terça-feira, 31 de julho de 2012

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

Dez observações sobre o "mensalão"

A partir desta semana e, provavelmente, até o final de agosto, o noticiário estará recheado de notícias sobre o julgamento dos 38 réus acusados de um esquema de financiamento eleitoral, apoio partidário, tráfico de influência e tantos outros fatos - a também "alcunhada" Ação Penal 470. Não estamos relacionando "tipos penais", mas traduzindo a percepção que os crimes trazem à população. A despeito da importância do julgamento, relacionamos alguns aspectos que devem ser levados em consideração na análise da política e da economia. Vejamos:

1. É muitíssimo improvável que o julgamento influencie o andamento do mercado financeiro e de capital, a economia e os negócios;

2. O governo Dilma não se envolverá em nenhum aspecto do julgamento. O Congresso se envolverá e muito. Pode haver paralisia legislativa, motivada pelas eleições e pelo mensalão (vide nota abaixo);

3. Nenhum dos réus que serão julgados têm atualmente influência junto ao governo Federal, exceto em certas áreas de interesses específicas, como é o caso do ex-ministro José Dirceu;

4. A credibilidade do STF será testada, mas não de uma forma especial. Já houve casos em que o STF contrariou a opinião pública e sua credibilidade não foi "testada" no sentido que alguns dão à palavra;

5. A credibilidade de alguns ministros do STF será testada, principalmente aqueles que tenham impedimentos relativamente ao caso;

6. O julgamento do mensalão não é nem essencialmente político e nem essencialmente "técnico". Está revestido de múltiplos aspectos que lhe dão uma conotação "especial", "mista", o que desfavorece prognósticos razoáveis;

7. A imprensa estrangeira fará cerrada cobertura do julgamento e pautará a imagem do país mundo afora;

8. O PT sofrerá os efeitos políticos do julgamento, sobretudo por ser o partido do establishment político atual;

9. O resultado do julgamento e sua forma de condução farão jurisprudência relevante em casos relevantes no futuro e/ou a "competência originária" do STF será revista;

10. Ainda estão sem explicações a reunião de Nelson Jobim, Gilmar Mendes e Lula antes do mensalão, bem como o encontro de Paulo Okamoto, ligado à Lula, com Marcos Valério, a figura-mestra no esquema de financiamento do mensalão. Que influência terão no julgamento?

E Dilma?

A presidente ordenou peremptoriamente a seus ministros a não se envolverem num caso em que seu governo só tem a perder se se meter, e nada a ganhar. De sua parte, torce a favor dos réus, quase todos aliados seus e muitos de seu partido. Mas há cabeças pensantes da república de Brasília acreditando que, politicamente, não seria de todo mau se o STF desse um corretivo em alguns dos mensaleiros. Ela ficaria ainda mais livre de algumas amarras partidárias e livre do risco de alguns dos acusados voltarem à cena, com o diploma de inocente e vítima, cobrando espaços.

Sem barulho

O julgamento do mensalão deve ocorrer sem grandes manifestações públicas e passeatas, carreatas, plantões em frente ao tribunal, mobilização de massas e outros que tais antes prometidos ou imaginados por alguns acusados e seus apoiadores. Conclui-se que poderia ser daquelas táticas que poderia sair pela culatra. A voz agora, de preferência, só para os advogados. O silêncio, agora, é de prata, ouro e diamante.

Há outros desafios para Dilma

Nem só de mensalão viverão nesses dias o mundo político e o mundo oficial de Brasília. Dilma já determinou que seus auxiliares não se envolvam nessa história. Afinal, seu governo não tem nada com ela. Quem pariu esse "mateus" que o embale. A ajudinha que ela pode dar aos companheiros direta ou indiretamente envolvidos no processo é anunciar medidas positivas para tentar desviar um pouco o foco das notícias certamente negativas para eles que fluirão do prédio do STF. A agenda da presidente nesse dias contempla uma série de outros desafios, estes sim capazes de abalar (ou de melhorar) a imagem e a percepção da opinião pública a respeito de seu governo:

1. A greve dos servidores públicos não dá sinais de amainar, pelo contrário, está crescendo. Já há reflexos na economia e pode atingir brevemente os serviços para a população. Os dirigentes sindicais estão intransigentes e o governo toma atitudes erráticas : ora ameaça e toma atitudes severas, como mandar cortar o ponto e editar um decreto permitindo substituição de grevistas, ora acena com a possibilidade de rever punições e dar um aumento linear aos servidores, possibilidade antes veementemente negada.

2. Esboçam-se em setores privados algumas paralisações com grande poder de prejudicar a população, caso do selvagem (já) movimento dos caminhoneiros, com bloqueios de algumas rodovias estratégicas (Fernão Dias no sábado, Dutra no domingo e na segunda-feira). O Dia D para o governo dar uma solução para os problemas dos fretes, segundo os líderes da categoria é hoje. Até agora está restrito aos "fretistas" individuais, mas a questão é a mesma das grandes transportadoras. Com um agravante para o lado delas : as mudanças no regime de trabalho dos motoristas, justas por sinal, exigirão novas contratações e, portanto, aumentará também o custo dos serviços, já onerado com outros aumentos, com o do óleo diesel.

3. A presidente vai ter de se ajustar com a indústria automobilística, com ameaças de demissão nas montadoras de carros de passeio e demissões e suspensões de contratos de trabalho nas produtoras de caminhões. Dilma ameaça não prorrogar a isenção ou redução do IPI que vence em 31 de agosto, uma decisão equivocada nessa altura para quem quer incentivar o aquecimento da economia. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come : não pode obrigar a indústria a não demitir nem pode correr o risco de as vendas de carros sofrerem novos baques.

4. É preciso fechar o pacote de agosto, com novos incentivos ao florescimento do PIB, com mais incentivos fiscais, renúncias de receita, ao mesmo tempo em que a arrecadação tributária dá sinais de que não vai atingir as metas programadas para este ano.

5. Está na hora de dar um choque gerencial para valer no setor público. Quando se descontam a maquiagem e os disfarces, o que se vê é um ritmo muito baixo na execução dos investimentos públicos.

6. A presidente e seus operadores econômicos ainda não ganharam a batalha das expectativas dos agentes econômicos. Uma coisa é que eles dizem no Palácio ou em público, outra o que dizem na surdina ou como agem.

7. O Congresso volta ao trabalho amanhã, é certo que naquele ritmo pré-eleitoral, ávido ainda por um bom tratamento e com alguns temas explosivos no gatilho : Código Florestal, royalties do petróleo, fator previdenciário... Todos são "instrumentos de barganha".

Tudo isso num cenário de eleição municipal no qual os aliados, apesar das aparências, mais se digladiam do que se entendem, a exigir uma constante vigilância da presidente para não se indispor com uns e outros e ter de apagar incêndios na Câmara e no Senado.

Economia: a espera de medidas

De uma forma geral, o governo tem diagnosticado corretamente as vulnerabilidades da economia brasileira, sobretudo aquelas relacionadas à desindustrialização do país. Todavia, falta ao governo, um plano "orgânico" para enfrentar tais vulnerabilidades. Assim, parece que a repercussão das medidas é limitada a alguns setores e não ao "sistema" como um todo. Aparentemente, o governo percebeu o erro e agora pretende tornar os efeitos das políticas mais macroeconômicas. A queda dos juros básicos, neste sentido, atinge este objetivo. Já o ajuste cambial, difícil de ser executado, não atendeu plenamente ao objetivo pleno de "proteger" a indústria. As medidas de crédito carecem de um diagnóstico completo: não basta reduzir as taxas (o que é essencial). É preciso ter confiança no futuro e é isso que falta. Não à toa, os investimentos privados capengam e os públicos estão em níveis deploráveis. Ao governo falta um choque de competência e ao setor privado, um choque de otimismo, com medidas críveis. Agosto trará novidades. Veremos se suficientes para acabar com a letargia econômica.

Fora de foco?

A imprensa, no que diz respeito à lei de transparência pública, tem concentrado suas maiores preocupações na cobrança de divulgação dos salários dos servidores públicos, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, na União, nos Estados e nos municípios. É preciso, de fato, saber os abusos que se cometem nesta área. Porém, é preciso não negligenciar outros ramos da administração pública, ralos de dinheiro talvez muito mais daninhos. Os contratos do DNIT, por exemplo, podem trazer grandes revelações, assim como os da Funasa e de diversos órgãos de desenvolvimento regional e os repasses voluntários da esfera Federal para Estados e municípios. E os contratos com as ONGs? Dariam grandes revelações ainda os contratos de publicidade e a contratação de serviços de assessoria de imprensa, de comunicação, de relações públicas e realização de eventos tanto pela administração direta e pelas empresas estatais. Outro filão está na contratação de consultorias. O campo é fértil.

O governo gostou

Os sorrisos não poderiam estar mais escancarados em Brasília, naqueles palácios do Executivo desenhados por Oscar Niemeyer, com o sucesso de público de ações oficiais como o combate aos bancos nos juros altos, o ataque aos planos de saúde e, mais recentemente, o golpe certeiro nas telefônicas de celulares. A moda pegou... Vem mais por aí.

Mario Draghi tem procuração?

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, tem sido um dos poucos líderes europeus que reúne bom senso, credibilidade técnica e, mais importante, capacidade de agir. Em meio à passividade geral dos líderes do Velho Continente diante das tragédias que se instalaram por lá, sobretudo na Europa Meridional, Mario Draghi sabe que não adianta ficar pregando medidas de austeridade diante da miséria social de países como Espanha, Grécia, Itália. Finanças em ordem é matéria ordinária. Expansão monetária para conter a recessão é matéria extraordinária. De toda a forma, ao dizer na semana passada que "o euro será salvo a todo custo", Mario Draghi apontou na direção correta. Os investidores, parcela bem informada da opinião pública, reagiram bem ao redor do mundo, mostrando para alemães e sua banda "fiscalista", que mais ação monetária é necessária. Resta saber se o italiano tem procuração de Berlim para falar coisas tão óbvias.

Agosto negro para os gregos

Nas negociações de agosto, Atenas não conta nem com o FMI, nem com o BCE e nem com a União Europeia para minorar os ajustes fiscais que terá de fazer para pagar as contas. Tentará fazer e provavelmente fracassará. Será uma batalha mais difícil que a de Salamina.

Boa notícia para o Brasil?

Os fundos hedge persistem comprando posições no mercado de commodities. Trata-se do movimento mais forte dos últimos três anos e está ocorrendo mais forte nas últimas três semanas. Os administradores destes fundos acreditam que a China e, até mesmo a Europa, adotarão medidas de estímulos que serão suficientes para levantar os preços das commodities. Normalmente, os fundos hedge, dado seu caráter altamente especulativo, "sinalizam" mudanças relevantes nos preços dos ativos. Se confirmada esta tendência, haverá direta e decisiva influência sobre a bolsa brasileira, bem como sobre a pauta de exportações do país.

Uma adesão capenga

Hoje tem festa no Palácio do Planalto, com direito à presença dos presidentes-parceiros Cristina Kirchner, da Argentina, e José Mujica, do Uruguai, para a assinatura do documento de adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul. Mas será apenas uma cerimônia política, pró-forma. O país de Hugo Chávez, apesar de ter tido sua adesão ao bloco aprovada há vários anos, tendo ficado apenas na dependência formal da aprovação pelos parlamentos dos outros países, não tomou nenhuma iniciativa objetiva para adotar as medidas necessárias para sua integração de fato ao bloco. As possíveis vantagens econômicas só surgirão a muito longo prazo. Agora foi só política e, se quiserem forçar a interpretação, "diplomacia".

Eleição? Que eleição?

Os políticos já estão quase se matando, os adversários e até aliados. Mas quem anda pelas ruas, principalmente das grandes cidades, nem percebe que estamos distantes apenas um pouco mais de dois meses das eleições municipais. A não ser quem está diretamente no jogo, ninguém mais está interessado nos candidatos e seus cabos eleitorais. Esta apatia pode ser até um sinal de um certo amadurecimento político da população, como nos países mais avançados, nos quais a disputas eleitorais são fatos naturais. Mas podem ser também - na verdade é o que mais parece - um sintoma da decepção dos cidadãos com a política no país, seu modo de ser e de fazer. Como a política é essencial, em algum momento esta situação vai virar - e virar-se contra os que estão hoje em cena no mundo dos políticos.

De fazer inveja aos mineiros

Dados do TSE indicam que em 106 dos 5.568 municípios brasileiros não haverá disputas eleitorais em outubro: neles só há um candidato a prefeito, indicação de falta de ambição, o que sobra no restante do país, e/ou de um grande espírito de conciliação e desprendimento, mercadoria em falta quase sempre no mercado político tupiniquim. Mas nenhum município supera, nesse quesito, o de Mato Queimado, no noroeste do RS. Com 16 anos de existência e 1,8 mil habitantes, nunca teve uma briga pela prefeitura. Os líderes dos quatro partidos da cidade (PT, PMDB, PTB e PP) se reúnem a quatro anos e escolhem um candidato único. Não há também oposição na escolha de vereadores: todos os candidatos concorrem numa chapa única, da coligação. E ainda são os gaúchos que carregam a fama de turrões, enquanto os mineiros desfrutam a de eternos conciliadores.

(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

AGRADECIMENTO - CRÔNICA

Prezado Junior Bonfim:

Saúde e Paz;

Sensibilizados e comovidos queremos e fazemos questão de registrar nossos mais profundos agradecimentos, sobretudo e principalmente pela forma e conteúdo de sua inspirada e brilhante crônica sobre nossa querida e inesquecível Magda.

Suas palavras tiveram efeito de unguento e as lagrimas vertidas na ocasião, resultaram em conforto para os nossos corações. É igualmente certo que Magda foi de fato, transcendente e plural no que concerne aos predicados cidadãos e virtudes cristãs, modelo, certamente, a ser seguido. Porem, a homenagem por você levada a efeito evidenciou e tornou público tais fatos além do seu especial carinho e respeito que tinha pela Magda.

Receba, portanto, nosso abraço sincero de agradecimento com votos de saúde e paz, extensivos a sua digníssima família.

Atenciosamente;

Melquiades Machado Portela
E família

MEU CANTO CRESCENTE



Sou lua nova crescendo

Do Jeitinho que eu queria

Assim vou resplandecendo

Nos braços da poesia.

*

Minha cantiga de amor

Eu canto na lua cheia

Porque tenho meu barqueiro

Que me chama de sereia

Com ele cato conchinhas

Que o mar sacode na areia.

*

Em noite de plenilúnio

Eu dispenso meu colchão.

No alpendre, numa rede,

Eu me deito em meu sertão

Pra ver a lua surgindo

De prata à noite tingindo

Com seu mágico clarão.

*

Eu sou uma retirante

E da minha terra amante.

Foi numa lua minguante

Que deixei o meu rincão.

Caminhei léguas a fio

Senti sede senti frio

Mas venci o desafio,

E voltei pro meu sertão.

*

A lua é sua madrinha

Me disse mamãe um dia

Confirmou a minha tia

E acreditar me convinha,

Pois quem se chama Dalinha,

E foi no sertão parida,

É pra lua prometida

Reza a lenda do lugar.

Eu que não vou contestar!

Gosto de ser iludida.



Dalinha Catunda

quarta-feira, 25 de julho de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a coluna com o deputado Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais, fonte cheia de histórias hilárias.

Assumiu o governo de Minas e, no dia seguinte, foi ao aeroporto para viajar no helicóptero da administração estadual. Ao tomar conhecimento de que aquele "trem" tinha o nome de seu adversário, foi logo dando bronca no piloto:

- Não entro de jeito nenhum nesse trem com o nome do Hélio( ).

O piloto, constrangido, respondeu:

- Mas governador, esse helicóptero é do governo do Estado e não do ex-governador Hélio.

Newtão não quis saber:

- Esse trem agora vai se chamar Newtoncóptero. Falei e tá falado.

Outra historinha envolvendo o folclórico ex-governador. Resolveu passear de carro com a família. O carro pifou na estrada. O mecânico, que o socorreu, diagnosticou:

- São os burrinhos dos freios; estão danificados. Acho bom trocar logo esses burrinhos.

Cardoso deu a bronca:

- Calma, seu mecânico, meus filhos não descerão dos burrinhos de jeito nenhum.

Mensalão na reta final

O mensalão, ufa, chega à reta final. 3 de agosto, início da partida. Previsão de término: segunda quinzena de setembro. São 38 réus, 50 mil páginas de documentos, 90 horas de julgamento, 15 sessões do plenário, 600 testemunhas em 42 cidades brasileiras. Fase de inquirição de testemunhas: 4 anos. Alegação final dos réus tem 2,8 mil páginas. Voto do relator Joaquim Barbosa tem mil páginas. Voto do revisor Ricardo Lewandowski, também mil páginas. Para efeito de comparação, lembremo-nos do caso Collor: 8 réus, 38 páginas de processo (1994). O interesse é tão grande que o STF está pedindo reforço de segurança junto à Força Nacional. Mídias nacional e internacional com luzes e holofotes acesos.

Projeções

Hipótese 1: condenação de todos os réus. Penas duras. Menos provável. Hipótese 2: absolvição de todos os réus. Pouco provável. Hipótese 3: condenação de alguns e absolvição de outros. Razoável. Esta é uma projeção por muitos considerada a mais viável. As penas serão variadas. Mas poucos acreditam em penas muito duras. Os operadores do esquema poderão receber penas mais pesadas. O caso mais emblemático a suscitar dúvidas e interrogações envolve o ex-ministro José Dirceu. Haverá novidades, como a versão mais recente do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema: Lula ordenou a operação. Esta é a bombástica declaração do advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa. Como se recorda, logo após denunciar o caso, o presidente do PTB inocentou Lula: "eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso".

Estratégias

Entre as estratégias dos advogados de defesa, uma das mais anunciadas diz respeito ao desdobramento dos casos, o que poderia, caso a tese fosse aceita, fazer com que os autos dos processos de alguns réus voltem às instâncias inferiores, permanecendo no STF apenas os processos abrigando réus com prerrogativas de foro, conforme visão do ministro Marco Aurélio Mello. Outros defenderão o argumento de que os recursos do mensalão provinham do caixa 2 de campanhas. Há, ainda, os que defenderão a ideia de que alguns réus não tomavam conhecimento e nem eram responsáveis pelo caixa do PT.

O fator Russomanno

A última pesquisa Datafolha sobre os candidatos à prefeito de São Paulo tem aberto grande polêmica sobre os competidores, a partir da hipótese sobre os dois competidores que entrarão no corredor do segundo turno. Dois dados surpreenderam: o crescimento de 2 pontos de Celso Russomanno, do PRB, que chegou aos 26% e a expansão da taxa de rejeição de José Serra, que chega aos 37%. Minha interpretação: Russomanno abocanhou uns pontinhos que eram do cantor Netinho de Paula, que se retirou do pleito; Serra, que é conhecido por quase todo o eleitorado de 8,5 milhões, aumenta rejeição nas margens, onde não é bem avaliado. Seu desafio será o de diminuir drasticamente a rejeição, algo entre 15% a 20%. Mas a grande pergunta é: Russomanno sustentará seu índice?

Projeções

Vamos à história. Em julho de 2008, Marta liderava o pleito, seguida por Geraldo Alckmin. Marta chegou a ter 35%, enquanto Alckmin exibia confortáveis 32%. O prefeito Kassab, que assumira no lugar de Serra, tinha 8%. Na oportunidade, este consultor fez para ele a leitura: poderia quebrar a polarização entre PT x PSDB por meio de uma campanha positiva, alegre, jovial, para cima. E assim ele fez. Subia degraus a cada pesquisa. Quebrou a polarização. Passou Marta Suplicy e desbancou Alckmin. A história derruba a tese de que a polarização é algo irremovível. Pode, sim, ser ultrapassada. Nesse caso, há possibilidades de crescimento para Fernando Haddad e Gabriel Chalita. Será difícil para Russomanno sustentar sua taxa. Terá apenas 2 minutos e alguns segundos de TV e rádio.

TV, o comício eletrônico

Que ninguém se engane. A TV será o maior cabo eleitoral da campanha municipal nos municípios que contam com mídia eletrônica. Será a vitrine de candidatos e de suas propostas. O fluxo de atenção obedecerá a uma lógica: início dos programas de rádio e TV (21 de agosto) até 5 de setembro, boa audiência. Eleitores querem saber quem é quem e quais são as propostas. De 5 a 20 de setembro, queda da audiência. O eleitorado, após tomar conhecimento das campanhas de cada candidato, faz um intervalo. Assiste, esporadicamente, alguns programas. À medida que a campanha se aproxima do final, a audiência tende a crescer. Os eleitores querem conferir abordagens e consolidar suas visões/julgamentos/decisões sobre candidaturas.

Balança capenga

Há mistério cercando os pesos da balança da Anatel. A Agência avaliou desempenho das operadoras, pede providências e compromissos com qualidade. Até aí tudo bem. Entre Claro, Vivo, TIM e Oi, esta última é a que apresenta menor índice de reclamação. Da moldura avaliativa, emerge a instigante questão : por que a Vivo não foi punida pela Anatel? Há mais complexidade em alguns chips que imagina nossa pequena capacidade de compreensão.

Desemprego e eleições

Só agora começam a aparecer os primeiros sinais de desaceleração da economia, a partir do freio na indústria. O mercado de trabalho é o território dos efeitos. Anuncia-se, aqui e ali, fechamento de postos de trabalho. O desemprego começa a mostrar sua carranca. Eleições sob um pano de fundo de contingentes desempregados apontam para o perfil de um eleitor contrariado, nervoso, insatisfeito, indignado. Os danos serão mais visíveis nos maiores centros eleitorais, a partir de São Paulo.

Mensalão e eleições

O mensalão terá repercussão sobre o processo eleitoral? A primeira leitura é a de que os eleitores conseguirão distinguir as coisas. Mas, nas capitais onde se constata polarização clássica entre petistas e tucanos, é previsível que o discurso do mensalão frequente a mesa dos debates. Haverá, como se sabe, alguns debates, promovidos pelas redes de TV. E é provável que o assunto acenda a polêmica principalmente na segunda metade de setembro.

Parcerias

Nas 85 maiores cidades do país - com mais de 200 mil eleitores - PMDB e PT dobraram as alianças. Nesse grupo, em 2008, o PMDB apoiava 10 candidatos petistas. Hoje, apoia 20. Já a recíproca mudou um pouco. Em 2008, o PT apoiava um peemedebista em 6 cidades. Hoje, endossa um peemedebista em 3 cidades. O PMDB também reduziu acordos com o PSDB. Já o PSB do governador Eduardo Campos diminuiu o apoio aos candidatos petistas, privilegiando seus próprios quadros. E manteve acordos com o PSDB e o PSD do prefeito Kassab. Resumo do quadro: PMDB dá sinais de expandir aliança com PT e PSB faz o caminho inverso, expressa distanciamento.

Obama e a economia

Barack Obama está com dificuldades de expandir o cofre da campanha. Em 2008, conseguiu juntar quase US$ 600 milhões. Hoje, não chegou a captar US$ 100 milhões. É a economia, estúpido. O empate com Mitt Romney tem como desenho de fundo a posição nada confortável da economia norte-americana.

Pacto de não agressão?

José Serra quer firmar pacto de não agressão com Celso Russomanno. Quem acredita nisso? Difícil. Na hora H, todos os candidatos puxam a navalha cortante da expressão.

SOS para as crianças

A cada ciclo de férias, a pauta de tragédias se expande. Continuam a morrer crianças em hotéis e parques de diversão no país nesses tempos de insegurança geral. É assustador! A última morte foi segunda feira, em um hotel de Águas de São Pedro. Uma criança de 4 anos brincava num balanço. Uma das barras de sustentação do brinquedo caiu sobre a menina. O Estado não fiscaliza nem pune os desvios que se acumulam. Vidas humanas destruídas na esteira da irresponsabilidade. Vamos apoiar entidades como a ONG Férias Vivas, fundada por Fernando Pinto Zacharias e Silvia Maria Basile.

Trabalho perde função

Há greves em 7 ministérios, em agências e autarquias Federais. Calcula-se em 150 mil o número de servidores abarcados pelos movimentos. Pela lógica, o Ministério do Trabalho e Emprego seria a entidade a negociar com as lideranças das greves. Pois bem, o Ministério não cuida disso. A pasta está esvaziada. Primeiro, porque Dilma percebeu que ali é um território muito disputado pelas Centrais sindicais, a partir da Força Sindical. Por isso, baixou um decreto transferindo ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a responsabilidade de negociar com os servidores públicos e gerir o cadastro nacional das entidades sindicais que representam o funcionalismo. Ou seja, o Ministério do Trabalho perdeu peso na frente de articulação com os servidores.

54º Congresso de Hotéis

De 26 a 28 de julho, o CONOTEL 2012 reunirá autoridades, gestores e executivos da cadeia hoteleira para debater as principais questões do setor no Centro de Eventos Fecomercio, na capital paulista. Na abertura do evento, este consultor fará uma análise da conjuntura neste momento em que o setor conta com a aprovação do Plano Brasil Maior pela presidente Dilma Rousseff. O Congresso deve contar também com a presença de Valdir Moysés Simão, secretário executivo do Ministério do Turismo; Maurício Lucena Do Val, diretor de Políticas de Comércio e Serviços do MDIC; Marco Antônio Viana Leite do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Valéria Barros, do SEBRAE Nacional; Ângela Pimenta Peres, do SESI; Enrico Ferni, presidente da ABIH Nacional; e Bruno Omori, da ABIH/SP. O evento é uma realização das quatro principais entidades do setor : ABIH Nacional (Associação Nacional da Indústria de Hotéis), FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), e FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil e Resorts Brasil). Entre os temas abordados, "Brasil como ambiente macroeconômico para aceleração do turismo"; "Modelos internacionais da relação de parceria entre governo e hotelaria"; e "Inovação como ferramenta preventiva contra estagnação do mercado hoteleiro".

Conselho às autoridades policiais

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos e seus assessores. Hoje, sua atenção se volta às autoridades policiais:

1. A insegurança voltou a provocar pânico em São Paulo. O momento é propício para uma profunda reflexão sobre a capacitação dos quadros policiais. Que devem receber urgente orientação/treinamento sobre condutas de abordagem dos cidadãos.

2. É inadmissível que os assustadores eventos policiais, que culminaram com o assassinato de um publicitário e de um imigrante italiano, sejam debitados na conta da banalização, como se fossem casos normais. A população quer ver atos e decisões substantivas voltadas para aperfeiçoar as ações da polícia.

3. Caso persistam as situações de extrema violência, como as que se viram em São Paulo, nos últimos dias, a indignação social culminará com o repúdio aos governantes do momento. E a arma que o povo usará será o voto.

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia". (José Saramago)

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar". (José Saramago)

"O que as vitórias têm de mal é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas". (José Saramago)

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(Gaudêncio Torquato)

PARA REFLETIR

Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. (Do Evangelho de hoje)

terça-feira, 24 de julho de 2012

CONSIDERAI MIRAR O SOL



O carrossel da vida, o encarrilhamento das obrigações diárias, o acorrentamento à necessidade de cumprir prazos, o imperativo dos compromissos profissionais, a inafastabilidade da peleja permanente pela sobrevivência – constituem invariavelmente óbice à imprescindível abertura das asas da alma à liberdade do voo.

Por óbvio, isso nos impede de mirar seres, coisas, objetos e pessoas sem as peles artificiais que as revestem. O tsunami das convenções grupais é tão violento que faz submergir qualquer ilha de resistência ao roldão do lugar comum. Somos todos arrastados pelas caudalosas ondas que lavam o cérebro da coletividade. Pensamos conforme nos orienta a cartilha do grupo ao qual estamos filiados. Agimos segundo seu fascículo conceitual. Rezamos em sintonia com aquele catecismo imposto pelo núcleo religioso cujo fio de fé professamos.

Nesses tempos de campanha eleitoral aflora a convicção de que a política é uma das arenas em que mais veementemente explode esse ímpeto gladiador alimentado pela passionalidade. Tornamo-nos instrumentos desse combustível fóssil extraído do poço tubular raso dos interesses.

Deixamos de observar valores simplesmente porque quem os exibe não está na arquibancada do nosso time. Olvidamos de resaltar virtudes em razão dos protagonistas utilizarem carteiras de filiação diferenciadas da nossa. Descuramos reconhecer méritos em razão da origem ideológica de quem os ostenta.

Ninguém imagina quão grato fico quando recebo um telefonema cobrando a escritura desta Crônica. É que essa doce e solitária faina laboral no roçado germinal das letras me obriga a pensar, silenciar, meditar e sopesar. Impulsiona-me a deixar a caverna do cotidiano embaçador e perscrutar o vagalume do sonho. Força-me a mirar de frente o sol!

E, mirando a clareza solar, sentir o aroma inebriante do arco-íris da liberdade! Mergulhar entre os balseiros da essencialidade!
O fato é que, desse espaço introspectivo, às vezes fico impressionado com a fúria descomunal, a acidez verbal, o hálito de fogo que alguns costumam exalar no movimento de um prélio urnístico. Por que tanta dificuldade em controlar o tigre interior?

Nessa esteira, vez por outra, quando o nosso terreiro é iluminado por um relâmpago de lucidez, nos indagamos: temos mesmo que nos deixar levar pela correnteza do mundo? É inevitável sermos alcançado por esse redemoinho?

Consideremos que a resposta seja NÃO!

Consideremos a possibilidade de retirarmos a blusa. Caminharmos, cabelo ao vento, embalados pela sinfonia da natureza, sem chapéu, sem óculos, sem metal e sem enfeites. Contemplarmos a gratuidade mágica de pisar na terra nua, molhar os pés no primeiro pingo d’água encontrado.

Consideremos a alternativa de nos abstermos de pronunciar palavras vãs. Fazermos uma pausa na batalha. Contermos o espírito de contenda e apenas esparramarmos o átomo da admiração para festejar a querida presença da generosidade no nosso entorno.

Consideremos a abertura de uma concessão à benevolência. Consideremos compartilhar uma refeição temperada com os ingredientes da tolerância.

Consideremos, por fim, um gesto de afeto ao despojamento total, a busca de uma maior intimidade com o desapego. Consideremos uma inflexão rumo à sensibilidade, o ato heroico de admitir a ternura em nosso dia a dia. Consideremos mirar o Sol!

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

OBSERVATÓRIO

Winston Churchill foi uma lenda que sacudiu a Europa no século passado. Oficial no Exército Britânico, firmou-se como um político conservador. Consagrou-se como exímio orador; entrou para a História como estadista notável. Historiador, escritor e artista, é o único primeiro-ministro britânico a ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura e o primeiro político europeu Cidadão Honorário dos Estados Unidos. Quando, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembleia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse: - Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento "assusta".

CHURCHILL

Àquela ocasião o futuro estadista maior da Inglaterra fez ouvido de mercador. Continuou determinado, firme e ousado na defesa dos princípios que cultivava. Em 1940, o destino trágico da Inglaterra e da maior parte da Europa parecia inevitável. O exército alemão avançava por toda parte. Os Ingleses reconheceram em Churchill o único nome capaz de liderar o País, pois previra ainda nos anos 30 aquela dramática situação. Com uma retórica contundente, anunciou ao País: “Eu diria à Casa, como disse àqueles que se juntaram a este governo: nada tenho a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor. Temos diante de nós um desafio dos mais graves. Temos diante de nós muitos, muitos e longos meses de luta e sofrimento. Os senhores perguntam: qual o nosso plano de ação? Posso dizer: é travar guerra, por mar, terra e ar, com todo o nosso poder e com toda a força que Deus nos possa dar; travar guerra contra uma monstruosa tirania jamais suplantada no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. ...” Cinco anos depois celebrava a vitória sobre o nazismo. Quando se descortina uma nova campanha eleitoral, sinto o quanto precisamos de políticos com o sangue azul dos estadistas...

A CAMPANHA ELEITORAL

Cada vez mais se cristaliza na cabeça da população a ideia de que eleição é igual a concurso público. É uma disputa em que deve prevalecer, acima de tudo, a igualdade de condições. Nenhum dos candidatos que estão legal e legitimamente inseridos na disputa pode receber tratamento diferenciado. Todos estão rigorosamente obrigados a cumprir as regras estabelecidas. A obediência à Lei Eleitoral vincula todos. Em sentido reverso, quem realizar conduta vedada pode sofrer as reprimendas legais. Não basta apenas obter a vitória. Ela tem que ocorrer de maneira clara, induvidosa, sem qualquer mancha de ilicitude. Em um concurso, quando um candidato é flagrado “colando” ou tentando burlar as normas, é afastado do certame. O mesmo raciocínio vale para o processo eleitoral. Um candidato que ganha uma eleição usando de artifícios ilegais - artimanhas eleitoreiras, realizando propaganda criminosa, abusando de poder político ou econômico – pode ganhar a eleição e depois perder na Justiça. No pleito passado, somaram-se mais de duzentos e sessenta prefeitos que perderam seus mandatos. Portanto, todo cuidado é pouco. Às vezes o postulante recebe o diploma como vitorioso e, após uma condenação, é obrigado a entregar o cargo para o segundo colocado.

TAC’s

O Ministério Público e a Justiça Eleitoral estão mais rigorosos na fiscalização do cumprimento das regras que orientam a pugna pelo sufrágio popular. Em Crateús foi extremamente louvável o protagonismo do Ministério Público, liderando de maneira vanguardista a celebração de TAC’s (Termos de Ajustamento de Conduta) com as emissoras de rádio e com os partidos políticos. Garantiu-se a realização de uma campanha leve, despoluída e respeitosa. Oxalá todos cumpram os termos pactuados. Com efeito, após a eliminação dos showmícios, do barulho ensurdecedor, da poluição visual e seus consectários, o eleitor poderá, enfim, se atentar para o que é mais importante: os candidatos, sua história, suas propostas, seus compromissos.

DIVULGACAND

E, aqui, vem o principal: quem já se deteve a ler e avaliar as propostas dos candidatos? É possível acessá-las pela internet. No site do TSE (www.tse.jus.br), clique em “eleições”, em seguida no item “eleições 2012” e, quando abrir a página, em DivulgaCand2012 - o sistema de divulgação dos registros de candidaturas. Selecione o estado e, na caixa de pesquisa, insira o nome da sua cidade. A partir daí poderá visualizar os principais dados e informações dos candidatos, inclusive as propostas dos que almejam conquistar a Prefeitura. Dos cinco candidatos postos em Crateús, apenas Eduardo Machado não protocolou suas propostas (ou ainda estão pendentes de divulgação); os demais enviaram. Ali se pode ver, por exemplo, que todos os candidatos estão assumindo o compromisso de realizar concurso público. Só Carlos Felipe fala em “seleção de temporários”.

SEDE DA OAB

Os operadores do direito que militam na região de Crateús têm agora uma casa própria, um ponto de apoio, uma sede definitiva. “Nós temos agora a nossa referência, a nossa casa”. A declaração é do advogado José Almir Claudino Sales, com 30 anos de advocacia e que foi homenageado na quinta-feira, dia 19 de julho, pela Subseção de Crateús, juntamente com os também advogados José Eudes Soares de Oliveira e Rozária Neta Bonfim Lacerda. Agradecido pelo apoio dos Presidentes Estadual e Nacional da OAB, Valdetário Monteiro e Ophir Cavalcante, o presidente da Subseção, Ismael Pedrosa Machado, disse que estava sendo concretizado um sonho de 15 anos. Ele lembrou que a realização do projeto se deve também aos ex-presidentes da Subseção de Crateús, que “deram valorosa contribuição”.

PARA REFLETIR

“Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança”. (Winston Churchill)

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

sábado, 21 de julho de 2012

COMENTÁRIO

Amigo Júnior Bonfim,

na minha visão obscura sempre imaginei os desembargadores, os juízes, os promotores como seres insensíveis e sempre ligados aquela velha expressão latina dura Lex sed Lex.

Dr. Boaventura Joaquim Bonfim há muito me convenceu do contrário: a importância de uma pessoa, não vem do cargo que ocupa, da riqueza que possui, da sua altura, do seu peso ou da sua cultura, mas dos seus sentimentos.

E mais, o Dr. Boaventura sente com o pensamento!

E mais, é uma sensibilidade sem tamanho!

Raimundo Candido


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Caro amigo Júnior Bonfim,


Ao acessar seu Blog, deparei com um poético comentário a meu respeito, da lavra do nosso amigo Professor-Poeta-Escritor Raimundo Cândido.

As belas palavras do Professor Raimundo Cândido são hauridas da bondade de um grande vate. O poeta não vê com os olhos, mas com o coração.

Obrigado, Professor Raimundo, cândido até no nome.

Um Forte abraço,

Boaventura Joaquim Furtado Bonfim.

Fortaleza, Ceará, Brasil, 23.7.2012.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

PARA VOCÊ, COM CARINHO - VINICIUS DE MORAES (Homenagem ao Dia do Amigo)


"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade
que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências ...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e,principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."


(Vinícius de Moraes)*


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LUIZ MENEGHIN — UM BRASILEIRO NO AMERICA´S GOT TALENT |

Amigas e amigos,

Vejam este excelente vídeo no link abaixo.

Nosso conterrâneo brasileiro, Luiz Meneghin, canta encantadoramente, normalmente e suavemente, sem fazer qualquer esforço, como se fora um passarinho.

"A gente nasce para o que é." O Luiz tem a enfermagem por profissão, mas é um cantor de ópera por vocação.

É lógico que pai do Luiz fez as vezes do grande filósofo Sócrates, contribuindo para aflorar (parir) o cantor que já existia no filho (Maiêutica).

Achei simplesmente lindo quando ele falou para os jurados que cantava para os pacientes no hospital. E gostei daquele jurado cabeludo que, numa forma de deixar o Luiz descontraído, perguntou se algum paciente não havia morrido ao ouvi-lo cantar. O Luiz esboçou um sorriso angelical e, placidamente, disse que não.

Confesso que fiquei emocionado do começo ao fim, principalmente quando vi a esposa e a filha chorando e torcendo amorosamente por ele.

Percebe-se que ele tem uma linda família, um lar, e não apenas a materialidade da casa.

Passemos o vídeo à frente.

Saúde e Paz,

Do amigo,

Boaventura Bonfim.
Fortaleza, Ceará, Brasil.


quinta-feira, 19 de julho de 2012

PATRICK DIMON - Pigeon Without a Dove



Pigeon Without a Dove

If someone that says goodbye
If someone that you love
That's leaving not to come back
In your arms never more
What would you do my friend?
How could you mend your broken heart?
How could you learn to live alone?
How could you learn to live apart?
Tell me, tell me!

( 2X )
How can I let her know that I've got nothing without her love
That I have no place to go, that I'm a pigeon without a dove
I am a simphony without main melody
That I am alone and lost, drowning in the ragging deep sea

Pombo sem uma pomba

Se alguém que te diz adeus
É alguém que você ama
E é alguém que está partindo para não voltar
Nunca mais para seus braços

O que você faria, meu amigo?
Como você consolaria seu coração partido?
Como você aprenderia a viver sozinho?
Como você aprenderia a viver separado?

Diga-me (diga se sabe)
Como posso deixá-la saber
Que não tenho nada
Sem seu amor
Que nem tenho para onde ir

Que sou um pombo sem uma pomba
Que sou uma sinfonia sem a melodia
Que estou sozinho e afundando
Em um mar enfurecido

quarta-feira, 18 de julho de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Abro a coluna com duas historinhas do insubstituível Sebastião Nery para aliviar o peso do texto de hoje:

Montado na lei

Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, estava participando de um júri em Quixeramobim/CE. O promotor berrava na tribuna:

- Senhores jurados, estou montado na lei.

Quintino pede um aparte:

- Vossa Excelência tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.

O promotor se calou.

Latitude

Pedro Libery, vendedor de loteria, elegeu-se deputado estadual pelo PTB. Foi à tribuna fazer um discurso contra o prefeito de Curitiba:

- As ruas estão esburacadas, sem luz e, à noite, os cachorros soltos, numa latitude que não deixa ninguém dormir.

PSB versus PT

Parecia que a querela entre PSB e PT se esgotaria após o jantar que a presidente Dilma ofereceu aos governadores Eduardo Campos, presidente do partido socialista, e a Cid Gomes, que comanda a sigla no Ceará. Campos até se esforçou para limitar a questão, argumentando que os casos de Belo Horizonte, Recife e Fortaleza deveriam ser analisados em sua especificidade, não devendo se estender à aliança nacional entre as duas siglas. Ocorre que a aliança entre PSDB e PSB, em BH, sinaliza um abraço de Márcio Lacerda em Aécio Neves e a abertura de uma portinhola para o futuro. Lacerda e Aécio são carne e unha. Aécio quer ser o tucano candidato contra Dilma. Saiu do Palácio do Planalto sem tirar a limpo a história.

PMDB e PSD marcam posição

O PMDB não teve dúvidas. O vice-presidente da República, Michel Temer, presidente licenciado do partido, ligou imediatamente para Leonardo Quintão e o demoveu da candidatura à prefeitura. E assim o PMDB, em um gesto rápido e radical, fechou parceria com o PT, compondo chapa com o ex-ministro Patrus Ananias. Quis dizer que aquilo era um gesto de fé na aliança para 2014 entre o PMDB e o PT. O mesmo fez o PSD do prefeito Gilberto Kassab. Mas o 2º vice do PSD, Robert Brant, acusou a guinada do partido em direção a Patrus e deixou a legenda. A 1ª vice-presidente, a senadora Kátia Abreu, também gritou. Ora, Kassab ajudou a quem o amparou na luta para formar seu partido: Lula e Dilma. Ambos deram força para a criação da legenda. O PSDB, por sua vez, posicionou-se contra a formação do partido, impetrando uma Ação de Inconstitucionalidade. Era uma resposta a Aécio Neves, patrocinador do candidato Márcio Lacerda.

PSD na base governista

A senadora Kátia Abreu parece não ter entendido a jogada do PSD. O partido sinaliza ingresso na base governista. Ora, a senadora tem feito elogios à presidente Dilma. Portanto, estaria confortável com a posição do partido no governismo. Ou acharia ela que o PSD deveria firmar parceria com o PSDB de Aécio Neves? Como se sabe, a movimentação para unir Aécio e Eduardo Campos é visível. O prefeito de São Paulo pode, até, manter canais abertos com o governador de Pernambuco, mas, ao que se sabe, não toparia juntar-se à banda tucana do senador mineiro. A cota tucana de Kassab limita-se ao bico de José Serra.

Kátia no PMDB

A senadora Kátia Abreu sempre manteve portas abertas no PMDB. Tem boa articulação com o presidente licenciado do partido, o vice-presidente da República Michel Temer. Se sair do PSD para ingressar no PMDB, cumpriria apenas um rito já ensaiado há tempos, desde os tempos do DEM.

Pesquisa em Recife

O senador Humberto Costa, do PT, acaba de ser contemplado com 40% em pesquisa feita pelo IBOPE sobre a intenção de voto dos candidatos à prefeito. Mendonça Filho, do DEM, registra 20%. Em terceiro lugar, desponta o tucano Daniel Coelho, com 9% e o quarto lugar é ocupado pelo candidato do governador Eduardo Campos, o ex-secretário Geraldo Daniel, com 5%. Pois bem, esse consultor, olhando para as páginas do passado, lembra: resultados das primeiras pesquisas são bem diferentes de resultados das últimas pesquisas. Conclusão: os últimos poderão ser os primeiros. Não seria inimaginável nem impossível divisar Geraldo Daniel subindo o pódio.

LDO, em cima da hora

Esforço de última hora: MP 563, com pacote para indústria, votada na segunda-feira, destravou a pauta para votação da lei de Diretrizes Orçamentárias. Aprovada ontem. Recesso garantido. LDO teria de ser votada sob pena de suspensão do recesso. Bom senso prevaleceu. Oposições cederam.

Redes sociais na campanha

Neste pleito, a internet terá importância maior do que nas campanhas passadas. Redes sociais agora fazem parte da estratégia da maioria dos candidatos. O país tem mais de 50 mil usuários e a maior parte dos candidatos vai usar as redes sociais como nunca o fizeram. Mas é importante não abusar, pois a prática descarada deste meio pode ser um bumerangue, voltando contra o candidato. É preciso avaliar a identidade de cada canal. Em todo o Brasil são 5.565 municípios e muitos candidatos apostam na internet como forma de tentar compensar o fato de terem de dividir com aliados o tempo de propaganda obrigatória na TV. Exemplo disso é a disputa à prefeitura do RJ, na qual após a aliança entre 20 partidos, o atual prefeito terá mais da metade dos 30 minutos de propaganda eleitoral na TV.

Como usar

Site e sistema para doações on-line também serão explorados durante o ano eleitoral. O maior caso de sucesso do gênero foi o da candidatura do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em pouco mais de um ano e meio, Obama arrecadou US$ 500 milhões em doações pela internet. As redes sociais, no entanto, devem ser usadas de modo responsável. Cuidado com agressões. A linguagem deve ser clara, objetiva. Os candidatos devem ser sinceros, respeitar a oposição e mostrar suas diferenças em relação a adversários. Ser criativo, aceitar debates e não temer a discussão de problemas também arrematam os conselhos. A massificação da internet é positiva também para os eleitores, que terão mais tempo e fontes diferentes para pesquisar a respeito dos candidatos e suas estratégias. Oficialmente, a mídia eleitoral começa em 17 de agosto, mas na internet a disputa começou bem mais cedo.

Planejamento de campanha

O planejamento de uma campanha abriga todos os aspectos de uma campanha política, com a inclusão das metas, objetivos, estratégias, táticas, meios e recursos, equipes e estrutura de operação, sistema de marketing, estudo dos adversários, etc. O mais importante é o foco sobre os eixos do marketing eleitoral, aqui apresentados: a pesquisa, a proposta de discurso (os programas), a comunicação, a articulação e a mobilização. A pesquisa objetiva mapear interesses e expectativas do eleitorado. É vital para estabelecer e/ou ajustar o discurso do candidato. Sem pesquisa, atira-se no escuro. A pesquisa qualitativa tem a vantagem de descobrir os mapas cognitivos dos eleitores, aquilo que eles estão pensando. É fundamental, na medida em que o mapeamento do sistema de interesses e expectativas do eleitorado deverá ser o centro do discurso. A pesquisa quantitativa mede apenas intenção de voto, em determinado instante.

O discurso

Feita a radiografia do eleitorado, passa-se a formar o discurso e a ajustar a identidade do candidato, que é soma de seus valores, de suas qualidades, de sua formação, história e compromissos. Esta identidade deverá embasar todo o programa de governo. Ou seja, o ideário a ser implementado. A seguir, esse conjunto de ideias precisa ser comunicado. As propostas do candidato deverão ser apresentadas ao eleitor, via TV, rádio e outras formas. Candidato que não tem identidade, não tem eixo, não tem esqueleto, coluna vertebral. Quando o eleitor capta a ideia central de um candidato, começa a entrar no sistema de signos da campanha, fator que funcionará como indutor importante na decisão de voto. Daí a importância da televisão e de um programa criativo. Nesse caso, aparecem bem os profissionais de marketing político com experiência de TV. Mas campanha política não é apenas comunicação de TV e rádio. E aqui aparece a primeira grande confusão do marketing.

Mobilização e articulação

Não adianta apenas saber fazer bons programas de TV. São ferramentas essenciais, mas não exclusivas. Outros eixos são importantes: a mobilização, caracterizada pelos eventos, comícios, showmícios, reuniões, encontros do candidato com as massas. E há, ainda, o eixo da articulação, que aparece na formação de alianças, nas parcerias com associações e sindicatos, enfim, com as entidades organizadas da sociedade civil. Sem a combinação desses cinco eixos fundamentais, as campanhas ficarão capengas, tortas, frouxas. Muito cuidado para evitar campanhas que pendem mais para um lado que para outro. Ao consultor cabe fazer uma completa análise dos pontos fortes e fracos dos candidatos, de forma a potencializar seus valores e qualidades e minimizar seus defeitos. Deve-se ter uma visão externa mais abrangente, de fora para dentro, a fim de se evitar privilegiar certas áreas em detrimento de outras.

Marketing ganha campanha?

Marketing não ganha campanha. Quem ganha campanha é o candidato. Marketing ajuda um candidato a ganhar a campanha, ao procurar maximizar seus pontos fortes e atenuar seus pontos fracos. O marqueteiro, aliás, profissional de marketing, (não gosto do designativo porque tem conotação pejorativa) é importante, na medida em que funciona como um estrategista que define linhas de ação, orienta a escolha do discurso, ajusta as linguagens, define padrões de qualidade técnica, sugere iniciativas e até pondera sobre o programa do candidato, os compromissos e ações a serem empreendidas. O profissional de marketing precisa, sobretudo, ser um profissional com visão sistêmica de todos os eixos do marketing. Que não entenda uma campanha apenas como um apelo publicitário, uma proposta de marketing televisivo. Que seja capaz de visualizar os novos nichos de interesse de uma sociedade exigente, crítica e sensível aos mandos e desmandos dos governantes.

Cuidado com o marketing capenga

Um bom marketing ajuda a eleger, mas é o candidato quem se elege. Marketing mal feito, ao contrário, ajuda um candidato a perder as eleições. Não adianta um bom marketing se o candidato é um boneco sem alma. Candidato não é sabonete. Tem vida, sentimentos, emoção, choro e alegria. Portanto, muita coisa depende dele, de sua alma, de seu calor interno, de sua identidade. Marketing há de absorver essas condições para evitar transformar pessoas em produtos de gôndolas de supermercado. Em um primeiro momento, a inserção publicitária na TV até pode exibir o candidato de forma mais genérica, por falta de tempo para expor conteúdo. Mas o eleitor não se conformará com meros apelos emotivos e chavões-antigos, como os usados para embalar perfis saturados (candidatos beijando crianças e velhinhos, takes em câmera lenta mostrando o candidato no meio do povo, etc.).

Candidato ideal

O eleitor está à procura de um candidato com as seguintes qualidades: experiência, honestidade ; vida limpa e passado decente; assepsia; equilíbrio/ponderação; preparo; coragem/determinação; autoridade (não confundir com autoritarismo. Há uma saturação de perfis antigos, que usam as esteiras da velha política. O eleitor quer ver perfis mais identificados com suas grandes demandas : segurança, saúde, educação, melhoria das condições de vida nas regiões, nos bairros, nas ruas. Quem apresentar propostas mais condizentes com as necessidades do eleitor terá melhores condições de ser escolhido.

Fases de uma campanha

As principais armas de um profissional de marketing político para ajudar uma campanha são: capacidade e sensibilidade para captar, com muita propriedade, as indicações das pesquisas; visão abrangente de todos os eixos de uma campanha, não se atendo apenas aos programas de TV, como muitas vezes ocorre com os publicitários engajados nas campanhas; poder de influência sobre o candidato, principalmente no que concerne ao foco do discurso; ter noção adequada do timing de campanha, ou seja, das seguintes fases: lançamento do candidato (junho), crescimento (julho), consolidação (agosto/setembro), auge/clímax (final de setembro/semana da eleição), declínio. Este é o ciclo de vida de uma campanha. Se o declínio ocorrer antes da semana da eleição, não tem quem sustente a posição do candidato. Um candidato que se preocupa apenas com o primeiro turno, poderá morrer antes de chegar à praia. É preciso saber ouvir o som do vento. Quando o vento sopra numa direção, de crescimento, por exemplo, não há força que consiga deter seu rumo.

Conselho aos candidatos e assessores

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos parlamentares. Hoje, sua atenção se volta aos candidatos e seus assessores:

1. Atentem para os 5 eixos do marketing.

2. A identidade do candidato deve ser verdadeira, não artificial.

3. Ajustem os eixos da campanha em cada fase. Façam avaliações periódicas.

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(Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 17 de julho de 2012

POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL

De Dilma para Dilma. Com ardor I

Para os eleitores brasileiros e até para os candidatos às urnas de outubro, as eleições deste ano são municipais. Não é assim, porém, para o establishment político-partidário, no situacionismo ou no oposicionismo Federal. Para os caciques e seus agregados é apenas um rito de passagem necessário e importante para 2014. Lula já havia botado suas fichas na mesa desavisadamente, como não querendo, mas querendo, quando no programa do Ratinho anunciou que poderá se candidatar a um novo mandato se Dilma não quiser ou não puder. Por que Dilma não quereria ou não poderia? - perguntou-se aos quatro quadrantes, inclusive naquele Palácio situado num dos triângulos da Praça dos Três Poderes.

De Dilma para Dilma. Com ardor II

A resposta veio logo, firme e sem meias palavras: ela pode, quer e vai brigar. De forma inusitada para quem era - e não escondia - avessa ao joguinho miúdo do mundo dos políticos. Dilma deixou de lado a cautela de quem não pretendia botar muito a cara nas sucessões municipais, para não se incompatibilizar com nenhum aliado, tantas as divisões deles nos municípios, e saiu para botar ordem na casa, diretamente em duas disputas cruciais - SP e BH. Ilude-se quem pensa, porém, que ela agiu para dar uma mãozona ao PT e até ao grande companheiro Lula, cujas operações políticas nessas duas capitais, especialmente em SP, com a ameaça de um isolamento de Fernando Haddad, estavam azedas. Cirurgicamente Dilma deu a Secretaria de Saneamento do Ministério das Cidades para um correligionário de Paulo Maluf e jogou o PP nos braços de Haddad. Lula foi apenas aos jardins malufistas para posar para a foto. Em BH botou o PMDB e o PSB na chapa do petista Patrus Ananias, depois do rompimento da aliança PSB/PT, por obra de ajustes entre o senador Aécio Neves e o governador Eduardo Campos.

De Dilma para Dilma. Com ardor III

Dilma foi exatamente tentar implodir as pedras em seu caminho de 2014 e deu seu recado de que está viva. É coincidência apenas que tenha sido na mesma direção dos interesses do PT. Em seguida, a presidente começou a assentar seu próprio caminho, em seguidas reuniões no Palácio da Alvorada, fora do horário de expediente para não parecer que faz política eleitoral quando deveria estar trabalhando. Acertou-se com o PMDB, de Michel Temer, que andava desconfiado das intenções da presidente para o futuro com ele; com o PSB de Eduardo Campos, a quem havia contrariado nas manobras mineiras; e com a bancada do PT, pelo menos parte dela.

Recato presidencial?

Agora, se não houver mais ruídos, ela se recolherá a certo recato eleitoral, como chegou a ser anunciado oficialmente pela ministra Ideli Salvatti. Qualquer resultado eleitoral que não seja o fortalecimento da oposição é bom para ela. Outros movimentos políticos agora apenas depois do segundo turno e até fevereiro, após as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, quando então deverá haver ajustes nos ministérios. Ficaram restos a pagar - Gilberto Kassab, PMDB mineiro - e contas a cobrar. Tudo isso não quer dizer que Dilma está com menos apreço, menos gratidão e menos respeito por Lula. Tudo permanece intocado. Mas o momento político dela, a não ser o desejo de botar a oposição definitivamente de joelho, não é exatamente o mesmo momento político do antecessor e benfeitor.

Nem todos, porém, confiam

Apesar dos movimentos da presidente, alguns aliados ainda não dão como certo que a sucessão de 2014 transcorrerá entre Dilma e um oposicionista, possivelmente Aécio Neves.

1. Os mais lulistas do PT não acreditam que o ex-presidente está fora do tabuleiro, até porque se sentem alijados da linha de frente do governismo, com o nascimento de uma espécie de PT da D (PT Dilma) em oposição ao PT do L (PT do Lula).

2. Michel Temer, com todos os cuidados, deixou claro em entrevista a Eliane Catanhêde, na "Folha de S.Paulo", que o PMDB não descarta concorrer com candidato próprio. Se o partido se destacar em outubro, a crista peemedebista vai crescer.

3. Eduardo Campos e seu PSB também dependem das urnas municipais para uma avaliação melhor de suas reais possibilidades.

E todos estão de olho numa só questão - o desempenho da economia. Uma fonte de legitimação de qualquer governo hoje pelo mundo, além dos votos nas democracias, é o grau de satisfação dos eleitores com sua situação econômica e a qualidade de vida que tem. Nenhum governista acredita que Dilma vai poder ser candidata à reeleição se não garantir o leite das criancinhas.

Novos articuladores

Depois que a imagem de Lula como um articulador político infalível ficou comprometida por alguns tropeços cometidos por ele nos últimos tempos, dois outros nomes passaram a ser incensados em certas rodas movidas a cabrestos como novos gênios dessa raça - Gilberto Kassab, do PSD, e Michel Temer, do PMDB. Do lugar onde se encontram observando o cenário político brasileiro atual, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e outros da mesma estirpe devem estar, como diria Eça de Queiroz, tendo "frouxos de riso".

A chave do crescimento mundial

Na semana passada, a China anunciou o menor crescimento do PIB desde o início da crise financeira internacional, em setembro de 2008. As reações mundiais não foram propriamente de surpresa, mas de expectativa de como o governo comunista de Pequim iria reagir diante deste fato. Nesta segunda-feira, veio a primeira resposta do premiê chinês Wen Jiabao que anunciou medidas de estímulo ao investimento externo, bem como redução da taxa de juros e reservas bancárias. Uma receita tradicional que deve ser seguida, com menores efeitos, pelo Fed e pelo Banco Central Europeu (apesar deste enfrentar enormes divergências internas). O risco da política chinesa é a continuidade de substanciais desequilíbrios internos. Setores como o de construção civil persistem relativamente aquecidos e inflacionados, enquanto o setor industrial sofrem os efeitos da crise internacional. Especula-se no mercado internacional o quanto a China poderia gastar numa nova política de estímulo fiscal. Em novembro de 2008, os gastos foram da ordem de US$ 500 bi. A maioria dos analistas acredita em um número superior neste momento.

Mudança de rumo

Desde o início do primeiro trimestre deste ano, os fundos hedge, os quais especulam em diversos segmentos do mercado internacional, estavam apostando firme na queda dos preços das commodities em função da queda contínua da atividade industrial chinesa nos últimos trimestres. (A China consome 11% do petróleo produzido no mundo e 40% do cobre, apenas para citar dois exemplos). Pois bem: desde as primeiras notícias sobre o possível pacote de estímulo à economia chinesa, estes fundos reverteram suas posições baixistas e passaram a apostar na alta das commodities. Cabe observar cuidadosamente este movimento de vez que este deve ter influência decisiva sobre a economia brasileira e a bolsa local. Ainda é cedo para qualquer prognóstico, sobretudo porque o sucesso da política chinesa dependerá do aumento do consumo doméstico às custas da obtenção da poupança externa via saldo comercial, um dogma econômico até agora do governo chinês.

Relembrando Keynes e Hoover

Dizia Keynes que "o capitalismo é muito importante para ser cuidado pelos capitalistas". O mundo de hoje é mais estranho: os comunistas estão cuidando do capitalismo. J. Edgar Hoover ficaria boquiaberto.

Brasil, na expectativa

Dificilmente os efeitos das medidas adotadas pelo governo para retomar um nível mais elevado da atividade econômica surtirão efeitos substanciais. O endividamento das famílias, a insegurança com o emprego e a contenção do investimento privado e público adormeceram as melhores expectativas de crescimento. Isso tudo num ambiente internacional altamente negativo. De toda a forma, o fato novo, para o bem e para o mal, é a fragilidade da economia chinesa. Dependendo da reação de Pequim, o Brasil pode ter melhores dias.

Falta de líderes

Convenhamos que a crise internacional é terrível. Ceifa esperanças de gerações, de famílias e cria uma instabilidade política que contrai ainda mais o cenário econômico. Todavia, quando vemos os líderes do G-7 ficamos ainda mais alarmados. Não passam de governantes de suas paróquias, preocupados com efeitos imediatos e eleitorais e sem uma visão abrangente. Não saem às ruas para lutar por ideias que valem a pena. Apenas para coletar votos por meio de discursos preparados por marqueteiros. Este é talvez o maior problema da crise atual.

Peugeot e Hollande

Será muito curioso sabermos como o presidente francês François Hollande exercerá a sua "intolerância" aos planos do Grupo PSA Peugeot Citröen de fechar uma fábrica o que resultará no corte de aproximadamente 14 mil empregos. O assunto ganhou vastos contornos políticos e entrou no debate nacional, sobretudo depois da ameaça presidencial. Afinal, qual o poder que o presidente tem para evitar esta tragédia? Sobretudo, quando a empresa francesa acaba de ter sua qualidade de crédito rebaixada e o risco de inadimplência aumentou...

Delírios sobre a classe média

Do economista Marcio Pochmann, ex-presidente do IPEA e candidato à prefeitura de Campinas pelo PT:

"A grande maioria dos empregos criados foi de no máximo um salário mínimo e meio, e no setor de serviços. No conceito de classe média, as pessoas estão em carreiras em que o aumento da escolaridade aumenta também a renda. São funcionários públicos, professores, bancários. Não é o que acontece no Brasil agora. Se a pessoa é motorista de ônibus, não adianta fazer um pós-doutorado que não terá um salário maior."

Do sociólogo Amaury de Souza:

"A discussão relevante é sobre a permanência dessas pessoas que ascenderam à classe média. Temos que analisar qual o risco de elas voltarem a ser pobres. Isso vale para o Brasil e para o mundo, porque o crescimento da classe média é mundial e é um efeito da globalização."

O desafio do mundo político é entender como esta dita "nova classe média" ou "classe média do Lula" se comportará eleitoralmente. Renovadora? Emulará o comportamento da velha classe média?

Os suspeitos

Depois de 57 dias de greve os professores das escolas de ensino superior Federal receberam uma proposta de reajuste salarial e não gostaram do que ouviram. Ficam pelo menos mais uma semana parados. A operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal está atrasando a liberação de mercadorias importadas em portos e aeroportos e na Zona Franca de Manaus há indústrias com produção reduzida ou parada por falta de insumos e componentes. Segunda-feira, mais um grupo de servidores Federais das agências reguladoras entrou em greve juntando-se, segundo cálculos dos dirigentes sindicais, a outros 300 mil, em diversos órgãos, que já estão com os braços cruzados. Os sindicalistas públicos prometem ainda transformar a esplanada dos ministérios esta semana em que um grande acampamento de funcionários insatisfeitos. A esta altura, a presidente Dilma já deveria estar se perguntando - se ainda não está - como assim tão de repente o "instinto animal", tão adormecido na era Lula, foi despertado. E não deve procurar os velhos bodes expiatórios, os suspeitos de sempre - a oposição e a crise internacional. Eles estão mesmo é dentro de casa.

Mensalão: salve-se quem puder?

A proximidade do julgamento do mensalão parece que está também despertando o "instinto animal" da sobrevivência entre os acusados. A leitura dos memoriais apresentados pelos advogados de alguns dos suspeitos mostra claramente que muitos estão tentando se livrar jogando a culpa em outros. Delúbio Soares é um dos apontados e, de fidelidade canina, parece disposto a não reagir, assumindo uma culpa maior do que lhe cabe naquele latifúndio de "recursos não contabilizados". O publicitário Marcos Valério, no entanto, não parece propenso a se imolar nesse altar de sacrifício. Em outra ocasião, precisou ser devidamente acalmado. O documento de defesa de seu advogado é sinal de que ele necessita novamente de cuidados.

Recordar é viver

O mensalão só deu no que deu e ainda pode dar mais depois de uma entrevista do então deputado e presidente do PTB Roberto Jefferson à jornalista Renata Lo Prete no jornal "Folha de S.Paulo". Jefferson, cujo partido também se beneficiou das "mensalidades", soltou sua voz de tenor amador quando começou a desconfiar que estavam querendo jogar sobre ele e o PTB toda a culpa das falcatruas nos Correios na ocasião, motivo da CPI em andamento no Congresso. Ele viu armações do ministro chefe da Casa Civil, a época, José Dirceu, em notinhas de jornal e foi o que se viu. Qualquer semelhança com o incômodo manifestado por Marcos Valério pode vir a não ser mera coincidência.

(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Arthur Rubinstein - Polonesa Heroica Op.53 en La bemol major.avi

OAB CRATEÚS INAUGURA SEDE


A Ordem dos Advogados do Brasil, Secional Ceará (OAB-CE), inaugura a sede da Subseção de Crateús, no próximo dia 19 de julho, às 19 horas. O evento aconteceria no dia 20 de julho, mas teve a data antecipada por motivo de agenda do presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante, que estará presente. No dia 20 de julho, será a vez da Sala do Advogado da Justiça Federal, denominada Gonçalo Claudino Sales, ser inaugurada.

A Subseção de Crateús, que funcionava no Fórum da Comarca, agora passará a ter sede própria. O espaço conta com auditório, salas da presidência, da Caixa de Assistência dos Advogados do Ceará (CACCE), da Fundação Escola Superior da Advocacia do Ceará (Fesac), espaço para reunião, e uma sala de apoio aos advogados. A sede fica na Rua Francisca Rua das Flores, 230, Planalto.

Na ocasião, serão homenageados os advogados José Almir Claudino Sales, José Eudes Soares de Oliveira e a advogada Rozária Neta Bonfim Lacerda, por seus relevantes serviços prestados à advocacia cearense.

O presidente da Subseção de Crateús, Ismael Pedrosa, diz que aguarda com ansiedade a inauguração da sede, uma espera de 15 anos. “Estávamos necessitando de um espaço físico não só para ter uma referência arquitetônica, mas também para dar apoio aos advogados que não têm condições de ter um escritório ou aqueles que vêm de fora”, comenta. Ismael Pedrosa acrescenta que agora será possível realizar cursos de aperfeiçoamento que não aconteciam por falta de local.

A antiga sede, localizada em um shopping da cidade, contava com espaço restrito, o que prejudicava a realização de reuniões. “Toda região agora está muito feliz com a chegada desse novo equipamento”, comemora. O presidente da OAB-CE, Valdetário Andrade Monteiro, destaca que este é mais um compromisso assumido pela gestão que se consolida.

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

LOURO DA CRUZ


Mesmo a Quinta Avenida da Big Apple, cidade de New York, magnífica e badalada com um redemoinho de ianques margeados por imponentes prédios de aço e vidro, ou a majestosa Avenue des Champs Élysées, na cidade luz chamada Paris, com o Arco do Triunfo bonapartiano grudado ao Museu do Louvre onde se esparrama um sorriso enigmático da Mona Lisa, e até mesmo a curitibana Rua das Flores, enfeitada de girassóis e de curiosos turistas que assistem diariamente ao encontro dos Cavaleiros da Boca Maldita, não valem o meio fio das calçadas da Avenida Frei Vidal da Penha.

Desde a época em que nas bodegas, uma em cada esquina, os fregueses chegavam fiando açúcar e farinha em raquíticas cadernetas, até o dia em que um nigérrimo tapete cobriu a poeira do tropel dos cavalos que passavam rumo ao centro, a Rua da Cruz foi, e sempre será, uma consonante artéria do meu coração.

A meninada se divertia urdindo travessuras. Éramos pássaros sem plumas aprendendo a voar. Curumins alumbrados entre duendes, magos, mães-d’água e ilusões diluídas no ar. Um duende-menino, disfarçado de gente, ia à escola. A professora, Dona Delite, já o preferira como a um eleito, pela perspicácia e impetuosidade em aprender. Sabatinava-o no 3º ano primário, como exemplo para o restante da turma: — Juracy, responda bem rápido, Sete vezes oito? Ele nem pestaneja: — Cinquenta e seis! Oito vezes sete? Nove vezes quatro? Metralhava-o. Às vezes respondia quase antes da mestra formular uma pergunta. (Eu era um bom aluno... Um bom aluno! Recorda-me saudoso, o próprio Louro da Cruz, dentro de um corpo sofrido pela demolição acrimoniosa do tempo.)

O magricelo vivaz, que apontava para um futuro promissor de uma meninice esperta, tinha um sonho: ser padre. Esteve no seminário de Baturité, dando textura e forma a esse desejo, mas como disse o p(r)o(f)eta Augusto dos Anjos: Vão-se os sonhos nas asas da descrença e voltam nas asas da esperança. Um vírus lhe enche o corpo de contagiantes erupções que se espalham por toda escola eclesiástica. O sarampo diluiu uma aspiração e a transformou em revolta. Foram longos os dias em que vivia da raiva de viver, de não poder mais voltar ao seminário. Deixou de estudar, desentendeu-se com a incompreensível família e foi dormir no mato, como um triste Gmono das árvores. Da mesma forma que o mundo enferma, o tempo também cura. Logo um rebelde e cabeludo Juracy estava vendendo o apetitoso Bauru, o primeiro sanduiche peculiar da cidade, para uma seleta clientela, na Lanchonete Jovem Guarda: vinham os doutores, os ricos comerciantes, os oficiais do 4º batalhão e quando chegava um cidadão comum, tinha que trazer uma boa porção de moedas para saboreá-lo e com direito a ouvir o Louro cantar, “ E que tudo mais vá pro inferno” ou “Olha o brucutu, bru-cu-tu!”, tudo proveniente de uma caixa de bananas verdes, herança de um bodegueiro falido chamado Luizinho Filó, onde o Louro costumava dormir, no chão frio forrado com palhas de bananeiras.

Juracy prospera, pois os ventos da boa sorte o bafejava. Ele sempre soube acautelar-se e pensa em todos os pormenores. Adquire um imenso terreno onde pretende construir uma Casa de Shows e trazer nada mais, nada menos, que o Rei da Juventude, Roberto Carlos. O 4º Batalhão, de partida para Barreiras, na Bahia, o presenteia com abundante material de construção. O único obstáculo, como pedra no meio do caminho, era um imenso e antiguíssimo cruzeiro de aroeira assentado sobre um grosso pedestal de bentos tijolos de 27 quilos, e o único jeito era a demolição. Rapidamente, alavancas e picaretas o degringola. Uma multidão se aglomera no final da Frei Vidal, descrente no que via. O Vigário da cidade, Pe. Bonfim, chega no seu motorzinho e constata o grande perigo: — Mas seu Juracy, como pôde fazer isso? Este cruzeiro foi enfincado na entrada da cidade pelo santo Pe. Juvêncio para nos proteger e nos livrar da tentação do demônio e você o derruba! Pois está amaldiçoado!

O verde Jeep da polícia, um willys 51, leva-o para a cadeia publica, mas logo é solto. O delegado não ver legalidade naquela despropositada prisão. Juracy tomou o devido cuidado de enterrar os mastros de aroeira no chão da boate encoberto pelos trilhos de ferro do batalhão, para que a maldição daquele dia nunca viesse à tona. Foi uma indispensável prudência do conhecidíssimo Louro da Cruz, como passou a ser chamar, a partir de então.

O Rei da Jovem Guarda nunca deu o seu ar da graça por aqui, mas o empresário Juracy trouxe, entre outros, para soltar suas veludosas vozes a cantora e musa pornô Gretchen, o cigano Sidney Magal ameaçando "Se Te Agarro Com Outro Te Mato", o axé music de Chiclete com Banana, Roberta Miranda cantando que nem A Magestade o Sabiá, a voz potente de Gessé, Biafra celebrando o Sonho de Ícaro e Martinho da Vila que desfilou pelas ruas da cidade com um grupo de mulheres a festejar a Rainha de Iemanjá.

Comprovando sua predisposta felicidade para a sorte, na véspera de uma das piores agressões ao cidadão brasileiro, quando as pessoas perderam dinheiro em contas bancárias pelo famigerado Plano Collor, Louro da Cruz retira todo seu money da poupança e compra a sede da AABB, onde hoje guarda a sua novíssima galinha dos Ovos de Ouro, o animadíssimo Trenzinho da Alegria.

Ali, naquele valorizado prédio que é hoje a sua casa, Louro passou por uma das mais horríveis experiências humana. Devido a um aperto financeiro, entra em crise de depressão. Isolado, achando-se no abandono total, aprofunda-se cada vez mais numa imaginária toca. A ajuda de repente chega e o levam para Fortaleza em busca de cura. Na sala de um psiquiatra, subitamente dois seguranças o agarram e jogam no bojo de um horrível manicômio. Amarga o desespero dos desesperos, entre dementes de todas as espécies, mas o susto trás sua sanidade de volta e um dos guardas percebe que aquele paciente, de conversa equilibrada, não é louco, e faz tudo para tirá-lo daquela situação. (O cidadão Louro da cruz, com os olhos lagrimejando, disse-me: ”— Raimundo, hoje eu sei que só o inimigo é que nunca nos trai.” Ali, em sincera confissão, eu vi uma longa dor e uma grande mágoa escoarem da alma de um incansável e honrado trabalhador). Matutando seriamente no que me disse Juracy, lembrei-me de um velho amigo que nunca me traiu, meu inseparável silêncio.

Aproveito a ocasião e faço uma pergunta para matar uma curiosidade: — Juracy, o povo diz que você, quando não mais existir, deixará todo seu patrimônio para a Igreja, é
verdade?

Solta um disfarçado sorriso que lhe escapole da face e me esclarece:
- Não, eu nunca disse isso, mas quando eu morrer pretendo deixar tudo que tenho numa organização para promover o bem-estar e a alegria das crianças pobres da minha cidade!

Despeço-me deste grande promotor da felicidade e antes que parta, ele ainda me diz:
— Raimundo, eu sou candidato a vereador nessa eleição, pelo Partido Verde, e conto com seu voto!

Afirmo como seria bom termos um vereador daquela qualidade nos representando no legislativo municipal, ele que já faz muito pelo povo, fomentando alegria. E me vem à mente a criança sonhadora que ia à escola da dona Delite, mostrando agora uma serenidade de padre, mesmo sendo um animador de festas, de danças e de músicas. Sempre acreditei no significado dos nomes próprios que corroboram nossa existência, pois Juracy que dizer aquele que faz o bem e mesmo assim eu lhe acrescentaria um Duney, o Duende da alegria. Que a Consciência Eleitoral de Crateús te coloque sentando numa cadeira da câmara dos vereadores, Juracy Duney do Partido Verde, uma associação de duendes, propícia aos espíritos fortes, honestos e trabalhadores como convém ao Mago da Alegria, chamado Louro da Cruz.

Raimundo Candido

quarta-feira, 11 de julho de 2012

CONJUNTURA NACIONAL

Faltam 8 contos

Vereador em Itiruçu/BA, estava duro. A seca tinha comido tudo. Sem dinheiro para a feira foi pedir ao prefeito Pedrinho. Pedrinho brincou:

- Por que você não pede a Jesus Cristo ? Ele não é o pai dos pobres?

Voltou para casa, escreveu a Jesus Cristo pedindo 50 contos. Endereçou: "Para Nosso Senhor Jesus Cristo". E pôs no correio. No correio, abriram a carta, levaram para o bar. Lá fizeram uma vaquinha, apuraram 42 contos, registraram e mandaram para o vereador. Quando ele abriu viu os 42 contos, sentou-se e escreveu nova carta: "Nosso Senhor; agradeço muito sua atenção. Recebi o dinheiro que lhe pedi. Mas rogo o seguinte: se o senhor for mandar dinheiro novamente, faço o obséquio de mandar em cheque, porque, dos 50 contos, o pessoal do correio meteu a mão em 8".

(Mais uma do grande Sebastião Nery)

Pressão da CUT

O novo presidente da CUT, ex-bancário Vagner Freitas, promete mobilizar suas bases e ir às ruas caso a decisão do STF não obedeça a critérios técnicos. A pressão da sociedade organizada para fazer valer suas ideias até pode ser compreensível. No caso da CUT, a suspeita emerge com força. Primeiro ponto : se o Supremo condenar mensaleiros, a decisão seria política ? Pelo que se infere, apenas a absolvição seria aceita pela CUT, porque estaria estribada em critérios técnicos. Risível essa posição da CUT. Segundo ponto: pode uma entidade que recebe dinheiro público fazer campanha por perfis, pessoas, partidos? A CUT recebe uma dinheirama do imposto sindical. Atentem para esse termo: imposto. O Estado impõe a tal contribuição de um dia de trabalho. Tira de todos os assalariados. Portanto, trata-se de um imposto, que é repassado para as Centrais.

Para que servem as Centrais?

As Centrais Sindicais, afinal de contas, são órgãos inseridos no organograma do sindicalismo ou do partidarismo político ? Podem fazer movimentações partidárias, pedir voto, apoiar ou condenar pessoas ? A se considerar o foco - coordenação sindical, defesa de interesses de trabalhadores, mobilização das categorias sindicalizadas - desviar-se dessas funções seria algo não recomendável. Mas, por estas plagas, tudo é permitido inclusive o que é proibido. Ora, o presidente da CUT, Artur Henrique, que deixa o cargo, já disse alto e em bom som que a entidade não vai permitir que os tucanos voltem ao poder. Que proibição é essa ? Tem a CUT força institucional para proibir que um partido político volte a ganhar o centro do poder ? Não. De lorota em lorota, cada qual faz sua afronta. E o que a CUT poderia efetivamente fazer se outro partido, que não o PT, chegasse ao poder pelo voto ? Chamaria os militares para um golpe?

Falar de si

"Falar muito de si mesmo também é um meio de se esconder". Nietzsche

"Cala a boca" ao voto aberto

O STF não permite que nenhum senador abra o voto no processo de cassação do senador Demóstenes Torres. Que coisa, hein? Mas é útil recordar que Demóstenes abriu o bico por ocasião do processo de cassação contra o senador Renan Calheiros, que renunciara à presidência do Senado. Dizia ele na ocasião que se Renan não serve para presidir a Casa, também não serve como senador. Ou seja, proclamou seu voto contra o alagoano. Agora, ao que se infere, ancora-se na proibição do voto aberto para tentar salvar o mandato. A lei e suas circunstâncias. Cada roca com seu fuso.

Você é um gato

Alguém acusou Toninho Cabral de não ser filho da cidade. Ele era vereador em Campina Grande. Na tribuna, defendia-se :

- Nasci em Cabaceiras, é verdade, mas vim abrir os olhos em Campina Grande.

Um desafeto o aparteou lá do fundo :

- Vossa Excelência não é um homem, é um gato. Sabe por quê ? Gato abre os olhos oito dias depois de nascer.

Campos abre o verbo

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que comanda o PSB, manda o recado : apoia a presidente Dilma, mas quer autonomia político-partidária. Ou seja, abre uma fresta para contemplar o horizontes de 2014/2018. Por enquanto, mostra-se firme na base governista, mas faz cálculos : se o PT continuar a querer ver os partidos da base como vassalos, ele, Campos, retirará seu exército do campo de batalha governista. A verdade é que Campos e Aécio Neves ensaiam passos largos na direção do amanhã. Ele tem um sonho : reunir o grupo pós-64 sob a mesma bandeira.

11/12 avos

"Onze doze avos de todos os grandes homens da história eram apenas representantes de uma grande coisa". Nietzsche

Temer, eficiência na articulação

Enquanto o PSB se afasta do PT, em Belo Horizonte, o PMDB dele se aproxima. O vice-presidente da República e presidente licenciado do partido, Michel Temer, de maneira discreta, como é seu estilo, e ágil, costurou o apoio do PMDB ao PT com a indicação do vice na chapa de Patrus Ananias. O PMDB trabalha de maneira pragmática, habilitando-se a continuar como parceiro preferencial do PT. Ganha, em consequência, amplo apoio de lideranças petistas, que começam a desconfiar das intenções do governador pernambucano.

PMDB unido

Aliás, a taxa de unidade do PMDB é inédita. É comum ouvir-se : o PMDB está mais unido hoje do que nos próprios tempos do dr. Ulysses. E avança em territórios que foram praticamente abandonados, a partir de SP, onde espera eleger cerca de 100 prefeitos e conta com um candidato competitivo em São Paulo, o deputado Gabriel Chalita.

Economia às escuras

A moldura da economia no segundo semestre poderá ficar às escuras. Queda no crescimento, refluxo na indústria - 6,9% de abril para maio, a nona queda consecutiva. Sinais de alerta por todos os lados. Queda também na arrecadação : R$ 20 bilhões a menos em junho. E, como empurrão, o governo libera o maior lote de restituições de IR - R$ 2,6 bilhões, irrigando as contas de 2,46 milhões de contribuintes.

Macaco

"O homem é sempre mais macaco do que qualquer macaco". Nietzsche

Lupi sob ameaça?

O ministro do Trabalho, o deputado Brizola Neto, quer desbancar Carlos Lupi, ex-ministro da Pasta, do comando do PDT. Promete disputar o cargo em março de 2013. Paulinho da Força deve firmar posição ao lado do ministro.

Bons ventos

Em tempos de crescimento sustentável, as ações voltadas para o plano energético ganham musculatura na carteira de investimentos públicos. O Brasil colhe bons ventos no horizonte econômico e agora começa a soprar, também, na nossa matriz energética. O potencial natural para parques eólicos é imenso. O norte-nordeste brasileiro é privilegiado nesse aspecto. A senadora baiana Lídice da Mata comemorou, em discurso recente no Congresso, a inauguração de um complexo eólico em seu estado. O projeto na região de Caetité, com 14 parques eólicos, é o maior da América Latina e tem capacidade para atender uma cidade com 540 mil residências ou mais de dois milhões de habitantes. São os novos ventos soprando a favor.

PSD na base governista

O PSD dá mais um passo em direção à base governista. A aliança com o PT, em Belo Horizonte, constitui mais um passo nessa direção. O prefeito Kassab mantém boas relações com o ex-presidente Lula e com a presidente Dilma. A decisão de firmar apoio ao candidato do PT em BH, Patrus Ananias, contrariou o ex-deputado Roberto Brant, que se afasta do partido. E gera a dissidência da vice-presidente do partido, a senadora Kátia Abreu. A habilidade do prefeito paulistano, que preside o partido, entrará em cena para acalmar os correligionários. Quem conhece a capacidade de articulação do prefeito sabe que as coisas se acomodarão. A conferir.

Parasita

"Quase todo ser vivo contém um parasita". Nietzsche

CPI das Águas Correntes

Ontem, encerrou-se o primeiro ciclo da CPI das Águas Correntes. A CPI só ressurgirá após o recesso de julho. Entre ditos e desditos, verdades e versões, achados e perdidos, patinação e navegação nas águas turvas, as coisas ainda permanecem confusas. Afora a quase certeza da cassação do senador Demóstenes e a desclassificação da empresa Delta como grande prestadora de serviços ao Governo, ainda não se tem noção dos resultados. Mas o clima de agosto tende a ficar mais quente. Desta feita, por conta da temperatura eleitoral mais elevada.

Marketing: os 5 eixos

Cumprindo compromisso firmado nesta coluna e no twitter, este consultor passa a fazer pequenas inflexões sobre a campanha. Lembro, sempre, os cinco eixos do marketing eleitoral: pesquisa, formação do discurso (propostas), comunicação (bateria de meios impressos - jornalísticos e publicitários - e eletrônicos), articulação política e social e mobilização (encontros, reuniões, passeatas, carreatas, etc.). A mobilização dá vida às campanhas. Energiza os espaços e ambientes. A articulação com as entidades organizadas e com os candidatos a vereador manterá os exércitos na vanguarda. A comunicação é a moldura da visibilidade. Principalmente em cidades médias e grandes. Sem ideias, programas, projetos, os eleitores rejeitarão meros blá-blá-blás. E, para mapear as expectativas, anseios e vontade, urge pesquisar o sistema cognitivo do eleitorado.

Logomarca, slogan e música

A logomarca é a vestimenta do candidato. Que abriga a estética da campanha, com as cores básicas e o ideário do candidato, expresso em palavras-chave. Esse conjunto carece de criatividade, harmonia e naturalidade. Se exagerar no artificialismo, será detectado pelo sistema cognitivo dos eleitores. As cores sairão da matriz cromática do partido do candidato. E o arremate será dado pela música, que funciona como o canal sonoro, a levar o nome e os conceitos centrais que envolvem a candidatura.

Jumento que transportava sal

Um jumento carregado de sal atravessava um rio. A certa altura escorregou e caiu na água. Então o sal derreteu-se e o jumento, levantando-se mais leve, ficou encantado com o acontecido. Tempos depois, chegando à beira de um rio com um carregamento de esponjas, o jumento pensou que, se ele se deixasse cair outra vez, logo se levantaria mais ligeiro; por isso resvalou de propósito e caiu dentro do rio. Todavia ocorreu que, tendo-se as esponjas embebido de água, ele não pôde levantar-se, e morreu afogado ali mesmo. Assim também certos indivíduos não percebem que, por causa das suas próprias astúcias, eles mesmos se precipitam na infelicidade. (Esopo)

Conselho aos parlamentares

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Hoje, sua atenção se volta aos parlamentares.

Abre-se, daqui a pouco, o recesso parlamentar. Tempos de auscultar os pulmões sociais. Tempos de ouvir as bases. Procurem, nesse intervalo de férias e descanso, atentar para os seguintes aspectos:

1. Quais são as expectativas, anseios e desejos do eleitorado.

2. Conferir se os brasileiros, na véspera de uma campanha eleitoral, expandiram a taxa do Produto Nacional Bruto da Felicidade ou, ao contrário, estão tomados pela desesperança.

3. Orientem seus candidatos a apresentar propostas críveis e factíveis ao eleitorado.

(Gaudêncio Torquato)

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terça-feira, 10 de julho de 2012

OBSERVATÓRIO

Principio narrando a história do candidato, que, arrebatado, enérgico, espumando de civismo, discorria sobre o sentido da liberdade. Argumentava que um povo livre sabe escolher os seus caminhos, seus governantes, eleger os seus vereadores, prefeitos e deputados. Para entusiasmar a multidão, levou um passarinho numa gaiola, que deveria ser solto no clímax do discurso. No momento certo, tirou o passarinho da gaiola, e com ele na mão direita, jogou o verbo: “a liberdade é o sonho do homem, o desejo de construir seu espaço, sua vida, com orgulho, sem subserviência, sem opressão; Deus (citar Deus é sempre bom) nos deu a liberdade para fazermos dela o instrumento de nossa dignidade; quero que todos vocês, hoje, aqui e agora, comprometam-se com o ideal do homem livre. Para simbolizar esse compromisso, vamos aplaudir soltar esse passarinho, que vai ganhar o céu da liberdade”. Ao abrir a mão, viu que esmagara o passarinho. A frustração por ter matado o bichinho acabou com a euforia e as vaias substituíram os aplausos. Foi um desastre. É sempre assim quando não se controla a emoção. Em se tratando do discurso político, a emoção mata frequentemente a razão. (Da lavra de Gaudêncio Torquato)

LARGADA

Esta semana marca o início oficial da campanha eleitoral. O Jornal O POVO do domingo passado listou quatro razões para um prognóstico de que as eleições este ano serão melhores que em outras quadras. A primeira delas é a aplicação da Lei da Ficha Limpa – pois será um marco nas eleições deste ano. Centenas de candidatos no Estado do Ceará – e milhares no Brasil – ficarão de fora do pleito. A segunda é a Transparência – pois nunca a sociedade brasileira exerceu tanta pressão sobre o poder público e teve tanto acesso a informação de como os governos funcionam. A terceira é a Fiscalização - os tribunais de conta, em todos os níveis (Municípios, Estado e União) estão, cada vez mais, fortalecidos e bem instrumentalizados. E a quarta é a Participação - o cidadão está mais participativo. Por meios analógicos ou digitais, acompanha a vida e a conduta dos homens públicos.

A LEI DA FICHA LIMPA

Repito aqui o que falei em entrevista de rádio: acho que a chamada “ficha limpa” há que ser considerada como uma via de mão dupla. Como vivemos em uma sociedade que adora transferir culpa, via de regra se aponta apenas para políticos e candidatos quando se exige decência, retidão e coerência. Ora, a busca por uma postura digna é obrigação de todos nós, cidadãos e eleitores. É o eleitor um ficha limpa quando chantageia ou transforma o seu voto em mercadoria?... Portanto, esse processo de assepsia há que permear todos os setores e segmentos sociais!

OS TRIBUNAIS

Nem tanto ao mar nem tanto a terra. É incrível como algumas pessoas fazem avaliações açodadas a respeito dos fatos. Outro dia deputados esbravejavam na tribuna da Assembleia Legislativa que “estavam burlando a Lei da Ficha Limpa”. A razão de tal afirmativa era algumas decisões que estavam reformando julgados dos Tribunais de Contas. Fui ver. Menos de 1% (um por cento) das pessoas que estão na lista do TCM/CE tiveram decisões revisionais favoráveis. Convenhamos: a via recursal – a possibilidade de alguém buscar, através de um recurso, a correção de um equívoco em uma decisão – é algo previsto no nosso ordenamento jurídico. Isso não significa o fim da lei. Ou sua burla.

A PARTICIPAÇÃO

Inegável que a participação das pessoas nas redes sociais terá um peso decisivo no processo eleitoral. Cada dia perde força o poder da encenação. Antigamente era mais bem sucedido o político que sabia ser melhor ator, que enganava com mais classe. Luis XIV resumia bem esse entendimento enviesado quando dizia que “os povos gostam do espetáculo; através dele, dominamos seu espírito e seu coração”. Esse reinado do malabarismo político, porém, está com seus dias contados. Pela internet o eleitor hoje sabe, em tempo real, os efeitos de uma maquiagem. Consegue ver, também, o lixo escondido por debaixo do tapete. Portanto, mais do que nunca, ganha destaque a transparência. Melhor desempenho terá o candidato que for mais claro e verdadeiro.

A PARTICIPAÇÃO II

Em Crateús passarão pelo crivo da observação popular: Adriana Calaça, Carlos Felipe, Eduardo Machado, Ivan Monte Claudino e João Coelho (Maçaroca). É hora da sociedade, através de seus segmentos de classe, convocá-los para o debate. Examinar suas ideias. Estudar seus projetos para o município. Confrontar as propostas com a prática. Submetê-los ao filtro do contraditório. E, com isso, enriquecer a campanha.

PARA REFLETIR

“Não se pode fazer política com o fígado, conservando o rancor e ressentimentos na geladeira. A Pátria não é capanga de idiossincrasias pessoais. É indecoroso fazer política uterina, em benefícios de filhos, irmãos e cunhados. O bom político costuma ser mau parente”. (Ulysses Guimarães)

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

MAGDA E O MAR

Há expressão mais conspícua da imensidão feita realidade misteriosa e atração sedutora do que o mar? Opino que, possivelmente, não. Talvez só o sertão! Como bem lembrou Rui Barbosa, "O sertão não conhece o mar. O mar não conhece o sertão. Não se tocam. Não se veem. Não se buscam. Mas há em ambos a mesma grandeza, a mesma imponência, a mesma inescrutabilidade. Sobre um e outro se estende esse mesmo enigma das majestades indecifráveis. De um e outro ressalta a mesma expressão de energia, força e poder a que se não resiste”.

O certo é que, assim como o sertão, o mar sempre ganhou minha afeição. Como descrever aquela assombrosa arquitetura, aquele fervoroso planejamento, aquele brilhante espírito, aquela tempestuosa oração, aquele murmúrio melodioso, aquele inesgotável orgasmo, aquele transbordante êxtase?

Andando pela praia, mirando esse incansável viajante que nunca sai do lugar, lembrei-me de um poema que escrevi faz algum tempo onde busco revelar o meu encanto pelo mar. Revelo a certa altura:

Te tenho amizade, não
Por aquilo que é ou que outros
Queriam que não fosses,
Mas simplesmente por aquilo
Que não sendo, serás sempre:

Grandeza bonachã,
Borbulhância prateada,
Efervescência mística,
Arrogância líquida,
Potencial impetuoso,
Coração infinito!


Foi do mar que recordei, foi ao mar que recorri quando o César me ligou para comunicar a morte da nossa conterrânea Magda Machado Portela.

Mahatma Gandhi dizia que “a força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável”. Magda era a personificação dessa assertiva. Poucas pessoas pisaram esse mundo com tanta capacidade para extrair ternura da tragédia, com a sensibilidade para revelar flores entre espinhos, com o talento para compor músicas de alegria em meio aos muxoxos de dor. Em uma viagem de trem de Fortaleza para Crateús viu a genitora querida enfartar em seus braços. Aquela aflição sublimou duplicando a dedicação ao genitor, pois aprendeu tudo superar com o amor.

Como o mar, que recebe todas as águas dos rios do mundo, Magda era a expressão maior do acolhimento generoso. Nunca casou. Matrimoniou-se, de coração, com quem precisava de afeto e atenção. Sua casa, defronte ao corredor cultural da cidade, na Praça da Estação, em Crateús, sempre foi um ponto de encontro fraterno, de bate papo informal à sombra da generosidade. Ali, ela envolvia grandes e pequenos, oferecendo café, bolo e amizade.

Foi assim durante todo o seu percurso existencial: uma varanda de responsabilidade, uma alameda de integração, uma coluna de fé.

Esse senso inato do cumprimento do dever ela carregou por todos os espaços, principalmente como estudante e profissional. No vestibular para a FAEC sua redação obteve a melhor pontuação. (Redigia bem: ia por longe e não se perdia). Seus colegas de equipe na Faculdade – Socorrinha Sales, Livramento, Vera Granjeiro e Gilmar – eram pontual e invariavelmente instados a realizar os trabalhos nos finais de semana. Por conta disso, a Socorrinha Sales, espirituosa e brincalhona, apelidou-a de “cachaça”. Como funcionária pública já era famosa pelo seu lado “Caxias”.

Durante vários anos Magda promoveu memoráveis folguedos juninos na rua onde morava, ocasião em que integrava os amigos e dilatava a benquerença. Acima de tudo, era uma mulher de fé. Era assídua na Igreja e na prática da caridade. Amava as crianças: foi entusiasta da criação da Sociedade Pestalozzi em Crateús. Gostava de visitar os enfermos e os anciãos. Lembrava-se do natalício das pessoas e as surpreendia com a presença e presentes.

A penúltima vez que a avistei foi aqui em Fortaleza, na Igreja da Paz, no casamento de Yara, filha da sua amiga Vera Granjeiro. A última, na outorga do Título de Cidadão Cearense para o bispo Dom Jacinto, na Assembleia Legislativa. Em ambas as oportunidades cumprimentou-me sorridente. Quando ela estava saindo, notei que sua inseparável amiga Maria Zita - a quem chamava de “minha pupila” e que durante 35 anos a acompanhou - segurava nas mãos um tubo de oxigênio... Dali retirava forças para enfrentar um problema respiratório antigo. Nunca, porém, demonstrou abatimento. Era exemplo de obstinação. Quanta gente, sem maiores dissabores na vida, às vezes respira amargura e se deixa levar pela depressão.

Magda só viveu para ajudar. Aprendeu e nos ensinou a lição do mar: nascemos para celebrar a doação e propagar a música do verbo amar!

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

domingo, 8 de julho de 2012

RONALDO CUNHA LIMA


Centenas de pessoas acompanharam o enterro do ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima no Cemitério Monte Santo, em Campina Grande, no final da tarde deste domingo. Apesar da chuva, a multidão acompanhou o cortejo em um carro aberto do Corpo de Bombeiros junto com a banda marcial da Polícia Militar.

Com honras de chefe de Estado, Ronaldo foi velado no Palácio da Redenção, em João Pessoa, durante a tarde de sábado, onde a família recebeu condolências e gestos de solidariedade da população e de autoridades. À noite, em cortejo, o corpo do ex-governador foi levado ao Parque do Povo, em Campina Grande, onde seguiu-se a segunda parte do velório.

Ronaldo Cunha Lima morreu na manhã de sábado, aos 76 anos de idade, em decorrência de um câncer de pulmão. A doença foi diagnosticada em meados de 2011 e se agravou nos últimos dias. Ele foi governador do Estado, prefeito de Campina Grande (PB), deputado e senador. O prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, decretou luto oficial por três dias em sinal de pesar pela morte do político.

(Fonte: Jornal do Brasil)

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Ronaldo Cunha Lima foi um grande poeta.

Eis uma de suas peças:

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HABEAS PINHO

Em 1955 em Campina Grande, na Paraíba, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada do mês de junho, quando chegou a polícia e apreendeu o violão. Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em Juízo, para que fosse liberado o violão.

Aquele pedido ficou conhecido como "Habeas Pinho" e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praias no Nordeste.

Mais tarde, Ronaldo Cunha Lima foi eleito Deputado Estadual, Prefeito de Campina Grande, Senador da República, Governador do Estado e Deputado Federal.


Eis a famosa petição:


HABEAS PINHO


O instrumento do "crime"que se arrola
Nesse processo de contravenção
Não é faca, revolver ou pistola,
Simplesmente, Doutor, é um violão.

Um violão, doutor, que em verdade
Não feriu nem matou um cidadão
Feriu, sim, mas a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade
O crime a ele nunca se mistura
Entre ambos inexiste afinidade.

O violão é próprio dos cantores
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam mágoas que povoam a vida
E sufocam as suas próprias dores.

O violão é música e é canção
É sentimento, é vida, é alegria
É pureza e é néctar que extasia
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório.
Mas seu destino, não, se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Ele, Doutor, que suave lenitivo
Para a alma da noite em solidão,
Não se adapta, jamais, em um arquivo
Sem gemer sua prima e seu bordão

Mande entregá-lo, pelo amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno acoite
De suas cordas finas e sonoras.

Liberte o violão, Doutor Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando nas praças suas dores?

Mande, pois, libertá-lo da agonia
(a consciência assim nos insinua)
Não sufoque o cantar que vem da rua,
Que vem da noite para saudar o dia.

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento
Juntada desta aos autos nós pedimos
E pedimos, enfim, deferimento.


O juiz Roberto Pessoa de Sousa, por sua vez, despachou utilizando a mesma linguagem do poeta Ronaldo Cunha Lima:

Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no Cartório, um violão.

Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo que há de belo no universo.

Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte á rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras.

Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de luz, plena madrugada,
Venha tocar á porta do Juiz.


(Fonte: Jornal de Poesia)