Inflação elevada e crescimento baixo
A inflação ano a ano vem se comportando dentro da meta, mesmo que tenha ameaçado "transbordar" nos últimos anos. O problema é que a cada cinco anos a inflação acumula, no ritmo atual, algo como 20%. É um número e tanto e provoca distorções de todos os lados, dos balanços aos preços históricos considerados para fins de tributação. Este é um dos problemas mais sérios quando se é negligente na perseguição de números mais baixos de inflação. A acumulação de variações anuais de preços também corrompe as relações econômicas entre os agentes e destes com o Estado, sobretudo nas relações capital versus trabalho. De outro lado, o crescimento pífio deste ano e do ano passado, bem como a falta de sustentação do investimento nos últimos anos, tornam o país incompatível com a categoria de "emergente". Este é estrategicamente um problema crítico que precisa ser atacado pela administração atual com o custo de não aproveitarmos a dinâmica positiva conseguida a duras penas. E o cenário externo pode até melhorar.
Se correr o bicho pega...
...se ficar o bicho come. Com sua habitual generosidade com o bolso alheio, o Congresso ampliou significativamente os setores com direito às mudanças na contribuição previdenciária no Programa Brasil Maior. E ainda acrescentou à MP 563 a isenção de impostos nos produtos da cesta básica. Em princípio, boas providências. A proposta de cesta básica originalmente é até do PT. Só que não levaram em conta as limitações do caixa do governo nem apresentaram medidas compensatórias. Sobrou para Dilma. Se ela vetar, vai contra o seu próprio discurso atual e contra medidas que estão para anunciar no pacotão. Se não vetar, compromete as contas do Tesouro Nacional já um tanto delicadas. A solução seria cortar outras despesas oficiais. Mas cortar despesas é um palavrão federal.
Enfim, a primeira dobra do pacote
Depois de muitos balões de ensaio e alguma vacilação, a presidente Dilma marcou finalmente para amanhã, numa reunião com os empresários, o anúncio do pacotão de medidas com as quais pretende reativar a economia brasileira. As linhas gerais já são conhecidas e visam desta vez mais o investimento do que o consumo. Haverá algumas limitações, principalmente no que diz respeito à diminuição dos impostos, porque o caixa oficial está muito baixo. E também uma limitação semântica : vão ser feitas "concessões" de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, não "privatizações", pois esta é uma palavra maldita em certas searas governistas. Assim como não serão feitos leilões, mas licitações. Filustrias à parte, o pacote não chega a tempo de dar uma sacudidela no PIB deste ano. Este já está dado e, com muito boa vontade, passa do 1,5%. O foco é 2013 e 2014, anos decisivos para os planos eleitorais da presidente. Por diversas razões, como mostram as greves dos servidores públicos, o passaporte político de Dilma ainda não está totalmente carimbado por seus parceiros. Depende de ela ser capaz de manter intacto o sucesso econômico e social herdado de Lula.
Derrubar a máscara
Fechado o pacote o governo não terá mais condições de manter a fachada de que vai fazer um superávit primário este ano de quase R$ 140 bi, algo próximo a 3,1% do PIB. Não vai dar. Já alguns comentaristas preparam o ambiente para que a medida não seja interpretada como um salvo conduto à gastança pública. O problema é que o que está crescendo mais no governo é o gasto de custeio, não o de investimento.
Intriga nacional
Com o aumento das dificuldades econômicas, as paredes de Brasília e alguns ouvidos em SP estão cada vez mais sobrecarregados com intrigas envolvendo a equipe econômica de Dilma. Há gosto de jogar a culpa de tudo em alguém. Como não pode ser a presidente nem quem já não está no governo...
Um cenário externo mais favorável?
É certo que o cenário internacional tem colaborado decisivamente para que o país tenha um desempenho ruim em termos de crescimento, mesmo que os problemas estruturais (inflação alta, despesas correntes elevadas, competitividade industrial cadente, carência tecnológica, educação deficiente, etc.). Todavia, há uma mudança importante lá fora. O mercado financeiro e de capital está mais confiante e consistente, acreditando mais firmemente nas medidas de liquidez que podem ser introduzidas pelo Banco Central Europeu, bem como em função da recuperação do consumo nos EUA. Não deve ser algo episódico. Pode ser estrutural, ou seja, o início de um novo ciclo. E há mais : a China deve lançar medidas de estímulo ao consumo doméstico e, com isso, alavancar os preços das commodities, um ponto extremamente sensível ao Brasil. Não à toa, as bolsas de todo o mundo, inclusa a brasileira, andaram subindo com o ingresso de recursos novos de investidores.
Não aposte contra
Nossa melhor recomendação, conforme já apontamos nas últimas semanas nesta coluna, é que os investidores e agentes não devem apostar num cenário de mais pessimismo. Ao contrário, podem até ficar mais otimistas, mesmo que isso não deva retirar a necessária moderação diante de tantas variáveis. Os movimentos que estamos registrando no mercado internacional, mesmo num momento de férias no norte do Globo, são positivos e consistentes. Os fundos hedge, especulativos como são, perceberam certas mudanças no cenário, entre as quais no segmento de commodities (metais e agrícolas) e reverteram suas imensas posições vendidas. Ademais, o Brasil vai ter uma boa safra agrícola, no exato momento em que os EUA tiveram uma queda de produção substancial em função de razões climáticas.
Uma relação inamistosa I
Depois de um princípio de governo em que precisou recorrer algumas vezes ao ex-presidente Lula livrar-se de algum aborrecimento, a presidente Dilma Rousseff, a partir da série de demissões em que se viu obrigada a fazer por "malfeitos" praticados por auxiliares herdados do antecessor, deu cara própria a seu governo e firmou seu papel e sua liderança. Para desgosto de muitos petistas e lulistas, ela se livrou da sombra do ex-presidente. O governo, que começou Lula-Dilma, passou a Dilma-Lula e de um ano para cá, Dilma apenas. Lula virou quase uma "fotografia na parede", respeitado, mas com pouca influência.
Uma relação inamistosa II
A greve dos servidores públicos em plena efervescência, trouxe uma reviravolta. Na semana passada Dilma procurou Lula em SP e pediu a ele que interferisse junto às centrais sindicais para acabar com o movimento. Lula que sempre teve total ascendência sobre a CUT, o braço sindical do PT, também ganhou influência sobre as outras centrais depois que generosamente cedeu a elas, sem necessidade de nenhuma prestação de contas, uma fatia do imposto sindical. Um dinheirinho hoje que passa dos R$ 100 mi anuais. De novo a presidente volta a ficar dependente de Lula e do PT num momento em que parcela significativa do petismo ligada a Lula também está insatisfeita com a presidente. Isso porque ela está formando o seu próprio petismo (ou dilmismo) e está se envolvendo menos do que eles gostariam na campanha eleitoral em favor dos candidatos do partido. Ainda mais: mandou o governo publicamente ficar longe do mensalão.
Uma relação inamistosa III
A presidente também tem queixa : ninguém entende a força das greves Federais, com ânimos cada vez mais acirrados quando se recorda que a grande influência no sindicalismo público é da CUT. Dilma e Lula não se desentendem, mas seus partidários já não rezam sempre pela mesma cartilha. Passados o mensalão e as eleições haverá naturalmente uma reacomodação de forças no PT e na base governista.
Confronto à vista?
O governo apresenta contas para mostrar que não tem recursos para atender a todas as reivindicações dos servidores Federais. Seriam mais R$ 92 bi de gastos por ano. Vai atender a duas ou três categorias apenas e se der algum aumento linear, ela será mínimo, quase simbólico. Seus argumentos : precisa de recursos para as políticas de incentivo ao crescimento da economia que vai lançar, para garantir o emprego dos assalariados privados, que não gozam das mesmas vantagens dos servidores públicos. Além do mais, estes já tiveram aumentos generosos nos tempos de Lula, bem acima da inflação, o que de um modo geral é verdadeiro. Os líderes dos servidores, porém, não querem conversa. Semana passada, as lideranças sindicais chegaram até a denunciar o governo junto a OIT. E estão recrudescendo o movimento, já atingindo a sociedade com prejuízos para alguns setores econômicos. O governo mostra pouca habilidade para negociar. Os partidos governistas já começam a ficar incomodados, com medo de alguma rebarba eleitoral. Lula, como Dilma pediu, vai se meter nessa encrenca?
Quem garante?
Em tempos de mensalão, greves dos servidores e pacote econômico, os dirigentes do PT e do PMDB arranjaram um tempo para um evento público em Brasília, praticamente ignorado pela imprensa, para reafirmar o compromisso do PT de apoiar candidatos do PMDB no ano que vem às presidências da Câmara e do Senado. Embora o compromisso já estivesse lavrado em papel timbrado, o PMDB via, com razão, movimentos do PT para fugir dele pelo menos na Câmara. Esta ação agora surgiu depois que o PMDB socorreu o PT na disputa pela prefeitura de BH. E tem o aval da presidente Dilma, com interesses especiais na eleição na capital mineira. Mas quem garante de fato que o compromisso será mantido até fevereiro do ano que vem? Afinal, o PMDB e o PT vivem brincando de Tom e Jerry e os dois estão empenhados numa briga particular para ver quem cresce mais nas urnas de outubro.
E o Senado?
Um dos obstáculos a esse entendimento pode se chamar Renan Calheiros. Preferido do PMDB à presidência do Senado, nem de longe ele é o candidato dos amores de Dilma e do PT. Há movimentos para levar o ministro Edison Lobão para o Senado para concorrer como candidato governista. Dilma daria duas cartadas : troca um ministro pouco eficiente e se livra de um incômodo. Renan ficaria reservado para concorrer ao governo de AL. Não se sabe se o PMDB todo concorda com isso. Além do mais, para Renan pegar o Senado é melhor ainda para ajudar sua candidatura a governador. O resultado dessas divergências pode ser açular uma candidatura da oposição com apoio de dissidentes governistas - até de petistas.
O último suspiro
Mais uma semana e entra no ar a campanha eleitoral obrigatória no rádio e na televisão, última oportunidade dos candidatos que estão rateando nas pesquisas de melhorarem suas avaliações. Espremidas entre os Jogos Olímpicos e o mensalão, que está provocando mais interesse do que se imaginava, as propagandas daqui para a frente terão de se desdobrar para atingir o eleitor. Nunca se viu, nas capitais e nas cidades médias, tão parco interesse por uma eleição como a de agora. O que, em tese, dá alguma vantagem para quem disputa a reeleição ou por quem é já mais conhecido do eleitor. O índice de reeleição este ano deve crescer em relação ao de eleições anteriores.
Mensalão: começam os votos
Os votos do ministro-relator Joaquim Barbosa e do revisor Ricardo Lewandowski serão os primeiros e devem encaminhar uma boa parte dos votos dos demais ministros do STF no julgamento do mensalão. Obviamente, esta é uma opinião precária de vez que são muitas as possibilidades de resultado deste histórico julgamento. Aliás, as previsões iniciais relativas ao caso, foram em larga medida frustradas. O que se vê são defesas relativamente acanhadas, frente à propagada capacidade jurídica dos defensores dos acusados e ministros concentrados em sua tarefa de ouvir e rejeitar recursos dilatórios. O problema de todo o caso será o confronto entre o que está nos autos e aquilo que está no imaginário popular. Como se sabe, a classe política não é exatamente dotada de grande credibilidade junto ao cidadão. Além disso, a corrupção e o descaso dos políticos com as causas, digamos, republicanas, faz com que o distinto público queira Justiça. Eventualmente, a custos elevados. O STF terá de lidar com isso e esta será a questão final do mensalão.
Ainda sem explicações
Seria, no mínimo, de bom tom que o ex-presidente Lula, o ministro Gilmar Mendes e o ex-ministro Nelson Jobim explicassem claramente os objetivos daquela reunião entre os três antes do início do julgamento do STF. Além disso, cabe explicações do procurador-geral da República sobre as pressões que teria sofrido. Muito se fala sobre coisas tão sérias e pouco se explica.
Suzana von Richthofen, Nardoni e Mensalão
Do blog de José Dirceu em 11 de junho último, reproduzindo o fraseado de Márcio Thomaz Bastos, o "God" (segundo seus colegas):
"A imprensa faz publicidade opressiva em casos de grande repercussão", observou o ministro dizendo-se tranquilo na constatação porque "mesmo integrando um valor constitucional da mais alta nobreza, a imprensa não está livre de sofrer críticas". Para ilustrar esse comportamento da mídia, Thomaz Bastos mencionou casos de grande repercussão como os de Suzane von Richthofen, presa porque mandou matar os pais tomando parte no crime; o do casal Nardoni, condenado e preso pela morte da filha/enteada Izabela; e o da atriz Daniela Perez, assassinada pelo colega da TV Globo Guilherme Pádua e a mulher deste, Paula Thomaz, que cumpriram pena e já estão em liberdade. Ao lembrar o processo von Richthofen, Thomaz Bastos o classificou como exemplo paradigmático de casos nos quais a opinião pública atropelou o devido processo penal e a estudante, acusada de mandar matar os próprios pais foi julgada em meio ao clamor público".
A voz de "God" é a voz de quem?
(Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
terça-feira, 14 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
SER PAI - por ARTHUR DA TÁVOLA
De todas as minhas modestas dimensões humanas, a que mais me realiza é a de ser pai.
Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem.
É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão.
É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.
Ser pai é aprender, errando, a hora de falar e de calar.
É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.
Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é aguentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos.
Ser pai é: saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói.
Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.
Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida.
Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam.
Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.
Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.
Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo
de convivência no máximo de solidão.
É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver. É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.
sábado, 11 de agosto de 2012
DIA DO ADVOGADO!
Narra a história que, há pouco mais de setecentos anos na heráldica França, mais precisamente na região da Bretanha, viveu um ser iluminado que acumulou as funções de sacerdote, advogado e juiz. (Hoje pode nos soar estranho, mas naquele tempo isso era possível em virtude de não vigorar a atual estrita divisão social das funções).
Por conta de sua extrema sensibilidade social e fulgurante inteligência, galgou aura popular, prestígio comunitário e a reverência dos desvalidos da sociedade. Foi ele o fundador dessa veneranda Instituição que nos dias atuais chamamos Defensoria Pública.
Reza a lenda que um pobre, não possuindo dinheiro para comprar comida, aproximava-se diariamente, na hora do almoço, da janela da cozinha de um restaurante e, com o saboroso odor inalado, dava-se por satisfeito. Uma ocasião, o dono do restaurante o interpelou sobre o seu repetido e suspeito comportamento e, ouvindo a cândida explanação do miserável, exigiu dele pagamento como se ele tivesse de fato comido uma refeição. O causídico dos injustiçados assumiu a defesa do pobre e, no Tribunal, fez soar aos ouvidos do acusador as moedas que exigia, dizendo-lhe: "Considera-te pago com o som dessas moedas".
Esse operador do direito, batizado Ivo Hélory de Kermartin, que teve seu nome inscrito nos cânones da Igreja Católica como “Santo Ivo”, tornou-se o padroeiro dos advogados. Santo Ivo transformou sua existência terrena em um hino de louvor ao Reino dos Céus. Considerou a erudição que possuía um pergaminho musical para a elaboração das partituras mais profundas da humanidade: a Justiça e a Liberdade! Espargiu a sabedoria para fertilizar o terreno árido da arrogância, utilizou com habilidade os pratos da balança da deusa Thêmis, mirou de frente a imparcialidade e dilatou o espírito conciliador para desfazer as supostas inimizades que as contendas judiciais tendem a gerar. É ele o símbolo eminente, a bandeira excelsa, o estandarte imarcescível da atividade advocatícia.
O ordenamento jurídico brasileiro conferiu ao advogado o status constitucional de essencialidade à Justiça. O múnus que lhe foi conferido, para efeito de uma escorreita prestação jurisdicional, se assemelha ao do Juiz e ao do Promotor. A Lei assim estabelece, à inteligência do magistério estampado no artigo 6º da Lei 8.906/94: “Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos”.
Advogar é aceitar a unção sacramental do óleo da Justiça! É celebrar um matrimônio de amor com a Liberdade!
Jean Giradoux anunciou que “não há melhor maneira de exercitar a imaginação do que estudar direito. Nenhum poeta jamais interpretou a natureza com tanta liberdade quanto um jurista interpreta a verdade”.
Neste dia em que comemoramos a nossa data, cabe uma acurada reflexão sobre os desafios presentes e futuros. Enquanto categoria que se abriga sob o teto dessa Instituição chamada OAB, cabe-nos abrir a mente e o coração para compreender a razão maior da nossa militância classista: a solidificação das pilastras do Estado Democrático de Direito e o acendimento das tochas olímpicas das nossas prerrogativas. Gestos ousados, atitudes corajosas. Mais do que nunca, os tempos atuais, em que os castelos de sonhos de velhas utopias ruíram, precisamos praticar ações que enobreçam e dignifiquem a mais bela das profissões.
Júnior Bonfim - advogado.
Por conta de sua extrema sensibilidade social e fulgurante inteligência, galgou aura popular, prestígio comunitário e a reverência dos desvalidos da sociedade. Foi ele o fundador dessa veneranda Instituição que nos dias atuais chamamos Defensoria Pública.
Reza a lenda que um pobre, não possuindo dinheiro para comprar comida, aproximava-se diariamente, na hora do almoço, da janela da cozinha de um restaurante e, com o saboroso odor inalado, dava-se por satisfeito. Uma ocasião, o dono do restaurante o interpelou sobre o seu repetido e suspeito comportamento e, ouvindo a cândida explanação do miserável, exigiu dele pagamento como se ele tivesse de fato comido uma refeição. O causídico dos injustiçados assumiu a defesa do pobre e, no Tribunal, fez soar aos ouvidos do acusador as moedas que exigia, dizendo-lhe: "Considera-te pago com o som dessas moedas".
Esse operador do direito, batizado Ivo Hélory de Kermartin, que teve seu nome inscrito nos cânones da Igreja Católica como “Santo Ivo”, tornou-se o padroeiro dos advogados. Santo Ivo transformou sua existência terrena em um hino de louvor ao Reino dos Céus. Considerou a erudição que possuía um pergaminho musical para a elaboração das partituras mais profundas da humanidade: a Justiça e a Liberdade! Espargiu a sabedoria para fertilizar o terreno árido da arrogância, utilizou com habilidade os pratos da balança da deusa Thêmis, mirou de frente a imparcialidade e dilatou o espírito conciliador para desfazer as supostas inimizades que as contendas judiciais tendem a gerar. É ele o símbolo eminente, a bandeira excelsa, o estandarte imarcescível da atividade advocatícia.
O ordenamento jurídico brasileiro conferiu ao advogado o status constitucional de essencialidade à Justiça. O múnus que lhe foi conferido, para efeito de uma escorreita prestação jurisdicional, se assemelha ao do Juiz e ao do Promotor. A Lei assim estabelece, à inteligência do magistério estampado no artigo 6º da Lei 8.906/94: “Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos”.
Advogar é aceitar a unção sacramental do óleo da Justiça! É celebrar um matrimônio de amor com a Liberdade!
Jean Giradoux anunciou que “não há melhor maneira de exercitar a imaginação do que estudar direito. Nenhum poeta jamais interpretou a natureza com tanta liberdade quanto um jurista interpreta a verdade”.
Neste dia em que comemoramos a nossa data, cabe uma acurada reflexão sobre os desafios presentes e futuros. Enquanto categoria que se abriga sob o teto dessa Instituição chamada OAB, cabe-nos abrir a mente e o coração para compreender a razão maior da nossa militância classista: a solidificação das pilastras do Estado Democrático de Direito e o acendimento das tochas olímpicas das nossas prerrogativas. Gestos ousados, atitudes corajosas. Mais do que nunca, os tempos atuais, em que os castelos de sonhos de velhas utopias ruíram, precisamos praticar ações que enobreçam e dignifiquem a mais bela das profissões.
Júnior Bonfim - advogado.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
OBSERVATÓRIO
Em 1982 concorriam à Prefeitura de Crateús Leandro Martins e doutor Torres, pelo PDS; Zé Maria Pedreiro e doutor Fernandes, pelo PMDB e Manoel Balbino, pelo PT. Alguém pode estranhar a existência de dois candidatos por um único partido, mas é explicável. Àquela época vigorava o instituto da sublegenda. (Sublegenda foi um instituto da lei eleitoral brasileira, criado no período do regime militar, que permitia o lançamento de mais de um candidato às eleições majoritárias pelo mesmo partido, somando-se os seus votos). A Rádio Educadora resolveu promover um debate entre os postulantes. Foi grande a audiência. Os candidatos se esmeravam nas respostas às perguntas, procurando demonstrar grande conhecimento dos temas levantados. Em certo bloco, Manoel Balbino foi o último a fazer uso da palavra. Após todas as loquazes respostas, disparou: - Veja, meu povo, como é difícil a gente ser candidato contra esses “grandes”. Os homens falam demais. Disseram tudo. Se isso aqui fosse um banquete, eu podia dizer que comeram toda a carne e só deixaram os ossos prá eu roer...
O CLIMA
A campanha eleitoral em Crateús está morna, modorrenta, maçante. As pessoas reclamam. Para muitos, campanha não combina com calmaria. A atmosfera ideal para as refregas eleitorais não é a das baixas temperaturas. Assim, todos querem disputa, contenda, confronto de idéias. E o melhor, o mais qualificado espaço para esse combate é o debate. Na mesa do debate, na exploração das contradições, na análise da história de cada postulante, na exposição dos programas, projetos e metas é que o eleitor passa a firmar um juízo.
O CLIMA II
Nada disso aconteceu ainda. Os levantamentos feitos até agora são consensuais sobre alguns itens: 1. O Prefeito é, por razões óbvias, o favorito deste momento. Partiu na frente, dispõe da máquina e tem um exército previamente mobilizado. Isso é natural. É ele que tem a obrigação de ganhar. 2. Ao lado de tudo isso, o Chefe do Executivo enfrenta, também, altos índices de rejeição. O Carlos Felipe de hoje difere muito do candidato de quatro anos antes. Acumulou defecções (muita gente que votou nele na eleição passada diz que não vota este ano), atraiu decepções (o cidadão que apostou em uma gestão séria e irrepreensível lamenta a enorme lista de notícias desairosas e equívocos cometidos). 3. O seu principal concorrente (aquele que congrega o maior número de partidos apoiando), Ivan Monte Claudino, ainda possui uma alta taxa de desconhecimento. Mais da metade da população não liga o nome à pessoa. (Isso, a rigor, não pode ser visto como algo negativo). Desconhecer não é igual a rejeitar. Quem não conhece, pode votar. Principalmente se, ao conhecer, o candidato cair no seu gosto. É diferente de quem rejeita. Neste caso, o eleitor conhece o candidato e, mesmo assim, afirma votar contra. 4. De Eduardo Machado ainda não existe sinal nenhum de campanha. 5. João Coelho Soriano, o Maçaroca, tem se queixado da falta apoio logístico e estrutura para a luta. 6. No PSOL, a ausência de recursos financeiros não constitui motivo para qualquer lamúria. Pelo contrário. O Partido da candidata Adriana Calaça mira o sol do idealismo e exibe, na camisa, os dizeres: “Não recebo um Real, tô na rua por ideal”.
OS DEBATES
O fato é que a pública opinião sente falta dos debates. Urge que os segmentos organizados da população deflagrem uma sequencia de debates com os postulantes à Prefeitura. Está na hora da imprensa, da Igreja, da Universidade, dos sindicatos, das associações de classe, dos empresários, das organizações sociais – enfim, da inteligência da cidade movimentar esse processo. Em Fortaleza já ocorreram vários encontros entre os prefeituráveis. Crateús precisa fazer o mesmo.
HORÁRIO ELEITORAL
Segundo o artigo 47 da Lei Eleitoral (9.504/1997), somente dentro de quinze dias, mais precisamente no dia 21 de agosto, teremos o início do período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. É óbvio que a realização dos programas de rádio também aquecerá a corrida sucessória.
CURIOSIDADE
Alguém sabe a qual partido pertence o candidato a vereador teoricamente mais rico da atual campanha? Ou seja, aquele que apresentou a mais valiosa declaração de bens à Justiça Eleitoral? Pois bem, é do PMN (Partido da Mobilização Nacional). Seu nome é Juraci Melo Nunes, popularmente conhecido como Louro da Cruz.
RECURSO
Dentre os que tiveram seus pedidos de registro de candidaturas a Vereador questionados, causou preocupação na Coligação que integram os nomes de Lourenço Torres e Eudes Oliveira, ambos indeferidos em primeira instância. Os dois compunham as listas de prováveis eleitos. Por isso, resolveram recorrer da sentença de indeferimento e continuar praticando todos os atos de campanha. Até amanhã (08 de agosto) os partidos poderão realizar a substituição de candidatos às eleições proporcionais. Daí em diante, quem tiver com o registro sub judice corre todos os riscos: se conseguir reverter a situação nas instâncias superiores (TRE/TSE) terá os votos validados. Se não obtiver provimento do recurso, os votos não serão contados nem para a Coligação. Isso tem repercussão direta na distribuição das vagas para a Câmara Municipal.
PARA REFLETIR
"Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou." (Magalhães Pinto)
(Júnior Bonfim, na edição de ontem do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
O CLIMA
A campanha eleitoral em Crateús está morna, modorrenta, maçante. As pessoas reclamam. Para muitos, campanha não combina com calmaria. A atmosfera ideal para as refregas eleitorais não é a das baixas temperaturas. Assim, todos querem disputa, contenda, confronto de idéias. E o melhor, o mais qualificado espaço para esse combate é o debate. Na mesa do debate, na exploração das contradições, na análise da história de cada postulante, na exposição dos programas, projetos e metas é que o eleitor passa a firmar um juízo.
O CLIMA II
Nada disso aconteceu ainda. Os levantamentos feitos até agora são consensuais sobre alguns itens: 1. O Prefeito é, por razões óbvias, o favorito deste momento. Partiu na frente, dispõe da máquina e tem um exército previamente mobilizado. Isso é natural. É ele que tem a obrigação de ganhar. 2. Ao lado de tudo isso, o Chefe do Executivo enfrenta, também, altos índices de rejeição. O Carlos Felipe de hoje difere muito do candidato de quatro anos antes. Acumulou defecções (muita gente que votou nele na eleição passada diz que não vota este ano), atraiu decepções (o cidadão que apostou em uma gestão séria e irrepreensível lamenta a enorme lista de notícias desairosas e equívocos cometidos). 3. O seu principal concorrente (aquele que congrega o maior número de partidos apoiando), Ivan Monte Claudino, ainda possui uma alta taxa de desconhecimento. Mais da metade da população não liga o nome à pessoa. (Isso, a rigor, não pode ser visto como algo negativo). Desconhecer não é igual a rejeitar. Quem não conhece, pode votar. Principalmente se, ao conhecer, o candidato cair no seu gosto. É diferente de quem rejeita. Neste caso, o eleitor conhece o candidato e, mesmo assim, afirma votar contra. 4. De Eduardo Machado ainda não existe sinal nenhum de campanha. 5. João Coelho Soriano, o Maçaroca, tem se queixado da falta apoio logístico e estrutura para a luta. 6. No PSOL, a ausência de recursos financeiros não constitui motivo para qualquer lamúria. Pelo contrário. O Partido da candidata Adriana Calaça mira o sol do idealismo e exibe, na camisa, os dizeres: “Não recebo um Real, tô na rua por ideal”.
OS DEBATES
O fato é que a pública opinião sente falta dos debates. Urge que os segmentos organizados da população deflagrem uma sequencia de debates com os postulantes à Prefeitura. Está na hora da imprensa, da Igreja, da Universidade, dos sindicatos, das associações de classe, dos empresários, das organizações sociais – enfim, da inteligência da cidade movimentar esse processo. Em Fortaleza já ocorreram vários encontros entre os prefeituráveis. Crateús precisa fazer o mesmo.
HORÁRIO ELEITORAL
Segundo o artigo 47 da Lei Eleitoral (9.504/1997), somente dentro de quinze dias, mais precisamente no dia 21 de agosto, teremos o início do período da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. É óbvio que a realização dos programas de rádio também aquecerá a corrida sucessória.
CURIOSIDADE
Alguém sabe a qual partido pertence o candidato a vereador teoricamente mais rico da atual campanha? Ou seja, aquele que apresentou a mais valiosa declaração de bens à Justiça Eleitoral? Pois bem, é do PMN (Partido da Mobilização Nacional). Seu nome é Juraci Melo Nunes, popularmente conhecido como Louro da Cruz.
RECURSO
Dentre os que tiveram seus pedidos de registro de candidaturas a Vereador questionados, causou preocupação na Coligação que integram os nomes de Lourenço Torres e Eudes Oliveira, ambos indeferidos em primeira instância. Os dois compunham as listas de prováveis eleitos. Por isso, resolveram recorrer da sentença de indeferimento e continuar praticando todos os atos de campanha. Até amanhã (08 de agosto) os partidos poderão realizar a substituição de candidatos às eleições proporcionais. Daí em diante, quem tiver com o registro sub judice corre todos os riscos: se conseguir reverter a situação nas instâncias superiores (TRE/TSE) terá os votos validados. Se não obtiver provimento do recurso, os votos não serão contados nem para a Coligação. Isso tem repercussão direta na distribuição das vagas para a Câmara Municipal.
PARA REFLETIR
"Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou." (Magalhães Pinto)
(Júnior Bonfim, na edição de ontem do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
CONJUNTURA NACIONAL
Em 5 anos, tudo pode ocorrer
Um poderoso sultão, sábio entre os sábios, possuía um camelo muito inteligente. Obedecia a todas as ordens que nem precisavam ser emitidas de viva voz. Faltava-lhe apenas o dom da palavra. Esse detalhe entristecia sobremaneira o sultão. Um dia, decidiu convocar o Grande Conselho e chamou o grão-vizir.
- Quero que ensine meu camelo a falar!
- Mas isso é impossível.
- Cortem-lhe a cabeça! Tragam-me o adjunto!
Mesma afirmação de desejo sultanesco, mesma resposta, mesma sentença. A cena repetiu-se diversas vezes e cabeças rolaram. Exasperado o sultão declarou.
- Aquele que ensinar meu camelo a falar será meu grão-vizir.
Silêncio! O sultão repetiu a exortação. Eis que surgiu um humilde ajudante de cozinheiro. Disse:
-Dá-me, ó incomparável senhor, um prazo de 5 anos, e farei falar teu camelo.
Estupefação geral. Seguida do cumprimento da promessa.
-Doravante, és meu grão-vizir! Mas se falhares, sabes o que te espera!
- Bem sei!
Encantado, o jovem fez profunda reverência e saiu correndo para dar a boa notícia à esposa.
- Infeliz, acabas de assinar tua condenação.
- Não é bem assim, meu bem. Pedi 5 anos. Você sabe que muitas coisas poderão acontecer em 5 anos: morre o camelo, morre o sultão...
(Fábula enviada pelo atento Alexandru Solomon, que arremata: "nada a ver com o PAC, a Ação Penal 470 e outras coisitas...")
A animação dos advogados
Os advogados dos réus da Ação Penal 470 estão animados. Acreditam que derrubarão tese de existência do mensalão. Combinaram o discurso: se houve ilícito, ocorreu no departamento do caixa 2. Delúbio Soares assume esse crime. José Dirceu argumenta: não mandava no PT. José Genoino levanta a ideia: não cuidava do dinheiro do partido que presidia. Marcos Valério alega: fez empréstimos legais. Pergunta que não quer calar: se tudo era legal, porque isso veio à tona desde cedo? A confusão vai ganhando densidade na esteira de falas de ministros, como a de Marco Aurélio Melo. Que reconhece a ausência de provas documentais e a abundância de provas testemunhais.
O cavalo
"Em serviço o que se quer não é o cavalo que corra mais, é o cavalo que aguente mais". (Eça de Queirós)
O pensamento do ministro
Alguns advogados valem-se do argumento do ministro Marco Aurélio para arrematar: como ele mesmo reconheceu, não há provas. Só que esquecem a outra parte do argumento do ministro: e querem o quê? Uma carta de confissão do mensalão.
Escravos
"Todos somos mais ou menos escravos, da lei, da opinião, das conveniências, dos prejuízos; uns de sua pobreza, e outros de sua riqueza". (José de Alencar)
Frase lapidar
Outra declaração de Marco Aurélio: "O Brasil se tornou um país do faz de conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados não sabiam". Ou seja, por essa frase, os advogados dos acusados deveriam inferir que o voto do ministro será pela condenação, eis que reconhece a existência do "maior dos escândalos". Como se pode aduzir, na Ação Penal 470 cada qual busca interpretar à sua maneira o pensamento dos magistrados.
Capital e trabalho
"Quando o capital se acovarda, o trabalho morre". (Olavo Bilac)
Janice ensina
Janice Ascari, procuradora regional da República em São Paulo, ensina: não há hierarquia entre prova testemunhal, pericial e documental. Então, por que os advogados tentam desqualificar as provas testemunhais?
A pena do jornalista
"Nos países onde o parlamento representa mal a Nação, a pena do jornalista vale mais que a eloquência do orador". (Rui Barbosa)
Dilma na campanha
A presidente Dilma não pretende entrar no embate eleitoral. Teme que seu apoio a alguns candidatos possa criar contrariedade no seio de partidos da base governista. Em SP, o candidato Fernando Haddad usa as imagens da presidente e de Lula em seus materiais. Lula vai entrar de sola na campanha. Espera alavancar seu candidato. Dilma percebeu que, em alguns Estados, a atitude de alheamento será mais conveniente.
O homem
"O homem não é sempre o mesmo em todos os instantes". (Machado de Assis)
Lula na campanha
Há uma fila de centenas de candidatos petistas esperando uma foto com Lula. O ex-presidente já fez uma foto coletiva, junto com muitos candidatos do PT. Com a liberação médica, Lula vai se dedicar à campanha de Haddad, fazendo companhia ao candidato, mas preservando-se de situações que possam abalar a saúde: jornadas noturnas, movimentações no meio da massa, etc. Este consultor acredita que a presença de Lula será fundamental para expandir a intenção de voto em Haddad. Em meados de setembro, a intenção de voto no candidato petista pode chegar aos 20%. A conferir.
Nosso povo
"Somos, ainda, sobre todos os outros, o povo das esplêndidas frases golpeantes, das imagens e dos símbolos". (Euclides da Cunha)
Russomanno consolidará?
Esta é a pergunta que muitos fazem: Celso Russomanno conseguirá consolidar seu índice de intenção de voto, hoje em torno de 25%. Este consultor não consegue desenhar cenários. Esta campanha exibe mais pontos de interrogação que a de 2008.
E Serra, hein?
Há quem aposte que José Serra não entrará no segundo turno. Em vez de subir, desce. E sua taxa de rejeição é altíssima, em torno de 30%.
A leitura
"Como as pessoas leem sempre, em vez dos melhores de todos os tempos, apenas a última novidade, os escritores permanecem no círculo estreito das ideias que circulam, e a época afunda cada vez mais em sua própria lama". (Schopenhauer)
Chalita
O candidato Gabriel Chalita conseguiu apoio de importantes núcleos evangélicos. O candidato do PMDB tende a crescer com a boa visibilidade na mídia eleitoral. A conferir.
Ministros na campanha
Os ministros do governo Dilma começam, também, a fazer os primeiros movimentos eleitorais. Alguns estão dispostos, até, a correr o país. Outros dispõem-se apenas a aparecer nas fotos dos candidatos.
Crimes maiores
"Todos os crimes, geralmente, se tornam maiores quando provocam escândalo, isto é, quando se tornam obstáculo para os fracos, que olham menos para o caminho que estão seguindo do que para a luz que outros homens levam à sua frente". (Thomas Hobbes)
Ciclo da visibilidade
A campanha entrou, nessa semana, no ciclo da visibilidade média, com a cobertura das andanças e movimentações de candidatos pelas redes de TV e rádio. O ciclo entrará na fase mais avançada, a partir de 21 de agosto, quando terá início a programação eleitoral.
Tempo de TV e rádio
A redundância é uma das sagradas e consagradas leis da comunicação. Quanto mais seja exposto um candidato nos espaços midiáticos, mais visibilidade alcançará. Quanto mais tempo tenha para propagar suas ideias, mais conhecidas essas serão e, por conseguinte, maior a probabilidade de serem captadas, entendidas e internalizadas (entrando na cachola dos eleitores). Esse princípio foi muito usado por Hitler para propagar o nazismo: repita uma mentira uma, duas, três vezes. Na terceira vez, será aceita como verdade. Hitler, pelas lições de Goebels, seu ministro da propaganda, usou muito o estribilho, forma repetitiva da propaganda política.
Dois juntos
"Se dois se põem de acordo e juntam forças, juntos podem mais, e consequentemente têm mais direito sobre a natureza do que cada um deles sozinho; e quantos mais assim estreitarem relações, mais direitos terão todos juntos". (Baruch de Espinosa)
Propaganda negativa
A revolução francesa de 1789 pode ser considerada o marco da propaganda agressiva nos termos em que hoje se apresenta. Ali, os jacobinos, insuflados por Robespierre, produziram um manual de combate político, recheado de injúrias, calúnias, gracejos e pilhérias que acendiam os instintos mais primitivos das multidões. Na atualidade, é a Nação norte-americana que detém a referência maior da propaganda agressiva, mola da campanha negativa. Este formato, cognominado de mudslinging, apresenta efeitos positivos e negativos. No contexto dos dois grandes partidos que se revezam no poder - democrata e republicano -, diferenças entre perfis e programas são mais nítidas e a polarização sustentada por campanhas combativas ajuda a sociedade a salvaguardar os valores que a guiam, como o amor à verdade, a defesa dos direitos individuais e sociais, a liberdade de expressão, entre outros. Nem sempre a estratégia de bater no adversário gera eficácia.
Romney, mais grana
Obama, ao que parece, perde o charme. Na campanha de 2008, arrecadou cerca de US$ 600 milhões pelas redes sociais. Hoje, o presidente perde para o candidato republicano, Mitt Romney, em matéria de arrecadação de fundos. O republicano alcançou, em julho, mais de US$ 101,3 milhões, enquanto Obama conseguiu apenas US$ 75 milhões. Mas a arrecadação total - somando todos os meses - é dos democratas : US$ 627 milhões contra US$ 495 milhões dos republicanos.
Ohio, vital
Para ganhar a eleição norte-americana, o Estado de Ohio é considerado o mais simbólico e decisivo. Quem é vitorioso nesse Estado, leva a melhor. O único democrata a vencer sem o apoio de Ohio foi Kennedy.
ACM aguentará o tranco?
ACM Neto, candidato do DEM, tem 40% das intenções de voto em Salvador. Pois bem, seu opositor, o petista Nelson Pelegrino, tem 10%. Mas terá uma base de apoio, formada por 15 partidos, o que dará um tempo de TV três vezes maior que o do DEM. Donde emerge a pergunta: ACM Neto sustentará a posição ? Este consultor não arrisca um prognóstico.
Milagre ajudando Obama?
Cientistas da Nasa qualificaram de "milagre de engenharia" o pouso em Marte da sonda Curiosity, que já começou a enviar imagens de uma antiga cratera. Ela vai detectar a existência de vida em Marte. O jipe-robô, com 6 rodas, pesa uma tonelada, e realizou complexa e arriscada operação para entrar na atmosfera marciana e pousar no local escolhido. Essa é a primeira missão de astrobiologia da Nasa desde o envio da sonda Viking, na década de 1970, e é também o primeiro laboratório analítico completo a operar em outro mundo. Barack Obama festeja o acontecimento. Na crença de que Marte lhe fará uns bons votinhos.
Noções de gestão pública
"Como aprender nunca é demais, principalmente, nesta era do conhecimento, os candidatos que vierem a ser eleitos poderiam dedicar algum tempo antes da posse para adquirir ou reciclar as noções modernas de gestão pública e as informações sobre a real situação dos municípios que terão a responsabilidade de administrar nos próximos quatro anos". (Ruy Martins Altenfelder Silva e Alexandre Artacho Altenfelder Silva - Diálogo Nacional : Repensando o Brasil)
Conselho aos senhores advogados
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos ministros do STF. Hoje, sua atenção se volta aos advogados que trabalham na Ação Penal 470:
1. Acautelem-se. Evitem declarações à imprensa que possam gerar polêmica ou ferir a imagem de magistrados.
2. Compreende-se o esforço de cada profissional do Direito para fazer a melhor defesa dos réus na Ação Penal 470. Urge, porém, não ferir suscetibilidades com alguma abordagem expressiva que possa provocar mal estar em algum magistrado.
3. Os juízes também deveriam se esforçar para, com suas declarações públicas, fazer prejulgamentos. Mesmo que isso ocorra - e tem ocorrido - todo cuidado deve ser tomado para evitar respostas públicas que possam gerar animosidade entre os operadores do Direito.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Um poderoso sultão, sábio entre os sábios, possuía um camelo muito inteligente. Obedecia a todas as ordens que nem precisavam ser emitidas de viva voz. Faltava-lhe apenas o dom da palavra. Esse detalhe entristecia sobremaneira o sultão. Um dia, decidiu convocar o Grande Conselho e chamou o grão-vizir.
- Quero que ensine meu camelo a falar!
- Mas isso é impossível.
- Cortem-lhe a cabeça! Tragam-me o adjunto!
Mesma afirmação de desejo sultanesco, mesma resposta, mesma sentença. A cena repetiu-se diversas vezes e cabeças rolaram. Exasperado o sultão declarou.
- Aquele que ensinar meu camelo a falar será meu grão-vizir.
Silêncio! O sultão repetiu a exortação. Eis que surgiu um humilde ajudante de cozinheiro. Disse:
-Dá-me, ó incomparável senhor, um prazo de 5 anos, e farei falar teu camelo.
Estupefação geral. Seguida do cumprimento da promessa.
-Doravante, és meu grão-vizir! Mas se falhares, sabes o que te espera!
- Bem sei!
Encantado, o jovem fez profunda reverência e saiu correndo para dar a boa notícia à esposa.
- Infeliz, acabas de assinar tua condenação.
- Não é bem assim, meu bem. Pedi 5 anos. Você sabe que muitas coisas poderão acontecer em 5 anos: morre o camelo, morre o sultão...
(Fábula enviada pelo atento Alexandru Solomon, que arremata: "nada a ver com o PAC, a Ação Penal 470 e outras coisitas...")
A animação dos advogados
Os advogados dos réus da Ação Penal 470 estão animados. Acreditam que derrubarão tese de existência do mensalão. Combinaram o discurso: se houve ilícito, ocorreu no departamento do caixa 2. Delúbio Soares assume esse crime. José Dirceu argumenta: não mandava no PT. José Genoino levanta a ideia: não cuidava do dinheiro do partido que presidia. Marcos Valério alega: fez empréstimos legais. Pergunta que não quer calar: se tudo era legal, porque isso veio à tona desde cedo? A confusão vai ganhando densidade na esteira de falas de ministros, como a de Marco Aurélio Melo. Que reconhece a ausência de provas documentais e a abundância de provas testemunhais.
O cavalo
"Em serviço o que se quer não é o cavalo que corra mais, é o cavalo que aguente mais". (Eça de Queirós)
O pensamento do ministro
Alguns advogados valem-se do argumento do ministro Marco Aurélio para arrematar: como ele mesmo reconheceu, não há provas. Só que esquecem a outra parte do argumento do ministro: e querem o quê? Uma carta de confissão do mensalão.
Escravos
"Todos somos mais ou menos escravos, da lei, da opinião, das conveniências, dos prejuízos; uns de sua pobreza, e outros de sua riqueza". (José de Alencar)
Frase lapidar
Outra declaração de Marco Aurélio: "O Brasil se tornou um país do faz de conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados não sabiam". Ou seja, por essa frase, os advogados dos acusados deveriam inferir que o voto do ministro será pela condenação, eis que reconhece a existência do "maior dos escândalos". Como se pode aduzir, na Ação Penal 470 cada qual busca interpretar à sua maneira o pensamento dos magistrados.
Capital e trabalho
"Quando o capital se acovarda, o trabalho morre". (Olavo Bilac)
Janice ensina
Janice Ascari, procuradora regional da República em São Paulo, ensina: não há hierarquia entre prova testemunhal, pericial e documental. Então, por que os advogados tentam desqualificar as provas testemunhais?
A pena do jornalista
"Nos países onde o parlamento representa mal a Nação, a pena do jornalista vale mais que a eloquência do orador". (Rui Barbosa)
Dilma na campanha
A presidente Dilma não pretende entrar no embate eleitoral. Teme que seu apoio a alguns candidatos possa criar contrariedade no seio de partidos da base governista. Em SP, o candidato Fernando Haddad usa as imagens da presidente e de Lula em seus materiais. Lula vai entrar de sola na campanha. Espera alavancar seu candidato. Dilma percebeu que, em alguns Estados, a atitude de alheamento será mais conveniente.
O homem
"O homem não é sempre o mesmo em todos os instantes". (Machado de Assis)
Lula na campanha
Há uma fila de centenas de candidatos petistas esperando uma foto com Lula. O ex-presidente já fez uma foto coletiva, junto com muitos candidatos do PT. Com a liberação médica, Lula vai se dedicar à campanha de Haddad, fazendo companhia ao candidato, mas preservando-se de situações que possam abalar a saúde: jornadas noturnas, movimentações no meio da massa, etc. Este consultor acredita que a presença de Lula será fundamental para expandir a intenção de voto em Haddad. Em meados de setembro, a intenção de voto no candidato petista pode chegar aos 20%. A conferir.
Nosso povo
"Somos, ainda, sobre todos os outros, o povo das esplêndidas frases golpeantes, das imagens e dos símbolos". (Euclides da Cunha)
Russomanno consolidará?
Esta é a pergunta que muitos fazem: Celso Russomanno conseguirá consolidar seu índice de intenção de voto, hoje em torno de 25%. Este consultor não consegue desenhar cenários. Esta campanha exibe mais pontos de interrogação que a de 2008.
E Serra, hein?
Há quem aposte que José Serra não entrará no segundo turno. Em vez de subir, desce. E sua taxa de rejeição é altíssima, em torno de 30%.
A leitura
"Como as pessoas leem sempre, em vez dos melhores de todos os tempos, apenas a última novidade, os escritores permanecem no círculo estreito das ideias que circulam, e a época afunda cada vez mais em sua própria lama". (Schopenhauer)
Chalita
O candidato Gabriel Chalita conseguiu apoio de importantes núcleos evangélicos. O candidato do PMDB tende a crescer com a boa visibilidade na mídia eleitoral. A conferir.
Ministros na campanha
Os ministros do governo Dilma começam, também, a fazer os primeiros movimentos eleitorais. Alguns estão dispostos, até, a correr o país. Outros dispõem-se apenas a aparecer nas fotos dos candidatos.
Crimes maiores
"Todos os crimes, geralmente, se tornam maiores quando provocam escândalo, isto é, quando se tornam obstáculo para os fracos, que olham menos para o caminho que estão seguindo do que para a luz que outros homens levam à sua frente". (Thomas Hobbes)
Ciclo da visibilidade
A campanha entrou, nessa semana, no ciclo da visibilidade média, com a cobertura das andanças e movimentações de candidatos pelas redes de TV e rádio. O ciclo entrará na fase mais avançada, a partir de 21 de agosto, quando terá início a programação eleitoral.
Tempo de TV e rádio
A redundância é uma das sagradas e consagradas leis da comunicação. Quanto mais seja exposto um candidato nos espaços midiáticos, mais visibilidade alcançará. Quanto mais tempo tenha para propagar suas ideias, mais conhecidas essas serão e, por conseguinte, maior a probabilidade de serem captadas, entendidas e internalizadas (entrando na cachola dos eleitores). Esse princípio foi muito usado por Hitler para propagar o nazismo: repita uma mentira uma, duas, três vezes. Na terceira vez, será aceita como verdade. Hitler, pelas lições de Goebels, seu ministro da propaganda, usou muito o estribilho, forma repetitiva da propaganda política.
Dois juntos
"Se dois se põem de acordo e juntam forças, juntos podem mais, e consequentemente têm mais direito sobre a natureza do que cada um deles sozinho; e quantos mais assim estreitarem relações, mais direitos terão todos juntos". (Baruch de Espinosa)
Propaganda negativa
A revolução francesa de 1789 pode ser considerada o marco da propaganda agressiva nos termos em que hoje se apresenta. Ali, os jacobinos, insuflados por Robespierre, produziram um manual de combate político, recheado de injúrias, calúnias, gracejos e pilhérias que acendiam os instintos mais primitivos das multidões. Na atualidade, é a Nação norte-americana que detém a referência maior da propaganda agressiva, mola da campanha negativa. Este formato, cognominado de mudslinging, apresenta efeitos positivos e negativos. No contexto dos dois grandes partidos que se revezam no poder - democrata e republicano -, diferenças entre perfis e programas são mais nítidas e a polarização sustentada por campanhas combativas ajuda a sociedade a salvaguardar os valores que a guiam, como o amor à verdade, a defesa dos direitos individuais e sociais, a liberdade de expressão, entre outros. Nem sempre a estratégia de bater no adversário gera eficácia.
Romney, mais grana
Obama, ao que parece, perde o charme. Na campanha de 2008, arrecadou cerca de US$ 600 milhões pelas redes sociais. Hoje, o presidente perde para o candidato republicano, Mitt Romney, em matéria de arrecadação de fundos. O republicano alcançou, em julho, mais de US$ 101,3 milhões, enquanto Obama conseguiu apenas US$ 75 milhões. Mas a arrecadação total - somando todos os meses - é dos democratas : US$ 627 milhões contra US$ 495 milhões dos republicanos.
Ohio, vital
Para ganhar a eleição norte-americana, o Estado de Ohio é considerado o mais simbólico e decisivo. Quem é vitorioso nesse Estado, leva a melhor. O único democrata a vencer sem o apoio de Ohio foi Kennedy.
ACM aguentará o tranco?
ACM Neto, candidato do DEM, tem 40% das intenções de voto em Salvador. Pois bem, seu opositor, o petista Nelson Pelegrino, tem 10%. Mas terá uma base de apoio, formada por 15 partidos, o que dará um tempo de TV três vezes maior que o do DEM. Donde emerge a pergunta: ACM Neto sustentará a posição ? Este consultor não arrisca um prognóstico.
Milagre ajudando Obama?
Cientistas da Nasa qualificaram de "milagre de engenharia" o pouso em Marte da sonda Curiosity, que já começou a enviar imagens de uma antiga cratera. Ela vai detectar a existência de vida em Marte. O jipe-robô, com 6 rodas, pesa uma tonelada, e realizou complexa e arriscada operação para entrar na atmosfera marciana e pousar no local escolhido. Essa é a primeira missão de astrobiologia da Nasa desde o envio da sonda Viking, na década de 1970, e é também o primeiro laboratório analítico completo a operar em outro mundo. Barack Obama festeja o acontecimento. Na crença de que Marte lhe fará uns bons votinhos.
Noções de gestão pública
"Como aprender nunca é demais, principalmente, nesta era do conhecimento, os candidatos que vierem a ser eleitos poderiam dedicar algum tempo antes da posse para adquirir ou reciclar as noções modernas de gestão pública e as informações sobre a real situação dos municípios que terão a responsabilidade de administrar nos próximos quatro anos". (Ruy Martins Altenfelder Silva e Alexandre Artacho Altenfelder Silva - Diálogo Nacional : Repensando o Brasil)
Conselho aos senhores advogados
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos ministros do STF. Hoje, sua atenção se volta aos advogados que trabalham na Ação Penal 470:
1. Acautelem-se. Evitem declarações à imprensa que possam gerar polêmica ou ferir a imagem de magistrados.
2. Compreende-se o esforço de cada profissional do Direito para fazer a melhor defesa dos réus na Ação Penal 470. Urge, porém, não ferir suscetibilidades com alguma abordagem expressiva que possa provocar mal estar em algum magistrado.
3. Os juízes também deveriam se esforçar para, com suas declarações públicas, fazer prejulgamentos. Mesmo que isso ocorra - e tem ocorrido - todo cuidado deve ser tomado para evitar respostas públicas que possam gerar animosidade entre os operadores do Direito.
____________
(Gaudêncio Torquato)
domingo, 5 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
MINISTRO ACUSA COLEGA DE DESLEALDADE NO JULGAMENTO DO MENSALÃO
Começou bem a sessão no Supremo Tribunal Federal:
Joaquim Barbosa: “Vossa Excelência é o revisor. Me causa espécie vê-lo se pronunciar pelo desmembramento quando poderia tê-lo feito há seis ou oito meses, antes que preparássemos toda essa infraestrutura de julgamento”.
Ricardo Lewandowski: “Me causa espécie que Vossa Excelência queira impedir que eu me manifeste. Eu, como revisor, ao longo desse julgamento farei valer meu direito de manifestar-me”.
Barbosa: “Isso é deslealdade”!
Lewandowski: “Acho que é um termo um pouco forte e já está prenunciando que este julgamento será muito tumultuado”.
A discussão com que se inaugurou a sessão de julgamento da Ação Penal 470, o chamado processo do mensalão, não se deu apenas entre dois ministros. Mas entre o futuro presidente do tribunal, Joaquim Barbosa, e seu vice, Ricardo Lewandowski, a anunciar as cicatrizes deixadas pelo trâmite e julgamento deste caso.
Pessoas presentes ao julgamento questionavam como se dará a sucessão do ministro Ayres Britto, que deixa o tribunal em novembro, e como será o relacionamento de Joaquim Barbosa com os demais colegas, principalmente com Ricardo Lewandowski. Certamente, ambos se revezarão no comando do tribunal mais do que habitualmente se faz, por conta dos problemas de saúde do futuro presidente.
Lewandowski ficou “perplexo, estupefato” e classificou como “lamentáveis” as palavras de Joaquim Barbosa, segundo expressões ditas por ele a interlocutores. “Como dizer que eu levantei a questão se o país assistiu que foi o advogado que a colocou da tribuna, com a anuência do presidente da Corte?”, questionou o ministro. “Estava exercendo meu direito e cumprindo minha obrigação de votar enfrentando o processo”, disse a amigos e pessoas próximas o ministro Lewandowski, um dos poucos que ainda tinha boa interlocução com Joaquim Barbosa. Tinha, ressalte-se.
No primeiro dia de julgamento, ao menos três coisas ficaram claras. Primeiro, o tribunal dificilmente conseguirá cumprir o cronograma montado para o julgamento, diante das questões de ordem, de fato e dos incidentes processuais que podem ser levantados pelos advogados — além, claro, dos extensos votos dos ministros.
A primeira constatação leva à segunda: provavelmente, não haverá tempo hábil para que o ministro Cezar Peluso vote, caso o cronograma seja mantido como está, com sessões de votação apenas às segundas, quartas, quintas de tarde. Para isso, basta consultar o calendário.
A terceira constatação é que o clima no Supremo nunca esteve tão tenso, a ponto de contaminar o sempre calmo presidente, Ayres Britto. Durante as ácidas discussões, o ministro teve de se impor com vigor para dar andamento ao julgamento. Visivelmente incomodado com o fato.
Britto chegou a pedir que o ministro Lewandowski resumisse seu voto sobre a questão de ordem. Lewandowski ironizou: “Diante da importância da questão e, como Vossa Excelência mesmo diz, este é um julgamento histórico, devo enfrentar o tema com propriedade”.
E o clima quente do plenário seguiu durante toda a tarde, gasta para se decidir se o Supremo mantinha no tribunal a íntegra do processo ou mandava para as instâncias inferiores os autos relativos aos 35 réus que não têm prerrogativa de foro.
O fato foi bem ressaltado pelo ministro Marco Aurélio. Ao pontuar que considerava uma impropriedade o tribunal não desmembrar o processo, o ministro disse que fez um levantamento segundo o qual o Supremo faz cerca de oito sessões plenárias por mês e que julga, em média, menos de dez processos. “Afastados agravinhos e embargos declaratórios, examinados de forma sumária, a média é de menos de dez processos”.
Marco Aurélio também disse que o processo mais antigo da pauta é seu: “Liberei em 2000. Passados mais de dez anos, não foi apregoado o processo para julgamento. Tribunais estão alugando prédios para alocar processos que aguardam o crivo do Supremo por conta da repercussão geral. O Supremo está inviabilizado e mesmo assim atrai essa competência que não está prevista na Carta da República”.
Ao comentar o fato de o ministro Joaquim Barbosa ter classificado como “irresponsável” a discussão sobre o desmembramento, o advogado Márcio Thomaz Bastos classificou a expressão como uma “licença de linguagem”.
Depois do intervalo, o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), ainda foi à tribuna insistir para que o tribunal reconsiderasse seu pedido de recursos audiovisuais no julgamento. Repetiu por algumas vezes que a negativa não era justa. Britto lhe cortou a palavra, seco, distante de seu feitio, e disse que não reconsideraria a decisão. E deu a palavra para Barbosa ler o relatório.
Bastos também comentou esse fato. Lembrou que nos anos 1970, já usava recursos tecnológicos em seu trabalho. Certa vez, teve de gravar o depoimento de uma testemunha e apresentá-la em juízo. Se isso pôde ser feito em 1970, por que não em 2012? Já o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, comentou que, da forma como pretendiam permitir, com todo o equipamento instalado e seu funcionamento por conta e risco da defesa, seria melhor abrir mão do direito.
Nesta sexta-feira (3/8), terá a palavra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para a acusação. Deverá usar as cinco horas a que tem direito ou um tempo muito próximo disso. As sustentações orais da defesa começam, provavelmente, na segunda-feira (6/8), já com atraso. E com a expectativa de que o final de semana acalme os ânimos no tribunal.
(Por Rodrigo Haidar)
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Promessas de campanha
A historinha foi enviada por um leitor do Paraná. Candidatos de duas famílias disputavam a prefeitura de uma pequena cidade. Final de campanha. A combinação era de que os dois candidatos e seus familiares teriam de usar o mesmo palanque. Discursou, primeiro, o candidato que tinha 70% de preferência dos votos:
- Povo da minha amada terra, povo ordeiro, trabalhador, religioso e cumpridor de suas obrigações. Se eleito, irei resolver o problema de falta de água e de coleta de esgoto. Farei das nossas escolas as melhores da região, educação em tempo integral. Vou construir uma escola técnica do município...
E arrematou:
- E tem mais, meus amigos, ordeiros, religiosos e cumpridores de seus deveres morais, vocês não devem votar no meu adversário. Ele não respeita nossa gente, nossas famílias, nossos costumes! Ele desrespeita nossa igreja. Ele nem se dá ao respeito. Vocês não devem votar nele. Porque ele tem duas mulheres.
O adversário, com 20% de intenção de voto, quase enfartou quando viu a mulher, ao seu lado, cair no palanque. Ela não aguentara ouvir a denúncia do adversário de que o marido tinha uma amante. A desordem ganhou o palanque. A multidão aplaudia o candidato favorito e vaiava o adversário. Cabos eleitorais começaram a se engalfinhar. Passado o susto, com muita dificuldade, o estonteado candidato acusado de ter duas mulheres começa seu discurso, depois de constatar que a esposa estava melhor:
- Meu amado povo, de bons costumes e moral ilibada, religioso e cumpridor de seus deveres morais, éticos e religiosos. Quero dizer aos senhores e senhoras aqui presentes, que, se agraciado com seus votos me tornar o prefeito desta cidade, farei uma mudança de verdade. Não só resolverei o problema da falta de água, como farei também o tratamento de todo o esgoto do município, construirei uma escola técnica e um novo hospital!
A massa caçoava do coitado e de sua mulher. Foi em frente:
- Vou melhorar o salário dos professores, a merenda das crianças e ainda vou instituir o Bolsa Cidadão! Agora, prestem bem atenção. Se os amigos acharem que não podem votar em mim porque tenho duas mulheres, votem no meu adversário! Mas saibam que a mulher dele tem dois maridos.
A galera veio abaixo. O pau comeu. Brigalhada geral. Urnas abertas. O candidato corno perdeu: 76% para o adúltero.
Mensalão chegará às ruas?
A pergunta é a que mais instiga os atores políticos. Porque traduz o jogo das forças em contrário, de um lado, o PT, com que lidera ampla base aliada, de outro, as oposições, comandadas pelos tucanos do PSDB. Pois bem, o Mensalão é seguramente o maior contencioso que chega ao STF: 50 mil páginas, 38 réus, 600 testemunhas, 500 jornalistas inscritos para cobrir o evento, intensa polêmica no meio da sociedade. Mas não será um fenômeno capaz de alterar a composição do voto no país. Pode chegar às ruas das metrópoles, principalmente as habitadas por classes médias altas, onde se juntam os aglomerados de formação de opinião. Mas estará fora do grande circuito, ou seja, 95% dos 5.565 municípios brasileiros tendem a ficar à margem do processo.
Efeitos do julgamento
Alguns atores entrarão no rolo do julgamento, a começar pelos próprios julgadores, os ministros da Suprema Corte. A absolvição ou condenação dos réus provocará manifestações de repúdio, aprovação/desaprovação, indignação por parte de setores e grupamentos organizados. Mais uma vez, as massas amorfas e difusas ficarão à margem. Os grupos organizados tocarão suas trombetas, principalmente os núcleos sob a égide e patrocínio das frentes partidárias. O PT, como se sabe, possui uma base barulhenta que vai às ruas tocar bumbo. Portanto, parcela dos membros do STF atravessará o corredor polonês da sociedade organizada. O PT, seja qual for o resultado do julgamento, será o ente partidário a registrar as maiores perdas. Ou seja, em caso de absolvição, carreará a raiva de eleitores-adversários; em caso de condenação dos réus, também sobre ele desaguarão ondas de indignação.
Lula e Dilma
Lula entrará também no rolo, apesar de ter um grande escudo contra o mensalão: carisma. Por isso mesmo, os efeitos sobre sua imagem - em caso de condenação dos réus - serão mínimos. Já a presidente Dilma, na esteira de seu perfil técnico, não será atingida por respingos da onda mensaleira.
Absolvição ou condenação?
Outra pergunta difícil. Mas há algumas pistas que poderão ser expostas. Primeira: o ministro revisor. Ricardo Lewandowski, teria manifestado o interesse em fazer "um contraponto" ao relatório do ministro relator, Joaquim Barbosa. "Contraponto", termo que aponta para o outro lado. Segunda: o ministro Dias Toffoli, que já foi advogado do PT e cuja namorada teria trabalhado para um dos réus do mensalão, anunciou a intenção de julgar o processo. Ou seja, seu afastamento, defendido por uma corrente de juízes e advogados, não ocorrerá. Terceira: o ministro Cezar Peluso, um dos maiores especialistas em Direito Penal no STF, dará seu voto antes de se afastar, na segunda quinzena de setembro. Quarta: o parecer do procurador geral, apesar de não conter novidades, é duro. O que se pode desenhar como resposta?
Resposta
Diante dessa moldura, este analista tende a ler a seguinte resposta: a) absolvição de uma parte dos réus, por falta de provas; b) condenação de outra parte dos réus; c) penas leves para os condenados.
Andressa no palco
A namorada de Carlos Cachoeira, Andressa, parece ter apreciado desfilar no cenário em que se move o namorado. Bonita, charmosa e amorosa, abriu espaços na imprensa, que viu em sua história nuances de um folhetim capaz de atrair o interesse das multidões. Até ser flagrada por um juiz, que a acusa de fazer chantagem contra ele. A larga exposição pública de Andressa acabou voltando-se contra ela. O amor também exige atitudes recatadas. Discrição.
Lula na campanha
Lula ainda não está em ponto de bala para atirar na arena das campanhas. Queixa-se de dores. Tem uma bursite. Há uma fileira de candidatos esperando por uma foto com ele. Fernando Haddad, em São Paulo, aguarda com expectativa as caminhadas com seu patrocinador. Haddad espera chegar aos 30% históricos do PT em SP.
Jarbas e Campos
O primeiro grande efeito da campanha no campo das parcerias se dá em Recife, onde o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, se une ao governador Eduardo Campos, presidente do PSB, em torno do candidato Geraldo Júlio. Os ex-adversários selam um pacto de paz. Momentâneo ou com vistas para o amanhã?
O xerife
Celso Russomanno se apresenta como xerife do povo. Reforça as tintas da imagem de defensor do consumidor, que começou a usar desde a morte da mulher há 20 anos. A questão é: conseguirá manter seu alto índice de intenção de voto? Há muitas dúvidas. Terá um minuto e meio de mídia eleitoral. Difícil.
Carla, a assistente
O ministro Joaquim Barbosa dará seu voto em cerca de mil páginas. Trabalhou de maneira exaustiva, sacrificando a saúde, para poder dar conta do recado. Fez um mutirão de juízes recrutados em 47 varas Federais. Mas seu braço direito tem sido a assessora Carla Ramos, ex-aluna de Barbosa que só tirava 10 nas provas. Defensora pública no RJ, foi convidada pelo ministro para ser sua assessora no processo do mensalão. Hoje, é a fiel escudeira.
Anvisa sem bússola
Em recente decisão, a Anvisa voltou atrás liberando a venda de medicamentos isentos de prescrição nas prateleiras das farmácias do país, alterando a resolução 44/2009. A proibição aconteceu no intuito de reduzir as intoxicações, mas depois de consultas públicas a agência concluiu que a medida não atingiu o objetivo e ainda prejudicou o consumidor. Quem agora está na mira para sair das prateleiras, desta vez dos supermercados, é o álcool líquido. A grande questão divergente seria o aumento dos casos de queimaduras, versão não comprovada nas estatísticas do SUS. A resolução 46/2002, que proíbe a comercialização do álcool acima de 54º GL, não deverá agradar ao consumidor. Isso porque, para fazer a limpeza de casa e conseguir o mesmo resultado, será preciso gastar muito mais. Ao que tudo indica, será mais uma resolução fadada ao fracasso.
8 milhões de eleitores
O pleito deste ano terá 8 milhões de eleitores a mais do que o de 2008. Serão 138,5 milhões de eleitores. E as mulheres continuarão na frente dos homens: 71,6 milhões (52% dos eleitores) contra 66,1 milhões de homens eleitores (48%). SP lidera com 31.253.317, seguido de MG, 15.019.136, RJ, com 11.893.309, BA, 10.110.122 e RS, com 8.328.4143. Os estados com os menores números de eleitores são RO, com 292.394; AP, com 448.018; e AC, com 498.017.
São quatro os tipos de homem
Aquele que não sabe, e não sabe que não sabe. É um tolo: evite-o;
Aquele que não sabe, e sabe que não sabe. É um simples: ensine-o;
Aquele que sabe, e não sabe que sabe. Está dormindo: acorde-o;
Aquele que sabe, e sabe que sabe. É um sábio: respeite-o.
(Conceitos árabes coletados por Luís Costa)
Jovens bandidos da classe média
Quem achava que apenas pobreza e miséria explicam a criminalidade? Um grupo de 16 jovens estudantes universitários de SP, de idade entre 18 e 21 anos, foi flagrado cometendo sequestros-relâmpago. São acusados de 50 sequestros. Com os cartões dos sequestrados, conseguiam dinheiro para viagens ao litoral, bebidas e baladas. Onde estamos, para onde vamos?
Identidade, eixo do candidato
Os candidatos precisam expressar sua identidade: conceito, história de vida, pensamento, atitudes, valores, princípios. Não adianta inventar essa identidade de maneira abrupta. Os eleitores percebem quando o gato quer se passar por lebre.
Curiosidade
Por que o grande advogado Márcio Thomaz Bastos teria deixado de advogar para Carlinhos Cachoeira? Teria sido por conta do flagrante do juiz que denunciou tentativa de barganha feita contra ele por Andressa Mendonça, a namorada do acusado?
Tempos de grandeza
Ao contrário de alguns historiadores e cientistas sociais, que consideram muito crítico o momento vivido pelo país, este analista defende uma abordagem contrária : o Brasil está dando uma lição de grandeza. As instituições funcionam a plenos pulmões e a nossa democracia participativa se expande na esteira das entidades de intermediação social. Viva!
Rehder e SP
Marcelo Rehder, presidente da SPTuris desde o fim do ano passado, tem na ponta da língua a radiografia turística e cultural da maior metrópole do país: "Hoje, 70% dos turistas vêm à cidade para negócios e eventos. Campanhas para que essas pessoas fiquem mais um dia têm sido feitas e estão dando resultados. A cultura é a nossa praia, temos uma oferta enorme de museus, teatros, cinemas e gastronomia que, muitas vezes, nem os paulistanos conhecem". A SPTuris é a entidade que planeja eventos como a Virada Cultural, SPFW, Parada LGBT, entre outros.
Grandes desafios
Rehder fala dos grandes desafios, a partir da Copa. "O Itaquerão terá 68 mil lugares. Hoje já temos eventos que trazem mais pessoas do que isso. O show do U2 teve 80 mil pessoas. Na Copa, alguns dos problemas podem ser os aeroportos e a mobilidade dentro da cidade. Há que verticalizar mais e adensar tudo mais perto do transporte público. Ficamos muitos anos sem investir no metrô. Temos de ter transporte sobre trilhos e integrar as linhas da CPTM com a cidade - isso é uma coisa que já começou a ser feita".
A maneira de dizer
Anedota Árabe
Um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse o sonho.
- Que desgraça. Senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
- Mentiroso! Gritou o sultão enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
Chamado outro adivinho, este falou assim:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada! O sonho significa que havereis de sobreviver a todos os vossos parentes!
Iluminou-se a fisionomia do sultão e mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. Quando saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse:
- Afinal, a interpretação que fizeste do sonho foi a mesma do teu colega...
- Lembra-te, meu amigo, tornou o adivinho, que tudo depende da maneira de dizer.
(Leia comigo - Luís Costa)
Conselho aos ministros do STF
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades policiais. Hoje, sua atenção se volta aos ministros do STF:
1. Chegou o momento tão esperado do julgamento da Ação Penal 470. Busquem em seus altos conhecimentos as luzes para iluminar os caminhos da decisão.
2. Multiplicam-se sugestões, conselhos, pressões, contrapressões. No meio da algaravia, procurem separar as sementes limpas da Justiça do joio sujo dos lamaçais.
3. Vossas Excelências são os mais altos e gabaritados magistrados do Judiciário. De suas consciências, emergirá a bússola que guiará os passos da Nação.
____________
(Gaudêncio Torquato)
A historinha foi enviada por um leitor do Paraná. Candidatos de duas famílias disputavam a prefeitura de uma pequena cidade. Final de campanha. A combinação era de que os dois candidatos e seus familiares teriam de usar o mesmo palanque. Discursou, primeiro, o candidato que tinha 70% de preferência dos votos:
- Povo da minha amada terra, povo ordeiro, trabalhador, religioso e cumpridor de suas obrigações. Se eleito, irei resolver o problema de falta de água e de coleta de esgoto. Farei das nossas escolas as melhores da região, educação em tempo integral. Vou construir uma escola técnica do município...
E arrematou:
- E tem mais, meus amigos, ordeiros, religiosos e cumpridores de seus deveres morais, vocês não devem votar no meu adversário. Ele não respeita nossa gente, nossas famílias, nossos costumes! Ele desrespeita nossa igreja. Ele nem se dá ao respeito. Vocês não devem votar nele. Porque ele tem duas mulheres.
O adversário, com 20% de intenção de voto, quase enfartou quando viu a mulher, ao seu lado, cair no palanque. Ela não aguentara ouvir a denúncia do adversário de que o marido tinha uma amante. A desordem ganhou o palanque. A multidão aplaudia o candidato favorito e vaiava o adversário. Cabos eleitorais começaram a se engalfinhar. Passado o susto, com muita dificuldade, o estonteado candidato acusado de ter duas mulheres começa seu discurso, depois de constatar que a esposa estava melhor:
- Meu amado povo, de bons costumes e moral ilibada, religioso e cumpridor de seus deveres morais, éticos e religiosos. Quero dizer aos senhores e senhoras aqui presentes, que, se agraciado com seus votos me tornar o prefeito desta cidade, farei uma mudança de verdade. Não só resolverei o problema da falta de água, como farei também o tratamento de todo o esgoto do município, construirei uma escola técnica e um novo hospital!
A massa caçoava do coitado e de sua mulher. Foi em frente:
- Vou melhorar o salário dos professores, a merenda das crianças e ainda vou instituir o Bolsa Cidadão! Agora, prestem bem atenção. Se os amigos acharem que não podem votar em mim porque tenho duas mulheres, votem no meu adversário! Mas saibam que a mulher dele tem dois maridos.
A galera veio abaixo. O pau comeu. Brigalhada geral. Urnas abertas. O candidato corno perdeu: 76% para o adúltero.
Mensalão chegará às ruas?
A pergunta é a que mais instiga os atores políticos. Porque traduz o jogo das forças em contrário, de um lado, o PT, com que lidera ampla base aliada, de outro, as oposições, comandadas pelos tucanos do PSDB. Pois bem, o Mensalão é seguramente o maior contencioso que chega ao STF: 50 mil páginas, 38 réus, 600 testemunhas, 500 jornalistas inscritos para cobrir o evento, intensa polêmica no meio da sociedade. Mas não será um fenômeno capaz de alterar a composição do voto no país. Pode chegar às ruas das metrópoles, principalmente as habitadas por classes médias altas, onde se juntam os aglomerados de formação de opinião. Mas estará fora do grande circuito, ou seja, 95% dos 5.565 municípios brasileiros tendem a ficar à margem do processo.
Efeitos do julgamento
Alguns atores entrarão no rolo do julgamento, a começar pelos próprios julgadores, os ministros da Suprema Corte. A absolvição ou condenação dos réus provocará manifestações de repúdio, aprovação/desaprovação, indignação por parte de setores e grupamentos organizados. Mais uma vez, as massas amorfas e difusas ficarão à margem. Os grupos organizados tocarão suas trombetas, principalmente os núcleos sob a égide e patrocínio das frentes partidárias. O PT, como se sabe, possui uma base barulhenta que vai às ruas tocar bumbo. Portanto, parcela dos membros do STF atravessará o corredor polonês da sociedade organizada. O PT, seja qual for o resultado do julgamento, será o ente partidário a registrar as maiores perdas. Ou seja, em caso de absolvição, carreará a raiva de eleitores-adversários; em caso de condenação dos réus, também sobre ele desaguarão ondas de indignação.
Lula e Dilma
Lula entrará também no rolo, apesar de ter um grande escudo contra o mensalão: carisma. Por isso mesmo, os efeitos sobre sua imagem - em caso de condenação dos réus - serão mínimos. Já a presidente Dilma, na esteira de seu perfil técnico, não será atingida por respingos da onda mensaleira.
Absolvição ou condenação?
Outra pergunta difícil. Mas há algumas pistas que poderão ser expostas. Primeira: o ministro revisor. Ricardo Lewandowski, teria manifestado o interesse em fazer "um contraponto" ao relatório do ministro relator, Joaquim Barbosa. "Contraponto", termo que aponta para o outro lado. Segunda: o ministro Dias Toffoli, que já foi advogado do PT e cuja namorada teria trabalhado para um dos réus do mensalão, anunciou a intenção de julgar o processo. Ou seja, seu afastamento, defendido por uma corrente de juízes e advogados, não ocorrerá. Terceira: o ministro Cezar Peluso, um dos maiores especialistas em Direito Penal no STF, dará seu voto antes de se afastar, na segunda quinzena de setembro. Quarta: o parecer do procurador geral, apesar de não conter novidades, é duro. O que se pode desenhar como resposta?
Resposta
Diante dessa moldura, este analista tende a ler a seguinte resposta: a) absolvição de uma parte dos réus, por falta de provas; b) condenação de outra parte dos réus; c) penas leves para os condenados.
Andressa no palco
A namorada de Carlos Cachoeira, Andressa, parece ter apreciado desfilar no cenário em que se move o namorado. Bonita, charmosa e amorosa, abriu espaços na imprensa, que viu em sua história nuances de um folhetim capaz de atrair o interesse das multidões. Até ser flagrada por um juiz, que a acusa de fazer chantagem contra ele. A larga exposição pública de Andressa acabou voltando-se contra ela. O amor também exige atitudes recatadas. Discrição.
Lula na campanha
Lula ainda não está em ponto de bala para atirar na arena das campanhas. Queixa-se de dores. Tem uma bursite. Há uma fileira de candidatos esperando por uma foto com ele. Fernando Haddad, em São Paulo, aguarda com expectativa as caminhadas com seu patrocinador. Haddad espera chegar aos 30% históricos do PT em SP.
Jarbas e Campos
O primeiro grande efeito da campanha no campo das parcerias se dá em Recife, onde o senador Jarbas Vasconcelos, do PMDB, se une ao governador Eduardo Campos, presidente do PSB, em torno do candidato Geraldo Júlio. Os ex-adversários selam um pacto de paz. Momentâneo ou com vistas para o amanhã?
O xerife
Celso Russomanno se apresenta como xerife do povo. Reforça as tintas da imagem de defensor do consumidor, que começou a usar desde a morte da mulher há 20 anos. A questão é: conseguirá manter seu alto índice de intenção de voto? Há muitas dúvidas. Terá um minuto e meio de mídia eleitoral. Difícil.
Carla, a assistente
O ministro Joaquim Barbosa dará seu voto em cerca de mil páginas. Trabalhou de maneira exaustiva, sacrificando a saúde, para poder dar conta do recado. Fez um mutirão de juízes recrutados em 47 varas Federais. Mas seu braço direito tem sido a assessora Carla Ramos, ex-aluna de Barbosa que só tirava 10 nas provas. Defensora pública no RJ, foi convidada pelo ministro para ser sua assessora no processo do mensalão. Hoje, é a fiel escudeira.
Anvisa sem bússola
Em recente decisão, a Anvisa voltou atrás liberando a venda de medicamentos isentos de prescrição nas prateleiras das farmácias do país, alterando a resolução 44/2009. A proibição aconteceu no intuito de reduzir as intoxicações, mas depois de consultas públicas a agência concluiu que a medida não atingiu o objetivo e ainda prejudicou o consumidor. Quem agora está na mira para sair das prateleiras, desta vez dos supermercados, é o álcool líquido. A grande questão divergente seria o aumento dos casos de queimaduras, versão não comprovada nas estatísticas do SUS. A resolução 46/2002, que proíbe a comercialização do álcool acima de 54º GL, não deverá agradar ao consumidor. Isso porque, para fazer a limpeza de casa e conseguir o mesmo resultado, será preciso gastar muito mais. Ao que tudo indica, será mais uma resolução fadada ao fracasso.
8 milhões de eleitores
O pleito deste ano terá 8 milhões de eleitores a mais do que o de 2008. Serão 138,5 milhões de eleitores. E as mulheres continuarão na frente dos homens: 71,6 milhões (52% dos eleitores) contra 66,1 milhões de homens eleitores (48%). SP lidera com 31.253.317, seguido de MG, 15.019.136, RJ, com 11.893.309, BA, 10.110.122 e RS, com 8.328.4143. Os estados com os menores números de eleitores são RO, com 292.394; AP, com 448.018; e AC, com 498.017.
São quatro os tipos de homem
Aquele que não sabe, e não sabe que não sabe. É um tolo: evite-o;
Aquele que não sabe, e sabe que não sabe. É um simples: ensine-o;
Aquele que sabe, e não sabe que sabe. Está dormindo: acorde-o;
Aquele que sabe, e sabe que sabe. É um sábio: respeite-o.
(Conceitos árabes coletados por Luís Costa)
Jovens bandidos da classe média
Quem achava que apenas pobreza e miséria explicam a criminalidade? Um grupo de 16 jovens estudantes universitários de SP, de idade entre 18 e 21 anos, foi flagrado cometendo sequestros-relâmpago. São acusados de 50 sequestros. Com os cartões dos sequestrados, conseguiam dinheiro para viagens ao litoral, bebidas e baladas. Onde estamos, para onde vamos?
Identidade, eixo do candidato
Os candidatos precisam expressar sua identidade: conceito, história de vida, pensamento, atitudes, valores, princípios. Não adianta inventar essa identidade de maneira abrupta. Os eleitores percebem quando o gato quer se passar por lebre.
Curiosidade
Por que o grande advogado Márcio Thomaz Bastos teria deixado de advogar para Carlinhos Cachoeira? Teria sido por conta do flagrante do juiz que denunciou tentativa de barganha feita contra ele por Andressa Mendonça, a namorada do acusado?
Tempos de grandeza
Ao contrário de alguns historiadores e cientistas sociais, que consideram muito crítico o momento vivido pelo país, este analista defende uma abordagem contrária : o Brasil está dando uma lição de grandeza. As instituições funcionam a plenos pulmões e a nossa democracia participativa se expande na esteira das entidades de intermediação social. Viva!
Rehder e SP
Marcelo Rehder, presidente da SPTuris desde o fim do ano passado, tem na ponta da língua a radiografia turística e cultural da maior metrópole do país: "Hoje, 70% dos turistas vêm à cidade para negócios e eventos. Campanhas para que essas pessoas fiquem mais um dia têm sido feitas e estão dando resultados. A cultura é a nossa praia, temos uma oferta enorme de museus, teatros, cinemas e gastronomia que, muitas vezes, nem os paulistanos conhecem". A SPTuris é a entidade que planeja eventos como a Virada Cultural, SPFW, Parada LGBT, entre outros.
Grandes desafios
Rehder fala dos grandes desafios, a partir da Copa. "O Itaquerão terá 68 mil lugares. Hoje já temos eventos que trazem mais pessoas do que isso. O show do U2 teve 80 mil pessoas. Na Copa, alguns dos problemas podem ser os aeroportos e a mobilidade dentro da cidade. Há que verticalizar mais e adensar tudo mais perto do transporte público. Ficamos muitos anos sem investir no metrô. Temos de ter transporte sobre trilhos e integrar as linhas da CPTM com a cidade - isso é uma coisa que já começou a ser feita".
A maneira de dizer
Anedota Árabe
Um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse o sonho.
- Que desgraça. Senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
- Mentiroso! Gritou o sultão enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
Chamado outro adivinho, este falou assim:
- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada! O sonho significa que havereis de sobreviver a todos os vossos parentes!
Iluminou-se a fisionomia do sultão e mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. Quando saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse:
- Afinal, a interpretação que fizeste do sonho foi a mesma do teu colega...
- Lembra-te, meu amigo, tornou o adivinho, que tudo depende da maneira de dizer.
(Leia comigo - Luís Costa)
Conselho aos ministros do STF
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado às autoridades policiais. Hoje, sua atenção se volta aos ministros do STF:
1. Chegou o momento tão esperado do julgamento da Ação Penal 470. Busquem em seus altos conhecimentos as luzes para iluminar os caminhos da decisão.
2. Multiplicam-se sugestões, conselhos, pressões, contrapressões. No meio da algaravia, procurem separar as sementes limpas da Justiça do joio sujo dos lamaçais.
3. Vossas Excelências são os mais altos e gabaritados magistrados do Judiciário. De suas consciências, emergirá a bússola que guiará os passos da Nação.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 31 de julho de 2012
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Dez observações sobre o "mensalão"
A partir desta semana e, provavelmente, até o final de agosto, o noticiário estará recheado de notícias sobre o julgamento dos 38 réus acusados de um esquema de financiamento eleitoral, apoio partidário, tráfico de influência e tantos outros fatos - a também "alcunhada" Ação Penal 470. Não estamos relacionando "tipos penais", mas traduzindo a percepção que os crimes trazem à população. A despeito da importância do julgamento, relacionamos alguns aspectos que devem ser levados em consideração na análise da política e da economia. Vejamos:
1. É muitíssimo improvável que o julgamento influencie o andamento do mercado financeiro e de capital, a economia e os negócios;
2. O governo Dilma não se envolverá em nenhum aspecto do julgamento. O Congresso se envolverá e muito. Pode haver paralisia legislativa, motivada pelas eleições e pelo mensalão (vide nota abaixo);
3. Nenhum dos réus que serão julgados têm atualmente influência junto ao governo Federal, exceto em certas áreas de interesses específicas, como é o caso do ex-ministro José Dirceu;
4. A credibilidade do STF será testada, mas não de uma forma especial. Já houve casos em que o STF contrariou a opinião pública e sua credibilidade não foi "testada" no sentido que alguns dão à palavra;
5. A credibilidade de alguns ministros do STF será testada, principalmente aqueles que tenham impedimentos relativamente ao caso;
6. O julgamento do mensalão não é nem essencialmente político e nem essencialmente "técnico". Está revestido de múltiplos aspectos que lhe dão uma conotação "especial", "mista", o que desfavorece prognósticos razoáveis;
7. A imprensa estrangeira fará cerrada cobertura do julgamento e pautará a imagem do país mundo afora;
8. O PT sofrerá os efeitos políticos do julgamento, sobretudo por ser o partido do establishment político atual;
9. O resultado do julgamento e sua forma de condução farão jurisprudência relevante em casos relevantes no futuro e/ou a "competência originária" do STF será revista;
10. Ainda estão sem explicações a reunião de Nelson Jobim, Gilmar Mendes e Lula antes do mensalão, bem como o encontro de Paulo Okamoto, ligado à Lula, com Marcos Valério, a figura-mestra no esquema de financiamento do mensalão. Que influência terão no julgamento?
E Dilma?
A presidente ordenou peremptoriamente a seus ministros a não se envolverem num caso em que seu governo só tem a perder se se meter, e nada a ganhar. De sua parte, torce a favor dos réus, quase todos aliados seus e muitos de seu partido. Mas há cabeças pensantes da república de Brasília acreditando que, politicamente, não seria de todo mau se o STF desse um corretivo em alguns dos mensaleiros. Ela ficaria ainda mais livre de algumas amarras partidárias e livre do risco de alguns dos acusados voltarem à cena, com o diploma de inocente e vítima, cobrando espaços.
Sem barulho
O julgamento do mensalão deve ocorrer sem grandes manifestações públicas e passeatas, carreatas, plantões em frente ao tribunal, mobilização de massas e outros que tais antes prometidos ou imaginados por alguns acusados e seus apoiadores. Conclui-se que poderia ser daquelas táticas que poderia sair pela culatra. A voz agora, de preferência, só para os advogados. O silêncio, agora, é de prata, ouro e diamante.
Há outros desafios para Dilma
Nem só de mensalão viverão nesses dias o mundo político e o mundo oficial de Brasília. Dilma já determinou que seus auxiliares não se envolvam nessa história. Afinal, seu governo não tem nada com ela. Quem pariu esse "mateus" que o embale. A ajudinha que ela pode dar aos companheiros direta ou indiretamente envolvidos no processo é anunciar medidas positivas para tentar desviar um pouco o foco das notícias certamente negativas para eles que fluirão do prédio do STF. A agenda da presidente nesse dias contempla uma série de outros desafios, estes sim capazes de abalar (ou de melhorar) a imagem e a percepção da opinião pública a respeito de seu governo:
1. A greve dos servidores públicos não dá sinais de amainar, pelo contrário, está crescendo. Já há reflexos na economia e pode atingir brevemente os serviços para a população. Os dirigentes sindicais estão intransigentes e o governo toma atitudes erráticas : ora ameaça e toma atitudes severas, como mandar cortar o ponto e editar um decreto permitindo substituição de grevistas, ora acena com a possibilidade de rever punições e dar um aumento linear aos servidores, possibilidade antes veementemente negada.
2. Esboçam-se em setores privados algumas paralisações com grande poder de prejudicar a população, caso do selvagem (já) movimento dos caminhoneiros, com bloqueios de algumas rodovias estratégicas (Fernão Dias no sábado, Dutra no domingo e na segunda-feira). O Dia D para o governo dar uma solução para os problemas dos fretes, segundo os líderes da categoria é hoje. Até agora está restrito aos "fretistas" individuais, mas a questão é a mesma das grandes transportadoras. Com um agravante para o lado delas : as mudanças no regime de trabalho dos motoristas, justas por sinal, exigirão novas contratações e, portanto, aumentará também o custo dos serviços, já onerado com outros aumentos, com o do óleo diesel.
3. A presidente vai ter de se ajustar com a indústria automobilística, com ameaças de demissão nas montadoras de carros de passeio e demissões e suspensões de contratos de trabalho nas produtoras de caminhões. Dilma ameaça não prorrogar a isenção ou redução do IPI que vence em 31 de agosto, uma decisão equivocada nessa altura para quem quer incentivar o aquecimento da economia. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come : não pode obrigar a indústria a não demitir nem pode correr o risco de as vendas de carros sofrerem novos baques.
4. É preciso fechar o pacote de agosto, com novos incentivos ao florescimento do PIB, com mais incentivos fiscais, renúncias de receita, ao mesmo tempo em que a arrecadação tributária dá sinais de que não vai atingir as metas programadas para este ano.
5. Está na hora de dar um choque gerencial para valer no setor público. Quando se descontam a maquiagem e os disfarces, o que se vê é um ritmo muito baixo na execução dos investimentos públicos.
6. A presidente e seus operadores econômicos ainda não ganharam a batalha das expectativas dos agentes econômicos. Uma coisa é que eles dizem no Palácio ou em público, outra o que dizem na surdina ou como agem.
7. O Congresso volta ao trabalho amanhã, é certo que naquele ritmo pré-eleitoral, ávido ainda por um bom tratamento e com alguns temas explosivos no gatilho : Código Florestal, royalties do petróleo, fator previdenciário... Todos são "instrumentos de barganha".
Tudo isso num cenário de eleição municipal no qual os aliados, apesar das aparências, mais se digladiam do que se entendem, a exigir uma constante vigilância da presidente para não se indispor com uns e outros e ter de apagar incêndios na Câmara e no Senado.
Economia: a espera de medidas
De uma forma geral, o governo tem diagnosticado corretamente as vulnerabilidades da economia brasileira, sobretudo aquelas relacionadas à desindustrialização do país. Todavia, falta ao governo, um plano "orgânico" para enfrentar tais vulnerabilidades. Assim, parece que a repercussão das medidas é limitada a alguns setores e não ao "sistema" como um todo. Aparentemente, o governo percebeu o erro e agora pretende tornar os efeitos das políticas mais macroeconômicas. A queda dos juros básicos, neste sentido, atinge este objetivo. Já o ajuste cambial, difícil de ser executado, não atendeu plenamente ao objetivo pleno de "proteger" a indústria. As medidas de crédito carecem de um diagnóstico completo: não basta reduzir as taxas (o que é essencial). É preciso ter confiança no futuro e é isso que falta. Não à toa, os investimentos privados capengam e os públicos estão em níveis deploráveis. Ao governo falta um choque de competência e ao setor privado, um choque de otimismo, com medidas críveis. Agosto trará novidades. Veremos se suficientes para acabar com a letargia econômica.
Fora de foco?
A imprensa, no que diz respeito à lei de transparência pública, tem concentrado suas maiores preocupações na cobrança de divulgação dos salários dos servidores públicos, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, na União, nos Estados e nos municípios. É preciso, de fato, saber os abusos que se cometem nesta área. Porém, é preciso não negligenciar outros ramos da administração pública, ralos de dinheiro talvez muito mais daninhos. Os contratos do DNIT, por exemplo, podem trazer grandes revelações, assim como os da Funasa e de diversos órgãos de desenvolvimento regional e os repasses voluntários da esfera Federal para Estados e municípios. E os contratos com as ONGs? Dariam grandes revelações ainda os contratos de publicidade e a contratação de serviços de assessoria de imprensa, de comunicação, de relações públicas e realização de eventos tanto pela administração direta e pelas empresas estatais. Outro filão está na contratação de consultorias. O campo é fértil.
O governo gostou
Os sorrisos não poderiam estar mais escancarados em Brasília, naqueles palácios do Executivo desenhados por Oscar Niemeyer, com o sucesso de público de ações oficiais como o combate aos bancos nos juros altos, o ataque aos planos de saúde e, mais recentemente, o golpe certeiro nas telefônicas de celulares. A moda pegou... Vem mais por aí.
Mario Draghi tem procuração?
O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, tem sido um dos poucos líderes europeus que reúne bom senso, credibilidade técnica e, mais importante, capacidade de agir. Em meio à passividade geral dos líderes do Velho Continente diante das tragédias que se instalaram por lá, sobretudo na Europa Meridional, Mario Draghi sabe que não adianta ficar pregando medidas de austeridade diante da miséria social de países como Espanha, Grécia, Itália. Finanças em ordem é matéria ordinária. Expansão monetária para conter a recessão é matéria extraordinária. De toda a forma, ao dizer na semana passada que "o euro será salvo a todo custo", Mario Draghi apontou na direção correta. Os investidores, parcela bem informada da opinião pública, reagiram bem ao redor do mundo, mostrando para alemães e sua banda "fiscalista", que mais ação monetária é necessária. Resta saber se o italiano tem procuração de Berlim para falar coisas tão óbvias.
Agosto negro para os gregos
Nas negociações de agosto, Atenas não conta nem com o FMI, nem com o BCE e nem com a União Europeia para minorar os ajustes fiscais que terá de fazer para pagar as contas. Tentará fazer e provavelmente fracassará. Será uma batalha mais difícil que a de Salamina.
Boa notícia para o Brasil?
Os fundos hedge persistem comprando posições no mercado de commodities. Trata-se do movimento mais forte dos últimos três anos e está ocorrendo mais forte nas últimas três semanas. Os administradores destes fundos acreditam que a China e, até mesmo a Europa, adotarão medidas de estímulos que serão suficientes para levantar os preços das commodities. Normalmente, os fundos hedge, dado seu caráter altamente especulativo, "sinalizam" mudanças relevantes nos preços dos ativos. Se confirmada esta tendência, haverá direta e decisiva influência sobre a bolsa brasileira, bem como sobre a pauta de exportações do país.
Uma adesão capenga
Hoje tem festa no Palácio do Planalto, com direito à presença dos presidentes-parceiros Cristina Kirchner, da Argentina, e José Mujica, do Uruguai, para a assinatura do documento de adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul. Mas será apenas uma cerimônia política, pró-forma. O país de Hugo Chávez, apesar de ter tido sua adesão ao bloco aprovada há vários anos, tendo ficado apenas na dependência formal da aprovação pelos parlamentos dos outros países, não tomou nenhuma iniciativa objetiva para adotar as medidas necessárias para sua integração de fato ao bloco. As possíveis vantagens econômicas só surgirão a muito longo prazo. Agora foi só política e, se quiserem forçar a interpretação, "diplomacia".
Eleição? Que eleição?
Os políticos já estão quase se matando, os adversários e até aliados. Mas quem anda pelas ruas, principalmente das grandes cidades, nem percebe que estamos distantes apenas um pouco mais de dois meses das eleições municipais. A não ser quem está diretamente no jogo, ninguém mais está interessado nos candidatos e seus cabos eleitorais. Esta apatia pode ser até um sinal de um certo amadurecimento político da população, como nos países mais avançados, nos quais a disputas eleitorais são fatos naturais. Mas podem ser também - na verdade é o que mais parece - um sintoma da decepção dos cidadãos com a política no país, seu modo de ser e de fazer. Como a política é essencial, em algum momento esta situação vai virar - e virar-se contra os que estão hoje em cena no mundo dos políticos.
De fazer inveja aos mineiros
Dados do TSE indicam que em 106 dos 5.568 municípios brasileiros não haverá disputas eleitorais em outubro: neles só há um candidato a prefeito, indicação de falta de ambição, o que sobra no restante do país, e/ou de um grande espírito de conciliação e desprendimento, mercadoria em falta quase sempre no mercado político tupiniquim. Mas nenhum município supera, nesse quesito, o de Mato Queimado, no noroeste do RS. Com 16 anos de existência e 1,8 mil habitantes, nunca teve uma briga pela prefeitura. Os líderes dos quatro partidos da cidade (PT, PMDB, PTB e PP) se reúnem a quatro anos e escolhem um candidato único. Não há também oposição na escolha de vereadores: todos os candidatos concorrem numa chapa única, da coligação. E ainda são os gaúchos que carregam a fama de turrões, enquanto os mineiros desfrutam a de eternos conciliadores.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
A partir desta semana e, provavelmente, até o final de agosto, o noticiário estará recheado de notícias sobre o julgamento dos 38 réus acusados de um esquema de financiamento eleitoral, apoio partidário, tráfico de influência e tantos outros fatos - a também "alcunhada" Ação Penal 470. Não estamos relacionando "tipos penais", mas traduzindo a percepção que os crimes trazem à população. A despeito da importância do julgamento, relacionamos alguns aspectos que devem ser levados em consideração na análise da política e da economia. Vejamos:
1. É muitíssimo improvável que o julgamento influencie o andamento do mercado financeiro e de capital, a economia e os negócios;
2. O governo Dilma não se envolverá em nenhum aspecto do julgamento. O Congresso se envolverá e muito. Pode haver paralisia legislativa, motivada pelas eleições e pelo mensalão (vide nota abaixo);
3. Nenhum dos réus que serão julgados têm atualmente influência junto ao governo Federal, exceto em certas áreas de interesses específicas, como é o caso do ex-ministro José Dirceu;
4. A credibilidade do STF será testada, mas não de uma forma especial. Já houve casos em que o STF contrariou a opinião pública e sua credibilidade não foi "testada" no sentido que alguns dão à palavra;
5. A credibilidade de alguns ministros do STF será testada, principalmente aqueles que tenham impedimentos relativamente ao caso;
6. O julgamento do mensalão não é nem essencialmente político e nem essencialmente "técnico". Está revestido de múltiplos aspectos que lhe dão uma conotação "especial", "mista", o que desfavorece prognósticos razoáveis;
7. A imprensa estrangeira fará cerrada cobertura do julgamento e pautará a imagem do país mundo afora;
8. O PT sofrerá os efeitos políticos do julgamento, sobretudo por ser o partido do establishment político atual;
9. O resultado do julgamento e sua forma de condução farão jurisprudência relevante em casos relevantes no futuro e/ou a "competência originária" do STF será revista;
10. Ainda estão sem explicações a reunião de Nelson Jobim, Gilmar Mendes e Lula antes do mensalão, bem como o encontro de Paulo Okamoto, ligado à Lula, com Marcos Valério, a figura-mestra no esquema de financiamento do mensalão. Que influência terão no julgamento?
E Dilma?
A presidente ordenou peremptoriamente a seus ministros a não se envolverem num caso em que seu governo só tem a perder se se meter, e nada a ganhar. De sua parte, torce a favor dos réus, quase todos aliados seus e muitos de seu partido. Mas há cabeças pensantes da república de Brasília acreditando que, politicamente, não seria de todo mau se o STF desse um corretivo em alguns dos mensaleiros. Ela ficaria ainda mais livre de algumas amarras partidárias e livre do risco de alguns dos acusados voltarem à cena, com o diploma de inocente e vítima, cobrando espaços.
Sem barulho
O julgamento do mensalão deve ocorrer sem grandes manifestações públicas e passeatas, carreatas, plantões em frente ao tribunal, mobilização de massas e outros que tais antes prometidos ou imaginados por alguns acusados e seus apoiadores. Conclui-se que poderia ser daquelas táticas que poderia sair pela culatra. A voz agora, de preferência, só para os advogados. O silêncio, agora, é de prata, ouro e diamante.
Há outros desafios para Dilma
Nem só de mensalão viverão nesses dias o mundo político e o mundo oficial de Brasília. Dilma já determinou que seus auxiliares não se envolvam nessa história. Afinal, seu governo não tem nada com ela. Quem pariu esse "mateus" que o embale. A ajudinha que ela pode dar aos companheiros direta ou indiretamente envolvidos no processo é anunciar medidas positivas para tentar desviar um pouco o foco das notícias certamente negativas para eles que fluirão do prédio do STF. A agenda da presidente nesse dias contempla uma série de outros desafios, estes sim capazes de abalar (ou de melhorar) a imagem e a percepção da opinião pública a respeito de seu governo:
1. A greve dos servidores públicos não dá sinais de amainar, pelo contrário, está crescendo. Já há reflexos na economia e pode atingir brevemente os serviços para a população. Os dirigentes sindicais estão intransigentes e o governo toma atitudes erráticas : ora ameaça e toma atitudes severas, como mandar cortar o ponto e editar um decreto permitindo substituição de grevistas, ora acena com a possibilidade de rever punições e dar um aumento linear aos servidores, possibilidade antes veementemente negada.
2. Esboçam-se em setores privados algumas paralisações com grande poder de prejudicar a população, caso do selvagem (já) movimento dos caminhoneiros, com bloqueios de algumas rodovias estratégicas (Fernão Dias no sábado, Dutra no domingo e na segunda-feira). O Dia D para o governo dar uma solução para os problemas dos fretes, segundo os líderes da categoria é hoje. Até agora está restrito aos "fretistas" individuais, mas a questão é a mesma das grandes transportadoras. Com um agravante para o lado delas : as mudanças no regime de trabalho dos motoristas, justas por sinal, exigirão novas contratações e, portanto, aumentará também o custo dos serviços, já onerado com outros aumentos, com o do óleo diesel.
3. A presidente vai ter de se ajustar com a indústria automobilística, com ameaças de demissão nas montadoras de carros de passeio e demissões e suspensões de contratos de trabalho nas produtoras de caminhões. Dilma ameaça não prorrogar a isenção ou redução do IPI que vence em 31 de agosto, uma decisão equivocada nessa altura para quem quer incentivar o aquecimento da economia. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come : não pode obrigar a indústria a não demitir nem pode correr o risco de as vendas de carros sofrerem novos baques.
4. É preciso fechar o pacote de agosto, com novos incentivos ao florescimento do PIB, com mais incentivos fiscais, renúncias de receita, ao mesmo tempo em que a arrecadação tributária dá sinais de que não vai atingir as metas programadas para este ano.
5. Está na hora de dar um choque gerencial para valer no setor público. Quando se descontam a maquiagem e os disfarces, o que se vê é um ritmo muito baixo na execução dos investimentos públicos.
6. A presidente e seus operadores econômicos ainda não ganharam a batalha das expectativas dos agentes econômicos. Uma coisa é que eles dizem no Palácio ou em público, outra o que dizem na surdina ou como agem.
7. O Congresso volta ao trabalho amanhã, é certo que naquele ritmo pré-eleitoral, ávido ainda por um bom tratamento e com alguns temas explosivos no gatilho : Código Florestal, royalties do petróleo, fator previdenciário... Todos são "instrumentos de barganha".
Tudo isso num cenário de eleição municipal no qual os aliados, apesar das aparências, mais se digladiam do que se entendem, a exigir uma constante vigilância da presidente para não se indispor com uns e outros e ter de apagar incêndios na Câmara e no Senado.
Economia: a espera de medidas
De uma forma geral, o governo tem diagnosticado corretamente as vulnerabilidades da economia brasileira, sobretudo aquelas relacionadas à desindustrialização do país. Todavia, falta ao governo, um plano "orgânico" para enfrentar tais vulnerabilidades. Assim, parece que a repercussão das medidas é limitada a alguns setores e não ao "sistema" como um todo. Aparentemente, o governo percebeu o erro e agora pretende tornar os efeitos das políticas mais macroeconômicas. A queda dos juros básicos, neste sentido, atinge este objetivo. Já o ajuste cambial, difícil de ser executado, não atendeu plenamente ao objetivo pleno de "proteger" a indústria. As medidas de crédito carecem de um diagnóstico completo: não basta reduzir as taxas (o que é essencial). É preciso ter confiança no futuro e é isso que falta. Não à toa, os investimentos privados capengam e os públicos estão em níveis deploráveis. Ao governo falta um choque de competência e ao setor privado, um choque de otimismo, com medidas críveis. Agosto trará novidades. Veremos se suficientes para acabar com a letargia econômica.
Fora de foco?
A imprensa, no que diz respeito à lei de transparência pública, tem concentrado suas maiores preocupações na cobrança de divulgação dos salários dos servidores públicos, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, na União, nos Estados e nos municípios. É preciso, de fato, saber os abusos que se cometem nesta área. Porém, é preciso não negligenciar outros ramos da administração pública, ralos de dinheiro talvez muito mais daninhos. Os contratos do DNIT, por exemplo, podem trazer grandes revelações, assim como os da Funasa e de diversos órgãos de desenvolvimento regional e os repasses voluntários da esfera Federal para Estados e municípios. E os contratos com as ONGs? Dariam grandes revelações ainda os contratos de publicidade e a contratação de serviços de assessoria de imprensa, de comunicação, de relações públicas e realização de eventos tanto pela administração direta e pelas empresas estatais. Outro filão está na contratação de consultorias. O campo é fértil.
O governo gostou
Os sorrisos não poderiam estar mais escancarados em Brasília, naqueles palácios do Executivo desenhados por Oscar Niemeyer, com o sucesso de público de ações oficiais como o combate aos bancos nos juros altos, o ataque aos planos de saúde e, mais recentemente, o golpe certeiro nas telefônicas de celulares. A moda pegou... Vem mais por aí.
Mario Draghi tem procuração?
O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, tem sido um dos poucos líderes europeus que reúne bom senso, credibilidade técnica e, mais importante, capacidade de agir. Em meio à passividade geral dos líderes do Velho Continente diante das tragédias que se instalaram por lá, sobretudo na Europa Meridional, Mario Draghi sabe que não adianta ficar pregando medidas de austeridade diante da miséria social de países como Espanha, Grécia, Itália. Finanças em ordem é matéria ordinária. Expansão monetária para conter a recessão é matéria extraordinária. De toda a forma, ao dizer na semana passada que "o euro será salvo a todo custo", Mario Draghi apontou na direção correta. Os investidores, parcela bem informada da opinião pública, reagiram bem ao redor do mundo, mostrando para alemães e sua banda "fiscalista", que mais ação monetária é necessária. Resta saber se o italiano tem procuração de Berlim para falar coisas tão óbvias.
Agosto negro para os gregos
Nas negociações de agosto, Atenas não conta nem com o FMI, nem com o BCE e nem com a União Europeia para minorar os ajustes fiscais que terá de fazer para pagar as contas. Tentará fazer e provavelmente fracassará. Será uma batalha mais difícil que a de Salamina.
Boa notícia para o Brasil?
Os fundos hedge persistem comprando posições no mercado de commodities. Trata-se do movimento mais forte dos últimos três anos e está ocorrendo mais forte nas últimas três semanas. Os administradores destes fundos acreditam que a China e, até mesmo a Europa, adotarão medidas de estímulos que serão suficientes para levantar os preços das commodities. Normalmente, os fundos hedge, dado seu caráter altamente especulativo, "sinalizam" mudanças relevantes nos preços dos ativos. Se confirmada esta tendência, haverá direta e decisiva influência sobre a bolsa brasileira, bem como sobre a pauta de exportações do país.
Uma adesão capenga
Hoje tem festa no Palácio do Planalto, com direito à presença dos presidentes-parceiros Cristina Kirchner, da Argentina, e José Mujica, do Uruguai, para a assinatura do documento de adesão da Venezuela como membro pleno do Mercosul. Mas será apenas uma cerimônia política, pró-forma. O país de Hugo Chávez, apesar de ter tido sua adesão ao bloco aprovada há vários anos, tendo ficado apenas na dependência formal da aprovação pelos parlamentos dos outros países, não tomou nenhuma iniciativa objetiva para adotar as medidas necessárias para sua integração de fato ao bloco. As possíveis vantagens econômicas só surgirão a muito longo prazo. Agora foi só política e, se quiserem forçar a interpretação, "diplomacia".
Eleição? Que eleição?
Os políticos já estão quase se matando, os adversários e até aliados. Mas quem anda pelas ruas, principalmente das grandes cidades, nem percebe que estamos distantes apenas um pouco mais de dois meses das eleições municipais. A não ser quem está diretamente no jogo, ninguém mais está interessado nos candidatos e seus cabos eleitorais. Esta apatia pode ser até um sinal de um certo amadurecimento político da população, como nos países mais avançados, nos quais a disputas eleitorais são fatos naturais. Mas podem ser também - na verdade é o que mais parece - um sintoma da decepção dos cidadãos com a política no país, seu modo de ser e de fazer. Como a política é essencial, em algum momento esta situação vai virar - e virar-se contra os que estão hoje em cena no mundo dos políticos.
De fazer inveja aos mineiros
Dados do TSE indicam que em 106 dos 5.568 municípios brasileiros não haverá disputas eleitorais em outubro: neles só há um candidato a prefeito, indicação de falta de ambição, o que sobra no restante do país, e/ou de um grande espírito de conciliação e desprendimento, mercadoria em falta quase sempre no mercado político tupiniquim. Mas nenhum município supera, nesse quesito, o de Mato Queimado, no noroeste do RS. Com 16 anos de existência e 1,8 mil habitantes, nunca teve uma briga pela prefeitura. Os líderes dos quatro partidos da cidade (PT, PMDB, PTB e PP) se reúnem a quatro anos e escolhem um candidato único. Não há também oposição na escolha de vereadores: todos os candidatos concorrem numa chapa única, da coligação. E ainda são os gaúchos que carregam a fama de turrões, enquanto os mineiros desfrutam a de eternos conciliadores.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 30 de julho de 2012
AGRADECIMENTO - CRÔNICA
Prezado Junior Bonfim:
Saúde e Paz;
Sensibilizados e comovidos queremos e fazemos questão de registrar nossos mais profundos agradecimentos, sobretudo e principalmente pela forma e conteúdo de sua inspirada e brilhante crônica sobre nossa querida e inesquecível Magda.
Suas palavras tiveram efeito de unguento e as lagrimas vertidas na ocasião, resultaram em conforto para os nossos corações. É igualmente certo que Magda foi de fato, transcendente e plural no que concerne aos predicados cidadãos e virtudes cristãs, modelo, certamente, a ser seguido. Porem, a homenagem por você levada a efeito evidenciou e tornou público tais fatos além do seu especial carinho e respeito que tinha pela Magda.
Receba, portanto, nosso abraço sincero de agradecimento com votos de saúde e paz, extensivos a sua digníssima família.
Atenciosamente;
Melquiades Machado Portela
E família
Saúde e Paz;
Sensibilizados e comovidos queremos e fazemos questão de registrar nossos mais profundos agradecimentos, sobretudo e principalmente pela forma e conteúdo de sua inspirada e brilhante crônica sobre nossa querida e inesquecível Magda.
Suas palavras tiveram efeito de unguento e as lagrimas vertidas na ocasião, resultaram em conforto para os nossos corações. É igualmente certo que Magda foi de fato, transcendente e plural no que concerne aos predicados cidadãos e virtudes cristãs, modelo, certamente, a ser seguido. Porem, a homenagem por você levada a efeito evidenciou e tornou público tais fatos além do seu especial carinho e respeito que tinha pela Magda.
Receba, portanto, nosso abraço sincero de agradecimento com votos de saúde e paz, extensivos a sua digníssima família.
Atenciosamente;
Melquiades Machado Portela
E família
MEU CANTO CRESCENTE
Sou lua nova crescendo
Do Jeitinho que eu queria
Assim vou resplandecendo
Nos braços da poesia.
*
Minha cantiga de amor
Eu canto na lua cheia
Porque tenho meu barqueiro
Que me chama de sereia
Com ele cato conchinhas
Que o mar sacode na areia.
*
Em noite de plenilúnio
Eu dispenso meu colchão.
No alpendre, numa rede,
Eu me deito em meu sertão
Pra ver a lua surgindo
De prata à noite tingindo
Com seu mágico clarão.
*
Eu sou uma retirante
E da minha terra amante.
Foi numa lua minguante
Que deixei o meu rincão.
Caminhei léguas a fio
Senti sede senti frio
Mas venci o desafio,
E voltei pro meu sertão.
*
A lua é sua madrinha
Me disse mamãe um dia
Confirmou a minha tia
E acreditar me convinha,
Pois quem se chama Dalinha,
E foi no sertão parida,
É pra lua prometida
Reza a lenda do lugar.
Eu que não vou contestar!
Gosto de ser iludida.
Dalinha Catunda
sexta-feira, 27 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Abro a coluna com o deputado Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais, fonte cheia de histórias hilárias.
Assumiu o governo de Minas e, no dia seguinte, foi ao aeroporto para viajar no helicóptero da administração estadual. Ao tomar conhecimento de que aquele "trem" tinha o nome de seu adversário, foi logo dando bronca no piloto:
- Não entro de jeito nenhum nesse trem com o nome do Hélio( ).
O piloto, constrangido, respondeu:
- Mas governador, esse helicóptero é do governo do Estado e não do ex-governador Hélio.
Newtão não quis saber:
- Esse trem agora vai se chamar Newtoncóptero. Falei e tá falado.
Outra historinha envolvendo o folclórico ex-governador. Resolveu passear de carro com a família. O carro pifou na estrada. O mecânico, que o socorreu, diagnosticou:
- São os burrinhos dos freios; estão danificados. Acho bom trocar logo esses burrinhos.
Cardoso deu a bronca:
- Calma, seu mecânico, meus filhos não descerão dos burrinhos de jeito nenhum.
Mensalão na reta final
O mensalão, ufa, chega à reta final. 3 de agosto, início da partida. Previsão de término: segunda quinzena de setembro. São 38 réus, 50 mil páginas de documentos, 90 horas de julgamento, 15 sessões do plenário, 600 testemunhas em 42 cidades brasileiras. Fase de inquirição de testemunhas: 4 anos. Alegação final dos réus tem 2,8 mil páginas. Voto do relator Joaquim Barbosa tem mil páginas. Voto do revisor Ricardo Lewandowski, também mil páginas. Para efeito de comparação, lembremo-nos do caso Collor: 8 réus, 38 páginas de processo (1994). O interesse é tão grande que o STF está pedindo reforço de segurança junto à Força Nacional. Mídias nacional e internacional com luzes e holofotes acesos.
Projeções
Hipótese 1: condenação de todos os réus. Penas duras. Menos provável. Hipótese 2: absolvição de todos os réus. Pouco provável. Hipótese 3: condenação de alguns e absolvição de outros. Razoável. Esta é uma projeção por muitos considerada a mais viável. As penas serão variadas. Mas poucos acreditam em penas muito duras. Os operadores do esquema poderão receber penas mais pesadas. O caso mais emblemático a suscitar dúvidas e interrogações envolve o ex-ministro José Dirceu. Haverá novidades, como a versão mais recente do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema: Lula ordenou a operação. Esta é a bombástica declaração do advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa. Como se recorda, logo após denunciar o caso, o presidente do PTB inocentou Lula: "eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso".
Estratégias
Entre as estratégias dos advogados de defesa, uma das mais anunciadas diz respeito ao desdobramento dos casos, o que poderia, caso a tese fosse aceita, fazer com que os autos dos processos de alguns réus voltem às instâncias inferiores, permanecendo no STF apenas os processos abrigando réus com prerrogativas de foro, conforme visão do ministro Marco Aurélio Mello. Outros defenderão o argumento de que os recursos do mensalão provinham do caixa 2 de campanhas. Há, ainda, os que defenderão a ideia de que alguns réus não tomavam conhecimento e nem eram responsáveis pelo caixa do PT.
O fator Russomanno
A última pesquisa Datafolha sobre os candidatos à prefeito de São Paulo tem aberto grande polêmica sobre os competidores, a partir da hipótese sobre os dois competidores que entrarão no corredor do segundo turno. Dois dados surpreenderam: o crescimento de 2 pontos de Celso Russomanno, do PRB, que chegou aos 26% e a expansão da taxa de rejeição de José Serra, que chega aos 37%. Minha interpretação: Russomanno abocanhou uns pontinhos que eram do cantor Netinho de Paula, que se retirou do pleito; Serra, que é conhecido por quase todo o eleitorado de 8,5 milhões, aumenta rejeição nas margens, onde não é bem avaliado. Seu desafio será o de diminuir drasticamente a rejeição, algo entre 15% a 20%. Mas a grande pergunta é: Russomanno sustentará seu índice?
Projeções
Vamos à história. Em julho de 2008, Marta liderava o pleito, seguida por Geraldo Alckmin. Marta chegou a ter 35%, enquanto Alckmin exibia confortáveis 32%. O prefeito Kassab, que assumira no lugar de Serra, tinha 8%. Na oportunidade, este consultor fez para ele a leitura: poderia quebrar a polarização entre PT x PSDB por meio de uma campanha positiva, alegre, jovial, para cima. E assim ele fez. Subia degraus a cada pesquisa. Quebrou a polarização. Passou Marta Suplicy e desbancou Alckmin. A história derruba a tese de que a polarização é algo irremovível. Pode, sim, ser ultrapassada. Nesse caso, há possibilidades de crescimento para Fernando Haddad e Gabriel Chalita. Será difícil para Russomanno sustentar sua taxa. Terá apenas 2 minutos e alguns segundos de TV e rádio.
TV, o comício eletrônico
Que ninguém se engane. A TV será o maior cabo eleitoral da campanha municipal nos municípios que contam com mídia eletrônica. Será a vitrine de candidatos e de suas propostas. O fluxo de atenção obedecerá a uma lógica: início dos programas de rádio e TV (21 de agosto) até 5 de setembro, boa audiência. Eleitores querem saber quem é quem e quais são as propostas. De 5 a 20 de setembro, queda da audiência. O eleitorado, após tomar conhecimento das campanhas de cada candidato, faz um intervalo. Assiste, esporadicamente, alguns programas. À medida que a campanha se aproxima do final, a audiência tende a crescer. Os eleitores querem conferir abordagens e consolidar suas visões/julgamentos/decisões sobre candidaturas.
Balança capenga
Há mistério cercando os pesos da balança da Anatel. A Agência avaliou desempenho das operadoras, pede providências e compromissos com qualidade. Até aí tudo bem. Entre Claro, Vivo, TIM e Oi, esta última é a que apresenta menor índice de reclamação. Da moldura avaliativa, emerge a instigante questão : por que a Vivo não foi punida pela Anatel? Há mais complexidade em alguns chips que imagina nossa pequena capacidade de compreensão.
Desemprego e eleições
Só agora começam a aparecer os primeiros sinais de desaceleração da economia, a partir do freio na indústria. O mercado de trabalho é o território dos efeitos. Anuncia-se, aqui e ali, fechamento de postos de trabalho. O desemprego começa a mostrar sua carranca. Eleições sob um pano de fundo de contingentes desempregados apontam para o perfil de um eleitor contrariado, nervoso, insatisfeito, indignado. Os danos serão mais visíveis nos maiores centros eleitorais, a partir de São Paulo.
Mensalão e eleições
O mensalão terá repercussão sobre o processo eleitoral? A primeira leitura é a de que os eleitores conseguirão distinguir as coisas. Mas, nas capitais onde se constata polarização clássica entre petistas e tucanos, é previsível que o discurso do mensalão frequente a mesa dos debates. Haverá, como se sabe, alguns debates, promovidos pelas redes de TV. E é provável que o assunto acenda a polêmica principalmente na segunda metade de setembro.
Parcerias
Nas 85 maiores cidades do país - com mais de 200 mil eleitores - PMDB e PT dobraram as alianças. Nesse grupo, em 2008, o PMDB apoiava 10 candidatos petistas. Hoje, apoia 20. Já a recíproca mudou um pouco. Em 2008, o PT apoiava um peemedebista em 6 cidades. Hoje, endossa um peemedebista em 3 cidades. O PMDB também reduziu acordos com o PSDB. Já o PSB do governador Eduardo Campos diminuiu o apoio aos candidatos petistas, privilegiando seus próprios quadros. E manteve acordos com o PSDB e o PSD do prefeito Kassab. Resumo do quadro: PMDB dá sinais de expandir aliança com PT e PSB faz o caminho inverso, expressa distanciamento.
Obama e a economia
Barack Obama está com dificuldades de expandir o cofre da campanha. Em 2008, conseguiu juntar quase US$ 600 milhões. Hoje, não chegou a captar US$ 100 milhões. É a economia, estúpido. O empate com Mitt Romney tem como desenho de fundo a posição nada confortável da economia norte-americana.
Pacto de não agressão?
José Serra quer firmar pacto de não agressão com Celso Russomanno. Quem acredita nisso? Difícil. Na hora H, todos os candidatos puxam a navalha cortante da expressão.
SOS para as crianças
A cada ciclo de férias, a pauta de tragédias se expande. Continuam a morrer crianças em hotéis e parques de diversão no país nesses tempos de insegurança geral. É assustador! A última morte foi segunda feira, em um hotel de Águas de São Pedro. Uma criança de 4 anos brincava num balanço. Uma das barras de sustentação do brinquedo caiu sobre a menina. O Estado não fiscaliza nem pune os desvios que se acumulam. Vidas humanas destruídas na esteira da irresponsabilidade. Vamos apoiar entidades como a ONG Férias Vivas, fundada por Fernando Pinto Zacharias e Silvia Maria Basile.
Trabalho perde função
Há greves em 7 ministérios, em agências e autarquias Federais. Calcula-se em 150 mil o número de servidores abarcados pelos movimentos. Pela lógica, o Ministério do Trabalho e Emprego seria a entidade a negociar com as lideranças das greves. Pois bem, o Ministério não cuida disso. A pasta está esvaziada. Primeiro, porque Dilma percebeu que ali é um território muito disputado pelas Centrais sindicais, a partir da Força Sindical. Por isso, baixou um decreto transferindo ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a responsabilidade de negociar com os servidores públicos e gerir o cadastro nacional das entidades sindicais que representam o funcionalismo. Ou seja, o Ministério do Trabalho perdeu peso na frente de articulação com os servidores.
54º Congresso de Hotéis
De 26 a 28 de julho, o CONOTEL 2012 reunirá autoridades, gestores e executivos da cadeia hoteleira para debater as principais questões do setor no Centro de Eventos Fecomercio, na capital paulista. Na abertura do evento, este consultor fará uma análise da conjuntura neste momento em que o setor conta com a aprovação do Plano Brasil Maior pela presidente Dilma Rousseff. O Congresso deve contar também com a presença de Valdir Moysés Simão, secretário executivo do Ministério do Turismo; Maurício Lucena Do Val, diretor de Políticas de Comércio e Serviços do MDIC; Marco Antônio Viana Leite do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Valéria Barros, do SEBRAE Nacional; Ângela Pimenta Peres, do SESI; Enrico Ferni, presidente da ABIH Nacional; e Bruno Omori, da ABIH/SP. O evento é uma realização das quatro principais entidades do setor : ABIH Nacional (Associação Nacional da Indústria de Hotéis), FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), e FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil e Resorts Brasil). Entre os temas abordados, "Brasil como ambiente macroeconômico para aceleração do turismo"; "Modelos internacionais da relação de parceria entre governo e hotelaria"; e "Inovação como ferramenta preventiva contra estagnação do mercado hoteleiro".
Conselho às autoridades policiais
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos e seus assessores. Hoje, sua atenção se volta às autoridades policiais:
1. A insegurança voltou a provocar pânico em São Paulo. O momento é propício para uma profunda reflexão sobre a capacitação dos quadros policiais. Que devem receber urgente orientação/treinamento sobre condutas de abordagem dos cidadãos.
2. É inadmissível que os assustadores eventos policiais, que culminaram com o assassinato de um publicitário e de um imigrante italiano, sejam debitados na conta da banalização, como se fossem casos normais. A população quer ver atos e decisões substantivas voltadas para aperfeiçoar as ações da polícia.
3. Caso persistam as situações de extrema violência, como as que se viram em São Paulo, nos últimos dias, a indignação social culminará com o repúdio aos governantes do momento. E a arma que o povo usará será o voto.
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia". (José Saramago)
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar". (José Saramago)
"O que as vitórias têm de mal é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas". (José Saramago)
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(Gaudêncio Torquato)
Assumiu o governo de Minas e, no dia seguinte, foi ao aeroporto para viajar no helicóptero da administração estadual. Ao tomar conhecimento de que aquele "trem" tinha o nome de seu adversário, foi logo dando bronca no piloto:
- Não entro de jeito nenhum nesse trem com o nome do Hélio( ).
O piloto, constrangido, respondeu:
- Mas governador, esse helicóptero é do governo do Estado e não do ex-governador Hélio.
Newtão não quis saber:
- Esse trem agora vai se chamar Newtoncóptero. Falei e tá falado.
Outra historinha envolvendo o folclórico ex-governador. Resolveu passear de carro com a família. O carro pifou na estrada. O mecânico, que o socorreu, diagnosticou:
- São os burrinhos dos freios; estão danificados. Acho bom trocar logo esses burrinhos.
Cardoso deu a bronca:
- Calma, seu mecânico, meus filhos não descerão dos burrinhos de jeito nenhum.
Mensalão na reta final
O mensalão, ufa, chega à reta final. 3 de agosto, início da partida. Previsão de término: segunda quinzena de setembro. São 38 réus, 50 mil páginas de documentos, 90 horas de julgamento, 15 sessões do plenário, 600 testemunhas em 42 cidades brasileiras. Fase de inquirição de testemunhas: 4 anos. Alegação final dos réus tem 2,8 mil páginas. Voto do relator Joaquim Barbosa tem mil páginas. Voto do revisor Ricardo Lewandowski, também mil páginas. Para efeito de comparação, lembremo-nos do caso Collor: 8 réus, 38 páginas de processo (1994). O interesse é tão grande que o STF está pedindo reforço de segurança junto à Força Nacional. Mídias nacional e internacional com luzes e holofotes acesos.
Projeções
Hipótese 1: condenação de todos os réus. Penas duras. Menos provável. Hipótese 2: absolvição de todos os réus. Pouco provável. Hipótese 3: condenação de alguns e absolvição de outros. Razoável. Esta é uma projeção por muitos considerada a mais viável. As penas serão variadas. Mas poucos acreditam em penas muito duras. Os operadores do esquema poderão receber penas mais pesadas. O caso mais emblemático a suscitar dúvidas e interrogações envolve o ex-ministro José Dirceu. Haverá novidades, como a versão mais recente do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema: Lula ordenou a operação. Esta é a bombástica declaração do advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa. Como se recorda, logo após denunciar o caso, o presidente do PTB inocentou Lula: "eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso".
Estratégias
Entre as estratégias dos advogados de defesa, uma das mais anunciadas diz respeito ao desdobramento dos casos, o que poderia, caso a tese fosse aceita, fazer com que os autos dos processos de alguns réus voltem às instâncias inferiores, permanecendo no STF apenas os processos abrigando réus com prerrogativas de foro, conforme visão do ministro Marco Aurélio Mello. Outros defenderão o argumento de que os recursos do mensalão provinham do caixa 2 de campanhas. Há, ainda, os que defenderão a ideia de que alguns réus não tomavam conhecimento e nem eram responsáveis pelo caixa do PT.
O fator Russomanno
A última pesquisa Datafolha sobre os candidatos à prefeito de São Paulo tem aberto grande polêmica sobre os competidores, a partir da hipótese sobre os dois competidores que entrarão no corredor do segundo turno. Dois dados surpreenderam: o crescimento de 2 pontos de Celso Russomanno, do PRB, que chegou aos 26% e a expansão da taxa de rejeição de José Serra, que chega aos 37%. Minha interpretação: Russomanno abocanhou uns pontinhos que eram do cantor Netinho de Paula, que se retirou do pleito; Serra, que é conhecido por quase todo o eleitorado de 8,5 milhões, aumenta rejeição nas margens, onde não é bem avaliado. Seu desafio será o de diminuir drasticamente a rejeição, algo entre 15% a 20%. Mas a grande pergunta é: Russomanno sustentará seu índice?
Projeções
Vamos à história. Em julho de 2008, Marta liderava o pleito, seguida por Geraldo Alckmin. Marta chegou a ter 35%, enquanto Alckmin exibia confortáveis 32%. O prefeito Kassab, que assumira no lugar de Serra, tinha 8%. Na oportunidade, este consultor fez para ele a leitura: poderia quebrar a polarização entre PT x PSDB por meio de uma campanha positiva, alegre, jovial, para cima. E assim ele fez. Subia degraus a cada pesquisa. Quebrou a polarização. Passou Marta Suplicy e desbancou Alckmin. A história derruba a tese de que a polarização é algo irremovível. Pode, sim, ser ultrapassada. Nesse caso, há possibilidades de crescimento para Fernando Haddad e Gabriel Chalita. Será difícil para Russomanno sustentar sua taxa. Terá apenas 2 minutos e alguns segundos de TV e rádio.
TV, o comício eletrônico
Que ninguém se engane. A TV será o maior cabo eleitoral da campanha municipal nos municípios que contam com mídia eletrônica. Será a vitrine de candidatos e de suas propostas. O fluxo de atenção obedecerá a uma lógica: início dos programas de rádio e TV (21 de agosto) até 5 de setembro, boa audiência. Eleitores querem saber quem é quem e quais são as propostas. De 5 a 20 de setembro, queda da audiência. O eleitorado, após tomar conhecimento das campanhas de cada candidato, faz um intervalo. Assiste, esporadicamente, alguns programas. À medida que a campanha se aproxima do final, a audiência tende a crescer. Os eleitores querem conferir abordagens e consolidar suas visões/julgamentos/decisões sobre candidaturas.
Balança capenga
Há mistério cercando os pesos da balança da Anatel. A Agência avaliou desempenho das operadoras, pede providências e compromissos com qualidade. Até aí tudo bem. Entre Claro, Vivo, TIM e Oi, esta última é a que apresenta menor índice de reclamação. Da moldura avaliativa, emerge a instigante questão : por que a Vivo não foi punida pela Anatel? Há mais complexidade em alguns chips que imagina nossa pequena capacidade de compreensão.
Desemprego e eleições
Só agora começam a aparecer os primeiros sinais de desaceleração da economia, a partir do freio na indústria. O mercado de trabalho é o território dos efeitos. Anuncia-se, aqui e ali, fechamento de postos de trabalho. O desemprego começa a mostrar sua carranca. Eleições sob um pano de fundo de contingentes desempregados apontam para o perfil de um eleitor contrariado, nervoso, insatisfeito, indignado. Os danos serão mais visíveis nos maiores centros eleitorais, a partir de São Paulo.
Mensalão e eleições
O mensalão terá repercussão sobre o processo eleitoral? A primeira leitura é a de que os eleitores conseguirão distinguir as coisas. Mas, nas capitais onde se constata polarização clássica entre petistas e tucanos, é previsível que o discurso do mensalão frequente a mesa dos debates. Haverá, como se sabe, alguns debates, promovidos pelas redes de TV. E é provável que o assunto acenda a polêmica principalmente na segunda metade de setembro.
Parcerias
Nas 85 maiores cidades do país - com mais de 200 mil eleitores - PMDB e PT dobraram as alianças. Nesse grupo, em 2008, o PMDB apoiava 10 candidatos petistas. Hoje, apoia 20. Já a recíproca mudou um pouco. Em 2008, o PT apoiava um peemedebista em 6 cidades. Hoje, endossa um peemedebista em 3 cidades. O PMDB também reduziu acordos com o PSDB. Já o PSB do governador Eduardo Campos diminuiu o apoio aos candidatos petistas, privilegiando seus próprios quadros. E manteve acordos com o PSDB e o PSD do prefeito Kassab. Resumo do quadro: PMDB dá sinais de expandir aliança com PT e PSB faz o caminho inverso, expressa distanciamento.
Obama e a economia
Barack Obama está com dificuldades de expandir o cofre da campanha. Em 2008, conseguiu juntar quase US$ 600 milhões. Hoje, não chegou a captar US$ 100 milhões. É a economia, estúpido. O empate com Mitt Romney tem como desenho de fundo a posição nada confortável da economia norte-americana.
Pacto de não agressão?
José Serra quer firmar pacto de não agressão com Celso Russomanno. Quem acredita nisso? Difícil. Na hora H, todos os candidatos puxam a navalha cortante da expressão.
SOS para as crianças
A cada ciclo de férias, a pauta de tragédias se expande. Continuam a morrer crianças em hotéis e parques de diversão no país nesses tempos de insegurança geral. É assustador! A última morte foi segunda feira, em um hotel de Águas de São Pedro. Uma criança de 4 anos brincava num balanço. Uma das barras de sustentação do brinquedo caiu sobre a menina. O Estado não fiscaliza nem pune os desvios que se acumulam. Vidas humanas destruídas na esteira da irresponsabilidade. Vamos apoiar entidades como a ONG Férias Vivas, fundada por Fernando Pinto Zacharias e Silvia Maria Basile.
Trabalho perde função
Há greves em 7 ministérios, em agências e autarquias Federais. Calcula-se em 150 mil o número de servidores abarcados pelos movimentos. Pela lógica, o Ministério do Trabalho e Emprego seria a entidade a negociar com as lideranças das greves. Pois bem, o Ministério não cuida disso. A pasta está esvaziada. Primeiro, porque Dilma percebeu que ali é um território muito disputado pelas Centrais sindicais, a partir da Força Sindical. Por isso, baixou um decreto transferindo ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a responsabilidade de negociar com os servidores públicos e gerir o cadastro nacional das entidades sindicais que representam o funcionalismo. Ou seja, o Ministério do Trabalho perdeu peso na frente de articulação com os servidores.
54º Congresso de Hotéis
De 26 a 28 de julho, o CONOTEL 2012 reunirá autoridades, gestores e executivos da cadeia hoteleira para debater as principais questões do setor no Centro de Eventos Fecomercio, na capital paulista. Na abertura do evento, este consultor fará uma análise da conjuntura neste momento em que o setor conta com a aprovação do Plano Brasil Maior pela presidente Dilma Rousseff. O Congresso deve contar também com a presença de Valdir Moysés Simão, secretário executivo do Ministério do Turismo; Maurício Lucena Do Val, diretor de Políticas de Comércio e Serviços do MDIC; Marco Antônio Viana Leite do Ministério do Desenvolvimento Agrário; Valéria Barros, do SEBRAE Nacional; Ângela Pimenta Peres, do SESI; Enrico Ferni, presidente da ABIH Nacional; e Bruno Omori, da ABIH/SP. O evento é uma realização das quatro principais entidades do setor : ABIH Nacional (Associação Nacional da Indústria de Hotéis), FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), e FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil e Resorts Brasil). Entre os temas abordados, "Brasil como ambiente macroeconômico para aceleração do turismo"; "Modelos internacionais da relação de parceria entre governo e hotelaria"; e "Inovação como ferramenta preventiva contra estagnação do mercado hoteleiro".
Conselho às autoridades policiais
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos candidatos e seus assessores. Hoje, sua atenção se volta às autoridades policiais:
1. A insegurança voltou a provocar pânico em São Paulo. O momento é propício para uma profunda reflexão sobre a capacitação dos quadros policiais. Que devem receber urgente orientação/treinamento sobre condutas de abordagem dos cidadãos.
2. É inadmissível que os assustadores eventos policiais, que culminaram com o assassinato de um publicitário e de um imigrante italiano, sejam debitados na conta da banalização, como se fossem casos normais. A população quer ver atos e decisões substantivas voltadas para aperfeiçoar as ações da polícia.
3. Caso persistam as situações de extrema violência, como as que se viram em São Paulo, nos últimos dias, a indignação social culminará com o repúdio aos governantes do momento. E a arma que o povo usará será o voto.
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia". (José Saramago)
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar". (José Saramago)
"O que as vitórias têm de mal é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas". (José Saramago)
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(Gaudêncio Torquato)
PARA REFLETIR
Jesus, porém, chamou-os e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”. (Do Evangelho de hoje)
terça-feira, 24 de julho de 2012
CONSIDERAI MIRAR O SOL
O carrossel da vida, o encarrilhamento das obrigações diárias, o acorrentamento à necessidade de cumprir prazos, o imperativo dos compromissos profissionais, a inafastabilidade da peleja permanente pela sobrevivência – constituem invariavelmente óbice à imprescindível abertura das asas da alma à liberdade do voo.
Por óbvio, isso nos impede de mirar seres, coisas, objetos e pessoas sem as peles artificiais que as revestem. O tsunami das convenções grupais é tão violento que faz submergir qualquer ilha de resistência ao roldão do lugar comum. Somos todos arrastados pelas caudalosas ondas que lavam o cérebro da coletividade. Pensamos conforme nos orienta a cartilha do grupo ao qual estamos filiados. Agimos segundo seu fascículo conceitual. Rezamos em sintonia com aquele catecismo imposto pelo núcleo religioso cujo fio de fé professamos.
Nesses tempos de campanha eleitoral aflora a convicção de que a política é uma das arenas em que mais veementemente explode esse ímpeto gladiador alimentado pela passionalidade. Tornamo-nos instrumentos desse combustível fóssil extraído do poço tubular raso dos interesses.
Deixamos de observar valores simplesmente porque quem os exibe não está na arquibancada do nosso time. Olvidamos de resaltar virtudes em razão dos protagonistas utilizarem carteiras de filiação diferenciadas da nossa. Descuramos reconhecer méritos em razão da origem ideológica de quem os ostenta.
Ninguém imagina quão grato fico quando recebo um telefonema cobrando a escritura desta Crônica. É que essa doce e solitária faina laboral no roçado germinal das letras me obriga a pensar, silenciar, meditar e sopesar. Impulsiona-me a deixar a caverna do cotidiano embaçador e perscrutar o vagalume do sonho. Força-me a mirar de frente o sol!
E, mirando a clareza solar, sentir o aroma inebriante do arco-íris da liberdade! Mergulhar entre os balseiros da essencialidade!
O fato é que, desse espaço introspectivo, às vezes fico impressionado com a fúria descomunal, a acidez verbal, o hálito de fogo que alguns costumam exalar no movimento de um prélio urnístico. Por que tanta dificuldade em controlar o tigre interior?
Nessa esteira, vez por outra, quando o nosso terreiro é iluminado por um relâmpago de lucidez, nos indagamos: temos mesmo que nos deixar levar pela correnteza do mundo? É inevitável sermos alcançado por esse redemoinho?
Consideremos que a resposta seja NÃO!
Consideremos a possibilidade de retirarmos a blusa. Caminharmos, cabelo ao vento, embalados pela sinfonia da natureza, sem chapéu, sem óculos, sem metal e sem enfeites. Contemplarmos a gratuidade mágica de pisar na terra nua, molhar os pés no primeiro pingo d’água encontrado.
Consideremos a alternativa de nos abstermos de pronunciar palavras vãs. Fazermos uma pausa na batalha. Contermos o espírito de contenda e apenas esparramarmos o átomo da admiração para festejar a querida presença da generosidade no nosso entorno.
Consideremos a abertura de uma concessão à benevolência. Consideremos compartilhar uma refeição temperada com os ingredientes da tolerância.
Consideremos, por fim, um gesto de afeto ao despojamento total, a busca de uma maior intimidade com o desapego. Consideremos uma inflexão rumo à sensibilidade, o ato heroico de admitir a ternura em nosso dia a dia. Consideremos mirar o Sol!
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
OBSERVATÓRIO
Winston Churchill foi uma lenda que sacudiu a Europa no século passado. Oficial no Exército Britânico, firmou-se como um político conservador. Consagrou-se como exímio orador; entrou para a História como estadista notável. Historiador, escritor e artista, é o único primeiro-ministro britânico a ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura e o primeiro político europeu Cidadão Honorário dos Estados Unidos. Quando, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembleia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse: - Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento "assusta".
CHURCHILL
Àquela ocasião o futuro estadista maior da Inglaterra fez ouvido de mercador. Continuou determinado, firme e ousado na defesa dos princípios que cultivava. Em 1940, o destino trágico da Inglaterra e da maior parte da Europa parecia inevitável. O exército alemão avançava por toda parte. Os Ingleses reconheceram em Churchill o único nome capaz de liderar o País, pois previra ainda nos anos 30 aquela dramática situação. Com uma retórica contundente, anunciou ao País: “Eu diria à Casa, como disse àqueles que se juntaram a este governo: nada tenho a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor. Temos diante de nós um desafio dos mais graves. Temos diante de nós muitos, muitos e longos meses de luta e sofrimento. Os senhores perguntam: qual o nosso plano de ação? Posso dizer: é travar guerra, por mar, terra e ar, com todo o nosso poder e com toda a força que Deus nos possa dar; travar guerra contra uma monstruosa tirania jamais suplantada no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. ...” Cinco anos depois celebrava a vitória sobre o nazismo. Quando se descortina uma nova campanha eleitoral, sinto o quanto precisamos de políticos com o sangue azul dos estadistas...
A CAMPANHA ELEITORAL
Cada vez mais se cristaliza na cabeça da população a ideia de que eleição é igual a concurso público. É uma disputa em que deve prevalecer, acima de tudo, a igualdade de condições. Nenhum dos candidatos que estão legal e legitimamente inseridos na disputa pode receber tratamento diferenciado. Todos estão rigorosamente obrigados a cumprir as regras estabelecidas. A obediência à Lei Eleitoral vincula todos. Em sentido reverso, quem realizar conduta vedada pode sofrer as reprimendas legais. Não basta apenas obter a vitória. Ela tem que ocorrer de maneira clara, induvidosa, sem qualquer mancha de ilicitude. Em um concurso, quando um candidato é flagrado “colando” ou tentando burlar as normas, é afastado do certame. O mesmo raciocínio vale para o processo eleitoral. Um candidato que ganha uma eleição usando de artifícios ilegais - artimanhas eleitoreiras, realizando propaganda criminosa, abusando de poder político ou econômico – pode ganhar a eleição e depois perder na Justiça. No pleito passado, somaram-se mais de duzentos e sessenta prefeitos que perderam seus mandatos. Portanto, todo cuidado é pouco. Às vezes o postulante recebe o diploma como vitorioso e, após uma condenação, é obrigado a entregar o cargo para o segundo colocado.
TAC’s
O Ministério Público e a Justiça Eleitoral estão mais rigorosos na fiscalização do cumprimento das regras que orientam a pugna pelo sufrágio popular. Em Crateús foi extremamente louvável o protagonismo do Ministério Público, liderando de maneira vanguardista a celebração de TAC’s (Termos de Ajustamento de Conduta) com as emissoras de rádio e com os partidos políticos. Garantiu-se a realização de uma campanha leve, despoluída e respeitosa. Oxalá todos cumpram os termos pactuados. Com efeito, após a eliminação dos showmícios, do barulho ensurdecedor, da poluição visual e seus consectários, o eleitor poderá, enfim, se atentar para o que é mais importante: os candidatos, sua história, suas propostas, seus compromissos.
DIVULGACAND
E, aqui, vem o principal: quem já se deteve a ler e avaliar as propostas dos candidatos? É possível acessá-las pela internet. No site do TSE (www.tse.jus.br), clique em “eleições”, em seguida no item “eleições 2012” e, quando abrir a página, em DivulgaCand2012 - o sistema de divulgação dos registros de candidaturas. Selecione o estado e, na caixa de pesquisa, insira o nome da sua cidade. A partir daí poderá visualizar os principais dados e informações dos candidatos, inclusive as propostas dos que almejam conquistar a Prefeitura. Dos cinco candidatos postos em Crateús, apenas Eduardo Machado não protocolou suas propostas (ou ainda estão pendentes de divulgação); os demais enviaram. Ali se pode ver, por exemplo, que todos os candidatos estão assumindo o compromisso de realizar concurso público. Só Carlos Felipe fala em “seleção de temporários”.
SEDE DA OAB
Os operadores do direito que militam na região de Crateús têm agora uma casa própria, um ponto de apoio, uma sede definitiva. “Nós temos agora a nossa referência, a nossa casa”. A declaração é do advogado José Almir Claudino Sales, com 30 anos de advocacia e que foi homenageado na quinta-feira, dia 19 de julho, pela Subseção de Crateús, juntamente com os também advogados José Eudes Soares de Oliveira e Rozária Neta Bonfim Lacerda. Agradecido pelo apoio dos Presidentes Estadual e Nacional da OAB, Valdetário Monteiro e Ophir Cavalcante, o presidente da Subseção, Ismael Pedrosa Machado, disse que estava sendo concretizado um sonho de 15 anos. Ele lembrou que a realização do projeto se deve também aos ex-presidentes da Subseção de Crateús, que “deram valorosa contribuição”.
PARA REFLETIR
“Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança”. (Winston Churchill)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
CHURCHILL
Àquela ocasião o futuro estadista maior da Inglaterra fez ouvido de mercador. Continuou determinado, firme e ousado na defesa dos princípios que cultivava. Em 1940, o destino trágico da Inglaterra e da maior parte da Europa parecia inevitável. O exército alemão avançava por toda parte. Os Ingleses reconheceram em Churchill o único nome capaz de liderar o País, pois previra ainda nos anos 30 aquela dramática situação. Com uma retórica contundente, anunciou ao País: “Eu diria à Casa, como disse àqueles que se juntaram a este governo: nada tenho a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor. Temos diante de nós um desafio dos mais graves. Temos diante de nós muitos, muitos e longos meses de luta e sofrimento. Os senhores perguntam: qual o nosso plano de ação? Posso dizer: é travar guerra, por mar, terra e ar, com todo o nosso poder e com toda a força que Deus nos possa dar; travar guerra contra uma monstruosa tirania jamais suplantada no sombrio e lamentável catálogo dos crimes humanos. ...” Cinco anos depois celebrava a vitória sobre o nazismo. Quando se descortina uma nova campanha eleitoral, sinto o quanto precisamos de políticos com o sangue azul dos estadistas...
A CAMPANHA ELEITORAL
Cada vez mais se cristaliza na cabeça da população a ideia de que eleição é igual a concurso público. É uma disputa em que deve prevalecer, acima de tudo, a igualdade de condições. Nenhum dos candidatos que estão legal e legitimamente inseridos na disputa pode receber tratamento diferenciado. Todos estão rigorosamente obrigados a cumprir as regras estabelecidas. A obediência à Lei Eleitoral vincula todos. Em sentido reverso, quem realizar conduta vedada pode sofrer as reprimendas legais. Não basta apenas obter a vitória. Ela tem que ocorrer de maneira clara, induvidosa, sem qualquer mancha de ilicitude. Em um concurso, quando um candidato é flagrado “colando” ou tentando burlar as normas, é afastado do certame. O mesmo raciocínio vale para o processo eleitoral. Um candidato que ganha uma eleição usando de artifícios ilegais - artimanhas eleitoreiras, realizando propaganda criminosa, abusando de poder político ou econômico – pode ganhar a eleição e depois perder na Justiça. No pleito passado, somaram-se mais de duzentos e sessenta prefeitos que perderam seus mandatos. Portanto, todo cuidado é pouco. Às vezes o postulante recebe o diploma como vitorioso e, após uma condenação, é obrigado a entregar o cargo para o segundo colocado.
TAC’s
O Ministério Público e a Justiça Eleitoral estão mais rigorosos na fiscalização do cumprimento das regras que orientam a pugna pelo sufrágio popular. Em Crateús foi extremamente louvável o protagonismo do Ministério Público, liderando de maneira vanguardista a celebração de TAC’s (Termos de Ajustamento de Conduta) com as emissoras de rádio e com os partidos políticos. Garantiu-se a realização de uma campanha leve, despoluída e respeitosa. Oxalá todos cumpram os termos pactuados. Com efeito, após a eliminação dos showmícios, do barulho ensurdecedor, da poluição visual e seus consectários, o eleitor poderá, enfim, se atentar para o que é mais importante: os candidatos, sua história, suas propostas, seus compromissos.
DIVULGACAND
E, aqui, vem o principal: quem já se deteve a ler e avaliar as propostas dos candidatos? É possível acessá-las pela internet. No site do TSE (www.tse.jus.br), clique em “eleições”, em seguida no item “eleições 2012” e, quando abrir a página, em DivulgaCand2012 - o sistema de divulgação dos registros de candidaturas. Selecione o estado e, na caixa de pesquisa, insira o nome da sua cidade. A partir daí poderá visualizar os principais dados e informações dos candidatos, inclusive as propostas dos que almejam conquistar a Prefeitura. Dos cinco candidatos postos em Crateús, apenas Eduardo Machado não protocolou suas propostas (ou ainda estão pendentes de divulgação); os demais enviaram. Ali se pode ver, por exemplo, que todos os candidatos estão assumindo o compromisso de realizar concurso público. Só Carlos Felipe fala em “seleção de temporários”.
SEDE DA OAB
Os operadores do direito que militam na região de Crateús têm agora uma casa própria, um ponto de apoio, uma sede definitiva. “Nós temos agora a nossa referência, a nossa casa”. A declaração é do advogado José Almir Claudino Sales, com 30 anos de advocacia e que foi homenageado na quinta-feira, dia 19 de julho, pela Subseção de Crateús, juntamente com os também advogados José Eudes Soares de Oliveira e Rozária Neta Bonfim Lacerda. Agradecido pelo apoio dos Presidentes Estadual e Nacional da OAB, Valdetário Monteiro e Ophir Cavalcante, o presidente da Subseção, Ismael Pedrosa Machado, disse que estava sendo concretizado um sonho de 15 anos. Ele lembrou que a realização do projeto se deve também aos ex-presidentes da Subseção de Crateús, que “deram valorosa contribuição”.
PARA REFLETIR
“Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança”. (Winston Churchill)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
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