O sentimento do medo
Abro a coluna com o sorridente Juscelino, ícone de simpatia.
Candidato a presidente, saiu pelo Brasil visitando o PSD. Desceu na Bahia. Antônio Balbino, governador do PSD, ainda estava em cima do muro:
- Qual é a verdadeira posição do café?
- Qual deles, Balbino? O vegetal ou o animal?
Foi para Pernambuco. Etelvino insistia:
- Juscelino, vamos rever o assunto e fazer a união nacional.
- Etelvino, já sei que você está contra mim. Quando você fala em união nacional, na verdade está pensando em União Democrática Nacional.
- Então você não quer a união?
- Ora, Etelvino, candidato não faz união, candidato disputa. Quem faz união é governo, depois de empossado.
E voltou para Minas. Em 31 de dezembro, o chefe da Casa Militar da presidência da República, Juarez Távora (depois candidato da UDN, derrotado por Juscelino), entregou a Café Filho um documento em que "as altas autoridades militares apelavam para uma colaboração interpartidária, um candidato único e civil".O documento só foi divulgado no dia 27 de janeiro, em "A Voz do Brasil". Juscelino respondeu com um discurso duro, escrito por Augusto Frederico Schmidt, que terminava com a frase magistral:
- Deus me poupou o sentimento do medo.
O núcleo político
O mensalão chega ao núcleo político. Como era previsível, o ministro Joaquim Barbosa dá as primeiras indicações que houve compra de voto. O PP foi abrigado no seio do governo. Houve corrupção passiva e ativa. O chefe do núcleo, segundo Barbosa, era o ex-ministro José Dirceu. Tudo dentro do previsível. O roteiro deverá prosseguir com as condenações. A curiosidade estará voltada, mais uma vez, para o parecer do ministro Ricardo Lewandowski e para o voto do ministro Toffoli. Ou seja, o clima nas margens do mensalão esquentará nos próximos dias. A conferir.
O ONF de Veja
O OFF, na esfera jornalística, é uma entrevista dada a um repórter sob o compromisso de não ser publicada. O jornalista aproveita a conversa com a fonte para tecer panos de fundo, desenhar cenários que lhe possibilitem, mais cedo ou mais tarde, calibrar seus textos. O OFF é uma ferramenta muito usada na área política. Os representantes procuram falar em OFF para fazer críticas, dar informações retumbantes, expor jogos de poder, mostrar o que efetivamente se passa nos intestinos da administração pública. Já o ON é a ferramenta que abre as portas da expressão. Nesse caso, o jornalista tem liberdade para captar e divulgar o que viu, ouviu e sentiu pela expressão dos entrevistados. A Revista Veja produziu, na semana passada, um ONF, mescla de ON e OFF. Expliquemos.
Despiste: curvas nas retas
A matéria de capa com Marcos Valério expõe uma moldura de despiste. Ou seja, dá a informação sem comprometer a fonte. Imaginemos que a entrevista tenha obedecido ao seguinte roteiro. A revista Veja recebeu um telefonema de pessoa ligada a Marcos Valério. Que sugeriu uma entrevista com ele sob o compromisso de não ser caracterizada como entrevista em ON. O empresário deveria ser preservado. Claro, a revista topou. Marcaram um encontro. Presenças: ele ou alguém para servir de fonte e o repórter. Que fez anotações. Não gravou por não ter recebido autorização. Que forma poderia ser encontrada para apresentar a bomba sem dizer que Valério ou seu representante foi o autor da peripécia? A linguagem do despiste.
O despiste
O que é e como se faz o despiste? Intercalando linguagem de verbos narrativos, de forma direta e indireta. Lembro que os verbos narrativos incluem, entre outros : falar, dizer, narrar, contar, expressar, descrever, aduzir, mostrar, lembrar, citar, anuir, descrever, acrescentar, etc. Na entrevista, a fonte aparece abrindo períodos e parágrafos, dessa forma: "Valério guarda segredos... diz que pelas arcas do esquema passaram pelo menos 350 milhões de reais... ele fala em valores... afirma o empresário", etc. etc. Esta modelagem atende ao princípio do respeito à fonte. E garante a credibilidade da informação.
Fontes indiretas
Veja, a maior revista brasileira de informação, quis, assim, mostrar que tem compromisso com a verdade. Noutra parte, usou o método indireto. Fontes secundárias e não a fonte primária. Assim: "nos últimos dias, ele confidenciou a amigos".; "Valério teme e fala a pessoas próximas que....". Tais referências indiretas constituem um recurso da Revista para evitar comprometer as fontes primárias. Portanto, não se trata de invencionice. A reportagem tem alicerce. Esta análise, claro, está sujeita a contrapontos de leitores com vieses partidários.
O autor do ONF
Um exímio ex-repórter de uma grande revista (que continua sendo um mestre na arte de interpretar o universo jornalístico), definiu, com propriedade e humor, a modelagem que abrigou a matéria de capa da Veja: ONF, uma parte em ON e uma parte em OFF. Prometi registrar essa nova modalidade. O que faço com muita alegria. Em tempo: o repórter em questão conhece bem a revista Veja e o perfil da capa, Marcos Valério, que já passou por sua lupa jornalística.
Lula e Dilma, cabos eleitorais
Lula e Dilma são cabos eleitorais mais eficazes do que FHC e Alckmin? Essa é a pergunta recorrente que tento responder, seja em perguntas feitas no twitter (@gaudtorquato), seja no facebook ou em outros espaços. Respondo sempre lembrando que os eleitores são gratos a quem os patrocina. E lembro a geografia da gratificação: BOLSO (grana suficiente) para suprir o ESTÔMAGO (geladeira cheia, estômago saciado), CORAÇÃO (agradecido, comovido, emoção, catarse), CABEÇA (decidindo votar nos patrocinadores). Ou seja, o eleitor tende a votar em candidatos indicados por ícones partidários. Principalmente os que encarnam a equação exposta. Lula, ontem, e Dilma, hoje, sob esse parâmetro, exercem mais influência que FHC e Alckmin.
O recado do vídeo
Ricardo Noblat, segunda-feira, mostra que há mais bombas no arsenal de Marcos Valério. Um vídeo que teria sido encomendado pelo publicitário a profissionais do ramo. Uma cópia teria sido encaminhada a uma das estrelas do esquema do mensalão, réu do processo no STF. Outras três estão guardadas em banco. Se ocorrer algum desastre em seu caminho - diz a matéria - os vídeos serão encaminhados aos jornais O Estado de S.Paulo, O Globo e Folha de S.Paulo. O vídeo seria uma bomba de alta potência. Mais um recado de Valério aos ex-protagonistas dos tempos do mensalão.
Efeitos
Eis a narração de Noblat: "Renilda, a mulher dele, sabe o que fazer com as três cópias... O que Valério conta no vídeo seria capaz de derrubar o governo Lula se ele ainda existisse, atesta um amigo íntimo do dono da quarta cópia. Na ausência de governo a ser deposto, o vídeo destruiria reputações aclamadas e jogaria uma tonelada de lama na imagem da Era Lula. Lama que petrifica rapidinho. A fina astúcia de Valério está no fato de ele ter encaminhado uma cópia do vídeo para quem mais se interessaria por seu conteúdo. Assim ficou provado que não blefava".
Mensalão e eleição em SP
O mensalão suja a imagem do PT junto aos setores que habitam o meio da pirâmide, mas não chega a afastar os eleitores das margens. Recorrente questão: a imagem de Haddad não será engolfada pelo mensalão? Tenho respondido: não. Mas consolida impressões negativas que impregnam determinados núcleos eleitorais. Aqueles que já tomaram a decisão de votar contra o candidato petista.
Enquete Jovem Pan
A Rádio Jovem Pan conserva a tradição de fazer enquetes eleitorais nas últimas semanas que precedem os pleitos. Como se sabe, enquete não se guia por metodologia científica, servindo apenas de lume jornalístico, um apanhado nas ruas sobre intenções de votos nos candidatos. Na verdade, a enquete flagra apenas a opinião do ouvinte da emissora. Nesse sentido, é muito limitada. Pois bem, José Serra obteve cerca de 70% na primeira enquete. E cerca de 40% na segunda. Haddad, Chalita e Russomano aparecem empatados.
FHC e Alkmin, cabos eleitorais
Fernando Henrique entra de corpo e alma na campanha de Serra. Esta semana, divulga um documento assinado por intelectuais em apoio ao candidato tucano. Tenho dito e repetido: essas coisas não agregam votos. As assinaturas de celebridades têm o condão de conferir prestígio, mas não sensibilizam as massas. Que nem tomarão ciência do fato.
Haddad ou Serra?
Quem irá para o segundo turno ? A se confirmar a tendência de queda de Serra, Haddad seria o candidato a disputar o segundo turno com Russomanno. Mas as pesquisas cotidianas - trackkings - feitas pelos tucanos atestam que Serra ainda está na frente de Haddad. Daqui a 10 dias, a bola de cristal abrirá seus segredos. Por enquanto, o olho mecânico dá chance aos dois.
Pesquisa da semana
E a pesquisa Datafolha desta quarta-feira, hein ? A coluna foi escrita, ontem, terça. Hoje de manhã, os leitores podem conferir minha projeção : sem alterações de vulto. Primeiro, Russomanno; segundo, Serra; terceiro, Haddad; quarto, Chalita.
Fundões da zona leste
Domingo último, este analista foi ao encontro da multidão. Mais exatamente, na Zona Leste, no SESC Itaquera, fundões da capital. Ali está o maior contingente eleitoral de SP. Tem 300 mil eleitores a mais que a Zona Sul. Um show da Família Lima e da cantora Ana Carolina, em comemoração aos 20 anos do maior sindicato de trabalhadores terceirizados e de trabalho temporário de SP, o Sindeepres, comandado pelo intrépido Genival Beserra Leite. 12 mil pessoas afluíram ao local. Gente alegre. Cabos eleitorais esparsos. Massa em plena diversão. Sem dar bolas aos carros de som das campanhas, ali por perto.
PMDB redesenhado
O PMDB de SP abre caminhos de renovação. Novos quadros, amplas possibilidades. O partido espera eleger cerca de 100 prefeitos no Estado.
Brasil e a crise
Começam a pipocar declarações e análises sobre os efeitos de uma nova crise financeira internacional sobre o Brasil. A base macroeconômica, garante o governo, está azeitada para aguentar novos trancos. Os especialistas acham que, ante uma nova avalanche, o país tende a ficar à deriva. Deixo a questão para reflexão.
Panorama em João Pessoa
Vejam os resultados das duas últimas pesquisas eleitorais em João Pessoa. Esta primeira foi feita pela Consult, sob encomenda do Correio da Paraíba :
- Luciano Cartaxo (PT): 23,9%
- Cícero Lucena (PSDB): 22,9%
- Maranhão (PMDB): 17,8%
- Estelizabel (PSB): 14,4%
Esta segunda é do Portal WSCOM/Sigma:
- Luciano Cartaxo (PT): 21,9%
- Cícero Lucena (PSDB): 21,3%
- Maranhão (PMDB): 17,7%
- Estelizabel (PSB): 12,9%
E os queijos?
Ainda em sua peregrinação como candidato a presidente, Juscelino hospedou-se em Campina Grande, na casa do coronel Alvino Pimentel, industrial e homem refinado. Tratou JK como se tratam reis : queijos da França e caviar da Rússia. Cinco anos depois, fim de mandato, Juscelino voltou a Campina Grande para inaugurar o serviço de água, promessa da campanha. Quando a porta do avião abriu, a primeira pessoa que viu lá embaixo foi um velho de cabelos brancos. Chamou Abelardo Jurema:
- Quem é aquele de cabelos brancos ali no pé da escada?
- É o compadre Alvino, onde o senhor se hospedou.
Juscelino já desceu sorrindo, os braços abertos:
- Coronel Alvino, e os queijos?
Conselho aos assessores dos candidatos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma Rousseff. Hoje, sua atenção se volta aos assessores dos candidatos:
Aproxima-se a reta final das campanhas. Esse é o momento que merece especial atenção.
1. Urge fazer um mapeamento geral da campanha, sob os prismas do discurso/propostas; altos e baixos da comunicação; carências detectadas na frente da articulação política e social; análise da mobilização - verificação das ações realizadas pelos cabos eleitorais.
2. Reordenar focos e metas, reajustar trabalho de campo (nas regiões e bairros), organizar forte programa de comunicação; reordenar a agenda do candidato, contemplando as maiores densidades eleitorais.
3. Descentralizar ações de forma que a campanha se faça presente em todos os espaços municipais. A ideia é a de tornar o candidato onipresente, ou seja, com visibilidade em todas as regiões.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Este espaço se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
OBSERVATÓRIO
Passando o olhar pelo conjunto dos municípios da região de Crateús, há um fenômeno que permeia o presente prélio urnístico: um processo de acirramento das disputas, gerando um nítido cenário de que surpresas ocorrerão. A regra é o embaralhamento, o clima de empate técnico, a conclusão de que as largas margens de vantagem diminuem. O nervosismo toma conta de dirigentes. À exceção de alguns poucos municípios, como Tauá e Tamboril, há uma força que sacode as ruas: o redemoinho da mudança.
REGIÃO
Que ninguém seja tomado pelo espasmo da admiração se candidaturas oposicionistas, em grande número, obtiverem êxito nas próximas eleições. Domínios de várias décadas estão sob o signo da ameaça. Dia sete de outubro as urnas revelarão um novo cenário. Em Monsenhor Tabosa há três candidaturas com pesos semelhantes. Nova Russas, com a liberação pelo TRE das candidaturas de Marcos Alberto e da doutora Daniela, desborda para uma guerra eleitoral extremamente caliente. Em Ipaporanga se descortina uma briga histórica, protagonizada por dois aliados do passado. Em Independência o registro de uma pesquisa apontando a liderança do oposicionista Valterlin causou enorme repercussão.
CRATEÚS
Em Crateús é visível o crescimento do peemedebista Ivan, que avança com desenvoltura visando desbancar a liderança de Carlos Felipe. No início da campanha a luta de Ivan era tida como inviável. Depois, se tornou possível. Ganhou contornos de viabilidade. E hoje uma possível vitória não é mais tida como algo fora da realidade. Nos próximos dias serão divulgadas pesquisas – que sempre são fotografias de momento - devidamente registradas na Justiça Eleitoral aquilatando o atual estágio da disputa.
CRATEÚS II
Por falar em Justiça Eleitoral, começa a ganhar volume as denúncias de condutas ilícitas na presente campanha eleitoral. As mais recorrentes dão conta de uso da máquina prefeitural. Um assessor municipal foi flagrado com um teodolito na Ibiapaba. Ligações de água estão sendo permutadas por votos. Uma quadra de esportes está sendo feita na sede de determinado distrito. Prestadores de serviço estão sendo compelidos a trabalhar para as candidaturas oficiais. Há registro fotográficos, provas documentais e testemunhais de muita coisa.
CONDUTAS VEDADAS
É sempre bom reler o que preceitua o artigo 73 da Lei das Eleições. Ali estão elencadas as condutas vedadas aos agentes públicos em período eleitoral. Ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração; usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos, em favor de candidaturas; fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público; ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal... são algumas das condutas a serem evitadas em campanha por aqueles que estão no poder.
CURIOSIDADE
Crateús é o único município brasileiro que conta com um técnico da CGU (Controladoria Geral da União) disputando a Chefia do Executivo Municipal.
JOSÉ MARIA
O acadêmico, cardiologista e poeta José Maria Bonfim de Morais lançou dia 13 pretérito, no terraço literário do Ideal Clube, seu mais recente livro: “A Lírica dos Poemas Frágeis”. Um mundo de gente acorreu para prestigiar o evento. Tive a oportunidade de encontrar vários crateuenses da melhor cepa. A nonagenária Olívia, genitora do autor, lá estava com seu sorriso juvenil. As professoras Rosa Virginia e Meirinha, que animam a colônia crateuense na capital, também lá pontificaram. (Ao lado de Boaventura Bonfim realizaram um passeio mental pelo Barrocão de crônicas do saudoso professor Luiz Bezerra.) O editor de cultura do Diário do Nordeste, jornalista Carlos Augusto Viana, fez a apresentação da obra e do autor. Toda a renda foi revertida em prol das obras da Sociedade de Assistência e Educação Rural de Guanacés, projeto do saudoso Arimatéia Santos, e que tem José Maria como um dos principais apoiadores.
PARA REFLETIR
"Não há uma estrada real para a felicidade, mas sim caminhos diferentes. Há quem seja feliz sem coisa nenhuma, enquanto outros são infelizes possuindo tudo." (Luigi Pirandello)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
REGIÃO
Que ninguém seja tomado pelo espasmo da admiração se candidaturas oposicionistas, em grande número, obtiverem êxito nas próximas eleições. Domínios de várias décadas estão sob o signo da ameaça. Dia sete de outubro as urnas revelarão um novo cenário. Em Monsenhor Tabosa há três candidaturas com pesos semelhantes. Nova Russas, com a liberação pelo TRE das candidaturas de Marcos Alberto e da doutora Daniela, desborda para uma guerra eleitoral extremamente caliente. Em Ipaporanga se descortina uma briga histórica, protagonizada por dois aliados do passado. Em Independência o registro de uma pesquisa apontando a liderança do oposicionista Valterlin causou enorme repercussão.
CRATEÚS
Em Crateús é visível o crescimento do peemedebista Ivan, que avança com desenvoltura visando desbancar a liderança de Carlos Felipe. No início da campanha a luta de Ivan era tida como inviável. Depois, se tornou possível. Ganhou contornos de viabilidade. E hoje uma possível vitória não é mais tida como algo fora da realidade. Nos próximos dias serão divulgadas pesquisas – que sempre são fotografias de momento - devidamente registradas na Justiça Eleitoral aquilatando o atual estágio da disputa.
CRATEÚS II
Por falar em Justiça Eleitoral, começa a ganhar volume as denúncias de condutas ilícitas na presente campanha eleitoral. As mais recorrentes dão conta de uso da máquina prefeitural. Um assessor municipal foi flagrado com um teodolito na Ibiapaba. Ligações de água estão sendo permutadas por votos. Uma quadra de esportes está sendo feita na sede de determinado distrito. Prestadores de serviço estão sendo compelidos a trabalhar para as candidaturas oficiais. Há registro fotográficos, provas documentais e testemunhais de muita coisa.
CONDUTAS VEDADAS
É sempre bom reler o que preceitua o artigo 73 da Lei das Eleições. Ali estão elencadas as condutas vedadas aos agentes públicos em período eleitoral. Ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração; usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos, em favor de candidaturas; fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público; ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou coligação, durante o horário de expediente normal... são algumas das condutas a serem evitadas em campanha por aqueles que estão no poder.
CURIOSIDADE
Crateús é o único município brasileiro que conta com um técnico da CGU (Controladoria Geral da União) disputando a Chefia do Executivo Municipal.
JOSÉ MARIA
O acadêmico, cardiologista e poeta José Maria Bonfim de Morais lançou dia 13 pretérito, no terraço literário do Ideal Clube, seu mais recente livro: “A Lírica dos Poemas Frágeis”. Um mundo de gente acorreu para prestigiar o evento. Tive a oportunidade de encontrar vários crateuenses da melhor cepa. A nonagenária Olívia, genitora do autor, lá estava com seu sorriso juvenil. As professoras Rosa Virginia e Meirinha, que animam a colônia crateuense na capital, também lá pontificaram. (Ao lado de Boaventura Bonfim realizaram um passeio mental pelo Barrocão de crônicas do saudoso professor Luiz Bezerra.) O editor de cultura do Diário do Nordeste, jornalista Carlos Augusto Viana, fez a apresentação da obra e do autor. Toda a renda foi revertida em prol das obras da Sociedade de Assistência e Educação Rural de Guanacés, projeto do saudoso Arimatéia Santos, e que tem José Maria como um dos principais apoiadores.
PARA REFLETIR
"Não há uma estrada real para a felicidade, mas sim caminhos diferentes. Há quem seja feliz sem coisa nenhuma, enquanto outros são infelizes possuindo tudo." (Luigi Pirandello)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
STRESS
Em uma conferência, ao explicar para a platéia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou:
-"Qual é o peso deste copo d'água?"
As respostas variaram de 250g a 700g.
O palestrante, então, disse:
- "O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segurar o copo levantado."
"Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância."
E ele continuou:
- "E isso acontece também com o estresse e a forma como controlamos o estresse. Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la."
"Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga."
Em seguida, ele distribuiu um folheto contendo algumas formas de administrar as cargas da vida, que eram:
1 - Aceite que há dias em que você é o pombo e outros em que você é a estátua.
2 - Mantenha sempre suas palavras leves e doces pois pode acontecer de você precisar engolir todas elas.
3 - Só leia coisas que faça você se sentir bem e ter a aparência boa de quem está bem, caso você morra durante a leitura.
4 - Dirija com cuidado. Não só os carros apresentam defeitos e têm recall do fabricante.
5 - Se não puder ser gentil, pelo menos tenha a decência de ser vago.
6 - Se você emprestar R$200,00 para alguém e nunca mais vir essa pessoa, provavelmente valeu a pena pagar esse preço para se livrar dela.
7 - Pode ser que o único propósito da sua vida seja servir de exemplo para os outros.
8 - Nunca compre um carro que você não possa manter.
9 - Quando você tenta pular obstáculos lembre que está com os dois pés no ar e sem nenhum apoio.
10 - Ninguém se importa se você consegue dançar bem. Para participar e se divertir no baile, levante e dance, pronto.
11 - Uma vez que a minhoca madrugadora é a que é devorada pelo pássaro, durma até mais tarde sempre que puder.
12 - Lembre que é o segundo rato que come o queijo - o primeiro fica preso na ratoeira. Saiba esperar.
13 - Lembre, também, que sempre tem queijo grátis nas ratoeiras.
14 - Quando tudo parece estar vindo na sua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada.
15 - Aniversários são bons para você. Quanto mais você tem, mais tempo você vive
16 - Alguns erros são divertidos demais para serem cometidos só uma vez.
17 - Podemos aprender muito com uma caixa de lápis de cor. Alguns têm pontas aguçadas, alguns têm formas bonitas e alguns são sem graça. Alguns têm nomes estranhos e todos são de cores diferentes, mas todos são lápis e precisam viver na mesma caixa.
18 - Não perca tempo odiando alguém, remoendo ofensas e pensando em vingança. Enquanto você faz isso a pessoa está vivendo bem feliz e você é quem se sente mal e tem o gosto amargo na boca.
19 - Quanto mais alta é a montanha mais difícil é a escalada. Poucos conseguem chegar ao topo, mas são eles que admiram a paisagem do alto e fazem as fotos que você admira dizendo "queria ter estado lá".
20 - Uma pessoa realmente feliz é aquela que segue devagar pela estrada da vida, desfrutando o cenário, parando nos pontos mais interessantes e descobrindo atalhos para lugares maravilhosos que poucos conhecem.
"Portanto, antes de voltarem para casa, depositem sua carga de trabalho/vida no chão. Não carreguem para casa. Vocês podem voltar a pegá-la amanhã. Com tranquilidade."
(Recebido de um colega de trabalho. Não tem o autor. Vale a pena ler.)
-"Qual é o peso deste copo d'água?"
As respostas variaram de 250g a 700g.
O palestrante, então, disse:
- "O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segurar o copo levantado."
"Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância."
E ele continuou:
- "E isso acontece também com o estresse e a forma como controlamos o estresse. Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la."
"Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga."
Em seguida, ele distribuiu um folheto contendo algumas formas de administrar as cargas da vida, que eram:
1 - Aceite que há dias em que você é o pombo e outros em que você é a estátua.
2 - Mantenha sempre suas palavras leves e doces pois pode acontecer de você precisar engolir todas elas.
3 - Só leia coisas que faça você se sentir bem e ter a aparência boa de quem está bem, caso você morra durante a leitura.
4 - Dirija com cuidado. Não só os carros apresentam defeitos e têm recall do fabricante.
5 - Se não puder ser gentil, pelo menos tenha a decência de ser vago.
6 - Se você emprestar R$200,00 para alguém e nunca mais vir essa pessoa, provavelmente valeu a pena pagar esse preço para se livrar dela.
7 - Pode ser que o único propósito da sua vida seja servir de exemplo para os outros.
8 - Nunca compre um carro que você não possa manter.
9 - Quando você tenta pular obstáculos lembre que está com os dois pés no ar e sem nenhum apoio.
10 - Ninguém se importa se você consegue dançar bem. Para participar e se divertir no baile, levante e dance, pronto.
11 - Uma vez que a minhoca madrugadora é a que é devorada pelo pássaro, durma até mais tarde sempre que puder.
12 - Lembre que é o segundo rato que come o queijo - o primeiro fica preso na ratoeira. Saiba esperar.
13 - Lembre, também, que sempre tem queijo grátis nas ratoeiras.
14 - Quando tudo parece estar vindo na sua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada.
15 - Aniversários são bons para você. Quanto mais você tem, mais tempo você vive
16 - Alguns erros são divertidos demais para serem cometidos só uma vez.
17 - Podemos aprender muito com uma caixa de lápis de cor. Alguns têm pontas aguçadas, alguns têm formas bonitas e alguns são sem graça. Alguns têm nomes estranhos e todos são de cores diferentes, mas todos são lápis e precisam viver na mesma caixa.
18 - Não perca tempo odiando alguém, remoendo ofensas e pensando em vingança. Enquanto você faz isso a pessoa está vivendo bem feliz e você é quem se sente mal e tem o gosto amargo na boca.
19 - Quanto mais alta é a montanha mais difícil é a escalada. Poucos conseguem chegar ao topo, mas são eles que admiram a paisagem do alto e fazem as fotos que você admira dizendo "queria ter estado lá".
20 - Uma pessoa realmente feliz é aquela que segue devagar pela estrada da vida, desfrutando o cenário, parando nos pontos mais interessantes e descobrindo atalhos para lugares maravilhosos que poucos conhecem.
"Portanto, antes de voltarem para casa, depositem sua carga de trabalho/vida no chão. Não carreguem para casa. Vocês podem voltar a pegá-la amanhã. Com tranquilidade."
(Recebido de um colega de trabalho. Não tem o autor. Vale a pena ler.)
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
TEORI ZAVASCHI - O NOVO MINISTRO DO STF
Convidado por Dilma Rousseff para ocupar a vaga de Cezar Peluso no Supremo Tribunal Federal, o magistrado Teori Zavaschi pode ser decodificado a partir dos votos e das opiniões que emitiu nos nove anos de atuação no Superior Tribunal de Justiça. Chegou ao STJ em 2003, sob Lula.
Na análise de processos abertos contra agentes políticos, Zavaschi revelou-se um zeloso observador dos direitos dos réus. No linguajar dos advogados, é “garantista”. Prevaleceu numa votacão que livrou o petista Antonio Palocci de processo por improbidade. Foi vencido ao votar contra a prisão do ex-demo José Roberto Arruda.
No meio-ambiente, é a favor da recuperação de áreas desmatadas. Nos direitos humanos, é draconiano com os transgressores. Em relação aos arquivos da ditadura, é pela publicidade. Nos costumes, é liberal com os adultos e nem tanto com as crianças. Vão abaixo dez decisões e opiniões que ajudam a compor o perfil do novo ministro do Supremo.
1. Arruda: em fevereiro de 2010, a Corte Especial do STJ julgou pedido do Ministério Público para que fosse decretada a prisão de José Roberto Arruda (ex-DEM). Ele ainda governava o Distrito Federal. Investigado no caso do mensalão brasiliense do DEM, foi acusado de tentar subornar uma testemunha, interferindo no andamento do inquérito. Dos 15 ministros presentes ao julgamento, 12 votaram a favor da prisão. Teori Zavaschi foi um dos três que se posicionaram contra o encarceramento de Arruda.
2. Palocci: em novembro de 2010, a 1ª Turma do STJ julgou recurso do Ministério Público contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que livrara Antonio Palocci de uma ação por improbidade administrativa. O petista havia sido acusado de fraude na contratação de serviços de informática à época em que fora prefeito de Ribeirão Preto. Negócio de R$ 3 milhões, em valores de 2002.
Relator do caso, Teori Zavaschi sustentou em seu voto que o Ministério Público não apresentara elementos capazes de justificar a revisão da absolvição decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em votação que durou cerca de cinco minutos, foi acompanhado pela unanimidade dos membros da turma do STJ. Nessa época, Palocci chefiava a equipe de transição de Dilma. A decisão abriu caminho para que fosse nomeado para a chefia da Casa Civil.
3. Garotinho: em setembro de 2011, a Corte Especial do STJ deliberou sobre recurso de Anthony Garotinho (PR-RJ) contra ação de improbidade administrativa aberta contra ele no Rio. Presente à sessão Teori Zavaschi levantou uma “questão de ordem”. Lembrou que Garotinho assumira em 2010 uma cadeira de deputado federal. Sustentou que o réu passara a dispor de prerrogativa de foro. Como parlamentar, só poderia ser julgado pelo STF. A tese é controversa.
Procuradores da República entendem que o foro privilegiado não se aplica às ações por improbidade. Zavaschi pensa de outro modo. Acha que, embora a prerrogativa de foro seja assegurada pela Constituição apenas nas ações penais, deve ser estendida aos casos de improbidade.
Argumentou: “Por imposição lógica de coerência interpretativa, a prerrogativa de foro em ação penal, assegurada aos parlamentares federais, se estende, por inafastável simetria com o que ocorre em relação aos crimes comuns, à ação de improbidade, da qual pode resultar, entre outras sanções, a própria perda do cargo”. A tese prevaleceu no STJ. E o caso de Garotinho foi ao STF. Encontra-se pendente de julgamento. Mandado ao Supremo por Dilma, o novo ministro terá agora a oportunidade de manifestar-se sobre o mérito das acusações.
4. Desmembramento de processos: Num processo aberto contra quadrilha que agia no Tribunal de Justiça do Espírito Santo, o STJ procedeu de modo inverso ao que fez o STF no caso do mensalão. No Supremo, os ministros rejeitaram –ora por maioria ora por unanimidade— quatro recursos em que advogados dos réus pediam o desmembramento dos autos. Rejeitou-se o argumento de que os réus sem mandato deveriam ser julgados na primeira instância, não no STF.
No processo do Espírito Santo, o STJ optou pelo desmembramento. A decisão foi adotada a partir de uma “questão de ordem” levantada por Teori Zavaschi na Corte Especial do Tribunal. O caso envolve a acusação de que os processos do TJ capixaba eram submetidos a uma distribuição de cartas marcadas, que resultava em absolvições combinadas.
A suposta quadrilha teve a participação de nove pessoas. A partir da intervenção de Zavaschi, o STJ decidiu que irá julgar apenas duas: um desembargador do TRF-2 e um juiz federal. As acusações formuladas contra os demais foram devolvidas à 2ª Vara Criminal Federal de Vitória. Entendeu-se que não dispunham de prerrogativa de foro por função. Aplicado ao mensalão, esse entendimento reduziria o julgamento a três deputados federais. Sem mandatos, réus como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Roberto Jefferson e os quatro ex-gestores do Banco Rural iriam para varas do primeiro grau.
5. Novo partido: Teori Zavaschi ocupa, na condição de suplente, uma cadeira no Tribunal Superior Eleitoral. Nessa condição, participou, em setembro de 2011, da sessão em que o TSE deliberou sobre o registro do PSD. O ministro compôs a maioria (6 a 1) que votou a favor da existência legal do novo partido do prefeito paulistano Gilberto Kassab. Graças a essa decisão, o PSD logrou participar das eleições municipais de 2012.
6. Guerrilha do Araguaia: em junho de 2007, o STJ tomou uma decisão histórica. Deu-se no julgamento de processo sobre a guerrilha do Araguaia. A Justiça havia deferido pedido de familiares de desaparecidos políticos para que os arquivos militares fossem abertos. A União recorrera ao TRF de Brasília. O recurso fora indeferido. Protocolara-se novo recurso, dessa vez no STJ.
Coube a Teori Zavaschi relatar a encrenca. O voto do ministro, referendado pelos colegas, deu razão às famílias dos desaparecidos. Pondo fim a uma agonia que durava 25 anos, o STJ ordenou a abertura dos arquivos militares sobre a guerrilha. Deu prazo de 120 dias para que o governo informasse o local em que haviam sido sepultados os corpos dos guerrilheiros mortos. Determinou que as ossadas fossem sepultadas em locais indicados pelos parentes. A senteça foi além: ordenou que as Forças Armadas intimassem os militares que tomaram parte dos combates à guerrilha para revelar o paradeiro dos mortos.
As ordens do STJ resultaram inócuas. O papelório da guerrilha jamais veio à luz. O Ministério da Defesa alegou que os documentos haviam sido incinerados. A localização dos corpos remanesce como um dos segredos mais bem guardados da ditadura. O voto de Teori Zavaschi virou peça de arquivo. No texto, o escolhido de Dilma anotou coisas assim:
“Embora já distante no tempo como fato histórico – que se pode ter por superado, inclusive pela pacificação nacional decorrente do processo de anistia – esse episódio deixou feridas de natureza pessoal aos familiares dos envolvidos que precisam ser de alguma forma cicatrizadas definitivamente.”
Acrescentou: “Não há mais lugar para o desconhecimento ou a sonegação dos fatos históricos. [...] Impõem-se, assim, em clima de serenidade e equilíbrio, ao serem reconhecidos os legítimos direitos dos familiares dos mortos e desaparecidos no conflito –hoje página incontroversa da nossa História– assim proceder sem reabrir feridas e recriar divisões que o processo democrático superou.”
7. Direitos Humanos: Em novembro de 2011, a 1a Turma do STJ indeferiu um recurso do governo de Pernambuco que prolongava o suplício de um pobre diabo preso injustamente. Chamava-se Marcos Mariano da Silva. Havia sido encarcerado por ordem de um delegado, sem inquérito formal ou sentença condenatória. Verificada a ausência de culpa, a primeira instância do Judiciário determinara o pagamento de indenização de R$ 356 mil.
O preso sem culpa recorrera ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, que elevara o valor da indenização para R$ 2 milhões. O Estado governado por Eduardo Campos (PSB) recorrera ao STJ. Num embate que envolvia o cálculo da correção monetária, Pernambuco tentava reduzir a cifra. Relator do caso, Teori Zavaschi tentara encurtar a tortura judicial, ordenando que o pagamento fosse feito. Inconformado, o governo pernambucano exigira que o caso fosse submetido aos ministros da 1aTurma do STJ.
A posição de Zavaschi prevaleceu por unanimidade na turma. Deu-se em 22 de novembro de 2011. Horas depois de tomar conhecimento de sua vitória judicial, o indenizado Marcos Mariano morreu. Desceu à cova com os sinais deixados pelo período no cárcere. Submetido a maus tratos que foram confirmados no curso do processo, ficara cego dos dois olhos. Perdera a capacidade de locomoção. Contraíra tuberculose. A família (mulher e 11 filhos) desagregara-se.
8. Meio ambiente: Em junho de 2010, foi a julgamento na 1a Turma do STJ recurso da Usina Santo Antônio S.A. contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que ordenara o replantio de árvores derrubadas em área de reserva legal de uma fazenda. Pela decisão, o replantio deveria alcançar 20% da área de toda a propriedade.
A usina alegava que não fora responsável pelo desmatamento. E reivindicava que os 20% de replantio incidissem sobre a área que restara de vegetação, não sobre o total da propriedade. Relator do caso, Teori Zavaschi refugou os argumentos esgrimidos na petição. Sustentou que o cálculo reduzido levaria a um absurdo: “As áreas inteiramente devastadas não estariam sujeitas a qualquer imposição de restauração, já que sobre elas não haveria obrigação de promover reserva alguma.”
De resto, anotou em seu voto que a obrigatoriedade de replantio de matas nativas é “dever jurídico que se transfere automaticamente com a transferência do domínio.” Ou seja: ao comprar a fazenda, a usina herdara a obrigação de replantar as árvores derrubadas. Zavaschi foi seguido pelos colegas. Seu voto orna com os embates que Dilma trava no Congresso para impor a sua versão de Código Florestal.
9. Praia de nudismo: em marco de 2005, Teori Zavaschi tomou uma decisão que manteve em pé resolução polêmica do governo do Rio. Baixada em 1994, a resolução autorizara a prática de nudismo na praia do Abricó, em Grumari. O advogado Jorge Béja inaugurara uma guerra judicial contra o ato. Em ação popular, invocara o artigo 233 do Código Penal, que tipifica como crime a prática de atos obscenos em locais públicos. Ganhara na primeira instância do Judiciário.
O governo fluminense recorrera ao Tribunal de Justiça do Rio. O processo correra de escaninho em escaninho por mais de oito anos. Só em 2003, o tribunal fluminense julgara a ação, indeferindo-a. Liberara a presença dos pelados em Abricó sob o argumento de que, “desde que restrito à área especialmente reservada para esse fim”, o nudismo nada tem de atentatório à moral e aos bons costumes.
O autor da ação popular foi bater às portas do STJ. Protocolou um recurso especial. A petição desceu à mesa do ministro Zavascki. Abstendo-se de meter a colher na polêmica, o magistrado decidiu que o recurso utilizado pelo advogado não era cabível para o caso. Aferrando-se a essa tecnicalidade, mandou o processo ao arquivo. Manteve-se assim, para gáudio dos sem-roupa, o nudismo de Abricó.
10. Programação infantil: Liberal com os costumes dos adultos, Teori Zavaschi mostrou-se conservador numa decisão envolvendo menores de idade. Em 2009, quando era chefiado pelo petista Tarso Genro, o Ministério da Justiça autorizara as emissoras de tevê a exibirem sua programação sem observar a classificação indicativa nos Estados que não seguiam o horário de verão.
Em recurso ao STJ, o Ministério Público Federal chiou. Argumentou que cerca de 26 milhões de crianças e adolescentes residentes em Estados que não seguiam o fuso de Brasília seriam submetidas a programação imprópria para menores –cenas de sexo e violência, por exemplo. Coube a Zavaschi relatar o caso.
Em seu voto, referendado por unanimidade na 1a Turma do STJ, o ministro sustentou que a proteção das crianças e dos adolescentes é um valor constitucional que deve merecer do Estado “absoluta prioridade”. Para ele, a Constituição autoriza as “restrições quanto à veiculação de programas audiovisuais por emissoras de rádio e televisão, que fica subordinada à classificação por horários e faixas etárias.”
Deu razão ao Ministério Público, que invocara também o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) no trecho em que determina que “as emissoras de rádio e televisão somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.” O Ministério da Justiça e as emissoras tiveram de se ajustar à decisão.
CERQUEIRA.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Juscelino
Abro a coluna com Juscelino
Juscelino Kubitscheck, José Maria Alkmin e Odilon Behrens saíram juntos do seminário de Diamantina. Continuaram estudando juntos, farreando juntos. Uma noite, havia uma festa na cidade com entrada paga. As namoradas precisavam comparecer. Mas eles não tinham um tostão. Alkmin resolveu o problema:
- Vamos vender a alguém uma de nossas camisas.
Encontraram o comprador, mandaram passar uma camisa de Juscelino, enrolaram, disseram que era nova, pegaram o dinheiro, foram para a festa. No dia seguinte, o comprador chegou uma fera:
- A camisa não era nova, estava gasta, rasgou logo.
Juscelino tomou a palavra:
- Meu amigo, aonde você foi?
- A um baile.
- Dançou o quê?
- Tudo. Bolero, samba.
- Então a culpa foi sua. Esta camisa é muito fina; só serve para dançar valsa.
Outra do simpático presidente:
Estudante bolsista em Paris, Juscelino Kubitschek encontrou Odilon Behrens, que chegava com as notícias de Minas. Ex-colegas no seminário de Diamantina, passaram a relembrar os companheiros:
- E o Alkmin? Nunca mais soube dele.
- Está na Penitenciária de Neves.
- Eu sabia que ele ia acabar lá.
Era Diretor.
Campanha sem emoções
O clima que envolve o pleito é morno. Não há impactos nem grandes emoções. Afora uma ou outra campanha mais acirrada, em função das peculiaridades regionais, pode-se aduzir que as eleições de outubro deste ano se inserem entre as mais tranquilas da contemporaneidade. Os motivos apontam para um conjunto de vetores: 1) economia sob controle; 2) ausência de grandes novidades; 3) modelos de campanha tradicionais; 4) saturação de embates entre tucanos e petistas (polarização); desejo de alteração nos perfis dos gestores, significando tendência para escolher caras diferentes (não necessariamente o novo); 5) mobilidade social, significando inserção de milhões de eleitores na classe média e consequente engajamento de contingentes nas frentes de defesa do consumidor.
E o mensalão não é novidade?
Pois é, o julgamento do mensalão poderia ser considerado uma boa novidade. Mas a carga negativa que o caso agrega não terá o condão de mudar a posição dos contingentes eleitorais. Ou seja, tucanos e petistas consolidarão os pontos de vista já formados. Os petistas começam a falar do mensalão tucano em MG. Um empate de cargas negativas. Parcela do eleitorado, ante a tentativa de polarização, tende a optar por uma alternativa, Russomanno, em São Paulo, por exemplo. Por isso, o uso de FHC na campanha de Serra, lembrando o mensalão, não resultará em votos. Serão poucos os eleitores que poderão mudar de voto por conta do apelo de Dilma por Haddad.
O que um escritor não vê
Lo que un escritor no ve, no ha acontecido. (Elias Canetti - Hampstead)
Campos, o mais ativo
Eduardo Campos se apresenta como o cabo eleitoral mais ativo do país. Mais do que Lula. Porque lidera os processos em que partidários do PSB avançam sobre os próprios domínios do petismo, a partir de Belo Horizonte e Recife. Tenta, a todo momento, dizer que continua afinado à Lula e à presidente Dilma. Claro, quer continuar olhando para uns e piscando para outros. Por isso, não pode e não deve se afastar de correligionários. A verdade, porém, é que o governador de PE está jogando como um ás da política. Vai posicionar seu partido em importantes territórios eleitorais. Registrará importantes passos. Com grande cacife, espera negociar com os parceiros que lhe forem mais convenientes.
Geração pós-64
Sempre lembro uma confissão que ouvi dele em uma conversa cheia de revelações em um dos eventos promovidos por João Doria em Comandatuba: "meu sonho é juntar a geração pós-64 e tomarmos os rumos do país". Entendi a mensagem não como um rompimento à velha turma, até porque ele, Eduardo, respeita muitos da velha guarda, mas como um compromisso de levar adiante um programa de reformas, que só ocorreriam sob o comando de um grupo mais jovem e sem grandes amarrações à arvore do passado.
Um homem fascinado
Un hombre que toca fascinado a cada mujer porque nunca le pertenecerá. (Elias Canetti - Hampstead)
Junto com Aécio
Será difícil uma composição entre o PSB de Campos e o PSDB de Aécio Neves. A complexidade de uma aliança desse naipe seria menor se não houvesse no meio do campo jogadores do porte de Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e outros assemelhados em história e fama. Mas em política, tudo é possível. Até mesmo essa aliança. Que só ganharia viabilidade se o país entrasse em profunda crise econômica, com sequelas terríveis sobre o bolso e o estômago do eleitorado. Nesse caso, a credibilidade do lulismo/petismo seria impactada. A presidente Dilma, nesse caso, também correria o risco de ser envolta no celofane cinzento da crise.
O Brasil é maior que a crise
Em outra ponta, a leitura é bastante otimista. Leva em consideração a hipótese de que, qualquer que seja o impacto de uma crise mundial sobre o país, nossa base econômica tem firmeza para aguentar os abalos, mesmo que os sismos partam de catastrófica performance da China. Perderíamos, sim, um monumental espaço consumidor - o chinês - para onde vão as nossas commodities (principalmente da área de alimentos), mas haveria outros espaços como destino de nossas riquezas. Sempre haverá barrigas para alimentar, aqui e alhures. Há lastros de riquezas e desenvolvimento em outros setores vitais de nossa economia. Portanto, a tese de que o Brasil é maior do que novas crises mundiais tem sustentação. Sob essa perspectiva, Dilma abre horizontes promissores para 2014.
A mulher em desespero
La mujer que ha conocido y sobrevivido a todos los grandes hombres. Uno de ellos se niega a morir. Su desesperación. (Elias Canetti - Hampstead)
Copo transbordando
Mesmo sob um eventual novo governo Dilma, as perspectivas indicam alterações de monta na fisionomia política. Os grandes partidos estão chegando ao ponto de quebra de seus pesos e potenciais. As velhas lideranças começam a dar sinais de esgotamento. Os modelos partidários carecem de novas vestimentas. As gestões da administração pública são questionadas. Os cidadãos, abrigados em seus núcleos de referência mais respeitada (movimentos, sindicatos, associações), exigirão serviços de maior qualidade. O Judiciário se aproxima das ruas. O Ministério Público abre a lupa por todos os espaços. A política haverá, necessariamente, de se refundir e reaparecer mais transparente e clara nos espaços da cidadania. Reformas terão que vir.
Lideranças
As campanhas seguem dentro da previsibilidade. Manuela D'Ávila (PC do B) tem boas condições de levar a melhor em Porto Alegre. Ratinho Júnior (PSC) e Luciano Ducci (PSB) estão empatados em Curitiba. Carlinhos de Almeida (PT) lidera com grande vantagem o pleito de São José dos Campos. Duarte Nogueira (PSDB) está na frente em Ribeirão Preto. Geraldo Julio (PSB) lidera em Recife. Carlos Eduardo Alves (PDT) está na frente em Natal. Marcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte. Tereza Jucá (PMDB), em Boa Vista. Arthur Virgílio (PSDB), em Manaus. Eduardo Paes (PMDB) está muito na frente no Rio. Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), em Vitória. Zé Maranhão e Cícero Lucena (PSDB) empatam em João Pessoa. Firmino Filho (PSDB) lidera em Teresina. Moroni Torgan (DEM), em Fortaleza. Edmilson Rodrigues (PSOL) está bem na frente em Belém. Paulo Garcia (PT), atual prefeito, lidera em Goiânia. João Alves (DEM) lidera em Aracaju. Rui Palmeira (PSDB) e Ronaldo Lessa (PDT) estão empatados em Maceió.
O empresário do ano
Otávio Azevedo (Grupo Andrade Gutierrez) foi escolhido Empresário do Ano pela Câmara Portuguesa do RJ. Trata-se de um dos mais celebrados perfis do empreendedorismo brasileiro. É um dos mais denodados defensores da aproximação entre Portugal e Brasil: "temos tentado motivar o governo português e o governo brasileiro a aproveitarem este momento para fazerem uma aproximação definitiva do ponto de vista empresarial e até legal". O Grupo AG está há 24 anos em Portugal, através da Zagope, que é 100% do grupo.
Zavascki no STF
O ministro Teori Albino Zavascki, do STJ, foi convidado pela presidente Dilma para assumir a vaga aberta com a aposentadoria de Cezar Peluso no STF. Natural de Faxinal dos Guedes/SC, tem 64 anos e está desde 2003 no STJ. Foi desembargador do TRF4. Zavascki também é professor de Direito. Alguns de seus livros : "Antecipação de Tutela"; "Processo Coletivo - Tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos"; "Processo Coletivo e Processo de Execução : Parte Geral". Em tempo: o ministro nunca entrou em lista de possíveis nomes.
Iluminando os dias não vividos
Cuando ella se mueve velozmente a mi alrededor, se me iluminan los días no vividos. (Elias Canetti - Hampstead)
Burocracia
O excesso de burocracia prejudica a competitividade de 92% das indústrias brasileiras. A avaliação é da CNI, que divulgou duas pesquisas sobre o tema, uma envolvendo a indústria da construção e outra relativa à indústria de transformação e extrativa. No saldo geral, a Confederação aponta que além de afetar a competitividade de 92% da indústria, parcela de 850% dos industriais ouvidos considera que há um número excessivo de obrigações legais.
Marta na cultura
A senadora Marta Suplicy é a nova ministra da Cultura no lugar de Ana de Hollanda. Será que o novo cargo significa promoção? Marta é vice-presidente do Senado, onde tem oportunidade de dirigir importantes sessões. Na Cultura, circulará bastante nas rodas de badalação. Pode ser que se sinta melhor nesse espaço de corte.
Não confies em ninguém
"Quando alguém fala bem de ti, podes estar certo de que ele te escarnece. Não confies segredos a ninguém. Mesmo se frequentemente teu valor é ignorado, não te faças valer a ti mesmo, nem tampouco te desvalorizes. Os outros te espreitam e esperam teu primeiro momento de relaxamento para te julgar. Se alguém te interpela e te insulta, pensa que está pondo à prova tua virtude. Os amigos não existem, há apenas pessoas que fingem amizade". (Cardeal Mazarino - Breviário dos Políticos)
Conselho aos candidatos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma Rousseff. Hoje, sua atenção se volta aos candidatos:
1. A campanha entra nas semanas finais. E decisivas. É momento de dar as últimas cartadas. Urge arrematar com propostas coerentes, densas, críveis, que venham atender à demandas urgentes das comunidades.
2. Muito cuidado com campanhas negativas, recheadas de adjetivação pesada, voltadas para denegrir a imagem dos adversários.
3. As duas últimas semanas de programação eleitoral costumam expandir a audiência. O eleitorado quer tomar pé dos avanços feitos pelos candidatos, estabelecer as últimas comparações entre eles e os indecisos começam a avançar na direção de seus escolhidos.
____________
(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com Juscelino
Juscelino Kubitscheck, José Maria Alkmin e Odilon Behrens saíram juntos do seminário de Diamantina. Continuaram estudando juntos, farreando juntos. Uma noite, havia uma festa na cidade com entrada paga. As namoradas precisavam comparecer. Mas eles não tinham um tostão. Alkmin resolveu o problema:
- Vamos vender a alguém uma de nossas camisas.
Encontraram o comprador, mandaram passar uma camisa de Juscelino, enrolaram, disseram que era nova, pegaram o dinheiro, foram para a festa. No dia seguinte, o comprador chegou uma fera:
- A camisa não era nova, estava gasta, rasgou logo.
Juscelino tomou a palavra:
- Meu amigo, aonde você foi?
- A um baile.
- Dançou o quê?
- Tudo. Bolero, samba.
- Então a culpa foi sua. Esta camisa é muito fina; só serve para dançar valsa.
Outra do simpático presidente:
Estudante bolsista em Paris, Juscelino Kubitschek encontrou Odilon Behrens, que chegava com as notícias de Minas. Ex-colegas no seminário de Diamantina, passaram a relembrar os companheiros:
- E o Alkmin? Nunca mais soube dele.
- Está na Penitenciária de Neves.
- Eu sabia que ele ia acabar lá.
Era Diretor.
Campanha sem emoções
O clima que envolve o pleito é morno. Não há impactos nem grandes emoções. Afora uma ou outra campanha mais acirrada, em função das peculiaridades regionais, pode-se aduzir que as eleições de outubro deste ano se inserem entre as mais tranquilas da contemporaneidade. Os motivos apontam para um conjunto de vetores: 1) economia sob controle; 2) ausência de grandes novidades; 3) modelos de campanha tradicionais; 4) saturação de embates entre tucanos e petistas (polarização); desejo de alteração nos perfis dos gestores, significando tendência para escolher caras diferentes (não necessariamente o novo); 5) mobilidade social, significando inserção de milhões de eleitores na classe média e consequente engajamento de contingentes nas frentes de defesa do consumidor.
E o mensalão não é novidade?
Pois é, o julgamento do mensalão poderia ser considerado uma boa novidade. Mas a carga negativa que o caso agrega não terá o condão de mudar a posição dos contingentes eleitorais. Ou seja, tucanos e petistas consolidarão os pontos de vista já formados. Os petistas começam a falar do mensalão tucano em MG. Um empate de cargas negativas. Parcela do eleitorado, ante a tentativa de polarização, tende a optar por uma alternativa, Russomanno, em São Paulo, por exemplo. Por isso, o uso de FHC na campanha de Serra, lembrando o mensalão, não resultará em votos. Serão poucos os eleitores que poderão mudar de voto por conta do apelo de Dilma por Haddad.
O que um escritor não vê
Lo que un escritor no ve, no ha acontecido. (Elias Canetti - Hampstead)
Campos, o mais ativo
Eduardo Campos se apresenta como o cabo eleitoral mais ativo do país. Mais do que Lula. Porque lidera os processos em que partidários do PSB avançam sobre os próprios domínios do petismo, a partir de Belo Horizonte e Recife. Tenta, a todo momento, dizer que continua afinado à Lula e à presidente Dilma. Claro, quer continuar olhando para uns e piscando para outros. Por isso, não pode e não deve se afastar de correligionários. A verdade, porém, é que o governador de PE está jogando como um ás da política. Vai posicionar seu partido em importantes territórios eleitorais. Registrará importantes passos. Com grande cacife, espera negociar com os parceiros que lhe forem mais convenientes.
Geração pós-64
Sempre lembro uma confissão que ouvi dele em uma conversa cheia de revelações em um dos eventos promovidos por João Doria em Comandatuba: "meu sonho é juntar a geração pós-64 e tomarmos os rumos do país". Entendi a mensagem não como um rompimento à velha turma, até porque ele, Eduardo, respeita muitos da velha guarda, mas como um compromisso de levar adiante um programa de reformas, que só ocorreriam sob o comando de um grupo mais jovem e sem grandes amarrações à arvore do passado.
Um homem fascinado
Un hombre que toca fascinado a cada mujer porque nunca le pertenecerá. (Elias Canetti - Hampstead)
Junto com Aécio
Será difícil uma composição entre o PSB de Campos e o PSDB de Aécio Neves. A complexidade de uma aliança desse naipe seria menor se não houvesse no meio do campo jogadores do porte de Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin e outros assemelhados em história e fama. Mas em política, tudo é possível. Até mesmo essa aliança. Que só ganharia viabilidade se o país entrasse em profunda crise econômica, com sequelas terríveis sobre o bolso e o estômago do eleitorado. Nesse caso, a credibilidade do lulismo/petismo seria impactada. A presidente Dilma, nesse caso, também correria o risco de ser envolta no celofane cinzento da crise.
O Brasil é maior que a crise
Em outra ponta, a leitura é bastante otimista. Leva em consideração a hipótese de que, qualquer que seja o impacto de uma crise mundial sobre o país, nossa base econômica tem firmeza para aguentar os abalos, mesmo que os sismos partam de catastrófica performance da China. Perderíamos, sim, um monumental espaço consumidor - o chinês - para onde vão as nossas commodities (principalmente da área de alimentos), mas haveria outros espaços como destino de nossas riquezas. Sempre haverá barrigas para alimentar, aqui e alhures. Há lastros de riquezas e desenvolvimento em outros setores vitais de nossa economia. Portanto, a tese de que o Brasil é maior do que novas crises mundiais tem sustentação. Sob essa perspectiva, Dilma abre horizontes promissores para 2014.
A mulher em desespero
La mujer que ha conocido y sobrevivido a todos los grandes hombres. Uno de ellos se niega a morir. Su desesperación. (Elias Canetti - Hampstead)
Copo transbordando
Mesmo sob um eventual novo governo Dilma, as perspectivas indicam alterações de monta na fisionomia política. Os grandes partidos estão chegando ao ponto de quebra de seus pesos e potenciais. As velhas lideranças começam a dar sinais de esgotamento. Os modelos partidários carecem de novas vestimentas. As gestões da administração pública são questionadas. Os cidadãos, abrigados em seus núcleos de referência mais respeitada (movimentos, sindicatos, associações), exigirão serviços de maior qualidade. O Judiciário se aproxima das ruas. O Ministério Público abre a lupa por todos os espaços. A política haverá, necessariamente, de se refundir e reaparecer mais transparente e clara nos espaços da cidadania. Reformas terão que vir.
Lideranças
As campanhas seguem dentro da previsibilidade. Manuela D'Ávila (PC do B) tem boas condições de levar a melhor em Porto Alegre. Ratinho Júnior (PSC) e Luciano Ducci (PSB) estão empatados em Curitiba. Carlinhos de Almeida (PT) lidera com grande vantagem o pleito de São José dos Campos. Duarte Nogueira (PSDB) está na frente em Ribeirão Preto. Geraldo Julio (PSB) lidera em Recife. Carlos Eduardo Alves (PDT) está na frente em Natal. Marcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte. Tereza Jucá (PMDB), em Boa Vista. Arthur Virgílio (PSDB), em Manaus. Eduardo Paes (PMDB) está muito na frente no Rio. Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), em Vitória. Zé Maranhão e Cícero Lucena (PSDB) empatam em João Pessoa. Firmino Filho (PSDB) lidera em Teresina. Moroni Torgan (DEM), em Fortaleza. Edmilson Rodrigues (PSOL) está bem na frente em Belém. Paulo Garcia (PT), atual prefeito, lidera em Goiânia. João Alves (DEM) lidera em Aracaju. Rui Palmeira (PSDB) e Ronaldo Lessa (PDT) estão empatados em Maceió.
O empresário do ano
Otávio Azevedo (Grupo Andrade Gutierrez) foi escolhido Empresário do Ano pela Câmara Portuguesa do RJ. Trata-se de um dos mais celebrados perfis do empreendedorismo brasileiro. É um dos mais denodados defensores da aproximação entre Portugal e Brasil: "temos tentado motivar o governo português e o governo brasileiro a aproveitarem este momento para fazerem uma aproximação definitiva do ponto de vista empresarial e até legal". O Grupo AG está há 24 anos em Portugal, através da Zagope, que é 100% do grupo.
Zavascki no STF
O ministro Teori Albino Zavascki, do STJ, foi convidado pela presidente Dilma para assumir a vaga aberta com a aposentadoria de Cezar Peluso no STF. Natural de Faxinal dos Guedes/SC, tem 64 anos e está desde 2003 no STJ. Foi desembargador do TRF4. Zavascki também é professor de Direito. Alguns de seus livros : "Antecipação de Tutela"; "Processo Coletivo - Tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos"; "Processo Coletivo e Processo de Execução : Parte Geral". Em tempo: o ministro nunca entrou em lista de possíveis nomes.
Iluminando os dias não vividos
Cuando ella se mueve velozmente a mi alrededor, se me iluminan los días no vividos. (Elias Canetti - Hampstead)
Burocracia
O excesso de burocracia prejudica a competitividade de 92% das indústrias brasileiras. A avaliação é da CNI, que divulgou duas pesquisas sobre o tema, uma envolvendo a indústria da construção e outra relativa à indústria de transformação e extrativa. No saldo geral, a Confederação aponta que além de afetar a competitividade de 92% da indústria, parcela de 850% dos industriais ouvidos considera que há um número excessivo de obrigações legais.
Marta na cultura
A senadora Marta Suplicy é a nova ministra da Cultura no lugar de Ana de Hollanda. Será que o novo cargo significa promoção? Marta é vice-presidente do Senado, onde tem oportunidade de dirigir importantes sessões. Na Cultura, circulará bastante nas rodas de badalação. Pode ser que se sinta melhor nesse espaço de corte.
Não confies em ninguém
"Quando alguém fala bem de ti, podes estar certo de que ele te escarnece. Não confies segredos a ninguém. Mesmo se frequentemente teu valor é ignorado, não te faças valer a ti mesmo, nem tampouco te desvalorizes. Os outros te espreitam e esperam teu primeiro momento de relaxamento para te julgar. Se alguém te interpela e te insulta, pensa que está pondo à prova tua virtude. Os amigos não existem, há apenas pessoas que fingem amizade". (Cardeal Mazarino - Breviário dos Políticos)
Conselho aos candidatos
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado à presidente Dilma Rousseff. Hoje, sua atenção se volta aos candidatos:
1. A campanha entra nas semanas finais. E decisivas. É momento de dar as últimas cartadas. Urge arrematar com propostas coerentes, densas, críveis, que venham atender à demandas urgentes das comunidades.
2. Muito cuidado com campanhas negativas, recheadas de adjetivação pesada, voltadas para denegrir a imagem dos adversários.
3. As duas últimas semanas de programação eleitoral costumam expandir a audiência. O eleitorado quer tomar pé dos avanços feitos pelos candidatos, estabelecer as últimas comparações entre eles e os indecisos começam a avançar na direção de seus escolhidos.
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(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 11 de setembro de 2012
POLÍTICA & ECONOMIA NA REAL
Tripé da política econômica mudou...
A última ata do Copom do BC, divulgada na quinta-feira, desencadeou, mais uma vez, a discussão sobre se o governo teria abandonado ou não a meta de inflação como um dos pilares da política econômica. O Copom admite que o centro da meta, de 4,5%, não será mais alcançado nem em 2012, nem em 2013, nem no primeiro semestre de 2014. Como o câmbio está sempre vigiado pelo BC, e deixou de ser flutuante para valer há tempo, e como o superávit primário tem sido alcançado a bordoadas certo artificialismo, estaria então, no governo Dilma definitivamente esquecido o tripé que sustentou a economia brasileira desde 2000.
..a meta é o crescimento
Não há surpresa quanto a isso - só se surpreende quem não acompanha os movimentos da presidente Dilma. Pode-se entender que ela sempre se alinhou com a corrente dita desenvolvimentista. E é o que ela e sua equipe estão revelando. O governo, tem, na realidade, um meta de crescimento, que, pelas declarações públicas das autoridades, é de no mínimo 4% para os próximos dois anos. Coincidentemente é o período que a sucessão presidencial começará a pegar fogo com Dilma tendo no seu encalço naturalmente um oposicionista, além do governador Eduardo Campos e o fantasma de Lula. Assim, as metas da estabilidade econômica serão adaptadas tanto às circunstâncias econômicas quanto às da política.
Não é obrigação
São muitos os economistas que defendem, nas circunstâncias atuais, a flexibilização das metas. Muitos dizem mesmo que "o primário" está demais. O problema não é o governo trocar de parâmetros. É fazer isso de forma envergonhada, sem dizer oficialmente, dando a impressão de que não está seguro quanto à necessidade e ao acerto das mudanças. Afinal, as metas não são uma norma rígida - são um compromisso político assumido por ele. Ninguém vai ser preso se não cumprir. Do modo que leva causa insegurança nos agentes econômicos. O que pode explicar boa parte da cautela dos investidores. Como mostram os dados do PIB, ele vem caindo desde o final de 2010.
Hollande: depois das eleições
A marca histórica mais relevante desde os anos 90 em matéria econômica diz respeito ao fato de que o tal do "mercado" é aquele que acaba em última instância impondo às regras da política econômica. A despeito das eleições, os governantes tão logo empossados sucumbem às "normas gerais" advindas do imperativo categórico mercadológico. Socialistas acabam se parecendo com liberais e liberais acabam concedendo às matizes socialistas. Partidos políticos pouco significam e a sociedade acaba inerte às mudanças políticas e econômicas. François Hollande, presidente da França, acaba por realizar a sina de todo governante. Partiu para um ajuste fiscal significativo (30 bi de euros) com o fito de ajustar o déficit público para algo como 3% do PIB. Contraria a própria campanha, marcada por uma visão divergente da ortodoxia alemã. Com isso, o desemprego deixou de ser a prioridade nº 1, o crescimento vai cair e é o fim da visão keynesiana do político francês. Tudo para que a política econômica agrade o financiador da dívida francesa. Em detrimento inclusive dos ricaços franceses que terão uma forte tributação sobre seus ganhos correntes.
E Obama?
Barack Obama vem tratando do tema econômico com base nas necessidades de reduzir o desemprego e aumentar a atividade econômica. Reprisa, com o apoio do Fed e do mundo inteiro (que compra dólares norte-americanos), a política de Franklin D. Roosevelt. Isso tudo sem mexer muito com o poder de Wall Street e dos financistas que estão a financiar seu adversário nas eleições de novembro, Mitt Romney. A questão vital para depois das eleições será sobre a continuidade (e até aprofundamento) desta estratégia. Com uma relação dívida pública/PIB acima de 110%, o elegante e competitivo Obama vai ser mais agressivo em relação a sua estratégia ou fará um governo de "ajustes". Não será dos discursos eleitorais que retiraremos esta resposta.
China: queda da atividade
Que a recuperação da economia europeia e norte-americana será sofrida, todos já puderam verificar, seja em função dos indicadores divulgados, seja pelo animus dos analistas. Agora, o que se discute para valer é o quanto a China pode desacelerar e se há fôlego doméstico para manter o crescimento em chama alta. São crescentes as notícias de que o governo comunista de Pequim irá lançar um pacote de estímulo econômico de pelo menos US$ 500 bi. O problema é saber se será suficiente para barrar o longo declínio da taxa de crescimento a qual ainda é robusta (mais de 6% este ano), mas dá sinais de que vai cair mais. Além disso, dez em cada dez analistas do setor financeiro da China tem dúvidas sobre a higidez do sistema daquele país. A transparência é deficiente e o governo insiste em manter rédeas curtas quando o assunto é prestação de informações. Por fim, o mundo desenvolvido depende muito mais do que deveria da China. O Brasil, por sua vez, vem perdendo participação da indústria no PIB e as suas commodities são o alento chinês para o crescimento.
Agora sai?
Depois de uma ofensiva em que parecia mostrar suas garras, a presidente da Petrobras, Graça Foster, esqueceu a história do aumento da gasolina e do óleo diesel para reforçar o caixa de investimentos da companhia. O BC diz que não espera reajuste de combustíveis para este ano. Mesmo não perseguindo com perseverança o centro da meta inflacionária de 4,5%, o governo não pode deixar que ela fuja demais do limite - e a Petrobras terá de continuar pagando sua cota. Agora, com a redução dos preços das tarifas de energia elétrica em 2013 os combustíveis sobem ? Segundo o próprio ministério da Fazenda a redução da conta de luz ajudará a reduzir ao redor de 0,55% da inflação no ano que vem. Uma tentação para o aumento da conta do tanque dos veículos.
Cândida confissão
Se não recebeu ainda não deve estar longe de receber um puxão de orelhas o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. O governo fez tudo para apresentar como uma medida puramente econômica a redução das tarifas de luz. De fato, a decisão deve ter um impacto positivo no custo de produção no Brasil, sem contar que reduz também o custo das famílias, deixa um pouquinho mais de dinheiro para a poupança e o consumo. Porém, com uma candura de quem não é nada ingênuo, Lobão admitiu os frutos eleitorais da medida, convenientemente anunciada um mês antes das urnas, em cadeia de rádio e televisão. Não esquecer que a medida vinha sendo estudada há mais de três anos. Disse o ministro : "Não haverá um brasileiro que não ficará feliz com isso. Isso mexe com o humor de todos. (...) esse anúncio pode vir a ter um reflexo político. E se isso for bom para a campanha de aliados, é um ótimo sinal". Lobão lembra o estilo prosador e revelador de boas notícias de seu padrinho José Sarney. Resta saber se agrada a presidente, apreciadora de comedimentos eleitorais.
Ela vai entrar em campo para valer? I
Esta semana será possível ver qual a disposição de presidente Dilma de se envolver com mais vigor na campanha eleitoral a favor dos aliados governistas, ainda no primeiro turno. A disposição inicial era não se queimar, não desagradar parceiros optando por um ou outro candidato de sua base de sustentação política. Aliados governistas estão se enfrentando por todo o país. A exceção admitida foi BH, onde ela resolveu se meter diretamente, pela candidatura do petista Patrus Ananias. Menos para dar um socorro ao PT em si e muito mais para tentar barrar um possível fortalecimento de dois de seus possíveis adversários em 2014 - Aécio Neves e Eduardo Campos. Agora, Dilma já gravou participação exclusiva para o programa de Fernando Haddad em SP. E está sendo insistentemente solicitada a fazer o mesmo para Humberto Costa, no Recife, e Nelson Pelegrino, em Salvador, ambos petistas como Haddad. Mesmo correndo o risco de tornar-se sócia de alguns fracassos eleitorais, uma razão mais alta se alevantou para Dilma. Aliás, duas: mostrar solidária com seu criador, o presidente Lula, e dar satisfações a seu partido, o PT.
Ela vai entrar em campo para valer? II
Tanto Lula como o PT vivem uma espécie de "crise existencial" provocada, em parte, pelos rumos que está tomando o julgamento do mensalão, e pelos sinais trazidos pelas pesquisas eleitorais de que o partido não vai tão bem como imaginou que poderia ir nas eleições nas capitais e algumas grandes cidades. A presidente sabe que o PT com algum transtorno pode virar um transtorno para ela depois de outubro. Não foi à toa que ela foi à SP na quarta-feira passada para uma conversa reservada com o ex-presidente Lula, sem nenhuma agenda oficial na cidade.
A confortável situação de Eduardo Campos e do PSB
O governador Eduardo Campos, sem direito a mais uma reeleição em PE, tem indicado a pessoas que conversam com ele que não tem intenções de candidatar-se ao Senado, que é o caminho natural de quem como ele quer continuar na política e com menos de 50 anos de idade, tem todo tempo do mundo para entrar na fila de voos mais altos. Sendo assim, ele traçou seu rumo, a partir de um alicerce montado no crescimento do PSB nas eleições de 2010 e de audaciosas manobras eleitorais este ano, como o rompimento das alianças com o PT em Recife, em BH e em Fortaleza, entre outras, com três possibilidades:
1. Ocupar a vice-presidência na chapa oficial, mais do que provavelmente com a cabeça de chapa de Dilma, mas não descartando Lula também. Tomaria o lugar do PMDB de Michel Temer.
2. Virar vice numa chapa de oposição, atrelado a uma candidatura de Aécio Neves pelo PSDB. Os dois estão se dando as mil maravilhas em Minas e têm um diálogo fácil.
3. Virar ele próprio candidato a presidente pela base aliada, caso a economia complique-se e complique a vida de Dilma, e Lula não tenha fôlego para disputar outra corrida presidencial. Campos percebeu que o PT não conseguiu renovar seus quadros e não dá sinais de que terá um grande nome nacional até 2014. É Dilma ou Lula, ou nada.
Campos, com habilidade, fez seu plano sabendo que não corre grandes riscos: a tendência do PSB é sair mais forte das eleições municipais, principalmente se ganhar Recife, onde Lula fez uma aposta de risco, e Fortaleza, a reeleger Marcio Lacerda em BH. O governo Dilma não tem a menor condição de brigar com a legenda. Seria um desastre para o governo no Congresso com sua base aliada amorfa e indisciplinada. Campos fez uma aposta de muito pouco risco.
E os aprendizes de feiticeiro, hein?
Até a última pesquisa DataFolha surpreendeu todos os analistas, políticos e palpiteiros de plantão, apontando a solidez da candidatura de Celso Russomano do PRB à prefeitura de SP, petistas e tucanos não estavam incomodados com o desempenho dele, na verdade estavam até gostando. Há indícios de que uns e outros, por baixo do pano, deram força para Russomano. Os petistas achavam que Russomano tiraria votos de Serra e ajudaria a levar Haddad para o segundo turno. Os tucanos acreditavam que ele esvaziaria o petista. De fato, está acontecendo - Russomano está sugando os dois. É no que dá brincar de feiticeiro em eleição.
Língua ferina
De um maldoso de plantão em SP: "Engana-se quem pensa que o prefeito Gilberto Kassab traiu o ex-presidente Lula e a presidente Dilma ao apoiar José Serra e não Fernando Haddad para a prefeitura paulistana. Pelo contrário, foi o melhor serviço que ele prestou aos dois, jogando nas costas de Serra seus baixíssimos índices de aprovação".
Mensalão: as contas dos advogados
Em Direito Penal é duvidoso usar apenas indícios para acusar. É necessário que existam provas "concretas" que se constatam no caso concreto. Pois bem: o julgamento do mensalão passou da fase dos indícios para a das provas cabais de que o viés punitivo do STF é gritante. Os efeitos imediatos recairão sobre os réus, cuja probabilidade de irem para detrás das grades passou do campo das hipóteses para o campo dos fatos. Os réus estão tensos e pedindo aos notáveis do Direito Penal que lhes dê referências sobre a possibilidade de prisão. As bancas, é lógico, já fizeram as contas, mas em pelo menos dois casos mais "graves" ainda não passaram a informação a seus clientes. Ainda apostam em medidas dilatórias.
Mensalão: além das penas
Dura a realidade de quem apostou que o mensalão não produziria efeitos políticos relevantes. Já há pesquisas que mostram que o noticiário tem efeito significativo para o eleitor. Terá maior efeito quando mais políticos foram julgados pelo STF, notadamente os casos de José Dirceu e José Genoíno. A mídia irá repercutir estes casos com intensidade e seus efeitos se propagarão no exato momento da eleição em primeiro turno ou entre os dois turnos. Ademais, os líderes políticos permanecem tensos com a possibilidade de que Marcos Valério e seus companheiros da SMPB acabem de complicar a situação, revelando novos dados e informações sobre o caso. Nesta hipótese, o mensalão enfim pode chegar ao Palácio do Planalto. Não necessariamente na atual ocupante da cadeira presidencial.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
A última ata do Copom do BC, divulgada na quinta-feira, desencadeou, mais uma vez, a discussão sobre se o governo teria abandonado ou não a meta de inflação como um dos pilares da política econômica. O Copom admite que o centro da meta, de 4,5%, não será mais alcançado nem em 2012, nem em 2013, nem no primeiro semestre de 2014. Como o câmbio está sempre vigiado pelo BC, e deixou de ser flutuante para valer há tempo, e como o superávit primário tem sido alcançado a bordoadas certo artificialismo, estaria então, no governo Dilma definitivamente esquecido o tripé que sustentou a economia brasileira desde 2000.
..a meta é o crescimento
Não há surpresa quanto a isso - só se surpreende quem não acompanha os movimentos da presidente Dilma. Pode-se entender que ela sempre se alinhou com a corrente dita desenvolvimentista. E é o que ela e sua equipe estão revelando. O governo, tem, na realidade, um meta de crescimento, que, pelas declarações públicas das autoridades, é de no mínimo 4% para os próximos dois anos. Coincidentemente é o período que a sucessão presidencial começará a pegar fogo com Dilma tendo no seu encalço naturalmente um oposicionista, além do governador Eduardo Campos e o fantasma de Lula. Assim, as metas da estabilidade econômica serão adaptadas tanto às circunstâncias econômicas quanto às da política.
Não é obrigação
São muitos os economistas que defendem, nas circunstâncias atuais, a flexibilização das metas. Muitos dizem mesmo que "o primário" está demais. O problema não é o governo trocar de parâmetros. É fazer isso de forma envergonhada, sem dizer oficialmente, dando a impressão de que não está seguro quanto à necessidade e ao acerto das mudanças. Afinal, as metas não são uma norma rígida - são um compromisso político assumido por ele. Ninguém vai ser preso se não cumprir. Do modo que leva causa insegurança nos agentes econômicos. O que pode explicar boa parte da cautela dos investidores. Como mostram os dados do PIB, ele vem caindo desde o final de 2010.
Hollande: depois das eleições
A marca histórica mais relevante desde os anos 90 em matéria econômica diz respeito ao fato de que o tal do "mercado" é aquele que acaba em última instância impondo às regras da política econômica. A despeito das eleições, os governantes tão logo empossados sucumbem às "normas gerais" advindas do imperativo categórico mercadológico. Socialistas acabam se parecendo com liberais e liberais acabam concedendo às matizes socialistas. Partidos políticos pouco significam e a sociedade acaba inerte às mudanças políticas e econômicas. François Hollande, presidente da França, acaba por realizar a sina de todo governante. Partiu para um ajuste fiscal significativo (30 bi de euros) com o fito de ajustar o déficit público para algo como 3% do PIB. Contraria a própria campanha, marcada por uma visão divergente da ortodoxia alemã. Com isso, o desemprego deixou de ser a prioridade nº 1, o crescimento vai cair e é o fim da visão keynesiana do político francês. Tudo para que a política econômica agrade o financiador da dívida francesa. Em detrimento inclusive dos ricaços franceses que terão uma forte tributação sobre seus ganhos correntes.
E Obama?
Barack Obama vem tratando do tema econômico com base nas necessidades de reduzir o desemprego e aumentar a atividade econômica. Reprisa, com o apoio do Fed e do mundo inteiro (que compra dólares norte-americanos), a política de Franklin D. Roosevelt. Isso tudo sem mexer muito com o poder de Wall Street e dos financistas que estão a financiar seu adversário nas eleições de novembro, Mitt Romney. A questão vital para depois das eleições será sobre a continuidade (e até aprofundamento) desta estratégia. Com uma relação dívida pública/PIB acima de 110%, o elegante e competitivo Obama vai ser mais agressivo em relação a sua estratégia ou fará um governo de "ajustes". Não será dos discursos eleitorais que retiraremos esta resposta.
China: queda da atividade
Que a recuperação da economia europeia e norte-americana será sofrida, todos já puderam verificar, seja em função dos indicadores divulgados, seja pelo animus dos analistas. Agora, o que se discute para valer é o quanto a China pode desacelerar e se há fôlego doméstico para manter o crescimento em chama alta. São crescentes as notícias de que o governo comunista de Pequim irá lançar um pacote de estímulo econômico de pelo menos US$ 500 bi. O problema é saber se será suficiente para barrar o longo declínio da taxa de crescimento a qual ainda é robusta (mais de 6% este ano), mas dá sinais de que vai cair mais. Além disso, dez em cada dez analistas do setor financeiro da China tem dúvidas sobre a higidez do sistema daquele país. A transparência é deficiente e o governo insiste em manter rédeas curtas quando o assunto é prestação de informações. Por fim, o mundo desenvolvido depende muito mais do que deveria da China. O Brasil, por sua vez, vem perdendo participação da indústria no PIB e as suas commodities são o alento chinês para o crescimento.
Agora sai?
Depois de uma ofensiva em que parecia mostrar suas garras, a presidente da Petrobras, Graça Foster, esqueceu a história do aumento da gasolina e do óleo diesel para reforçar o caixa de investimentos da companhia. O BC diz que não espera reajuste de combustíveis para este ano. Mesmo não perseguindo com perseverança o centro da meta inflacionária de 4,5%, o governo não pode deixar que ela fuja demais do limite - e a Petrobras terá de continuar pagando sua cota. Agora, com a redução dos preços das tarifas de energia elétrica em 2013 os combustíveis sobem ? Segundo o próprio ministério da Fazenda a redução da conta de luz ajudará a reduzir ao redor de 0,55% da inflação no ano que vem. Uma tentação para o aumento da conta do tanque dos veículos.
Cândida confissão
Se não recebeu ainda não deve estar longe de receber um puxão de orelhas o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. O governo fez tudo para apresentar como uma medida puramente econômica a redução das tarifas de luz. De fato, a decisão deve ter um impacto positivo no custo de produção no Brasil, sem contar que reduz também o custo das famílias, deixa um pouquinho mais de dinheiro para a poupança e o consumo. Porém, com uma candura de quem não é nada ingênuo, Lobão admitiu os frutos eleitorais da medida, convenientemente anunciada um mês antes das urnas, em cadeia de rádio e televisão. Não esquecer que a medida vinha sendo estudada há mais de três anos. Disse o ministro : "Não haverá um brasileiro que não ficará feliz com isso. Isso mexe com o humor de todos. (...) esse anúncio pode vir a ter um reflexo político. E se isso for bom para a campanha de aliados, é um ótimo sinal". Lobão lembra o estilo prosador e revelador de boas notícias de seu padrinho José Sarney. Resta saber se agrada a presidente, apreciadora de comedimentos eleitorais.
Ela vai entrar em campo para valer? I
Esta semana será possível ver qual a disposição de presidente Dilma de se envolver com mais vigor na campanha eleitoral a favor dos aliados governistas, ainda no primeiro turno. A disposição inicial era não se queimar, não desagradar parceiros optando por um ou outro candidato de sua base de sustentação política. Aliados governistas estão se enfrentando por todo o país. A exceção admitida foi BH, onde ela resolveu se meter diretamente, pela candidatura do petista Patrus Ananias. Menos para dar um socorro ao PT em si e muito mais para tentar barrar um possível fortalecimento de dois de seus possíveis adversários em 2014 - Aécio Neves e Eduardo Campos. Agora, Dilma já gravou participação exclusiva para o programa de Fernando Haddad em SP. E está sendo insistentemente solicitada a fazer o mesmo para Humberto Costa, no Recife, e Nelson Pelegrino, em Salvador, ambos petistas como Haddad. Mesmo correndo o risco de tornar-se sócia de alguns fracassos eleitorais, uma razão mais alta se alevantou para Dilma. Aliás, duas: mostrar solidária com seu criador, o presidente Lula, e dar satisfações a seu partido, o PT.
Ela vai entrar em campo para valer? II
Tanto Lula como o PT vivem uma espécie de "crise existencial" provocada, em parte, pelos rumos que está tomando o julgamento do mensalão, e pelos sinais trazidos pelas pesquisas eleitorais de que o partido não vai tão bem como imaginou que poderia ir nas eleições nas capitais e algumas grandes cidades. A presidente sabe que o PT com algum transtorno pode virar um transtorno para ela depois de outubro. Não foi à toa que ela foi à SP na quarta-feira passada para uma conversa reservada com o ex-presidente Lula, sem nenhuma agenda oficial na cidade.
A confortável situação de Eduardo Campos e do PSB
O governador Eduardo Campos, sem direito a mais uma reeleição em PE, tem indicado a pessoas que conversam com ele que não tem intenções de candidatar-se ao Senado, que é o caminho natural de quem como ele quer continuar na política e com menos de 50 anos de idade, tem todo tempo do mundo para entrar na fila de voos mais altos. Sendo assim, ele traçou seu rumo, a partir de um alicerce montado no crescimento do PSB nas eleições de 2010 e de audaciosas manobras eleitorais este ano, como o rompimento das alianças com o PT em Recife, em BH e em Fortaleza, entre outras, com três possibilidades:
1. Ocupar a vice-presidência na chapa oficial, mais do que provavelmente com a cabeça de chapa de Dilma, mas não descartando Lula também. Tomaria o lugar do PMDB de Michel Temer.
2. Virar vice numa chapa de oposição, atrelado a uma candidatura de Aécio Neves pelo PSDB. Os dois estão se dando as mil maravilhas em Minas e têm um diálogo fácil.
3. Virar ele próprio candidato a presidente pela base aliada, caso a economia complique-se e complique a vida de Dilma, e Lula não tenha fôlego para disputar outra corrida presidencial. Campos percebeu que o PT não conseguiu renovar seus quadros e não dá sinais de que terá um grande nome nacional até 2014. É Dilma ou Lula, ou nada.
Campos, com habilidade, fez seu plano sabendo que não corre grandes riscos: a tendência do PSB é sair mais forte das eleições municipais, principalmente se ganhar Recife, onde Lula fez uma aposta de risco, e Fortaleza, a reeleger Marcio Lacerda em BH. O governo Dilma não tem a menor condição de brigar com a legenda. Seria um desastre para o governo no Congresso com sua base aliada amorfa e indisciplinada. Campos fez uma aposta de muito pouco risco.
E os aprendizes de feiticeiro, hein?
Até a última pesquisa DataFolha surpreendeu todos os analistas, políticos e palpiteiros de plantão, apontando a solidez da candidatura de Celso Russomano do PRB à prefeitura de SP, petistas e tucanos não estavam incomodados com o desempenho dele, na verdade estavam até gostando. Há indícios de que uns e outros, por baixo do pano, deram força para Russomano. Os petistas achavam que Russomano tiraria votos de Serra e ajudaria a levar Haddad para o segundo turno. Os tucanos acreditavam que ele esvaziaria o petista. De fato, está acontecendo - Russomano está sugando os dois. É no que dá brincar de feiticeiro em eleição.
Língua ferina
De um maldoso de plantão em SP: "Engana-se quem pensa que o prefeito Gilberto Kassab traiu o ex-presidente Lula e a presidente Dilma ao apoiar José Serra e não Fernando Haddad para a prefeitura paulistana. Pelo contrário, foi o melhor serviço que ele prestou aos dois, jogando nas costas de Serra seus baixíssimos índices de aprovação".
Mensalão: as contas dos advogados
Em Direito Penal é duvidoso usar apenas indícios para acusar. É necessário que existam provas "concretas" que se constatam no caso concreto. Pois bem: o julgamento do mensalão passou da fase dos indícios para a das provas cabais de que o viés punitivo do STF é gritante. Os efeitos imediatos recairão sobre os réus, cuja probabilidade de irem para detrás das grades passou do campo das hipóteses para o campo dos fatos. Os réus estão tensos e pedindo aos notáveis do Direito Penal que lhes dê referências sobre a possibilidade de prisão. As bancas, é lógico, já fizeram as contas, mas em pelo menos dois casos mais "graves" ainda não passaram a informação a seus clientes. Ainda apostam em medidas dilatórias.
Mensalão: além das penas
Dura a realidade de quem apostou que o mensalão não produziria efeitos políticos relevantes. Já há pesquisas que mostram que o noticiário tem efeito significativo para o eleitor. Terá maior efeito quando mais políticos foram julgados pelo STF, notadamente os casos de José Dirceu e José Genoíno. A mídia irá repercutir estes casos com intensidade e seus efeitos se propagarão no exato momento da eleição em primeiro turno ou entre os dois turnos. Ademais, os líderes políticos permanecem tensos com a possibilidade de que Marcos Valério e seus companheiros da SMPB acabem de complicar a situação, revelando novos dados e informações sobre o caso. Nesta hipótese, o mensalão enfim pode chegar ao Palácio do Planalto. Não necessariamente na atual ocupante da cadeira presidencial.
(por Francisco Petros e José Marcio Mendonça)
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
HERMANO
Hoje celebramos a vida do Hermano, meu filho caçula. Quando ele ainda era pequenino, escrevi esse acróstico para ele:
Honra-me muito te louvar como filho
Errante garoto de espírito andarilho
Represo a água que escorre de tua fonte
Medito sob a luz que brilha em tua fronte
Adoro tua alma de precoce poeta
Nomeio-te líder dos céus, patrono dos montes
Ordeiro guerreiro da bondade secreta!
Todos sabemos da carga energética, da magia contagiante que transita no córrego de todo nome.
HERMANO – irmão em espanhol – é fruto de um lampejo que tive quando escutava “Los Hermanos” - composição do argentino Atahualpa Yupanqui, pseudônimo de Héctor Roberto Chavero - na voz fenomenal da inesquecível Elis Regina.
Segue, abaixo, uma tradução livre que fiz:
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar
En el valle en la montaña / No vale, na montanha
En la pampa y en el mar / No pampa e no mar
Cada cual con sus trabajos / Cada qual com seus trabalhos
Con sus sueños cada cual / Com seus sonhos cada qual
Con la esperanza delante / Com a esperança adiante
Con los recuerdos detrás / E as lembranças atrás
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar
Gente de mano caliente / Gente de mãos calejadas
Por eso de la amistad / Por isso, da amizade
Con um lloro para llorarlo / Com lágrimas para chorar
Con un rezo para rezar / Com oração prá rezar
Con un horizonte abierto / Com um horizonte aberto
Que siempre esta más allá / Que sempre está mais prá lá
Y esa fuerza pa buscarlo / E essa força prá buscá-lo
Con tezón y voluntad / Com muito tezão e vontade
Cuando parece más cerca / Quando parece mais perto
Es cuando se aleja más / É quando se distancia mais
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar
Y asi seguimos andando / E assim seguimos andando
Curtidos de soledad / Curtidos de solidão
Nos perdemos por el mundo / Nos perdemos pelo mundo
Nos volvemos a encontrar / Voltamos a nos encontrar
Y asi nos reconocemos / E assim nos reconhecemos
Por el lejano mirar / Pelo distante olhar
Por las coplas que mordemos / Pelos versos que mordemos
Semillas de imensidad / Sementes de imensidade
Y así seguimos andando / E assim seguimos andando
Curtidos de soledad / Curtidos de solidão
Y en nosotros nuestros muertos / E em nós os nossos mortos
Pa que nadie quede atrás / Prá que ninguém fique atrás
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar
Y una hermana muy hermosa / E uma irmã muito formosa
Que se llama libertad / Que se chama LIBERDADE.
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domingo, 9 de setembro de 2012
O BRASIL ABRE UM CAMINHO
Os devotos de São Tomé, que só acreditam vendo, começam a perder as apostas feitas com os devotos de São Judas Tadeu, o patrocinador das causas impossíveis.
Pois é, o santo que dá um jeitinho nas dificuldades começa a mostrar seu poder de milagreiro até na esburacada estrada da política. Vejam.
A justiça da Suíça autorizou a devolução aos cofres do Tesouro Nacional de US$ 6,8 milhões que estavam na conta do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.
Há poucos dias, o Grupo do ex-senador Luiz Estevão concordou em devolver à União R$ 468 milhões, que teriam sido desviados de verba pública para a construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
O Supremo Tribunal Federal condena à prisão um ex-presidente da Câmara dos Deputados, a segunda autoridade na linha de sucessão da presidência da República. Pune também dirigentes de bancos por gestão fraudulenta. E continua a julgar o caso de “maior desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”, dando sinais de que os culpados no processo que reúne 38 réus serão implacavelmente condenados.
No plano eleitoral, surpresas emergem. É o caso de São Paulo, onde um candidato com curto espaço na programação eleitoral, assume a liderança do pleito. As situações narradas evidenciam a tese de que, por estas plagas, tudo é possível. As cartas marcadas do baralho já não ganham o jogo. O país começa a respirar ares de modernização institucional.
Por modernização deve-se entender mudança de valores, atitudes e expectativas. Comporta, como ensina Samuel Huntington, aspectos relacionados a padrões de vida, mobilidade social e ampliação de conhecimentos por meio da educação. São inegáveis os avanços ocorridos em algumas áreas, apesar de ainda existirem imensos arquipélagos de atraso, particularmente na saúde e educação. Na frente da mobilidade, registra-se o ingresso de 30 milhões de brasileiros na classe C.
A modernização, portanto, soma conquistas em diversas esferas: educacional, econômica, ascensão social, com reflexos na política. Nesta, por exemplo, cria ondas de mobilização social, motivando os cidadãos a trocar velhos costumes por novos padrões de socialização e comportamento.
Intensifica-se o desejo de maior participação da sociedade no processo decisório, situação expressa nas pressões sobre a base política e na escolha mais criteriosa dos atores que farão a representação nos Parlamentos e Executivos.
Na paisagem retocada com as tintas da modernização, chama a atenção a multiplicação dos centros do poder. Antes restrito às Casas Legislativas e aos Executivos das três instâncias federativas (União, Estados e municípios), o poder político agora se refunde e se redistribui pela miríade de novos circuitos de representação – movimentos, associações, grupos, entidades em defesa de minorias, gêneros, etnias e categorias profissionais -, que passam a difundir propostas, a ocupar e a fazer barulho nos corredores dos Parlamentos e da administração pública.
Diz-se, com propriedade, que esta nova ordem política aproxima-se de uma meta ansiada pela sociedade contemporânea, qual seja, a democracia participativa. Mesmo que lhe faltem elementos para compor o escopo da democracia direta – como a defesa do ideal de toda a coletividade e não apenas a defesa de setores -, o fato é que os pulmões da sociedade brasileira estão recebendo uma lufada de ar fresco.
A racionalidade se expande na esteira de um processo de autonomia individual e grupal, pelo qual as decisões passam a ser iluminadas pela chama dos direitos humanos e por um acentuado sentimento de cidadania.
Sob essa nova textura, desenvolvem-se fenômenos e eventos que costuram a nova vestimenta institucional. Veja-se, por exemplo, o julgamento do mensalão. A essa altura, já é possível inferir que as decisões dos ministros da Corte Suprema determinarão mudanças no modus operandi da política.
Zelo e atenção para as regras são valores que, de imediato, se incorporam ao cotidiano dos representantes. Ganha força a tese de que nenhum político, do mais ao menos graduado, nenhum cidadão e nenhuma instituição, por mais poderosa que seja, estarão imunes aos olhos (atentos) da Justiça.
Um julgamento como o que envolve a Ação Penal 470, cuja transparência tem sido plena, tem o condão de resgatar a confiança social na justiça e contribui para jogar uma pá de cal na tese de que apenas os pobres vão para a cadeia.
O processo abrirá o debate sobre um ordenamento político estribado no dever moral. Debate que conduzirá o corpo político, também monitorado por novos pólos de poder, a promover os ajustes necessários para atender ao clamor de núcleos participativos e críticos. Sairão fortalecidos, também, as estruturas de defesa social, fiscalização, apuração e controle, que reúnem Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Advocacia Geral da União, Procuradoria Geral da União, entre outras.
O próprio edifício do Direito recebe uma argamassa de prestígio, não apenas pelas aulas magnas proferidas pelos ministros do STF, mas pela expressão de brilhantes advogados que demonstraram suas qualidades.
Nunca se viu uma ação penal ser tão dissecada e submetida a um escancarado portal midiático, a partir da própria TV Justiça, o que propiciou um exame por “juízes” de outras instâncias, como políticos e operadores do Direito de todas as frentes.
A par desse evento, de simbolismo ímpar e de impacto extraordinário sobre a área política, constatamos, com alegria cívica, uma montanha de recursos retornando aos cofres públicos. Quantos brasileiros acreditavam nessa hipótese? Meia dúzia?
Fecha-se a narrativa com o eleitorado. Em algumas praças, mostra autonomia ao contrariar previsões e desmanchar hipóteses. Em São Paulo, põe na frente da corrida um perfil apartado da clássica polarização entre grandes partidos. O que explica isso? Pequena resposta: a galera das arquibancadas também quer impor regras ao time como faz o técnico.
(Gaudêncio Torquato)
Pois é, o santo que dá um jeitinho nas dificuldades começa a mostrar seu poder de milagreiro até na esburacada estrada da política. Vejam.
A justiça da Suíça autorizou a devolução aos cofres do Tesouro Nacional de US$ 6,8 milhões que estavam na conta do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.
Há poucos dias, o Grupo do ex-senador Luiz Estevão concordou em devolver à União R$ 468 milhões, que teriam sido desviados de verba pública para a construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
O Supremo Tribunal Federal condena à prisão um ex-presidente da Câmara dos Deputados, a segunda autoridade na linha de sucessão da presidência da República. Pune também dirigentes de bancos por gestão fraudulenta. E continua a julgar o caso de “maior desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”, dando sinais de que os culpados no processo que reúne 38 réus serão implacavelmente condenados.
No plano eleitoral, surpresas emergem. É o caso de São Paulo, onde um candidato com curto espaço na programação eleitoral, assume a liderança do pleito. As situações narradas evidenciam a tese de que, por estas plagas, tudo é possível. As cartas marcadas do baralho já não ganham o jogo. O país começa a respirar ares de modernização institucional.
Por modernização deve-se entender mudança de valores, atitudes e expectativas. Comporta, como ensina Samuel Huntington, aspectos relacionados a padrões de vida, mobilidade social e ampliação de conhecimentos por meio da educação. São inegáveis os avanços ocorridos em algumas áreas, apesar de ainda existirem imensos arquipélagos de atraso, particularmente na saúde e educação. Na frente da mobilidade, registra-se o ingresso de 30 milhões de brasileiros na classe C.
A modernização, portanto, soma conquistas em diversas esferas: educacional, econômica, ascensão social, com reflexos na política. Nesta, por exemplo, cria ondas de mobilização social, motivando os cidadãos a trocar velhos costumes por novos padrões de socialização e comportamento.
Intensifica-se o desejo de maior participação da sociedade no processo decisório, situação expressa nas pressões sobre a base política e na escolha mais criteriosa dos atores que farão a representação nos Parlamentos e Executivos.
Na paisagem retocada com as tintas da modernização, chama a atenção a multiplicação dos centros do poder. Antes restrito às Casas Legislativas e aos Executivos das três instâncias federativas (União, Estados e municípios), o poder político agora se refunde e se redistribui pela miríade de novos circuitos de representação – movimentos, associações, grupos, entidades em defesa de minorias, gêneros, etnias e categorias profissionais -, que passam a difundir propostas, a ocupar e a fazer barulho nos corredores dos Parlamentos e da administração pública.
Diz-se, com propriedade, que esta nova ordem política aproxima-se de uma meta ansiada pela sociedade contemporânea, qual seja, a democracia participativa. Mesmo que lhe faltem elementos para compor o escopo da democracia direta – como a defesa do ideal de toda a coletividade e não apenas a defesa de setores -, o fato é que os pulmões da sociedade brasileira estão recebendo uma lufada de ar fresco.
A racionalidade se expande na esteira de um processo de autonomia individual e grupal, pelo qual as decisões passam a ser iluminadas pela chama dos direitos humanos e por um acentuado sentimento de cidadania.
Sob essa nova textura, desenvolvem-se fenômenos e eventos que costuram a nova vestimenta institucional. Veja-se, por exemplo, o julgamento do mensalão. A essa altura, já é possível inferir que as decisões dos ministros da Corte Suprema determinarão mudanças no modus operandi da política.
Zelo e atenção para as regras são valores que, de imediato, se incorporam ao cotidiano dos representantes. Ganha força a tese de que nenhum político, do mais ao menos graduado, nenhum cidadão e nenhuma instituição, por mais poderosa que seja, estarão imunes aos olhos (atentos) da Justiça.
Um julgamento como o que envolve a Ação Penal 470, cuja transparência tem sido plena, tem o condão de resgatar a confiança social na justiça e contribui para jogar uma pá de cal na tese de que apenas os pobres vão para a cadeia.
O processo abrirá o debate sobre um ordenamento político estribado no dever moral. Debate que conduzirá o corpo político, também monitorado por novos pólos de poder, a promover os ajustes necessários para atender ao clamor de núcleos participativos e críticos. Sairão fortalecidos, também, as estruturas de defesa social, fiscalização, apuração e controle, que reúnem Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Advocacia Geral da União, Procuradoria Geral da União, entre outras.
O próprio edifício do Direito recebe uma argamassa de prestígio, não apenas pelas aulas magnas proferidas pelos ministros do STF, mas pela expressão de brilhantes advogados que demonstraram suas qualidades.
Nunca se viu uma ação penal ser tão dissecada e submetida a um escancarado portal midiático, a partir da própria TV Justiça, o que propiciou um exame por “juízes” de outras instâncias, como políticos e operadores do Direito de todas as frentes.
A par desse evento, de simbolismo ímpar e de impacto extraordinário sobre a área política, constatamos, com alegria cívica, uma montanha de recursos retornando aos cofres públicos. Quantos brasileiros acreditavam nessa hipótese? Meia dúzia?
Fecha-se a narrativa com o eleitorado. Em algumas praças, mostra autonomia ao contrariar previsões e desmanchar hipóteses. Em São Paulo, põe na frente da corrida um perfil apartado da clássica polarização entre grandes partidos. O que explica isso? Pequena resposta: a galera das arquibancadas também quer impor regras ao time como faz o técnico.
(Gaudêncio Torquato)
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
TRÊS GÊNIOS DO NORDESTE
HOMENAGEM A NELSON RODRIGUES, JORGE AMADO E LUIZ GONZAGA
Dideus Sales
Nelson Rodrigues, cronista,
Dramaturgo iluminado;
O genial Jorge Amado,
Fulgurante romancista;
Luiz Gonzaga, um artista
Da sanfona e da canção,
Três notáveis na invenção,
Três gigantes, três arcanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson Jorge e Gonzagão.
Três símbolos deste país
Deixaram enorme lacuna:
Amado, de Itabuna,
Do Exu, o rei Luiz,
Nelson deixou seu matiz
Na robusta produção.
Os três com certeza não
São sagrados nem profanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três corcéis soltos sem rédea
Nos campos férteis das artes,
Três cetros, três estandartes
Três estros além da média
Nelson deu alma à comédia,
Luiz criou o baião,
Jorge leu com emoção
Os sentimentos baianos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três bússolas, três timoneiros
Três videntes, três estetas
Três sonhadores poetas
Três autênticos brasileiros
Três mágicos, três feiticeiros
Três luzes na amplidão
Três sementes de emoção
Lançadas em solos planos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três cascatas, três rochedos
Três rapsodos etéreos
Três enigmas, três mistérios
Três boêmios, três aedos
Três decifráveis segredos
Três bombas numa explosão
Três invernos no sertão
Três destinos, três ciganos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três plantadores de sonhos
Três jardineiros, três lagos
Três caminheiros, três magos
Três vencedores medonhos
Três estafetas risonhos
Três aves de arribação
Três faróis na escuridão
Três naus em três oceanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três geniais nordestinos
Três astros incandescentes
Três jazidas, três torrentes
Três lentes, três paladinos
Três artistas genuínos
Três monstros da criação
Três mundos de inspiração
Três deuses, três soberanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Jorge Amado absoluto
Em seu ideal político;
Nelson Rodrigues um crítico
Controverso e muito astuto;
Luiz Gonzaga um matuto
De apurada aptidão,
Os três legaram à nação
Feitos quase sobre-humanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
CONJUNTURA NACIONAL
Lavô, o bonito
Abro a coluna com duas historinhas que tem como personagem o ex-governador do RN, Lavoisier Maia.
Lavoisier não é um tipo de beleza admirado. Mas é considerado uma figura simpática. Um grande galanteador. Quando governador do RN, era esperado para inaugurar o serviço de energia elétrica do Paraná, cidadezinha encravada no extremo oeste do Estado. Preparou-se uma grande festa. Palanque armado, povo reunido, banda de música, muita comida e bebida. O governador não aparecia. Lá pelas 23h, esgotado das andanças na região, faminto, chegou à praça central para o grande evento. Confusão para saber quem iria preceder o governador nos discursos. Depois de muita negociação, chegou-se ao consenso: a palavra seria apenas do governador Lavô, como era chamado pelo povão. Extenuado, o governador pegou o microfone e começou: "meu querido povo do Paraná". Nesse instante, um bêbado com uma garrafa de cachaça, na frente do palanque, começou a gritar para delírio geral: "é o bonito, é o bonito, é o bonito". Ali mesmo, sob uma tempestade de risos, acabava-se o comício.
O galanteador
O ex-governador, ex-senador do RN e ex-deputado Federal Lavoisier nunca perdeu a oportunidade para exibir as qualidades de galanteador. Em uma de suas viagens de Natal a Brasília, um pouco antes da decolagem do avião, pediu a um amigo, sentado atrás, que lhe emprestasse os jornais da terra. O amigo procurou se levantar para levar os jornais, mas foi demovido pela aeromoça, já que o avião estava decolando. O rapaz pediu "leve, por favor esses jornais para o governador Lavoisier". A aeromoça, levando os jornais, quis conferir a informação: "o senhor é o governador Lavoisier Maia ?". Com sua inconfundível língua enrolada, Lavoisier respondeu de pronto: "Pois não, sou deputado, mas ex-governador, ex-senador e também ex-casado, à sua disposição". (P. S. Havia se separado de Vilma Faria, também ex-governadora e ex-deputada Federal)
FHC entra na arena
O ex-presidente Fernando Henrique mantinha, até semana passada, uma postura de equidistância da guerra eleitoral. Foi agraciado pela presidente Dilma com o convite para participar, em Brasília, de um evento que reuniu ex-presidentes da República. Lembre-se que ele participara antes de um jantar, em outubro de 2011, com o grupo The Elders, reunindo a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Brundtland, a indiana Ela Bhatt e o ex-presidente americano Jimmy Carter. FHC retribuiu o gesto, expressando elogios à primeira mandatária. Mas mudou de postura nos últimos dias, ao se referir à "pesada herança" que ela herdou do governo Lula, em artigo publicado, dia 2, domingo, no Estadão. (Aliás, do lado dele, estava meu artigo sobre a corrupção). Na verdade, parecia uma resposta a todas as abordagens, feitas nos últimos anos, sobre "a herança maldita" que a era Lula atribuía ao ciclo FHC. O tucano bateu forte, mostrando os buracos abertos pela administração lulista. Apontou, como exemplo, "a desorientação da política energética".
Dilma responde
Em nota oficial, a presidente não apenas refuta o argumento de que teria recebido a "pesada herança", mas insere o seu patrocinador na galeria dos "estadistas". E acusou: "não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob ameaça de apagão". A nota foi uma candente defesa do lulismo e, claro, do seu próprio governo. A tênue linha educativa que distinguia as relações entre a atual presidente e o ex-presidente se esgarçou. Ao decidir chutar o pau da barraca do ciclo Lula, FHC entrou na guerra eleitoral. Pode ter sido movido pela intensa presença de Lula nos programas dos candidatos petistas nas capitais, a partir de SP, onde seu candidato, José Serra, entra em acentuado declínio. O fato é que a polarização entre tucanos e petistas toma lugar não apenas na vanguarda das campanhas de Serra e Haddad, mas na retaguarda, onde aparecem os ícones partidários, liderados pelos dois maiores, Lula e FHC.
Mais leitura sobre São Paulo
Adensa-se o caderno de leituras sobre a campanha de SP. Por mais que este consultor tenha feito exaustivas análises sobre os possíveis cenários, continua a enfrentar a questão: quem vai para o segundo turno? Para esta instigante dúvida, a bola de cristal recusa-se a dar respostas fechadas. Mas aponta algumas hipóteses: 1) Russomanno consolida sua posição; 2) Serra, caindo mais, abre espaço para o ingresso de Fernando Haddad no segundo turno; 3) É provável um "embolamento" de candidatos ao redor do patamar de 20% a 25%.
Segundo turno
No segundo turno, as dificuldades seriam bem maiores para José Serra. Que veria contra ele a integração dos outros candidatos de maior expressão eleitoral. Russomanno seria, até, mais mortal para Serra que Fernando Haddad. Contra este, poderia desaguar uma onda crescente anti-petista. Serra, para sobreviver à maré vazante, teria de resgatar na cachola dos eleitores a credibilidade perdida. Persiste a versão de que, eleito, não ficaria até o final do mandato. Ademais, a impressão que passa é que, em 2012, Serra faz a mesma campanha de 2004.
Efeito televisivo
Haddad já consegue se firmar como candidato de Lula. Faz, também, uma campanha moderna, de efeitos tecnológicos de impacto na TV. Chalita aparece bem na TV, com imagens limpas, discurso claro e tentando quebrar a polarização. Poderá subir bastante. Serra usa a velha morfologia. Campanha previsível. Russomanno tem um programa de TV muito pobre de ideias e propostas. Que procura disfarçar com a embalagem do povo. Está sempre ao lado de gente, conversando, ouvindo, fazendo-se de xerife. Soninha é poesia e utopia. Paulinho tem melhor desempenho que em campanhas passadas. Passa franqueza. Mas circula em um corredor de restrições. Os restantes são pequenos traços expressivos. Recheados de exclamações radicais.
PT em tom menor
Nesse momento, o cenário eleitoral aponta para um refluxo do PT no Nordeste na esteira do adensamento do PSB, a partir da provável derrota do senador Humberto Costa, em Recife, e consequente vitória de Geraldo Julio, candidato do governador Eduardo Campos. A propósito, Geraldo já passou Costa: 33% contra 25%. Mas se o PT ganhar em SP, recupera com juros e correção monetária todas as eventuais perdas que, por acaso, registrou na trajetória eleitoral de 2012. Uma vitória em SP seria o sonho dos sonhos petistas. Consolidaria a posição do partido na maior praça eleitoral do país, abrindo horizontes promissores para a disputa do governo do Estado e reeleição da presidente Dilma.
Os primeiros candidatos
Se Fernando Haddad vencer na capital paulista, abre-se a fila de pretendentes ao governo do Estado, em 2014, com os nomes de Aloysio Mercadante e Marta Suplicy. Mas o ícone do partido, Luiz Inácio, dependendo das circunstâncias do momento (economia, saúde pessoal), poderá ser o coringa do baralho. Difícil acreditar nessa hipótese. Mas tudo é possível em política. Se a economia cair no despenhadeiro, Lula serviria de contraponto e sairia puxando a emoção das massas. Caso contrário, continuará a ser o "conselheiro-mor" de Dilma e dos petistas que entrarão na moldura dos candidatos.
Manu em Porto Alegre
Manuela D'Ávila (PC do B) abre os horizontes de amplas possibilidades. Porto Alegre abre caminho para ser administrada pela disposição e jovialidade desta candidata.
Cenas do passado
Corre na rede um vídeo sobre Celso Russomanno quando fazia cobertura de carnaval. Trata-se de campanha negativa contra o candidato. Outro tempo, outro contexto, outras motivações.
Assistência social
O que é mais assistência social? Tirar um jovem das ruas e do mundo das drogas, incentivando-o com uma bolsa de estudos, com a qual poderá ajudar a família, ou incentivar meninas nordestinas a terem filhos e, assim, poderem ganhar a Bolsa Maternidade? No Nordeste, milhares de moças recebem o adjutório paternalista do governo. Recusam-se a trabalhar porque não querem ter carteira assinada. Temem perder a bolsa maternidade. Essa mentalidade é incentivada pela área social do governo Dilma. Lamentável esse conceito de assistência social. Que ameaça perpetuar o paternalismo assistencialista/caduco/dinossaurico do Estado brasileiro.
Devoluções
O Grupo do ex-senador Luiz Estevão fez acordo para devolver aos cofres da União R$ 468 milhões. Que teriam entrado ilegalmente em suas contas. Agora é a vez do ex-juiz Lalau. A AGU confirma que o Brasil recuperou, por meio do Tribunal Federal da Suíça, US$ 6,8 milhões que estavam bloqueados no país desde 1999, na conta bancária do ex-juiz. As coisas começam a tomar um novo rumo.
A economia sob controle
Quem apostava na economia desembestada, neste segundo semestre, pode ter de mudar suas expectativas. Tudo indica que continuará sob cabresto curto. Os controles estão afiados. Os pacotes de motivação continuarão a ser abertos. Para os próximos meses, os efeitos defasados de política monetária, a continuidade dos estímulos fiscais/tributários e o programa de investimento em transporte e logística, recentemente anunciado pelo governo Federal, devem intensificar o processo de retomada já em curso da atividade industrial. O monitoramento da inflação terá lupa mais precisa. Significa que o governismo dará o tom geral das eleições, deixando as oposições com perspectivas de vitória apenas nos espaços onde os governantes estaduais oposicionistas forem bem avaliados. Por governismo, leia-se: o conjunto de partidos que formam a base política do governo Dilma.
A indústria da guerra
Pequena observação à margem da campanha eleitoral nos Estados Unidos. Mitt Romney arrecada o dobro de Barack Obama. Ele passou a ser a bola da vez em matéria de novidade. Ele entrou na faixa dos já vistos e conhecidos. O republicano ressuscita o império da guerra. As grandes corporações despejam milhões de dólares em sua campanha. Voltam a ter esperança de produzir arsenais de guerra. E a faturar em cima do espectro dos conflitos do mundo contemporâneo.
Oração de Brian I
Discurso de Brian Dyson, ex-presidente da Coca Cola, ao deixar o cargo.
"Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar. Estas são: Trabalho - Família - Saúde - Amigos e Vida Espiritual. Você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la, ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas - Família, Saúde, Amigos e Espírito - são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente quebrada, marcada, com arranhões, destroçadas, vale dizer, nunca mais será a mesma. Entenda isto: aprecie e se esforce para conseguir cuidar do valor mais valioso. Trabalhe eficientemente no horário regular do escritório e deixe o trabalho no horário. Gaste o tempo requerido à sua família e aos seus amigos. Faça exercício, coma e descanse adequadamente. E, sobretudo... Cresça na sua vida interior, na parte espiritual, a coisa mais transcendental, porque é eterna".
Oração de Brian II
"Shakespeare dizia: 'Sempre me sinto feliz, sabes por quê? Porque não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói'. Os problemas não são eternos, sempre têm solução. O único que não se resolve é a morte. A vida é curta, por isso, ame-a!". Viva intensamente e recorde: Antes de falar... Escute! Antes de escrever... Pense! Antes de criticar... Examine! Antes de ferir... Sinta! Antes de orar... Perdoe! Antes de gastar... Ganhe! Antes de se render... Tente de novo! Antes de morrer... Viva!".
Vagas especiais
SP lidera a vanguarda em algumas frentes da cidadania. Um exemplo pode ser apontado nos espaços destinados ao estacionamento de pessoas portadoras de necessidades especiais e idosos. Mas, nos últimos tempos, observa-se relaxamento da fiscalização. Nas ruas e em estacionamentos de shopping centers, as vagas especiais estão sendo ocupadas por automóveis sem as devidas identificações, incluindo os cartões especiais emitidos pelo DETRAN. A cidadania exige respeito à legislação. Cobra-se fiscalização rigorosa dos órgãos responsáveis.
Conselho a presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos partidos. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:
1. A Corte Suprema do país é o espaço sagrado que deve abrigar os mais preparados e renomados nomes do saber jurídico nacional.
2. Essa razão, por si só, justifica que os perfis designados para compor o alto colegiado devem reunir os valores morais e éticos e a bagagem de conhecimentos que conferirão credibilidade, respeito e grandeza ao STF.
3. Vossa Excelência, do alto de sua imensa responsabilidade, saberá escolher, dentre a plêiade de nomes, aqueles que reúnem as melhores condições para substituir os ministros que, compulsoriamente, deixam a Corte, ministro Cezar Peluso (que já saiu) e Ayres Britto (ao final do ano).
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(Gaudêncio Torquato)
Abro a coluna com duas historinhas que tem como personagem o ex-governador do RN, Lavoisier Maia.
Lavoisier não é um tipo de beleza admirado. Mas é considerado uma figura simpática. Um grande galanteador. Quando governador do RN, era esperado para inaugurar o serviço de energia elétrica do Paraná, cidadezinha encravada no extremo oeste do Estado. Preparou-se uma grande festa. Palanque armado, povo reunido, banda de música, muita comida e bebida. O governador não aparecia. Lá pelas 23h, esgotado das andanças na região, faminto, chegou à praça central para o grande evento. Confusão para saber quem iria preceder o governador nos discursos. Depois de muita negociação, chegou-se ao consenso: a palavra seria apenas do governador Lavô, como era chamado pelo povão. Extenuado, o governador pegou o microfone e começou: "meu querido povo do Paraná". Nesse instante, um bêbado com uma garrafa de cachaça, na frente do palanque, começou a gritar para delírio geral: "é o bonito, é o bonito, é o bonito". Ali mesmo, sob uma tempestade de risos, acabava-se o comício.
O galanteador
O ex-governador, ex-senador do RN e ex-deputado Federal Lavoisier nunca perdeu a oportunidade para exibir as qualidades de galanteador. Em uma de suas viagens de Natal a Brasília, um pouco antes da decolagem do avião, pediu a um amigo, sentado atrás, que lhe emprestasse os jornais da terra. O amigo procurou se levantar para levar os jornais, mas foi demovido pela aeromoça, já que o avião estava decolando. O rapaz pediu "leve, por favor esses jornais para o governador Lavoisier". A aeromoça, levando os jornais, quis conferir a informação: "o senhor é o governador Lavoisier Maia ?". Com sua inconfundível língua enrolada, Lavoisier respondeu de pronto: "Pois não, sou deputado, mas ex-governador, ex-senador e também ex-casado, à sua disposição". (P. S. Havia se separado de Vilma Faria, também ex-governadora e ex-deputada Federal)
FHC entra na arena
O ex-presidente Fernando Henrique mantinha, até semana passada, uma postura de equidistância da guerra eleitoral. Foi agraciado pela presidente Dilma com o convite para participar, em Brasília, de um evento que reuniu ex-presidentes da República. Lembre-se que ele participara antes de um jantar, em outubro de 2011, com o grupo The Elders, reunindo a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Brundtland, a indiana Ela Bhatt e o ex-presidente americano Jimmy Carter. FHC retribuiu o gesto, expressando elogios à primeira mandatária. Mas mudou de postura nos últimos dias, ao se referir à "pesada herança" que ela herdou do governo Lula, em artigo publicado, dia 2, domingo, no Estadão. (Aliás, do lado dele, estava meu artigo sobre a corrupção). Na verdade, parecia uma resposta a todas as abordagens, feitas nos últimos anos, sobre "a herança maldita" que a era Lula atribuía ao ciclo FHC. O tucano bateu forte, mostrando os buracos abertos pela administração lulista. Apontou, como exemplo, "a desorientação da política energética".
Dilma responde
Em nota oficial, a presidente não apenas refuta o argumento de que teria recebido a "pesada herança", mas insere o seu patrocinador na galeria dos "estadistas". E acusou: "não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob ameaça de apagão". A nota foi uma candente defesa do lulismo e, claro, do seu próprio governo. A tênue linha educativa que distinguia as relações entre a atual presidente e o ex-presidente se esgarçou. Ao decidir chutar o pau da barraca do ciclo Lula, FHC entrou na guerra eleitoral. Pode ter sido movido pela intensa presença de Lula nos programas dos candidatos petistas nas capitais, a partir de SP, onde seu candidato, José Serra, entra em acentuado declínio. O fato é que a polarização entre tucanos e petistas toma lugar não apenas na vanguarda das campanhas de Serra e Haddad, mas na retaguarda, onde aparecem os ícones partidários, liderados pelos dois maiores, Lula e FHC.
Mais leitura sobre São Paulo
Adensa-se o caderno de leituras sobre a campanha de SP. Por mais que este consultor tenha feito exaustivas análises sobre os possíveis cenários, continua a enfrentar a questão: quem vai para o segundo turno? Para esta instigante dúvida, a bola de cristal recusa-se a dar respostas fechadas. Mas aponta algumas hipóteses: 1) Russomanno consolida sua posição; 2) Serra, caindo mais, abre espaço para o ingresso de Fernando Haddad no segundo turno; 3) É provável um "embolamento" de candidatos ao redor do patamar de 20% a 25%.
Segundo turno
No segundo turno, as dificuldades seriam bem maiores para José Serra. Que veria contra ele a integração dos outros candidatos de maior expressão eleitoral. Russomanno seria, até, mais mortal para Serra que Fernando Haddad. Contra este, poderia desaguar uma onda crescente anti-petista. Serra, para sobreviver à maré vazante, teria de resgatar na cachola dos eleitores a credibilidade perdida. Persiste a versão de que, eleito, não ficaria até o final do mandato. Ademais, a impressão que passa é que, em 2012, Serra faz a mesma campanha de 2004.
Efeito televisivo
Haddad já consegue se firmar como candidato de Lula. Faz, também, uma campanha moderna, de efeitos tecnológicos de impacto na TV. Chalita aparece bem na TV, com imagens limpas, discurso claro e tentando quebrar a polarização. Poderá subir bastante. Serra usa a velha morfologia. Campanha previsível. Russomanno tem um programa de TV muito pobre de ideias e propostas. Que procura disfarçar com a embalagem do povo. Está sempre ao lado de gente, conversando, ouvindo, fazendo-se de xerife. Soninha é poesia e utopia. Paulinho tem melhor desempenho que em campanhas passadas. Passa franqueza. Mas circula em um corredor de restrições. Os restantes são pequenos traços expressivos. Recheados de exclamações radicais.
PT em tom menor
Nesse momento, o cenário eleitoral aponta para um refluxo do PT no Nordeste na esteira do adensamento do PSB, a partir da provável derrota do senador Humberto Costa, em Recife, e consequente vitória de Geraldo Julio, candidato do governador Eduardo Campos. A propósito, Geraldo já passou Costa: 33% contra 25%. Mas se o PT ganhar em SP, recupera com juros e correção monetária todas as eventuais perdas que, por acaso, registrou na trajetória eleitoral de 2012. Uma vitória em SP seria o sonho dos sonhos petistas. Consolidaria a posição do partido na maior praça eleitoral do país, abrindo horizontes promissores para a disputa do governo do Estado e reeleição da presidente Dilma.
Os primeiros candidatos
Se Fernando Haddad vencer na capital paulista, abre-se a fila de pretendentes ao governo do Estado, em 2014, com os nomes de Aloysio Mercadante e Marta Suplicy. Mas o ícone do partido, Luiz Inácio, dependendo das circunstâncias do momento (economia, saúde pessoal), poderá ser o coringa do baralho. Difícil acreditar nessa hipótese. Mas tudo é possível em política. Se a economia cair no despenhadeiro, Lula serviria de contraponto e sairia puxando a emoção das massas. Caso contrário, continuará a ser o "conselheiro-mor" de Dilma e dos petistas que entrarão na moldura dos candidatos.
Manu em Porto Alegre
Manuela D'Ávila (PC do B) abre os horizontes de amplas possibilidades. Porto Alegre abre caminho para ser administrada pela disposição e jovialidade desta candidata.
Cenas do passado
Corre na rede um vídeo sobre Celso Russomanno quando fazia cobertura de carnaval. Trata-se de campanha negativa contra o candidato. Outro tempo, outro contexto, outras motivações.
Assistência social
O que é mais assistência social? Tirar um jovem das ruas e do mundo das drogas, incentivando-o com uma bolsa de estudos, com a qual poderá ajudar a família, ou incentivar meninas nordestinas a terem filhos e, assim, poderem ganhar a Bolsa Maternidade? No Nordeste, milhares de moças recebem o adjutório paternalista do governo. Recusam-se a trabalhar porque não querem ter carteira assinada. Temem perder a bolsa maternidade. Essa mentalidade é incentivada pela área social do governo Dilma. Lamentável esse conceito de assistência social. Que ameaça perpetuar o paternalismo assistencialista/caduco/dinossaurico do Estado brasileiro.
Devoluções
O Grupo do ex-senador Luiz Estevão fez acordo para devolver aos cofres da União R$ 468 milhões. Que teriam entrado ilegalmente em suas contas. Agora é a vez do ex-juiz Lalau. A AGU confirma que o Brasil recuperou, por meio do Tribunal Federal da Suíça, US$ 6,8 milhões que estavam bloqueados no país desde 1999, na conta bancária do ex-juiz. As coisas começam a tomar um novo rumo.
A economia sob controle
Quem apostava na economia desembestada, neste segundo semestre, pode ter de mudar suas expectativas. Tudo indica que continuará sob cabresto curto. Os controles estão afiados. Os pacotes de motivação continuarão a ser abertos. Para os próximos meses, os efeitos defasados de política monetária, a continuidade dos estímulos fiscais/tributários e o programa de investimento em transporte e logística, recentemente anunciado pelo governo Federal, devem intensificar o processo de retomada já em curso da atividade industrial. O monitoramento da inflação terá lupa mais precisa. Significa que o governismo dará o tom geral das eleições, deixando as oposições com perspectivas de vitória apenas nos espaços onde os governantes estaduais oposicionistas forem bem avaliados. Por governismo, leia-se: o conjunto de partidos que formam a base política do governo Dilma.
A indústria da guerra
Pequena observação à margem da campanha eleitoral nos Estados Unidos. Mitt Romney arrecada o dobro de Barack Obama. Ele passou a ser a bola da vez em matéria de novidade. Ele entrou na faixa dos já vistos e conhecidos. O republicano ressuscita o império da guerra. As grandes corporações despejam milhões de dólares em sua campanha. Voltam a ter esperança de produzir arsenais de guerra. E a faturar em cima do espectro dos conflitos do mundo contemporâneo.
Oração de Brian I
Discurso de Brian Dyson, ex-presidente da Coca Cola, ao deixar o cargo.
"Imagine a vida como um jogo em que você esteja fazendo malabarismos com cinco bolas no ar. Estas são: Trabalho - Família - Saúde - Amigos e Vida Espiritual. Você terá de mantê-las todas no ar. Logo você vai perceber que o Trabalho é como uma bola de borracha. Se soltá-la, ela rebate e volta. Mas as outras quatro bolas - Família, Saúde, Amigos e Espírito - são frágeis como vidros. Se você soltar qualquer uma destas, ela ficará irremediavelmente quebrada, marcada, com arranhões, destroçadas, vale dizer, nunca mais será a mesma. Entenda isto: aprecie e se esforce para conseguir cuidar do valor mais valioso. Trabalhe eficientemente no horário regular do escritório e deixe o trabalho no horário. Gaste o tempo requerido à sua família e aos seus amigos. Faça exercício, coma e descanse adequadamente. E, sobretudo... Cresça na sua vida interior, na parte espiritual, a coisa mais transcendental, porque é eterna".
Oração de Brian II
"Shakespeare dizia: 'Sempre me sinto feliz, sabes por quê? Porque não espero nada de ninguém. Esperar sempre dói'. Os problemas não são eternos, sempre têm solução. O único que não se resolve é a morte. A vida é curta, por isso, ame-a!". Viva intensamente e recorde: Antes de falar... Escute! Antes de escrever... Pense! Antes de criticar... Examine! Antes de ferir... Sinta! Antes de orar... Perdoe! Antes de gastar... Ganhe! Antes de se render... Tente de novo! Antes de morrer... Viva!".
Vagas especiais
SP lidera a vanguarda em algumas frentes da cidadania. Um exemplo pode ser apontado nos espaços destinados ao estacionamento de pessoas portadoras de necessidades especiais e idosos. Mas, nos últimos tempos, observa-se relaxamento da fiscalização. Nas ruas e em estacionamentos de shopping centers, as vagas especiais estão sendo ocupadas por automóveis sem as devidas identificações, incluindo os cartões especiais emitidos pelo DETRAN. A cidadania exige respeito à legislação. Cobra-se fiscalização rigorosa dos órgãos responsáveis.
Conselho a presidente Dilma
Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos partidos. Hoje, sua atenção se volta à presidente Dilma Rousseff:
1. A Corte Suprema do país é o espaço sagrado que deve abrigar os mais preparados e renomados nomes do saber jurídico nacional.
2. Essa razão, por si só, justifica que os perfis designados para compor o alto colegiado devem reunir os valores morais e éticos e a bagagem de conhecimentos que conferirão credibilidade, respeito e grandeza ao STF.
3. Vossa Excelência, do alto de sua imensa responsabilidade, saberá escolher, dentre a plêiade de nomes, aqueles que reúnem as melhores condições para substituir os ministros que, compulsoriamente, deixam a Corte, ministro Cezar Peluso (que já saiu) e Ayres Britto (ao final do ano).
____________
(Gaudêncio Torquato)
terça-feira, 4 de setembro de 2012
OBSERVATÓRIO
Jean Jacques Rousseau ensinou que “a juventude é a época de se estudar a sabedoria; a velhice é a época de a praticar”. O filósofo Sêneca consignou: “Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres”. Semana passada o Brasil assistiu o juiz Cesar Peluso, obrigado a se aposentar em virtude da idade, anunciar: <b>“Nenhum juiz condena ninguém por ódio. Magistrado condena em primeiro por uma exigência de justiça. Em segundo, porque reverencia a lei, que é a salvaguarda da própria sociedade. É com amor e em respeito aos próprios réus, que a condenação é um chamado para que se reconciliem com a sociedade”. Desta forma, e com a voz embargada, Peluso proferiu seu último voto no STF. Após sua fala, ele se emocionou e foi homenageado no plenário. Os discursos eram de elogios à maturidade.
VELHOS TRONCOS
Os mais vividos, aqueles a quem a vida beneficiou com uma bagagem maior de astres e desastres, têm sido pouco reconhecidos. Ou melhor, na proporção em que merecem. Cresci vendo homens que construíram belíssimos acervos – seja material, seja moral. Em Crateús, o senhor João Freire, do exíguo espaço de sua barbearia, erigiu um invisível obelisco de respeito e admiração. No dia 18 de agosto deste 2012, abriu as portas do seu lar para receber os amigos e celebrar noventa anos de existência. Parabéns para ele!
VELHOS TRONCOS II
Também como um velho tronco, da árvore genealógica dos Sales, era o médico e empresário Francisco Sales de Macedo. Faleceu no último dia 31 de agosto de 2012. Em sociedade com José Fernandes da Silva, que também já partiu para outra dimensão, fundou o maior equipamento médico-hospitalar privado da região.
A CAMPANHA
No inicio do mês passado anotamos que a campanha política em Crateús estava morna, modorrenta, maçante. O clima agora está diferente. Começou a esquentar. Uma pesquisa, legalmente registrada, indicou que Carlos Felipe lidera com 51%, seguido de Ivan com 31%. Os demais (Maçaroca, Adriana Calaça e Eduardo Machado) ainda não atingiram a marca de dois dígitos. Surge, então, a pergunta: a eleição está ganha para Carlos Felipe? A resposta: Não! A pesquisa é o retrato do momento em que foi realizada. Para fazer uma avaliação mais precisa, há que se fazer o cotejamento dessa pesquisa com outras – anteriores e posteriores. Assim que se passaram as convenções circulou oficiosamente uma pesquisa em que Felipe exibia uma diferença bem maior. A partir da próxima pesquisa – quando se realizar a comparação com esta última – é que se poderá traçar um indicativo mais abalizado.
TENDÊNCIA
Por exemplo: se na próxima pesquisa ficar confirmada a tendência de queda de Felipe e subida de Ivan, há uma forte indicação de que os dois caminham para uma polarização acirrada, cujo desdobramento é imprevisível. O pior cenário para quem está na frente é perder pontos; em sentido contrário, é por demais otimista a situação de quem está atrás e crescendo. Vejamos as últimas eleições. O exemplo mais eloquente foi o de Tasso Jereissati, que partiu na frente, com larguíssima folga. Todos o diziam eleito. Na reta final, caiu e foi ultrapassado por Eunicio e Pimentel. Portanto, ninguém pode cantar vitória neste momento. Mesmo sem estarmos no inverno há muita água para rolar por debaixo da ponte da Ilha.
COMÍCIOS
Por falar em Ilha, o bairro Cidade Nova foi o escolhido para o primeiro grande comício de Ivan e Antonio Luiz, sábado passado. A divulgação de um vídeo revelando o uso da máquina por um secretário para fins ilícitos agitou a multidão. No mesmo horário, na sede do distrito de Curral Velho, Felipe e Mauro realizavam também uma grande concentração.
IMPUGNAÇÕES
O TRE julgou os recursos às impugnações das candidaturas de Carlos Felipe, Lourenço Torres e Eudes Oliveira. Os dois primeiros tiveram os registros deferidos; o último, foi definitivamente indeferido. Em relação a Carlos Felipe pesam sérias denúncias a respeito de má gestão de recursos públicos. Porém, como ainda não existe condenação definitiva, teve a candidatura liberada. Deve ficar alerta quanto ao futuro. Lourenço Torres teve a candidatura impugnada por ter contas desaprovadas no TCM. Porém, conseguiu demonstrar que as irregularidades apontadas no Acórdão eram sanáveis. (Em verdade, não existem provas de que Lourenço seja desonesto. Merece ser candidato). O caso de Eudes Oliveira difere dos demais. Não se trata de contas públicas. Diz respeito a uma questão de natureza judicial, cujo processo já transitou em julgado desde 2011. Porém, como os efeitos perduram para o futuro, acabaram alcançando-o neste momento.
PARA REFLETIR
“A velhice é um estado de repouso e de liberdade no que respeita aos sentidos. Quando a violência das paixões se relaxa e o seu ardor arrefece, ficamos libertos de uma multidão de furiosos tiranos.” (Platão)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
VELHOS TRONCOS
Os mais vividos, aqueles a quem a vida beneficiou com uma bagagem maior de astres e desastres, têm sido pouco reconhecidos. Ou melhor, na proporção em que merecem. Cresci vendo homens que construíram belíssimos acervos – seja material, seja moral. Em Crateús, o senhor João Freire, do exíguo espaço de sua barbearia, erigiu um invisível obelisco de respeito e admiração. No dia 18 de agosto deste 2012, abriu as portas do seu lar para receber os amigos e celebrar noventa anos de existência. Parabéns para ele!
VELHOS TRONCOS II
Também como um velho tronco, da árvore genealógica dos Sales, era o médico e empresário Francisco Sales de Macedo. Faleceu no último dia 31 de agosto de 2012. Em sociedade com José Fernandes da Silva, que também já partiu para outra dimensão, fundou o maior equipamento médico-hospitalar privado da região.
A CAMPANHA
No inicio do mês passado anotamos que a campanha política em Crateús estava morna, modorrenta, maçante. O clima agora está diferente. Começou a esquentar. Uma pesquisa, legalmente registrada, indicou que Carlos Felipe lidera com 51%, seguido de Ivan com 31%. Os demais (Maçaroca, Adriana Calaça e Eduardo Machado) ainda não atingiram a marca de dois dígitos. Surge, então, a pergunta: a eleição está ganha para Carlos Felipe? A resposta: Não! A pesquisa é o retrato do momento em que foi realizada. Para fazer uma avaliação mais precisa, há que se fazer o cotejamento dessa pesquisa com outras – anteriores e posteriores. Assim que se passaram as convenções circulou oficiosamente uma pesquisa em que Felipe exibia uma diferença bem maior. A partir da próxima pesquisa – quando se realizar a comparação com esta última – é que se poderá traçar um indicativo mais abalizado.
TENDÊNCIA
Por exemplo: se na próxima pesquisa ficar confirmada a tendência de queda de Felipe e subida de Ivan, há uma forte indicação de que os dois caminham para uma polarização acirrada, cujo desdobramento é imprevisível. O pior cenário para quem está na frente é perder pontos; em sentido contrário, é por demais otimista a situação de quem está atrás e crescendo. Vejamos as últimas eleições. O exemplo mais eloquente foi o de Tasso Jereissati, que partiu na frente, com larguíssima folga. Todos o diziam eleito. Na reta final, caiu e foi ultrapassado por Eunicio e Pimentel. Portanto, ninguém pode cantar vitória neste momento. Mesmo sem estarmos no inverno há muita água para rolar por debaixo da ponte da Ilha.
COMÍCIOS
Por falar em Ilha, o bairro Cidade Nova foi o escolhido para o primeiro grande comício de Ivan e Antonio Luiz, sábado passado. A divulgação de um vídeo revelando o uso da máquina por um secretário para fins ilícitos agitou a multidão. No mesmo horário, na sede do distrito de Curral Velho, Felipe e Mauro realizavam também uma grande concentração.
IMPUGNAÇÕES
O TRE julgou os recursos às impugnações das candidaturas de Carlos Felipe, Lourenço Torres e Eudes Oliveira. Os dois primeiros tiveram os registros deferidos; o último, foi definitivamente indeferido. Em relação a Carlos Felipe pesam sérias denúncias a respeito de má gestão de recursos públicos. Porém, como ainda não existe condenação definitiva, teve a candidatura liberada. Deve ficar alerta quanto ao futuro. Lourenço Torres teve a candidatura impugnada por ter contas desaprovadas no TCM. Porém, conseguiu demonstrar que as irregularidades apontadas no Acórdão eram sanáveis. (Em verdade, não existem provas de que Lourenço seja desonesto. Merece ser candidato). O caso de Eudes Oliveira difere dos demais. Não se trata de contas públicas. Diz respeito a uma questão de natureza judicial, cujo processo já transitou em julgado desde 2011. Porém, como os efeitos perduram para o futuro, acabaram alcançando-o neste momento.
PARA REFLETIR
“A velhice é um estado de repouso e de liberdade no que respeita aos sentidos. Quando a violência das paixões se relaxa e o seu ardor arrefece, ficamos libertos de uma multidão de furiosos tiranos.” (Platão)
(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
MINISTRO CESAR ASFOR SE APOSENTA
Depois de 20 anos, 3 meses e 19 dias, o ministro Cesar Asfor Rocha deixa o STJ e voltará para a advocacia.
Durante as duas décadas na Corte, o ministro foi membro da Comissão de Jurisprudência do Tribunal, membro do Conselho de Administração, membro da Comissão de Documentação, presidente da Comissão de Coordenação, presidente da Comissão de Regimento Interno, membro da 1ª seção por dois anos, membro da 1ª turma por dois anos, presidente e membro da 2ª seção por treze anos, presidente e membro da 4ª turma por treze anos, diretor da revista do STJ, vice-presidente, presidente em exercício de 22/7 a 3/9/08 e presidente, de 3/9/08 a 3/9/10.
Sob o seu comando, o STJ entrou definitivamente na era digital, consolidou os recursos repetitivos, disponibilizou novos serviços e incrementou a integração com organismos internacionais.
Como relator, decidiu, de maio de 1992 até maio deste ano, mais de 146 mil processos, dos quais 140 mil apenas no STJ. No TSE, seus julgados foram 4 mil processos, e no CNJ, mais 2.795. Como vogal, participou do julgamento de mais de 600 mil processos.
Na ocasião de 20 anos de STJ, Migalhas lançou uma coleção de livros de autoria do ministro, composta de quatro títulos, em seis volumes.
Sobre o ministro
Nascido em 5 de fevereiro de 1948, em Fortaleza/CE, o filho de filho de Alcimor Aguiar Rocha e Síria Maria Asfor Rocha bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará no ano de 1971. É mestre em Direito Público pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará e possui dois títulos de doutor honoris causa, um outorgado pela Universidade Federal do Ceará e outro pela Universidade de Fortaleza.
Francisco Cesar Asfor Rocha foi o único ministro da história do STJ que ocupou todos os cargos destinados aos membros do Tribunal e, dos 87 ministros e nove desembargadores convocados que integraram o STJ em toda sua história, Asfor Rocha só não trabalhou com sete.
(do site Migalhas)
Durante as duas décadas na Corte, o ministro foi membro da Comissão de Jurisprudência do Tribunal, membro do Conselho de Administração, membro da Comissão de Documentação, presidente da Comissão de Coordenação, presidente da Comissão de Regimento Interno, membro da 1ª seção por dois anos, membro da 1ª turma por dois anos, presidente e membro da 2ª seção por treze anos, presidente e membro da 4ª turma por treze anos, diretor da revista do STJ, vice-presidente, presidente em exercício de 22/7 a 3/9/08 e presidente, de 3/9/08 a 3/9/10.
Sob o seu comando, o STJ entrou definitivamente na era digital, consolidou os recursos repetitivos, disponibilizou novos serviços e incrementou a integração com organismos internacionais.
Como relator, decidiu, de maio de 1992 até maio deste ano, mais de 146 mil processos, dos quais 140 mil apenas no STJ. No TSE, seus julgados foram 4 mil processos, e no CNJ, mais 2.795. Como vogal, participou do julgamento de mais de 600 mil processos.
Na ocasião de 20 anos de STJ, Migalhas lançou uma coleção de livros de autoria do ministro, composta de quatro títulos, em seis volumes.
Sobre o ministro
Nascido em 5 de fevereiro de 1948, em Fortaleza/CE, o filho de filho de Alcimor Aguiar Rocha e Síria Maria Asfor Rocha bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará no ano de 1971. É mestre em Direito Público pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará e possui dois títulos de doutor honoris causa, um outorgado pela Universidade Federal do Ceará e outro pela Universidade de Fortaleza.
Francisco Cesar Asfor Rocha foi o único ministro da história do STJ que ocupou todos os cargos destinados aos membros do Tribunal e, dos 87 ministros e nove desembargadores convocados que integraram o STJ em toda sua história, Asfor Rocha só não trabalhou com sete.
(do site Migalhas)
domingo, 2 de setembro de 2012
O CUSTOSO LEGISLATIVO MUNICIPAL
A democracia custa caro. A conhecida sentença, sempre pinçada para explicar o elevado e crescente custo das instituições democráticas, nunca foi tão procedente quanto neste ciclo eleitoral que estamos vivenciando. Os custos do espetáculo democrático, que entrou na fase da programação eleitoral na mídia, baterão um recorde, ultrapassando limites de gastos de campanhas anteriores, fato que se ampara na decisão dos comitês partidários de nivelar por cima as planilhas financeiras como artifício para estreitar os subterrâneos do chamado caixa 2. Pelas contas do Tribunal Superior Eleitoral, os gastos de 194 candidatos a prefeito nas 26 capitais chegarão a R$ 1,26 bilhão.
Ao lado da expansão dos cofres eleitorais, vale destacar a forte participação de figurantes na disputa para a representação legislativa. O número de candidatos a vereador registra um aumento de 87 mil em relação a 2008, chegando aos 435,8 mil. Em razão de mudança constitucional, em 2009, o Congresso Nacional ampliou o número de cadeiras nas Câmaras Municipais e este ano serão eleitos mais 5.405 vereadores, o que explica em parte o incremento de candidaturas.
A motivação para ingresso na política, convenhamos, é um fenômeno que deve ser comemorado. Afinal, o melhor oxigênio para renovar os pulmões da política é o que entra pelos poros dos Legislativos municipais, no entendimento de que a democracia representativa assenta neles a sua base. Mas o desejo cívico de representar parcelas da população explica, por si só, o aumento do número de candidatos a vereador?
A resposta implica, inicialmente, saber o que faz um vereador. Sob sua responsabilidade se abrigam as tarefas de fazer leis em defesa da comunidade, acompanhar e fiscalizar os atos e decisões do Poder Executivo municipal. Tal atividade exige pleno conhecimento das demandas comunitárias e monitoramento dos atos do prefeito. Mas a realidade tem feito do vereador um despachante da população ou, no caso das grandes cidades, dos moradores de bairros e regiões. É ele que ajuda o eleitorado a ter acesso aos serviços públicos. Ressalte-se o caráter de servir à polis, ideal cívico que Aristóteles identificava nos cidadãos. A primeira imagem da política é, portanto, a simbolizada pela praça central de Atenas, a Ágora, onde os senadores da Antiguidade se reuniam com o povo para ouvir demandas e clamores. Os desvios no caminho da política ocorreram e se multiplicaram, ao longo da História das nações, no embate entre valores da vida pública e conveniências da vida privada. A imbricação de interesses de uns e outros acabou por afastar o DNA da política do berço original e semear o vírus da corrupção na teia construída pelos Estados.
De missão a política virou profissão. Os políticos tornaram-se profissionais. Foi assim que a representação popular passou a ser um negócio vantajoso. A democracia como o governo do povo, pelo povo e para o povo, como ensinava Abraham Lincoln, abriu espaço para o aditivo "e o governo para mim, também". Dando cobertura à nova ordem, armou-se um novo triângulo do poder, constituído pela burocracia estatal (administradores públicos), pela representação popular (mandatários) e por grupos de negócios (empresas e grupos privados). O processo decisório passou a ganhar uma taxa de compartilhamento.
A complexidade da vida moderna, as crescentes demandas de comunidades comprimidas nos espaços urbanos, a superposição da coisa privada à res publica, na esteira do definhamento dos mecanismos clássicos da democracia, ajudaram a plasmar o novo território da política. Que no Brasil floresce de maneira avassaladora graças ao fertilizante patrimonialista, abundante entre nós.
Sob essas curvas entramos nos plenários e corredores da representação legislativa municipal. O mandato de vereador passou a ser um negócio que custa, hoje, R$ 10 bilhões anuais ao País. Ao Rio de Janeiro, por exemplo, quase R$ 8 milhões e a Natal, mais de R$ 2,2 milhões por ano. Nessas duas capitais os salários de vereador batem no teto, ou seja, mais de R$ 15 mil, o máximo permitido pela emenda constitucional que autoriza um salário de até 75% do auferido pelos deputados estaduais.
Como se pode aduzir, mais que legislar e fiscalizar em prol da causa coletiva, muitos detentores de mandato começaram a enxergar a política como escada de ascensão pessoal. Pior, agora, é constatar o desfile de caras, bocas, vestes e gestos dos nossos futuros e legítimos representantes nos Legislativos. A amostra que vimos em São Paulo (metrópole desenvolvida) na última semana é de causar arrepios. Imaginem os desfiles canhestros em plagas atrasadas...
A dúvida assoma: como essas pessoas nos vão representar? Muitos clonam suas aparições na performance de Sua Excelência o palhaço Tiririca, na crença - até razoável - de que o conteúdo semântico que se pode extrair de duas frases gritadas velozmente será suplantado pela estética de jegues, galos, cachorros, chapéus, paletó vermelho, braços enfaixados, caras mascaradas ou por uma fonética que descamba em estribilho.
Pois bem, a esdrúxula coreografia eleitoral dos postulantes à vereança é a mais desabusada demonstração de inutilidade da comunicação eleitoral no País. Perfis sérios, confiáveis, dignos de crédito e mérito acabam, infelizmente, contaminados e engolidos pela expressão extravagante da imensa maioria dos parceiros. É uma faceta do custo Brasil do desperdício. Parcela substantiva dos bilhões de que o País carece para reequipar suas estruturas de segurança, saúde e educação é jogada no lixo de uma programação de péssimo gosto.
O Brasil precisa muito da missão dos vereadores. A instituição política que os abriga deve ser respeitada e defendida. Sua força e seu prestígio dependem, porém, de um lume ético e moral para iluminar as Câmaras Municipais e evitar que os candidatos mais se assemelhem a bufões da corte eleitoral.
(Gaudêncio Torquato)
Ao lado da expansão dos cofres eleitorais, vale destacar a forte participação de figurantes na disputa para a representação legislativa. O número de candidatos a vereador registra um aumento de 87 mil em relação a 2008, chegando aos 435,8 mil. Em razão de mudança constitucional, em 2009, o Congresso Nacional ampliou o número de cadeiras nas Câmaras Municipais e este ano serão eleitos mais 5.405 vereadores, o que explica em parte o incremento de candidaturas.
A motivação para ingresso na política, convenhamos, é um fenômeno que deve ser comemorado. Afinal, o melhor oxigênio para renovar os pulmões da política é o que entra pelos poros dos Legislativos municipais, no entendimento de que a democracia representativa assenta neles a sua base. Mas o desejo cívico de representar parcelas da população explica, por si só, o aumento do número de candidatos a vereador?
A resposta implica, inicialmente, saber o que faz um vereador. Sob sua responsabilidade se abrigam as tarefas de fazer leis em defesa da comunidade, acompanhar e fiscalizar os atos e decisões do Poder Executivo municipal. Tal atividade exige pleno conhecimento das demandas comunitárias e monitoramento dos atos do prefeito. Mas a realidade tem feito do vereador um despachante da população ou, no caso das grandes cidades, dos moradores de bairros e regiões. É ele que ajuda o eleitorado a ter acesso aos serviços públicos. Ressalte-se o caráter de servir à polis, ideal cívico que Aristóteles identificava nos cidadãos. A primeira imagem da política é, portanto, a simbolizada pela praça central de Atenas, a Ágora, onde os senadores da Antiguidade se reuniam com o povo para ouvir demandas e clamores. Os desvios no caminho da política ocorreram e se multiplicaram, ao longo da História das nações, no embate entre valores da vida pública e conveniências da vida privada. A imbricação de interesses de uns e outros acabou por afastar o DNA da política do berço original e semear o vírus da corrupção na teia construída pelos Estados.
De missão a política virou profissão. Os políticos tornaram-se profissionais. Foi assim que a representação popular passou a ser um negócio vantajoso. A democracia como o governo do povo, pelo povo e para o povo, como ensinava Abraham Lincoln, abriu espaço para o aditivo "e o governo para mim, também". Dando cobertura à nova ordem, armou-se um novo triângulo do poder, constituído pela burocracia estatal (administradores públicos), pela representação popular (mandatários) e por grupos de negócios (empresas e grupos privados). O processo decisório passou a ganhar uma taxa de compartilhamento.
A complexidade da vida moderna, as crescentes demandas de comunidades comprimidas nos espaços urbanos, a superposição da coisa privada à res publica, na esteira do definhamento dos mecanismos clássicos da democracia, ajudaram a plasmar o novo território da política. Que no Brasil floresce de maneira avassaladora graças ao fertilizante patrimonialista, abundante entre nós.
Sob essas curvas entramos nos plenários e corredores da representação legislativa municipal. O mandato de vereador passou a ser um negócio que custa, hoje, R$ 10 bilhões anuais ao País. Ao Rio de Janeiro, por exemplo, quase R$ 8 milhões e a Natal, mais de R$ 2,2 milhões por ano. Nessas duas capitais os salários de vereador batem no teto, ou seja, mais de R$ 15 mil, o máximo permitido pela emenda constitucional que autoriza um salário de até 75% do auferido pelos deputados estaduais.
Como se pode aduzir, mais que legislar e fiscalizar em prol da causa coletiva, muitos detentores de mandato começaram a enxergar a política como escada de ascensão pessoal. Pior, agora, é constatar o desfile de caras, bocas, vestes e gestos dos nossos futuros e legítimos representantes nos Legislativos. A amostra que vimos em São Paulo (metrópole desenvolvida) na última semana é de causar arrepios. Imaginem os desfiles canhestros em plagas atrasadas...
A dúvida assoma: como essas pessoas nos vão representar? Muitos clonam suas aparições na performance de Sua Excelência o palhaço Tiririca, na crença - até razoável - de que o conteúdo semântico que se pode extrair de duas frases gritadas velozmente será suplantado pela estética de jegues, galos, cachorros, chapéus, paletó vermelho, braços enfaixados, caras mascaradas ou por uma fonética que descamba em estribilho.
Pois bem, a esdrúxula coreografia eleitoral dos postulantes à vereança é a mais desabusada demonstração de inutilidade da comunicação eleitoral no País. Perfis sérios, confiáveis, dignos de crédito e mérito acabam, infelizmente, contaminados e engolidos pela expressão extravagante da imensa maioria dos parceiros. É uma faceta do custo Brasil do desperdício. Parcela substantiva dos bilhões de que o País carece para reequipar suas estruturas de segurança, saúde e educação é jogada no lixo de uma programação de péssimo gosto.
O Brasil precisa muito da missão dos vereadores. A instituição política que os abriga deve ser respeitada e defendida. Sua força e seu prestígio dependem, porém, de um lume ético e moral para iluminar as Câmaras Municipais e evitar que os candidatos mais se assemelhem a bufões da corte eleitoral.
(Gaudêncio Torquato)
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