terça-feira, 9 de março de 2010

UMA CADEIRA CATIVA PARA GERARDO MELLO MOURÃO


Parece que foi ontem... Mas já se foram três anos.

Em nove de março de 2007, Ipueiras ficava órfã de seu mais polêmico e ilustre filho: Gerardo Mello Mourão.

“Gerardo foi: Jornalista, poeta e escritor. Era membro da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Brasileira de Hogiologia e do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Era um dos escritores mais respeitados no exterior”

Infelizmente, Gerardo, ainda não foi devidamente reconhecido em Ipueiras, cidade que ele carregou com carinho, na cabeça, no coração e em seus escritos.

Foi grande falando de sua aldeia, mas sua aldeia não crescera o suficiente para reconhecer a magnitude deste ícone ipueirense.

Eu não conheci Gerardo de ouvir falar. Freqüentei sua casa e conversávamos, não como o mestre e a sua aprendiz, falávamos como dois retirantes nordestinos querendo palestrar.

Eu ficava encantada com sua grande cultura e sua ainda maior, simplicidade.

Tive a grata satisfação em receber Gerardo Mello Mourão, num evento cultural realizado em minha chácara na cidade de Ipueiras.

Entre amigos, parentes e políticos, o poeta saboreava comidas típicas como: baião-de-dois, paçoca de pilão, intercalados por uma cachacinha da terra. Era clara sua satisfação.

Na hora da saída, após os agradecimentos, Gerardo chamou-me reservadamente e disse-me: “Dalinha, estou indo e carregando a cadeira que sentei” E assim o fez.

Logo que voltei ao Rio de Janeiro, ele telefonou-me: “Dalinha, Venha visitar-me e ver sua cadeira”.

Fui. Qual não foi minha surpresa ao ser reapresentada a minha pobre cadeira, matuta, feita de pau e couro. Estava toda envernizada, enfeitadas com tachas, ocupando um lugar de respeito em sua sala de visitas.

Hoje queria registrar minhas saudades e o prazer indizível que foi participar de um naco da vida de Gerardo Mello Mourão que certamente terá cadeira cativa em meu coração.

(Dalinha Catunda)


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Olá Júnior,

Obrigada por postar minha homenagem ao grande poeta Gerardo Mello Mourão.

Na foto pela ordem:
Gerardo Mourão, Dalinha Catunda e Frota Neto.

Fico feliz também por este seu relato/homenagem ao nosso grande poeta, orgulho do Ceará.

Um abraço,

Dalinha

AINDA SOBRE A HOMENAGEM ÀS MULHERES

Olá Júnior,

Sua homenagem a essas mulheres geniais é mais do que justa.

Eleger Madre Tereza de Calcutá para homenagear como um ícone maior, também concordo, por todo trabalho dedicado a humanidade.

Acrescentaria uma homenagem especial a nossa fundadora e coordenadora da pastoral da criança, Zilda Arns, que nos deixou a pouco tempo e deixou orfão uma legião de necessitados.

Citaria também Rachel de Queiroz, a primeira escritora a integrar a Academia Brasileira de Letras.

Ruth Cardoso por todo seu trabalho, Inês de Castro pela bela e trágica história de amor.

Queria lhe agradescer pela homenagem a mim e as mulheres em geral.

Carinhosamente,

Dalinha

segunda-feira, 8 de março de 2010

UMA MULHER CHAMADA TERESA


Muitos são os que afirmam que “por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”. Outros, no afã de externar generosidade, fizeram um reparo e asseveraram que é “ao lado do homem que encontramos a grande mulher”.

Perdoem-me, mas penso diferente. Mulheres há que, sem fixação, indiferença ou rejeição ao companheiro, constroem marca própria!

Nunca desfraldei bandeiras feministas, mas sempre admirei as mulheres talentosas que, conservando a ímpar doçura maternal, exibem a fortaleza das descendentes de Eva. O útero da História é pródigo em exemplos: Cleópatra - uma das mulheres mais festejadas da história da humanidade – além de deslumbrante, era inteligente e culta, e sua notória esperteza manteve as fronteiras do seu reino; Joana D’Arc, jovem camponesa que vestiu a farda militar e foi protagonista de uma guerra que restabeleceu a dignidade francesa, além de ser queimada pela mesma Igreja que, séculos depois, reconheceu sua santidade; a catarinense Anita Garibaldi, combatente da Revolução Farroupilha, mulher muito à frente de seu tempo... A lista é, pois, numerosa...

Antes de rabiscar estas linhas, que me foram sugeridas pelo César a propósito do Dia Internacional da Mulher, pensei em homenagear uma mulher de forma singular.

Imaginei, primeiramente, que poderia ser aquela que me gerou, cujo convívio me foi subtraído prematuramente.

Depois, pensei que poderia ser a minha esposa, a quem prefiro chamar de consorte, porque compartilha comigo o sonho, a sesta, a saudade, o silêncio, a sonoridade, a soledade, os surtos, os sustos... enfim, a sorte de viver.

Mas há uma que, pela colossal história de vida, galgou um tipo tão superior de destaque que merece um registro todo especial. Antes do mais, foi considerada pelo então Secretário Geral das Nações Unidas, Pérez de Cuéllar, como “a mulher mais poderosa do mundo”.
Sem ter gerado um único filho, transformou-se, pela esplendorosa fé e pelo oceânico amor, na mãe mais fecunda do planeta.

Sobre ela, a diretora de uma revista feminina escreveu um chamativo artigo intitulado “UMA MULHER QUE NUNCA PASSARÁ DE MODA”. De início, afirmava: “Não é Cindy Crawford nem Cláudia Schiffer. Provavelmente, nunca entrou numa boutique, mas é uma das mulheres que marcam o passo à Humanidade e que deixarão um rasto indelével no século que termina. É muito possível que a preocupação pelo seu look não passe da água e do sabão, mas o seu olhar irradia uma força especial”.

A passarela por onde desfilou e exibiu seu glamour e sua beleza extraordinária foi o espaço onde reluzia a dor e a miséria mais comoventes, nos corredores desprezados dos aidéticos, nos esgotos onde se escondiam os vitimados pela lepra. Ruanda e Angola, Ulster e Biafra, a Etiópia e a Somália, o Harlem e o Bronx, o Tondo de Manila e o Líbano estão entre os palcos de sua vida. Diuturnamente, comendo de maneira frugal e dormindo apenas três horas diárias, em solene e incansável vigília de amor, operou sua missão sob o pálio do ‘ora et labora’.

Nascida em 26 de agosto de 1910, em Skoplje, um lugar entre a Albânia e a antiga Iugoslávia, atual República da Macedônia, construiu um verdadeiro império de amor e caridade. Hoje, são mais de 450 centros de assistência em mais de cem nações de todo o mundo, inclusive no Brasil, e quase cinco mil religiosas e duzentos missionários, espalhados em albergues para adolescentes grávidas, cozinhas gratuitas para famintos e refúgios para pessoas sem lar.

No dia 5 de setembro de 1997, o coração dessa mulher iluminada parou de palpitar. Seu nome: Inês (Agnes) Gonscha Bojaxhiu, eternizada como Madre Teresa de Calcutá, a missionária do século XX.

Sua mensagem, estrela flamejante em defesa da vida, continua contundente:
- “O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. Só é questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o Estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar fosse gasto em fazer que as pessoas vivessem, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza”.

Mulheres desse naipe nos instigam a celebrar, com o incenso da profundidade, o Dia da Mulher!

(Júnior Bonfim - em Amores e Clamores da Cidade)

domingo, 7 de março de 2010

NO CLIMA DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, SURGE O BLOG "CORDEL DE SAIA"


BLOG CORDEL DE SAIA

Amigos,

Hoje fujo um pouquinho da rotina, para fazer um comunicado.
Eu, Dalinha Catunda, uni-me a Maria Rosário e criamos o blog: www.cordeldesaia.blogspot.com

Tanto Rosário com eu, somos membros da ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Assim sendo, resolvemos abrir este espaço, que inicialmente parece bem feminista, mas na realidade a proposta é agregar democraticamente cordelistas de ambos o sexo.

No Cordel de Saia postaremos notícias sobre cordel, divulgaremos companheiros, curiosidade e faremos entrevistas com cordelistas e amantes dessa literatura Popular.

Gostaria de pedir a vocês que prestigiam o Cantinho da Dalinha, que dessem uma passadinha por lá e se não for pedir muito, que deixem seus comentários.

Um abraço a todos,

Dalinha Catunda

SOBRE MULHERES



Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças.

Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres?
Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.
"Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda."


Por Rita Lee


(Enviado por Wagner Vitoriano)

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Auauuuuuuuu que post MARAVILHOSO

Amei tudo. Fala de toda nossa dor, de quanto nós sentimos pequenas diante atos barbaros e patriacal. Eu nunca sofri casos assim mais histórias como essa estão marcados na trajetória de uma mulher, tenha ela vivido ou não. É a nossa história e a nossa luta.

Amei o seu blog, estou iniciando a minha trajetória nesta blogosfera e estou amando os blogs que tenho conhecido.

Valeu!!

Beijos

Ana

sexta-feira, 5 de março de 2010

EM HOMENAGEM ÀS MULHERES


Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, o Cine Poty irá apresentar neste domingo "A hora da estrela" - filme baseado no romance homônimo de Clarice Lispector. Dirigido por Suzana Amaral e protagonizado por Marcélia Cartaxo (Urso de Prata no Festival de Berlim), o filme narra as desventuras de Macabéa, que representa o aviltamento por que passa o ser humano, quando sua vida é barateada. Ela representa todos os perdidos retirantes nordestinos que se movem alienamente numa metrópole.

Macabéa, uma jovem órfa, só no mundo, aos 19 anos. Analfabeta, ingênua e virgem, vem do nordeste tentar a vida em São Paulo. O filme mostra a história do encontro patético deste ser humano com as artimanhas da cidade grande. Macabéa é tão desastrada que o tempo todo ela dói por dentro. Não sabe, como os outros, que esta dor tem de ser dissimulada por baixo das máscaras sociais. Toma aspirinas para ver se passa. Veste então as máscaras, mas não lhe caem bem.

Embora a história de Macabea seja profundamente dramática, a narrativa é toda permeada de muito humor e ironia. Mas não se iludam. Desprovida de beleza, saber e ambição, Macabéa nos inspira por seu último ato: a ousadia de sonhar. A hora da estrela é um filme que nos faz querer ser melhor.

Também no elenco, José Dumont e Fernanda Montenegro. Ele o namorado, ela a cartomante.

(Do blog da Sabi)

quarta-feira, 3 de março de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

HISTORINHA DA PARAÍBA

Aloísio Campos foi candidato a senador três vezes e três vezes foi derrotado por Ruy Carneiro. Em 66, o governador João Agripino encarregou Ivan Machado e Osvaldo Trigueiro do Vale de coordenarem a campanha de Aloísio na capital. Já no fim, planejaram uma grande concentração popular no bairro da Torre, onde o candidato faria o pronunciamento final. Ivan e Osvaldo desdobraram-se. No dia, nove da noite, João Agripino e Aloísio dirigiram-se para o bairro da Torre. Uma decepção. Palanque, luzes, escola de samba, tudo lá, mas povo quase nenhum. Aloísio mandou chamar Osvaldo:

- Tudo bem, Osvaldo?

- Tudo bem, senador. Tudo arrumado, como o senhor mandou.

- Mas, e o povo, Osvaldo?

- Ora, doutor, eu consegui escola de samba, armei o palanque, fiz iluminação, preparei a lista de oradores. Agora, se ainda tivesse de trazer o povo, o candidato era eu.

Não houve comício. Nem voto para Aloísio. Historinha contada por Sebastião Nery.

DILMA DECOLOU

Quem acompanha esta coluna não teve surpresas. Dilma Rousseff decolou nas pesquisas. Alcançou 28% no Datafolha, que é um instituto de grande credibilidade. Encostou em Serra. Claro, ela faz campanha há mais de um ano. Serra, até hoje, mostra-se indefinido. Apesar de sabermos que o governador de SP já não tem condições de abortar seu avião, que já decolou. Serra caiu 5 pontos. E pode-se esperar mais ainda : na próxima pesquisa, Dilma estará colada em Serra, se não já ultrapassando a marca dos 35%.

EIXOS DE DILMA

Previ essa situação há um bom tempo. E cheguei até a escrever, no domingo passado, sobre as potencialidades da ministra chefe da Casa Civil. Meu artigo no Estadão levantava as quatro abordagens que formam a identidade de Dilma: a técnica, a política, a feminina e a histórica. A identidade técnica canibaliza a identidade política. Por isso, se ela ganhar a eleição precisará de um forte articulador político, tipo Michel Temer, por exemplo. Mas a identidade técnica será vantajosa no que diz respeito ao comando da máquina. Impõe autoridade. Ou seja, não admitirá monitoramento/patrulhamento do PT.

"A melhor maneira de fazer entrar um cidadão na ordem – é fazê-lo entrar no cemitério." (Eça de Queirós)

MULHER E GUERRILHEIRA

O fato de ser mulher não atrapalhará. As mulheres conquistaram a simpatia dos eleitores. Há mulheres na política por toda a parte. Empresárias, prefeitas, vereadoras, deputadas estaduais e federais e senadoras. Há mulheres presidentes, inclusive aqui pertinho. Michelle Bachelet, que deixa agora a presidência do Chile, e Cristina Kirchner, na Argentina. Dilma, aliás, tem um perfil de gerentona, mandona, exprimindo até certa arrogância. Por isso, o eixo histórico ainda é lembrado. Fosse mais suave, a história da guerrilheira seria apenas mera curiosidade. De qualquer maneira, não afetará sua campanha.

LULA, O GRANDE ELEITOR

O fato é que Dilma já é tão conhecida quanto Serra. E, na pesquisa espontânea, atinge um índice maior do que o do governador paulista. Isso é importante. Outro índice que deve estar causando perplexidade é o da rejeição. Serra aumentou em 5 pontos percentuais a rejeição. Chegou aos 26%. Dilma tem rejeição menor. Olhem para esse dado. Pode ser o calcanhar de Aquiles do candidato. O que de fato aconteceu?

CAMPANHA MACIÇA

Ora, Dilma corre o país com Lula subindo em palanques, abraçando o povo, inaugurando obras. Serra encastela-se no Palácio dos Bandeirantes. Vai, vez ou outra, a um Estado. Mas é paft-puft. Passa pouco tempo. Não esquenta os climas ambientais. Serra se acha o máximo. É o dono da perfeição. Só ouve o que sua boca fala. Deve, agora, ter tomado um grande susto. As más línguas dizem que vai anunciar a candidatura dia 1º de abril. Dia da Mentira. Dilma, enquanto isso, continuará navegando pelas ondas dos pacotes assistencialistas de Lula.

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Seu Lunga, apertando o botão do elevador, passa um mané.

- Seu Lunga, esperando o elevador?

E ele:

- Não... tô esperando que o apartamento desça.

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LÓGICA GANHA CAMPANHA?

A lógica dá vitória no pleito de outubro a Dilma Rousseff. Os mais de 20 programas que Lula implantou para "comprar" - cooptar - as bases da pirâmide, o meio e o topo, não podem ser desprezados. O Bolsa Família agarra 46 milhões de brasileiros. Outros milhões estão cobertos pelos Programas Luz Para Todos; Minha Casa, Minha Vida; assistência aos pequenos agricultores; isenções fiscais para carros, geladeiras e fogões (a festa da cozinha dos pobres); auxílio estudante; cotas e, agora, a campanha do Pré-Sal, que eleva a auto-estima com essa ideia de potência petrolífera. Essa é a lógica que poderá dar a Dilma uma grande vitória.

"Uma onça de paz vale mais que uma libra de vitória." (Machado de Assis)

BOLSO E ESTÔMAGO

Tenho dito e repetido. Quem ganha uma campanha é o eleitor influenciado pelo estômago. E o estômago é alimentado pelo bolso. Quanto mais grana no bolso, mais barriga cheia. Pois eu acho que as barrigas dos brasileiros estão cheias. Não vejo calamidade social. Comércio cheio, shoppings centers estourando de gente, supermercados bombando, economia inflada. Ora, essa moldura social e econômica favorece a candidata governista. O que Serra poderá fazer para desconstruir esse tecido?

SE FICAR O BICHO PEGA

Se Serra disser que as coisas estão indo mal, perderá. O eleitor sabe que não é bem assim. Por isso, o discurso sobre as ruindades deve ser seletivo. Escolher alvos. Por exemplo, em matéria de saúde pública, o governo Lula vai mal. Em matéria de segurança social, o país não vai bem. A criminalidade assola. Em matéria de educação, apesar do grande esforço do ministro Fernando Haddad, as coisas caminham de maneira capenga. Se o governador paulista se concentrar em alguns focos, acertará. Mas a comparação entre a era Lula e o ciclo FHC dará vantagem ao primeiro. Por isso, o bicho vai pegar para Serra.

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Um velho amigo de Seu Lunga, depois de muito tempo, o encontra e logo faz aquela alegria:

- Luuungaaa! Quanto tempo...! Por onde você tem andado?

Responde ele com sua delicadeza:

- Pelo chão! Num aprendi a voar ainda!

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E SE CORRER O BICHO COME

Se José da Mooca, aliás Serra, disser que não vai mudar mas vai melhorar, precisará de criatividade para se expressar. Como fazer isso? Melhorar é um verbo muito abstrato. Genérico. Genérico que funciona é remédio, o qual, aliás, nasceu na gestão Serra no Ministério da Saúde. O governador paulista é considerado, ainda, uma pessoa arredia aos interesses de outras regiões. A cara dele é a projeção de SP, razão pela qual carece de um banho nas periferias do país.

CIRO VAI OU VEM?

Já não tenho paciência para interpretar os movimentos de Ciro Gomes. Uma hora, o pindacearense diz que vai. Desfralda sua candidatura ao Palácio do Planalto. Outra hora, premido pelas circunstâncias, e agora acuado pela pesquisa que mostra a autosuficiência de Dilma, Ciro sinaliza que pode vir. Desfralda, então, a bandeira da candidatura ao governo de SP. Será uma campanha contundente. Pegará pesado contra o candidato tucano, possivelmente Geraldo Alckmin. Mas fará o jogo de Lula, que é o de abrir palanque forte para Dilma em SP.

AÉCIO, VICE? NÃO APOSTEM

Aécio Neves está comemorando os 100 anos do avô Tancredo. MG embandeirada. Em festa. Sorriso de Juscelino. Cara de Tancredo pelas ruas. Aécio surge como chefe, herdeiro do espólio político. Sob essa moldura, não dá para apostar em Aécio na segundona. Como vice. Neves fora da chapa de Serra. Aécio dentro do pleito para o Senado. Quer eleger Anastasia governador. Será possível. Eleito senador, elege-se presidente do Senado, ganha status. E será candidato na próxima eleição. Em um cenário ainda dominado pelas bandeiras vermelhas do PT.

"O abdômen é a expressão mais positiva da gravidade humana." (Machado de Assis)

PMDB INDICARÁ VICE?

Tudo indica que o PMDB indicará o vice na chapa de Dilma. É claro que algumas alas petistas temem a aliança com um PMDB forte. Lula, até, pode não desejar que Michel Temer seja o vice de Dilma. Receia que o presidente do PMDB e da Câmara, passando a morar no Palácio do Jaburu, passe a ser um vice-presidente de peso. Recebendo caravanas de políticos. Michel, no entanto, por seu perfil cordato, não cometeria o deslize de fazer um governo paralelo como temem alguns petistas. Há de considerar, ainda, que se Dilma ganhar vai precisar do apoio do PMDB. E se o PMDB não indicar o vice, será que entregará este apoio com tanta facilidade? Mesmo com ministérios e cargos postos à disposição do partido?

Os vícios do poder

"Os vícios do poder são fundamentalmente quatro: atrasos, corrupção, brutalidade e fraqueza. Para evitar atraso dá facilmente acesso, cumpre os prazos fixados, não deixes de concluir o processo que te chegou às mãos, e não mistures negócios senão por necessidade. Para evitar a corrupção, não basta que prendas as tuas mãos e as dos teus servidores para que não tomem o alheio, mas prende também as dos solicitadores para que nada possam oferecer. Procede com integridade para com os primeiros; mas integridade declarada, e com manifesta repulsa pelo suborno quando se tratar dos outros; não evites somente a falta, mas também a suspeita." (Francis Bacon)

DEM AOS PEDAÇOS

O DEM está despedaçado. Os quadros que sobrarão de um partido em crise procurarão recompor as bases do edifício DEMolido. Paulo Bornhausen, líder na Câmara; Zé Agripino, líder no senado; Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado e mais um grupo de 8 a 10 farão esforço extraordinário para reacender as luzes partidárias. Apagadas pelo Arrudagate.

KASSAB E AS CHUVAS

Kassab é a grande esperança do partido. Para resgatar a imagem, terá de enxotar as chuvas e reabrir canais de simpatia com a sociedade. Ele perambula pelos bairros periféricos. Tem dado grande ajuda aos desvalidos. Chuvas e enchentes batem em SP há mais de dois meses. Continuarão a fustigar a cidade até abril. Este ano, a natureza apresenta sua fatura. Serra também sofre as consequências do clima. A capital fica enervada. Congestionamentos. Nervosismo por todos os lados. Imprecações. Votos contrários.

CONSELHO A JOSÉ SERRA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos juízes de primeira instância. Hoje, volta sua atenção ao governador José Serra:

1. Diga logo, logo, que será o candidato do PSDB. Apresse esse anúncio.

2. Mesmo antes da campanha começar, não tenha receio em correr o país para abrir campos de visibilidade, viabilizar acordos e firmar alianças.

3. Junte um repertório de pessoas de alta capacidade técnica em todos os campos de atividade. Convoque-as e peça a elas um programa de alta envergadura para o Brasil.

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* Gaudêncio Torquato

terça-feira, 2 de março de 2010

SOBRE O CINE POTY

chico Pascoal deixou um novo comentário sobre a postagem "CINE POTY ESTRÉIA HOJE":

Saudades o Cine Poty onde pela segunda vez vi a sétima arte ( a primeira foi no muro do grupo escolar de ibiapaba onde eu cursava o primeiro ano).

Chico Pascoal
Contista crateuense, radicado em São Paulo.

ADVOGAR EXIGE RACIOCÍNIO RÁPIDO E INTELIGÊNCIA



Na Inglaterra um réu estava sendo julgado por assassinato...

Havia evidências indiscutíveis sobre a culpa do réu, mas o cadáver não aparecera.

Quase ao final da sua sustentação oral, o advogado, temeroso de que seu cliente fosse condenado, recorreu à um truque:

- "Senhoras e senhores do júri, senhor Juiz, eu tenho uma surpresa para todos!" - disse o advogado olhando para o seu relógio...
- "Dentro de dois minutos, a pessoa que aqui se presume assassinada, entrará na sala deste Tribunal."

E olhou para a porta.

Os jurados, surpresos, também ansiosos, ficaram olhando para a porta.

Decorreram-se dois longos minutos e nada aconteceu.

O advogado, então, completou:

- "Realmente, eu falei e todos vocês olharam para a porta com a expectativa de ver a suposta vítima. Portanto, ficou claro que todos têm dúvida neste caso, se alguém realmente foi morto. Por isso insisto para que vocês considerem o meu cliente inocente".
(In dubio pro reu).

Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final.

Alguns minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto:

- "Culpado!"


- "Mas como?" perguntou o advogado... "Eu vi todos vocês olharem fixamente para a porta, é de se concluir que estavam em dúvida! Como condenar na dúvida?"

E o juiz esclareceu:

- "Sim, todos nós olhamos para a porta, menos o seu cliente..."


"MORAL DA HISTÓRIA: NÃO ADIANTA SER UM BOM ADVOGADO SE O CLIENTE FOR BURRO".

(Enviado por Thiago Pontes)

segunda-feira, 1 de março de 2010

CIDADE QUE ME SEDUZ



Cidade tão magnífica,

De incontáveis encantos,

Tua formosura natural

Inspira todos os cantos.

Da boca dos trovadores

Receberás os louvores,

Tu és fonte de encantos.



No alto do corcovado

Magnânimo nas alturas,

Com seu amplo abraço,

Em forma de escultura,

Destaca-se o criador

Nosso Cristo Redentor

Rei de todas as criaturas.



No cimo do Pão de Açúcar,

Encanta qualquer olhar

O Bondinho que trafega,

Passando pra lá e pra cá

Levando ledos turistas

Mostrando a bela vista,

Que é mesmo espetacular.



O Futebol nem se fala...

É um espetáculo a parte.

O desempenho da torcida

Traz um cenário de arte.

Só sei que é mesmo bonito

Ver a torcida com seu grito

Ecoando por toda parte.



Terra de gente bonita,

Da beleza bronzeada.

Terra bem hospitaleira,

Terra de gente animada.

Terra do bom Carnaval

O Rio é um cartão postal

Que me deixa arrebatada.



A violência que existe,

Não é privilégio carioca.

Em toda grande cidade,

A violência faz sua toca.

Vivo há muito nesta cidade,

E com muita felicidade

Aqui fiz minha maloca


(Dalinha Catunda, em homenagem ao Rio de Janeiro, que hoje faz aniversário)

O ADEUS A JOSÉ MINDLIN


José Ephim Mindlin ergueu um império literário em sua própria casa. Ele dedicou sua vida à busca por obras raras em viagens pelo Brasil e Exterior. A procura incansável acabou ontem, quando o bibliófilo e empresário morreu em São Paulo, aos 95 anos.

Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Mindlin estava internado havia aproximadamente um mês no Hospital Albert Einstein para tratar uma pneumonia. O enterro ocorreu no Cemitério Israelita da Vila Mariana, zona sul da cidade. Casado por 68 anos com Guita Mindlin, já falecida, teve quatro filhos: a antropologa Betty, a designer Diana, o engenheiro Sérgio e a socióloga Sônia.

Nascido em São Paulo, em 8 de setembro de 1914, era filho de judeus nascidos em Odessa (Ucrânia), que vieram para o Brasil. Estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP) e fez cursos de extensão universitária na Universidade de Columbia, em Nova York. Advogou até 1950, quando deixou a atividade para fundar a empresa Metal Leve SA, que se destacou no setor de peças para automóveis e hoje é controlada pela multinacional alemã Mahle. Permaneceu na companhia até 1996.

Aos 32 anos, financiado por um empresário, conseguiu um sócio e fundou a livraria Parthenon, em São Paulo. Iniciou assim seu périplo em busca de obras raras para sua biblioteca particular.

Acervo inclui raridades de autores nacionais


A paixão pela literatura fez com que acumulasse cerca de 40 mil volumes, colecionados desde os anos 30. Era considerado o dono da maior biblioteca privada do país. O acervo inclui raridades, como a primeira edição de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, documentos do século 16 com as primeiras impressões que padres jesuítas tiveram do Brasil, jornais anteriores à Independência e manuscritos que resgatam a gênese literária de grandes obras, como Sagarana, de Guimarães Rosa, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Ele doou grande parte do seu acervo para a USP, transformando-o na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.

Mindlin ocupou a cadeira 29 da ABL. Foi eleito em 20 de junho de 2006, sucedendo o escritor Josué Montello. É o autor de Uma Vida entre Livros – Reencontros com o Tempo e Memórias Esparsas de uma Biblioteca. Em 2007, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

Em nota, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marcos Vilaça, afirmou que “Mindlin era um emblema do livro, tinha com ele uma relação orgânica”.

(Do Jornal Zero Hora)

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MINDLIN: O EMPRESÁRIO ILUMINISTA, O DOADOR DE LIVROS

Nunca vou me esquecer da reunião da Fiesp em que, de repente, José Mindlin se aproximou e puxou assunto.

O tema na reunião da Fiesp era um pedido de empréstimos subsidiados, a proteção contra setores que não conseguiam competir com produtos importados. Sei lá. Alguma coisa assim. Na verdade, era um desses assuntos que não merecem ficar na memória, de tanta mesmice. O novo, o diferente, foi a conversa de Mindlin sobre a Semana de Arte de 22. Tive uma aula. Esqueci os outros empresários e fiquei dando atenção àquela conversa afável, cheia de novidades, de Oswald e Mário de Andrade, da publicação de A Revista que ele acabara de fazer. Sai entusiasmada e mais surpresa fiquei quando recebi em casa uma coleção de A Revista que ele me mandou.

Mindlin era doce e interessante. Mindlin era iluminado e iluminista. Mindlin era diferente.

Fui algumas vezes vê-lo. Nunca perdi um minuto nessas conversas. Dele saia um fluxo, em corrente contínua, de informações sobre livros. Não havia descrente que não entrasse para a religião dele sobre livro. Guita era igual. Os dois, um par perfeito.

Anos atrás, pedi à Globonews para fazer como primeiro programa do ano uma entrevista com ele, em sua biblioteca. Naquela tarde inesquecível, eu o entrevistei junto com Paulo Marcelo Sampaio. Só que cheguei horas mais cedo. Nenhum jornalista jamais chegou tão cedo para uma entrevista. Nem saiu tão tarde. E eles me pediram para ler para eles. Eu li para ele e Guita. Às vezes tropeçava e eles, de memória, corrigiam. Li poesias de Drummond. Li vários outros trechos que eles se lembravam de cor.

Falamos da paixão por livros que embalou minha infância, me socorreu na adolescência, me acompanha vida afora. Paixão que fez Mindlin gastar um dinheiro incontável juntando livros que doou para o Brasil.

Lembro de quando ele ganhou o Faz Diferença do Globo. Há uma escada para subir ao palco do Copacabana Palace. Eu pedi às meninas do cerimonial que me dessem a honra. Desci do palco com Ancelmo - nós dois fazemos a apresentação do prêmio - e o amparamos na subida. E ele não pesava mais do que a mão de uma criança. Firme ainda aos 90 anos.

No dia da entrevista em sua casa, Guita me contou que um dia houve uma tempestade em São Paulo, ela estava sozinha em casa, e ficou preocupada: que livro salvaria se a enchente entrasse na casa?

- Que livro salvaria? perguntei

- Os poemas de Petrarca.

Manuseei o livro favorito de Guita com temor reverencial. E Mindlin abriu o livro e me mostrou que alguns poemas tinham sido censurados pela Inquisição. Os censores medievais passaram uma tinta em cima. O tempo apagou a tinta e fez reaparecerem os poemas censurados. Me contou que, certa vez, tinha ido a Praga e lá se encontrou com um professor que tinha acabado de sair da prisão decretada pelo governo comunista. O professor estava deprimido, achando que a opressão soviética nunca acabaria. E ele consolou o professor contando a história da vitória de Petrarca sobre a censura. O professor triste era Vaclav Havel, que depois governou a livre República Tcheca.

Eu brinquei:

-Você me contou uma história com dois finais felizes.

O consolo no momento em que o Brasil perde o gigante dos livros é saber que ele se encontrará com sua Guita e juntos falarão os poemas de Petrarca, ou lembrarão as histórias de 22, ou pensarão juntos em como tornar o Brasil, um dia, um país de leitores.


(Por Miriam Leitão)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

CINE POTY ESTRÉIA HOJE


A Sociedade Amigos da Biblioteca Municipal Norberto Ferreira Filho (SABi) convida a todos para a abertura do Cine Poty neste domingo, 28.02.2010, às 19:00 horas, na Casa de Arte e Cultura João Batista, situada à rua Francisco Sá, 148, Centro – ao lado do Colégio Estadual Regina Pacis.

O filme de estréia é “A Marvada Carne”, estrelado por Fernanda Torres, Adilson Barros e Regina Casé, entre outros, no qual a “comida é mola-mestre da ação: o caipira Nhô Quim sonha em comer carne de boi e sai pela mata à procura do bicho. De quebra, ainda quer uma mulher com quem possa se casar. É através do contato de Quim e de sua futura esposa, Carula, que o diretor André Klotzel vai explorar o universo ao redor deles.

“Mais que isso: Quim e Carula, e todos os demais personagens que os cercam, são partes intrínsecas desse universo. Para reafirmar a idéia presente ao longo de todo o filme, Klotzel filma os atores sempre em contato direto com o ambiente, e o ambiente a todo instante em conflito com os atores. Seja por meio de crendices populares (o curupira, o rio sem peixe, o nariz colado ao contrário, a negociação com o diabo) ou da simples captação de um cotidiano comum (a construção do casebre que será palco de festas, os almoços na beira da terra, os animais que rodeiam a fazenda), A marvada carne é composto por toda uma gama de símbolos nos quais Quim, Carula, Nhô Totó e Nhá Tomasa são integrantes indissociáveis.” (*)

Venha, traga os amigos. É grátis, e todos serão bem-vindos. Sim, tem pipoca!

(*) Marcelo Miranda, crítico de cinema.

(Do blog da Sabi)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CONJUNTURA NACIONAL

Recorrente aviso. Nosso personagem continua a costurar esta coluna. Recebo colaborações constantes. Não procuro saber se pertencem aos domínios de Seu Lunga. Para quem não sabe, há vídeos sobre o cearense na rede. E historinhas de cordel.

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Seu Lunga foi ao Horto do Padim Cíço e uma mulher passou rolando, em queda, perto dele. Um cara perguntou:

- Num vai ajudar a mulher não, Seu Lunga?

Com uma santa calma, respondeu:

- Eu não, num sei se ela tá pagando promessa?

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PRIORIDADE UM

Lula não poderia ser mais explícito. Disse em alto e bom som no Congresso do PT que a prioridade máxima, este ano, é eleger Dilma presidente da República. O governante não teve nenhum escrúpulo em mandar a educação, a saúde e a segurança pública às favas, aliás, ao segundo plano. Nunca vi em minha vida inversão tão grande de princípios. A política eleitoral toma a frente de programas sociais. Mas Lula tem o poder de convencer. Fosse outro o mandatário, seria execrado pela opinião pública. Mas por estas bandas, o cara manda. E faz o que lhe apetece.

PROJEÇÕES

Tenho conversado com pesquisadores de institutos afamados. Coloco as informações e projeções no liquidificador. Bato bem. Depois de algum tempo, aparece o conteúdo informativo mesclado. Com uma cor levemente encarnada. Não é possível. Eu imaginei que a cor predominante continuaria a ser azul tucano, com leves pitadas de amarelo. Resumo da ópera: dentro de 40 dias, me dizem, Dilma estará liderando as pesquisas de opinião pública. Ainda estou em dúvida. Mas, pela lógica – essa lógica de pacotes lulistas envolvendo todas as classes sociais – o encarnado suplanta o azul. Quem for contra essa análise, por favor não xingue o consultor. Não tenho nada com isso.

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Zé Mané:

- Seu Lunga tá pescando?

Seu Lunga:

- Não... dando banho na minhoca!

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SERRA NOS BASTIDORES

José Serra é noctívago e twitteiro. Vai dormir lá pelas três da madrugada, depois de umas 20 mensagens. Coisas leves e passageiras. Nada que demonstre frieza, tecnicismo ou maquiavelismo. Quase nada de política. Deixa ver nas entrelinhas que está quase decidido. Mas essa pista é dada mais pelas incursões que procura fazer junto aos partidos. Ligou, por exemplo, para o líder do PMDB, deputado Henrique Alves, convidando-o a um café no Palácio dos Bandeirantes. Henrique foi lá. Tomou o café. Serra lhe disse, na maior cara de pau, que queria o PMDB junto dele. Sabendo, claro, que o partido está praticamente atrelado à candidatura de Dilma. Serra é ingênuo, maquiavélico ou simplesmente jogou verde para colher maduro?

MARINA FOI AO PONTO

Marina Silva, essa, sim, ecológica da cabeça aos pés, disse com toda a sinceridade de sua alma amazônica: todos, agora, estão fazendo pré-campanha, após o Carnaval. Ou seja, até ela. Lula foi explícito no congresso do PT. Dilma foi escolhida como candidata e, até, apresentou um programa de governo. Falou como candidata. Mas é proibido fazer campanha aberta como a que estamos vendo. E o TSE? Está nas nuvens. Entretido com questões mais sérias que campanha.

CASSAÇÃO PRA INGLÊS VER

Esse juiz de primeira instância, que cassou Kassab e depois acolheu o recurso do prefeito, deveria, antes, ter examinado o contencioso que trata das doações. Lula foi absolvido pelo TSE, depois de ter sido contemplado com o mesmo tipo de denúncias. As contas de Kassab foram aprovadas pelo TRE. O MP e os juízes de primeira instância precisam aprofundar as questões e afinar a linguagem.

SEGUNDA INSTÂNCIA

O projeto sobre os "fichas limpas" será colocado na pauta da Câmara. O presidente da Casa, Michel Temer, pedirá, antes, um estudo técnico para servir de subsídios para aprimorar o projeto em tela. Michel aceita a ideia de proibir candidaturas de nomes que passem por duas 2 instâncias, não apenas de juízes de primeira instância. Bom senso. Afinal de contas, há casos que denotam as batalhas locais, muitas delas envolvendo a participação de quadros da justiça. Por isso, quem é denunciado na primeira instância, para ser proibido de se candidatar, deverá ser julgado também na segunda instância.

BETO RACHA

O título é esse mesmo. Beto Richa, o prefeito de Curitiba, racha o tucanato no PR. O PSDB, em sua última reunião, praticamente fechou posição em torno dele. Será o candidato do partido ao governo. Mas o senador Álvaro Dias, que exibe pesquisas liderando a corrida, não se conforma. Se a situação for mesmo a indicação de Beto, Álvaro garante que subirá o palanque do irmão, senador Osmar Dias, que será candidato ao governo pelo PDT. A cunha de Álvaro é mais um xeque no tabuleiro de José Serra. Êta, partido complicado, esse dos tucanos do bico grande.

O EMPREGO SEGUNDO VACCAREZZA

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza, garante que o governo abrirá, este ano, entre 1,8 milhão a 2 milhões de empregos. Um recorde. O deputado paulista, um dos melhores quadros do PT, foi guindado à liderança do governo na Câmara por ação direta do presidente Lula. Que admira seu estilo conciliador e agregador.

CRISE DO DEM

O DEM atravessa grave crise. O affaire em torno do governador Arruda destroça o partido. Paulo Octávio saiu do partido. Se não renunciasse, seria renunciado. E deixa o governo do DF. O jovem líder do DEM, o deputado Paulo Bornhausen, faz enorme esforço para depurar a sigla de impurezas. Ronaldo Caiado e Demóstenes Torres também estão nessa linha de expurgo. O senador Zé Agripino resgata o conceito "atitude digna". Pode ser que o partido saia da crise melhor que antes. Na esteira do ditado oriental: crise é a porta de grandes oportunidades.

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O cara vai até a loja do Seu Lunga e pergunta:

- Seu Lunga tem carrinho de mão?

- Num tá vendo que tem?! - Responde ele.

- Quanto é? - Pergunta o cliente.

- R$ 90,00.

O cliente querendo comprar o carro mais barato argumenta:

- Seu Lunga homi, ali na loja do lado é R$ 60,00, mas tá faltando o carrinho...

Seu Lunga responde:

- Pois quando aqui estiver faltando eu lhe vendo de graça.

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MEDO DO PT?

O momento é propício para a conversa. Ouvi, nos últimos dias, presidentes e executivos de grandes empresas. Sondagem sobre o momento político institucional. Há um grande receio de que o velho PT renasça das cinzas. O programa do partido apresentado no Congresso do sábado passado deixou muitos inquietos. O receio é de que Dilma não dobre o PT. Faço a contra-argumentação: o lulismo é maior que o petismo. Lula não deixará que os petistas imponham o discurso. Um alto dirigente me lembra o ditado mineiro : "Um presidente sem mandato é peça de museu. Só serve para ser olhado." (Na verdade, o ditado é outro, mas tive de fazer uma adaptação para ganhar condição de publicação).

AFIF COMO VICE?

Guilherme Afif, o Secretário de Trabalho de José Serra, olha com firmeza para a chapa a ser encabeçada por Geraldo Alckmin, provável candidato dos tucanos ao governo de SP. Quer ser governador. Afif teria garantida uma vaga ao Senado não fosse o compromisso do PSDB de abrir espaço a Orestes Quércia, por conta da aliança entre os tucanos e o PMDB em SP.

SESCON, 61 ANOS

José Maria Chapina Alcazar recebe cerca de mil convidados, nesta sexta-feira, em jantar no Monte Líbano, quando as Diretorias do SESCON/SP - AESCON/SP tomarão posse para a gestão no triênio 2010/2011/2012.

ANÍBAL NO SENADO?

José Aníbal é um dos mais cotados para entrar na chapa tucana ao Senado. Já passou pelo teste de votação para a Câmara Alta e quase lá chegou, alcançando 5 milhões de votos. Paulo Renato, secretário da Educação do governo Serra, quer também o lugar.

PSB VAI DE CIRO?

É evidente que o PSB, comandado pelo bom governador Eduardo Campos, feche posição em torno de Ciro como candidato à presidência. Seria essa a alternativa lógica. Mas a realidade suplanta os altos interesses da cúpula. O PSB faz aliança com o PSDB em alguns Estados. Sabendo isso, Serra convoca quadros do partido para conversas pelas noites a dentro no Palácio dos Bandeirantes. E os socialistas têm comparecido.

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Seu Lunga encontra um conhecido e diz que está indo ao enterro do Chico pedreiro. O conhecido, muito espantado, cai na besteira de perguntar:

- Mas, o Chico pedreiro morreu?

Seu Lunga responde ironicamente:

- Não... a família resolveu enterrar ele vivo.

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6 MILHÕES EM SP

Já que Serra aparece mais uma vez por aqui, eis sua projeção: espera ter em SP mais de 6 milhões de votos. Para enfrentar a avalanche de Dilma/Lula no nordeste.

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Seu Lunga pega a bicicleta e passa um chato. O chato:

- Seu Lunga vai andar de bicicleta?

- Não... vou levar ela pra passear.

E sai empurrando a bicicleta.

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COROA ENXUTA

Marchinha entoada no Congresso do PT : "Depois d'o cara vem a coroa. O povo quer é gente boa. Deixa o Lulinha sair, deixa a Dilminha entrar". A candidata, aliás, emendou: "Sou uma coroa enxuta".

MAIS UM TRIBUNAL

Um escândalo. É assim que pode se entender a tentativa de criação de mais um Tribunal de Contas no RJ. Desta feita, uma Côrte para analisar as contas dos municípios. A PEC deverá ser rejeitada na Assembleia. Por conta da pressão da opinião pública.

GESTÃO CONSERVADORA

Opinião de Armínio Fraga, ex-presidente do BC: o Brasil enfrentou a crise porque adotou uma gestão conservadora que ajudou a tirar o país da recessão em dois trimestres. Mas acusou os baixos investimentos em educação e infraestrutura, além do alto custo do capital. Trata-se de um perfeito retrato em 3 x 4.

OBAMA VEM AÍ

Obama vem aí. Queriam que viesse no segundo semestre para turbinar a campanha de Dilma. Mas a visita daria muito na vista. Agora, querem acertar com Hillary Clinton, que estará por aqui na próxima semana. Lula não dá nó em ponta de faca. Imaginem a foto: Obama e Lula nas pontas, Dilma no meio. De vermelho. A conferir.

CONSELHO AOS JUÍZES DE 1ª INSTÂNCIA

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado ao ex-presidente FHC. Hoje, volta sua atenção aos juízes de primeira instância:

1. Procurem ancorar suas decisões na jurisprudência, observando os casos julgados nas Cortes Superiores.

2. Evitem açodamento e precipitação, mesmo que impulsionados pelo brilho passageiro do Estado Espetáculo.

3. Unifiquem as linguagens, os pontos de vista, as abordagens, enfim, o discurso, para evitar máculas sobre o Altar da Justiça.

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* Gaudêncio Torquato

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

JOSÉ FERNANDES DA SILVA

Ontem fiquei impossibilitado de fazer postagens. Estava viajando.

Hoje, por intermédio do doutor Paulo Nazareno recebi a notícia de que o médico José Fernandes da Silva havia falecido.

Uno-me pelo laço da solidariedade à família enlutada.

A vida do doutor Fernandes - como é conhecido entre os Crateuenses - é uma história de amor:

- amor à vida, posto que salvou muitas vidas humanas através da profissão que abraçou;

- amor ao trabalho, dês que laborou até os últimos anos de sua existência, pontificando ao lado de doutor Sales como um dos maiores empreendedores da área de saúde na região dos sertões de Crateús;

- amor à liberdade. Quando, capitão do exército brasileiro, foi instado a optar entre o apoio à ditadura militar e respeito à liberdade pública, optou por esta última. E foi um dos líderes da resistência democrática na terra do Senhor do Bonfim;

- amor, sobretudo, a Crateús. Embora tivesse o umbigo enterrado nas Alagoas, embeveceu-se com as águas do Poty e, em Crateús, constituiu família e firmou morada definitiva.

Hoje, viaja para a dimensão celeste um homem que fez história no território humano!

(Júnior Bonfim)

Segue uma Crônica que lhe escrevi, publicada no livro Amores e Clamores da Cidade:

UM ALAGOANO CRATEUENSE

As Alagoas ofereceram ao Brasil homens de têmpera extraordinária, que protagonizaram capítulos de aço da vida nacional. No final do século XIX, montado num cavalo da Guarda Imperial, Deodoro da Fonseca cavalgou a transição pacífica da Monarquia para a República. Algumas décadas depois, numa pequena urbe chamada Palmeira – que não era Imperial, mas dos Índios – um intelectual caprichoso e metódico revolucionava, com graça e ramos, a governança municipal. Da terra de Graciliano Ramos, há cerca de meio século atrás um jovem médico e oficial do Exército aportava em Crateús. Era José Fernandes da Silva, o doutor Fernandes.

Carregava, no alforje da alma, os dois ferros que marcam os grandes alagoanos: o fulgor contestatório e a fulgurância empreendedora. Aquele o levou, algum tempo depois, a ser expulso das fileiras militares. Quando Márcio Moreira Alves ocupou a tribuna da Câmara Federal e proferiu o histórico discurso que enfureceu os generais e originou o famigerado AI 5, fez menção à bravura do grupo de oficiais que, em Crateús, se levantou contra o cerceamento das Liberdades. Sob a liderança do Comandante Lignell, José Fernandes pontificava entre os que abriam as trincheiras da resistência democrática.

Tiraram-lhe a farda do Exército, mas não o puderam despir da adotiva vestimenta de cidadão crateuense. Já casado com a jovem Maria do Rosário (Zazá) e usando a roupa branca de médico, passou a clinicar num pequeno consultório instalado na Rua Santos Dumont, no centro da cidade.

E aí passou a desenvolver sua outra faceta, o dínamo empreendedor. Associou-se ao lendário médico Olavo Cardoso e, juntos, fundaram a Policlínica – que, ao lado da Clínica Santa Terezinha (do médico Francisco Sales de Macedo), se constituíam nos mais requisitados equipamentos de saúde da cidade. E foi exatamente com o doutor Sales que, na segunda metade da década de 1970, doutor Fernandes se consorciou para erigir o maior complexo de saúde da terra do Senhor do Bonfim: o HGC – Hospital Geral de Crateús.

Nas últimas eleições municipais sob o tacão da ditadura, em 1982, os segmentos mais progressistas da cidade o fizeram candidato a prefeito. A campanha se caracterizava por ser demasiadamente longa. Começava em março e terminava em novembro. Era uma luta inglória. De um lado, o arbítrio e seus ardis, como o voto vinculado, que obrigava o eleitor a votar, para as diversas postulações, em candidatos de um só e mesmo partido. Do outro, o idealismo pujante, o ímpeto mudancista, o sonho democrático. Zé Fernandes encarou aquela ingrata batalha com a garra de um jovem e visionário capitão que, na guerra final, tinha na mão a certeza da vitória.
Nessa época, seus amigos identificaram que, por trás de sua aparente sisudez, escondia-se um ser humano de fino humor. Após o desgaste físico e financeiro daquela eleição, três vereadores do seu bloco político (Edi Pinto, Osvaldo Oliveira e Tobias das Flores) o procuraram no Hospital. Queixavam-se de uma doença séria. Tinham dificuldade de identificar os sintomas, mas se sabiam doentes. Doutor Fernandes os examinou cuidadosamente e, ao final, diagnosticou: - A doença de vocês é a mesma minha: liseira. Vamos trabalhar e pagar as contas que fica todo mundo curado...
Do seu casamento com dona Zazá, vieram ao mundo Marister (uma psicóloga que descobriu o transcendentalismo oriental e já esteve no Tibet), Júnior Fernandes (como o pai, exerce a medicina e incursiona pelas veredas da política), Alexandre (que é advogado militante e artesão de amizades) e Maria do Carmo (que se formou em Administração Hospitalar e integra a equipe gestora do Hospital fundado pelo pai).
Parece que a vida sempre o coloca em frentes de batalha. Nos últimos anos, enfrentou uma das lutas mais difíceis: a da própria saúde! Com sérios problemas coronarianos, insuficiência renal e diabetes, submeteu-se a cirurgias delicadas. Muitos imaginavam que o velho comandante poderia sucumbir. Após safenas e stents, diálise peritoneal e até hemodiálise, ele resiste bravamente, como sói acontecer aos grandes lutadores. No carnaval de 2008, o bloco Maravilhas o homenageou. Ao lado de colegas de trabalho, familiares e amigos, lá estava ele desfilando em carro aberto e saudando a multidão de foliões da terra que aprendeu a amar.

Tal qual a Carnaúba, imponente palmeira do nosso sertão, José Fernandes da Silva permanece refletindo o intenso brilho do sol nordestino. É um homem de garra. É gente de ação!

(Júnior Bonfim, in "Amores e Clamores da Cidade")

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OBSERVATÓRIO


Invictus – em português, Invicto - este é o nome do filme que está circulando pelas salas de exibição do País. Narra a luta do líder sul-africano Nelson Mandela em favor da unificação de sua pátria, sacrificada pelo ‘apartheid’, política de segregação onde aos brancos estava reservado o poder e aos negros, a servidão. Líder do movimento de libertação, Mandela foi preso. Cumprindo pena de trabalhos forçados na cadeia de Robben Island, onde vivia num cubículo sem qualquer conforto, de lá saiu para ser eleito Presidente da República. A obra cinematográfica narra, em especial, o esforço desse lendário pacifista em prol da unificação da África do Sul. O que há de chamativo nessa película? Que lições emergem da história de Mandela?


AS LIÇÕES


O filme revela parte da trajetória de uma liderança cimentada em uma grande força espiritual. Dalai Lama leciona que o homem público é o que mais necessita do substrato de fé que alimenta o espírito. Mandela cultivou isso. Nos momentos de mais amargura e dificuldade que enfrentou na masmorra, recorria a um poema do poeta inglês William Ernst Henley cujo título é o mesmo do filme, Invictus: "Agradeço a todos os deuses por meu espírito invencível. Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o senhor do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Um século depois de escrito, o poema "Invictus" foi o que manteve acesa em Mandela a brasa da esperança. Capitão da própria alma, empunhou a bandeira da liberdade e, à frente do mais alto cargo de seu País, perdoou os que tinham lhe colocado atrás das grades.


AS LIÇÕES II


Outra lição indelével: o líder é um inspirador, alguém capaz de suscitar nos demais os poderes que dormitam no mais íntimo de cada um. A certa altura, num diálogo com o capitão do time sul-africano, Mandela pergunta: “Como você inspira seus jogadores? Como os faz crer que eles são melhores do que realmente são?”. Uma última e marcante característica: além de ser um guerreiro que manuseia com habilidade a arma superior do perdão, Mandela busca vencer com honestidade, sem recorrer a métodos escusos ou se render à máxima de que o fim justifica os meios. Na final da Copa do Mundo de Rúgbi em 1995, a África do Sul ia enfrentar a Nova Zelândia, que era indiscutivelmente a favorita. Mandela raciocina: “Não quero perturbar o inimigo, mas quero ganhar. Como ganhar?” E assim, sem fazer uso de subterfúgios, encara o problema, motiva os jogadores do seu time e galga a vitória.


AS LIÇÕES III

A indagação é: - há alguma relação entre as lições que esse filme nos coloca e a política tupiniquim? Vivemos em um País, em um estado e em um município onde as pessoas que são guindadas a postos de liderança, via de regra, buscam tripudiar sobre os antecessores, desqualificando possíveis virtudes e desconhecendo os méritos dos adversários. Em que pese ter escalado o pico da montanha da popularidade, o atual Presidente da República – detentor de uma história pessoal digna de reconhecimento – invariavelmente é traído por arroubos de vindita. De quando em vez, fala como se o Brasil tivesse sido descoberto por ele. Na mesma esteira, seguem governadores e Prefeitos. Esse, definitivamente, é um caminho equivocado.


O CARNAVAL

Há que se registrar que, lamentavelmente, o Carnaval de Crateús há perdido terreno. A escolha da própria passarela (Avenida Sargento Hermínio) deu-se equivocadamente. A Avenida Edilberto Frota seria mais indicada, pois além de ser mais espaçosa, dispõe de mais alternativas de manobra, o que facilitaria o fluxo de entrada e saída da cidade.

O CARNAVAL II


Um ponto extremamente positivo foi a homenagem que o bloco Mandacarú prestou aos portadores de deficiência física. O desfile em cadeiras de rodas exibindo os deficientes foi um instante comovente da festa. O investimento em temáticas que despertem a sensibilidade popular pode ser um caminho para o revigoramento da festa momina em Crateús.

NENEN


Sempre às vésperas de uma eleição, surgem boatos a respeito do projeto eleitoral de Nenen Coelho. No pleito passado, comentava-se que o ex-prefeito de Novo Oriente jamais seria eleito. Foi. E bem votado. Agora, espalham que deverá desistir. Todos sabem que a situação atual lhe é bem mais favorável do que há quatro anos. Além de mais conhecido, detém apoios expressivos, possui margem de manobra eleitoral e sabe incursionar com facilidade no meio do povão. Desponta na dianteira de todas as sondagens até agora realizadas em municípios da região de Crateús, além de ter conquistado novos espaços onde antes era totalmente desconhecido.

EDITAL

Aviso aos amantes da escrita: romancistas, poetas, cronistas, contistas etc. A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará torna público o edital do I Prêmio Literário para Autor(a) Cearense que contemplará de 60 a 120 livros inéditos. Este edital é a maior premiação para a literatura na história do Estado do Ceará com recursos do Tesouro do Estado da ordem de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). O Edital completo com todas as especificações está aberto a inscrições no site da Secult (www.secult.ce.gov.br). As inscrições são gratuitas e seguem até 31 de março de 2010. O edital visa preservar nosso patrimônio literário e incrementar a produção editorial cearense. Serão 14 (quatorze) categorias, o que garantirá a distribuição de cerca de 24 mil livros para as bibliotecas públicas do Ceará. Isso porque cada autor contemplado ganha uma premiação em dinheiro (que varia entre R$ 2.857,14 a R$ 4.285,71) e a publicação de 1.000 exemplares de sua obra inédita, sendo 400 destes destinados às bibliotecas públicas do Estado. Os outros 600 exemplares serão do autor para vendagem e distribuição pelo País.


PARA REFLETIR


"A cultura é a busca da nossa perfeição total mediante a tentativa de conhecer o melhor possível o que foi dito ou pensado no mundo, em todas as questões que nos dizem respeito." (Matthew Arnold)


(Júnior Bonfim, no Jornal Gazeta do Centro-Oeste - Crateús - Ceará)

AS RUAS


Mês passado encontrei, próximo ao oceano, um sertanejo e marítimo amigo, o alado gravurista maior do Ceará, o iluminado e vibrante poeta de telas Francisco de Almeida, o Almeidinha. Naquela abrasada tarde de sábado, me disse: “JB, leio suas crônicas no Jornal Gazeta. Acho que você podia escrever sobre as ruas da nossa cidade, sobretudo aqueles locais que despertam paixões, nos convidam a olhar a lua e aproximam mais ainda os corações enamorados”.

Percebi que a ave da razão havia pousado em sua alma. Então, meditei: por que essa resistência em exaltar os pontos telúricos, as fontes de idílios, os espaços poéticos que despertam o brilho da paixão?

O cronista Paulo Barreto, que se revelou para a literatura sob o pseudônimo de João do Rio e viveu no Rio de Janeiro do inicio do século passado, escreveu um livro fascinante intitulado a “A Alma Encantadora das Ruas”. Nele, João do Rio compõe, em formato de Crônica, um maravilhoso poema de psicologia urbana, um passeio comovente sobre as artérias da capital carioca. Manuseando ritimadamente a caneta como quem passa dedos musicais sobre a cítara, ele entoa:

“Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia – o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor da rua”.

Mais à frente, ele arremata em verdadeiro estado de arrebatamento: “Ora, a rua é mais do que isso, a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma!” (...) “A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento”.

Sempre gostei de caminhar solitário pelas vias ou veias onde corre o sangue vital da nossa urbe. Cada trilha urbana lembra uma determinada faceta da vida pulsante, um punhado de areia da história ou um pedaço de sonho peculiar.

Quando alguém cita as Ruas Moreira da Rocha e D. Pedro II logo associamos ao frenesi comercial.

Como caminhar pela Francisco Sá sem olhar para os trilhos e para a Estação, que nos fazem recordar o épico passado ferroviário que experimentamos?

Quem passeia pelo espaço mais amplo da Rua Zacarias Carlos de Melo sem fazer uma reflexão sobre a Igreja de São Vicente de Paulo e a comunidade Vicentina?

É difícil se falar em Rua Poty sem que a esta peroração estejam associados o Rio que beija a cidade e as festas promovidas nas casas dançantes de Zé Mendes e Louro da Cruz?

Como as pessoas, que recebem apelidos ou carinhosas designações particulares, as ruas também vivem a experiência de serem renomeadas. A Rua Frei Vidal da Penha, onde vivi meus anos infanto-juvenis, é popularmente conhecida como “Rua da Cruz”. Porque, em tempos idos, um fervoroso missionário ali fincou um enorme “Cruzeiro”. O nome do missionário? Frei Vidal de Frescarolo, vigário do Convento da Penha, em Recife, que se notabilizou como Frei Vidal da Penha.

É, as ruas têm corpo, exibem uma copa, externam um clamor, entoam um cântico, exalam carinho, apontam um caminho.

Essa atmosfera marmocenta que contamina a cidade de Crateús hoje, possivelmente tenha sua raiz no estado das nossas ruas, que estão cheias de hematomas. Quando vejo esse movimento pelo reasfaltamento – inclusive foi tema de um duelo musical no período momino – fico a lamentar, pois sabemos que esta não é a melhor solução para uma cidade quente como a nossa. Asfalto aumenta o calor. No outro extremo, igualmente condenável, é esse amontoado irregular de pedra tosca lançado na maioria das artérias. O ideal seria uma caprichosa pavimentação à base de paralelepípedo, que embeleza sem elevar a temperatura. Se vivêssemos num ambiente de distensão política, poderia ser promovida uma ampla discussão com a população municiando-a com dados técnicos para uma decisão mais consistente. À míngua de maiores informações, o povo protesta por asfalto. É o resultado dessa combinação perigosa da irracionalidade ideológica com a parcialidade política.

Enquanto mergulhamos nessas estéreis contendas, deixamos de lado o mais importante: aproveitar o tempo para apreciar a alma encantadora das ruas!

(Por Júnior Bonfim - no Jornal Gazeta do Centro-Oeste - Crateús - Ceará)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DICAS PARA CONTROLAR O ESTRESSE


1. Identifique as fontes do estresse

Tente descobrir os desencadeantes. Você se sente ansioso antes de uma prova? Está com a agenda cheia de compromissos? Talvez você esteja além do limite, e se sente irritado e cansado. Após identificar as fontes, tente minimizá-las o máximo possível.

2. Fale e compartilhe

Explique ao seu professor que está tendo problemas com alguma matéria, por exemplo. Converse com amigos sobre como está se sentindo. Expor os sentimentos sem ser julgado é essencial para manter uma boa saúde mental e lidar melhor com estresse.

3. Reserve mais tempo para você


Antes que você chegue ao limite máximo, procure um tempo para ficar só. Um tempo para fazer o que quiser, longe das preocupações e responsabilidades do mundo. Às vezes este tempo tem que ser obrigatório, ou seja, reservado para uma atividade de relaxamento ou lazer.

4. Defina limites

Não tenha medo de dizer “não” antes de assumir grande número de compromissos, especialmente se você está equilibrando seu tempo entre faculdade, trabalho e atividades extracurriculares. É importante saber definir as prioridades, para não se sobrecarregar. Dizer “não” pode, além de ajudá-lo a controlar o estresse, dar-lhe mais controle sobre sua vida.

5. Controle a respiração

Respirar pode medir e alterar o seu estado psicológico, fazendo um momento estressante aumentar ou diminuir de intensidade. Preste atenção em sua respiração. Inspirar profundamente e em seguida soltar o ar lentamente é uma excelente técnica para se sentir mais relaxado.

6. Exercite-se diariamente


Exercícios aumentam a liberação de endorfina, substâncias produzidas naturalmente no cérebro que trazem sentimentos de tranqüilidade. Muitos estudos mostram que o exercício, juntamente com o aumento da liberação de endorfina realmente faz aumentar a confiança e auto-estima e reduzir as tensões. Além do mais, se você já andou por vários quilômetros, você sabe como é difícil pensar em seus problemas, quando a sua mente está focada em andar.

O estresse pode deixar as pessoas doentes?

O problema do estresse é que ele é cumulativo. Em outras palavras, se você não tiver uma boa maneira de lidar com o estresse ou contrabalançar a reação de "luta ou fuga”, a constante exposição aos hormônios sobrecarregam o corpo.

Alterações nos níveis de hormônios produzidos pelo estresse podem prejudicar a saúde. Quando os níveis de estresse aumentam, acontece uma superprodução de hormônios que enfraquecem o sistema imunitário. Isto pode levar a problemas físicos e psicológicos.

Quando devo procurar ajuda?

Quando o estresse interromper a sua vida, causando problemas na hora de dormir ou fizer você se sentir ansioso e fora de controle, fale com um profissional da saúde. Ele poderá recomendar um terapeuta que poderá oferecer apoio e dar-lhe alguns conselhos práticos na forma de lidar com o estresse sem deixá-lo assumir a sua vida.

Um sinal de alerta é quando a sensação de estresse invade situações não relacionadas a ele, como o convívio social, familiar e os momentos de lazer.

(Fonte: Assessoria de Imprensa Embracon)

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Olá Júnior,

Primeiro quero agradecer sua nobre visita ao meu cantinho. É um prazer recebê-lo.

De estresse.

Dificilmente eu seria uma pessoa estressada.

Sou leve, tudo que eu não posso resolver está resolvido.

Não espero quem não ficou de vir.

Sou da liga. Só ligo para quem me liga.

Tenho paixão por mim, tenho vocação para ser feliz,e se não tivesse motivos para ser feliz, e os inventaria.

Eu acho que cada um de nós pode, muito bem, diagnosticar e prescrever a solução de nossos males.

Um abraço,

Dalinha

AMANHÃ É DIA DE MAIS UMA EDIÇÃO DO JORNAL GAZETA DO CENTRO-OESTE!

JUIZ CASSA MANDATO DO PREFEITO GILBERTO KASSAB


O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Resende Silveira, cassou o mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), da vice-prefeita, Alda Marco Antonio (PMDB), e de alguns vereadores e/ou suplente. Kassab é acusado de recebimento de doações ilegais na campanha de 2008. Cabe recurso e o advogado do prefeito, Ricardo Penteado, disse que vai recorrer. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O juiz Silveira manteve o mesmo entendimento que levou à cassação de 16 vereadores no fim de 2009. Todos os políticos que receberam mais de 20% do total arrecadado pela campanha de fonte considerada vedada pelo juiz foram cassados. "Se passou de 20%, independentemente do nome, tenho aplicado a pena por coerência e usado esse piso como caracterizador do abuso de poder econômico na eleição, um circulo vicioso que dita a campanha e altera a vontade do eleitor", afirmou ao jornal.

Entre as doadoras, estão a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e outras empresas concessionárias de serviços públicos que são impedidas por lei de colaborar com campanhas. Kassab e Alda teriam recebido a doação via Comitê Municipal ou via Diretório Nacional dos partidos.

O advogado de Kassab diz que a tese citada pelo juiz está "derrotada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2006". Ricardo Penteado se refere à decisão que considerou legais doações de concessionárias do governo federal para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Causa perplexidade e insegurança jurídica que assuntos e temas já decididos há tantos anos pela Justiça sejam reabertos e reinterpretados sem nenhuma base legal", afirma. "Por esse mesmo motivo seriam cassados desde o presidente Lula até o vereador do menor município do Brasil."

Os vereadores condenados, que teriam recebido diretamente, não tiveram seus nomes revelados pelo juiz, que se limitou a informar que foram nove os julgados desta vez. A sentença deverá ser publicada no Diário Oficial de Justiça de terça-feira.

Segundo a Agência Brasil, o partido Democratas (ex-PFL) criticou a decisão do juiz de cassar o prefeito. Para o partido, a decisão é “incoerente”, “eleitoral”, “irresponsável” e “criminosa”. De acordo com o líder da legenda no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), o partido está tranquilo e confia na Justiça. Ele preferiu não politizar a decisão, porém ressaltou que as “as decisões judiciais tem que ser coerentes”.

(Fonte: CONJUR)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

OBRIGADO À VIDA!





Violeta Parra, poetisa chilena, nos dá uma amostra magistral de um poema no qual conseguiu entrelaçar o canto de amor ao homem amado junto ao canto pela espécie humana e pela vida. As palavras se encontram e se mesclam em uma só intensidade, em um momento de felicidade e exaltação.

Violeta Parra toma da natureza o que a natureza nos deu de mais precioso – os sentidos, e os transforma, os eleva através da beleza da comparação entre a natureza e a pessoa amada. Violeta Parra nos faz captar o mundo através dos sentidos e depois, com uma sutileza de linguagem, com uma enorme capacidade de representação, ela os transforma, os organiza e nos devolve plenos de matizes através de seu bem-amado. Assim é "Obrigado à vida" (“Gracias a la vida”)

Num país de poetas universais como Neruda, Mistral e Huidobro, Violeta alcança um patamar internacional com textos de origem popular. Musa da juventude revolucionária do século passado, continua celebrada por cantores e estudiosos das letras de nosso continente.

TRADUÇÃO DE "GRACIAS À LA VIDA!"

Graças à vida que me deu tanto
Me deu dois luzeiros que quando os abro
Perfeito distingo o preto do branco
E no alto céu seu fundo estrelado
E nas multidões o homem que eu amo

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o ouvido que em todo seu comprimento
Grava noite e dia grilos e canários
Martírios, turbinas, latidos, aguaceiros
E a voz tão terna de meu bem amado

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele, as palavras que penso e declaro
Mãe, amigo, irmão
E luz iluminando a rota da alma do que estou amando

Graças à vida que me deu tanto
Me deu a marcha de meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanhas e planícies
E a casa sua, sua rua e seu pátio

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o coração que agita seu marco
Quando olho o fruto do cérebro humano
Quando olho o bom tão longe do mal
Quando olho o fundo de seus olhos claros

Graças à vida que me deu tanto
Me deu o riso e me deu o pranto
Assim eu distingo fortuna de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Graças à vida, graças à vida

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

DOMINGOS FILHO



Há pouco mais de cem anos nascia no sopé das montanhas do Líbano, próximo dos cedros milenares, o multifacetário artista Gibran Khalil Gibran. Amante daquela ambiência mística e fascinado pela natureza em fúria, adorava correr com os ventos e apreciar as tempestades.

Matriculado no Colégio da Sabedoria, em Beirute, recebeu em certa oportunidade uma admoestação do diretor que, procurando acalmar o vulcão de desejos impacientes que era sua alma, advertiu-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau. Gibran respondeu: "Mas as águias não usam escadas!"

Pessoas há que, como Gibran, têm espírito de águia: rompem os limites imaginários, as barreiras pré-conceituais e os obstáculos conceituais. Com a brisa do amor e o tufão do destemor, voam à frente apontando o horizonte de luz e o oceano energizante da vida.

No átrio quase imperscrutável da política, templo ordinariamente ornado com símbolos profanos, vez por outra divisamos asas de águia. O advogado Domingos Gomes de Aguiar Filho, atual Presidente da Assembléia Legislativa do estado do Ceará, é uma delas.

Em seu quarto mandato como representante maior da comuna “barro amarelo”, na origem tupi-guarani, depois São João do Príncipe ou, como se notabilizou nos tempos atuais, Tauá, Domingos Filho chegou ao comando do Parlamento Cearense e consolidou-se como um dos mais prestigiados representantes do povo da atual safra Alencarina.

Quem primeiro me desenhou um perfil do Domingão foi Moacir Soares. Era antevéspera do ano eleitoral municipal de 2004. Então Secretário de Saúde de Tauá na gestão de Patrícia, consorte de Domingos, Moacir ponderou: “Cuidado! Você vai conversar com um político acima da média. Como alguém que vai para uma partida de xadrez, prepare-se porque a qualquer momento ele poderá lhe surpreender com um xeque-mate”.

Com efeito, ao longo do diálogo senti que estava diante de um homem que cavalgava pela caatinga da política montado no alazão do pragmatismo, vestindo o gibão da ciência e tendo à mão o chicote da arte.

Inicialmente, pôs no tabuleiro as premissas em que assentava suas tratativas. Dentre outras, duas peças primordiais: a dama da franqueza e o bispo da lealdade.

Perguntou-me: - o que você acha imprescindível para a gente ganhar uma eleição? Falei que apreciava a “Teoria dos Três G”: Garra, Grana e Gente. Ou seja, disposição para o embate, estrutura de trabalho e apoio das pessoas. Ele replicou: Acrescente mais um, mude para a “Teoria dos Quatro G”: Garra, Grana, Gente e Gogó. Porque, uma boa comunicação também é essencial.
E, de fato, é muito atento a todas as formas de comunicação, inclusive a gestual. Arquiteto de frases impactantes, gosta de pontuar: “Palavras mentem; gestos, não”. (Aliás, um de seus movimentos gestuais é conhecido: levar a mão aos cabelos e enrolá-los como se estivesse fazendo cachos. Esse hábito sempre denuncia sua taxa de ansiedade ou índice de stress.)

Noutro momento da palestra, soltou: “Abstenho-me dessa política de amor e ódio que vocês praticam em Crateús”. Fiz-me de desentendido. Ele explicou: “Chamo política do amor e ódio essa prática crônica e irracional de um dia estar amando e, no outro, odiando. E vice-versa”.

No desenrolar daquela conversa senti a profecia de Moacir se materializando. Ele começou a lançar cordas invisíveis sobre mim e, ao final, estava amordaçado.

É óbvio que essa maestria com que toca a orquestra das articulações políticas tem uma nesga hereditária. Oriundo de uma fonte cristalina de políticos honrados, herdou do pai, Domingos Gomes de Aguiar, o amor à causa pública e o ímpeto de manter límpido o córrego da tradição familiar, iniciada com o seu bisavô, Domingos Gomes de Freitas, e seqüenciada pelo avô, Odilon Aguiar. Com a mãe e mestra, Mônica Moreira Gomes de Aguiar, aprendeu a soletrar o alfabeto da política.

Bacharel em direito pela Universidade Federal do Ceará, iniciou a militância na área do Direito Público. Logo descobriu que estava mais vocacionado a cumprir o mandato popular que o judicial. Eleito deputado estadual pela vez primeira em 1994, sempre ocupou cargos na Mesa Diretora da Assembléia. Foi duas vezes segundo vice-presidente; uma vez terceiro secretário e duas vezes quarto secretário. No seu quarto mandato parlamentar, foi eleito para a presidência do Legislativo Estadual e reeleito por unanimidade dos seus pares.

No iter popularis, se defrontou com momentos decisivos em que viu testada a máxima que sempre proclama de ser “amigo dos amigos”. Em 2002, enquanto muitos debandaram, manteve-se quase solitariamente fiel no compromisso assumido com o colega de Assembléia Wellington Landim, então candidato ao Governo do Estado.

Orador empolgado, não raro entremeia suas falas com canjas musicais. Gosta da boa música, como MPB e o forró autêntico, tipo pé de serra. Certa vez, foi assediado por um músico popular que desejava montar uma banda. Num arroubo pragmático, idealizou a banda “Forró sem limite”. Ainda bem que familiares o demoveram da idéia...

Se, como empresário musical era uma incógnita, como político se revelou empreendedor nato. Comanda hoje o maior volume de realizações da história do Legislativo. Desde 2008, preside o Parlamento Nordestino, que tem como objetivo defender de forma conjunta soluções para os problemas que atingem os estados da região. E, em setembro de 2009, foi eleito presidente do Colegiado dos Presidentes das Assembléias Legislativas do País (biênio 2010/2011). O primeiro nordestino a comandar o Colegiado.

Descortinou 2010 à frente do Governo do Estado, cuja interinidade foi marcada pelo estilo cauteloso, discrição na postura e nobreza nas atitudes. Em todas as rodas de projeção política, quando se discute o cenário de uma vice-governadoria para o PMDB, seu nome é o que mais desponta.

Sobre isso, seu espírito de águia nada fala. Embora saiba, como Gibran, que as águias desconhecem escadas, Domingos Filho prefere subir com talentosa habilidade e solene firmeza cada degrau da escadaria do sucesso!

(Por Júnior Bonfim - na Revista Gente de Ação)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A ERA DO FIM DOS EMPREGOS

O problema do desemprego é uma ameaça real em todo o mundo, que se agrava diante do crescimento desordenado da população e se torna um desafio quando enfrentamos crises como a que vivemos no último ano. Apesar dos sinais de recuperação da economia, uma lição ficou na mente dos executivos: fazer mais com menos.

Não tem jeito, os duros prejuízos reportados ao longo das inúmeras crises que passamos deixaram marcas e as empresas estão cada vez mais conscientes de que não podem jogar dinheiro fora. Aquela era de gastos desvairados em momentos de torneiras abertas acabou. Hoje, qualquer investimento que for feito será muito bem avaliado, pensado e dimensionado. E mais do que nunca a questão custo versus retorno certamente ditará as regras de todos os projetos que sairão da gaveta.

As perspectivas para 2010 e os anos que se seguirão são bastante positivas. Mas como já disse, nada será como antes. Haverá emprego como antes? Minha resposta é não. As estatísticas mostram claramente que o modelo do emprego formal, como estamos acostumados a ver da carteira assinada, está acabando. Da mesma forma que assistimos a uma reinvenção das profissões.

Pode parecer um cenário catastrófico, mas as mudanças que vemos hoje terão impactos profundos bem mais cedo do que imaginamos. Quando o economista Jeremy Rifkin, em seu livro “O Fim dos Empregos” previu um futuro sombrio há 16 anos, não só causou grande polêmica, como foi alvo de olhares desconfiados, já que estamos acostumados a ver futurologias caírem por água abaixo. Infelizmente, ele estava certo.

A busca com sofreguidão por redução de custos na produção provocou cortes e mais cortes de postos de trabalho. Por outro lado, esta nova fase, chamada por Rifkin de a terceira revolução industrial, é o resultado do surgimento de novas tecnologias, como o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações e as demais tecnologias que aos poucos vão pondo máquinas nas atividades anteriormente realizadas por seres humanos.

O pior de tudo é que as pessoas ainda não se deram conta de que viverão cada vez mais, não encontrarão tantas oportunidades de trabalho porque já não há empregos para todo mundo como antes e terão carreiras mais curtas nas empresas. Esses aspectos já estão afetando suas vidas e é um caminho sem volta.

O mercado de trabalho não consegue absorver os milhares de profissionais que perdem seus empregos todos os dias e quem passou dos 60 enfrenta o dilema de encontrar um lugar ao sol. O que fazer então se dados recentes do IBGE chamam a atenção para o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, que está na casa dos 72 anos? A resposta para este paradoxo – menos emprego, carreiras mais curtas e a longevidade – é planejar a carreira o mais cedo possível e antes que a tragédia do desemprego perene bata à sua porta.

Ter um plano B deixou de ser uma possibilidade para se transformar em necessidade imperiosa. No livro “O Melhor Vem Depois”, que escrevi em coautoria com a jornalista Andrea Giardino, retratamos bem essa questão. Impressionante os depoimentos que nos chegam diariamente dos leitores que comprovam esse movimento que acontece no mercado. Tem sido difícil dar conta de tantos pedidos de conselhos de como enfrentar a situação. Casos, às vezes, desesperadores.

Muitos dos profissionais que entrevistamos para ilustrar o livro foram reféns desse cenário e por não terem um plano B, ingenuamente acreditavam que se recolocariam rapidamente. O ex-presidente da GVT, Marcio Kaiser, enfrentou um duro golpe ao se ver um belo dia sem o sobrenome corporativo e descobrir que não havia mais espaço para seu talento. Após meses e meses de tentativas, parece ter encontrado um caminho.

Se tivesse traçado uma meta desde cedo, talvez seu destino tivesse sido outro e não o da vítima do acaso. Cabe a nós dentro dessa sociedade baseada na informação, valorizar nosso conhecimento e transformar as competências adquiridas em algo que nos perpetue como população ativa, mesmo aos 70 anos.

Quer um conselho? Corra e prepare o terreno desde já e comece a traçar seu plano B.

A vida não segue roteiros, mas para quem se planeja a rota seguirá seu curso desejado. Pode não ser exatamente do jeito que você idealizou, no entanto, não o deixará refém do destino. Lembre-se que se você não conduzir o barco da sua vida, ele vai fazê-lo por você.

Se você não for o comandante pelo menos seja um passageiro da primeira classe e aproveite a paisagem. Ficar aí ao sabor do destino não dá. Reaja!

(Por Selem e Bertozzi)