Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
LAURO RODRIGUES BONFIM
Nos tempos febris da militância universitária, em que passeávamos empolgadamente pelas avenidas das ideias, impressionou-me o estudo da dialética. No ringue da palavra, emergia a tríade do método dialético: a tese, afirmação; a antítese, negação e a síntese, nova situação, incorporadora dos dínamos do confronto entre aquelas.
Raros são os espaços em que se verifica a habilidade convivencial dessa arte dialógica de sintética combinação dos opostos. Sem embargo, os cômodos familiares são os que mais revelam dificuldade para esse entrelaçamento de divergentes. Estudiosos que mergulham nas manilhas de existências pretéritas afirmam que os familiares são nossos cobradores de vidas passadas. Por isso, explodem tantos embates e conflitos no seio doméstico. As exceções apenas ratificam essa norma cogente.
Cada um dos filhos do casal José Bonfim de Almeida e Rosária Rodrigues de Almeida nasceu com uma diferença de dois anos de um para o outro. Eu fui o primeiro. Em seguida, o Lauro. Lauro Rodrigues Bonfim. Sempre o distingui com o aceno admirativo. Em tempos idos, antes de frequentarmos a atual quadra vivencial, certamente ele fora meu dialético contraponto construtivo.
Nos tenros dias da nossa aurora infantil, fomos cúmplices de traquinagens. Sentíamo-nos protegidos pelo pé de Benjamim, portal da casa do avô materno. Juntos, colhemos oiticicas nos balseiros do rio Serrote, inauguramos com pulos os poços amazonas de casa, brindamos o leite mugido, lutamos nos bancos de areia, levamos o dedo coberto de açúcar à boca e fugimos em disparada da escuridão iminente. Sem razão aparente – até porque as crianças desconhecem o apego à razão - apelidei-o de “gozé”... (tempos depois, porque se revelara um tanto linear como a disciplina militar, ganhou o epíteto de “sargento”).
Lauro Rodrigues Bonfim nasceu no mesmo dia da nossa genitora: 21 de janeiro. Herdou da mãe o amor à família. Preocupa-se com tudo e com todos. É correto e justo, em que pese ser um pouco teimoso. Malgrado ser "cabeça dura", tem o coração mole e a alma leve. É capaz de extremados gestos de benevolência, de pintar anonimamente telas coloridas de generosidade. (Na década de 1980, recém-concursado do Banco do Brasil, doava a quase totalidade dos vencimentos aos pais). Suas dunas de bondade encontraram a praia da bem-aventurança.
Entrelaçou os sonhos e desposou Suely, sua dedicada companheira de todas as horas. Da união nasceu Dara, uma viva e magnética flor que encanta os parentes e outros pares do mesmo ente.
O certo é que hoje, em que, como Raul, virou o dito do cidadão respeitado, e devia estar contente, sabe que longe das cercas embandeiradas que separam quintais, tem uma porção de coisas grandes pra conquistar e não pode ficar aí parado. E nesse momento relembro quando pisávamos a carroçável da adolescência, entre o perfume dos mufumbos e as palhas de carnaúbas, ocasião em que desenhei para ele os versos abaixo:
Falou, Gozé, hoje para nós o tempo é de sol.
Já se passaram os vagões da ingenuidade,
As areias da ilusão, a distância do girassol,
Os nomes loucos de criança, o curral da saudade.
Passaram, passou... agora é simplesmente
Extrair do canteiro a radiosa maçã,
Colocar na mesa o pão permanente
E marchar sorrindo a buscar o amanhã.
(Adormeço no ar o meu encanto invisível,
Outorgo-te o mar grande, o luar feminino.
Meu irmão, eu sou feiticeiro inacessível.
A luta te fez homem, a poesia me faz menino).
Ninguém derrotará nossa alegria de aço.
Temos política nas veias, firmeza nos passos,
Somos livres no olhar, profundos de coração.
Há que sonhar, lutar e viver semeando.
Recebestes a luz, agora tens uma missão:
Desenvolve essa aurora e prossegue amando.
(Júnior Bonfim, no Jornal Gazeta do Centro Oeste e Revista GENTE DE AÇÃO)
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
LUTO OFICIAL EM TODO O PAÍS
DECRETO DE 27 DE JANEIRO DE 2013
Declara luto oficial em sinal de pesar pelas vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 18, caput, inciso I, da Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971,
DECRETA:
Art. 1º É declarado luto oficial em todo País, pelo período de três dias, contado a partir da data de edição deste Decreto, em sinal de pesar pelas vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 27 de janeiro de 2013; 192º da Independência e 125º da República.
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardoso
Declara luto oficial em sinal de pesar pelas vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 18, caput, inciso I, da Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971,
DECRETA:
Art. 1º É declarado luto oficial em todo País, pelo período de três dias, contado a partir da data de edição deste Decreto, em sinal de pesar pelas vítimas do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul.
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 27 de janeiro de 2013; 192º da Independência e 125º da República.
DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardoso
domingo, 27 de janeiro de 2013
PORQUE A POESIA É ESSENCIAL, VAMOS RELER "OS ESTATUTOS DO HOMEM"
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
(Thiago de Mello, Santiago do Chile, abril de 1964)
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
(Thiago de Mello, Santiago do Chile, abril de 1964)
sábado, 26 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
Abro a coluna com uma historinha do prefeito de Itapetininga/SP, Joaquim Aleixo Machado, entre os anos de 1964 e 1969.
Aleixo aguardava para falar com o governador do Estado de São Paulo. Tomou um chá de cadeira. Ante a excessiva demora, foi cobrar explicações da recepcionista:
- Puxa, eu já estou aqui há mais de 3 horas e ele não me chama?
-... Pois é, sr. Aleixo, é que chegou um pessoal de Brasília...
- Ah... Mas que bom... Diga a ele que tenho preferência. Eu vim de Opala! (Enviada por Lucélio de Morais)
Campanha nas ruas
2013 está sendo aberto pela ventania de 2014. A presidente Dilma Rousseff decidiu sair da toca. Começou a campanha da reeleição pelo Nordeste. Coisa planejada. Pois é a região que melhor avalia o desempenho da mandatária, na esteira de grande admiração que o povo tem por Lula, considerado pelos nordestinos O Pai dos Pobres. Dilma, nos últimos dias, correu Estados, olhando canteiros de obras, puxando a orelha de gestores, vestindo gibão de couro, abraçando um, cochichando com outro. A visita ao NE faz parte de sugestões feitas por Lula.
Destravamento da gestão
Diz-se, à boca pequena, que Lula teria aconselhado sua pupila a destravar a gestão. São evidentes os sinais de que a administração federal está emperrada. De cerca de 80 obras ligadas à Copa, apenas umas 5 estariam atendendo ao cronograma. Há queixas contra o estilo centralizador da presidente. O medo campeia na Esplanada dos Ministérios. Ministros temem tomar decisões, principalmente quando estão envolvidos altos volumes de verbas. A liturgia da benção é cobrada com muito rigor: os pedidos entram pelos vãos da Casa Civil, sobem aos olhos da ministra Gleisi, que consulta seus técnicos e, depois de tudo isso, caem sobre a mesa da presidente.
Quem manda na fazenda?
O empresariado, à vista do calendário defasado de obras e contemplando as querelas internas no Ministério da Fazenda, põe o pé no freio. Os investimentos entram em refluxo. Quem manda na Fazenda? Guido Mantega? Não é a percepção dos empresários. Nelson Barbosa, o secretário-executivo? Pode ser, mas, nos últimos tempos, o Arno Augustin (é o que se ouve) passou a ser a extensão do pensamento da presidente. Há uma disputa intestina em torno da cadeira hoje ocupada por Mantega. Barbosa seria o sucessor natural, mas teria perdido a força extraordinária acumulada ao longo dos últimos anos. Há quem veja em Nelson Barbosa uma faceta mais ligada ao mercado; e há quem identifique em Augustin a faceta colada no Estado mais intervencionista.
Dilma e os empresários
Um dos conselhos de Lula para Dilma teria como foco articulação mais intensa da presidente com os empresários. De fato, nas últimas semanas, observou-se uma agenda mais voltada para setores produtivos. Grandes empresários teriam sido convocados para uma conversa com a presidente, sob temáticas abrigando investimentos, infraestrutura, concessões, PPPs, etc.
Campos desenha a esfinge
Também é fato que o governador Eduardo Campos, de PE, que preside com mão de ferro o PSB, abriu agenda de articulação com o alto empresariado nacional. Estaria buscando apoio e simpatia para sua eventual candidatura à presidente da República em 2014. Campos foi o maior beneficiário do pleito municipal. Seu partido pode ser considerado o maior vitorioso. Conta, hoje, com cerca de 500 prefeituras. E domina espaços importantes, inclusive algumas capitais. Pernambuco, por seu lado, foi transformado, no ciclo lulista, em grande canteiro de obras. Daí a boa avaliação interna do governador socialista. Que aprecia vestir-se de esfinge.
Morde e assopra
Eduardo Campos morde e assopra. De um lado, faz fortes críticas às diretrizes econômicas da administração federal, assume a vanguarda da luta pela repactuação da Federação - visando maior equilíbrio entre os entes federativos - pede mais agilidade no processo decisório. De outro lado, reafirma seu apoio incondicional (?) à reeleição da presidente Dilma em 2014. E lembra: a porta deve ter uma fresta aberta para permitir eventual voo próprio em 2014. O que segura Eduardo Campos na base governista é a interrogação que se faz sobre os horizontes econômicos. Se a locomotiva descarrilar, ele pulará fora do trem e sairá como candidato em 2014. Se o bolso das massas continuar suprindo bem o estômago, Dilma não será abalada. Nesse caso, o neto de Miguel Arraes permanecerá no trem situacionista. Com os olhos contemplando a paisagem de 2018.
Aécio e Eduardo
Fala-se também numa chapa envolvendo Aécio Neves e Eduardo Campos. Seria possível? Em política, tudo é possível. Ocorre que Eduardo Campos teria melhores chances como cabeça de chapa do que Aécio Neves. Agregaria mais partidos situacionistas. Aécio ficaria sob o escudo exclusivo do PSDB. Até o DEM pensa em abandonar a parceria com os tucanos. Agora, para Eduardo Campos, o melhor cenário seria o de quatro candidaturas: a situacionista (Dilma), a oposicionista (Aécio), a dele, com uma marca de independência no meio, e uma alternativa, como a da Marina Silva, por exemplo. Claro, esse cenário só seria favorável a ele na perspectiva de uma economia no fundo do poço.
E Alckmin, hein?
Geraldo Alckmin passa um pente fino no governo. Cria novas áreas na administração. Entre elas, um setor responsável para verificar ações prioritárias e fiscalizar obras. Controle da gestão.
E Cabral, hein?
Já o governador do RJ, Sérgio Cabral, quer deixar o cargo meses antes do termino do governo. Para que ? Espera ser chamado pela presidente Dilma para comandar uma Pasta. Cabral, porém, não é unanimidade no PMDB.
E Paes, hein?
O prefeito do RJ, Eduardo Paes, só pensa em tirar proveito dos eventos esportivos que terão a bela capital carioca como cartão postal. E o que quer com isso? Ampliar a visibilidade e jogar seu nome no elenco de eventuais candidatos do PMDB à presidência da República em 2018. Paes, igualmente, não fecha muitas oposições em torno dele. É o maior papagaio de pirata do partido.
E Haddad, hein?
Intenciona fazer uma administração de impactos. Vai ajudar Lula a alavancar o PT e viabilizar a candidatura petista ao governo paulista em 2014. A administração serviria de base de decolagem do candidato petista. O prefeito de SP enfrentou a primeira greve em 23 dias de gestão : motoristas e cobradores de ônibus da empresa Transppass paralisaram atividades na manhã de ontem na zona oeste de SP. Mas a greve acabou. Haddad pensa em aplicar multa à concessionária do serviço. A conferir.
O candidato do PT
E quem seria o candidato do PT ao governo de SP em 2014 ? Os nomes em especulação são estes: Aloysio Mercadante, ministro da Educação; Alexandre Padilha, ministro da Saúde; Marta Suplicy, ministra da Cultura; Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo. Leituras: Mercadante é perfil polêmico, considerado raivoso, velha carta marcada e desgastada; Padilha, que contaria com a preferência de Lula, não tem bons resultados a apresentar na Saúde; Marta é a "eterna" candidata e com alto índice de rejeição; Marinho é perfil ainda tosco para os fortes setores médios. Não tem carisma, ao contrário de Lula.
Apartidarismo
Subiu o número de brasileiros sem partido político. Pesquisa do Ibope mostra queda na popularidade do PT. Entre 2010 e 2012, o partido perdeu quase 10 pontos porcentuais na preferência do eleitorado. Pela primeira vez desde 1988, o número de brasileiros apartidários superou o de pessoas que afirmam ter preferência por legendas. No final de 2012, 56% das pessoas diziam não ter nenhuma preferência partidária, contra 44% que apontavam preferência por alguma legenda.
52 mil a menos
A indústria paulista encerrou 2012 com 52,5 mil vagas a menos. Recuperação em 2013 fica abaixo das perdas. Dados da FIESP/CIESP. O presidente Paulo Skaf põe na agenda a prioridade para o Brasil recuperar a competitividade. Argumenta: "Para isso, é muito importante o fortalecimento da indústria. Nela estão os melhores empregos e os melhores salários".
Folclore mineiro
Pequenos relatos enviados por Adauto Francisco do Amaral, contabilista e advogado.
Juscelino Kubitscheck sabia que não podia contar com Café Filho, o vice que assumiu a presidência da República após o suicídio de Vargas, em 1954. Irritado com Café Filho, JK conversou com um governador nordestino, muito curioso.
- Doutor Juscelino, qual é, em toda essa história, a posição do Café?
- Qual Café? O vegetal ou o animal?
Tancredo Neves era ministro da Justiça. Vargas caiu da presidência da República tragicamente, em 1954, Tancredo deixou a Pasta da Justiça, e outro mineiro, José Monteiro de Castro, assumiu o poder como Chefe da Casa Civil. Tancredo destinou-lhe este telegrama:
- Mais amigos do que nunca, mais adversários do que nunca.
Candidato a governador em 1982, Tancredo enfrentava estrada esburacada, a bordo de um velho jipe dirigido por um motorista estouvado e prosa.
- Doutor Tancredo, como nóis sofre!
- Nóis sofre sim, mas ganhando a eleição, nóis vai mandá.
Último de Carvalho, mineiro do PSD, fustigava Dnar Mendes, eleito deputado pela UDN, na Assembleia Legislativa. Numa tarde, para encerrar um debate, Último decretou:
- Para mim Vossa Excelência não existe mais. É um homem morto!
Na tarde do dia seguinte, Último discursava, Dnar levantou a mão:
- Vossa Excelência me permite um aparte?
- Vá baixar noutro centro!
Conselho à presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos novos prefeitos. Hoje, volta sua atenção à presidente da República:
1. A hora sugere puxão geral de orelhas nos gestores/coordenadores de frentes de serviços e obras. Afinal, por que o cronograma de obras está atrasado?
2. A ideia de ir a campo conferir in loco as obras em andamento é boa. Mas o simples aparato de marketing pode ser um bumerangue se providências não forem tomadas para colocar o trem nos trilhos.
3. Transparência, objetividade, controles rígidos, atribuição de responsabilidades, punição aos faltosos - eis os conceitos que devem balizar a administração federal nesse momento de dúvidas sobre a performance do Brasil nos eventos esportivos em perspectiva.
(Gaudêncio Torquato)
____________
Aleixo aguardava para falar com o governador do Estado de São Paulo. Tomou um chá de cadeira. Ante a excessiva demora, foi cobrar explicações da recepcionista:
- Puxa, eu já estou aqui há mais de 3 horas e ele não me chama?
-... Pois é, sr. Aleixo, é que chegou um pessoal de Brasília...
- Ah... Mas que bom... Diga a ele que tenho preferência. Eu vim de Opala! (Enviada por Lucélio de Morais)
Campanha nas ruas
2013 está sendo aberto pela ventania de 2014. A presidente Dilma Rousseff decidiu sair da toca. Começou a campanha da reeleição pelo Nordeste. Coisa planejada. Pois é a região que melhor avalia o desempenho da mandatária, na esteira de grande admiração que o povo tem por Lula, considerado pelos nordestinos O Pai dos Pobres. Dilma, nos últimos dias, correu Estados, olhando canteiros de obras, puxando a orelha de gestores, vestindo gibão de couro, abraçando um, cochichando com outro. A visita ao NE faz parte de sugestões feitas por Lula.
Destravamento da gestão
Diz-se, à boca pequena, que Lula teria aconselhado sua pupila a destravar a gestão. São evidentes os sinais de que a administração federal está emperrada. De cerca de 80 obras ligadas à Copa, apenas umas 5 estariam atendendo ao cronograma. Há queixas contra o estilo centralizador da presidente. O medo campeia na Esplanada dos Ministérios. Ministros temem tomar decisões, principalmente quando estão envolvidos altos volumes de verbas. A liturgia da benção é cobrada com muito rigor: os pedidos entram pelos vãos da Casa Civil, sobem aos olhos da ministra Gleisi, que consulta seus técnicos e, depois de tudo isso, caem sobre a mesa da presidente.
Quem manda na fazenda?
O empresariado, à vista do calendário defasado de obras e contemplando as querelas internas no Ministério da Fazenda, põe o pé no freio. Os investimentos entram em refluxo. Quem manda na Fazenda? Guido Mantega? Não é a percepção dos empresários. Nelson Barbosa, o secretário-executivo? Pode ser, mas, nos últimos tempos, o Arno Augustin (é o que se ouve) passou a ser a extensão do pensamento da presidente. Há uma disputa intestina em torno da cadeira hoje ocupada por Mantega. Barbosa seria o sucessor natural, mas teria perdido a força extraordinária acumulada ao longo dos últimos anos. Há quem veja em Nelson Barbosa uma faceta mais ligada ao mercado; e há quem identifique em Augustin a faceta colada no Estado mais intervencionista.
Dilma e os empresários
Um dos conselhos de Lula para Dilma teria como foco articulação mais intensa da presidente com os empresários. De fato, nas últimas semanas, observou-se uma agenda mais voltada para setores produtivos. Grandes empresários teriam sido convocados para uma conversa com a presidente, sob temáticas abrigando investimentos, infraestrutura, concessões, PPPs, etc.
Campos desenha a esfinge
Também é fato que o governador Eduardo Campos, de PE, que preside com mão de ferro o PSB, abriu agenda de articulação com o alto empresariado nacional. Estaria buscando apoio e simpatia para sua eventual candidatura à presidente da República em 2014. Campos foi o maior beneficiário do pleito municipal. Seu partido pode ser considerado o maior vitorioso. Conta, hoje, com cerca de 500 prefeituras. E domina espaços importantes, inclusive algumas capitais. Pernambuco, por seu lado, foi transformado, no ciclo lulista, em grande canteiro de obras. Daí a boa avaliação interna do governador socialista. Que aprecia vestir-se de esfinge.
Morde e assopra
Eduardo Campos morde e assopra. De um lado, faz fortes críticas às diretrizes econômicas da administração federal, assume a vanguarda da luta pela repactuação da Federação - visando maior equilíbrio entre os entes federativos - pede mais agilidade no processo decisório. De outro lado, reafirma seu apoio incondicional (?) à reeleição da presidente Dilma em 2014. E lembra: a porta deve ter uma fresta aberta para permitir eventual voo próprio em 2014. O que segura Eduardo Campos na base governista é a interrogação que se faz sobre os horizontes econômicos. Se a locomotiva descarrilar, ele pulará fora do trem e sairá como candidato em 2014. Se o bolso das massas continuar suprindo bem o estômago, Dilma não será abalada. Nesse caso, o neto de Miguel Arraes permanecerá no trem situacionista. Com os olhos contemplando a paisagem de 2018.
Aécio e Eduardo
Fala-se também numa chapa envolvendo Aécio Neves e Eduardo Campos. Seria possível? Em política, tudo é possível. Ocorre que Eduardo Campos teria melhores chances como cabeça de chapa do que Aécio Neves. Agregaria mais partidos situacionistas. Aécio ficaria sob o escudo exclusivo do PSDB. Até o DEM pensa em abandonar a parceria com os tucanos. Agora, para Eduardo Campos, o melhor cenário seria o de quatro candidaturas: a situacionista (Dilma), a oposicionista (Aécio), a dele, com uma marca de independência no meio, e uma alternativa, como a da Marina Silva, por exemplo. Claro, esse cenário só seria favorável a ele na perspectiva de uma economia no fundo do poço.
E Alckmin, hein?
Geraldo Alckmin passa um pente fino no governo. Cria novas áreas na administração. Entre elas, um setor responsável para verificar ações prioritárias e fiscalizar obras. Controle da gestão.
E Cabral, hein?
Já o governador do RJ, Sérgio Cabral, quer deixar o cargo meses antes do termino do governo. Para que ? Espera ser chamado pela presidente Dilma para comandar uma Pasta. Cabral, porém, não é unanimidade no PMDB.
E Paes, hein?
O prefeito do RJ, Eduardo Paes, só pensa em tirar proveito dos eventos esportivos que terão a bela capital carioca como cartão postal. E o que quer com isso? Ampliar a visibilidade e jogar seu nome no elenco de eventuais candidatos do PMDB à presidência da República em 2018. Paes, igualmente, não fecha muitas oposições em torno dele. É o maior papagaio de pirata do partido.
E Haddad, hein?
Intenciona fazer uma administração de impactos. Vai ajudar Lula a alavancar o PT e viabilizar a candidatura petista ao governo paulista em 2014. A administração serviria de base de decolagem do candidato petista. O prefeito de SP enfrentou a primeira greve em 23 dias de gestão : motoristas e cobradores de ônibus da empresa Transppass paralisaram atividades na manhã de ontem na zona oeste de SP. Mas a greve acabou. Haddad pensa em aplicar multa à concessionária do serviço. A conferir.
O candidato do PT
E quem seria o candidato do PT ao governo de SP em 2014 ? Os nomes em especulação são estes: Aloysio Mercadante, ministro da Educação; Alexandre Padilha, ministro da Saúde; Marta Suplicy, ministra da Cultura; Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo. Leituras: Mercadante é perfil polêmico, considerado raivoso, velha carta marcada e desgastada; Padilha, que contaria com a preferência de Lula, não tem bons resultados a apresentar na Saúde; Marta é a "eterna" candidata e com alto índice de rejeição; Marinho é perfil ainda tosco para os fortes setores médios. Não tem carisma, ao contrário de Lula.
Apartidarismo
Subiu o número de brasileiros sem partido político. Pesquisa do Ibope mostra queda na popularidade do PT. Entre 2010 e 2012, o partido perdeu quase 10 pontos porcentuais na preferência do eleitorado. Pela primeira vez desde 1988, o número de brasileiros apartidários superou o de pessoas que afirmam ter preferência por legendas. No final de 2012, 56% das pessoas diziam não ter nenhuma preferência partidária, contra 44% que apontavam preferência por alguma legenda.
52 mil a menos
A indústria paulista encerrou 2012 com 52,5 mil vagas a menos. Recuperação em 2013 fica abaixo das perdas. Dados da FIESP/CIESP. O presidente Paulo Skaf põe na agenda a prioridade para o Brasil recuperar a competitividade. Argumenta: "Para isso, é muito importante o fortalecimento da indústria. Nela estão os melhores empregos e os melhores salários".
Folclore mineiro
Pequenos relatos enviados por Adauto Francisco do Amaral, contabilista e advogado.
Juscelino Kubitscheck sabia que não podia contar com Café Filho, o vice que assumiu a presidência da República após o suicídio de Vargas, em 1954. Irritado com Café Filho, JK conversou com um governador nordestino, muito curioso.
- Doutor Juscelino, qual é, em toda essa história, a posição do Café?
- Qual Café? O vegetal ou o animal?
Tancredo Neves era ministro da Justiça. Vargas caiu da presidência da República tragicamente, em 1954, Tancredo deixou a Pasta da Justiça, e outro mineiro, José Monteiro de Castro, assumiu o poder como Chefe da Casa Civil. Tancredo destinou-lhe este telegrama:
- Mais amigos do que nunca, mais adversários do que nunca.
Candidato a governador em 1982, Tancredo enfrentava estrada esburacada, a bordo de um velho jipe dirigido por um motorista estouvado e prosa.
- Doutor Tancredo, como nóis sofre!
- Nóis sofre sim, mas ganhando a eleição, nóis vai mandá.
Último de Carvalho, mineiro do PSD, fustigava Dnar Mendes, eleito deputado pela UDN, na Assembleia Legislativa. Numa tarde, para encerrar um debate, Último decretou:
- Para mim Vossa Excelência não existe mais. É um homem morto!
Na tarde do dia seguinte, Último discursava, Dnar levantou a mão:
- Vossa Excelência me permite um aparte?
- Vá baixar noutro centro!
Conselho à presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos novos prefeitos. Hoje, volta sua atenção à presidente da República:
1. A hora sugere puxão geral de orelhas nos gestores/coordenadores de frentes de serviços e obras. Afinal, por que o cronograma de obras está atrasado?
2. A ideia de ir a campo conferir in loco as obras em andamento é boa. Mas o simples aparato de marketing pode ser um bumerangue se providências não forem tomadas para colocar o trem nos trilhos.
3. Transparência, objetividade, controles rígidos, atribuição de responsabilidades, punição aos faltosos - eis os conceitos que devem balizar a administração federal nesse momento de dúvidas sobre a performance do Brasil nos eventos esportivos em perspectiva.
(Gaudêncio Torquato)
____________
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Guerra de Barack Obama não é fiscal
Muita ênfase tem sido dada à "guerra fiscal" que o presidente norte-americano travará no Congresso daquele país a partir das próximas semanas. De fato, o tal do "abismo" nas contas públicas sobre o qual tanto se fala é um jogo político entre aqueles que acreditam que estímulos fiscais e monetários devem ser a essência das medidas necessárias à recuperação da atividade econômica e, de outro lado, a turma que acredita que a intervenção do governo é o "freio" que não permite a recuperação. Como se vê, um velho jogo entre os pregadores do "livre mercado" e os que creem que o Estado tem de suprir a demanda que falta aos agentes econômicos. Alguém que minimamente conheça história sabe que esta questão já foi decidida: o "livre mercado" é uma construção ideológica desprovida de base na realidade econômica do mundo hodierno no qual se combinam monopólios, oligopólios e "neuroses" capitalistas de todos os lados, do efeito "rebanho" dos investidores à "covardia do capital" (termo batizado por Lord Keynes). Apesar da evidência histórica, nos EUA de Barack Obama a luta continua e muito forte. Uma derrota do presidente no Congresso, implica uma redução de pelo menos 2% no PIB. Uma vitória alarga as chances das coisas se arrumarem nos próximos anos.
Europa: o pior já passou?
O desemprego na Europa meridional está batendo recordes. A Espanha calcula em 6 milhões o montante de desempregados (26% da mão de obra ativa do país). A Grécia tem 25% de desempregados e desesperados. Todos os países da zona do euro estão com desempenhos sofríveis ou recessivos em termos de PIB, inclusive a Alemanha de Merkel que tem sido surpreendida pela fraqueza dos indicadores de atividade econômica do país. Mesmo diante de tanta dificuldade na Velha Europa, a discussão acadêmica começa a se deslocar de temas sobre a recessão para "se o fundo do poço foi tocado". Ora, sabe-se que é muito difícil saber quando a recessão chegou ao máximo, os níveis de preços das ações bateram no mínimo e a tendência cambial mudou. Todavia, o que se verifica é que está se formando um estranho consenso de que o pior já passou na Europa. Afinal, alguns preços já se movem para cima (imóveis no Reino Unido), os leilões de títulos públicos estão mais demandados pelos investidores (Itália, Espanha, Irlanda) e as novas regras de supervisão do sistema financeiro por parte do Banco Central Europeu tiraram os maiores temores sobre a estabilidade dos bancos, sobretudo os espanhóis. Neste contexto, os mercados acionários estão se movendo para cima e o euro mostra certa fortaleza. Apesar destes tênues sinais de melhoras há um outro perigoso consenso entre os especialistas: o pior pode ter passado, mas as mazelas da crise serão curadas durante muito tempo.
Brasil, o país do artigo indefinido
Assim, de repente, não mais que de repente, de fontes sempre mantidas ocultas, fica-se sabendo, entre outras coisas que a presidente Dilma Rousseff não gostou do aval dado pelo assessor especial Marco Aurélio Garcia aos arranjos da Venezuela para empossar Hugo Chávez em um novo mandato de corpo ausente; do imbróglio provocado pelas mágicas fiscais do fim de ano para maquiar o superávit primário; das escolhas do PMDB para comandos na Câmara e no Senado, especialmente a possível indicação do deputado fluminense Eduardo Cunha (RJ) para a liderança do partido na Câmara; e outras cositas mas. Traduzindo, nada que não tenha boa repercussão agrada à presidente. É uma nova versão do que "é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde" do ex-ministro Rubens Ricupero: "o que deu certo é meu, o que deu errado é dos meus auxiliares". Ou o lema de alguns treinadores de futebol: "eu ganho, nós empatamos, vocês perdem". Só que esta versão desmente outra que os assessores presidenciais fazem questão de divulgar de Dilma : a gerentona competente que tudo vê, tudo sabe, tudo cobra, "espanca" coisas mal feitas, não perdoa vacilações. A pergunta é: em que lugar estava esta "onipresença e onipotência" quando os feitos desagradáveis foram perpetrados? A insatisfação da presidente fica no atacado, no artigo indefinido. Há culpas, mas não há culpados. Afinal, pelo seu zelo, todas as políticas são dela. Como culpar alguém de modo definido, no mínimo com um puxão de orelha público e no máximo com a demissão?
Novos rumos
A impressão que o governo em Brasília passa é a de que está sentindo o golpe : a imagem de eficiência da presidente, pelas razões expostas acima, está também sendo atingida. Por isso, é visível neste início de ano a postura mais ativa, para fora, da presidente. A abertura do Palácio do Planalto para conversas públicas, individuais, de Dilma com empresários, rara nos dois primeiros anos de mandato, faz parte desta postura. Desde tempos imemoriais esses encontros nunca funcionaram: as empresas não agem na base da lábia, nem de versões : mas de fatos e ações. Porém, as cenas ajudam a criar a impressão de muita azafama na capital da República. O calendário de viagens da presidência, iniciado com a visita ao Piauí na sexta-feira passada e que deverá, até março, contemplar o Nordeste com mais cinco viagens, foram outras em outros Estados, como a SP, na capital, na sexta-feira, para a festa de aniversário da cidade, tem o mesmo foco. O terceiro ponto deverá ser apressar algumas medidas concretas para, na expressão oficial, "destravar" a economia. Como pano de fundo, cada vez mais notícias de cobranças a ministros e auxiliares, de broncas privadas. Sempre na base do "artigo indefinido".
Velhos problemas
Os problemas fundamentais do governo da presidente Dilma não são a política fiscal, a monetária e nem a cambial. Muito embora nestes itens tenham faltado vigilância cabível ao administrador público, os problemas tem soluções disponíveis e relativamente rápidas (coisa de meses e não anos como nos tempos da inflação alta e insegurança cambial). Além disso, é difícil imaginar no curto prazo (1 ano) que a economia perca um razoável perfil. O problema essencial do governo Dilma é a quase absoluta ausência de prioridades estratégicas e boa capacidade de execução de planos, obras e programas. Não à toa é o investimento o item mais capenga da equação do crescimento uma vez que aí reside a necessidade de presença do governo como bom estrategista e executor. Só assim, a iniciativa privada será seduzida a acompanhar o governo na tarefa de jogar o PIB para cima por meio de investimentos e não consumo. E o que se vê? O ministro Mantega anuncia a cada semana medidas de estímulo ao consumo, uma clara evidência da falta de sentido estratégico do governo. Até mesmo o "acelerado" setor de construção civil recebe benefícios do governo quando se sabe que nem engenheiros se tem em suficiência para atender a demanda. E onde estão as medidas estratégicas pró-investimento? Provavelmente, não estejam sequer nas gavetas da burocracia brasiliense.
BC na encruzilhada
Nem toda unanimidade é burra como pregou Nelson Rodrigues no passado. Todavia, as unanimidades merecem sempre atenção. O BC decidiu, por meio de uma votação unânime, que a taxa de juros básica fica em 7,5% ao ano. Bem, há muito mais razões para a taxa não subir que justificativas para a alta do juro básico. A principal razão para uma taxa de juros baixa é o fato de que a demanda anda fraca e o país está estagnado. Assim como no mundo, o Brasil afrouxa as garras monetárias e, em menor medida, as fiscais. Ocorre que o BC está assistindo passivamente a inflação permanecer em níveis altos, deteriorando o poder de compra da moeda no médio prazo e estimulando pouco a pouco a que os agentes fiquem na defensiva com o acúmulo de (muita) inflação. Assim como nos parece razoável que o juro básico não suba, cabe-nos perguntar o que farão os diretores do BC diante de uma inflação que incomoda a todos? Aparentemente, a razão principal do silêncio dos diretores da autoridade monetária em relação à matéria é que, para analisar a questão, eles terão de tocar em certos assuntos que incomodam a Esplanada dos Ministérios e o Planalto : aumento dos combustíveis, crise energética, fraqueza dos investimentos, etc., etc. Meia palavra não basta neste caso.
E o emprego?
Embora acredite que, ainda que tenha de plantar um pouco mais está na hora de colher os frutos que já semeou (tom do discurso de Dilma no Piauí), o governo está com toda a atenção voltada para duas possíveis assombrações: os níveis de emprego e da renda. Com alguma razão, enquanto esses dois pilares do prestígio de Dilma e do governo não forem abalados, não há riscos de sismos eleitorais. A questão é como manter isto se a inflação ficar mais indisciplinada e a atividade econômica permanecer rateando. Em números: uma inflação próxima de 6% mais um ano e um crescimento entre 3% e 3,5%, como está na média das previsões, são suficientes para manter o mercado de trabalho aquecido e a receita média no mínimo nos mesmos níveis atuais? Esta é a fonte mais importante da popularidade da presidente.
O olho em 2014
Um dos focos das últimas ações de Dilma Rousseff é organizar 2013 para os embates de 2014. Lula será consultado pessoalmente no dia 25 em SP sobre as estratégias políticas daqui para frente. O marqueteiro João Santana também palpita sobre formas - e até conteúdos. As viagens com prioridade inicial no Nordeste têm o claro objetivo de tentar neutralizar a crescente influência do governador Eduardo Campos na região. A nova "caravana da cidadania" que Lula promete reavivar a partir de março, abril, deverá se concentrar inicialmente em rebater Aécio Neves, o principal rival na eleição de 2014. Enquanto o mineiro e o PSDB estiverem ainda nos ensaios iniciais, eles não serão alvos-diretos. O governo espera primeiro ganhar a "batalha da comunicação" para depois enfrentar os adversários. Alguns analistas oficiais acham que não há nada de muito errado nas políticas e ações governamentais, o que há é incompreensão, falhas na comunicação.
Depois que o Carnaval passar
Agora, parece definitivo. Se é que seja possível dizer que uma decisão tucana, temperada com certo sabor mineiro, é definitiva. O PSDB, em que pese os amuos do sempre amuado José Serra, vai colocar o bloco da candidatura de Aécio Neves na rua depois da quarta-feira de cinzas. Inicialmente, com dois focos: de um lado, tentando manter o PT e o ex-presidente Lula na defensiva, ainda com o "mensalão" e com o "rosegate"; de um outro, atacando as dificuldades operacionais e gerenciais da presidente Dilma Rousseff. O foco será no segundo ato. Fala-se até que o partido deverá voltar a defender as privatizações do governo FHC para contrastar com as dificuldades (e algumas resistências) de Dilma de deslanchar as concessões/privatizações na área de infraestrutura.
O desgaste já ficou
Dificilmente ocorrerá coisa diferente na semana que vem no Congresso que não a eleição de Renan Calheiros (PMDB/AL) e Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) para as presidências da Câmara e do Senado, respectivamente. Porém, a avalanche de denúncias que apareceram contra os dois nos últimos dias - e que poderá crescer até o dia da eleição no legislativo - já tornou o comando deles nas duas casas bem fragilizado. Tanto Alves quanto Calheiros terão de se desdobrar para atender ao seu público interno, sempre muito competente para cobrar as fraquezas dos parceiros, o que pode tornar mais difícil ainda a operação do Palácio do Planalto com o Congresso. Para atender ao baixo e ao alto clero (cada vez em menor número) parlamentar, os dois precisarão, em plena efervescência eleitoral, contrariar interesses do Palácio do Planalto. Basta ver que a plataforma informal e o mundo de promessas lançados pelos dois candidatos contemplam assuntos que Dilma não quer ver nem pintados de verde evoluindo na Marquês de Sapucaí. Possivelmente - se isso ainda é possível - teremos o pior momento do Congresso Nacional em algumas décadas.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Muita ênfase tem sido dada à "guerra fiscal" que o presidente norte-americano travará no Congresso daquele país a partir das próximas semanas. De fato, o tal do "abismo" nas contas públicas sobre o qual tanto se fala é um jogo político entre aqueles que acreditam que estímulos fiscais e monetários devem ser a essência das medidas necessárias à recuperação da atividade econômica e, de outro lado, a turma que acredita que a intervenção do governo é o "freio" que não permite a recuperação. Como se vê, um velho jogo entre os pregadores do "livre mercado" e os que creem que o Estado tem de suprir a demanda que falta aos agentes econômicos. Alguém que minimamente conheça história sabe que esta questão já foi decidida: o "livre mercado" é uma construção ideológica desprovida de base na realidade econômica do mundo hodierno no qual se combinam monopólios, oligopólios e "neuroses" capitalistas de todos os lados, do efeito "rebanho" dos investidores à "covardia do capital" (termo batizado por Lord Keynes). Apesar da evidência histórica, nos EUA de Barack Obama a luta continua e muito forte. Uma derrota do presidente no Congresso, implica uma redução de pelo menos 2% no PIB. Uma vitória alarga as chances das coisas se arrumarem nos próximos anos.
Europa: o pior já passou?
O desemprego na Europa meridional está batendo recordes. A Espanha calcula em 6 milhões o montante de desempregados (26% da mão de obra ativa do país). A Grécia tem 25% de desempregados e desesperados. Todos os países da zona do euro estão com desempenhos sofríveis ou recessivos em termos de PIB, inclusive a Alemanha de Merkel que tem sido surpreendida pela fraqueza dos indicadores de atividade econômica do país. Mesmo diante de tanta dificuldade na Velha Europa, a discussão acadêmica começa a se deslocar de temas sobre a recessão para "se o fundo do poço foi tocado". Ora, sabe-se que é muito difícil saber quando a recessão chegou ao máximo, os níveis de preços das ações bateram no mínimo e a tendência cambial mudou. Todavia, o que se verifica é que está se formando um estranho consenso de que o pior já passou na Europa. Afinal, alguns preços já se movem para cima (imóveis no Reino Unido), os leilões de títulos públicos estão mais demandados pelos investidores (Itália, Espanha, Irlanda) e as novas regras de supervisão do sistema financeiro por parte do Banco Central Europeu tiraram os maiores temores sobre a estabilidade dos bancos, sobretudo os espanhóis. Neste contexto, os mercados acionários estão se movendo para cima e o euro mostra certa fortaleza. Apesar destes tênues sinais de melhoras há um outro perigoso consenso entre os especialistas: o pior pode ter passado, mas as mazelas da crise serão curadas durante muito tempo.
Brasil, o país do artigo indefinido
Assim, de repente, não mais que de repente, de fontes sempre mantidas ocultas, fica-se sabendo, entre outras coisas que a presidente Dilma Rousseff não gostou do aval dado pelo assessor especial Marco Aurélio Garcia aos arranjos da Venezuela para empossar Hugo Chávez em um novo mandato de corpo ausente; do imbróglio provocado pelas mágicas fiscais do fim de ano para maquiar o superávit primário; das escolhas do PMDB para comandos na Câmara e no Senado, especialmente a possível indicação do deputado fluminense Eduardo Cunha (RJ) para a liderança do partido na Câmara; e outras cositas mas. Traduzindo, nada que não tenha boa repercussão agrada à presidente. É uma nova versão do que "é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde" do ex-ministro Rubens Ricupero: "o que deu certo é meu, o que deu errado é dos meus auxiliares". Ou o lema de alguns treinadores de futebol: "eu ganho, nós empatamos, vocês perdem". Só que esta versão desmente outra que os assessores presidenciais fazem questão de divulgar de Dilma : a gerentona competente que tudo vê, tudo sabe, tudo cobra, "espanca" coisas mal feitas, não perdoa vacilações. A pergunta é: em que lugar estava esta "onipresença e onipotência" quando os feitos desagradáveis foram perpetrados? A insatisfação da presidente fica no atacado, no artigo indefinido. Há culpas, mas não há culpados. Afinal, pelo seu zelo, todas as políticas são dela. Como culpar alguém de modo definido, no mínimo com um puxão de orelha público e no máximo com a demissão?
Novos rumos
A impressão que o governo em Brasília passa é a de que está sentindo o golpe : a imagem de eficiência da presidente, pelas razões expostas acima, está também sendo atingida. Por isso, é visível neste início de ano a postura mais ativa, para fora, da presidente. A abertura do Palácio do Planalto para conversas públicas, individuais, de Dilma com empresários, rara nos dois primeiros anos de mandato, faz parte desta postura. Desde tempos imemoriais esses encontros nunca funcionaram: as empresas não agem na base da lábia, nem de versões : mas de fatos e ações. Porém, as cenas ajudam a criar a impressão de muita azafama na capital da República. O calendário de viagens da presidência, iniciado com a visita ao Piauí na sexta-feira passada e que deverá, até março, contemplar o Nordeste com mais cinco viagens, foram outras em outros Estados, como a SP, na capital, na sexta-feira, para a festa de aniversário da cidade, tem o mesmo foco. O terceiro ponto deverá ser apressar algumas medidas concretas para, na expressão oficial, "destravar" a economia. Como pano de fundo, cada vez mais notícias de cobranças a ministros e auxiliares, de broncas privadas. Sempre na base do "artigo indefinido".
Velhos problemas
Os problemas fundamentais do governo da presidente Dilma não são a política fiscal, a monetária e nem a cambial. Muito embora nestes itens tenham faltado vigilância cabível ao administrador público, os problemas tem soluções disponíveis e relativamente rápidas (coisa de meses e não anos como nos tempos da inflação alta e insegurança cambial). Além disso, é difícil imaginar no curto prazo (1 ano) que a economia perca um razoável perfil. O problema essencial do governo Dilma é a quase absoluta ausência de prioridades estratégicas e boa capacidade de execução de planos, obras e programas. Não à toa é o investimento o item mais capenga da equação do crescimento uma vez que aí reside a necessidade de presença do governo como bom estrategista e executor. Só assim, a iniciativa privada será seduzida a acompanhar o governo na tarefa de jogar o PIB para cima por meio de investimentos e não consumo. E o que se vê? O ministro Mantega anuncia a cada semana medidas de estímulo ao consumo, uma clara evidência da falta de sentido estratégico do governo. Até mesmo o "acelerado" setor de construção civil recebe benefícios do governo quando se sabe que nem engenheiros se tem em suficiência para atender a demanda. E onde estão as medidas estratégicas pró-investimento? Provavelmente, não estejam sequer nas gavetas da burocracia brasiliense.
BC na encruzilhada
Nem toda unanimidade é burra como pregou Nelson Rodrigues no passado. Todavia, as unanimidades merecem sempre atenção. O BC decidiu, por meio de uma votação unânime, que a taxa de juros básica fica em 7,5% ao ano. Bem, há muito mais razões para a taxa não subir que justificativas para a alta do juro básico. A principal razão para uma taxa de juros baixa é o fato de que a demanda anda fraca e o país está estagnado. Assim como no mundo, o Brasil afrouxa as garras monetárias e, em menor medida, as fiscais. Ocorre que o BC está assistindo passivamente a inflação permanecer em níveis altos, deteriorando o poder de compra da moeda no médio prazo e estimulando pouco a pouco a que os agentes fiquem na defensiva com o acúmulo de (muita) inflação. Assim como nos parece razoável que o juro básico não suba, cabe-nos perguntar o que farão os diretores do BC diante de uma inflação que incomoda a todos? Aparentemente, a razão principal do silêncio dos diretores da autoridade monetária em relação à matéria é que, para analisar a questão, eles terão de tocar em certos assuntos que incomodam a Esplanada dos Ministérios e o Planalto : aumento dos combustíveis, crise energética, fraqueza dos investimentos, etc., etc. Meia palavra não basta neste caso.
E o emprego?
Embora acredite que, ainda que tenha de plantar um pouco mais está na hora de colher os frutos que já semeou (tom do discurso de Dilma no Piauí), o governo está com toda a atenção voltada para duas possíveis assombrações: os níveis de emprego e da renda. Com alguma razão, enquanto esses dois pilares do prestígio de Dilma e do governo não forem abalados, não há riscos de sismos eleitorais. A questão é como manter isto se a inflação ficar mais indisciplinada e a atividade econômica permanecer rateando. Em números: uma inflação próxima de 6% mais um ano e um crescimento entre 3% e 3,5%, como está na média das previsões, são suficientes para manter o mercado de trabalho aquecido e a receita média no mínimo nos mesmos níveis atuais? Esta é a fonte mais importante da popularidade da presidente.
O olho em 2014
Um dos focos das últimas ações de Dilma Rousseff é organizar 2013 para os embates de 2014. Lula será consultado pessoalmente no dia 25 em SP sobre as estratégias políticas daqui para frente. O marqueteiro João Santana também palpita sobre formas - e até conteúdos. As viagens com prioridade inicial no Nordeste têm o claro objetivo de tentar neutralizar a crescente influência do governador Eduardo Campos na região. A nova "caravana da cidadania" que Lula promete reavivar a partir de março, abril, deverá se concentrar inicialmente em rebater Aécio Neves, o principal rival na eleição de 2014. Enquanto o mineiro e o PSDB estiverem ainda nos ensaios iniciais, eles não serão alvos-diretos. O governo espera primeiro ganhar a "batalha da comunicação" para depois enfrentar os adversários. Alguns analistas oficiais acham que não há nada de muito errado nas políticas e ações governamentais, o que há é incompreensão, falhas na comunicação.
Depois que o Carnaval passar
Agora, parece definitivo. Se é que seja possível dizer que uma decisão tucana, temperada com certo sabor mineiro, é definitiva. O PSDB, em que pese os amuos do sempre amuado José Serra, vai colocar o bloco da candidatura de Aécio Neves na rua depois da quarta-feira de cinzas. Inicialmente, com dois focos: de um lado, tentando manter o PT e o ex-presidente Lula na defensiva, ainda com o "mensalão" e com o "rosegate"; de um outro, atacando as dificuldades operacionais e gerenciais da presidente Dilma Rousseff. O foco será no segundo ato. Fala-se até que o partido deverá voltar a defender as privatizações do governo FHC para contrastar com as dificuldades (e algumas resistências) de Dilma de deslanchar as concessões/privatizações na área de infraestrutura.
O desgaste já ficou
Dificilmente ocorrerá coisa diferente na semana que vem no Congresso que não a eleição de Renan Calheiros (PMDB/AL) e Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) para as presidências da Câmara e do Senado, respectivamente. Porém, a avalanche de denúncias que apareceram contra os dois nos últimos dias - e que poderá crescer até o dia da eleição no legislativo - já tornou o comando deles nas duas casas bem fragilizado. Tanto Alves quanto Calheiros terão de se desdobrar para atender ao seu público interno, sempre muito competente para cobrar as fraquezas dos parceiros, o que pode tornar mais difícil ainda a operação do Palácio do Planalto com o Congresso. Para atender ao baixo e ao alto clero (cada vez em menor número) parlamentar, os dois precisarão, em plena efervescência eleitoral, contrariar interesses do Palácio do Planalto. Basta ver que a plataforma informal e o mundo de promessas lançados pelos dois candidatos contemplam assuntos que Dilma não quer ver nem pintados de verde evoluindo na Marquês de Sapucaí. Possivelmente - se isso ainda é possível - teremos o pior momento do Congresso Nacional em algumas décadas.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
PARABÉNS, LAURO!
Cada um dos filhos do casal José Bonfim de Almeida e Rosária Rodrigues de Almeida nasceu com uma diferença de dois anos de um para o outro. Eu fui o primeiro. Em seguida, o Lauro.
Lauro Rodrigues Bonfim nasceu no mesmo dia da genitora. Herdou da mãe o amor à família. Preocupa-se com tudo e com todos. É correto e justo, em que pese ser um pouco teimoso. Malgrado ser "cabeça dura", tem o coração mole e a alma leve.
Entrelaçou os sonhos e desposou Suely, sua dedicada companheira de todas as horas. Da união nasceu Dara, uma viva e magnética flor que encanta os parentes e outros pares do mesmo ente.
Saúde, força e fé, Mano!
**************************************
Falou, Gozé, hoje para nós o tempo é de sol.
Já se passaram os vagões da ingenuidade,
As areias da ilusão, a distância do girassol,
Os nomes loucos de criança, o curral da saudade.
Passaram, passou... agora é simplesmente
Extrair do canteiro a radiosa maçã,
Colocar na mesa o pão permanente
E marchar sorrindo a buscar o amanhã.
(Adormeço no ar o meu encanto invisível,
Outorgo-te o mar grande, o luar feminino.
Meu irmão, eu sou feiticeiro inacessível.
A luta te fez homem, a poesia me faz menino).
Ninguém derrotará nossa alegria de aço.
Temos política nas veias, firmeza nos passos,
Somos livres no olhar, profundos de coração.
Há que sonhar, lutar e viver semeando.
Recebestes a luz, agora tens uma missão:
Desenvolve essa aurora e prossegue amando.
(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)
domingo, 20 de janeiro de 2013
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
POSSE DE UBIRATAN AGUIAR NA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS
Em prestigiadíssimo evento na noite de ontem, 16 de janeiro de 2013, o ex-ministro Ubiratan Aguiar tomou posse na cadeira 29 da Academia Cearense de Letras, o mais antigo sodalício de letras do Brasil.
O mundo político (capitaneado pelo governador em exercício Domingos Filho e pelo prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio) e o mundo empresarial (tendo à frente o Presidente da FIEC, Roberto Macedo) compareceram ao Palácio da Luz para reverenciar os líderes militantes das letras Alencarinas.
São poucos os momentos em que presenciamos o status quo político e o poder econômico se curvarem à nobreza, à dignidade e à elegância da cultura. Ontem ocorreu uma dessas raríssimas exceções.
O mundo político (capitaneado pelo governador em exercício Domingos Filho e pelo prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio) e o mundo empresarial (tendo à frente o Presidente da FIEC, Roberto Macedo) compareceram ao Palácio da Luz para reverenciar os líderes militantes das letras Alencarinas.
São poucos os momentos em que presenciamos o status quo político e o poder econômico se curvarem à nobreza, à dignidade e à elegância da cultura. Ontem ocorreu uma dessas raríssimas exceções.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
LIÇÕES DE UM ACIDENTE
A imprensa cearense noticiou, na semana pretérita, a ocorrência de um grave acidente envolvendo um ônibus, uma carreta e uma moto nas proximidades da cidade de Crateús.
Além de ter levado a óbito duas pessoas, o desastre ocasionou uma superlotação no hospital, porque dezenas de pessoas tiveram que ser atendidas. Esse acontecimento lamentável sacudiu a cidade, mobilizou a região e comoveu a todos.
Penso que, pelo menos, três lições podem ser extraídas desse evento fatídico: o imperativo de um trânsito civilizado, a força dos meios de comunicação e a eletricidade da ação solidária.
Em se tratando de trânsito, somos, indiscutivelmente e por maioria, uma população magnetizada pela imprudência. Os dados estatísticos assombram qualquer cidadão minimamente ponderado: cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem no mundo anualmente em consequência de acidentes de trânsito. Só no Brasil, todos os anos, são aproximadamente 430 mil acidentes, com 619 mil feridos, 38 mil mortos. (é como se, diariamente, desaparecessem quatro cidades de Ipaporanga, que era o destino final do ônibus acidentado). Não por acaso a ONU (Organização das Nações Unidas) nomeou o decênio atual, iniciado em 2011, como a Década de Ação para a Segurança no Trânsito.
Essa mobilização cidadã, no sentido de sensibilizar motoristas, ciclistas e pedestres, que há de alcançar todo o tecido social, é urgente, prioritária, fundamental. Significa se deixar impregnar por aquela sensação inspirativa que levou Almir Sater a compor a música Tocando em frente: “Ando devagar porque já tive pressa/ Levo esse sorriso porque já chorei demais/ Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe/ Só levo a certeza de que muito pouco eu sei/ Eu nada sei/ Conhecer as manhas e as manhãs,/ O sabor das massas e das maçãs,/ É preciso amor pra poder pulsar,/ É preciso paz pra poder sorrir,/ É preciso a chuva para florir...”
A segunda lição com que esse lamentável episódio nos brindou foi com o potencial comunicativo dos tempos hodiernos. Os meios de comunicação social, sobretudo o rádio e a internet, protagonizaram uma extraordinária mobilização das pessoas de um modo geral e dos profissionais de saúde em especial para o desencadeamento daquela que foi a terceira lição: uma eletrizante ação de solidariedade.
Em que pese, no caso sob exame, a prática solidária tenha se resumido mais ao cuidado com as lesões que ofenderam a integridade corporal dos atingidos pelo acidente, ela é uma manifestação substantiva muito mais profunda.
A solidariedade pode ser resumida no impulso humano de incorporar, como suas, as principais manifestações do outro: a lágrima que escorre dos olhos, a dor que abre ferida na alma, a injustiça que queima o peito, a capacidade de semear esperança.
Emblemáticos homens, mitos e místicos, ou que simplesmente tocaram o arco-íris do horizonte da justiça humana, tiveram a existência temperada pelo vinho da solidariedade.
Che Guevara, o carismático rebelde, o sonhador contumaz que foi duro sem perder a ternura, deixou uma pedagógica carta escrita para seus filhos pequenos em que aconselhava a prática solidária: “Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário”.
Os cristãos elegeram uma simples junção de dois pedaços de madeira nos sentidos vertical e horizontal - a cruz – como símbolo excelso da união entre o celestial e o terreno. Pois, para Jesus, o Cristo, amar a Deus e ao próximo é o resumo de toda a sua boa nova.
Há alguns anos o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez destacou magistralmente o aprendizado que emana do verdadeiro espírito de solidariedade: “Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
Além de ter levado a óbito duas pessoas, o desastre ocasionou uma superlotação no hospital, porque dezenas de pessoas tiveram que ser atendidas. Esse acontecimento lamentável sacudiu a cidade, mobilizou a região e comoveu a todos.
Penso que, pelo menos, três lições podem ser extraídas desse evento fatídico: o imperativo de um trânsito civilizado, a força dos meios de comunicação e a eletricidade da ação solidária.
Em se tratando de trânsito, somos, indiscutivelmente e por maioria, uma população magnetizada pela imprudência. Os dados estatísticos assombram qualquer cidadão minimamente ponderado: cerca de 1,3 milhão de pessoas morrem no mundo anualmente em consequência de acidentes de trânsito. Só no Brasil, todos os anos, são aproximadamente 430 mil acidentes, com 619 mil feridos, 38 mil mortos. (é como se, diariamente, desaparecessem quatro cidades de Ipaporanga, que era o destino final do ônibus acidentado). Não por acaso a ONU (Organização das Nações Unidas) nomeou o decênio atual, iniciado em 2011, como a Década de Ação para a Segurança no Trânsito.
Essa mobilização cidadã, no sentido de sensibilizar motoristas, ciclistas e pedestres, que há de alcançar todo o tecido social, é urgente, prioritária, fundamental. Significa se deixar impregnar por aquela sensação inspirativa que levou Almir Sater a compor a música Tocando em frente: “Ando devagar porque já tive pressa/ Levo esse sorriso porque já chorei demais/ Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe/ Só levo a certeza de que muito pouco eu sei/ Eu nada sei/ Conhecer as manhas e as manhãs,/ O sabor das massas e das maçãs,/ É preciso amor pra poder pulsar,/ É preciso paz pra poder sorrir,/ É preciso a chuva para florir...”
A segunda lição com que esse lamentável episódio nos brindou foi com o potencial comunicativo dos tempos hodiernos. Os meios de comunicação social, sobretudo o rádio e a internet, protagonizaram uma extraordinária mobilização das pessoas de um modo geral e dos profissionais de saúde em especial para o desencadeamento daquela que foi a terceira lição: uma eletrizante ação de solidariedade.
Em que pese, no caso sob exame, a prática solidária tenha se resumido mais ao cuidado com as lesões que ofenderam a integridade corporal dos atingidos pelo acidente, ela é uma manifestação substantiva muito mais profunda.
A solidariedade pode ser resumida no impulso humano de incorporar, como suas, as principais manifestações do outro: a lágrima que escorre dos olhos, a dor que abre ferida na alma, a injustiça que queima o peito, a capacidade de semear esperança.
Emblemáticos homens, mitos e místicos, ou que simplesmente tocaram o arco-íris do horizonte da justiça humana, tiveram a existência temperada pelo vinho da solidariedade.
Che Guevara, o carismático rebelde, o sonhador contumaz que foi duro sem perder a ternura, deixou uma pedagógica carta escrita para seus filhos pequenos em que aconselhava a prática solidária: “Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça praticada contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Essa é a qualidade mais linda de um revolucionário”.
Os cristãos elegeram uma simples junção de dois pedaços de madeira nos sentidos vertical e horizontal - a cruz – como símbolo excelso da união entre o celestial e o terreno. Pois, para Jesus, o Cristo, amar a Deus e ao próximo é o resumo de toda a sua boa nova.
Há alguns anos o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez destacou magistralmente o aprendizado que emana do verdadeiro espírito de solidariedade: “Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”.
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
OBSERVATÓRIO
Em 1989, a Câmara Municipal de Crateús era composta por vários estreantes. Eram vereadores de primeiro mandato, dentre outros, os engenheiros Joaquim Anízio e Luciano Feijão e os professores Chico Barros e Arquimedes Marques. Este se destacava pelas constantes intervenções em plenário. Em geral sustentando temas polêmicos, o Vereador Arquimedes terminou por se afastar, nos debates, do conjunto dos outros edis. A popularidade que granjeou o tornou alvo dos colegas, que resolveram lhe pregar uma peça. Em pleno processo de elaboração da Lei Orgânica Municipal, numa sessão em que seriam votadas várias matérias – e havia uma que só o Professor era contra - combinaram com o então Presidente Emanuel Cardoso a inversão da sistemática de votação. (Naquele tempo, a mecânica era semelhante à atual: o presidente, projeto em punho, exclamava: - quem for a favor permaneça sentado; quem for contra, levante-se). Pois bem, na hora do julgamento da dita matéria, o Presidente – cumprindo o combinado – falou apressadamente: - Quem for a favor fique de pé, quem for contra fique sentado. Todos ficaram de pé... O vereador Arquimedes, percebendo o ardil, avermelhou-se de raiva, cerrou os punhos e os lançou violentamente sobre a mesa, bradando: - Eu votei a favor, mas sou é contra essa porra!...
ROLO COMPRESSOR
O Poder Legislativo, apesar dos contratempos, sempre ostentou o status de ser o mais democrático dos poderes da República. Por conta de seu caráter plural, composto de representantes dos mais variados segmentos sociais, o Parlamento é a casa do exercício do contraditório, da exposição da divergência, do respeito entre os contrários. Mas nem sempre é assim. Vez por outra, principalmente quando o poder constrói maioria folgada, emerge a tentação do rolo compressor. O grupo majoritário, desrespeitando os pilares da legalidade, passa por cima do Regimento Interno e impõe sua vontade. Foi o que ocorreu na sessão de quinta-feira, 10 de janeiro de 2013. Um projeto de lei desprovido de aprofundado debate, sem concessão de vistas (que é direito do vereador), sem pareceres das comissões (que são obrigatórios), foi aprovado na marra.
A GÊNESE
No início da década passada, a Secretaria de Educação de Crateús lançou o projeto “Avanços Legais”. Conforme o próprio nome aponta, tratava-se de um conjunto de ações visando a normatização da educação municipal a partir da elaboração de leis que representassem também um avanço no ordenamento jurídico municipal. Além de conferir ao Conselho Municipal a condição de cérebro e coração das políticas referentes ao sistema de ensino, o projeto incorporava a ideia de que, como as normas são regras de convivência, a produção de leis deveria ser fruto de uma construção democrática, a partir da formação de consensos. Assim nasceu a Lei 486/02, que versa sobre o Estatuto do Magistério em Crateús. Avançada para aquele momento, hoje reclama atualizações, algo que os integrantes do magistério municipal têm pleiteado.
ALTERAÇÕES
Ancorado nesse pleito legítimo, o executivo Municipal enviou à Câmara Municipal um projeto que promove não o progresso, mas o retrocesso: eleva o número de alunos por sala de aula e diminui gratificação dos professores, extirpa a hora-atividade do professor e cria gangorras no processo seletivo de diretores e coordenadores escolares. Inconformados, os vereadores oposicionistas protestaram. Arnaldo Minelvino, do DEM, pediu vistas do projeto. Foi negado. Para não respaldar uma decisão contrária à legalidade, o vereador Conegundes Soares concitou a bancada oposicionista a se retirar do plenário. O projeto foi aprovado. Porém, ao invés de aplausos, os vereadores presentes receberam vaias...
OPOSIÇÃO
Alguém precisa alertar o Executivo Municipal para que avalie sua postura. Diferentemente do primeiro mandato, em que o Prefeito foi eleito com o apoio de quase dois terços da população, a situação agora é outra. Se dermos ao pleito de outubro de 2012 a tradução de uma consulta plebiscitária, salta aos olhos que a maioria do povo ficou contra a Administração Municipal. Mais de 50% do eleitorado votou na oposição e disse não ao Prefeito candidato à reeleição. Isto significa que o modelo de gestão implantado no primeiro mandato não agradou a população. Se bem pensasse, o Prefeito começaria o segundo mandato fazendo diferente do que fez no primeiro. Mas não! Resolveu o gestor aprofundar o velho modelo: nomeia cargos por solvência política ao invés de priorizar a excelência técnica; mantém com a Câmara uma relação promíscua à cata de cooptar vereadores; etc. Porém, fica cada dia mais claro que eleição, atualmente, não é somatório de liderança, mas de sintonia popular. De quem está no governo o povo quer uma boa e competente gestão, que vai além da simples realização de obras. O povo quer sentir que o governo é operoso, mas também generoso; que é eficiente, mas também transparente; que versa, mas também conversa; que peita, mas também respeita; que age, mas também interage; que agrega e congrega.
PARA REFLETIR
“Quando os cidadãos temem o governo, temos uma ditadura; quando o governo teme os cidadãos, temos liberdade”. (Thomas Jefferson).
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
ROLO COMPRESSOR
O Poder Legislativo, apesar dos contratempos, sempre ostentou o status de ser o mais democrático dos poderes da República. Por conta de seu caráter plural, composto de representantes dos mais variados segmentos sociais, o Parlamento é a casa do exercício do contraditório, da exposição da divergência, do respeito entre os contrários. Mas nem sempre é assim. Vez por outra, principalmente quando o poder constrói maioria folgada, emerge a tentação do rolo compressor. O grupo majoritário, desrespeitando os pilares da legalidade, passa por cima do Regimento Interno e impõe sua vontade. Foi o que ocorreu na sessão de quinta-feira, 10 de janeiro de 2013. Um projeto de lei desprovido de aprofundado debate, sem concessão de vistas (que é direito do vereador), sem pareceres das comissões (que são obrigatórios), foi aprovado na marra.
A GÊNESE
No início da década passada, a Secretaria de Educação de Crateús lançou o projeto “Avanços Legais”. Conforme o próprio nome aponta, tratava-se de um conjunto de ações visando a normatização da educação municipal a partir da elaboração de leis que representassem também um avanço no ordenamento jurídico municipal. Além de conferir ao Conselho Municipal a condição de cérebro e coração das políticas referentes ao sistema de ensino, o projeto incorporava a ideia de que, como as normas são regras de convivência, a produção de leis deveria ser fruto de uma construção democrática, a partir da formação de consensos. Assim nasceu a Lei 486/02, que versa sobre o Estatuto do Magistério em Crateús. Avançada para aquele momento, hoje reclama atualizações, algo que os integrantes do magistério municipal têm pleiteado.
ALTERAÇÕES
Ancorado nesse pleito legítimo, o executivo Municipal enviou à Câmara Municipal um projeto que promove não o progresso, mas o retrocesso: eleva o número de alunos por sala de aula e diminui gratificação dos professores, extirpa a hora-atividade do professor e cria gangorras no processo seletivo de diretores e coordenadores escolares. Inconformados, os vereadores oposicionistas protestaram. Arnaldo Minelvino, do DEM, pediu vistas do projeto. Foi negado. Para não respaldar uma decisão contrária à legalidade, o vereador Conegundes Soares concitou a bancada oposicionista a se retirar do plenário. O projeto foi aprovado. Porém, ao invés de aplausos, os vereadores presentes receberam vaias...
OPOSIÇÃO
Alguém precisa alertar o Executivo Municipal para que avalie sua postura. Diferentemente do primeiro mandato, em que o Prefeito foi eleito com o apoio de quase dois terços da população, a situação agora é outra. Se dermos ao pleito de outubro de 2012 a tradução de uma consulta plebiscitária, salta aos olhos que a maioria do povo ficou contra a Administração Municipal. Mais de 50% do eleitorado votou na oposição e disse não ao Prefeito candidato à reeleição. Isto significa que o modelo de gestão implantado no primeiro mandato não agradou a população. Se bem pensasse, o Prefeito começaria o segundo mandato fazendo diferente do que fez no primeiro. Mas não! Resolveu o gestor aprofundar o velho modelo: nomeia cargos por solvência política ao invés de priorizar a excelência técnica; mantém com a Câmara uma relação promíscua à cata de cooptar vereadores; etc. Porém, fica cada dia mais claro que eleição, atualmente, não é somatório de liderança, mas de sintonia popular. De quem está no governo o povo quer uma boa e competente gestão, que vai além da simples realização de obras. O povo quer sentir que o governo é operoso, mas também generoso; que é eficiente, mas também transparente; que versa, mas também conversa; que peita, mas também respeita; que age, mas também interage; que agrega e congrega.
PARA REFLETIR
“Quando os cidadãos temem o governo, temos uma ditadura; quando o governo teme os cidadãos, temos liberdade”. (Thomas Jefferson).
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
domingo, 13 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
DEUS SEGUNDO SPINOZA
“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.
Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.
Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti".
Baruch Spinoza.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
Três cartas ao prefeito
Abro a primeira coluna de 2013 com um brinde de Cesar Maia, o espirituoso político do DEM e um bom pensador de nossa cultura política. Conta ele o caso das três cartas a um prefeito.
O prefeito em fim de mandato entrega três cartas ao que assume, recomendando abri-las em cada crise. Primeira crise. O novo prefeito abre a carta e lê: "Coloque toda a culpa na herança perversa que recebeu". Na segunda crise, abrindo a carta, leu: "Mostre que há necessidade de ajustes no seu primeiro escalão e faça mudanças no secretariado". Na terceira crise, ao abrir a última carta, o prefeito se assustou ao ler: "escreva três cartas para seu sucessor".
Os bilhetinhos de Jânio
Recebo do amigo Luis Costa uma cópia em xerox do Livro "Bilhetinhos de Jânio", de autoria de J. Pereira, que foi assessor de imprensa do ex-presidente. Costa adquiriu esse livro em 14/9/1960. Vou juntar à coleção sobre Jânio, na qual desponta o meu amigo jornalista Nelson Valente, autor de uns 15 livros sobre a figura ímpar de Jânio da Silva Quadros. Duas historinhas do livro que recebo:
A morte
Por mais de uma vez, no Rio de Janeiro, noticiaram-se coisas a respeito da saúde precária de Jânio que, efetivamente, em várias ocasiões quase o levaram desta para melhor. Em determinada ocasião as emissoras cariocas chegaram a noticiar a sua morte. Os telefones dos Campos Elíseos não cessavam de tocar. Os jornais queriam saber o que se passava. Jânio, apesar de enfermo, enviou este "bilhetinho" ao chefe do seu Serviço de Imprensa, J. Pereira :
-Pereira. Declare àqueles que noticiam a minha morte, que tudo indica não ter o fato ocorrido, e tudo farei, ao meu alcance, para que não ocorra, nos próximos decênios. Pode acrescentar que, nascido em 1917, ainda continuo forte".
Passo inadmissível
Um "amigo e admirador" de Jânio, sr. Hamleto Rosato, por intermédio do deputado Athiê Jorge Curi, ofereceu a ele, a fim de integrar a coleção do "Zoo", um jaboti de curiosa espécie. Eis o "bilhetinho" de agradecimento:
-Prezado Hamleto. Agradeço o jaboti, que será enviado ao zoológico. Minha filha deseja-o, contudo, e por uns dias, no Palácio. Só vejo conveniência, eis que o bicho, no ritmo deste casarão, vai ter que andar mais depressa. Aqui não se admite "passo de tartaruga" ... Depois, já educado, terá aquele destino. Abraços".
Primeiros cenários
O Brasil abre 2013 sob chuvas de versões e uma seca cheia de grandes interrogações. Entre as versões: 1. Lula poderá vir a ser candidato em 2014; 2. Serra quer voltar a ser candidato e prepara-se para lançar novo partido com o deputado Roberto Freire; 3. Alckmin será empurrado para as prévias do PSDB, disputando com Aécio a candidatura à presidência; 4. Serra teria caminho livre para ser candidato ao governo de SP; 5. Eduardo Campos fecha com Dilma em 2013, mas deixa a porta aberta para se candidatar à presidência em 2014. Entre as interrogações: 1. PIB de 2013 passará dos 3%? 2. Haverá racionamento de energia, mesmo com os desmentidos da presidente Dilma e do ministro Lobão? 3. Eduardo Campos será mesmo candidato em 2014 ? 4. O PSD de Kassab ganhará mesmo o Ministério da Micro e Pequena Empresa? 4. O PMDB presidirá a Câmara e o Senado, garantindo o nome de Michel Temer como vice de Dilma em 2014? 5. As oposições terão alguma chance em 2014?
Primeiras respostas
A leitura das linhas e entrelinhas, sob a tessitura político-institucional e a colcha de conveniências e circunstâncias, permite oferecer as seguintes respostas: a. Lula não será candidato em 2014 nem a presidente da República nem a governador de SP. O país já não é o mesmo de seu tempo de mandatário; b. Serra poderá vir a ser candidato, mas não à presidência da República. Seu ciclo de vida nessa esfera esgotou-se; c. É pequeno o tempo para se formar um novo partido e disputar com ele a campanha de 2014; d. Aécio deverá ser mesmo o candidato tucano em 2014; e. Eduardo Campos quer permanecer em evidência. Para tanto, desdobra-se para agradar gregos e atrair troianos; f. PIB ínfimo terá consequências nefastas sobre a candidatura situacionista, favorecendo oposições. Mas o patamar de 3% é até confortável; g. PSD de Kassab ganhará Ministério; h. PMDB deve comandar as duas Casas legislativas; i. As oposições só terão chance em 2014 se a economia sair totalmente dos trilhos.
Disputa na Câmara
Henrique Eduardo Alves deverá ser eleito, com folga, para a presidência da Câmara dos deputados. Trata-se do parlamentar com o maior número de mandatos. Mais que preparado, Henrique sabe tudo de política, área em que teve um grande mestre: seu pai, Aluizio Alves, fundador da UDN, um dos quadros políticos mais brilhantes do país, ex-deputado, ex-governador do RN e ex-ministro. Henrique Alves chegará ao comando da Câmara, coroando um ciclo de vida no PMDB, onde faz parte do quadro dirigente. Trata-se de um parlamentar que conhece profundamente os meandros do Congresso Nacional. Júlio Delgado, o parlamentar do PSB mineiro, sai candidato por conta própria. Não tem o apoio da direção partidária. Já a deputada Rose de Freitas, atual vice-presidente da Câmara, tem o apoio do núcleo feminino, mas sua candidatura, caso a mantenha até o final, expressa mais um gesto simbólico.
Disputa no Senado
No Senado, a tradição é que a maior bancada tem direito a comandar a Casa. O PMDB possui a maior bancada. E no partido, quem agrega o maior número de votos é Renan Calheiros. Há uns quatro ou cinco senadores do partido que gostariam de eleger outro nome. Mas Renan faz uma boa maioria. Não há vetos a seu nome no âmbito do Palácio do Planalto. Logo, Renan é franco favorito.
Sociedade condenada
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada". (Filósofa russo-americana Ayn Rand, judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920).
Apagões I
O testemunho é de Iêdo Moroni, engenheiro da CHESF por mais de 20 anos, onde exerceu seis cargos comissionados. Veja o que diz sobre os apagões: "Se o sistema é radial, o apagão afeta apenas o trecho desligado, não ocorrendo os desligamentos em cascata como hoje ocorrem. ..A presidente está sendo enganada com essas desculpas dadas pelos gestores do NOS. Toda a culpa dos apagões é jogada nas linhas de transmissão, sempre em desfavor das descargas atmosféricas, acusadas como grandes vilãs....as linhas "acusadas" de serem desligadas por descargas atmosféricas são super dimensionadas para esses eventos, razão pela qual, é estranhável que sejam causas francas de apagões".
Apagões II
"...trocando em miúdos, a possibilidade de uma descarga atmosférica é probabilisticamente inexpressiva, e, caso isso venha a acontecer, o sistema deve ter a sua coordenação de proteção minimamente seletiva para isolar a linha e acionar alternativa que impeça o chamado efeito cascata. O resto é conversa para enganar a sociedade. Ocorre que o nosso setor elétrico está sendo administrado hoje politicamente, como é o caso da CHESF. O diretor de operações passou anos como especialista em previdência privada, e por ser militante do PT, foi guindado ao cargo. Antes dele todos os demais diretores de operação eram engenheiros formados no sistema operacional da empresa. Poderia até haver nomeações políticas, mas o indicado teria que possuir curriculum vitae compatível com o cargo a exercer... operação de sistema elétrico, por mais simples que ele seja, tem que ser comandada por técnicos preparados e experientes, pois trata-se da área mais importante da empresa por ser ligada diretamente ao bem-estar e à segurança da sociedade".
Repercussão geral
O julgamento do mensalão abrirá um ciclo de maiores cuidados na frente política. As Cortes Judiciais, das mais altas à primeira instância, deverão incorporar lições ético-morais e uma interpretação mais rigorosa das leis, tendo como baliza a decisão da Suprema Corte. Pode-se apostar na hipótese de melhoria nos aparatos políticos com seus costumes e práticas. A conferir.
DEM se afasta do PSDB
Está chegando ao fim o casamento entre DEM e PSDB. Demorou um bom tempo. O DEM percebeu que, ao lado dos tucanos, tem mais ônus que bônus. Vai passar um tempo olhando para os dois lados. Independente? Difícil. Pois os Demistas precisam, eles também, do adjutório (e adjutório forte) do governo Federal. ACM Neto que o diga. Aliás, o prefeito de Salvador promete dar uma grande mexida na administração municipal.
Ciro comentarista?
Ciro Gomes foi contratado pela rádio Verdes Mares para ser comentarista esportivo. Este analista tem pequena observação: como comentarista, Ciro será um político destinado a perder muitos pênaltis. Ou a ser flagrado em muitos impedimentos. Mas... como diz minha velha mãe: "nunca diga, desta água não beberei".
E o mensalão, hein?
Após o recesso, STF deverá concluir o julgamento do mensalão. Até parece que as coisas nessa área terminaram. Tem muita água a correr por baixo da ponte.
E os casos Cachoeira e Rose, hein?
O primeiro se veste do glamour social de uma lua de mel no paraíso tropical da Bahia; o segundo atravessa os corredores das convocações pela Justiça. Externamente, o primeiro parece ser um happy end. Quanto ao segundo, muitas interrogações no ar. Internamente, envolvidos devem estar com a cabeça fervendo.
Sérgio assume SESCON/SP e AESCON/SP
No dia 2 de janeiro, o empresário contábil Sérgio Approbato Machado assumiu a presidência do SESCON/SP (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo) e da AESCON/SP (Associação das Empresas de Serviços Contábeis) para 2013-2015. "Nosso trabalho será para reforçar e ampliar a posição das entidades em relação a temas de relevância para a sociedade, bem como valorizar e defender as categorias representadas em busca pela melhoria do ambiente empreendedor brasileiro", ressalta ele. A nova gestão reitera o compromisso na luta pela desburocratização, simplificação e redução da carga tributária e em prol do empreendedorismo brasileiro.
Foco da gestão
Um dos focos da nova gestão do SESCON/SP e da AESCON/SP será a ampliação do leque de serviços e opções visando a educação permanente. "O empresário e o profissional contábil estão no centro das grandes mudanças legislativas, tributárias e tecnológicas. Suas responsabilidades têm crescido gradualmente e uma de nossas missões é prepará-los para os constantes desafios", enfatiza Approbato Machado. A cerimônia oficial de posse das novas diretorias será no dia 18 de janeiro no Salão Nobre do Clube Atlético Monte Líbano.
Assessor de Hollande
O presidente da França François Hollande solicitou o conselho do jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Contratados, dois peritos em comunicações propuseram três soluções para reconquistar o coração dos franceses: vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio"); cuidar de sua atitude corporal; por exemplo, dando atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool; e atentar para sua roupa; exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada. (Observação de César Maia)
Graciliano Ramos
O velho Graça, monumento de nossa literatura, para quem não sabe, foi prefeito de Palmeira dos Índios/AL. Sabia fingir. Por sentimentalismo ou vergonha, finge-se mais áspero do que é, mais espinhoso que um mandacaru. Sertanejo magro, de ombros curvos, um cigarro ardendo entre os dedos ou na boca, de roupas simples mas asseadas, mãos limpas (em todos os sentidos). Cria fama de grosseiro por causa de diálogos como estes:
- Bom dia, mestre Graça.
- Você acha, meu filho?
Ou então:
- Mestre Graça, se a situação continuar desse jeito, vamos comer merda - diz-lhe o romancista José Lins do Rego, nos tempos da ditadura de Getúlio Vargas.
- Se sobrar pra nós, Zé Lins. Se sobrar...
Conselho aos novos prefeitos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos dirigentes dos Poderes da República. Hoje, volta sua atenção aos novos prefeitos:
1. Priorizem os compromissos assumidos na campanha, escolhendo as ações imediatas e os programas de médio e longo prazo.
2. Exijam rígido controle de metas e programas a cargo das secretarias, fazendo cobranças periódicas.
3. Em sua situação de precariedade, como a que vivem os municípios, cortem despesas inócuas, projetos sem interesse social, ações personalistas e tentem diminuir os espaços de assistencialismo populista.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a primeira coluna de 2013 com um brinde de Cesar Maia, o espirituoso político do DEM e um bom pensador de nossa cultura política. Conta ele o caso das três cartas a um prefeito.
O prefeito em fim de mandato entrega três cartas ao que assume, recomendando abri-las em cada crise. Primeira crise. O novo prefeito abre a carta e lê: "Coloque toda a culpa na herança perversa que recebeu". Na segunda crise, abrindo a carta, leu: "Mostre que há necessidade de ajustes no seu primeiro escalão e faça mudanças no secretariado". Na terceira crise, ao abrir a última carta, o prefeito se assustou ao ler: "escreva três cartas para seu sucessor".
Os bilhetinhos de Jânio
Recebo do amigo Luis Costa uma cópia em xerox do Livro "Bilhetinhos de Jânio", de autoria de J. Pereira, que foi assessor de imprensa do ex-presidente. Costa adquiriu esse livro em 14/9/1960. Vou juntar à coleção sobre Jânio, na qual desponta o meu amigo jornalista Nelson Valente, autor de uns 15 livros sobre a figura ímpar de Jânio da Silva Quadros. Duas historinhas do livro que recebo:
A morte
Por mais de uma vez, no Rio de Janeiro, noticiaram-se coisas a respeito da saúde precária de Jânio que, efetivamente, em várias ocasiões quase o levaram desta para melhor. Em determinada ocasião as emissoras cariocas chegaram a noticiar a sua morte. Os telefones dos Campos Elíseos não cessavam de tocar. Os jornais queriam saber o que se passava. Jânio, apesar de enfermo, enviou este "bilhetinho" ao chefe do seu Serviço de Imprensa, J. Pereira :
-Pereira. Declare àqueles que noticiam a minha morte, que tudo indica não ter o fato ocorrido, e tudo farei, ao meu alcance, para que não ocorra, nos próximos decênios. Pode acrescentar que, nascido em 1917, ainda continuo forte".
Passo inadmissível
Um "amigo e admirador" de Jânio, sr. Hamleto Rosato, por intermédio do deputado Athiê Jorge Curi, ofereceu a ele, a fim de integrar a coleção do "Zoo", um jaboti de curiosa espécie. Eis o "bilhetinho" de agradecimento:
-Prezado Hamleto. Agradeço o jaboti, que será enviado ao zoológico. Minha filha deseja-o, contudo, e por uns dias, no Palácio. Só vejo conveniência, eis que o bicho, no ritmo deste casarão, vai ter que andar mais depressa. Aqui não se admite "passo de tartaruga" ... Depois, já educado, terá aquele destino. Abraços".
Primeiros cenários
O Brasil abre 2013 sob chuvas de versões e uma seca cheia de grandes interrogações. Entre as versões: 1. Lula poderá vir a ser candidato em 2014; 2. Serra quer voltar a ser candidato e prepara-se para lançar novo partido com o deputado Roberto Freire; 3. Alckmin será empurrado para as prévias do PSDB, disputando com Aécio a candidatura à presidência; 4. Serra teria caminho livre para ser candidato ao governo de SP; 5. Eduardo Campos fecha com Dilma em 2013, mas deixa a porta aberta para se candidatar à presidência em 2014. Entre as interrogações: 1. PIB de 2013 passará dos 3%? 2. Haverá racionamento de energia, mesmo com os desmentidos da presidente Dilma e do ministro Lobão? 3. Eduardo Campos será mesmo candidato em 2014 ? 4. O PSD de Kassab ganhará mesmo o Ministério da Micro e Pequena Empresa? 4. O PMDB presidirá a Câmara e o Senado, garantindo o nome de Michel Temer como vice de Dilma em 2014? 5. As oposições terão alguma chance em 2014?
Primeiras respostas
A leitura das linhas e entrelinhas, sob a tessitura político-institucional e a colcha de conveniências e circunstâncias, permite oferecer as seguintes respostas: a. Lula não será candidato em 2014 nem a presidente da República nem a governador de SP. O país já não é o mesmo de seu tempo de mandatário; b. Serra poderá vir a ser candidato, mas não à presidência da República. Seu ciclo de vida nessa esfera esgotou-se; c. É pequeno o tempo para se formar um novo partido e disputar com ele a campanha de 2014; d. Aécio deverá ser mesmo o candidato tucano em 2014; e. Eduardo Campos quer permanecer em evidência. Para tanto, desdobra-se para agradar gregos e atrair troianos; f. PIB ínfimo terá consequências nefastas sobre a candidatura situacionista, favorecendo oposições. Mas o patamar de 3% é até confortável; g. PSD de Kassab ganhará Ministério; h. PMDB deve comandar as duas Casas legislativas; i. As oposições só terão chance em 2014 se a economia sair totalmente dos trilhos.
Disputa na Câmara
Henrique Eduardo Alves deverá ser eleito, com folga, para a presidência da Câmara dos deputados. Trata-se do parlamentar com o maior número de mandatos. Mais que preparado, Henrique sabe tudo de política, área em que teve um grande mestre: seu pai, Aluizio Alves, fundador da UDN, um dos quadros políticos mais brilhantes do país, ex-deputado, ex-governador do RN e ex-ministro. Henrique Alves chegará ao comando da Câmara, coroando um ciclo de vida no PMDB, onde faz parte do quadro dirigente. Trata-se de um parlamentar que conhece profundamente os meandros do Congresso Nacional. Júlio Delgado, o parlamentar do PSB mineiro, sai candidato por conta própria. Não tem o apoio da direção partidária. Já a deputada Rose de Freitas, atual vice-presidente da Câmara, tem o apoio do núcleo feminino, mas sua candidatura, caso a mantenha até o final, expressa mais um gesto simbólico.
Disputa no Senado
No Senado, a tradição é que a maior bancada tem direito a comandar a Casa. O PMDB possui a maior bancada. E no partido, quem agrega o maior número de votos é Renan Calheiros. Há uns quatro ou cinco senadores do partido que gostariam de eleger outro nome. Mas Renan faz uma boa maioria. Não há vetos a seu nome no âmbito do Palácio do Planalto. Logo, Renan é franco favorito.
Sociedade condenada
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada". (Filósofa russo-americana Ayn Rand, judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920).
Apagões I
O testemunho é de Iêdo Moroni, engenheiro da CHESF por mais de 20 anos, onde exerceu seis cargos comissionados. Veja o que diz sobre os apagões: "Se o sistema é radial, o apagão afeta apenas o trecho desligado, não ocorrendo os desligamentos em cascata como hoje ocorrem. ..A presidente está sendo enganada com essas desculpas dadas pelos gestores do NOS. Toda a culpa dos apagões é jogada nas linhas de transmissão, sempre em desfavor das descargas atmosféricas, acusadas como grandes vilãs....as linhas "acusadas" de serem desligadas por descargas atmosféricas são super dimensionadas para esses eventos, razão pela qual, é estranhável que sejam causas francas de apagões".
Apagões II
"...trocando em miúdos, a possibilidade de uma descarga atmosférica é probabilisticamente inexpressiva, e, caso isso venha a acontecer, o sistema deve ter a sua coordenação de proteção minimamente seletiva para isolar a linha e acionar alternativa que impeça o chamado efeito cascata. O resto é conversa para enganar a sociedade. Ocorre que o nosso setor elétrico está sendo administrado hoje politicamente, como é o caso da CHESF. O diretor de operações passou anos como especialista em previdência privada, e por ser militante do PT, foi guindado ao cargo. Antes dele todos os demais diretores de operação eram engenheiros formados no sistema operacional da empresa. Poderia até haver nomeações políticas, mas o indicado teria que possuir curriculum vitae compatível com o cargo a exercer... operação de sistema elétrico, por mais simples que ele seja, tem que ser comandada por técnicos preparados e experientes, pois trata-se da área mais importante da empresa por ser ligada diretamente ao bem-estar e à segurança da sociedade".
Repercussão geral
O julgamento do mensalão abrirá um ciclo de maiores cuidados na frente política. As Cortes Judiciais, das mais altas à primeira instância, deverão incorporar lições ético-morais e uma interpretação mais rigorosa das leis, tendo como baliza a decisão da Suprema Corte. Pode-se apostar na hipótese de melhoria nos aparatos políticos com seus costumes e práticas. A conferir.
DEM se afasta do PSDB
Está chegando ao fim o casamento entre DEM e PSDB. Demorou um bom tempo. O DEM percebeu que, ao lado dos tucanos, tem mais ônus que bônus. Vai passar um tempo olhando para os dois lados. Independente? Difícil. Pois os Demistas precisam, eles também, do adjutório (e adjutório forte) do governo Federal. ACM Neto que o diga. Aliás, o prefeito de Salvador promete dar uma grande mexida na administração municipal.
Ciro comentarista?
Ciro Gomes foi contratado pela rádio Verdes Mares para ser comentarista esportivo. Este analista tem pequena observação: como comentarista, Ciro será um político destinado a perder muitos pênaltis. Ou a ser flagrado em muitos impedimentos. Mas... como diz minha velha mãe: "nunca diga, desta água não beberei".
E o mensalão, hein?
Após o recesso, STF deverá concluir o julgamento do mensalão. Até parece que as coisas nessa área terminaram. Tem muita água a correr por baixo da ponte.
E os casos Cachoeira e Rose, hein?
O primeiro se veste do glamour social de uma lua de mel no paraíso tropical da Bahia; o segundo atravessa os corredores das convocações pela Justiça. Externamente, o primeiro parece ser um happy end. Quanto ao segundo, muitas interrogações no ar. Internamente, envolvidos devem estar com a cabeça fervendo.
Sérgio assume SESCON/SP e AESCON/SP
No dia 2 de janeiro, o empresário contábil Sérgio Approbato Machado assumiu a presidência do SESCON/SP (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e de Assessoramento no Estado de São Paulo) e da AESCON/SP (Associação das Empresas de Serviços Contábeis) para 2013-2015. "Nosso trabalho será para reforçar e ampliar a posição das entidades em relação a temas de relevância para a sociedade, bem como valorizar e defender as categorias representadas em busca pela melhoria do ambiente empreendedor brasileiro", ressalta ele. A nova gestão reitera o compromisso na luta pela desburocratização, simplificação e redução da carga tributária e em prol do empreendedorismo brasileiro.
Foco da gestão
Um dos focos da nova gestão do SESCON/SP e da AESCON/SP será a ampliação do leque de serviços e opções visando a educação permanente. "O empresário e o profissional contábil estão no centro das grandes mudanças legislativas, tributárias e tecnológicas. Suas responsabilidades têm crescido gradualmente e uma de nossas missões é prepará-los para os constantes desafios", enfatiza Approbato Machado. A cerimônia oficial de posse das novas diretorias será no dia 18 de janeiro no Salão Nobre do Clube Atlético Monte Líbano.
Assessor de Hollande
O presidente da França François Hollande solicitou o conselho do jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Contratados, dois peritos em comunicações propuseram três soluções para reconquistar o coração dos franceses: vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio"); cuidar de sua atitude corporal; por exemplo, dando atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool; e atentar para sua roupa; exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada. (Observação de César Maia)
Graciliano Ramos
O velho Graça, monumento de nossa literatura, para quem não sabe, foi prefeito de Palmeira dos Índios/AL. Sabia fingir. Por sentimentalismo ou vergonha, finge-se mais áspero do que é, mais espinhoso que um mandacaru. Sertanejo magro, de ombros curvos, um cigarro ardendo entre os dedos ou na boca, de roupas simples mas asseadas, mãos limpas (em todos os sentidos). Cria fama de grosseiro por causa de diálogos como estes:
- Bom dia, mestre Graça.
- Você acha, meu filho?
Ou então:
- Mestre Graça, se a situação continuar desse jeito, vamos comer merda - diz-lhe o romancista José Lins do Rego, nos tempos da ditadura de Getúlio Vargas.
- Se sobrar pra nós, Zé Lins. Se sobrar...
Conselho aos novos prefeitos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos dirigentes dos Poderes da República. Hoje, volta sua atenção aos novos prefeitos:
1. Priorizem os compromissos assumidos na campanha, escolhendo as ações imediatas e os programas de médio e longo prazo.
2. Exijam rígido controle de metas e programas a cargo das secretarias, fazendo cobranças periódicas.
3. Em sua situação de precariedade, como a que vivem os municípios, cortem despesas inócuas, projetos sem interesse social, ações personalistas e tentem diminuir os espaços de assistencialismo populista.
____________
(Gaudêncio Torquato)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
LUIZ GONZAGA - MUITO ALÉM DE UM SANFONEIRO (POR DIDEUS SALES)
Dia treze de dezembro
O mais extraordinário
Cantador e sanfoneiro
Que se tornara lendário
Por seu dom e sua saga,
O gênio Luiz Gonzaga,
Se tornará centenário.
Expoente da sanfona,
Arauto da alegria,
Mensageiro do Nordeste,
Apóstolo da melodia.
Nasceu o guri peralta
No dia em que se exalta
A virgem Santa Luzia.
Luiz Gonzaga nasceu
Na fazenda Caiçara
Em Exu, no Pernambuco,
De cor parda e mente clara,
Saiu de lá muito novo
Pra poder brindar o povo
Com sua criação rara.
Desde a infância mostrou
Para música vocação,
Aos oito anos fez sua
Primeira apresentação,
Com elegância e ternura
Mostrando desenvoltura
Pra futura profissão.
Na fazenda onde nasceu,
Na terra pernambucana,
Estreou feito um artista
Que se exibe e se ufana,
Perante muitos matutos
Sob os olhares argutos
De Januário e Santana.
Com brilhantismo tocou
E cantou a noite inteira,
Com permissão de Santana
Envaidecida e fagueira.
Vinte mil réis o cachê,
Suficiente pra que
Deixasse a mãe prazenteira.
E Luiz de Januário
Cada vez mais se apaixona
Pelo som da concertina
Confiando que a matrona
Conceda-lhe permissão
Pra fazer aquisição
Da tão sonhada sanfona.
O desenvolto Luiz
Gonzaga do Nascimento,
Com treze anos comprou
O seu primeiro instrumento,
E cheio de esperteza
Espalhou na redondeza
Seu carisma e seu talento.
No albor da adolescência
Peregrinou sem fadigas,
As cercanias do Exu
Levando suas cantigas
Adornadas de harmonia,
Derramando simpatia
Às camponesas amigas.
Por Nazarena Alencar
Gonzaga se enamora,
A família dela, contra,
Santana se apavora,
Dá em Luiz uma pisa,
E veloz que nem a brisa
Luiz decide ir embora.
Com decepção tamanha
Por essa paixão frustrada,
Com apenas dezessete
Anos pôs os pés na estrada.
Com pensamentos errantes,
Conquistou muitas amantes
E não quis mais namorada.
Mil novecentos e trinta,
Gonzaga sem avisar,
Deixa a casa dos seus pais
E a pé põe-se a viajar,
Vende o fole, com tristeza,
E se alista em Fortaleza
Pra o serviço militar.
Foi soldado por dez anos
Do Exército Brasileiro,
Chamado “Bico de Aço”
Por ser um bom corneteiro.
Serviu do Sul ao Pará,
Passou pelo Ceará,
Minas, Rio de Janeiro.
O soldado Nascimento
A liberdade proclama!
Planeja voltar pra casa,
Mas a vocação o chama
Pra da arte fazer parte,
E ganha através da arte
Prestígio, dinheiro e fama.
De volta à vida paisana
Decide então ser artista,
Toca em cabarés e bares,
Nesse tempo, instrumentista.
Quando resolve cantar
Aí começa a brilhar,
Logo sucesso conquista.
Entra no Rio tocando
Música internacional,
Usando terno e gravata,
Porém, com artesanal
Indumentária de couro,
Sanfona e gogó de ouro
Constroi fama nacional.
Pedro Raimundo lhe dera
Excelente sugestão:
Para usar seus paramentos
Simbolizando o sertão.
E o brilhante sanfoneiro,
Traja-se de cangaceiro,
Inspirado em Lampião.
Sofre muito antes da fama
Mas não desiste da luta,
Toca na Lapa e no Mangue
Pra boêmio e prostituta.
Só veio fama alcançar
Quando decidiu cantar
Autêntica canção matuta.
Após solar Vira e mexe,
Obra de sua autoria,
No programa Ary Barroso,
Com carisma e simpatia
Exibe talento inato,
Para gravar faz contrato
E o povo o reverencia.
E foi a RCA,
Gravadora conhecida,
Que ao nosso Luiz Gonzaga
Distinguiu e deu guarida.
E em retribuição,
Nela o Rei do Baião
Gravou quase toda a vida.
Apesar dos empecilhos
Gonzaga não desanima
E vai construindo o nome
Quando dele se aproxima
Um cidadão otimista,
O seu primeiro letrista,
Chamado de Miguel Lima.
No ano quarenta e cinco,
Dia onze de abril,
Gonzaga como cantor
Mostra voz forte e viril,
E foi Dança, Mariquinha!
Sua primeira modinha
Lançada para o Brasil.
Mulherengo incorrigível,
Luiz Lua não detinha
A libido, e vivia
Andando fora da linha.
Ao conhecer Odaleia,
Brotara-lhe a ideia
De ser pai do Gonzaguinha.
Pra bailarina Odaleia
Desenhara lindos planos,
Mas percebendo existir
Entre os dois muitos enganos
Entre atrito e dissabor,
Rompem o laço do amor
Ao completar cinco anos.
No ano quarenta e oito
Luiz um astro brilhante,
Com seus trinta e cinco anos,
Mais prudente e triunfante,
Já com fama nacional
Faz enlace conjugal
Com Helena Cavalcanti.
O sanfoneiro fiota
Gostava de fazer fita,
De despejar galanteios
Pra toda moça bonita.
Não resistindo o apelo,
Edelzuita Rabelo
Virou a sua “Zuíta”.
Com Odaleia viveu
Loucuras e fantasias,
Helena, porto seguro,
Deu-lhe algumas alegrias,
Com a doce Edelzuita,
Bem mais nova e mais bonita,
Viveu os seus últimos dias.
No ano quarenta e seis
A estrela se descerra,
Humberto e Luiz compõem
Xote No meu pé de serra,
Uma romântica mensagem
Rendendo bela homenagem
À sua querida terra.
A sorte se descortina,
Luiz desfralda a bandeira
Do baião, com um poeta
Chamado Humberto Teixeira,
Em ascensão muito franca,
Compuseram Asa branca,
Sucesso da vida inteira.
E Luiz não para mais
De cantar nosso sertão:
Hora do adeus, Maribondo,
Aí tem, Pássaro carão,
Xote ecológico, Pão duro,
Piriri, Forró no escuro,
Só xote e Faça isso não.
Apologia ao jumento
Do nosso Zé Clementino,
Fazenda Cacimba Nova,
Assum preto, Cantarino,
Sanfoneiro Zé Tatu,
Feira de Caruaru,
E Sangue de Nordestino.
Dezessete légua e meia,
Pau de arara, Sabiá,
Dezessete e setecentos,
Imbalança, Quero chá,
A letra I, Xanduzinha,
Juca, Beata Mocinha
Ovo azul e Boi bumbá.
Cantou Acácia amarela,
Adeus Rio de Janeiro,
Morena cor de canela,
A mulher do sanfoneiro,
Tropeiros da Borburema,
Mazurca, Adeus Iracema
E Vou te matar de cheiro.
Quer ir mais eu, Sou do banco,
O cheiro da Carolina,
Vem morena,Vira e mexe,
Lá vai pitomba, Juvina,
A Dança do Capilé,
Estrada de Canindé,
Xaxado e Cintura fina.
A Moda da mula preta,
Festa, Fole gemedor,
Baião Treze de dezembro
Compôs com muito fervor.
Forró no escuro solado,
Piauí, Feira de gado
E Xote machucador.
Cantou Xote das meninas,
Vaca estrela e boi fubá,
O Xote dos cabeludos,
Mamulengo, Macapá,
Minha fulô, Paraíba
Orélia, Mangaratiba
Cirandeiro e Mangangá.
Cantou Jesus sertanejo
De Janduhy Finizola,
Viu num campo imaginário
Dois Siri jogando bola,
E o baião foi criação
Inspirada no baião
Do cantador de viola.
As mazelas e encantos
Do Nordeste brasileiro
Luiz Gonzaga cantou
Em: A morte do vaqueiro,
Olha pro céu, Pé de serra,
Retratos de sua terra,
Paulo Afonso e Boiadeiro.
O seu repertório tem
Dos fãs, verdadeiro aprovo:
A vida do viajante,
Óia eu aqui de novo,
A noite é de São João,
A mulher do meu patrão,
Cantei e Canto do povo.
Manoelito cidadão,
Cabeça inchada, Café,
Aquarela nordestina,
Ai amor, Meu Chevrolet,
Conversa de boiadeiro,
De olho no candeeiro,
Xengo e Galo garnizé.
Não vendo nem troco, Nos
Cafundó de Bodocó,
Cortando pano, Juazeiro,
Caxangá, Qui nem jiló,
O Forró de cabo a rabo
Lá na casa do Zé Nabo,
Algodão e Siridó.
Légua tirana, Sangrando,
Fogueira de São João,
Sertão de aço, Vassouras
Erva rasteira, Erosão,
A Samarica parteira,
Sanfoninha choradeira
Pau de arara e Procissão.
Pra onde tu vai, baião?
Casamento improvisado,
Pra não morrer de tristeza,
Tambaú, Fole danado,
Flor do lírio, Acauã,
Menino de Braçanã,
Rosinha e Feira de gado.
Gravou xote Só se rindo
De Alvarenga e Ranchinho;
Clássico, Súplica cearense
De Gordurinha e Nelinho;
Do folclore, Boi bumbá,
E ainda Mané Gambá
Do grande Jorge de Altinho.
Seiscentas e vinte e cinco
Canções estão registradas,
Em compactos, LPs
E CDs todas gravadas
Com requintada harmonia,
Recheadas de poesia,
E muitas, bem divulgadas.
Luiz Gonzaga e Humberto
Teixeira fizeram escola.
Do baião, xote e xaxado
Foram propulsora mola.
Luiz em suas conquistas,
Deu vez a muitos artistas
Da sanfona e da viola.
Gonzaga ficou na história
Como o maior cantador,
Inigualável intérprete,
Excelente tocador,
Grande contador de histórias,
Músico que acumulou glórias,
Cantor e compositor.
Aos amigos, à família
E às origens foi fiel,
Gravou nossos cantadores
E poetas do cordel.
Por tudo mereceu louro,
Conquistou discos de ouro,
De platina e o prêmio Shell.
Da substantiva obra
Composta ao longo da vida,
Asa branca se tornara
Sua canção preferida,
E Respeita Januário
É do mesmo relicário
Junto d’ A triste partida.
Gonzaga foi um artista
Que sofreu, mas foi feliz,
Cantou no Brasil inteiro,
Fez shows também em Paris.
Com talento e competência,
Tornou-se uma referência
Musical deste país.
Um evento fulgurante
Desse artista tão fecundo,
E talvez, o que lhe tenha
Dado o prazer mais profundo,
Foi em oitenta, cantar,
Saudar e homenagear
O Papa João Paulo II.
Apesar da enorme fama,
Gonzaga guardou recato:
Zelava os colegas simples,
Não gostava de aparato.
Do Padre Cícero romeiro,
Ia sempre ao Juazeiro,
Mas gostava mais do Crato.
Luiz é um grande exemplo
De quem vai à luta e vence,
Tinha tática no percalço,
Sabia fazer suspense
E arquitetar todo plano.
Artista pernambucano
Do coração cearense.
Com sua sanfona branca
E a voz de espantar tristeza
Cantou da seca as agruras,
Do inverno a boniteza,
Cantou a fauna e a flora,
Por isso a menção aflora:
Cantador da natureza.
Na trajetória profícua
Desse artista nordestino,
Humberto Teixeira foi
Verdadeiro paladino;
Zé Dantas, de alto nível,
João Silva, imprescindível,
Fulgente, Zé Marcolino.
Zé Clementino sabia
Da poesia o segredo,
Muitos sucessos brotaram
Da inspiração desse aedo,
Patativa foi brilhante,
Onildo Almeida, importante,
Notável, Téo Azevedo.
Gravou Venâncio, Cecéu,
Julinho, Orlando Silveira,
Caymmi, Vandré, Caetano,
Luiz e Pedro Bandeira.
Luiz Ramalho, obra imensa...
Capiba, Nelson Valença,
Gil e Jurandir da Feira.
Grandes cantores famosos
Que fizeram gravação
Nos anos oitenta têm
Do Rei participação,
Fagner, um dos mais ariscos,
Único a gravar dois discos
Com nosso rei Gonzagão.
Em seu trajeto pisou
Muitas flores e espinhos,
Vários e grandes colegas
Adornaram seus caminhos
De emoções e alegrias,
Como Osvaldinho, Abdias
Marinez e Dominguinhos.
O grande Pedro Raimundo,
Zé Calixto, uma bandeira!
Dois ícones incontestáveis
Da sanfona brasileira.
Sivuca, Hermeto Paschoal,
Waldonys que é magistral,
Borghetti e Luiz Vieira.
Noca, Pedro Sertanejo,
Zé Ramalho, Gonzaguinha,
Anastácia, Alceu Valença,
Ary Lobo, Gordurinha,
Benito, Nelson Gonçalves,
Zé do X, Carmélia Alves,
Do baião nossa raínha.
Desde menino Luiz
Não foi covarde ou servil,
Com habilidade e arte
Conquistou todo o Brasil,
Dentre seus fãs de talento,
Elba, Milton Nascimento,
João Cláudio, Caetano e Gil.
Fora ídolo dos ídolos
Por sua grande expressão,
Semeador de concórdia,
Embaixador do sertão,
Músico de estro fecundo
Que deu mais beleza ao mundo
Com as cores do baião.
Em meio século de arte,
Só tendo sido prodígio,
Luiz fez algumas pausas
Mas nunca perdeu prestígio.
Em tantas léguas de glória,
Não se acha em sua história,
De mácula, menor vestígio.
Em Recife, dois de agosto
De oitenta e nove, o ano,
O nosso Luiz Gonzaga
Despediu-se deste plano,
E sem gibão nem chapéu
Foi cantar baião no céu
Na mansão do Soberano.
Soube ornamentar de glória
Sua vida e seu roteiro,
Com virtude e maestria,
Do baião foi pioneiro.
Pelo que deu ao País
Posso afirmar que Luiz
Foi além de um sanfoneiro.
(Dideus Sales)
domingo, 6 de janeiro de 2013
ORAÇÃO DE MAHATMA GANDHI
"Senhor,
Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás o sucesso, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda, não me deixes acusar o outro por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar aos outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso se triunfo, nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso é a experiência que precede ao triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito, dá-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender às pessoas, dá-me coragem para desculpar-me e se as pessoas me ofenderem, dá- me grandeza para perdoá-las.
Senhor, se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim!"
sábado, 5 de janeiro de 2013
ALEGRIA: LAVOURA E FRUTO
É próprio do humano esperar a felicidade. Querer alegrar-se. A alegria é o destino mais buscado. Todos, na maior parte do tempo, desejam alcançá-la. Mas os trajetos ou veículos escolhidos nem sempre são eficazes. E, mais dramático, alguns a encontram, mas não conseguem reconhecê-la.
Não há existência imune ao sofrimento. Isto é certo, mas estar alegre é o estado de espírito que impulsiona o ânimo. Instaura a necessária capacidade realizadora, sem a qual nos sentimos desmobilizados. Inseguros quanto à própria potência para enfrentar desafios: dos mais básicos aos mais surpreendentes ou adversos.
Na história das religiões, é fácil perceber como a maioria das divindades são alegres ou suscitam sentimentos de regozijo. Talvez esse fenômeno possa ser creditado ao poder liberatório da alegria. A própria etimologia da palavra, significando ânimo e ritmo une esse sentimento ao poder criador.
Os grandes artistas ficam mais inspirados nas horas tristes? O senso comum diz que sim. Mas a Psicologia da Criatividade parece mostrar que o impulso ao exercício criativo, nessas horas, é uma resposta na busca de superação. Ou seja, não é a tristeza, mas a vontade de triunfar sobre obstáculos que ativa o impulso criador.
Há momentos de tristeza advindos das adversidades, das fatalidades. Neles, o desânimo é inapelável. Mas podemos vivenciar a tristeza como um espelho que ajude a enxergar a existência com lente mais aguda e a colocar sentimentos em nova perspectiva.
Alguns cultivam postura negativa, apesar de sermos seres ávidos por felicidade, alguns de nós estão sempre cabisbaixos, mesmo nos pequenos percalços.O filósofo Pompônio dizia: ‘existem pessoas tão habituadas ao desânimo e à tristeza que enxergam noite, mesmo no que se passa em plena luz do dia.’ Por isso há que se entrar em contato com o próprio jeito de surfar nas ondas da existência, para modificá-lo, se necessário. Isso geralmente é benéfico e transformador.
Não podemos negar o poder inibidor que a frustração tem sobre a disposição de ânimo, mas é possível cultivar hábitos mais construtivos, mudar o circúito energético para imprimir vigor às ações. Na teoria musical, o allegro é o andamento rápido, corresponde ao compasso vital da música. Pensando nisso, talvez a alegria seja o que mantém a imanência do ritmo da vida com o ardor da ação.
Há os que atribuem tudo o que lhes acontece à sorte ou à falta dela. Assim, permanecem passivos e quando sobrevém o resultado dessa postura, lamentam-se e reforçam a atitude vitimizada. Mas Sêneca,o filósofo que ensinava à alma, aconselhava: ‘ages, não segundo a tua sorte, mas segundo o teu desejo e a tua vontade e te alças aos maiores níveis’. Creditar tudo à sorte produz inércia e desilusão.
Perceber a felicidade. Muitos conquistam suas metas, mas não percebem e então, em vez de alegres, sentem-se insatisfeitos. Outros, ao conquistar o território que eles mesmos demarcaram, o consideram insuficiente e então, ficam descontentes e infelizes.
A felicidade exige satisfação e contentamento. Não podemos esquecer que a felicidade vem, também, da forma como a percebemos e dos sentimentos que nutrimos na sua busca. Alegria é lavoura e fruto. É essencial perceber que houve plantio e que é chegada a hora de saborear o fruto. Valorizar o que foi conseguido, sob pena de esvaziarmos novas vontades. Carlos Drummond alerta para esse risco quando diz: ‘pior que a falta de água é a falta de sede’.
Consistência e durabilidade. Não existe felicidade eterna, mas os momentos felizes são mais duradouros quando são consistentes. E isso só é possível sobre conquistas cujos pilares são os valores e a aderência aos nossos propósitos. Se escolhemos metas autênticas, imantadas à nossa identidade e coerentes com os próprios valores, o sentimento de satisfação tende a emergir.
É ainda o sábio Sêneca que ensina sobre a consistência necessária às ações de quem busca a felicidade, quando diz: ‘alegra-se com consistência quem tem caráter reto, alma sensata e despreza os caprichos da ambição tola”.
É preciso empunhar a lança do entusiasmo de forma realística. Sem descuidar que toda conquista é a projeção de um sonho no solo concreto da existência. Talvez Dom Quixote consiga traduzir, com exageros, mas traduz, os temperos da determinação que colhe frutos maduros: ousadia, disposição, rumo, coragem, sonhos.
Para nós, mortais, está posto o desafio da temperança. Miguel de Cervantes, o criador de Dom Quixote, herói ridículo e personagem perfeito, escreveu na folha de rosto de seu livro, a segunte frase: post tenebras, sepro lucem (depois das trevas, espero luz). Essa frase encerra uma visão otimista diante de grandes empreitadas. Funciona como perfeita exortação aos que costumam esgueirar-se pelas sombras da tristeza.
Dante Alighieri, na Divina Comédia, reafirma a necessidade da consistência e da autenticidade para uma existência coerente e alegre e é com esses versos inpiradores que essa reflexão termina:
Quem firmeza não tem nos pensamentos,
no fim, se aparta do que sua alma se destina e
assim,
malogra, instável,
seus instintos.
(Liduina Benigno)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
ADEUS ANO VELHO! FELIZ ANO NOVO!
"Adeus Ano Velho"
Diz a música e refrão
"Feliz Ano Novo"
Comemora a multidão
E assim lá se foi o tempo
Muitos planos a sonhar
Finda um ano e entra outro
Com desejos de mudar
Quem é pobre pensa logo
Vou lutar pra melhorar
Quem é rico se promete
Aos pobres vou ajudar
Quem está acima do peso
Vai se penitenciar
E mesmo que passe fome
Pra emagrecer vai lutar
Minha sogra todo ano
Se lembra de prometer
Coca cola em minha vida
Nunca mais eu vou beber
Seja lá qual for o vício
A tendência é mudar
Mas fica no pensamento
E outro ano vai chegar
Até me lembra a política
Em ano de eleição
Muitas promessas são feitas
Cumprir não é intenção
Mas é sempre esperança
É sonhar pra melhorar
Quem almejar as estrelas
Bem mais alto vai chegar
À meia noite tem ceia
Numa rica refeição
Vem peru e arroz branco
Bacalhau no pimentão
Muitas nozes pra enfeitar
A mesa da refeição
Até frango e pernil
Salada com agrião
Sobremesa é um pecado
Calorias pra valer
Tem doces de chocolate
Quanta coisa pra comer
A família muito alegre
E muita descontração
Champanhe é a bebida
Desta comemoração
Está quase na virada
É contagem regressiva
4, 3, 2, 1, 0 Uauuuuuu
Linda chuva explosiva
São festas por todo lado
Tudo é celebração
Os fogos de artifício
Numa linda explosão
Os fogos se abrem em leque
E formando coração
Lindas formas aparecem
Clareando a escuridão
Norte a sul se comemora
Do casebre à mansão
Do Brasil à Inglaterra
Passando pelo Japão
Dia seguinte é feriado
Todo mundo em ressaca
A festa foi muito boa
Dia de praia na barraca
Mas agora é outro ano
Hora de recomeçar
Pensamento positivo
E nada de fraquejar
Anote tudo na agenda
Precisa se organizar
Cada meta alcançada
É um passo que vai dar
E se nada acontecer
Nunca pense em depressão
Outro ano vai chegar
Chances de renovação
FELIZ ANO NOVO!
(Levi Madeira é médico oftalmologista e escritor de cordel)
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
ANOS E LUAS
Mais um ano que se vai
Mas a vida continua,
Eu sigo meu caminho
Como segue o seu, a lua
Horas bem cheia de graça
Botando o bloco na praça
Como quem se insinua.
*
Carregada de otimismo
Acho a vida envolvente,
Nada ofusca meu caminho,
Sou tal qual lua crescente
Que a cada novo dia
Ganha mais luz e magia,
E risonha segue em frente.
*
Se às vezes a melancolia,
Vem nublar o meu semblante
Não fico desatinada,
Procuro seguir adiante
Pois me sinto iluminada
Feito lua minha estrada
Tem seus dias de minguante.
*
Eu já vivi muitas luas
Sei que a vida se renova,
No ano que entra e sai
Eu vou passando na prova
E que venha o Ano Novo
Pois com ele me comovo
E renasço lua nova!
--
Dalinha Catunda
domingo, 30 de dezembro de 2012
VAMOS CURAR O MUNDO EM 2013!
Imagine uma célula do corpo que pensa que é um ser separado, que não faz parte do grande organismo vivo. Essa célula olha para as doenças, toxinas e mazelas do corpo como uma criatura externa que julga tudo e não se sente como uma parte integrante daquele ser maior. Ela não entende que ela é também aquele ser maior. E ao não se enxergar como parte do todo, a célula critica, julga, joga a culpa das mazelas em outras células e órgãos, gerando desamor e rejeição a si mesma, o que acaba provocando mais desarmonia e doenças.
É mais ou menos assim que nos sentimos. Somos parte de um grande organismo vivo, como se fôssemos células. Só que nós somos células que tem consciência de si mesmas. Entretanto, do nosso limitado ponto de vista, temos a impressão de que somos seres individuais com mentes individuais habitando um planeta cheio de problemas com pessoas cheias de defeitos. Na verdade, fazemos parte de um grande organismo vivo, que tem uma mente coletiva global, uma saúde global. Perdemos essa visão mais abrangente e começamos nos sentir separados do todo.
A partir dessa ilusão de separação, julgamos, criticamos e tendemos a ver a causa dos problemas da sociedade em outras pessoas, gerando ainda mais negatividade, falta de amor e desarmonia. Não percebemos que ao agirmos dessa forma estamos rejeitando a nós mesmos, pois somos uma parte indissociável do todo.
Um exemplo claro dessa ilusão de separação e julgamento, são os comentários que vemos de pessoas revoltadas com a política. São pessoas que pensam que a "culpa" de todos os problemas são desses poucos seres que estão aparentemente comandando tudo.
Quando enxergamos de uma forma mais global, sem perder de vista que somos parte de um grande todo, percebemos que toda a corrupção e desonestidade que vemos nos comportamentos dos políticos são apenas o reflexo da desonestidade e corrupção que existe em boa parte dos seres que fazem parte da sociedade.
Uma sociedade muito corrupta, produzirá políticos muito corruptos, assim como uma sociedade mais honesta produzirá governantes mais honestos. O grau de honestidade de quem comanda as instituições será um reflexo direto do grau de honestidade da população.
Muitos dos que criticam praticam a corrupção de diversas formas em suas vidas (sonegação de impostos, suborno do guarda, se aproveitam da influencia de alguém para obter vantagens e passar na frente de outros e etc...) e fariam o mesmo se estivessem no poder. É sempre um processo coletivo.
A poluição e toda a feiúra e miséria que existem no mundo são um reflexo direto da negatividade e do nível de consciência daquela população. E esse nível de consciência global, é reflexo do somatório da negatividade e das coisas boas que existem em cada um de nós. Por isso, a única forma que temos para ajudar o todo, é curando as nossa própria negatividade interior. Assim nos tornamos mais saudáveis emocional e fisicamente e passamos a somar de forma positiva na coletividade.
A nossa mente individual está cheia de áreas obscuras que contém todo o tipo de negatividade: pensamentos e sentimentos que nos causam sofrimento - mágoas, medos, culpas, tristeza, raiva e etc. Temos partes saudáveis também, caso contrário, estaríamos todos completamente loucos, infelizes e doentes. Quanto mais curamos essas partes negativas que guardamos, mas nos tornamos saudáveis, felizes e em paz.
De forma análoga, a grande mente global também está perturbada e cheia de pontos obscuros com negatividade. Essas partes obscuras são o somatório da negatividade contida na mente individual de cada um de nós.
Quando eu curo qualquer negatividade que eu guardo, além de ajudar a curar a minha mente individual, eu ajudo a curar a grande mente coletiva e torno o mundo um pouco melhor, pois eu faço parte do todo.
A negatividade que nós carregamos tem também o poder de influenciar outras mentes. É como um vírus que lançamos no ar e que leva doença para outras pessoas. Quando nos curamos e nos tornamos mais felizes, temos também o poder de influenciar de forma positiva todos que estão ao nosso redor. Deixamos de fazer parte do problema e passamos a fazer parte da solução.
A violência que vemos no mundo, é fruto da raiva e outros sentimentos negativos que cada um de nós guarda. Quanto mais energia de raiva individual, maior será a energia coletiva, e ficamos mais propensos a nos tornarmos agressivos com outras pessoas pois estamos imersos em um campo.
Quando essas tensões emocionais individuais se tornam muito altas em uma grande parte da população, veremos explodir a violência de várias formas: aumento dos índices de homicídio e violência física, aumento dos níveis de agressão psicológica, surgimento de revoltas coletivas, e, em um grau mais extremo, pode ocorrer uma guerra civil ou guerra entre países.
Pensamentos do tipo "a paz começa comigo" ou "seja mudança que você quer ver no mundo" podem parecer clichês ou bobagem, mas expressam uma grande verdade e estão baseados na visão holística que de cada um de nós faz parte de um todo.
Um mundo mais pacífico se faz com pessoas que se sentem em paz. Um mundo mais feliz se faz com pessoas que estão mais livres da negatividade consciente e inconsciente que o ser humano carrega.
(André Lima)
É mais ou menos assim que nos sentimos. Somos parte de um grande organismo vivo, como se fôssemos células. Só que nós somos células que tem consciência de si mesmas. Entretanto, do nosso limitado ponto de vista, temos a impressão de que somos seres individuais com mentes individuais habitando um planeta cheio de problemas com pessoas cheias de defeitos. Na verdade, fazemos parte de um grande organismo vivo, que tem uma mente coletiva global, uma saúde global. Perdemos essa visão mais abrangente e começamos nos sentir separados do todo.
A partir dessa ilusão de separação, julgamos, criticamos e tendemos a ver a causa dos problemas da sociedade em outras pessoas, gerando ainda mais negatividade, falta de amor e desarmonia. Não percebemos que ao agirmos dessa forma estamos rejeitando a nós mesmos, pois somos uma parte indissociável do todo.
Um exemplo claro dessa ilusão de separação e julgamento, são os comentários que vemos de pessoas revoltadas com a política. São pessoas que pensam que a "culpa" de todos os problemas são desses poucos seres que estão aparentemente comandando tudo.
Quando enxergamos de uma forma mais global, sem perder de vista que somos parte de um grande todo, percebemos que toda a corrupção e desonestidade que vemos nos comportamentos dos políticos são apenas o reflexo da desonestidade e corrupção que existe em boa parte dos seres que fazem parte da sociedade.
Uma sociedade muito corrupta, produzirá políticos muito corruptos, assim como uma sociedade mais honesta produzirá governantes mais honestos. O grau de honestidade de quem comanda as instituições será um reflexo direto do grau de honestidade da população.
Muitos dos que criticam praticam a corrupção de diversas formas em suas vidas (sonegação de impostos, suborno do guarda, se aproveitam da influencia de alguém para obter vantagens e passar na frente de outros e etc...) e fariam o mesmo se estivessem no poder. É sempre um processo coletivo.
A poluição e toda a feiúra e miséria que existem no mundo são um reflexo direto da negatividade e do nível de consciência daquela população. E esse nível de consciência global, é reflexo do somatório da negatividade e das coisas boas que existem em cada um de nós. Por isso, a única forma que temos para ajudar o todo, é curando as nossa própria negatividade interior. Assim nos tornamos mais saudáveis emocional e fisicamente e passamos a somar de forma positiva na coletividade.
A nossa mente individual está cheia de áreas obscuras que contém todo o tipo de negatividade: pensamentos e sentimentos que nos causam sofrimento - mágoas, medos, culpas, tristeza, raiva e etc. Temos partes saudáveis também, caso contrário, estaríamos todos completamente loucos, infelizes e doentes. Quanto mais curamos essas partes negativas que guardamos, mas nos tornamos saudáveis, felizes e em paz.
De forma análoga, a grande mente global também está perturbada e cheia de pontos obscuros com negatividade. Essas partes obscuras são o somatório da negatividade contida na mente individual de cada um de nós.
Quando eu curo qualquer negatividade que eu guardo, além de ajudar a curar a minha mente individual, eu ajudo a curar a grande mente coletiva e torno o mundo um pouco melhor, pois eu faço parte do todo.
A negatividade que nós carregamos tem também o poder de influenciar outras mentes. É como um vírus que lançamos no ar e que leva doença para outras pessoas. Quando nos curamos e nos tornamos mais felizes, temos também o poder de influenciar de forma positiva todos que estão ao nosso redor. Deixamos de fazer parte do problema e passamos a fazer parte da solução.
A violência que vemos no mundo, é fruto da raiva e outros sentimentos negativos que cada um de nós guarda. Quanto mais energia de raiva individual, maior será a energia coletiva, e ficamos mais propensos a nos tornarmos agressivos com outras pessoas pois estamos imersos em um campo.
Quando essas tensões emocionais individuais se tornam muito altas em uma grande parte da população, veremos explodir a violência de várias formas: aumento dos índices de homicídio e violência física, aumento dos níveis de agressão psicológica, surgimento de revoltas coletivas, e, em um grau mais extremo, pode ocorrer uma guerra civil ou guerra entre países.
Pensamentos do tipo "a paz começa comigo" ou "seja mudança que você quer ver no mundo" podem parecer clichês ou bobagem, mas expressam uma grande verdade e estão baseados na visão holística que de cada um de nós faz parte de um todo.
Um mundo mais pacífico se faz com pessoas que se sentem em paz. Um mundo mais feliz se faz com pessoas que estão mais livres da negatividade consciente e inconsciente que o ser humano carrega.
(André Lima)
Assinar:
Postagens (Atom)











