Artur da Távola costumava dizer que "Música é vida interior. E quem tem vida interior jamais padecerá de solidão!"
Mais ninguém precisa dizer. Considerando que hoje é sábado, vamos nos entregar aos embalos da boa música:
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
sábado, 1 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
SECA NÃO É CHORO DE POETA
Se seca fosse só lenda
Ou canto de nordestino
Bardo chorando o destino
Em rimas numa contenda
Para ganhar grana ou prenda,
O que avistei no sertão
Seria só ilusão,
Loucura de minha mente,
Que com certeza demente
Só ver alucinação.
*
Você que fala em progresso,
Projeto de irrigação
Vá visitar meu torrão
Porque lá terá acesso
Ao mais penoso processo
Duma seca de amargar,
Gado querendo pastar,
Açude virando lama
E quando um vate reclama,
O doutor chega a zombar.
*
O orvalho ao amanhecer
Alegra o olhar cansado
Do camponês esforçado,
Que nem sabe o que fazer,
Vendo o sol resplandecer,
De água só seu suor
O mundo já foi melhor
Diz olhando para o céu
E abraçando seu chapéu
Da vida espera o pior.
*
Por isso caro doutor
Faça um trabalho de campo
Pegue com gosto no trampo
Eu lhe peço, por favor,
Só assim vou dar valor
As lições que você dita
Conheça nossa desdita
Para dar opinião
Visite o meu sertão
Não queira só fazer fita.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
A Procissão
Abro a coluna com pequena homenagem à Mangueira. Qual delas?
A solene procissão descia uma rua do RJ numa Semana Santa, a imagem de Nossa Senhora no andor carregado por homens contritos. Foi quando saiu um bêbado de um boteco e gritou: "Olha a Mangueira aí, gente!". Os olhos do padre e de seus fiéis faiscaram de indignação diante da insolência de comparar a procissão a uma escola de samba. O bêbado insistiu: "Olha a Mangueira aí, gente!". Alguns metros abaixo, um barulho - a imagem da santa espatifou-se contra um galho de árvore. E o bêbado voltou vitorioso:
- Eu bem que avisei que tinha uma mangueira aí, gente !
(Enviada por Luciano Ornelas)
Os pepinos de Rosemary
A ex-chefe do escritório da presidência em SP, Rosemary Noronha, parecia inabalável no cargo. Nomeada por Lula, endossada pela presidente Dilma, amiga do ex-ministro José Dirceu, com quem trabalhou, tinha imagem de poderosa e voluntariosa. Indiciada pela PF na Operação Porto Seguro, que apura um esquema de fraudes em pareceres técnicos de órgãos públicos com a finalidade de beneficiar empresas privadas, foi demitida. Há suspeição sobre sua conduta. Sua filha, Mirelle, também foi demitida da ANAC, onde tinha cargo comissionado. Impressiona, porém, a agilidade da presidente Dilma. Passou a faca rapidamente no cancro descoberto. Os pepinos de Rosemary até poderão ter desdobramentos. Mas a maneira de Dilma administrar crises e tensões é bem diferente do modo mais complacente dos tempos de Lula.
Classe média
A estratégia de demitir quadros e mandar apurar rapidamente os casos nebulosos é bem usada pelo governo para causar boa impressão nas classes médias.
Lula traído?
Lula teria se sentido "apunhalado pelas costas". A punhalada, no caso, teria sido desfechada pela Rosemary. Mas a expressão, de tão banalizada por políticos que se dizem petrificados por absurdos atos cometidos por pessoas próximas, perdeu o crédito. Virou escudo expressivo de proteção. Luiz Inácio, protegido pelo carisma e admiração de galeras de todos os patamares, pode dar-se ao luxo de se valer do batido refrão.
Imagens no alto
Pergunta insistente ao consultor: o que explica a alta avaliação da presidente Dilma e do ex-presidente Lula pela sociedade? Resposta recorrente: a geografia do agradecimento. Que obedece aos seguintes espaços: bolso, estômago, coração e cabeça. Bolso com grana do Bolsa Família significa geladeira bem provida; geladeira cheia propicia barriga satisfeita; barriga satisfeita amolece o coração; coração agradecido envia estímulos à cabeça. Que, ao final do percurso, decide aprovar a administração dos pais e mães do Bolso com a grana do Bolsa Família e programas congêneres.
Mensalão no fim
Joaquim Barbosa, agora como presidente, vai cumprir a liturgia do cargo. Menos exasperação e mais comedimento. Sem transigir com a firmeza. O mensalão vai chegando ao seu final graças à maneira como Carlos Ayres Britto o conduziu. Dele, pinço trecho do meu último artigo: "Lhaneza, cordialidade, simplicidade, disciplina, capacidade de juntar os contrários emergem como virtudes desse magistrado, cujo pendor para a contemplação e meditação, sob um véu de espiritualidade, funcionou como eixo de equilíbrio e luz do bom senso. Quase um milagre, por se saber que, naquele ambiente, os egos tendem a se inflamar...".
"Não perdi a viagem"
"... Há pouco mais de três meses, ao chamar para si a responsabilidade de comandar o julgamento da mais emblemática ação penal do Supremo e o maior caso de corrupção no Brasil, o baixinho poeta Britto parecia navegar sozinho num oceano de descrença. Hoje, com o processo na reta final, sai sob aplausos, reconhecido como magistrado que honrou a toga, um ser profundamente arraigado nas raízes do humanismo, capaz de colorir a práxis do cientista jurídico com as cores exóticas da física quântica, tudo isso embalado na expressão da alma poética. Feliz, confessa: 'não perdi a viagem'. Sim, o país também. Que o acompanhou no caminhar do avanço". (Trecho do meu artigo de domingo passado)
O foco de Joaquim
O presidente Joaquim Barbosa fez um discurso simples e direto em sua posse no STF. Pinço como destaque a parte em que promete fazer uma devassa nos Tribunais para apurar desvios de conduta, a partir do tráfico de influência exercido principalmente por parentes de juízes. Disse ele: "É preciso reforçar a independência do juiz. Afastá-lo desde cedo das más influências". Barbosa criticou a promoção de juízes de primeiro grau por interesses políticos. "Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam o serviço público da Justiça".
Coisa de músico
O pianista Helvius Vilela, conhecido por acompanhar Carlos Drummond de Andrade na leitura de algumas de suas poesias num disco, costumava exagerar na bebida. Certa noite passou da conta, os donos da festa decidiram se livrar do incômodo e o colocaram dentro de um táxi. Ao que o motorista perguntou:
- Para onde, senhor?
E ele respondeu:
- Sabe-se lá...
E ali ficaram até de manhã, quando o músico recuperou sua provável sobriedade.
(Da lavra de Luciano Ornelas)
Economia sob controle
Se a economia continuar sob firme controle, mesmo com crescimento abaixo das expectativas, os horizontes de 2014 serão muito favoráveis ao situacionismo. Em outras palavras, a presidente Dilma continuará no assento.
Economia destrambelhada
Se a locomotiva econômica não conseguir segurar os trens no trilho, as oposições poderiam vislumbrar uma chance. E pensar na cadeira do Planalto.
Mas...
Há um porém no meio das oposições. Quem seria o candidato a reunir as forças oposicionistas? Aécio Neves? Ao senador mineiro, falta discurso. Parece muito despreparado. Às oposições, falta um projeto de país. Tem projeto de poder, mas não um projeto de Nação. Eduardo Campos? Ora, esse governador do PSB não tem força no Sudeste. Marcio Lacerda, prefeito de BH, seria seu cabo eleitoral na região, dizem. Ora, Marcio não é extensão de Aécio Neves, do PSDB?
PMDB e PT
A cada dia, consolida-se parceria entre PMDB e PT. Do ponto de vista imediato, isso significa apoio petista à eleição de Henrique Alves e Renan Calheiros, ambos do PMDB, às presidências da Câmara e Senado. PMDB seria o principal parceiro da base governista. E garantiria a vaga para Michel Temer em 2014. Aliás, o vice tem tido uma atuação discreta. E com uma imensa pauta de responsabilidades. A presidente Dilma tem atribuído a Michel Temer importantes missões na frente das representações do Estado e do governo brasileiros em importantes países, como China, Rússia, Itália, México, entre outros.
Bizarro - I
Se a Anvisa conseguir proibir a venda de álcool líquido no comércio - contra a vontade e a experiência das donas de casa -, o país pode assistir a um espetáculo inusitado. Como é o mesmo produto que abastece os automóveis, antevê-se uma fila de senhoras com vasilhas nas mãos para comprar álcool em postos de gasolina. Embora não tenha critérios nessa questão do álcool, deve-se considerar que a Anvisa é muito criativa: será assunto em todos os meios de comunicação em que haja uma coluna chamada "Insanidade".
Bizarro - II
Para ilustrar seu parecer pela inconstitucionalidade de uma lei que tenta proibir o uso do amianto em São Paulo, o ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, valeu-se do exemplo do famoso caso do Césio 137, em Goiânia. Carroceiros encontraram um aparelho usado em radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia e o revenderam ao dono de um ferro velho. Desconhecedor do risco, o homem retirou o césio do invólucro de chumbo e utilizou-o para diversas finalidades. Segundo estimativas, 112.800 pessoas foram afetadas pela radiação de apenas 93g de Césio 137. Morreram o dono do ferro velho, a esposa e a filha. "Presente o quadro, indago: seria o caso de banir os aparelhos de radiografia do país?". Evidente que não, conclui. É este o caso: é provável que alguns "mais tontos" tenham se queimado com álcool líquido ao tentar acender a churrasqueira quando não deviam. Agora, a Anvisa quer banir o álcool líquido no país. A Anvisa caminha de um lado, a Justiça de outro.
Alckmin em apuros?
Depois de frequentar por largo tempo os espaços dos Céus, o governador Geraldo Alckmin inicia uma trajetória pelo inferno. Os astros parecem conspirar contra ele. Sem um grande eixo positivo, o governador paulista arrisca-se a ser embalado pelo véu sangrento. Em SP, a violência assume proporções e catástrofe. Apesar de números não tão extraordinários em se tratando de Brasil. Mas a mídia está pondo lenha na fogueira. E se isso ocorrer, adeus reeleição. Adicione-se o fato de que os tucanos começam a sofrer em SP os efeitos da corrosão de material. São quase 20 anos de poder. O povo gosta de testar novas páginas no livro da governança.
Você tem razão
"Getúlio defendia a tese segundo a qual não devia ter nenhum amigo de que não pudesse se desfazer, e nenhum inimigo do qual não pudesse se aproximar. Foi amigo e inimigo de João Neves da Fontoura, José Américo de Almeida, Adhemar de Barros, Juarez Távora, Borges de Medeiros, Juracy Magalhães, Eduardo Gomes, Eurico Gaspar Dutra. Sua capacidade de não tomar posição quando não queria era lendária. Conta-se que, certa vez, recebeu um político, ouviu-o e, no final, lhe disse que tinha toda a razão. Logo depois, recebeu o principal adversário deste político, ouviu-o e também lhe deu razão. Alzira, sua filha (que seria esposa de um governador do Rio, Amaral Peixoto, e sogra de outro, Moreira Franco), estranhou: "Papai, o senhor ouviu duas histórias opostas e deu razão aos dois!". Getúlio, sorridente: "Sabe que você também tem razão ?". (De Carlos Brickmann em A vida é um palanque)
PSB gera desconfiança
Após reinar por um tempo no alto da visibilidade, Eduardo Campos e seu PSB começam a ser olhados com desconfiança. O deputado Julio Salgado, do PSB mineiro, vê despencar sua candidatura à presidência da Câmara. Eduardo flerta com as oposições e tenta convencer que continua sendo um bom aliado do governo Dilma. Para tanto, usa a amizade que conserva com Lula. Mas o governador pernambucano acaba expandindo a distância do Palácio do Planalto.
Kassab na base A
O prefeito Gilberto Kassab confessa que já cumpriu todos os compromissos que tinha com Serra. Agora, vai alargar seu próprio caminho. Seu partido, PSD, será aliado do governo. Dilma convidou Kassab para compor o Ministério. Educadamente, o alcaide não aceitou com a justificativa de que gostaria de tempo para se habilitar a uma candidatura majoritária em 2014. Nos cargos de governador ou senador. Mas seu partido aceita o convite e indicará um nome. A propósito, o prefeito tem procurado o PMDB para formar uma ampla parceria em torno dos projetos de 2014.
Lutem, pediu Hakim
Hakim gostava de passear à noite usando todos os tipos de disfarces. Numa dessas caminhadas noturnas, numa colina próxima ao Cairo, ele encontrou dez homens bem armados que o reconheceram e que lhe pediram dinheiro. Ele lhes disse: "Separem-se em dois grupos e lutem uns contra os outros; quem sair vencedor receberá dinheiro de mim". Eles obedeceram e lutaram com tanto ímpeto que nove deles perderam a vida.
Trucidem, ordenou Hakim
Ao que sobreviveu Hakim lançou uma grande quantidade de peças de ouro que carregava na manga. Mas, enquanto o homem se agachava para recolhê-las, Hakim mandou que fosse trucidado por seus criados. Desta forma ele demonstrou sua clara compreensão do processo da sobrevivência; ele o gozava como uma espécie de representação que ele mesmo provocava e, no final, o aniquilamento do sobrevivente ainda servia para lhe dar alegria. (De Elias Canetti em Massa e Poder)
Conselho ao Ministro Barbosa
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos vereadores eleitos. Hoje a atenção se volta ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF:
1. O Brasil espera que continue a cumprir sua missão com renovada força. Mas a liturgia do cargo impõe atitudes menos nervosas e destemperadas.
2. Junte forças e convoque a sociedade para alcançar a meta de passar uma vassoura no lixo que se esconde em alguns corredores do próprio Poder Judiciário.
3. Continue a abrir as portas da Alta Corte de forma que ela possa absorver as temáticas de alta prioridade para a harmonia e o equilíbrio social.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com pequena homenagem à Mangueira. Qual delas?
A solene procissão descia uma rua do RJ numa Semana Santa, a imagem de Nossa Senhora no andor carregado por homens contritos. Foi quando saiu um bêbado de um boteco e gritou: "Olha a Mangueira aí, gente!". Os olhos do padre e de seus fiéis faiscaram de indignação diante da insolência de comparar a procissão a uma escola de samba. O bêbado insistiu: "Olha a Mangueira aí, gente!". Alguns metros abaixo, um barulho - a imagem da santa espatifou-se contra um galho de árvore. E o bêbado voltou vitorioso:
- Eu bem que avisei que tinha uma mangueira aí, gente !
(Enviada por Luciano Ornelas)
Os pepinos de Rosemary
A ex-chefe do escritório da presidência em SP, Rosemary Noronha, parecia inabalável no cargo. Nomeada por Lula, endossada pela presidente Dilma, amiga do ex-ministro José Dirceu, com quem trabalhou, tinha imagem de poderosa e voluntariosa. Indiciada pela PF na Operação Porto Seguro, que apura um esquema de fraudes em pareceres técnicos de órgãos públicos com a finalidade de beneficiar empresas privadas, foi demitida. Há suspeição sobre sua conduta. Sua filha, Mirelle, também foi demitida da ANAC, onde tinha cargo comissionado. Impressiona, porém, a agilidade da presidente Dilma. Passou a faca rapidamente no cancro descoberto. Os pepinos de Rosemary até poderão ter desdobramentos. Mas a maneira de Dilma administrar crises e tensões é bem diferente do modo mais complacente dos tempos de Lula.
Classe média
A estratégia de demitir quadros e mandar apurar rapidamente os casos nebulosos é bem usada pelo governo para causar boa impressão nas classes médias.
Lula traído?
Lula teria se sentido "apunhalado pelas costas". A punhalada, no caso, teria sido desfechada pela Rosemary. Mas a expressão, de tão banalizada por políticos que se dizem petrificados por absurdos atos cometidos por pessoas próximas, perdeu o crédito. Virou escudo expressivo de proteção. Luiz Inácio, protegido pelo carisma e admiração de galeras de todos os patamares, pode dar-se ao luxo de se valer do batido refrão.
Imagens no alto
Pergunta insistente ao consultor: o que explica a alta avaliação da presidente Dilma e do ex-presidente Lula pela sociedade? Resposta recorrente: a geografia do agradecimento. Que obedece aos seguintes espaços: bolso, estômago, coração e cabeça. Bolso com grana do Bolsa Família significa geladeira bem provida; geladeira cheia propicia barriga satisfeita; barriga satisfeita amolece o coração; coração agradecido envia estímulos à cabeça. Que, ao final do percurso, decide aprovar a administração dos pais e mães do Bolso com a grana do Bolsa Família e programas congêneres.
Mensalão no fim
Joaquim Barbosa, agora como presidente, vai cumprir a liturgia do cargo. Menos exasperação e mais comedimento. Sem transigir com a firmeza. O mensalão vai chegando ao seu final graças à maneira como Carlos Ayres Britto o conduziu. Dele, pinço trecho do meu último artigo: "Lhaneza, cordialidade, simplicidade, disciplina, capacidade de juntar os contrários emergem como virtudes desse magistrado, cujo pendor para a contemplação e meditação, sob um véu de espiritualidade, funcionou como eixo de equilíbrio e luz do bom senso. Quase um milagre, por se saber que, naquele ambiente, os egos tendem a se inflamar...".
"Não perdi a viagem"
"... Há pouco mais de três meses, ao chamar para si a responsabilidade de comandar o julgamento da mais emblemática ação penal do Supremo e o maior caso de corrupção no Brasil, o baixinho poeta Britto parecia navegar sozinho num oceano de descrença. Hoje, com o processo na reta final, sai sob aplausos, reconhecido como magistrado que honrou a toga, um ser profundamente arraigado nas raízes do humanismo, capaz de colorir a práxis do cientista jurídico com as cores exóticas da física quântica, tudo isso embalado na expressão da alma poética. Feliz, confessa: 'não perdi a viagem'. Sim, o país também. Que o acompanhou no caminhar do avanço". (Trecho do meu artigo de domingo passado)
O foco de Joaquim
O presidente Joaquim Barbosa fez um discurso simples e direto em sua posse no STF. Pinço como destaque a parte em que promete fazer uma devassa nos Tribunais para apurar desvios de conduta, a partir do tráfico de influência exercido principalmente por parentes de juízes. Disse ele: "É preciso reforçar a independência do juiz. Afastá-lo desde cedo das más influências". Barbosa criticou a promoção de juízes de primeiro grau por interesses políticos. "Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam o serviço público da Justiça".
Coisa de músico
O pianista Helvius Vilela, conhecido por acompanhar Carlos Drummond de Andrade na leitura de algumas de suas poesias num disco, costumava exagerar na bebida. Certa noite passou da conta, os donos da festa decidiram se livrar do incômodo e o colocaram dentro de um táxi. Ao que o motorista perguntou:
- Para onde, senhor?
E ele respondeu:
- Sabe-se lá...
E ali ficaram até de manhã, quando o músico recuperou sua provável sobriedade.
(Da lavra de Luciano Ornelas)
Economia sob controle
Se a economia continuar sob firme controle, mesmo com crescimento abaixo das expectativas, os horizontes de 2014 serão muito favoráveis ao situacionismo. Em outras palavras, a presidente Dilma continuará no assento.
Economia destrambelhada
Se a locomotiva econômica não conseguir segurar os trens no trilho, as oposições poderiam vislumbrar uma chance. E pensar na cadeira do Planalto.
Mas...
Há um porém no meio das oposições. Quem seria o candidato a reunir as forças oposicionistas? Aécio Neves? Ao senador mineiro, falta discurso. Parece muito despreparado. Às oposições, falta um projeto de país. Tem projeto de poder, mas não um projeto de Nação. Eduardo Campos? Ora, esse governador do PSB não tem força no Sudeste. Marcio Lacerda, prefeito de BH, seria seu cabo eleitoral na região, dizem. Ora, Marcio não é extensão de Aécio Neves, do PSDB?
PMDB e PT
A cada dia, consolida-se parceria entre PMDB e PT. Do ponto de vista imediato, isso significa apoio petista à eleição de Henrique Alves e Renan Calheiros, ambos do PMDB, às presidências da Câmara e Senado. PMDB seria o principal parceiro da base governista. E garantiria a vaga para Michel Temer em 2014. Aliás, o vice tem tido uma atuação discreta. E com uma imensa pauta de responsabilidades. A presidente Dilma tem atribuído a Michel Temer importantes missões na frente das representações do Estado e do governo brasileiros em importantes países, como China, Rússia, Itália, México, entre outros.
Bizarro - I
Se a Anvisa conseguir proibir a venda de álcool líquido no comércio - contra a vontade e a experiência das donas de casa -, o país pode assistir a um espetáculo inusitado. Como é o mesmo produto que abastece os automóveis, antevê-se uma fila de senhoras com vasilhas nas mãos para comprar álcool em postos de gasolina. Embora não tenha critérios nessa questão do álcool, deve-se considerar que a Anvisa é muito criativa: será assunto em todos os meios de comunicação em que haja uma coluna chamada "Insanidade".
Bizarro - II
Para ilustrar seu parecer pela inconstitucionalidade de uma lei que tenta proibir o uso do amianto em São Paulo, o ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, valeu-se do exemplo do famoso caso do Césio 137, em Goiânia. Carroceiros encontraram um aparelho usado em radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia e o revenderam ao dono de um ferro velho. Desconhecedor do risco, o homem retirou o césio do invólucro de chumbo e utilizou-o para diversas finalidades. Segundo estimativas, 112.800 pessoas foram afetadas pela radiação de apenas 93g de Césio 137. Morreram o dono do ferro velho, a esposa e a filha. "Presente o quadro, indago: seria o caso de banir os aparelhos de radiografia do país?". Evidente que não, conclui. É este o caso: é provável que alguns "mais tontos" tenham se queimado com álcool líquido ao tentar acender a churrasqueira quando não deviam. Agora, a Anvisa quer banir o álcool líquido no país. A Anvisa caminha de um lado, a Justiça de outro.
Alckmin em apuros?
Depois de frequentar por largo tempo os espaços dos Céus, o governador Geraldo Alckmin inicia uma trajetória pelo inferno. Os astros parecem conspirar contra ele. Sem um grande eixo positivo, o governador paulista arrisca-se a ser embalado pelo véu sangrento. Em SP, a violência assume proporções e catástrofe. Apesar de números não tão extraordinários em se tratando de Brasil. Mas a mídia está pondo lenha na fogueira. E se isso ocorrer, adeus reeleição. Adicione-se o fato de que os tucanos começam a sofrer em SP os efeitos da corrosão de material. São quase 20 anos de poder. O povo gosta de testar novas páginas no livro da governança.
Você tem razão
"Getúlio defendia a tese segundo a qual não devia ter nenhum amigo de que não pudesse se desfazer, e nenhum inimigo do qual não pudesse se aproximar. Foi amigo e inimigo de João Neves da Fontoura, José Américo de Almeida, Adhemar de Barros, Juarez Távora, Borges de Medeiros, Juracy Magalhães, Eduardo Gomes, Eurico Gaspar Dutra. Sua capacidade de não tomar posição quando não queria era lendária. Conta-se que, certa vez, recebeu um político, ouviu-o e, no final, lhe disse que tinha toda a razão. Logo depois, recebeu o principal adversário deste político, ouviu-o e também lhe deu razão. Alzira, sua filha (que seria esposa de um governador do Rio, Amaral Peixoto, e sogra de outro, Moreira Franco), estranhou: "Papai, o senhor ouviu duas histórias opostas e deu razão aos dois!". Getúlio, sorridente: "Sabe que você também tem razão ?". (De Carlos Brickmann em A vida é um palanque)
PSB gera desconfiança
Após reinar por um tempo no alto da visibilidade, Eduardo Campos e seu PSB começam a ser olhados com desconfiança. O deputado Julio Salgado, do PSB mineiro, vê despencar sua candidatura à presidência da Câmara. Eduardo flerta com as oposições e tenta convencer que continua sendo um bom aliado do governo Dilma. Para tanto, usa a amizade que conserva com Lula. Mas o governador pernambucano acaba expandindo a distância do Palácio do Planalto.
Kassab na base A
O prefeito Gilberto Kassab confessa que já cumpriu todos os compromissos que tinha com Serra. Agora, vai alargar seu próprio caminho. Seu partido, PSD, será aliado do governo. Dilma convidou Kassab para compor o Ministério. Educadamente, o alcaide não aceitou com a justificativa de que gostaria de tempo para se habilitar a uma candidatura majoritária em 2014. Nos cargos de governador ou senador. Mas seu partido aceita o convite e indicará um nome. A propósito, o prefeito tem procurado o PMDB para formar uma ampla parceria em torno dos projetos de 2014.
Lutem, pediu Hakim
Hakim gostava de passear à noite usando todos os tipos de disfarces. Numa dessas caminhadas noturnas, numa colina próxima ao Cairo, ele encontrou dez homens bem armados que o reconheceram e que lhe pediram dinheiro. Ele lhes disse: "Separem-se em dois grupos e lutem uns contra os outros; quem sair vencedor receberá dinheiro de mim". Eles obedeceram e lutaram com tanto ímpeto que nove deles perderam a vida.
Trucidem, ordenou Hakim
Ao que sobreviveu Hakim lançou uma grande quantidade de peças de ouro que carregava na manga. Mas, enquanto o homem se agachava para recolhê-las, Hakim mandou que fosse trucidado por seus criados. Desta forma ele demonstrou sua clara compreensão do processo da sobrevivência; ele o gozava como uma espécie de representação que ele mesmo provocava e, no final, o aniquilamento do sobrevivente ainda servia para lhe dar alegria. (De Elias Canetti em Massa e Poder)
Conselho ao Ministro Barbosa
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos vereadores eleitos. Hoje a atenção se volta ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF:
1. O Brasil espera que continue a cumprir sua missão com renovada força. Mas a liturgia do cargo impõe atitudes menos nervosas e destemperadas.
2. Junte forças e convoque a sociedade para alcançar a meta de passar uma vassoura no lixo que se esconde em alguns corredores do próprio Poder Judiciário.
3. Continue a abrir as portas da Alta Corte de forma que ela possa absorver as temáticas de alta prioridade para a harmonia e o equilíbrio social.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 27 de novembro de 2012
LIÇÕES DE VIDA!
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!/ (...) Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!/ A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,/ É um seio de mãe a transbordar carinhos./ Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos...
Suponho que foi no período da escola primária quando tive o primeiro contato com os versos triunfalistas de Olavo Bilac sobre a pátria. Impregnou-se à pele de minha alma – qual uma bendita tatuagem! – esse apelo amoroso. Nasci na fazenda Mondubim, que dista 23 quilômetros da cidade de Crateús. Aquele casarão em que me puseram pela primeira vez em interação com este mundo nunca se despregou da minha memória. Nos últimos anos tive a oportunidade de constantemente revisitá-lo. Visitar o Mondubim é, para mim, manter permanentemente úmidas as genuínas raízes, molhadas pelas águas sentimentais da infância.
Sucede que, além de mergulhar nos balseiros originais, aproveitava para pedir a benção da minha avó, Raimunda Rodrigues Bonfim, a Missanta, e desfrutar do manancial de sua sabedoria existencial. Ela deixou o nosso convívio no último dia 16 de novembro de 2012.
Sua lembrança e seu legado de ensinamentos permanecem como uma cacimba inesgotável naquele árido sertão. Causou-me estupefação aquela simples mulher, desprovida de discos e livros, distante dos sofisticados laboratórios de cultura formal, ser detentora de um corolário extraordinário, um tão seleto celeiro de lição vital.
Destaco três facetas suas, dentre muitas que me impressionavam: a primeira diz respeito à sua construção pessoal; a segunda, o talento convivencial e a terceira, a sua compreensão da morte.
Missanta regava, com igual zelo, os jardins interior e exterior. Cuidava do caule e do casco da sua árvore pessoal. Sabia que o acaso - na comunicação religiosa chamamos Deus - a protegia. Além da essência, cuidava da aparência. Era vaidosa, no bom sentido. É. Assim como existe o bom colesterol, existe a boa vaidade. Certa feita, admirada com um vestido usado pela apresentadora Fátima Bernardes, encomendou a confecção de um similar. Estava vestida nele quando foi enterrada. Por isso estava bela.
Outra de suas habilidades era a de evitar conflitos. Quando estava rodeada de pessoas, era habituée observar as reações, medir as palavras e se portar de modo a não ferir ninguém. Os conflitos, os embates, as imposições de vontade, os confrontos e dissensos são sempre o caminho mais curto para a solução de problemas. Aparentemente, é o percurso mais lógico e racional. Seguramente, o menos civilizado e inteligente, também. O respeito à pluralidade, a incorporação dos diferentes, a construção de consensos constitui uma vereda mais longa, exigente, difícil e vagarosa. Porém, é a estrada da sabedoria. Foi a que Missanta resolveu trilhar.
O terceiro – e não menos surpreendente – farol de sua personalidade foi a maneira como encarou a morte. Acompanhando o jeito Tibetano (oriental) de encarar a morte, a jornalista Maria Fernanda Vomero chegou à seguinte conclusão: “A morte faz parte da vida. Todos começamos a morrer exatamente no dia em que nascemos. A morte, portanto, é um etapa da nossa existência com a qual temos que conviver. Pode-se conviver melhor ou pior com ela. Mas não se pode evitá-la. (...) Mas o fato é que todos nós estamos programados para nascer, crescer e morrer – uma obviedade esquecida por boa parte da sociedade ocidental contemporânea, que teima em ver a morte como um evento artificial, inesperado e injusto. Sobretudo, costumamos vê-la como um evento exclusivo, pessoal, que isola quem sofre uma perda, por meio da dor, do resto do mundo. Quando, ao contrário, não há nada menos exclusivo do que morrer”.
Pouco antes morrer, Missanta sofreu três paradas cardíacas. Na última, mirou o médico e falou lucidamente: - “Doutor, minha hora chegou! Diga para a minha família que vou em paz”. E fechou os olhos.
Cuidar de si mesmo - zelar pelo templo pessoal; ajudar na preservação da praça da integração social – conviver bem com o próximo; ter plena consciência da morte como algo inevitável - que deve ser encarada com serenidade – são três das muitas lições de vida que a matriarca do Mondubim nos ofertou.
Missanta, que por um eflúvio de graça veio a ser minha avó, foi uma mulher exemplar. Aproveitou até a morte para fazer uma homenagem à vida!
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
OBSERVATÓRIO
Na segunda-feira, dia 19 de novembro, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) reuniu os Prefeitos cearenses eleitos e reeleitos este ano para apresentar ações e distribuir uma cartilha de orientação aos novos mandatários. A Corte de Contas, ciosamente presidida pelo crateuense Manoel Veras, foi destaque nacional na atual gestão, obtendo inclusive premiação inédita. Além de aprofundar o processo de modernização do órgão, Manoel Veras intensificou as atividades fiscalizatórias e tem agido proativamente para evitar o desmonte nas Prefeituras. Sem se falar que, na última eleição, o TRE Cearense foi o mais operoso na aplicação da Lei da Ficha Limpa graças à atuação do TCM, que forneceu a mais expressiva lista de inelegíveis do País.
APRECE
O prefeito Carlos Felipe articula candidatura à Presidência da entidade que congrega os prefeitos cearenses, APRECE. Ao lado da atual Presidenta da Instituição, Eliene Brasileiro, Felipe cumprimentou o Presidente do TCM, Manoel Veras. Se eleito, o Prefeito de Crateús ganhará visibilidade estadual. Pavimentará o caminho para uma futura candidatura a Deputado. No entanto, para disputar uma vaga proporcional nas próximas eleições, Felipe terá que renunciar ao comando do Executivo Municipal daqui a pouco mais de um ano. E Mauro Soares se efetivará na Chefia da Municipalidade com direito à reeleição.
NOVOS PREFEITOS
Há um clima de muita expectativa na região em torno dos novos prefeitos. Alguns têm experiência anterior; outros não. Em Ipaporanga, o ex-prefeito Toinho Contábil assume consciente que os tempos são diferentes do período em que esteve à frente daquela Prefeitura, nos anos de 1993 a 1996. Tony Jorge, que dirigirá Catunda pela segunda vez, vive situação parecida. Jeová Madeiro, filho do ex-prefeito Chico, em Monsenhor Tabosa, apesar da juventude da idade, também sabe dos desafios que o aguardam. O advogado Ramiro Júnior, em Tamboril, é um político com traquejo no Legislativo e no Executivo. Nova Russas reacende as esperanças com o empresário Gonçalo Diogo. O contador Aristeu, que dirigirá a Prefeitura de Ararendá, tem os pés no chão. Na Poranga, o doutor Carlisson, apesar de suceder um aliado, pretende fazer muitas inovações.
NOVOS PREFEITOS II
Novo Oriente é um caso atípico. O próprio grupo, que comanda o município há 24 anos, avaliou que devia deixar o Prefeito eleito Godô totalmente livre. E este estuda significativas mudanças. Em Quiterianópolis, o médico José Barreto Couto Neto, o doutor Barreto, também sabe dos enormes obstáculos que haverá de transpor. Patrícia Aguiar, detentora da mais expressiva maioria em Tauá, sabe que terá fazer mais do mais. Sua meta é ousada: elevar o grau de excelência de um modelo de gestão muito bem avaliado.
NOVOS PREFEITOS III
De toda a região, Independência é o único município que até poucos dias tinha duas candidaturas com decisões judiciais desfavoráveis proferidas pelo Juiz Eleitoral Cesar Morel de Alcântara. Porém, em relação ao Prefeito eleito Valterlin, o TRE reformou a decisão do Juiz. Assim, é certo dizer que inexiste óbice legal à diplomação de Luiz Valterlin Coutinho. Todos sabem que Valterlin, em função dos problemas de saúde que o acometeram, enfrentou a mais adversa das campanhas, razão pela qual sua posse está cercada de muitas esperanças.
MACHADO
Nos últimos dias foram frequentes as informações dando conta da morte de pessoas amigas e queridas. Uma delas foi Antonio Silva Machado. Vereador por vários mandatos, Antonio Machado era um sujeito do bem, detentor de voz potente e elegante, que chegou inclusive ao comando do Legislativo Municipal. Tive a oportunidade de com ele conviver por muito tempo. Amava a política. Adorava servir às pessoas. Distanciava-se das polêmicas inúteis. Costumava fazer uso dos dotes de oratória para propagar boas notícias. Minhas condolências à família.
RAIMUNDINHO
O poeta Raimundo Cândido, o mais emblemático exemplo da germinação literária e cultural insuflada pala Academia de Letras de Crateús (ALC), lançou dia 17 de novembro pretérito o livro "Cratheús - Do Portão da Feira aos Galos das Torres", uma coletânea de crônicas sobre a terra do Senhor do Bonfim. Terceira de suas obras literárias, o livro será em breve lançado aqui em Fortaleza.
PARA REFLETIR
"Deixamos as sementes plantadas, e mais do que nunca percebemos o valor daquela sua proposição máxima: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Lembra-se!" (Raimundo Cândido)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
APRECE
O prefeito Carlos Felipe articula candidatura à Presidência da entidade que congrega os prefeitos cearenses, APRECE. Ao lado da atual Presidenta da Instituição, Eliene Brasileiro, Felipe cumprimentou o Presidente do TCM, Manoel Veras. Se eleito, o Prefeito de Crateús ganhará visibilidade estadual. Pavimentará o caminho para uma futura candidatura a Deputado. No entanto, para disputar uma vaga proporcional nas próximas eleições, Felipe terá que renunciar ao comando do Executivo Municipal daqui a pouco mais de um ano. E Mauro Soares se efetivará na Chefia da Municipalidade com direito à reeleição.
NOVOS PREFEITOS
Há um clima de muita expectativa na região em torno dos novos prefeitos. Alguns têm experiência anterior; outros não. Em Ipaporanga, o ex-prefeito Toinho Contábil assume consciente que os tempos são diferentes do período em que esteve à frente daquela Prefeitura, nos anos de 1993 a 1996. Tony Jorge, que dirigirá Catunda pela segunda vez, vive situação parecida. Jeová Madeiro, filho do ex-prefeito Chico, em Monsenhor Tabosa, apesar da juventude da idade, também sabe dos desafios que o aguardam. O advogado Ramiro Júnior, em Tamboril, é um político com traquejo no Legislativo e no Executivo. Nova Russas reacende as esperanças com o empresário Gonçalo Diogo. O contador Aristeu, que dirigirá a Prefeitura de Ararendá, tem os pés no chão. Na Poranga, o doutor Carlisson, apesar de suceder um aliado, pretende fazer muitas inovações.
NOVOS PREFEITOS II
Novo Oriente é um caso atípico. O próprio grupo, que comanda o município há 24 anos, avaliou que devia deixar o Prefeito eleito Godô totalmente livre. E este estuda significativas mudanças. Em Quiterianópolis, o médico José Barreto Couto Neto, o doutor Barreto, também sabe dos enormes obstáculos que haverá de transpor. Patrícia Aguiar, detentora da mais expressiva maioria em Tauá, sabe que terá fazer mais do mais. Sua meta é ousada: elevar o grau de excelência de um modelo de gestão muito bem avaliado.
NOVOS PREFEITOS III
De toda a região, Independência é o único município que até poucos dias tinha duas candidaturas com decisões judiciais desfavoráveis proferidas pelo Juiz Eleitoral Cesar Morel de Alcântara. Porém, em relação ao Prefeito eleito Valterlin, o TRE reformou a decisão do Juiz. Assim, é certo dizer que inexiste óbice legal à diplomação de Luiz Valterlin Coutinho. Todos sabem que Valterlin, em função dos problemas de saúde que o acometeram, enfrentou a mais adversa das campanhas, razão pela qual sua posse está cercada de muitas esperanças.
MACHADO
Nos últimos dias foram frequentes as informações dando conta da morte de pessoas amigas e queridas. Uma delas foi Antonio Silva Machado. Vereador por vários mandatos, Antonio Machado era um sujeito do bem, detentor de voz potente e elegante, que chegou inclusive ao comando do Legislativo Municipal. Tive a oportunidade de com ele conviver por muito tempo. Amava a política. Adorava servir às pessoas. Distanciava-se das polêmicas inúteis. Costumava fazer uso dos dotes de oratória para propagar boas notícias. Minhas condolências à família.
RAIMUNDINHO
O poeta Raimundo Cândido, o mais emblemático exemplo da germinação literária e cultural insuflada pala Academia de Letras de Crateús (ALC), lançou dia 17 de novembro pretérito o livro "Cratheús - Do Portão da Feira aos Galos das Torres", uma coletânea de crônicas sobre a terra do Senhor do Bonfim. Terceira de suas obras literárias, o livro será em breve lançado aqui em Fortaleza.
PARA REFLETIR
"Deixamos as sementes plantadas, e mais do que nunca percebemos o valor daquela sua proposição máxima: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Lembra-se!" (Raimundo Cândido)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
JUSTIÇA PARA TODOS
Ao tomar posse na presidência do Superior Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa terá como missão consolidar a identidade da corte constitucional, preservando a mais respeitada imagem entre os poderes da República e os órgãos a serviço do Estado.
O elevado patamar de respeito alcançado pelo STF não é resultado, apenas, do julgamento da Ação Penal 470, em fase de conclusão, mas a um gradativo processo de reconhecimento por parte da sociedade às suas corajosas decisões.
Nos últimos anos, importantes temáticas acenderam o debate público, bastando lembrar questões como racismo e antisemitismo, progressão do regime prisional, fidelidade partidária, lei da Ficha Limpa, proibição de nepotismo na administração pública, direitos dos índios, direito de greve dos servidores públicos, interrupção da gravidez de feto anencéfalo, uso de células tronco embrionárias humanas e relações homoafetivas, entre outras.
O chamado mensalão coroa o ciclo de percepção social sobre a Suprema Corte, pelo fato de desfazer a cultivada impressão de que, por aqui, poderosos costumam se desprender das teias da lei e pelas implicações político-partidárias que deflagra.
As críticas feitas pelo Partido dos Trabalhadores à condução do julgamento que “condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados”, por mais que se desdobrem em atos internos de protesto ou externos de apelação a organismos internacionais (iniciativa de pouco crédito), não conseguirão empanar a aura que envolve nossa mais alta Corte.
Por isso mesmo, faz sentido acreditar que a semente moral semeada pelo corpo de ministros na seara política deverá alterar comportamentos de representantes e governantes, cientes de que, doravante, deverão cuidar para não ultrapassar limites no campo de costumes e práticas.
Ao novo presidente Joaquim Barbosa, compete, pois, zelar pela densa base de respeito conquistada pela Casa, para a qual, aliás, ele contribuiu com a argamassa de seu relatório sobre o mensalão.
Impõe-se, agora, um comportamento ancorado nas regras ditadas pela liturgia do cargo e o empenho para atingir a elogiável e anunciada meta de acelerar o processo decisório para dar vazão a milhares de processos que se acumulam nos gabinetes.
Dito isto, registre-se o papel do presidente que deixa a Corte, tangido pela compulsória, o sergipano Carlos Ayres Britto, que merece loas pela maneira com que conduziu o julgamento da Ação Penal 470. Lhaneza, cordialidade, simplicidade, disciplina, capacidade de juntar os contrários emergem como virtudes desse magistrado, cujo pendor para a contemplação e meditação, sob um véu de espiritualidade, funcionou como eixo de equilíbrio e luz do bom senso. Quase um milagre, por se saber que, naquele ambiente, os egos tendem a se inflamar.
Há pouco mais de três meses, ao chamar para si a responsabilidade de comandar o julgamento da mais emblemática ação penal do Supremo e o maior caso de corrupção no Brasil, o baixinho poeta Britto parecia navegar sozinho num oceano de descrença.
Hoje, com o processo na reta final, sai sob aplausos, reconhecido como magistrado que honrou a toga, um ser profundamente arraigado nas raízes do humanismo, capaz de colorir a práxis do cientista jurídico com as cores exóticas da física quântica, tudo isso embalado na expressão da alma poética. Feliz, confessa: “não perdi a viagem”. Sim, o país também. Que o acompanhou no caminhar do avanço.
Resta ponderar sobre o teor crítico dirigido ao STF pela condenação de políticos. Parcela do descontentamento aponta como base argumentativa a “decisão de caráter político”, como se os mais altos dignitários da Justiça, que são irremovíveis em seus cargos, fossem induzidos a punir determinado partido.
Ora, foram condenados atores de mais de uma sigla. Quanto ao caráter “político” da decisão, é oportuno lembrar que as cortes constitucionais exercem uma função política, caracterizada na interpretação e decisão sobre a separação de poderes, sobre o federalismo e a defesa dos direitos fundamentais, em suma, tomando posição a respeito das instituições do Estado.
Se a política tem como missão servir à polis, o Estado elege como dever primacial preservar a sociedade, promovendo seu bem comum. Tal meta integra o escopo das Cortes judiciárias, não apenas dos Poderes Executivo e Legislativo.
A relação das temáticas expostas na abertura deste texto denota o caráter político que as acolhe. Entende-se o verbo ácido contra o colegiado jurídico como manifestação (democrática, sem dúvida) de grupos acocorados nos pedestais do poder, principalmente quando as condenações atingem figuras de proa do partido que comanda o governo.
Não é de hoje que a Corte constitucional é alvo de pressões contrárias a sua atuação. O interesse público nem sempre é o interesse de alguns públicos. Em 1893, dois anos depois de ser criado o STF, suas galerias, no Rio de Janeiro, eram tomadas por grupos que vaiavam e aplaudiam os votos de ministros, que concediam ou negavam habeas corpus para presos políticos.
Floriano Peixoto, o presidente da República, depois de ameaçar fechar a Corte, por não concordar com a soltura de um senador adversário, deixou de preencher vagas resultantes da aposentadoria de juízes. O Tribunal passou meses sem trabalhar por falta de quorum.
Getúlio Vargas, em 1931, reduziu por decreto o número de 15 para 11 juízes, aposentando compulsoriamente 5 deles. A ditadura de 1964 aumentou o número de magistrados para 16, mas depois voltou aos 11. Foram atos de força contra a independência do STF.
Nos Estados Unidos, os 9 magistrados que formam a Suprema Corte vez ou outra decepcionam os presidentes da República (republicanos ou democratas) que os nomeiam. Lá, exercem a função por toda a vida ou até quando pedem para sair. Por aqui, aos 70 anos, aposentam-se compulsoriamente. Um buraco de monta no nosso edifício judiciário.
Mesmo assim, é tempo de esperança. Pois tremula no mais alto mastro das instituições a crença de que a justiça, agora, chega para todos.
(Gaudêncio Torquato)
O elevado patamar de respeito alcançado pelo STF não é resultado, apenas, do julgamento da Ação Penal 470, em fase de conclusão, mas a um gradativo processo de reconhecimento por parte da sociedade às suas corajosas decisões.
Nos últimos anos, importantes temáticas acenderam o debate público, bastando lembrar questões como racismo e antisemitismo, progressão do regime prisional, fidelidade partidária, lei da Ficha Limpa, proibição de nepotismo na administração pública, direitos dos índios, direito de greve dos servidores públicos, interrupção da gravidez de feto anencéfalo, uso de células tronco embrionárias humanas e relações homoafetivas, entre outras.
O chamado mensalão coroa o ciclo de percepção social sobre a Suprema Corte, pelo fato de desfazer a cultivada impressão de que, por aqui, poderosos costumam se desprender das teias da lei e pelas implicações político-partidárias que deflagra.
As críticas feitas pelo Partido dos Trabalhadores à condução do julgamento que “condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados”, por mais que se desdobrem em atos internos de protesto ou externos de apelação a organismos internacionais (iniciativa de pouco crédito), não conseguirão empanar a aura que envolve nossa mais alta Corte.
Por isso mesmo, faz sentido acreditar que a semente moral semeada pelo corpo de ministros na seara política deverá alterar comportamentos de representantes e governantes, cientes de que, doravante, deverão cuidar para não ultrapassar limites no campo de costumes e práticas.
Ao novo presidente Joaquim Barbosa, compete, pois, zelar pela densa base de respeito conquistada pela Casa, para a qual, aliás, ele contribuiu com a argamassa de seu relatório sobre o mensalão.
Impõe-se, agora, um comportamento ancorado nas regras ditadas pela liturgia do cargo e o empenho para atingir a elogiável e anunciada meta de acelerar o processo decisório para dar vazão a milhares de processos que se acumulam nos gabinetes.
Dito isto, registre-se o papel do presidente que deixa a Corte, tangido pela compulsória, o sergipano Carlos Ayres Britto, que merece loas pela maneira com que conduziu o julgamento da Ação Penal 470. Lhaneza, cordialidade, simplicidade, disciplina, capacidade de juntar os contrários emergem como virtudes desse magistrado, cujo pendor para a contemplação e meditação, sob um véu de espiritualidade, funcionou como eixo de equilíbrio e luz do bom senso. Quase um milagre, por se saber que, naquele ambiente, os egos tendem a se inflamar.
Há pouco mais de três meses, ao chamar para si a responsabilidade de comandar o julgamento da mais emblemática ação penal do Supremo e o maior caso de corrupção no Brasil, o baixinho poeta Britto parecia navegar sozinho num oceano de descrença.
Hoje, com o processo na reta final, sai sob aplausos, reconhecido como magistrado que honrou a toga, um ser profundamente arraigado nas raízes do humanismo, capaz de colorir a práxis do cientista jurídico com as cores exóticas da física quântica, tudo isso embalado na expressão da alma poética. Feliz, confessa: “não perdi a viagem”. Sim, o país também. Que o acompanhou no caminhar do avanço.
Resta ponderar sobre o teor crítico dirigido ao STF pela condenação de políticos. Parcela do descontentamento aponta como base argumentativa a “decisão de caráter político”, como se os mais altos dignitários da Justiça, que são irremovíveis em seus cargos, fossem induzidos a punir determinado partido.
Ora, foram condenados atores de mais de uma sigla. Quanto ao caráter “político” da decisão, é oportuno lembrar que as cortes constitucionais exercem uma função política, caracterizada na interpretação e decisão sobre a separação de poderes, sobre o federalismo e a defesa dos direitos fundamentais, em suma, tomando posição a respeito das instituições do Estado.
Se a política tem como missão servir à polis, o Estado elege como dever primacial preservar a sociedade, promovendo seu bem comum. Tal meta integra o escopo das Cortes judiciárias, não apenas dos Poderes Executivo e Legislativo.
A relação das temáticas expostas na abertura deste texto denota o caráter político que as acolhe. Entende-se o verbo ácido contra o colegiado jurídico como manifestação (democrática, sem dúvida) de grupos acocorados nos pedestais do poder, principalmente quando as condenações atingem figuras de proa do partido que comanda o governo.
Não é de hoje que a Corte constitucional é alvo de pressões contrárias a sua atuação. O interesse público nem sempre é o interesse de alguns públicos. Em 1893, dois anos depois de ser criado o STF, suas galerias, no Rio de Janeiro, eram tomadas por grupos que vaiavam e aplaudiam os votos de ministros, que concediam ou negavam habeas corpus para presos políticos.
Floriano Peixoto, o presidente da República, depois de ameaçar fechar a Corte, por não concordar com a soltura de um senador adversário, deixou de preencher vagas resultantes da aposentadoria de juízes. O Tribunal passou meses sem trabalhar por falta de quorum.
Getúlio Vargas, em 1931, reduziu por decreto o número de 15 para 11 juízes, aposentando compulsoriamente 5 deles. A ditadura de 1964 aumentou o número de magistrados para 16, mas depois voltou aos 11. Foram atos de força contra a independência do STF.
Nos Estados Unidos, os 9 magistrados que formam a Suprema Corte vez ou outra decepcionam os presidentes da República (republicanos ou democratas) que os nomeiam. Lá, exercem a função por toda a vida ou até quando pedem para sair. Por aqui, aos 70 anos, aposentam-se compulsoriamente. Um buraco de monta no nosso edifício judiciário.
Mesmo assim, é tempo de esperança. Pois tremula no mais alto mastro das instituições a crença de que a justiça, agora, chega para todos.
(Gaudêncio Torquato)
domingo, 25 de novembro de 2012
CRONISTA RETRATA A HISTÓRIA DE CRATEÚS EM NOVO LIVRO
Crateús "Cratheús - Do Portão da Feira aos Galos das Torres" é o terceiro livro da lavra do professor, poeta e cronista Raimundo Cândido Teixeira Filho. O lançamento ocorreu neste município no dia 17 de novembro último, dia em que completou um ano de falecimento de sua genitora, a educadora Maria Delite Menezes Teixeira, grande incentivadora do autor e mestra da maioria dos crateuenses. Por esse motivo, o autor escolheu como palco para o evento a calçada do Externato Nossa Senhora de Fátima, instituição fundada por ela e que o autor considera como uma extensão da sua casa. Em breve, a publicação será lançada na Capital, Fortaleza.
A obra é a primeira incursão do autor no mundo da crônica. Antes escreveu "Karatis", em 2008, e dois anos depois "Raiz do poema teorema pra nos tanger e outras esquisitices ao quadrado". Em ambas predomina a poesia, uma das maiores paixões do autor. "Karatis" enfocou a poesia regionalista e a segunda publicação traz uma curiosa relação poética da matemática - disciplina à qual leciona - com a existência humana.
Na atual publicação, Raimundo Cândido traz à memória do crateuense a história da cidade por meio de personagens e fatos. Em verso e prosa, o autor faz "um resgate histórico da cidade com personagens, políticos, retratando profissões, momentos vividos, lembranças e fatos. É uma miscelânea de fatos e histórias", define o autor.
A homenagem à sua mãe, exemplo de vida, de profissão e incentivadora, está expressa na crônica "O Ipê e Colibri", em que, com um diálogo entre anciãos, o escritor remete à dedicação de Delite Menezes à educação. "Deixamos as sementes plantadas, e mais do que nunca percebemos o valor daquela sua proposição máxima: Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. Lembra-se!". Mais adiante, outro trecho destaca "Senhora, eu confesso que me emocionei quando disse em tom de despedida: Dei tudo de mim pela educação. A senhora criou um belo amanhã nas cartilhas amareladas do ontem!". De acordo com ele, é um dos momentos mais fortes do livro porque a sua mãe orientou e acompanhou toda a construção da obra. Levava os textos para ela, que lia, analisava e fazia sugestões, sempre acatadas pelo autor. "Ela dizia o que não gostava e eu acatava as suas valiosas opiniões. Chegou a ver todo o conteúdo do livro, antes de falecer", diz.
Desconhecidos
Marcante contribuição presta à cidade ao relembrar personagens importantes da história, que ao contrário de D. Delite, muitos são "ilustres desconhecidos" dos crateuenses. Nesse contexto, Raimundinho, como é conhecido o autor, destaca as crônicas "Caçadores de Tesouros" e "Coriolano - Príncipe dos Poetas", em que resgata o poeta crateuense, José Coriolano de Souza Lima nascido em 1829 e que é pouco conhecido em sua terra. Aliás, não fosse nominar uma movimentada rua no centro da cidade, Coriolano seria completo desconhecido, especialmente para as novas gerações.
Na crônica "Caçadores de Tesouros", Cândido conta que o sentimento de reavivar a memória de José Coriolano surgiu ano passado, quando a Academia de Letras de Crateús (ALC) iniciou os escritos e pesquisas para a publicação do livro "Crateús 100 Anos", comemorativo ao centenário de Crateús. Ele e os acadêmicos Flávio Machado e Edmilson Lopes enveredaram pelos difíceis caminhos - devido à falta de documentos e de indicação de parentes ou familiares - da pesquisa sobre Coriolano.
O resgate do nobre crateuense, inclusive, tornou-se bandeira de luta da ALC - da qual Raimundo Cândido é membro - e no início de 2013 por ocasião do II Encontro de Escritores Cearenses, em que Crateús anfitrionará os literatas cearenses o busto de Coriolano retornará à Praça da Matriz, de onde foi retirado há algumas décadas. De acordo com o autor, pela própria família, indignada com a falta de conservação da estátua. A homenagem ao poeta havia sido feita em 1947, com um monumento inaugurado pelo então prefeito Afonso de Almeida Vale.
"Foi quando os três mosqueteiros, como uma infalível cavalaria, entraram em ação numa descomedida busca pelo torso do poeta. Conjecturava-se: ´um busto tão pesado não pode ter saído a andar por aí, ou criado asas imitando a imaginação do poeta Coriolano!´. Por fim, alguém afirmou: ´Tenho certeza de que o busto foi derretido!´. Uma tristeza enorme apossou-se dos animados caçadores de poetas, deixando-os em desalento profundo e, com olhar incrédulo, perguntávamos ao vazio: "Como pode um líquido brônzeo que representa nossa poesia, escoar pelo ralo da ingratidão e desaparecer nas coxias da ignorância?´", diz um dos trechos da crônica dedicada ao poeta crateuense, considerado o "Principe dos Poetas", pelo Estado do Piauí, à qual Crateús pertencia naquela época.
Mais Informações:
ALC: Rua do Instituto Santa Inês, 231 - centro - Crateús/CE -
Tel. do autor: (88) 8834.9154 ou http:academiadeletrasdecrateus.blogspot.com/
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER (No Jornal Diário do Nordeste de hoje)
sábado, 24 de novembro de 2012
VIAGEM NO TEMPO
Ler e reler. Escala no tempo para rever a história. Pausa para meditar e vibrar com a inteligência capaz de criar romance. "Tróia: uma viagem no tempo" tem a dignidade da narração bem definida. Traços personalísticos de uma escritora jovem e talentosa que envereda por caminhos culturais de raro esplendor.
Grecianny Carvalho Cordeiro é Promotora de Justiça no Ceará, com mestrado em Direito Público e arte literária inata para dissertar encantos das letras. Justifica plenamente sua integração à Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e da Rede de Escritores Brasileiros.
O enredo de Grecianny no seu novo livro "Tróia: uma viagem no tempo" revela a diversidade de textos aculturados em suas ideias. A autora é também jornalista. Produziu livro histórico numa mescla de atualização de acordo com o tempo da praticidade no sentido de conquistar sempre um público renovado.
Mistura deliciosa do real e do imaginário. Sabor de literatura numa gastronomia palatável aos que realmente são apaixonados pelas letras, como bem enfatizou o escritor Júnior Bonfim membro da Amlef e apresentador do livro enfocado nos salões austeros do Ministério Público. Um livro saboroso com tempero na medida certa.
O sal da vida sem causar pressão alta. A propósito de "Tróia: a viagem no tempo" Seridião Montenegro, presidente da Amlef destacou essa obra de ficção da Grecianny que nos traz mais um romance de história ou ficção em torno da dura realidade da vida.
Destacamos outra vez a feliz inspiração de Grecianny Carvalho Cordeiro como perfeita na criação dos romances vivos.
Paulo Eduardo Mendes
jornalista
(Na edição de hoje do Jornal Diário do Nordeste)
Grecianny Carvalho Cordeiro é Promotora de Justiça no Ceará, com mestrado em Direito Público e arte literária inata para dissertar encantos das letras. Justifica plenamente sua integração à Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e da Rede de Escritores Brasileiros.
O enredo de Grecianny no seu novo livro "Tróia: uma viagem no tempo" revela a diversidade de textos aculturados em suas ideias. A autora é também jornalista. Produziu livro histórico numa mescla de atualização de acordo com o tempo da praticidade no sentido de conquistar sempre um público renovado.
Mistura deliciosa do real e do imaginário. Sabor de literatura numa gastronomia palatável aos que realmente são apaixonados pelas letras, como bem enfatizou o escritor Júnior Bonfim membro da Amlef e apresentador do livro enfocado nos salões austeros do Ministério Público. Um livro saboroso com tempero na medida certa.
O sal da vida sem causar pressão alta. A propósito de "Tróia: a viagem no tempo" Seridião Montenegro, presidente da Amlef destacou essa obra de ficção da Grecianny que nos traz mais um romance de história ou ficção em torno da dura realidade da vida.
Destacamos outra vez a feliz inspiração de Grecianny Carvalho Cordeiro como perfeita na criação dos romances vivos.
Paulo Eduardo Mendes
jornalista
(Na edição de hoje do Jornal Diário do Nordeste)
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
MINISTRO LUIZ FUX CANTA E TOCA GUITARRA NA FESTA EM HOMENAGEM A JOAQUIM BARBOSA
O ministro Luiz Fux, do STF, cantou e tocou guitarra durante jantar oferecido em homenagem a Joaquim Barbosa, na quinta-feira, 22.
Fux subiu ao palco, por volta das 23h40 de quinta-feira, 22, colocou a guitarra de um dos músicos da banda que se apresentava no coquetel e tocou "Um dia de domingo", do cantor Tim Maia, e foi acompanhado pela plateia, formada por servidores do Judiciário e magistrados.
Assista ao vídeo:
O líder da banda enfatizou aos músicos : "Ó, banda. Temos de caprichar porque o ministro é faixa preta de jiu-jitsu". Em meio à canção Fux afirmou que juízes são "simples e do povo". "Atenção! Eu queria oferecer essa homenagem ao meu amigo, o ministro Joaquim Barbosa. Em seu discurso, com todas as letras, ele disse que ministros e juízes são homens simples e do povo", completou.
O ministro disse que perguntou a colegas do tribunal se "pegaria mal" cantar no coquetel. "Falei com o Marco Aurélio e o Joaquim e eles disseram 'mete bronca'", relatou. Segundo Fux, "o importante é ser bom no que faz e ser feliz".
Durante o coquetel, Joaquim Barbosa foi bastante “tietado”. O ministro chegou por volta das 21h e foi muito aplaudido. Após cumprimentar convidados, sentou-se com sua mãe, Benedita e uma aglomeração de pessoas ficou em torno da mesa para fotografa-lo. JB atendeu a todos os pedidos de fotos. Seguranças que o acompanhavam foram obrigados a formar um cordão de isolamento para evitar o empurra-empurra.
(Fonte: Migalhas)
Fux subiu ao palco, por volta das 23h40 de quinta-feira, 22, colocou a guitarra de um dos músicos da banda que se apresentava no coquetel e tocou "Um dia de domingo", do cantor Tim Maia, e foi acompanhado pela plateia, formada por servidores do Judiciário e magistrados.
Assista ao vídeo:
O líder da banda enfatizou aos músicos : "Ó, banda. Temos de caprichar porque o ministro é faixa preta de jiu-jitsu". Em meio à canção Fux afirmou que juízes são "simples e do povo". "Atenção! Eu queria oferecer essa homenagem ao meu amigo, o ministro Joaquim Barbosa. Em seu discurso, com todas as letras, ele disse que ministros e juízes são homens simples e do povo", completou.
O ministro disse que perguntou a colegas do tribunal se "pegaria mal" cantar no coquetel. "Falei com o Marco Aurélio e o Joaquim e eles disseram 'mete bronca'", relatou. Segundo Fux, "o importante é ser bom no que faz e ser feliz".
Durante o coquetel, Joaquim Barbosa foi bastante “tietado”. O ministro chegou por volta das 21h e foi muito aplaudido. Após cumprimentar convidados, sentou-se com sua mãe, Benedita e uma aglomeração de pessoas ficou em torno da mesa para fotografa-lo. JB atendeu a todos os pedidos de fotos. Seguranças que o acompanhavam foram obrigados a formar um cordão de isolamento para evitar o empurra-empurra.
(Fonte: Migalhas)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
PARA REFLETIR
"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso."
Antoine de Saint-Exupéry
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso."
Antoine de Saint-Exupéry
terça-feira, 20 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
COMENTÁRIOS SOBRE MISSANTA
Caro Companheiro e amigo Jr. Bonfim,
Na noite de 5ª. feira passada, antes de dormir, li o poema “À Missanta” que você dedicou à sua querida e recém falecida avó Raimunda Rodrigues Bonfim.
Gostei muito porque fiquei – como sempre faço antes de rezar e dormir – pensando nos meus antepassados: meus bisavós, avós, pais e entes queridos.
Eu tenho esse hábito de toda noite conversar com eles e de lhes desejar também uma boa noite.
Tenho lido muito sobre a vida, a memória e assuntos correlatos, e chegado à conclusão de que pensar e lembrar de nossos antepassados falecidos faz um bem enorme ao nosso espírito e à compreensão de quão curta é a nossa vida e de como foi bom ter tido com eles uma convivência harmoniosa e pacífica. É como se todos estivessem vivos e ainda convivendo conosco no dia a dia suprindo nossas deficiências com o bom exemplo deles na diária e santa luta pela vida. Eram nordestinos, retirantes, que acossados pela seca, buscaram água na Amazônia.
E é interessante como aqueles exemplos de luta honesta pela vida nos fortalecem ainda mais na longa caminhada que, um dia, nos levará a reencontrá-los.
E quando se lê sobre a vida santa de um ser como Missanta, mais confiantes nos tornamos de que o melhor da vida é ser honesto, bom e ajudar o próximo.
Um dos meus mestres no seminário franciscano onde estudei, frei Paulo Kleinken, dizia: “O amor é um movimento em prol de um Bem”. Missanta foi exatamente isso.
Era isso que te queria dizer, caro amigo, e te engrandecer pelo gesto de honrar a memória de tua avó, Missanta, dedicando-lhe esse poema de amor.
Forte abraço do amigo,
Freire.
José Freire de Sena
Presidente
##############################################
Meu caro Júnior Bonfim e abençoada família,
Mi Santa (em espanhol). Minha Santa, em português.
Ao retornar ao Pai celestial, passou de mi Santa para nuestra Santa (nossa Santa).
Quem fez chover no dia do próprio aniversário de noventa anos, ainda habitando a terra, o que não fará lá do céu?
Missanta, nossa Santa, rogai por nós.
Solidários na dor, enviamos nosso abraço de conforto, extensivo a todos os filhos e demais parentes enlutados.
Boaventura Joaquim Furtado Bonfim e Família.
Fortaleza - Ceará.
José Fernando Bonfim relatou...
Minha Vó partiu, como ela mesma parece que já sabia pois em seus últimos discursos falava "Não quero que chore quando partir, pois já vivi muito, estou velha, vivi feliz..." é minha vó em sua sabedoria ouvindo rumores que seu amado torrão Mudubim seria inundado pela Barragem Fronteiras, alçou vou para junto de Deus, pois essa dor seria muito forte ter que sair do lugar onde morou tantos anos. Saudades, saudades, saudades...Só uma coisa não podemos atendê-la vozinha, chorar.
###############################
Meu caro Júnior Bonfim, nem tudo de dileto que a infancia nos granjeou, conseguimos amontoar na nossa alma.
Mas o Tetero e sua familia fazia de nossa casa na praça da Estação uma parada sagrada. Meu irmão Celio foi passar ferias seguidamente no Mondubim.
A morte de Missanta, que em vez de Miss, eu ficaria mais com uma Missa Santa. Santa pela sua vida rica. Missa por esta estrada de bondade de zelo e ternura que ela palmilhou.
Minhas saudades.
Jose Maria Bonfim Morais
#################################
Caro Junior,
receba e transmita toda família minhas sinceras condolências.
Abraços,
Sergio Moraes
##################################
Meus sentimentos a toda familia,Vó Missanta saudades de toda Familia Barros!
LANINHA BARROS
##################################
28/04/2012.
Sai de Crateus, rumo ao Mondubim, em companhia de milha filha Izabel Cristine, ela dirigia o carro...não sou mais guiador de carro há muito tempo, sai a cata do paradeiro de Odilon (quarta viagem) filho de Rosangela, neto de Miguel Celson e este filho de Manoel Cacacena, a missão era a favor de Rosangela e filhos que moram em Manaus e há muito não tinham noticias do rapaz.
A avó e tia de Odilon moram vizinhos a data Mondubim e terminado a missão, rumei para o casarão, data fundada por Sebastião Moreira do Bomfim e que depois seu filho Tetero que casou-se com Missanta, fincou pé por lá tocou a fazenda a frete e construiu numerosa familia.
Tetero partiu muito novo mas Missanta, de singular ousadia, não esmorecera, com a familia muito jovem, tocou o Monbubim a frente, pois bem, chegando no casarão encontrei a singela Missanta afeito ao trabalha caseiro e com muita energia, com um forte abraço me apresentei e Ela me reconheceu a Izabel Cristine fez o mesmo e conversa vai conversa vem, Missanta me informou que o Itamar estava já quase chegando por lá mas, já passava do meio dia e eu e Izabel com afagos que é próprio da parentela, foi feita a despedida daquela saudável visita.
A primeira vez que andei no Mondubim, eu era coroinha do Tio Zezé e andava na garupa de uma motocicleta, que era do vigário, e o destino era a Capela do Assis.
Certamente que andarei outras vezes por lá.
Missanta partiu pra casa do Pai e o Mondubim perdeu sua identidade.
Caro Junior Bonfim, aqui deixo o meu abraço de solidariedade pra todos da familia.
Este foi o meu desiderato.
Luiz Bonfim
Na noite de 5ª. feira passada, antes de dormir, li o poema “À Missanta” que você dedicou à sua querida e recém falecida avó Raimunda Rodrigues Bonfim.
Gostei muito porque fiquei – como sempre faço antes de rezar e dormir – pensando nos meus antepassados: meus bisavós, avós, pais e entes queridos.
Eu tenho esse hábito de toda noite conversar com eles e de lhes desejar também uma boa noite.
Tenho lido muito sobre a vida, a memória e assuntos correlatos, e chegado à conclusão de que pensar e lembrar de nossos antepassados falecidos faz um bem enorme ao nosso espírito e à compreensão de quão curta é a nossa vida e de como foi bom ter tido com eles uma convivência harmoniosa e pacífica. É como se todos estivessem vivos e ainda convivendo conosco no dia a dia suprindo nossas deficiências com o bom exemplo deles na diária e santa luta pela vida. Eram nordestinos, retirantes, que acossados pela seca, buscaram água na Amazônia.
E é interessante como aqueles exemplos de luta honesta pela vida nos fortalecem ainda mais na longa caminhada que, um dia, nos levará a reencontrá-los.
E quando se lê sobre a vida santa de um ser como Missanta, mais confiantes nos tornamos de que o melhor da vida é ser honesto, bom e ajudar o próximo.
Um dos meus mestres no seminário franciscano onde estudei, frei Paulo Kleinken, dizia: “O amor é um movimento em prol de um Bem”. Missanta foi exatamente isso.
Era isso que te queria dizer, caro amigo, e te engrandecer pelo gesto de honrar a memória de tua avó, Missanta, dedicando-lhe esse poema de amor.
Forte abraço do amigo,
Freire.
José Freire de Sena
Presidente
##############################################
Meu caro Júnior Bonfim e abençoada família,
Mi Santa (em espanhol). Minha Santa, em português.
Ao retornar ao Pai celestial, passou de mi Santa para nuestra Santa (nossa Santa).
Quem fez chover no dia do próprio aniversário de noventa anos, ainda habitando a terra, o que não fará lá do céu?
Missanta, nossa Santa, rogai por nós.
Solidários na dor, enviamos nosso abraço de conforto, extensivo a todos os filhos e demais parentes enlutados.
Boaventura Joaquim Furtado Bonfim e Família.
Fortaleza - Ceará.
José Fernando Bonfim relatou...
Minha Vó partiu, como ela mesma parece que já sabia pois em seus últimos discursos falava "Não quero que chore quando partir, pois já vivi muito, estou velha, vivi feliz..." é minha vó em sua sabedoria ouvindo rumores que seu amado torrão Mudubim seria inundado pela Barragem Fronteiras, alçou vou para junto de Deus, pois essa dor seria muito forte ter que sair do lugar onde morou tantos anos. Saudades, saudades, saudades...Só uma coisa não podemos atendê-la vozinha, chorar.
###############################
Meu caro Júnior Bonfim, nem tudo de dileto que a infancia nos granjeou, conseguimos amontoar na nossa alma.
Mas o Tetero e sua familia fazia de nossa casa na praça da Estação uma parada sagrada. Meu irmão Celio foi passar ferias seguidamente no Mondubim.
A morte de Missanta, que em vez de Miss, eu ficaria mais com uma Missa Santa. Santa pela sua vida rica. Missa por esta estrada de bondade de zelo e ternura que ela palmilhou.
Minhas saudades.
Jose Maria Bonfim Morais
#################################
Caro Junior,
receba e transmita toda família minhas sinceras condolências.
Abraços,
Sergio Moraes
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Meus sentimentos a toda familia,Vó Missanta saudades de toda Familia Barros!
LANINHA BARROS
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28/04/2012.
Sai de Crateus, rumo ao Mondubim, em companhia de milha filha Izabel Cristine, ela dirigia o carro...não sou mais guiador de carro há muito tempo, sai a cata do paradeiro de Odilon (quarta viagem) filho de Rosangela, neto de Miguel Celson e este filho de Manoel Cacacena, a missão era a favor de Rosangela e filhos que moram em Manaus e há muito não tinham noticias do rapaz.
A avó e tia de Odilon moram vizinhos a data Mondubim e terminado a missão, rumei para o casarão, data fundada por Sebastião Moreira do Bomfim e que depois seu filho Tetero que casou-se com Missanta, fincou pé por lá tocou a fazenda a frete e construiu numerosa familia.
Tetero partiu muito novo mas Missanta, de singular ousadia, não esmorecera, com a familia muito jovem, tocou o Monbubim a frente, pois bem, chegando no casarão encontrei a singela Missanta afeito ao trabalha caseiro e com muita energia, com um forte abraço me apresentei e Ela me reconheceu a Izabel Cristine fez o mesmo e conversa vai conversa vem, Missanta me informou que o Itamar estava já quase chegando por lá mas, já passava do meio dia e eu e Izabel com afagos que é próprio da parentela, foi feita a despedida daquela saudável visita.
A primeira vez que andei no Mondubim, eu era coroinha do Tio Zezé e andava na garupa de uma motocicleta, que era do vigário, e o destino era a Capela do Assis.
Certamente que andarei outras vezes por lá.
Missanta partiu pra casa do Pai e o Mondubim perdeu sua identidade.
Caro Junior Bonfim, aqui deixo o meu abraço de solidariedade pra todos da familia.
Este foi o meu desiderato.
Luiz Bonfim
sábado, 17 de novembro de 2012
À MISSANTA
O velho pau d’arco
Amanheceu completamente
Despido.
As pujantes carnaúbas
Fecharam-se em copas.
Os mandacarus esconderam
Espinhos e flores.
As aves canoras,
Que todas as manhãs nos saudavam
Com os hinos da superação,
Emudeceram.
O verdejante Juazeiro
Soltou lágrimas amarelas.
O rio Serrote cessou
O curso invisível.
A água do poço profundo
Solidificou.
Tudo é silêncio e reverência,
Consternação e mistério
Nesta terra com gosto de amendoim...
Morreu a árvore colossal,
Tombou a carnaúba maior,
Recolheu-se o mandacaru principal,
Calou-se a ave matriarca,
Caiu a folhagem do Juazeiro mestre.
Partiu-se o leito do rio generoso.
A água faltou.
Raimunda Rodrigues Bonfim, a Missanta,
Amou viver e viveu para o amor.
Quanta lição proferiu
Com a leveza do seu silêncio?!
Amou viver e viveu para o amor.
Viu partir o esposo amado
E três dos filhos do seu ventre.
Tudo suportou e superou
Porque tinha o amor.
Conheceu o amor.
Viveu o amor.
E este foi seu legado maior: o amor!
Soube o gosto do espinho e o tempero da flor,
Porque tinha o amor.
Viveu o esplendor da simplicidade.
Como o rio do quintal de sua casa,
Contornava tranquilamente
As pedras da adversidade.
(Afinal, para que as discussões inúteis
E os confrontos fúteis?).
Como a mãe Natureza
Nada rejeitava. Sabia
O valor e a serventia
De tudo que iluminava a noite
E fazia palpitar o dia.
Reina o silêncio.
Mas esse silêncio não é de dor. É de louvor.
Delicado louvor à sublimação.
Pois mais uma vez ela nos faz a conclamação:
- “Sigam o meu discreto legado.
Nunca esqueçam
A vital lição.
Continuem resolutos
Na luminosa missão”.
Amou viver e viveu para o amor a nossa Missanta.
Era pura e profunda a nossa Raimunda.
Foi ser Miss no céu a nossa tia/vó Santa.
(Júnior Bonfim)
Amanheceu completamente
Despido.
As pujantes carnaúbas
Fecharam-se em copas.
Os mandacarus esconderam
Espinhos e flores.
As aves canoras,
Que todas as manhãs nos saudavam
Com os hinos da superação,
Emudeceram.
O verdejante Juazeiro
Soltou lágrimas amarelas.
O rio Serrote cessou
O curso invisível.
A água do poço profundo
Solidificou.
Tudo é silêncio e reverência,
Consternação e mistério
Nesta terra com gosto de amendoim...
Morreu a árvore colossal,
Tombou a carnaúba maior,
Recolheu-se o mandacaru principal,
Calou-se a ave matriarca,
Caiu a folhagem do Juazeiro mestre.
Partiu-se o leito do rio generoso.
A água faltou.
Raimunda Rodrigues Bonfim, a Missanta,
Amou viver e viveu para o amor.
Quanta lição proferiu
Com a leveza do seu silêncio?!
Amou viver e viveu para o amor.
Viu partir o esposo amado
E três dos filhos do seu ventre.
Tudo suportou e superou
Porque tinha o amor.
Conheceu o amor.
Viveu o amor.
E este foi seu legado maior: o amor!
Soube o gosto do espinho e o tempero da flor,
Porque tinha o amor.
Viveu o esplendor da simplicidade.
Como o rio do quintal de sua casa,
Contornava tranquilamente
As pedras da adversidade.
(Afinal, para que as discussões inúteis
E os confrontos fúteis?).
Como a mãe Natureza
Nada rejeitava. Sabia
O valor e a serventia
De tudo que iluminava a noite
E fazia palpitar o dia.
Reina o silêncio.
Mas esse silêncio não é de dor. É de louvor.
Delicado louvor à sublimação.
Pois mais uma vez ela nos faz a conclamação:
- “Sigam o meu discreto legado.
Nunca esqueçam
A vital lição.
Continuem resolutos
Na luminosa missão”.
Amou viver e viveu para o amor a nossa Missanta.
Era pura e profunda a nossa Raimunda.
Foi ser Miss no céu a nossa tia/vó Santa.
(Júnior Bonfim)
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
MISSANTA BONFIM (RAIMUNDA RODRIGUES BONFIM)
Com o coração envolto em lágrimas recebi a notícia de que hoje (dia 16.11.2012) foi chamada para a Casa do Pai a minha querida avó, Missanta Bonfim (Raimunda Rodrigues Bonfim).
Mês passado, na fazenda Mondubim, por ocasião do seu aniversário de 92 anos, quando lhe desejamos muitos anos de vida, ela fez um reparo: preferia saúde!
Pela primeira vez, a nossa nonagenária guerreira emitia um sinal diferente. Era uma espécie de aviso, premonição ou similar.
Apesar do abalo, tenho aquela agradável sensação de que estamos indo levar ao túmulo uma pessoa de inestimável valor espiritual. Uma santa!
Reponho a crônica que lhe dediquei no seu aniversário de noventa anos!
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
Os meses do ano coroados com a sílaba “bro” costumam ser bafejados, no sertão do Ceará, com os mais elevados índices de temperatura. Invariavelmente ao redor dos quarenta graus.
No dia 23 de outubro deste 2010, no entanto, a fazenda Mondubim, que dista 23 quilômetros da cidade de Crateús, amanheceu sob a surpresa do afago de um clima ameno. Um cenário agradável – caracterizado por uma combinação de pausa na inclemência solar com a gratuidade do céu espargindo delicados fios de água – como que convidava as pessoas a dar graças à vida ou compartilhar a boa prosa no largo alpendre da fraternidade!
Essa dupla alteração no horizonte sertanejo e no coração das pessoas, para os membros da minha veia familiar, foi obra da nossa matriarca: Missanta! (Sua filha Toinha havia profetizado: - “Nós já sabemos que a mamãe é santa. Para que os outros tenham essa certeza, só falta um milagre: chover no dia do aniversário”. E choveu!)
Missanta! Esse prenome íntimo, carinhoso apelido familiar, obra dos seus genitores e produto da junção litúrgica de missa e santa, incorporou-se à sua doce figura e substituiu o nome de batismo: Raimunda Rodrigues Bonfim.
A Vó Missanta - Tia Santa para a grande maioria – celebrou seus 90 (noventa) outubros sob o conforto de todos os filhos vivos, netos, bisnetos e demais componentes de seu imenso arvoredo genealógico. Durante estas nove décadas só residiu em duas casas: o habitat de nascimento, na localidade Lagoa das Pedras dos Rodrigues, e o lar do Mondubim, um casarão de calçada alta e teto trabalhado com arte, para onde se mudou após ter trocado aliança com José Moreira Bonfim (o Têtêro), no dia 29 de junho de 1939. (Aliás, a medida da aliança foi feita em um pedaço de pano, pois antes de casar minha avó nada havia colocado entre os dedos).
A trajetória de Missanta Bonfim está vinculada aos eflúvios superiores do Espírito. Viu o sol do mundo pela primeira vez às 14:00 horas de um dia de sábado: 23 de outubro de 1920. (Quem nasce em dia de sábado é regido por Saturno e conhece o sentido do tempo, a paciência, a sabedoria, o amadurecimento. Tem a graça de viver sob o impulso abençoado de uma vida laboriosa).
Seis homens e quatro mulheres vieram à terra através do seu ventre. Criou doze filhos: José Maria Bonfim, Sebastião Bonfim Neto, Rosária Rodrigues Bonfim, Josefa Rodrigues Bonfim (Zezé), Domingos Rodrigues Neto, José Itamar Bonfim, Antonia Rodrigues Bonfim (Toinha), Manoel Fernandes Bonfim, Lauro Rodrigues Bonfim, Maria de Lourdes Rodrigues Bonfim, Francisco Stênio Bonfim e Antonio Luiz dos Santos.
Por inevitável, saboreou frutas amargas. Carregou nos ombros maternais o peso da humana cruz e sentiu no peito as pedras cortantes da longeva caminhada. Teve que colocar na nave que leva os seres para a estação da outra dimensão, além do próprio cônjuge, três filhos: Lauro, Manoel e Rosária. Deles se recorda diariamente.
Porém, continua Missanta. Desfila, na passarela do convívio, com a elegância discreta de uma miss e a radiosa alma de uma santa. Mantém, no acolhedor terreiro do coração, uma permanente fogueira de espiritualidade como que a fazer contraponto à redução de temperatura gregária.
Sem embargo é por isso que coleciona, no anonimato de sua saga pessoal, feitos admiráveis. Aos noventa anos, Missanta Bonfim mantém o sorriso nos lábios e conserva hábitos incomuns para os da sua idade: levanta cedo, administra a própria casa, monta na garupa de uma motocicleta, brinda e sorve com alegria um copo de cerveja ou uma taça de vinho, se alimenta sem qualquer restrição e aceita sem pestanejar os constantes convites que recebe para participar dos mais variados eventos. Vive tranqüila e intensamente. É serena e afável, pacífica e bondosa!
Indaguei-lhe qual o segredo de viver em paz consigo mesma. Ela me respondeu: - “Meu filho, nunca deixei que as preocupações tomassem conta de mim. Não é que não me preocupe. Mas, se uma coisa é inevitável, nunca deixo que ela perturbe demais a minha cabeça. E toco a vida prá frente”.
Nunca deixar as preocupações tomar conta da gente – ou seja, relevar, perdoar, viver em sintonia com a consciência - é o principal segredo, a lição essencial de uma nonagenária criança que exibe o invisível diploma de PHD na Universidade da Existência. Parabéns, Vó Missanta!
(Júnior Bonfim, no Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará e na Revista Gente de Ação)
#######################################
Paulo Nazareno disse...
É JB,a inexorabilidade do tempo faz das suas. Mais uma estrelinha no nosso ceu.
Meus sentimentos
16 de novembro de 2012 16:45
Ticuá - RJ disse...
Eu a conheci...Que Deus A tenha ao lado, Ticuá
16 de novembro de 2012 18:09
Lourival disse...
Meus sentimentos, irmão.
17 de novembro de 2012 08:48
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
REPÚBLICA, "PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA" - É HORA DE RELEMBRAR RUI BARBOSA
“A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.
A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.
A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade”.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
CUSTUS LEGIS OU "CUSTOS LEGIS"?
Caro amigo Júnior Bonfim,
Já comentei sua apresentação (do livro Troia – uma viagem no tempo) na mensagem anterior.
Em todo o texto da sua brilhante apresentação, encontrei apenas um lapso digital: Custus legis, em vez de Custos legis. Avermelhei no seu texto, que segue anexo.
Abraços.
Saúde e Paz,
Boaventura.
***************************************
Caro Boaventura:
Peço desculpas por ousar fazer um contraponto - sem deslizar para teimosia típica de um Bonfim - mas quando aprendi a expressão em Latim era "custus legis".
Veja a notícia abaixo:
Em julgamento de Habeas Corpus, MP sempre fala depois da defesa
O advogado Nélio Machado, que defende o governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, surpreendeu os ministros do Supremo Tribunal Federal com uma questão preliminar inusitada. Antes de iniciar sua sustentação oral no julgamento do HC 102732, o advogado arguiu a condição de custus legis (fiscal da lei) do Ministério Público, uma vez que foi o próprio MP que ofereceu a denúncia, sendo, portanto, parte na ação e por isso deveria falar antes da defesa. Os ministros analisaram a...
Na paz,
Júnior Bonfim
***********************************
Meu caro amigo Júnior Bonfim,
Gostei do seu contraponto, mas apresento contraponto ao seu contraponto. E, de contraponto em contraponto, vamos encontrar um ponto.
Seu fundamento tem por esteio a citação em latim (custus legis) feita, salvo engano, pelo eminente Ministro Marco Aurélio, do STF, Relator do HC 10732.
Reconheço ter pouco estudo da Língua Latina (três anos, apenas). Digo "apenas", porque, ao término dos três anos de estudo, eu falei para o professor: - agora estou em condições de começar a aprender latim.
Já encontrei errôneas citações latinas em acórdãos de tribunais.
A meu sentir, o preclaro Ministro Marco Aurélio também laborou em equívoco, caso não, vejamos:
Custos legis - O vocábulo latino custos é substantivo masculino e feminino e significa guardião, guarda, guardiã, protetor, protetora, defensor, defensora. O genitivo (adjunto adnominal) de custos (= guardião, guarda) é custodis (do guardião, da guarda), daí advém a palavra custódia = guarda, proteção; do verbo custodiar = guardar, proteger. Por exemplo: o preso fica sob custódia do Estado, isto é, o preso fica sob guarda, sob proteção do Poder Público. Por sua vez, legis é genitivo (adjunto adnominal) de lex (=lei) e quer dizer da lei. Dessa forma, Custos legis tem o significado de guardião da lei, protetor da lei, fiscal da lei. Por exemplo, o insigne Dr. Arcelino de Oliveira Gomes, quando não é parte em processos, como representante do Ministério Público, atua na qualidade de custos legis.
Eis a divisa da cidade de Bauru, SP: Custos vigilat (“O guarda está alerta”).
Nos tempos hodiernos, poucos juristas estudam latim. Por isso, é de bom alvitre consultar professores de latim ao deparar com citações escritas em decisões judiciais.
Confesso-lhe que desconheço a palavra custus, em latim.
Apenas para ilustrar. Certa feita, um advogado da Assessoria Jurídica do Banco do Brasil, onde trabalhei, perguntou-me se estava correta a expressão latina Pactum sunt servanda (“O acordo devem ser observados”). Falei-lhe que tal brocardo latino não estava escrito corretamente, pois, assim, o sujeito da frase ficaria no singular e o predicado no plural. O Certo seria Pacta sunt servanda (“Os acordos devem ser observados”). Ele me rebateu dizendo achar mais bonito pactum sunt servanda. Ressaltei ao nobre causídico que não se tratava de gostar ou não gostar. Tratava-se de correto e não correto. E expliquei-lhe: se ele quisesse grafar Pactum (“O acordo”), teria de mudar o restante da frase, pois, sintaticamente, Pactum (“O acordo”) estaria no singular e, por conseguinte, o predicado deveria seguir o sujeito.
Se ele optasse por Pactum (sujeito, no singular), a frase completa passaria a ser escrita toda no singular: Pactum est servandum (“O acordo deve ser observado”). O nobre causídico balançou a cabeça e disse baixinho: - é, está bem explicado, mas eu gosto mais de Pactum.
Sei muito bem, Júnior, que você não está grafando custus legis, em vez de custos legis, porque goste mais de custus, porém porque aprendeu assim e viu escrito assim no voto de um supremo Ministro do STF, cujo saber latino deve ser, hierarquicamente, mais elevado do que o de um mero magistrado resignatário do Estado do Ceará.
Abraços do primo que o admira.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
***********************************
Caro Boaventura:
Acolho os vossos embargos aclaratórios, porque presentes os radicais pressupostos do mais escorreito latinório, dou-lhes provimento ao passo em que empresto os imprescindíveis efeitos infringentes.
Na paz
Júnior Bonfim
************************************
Grande Júnior Bonfim,
A maturidade e a segurança que imprimimos naquilo que fazemos nos permitem aceitar as explicações fundamentadas.
Sugiro sejam postadas no seu Blog nossas correspondências sobre tão importante assunto do mundo jurídico.
Um forte abraço.
Saúde e Paz,
Boaventura Bonfim.
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
Ticuá - RJ disse...
recomendei aos "feicebuqueiros" não comentarei pois, foge do meu alcance tamanho saber jurídico! Parabéns aos Dois - Ticuá - RJ
Discussão doutrinária de Dois “monstros” do Direito: Dr. Boaventura Bonfim e Dr. Junior Bonfim, citei, primeiramente, o Dr. Boaventura, apenas, pela ordem alfabética dos Nomes, o “B” precede ao “J”, na Cartilha do ABC, pelo menos, no século passado era assim.
Indico às Amigas e aos Amigos “Feicebuqueiros” darem uma lida no Blog do Dr Junior Bonfim, acerca de um debate jurídico de alto nível, entre os Dois, acima mencionados, ressalto, que, quem não é afeito as matérias jurídicas não acessem, termino com uma citação do Doutíssimo Boaventura Bonfim: “sem deslizar para teimosia típica de um Bonfim...” repito, a citação não é minha... Vale a pena ir ao Blog... Ticuá – RJ
TICUÁ - RJ disse...
"O ERRO NÃO PRECLUI", PORTANDO, NECESSÁRIO SE FAZ, A SEGUINTE CORREÇÃO: QUEM PROFERIU CITAÇÃO "SEM DESLIZAR PARA TEIMOSIA..." NÃO FOI O DIGNÍSSIMO DR. BOAVENTURA, E SIM, O NÃO MENOS DIGNÍSSIMO DR. JUNIOR BONFIM, PEÇO A DEVIDA VENIA!
Com certeza não me aventuro nesta teima por saber. Li com ansiedade esperando alguém ceder. Vence a maturidade com respaldo no latim e ganha quem tem o prazer de ler e dizer sem custo algum que bom seria que toda teimosia terminasse com um BONFIM.
Edmilson Providencia.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
E ele, em que lugar estava?
Nos últimos dois anos sete bancos foram liquidados ou sofreram intervenção do BC. A razzia começou com o Banco Panamericano, repassado para a Caixa Econômica e o BTG, e seguiu com o Cruzeiro do Sul, o Matone, o Prosper, o Schain, o Morada e, no mês passado, o BVA. O caso Panamericano ainda hoje dá dor de cabeça e seus controladores, especialmente a Caixa, que entrou no negócio, como todos sabem, por uma decisão política de Brasília. E sem ter sido alertada das fraudes que por lá havia, pelo menos é isto que seus dirigentes alegam quando cobrados. Em todos esses bancos foram encontradas fraudes, algumas mais outras menos grossas, que se realizaram ao longo de um bom tempo, não nasceram na antevéspera da intervenção. As revelações que a imprensa vem trazendo a respeito dos negócios do Cruzeiro do Sul são, no mínimo, cabeludas. No mercado também se comenta assustadamente as coisas que se passavam no BVA. Coisas medidas em bilhões de reais, um bom naco com os fundos de pensão das estatais. A pergunta que não quer calar é simples : por onde andava a fiscalização do BC todo esse tempo?
Mais benefícios
Na semana passada o governo fez mais uma modificação na regra dos compulsórios. Pode servir como uma luva num banco muito comentado atualmente, até por suas histórias paralelas no mensalão: o mineiro BMG.
Curiosidade aguçada
Depois dos balanços do trimestre encerrado em setembro dos três maiores bancos privados nacionais - Bradesco, Itaú e Santander - e do maior banco público, o BB, todos com resultados inferiores ao esperado, a grande expectativa do mercado é com os resultados da CEF. A CEF tem sido mais audaciosa que os bancos privados e até que o BB, não só na política de rebaixamento dos spreads, como também na concessão de empréstimos. O BB aumentou seus empréstimos mas teve reduzido seu lucro. A Caixa vai dar uma aula para todos os concorrentes?
O etanol em pane
O endividamento das usinas de açúcar e álcool subiu quase 25%, e está próximo dos R$ 52 bi. E a previsão é de que pode subir ainda uns R$ 5 bilhões nos próximos meses. O setor está querendo um fôlego oficial qualquer para ultrapassar a tempestade e não surgir alguns calotes. O problema mais sério está ligado ao preço da gasolina, usado pelo governo como uma das âncoras da política antiinflacionária, mas que ajuda a deprimir o preço do álcool e o caixa das usinas.
Será que vai subir?
Há dias, o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, insuspeito de qualquer tipo de oposicionismo no momento, fez coro com a direção da Petrobrás, dizendo que está mais do que na hora de o governo permitir um aumento no preço da gasolina e do diesel para não garrotear ainda mais o caixa da estatal. Mas não há sinais de fumaça no ar que o reajuste esteja a caminho. Os suspiros da inflação, embora pequenos, incomodam Brasília. O espaço para o aumento dos combustíveis está sendo preparado pela redução das tarifas de energia, entre 16% e 28%, média de 20%, prometido pela presidente Dilma para fevereiro.
Uma novela: as tarifas de luz
Dilma terá mais trabalho do que imaginava para aprovar a MP 579, de prorrogação de contratos de energia elétrica, somado a redução nas contas de luz. As reações das empresas ao valor das indenizações que terão de receber e ao novo valor da tarifa, não foi das melhores. Até a Eletrobrás está chiando. Dilma diz que não admite que a MP seja desfigurada no Congresso, porém há pressões fortes das empresas e de algumas bancadas estaduais. Nos últimos dias, sinal de que o jogo pode ir longe, quem sabe numa batalha judicial, o ministério de Minas e Energia passou a admitir, por exemplo, reabrir o prazo para a estatal mineira Cemig aceitar a prorrogação de todas as suas usinas com contratos vencendo. Se abrir uma exceção para a Cemig receberá outras reivindicações. Já há quem diga que talvez a redução das contas de luz venha a ser bem menor do que o projetado.
Um alerta
A votação da redistribuição dos royalties do petróleo, quando a Câmara não atendeu a pelo menos dois desejos da presidente Dilma - destinar o dinheiro em sua totalidade para a área de educação e só adotar novos critérios para o petróleo novo, não incluindo o que já está licitado e em produção - é um alerta para o governo para as dificuldades que ele pode encontrar na hora de votar a MP 579. A Congresso jogou uma bomba no colo da presidente: se vetar desagrada, se não vetar, desagrada também. E nos dois casos o fim da confusão pode ser o STF. Porém, dependendo do correr da briga no Judiciário, o governo pode ficar impedido da realizar, no tempo prometido, licitação de novas áreas de exploração de petróleo, tanto nas áreas do pré-sal como nas outras. Há sete anos não ocorre nenhum leilão, o que está levando à diminuição das reservas nacionais e até a uma estagnação da produção brasileira. Um adiamento desses leilões já marcados - maio e novembro - mais a confusão na área elétrica, não seriam nada agradáveis com os investidores, já ressabiados com o que muitos chamam de excesso de intervencionismo e outros de excesso de voluntarismo do governo brasileiro.
Dilma e 2014
A prioridade da presidente Dilma, como ficou claro nos últimos dias, é reorganizar suas alianças políticas com vistas à disputa pela reeleição. As mudanças ministeriais em vista - a presidente diz que não é reforma, serão apenas ajustes - terá apenas este sentido. Não virá para melhorar o desempenho da equipe de governo, embora, em algum momento possa trazer tal benefício. E tudo está sendo feito de comum acordo com o presidente Lula, com quem ela teve, na terça-feira à tarde, no Palácio da Alvorada, uma conversa de longas quatro horas. Como o esquema está fechadíssimo, Brasília, que normalmente já é um poço de boatos, está fervilhando. Certo mesmo é que o prefeito Kassab ganha um Ministério - para ele ou para alguém do PSD - e o PMDB terá mais uma cadeira na Esplanada.
Não é a oposição...
...no momento a preocupação de Lula e de Dilma. PSDB, DEM e PPS precisarão primeiro encontrar um rumo antes de incomodarem o Planalto. A fera a ser acompanhada se chama Eduardo Campos. E a tática do governo parece ser dividir seu partido. A cunha são os irmãos cearenses Cid e Ciro Gomes. Ao contrário, por exemplo, do que aconteceu com o PT e o PMDB, que tiveram todas as suas cúpulas reunidas num jantar com a presidente, a conversa de Dilma com o PSB foi dividida em duas: um jantar com Eduardo Campos e um almoço com o governador do Ceará, Cid Gomes. E Dilma parece apostar que o PSD e do B vá domar o PSB.
Semana vazia
Afora os ajustes da presidente Dilma com seus aliados - ontem ela jantou com o grupo do prefeito Gilberto Kassab - a semana política, mais até do que a semana, com o feriado nacional de 15/11, e o feriado em muitos municípios do dia 20 (Dia da Consciência Negra) vai esvaziar Brasília. Afinal, como ensinava o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, "ninguém é de ferro". Pelo menos não todos os brasileiros. Com isso, o Câmara e Senado, ficarão com pouco mais de 30 dias corridos (contando os sábados e domingos) para aprovar, entre outras coisas urgentes, algumas MPS que vão caducar até janeiro, o Orçamento Geral da União e as novas regras para o Fundo de Participação dos Estados. Dificilmente, na correria, sairá uma coisa de alta qualidade.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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Nos últimos dois anos sete bancos foram liquidados ou sofreram intervenção do BC. A razzia começou com o Banco Panamericano, repassado para a Caixa Econômica e o BTG, e seguiu com o Cruzeiro do Sul, o Matone, o Prosper, o Schain, o Morada e, no mês passado, o BVA. O caso Panamericano ainda hoje dá dor de cabeça e seus controladores, especialmente a Caixa, que entrou no negócio, como todos sabem, por uma decisão política de Brasília. E sem ter sido alertada das fraudes que por lá havia, pelo menos é isto que seus dirigentes alegam quando cobrados. Em todos esses bancos foram encontradas fraudes, algumas mais outras menos grossas, que se realizaram ao longo de um bom tempo, não nasceram na antevéspera da intervenção. As revelações que a imprensa vem trazendo a respeito dos negócios do Cruzeiro do Sul são, no mínimo, cabeludas. No mercado também se comenta assustadamente as coisas que se passavam no BVA. Coisas medidas em bilhões de reais, um bom naco com os fundos de pensão das estatais. A pergunta que não quer calar é simples : por onde andava a fiscalização do BC todo esse tempo?
Mais benefícios
Na semana passada o governo fez mais uma modificação na regra dos compulsórios. Pode servir como uma luva num banco muito comentado atualmente, até por suas histórias paralelas no mensalão: o mineiro BMG.
Curiosidade aguçada
Depois dos balanços do trimestre encerrado em setembro dos três maiores bancos privados nacionais - Bradesco, Itaú e Santander - e do maior banco público, o BB, todos com resultados inferiores ao esperado, a grande expectativa do mercado é com os resultados da CEF. A CEF tem sido mais audaciosa que os bancos privados e até que o BB, não só na política de rebaixamento dos spreads, como também na concessão de empréstimos. O BB aumentou seus empréstimos mas teve reduzido seu lucro. A Caixa vai dar uma aula para todos os concorrentes?
O etanol em pane
O endividamento das usinas de açúcar e álcool subiu quase 25%, e está próximo dos R$ 52 bi. E a previsão é de que pode subir ainda uns R$ 5 bilhões nos próximos meses. O setor está querendo um fôlego oficial qualquer para ultrapassar a tempestade e não surgir alguns calotes. O problema mais sério está ligado ao preço da gasolina, usado pelo governo como uma das âncoras da política antiinflacionária, mas que ajuda a deprimir o preço do álcool e o caixa das usinas.
Será que vai subir?
Há dias, o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, insuspeito de qualquer tipo de oposicionismo no momento, fez coro com a direção da Petrobrás, dizendo que está mais do que na hora de o governo permitir um aumento no preço da gasolina e do diesel para não garrotear ainda mais o caixa da estatal. Mas não há sinais de fumaça no ar que o reajuste esteja a caminho. Os suspiros da inflação, embora pequenos, incomodam Brasília. O espaço para o aumento dos combustíveis está sendo preparado pela redução das tarifas de energia, entre 16% e 28%, média de 20%, prometido pela presidente Dilma para fevereiro.
Uma novela: as tarifas de luz
Dilma terá mais trabalho do que imaginava para aprovar a MP 579, de prorrogação de contratos de energia elétrica, somado a redução nas contas de luz. As reações das empresas ao valor das indenizações que terão de receber e ao novo valor da tarifa, não foi das melhores. Até a Eletrobrás está chiando. Dilma diz que não admite que a MP seja desfigurada no Congresso, porém há pressões fortes das empresas e de algumas bancadas estaduais. Nos últimos dias, sinal de que o jogo pode ir longe, quem sabe numa batalha judicial, o ministério de Minas e Energia passou a admitir, por exemplo, reabrir o prazo para a estatal mineira Cemig aceitar a prorrogação de todas as suas usinas com contratos vencendo. Se abrir uma exceção para a Cemig receberá outras reivindicações. Já há quem diga que talvez a redução das contas de luz venha a ser bem menor do que o projetado.
Um alerta
A votação da redistribuição dos royalties do petróleo, quando a Câmara não atendeu a pelo menos dois desejos da presidente Dilma - destinar o dinheiro em sua totalidade para a área de educação e só adotar novos critérios para o petróleo novo, não incluindo o que já está licitado e em produção - é um alerta para o governo para as dificuldades que ele pode encontrar na hora de votar a MP 579. A Congresso jogou uma bomba no colo da presidente: se vetar desagrada, se não vetar, desagrada também. E nos dois casos o fim da confusão pode ser o STF. Porém, dependendo do correr da briga no Judiciário, o governo pode ficar impedido da realizar, no tempo prometido, licitação de novas áreas de exploração de petróleo, tanto nas áreas do pré-sal como nas outras. Há sete anos não ocorre nenhum leilão, o que está levando à diminuição das reservas nacionais e até a uma estagnação da produção brasileira. Um adiamento desses leilões já marcados - maio e novembro - mais a confusão na área elétrica, não seriam nada agradáveis com os investidores, já ressabiados com o que muitos chamam de excesso de intervencionismo e outros de excesso de voluntarismo do governo brasileiro.
Dilma e 2014
A prioridade da presidente Dilma, como ficou claro nos últimos dias, é reorganizar suas alianças políticas com vistas à disputa pela reeleição. As mudanças ministeriais em vista - a presidente diz que não é reforma, serão apenas ajustes - terá apenas este sentido. Não virá para melhorar o desempenho da equipe de governo, embora, em algum momento possa trazer tal benefício. E tudo está sendo feito de comum acordo com o presidente Lula, com quem ela teve, na terça-feira à tarde, no Palácio da Alvorada, uma conversa de longas quatro horas. Como o esquema está fechadíssimo, Brasília, que normalmente já é um poço de boatos, está fervilhando. Certo mesmo é que o prefeito Kassab ganha um Ministério - para ele ou para alguém do PSD - e o PMDB terá mais uma cadeira na Esplanada.
Não é a oposição...
...no momento a preocupação de Lula e de Dilma. PSDB, DEM e PPS precisarão primeiro encontrar um rumo antes de incomodarem o Planalto. A fera a ser acompanhada se chama Eduardo Campos. E a tática do governo parece ser dividir seu partido. A cunha são os irmãos cearenses Cid e Ciro Gomes. Ao contrário, por exemplo, do que aconteceu com o PT e o PMDB, que tiveram todas as suas cúpulas reunidas num jantar com a presidente, a conversa de Dilma com o PSB foi dividida em duas: um jantar com Eduardo Campos e um almoço com o governador do Ceará, Cid Gomes. E Dilma parece apostar que o PSD e do B vá domar o PSB.
Semana vazia
Afora os ajustes da presidente Dilma com seus aliados - ontem ela jantou com o grupo do prefeito Gilberto Kassab - a semana política, mais até do que a semana, com o feriado nacional de 15/11, e o feriado em muitos municípios do dia 20 (Dia da Consciência Negra) vai esvaziar Brasília. Afinal, como ensinava o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, "ninguém é de ferro". Pelo menos não todos os brasileiros. Com isso, o Câmara e Senado, ficarão com pouco mais de 30 dias corridos (contando os sábados e domingos) para aprovar, entre outras coisas urgentes, algumas MPS que vão caducar até janeiro, o Orçamento Geral da União e as novas regras para o Fundo de Participação dos Estados. Dificilmente, na correria, sairá uma coisa de alta qualidade.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
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