segunda-feira, 29 de junho de 2009

O MUNDO JURÍDICO PERDEU UM DOS SEUS MITOS


No último sábado, a comunidade jurídica brasileira foi informada da morte de um dos mais consagrados militantes: Goffredo da Silva Telles Junior!

Nascido em 16 de Maio de 1915, no centro da Cidade de São Paulo. Nome de batismo: Goffredo Carlos da Silva Telles. Nome adotado: Goffredo da Silva Telles Junior (para evitar confusão com o nome do pai). Nome de escritor: Goffredo Telles Junior.


Filho de Goffredo Teixeira da Silva Telles, poeta (da Academia Paulista de Letras), advogado, agricultor ; e de Carolina Penteado da Silva Telles (filha de Olivia Guedes Penteado). Ambos proprietários da tradicional Fazenda Santo Antonio, no Município de Araras, Estado de São Paulo.



Curso Primário no Lyceu Franco-Brasileiro. Curso Secundário no Ginásio de São Bento. Curso Superior na FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Turma de 1937.



Soldado na Revolução Constitucionalista de São Paulo (1932).



Inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil como Solicitador-Acadêmico em 1935 ; como Advogado desde 1937.



Foi ADVOGADO MILITANTE a vida inteira.



PROFESSOR DE DIREITO da Faculdade (USP), desde 1940 : a princípio, como Livre Docente, depois como Professor Catedrático, isto é, como PROFESSOR TITULAR. Tomou posse de sua Cadeira (Introdução à Ciência do Direito) no ano de 1954.



Lecionou durante quase 45 anos. Em 1985, por força de lei, foi aposentado compulsoriamente, ao atingir 70 anos de idade (idade limite). Continuou, porém, em seu próprio escritório, a dissertar sobre a Disciplina da Convivência Humana, a grupos numerosos de estudantes em cordial visita.



Pouco antes de sua aposentadoria, e pelo voto unânime do Conselho Universitário, foi honrado com o título de PROFESSOR EMÉRITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.


Lutador incansável pelo Estado de Direito, pelos Direitos Humanos e pelas Liberdades Democráticas.



Na noite de 8 de Agosto de 1977, na plena vigência do regime de ditadura militar, leu sua “CARTA AOS BRASILEIROS”, no Pátio da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, diante de grande multidão de estudantes, de gente do povo, de altas personalidades e de jornalistas, em comemoração do Sesquicentenário da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil. Esse famoso documento se tornou marco decisivo no processo de abertura democrática no País.



Muito antes, em 1959, publicou Lineamentos de uma Constituição realista para o Brasil, em que defendeu, pioneiramente, a tese da iniciativa popular no processo de elaboração das leis.



Em 1963, publicou Lineamentos de uma Democracia Autêntica, em que mostrou a necessidade da participação dos setores organizados do povo no processo legislativo.



Por iniciativa sua, e com sua decidida colaboração, o Instituto dos Advogados de São Paulo ofereceu ao Governo, em 1966, um anteprojeto de Constituição, que foi publicado nos Anais da Assembléia Legislativa do Estado.



Em 1983, no Congresso Nacional dos Advogados Pró-Constituinte, compareceu com a tese Abrangência dos Direitos Humanos.



Em novembro de 1986, presidiu a CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE A DÍVIDA EXTERNA DOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO. Pronunciou o discurso de abertura, com circunstanciada exposição do tema da Conferência.



Em nome de centenas de entidades representativas da sociedade civil, reunidas no chamado “Plenário Pró-Participação Popular na Constituinte”, dirigiu ao Governo, em 1988, sua Carta dos Brasileiros ao Presidente da Republica e ao Congresso Nacional, clamando por uma Assembléia Constituinte livre, autônoma e soberana, desvinculada do Congresso Nacional e das engrenagens do Governo.



Em nome das mesmas entidades, leu, em sessão pública, realizada no Salão Nobre da Faculdade de Direito, no mês de setembro de 1993, sua SEGUNDA CARTA AOS BRASILEIROS, em defesa da Constituição.

(Fonte: www.goffredotellesjr.adv.br)



GOFFREDO DA SILVA TELLES JR. É HOMENAGEADO


Goffredo da Silva Telles Jr. era um homem além de seu tempo. Independente, lutou pela democratização do país. Esta é a descrição mais recorrente de personalidades do mundo jurídico sobre o professor da Escola de Direito do Largo São Francisco. Goffredo morreu sábado (27/6), aos 94 anos.

"O professor Goffredo incorporou o papel de consciência jurídica nacional acima das ideologias. Foi uma voz importante — a mais eloqüente — no processo de restauração do Estado Democrático de Direito", afirmou o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Pela sua história e pela sua respeitabilidade, disse o ministro, Goffredo despertou os brios da comunidade jurídica nacional e dos setores organizados da sociedade que passaram a trabalhar mais decididamente pela transição democrática. "Fazem falta no Brasil figuras de referência como ele. Pessoas com o papel que teve Norberto Bobbio na Itália, por exemplo, a quem todos ouviam quando surgiam impasses sobre temas fundamentais", completou. O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo, foi designado parar representantar o STF na despedida a Goffredo.


“Goffredo se colocava como um precursor nos planos das idéias e dos valores. Relacionava teoria quântica à ciência jurídica há 35 anos, o que lhe permitia emitir conceitos definitivos como este: ‘a norma jurídica é um imperativo autorizante’”, afirma o ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal.

“Nunca se deixou influenciar pelo canto de sereia do autoritarismo e golpes de estado. Ao contrário, sempre foi uma luz muito acesa contra qualquer forma de atentado à democracia e à ética na política”, completou o ministro.

Ayres Britto também declarou que Goffredo sempre foi referência no plano da decência, da liberdade e do espírito aberto à discussão sobre qualquer tema. Nunca foi homem fechado em torno de si mesmo ou de qualquer dogma. “Ele tinha disposição permanente para problematizar dogmas, característica central dos seres humanos independentes política, religiosa e filosoficamente. Ninguém lhe dava ordens ou para ele estalava os dedos. A subserviência nunca teve chance com ele.” Com certeza, disse Ayres, Goffredo passou por esta vida e não perdeu a viagem.

O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Cesar Asfor Rocha, afirmou que o professor Goffredo "é um ícone do mundo jurídico, que se vai sem nos deixar, pois fica o exemplo de sua vida limpa, suas posições éticas e corajosas e a referência de suas sábias lições".

A cientista política Maria Teresa Sadek lembrou que Goffredo lutou muito pela volta do Estado Democrático de Direito. “Ele teve papel muito importante nos mundos jurídico e político.” Professor emérito da USP, Goffredo teve papel fundamental no período em que o Brasil viveu a ditadura militar, ao encorpar o movimento pelo restabelecimento do estado de Direito com a “Carta aos Brasileiros”, lida sob as Arcadas em 1977.

“Ele tinha coração de estudante”, afirma o historiador Cássio Schubsky, que descreve o professor como um sábio da era contemporânea. “Foi um jurista responsável pela formação de um sem número de profissionais que deixa um legado a servir de norte àqueles que se dedicam ao avanço cultural”, ressalta o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal.

O presidente da OAB, Cezar Britto, também ressaltou a dedicação de Goffredo ao ensino. "Como poucos, soube colocar a serviço do bem comum os seus conhecimentos, formando gerações de profissionais do direito. Trabalhador exemplar, exerceu seu ofício mesmo quando já fazia jus ao ócio com dignidade da aposentadoria", disse.

"Foram mais de 60 anos de dedicação ao ensino, pontuados por vigilante atuação na vida pública, quando as circunstâncias o exigiram", completou Cezar Britto. A OAB lamentou a morte de Goffredo. "Foi um cidadão no sentido pleno da palavra", disse Britto.

O Direito, declara o educador Luiz Flávio Gomes, perde bastante com a morte do "nosso maestro da USP". “Ele foi um jurista que soube expressar os anseios da sua geração. Era liberal, autônomo, independente e corajoso.”

Jurista eminente, afirma o presidente da OAB do Rio, Wadih Damous, Goffredo deixou sua marca para além do mundo jurídico. “É uma daquelas pessoas que extrapolam os limites corporativos e profissionais”, disse. Uma perda para o Direito e para a sociedade.

"O professor Goffredo amou o Direito, a Justiça, a Advocacia e o Brasil. Deixou imenso legado aos seus alunos e, sobretudo, aos brasileiros", afirmou, em nota, a Associação dos Advogados de São Paulo. A AASP, completa, prestou em 2002 "justa homenagem" a Goffredo ao publicar uma edição da Revista do Advogado para a qual diversos juristas contribuíram com artigos que expressavam o "carinho e a admiração pelo grande Mestre".

(Por Débora Pinho e Marina Ito)

domingo, 28 de junho de 2009

SEJA VOCÊ MESMO


Dê sempre o melhor...
E o melhor virá.

Às vezes as pessoas são egocêntricas,
Ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem
Acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo.

Se você é um vencedor, terá alguns
Falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco,
As pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.

O que você levou anos para construir,
Alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.

Se você tem paz e é feliz,
As pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.

O bem que você faz hoje
Pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você,
Mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor assim mesmo.

E veja você que, no final das contas,
É entre você e Deus...
NUNCA FOI ENTRE VOCÊ E ELES!


(Madre Tereza de Calcutá)

CURIOSIDADES DE UM PAÍS DE LOUCOS


Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata!

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE, NOS TRÊS PODERES DA REPÚBLICA, ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.


OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS E VEREADORES.


TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA “BRASILIENSE COSA NOSTRA”.

O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS GASTOS PÚBLICOS.


JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNARMOS. PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.


VALE A PENA TENTAR.


PARTICIPE DESTE ATO DE REPULSA. REPASSE, NÃO SEJA OMISSO. NA ÉPOCA DO COLLOR A IMPRENSA SE MOVIMENTOU E DEU NO QUE DEU, HOJE A IMPRENSA É REFEM DO GOVERNO, POIS ESTÁ PENDURADA EM DÍVIDAS DE IMPOSTOS E NÃO PODE REPETIR A DOSE.


AMIGOS,

....E ESSE MOVIMENTO CRESCE.

Mas atenção: não confundir com anular o voto. É imprescindível que todos votemos, não podemos deixar de votar de jeito nenhum, senão estaremos ajudando, com nossa omissão, aos maus políticos.

A proposta é NÃO REELEGER.

Abrs. Pedro Ângelo

sábado, 27 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

Viabilidade

Carlos Matus, cientista social chileno, em um magistral estudo sobre Estratégias Políticas, demonstra que a viabilidade de um ator na política tem a muito que ver com a estratégia e seus princípios fundamentais. Eis alguns princípios estratégicos:

a) Avaliar a situação; b) Adequar a relação recurso/objetivo; c) Concentrar-se no foco; d) Planejar rodeios táticos e explorar a fraqueza do adversário; e) Economizar recursos; f) Escolher a trajetória de menor expectativa; g) Multiplicar os efeitos das decisões; h) Relacionar estratégias; i) Escolher diversas possibilidades; j) Evitar o pior; k) Não enfrentar o adversário quando ele estiver esperando; l) Não repetir, de imediato, uma operação fracassada; m) Não confundir "reduzir a incerteza" com "preferir a certeza"; n) Não se distrair com detalhes insignificantes; o) Minimizar a capacidade de retaliação do adversário.

Sarney na berlinda

Nunca antes na história deste país, viu-se um ex-presidente da República tão acuado. José Sarney, a figura mais poderosa da esfera parlamentar, atravessa o mais longo calvário de sua trajetória política. O Senado passou a ser a grande fogueira da República. O fogo come as entranhas do presidente da Casa. Senadores pedem sua renúncia. Sarney não deverá sair: 1) porque mostraria fragilidade; 2) perderia espaço – e que espaços – na administração federal. 3) deixaria também fragilizado o governo de sua filha Roseana, no Maranhão; 4) abriria espaços para o fogo corroer a floresta familiar. Sarney só tem uma saída: fazer uma grande reforma no Senado. De meios, métodos e processos.

A ambição desmesurada

No meu livro "Marketing Político e Governamental", cito um pensamento do cientista político, Robert Lane, em Political Life, que explica como a ambição desmesurada pelo poder funciona como um bumerangue. Seria o caso de Sarney? Por que ele, no auge de sua vida pública, poderoso e influente, quis voltar ao comando do Senado e se submeter às intempéries gerados por circunstâncias? Eis o pensamento de Lane: "A fim de ser bem-sucedida em política, uma pessoa deve ter habilidades interpessoais para estabelecer relações efetivas com outras e não deve deixar-se consumir por impulsos de poder, a ponto de perder o contato com a realidade. A pessoa possuída por um ardente e incontrolável desejo de poder afastará, constantemente os que a apóiam, tornando, assim, impossível a conquista do poder".

Toffoli ainda imberbe?

Há quem considere – e não são poucos – o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, inexperiente para assumir a alta posição de ministro da Corte Suprema. Dizem que é o candidato de Lula e será nomeado na próxima oportunidade. Toffoli precisaria correr um pouco mais na vida pública antes de querer postular aquela posição. E se Lula nomeá-lo, estará se dobrando a interesses personalistas e a uma visão estreita de governante. O estadista não confunde as questões do Estado com as questões pessoais.

Dilma palanqueira

A cada dia que passa, Dilma Rousseff sobe mais um degrau na escada da popularidade. Esta semana, os aplausos populares vieram do interior do Paraná. Dilma abraçou pessoas, beijou crianças, fez promessas. Lula, ao lado, dava aprovação. O mestre ensinava à aluna como se comportar ante das massas. Este escriba já fez sua previsão, que é esta: a ministra que comanda a Casa Civil tem chances de vir a comandar a Nação. Com cerca de 20% nas pesquisas de intenção de voto, já decolou. Quem achar o contrário, nunca leu pesquisas.

"Não há superfícies bonitas sem profundezas assombrosas." (Friedrich Nietzsche)

Garotinho na onda

Quem acaba de subir na prancha da onda dilmista – há, sim, uma onda dilmista – foi o ex-governador e sempre candidato a algo, Antony Garotinho. Gordo como nunca se viu, alardeia seu apoio à candidatura de Dilma. Quer se viabilizar como candidato ao governo do Rio de Janeiro, após se ver cada vez mais apertado pelo PMDB do governador Sérgio Cabral, que será candidato à reeleição. Garotinho, como se sabe, saiu do PMDB.

Jornalista e cozinheiro

Não é o diploma que faz o jornalista. É o conhecimento. Professor de jornalismo por mais de 30 anos, sempre achei que profissionais de outras áreas poderiam também exercer a profissão de jornalista. Clara, com o domínio das técnicas adotadas por esta profissão. Agora, não dá para concordar com o presidente do STF – o respeitado e também admirado por este escriba, Gilmar Mendes – quando compara o jornalista ao cozinheiro. Nada contra o cozinheiro. Mas, convenhamos, cada um no seu lugar merece respeito. Cada profissão possui sua identidade. Uma natureza.

O objeto científico

Dizer, ainda, que ao jornalismo falta um objeto científico é querer dizer que também esse objeto não identificado falta em muitos nichos das ciências humanas. Qual é o objeto científico da advocacia? Otto Groth, o teórico alemão que chegou a escrever um quilométrico Tratado, defendeu o conceito de jornalismo como ciência. Tese polêmica, mas muito bem sustentada. O jornalismo como outros feixes conceituais na área de Humanidades é um sistema aberto e multidisciplinar. Aliás, nesse ponto, equivale ao Direito.

Curió...sidades

Pois é, o famoso major Curió decidiu abrir seus arquivos. Afirmou, de maneira categórica, ter havido fuzilamento de guerrilheiros no Araguaia, por ocasião da guerrilha (1972-1975). Confesso que não entendi o que está por trás dessas curió...sidades. Acrescentou mais 16 guerrilheiros executados à lista que se conhece. Curió quis matar a curiosidade de alguns? Quis se antecipar a denúncias? Quis livrar algumas pessoas?

O furo do Estadão

Louve-se a sensacional reportagem-furo do Estadão, um jornal que supera outros em matéria de conhecimento.

Greve na USP

A greve dos servidores da USP tem uma faceta aberta, outra, fechada. O lado aberto tem como foco reivindicação salarial. O lado escondido é o da baderna, a faceta que trabalha com a ideia de "quanto mais barulho e violência, melhor". Para arrematar, por trás do movimento está a readmissão do ex-servidor Claudionor Brandão, que foi demitido dos quadros por graves questões. PCO, PSTU e PSOL são os partidos de extrema esquerda que comandam o movimento.

Cândido radical


O professor Antônio Cândido é um ícone da intelectualidade. Respeitado e respeitável. Mesmo sob essa identidade, não tem o direito de cometer exageros. Teria incentivado o alunato a exagerar nos atos baderneiros. Já Dalmo Dallari, também uma bandeira da justiça, expressou a voz da moderação.

A prudência


“A prudência para interesse próprio é, na maior parte das suas ramificações, sabedoria depravada. É a esperteza dos ratos, que saberão abandonar a casa antes de ela cair; é a matreirice da raposa que expulsa o texugo do buraco onde se vai alojar; é a hipocrisia do crocodilo que, chorando, atrai a presa para a devorar”. (Francis Bacon)

O fim do diploma

O fim do diploma de jornalismo disparará uma corrente de mestrados profissionais. Os cursos de pós deverão melhorar. A procura pela pós-graduação aumentará. Os cursos ruins serão fechados. Os cursos qualificados continuarão prestigiados. Basta ver o que ocorre na área da Publicidade, que não exige diploma para o exercício da profissão.

Twitter, mensagem tempestiva

Entrei na tempestividade (não confundir com tempestade) do Twitter. Jogo impressões – frases, observações dos meus momentos. De repente, alguém lá no fim do mundo captura a mensagem. Estamos em Telépolis, gigantesca metrópole sem limites físicos e com o mundo nos olhando. Estou cercado de bits e navegando pelas largas avenidas na internet.

Guerra comercial


Fontes desinformadas dizem que a pane que ocorreu em São Paulo com a banda larga da Telefônica teve como causa a terceirização de serviços. A alegação é de que os profissionais são desqualificados e as prestadoras colocam em serviço produtos não muito robustos. Nada mais falso. A engenheira Vivien Suruagy, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços e Instaladoras de Sistemas de Redes de TV por Assinatura, Cabo, MMDS, DHT e Telecomunicações (Sinstal) e vice-presidente da Federação Brasileira de Telecomunicação (Febratel), argumenta que isso não é verdade. Segundo ela, as empresas sérias do segmento, a exemplo do que ocorre no mundo todo, investem fortemente na qualificação, especialização e capacitação de seus profissionais para mantê-los atualizados com as novas tecnologias. A pane esconde uma guerra comercial entre gigantes da telefonia.

Comunicação Organizacional

Acaba de chegar às livrarias o livro "Comunicação Organizacional – Volume 1" (org. Magarida Kunsch), que tenho a honra de abrir com o primeiro Capítulo, onde descrevo as diversas fases da comunicação organizacional, no Brasil, a começar pela experiência pioneira da PROAL - empresa de jornalismo empresarial do início dos anos 70 - da qual participei, como sócio, ao lado de uma das maiores figuras do jornalismo e da comunicação no Brasil, Manuel Chaparro. O livro, com 17 capítulos, é a maior coletânea de ensaios e artigos sobre comunicação organizacional.

Câmara em alta


Enquanto a Câmara Alta (que é o Senado) está em baixa, a Câmara Baixa (que é a Câmara Federal) está em alta. Basta ver duas decisões tomadas pelo presidente da Casa, dep. Michel Temer: uma, interpretando a abrangência das MPs, abriu a pauta de votação, que estava estrangulada. Nos três primeiros meses da gestão, foram votadas 27 matérias. A partir do entendimento dado por Michel, em 5 de maio, foram votadas, até quinta-feira passada, 87 matérias. Em quatro meses e meio de 2009, das 114 aprovadas sob a gestão Temer, apenas 17 foram MPs. Entre 7 de fevereiro e 17 de agosto de 2007, primeiro semestre de Arlindo Chinaglia na direção da Casa, foram aprovadas 119 projetos, mas 45 deles foram MPs. No primeiro semestre do ano passado, a situação não foi muito melhor: 128 matérias aprovadas, sendo 36 delas MPs.

Cinco axiomas


O Cardeal Mazarino, um dos pioneiros da matreirice e maquiavelismo na política, em seu Breviário dos Políticos, oferece alguns conselhos:

1. Age com todos os teus amigos como se eles devessem tornar-se teus inimigos.

2. Em uma comunidade de interesses, o perigo começa quando um dos membros tornar-se muito poderoso.

3. Quando te preocupares em obter alguma coisa, que ninguém se aperceba de tua aspiração antes de a realizares.

4. É preciso conhecer o mal para poder enfrentá-lo.

5. Não procures resolver com a guerra ou um processo aquilo que podes resolver pacificamente.

Conselho a Sarney

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao governador José Serra. Hoje, volta sua atenção ao presidente do Senado, José Sarney:

1. Decida, logo, antes que seja tarde, realizar um amplo programa de reformas.

2. Faça como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab: abra todas as listas de contas, pagamentos e salários.

3. Procure reduzir a massa funcional. É inimaginável que o Senado, com 81 senadores, trabalhe com 10 mil funcionários.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

LÚCIO ALCÂNTARA NA RÁDIO IMPERIAL


Helvecio Martins disse...

Ontem acompanhei a visita do ex-Governador Lúcio Alcântara, a Vila de Buritizal no Municipio de Poranga.

Acompanhado pelo o Prefeito Aderson Pinho, vice-Prefeito Cálissom Assunção, dos vereadores e secretarios municipais, Dr. Lúcio, que recebeu título de Cidadão Poranguense, nos concedeu uma entrevista que teve duração de 46 minutos, homenageou seu amigo pessoal Dr. Claudino Sales, por tudo que ele fez por Crateus e pelo o Ceara.

Ambos foram secretários do Grande Governador Cesar Cals. Para Dr. Lucio Alcantâra, o falecimento do ex-Deputado Claudino Sales, é uma perda muito grande para Crateús e o Ceará.

Aproveito, AMIGO, para comunicar que em julho, todas as quartas, Dr.Lucio Alcântara,será comentarista do Programa Espaço do Povo, na Rádio Imperial.

Veja o poder de uma GRANDE Amizade.

Helvecio Martins

terça-feira, 23 de junho de 2009

AINDA SOBRE O DOUTOR CLAUDINO SALES

Claudino Filho deixou um novo comentário sobre a sua postagem "AINDA SOBRE O DOUTOR CLAUDINO SALES":

Meu pai sempre foi um homem sério. No seio familiar era sério e calado, no âmbito social era sério e falante.

Dentre estas duas posturas, um pouco diferenciadas, destacavam-se sua seriedade e sua liderança, que eram comuns em todas as situações.

Mesmo não sendo mais uma criança ou adolescente, sentirei muito sua falta. A presença dele era quase sobrenatural, pois pairava por cima de nossas existências e impunha respeito e confiança a todos nós.

Ele se foi, mas sua lembrança e exemplo ficarão. Tentarei, dentro de minhas limitações, honrar o seu nome e sobrenome. Procurarei deixar para trás o mesmo histórico de boas lembranças que ele deixou. Lamento apenas não ter o mesmo brilhantismo que ele tinha.

Agradeço a todos que demonstraram tanto carinho e respeito por meu pai e por toda a nossa família, sem esquecer-se da presença ainda marcante e indispensável de minha querida e amada mãe, Francy.

Muito obrigado.

Claudino Carneiro Sales (ou melhor, Claudino Filho!)


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Tomas Figueiredo Filho disse...

Caro Junior Bonfim,

quero juntar-me ao Dr. Paulo Nazreno e ao amigo Helvercio Martins e externar, por mim e pela nossa familia, a profunda saudade deixada pelo Sr. Claudino, como era chamado aqui no predio onde era nosso vizinho.

Sem duvida uma pessoa das mais queridas entre os mais proximos e demonstração de politico para o povo cearense.

Tive a alegria de ter recebido dele um cartao manuscrito quando do resultado da minha eleição.

Além dos parabéns sempre uma mensagem sábia de orientação daqueles que já galgaram a autoridade e o respeito por ousarem fazer o bem.

Fica aqui o nosso abraço a Vanda, Jane, Sandra, Fatima e ao amigo Claudino Filho.

Um abraço também aos netos.

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Vanda Claudino Sales disse...

Meu querido amigo Dr. Tomas Figueiredo, muito obrigada pelo apoio constante, pelo suporte e pelo carinhoso, tanto seu quanto de toda a sua família!

Receba o nosso abraço de gratidão. Da mesma forma, agradeço ao Helvecio Martins, a quem acho que não tenho a honra de conhecer, mas as palavras calam igualmente.....


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Amigo Junior Bonfim...

Estarei publicando na Radio Imperial Am,(Espaço do Povo), em alto e bom som a homenagem que você fez ao ex-Deputado Claudino Sales.

Em Tauá,ainda adolescente(10 anos) conhecir o Deputado Claudino Sales na residência do Sr. Sebastiao Rêgo e Dona Elizabeth, pais do Dr. Julio Rêgo.

Levado por meu Pai Expedito, um dos homens da linha de frente da dobradinha naquela época:Julio Rêgo-Claudino Sales, passei entao a gostar de politica.

Lembro das minhas irmãs e outras moças e rapazes da época, em voz alta, cantando musicas com frases de efeitos para os nossos deputados. Era uma festa. Eu, ficava ali, ouvindo as conversas de Julio Rêgo e Claudino Sales. A montagem das estratégias políticas para derrotar nas urnas os adversários. Daqui a pouco, a caravana partia para a zona rural, e eu com meu Pai. Dr. Julio, dizia " Expedito, este menino nao vai dar trabalho? ". Meu Pai respondia, " dá nao Julio... " Dr. Claudino, entrava na conversar, " Julio, ai vai ser nosso futuro eleitor ".

O tempo passou, e um certo dia, após ter pego uma carta do Deputado Claudino Sales, direto de Brasilia, para meus pais, peguei o endereço do seu gabinete, e lhe escrevi uma carta. Achei que jamais receberia resposta. Mas para minha surpresa, a resposta foi rápida e muito objetiva: Se apresente imediatamente no Colégio Cearense,em Fortaleza, você vai estudar por minha conta. Meus pais nao deixaram, as condiçoes nao permitiam, nós eramos 10 irmaos, e depois nasceram mais 03.

A afinidade com o Deputado Claudino Sales, tornou-se maior, quando ele adquiriu junto com Dr. Julio Rêgo, a Radio Cultura dos Inhamuns de Tauá, que é a minha raiz profissional.

Hoje faço parte da Radio Principe Imperial Am de Crateus. Nao foi possivel agradecer pessoalmente ao Deputado Claudino Sales, pelo o que ele fez por mim na minha adolescencia, e na minha vida profissional.

Fica a Saudade e a admiração pelos os grandes exemplos por ele praticados.

Que Deus o tenha.

Expedito Leopoldo, Marieta e Familia

Helvecio Martins, Kátia, Robério, Baylee, Vitória e Mel

SÃO JOÃO NA ROÇA



As fogueira ta chegando,
Eu to me preparando,
Pro mode dançar mas tu.

Vai ser um desmantelo
Nós dois naquele terreiro,
Na base do anarriê.
Na base do anavantu.

Já comprei teu chapéu de palha,
Tu camisa estampada.
Tua calça tá remendada,
Como manda a tradição.

Encomendei um corte de chita,
Dois laço encarnado de fita,
Quero ser a matuta mais bonita,
Nessa festa de São João.
Vai ser grande a alegria,
Nós dois dançando quadria,
Junto com nossa famia,
Que num arreda pé do sertão.

Dalinha Catunda

(Poema publicado no O Povo dia 20 de julho)

CNJ DECIDE QUE OS TRIBUNAIS NÃO PODEM COBRAR POR CERTIDÃO DE ANTECEDENTES CRIMINAIS

Os tribunais não podem cobrar taxa para emissão de certidão de antecedentes criminais. A decisão é do Conselho Nacional de Justiça. Os conselheiros entenderam que a Constituição Federal garante a todos, indistintamente, a gratuidade para obter qualquer certidão que vise à defesa de direitos ou esclarecimento de situação de interesse pessoal.

De acordo com o relator do processo, ministro João Oreste Dalazen, a Constituição é clara ao fixar “imunidade tributária que impossibilita os entes políticos de criarem tributo, na modalidade de taxa, para incidir sobre a emissão de certidões”. Para o ministro, o direito de se obter certidões de órgãos públicos não pode ser condicionado à situação financeira ou social do beneficiário.

A decisão foi tomada por maioria na sessão do último dia 10 de junho. Ficou vencido o conselheiro Rui Stocco. O CNJ foi provocado por Procedimento de Controle Administrativo impetrado pelo promotor de Justiça André Luis Alves de Melo contra o Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais, que cobrava R$ 4,88 para a emissão de certidão de antecedentes criminais.

No pedido, o promotor alegou que a maioria dos tribunais brasileiros não cobra taxa para emitir a certidão e que o respectivo pagamento dificulta até mesmo pedido de liberdade provisória, pois não há como pagar a taxa durante a noite ou em finais de semana.

Os argumentos foram acolhidos. O CNJ determinou que o tribunal deixe de cobrar para emitir certidões de antecedentes criminais. O Conselho rejeitou, contudo, o pedido para que o tribunal permitisse na internet a consulta processual pelo nome da parte.

Para Oreste Dalazen, não compromete o princípio da publicidade o fato de o tribunal não permitir consulta processual na internet pelo nome da parte, “se tal consulta está disponibilizada por outros meios, como o número do processo, o número do militar ou o número de inscrição na OAB do advogado”.



Fonte: Consultor Jurídico

segunda-feira, 22 de junho de 2009

FALECEU HOJE O EX-DEPUTADO CLAUDINO SALES


Prezado Dr. Júnior Bonfim,

É com muita dor que venho comunicar o falecimento do meu pai, Claudino Sales, hoje pela madrugada, de falência múltipla dos órgãos.

O velório será na funerária Eternus, em Fortaleza, e o enterro, às 17 horas noCemitério Parque da Paz.

Obrigada por divulgar essa triste informação,

Cordialmente,


Vanda Claudino

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SENSIBILIZADO RECEBI A INFORMAÇÃO ACIMA. TRANSMITO À FAMÍLIA ENLUTADA A DEVIDA SOLIDARIEDADE.

RELEMBRO QUE, QUANDO ESCREVI A CRÔNICA ABAIXO, O DOUTOR CLAUDINO OUVIU A LEITURA E EXTERNOU EMOÇÃO. SEGUNDO RELATO, FOI UMA DE SUAS ÚLTIMAS MANIFESTAÇÕES SOB O IMPÉRIO DA LUCIDEZ:

CLAUDINO SALES


Embora ainda pisasse as babugens da infância, relembro nitidamente: um cidadão do campo sentando sobre a calçada alta de sua casa na fazenda Mondubim, a 20 km de Crateús, defronte a um imponente pé de Benjamin, aguardando a visita de uma ilustrada figura. O cidadão: meu avô Tetêro Bonfim; o visitante insigne: o então deputado Claudino Sales.

Enquanto exerceu múnus público, Gonçalo Claudino Sales fez política assim: no contato direto com os amigos, sob o realce da habilidade, com uma pitada de discrição, agregando certo espírito conciliador com o tempero de uma boa dose de astúcia política.
Aliás, com muita propriedade, agia como os grandes mineiros, mestre na arte de politicar. Daquele jeito que ensinou Fernando Sabino: “Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente (…)”.

Pois bem, foi nas Alterosas que o filho de Antônio Claudino Sales e Joana Soares da Silva lapidou a alma para as tarefas superiores que a História lhe reservou. Após desfrutar a tenra idade em Novo Oriente, onde nasceu em 12 de fevereiro de 1922, foi estudar o ginasial em Teresina e, em seguida, partiu para Belo Horizonte, onde cursou Direito na Universidade Federal de Minas Gerais. No campus, conheceu nomes que transitaram sobre as veias abertas da política nacional - como Francelino Pereira, por exemplo. Formado, logo perdeu a virgindade política assumindo uma secretaria municipal na cidade mineira de Caeté, que em tupi-guarani significa "Mata Virgem". Lá, teve o nome cogitado para ser o alcaide local.

Porém, resolveu advogar em Crateús. Perambulando como operador do direito, conheceu a sobralense Franci (Francisca das Chagas Carneiro Sales), com quem firmou aliança sentimental e gerou os filhos Maria de Fátima, Jane Mary, Vanda, Sandra e Claudino.

Na terra do Senhor do Bonfim, logo ganhou destaque acionando o poderoso gatilho de sua metralhadora verbal. Em sessões do Tribunal do Júri, emocionadas multidões acorriam para sentir vibrar as cordas do coração sob o impacto do seu vigor tribunício. Outra era, no entanto, a tribuna para a qual o tufão da eloqüência o arrastava definitivamente: a dos palanques eleitorais. Candidata-se a Prefeito de Crateús em 1958 em 1962, mas não obtém êxito.

Em 1966, estoura eleitoralmente ao disputar uma vaga à Assembléia Legislativa, saindo virtualmente eleito das urnas apuradas às margens do Poty. No Parlamento Estadual, além de ocupar a Presidência no ano de 1969, liderou o Grupo de Ação Parlamentar que articulou a candidatura de César Cals ao comando do Executivo Alencarino. Reeleito em 1970, assume a Secretaria de Administração do Ceará de 1971 a 1974.

Paralelamente à intensa atividade política, alça vôo na representação filantrópica como Dirigente Leonístico, ocupando a Presidência do Conselho Nacional de Governadores - CNG do Distrito Múltiplo L- Brasil – no biênio 1973/1974 – realizando profícuas missões internacionais e elaborando inclusive um trabalho monográfico: “Leonismo e Desenvolvimento”.
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No ano de 1975, estréia na Câmara Federal, onde esteve por dois mandatos consecutivos, relatou projetos emblemáticos como o Código de Menores e se sobressaiu como vice-líder do seu partido.

Na década de 1980, sua versatilidade político-administrativa é testada: ocupa as pastas de Administração, de Segurança Pública e a Procuradoria Geral do Estado (no Governo Gonzaga Mota); é nomeado Presidente da Companhia Industrial do Ceará - CDI e, depois, Chefe de Gabinete (Subsecretário) da Secretaria de Governo do Estado - SEGOV (no 1º Governo Tasso Jereissati). Nessa condição, pavimentou a continuidade do seu grupo político viabilizando a candidatura do sobrinho Zé Almir que, eleito prefeito de Crateús, tornou-se o líder de seu espólio e herdeiro necessário.

Entre outras, recebeu as condecorações da Ordem do Mérito Militar e da Ordem do Mérito Naval (ambas por Decreto do Presidente da República); da Ordem do Ipiranga (por Decreto do Governador do Estado de São Paulo), além de Cidadão Honorário de Crateús-CE e de Caeté-MG.

Nos últimos anos, enquanto a saúde permitiu, vivia percorrendo as terras da família, batendo papo com os amigos de longas datas como o Tio Nande e sorvendo os aperitivos da benevolência.

No apogeu de sua atuação, viabilizou projetos importantes para a região onde nasceu, como a rodovia da confiança, ligando Nova Russas, Crateús e Novo Oriente. Participou ativamente do movimento para garantir a implantação da rede elétrica de Crateús vinda de Paulo Afonso, na Bahia.

Porém, o principal contributo do doutor Claudino Sales foi de natureza imaterial: o de que é possível fazer política como arte fraterna, vereda de polidez, elogio à inteligência, prática nobre, teia de benquerença, exercício de lealdade!

(Júnior Bonfim)

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Paulo Nazareno disse...

Cala-se um dos maiores tribunos destas paragens; seu canto ainda ecoa por estes sertões.

Ficará sempre na lembrança e nos corações de quem teve o privilégio de conheçe-lo.

À família enlutada, minhas condolências

22 de Junho de 2009 13:09

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Vanda Claudino Sales disse...

Dr Paulo Nazareno, obrigada! Essa eh a voz da familia....

22 de Junho de 2009 23:35

sábado, 20 de junho de 2009

FLOR DE LIZ

UMA MÚSICA...

A HISTÓRIA...

Djavan teve uma mulher chamada Maria, os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha...

Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas, mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto.

Agora é possível 'sentir' a letra da música.

Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte.

A LETRA


Valei-me, Deus! É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor, eu sei que o erro aconteceu.
Mas não sei o que fez, tudo mudar de vez.
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei.

Será talvez que a minha ilusão, foi dar meu coração,
com toda força, pra essa moça me fazer feliz,
e o destino não quis, me ver como raiz de uma flor de Liz.
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira.
Morto na beleza fria de Maria.

E o meu jardim da vida ressecou, morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu.
E o meu jardim da vida ressecou, morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu...

(Enviado por Gabriel Vale)



MENSAGEM



Aproveite cada momento da sua vida ao máximo...

...passe o maior tempo possível com as pessoas que você ama...

...torne estes momentos inesquecíveis.

Agora, ouça a música:



SOBRE A VÍRGULA



Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

1. Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.

Não espere.


2. Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.

2,34.


3. Pode ser autoritária.

Aceito, obrigado.

Aceito obrigado.


4. Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve.

Isso só ele resolve.


5. E vilões.

Esse, juiz, é corrupto.

Esse juiz é corrupto..


6. Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.


7. A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.



Uma vírgula muda tudo.


ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.


Detalhes Adicionais


SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.


- Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.

- Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.



(Enviado por Gabriel Vale)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

OBSERVATÓRIO


Proprietário de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão - os Diários Associados - e fundador do Museu de Arte de São Paulo - MASP, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô (como ficou imortalizado na obra de Fernando Morais), sempre atuou na política, nos negócios e nas artes de modo intenso e decisivo. Detentor de verdadeira compulsão empreendedora, tornou-se um dos brasileiros mais poderosos e controvertidos do século passado. Mais temido do que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960. Mas antes e, sobretudo, era jornalista. Mesmo desfrutando da intimidade dos palácios governamentais, sempre resistiu quando a tesoura da censura quis alcançar as linotipos que comandava.


NOSSA LINHA I


Vez por outra, em que pese a leveza das postagens que fazemos, sentimos que opiniões esposadas nesta Coluna, causam incômodo aos que provisoriamente detém as rédeas do poder local. (Digo provisoriamente porque o poder é efêmero ou passageiro, malgrado alguns o pensarem eterno). E isso termina por desaguar no colo daquele que comanda o jornal: César Vale. Embora evite me revelar, sinto por intuição. No entanto, como todos os que fizeram história nessa seara, César sempre nos confortou com os auspícios da incondicional liberdade. Nunca uma vírgula – inclusive se posta fora do lugar – foi por ele alterada. Isso é um ato de grandeza que merece registro. Porque, via de regra, colunistas são pautados pelas direções de jornais. Outra é a linha aqui seguida. Por isso, vale à pena relembrar: as reflexões compartilhadas nesta moldura têm um único responsável, o seu subscritor.

NOSSA LINHA II

Permitam-me que confesse um segredo: desde quando comecei a rabiscar esse espaço, as matérias são enviadas sempre no último dia de fechamento da edição. Na maioria dos casos, o editor só as lê quando saem da gráfica, após a impressão. Isso apenas corrobora o que acabamos de registrar. Sucede que a nossa linha argumentativa sempre procurou seguir a mesma trilha de posicionamento: oposição com proposição. Sempre travamos o debate na arena das idéias; nunca deslizamos para o ringue pessoal. Ao invés de pessoas, atacamos projetos. Antes de nos deleitarmos com a rodovia pavimentada da crítica, esforçamo-nos para palmilhar a vereda íngreme do aconselhamento. E mais: as sílabas aqui dispostas sempre procuram passar ao largo da soda cáustica da destruição; são sempre ligadas pela argamassa da construção.

NOSSA LINHA III

Querem exemplos concretos? Quem está no poder sofre a tentação de se achar o inventor da roda, o princípio de tudo. É famosa a frase do Presidente Lula: “nunca na história deste País...” como se os outros nada tivessem feito. Ocorre que muitos frutos que ele colhe (como a estabilidade da moeda, o equilíbrio das contas públicas, os programas de transferência de renda etc) foram semeados por seus antecessores... Outro dia, o Prefeito anunciou, com estardalhaço característico desses momentos, que estava pavimentando todas as ruas do bairro Cidade 2000. Em verdade, o que sua gestão está fazendo é concluir, porque as ruas principais do bairro foram pavimentadas em gestões anteriores. Por isso que os antigos diziam que “cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém”...

NOSSA LINHA IV

Outro exemplo. Passando pelo bairro Campo Velho, à margem da CE que liga Crateús a Novo Oriente, há uma pequena escola pública municipal (de nome Furtado Leite) sendo reformada. À primeira vista, a medida soa simpática. Vê-se que a Administração está trabalhando. Sucede que, quando levantamos os olhos, divisamos que a alguns metros dali, encontra-se erigido um enorme e moderno complexo educacional formado pela escola Maria José Bezerra de Melo e pelo Liceu Manoel Mano, além de uma unidade de semi-liberdade para adolescentes. Pergunta-se: esta obra preenche os requisitos de urgência e necessidade? Ou seria mais recomendável investir no fortalecimento da ampla infra-estrutura já existente?


ACADEMIA I

Crateús viveu, no sábado passado, uma noite memorável de gáudio cultural. Em solenidade realizada no teatro Rosa Morais, foi realizada a liturgia sacramental de batizado da mais nova agremiação literária do País: a Academia de Letras de Crateús – ALC. Composto por vinte e dois acadêmicos, o Sodalício de Letras de Crateús nasce sob o influxo de emanações positivas e haverá de ser um dínamo fermentador da atividade literária local. A primeira Diretoria tem Elias de França como Presidente, este escriba como Vice, Ericson Fabrício como Secretário, Lourival Veras na Tesouraria e a Professora Maria da Conceição (Nêga) como Diretora de Relações Públicas. O Conselho Fiscal é composto por César Vale, Flávio Machado, Lucas Evangelista e Raimundinho Cândido. (Vide discurso na postagem abaixo).

ACADEMIA II

O que mais impactou o público presente – que, aliás, lotou as dependências do Teatro – foi a presença de duas figuras que, mesmo sob o peso dos anos, ainda revelam disposição para cultuar o belo. Reitores do saber e do espírito, Norberto Ferreira Filho (o Ferreirinha) e Rosa Ferreira de Morais comoveram a todos. O primeiro, pela própria altivez da presença; a segunda, pelo vigor com que ainda faz uso da palavra. Durante o coquetel de recepção na Casa de Cultura João Batista, levantou-se e, sem microfone, proferiu uma oração que deixou a todos enternecidos. Dentre outras lições, lembrou que os talentos são dádivas celestes – “a inteligência é dom de Deus” – e que devemos sempre utilizar os predicados da alma em favor do próximo e do bem-estar da humanidade.


PARA REFLETIR

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis". (Fernando Pessoa)

(Por Júnior Bonfim - coluna publicada na edição de hoje no Jornal Gazeta do Centro-Oeste - Crateús, Ceará)

A MENTE MOVE A MATÉRIA


O mais célebre livro do poeta português Fernando Pessoa – o único que publicou em vida – é um feixe luminoso de 44 poemas. Na sua compleição original havia sido batizado de Portugal, o nome da pátria do poeta.


No entanto, como Portugal amargava sérios problemas, Pessoa, sob o influxo de conselhos de um amigo, resolve alterar o título do livro. E constrói a palavra “Mensagem” tendo como alicerce fundante a expressão latina Mens agitat molem, isto é, "A mente move a matéria", inspirado na famosa frase da história de Eneida, de Virgílio, dita pela personagem Anquises quando explica a Enéias o sistema do Universo.


E Fernando Pessoa começa a segunda parte do livro professando: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Ou seja, para a consecução de todo empreendimento há que se seguir essa trilha infalível: que o arquiteto da criação ceda o terreno, nele se lance a semente do desejo e, por fim, que se acompanhe a germinação.


O que hoje se opera é fruto dessa conjugação frutífera da vontade superior, do sonho cultivado e do ímpeto realizador. Por isso, indubitavelmente, a constituição da Academia de Letras de Crateús é um evento indelével, uma realização memorável, um feito histórico.


Tal qual o país que nos colonizou à época de Pessoa, a nossa pequena pátria afetiva, o município de Crateús, sofre sob o açoite das dificuldades de toda sorte, sobretudo pela sua própria condição geopolítica de encontrar-se encravado na mais dolorida região brasileira, o semi-árido nordestino.


Pois bem, nessa paisagem sacudida por gigantescas adversidades, estonteada por tantas frustrações políticas, castigada por intempéries, sob o rescaldo das tiranias econômicas, à margem do fulgor capitalista – muitos hão de questionar qual a razão de se implantar uma Academia de Letras?


A resposta vem da pena pioneira de um dos patronos da nossa Arcádia, Gerardo Mello Mourão: “Os filósofos, os poetas, os artistas, como a própria arte, não são fruto da civilização industrial. São mesmo, de um modo geral, os marginais dessa civilização e desse tipo de progresso, desse poder de produção de riqueza”.


É movido por essa crença de aço, consciente dessa assertiva irrefutável, que cada um de nós se dispôs a oferecer o seu quinhão de contribuição a essa causa.


Cremos na floração dos talentos secretos que a nossa terra possui, cremos nos valores humanos que ainda dormitam sob o albergue do anonimato, cremos que esta região precisa de uma incubadora cultural que possa acariciar os embriões dispersos por todos os quadrantes desse município e lhes ofereça o único lenitivo que necessitam: o estímulo vital, o fermento biológico, o recanto para produzir, o púlpito para subir, o palco para brilhar.


Todos os sócios fundadores da Academia de Letras de Crateús – ALC - estamos algemados pela mesma corrente libertária: une-nos a convicção de que a mente move a matéria, o ser se sobrepõe ao ter. Curvamo-nos aos ditames da consciência. Proclamamos a supremacia da virtude, o reinado da inteligência.


Como as amplas casas que sediavam as nossas antigas fazendas e abrigavam numerosas famílias, esta Academia nasce sob o signo imperscrutável da amplidão, está marcada pelo ferro generoso do ecletismo e exibe no frontispício o magnético talismã da pluralidade. Abriga a erudição de um Geraldinho, de um César Vale, de um Elias de França, de um Lourival Veras e de um Carlos Bonfim; recepciona o lampejo cientifico do doutor Arteiro Goiano e dos Professores Luis Carlos e Adriana Calaça; areja-se sob a brisa poética de um Raimundinho Cândido, da doutora Silvia Melo, do animador cultural Edilson Macedo, da mestra Maria da Conceição (Nega), da juventude criativa de uma Isis Celiane e de um Ericson Fabrício; reacende a fogueira da história sob a ação de memorialistas como Flávio Machado, Vera Lúcia Teixeira e Norberto Ferreira Filho (o venerando Ferreirinha); se deixa embalar pela musicalidade de letristas como Aldo dos Santos e Edmilson Providencia; e se faz caudatária da expertise da melhor cepa da literatura popular aqui representada pelo cordelista Carlos Leite, pelo cancioneiro consagrado Lucas Evangelista e pelo patativiano poeta Dideus Sales.


Na nossa trilha existencial, marcada invariavelmente pelos percalços da trivialidade, às vezes nos deparamos com o desafio de fazer História. É o que estamos a realizar hoje. Sob o testemunho singular de cada um dos presentes, em especial dessa sacerdotisa do ensino que emprestou seu nome para este templo à cultura, a jovial octogenária Professora Rosa Morais, estamos erigindo um monumento à imortalidade. Estamos formalizando nesta data, dia de Santo Antonio, o Santo do matrimônio, uma aliança definitiva entre a nossa geração e as gerações vindouras.


A mente move a matéria!


Com a autorização do editor do livro da Criação, demos vazão ao impulso do sonho e a obra nasceu: Viva a Academia de Letras de Crateús!


(Por Júnior Bonfim - Discurso proferido por ocasião da Solenidade de Instalação da Academia de Letras de Crateús, no Teatro Rosa Morais, em 13 de junho de 2009).

terça-feira, 16 de junho de 2009

SAUDAÇÃO AMLEF


Caro amigo Júnior Bonfim,

Receba meus mais calorosos parabéns pela brilhante saudação proferida hoje na Academia Cearense de Letras, por ocasião da posse dos novos confrades.

Você fez com que todos os companheiros se orgulhassem de pertencer à AMLEF e, aos visitantes, fez ver com mais respeito a nossa "nova" Academia.

Quero registrar o meu agradecimento e o reconhecimento de todos os companheiros que se deleitaram com a sua esmerada apresentação. Nem todos os que são incumbidos de tarefa de tamanha importância têm a responsabilidade e a competência de fazê-lo, com a consciência do papel que vão desempenhar.

Hoje, a AMLEF já não é a mesma. Passou a ser mais admirada e respeitada.

Eu não me surpreendi com a qualidade de sua apresentação, pois já conhecia o seu estilo, quando me deparei com "os amores" e ouvi "os clamores da cidade".

Não é sem razão que o poeta e escritor Dideus Sales confessa ter ficado impressionado com a desenvoltura de seu discurso, dirigido a platéia superior a cinco mil pessoas, que "acompanhava enlevada a cachoeira de frases muito bem metaforizadas e ricas em sintaxe."

Por força da correnteza de pensamentos e idéias que vêm se avolumando e enriquecendo e consolidando a sua formação cultural ao longo do tempo, essa cachoeira inundou os corações de quantos tiveram a felicidade de comparecer à Sessão Solene desta tarde - noite, onde o nome de nossa Arcádia passou a ser escrito com letra maiúscula.

Hoje, mais do que em qualquer outro dia, sinto-me feliz por ter ingressado nessa que, com certeza, em futuro muito próximo, será uma grande Academia, a nossa AMLEF.

Parabéns companheiro. Continue escrevendo.

Abraço fraternal do amigo

Seridião Montenegro


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Estimados e nobres Presidente Anizio e companheiros da nossa Academia, parabenizamos a todos pela bonita festa de ontem de nossa posse, ao lado dos companheiros Lossio, Roberto e Assis Almeida.

Registramos com satisfação a impecavel organização da reunião, graças à competencia e dedicação do presidente Anizio.

Registramos também a beleza e profundidade dos discursos dos oradores Junior Bonfim, Lossio e Bosco.

Parabens a todos, a nossa Academia deu uma magnifica demonstração de vitalidade
com as muitas presenças dos companheiros sócios e com a significativa presença dos convidados.

Parabens e vamos em frente, cordial abraço a todos,

Aristides Braga

DISCURSO - ACADEMIA METROPOLITANA DE LETRAS DE FORTALEZA




AUTORIDADES QUE COMPÕEM A MESA,
SENHORAS E SENHORES:

BOA NOITE!

Antes do mais, permitam-me que comece essa fala com a alma genuflexa e o coração agradecido. Gratia plena ao que escreveu o Livro da Criação e nos revelou que “no princípio era o verbo e o verbo se fez carne”.

Cativado pela deferência do convite – primeiro do Presidente, depois do conjunto dos integrantes do nosso Sodalício – para pronunciar neste momento as sílabas ternas ou as palavras efusivas de saudação aos que estão a prestar juramento aos nossos Estatutos, jamais poderia me escusar ao chamamento.

A celebração de hoje representa um congraçamento mágico, o coroamento litúrgico, a mística culminância de uma confluência auspiciosa, plena de eventos carregados de significações.

Nossa Academia renova aqui o rito sacramental originário, asperge outra vez a água benta da pia batismal, ingressa definitivamente no território da maturidade e ascende serenamente aos píncaros da completude.

O que poderia ser um imperativo legal, para nós veio a ser um indelével movimento pascal: ao invés de AMLECE (ACADEMIA MUNICIPALISTA DE LETRAS DO ESTADO DO CEARÁ) agora somos AMLEF (ACADEMIA METROPOLITANA DE LETRAS DE FORTALEZA). Na dialética transcendental do nome, estamos sepultando qualquer erupção de rivalidade e estimulando o entrelaçamento definitivo entre as agremiações literárias locais. Aliás, como bem lembra Robert Graves, “outrora a poesia fora um alerta ao homem de que deveria viver em harmonia com todos os seres viventes que o circundam, por obediência à dona da casa que é a Deusa Branca”.

O memorável ato desta noite marca também o anúncio do nosso novo habitat. Este Palácio da Luz, cujas paredes guardam a argamassa que solidificou formosas edificações à cultura e ainda exalam o bálsamo imorredouro da paixão literária, é também o espaço onde destarte nos reuniremos para tecer o bordado das nossas bandeiras de ação. Sobre este piso sagrado, templo maior das escrituras cearenses, haveremos de prestar reverência e cultuar as sete filhas de Zeus. À Academia Cearense de Letras que, como uma matriarca generosa, abre o seu colo para acolher a caçula das Academias, o nosso respeitoso agradecimento.

Logo mais, haverá de sentar à cadeira de Vice-Presidente o valoroso, o sensível, o agregador colega Seridião Montenegro. Ombreado com o Presidente Anízio Araújo, fortalecerá nossa caminhada progressista e evolucionista.

Na seqüência, Marcos José da Silva, um carioca de fulgurante inteligência e tocante sinceridade, de extrema lhaneza e contagiante humildade, que está à frente da maior potência maçônica da América Latina, terá o seu nome inscrito no nosso frontispício de honra.

A tudo isso se soma o ingresso de quatro novos acadêmicos:

Francisco de Assis Almeida Filho, um engenheiro eletricista que se deixou energizar pelo engenho fantástico da sedutora seara mercadológica da produção livresca, ocupará a cadeira 13, do menestrel Jáder de Carvalho, em cujas veias deslizavam o sangue telúrico do cearense e a água inteligente do Rio Jaguaribe. Socializador de histórias interessantes, preside a Associação Cearense de Escritores. Parafraseando Guevara, Assis Almeida descobriu na sua Premius que “hay que empreender pero si perder el amor por los libros jamás”;

José Aristides Braga, economista de formação, professor por convicção, orador por paixão, desenvolto maratonista do calçadão da iniciativa privada, traz para o nosso convívio a sua reluzente insígnia de bibliófilo. Sentará na cadeira 33, cujo padroeiro é o seu primo Antonio Tabosa Braga, ou Monsenhor Tabosa, que dá nome a uma das mais destacadas avenidas desta urbe.

Roberto Feijó Ribeiro de Sousa, intelectual engajado, jornalista de escol, perscrutador incansável de minas biográficas, colecionador de pedras preciosas da toponímia e da antroponímia, acumulou invejável patrimônio cultural que agora coloca à disposição da nossa sociedade literária. Sentado na cadeira 31, de Antonio Bezerra de Menezes, fundador do Instituto do Ceará, haverá de enternecer nossas Madrugadas de Lixo e Luxo;

Júlio Jorge Albuquerque Lóssio, doutor em odontologia pela USP, cavaleiro andante dos prados Rotarianos, estudioso que carrega no alforje quase duas centenas de trabalhos publicados em Congressos e Simpósios. Na cadeira 38 do nosso grêmio, confeccionada com a madeira da sua própria vegetação genealógica, receberá a emanação invisível, os fluídos paternais do grande Ailton Gondim Lóssio.

Cruzamo-nos num instante em que o planeta se vê diante de uma verdadeira encruzilhada, em que é necessário encetarmos uma cruzada.

Nestes tempos paradoxais - que alternam simultaneamente momentos de límpidos horizontes e céus nebulosos, em que emparelhado com uma aura de aparente prosperidade desce um raio de imensurável crise – o que nos toca buscar?

Há que se extrair o óleo fino e aromático da árvore vital, recolher a seiva especial das coisas, apalpar a raiz fundamental de tudo. Eis o que, possivelmente, todos deveríamos fazer: colocar na ribalta as lições que essa quadra de inquietação reflexiva nos oferece.

Penso que, por sobre essa instabilidade financeira que atormenta os coletivos humanos de todos os matizes, palpita um desassossego civilizacional alimentado por razões muito mais profundas, cujas luzes só emergirão se nos dispusermos a ver o essencial. Este, à Saint Exupéry, só vemos bem com o coração.

Como abrir, então, as pálpebras delicadas do núcleo que comanda a consciência, sedia os sentimentos e produz as emoções?

A vereda a ser palmilhada, penso, é a do resgate do essencial. O essencial é que, amantes das letras ou cultores da oralidade, todos precisamos oferecer nosso modesto contributo ao redesenho humano do planeta, à exaltação das virtudes, ao exercício da coerência, à cultura de paz.

No nosso caso, vem de além-mar o ensinamento de que o orador e o escritor estão unidos pelo mesmo fio desafiador: alimentar o laço matrimonial entre prédica e prática, entre a palavra gerada (seja ela escrita ou falada) e a ação desencadeada. Sobre a arte da oratória, o romano Cícero pregava que “o orador perfeito seria o homem perfeito”. No que tange à colméia da escrita, os franceses, por sua vez, patentearam que “bem escreve quem bem pensa”.

Demais disso, avisamos: ao gosto de Thiago de Mello, "Não somos melhores nem piores. Somos iguais. Melhor é a nossa causa."

Fiquem certos que, antes de tudo, compomos uma família, pois somos amigos. Shakespeare foi feliz quando lembrou que “o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher”.

Sejam bem vindos, amigos do peito, irmãos da alma!

Adentrai, companheiros de sonho!

Vinde para, de mãos conjugadas, compartilharmos o pão da fraternidade, brindarmos o vinho da poesia, nos rendermos aos encantos de um bom conto, tecermos loas à liberdade, sorvermos o manjar da boa prosa e cedermos aos movimentos dos nossos corações.


Obrigado!

(Discurso proferido por Júnior Bonfim em Sessão Solene da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, ocorrida em 15 de junho de 2009, no Palácio da Luz, sede da Academia Cearense de Letras).

segunda-feira, 15 de junho de 2009

CONVITE

REVISTA ISTOÉ - PRESIDENTE DO STF DIZ QUE ESTÁ NO MEIO DE UM TIROTEIO IDEOLÓGICO POR CONTRARIAR INTERESSES



Depois do polêmico bate-boca com o ministro Joaquim Barbosa em abril, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, recebeu o apoio de boa parte de seus colegas. Mas tem sido alvo de abaixo-assinados na internet e enfrenta protestos contra sua permanência à frente do STF, algo inédito na história do Judiciário. Na quarta-feira 3, ele foi vaiado por estudantes após audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Em entrevista à ISTOÉ, Gilmar afirmou que ficou no meio de um tiroteio ideológico, desde o momento em que concedeu dois habeas-corpus ao banqueiro Daniel Dantas. "Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas isso não me cabe questionar", diz. "No caso Daniel Dantas, como havia uma luta política e comercial, há interesses contrariados, obviamente." Para Gilmar, a maior exposição do STF torna as pessoas que o integram mais expostas, mais suscetíveis a eventuais ataques. Mas ressalta que a autoridade da mais alta corte do País "é inequívoca". Quanto à sugestão de Barbosa para que Gilmar "ouça mais as ruas", o presidente do STF rebate: "Isso serve para encobrir déficits intelectuais."

ISTOÉ - Existe um descompasso, hoje, entre a opinião pública e o Poder Judiciário? Seria o caso de ouvir as ruas?

Gilmar Mendes - O embate que surge nesse tipo de colocação é saber se no combate à impunidade nós deveríamos fazer concessões no que diz respeito à observância dos direitos e garantias individuais. Entendo que a questão não está à disposição do julgador. A Constituição não deixa esse espaço. Combate à impunidade? Sim. Combate ao crime organizado? Sim. Mas dentro dos paradigmas do Estado de Direito. Se formos consultar a chamada opinião pública, vamos ter que saber como se faz a consulta. É a minha opinião pública, é a sua opinião pública? É a opinião pública de que grupo? É a minha rua? É a sua rua? É a rua de quem? É o ibope do bar? Do Baixo Leblon?

ISTOÉ - O País caminharia, então, para um outro tipo de Justiça?

Gilmar - Exatamente, Justiça plebiscitária. Tenho a impressão de que essa discussão escamoteia, na verdade, déficits argumentativos e serve de álibi para fundamentar tudo. A Justiça nazista era assim. Decidia em nome do interesse do Reich, ou de interesses "mais elevados". Isso não tem nenhum cabimento.

ISTOÉ - Como o sr. vê as manifestações contra a sua presença no STF?

Gilmar - Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas não me cabe questionar isso. Tenho inúmeras manifestações de apoio em todos os setores, nunca tive nenhuma dificuldade de andar pelas ruas.

ISTOÉ - As pessoas parecem acreditar que podem influenciar o STF.

Gilmar - Isto é uma bobagem. O tribunal nunca seguiu esse tipo de toada. Quando, por exemplo, no início da ditadura, houve as violências mais marcantes contra governadores, foi o STF que deu liminar em habeas corpus. Nas fases por que passamos hoje, especialmente a partir de 2003, 2004, com a nova ênfase das ações policiais, foi aqui que as pessoas encontraram abrigo. Nas operações Anaconda, Navalha e outras, com ataques inclusive à magistratura, foi aqui que as pessoas encontraram salvaguarda. Mas no caso Daniel Dantas, como havia uma luta política e comercial, há interesses contrariados, obviamente.

ISTOÉ - As pressões surgiram em função do caso Daniel Dantas?

Gilmar - Com certeza. É fundamentalmente em função desse caso, que teve duas decisões liminares concedidas por mim, referendadas pelo plenário, por nove votos a um.

ISTOÉ - Os críticos dizem que o STF agiu como juiz de primeira instância.

Gilmar - Esta é outra lenda urbana. É uma mentira deslavada. O caso tinha passado por todas as instâncias, pelo juiz de primeiro grau, tinha passado pelo Tribunal Regional Federal, pelo STJ e estava aqui com o ministro Ayres Britto. Quanto ao segundo habeascorpus, o tribunal considerou que era descumprimento do primeiro.

ISTOÉ - A Constituição determina que se fique em liberdade até que o processo transite em julgado. Mas alguns casos geram clamor público e deixam uma sensação de impunidade.

Gilmar - No Brasil temos hoje cerca de 480 mil presos, dos quais um número elevado, talvez de 50% a 60%, é de presos provisórios e outros já com sentenças definitivas. É um índice elevadíssimo, se considerados os índices mundiais de população carcerária em relação ao número de habitantes. Não mostra uma Justiça leniente quanto às prisões. O tribunal admite, mesmo depois de uma sentença de primeiro, de segundo grau, que se determine a prisão, mas com os fundamentos da prisão preventiva, quer dizer, o risco de fugir e a preservação da ordem pública. Mas há que exigir a fundamentação para a prisão. Não pode ser automática.

ISTOÉ - Muita gente diz que o STF, em cento e tantos anos, nunca condenou um parlamentar.

Gilmar - Não é verdade. No passado, vamos encontrar pessoas que foram condenadas ou absolvidas. Mas, especialmente após a Constituição de 1988, os processos estavam parados. Esses processos só retomaram o seu curso normal a partir de 2002, 2003. Então, esse discurso é falso. Estamos cheios de lenda urbana, porque estamos no meio de uma luta política em que, mesmo pessoas sem formação jurídica, às vezes de formação jurídica não suficiente, transformaram-se em lutadores.

ISTOÉ - Como assim?

Gilmar - São gladiadores da opinião pública. Repito: essa tese de a Justiça "ouvir as ruas" (defendida por seu desafeto, ministro Joaquim Barbosa) serve para encobrir déficits intelectuais. Eu posso assim justificar-me facilmente, não preciso saber a doutrina jurídica. Posso consultar o taxista.

ISTOÉ - Quando o sr. fala em luta política, parece que há duas visões no STF.

Gilmar - Não vou falar sobre isso.

ISTOÉ - Mas há, no STF, duas concepções diferentes do direito?

Gilmar - O resultado dos julgamentos do STF está espelhado nas suas decisões, nos acórdãos, isso é inequívoco. Agora, creio que o foro privilegiado, o foro por prerrogativas de função, como nós o chamamos, tem cumprido função importante, até mesmo no que concerne à governabilidade. Dentro do conceito de criminalização da atividade política, se não tivesse foro privilegiado, certamente o presidente Lula não passaria por uma cidade sem ter que depor ao Ministério Público ou à polícia. É isso que se quer?

ISTOÉ - Por que a opinião pública tem a sensação de impunidade?

Gilmar - Quanto ao modelo especialmente de defesa, temos uma sociedade com muitas desigualdades, em que a defesa é paga. E pessoas que dispõem de advogados têm melhores condições. As outras dependem de defensorias públicas. Até há pouco tempo uma boa parte dos Estados nem sequer tinha essas defensorias.

Nós temos nos engajado inclusive no sentido de estimularmos as defensorias públicas, a advocacia voluntária. Porém, se olharmos numa outra perspectiva, certamente o serviço de saúde das pessoas aquinhoadas é melhor do que o serviço de saúde das pessoas sem recursos. O que vale também para o serviço escolar. Sem dúvida, a maior parte da população presa é analfabeta e pobre.

ISTOÉ - O que o sr. sente quando visita os presídios e vê a maioria pobre e analfabeta?

Gilmar - Essa é uma realidade.

ISTOÉ - O sr. não se sente frustrado, sem condições de mudar essa realidade?

Gilmar - Esse não é um problema que me cabe resolver. Essa questão tem que ser resolvida pelas instâncias apropriadas. O que estamos fazendo, menos até como presidente do Supremo, mais como presidente do Conselho Nacional de Justiça, é a adequada revisão das penas impostas. É preciso saber se as pessoas estão cumprindo a pena devida. Nessa área, por exemplo, não tem ninguém para me dar lição. Sou eu que tenho liderado, via CNJ, o processo de mutirão carcerário em todo o País. Antes, ninguém tinha feito isto.

ISTOÉ - Quais as medidas do CNJ?

Gilmar - Estamos incentivando a instalação das varas de execução criminal virtuais, para que haja controle e não haja esse quadro vergonhoso de encontrarmos pessoas que já cumpriram a pena duas vezes. Estamos discutindo a prisão provisória, exigindo que o juiz faça verificação do tempo de prisão, a cada três meses.

ISTOÉ - Como presidente do CNJ, o sr. pediu a suspensão da construção da sede do TRF1. Estava muito cara?

Gilmar - Nós estamos arrostando todas estas questões, as obras, a contratação de servidores e o aumento de quadros. Abrimos uma caixa de Pandora. Estamos discutindo todos os temas com grande abertura e honestidade.

ISTOÉ - Qual o problema mais grave da Justiça brasileira?

Gilmar - Talvez o maior problema hoje seja de fato a morosidade, mas decorrente em grande parte do excesso de demanda. Nós falamos de números de processos extremamente elevados, cerca de 70 milhões de processos no ano passado. Isso significa praticamente um processo para cada três habitantes.

ISTOÉ - Mesmo assim, a Justiça está ficando mais célere?

Gilmar - Tenho a impressão que sim. É claro que nós temos muitos desafios. Na medida em que temos êxito no conhecimento, na expansão das nossas atividades, nós atraímos mais processos. Em alguns casos eu até usei a expressão: "a gente é tão exitoso em determinadas áreas que acaba produzindo fracasso".

É o que eu chamo de "fracasso do sucesso", como já aconteceu no Juizado Especial Federal, que começou com um número pequeno de causas e teve uma expansão brutal de causas exatamente porque as pessoas perceberam que ali se obtinha uma decisão mais rápida.

ISTOÉ - Quando deve ser o julgamento do ex-ministro Antônio Palocci?

Gilmar - Talvez no final deste mês ou no início do mês de agosto.

ISTOÉ - As polêmicas recentes que envolveram o STF não afetam a imagem da mais alta corte do País?

Gilmar - Tenho a impressão que não. É claro que a maior exposição do tribunal chama a atenção e torna o tribunal e também as pessoas que o integram mais expostas, mais suscetíveis a ataques. Então é natural que isso ocorra. Mas é notório que, se nós hoje olharmos a autoridade do tribunal, ela é inequívoca. E certamente o tribunal não tem uma classificação depreciativa, se tivermos em conta os demais poderes.

ISTOÉ - A ideia de alguns ministros de limitar a transmissão das sessões do STF pela televisão pode prosperar?

Gilmar - Não acredito. Sempre que há algum incidente, e já tivemos alguns, vem essa colocação. Não acredito que essa ideia venha a frutificar ou que tenha maioria no âmbito do tribunal. Na realidade, a TV Justiça é hoje um símbolo da própria transparência do STF, que vem inclusive sendo imitada.

ISTOÉ - O sr. acha que poderia haver um outro sistema para escolher os ministros do STF?

Gilmar - Sempre há possibilidade de aperfeiçoar modelos. Eu tenho a impressão de que esse modelo que praticamos parece ter consistência. Se for introduzido o mandato, por exemplo, nós teremos o problema da renovação contínua da corte. Se abrirmos para uma escolha pelas casas legislativas, haverá o risco da politização excessiva e até mesmo de partidarização. Se abrirmos para a participação de organizações corporativas, teremos o risco da sindicalização das escolhas. É preciso estar atento.



Fonte: Revista IstoÉ

domingo, 14 de junho de 2009

SOBRE A ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS

Dr. Júnior Bonfim:

Crateús está de parabéns com a inauguração de sua Academia de Letras.

Já era tempo, e ela chegou em boa hora.

Que essa iniciativa possa germinar e produzir os frutos de uma colheita de amor e apego às letras e artes na minha querida cidade de Crateús.

Em homenagem transcrevo o discurso de Machado de Assis, pronunciado em 1897, quando da inauguração da Academia Brasileira de Letras e investimento deste no cargo de Presidente daquela academia.

Gabriel Aguiar Vale






Discurso de Inauguração da Academia (20/07/1897)

DISCURSO DE MACHADO DE ASSIS


Pronunciado na sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras em 20 de julho de 1897, ao empossar-se Presidente.


SENHORES,

Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora, que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança.

Não é preciso definir esta instituição. Iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloqüência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.


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Júnior

Crateús está de parabéns por este importante passo a caminho da cultura.

A Academia de Letras de Crateús é mais uma porta que se abre para abrigar o saber neste sertão nordestino.

A fartura de talentos que brota neste chão, merece ter um espaço que abrigue dignamente a cultura do lugar.

Aqui fico esperando a divulgação do quadro acadêmico com seus patronos.

Dalinha Catunda