“Os partidos Rede Sustentabilidade e Partido Socialista Brasileiro decidiram neste sábado, 5 de outubro, formar uma coligação política e eleitoral em torno de um programa para a disputa das eleições de 2014.
Ambos os partidos reafirmam a legitimidade da integridade e da identidade partidária do outro.
Nas circunstâncias criadas por recente decisão da Justiça Eleitoral, o caminho para construir essa coalizão é a filiação democrática e transitória das lideranças e da militância da Rede ao PSB. A filiação democrática e transitória é uma tradição brasileira nas situações em que correntes políticas são impedidas de se organizar formalmente e de participar com sua própria legenda dos processos políticos e eleitorais.
O objetivo central da aliança entre o PSB e a Rede é aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável, os dois pilares da verdadeira soberania nacional.
A luta da sociedade brasileira tem alcançado importantes conquistas nas últimas décadas: a redemocratização, a estabilidade econômica, a redução das desigualdades sociais. A única forma de manter e aprofundar essas conquistas é avançar. Por isso estamos unindo forças para apresentar uma alternativa ao Brasil.
A convergência programática entre a Rede e o PSB, que será desdobrada num calendário apropriado, é uma contribuição para superar velhos hábitos e vícios da política brasileira. Chegou a hora de a política ser colocada a serviço da sociedade e de o Estado ser finalmente comandado pelo povo brasileiro.
O ato político de hoje é o início de um processo. A aliança entre PSB e Rede será construída de baixo para cima nas escolas, locais de trabalho, municípios, Estados, no diálogo permanente e democrático com as organizações da sociedade.
Esse é o nosso compromisso.”
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
domingo, 6 de outubro de 2013
ARCO E FLECHA - POEMA DE MARINA SILVA
Do arco que empurra a flecha,
Quero a força que a dispara.
Da flecha que penetra o alvo
Quero a mira que o acerta.
Do alvo mirado
Quero o que o faz desejado.
Do desejo que busca o alvo
Quero o amor por razão.
Sendo assim não terei arma,
Só assim não farei a guerra.
E assim fará sentido
Meu passar por esta terra.
Sou o arco, sou a flecha,
Sou todo em metades,
Sou as partes que se mesclam
Nos propósitos e nas vontades.
Sou o arco por primeiro,
Sou a flecha por segundo,
Sou a flecha por primeiro,
Sou o arco por segundo.
Buscai o melhor de mim
E terás o melhor de mim.
Darei o melhor de mim
Onde precisar o mundo.
(Autoria: Marina Silva)
Quero a força que a dispara.
Da flecha que penetra o alvo
Quero a mira que o acerta.
Do alvo mirado
Quero o que o faz desejado.
Do desejo que busca o alvo
Quero o amor por razão.
Sendo assim não terei arma,
Só assim não farei a guerra.
E assim fará sentido
Meu passar por esta terra.
Sou o arco, sou a flecha,
Sou todo em metades,
Sou as partes que se mesclam
Nos propósitos e nas vontades.
Sou o arco por primeiro,
Sou a flecha por segundo,
Sou a flecha por primeiro,
Sou o arco por segundo.
Buscai o melhor de mim
E terás o melhor de mim.
Darei o melhor de mim
Onde precisar o mundo.
(Autoria: Marina Silva)
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
CONJUNTURA NACIONAL
Cuidado com a montaria
Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, participava de um júri em Quixeramobim/CE. O promotor berrava na tribuna:
- Senhores jurados, estou montado na lei.
Quintino pede um aparte:
- V. Exa. tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.
O promotor se calou.
(Da lavra do amigo Sebastião Nery, em Folclore Político)
Está chegando a hora
Dia 5/10 cai no sábado. Portanto, quem quiser mudar de partido o fará até sexta, 4/10. O TSE também deve dar o veredicto ao partido de Marina, a Rede Sustentabilidade. O clima é de dúvidas. Faltam entre 30 a 40 mil assinaturas para o partido marineiro se firmar. Mas o Tribunal poderá decidir formalizar a sigla e pedir diligências sobre as assinaturas não validadas pelos cartórios. Ocorre que o MP pediu ao TSE que não aceite a formalização do partido. O vice-procurador Eugênio Aragão foi taxativo: "continua sem condições de ser atendido. Criar o partido com vistas, apenas, a determinado escrutínio [eleições de 2014] é atitude que o amesquinha, o diminui aos olhos dos eleitores", escreveu ele em seu parecer. O pessimismo voltou a imperar. Marina com um pé fora?
32 partidos
Existem 32 partidos no Brasil. Partido é parte, parcela do pensamento social. Parcelas: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, esquerda. Há 32 partes no espectro social do pensamento?
A estampa
Se a Rede fosse estendida, teríamos esta moldura : Dilma, candidata à reeleição; Marina, candidata independente, com um toque de oposição; Aécio Neves, candidato do tucanato e das oposições clássicas (PSDB e DEM), e ainda com o apoio deste novo partido, Solidariedade, liderado por Paulinho da Força; e Eduardo Campos, candidato que ensaia um discurso de mudança, mas ainda tem o perfil frappé, meio lá, meio cá, café com leite. José Serra saiu da crise existencial que o sufocava. Decidiu ficar no PSDB.
Casamentos
Geralmente, as parcerias ocorrem na esteira de defesa comum de pontos de vista entre siglas. No Brasil, as parcerias fogem à lógica. Casamento de touro com cabra passa a ser coisa normal.
Com Marina
Marina candidata, poderia atrair segmentos dispersos, que não estão contentes com a situação e que não simpatizam com os tucanos. Para tanto, precisa ter uma forte visibilidade. Esse seria seu maior desafio. Sem mídia massiva, carecerá de ampla mobilização de seus adeptos pelas redes sociais e meios alternativos. Teria chances de expandir bem os votos - quase 20 milhões - que ganhou no pleito de 2010. Tira votos de Aécio Neves e Eduardo Campos. A mais cotada para entrar no segundo turno se encontra a um passo fora da corrida. Quem herdará seu espólio?
Ingovernabilidade
Marina teria condições de governar, caso fosse candidata e, mais, se fosse vitoriosa? Pergunta feita a 10 formadores de opinião. 8 disseram: não. 2 responderam: teria de mudar a personalidade.
Sem Marina
Sem Marina, o pleito tomará outro rumo. Eduardo Campos seria o mais favorecido por representar setores e núcleos que pleiteiam avanços e novidades. Mais que Aécio, o governador de PE expressa inovação, mudança. Mas ele não fazia parte da base governista? Essa é a questão que será colocada na mesa do debate. Sim, mas o eleitor tende a fugir da polarização entre situação e oposição. Selecionará aquele perfil que lhe traduza maior possibilidade de realizar mudanças. Campos é menos conhecido. Tem boa estampa. E boa expressão. Seu potencial de crescimento é maior do que o de Aécio. É possível que ambos, com boas votações, consigam empurrar a campanha para o segundo turno. Desafio maior sem a presença de Marina.
Com quem?
Houvesse um segundo turno, Aécio com Dilma, com quem ficaria E. Campos? Lula diria: Dilma. Grupo de Campos diria: Aécio. Segundo turno, com E. Campos e Dilma, com quem ficaria Aécio: E. Campos.
Triângulo das Bermudas
A performance da presidente Dilma, como é sabido, será melhor nas regiões Nordeste, Norte, Centro Oeste, onde os braços governistas se fazem muito fortes. Mas é possível que sua performance na região Sudeste também surpreenda, principalmente se 2014 for soprado com os ventos da temperança econômica. O Triângulo das Bermudas decidirá a campanha : SP, com mais de 30 milhões de votos; MG, com cerca de 15 milhões e RJ, com mais de 12 milhões. Em SP, tudo vai depender da campanha estadual. O governador Alckmin conseguirá emplacar a reeleição? Este consultor levanta a hipótese de corrosão de material. 20 anos de tucanato entopem artérias eleitorais. Hoje, ele é o favorito.
MG e Rio
Em Minas, o governador Anastasia conseguirá eleger seu candidato ? Aécio, em sua terrinha, terá, evidentemente, a maior votação. Mas o ministro Fernando Pimentel deverá contar com a parceria do PMDB, onde acaba de entrar o empresário de sucesso, da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José Alencar, falecido. No Rio, a situação de Sérgio Cabral não é boa. O PT, do senador Lindbergh, tem boas condições para liderar a parada.
Bombas
Há algumas bombas que podem explodir sobre Lindbergh. Coisas de quando era prefeito. Caso no STF.
O fator Lula
Dilma conta com o maior cabo eleitoral do país: Lula. Que tem dito: serei uma metamorfose ambulante. Se ela for para o Norte, eu vou para o Sul; se for para o Oeste, irei ao Nordeste. Ou seja, Lula se diz candidato. Porque ele é Dilma e Dilma é ele. Essa simbiose pode dar certo. Os centros eleitorais - classes médias tradicionais - não embarcarão nessa canoa. Mas a lábia tem grandes chances de engabelar as massas periféricas. O fator Lula é o maior diferencial da candidata Dilma.
Quanto mais?
O fator Lula pesa quanto? 10% a mais? 20% a mais? 30% a mais? É o cálculo.
Profusão de leis
De 2000 a 2010, o país criou 75.517 leis, somando legislações ordinárias e complementares estaduais e Federais, além de decretos Federais. Isso dá 6.865 leis por ano - o que significa que foram criadas 18 leis a cada dia, desde 2000. Das leis criadas entre 2000 e 2010, 68.956 são estaduais e 6.561, Federais. MG foi o maior legislador do período: criou 6.038 leis. Em seguida, BA, criadora de 4.467 leis; RS, com 4.281; SC, com 4.114; e SP, com 4.111. O RJ criou 2.554 leis nesse período.
Oposições sem discurso
As oposições, por sua vez, ainda não encontraram o fio da meada. Falta eixo no discurso. O que se ouve e se vê é uma expressão adjetivada, não substantivada. Quais são as ideias das oposições, os programas, os projetos ? Mudar é uma promessa genérica. Falta escopo. Conteúdo. O adjetivo só gera eficácia em ambiente de muita devastação econômica, inflação alta, desemprego em massa. Nesse caso, a indignação invade os espíritos e a campanha entra em largas estradas emotivas. A essa altura, os prognósticos não são catastróficos. O país não desceria o despenhadeiro.
Despenhadeiro
País no despenhadeiro seria: inflação acima de dois dígitos; desemprego em massa; categorias nas ruas exigindo aumento de salários; greves gerais.
O programa "Mais Médicos"
O programa Mais Médicos terá o peso do Bolsa Família no governo Lula. Esse Bolsa Cabeça será apresentado como a alternativa aprovada pelo povão. Vamos ver nos programas eleitorais da candidata muitos depoimentos de gente humilde, falando da generosidade, do bom atendimento, da disposição dos médicos estrangeiros. Os médicos brasileiros serão cabos eleitorais das oposições, mas apenas reforçarão a convicção de eleitores que já não votariam no PT. Esse programa pavimentará a estrada do médico Alexandre Padilha, candidato ao governo de SP. Aqui, o PT conseguirá seus tradicionais 30% de votos. Poderá, até, subir de patamar. Tudo vai depender do clima econômico.
Efeito sanfona
O programa Mais Médicos provocará o efeito sanfona: das extremidades para o centro. Alta aprovação de Dilma nas margens fazendo pressão sobre o centro.
Goiás e Paraná
GO e PR são dois colégios eleitorais importantes. Administrados por governadores tucanos, seriam, teoricamente, redutos de grandes votações para o candidato Aécio Neves. As campanhas estaduais, porém, contarão com candidatos oposicionistas com forte diferencial. No PR, a candidatura da ministra, senadora Gleisi, se apresenta como novidade. Em GO, a candidatura do empresário Junior, do Friboi, que está no PMDB, simboliza o novo. Não será fácil para o PSDB.
Nordeste
A hipótese é a de que o governador Eduardo Campos consiga uma grande votação no Nordeste. Mais uma vez, as correntes eleitorais seguirão as ondas avolumadas pelas candidaturas estaduais. No CE, por exemplo, os irmãos Cid e Ciro Gomes, que devem entrar no PROS ou no PDT (cuja vantagem é a de estar estruturado no Estado), engrossarão a corrente da presidente Dilma, seja qual for o candidato que apoiarão ao governo do Estado. Eles dominam a política cearense. Como já salientei acima, a região nordestina é o paraíso dos votos do governismo Federal.
Lula lá
E Lula, hein? Como será o palanque de Lula em sua terrinha, que é a mesma do governador Eduardo Campos? Este consultor tem a impressão de que Lula apagará um bocado de votos que iria para a conta de Dudu Beleza. Que anda anunciando ter chegado a hora de "fazer diferente".
A imagem de Hollande
François Hollande, presidente da França, passou por uma grande mudança de imagem. Consultou o jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Este buscou o conselho de dois peritos. Três soluções foram apresentadas: vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio"); cuidar da atitude corporal (por exemplo, dando atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool); e atentar para a roupa (por exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada.
Caráter
"Aquele que domina a sua cólera, domina seu pior inimigo". Kung FuTse, Confucio
"Aquele que não tem caráter não é um homem: é uma coisa". Nicolás-Sebastien Roch Chamfort
"O talento se cultiva na solidão; o caráter se forma nas tempestuosas voltas do mundo". Johann Wolfgang von Goethe
"O verdadeiro caráter sempre aparece nas grandes circunstâncias". Napoleão Bonaparte
"Tentar modificar o caráter de um homem é como tentar ensinar a uma ovelha como se atirar de um carro". Georg C. Lichtenberg
"A firmeza de caráter se traça através de uma regra de conduta". Guillermo Palau
Conselho às oposições
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos empresários. Hoje, dirige-se às oposições:
1. Oposição significa contraponto, alternativa, outra visão na política. Pressupõe, no caso dos partidos de oposição, a produção de um programa para o país, com estratégias de desenvolvimento no curto, médio e longo prazos.
2. Pouco adiantará expressar um discurso, pretensamente de oposição, com generalidades e adjetivos genéricos. Mudanças de estilos e avanços em programas implicam conteúdos densos em todos os campos: economia, política, social, cultural, gestão e administração, etc.
3. Ser de oposição significa ter coragem de enfrentar desafios, de não se submeter às pressões de grupamentos corporativos, ter independência para decidir e escolher as vias necessárias ao bem-estar da Nação.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Quintino Cunha, famoso advogado e poeta, participava de um júri em Quixeramobim/CE. O promotor berrava na tribuna:
- Senhores jurados, estou montado na lei.
Quintino pede um aparte:
- V. Exa. tenha cuidado para não cair, porque está montado em um animal que não conhece.
O promotor se calou.
(Da lavra do amigo Sebastião Nery, em Folclore Político)
Está chegando a hora
Dia 5/10 cai no sábado. Portanto, quem quiser mudar de partido o fará até sexta, 4/10. O TSE também deve dar o veredicto ao partido de Marina, a Rede Sustentabilidade. O clima é de dúvidas. Faltam entre 30 a 40 mil assinaturas para o partido marineiro se firmar. Mas o Tribunal poderá decidir formalizar a sigla e pedir diligências sobre as assinaturas não validadas pelos cartórios. Ocorre que o MP pediu ao TSE que não aceite a formalização do partido. O vice-procurador Eugênio Aragão foi taxativo: "continua sem condições de ser atendido. Criar o partido com vistas, apenas, a determinado escrutínio [eleições de 2014] é atitude que o amesquinha, o diminui aos olhos dos eleitores", escreveu ele em seu parecer. O pessimismo voltou a imperar. Marina com um pé fora?
32 partidos
Existem 32 partidos no Brasil. Partido é parte, parcela do pensamento social. Parcelas: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda, esquerda. Há 32 partes no espectro social do pensamento?
A estampa
Se a Rede fosse estendida, teríamos esta moldura : Dilma, candidata à reeleição; Marina, candidata independente, com um toque de oposição; Aécio Neves, candidato do tucanato e das oposições clássicas (PSDB e DEM), e ainda com o apoio deste novo partido, Solidariedade, liderado por Paulinho da Força; e Eduardo Campos, candidato que ensaia um discurso de mudança, mas ainda tem o perfil frappé, meio lá, meio cá, café com leite. José Serra saiu da crise existencial que o sufocava. Decidiu ficar no PSDB.
Casamentos
Geralmente, as parcerias ocorrem na esteira de defesa comum de pontos de vista entre siglas. No Brasil, as parcerias fogem à lógica. Casamento de touro com cabra passa a ser coisa normal.
Com Marina
Marina candidata, poderia atrair segmentos dispersos, que não estão contentes com a situação e que não simpatizam com os tucanos. Para tanto, precisa ter uma forte visibilidade. Esse seria seu maior desafio. Sem mídia massiva, carecerá de ampla mobilização de seus adeptos pelas redes sociais e meios alternativos. Teria chances de expandir bem os votos - quase 20 milhões - que ganhou no pleito de 2010. Tira votos de Aécio Neves e Eduardo Campos. A mais cotada para entrar no segundo turno se encontra a um passo fora da corrida. Quem herdará seu espólio?
Ingovernabilidade
Marina teria condições de governar, caso fosse candidata e, mais, se fosse vitoriosa? Pergunta feita a 10 formadores de opinião. 8 disseram: não. 2 responderam: teria de mudar a personalidade.
Sem Marina
Sem Marina, o pleito tomará outro rumo. Eduardo Campos seria o mais favorecido por representar setores e núcleos que pleiteiam avanços e novidades. Mais que Aécio, o governador de PE expressa inovação, mudança. Mas ele não fazia parte da base governista? Essa é a questão que será colocada na mesa do debate. Sim, mas o eleitor tende a fugir da polarização entre situação e oposição. Selecionará aquele perfil que lhe traduza maior possibilidade de realizar mudanças. Campos é menos conhecido. Tem boa estampa. E boa expressão. Seu potencial de crescimento é maior do que o de Aécio. É possível que ambos, com boas votações, consigam empurrar a campanha para o segundo turno. Desafio maior sem a presença de Marina.
Com quem?
Houvesse um segundo turno, Aécio com Dilma, com quem ficaria E. Campos? Lula diria: Dilma. Grupo de Campos diria: Aécio. Segundo turno, com E. Campos e Dilma, com quem ficaria Aécio: E. Campos.
Triângulo das Bermudas
A performance da presidente Dilma, como é sabido, será melhor nas regiões Nordeste, Norte, Centro Oeste, onde os braços governistas se fazem muito fortes. Mas é possível que sua performance na região Sudeste também surpreenda, principalmente se 2014 for soprado com os ventos da temperança econômica. O Triângulo das Bermudas decidirá a campanha : SP, com mais de 30 milhões de votos; MG, com cerca de 15 milhões e RJ, com mais de 12 milhões. Em SP, tudo vai depender da campanha estadual. O governador Alckmin conseguirá emplacar a reeleição? Este consultor levanta a hipótese de corrosão de material. 20 anos de tucanato entopem artérias eleitorais. Hoje, ele é o favorito.
MG e Rio
Em Minas, o governador Anastasia conseguirá eleger seu candidato ? Aécio, em sua terrinha, terá, evidentemente, a maior votação. Mas o ministro Fernando Pimentel deverá contar com a parceria do PMDB, onde acaba de entrar o empresário de sucesso, da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do ex-presidente José Alencar, falecido. No Rio, a situação de Sérgio Cabral não é boa. O PT, do senador Lindbergh, tem boas condições para liderar a parada.
Bombas
Há algumas bombas que podem explodir sobre Lindbergh. Coisas de quando era prefeito. Caso no STF.
O fator Lula
Dilma conta com o maior cabo eleitoral do país: Lula. Que tem dito: serei uma metamorfose ambulante. Se ela for para o Norte, eu vou para o Sul; se for para o Oeste, irei ao Nordeste. Ou seja, Lula se diz candidato. Porque ele é Dilma e Dilma é ele. Essa simbiose pode dar certo. Os centros eleitorais - classes médias tradicionais - não embarcarão nessa canoa. Mas a lábia tem grandes chances de engabelar as massas periféricas. O fator Lula é o maior diferencial da candidata Dilma.
Quanto mais?
O fator Lula pesa quanto? 10% a mais? 20% a mais? 30% a mais? É o cálculo.
Profusão de leis
De 2000 a 2010, o país criou 75.517 leis, somando legislações ordinárias e complementares estaduais e Federais, além de decretos Federais. Isso dá 6.865 leis por ano - o que significa que foram criadas 18 leis a cada dia, desde 2000. Das leis criadas entre 2000 e 2010, 68.956 são estaduais e 6.561, Federais. MG foi o maior legislador do período: criou 6.038 leis. Em seguida, BA, criadora de 4.467 leis; RS, com 4.281; SC, com 4.114; e SP, com 4.111. O RJ criou 2.554 leis nesse período.
Oposições sem discurso
As oposições, por sua vez, ainda não encontraram o fio da meada. Falta eixo no discurso. O que se ouve e se vê é uma expressão adjetivada, não substantivada. Quais são as ideias das oposições, os programas, os projetos ? Mudar é uma promessa genérica. Falta escopo. Conteúdo. O adjetivo só gera eficácia em ambiente de muita devastação econômica, inflação alta, desemprego em massa. Nesse caso, a indignação invade os espíritos e a campanha entra em largas estradas emotivas. A essa altura, os prognósticos não são catastróficos. O país não desceria o despenhadeiro.
Despenhadeiro
País no despenhadeiro seria: inflação acima de dois dígitos; desemprego em massa; categorias nas ruas exigindo aumento de salários; greves gerais.
O programa "Mais Médicos"
O programa Mais Médicos terá o peso do Bolsa Família no governo Lula. Esse Bolsa Cabeça será apresentado como a alternativa aprovada pelo povão. Vamos ver nos programas eleitorais da candidata muitos depoimentos de gente humilde, falando da generosidade, do bom atendimento, da disposição dos médicos estrangeiros. Os médicos brasileiros serão cabos eleitorais das oposições, mas apenas reforçarão a convicção de eleitores que já não votariam no PT. Esse programa pavimentará a estrada do médico Alexandre Padilha, candidato ao governo de SP. Aqui, o PT conseguirá seus tradicionais 30% de votos. Poderá, até, subir de patamar. Tudo vai depender do clima econômico.
Efeito sanfona
O programa Mais Médicos provocará o efeito sanfona: das extremidades para o centro. Alta aprovação de Dilma nas margens fazendo pressão sobre o centro.
Goiás e Paraná
GO e PR são dois colégios eleitorais importantes. Administrados por governadores tucanos, seriam, teoricamente, redutos de grandes votações para o candidato Aécio Neves. As campanhas estaduais, porém, contarão com candidatos oposicionistas com forte diferencial. No PR, a candidatura da ministra, senadora Gleisi, se apresenta como novidade. Em GO, a candidatura do empresário Junior, do Friboi, que está no PMDB, simboliza o novo. Não será fácil para o PSDB.
Nordeste
A hipótese é a de que o governador Eduardo Campos consiga uma grande votação no Nordeste. Mais uma vez, as correntes eleitorais seguirão as ondas avolumadas pelas candidaturas estaduais. No CE, por exemplo, os irmãos Cid e Ciro Gomes, que devem entrar no PROS ou no PDT (cuja vantagem é a de estar estruturado no Estado), engrossarão a corrente da presidente Dilma, seja qual for o candidato que apoiarão ao governo do Estado. Eles dominam a política cearense. Como já salientei acima, a região nordestina é o paraíso dos votos do governismo Federal.
Lula lá
E Lula, hein? Como será o palanque de Lula em sua terrinha, que é a mesma do governador Eduardo Campos? Este consultor tem a impressão de que Lula apagará um bocado de votos que iria para a conta de Dudu Beleza. Que anda anunciando ter chegado a hora de "fazer diferente".
A imagem de Hollande
François Hollande, presidente da França, passou por uma grande mudança de imagem. Consultou o jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Este buscou o conselho de dois peritos. Três soluções foram apresentadas: vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio"); cuidar da atitude corporal (por exemplo, dando atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool); e atentar para a roupa (por exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada.
Caráter
"Aquele que domina a sua cólera, domina seu pior inimigo". Kung FuTse, Confucio
"Aquele que não tem caráter não é um homem: é uma coisa". Nicolás-Sebastien Roch Chamfort
"O talento se cultiva na solidão; o caráter se forma nas tempestuosas voltas do mundo". Johann Wolfgang von Goethe
"O verdadeiro caráter sempre aparece nas grandes circunstâncias". Napoleão Bonaparte
"Tentar modificar o caráter de um homem é como tentar ensinar a uma ovelha como se atirar de um carro". Georg C. Lichtenberg
"A firmeza de caráter se traça através de uma regra de conduta". Guillermo Palau
Conselho às oposições
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos empresários. Hoje, dirige-se às oposições:
1. Oposição significa contraponto, alternativa, outra visão na política. Pressupõe, no caso dos partidos de oposição, a produção de um programa para o país, com estratégias de desenvolvimento no curto, médio e longo prazos.
2. Pouco adiantará expressar um discurso, pretensamente de oposição, com generalidades e adjetivos genéricos. Mudanças de estilos e avanços em programas implicam conteúdos densos em todos os campos: economia, política, social, cultural, gestão e administração, etc.
3. Ser de oposição significa ter coragem de enfrentar desafios, de não se submeter às pressões de grupamentos corporativos, ter independência para decidir e escolher as vias necessárias ao bem-estar da Nação.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
2014: Dólar para cima. Juros também - 1
Os diversos segmentos do mercado financeiro mundial estão relativamente estáveis, inclusos os tais emergentes, dadas as informações provenientes da última reunião do Fed que manteve inalterada a expansão monetária que sustenta as atuais taxas de juros negativas nos EUA. Vale dizer que, a despeito desta informação, é certo que este período de forte expansão das emissões de dólares está chegando ao fim, depois de cinco anos desde a crise de meados de setembro de 2008. Isso significa que o dólar norte-americano vai se valorizar com a alta dos juros básicos daquela economia, bem como devido ao próprio fato de que a atividade econômica está em clara expansão nos EUA. O euro e o iene sentirão os efeitos decorrentes deste processo, mas serão as moedas de países em desenvolvimento aquelas que mais perceberão os efeitos do dólar americano mais caro. Neste sentido, Índia e China já se preparam claramente para este cenário. A Rússia opera olhando mais para o preço do petróleo e o Brasil está aumentando os juros, mas a inflação também sobe - este também é o caso da Turquia, para citar uma dentre as economias mais secundárias.
2014: Dólar para cima. Juros também - 2
Há, obviamente, a opção de os países emergentes, dentre os quais o Brasil, de não subir os juros e aceitar passivamente a desvalorização cambial. Isso significará muito provavelmente uma equivalente alta da inflação. No caso brasileiro há o agravante de que o governo represou uma série de preços públicos, dentre os quais a energia elétrica (esta sofreu uma desoneração, mas as tarifas estão artificialmente baixas) e os combustíveis. Ou seja, os riscos de inflação são muito maiores. Portanto, na medição entre juros mais altos versus inflação mais alta o governo deve optar pelo controle da inflação. O que, por sua vez, significa atividade econômica muito modesta, ao redor dos 2%. Note-se que não há no horizonte nenhuma alteração estrutural que nos tire desta sina do "voo de galinha", outrora propalado pelos que hoje detêm o poder. No caso da Índia e China, ambos os países com taxas de produtividade crescentes, o PIB pode crescer menos, mas não a ponto de se envergonhar perante seus "colegas". O caso do Brasil é de dar vergonha até mesmo perante o continente abaixo do Equador, local onde há o mito de que não há pecado.
2014: Dilma e o PIBinho
Até agora está claro o favoritismo da presidente na corrida presidencial. O fato de produzir resultados pífios na governança e na economia não a impede de bons índices de popularidade por força do emprego alto e a renda estável. É possível e, até mesmo provável, que persista este cenário por mais tempo. Porém, temos de reconhecer que o cenário no médio prazo está cada vez mais comprometido. A indústria brasileira está capenga, acumulando dia a dia mais necessidades de "vantagens" para sobreviver. Depende de um câmbio mais favorável, de desonerações tributárias permanentes, de incrementos de novas tecnologias, de maior eficiência na logística de produção e distribuição... e assim vai. Não à toa o Brasil, pouco a pouco retorna ao seu destino de país agrícola (e abençoado por Deus, neste particular). As elites industriais e financeiras pouco esforço despendem do ponto de vista político para frear este destino. O próprio ativismo governamental está voltado para o crédito de setores atrasados para um processo de acumulação capitalista digno do nome de "moderno". A política está afeita cada vez mais para a gestão de conjunturas de curto prazo e, nesse quesito, devemos reconhecer que governo e oposição são semelhantes. Em havendo semelhança, o povo escolhe o que mais conhece. No caso Dilma, assessorada diuturnamente por seu padrinho-palestrante Lula da Silva. É o que se verifica até agora.
México tenta ajuste
O presidente mexicano Enrique Peña Nieto lançou no último dia 8 um plano para ajustar o déficit público em 1,4% do PIB. Atualmente, o déficit é da ordem de 3,5% do PIB, o maior nos últimos 24 anos. A recepção do plano foi péssima e reuniu das classes laborais até os empresários mais discretos. Este ajuste ocorre no exato momento em que o país sofre os efeitos da forte saída de recursos estrangeiros, os quais estão retornando, sobretudo, para os EUA. Comenta-se que as agências de classificação de risco consideram reduzir a nota do país o que adicionaria maior turbulência ao mercado de títulos soberanos e privados. Investidores em mercados emergentes comentam que as dificuldades do México podem ser semelhantes aos eventuais ajustes/ reformas no Brasil, especialmente na área da previdência social, onde o déficit deve se aproximar de 1% do PIB este ano, cerca de R$ 40 bi. Em 10 anos este déficit deve ser de cerca de 3% do PIB.
Time quase completo
Dilma, de um lado amparada por um larguíssimo suporte de partidos políticos, de um partido comunista até um partido sob a influência de Paulo Maluf, símbolo do regime militar e de práticas cross border que faria até Obama corar. De outro lado, uma oposição fraca de ideias e ação, representada por Aécio Neves e (talvez) Marina Silva. Estes últimos tentam e tentam mais alianças políticas de olho nas eleições estaduais e do Congresso, além do famigerado horário de rádio e TV. Em meio aos principais candidatos surge Eduardo Campos, apostador no longo prazo. Sai agora debaixo das saias do governo pensando em conveniências de 2018. Afinal, é jovem e formou uma boa base em seu Estado PE e no Nordeste. Nada tem a acrescentar em termos de discurso. Pegará o que lhe parecer mais razoável e empenhará alguma bandeira mudancista. Por fim, temos José Serra, sobre quem ninguém sabe muito, pois para ele tudo é tão estratégico que parece discutido com um único personagem : ele mesmo. Ao que parece vai ficar no PSDB, voltado para um seguro mandato de deputado Federal. Terá o que falar no Congresso. Resta saber quem o escutará. Este deve ser o cenário. No final da semana esgota-se o prazo para indecisões.
Marina esbarra no óbvio
Tão certo quanto a torcida para que Marina fique sem partido é o fato de que "a sustentável" demonstrou pouca capacidade operacional para liderar um partido novo. Que existe má vontade dos corredores do aparelho estatal com a "Rede" até as pedras do Pão de Açúcar podem imaginar. Todavia, para quem teve pelo menos quatro anos para tomar um rumo, Marina Silva deixa muito a desejar. É possível que consiga formar o seu partido, mas a marca de inoperante precisa ser observada com redobrado cuidado. Ademais, a "postura" de manter-se eventualmente fora da luta política de 2014 em nome de "princípios" soa mais ainda como "fraqueza". Ninguém, em prol do Brasil, pode pregar "práticas fisiológicas", mas também deixar de articular para propor algo novo ao país parece mais "fuga" que postura. Cerca de 1/5 dos eleitores esperam algo de Marina Silva. Simplesmente virar as costas para este segmento e dizer "até 2018" parece coisa de artista consagrado que se retira da vida pública. Não é o caso de Marina que ainda necessita se provar viável enquanto alternativa de poder.
Difícil de explicar, difícil de entender
Filustrias legais à parte, será difícil explicar para o eleitor, mesmo os esclarecidos, como Marina não conseguiu formar seu partido e dois partidos voltados para a compra e venda - todos sabem do quê - se fizeram de pé até com facilidade. Esse episódio diz muito do sistema partidário brasileiro, da política de um modo geral e de um tal certo "garantismo" que em determinados momentos empolga a Justiça brasileira. Não dá para ninguém lavar as mãos nesse triste recorde mundial de partidos que o Brasil caminha para bater em breve. Todos estão interessados na existência dessas legendas de aluguel. E foi o STF que acabou com a cláusula de barreira (ou de desempenho) que poderia assustar alguns aventureiros. E foi também a Justiça quem disse que um partido novo pode herdar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e o fundo partidário referente ao número de deputados Federais que conquistar Deus e o Brasil inteiro sabem lá como. Liberou geral e agora não adianta chorar.
Eduardo Campos, moderno?
Será muito curioso verificar qual será o discurso do governador Eduardo Campos. É jovem, fala bem e parece querer transitar entre o moderno e o arcaico no que tange à economia. De seus respeitáveis índices de aprovação Campos manifesta-se pelo país e governo que "podem mais". Se pensa em 2018, por que não anuncia planos estruturais? Por que não denuncia o atraso no qual o país mergulha e prevalece a letargia política? Como explicará que foi sócio do primeiro time dos projetos lulistas e dilmistas e agora quer ser um oposicionista? Se tudo se circunscrever apenas ao "tático", por ora, é possível que Campos possa se inserir no cenário político, mas será necessário que ele vá além de suas alianças regionais e seus bate-papos com Dilma e Aécio. O que se conhece nacionalmente de Eduardo Campos foi sua atuação para assentar sua mãe Ana Arraes no TCU. Há dois anos fez contatos e acordos de norte a sul para garantir o assento da genitora. Venceu com 222 votos contra 149 do atual ministro dos esportes Aldo Rebelo. Apoiou-se em Lula, Kassab, no PTB de Roberto Jefferson e assim foi. Seria este um sinal de como atua politicamente? Em tempo: Campos não pode nem de longe passar a impressão de que começa a correr em 2014 para se preparar para 2018. Se o eleitor desconfiar disso, ele terá uma votação pífia. Afinal, porque votar agora num cara que só quer chegar em quatro anos?
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 1
É consagrado o princípio que conceituou o Poder Estatal como único, dado que a sua fonte é o próprio Estado formado por um caráter volitivo originário dos interesses de um povo. A Constituição dá forma à organização do Estado e aos limites para a sua ação. A "separação de poderes", a partir desta premissa, foi o modo funcional construído socialmente a partir do século XVII para que o Poder uno do Estado fosse contido de forma "harmônica e equilibrada". Portanto, a "separação" é uma ficção útil à sociedade, evitando-se a tirania. A existência do Legislativo, Executivo e Judiciário é uma garantia cuja fonte é um "parcelamento" do Poder em prol do povo e que guarda graus variados de interdependência. A "separação" é uma garantia que, de outro lado, não deve excluir a influência de seu constituinte, o povo. Trata-se de conceito básico que muitas vezes precisa ser relembrado para que seja relativizada a independência de cada um deles, especialmente, o Judiciário, o mais supremo detentor das decisões estatais. Além do fato de que todas as instâncias do Poder Estatal estão sujeitas às críticas.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 2
Afirma o eminente ministro Celso de Mello, na coluna da jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo do último dia 26 que "em 45 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação buscando subjugar um juiz. (...) Abordagens passionais descaracterizam a racionalidade inerente ao discurso jurídico. É fundamental que o juiz julgue de modo independente". Ao que parece o ministro do STF esqueceu-se de alguns aspectos fundamentais ao fazer o seu desabafo. O povo, a sociedade, das quais a imprensa é parte, tem sim o direito de ser incisivo e ostensivo. Tem o direito de tentar influenciar as decisões estatais, em geral, e as do Judiciário em particular. Afinal, assim ocorre, por diferentes meios, com o Executivo e o Legislativo, também detentores do Poder Estatal. Mais : não pode haver "constrangimento" quando as vozes se pronunciam sobre temas que lhe são caros, dentre os quais, as imoralidades do chamado "mensalão" (cujo nome já soa desagradável). Diante disso não há tentativas de "subjugação". No caso da AP 470, por sinal, a decisão foi tomada e aceita, sem que houvesse nenhum atentado aos juízes e às suas sentenças.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 3
O ministro Celso de Mello, ao pronunciar o seu voto, estava desempatando um processo decisório onde havia e há mais dúvidas do que certezas. Não pense o eminente juiz da Corte máxima que o seu voto recheado de citações, embora muito respeitável, seja fonte de sabedoria superior nesta ação penal. Fosse assim cabalaria para si outros votos, afinal estes podiam ser mudados até o encerramento do resultado, não é mesmo? Se é verdade que a aceitação dos embargos infringentes é tortuosa, melindrosa e cheia de corredores analíticos, é verdade também que o distinto povo está "subjugado" por mazelas como a corrupção e o abuso do Poder uno do Estado. Ao povo não falta paciência com a "racionalidade do discurso jurídico". Especialmente quando se vê o tal do "mensalão" se arrastando por anos e os poderosos protegidos por um Estado de Direito que não agasalha sequer a maioria do povo. Não pode esperar o digníssimo magistrado que o povo distinga todas as facetas e particularidades de um processo, especialmente na Suprema Corte. Não resta dúvida que foi isso que a imprensa refletiu nas suas reportagens. Não se pode chamar isso de "paixão". Diga-se que nem sempre a imprensa reflete legitimamente e eficazmente os sentimentos do povo, mas neste caso a "racionalidade" de Celso de Mello deveria reconhecer que foi o caso. O Judiciário é uma garantia contra a tirania do Poder uno do Estado, mas não pode ser impermeável à fonte que lhe dá este Poder.
O "x" de Guido Mantega
O ministro da Fazenda Guido Mantega declarou em um evento na FGV/SP que "isso [a crise do grupo X] continua atrapalhando o desempenho da economia brasileira, que na Bolsa é muito boa. Mas claro que você pode ter uma empresa que não tenha desempenho suficiente e nos atrapalhe". Trata-se de uma declaração curiosa, especialmente vindo da boca do presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o que lhe credencia como especialista no setor. Será que tal crise não era previsível? O que terá feito o governo para evitá-la? E por que o BNDES emprestou tantos recursos para este Grupo? Não deveria o banco ter sido mais prudente? Sobre estas perguntas não se sabe o que pensa o ministro.
Ainda Dilma na ONU
Cabe a um presidente de um país como o Brasil se indignar diante das revelações sobre a espionagem promovida pela maior potência do mundo em comunicações públicas e privadas de governantes. Tal indignação pode ser manifestada de diversas formas e ocasiões, mas no mundo da realpolitik é preciso tomar cuidado para não ultrapassar certos limites, incluso o do ridículo. A arena internacional não permite amadorismo. Veja o caso do governo Obama em relação à crise Síria. Vladimir Putin deu um nó diplomático no departamento de Estado e no próprio presidente que não restou alternativa aos EUA senão o recuo de suas pretensões intervencionistas. O que ocorreu em seguida ? O secretário John Kerry se recompôs, apertou a gravata e voltou a negociar com a Rússia e outros países que compõem o Conselho de Segurança da ONU. A União Europeia, também vítima da política de Obama, viu-se constrangida em verificar que sofreu espionagem no exato momento em que negocia um amplo acordo comercial com os EUA. O que ocorreu a seguir? A vida seguiu e as negociações também. A pergunta que resta é como Dilma e seu governo seguirão em relação aos EUA? Será que a presidente consultará o seu ministro sem pasta João Santana, conselheiro eleitoral da presidente, para saber o que fazer?
O sumiço de Mercadante
Nota-se em Brasília que o ministro da Educação Aloizio Mercadante está menos atuante nos assuntos fora de sua pasta. Não se sabe se isso é efeito de suas proposições sobre plebiscito e reforma política durante as manifestações de junho e julho passados. A conferir.
Por quê nem todos acreditam?
Lula tem feito louváveis esforços para dissuadir as viúvas do lulismo, no PT e na base aliada, de que não passa por sua cabeça voltar ao Palácio do Planalto. Pelo menos em 2014 não, o lugar, ele reafirma sempre que pode, é de Dilma. Em 2018, quem sabe, talvez... Mas cada vez que Lula abre a boca para jurar sua fidelidade a Dilma, mais as dúvidas sobre suas reais intenções persistem. Talvez por um erro de escolha de palavras e ênfases. Foi assim duas vezes nos últimos dias. No meio da semana passada, em entrevista à imprensa ligada ao PT, sua declaração de que "está no jogo" assanhou os lulistas mais radicais. No "Correio Braziliense" de domingo, o fogo pegou novamente: Lula disse que estará nos palanques como se fosse ele o candidato. Junte-se a isto críticas veladas a Dilma, inclusive no caso do rompimento político com o PSB, e está formado o caldo de cultura para alimentar um pouco mais o "volta Lula" que ele tenta abafar. Foram apenas escorregões verbais ou recados cheios de malícia política?
Por que eles não acreditam?
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descobriu mais um responsável pela desconfiança no exterior a respeito da economia brasileira: o empresário Eike Batista, outros incensado no mundo oficial como o empreender dos novos tempos (ver nota acima).
De ilusões também se vive
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, talvez por um lapso mental, deu a chave do início desse descrédito, no road show que a presidente Dilma Rousseff comandou nos Estados Unidos para atrair investidores para o Programa de Investimentos em Logística (PIL): o modo como foi conduzida a renovação dos contratos do setor elétrico. A queda começou aí. Não foi à toa que o tom da peroração da presidente Dilma Rousseff foi o de que o Brasil é um país que cumpre contratos.
Por quê é tão difícil de convencer?
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton passou maus bocados para tentar convencer os jornalistas especializados que acompanham o dia a dia do BC, que a política fiscal do governo Dilma caminha para a neutralidade, como a autoridade monetária escreveu no boletim trimestral de inflação divulgado ontem. Não é mesmo fácil emplacar esta tese depois de o superávit primário de agosto ter batido em apenas R$ 87 milhões e o governo, via Ministério da Fazenda, está contando com receitas extraordinárias, inclusive das concessões e infraestrutura e do pré-sal para cumprir sua promessa de economia de recursos este ano.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Os diversos segmentos do mercado financeiro mundial estão relativamente estáveis, inclusos os tais emergentes, dadas as informações provenientes da última reunião do Fed que manteve inalterada a expansão monetária que sustenta as atuais taxas de juros negativas nos EUA. Vale dizer que, a despeito desta informação, é certo que este período de forte expansão das emissões de dólares está chegando ao fim, depois de cinco anos desde a crise de meados de setembro de 2008. Isso significa que o dólar norte-americano vai se valorizar com a alta dos juros básicos daquela economia, bem como devido ao próprio fato de que a atividade econômica está em clara expansão nos EUA. O euro e o iene sentirão os efeitos decorrentes deste processo, mas serão as moedas de países em desenvolvimento aquelas que mais perceberão os efeitos do dólar americano mais caro. Neste sentido, Índia e China já se preparam claramente para este cenário. A Rússia opera olhando mais para o preço do petróleo e o Brasil está aumentando os juros, mas a inflação também sobe - este também é o caso da Turquia, para citar uma dentre as economias mais secundárias.
2014: Dólar para cima. Juros também - 2
Há, obviamente, a opção de os países emergentes, dentre os quais o Brasil, de não subir os juros e aceitar passivamente a desvalorização cambial. Isso significará muito provavelmente uma equivalente alta da inflação. No caso brasileiro há o agravante de que o governo represou uma série de preços públicos, dentre os quais a energia elétrica (esta sofreu uma desoneração, mas as tarifas estão artificialmente baixas) e os combustíveis. Ou seja, os riscos de inflação são muito maiores. Portanto, na medição entre juros mais altos versus inflação mais alta o governo deve optar pelo controle da inflação. O que, por sua vez, significa atividade econômica muito modesta, ao redor dos 2%. Note-se que não há no horizonte nenhuma alteração estrutural que nos tire desta sina do "voo de galinha", outrora propalado pelos que hoje detêm o poder. No caso da Índia e China, ambos os países com taxas de produtividade crescentes, o PIB pode crescer menos, mas não a ponto de se envergonhar perante seus "colegas". O caso do Brasil é de dar vergonha até mesmo perante o continente abaixo do Equador, local onde há o mito de que não há pecado.
2014: Dilma e o PIBinho
Até agora está claro o favoritismo da presidente na corrida presidencial. O fato de produzir resultados pífios na governança e na economia não a impede de bons índices de popularidade por força do emprego alto e a renda estável. É possível e, até mesmo provável, que persista este cenário por mais tempo. Porém, temos de reconhecer que o cenário no médio prazo está cada vez mais comprometido. A indústria brasileira está capenga, acumulando dia a dia mais necessidades de "vantagens" para sobreviver. Depende de um câmbio mais favorável, de desonerações tributárias permanentes, de incrementos de novas tecnologias, de maior eficiência na logística de produção e distribuição... e assim vai. Não à toa o Brasil, pouco a pouco retorna ao seu destino de país agrícola (e abençoado por Deus, neste particular). As elites industriais e financeiras pouco esforço despendem do ponto de vista político para frear este destino. O próprio ativismo governamental está voltado para o crédito de setores atrasados para um processo de acumulação capitalista digno do nome de "moderno". A política está afeita cada vez mais para a gestão de conjunturas de curto prazo e, nesse quesito, devemos reconhecer que governo e oposição são semelhantes. Em havendo semelhança, o povo escolhe o que mais conhece. No caso Dilma, assessorada diuturnamente por seu padrinho-palestrante Lula da Silva. É o que se verifica até agora.
México tenta ajuste
O presidente mexicano Enrique Peña Nieto lançou no último dia 8 um plano para ajustar o déficit público em 1,4% do PIB. Atualmente, o déficit é da ordem de 3,5% do PIB, o maior nos últimos 24 anos. A recepção do plano foi péssima e reuniu das classes laborais até os empresários mais discretos. Este ajuste ocorre no exato momento em que o país sofre os efeitos da forte saída de recursos estrangeiros, os quais estão retornando, sobretudo, para os EUA. Comenta-se que as agências de classificação de risco consideram reduzir a nota do país o que adicionaria maior turbulência ao mercado de títulos soberanos e privados. Investidores em mercados emergentes comentam que as dificuldades do México podem ser semelhantes aos eventuais ajustes/ reformas no Brasil, especialmente na área da previdência social, onde o déficit deve se aproximar de 1% do PIB este ano, cerca de R$ 40 bi. Em 10 anos este déficit deve ser de cerca de 3% do PIB.
Time quase completo
Dilma, de um lado amparada por um larguíssimo suporte de partidos políticos, de um partido comunista até um partido sob a influência de Paulo Maluf, símbolo do regime militar e de práticas cross border que faria até Obama corar. De outro lado, uma oposição fraca de ideias e ação, representada por Aécio Neves e (talvez) Marina Silva. Estes últimos tentam e tentam mais alianças políticas de olho nas eleições estaduais e do Congresso, além do famigerado horário de rádio e TV. Em meio aos principais candidatos surge Eduardo Campos, apostador no longo prazo. Sai agora debaixo das saias do governo pensando em conveniências de 2018. Afinal, é jovem e formou uma boa base em seu Estado PE e no Nordeste. Nada tem a acrescentar em termos de discurso. Pegará o que lhe parecer mais razoável e empenhará alguma bandeira mudancista. Por fim, temos José Serra, sobre quem ninguém sabe muito, pois para ele tudo é tão estratégico que parece discutido com um único personagem : ele mesmo. Ao que parece vai ficar no PSDB, voltado para um seguro mandato de deputado Federal. Terá o que falar no Congresso. Resta saber quem o escutará. Este deve ser o cenário. No final da semana esgota-se o prazo para indecisões.
Marina esbarra no óbvio
Tão certo quanto a torcida para que Marina fique sem partido é o fato de que "a sustentável" demonstrou pouca capacidade operacional para liderar um partido novo. Que existe má vontade dos corredores do aparelho estatal com a "Rede" até as pedras do Pão de Açúcar podem imaginar. Todavia, para quem teve pelo menos quatro anos para tomar um rumo, Marina Silva deixa muito a desejar. É possível que consiga formar o seu partido, mas a marca de inoperante precisa ser observada com redobrado cuidado. Ademais, a "postura" de manter-se eventualmente fora da luta política de 2014 em nome de "princípios" soa mais ainda como "fraqueza". Ninguém, em prol do Brasil, pode pregar "práticas fisiológicas", mas também deixar de articular para propor algo novo ao país parece mais "fuga" que postura. Cerca de 1/5 dos eleitores esperam algo de Marina Silva. Simplesmente virar as costas para este segmento e dizer "até 2018" parece coisa de artista consagrado que se retira da vida pública. Não é o caso de Marina que ainda necessita se provar viável enquanto alternativa de poder.
Difícil de explicar, difícil de entender
Filustrias legais à parte, será difícil explicar para o eleitor, mesmo os esclarecidos, como Marina não conseguiu formar seu partido e dois partidos voltados para a compra e venda - todos sabem do quê - se fizeram de pé até com facilidade. Esse episódio diz muito do sistema partidário brasileiro, da política de um modo geral e de um tal certo "garantismo" que em determinados momentos empolga a Justiça brasileira. Não dá para ninguém lavar as mãos nesse triste recorde mundial de partidos que o Brasil caminha para bater em breve. Todos estão interessados na existência dessas legendas de aluguel. E foi o STF que acabou com a cláusula de barreira (ou de desempenho) que poderia assustar alguns aventureiros. E foi também a Justiça quem disse que um partido novo pode herdar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e o fundo partidário referente ao número de deputados Federais que conquistar Deus e o Brasil inteiro sabem lá como. Liberou geral e agora não adianta chorar.
Eduardo Campos, moderno?
Será muito curioso verificar qual será o discurso do governador Eduardo Campos. É jovem, fala bem e parece querer transitar entre o moderno e o arcaico no que tange à economia. De seus respeitáveis índices de aprovação Campos manifesta-se pelo país e governo que "podem mais". Se pensa em 2018, por que não anuncia planos estruturais? Por que não denuncia o atraso no qual o país mergulha e prevalece a letargia política? Como explicará que foi sócio do primeiro time dos projetos lulistas e dilmistas e agora quer ser um oposicionista? Se tudo se circunscrever apenas ao "tático", por ora, é possível que Campos possa se inserir no cenário político, mas será necessário que ele vá além de suas alianças regionais e seus bate-papos com Dilma e Aécio. O que se conhece nacionalmente de Eduardo Campos foi sua atuação para assentar sua mãe Ana Arraes no TCU. Há dois anos fez contatos e acordos de norte a sul para garantir o assento da genitora. Venceu com 222 votos contra 149 do atual ministro dos esportes Aldo Rebelo. Apoiou-se em Lula, Kassab, no PTB de Roberto Jefferson e assim foi. Seria este um sinal de como atua politicamente? Em tempo: Campos não pode nem de longe passar a impressão de que começa a correr em 2014 para se preparar para 2018. Se o eleitor desconfiar disso, ele terá uma votação pífia. Afinal, porque votar agora num cara que só quer chegar em quatro anos?
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 1
É consagrado o princípio que conceituou o Poder Estatal como único, dado que a sua fonte é o próprio Estado formado por um caráter volitivo originário dos interesses de um povo. A Constituição dá forma à organização do Estado e aos limites para a sua ação. A "separação de poderes", a partir desta premissa, foi o modo funcional construído socialmente a partir do século XVII para que o Poder uno do Estado fosse contido de forma "harmônica e equilibrada". Portanto, a "separação" é uma ficção útil à sociedade, evitando-se a tirania. A existência do Legislativo, Executivo e Judiciário é uma garantia cuja fonte é um "parcelamento" do Poder em prol do povo e que guarda graus variados de interdependência. A "separação" é uma garantia que, de outro lado, não deve excluir a influência de seu constituinte, o povo. Trata-se de conceito básico que muitas vezes precisa ser relembrado para que seja relativizada a independência de cada um deles, especialmente, o Judiciário, o mais supremo detentor das decisões estatais. Além do fato de que todas as instâncias do Poder Estatal estão sujeitas às críticas.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 2
Afirma o eminente ministro Celso de Mello, na coluna da jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo do último dia 26 que "em 45 anos de atuação na área jurídica, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação buscando subjugar um juiz. (...) Abordagens passionais descaracterizam a racionalidade inerente ao discurso jurídico. É fundamental que o juiz julgue de modo independente". Ao que parece o ministro do STF esqueceu-se de alguns aspectos fundamentais ao fazer o seu desabafo. O povo, a sociedade, das quais a imprensa é parte, tem sim o direito de ser incisivo e ostensivo. Tem o direito de tentar influenciar as decisões estatais, em geral, e as do Judiciário em particular. Afinal, assim ocorre, por diferentes meios, com o Executivo e o Legislativo, também detentores do Poder Estatal. Mais : não pode haver "constrangimento" quando as vozes se pronunciam sobre temas que lhe são caros, dentre os quais, as imoralidades do chamado "mensalão" (cujo nome já soa desagradável). Diante disso não há tentativas de "subjugação". No caso da AP 470, por sinal, a decisão foi tomada e aceita, sem que houvesse nenhum atentado aos juízes e às suas sentenças.
Celso de Mello, Poder Estatal e o povo - 3
O ministro Celso de Mello, ao pronunciar o seu voto, estava desempatando um processo decisório onde havia e há mais dúvidas do que certezas. Não pense o eminente juiz da Corte máxima que o seu voto recheado de citações, embora muito respeitável, seja fonte de sabedoria superior nesta ação penal. Fosse assim cabalaria para si outros votos, afinal estes podiam ser mudados até o encerramento do resultado, não é mesmo? Se é verdade que a aceitação dos embargos infringentes é tortuosa, melindrosa e cheia de corredores analíticos, é verdade também que o distinto povo está "subjugado" por mazelas como a corrupção e o abuso do Poder uno do Estado. Ao povo não falta paciência com a "racionalidade do discurso jurídico". Especialmente quando se vê o tal do "mensalão" se arrastando por anos e os poderosos protegidos por um Estado de Direito que não agasalha sequer a maioria do povo. Não pode esperar o digníssimo magistrado que o povo distinga todas as facetas e particularidades de um processo, especialmente na Suprema Corte. Não resta dúvida que foi isso que a imprensa refletiu nas suas reportagens. Não se pode chamar isso de "paixão". Diga-se que nem sempre a imprensa reflete legitimamente e eficazmente os sentimentos do povo, mas neste caso a "racionalidade" de Celso de Mello deveria reconhecer que foi o caso. O Judiciário é uma garantia contra a tirania do Poder uno do Estado, mas não pode ser impermeável à fonte que lhe dá este Poder.
O "x" de Guido Mantega
O ministro da Fazenda Guido Mantega declarou em um evento na FGV/SP que "isso [a crise do grupo X] continua atrapalhando o desempenho da economia brasileira, que na Bolsa é muito boa. Mas claro que você pode ter uma empresa que não tenha desempenho suficiente e nos atrapalhe". Trata-se de uma declaração curiosa, especialmente vindo da boca do presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o que lhe credencia como especialista no setor. Será que tal crise não era previsível? O que terá feito o governo para evitá-la? E por que o BNDES emprestou tantos recursos para este Grupo? Não deveria o banco ter sido mais prudente? Sobre estas perguntas não se sabe o que pensa o ministro.
Ainda Dilma na ONU
Cabe a um presidente de um país como o Brasil se indignar diante das revelações sobre a espionagem promovida pela maior potência do mundo em comunicações públicas e privadas de governantes. Tal indignação pode ser manifestada de diversas formas e ocasiões, mas no mundo da realpolitik é preciso tomar cuidado para não ultrapassar certos limites, incluso o do ridículo. A arena internacional não permite amadorismo. Veja o caso do governo Obama em relação à crise Síria. Vladimir Putin deu um nó diplomático no departamento de Estado e no próprio presidente que não restou alternativa aos EUA senão o recuo de suas pretensões intervencionistas. O que ocorreu em seguida ? O secretário John Kerry se recompôs, apertou a gravata e voltou a negociar com a Rússia e outros países que compõem o Conselho de Segurança da ONU. A União Europeia, também vítima da política de Obama, viu-se constrangida em verificar que sofreu espionagem no exato momento em que negocia um amplo acordo comercial com os EUA. O que ocorreu a seguir? A vida seguiu e as negociações também. A pergunta que resta é como Dilma e seu governo seguirão em relação aos EUA? Será que a presidente consultará o seu ministro sem pasta João Santana, conselheiro eleitoral da presidente, para saber o que fazer?
O sumiço de Mercadante
Nota-se em Brasília que o ministro da Educação Aloizio Mercadante está menos atuante nos assuntos fora de sua pasta. Não se sabe se isso é efeito de suas proposições sobre plebiscito e reforma política durante as manifestações de junho e julho passados. A conferir.
Por quê nem todos acreditam?
Lula tem feito louváveis esforços para dissuadir as viúvas do lulismo, no PT e na base aliada, de que não passa por sua cabeça voltar ao Palácio do Planalto. Pelo menos em 2014 não, o lugar, ele reafirma sempre que pode, é de Dilma. Em 2018, quem sabe, talvez... Mas cada vez que Lula abre a boca para jurar sua fidelidade a Dilma, mais as dúvidas sobre suas reais intenções persistem. Talvez por um erro de escolha de palavras e ênfases. Foi assim duas vezes nos últimos dias. No meio da semana passada, em entrevista à imprensa ligada ao PT, sua declaração de que "está no jogo" assanhou os lulistas mais radicais. No "Correio Braziliense" de domingo, o fogo pegou novamente: Lula disse que estará nos palanques como se fosse ele o candidato. Junte-se a isto críticas veladas a Dilma, inclusive no caso do rompimento político com o PSB, e está formado o caldo de cultura para alimentar um pouco mais o "volta Lula" que ele tenta abafar. Foram apenas escorregões verbais ou recados cheios de malícia política?
Por que eles não acreditam?
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descobriu mais um responsável pela desconfiança no exterior a respeito da economia brasileira: o empresário Eike Batista, outros incensado no mundo oficial como o empreender dos novos tempos (ver nota acima).
De ilusões também se vive
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, talvez por um lapso mental, deu a chave do início desse descrédito, no road show que a presidente Dilma Rousseff comandou nos Estados Unidos para atrair investidores para o Programa de Investimentos em Logística (PIL): o modo como foi conduzida a renovação dos contratos do setor elétrico. A queda começou aí. Não foi à toa que o tom da peroração da presidente Dilma Rousseff foi o de que o Brasil é um país que cumpre contratos.
Por quê é tão difícil de convencer?
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton passou maus bocados para tentar convencer os jornalistas especializados que acompanham o dia a dia do BC, que a política fiscal do governo Dilma caminha para a neutralidade, como a autoridade monetária escreveu no boletim trimestral de inflação divulgado ontem. Não é mesmo fácil emplacar esta tese depois de o superávit primário de agosto ter batido em apenas R$ 87 milhões e o governo, via Ministério da Fazenda, está contando com receitas extraordinárias, inclusive das concessões e infraestrutura e do pré-sal para cumprir sua promessa de economia de recursos este ano.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
ESMERINO OLIVEIRA ARRUDA COELHO
Esmerino Arruda se desprendeu do nosso convívio. Nos últimos anos, tive a alegria de desfrutar da fraterna amizade que dele emergia. Confundia-se com a máxima de Confúcio: “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.” A vela era o seu símbolo essencial, o mimo pessoal, o rótulo escorreito, o talismã do peito, a luz da fronte, a bandeira na ponte.
Enigmático e constelado, macambúzio e extrovertido, belicoso e afetuoso, florido e espinhoso, Esmerino era uma divertida encarnação da permanente germinação, uma palmeira imperial em pleno universo de carnaúbas do litoral.
Cedo concluiu que a política, musa que consumiu sua longeva existência, tinha mais de arte do que de ciência. Ela exige, além do constante fervor, o tempero sedutor da ação com emoção. Esmerino foi um olímpico campeão no jogo da política enquanto praça de sedução.
Como Sir Winston Churchill sabia que a “política é quase tão excitante quanto a guerra, e quase tão perigosa”. Por isso, quando entrava na pista, virava um estrategista. Nas campanhas agia com argúcia, mergulhando na minúcia. Do terreno mais áspero fazia brotar flores; era pródigo em surpreender os contendores. Em mais de sessenta anos de ativa militância e engenhos notáveis, protagonizou fatos e cousas memoráveis. Conheceu e foi conhecido dos mais fulgurantes nomes da política nacional. Na década de cinqüenta, em Sobral, aconselhou o Padre Palhano, então candidato a Prefeito em terceiro lugar nas pesquisas, que imitasse Ademar de Barros e criasse um fato capaz de comover a população. O piloto Padre Palhano tomou um avião e sumiu. Espalhou-se a notícia de que o sacerdote havia falecido. Três dias depois, Padre Palhano ressurgiu, triunfante, para o gáudio dos fiéis, que fielmente o elegeram.
Em Camocim, no ano 2004, apostou no candidato Chico Vaulino contra a tradicional família Aguiar, que reinava absoluta no município. Um belo dia a cidade amanheceu inundada de panfletos com impropérios contra o candidato que Esmerino apoiava. Imediatamente ele mobilizou a militância, fez um discurso inflamado e organizou uma carreata. Foi o início da virada. Chico Vaulino ganhou a eleição. No churrasco da vitória, o líder Granjense fez uma revelação que deixou o eleito embasbacado: os injuriosos panfletos apócrifos tinham sido elaborados pelo próprio Esmerino... Há muito tinha incorporado a lição de Henry Ford: "os homens hão de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno."
Conhecia, por experiência própria, as trilhas ingratas da selva em que estava metido. Certa feita me contou que, em um dia de 1958, ele e Álvaro Lins, então Deputados Federais pelo Ceará, encontravam-se em um restaurante do Rio de Janeiro e compartilhavam uma mesa com os líderes Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Era uma prosa política. Falavam sobre eleição, favores, nomeações de correligionários e... ingratidão. A certa altura, Ulysses proferiu a seguinte frase: “Em política, o dia do benefício é a véspera da traição”.
É inesgotável o patrimônio de ensinamentos portentosos que Esmerino acumulou ao longo da sua dinâmica e vibrante existência. Desceu na nonagenária estação com o fulgor de um adolescente em ebulição. No trem da vida, à sua inconfundível maneira, sempre sentava na cadeira da classe primeira. Com glamour e élan, era um ‘bon vivant’. Colecionador de obras de arte, apreciava o talento em toda parte. Era um artista quando erguia uma dose de Black & White, o uísque que sempre conduzia na bagagem, como que a resumir nossa paradoxal passagem.
ESMERINO OLIVEIRA ARRUDA COELHO. Um nome com registro produtivo, um canteiro de significações. Coelho, símbolo pascal da fertilidade; Oliveira, fonte do melhor azeite, bíblica árvore da longevidade; Arruda, cujos raminhos abençoados fazem espargir a água-benta que espanta o mau-olhado; Esmerino, do esmero, o primor feito requinte, ou de esmeria, pendente de revisão.
Nesses últimos dias, como que pressentindo a partida, estava aberto à dimensão profunda: encarou a alameda da verdade, apreciando a sombra fresca e suave da espiritualidade. Se a tivesse incorporado antes, naturalmente teria evitado inúteis dissabores. Certamente, em uma próxima encarnação, surgirá magicamente da cartola do sonho, um Coelho azeitado na melhor Oliveira, distribuindo ramos de Arruda com impecável Esmero e sem pendência de revisão. Assim seja!
(Júnior Bonfim, poeta e advogado, é membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF)
EM LOUVOR AOS NOVENTA E UM ANOS DE VIDA
Falar, neste momento, do Sr. Esmerino,
Significa, antes de tudo, louvar a vida,
Pois ele tinha a astúcia de um menino
E merece ser lembrado além da despedida.
Celebrou sua existência com intensidade,
Ao colocar sentimento em cada ação;
Deixou um ensino para posteridade
De que vivemos mais quando há emoção.
Sua infalível memória era digna de admiração,
Assim como sua notável capacidade de liderar;
A bela arte sempre chamou sua atenção,
Mas foi na política que veio se consagrar.
Ele foi protagonista de diversas histórias
E com a esposa Carmem, seu porto seguro,
Plantou sessenta anos de sua trajetória
E deixou os seus frutos para o futuro.
Que o Senhor receba, em paz, seu espírito
E o Evangelho de Jesus acalente toda dor,
Mantendo a fé de que todos somos infinitos,
Atados eternamente pelos laços do amor.
SILVIA MELO
sábado, 28 de setembro de 2013
PERFIL
No campo da literatura um plantio de cultura lídima. Livros, jornais e revistas florescendo em textos de harmonia no jardim da vida.
Observações que pinçamos do artigo de Júnior Bonfim, da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza ao traçar um perfil para desenhar de corpo inteiro personalidades do "Tempo dos Franciscos". Aproveitamento integral das sementes do saber que tanto empolgam pelo vocabulário fértil. Júnior Bonfim mostra a grandeza das "Pequenas Histórias de Francisco" ao comentar o expressivo livro de Francisco Castro de Sousa outro advogado e escritor da Amlef.
Revela as sutilezas da simplicidade do "Tempo dos Franciscos". A forma espontânea como o Castro disserta sobre sua família na evolução conceitual de gente de bem.
O academicismo das letras interliga os verdadeiros defensores da Língua Portuguesa através dos bons textos. A revista "Gente de Ação" mescla gama de excelentes artigos e traz gente que brilha com a naturalidade do desabrochar de flores e frutos do plantio das letras.
Júnior Bonfim consegue ser o jardineiro que sabe cuidar dos adornos da literatura capaz de encantar. O vocabulário elegante dentro da simplicidade natural dos fonemas bem aplicados são réstias de sol iluminando a vida.
No perfil tão bem desenhado para destacar as "Pequenas Histórias de Francisco" o Bonfim excedeu as expectativas e trouxe o Castro, Francisco Castro, como personagem de um relato comovedor e exemplar.
Feliz modo de como regar as flores da existência usando a força da esperança para sustentar o lado belo das vitórias que florescem pela pertinácia e força de vontade.
Paulo Eduardo Mendes
Jornalista
(No Jornal Diário do Nordeste, edição de hoje, página 02)
Observações que pinçamos do artigo de Júnior Bonfim, da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza ao traçar um perfil para desenhar de corpo inteiro personalidades do "Tempo dos Franciscos". Aproveitamento integral das sementes do saber que tanto empolgam pelo vocabulário fértil. Júnior Bonfim mostra a grandeza das "Pequenas Histórias de Francisco" ao comentar o expressivo livro de Francisco Castro de Sousa outro advogado e escritor da Amlef.
Revela as sutilezas da simplicidade do "Tempo dos Franciscos". A forma espontânea como o Castro disserta sobre sua família na evolução conceitual de gente de bem.
O academicismo das letras interliga os verdadeiros defensores da Língua Portuguesa através dos bons textos. A revista "Gente de Ação" mescla gama de excelentes artigos e traz gente que brilha com a naturalidade do desabrochar de flores e frutos do plantio das letras.
Júnior Bonfim consegue ser o jardineiro que sabe cuidar dos adornos da literatura capaz de encantar. O vocabulário elegante dentro da simplicidade natural dos fonemas bem aplicados são réstias de sol iluminando a vida.
No perfil tão bem desenhado para destacar as "Pequenas Histórias de Francisco" o Bonfim excedeu as expectativas e trouxe o Castro, Francisco Castro, como personagem de um relato comovedor e exemplar.
Feliz modo de como regar as flores da existência usando a força da esperança para sustentar o lado belo das vitórias que florescem pela pertinácia e força de vontade.
Paulo Eduardo Mendes
Jornalista
(No Jornal Diário do Nordeste, edição de hoje, página 02)
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
MOACIR SOARES, PARABÉNS!
Técnico de escol, boa índole, profissional dedicado, Moacir Soares é um dos melhores quadros gerados no seio da Administração Pública de Crateús na década passada. Incompreendido pela intolerância política local, cumpriu aquela antiga assertiva bíblica: foi ser profeta fora de sua terra.
Em Moacir convivem, sob o mesmo corpo, o executivo de sucesso e um sujeito sedutor e surpreendente.
Jardineiro das tulipas que encantam a existência, Moacir está sempre nos convidando para caminhar pelas alamedas da superação. A despeito das cinzas, conserva na retina o brilho da curiosidade que aprende, apreende e acrescenta.
É difícil distinguir onde esse cidadão brilha com mais glamour: na excelência profissional, na dedicação paternal ou na generosidade da camaradagem!
Após esses setembros todos que te conheço, amigo, aflorou uma certeza: em todas as passarelas da interação humana em que tens a oportunidade de pisar, baila a nobreza de tua alma!
Parabéns!
(Júnior Bonfim)
Em Moacir convivem, sob o mesmo corpo, o executivo de sucesso e um sujeito sedutor e surpreendente.
Jardineiro das tulipas que encantam a existência, Moacir está sempre nos convidando para caminhar pelas alamedas da superação. A despeito das cinzas, conserva na retina o brilho da curiosidade que aprende, apreende e acrescenta.
É difícil distinguir onde esse cidadão brilha com mais glamour: na excelência profissional, na dedicação paternal ou na generosidade da camaradagem!
Após esses setembros todos que te conheço, amigo, aflorou uma certeza: em todas as passarelas da interação humana em que tens a oportunidade de pisar, baila a nobreza de tua alma!
Parabéns!
(Júnior Bonfim)
CONJUNTURA NACIONAL
Zé Quebra Panela
Abro a coluna com um matutinho matreiro.
Zé Quebra Panela era um sujeito comprido, zarolho e desdentado, mas portador de uma sagacidade e de incrível capacidade de enganar o semelhante. Andava bem vestido e calçava sapatos de duas cores. Vendia e comprava tudo, mas gostava mesmo era de negociar com fumo de rolo nas feiras. Zé achava que Deus vivia lhe chamando pra outra missão mais nobre do que envenenar os pulmões dos desgraçados que lhe compravam fumo. Meteu-se a fazer imagem de santo. Passou a viver nas caatingas, juntando troncos secos de imburana, com os quais fazia as imagens de feições grotescas. Um dia, na feira, comercializava os produtos, o fumo e as imagens de santos. Chegou uma velhinha com cara de rezadeira e perguntou:
- Meu senhor, eu conheço um magote de santo, já "frequentei" muita novena, igreja, o diabo a quatro - Já paguei muita promessa, mas estou aqui "mei atrapaiada"; isto aqui é São José ou Santo Antônio?
Zé explicou:
- Olhe, o santo se tiver com o menino no braço direito, é São José, se tiver no braço esquerdo, é Santo Antônio; agora se o bicho tiver um par de chifres, um rabo e um espeto comprido na mão, não chegue nem perto que isso aí é o satanás!
A velhinha se escafedeu. Outra vez, em uma de suas transações, um cabra mais sabido "empurrou-lhe" dois rolos de um fumo muito ruim que ele não conseguia vender de jeito nenhum. Um dia, botou tudo num saco e danou-se para a feira de Sertânia. Usou o marketing pessoal.
- Óia, pessoá, quem comprar desse meu fumo agora, vai tudim pro Juazeiro comigo, eu levo tudim pra o Juazeiro do meu Padim Ciço!
Não demorou muito e lá se foram os dois rolos de fumo. Um pedaço aqui, outro ali, e vendeu aquela mercadoria de péssima qualidade. Até que chegou uma velhinha apressada:
- Ô, meu senhor, adonde tá o caminhão mode nóis ir botando os troços em riba?
Zé, na bucha:
- Que caminhão que nada, dona Maria, aonde foi que a senhora já viu pagar promessa de caminhão? O meu "Padim" não gosta de caminhão chegando lá não! Nóis vamo tudo é a pé. Promessa é promessa!
(Historinha de Zelito Nunes)
Folhas soltas ao vento
A imagem é esta: depois do terremoto, que abalou o edifício, destruindo paredes, despedaçando os andares, fazendo jorrar cimento e pedra por todos os lados, a paisagem deixa ver milhares de folhas saindo de gavetas escancaradas, dançando ao vento poluído de poeira e pousando lentamente sobre os entulhos das ruas. É o cenário nacional depois do tsunami de junho, que inundou as ruas das grandes e médias cidades com milhares de pessoas. Onde estão as massas? Observando uns poucos que ainda ousam fazer ecoar seu grito. E por que não se motivam a voltar às ruas se os pleitos e demandas de junho continuam no ar ? Porque temem ser rechaçados por grupos radicais, cujos braços se voltam para a quebra de lojas e destruição de ambientes públicos. Os black blocs são a água que apaga as chamas da fogueira social. Portanto, propiciam o bumerangue. O Brasil se encolhe em silêncios. Infelizmente.
Paisagens do amanhã
Não é de todo improvável que as coisas voltem a acontecer na onda de manifestações calorosas e massivas. É possível que o animus animandi da população resgate a participação cívica, cuja inspiração maior era (e é) a de melhorar os padrões éticos, morais e elevados da política e exigir melhoria da qualidade dos serviços públicos, a partir dos sistemas de mobilidade urbana. Nas proximidades eleitorais, as chances de mobilizações pontuais ou mesmo abrangentes são maiores, em função da motivação para puxões de orelha e recados que o povo quer dar aos seus representantes. A conferir.
O juiz de Bacon
"O juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando vales e abaixando montanhas; de maneira que, se aparecer, de um lado uma das partes, um braço poderoso, uma pressão violenta, astuciosas vantagens, combinações, poderes, grandes conselhos, nesse caso a virtude do juiz consiste em nivelar as desigualdades, para poder fundar a sua sentença num terreno plano". Francis Bacon, filósofo inglês, 1561/1626.
Alguns juízes do Brasil
19 altos ministros do TST assinaram uma carta contra um PL, o 4.330, relativo à Terceirização. Sabíamos, até então, que o ofício do juiz é jus dicere e não jus dare, interpretar leis e não fazer leis nem dar leis. Juízes fazendo prejulgamento? Meu Deus, que país é este?
As bases governista e oposicionista
A base governista, formada pela pletora de partidos (cerca de 15), que dá apoio à administração comandada pela presidente Dilma, tende a ser menor. Calcula-se que partidos insatisfeitos com o acolhimento dado pelo governo deixarão a base situacionista para se integrar às bandas das oposições. Duas bandas. Teremos a banda das oposições tradicionais, formadas principalmente pelo PSDB e pelo DEM, e nova banda, esta a ser constituída pelos partidos que deixarão o situacionismo, a começar pelo PSB, com eventual participação de outras siglas. A incógnita fica por conta da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. Não se sabe se conseguirá formalização até 5/10. A aprovação do Solidariedade, do Paulinho da Força, e do PROS, Partido Republicano da Ordem Social, ontem pelo TSE, abre maiores chances para o partido de Marina.
O affaire Campos
Demorou, demorou, demorou, mas o governador pernambucano, Eduardo Campos, tomou a decisão: deixar a base governista. Entregou os cargos do PSB na administração. Lula ainda tentará um último esforço para segurar o ímpeto de Dudu Beleza. Vai ter mais uma conversa com ele. Por enquanto, pede que os petistas não entreguem os cargos nos governos comandados pelo PSB. Tentativa de por panos quentes. Mas o governador está sendo levado pela onda mais forte do seu partido para o lado da candidatura própria. E é evidente que, nesse caso, assumirá postura de oposição. Não se cogitaria de um candidato frapé, café com leite, nem lá, nem cá. Disputa eleitoral é guerra. A favor e contra.
Estradas de PE
Eis o que pincei de um vídeo que vi na internet sobre as estradas de PE: "A repórter Roberta Soares e o fotógrafo Guga Matos, guiados pelo motorista Reginaldo Araújo, pegaram a estrada durante 22 dias de viagem para constatar essa verdade e mostrá-la no especial multimídia Descaminhos. Rodaram 10 mil quilômetros, dos 12,5 mil que compõem a malha rodoviária pernambucana, a quarta maior do Nordeste. Pelas estradas, descobriu que são muitos os descaminhos de PE. Encontraram um Estado de rodovias ruins, as Federais e principalmente as estaduais. Um PE ainda sem inúmeras ligações, que em pleno século 21 deixa parte do seu povo isolado de tudo, dependendo exclusivamente da fé do nordestino, tão presente e conformadora no interior mais distante. No percurso, o JC passou por 100 das 142 rodovias estaduais e 11 das 13 estradas Federais existentes no Estado". Com a palavra, o governador Eduardo Campos.
A resposta do Sindeepres
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestadoras de Serviços (Sindeepres), a maior entidade de trabalhadores terceirizados do país, em carta aos deputados, contesta pontos expressos por ministros do TST no PL 4.330. "São graves e infundadas, ainda que pareçam coerentes, as acusações dos ministros do TST que prevêem um quadro sombrio para os trabalhadores após a aprovação do PL 4.330, conhecido como lei de Proteção ao Trabalhador Terceirizado. São argumentos de quem fez uma leitura incompleta, apressada ou equivocada do PL. Eles partem de premissas erradas para construir um quadro dramático. Infelizmente não levam em conta a realidade atual do trabalhador terceirizado. E o péssimo ambiente econômico, de insegurança jurídica para empresas e trabalhadores, criado pelo atual conjunto de leis e regras, incluindo a súmula 331 do próprio TST". E passa a contestar ponto por ponto.
Aécio em SP
Geraldo Alckmin tentará puxar a caravana de Aécio Neves em SP. Assim como Beto Richa tentará fazer a mesma coisa no PR. O mais certo, porém, é apostar que MG dará a maior vantagem ao mineiro. Massa de votos nada desprezível. MG tem o segundo maior colégio eleitoral do país, cerca de 15 milhões de votos. Em SP, a campanha ainda terá certa polarização entre o PSDB e o PT, fenômeno antigo e em final de ciclo. 20 anos de tucanato é muita coisa. E o PT, por sua vez, contará com a rejeição da classe média paulista, a maior do país. Nessa classe, o PT nunca entrou de sola, principalmente nos densos colégios eleitorais do interior.
Solas gastas
A polarização entre tucanos e petistas não se guiará mais pelos caminhos do passado. Tende a ser atenuada face aos novos tempos. O eleitor parece trilhar a vereda aberta por Nietzsche : "novos caminhos sigo; uma nova fala me empolga. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas".
Empresários em dúvidas
Na Era Lula, o carismático líder era um imã. Atraía tudo e todos. Das massas periféricas à elite empresarial. Hoje, a elite empresarial é simpática a Eduardo Campos. Vê a presidente Dilma com certa desconfiança. E parece distante de Aécio Neves. Acham Marina uma flor no pântano.
Cronograma pré-eleitoral
Outubro - mês das novidades, migrações partidárias (caso se confirmem os novos partidos), camadas políticas revoltas; novembro - conversas para fechamento de alianças, combinações e primeiras apostas no amanhã; dezembro - recesso, férias, prospecção das bases, Brasil político se encontra com o Brasil real; janeiro - cura da ressaca do final de ano, reinício das negociações, pesquisas indicativas para mapeamento do quadro decisório; fevereiro - reinício das atividades congressuais, fechamento de acordos, primeiras grandes definições; março/abril - dois meses de preparação para a maior competição eleitoral da contemporaneidade. Maio/junho - convenções, acertos finais.
As melhores leis?
Perguntaram a Sólon, um dos sete sábios da Grécia antiga, se havia produzido boas leis para os atenienses. Respondeu: "dei-lhes as melhores leis que podiam suportar". Perguntaram ao barão de Montesquieu, o grande formulador da teoria da separação dos poderes : que boas leis um país deve ter? Respondeu: "quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se são executadas as que existem, pois há boas leis por toda a parte".
Mensalão e eleição
Não serão desastrosos os efeitos do mensalão sobre a eleição. Até lá, estarão metabolizados condimentos, temperos e produtos que, por anos e meses, frequentaram a mesa das conversas e debates. Cada ano com suas motivações. Operação BO+BA+CO+CA, essa, sim, continuará a ditar os rumos da política. Bolso, Barriga, Coração, Cabeça. Economia indo bem, estômago estará satisfeito; coração ficará agradecido e pede para a cabeça votar nos patrocinadores do bolso cheio.
Dilma na ONU
Como se esperava, Dilma fez duro discurso na ONU contra a espionagem. Um atentado à soberania. Um recado para Barack Obama no palco mais visível do mundo. Recado dado, recado ouvido.
Bismarck
Bismarck, o maior estadista alemão do século XIX, dizia que "nunca se mente tanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma pescaria".
Conselho aos empresários
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, volta sua atenção aos empresários:
1. É muito comum ouvir o refrão de que o Brasil está em crise, os horizontes são sombrios e teremos um amanhã pior que o hoje. Tendência nacional a cantar hinos catastróficos.
2. Urge ter esperança e acreditar que o nosso país, com sua dimensão continental e berço de riquezas naturais, está circunscrita no mapa das potências do amanhã. Isso requer confiança em nossos potenciais.
3. Se mudanças se fazem necessárias - principalmente na frente política - ao empresariado cabe a missão de se posicionar na vanguarda desse processo, fazendo pressão, abrindo canais de articulação e participação. O papel cívico do empresário deve se somar ao papel do empreendedor.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com um matutinho matreiro.
Zé Quebra Panela era um sujeito comprido, zarolho e desdentado, mas portador de uma sagacidade e de incrível capacidade de enganar o semelhante. Andava bem vestido e calçava sapatos de duas cores. Vendia e comprava tudo, mas gostava mesmo era de negociar com fumo de rolo nas feiras. Zé achava que Deus vivia lhe chamando pra outra missão mais nobre do que envenenar os pulmões dos desgraçados que lhe compravam fumo. Meteu-se a fazer imagem de santo. Passou a viver nas caatingas, juntando troncos secos de imburana, com os quais fazia as imagens de feições grotescas. Um dia, na feira, comercializava os produtos, o fumo e as imagens de santos. Chegou uma velhinha com cara de rezadeira e perguntou:
- Meu senhor, eu conheço um magote de santo, já "frequentei" muita novena, igreja, o diabo a quatro - Já paguei muita promessa, mas estou aqui "mei atrapaiada"; isto aqui é São José ou Santo Antônio?
Zé explicou:
- Olhe, o santo se tiver com o menino no braço direito, é São José, se tiver no braço esquerdo, é Santo Antônio; agora se o bicho tiver um par de chifres, um rabo e um espeto comprido na mão, não chegue nem perto que isso aí é o satanás!
A velhinha se escafedeu. Outra vez, em uma de suas transações, um cabra mais sabido "empurrou-lhe" dois rolos de um fumo muito ruim que ele não conseguia vender de jeito nenhum. Um dia, botou tudo num saco e danou-se para a feira de Sertânia. Usou o marketing pessoal.
- Óia, pessoá, quem comprar desse meu fumo agora, vai tudim pro Juazeiro comigo, eu levo tudim pra o Juazeiro do meu Padim Ciço!
Não demorou muito e lá se foram os dois rolos de fumo. Um pedaço aqui, outro ali, e vendeu aquela mercadoria de péssima qualidade. Até que chegou uma velhinha apressada:
- Ô, meu senhor, adonde tá o caminhão mode nóis ir botando os troços em riba?
Zé, na bucha:
- Que caminhão que nada, dona Maria, aonde foi que a senhora já viu pagar promessa de caminhão? O meu "Padim" não gosta de caminhão chegando lá não! Nóis vamo tudo é a pé. Promessa é promessa!
(Historinha de Zelito Nunes)
Folhas soltas ao vento
A imagem é esta: depois do terremoto, que abalou o edifício, destruindo paredes, despedaçando os andares, fazendo jorrar cimento e pedra por todos os lados, a paisagem deixa ver milhares de folhas saindo de gavetas escancaradas, dançando ao vento poluído de poeira e pousando lentamente sobre os entulhos das ruas. É o cenário nacional depois do tsunami de junho, que inundou as ruas das grandes e médias cidades com milhares de pessoas. Onde estão as massas? Observando uns poucos que ainda ousam fazer ecoar seu grito. E por que não se motivam a voltar às ruas se os pleitos e demandas de junho continuam no ar ? Porque temem ser rechaçados por grupos radicais, cujos braços se voltam para a quebra de lojas e destruição de ambientes públicos. Os black blocs são a água que apaga as chamas da fogueira social. Portanto, propiciam o bumerangue. O Brasil se encolhe em silêncios. Infelizmente.
Paisagens do amanhã
Não é de todo improvável que as coisas voltem a acontecer na onda de manifestações calorosas e massivas. É possível que o animus animandi da população resgate a participação cívica, cuja inspiração maior era (e é) a de melhorar os padrões éticos, morais e elevados da política e exigir melhoria da qualidade dos serviços públicos, a partir dos sistemas de mobilidade urbana. Nas proximidades eleitorais, as chances de mobilizações pontuais ou mesmo abrangentes são maiores, em função da motivação para puxões de orelha e recados que o povo quer dar aos seus representantes. A conferir.
O juiz de Bacon
"O juiz deve preparar o caminho para uma justa sentença, como Deus costuma abrir o seu caminho elevando vales e abaixando montanhas; de maneira que, se aparecer, de um lado uma das partes, um braço poderoso, uma pressão violenta, astuciosas vantagens, combinações, poderes, grandes conselhos, nesse caso a virtude do juiz consiste em nivelar as desigualdades, para poder fundar a sua sentença num terreno plano". Francis Bacon, filósofo inglês, 1561/1626.
Alguns juízes do Brasil
19 altos ministros do TST assinaram uma carta contra um PL, o 4.330, relativo à Terceirização. Sabíamos, até então, que o ofício do juiz é jus dicere e não jus dare, interpretar leis e não fazer leis nem dar leis. Juízes fazendo prejulgamento? Meu Deus, que país é este?
As bases governista e oposicionista
A base governista, formada pela pletora de partidos (cerca de 15), que dá apoio à administração comandada pela presidente Dilma, tende a ser menor. Calcula-se que partidos insatisfeitos com o acolhimento dado pelo governo deixarão a base situacionista para se integrar às bandas das oposições. Duas bandas. Teremos a banda das oposições tradicionais, formadas principalmente pelo PSDB e pelo DEM, e nova banda, esta a ser constituída pelos partidos que deixarão o situacionismo, a começar pelo PSB, com eventual participação de outras siglas. A incógnita fica por conta da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. Não se sabe se conseguirá formalização até 5/10. A aprovação do Solidariedade, do Paulinho da Força, e do PROS, Partido Republicano da Ordem Social, ontem pelo TSE, abre maiores chances para o partido de Marina.
O affaire Campos
Demorou, demorou, demorou, mas o governador pernambucano, Eduardo Campos, tomou a decisão: deixar a base governista. Entregou os cargos do PSB na administração. Lula ainda tentará um último esforço para segurar o ímpeto de Dudu Beleza. Vai ter mais uma conversa com ele. Por enquanto, pede que os petistas não entreguem os cargos nos governos comandados pelo PSB. Tentativa de por panos quentes. Mas o governador está sendo levado pela onda mais forte do seu partido para o lado da candidatura própria. E é evidente que, nesse caso, assumirá postura de oposição. Não se cogitaria de um candidato frapé, café com leite, nem lá, nem cá. Disputa eleitoral é guerra. A favor e contra.
Estradas de PE
Eis o que pincei de um vídeo que vi na internet sobre as estradas de PE: "A repórter Roberta Soares e o fotógrafo Guga Matos, guiados pelo motorista Reginaldo Araújo, pegaram a estrada durante 22 dias de viagem para constatar essa verdade e mostrá-la no especial multimídia Descaminhos. Rodaram 10 mil quilômetros, dos 12,5 mil que compõem a malha rodoviária pernambucana, a quarta maior do Nordeste. Pelas estradas, descobriu que são muitos os descaminhos de PE. Encontraram um Estado de rodovias ruins, as Federais e principalmente as estaduais. Um PE ainda sem inúmeras ligações, que em pleno século 21 deixa parte do seu povo isolado de tudo, dependendo exclusivamente da fé do nordestino, tão presente e conformadora no interior mais distante. No percurso, o JC passou por 100 das 142 rodovias estaduais e 11 das 13 estradas Federais existentes no Estado". Com a palavra, o governador Eduardo Campos.
A resposta do Sindeepres
O Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestadoras de Serviços (Sindeepres), a maior entidade de trabalhadores terceirizados do país, em carta aos deputados, contesta pontos expressos por ministros do TST no PL 4.330. "São graves e infundadas, ainda que pareçam coerentes, as acusações dos ministros do TST que prevêem um quadro sombrio para os trabalhadores após a aprovação do PL 4.330, conhecido como lei de Proteção ao Trabalhador Terceirizado. São argumentos de quem fez uma leitura incompleta, apressada ou equivocada do PL. Eles partem de premissas erradas para construir um quadro dramático. Infelizmente não levam em conta a realidade atual do trabalhador terceirizado. E o péssimo ambiente econômico, de insegurança jurídica para empresas e trabalhadores, criado pelo atual conjunto de leis e regras, incluindo a súmula 331 do próprio TST". E passa a contestar ponto por ponto.
Aécio em SP
Geraldo Alckmin tentará puxar a caravana de Aécio Neves em SP. Assim como Beto Richa tentará fazer a mesma coisa no PR. O mais certo, porém, é apostar que MG dará a maior vantagem ao mineiro. Massa de votos nada desprezível. MG tem o segundo maior colégio eleitoral do país, cerca de 15 milhões de votos. Em SP, a campanha ainda terá certa polarização entre o PSDB e o PT, fenômeno antigo e em final de ciclo. 20 anos de tucanato é muita coisa. E o PT, por sua vez, contará com a rejeição da classe média paulista, a maior do país. Nessa classe, o PT nunca entrou de sola, principalmente nos densos colégios eleitorais do interior.
Solas gastas
A polarização entre tucanos e petistas não se guiará mais pelos caminhos do passado. Tende a ser atenuada face aos novos tempos. O eleitor parece trilhar a vereda aberta por Nietzsche : "novos caminhos sigo; uma nova fala me empolga. Não quer mais o meu espírito caminhar com solas gastas".
Empresários em dúvidas
Na Era Lula, o carismático líder era um imã. Atraía tudo e todos. Das massas periféricas à elite empresarial. Hoje, a elite empresarial é simpática a Eduardo Campos. Vê a presidente Dilma com certa desconfiança. E parece distante de Aécio Neves. Acham Marina uma flor no pântano.
Cronograma pré-eleitoral
Outubro - mês das novidades, migrações partidárias (caso se confirmem os novos partidos), camadas políticas revoltas; novembro - conversas para fechamento de alianças, combinações e primeiras apostas no amanhã; dezembro - recesso, férias, prospecção das bases, Brasil político se encontra com o Brasil real; janeiro - cura da ressaca do final de ano, reinício das negociações, pesquisas indicativas para mapeamento do quadro decisório; fevereiro - reinício das atividades congressuais, fechamento de acordos, primeiras grandes definições; março/abril - dois meses de preparação para a maior competição eleitoral da contemporaneidade. Maio/junho - convenções, acertos finais.
As melhores leis?
Perguntaram a Sólon, um dos sete sábios da Grécia antiga, se havia produzido boas leis para os atenienses. Respondeu: "dei-lhes as melhores leis que podiam suportar". Perguntaram ao barão de Montesquieu, o grande formulador da teoria da separação dos poderes : que boas leis um país deve ter? Respondeu: "quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se são executadas as que existem, pois há boas leis por toda a parte".
Mensalão e eleição
Não serão desastrosos os efeitos do mensalão sobre a eleição. Até lá, estarão metabolizados condimentos, temperos e produtos que, por anos e meses, frequentaram a mesa das conversas e debates. Cada ano com suas motivações. Operação BO+BA+CO+CA, essa, sim, continuará a ditar os rumos da política. Bolso, Barriga, Coração, Cabeça. Economia indo bem, estômago estará satisfeito; coração ficará agradecido e pede para a cabeça votar nos patrocinadores do bolso cheio.
Dilma na ONU
Como se esperava, Dilma fez duro discurso na ONU contra a espionagem. Um atentado à soberania. Um recado para Barack Obama no palco mais visível do mundo. Recado dado, recado ouvido.
Bismarck
Bismarck, o maior estadista alemão do século XIX, dizia que "nunca se mente tanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma pescaria".
Conselho aos empresários
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma. Hoje, volta sua atenção aos empresários:
1. É muito comum ouvir o refrão de que o Brasil está em crise, os horizontes são sombrios e teremos um amanhã pior que o hoje. Tendência nacional a cantar hinos catastróficos.
2. Urge ter esperança e acreditar que o nosso país, com sua dimensão continental e berço de riquezas naturais, está circunscrita no mapa das potências do amanhã. Isso requer confiança em nossos potenciais.
3. Se mudanças se fazem necessárias - principalmente na frente política - ao empresariado cabe a missão de se posicionar na vanguarda desse processo, fazendo pressão, abrindo canais de articulação e participação. O papel cívico do empresário deve se somar ao papel do empreendedor.
____________
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 24 de setembro de 2013
PABLO NERUDA
Há quarenta anos o mundo perdia Pablo Neruda, a mais expressiva voz da poesia chilena! O coração de Neruda não resistiu ao pranto que invadiu a sua pátria após o golpe de estado que destruiu o governo popular de Salvador Allende.
Neruda, chileno contemplado com o Nobel de Literatura, foi o mais fértil, fulgurante e fascinante dos cantores nascidos naquela terra mágica, pequeno e fino fio de terra entre o frio da cordilheira e as ondas do Pacífico.
No centenário de seu nascimento, desenhei este Soneto:
Primeiro, uma garrafa de vinho chileno.
Depois, um litro de cachaça do Ceará.
Apenas isto, e todo pó do idílio terreno,
Para o centenário de Neruda celebrar.
Poeta de todos os sonhos, viajor genial,
Voaste do amor fugaz, da desesperada canção,
Para a ardente paz da luta. A trincheira social
Da Espanha em guerra mudou teu coração.
Que fio azul une o meu mágico e quente sertão
À tua vinhateira, delgada e fria região austral?
-“O silencioso mistério, a solenidade essencial,
A clareza de horizonte, a inexplicável resistência,
A sublime condição, a humilde imponência...”
Um brinde, pois, ao mais portentoso cantor geral!
(Júnior Bonfim)
Neruda, chileno contemplado com o Nobel de Literatura, foi o mais fértil, fulgurante e fascinante dos cantores nascidos naquela terra mágica, pequeno e fino fio de terra entre o frio da cordilheira e as ondas do Pacífico.
No centenário de seu nascimento, desenhei este Soneto:
Primeiro, uma garrafa de vinho chileno.
Depois, um litro de cachaça do Ceará.
Apenas isto, e todo pó do idílio terreno,
Para o centenário de Neruda celebrar.
Poeta de todos os sonhos, viajor genial,
Voaste do amor fugaz, da desesperada canção,
Para a ardente paz da luta. A trincheira social
Da Espanha em guerra mudou teu coração.
Que fio azul une o meu mágico e quente sertão
À tua vinhateira, delgada e fria região austral?
-“O silencioso mistério, a solenidade essencial,
A clareza de horizonte, a inexplicável resistência,
A sublime condição, a humilde imponência...”
Um brinde, pois, ao mais portentoso cantor geral!
(Júnior Bonfim)
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Para além da mera conjuntura - 1
Os substantivos problemas pelos quais o Brasil atravessa têm sido sistematicamente tratados, seja do alto da maior autoridade brasileira, seja dos analistas, como "conjunturais" na ausência de outra palavra no vernáculo. Ocorre que o país está acumulando problemas de natureza estrutural sem que estes tenham encaminhamento estratégico. Agrava-se esta constatação com o lançamento de factóides que contribuem para a formulação dos discursos oficiais com vista às próximas eleições. A maioria das políticas governamentais ou das críticas a estas não subsiste a um exame mais demorado, mais estrutural. Como não está instalado na sociedade e no governo um sentimento de "emergência" tudo vai sendo empurrado por uma monumental barriga. Assim, com efeito pirotécnico, tudo fica como sempre e sem solução.
Para além da mera conjuntura - 2
Pode-se fazer uma longa lista ou uma "agenda" para comprovar a "dança do ventre" da sociedade e do governo cujo efeito é a paralisia nas soluções. Selecionamos alguns dos itens mais importantes: (i) considerada a atual taxa de câmbio e o chamado "custo-país" (tributação, regras trabalhistas, taxa de juros, etc.), o Brasil não é competitivo perante um mundo, incluso o emergente, altamente competitivo; (ii) nada de relevante ocorreu no país nos últimos 15 anos que tenha sido relevante para alterar as ineficiências da infraestrutura nacional. Das estradas até o balcão dos cartórios dos tribunais, tudo conspira contra o desenvolvimento econômico e social (veja as notas sobre os recentes leilões de concessões); (iii) a larga maioria dos programas sociais se reduz a uma estrita visão eleitoral. Do Bolsa-Família ao "Mais Médicos" nota-se a ausência de uma visão estratégica suficiente para em algumas décadas superar-se a pobreza e o subdesenvolvimento; (iv) em matéria de desenvolvimento tecnológico e educacional a coisa vai de mal a pior. Somos, de fato, um país sem possibilidade de incorporar parcelas importantes de avanços tecnológicos e, de um modo geral, sobram analfabetos funcionais.
Para além da mera conjuntura - 3
Alguém poderia argumentar que "as coisas sempre foram assim" e mesmo assim o Brasil se desenvolveu. Esta duvidosa argumentação, em geral, não considera o fato de que as mudanças dos padrões de competitividade das últimas três décadas jogaram o país num quadro de estupendos desafios. É preciso recuperar rapidamente o que deixamos de fazer naquilo que é o "básico" para jogar o jogo e, ao mesmo tempo, dar arrancadas tecnológicas que permitam ao país ser ao menos competitivo dentre seus pares "emergentes". Para isto, a arte de governar teria de reformar o Estado no sentido de torná-lo eficiente no cumprimento de suas tarefas na formulação de políticas modernas e atrair o capital para mover a máquina do desenvolvimento. Para isto o governo tem de ser fonte de estabilidade e confiança, pois até o mundo mineral sabe que o capital é covarde. Ora, o que se vê no governo é o jorro de bravatas e a incapacidade, digamos, operacional, de fazer o país seguir em frente. Afora, outros aspectos mais nebulosos como a corrupção e a trágica criminalidade. Por toda esta argumentação já não existe, a nosso ver, "conjuntura" e "estrutura". Há uma emergência que embora não aflorada, faz um país muito além de suas próprias possibilidades.
Câmbio: "parada técnica" ou "mudança de tendência"?
O Federal Reserve preservou a sua estratégia de expansão monetária com o objetivo de estimular o "lado real" da economia norte-americana e, com efeito, manter o mercado laboral em aquecimento. Observados os indicadores de atividade da maior economia do mundo, o que se vê é que a demanda está, a cada dia, mais aquecida e, em menor medida, sustentada pela expansão do crédito. O que é certo é que o pior já passou e a direção dos capitais mudou, da periferia para o centro capitalista. Neste sentido, o dólar mantém intacta a tendência de valorização frente às demais moedas. O ritmo desta valorização haverá de ser maior ou menor na medida em que o Fed aponte quando "mudará" a sua política. Todavia, a autoridade monetária americana está mais próxima de mudá-la que de mantê-la. Quando isto ficar mais claro a volatilidade cambial voltará a se exacerbar e os movimentos serão mais bruscos. Até lá, parece muito mais seguro permanecer investido no dólar que em outra moeda. A transição parece ter ficado mais longa, mas a tendência permanece clara.
Privatizações: os fatos e as versões - 1
A primeira versão é que a presidente Dilma Rousseff está irritada como o que classifica como insucesso dos primeiros leilões de privatização de rodovias Federais em seu governo e de exploração do primeiro campo de pré-sal, o de Libra, colocado em hasta pública. Insucesso porque o governo acreditava que haveria uma enxurrada de concorrentes nas duas ofertas e o que se viu foi a ausência de qualquer proposta para a rodovia BR-262; um consórcio vencedor da disputa pela BR-050 formado por nove empresas de porte médio, o que agitou outro fantasma que já assombrou a presidente, os resultados dos leilões do aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília; e o aparecimento de apenas 11 - inclusa a Petrobras - companhias e não as 40 imaginadas, ainda com a desistência de cinco gigantes petrolíferas, na disputa do pré-sal.
Privatizações: os fatos e as versões - 2
Foi demais para Dilma - ela reagiu como se não soubesse que isto poderia ter acontecido. Ou não lê jornais, uma vez que não conversa com quem não pensa como ela e aceita suas ideias, ou não foi bem informada por seus assessores. Especialistas nesses setores, de diversos matizes ideológicos, alertaram para esse risco, em função dos modelos que foram elaborados para as concessões (palavra que o governo prefere à privatização), não dessas duas áreas agora, mas também do que vem por aí como os aeroportos, portos e ferrovias. O governo demorou anos para aceitar a necessidade de chamar o setor privado para ajudá-lo a atacar nossos problemas de infraestrutura. Havia um ano e meio de gestão quando a presidente lançou o Programa de Investimentos em Logística (PIL), em agosto de 2013. Entre a descoberta dos primeiros campos de pré-sal, as mudanças no modelo de concessão para partilha e o anúncio da oferta do campo de Libra, passaram-se seis anos.
Privatizações: os fatos e as versões - 3
Quando o livro foi aberto percebeu-se que o governo queria conceder sem conceder de fato, mantendo interferências e controles sobre o processo que tornavam, para o capital privado, o negócio pouco atraente. Várias correções foram feitas, já comentadas aqui, com o objetivo de aumentar a rentabilidade nas concessões rodoviárias e reduzir os correspondentes riscos. Mesmo assim a coisa não pegou. E não pegou tanto nas estradas como nos poços de petróleo por uma coisa que está sendo chamada de "risco-governo". O Palácio do Planalto procurou encontrar agentes externos de variadas conotações para explicar o insucesso. Empresários chegaram a ser chamados a Brasília para receber um "pito" da ministra Gleisi Hoffmann. A presidente, enquanto isso, ordenou a seus auxiliares uma revisão de todo o processo, para ver onde estão os gargalos. É incrível que, depois de tanto tempo, o governo ainda precise fazer ajustes no seu programa. É sinal da soberba palaciana, de ouvir pouco e ordenar muito. Faltou o chamado "juízo crítico", normalmente uma mercadoria escassa nos palácios governamentais. Que empresa privada gostaria de ter no seu calcanhar uma sócia, a nova estatal criada para o pré-sal, que não investirá um mísero dólar no consórcio, mas terá total poder de veto nas decisões estratégicas? Se não olhar para dentro e fizer um mea culpa, se não perceber que o Brasil não é o único lugar no mundo onde há bons negócios para o capital privado, a presidente Dilma pode colher outros frutos amargos na sua "privatização envergonhada" - "que nem jiló" como diz a música de Luis Gonzaga.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 1
Outra surpresa, confessada por ela mesma, que assaltou a presidente Dilma Rousseff, foi a decisão do governador de PE e presidente do PSB, Eduardo Campos, de entregar a ela os dois ministérios e cargos de peso no segundo escalão Federal ocupados pelo partido. Houve sim a surpresa, mas apenas pelo gesto de Campos - ninguém esperava nas esferas oficiais e petistas tal gesto de "desprendimento" com certo cheiro eleitoral. Na realidade, Dilma se preparava para ser a condutora do processo de afastamento PSB e acabou sendo "trucada" pelo governador pernambucano. Era visível até para os mais leigos em política, que Campos e o PSB, desde que ficou mais ou menos claro que ele pretendia concorrer de fato à presidência da República em 2014, estavam sendo "fritados".
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 2
A "fritura" tinha por objetivo humilhar o concorrente, pespegando nele pechas de "oportunista" e "fisiológico", por estar fazendo um discurso de oposição, com críticas à política econômica, para preparar sua candidatura presidencial e, ao mesmo tempo, não largar o osso dos bons cargos Federais. Nessa linha, preparava-se o desembarque do PSB do governo por decisão presidencial. O PT, como bom menino que é, defendia abertamente a saída de Campos e do PSB. O PMDB, menino glutão, seguia na mesma linha, de olho nos cargos que vagarão. Já está até trucidando pelo Ministério da Integração Nacional. De duas semanas para cá, o jornais e sites começaram a publicar reportagens e notinhas, sem fontes identificadas, mas facilmente perceptíveis a olho nu, que Dilma tiraria os ditos socialistas de sua equipe quando outubro chegasse. Dilma deixou que se espalhasse a versão de que ficou furibunda com o encontro amigável de Eduardo Campos com Aécio Neves.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 3
Houve até uma reunião em Brasília, do "Conselho Eleitoral" de Dilma, na qual o ex-presidente Lula compareceu, quando o tema foi tratado. A versão é que o ex-presidente teria aconselhado Dilma a não atacar Campos para não queimar as pontes com o PSB e jogá-lo nos braços de Marina ou Aécio. É improvável que Lula e Dilma não soubessem de tais manobras. E que, se quisessem, facilmente calariam o PT o PMDB e desmentiriam publicamente e veementemente as notícias que levavam à "fritura" de Campos. Como diz o popular, foram buscar lã e saíram tosquiados. Agora correm para conter os prejuízos, pois os sinais de que Eduardo Campos saiu contrariado - quem sabe, furibundo - desse episódio são muito claros. Dilma pediu um tempo ao ministro renunciante Fernando Bezerra e pediu a seu auxiliar para intermediar uma nova conversa dela com Campos. Lula também entrou em campo. O governador de PE aceitou falar com Dilma outra vez sobre o tema. Mas não tem volta com o PSB ficando no governo, sob pena de se desmoralizar irremediavelmente. O máximo que se pode agora é ajustar a funilaria, reparar os estragos e não ter Eduardo Campos como um inimigo declarado. Sem Lula por perto, normalmente a operação política da presidente Dilma é um desastre. Desta vez, como Lula estava no mesmo barco para arpoar Eduardo Campos, o jogo se revelou lastimável.
E a faxineira?
Nos últimos 15 dias houve demissões de funcionários graduados, em cargos comissionados, de confiança, por razões não ecumênicas, no Ministério do Trabalho, no Ministério da Previdência Social e no Ministério das Relações Institucionais. No entanto, os titulares das pastas em ebulição, respectivamente Manoel Dias/PDT, Garibaldi Alves/PMDB e Ideli Salvatti/PT, continuam impávidos colossos em seus postos. Cientes de que a teoria do "domínio dos fatos" é filustria jurídica para o STF. Manoel Dias ainda com um agravante : em entrevista do jornal "O Globo" avisou que se for retirado do Ministério não vai ficar calado. Teria coisas "impublicáveis" para contar.
Sem insinuação, porém...
Contrasta a facilidade com que o ex-prefeito Gilberto Kassab conseguiu montar no ano passado o seu PSD, feito sob medida para esvaziar partidos de oposição em Brasília, e as dificuldades que Marina Silva está encontrando para montar seu Rede Sustentabilidade, partido pelo qual pretende disputar a presidência da República contra Dilma Rousseff. Um teve todo o amparo oficial, o outro, todo o boicote possível. Não é nada, não é nada, é muito estranho.
Um pequeno ruído oposicionista
O programa eleitoral do PSDB na quinta-feira, estrelado pelo provável (cada vez mais) candidato do partido ao Palácio do Planalto, deu o tom do que poderá ser a campanha tucana no ano que vem: menos espetaculosa, mais crítica, em tom didático e de conversa com o eleitor - e sem promessas. Trata-se de uma mudança no estilo de marketing político-eleitoral brasileiro, de extração publicitária, na base da venda de um "produto" desenhado a partir de pesquisas de opinião. Parece ser um texto. A questão é: funcionará? O comando da campanha resistirá às pressões para adotar o modelo edulcorado, caso a campanha não deslanche? Porém, apenas isto não basta - e a observação vale para outros candidatos também, inclusive para a presidente Dilma: os candidatos deverão apresentar aos eleitores programas de governos concretos, não fantasiosos, factíveis. O aperto que os prefeitos empossados em janeiro estão enfrentando - estão praticamente os mais importantes com a popularidade em baixa - se deve à incapacidade de cumprir as promessas - na maioria, mirabolantes, que fizeram durante a campanha. As não suficientemente analisadas manifestações juninas demonstraram isto.
A infringência dos embargos - política
Em nome da solidariedade pessoal aos réus condenados, foi de júbilo, apesar de contido, no governo e no PT, a decisão do ministro Celso de Mello, do STF, com o voto de desempate, de considerar possível a apresentação de embargos infringentes por quem teve - 12 no total - pelo menos quatro votos contra sua condenação. O comedimento público das reações tem uma explicação a partir desta pergunta: será bom para a campanha e Dilma e do PT a exibição pública do mensalão, com toda a sua história repisada, no ano que vem?
A infringência dos embargos - jurídica
O mundo jurídico oficial, STF à frente, e o Legislativo precisam mergulhar mais profundamente sobre os embargos infringentes nas ações penais como o mensalão. O ministro Celso de Mello deu um voto de desempate, concluindo que eles estão vigentes no ordenamento político nacional. Todavia, Celso de Mello, por mais elevado que seja o seu saber jurídico, não é um oráculo, persistem dúvidas sérias sobre a aplicação desta norma. Como mostraram os cinco votos contrários - é uma divergência "significativa" - e várias interpretações de juristas renomados. Não é, como se diz, uma questão vencida. Está vencida para o caso do mensalão, não para outros casos que venham a surgir. Dependendo da composição da corte a decisão pode ser distinta daquela de quarta-feira passada. Como disse a ministra Carmem Lúcia em seu sereno e substancial voto, o sistema não fecha.
A infringência dos embargos - a desculpa
Com seu voto, o ministro Celso de Mello botou abaixo um dos argumentos dos advogados e defesa dos réus - e discurso permanente dos "mensaleiros" - de que eles estavam sendo vítimas de um julgamento de exceção, de que não estavam tendo direito pleno de defesa. Pelo menos para os 12 com direito a embargos declaratórios, o duplo grau de jurisdição foi estabelecido. Não para os outros condenados.
País de cultura
Aos olhos da mais mortal das criaturas parece razoável que o Erário de um país, via Lei Rouanet, financie o Rock in Rio, o musical Billy Elliot e desfiles de moda em Paris?
Renovação política
Viu-se na imprensa: José Sarney deve se aposentar em 2015 aos 85 anos. Deixará um herdeiro político em seu lugar e deve disputar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Há muita expectativa sobre tudo isso. É preciso se preparar. FHC, em seu discurso de posse na ABL, pronunciou: "O grande desafio dos caminhos da política é evitar a tentação do doutor Fausto e não vender a alma ao demônio". Investiga-se a intenção da frase, mas não há resultados por ora...
Opinião pública
Em tempos de discussão sobre opinião pública, voz das ruas e coisas tais, vale lembrar duas lições sobre o assunto. Do filósofo espanhol Miguel Unamuno: "Eu sou eu e minhas circunstâncias". Do "filósofo" português Conselheiro Acácio, criação de Eça de Queiros em "O Primo Basílio": "O problema é que as consequências vêm sempre depois".
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
Os substantivos problemas pelos quais o Brasil atravessa têm sido sistematicamente tratados, seja do alto da maior autoridade brasileira, seja dos analistas, como "conjunturais" na ausência de outra palavra no vernáculo. Ocorre que o país está acumulando problemas de natureza estrutural sem que estes tenham encaminhamento estratégico. Agrava-se esta constatação com o lançamento de factóides que contribuem para a formulação dos discursos oficiais com vista às próximas eleições. A maioria das políticas governamentais ou das críticas a estas não subsiste a um exame mais demorado, mais estrutural. Como não está instalado na sociedade e no governo um sentimento de "emergência" tudo vai sendo empurrado por uma monumental barriga. Assim, com efeito pirotécnico, tudo fica como sempre e sem solução.
Para além da mera conjuntura - 2
Pode-se fazer uma longa lista ou uma "agenda" para comprovar a "dança do ventre" da sociedade e do governo cujo efeito é a paralisia nas soluções. Selecionamos alguns dos itens mais importantes: (i) considerada a atual taxa de câmbio e o chamado "custo-país" (tributação, regras trabalhistas, taxa de juros, etc.), o Brasil não é competitivo perante um mundo, incluso o emergente, altamente competitivo; (ii) nada de relevante ocorreu no país nos últimos 15 anos que tenha sido relevante para alterar as ineficiências da infraestrutura nacional. Das estradas até o balcão dos cartórios dos tribunais, tudo conspira contra o desenvolvimento econômico e social (veja as notas sobre os recentes leilões de concessões); (iii) a larga maioria dos programas sociais se reduz a uma estrita visão eleitoral. Do Bolsa-Família ao "Mais Médicos" nota-se a ausência de uma visão estratégica suficiente para em algumas décadas superar-se a pobreza e o subdesenvolvimento; (iv) em matéria de desenvolvimento tecnológico e educacional a coisa vai de mal a pior. Somos, de fato, um país sem possibilidade de incorporar parcelas importantes de avanços tecnológicos e, de um modo geral, sobram analfabetos funcionais.
Para além da mera conjuntura - 3
Alguém poderia argumentar que "as coisas sempre foram assim" e mesmo assim o Brasil se desenvolveu. Esta duvidosa argumentação, em geral, não considera o fato de que as mudanças dos padrões de competitividade das últimas três décadas jogaram o país num quadro de estupendos desafios. É preciso recuperar rapidamente o que deixamos de fazer naquilo que é o "básico" para jogar o jogo e, ao mesmo tempo, dar arrancadas tecnológicas que permitam ao país ser ao menos competitivo dentre seus pares "emergentes". Para isto, a arte de governar teria de reformar o Estado no sentido de torná-lo eficiente no cumprimento de suas tarefas na formulação de políticas modernas e atrair o capital para mover a máquina do desenvolvimento. Para isto o governo tem de ser fonte de estabilidade e confiança, pois até o mundo mineral sabe que o capital é covarde. Ora, o que se vê no governo é o jorro de bravatas e a incapacidade, digamos, operacional, de fazer o país seguir em frente. Afora, outros aspectos mais nebulosos como a corrupção e a trágica criminalidade. Por toda esta argumentação já não existe, a nosso ver, "conjuntura" e "estrutura". Há uma emergência que embora não aflorada, faz um país muito além de suas próprias possibilidades.
Câmbio: "parada técnica" ou "mudança de tendência"?
O Federal Reserve preservou a sua estratégia de expansão monetária com o objetivo de estimular o "lado real" da economia norte-americana e, com efeito, manter o mercado laboral em aquecimento. Observados os indicadores de atividade da maior economia do mundo, o que se vê é que a demanda está, a cada dia, mais aquecida e, em menor medida, sustentada pela expansão do crédito. O que é certo é que o pior já passou e a direção dos capitais mudou, da periferia para o centro capitalista. Neste sentido, o dólar mantém intacta a tendência de valorização frente às demais moedas. O ritmo desta valorização haverá de ser maior ou menor na medida em que o Fed aponte quando "mudará" a sua política. Todavia, a autoridade monetária americana está mais próxima de mudá-la que de mantê-la. Quando isto ficar mais claro a volatilidade cambial voltará a se exacerbar e os movimentos serão mais bruscos. Até lá, parece muito mais seguro permanecer investido no dólar que em outra moeda. A transição parece ter ficado mais longa, mas a tendência permanece clara.
Privatizações: os fatos e as versões - 1
A primeira versão é que a presidente Dilma Rousseff está irritada como o que classifica como insucesso dos primeiros leilões de privatização de rodovias Federais em seu governo e de exploração do primeiro campo de pré-sal, o de Libra, colocado em hasta pública. Insucesso porque o governo acreditava que haveria uma enxurrada de concorrentes nas duas ofertas e o que se viu foi a ausência de qualquer proposta para a rodovia BR-262; um consórcio vencedor da disputa pela BR-050 formado por nove empresas de porte médio, o que agitou outro fantasma que já assombrou a presidente, os resultados dos leilões do aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília; e o aparecimento de apenas 11 - inclusa a Petrobras - companhias e não as 40 imaginadas, ainda com a desistência de cinco gigantes petrolíferas, na disputa do pré-sal.
Privatizações: os fatos e as versões - 2
Foi demais para Dilma - ela reagiu como se não soubesse que isto poderia ter acontecido. Ou não lê jornais, uma vez que não conversa com quem não pensa como ela e aceita suas ideias, ou não foi bem informada por seus assessores. Especialistas nesses setores, de diversos matizes ideológicos, alertaram para esse risco, em função dos modelos que foram elaborados para as concessões (palavra que o governo prefere à privatização), não dessas duas áreas agora, mas também do que vem por aí como os aeroportos, portos e ferrovias. O governo demorou anos para aceitar a necessidade de chamar o setor privado para ajudá-lo a atacar nossos problemas de infraestrutura. Havia um ano e meio de gestão quando a presidente lançou o Programa de Investimentos em Logística (PIL), em agosto de 2013. Entre a descoberta dos primeiros campos de pré-sal, as mudanças no modelo de concessão para partilha e o anúncio da oferta do campo de Libra, passaram-se seis anos.
Privatizações: os fatos e as versões - 3
Quando o livro foi aberto percebeu-se que o governo queria conceder sem conceder de fato, mantendo interferências e controles sobre o processo que tornavam, para o capital privado, o negócio pouco atraente. Várias correções foram feitas, já comentadas aqui, com o objetivo de aumentar a rentabilidade nas concessões rodoviárias e reduzir os correspondentes riscos. Mesmo assim a coisa não pegou. E não pegou tanto nas estradas como nos poços de petróleo por uma coisa que está sendo chamada de "risco-governo". O Palácio do Planalto procurou encontrar agentes externos de variadas conotações para explicar o insucesso. Empresários chegaram a ser chamados a Brasília para receber um "pito" da ministra Gleisi Hoffmann. A presidente, enquanto isso, ordenou a seus auxiliares uma revisão de todo o processo, para ver onde estão os gargalos. É incrível que, depois de tanto tempo, o governo ainda precise fazer ajustes no seu programa. É sinal da soberba palaciana, de ouvir pouco e ordenar muito. Faltou o chamado "juízo crítico", normalmente uma mercadoria escassa nos palácios governamentais. Que empresa privada gostaria de ter no seu calcanhar uma sócia, a nova estatal criada para o pré-sal, que não investirá um mísero dólar no consórcio, mas terá total poder de veto nas decisões estratégicas? Se não olhar para dentro e fizer um mea culpa, se não perceber que o Brasil não é o único lugar no mundo onde há bons negócios para o capital privado, a presidente Dilma pode colher outros frutos amargos na sua "privatização envergonhada" - "que nem jiló" como diz a música de Luis Gonzaga.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 1
Outra surpresa, confessada por ela mesma, que assaltou a presidente Dilma Rousseff, foi a decisão do governador de PE e presidente do PSB, Eduardo Campos, de entregar a ela os dois ministérios e cargos de peso no segundo escalão Federal ocupados pelo partido. Houve sim a surpresa, mas apenas pelo gesto de Campos - ninguém esperava nas esferas oficiais e petistas tal gesto de "desprendimento" com certo cheiro eleitoral. Na realidade, Dilma se preparava para ser a condutora do processo de afastamento PSB e acabou sendo "trucada" pelo governador pernambucano. Era visível até para os mais leigos em política, que Campos e o PSB, desde que ficou mais ou menos claro que ele pretendia concorrer de fato à presidência da República em 2014, estavam sendo "fritados".
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 2
A "fritura" tinha por objetivo humilhar o concorrente, pespegando nele pechas de "oportunista" e "fisiológico", por estar fazendo um discurso de oposição, com críticas à política econômica, para preparar sua candidatura presidencial e, ao mesmo tempo, não largar o osso dos bons cargos Federais. Nessa linha, preparava-se o desembarque do PSB do governo por decisão presidencial. O PT, como bom menino que é, defendia abertamente a saída de Campos e do PSB. O PMDB, menino glutão, seguia na mesma linha, de olho nos cargos que vagarão. Já está até trucidando pelo Ministério da Integração Nacional. De duas semanas para cá, o jornais e sites começaram a publicar reportagens e notinhas, sem fontes identificadas, mas facilmente perceptíveis a olho nu, que Dilma tiraria os ditos socialistas de sua equipe quando outubro chegasse. Dilma deixou que se espalhasse a versão de que ficou furibunda com o encontro amigável de Eduardo Campos com Aécio Neves.
Dilma/PSB: as versões e os fatos - 3
Houve até uma reunião em Brasília, do "Conselho Eleitoral" de Dilma, na qual o ex-presidente Lula compareceu, quando o tema foi tratado. A versão é que o ex-presidente teria aconselhado Dilma a não atacar Campos para não queimar as pontes com o PSB e jogá-lo nos braços de Marina ou Aécio. É improvável que Lula e Dilma não soubessem de tais manobras. E que, se quisessem, facilmente calariam o PT o PMDB e desmentiriam publicamente e veementemente as notícias que levavam à "fritura" de Campos. Como diz o popular, foram buscar lã e saíram tosquiados. Agora correm para conter os prejuízos, pois os sinais de que Eduardo Campos saiu contrariado - quem sabe, furibundo - desse episódio são muito claros. Dilma pediu um tempo ao ministro renunciante Fernando Bezerra e pediu a seu auxiliar para intermediar uma nova conversa dela com Campos. Lula também entrou em campo. O governador de PE aceitou falar com Dilma outra vez sobre o tema. Mas não tem volta com o PSB ficando no governo, sob pena de se desmoralizar irremediavelmente. O máximo que se pode agora é ajustar a funilaria, reparar os estragos e não ter Eduardo Campos como um inimigo declarado. Sem Lula por perto, normalmente a operação política da presidente Dilma é um desastre. Desta vez, como Lula estava no mesmo barco para arpoar Eduardo Campos, o jogo se revelou lastimável.
E a faxineira?
Nos últimos 15 dias houve demissões de funcionários graduados, em cargos comissionados, de confiança, por razões não ecumênicas, no Ministério do Trabalho, no Ministério da Previdência Social e no Ministério das Relações Institucionais. No entanto, os titulares das pastas em ebulição, respectivamente Manoel Dias/PDT, Garibaldi Alves/PMDB e Ideli Salvatti/PT, continuam impávidos colossos em seus postos. Cientes de que a teoria do "domínio dos fatos" é filustria jurídica para o STF. Manoel Dias ainda com um agravante : em entrevista do jornal "O Globo" avisou que se for retirado do Ministério não vai ficar calado. Teria coisas "impublicáveis" para contar.
Sem insinuação, porém...
Contrasta a facilidade com que o ex-prefeito Gilberto Kassab conseguiu montar no ano passado o seu PSD, feito sob medida para esvaziar partidos de oposição em Brasília, e as dificuldades que Marina Silva está encontrando para montar seu Rede Sustentabilidade, partido pelo qual pretende disputar a presidência da República contra Dilma Rousseff. Um teve todo o amparo oficial, o outro, todo o boicote possível. Não é nada, não é nada, é muito estranho.
Um pequeno ruído oposicionista
O programa eleitoral do PSDB na quinta-feira, estrelado pelo provável (cada vez mais) candidato do partido ao Palácio do Planalto, deu o tom do que poderá ser a campanha tucana no ano que vem: menos espetaculosa, mais crítica, em tom didático e de conversa com o eleitor - e sem promessas. Trata-se de uma mudança no estilo de marketing político-eleitoral brasileiro, de extração publicitária, na base da venda de um "produto" desenhado a partir de pesquisas de opinião. Parece ser um texto. A questão é: funcionará? O comando da campanha resistirá às pressões para adotar o modelo edulcorado, caso a campanha não deslanche? Porém, apenas isto não basta - e a observação vale para outros candidatos também, inclusive para a presidente Dilma: os candidatos deverão apresentar aos eleitores programas de governos concretos, não fantasiosos, factíveis. O aperto que os prefeitos empossados em janeiro estão enfrentando - estão praticamente os mais importantes com a popularidade em baixa - se deve à incapacidade de cumprir as promessas - na maioria, mirabolantes, que fizeram durante a campanha. As não suficientemente analisadas manifestações juninas demonstraram isto.
A infringência dos embargos - política
Em nome da solidariedade pessoal aos réus condenados, foi de júbilo, apesar de contido, no governo e no PT, a decisão do ministro Celso de Mello, do STF, com o voto de desempate, de considerar possível a apresentação de embargos infringentes por quem teve - 12 no total - pelo menos quatro votos contra sua condenação. O comedimento público das reações tem uma explicação a partir desta pergunta: será bom para a campanha e Dilma e do PT a exibição pública do mensalão, com toda a sua história repisada, no ano que vem?
A infringência dos embargos - jurídica
O mundo jurídico oficial, STF à frente, e o Legislativo precisam mergulhar mais profundamente sobre os embargos infringentes nas ações penais como o mensalão. O ministro Celso de Mello deu um voto de desempate, concluindo que eles estão vigentes no ordenamento político nacional. Todavia, Celso de Mello, por mais elevado que seja o seu saber jurídico, não é um oráculo, persistem dúvidas sérias sobre a aplicação desta norma. Como mostraram os cinco votos contrários - é uma divergência "significativa" - e várias interpretações de juristas renomados. Não é, como se diz, uma questão vencida. Está vencida para o caso do mensalão, não para outros casos que venham a surgir. Dependendo da composição da corte a decisão pode ser distinta daquela de quarta-feira passada. Como disse a ministra Carmem Lúcia em seu sereno e substancial voto, o sistema não fecha.
A infringência dos embargos - a desculpa
Com seu voto, o ministro Celso de Mello botou abaixo um dos argumentos dos advogados e defesa dos réus - e discurso permanente dos "mensaleiros" - de que eles estavam sendo vítimas de um julgamento de exceção, de que não estavam tendo direito pleno de defesa. Pelo menos para os 12 com direito a embargos declaratórios, o duplo grau de jurisdição foi estabelecido. Não para os outros condenados.
País de cultura
Aos olhos da mais mortal das criaturas parece razoável que o Erário de um país, via Lei Rouanet, financie o Rock in Rio, o musical Billy Elliot e desfiles de moda em Paris?
Renovação política
Viu-se na imprensa: José Sarney deve se aposentar em 2015 aos 85 anos. Deixará um herdeiro político em seu lugar e deve disputar a presidência da Academia Brasileira de Letras. Há muita expectativa sobre tudo isso. É preciso se preparar. FHC, em seu discurso de posse na ABL, pronunciou: "O grande desafio dos caminhos da política é evitar a tentação do doutor Fausto e não vender a alma ao demônio". Investiga-se a intenção da frase, mas não há resultados por ora...
Opinião pública
Em tempos de discussão sobre opinião pública, voz das ruas e coisas tais, vale lembrar duas lições sobre o assunto. Do filósofo espanhol Miguel Unamuno: "Eu sou eu e minhas circunstâncias". Do "filósofo" português Conselheiro Acácio, criação de Eça de Queiros em "O Primo Basílio": "O problema é que as consequências vêm sempre depois".
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
domingo, 22 de setembro de 2013
DEBATE DIVERSO
Será bom para o Brasil ter o nome de Marina Silva nos terminais de votos de 2014 porque ela representa um grupo e um conjunto de ideias. O movimento feito pelo PSB, que prenuncia a candidatura do governador Eduardo Campos, também é animador. O Brasil precisa da diversidade de propostas e de um profundo debate que faça justiça à dimensão dos desafios do momento.
Há várias escolhas possíveis nas políticas públicas para enfrentar os problemas que o Brasil vive hoje e quanto mais opções houver em 2014 mais chances haverá de ocorrer um verdadeiro debate. Se Marina Silva for barrada porque não cumpriu um número cabalístico de ter 492 mil assinaturas validadas pelos cartórios, e ter “apenas” 440 mil, o país verá ser cometido um crime contra a democracia.
Todos sabemos que ela representa um conjunto de ideias que tem seguidores pelo país todo, que estimula jovens e pessoas maduras, de todas as classes sociais, e está bem instalada nas pesquisas de intenção de votos. Sua agenda há muito tempo transbordou a questão ambiental — preservando-a — com propostas e questões das quais se pode discordar, mas o indiscutível é que Marina Silva não é candidata de si mesma. Não é uma viagem personalista, é um movimento.
A burocracia dos cartórios negou a validação de outras quase 200 mil assinaturas, no país do voto eletrônico e num mundo que se mobiliza em redes virtuais. Curioso como é difícil criar um partido que nasce das ideias. Fácil é criar legendas de aluguel, em que os mesmos candidatos se apresentam a cada eleição para eleger alguns poucos, que depois vão barganhar nacos de poder na coalizão de governo.
Num fim de semana, meses atrás, fomos abordados, eu e um dos meus filhos, por um jovem que colhia assinaturas em um parque. Ele explicou de forma coerente algumas ideias da Rede, nos convidou para entender melhor as propostas e perguntou se estávamos dispostos a assinar a lista de apoios. Explicamos que éramos jornalistas e isso nos impedia. Ele, educadamente, agradeceu o tempo que nos tomou e seguiu adiante, conversando com pessoas sobre ideias para o Brasil. Imagino que centenas de pessoas estavam naquele mesmo momento dedicando seu fim de semana a trabalhar por aquela causa. Portanto, ela nada tem de artificial. Nasce do impulso que levou aquele jovem ao trabalho político num fim de semana, em que poderia estar se divertindo.
Assim, com militância espontânea, nasceu o PT, que depois chegou ao poder e agora precisa, como diz Lula, voltar a ter orgulho de si mesmo. Hoje, alguns de seus integrantes parecem raivosos e ressentidos e usam apenas o ataque como argumento. Em nada lembram as alegres e sedutoras pessoas que nos abordavam nas ruas oferecendo a venda de estrelas e bandeiras vermelhas para financiar o partido, décadas atrás. O poder, os escândalos e escolhas fizeram do partido uma sombra do que ele foi. Mas o processo eleitoral pode reavivar o que houve de melhor nele, ou então — o que é mais provável —, aprofundar sua opção pelo uso do aparelho de Estado, capturado, nos últimos anos, para seus propósitos partidários.
O PSDB — nascido do caudaloso rio de oposição que um dia foi o MDB — trouxe propostas novas. Foi ele que fez a travessia para o novo Brasil quando, há quase 20 anos, enterrou a hiperinflação, a dívida externa herdada dos militares, as práticas fiscais nebulosas com as quais a ditadura povoou os armários de esqueletos contábeis. Na terra arada com a moeda estável, o PT tem feito um importante projeto de inclusão social. Todos sabemos que, para ser permanente, a inclusão precisará da revolução educacional sempre adiada no Brasil. Depois, o PSDB esqueceu o que fez e entrou em crise de identidade. Um PSDB que se orgulhe do seu legado ajudará a incentivar o debate.
Estamos no momento mais arriscado das mudanças demográficas, em um mundo globalizado e competitivo, com o planeta já sentindo os efeitos das mudanças climáticas, com a educação perdendo talentos, e as cidades entrando em colapso. O Brasil precisa de um projeto. O debate político necessita ter diversidade para não vermos, como diria Cazuza, “o futuro repetir o passado”. Não será inteligente, justo, nem democrático barrar do debate, por razões obscuras e burocráticas, a rede liderada por Marina.
(Míriam Leitão)
Há várias escolhas possíveis nas políticas públicas para enfrentar os problemas que o Brasil vive hoje e quanto mais opções houver em 2014 mais chances haverá de ocorrer um verdadeiro debate. Se Marina Silva for barrada porque não cumpriu um número cabalístico de ter 492 mil assinaturas validadas pelos cartórios, e ter “apenas” 440 mil, o país verá ser cometido um crime contra a democracia.
Todos sabemos que ela representa um conjunto de ideias que tem seguidores pelo país todo, que estimula jovens e pessoas maduras, de todas as classes sociais, e está bem instalada nas pesquisas de intenção de votos. Sua agenda há muito tempo transbordou a questão ambiental — preservando-a — com propostas e questões das quais se pode discordar, mas o indiscutível é que Marina Silva não é candidata de si mesma. Não é uma viagem personalista, é um movimento.
A burocracia dos cartórios negou a validação de outras quase 200 mil assinaturas, no país do voto eletrônico e num mundo que se mobiliza em redes virtuais. Curioso como é difícil criar um partido que nasce das ideias. Fácil é criar legendas de aluguel, em que os mesmos candidatos se apresentam a cada eleição para eleger alguns poucos, que depois vão barganhar nacos de poder na coalizão de governo.
Num fim de semana, meses atrás, fomos abordados, eu e um dos meus filhos, por um jovem que colhia assinaturas em um parque. Ele explicou de forma coerente algumas ideias da Rede, nos convidou para entender melhor as propostas e perguntou se estávamos dispostos a assinar a lista de apoios. Explicamos que éramos jornalistas e isso nos impedia. Ele, educadamente, agradeceu o tempo que nos tomou e seguiu adiante, conversando com pessoas sobre ideias para o Brasil. Imagino que centenas de pessoas estavam naquele mesmo momento dedicando seu fim de semana a trabalhar por aquela causa. Portanto, ela nada tem de artificial. Nasce do impulso que levou aquele jovem ao trabalho político num fim de semana, em que poderia estar se divertindo.
Assim, com militância espontânea, nasceu o PT, que depois chegou ao poder e agora precisa, como diz Lula, voltar a ter orgulho de si mesmo. Hoje, alguns de seus integrantes parecem raivosos e ressentidos e usam apenas o ataque como argumento. Em nada lembram as alegres e sedutoras pessoas que nos abordavam nas ruas oferecendo a venda de estrelas e bandeiras vermelhas para financiar o partido, décadas atrás. O poder, os escândalos e escolhas fizeram do partido uma sombra do que ele foi. Mas o processo eleitoral pode reavivar o que houve de melhor nele, ou então — o que é mais provável —, aprofundar sua opção pelo uso do aparelho de Estado, capturado, nos últimos anos, para seus propósitos partidários.
O PSDB — nascido do caudaloso rio de oposição que um dia foi o MDB — trouxe propostas novas. Foi ele que fez a travessia para o novo Brasil quando, há quase 20 anos, enterrou a hiperinflação, a dívida externa herdada dos militares, as práticas fiscais nebulosas com as quais a ditadura povoou os armários de esqueletos contábeis. Na terra arada com a moeda estável, o PT tem feito um importante projeto de inclusão social. Todos sabemos que, para ser permanente, a inclusão precisará da revolução educacional sempre adiada no Brasil. Depois, o PSDB esqueceu o que fez e entrou em crise de identidade. Um PSDB que se orgulhe do seu legado ajudará a incentivar o debate.
Estamos no momento mais arriscado das mudanças demográficas, em um mundo globalizado e competitivo, com o planeta já sentindo os efeitos das mudanças climáticas, com a educação perdendo talentos, e as cidades entrando em colapso. O Brasil precisa de um projeto. O debate político necessita ter diversidade para não vermos, como diria Cazuza, “o futuro repetir o passado”. Não será inteligente, justo, nem democrático barrar do debate, por razões obscuras e burocráticas, a rede liderada por Marina.
(Míriam Leitão)
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
FERREIRINHA, O HERÓDOTO DO SERTÃO!
Enquanto o Universo flui constante, a instável compleição da humanidade evolui, material e espiritualmente, mas a natureza humana nunca deixou de ter seus ritos de passagens como nas festas de salões, nas atividades religiosas dentro das catedrais ou mesmo na assinatura de um simples papel cartorial, confirmando a admissão de um jovem para uma nova etapa de vida. Impressionei-me, e comovido estou, com o momento ritualístico dos índios canadenses, chamados Algonquinos, eles enjaulam os meninos das tribos e os obrigam a ingerir wysoccan, uma droga fortíssima e toda memória da infância é apagada das mentes dos jovens aborígines, para que possam se tornar homens e membros produtivos na tribo. Admiro a faculdade de reter as impressões esmaecidas do tempo, guardar as reminiscências da infância e relatar em FATOS E CAUSOS de um tempo pretérito, pois é um privilégio para poucos cidadãos no mundo, menos para os jovens Algonquinos que perderam as lembranças do passado.
O poeta Saramago, categórico, afirmou: “Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.”
Em Cratheús, da distante década de 1920 e era da fundação do PC do B, o jovem Ferreirinha e o irmão caçula, Afonso, munidos de compridas varas enforquilhadas em rodas de madeira, engenhoca chamada “Mané mago”, dirigem-se ao poço da Sensa, ou à grota das cajás, para carregar latas d’água das cacimbas que margeiam o Rio Poti. Há pressa no caminhar dos meninos, pois terão ainda que cortar madeira para as brasas do fogão a lenha e devem voltar rápido para ajudar o pai, Seu Norberto Ferreira, distribuindo as bolachas da padaria, em balaios, nas bodegas dos Senhores Manoel Barbosa, Manoel Mano, Zé Bibino, Raimundo Cândido, Raimundo Fernandes, até nos últimos botequins do distante bairro dos Paus-Brancos.
Norberto pai, empresário de visão, até construía casas para alugar e garantir o futuro dos meninos, que tinham que colocar areia, tijolos, telhas, pedras no local das ditas construções. Depois da missão realizada, tinham o direito de experimentar a gengibirra, um suco de frutas, açúcar e gengibre, fabricados pelo Seu Cabeça Branca, a caminho dos banhos no Curtume.
Enquanto se ocupam do mister do dia-a-dia, os olhares vão captando as recordações do ar, os pés absorvem as lembranças da terra, alma vai sorvendo um mundo avelhantado e anseiam estar com os meninos vadios, com as crianças engenhosas, com os garotos briguentos que se divertem nos quintais e na piçarra das ruas, coisas que eles não podem fazer, pois o rito de passagem ordenado pelo rígido pai é trabalhar, sem oportunidade para estudar e raramente brincar. Atentos e ativos, meninos-homens que sobrevivem sem tempo para os doces sonhos, pois toda criança tem que ser pai de um ser que se humaniza e evolui, feito homem-menino aperfeiçoando-se no Universo que flui.
Na escola da vida só é necessário saber ler, se o olhar decifra os enigmas, se o olhar sente o invisível, se o olhar é de um vivo pensar, então os ritos já estão superados e todas as passagens são um simples abre-te sésamo, e foi o que ocorreu com o Jovem Norberto Ferreira Filho, o Ferreirinha, um memorialista que aprendeu o significado de complicadas palavras com a mãe e o entendimento do mundo com o pai.
Homem feito, na trilha do genitor que se foi, constitui uma família sólida dentro dos bons princípios, pelo equilíbrio da alma e intrepidez dos atos. Um altaneiro de costume simples e com a gentileza de um cavalheiro inglês ao receber os amigos que vinham visitá-lo: Geraldo Melo Mourão, Abelardo Montenegro, Pedro Lira, Juarez Leitão entre tantos... Mas sem perder a simplicidade rústica e poética manifestada no semblante de sertanejo, demonstrando, indistintamente, a todos, uma admirável coragem cívica!
Homem-heroi, um dia viaja com o Padre Moacir, que levava o pai, Estelano Cavalcante, para um sério tratamento de saúde em Fortaleza. A Maria Fumaça para na amarelada estação de Ipueiras, enquanto quem chega desce e quem parte diz um adeus lastimoso. Alguns curiosos sobem para prosear com os conhecidos que viajam e o terceiro apito já alertava à partida, mas uma displicente jovem, a Astrogilda Morreira, atarantada, cai entre os vagões do trem, em ato contínuo o comerciante Ferreirinha, e o adoentado Estelano, numa agilidade surpreendente seguram-na pelos braços e arremessam na calçada da Estação. O Pe. Moacir ficou assombrado, pelo ato de heroísmo dos dois cidadãos e pela surpreendente energia de seu pai, que não tinha forças nem para sustentar o corpo.
Admirador inconteste das ideias comunistas que se orvalhavam pelos rincões do País, tanto quando os companheiros de uma Utopia Cabocla crateuense – Leia-se: Luis Mano e outros herois – até se candidatara a Deputado Estadual, em 47, pelo histórico PC do B, mas amargou momentos de aflição e medo no tempo da Intransigência.
Todo dia 3 de Janeiro, fogos de artifícios pipocavam nos céus de Cratheús, pelo aniversário do Cavaleiro da Esperança, e ásperas vozes cochichavam nas casernas: - Ouviram? É obra do comunista Ferreirinha!
Todo dia 1º de maio, os muros da cidade amanheciam pixados, onde se lia “Viva o Dia do Trabalhador!”, “Viva a Classe Operária!”. Nas casernas, em surdina, se diziam: - Viram? É obra do comunista Ferreirinha!
Até na Igreja, o Padre interrompia seu sermão cheio de ameaças de um horrendo purgatório e vociferava: - Deviam pegar esse comunistazinho e fazê-lo limpar os muros da cidade e com a própria língua! E arrematava: - Os comunistas são crias do demônio que vieram para acabar com a Igreja e a Democracia! Apontava o dedo em riste para a residência do famoso comunista crateuense e finalizava: – Muito cuidado com ele, meus fiéis!
Qualquer alvoroço diferente na cidade, os militares iam buscar o Senhor Ferreirinha para prestar esclarecimento, e o Heródoto crateuense saía de lá com uma pesada ameaça de longa e indefensável cadeia.
As reuniões do partidão não tinham hora de ocorrer e podiam ser na padaria, na loja ou na própria residência de Senhor Ferreirinha. Dona Maria de Lurdes é que não gostava muito e sempre reclamava: - Isto é um absurdo, Ferreirinha! Esses homens entrando aqui em casa, a essa hora da madrugada! Os conspiradores eram pedreiros, carpinteiros, pintores, mecânicos, padeiros, pequenos comerciantes, todos almejando progresso e justiça social.
Certo dia uma das filhas, Maria da Glória, chegou chorando do colégio e disse que fora insultada por uma coleguinha que a chamara assim: - Ei, filha de comunista! O Senhor Ferreirinha teve que ir a escola passar uma borracha naquela ignorância, ensinar a não discriminação e o que era um bulling, para aquele corpo docente e discente.
No dia 31 de março de 1964, após ouvir a voz do Brasil, Norberto Ferreira Filho chama toda família e em tom solene, esclarecer: - Meus queridos filhos, daqui pra frente, vamos ter uns tempos difíceis! Hoje caiu um véu negro sobre o Brasil!
E o véu chegou rápido, pois o grupo de 16 pessoas que haviam assinado um documento de apoio ao Presidente João Goulart, foram declarados culpados e o Senhor Ferreirinha penou, com seus camaradas, 6 meses de injusta prisão.
O Heródoto nordestino, dono de uma memória magnífica, tinha que reconstruir as lembranças do sertão e faz como lhe ensinara o Professor Luiz Bezerra, mentor e amigo, escrevendo crônicas que são lidas, semanalmente, na Rádio Educadora, resultando nos preciosos livros que publicou. E sempre exercitava seu dote recitativo com o poema Caridade e Justiça de Guerra Junqueira, impressionando os ouvintes nas atividades sociais em que era convidado: “- No topo do Calvário erguia-se uma cruz, / pregado sobre ela o corpo de Jesus...” Os aplausos eram vigorosos pela emoção transmita na voz do recitador.
Se não fosse a intrepidez deste memorialista singular, estaríamos fadados ao longo esquecimento na historia e tenho a impressão que Crateús faria como os aborígenes canadenses, obrigando seus filhos a beber wysoccan, para apagar da memória o nosso passado.
Hoje encontramos Seu Ferreirinha sentado na calçada de sua casa, acompanhado de uma senilidade comum aos que atingem a longevidade. Um homem-menino e tão só, mas com a mesma esperança utópica de felicidade no rosto, coisa que nunca deixou de ter e ainda preserva aquela vontade de brincar na piçarra das ruas com os meninos traquinas, mas com a serenidade de quem alcançou as estrelas e guarda toda a luminosidade, na sua magnífica memória!
Raimundo Cândido
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
PARABÉNS, MANOEL VERAS!
Feliz Aniversário, doutor Manoel Veras!
Reproduzo, aqui, uma Crônica que lhe dediquei no meu livro Amores e Clamores da Cidade:
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
“Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a pureza e a justiça existam dentro de nós!” Citando estas palavras do poeta angolano Agostinho Neto, em 16 de março de 1991 Manoel Bezerra Veras encerrava o discurso de posse como Secretário de Administração do estado do Ceará. Até chegar àquele momento magnânimo, o crateuense da goela do Rio Poty havia atravessado muitas águas barrentas, em especial as Lagoas que sobreviviam próximo às Queimadas.
O mais jovem varão do casal Expedito Leitão Veras e Maria José Bezerra de Melo desde as babugens tenras da infância fora talhado para enfrentar as tempestades da vida. Ainda adolescente, quando o destino lhe cortou o convívio paterno, aprendeu o desassombro de abrir caminhos.
Após ter cursado o primário no Externato Nossa Senhora de Fátima, a severa escola da Dona Delite, e parte do curso ginasial no Colégio Pio XII, em Crateús, seguiu o farol do Forte de Nossa Senhora da Assunção. Na Capital Alencarina, concluiu o ginásio no Colégio Rui Barbosa, e fez o ensino médio nas salas de aula dos colégios São João e Cearense. Na UFC, formou-se em Odontologia.
(Foi por esses tempos que um dia, ao som de “Bandolins”, enamorou-se de Tânia, uma bela jovem da Serra da Santana, no Cariri, com quem entrelaçou o coração. Desse consórcio afetivo vieram ao mundo Renata, hoje bacharela em Direito e, já casada, residindo em Fortaleza; e Renê, solteiro e médico em Santa Catarina).
Sucede que, à par dos estudos, Manoel também laborava incansavelmente. Lecionou nas principais casas de ensino de Fortaleza, como Cristhus, Cearense, Skema e Capital. Foi nessa época que, de mãos dadas com professores como Chico Sampaio, Nazareno, Ênio e Artur Bruno, dentre outros, fundou o Colégio GEO STÚDIO e tornou-se um dos seus sócios principais.
A prosperidade profissional, no entanto, não o realizava inteiramente. Sentia-se chamado a compartilhar, sobretudo com a gente mais sofrida de sua terra, os talentos que Deus lhe concedera. Em 1990, iça velas e lança-se destemidamente sobre as ondas tempestuosas do oceano da política. Elege-se Deputado Estadual.
A partir daí, sua jangada andou por mares nunca dantes navegados. Logo nos primeiros dias de 1991, o então governador eleito, Ciro Gomes, o convida a assumir a pasta da Administração. Secretário de Estado por quatro anos, jamais descurou dos interesses do povo que o havia sufragado nas urnas, vindo a reeleger-se com votação sempre crescente.
Como Deputado, o ex-professor também fez escola. Ciente de que, numa região pobre como a nossa, um parlamentar não pode quedar-se apenas à atividade legiferante, Veras inaugurou um novo estilo de exercício do mandato, marcado pela imposição de um ritmo frenético de presença junto às bases e pela intermediação constante e conseqüente de obras e benefícios para as comunidades carentes. Durante os treze anos como Deputado, nunca passou um mês sem visitar as bases e invariavelmente levando uma boa nova: luz para onde reinava a escuridão, água para a comunidade sedenta, trator para a associação de produtor, escola para o analfabeto, estrada para escoar a produção, recursos para concluir ginásio poliesportivo que a juventude ansiava... Enfim, a bandeira do trabalho se sobrepondo a qualquer outra.
Na Assembléia Legislativa, ocupou a Primeira Secretaria, o segundo cargo mais importante da Casa. Foi Presidente da Comissão de Serviços Públicos, membro da Comissão de Constituição e Justiça e Líder do Governo Tasso Jereissati.
(Nessa condição, no auge da atividade parlamentar, sofreu um duro teste. Atmosfera pouco receptiva à brisa da gratuidade ou ao bafejo da gratidão, o mundo da política é marcado pelos relâmpagos do interesse imediato. Veras fez contraponto a essa lógica. Às vésperas da definição do processo sucessório de 1998, quando o seu inspirador Ciro Gomes houve por bem tomar a corajosa decisão de palmilhar caminho partidário novo e concorrer à Presidência da República, Manoel Veras não hesitou. Entregou a liderança e acompanhou o amigo!)
Uma marca indelével, no entanto, do seu múnus público é o culto à probidade. Durante todos esses anos, nunca se levantou qualquer suspeição quanto à sua correção de conduta. Jamais alguém ousou adentrar ao seu gabinete e apresentar uma proposta escusa. Foi por isso que, em 2003, quando a Assembléia foi instada a escolher um novo Conselheiro para o Tribunal de Contas dos Municípios, o dedo indicador de cada um dos Deputados estava apontado para Manoel Bezerra Veras.
No TCM, já ocupou a Vice-Presidência, presidiu a Comissão de Legislação e, no mandato pretérito, a Presidência da Corte. Acadêmico de direito, mergulha no estudo das leis para melhor julgar a aplicação do dinheiro do povo.
Manoel, que prossigas desembevecido com os apupos do sucesso, mantendo a têmpera de homem polido na cal das adversidades, aquecendo a brasa da justiça que arde no teu peito e conservando o orvalho de pureza que hidrata tua alma!
(Júnior Bonfim)
Reproduzo, aqui, uma Crônica que lhe dediquei no meu livro Amores e Clamores da Cidade:
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“Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a pureza e a justiça existam dentro de nós!” Citando estas palavras do poeta angolano Agostinho Neto, em 16 de março de 1991 Manoel Bezerra Veras encerrava o discurso de posse como Secretário de Administração do estado do Ceará. Até chegar àquele momento magnânimo, o crateuense da goela do Rio Poty havia atravessado muitas águas barrentas, em especial as Lagoas que sobreviviam próximo às Queimadas.
O mais jovem varão do casal Expedito Leitão Veras e Maria José Bezerra de Melo desde as babugens tenras da infância fora talhado para enfrentar as tempestades da vida. Ainda adolescente, quando o destino lhe cortou o convívio paterno, aprendeu o desassombro de abrir caminhos.
Após ter cursado o primário no Externato Nossa Senhora de Fátima, a severa escola da Dona Delite, e parte do curso ginasial no Colégio Pio XII, em Crateús, seguiu o farol do Forte de Nossa Senhora da Assunção. Na Capital Alencarina, concluiu o ginásio no Colégio Rui Barbosa, e fez o ensino médio nas salas de aula dos colégios São João e Cearense. Na UFC, formou-se em Odontologia.
(Foi por esses tempos que um dia, ao som de “Bandolins”, enamorou-se de Tânia, uma bela jovem da Serra da Santana, no Cariri, com quem entrelaçou o coração. Desse consórcio afetivo vieram ao mundo Renata, hoje bacharela em Direito e, já casada, residindo em Fortaleza; e Renê, solteiro e médico em Santa Catarina).
Sucede que, à par dos estudos, Manoel também laborava incansavelmente. Lecionou nas principais casas de ensino de Fortaleza, como Cristhus, Cearense, Skema e Capital. Foi nessa época que, de mãos dadas com professores como Chico Sampaio, Nazareno, Ênio e Artur Bruno, dentre outros, fundou o Colégio GEO STÚDIO e tornou-se um dos seus sócios principais.
A prosperidade profissional, no entanto, não o realizava inteiramente. Sentia-se chamado a compartilhar, sobretudo com a gente mais sofrida de sua terra, os talentos que Deus lhe concedera. Em 1990, iça velas e lança-se destemidamente sobre as ondas tempestuosas do oceano da política. Elege-se Deputado Estadual.
A partir daí, sua jangada andou por mares nunca dantes navegados. Logo nos primeiros dias de 1991, o então governador eleito, Ciro Gomes, o convida a assumir a pasta da Administração. Secretário de Estado por quatro anos, jamais descurou dos interesses do povo que o havia sufragado nas urnas, vindo a reeleger-se com votação sempre crescente.
Como Deputado, o ex-professor também fez escola. Ciente de que, numa região pobre como a nossa, um parlamentar não pode quedar-se apenas à atividade legiferante, Veras inaugurou um novo estilo de exercício do mandato, marcado pela imposição de um ritmo frenético de presença junto às bases e pela intermediação constante e conseqüente de obras e benefícios para as comunidades carentes. Durante os treze anos como Deputado, nunca passou um mês sem visitar as bases e invariavelmente levando uma boa nova: luz para onde reinava a escuridão, água para a comunidade sedenta, trator para a associação de produtor, escola para o analfabeto, estrada para escoar a produção, recursos para concluir ginásio poliesportivo que a juventude ansiava... Enfim, a bandeira do trabalho se sobrepondo a qualquer outra.
Na Assembléia Legislativa, ocupou a Primeira Secretaria, o segundo cargo mais importante da Casa. Foi Presidente da Comissão de Serviços Públicos, membro da Comissão de Constituição e Justiça e Líder do Governo Tasso Jereissati.
(Nessa condição, no auge da atividade parlamentar, sofreu um duro teste. Atmosfera pouco receptiva à brisa da gratuidade ou ao bafejo da gratidão, o mundo da política é marcado pelos relâmpagos do interesse imediato. Veras fez contraponto a essa lógica. Às vésperas da definição do processo sucessório de 1998, quando o seu inspirador Ciro Gomes houve por bem tomar a corajosa decisão de palmilhar caminho partidário novo e concorrer à Presidência da República, Manoel Veras não hesitou. Entregou a liderança e acompanhou o amigo!)
Uma marca indelével, no entanto, do seu múnus público é o culto à probidade. Durante todos esses anos, nunca se levantou qualquer suspeição quanto à sua correção de conduta. Jamais alguém ousou adentrar ao seu gabinete e apresentar uma proposta escusa. Foi por isso que, em 2003, quando a Assembléia foi instada a escolher um novo Conselheiro para o Tribunal de Contas dos Municípios, o dedo indicador de cada um dos Deputados estava apontado para Manoel Bezerra Veras.
No TCM, já ocupou a Vice-Presidência, presidiu a Comissão de Legislação e, no mandato pretérito, a Presidência da Corte. Acadêmico de direito, mergulha no estudo das leis para melhor julgar a aplicação do dinheiro do povo.
Manoel, que prossigas desembevecido com os apupos do sucesso, mantendo a têmpera de homem polido na cal das adversidades, aquecendo a brasa da justiça que arde no teu peito e conservando o orvalho de pureza que hidrata tua alma!
(Júnior Bonfim)
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
PSB DEIXA O GOVERNO DILMA
Confira a íntegra da carta aprovada nesta quarta-feira (18) pela Comissão Executiva Nacional do Partido Socialista Brasiliero (PSB) e entregue à presidente da República, Dilma Rousseff, pelo presidente Nacional da legenda e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.
Brasília, 18 de setembro de 2013
À Sua Excelência Senhora Dilma Rousseff
Em mãos.
Senhora Presidenta,
Desde 1989, quando da criação da “Frente Brasil Popular”, o Partido Socialista Brasileiro integra, juntamente com o Partido dos Trabalhadores e outros do campo da esquerda, a base política e social que, durante as sucessivas eleições presidenciais de 1989, 1994, 1998 e no segundo turno de 2002, apoiou e, finalmente, levou à Presidência da República, o companheiro Luís Inácio Lula da Silva, cujo governo contou com nossa participação, colaboração e sustentação, no Executivo e no Parlamento.
Convidado a ocupar funções governamentais, nosso Partido contribuiu para os avanços econômicos e sociais proporcionados ao País pelo governo do honrado Presidente Lula, dedicando seus melhores esforços e sua total lealdade nos momentos mais difíceis dos oito anos de mandato.
Em março de 2010, embora contássemos com um pré-candidato à presidência da República e fosse desejo manifesto de nossa base e das lideranças do partido o lançamento de candidatura própria, o PSB, a partir de uma profunda reflexão e discussão política com o companheiro Lula, abdicou dessa legítima pretensão e decidiu integrar a frente partidária que apoiou a candidatura de Vossa Excelência à Presidência da República.
Quando da formação do governo, Vossa Excelência convidou-nos para discutir nossa participação, ocasião em que manifestamos a possibilidade de apoiar sua administração sem necessariamente ocupar cargos. Vossa Excelência, entretanto, expressou o desejo de quadros do PSB na Administração, com o que concordamos sem apresentar condicionantes.
Neste momento, temos sido atingidos, sistemática e repetidamente, por, comentários e opiniões, jamais negadas por quem quer seja, de que o PSB deveria entregar os cargos que ocupa na estrutura governamental, em face da possibilidade de, legitimamente, poder apresentar candidatura à Presidência em 2014.
Longe de receber tais manifestações como ameaça, o Partido Socialista Brasileiro - que nunca se caracterizou pela prática do fisiologismo - reafirma seu desapego a cargos e posições na estrutura governamental, e reitera que seu apoio a qualquer governo jamais dependeu de cargos ou benesses de qualquer natureza, e sim do rumo estratégico adotado que, a nosso ver, deve guardar identidade com os valores que alicerçam a trajetória política do nosso Partido. Nossas divergências, todavia, não impediram nosso apoio ao governo de Vossa Excelência, mas pretendemos discutir com a sociedade, de forma mais ampla e livre.
O Partido Socialista Brasileiro, nos seus 60 anos de presença na vida política nacional, jamais transigiu ou negociou suas convicções e seus ideais programáticos.
Com longa tradição na luta pela democracia e pela justiça social, o PSB participou ativamente de importantes momentos da vida nacional, como a memorável campanha do “petróleo é nosso”, a luta pela reforma agrária, a luta pelas "Diretas-já" e pela democratização do País. Sempre nos inspiraram exemplos como os de nossos companheiros João Mangabeira, Hermes Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Evandro Lins e Silva, Antônio Houaiss, Miguel Arraes e Jamil Haddad.
É justamente pelo apego a essa história que o partido, nos últimos anos, vem merecendo o reconhecimento da sociedade brasileira refletido no seu crescimento nas sucessivas vitorias eleitorais.
Por todas essas razões, o PSB vem à presença de Vossa Excelência, formalmente, declinar de sua participação no Governo, entregando os cargos que ora ocupa, ao mesmo tempo em que reafirma que permanecerá, como agora, em sua defesa no Congresso Nacional. Esta decisão não diz respeito a qualquer antecipação quanto a posicionamentos que haveremos de adotar no pleito eleitoral que se avizinha, visto que nossa estratégia –que não exclui a possibilidade de candidatura própria – será discutida nas instâncias próprias, considerando nosso programa e os mais elevados interesses do País e a luta pelo desenvolvimento com igualdade social.
Saudações Socialistas,
Eduardo Campos
Presidente Nacional do PSB
A Sua Excelência,
Senhora Presidenta Dilma Vana Rousseff
Palácio do Planalto – Praça dos Três Poderes
Brasília-DF
Portal PSB
Brasília, 18 de setembro de 2013
À Sua Excelência Senhora Dilma Rousseff
Em mãos.
Senhora Presidenta,
Desde 1989, quando da criação da “Frente Brasil Popular”, o Partido Socialista Brasileiro integra, juntamente com o Partido dos Trabalhadores e outros do campo da esquerda, a base política e social que, durante as sucessivas eleições presidenciais de 1989, 1994, 1998 e no segundo turno de 2002, apoiou e, finalmente, levou à Presidência da República, o companheiro Luís Inácio Lula da Silva, cujo governo contou com nossa participação, colaboração e sustentação, no Executivo e no Parlamento.
Convidado a ocupar funções governamentais, nosso Partido contribuiu para os avanços econômicos e sociais proporcionados ao País pelo governo do honrado Presidente Lula, dedicando seus melhores esforços e sua total lealdade nos momentos mais difíceis dos oito anos de mandato.
Em março de 2010, embora contássemos com um pré-candidato à presidência da República e fosse desejo manifesto de nossa base e das lideranças do partido o lançamento de candidatura própria, o PSB, a partir de uma profunda reflexão e discussão política com o companheiro Lula, abdicou dessa legítima pretensão e decidiu integrar a frente partidária que apoiou a candidatura de Vossa Excelência à Presidência da República.
Quando da formação do governo, Vossa Excelência convidou-nos para discutir nossa participação, ocasião em que manifestamos a possibilidade de apoiar sua administração sem necessariamente ocupar cargos. Vossa Excelência, entretanto, expressou o desejo de quadros do PSB na Administração, com o que concordamos sem apresentar condicionantes.
Neste momento, temos sido atingidos, sistemática e repetidamente, por, comentários e opiniões, jamais negadas por quem quer seja, de que o PSB deveria entregar os cargos que ocupa na estrutura governamental, em face da possibilidade de, legitimamente, poder apresentar candidatura à Presidência em 2014.
Longe de receber tais manifestações como ameaça, o Partido Socialista Brasileiro - que nunca se caracterizou pela prática do fisiologismo - reafirma seu desapego a cargos e posições na estrutura governamental, e reitera que seu apoio a qualquer governo jamais dependeu de cargos ou benesses de qualquer natureza, e sim do rumo estratégico adotado que, a nosso ver, deve guardar identidade com os valores que alicerçam a trajetória política do nosso Partido. Nossas divergências, todavia, não impediram nosso apoio ao governo de Vossa Excelência, mas pretendemos discutir com a sociedade, de forma mais ampla e livre.
O Partido Socialista Brasileiro, nos seus 60 anos de presença na vida política nacional, jamais transigiu ou negociou suas convicções e seus ideais programáticos.
Com longa tradição na luta pela democracia e pela justiça social, o PSB participou ativamente de importantes momentos da vida nacional, como a memorável campanha do “petróleo é nosso”, a luta pela reforma agrária, a luta pelas "Diretas-já" e pela democratização do País. Sempre nos inspiraram exemplos como os de nossos companheiros João Mangabeira, Hermes Lima, Barbosa Lima Sobrinho, Evandro Lins e Silva, Antônio Houaiss, Miguel Arraes e Jamil Haddad.
É justamente pelo apego a essa história que o partido, nos últimos anos, vem merecendo o reconhecimento da sociedade brasileira refletido no seu crescimento nas sucessivas vitorias eleitorais.
Por todas essas razões, o PSB vem à presença de Vossa Excelência, formalmente, declinar de sua participação no Governo, entregando os cargos que ora ocupa, ao mesmo tempo em que reafirma que permanecerá, como agora, em sua defesa no Congresso Nacional. Esta decisão não diz respeito a qualquer antecipação quanto a posicionamentos que haveremos de adotar no pleito eleitoral que se avizinha, visto que nossa estratégia –que não exclui a possibilidade de candidatura própria – será discutida nas instâncias próprias, considerando nosso programa e os mais elevados interesses do País e a luta pelo desenvolvimento com igualdade social.
Saudações Socialistas,
Eduardo Campos
Presidente Nacional do PSB
A Sua Excelência,
Senhora Presidenta Dilma Vana Rousseff
Palácio do Planalto – Praça dos Três Poderes
Brasília-DF
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