sábado, 22 de agosto de 2009

UMA SILVA SUCESSORA DE UM SILVA?



Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a liberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.

De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno.

Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.

Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muta coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalação”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.

Em grande parte, o PT viou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.

Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e a inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.

Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já psssou em 40% de sua capacidade de reposição.

Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológicohumanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.

Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.


(Por Leonardo Boff)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

NAS CALÇADAS DO BARROCÃO

Saudades de Crateús,

Que caloroso sertão!

Mágicas noites vividas

Ao som de um violão.

A juventude enlevada

As cadeiras espalhadas

Nas calçadas do Barrocão.


Entre uma água de coco,

Um beijo e uma paixão,

Kakin cantava Hey Jude,

Dos Beatles bela canção

Espalhando a felicidade

No auge da mocidade

Nas calçadas do Barrocão.



Rosina também cantava,

E dedilhava um violão.

E assim se alternavam

Os Bonfim e os Aragão

Naquela bonita cantoria

Tão contagiante e sadia

Nas calçadas do Barrocão.



Hoje o trem de passageiro,

Já não pára naquela estação.

Os amigos já não estão lá

Mas habita em meu coração

Uma saudade gritante

Das noites interessantes

Nas calçadas do Barrocão.



Sei que esta mesma saudade

Que reside em meu coração,

Também faz morada no peito

De quem viveu a mesma emoção,

E certamente fez jus

As noites de Crateús

Nas calçadas do Barrocão.



Se eu fosse falar de todos

Com certeza encheria o vagão.

Que deixou de passar na linha

Para estacionar em meu coração.

Quem diz tudo isso é Dalinha,

Que sua cadeira mantinha

Nas calçadas do Barrocão.



Poema de Dalinha Catunda.


Uma Homenagem ao amigo "Kakin" de Crateús e a família Bonfim que sempre nos recebeu com carinho e alegria.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

NA REAL

A SUCESSÃO EMBARALHADA

A pesquisa DataFolha divulgada no domingo ainda serve para indicar as possibilidades reais da candidatura Marina Silva de angariar votos e estragar os prazeres de adversários. Foi realizada ainda quando as especulações sobre sua entrada na disputa ainda estavam muito frescas. O levantamento, além de praticamente reproduzir, para os três principais nomes – Dilma, Serra e Ciro – a mesma situação de maio, traz, contudo, dois dados que merecem melhor análise:

1. As intenções de voto da ex-senadora Heloísa Helena: quase totalmente ausente da grande mídia nacional, a líder do PSOL alcançou 12% da preferência dos pesquisados, apenas 4 pontos a menos do que Dilma e 3 pontos abaixo de Ciro. Sinal de que há uma significativa orfandade eleitoral que nem Serra, nem Dilma, nem Ciro conseguiram ainda preencher.

2. Quando Ciro é retirado da disputa, numa das simulações, Dilma salta de 16% para 19%, enquanto Serra pula de 37% para 44%. Ou seja, mais votos de Ciro vão para Serra do que para Dilma. Isso reforça o argumento de Ciro e do PSB de que a candidatura dele é importante para evitar uma vitória tucana no primeiro turno.

Porém, o fato que ainda está "agitando a pança" é o "fator Marina", cujo destino partidário deverá ser definido esta semana.

SUBIU NO TELHADO

Evoluía com fluidez a escolha do vice na chapa de Dilma em direção a uma solução peemedebista. Com a entrada na arena da senadora Marina Silva e o novo assanhamento do PSB e de Ciro Gomes, tivemos uma espécie de "parada técnica". É possível que haja necessidade de usar o lugar antes reservado ao PMDB para acomodar Ciro. E ainda ter alguém à mão para evitar que Dilma se confronte diretamente com a senadora do Acre. Ciro faria este papel. É bom prestar atenção nas reações do PMDB da Câmara, comandado por Michel Temer, para ver como essa facção peemedebista está vendo tais articulações. O PMDB na Câmara tem sido um "doce" até agora, mesmo insatisfeito com a não liberação das emendas dos parlamentares. Não gostaria de ser preterido.

Índia: para se prestar atenção!

Neste último sábado foi o Dia da Independência da Índia. Em um marcante discurso o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh afirmou que fará mais esforços para retomar a taxa de crescimento média dos últimos cinco anos do PIB (9%). A previsão de crescimento para este ano é de 6%, mas os analistas estão revendo suas projeções para algo ao redor de 7%. A crise mundial afetou a Índia em menor magnitude, assim como o Brasil, na medida em que o país é relativamente fechado no comércio exterior e o seu sistema financeiro pouco internacionalizado. O déficit público que era antes da crise ao redor de 3% do PIB mais que dobrou (para 6,2%) e supriu parte da demanda perdida com as exportações de produtos e serviços. A inflação do país permanece controlada e os maiores riscos neste item estão relacionados com o setor agrícola, ainda muito subdesenvolvido e dependente do regime de chuvas da região (monções). Manmohan Singh recentemente teve uma importante vitória nas eleições parlamentares na medida em que seu governo se tornou mais centrista do ponto de vista político e mais reformista do ponto de vista econômico. A Índia pode e provavelmente será a maior concorrente por capitais dentre os emergentes. Talvez se torne a grande estrela dos BRICs. Além da novela das oito...

MEIRELLES, ENTRE A ESPECULAÇÃO E O FATO


Há meses especula-se sobre a candidatura do presidente do BC Henrique Meirelles ao governo de Goiás, sua terra natal. Nesse tempo, o chefe da autoridade monetária negou que fosse disputar a cadeira de governador. Sem ênfase, é verdade. Na última sexta-feira, o presidente Lula, como sempre empolgado com seus discursos, afirmou que "se Meirelles conduzir a economia de Goiás como ele conduziu (sic) o Banco Central, Goiás só tem a ganhar." Ora, Meirelles ainda é o presidente do BC, mas o presidente já anunciou a sua candidatura. Ademais, de sua parte, Henrique Meirelles disse : "não estou pensando em partido agora. Até março o foco é no BC." Como se vê, intrinsecamente o presidente do BC admite a candidatura. De fato, é candidato. Isto lhe retira a imparcialidade para conduzir o BC. Deveria sair já. Até mesmo pela existência de claros conflitos de interesse entre a condução de um cargo de Estado e a política partidária visando um governo.

NÃO COMBINA

A política partidária, ainda mais para um quase neófito como Meirelles, implica em "negociações", concessões, liberações... A presidência do BC exige firmeza, dureza... Alguém consegue imaginar, por exemplo, Ben Bernanke filiado ao Partido Democrata e candidato ao governo do Texas e ao mesmo tempo comandando o Fed?

NÃO SAI MESMO

A popularidade de Lula não mexeu um milímetro nos últimos dois meses, apesar de seu temerário engajamento na crise do Senado. Assim, o mandato de Sarney e sua permanência na presidência do Senado estão totalmente garantidos.

FATURA EM DIA

O filho do senador Renan Calheiros ganhou mais uma concessão de rádio para Alagoas na semana passada. Tomou posse ontem na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, o até então secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, José Lima de Andrade Neto. É homem de confiança do ministro Edison Lobão, que por sua vez é do staff político de Sarney e Renan. José Eduardo Dutra está trocando a BR Distribuidora para disputar a presidência nacional do PT. Justifica o sacrifício por ser homem de partido. Certamente não ficará ao relento, caso Dilma Roussef seja eleita. Derrotado ao governo de Sergipe em 2002, foi escalado pelo governo Lula para presidir a Petrobras. Derrotado ao Senado também por Sergipe em 2006, foi chamado por Lula para presidir a BR Distribuidora.

DESATENÇÃO JURÍDICA

Está sendo muito pouco discutida a proposta de "enxugamento" da CF/88 que está sendo preparada pelo deputado paulista Régis de Oliveira por encomenda do presidente da Câmara, Michel Temer. Não é "flor do recesso". É para valer. Temer quer deixar uma marca própria nessa sua passagem pelo cargo, possível alavanca para voos mais altos. Além do mais, a sugestão é sedutora. E que, deixada solta, pode se prestar tanto para o bom como para o péssimo.

REFORMA DA SAÚDE NOS EUA

O plano de reforma do setor de saúde de Obama tem por objetivo reduzir o largo déficit do governo na área e, caso o presidente norte-americano tenha sucesso em implementá-lo, haverá mais conforto com a situação fiscal do governo no médio prazo. O papel do governo na saúde será reduzido por meio de um modelo que estimula a competição e a livre escolha de médicos e hospitais. Algo mais avançado daquilo que tentou Clinton em meados dos anos 90. Um modelo liberal. (O que acharia a esquerda brasileira sobre estes planos do "esquerdista" Barack Obama?) Do ponto de vista do mercado esta reforma é decisiva para o curso das cotações das ações e, sobretudo, dos títulos do Tesouro norte-americano.

QUANTO VALE?

O PMDB tem 5 minutos e 45 segundos no horário eleitoral obrigatório no rádio e na televisão na corrida presidencial. Tanto o PT quanto o PSDB gostariam de se apossar dessa fortuna.

(Por José Marcio Mendonça e Francisco Petros)

EXPRESSÕES LATINAS

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Ubi bene, ibi patria – "Onde (me sinto) bem, minha pátria é aí." - Ditado baseado num trecho de Cícero.
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Ubique patriae memor – "Lembrado da pátria por toda parte." – Divisa do Barão do Rio Branco.
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Ubi solitudinem faciunt, pacem appellant – "Onde fazem o deserto, dizem (que estabelecem) a paz." – Tácito.
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Ultimam time – "Teme a última (hora)." – Inscrição de relógios.
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Ultima ratio regum – "O último argumento dos reis." – Lema inscrito nos canhões de Luís XV, da França.
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Ultima Thule – "A longínqua Tule." – Virgílio.
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Ultra equinoxialem non peccavi – "Não pequei além do Equador." – Afrânio.
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Ultra petita – "Além do solicitado", "mais que o solicitado." – Expressão forense.
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Ultra vires – "Além dos poderes." – Expressão forense.
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Umbra mea vita sit – "A sombra seja a minha vida."
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Una domus non alit duos canes – "Uma só casa não alimenta dois cães." – Provérbio.
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Una hirundo non efficit ver – "Uma andorinha não faz primavera", "Uma andorinha não faz verão." – Provérbio.

domingo, 16 de agosto de 2009

Deu na ÉPOCA: MORENA MARINA, VOCÊ SE PINTOU


Marina, você faça tudo, mas faça o favor. Não mude o discurso da ética, que é só seu. Marina, você já é respeitada com o que Deus lhe deu. O povo se aborreceu, se zangou, e cansou de falar. Lula e Dilma estão de mal com você e não vão perdoar. Mas o eleitor não poderia arranjar outra igual para embaralhar o jogo sonolento da sucessão em 2010. Ao menos num dos turnos, vamos discutir princípios e fins. E principalmente os meios.

Nem em suas orações diárias Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima sonharia provocar tanto medo antes mesmo de decidir trocar o PT pelo PV. Nascida no Acre, filha de seringueiros migrantes cearenses, analfabeta até os 16 anos, aprendeu a ler quando trabalhava como empregada doméstica. A mãe tinha morrido. Pelo Mobral, fez em quatro anos o primeiro e o segundo graus. Contraiu cinco malárias, duas hepatites. Formou-se em história. Queria ser freira, mas virou marxista. Hoje é evangélica. Tem quatro filhos. Foi a mais jovem senadora do Brasil, aos 35 anos.

Lula a nomeou ministra do Meio Ambiente. Cinco anos depois, saiu derrotada e desgastada. Ao pedir demissão, citou a Bíblia: “É melhor um filho vivo no colo de outro”. O filho era a política ambiental. Ela tinha brigado com outra mãe cheia de energia, a do PAC.

Católicos como Frei Betto e Leonardo Boff receberam telefonemas de Marina na semana passada. Ela falou de desenvolvimento sustentável, de vida, de humanidade, da terra.

O mais forte cabo eleitoral de Marina, neste agosto, se chama José Sarney – e tudo o que ele representa. O país ficou desgostoso com o presidente do Senado, suas mentiras inflamadas na tribuna, seu sorriso bonzinho de avô da República – e com o apoio incondicional de Lula ao maranhense. O nome Marina, sussurrado, ganhou a força da natureza no olho do furacão em Brasília.

O ex-ministro José Dirceu escreveu que o mandato da senadora “pertence ao PT”. Marina disse que já enfrentou madeireiros, fazendeiros, cangaceiros: “Com certeza o Zé (Dirceu) não fez isso para me intimidar; não faz parte do caráter dele”.

O outro forte cabo eleitoral de Marina é a ministra Dilma Rousseff, pela falta de carisma. Marina não ameaçaria tanto se a ministra do crescimento tivesse conquistado o país ou ao menos seu próprio partido. Não se nega o valor pessoal de Dilma, mas seu nome foi imposto. Lula botou na cabeça que vai eleger seu poste. “Da campanha da Dilma cuido eu”, teria dito a um cacique do PT paulista.

As baratas todas voaram. Quem tem amigos como o deputado federal Ciro Gomes não precisa de inimigos. Lula chegou a apostar nele para o governo em São Paulo. Mas Ciro quer outros voos: foi o primeiro a dizer que Marina “implode a candidatura de Dilma”... “uma persona política em formação”...“que foi obrigada a defender Sarney”.

Dilma pediu a Marina que ficasse. “Estou triste. Preferia que ela continuasse no PT porque é uma grande lutadora.” Vocês acreditam? A ministra já esqueceu as rixas com a ambientalista que botava areia nas hidrelétricas? Depois, Dilma mudou o tom: “Eu sempre acho que quanto mais mulher melhor”. É mesmo?

Dilma é vista como “a mulher do Lula” – a massa ainda não conseguiu decorar seu nome. Lula ergueu a mão da mãe do PAC nos palanques país afora e disse que o Brasil está preparado para “uma mulher na Presidência”.

Lula só não esperava que uma sombra austera de saias emergisse da floresta. Com seu fundamentalismo, a fé, as convicções, a integridade, a coerência em 30 anos de PT. Sem dedo em riste. É muita ironia. E na mesma semana em que Lula dá uma rádio para o filho de Renan Calheiros, outro senador que “obra e anda” para a opinião pública.

O maior trunfo de Marina não é ser mulher nem petista de raiz ou defensora do verde. Ninguém supõe hoje que ela possa ser eleita presidente sozinha, contra as duas máquinas. Mas sua biografia e as frases recheadas de atitude – “perco o pescoço mas não o juízo” – entusiasmam os desiludidos.

Marina Silva obriga tanto Dilma quanto o tucano José Serra a se perguntar: como combater quem fala, baixo mas firme, a sua própria verdade?

(Por Ruth de Aquino)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

TIÃO MACHADO

Clique sobre a imagem para ampliar e facilitar a leitura.




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Obrigado meu querido IRMÃO: não mereço tanto, estou tão feliz que já repassei para todos os meus irmãos, conterrâneos, amigos e vai ser lido na loja no tempo de estudo na proxima terça feira, mais uma vez muito obrigado.

Tião Machado

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

CONJUNTURA NACIONAL


FRANCO MONTORO

Comecemos com uma historinha que tem como personagem Franco Montoro. Depois de deixar a esfera governativa e parlamentar, Montoro passou a se dedicar ao Instituto Latino-Americano - ILAM. Na condição de presidente desta entidade, foi a um almoço organizado por um pequeno grupo de professores da USP no restaurante do campus. O ex-governador, como se sabe, tem registrado em sua história muitos casos de dislexia, momentos em que confundia nomes, alhos com bugalhos, motivando risos nas cerimônias. A conversa fluía bem, versando sobre os mais diferentes problemas do país. A certa altura, ele se surpreendeu ao saber que este escriba era potiguar. Mais ainda: tio de Sônia, casada com João Faustino, tucano do melhor naipe e seu dileto amigo. Montoro e dona Lucy foram padrinhos do casamento de uma das filhas de João e Sônia. De repente, lá vem a pergunta:

- E como está o Agrário? Você sabe como ele vai?

Passo a lupa na mente e lamento ignorar a identidade da figura. Mas vou procurar saber, logo, logo.

Mudamos de assunto. Mas o Agrário continua a frequentar o meu sistema cognitivo. De repente, Eureka! Agrário? Agrário? Não seria o Urbano?

Tomo a iniciativa:

- Governador, será que o senhor não confundiu o Agrário com o Urbano?

- Ah, sim, é claro, é claro. Desculpe. Como vai o Urbano?

Francisco Urbano era presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG. Um potiguar muito conhecido nos universos sindicalista e político.

A dislexia do ex-governador paulista havia intercambiado o espaço rural com a geografia urbana.

Franco Montoro, exemplo de Honradez, Dignidade, Seriedade, Civismo, Independência e Amor à Pátria.

Quanta falta ele faz nesses tempos de lamaçal político.

LINA E DILMA


Dois nomes, duas versões. A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, deu a sua versão: no final do ano passado, entendeu que a ministra Chefe da Casa Civil pedia pressa na investigação da Receita contra o empresário Fernando Sarney. O senador Sarney preparava-se para disputar a presidência do Senado. Dilma, ao refutar, exibiu a sua verdade: não houve o encontro privado anunciado por Lina. Um detalhe: a ex-chefe da Receita não tomou a iniciativa de falar sobre o caso. Foi procurada pela Folha de São Paulo. Lina Vieira é uma pessoa conhecida pelo amplo domínio técnico e postura discreta. Não é de arroubos. E jamais se prestaria à tarefa de fazer jogo político. Há cinco maneiras de contar a verdade, escreveu Brecht. A maneira de Lina é, sem dúvida, a menos esponjosa.

LEDO ENGANO?


Luiz Inácio, em defesa da ministra Dilma, diz não acreditar na versão da ex-secretária da Receita. Ledo engano, garantiu Lula. Teriam sido ledos os enganos sobre escandalosos casos que o presidente garantiu não terem existido ou deles tomado conhecimento, entre os quais o famigerado mensalão?

LULA NO COMANDO

Lula tem dado sinais de que não abre mão do comando da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Mesmo os petistas mais próximos têm receio de dar palpites sobre rumos, discurso, articulação, mobilização. Lula impôs ao PT o nome da ministra, define as regras para as alianças e escolhe, desde já, os palanques centrais e secundários. A praça que mais o preocupa é São Paulo, onde o PT não tem candidato competitivo.

O FATOR MARINA

Ciro Gomes é o candidato de Lula para enfrentar o candidato de José Serra ao governo de São Paulo. Apareceu, porém, no cenário Marina Silva. Ou seja, o presidente imaginava uma campanha plebiscitária no plano federal: Serra ou outro candidato de oposição contra Dilma. O plebiscito levaria em conta a indagação: está satisfeito com a situação? Vote em Dilma. Quer mudar? Vote em Serra. Marina Silva, eventual candidata pelo PV, quebrará a polarização. A campanha deixaria de ser plebiscitária. A senadora acreana, ícone do ambientalismo, poderia alcançar até 15% (ou mais) de intenção de voto.

CIRO ABRE O LEQUE

Ante a abertura do palco presidencial, Ciro Gomes pensa também em abrir o leque. Aposta que entrando no páreo federal, torna-se alternativa para embolar o jogo. A campanha rolará para o segundo turno, onde seus votos e mais os de Marina Silva tenderiam, em maior percentagem, a encher o balão de Dilma Rousseff. Ademais, ele entraria bem no figurino de "matador", com sua artilharia apontada ao coração de Serra. Portanto, o fator Marina deverá descolar Ciro Gomes da perspectiva paulista.

DE PARAQUEDAS

Ciro não teria chances em São Paulo como candidato ao governo. Trata-se de um estranho no ninho, um paraquedista. Nasceu no Estado, mas fez vida política no Ceará. Os paulistas cobrariam com juros e correção monetária os ataques que o deputado do PSB tem feito ao domínio paulista na cena nacional. Sua recente aproximação com o Estado não o exime das acusações do passado. Poderia, até, conseguir entre 10% a 12% de votos. Só alcançaria pontuação mais elevada diante de candidatos opacos. Perderia feio, por exemplo, para Geraldo Alckmin ou Gilberto Kassab.

OS DOIS SAPOS


Dois sapos viviam na mesma lagoa. Quando ela secou com o calor do verão, eles saíram em busca de outro lar. No caminho, passaram por um poço profundo e cheio de água. Ao vê-lo, um dos sapos disse para o outro: "Vamos descer e fazer a nossa casa neste poço, ele nos dará abrigo e alimento." O outro, mais prudente, respondeu: "Mas, e se faltar água, como sairemos de um lugar tão fundo?" Não faça nada sem pensar nas conseqüências. (Esopo, século 6 a.C.) Pois é, certos políticos agem como o sapo imprudente.

E O SENADO, HEIN?


Quando a crise no Senado chegará ao fim? A essa altura, resta a impressão: Sarney virou o jogo; ganhou, mas exibe um corpo alquebrado; as oposições perderam ímpeto com as denúncias que flagram alguns de seus integrantes; as camadas tendem à acomodação após o sismo inicial.

CONSELHO DE ÓTICA

Na semana passada, em meio ao fogo cruzado entre oposição e governo, o senador Cafeteira disparou à "queima-roupa" para cima de Arthur Virgílio: "Caro senador, devo lembrar ao nobre parlamentar que o encaminhamento de suas acusações no Conselho de Ética seguirá a liturgia sobre o que será ou não condenatório e isto será feito pela ótica do presidente da Comissão". Virgílio, já escaldado pelos acontecimentos recentes retrucou: "Vossa Excelência deve saber que nunca fui afeito às ciências exatas e portando, passei longe da oftalmologia". Pois é, quem diria, hein, o Senado acabou formando um Conselho de Ótica.

O VELHO AMIGO

"Os velhos amigos são os melhores. O rei Jonas costumava pedir os seus velhos sapatos, porque eram mais folgados para os seus pés". (John Selden, jurista inglês)

ROLANDO A BOLA

A simples inversão das duas letras iniciais confere ao ministro Orlando Silva um gerúndio bem próprio dos atletas de futebol. Rolando a bola – eis a imagem que o ministro do Esporte transmite aos que acompanham sua performance pelos campos, aliás, pelos mais diferentes espaços do território. Trata-se de um perfil dos mais simpáticos do governo Lula. Faz-se presente em eventos esportivos e culturais, ouve lideranças dos nichos esportivos e procura estabelecer as coordenadas para o país oferecer uma boa estrutura na Copa de 2014.

LEI DO ESPORTE


Esta semana, o ministro Rolando, aliás, Orlando Silva, participou de um almoço no SESCON, em São Paulo, organizado pelo Fórum Permanente de Defesa do Empreendedor, comandado por José Maria Chapina Alcazar. Chapina fez ver ao ministro a magnitude da extensão dos benefícios da Lei do Esporte – vantagens tributárias auferidas com o patrocínio esportivo – para as empresas de lucro presumido. De 170 mil, o número de empresas passaria a ser de 700 mil, salto que iria ajudar o universo de micro e pequenos empreendimentos. O ministro aceitou a ideia e deverá apresentá-la, para estudos, aos técnicos do Ministério da Fazenda. O deputado tucano, Silvio Torres, até já tem a solução para abrigar a proposta: simples e rápida alteração em um artigo da Lei do Esporte, de forma a incluir nela todos os conjuntos produtivos.

PANORAMA NOS ESTADOS


A lupa pré-eleitoral está sendo arrumada nos Estados. No Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves e José Agripino lideram as posições para o Senado. A governadora Vilma Faria está em terceiro lugar. E a senadora Rosalba Ciarlini (DEM) avança, disparada, em primeiro lugar. Em São Paulo, Geraldo Alckmin garante, hoje, sólida posição no primeiro lugar. Nenhum petista consegue ameaçá-lo. Para o Senado, Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PMDB) são os mais evidentes, não necessariamente os mais prováveis. Em Roraima, o deputado Neudo Campos (PP) aparece em primeiro lugar e Marluce Pinto, ex-senadora e herdeira política do marido Ottomar Pinto, lidera a corrida para o Senado. Romero Jucá (PMDB) está em queda. E o governador José de Anchieta (PSDB), candidato à reeleição, patina em um andar muito baixo.

AÉCIO, LUZ NO SENADO

Há quem distinga em Aécio Neves a luz no fim do túnel do Senado. Candidato a senador por Minas Gerais, teria uma votação extraordinária. Com o prestígio e a fama de político que dança em todas as pistas, Aécio poderia quebrar uma tradição: seria eleito, logo no início do primeiro mandato como senador, presidente da Câmara Alta. Pano de fundo: reformas que Sarney, pelo perfil e circunstâncias, não teria condição de implementar.

CARTAXO, PERFIL DE EQUILÍBRIO


Otacílio Cartaxo, o Secretário interino da Receita Federal, é conhecido pela capacidade de equilibrar os pratos da balança. Trata-se de um técnico de alto nível, que integra o chamado grupo de intelligentzia da Receita. Mas há a turma de auditores da Previdência, que sonha em retomar o comando do sistema. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, que tem origem na Previdência, seria o patrocinador daquele grupo. Para muitos, a retomada do poder pelo grupo previdenciário seria um retrocesso. A Receita desenvolveu uma tecnologia avançada de controle e fiscalização. Que propicia a intercomunicação dos canais e sistemas. Já a turma dos fiscais previdenciários conserva métodos arcaicos. Eis o pano de fundo da luta que se trava nos bastidores da RF.

CONSELHO A MARINA SILVA


Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado aos senadores. Hoje, volta sua atenção a senadora Marina Silva:

1. Senadora, o momento brasileiro é propício à fixação de estacas no campo da defesa ambiental e ao soerguimento de bandeiras éticas e morais.

2. A senhora é um dos símbolos da defesa do meio ambiente no Brasil e precisa aproveitar a oportunidade para disseminar sementes de seu bonito e denso discurso.

3. Qualquer que seja o resultado a ser alcançado pela senhora, no pleito presidencial de 2010, a bandeira ambientalista será vitoriosa. Aceite a indicação de seu nome pelo Partido Verde.

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(Por Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

HOJE É O DIA DO ADVOGADO!



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Sim, Júnior,

Hoje é o dia do advogado, e eu gostaria de parabenizá-lo por ter abraçado esta carreira, eu diria que difícil, pois um bom advogado é um eterno estudioso que tem que se atualizar a cada dia.

Que Deus dirija sempre seus passos.
Que cada batalha vencida não lhe cubra de prepotência.
Que cada batalha perdida não o desmotive em sua caminhada.

Que a decência, a verdade, a generosidade lhe acompanhem no caminho que você escolheu e pela sua capacidade, certamente trilhará com sucesso.

Um abraço,

Dalinha

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A você, que sabe quase tudo; justamente pela consciencia de não saber quase nada, meu abraço neste seu dia.

Paulo Nazareno

OBSERVATÓRIO


Semana passada, encontrei Moacir Soares. Técnico de escol, boa índole, profissional dedicado, Moacir é um dos melhores quadros gerados no seio da Administração Pública de Crateús na década passada. Incompreendido pela intolerância política local, cumpriu aquela antiga assertiva bíblica: foi ser profeta fora de sua terra. Em Tauá, onde assumiu a pasta da Saúde, animou um processo revolucionário de elevação da qualidade dos serviços na área. Hoje, é o principal executivo da Secretaria de Turismo de Fortaleza, que tem à frente a ex-prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar. Indago-lhe como estava e como está sendo tocado o setor de turismo na Capital. Ele responde:

A RECEITA

“Fortaleza é uma cidade bela. Tem 25 km de agradáveis praias, agenda cultural diversificada, noite agitada, culinária saborosa e um rico artesanato. Oferece tudo isso em meio a uma arquitetura que mescla história, modernidade e natureza. Por ter tudo isso, merece e vai ser a capital turística do nordeste brasileiro. Esse é o nosso sonho e também nosso desafio. Por isso a Dra. Patrícia formou uma equipe de alto nível, com os mais qualificados profissionais nos respectivos setores para associar a equipe já existente. Visando fomentar no grupo o espírito de coesão, alentar sonhos e fortalecer compromissos. Passamos 18 dias fazendo aquilo que na Psicologia denominamos “escuta profunda”. Fiquei esses dias ouvindo interativamente todos os servidores da SETFOR, identificando focos de problemas, expectativas, descrenças e coletando sugestões de trabalho. Ao final, estávamos com o Plano de Trabalho elaborado que serviu para subsidiar o nosso Plano Municipal de Turismo que entra em gestação a partir desse documento. Outra medida foi o mapeamento dos corredores turísticos da cidade, com delineamento de intervenções a serem realizadas a curto, médio e longo prazo. Só para que você tenha uma idéia, estamos trabalhando um projeto de S$ 50 milhões de dólares junto ao BID e o Ministério do Turismo para investimento em uma completa e eficiente infra-estrutura turística da Beira Mar, Praia de Iracema, Praia do Futuro, recuperação do patrimônio histórico, tratamento paisagístico, fortalecimento institucional dentre outros investimentos. Esse Projeto de Desenvolvimento Turístico vai promover, de forma planejada, a qualidade dos destinos e serviços turísticos da Capital. Alem disso, lançamos o projeto de Qualificação Profissional e Empresarial na área do turismo. Vamos qualificar 1.200 profissionais que compõem a cadeia produtiva do turismo para prestação de serviços turísticos no município de Fortaleza. São 18 cursos em diversas áreas, a maioria com carga horária de mais de 210 horas aulas que serão executados pelo SENAC orçados em mais de R$ 900.000,00. Vamos transformar nossa Fortaleza em um grande Pólo Turístico atendendo a preposição de Fortaleza Bela. Por fim, outro desafio assumido por essa gestão é o de ampliar a oferta turística da cidade. Para isso consta em nosso plano de trabalho fortalecer o turismo: Cultural, Gastronômico e de Base Comunitária. Caro Júnior, temos muito trabalho pela frente. Mas costumo dizer, que a cada vez que afirmamos ter uma dificuldade no fazer, existe de fato uma dificuldade no querer, que fica oculta na argumentação sobre o fazer. Se depender de vontade, iremos dar o melhor de nossos conhecimentos e de nossos tempos para respondermos ao novo desafio”.

A REINCIDÊNCIA

Ao final, após lamentarmos a ausência de uma evolução qualitativa na condução da gestão pública em Crateús, concordamos que um dos maiores empecilhos ao progresso é essa crônica histórica de intrigas provincianas e futricas rasteiras impregnada na atmosfera política da urbe. Invariavelmente, as pessoas que militam na política só se aproximam umas das outras com o fito de desgastar um terceiro. É sempre uma liderança defenestrando outra, um aliado destilando veneno sobre o outro. Essa rotina de defesa e agressão (defendo-me agredindo outrem e vice-versa) estanca o curso normal do córrego da prosperidade, sangra a veia vital do desenvolvimento. Quanto tempo perdem os líderes nos estratagemas da destruição? Quanta energia é desperdiçada nas contendas?

A REINVENÇÃO I

Tempo há de se inaugurar uma agenda diferente. Impende que alguém tome a iniciativa. E esta cabe a quem obteve a delegação popular para promover o governo de todos: o Prefeito. Ao Chefe do Executivo foi outorgada, pelo sufrágio popular, a magnânima missão de promover o governo do progresso. Para tanto, urge que se recrie, se reveja, se reinvente. Liberte-se das concepções sectárias que o tornam refém de interesses menores, de desejos de grupelhos, da ganância de minorias. Na comunicação, acione mais o órgão receptor do que o emissor. Faça a escuta profunda do que pensa aquele que toca a máquina: o servidor público. E, em especial, daquele que está ao largo de tudo: o sentimento popular.

A REINVENÇÃO II

Se tivesse parado para ouvir, escutar profundamente o pensamento externo, certamente o Prefeito teria evitado o desgaste com os Professores (alguns chegaram a passar fome no período da greve!), a insatisfação dos comerciantes, a contrariedade de colegas da saúde e o olhar de decepção de outros expressivos segmentos. Portanto, mãos à obra! É hora de correr atrás do tempo perdido, recuperar o passo, reparar arestas e redirecionar o rumo. Tempo há.

MEMÓRIA I

O doutor Alexandre Maia nos informa que, sob a coordenação do Instituto de Desenvolvimento Social Dom Fragoso, esta semana crateuenses cumprem uma programação que envolve debates e celebrações rememorando o trabalho desenvolvido pelo primeiro prelado da terra do Senhor do Bonfim. Bispo cujo nome está inscrito na lista dos libertadores sociais, Dom Fragoso confessou, em seu ‘Testamento Espiritual’ - escrito por ele mesmo, em João Pessoa, dia 15 de setembro de 1998 - as fontes onde bebia a água influenciadora:
- “Eu fui muito motivado por homens como Gandhi, pelo "movimento Internacional de Reconciliação" (Jean Goas e Hildegard Gon Mayer), pela "irmandade do servo sofredor" (do Pe. Alfredinho Kunz), pela "pressão Libertadora" (D. Hélder Câmara) e pela "Firmeza Permanente" (Mário Carvalho de Jesus)”.

MEMÓRIA II


Soube que foi doado à Câmara Municipal de Crateús o acervo bibliográfico do meu parente Nonato Bonfim. Autodidata fantástico, jornalista militante, operador do direito, agradável polemista, político atuante, Nonato compilou uma das maiores e mais ricas bibliotecas da cidade. O Presidente Márcio Cavalcante vai disponibilizar esse patrimônio à consulta pública. Aplauso à iniciativa.

AGRADECIMENTO

Mais uma vez, agradeço de coração a todos os que compareceram ao lançamento do meu livro AMORES E CLAMORES DA CIDADE, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza, na noite do último dia 23 de julho. Agradável confraternização, memorável e leve, contagiada pela espontaneidade dos presentes, virou uma festa de amigos, com predominância da colônia crateuense. Por razões de espaço, é impossível listar aqui todos os presentes. Porém, indistintamente recebam todos minha expressa gratidão.

PARA REFLETIR

“A ética é ponto de partida para qualquer debate mais profundo sobre o nosso futuro. Ética – no grego, ‘ethos’ – quer dizer costume, regra, como também caráter, modo de ser; capacidade de interiorizar, refletir. Ou seja, ser ético significa primeiro olhar para si antes de apontar defeitos nos outros. O filósofo Sócrates foi quem primeiro acendeu essa chama quando lançou a máxima “Conhece-te a ti mesmo”. Noutras palavras: para alterarmos uma cidade, uma comunidade, precisamos – primeiramente – estarmos dispostos a modificarmos nós mesmos. Antes de dirigirmos o dedo acusatório para os outros, impende indagar: Se eu estiver lá, faço diferente? A metamorfose tem que permear, pois, governantes e governados”. (Júnior Bonfim, in Amores e Clamores da Cidade).



(Por Júnior Bonfim, publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste)

SEJA CULTO: AUSCULTE!


Aprendemos que culto é o homem que detém farta ‘bagagem cultural’, entendida como o acúmulo de estoque teórico, domínio de teses, cultura livresca e variedades conceituais.

Culto é o que mergulha no oceano da cultura. (Bem que poderia ser ‘margulha’ - neologismo que pode significar a inserção no mar da vida similar à da agulha no tecido: metódica, sinuosa, consistente!).

Como vivemos em constante interação, a verdade é que a cultura está também associada à nossa capacidade de incorporar a produção cultural dos outros. E como se apreende o que o outro produziu? Ouvindo, escutando.

Longe de ser uma atitude passiva, escutar é uma postura ativa.

O mais influente psicólogo da história americana, Carl Ramson Rogers (1902-1987), foi um humanista iluminado e cientista brilhante. Semeador da “terapia centrada no cliente”, fez com que seu ideário transcendesse as fronteiras da clínica psicoterapêutica. É dele a seguinte reflexão:

"Quando digo que gosto de ouvir alguém estou me referindo evidentemente a uma escuta profunda. Quero dizer que ouço as palavras, os pensamentos, a tonalidade dos sentimentos, o significado pessoal, até mesmo o significado que subjaz às intenções conscientes do interlocutor. Em algumas ocasiões ouço, por trás de uma mensagem que superficialmente parece pouco importante, um grito humano profundo, desconhecido e enterrado muito abaixo da superfície da pessoa."

“Constato, tanto em entrevistas terapêuticas como nas experiências intensivas de grupo que me foram muito significativas, que ouvir traz conseqüências. Quando efetivamente ouço uma pessoa e os significados que lhe são importantes naquele momento, ouvindo não suas palavras mas ela mesma, e quando lhe demonstro que ouvi seus significados pessoais e íntimos, muitas coisas acontecem. Há, em primeiro lugar, um olhar agradecido. Ela se sente aliviada. Quer falar mais sobre seu mundo. Sente-se impelida em direção a um novo sentido de liberdade. Torna-se mais aberta ao processo de mudança."

Como magistralmente ensina Rogers, ‘ouvir traz conseqüências’. Mas, primeiro, acende antecedências. Para ouvir verdadeiramente, preciso antes me despir e me dispor. Despir-me da idéia de auto-suficiência, de me bastar a mim mesmo. Dispor-me a garimpar as pedras preciosas escondidas no aparentemente íngreme território do outro. Dispor-me a incursionar pelo desconhecido túnel do silêncio. (Aliás, o que de mais poderoso existe começou silenciosamente...).

Rubem Alves definiu poeticamente: “No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também”.

Essa é a nossa atual pedra paradoxal: vivemos a era da comunicação abundante, da informação automática. Pavimentaram-se vertiginosamente as vias de comunicação, mas inversamente pouco caminhamos no sentido de ouvirmos uns aos outros.

É para isto a Crônica de hoje. Para que relembremos a valia da escuta. Quantas divergências poderiam ser transformadas em convergências se nos dispuséssemos a ouvir.

Além do outro, ouçamos também nós mesmos: os apelos da consciência, os sons da alma, a música do coração!

Seja culto: ausculte!


(Por Júnior Bonfim, publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste)

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Paulo Nazareno disse:

Che Guevara em certo momento disse: "Para se auscultar o coração do povo, não se usa estetoscópio, se escuta com o coração".

sábado, 8 de agosto de 2009

JÚNIOR BONFIM: O CRONISTA DA NOSSA REALIDADE



(Por Zacharias Bezerra de Oliveira*)

Amores e Clamores da Cidade, lançado este ano por Júnior Bonfim, é uma obra que não pode deixar de ser lida por quem se interessa pelos fatos históricos do Ceará. Dividido em temáticas, segundo sugere o próprio título, o autor discorre sobre Crateús, a Terra que lhe deu o berço, passando por Brasília, onde esteve por breve temporada. Em relação ao Tempo, Júnior Bonfim estende seus pertinentes comentários sobre efemérides, como a passagem da Coluna Prestes por sua cidade e a importância de datas, como a Páscoa, o Dia do Trabalho, das Mães, Finados e o tempo certo de se homenagear.


As pessoas que fazem a diferença para a nossa realidade são bem lembradas pelo cronista: o artista Francisco de Almeida, cujo trabalho enfeita a capa de seu livro, Monsenhor Moraes, o eterno vigário do Ipu, Dom Fragoso, a professora Rosa Moraes, Dom Jacinto, Felipe Moraes, Dona Delite e tantos outros e outras são lembrados nas crônicas de Júnior Bonfim, como pessoas que fazem a diferença na sociedade cearense, notadamente na região de Crateús.


Atuando na militância jurídica em Fortaleza, o advogado Júnior Bonfim fala sobre a Arte da Advocacia na temática dedicada às vocações. A política, a culinária, o ensino e a literatura são temas que o autor aborda com propriedade em sua obra. Por falar nisso, o autor foi um dos participantes da experiência vocacional iniciada por Dom Fragoso, em 1980, denominada “seminaristas no meio do povo”, mas isso ele também conta no seu livro.


Quanto aos clamores, as crônicas de Júnior Bonfim são contundentes. O meio ambiente desgastado e o descaso com a nossa cidade de Crateús são retratados com a veemência, a segurança e a leveza que ele sabe muito bem utilizar. Embora refira-se especificamente a sua cidade natal, as críticas e os apelos à conservação e preservação, servem tanto para a nossa capital, quanto para qualquer outra cidade.


Como já foi dito e repetido pelo escritor Juarez Leitão: “Existe em Júnior Bonfim um sentido especial de perceber o mundo, um olho atento que vislumbra e absolve o trivial para dele retirar lições e construir o seu discurso ético”. Amores e clamores da cidade é um livro para ser lido e saboreado, como quem degusta as mais finas iguarias. Nele encontramos sabor e saber, além de grandes ensinamentos e sabedoria. É,pois, um verdadeiro retrato da nossa realidade.


*Jornalista

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

O MILAGRE

José Maria Alkmin, a raposa mineira, mestre da arte política, chegava da Europa com cinco garrafas enroladas na pasta. A Alfândega quis saber o que era.

- Água milagrosa de Fátima.

- Mas tudo isso?

- Lá em Minas o pessoal acredita muito nos milagres da água de Fátima. Não dá para quem quer.

- O senhor pode desenrolar?

- Pois não, meu filho.

- Mas, deputado, isso é uísque.

- Ué, não é que já se deu o milagre?

O CALVÁRIO SARNEYCO

O calvário de Sarney terá continuidade. A decisão de continuar no comando do Senado, aliás, um legítimo direito, não redundará em sustação da onda negativa que o afoga. Sarney terá maioria no Conselho de Ética, sendo previsível que os recursos contra ele sejam jogados no arquivo morto. Mas a fumaça espalha-se pelo ambiente social. Um comandante frágil perde força. Sob o risco de fazer naufragar o navio que comanda. O Senado é, hoje, um espaço contaminado. As teses a respeito do fechamento da Câmara Alta ganham aplausos. É uma pena.

COLLOR APOPLÉTICO

Que Collor sempre transmitiu uma imagem atlética, isso todos sabem, desde os tempos em que fazia cooper, como presidente, arrebanhando um grupo de jornalistas. Na segunda à tarde, sua imagem era de um apoplético. O senador quase estourou. Feições crispadas, voz embargada, olhos querendo pular da órbita. Mais um pouco e o ex-presidente partiria para o desforço físico. Este escriba confessa: nunca viu uma expressão tão indignada no ambiente parlamentar. E tudo por conta de uma historinha.

A RAZÃO COLLORIDA

O motivo para o ataque furibundo foi uma lembrancinha feita pelo senador Pedro Simon: Renan Calheiros teria ido a Pequim, na China, naquela famosa viagem feita por Collor, quando teria decidido, no jantar em que comeram pato laqueado, ser candidato à presidência da República. Simon arrematou falando das traições de Renan, que rebateu com vigor, lembrando que há 35 anos, o senador gaúcho se compraz em falar mal de Sarney. Collor aproveitou a deixa e atirou verbos contra Pedro, o gaúcho que, de repente, ficou amedrontado, após esta exacerbação: "engula, digira as palavras, fazendo delas o que bem lhe aprouver".

RECUO SIMÔNICO

Pedro Simon, sob o choque da contundência collorida, recuou taticamente. Ficou praticamente isolado, porque, mesmo os apartes em seu favor, como os dos senadores Jarbas Vasconcellos e Cristovam Buarque, eram melodicamente mais suaves que a dureza da força bruta do esquadro sarneysista.

DESMENTIDO

Novidade na parada? Collor nega o famoso jantar, em Pequim, onde os comensais teriam brindado com bastante saquê a decisão de anunciar sua candidatura à presidência da República. Garantiu que a candidatura foi sugerida por Marcos Coimbra, dono do instituto de pesquisas Vox Populi, amparado em pesquisa eleitoral. A pesquisa sinalizaria um espaço ponderável para uma candidatura alternativa.

A LIBERDADE DE FUMAR

A lei anti-fumo, que começa a vigorar em São Paulo, nos próximos dias, causa polêmica. Este escriba, mesmo não sendo fumante, reconhece o direito de fumantes usarem e abusarem do vício em lugares mais abertos de restaurantes, bares etc. Felizmente, o bom senso começa a aparecer com a liberação do cigarro nos palcos. O cigarro e o charuto foram parceiros importantes de atores e atrizes em momentos singulares dos palcos cinematográficos. Sem eles, algumas cenas não teriam tanto impacto. Os climas esfumaçados nas películas em preto e branco constituem uma cena à parte.

MOTOTÁXIS NA EMBOSCADA

A lei dos mototáxis, sancionada por Lula, poderia ser também chamada de "lei da atração fatal". Morre uma quantidade de motoqueiros por mês em São Paulo. Imaginem, agora, um mototaxista, desses que fazem questão de demonstrar suas habilidades entre as filas de carros na Avenida 23 de Maio, levando na garupa um sujeito mais apressadinho. As mortes no trânsito paulistano serão multiplicadas.

KASSAB É CONTRA

Felizmente, a prefeitura de São Paulo é contra a aplicação dessa lei. Um projeto de lei para regulamentar o serviço até foi protocolado na Câmara de Vereadores pelo vereador Ricardo Teixeira (PSDB). Já o vereador Waldih Mutran é autor da lei, de 1998, que proíbe mototáxi na capital. Como a lei federal deixa para as Prefeituras a decisão de regulamentar o serviço, em São Paulo, a boa notícia é: o prefeito Kassab descarta sua regulamentação. Parabéns.

PALANQUE NORDESTINO

José Serra, o governador noctívago, até que enfim abriu os olhos para a realidade: decidiu descobrir o Nordeste. Depois de ir a Exu, onde comeu bode assado e farofa de bolão, em uma visita-homenagem à memória de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, irá a algumas capitais. Dilma frequenta a região, que tem cerca de 30% dos votos do país, praticamente todas as semanas. Serra decidiu fazer o périplo após reunião de trabalho com Sérgio Guerra, presidente do PSDB, Rodrigo Maia, presidente do DEM, e José Agripino, líder do DEM.


VACCAREZZA

O deputado Cândido Vaccarezza está com um pé no Palácio do Planalto. É o mais forte candidato a substituto do ministro José Múcio na Pasta de Relações Institucionais. Vaccarezza é um perfil suave. Conversa com todos os grupos. Gosta de aparar as arestas.

BATALHA DAS 40 HORAS

A próxima movimentação dos trabalhadores nos corredores congressuais será pela redução da jornada de trabalho. As Centrais Sindicais prometem muita fogueira em torno da jornada de 40 horas. O desemprego será o pano de fundo. O ministro Lupi estará ao lado dos bumbos. Esse sorridente ministro não se comove com o choro dos setores produtivos.

PDT VAI DE CIRO

O PDT paulista, que tem chancela de Paulinho da Força, luta pela candidatura Ciro Gomes ao governo de São Paulo. Ciro, conhecido pela contundência com que esbraveja contra José Serra, seria o candidato de Lula. Nos bastidores, a conversa é outra: Ciro seria boi de piranha. O candidato ao governo, pelo PT, se chama Antônio Palocci, que está perto de conseguir a absolvição pelo STF. Palocci é o nome mais palatável entre as celebridades petistas. Simpático ao empresariado. Mas... e os votos?

SUÍNA NO NORDESTE

A gripe suína chega ao Nordeste. Junta a fome com a vontade de comer. As projeções apontam para a expansão da pandemia na região. Mas as autoridades dizem que tudo está sob controle.

PAC EMPACADO

De 11.990 obras do PAC, apenas 7% foram concluídas. Dinheiro? Há bastante. Mas a gestão sofre de congestão. Dor de cabeça para dona Dilma Rousseff, que soa para os nordestinos como dona "Dilma do Chefe". No Nordeste, Lula tem a seu favor 80% do eleitorado.

O CAÇADOR

"Ele não monta para a raposa a mesma armadilha que usa para pegar o lobo. Ele não coloca a isca onde ninguém vai morder. Ele conhece bem a sua presa, seus hábitos e esconderijos, e caça de acordo com esses conhecimentos". (Robert Greene)

O PROTOGÊNICO

Protógenes Queiroz, o delegado polêmico, tem dúvidas sobre seu futuro político. Deputado? Senador? Teria sido mordido pela mosca azul? Pois bem, pesquisa de um Instituto teria lhe dado vantagem para o Senado, em São Paulo, em 2010. Este escriba tem dúvidas sobre essa viabilidade.

CONSELHO AOS SENADORES

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao senador José Sarney. Hoje, volta sua atenção aos senadores:

1. Procurem equacionar o imbróglio que toma conta do Senado. A protelação do affaire Sarney afeta ao conjunto da Casa.

2. Evitem o palavrório chulo, que rebaixa ainda mais o perfil dos representantes.

3. Ouçam o eco das ruas. Façam funcionar o regimento interno. Votem de acordo com suas consciências. E se submetam, depois, ao crivo da opinião pública.

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(Por Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

DO SUSTO DO BLOG E DA BELA SURPRESA!

Júnior, obrigado pela publicação.

Ressalto, no entanto, que sou "das antigas" e não conhecia esse tal de blog. Confesso estar um pouco assustado ao ver minha foto lançada no mundo ao lado de minha esposa Edvanda e de um primo ilustre.

Fiquei feliz ao ser identificado pela amiga Dalinha (de Ipueiras), por isso aproveito o ensejo para manifestar-me.
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Querida Dalinha, leio todas suas belas poesias publicadas no Jornal do Leitor, do O POVO. Parabéns.

Em verdade, o Boaventura Bonfim (Joaquim Boaventura Furtado Bonfim) é justamente seu velho amigo Kakim, filho da Dona Maria Bonfim, do Barrocão, lá de Crateús.

Tenho saudades de sua irmã Rosinha - que toca violão, canta e encanta com sua belíssima voz -, do seu irmão Eduardo, um gentleman, de Dona Neuza, sua mãe, um doce, e de você, que, além de tudo, é dona de uma beleza hollywoodiana.

Saudades do Barrocão!

Um forte abraço,

Boaventura Bonfim.

Fortaleza (CE), 4.8.2009.

JUAREZ LEITÃO - DISCURSO NO LANÇAMENTO DO LIVRO "AMORES E CLAMORES DA CIDADE" - PARTE I

JUAREZ LEITÃO - DISCURSO NO LANÇAMENTO DO LIVRO "AMORES E CLAMORES DA CIDADE" - PARTE II