Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sábado, 30 de junho de 2012
WILSON DA SILVA VICENTINO
Um homem que amou à primeira vista a sedutora geografia cearense. Apaixonou-se pela imponência silenciosa das nossas serras e a fertilidade imorredoura dos nossos vales, a latência fascinante do solo dos nossos sertões e a grandeza envolvente dos nossos verdes mares bravios. Eis uma marca de Wilson da Silva Vicentino.
Por isso foi unanimemente pontuada como merecida e efusivamente saudada a outorga, no último dia 18 de junho de 2012, do Título de Cidadão de Fortaleza, por propositura do vereador Carlos Mesquita.
À entrada da solenidade, em um banner, lia-se: “Há 37 anos este paulista descobriu aquilo que hoje todo mundo sabe: é uma fortaleza ser cidadão desta cidade!”
Bandeirante legítimo, de ascendência italiana, filho único dos operários João Vicentino e Cecília Joaquina, Wilson aportou na terra de Iracema no ano de 1975 como representante da Lista Telefônica. À época, a Lista era a mais destacada e poderosa forma de integração entre as pessoas, exercendo um magnetismo interativo semelhante ao das redes sociais nos dias atuais. Embora ainda muito jovem, já carregava na fronte o ímã vanguardista.
Aqui fez sua iniciação definitiva, aprendeu o trivium e o quadrivium, praticou as quatro viagens essenciais, destocou o roçado da faina elevada, desbastou a pedra bruta, constituiu numerosa família e acendeu a veneranda tocha de uma carreira olímpica.
Nestes últimos anos, desde quando firmamos sociedade na labuta jurídica, muito aprendi com o seu talento para enfrentar os desafios e olhar de frente as adversidades. Wilson espanca barreiras, desconhece limites. À Terêncio tem consciência de que nada do que é humano lhe é estranho. Não é de ficar alheio a nenhuma área do saber e da inteligência: mergulha nas águas do direito, lê compêndios de medicina, aprecia música, incorpora sommelier, analisa pesquisa, estuda engenharia, ministra aula de marketing, pratica agronomia...
É generosa figura humana, excelente anfitrião, marcante companheiro, pai extremado, amigo fraterno. Devota público afeto aos seis filhos: Gustavo, Wilson Júnior, Caio, Cindy, Matheus e Victor. Semanalmente, como quem cumpre um ritual sagrado, almoça com todas as suas crias. Há um ano tornou-se avô de Isadora.
Após uma extensa e exitosa passagem pelo Governo do Estado, quando conheceu e ficou conhecido pelo universo político-administrativo, resolveu sentar praça na trincheira jurídica.
Profissional dedicado, Wilson Vicentino é um dos mais destacados obreiros do direito no Ceará. Lidera uma banca com dezoito profissionais. Agrega às atividades típicas do causídico (advocacia e consultoria) o diferencial da estratégia. É um estrategista legal. Entra nas causas que abraça com a desenvoltura e a paixão de um mergulhador de águas profundas. Vai ao fundo do oceano jurisdicional. Perscruta cada detalhe. Não é daqueles operadores do direito que se quedam genuflexos ante os repositórios jurisprudenciais. Encontra o que dormita nas entrelinhas. Forja teses novas. Coloca na ribalta o que caiu na escuridão. E faz a luz!
Helena Romcy, a mulher com quem divide o manjar do amor, diz que o admira “porque é um homem de metas”. Ele não deixa tarefas sem cumprir. Descansa trabalhando no prazeroso ofício de cuidar de plantas em uma casa na Serra da Guaramiranga ou no sítio Urucará, onde também recebe amigos e se realiza na apicultura, na piscicultura e na criação de aves, ovinos, caprinos e bovinos, bem como em outros diletantismos campestres.
Cultuador da discrição, avesso aos holofotes, adora entregar para os clientes o protagonismo das vitórias na seara do Direito e da Justiça.
Como Saulo Ramos, em seu Código da Vida, Wilson pode declarar: "A advocacia é meu sacerdócio, minha desgastante e suave obsessão. Irresistível é o fascínio de lutar pela defesa do direito de alguém. Salvar liberdades, honras, patrimônios de toda espécie, materiais e morais. Poder ajudar na cura de feridas abertas na alma dos injustiçados, pobres ou ricos."
Parabéns, Wilson Vicentino, cidadão de Fortaleza, advogado do mundo!
(Crônica publicada na edição de hoje da Revista GENTE DE AÇÃO)
quinta-feira, 28 de junho de 2012
PARA REFLETIR
"Nas almas dominadas pelo senso da responsabilidade a consciência de um poder pesa como fardo, e atua como freio." (Rui Barbosa)
quarta-feira, 27 de junho de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Começo com a graça do grande José Américo de Almeida, um dos maiores tribunos brasileiros.
Margarida Vasconcelos, eleita Miss Paraíba, foi visitar o velho José Américo, joalheiro de palavra e autor de A Bagaceira, no casarão avarandado da praia de Tambaú, em João Pessoa. Chegou falando muito, falando demais, maltratando o português e as ideias. Queria conselhos:
- Doutor José Américo, o que o senhor me recomenda para eu representar bem o Estado no concurso de Miss Brasil, lá no Rio?
- Minha filha, você quer mesmo um conselho? Então fale o menos possível. E, se puder, não abra a boca.
Era uma vez... mil vezes
Amanhã, quinta-feira, 28, lançarei meu livro "Era uma vez mil vezes - O Brasil de todos os vícios" na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Publicado pela editora Topbooks, é uma leitura vertical, dividida em cinco capítulos, da política brasileira. Na capa, apresentações escritas pelos admiráveis amigos Jorge Gerdau, Delfim Netto, Dora Kramer, Ricardo Noblat, Maria Adelaide Amaral e Carlos Eduardo Lins da Silva. "Era uma vez mil vezes..." expõe uma reflexão sobre o país com base nos costumes da sociedade e nos padrões da política nacional. Todas as amigas e amigos leitores dessa coluna estão convidados.
Lançamento do livro "Era uma vez mil vezes - O Brasil de todos os vícios"
28 de junho de 2012, 19h
Conjunto Nacional - Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073, SP)
Informações: (11) 3170-4033 (Livraria Cultura) ou (11) 5053-6100 (GT Marketing)
Malulismo
Paulo Maluf chega ao paraíso. Nunca foi tão autossuficiente como nesses dias de confraternização com o PT e Lula. Acaba de dizer: "Eu, perto do PT, sou comunista". O comunista Maluf é apenas uma firula que quer dizer: vocês acreditam sinceramente que o PT ainda é um partido ideológico? Há muito que o PT jogou sua ideologia pelos desvãos da velha cultura política brasileira. Todos os partidos se juntam no caldeirão do cozido doutrinário. O malulismo - mescla do malufismo com o lulismo - constitui a manifestação mais avançada da pasteurização que invade a esfera partidária. Maluf é o profeta desses tempos cada vez mais inacreditáveis.
Mil caminhos existem
Mil caminhos existem, que ainda não foram palmilhados, mil saúdes e ocultas ilhas da vida. Ainda não esgotados nem descobertos continuam o homem e a terra dos homens. (Assim falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche)
Pressões e contrapressões
O ministro Ricardo Lewandowski se queixa de pressões que estaria recebendo por parte da mídia e da própria presidência do STF. Diz que não se rege por pressões. Que cumpre a agenda de sua consciência. Compreende-se. Mas a agenda formada pelo ministro Ayres Britto, presidente da Corte, foi aprovada por maioria dos membros. Afinal, o processo do mensalão está quase caindo de maduro da árvore da lerdeza. São sete anos de espera. Lewandowski entregou ontem a sua revisão, que é uma leitura atenta do voto do ministro Joaquim Barbosa, sujeito a ajustes e abordagens diferenciadas. Pelo andar da carruagem, o julgamento entrará no mês de setembro. Lembre-se que 3 de setembro é a reta final do ministro Peluso no Supremo. Aposentadoria compulsória.
A favor de um e contra outro
Um príncipe também é estimado quando é um verdadeiro amigo ou um verdadeiro inimigo, isto é, quando, sem temor algum, declara-se a favor de um e contra outro. Esse partido é sempre melhor do que se manter neutro, porque, se dois poderosos vizinhos a ti entrarem em guerra, e um deles vencer, das duas uma: ou tens o que temer do vencedor, ou não. (O Príncipe - Nicolau Maquiavel)
PSB e PT tomam distância
O PSB e o PT começam a tomar distância no espaço político-partidário. A partir deste último. Os partidos se afastam em pleitos, onde, até então, caminhavam juntos: Fortaleza, João Pessoa e Recife. O caso mais impactante é o do Recife, onde o PSB garantira o apoio ao PT, caso o candidato fosse o ex-deputado Maurício Rands. João da Costa ganhou as prévias. O PT acabou pedindo aos dois que se retirassem do pleito. Rands aceitou, o prefeito João disse não. O PT, então, decidiu afastá-lo na marra, escolhendo o senador Humberto Costa como candidato do partido. Ante a confusão formada, o presidente do PSB, governador Eduardo Campos tira do bolso do colete o nome de Geraldo Júlio, o golden-boy da administração pessebista, e o lança como candidato do PSB. Atrai para a aliança o PMDB do senador Jarbas Vasconcelos.
Visão de futuro
Em Fortaleza e em João Pessoa, o PSB também sairá com candidatos próprios. O partido demonstra não querer ser apertado em abraço de afogados, como lembra seu vice-presidente, Roberto Amaral. Aplaina caminhos do presente com vistas ao futuro. Eduardo Campos é ambicioso e gostaria de juntar em torno dele o que chama de "geração pós-64".
PMDB, o coringa
Qualquer cenário que se projete para o amanhã deve levar em consideração o papel do PMDB. Trata-se do maior partido nacional, com alta taxa de união interna graças à articulação realizada pelo presidente licenciado do partido, o vice-presidente da República Michel Temer. Todos os sinais apontam para uma performance altamente positiva do partido, o que o conduzirá novamente ao pódio municipal. Ou seja, deverá continuar com o maior número de prefeitos. Com a planilha nas mãos, o partido deverá ser um coringa. Se pender para um lado, este lado ganha o jogo. Se o PT, por exemplo, der uma guinada e quiser caminhar em faixa própria - posicionando-se como poder hegemônico - arrisca-se a entrar em parafuso. PT diz que fará 1.000 prefeitos. PMDB deverá ultrapassar esse número.
Atenção, na cidade inteira
Volte sua atenção para a cidade inteira, todas as associações, todos os distritos e bairros. Se você atrair à sua amizade seus líderes, facilmente vai ter nas mãos, graças a eles, a multidão restante. (Cícero - Manual do candidato às eleições, 34 A.C.)
Serra no teto?
Serra não expandiu sua taxa de intenção de voto mesmo com a intensa exposição a que teve direito nos spots publicitários. Há quem diga que bateu no teto dos 30%. O que impressiona é a altíssima taxa de rejeição do candidato, 32%. Que não cede. Essa é a montanha perigosa que poderá obstruir o desempenho do tucano.
Spots publicitários
Serra dentro de um estúdio dando aulas de administração. Haddad, circundado por Lula e Dilma. Em um cenário branco e frio. Chalita falando nos bairros, identificando as questões das regiões e discorrendo sobre as demandas das comunidades. Não é preciso entender de propaganda para se chegar à óbvia conclusão: a maior identificação com São Paulo é, sob o aspecto dos spots publicitários dos partidos, a do deputado Gabriel Chalita. Aliás, a convenção realizada na Praça da Sé revestiu-se de simbolismos. Praça central do civismo. Portanto, o candidato está bem calçado. Começo a considerar a hipótese de crescimento de Chalita. E repito o que tenho dito: furando o bloqueio e chegando ao segundo turno, será prefeito de São Paulo.
Vá ao encalço dos eleitores
Rastreie, vá ao encalço de homens de toda e qualquer região, passe a conhecê-los, cultive e fortaleça a amizade, cuide para que em suas respectivas localidades eles cabalem votos para você e defendam sua causa como se fossem eles os candidatos. (Cícero - Manual do candidato às eleições)
Perfis à mostra
Tenho sido indagado, quase diariamente, por jornais e revistas sobre os perfis preferenciais do eleitorado. Cada região tem suas preferências. Há, porém, alguns traços sobre os quais parece haver consenso:
- passado limpo, vida decente - candidatos que possam exibir sua trajetória sem ter vergonha de mostrar aspectos de sua vida;
- identificação com a cidade - candidatos que busquem vestir o manto da cidade, significando compromisso com as demandas das comunidades e as questões específicas dos bairros;
- despojamento, simplicidade - candidatos despojados, simples, descomplicados, sem as lantejoulas e salamaleques que costumam se fazer presentes no marketing exacerbado. Candidatos não afeitos ao 'dandismo' - mania de querer aparecer de maneira diferente.
- respeito, decência, dignidade pessoal - candidatos de postura respeitosa para com os eleitores e identificados com uma vida pessoal e familiar digna;
- transparência, verdade - candidatos que não temam contar as coisas como elas são ou foram;
- objetividade, viabilidade de propostas, concisão, precisão - candidatos de expressão objetiva e concisa, capazes de fazer propostas viáveis e não mirabolantes. Precisos na maneira de abordar os assuntos.
Fatores de influência
Outra questão recorrente nos questionamentos midiáticos é a respeito dos fatores que influenciam uma campanha. Eis alguns:
- maneira de apresentação dos candidatos - estética - alta prioridade. O primeiro sinal percebido pela cognição é a imagem que o candidato transmite. Sério, alegre, improvisado, informal, formal, artificial, desleixado, mal vestido, empetecado, verdadeiro, mentiroso, falso, atraente, simpático, nervoso, calmo, etc.
- programas de governo - propostas viáveis/inviáveis, impactantes ou óbvias - alta prioridade;
- patrocinadores/lideranças políticas - dependendo da região, a influência poderá ser muito alta ou tênue;
- casos escabrosos descobertos no meio da campanha - desastrosos, podem queimar as possibilidades de um candidato;
- organizações da sociedade civil - importantes para agregar grupos, mobilizar as comunidades;
- identificação com esportes/futebol - influência relativa; torcidas a favor podem receber o contraponto de torcidas contrárias;
- apoio de artistas - depende do artista e da região.
Vai ter lugar para todo mundo?
O afã mundial pelos jogos da Copa costuma provocar dúvidas sobre questões de infraestutura nos países que acolhem a nata do esporte bretão. Um dos pontos focais de preocupação é a oferta de leitos para hospedar a massa mundial (e local) de torcedores. Fazendo coro com esta preocupação, as comissões de Viação e Transportes e de Turismo e Desporto promovem, hoje, às 10h uma audiência pública com representantes do setor hoteleiro e dos navios de cruzeiro para debater a questão. A hotelaria se mostra bem preparada, mas a opção pelos navios como reforço na brigada hospedeira poderia ser uma ajuda interessante. A conferir.
Não é flor que se cheire
Cândido Norberto, jornalista, deputado do MTR (cassado), na tribuna da assembleia do RS, criticava o governador Ildo Meneghetti. Janela aberta, via-se ao lado o Palácio Piratini. Irritado com os ataques, o deputado Hed Borges, da bancada do governo, grita lá de trás:
- V. Exa., senhor deputado, já foi do PL, do PSD, do PTB, agora é do MTR. Como um beija-flor, vive pulando de flor em flor.
Cândido Norberto apontou para o palácio:
- É por isso mesmo que eu lhe digo, senhor deputado, que esse governador não é flor que se cheire. (Nery em seu Folclore Político)
Conselho aos marqueteiros
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos assessores políticos. Hoje, sua atenção se volta aos marqueteiros:
1. Tentem desenvolver uma identidade para seus candidatos, consoante com a história, os valores, os princípios e as condutas dos perfis. Identidade montada sobre uma base artificial desmorona.
2. Procurem auscultar não apenas a intenção de voto dos eleitores, mas as razões que fundamentam/orientam suas decisões. Ou seja, tentem entender o sistema cognitivo e a cultura política do eleitorado.
3. Façam ajustes periódicos, usem abordagens diferenciadas, façam comparações entre estilos, analisem as forças e fraquezas, as oportunidades e ameaças de seus candidatos.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Margarida Vasconcelos, eleita Miss Paraíba, foi visitar o velho José Américo, joalheiro de palavra e autor de A Bagaceira, no casarão avarandado da praia de Tambaú, em João Pessoa. Chegou falando muito, falando demais, maltratando o português e as ideias. Queria conselhos:
- Doutor José Américo, o que o senhor me recomenda para eu representar bem o Estado no concurso de Miss Brasil, lá no Rio?
- Minha filha, você quer mesmo um conselho? Então fale o menos possível. E, se puder, não abra a boca.
Era uma vez... mil vezes
Amanhã, quinta-feira, 28, lançarei meu livro "Era uma vez mil vezes - O Brasil de todos os vícios" na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Publicado pela editora Topbooks, é uma leitura vertical, dividida em cinco capítulos, da política brasileira. Na capa, apresentações escritas pelos admiráveis amigos Jorge Gerdau, Delfim Netto, Dora Kramer, Ricardo Noblat, Maria Adelaide Amaral e Carlos Eduardo Lins da Silva. "Era uma vez mil vezes..." expõe uma reflexão sobre o país com base nos costumes da sociedade e nos padrões da política nacional. Todas as amigas e amigos leitores dessa coluna estão convidados.
Lançamento do livro "Era uma vez mil vezes - O Brasil de todos os vícios"
28 de junho de 2012, 19h
Conjunto Nacional - Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073, SP)
Informações: (11) 3170-4033 (Livraria Cultura) ou (11) 5053-6100 (GT Marketing)
Malulismo
Paulo Maluf chega ao paraíso. Nunca foi tão autossuficiente como nesses dias de confraternização com o PT e Lula. Acaba de dizer: "Eu, perto do PT, sou comunista". O comunista Maluf é apenas uma firula que quer dizer: vocês acreditam sinceramente que o PT ainda é um partido ideológico? Há muito que o PT jogou sua ideologia pelos desvãos da velha cultura política brasileira. Todos os partidos se juntam no caldeirão do cozido doutrinário. O malulismo - mescla do malufismo com o lulismo - constitui a manifestação mais avançada da pasteurização que invade a esfera partidária. Maluf é o profeta desses tempos cada vez mais inacreditáveis.
Mil caminhos existem
Mil caminhos existem, que ainda não foram palmilhados, mil saúdes e ocultas ilhas da vida. Ainda não esgotados nem descobertos continuam o homem e a terra dos homens. (Assim falou Zaratustra - Friedrich Nietzsche)
Pressões e contrapressões
O ministro Ricardo Lewandowski se queixa de pressões que estaria recebendo por parte da mídia e da própria presidência do STF. Diz que não se rege por pressões. Que cumpre a agenda de sua consciência. Compreende-se. Mas a agenda formada pelo ministro Ayres Britto, presidente da Corte, foi aprovada por maioria dos membros. Afinal, o processo do mensalão está quase caindo de maduro da árvore da lerdeza. São sete anos de espera. Lewandowski entregou ontem a sua revisão, que é uma leitura atenta do voto do ministro Joaquim Barbosa, sujeito a ajustes e abordagens diferenciadas. Pelo andar da carruagem, o julgamento entrará no mês de setembro. Lembre-se que 3 de setembro é a reta final do ministro Peluso no Supremo. Aposentadoria compulsória.
A favor de um e contra outro
Um príncipe também é estimado quando é um verdadeiro amigo ou um verdadeiro inimigo, isto é, quando, sem temor algum, declara-se a favor de um e contra outro. Esse partido é sempre melhor do que se manter neutro, porque, se dois poderosos vizinhos a ti entrarem em guerra, e um deles vencer, das duas uma: ou tens o que temer do vencedor, ou não. (O Príncipe - Nicolau Maquiavel)
PSB e PT tomam distância
O PSB e o PT começam a tomar distância no espaço político-partidário. A partir deste último. Os partidos se afastam em pleitos, onde, até então, caminhavam juntos: Fortaleza, João Pessoa e Recife. O caso mais impactante é o do Recife, onde o PSB garantira o apoio ao PT, caso o candidato fosse o ex-deputado Maurício Rands. João da Costa ganhou as prévias. O PT acabou pedindo aos dois que se retirassem do pleito. Rands aceitou, o prefeito João disse não. O PT, então, decidiu afastá-lo na marra, escolhendo o senador Humberto Costa como candidato do partido. Ante a confusão formada, o presidente do PSB, governador Eduardo Campos tira do bolso do colete o nome de Geraldo Júlio, o golden-boy da administração pessebista, e o lança como candidato do PSB. Atrai para a aliança o PMDB do senador Jarbas Vasconcelos.
Visão de futuro
Em Fortaleza e em João Pessoa, o PSB também sairá com candidatos próprios. O partido demonstra não querer ser apertado em abraço de afogados, como lembra seu vice-presidente, Roberto Amaral. Aplaina caminhos do presente com vistas ao futuro. Eduardo Campos é ambicioso e gostaria de juntar em torno dele o que chama de "geração pós-64".
PMDB, o coringa
Qualquer cenário que se projete para o amanhã deve levar em consideração o papel do PMDB. Trata-se do maior partido nacional, com alta taxa de união interna graças à articulação realizada pelo presidente licenciado do partido, o vice-presidente da República Michel Temer. Todos os sinais apontam para uma performance altamente positiva do partido, o que o conduzirá novamente ao pódio municipal. Ou seja, deverá continuar com o maior número de prefeitos. Com a planilha nas mãos, o partido deverá ser um coringa. Se pender para um lado, este lado ganha o jogo. Se o PT, por exemplo, der uma guinada e quiser caminhar em faixa própria - posicionando-se como poder hegemônico - arrisca-se a entrar em parafuso. PT diz que fará 1.000 prefeitos. PMDB deverá ultrapassar esse número.
Atenção, na cidade inteira
Volte sua atenção para a cidade inteira, todas as associações, todos os distritos e bairros. Se você atrair à sua amizade seus líderes, facilmente vai ter nas mãos, graças a eles, a multidão restante. (Cícero - Manual do candidato às eleições, 34 A.C.)
Serra no teto?
Serra não expandiu sua taxa de intenção de voto mesmo com a intensa exposição a que teve direito nos spots publicitários. Há quem diga que bateu no teto dos 30%. O que impressiona é a altíssima taxa de rejeição do candidato, 32%. Que não cede. Essa é a montanha perigosa que poderá obstruir o desempenho do tucano.
Spots publicitários
Serra dentro de um estúdio dando aulas de administração. Haddad, circundado por Lula e Dilma. Em um cenário branco e frio. Chalita falando nos bairros, identificando as questões das regiões e discorrendo sobre as demandas das comunidades. Não é preciso entender de propaganda para se chegar à óbvia conclusão: a maior identificação com São Paulo é, sob o aspecto dos spots publicitários dos partidos, a do deputado Gabriel Chalita. Aliás, a convenção realizada na Praça da Sé revestiu-se de simbolismos. Praça central do civismo. Portanto, o candidato está bem calçado. Começo a considerar a hipótese de crescimento de Chalita. E repito o que tenho dito: furando o bloqueio e chegando ao segundo turno, será prefeito de São Paulo.
Vá ao encalço dos eleitores
Rastreie, vá ao encalço de homens de toda e qualquer região, passe a conhecê-los, cultive e fortaleça a amizade, cuide para que em suas respectivas localidades eles cabalem votos para você e defendam sua causa como se fossem eles os candidatos. (Cícero - Manual do candidato às eleições)
Perfis à mostra
Tenho sido indagado, quase diariamente, por jornais e revistas sobre os perfis preferenciais do eleitorado. Cada região tem suas preferências. Há, porém, alguns traços sobre os quais parece haver consenso:
- passado limpo, vida decente - candidatos que possam exibir sua trajetória sem ter vergonha de mostrar aspectos de sua vida;
- identificação com a cidade - candidatos que busquem vestir o manto da cidade, significando compromisso com as demandas das comunidades e as questões específicas dos bairros;
- despojamento, simplicidade - candidatos despojados, simples, descomplicados, sem as lantejoulas e salamaleques que costumam se fazer presentes no marketing exacerbado. Candidatos não afeitos ao 'dandismo' - mania de querer aparecer de maneira diferente.
- respeito, decência, dignidade pessoal - candidatos de postura respeitosa para com os eleitores e identificados com uma vida pessoal e familiar digna;
- transparência, verdade - candidatos que não temam contar as coisas como elas são ou foram;
- objetividade, viabilidade de propostas, concisão, precisão - candidatos de expressão objetiva e concisa, capazes de fazer propostas viáveis e não mirabolantes. Precisos na maneira de abordar os assuntos.
Fatores de influência
Outra questão recorrente nos questionamentos midiáticos é a respeito dos fatores que influenciam uma campanha. Eis alguns:
- maneira de apresentação dos candidatos - estética - alta prioridade. O primeiro sinal percebido pela cognição é a imagem que o candidato transmite. Sério, alegre, improvisado, informal, formal, artificial, desleixado, mal vestido, empetecado, verdadeiro, mentiroso, falso, atraente, simpático, nervoso, calmo, etc.
- programas de governo - propostas viáveis/inviáveis, impactantes ou óbvias - alta prioridade;
- patrocinadores/lideranças políticas - dependendo da região, a influência poderá ser muito alta ou tênue;
- casos escabrosos descobertos no meio da campanha - desastrosos, podem queimar as possibilidades de um candidato;
- organizações da sociedade civil - importantes para agregar grupos, mobilizar as comunidades;
- identificação com esportes/futebol - influência relativa; torcidas a favor podem receber o contraponto de torcidas contrárias;
- apoio de artistas - depende do artista e da região.
Vai ter lugar para todo mundo?
O afã mundial pelos jogos da Copa costuma provocar dúvidas sobre questões de infraestutura nos países que acolhem a nata do esporte bretão. Um dos pontos focais de preocupação é a oferta de leitos para hospedar a massa mundial (e local) de torcedores. Fazendo coro com esta preocupação, as comissões de Viação e Transportes e de Turismo e Desporto promovem, hoje, às 10h uma audiência pública com representantes do setor hoteleiro e dos navios de cruzeiro para debater a questão. A hotelaria se mostra bem preparada, mas a opção pelos navios como reforço na brigada hospedeira poderia ser uma ajuda interessante. A conferir.
Não é flor que se cheire
Cândido Norberto, jornalista, deputado do MTR (cassado), na tribuna da assembleia do RS, criticava o governador Ildo Meneghetti. Janela aberta, via-se ao lado o Palácio Piratini. Irritado com os ataques, o deputado Hed Borges, da bancada do governo, grita lá de trás:
- V. Exa., senhor deputado, já foi do PL, do PSD, do PTB, agora é do MTR. Como um beija-flor, vive pulando de flor em flor.
Cândido Norberto apontou para o palácio:
- É por isso mesmo que eu lhe digo, senhor deputado, que esse governador não é flor que se cheire. (Nery em seu Folclore Político)
Conselho aos marqueteiros
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos assessores políticos. Hoje, sua atenção se volta aos marqueteiros:
1. Tentem desenvolver uma identidade para seus candidatos, consoante com a história, os valores, os princípios e as condutas dos perfis. Identidade montada sobre uma base artificial desmorona.
2. Procurem auscultar não apenas a intenção de voto dos eleitores, mas as razões que fundamentam/orientam suas decisões. Ou seja, tentem entender o sistema cognitivo e a cultura política do eleitorado.
3. Façam ajustes periódicos, usem abordagens diferenciadas, façam comparações entre estilos, analisem as forças e fraquezas, as oportunidades e ameaças de seus candidatos.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 26 de junho de 2012
PITACOS SOBRE A CIDADE
Amanheci com vontade de dar pitacos. Diversamente do que muitos possam imaginar, pitaco não é um palpite sem fundamento. É uma opinião. Em se tratando da coisa pública, ou sobre os rumos de uma cidade, a opinião pode ser emitida independente de solicitação.
Obviamente, estou pensando em uma urbe específica, mas pode servir para outras.
Dirijo estas palavras aos que se lançam à nobre tarefa de interpretar sonhos: os candidatos. Sim, candidato a cargo eletivo, representante do povo, líder popular não é senão um intérprete de sonhos, dos sonhos da coletividade.
Enquanto escrevo me vem à mente um personagem bíblico do Antigo Testamento: José, o filho de Jacó e Raquel, que ficou para a posteridade como José do Egito. Certamente um emblema em se tratando de revelação da essência daquilo que é só aparência.
Uma noite, o Faraó sonhou. Naquele transe onírico viu que sete vacas magras comiam sete vacas gordas e mesmo assim continuavam magras. Em busca de uma explicação, convocou todos os sacerdotes do Egito. Nenhum conseguiu. Apenas José, que estava preso, ofereceu uma interpretação convincente ao Faraó: o Egito passaria por sete anos de fartura e sete anos de seca, consecutivos.
Empolgado com a sua desenvoltura, o Faraó presenteia José com um anel de seu próprio dedo e o nomeia Adon do Egito, um cargo de expressão, tipo chanceler ou governador.
José, então, ordena que se construam celeiros para guardar a produção do Egito durante os anos de fartura. Nos sete anos de seca, José passou a vender os cereais dos celeiros reais a preço de ouro e conseguiu comprar para o Faraó quase a totalidade das terras do Alto Egito. O nome José significa “aquele que acrescenta”.
Bem representa os seus concidadãos aquele que, além de interpretar os signos das aspirações populares, se lhes acrescenta alguma coisa. E age. Semeia. Planta. Cuida. Colhe. E reparte. Como lembra Thiago de Mello, “é sonhar, mas cavalgando/ o sonho e inventando o chão/ para o sonho florescer”.
A primeira tarefa de um líder, preferencialmente um prefeito, é despertar a coletividade do seu município para a alteração cultural. Mudar a forma de raciocínio, transformar os nossos esquemas mentais. Libertarmo-nos dos grilhões que acorrentam a massa encefálica. A diferença que separa um município pobre de um rico, ou um estado ou um país, não é a idade, muito menos a quantidade de recursos naturais. A Índia é um país milenar e possui uma pobreza vultosa e aviltante. A Nova Zelândia é novíssima. E riquíssima também. A Suíça não produz um grão de cacau, mas vende o melhor chocolate do mundo.
Estudiosos revelam: a fronteira que separa países ricos e pobres se resume à observância de algumas formas de conduta essenciais: 1. A ética como principio básico. 2. A integridade. 3. A responsabilidade. 4. O respeito às leis. 5. O respeito pelos direitos dos demais cidadãos. 6. O amor pelo trabalho. 7. O esforço para economizar e investir. 8. O desejo de superar. 9. A pontualidade.
A ética pode ser resumida em tratarmos os outros como desejamos ser tratados. Para isso, basta nos colocarmos no lugar do outro. Será que eu gostaria de ser tratado como estou tratando um servidor, um contribuinte, um cidadão comum? Estou sendo íntegro, responsável, respeitador das leis e dos direitos alheios?
Valorizo o amor ao trabalho ou premio apenas o meu grupo independente do mérito dos que o compõem? Combato a mendicância e o clientelismo? Priorizo projetos que incentivam a independência financeira? Ao invés de festejar a quantidade de pessoas recebendo bolsa-família, deveríamos comemorar sua diminuição. Quanto mais pessoas deixassem os programas de transferência de renda e adquirissem sua própria renda por meio de empreendimentos montados e gerenciados por elas, melhor. (Outro dia um amigo me perguntou: - Você já viu um japonês pedindo esmola? – Não, respondi. Ele completou: - Pois é porque eles desenvolveram a cultura do trabalho, essencial para o progresso.)
Se uma Prefeitura deliberar para gastar menos do que arrecada e for pontual no cumprimento dos compromissos já eliminará mais da metade dos seus problemas. O resto se resolve com o firme propósito da permanente superação.
Entendo que a campanha política é o espaço para se divulgar ideias; não intrigas. Planejar o futuro; não propagar futricas. Dissecar projetos; não denegrir pessoas. Sonho com isso. E esse sonho, convenhamos, de tão nítido dispensa interpretações.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
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Artigo Brilhante!
Parabéns!!!
De: José de melo neto (Zéneto)
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Dr Junior Bonfim, já disse aqui em seu blog, este é para ser lido pelos estudantes de nossa cidade. Belíssimo seu comentário, quando alcançaremos este perfil politico?
Obviamente, estou pensando em uma urbe específica, mas pode servir para outras.
Dirijo estas palavras aos que se lançam à nobre tarefa de interpretar sonhos: os candidatos. Sim, candidato a cargo eletivo, representante do povo, líder popular não é senão um intérprete de sonhos, dos sonhos da coletividade.
Enquanto escrevo me vem à mente um personagem bíblico do Antigo Testamento: José, o filho de Jacó e Raquel, que ficou para a posteridade como José do Egito. Certamente um emblema em se tratando de revelação da essência daquilo que é só aparência.
Uma noite, o Faraó sonhou. Naquele transe onírico viu que sete vacas magras comiam sete vacas gordas e mesmo assim continuavam magras. Em busca de uma explicação, convocou todos os sacerdotes do Egito. Nenhum conseguiu. Apenas José, que estava preso, ofereceu uma interpretação convincente ao Faraó: o Egito passaria por sete anos de fartura e sete anos de seca, consecutivos.
Empolgado com a sua desenvoltura, o Faraó presenteia José com um anel de seu próprio dedo e o nomeia Adon do Egito, um cargo de expressão, tipo chanceler ou governador.
José, então, ordena que se construam celeiros para guardar a produção do Egito durante os anos de fartura. Nos sete anos de seca, José passou a vender os cereais dos celeiros reais a preço de ouro e conseguiu comprar para o Faraó quase a totalidade das terras do Alto Egito. O nome José significa “aquele que acrescenta”.
Bem representa os seus concidadãos aquele que, além de interpretar os signos das aspirações populares, se lhes acrescenta alguma coisa. E age. Semeia. Planta. Cuida. Colhe. E reparte. Como lembra Thiago de Mello, “é sonhar, mas cavalgando/ o sonho e inventando o chão/ para o sonho florescer”.
A primeira tarefa de um líder, preferencialmente um prefeito, é despertar a coletividade do seu município para a alteração cultural. Mudar a forma de raciocínio, transformar os nossos esquemas mentais. Libertarmo-nos dos grilhões que acorrentam a massa encefálica. A diferença que separa um município pobre de um rico, ou um estado ou um país, não é a idade, muito menos a quantidade de recursos naturais. A Índia é um país milenar e possui uma pobreza vultosa e aviltante. A Nova Zelândia é novíssima. E riquíssima também. A Suíça não produz um grão de cacau, mas vende o melhor chocolate do mundo.
Estudiosos revelam: a fronteira que separa países ricos e pobres se resume à observância de algumas formas de conduta essenciais: 1. A ética como principio básico. 2. A integridade. 3. A responsabilidade. 4. O respeito às leis. 5. O respeito pelos direitos dos demais cidadãos. 6. O amor pelo trabalho. 7. O esforço para economizar e investir. 8. O desejo de superar. 9. A pontualidade.
A ética pode ser resumida em tratarmos os outros como desejamos ser tratados. Para isso, basta nos colocarmos no lugar do outro. Será que eu gostaria de ser tratado como estou tratando um servidor, um contribuinte, um cidadão comum? Estou sendo íntegro, responsável, respeitador das leis e dos direitos alheios?
Valorizo o amor ao trabalho ou premio apenas o meu grupo independente do mérito dos que o compõem? Combato a mendicância e o clientelismo? Priorizo projetos que incentivam a independência financeira? Ao invés de festejar a quantidade de pessoas recebendo bolsa-família, deveríamos comemorar sua diminuição. Quanto mais pessoas deixassem os programas de transferência de renda e adquirissem sua própria renda por meio de empreendimentos montados e gerenciados por elas, melhor. (Outro dia um amigo me perguntou: - Você já viu um japonês pedindo esmola? – Não, respondi. Ele completou: - Pois é porque eles desenvolveram a cultura do trabalho, essencial para o progresso.)
Se uma Prefeitura deliberar para gastar menos do que arrecada e for pontual no cumprimento dos compromissos já eliminará mais da metade dos seus problemas. O resto se resolve com o firme propósito da permanente superação.
Entendo que a campanha política é o espaço para se divulgar ideias; não intrigas. Planejar o futuro; não propagar futricas. Dissecar projetos; não denegrir pessoas. Sonho com isso. E esse sonho, convenhamos, de tão nítido dispensa interpretações.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
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Artigo Brilhante!
Parabéns!!!
De: José de melo neto (Zéneto)
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Dr Junior Bonfim, já disse aqui em seu blog, este é para ser lido pelos estudantes de nossa cidade. Belíssimo seu comentário, quando alcançaremos este perfil politico?
OBSERVATÓRIO
Desta semana não passa. No próximo sábado, dia 30, expira-se o prazo para todos os Partidos realizarem suas convenções para a escolha dos candidatos: prefeito, vice-prefeito e vereadores. A maioria, obviamente, convocou seus filiados para o limite legal. Em Crateús o cenário permanece praticamente o mesmo dantes delineado. Na chapa de situação, após certa relutância do Prefeito, que chegou a externar o desejo de não se recandidatar, os nomes deverão permanecer os mesmos: Carlos Felipe e Mauro Soares. Na oposição, há por enquanto três chapas definidas: a do PSOL (ainda sem os nomes), a do PV (João Coelho Soriano, o Maçaroca) e a das Oposições Unidas, liderada pelo PMDB e pelo DEM (Ivan Monte Claudino e Antonio Luiz). Luizinho Sales, do PSDB, que logo cedo havia afirmado não ser candidato, abriu uma dissidência e lançou-se semana passada. Mas a maioria dos tucanos, agora sob a Presidência de Edmilson Coelho, pretende manter o compromisso já firmado: a união das oposições.
ARTICULAÇÕES
Foram muitas as articulações visando rachar o esquema oposicionista. Em uma reunião ocorrida em Fortaleza membros do PPS, PDT, PSDB e PMN informaram ao pré-candidato Ivan Monte Claudino que estavam rompendo a aliança e iriam marchar com uma candidatura própria, encabeçada pelo empresário Luizinho Sales. Sucede que, no dia seguinte, a direção estadual do PSDB entregou ao TRE um documento em que autorizou a vigência da Comissão Provisória de Crateús. Foram mantidos os mesmos nomes. Mudou apenas o Presidente. Ao invés de Zé Vagno Mota, assumiu o comando da agremiação o ex-presidente da Câmara Edmilson Coelho. Este não é favorável à divisão das oposições. Acha que o PSDB deve compor com os demais partidos oposicionistas e priorizar a eleição proporcional, elegendo uma boa bancada de vereadores. Doutor Lourival Rodrigues, líder maior do PDT, reuniu os correligionários e manifestou sua posição: defenderá a aliança original em sinal de lealdade ao vice-governador Domingos Filho. Com isso, contatos estão sendo mantidos com os demais líderes a fim de recompor a ampla coligação inicialmente idealizada.
MULHERES
No que pertine à eleição para o Legislativo Municipal, a maioria ainda não se deu conta de uma inovação: do número de vagas requeridas - segundo o artigo 10, § 3º, da Lei 9.504/97 - cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo. Ou seja, se uma coligação lançar vinte candidaturas, obrigatoriamente terá que apresentar no mínimo seis candidatas mulheres. O problema é que não há, nos nossos partidos, tradição de lançamento de tantas candidaturas do sexo feminino...
IMPORTANTE
Após a escolha dos candidatos em convenção, os partidos e as coligações deverão solicitar ao Juiz Eleitoral o registro de seus candidatos até às 19 horas do dia 5 de julho de 2012. O pedido de registro deverá ser apresentado em meio magnético, gerado pelo sistema CANDEX, que é o programa criado pela Justiça Eleitoral para uso obrigatório nos registros de candidaturas. A propaganda eleitoral somente será permitida após o dia 05 de julho de 2012 (art. 36 da Lei n.º 9.504/97). Para o registro de candidatura são necessários os seguintes documentos: 1. DRAP - Formulário Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, gerado pelo Sistema CANDEX, impresso e assinado pelo Presidente do Partido (quando concorre isolado) ou pelo Representante da coligação. 2. RRC - Requerimento do Registro de Candidatura, gerado pelo Sistema CANDEX, impresso e assinado pelo candidato. 3. Declaração de bens. 4. Fotografia recente do candidato. 5. Comprovante de escolaridade. 6. Cópia de documento oficial de identificação. 6. Prova de desincompatibilização ou afastamento, quando for o caso. 7. Proposta de governo para o candidato ao cargo de Prefeito, em uma via impressa e outra digitalizada e anexada ao CANDEX. 8. Certidões criminais fornecidas pelo Poder Judiciário.
OS SERTÕES E EUCLIDES DA CUNHA
A Academia de Letras de Crateús convida para uma agradável palestra e um prazeroso bate papo cultural sobre OS SERTÕES E EUCLIDES DA CUNHA. O palestrante será o acadêmico Padre Geraldinho. O evento ocorrerá hoje, terça-feira, logo mais à noite, às 19:00 hs, na sede do Sodalício, na Rua do Instituto Santa Inês, 231, Crateús, Ceará.
PARA REFLETIR
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. (...) Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude. (...) Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias”. (Euclides da Cunha)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
ARTICULAÇÕES
Foram muitas as articulações visando rachar o esquema oposicionista. Em uma reunião ocorrida em Fortaleza membros do PPS, PDT, PSDB e PMN informaram ao pré-candidato Ivan Monte Claudino que estavam rompendo a aliança e iriam marchar com uma candidatura própria, encabeçada pelo empresário Luizinho Sales. Sucede que, no dia seguinte, a direção estadual do PSDB entregou ao TRE um documento em que autorizou a vigência da Comissão Provisória de Crateús. Foram mantidos os mesmos nomes. Mudou apenas o Presidente. Ao invés de Zé Vagno Mota, assumiu o comando da agremiação o ex-presidente da Câmara Edmilson Coelho. Este não é favorável à divisão das oposições. Acha que o PSDB deve compor com os demais partidos oposicionistas e priorizar a eleição proporcional, elegendo uma boa bancada de vereadores. Doutor Lourival Rodrigues, líder maior do PDT, reuniu os correligionários e manifestou sua posição: defenderá a aliança original em sinal de lealdade ao vice-governador Domingos Filho. Com isso, contatos estão sendo mantidos com os demais líderes a fim de recompor a ampla coligação inicialmente idealizada.
MULHERES
No que pertine à eleição para o Legislativo Municipal, a maioria ainda não se deu conta de uma inovação: do número de vagas requeridas - segundo o artigo 10, § 3º, da Lei 9.504/97 - cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo. Ou seja, se uma coligação lançar vinte candidaturas, obrigatoriamente terá que apresentar no mínimo seis candidatas mulheres. O problema é que não há, nos nossos partidos, tradição de lançamento de tantas candidaturas do sexo feminino...
IMPORTANTE
Após a escolha dos candidatos em convenção, os partidos e as coligações deverão solicitar ao Juiz Eleitoral o registro de seus candidatos até às 19 horas do dia 5 de julho de 2012. O pedido de registro deverá ser apresentado em meio magnético, gerado pelo sistema CANDEX, que é o programa criado pela Justiça Eleitoral para uso obrigatório nos registros de candidaturas. A propaganda eleitoral somente será permitida após o dia 05 de julho de 2012 (art. 36 da Lei n.º 9.504/97). Para o registro de candidatura são necessários os seguintes documentos: 1. DRAP - Formulário Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, gerado pelo Sistema CANDEX, impresso e assinado pelo Presidente do Partido (quando concorre isolado) ou pelo Representante da coligação. 2. RRC - Requerimento do Registro de Candidatura, gerado pelo Sistema CANDEX, impresso e assinado pelo candidato. 3. Declaração de bens. 4. Fotografia recente do candidato. 5. Comprovante de escolaridade. 6. Cópia de documento oficial de identificação. 6. Prova de desincompatibilização ou afastamento, quando for o caso. 7. Proposta de governo para o candidato ao cargo de Prefeito, em uma via impressa e outra digitalizada e anexada ao CANDEX. 8. Certidões criminais fornecidas pelo Poder Judiciário.
OS SERTÕES E EUCLIDES DA CUNHA
A Academia de Letras de Crateús convida para uma agradável palestra e um prazeroso bate papo cultural sobre OS SERTÕES E EUCLIDES DA CUNHA. O palestrante será o acadêmico Padre Geraldinho. O evento ocorrerá hoje, terça-feira, logo mais à noite, às 19:00 hs, na sede do Sodalício, na Rua do Instituto Santa Inês, 231, Crateús, Ceará.
PARA REFLETIR
“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas. (...) Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude. (...) Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias”. (Euclides da Cunha)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 25 de junho de 2012
QUASE
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
(Sarah Westphal)
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
(Sarah Westphal)
sábado, 23 de junho de 2012
UTOPIA CABLOCA

Fazer amigos é um atributo indispensável a todo ser humano. É uma tendência própria que depende unicamente do caráter e do temperamento de cada um. Alguns já nascem com um manual embutido na pele e fazem amizades instintivamente, pela água, pela terra e pelo ar.
O Luiz Bonfim – um esclarecido e erudito cidadão de vida boa – pertence a essa espécie, e não passa muito tempo sem regar suas afeições e suas estimas, mesmo quando um companheiro querido já foi recompensado com o merecido descanso da fatigante faina terrestre. Veio da cidade de Fortaleza, com inoportuna urgência, prestar as últimas homenagens ao amigo e colega aposentado do Banco do Brasil, Francisco de Matos Melo, a quem chamavam de capelão, pela atenção e imensa cordialidade com que atendia às pessoas, indistintamente.
Nos momentos tristes de um funeral, em que se velam as últimas horas de um falecido com o pesar familiar e as cordiais despedidas dos amigos, uma melancolia desabrocha nas almas ali presentes, trazendo à tona as mais diversas recordações da vida que se transmutou em outra enigmática vida.
Acompanhávamos, na marcha penosa, o cortejo fúnebre relembrando o exemplar servidor que representava a figura emblemática do “Matos”, pensando que o País seria bem mais “Brasil” se houvessem muitos, como ele, empenhados com denodo, dentro das repartições públicas.
Um clarão nos surgiu rápido, quando passamos em frente ao Externato N. S de Fátima, na Frei Vidal, relembrando um inusitado encontro revestido de mistério, quando o profeta capuchinho Frei Vidal, o Pe. Juvêncio, o ilustríssimo Dom Fragoso e o bondoso Alfredinho vieram ao encontro deste propenso poeta para confabular e alertar sobre alguns sigilos, mas nada muito sobrenatural.
O séquito, após a encomenda do corpo na Igreja da Matriz, atravessa a Praça José Coriolano e desce o “Beco do Seu Raimundo Bezerra”, na Rua Carlos Rolim, rumo à última morada, o acolhedor cemitério São Miguel. O triste repique do sino, em despedida, me fez recordar um singelo verso de minha larva: “E na memória do Sino / plena em presságio, / cabem todas as almas / dos desvanecidos corpos.” Já ao pé do túmulo, alguém se pronúncia florejando os atos de um benfeitor e a confirmar a benquerença ao amigo que parte.
Em voz baixa, confidencio: – Amigo Luiz, este momento de despedida me lembra o discurso de Marcos Antonio no funeral de Júlio Cesar “Amigos, romanos, meus concidadãos, deem-me ouvidos. Vim para enterrar César, não para louvá-lo. O bem que se faz é enterrado com os nossos ossos, que seja assim com César.” O Luiz, um espírito perspicaz, já refletia sobre outra observação que lhe incidia sobre o olhar, perplexo:
– Raimundo, observe aonde o amigo Matos vai ser enterrado! É o túmulo do Luiz de Araujo Melo, o sogro, conhecido como Luiz Mano. E me testando, pergunta: – Você sabe quem foi ele?
Já tinha algumas referências sobre aquele crateuense que fora Diretor da Escola Técnica de Comércio e o orador oficial da primeira turma de contadores em 1948, época em que formatura, além de requerer uma grande festa, era um ritual de passagem para uma vida digna de trabalho e responsabilidades, familiar e social. Sabia que tinha sido um homem honrado e bondoso e que ajudava até os carreteiros do mercado, quando para estes, trabalho não havia. Soube que a sua morte, por um apêndice supurado, causou uma enorme comoção na cidade, abalo igual só na morte do Dr. Olavo Cardoso, pois eram cidadãos amados pelo povo.
O rejuvenescido Gravatinha, carinhosa alcunha do Bonfim, professoralmente continua na sua explanação sobre o Luiz Mano, um cidadão que Cratéus não podia e nem deve esquecer.
– Professor Raimundinho, fora essas informações que você já sabe, o Luiz Mano foi um ativo vereador de nossa cidade, numa época de UDNs, PSDs, curais eleitorais, votos comprados, políticos vendidos e outros vis crimes eleitorais. Ele exercia sua atividade política com consciência, com a mais limpa honestidade, voltada para uma benfazeja cidadania. Era simpatizante de um socialismo inofensivo e sentimental, que podemos até chamar de utopia cabocla. Na época, pelo rádio, se ouvia falar nas greves dos trabalhadores, lá em São Paulo, em luta por melhores salários, por uma vida digna e melhor, citavam as convenções de um Partido que conclamava a batalha pela reforma agrária, à luta pelo “Petróleo é Nosso”, pela concentração de esforços contra o imperialismo americano. Por aqui, em 1943, onde até a Câmara Municipal vivia momentos conturbados, pois havia duas assembleias constituintes, uma verdadeira e outra falsa, dividindo os vereadores, uma terrível mão invisível chegou. A perigosa concepção de um senador iaque, Mccarthy, para combater e perseguir todos aqueles que tivessem alguma relação com o comunismo de um mundo bipolar, era uma imperceptível garra feroz e destruidora, que por aqui também sobreveio. Uma simples imagem na alma de um povo ignorante e ingênuo logo vira um fato concreto, e num instante os comunistas estavam em todo canto, devorando criancinhas. Os soldados aliciados para uma guerra invisível são os piores soldados, não sabem por que lutam, por que matam ou morrem! As unhas afiadas do mecartismo ganhavam adeptos. E o Luiz continua a falar, se empolgando cada vez mais, como se revivesse aqueles instantes:
– Aquele foi um momento perigoso, Raimundo! O Luiz Mano tramou um comício, planejou uma assembléia popular, na Praça da Estação, e convidou seus inúmeros amigos e os muitos simpatizantes de suas ideias, já que nem a câmara municipal se entendia. Mas, às vezes, entre os amigos existe a dissimulação, e o fingimento correu a gritar nos ouvidos da incivil estupidez.
O zelo mais excessivo do capitalismo achava-se alojado na igreja, encoberto, inconscientemente, pelas batinas. O diligente Pe. Bonfim, já não se entendia bem com o professor Luiz Mano, um sujeito de ideias estranhas e chegado a esse comunismo de Karl Marx que ousava afirmar: “A religião é o ópio do povo”. Com uma propícia ajuda, convocou a milícia de Sobral, que chega disfarçada no intuito de impedir a abertura de uma Loja Maçônica, o braço direito do diabo, a filial do império das trevas, como dizia a igreja católica na época. E logo na véspera da chegada da Santa Peregrina, acontecer esse primeiro comício de esquerda nos Sertões de Crateús, era inadmissível.
– O comício já iniciara quando, de repente, chega o Pe. Bonfim, colérico, conduzindo a polícia e uma multidão de fieis, todos propensos a uma guerra santa: “Viemos, em nome de Deus, acabar essa pouca vergonha, de quem não tem fé e quer enganar o povo, com esse comunismo diabólico que veio para destruir a religião e a democracia.”
– Raimundo, não houve um tiro. Somente o trabalhador Luiz Mano, em serena calma, enfrentou as chispas e os raios desferidos pelo Pe. Bonfim. Como um cidadão íntegro pediu para que os correligionários fossem para casa, evitando prisões e derramamentos de sangue, mas consciente de que, aquela ira toda não vinha da voz de um sacerdote ali presente, e sim das garras do capitalismo ganancioso que ganhava vida e voz, e vencia mais uma batalha, mas não a guerra.
A cerimônia fúnebre chegará ao fim, e fiquei a imaginar que o lacre que colocaram naquela lápide não encerrou uma vida, como disse Marcos Antonio no funeral de Júlio Cesar, o bem que se faz não é enterrado com os nossos ossos, ele fica como um exemplo para outras vidas que merecem ser vividas com denodo e coragem de um heróico Luiz Mano ou como a obsequiosa humildade de um prestativo Matos Melo.
Despeço-me do amigo Luiz, que resolve voltar para seus urgentes afazeres na capital e sigo no caminho de casa a cantarolar, involuntariamente, a bela música utopia, do cantor e agente pastoral Zé Vicente (Quando o dia da paz renascer / Quando o Sol da esperança brilhar / Eu vou cantar // Vai ser tão bonito se ouvir a canção / Cantada de novo / no olhar da gente a certeza de irmãos / reinado do povo) fascinado com aquela história de um herói real e crateuense que pretendo mostrar para meus filhos, que sonham com os imaginários guerreiros de uma distante literatura.
Raimundo Candido
OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO - EIS A MENSAGEM DE HOJE!


Evangelho - Mt 6,24-34
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
24Ninguém pode servir a dois senhores:
pois, ou odiará um e amará o outro,
ou será fiel a um e desprezará o outro.
Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
25Por isso eu vos digo:
não vos preocupeis com a vossa vida,
com o que havereis de comer ou beber;
nem com o vosso corpo,
com o que havereis de vestir.
Afinal, a vida não vale mais do que o alimento,
e o corpo, mais do que a roupa?
26Olhai os pássaros dos céus:
eles não semeiam, não colhem,
nem ajuntam em armazéns.
No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta.
Vós não valeis mais do que os pássaros?
27Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida,
só pelo fato de se preocupar com isso?
28E por que ficais preocupados com a roupa?
Olhai como crescem os lírios do campo:
eles não trabalham nem fiam.
29Porém, eu vos digo:
nem o rei Salomão, em toda a sua glória,
jamais se vestiu como um deles.
30Ora, se Deus veste assim a erva do campo,
que hoje existe e amanhã é queimada no forno,
não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé?
31Portanto, nóo vos preocupeis, dizendo:
O que vamos comer? O que vamos beber?
Como vamos nos vestir?
32Os pagãos é que procuram essas coisas.
Vosso Pai, que está nos céus,
sabe que precisais de tudo isso.
33Pelo contrário, buscai em primeiro lugar
o Reino de Deus e a sua justiça,
e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.
34Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã,
pois o dia de amanhã terá suas preocupações!
Para cada dia, bastam seus próprios problemas.'
Palavra da Salvação.
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Essa passagem me causa conforto, pela sua essência, suavidade e todo o contexto em que foi transmitida. Fecho os olhos e me imagino com Jesus, naquele momento, sentada aos seus pés, ouvindo-o falar das coisas simples e de como a vida é bela e segura sob seus cuidados. Posso sentir o silêncio de vozes humanas e o pulsar da natureza orquestrado pelos céus. Jesus andando entre os discípulos, e sua mensagem penetrando como um bálsamo suave nos corações. : ...”Olhai para os lírios do campo como eles crescem, não trabalham nem fiam... se Deus assim veste a erva do campo que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós homens de pouca fé?” Mt 6:28-30.
Os Lírios em Israel
A palavra grega para "lírios" significa "flores silvestres". O biólogo Israelense Ori Fragman-Sapir, cientista chefe da Universidade de Jerusalém Botanical Gardens, escreveu um artigo intitulado "Wild Allium Espécie em Israel". Nele relata que existem 250 espécies de lírios desde Israel, ao Irã e Turquia. Nos campos de Israel , especificamente, foram catalogados 39 tipos de allium florescendo pelos campos.
Jesus poderia esta se referindo a qualquer uma dessas espécies, ou a todas elas. Alguns tipos de lírios não possuem raiz, secam rapidamente. Dessa forma, era costume da época reunir as flores secas e usa-las para queimar nos fornos a fim de aquecer a temperatura. Talvez isto explique a fala de Jesus: "a erva do campo que hoje existe e amanhã é lançada ao forno".
Provavelmente, ao proferir o sermão não houvesse lírio algum a sua volta, segundo pesquisadores, era verão. Não importa. Creio que todos entenderam perfeitamente o que Jesus falou. Assim como penso que cada vez que um daqueles discípulos contemplava um lírio, a mensagem transbordava no coração.
(Por Wilma Rejane)
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
FELIZ ANIVERSÁRIO, LEONARDO!

Leonardo Macedo é um mestre. Multifacetário. É formado em Administração, Contabilidade e Direito. Entende os meandros da boa gestão, passeia com tranquilidade pelo desvio padrão de todos os cálculos e enfrenta com serenidade os obstáculos epistemológicos que surgem nas estradas do direito.
Desvenda com facilidade os mistérios da alma humana, é um acurado observador dos trejeitos alheios e é um eficiente imitador dos amigos.
Acima de tudo, é um amigo fraterno. Adora encarar com leveza os arroubos de dureza da vida.
Por isso, hoje o saudamos e desejamos um maiúsculo FELIZ ANIVERSÁRIO!
quarta-feira, 20 de junho de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
A artrite...
Nesses tempos de papa velhinho, que tal abrir a coluna com esta historinha?
O bêbado entrou no ônibus aos tombos. Malvestido, sujo, tossindo, tropeçando, tremendo, com um jornal na mão, sentou-se ao lado de um padre. A cada arranco do ônibus, tombava para o lado do padre, que, irritado, o empurrava sem piedade ou indulgência, e com nojo. O bêbado abriu o jornal, tentou ler, mas não conseguia porque tremia muito, bateu no braço do padre:
- Padre, o que é artrite?
- É uma doença muito ruim, muito triste, muito feia, muito nojenta, que dá nas pessoas que bebem muito.
- E mata, padre?
- Mata sim, e mata rápido. Ou o doente para de beber ou morre logo.
- Padre, o senhor jura que não está me enganando não
- Juro por essa cruz que está aqui no meu peito. Não estou enganando. E tem coisa pior. Quem morre de artrite, porque não parou de beber, não vai para o céu, nem mesmo para o purgatório. Vai direto para o fogo do inferno.
- Coitadinho dele, padre.
- Dele, quem?
- Do Papa, padre. O jornal está dizendo aqui que o Papa está com artrite.
O padre se levantou, trocou de lugar, e foi lá pra frente. (Da pena engraçada do Nery)
Maluf reza por Haddad
Paulo Maluf até que tentou rezar por José Serra. A condição: ganhar posições no governo Geraldo Alckmin. Que não aceitou o pleito. Serra, por sua vez, prometia cargos na prefeitura, após assumir o cargo. Maluf correu para outro altar, o de Fernando Haddad, o "novo". E Lula, o papa, levantou a voz e articulou para ele um cargo no Ministério das Cidades. Os fins justificariam os meios. Uma Secretaria de Saneamento. Saneamento? Isso mesmo? Sim. O Brasil é mesmo o país da piada pronta. Mas é bom lembrar que o ex-prefeito já aderira a Marta Suplicy, em 2004, no segundo turno, quando ela disputou e perdeu a campanha para Serra.
Sob as bênçãos de Lula
O papa Luiz Inácio não teve como recusar. Maluf teria dito: quero fechar a aliança entre PP e PT na minha casa. E convidou Lula para dar uma chegadinha por lá. O ex-presidente da República chamou a patota da alta cúpula do PT paulista e lá se foi o grupo para os jardins do Paulo. Que não perdeu a pose. Acariciou a cabeça de um constrangido Fernando Haddad. Lula ficou no centro da foto. Sorrisos gerais. Abraços e apertos de mão. E assim foi selada a união do amor com o ódio. Expliquemos. Paulo Maluf proclamou que aderia a Haddad por "amor a São Paulo". Em passado recente, o PT destilava ódio contra Maluf. Inclusive, acirrou tanto o malufismo que conseguiu compor o verbo malufar. Vejam no dicionário o que significa.
Os néscios
"Não admira que os néscios se julguem muito sabedores, eles que têm a vantagem de desconhecer que ignoram". (Marquês de Maricá)
Partidos amalgamados
Não se pretende dizer que os outros partidos são puros, éticos, dignos, com escopos doutrinários e ideológicos. Não. Vivemos, hoje, o ápice da crise da democracia representativa: partidos sem doutrina, amalgamados; parlamentos em declínio; oposições funcionais, sem discurso; bases sem ânimo para participar. Vivemos, hoje, o ciclo da tecnodemocracia, que reúne a esfera política, as estruturas e quadros burocráticos e os núcleos de negócios. Como diria Maluf, não há, nesses tempos pragmáticos, nem esquerda nem direita; o que há são minutos e segundos de TV e rádio.
Haddad sobe
O efeito Lula começa a se mostrar. Fernando Haddad subiu de 3% para 8%. Deverá chegar aos 25%/30% históricos do PT em São Paulo. Serra permanece com os 30%, mas sua taxa de rejeição é de 32%, só superada pela rejeição de Netinho de Paula, do PC do B. Tudo indica que o segundo turno será disputado por Serra e Haddad. A pesquisa Datafolha constata, ainda, que a influência de Lula, em São Paulo, caiu 10 pontos percentuais, de 49% para 39%. Chalita mantêm-se praticamente na mesma posição. Ante uma campanha que tende a ser muito polarizada, será difícil para o candidato peemedebista romper o duelo entre tucanos e petistas.
Filosofia do Barão I
Pérolas do Barão de Itararé:
- Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
- Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
- Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
- Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
- É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
Marta fará falta?
A pesquisa Datafolha indica: Marta Suplicy não fará falta à campanha de Haddad. Ora, mais uma razão para a senadora desculpar-se e cair fora. Mas Lula vai deixar?
CPI das Águas Correntes
Para onde vai a CPI das Águas Correntes? Desembocará no oceano da Papuda ou no deserto dos inocentes? PT está rachado. Duas alas abrem visões diferenciadas. PT da Câmara estaria na retranca, acusa o PT do Senado. Cenários: Demóstenes condenado pelo Conselho de Ética do Senado e provavelmente também pelo plenário. Única quase certeza. O resto tem cheiro de pizza de condimentos variados.
Maluf na TV
Paulo Maluf diz que vai aparecer na TV pedindo votos para Haddad. O PT diz que ele não irá. A conferir.
O milionário
"O milionário, ao ser perguntado quanto dinheiro era o bastante, replicou 'só um pouquinho mais'. Reconhecia uma característica essencial da vida humana. Há razões positivas pelas quais o poder tende a ser uma bola de neve e é dado àqueles que o possuem". (Kenneth Minogue)
Erundina coerente
Luiza Erundina rejeita ser candidata a vice de Fernando Haddad. Acusando a estocada com a entrada de Maluf na coligação, não topou entrar no jogo. A foto da turma toda, junta, foi a gota d'água. Não será candidata. Alega, porém, que pedirá votos para Haddad. O PSB recusa a vice, mas comporá a aliança.
Luta de classes
Não se pode dizer que Luiza Erundina é uma oportunista. Sua conduta é elogiável. Continua a morar num pequeno apartamento, não tem a exibição peculiar dos políticos e é pessoa afável. Pode, sim, cultivar o seu socialismo, apesar de se constatar que os socialistas, nesses tempos pragmáticos, vestem roupas costuradas com os fios mais fortes do capitalismo. Luiza só erra quando compara uma eleição à luta de classes.
Pérolas do Barão II
- A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
- Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
- O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
- Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
Haddad perde ou ganha?
Pedem a este consultor uma análise do apoio de Paulo Maluf a Fernando Haddad. O petista mais perde ou mais ganha? Praticamente não ganha votos. Ganha, isso sim, um bom tempo de TV. Vital para a campanha petista, eis que significará mais visibilidade, mais exposição, maior poder de influência junto ao eleitorado. Nesse sentido, a parceria foi importante para o PT e Haddad. O malufismo vive um processo de declínio. Quem é malufista histórico - um contingente entre 6% a 8% em SP - não votará no PT. Tende a se identificar com um candidato mais conservador. Mas os petistas tenderão a fechar posição em torno de Haddad, sem Maluf ou com Maluf. O PT é uma religião. Setores médios, incluindo núcleos de profissionais liberais, que poderiam entrar na seara de Haddad, tendem a migrar para o território de José Serra ou mesmo para a área de Gabriel Chalita, do PMDB.
Aceleração
No segundo semestre, a economia deverá se expandir. Trata-se de otimista previsão dos economistas. Mas o PIB deste ano deverá ficar em torno de 2,5%, até menos um pouco. Já o de 2013 é visto em torno de 4%.
Dilma e as indicações
Os bastidores políticos começam a esquentar a panela. As indicações de que a presidente Dilma quer influenciar as eleições de presidente do Senado e da Câmara deixam nervosos partidos da base, principalmente o PMDB. Aliás, não apenas Dilma quer eleger os perfis de sua preferência. De norte a sul do país, o PT faz suas listas. Impõe nomes. Queima todos aqueles que não comungam de sua orientação.
Texto anódino
Os ambientalistas começam a pichar o texto final da Conferência Rio+20, sob coordenação do Brasil. Dizem que o esboço é uma decepção. O texto não trará impacto sobre a vida das pessoas. Não há nele menção de metas ou objetivos. O evento olha mais para o passado do que para o futuro.
O tirano
Maquiavel conta no Livro III dos Discursos sobre os primeiros dez livros de Tito Lívio a história de um rico romano que deu comida aos pobres durante uma epidemia de fome e que foi por isso executado por seus concidadãos. Argumentaram que ele pretendia fazer seguidores para tornar-se um tirano. Essa reação ilustra a tensão entre moral e política. Mostra que os romanos se preocupavam mais com a liberdade do que com o bem-estar social.
Mensalão
Não dá para adivinhar. Mas é possível chegar-se a um cenário em que, dos 38 acusados no mensalão, alguns entrarão na faixa de penalidades que já prescreveram. O cenário de inocência geral é o que menos cabe na leitura dos analistas.
Pérolas do Barão III
- Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
- A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
- Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
Conselho aos assessores políticos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos comandantes do planeta, presentes ou não na Conferência da ONU, Rio+20. Hoje, sua atenção se volta aos assessores políticos:
1. Procurem compor para seus candidatos uma forte identidade. Que estabeleça um diferencial, qualidades, características diferentes de outros contendores.
2. Arrumem um programa de campanha que atenda as demandas da coletividade. E tentem evitar a linguagem das generalidades, coisas abstratas, frouxas, difusas.
3. Componham para seus candidatos um amplo painel sobre as forças e fraquezas, ameaças e oportunidades. Planejem a campanha com o espelho desta planilha.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Nesses tempos de papa velhinho, que tal abrir a coluna com esta historinha?
O bêbado entrou no ônibus aos tombos. Malvestido, sujo, tossindo, tropeçando, tremendo, com um jornal na mão, sentou-se ao lado de um padre. A cada arranco do ônibus, tombava para o lado do padre, que, irritado, o empurrava sem piedade ou indulgência, e com nojo. O bêbado abriu o jornal, tentou ler, mas não conseguia porque tremia muito, bateu no braço do padre:
- Padre, o que é artrite?
- É uma doença muito ruim, muito triste, muito feia, muito nojenta, que dá nas pessoas que bebem muito.
- E mata, padre?
- Mata sim, e mata rápido. Ou o doente para de beber ou morre logo.
- Padre, o senhor jura que não está me enganando não
- Juro por essa cruz que está aqui no meu peito. Não estou enganando. E tem coisa pior. Quem morre de artrite, porque não parou de beber, não vai para o céu, nem mesmo para o purgatório. Vai direto para o fogo do inferno.
- Coitadinho dele, padre.
- Dele, quem?
- Do Papa, padre. O jornal está dizendo aqui que o Papa está com artrite.
O padre se levantou, trocou de lugar, e foi lá pra frente. (Da pena engraçada do Nery)
Maluf reza por Haddad
Paulo Maluf até que tentou rezar por José Serra. A condição: ganhar posições no governo Geraldo Alckmin. Que não aceitou o pleito. Serra, por sua vez, prometia cargos na prefeitura, após assumir o cargo. Maluf correu para outro altar, o de Fernando Haddad, o "novo". E Lula, o papa, levantou a voz e articulou para ele um cargo no Ministério das Cidades. Os fins justificariam os meios. Uma Secretaria de Saneamento. Saneamento? Isso mesmo? Sim. O Brasil é mesmo o país da piada pronta. Mas é bom lembrar que o ex-prefeito já aderira a Marta Suplicy, em 2004, no segundo turno, quando ela disputou e perdeu a campanha para Serra.
Sob as bênçãos de Lula
O papa Luiz Inácio não teve como recusar. Maluf teria dito: quero fechar a aliança entre PP e PT na minha casa. E convidou Lula para dar uma chegadinha por lá. O ex-presidente da República chamou a patota da alta cúpula do PT paulista e lá se foi o grupo para os jardins do Paulo. Que não perdeu a pose. Acariciou a cabeça de um constrangido Fernando Haddad. Lula ficou no centro da foto. Sorrisos gerais. Abraços e apertos de mão. E assim foi selada a união do amor com o ódio. Expliquemos. Paulo Maluf proclamou que aderia a Haddad por "amor a São Paulo". Em passado recente, o PT destilava ódio contra Maluf. Inclusive, acirrou tanto o malufismo que conseguiu compor o verbo malufar. Vejam no dicionário o que significa.
Os néscios
"Não admira que os néscios se julguem muito sabedores, eles que têm a vantagem de desconhecer que ignoram". (Marquês de Maricá)
Partidos amalgamados
Não se pretende dizer que os outros partidos são puros, éticos, dignos, com escopos doutrinários e ideológicos. Não. Vivemos, hoje, o ápice da crise da democracia representativa: partidos sem doutrina, amalgamados; parlamentos em declínio; oposições funcionais, sem discurso; bases sem ânimo para participar. Vivemos, hoje, o ciclo da tecnodemocracia, que reúne a esfera política, as estruturas e quadros burocráticos e os núcleos de negócios. Como diria Maluf, não há, nesses tempos pragmáticos, nem esquerda nem direita; o que há são minutos e segundos de TV e rádio.
Haddad sobe
O efeito Lula começa a se mostrar. Fernando Haddad subiu de 3% para 8%. Deverá chegar aos 25%/30% históricos do PT em São Paulo. Serra permanece com os 30%, mas sua taxa de rejeição é de 32%, só superada pela rejeição de Netinho de Paula, do PC do B. Tudo indica que o segundo turno será disputado por Serra e Haddad. A pesquisa Datafolha constata, ainda, que a influência de Lula, em São Paulo, caiu 10 pontos percentuais, de 49% para 39%. Chalita mantêm-se praticamente na mesma posição. Ante uma campanha que tende a ser muito polarizada, será difícil para o candidato peemedebista romper o duelo entre tucanos e petistas.
Filosofia do Barão I
Pérolas do Barão de Itararé:
- Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
- Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
- Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
- Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
- É mais fácil sustentar dez filhos que um vício.
Marta fará falta?
A pesquisa Datafolha indica: Marta Suplicy não fará falta à campanha de Haddad. Ora, mais uma razão para a senadora desculpar-se e cair fora. Mas Lula vai deixar?
CPI das Águas Correntes
Para onde vai a CPI das Águas Correntes? Desembocará no oceano da Papuda ou no deserto dos inocentes? PT está rachado. Duas alas abrem visões diferenciadas. PT da Câmara estaria na retranca, acusa o PT do Senado. Cenários: Demóstenes condenado pelo Conselho de Ética do Senado e provavelmente também pelo plenário. Única quase certeza. O resto tem cheiro de pizza de condimentos variados.
Maluf na TV
Paulo Maluf diz que vai aparecer na TV pedindo votos para Haddad. O PT diz que ele não irá. A conferir.
O milionário
"O milionário, ao ser perguntado quanto dinheiro era o bastante, replicou 'só um pouquinho mais'. Reconhecia uma característica essencial da vida humana. Há razões positivas pelas quais o poder tende a ser uma bola de neve e é dado àqueles que o possuem". (Kenneth Minogue)
Erundina coerente
Luiza Erundina rejeita ser candidata a vice de Fernando Haddad. Acusando a estocada com a entrada de Maluf na coligação, não topou entrar no jogo. A foto da turma toda, junta, foi a gota d'água. Não será candidata. Alega, porém, que pedirá votos para Haddad. O PSB recusa a vice, mas comporá a aliança.
Luta de classes
Não se pode dizer que Luiza Erundina é uma oportunista. Sua conduta é elogiável. Continua a morar num pequeno apartamento, não tem a exibição peculiar dos políticos e é pessoa afável. Pode, sim, cultivar o seu socialismo, apesar de se constatar que os socialistas, nesses tempos pragmáticos, vestem roupas costuradas com os fios mais fortes do capitalismo. Luiza só erra quando compara uma eleição à luta de classes.
Pérolas do Barão II
- A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
- Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
- O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
- Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
Haddad perde ou ganha?
Pedem a este consultor uma análise do apoio de Paulo Maluf a Fernando Haddad. O petista mais perde ou mais ganha? Praticamente não ganha votos. Ganha, isso sim, um bom tempo de TV. Vital para a campanha petista, eis que significará mais visibilidade, mais exposição, maior poder de influência junto ao eleitorado. Nesse sentido, a parceria foi importante para o PT e Haddad. O malufismo vive um processo de declínio. Quem é malufista histórico - um contingente entre 6% a 8% em SP - não votará no PT. Tende a se identificar com um candidato mais conservador. Mas os petistas tenderão a fechar posição em torno de Haddad, sem Maluf ou com Maluf. O PT é uma religião. Setores médios, incluindo núcleos de profissionais liberais, que poderiam entrar na seara de Haddad, tendem a migrar para o território de José Serra ou mesmo para a área de Gabriel Chalita, do PMDB.
Aceleração
No segundo semestre, a economia deverá se expandir. Trata-se de otimista previsão dos economistas. Mas o PIB deste ano deverá ficar em torno de 2,5%, até menos um pouco. Já o de 2013 é visto em torno de 4%.
Dilma e as indicações
Os bastidores políticos começam a esquentar a panela. As indicações de que a presidente Dilma quer influenciar as eleições de presidente do Senado e da Câmara deixam nervosos partidos da base, principalmente o PMDB. Aliás, não apenas Dilma quer eleger os perfis de sua preferência. De norte a sul do país, o PT faz suas listas. Impõe nomes. Queima todos aqueles que não comungam de sua orientação.
Texto anódino
Os ambientalistas começam a pichar o texto final da Conferência Rio+20, sob coordenação do Brasil. Dizem que o esboço é uma decepção. O texto não trará impacto sobre a vida das pessoas. Não há nele menção de metas ou objetivos. O evento olha mais para o passado do que para o futuro.
O tirano
Maquiavel conta no Livro III dos Discursos sobre os primeiros dez livros de Tito Lívio a história de um rico romano que deu comida aos pobres durante uma epidemia de fome e que foi por isso executado por seus concidadãos. Argumentaram que ele pretendia fazer seguidores para tornar-se um tirano. Essa reação ilustra a tensão entre moral e política. Mostra que os romanos se preocupavam mais com a liberdade do que com o bem-estar social.
Mensalão
Não dá para adivinhar. Mas é possível chegar-se a um cenário em que, dos 38 acusados no mensalão, alguns entrarão na faixa de penalidades que já prescreveram. O cenário de inocência geral é o que menos cabe na leitura dos analistas.
Pérolas do Barão III
- Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
- A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
- Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
Conselho aos assessores políticos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos comandantes do planeta, presentes ou não na Conferência da ONU, Rio+20. Hoje, sua atenção se volta aos assessores políticos:
1. Procurem compor para seus candidatos uma forte identidade. Que estabeleça um diferencial, qualidades, características diferentes de outros contendores.
2. Arrumem um programa de campanha que atenda as demandas da coletividade. E tentem evitar a linguagem das generalidades, coisas abstratas, frouxas, difusas.
3. Componham para seus candidatos um amplo painel sobre as forças e fraquezas, ameaças e oportunidades. Planejem a campanha com o espelho desta planilha.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 19 de junho de 2012
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
A Grécia votou
Não se pode dizer que os gregos deixaram de votar pensando em ficar na chamada "eurolândia". Afinal de contas, a Nea Democratia é o partido que incorpora a visão mais eurocentrista dentre todos os partidos gregos. Além disso, a coalizão a ser formada pode alcançar uma maioria relativamente folgada num país que viveu uma inusitada fragmentação política. A pressa em formar um novo governo e a tentativa de atrair para a coalizão mais que os partidos "tradicionais" indicam que os gregos buscam uma saída para a tragédia na qual entraram. Todavia, a probabilidade de ficar no euro é pequena. Isso porque nos próximos meses haverá um grande acúmulo de pagamentos e as pressões sobre o novo governo serão enormes. A disposição da Alemanha de Merkel em flexibilizar a rigidez fiscal está muito mais vinculada ao necessário proselitismo pró-europeu que algo efetivo para que os países voltem a crescer. De toda a forma uma coalizão mais sólida entre os helênicos pode servir para que a saída do euro seja possível, sem que isso provoque uma hecatombe. Veremos.
Espanha e Itália
O risco da Espanha já está em níveis da América Latina dos anos 80. O mais incrível é que a União Europeia já injetou 100 bi de euros para salvar o sistema financeiro e os analistas acreditam que serão necessários mais 80-90 bi para que exista estabilização. Enquanto isso, os investidores, dotados do famoso espírito de "debandada", já voltam seus canhões especulativos para a Itália. A cada leilão de títulos públicos o risco-país sobe e o financiamento se torna mais penoso para o erário. A sina da Itália será igual a dos outros países meridionais da Europa e a Irlanda. Todos sabem disso, mas o jogo geopolítico da Alemanha ainda permanece suficientemente forte para evitar uma revisão mais drástica do processo.
A calmaria durará pouco
Talvez os mercados ainda reajam nos próximos dias às notícias da eleição grega e da melhoria da volatilidade. Mas a coisa está mais para "tiro curto". Não há nada suficiente para reverter este processo agudo de contenção do crédito. É certo que não é hora para os otimistas, mas não deixa de ser horrível ter que dizer que o pior pode não ter passado.
Não vai jogar a tolha, mas...
O ministro Guido Mantega vai continuar jurando de pés juntos que o PIB semestral brasileiro, de julho a dezembro, será de 4,5%. Contudo, hoje todo o esforço da política econômica está voltado para não deixar a economia derrapar abaixo dos 2,5%. Mas será que funciona colocar o PIB num elevador movido a empréstimos - crédito para o consumidor e, agora, dinheiro para os governos estaduais ? No caso dos governos estaduais, inclusive, quem garante que eles não vão pegar recursos no BNDES para investimentos já programados, liberando recursos para outras despesas muito apreciadas em anos eleitorais?
Os pacotinhos estão saindo, mas...
... está faltando uma parte na contribuição que a presidente Dilma deseja que o setor público dê para acelerar o ritmo da economia brasileira: um ajuste nas contas oficiais, com cortes de despesas desnecessárias, para sobrar mais dinheiro para obras e investimentos. Não há incompatibilidade entre ajuste fiscal e investimentos, ao contrário do que querem fazer crer a "obtusidade córnea e má fé cínica" de alguns analistas oficiais e oficiosos.
Satisfeitos, mas nem tanto
Ninguém recusa dinheiro - e ainda mais uma boa bolada - oferecido com vantagens, como é o caso da linha de crédito de R$ 20 bi oferecidos pelo governo Federal aos governadores, via BNDES, com juros de família, de 7,1% ou 8,1% (com e sem aval). Agora, os 27 chefes de Executivo estaduais vão brigar para ver como o bolo será dividido, qual a cota de cada um nesse latifúndio. Tem também na mesa mais R$ 39 bi do BB. Tudo para obras e investimentos. Os governadores gostariam, porém não era isto - ou só isto - que eles queriam. O que eles pretendem mesmo do governo Federal é dinheiro para valer, não apenas empréstimos. Eles querem melhorar seu fluxo de receitas, permanentemente. Os governadores se queixam da perda de participação no bolo tributário nacional. Querem ver na mesa, por exemplo, a definição da nova divisão dos royalties do petróleo. Só depois aceitam discutir mudanças mais profundas no ICMS.
Ninguém reage, mas...
As cobranças da presidente Dilma a seus ministros, para que sejam mais ágeis ao tocar a máquina do governo, principalmente no que diz respeito à liberação de recursos para investimentos e programas, estão ficando cada vez mais duros. E incomodam. Mas ninguém reage abertamente. No privado, no entanto, muitos se justificam dizendo que o problema não é de seus ministérios e sim do "detalhismo" da presidente, que tudo quer ver e interferir nos mínimos detalhes, bem como da Casa Civil, por onde tudo tem de passar e não tem a agilidade que a presidente acha que deve ter - ou tinha no tempo dela. As orelhas de Gleisi Hoffmann devem arder todos os dias. Outras que estão ardendo um tanto são as da ministra do Planejamento, Miriam Belchior. As duas estão começando a criar a fama de "engavetadoras".
Encanto quebrado?
A greve em mais de 50 universidades e instituições superiores de ensino federais caminha para completar seu primeiro mês. Parece o primeiro sinal claro de que os dias da pax sindical que Lula celebrou com as centrais sindicais e o funcionalismo público Federal estão contados. Já houve paralisações nos metrôs federais e, na semana passada, boa parte dos médicos do SUS pararam por um dia. E, como se diz nos meios sindicais, "há indicativos" de que outros movimentos podem pipocar em greve. Uma turma do judiciário já fez manifestação pública na última sexta-feira.
Paredes com ouvidos
Certo hospital de SP - e acerta quem pensar no Sírio-Libanês - além de praticar excelente medicina, por motivos óbvios tem também dotes políticos, palco que é de atendimento de grandes figuras da República. Suas paredes são ágeis. Semana passada, dois personagens que bem conhecem tanto Dilma quanto Lula, pois prestaram atendimento a ambos, trocaram algumas confidências e concluíram que Dilma está afastada demais dos políticos, ao contrário de seu antecessor. E que isto pode sair caro para ela. Até aí não tem nada demais : o mundo político não ligado à presidente, mesmo seus aliados, pensa a mesma coisa. O intrigante é que o diagnóstico parece ter saído do pensamento do "Grande Eleitor".
CPI: não adianta correr
Vexames à parte, é inevitável a convocação do dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, para depor na CPI. Há apenas um refresco esta semana porque se descobriu em Brasília que os deputados e senadores são imprescindíveis para os debates sobre os rumos do planeta na Rio+20 e estabeleceu-se um recesso branco na Câmara e no Senado. Porém, com a história da "tropa do cheque" e as primeiras revelações da quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico da empresa em todo o país, não haverá muitos parlamentares dispostos a botar a cara para bater. Nem com a blindagem que o PMDB e o PT criaram. O próprio Planalto, mesmo temendo alguns respingos pela proximidade da Delta com o PAC, não vai se meter neste pantanal para salvar quem quer que seja. A convocação do ex-diretor do DNIT, Luiz Antônio Pagot, também não escapa. A estratégia para evitar mais desastres será garantir a convocação, mas sem data para o depoimento, jogando tudo para agosto, depois do recesso parlamentar, na esperança de que o julgamento do mensalão e a campanha eleitoral arrefeçam as repercussões.
As contas da Delta
Esta coluna teve uma conversa reveladora sobre os pagamentos da Delta para "intermediários" das obras contratadas. Segundo as denúncias, incluídas as originadas das operações policiais, a Delta pagou algo como R$ 145 milhões às empresas suspeitas. Nossas informações de um profissional que detalhou as contas dos últimos quatro anos da empresa "está faltando dinheiro"... Ou seja, mais revelações virão à tona. Ou servirão para que as luzes não recaiam sobre os distintos beneficiários...
Só de longe
Quanto ao mensalão, não há hipótese de o Palácio do Planalto, se envolver ainda que muito discretamente, por baixo do pano, em qualquer coisa que diga respeito ao julgamento no STF. Bem que os envolvidos e seus padrinhos gostariam de algum gesto nesse sentido, porém vão ficar esperando sentadinhos para não cansarem muito. A turma de Dilma quer distância dessa bomba, é questão de outra turma.
Também não muito perto
O envolvimento da presidente Dilma na campanha eleitoral, a favor dos aliados, deverá ser muito menor do que todos gostariam vê-la ainda mais com a popularidade dela andando lá pelos 80%. Há pelo menos duas razões para isso: (1) ela quer manter uma posição mais institucional ; (2) há muita confusão entre os aliados em várias cidades importantes e isso pode criar problemas para ela com a base, quando algum partido se sentir preterido. A presidente vai ajudar, permitindo imagens nos programas eleitorais, até gravando mensagens. E dando ajudas indiretas, como fez esta semana ao reservar um lugar para um indicado de Maluf para o ministério das Cidades em troca do apoio do PP malufista ao petista Fernando Haddad em SP. Nada do engajamento do antecessor. No segundo turno esta determinação pode mudar.
Bananão e bananinhas
Morreu semana passada em Londres o jornalista e escritor Ivan Lessa, dono de um texto sofisticado e de fina ironia. Costumava chamar o Brasil de "Bananão", embora não deixasse de amar o país a seu modo e distante desde o fim dos anos 1970. O que a CPI fez na semana passada, com as mornas inquirições dos governadores Marconi Perillo (PSDB/GO) e Agnelo Queiroz (PT/DF) e a recusa em convocar para depor Fernando Cavendish e Luiz Antônio Pagot, parece uma homenagem do Congresso a Lessa - para provar que em matéria de política continuamos cada vez mais uma república bananeira, um Bananão.
Pêndulo eleitoral 1
De repente, o PT de SP, que parecia caminhar para o isolamento na disputa pela prefeitura paulistana, deu a impressão de sair da solidão. Na sexta-feira, conseguiu, com uma mãozinha da presidente Dilma e o grande empenho de Lula, dois trunfos eleitorais : emplacou Luiza Erundina, do PSB, uma política de boa imagem, e arranjou o apoio do PP de Paulo Maluf. Assim, aumentou o tempo no horário eleitoral obrigatório no rádio e na televisão. E ficou com a que, nas circunstâncias poderia ser a melhor vice para o quase desconhecido Haddad. Porém, nem bem saboreava essas vitórias e mais o resultado da pesquisa DataFolha divulgada no domingo, com seu candidato saindo da estagnação em que se encontrava a meses, passando de 3% para 8% nas intenções de votos dos paulistanos, o PT sofreu um duro revés. Erundina, que até havia ensaiado algumas justificativas para estar do mesmo lado de Maluf, um político que ela detesta e do qual sofreu muitas agressões, tão de repente quando aceitou ser vice de Haddad, anunciou que vai rever sua posição - na verdade, disse que não quer mais o lugar - seu estômago revelou-se delicado demais para engolir o malufismo. Lula, dirigentes do PT e do PSB ainda tentarão demover Erundina. Parece difícil. Agora, é medir o prejuízo que isso pode trazer para a campanha de Haddad.
Pêndulo eleitoral 2
No campo adversário, o PSDB de José Serra, que parecia navegar em águas limpas, além de perder os minutos eleitorais do partido de Maluf, está enrolado em tremenda confusão por causa da formação da chapa de vereadores de sua aliança. Ele quer um blocão, exigência dos outros partidos para apoiá-lo, porém a turma de candidatos do PSDB não quer a aliança nas eleições proporcionais, com medo de perder vagas especialmente para o pessoal do PSD de Gilberto Kassab.
Mal estar
Estão cada vez maiores as indisposições entre o PT e o PMDB e deste também, embora não confessada, com o governo Federal. Bons peemedebistas nem desconfiam mais, têm quase certeza de que se prepara uma cama para deixá-los mal nas disputas pelas prefeituras e diminuir seu poder de fogo na aliança governista. O epílogo desse processo seria cortar as candidaturas de Renan Calheiros à presidência do Senado, de Henrique Alves à presidência da Câmara e trocar de vice na chapa de uma reeleição de Dilma.
Rio+20
Quem for ao maior encontro sobre sustentabilidade nos últimos anos no planeta vai descobrir que os resultados objetivos da reunião foram deixados de lado pelos participantes, sobretudo pelos países mais desenvolvidos. Todavia, a simbologia mais intrigante do evento é o fato de se ver o Rio congestionado de carros, sem capacidade de operar eficientemente seu transporte público e os serviços (públicos e privados) de qualidade duvidosa. Haverá quem acredite que até a Copa e as Olimpíadas as coisas melhorem, mas a amostra destes primeiros dias nas terras cariocas foi sofrível.
Os correspondentes estrangeiros
O cenário era eleitoral: os correspondentes estrangeiros de São Paulo elegiam uma nova diretoria para a sua associação na Escola de Direito da GV. Dois candidatos concorriam. Os programas eleitorais tinham lá suas divergências em termos de administração e finanças. Todavia, no tema mais importante todos concordavam : o governo Dilma piorou muito as relações com os jornalistas de órgãos internacionais. Estes não conseguem entrevistas com pessoas-chaves do governo, não tem acesso ao Planalto e nem aos governos estaduais. Dizem que o Brasil está em alta na mídia estrangeira, mas que, por aqui, os governos não dão bola para os correspondentes. Falta matéria-prima para "vender" lá fora.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
PARABÉNS, WILSON VICENTINO, CIDADÃO DE FORTALEZA!

Às 19h30min de hoje o doutor Wilson da Silva Vicentino vai receber, na Câmara Municipal, o Título de Cidadão de Fortaleza, por propositura do vereador Carlos Mesquita.
Paulista de nascimento, há 37 anos descobriu aquilo que hoje todo mundo sabe: é uma fortaleza ser cidadão desta cidade!
Nestes últimos anos, desde quando firmamos sociedade na labuta jurídica, muito aprendi com o seu talento para enfrentar os desafios e olhar de frente as adversidades.
Generosa figura humana, marcante companheiro, pai extremado, amigo fraterno, profissional dedicado, Wilson Vicentino é um dos mais destacados operadores do direito no Ceará.
Agrega às atividades típicas do causídico (advocacia e consultoria) o diferencial da estratégia. É um estrategista legal. Entra nas causas que abraça com a desenvoltura e a paixão de um mergulhador de águas profundas. Vai ao fundo do oceano jurisdicional. Perscruta cada detalhe.
Avesso aos holofotes, adora entregar para os clientes o protagonismo das vitórias na seara do Direito e da Justiça.
Testemunho seu inflamado amor à Terra de Iracema!
Mais do que justo, é indubitavelmente merecido esse Título!
Júnior Bonfim
domingo, 17 de junho de 2012
SIVUCA, QUE FEZ NA SANFONA UMA OBRA SINFÔNICA: RAPSÓDIA GONZAGUIANA!
O Mestre SIVUCA, monstro sagrado da música brasileira, em Rapsódia Gonzaguiana (seleção de clássicos do Monarca do Baião) quebrou as barreiras entre o popular e o erudito. Veja:
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Júnior estou encantada com seu blog, somente um Crateuense para mostrar tanto talento.Fiquei deslumbrada com o baião mostrado num clássico balé.
Parabéns!
Vera Linhares
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Júnior estou encantada com seu blog, somente um Crateuense para mostrar tanto talento.Fiquei deslumbrada com o baião mostrado num clássico balé.
Parabéns!
Vera Linhares
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MEDICINA RECONHECE OBSESSÃO ESPIRITUAL COMO DOENÇA

Código Internacional de Doenças (OMS) inclui influência dos Espíritos.
Medicina reconhece obsessão espiritual
Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico psiquiatra e coordenador da cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade na USP:
Ouvir vozes e ver espíritos não é motivo para tomar remédio de faixa preta pelo resto da vida.
Até que enfim as mentes materialistas estão se abrindo para a Nova Era; para aqueles que queiram acordar, boa viagem, para os que preferem ainda não mudar de opinião, boa viagem também...
Uma nova postura da medicina frente aos desafios da espiritualidade.
Vejam que interessante a palestra sobre a glândula pineal do Dr. Sérgio Felipe de Oliveira:
A obsessão espiritual como doença_da_alma, já é reconhecida pela Medicina. Em artigos anteriores, escrevi que a obsessão espiritual, na qualidade de doença da alma, ainda não era catalogada nos compêndios da Medicina, por esta se estruturar numa visão cartesiana, puramente organicista do Ser e, com isso, não levava em consideração a existência da alma, do espírito.
No entanto, quero ratificar, atualizar os leitores de meus artigos com essa informação, pois desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado do aspecto físico, mental e social. Antes, a OMS definia saúde como o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social do indivíduo e desconsiderava o bem estar espiritual, isto é, o sofrimento da alma; tinha, portanto, uma visão reducionista, organicista da natureza humana, não a vendo em sua totalidade: mente, corpo e espírito.
Mas, após a data mencionada acima, ela passou a definir saúde como o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, psicológico e espiritual.
Desta forma, a obsessão espiritual oficialmente passou a ser conhecida na Medicina como possessão e estado_de_transe, que é um item do CID - Código Internacional de Doenças - que permite o diagnóstico da interferência espiritual Obsessora.
O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio-ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença.
Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.
Neste aspecto, a alucinação é um sintoma que pode surgir tanto nos transtornos mentais psiquiátricos - nesse caso, seria uma doença, um transtorno dissociativo psicótico ou o que popularmente se chama de loucura bem como na interferência de um ser desencarnado, a Obsessão espiritual.
Portanto, a Psiquiatria já faz a distinção entre o estado de transe normal e o dos psicóticos que seriam anormais ou doentios.
O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM IV - alerta que o médico deve tomar cuidado para não diagnosticar de forma equivocada como alucinação ou psicose, casos de pessoas de determinadas comunidades religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas, porque isso pode não significar uma alucinação ou loucura.
Na Faculdade de Medicina DA USP, o Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, médico, que coordena a cadeira (hoje obrigatória) de Medicina e Espiritualidade.
Na Psicologia, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, estudou o caso de uma médium que recebia espíritos por incorporação nas sessões espíritas.
Na prática, embora o Código Internacional de Doenças (CID) seja conhecido no mundo todo, lamentavelmente o que se percebe ainda é muitos médicos rotularem todas as pessoas que dizem ouvir vozes ou ver espíritos como psicóticas e tratam-nas com medicamentos pesados pelo resto de suas vidas.
Em minha prática clínica (também praticada por Ian Stevenson), a grande maioria dos pacientes, rotulados pelos psiquiatras de "psicóticos" por ouvirem vozes (clariaudiência) ou verem espíritos (clarividência), na verdade, são médiuns com desequilíbrio mediúnico e não com um desequilíbrio mental, psiquiátrico. (Muitos desses pacientes poderiam se curar a partir do momento que tivermos uma Medicina que leva em consideração o Ser Integral).
Portanto, a obsessão espiritual como uma enfermidade da alma, merece ser estudada de forma séria e aprofundada para que possamos melhorar a qualidade de vida do enfermo.
Nota:
Sérgio Felipe de Oliveira é um psiquiatra brasileiro, doutor em Neurociências, mestre em Ciências pela USP (Universidade de São Paulo) e destacado pesquisador na área da Psicobiofísica. A sua pesquisa reúne conceitos de Psicologia, de Física, de Biologia e de Espiritismo.
Desenvolve estudos sobre a glândula pineal, estabelecendo relações com atividades psíquicas e recepção de sinais do mundo espiritual por meio de ondas eletromagnéticas. Realiza um trabalho junto à Associação Médico-Espírita de São Paulo AMESP e possui a clínica Pineal Mind, onde faz seus atendimentos e aplica suas pesquisas.
Segundo o mesmo, a pineal forma os cristais de apatite que, em indivíduos adultos, facilita a captura do campo magnético que chega e repele outros cristais. Esses cristais são apontados através de exames de tomografia em pacientes com facilidade no fenómeno da incorporação. Já em outros pacientes, em que os exames não apontam tais cristais, foi observado que o desdobramento fora facilmente apontado.
Segundo a revista Espiritismo & Ciência,[1] "o mistério não é recente.
Há mais de dois mil anos, a glândula pineal é tida como a sede da alma.
Para os praticantes da ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o “terceiro olho”, que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês René Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que “existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente”.
Sérgio Felipe de Oliveira tem feito palestras sobre o tema em várias universidades do Brasil e do exterior, inclusive na Universidade de Londres.
Numa apresentação na Universidade de Caxias do Sul, o pesquisador afirmou ter recebido vários estímulos para estudar a glândula pineal quando ainda estava concentrado em pesquisas na área de física e matemática. Um desses estímulos foi uma visão em que lhe apareceu o professor Zerbini, renomado médico cardiologista e pioneiro dos transplantes de coração no Brasil. Zerbini, a quem Sérgio teria substituído em seus dois últimos compromissos acadêmicos, sugeriu a Sérgio insistentemente (durante a visão) que estudasse a glândula pineal, conforme o relato do pesquisador.
Paz e Luz para todos!
Paulo Roberto Maria
O Conhecimento é uma dádiva de Deus e sua propagação é inevitável.
Procure não se entesourar, compartilhando-o com o seu irmão!
Paulo Roberto Maria
"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,
nunca tem medo e nunca se arrepende." Leonardo da Vinci
"Solidários, seremos união.
Separados, um dos outros seremos pontos de vista.
Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos."
Bezerra de Menezes
Marcia Amaral
sexta-feira, 15 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
FRANCISCO DE MATOS E MELO, DESCANSE EM PAZ!
O Matos partiu para outra dimensão ontem. Foi para o Templo Celeste o Capelão da Amizade. Compartilho a crônica que dediquei ao seu oceânico coração.

O humano ser, quando ultrapassa as nuvens embaçadas da trivialidade e pisa no platô da profundidade, descobre o verdadeiro sabor daquele pedaço de pão espiritual feito Boa Nova: “De graça recebeste; de graça dai!”.
A gratuidade, dom superior, força que impulsiona as pessoas à entrega e ao serviço do outro sem busca de recompensa, quando inocula alguém, torna-o irremediavelmente benfazejo ao ambiente que habita.
O “Matos”, nascido Francisco de Matos e Melo no distrito de Ibiapaba, em Crateús, é um homem que carrega desde a quinta-feira em que nasceu, aos 29 de março de 1939, esse princípio vital. Seu coração é uma antena invariavelmente sintonizada com as ondas da generosidade.
Por isso a vida sempre lhe abriu o largo sorriso. Nasceu bem-aventurado. Único varão da prole de Gilberto de Paiva Melo e Filomena da Silva Matos. Bendito entre mulheres de nomes aureolados: Terezinha, Neide, Maria do Carmo, Conceição, Maria das Graças e Socorro – suas irmãs, com as quais nutriu uma relação de ternura, ganhando o primeiro apelido: Teté. O segundo foi Pantico.
Quando ainda vestia o gibão da infância, mudou-se para a fazenda do seu avô, José de Sousa Melo, o popular Zé Melo das Catingueiras. De lá, sob os auspícios dos avós e das tias Adalgisa, Terezinha e Maristela, foi para a cidade ser iniciado nos escaninhos escolares e nos balcões da atividade laboral. Naqueles, deslumbrou-se com o mundo dos fonemas através das professoras Iolanda Lima, Maria Águeda e Lúcia Frota, sequenciando na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio; nestes, realizou um longo e profícuo percurso. Começou como vendedor do Armazém Ceará, depois trabalhou como civil no Batalhão e, posteriormente, serviu ao Exército Brasileiro como Cabo. No meio militar, por conta de sua postura agregadora, do seu jeitão pacífico, da sua sacerdotal cordialidade, surgiu o terceiro e mais popular apelido: Capelão. Em 1962, mediante concurso público, ingressa nos quadros do Banco do Brasil, instituição em que despendeu sua força de trabalho até 1994, ano de sua aposentadoria. No exercício do cargo de gerente, instalou as agências de Iracema e Nova Russas. Trabalhou, também, nas cidades de Ipu (onde tem raízes familiares), Tauá e Paracuru.
Até nos galanteios o jovem Matos exalava o perfume do espírito servidor. Na década de 1960, costumava exercitar seus préstimos levando as donzelas amigas para as tertúlias. Uma delas, a professora Anália Maria Alves de Melo, descobriu o seu poço jorrante de romantismo. Iniciaram um idílio que os levou ao altar da Igreja de Santo Anastácio, na cidade de Tamboril, no ano de 1973, e os fez colocar no mundo três filhos: Éthel Alves Matos, cirurgiã-dentista, Érica Alves Melo, arquiteta, e Luiz Gilberto Alves Melo, bancário e universitário.
No seu álbum de registros da dedicação ao próximo, consta sua passagem pela diretoria de várias casas associativas como Crateús Clube, Sargento Hermínio e Lions Clube, além das presidências da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e da Sociedade Crateuense de Tiro, Caça e Pesca (Clube Caça e Pesca).
Por reconhecimento popular, é detentor de título de cidadania nos municípios de Iracema, Ipu e Paracuru.
Nos dias atuais, Matos se divide entre a brisa marítima da Capital e as noites enluaradas da fazenda Várzea Grande, em Crateús. Adora prestigiar eventos literários. Encontrei-o no lançamento do livro “Crateús: 100 Anos!”, da Academia de Letras de Crateús. Estava acompanhado de sua inseparável esposa, Anália, e amigas. Uma delas me confidenciou: - Estou preocupada com o Matos. Acho que ele está meio calado e pensativo.
Quiçá a resposta esteja na avaliação de outro amigo seu, aqui em Fortaleza: - Solícito e educado. Assim defino o Matos. É uma pessoa de tamanha sensibilidade que talvez o impeça de ser completamente feliz, como afirmou Jean de La Bruyére: “Os grandes corações nunca estão totalmente felizes; falta-lhes a felicidade dos outros”.
(Júnior Bonfim)
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Novo comentário sobre a postagem:
Parabéns Junior por esse grande comentário que vc faz deste que grande cidadão Crateuene Francisco Matos(CAPELÃO). Deus estava precisando de uma pessoa que toda sua vida só mpraticou o bem. Que DEUS a tenha num bom lugar.
O humano ser, quando ultrapassa as nuvens embaçadas da trivialidade e pisa no platô da profundidade, descobre o verdadeiro sabor daquele pedaço de pão espiritual feito Boa Nova: “De graça recebeste; de graça dai!”.
A gratuidade, dom superior, força que impulsiona as pessoas à entrega e ao serviço do outro sem busca de recompensa, quando inocula alguém, torna-o irremediavelmente benfazejo ao ambiente que habita.
O “Matos”, nascido Francisco de Matos e Melo no distrito de Ibiapaba, em Crateús, é um homem que carrega desde a quinta-feira em que nasceu, aos 29 de março de 1939, esse princípio vital. Seu coração é uma antena invariavelmente sintonizada com as ondas da generosidade.
Por isso a vida sempre lhe abriu o largo sorriso. Nasceu bem-aventurado. Único varão da prole de Gilberto de Paiva Melo e Filomena da Silva Matos. Bendito entre mulheres de nomes aureolados: Terezinha, Neide, Maria do Carmo, Conceição, Maria das Graças e Socorro – suas irmãs, com as quais nutriu uma relação de ternura, ganhando o primeiro apelido: Teté. O segundo foi Pantico.
Quando ainda vestia o gibão da infância, mudou-se para a fazenda do seu avô, José de Sousa Melo, o popular Zé Melo das Catingueiras. De lá, sob os auspícios dos avós e das tias Adalgisa, Terezinha e Maristela, foi para a cidade ser iniciado nos escaninhos escolares e nos balcões da atividade laboral. Naqueles, deslumbrou-se com o mundo dos fonemas através das professoras Iolanda Lima, Maria Águeda e Lúcia Frota, sequenciando na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio; nestes, realizou um longo e profícuo percurso. Começou como vendedor do Armazém Ceará, depois trabalhou como civil no Batalhão e, posteriormente, serviu ao Exército Brasileiro como Cabo. No meio militar, por conta de sua postura agregadora, do seu jeitão pacífico, da sua sacerdotal cordialidade, surgiu o terceiro e mais popular apelido: Capelão. Em 1962, mediante concurso público, ingressa nos quadros do Banco do Brasil, instituição em que despendeu sua força de trabalho até 1994, ano de sua aposentadoria. No exercício do cargo de gerente, instalou as agências de Iracema e Nova Russas. Trabalhou, também, nas cidades de Ipu (onde tem raízes familiares), Tauá e Paracuru.
Até nos galanteios o jovem Matos exalava o perfume do espírito servidor. Na década de 1960, costumava exercitar seus préstimos levando as donzelas amigas para as tertúlias. Uma delas, a professora Anália Maria Alves de Melo, descobriu o seu poço jorrante de romantismo. Iniciaram um idílio que os levou ao altar da Igreja de Santo Anastácio, na cidade de Tamboril, no ano de 1973, e os fez colocar no mundo três filhos: Éthel Alves Matos, cirurgiã-dentista, Érica Alves Melo, arquiteta, e Luiz Gilberto Alves Melo, bancário e universitário.
No seu álbum de registros da dedicação ao próximo, consta sua passagem pela diretoria de várias casas associativas como Crateús Clube, Sargento Hermínio e Lions Clube, além das presidências da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e da Sociedade Crateuense de Tiro, Caça e Pesca (Clube Caça e Pesca).
Por reconhecimento popular, é detentor de título de cidadania nos municípios de Iracema, Ipu e Paracuru.
Nos dias atuais, Matos se divide entre a brisa marítima da Capital e as noites enluaradas da fazenda Várzea Grande, em Crateús. Adora prestigiar eventos literários. Encontrei-o no lançamento do livro “Crateús: 100 Anos!”, da Academia de Letras de Crateús. Estava acompanhado de sua inseparável esposa, Anália, e amigas. Uma delas me confidenciou: - Estou preocupada com o Matos. Acho que ele está meio calado e pensativo.
Quiçá a resposta esteja na avaliação de outro amigo seu, aqui em Fortaleza: - Solícito e educado. Assim defino o Matos. É uma pessoa de tamanha sensibilidade que talvez o impeça de ser completamente feliz, como afirmou Jean de La Bruyére: “Os grandes corações nunca estão totalmente felizes; falta-lhes a felicidade dos outros”.
(Júnior Bonfim)
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Parabéns Junior por esse grande comentário que vc faz deste que grande cidadão Crateuene Francisco Matos(CAPELÃO). Deus estava precisando de uma pessoa que toda sua vida só mpraticou o bem. Que DEUS a tenha num bom lugar.
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