quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL


Ô JARDINEIRA...

Na cidadezinha do norte do Rio de Janeiro, a procissão de Senhor Morto caminhava lenta e piedosa, na sexta-feira da paixão, com o povo cantando, de maneira compungida, os hinos sacros. O velho padre na frente, o sacristão ao lado e os fiéis atrás, cantando as músicas que o vigário puxava. De repente um pequeno ônibus, que na região chamam de "jardineira", passou perto e começou a subir a íngreme ladeira da igreja, bem em frente da procissão. No meio da ladeira, a "jardineira" afogou, encrencou, parou, deu aceleradas fortes e inúteis e começou a dar para trás, de costas. Os fiéis não viram, mas o padre, atento, viu. E ficou apavorado. A "jardineira" já despencava numa grande velocidade. O padre gritou:

- Olha a jardineira!

E os fiéis começaram a cantar, em ritmo de samba:

- Ô jardineira, por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu? Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu.

A "jardineira" descambou ladeira abaixo, até que parou. Não atropelou ninguém. Sob o olhar do Senhor Morto! Mas os fiéis não aguentavam de tanto rir. Sebastião Nery, em seu Folclore Político.

REFLEXOS DA CRISE

A crise política é crônica. Vem lá de trás. E se projeta nos horizontes do amanhã. Carrega os vícios dos ismos: patrimonialismo, caciquismo, mandonismo, paroquialismo, grupismo, familismo, patriarcalismo. O balcão de recompensas multiplica suas ofertas. O varejo político impera. Os Poderes imbricam funções. Os palanques se expandem nos períodos da entressafra eleitoral. E quais são os reflexos dessa crise nos costumes? Eis alguns deles:

Banalização – A repetição de escândalos, ilicitudes e desvios esquarteja o conceito de nação. Transforma o altar da pátria em entulho de lixo.

Pasteurização – Os partidos tornam-se amorfos, inodoros. Pasta incolor.

Mimetismo – Se os parlamentares não se respeitam, por que eu tenho de ser educado? Se a eles falta compostura, por que eu tenho de me comportar bem?

Descrença – Políticos entram no perigoso território da descrença, abrindo um enorme vácuo entre a esfera institucional e o universo social.

E OS REFLEXOS POSITIVOS?

Mas podemos distinguir um pequeno farol no final do túnel. Seus reflexos mostram aspectos positivos, dentre eles:

Racionalidade – Tendência para observação mais aguda dos fenômenos políticos.

Poder crítico – Expansão da crítica social e exigências mais rigorosas sobre comportamentos e atitudes.

Organicidade social – Integração de forças em torno de movimentos, núcleos, associações e entidades de todos os tipos. Que passam a fazer pressão sobre a esfera institucional.

Renovação – Tendência de grupos sociais organizados para inserir no território político perfis que encarnem o ideário de renovação.

"Se cada um se ocupasse do seu trabalho, o mundo daria as suas voltas com maior rapidez". (Lews Carroll)

FHC E O SUBPERONISMO

No seu artigo de domingo, no Estadão, Fernando Henrique faz contundente peroração contra os rumos que o governo Lula imprime ao país. O diagnóstico é duro: estamos vivenciando um subperonismo, onde imperam um sindicalismo que vive às custas do Estado, partidos fracos e fundos de pensão, que dão as cartas na direção de grandes empresas. As transgressões se multiplicam, as estruturas se enchem de amigos e apaziguados, a propaganda vende um território de felicidade "nunca visto antes neste país" e o mandatário assume a postura de um imperador acima de tudo e de todos. Ao lado do artigo do ex-presidente, o meu, relatando as peripécias de uma perereca, detalhe na paisagem do obreirismo faraônico com que Lula pretende desenhar a imagem de Dilma Rousseff.

OPOSIÇÕES DEFINHAM

Fernando Henrique, na verdade, chama a atenção das oposições, quando mostra as ilicitudes e o estilo Luiz XIV – L'état c'est moi – de Luiz Inácio. Vocês não vêem as contrafações, as ilicitudes, as barbaridades cometidas, os climas artificiais em torno da ideia – falsa – do Brasil Potência? Onde estão vocês, oposições? O PSDB dá impressão de que subiu no muro. O DEM, nervoso com as indefinições que tomam conta do parceiro (Serra? Aécio?), se esfarela. Cobra de José Serra indicações mais fortes. Apela para o governador mineiro decidir seu rumo. As cobranças se perdem nas margens da Torre de Babel.

"Não desperdice lágrimas novas em tristezas antigas". (Eurípedes)

TSUNAMI GOVERNISTA

Não por acaso, o Brasil é engolfado por um gigantesco tsunami governista. Que passa por cima de tudo e de todos. Preenche todos os buracos. Invade territórios. Define a agenda do Parlamento. Coopta quadros por todos os lados. O rolo compressor carrega tudo que encontra pela frente. O governismo é um rinoceronte. O oposicionismo é uma formiguinha. Que não chega nem a fazer cócegas na pata rinocerôntica. Quanto menos atrapalhar a caminhada do bicho feroz pelas savanas eleitorais.

A JUSTIÇA

"A justiça, lemos em Platão, é o que reserva a cada um sua parte, seu lugar, sua função, preservando assim a harmonia hierarquizada do conjunto. Seria justo dar a todos as mesmas coisas, quando deles não têm nem as mesmas necessidades nem os mesmos méritos? Exigir de todos as mesmas coisas, quando eles não têm nem as mesmas capacidades nem os mesmos encargos? Mas como manter então a igualdade, entre os homens desiguais? Ou a liberdade, entre iguais? Discutia-se isso na Grécia; continua-se a discuti-lo. O mais forte prevalece, é o que se chama política". (Pequeno tratado das grandes virtudes – André Comte-Sponville)

AÉCIO SOBE, SERRA DESCE

Impressão – singela – deste consultor. Aécio Neves, a cada semana, sobe um degrau na escada eleitoral que dá acesso ao Planalto Central. E José Serra, que estava no alto da escada, neste momento desce para o degrau do meio. Serra só subirá a montanha eleitoral que conduz à Presidência da República se contar com a ajuda de um teleférico. Mera impressão, repito, de quem observa o bico cada vez menor do tucano que habita o Palácio dos Bandeirantes. Serra só deixa o ninho do Morumbi se tiver certeza de que ganhará outro bem maior. A cada dia, esta certeza decai um grau na escala do confiômetro.

O PODER NA PLACA

Vejam o que é o poder. Um espaço chamado de recanto japonês. Três fontes jorrando. São assim chamadas: amor, saúde e inteligência. O turista fica de costas para essas bicas d'água, joga uma moeda e faz um pedido. Pois bem. O recanto não tem obra de engenharia ou arquitetura que chame a atenção. Mas a placa de inauguração da obra, esta, sim, chama muito a atenção. Tem o nome do prefeito, do vice, de secretários, assessores (incluindo o de imprensa e o jurídico), chefes de departamento e quetais. Total dos nomes ali registrados: 19. O recanto japonês fica na aprazível cidade de belas praças e ótimas termas: Poços de Caldas.

"A consciência é o mais cru dos chicotes". (Machado de Assis)

20 SUPLENTES

O Senado conta, agora, com 20 suplentes. Nenhum deles ganhou um voto. Mas são senadores da República. Esse é um estatuto que precisa ser reformulado. Para ocupar a vaga de senador que deixa a Casa, deveria ser convocado o segundo mais votado. É mais lógico e democrático.

DILMA E O 3º MANDATO

Dilma cometia, até pouco, um erro crasso. Vivia dizendo que sua eleição equivaleria ao terceiro mandato de Lula. Ora, a afirmação aponta para a anulação de sua própria personalidade. Indicaria, ainda, que o dono do mandato continuaria ser ele, Luiz Inácio. E ela seria apenas capacho, em papel secundário. Nos últimos tempos, diante da asneira e certamente alertada, a pré-candidata retirou a declaração de seu repertório.

FUNDOS DE PENSÃO

Os fundos de pensão movimentam os eixos das grandes empresas brasileiras. Só o Fundo Previ dispõe de cerca de 200 cargos nos conselhos das maiores empresas do país. Esse é o verdadeiro sindicalismo de resultados.

DUAS IMAGENS

Recebo duas imagens via internet. A primeira mostra o presidente Barack Obama em reunião com assessores. Sobre a mesa, garrafas d'água, copos de plástico, canetas esferográficas simples. A segunda imagem é uma paisagem do sertão nordestino. Ao fundo, um prédio simples, mais parecendo um grupo escolar a ser inaugurado. Chão de terra batida. Sobre ele, um imenso tapete vermelho, que operários tentam grudar no chão, para que os pés de Sua Excelência, o presidente Luiz Inácio, não toquem na poeira. Naquela paisagem insólita, os garçons devem ter aparecido de branco, alinhados, de colarinho engomado e gestos estudados, servindo champanha em flutes de cristal.

DILMA EM MG

Quem acha que a campanha eleitoral de 2010 ainda não começou, atente para este fato. Em Minas Gerais, os anúncios publicitários do PT estão sendo devidamente usados pela ministra Dilma Rousseff. Não para anunciar obras, não para fazer peroração em torno de algum projeto do governo. Ela aparece na telinha para dizer que muitos mineiros não sabem, mas ela é mineira, uai. Para completar o anúncio orgulhoso, completa com a informação de que foi bater em outras paragens, mas o coração é mineiro. Ou seja, a ministra tenta mostrar a mineirice no segundo maior colégio eleitoral do país.

SORRIDENTE

Em tempo: a ministra mostra-se sorridente todo tempo.

PP IRÁ COM QUEM?

O presidente do PP é o senador Dornelles. Que vem a ser primo de Aécio Neves. Mais mineiro do que nunca, o senador Francisco Dornelles diz que uma coisa é pessoa física, outra coisa é pessoa jurídica. Portanto, o PP poderá caminhar com Dilma, levado por Lula e Maluf. Como a pessoa física pode influenciar a jurídica, o PP também flerta com o PSDB. Claro, se o candidato for Aécio Neves.

E O CIRENSE, HEIN?

Ciro, o cearense, em final de semana, é visto de bermudas e chinelos nos bairros charmosos do Rio; em feriados, despacha-se para a terrinha nordestina, onde fincou suas estacas políticas. Vez ou outra, ele se lembra que mudou o título de eleitor para São Paulo, onde aparece para dar entrevistas. Ciro, depois de alcançar a onisciência, ganha o status da onipresença.

SEM GRAÇA

Uma campanha eleitoral sem Ciro é sem graça. Ciro é chefe da artilharia.

FAUNA POLÍTICA

Acham José Serra parecido com tartaruga. Anda devagar quase parando. Parece também com boi. Sossegado, tranquilo, esforçado. Dilma se parece com borboleta, está sempre voando por onde tem PAC. Mas tem semelhança com pombo, sempre de conversinhas. Ciro Gomes está mais para cavalo. Dá patada para todos os lados. Mas tem jeito também de pavão. Aécio Neves é gato, esperto e companheiro. Lula está mais para leão, poderoso, dominador. Quem tem jeito de macaco?

"Já quis ser ateu, mas desisti. Eles não têm feriados". (Henny Youngman)

RENASCER

Faz pouco tempo. O bispo Estevam Hernandes e a bispa Sônia Hernandes passaram uma boa temporada trancafiados nos EUA. Domingo, lideraram uma passeata de um milhão de pessoas pelas ruas de São Paulo. Isso é o que se chama Renascer.

LEVI-STRAUSS

Morreu Lévi-Strauss, o cientista francês que escreveu "Os Tristes Trópicos". Descreveu a selva de Mato Grosso como o ambiente mais hostil ao homem sobre a superfície do planeta. Strauss era amigo do Brasil e do seu povo.

CONSELHO A DILMA ROUSSEFF

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado aos ministros do TSE. Hoje, volta sua atenção a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff:

1. Ministra, procure compor sua imagem sem descaracterizar a identidade. Quando a imagem é muito artificial, o eleitor consegue descobrir a taxa de falsidade.

2. Identidade é personalidade, história, caráter, cultura, experiência de vida. Imagem é a sombra da identidade. Se é muito afastada do corpo, a imagem torna a pessoa deformada.

3. Procure ser sincera nos atos, gestos e atitudes.

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(Por Gaudêncio Torquato)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

CAJUEIROS DA MINHA TERRA



Cajueiros de minha terra.

Cajueiros do meu sertão.

Logo que chega outubro,

Carrega que cai no chão.

Alegrando a passarada,

Que na copa faz zoada,

Vendo farta alimentação.

.

Com Cajus de minha terra,

Faço suco, doce e gostosuras.

E ainda como com feijão,

Nesses tempos de fartura.

A castanha fica guardada,

Pra depois comer assada

Como manda nossa cultura.

.

Bonitos e bem saborosos,

Cajus vermelhos e amarelos,

Coloridos e apetitosos,

Naturalmente tão belos,

Como que me lambuzo,

Confesso que até abuso

Sem temer nódoa me melo.

.

Acompanhando uma cachaça,

Amigo não me leve a mal...

Um cajuzinho bem fatiado,

É um tira-gosto sem igual.

Conheço desde menina,

Essa moda nordestina,

Que no sertão é habitual.

.
(Texto e fotografia de Dalinha Catunda)

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Olá Júnior,

Acabei de chegar de Ipueiras e aqui da cidade maravilhosa quero desejar muitos anos de vida a esse blog que me trouxe muitas alegrias.

Pelos meus textos que você publica.

Pelo prazer de ler seus textos seja em prosa ou em verso.

Pelo oportunidade de encontrar amigos como meu carissimo amigo Kakin.

E por ser essa ponte a transportar-me até Cratéus cidade que carrego com muito carinho em meu coração.

Carinhosamente,

Dalinha Catunda

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HÁ UM ANO NASCIA ESTE BLOG!

Sem observar a data - pois, para os poetas, inexiste morte ou dia de finados (afinal, segundo Juarez Leitão, ninguém jamais ouviu alguém falar "finado Castro ALves, finado Machado de Assis"...) há um ano lapidei esta página pessoal.

Hoje, na data de aniversário, dois presentes caem nessa mesma rede virtual:

1. Acabei de esculpir o blog da Academia de Letras de Crateús - ALC, que tem como endereço: http://academiadeletrasdecrateus.blogspot.com/

2. Enquanto estava gerando o espaço da Academia, recebo um e-mail do poeta Soares Feitosa comunicando que me inseriu no seu famoso JORNAL DE POESIA, o mais amplo e mais acessado da internet. Eis o que me enviou:

"Poeta, espie!

Com as desculpas pela demora, veja como ficou:


http://www.jornaldepoesia.jor.br/bonfimjr.html


Com o abraço do

Soares Feitosa"


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"É isso JB.

Embora ainda na primeira velinha, mas com a maturidade do ancião e a impetuosidade da juventude.

Mistura rara, moço!"


Paulo Nazareno

sábado, 31 de outubro de 2009

CASA NO CAMPO



CASA NO CAMPO

(Voz: Elis Regina)

Composição: Zé Rodrix e Tavito


Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"FORÇA"

Temos que ter FORÇA:
do vento que carrega a pedra,
da água que move a terra,
da mulher que gera o filho,
do jovem que abraça os sonhos!

Temos que ter FORÇA:
da noite que segura as Estrelas,
da rosa que resiste aos espinhos,
do pão que alimenta a vida, da Fé que afasta o medo!

Temos que ter FORÇA:
do ombra que suporta a cruz,
da mão que levanta o enfermo,
do Sol que acorda o dia,
da PAZ que cala a guerra!

Temos que ter FORÇA:
do amor que une os namorados,
do sorriso que revela a alegria,
da fraternidade que iguala as pessoas,
da palavra que jorra dos lábios,
do coração que sabe amar!

Temos que ter FORÇA:
para nos tornar uma gota d'água e,
com as outras, fazer um rio,
que corra para CRISTO,
"O GRANDE MAR"!

(Aparecida Luzia Teixeira, cega, casada com um cego, mãe de três filhos, um dos quais doente mental)
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PARA REFLETIR

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar superado. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.“ (Albert Einstein)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL



"Seu" Lunga

A coluna de hoje está recheada com historinhas do "seu" Lunga, enviadas pelo primo Zéneumanne. Quem é a figura: foi ourives em Juazeiro do Norte, Ceará, vendedor de sucatas, pai de 13 filhos, quase analfabeto. Candidatou-se uma vez a vereador e perdeu. Ganhou fama pela língua solta e afiada. "Seu" Lunga descansava na rede. Manda o sobrinho trazer-lhe um pouco de leite. O garoto pergunta:

- No copo?

Ele responde:

- Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo, fío de rapariga!!!

O funcionário do banco veio avisar:

- "Seu" Lunga, a promissória venceu.

- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.

Primeira leitura

Céu de Brigadeiro. Lula continua navegando em mares nunca d'antes navegados. Jamais um presidente, a um ano das eleições presidenciais, alcançou índices tão altos de aprovação popular. O ambiente social está calmo. O ambiente econômica respira confiança. Os níveis de otimismo dos setores produtivos voltam ao patamar de antes da crise. O situacionismo abarca largos territórios. A campanha eleitoral é antecipada com as idas e vindas de Lula e Dilma pelos espaços nacionais. As oposições se escondem. Ninguém sabe onde elas estão. Diante dessa moldura, a pergunta é: quais as chances de um lado e de outro?

Segunda leitura

Dilma Rousseff tem mais chances. Dilma Rousseff consolidando a posição de candidata do PT, com o apoio da aliança governista, ultrapassa a casa dos 20% de intenção de voto em janeiro, e se torna competitiva. Lula intensifica a peregrinação pelo país, Dilma transforma-se em candidata de Lula, é reconhecida nas ruas, ameniza o perfil, deixa a arrogância de lado e vai de encontro às massas. Atravessa, incólume, eventuais desafios e denúncias das oposições, e entra no trimestre eleitoral em franca posição de candidata competitiva. Acena com a vitória. Pano de fundo: programas do governo direcionados a todos os contingentes que povoam a pirâmide social.
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"Seu Lunga", no elevador (no subsolo-garagem). Alguém pergunta:

- Sobe?

Ele:

- Não, esse elevador anda de lado.
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Terceira leitura

José Serra tem mais chances. As oposições conseguem mostrar a maneira petista de governar. Inchamento do Estado. República Sindicalista. MST devastando propriedades. Desvios de dinheiro em obras públicas. O PAC é uma ficção. Corrupção generalizada. TCU descobre mais obras superfaturadas. Espraia-se, a partir do Sudeste, um sentimento de que é preciso mudar. E que o ciclo Lula se exauriu. Serra, o governador, emerge como pessoa séria, experimentada, com um perfil do ministro da Saúde que patrocinou os remédios genéricos. O clima social se esgarça. O ambiente econômico volta a enfrentar nuvens carregadas. Dilma comete gafes. Serra entra no trimestre eleitoral como franco favorito. Em condições de alçar a bandeira da vitória.

Quarta leitura

Diante do crescimento de Dilma, José Serra teme enfrentar a candidata. Pressionado pelo DEM e por parte do tucanato, Serra proclama: "desisto. Não serei candidato". E chama Aécio Neves para ocupar seu lugar. Neves topa na hora. Veste-se de candidato, monta uma turnê pelo país. Sua candidatura gera abalos no situacionismo. Ciro Gomes desiste de ser candidato pelo PSB. Parcela densa do PMDB corre na direção de Aécio. Dilma Rousseff fica em transe. Não sabe para onde ir. Lula pede : calma, gente, calma. Mas não consegue mudar o rumo do vento. Aécio é o novo. Diferente. Sorriso aberto. Franco. Aparece em espaços mineiros sob o ar matreiro do avô Tancredo e o sorriso aberto de Juscelino. Empolga o país. E ganha a campanha.

Qual é a mais adequada?

Que leitura é a mais adequada? A leitura aos coríntios? Aos hebreus? Aos crentes de Serra e descrentes de Dilma ou vice-versa? Aos crentes no todo poderoso Luiz Inácio? Que cada um escolha a resposta que mais lhe convém.

O imponderável

Aqui, do meu lado, começarei a fazer as contas e avaliar todas as alternativas. Apenas uma está fora do meu controle: o imponderável.
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"Seu" Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:

- Tá doente?

- Quer dizer que se eu fosse saindo do cemitério, eu tava morto?
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Ciro e Marina

Como é notório, desconsiderei as possibilidades de Ciro Gomes e Marina Silva. Poderão obter grande bacia de votos, mas não suficientes para levá-los ao pódio. Terão, no entanto, se forem candidatos confirmados, um bom papel como coadjuvantes.

PMDB e PT

A aliança entre PMDB e PT será efetivada. Hoje, o compromisso está selado. Mas há uma agenda a ser cumprida. Haverá um jantar com os governadores do partido com Lula, Dilma e a cúpula do PT. A seguir, outro encontro, desta feita, reunindo as duas bancadas – deputados e senadores. Em todos os encontros, a ideia é a de sentir o pulso do partido sobre questões programáticas. Michel Temer, que comanda o processo, não quer firmar aliança apenas sobre o fio da ocupação de espaço mas sobre um amplo escopo programático.
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"Seu" Lunga dava uma tremenda surra no filho e o menino gritava:

- Tá bom, pai! Tá bom, pai! Tá bom, pai!

- Tá bom? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.
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PT em São Paulo

Este consultor teve demorada conversa com o prefeito Emidio de Souza, de Osasco. Emidio é um dos melhores quadros do PT e faz um governo avançado. É muito bem avaliado. A impressão dessa conversa: o prefeito terá o apoio do partido para ser o candidato ao governo de São Paulo. É o mais palatável. Não apresenta fissuras na imagem. Não é polêmico como outros perfis do PT. Não é cercado por escândalos. Tem o apoio dos prefeitos. Só não será candidato se Ciro Gomes, instado por Lula, assumir a candidatura ao governo paulista. Nesse caso, o PT fecharia posição com Ciro. Sob as ordens de Lula.
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O amigo de "seu" Lunga o cumprimenta:

- Olá, tá sumido ! Por onde tem andado?

- Pelo chão, não aprendi a voar ainda...
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Efeitos deletérios

Este consultor acredita que a candidatura Ciro Gomes, em São Paulo, só seria bom negócio para o PSB. Que faria uma razoável bancada de deputados federais e estaduais. Mas não seria interessante para o PT, mesmo com a coligação. O candidato majoritário tende a puxar mais votos para a legenda que pertence. Ademais, deixar de ter um candidato próprio ao governo em seu Estado berço seria muito ruim para o PT.
A conferir.

Senadores paulistas

Briga boa ocorrerá na área das candidaturas ao Senado. Em São Paulo, Marta Suplicy até que deseja ser candidata ao Senado. Teria chances. Ocorre que Aloizio Mercadante é o candidato natural – seu mandato se encerra e ele teria o direito de reivindicar a volta ao posto – e queima qualquer outro nome do PT com alguma chance. Do outro lado, o candidato mais visível é Orestes Quércia. Que, da mesma forma, queima a possibilidade de Guilherme Afif ser o outro nome da chapa governista. Afif teria melhores condições do que ele, haja vista o último pleito, quando quase ganhou de Eduardo Suplicy.
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Na década de 70, "seu" Lunga chega num bar e fala pro atendente:

- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!

- Desculpe, "seu" Lunga, não posso botar música hoje...

- Mas por que?

- Meu avô morreu!

- E ele levou os discos, foi?
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Imbróglio

O quadro está ainda muito nebuloso. Geraldo Alckmin, apesar do alto índice que mantém nas pesquisas de intenção de voto para o governo, encontrará muitas resistências para ser o candidato. Não conta com a simpatia de José Serra e do prefeito Kassab. Que ainda pensam em pinçar o nome de Aloysio Nunes Ferreira, que chefia a Casa Civil do Governo do Estado. Aloysio exibe modestos 4% de intenção de voto. E os aloyisistas argumentam: Alckmin tem recall. Esse índice que ele hoje alcança não se sustenta numa campanha acirrada. Além disso, ele não é de briga. Vai ser torpedeado. E se ele foi indicado para a chapa do Senado? Neste caso, é o Quércia que rejeita. Com medo de Geraldo tomar o lugar dele.

Luiz Inácio a favor de Luiz Inácio

Pois é, o novo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, diz que seu xará Luiz Inácio (o Lula da Silva), não faz campanha eleitoral quando viaja pelo país fiscalizando obras do PAC. Se o novo advogado-geral da União não vê conteúdo eleitoral nas viagens, precisa abrir os olhos. Vamos ao ponto: percorrer o país, senhor Adams, para verificar o andamento das obras, é dever do governante. Mas subir em palanque para fustigar as massas, isso é comício, sim. Portanto, uma coisa é ver obra, outra coisa é fazer da obra instrumento eleitoreiro. Para que palanque? Para que a discurseira? Por que não fazer uma visita técnica?
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Durante a madrugada, a mulher do "seu" Lunga passa mal:

- Lunga! Ta me dando uma coisa...

- Receba!

- Mas é uma coisa ruim!

- Então devolva!
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O S de Skaf

Paulo Skaf, presidente da FIESP, cometeu a maior deselegância dos últimos tempos para com pares políticos. Disse, com todas as letras, em entrevista a O Globo, de domingo último, que o S do PSB, é apenas uma letrinha. Não tem nada com socialismo. O Partido Socialista Brasileiro ficou com a brocha na mão. O que diz minha amiga Luiza Erundina (PSB/SP) sobre o fato? Vou procurar saber.

Prefeito é um crack

Que coisa mais esquisita, hein? O prefeito de Raposos/MG, João Carlos da Aparecida (PT), foi flagrado duas vezes em boca de fumo. O cara aprecia o crack. Tirou licença da Prefeitura. Basta? Que exemplo de civismo esse crack dá aos seus munícipes, hein? Vaias para ele.

Fundação afundada

A Fundação José Sarney foi fechada por ordem de seu patrocinador, ele mesmo, o senador José Sarney. Deve ter sido um golpe e tanto no coração do ex-presidente da República. Sarney, como se sabe, preza a liturgia do poder. Preza a história da política. E, claro, preza a própria história. O fechamento da Fundação nos leva a aduzir que os mais sagrados patrimônios pessoais não estão isentos dos ventos contrários e soprados pela opinião pública.
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"Seu" Lunga entrando em uma agropecuária.

-Tem veneno pra rato?

-Tem! Vai levar? - pergunta o balconista.

-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui! - responde seu Lunga.
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Quanto mais se tira, maior fica

O ministro do Assistencialismo, aliás do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, diz que desde a criação do Bolsa Família, cerca de 3,5 milhões de pessoas dele já saíram. A conta até pode ser correta. Mas os dados mostram que o programa das Bolsas vem esticando de ano para ano. Deve, hoje, beirar os quase 13 milhões de assistidos. Começou com 8 milhões. É como buraco: quanto mais se tira, maior fica.
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O telefone toca. "Seu" Lunga:

- Alô!

- Bom dia! Mas quem está falando?

- Você!
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IPI esticado

Lulinha Paz e Amor sabe das coisas. O desconto do IPI atinge direto o bolso do consumidor. É isso. A política, para ser bem sucedida, tem de marcar presença na praça da economia. Milhões de brasileiros querem geladeiras, fogões e máquinas de lavar mais baratas. Por isso, é mais do que provável a prorrogação da redução do IPI para a linha branca. Até porque o ano eleitoral se aproxima.

Maluf declina

Paulo Maluf declina da candidatura ao governo de SP. E indica, com o apoio de todo o PP paulista, o nome de Celso Russomano, deputado federal. Maluf quer continuar como deputado. Russomano quer deixar de ser deputado. Sei não. Este consultor não entendeu a jogada por inteiro. Trocar o certo pelo duvidoso? A não ser que o Russomano não queira mais apostar em suas chances na campanha proporcional.

Vereadores paulistanos

Uma batelada de vereadores da capital paulista não passou no vestibular do MP. Recebeu cartão vermelho. E um juiz quis tirá-los de campo, aliás, do plenário. Os vereadores recorreram. Continuam exercendo suas funções. Mas por que apenas os vereadores foram punidos se outros políticos – deputados, por exemplo – receberam doações da mesma entidade que patrocinou os representantes na Câmara Municipal? O MP deveria se pronunciar a respeito.

Conselho aos ministros do TSE

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado ao Senador Eduardo Suplicy. Hoje, volta sua atenção aos senhores ministros do TSE:

1. Há casos de alguns governadores, cujos mandatos aguardam decisão da Corte ainda por conta de denúncias envolvendo abuso do poder econômico e outros ilícitos na campanha de 2006. Por que não apressar sua votação, antes de entrarmos no ano eleitoral de 2010?

2. O TSE, sob o competente comando do ministro Carlos Ayres Britto, precisa continuar a mostrar disposição de limpar a pauta contenciosa com que se defronta.

3. Por que os processos demoram tanto para ser julgados? Não correremos o risco de ver governadores sendo julgados após o término do mandato?
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(Por Gaudêncio Torquato)

SUGESTÃO

Ontem à noite, a convite do senhor Iran Parente, empresário que por muitos anos comandou a Crateús Algodoeira S/A, participei de uma solenidade do Lions Jangada Fortaleza, onde foram prestadas homenagens aos ex-integrantes daquele clube Arimateia Santos e Claudino Sales (este último, relembrado por uma crônica de nossa autoria).

Na ocasião, além de reencontrar vários crateuenses, tive a oportunidade de conversar longamente sobre Crateús com o doutor Iran Parente.

Como é de sabença pública, Iran Parente vendeu o complexo industrial da Crateús Algodoeira para a Brasil Ecodiesel, que anunciou o fechamento de suas operações à beira do Poty.

Discorrendo sobre sua ligação afetiva com a terra do Senhor do Bonfim, concluiu com uma sugestão: as autoridades municipais deveriam fazer gestões para a Petrobrás assumir aquela usina.

Fica a sugestão!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O HOMEM E A MULHER



"O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono;
Para a mulher um altar.

O trono exalta; o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher o coração, o amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o gênio; a mulher o anjo.

O gênio é imensurável; o anjo indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória;
A aspiração da mulher, a virtude extrema.
A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade.

O homem tem a supremacia; a mulher a preferência.
A supremacia representa força.
A preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher invencível pelas lágrimas.

A razão convence; a lágrima comove.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece; os martírios sublima.

O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é o templo; a mulher, um sacrário.
Ante o templo, nos descobrimos;

Ante o sacrário ajoelhamo-nos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro;
Sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem a pérola que embeleza;
O lago tem a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa; a mulher o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço; cantar é conquistar a alma.
O homem tem um fanal; a consciência;
A mulher tem uma estrela: a esperança.
O fanal guia, a esperança salva.

Enfim...
O homem está colocado onde termina a terra;
A mulher onde começa o céu...



Vitor Hugo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

VERA "CIRCULANDO LIVROS"

Saúdo a todos vocês que hoje fazem desta praça um celeiro de cultura.

É difícil alguém não se sentir feliz com um evento deste porte. E parabenizo a SABI, uma organização não governamental com atuação na área cultural atendendo prioritariamente a crianças e adolescentes deste Município. É ela a Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho que tem como integrantes pessoas das mais variadas camadas sociais, desde adolescentes, jovens e adultos dos bairros até funcionários do setor público e privado e ainda profissionais liberais. São pessoas conscientes de que a cultura não é privilégio de alguns.

Esta organização tem a preocupação de mostrar que Cultura é para todos e para isto desenvolve oficinas de arte dirigidas a crianças e adolescentes. Sempre está promovendo festivais, teatros infantis, exposições de artes plásticas e outras festas. Funciona na Casa de Arte e Cultura João Batista, situada à Rua Francisco Sá, 148 ao lado do Colégio Estadual Regina Pácis, oferecendo além dos muitos cursos, internet grátis para esta seleta população. Seu horário de funcionamento é de 8:00h ao meio dia e de 14:00h às 17:00h de segunda a sexta feira.

Não é fácil conduzir tal atividade, por isto toda parceria é bem vinda. Já conta com a ajuda de algumas pessoas e instituições, mas é preciso ser conhecida, amada e auxiliada por todas as pessoas que acreditam no potencial da infância e juventude desta cidade. Direta ou indiretamente podemos ajudar, basta fazermos uma visita e nos inteirarmos de como contribuir.

Neste Projeto: Circulando Livros, fazendo com que saia de nossas gavetas e prateleiras livros e revistas que ultimamente apenas recebiam poeira, está hoje alegrando crianças, jovens e adultos e favorecendo o hábito saudável da leitura, socializando idéias, experiências e conhecimentos. Com certeza esta atividade não seria possível sem a colaboração das muitas pessoas que aqui deixaram sua oferta.
Só lembrando... Há pouco tempo eram tantas as histórias feias e até tenebrosas de Crateús que nos sentíamos constrangidos em nos apresentarmos como crateuenses em outras terras. E isto era uma vergonha. Pudemos e devemos mudar a imagem de nossa cidade, a SABI está fazendo a sua parte, vamos fazer a nossa. As histórias se espalham rápido, vamos publicar que Crateús se preocupa com a cultura, está atenta as necessidades de nossas crianças, adolescentes e jovens e amanhã suas lembranças serão outras. Vamos contribuir para que a nossa Crateús seja lembrada pelas muitas histórias bonitas como esta. Criando o hábito da leitura, com certeza, teremos uma população mais preparada e consciente.

Estou aqui como integrante da ALC (Academia de Letras de Crateús) e amiga do SABI.


(Pronunciamento de Vera Lúcia Teixeira Fernandes, da Academia de Letras de Crateús - ALC, em 25 de outubro de 2009)

domingo, 25 de outubro de 2009

PICASSO


Nasceu em Málaga (Andaluzia) e recebeu o nome completo de Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santíssima Trinidad Ruiz y Picasso, filho de María Picasso y López e José Ruiz Blasco.

Em torno do seu nascimento surgiram várias lendas, algumas das quais Picasso se esforçou a promover. Segundo uma delas, Picasso nasceu morto e a parteira dedicou a sua atenção à mãe acamada. Só o médico, Don Salvador, o salvou de uma morte por asfixia soprando-lhe fumo de um charuto na face. O fumo fez com que Picasso começasse a chorar. O seu nascimento no dia 25 de outubro de 1881, às onze e um quatro da noite, seria assim descrito por Picasso aos seus biógrafos, que a publicavam de boa vontade.

(fonte: wikipedia)

GUERNICA


Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris. Foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Medindo 350 por 782 cm, esta tela pintada a óleo é normalmente tratada como representativa do bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães, apoiando o ditador Francisco Franco. Actualmente está no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid.

A pintura foi feita com uso de cores, em preto e branco - algo que demonstrava o sentimento de repúdio do artista ao bombardeio da cidadezinha espanhola. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas, animais e edifícios nascidos pelo intenso bombardeio da força aérea alemã (Luftwaffe), já sob o controle de Hitler, aliado de Francisco Franco da Silva.

Morando em Paris, o artista soube dos fatos desumanos e brutais através de jornais - e daí supõe-se tenha saído a inspiração para a retratação monocromática do fato.

Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular das mesmas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.

(fonte: wikipedia)

PARA REFLETIR

"Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol"

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Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar.

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Em pintura pode-se experimentar tudo. Tem-se mesmo esse direito. Com a condição de nunca se recomeçar.

(Pablo Picasso)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DIA DO AVIADOR - LEMBRANDO SANTOS DUMONT




URUBU VOA? HOMEM VOA?

Nas tardes quentes da fazenda do engenheiro Dumont, em Ribeirão Preto, São Paulo, os meninos brincam. Estamos no princípio dos anos oitenta do século XIX. Na Rússia, o czar Alexandre II. foi assassinado, sucedendo-lhe Alexandre III, e Dostoievski escreve Os Irmãos Karamazov. O reino da Sérvia é proclamado e a Itália junta-se à Alemanha e à Áustria na Tríplice Aliança. Wagner compõe o Parsifal, morrendo dois anos depois. Marx morre também. A linotipia é inventada. No Brasil, reina o imperador Pedro II, há ainda feridas e soam os ecos da vitória sobre o Paraguai na última das guerras platinas, os mações e os republicanos conspiram, a abolição da escravatura divide a sociedade brasileira. Já em 1871 a Lei do Ventre Livre viera libertar os filhos de escravos nascidos a partir desse ano. O caminho-de-ferro vai abrindo novas comunicações, as indústrias surgem pelo país, há conflitos entre o Estado e a Igreja. Tudo isto são coisas que interessam muito ao engenheiro Dumont e aos amigos que aos serões se reúnem na fazenda e discutem estes temas com ar grave, cofiando bigodes, alisando barbas, bebendo um cordial e fumando olorosos charutos. Os jornais de São Paulo todos os dias renovam ou reacendem os assuntos.

Porém, nenhum destes importantes acontecimentos preocupa os meninos que brincam na varanda da fazenda. Estão a jogar ao jogo das prendas. Um deles pergunta: - Voa o gato? Todos gritam: - Não! - Voa o urubu? Levantam os braços: Voa! Voa o carcará? - Voa! - Voa o homem? Todos menos um gritam: - Não! Alberto, um dos filhos do engenheiro, levanta os braços e grita: Voa! Risadas dos irmãos e dos outros meninos. Alberto tem de pagar uma prenda. Ri-se com os outros, mas teima: - Um dia, o homem há-de voar!

O seu mestre Júlio Verne diz-lhe que sim, que o homem voa. Sua irmã Virgínia ensinou-o a ler. Frequenta agora o Colégio, mas todos os tempos livres são passados a devorar as páginas de Cinco Semanas em Balão, de Da Terra à Lua, de Vinte Mil Léguas Submarinas ou da Volta ao Mundo em Oitenta Dias. Phileas Fogg ou o Capitão Nemo são personagens com quem convive no seu dia-a-dia. Nas páginas de Verne, o homem voa já, até mesmo para fora do planeta. Alberto sabe que não faltará muito para que nos céus da realidade o homem voe também.

Na fazenda, Alberto observa as máquinas. As lavadeiras, o descascador, o separador, o ensacador onde o café faz o seu percurso desde a plantação até aos sacos em que seguirá nos vagões do caminho-de-ferro. Vendo as pesadas locomotivas a vapor, conclui que nunca será com máquinas assim que o homem poderá voar. À mente do jovem sonhador acorrem as lendas de Dédalo, Ícaro e Ariel, a história de Olivier de Malmesbury, o monge inglês que, no século XI, construiu um par de asas e com elas se lançou do alto de uma torre, quebrando as pernas, os desenhos de Leonardo da Vinci sobre as estrutura das asas dos pássaros, os músculos que as movem, a função das penas, a tentativa de Bartolomeu de Gusmão que, em 1709, se eleva a 200 pés de altura nos céus de Lisboa, perante a pasmada corte de D. João V, na sua Passarola, ou a «máquina de andar pelos ares», como também lhe chamava, as experiências dos irmãos Montgolfier, a morte de Pilâtre de Rozier ao tentar atravessar a Mancha em balão... Uma das suas brincadeiras favoritas é a de lançar papagaios e de correr, segurando a corda, fazendo-os voar. Nas noites de São João, ele e outros meninos constróem balões de papel. Quando os soltam, fica a vê-los perder-se no céu escuro, uma pequena e luminosa mancha colorida, que o ar quente da mecha faz subir. Em 1888, ano em que a escravatura é abolida no Brasil, visita com a família São Paulo. Numa feira vê, deslumbrado, pela primeira vez um homem voar: um acrobata estrangeiro sobe num balão e lança-se depois em pára-quedas.

FINALMENTE, O SUCESSO

As aventuras e desventuras do «brasileiro voador» tornam-no numa figura conhecida de Paris. Mas ele não se deixa embriagar pelo sucesso, e vai aperfeiçoando as suas máquinas.
E, em Outubro de 1901 sobe no n.º 6, dá uma volta completa à Torre Eiffel e regressa a Saint-Cloud. Demorou 31 minutos, mais um do que o regulamento do prémio estabelece como limite. Ovações da multidão e hesitações do júri. Finalmente, o prémio é-lhe entregue pois, embora ainda no ar, atravessou a linha de chegada dentro do tempo. Santos-Dumont reparte o valor do prémio com técnicos e auxiliares e o que resta é distribuído por operários desempregados.

O êxito internacional chega por fim. É homenageado em Londres num banquete do Royal Aero Club. O príncipe do Mónaco convida-o a construir um hangar e uma oficina no principado. Eugénia de Montijo, a viúva de Napoleão III visita-o. O governo francês contrata-o para construir o primeiro aeródromo do mundo em Neuillly. O inventor concebe o Santos-Dumont n.º 7 e, a seguir, o n.º 9 (detesta o número oito e, por isso, salta-o). O n.º 9, a Balladeuse, fica famoso. É o meio de transporte pessoal de Santos-Dumont - nele, desloca-se em Paris, visita amigos, vai a almoços e a reuniões... Torna-se familiar nos céus de Paris. Uma vez, os parisienses vêem, preocupados, a aeronave perder altura. Será que vai estatelar-se? Não. Pousa suavemente na rua. Alberto sai, impecavelmente vestido, entra num bar e pede um café. E os modelos sucedem-se, cada vez mais perfeitos. Em 1905 nasce o n.º 14. E, logo após, o célebre 14-Bis. O 14-Bis é já um aeroplano, dotado de um motor a gasolina. A princípio eleva-se rebocado pelo n.º 14 e daí o seu nome. Depois, Dumont atrela-o a um burro que, fustigado, corre pela pista, até que o aeroplano sobe. Mais uma vez, recorre à sua experiência infantil dos papagaios de papel. Em 1906, ainda no 14-Bis, ganha os prémios do Aeroclube e Archdeacon. É considerado o pai da aviação, embora outros, tais como os americanos irmãos Wright, reivindiquem também essa glória.

A MORTE PASSA A TER ASAS

Quando, em 1914, se desencadeia a Primeira Grande Guerra uma nova panóplia de armas vai surgindo: submarinos, gases tóxicos, carros blindados, balas explosivas e aviões. As potências deitam mão de todos os meios de destruição que têm ao alcance das mentes perversas dos dirigentes políticos e militares. Invenções concebidas para fins pacíficos, são convertidas em máquinas de morte. Quando a guerra acaba, há dez milhões de soldados mortos, cidades destruídas, milhões de civis mortos ou sem lar.

Entretanto, Santos-Dumont, devido a doença, é obrigado, desde 1910, a abdicar dos seus voos sem, no entanto, se desligar da aviação. Assiste horrorizado à transformação do seu invento em mais um recurso do Apocalipse. Lança um apelo às potências beligerantes para que seja proibido o armamento aéreo. Sem qualquer resultado. Sempre que tem conhecimento de um bombardeamento aéreo, de um combate entre aviões ou mesmo de um acidente, cai em depressão profunda. A sua ideia não era esta...

Compra então um terreno em Petrópolis, perto do Rio, e aí constrói uma casa provida de diversas comodidades que antecipam alguns dos electrodomésticos actuais. Chama-lhe Encantada. Aí escreve um livro, O Que Eu Vi, o Que Nós Veremos. Procura dar uma ajuda ao governo brasileiro, dando conselhos sobre a construção de aeroportos, a formação de pilotos e a construção de aviões.

Em 1922 volta a Paris. É convidado para presidir ao banquete de homenagem a Charles Lindbergh que atravessou o Atlântico Norte, mas a doença impede-o. Em 1928 volta de novo ao Brasil. Continuam as homenagens: a Legião de Honra francesa, um lugar na Academia Brasileira de Letras (que não ocupa). Indiferente a tudo, Santos-Dumont ignora honrarias e nem sequer registra as patentes das suas múltiplas invenções. A depressão ataca-o cada vez mais. Sente-se responsável por todos os acidentes aéreos, pelo aproveitamento militar do seu esforço científico, por tudo o que de mau a aviação significa. Com menos de sessenta anos é um velho doente e taciturno.


O ÚLTIMO PAPAGAIO

Desde 1930, seguindo o exemplo da Europa, onde na Alemanha, em Itália, em Portugal, regimes de extrema direita vão tomando o poder, o Brasil é também governado por uma ditadura, o chamado «Estado Novo» de Getúlio Vargas. Em 1931, Santos-Dumont, cada vez mais doente física e psiquicamente, regressa de França e instala-se próximo de São Paulo, rodeado de cuidados pelos familiares. Parece melhorar, faz pequenos passeios, frequenta a Hípica Paulista e o Clube Atlético Paulistano, visita a redação de O Estado Paulista.

Em 9 de Julho, desencadeia-se um movimento constitucionalista em São Paulo. Diversas forças políticas procuram restabelecer a normalidade democrática sufocada pela ditadura getulista. Santos-Dumont entusiasma-se. Está na praia do Guarujá a convalescer. Redige um manifesto aos mineiros incitando-os a porem-se ao lado dos paulistas. Mas o governo de Getúlio Vargas vai reprimir brutalmente o movimento. Na manhã de 23 Alberto veio até à praia e ajuda um menino a elevar o seu colorido papagaio de papel. Corrigido o peso da cauda, endireitada uma cana da estrutura, o papagaio sobe orgulhoso nos ares. O menino exulta e bate palmas. Dumont sorri ternamente e olha os céus. Nessa altura ouve-se um ruído crescente e na linha de horizonte cresce uma esquadrilha aérea. São aviões federais que vão bombardear um cruzador paulista ancorado em Santos. Brasileiros matam brasileiros servindo-se de uma máquina que ele inventou e foi aperfeiçoando, passo a passo, com tanto amor e ilusão...

Vai para casa e suicida-se nessa noite.

(Por Carlos Loures)

PARA REFLETIR

"No começo deste século, nós, os fundadores da Aeronáutica, havíamos sonhado com um futuro pacífico e grandioso para ela. Mas a guerra veio, apoderou-se de nossos trabalhos e, com todos os seus horrores, aterrorizou a humanidade." (Santos Dumont)

O DEFENSOR DA LEGALIDADE - ÚLTIMA CARTA DE SANTOS DUMONT


"São Paulo, 14 de julho de 1.932

Meus patrícios.

Solicitado pelos meus conterrâneos mineiros moradores neste Estado, para subscrever uma mensagem que se reivindica a ordem constitucional do pais, não me é dado, por motivo de moléstia, sahir do refugio a que forçadamente me acolhi, mas posso, ainda, por essas palavras escriptas, affirmar-lhes, não só o meu inteiro applauso, como também o apello de quem tendo sempre usado a gloria da sua Pátria, dentro do progresso harmônico da humanidade, julga poder dirigir-se em geral a todos os seus patrícios, como um crente sincero em que os problemas de ordem política e econômica, que ora se debatem, somente dentro da lei magna poderão ser resolvidos, de forma a conduzir a nossa Pátria á superior finalidade dos seus altos destinos.

Viva o Brasil unido!

Santos Dumont"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CONJUNTURA NACIONAL



CABRAL TOSQUIADO?

Sérgio Cabral, ainda embriagado pela vitória do Rio na conquista da Olimpíada de 2016, foi chamuscado pelo fogo que consumiu o helicóptero abatido por tiros de fuzil dos bandidos. Sérgio Cabral terá na segurança pública o calcanhar de aquiles dos tempos que virão. Matéria negativa caindo na mídia internacional funcionará como fogueira a consumir a boa imagem positiva alcançada pelo extraordinário esforço de nossas autoridades olímpicas. Lula promete dar, de imediato, R$ 100 milhões para o combate à bandidagem. Pode-se esperar por mais uma dezena de policiais mortos e mais uns 100 marginais.

CUNHA MELO

Histórias de ontem no Senado. Um senador, chateado porque suas verbas não eram liberadas, anunciou para os colegas de bancada:

- Precisamos romper com o governo.

Cunha Melo, sábio e matreiro, pegou o chapéu e saiu de fininho :

- Vou saindo. Tem coisas que não se deve nem ouvir.

ALIANÇA DE COMPROMISSO

O PMDB e o PT enfiam a aliança de compromisso no dedo, sob as bênçãos do cardeal Luiz Inácio. As cúpulas dos partidos se fizeram presentes no ato que terá, ainda, os seguintes desdobramentos. Noivado dentro de um a dois meses, ocasião em que será produzido o anúncio de casamento, com estabelecimento das regras e, mais adiante, casamento com pompa, oportunidade em que será anunciado o modus operandi do noivo na campanha de dona Dilma. O PMDB não quer apenas ceder tempo eleitoral. Quer ser parceiro forte no casamento, com direito a apontar rumos. O programa, portanto, será uma palavra chave.

PACTO PODE SER ROMPIDO

Semana passada, este consultor sinalizou um possível pacto em Santa Catarina envolvendo os parceiros do PMDB, DEM e PSDB. Pelo pacto, em janeiro/fevereiro de 2010, o candidato a ser escolhido seria aquele com melhor índice nas pesquisas. Ao que parece, a coisa não será bem por aí. O PMDB quer porque quer lançar candidato ao governo. O nome: Eduardo Moreira, presidente do partido no Estado. Moreira está com 7% de intenção de voto contra os cerca de 20% dos pré-candidatos do DEM, senador Raimundo Colombo, e Leonel Pavan, do PSDB e vice-governador. Será uma parada dura. Eduardo Moreira e Ideli Salvati, eventual candidata do PT, teriam, a esta altura, firmado compromisso de apoio mútuo no segundo turno.

LUIZ HENRIQUE

Quem deseja manter o pacto entre os três partidos é o governador Luiz Henrique. Mas Eduardo Moreira defende outro pacto. Que inclua obrigatoriamente o candidato do PMDB no centro das conversações. Vai ser uma parada federal.

SINDICALISMO VÂNDALO

Ainda há sindicatos no país que acham que o sindicalismo é campo para a bandidagem. Para a vassalagem. Para servir aos oportunistas, picaretas e arrivistas. Um desses sindicatos, vez por outra, ameaça investir sobre a seara de outros. Não conformado em querer solapar as bases de outra entidade empresarial – prestigiada e de alta credibilidade no mundo sindical – tenta, por meio de medidas solertes, acampar também no terreiro do sindicato laboral. Seus dirigentes, como aves de rapina, ignoram o fato de que, a qualquer hora, essa tentativa de emboscada será denunciada e eles, sim, eles mesmos, serão pegos com a boca na botija e abatidos em pleno ar. Nos bastidores, muito se sabe sobre as peripécias da corja.

O OLHO DE MOSCOU

João Goulart em um papo com Getúlio Vargas:

- Presidente, há muita gente desempregada, muito trabalhador posto no olho da rua.

Getúlio:

- Isso é muito ruim. Operário posto no olho da rua vai logo para o olho de Moscou.


SUNGASUPLICY

O senador Eduardo Suplicy procura desesperadamente companheiros e amigos para explicar o indigitado gesto de vestir sunga vermelha sobre as calças. Teria sido uma brincadeira. Batizada de coisa ridícula. O caso já foi arquivado. E que sirva de lição. Há uma liturgia de poder e de autoridade que não pode ser rasgada pela palhaçada midiática. Que, aliás, cumpre o papel de mostrar um Congresso capenga. E de baixa credibilidade.

QUÉRCIA SE MOVIMENTA

Orestes Quércia tenta sensibilizar os governadores Roberto Requião e Luiz Henrique, atraindo-os para a esfera das oposições. Requião está fechado com Lula. O que prega no PMDB é uma consulta às bases para que o programa de governo de Dilma Rousseff contenha as propostas do partido. Já Luiz Henrique está fechado com Serra. Por conta das conveniências regionais e do pacto entre PMDB, PSDB e DEM. Quércia teme que o PMDB, por maioria dos convencionais, feche posição com o PT. Essa é a tendência hoje.

GRANDEZA DE OUTRORA

Augusto Franco, governador, cheio de si, desceu no Galeão, e foi logo respondendo à pergunta de uma atendente da Varig:

- O Sr. é o Dr. Augusto Franco, de Sergipe ?

- Não, minha filha, Sergipe é que é de Augusto Franco.

O NOVO DENTRO DO VELHO

No Brasil, a reciclagem toma conta até das conversas e das promessas. Roger Agnelli, pressionado por Lula, promete para 2010 investimentos da ordem de R$ 12,9 bilhões. Parece coisa nova. Que nada. São investimentos que, há tempos, figuram no budget da mineradora Vale.

E AGORA?

O presidente da Corte Suprema, Gilmar Mendes, não tem dúvidas: Lula e Dilma antecipam a campanha. O que dirá, agora, o TSE? Se a Justiça Eleitoral está sendo testada, qual será sua reação? Com a palavra, suas Excelências.

O TAMANHO DOS TUCANOS

Rodrigo Maia, presidente do DEM, diz que, se os tucanos excluírem São Paulo, seus bicos ficam do tamanho dos bicos das maritacas. O argumento do deputado quer indicar a maior capilaridade do DEM em termos nacionais. Não é que Maia tem razão? Os DEM estão mais espalhados, povoam de maneira mais horizontal os espaços nacionais e, dessa forma, chegam de forma mais intensa às proximidades populares. Boa observação.

PT E PSDB JUNTOS?

Ante a constatação aguda de Rodrigo Maia, dá até para desconfiar de que um acordo secretíssimo juntaria interesses de tucanos e petistas. Sob que lógica? O rodízio no poder. Sai um, entra outro. Perpetuando a hegemonia dos dois partidos. Sob a gangorra do PMDB que, também, acompanharia um e outro, nas subidas e descidas da montanha política. Pelo acordo, o DEM estaria condenado ao enforcamento. A hipótese, longe de apego ao catastrofismo, tem lógica.

DISCURSOS DE CAMPANHA

Os discursos para a campanha começam a ser arrumados, conforme descrevi em meu artigo dominical no Estadão. Dilma tentará enfiar o perfil de Serra no curral da era FHC. Usando conceitos e chavões do tipo: ambição privativista e modelo neoliberal. Serra acusará o "estilo petista de governar" com a volta do velho patrimonialismo e o resgate de novas formas de engorda do Estado. Haja vista a República Sindicalista. Ciro, se for candidato, embarcará na canoa de integração entre Estado e iniciativa privada, maior investimento na área educacional e esforço para que o país tire o atraso tecnológico. E Marina, claro, vestirá o traje verde da sustentabilidade ambiental.

RECONVOCAÇÃO DE LINA?

Essa idéia de reconvocar Lina Vieira para confirmar a existência de uma agenda e, assim, acender a fogueira contra a ministra Dilma é, aqui pra nós, ausência de discurso substantivo. Velhas feridas tampadas só jorram sangue depois de novos e contundentes ferimentos no mesmo local. Ao que parece, o que vê, naquele espaço, é imagem cicatrizada. E muito esparadrapo.

ADEUS AO "PIRA"

Meu comovido adeus ao grande publicitário e amigo Luiz Celso de Piratininga, figuraça da história da propaganda. Tive a honra de participar, na ECA - USP, de sua banca de mestrado em tempos idos. E a satisfação de dar-lhe a nota máxima. Humano, gentil, espirituoso, criativo. Que Deus o conserve no melhor dos cantinhos do céu.

MISTURA DE CORES E SABORES

Esse consultor, vez ou outra, brinca com a salada mista que se exibe nas mesas da política partidária. E sai por aí mostrando incongruências. O que tem a ver Paulo Skaf com o socialismo do PSB? O que tem a ver o bom deputado Armando Monteiro, presidente da CNI, com o petismo? Pois bem, em Pernambuco, Monteiro deverá fazer aliança com o PT, saindo ele e João Paulo, ex-prefeito de Recife, como candidatos ao Senado. Sinais dos tempos. Com exceção das siglas radicais, os grandes e médios partidos são geléia partidária, pasteurizados, amorfos. Então, não há muita razão em se criticar algo que inexiste, como doutrina ou ideologia.

PÉROLAS DO ENEM

Vejam as pérolas dos alunos no Enem:

'O sero mano tem uma missão….'

'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas.'

'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'

'Enquanto isso os zoutros… tudo baixo nive.'

'A situação tende a piorar : os madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'

'O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente.'

'Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.'

'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes.'

'É um problema de muita gravidez.'

'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'

'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia.'

'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'

'Eu concordo em gênero e número igual.'

'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio.'

CONSELHO A EDUARDO SUPLICY

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na edição passada, o espaço foi destinado aos marqueteiros. Hoje, volta sua atenção ao Senador Eduardo Suplicy:

1. Lembre-se do conselho do general Sun Tzu: "há estradas que não devem ser percorridas e cidades que não devem ser sitiadas". Ou seja, há vestes que não devem ser vestidas. Há sungas vermelhas que não devem ser experimentadas, mesmo se uma sereia cantar loas no seu ouvido.

2. Dê interpretação adequada ao princípio de Maquiavel: "os fins justificam os meios". Quando os meios são mais esdrúxulos e ridículos que os fins a que servem, o tiro sairá pela culatra. No caso, o tiro da sunga foi um bumerangue.

3. Pense uma, duas, três vezes antes de enfrentar uma situação que pode resvalar pelo ridículo. Que pena. Desta feita, sua índole não o ajudou. Por quê? Pelo fato de Vossa Excelência ser considerada pessoa que pensa tão devagar a ponto de a palavra sair antes da idéia.

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(Por Gaudêncio Torquato)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

NO DIA DE HOJE, EM 1971, NERUDA RECEBIA O NOBEL DE LITERATURA


No dia 21 de outubro de 1971, quando recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, Pablo Neruda proferiu um discurso que se tornou célebre pela veemência e lirismo.

Ao final, proclamou:

Nossas estrelas primordiais são a luta e a esperança. Mas não há luta nem esperança solitárias. Em todo homem se jun­tam as épocas remotas, a inércia, os erros, as paixões, as urgên­cias do nosso tempo, a velocidade da História. Mas o que seria de mim se eu, por exemplo, tivesse contribuído de alguma ma­neira com o passado feudal do grande continente americano? Como poderia eu levantar a cabeça, iluminada pela honra que a Suécia me outorgou, se não me sentisse orgulhoso de ter toma­do uma mínima parte na transformação atual do meu país? É preciso olhar o mapa da América, encarar a grandiosa diversi­dade, a generosidade cósmica do espaço que nos rodeia, para entender que muitos escritores se negam a compartir o passado de opróbrio e de pilhagem que obscuros deuses destinaram aos povos americanos.

Escolhi o difícil caminho de uma responsabilidade compartida e, em vez de reiterar a adoração ao indivíduo como sol cen­tral do sistema, preferi entregar com humildade o meu serviço a um considerável exército que pode errar às vezes, mas que ca­minha sem descanso e avança cada dia, enfrentando tanto ana­crônicos recalcitrantes, quanto enfatuados impacientes. Porque acredito que meus deveres de poeta não me indicavam somente a fraternidade com a rosa e a simetria, com o exaltado amor e a nostalgia infinita, mas também com as ásperas tarefas humanas que incorporei à minha poesia.

Há exatamente cem anos, um pobre e esplêndido poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: “À l’aurore, armes d’une ardente patiente, nous entrerons aux splendides Villes” (Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades).

Acredito nesta profecia de Rimbaud, o vidente. Venho de uma obscura província, de um país separado de todos os outros pela sua talhante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre ti­ve confiança no homem. Jamais perdi a esperança. Por isso talvez tenha chegado até aqui com a minha poesia, e também com a minha bandeira.

Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi expressado nes­sa frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquista­remos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.

Assim a poesia não terá cantado em vão.


(Pablo Neruda)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OBSERVATÓRIO

“A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam. (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as Constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país.”

NOSSO PAPEL

As palavras acima são de Rui Barbosa, crânio iluminado, gênio do direito, altivo tribuno, ícone do jornalismo combativo brasileiro há mais de um século atrás. Desde quando assumimos o compromisso de regar esta coluna, moldura analítica dos fatos atinentes à coisa pública, sempre procuramos insuflar a pluralidade, realizar o patrocínio do bem, professar a fé na democracia em ação. Sabemos que o debate político sempre é contaminado pela cegueira proveniente da obsessão pelo poder. Tinge-o a lama da ambição desmesurada. E isso leva, invariavelmente, ao terreno movediço do açodamento pessoal. A crítica a um projeto, imprescindível corretivo, é vista pelo sectário como um afronta à pessoa. E leva o homem público, ao invés de investigar o fato pontuado, a buscar devolver com uma ação para desqualificar quem critica. E perdemos a oportunidade do bom debate, aquele circunscrito à arena das idéias.

NOSSO PAPEL II

Temos uma posição nítida como a manhã de verão. Fazemos, em relação aos governantes, a cobrança em cima dos compromissos por eles celebrados em praça pública. É de conhecimento geral que o atual governo municipal de Crateús assumiu a revolucionária bandeira da alteração dos costumes políticos, da transformação social, da defesa dos trabalhadores, da “vida nova”. O ideário é belo, louvável. Cabe aos órgãos de imprensa, lentes da sociedade, perscrutar se o caminho pregado está sendo seguido. Na edição passada, postamos aqui uma observação sobre o projeto de lei que diminui o limite daqueles chamados requisitórios de pequeno valor. Ao invés de discutir o projeto, e apresentar justificativa plausível, houve quem preferisse assacar contra este escriba, disparando uma ironia: “parece que esse pessoal esquece que fez parte das administrações passadas”... Como se isso viesse ao caso. Ou possíveis equívocos de alhures fosse salvo-conduto para, no presente, quem está no poder assumir a rota da incoerência.

PSDB

A cúpula do PSDB crateuense se reuniu e resolveu acertar o ninho. Ao invés de continuar se bicando, os tucanos avaliaram o cenário político municipal e acertaram uma agenda mínima de trabalho. Escolheram, para presidir o partido, o professor e empresário José Vagno Mota, que vai se responsabilizar pela oxigenação do grêmio partidário, incorporando novos segmentos e desenhando uma agenda propositiva para a cidade. Demais disso, foi acertado manter acesa a chama oposicionista e cumprir os compromissos firmados na eleição passada: manter a parceria com o PMDB, a quem caberia indicar um candidato a Deputado Federal e votar no estadual tucano.

PMDB

Sucede que parte do PMDB se rendeu aos acenos da situação. Alguns raciocinam que é difícil sobreviver longe do poder. Esquecem que o fascínio da política reside no seu dinamismo - demonstrado no processo dialético de morte e ressurreição (um político, aparentemente morto, pode ressurgir das cinzas). Emblemático disso é o caso de Zé Almir, expressão maior do peemedebismo local. Em 2000, após uma pesada derrota, manteve-se firme na oposição. Quatro anos depois, retornava ao comando do Paço Municipal. Porém, o imediatismo tem falado mais alto. O vereador João de Deus, que se iniciou na radiofonia como comentarista esportivo, assumiu a Secretaria Municipal de Esportes. Fala-se que o apoio dessa facção do PMDB ao Prefeito está adstrito à esfera administrativa. É esperar para ver.

PARTICIPAÇÃO

Enquanto o prefeito conversa exaustivamente com os políticos tradicionais, esquece de dialogar com os setores mais avançados da sociedade civil organizada. É grande a queixa de que os setores populares estão marginalizados das essenciais decisões. Inexistiu um debate amplo e qualificado sobre os principais projetos gestados este ano. Lamentam o estilo personalista do Chefe do Executivo. Quando convida as pessoas para conversar, só ele fala e transparece uma auto-suficiência fora do normal. Sabe tudo e dispensa a opinião alheia. Essa postura tolhe a oportunidade de sentir a atmosfera de insatisfação que o rodeia, interna e externamente. Exemplo disso são as baixas na equipe. O desconforto já levou secretários a entregarem as pastas e, pessoas outras, uma vez convidadas, declinarem.

MUDANÇAS


Sexta-feira à tarde, no Auditório dos Servidores Municipais, ocorreu a posse da secretaria interina da Educação, Aurineide Aguiar. O ex-secretário Avelar, cujas reais razões de saída ainda são desconhecidas, evitou comparecer. Mauro Soares, o vice-prefeito que tem se desdobrado em contornar deslizes do Prefeito, assumiu mais um pepino: a Secretaria de Administração. Cabo Chico, o antecessor, foi cuidar das Relações Institucionais. E João de Deus, como já foi dito, vestiu a camisa de titular de Esportes.

ACADEMIA

A Academia de Letras de Crateús esteve reunida no domingo passado. Assuntos relevantes, como a sede do sodalício e a biblioteca Norberto Ferreira Filho (Ferreirinha), dominaram a pauta. A notícia de que o projeto de reconstrução da praça da estação contempla a demolição da biblioteca causou estupefação. Ora, é simplesmente injustificável destruir a única biblioteca pública da cidade. Uma comissão foi composta para levar ao Executivo Municipal posição da Academia municipal de letras: evitar que esse desatino se concretize. E mais: sugerir que a Prefeitura passe a observar o ditame legal da participação popular no debate dos temas mais importantes da comuna.


PARA REFLETIR

“Melhor é prevenir do que remediar, e é prevenindo, muitas vezes, que deste lugar se prestam os melhores serviços ao país. Vem o abuso amostrando a ponta da unha, dá-lhe o jornalista em cima com o bom senso, ou a lei, e ei-lo que recolhe incontinente a garra. Surde o erro a furta-passo, tenteando a coragem de assoalhar-se francamente; mas a imprensa, que o pressentiu, dá-lhe o rebate da censura, que o espera, e já não há mais que o recear. É uma das suas maiores utilidades esta função preventiva da imprensa”. (Rui Barbosa)

(Por Júnior Bonfim - publicado na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

sábado, 17 de outubro de 2009

DITADOS POPULARES NA ERA DIGITAL



Como estamos na 'Era Digital', foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade. Veja alguns:

1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, senhas à parte.

3. Antes só, do que em chats aborrecidos.

4. A arquivo dado não se olha o formato.

5. Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.

6. Para bom provedor uma senha basta.

7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.

9. Em terra off-line, quem tem 486 é rei.

10. Hacker que ladra, não morde.

11. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

12. Mouse sujo se limpa em casa.

13. Melhor prevenir do que formatar.

14. O barato sai caro. E lento.

15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.

16. Quando um não quer, dois não teclam.

17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.

18. Quem clica seus males multiplica.

19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.

20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.

21. Quem não tem banda larga, caça com modem.

22. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.

23. Quem semeia e-mails, colhe spams.

24. Quem tem dedo vai a Roma.com

25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.

26. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.

27. Diga-me que computador tens e direi quem és.

28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...

29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha.

30. Aluno de informática não cola, faz backup.

31. O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro).

32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola.

33. O Natal das pessoas viciadas em computador é diferente. No dia 25 de Dezembro, o Papai Noel desce pelo cabo de rede, sai pela porta serial e diz: Feliz Natal, ROM, ROM, ROM!


(Enviado por Gabriel Vale)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

16 DE OUTUBRO - DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO



Há 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo, um bilhão de pessoas passando fome, 30 mil crianças morrem de fome a cada dia, 15 milhões a cada ano, um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual, 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável, 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso. Uma pessoa a cada sete padece de fome no mundo. A cada dia 275 mil pessoas começam a passar fome ao redor do mundo. O Brasil é o 9º país com o maior número de pessoas com fome, tem 15 milhões de crianças desnutridas. 45% de suas crianças, menores de cinco anos, sofrem de anemia crônica.

O Brasil é o 5º país do mundo em extensão territorial, ocupando metade da área do continente sul-americano. Há cerca de 20 anos, aumentaram o fornecimento de energia elétrica e o número de estradas pavimentadas, além de um enorme crescimento industrial. Nada disso, entretanto, serviu para combater a pobreza, a má nutrição e as doenças endêmicas. Em 1987, no Brasil, quase 40% da população (50 milhões de pessoas) vivia em extrema pobreza. Nos dias de hoje, um terço da população ainda é mal nutrido, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total são trabalhadores rurais sem-terras.

Enquanto o consumo diário médio de calorias no mundo desenvolvido é de 3.315 calorias por habitante, no restante do globo o consume médio é de 2.180 calorias diárias por habitante. Metade dos habitantes da Terra ingere uma quantidade de alimentos inferior às suas necessidades básicas. Cerca de um terço da população do mundo ingere 65% dos alimentos produzidos. A quarta edição do Inquérito Mundial sobre Agricultura e Alimentação, patrocinado pela ONU em 1974, concluiu: "Em termos mundiais, a quantidade de alimentos disponíveis é suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada".

O aumento dos preços dos alimentos fez o número de famintos no mundo crescer 40 milhões para 963 milhões de pessoas em 2008, ante o ano passado, de acordo com dados preliminares divulgados hoje pela ONU para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). A entidade advertiu que a crise econômica mundial pode levar ainda mais pessoas a essa condição. Levando em conta dados do US Census Bureau, departamento de estatísticas do governo norte-americano, que conta a população mundial em 6,7 bilhões de pessoas, o número de famintos representa 14,3% do total.

Em 2007, no planeta havia 860 milhões de famintos; em janeiro de 2009 109 milhões mais. A metade da população africana subsahariana, por citar um exemplo dessa África crucificada, mal vive na extrema pobreza. A ladainha de violência e desgraças provocadas é interminável. No Congo, há 30 mil meninos-soldados dispostos a matar e a morrer a troco de comida; 17% da Floresta Amazônica foram destruídos em cinco anos, entre 2000 e 2005; o gasto da América Latina e do Caribe em defesa cresceu em 91%, entre 2003 e 2008; uma dezena de empresas multinacionais controla o mercado de semente em todo o mundo. Os Objetivos do Milênio se evaporaram na retórica e em suas reuniões elitistas os países mais ricos dizem covardemente que não podem fazer mais para reverter o quadro.

"Quase cem mil mortes diárias no planeta se devem à fome. Dentre elas, 30 mil são de crianças com menos de cinco anos. Mais do que três torres gêmeas por dia que se desmoronam em silêncio, sem que ninguém chore ou construa monumentos", declarou à swissinfo Carlos Alberto Libânio Christo, mais conhecido como frei Betto.

Essas são algumas das estatísticas da fome que o mundo se acostumou a acompanhar de tempos em tempos. Todavia, a fome segue matando de maneira endêmica em muitas regiões do globo.

Nós, do Planeta Voluntários, buscamos um mundo sem fome e desnutrição - um mundo no qual cada uma e todas as pessoas possam estar seguras de receber a comida que necessitam para estar bem nutridas e saudáveis. Nossa visão é a de um mundo que protege e trabalha para que haja assistência social e dignidade humana para todas os povos. Um mundo no qual cada criança pode crescer, aprender e florescer, e desenvolver-se como membro ativo da sociedade.

(Por Márcio Demari)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ROSA FERREIRA DE MORAES


TEATRO ROSA MORAES - CRATEÚS - CEARÁ


Ao tempo em que estava à frente da Secretaria de Educação de Crateús, convidei o Professor Celso Antunes para proferir uma palestra para a comunidade escolar. O longevo mestre, cabelos flor de algodão, distribuidor de sorrisos, olhar penetrantemente delicado, com o magistério da própria experiência encheu a nossa alma de graça e encantamento.

Contou-nos, dentre outros fatos, que, em missão cultural ao Japão, foi levado pelo Ministro da Educação daquele País para um encontro com o Imperador. Ao adentrar no salão do monarca, viu uma cena inusitada: o nobre se curvou, com litúrgica solenidade e reverente respeito, ante a presença dos dois professores. Ficou intrigado. Na saída, indagou ao Ministro o motivo daquele gesto. E ele respondeu: - Se o perguntássemos, ele responderia que presta reverência aos professores porque foram eles que o formaram.

Com essa citação, o mestre Antunes queria deixar registrado que nalguns rincões do planeta os professores estão colocados no lugar que merecem: sobre o púlpito do respeito social, no altar da admiração coletiva.

Talvez para provocar nossa capacidade alterativa ou, simplesmente, como uma cândida lamparina de referência, ainda existem remanescentes – raros, é bem verdade – de uma época áurea da educação, em que os que lideravam as salas de aula estavam, ao lado do Padre e do Juiz, entre as figuras que ocupavam a tribuna de honra da deferência comunitária.

Entre esses nomes, e com indiscutível destaque, está o da crateuense ROSA FERREIRA DE MORAES. Escrevo o seu nome em negrito e com letras maiúsculas porque as palavras que o compõem formam um ternário biográfico.

A sua artística porção ROSA desabrocha permanentemente, como uma flor de roseira, no jardim invisível do seu coração, em especial quando, de posse de um pincel, nos chama a atenção para detalhes pouco perceptíveis do cotidiano, através de quadros pintados com acurado esmero e fina sensibilidade.

Dentre os presentes que esta vida me deu está o privilégio de ter sido aluno desta FERREIRA. De ferro, mesmo. Com seu jeito austero, com sua imponente compleição física, com sua voz grave e seu olhar severo, ensinou-nos os benefícios da férrea disciplina, da dedicação inflexível, do cumprimento do objetivo delineado, da satisfação do dever cumprido. Recordo como era comum, em suas aulas, quando identificava desvios de conduta nos alunos, a realização de paradas bruscas na transmissão dos conteúdos a fim de que pudéssemos ouvir exortações sobre os caminhos da retidão e do bem, verdadeiras lições de moral, preciosos sermões sobre as virtudes de cultuarmos princípios de vida.

Outro dia, ela me confidenciou que seu saudoso pai sempre escrevia MORAES com E ao invés de I porque, no entendimento dele, Morais com “i” era plural de moral. Para mim, esse MORAES deita raízes na palavra mora, não no sentido comercial de retardamento do devedor no pagamento de uma dívida, mas no profundo sentido espiritual da palavra demora, que se resume na rara capacidade de saber o tempo certo de cada coisa, de não atropelar o curso natural da existência, de não queimar etapas na caminhada da vida.

Em suas mais de oito décadas de vida, ROSA FERREIRA DE MORAES tem reluzido. Se pudesse, mudaria o seu nome para ROSA FERREIRA ESTRELA DE MORAES, pois é isto que ela é: uma pétala resplandecente que há iluminado gerações.

(Júnior Bonfim, in "Amores e Clamores da Cidade")

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

NO DIA DE HOJE, EM 1964, ERA MARTIN LUTHER KING O NOBEL DA PAZ


"Tenho um sonho
que meus quatro pequenos filhos
viverão um dia
em uma nação
onde não serão julgados
pela cor de sua pele,
mas pelo conteúdo de seu caráter".

Martin Luther King

No dia 14 de Outubro de 1964, o pastor da Igreja Baptista da Avenida Dexter, em Montgomery, Alabama, foi anunciado como Prémio Nobel da Paz.

A Fundação Nobel justificou a atribuição pelo seu protagonismo na Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC, Southern Christian Leadership Conference), que organizava o activismo pelos direitos civis.

Martin Luther King (1929-1968) é o laureado com o Nobel da Paz mais jovem. Tinha 35 anos (o advogado Obama tem 48).

terça-feira, 13 de outubro de 2009

INSTANTES




Se eu pudesse viver minha vida novamente,
A próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito: relaxaria mais,
Seria mais tolo do que tenho sido e, de saída
Levaria mais a sério pouquíssimas coisas. Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, faria mais viagens,
Contemplaria mais entardeceres,

Subiria mais montanhas, nadaria em rios,
Iria a lugares onde nunca estive antes,

Comeria mais doces e menos verduras,
Teria mais problemas reais,
E menos problemas imaginários...

Eu fui uma dessas pessoas que viveu Sensata e Prolificamente
cada minuto de minha vida

E, é claro, em meio disso,
Tive certos momentos de alegria.

Mas, se eu pudesse voltar atrás,
Trataria de ter somente bons momentos.

Pois, se não sabes, é disso que a vida é feita

Momentos......

E não perca por favor, nunca o aqui e o agora.
Eu era um desses que não iam a nenhuma parte,

Sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
Um guarda-chuvas e um pára-quedas.

Se eu pudesse voltar a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
Começaria pôr andar descalço desde o início da primavera

E seguiria assim até terminar o outono.
Daria mais voltas pelas pequenas ruas,

Contemplaria mais amanheceres
E brincaria com mais crianças,

Se eu tivesse outra vez a vida pela frente.
Mas perceba... tenho oitenta e cinco anos... e sei que estou morrendo.

(Atribuído a Jorge Luis Borges e/ou Nadine Stair. De lado a autoria, é uma bela poesia.)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

FELIZ CUMPLEAÑOS, PABLO!




Conheci o Paulo Nazareno no inicio da década de mil novecentos e oitenta.

Realizávamos uma reunião em prol do pré-candidato a prefeito de Crateús José Fernandes da Silva, médico sisudo e de bom coração, alagoano que se fez crateuense e capitão da resistência democrática na nossa terra.

Alguém anunciou a presença do jovem cirurgião Paulo. Silhueta magérrima e vasta cabeleira. Estilo hippie e olhar profundo.

O projeto que sonhávamos para a cidade foi abortado em 1982, mas veio à tona alguns anos depois. Eleito prefeito – com menos cabelos na cabeça e uns quilos a mais no corpo - Nazareno me convidou para integrar sua equipe.

Gestou-se entre nós, a partir do desenho de um projeto inovador para a cidade, um processo de cumplicidade espontânea. Laboramos grandes idéias, desenvolvemos arrojadas iniciativas. As pessoas experimentaram debates que incluíam a integração da equipe (intersetorialidade) e a transferência do poder ao povo (empoderamento). A cidade respirou uma auspiciosa aura de oxigenação em todas as áreas.

Depois, o ar voltou a se poluir pela contaminação do submundo da política. E a urbe, outra vez, involuiu.

A nossa convivência, que se iniciou no oceano da política, terminou por nos aproximar nas outras praias da vida. Conheci o ser sensível e profundo, endoscopista de almas, amante da natureza, aviador natural, apreciador da boa música, estudioso dos grandes temas, visionário trabalhador.

Jamais consegue ser morno. É sempre gelo ou brasa. Adora viver perigosamente, escalar as montanhas dos desafios, palmilhar as trilhas adversas. Saboreia intensamente cada prato que o restaurante da vida lhe oferece.

No entanto, ao longo da nossa convivência, tive a oportunidade de identificar a mais original das suas facetas: no lençol freático desse homem aparentemente duro, há um poço profundo de ternura.

Coincidentemente, nasceu no dia 12 de outubro. Talvez por isso seja, no mais recôndito de si mesmo, uma criança: brinca e briga, preza e reza, chora e ri, sofre e sonha.

Hoje completa mais um ano. Assopra velas. Apaga o que ficou para trás. Mira o futuro. E reparte o bolo da amizade.

Como dizem os latino-americanos, feliz cumpleaños!

(Por Júnior Bonfim)

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Muito obrigado pela gentileza,dentre os rios do curso da minha vida,suas férteis águas não somente o avolumaram,mas o tornaram mais fertil e acolhedor;traço este,prepoderante em sua personalidade:um agregador e fulgurante inteligencia.Te-lo amigo ja é,por si só,um presente.

Paulo Nazareno

domingo, 11 de outubro de 2009

AOS POETAS CLÁSSICOS


Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

(Por Patativa do Assaré)