Às vésperas de receber Lula em Pernambuco, o governador Eduardo Campos disse que cabe apenas ao PSB definir se Ciro Gomes disputará o Planalto:
“Nossas decisões não serão tomadas por dirigentes de outras legendas. Nossas decisões serão tomadas pela nossa direção”.
Campos é presidente nacional do PSB. Falou sobre Ciro depois de almoçar com um personagem que inspira ojeriza em Lula: o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Cristão novo no PSB, Skaf liderou o movimento que resultou na rejeição, em 2007, da emenda que prorrogava a CPMF.
Desde então, Lula traz o presidente da Fiesp atravessado na traquéia.
O neo-socialista Skaff reivindica o aval do PSB para disputar o governo de São Paulo. Deseja justamente a posição que Lula reservou para Ciro.
Em entrevista, Campos disse que “a candidatura de Paulo Skaf amplia” o palanque da oposição em São Paulo.
Afirmou que que Skaf vai “ficar mobilizado” até que o PSB tome sua decisão sobre o “projeto Ciro”. Algo que só deve ocorrer em março.
Lembrou que a data foi acertada com Lula. E não vê razões para descumprir o combinado.
O governador exalou incômodo com o noticiário acerca do encontro que terá com Lula, nesta quinta (28). Estranha sobretudo o caráter político conferido à conversa.
É algo que, segundo disse, Lula não acertou com ele. O presidente fará no Recife escala para uma viagem à Suiça.
Chega no início da tarde, acompanhado de oito ministros. Entre eles Dilma Rousseff, a candidata do PT.
A comitiva presidencial tem agenda cheia –um pa©mício, visita a uma exposição e a uma sinagoga.
Só à noite, por volta de 20h, Lula será recebido em jantar pelo governador. Participam do repasto companheiros de viagem de Lula.
É gente demais para uma conversa consequente, que o petismo se apressa em apresentar como definidora dos destinos de Ciro Gomes.
Em férias na Europa, Ciro retorna ao Brasil nesta quarta (27). Informa-se que deve dar as caras no Recife.
Integrante da comitiva de Lula, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado disse nesta segunda (25):
"O PSB tem legitimidade para ter candidato, mas o importante é unir a base e vencer no primeiro turno...”
“...O presidente vai a Pernambucano conversar com Ciro e eu vou junto”.
O lero-lero sobre a pressão para que Ciro troque a cena nacional pelo ringue paulista foi açulado pelo próprio Lula.
Em reunião ministerial, na semana passada, o presidente repisou a tecla da sucessão plebiscitária –era Lula X fase FHC.
Disse que conversaria com o “companheiro Ciro” sobre a candidatura dele ao governo de São Paulo. Deu a entender que o jogo estava, por assim dizer, jogado.
É nesse contexto que Eduardo Campos veio ao meio-fio para propalar a autonomia do seu PSB. Uma autonomia que enfrenta uma conspiração dos fatos.
Ao transferir o seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, em setembro passado, Ciro aceitou gostosamente o papel de candidato multiuso.
Em novembro, animada pelas pesquisas que mostravam um Ciro encostado em Dilma, a Executiva do PSB proclamou-o candidato à presidência.
Dono de escassos 2,5 minutos de tempo de TV, o PSB sonhava pôr de pé uma coligação com pelo menos outras duas legendas: PDT e PCdoB.
Dias atrás, acossado por Lula, o PDT proclamou o apoio a Dilma. O PCdoB, premido pelo menos assédio, também se encaminha para o colo da ministra-candidata.
Em movimentos calculados, Lula tratou de asfixiar a candidatura presidencial de Ciro. Em menos de cinco meses, deixou o PSB falando sozinho.
De resto, numa conversa do tipo ‘olho no olho’ com Lula, o presidente do PSB tende a atenuar o tom de voz.
A gestão de Eduardo Campos é, hoje, uma das mais umedecidas pelas verbas borrifadas por Brasília. Graças a Lula, converteu o Estado em canteiro de obras.
Candidato à reeleição num Estado em que a popularidade de Lula roça os 90%, Campos não dispõe de motivos nem de disposição para divergir de Lula.
Resta saber o que tem a dizer o próprio Ciro. Antes de tomar chá de sumiço, desfilara sua candidatura presidencial por diversos pedaços do mapa brasileiro.
Por onde passou, fez questão de atacar alvejar o tucano José Serra e realçar a “frouxidão moral” que permeia a união PT-PMDB em torno de Dilma.
Soou tão enfático que, agora, vai parecer um frouxo se ceder aos apelos de Lula, incorporando-se à caravana dos imorais.
(Escrito por Josias de Souza)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A QUEM INTERESSA UMA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL PLEBISCITÁRIA?

1. A dinâmica do processo pré-eleitoral até este início de 2010 mostra que a campanha presidencial sofreu mudanças importantes. O lançamento a fórceps de Dilma por Lula e o estressamento em suas aparições acompanhadas deste, mostraram que seu potencial é menor do que se imaginava. Sua imagem -burocrata- e a de Lula -paizão- são opostas. O fato de Dilma ter nos setores de renda menor a mesma média que tem em geral, pode ser também por dificuldade de introjeção.
2. Ciro, nas últimas pesquisas de 2009, mostrou menos potencial do que se imaginava, e mesmo no nordeste passou a ter sua média igual a geral, apesar de disparar no Ceará. Sem o Ceará, curiosamente, teria no nordeste menos do que nas demais regiões. Hoje, se poderia dizer que se ele ficar, vai ser só para atrapalhar Dilma. Havendo consciência disso, ele deixará de ser candidato.
3. Marina teve sete meses para sair da Amazônia e entrar nos demais Estados. Copenhague mostrou isso: seu destaque estava entre os de outros países preocupados com a Amazônia. O programa do PV não acrescentou uma vírgula à sua intenção de voto. Se conseguir reproduzir o resultado de Heloísa Helena, será um sucesso. Dessa forma, a Marina que cresceria e tornaria o segundo turno compulsório, parece não existir mais. Ela passou a ser um número baixo que levará ou não a eleição para o segundo turno, dependendo da diferença de Serra e Dilma.
4. Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Serra. As razões parecem claras. Se a introjeção da imagem de Dilma não será simples, quanto menor o tempo de exposição, pior para ela. Sem experiência eleitoral, com imagem fotograficamente mutante, com uma TV dia sim, dia não, e cheia de ruídos de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, maior a dificuldade para fazer entender que ela é "irmã" de Lula.
5. Os temas -economia, social, saúde, segurança, política externa...,- terminam não sendo diferenciadores. Até porque a oposição prefere o "somos todos iguais nesta noite", ou tudo começou com FHC, que a diferenciação, por temor à popularidade de Lula. A eleição vai depender de tipping points e da clássica dialética "segurança-insegurança" do eleitor. Segurança/Insegurança no sentido de risco. A capilaridade dos candidatos a governador do PT ou os realmente integrados é menor que os da oposição em proporção ao eleitorado.
6. Num segundo turno, com 10 minutos para cada lado, todo dia, sem os ruídos do primeiro turno, com as imagens limpas, com debates polarizantes, com a experiência adquirida na campanha e, por isso tudo, com a maior facilidade para Lula explicar o que a burocrata tem que ver com o paizão, Dilma terá um terreno mais fértil para avançar. Lembre-se de Alckmin x Lula em 2006.
7. Com essas preliminares, a tese da eleição plebiscitária, que pesava a favor de Dilma, agora pesa a favor de Serra. Nesse sentido, quanto menor o peso de Marina, maior a probabilidade da eleição se decidir no primeiro turno, e sendo assim, hoje, maior a probabilidade de vitória de Serra. Um quadro curioso, pois é o inverso do que se pensava seis meses atrás.
* * *
(Do ex-blog de César Maia)
domingo, 24 de janeiro de 2010
AMLEF

Ontem aconteceu mais uma reunião ordinária da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF – onde ocupo a cadeira 18.
O nosso habitat é o Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras – ACL – o mais antigo sodalício de letras do Brasil.
Sucede que, ontem, ocorreu um fato inusitado: ao chegarmos para a reunião, por um contratempo, as portas ainda estavam cerradas. E decidimos iniciar os trabalhos no coreto da Praça dos Leões, que fica ao lado do prédio.
Ali, debaixo daquelas generosas árvores centenárias e bafejados pelo vento praiano, realizamos um dos nossos mais energizantes encontros.
Dentre outros assuntos, debatemos sobre a próxima Antologia que a AMLEF vai lançar, aprovamos o nome da poetisa e jornalista Leda Maria para integrar o nosso quadro acadêmico e rendemos uma homenagem póstuma a Mário Caúla, convergência de luz da Academia que há pouco tempo deixou o nosso convívio.
A idéia da reunião ao ar livre foi genial; a reunião em si, agradabilíssima.
(Por Júnior Bonfim)
sábado, 23 de janeiro de 2010
RELEMBRANDO MAYSA
Ontem fez 33 anos da partida de Maysa. A música Ne me quitte pas se torna mais profunda quando entoada por Maysa.
Ne me quitte pas é uma canção francesa, composta, escrita e cantada por Jacques Brel, publicada em 1959 pela Warner-Chappell. Foi escrita no decorrer da separação de Brel e de Suzanne Gabriello. Segundo Brel, a música não é sobre o amor, mas sobre a covardia dos homens. Ou quem sabe ele se referia a si próprio e a esse relacionamento malogrado.
Ne me quitte pas foi interpretada na versão orginal em francês por Simone Langlois, seguida de Nina Simone, Sylvie Vartan, Serge Lama, Nana Mouskouri, Yuri Buenaventura, Maysa Matarazzo e Estrella Morente.
LETRA
Ne me quitte pas Não me deixes,
Il faut oublier É preciso esquecer
Tout peut s'oublier Tudo se pode esquecer
Qui s'enfuit déjà o que já se foi ( para trás ficou trás)
Oublier le temps Esquecer o tempo
Des malentendus dos mal-entendidos
Et le temps perdu E o tempo perdido
À savoir comment a querer saber como
Oublier ces heures Esquecer essas horas,
Qui tuaient parfois Que de tantos porquês
À coups de pourquoi Por vezes matavam (a golpes de porquês)
Le coeur du bonheure o coração da felicidade
Ne me quitte pas (x4) Não me deixes
Moi je t'offrirai Te oferecerei
Des perles de pluie Pérolas de chuva
Venues de pays Vindas de países
Où il ne pleut pás onde nunca chove
Je creuserai la terre eu cruzarei a terra
Jusqu'après ma mort Até depois da morte,
Pour couvrir ton corps para cobrir teu corpo
D'or et de lumière de ouro e luzes
Je ferai un domaine Eu farei um domínio(Criarei um país)
Où l'amour sera roi onde o amor será rei
Où l'amour sera loi onde o amor será lei
Où tu seras reine onde tu serás rainha
Ne me quitte pas Não me deixes
Ne me quitte pás Não me deixes
Je t'inventerai Eu inventarei
Des mots insensés palavras insentatas
Que tu comprendras que tu compreenderás
Je te parlerai Eu te falarei
De ces amants là desses amantes
Qui ont vu deux fois que viram,duas vezes
Leurs coeurs s'embrasser seus corações se abraçarem
Je te raconterai Eu te recontarei
L'histoire de ce roi a história desse rei
Mort de n'avoir pás morto por não ter
Peu te rencontrer podido te reencontrar
Ne me quitte pas (x4) Não me deixes
On a vu souvent Onde se viu
Rejaillir le feu reacender o fogo
De l'ancien volcan do velho vulcão
Qu'on croyait trop vieux que se acreditava ser muito velho
Il est paraît-il Até parece
Des terres brûlées de terras queimadas
Donnant plus de blé produzindo mais trigo
Qu'un meilleur avril que o melhor abril
Et quand vient le soire e quando vem a tarde
Pour qu'un ciel flamboie para que o céu flambe
Le rouge et le noir o vermelho e o negro
Ne s'épousent-ils pás se casam
Ne me quite pas (x4)
Ne me quite pas
Je ne veux plus pleurer eu não vou mais chorar
Je ne veux plus parler eu não vou mais falar
Je me cacherai là eu me esconderei
À te regarder para te olhar
Danser et sourire dançar e sorrir
Et à t'écouter e te escutar
Chanter et puis rire cantar e depois rir
Laisse-moi devenir deixe-me tornar
L'ombre de ton ombre a sombra de tua sombra
L'ombre de ta main a sombra de tua mão
L'ombre de ton chien a sombra do teu cão
Ne me quitte pas não me deixes
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Paulo Nazareno disse:
Beleza! Vale a pena ouvir também a versão do Genial Fausto Nilo.("Não me deixes mais").
TEXTO SEM LETRA "A" (SOMENTE NOSSO BOM E VELHO PORTUGUÊS

É possível sim!
Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
Autor: Desconhecido
(Enviado por Paulo Nazareno)
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
CONJUNTURA NACIONAL

"SEU" LUNGA
Seu Lunga abriu a coluna tempos atrás. Sucesso enorme. E aí as contribuições não pararam de chegar. Hoje, mais historinhas entremeando as notas. Apenas para lembrar a ficha do nosso protagonista: Seu Lunga, pai de 13 filhos, ourives em Juazeiro do Norte, vendedor de sucata.
__________________
Seu Lunga leva o aparelho eletrônico para a manutenção. O técnico pergunta:
- Tá com defeito?
- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.
__________________
OSIRES, O TIMONEIRO
O brigadeiro Osires Silva, que iluminou os primeiros caminhos da Embraer, uma ilha de excelência mundial no complexo segmento de aviões, está muito bravo. Não se conforma com a decisão do presidente Lula em deixar a Embraer de lado no caso da aquisição dos aviões para a Aeronáutica. Osires afirma peremptoriamente – e ele fala de cátedra – que o Brasil teria condições de fabricar os melhores caças do mundo, usando tecnologia de ponta, bastando, para tanto, fazer pequenas parcerias com alguns fabricantes. Seria bom para o país na medida em que se posicionaria muito bem no ranking da construção de caças, para a empregabilidade e para a economia. O brigadeiro conta com os aplausos deste consultor.
LULA, CALL ME
Ontem, ao término da conversa com Lula, para acertar a logística de apoio ao Haiti, Obama pediu: "Lula, call me". E o nosso presidente, raposa matreira, teria aproveitado para animar a campanha eleitoral: "cara, apareça logo, logo, para esquentar a festa". Luiz Inácio quer que o presidente dos EUA dê as caras lá por julho. Coelho na cartola. Dilma agradece de coração.
__________________
Cai um toró em Juazeiro do Norte. Seu Lunga não se incomoda e se prepara para sair de casa. A mulher pergunta:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.
__________________
MEIRELES, OLHO AQUI, OUTRO ACOLÁ
Henrique Meirelles, o todo poderoso presidente do BC, abre um olho para Goiás e outro para o Palácio do Jaburu. Espera substituir Iris Rezende, caso este, por motivo de saúde, decline da candidatura ao governo de Goiás. Mas não quer dar imediata resposta. Cozinhará o galo até março/abril, quando enxergará com outros olhos a disposição do PMDB sobre o nome do vice na chapa da Dilma.
O VICE DO PMDB
Ocorre que a cúpula do PMDB deverá indicar o nome. Não aceitará imposição do presidente Luiz Inácio. Acha que tem cacife suficiente para bancar a indicação. Michel Temer, o presidente do partido, deverá ser reconduzido à presidência em março, continuando a ter muita força no Congresso e junto ao Poder Executivo. Com esses dois importantes cargos, fica bem menor o espaço de vice presidente. Michel está realmente interessado em obter o máximo de consenso na Convenção do partido, a se realizar em junho.
NOME DE MINAS?
Não dá para apostar no nome de Hélio Costa como vice de Dilma. E a razão é óbvia: Dilma é mineira. Outro mineiro tornaria a chapa muito homogênea, algo como sanduíche de pão com pão. Dilma precisa ter um vice na região sudeste, sim, mas sem ser necessariamente de Minas. De SP, preferencialmente. Onde a campanha será a mais tucana e contundente do país. Os tucanos guardam grandes possibilidades de continuar segurando as rédeas do Estado.
__________________
Seu Lunga acaba de levantar. O filho vem com a pergunta idiota:
- Acordou ?
- Não. Estou dormindo. Sou sonâmbulo !
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(EM)PACANDO 2
Lula só pensa em ideias que possam gerar impacto. Esforça-se para agitar as ruas. Planeja uma agenda cheia de eventos. Vai rodar o mundo, mais uma vez, nesse primeiro semestre, para ficar livre, a partir de julho. Por isso, organiza mais um cavalo de batalha, o PAC 2. Não sabemos muito bem o que esse PAC terá de novidade. Sabe-se que o PAC 1 patina nos 30% de realização. Não decola em algumas regiões. O PAC 2 pode ser mais um atoleiro. Lula, porém, sabe fazer marketing. O barulho é tão importante quanto inauguração de obra. A versão é mais importante que o fato.
ORLANDO, BOLA CHEIA
O ministro Orlando Silva emplacou mais uma: Lula o escolheu como Autoridade Olímpica. Cargo que acumulará com o ministério. Todos os eventos, obras e agenda da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 passarão pelo crivo deste cara boa praça.
__________________
O amigo liga para sua casa e pergunta a Seu Lunga:
- Onde você está?
E ele:
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!
__________________
CADÊ CIRO GOMES?
Onde está você, Ciro Gomes? Lembro-me da boa canção de Zeca Baleiro: por onde andará Stephen Fry? Quem se lembra deste ator? Ciro deu uma de Fry. Desapareceu. Lula não quer vê-lo como candidato à presidência da República. Principalmente, agora, depois de ver a derrota do candidato de esquerda no Chile. Eduardo Frei, que foi atrapalhado por mais um candidato da esquerda – o que deu margem à vitória de Sebastián Piñera.
CONCERTACIÓN OU DISSERTACIÓN
Pois é, no Chile, a derrota de Frei é atribuída, entre outros fatores, à divisão da esquerda. Concertación, que aglutina os partidos de esquerda, se dividiram. E Bachelet, a presidente super aprovada pelos chilenos (mais de 80% de aprovação, igual à Lula), não conseguiu transferir seu prestígio para seu candidato, Eduardo Frei. O imbróglio chegou por estas bandas provocando – com perdão do trocadilho – dissertación. Que abriga as hipóteses contrárias: Lula não transfere votos e Lula transfere votos. Este consultor vai agregar sua impressão à moldura.
TRANSFERÊNCIA
A questão da transferência de votos é relativa. O Chile tem identidade, história, tamanho, condições geoeconômicas e sociais bem diferentes das que exibe o Brasil. Portanto, não dá para se fazer análises comparativas fechadas. Há que se pinçar elementos e fatores e sobre eles traçar posições. Por exemplo: Lula é carismático, Bachelet, apesar de certo carisma, está longe de ser um ícone populista. O Brasil é povoado por massas assistidas por gigantescos programas populistas. E Lula abraça diretamente o povo nos comícios de palanque. Sua origem nordestina e seu trajeto lhe conferem identidade sui generis.
SIM E NÃO
Pois bem, Luiz Inácio, impregnado de simbolismo, carregando o manto populista, considerado o "Pai dos Pobres", tem poder para transferir parcela de seu prestígio. Principalmente em regiões menos desenvolvidas que dependem diretamente dos braços estendidos e generosos do governo. O nordeste, por exemplo, poderá dar os votos a Dilma em agradecimento à Lula. Por outro lado, devemos considerar o fato de que Lula faz campanha há dois anos por sua candidata. E Bachelet só entrou no pleito chileno na reta final do segundo turno.
CHARADA FINAL
A pergunta da charada: afinal, quem conseguiu 23% de intenção de voto? Esse é o índice que Dilma ostenta hoje. Respondam: foi ela com seus belos olhos, fala maviosa, carismática e cheia de graça? Non, non, non. Foi ele mesmo, Dom Luiz Inácio Lula da Silva, de Caetés/PE. Eis uma modesta opinião.
PORÉM...
Toda história tem um porém. A leitura acima não pode ser considerada infalível. Transferência de votos é algo relativo. Há um limite para isso. No sudeste, por exemplo, essa condição fenece. O voto é mais racional. Menos emotivo. As classes médias tendem a votar mais com a cabeça e menos com o coração.
CHALITA E SANTANA
Gabriel Chalita foi procurar João Santana, o marqueteiro de Lula. Como ser senador? Esta deve ter sido a pergunta-chave. A identidade, claro, é o eixo. Mas, para ser senador, vereador Chalita, é preciso ter visibilidade e armas de ataque na arena eleitoral. Visibilidade, o PSB não tem. Armas de ataque poderiam ser emprestadas por quem tem. Paulo Skaf, por exemplo. Mas o socialista Skaf emprestaria armas de ataque não fosse ele mesmo um candidato a cargo majoritário?
ALVARO NO PARANÁ?
Recebo dados sobre o Paraná. De pesquisa feita pelo IPESPE, do sociólogo Lavareda. O senador Alvaro Dias, do PSDB, sai na frente nos apresentados aos eleitores. No confronto direto com Beto Richa, que disputa a indicação dentro do partido, ele vence por 45% a 38%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais. Alvaro venceria também o irmão Osmar Dias em suposto confronto somente entre os dois. Sem Osmar na parada, com este liderando os votos na reeleição ao Senado, Alvaro Dias levaria a melhor no pleito. E na eleição para a presidência da República, o governador paulista, José Serra, confirma a preferência dos paranaenses.
__________________
Seu Lunga acaba de tomar banho e a mulher pergunta:
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!
__________________
PROPINA NO EXTERIOR?
As investigações da Operação Castelo de Areia começam a rastrear as contas do PT no exterior. Eis o que os documentos apontam: uma remessa de R$ 261.285,52, em abril de 2008, na conta: nº 941-11-013368-2, no First Commercial Bank, na China. (Folha de S.Paulo, 19/1, página A4.)
MORRENDO
O advogado, no leito da morte, pede uma Bíblia e começa a lê-la avidamente. Todos se surpreendem com a conversão daquele homem ateu, e uma pessoa pergunta o motivo. O advogado doente responde: "Estou procurando alguma brecha na lei."
CONSELHO AOS RADICAIS DO GOVERNO
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção aos radicais do governo:
1. Evitem produzir documentos, leis, projetos, decretos que ameacem romper os códigos normativos da República.
2. Administrem atitudes revanchistas, arquivando ódios e alimentando a seiva do bom senso.
3. Não há mais espaço para a radicalização no país. A Pátria está implícita na solidariedade sentimental de sua comunidade e não na confabulação de radicais e politiqueiros que medram à sua sombra.
____________
(Por Gaudêncio Torquato)
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
ANIVERSÁRIOS
Se viva fosse, estaríamos hoje celebrando o natalício da minha estimada mãe, Rosária, uma delicada roseira desprovida de espinhos.
Também hoje aniversaria o Lauro, meu segundo irmão, exemplo de decência, honestidade, dedicação ao trabalho e amor à família.
Seguem postagens de dois poemas que fiz para esses seres que, nesta vida sacudida por trevas, me brindaram com os pendores da luz.
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Jaqueline Sales deixou um novo comentário:
Em memória à sua mãe, e em homenagem ao aniversário do seu irmão, deixo o desejo de que haja paz, luz, saúde, vida e esperança para ambos, também para voce nesse início de ano.
Vagueando pelo blogspot, acabei encontrando o endereço de varios amigos de Fortaleza. A verdade é que não conheço você, mas achei interessante a sua auto-definição.
Interessante como a net nos inspira a dizer, de fato, quem somos, não é verdade?
Namastê
Também hoje aniversaria o Lauro, meu segundo irmão, exemplo de decência, honestidade, dedicação ao trabalho e amor à família.
Seguem postagens de dois poemas que fiz para esses seres que, nesta vida sacudida por trevas, me brindaram com os pendores da luz.
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Jaqueline Sales deixou um novo comentário:
Em memória à sua mãe, e em homenagem ao aniversário do seu irmão, deixo o desejo de que haja paz, luz, saúde, vida e esperança para ambos, também para voce nesse início de ano.
Vagueando pelo blogspot, acabei encontrando o endereço de varios amigos de Fortaleza. A verdade é que não conheço você, mas achei interessante a sua auto-definição.
Interessante como a net nos inspira a dizer, de fato, quem somos, não é verdade?
Namastê
SONETO À MINHA MÃE

O amor deitou sobre ti um cristal de inocência,
Amiga das plantas, filha do luar e da suave alegria,
Por isso me agrada fazer versos com paciência
À montanha iluminada de tua melancolia.
Meu jeito de sol expansivo, pedra solitária
Ou mágico aliado dos secretos elementos
Vem de teu regato, madura Rosária,
Mulher polida na cal do sofrimento.
A liberdade reconhece da luz o sonho dourado.
És minha mãe – assim como o mundo, a poesia,
Rosamada senhora por quem fui lapidado.
Mereces um lugar no trono alto da glória,
Pois fostes generosa para com a História:
Oferecestes ao povo um poeta alado!
(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)
AO LAURO, MEU IRMÃO

Falou, Gozé, hoje para nós o tempo é de sol.
Já se passaram os vagões da ingenuidade,
As areias da ilusão, a distância do girassol,
Os nomes loucos de criança, o curral da saudade.
Passaram, passou... agora é simplesmente
Extrair do canteiro a radiosa maçã,
Colocar na mesa o pão permanente
E marchar sorrindo a buscar o amanhã.
(Adormeço no ar o meu encanto invisível,
Outorgo-te o mar grande, o luar feminino.
Meu irmão, eu sou feiticeiro inacessível.
A luta te fez homem, a poesia me faz menino).
Ninguém derrotará nossa alegria de aço.
Temos política nas veias, firmeza nos passos,
Somos livres no olhar, profundos de coração.
Há que sonhar, lutar e viver semeando.
Recebestes a luz, agora tens uma missão:
Desenvolve essa aurora e prossegue amando.
(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
PORTAL TERÁ DE IDENTIFICAR COMENTARISTA FALSO

Olhem, uma importantíssima decisão judicial noticiada pelo Consultor Jurídico no dia 8 de dezembro não mereceu o devido destaque na imprensa. Eu, confesso, não sabia da história. Reproduzo um texto publicado naquele dia pelo Consultor Jurídico. Leiam com atenção. Volto em seguida:
*
Quem cede espaço, na Internet, para comentaristas anônimos agredirem a honra alheia deve responder por isso. Com esse entendimento, a 42ª Vara Cível da capital paulista estabeleceu um paradigma que pode ser usado para conter a disseminação de “comentaristas profissionais” - que nunca se identificam, mas se prestam a criar ondas que se tornam campanhas para defender interesses inconfessáveis. A multa por descumprimento da decisão é de R$ 5 mil por dia.
O portal alvejado pela Justiça foi o iG que, sob o comando dos fundos de pensão governamentais, reuniu um time de jornalistas que passou a turbinar notícias dentro das metas de quem os contratou. Para evitar processos pelas ofensas praticadas, o truque utilizado foi o de admitir comentários com nomes e emails falsos. Contra a impunidade, a Justiça agora determinou que os hospedeiros das ofensas identifiquem seus autores. A proeza foi obtida pelo advogado João Yuji de Moraes e Silva. A decisão atingiu também o site Observatório da Imprensa que se viu casualmente envolvido no quiproquó - e o atual comando do iG, que nada tem a ver com as práticas anteriores do Portal, ao tempo em que fazia parte do departamento de imprensa e propaganda do PT.
Com a decisão da 42ª Vara Cível, o iG e o site Observatório da Imprensa estão obrigados a fornecer, num prazo de 48 horas, registros de IP, horário e data em que foram postados comentários em nome da advogada Ana Vardanega, com ofensas ao jornalista Márcio Chaer, diretor da revista Consultor Jurídico. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 5 mil. Ainda cabe recurso.
O caso foi parar na Justiça depois de o Observatório se recusar a informar os dados cadastrais do verdadeiro autor dos comentários feitos sob o artigo Síndrome fascista: a imprensa quer culpados, assinado por Márcio Chaer. O comentarista se valeu de nome e e-mail de outra pessoa [Ana Vardanega] para imputar mentiras com o objetivo de ofender o jornalista.
No artigo publicado em julho de 2008, Chaer criticava a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e também da imprensa, em uma época em que as operações da PF com seus efeitos especiais espetaculares podiam ser encomendadas como em um disque-pizza. Sob o artigo foram postados quase duzentos comentários, quantidade inédita para um texto publicado pelo OI.
Nomes falsos
Usar nome falso, uma traquinagem, que poderia se revestir de bom humor, descamba para a irresponsabilidade criminosa em alguns casos. O mais famoso serial killer dessa modalidade seria o empresário Luís Roberto Demarco, que conseguiu derrubar o outrora poderoso Daniel Dantas na disputa das teles. Demarco é suspeito de fabricar nomes e e-mails falsos para bombardear desafetos. Um estudo feito pelos especialistas em análise criminal Renato Akira Shimmi e Martin Augusto Carone dos Santos, conclui que o empresário, dono de empresas tecnológicas voltadas para a Internet, cria falsos endereços eletrônicos para prejudicar inimigos.
Contra sua ex-mulher, empresária responsável pela logística da Fórmula 1, Demarco teria criado e-mail para convencer o mundo automobilístico que ela seria uma terrorista condenada e foragida da Justiça brasileira. Contra o jornalista da revista IstoÉ, Leonardo Attuch, ele teria produzido email e um falso diálogo. No rastreamento da origem da mensagem, chegou-se a um computador franqueado por uma livraria. Requisitada a gravação ambiental, verificou-se que a atual mulher de Demarco, com alguém ao lado que a câmera não pegou, é que estava diante do computador no horário em que a mensagem foi enviada. À polícia, a mulher disse não lembrar se Demarco estava com ela no momento.
Muitos dos comentários publicados no artigo do Observatório da Imprensa têm o estilo e a marca que a análise criminal de Akira Shimmi e Carone dos Santos concluiu serem produzidos por Demarco. No caso do artigo no OI, a afirmação de que o autor oculto era o empresário levou-o a ajuizar ação de indenização por danos morais contra o jornalista. O pedido foi negado pelo juiz Guilherme Santini Teodoro, juiz da 9ª Vara Cível de São Paulo. Para o juiz, crítica da imprensa, por mais ácida que seja, não é ofensa. O juiz não aceitou o pedido do jornalista para recomeçar o processo colocando o empresário no banco dos réus.
Demarco é inimigo público de Daniel Dantas e trabalha para seus concorrentes. Ex-sócio do Grupo Opportunity, foi em uma de suas empresas, a Nexxy Capital, que se produziu a Ação Civil Pública assinada pelo procurador da República Luiz Francisco de Souza contra o rival. O empresário associou-se à Telecom Italia quando a empresa italiana disputava com o Opportunity o controle da Brasil Telecom. Na sequência, Demarco assumiu o posto de estrategista dos fundos de pensão com o mesmo objetivo.
Leia a decisão que obriga o iG e o OI a informarem quem escreveu os comentários apócrifos contra o jornalista:
Fórum Central Cível João Mendes Júnior
Processo: 583.00.2009.215206-3
Processo:CÍVEL
Comarca/Fórum Fórum Central Cível João Mendes Júnior
Cartório/Vara: 42ª. Vara Cível
Competência: Cível
Ordem/Controle: 2352/2009
Grupo: Cível
Qtde. Autor(s) 1
Qtde. Réu(s) 2
PARTE(S) DO PROCESSO
Requerido: INTERNET GROUP DO BRASIL LTDA
Requerido: JORNALISTAS ASSOCIADOS AYZ S/C LTDA
Requerente: MÁRCIO OSMAR CHAER
Advogado: 286590/SP JOÃO YUJI DE MORAES E SILVA
3/12/2009 Despacho Proferido
Vistos. 1. Deverá o autor comprovar a legitimidade passiva de JORNALISTAS ASSOCIADOS AZYZ S/C LTDA., pois não é possível verificar sua relação com o “site” indicado na petição inicial. 2. Sem prejuízo, em relação ao INTERNET GROUP, presentes os requisitos, DEFIRO o pedido liminar. A probabilidade do direito do autor está comprovada pela publicação de comentário, em tese, ofensivo ao autor, pretendendo ele informações sobre o responsável, para futuro ressarcimento. A legitimidade da ré está demonstrada, minimamente, pois os documentos trazidos demonstram ser a hospedeira do site em questão. Por fim, o receio de dano é incontestável, já que as informações, com o passar do tempo, podem se perder, impossibilitando futura reparação. Pelo exposto, DEFIRO a antecipação dos efeitos da tutela, determinando que a co-requerida INTERNET GROUP DO BRASIL forneça, no prazo de 48hs, registros de IP utilizado nos comentários formulados em nome de ANA VARDANEGA (Ana.vardanega@gmail.com), com datas e horários de acessos do responsável, bem como eventuais registros de “logs” adicionais de transferência de arquivos. Arbitro, desde logo, para o caso de não cumprimento da medida de urgência, a incidência de multa no valor de R$ 5.000,00 por dia, até o limite de R$ 50.000,00, sem prejuízo de majoração do valor e de seu limite se necessário. A presente decisão servirá de mandado de citação e notificação da medida de urgência. Int.
Comento
Publico, na média, uns 1.500 comentários por dia. Excluo quase outro tanto. Muitos leitores recorrem a apelidos. Mas são leitores que, obviamente, existem. E tanto se me dá se alguém quiser fazer uma avaliação técnica para saber se isso é verdade ou não. Procuro distinguir o direito de crítica da calúnia industriada. Acho que consigo. Sempre peço aos leitores que me avisem se consideram que alguém atravessa o samba.
O anonimato ou o apelido é um dado da Internet. Mas não pode ser desculpa para criminosos. E é evidente que há bandidos a soldo na rede. E, se cometem crimes, têm de responder por eles.
É perfeitamente possível ser muito firme numa determinada posição ou opinião sem transgredir a lei. A menos que se trate de bandidagem pura e simples.
(Por Reinaldo Azevedo)
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
ENTREVISTA

Ontem estive em Crateús.
Em meio aos compromissos, fui convidado pelo repórter Helvécio Martins para conceder uma entrevista à Rádio Príncipe Imperial, onde inicialmente ele me indagou a respeito da eleição da OAB e, em seguida, sobre política local e estadual.
Respondi-lhe que nutro enorme esperança quanto ao futuro da OAB no Ceará. O presidente Valdetário Monteiro é uma pessoa que exibe uma virtuosa trajetória de vida, tem atitude, determinação e garra para impulsionar positivamente os destinos da entidade. Será, indubitavelmente, uma gestão operosa.
Sobre a conjuntura, esclareci que as eleições no Chile exibem um fenômeno que precisa ser mais bem avaliado. Por que a Presidente Chilena, Michelle Bachelet, que detém uma popularidade tão expressiva quanto a do Presidente Lula no Brasil, amargou uma derrota? Certamente é porque hoje o peso da transferência de voto mudou. Até bem pouco tempo um líder forte e bem avaliado elegia facilmente o indicado. Hoje é diferente. Prova disso é o próprio Brasil, onde há mais de um ano o presidente exibe uma candidata que continua atrás nas pesquisas.
No que pertine à eleição estadual, enfatizei a importância do estado do Ceará reeleger Tasso Jereissati, o único homem público cearense a governar o estado por três mandatos, sempre eleito pelo voto popular. Além de reconhecimento ao seu trabalho, trata-se de ato de justiça.
Instado a fazer uma avaliação do governo municipal, respondi:
1. A eleição de Carlos Felipe foi emblemática. Embora tenha votado no candidato concorrente, reconheço que Carlos Felipe catalisou as esperanças da população. O povo votou nele sob o forte desejo de que ele promovesse uma profunda alteração nos costumes políticos e na condução administrativa. Infelizmente faltou-lhe aquilatar a real dimensão e o alcance histórico do seu papel. Ao invés de iniciar o seu governo conclamando a inteligência da cidade, pela mediação dos segmentos organizados, e as lideranças indistintamente para a construção de uma agenda de transformações sustentáveis, preferiu repetir os velhos modelos: cooptação de vereadores, ações revanchistas, discurso discriminatório. Perdeu a oportunidade inicial da inovação.
2. Além de uma mudança relacional, era imperiosa a promoção de um choque de gestão: corte nas gorduras, enxugamento da máquina, racionalização de procedimentos e constituição de uma robusta poupança. Na ânsia imediatista de mostrar resultado, iniciou obras sem folga de contrapartida e começa a enfrentar problemas (a reforma da Praça da Estação está prestes a completar um ano e inconclusa). No lugar de um programa eficaz de desenvolvimento sustentável, temos uma série atabalhoada de ações desconexas ao sabor da conjuntura externa.
3. No meio da entrevista, um ouvinte ligou perguntando o que o PSDB tinha feito para ajudar a administração do Prefeito Carlos Felipe. Respondi que é preciso distinguir: uma coisa é ajudar a Administração; outra, ajudar a população. O PSDB tem ajudado a população do município. Exemplo é que muitos ações de saneamento e pavimentação da cidade era fruto de emendas do deputado do PSDB Nenen Coelho. Outro exemplo foi a destinação de recursos (R$ 200.000,00) para a Faculdade de Educação de Crateús – FAEC, além de uma infinidade de projetos em execução. A ajuda à Administração depende de quem está à frente desta. O prefeito nunca fez qualquer sinal de querer uma relação saudável e elevada com os setores que lhe fazem oposição. Nesse quesito, repete a velha e anacrônica política pendular de transitar sobre os dois extremos: ou as pessoas, por cooptação, o acompanham submissamente ou procura esmagar quem insiste em lhe fazer contraponto. Como se fosse impossível seguir outro caminho.
4. Por fim, reiterei a esperança de que, na dialética do debate, possamos avançar no rumo de, um dia, atingirmos o ideal de vivermos numa cidade que respire sob uma atmosfera diferenciada nos seus aspectos político e administrativo.
(Por Júnior Bonfim)
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
TRANSPARÊNCIA DEVE MELHORAR IMAGEM DA JUSTIÇA
Entre as diversas providências que o Conselho Nacional de Justiça vem tomando com o objetivo de tornar mais transparente e eficiente a administração do Poder Judiciário, uma das mais simples começará a ser adotada nas próximas semanas. Trata-se da divulgação, pela internet, de todas as despesas de custeio e de investimento da Justiça Federal, da Justiça do Trabalho, das Justiças estaduais, da Justiça Eleitoral e da Justiça Militar. Atualmente, os gastos do Judiciário representam 5,2% da despesa pública global no País. Até hoje, só alguns tribunais vinham divulgando suas contas.
Pela Resolução 102 do CNJ, os dados terão de ser atualizados até o vigésimo dia de cada mês e a medida vale para todas as instâncias judiciais. A divulgação da estrutura de cargos e dos gastos com pagamento de magistrados e servidores administrativos deverá começar em fevereiro. E, a partir de março, todos os tribunais deverão divulgar, em seus respectivos sites, todas as informações relativas à execução orçamentária.
Com base nos dados divulgados, que também terão de ser enviados pelos tribunais ao CNJ, o órgão pretende criar no Judiciário um mecanismo de controle de gastos semelhante ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que funciona há anos no Poder Executivo. Invocando a autonomia funcional e a independência administrativa, alguns juízes se opunham à abertura das contas de suas respectivas cortes, principalmente as informações relativas a salários e gratificações. E, acostumados a pedir verbas suplementares todas as vezes que tinham problemas de caixa, também resistiram à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impôs limites a gastos com pessoal, obrigando a Justiça a aplicar seus recursos orçamentários de modo mais racional e a adotar políticas mais eficientes de recursos humanos.
Como afirma o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Mozart Valadares, que apoia a divulgação das contas dos tribunais, a obrigatoriedade de divulgação dos gastos vai "aguçar a resistência de alguns segmentos judiciais". Para os conselheiros do CNJ, a medida, juntamente com os indicadores de desempenho funcional e as inspeções da Corregedoria Nacional de Justiça, permitirá identificar os casos de má gestão financeira, de arbitrariedades, de malversação de recursos públicos e de gastos perdulários com diárias, coquetéis, homenagens, carros oficiais e passagens aéreas. Em suas inspeções, os auditores do CNJ constataram graves distorções nas Justiças estaduais, cujo orçamento anual é superior a R$ 18 bilhões. Por gastar excessivamente com a manutenção dos gabinetes de seus dirigentes, por exemplo, alguns Tribunais de Justiça não dispunham de recursos suficientes para manter as varas judiciais, prejudicando com isso o atendimento à população.
Para coibir abusos em matéria de execução orçamentária, a resolução do CNJ obriga todos os tribunais a detalhar minuciosamente 30 itens, inclusive gastos com a construção de fóruns, reformas de imóveis, serviços de informática, publicidade, assessoria de imprensa, publicações e combustíveis. Os tribunais terão de informar até o que gastam com o cafezinho dos magistrados.
Além das despesas com pessoal ativo e inativo, encargos sociais e pensões, as cortes terão de divulgar os subsídios pagos a cada um de seus integrantes e os gastos com funcionários comissionados e terceirizados. Como magistrados e serventuários judiciais se opuseram à divulgação de seus nomes e respectivos vencimentos, o CNJ decidiu que as listagens relativas às folhas de pagamento serão exibidas com o número de matrícula funcional de cada um. Os tribunais também terão de informar as receitas provenientes de custas, taxas judiciais e serviços extrajudiciários e os valores gastos com a execução das sentenças judiciais.
Contribuindo para racionalizar a gestão dos recursos financeiros dos tribunais, as novas regras do CNJ ajudarão o Judiciário a melhorar sua imagem perante a opinião pública. Há dois meses, a pesquisa Índice Latino-americano de Transparência Orçamentária, realizada em 12 países, apontou o Judiciário como o mais "opaco" dos Três Poderes. Quanto mais transparente for a Justiça, maior será sua credibilidade.
[Editorial publicado na edição deste domingo do jornal O Estado de S. Paulo]
Pela Resolução 102 do CNJ, os dados terão de ser atualizados até o vigésimo dia de cada mês e a medida vale para todas as instâncias judiciais. A divulgação da estrutura de cargos e dos gastos com pagamento de magistrados e servidores administrativos deverá começar em fevereiro. E, a partir de março, todos os tribunais deverão divulgar, em seus respectivos sites, todas as informações relativas à execução orçamentária.
Com base nos dados divulgados, que também terão de ser enviados pelos tribunais ao CNJ, o órgão pretende criar no Judiciário um mecanismo de controle de gastos semelhante ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que funciona há anos no Poder Executivo. Invocando a autonomia funcional e a independência administrativa, alguns juízes se opunham à abertura das contas de suas respectivas cortes, principalmente as informações relativas a salários e gratificações. E, acostumados a pedir verbas suplementares todas as vezes que tinham problemas de caixa, também resistiram à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impôs limites a gastos com pessoal, obrigando a Justiça a aplicar seus recursos orçamentários de modo mais racional e a adotar políticas mais eficientes de recursos humanos.
Como afirma o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Mozart Valadares, que apoia a divulgação das contas dos tribunais, a obrigatoriedade de divulgação dos gastos vai "aguçar a resistência de alguns segmentos judiciais". Para os conselheiros do CNJ, a medida, juntamente com os indicadores de desempenho funcional e as inspeções da Corregedoria Nacional de Justiça, permitirá identificar os casos de má gestão financeira, de arbitrariedades, de malversação de recursos públicos e de gastos perdulários com diárias, coquetéis, homenagens, carros oficiais e passagens aéreas. Em suas inspeções, os auditores do CNJ constataram graves distorções nas Justiças estaduais, cujo orçamento anual é superior a R$ 18 bilhões. Por gastar excessivamente com a manutenção dos gabinetes de seus dirigentes, por exemplo, alguns Tribunais de Justiça não dispunham de recursos suficientes para manter as varas judiciais, prejudicando com isso o atendimento à população.
Para coibir abusos em matéria de execução orçamentária, a resolução do CNJ obriga todos os tribunais a detalhar minuciosamente 30 itens, inclusive gastos com a construção de fóruns, reformas de imóveis, serviços de informática, publicidade, assessoria de imprensa, publicações e combustíveis. Os tribunais terão de informar até o que gastam com o cafezinho dos magistrados.
Além das despesas com pessoal ativo e inativo, encargos sociais e pensões, as cortes terão de divulgar os subsídios pagos a cada um de seus integrantes e os gastos com funcionários comissionados e terceirizados. Como magistrados e serventuários judiciais se opuseram à divulgação de seus nomes e respectivos vencimentos, o CNJ decidiu que as listagens relativas às folhas de pagamento serão exibidas com o número de matrícula funcional de cada um. Os tribunais também terão de informar as receitas provenientes de custas, taxas judiciais e serviços extrajudiciários e os valores gastos com a execução das sentenças judiciais.
Contribuindo para racionalizar a gestão dos recursos financeiros dos tribunais, as novas regras do CNJ ajudarão o Judiciário a melhorar sua imagem perante a opinião pública. Há dois meses, a pesquisa Índice Latino-americano de Transparência Orçamentária, realizada em 12 países, apontou o Judiciário como o mais "opaco" dos Três Poderes. Quanto mais transparente for a Justiça, maior será sua credibilidade.
[Editorial publicado na edição deste domingo do jornal O Estado de S. Paulo]
COMENTÁRIOS
J. B.
Importante sua menção neste espaço sobre a passagem da Coluna Prestes pela nossa querida ribeira do Poty.
Pena que os mandatários Crateuenses nunca tiraram o saudável proveito da passagem deste movimento ímpar na história do Brasil, com inspiração no lendário Mao Tsé-tung, Zhou Enlai e demais, que lideraram a grande Marcha, na China.
Alexandre Maia
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Caro Jr. Bonfim:
Provocar reações é uma maneira de fazer eslarecer ideias e ou pensamentos.
Vc foi por mim provado e respodeu com um brilhantismo que é so seu.
Faço das suas palavras, as minhas. "LIVRES" assim defendeu François-Marie Arouet.
Obrigado TFA
LB
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Caro Júnior , essas fotos postadas no observatório nos mostram um momento dificil em nossa categoria.
Mas acredito que ensinar exige alegria, esperança e convicção que a mudança é possivel basta querer.
Ozair Medeiros
Importante sua menção neste espaço sobre a passagem da Coluna Prestes pela nossa querida ribeira do Poty.
Pena que os mandatários Crateuenses nunca tiraram o saudável proveito da passagem deste movimento ímpar na história do Brasil, com inspiração no lendário Mao Tsé-tung, Zhou Enlai e demais, que lideraram a grande Marcha, na China.
Alexandre Maia
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Caro Jr. Bonfim:
Provocar reações é uma maneira de fazer eslarecer ideias e ou pensamentos.
Vc foi por mim provado e respodeu com um brilhantismo que é so seu.
Faço das suas palavras, as minhas. "LIVRES" assim defendeu François-Marie Arouet.
Obrigado TFA
LB
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
Caro Júnior , essas fotos postadas no observatório nos mostram um momento dificil em nossa categoria.
Mas acredito que ensinar exige alegria, esperança e convicção que a mudança é possivel basta querer.
Ozair Medeiros
sábado, 16 de janeiro de 2010
CASA NO CAMPO
Elis Regina
Composição: Zé Rodrix e Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
OBSERVATÓRIO



Como sempre sói acontecer, no início do ano abrimos as janelas das projeções. O que se descortina, no horizonte político, para o ano que engatinha? Quais os principais cenários que estão sendo desenhados pela atual conjuntura? Que lições podemos recolher do exercício anterior? Para onde apontam as bússolas indicativas dos principais poderes com atuação no município?
JUDICIÁRIO I
Embora, do ponto de vista formal da engenharia federativa brasileira, os poderes municipais sejam apenas o Legislativo e Executivo, os tentáculos do Judiciário se fazem sentir em todos os poros do tecido municipal. Crateús começa o ano sem a presença do doutor Magno Gomes de Oliveira. Amado e odiado pelas polêmicas decisões que prolatou, o juiz que por cinco anos atuou em todos os módulos do Fórum (Eleitoral, Primeira e Segunda Varas, Juizado Especial e Diretoria) teve marcante atuação no cotidiano local. No entanto, o mais retumbante decisum produzido no quadriênio passado surgiu da caneta do doutor Lúcio Alves Cavalcante, mediante provocação oriunda do Ministério Público: o primeiro afastamento do então Prefeito Zé Almir. Isso apenas assenta o peso dessa instituição simbolizada pela deusa Thêmis, cuja imagem lembra simultaneamente a força, o equilíbrio e a imparcialidade.
JUDICIÁRIO II
No final do ano passado, o Pleno do Tribunal de Justiça do Ceará aprovou a promoção do magistrado Daniel Carvalho Carneiro, da Comarca de Mauriti, para assumir o cargo de Juiz Auxiliar na nossa cidade. O mesmo ocorreu com a juíza Carla Susiany Alves de Moura, da Comarca de Jaguaretama, que também foi promovida para assumir aqui, sob critério de antiguidade. Há, ainda, a perspectiva de serem criadas novas Varas e, conseqüentemente, o advento de novos julgadores. Continuam como Fiscais da Lei os promotores José Arteiro Goiano e Gustavo Morgardo, cujo empenho fiscalizatório e atuação independente causaram muito impacto.
LEGISLATIVO I
O Poder Legislativo começa o ano noticiando, por meio do seu Presidente, que realizou uma vultosa economia em favor dos cofres municipais: vai devolver setecentos mil reais ao Executivo, indicando que R$ 500 mil devem ser destinados à Secretaria de Agricultura e R$ 200 mil à Secretaria de Esportes. Trata-se de iniciativa louvável, embora o valor total consignado no Orçamento/2009 tenha sido algo inusitado: R$ 3 milhões e 300 mil reais.
LEGISLATIVO II
Sucede que o maior desafio na relação Legislativo e Executivo diz respeito à observação da assertiva constitucional da independência. Os senhores edis, durante o ano de 2009, realizaram várias sessões itinerantes em distritos do município. Porém, a presença ostensiva de membros da Prefeitura (Prefeito, Vice, Secretários e Assessores...) deixava transparecer a idéia de que a Câmara era apenas um braço ou apêndice do Executivo. A contrário senso: imagine um Vereador simultaneamente à frente de uma Secretaria e sentado na cadeira legislativa. Em 2010, impende distinguir: harmonia é uma coisa; alinhamento, outra. Vale relembrar a sempre atual lição de Jean Jacques Rousseau, em sua famosa obra Do Contrato Social: “o legislador é um homem extraordinário em qualquer ponto de vista. Não se trata de magistratura ou soberania. Legislar é uma função superior e particular que não é comum ao império humano... aquele que governa os homens não deve governar as leis, o que governa as leis não deve também governar os homens...”
EXECUTIVO I
Em 2004, ouvi certa feita da boca do pré-candidato Carlos Felipe: “Chegando à Prefeitura, vou fazer uma Administração como a do Cid Gomes, em Sobral”. (À época, o então Prefeito de Sobral era considerado o melhor alcaide cearense). Em 2009, Felipe assumiu o Executivo crateuense. Porém, há pouca semelhança entre seu governo e a exitosa gestão do sobralense. Primeiro, há duas marcas que Cid sempre carregou: apreço ao planejamento e culto ao superávit. A administração do médico parece ter desprezado essas premissas. Em que pese Felipe ser uma pessoa voluntariosa, com extrema dedicação ao trabalho, carece do saudável hábito do planejamento colegiado. Por outro lado, a ânsia imediatista de mostrar resultados em curto prazo o impediu de realizar o imprescindível corte nas gorduras, eliminando os dispêndios supérfluos e enxugando a máquina através de um ajuste no quadro de pessoal, a fim de poder constituir uma robusta poupança e encetar um programa de desenvolvimento sustentável. Continua a Prefeitura sob a velha crônica do lençol curto, fazendo regateio para cumprir obrigações básicas. Ao final do primeiro ano, um feixe de frustrações no campo do debate democrático, derrota em eleições estratégicas como a da Federação das Entidades Comunitárias e Sindicato dos Trabalhadores Rurais, um cabedal de confrontos desnecessários (professores, comerciantes, imprensa etc.) e uma cartela de obras cujo carro-chefe é... calçamento. Sim, calçamento. O ícone do ano que passou foi a pavimentação de diversas ruas, benefício ao saneamento básico que se resume a areia e pedra tosca. É pouco para quem propagava tanto.
EXECUTIVO II
Porém, foi no campo minado da ação política, mais do que no terreno da via administrativa, que o Prefeito acumulou mais decepções. Quem imaginava que o cavaleiro que ostentou o estandarte da vida nova inauguraria uma prática política diferente (como havia se comprometido), bateu com a cabeça na parede. Ao invés de despertar a classe política, em especial os senhores vereadores, para conhecer o jardim da política com P maiúsculo, o alcaide preferiu se embrenhar na capoeira da mesmice e repetir os equívocos do passado: a relação clientelista, calcada no toma-lá-dá-cá, trocando cargos por apoio e submetendo a gestão a concessões impublicáveis. (Logo vão dizer que isso foi o que sempre foi feito. É verdade, mas a gestão atual prometeu em praça pública ser diferente, inovar. É por isso que qualquer um pode cobrar.)
EXECUTIVO III
E agora, quando o calendário aponta nova refrega eleitoral, o Prefeito anuncia uma decisão surpreendente: vai lançar a própria esposa como candidata a deputada estadual. É uma medida de alto risco, sobretudo porque o coloca em situação de altíssimo teste. Primeiro lança ao sacrifício uma pessoa que talvez não deseje isso. A primeira dama, que realiza elogiável trabalho, nunca revelou inclinação para candidatura. Se entrar, certamente será a contragosto. Segundo, congela o discurso, ainda quente, da eleição passada: o combate a quem não é da terra, pois a sua consorte também é “de fora”. Terceiro, passa uma idéia de ganância, como se quisesse concentrar o poder dentro de casa. Quarto, compele o gestor a comprometer a gestão, pois os impactos de uma candidatura bancada exclusivamente por quem está na cadeira de prefeito são incalculáveis. Porém, Carlos Felipe confia excessivamente no próprio potencial, como se o resultado eleitoral dependesse apenas da vontade individual e não de outras variáveis de natureza coletiva.
PARA REFLETIR
"A ganância é uma cova sem fundo, que esvazia a pessoa em um esforço infinito para satisfazer a necessidade, sem nunca alcançar satisfação."
(Erich Fromm)
(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)
REPENSANDO O MEMORIAL

O mês de janeiro, precisamente o seu terceiro dia, assinala o natalício do maior gênio militar brasileiro: Luis Carlos Prestes. O gaúcho de Porto Alegre, aparentemente frágil na compleição física, era um verdadeiro gigante na estatura moral. A sua fulgurante trajetória - semeando os sonhos mais profundos da alma humana - o imortalizou como o “Cavaleiro da Esperança”.
Apenas para pontuar a força de seu dínamo mobilizador, no remoto 15 de julho de 1945, recém-libertado da prisão imposta por Getúlio Vargas nove anos antes, ele conseguiu lotar o estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mais de 100 mil pessoas se acotovelavam para ouvir a voz do líder.
Sua fala contundente hipnotizou o público, que só o interrompia para calorosos aplausos. Na ocasião, o poeta maior das Américas, o chileno Pablo Neruda, leu uma saudação poética que encerrava assim: “Peço silêncio à América da neve ao pampa / Silêncio: com a palavra o Capitão do Povo / Silêncio: que o Brasil falará por sua boca”.
Prestes foi o principal insuflador da germinação libertária no Brasil do século passado. Liderou a maior cruzada cívica da história brasileira: a Coluna Prestes. Através dela, tocou as regiões mais lúgubres e as feridas mais sensíveis da pele da Pátria. Reacendeu e espalhou a tocha de uma sociedade mais justa e mais bela. O padre Geraldo Oliveira Lima, o cearense que mais pesquisou o assunto, nos oferece um parâmetro para aquilatar sua real dimensão: “A Coluna Prestes superou a marcha de Mao Tse-Tung, em número de quilômetros e em sacrifícios. É a maior marcha da Idade Moderna, e um símbolo de valores como ética e justiça. E Crateús é uma referência da passagem da Coluna pelo Ceará”.
A terra apadrinhada pelo Senhor do Bonfim galgou destaque por ter sido palco do único combate das forças revolucionárias. Geraldinho pontua em uma de suas obras sobre a passagem da Coluna através do Ceará: Frutuoso Lins, jovem em janeiro de 1926, narrou que quando o relógio bateu 3h “reboou uma saraivada de rifles e fuzis”. Lins explicou que João Calixto, guarda da Estação, revelou a euforia dos revolucionários no local: “Entre 4 e 5 horas da manhã, corriam eles pelas calçadas cantando ‘Mulher rendeira’ e gritando ‘Queima Chicuta’ e batiam com o coice do rifle nas portas da Estação”. O infante Gerardo Mello Mourão, assustado com o barulho da batalha, escondeu-se debaixo de uma mesa. Foi um confronto carregado de contorno épico. Isso conferiu a Crateús status de protagonista no enredo da Coluna.
Tive o gáudio de, na gestão do ex-prefeito Paulo Nazareno, ter integrado o grupo que participou da arquitetura reflexiva de um Projeto que visava resgatar e registrar esse singular fato da vida local. Àquela época, meados dos anos 2000, mobilizamos importantes segmentos da intelectualidade local e estadual discutindo esse desenho memorial. Lembro de uma produtiva reunião, realizada nas dependências do Estoril, na Praia de Iracema, quando compareceram vários próceres da esquerda cearense. As sugestões fluíam de modo cadenciado como a onda do mar à nossa frente.
Recordo que, em sua original concepção, o Projeto contemplava uma gama de ações distribuídas em três frentes:
1. Edificação de um Marco em homenagem à Coluna em local de grande visibilidade, preferencialmente na entrada da cidade.
2. Tombamento da Residência onde o Capitão Pretinho, disfarçado de mendigo, fora identificado e transformação daquele espaço em um Centro de Documentação e Registros da História da Coluna Prestes, reunindo ali um amplo acervo de pesquisa e informação. Tudo isso sob a coordenação da Universidade Estadual do Ceará – UECE/FAEC.
3. Construção de uma Praça, no Campo dos Vencedores, no bairro Ponte Preta, em homenagem aos membros da Coluna que tombaram em Crateús.
Dessas três ações, apenas uma se concretizou. Há cinco anos, em 14 de dezembro de 2004, foi inaugurado um marco à Coluna na Praça da Estação. É o quarto do Brasil. Único no Ceará assinado pela grife de Oscar Niemeyer. Quando miro essa obra, fincada em local impróprio, fico imaginando o quanto ignoramos sua importância histórica. Parece que é apenas um irrelevante espigão de concreto. Quase ninguém se detém a perscrutar sua significação simbólica. Até porque inexiste sequer uma pequena placa descritiva do Marco.
A praça está sendo objeto de reforma. Se tivesse ocorrido uma discussão prévia com a população, esse poderia ser o momento de recolocá-lo em local mais adequado.
É hora, também, de ressuscitarmos esse debate. Requalificando-o. Repensando-o na direção de sua contribuição ao futuro. Pois exemplos de dedicação, heroísmo e compromisso com as mais elevadas causas sociais precisam ser ressaltados.
A saga da Coluna Prestes, com seus arroubos equivocados e seus rumos certeiros, constituiu o mais expressivo movimento nacional rumo ao império da justiça e ao reino da liberdade.
(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)
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lb deixou um novo comentário sobre a sua postagem "REPENSANDO O MEMORIAL":
Tenho, de 28, 26 fasciculos escritos pelo Pe.Geraldinho, ali ela narra toda trajetoria da coluna Prestes nos sertões de Crateus.
Entendi que o Pe. Geraldinho foi somente historiador, narra tambem outros acontecimentos no visinho municipio de Novo Oriente, e não simpatizante do movimento "Carlos Prestes".
Pergunto: como o excelso poeta, Jr. Bonfim, viveu a diocese de Crateus no auge da pregação da teologia da libertação pelo então Bispo Dom Fragoso, vc caro militante politico (PSDB) é simpatizante do comunismo, teologia da libertação ou coisa parecida?
Frases do Frei Boff:Frei Leonardo Boff, OFM: "Tenho para mim que a morte de Jesus foi humana, provocada pelos antagonismos que havia em sua época.
"O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da teologia".
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RESPONDO:
Aprendi que, nesta vida, a gente deve se libertar dos "pré-conceitos", ou seja, dos estereótipos, clichês ou conceitos previamente formados à base, muitas vezes, do desconhecimento.
Entendo que devemos construir "pós-conceitos", ou seja, primeiro conhecer, conviver, experienciar e, por fim, emitir juízo de valor.
Assim, considero-me aberto para perscrutar qualquer ideologia e conviver com pessoas que pensam diferente de mim.
Por isso, também, estou filiado a uma agremiação que age sem patrulhamento ideológico.
Sinto-me à vontade para expressar simpatia por líderes e movimentos que buscam a correção das injustiças e a construção de um mundo melhor.
Libertos de rótulos, poderemos contribuir para a construção de uma virtuosa civilização, onde as pessoas sejam livres e de bons costumes.
Grato,
Júnior Bonfim
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Paulo Nazareno disse...
Bem aventurada sua coluna acerca da outra; necessario se faz encetarmos ações visando "socializarmos"este importante marco,este patrimonio.
Ainda ressoam efeitos daquele movimento na historia deste País.
Ao espetarmos aquele marco no chão mais árido desta nação, esperamos despertar as consciências adormecidas e nosso eterno "coração de estudante".
Menos nos preocupava o viés político de quem quer que fosse,mas sim,uma homenagem àqueles que na flor da idade,tiveram a coragem de queimar suas caravelas.
Valeu Capitão do mundo!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
VALEU, DONA ZILDA ARNS!
maurício de sousa============================================================================
A Paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando impulsionamos as pessoas, promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas de busca do bem comum, que aprendemos do nosso Mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. (Trecho do último discurso de Zilda Arns, no Haiti).
TSE DEFINE CALENDÁRIO ELEITORAL
O Tribunal Superior Eleitora já definiu o calendário eleitoral para as eleições de 2010. Neste ano, serão eleitos o novo presidente da República, governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, 513 deputados federais, 1.059 deputados estaduais e 54 senadores. O primeiro turno será no dia 3 de outubro. Caso nenhum candidato a presidente ou a governador consiga a maioria dos votos válidos, os dois mais votados neste dia disputarão o segundo turno em 31 de outubro.
O tribunal também decidiu que desde o dia 1º de janeiro de 2010 as entidades e empresas que promoverem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos devem registrá-las na Justiça Eleitoral. As convenções para escolha de candidatos devem ser feitas entre 10 e 30 de junho. Após a escolha em convenção, o candidato tem de ser registrado até 5 de julho. A propaganda eleitoral só pode ser publicada a partir de 6 de julho.
Já o dia 5 de março, uma sexta-feira, é o último dia para o TSE expedir as instruções relativas às eleições de 2010 (Lei 9.504/97, artigo 105, caput). Vale destacar também que, em abril, seis meses antes das eleições, todos os programas de computador de propriedade do Tribunal Superior Eleitoral, desenvolvidos por ele ou sob sua encomenda, utilizados nas urnas eletrônicas e nos computadores da Justiça Eleitoral para os processos de votação, apuração e totalização, poderão ter suas fases de especificação e de desenvolvimento acompanhadas por técnicos indicados pelos partidos políticos, pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Ministério Público.
(Fonte: Consultor Jurídico)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
CONJUNTURA NACIONAL
TAMANHO DA PROLE
José de Almeida, contador do BB em Barreiras/BA, realizava o cadastro da agência. Chega Heroíno Pita, fazendeiro na região. Passou a responder o longo formulário: nome, idade, propriedade, renda anual, dívidas, etc.
- Sr. Heroíno, quantos filhos o senhor tem?
- 8 filhos.
- O senhor tem uma prole grande.
Heroíno sorriu, fez um gesto cúmplice (na verdade confundira o conceito):
- Não, senhor. É normal.
"QUATRO FREIS"
Historinha em homenagem ao Frei Damião, sob as bênçãos de quem os nordestinos viveram parte de sua história. E lá vinha o carro desembestado pelas estradas poeirentas, entre Patos e Cajazeiras, na Paraíba. Dentro, dois frades: Frei Fernando e Frei Damião, cuja expressão religiosa é tão enaltecida quanto ao "padim" Ciço (Padre Cícero Romão Batista). O guarda do posto divisou, de longe, aquele automóvel em louca disparada. E foi logo fechando a cancela do posto. O motorista teve de se conformar com a freada brusca. O guarda foi duro:
- Esse carro disimbestado não tem frei?
Expliquemos que a fonética na região é essa mesmo: disimbestado e frei (em vez de freio). Resposta lacônica na ponta da língua:
-Tem, sim, seu guarda. Tem logo quatro: frei de pé, frei de mão, Frei Fernando e Frei Damião.
Surpreso e curioso, o guarda olhou e viu os "freis". Pediu a bênção ao Frei Damião, pediu desculpas, liberou o carro e abriu a cancela.
REDES SOCIAIS NA CAMPANHA
A campanha eleitoral deste ano será a mais avançada da história em matéria de tecnologia da comunicação. As redes sociais, abrigadas na Internet, funcionarão a todo vapor. Teremos sites, blogs e twitter trabalhando de maneira direta e indireta por candidatos. Para disfarçar a abordagem de propaganda, twitteiros usarão o recurso da rede para informar fatos, expor notas e destaques sobre perfis preferenciais. Os candidatos serão apresentados de maneira coloquial, de forma a gerar bolsões de simpatia nos segmentos laçados pelas redes.
APÓSTOLOS DA OPINIÃO
Há um grupo poderoso nas novas mídias. É composto por formadores de opinião: jornalistas, publicitários, animadores culturais, artistas, professores e núcleos de profissionais liberais. Os setores que integram esse contingente serão instados a apoiar os fulanos, sicranos e beltranos. Vai ser interessante. Teremos uma comunicação mais horizontal, menos vertical e mais democrática. O Brasil frequenta o ranking dos principais usuários da Internet mundial.
LEMA
Chagas Freitas, político matreiro, ex-governador da Guanabara e, depois, do Rio de Janeiro, tinha um precioso mosaico português, com a frase que era seu lema: "Não peço a Deus que me dê mas que me ponha onde haja."
PÓS-LULISMO
Ganhe Dilma ou Serra (se este for o candidato), a verdade é que o país abrirá novos horizontes políticos após o ciclo Lula. Não teremos um lulismo sob Dilma, por exemplo. Porque Lula tem identidade sui generis. Populista, comunicador, de origem popular e inserção fortíssima na moldura dos governantes mundiais. Dilma é uma identidade técnica. Por mais que amenize a linguagem, a ficha técnica estará impressa na sua figura. Serra é também um governante de talhe técnico. Sabe usar a expressão política, mas é um quadro que exprime especialização. Os perfis apresentam certa semelhança. Deles se pode esperar distanciamento das massas, diferente de Lula.
DILMA CRESCERÁ?
Sim. Dilma (que no nordeste, pela semelhança fonética já passa a ser chamada de "Dilma do Chefe") deverá chegar aos 30% em março/abril, portanto antes da campanha ser encetada. Ou seja, ela entrará na arena para disputar em iguais condições ao adversário. Não se pense que ela é um poste. Com essa margem, pisará forte no acelerador. A questão é saber se Serra segurará seu índice ou não. Vamos analisar as hipóteses.
O FURACÃO DO SUDESTE
O sudeste tem mais de 50% dos votos do país. Só São Paulo tem 30 milhões de eleitores. Minas soma quase 14 milhões. E o Rio, mais de 10 milhões. Pois bem, se o governador paulista conquistar nesses três Estados uma maioria de 5 a 6 milhões de votos, terá condições de diminuir a onda lulista no nordeste. O nordeste irá de Lula/Dilma. O governismo leva o voto da ampla maioria. Hoje, José Serra poderá, até, mostrar competitividade em alguns Estados. Na hora do palanque, o discurso do governismo será mais ouvido.
"As tempestades só aterram os fracos; os fortes enrijam-se contra elas e fitam o trovão." (Machado de Assis)
QUEM GANHA ELEIÇÃO
Quem ganha eleição é barriga cheia e bolso com grana. Não é voto de protesto ou de indignação. Esse voto está incrustado em segmentos isolados. Já o voto da satisfação – que está por trás da questão da sobrevivência do ser humano – é quem influencia o sistema cognitivo. Vamos às imagens. Os nossos ancestrais disputavam a presa. Cada um puxava um pedaço do bicho para devorar. Ora, se esses pedaços chegam de forma facilitada à boca, a tendência do animal (racional, irracional) é aceitar a situação e agradecer aos patrocinadores. Questão de sobrevivência da espécie. É a economia, estúpido, já dizia James Carville, marqueteiro de Clinton nos anos 90. Economia que bate, primeiro, no estômago.
OS PACOTES DO SERRA
José Serra começa a agir como supridor de carências das massas. Depois de apertar os parafusos da máquina, tapar os buracos do saco sem fundo de impostos sonegados, elevar a carga tributária do Estado em setores como alimentos e bebidas, o governador dá ordem para a descontração do sistema. Fluxo e refluxo. Sístole e diástole. Descompressão depois de muita pressão. Serra era execrado por alguns setores produtivos. O cara tirava sangue das empresas. Nos últimos dias, aliviou a carga, diminuindo as alíquotas do ICMS para um conjunto de setores. Aprende com Lula.
SACO DE BONDADES
O saco de bondades de Lula é o maior de todos os que os Papais Noéis já conseguiram carregar pelas estradas e ruas deste tropical país. O saco de bondades de Luiz Inácio, o providencial, será o maior eleitor do pleito de outubro. A conferir!
"Para parecer um homem honesto, é preciso sê-lo." (Nicolas Boileau)
O COMANDO DA MINISTRA
A campanha de Dilma já tem comando: Gilberto Carvalho, Franklin Martins, João Santana, Fernando Pimentel e Ricardo Berzoini. Claro, sob as ordens gerais de Luiz Inácio, o todo poderoso. Gilberto ficará com a miudeza das coisas caseiras; Martins, com a orientação geral do discurso; Santana dará as dicas para abordagens de marketing, formas de apresentação na mídia e nos palanques; Pimentel, na área de programas e escudo social e Berzoini ficará com a missão de aplainar as arestas nas frentes partidárias. Por enquanto.
E ZÉ DIRCEU, HEIN?
Zé Dirceu continuará a fazer o que já faz há tempos: articulação. Espécie de embaixador sem pasta, mas com imenso poder de influenciar e arrumar parceiros. Não deverá aparecer muito para não sujar a imagem da ministra com o manto do mensalão. Age e agirá nos bastidores. Com grande poder.
SALVE-SE QUEM PUDER
Os comentários em círculos muito qualificados abrigam esta hipótese: seja quem for o vitorioso – Dilma ou Serra – em 2011 o Brasil começará a pagar contas do ciclo da gastança. Ninguém segurará a barra. As coisas explodirão. A imagem do próximo governante irá para o beleléu. Ficará refém de uma agenda negativa por longos quatro anos. E, aí, no cenário devastado, emergirá impávido e fagueiro, Ele, Luiz Inácio, o salvador da pátria. Para dizer ao povo: "estou aqui para dar continuidade aos dias de ontem".
INSTITUTO LULA
Nesse ínterim, dom Luiz correrá o mundo – que já conhece – cumprimentando velhos amigos, tomando os melhores drinques, degustando os melhores acepipes e voando na maior das alturas. Sob as asas do Instituto Lula, que agenciará palestras e encontros. Esse filme é conhecido.
CAÇAS RAFALE
Lula já escolheu os caças Rafale, franceses, para compor a nossa frota aérea de defesa. Esses aviões custam o dobro dos caças Gripen, da Suécia. E ninguém os comprou até o momento, com exceção do governo francês. O Brasil teve da França a promessa de que, com sua ajuda, terá um assento no Conselho de Segurança da ONU. Mas esse assento não depende apenas da França. Quanto custa? Ah, isso não é problema.
TERCEIRIZAÇÃO
O ministro Carlos Lupi é um sujeito simpático e acolhedor. Não gosta de dizer não. Pode ser este o motivo pelo qual o ministro acolheu um draconiano projeto para regular a terceirização no país. Trata-se de um verdadeiro atentado ao bom senso. Mas o ministro acha que devia avançar o sinal, sob pena de a temática cair no esquecimento. Os setores terceirizados defendem o Projeto 4302/98, que está na pauta de votação, depois de ter passado por todas as comissões. Trata-se de um projeto que contempla trabalhadores e empresários. Por que, então, voltar à estaca zero e começar com um projeto esdrúxulo?
CENTRAIS MANDAM
Porque as Centrais Sindicais assim o exigem. As relações trabalhistas no Brasil estão engessadas, não se modernizam, porque as Centrais Sindicais – que vivem hoje de eventos – ameaçam invadir o Congresso com suas caravanas de propaganda. Se um parlamentar é contra qualquer projeto de interesse das Centrais é considerado um inimigo público. Os empresários – essa é a verdade – são divididos em compartimentos, não têm unidade e têm vergonha da mobilização das categorias. Levam goleada das Centrais.
NEGOCIAÇÃO
Mas o diálogo será sempre o caminho mais eficaz para se chegar a uma base mínima de consenso. Este consultor espera que exista bom senso por parte das Centrais Sindicais no momento de discussão do projeto da terceirização. O presidente da Câmara, Michel Temer, tem feito grande esforço para as partes chegarem a um razoável acordo.
VANDER MORALES
Tomou posse como presidente do Sindeprestem o empresário Vander Morales. Simboliza o espírito de união de sua categoria. Mostra-se disposto a levar adiante uma jornada em prol da terceirização, que o Sindeprestem lidera desde os idos de 1988, quando havia ameaça de se proibir a atividade no Brasil. Michel Temer, com um parecer do seu amigo e grande advogado, Geraldo Ataliba, fez a defesa do setor. De lá para cá, a economia passou a receber forte apoio dos nichos especializados da terceirização. Mas a falta de legislação deixa o setor nas mãos de uma interpretação enviesada e confusa por parte de juízes e do Ministério Público do Trabalho. Os obstáculos ao desenvolvimento do setor sinalizam a visão ultrapassada de áreas que não querem atrelar o Brasil ao futuro.
CONSELHO AO PRESIDENTE LULA
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao governador Sérgio Cabral. Hoje, volta sua atenção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
1. Procure administrar a polêmica em torno do famigerado projeto dos Direitos Humanos antes que as discussões contaminem a sociedade civil criando pontos de tensão e conflitos.
2. Nem lá nem cá. Esta deve ser a medida adequada para se chegar a bom termo. Ou seja, o projeto deve abrigar, sobretudo, bom senso.
3. Os principais setores envolvidos na polêmica devem ser ouvidos. Examinadas as visões e ponderações, é possível se chegar a um documento que contemple a todos, sem ranços de revanchismo.
____________
(Por Gaudêncio Torquato)
José de Almeida, contador do BB em Barreiras/BA, realizava o cadastro da agência. Chega Heroíno Pita, fazendeiro na região. Passou a responder o longo formulário: nome, idade, propriedade, renda anual, dívidas, etc.
- Sr. Heroíno, quantos filhos o senhor tem?
- 8 filhos.
- O senhor tem uma prole grande.
Heroíno sorriu, fez um gesto cúmplice (na verdade confundira o conceito):
- Não, senhor. É normal.
"QUATRO FREIS"
Historinha em homenagem ao Frei Damião, sob as bênçãos de quem os nordestinos viveram parte de sua história. E lá vinha o carro desembestado pelas estradas poeirentas, entre Patos e Cajazeiras, na Paraíba. Dentro, dois frades: Frei Fernando e Frei Damião, cuja expressão religiosa é tão enaltecida quanto ao "padim" Ciço (Padre Cícero Romão Batista). O guarda do posto divisou, de longe, aquele automóvel em louca disparada. E foi logo fechando a cancela do posto. O motorista teve de se conformar com a freada brusca. O guarda foi duro:
- Esse carro disimbestado não tem frei?
Expliquemos que a fonética na região é essa mesmo: disimbestado e frei (em vez de freio). Resposta lacônica na ponta da língua:
-Tem, sim, seu guarda. Tem logo quatro: frei de pé, frei de mão, Frei Fernando e Frei Damião.
Surpreso e curioso, o guarda olhou e viu os "freis". Pediu a bênção ao Frei Damião, pediu desculpas, liberou o carro e abriu a cancela.
REDES SOCIAIS NA CAMPANHA
A campanha eleitoral deste ano será a mais avançada da história em matéria de tecnologia da comunicação. As redes sociais, abrigadas na Internet, funcionarão a todo vapor. Teremos sites, blogs e twitter trabalhando de maneira direta e indireta por candidatos. Para disfarçar a abordagem de propaganda, twitteiros usarão o recurso da rede para informar fatos, expor notas e destaques sobre perfis preferenciais. Os candidatos serão apresentados de maneira coloquial, de forma a gerar bolsões de simpatia nos segmentos laçados pelas redes.
APÓSTOLOS DA OPINIÃO
Há um grupo poderoso nas novas mídias. É composto por formadores de opinião: jornalistas, publicitários, animadores culturais, artistas, professores e núcleos de profissionais liberais. Os setores que integram esse contingente serão instados a apoiar os fulanos, sicranos e beltranos. Vai ser interessante. Teremos uma comunicação mais horizontal, menos vertical e mais democrática. O Brasil frequenta o ranking dos principais usuários da Internet mundial.
LEMA
Chagas Freitas, político matreiro, ex-governador da Guanabara e, depois, do Rio de Janeiro, tinha um precioso mosaico português, com a frase que era seu lema: "Não peço a Deus que me dê mas que me ponha onde haja."
PÓS-LULISMO
Ganhe Dilma ou Serra (se este for o candidato), a verdade é que o país abrirá novos horizontes políticos após o ciclo Lula. Não teremos um lulismo sob Dilma, por exemplo. Porque Lula tem identidade sui generis. Populista, comunicador, de origem popular e inserção fortíssima na moldura dos governantes mundiais. Dilma é uma identidade técnica. Por mais que amenize a linguagem, a ficha técnica estará impressa na sua figura. Serra é também um governante de talhe técnico. Sabe usar a expressão política, mas é um quadro que exprime especialização. Os perfis apresentam certa semelhança. Deles se pode esperar distanciamento das massas, diferente de Lula.
DILMA CRESCERÁ?
Sim. Dilma (que no nordeste, pela semelhança fonética já passa a ser chamada de "Dilma do Chefe") deverá chegar aos 30% em março/abril, portanto antes da campanha ser encetada. Ou seja, ela entrará na arena para disputar em iguais condições ao adversário. Não se pense que ela é um poste. Com essa margem, pisará forte no acelerador. A questão é saber se Serra segurará seu índice ou não. Vamos analisar as hipóteses.
O FURACÃO DO SUDESTE
O sudeste tem mais de 50% dos votos do país. Só São Paulo tem 30 milhões de eleitores. Minas soma quase 14 milhões. E o Rio, mais de 10 milhões. Pois bem, se o governador paulista conquistar nesses três Estados uma maioria de 5 a 6 milhões de votos, terá condições de diminuir a onda lulista no nordeste. O nordeste irá de Lula/Dilma. O governismo leva o voto da ampla maioria. Hoje, José Serra poderá, até, mostrar competitividade em alguns Estados. Na hora do palanque, o discurso do governismo será mais ouvido.
"As tempestades só aterram os fracos; os fortes enrijam-se contra elas e fitam o trovão." (Machado de Assis)
QUEM GANHA ELEIÇÃO
Quem ganha eleição é barriga cheia e bolso com grana. Não é voto de protesto ou de indignação. Esse voto está incrustado em segmentos isolados. Já o voto da satisfação – que está por trás da questão da sobrevivência do ser humano – é quem influencia o sistema cognitivo. Vamos às imagens. Os nossos ancestrais disputavam a presa. Cada um puxava um pedaço do bicho para devorar. Ora, se esses pedaços chegam de forma facilitada à boca, a tendência do animal (racional, irracional) é aceitar a situação e agradecer aos patrocinadores. Questão de sobrevivência da espécie. É a economia, estúpido, já dizia James Carville, marqueteiro de Clinton nos anos 90. Economia que bate, primeiro, no estômago.
OS PACOTES DO SERRA
José Serra começa a agir como supridor de carências das massas. Depois de apertar os parafusos da máquina, tapar os buracos do saco sem fundo de impostos sonegados, elevar a carga tributária do Estado em setores como alimentos e bebidas, o governador dá ordem para a descontração do sistema. Fluxo e refluxo. Sístole e diástole. Descompressão depois de muita pressão. Serra era execrado por alguns setores produtivos. O cara tirava sangue das empresas. Nos últimos dias, aliviou a carga, diminuindo as alíquotas do ICMS para um conjunto de setores. Aprende com Lula.
SACO DE BONDADES
O saco de bondades de Lula é o maior de todos os que os Papais Noéis já conseguiram carregar pelas estradas e ruas deste tropical país. O saco de bondades de Luiz Inácio, o providencial, será o maior eleitor do pleito de outubro. A conferir!
"Para parecer um homem honesto, é preciso sê-lo." (Nicolas Boileau)
O COMANDO DA MINISTRA
A campanha de Dilma já tem comando: Gilberto Carvalho, Franklin Martins, João Santana, Fernando Pimentel e Ricardo Berzoini. Claro, sob as ordens gerais de Luiz Inácio, o todo poderoso. Gilberto ficará com a miudeza das coisas caseiras; Martins, com a orientação geral do discurso; Santana dará as dicas para abordagens de marketing, formas de apresentação na mídia e nos palanques; Pimentel, na área de programas e escudo social e Berzoini ficará com a missão de aplainar as arestas nas frentes partidárias. Por enquanto.
E ZÉ DIRCEU, HEIN?
Zé Dirceu continuará a fazer o que já faz há tempos: articulação. Espécie de embaixador sem pasta, mas com imenso poder de influenciar e arrumar parceiros. Não deverá aparecer muito para não sujar a imagem da ministra com o manto do mensalão. Age e agirá nos bastidores. Com grande poder.
SALVE-SE QUEM PUDER
Os comentários em círculos muito qualificados abrigam esta hipótese: seja quem for o vitorioso – Dilma ou Serra – em 2011 o Brasil começará a pagar contas do ciclo da gastança. Ninguém segurará a barra. As coisas explodirão. A imagem do próximo governante irá para o beleléu. Ficará refém de uma agenda negativa por longos quatro anos. E, aí, no cenário devastado, emergirá impávido e fagueiro, Ele, Luiz Inácio, o salvador da pátria. Para dizer ao povo: "estou aqui para dar continuidade aos dias de ontem".
INSTITUTO LULA
Nesse ínterim, dom Luiz correrá o mundo – que já conhece – cumprimentando velhos amigos, tomando os melhores drinques, degustando os melhores acepipes e voando na maior das alturas. Sob as asas do Instituto Lula, que agenciará palestras e encontros. Esse filme é conhecido.
CAÇAS RAFALE
Lula já escolheu os caças Rafale, franceses, para compor a nossa frota aérea de defesa. Esses aviões custam o dobro dos caças Gripen, da Suécia. E ninguém os comprou até o momento, com exceção do governo francês. O Brasil teve da França a promessa de que, com sua ajuda, terá um assento no Conselho de Segurança da ONU. Mas esse assento não depende apenas da França. Quanto custa? Ah, isso não é problema.
TERCEIRIZAÇÃO
O ministro Carlos Lupi é um sujeito simpático e acolhedor. Não gosta de dizer não. Pode ser este o motivo pelo qual o ministro acolheu um draconiano projeto para regular a terceirização no país. Trata-se de um verdadeiro atentado ao bom senso. Mas o ministro acha que devia avançar o sinal, sob pena de a temática cair no esquecimento. Os setores terceirizados defendem o Projeto 4302/98, que está na pauta de votação, depois de ter passado por todas as comissões. Trata-se de um projeto que contempla trabalhadores e empresários. Por que, então, voltar à estaca zero e começar com um projeto esdrúxulo?
CENTRAIS MANDAM
Porque as Centrais Sindicais assim o exigem. As relações trabalhistas no Brasil estão engessadas, não se modernizam, porque as Centrais Sindicais – que vivem hoje de eventos – ameaçam invadir o Congresso com suas caravanas de propaganda. Se um parlamentar é contra qualquer projeto de interesse das Centrais é considerado um inimigo público. Os empresários – essa é a verdade – são divididos em compartimentos, não têm unidade e têm vergonha da mobilização das categorias. Levam goleada das Centrais.
NEGOCIAÇÃO
Mas o diálogo será sempre o caminho mais eficaz para se chegar a uma base mínima de consenso. Este consultor espera que exista bom senso por parte das Centrais Sindicais no momento de discussão do projeto da terceirização. O presidente da Câmara, Michel Temer, tem feito grande esforço para as partes chegarem a um razoável acordo.
VANDER MORALES
Tomou posse como presidente do Sindeprestem o empresário Vander Morales. Simboliza o espírito de união de sua categoria. Mostra-se disposto a levar adiante uma jornada em prol da terceirização, que o Sindeprestem lidera desde os idos de 1988, quando havia ameaça de se proibir a atividade no Brasil. Michel Temer, com um parecer do seu amigo e grande advogado, Geraldo Ataliba, fez a defesa do setor. De lá para cá, a economia passou a receber forte apoio dos nichos especializados da terceirização. Mas a falta de legislação deixa o setor nas mãos de uma interpretação enviesada e confusa por parte de juízes e do Ministério Público do Trabalho. Os obstáculos ao desenvolvimento do setor sinalizam a visão ultrapassada de áreas que não querem atrelar o Brasil ao futuro.
CONSELHO AO PRESIDENTE LULA
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao governador Sérgio Cabral. Hoje, volta sua atenção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
1. Procure administrar a polêmica em torno do famigerado projeto dos Direitos Humanos antes que as discussões contaminem a sociedade civil criando pontos de tensão e conflitos.
2. Nem lá nem cá. Esta deve ser a medida adequada para se chegar a bom termo. Ou seja, o projeto deve abrigar, sobretudo, bom senso.
3. Os principais setores envolvidos na polêmica devem ser ouvidos. Examinadas as visões e ponderações, é possível se chegar a um documento que contemple a todos, sem ranços de revanchismo.
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(Por Gaudêncio Torquato)
JUIZ REJEITA QUEIXA-CRIME DE CHINAGLIA CONTRA JABOR

Por Marina Ito
O juiz Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, rejeitou a queixa-crime do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) contra o comentarista Arnaldo Jabor, da Rede Globo e da Rádio CBN. Ao analisar as frases de Jabor, o juiz concluiu que não há ofensas dirigidas ao deputado, que, na época em que as críticas foram veiculadas, era presidente da Câmara dos Deputados.
Para o juiz, os comentários de Jabor tinham por objetivo passar uma informação sobre excessos no reembolso de gasolina decorrente de gastos com transporte pelos deputados federais, “de maneira jocosa e aguda que lhe é peculiar e pode ser observada na maioria de seus comentários”.
O juiz entendeu que não houve intenção de ofender a honra do deputado nem de ninguém. “Não houve, de qualquer sorte, imputação de fatos ofensivos à reputação do querelado ou ainda qualquer ofensa injuriante”, constatou o juiz.
Uma das frases dita por Jabor foi: “todos sabemos que os nossos queridos deputados têm direitos de receber de volta o dinheiro gasto com gasolina, seja indo para seus redutos eleitorais ou indo para o motel com suas amantes e seus amantes”.
Segundo o juiz, nesta frase, não houve indicação de qualquer nome, o que impossibilita concluir pela ofensa a honra do deputado. “Em nenhum momento foi dito que deputados (as) vão ao motel com amantes. Trata-se de uma forma de chamar a atenção para o fato de que o reembolso ocorre onde quer que o gasto tenha sido feito, apenas isso”, entendeu.
Outro trecho levado à queixa e analisado é o que Jabor questiona: “Será que o sr. Arlindo Chinaglia não vê isso ou só continua pensando no bem do PT? Quando é que vão prender esses canalhas?”. Para o juiz, Chinaglia foi citado nominalmente no comentário porque na época presidia a Câmara e seria o eventual responsável pela fiscalização dos abusos.
A expressão "canalhas", de acordo com o juiz, não é dirigida ao deputado nem a ninguém em especial. “Trata-se somente de frase de efeito para preparar o fecho do comentário no qual se faz alusão à imunidade e foro privilegiado”, constata.
A defesa de Arnaldo Jabor, representada pelos advogados Bruna Manfredi e Nilson Jacob, do escritório Nilson Jacob Advogados Associados, tentavam trancar a queixa contra o comentarista sob o argumento de falta de justa causa para a Ação Penal em função da atipicidade do fato.
Em junho de 2008, Jabor apresentou Habeas Corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região contra ato do juiz da 4ª Vara que havia negado o pedido de suspensão da ação. O pedido foi negado. Os advogados também foram ao Supremo Tribunal Federal onde entraram com uma Reclamação contra ato do juiz da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que se baseou na Lei de Imprensa para decidir. A liminar para suspender a ação foi concedida.
Como em abril de 2009, o Supremo Tribunal Federal revogou a Lei de Imprensa, a Reclamação foi julgada prejudicada e a liminar se tornou sem efeito.
O juiz da 4ª Vara Criminal Federal resolveu adequar a queixa-crime para os tipos previstos nos artigos 138 a 140 do Código Penal (calúnia, difamação e injúria), já que a Lei de Imprensa estava suspensa.
(Fonte: CONJUR)
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
MISÉRIA NA CULTURA: DECEPÇÃO E DEPRESSÃO

Em 1930 Sigmund Freud escreveu seu famoso livro "O mal-estar na cultura" e já na primeira linha denunciava: "no lugar dos valores da vida se preferiu o poder, o sucesso e a riqueza, buscados por si mesmos".
Hoje tais fatores ganharam tal magnitude que o mal-estar se transformou em miséria na cultura.
A COP-15 em Copenhague trouxe a mais cabal demonstração: para salvar o sistema do lucro e dos interesses econômicos nacionais não se teme pôr em risco o futuro da vida e do equilíbrio do planeta já sob o aquecimento que, se não for rapidamente enfrentado, poderá dizimar milhões de pessoas e
liquidar grande parte da biodiversidade.
A miséria na cultura, melhor, miséria da cultura se revela por dois sintomas verificáveis mundo afora: pela generalizada decepção na sociedade e por uma profunda depressão nas pessoas. Elas têm razão de ser. São conseqüência da crise de fé pela qual está passando o sistema mundial.
De que fé se trata?
A fé no progresso ilimitado, na onipotência da tecno-ciência, no sistema econômico-financeiro com seu mercado como eixos estruturadores da sociedade.
A fé nesses deuses possuía seus credos, seus sumos-sacerdotes, seus profetas, um exército de acólitos e uma massa inimaginável de fiéis.
Hoje os fiéis entraram em profunda decepção porque tais deuses se revelaram falsos. Agora estão agonizando ou simplesmente morreram.
Os G-20 em vão procuram ressuscitar seus cadáveres.
Os professantes desta religião de magia, agora constatam: o progresso ilimitado devastou perigosamente a natureza e é a principal causa do aquecimento global; a tecnociência que, por um lado tantos benefícios trouxe, criou uma máquina de morte que só no século XX matou 200 milhões de pessoas e hoje é capaz de erradicar toda a espécie humana; o sistema-econômico-financeiro e o mercado foram à falência e se não fosse o dinheiro dos contribuintes, via Estado, teriam provocado uma catástrofe social.
A decepção está estampada nos rostos dos lideres dos Estados, perplexos e estupificados, por que não sabem mais em quem crer e que novos deuses entronizar.
Vigora uma espécie de nhilismo doce.
Já Max Weber e Friedrich Nietszche haviam previsto tais efeitos ao anunciarem a secularização e a morte de Deus. Não que Deus tenha morrido, pois um Deus que morre não é "Deus". Nietszche é claro: Deus não morreu, nós o matamos. Quer dizer, Deus para a sociedade secularizada não conta mais para a vida nem para coesão social. Em seu lugar entrou um panteão de deuses, referidos acima. Como são ídolos, um dia, vão mostrar o que produzem: decepção e morte.
A solução não reside simplesmente na volta a Deus ou à religião. Mas em resgatar o que eles significam: a conexão com o todo, a percepção de que o centro deve ser ocupado pela vida e não pelo lucro e a afirmação de valores compartidos que podem conferir coesão à sociedade.
A decepção vem acolitada pela depressão. Esta é um fruto tardio da revolução dos jovens dos anos 60 do século XX. Ai se tratava de impugnar uma sociedade de repressão, especialmente sexual e cheia de máscaras sociais. Impunha-se uma liberalização generalizada. Experimentou-se de tudo. O lema era: "viver
sem tempos mortos; gozar a vida sem entraves".
Isso levou a supressão de qualquer intervalo entre o desejo e sua realização. Tudo tinha que ser na hora e rápido.
Disso resultou a quebra de todos os tabus, a perda da justa-medida e a completa permissividade. Surgiu uma nova opressão: o ter que ser moderno, rebelde, sexy e o ter que desnudar-se por dentro e por fora. O maior castigo é o envelhecimento.
Projetou-se a saúde total, padrões de beleza magra até a anorrexia. Baniu-se a morte, feita espantalho.
Tal projeto, pós-moderno, também fracassou, pois não se pode fazer qualquer coisa com a vida. Ela possui uma sacralidade intrínseca e limites. Uma vez rompidos, instaura-se a depressão. Decepção e frustração são receitas para a violência sem objeto, para o consumo elevado de ansiolíticos e até para o suicídio, como vem ocorrendo em muitos países.
Para onde vamos? Ninguém sabe. Somente sabemos que temos que mudar se quisermos continuar. Mas já se notam por todos os cantos, emergências que representam os valores perenes da "condição humana".
Precisa-se fazer o certo: o casamento com amor, o sexo com afeto, o cuidado para com a natureza, o ganha-ganha em vez do ganha-perde, a busca do "bem viver", base para a felicidade que hoje é fruto da simplicidade voluntária e de querer ter menos para ser mais.
Isso é esperançador. Nessa direção há que se progredir.
(Por Leonardo Boff)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
RECEITA DE BRATTON: MAPEAR O CRIME / CORTAR O MAL PELA RAIZ / COBRAR RESULTADOS!
1. William Bratton foi chefe de polícia em Los Angeles. Pelos resultados, Giuliani -prefeito de Nova York- o contratou. E os resultados em NY foram ainda melhores e passaram a ser usados como referência de combate ao crime em grandes cidades. Nova York, segundo Bratton, tem 1 policial para cada 230 habitantes. O Estado do Rio tem 1 policial para cada 340 habitantes. O Estado de SP tem um policial para cada 455 habitantes.
Trechos da matéria do Estado de SP (03): "A Receita de Bratton contra o crime".
2. MAPEAR O CRIME: O uso estratégico de informações criminais é o alicerce da política de Bratton que implantou um sistema sofisticado, o CompStat (Estatísticas Comparativas). Em um único banco de dados estão todas as informações sobre ocorrências, da localização, data e hora à roupa usada pelo criminoso, número de disparos, armas usadas, mesmo por policiais, abordagem, perfil do bandido e da vítima, forma de atendimento, apreensões e prisões feitas, entre outros dados colhidos no local do crime e nos depoimentos, e atualizados com informações de casos relacionados, posteriormente.
3. CORTAR O MAL PELA RAIZ: O CompStat permitiu identificar criminosos, rastrear suas ações, estabelecer perfis de vítimas potenciais, riscos, tendências. "Isso nos permitia identificar novos padrões de crime e atacá-los logo no início, deslocando homens e recursos de forma mais eficiente. Íamos cercando os criminosos", diz Bratton. Os dados eram disponibilizados à promotoria pública, às secretarias, como Educação, e outros órgãos, que passaram a atuar de forma integrada à polícia.
4. COBRAR RESULTADOS: Em Nova York, o sistema era abastecido pelos 76 comandos das 9 áreas de policiamento e dos 12 distritos da região metropolitana. Além dos dados, eles tinham de apresentar um relatório sobre casos relevantes e uma análise dos crimes em sua área, as atividades e a performance de sua equipe. Tudo era discutido em encontros semanais. Uma vez por mês, o chefe de polícia se reunia com todos os comandantes locais. "O que fazíamos, basicamente, era questionar cada um na frente dos outros, com base em informações muito bem embasadas do CompStat".
(Fonte: César Maia)
Trechos da matéria do Estado de SP (03): "A Receita de Bratton contra o crime".
2. MAPEAR O CRIME: O uso estratégico de informações criminais é o alicerce da política de Bratton que implantou um sistema sofisticado, o CompStat (Estatísticas Comparativas). Em um único banco de dados estão todas as informações sobre ocorrências, da localização, data e hora à roupa usada pelo criminoso, número de disparos, armas usadas, mesmo por policiais, abordagem, perfil do bandido e da vítima, forma de atendimento, apreensões e prisões feitas, entre outros dados colhidos no local do crime e nos depoimentos, e atualizados com informações de casos relacionados, posteriormente.
3. CORTAR O MAL PELA RAIZ: O CompStat permitiu identificar criminosos, rastrear suas ações, estabelecer perfis de vítimas potenciais, riscos, tendências. "Isso nos permitia identificar novos padrões de crime e atacá-los logo no início, deslocando homens e recursos de forma mais eficiente. Íamos cercando os criminosos", diz Bratton. Os dados eram disponibilizados à promotoria pública, às secretarias, como Educação, e outros órgãos, que passaram a atuar de forma integrada à polícia.
4. COBRAR RESULTADOS: Em Nova York, o sistema era abastecido pelos 76 comandos das 9 áreas de policiamento e dos 12 distritos da região metropolitana. Além dos dados, eles tinham de apresentar um relatório sobre casos relevantes e uma análise dos crimes em sua área, as atividades e a performance de sua equipe. Tudo era discutido em encontros semanais. Uma vez por mês, o chefe de polícia se reunia com todos os comandantes locais. "O que fazíamos, basicamente, era questionar cada um na frente dos outros, com base em informações muito bem embasadas do CompStat".
(Fonte: César Maia)
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