sábado, 19 de setembro de 2009

TCM LANÇA "PORTAL DA TRANSPARÊNCIA"


O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) promoveu hoje um evento em defesa do interesse público e lá marcamos presença. Foi o lançamento do PORTAL DA TRANSPARÊNCIA.

Foi no Espaço Mix do Centro Dragão do Mar e teve a seguinte sequência:

* 16 horas - Abertura e composição da mesa: Presidente do TCM, Ernesto Sabóia; Conselheiro Luiz Sérgio Gadelha; Secretário de Cultura Auto Filho e Francisco de Assis Soares.

* 16h20min às 16h40min - Fala do Sr. Francisco de Assis Soares, criador da Comunidade Virtual Controle Social das Contas Públicas.

* 16h40min às 17h10min - Fala do Presidente do TCM/CE, Ernesto Saboia. Lançamento do Portal da Transparência.

* 17h10min às 17h40min - Leitura de folheto de cordel sobre controle social, apresentado por José Maria Fortaleza.

* 17h40min às 18h - Apresentação da peça “O Despeito”

18h às 18h30min - Sorteio de um computador.

O portal pode ser acessado pelo link: http://www.tcm.ce.gov.br/transparencia/

Vale a pena conferir!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

GRANDE PROLE

Da Bahia, vem a historinha. José de Almeida, contador do BB, fazia o cadastro da agência. Um dia, chega Heroino Pita, fazendeiro. Que respondeu na bucha o formulário? Nome, idade, imóveis, renda anual, dívidas. Aí vem a pergunta:

- Quantos filhos o sr. tem?

- 8 filhos

- Tudo isso? O senhor tem uma prole grande.

Heroino, entre sorridente e cabreiro, faz o gesto com as duas mãos:

- Não, senhor. É normal. Normal.

BOANERGES E A SALADA DE 32 FRUTAS

Boanerges, barrigão de fora da camisa, vozeirão que ecoava pelos corredores, era proprietário da mais velha pensão de João Pessoa, nos idos de 60, a Hospedaria Pedro Américo, numa ladeirinha do Ponto de Cem Réis, onde se abrigava a estudantada que vinha de Souza, Cajazeiras, Uiraúna, Patos, Santa Luzia, enfim, de lá dos grotões da Paraíba. A "dormida", ali, quebrava o galho, mas a comida – era consenso - não satisfazia o apetite nem dos mais famélicos. Era ruim de fechar a boca. Vez ou outra, aparecia uma carne de sol. Mais dura que sola de sapato. De manhã, no café, o "véio" servia uma famosa salada de frutas. Que propagava com essa abundância frutífera: "Salada Pedro Américo com 32 frutas". Mas havia um porém na maldita: "era feita com uma maçã e 31 bananas". Um dia, a turma viu Boanerges saindo do quarto, o primeiro do corredor, escova de dentes na boca, resmungando um nhocnhocnhoc qualquer. De repente, para diante da mesa onde dois fregueses, que não o conheciam, trocavam impressões:

- Que comidinha ruim dos infernos. Isso é comida de porco.

- Veja essa banana d'água. Tá mais dura do que cipó de aroeira.

O "véio" ouve a indignação, baixa a cabeça, aproxima-se mais ainda dos dois, tira a escova de dentes e sopra bem na cara dos fregueses a massa da pasta, enquanto solta o vozeirão amedrontador:

- Vocês dois aí, prestem atenção: essa comida não é pra engordar macho, não, senhor. É apenas pra encher a pança. É procês não morrerem de fome. Se não tiverem gostando, chispem, chispem, vão embora!

Os dois se entreolharam, pagaram a conta e foram bater em outra freguesia.

CENÁRIO PAULISTA

O mundo gira e a política paulista roda. A cada dia, novos fatos e versões se sobrepõem aos fatos antigos. Vamos lá. Gabriel Chalita, o vereador tucano ligado a Geraldo Alckmin, está prestes a ingressar no PSB. Tem até o final deste mês de setembro para decidir. Está em fase de consulta, incluindo o presidente do partido, Eduardo Campos, governador de Pernambuco. Chalita quer ser senador paulista. Não teria vez no PSDB. Mas há o fator Alckmin.

SOBRE REIS

O rei de Uganda comia sozinho. Ninguém podia vê-lo comendo. Uma de suas mulheres dava-lhe a comida. Mas tinha de virar o rosto. "O leão come sozinho", dizia o povo. Quando não gostava da comida, mandava chamar o cozinheiro e espetava a lança em seu coração. Se uma servente tossia durante a refeição, era castigada com a morte. Se alguém entrasse de repente, também morria. E o povo dizia: "o leão matou três enquanto comia". (Elias Canetti)

PROBABILIDADES

Para sair do PSDB, Chalita teria de pedir licença ao amigo do peito, Geraldo Alckmin. Que lidera a corrida para o governo, pontuando quase 50%. Ocorre que Alckmin não é (ou não era até esta semana) o candidato de José Serra para o governo. O candidato governista é (ou era) Aloysio Nunes Ferreira, chefe da casa Civil. Mas Aloysio tem dificuldade em pontuar no ranking. Por isso mesmo, saiu a versão de que Serra já começa a admitir o nome de Alckmin. Até porque se o ex-governador não sair para o governo e ganhar uma das duas vagas para o Senado, na chapa governista, queimaria o nome de Quércia, a quem já foi prometida uma vaga. Quércia não teria chance se Geraldo sair para o Senado. Isso porque governistas e oposicionistas (leia-se PT) elegeriam, cada um, um senador. Ou seja, Alckmin e Mercadante, por exemplo.

QUÉRCIA FAZ PRESSÃO

Prevendo que Alckmin poderia ganhar uma vaga para o Senado, Quércia procurou seus aliados Serra e Kassab e teria colocado a hipótese : se ambos forem candidatos ao Senado, ele, Quércia estaria rifado. Portanto, Serra deveria aceitar o fato que se torna, a cada dia, mais real : Alckmin para o governo. Vamos acompanhar os próximos passos.

CHALITA E O PT

Quem está muito interessado no ingresso de Chalita no PSB é o PT. Que vê a possibilidade de uma alavacangem na candidatura petista ao governo. Chalita conta com uma ampla rede religiosa, reunida pelo Grupo Canção Nova, da Igreja Católica. Ele é quase venerado por esse grupo. E poderia encarnar o perfil do moderno, do novo, ou seja, de uma Nova Canção aos ouvidos do eleitorado. Lembrando mais uma vez: Alckmin não deixaria Chalita fazer o jogo do PT.

O CENÁRIO CARIOCA

Já no Rio de Janeiro, quem dá um passo adiante é o ex-prefeito César Maia, o mais estudioso de política entre os nossos governantes. Que começa a pensar alto e explícito em torno de sua candidatura ao Governo do Estado. Maia seria apoiado pelo PSDB de José Serra, que teria no Rio um amplo palanque. E o PSDB dispensaria Fernando Gabeira da candidatura ao governo, liberando-o para o que ele sonha: ser senador. Serra contaria, nesse caso, com o palanque de César Maia e até poderia envolver o PV de Gabeira no segundo turno. Há muitas dúvidas sobre a divisão dos verdes no segundo turno. Há quem garanta que fechará com Dilma, outros com Serra. Hoje, pende mais para Serra.

"Para desvirginar o labirinto
Do velho metafísico mistério
Comi meus olhos crus no cemitério
Numa antropofagia de faminto." (Augusto dos Anjos)

DILMA, A DÚVIDA

A dúvida acima se ampara na boataria dos últimos dias, que dá conta do rebaixamento de Dilma Rousseff no ranking das pré-candidaturas. Já esteve mais cotada que hoje. Os quase cinco pontos que perdeu, nos últimos tempos, a colocam sob o teto das inquietações. Volta-se falar não na doença, mas na índole autoritária e arrogante da ministra. Lula, que continua fechado com a candidatura de sua ministra, já esteve mais firme. Hoje, usa a régua do pragmatismo. Se der, deu; se não der resultados, tirará da cartola outro nome. Quem sabe, Ciro. Ou Palocci.

PMDB e PT

Nas últimas semanas, expandiu-se a versão de que a aliança entre PMDB e PT já foi mais segura. A partir do momento em que o PT começa a movimentar as pedrinhas na lagoa dos Estados, as marolas tendem a afastar o PMDB de suas proximidades. No Rio, por exemplo, Sérgio Cabral já começa a perceber que o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, se firma como candidato petista ao governo. Ademais, Cabral está insatisfeito com a posição federal sobre os royalties do Pré-Sal. A salmoura dos choques recentes tem contribuído para afastá-lo um pouco mais do Palácio do Planalto.

O QUADRO MINEIRO

Em Minas Gerais, Hélio Costa, ministro das Comunicações, pré-candidato ao governo pelo PMDB, ensaia uma união com o PMDB de Newton Cardoso. O patrono dessa unidade se chama Orestes Quércia. Como Quércia, em São Paulo, apoia Serra, é bem provável que, em Minas, Hélio Costa seja candidato de uma coligação envolvendo tucanos, peemedebistas e democratas. Aécio Neves estaria por trás dessa equação. E o PMDB, assim, se afastaria também em Minas do PT.

SOBRE REIS

O rei de Kitara era alimentado por um cozinheiro. Que, ao trazer a refeição, espetava o garfo na carne, cortava um pedaço e o colocava na boca do rei. Repetia o gesto quatro vezes. Se, por acaso, tocasse nos dentes do rei com o garfo, era castigado com a morte. (Elias Canetti)

CESARE BATTISTI

E o caso Cesare Battisti, hein? O placar é de 4 a 3 a favor da extradição. O ministro Marco Aurélio pediu vistas. Comenta-se que votaria contra a extradição sob o argumento de que os crimes atribuídos a Battisti estariam prescritos no Brasil. Pergunta curiosa: os juízes brasileiros podem julgar o mérito de crimes previstos pelas leis italianas? Se a prescrição na Itália não combinar com o tempo da prescrição prevista pelas leis brasileiras, o que valerá? A lei italiana, onde os crimes teriam sido cometidos, ou a lei brasileira? Pode um país julgar o mérito de uma legislação de outra Nação? Este escriba quer simplesmente provocar o animus animandi dos juristas.

"Somos, ainda, sobre todos os outros, o povo das esplêndidas frases golpeantes, das imagens e dos símbolos." (Euclides da Cunha)

EXÉRCITO NA MÍNGUA

Qual é a Força mais próxima ao povo brasileiro? A Aeronáutica? Creio que não. Esta voa longe. Trata-se da Marinha? Creio que não. Esta navega nos oceanos, espaço distante do dia a dia dos mortais. O Exército? Sim. Ele está mais próximo. Os verdes circulam pelas ruas. Tanques e caminhões, vez ou outra, passam pela nossa vista. O Exército até que limpou aquela imagem dura dos anos ditatoriais. Pois bem, o Exército, que está mais perto de nós, está à beira da míngua. Até o expediente da segunda-feira poderá deixar de existir. Faltam recursos até para comida dos recrutas. Mas o Brasil ostenta, como pavão, as cores orgulhosas de aviões de caças, submarinos, helicópteros sofisticados. Cada Força com sua força.

E MARCO AURÉLIO, HEIN?

O ministro Marco Aurélio, do STF, até hoje não disse se vai aceitar ou não o recurso apresentado pela Câmara dos Deputados contra a liminar que determina a entrega à Folha de S.Paulo de 70 mil notas de despesas com verbas indenizatórias. A Câmara espera o julgamento do mérito. Segundo a Câmara, as informações solicitadas pela Folha podem ser acessadas no site eletrônico. Mas a Folha quer papel. Ademais, a Câmara não pode entregar notas sobre contas telefônicas, sob pena de infringir o sigilo telefônico resguardado pela Constituição. Mais ainda: se outros meios de comunicação fizerem a mesma solicitação, seria necessária grande gráfica para imprimir os impressos desejados, além da logística de transporte. Serão algumas toneladas. E se o STF julgar o mérito e acolher o ponto de vista da Câmara, quem arcará com o prejuízo?

TOFFOLI, QUASE CERTO?

Dizem que José Antonio Dias Toffoli é nome quase certo de Lula para assumir o lugar do falecido ministro Carlos Alberto Direito. E que, entrando no Supremo, já poderia julgar o pedido de extradição de Cesare Battisti. Algo não combina. O ministro da Justiça, Tarso Genro, abre a boca para defender a liberdade de Battisti. Tarso Genro é candidato ao governo do RS pelo PT. Toffoli já foi advogado do PT. Se começar no Supremo dando um voto de caráter político, entrará na mais Alta Corte com o pé esquerdo. Vão dizer que vota sob encomenda. Poderia, simplesmente, nesse caso, abster-se.

JUNITI SAITO QUASE SAIU

Nos bastidores, comenta-se que o ministro da Aeronáutica, Juniti Saito, quase pedia o boné a Lula. Teria ficado contrariado contra a decisão antecipada do presidente de comprar os aviões Rafale, da França. Como Lula deu meia volta, Saito voltou a por o boné. Mas algo ficou nos ares.

CONSELHO AO MINISTRO MARCO AURÉLIO

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao presidente Lula. Hoje, volta sua atenção ao ministro do STF, Marco Aurélio Mello:

1. Vossa Excelência é considerado um ministro técnico, culto, preparado, independente. Nos últimos tempos, sombras têm se projetado sobre sua imagem, a partir de posicionamentos ainda não muito claros.

2. O pedido de vistas sobre o caso Cesare Batistti cria celeuma no mundo jurídico, eis que não se consegue enxergar em sua decisão motivação técnica. Dizem, até, que, nesse ínterim, o presidente da República nomeará o substituto para a vaga do falecido ministro Carlos Alberto Direito. Nesse caso, o indicado deverá participar do julgamento.

3. A sociedade aguarda com grande atenção seu parecer. Sob uma questão de fundo: se é verdade que os eventuais crimes cometidos por Batistti teriam sido prescritos sob a legislação brasileira, pode nossa Justiça julgar o mérito de outras legislações? Se na Itália, os crimes não foram prescritos, pode a justiça brasileira tomar uma decisão contrária?

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

TUDO É AMOR



Vida - É o Amor existencial.

Razão - É o Amor que pondera.

Estudo - É o Amor que analisa.

Ciência - É o Amor que investiga.

Filosofia - É o Amor que pensa.

Religião - É o Amor que busca Deus.

Verdade - É o Amor que se eterniza.

Ideal - É o Amor que se eleva.

Fé - É o Amor que se transcende.

Esperança - É o Amor que sonha.

Caridade - É o Amor que auxilia.

Fraternidade - É o Amor que se expande.

Sacrifício - É o Amor que se esforça.

Renúncia - É o Amor que se depura.

Simpatia - É o Amor que sorri.

Altruísmo - É o Amor que se engrandece.

Trabalho - É o Amor que constrói.

Indiferença - É o Amor que se esconde.

Desespero - É o Amor que se desgoverna.

Paixão - É o Amor que se desequilibra.

Ciúme - É o Amor que se desvaira.

Egoísmo - É o Amor que se animaliza.

Orgulho - É o Amor que enlouquece.

Sensualismo - É o Amor que se envenena

Vaidade - É o Amor que se embriaga.

Finalmente, o ódio, que julgas ser antítese do Amor, não é senão o próprio Amor que adoeceu gravemente.



(Dádiva de Francisco Cândido Xavier)

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Paulo Nazareno disse:


Fosse alemão,françês,italiano,etc seria tido como gênio ou até mesmo prêmio Nobel de Literatura pela obra literária.

Inteligência luminosa,asceta e de bondade contagiante.

Sem formação acadêmica,destila filosofia,psicologia,sociologia e outras áreas do conhecimento humano que só o mais profundo amor pode explicar sua genialidade.

De tantos rios da minha vida(vem aí meu livro: "o rio e a vida")veio dele um dos principais afluentes.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

OBSERVATÓRIO

Figura folclórica na cidade, o comerciante Zito Severino, estimulado por amigos, resolveu se candidatar a vereador no ano 2000. Com um discurso singular, recheado de frases aparentemente descabidas porém de efeito impactante, sua candidatura começou a ganhar corpo. No dia de um comício no bairro da Ilha, primo Zito anunciou que ali seria seu grande dia. Iria fazer um discurso e definir a vitória. Um grande contingente de admiradores foi mobilizado. Ante uma multidão ávida para ouví-lo, o locutor anuncia a fala do candidato. Zito, microfone em punho, começa a discorrer sobre a sua promissora caminhada rumo à Câmara Municipal. Diz que conta com “apoios de vinte e cinco qualidades”, ressalta a emoção de estrear no bairro da Ilha e que vai “tirar muitos votos nessas cabeças de alto”. Ao final pede que todos votem nele e, na hora de dizer o número... dá um branco e diz errado. A reação foi instantânea: a multidão o corrige dizendo o número correto.

Após o evento, diante de um pequeno grupo de amigos, Zito confessou que havia errado propositadamente. Ou seja, aquilo tinha sido uma jogada de marketing para fixar o número na memória coletiva.

Conclusão: em um comício – segundo Paulo Nazareno – o que fica são essas tiradas inusitadas ou os deslizes verbais.


CID

O governador Cid Gomes esteve em Crateús no inicio do mês para lançar varias ações governamentais, dentre elas o Ronda do Quarteirão, a recuperação asfáltica da cidade e a Policlínica. Ao mencionar a área de saúde, o Chefe do executivo estadual discorreu sobre a importância, para os homens, do exame da próstata, o popular teste do dedo. Foi a deixa para a exploração maldosa, a insinuação maledicente. De um naúncio carregado de ações produtivas e conseqüentes, o que mais se comentou foi algo irrelevante.


LIDER X GERENTE

Ram Charas e Larry Bossidy, autores do livro Execução: a disciplina para atingir resultados, discorrem com muita propriedade sobre a distinção e integração entre as facetas de líder e gerente. Líder é o que mobiliza emocionalmente as pessoas, acende o sonho coletivo e o direciona com a adesão dos outros. Gerente é o que se prende aos resultados, concentra-se no cumprimento das metas estabelecidas e segue a trilha da materialização do que foi planejado. Um político que ocupa função no Executivo há que buscar o equilíbrio destas duas características. Esta é a barreira que desafia o Prefeito Carlos Felipe. Para chegar a Prefeitura, construiu uma boa imagem de líder. Uma vez nela, amargou um veloz processo de corrosão da sua credibilidade inicial. Homem vontadoso e trabalhador, poderia se recuperar pela via gerencial, mas nesta também tem tropeçado, sobretudo por ter entregue a hegemonia desse projeto ao feudo partidário do PCdoB, agremiação contaminada por um vírus ideológico carcomido e preconceituoso.

AVANÇAR SEMPRE

Quando a população, sedenta por novos ares, apostou todas as fichas em Carlos Felipe, imaginou que o jovem médico iria fazer uma gestão acima da média. Pensou-o capaz de ser o grande líder e excepcional gerente, que conclamasse todas as forças vivas da cidade e apresentasse uma agenda agregadora. Se essa trilha se revelou equivocada, outra há de ser buscada. Longe de se quedar a frustração, o povo precisa continuar alinhavando alternativas. E tem feito.


NOME

Dentre as alternativas que são postas nas mesas de discussões, uma se revela com grande musculatura subjetiva e força objetiva. Figura testada e aprovada, amplamente conhecida, com trânsito em todas as esferas de poder. Já pertenceu ao Legislativo estadual, onde deixou um rastro inolvidável de trabalho frutífero e dedicação reconhecida. Ocupou com brilhantismo importante função no Executivo, respondendo por uma Secretaria de Estado extremamente delicada e espinhosa. Hoje, exerce função judicante, sendo vice-presidente da Corte de Contas dos Municípios cearenses. Tem conseguido destaque e granjeado respeito pela aplicação do principio da imparcialidade como Juiz das contas publicas. Seu nome: Manoel Bezerra Veras.

NOME II

No próximo ano, por uma articulação consensual dos seus pares, Manoel Veras deverá assumir a Presidência do Tribunal de Contas dos Municípios. Mesmo já dispondo de tempo para requerer aposentadoria, Veras pretende coroar o seu trabalho no TCM assumindo a principal posição na Corte, quando planeja desenvolver importantes projetos. Empós, montado no alazão da experiência e com o alforje do conhecimento acumulado, estará livre para atender qualquer chamamento público. Curtido pelo sol da maturidade, Manoel construiu pontes de diálogo respeitoso com as mais expressivas lideranças que militam no município e que comandam o estado. Ao redor do seu nome, agrega nomes de todos os matizes, de grandes partidos e pequenas agremiações, além de um expressivo contingente de vereadores e líderes comunitários somariam nesse projeto. Desnecessário dizer que contaria com o apoio entusiasmado de Cid Gomes e Domingos Filho, Ciro Gomes e Tasso Jereissati.


NOME III

Homem de vida pessoal organizada, com família encaminhada na vida (a esposa, medica destacada, é diretora do Instituto de Prevenção do Câncer, a filha é advogada e o filho, concludente de medicina), é obvio que essa postulação, para Manoel Veras, só se justificaria por uma razão sentimental: oferecer à terra natal a oportunidade de conhecer um patamar qualificado de gestão, libertando Crateús da mesmice negativa e reinserindo-a na vanguarda desenvolvimentista.


PARA REFLETIR


“Talvez a primeira grandeza de uma profissão seja a de unir homens; só há um luxo verdadeiro: o das relações humanas”. (Saint-Exupéry, Terra dos Homens)


(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

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Liduína disse:

Parabéns pelo blog. Inteligente e sensível.

PENSAR A CIDADE

O filósofo Platão relata, em Teeteto, um episódio protagonizado por seu mestre Sócrates. Segundo informa Platão, interrogam a Sócrates:

- Afinal, qual a tua profissão?

- A mesma da minha mãe – responde o pensador.

- Mas tua mãe é parteira! – exclamam os interrogadores.

E Sócrates arremata:

- Eu também. Sou parteiro de idéias.

Parto da premissa que o útero da nossa urbe é prenhe de parteiros de idéias – atentos observadores que processam a paisagem que possuímos e pincelam o quadro ideal de outra que povoa o seu imaginário.

A essas pessoas, que transitam pelas esburacadas vias do anonimato, falta apenas as conchas auriculares do cérebro que dirige a maquina pública, os ouvidos do poder político. Urge que se abra espaço, uma fresta ao menos, para que na sala escura do poder adentre o raio luminoso da inventividade popular, da criatividade que palpita no coração da cidadania.

Dar vazão às idéias é abrir a mente ao portal do sonho. No fundo, planejar é sonhar. Ou organizar o sonho, transformando-o em semente para ser lançada no solo fértil da realização.

O planejamento público é essa tarefa mobilizadora, desafio contagiante, de sistematizar o desejo coletivo, numa dinâmica interativa.

Basta que lancemos o olhar sobre o corpo da cidade de Crateús para sentirmos os efeitos da ausência desse planejamento compartilhado.

Exemplos simples confirmam essa assertiva. Há uma indústria cerâmica no bairro dos Venâncios, outra no outro extremo da cidade, no bairro Ponte Preta. Um complexo industrial foi erigido no bairro Fátima I, atrás da escola Santa Inês. Na saída para Novo Oriente, próximo a Justiça do Trabalho, funciona outro parque fabril. Quando a cidade se planeja, o setor de indústria se localiza em uma única área, estrategicamente disposta para compatibilizar o desenvolvimento com o respeito à qualidade de vida das pessoas e o meio ambiente.

Onde estão nossas áreas verdes? Como o pulmão para o ser humano, a cidade precisa de espaços verdes que propiciem a integração dos que a habitam com a energia revitalizadora da Natureza. Há alguns anos foi desenhado um projeto estupendo de recuperação do leito urbano do nosso rio chamado Parque Ecológico do Rio Poty. Além da recuperação da mata ciliar, prevê a otimização da orla fluvial a partir da construção de equipamentos coletivos de lazer, atividades físicas e divertimento. É imperioso que se priorize a execução desse projeto, essencial para a oxigenação da cidade.

Cidade de feição meramente horizontal, Crateús precisa estimular o crescimento vertical, que facilita a concentração de pessoas e diminui a demanda de serviços de infra-estrutura, em geral onerosos aos cofres públicos. A cada nova rua que se abre, aumenta a demanda por pavimentação, iluminação publica e saneamento básico, dentre outros. Na medida em que se investe na construção de edifícios, em áreas onde já estão disponibilizados os serviços básicos, diminui-se o ônus do erário.

É obvio que essas perorações têm um único objetivo: frisar a necessidade de pensarmos a cidade. Definirmos o seu rumo. Em uma palavra: planejá-la! Com espírito desarmado, com o horizonte aberto para o futuro, com o coração palpitando de sonhos revolucionários, com a alma sintonizada nas energias vitais. Tarefa impossível? Jamais. Basta que o poder público reúna os nossos anônimos parteiros de idéias e se lhes dê assento e palavra, vez e voz, dignidade e respeito.


(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

sábado, 12 de setembro de 2009

MENSAGEM À CLASSE ADVOCATÍCIA DO CEARÁ

Quando se aproxima novo embate para a escolha dos dirigentes da OAB, mais se faz notar o prestígio dessa instituição, como um dos sólidos pilares para o aperfeiçoamento da democracia brasileira.

A importância da Ordem dos Advogados do Brasil em nosso País, em face do papel de grande relevância que desempenha no cenário nacional, e, por isso, credora do respeito e admiração do nosso povo, chega a ser um patrimônio da República brasileira, estando muito acima do restrito papel de órgão representativo de uma classe profissional.

Aos que fizeram opção pela tão bela quanto difícil arte de advogar, atuando em campo e horizonte tão vastos, devem cuidar de fortalecer a nossa entidade, contribuindo para a realização de um pleito limpo, transparente, democrático, onde prevaleça a vontade da maioria, com o respeito a todos, eleitores e candidatos, não fazendo de injúrias, ofensas, indignidades e insinuações malévolas, o seu instrumento de pretenso convencimento em busca de voto. A eleição da OAB, como entidade paradigma da sociedade, mais do que nunca deve representar um memorável acontecimento, ordeiro e festivo.

A nós, signatários desta mensagem, intransigentemente fiéis ao ideário da gloriosa Ordem dos Advogados do Brasil, calejados no cumprimento do honroso ofício da advocacia e partícipes com muito orgulho da história da OAB, pela nossa natural maturidade, cabe não somente o dever, mas a obrigação de nos posicionar diante de tão notável evento.

E este posicionamento é de apoio à candidatura do ilustre colega VALDETÁRIO MONTEIRO, honrado, dinâmico, independente e intrépido profissional do direito, até porque no dicionário do advogado não figuram os vocábulos subserviência e covardia. Homem de origem modesta, que triunfou em sua vida profissional mercê de seu esforço e reconhecida competência, Valdetário tem emprestado sua valorosa colaboração à OAB, como ex-Presidente da Comissão de Estudos Tributários, como Secretário Geral, quando se revelou excelente administrador e, presentemente, como extraordinário Presidente da Caixa de Assistência, com realizações nunca dantes vistas em benefício da classe.

O nosso candidato tem manifestado que, se eleito, não concorrerá a um segundo mandato e nem fará da OAB trampolim para disputas político partidárias. De outra parte a experiência e vocação patentes em sua corajosa trajetória, justificam a nossa opção pelo seu nome à Presidência da Seccional da OAB, na certeza da continuidade de um incessante trabalho a favor da categoria, além da permanente vigilância na defesa das prerrogativas do advogado e dos direitos da pessoa humana.

Por tais e tantas razões, pedimos aos prezados colegas advogados e advogadas o voto em VALDETÁRIO MONTEIRO, que encabeça o Movimento OAB PRA VALER.

Fraternalmente,

Ernando Uchoa Lima, Advogado, ex-Presidente da OAB-CE por dois mandatos e ex-Presidente do Conselho Federal da OAB;

Raimundo Bezerra Falcão, Advogado, Professor de Direito da UFC e ex-Presidente da OAB-CE;

José Danilo Correia Mota, Advogado, foi Membro da Diretoria da OAB-CE, Conselheiro, por três mandatos, Presidente da Caixa de Assistência; Membro e Presidente do Tribunal de Ética da OAB-CE;

José Júlio da Ponte, Advogado, Professor de Direito da Unifor, foi Membro da Diretoria e Conselheiro da OAB-CE por três mandatos e ex-Diretor da FESAC.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

PARABÉNS, HERMANO!


Hoje celebramos a vida do Hermano, meu filho caçula. Quando ele ainda era pequenino, escrevi esse acróstico para ele:

Honra-me muito te louvar como filho
Errante garoto de espírito andarilho
Represo a água que escorre de tua fonte
Medito sob a luz que brilha em tua fronte
Adoro tua alma de precoce poeta
Nomeio-te líder dos céus, patrono dos montes
Ordeiro guerreiro da bondade secreta!

Todos sabemos da carga energética, da magia contagiante que transita no córrego de todo nome.

HERMANO – irmão em espanhol – é fruto de um lampejo que tive quando escutava “Los Hermanos” - composição do argentino Atahualpa Yupanqui, pseudônimo de Héctor Roberto Chavero - na voz fenomenal da inesquecível Elis Regina.

Segue, abaixo, uma tradução livre que fiz:

Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar
En el valle en la montaña / No vale, na montanha
En la pampa y en el mar / No pampa e no mar
Cada cual con sus trabajos / Cada qual com seus trabalhos
Con sus sueños cada cual / Com seus sonhos cada qual
Con la esperanza delante / Com a esperança adiante
Con los recuerdos detrás / E as lembranças atrás
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar

Gente de mano caliente / Gente de mãos calejadas
Por eso de la amistad / Por isso, da amizade
Con um lloro para llorarlo / Com lágrimas para chorar
Con un rezo para rezar / Com oração prá rezar
Con un horizonte abierto / Com um horizonte aberto
Que siempre esta más allá / Que sempre está mais prá lá
Y esa fuerza pa buscarlo / E essa força prá buscá-lo
Con tezón y voluntad / Com muito tezão e vontade
Cuando parece más cerca / Quando parece mais perto
Es cuando se aleja más / É quando se distancia mais
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar

Y asi seguimos andando / E assim seguimos andando
Curtidos de soledad / Curtidos de solidão
Nos perdemos por el mundo / Nos perdemos pelo mundo
Nos volvemos a encontrar / Voltamos a nos encontrar
Y asi nos reconocemos / E assim nos reconhecemos
Por el lejano mirar / Pelo distante olhar
Por las coplas que mordemos / Pelos versos que mordemos
Semillas de imensidad / Sementes de imensidade
Y así seguimos andando / E assim seguimos andando
Curtidos de soledad / Curtidos de solidão
Y en nosotros nuestros muertos / E em nós os nossos mortos
Pa que nadie quede atrás / Prá que ninguém fique atrás
Yo tengo tantos hermanos / Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar / Que não os posso contar
Y una hermana muy hermosa / E uma irmã muito formosa
Que se llama libertad / Que se chama LIBERDADE.

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Olá Júnior,

Junto-me a você para parabenizar, seu filho. Que Deus ilumine os caminhos do Hermano e que a felicidade seja uma parceira presente agora e sempre.

É muito bonito ver você, Júnior, valorizando seu lado familia nesse blog.

Um abraço,
Dalinha

A FELICIDADE É POSSÍVEL!


A luta pela sobrevivência está brutalizando o ser humano. As pessoas vivem extremamente pressionadas. A competição tem servido como justificativa para todos os tipos de absurdos. Milhões de anos depois do homem das cavernas, a vida continua sendo um campo de batalha. As pessoas destroem a si mesmas e aos outros para atingir suas metas. A maneira como constroem seu sucesso é agressiva, e a vitória é saboreada solitariamente, devido ao medo dos adversários.

O preço disso tudo tem sido muito alto. É impressionante o aumento do número de famílias desagregadas, do consumo de drogas e da violência insana que nos cerca. Há empresas cujos gerentes, com mais de dez anos de casa, sofreram infarto. Em muitas delas, as pessoas são consumidas como laranjas: espreme-se o suco e joga-se fora o que delas sobrou, o bagaço. Perdeu-se a dimensão do ser humano. Os Tempos Modernos de Chaplin estão cada dia mais atuais.

A sociedade transformou-se em um liquidificador de sonhos, triturando a nobreza da maioria das pessoas. Os sonhos vão sendo substituídos por destruição.

Na adolescência, queremos viver um grande amor, mas depois dominamos a pessoa amada.

Na juventude, sonhamos criar um planeta melhor, mas depois de algum tempo só pensamos em juntar o máximo possível de dinheiro.

Queremos ser amigos de nossos filhos, mas exigimos deles obediência incondicional.

No começo da vida profissional, toda pessoa quer um trabalho que a realize. Algum tempo depois, essa realização significa conseguir dinheiro suficiente para comprar tudo aquilo que se deseja ou para pagar as contas no final do mês.

Chamam a isso processo de maturidade. As pessoas substituem a ingenuidade pelo realismo. Na verdade, o que ocorre é um empobrecimento da vida. Os sonhos vão se atrofiando, diminuindo de tamanho, até se reduzir a prêmios de consolação.

Como uma loteria, a sociedade cria prêmios. Todos apostam suas vidas, mas poucos efetivamente conseguem sua realização pessoal. É triste ver tanta gente correndo atrás de ilusões.

Basta! Está na hora de colocarmos um ponto final nessa mentalidade pobre em que, para alguém ganhar, outro tem de perder. Mentalidade miserável como essa só pode criar um mundo miserável. A exploração começa na empresa, passa por marido ou esposa, chega aos filhos e, no final, você descobre que o maior prejudicado foi você mesmo. A lei da selva precisa acabar, e, para que isso aconteça, deve primeiro desaparecer dentro de nós.

É perfeitamente possível ganhar muito dinheiro e construir uma família feliz. Ter uma empresa lucrativa, na qual todos se sintam felizes de trabalhar. Ter um casamento feliz e criar uma vida profissional gratificante. Tudo isso é possível quando se tem fé na existência.

(Por Roberto Shinyashiki)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

CÔMPUTO E COMPUTO

Pachequinho e Chico Fulô eram muito populares e vereadores do PTB em Belo Horizonte. Disputavam as mesmas áreas e viviam brigando. Na tribuna, Waldomiro falava de tuberculose e tuberculosos, seu assunto predileto:

- A cidade está cheia de tuberculosos. Não sei ao certo quantos são, mas eu computo...

Pachequinho aparteou:

- Não é computo não, ilustre vereador. É cômputo.

- Eu sei que é cômputo. Mas, falando com Vossa Excelência, eu falo computo.

Foram às vias de fato. Quem conta é o impagável amigo Sebastião Nery.

PEIXE FORA D’ÁGUA

Vejamos, agora, esta historinha, ocorrida em 24 de junho de 1986, noite de São João, em Fortaleza, Ceará. Tasso Jereissati, convidado por Barros Pinho, deputado estadual do MDB, dirige-se a um clube de um grande bairro popular de Fortaleza. É a sua primeira experiência no meio do povo. Candidato a governador do Ceará, sua missão é presidir um júri que vai julgar fantasias juninas. Está completamente deslocado, um peixe fora d’água. Chega ao ambiente e sob conselho deste escriba, vai, de mesa em mesa, fazendo rápida apresentação. Começa a presidir o evento. Encabulado, não sabe o que fazer. Enrola-se. Só era conhecido no bairro de classe média alta, Aldeota. Tinha menos de 2% de intenção de voto.

SE POLÍTICA FOR ISSO...

Depois do evento junino, angustiado, ele, Sérgio Machado, na época seu braço direito e este escriba dirigem-se a um restaurante na praia para degustar uma lagosta. Sob o efeito do uísque tranquilizante, Tasso desabafa: "desisto, amigos; se política for isso, assistir a batizado, casamento, velório, festa junina, não contem comigo". O iniciante estava transtornado. Insatisfeito com sua performance. No Hotel Esplanada, numa máquina Lettera 22, esbocei o planejamento de sua campanha. O moderno contra o arcaico. Tasso deu um banho nos três coronéis que comandavam a política cearense: Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra. Com 600 mil votos de diferença.

LULA CAI

Luiz Inácio, também conhecido como efeito teflon (nada gruda nele), caiu quatro pontos na pesquisa Sensus desta primeira semana de setembro. O clima conturbado – defesa de Sarney e outros pontos de tensão na esfera federal – baixaram um pouco a bola de Lula. Que, imediatamente, puxou a alavanca da imagem, elevando o tom a respeito do Pré-Sal e sua importância para a elevação do país à condição de potência do petróleo. A propaganda governamental – intensa e com foco na auto-estima dos brasileiros – poderá resgatar os pontos perdidos por Lula.

SARKOZY E O COFRE CHEIO

O Brasil vai às compras. E começa a desfraldar a bandeira de Nação mais forte da região nas frentes naval e aeronáutica. O pacote comprado da França – submarino, helicópteros e os aviões de caça Rafale – deverá chegar aos R$ 31,1 bilhões. Os recursos serão financiados por bancos franceses e espanhóis. Lula fechou posição em torno do avião francês, que é o mais caro. Os americanos e os suecos ficarão – literalmente – a ver navios. Dizem que os EUA não ganharam a parada porque poderiam vetar a transferência de tecnologia. E o avião sueco ainda está no desenho. Pode ser. Argumento central: o Brasil quer usar a França como parceira estratégica.

SERRA, O DOBRO DE DILMA

José Serra tem, hoje, um índice de intenção de voto que é o dobro do conseguido por Dilma Rousseff: 39% a 19%, segundo a pesquisa Sensus. Mas Dilma poderá chegar aos 30%. Serra poderá oscilar, na campanha, entre 40% a 45%. Com os votos de Marina Silva e Ciro Gomes, teremos um segundo turno mais que agitado. O voto de decisão será influenciado por: fatores econômicos, episódios pontuais – circunstâncias – e um inesperado golpe de sorte de algum candidato, sendo este fator bastante imprevisível.

PAC CONTINUA EMPACADO

O Programa de Aceleração do Crescimento é um slogan que acabará se transformando em bumerangue. Vejam só: em São Paulo, apenas 6% das obras previstas pelo PAC estão dentro do calendário. Ou seja, mais de 90% não entraram nos eixos. Por isso mesmo, Lula já não fala muito desse empacado PAC. A recorrência, agora, é pré-sal, pré-sal, pré-sal... Que, como se sabe, vai mostrar petróleo rentável apenas entre 2020/2025.

CUIDADO, CANDIDATOS

Importar modelos é uma prática lastimável. Na campanha presidencial da Argentina de 1999, uma peça produzida por um marqueteiro brasileiro mostrava o candidato governista, Eduardo Duhalde, cabisbaixo, e um locutor dizendo: "Você acha justo o que estão fazendo com ele?" Para a machista sociedade argentina, um candidato que se apresenta como perdedor é o retrato de uma tragédia. A peça provocou a ira implacável da mulher do candidato, Hilda. A cultura argentina não cultiva tanto a emoção quanto a brasileira. O trabalho, considerado amador, provocou a queda de Duhalde nas pesquisas. Foram torrados US$ 25 milhões em dois meses.

SER OU NÃO SER

Antônio Palocci continua tomado por dúvidas; ser ou não ser candidato ao governo de São Paulo? Em não sendo, cederá o lugar a Emídio de Souza, o prefeito de Osasco. Ciro Gomes, com medo de perder, já se retira do páreo paulista. Apesar de eventual decisão para fincar, aqui, raízes eleitorais. Tem apartamento pronto e vago para morar e basta mudar o título eleitoral. Prazo: final deste mês.

ALOYSIO E ALCKMIN

Vamos às últimas a respeito de Aloysio Nunes Ferreira, o chefe da Casa Civil de José Serra, e Geraldo Alckmin, secretário do Desenvolvimento. O quadro não mudou. Aloysio continua sendo o candidato do governador Serra e do prefeito Kassab para o governo. Ostenta, hoje, algo como 4% dos votos. Alckmin tem, hoje, cerca de 45% de intenção de voto. Mas não conta com a preferência do governador e do prefeito. Que acreditam ser possível, mais adiante, alavancar a candidatura do chefe da Casa Civil. Para Geraldo, restaria uma vaga para o Senado. A conferir.

RISCO? COMIGO NÃO, VIOLÃO

Mas José Serra, ao que se sabe, não é muito disposto a enfrentar riscos. Principalmente quando o risco é mais alto que o sonho de chegar ao Palácio do Planalto. Se perceber que uma derrota em São Paulo poderia ameaçar seu voo, Serra colocará outra pessoa no lugar de Aloysio. E essa pessoa, só em última análise, seria Alckmin. Há mais chances, por exemplo, de ser o próprio prefeito Kassab. E mais: se Serra perceber que a vitória no pleito presidencial é algo tão distante que escapa à vista, desistirá. Convocará Aécio Neves. Que também já se movimenta pelo país. Ambos – Serra e Aécio – estão combinados.

QUERELAS SALGADAS

Nas próximas semanas, o país mergulhará em águas salgadas. Os quatro projetos em torno do Pré-Sal deverão acirrar os debates na Câmara e no Senado. O mais polêmico dirá respeito à partilha dos royalties, cuja Comissão terá como relator, o deputado Henrique Alves (PMDB-RN), líder do PMDB na Câmara, e como presidente, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Os canhões para disparo de sal começam a ser fabricados.

BOMBA ATÔMICA?

Será que o Brasil tem condições tecnológicas para fabricar a bomba atômica? Tem, sim, garante o general Alberto Mendes Cardoso, ex-chefe da Casa Militar e do Gabinete de Segurança Institucional no governo FHC. Se um general que ostenta cargos como o que exerceu Alberto Cardoso afirma, categoricamente, essa possibilidade, não se pode por dúvida. Este escriba não duvida de opiniões com este calibre. Mas, e daí? Uma coisa é saber fabricar, outra é decidir fazer. Entre ambas, um oceano de distância. Até porque o Brasil não se sente ameaçado nem mesmo motivado a entrar no arsenal de guerra mundial.

E A POTÊNCIA NAVAL?

E, por que o país quer ser potência naval e aeronáutica, a mais forte da região, com a compra dos armamentos franceses? Será que o nosso petróleo poderá ser surrupiado? Piratas da Somália poderão fugir com os nossos cargueiros de óleo? Sei não. Essa justificativa – proteção de nossas costas e do nosso óleo – mais parece conversa mole para boi dormir ou, como diria o senador Marco Maciel, prosopopéia flácida para acalentar bovinos.

E A VACINA CONTRA A SUÍNA, HEIN?

Quando essa gripe suína estiver nos estertores, chegará ao Brasil um carregamento de vacinas da França: um milhão de vacinas. Os franceses ainda mandarão material para fabricação de 17 milhões de doses. É muita dose atrasada para muita gripe anterior.

AGRONEGÓCIO NO CODEFAT

O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) defendeu a inclusão do agronegócio no CODEFAT. Como é sabido, a presidência do órgão caberia, por sistema de rodízio, a uma entidade patronal. Havia consenso que a CNA, presidida pela senadora Kátia Abreu, ocuparia a vaga. Contrariando expectativas e consensos, o comando do órgão foi direcionado ao improvisado CNS – Conselho Nacional de Serviços. Moreira Mendes conhece o setor de agronegócios e sabe melhor do que muitos o quanto aquele trade já rendeu em benefícios para o país.

TURISMÓLOGO

Aliás, Moreira Mendes também é autor do Projeto de lei 6906/02 (que estatui a profissão de turismólogo), que apresentou quando exercia o mandato de Senador. A proposta recebeu, semana passada, parecer favorável da relatora, deputada Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG), que acatou emendas ampliando sua abrangência. A seguir, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou o reconhecimento da profissão. Entre as atribuições desse profissional estão a organização de eventos, o planejamento e a divulgação de produtos turísticos, a formulação de políticas para o setor, a criação de roteiros turísticos e de planos de marketing, assim como o ensino na área. Para o exercício da atividade na área de turismo, o texto aprovado estabelece que o profissional deverá obter o registro em órgão federal da categoria, cuja criação ficará a cargo do Poder Executivo. Tramitando em caráter conclusivo, o projeto poderá ser remetido diretamente à sanção presidencial. Ele só será votado pelo Plenário se, no prazo de cinco sessões, houver recurso assinado por no mínimo 52 deputados.

7 DE SETEMBRO

Cada vez mais os desfiles de 7 de setembro são cada vez menos deslumbrantes. Tornaram-se frios e burocráticos. A taxa cívica, se ainda existe, não toca mais de perto os corações. Qual a razão?

LULA, DESTRAMBELHADO?

Essa foto de Lula segurando o presidente da França, Nicolas Sarkozy, por trás parece brincadeira de mau gosto. Se o presidente queria fazer gracinha com Sarkozy – buscando uma imagem engraçada no espelho – conseguiu efeito contrário.

TEMER AGRACIADO

Michel Temer, presidente da Câmara, será agraciado com a Medalha Cavaleiro na Ordem da Legião de Honra, que receberá, dia 15, em Paris. Agraciados foram também Sérgio Cabral, Ivo Pitangui e Paulo Coelho.

NORDESTE QUER VOLTAR À AGENDA

O senador César Borges (PR-BA) pretende promover um ciclo de debates sobre o Nordeste na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, onde é vice-presidente. Em sintonia fina com a sugestão de Tasso Jereissati (PSDB-CE), o senador baiano, sempre com sua bússola calibrada para questões importantes, vai coordenar uma agenda visando avaliar a atuação de instituições como a SUDENE, o Banco do Nordeste e BNDES. Tasso deu a abordagem: o Nordeste e os gargalos de desenvolvimento saíram da agenda do Senado, da agenda nacional e da própria agenda do governo federal. O senador cearense tem suas razões.

CONSELHO AO PRESIDENTE LULA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao corpo parlamentar. Hoje, volta sua atenção ao presidente Lula:

1. Tente dar ao Pré-Sal a identidade que ele carrega, sem diminuir nem acrescentar.

2. Mostre que os resultados do programa só serão alcançados dentro de 10 a 15 anos, evitando, dessa forma, exageros que ameaçam contaminar o palanque eleitoral de 2010.

3. Procure uma base mínima de consenso, pela via da congregação de interesses de Estados produtores e Estados consumidores.


(Por Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ENTREVISTA


(Por Dideus Sales)

Na contracapa do seu livro “Amores e Clamores da Cidade”, escrevi que Júnior Bonfim é orador insigne, político habilidoso, poeta iluminado e cronista maiúsculo.

Conheci-o ainda muito jovem, no alvorecer da década de oitenta, e fiquei impressionado com tamanha desenvoltura, ocasião em que discursava para platéia superior a cinco mil pessoas que, como eu, acompanhava enlevada a cachoeira de frases muito bem metaforizadas e ricas em sintaxe.

O seminário fora a roça onde colhera os frutos que alimentaram e solidificaram sua prática humanística. Inebriado, sorvera na fonte do mensageiro da dignidade D. Fragoso, gota a gota, sábias lições de justiça social e de amor ao próximo.
Elegante ator dos palcos da política, não aplica revanchismo, usa a verve com competência para transitar nos íngremes e ínvios terrenos antagônicos, apregoando a conjugação do verbo contemporizar.

Sua nova obra é uma miscelânea tecida com fios da alma. Uma cascata que se derrama no Saara cultural da nossa terra e nos chega com toda graça, oferenda deste fulgurante escritor que se consolida como o melhor cronista da pátria dos Caratiús.

Integrante da GENTE AÇÃO, Júnior assina a Coluna “Gente Que Brilha”, onde apresenta perfis de crateuenses que se destacam nas suas áreas de atuação.

Hoje, recebemos o JB para um bate-papo.

GENTE DE AÇÃO – Como foi o lançamento do seu livro em Fortaleza?


JÚNIOR BONFIM – Para mim, um evento memorável. Primeiro, porque se transformou em um fraterno e emocionante encontro da colônia crateuense, que compareceu em grande número à festa. Segundo, porque agregou outros segmentos com os quais temos contato permanente: imortais da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF, à qual pertencemos; colegas operadores do direito; irmãos de militância maçônica; figuras expressivas do mundo político que atuam nas mais variadas agremiações partidárias; amantes das letras de todos os matizes e, por fim, amigos e amigas com os quais tecemos o linho da amizade. Obviamente, o fato do grande poeta e acadêmico Juarez Leitão, cuja eloqüência é festejada nas mais altas rodas literárias da Capital, haver se colocado à disposição para fazer a fala de apresentação foi um grande chamariz. Comoveu-nos especialmente o comparecimento de uma caravana de Aracati e a chegada surpreendente do estimado Senador José Neri, que nos brindou com um caloroso depoimento.

GENTE DE AÇÃO – Como está sua vida atualmente?


JÚNIOR BONFIM – Vivo hoje dedicado a um tripé que pode ser sintetizado em três efes:

- forense –
que compreende o exercício da atividade jurídica nos fóruns aquecidos pelo sol do nosso sertão e nos Tribunais bafejados pela brisa do litoral, onde milito na advocacia com paixão e alegria;

- filantrópico-literário –
abarca a necessidade que sempre alimentei de estar desenvolvendo algum trabalho suscitador da alegria de outras pessoas, da felicitação dos demais, visto ser algo que sempre retorna prá gente mesmo. É isso que eu procuro passar na Coluna que lapido nesta Revista. E também na página que assino no Jornal Gazeta do Centro-Oeste, de Crateús. Aliás, está na dedicatória do meu último livro que o escrevi fruto das provocações que você, amigo Dideus, e o jornalista César Vale me fizeram. Eis a razão de a obra ser dedicada a vocês dois.

GENTE DE AÇÃO – Você também possui uma página pessoal na internet?

JÚNIOR BONFIM – Ah! É verdade. Alimento um blog cujo acesso é pelo endereço http://juniorbonfim.blogspot.com/. Digo lá que é um espaço que se quer simples: um altar à deusa Themis, um forno que libere pão para o espírito, uma mesa para erguer um brinde à ética, uma calçada onde se partilhe sonho e poesia!

GENTE DE AÇÃO – E o terceiro efe, qual é?


- é o familiar –
as ondas tempestuosas da militância social, onde sempre estive imerso, via de regra nos impõem, dentre outros, um sacrifício íntimo: o distanciamento do universo familiar. Tenho buscado, ultimamente, reparar um pouco esse contratempo.

GENTE DE AÇÃO – Você tem algum projeto literário futuro? Pensa em escrever outra obra?

JÚNIOR BONFIM – Sim. Acho extremamente fascinante o manejo da escrita ou a arte de renomear as coisas. Meu primeiro livro foi de poesias; o segundo, de crônicas. Penso em desenvolver outra modalidade. Mas, antes de tudo, procuro cuidar do principal: regar o jardim dos bons pensamentos. Os franceses ensinaram que “bem escreve aquele que bem pensa”. E, ademais de pensar correto, procurar alimentar o laço matrimonial entre prédica e prática, entre a palavra gerada (seja ela escrita ou falada) e a ação desencadeada. Escrever ou falar nos coloca no palco da observação coletiva. Somos analisados por quem nos lê ou escuta. Por isso, temos que estabelecer uma vigília permanente sobre o nosso interior, ficar em sintonia freqüente com a voz íntima, a da consciência, que indica a trilha correta.

GENTE DE AÇÃO – Como surgiu a idéia de fundar a Academia de Letras de Crateús?

JÚNIOR BONFIM – Em 2007, quando ingressei na Academia de Letras Municipalista do Ceará – AMLECE – hoje, Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF, fiquei laborando mentalmente a idéia de fundarmos um Sodalício de Letras em Crateús. A semente germinou, a Academia foi oficialmente fundada em junho passado e os primeiros frutos estão surgindo, inclusive com o lançamento de obras novas de alguns acadêmicos.

GENTE DE AÇÃO – E o trabalho na área jurídica?


JÚNIOR BONFIM – Como ressaltei, é outra das minhas paixões. A pugna advocatícia é, a um só tempo, árdua e empolgante, desafiadora e envolvente. Associei-me a um grupo de colegas que atuam na área que tenho mais identificação, que é o Direito Público, e estou no pleno exercício desse múnus, que exige dedicação permanente.

GENTE DE AÇÃO – Qual o seu pensamento sobre a próxima eleição da OAB no Ceará?

JÚNIOR BONFIM – O processo eleitoral é um momento privilegiado para estimularmos o calor do debate, o aprofundamento das discussões. Tenho uma posição que, desvinculada de qualquer questão pessoal, é de natureza eminentemente conceitual: acho que é mais de uma reeleição, ou o chamado “terceiro mandato” – em qualquer esfera – é pouco republicano. No entanto, pondero que o debate jamais há que se quedar somente a esse item. Precisamos realizar uma reflexão abrangente, com caráter de totalidade, a fim de redesenharmos o papel de uma instituição que sempre esteve presente nos mais altos momentos da vida nacional.

GENTE DE AÇÃO – Que mensagem você quer deixar aos leitores da Gente de Ação?

JÚNIOR BONFIM – Faço minhas as palavras de Chaplin: “Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade.”

(Publicada na Revista GENTE DE AÇÃO)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

OS SEGREDOS DE LULA


OS “SEGREDOS” DE LULA


RIO – Tancredo Neves, no fim de 1984, tinha um segredo sagrado: o vice-presidente. Depois de um ano costurando, com todo o seu talento, os receios militares e as alianças políticas, decidiu: o vice-presidente seria Antonio Ermírio de Moraes.

Por três razões. Era um nordestino empresário em São Paulo. Tinha dinheiro para a campanha. E o pai tinha sido senador do PTB, amigo de Getúlio, de João Goulart e dele.

Mas a Frente Liberal, saída do PDS, queria um pefelista do Nordeste. Quando Franco Montoro, governador de São Paulo, fez a reunião de governadores no palácio dos Bandeirantes para pedirem a Tancredo que deixasse o governo de Minas e saísse candidato a presidente, Tancredo lhe prometeu que o primeiro a saber o vice seria ele.

TANCREDO

Uma noite, em São Paulo, Tancredo disse a Montoro que ia convidar Antonio Ermírio. Montoro achou ótimo. E Tancredo pediu segredo absoluto, inclusive para Antonio Ermírio, porque a Frente Liberal estava reivindicando e a escolha tinha que ser anunciada no momento certo.

Uma tarde, em São Paulo, Montoro chamou ao palácio o jornalista Mauro Santayana, assessor de confiança de Tancredo. Na entrada, Mauro passou por Antonio Ermírio, que saía.

Montoro, que não confiava nos telefones do governo Figueiredo, como nenhum político sensato confia nos telefones de governo nenhum, pediu a Mauro que fosse a Minas dar um recado a Tancredo.

MONTORO

Depois de conversarem sobre as chamadas amenidades,Montoro falou:

- Diga ao Tancredo que o Antonio Ermírio aceitou.

Tancredo também não acreditava em telefone nem nas paredes do seu Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. Quando Mauro chegou ao Palácio, Tancredo não quis conversa:

- Vamos para as Goiabeiras.

“Goiabeiras” é como Tancredo chamava o Palácio das Mangabeiras, residência do governador de Minas, no alto da serra. Entrou lá, em cujas salas e varandas também não acreditava, foi para a beira da piscina, serviu um uísque para os dois. Mauro sentou-se ao lado, esperou a conversa.

- Mauro, qual é o recado do Montoro?

- Mandou dizer que o Antonio Ermírio aceitou.

ERMIRIO

Tancredo pôs as mãos na cabeça e esfregou angustiadamente:

- Queimaram nosso candidato.

Mauro tentou aliviar a decepção de Tancredo:

- Mas isso só vai ficar entre Montoro e o Antonio Ermírio.

- Você não conhece a alma humana, Mauro? Hoje Ermírio conta à mulher e pede segredo absoluto. Amanhã, a mulher do Ermírio conta à melhor amiga e pede segredo absoluto. Depois de amanhã, já vamos ler numa coluna de jornal. A Frente Liberal exige o Sarney. E o vice vai ser o Sarney, que eles indicaram, e não o Antonio Ermírio, que eu queria.

E foi exatamente o que aconteceu. Um jornalista furou a noticia. Antonio Ermirio não guardou o segredo. Era o José Alencar de Tancredo que morreu pela boca. Sarney foi presidente por um segredo não guardado.

LULA

Lula não é Tancredo, não é Montoro, não é Antonio Ermirio, não é Sarney. Mas tem o complexo do “segredo”. Ele acha que antes dele no Brasil não houve nada e por isso vai desovando um a um seus “segredos” para o pais, numa paranóica megalomania que nem Freud explica,

Um dia anunciou o Fome Zero como se fosse criação dele e nem teve a delicadeza de dizer que o Fundo Contra a Pobreza já estava aprovado na Constituição, proposto por seu novo aliado Antonio Carlos Magalhães

Outro dia empacotou o Bolsa Família sem também ter a gentileza de confessar que seu ministro da Educação Cristovam Buarque já havia criado antes, ali em Brasília, o Bolsa Escola, e que Fernando Henrique também havia implantado outras “bolsas”, todas incorporados ao Bolsa Família.

JUSCELINO

Achava pouco. Precisava de um “segredão”. E jogou no colo da sua candidata Dilma Roussef o novo filho eleitoral, o PAC, que não passa de uma fraude orçamentária : um balaio de verbas já aprovadas, com nomes novos e destinos rebalanceados. E continuam mais verbas do que obras.

Agora, foi buscar em 60 anos de lutas nacionais seu ultimo “segredo” : a Petrobrás e o Pre-Sal, como se fossem descobertas e criações dele. Já que ele não lê, manda o Franklin Matins ler a pagina 4134 do “DHBB, Dicionário Historico-Biografico Brasileiro”, da Fundação Getulio Vargas:

- “Deixando o Executivo do Amapá, em 1° de fevereiro de 1956, um dia depois da posse de Juscelino na presidência da Republica o coronel do Exercito Janary Nunes assumiu a presidencia da Petrobrás (criada em 1953). Juscelino dedicou especial atenção ao petróleo, tendo por meta elevar a produção de 6.800 barris para 100 mil, até o fim do seu governo”.

PETROBRÁS

Cumpriu e a Petrobrás disparou. Depois de Janary, veio o coronel Sardenberg em 1959. De 62 a 64, Francisco Mangabeira. Com dirigentes, tecnologia, técnicos e recursos nacionais, a Petrobrás chegou ao Pré-Sal. Já que não respeita o pais, Lula precisa ao menos respeitar a historia.


(Por Sebastiao Nery)

sábado, 5 de setembro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL

Um discurso histórico

Campanha de 1968, para a prefeitura de Mossoró, Rio Grande do Norte. Aluízio Alves, governador, foi chamado para ajudar o correligionário Antônio Rodrigues, identificado com as causas dos pobres, contra o intelectual Vingt-Un Rosado. Era a campanha do "touro" – Vingt-Un – contra o "capim", Toinho. Mas este tinha um grave problema : era alcoólatra. Comício de encerramento da campanha. Aluízio chamou a mulher de Toinho, Maria Augusta, e disse: "vou ter que tocar no problema dele, o alcoolismo".

-Pelo amor de Deus, governador, não toque no assunto.

-Deixe comigo.

Multidão silenciosa. Solene, o governador tirou uns papéis do bolso e começou:

- Vamos perder a campanha. Tenho aqui uma pesquisa. Toinho vai perder.

Um sussurro toma conta dos pasmos eleitores. Decepção. Frustração. Impávido, Aluízio retoma:

- Vamos perder porque Toinho Rodrigues é alcoólatra.

A balbúrdia se estabelece. Nervosa.

A cara do povo

O orador pede silêncio e faz a peroração que marcou um dos capítulos mais vibrantes da história do palanque político:

- Ao chegar a Mossoró, passei pelo açougue e vi, assombrado, o preço da carne, uma carestia. Passei pela farmácia e vi o absurdo que são os preços dos remédios.

O governador continuou os relatos sobre preços e a carestia e histórias de pessoas que não conseguiam comprar alimentos. Citou Pedro dos Anjos, Deca de Antônio Gadelha, Manoel Bernardino, Chico de Saturnino, compadre Azarias, Tintim, Sebasto, cada um com suas frustrações e lamúrias por não poderem comprar um quilo de carne, um litro de leite, um quilo de feijão. E arrematava:

- Frustrados, passam pela bodega e pedem um oito de cachaça. Têm vergonha de chegar em casa sem alimentos para os filhos. Tomam sua cachacinha e se acostumam a beber.

E começou a fazer a comparação:

- Vocês sabem quanto custa uma garrafa de uísque? Com o preço de uma garrafa dessa bebida estrangeira, dá para comprar 30 garrafas de cachaça. Sabem quem bebe uísque? O dr. Vignt-Un Rosado, intelectual, rico, que não quer sentir o cheiro de cachaça. E detesta pobre. Vamos perder a eleição. Dr. Vingt-Un será eleito. Agora, imaginem a situação.

Zé do Peixe chega na Prefeitura, com aquele bafo de cachaça, para falar com o prefeito.

- Quero falar com esse Vantan.

Ele bebe uísque.

Um assessor, engravato, diz logo:

- O prefeito está em reunião. Não pode atender.

Aluízio conta mais dez casos de bêbados que são expulsos do lugar. A seguir, faz a comparação:

- Imaginem, agora, Toinho, eleito prefeito de Mossoró.

Chega na Prefeitura o cachaceiro Luiz de Zefa das Baixas. Que vai logo exigindo:

- Cadê o prefeito "Toim"?

O assessor de "Toim" cochicha no ouvido dele: "Prefeito, tem um cachacista militante na recepção querendo falar com você."

Mais que depressa, Toinho Rodrigues:

- Mande, já, o colega entrar.

Mossoroenses:

- Toinho é a cara do povão simples. Bebe porque tem os mesmos problemas de nossa gentinha. Mossoró precisa eleger um prefeito com a cara do povão. Vamos eleger Toinho. Cada um de vocês sairá daqui com o compromisso de arranjar cinco, seis, dez votos. Podemos, sim, mudar a situação.

A multidão, sob forte emoção, saiu a campo. Foi e venceu. Mossoró ganhou a cara do prefeito Antônio Rodrigues. Aluízio Alves, com um discurso, mudou o rumo da história. Um marco do marketing político.

Pré-sal sob o sol


Pois é, o Pré-Sal só apresentará saldo positivo dentro de uns 10 a 15 anos. Mas a conta fabulosa do futuro já está sendo exibida ao coração dos brasileiros. Lulinha Paz e Amor vende o Pré-Sal como a jóia da Coroa. Jóia que enfeitará o perfil de Dilma Rousseff. Pretende o presidente dizer que a nação redescobriu a independência, que o Brasil Potência está à vista e que, desde os tempos do velho Cabral, nunca havia sido feito descoberta tão importante. Sob o sol luminoso dos palanques, o Pré-Sal vai ser motivo de grandes debates.

Cabral chiou alto

Mas Sérgio Cabral estrilou. Disse que não aceitaria de jeito nenhum o Pré-Sal nos moldes como foi estabelecido, sem oferecer a fatia do leão aos Estados produtores. Gritou mais alto que José Serra (SP) e Paulo Hartung (ES). Dizem que o cara ficou tão fulo da vida que foi preciso ser retirado, por momentos, da sala de jantar pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. Voltou mais calmo. Lula cedeu. Sentiu que Dilma poderia perder o palanque carioca. Mas o trauma continuará. Essa querela vai longe.

Cabo Anselmo

Esse cabo Anselmo, enfim, deu as caras. Pelo visto, sempre foi araponga infiltrado nos grupos de esquerda. Agente duplo, agora tenta dizer: ou delatava ou morria. Em sua entrevista à TV Bandeirantes, viu-se um sujeito calculista e sem as marcas indeléveis do sofrimento. Deve ser um poço de águas sangrentas.

Governadores no TSE

Os governadores Ivo Cassol (RO) e José de Anchieta Júnior (RR) deverão ter seus processos julgados no TSE neste mês de setembro. O presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto, quer acelerar os julgamentos. Mas os casos dependem, claro, dos relatores. Se não forem julgados, a decisão vai para as calendas. Eis aqui um exemplo de como a justiça anda como tartaruga. Perguntinha pertinente: por que os processos contra governadores andam tão devagar?

Nova lei eleitoral

Será necessário um esforço extraordinário para que o Senado aprove a lei eleitoral para permitir que as mudanças entrem em vigor em 2010. Se houver modificação no projeto aprovado pela Câmara – e certamente haverá – ele volta à Câmara Baixa para nova apreciação e votação. Tudo tem de estar devidamente aprovado até o dia 5 de outubro. Dará tempo?

Ghandi

Peguntaram a Ghandi o que achava da Civilização Ocidental. Ele respondeu:

- Acho que seria uma boa ideia.

Visão de Ayres Britto


O ministro Carlos Ayres Britto, falando exclusivamente para este escriba, faz interessantes e oportunas revelações sobre o dispositivo legal em tramitação. O projeto considera a internet ferramenta similar ao rádio e TV, que são concessões do Estado. Não pode a internet ser assim considerada. Poderia, isso, ser comparada com jornais e revistas, que não são concessões. Dessa forma, a censura jornalística à rede virtual é um retrocesso. Com o que concorda este escriba. Ou seja, se um analista político quiser manifestar sua opinião – negativa ou positiva – a respeito de um candidato, não pode ser censurado. Pelo projeto, estará sujeito à censura. Pior: a rede deverá garantir direito de resposta a quem se sentir acusado.

Arrecadação

Ayres Britto defende um princípio norteador para a questão da arrecadação de fundos: maior número de contribuintes e pequenas doações, de forma a democratizar o processo. Hoje, o que se vêem são poucas empresas – geralmente empreiteiras – fazendo grandes doações. Ora, haverá sempre uma espécie de toma-lá-dá-cá. A lei da reciprocidade impera nas campanhas. Façamos como os Estados Unidos, diz o presidente do TSE, ao lembrar que 3 milhões de pessoas entraram no circuito de Obama, fazendo pequenas doações, que perfizeram a conta de US$ 600 milhões.

Maquiavel

"Se Maquiavel tivesse tido um príncipe como discípulo, a primeira coisa que teria lhe recomendado era escrever um livre contra o maquiavelismo". (Voltaire)

Campanha na internet

Aliás, a respeito de Obama, este escriba faz a constatação: muitos candidatos a cargos majoritários e proporcionais começam a esquentar os motores de suas pré-campanhas. Como? Movimentam-se, neste momento, em torno das ferramentas da internet. Procuram usar o pacote de redes sociais para esquentar seus nomes e abrir bons espaços de visibilidade junto a determinados segmentos, a partir dos jovens. Mas há uma questão séria a se considerar: não adianta criar novas ferramentas sem saber qual o discurso a ser transmitido. Daí, a conclusão: importa, nesse sentido, organizar muito bem o discurso.

Belchior e a Globo, tudo a ver

Belchior e a Rede Globo, a gente se vê por aí. Eles têm tudo a ver. O cantor desaparece. A TV Globo faz um carnaval. Dias depois, o cantor aparece. A TV Globo faz um carnaval. O teaser ??? Só não funcionou direito porque pareceu muito artificial. Até a tentativa de evitar a repórter Sônia Bridi foi artificializada. Surgiu um bigodudo sorridente, com cara de férias, e dizendo : amo o Brasil, amo o Brasil. E o apresentador do Fantástico, concluindo : que simpático o Belchior.

O ditador


O ditador vai ao médico:

- E a pressão, doutor?

- O senhor sabe o que faz, meu general. Neste momento, ela é imprescindível para manter a ordem.

Os chineses

Os chineses têm um ditado, "vestir a máscara do porco para matar o tigre". É uma referência a uma antiga técnica de caça em que o caçador se cobre com a pele e o focinho de um porco, e sai grunhindo. O feroz tigre pensa que um porco vem chegando, deixa-o se aproximar, saboreando a perspectiva de uma refeição fácil. Mas é o caçador quem ri por último. Mascarar-se de porco funciona muito bem com quem, como os tigres, é muito arrogante e seguro de si. Quanto mais eles acham que é fácil apanhar você, mais facilmente você vira a mesa. Este truque também é útil se você for ambicioso, mas ocupa uma posição inferior na hierarquia – aparentar ser menos inteligente do que é, até meio tolo, é o disfarce perfeito.

121 estatais


O governo federal já tem 121 estatais. Muitas delas foram criadas no ciclo Lula. O Estado, sob Lula, ficou mais gordo, principalmente com a gordura partidária.

Deus e o diabo

Chamou a atenção, por ocasião do lançamento do Pré-Sal, a evocação de Lula sobre o programa. No mesmo contexto, o presidente colocou Deus ao lado do diabo. Disse que o petróleo era uma "dádiva de Deus", e que poderia se transformar em "maldição". Maldição é coisa do capeta.

Senador por São Paulo?

A fofoca esquenta algumas conversas: Lula desejaria ser senador por São Paulo. Entregaria a rapadura ao vice e correria o país para comandar a campanha de Dilma, nos intervalos em que usaria o palanque paulista para decolar a sua campanha e a dela. Aqui, há 30 milhões de eleitores. Problema: não gostaria de colocar mais problemas no colo do grande José Alencar, esse, sim, um brasileiro que merece os nossos aplausos.

"Não se deve jamais ignorar um inimigo, achando que ele é fraco. Ele se tornará perigoso no devido tempo, como uma faísca num monte de feno". (Kautilya, filósofo indiano)

Alckmin, o mais forte

Geraldo Alckmin, ex-governador paulista e atual secretário de José Serra, vai se firmando como a principal opção do PSDB paulista ao governo. Não é o candidato in pectore de Serra nem do prefeito Kassab ao governo. Mas Aloysio Nunes Ferreira parece pregado no chão. Trata-se de um grande articulador, mas não tem visibilidade. Dessa forma, Alckmin passa a ser o candidato mais provável da aliança PSDB-DEM. Serra não quer fazer feio.

Palocci tem dúvidas


Antonio Palocci até já foi anunciado como nome forte do PT ao governo. Mas o deputado continua cheio de dúvidas. Teme que o caso Francenildo volte à superfície. Não pretende continuar a ser vidraça. Ocorre que é o melhor e mais preparado quadro do PT paulista. Não tem a tibieza de Mercadante, a arrogância de Marta, nem o deslocamento de eixo do Suplicy.

Receita pacificada

A Receita Federal voltou aos trilhos. Após a tempestade sindicalista, vem a bonança. O secretário Otacílio Cartaxo não perdeu a calma : trocou os rebeldes, preencheu os buracos. Com seu espírito de harmonia, mobiliza os quadros em torno de uma gestão técnica e aperto na fiscalização. Espera resgatar posições de arrecadação em pouco tempo.

Yeda, a bailarina


Yeda Crusius, a governadora do RS, tem demonstrado ser exímia bailarina. Dançou de um lado, dançou de outro, e não é que está se equilibrando na corda bamba? A essa altura, este escriba, que apostava na sua queda, tem a impressão de que deu a virada. Ficará. Será?

Jantar o Brasil?

E esse Tevez, hein? Exibe a arrogância de mandar o recado: "vamos jantar o Brasil". Que sujeito petulante, hein? Que tal servi-lo de sobremesa?

Barbaridade...


Que coisa bárbara! Mataram em Brasília o advogado José Guilherme Vilela, de 73 anos, sua mulher e uma empregada. De mãos assassinas, a morte não faz a conta sobre quem deve levar e por quê...

Bolsa e Lula em dois tempos


Circula na internet um vídeo com Lula fazendo a execração pública de bolsas assistencialistas. Diz mesmo que aqueles que as usam são oportunistas. São moedas para comprar o voto. Não são programas que apresentam perspectivas para o futuro dos assistidos. Depois, aparece Lula, em tempos recentes, execrando os imbecis que acusam o programa Bolsa Família de não ter saída. Lula, em dois tempos, é tão verossímil quanto falastrão.

Conselho ao corpo parlamentar

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao PT paulista. Hoje, volta sua atenção ao corpo parlamentar:

1. Corram e apressem a votação do projeto de Reforma Eleitoral para que possa ser aplicado em 2010;

2. Evitem censura às redes sociais na Internet e não tentem comparar a rede virtual às concessões de rádio e TV;

3. Vejam como foi feito o uso da Internet em países democráticos, como os EUA, e não procurem reinventar a roda. Simplesmente, façam as adaptações necessárias aos nossos costumes.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ANIVERSÁRIO DE PAULO QUEZADO

OAB PRÁ VALER

Nesta eleição, quero fazer diferente.

Dizer que a Ordem é privativa de advogado todo mundo sabe. É um lugar comum. Quero ir além disso.

Quero uma Ordem vibrante, valente, viril, virtuosa.

Vibrante no congraçamento dos operadores do Direito.

Valente na defesa das nossas prerrogativas.

Viril no bom combate pelas liberdades públicas.

Virtuosa na aplicação do direito, na pregação da justiça e na propagação da esperança.

Quero uma OAB PRA VALER!

Voto Valdetário!

Vamos à vitória!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SAÚDE MENTAL! (OU... QUEM É LOUCO, AFINAL?)


"Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia.Eu me explico.Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se.Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham... Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.

Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou... Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, "saúde mental" até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.
A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música... Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.

Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.

Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram..."

(Por Rubem Alves, in "Sobre o tempo e a eternidade" Campinas: Ed. Papirus, 1996).

terça-feira, 1 de setembro de 2009

OBSERVATÓRIO

O noticiário político de Crateús na quinzena passada foi dominado por um fato que chocou muita gente: o possível desembarque do PMDB local na plataforma do Executivo Municipal. Segundo informam alguns atores do teatro político crateuense, o acerto deixou de se concretizar por intervenção do Deputado Domingos Filho, que havia relembrado aos correligionários um compromisso anteriormente firmado noutra direção. A indagação que emerge é: o que estaria nas entrelinhas dessa ação?


UM OLHO NO LEGISLATIVO...

O Prefeito Carlos Felipe teria assim agido visando dois objetivos: o primeiro, com repercussão imediata na sua base de apoio na Câmara Municipal, seria encurralar dois edis da sua coligação: Betinha Machado e Nego do Bento. O Prefeito acha que eles estão causando muitos desconfortos. São, hoje, presenças incômodas (Nego do Bento, por exemplo, na quinta-feira passada fez um discurso contundente em cima do Secretário de Administração, ‘Cabo Chico’). Exercem uma independência constrangedora. Além disso, ‘pedem demais’. Se conseguisse o apoio de outros vereadores, o desejo era colocar os impertinentes aliados na geladeira.


OUTRO NA ELEIÇÃO...


O segundo objetivo dessa manobra política seria a eleição de 2010. Inseguro com relação aos resultados eleitorais do ano que vem, o alcaide tenciona repetir o discurso que o levou ao Paço Municipal: unir o que ele chama de ‘família crateuense’ fustigando os políticos oriundo de outras terras. Em primeiro lugar, o deputado em que votou, pediu votos e trabalhou na eleição de 2006: Nenen Coelho; em segundo, Domingos Filho ou seu candidato a Federal, Domingos Neto.


O EFEITO


Em verdade, apesar de ter subido às alturas do apoio popular ancorado na aeronave de uma “vida nova”, o Prefeito, após tomar o assento do poder, resolveu incorporar o que existe de mais velho na política: o apreço à dissimulação, o cultivo da malícia, o exercício da rasteira, o desprezo aos aliados de primeira hora em troca dos oportunistas de plantão. Ninguém ignora em Crateús que Betinha Machado e Nego do Bento optaram por Carlos Felipe quando este ainda era somente uma promessa. Se hoje cobram algum quinhão do latifúndio prefeitural, é porque viram o comandante da fazenda – que prometeu um governo sério e combate rigoroso aos velhos costumes - se embrenhar de maneira desassombrada pela capoeira do clientelismo. Se o Prefeito instituiu o reino do toma-lá-dá-cá e está privilegiando aqueles que combatia, cobrindo de benesses os vereadores antes adversários, nada mais justo – na lógica desses vereadores - que os que participaram do início da empreita reivindiquem a parte que lhes cabe. A vereadora Betinha, por exemplo, foi a mais votada. O seu grupo de retaguarda construiu a maior máquina estrutural da campanha e foi quem montou o primeiro palanque potente para o candidato comunista, quando ainda havia muita incerteza.

O EFEITO II

O outro objetivo de Carlos Felipe – obter um bom resultado eleitoral na eleição de Deputado – tem encontrado obstáculos. O primeiro é que gerou expectativas ou firmou compromisso com muita gente: só para Deputado Federal, aguardam o apoio do Prefeito os candidatos João Ananias, José Guimarães, Chico Lopes, Gorete Pereira e Lúcio Alcântara. Para Estadual, pretende apoiar apenas um nome visando uma polarização com Nenen Coelho. Descartou Hermínio Resende. Tentou Nenzé Bezerra que, como um gato escaldado, tem pulado dessa água fria. Estuda lançar o vice-prefeito Mauro Soares. Mas este, se conquistar muito espaço na eleição de Deputado, pode ser um complicador na refrega sucessória. Já se comenta que o vice-prefeito dos sonhos de Carlos Felipe é Márcio Cavalcante, hoje o mais influente operador político do seu governo.

O EFEITO III


Equivoca-se o Prefeito ao achar que a mera repetição daquela bairrista mensagem de rejeição a quem nasceu fora de Crateús surtirá o mesmo impacto. Narrin. Nunca. Isso valia quando as pessoas desconheciam a diferença entre intenção e gesto, entre o prometido e o praticado. Quem está com as rédeas do alazão governamental vai para as urnas tendo que se explicar. Passa a ser alvo.

ALERTAS

Na política, mundo das mistificações, os amigos evitam alertar os governantes quanto aos desvios de rota - diferentemente da vida normal, onde predomina o ditado “quem avisa amigo é”. Ninguém na Prefeitura parece alertar o gestor maior, enquanto responsável pelas Contas de Governo do município, sobre o básico: a Administração Pública é regida pelo princípio da legalidade. Traduzindo: um agente público só pode fazer aquilo que a lei permite. Jamais o que ela proíbe. Apenas dois exemplos: 1) A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece o limite de 54% para gastos com pessoal por parte do Poder Executivo. A Prefeitura de Crateús, segundo relatório que ela mesma publicou, já ultrapassou em muito esse limite. Se chegar ao final do ano nesse ritmo, o Prefeito responderá pelo ilícito. 2) Pintaram um espaço público com os seguintes dizeres: “Carlos Felipe – o Prefeito que mais investiu no esporte”. Ora, essa propaganda, além de ser uma inverdade, contém uma ilegalidade. Primeiro, com base em que se chegou a essa constatação? Quer dizer que os Prefeitos anteriores, que construíram estádio, ginásio coberto e quadras poliesportivas, investiram menos que o atual? Segundo, a Constituição Federal proíbe o uso do dinheiro público para a promoção pessoal do governante, como no caso sob exame. Isso fere o princípio da impessoalidade que orienta o ente público.

PARA REFLETIR

“Na política, a verdade deve esperar o momento em que todos precisem dela.” (Bjornstjerne Bjornson)

(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, de Crateús, Ceará)

domingo, 30 de agosto de 2009

UMA REFLEXÃO SOBRE PAIS X FILHOS A PARTIR DO FILME "CAZUZA"



Uma psicóloga que assistiu o filme Cazuza, escreveu o seguinte texto:

- 'Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora. As pessoas estão cultivando ídolos errados.

Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza? Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.

Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado. No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta.

São esses pais que devemos ter como exemplo?

Cazuza só começou a gravar pois o pai era diretor de uma grande gravadora.

Existem vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.

Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso. Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.


Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme.

Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.

Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?

Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.

Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido...

Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissesem NÃO quando necessário?

Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor.

Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar. Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos. Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi a pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre.'

Karla Christine

Psicóloga Clínica


Leu? Concorda com a psicóloga?


Então faça sua parte: divulgue.


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Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem: Por quê? Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo: Por que não?
(George Bernard Shaw)