segunda-feira, 4 de maio de 2009

CORDÉIS

Rumo de literatura. Cordéis. Espaço percorrido com rara inteligência. Sopro divino. Condução para a rima sempre rica. Riqueza da espontaneidade. Dizer tudo dentro da cultura inata. Poetas populares cantando a vida. Temas jocosos. Sensibilidade desabrochante. Artes e letras. Conluio celeste.

O poeta Lucarocas em evidência. Lemos seus cordéis. Bela disciplina. Declamação cadenciada. Mente fervilhante. Mil idéias. Histórias vivas. Roteiro de harmonia. Visão de mundo. Alegria mesmo narrando tragédias. Ironia velada. Veia satírica. Tudo de roldão em tiradas brejeiras. O personagem: Lucarocas. Homem de cultura inegável. Integra a Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará. Na Amlece, ele é o Luís Carlos Rolim de Castro. Ocupante da cadeira cujo patrono é o Patativa do Assaré. Escolha certa.

O Lucarocas honra a tradição dos poetas do povo. Sua verve é estuante. Sua erudição tem lastro acadêmico. Sua estrutura é a simplicidade. Consegue o linguajar popular que agrada pela sonorização do cantador do sertão. A Cadeira 11 da Amlece é de muita sintonia. Repercute com o seu ocupante. Lucarocas é membro do Centro de Cordelista do Nordeste.

Além de cordelista dos bons, ele é professor, poeta e artista plástico. Modula seus caracteres como graduado em Letras e dono de elogiável gama de conhecimentos. Seus títulos das poesias de cordel são de alta inspiração. Suas viagens culturais vencem barreiras de uma atualidade marcante. Destacamos “Canudos - A Redenção do Nordeste”, “Ferrolho de Cabaré”; “A Mentira da Mãe Morta”; “A Freira que Virou Quenga”; “Carrossel Mata Criança”; “O Preço de uma Carona”; “Acarajé - O Manjar Abençoado”; “Desocupado! - Professor ou Deputado?; “Liberdade em Carta Aberta”; “Quando a Plebe Cito” e o “Sonho de Itamar”, dentre outros de uma produção antológica.

Seus textos ou improvisos são puros. Ligeireza que não permite forçar a barra. Consegue gravar e grafar o que lhe dita a consciência crítica de valores tão nossos.

Luís Carlos Rolim de Castro faz coro com o Lucarocas, que é ele mesmo por inteiro, e caminha tranqüilo na rota que lhe deu a merecida imortalidade na Amlece.

PAULO EDUARDO MENDES
Jornalista

(In Diário do Nordeste, 02.05.2009)

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