais energizantes encontros.

Dentre outros assuntos, debatemos sobre a próxima Antologia que a AMLEF vai lançar, aprovamos o nome da poetisa e jornalista Leda Maria para integrar o nosso quadro acadêmico e rendemos uma homenagem póstuma a Mário Caúla, convergência de luz da Academia que há pouco tempo deixou o nosso convívio.

A idéia da reunião ao ar livre foi genial; a reunião em si, agradabilíssima.



(Por Júnior Bonfim)

sábado, 23 de janeiro de 2010

RELEMBRANDO MAYSA




Ontem fez 33 anos da partida de Maysa. A música Ne me quitte pas se torna mais profunda quando entoada por Maysa.

Ne me quitte pas é uma canção francesa, composta, escrita e cantada por Jacques Brel, publicada em 1959 pela Warner-Chappell. Foi escrita no decorrer da separação de Brel e de Suzanne Gabriello. Segundo Brel, a música não é sobre o amor, mas sobre a covardia dos homens. Ou quem sabe ele se referia a si próprio e a esse relacionamento malogrado.

Ne me quitte pas foi interpretada na versão orginal em francês por Simone Langlois, seguida de Nina Simone, Sylvie Vartan, Serge Lama, Nana Mouskouri, Yuri Buenaventura, Maysa Matarazzo e Estrella Morente.

LETRA

Ne me quitte pas Não me deixes,
Il faut oublier É preciso esquecer
Tout peut s'oublier Tudo se pode esquecer
Qui s'enfuit déjà o que já se foi ( para trás ficou trás)
Oublier le temps Esquecer o tempo
Des malentendus dos mal-entendidos
Et le temps perdu E o tempo perdido
À savoir comment a querer saber como
Oublier ces heures Esquecer essas horas,
Qui tuaient parfois Que de tantos porquês
À coups de pourquoi Por vezes matavam (a golpes de porquês)
Le coeur du bonheure o coração da felicidade
Ne me quitte pas (x4) Não me deixes
Moi je t'offrirai Te oferecerei
Des perles de pluie Pérolas de chuva
Venues de pays Vindas de países
Où il ne pleut pás onde nunca chove
Je creuserai la terre eu cruzarei a terra
Jusqu'après ma mort Até depois da morte,
Pour couvrir ton corps para cobrir teu corpo
D'or et de lumière de ouro e luzes
Je ferai un domaine Eu farei um domínio(Criarei um país)
Où l'amour sera roi onde o amor será rei
Où l'amour sera loi onde o amor será lei
Où tu seras reine onde tu serás rainha
Ne me quitte pas Não me deixes

Ne me quitte pás Não me deixes
Je t'inventerai Eu inventarei
Des mots insensés palavras insentatas
Que tu comprendras que tu compreenderás
Je te parlerai Eu te falarei
De ces amants là desses amantes
Qui ont vu deux fois que viram,duas vezes
Leurs coeurs s'embrasser seus corações se abraçarem
Je te raconterai Eu te recontarei
L'histoire de ce roi a história desse rei
Mort de n'avoir pás morto por não ter
Peu te rencontrer podido te reencontrar
Ne me quitte pas (x4) Não me deixes

On a vu souvent Onde se viu
Rejaillir le feu reacender o fogo
De l'ancien volcan do velho vulcão
Qu'on croyait trop vieux que se acreditava ser muito velho
Il est paraît-il Até parece
Des terres brûlées de terras queimadas
Donnant plus de blé produzindo mais trigo
Qu'un meilleur avril que o melhor abril
Et quand vient le soire e quando vem a tarde
Pour qu'un ciel flamboie para que o céu flambe
Le rouge et le noir o vermelho e o negro
Ne s'épousent-ils pás se casam
Ne me quite pas (x4)

Ne me quite pas
Je ne veux plus pleurer eu não vou mais chorar
Je ne veux plus parler eu não vou mais falar
Je me cacherai là eu me esconderei
À te regarder para te olhar
Danser et sourire dançar e sorrir
Et à t'écouter e te escutar
Chanter et puis rire cantar e depois rir
Laisse-moi devenir deixe-me tornar
L'ombre de ton ombre a sombra de tua sombra
L'ombre de ta main a sombra de tua mão
L'ombre de ton chien a sombra do teu cão
Ne me quitte pas não me deixes


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Paulo Nazareno disse:

Beleza! Vale a pena ouvir também a versão do Genial Fausto Nilo.("Não me deixes mais").

TEXTO SEM LETRA "A" (SOMENTE NOSSO BOM E VELHO PORTUGUÊS



É possível sim!

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.


Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Autor: Desconhecido

(Enviado por Paulo Nazareno)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CONJUNTURA NACIONAL


"SEU" LUNGA

Seu Lunga abriu a coluna tempos atrás. Sucesso enorme. E aí as contribuições não pararam de chegar. Hoje, mais historinhas entremeando as notas. Apenas para lembrar a ficha do nosso protagonista: Seu Lunga, pai de 13 filhos, ourives em Juazeiro do Norte, vendedor de sucata.

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Seu Lunga leva o aparelho eletrônico para a manutenção. O técnico pergunta:

- Tá com defeito?

- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

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OSIRES, O TIMONEIRO

O brigadeiro Osires Silva, que iluminou os primeiros caminhos da Embraer, uma ilha de excelência mundial no complexo segmento de aviões, está muito bravo. Não se conforma com a decisão do presidente Lula em deixar a Embraer de lado no caso da aquisição dos aviões para a Aeronáutica. Osires afirma peremptoriamente – e ele fala de cátedra – que o Brasil teria condições de fabricar os melhores caças do mundo, usando tecnologia de ponta, bastando, para tanto, fazer pequenas parcerias com alguns fabricantes. Seria bom para o país na medida em que se posicionaria muito bem no ranking da construção de caças, para a empregabilidade e para a economia. O brigadeiro conta com os aplausos deste consultor.

LULA, CALL ME

Ontem, ao término da conversa com Lula, para acertar a logística de apoio ao Haiti, Obama pediu: "Lula, call me". E o nosso presidente, raposa matreira, teria aproveitado para animar a campanha eleitoral: "cara, apareça logo, logo, para esquentar a festa". Luiz Inácio quer que o presidente dos EUA dê as caras lá por julho. Coelho na cartola. Dilma agradece de coração.

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Cai um toró em Juazeiro do Norte. Seu Lunga não se incomoda e se prepara para sair de casa. A mulher pergunta:

- Vai sair nessa chuva?

- Não, vou sair na próxima.

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MEIRELES, OLHO AQUI, OUTRO ACOLÁ

Henrique Meirelles, o todo poderoso presidente do BC, abre um olho para Goiás e outro para o Palácio do Jaburu. Espera substituir Iris Rezende, caso este, por motivo de saúde, decline da candidatura ao governo de Goiás. Mas não quer dar imediata resposta. Cozinhará o galo até março/abril, quando enxergará com outros olhos a disposição do PMDB sobre o nome do vice na chapa da Dilma.

O VICE DO PMDB

Ocorre que a cúpula do PMDB deverá indicar o nome. Não aceitará imposição do presidente Luiz Inácio. Acha que tem cacife suficiente para bancar a indicação. Michel Temer, o presidente do partido, deverá ser reconduzido à presidência em março, continuando a ter muita força no Congresso e junto ao Poder Executivo. Com esses dois importantes cargos, fica bem menor o espaço de vice presidente. Michel está realmente interessado em obter o máximo de consenso na Convenção do partido, a se realizar em junho.

NOME DE MINAS?

Não dá para apostar no nome de Hélio Costa como vice de Dilma. E a razão é óbvia: Dilma é mineira. Outro mineiro tornaria a chapa muito homogênea, algo como sanduíche de pão com pão. Dilma precisa ter um vice na região sudeste, sim, mas sem ser necessariamente de Minas. De SP, preferencialmente. Onde a campanha será a mais tucana e contundente do país. Os tucanos guardam grandes possibilidades de continuar segurando as rédeas do Estado.

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Seu Lunga acaba de levantar. O filho vem com a pergunta idiota:

- Acordou ?

- Não. Estou dormindo. Sou sonâmbulo !

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(EM)PACANDO 2

Lula só pensa em ideias que possam gerar impacto. Esforça-se para agitar as ruas. Planeja uma agenda cheia de eventos. Vai rodar o mundo, mais uma vez, nesse primeiro semestre, para ficar livre, a partir de julho. Por isso, organiza mais um cavalo de batalha, o PAC 2. Não sabemos muito bem o que esse PAC terá de novidade. Sabe-se que o PAC 1 patina nos 30% de realização. Não decola em algumas regiões. O PAC 2 pode ser mais um atoleiro. Lula, porém, sabe fazer marketing. O barulho é tão importante quanto inauguração de obra. A versão é mais importante que o fato.

ORLANDO, BOLA CHEIA

O ministro Orlando Silva emplacou mais uma: Lula o escolheu como Autoridade Olímpica. Cargo que acumulará com o ministério. Todos os eventos, obras e agenda da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 passarão pelo crivo deste cara boa praça.

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O amigo liga para sua casa e pergunta a Seu Lunga:

- Onde você está?

E ele:

- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

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CADÊ CIRO GOMES?

Onde está você, Ciro Gomes? Lembro-me da boa canção de Zeca Baleiro: por onde andará Stephen Fry? Quem se lembra deste ator? Ciro deu uma de Fry. Desapareceu. Lula não quer vê-lo como candidato à presidência da República. Principalmente, agora, depois de ver a derrota do candidato de esquerda no Chile. Eduardo Frei, que foi atrapalhado por mais um candidato da esquerda – o que deu margem à vitória de Sebastián Piñera.

CONCERTACIÓN OU DISSERTACIÓN

Pois é, no Chile, a derrota de Frei é atribuída, entre outros fatores, à divisão da esquerda. Concertación, que aglutina os partidos de esquerda, se dividiram. E Bachelet, a presidente super aprovada pelos chilenos (mais de 80% de aprovação, igual à Lula), não conseguiu transferir seu prestígio para seu candidato, Eduardo Frei. O imbróglio chegou por estas bandas provocando – com perdão do trocadilho – dissertación. Que abriga as hipóteses contrárias: Lula não transfere votos e Lula transfere votos. Este consultor vai agregar sua impressão à moldura.

TRANSFERÊNCIA

A questão da transferência de votos é relativa. O Chile tem identidade, história, tamanho, condições geoeconômicas e sociais bem diferentes das que exibe o Brasil. Portanto, não dá para se fazer análises comparativas fechadas. Há que se pinçar elementos e fatores e sobre eles traçar posições. Por exemplo: Lula é carismático, Bachelet, apesar de certo carisma, está longe de ser um ícone populista. O Brasil é povoado por massas assistidas por gigantescos programas populistas. E Lula abraça diretamente o povo nos comícios de palanque. Sua origem nordestina e seu trajeto lhe conferem identidade sui generis.

SIM E NÃO

Pois bem, Luiz Inácio, impregnado de simbolismo, carregando o manto populista, considerado o "Pai dos Pobres", tem poder para transferir parcela de seu prestígio. Principalmente em regiões menos desenvolvidas que dependem diretamente dos braços estendidos e generosos do governo. O nordeste, por exemplo, poderá dar os votos a Dilma em agradecimento à Lula. Por outro lado, devemos considerar o fato de que Lula faz campanha há dois anos por sua candidata. E Bachelet só entrou no pleito chileno na reta final do segundo turno.

CHARADA FINAL

A pergunta da charada: afinal, quem conseguiu 23% de intenção de voto? Esse é o índice que Dilma ostenta hoje. Respondam: foi ela com seus belos olhos, fala maviosa, carismática e cheia de graça? Non, non, non. Foi ele mesmo, Dom Luiz Inácio Lula da Silva, de Caetés/PE. Eis uma modesta opinião.

PORÉM...

Toda história tem um porém. A leitura acima não pode ser considerada infalível. Transferência de votos é algo relativo. Há um limite para isso. No sudeste, por exemplo, essa condição fenece. O voto é mais racional. Menos emotivo. As classes médias tendem a votar mais com a cabeça e menos com o coração.

CHALITA E SANTANA

Gabriel Chalita foi procurar João Santana, o marqueteiro de Lula. Como ser senador? Esta deve ter sido a pergunta-chave. A identidade, claro, é o eixo. Mas, para ser senador, vereador Chalita, é preciso ter visibilidade e armas de ataque na arena eleitoral. Visibilidade, o PSB não tem. Armas de ataque poderiam ser emprestadas por quem tem. Paulo Skaf, por exemplo. Mas o socialista Skaf emprestaria armas de ataque não fosse ele mesmo um candidato a cargo majoritário?

ALVARO NO PARANÁ?

Recebo dados sobre o Paraná. De pesquisa feita pelo IPESPE, do sociólogo Lavareda. O senador Alvaro Dias, do PSDB, sai na frente nos apresentados aos eleitores. No confronto direto com Beto Richa, que disputa a indicação dentro do partido, ele vence por 45% a 38%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais. Alvaro venceria também o irmão Osmar Dias em suposto confronto somente entre os dois. Sem Osmar na parada, com este liderando os votos na reeleição ao Senado, Alvaro Dias levaria a melhor no pleito. E na eleição para a presidência da República, o governador paulista, José Serra, confirma a preferência dos paranaenses.

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Seu Lunga acaba de tomar banho e a mulher pergunta:

- Você tomou banho?

- Não, mergulhei no vaso sanitário!

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PROPINA NO EXTERIOR?

As investigações da Operação Castelo de Areia começam a rastrear as contas do PT no exterior. Eis o que os documentos apontam: uma remessa de R$ 261.285,52, em abril de 2008, na conta: nº 941-11-013368-2, no First Commercial Bank, na China. (Folha de S.Paulo, 19/1, página A4.)

MORRENDO

O advogado, no leito da morte, pede uma Bíblia e começa a lê-la avidamente. Todos se surpreendem com a conversão daquele homem ateu, e uma pessoa pergunta o motivo. O advogado doente responde: "Estou procurando alguma brecha na lei."

CONSELHO AOS RADICAIS DO GOVERNO

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção aos radicais do governo:

1. Evitem produzir documentos, leis, projetos, decretos que ameacem romper os códigos normativos da República.

2. Administrem atitudes revanchistas, arquivando ódios e alimentando a seiva do bom senso.

3. Não há mais espaço para a radicalização no país. A Pátria está implícita na solidariedade sentimental de sua comunidade e não na confabulação de radicais e politiqueiros que medram à sua sombra.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ANIVERSÁRIOS

Se viva fosse, estaríamos hoje celebrando o natalício da minha estimada mãe, Rosária, uma delicada roseira desprovida de espinhos.

Também hoje aniversaria o Lauro, meu segundo irmão, exemplo de decência, honestidade, dedicação ao trabalho e amor à família.

Seguem postagens de dois poemas que fiz para esses seres que, nesta vida sacudida por trevas, me brindaram com os pendores da luz.

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Jaqueline Sales deixou um novo comentário:

Em memória à sua mãe, e em homenagem ao aniversário do seu irmão, deixo o desejo de que haja paz, luz, saúde, vida e esperança para ambos, também para voce nesse início de ano.

Vagueando pelo blogspot, acabei encontrando o endereço de varios amigos de Fortaleza. A verdade é que não conheço você, mas achei interessante a sua auto-definição.

Interessante como a net nos inspira a dizer, de fato, quem somos, não é verdade?

Namastê

SONETO À MINHA MÃE


O amor deitou sobre ti um cristal de inocência,
Amiga das plantas, filha do luar e da suave alegria,
Por isso me agrada fazer versos com paciência
À montanha iluminada de tua melancolia.

Meu jeito de sol expansivo, pedra solitária
Ou mágico aliado dos secretos elementos
Vem de teu regato, madura Rosária,
Mulher polida na cal do sofrimento.

A liberdade reconhece da luz o sonho dourado.
És minha mãe – assim como o mundo, a poesia,
Rosamada senhora por quem fui lapidado.

Mereces um lugar no trono alto da glória,
Pois fostes generosa para com a História:
Oferecestes ao povo um poeta alado!



(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)

AO LAURO, MEU IRMÃO


Falou, Gozé, hoje para nós o tempo é de sol.
Já se passaram os vagões da ingenuidade,
As areias da ilusão, a distância do girassol,
Os nomes loucos de criança, o curral da saudade.

Passaram, passou... agora é simplesmente
Extrair do canteiro a radiosa maçã,
Colocar na mesa o pão permanente
E marchar sorrindo a buscar o amanhã.

(Adormeço no ar o meu encanto invisível,
Outorgo-te o mar grande, o luar feminino.
Meu irmão, eu sou feiticeiro inacessível.
A luta te fez homem, a poesia me faz menino).

Ninguém derrotará nossa alegria de aço.
Temos política nas veias, firmeza nos passos,
Somos livres no olhar, profundos de coração.

Há que sonhar, lutar e viver semeando.
Recebestes a luz, agora tens uma missão:
Desenvolve essa aurora e prossegue amando.



(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PORTAL TERÁ DE IDENTIFICAR COMENTARISTA FALSO


Olhem, uma importantíssima decisão judicial noticiada pelo Consultor Jurídico no dia 8 de dezembro não mereceu o devido destaque na imprensa. Eu, confesso, não sabia da história. Reproduzo um texto publicado naquele dia pelo Consultor Jurídico. Leiam com atenção. Volto em seguida:
*

Quem cede espaço, na Internet, para comentaristas anônimos agredirem a honra alheia deve responder por isso. Com esse entendimento, a 42ª Vara Cível da capital paulista estabeleceu um paradigma que pode ser usado para conter a disseminação de “comentaristas profissionais” - que nunca se identificam, mas se prestam a criar ondas que se tornam campanhas para defender interesses inconfessáveis. A multa por descumprimento da decisão é de R$ 5 mil por dia.

O portal alvejado pela Justiça foi o iG que, sob o comando dos fundos de pensão governamentais, reuniu um time de jornalistas que passou a turbinar notícias dentro das metas de quem os contratou. Para evitar processos pelas ofensas praticadas, o truque utilizado foi o de admitir comentários com nomes e emails falsos. Contra a impunidade, a Justiça agora determinou que os hospedeiros das ofensas identifiquem seus autores. A proeza foi obtida pelo advogado João Yuji de Moraes e Silva. A decisão atingiu também o site Observatório da Imprensa que se viu casualmente envolvido no quiproquó - e o atual comando do iG, que nada tem a ver com as práticas anteriores do Portal, ao tempo em que fazia parte do departamento de imprensa e propaganda do PT.

Com a decisão da 42ª Vara Cível, o iG e o site Observatório da Imprensa estão obrigados a fornecer, num prazo de 48 horas, registros de IP, horário e data em que foram postados comentários em nome da advogada Ana Vardanega, com ofensas ao jornalista Márcio Chaer, diretor da revista Consultor Jurídico. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 5 mil. Ainda cabe recurso.

O caso foi parar na Justiça depois de o Observatório se recusar a informar os dados cadastrais do verdadeiro autor dos comentários feitos sob o artigo Síndrome fascista: a imprensa quer culpados, assinado por Márcio Chaer. O comentarista se valeu de nome e e-mail de outra pessoa [Ana Vardanega] para imputar mentiras com o objetivo de ofender o jornalista.

No artigo publicado em julho de 2008, Chaer criticava a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e também da imprensa, em uma época em que as operações da PF com seus efeitos especiais espetaculares podiam ser encomendadas como em um disque-pizza. Sob o artigo foram postados quase duzentos comentários, quantidade inédita para um texto publicado pelo OI.

Nomes falsos

Usar nome falso, uma traquinagem, que poderia se revestir de bom humor, descamba para a irresponsabilidade criminosa em alguns casos. O mais famoso serial killer dessa modalidade seria o empresário Luís Roberto Demarco, que conseguiu derrubar o outrora poderoso Daniel Dantas na disputa das teles. Demarco é suspeito de fabricar nomes e e-mails falsos para bombardear desafetos. Um estudo feito pelos especialistas em análise criminal Renato Akira Shimmi e Martin Augusto Carone dos Santos, conclui que o empresário, dono de empresas tecnológicas voltadas para a Internet, cria falsos endereços eletrônicos para prejudicar inimigos.

Contra sua ex-mulher, empresária responsável pela logística da Fórmula 1, Demarco teria criado e-mail para convencer o mundo automobilístico que ela seria uma terrorista condenada e foragida da Justiça brasileira. Contra o jornalista da revista IstoÉ, Leonardo Attuch, ele teria produzido email e um falso diálogo. No rastreamento da origem da mensagem, chegou-se a um computador franqueado por uma livraria. Requisitada a gravação ambiental, verificou-se que a atual mulher de Demarco, com alguém ao lado que a câmera não pegou, é que estava diante do computador no horário em que a mensagem foi enviada. À polícia, a mulher disse não lembrar se Demarco estava com ela no momento.

Muitos dos comentários publicados no artigo do Observatório da Imprensa têm o estilo e a marca que a análise criminal de Akira Shimmi e Carone dos Santos concluiu serem produzidos por Demarco. No caso do artigo no OI, a afirmação de que o autor oculto era o empresário levou-o a ajuizar ação de indenização por danos morais contra o jornalista. O pedido foi negado pelo juiz Guilherme Santini Teodoro, juiz da 9ª Vara Cível de São Paulo. Para o juiz, crítica da imprensa, por mais ácida que seja, não é ofensa. O juiz não aceitou o pedido do jornalista para recomeçar o processo colocando o empresário no banco dos réus.

Demarco é inimigo público de Daniel Dantas e trabalha para seus concorrentes. Ex-sócio do Grupo Opportunity, foi em uma de suas empresas, a Nexxy Capital, que se produziu a Ação Civil Pública assinada pelo procurador da República Luiz Francisco de Souza contra o rival. O empresário associou-se à Telecom Italia quando a empresa italiana disputava com o Opportunity o controle da Brasil Telecom. Na sequência, Demarco assumiu o posto de estrategista dos fundos de pensão com o mesmo objetivo.


Leia a decisão que obriga o iG e o OI a informarem quem escreveu os comentários apócrifos contra o jornalista:

Fórum Central Cível João Mendes Júnior
Processo: 583.00.2009.215206-3
Processo:CÍVEL
Comarca/Fórum Fórum Central Cível João Mendes Júnior
Cartório/Vara: 42ª. Vara Cível
Competência: Cível
Ordem/Controle: 2352/2009
Grupo: Cível
Qtde. Autor(s) 1
Qtde. Réu(s) 2

PARTE(S) DO PROCESSO
Requerido: INTERNET GROUP DO BRASIL LTDA
Requerido: JORNALISTAS ASSOCIADOS AYZ S/C LTDA
Requerente: MÁRCIO OSMAR CHAER
Advogado: 286590/SP JOÃO YUJI DE MORAES E SILVA

3/12/2009 Despacho Proferido

Vistos. 1. Deverá o autor comprovar a legitimidade passiva de JORNALISTAS ASSOCIADOS AZYZ S/C LTDA., pois não é possível verificar sua relação com o “site” indicado na petição inicial. 2. Sem prejuízo, em relação ao INTERNET GROUP, presentes os requisitos, DEFIRO o pedido liminar. A probabilidade do direito do autor está comprovada pela publicação de comentário, em tese, ofensivo ao autor, pretendendo ele informações sobre o responsável, para futuro ressarcimento. A legitimidade da ré está demonstrada, minimamente, pois os documentos trazidos demonstram ser a hospedeira do site em questão. Por fim, o receio de dano é incontestável, já que as informações, com o passar do tempo, podem se perder, impossibilitando futura reparação. Pelo exposto, DEFIRO a antecipação dos efeitos da tutela, determinando que a co-requerida INTERNET GROUP DO BRASIL forneça, no prazo de 48hs, registros de IP utilizado nos comentários formulados em nome de ANA VARDANEGA (Ana.vardanega@gmail.com), com datas e horários de acessos do responsável, bem como eventuais registros de “logs” adicionais de transferência de arquivos. Arbitro, desde logo, para o caso de não cumprimento da medida de urgência, a incidência de multa no valor de R$ 5.000,00 por dia, até o limite de R$ 50.000,00, sem prejuízo de majoração do valor e de seu limite se necessário. A presente decisão servirá de mandado de citação e notificação da medida de urgência. Int.


Comento

Publico, na média, uns 1.500 comentários por dia. Excluo quase outro tanto. Muitos leitores recorrem a apelidos. Mas são leitores que, obviamente, existem. E tanto se me dá se alguém quiser fazer uma avaliação técnica para saber se isso é verdade ou não. Procuro distinguir o direito de crítica da calúnia industriada. Acho que consigo. Sempre peço aos leitores que me avisem se consideram que alguém atravessa o samba.

O anonimato ou o apelido é um dado da Internet. Mas não pode ser desculpa para criminosos. E é evidente que há bandidos a soldo na rede. E, se cometem crimes, têm de responder por eles.

É perfeitamente possível ser muito firme numa determinada posição ou opinião sem transgredir a lei. A menos que se trate de bandidagem pura e simples.

(Por Reinaldo Azevedo)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ENTREVISTA


Ontem estive em Crateús.

Em meio aos compromissos, fui convidado pelo repórter Helvécio Martins para conceder uma entrevista à Rádio Príncipe Imperial, onde inicialmente ele me indagou a respeito da eleição da OAB e, em seguida, sobre política local e estadual.

Respondi-lhe que nutro enorme esperança quanto ao futuro da OAB no Ceará. O presidente Valdetário Monteiro é uma pessoa que exibe uma virtuosa trajetória de vida, tem atitude, determinação e garra para impulsionar positivamente os destinos da entidade. Será, indubitavelmente, uma gestão operosa.


Sobre a conjuntura, esclareci que as eleições no Chile exibem um fenômeno que precisa ser mais bem avaliado. Por que a Presidente Chilena, Michelle Bachelet, que detém uma popularidade tão expressiva quanto a do Presidente Lula no Brasil, amargou uma derrota? Certamente é porque hoje o peso da transferência de voto mudou. Até bem pouco tempo um líder forte e bem avaliado elegia facilmente o indicado. Hoje é diferente. Prova disso é o próprio Brasil, onde há mais de um ano o presidente exibe uma candidata que continua atrás nas pesquisas.

No que pertine à eleição estadual, enfatizei a importância do estado do Ceará reeleger Tasso Jereissati, o único homem público cearense a governar o estado por três mandatos, sempre eleito pelo voto popular. Além de reconhecimento ao seu trabalho, trata-se de ato de justiça.

Instado a fazer uma avaliação do governo municipal, respondi:

1. A eleição de Carlos Felipe foi emblemática. Embora tenha votado no candidato concorrente, reconheço que Carlos Felipe catalisou as esperanças da população. O povo votou nele sob o forte desejo de que ele promovesse uma profunda alteração nos costumes políticos e na condução administrativa. Infelizmente faltou-lhe aquilatar a real dimensão e o alcance histórico do seu papel. Ao invés de iniciar o seu governo conclamando a inteligência da cidade, pela mediação dos segmentos organizados, e as lideranças indistintamente para a construção de uma agenda de transformações sustentáveis, preferiu repetir os velhos modelos: cooptação de vereadores, ações revanchistas, discurso discriminatório. Perdeu a oportunidade inicial da inovação.

2. Além de uma mudança relacional, era imperiosa a promoção de um choque de gestão: corte nas gorduras, enxugamento da máquina, racionalização de procedimentos e constituição de uma robusta poupança. Na ânsia imediatista de mostrar resultado, iniciou obras sem folga de contrapartida e começa a enfrentar problemas (a reforma da Praça da Estação está prestes a completar um ano e inconclusa). No lugar de um programa eficaz de desenvolvimento sustentável, temos uma série atabalhoada de ações desconexas ao sabor da conjuntura externa.

3. No meio da entrevista, um ouvinte ligou perguntando o que o PSDB tinha feito para ajudar a administração do Prefeito Carlos Felipe. Respondi que é preciso distinguir: uma coisa é ajudar a Administração; outra, ajudar a população. O PSDB tem ajudado a população do município. Exemplo é que muitos ações de saneamento e pavimentação da cidade era fruto de emendas do deputado do PSDB Nenen Coelho. Outro exemplo foi a destinação de recursos (R$ 200.000,00) para a Faculdade de Educação de Crateús – FAEC, além de uma infinidade de projetos em execução. A ajuda à Administração depende de quem está à frente desta. O prefeito nunca fez qualquer sinal de querer uma relação saudável e elevada com os setores que lhe fazem oposição. Nesse quesito, repete a velha e anacrônica política pendular de transitar sobre os dois extremos: ou as pessoas, por cooptação, o acompanham submissamente ou procura esmagar quem insiste em lhe fazer contraponto. Como se fosse impossível seguir outro caminho.

4. Por fim, reiterei a esperança de que, na dialética do debate, possamos avançar no rumo de, um dia, atingirmos o ideal de vivermos numa cidade que respire sob uma atmosfera diferenciada nos seus aspectos político e administrativo.


(Por Júnior Bonfim)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

TRANSPARÊNCIA DEVE MELHORAR IMAGEM DA JUSTIÇA

Entre as diversas providências que o Conselho Nacional de Justiça vem tomando com o objetivo de tornar mais transparente e eficiente a administração do Poder Judiciário, uma das mais simples começará a ser adotada nas próximas semanas. Trata-se da divulgação, pela internet, de todas as despesas de custeio e de investimento da Justiça Federal, da Justiça do Trabalho, das Justiças estaduais, da Justiça Eleitoral e da Justiça Militar. Atualmente, os gastos do Judiciário representam 5,2% da despesa pública global no País. Até hoje, só alguns tribunais vinham divulgando suas contas.

Pela Resolução 102 do CNJ, os dados terão de ser atualizados até o vigésimo dia de cada mês e a medida vale para todas as instâncias judiciais. A divulgação da estrutura de cargos e dos gastos com pagamento de magistrados e servidores administrativos deverá começar em fevereiro. E, a partir de março, todos os tribunais deverão divulgar, em seus respectivos sites, todas as informações relativas à execução orçamentária.

Com base nos dados divulgados, que também terão de ser enviados pelos tribunais ao CNJ, o órgão pretende criar no Judiciário um mecanismo de controle de gastos semelhante ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que funciona há anos no Poder Executivo. Invocando a autonomia funcional e a independência administrativa, alguns juízes se opunham à abertura das contas de suas respectivas cortes, principalmente as informações relativas a salários e gratificações. E, acostumados a pedir verbas suplementares todas as vezes que tinham problemas de caixa, também resistiram à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impôs limites a gastos com pessoal, obrigando a Justiça a aplicar seus recursos orçamentários de modo mais racional e a adotar políticas mais eficientes de recursos humanos.

Como afirma o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Mozart Valadares, que apoia a divulgação das contas dos tribunais, a obrigatoriedade de divulgação dos gastos vai "aguçar a resistência de alguns segmentos judiciais". Para os conselheiros do CNJ, a medida, juntamente com os indicadores de desempenho funcional e as inspeções da Corregedoria Nacional de Justiça, permitirá identificar os casos de má gestão financeira, de arbitrariedades, de malversação de recursos públicos e de gastos perdulários com diárias, coquetéis, homenagens, carros oficiais e passagens aéreas. Em suas inspeções, os auditores do CNJ constataram graves distorções nas Justiças estaduais, cujo orçamento anual é superior a R$ 18 bilhões. Por gastar excessivamente com a manutenção dos gabinetes de seus dirigentes, por exemplo, alguns Tribunais de Justiça não dispunham de recursos suficientes para manter as varas judiciais, prejudicando com isso o atendimento à população.

Para coibir abusos em matéria de execução orçamentária, a resolução do CNJ obriga todos os tribunais a detalhar minuciosamente 30 itens, inclusive gastos com a construção de fóruns, reformas de imóveis, serviços de informática, publicidade, assessoria de imprensa, publicações e combustíveis. Os tribunais terão de informar até o que gastam com o cafezinho dos magistrados.

Além das despesas com pessoal ativo e inativo, encargos sociais e pensões, as cortes terão de divulgar os subsídios pagos a cada um de seus integrantes e os gastos com funcionários comissionados e terceirizados. Como magistrados e serventuários judiciais se opuseram à divulgação de seus nomes e respectivos vencimentos, o CNJ decidiu que as listagens relativas às folhas de pagamento serão exibidas com o número de matrícula funcional de cada um. Os tribunais também terão de informar as receitas provenientes de custas, taxas judiciais e serviços extrajudiciários e os valores gastos com a execução das sentenças judiciais.

Contribuindo para racionalizar a gestão dos recursos financeiros dos tribunais, as novas regras do CNJ ajudarão o Judiciário a melhorar sua imagem perante a opinião pública. Há dois meses, a pesquisa Índice Latino-americano de Transparência Orçamentária, realizada em 12 países, apontou o Judiciário como o mais "opaco" dos Três Poderes. Quanto mais transparente for a Justiça, maior será sua credibilidade.

[Editorial publicado na edição deste domingo do jornal O Estado de S. Paulo]

COMENTÁRIOS

J. B.

Importante sua menção neste espaço sobre a passagem da Coluna Prestes pela nossa querida ribeira do Poty.

Pena que os mandatários Crateuenses nunca tiraram o saudável proveito da passagem deste movimento ímpar na história do Brasil, com inspiração no lendário Mao Tsé-tung, Zhou Enlai e demais, que lideraram a grande Marcha, na China.

Alexandre Maia

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Caro Jr. Bonfim:

Provocar reações é uma maneira de fazer eslarecer ideias e ou pensamentos.

Vc foi por mim provado e respodeu com um brilhantismo que é so seu.

Faço das suas palavras, as minhas. "LIVRES" assim defendeu François-Marie Arouet.

Obrigado TFA

LB

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Caro Júnior , essas fotos postadas no observatório nos mostram um momento dificil em nossa categoria.

Mas acredito que ensinar exige alegria, esperança e convicção que a mudança é possivel basta querer.

Ozair Medeiros